Alberto Rodrigues Marques Ana Sofia Sá André Silva Carla Afonso Carolina Serrano Dora Meirelles Fábio Veras Francisco Correia Jéssica Burrinha Joana Pitta (Não Joana)
Lena Wan Marco Pestana Mikha-Ez Poli Pieratti Rita Vidigal Rodrigo Empis Rúben Lança Sal Silva Tiago Santos
SINGULAR
PACE
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ALBERTO RODRIGUES MARQUES ANA SOFIA SÁ ANDRÉ SILVA CARLA AFONSO CAROLINA SERRANO DORA MEIRELLES FÁBIO VERAS FRANCISCO CORREIA JÉSSICA BURRINHA JOANA PITTA (NÃO JOANA) LENA WAN MARCO PESTANA MIKHA-EZ POLI PIERATTI RITA VIDIGAL RODRIGO EMPIS RÚBEN LANÇA SAL SILVA TIAGO SANTOS
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17 de novembro 2018 a 5 de janeiro 2019 november 17, 2018 to january 5, 2019
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TECHNICAL INFORMATION
Singular Pace Exposição Coletiva // Collective Exhibition 17 de novembro 2018 a 5 de janeiro 2019 november 17, 2018 to january 5, 2019 Curadoria // Chief Curator Helena Mendes Pereira Comunicação e Produção Executiva // Communication and Executive Production Catarina Martins Apoio à Comunicação e Produção Executiva // Communication and Executive Production Support Vanessa Ribeiro
Artistas // Artists Alberto Rodrigues Marques Ana Sofia Sá André Silva Carla Afonso Carolina Serrano Dora Meirelles Fábio Veras Francisco Correia Jéssica Burrinha Joana Pitta (Não Joana) Lena Wan Marco Pestana Mikha-Ez Poli Pieratti Rita Vidigal Rodrigo Empis Rúben Lança Sal Silva Tiago Santos
// Photography and Video // Catalog Print
// Number of Copies 300 exemplares // 300 copies 02 | SINGULAR PACE
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(…) se nos compete atenuar os aspectos difíceis de toda a criação artística, digna desse nome, cabe-nos igualmente advogar o desenvolvimento das estruturas educativas à escala nacional, preconizando o acesso igualitário das populações à contemporaneidade e ao sentido da sua História, isto é, da sua dinâmica sócio-cultural.
Em 1977, no seguimento dos IV Encontros Internacionais de Arte, realizados nas Caldas da Rainha, Rocha de Sousa (n.1938) escreve um texto de reflexão (excerto com o qual se começa a peça) sobre os famigerados Encontros, enunciando pressupostos que continuam a merecer profunda inquietação e que colocam a tónica na necessidade de reflexão/reestruturação do ensino superior artístico em Portugal, pensando o artista (ou o autor) como um agente potencial da mudança e da transformação e o contacto com a Arte como condutor da literacia e do empoderamento do Ser Humano através do conhecimento. A arte não é um processo de exclusão por modas mas de requalificação e reinvenção por modos. A seleção de artistas, em processo de formação ou recém-formados pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, que integram a exposição coletiva SINGULAR PACE, surge no âmbito da edição de 2018 (realizada dias 19 e 20 de maio) das Galerias Abertas (GA-AB) e das propostas que ocuparam o espaço da Escola. Quem escolheu expor, escolheu não se resignar e procurar divulgar, em contracorrente e com riscos, o seu trabalho. Marcadas pelo informalismo e, em alguns casos, pela gestão do espaço a partir do caos dos ateliers, nas GA-AB as propostas de centenas de estudantes e ex-estudantes destacavam-se quando mantinham o fio condutor na experimentação de processos e de materiais, articulando ousadia conceptual e um certo virtuosismo, de certa forma, classicizante. Procurando potenciar a divergência e abrindo o leque de formas de ver, a zet gallery somou ao desafio um júri constituído por Cabral Pinto (diretor artístico da Fundação Bienal de Arte de Cerveira), Fernanda Araújo (artista plástica) e Jorge da Costa (diretor do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais). Contudo, chegar à razão de 19 protagonistas não mereceu discussões alargadas dado que, de uma forma geral, nos pareceram estes como os que claramente se destacavam, positivamente, entres centenas de hipóteses. Não negando as disciplinas, a vanguarda acentua-se na negação dos vícios classificativos e quando sentimos que o atelier (ou a Escola) são verdadeiros laboratórios. No