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7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS | 7 CASE-TO-CASE POETRY FORMS

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Ana Almeida Pinto João Carqueijeiro Juan Coruxo Luís Canário Rocha Miguel Neves Oliveira Pedro Figueiredo Raúl Ferreira


Ana Almeida Pinto João Carqueijeiro Juan Coruxo Luís Canário Rocha Miguel Neves Oliveira Pedro Figueiredo Raúl Ferreira

30 junho a 8 setembro 2018

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7 Formas Poético-Casuísticas Exposição Coletiva 30 junho a 8 setembro 2018

Artistas Ana Almeida Pinto João Carqueijeiro Juan Coruxo Luís Canário Rocha Miguel Neves Oliveira Pedro Figueiredo Raúl Ferreira Curadoria Helena Mendes Pereira Comunicação e Produção Executiva and Executive Production Catarina Martins Apoio à Comunicação e Produção Executiva Vanessa Ribeiro

300 exemplares 02 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


Cantoneiros A pura simetria dos cantoneiros concordes na sintonia clássica da sua dança, no modo como desmantelam a embriaguez, induzem o vómito a caixotes ou dispõem de bolas de plástico e as lançam para a baliza ruminativa sem tempo para comemorarem os golos. Pulgas da quietude, industriosos entre o mar de detritos, fosforescentes noctilucos, espectros a céu aberto, ídolos de montureiros, aclarando das margens as nuvens rentes sob aguaceiros desabridos. Acrobatas da morosidade fúnebre do seu curso, a cidade ignora-os ou execra aquele féretro deletério se apanhada no cortejo de ocasião. Daniel Jonas (in “Passageiro frequente (Língua Morta, 2013)”)

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Andamos a beber e a alimentar ideias fora do lugar, não por sermos geneticamente a elas avessos, mas porque as ideias que transformam as sociedades não são as que sobre elas pairam, repetidas ad nauseam no discurso de todos os dias, mas sim aquelas que criam raízes e se transformam em comportamentos individuais e sociais, isto é, aquelas que se intrometem e impregnam a cultura do quotidiano.1 A primeira ideia que esta exposição coletiva pretende afirmar e impregnar na cultura do contemporâneo é a de sinergia entre pessoas e projetos em prol da convicção de que a cultura é o único veículo capaz de transformar, de forma profunda e sustentável, os territórios, somando-lhes valor e configurando-os como lugares possíveis do sonho e do desejo coletivo. Neste sentido, mantendo a batuta no arranque da edição de 2018 da Feira do Livro de Braga e na gala de apresentação da 23ª edição do Grande Prémio de Literatura dst, que este ano premeia a poesia de Daniel Jonas. O conceito de cidade com que queremos fazer vingar é diferente do visceral e real do premiado que, com as suas palavras, nos mantém alerta e nos obriga a procurar não propagar o odor nauseabundo das clivagens socias que, cada vez em maior número e escala, nos marcam as ruas. Escreveu Adorno (1903-1969) que a ponta que a arte volta para a sociedade é, por seu turno, algo de social, reacção contra a pressão opaca do “corpo social”; tal como o progresso intra-estético, progresso das forças produtivas, especialmente da técnica, está ligado ao progresso das forças produtivas extra-estéticas.2 O sociólogo alemão, que ligamos à denominada Escola de Frankfurt, na admissão da importância do irracional, respeitando a negação, as contradições, o diferente, o dissonante e o inexpressável, leva-o a valorizar a Arte e a criação artística, sobretudo a vinculada com a vanguarda. Promover o contacto generalizados dos públicos com a criação artística contemporânea é a nossa forma de reagir e, sobretudo, de agir. Para a ação escolhemos sete protagonistas (sendo que um dos protagonistas divide palco com o grupo de outros protagonistas que com ele, no seu atelier, aprendem e exploram a cerâmica). Todos eles trabalham numa dimensão objetual mas não necessariamente de base escultórica, dado que inclui artistas que partem da expansão da dimensão mais lata da pintura, expandindo-a. Porquê o objeto tridimensional? Porquê a escultura, em sentido mais lírico? Recorrendo às palavras de Delfim Sardo, tudo tem que ver com a ausência ou com a presença do corpo e dos seus significantes que esta invoca e que nos interessa explanar, propor, impor cívica e esteticamente: A escultura nasceu de uma outra atividade mais antiga: a estatuária. E a estatuária sempre foi uma evocação da ausência – de alguém que desapareceu, de um acontecimento que, por já não estar presente, deve ser congelado em pedra ou em bronze. O nosso grau zero, o ponto de partida, é o seguinte pressuposto: a escultura é o substituto da estatuária e na sua afirmação está contida a sua morte, até porque a morte, a sua evocação, a evidência da ausência estão sempre no interior do processo escultórico. Nesse sentido (e este é o segundo pressuposto), a escultura do século XX consiste num perma1 2

