Publicação mensal • Novembro - November 2023 • Ed. 64 • Ano 06 • 300 MZN • xonguila.co.mz
RAFAEL PORTUGAL
Os múltiplos palcos de um artista completo The multiple stages of a complete artist
MEDITERRANEO GASTRONOMIA Onde comer é descobrir Where eating is discovering
10 ANOS DA MCI Uma década de inovação A decade of innovation
"DANÇAS COMIGO?"
A nova exposição fotográfica de Mariano Silva The new photographic exhibition by Mariano Silva
Fotografia: Cortesia de Rafael Portugal
4 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
Rafael Portugal, um artista completo, de muitos palcos
Bem sucedido no teatro, na televisão, no streaming e no cinema, de Rafael Portugal já se disse que é “alegria em forma de talento, na sua mais pura simplicidade e verdade”.
Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 5
Rafael Portugal, um artista completo, de muitos palcos Actor, cantor, compositor e humorista, Rafael Portugal é um dos nomes mais populares e aclamados do humor da nova geração do Brasil. Bem sucedido no teatro, na televisão, no streaming e no cinema, venceu diversos prémios como Melhor Actor e Melhor Humor, e dele já se disse que é “alegria em forma de talento, na sua mais pura simplicidade e verdade”. Integra, desde 2015, a equipa do “Porta dos Fundos”, um dos maiores canais brasileiros no YouTube, conhecido por seus sketches de comédia, sarcasmo, sátira política, humor absurdo e humor negro. Rafael Portugal, de 38 anos de idade, nasceu e cresceu no Realengo, um subúrbio do Rio de Janeiro, numa família com parcos recursos financeiro, e foi participando num projecto de bairro que entrou na vida artística. Para conhecer melhor o seu percurso e as suas diversas facetas artísticas, a Xonguila teve o grande privilégio de o entrevistar, e aqui o apresenta, no seu próprio português. Disse-nos que está louco por trazer o seu humor ao vivo em Moçambique e conhecer-nos de perto. Como é que o seu percurso e crescimento em Realengo influenciaram o seu humor e a sua arte? Sou um privilegiado! Tive uma infância riquíssima, apesar de ter sido pobre: melhores amigos, histórias, família... Eu sempre digo que meus amigos são fontaes de inspiração. A vida em Realengo me deu tudo o que sou hoje como profissional. O que significa para si o sucesso no humor, especialmente sendo de uma origem suburbana? Sou grato por esse reconhecimento. Ser o orgulho dos meus amigos, vizinhos e família é o que me faz ser essa pessoa já realizada. Hoje, vivo feliz com meu trabalho, e meu trabalho é com o humor. E ter nascido no subúrbio me deu toda a história de que preciso, tanto nos momentos difíceis como nos de vitória.
Ter nascido no subúrbio me deu toda a história de que preciso, tanto nos momentos difíceis como nos de vitória. […] O meu jeito de criar e de fazer está muito dentro do quotidiano, do dia-a-dia do outro, das minhas vivências em Realengo, das coisas que eu vi acontecer. 6 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
Fotografia: Cortesia de Rafael Portugal
Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 7
Fotografia: Cortesia de Rafael Portugal
Ei, Moçambique! Estou louco para conhecer vocês de perto e poder levar meu humor para vocês ao vivo. 8 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
Como é que a experiência de ter um cachet de apenas 5 reais no início da carreira lhe ensinou sobre a indústria do entretenimento e o valor do seu trabalho? Nossa, foi difícil! Muitas vezes, eu pensei em desistir, sabe? Eu sempre soube que a única coisa que eu sabia fazer na vida era actuar e fazer rir, e só. Me perguntava: “Meu Deus, o que eu vou fazer da minha vida se isso não der certo? Eu não sei fazer mais nada.” Que inspiração está por trás da criação de "Coração Suburbano" e quais as expectativas para a série? Encontrar, o que eu, de facto, encontrei foram as muitas vidas incríveis que vivem no subúrbio, as múltiplas expressões artísticas que não chegam no asfalto, que vivem no morro, no canto distante, no subúrbio. Eu ri, mas muito mais me emocionei e cresci. Vi o quanto minha história foi de privilégio e encontrei gente lutando de verdade. Eu queria contar essas histórias! Qual é a importância da música e da composição no contexto actual de sua vida e carreira? Eu sempre amei música. Na minha casa, sempre se cantou de tudo, e eu tinha vontade de aprender a tocar violão. Achava um máximo a pessoa que tocava um violão na roda de amigos. Um dia, eu aprendi e virei essa pessoa. Porém, não sabia tocar tantas músicas, e assim comecei a compor as minhas próprias, que me vinham na cabeça conforme eu ia descobrindo novas melodias. De que forma a canção "João de Barro", interpretada por Maria Gadú, impactou a sua trajectória na indústria da música? Eu já compus muitas músicas e tenho até canções hoje gravadas com L7, Papatinho e PK. Mas nada se compara com “João de Barro”. Ela, na minha vida, é tão gigante e já chegou em tantos lugares. As pessoas sempre me perguntam: “É sua mesmo?” Como lida com as suas inseguranças e autojulgamento enquanto figura pública e humorista? Ah, inseguranças... eu tenho muitas, muitas mesmo. Aliás, para tudo que me convidam, eu escuto sempre com muita alegria. Mas sempre acho que, para aquilo que estão me convidando, existe uma pessoa melhor para fazer. Eu meio que tenho que trabalhar isso muitas vezes na minha cabeça. Porque, eu acho, às vezes, as ideias são tão boas que me convidam em alguns projectos e eu sempre penso em uma outra pessoa. Aliás, as coisas que eu escrevo, que eu já escrevi de roteiros e textos, eu sempre fiz pensando em
outras pessoas fazendo. Eu meio que também gosto desse olhar de fora, sabe? Mas, muitas vezes, é sabotador para mim mesmo. Não me sinto com aquela coragem, fico com medo de atrapalhar, de prejudicar a obra de uma outra pessoa, porque não me sinto capaz. Enfim, vivo nesse processo constante de entender que posso, sim, fazer, e que posso fazer muito bem. Então, é... eu tenho, de facto, as inseguranças, esse julgamento. Não gosto de me assistir, tenho uma dificuldade absurda de assistir pronto, depois…. tenho tudo isso, tenho tudo isso real. Mas tenho alegria de estar fazendo trabalhos onde eu, de facto, queria muito fazer. Até hoje, nunca fiz nada que eu não quisesse fazer e em que estivesse ali por alguma obrigação, sabe? Desde que entrei na Porta dos Fundos e comecei a fazer sketches de humor, sempre fiz tudo o que quis, ali, nos outros projectos que me apareceram. Eu sou muito privilegiado quanto a isso. Tenho o privilégio de fazer coisas incríveis e de trabalhar com pessoas incríveis, com directores e roteiristas. E isso sempre foi muito bom para mim. De que forma a autocrítica interfere no seu processo de criação de anedotas e sketches? Ah, eu tenho ideia... Eu penso nisso o tempo todo. Tudo que eu vejo é cena, e até é difícil controlar, porque às vezes eu não quero falar sobre... Mas tudo que eu escuto, tudo que eu vejo no meu dia-a-dia, eu encontro um motivo para estar escrevendo alguma história, alguma coisa, sabe? Eu vejo humor em muitas coisas, sabe? Sejam elas das coisas mais trágicas até as de facto muito engraçadas. Às vezes, coisas que eu vejo e sei que as pessoas vão se identificar porque acabam fazendo aquilo no dia-a-dia mesmo. Sabe? Eu sinto isso, e meio que o meu jeito de criar e de fazer está muito dentro disso, do quotidiano, do dia-a-dia do outro, das minhas vivências em Realengo, das coisas que eu vi acontecer em Realengo. Das muitas personas, muita gente engraçada, sabe? Muita gente divertida. Eu sempre digo isso: que os meus amigos são muito mais engraçados que eu. Se as pessoas pudessem ver, os meus amigos de infância são as pessoas mais engraçadas do mundo e são minha inspiração. Então eu tenho isso assim. Os meus sketches nascem meio que do dia-a-dia, as minhas piadas e o que eu sinto, sabe? O óbvio é que hoje, quanto às críticas, eu sinto que já possuo um público que conhece o meu jeito de fazer humor e conhece o meu trabalho. Então, no humor, fico muito numa zona de conforto de coisas que eu faço, que eu sei que existe uma galera que vai gostar daquele meu jeito de fazer humor. Eu sou muito grato por isso.
Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 9
Num dos seus vídeos para o Porta dos Fundos, você aborda o tema da colonização portuguesa. Este é um tópico que ecoa tanto na história do Brasil como na de Moçambique. Como vê o papel do humor em discutir e até desmistificar as marcas do colonialismo? O humor tem esse poder. Eu tenho o privilégio de fazer a Porta dos Fundos com roteiristas inteligentíssimos. Aliás, com um canal que faz muitas e muitas críticas, tendo o humor ali como um caminho, sabe? Para que a gente dê risada, olhe, enxergue e fale: “Caraca, é isso?” Sabe nessa ferida, nessa acidez que o humor te coloca aí para você enxergar? Aliás, muitas vezes são coisas óbvias, mas que às vezes não são vistas ou não querem ser vistas. Mas, rindo, a gente consegue te colocar nesse lugar de: “Olha, é assim, foi assim, tá? Foi desse jeito”. Apesar de a gente estar colocando qualquer coisa a mais que pareça exagero, que muitas vezes pode parecer só coisas pontuadas com humor, foi uma pura verdade, né? De equívoco, de sarcasmo, de maldade e de tudo que você possa imaginar. E a colonização portuguesa foi isso! A gente tem muitos vídeos sobre essa temática, sabe? A gente gosta muito de bater, de zoar, de zoar o opressor, né? Aquele que oprimiu. Esse é o grande ponto.
Fotografia: Cortesia de Rafael Portugal
Há elementos da cultura de PALOP que influenciam ou inspiram o seu trabalho como humorista e artista? Sem dúvidas, a influência e inspiração que a gente vai absorvendo desde criança na música e cultura... Conhece algum artista ou grupo de comédia em ascensão em Moçambique, e, se sim, como avalia o estilo e a abordagem humorística que estão a trazer para o panorama da comédia internacional? Conheço a Maira Santos, que acho supertalentosa e que, inclusive, tenho acompanhado. Eu tenho visto além de humorista, eu tenho dado risada e curtido muito as grandes batalhas de Rap. Levando em consideração que o povo de Moçambique demonstra uma notória atenção para com o Brasil, talvez devido aos laços históricos derivados do passado 10 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
colonial partilhado, acredita que a comédia pode servir como uma ponte para unir e entrelaçar as culturas de países distintos, como o Brasil e Moçambique? Claro!!! Acho que deveria rolar um festival de comédia com comediantes do Brasil e de Moçambique juntos em um palco. Fábio Porchat, após ser entrevistado pela Xonguila, viu surgirem oportunidades de realizar uma digressão por Moçambique. Pondera que, após a nossa conversa, possa surgir o interesse ou a possibilidade de levar o seu espectáculo de stand-up até ao público moçambicano? Sem dúvidas. Inclusive, faço parte há alguns anos do mesmo escritório de produção do Fábio, a SAYD Produções, que produz nosso show no Brasil. Espero me apresentar pelos mesmos lugares em Moçambique. Que aspectos da cultura e tradições moçambicanas acha que poderiam ser explorados através da comédia para promover uma compreensão e apreciação mais profundas? A comédia te dá a oportunidade de se expressar de diversas maneiras, e eu acho que a cultura moçambicana deve ser expressa em todos os seus aspectos. Eu assisto a alguns canais moçambicanos no YouTube e, aliás, há um tempo venho acompanhando dois professores de Moçambique que fazem vídeos reagindo aos conteúdos de humor do “Porta dos Fundos”, “A Culpa é do Cabral” e outras produções brasileiras. Eles dão o ponto de vista deles, sempre dando um olhar do que é parecido com Moçambique, entre outras coisas. Um deles, o Pereira Horácio JR, está no Brasil agora, e eu até pretendo estar com ele. Quero levá-lo para conhecer uma gravação do “Porta dos Fundos”. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para deixar uma mensagem especial ao nosso público em Moçambique, que tem acolhido a comédia brasileira com tanto carinho e entusiasmo? Ei, Moçambique! Estou louco para conhecer vocês de perto e poder levar meu humor para vocês ao vivo. Fico aqui, agora, contando os dias. Um grande beijo em todos, e vamos produzir esse festival!
Acho que deveria rolar um festival de comédia com comediantes do Brasil e de Moçambique juntos em um palco. Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 11
Lusofonia
Rafael Portugal, a complete artist, from many stages Actor, singer, songwriter and comedian Rafael Portugal is one of the most popular and acclaimed names in humour of Brazil's new generation. Successful in theatre, television, streaming and cinema, he has won several awards such as Best Actor and Best Humour, and has been said to be "joy in the form of talent, in its purest simplicity and truth". Since 2015, he has been part of the "Porta dos Fundos" team, one of the biggest Brazilian YouTube channels, known for its comedy sketches, sarcasm, political satire, absurd humour and black humour. Rafael Portugal, 38, was born and raised in Realengo, a Rio de Janeiro suburb, in a family with few financial resources, and it was by participating in a neighbourhood project that he entered the artistic life. To find out more about his career and his various artistic facets, Xonguila had the great privilege of interviewing him, and here we present him in his own Portuguese. He told us that he's looking forward to bringing his humour live to Mozambique and getting to know us up close.
Fotografia: Cortesia de Rafael Portugal
How did your background and growing up in Realengo influence your humour and art? I'm privileged! I had a very rich childhood, even though I was poor: best friends, stories, family... I always say that my friends are sources of inspiration. Life in Realengo gave me everything I am today as a professional. What does success in humour mean to you, especially coming from a suburban background? I'm grateful for this recognition. Being the pride of my friends, neighbours and family is what makes me such a fulfilled person. Today, I live happily with my work and my work is with humour. And being born in the suburbs has given me all the history I need, both in difficult times and in times of victory. How did the experience of having only R$5 Reais as payment at the start of your career teach you about the entertainment industry and the value of your work? Wow, it was hard! I often thought about giving up, you know?! I always knew that the only thing 12 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
I knew how to do in life was perform and make people laugh, and that was it. I asked myself: "My God, what am I going to do with my life if this doesn't work out? I don't know how to do anything else." What was the inspiration behind the creation of "Coração Suburbano" (Suburban Heart) and what are your expectations for the series? What I did find were the many incredible lives that live in the suburbs, the multiple artistic expressions that don't reach the asphalt, that live on the hill, in the far corner, in the suburbs. I laughed, but I was more emotionally moved and grew. I saw how privileged my story was and I met people who were really fighting. I wanted to tell these stories! What is the importance of music and composition in the current context of your life and career? I've always loved music. In my house, we always sang all sorts of songs and I wanted to learn how to play the guitar. I thought people who played the guitar in a circle of friends were amazing. Eventually, I learnt and became that person. But there were many songs I didn't know how to play, so I started writing my own, which came to me as I discovered new melodies.