edifício do antigo Convento de São Francisco, a distribuição fazia-se por disciplinas e ciclos de ensino, parecendo-nos que os cruzamentos de formas de ver estavam para além da escolha de materiais e suportes. Neste sentido, após a seleção, o exercício foi ligar estas 19 vozes e com elas escrever uma estória que apoie a leitura dos públicos e nos sirva para perspetivar o porvir. Do que se fala quando se fala de Pintura? Do que se fala quando se fala de Escultura? Serão o desenho, a ilustração, a instalação, a fotografia intervalos, aglomerações ou compensações? Comecemos pela pintura. “Atualmente, a prática da Pintura (pelos Pintores) é uma tekhné aparentemente distinta daquela que se praticava na sua origem. Precisamente, os modos e os meios de passar conhecimentos foram alterados. Da oficina, onde se privilegia a relação mestre/discípulo baseada na observação do fazer e numa escuta por parte do aprendiz, passando pelo ensino coletivo em academias ou à aprendizagem autodidata, manifesta-se uma perda da ordem do esquecimento das referências autorais, dos modos de fazer, dos recursos técnicos e, igualmente, emerge um ganho na SINGULAR PACE
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pintura enquanto tekhné, ou seja, como uma prática que alia instrumentos próprios, saberes e modus operandi ao raciocínio inteligente. A análise desta perda e deste ganho mostra como a pintura, tal como as outras artes, tem um percurso de constantes atualizações onde é possível verificar, através das obras pictóricas tomadas como testemunhos desta prática artística, a absorção e inclusão de outros media que, ora complementam, ora substituem os tradicionais – e assumindo definitivamente uma posição contracorrente – sem«matar» a pintura, no sentido de lhe anunciar um «fim».”1 Alberto Rodrigues Marques, André Silva, Dora Meirelles, Fábio Veras, Francisco Correia, Rúben Lança, Sal Silva e Tiago Santos vêm claramente da pintura. Pensam o objeto artístico na sua bidimensionalidade, ainda que as suas linguagens tenham derivações concretas de influência, por um lado, no neoexpressionismo abstrato, matérico, caminhando em alguns casos para a essência da abstração através da poética e da cor enquanto valor absoluto e, por outro, nos neoexpressionismos anglo-saxónicos que emergem na década de 1950 e em que se trabalha a figura humana de dentro para fora, ou seja, da emoção para a expressão, no apoio da anatomia e da representação. Carla Afonso, Carolina Serrano, Jéssica Burrinha, Joana Pitta (Não Joana) pensam o objeto escultórico. Lena Wan posiciona-se com a fotografia. Ana Sofia Sá, Rodrigo Empis e Rita Vidigal, bem como mikha-ez (com Javier Ayuso) experimentam o vídeo: os primeiros três enquanto trabalho coletivo e mikha-ez em colaboração. Ana Sofia Sá, Marco Pestana, o próprio mikha-ez e Poli Pieratti situam-se, contudo, se pensarmos na instalação enquanto prática, no campo da hibridez, na designada Arte líquida, que se adapta do pensamento de Zymunt Bauman2 (1925-2017). Negação das formas e dos formatos, num exercício do ser do hoje e da vanguarda, procurando beber para lá da Academia. Nas escolhas do júri, mesmo nos campos disciplinares mais restritos, exatos, verifica-se este exercício de preterir o que só de estritamente técnica de faz, ao mesmo que se exclui o que nos parece aleatório e ausente de pensamento plástico e conceptual. A seleção pretende “demonstrar que a um processo cultural híbrido a resposta pictórica passa por uma composição de elementos formais representativos de origens culturais diferenciadas que se interligam num processo de cut and paste (…). O processo cut and paste composto pela apropriação de identidades pictóricas diferentes resgata-as pela sua utilização/recriação, criando novos contextos, através de sobreposições, transparências, camadas criando planos, criando perspetiva. A conjugação destes vários elementos pode gerar uma multiplicidade de soluções, renovando o seu significado e mensagem.”3 São caminhos, são periferias. Tudo o que se apresenta em SINGULAR PACE é o início do caminho de um autor, em alguns casos, ainda em formação. O início acentua-lhe