ALMEIDA, Onésimo Teotónio – A Obsessão da Portugalidade. Lisboa: Quetzal Editores, 2017. Páginas 245 e 246. ADORNO, Theodor W. – Teoria Estética. Lisboa: Edições 70, 2008 (2ª edição). Página 59.

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nente retrabalhar da ausência, de um corpo que já não está lá – porque está noutro lugar, porque foi metamorfoseado, porque dele só resta um indício. Nesse processo, a escultura ampliou-se; ampliou-se tanto que deixou de o ser para se transformar no genéro artístico mais difícil de definir, mais difícil de circunscrever, porque a sua amplitude quase não possui exterior. (…) A escultura é o casulo para o nosso corpo, o mais perfeito correlativo da própria ideia de museu. 3 As perguntas, as dúvidas interessam à curadoria e interessam a esta curadoria. Interessa-nos questionar o disciplinar na arte contemporânea, sensual, insaciável no seu anseio de prazeres, sulcada por impulsos turvos4. Na seleção dos artistas, questionar a escultura enquanto disciplina, os seus limites, tendências e possibilidades determinou a escolha. Procuram-se os cruzamentos geracionais e autores com diferentes abordagens conceptuais e técnicas, bem como diversidade de metodologias e de materiais utilizados. Seis deles têm-se constituído como apostas curatoriais da zet gallery e, mantendo as práticas adotadas desde janeiro de 2017, as exposições são excelentes oportunidades para desafiar ao projeto artistas que habitam o quadro estético em que nos inscrevemos. A exposição 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS estabeleceu, assim, os seus próprios pressupostos e critérios: unir pessoas e projetos e questionar a escultura enquanto disciplina. São os artistas que unem e é através das suas produções que colocamos as questões. Como unem? Ana Almeida Pinto, João Carqueijeiro (e o Grupo em Construção do seu atelier), Juan Coruxo, Luís Canário Rocha, Miguel Neves Oliveira, Pedro Figueiredo e Raúl Ferreira partem dos livros, dos poetas e dos poemas, que, nesta narrativa expográfica, ocupam o lugar do sagrado em contraste com as obras de arte que são colocadas na interação direta com os públicos. As Artes e as Letras entram em circuito vicioso e contagiam-se. Voltando a Adorno, as obras de arte não devem ser compreendidas pela estética como objectos hermenêuticos; na situação actual, haveria que apreender a sua ininteligibilidade5. Ou, como aponta Barilli, podemos ler um qualquer poema, ou recolha lírica, ou romance com uma certa indiferença pelo formato do livro, o corpo, os caracteres escolhidos pelo editor; [contudo] a obra literária não renunciará a apresentar, a encenar, a dramatizar o caráter problemático e incerto que surge exatamente no nosso “vivido”6. A relação aos poetas e às suas palavras apoia, subjetivamente, o leitor/contemplador na apreensão da obra de arte. Por partes. Breve enquadramento. Ana Almeida Pinto (n.1984) é licenciada e mestre em Artes Plásticas – Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Expõe individual e coletivamente desde 2007 e em 2017 venceu duas Menções Honrosas: uma na 4ª Bienal Internacional Mulheres D’Artes, Espinho, com a obra “Geração Arrasta_2015” e outra na 2ª Bienal Internacional de Gaia, com a obra “Resistência (da Solitude)_2017”. Tem sido assídua a sua participação em residências 3