Lusofonia
How did the song "João de Barro", performed by Maria Gadú, impact your career in the music industry? I've written many songs and even have songs recorded today with L7, Papatinho and PK. But nothing compares to "João de Barro". It is such a giant in my life and has reached so many places. People always ask me: "Is it really yours?" How do you deal with your insecurities and self-judgement as a public figure and comedian? Oh, insecurities... I have many, many of them. In fact, I'm always very happy to be asked to do anything. But I always think that, for what they're inviting me to do, there's a better person. I often have to work this out in my head. Because, I think, sometimes the ideas are so good that they invite me onto some projects and I always think of someone else. In fact, the things I write, the scripts and texts I've written, I've always done with other people in mind. I kind of like that outside look too, you know? But it often sabotages me. I don't feel brave enough, I'm afraid of getting in the way, of damaging someone else's work, because I don't feel capable. Anyway, I live in this constant process of realising that I can do it, and that I can do it very well. So it's... I do have insecurities, this judgement. I don't like watching myself, I find it absurdly difficult to watch myself, then.... I have all this, I really have all this. But I'm happy to be doing work that I really wanted to do. To this day, I've never done anything that I didn't want to do or where I was there out of obligation, you know? Since I joined Porta dos Fundos and started doing comedy sketches, I've always done everything I've wanted to do, there and in the other projects that have come my way. I'm very privileged in that respect. I have the privilege of doing incredible things and working with incredible people, with directors and screenwriters. And that's always been very good for me. Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 13
Lusofonia
A charcoal portrait of Rafael Portugal by the Mozambican artist Baptista Chipanga 14 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembrobaptista_chipanga_art - November 2023
+258 87 613 9478
Lusofonia
How does self-criticism affect your process of creating jokes and sketches? Well, I have an idea... I think about it all the time. Everything I see is a scene, and it's hard to control, because sometimes I don't want to talk about it... But everything I hear, everything I see in my day-to-day life, I find a reason to be writing a story, something, you know? I see humour in a lot of things, you know? From the most tragic to the really funny. Sometimes I see things that I know people will relate to because they end up doing them in their day-to-day lives. You know?! I feel that, and my way of creating and doing things is very much part of that, of everyday life, of other people's everyday lives, of my experiences in Realengo, of the things I've seen happen in Realengo. From the many personas, lots of funny people, you know? Lots of jolly people. I always say that my friends are much funnier than me. If people could see, my childhood friends are the funniest people in the world and they're my inspiration. So I have that. My sketches are born out of everyday life, my jokes and what I feel, you know? The obvious thing is that today, as far as criticism is concerned, I feel that I already have an audience that knows my way of doing humour and knows my work. So when it comes to humour, I'm very much in a comfort zone of things that I do, that I know there's a crowd that will like my way of doing humour. I'm very grateful for that. In one of your videos for Porta dos Fundos, you address Portuguese colonisation. This is a topic that resonates in the history of both Brazil and Mozambique. How do you see the role of humour in discussing and even demystifying the imprints of colonialism? Humour has that power. I have the privilege of working on Porta dos Fundos with very intelligent writers. In fact, with a channel that makes lots and lots of criticism, with humour there as a way, you know? So that we laugh, look, see and say: "Holy shit, is that it?" You know that wound, that acidity that humour puts there for you to see? In fact, these are often obvious things, but sometimes they aren't seen or don't want to be seen. However, by laughing, we can put you in that place of: "Look, it's like this, it was like this, okay? It was like that". Even though we're adding something that seems like an exaggeration, which can often just seem like things punctuated with humour, it was pure truth, right? Of misunderstanding, sarcasm, malice and everything you can imagine. And that's what Portuguese colonisation was! We have a lot of videos on this subject, you know? We really like to hit, to mock, to mock the oppressor, right? The one who oppressed. That's the big point. Do any elements of PALOP culture influence or inspire your work as a comedian and artist? Undoubtedly, the influence and inspiration that we
absorb from music and culture from childhood... Do you know of any up-and-coming comedy artists or groups in Mozambique, and if so, how would you rate the style and humorous approach they are bringing to the international comedy scene? I know Maira Santos, who I think is super talented and who I've been following. I've been watching other artists besides comedians, I've been laughing and enjoying the great rap battles. Bearing in mind that the Mozambican people are notoriously attentive to Brazil, perhaps due to the historical ties derived from their shared colonial past, do you believe that comedy can serve as a bridge to unite and intertwine the cultures of different countries, such as Brazil and Mozambique? Of course!!! I think there should be a comedy festival with comedians from Brazil and Mozambique together on one stage. After being interviewed by Xonguila, Fábio Porchat has seen opportunities arise to tour Mozambique. Do you think that, after our conversation, there might be interest or the possibility of taking your stand-up show to Mozambican audiences? Absolutely. I've even been part of the same production company as Fábio, SAYD Produções, which produces our shows in Brazil. I hope to perform in the same places in Mozambique. What aspects of Mozambican culture and traditions do you think could be explored through comedy to promote a deeper understanding and appreciation? Comedy gives you the opportunity to express yourself in different ways, and I think that Mozambican culture should be expressed in all its aspects. I watch some Mozambican YouTube channels and, in fact, for a while now I've been following two teachers from Mozambique who make videos reacting to the humour content of "Porta dos Fundos", "A Culpa é do Cabral" and other Brazilian productions. They give their point of view, always looking at what is similar to Mozambique, among other things. One of them, Pereira Horácio JR, is in Brazil now, and I even intend to spend some time with him. I want to take him to see a recording of "Porta dos Fundos". Would you like to take this opportunity to leave a special message to our audience in Mozambique, which has welcomed Brazilian comedy with such affection and enthusiasm? Hey, Mozambique! I can't wait to meet you up close and be able to bring my humour to you live. I'm here now, counting down the days. A big kiss to you all and let's work on this festival!
Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 15
Sumário
4 RAFAEL PORTUGAL Os múltiplos palcos de um artista completo The multiple stages of a complete artist
40 "DANÇAS COMIGO?" 16 | Revista fotográfica Xonguila © Ed. 64 de • Novembro - November A nova exposição Mariano Silva 2023
The new photographic exhibition by Mariano Silva
Sumário
68 PERNOD RICARD
Projecto apoiado pela Pernod Ricard recebe distinção internacional Project supported by Pernod Ricard receives international distinction
76 BLACK KHAKHELA
Empreendedorismo do local ao global Entrepreneurship from local to global
84 COMPRAS ONLINE Guia pessoal para compras online: como fazer escolhas acertadase A personal guide to online shopping: how to make the right choices
20 10 ANOS DA MCI Uma década de inovação A decade of innovation
96 SABIAS QUE/ DID YOU KNOW
Cestaria, expressão de arte bem enraizada na terra que pisamos Basketry, an expression of art rooted in the land we stand on
110 CINEMA 35MM
Nayola, a resiliência feminina em animação Nayola, female resilience in animation
114 KARINGANA Textos livres com assinatura Free texts with signature
30 ABSA BANK
Ready to Work - Transformando o futuro dos jovens Ready to Work - Transforming the future for the youth
60 MEDITERRANEO GASTRONOMIA Onde comer é descobrir Where eating is discovering
FICHA TÉCNICA/BIOS Propriedade/Property: Veludo & Mentol, Sociedade Unipessoal Lda • Conselho de Administração/Administrative Council: Omar Diogo, Nuno Soares, Mariano Silva • Director: Nuno Soares • Gestão de Conteúdos Editoriais/Editorial Content Management: Nuno Soares, Mariano Silva • Copy-desk (português): Fátima Ribeiro • Colunistas/Writers: Eliana Silva, Mariano Silva, Nuno Soares, Jaime Álvaro, Precidónio Silvério, Aayat Irfan • Tradução (Português-Inglês)/Translation (Portuguese-English): Pedro Amaral • Fotografia/Photography: Mariano Silva • Design de Capa/Cover Design: Mudungaze, Nuno Azevedo • Grafismo/Visuals: Omar Diogo • Infografia e Paginação/ Infographics and Pagination: Omar Diogo • Produtores Audiovisuais/Audiovisual Producers: Omar Diogo, Nuno Lopes, Ana Piedade• Gestão de Redes Sociais/ Social Media Management: Nuno Soares • Conteúdos de Marketing e Comunicação/ Marketing and Communication Contents: Omar Diogo, Nuno Azevedo • Gestão de Homepage e Edição Online/Homepage Management and Online Editing: Omar Diogo, Jorge Oliveira • Departamento Comercial/Commercial Department: Nuno Soares - comercial@xonguila.co.mz • Impressão/Printing: Minerva Print • Distribuição/ Distribution: Flotsam Moçambique, Lda • ISSN: ISSN-0261-661 • Registo/Register: 02/Gabinfo-dec/2018 • Registo de Propriedade Industrial/Industrial Property Registration: 35065/2017 - 35066/2017 (15/01/2018) Os artigos com assinatura reflectem a opinião dos autores e não necessariamente da revista. Toda a transcrição ou reprodução, parcial ou total, requer a autorização expressa da empresa titular da revista. The articles reflect the authors opinion, and not necessarily the magazine opinion. All transcript or reproduction, partial or total, requires the authorization of the company that owns the magazine
Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 17
Editorial
Do Director / From the Director Estimado leitor,
Dear reader,
É com imenso agrado que vos damos as boas-vindas à nova edição da revista Xonguila, publicação número 64, que, como sempre, se encontra repleta de conteúdo pensado para vos informar e entreter.
We are delighted to welcome you to the new edition of Xonguila magazine, issue number 64, which, as always, is packed with content designed to inform and entertain you.
Celebramos, nesta edição, com a MCI (Marcas e Companhia Internacional, Lda), uma empresa que já é referência em eficiência, uma década de inovação, num mundo que valoriza cada segundo. A sua estratégia de "one-stop-shop" tem-se revelado um triunfo para os clientes, que encontram, num único ponto de contacto, uma panóplia de soluções que prometem descomplicar o quotidiano. Reconhecendo as iniciativas empresariais de sucesso, a Pernod Ricard Moçambique celebra a distinção internacional do "Mercado de Frango e Magumba". A empresa investiu e apoiou o projecto, que agora se destaca como um marco gastronómico e um exemplo de sustentabilidade na capital do país. E porque a vida não se faz só de trabalho, mas também de prazeres, convidamos-vos a descobrir o Mediterraneo Gastronomia, onde comer transcende a mera alimentação para se tornar uma exploração sensorial. Em Maputo, este estabelecimento, se, por um lado, alimenta o corpo, por outro, nutre a alma com a riqueza da culinária mediterrânica.