a periferia. Acentua-lha a perspetiva de laboratório enquanto lugar de experimentação, do desbravar da ciência das coisas. Nestes 19 autores, perseguindo a filosofia de Clive Bell (1881-1964), “a arte não é acerca da vida, mesmo quando parece sê-lo. O único conhecimento relevante que o observador precisa de ter é um sentido de forma, de cor e de espaço tridimensional.”4 Na juventude dos protagonistas de SINGULAR PACE, a ausência de carga emotiva, contribui para a construção de um percurso de maior liberdade, despojado de preocupações mundana, burguesas e, até, senhoriais e coloca a atenção no processo criativo enquanto processo de aprendizagem, construtor de uma identidade visual e pro1
MACEDO, Rui - “De que se fala quando se fala de Pintura” in SABINO, Isabel (coordenação) – And Painting? A pintura contemporânea em questão. Lisboa: CIEBA-FBAUL, 2014. Página 46. 2 3
BAUMAN, Zygmunt – Modernidad Liquida. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2012.
CORDEIRO, Conceição - “Tempos do ‘cut and paste’? Uma leitura híbrida da Pintura” in SABINO, Isabel (coordenação) – And Painting? A pintura contemporânea em questão. Lisboa: CIEBA-FBAUL, 2014. Página 71. 4
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WARBURTON, Nigel – O Que é a Arte? Lisboa: Editorial Bizâncio, 2007. Páginas 22 e 23.
motor da consistência de um projeto. É, por isso, com alguma expectativa que acompanharemos a evolução destas nossas primeiras apostas. Expor, museografar, catalogar, documenta e inscreve. É um ponto de partida e é o que também queremos ser: ponto de partida e porto de abrigo dos artistas e dos criadores. Queremos ajudá-los a ser culto. Nas palavras de Walter Banjamin (1892-1940): A receção da arte verifica-se com diversas técnicas, das quais se destacam duas, polares. Uma assenta no valor de culto, a outra no valor de exposição da obra de arte. A produção artística começa por composições ao serviço do culto. É lícito supor-se que estas composições sejam mais importantes pela sua existência do que pelo facto de serem vistas 5 A exposição e os seus 19 autores interpelam em silêncio o espaço em galeria, o cubo branco objeto do nosso desejo e, em silêncio, as propostas destes jovens criadores ganham um ritmo singular, com aberturas e encerramentos, saturações e zonas de respiração. Há momento em que o corpo do contemplador para (porque o tempo, esse, não para). Contudo, SINGULAR PACE chega por uma ideia de aproximação da sugestão corpórea de Ana Sofia Sá a uma das imagens mais fortes de Singularidades de uma Rapariga Loura (2009), filme de Manoel de Oliveira (1908-2015) que parte de um conto de 1874 de Eça de Queiroz (1845-1900), o primeiro de cunho realista e que nos conta a história de amor entre Macário e Luísa. Luísa “tinha o carácter louro como o cabelo - se é certo que o louro é uma cor fraca e desbotada: falava pouco, sorria sempre com os seus brancos dentinhos, dizia a tudo «pois sim»; era muito simples, quase indiferente, cheia de transigências” 6 . Na visita às GA-AB, a obra Retorno de Ana Sofia Sá, na sugestão de intervalo entre as pernas de uma mulher, assinalado pela ausência e pelas singelas cadeiras de Escola, a memória da Luísa de Oliveira assaltou-me. Era ela nas suas várias posições e sempre a selecionar o melhor local para olhar o mundo. A partir daquele plano e retendo a câmara parada de oliveira a gravar o espelho que gravada quem descia e que descia a escadaria do palácio, SINGULAR PACE surge enquanto proposta: partimos das cadeiras da Escola, dos seus intervalos e ausências. Faremos perguntas. Os estudantes fazem-nas e parte do ruído de fundo das GA-AB é pela inquietação das perguntas e decisões. Em SINGULAR PACE, o ritmo é o processo. O caráter processual das obras de arte não é mais do que o seu cerne temporal. Se para elas a duração se torna intenção, de modo que afastam de si o que presumem efémero e se eternizam por semidiante formas puras e rigorosas ou através do caráter nefasto da universalidade humana, encurtam assim a sua vida, ativam a pseudomorfose no conceito que, como âmbito constante de realizações mutáveis, ambiciona segundo a sua forma justamente aquela estática intemporal, contra a qual luta o caráter tensivo da obra de arte. SINGULAR PACE tem essa tensão. É esse intervalo, esse laboratório, essa Luísa. Tudo se compõe em redor das suas cadeiras e da sua ausência. Para ver, na zet gallery (Braga) até 5 de janeiro de 2019. Helena Mendes Pereira