SARDO, Delfim – O Exercício Experimental da Liberdade: Dispositivos da arte no século XX. Lisboa: Orfeu Negro, 2017. Páginas 140 e 143. 4 5 6

CROCE, Benedetto – Breviário de Estética. Lisboa: Edições 70, 2008. Página 71. ADORNO, Theodor W. – Teoria Estética. Lisboa: Edições 70, 2008 (2ª edição). Página 181. BARILLI, Renato – Curso de Estética. Lisboa: Editorial Estampa, 1994. Páginas 67 e 68. 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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artísticas e como dinamizadora de workshops e outras atividades de caráter pedagógico. Ana Almeida Pinto acredita na abrangência da escultura e nas suas múltiplas ligações. Pensa e trabalha a fisicalidade no processo escultórico, enquanto ato, pensamento, perceção e contemplação. Nesta exposição, propõe-nos um conjunto de obras em que explora o xisto (na sua relação com o ferro), recorrendo a técnicas da cerâmica e debatendo-se com as imposições inerentes às características naturais da matéria. A série “Resistências” parte de Alexandre O’Neill (19241986) e do poema “Um Adeus Português”. João Carqueijeiro (n.1954), através do domínio da técnica da cerâmica, há muito que se elevou à condição de escultor. Nas suas obras descobrimos as texturas e as cores da matéria em formas ambiciosas e que o artista procura que interpelem o espaço e coloquem sucessivos desafios ao espectador. João Carqueijeiro concluiu o Curso Superior de Desenho na Cooperativa Árvore (ESAD), em 1982, sob orientação do mestre Sá Nogueira e especializou-se em Roda de Oleiro, Vidrados de Grés e Raku, na Escola de Cerâmica de La Bisbal, na Catalunha. Desde 1981 que se dedica ao ensino da cerâmica, quer no âmbito da Formação Profissional, quer de Cursos de Especialização, Orientação de Estágios, Workshops, Cursos Livres, acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua de Professores e pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional. Expõe desde 1986, em Portugal e além-fronteiras, mantendo atividade regular de dinamizador de atividades e eventos ligados à cerâmica. Encontramos painéis seus em Portugal e Espanha, podendo destacar-se o painel cerâmico em relevo de 0,75 x 100 x 0,05 metros, para exterior do Crowne Plaza Hotel em Vilamoura. Artista premiado, a sua obra integra coleções de museus em Portugal, na China ou no Japão. Apresenta-nos uma instalação, produzida no seu atelier na Senhora da Hora, em Matosinhos, onde se respira o ambiente da produção cerâmica, tecnologia que dá resposta à criatividade e ao gesto deste que é por muitos considerado o maior ceramista português da atualidade. É neste mesmo local que realiza workshops e incentiva à criação de projetos protagonizados por outros. É neste contexto que surge o Grupo em Construção (constituído por Ana Riobom, Arménia Vasconcelos, Arminda Garrido, Cecília Côrte-Real, Edgar Moreira, Eduarda Coquet, Fátima Figueiras, Fernanda Figueiredo, Inês Almeida, Isabel Bonifácio, Isabel Sousa Ribeiro, Luís Colares, Manuela Silva, Mariana Tenreiro, Marta Maia, Mavilde Gonçalves, Nuno Ferreira, Olga Leite e Raquel Quelhas) que apresenta porque não azul?, uma peça que integrará um conjunto de azulejos numa estrutura feita de malha–sol proveniente do parque de materiais do dst group. João Carqueijeiro parte de António Ramos Rosa (1924-2013) e do poema “Cada árvore é um ser para ser em nós”. O Grupo em Construção parte de António Gedeão (1906-1997) e do poema “Aurora Boreal”. Juan Coruxo (n.1961) é natural da Galiza, de Vigo e a sua incursão no meio artístico tem sido resultado de uma enorme persistência e generosidade. O seu material de eleição é o ferro que aprendeu a dominar, uma vez que, profissionalmente, exerce funções como técnico numa metalúrgica. Desde o início da sua carreira (1995), tem sido um colaborador habitual de distintos artistas, ibéricos e de outras proveniências internacionais. A partir de 2000, as suas obras ganharam um estilo próprio cada vez mais aperfeiçoado, marcadamente abstrato, ainda que com sugestões formais autobiográficas. Tem participado em exposições individuais e coleti06 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