In this issue we celebrate with MCI (Marcas e Companhia Internacional, Lda), a company that is already a benchmark in efficiency, a decade of innovation in a world that treasures every second. Its "one-stop-shop" strategy has proved to be a triumph for customers, who find a panoply of solutions that promise to make everyday life easier at a single point of contact. Recognising successful business initiatives, Pernod Ricard Mozambique celebrates the international distinction of the "Chicken and Magumba Market". The company invested in and supported the project, which now stands out as a gastronomic landmark and an example of sustainability in the country's capital. And because life is not just about work but also about pleasures, we invite you to discover Mediterraneo Gastronomia, where eating transcends mere nourishment to become a sensory exploration. In Maputo, if on the one hand it feeds the body, on the other this establishment nourishes the soul with the richness of Mediterranean cuisine.
Na vertente cultural, destacamos a nova exposição fotográfica de Mariano Silva, "Danças Comigo?". Neste evento, o Centro Cultural Franco-Moçambicano é palco de uma harmonia visual onde a dança se faz linguagem e a fotografia o seu mais fiel intérprete. A exposição é um convite para se sentir pulsar o coração da dança contemporânea em Moçambique através das lentes de quem vê para além do visível. Com igual entusiasmo, partilhamos a nossa conversa com Rafael Portugal, artista multifacetado que conhece bem os holofotes da comédia e da música. O seu talento atravessa fronteiras e gerações, compondo a banda sonora de muitos momentos inesquecíveis. Não esquecemos as nossas raízes e, por isso, trazemos à luz a cestaria, uma arte que entrelaça a história de Moçambique com a criatividade do seu povo. Além dos temas aqui apresentados, há uma vasta gama de artigos e pontos de vista interessantes que vos convidamos a explorar.
On the cultural spectrum, we'd like to highlight the new photographic exhibition by Mariano Silva, "Danças Comigo?" (Will You Dance With Me?). In this event, Franco-Mozambican Cultural Centre is the stage for a visual harmony where dance becomes language and photography its most faithful interpreter. The exhibition is an invitation to feel the heartbeat of contemporary dance in Mozambique through the lenses of those who see beyond the visible. With equal enthusiasm, we shared our conversation with Rafael Portugal, a multifaceted artist who is well acquainted with the spotlight of comedy and music. His talent crosses borders and generations, composing the soundtrack to many unforgettable moments. We haven't forgotten our roots and so we bring to light basketry, an art that intertwines Mozambique's history with the creativity of its people. In addition to the themes presented here, there is a wide range of interesting articles and points of view that we invite you to explore.
Não podemos deixar de salientar uma questão que transcende o nosso conteúdo, mas que é de extrema importância: a iniciativa Novembro Azul. Implementada este mês por todo o mundo, simboliza um momento para se informar e reflectir sobre o cancro da próstata, um problema sério que afecta muitos homens e as suas famílias. A propósito, caro leitor, já fez o seu rastreio? De que está à espera?
We cannot overlook an issue that transcends our content, but which is of the utmost importance: the Blue November initiative. Implemented all over the world this month, it symbolises a time to get informed and reflect on prostate cancer, a serious problem that affects many men and their families. On that note, dear reader, have you had your screening yet? What are you waiting for?
Despedimo-nos, não sem antes vos desejar uma excelente leitura. Que cada página desta edição vos enriqueça e inspire.
We bid you farewell, but not without wishing you an excellent read. May every page of this issue enrich and inspire you.
Com o apoio de:
Nuno Soares
18 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
Director
Banca Corporativa e de Investimentos
Vê mais do que uma chávena de café? Nós vemos cada passo da jornada do grão à chávena. Agricultores, transportadores, armazenistas, distribuidores e retalhistas, trabalhando juntos para garantir que o seu dia comece da melhor forma. Se vê o que nós vemos, juntos, podemos ter um impacto positivo nas comunidades nas quais opera. Fale com o Banco que tem a coragem para imaginar e a vontade para fazer as coisas acontecerem. Isso é Africanicidade. Isso é Absa. absa.co.mz/pt/corporativa-e-de-investimento/
Termos e Condições aplicáveis. Campanha válida até 31 de Dezembro de 2023. Para mais informações ligue para 1223/21344400, ou visite absa.co.mz Absa Bank Moçambique , SA (registado sob o número 101220982) Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 19 é regulado pelo Banco de Moçambique.
20 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
Fotografia: Helton Perengue
Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 21
10 ANOS DA MCI UMA DÉCADA DE INOVAÇÃO No alvorecer de 2013, Moçambique presenciava um fervilhar empresarial sem precedentes, impulsionado pelo optimismo que a descoberta de reservas de petróleo e gás natural insuflava na economia. Neste cenário promissor, surgiu a Marcas e Companhia Internacional (MCI), fruto da visão perspicaz de Dércio Parker, então imerso no sector do turismo e desenvolvimento de produtos. Identificando uma lacuna no mercado, Dércio anteviu uma oportunidade única: oferecer um serviço integrado de apoio a marcas internacionais desejosas de se estabelecer em solo moçambicano. A MCI nasceu como uma empresa em nome individual, com um sócio e um trabalhador, ambos partilhando a mesma ambição de crescimento.
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o longo de uma década, a MCI alcançou marcos significativos, evoluindo para uma sociedade por quotas e reforçando a sua presença tanto a nível nacional como internacional. A empresa não só atraiu clientes de renome, como também se envolveu em projectos com impacto social marcante, um aspecto que Dércio descreve como "incrivelmente gratificante". A abordagem "one-stop-shop" da MCI revelou-se uma conveniência sem paralelo para os clientes, concentrando múltiplas soluções num único ponto de contacto. Esta estratégia traduz-se em economia de tempo e recursos, alinhando-se perfeitamente com a promessa de eficiência e comodidade da empresa. Os desafios não tardaram, mas a MCI desenvolveu uma fórmula dinâmica de resiliência, apostando na reinvenção e na tecnologia para se manter à frente num mercado competitivo. Enfrentando adversidades, a empresa destacou-se pela sua capacidade de adaptação e inovação, mantendo sempre um compromisso firme com a excelência. A representação de marcas internacionais em Moçambique foi alcançada através da construção de relações sólidas e do comprometimento em partilhar a visão e dedicação da empresa. A MCI destacou-se em feiras e conferências, fortalecendo a sua imagem através de um serviço exímio e reconhecido no mercado. Tornar-se uma sociedade teve um impacto profundo na direcção da MCI, com a entrada de só-
cios que trouxeram conhecimentos e experiências diversas, fortalecendo a empresa face aos desafios dos tempos modernos. A diversidade dos sócios revelou-se um activo valioso, permitindo uma troca de saberes que se traduziu em práticas inovadoras e adaptáveis ao mercado moçambicano. A MCI solidificou a sua posição no mercado, prometendo um impacto duradouro e positivo para o futuro. A Business Division da MCI destaca-se pela sua eficiência e segurança, oferecendo serviços essenciais em desenvolvimento de negócios, suporte para gestão de projectos, relações-públicas e eventos, sempre focados na capacitação dos clientes. Os projectos de desenvolvimento, capacitação e pesquisa em que a MCI se envolveu demonstram o seu compromisso com o progresso e a inovação, desempenhando um papel crucial em programas governamentais de emprego, na luta contra a malária e na monitoria de projectos de saúde. Para o futuro, a MCI planeia expandir-se para os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), o que já está em curso. Com alianças estabelecidas e um ímpeto visionário, a empresa aspira a deixar uma marca indelével na região, transcendendo fronteiras e consolidando um legado de excelência e liderança empresarial. A trajectória ascendente da MCI é um testemunho vibrante do espírito empresarial moçambicano e um prenúncio de mais sucessos a vir.
A MCI planeia expandir-se para os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), o que já está em curso. 22 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
Fotografia: Helton Perengue
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A Business Division da MCI destaca-se pela eficiência e segurança, oferecendo serviços essenciais em desenvolvimento de negócios, apoio para gestão de projectos, relações-públicas e eventos, sempre focados na capacitação dos clientes.
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10 YEARS OF MCI A DECADE OF INNOVATION Mozambique was witnessing an unprecedented entrepreneurial boom, at the dawn of 2013, fuelled by the optimism that the discovery of oil and natural gas reserves was instilling in the economy. In this promising scenario, Marcas e Companhia Internacional (MCI) emerged, the result of the keen vision of Dércio Parker, who was then immersed in the tourism and product development sector. Identifying a gap in the market, Dércio foresaw a unique opportunity: to offer an integrated support service to international brands wishing to establish themselves on Mozambican soil. MCI was born as a sole proprietorship, with one partner and one employee, both sharing the same ambition for growth.
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Fotografia: Helton Perengue
ver the course of a decade, MCI has achieved significant milestones, evolving into a private limited company and strengthening its presence both nationally and internationally. The company has not only attracted renowned clients but has also engaged in projects with a notable social impact, an aspect that
brought diverse knowledge and experience, strengthening the company in the face of the challenges of modern times. The diversity of the partners has proved to be a valuable asset, allowing for an exchange of knowledge that has translated into innovative practices that can be adapted to the Mozambican market. MCI has solidified its position in the market, promising
MCI has distinguished itself at trade fairs and conferences, strengthening its image through an excellent service that is recognised in the market.