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BENJAMIN, Walter – Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política. Lisboa: Relógio d’Água Editores, 2012. Páginas 70 e 71. QUEIROZ, Eça de - Singularidades de uma Rapariga Loura. Cascais: Sopa de Letras, 2013 . ADORNO, Theodor W. - Teoria da Estética. Lisboa: Edições 70, 2008. Página 269. SINGULAR PACE
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(…) If one should attenuate the complex aspects of all artistic creation, worthy of that name, one should equally advocate the development of educational structures to a national scale, enabling populations to have equal access to contemporaneity and its sense of history; namely, its social-cultural dynamics.
In 1977, following the IV International Art meetings, which took place in Caldas da Rainha, Rocha de Sousa (n.1938) writes a reflection text with which the exhibit began, about the memorable meetings stating assumptions that continue to merit a deep sense of restlessness. These assumptions emphasize the need for reflection/restructuring in higher artistic education in Portugal, seeing the artist or the author as a potential agent of change and transformation, and the contact with art as a conductor of literacy and as a means of empowerment of the human being through knowledge. Art is not a process of exclusion by trends, but rather a process of requalification and reinvention by modes. The selection of artists enrolled in or recently graduated from the Fine Arts College in Lisbon, who make up the collective exhibition SINGULAR PACE, emerges during the 2018 Opening Galleries (GA-AB) edition, that took place on the 19th and 20th of May, and from the proposals which occupied the school space. Those who chose to exhibit, opted not to resign themselves and sought to divulge their own work, despite countercurrents and with all the risks involved. Marked by informalism, and, in some cases by space management deriving from the chaos found in art studios at GA-BA hundreds of proposals by students and ex-students stood out when they maintained the guiding thread throughout the experimentation of the processes and materials, revealing a boldness of concept and significant virtuosity, in some instances even classicizing. Seeking to potentiate divergence and opening up to new perspectives, Zet gallery added to this challenge a jury consisting of Cabral Pinto (artistic director of Fundação Bienal de Arte de Cerveira), Fernanda Araújo (plastic artist) and Jorge da Costa (director of Centro de Arte Contemporânea Graça Morais). Notwithstanding, the selection of 19 protagonists did not call for substantial discussion given the fact that, in general, these clearly seemed to positively stand out from the hundreds of options. Without overlooking the subjects, the vanguard is evident in the denial of classification vices and when we feel that the studio (or School) are true laboratories. In the building of the old Convento de São Francisco, the distribution took place through subjects and teaching cycles, seeming as though the various ways of looking and observing went far beyond the choice of supports and materials. In this sense, after the selection was made, the task was to bring these 19 voices together and through them write a story that would support public reading and help us prospect the future. What comes to mind when discussing painting? What comes to mind when discussing sculpture? Is it a drawing, an illustration, a setup, photography intervals, agglomerations or amends? Let us begin with painting. Presently, the practice of painting (by painters), is a tekhné apparently distinct from the one which was practiced in its origin. Precisely, the ways and means of transmitting knowledge have been changed. From the workshop, where the master/disciple relationship is privileged based on the possibility of observing and on the disciple’s predisposition to listen, to collective teaching and self-taught learning, a certain forgetfulness is noticed when it comes to copyright references, ways of producing and technical resources. Simultaneously, a certain 06 | SINGULAR PACE