vas e as suas obras integram já diversas coleções particulares e institucionais. Parte de Rosalía de Castro (1837-1885) e de um excerto de “O Toque da Alba” que o remete para o tema dos incêndios do Verão de 2017 que têm marcado a sua produção mais recente. Luís Canário Rocha (n. 1986) é natural de Guimarães e fez a sua formação académica em pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A influência da Academia e dos seus métodos faz-se sentir no traço virtuoso, por um lado e, por outro, no processo de investigação experimental. Ao longo dos últimos anos, tem vindo a desenvolver um conjunto de trabalhos de forte influência neoexpressionista e, em particular, do americano Jean-Michel Basquiat (19601988). É aliás curiosa esta associação ambiental àquele que é considerado o artista que inventou o conceito de arte urbana, hoje institucionalizada. Luís Canário Rocha pertence a uma geração de artistas que aplica a aprendizagem da academia à intervenção urbana, devolvendo ao desenho e à construção do real, espaço privilegiado. Da rua e das linguagens de intervenção urbana, traz a paleta viva, as palavras (repletas de conotação social e política) que povoam o suporte e os temas. A evolução que se tem verificado na obra de Luís Canário Rocha, nos últimos anos, revela-nos, ainda, a adesão a uma das tendências da pós-modernidade artística: a dessacralização dos suportes, recorrendo aos reutilizáveis. Neste caso, destacam-se os trabalhos em e sobre madeira da série cidades. Estas cidades, imaginadas, remetem-nos para cenários conhecidos de viagens reais ou virtuais mas, sem dúvida, envolvem-nos no ambiente cosmopolita e denso dos nossos dias. Da visão das cidades, o seu trabalho evolui agora para a apreensão dos detalhes, surpreende-nos com o estendal, cena caricata do quotidiano dos centros históricos que marcam o seu ADN. Parte de Ary dos Santos (1937-1984) do poema “A Cidade”. Miguel Neves Oliveira (n.1980) expõe desde 2000. Contudo, o escultor cresceu entre o ruído da matéria natural da qual brota a vida que se torna arte. A sua formação é, em parte, empírica e vocacional e é a sua simplicidade que faz dele um artista cujo talento se tem evidenciado e sido merecedor da aposta da zet gallery. O artista tem na madeira o seu material de eleição, contudo permanece aberto a novas descobertas e às potencialidades de materiais como o ferro, mantendo a aplicação de uma paleta de influência no universo da pop que define o resultado visual do seu trabalho. Voltando a Adorno, a relação com o Novo tem o seu modelo na criança que busca no piano um acorde jamais ouvido, ainda virgem. Mas, o acorde existia já desde sempre, as possibilidades de combinação são limitadas; na verdade, já tudo se encontra no teclado. O Novo é a nostalgia do Novo, a custo ele próprio; disso enferma tudo o que é novo. O que se experimenta como utopia permanece algo de negativo contra o que existe, embora lhe continue a pertencer 7. Recentemente, Miguel Neves Oliveira aproximou-se do ferro e no regresso à madeira aprimora-se a sua relação à natureza e torna-se ainda mais leve a paleta que aplica às suas formas. A obra de arte expande-se, cresce em ambição, ocupa o espaço. Nas letras, partiu de Henry David Thoreau (1817-1862) e de um excerto de “Maças Silvestres & Cores de Outono”. Pedro Figueiredo (n.1974) é um produto da oferta de ensino artístico do centro do país. Concluiu o curso profissional de Cerâmica na Escola Artística de Coimbra (ARCA, E.A.C.), a li7