Dércio describes as "incredibly rewarding". MCI's "one-stop-shop" approach has proved to be an unrivalled convenience for customers, concentrating multiple solutions into a single point of contact. This strategy translates into savings in time and resources, aligning perfectly with the company's promise of efficiency and convenience. Challenges were not long in coming, but MCI developed a dynamic formula for resilience, relying on reinvention and technology to stay ahead in a competitive market. Facing adversity, the company has stood out for its ability to adapt and innovate, always maintaining a firm commitment to excellence. Representing international brands in Mozambique was achieved by building solid relationships and committing to sharing the company's vision and dedication. MCI has distinguished itself at trade fairs and conferences, strengthening its image through an excellent service that is recognised in the market.
Becoming a company had a profound impact on MCI's management, with the addition of partners who
a lasting and positive impact for the future. MCI's Business Division stands out for its efficiency and security, offering essential services in business development, project management support, public relations and events, always focused on empowering clients. The development, training and research projects in which MCI has been involved demonstrate its commitment to progress and innovation, playing a crucial role in government employment programmes, the fight against malaria and the monitoring of health projects. For the future, MCI plans to expand into the countries of the Southern African Development Community (SADC), which is already underway. With established alliances and a visionary drive, the company aspires to leave an
indelible mark on the region, transcending borders and consolidating a legacy of excellence and business leadership. MCI's upward trajectory is a vibrant testament to Mozambique's entrepreneurial spirit and a foreshadowing of more successes to come. Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 27
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Fotografia: Cortesia do Absa Bank
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Absa Bank
READY TO WORK
Há anos a transformar o futuro dos jovens Quando o Ready to Work arrancou em 2016, o objectivo era dar um novo rumo ao futuro dos jovens moçambicanos. Hoje, 7 anos depois, o programa transformou a forma como a juventude moçambicana olha para a entrada no mercado de trabalho. Desde o início do programa, em 2016, e até à data, já foram formados mais de 11.300 jovens moçambicanos. A finalidade da iniciativa é capacitá-los com ferramentas estratégicas para a transição da vida académica para o mundo profissional, além de promover o desenvolvimento de competências interpessoais, criar habilidades em comunicação e aptidões financeiras, empresariais e profissionais, fundamentais para iniciarem a sua carreira. O programa permite que os jovens e jovens adultos moçambicanos dos 16 aos 35 anos de idade, finalistas do ensino secundário, técnico ou universitário, tenham a oportunidade de ter uma maior preparação para ingressar no mercado de trabalho. “Sabemos o quão importante é oferecer alternativas de formação extracurricular de qualidade para os jovens, e é por isso que aposta-
mos em programas como este e em parceria com empresas especializadas. Acreditamos que, para se ter um mercado de trabalho com quadros cada vez mais qualificados, mais robusto e forte, é necessário que as pessoas possuam as ferramentas certas, e desenvolvam as suas capacidades”, afirma Tânia Oliveira, Directora de Marketing e Relações Corporativas do Absa Bank Moçambique. Segundo Cripton Baloi, após participar no programa, sentiu-se feliz e satisfeito. Ele afirma: Aprendi lições valiosas sobre a preparação para apresentações de projectos e, acima de tudo, que o nosso futuro está inteiramente nas nossas mãos As nossas atitudes e acções são os principais determinantes do nosso sucesso. “Tens o teu machado afiado?” Foi dessa maneira que nos foi introduzida a magnífica formação do programa Ready to Work que tivemos com os mentores Nilton Comiche e Matilde Barreiros Cardoso, do FlowGroup Mozambique, promovido pelo Absa Bank Moçambique. A história do machado afiado retrata um homem que quebrou um recorde de gerações: a sua família cortava sempre o mesmo número de árvores, mas ele decidiu faltar um dia a essa tarefa para poder afiar o seu machado; a partir de então, o número de árvores que cortavam aumentou. Isto permite-nos perceber que é importante sair da rotina, buscar novos conhecimentos e aperfeiçoar para que possamos chegar a novos horizontes”, partilhou a jovem Celina Alberto Franque. O Absa Bank, como um banco de Pessoas para Pessoas, continua comprometido com a formação dos jovens por acreditar que estes são o amanhã não só de Moçambique, mas de todo o Continente.
Aprendi lições valiosas sobre a preparação para apresentações de projectos e, acima de tudo, que o nosso futuro está inteiramente nas nossas mãos.” — Crípton Baloi, manifestando ter-se sentido "feliz e satisfeito" após participar no programa. 32 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
Fotografia: Cortesia do Absa Bank
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Fotografia: Cortesia do Absa Bank
A história do machado afiado retrata um homem que quebrou um recorde de gerações: sua família cortava sempre o mesmonúmero de árvores, mas ele decidiu faltar um dia a essa tarefa para poder afiar o seu machado; a partir de então, o número de árvores que cortavam aumentou. É importante sair da rotina, buscar novos conhecimentos e aperfeiçoar para que possamos chegar a novos horizontes.
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READY TO WORK Transforming young people's futures for years
When Ready to Work started in 2016, the aim was to give young Mozambicans a new direction for their future. Today, 7 years later, the programme has transformed the way Mozambican youth looks at entering the labour market. Over 11,300 young Mozambicans have been trained since the programme launched in 2016. The goal of the initiative is to empower them with strategic tools for the transition from academic life to the professional world, as well as promoting the development of interpersonal skills, building communication skills and financial, business and professional skills, which are fundamental for them to start their careers.
and satisfaction: "I learned valuable lessons about how we should prepare for project presentations and, above all, that our future is entirely in our hands. Our attitudes and actions are the main determining factors of our success."
their skills," says Tânia Oliveira, Marketing and Corporate Relations Director at Absa Bank Mozambique.
Celina Alberto Franque.
"Is your axe sharp?" That's how we were introduced to the magnificent Ready to Work programme training we had with Nilton Comiche and Matilde Barreiros Cardoso, mentors from FlowGroup Mozambique, promoted by Absa Bank Mozambique.
Absa Bank, as a People The programme enfor People ables Mozambican youths and young bank, remains adults between the ages of 16 and 35, who committed are graduating from secondary, technical or The story of the sharpto training university education, to ened axe portrayed have the opportunity the story of a man to be better prepared youths because who broke a generto enter the job market. ations-old record: it believes his family always cut "We know how importhe same numthat they are down tant it is to offer quality ber of trees and he extracurricular training decided to miss a day the future for the youth, which is so he could sharpen why we invest in prohis axe; from then on, not only of the number of trees grammes like this and he cut down became in partnership with specialised compaMozambique, greater. This allows us to realise that it's imnies. We believe that in order to have a labour portant to move away but of market with increasfrom routine, to seek out new knowledge ingly qualified, robust the entire and to improve so that and strong staff, peowe can reach new hople need to have the Continent. right tools and develop rizons," shared young In the words of Cripton Baloi, after taking part in the programme, one finds happiness
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Absa Bank, as a People for People bank, remains committed to training youths because it believes that they are the future not only of Mozambique, but of the entire Continent.
Fotografia: Cortesia do Absa Bank
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Fotografia: Paulo Alexandre
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Num encontro marcado pela sobriedade das formas e pela eloquência do movimento, o Centro Cultural Franco-Moçambicano acolheu a mais recente exposição de Mariano Silva, "Danças Comigo?", uma incursão pela dança contemporânea em Moçambique. Esta mostra harmonizou-se com eventos de renome, como o KINANI 2023 e a Biennale de la Danse en Afrique, espelhando uma sinergia entre o calendário cultural da instituição e a observação atenta do fotógrafo.
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ariano Silva, ao captar a dança, não procurou apenas a estética do movimento ou a expressão artística capturada no tempo; ele ambicionou revelar a alma dos espectáculos, a intensidade e a dedicação dos bailarinos, utilizando a luz de palco para realçar a textura e o vigor dos corpos em acção. Para ele, cada imagem é um hino ao esforço colectivo dos artistas e técnicos, uma narrativa visual onde cada salto e cada gesto contam uma história única. A preparação para "Danças Comigo?" afastou-se dos seus trabalhos anteriores. Se antes a entrega de um portfólio empresarial ou a cobertura de um evento bastava, aqui o desafio foi criar uma experiência imersiva, onde a apresentação das obras tinha tanto de inovador quanto de reflexivo. O público,
restrito, mas exigente, impôs um padrão elevado de criatividade e apresentação, levando Mariano Silva a questionar-se e a superar-se na execução da mostra. Para se manter a par das exigências da sua profissão, o fotógrafo adopta a autocrítica como ferramenta de evolução. É na revisão do seu trabalho que identifica falhas e potenciais melhorias, num processo de aperfeiçoamento constante. Embora cada fotografia da exposição tenha o seu valor e significado, existem peças que se destacam não pela sua composição individual, mas pelo contexto em que foram criadas. São imagens que evocam projectos marcantes, que deixaram no fotógrafo uma impressão duradoura e um sentimento de profunda admiração pelos talentos que pôde acompanhar.