gain is acquired in painting as tekhné, that is, as a practice which combines its own instruments with knowledge, and modus operandi with intelligent reasoning. The analysis of this loss and gain, shows how painting and other arts undergo constant updates where it is possible to verify, through pictorial works taken as testimonies of this artistic practice, the absorption and inclusion of other media, which both complement and replace the traditional ones, assuming a countercurrent position, without destroying the painting in the sense of announcing its «end»1 Alberto Rodrigues Marques, André Silva, Dora Meirelles, Fábio Veras, Francisco Correia, Rúben Lança, Sal Silva and Tiago Santos visualize the painting clearly. They ponder the artistic object in its two dimensions even when their languages hold concrete derivations of influence. On one hand in the abstract, material neoexpressionism, leading in some cases to the essence of abstraction through its poetics and colour as an absolute value, and on the other hand in the anglosaxonic neoexpressionism, which emerged in the 1950’s, and where the human figure is worked from the inside out, that is from emotion to expression using anatomy and representation as a support. Carla Afonso, Carolina Serrano, Jéssica Burrinha, Joana Pitta (Not Joana) ponder the sculptural object. Lena Wan positions herself in photography. Ana Sofia Sá, Rodrigo Empis and Rita Vidigal, as well as Mikha-ez (with Javier Ayuso) experiment vídeo. The first three in collective work, and Mikha-ez in collaboration. Ana Sofia Sá, Marco Pestana, Mikha-ez himself and Poli Pieratti, are, however, placed in the hybrid field, in the so called fluid Art, which adapts itself from Zymunt Bauman’s (1925-2017) thought 2. Denial of form and formats in the “being” of today and the vanguard seeking fulfillment beyond the Academy. In the jury’s choices, even in the most restricted, exact, disciplinary fields, this exercise takes precedence over what is strictly technical only, while excluding what seems random and void of plastic and conceptual thought. The selection aims to demonstrate that to a hybrid cultural process the pictorial response goes through a composition of formal elements representative of different cultural origins (backgrounds) that interwine in a process of cut and paste (...) The cut and paste process composed by the appropriation of different pictorial identities rescues them by their use / re-creation, creating new contexts, through overlaps, transparencies, layers which make up plans creating perspective. The combination of these various elements can generate a multiplicity of solutions, renewing their meaning and message.3 They are paths, they are peripheries. Everything that is presented at SINGULAR PACE is the beginning of an author’s path, in some cases, still in formation. The beginning accentuates his surroundings. It accentuates laboratory perspective as a place of experimentation, of unravelling the science of things. According to these 19 authors, pursuing the philosophy of Clive Bell (1881-1964), “art is not about life, though it may seem so. The only relevant knowledge the observer needs to have is a sense of form, colour, and three-dimensional space.”4 In the youth of the protagonists at SINGULAR PACE, the absence of emotional burden contributes to the construction of a course of greater freedom, stripped of worldly, bourgeois and even seigniorial concerns and places attention in the creative process as a learning process, constructor 1
MACEDO, Rui - “De que se fala quando se fala de Pintura” in SABINO, Isabel (coordenação) – And Painting? A pintura contemporânea em questão. Lisboa: CIEBA-FBAUL, 2014. Page 46. 2 3
BAUMAN, Zygmunt – Modernidad Liquida. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2012.