ADORNO, Theodor W. – Teoria Estética. Lisboa: Edições 70, 2008 (2ª edição). Páginas 57 e 58. 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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cenciatura em Escultura, a pós-graduação em Comunicação Estética e o Mestrado em Artes Plásticas na Escola Universitária das Artes de Coimbra (ARCA, E.U.A.C.). Expõe individualmente desde 2000 e a sua obra é protagonista do espaço público e integra coleções públicas e privadas das mais relevantes a nível nacional e internacional (com destaque para coleções em Espanha e Cuba). Artista premiado, as suas obras provêm de um imaginário surrealizante e surpreendem-nos tecnicamente e pelo convite à construção criativa de sonhos. A obra escultórica de Pedro Figueiredo, apesar de figurativa, afasta-se da representação do real, remetendo-nos para um universo de sentimentos ou circunstâncias onde as associações são livres. Trata-se de escultura em parte conceptual, ainda que o conceito não seja o seu foco criativo. Os seus corpos esculpidos (formalmente humanos) são prospeções de conceitos que o artista parcialmente revela através dos títulos das peças, ora quase místicos e misteriosos, ora facilmente relacionáveis com a forma que vemos. Recorrendo à simplicidade, à desproporção e à distorção, presenteia-nos com figuras exageradamente verticais ou horizontais, assentes em pés ou mãos basilares que se salientam do restante organismo devido a uma presença agigantada e algo primitiva. Os seus trabalhos são sobretudo executados em resina de poliéster, bronze e grés cerâmico. Parte de João Mendes Rosa e de um excerto de “tecido vago doutras horas”. É, aliás, do discurso de João Mendes Rosa, também diretor do Museu Regional da Guarda, que se extraem parte das palavras que servem a narrativa sobre o artista. Raúl Ferreira (n.1975) é licenciado em pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e alia a sua atividade como artista plástico ao exercício da docência. Expõe desde a década de 1990, individual e coletivamente. Na série Avesso, nas palavras do artista, revela a sua insatisfação com os limites tradicionais da pintura. Dessa insatisfação, surge um conjunto de objetos instáveis e em constante desequilíbrio, nos quais sobrevive a revelação dos métodos mais tradicionais de construção. A pintura monocromática, quase neutral, justifica-se para evidenciar o ritual do ato de construir/desconstruir. A tela é quebrada, cortada e dobrada numa encenação que procura encontrar uma outra narrativa, uma outra identidade, o seu lugar. Parte de Miguel Torga (1907-1995) e do que, também, sobreviveu de “Ignoto”. A escolha sui generis é sintomática do seu recato e perfil. Como disse Friedrich Nietzsche (1844-1990) temos a arte para não morrer da verdade. Desta feita, os artistas e os poetas salvam-nos da crueza dos dias. As formas que ora integram esta exposição são assim casualmente poéticas pois, como se disse, as letras da poesia (e alguma prosa) somaram-se às obras dos artistas que já queríamos, que já havíamos escolhido. Com a casualidade em torno da forma poética ligamo-nos ao mundo, à cidade. Voltando a Croce e com ele concluindo: a arte é uma verdadeira síntese a priori estética, de sentimento e imagem na intuição, da qual se pode repetir que o sentimento sem a imagem é cego e a imagem sem o sentimento é vazia. 8 Helena Mendes Pereira

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BCROCE, Benedetto – Breviário de Estética. Lisboa: Edições 70, 2008. Página 38.e 29.

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1984

ANA ALMEIDA PINTO

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Um Adeus Português Nos teus olhos altamente perigosos vigora ainda o mais rigoroso amor a luz de ombros puros e a sombra de uma angústia já purificada

Não podias ficar presa comigo à pequena dor que cada um de nós traz docemente pela mão a esta dor portuguesa tão mansa quase vegetal

Não tu não podias ficar presa comigo à roda em que apodreço apodrecemos a esta pata ensanguentada que vacila quase medita e avança mugindo pelo túnel de uma velha dor

Não tu não mereces esta cidade não mereces esta roda de náusea em que giramos até à idiotia esta pequena morte e o seu minucioso e porco ritual esta nossa razão absurda de ser