Para Mariano Silva, cada imagem é um hino ao esforço colectivo dos artistas e técnicos, uma narrativa visual onde cada salto e cada gesto contam uma história única. 42 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
Fotografia: Paulo Alexandre
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Paladares à solta
A técnica fotográfica de Mariano Silva prescinde do foco nos equipamentos; é na abordagem, na capacidade de antecipar o movimento e de 'dançar' com os artistas que reside a essência do seu trabalho. O dinamismo e a fluidez da dança exigem do fotógrafo uma participação activa, quase como um dueto entre a câmara e o palco. Desde a sua chegada a Moçambique, em 2013, viu-se transformado pela vivacidade do país. O seu amor pela terra e pelas suas gentes é evidente nas suas palavras e no seu trabalho, reflectindo-se numa dedicação que ultrapassou a barreira profissional
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e o levou a abraçar a fotografia com um fervor quase renascido. "Danças Comigo?" é, assim, um convite à descoberta e à apreciação da dança contemporânea moçambicana. Mariano Silva deseja que os visitantes levem consigo não apenas memórias visuais, mas também uma curiosidade renovada e um apreço pelas capacidades expressivas dos artistas retratados. A exposição, mais do que um conjunto de imagens, é um testemunho da paixão que dança no coração deste país e do fotógrafo que, por ele, se deixou encantar.
As imagens que evocam projectos que deixaram no fotógrafo um sentimento de profunda admiração pelos talentos que pôde acompanhar.
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Fotografia: Paulo Alexandre
Paladares à solta
Paladares à solta
Mais do que um conjunto de imagens, “Danças comigo?” é um testemunho da paixão que dança no coração de Moçambique e do fotógrafo que por ele se deixou encantar.
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Fotografia: Paulo Alexandre
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Fotografia: Paulo Alexandre
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Paladares à solta
In an encounter marked by sobriety of form and eloquence of movement, the Franco-Mozambican Cultural Centre hosted Mariano Silva's most recent exhibition, "Danças Comigo?", an incursion into contemporary dance in Mozambique. This exhibition harmonised with renowned events such as KINANI 2023 and the Biennale de la Danse en Afrique, reflecting a synergy between the institution's cultural calendar and the photographer's close observation.
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hen capturing dance, Mariano Silva didn't just look for the aesthetics of movement or artistic expression captured in time; he aspired to reveal the soul of the performances, the intensity and dedication of the dancers, using stage lighting to highlight the texture and vigour of the bodies in action. For him, each image is a hymn to the collective effort of the artists and technicians, a visual narrative where each leap and gesture tells a unique story.
The preparation for "Danças Comigo?" moved away from his previous work. If delivering a business portfolio or covering an event sufficed before, here the challenge was to create an immersive experience, where the presentation of the works was as innovative as it was reflective. The restricted but demanding audience imposed a high standard of creativity and presentation, leading Mariano Silva to question and surpass himself in the execution of the show.
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To keep up with the demands of his profession, the photographer adopts self-criticism as a tool for evolution. It is in reviewing his work that he identifies flaws and potential improvements, in a process of constant refinement. Although each photograph in the exhibition has its own value and significance, there are pieces that stand out not because of their individual composition, but because of the context in which they were created. These are images that evoke remarkable projects, which have left a lasting impression on the photographer and a feeling of deep admiration for the talents he has been able to follow. Mariano Silva's photographic technique foregoes focusing on the equipment; it is in the approach, in the ability to anticipate movement and to 'dance' with the artists that the essence of his work lies. The dynamism and fluidity of dance demand active participation from
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the photographer, almost like a duet between camera and stage. Since arriving in Mozambique in 2013, he has been transformed by the country's vivacity. His love for the land and its people is evident in his words and his work, reflected in a dedication that has transcended the professional barrier and led him to embrace photography with an almost reborn fervour. "Danças Comigo?" is thus an invitation to discover and appreciate contemporary Mozambican dance. Mariano Silva wants visitors to take away with them not only visual memories, but also a renewed curiosity and appreciation for the expressive capacities of the artists portrayed. The exhibition, more than a collection of images, is a testimony to the passion that dances in the heart of this country and to the photographer who has allowed himself to be enchanted by it.
Fotografia: Paulo Alexandre
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MILLENNIUM BIM AJUDA A REABILITAR O SANTUÁRIO SÃO JOSÉ DE BOROMA, EM TETE
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MILLENNIUM BIM AJUDA A REABILITAR O SANTUÁRIO SÃO JOSÉ DE BOROMA, EM TETE O Millennium bim apoiou o projecto de reabilitação do Santuário São José de Boroma, situado a cerca de trinta quilómetros da cidade de Tete, contribuindo para devolver beleza e dignidade a este edifício histórico com mais de 100 anos, inaugurado em 1885.
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eferindo-se a este apoio, João Martins, presidente da Comissão Executiva do Millennium bim, sublinhou: “O Millennium bim orgulha-se de poder apoiar a preservação e revitalização do património histórico e cultural de Moçambique, um compromisso que reflecte o nosso profundo respeito pela herança, história e identidade do país. O Santuário contribui activamente para promover o crescimento do turismo local, bem como a educação e formação profissional, com forte impacto nas comunida-
des, o que se enquadra na nossa visão de sustentabilidade”. O Millennium bim reforça, assim, o compromisso de contribuir activamente para a edificação, melhoria e preservação dos patrimónios históricos nacionais, permitindo uma maior valorização dos elementos culturais da província de Tete e do país. Este projecto insere-se no programa de responsabilidade social do Millennium bim “Mais Moçambique pra mim”.
O Millennium bim orgulha-se de poder apoiar a preservação e revitalização do património histórico e cultural de Moçambique
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MILLENNIUM BIM HELPS REHABILITATE SÃO JOSÉ DE BOROMA SANCTUARY IN TETE Millennium bim has supported the rehabilitation project of the São José de Boroma Sanctuary, located about thirty kilometres from Tete city, helping to restore beauty and dignity to this historic building, which is over 100 years old and was inaugurated in 1885.
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eferring to this support, João Martins, chairman of Millennium BIM's Executive Committee, highlighted: "Millennium BIM is proud to be able to support the preservation and revitalisation of Mozambique's historical and cultural heritage, a commitment that reflects our deep respect for the country's heritage, history and identity. The Sanctuary actively contributes to promoting the growth of local tourism, as well as education and vocational training, with a strong impact on communities, which is consist-
ent with our vision of sustainability." Millennium BIM is thus reinforcing its commitment to actively contributing to the construction, improvement and preservation of national historical heritage, enabling the cultural elements of Tete province and the country to be better valued. This project is part of Millennium BIM's "Mais Moçambique pra Mim" (More Mozambique for Me) social responsibility programme.
Helping to restore beauty and dignity to this historic building, which is over 100 years old and was inaugurated in 1885
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MEDITERRA GASTRONO ONDE COME É DESCOBRI
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No Mediterraneo Gastronomia, cada detalhe, da decoração aos produtos seleccionados, é uma celebração da diversidade e riqueza da culinária mediterrânica. Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 61
Fotografia: Helton Perengue
ANEO OMIA, ER IR
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No coração da cidade de Maputo, ergue-se um estabelecimento que é estandarte da cultura enogastronómica mediterrânica - o Mediterraneo Gastronomia. Não é por mera coincidência que este nome evoque o mar que banha as costas de incontáveis civilizações, pois cada detalhe, da decoração aos produtos seleccionados, é uma celebração da diversidade e riqueza da culinária mediterrânica.
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Mediterraneo Gastronomia define-se como uma celebração da autenticidade. Aqui, os sabores e tradições da região do mediterrâneo não são apenas apresentados, mas também, e sobretudo, vividos e degustados, numa perfeita harmonia que transforma cada visita numa experiência sensorial inolvidável. É a ponte entre as quentes margens do sul europeu e o coração pulsante de Moçambique.