CORDEIRO, Conceição - “Tempos do ‘cut and paste’? Uma leitura híbrida da Pintura” in SABINO, Isabel (coordenação) – And Painting? A pintura contemporânea em questão. Lisboa: CIEBA-FBAUL, 2014. Page 71. 4
WARBURTON, Nigel – O Que é a Arte? Lisboa: Editorial Bizâncio, 2007. Pages 22 and 23. SINGULAR PACE
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of a visual identity and promoter of consistency in a project. It is, therefore, with some expectation that we will accompany the development of our first bets. We shall expose, handle museography, catalogue, document and register. It is a starting point and it is also what we want to be: the starting point and shelter for artists and creators alike. We want to help them become a reference. In the words of Walter Banjamin (1892-1940): The reception of art verifies itself with a diversity of techniques, from which two entirely different ones stand out. One is based on the value of the cult, the other on the value of the exhibition of the work of art. Artistic production begins with compositions at the service of the cult. It is legitimate to suppose that these compositions are more important for their existence than for being seen.5 The exhibition and its 19 artists silently interpellate the space in the gallery. The white cube, object of our desire, and the proposals of these young creators gain a singular rhythm with openings and closures, saturations and breathing zones. There is a moment in which the contemplator’s body stops (since time itself does not stop). However, SINGULAR PACE builds on an idea through Ana Sofia Sá’s suggestion of the physical resemblance to one of the strongest images in Singularidades de uma rapariga loura (2009) a film by Manoel de Oliveira(1908-2015). This film finds its inspiration in a 1874 tale by Eça de Queiroz (1845-1900), the first of realistic character which tells us a love story between Macário and Luisa. “Luísa had a fair character like her hair- given the fact that fair is a weakened and pale colour: she spoke little, smiled always with her little white teeth and said «yes» to everything; she was very simple, almost indifferent, full of compromises”6. When visiting GAAB Ana Sofia Sá’s work of art Retorno, a space between a woman’s legs, marked by absence and by unassuming school chairs, is suggested. Luísa de Oliveira’s memory struck me. It was she in her various positions always looking for the best place from which to view the world. From that layout and holding Oliveira’s camera still while recording the mirror that portrayed the image of those who went down the stairs of the palace, SINGULAR PACE appears as a proposal: we set off with school chairs, their spaces and voids. We shall ask questions, students do, and part of the clatter present at GA-AB is due to the restlessness deriving from questions and decisions. At SINGULAR PACE, rhythm is the process. The procedural nature of works of art is no more than its temporal essence. If for them duration becomes intention, by such dispelling what they presume to be ephemeral, and eternalize themselves through semidiant forms, pure and rigorous or through the nefarious character of human universality. They shorten their lives, activate pseudo-morphosis, in a scope of constant mutable realizations, strive in their form to achieve precisely that timeless static, against which the tensile character of the work of art struggles.7 SINGULAR PACE has that tension. It is that interval, that laboratory, that Luisa. Everything is formed around its chairs and their absence. To see at Zet gallery (Braga) until the 5th of January 2019. Helena Mendes Pereira 5 6 7
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BENJAMIN, Walter – Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política. Lisboa: Relógio d’Água Editores, 2012. Pages 70 and 71. QUEIROZ, Eça de - Singularidades de uma Rapariga Loura. Cascais: Sopa de Letras, 2013 . ADORNO, Theodor W. - Teoria da Estética. Lisboa: Edições 70, 2008. Page 269.