Não podias ficar nesta cadeira onde passo o dia burocrático o dia-a-dia da miséria que sobe aos olhos vem às mãos aos sorrisos ao amor mal soletrado à estupidez ao desespero sem boca ao medo perfilado à alegria sonâmbula à vírgula maníaca do modo funcionário de viver

Não tu és da cidade aventureira da cidade onde o amor encontra as suas ruas e o cemitério ardente da sua morte tu és da cidade onde vives por um fio de puro acaso onde morres ou vives não de asfixia mas às mãos de uma aventura de um comércio puro sem a moeda falsa do bem e do mal

Não podias ficar nesta cama comigo em trânsito mortal até ao dia sórdido canino policial até ao dia que não vem da promessa puríssima da madrugada mas da miséria de uma noite gerada por um dia igual

* Nesta curva tão terna e lancinante que vai ser que já é o teu desaparecimento digo-te adeus e como um adolescente tropeço de ternura por ti. Alexandre O’Neill

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Ana Almeida Pinto Resistência (do corpo), 2018 Xisto expandido, metal e madeira. 60 x 50 x 20cm 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Ana Almeida Pinto Resistência (do Diálogo) II, 2016 Xisto expandido, metal e madeira. 145 x 60 x 45cm

Ana Almeida Pinto Resistência (do Diálogo) I, 2016 Xisto expandido, metal e madeira. 125 x 45 x 50cm 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Ana Almeida Pinto Resistência (do Outro), 2018 Xisto expandido e metal. 100 x 50 x 25cm 14 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


Ana Almeida Pinto Resistência (do Eu), 2018 Xisto expandido e metal. 100 x 50 x 25cm 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Ana Almeida Pinto Resistência (da Paz) I, 2018 Xisto expandido e metal. 75 x 75 x 15cm 16 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


1954

JOÃO 1981 CARQUEIJEIRO

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Cada árvore é um ser para ser em nós Cada árvore é um ser para ser em nós Para ver uma árvore não basta vê-la A árvore é uma lenta reverência uma presença reminiscente uma habitação perdida e encontrada À sombra de uma árvore o tempo já não é o tempo mas a magia de um instante que começa sem fim a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas e de sombras interiores nós habitamos a árvore com a nossa respiração com a da árvore com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses António Ramos Rosa

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João Carqueijeiro Troncos, 2018 (detalhes) Instalação constituída por 12 peças em cerâmica Raku, óxidos e vidrados sobre uma estrutura em tubo de ferro; cerâmica refratária, terra sigillata e cozeduras Saggar. Cada peça tem 320 x 12cm (altura e diâmetro). Fotografia: João Leal 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Série Oblivious city, 2012 Impressão lambda (1/5) Lambda print (1/5) 50 x 75 cm 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Aurora Boreal Tenho quarenta janelas nas paredes do meu quarto. Sem vidros nem bambinelas posso ver através delas o mundo em que me reparto. Por uma entra a luz do Sol, por outra a luz do luar, por outra a luz das estrelas que andam no céu a rolar. Por esta entra a Via Láctea como um vapor de algodão, por aquela a luz dos homens, pela outra a escuridão. Pela maior entra o espanto, pela menor a certeza, pela da frente a beleza que inunda de canto a canto. Pela quadrada entra a esperança de quatro lados iguais, quatro arestas, quatro vértices, quatro pontos cardeais. Pela redonda entra o sonho, que as vigias são redondas, e o sonho afaga e embala à semelhança das ondas. Por além entra a tristeza, por aquela entra a saudade,

e o desejo, e a humildade, e o silêncio, e a surpresa, e o amor dos homens, e o tédio, e o medo, e a melancolia, e essa fome sem remédio a que se chama poesia, e a inocência, e a bondade, e a dor própria, e a dor alheia, e a paixão que se incendeia, e a viuvez, e a piedade, e o grande pássaro branco, e o grande pássaro negro que se olham obliquamente, arrepiados de medo, todos os risos e choros, todas as fomes e sedes, tudo alonga a sua sombra nas minhas quatro paredes. Oh janelas do meu quarto, quem vos pudesse rasgar! Com tanta janela aberta falta-me a luz e o ar. António Gedeão 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Grupo em Construção porque não azul?, 2018 (detalhe) Instalação site specific com azulejos sobre malha sol. Dimensões totais: 500 x 280cm 24 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