Os ingredientes que povoam este espaço são escolhidos a dedo, privilegiando a proveniência italiana e a qualidade imaculada. É um compromisso com a autenticidade que transparece em cada queijo, cada fatia de enchido, cada gota de azeite. Importar directamente do Mediterrâneo não é uma opção – é um princípio. Imagine-se a degustar mozarelas frescas e enchidos repletos de sabor, acompanhados por vinhos que são a expressão líquida das terras de
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onde provêm. A cada dentada, um pedaço do Mediterrâneo se desvenda, e a cada trago, uma história se conta. Os clientes procuram incessantemente os vinhos robustos, os queijos ricos, os enchidos aromáticos, as massas que são a alma da cozinha italiana e o café que finaliza qualquer refeição com chave de ouro. Mas não é apenas a comida que atrai. É o Aperitivo Time, essa tradição que transforma o final de tarde numa celebração diária da vida. E que vida!
Paladares à solta
Um ano após a sua inauguração, o Mediterraneo Gastronomia já se vê laureado com um prestigioso reconhecimento: o prémio de melhor jovem empresa, "Small Medium Business of the Year", concedido pela Câmara de Comércio Moçambique-Itália (CCMI). Este prémio não é apenas uma honra, mas também o reflexo do empenho incansável da equipa em oferecer uma experiência autêntica e de alta qualidade. A excelência no atendimento é assegurada pela formação contínua da equipa, pelo conhecimento profundo dos produtos e pela criação de um ambiente onde cada colaborador é um embaixador
da cultura mediterrânica. É um atendimento que se distingue pela simpatia e pela capacidade de transformar uma visita numa jornada cultural. Para captar ainda mais amantes da boa mesa, eventos e actividades são constantemente promovidos, criando um palco onde o vinho, a comida e as pessoas se encontram em perfeita sintonia. O Mediterraneo Gastronomia não é apenas um espaço físico, mas um movimento cultural em expansão. E falar de espaço é falar de um ambiente projectado para transportar cada cliente para uma masseria em Puglia, onde o minimalismo encontra a funcionalidade, e onde cada elemento decorativo é um convi-
te ao gozo e à contemplação. O futuro? É o Mediterrâneo em expansão. A visão é trazer ainda mais daquela região encantada para o seio da capital moçambicana, mantendo sempre o rumo da qualidade e da autenticidade. O que os clientes podem esperar são novas experiências, sabores inexplorados e o mesmo compromisso. Portanto, seja bem-vindo ao Mediterraneo Gastronomia, onde cada visita é uma viagem, cada sabor uma descoberta e cada momento uma história a ser vivida. Este é o convite para uma aventura sensorial, onde Moçambique e o Mediterrâneo dançam num enlace perfeito de sabor e cultura.
Fotografia: Mbuto Machili - FoLab
Mediterraneo Gastronomia, onde Moçambique e o Mediterrâneo dançam num enlace perfeito de sabor e cultura.
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Fotografia: Mbuto Machili - FoLab
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A excelência no atendimento é assegurada pela formação contínua da equipa, pelo conhecimento profundo dos produtos e pela criação de um ambiente onde cada colaborador é um embaixador da cultura mediterrânica. Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 65
Fotografia: Mbuto Machili - FoLab
Palates on the loose
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Palates on the loose
In the heart of Maputo city, stands an establishment that is the flagship of Mediterranean enogastronomic culture - Mediterraneo Gastronomia. It's no coincidence that this name evokes the sea that bathes the shores of countless civilisations, because every detail, from the décor to the products selected, is a celebration of the diversity and richness of Mediterranean cuisine.
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editerraneo Gastronomia defines itself as a celebration of authenticity. Here, the flavours and traditions of the Mediterranean region are not only presented, but also, and above all, experienced and savoured, in a perfect harmony that transforms each visit into an unforgettable sensory experience. It is the bridge between the warm shores of southern Europe and Mozambique's beating heart. The ingredients that populate this space are hand-picked, favouring Italian provenance and immaculate quality. It's a commitment to authenticity that shines through in every cheese, every slice of sausage, every drop of olive oil. Importing directly from the Mediterranean is not an option - it's a principle. Imagine tasting fresh mozzarella and sausages bursting with flavour, accompanied by wines that are the liquid expression of the lands they come from. With each bite, a piece of the Mediterranean is revealed, and with each sip, a story is told. Customers are constantly on the lookout
for robust wines, rich cheeses, aromatic sausages, pasta which is the soul of Italian cuisine, and coffee that rounds off any meal with a golden key. But it's not just the food that attracts them. It's Aperitivo Time, that tradition that turns the evening into a daily celebration of life. And what a life! A year after its opening, Mediterraneo Gastronomia has already been honoured with a prestigious accolade: the award for best young business, "Small Medium Business of the Year", awarded by the Mozambique-Italy Chamber of Commerce (CCMI). This award is not only an honour, but also a reflection of the team's tireless commitment to offering an authentic, high-quality experience. Excellence in service is ensured by the continuous training of the team, in-depth knowledge of the products and the creation of an environment where each employee is an ambassador for Mediterranean culture. The service is distinguished by its friendliness and its ability to turn a visit into a cultural journey. To attract even more lovers of fine
dining, events and activities are constantly organised, creating a stage where wine, food and people are in perfect harmony. Mediterraneo Gastronomia is not just a physical space, but an expanding cultural movement. And to talk about space is to talk about an environment designed to transport each customer to a masseria in Puglia, where minimalism meets functionality, and where every decorative element is an invitation to enjoyment and contemplation. The future? The expanding Mediterranean. The vision is to bring even more of that enchanted region to the heart of the Mozambican capital, while always maintaining the course of quality and authenticity. What customers can expect are new experiences, unexplored flavours and the same commitment. So welcome to Mediterraneo Gastronomia, where every visit is a journey, every flavour a discovery and every moment a story to be lived. This is the invitation to a sensory adventure, where Mozambique and the Mediterranean dance in a perfect blend of flavour and culture.
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Fotografia: Pernod Ricard Moçambique
PROJECTO APOIADO PELA PERNOD RICARD RECEBE DISTINÇÃO INTERNACIONAL
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PROJECTO APOIADO PELA PERNOD RICARD RECEBE DISTINÇÃO INTERNACIONAL A Pernod Ricard Moçambique celebra a projecção da actividade económica no país, após o reconhecimento internacional do “Mercado de Frango e Magumba”. Situado à beira-mar, este mercado destaca-se pela sua gastronomia rica em frutos do mar. A empresa acreditou e investiu no projecto, hoje notável pelos seus contentores reutilizados que, com arte e modernidade, compõem o espaço. A sustentabilidade foi a pedra angular na concepção e construção deste mercado, o que lhe valeu uma premiação internacional pela Federação Internacional dos Engenheiros Consultores, FIDIC, em Singapura, no seu Project Awards 2023.
O Mercado de Frango e Magumba, com os seus contentores artísticos, alberga 209 vendedores e 100 quiosques, tornando-se um local relaxante e atrativo na Marginal, gerando renda e sustento para muitas famílias. Francisco Júnior, Director Geral da Pernod Ricard Moçambique, afirmou que o apoio ao mercado é um motivo de orgulho, tan-
to pela valorização social que proporciona como pelo reconhecimento internacional obtido. Bruno Vedor, Director da Vedor e responsável pelo projecto, expressou o seu entusiasmo com o prémio da FIDIC, salientando que é um reconhecimento do trabalho colaborativo entre o município e o sector empresarial. Para a Vedor, tal distinção internacional é a confirmação da qualidade e do padrão da sua obra no cenário global. Os critérios para a atribuição do prémio ao “Mercado de Frango e Magumba” incluíram a promoção da qualidade de vida social, económica e ambiental. O mercado distinguiu-se entre 30 projectos internacionais, conquistando o “highly commended prize” (prémio muito louvável) dos júris. A FIDIC, fundada em 1913, promove os interesses da indústria de engenharia de consultoria e destaca o papel de projectos como o “Mercado de Frango e Magumba” no cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Fotografia: Pernod Ricard Moçambique
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Pernod Ricard tem desempenhado um papel activo no suporte às comunidades locais, contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico de Moçambique. Pretende-se agora auxiliar na formalização dos vendedores informais, proporcionando-lhes condições mais dignas para o exercício das suas actividades económicas. O projecto, gerido pela Vedor, uma empresa de arquitectura e planeamento urbano, surgiu como resposta ao desafio lançado pelo Conselho Municipal de Maputo, que procurava realojar as vendedoras de frango deslocadas devido à precariedade das suas infra-estruturas anteriores e às medidas de prevenção implementadas durante a pandemia da covid-19.