ALBERTO RODRIGUES MARQUES ANA SOFIA SÁ ANDRÉ SILVA CARLA AFONSO CAROLINA SERRANO DORA MEIRELLES FÁBIO VERAS FRANCISCO CORREIA JÉSSICA BURRINHA JOANA PITTA (NÃO JOANA) LENA WAN MARCO PESTANA MIKHA-EZ POLI PIERATTI RITA VIDIGAL RODRIGO EMPIS RÚBEN LANÇA SAL SILVA TIAGO SANTOS SINGULAR PACE
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ALBERTO RODRIGUES MARQUES
Alberto Rodrigues Marques 2,340Lx6138, 2018 (pormenor/detail) Acrílico entre chapa de aço microperfurada Acrylic between microperforated sheet steel 162 x 64,8cm
Alberto Rodrigues Marques Clepsydra I, 2018 Acrílico e verniz sobre chapa de aço Acrylic and lacquer on sheet steel 162 x 64.8cm
Alberto Rodrigues Marques Clepsydra II, 2018 Acrílico e verniz sobre chapa de aço Acrylic and lacquer on sheet steel 162 x 64.8cm SINGULAR PACE
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Ana Sofia Sรก Retorno, 2018 Gesso e cadeiras Plaster and chairs 250 x 300 x 400cm 12 | SINGULAR PACE
ANA SOFIA SÁ
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André Silva Sem título, 2018 Acrílico, cola branca, foto-transferência, fita adesiva e reparação de remendo de bicicleta em lona publicitária / Acrylic, white glue, photo-transfer, masking tape and repair bike patch on publicitary canvas 122 x 157cm 14 | SINGULAR PACE
André Silva Sem título, 2018 Aerossol e fita adesiva em PVC Aerosol and masking tape on PVC 111 x 139cm
ANDRÉ SILVA
André Silva Sem título, 2018 Impressão a laser, gel mate e tinta permanente em PVC / Lazer print, matte gel and permanent paint on PVC 27 x 33,5cm
André Silva Sem título, 2018 Inta permanente, acrílico e foto-transferência sobre PVC / Permanent paint, acrylic and photo-transfer on PVC 27 x 23,5cm SINGULAR PACE
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Carla Afonso Metrópolis parte I, 2018 Grés e cimento Stoneware and concrete 15 x 20 x 20cm 16 | SINGULAR PACE
Carla Afonso Metropólis I, 2018 Grés e cimento Stoneware and concrete 30 x 30 x 30cm
CARLA AFONSO
Carla Afonso Metropólis parte II, 2018 Grés, engobe, vidrado e arame Stoneware, glued, glazed and wire 15 x 60 x 15cm e 20 x 80 x 20cm SINGULAR PACE
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CAROLINA SERRANO
Carolina Serrano É com o meu sopro que penso, 2018 Parafina tingida Dyed paraffin 28,5 x 43 x 32cm
Carolina Serrano Doce distância II, 2018 Parafina tingida Dyed paraffin 25 x 25 x 38cm
Carolina Serrano Doce distância V, 2018 Parafina tingida Dyed paraffin 50 x 100 x 26cm
Carolina Serrano Sem título I (noites nocturnas), 2018 Parafina tingida Dyed paraffin 50 x 100 x 26cm
Carolina Serrano Doce distância III, 2017 Parafina tingida Dyed paraffin 35 x 54 x 32cm SINGULAR PACE
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DORA MEIRELLES
Dora Meirelles Autorretrato em blur, 2017 Acrílico sobre tela Acrylic on canvas 30 x 24cm
Dora Meirelles Belas Artes, 2018 Óleo sobre tela Oil on canvas 120 x 160cm SINGULAR PACE
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Fábio Veras Sem título, 2018 Técnica mista sobre papel Mix media on paper 59,4 x 42cm (x6) 22 | SINGULAR PACE
FÁBIO VERAS
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Francisco Correia Atrás no tempo (poemas debaixo dos pés), 2017 Óleo sobre tela / Oil on canvas 185 x 125cm 24 | SINGULAR PACE
FRANCISCO CORREIA
Francisco Correia Sem título (poemas debaixo dos pés), 2018 Óleo sobre tela / Oil on canvas 80 x 60cm
Francisco Correia Preencher as fendas (poemas debaixo dos pés), 2018 Óleo sobre tela / Oil on canvas 80 x 60cm SINGULAR PACE
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JÊsica Burrinha Recomeço, 2018 Cimento, tijolo, madeira, arame e planta viva Concrete, brick, wood, wire and living plant 121 x 30,5 x 30,5cm 26 | SINGULAR PACE
JÉSICA BURRINHA
SINGULAR PACE