1961

JUAN 1981 CORUXO

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O Toque de Alba *** Cando penso que te fuches, negra sombra que me assombras, ó pe dos meus cabezales tornas facéndome mofa. Cando maxino que es ida no mesmo sol te me amostras, i eres a estrela que brila i eres o vento que zoa. Si cantan, es ti que cantas; si choran, es ti que choras; i es o marmurio do río i es a noite i es a aurora. En todo estás e ti es todo, pra min i en min mesma moras, nin me abandonarás nunca, sombra que sempre me asombras. Rosalía de Castro (in “Follas novas”)

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Juan Coruxo Cara al Aire, 2003 Ferro 55 x 35 x 60cm

Juan Coruxo Vento Mareiro, 2002 Ferro 55 x 38 x 36cm 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Juan Coruxo Amor de Amores, 2004 (1/7) Aço inoxidável 42 x 19 x 30cm 28 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

Juan Coruxo Paxaro (da série “Decomposicion del circulo), 2017 (1/7) Aço inoxidável 82 x 42 x 61cm

Juan Coruxo A Rianxeira (Alegoria golpear de las olas del mar), 2002 Aço inoxidável 34 x 48 x 61,5cm


1986

LUÍS CANÁRIO 1981 ROCHA

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A cidade é um chão de palavras pisadas A cidade é um chão de palavras pisadas a palavra criança a palavra segredo. A cidade é um céu de palavras paradas a palavra distância e a palavra medo. A cidade é um saco um pulmão que respira pela palavra água pela palavra brisa A cidade é um poro um corpo que transpira pela palavra sangue pela palavra ira. A cidade tem praças de palavras abertas como estátuas mandadas apear. A cidade tem ruas de palavras desertas como jardins mandados arrancar. A palavra sarcasmo é uma rosa rubra. A palavra silêncio é uma rosa chá. Não há céu de palavras que a cidade não cubra não há rua de sons que a palavra não corra à procura da sombra de uma luz que não há. José Carlos Ary dos Santos. In Sofrimento. Obra poética.

limograma 003 Técnica mista sobre gelatina prata Mixed media on gelatina silver Dimensão variável | Variable size 30 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

limograma 002 Técnica mista sobre gelatina prata Mixed media on gelatina silver Dimensão variável | Variable size


Luís Canário Rocha (Im)plants I, 2018 Técnica mista (acrílico e caneta posca) sobre papel de revista. 30 X 42cm

Luís Canário Rocha (Im)plants III, 2018 Técnica mista (acrílico e caneta posca) sobre papel de revista. 30 X 42cm

Luís Canário Rocha Refúgio I, 2018 Técnica mista (acrílico e caneta posca) sobre papel de revista. 30 X 42cm

Luís Canário Rocha Refúgio III, 2018 Técnica mista (acrílico e caneta posca) sobre papel de revista. 30 X 42cm 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Luís Canário Rocha Estendal, 2018 (série de 21 peças de madeira pintadas) Técnica mista sobre construções de madeira. Dimensões variáveis. 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Luís Canário Rocha Cidades de Bolso, 2017 (série de 30 peças de madeira pintadas) Técnica mista sobre construções de madeira. Dimensões variáveis. 34 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


1980

MIGUEL NEVES 1981 OLIVEIRA

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Folhas Caídas “(...) Quanta agitação até que repousem sossegadamente nas suas sepulturas! Elas que pairavam tão altivamente, com que contentamento regressam de novo ao pó e se depositam, resignadas a jazer e a decompor-se aos pés da árvore, proporcionando alimento a novas gerações da sua espécie, bem como a esvoaçar nas alturas. Elas ensinam-nos a morrer. Perguntamo-nos se alguma vez chegará o tempo em que os homens, com a sua alardeada fé na imortalidade, se deitarão com tanta elegância e maturidade e se despojarão dos seus corpos como o fazem dos cabelos e das unhas, com uma serenidade de Verão de São Martinho.(...)” Henry David Thoreau (in “Maças Silvestres & Cores de Outono”)