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Joana Pitta (Nรฃo Joana) Desconheรงo, 2018 Acetatos impressos Printed transparencies 118 x 43cm 28 | SINGULAR PACE
NÃO JOANA JOANA PITTA
Joana Pitta (Não Joana) Alvoroço, 2018 Acetatos impressos, balsa e cartão Printed transparencies, raft and card 87 x 212 x 7cm SINGULAR PACE
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LENA WAN
Lena Wan E quando me chama eu nunca falto #4, 2017 Papel fotogrรกfico mate Matte photographic paper 90 x 60cm
Lena Wan E quando me chama eu nunca falto #7, 2017 Papel fotogrรกfico mate Matte photographic paper 40 x 60cm
Lena Wan E quando me chama eu nunca falto #1, 2017 Papel fotogrรกfico mate Matte photographic paper 40 x 60cm SINGULAR PACE
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Lena Wan E quando me chama eu nunca falto #3, 2017 Papel fotogrรกfico mate Matte photographic paper 60 x 90cm 32 | SINGULAR PACE
MARCO PESTANA
Marco Pestana Sem título, 2018 Carvão sobre papel Charcoal on paper 122 x 86cm
Marco Pestana Sem título, 2018 Carvão sobre papel Charcoal on paper 122 x 86cm SINGULAR PACE
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Marco Pestana Necessidade #2, 2018 Instalações elétricas e madeira queimada / Electrical installations and burnt wood 50 x 259 x 5cm 34 | SINGULAR PACE
Marco Pestana Necessidade #3, 2018 Instalações elétricas e madeira queimada / Electrical installations and burnt wood 10 x 200 x 10cm
Marco Pestana Pilar #1, 2018 Instalações elétricas e madeira Electrical installations and wood 30 x 250 x 30cm SINGULAR PACE
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mikha-ez Cuando el cuerpo metálico del meteorito se hace manto, 2017 Impressão sobre tapete / Print on carpet Colaboração / collaboration: Javier Ayuso e / and Crisne 200 x 128cm 36 | SINGULAR PACE
MIKHA -EZ
SINGULAR PACE
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Poli Pieratti Fronteiras do desconhecido, 2018 Instalação multimédia em processo In-process media installation Dimensões variáveis / Variable dimensions 38 | SINGULAR PACE
POLI PIERATTI
SINGULAR PACE
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Ruben Lança Vivem em ti os meus sonhos infinitos, 2018 Óleo sobre tela / Oil on canvas 41 x 33cm 40 | SINGULAR PACE
Ruben Lança Mais uma vez em vão, 2018 Óleo sobre tela / Oil on canvas 50 x 40cm
RÚBEN LANÇA
Ruben Lança O vento abraçava a paisagem, 2018 Óleo sobre tela / Oil on canvas 25 x 37cm SINGULAR PACE
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Sal Silva Daily Rations, 2018 CarvĂŁo e tinta da china sobre tela Charcoal and ink on canvas 195 x 100cm 42 | SINGULAR PACE
SAL SILVA
Sal Silva Agony, 2018 Carvão e tinta da china sobre tela Charcoal and ink on canvas 100 x 70cm
Sal Silva Fire Pit, 2018 Carvão e tinta da china sobre tela Charcoal and ink on canvas 100 x 70cm SINGULAR PACE
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Tiago Santos Sem título, 2018 Técnica mista sobre papel Mixed media on paper 85,5 x 65cm 44 | SINGULAR PACE
Tiago Santos Sem título, 2018 Técnica mista sobre papel Mixed media on paper 99 x 71cm
TIAGO SANTOS
Tiago Santos Sem título, 2018 Técnica mista sobre papel Mixed media on paper 60 x 85cm SINGULAR PACE
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ANA SOFIA SANTOS RITA VIDIGAL RODRIGO EMPIS
Ana Sofia Santos, Rita Vidigal e Rodrigo Empis Nós, e volta a ser ruína, 2017 Vídeo / Video 8 minutos / 8 minutes SINGULAR PACE
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Horário // Opening time 14:00 | 19:00 · segunda a sábado (exceto feriados) Outros horários mediante marcação 2:00 pm | 7:00 pm · monday to saturday (except holidays) Other schedules by appointment
Contactos // Contacts info@zet.gallery (+351) 253 116 620 www.zet.gallery
Morada // Address Rua do Raio, 175 4710-923 Braga Portugal
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