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Miguel Neves Oliveira Folhas Caídas II, 2018 Instalação de e peças executadas em madeira de castanho, granito e galhos de videira. Dimensões variáveis

PAG 38 E 39 Miguel Neves Oliveira Folhas Caídas I, 2018 Instalação com 5 peças executadas em madeira de castanho, granito e galhos de videira. Dimensões variáveis 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Miguel Neves Oliveira Urbano-Predial II, 2018 Executada em madeira de pinho tratado. 130 x 105 x 48cm 40 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


Miguel Neves Oliveira Edifício terra II, 2018 Executada em madeira e granito. 130 x 60 x 17cm 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Miguel Neves Oliveira Edifício terra I, 2018 Executada em madeira, granito e galhos de videira. 245 x 60 x 45cm 42 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


1974

PEDRO 1981 FIGUEIREDO

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Tecido Vago Doutras Horas # 02.30h anoto anoto o calar paulatino luniforme. vaga indiferente................................................ paisagem. terra pacificada. solo inerte. chão extinto
da passagem da memória, da surtida ou da deambulação taciturna. mas houve um dia
poetas sobre o pautado destino terroso.
calaram-se obviamente desaproveitados
e não lhes parecia aceitável construírem-se
as cidades sem que os caracteres apócrifos dissessem onde ficam as fontes e as estátuas
e as rosáceas nas catedrais. ...................................................
coleia no imaginário um fio de navalha, esquiçado
pelo lápis-de-cor que coleia e coloreia de carmim
as carmes maiúsculas oriundas de torrentes escritas
e ditas de neve. partiram para longe todas as letras combinadas, as blasfémias à pureza das vestais que juntas davam apenas poemas modestos
e timoratos. ficou a vozearia, o microfone e o altifalante. João Mendes Rosa

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Pedro Figueiredo Sete, 2018 Poliéster e Metal Dimensões variáveis 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Pedro Figueiredo Desenho, 2018 Poliéster e Metal 197 x 90 x 50cm 46 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


Pedro Figueiredo Interseção Umbilical, 2018 Poliéster e Metal 151 x 100 x 58cm 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Pedro Figueiredo Universo Alado, 2016 Poliéster 205 x 75 x 75cm 48 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


Pedro Figueiredo Mãos, 2018 Gesso Patinado Dimensões variáveis 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Pedro Figueiredo Viagem, 2018 Gesso Patinado Dimensões variáveis 50 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS


1975

RAÚL 1981 FERREIRA

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“Sinto o medo do avesso.” Miguel Torga (único verso não rejeitado do poema “Ignoto”, 1928)

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Raúl Ferreira Avesso, abraço, 2015 Cimento branco sobre tela 83 x 82 x 50cm

Raúl Ferreira Avesso, corpo, 2015 Cimento branco sobre tela 84 x 82 x 53cm 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Raúl Ferreira Avesso, muro adentro, 2016 Cimento branco sobre tela 81 x 51 x 33cm 54 | 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

Raúl Ferreira Avesso, sua pele, 2015 Cimento branco sobre tela 80 x 81 x 50cm

Raúl Ferreira Landscape #11, 2017 Cimento branco sobre tela 93 x 50 x 40cm

Raúl Ferreira Naked Landscape, 2014 Cimento branco sobre tela 87 x 18 x 20cm


Raúl Ferreira Palavras Imperfeitas. A desconstrução., 2018 Cimento branco sobre tela Díptico de dimensões variáveis. 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS

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Horário 14:00 | 19:00 · segunda a sábado (exceto feriados) Outros horários mediante marcação

Contactos info@zet.gallery (+351) 253 116 620 www.zet.gallery

Morada Rua do Raio, 175 4710-923 Braga Portugal

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