A sustentabilidade foi a pedra angular na concepção e construção deste mercado, o que lhe valeu uma premiação internacional pela Federação Internacional dos Engenheiros Consultores, FIDIC, em Singapura, no seu Project Awards 2023. 72 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
Fotografia: Pernod Ricard Moçambique
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PROJECT SUPPORTED BY PERNOD RICARD RECEIVES INTERNATIONAL DISTINCTION Pernod Ricard Moçambique is celebrating the projection of economic activity in the country, following the international recognition of the "Chicken and Magumba Market". Located on the seafront, this market stands out for its gastronomy rich in seafood. The company believed in and invested in the project, which today is notable for its reused containers that make up the space with art and modernity. Sustainability was the cornerstone in the design and construction of this market, which earned it an international award from the International Federation of Consulting Engineers, FIDIC, in Singapore, at its Project Awards 2023.
The Chicken and Magumba Market, with its artistic containers, is home to 209 vendors and 100 kiosks, making it a relaxing and attractive place at Marginal, generating income and livelihoods for many families. Francisco Júnior, General Manager of Pernod Ricard Mozambique,
said that supporting the market is a source of pride, both for the social value it provides and for the international recognition it has obtained. Bruno Vedor, Director of Vedor and responsible for the project, expressed his enthusiasm about the FIDIC award, emphasising that it is recognition of the collaborative work between the city council and the business sector. For Vedor, this international distinction is confirmation of the quality and standard of its work on the global stage. The criteria for the award to the "Chicken and Magumba Market" included the promotion of social, economic and environmental quality of life. The market stood out among 30 international projects, winning the juries' "highly commended prize". FIDIC, founded in 1913, promotes the interests of the consulting engineering industry and highlights the role of projects such as the "Chicken and Magumba Market" in the fulfilment of the UN's Sustainable Development Goals.
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Fotografia: Pernod Ricard Moçambique
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ernod Ricard has played an active role in supporting local communities, contributing to the socio-economic development of Mozambique. The aim now is to help formalise informal vendors, providing them with more dignified conditions in which to carry out their economic activities. The project, managed by Vedor, an architecture and urban planning company, came about as a response to the challenge launched by Maputo City Council, which was looking to relocate chicken sellers who had been displaced due to the precariousness of their previous infrastructure and the prevention measures implemented during the covid-19 pandemic.
Pernod Ricard Moçambique is celebrating the projection of economic activity in the country, following the international recognition of the "Chicken and Magumba Market". Located on the seafront, this market stands out for its gastronomy rich in seafood. Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 75
Fotografia: Helton Perengue
Sons da alma
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Sons da Alma
A Black Khakhela, mais do que uma empresa, é um movimento de empoderamento e educação sobre o cabelo natural.
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Bem-vindos ao mundo da Black Khakhela, um universo onde beleza natural e cuidado se unem num compromisso inabalável com a saúde e o bem-estar do nosso maior trunfo: o nosso corpo. Sou a Carmen Miral, a força por detrás deste projecto de amor e dedicação.
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ascida e criada na maravilhosa cidade de Nacala-Porto, na província de Nampula, trago comigo o legado de uma família humilde e rica em valores culturais. Sou filha de um militar disciplinado e de uma avó que, com os seus quase 40 anos de carreira como professora, me incutiu a paixão pelo conhecimento e pelo ensino.
A Black Khakhela, mais do que uma empresa, é um movimento de empoderamento e educação sobre o cabelo natural. É o resultado da minha viagem pessoal em busca de uma forma de cuidar da minha pele e do meu cabelo de forma natural, depois de um problema de saúde em 2015. A minha busca levou-me a descobrir a riqueza dos produtos locais naturais, como os óleos de mafura, de coco, de rícino, e o shampoo natural, “lilhelho”. Contudo, a dificuldade de encontrar esses produtos no mercado conduziu-me à criação das minhas próprias soluções. Foi assim que, em 2018, a Black Khakhela abriu as suas portas pela primeira vez, num salão vocacionado para os cabelos crespos onde utilizávamos exclusivamente produtos naturais. Apesar da concorrência, não recuei, sabendo que a minha missão ia além de abrir um negócio – era uma questão de educar o público e de desafiar as convenções. No mesmo ano, iniciei a reformulação dos nossos produtos, criando
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soluções mais abrangentes. Finalmente, em 2020, a marca foi oficialmente lançada, com uma estrutura sólida e fórmulas aprovadas. Hoje, a Black Khakhela tem uma linha de diversos produtos cosméticos, todos eles desenhados para oferecer mais saúde à sua pele e ao seu cabelo. Estamos também a pensar nas crianças e nas grávidas, não esquecendo a importância de usar ingredientes naturais. O nosso catálogo inclui cowash, condicionador, shampoo em barra, máscara capilar, desodorante natural, manteiga (de abacate) para pele e cabelo, óleo de crescimento, óleo de gengibre para pele e cabelo, entre outros cosméticos. Todos os nossos produtos são sem perfume, sem parabenos, sem sulfatos, sem silicone e com óleos orgânicos seleccionados. Em 2022, demos um passo ambicioso e começámos a fazer rebranding, preparando-nos para levar os nossos produtos além-fronteiras. E conseguimos! Os nossos produtos foram aprovados pelo maior site de vendas do mundo – Amazon. E neste momento estamos a preparar-nos para exportar. A Black Khakhela é um projecto de paixão e dedicação. Uma marca que nasceu da necessidade de um cuidado natural e saudável para o nosso corpo. E, acima de tudo, um movimento que pretende empoderar e educar sobre a beleza e força do nosso cabelo natural.
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A Black Khakhela tem uma linha de diversos produtos cosméticos, todos eles desenhados para oferecer mais saúde à sua pele e ao seu cabelo. Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 79
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From the local to global, Carmen Miral introduces us to her endeavour. Welcome to Black Khakhela's world, a universe where natural beauty and care come together in an unwavering commitment to the health and well-being of our greatest treasure: our body. I'm Carmen Miral, the force behind this project of love and dedication.
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orn and raised in the marvellous city of Nacala-Porto, in the province of Nampula, I bring with me the legacy of a humble family rich in cultural values. I am the daughter of a disciplined military man and a grandmother who, with her almost 40-year career as a teacher, instilled in me a passion for knowledge and teaching. Black Khakhela, more than a company, is a movement of empowerment and education about natural hair. It is the result of my personal journey in search of a way to care for my skin and hair naturally, following a health problem in 2015. My search led me to discover the wealth of natural local products, such as the oils extracted from mafura, coconut and castor, and the natural shampoo, "lilhelho". However, the difficulty of finding these products on the market led me to create my own solutions. Thus, in 2018, Black Khakhela opened its doors for the first time, in a salon geared towards curly hair where we used only natural products. Despite the competition, I didn't back down, knowing that my mission went beyond opening a business - it was about educating the public and challenging the conventional. That same year, I began re-
formulating our products, creating more comprehensive solutions. Finally, in 2020, the brand was officially launched, with a solid structure and approved formulas. Nowadays, Black Khakhela has a range of different cosmetic products, all designed to improve the health of your skin and hair. We're also thinking about children and pregnant women, not forgetting the importance of using natural ingredients. Our catalogue includes co-wash, conditioner, shampoo bar, hair mask, natural deodorant, (avocado) butter for skin and hair, growth oil, ginger oil for skin and hair, among other cosmetics. All our products are fragrance-free, paraben-free, sulphate-free, silicone-free and made with selected organic oils. In 2022, we took an ambitious step and started rebranding, preparing to take our products beyond our borders. And we succeeded! Our products have been approved by the largest sales website in the world - Amazon. And right now we're getting ready to export. Black Khakhela is a project of passion and dedication. A brand that was born out of the need for natural, healthy care for our bodies. And, above all, a movement that aims to empower and educate about the beauty and strength of our natural hair.
Black Khakhela is a project of passion and dedication. A brand that was born out of the need for natural, healthy care for our bodies. Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 81
GUIA PESSOAL PARA COMPRAS ONLINE
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É incrível como podemos fazer compras sem sair do conforto das nossas casas. No entanto, devemos estar cientes dos riscos associados, como fraudes e roubo de identidade. Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 85
Sany Weng Money Savvy Mozambique sany@moneysavvymozambique.com 86 22 | Revista +258 84 44 211 Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
Escrito por:
Sany Weng - Money Savvy Mozambique O poder das compras online reside na comodidade que oferece. É incrível como podemos comprar tudo o que precisamos sem sair do conforto das nossas casas. No entanto, também devemos estar cientes dos riscos associados, como fraudes e roubo de identidade. A boa notícia é que podemos aproveitar os benefícios das compras online sem deixar de estar seguros. Com o conjunto correcto de orientações e um guia pessoal, podemos navegar com confiança e sucesso no mundo das compras online. Antes de iniciar a sua viagem de compras online, tenha em mente estes factores essenciais. Eles são cruciais para uma experiência tranquila.
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Compre em páginas da Internet de confiança: Ao fazer compras online, é essencial certificar-se de que está a utilizar um website de confiança. Procure a encriptação HTTPS no URL do website e leia as opiniões dos clientes para garantir a legitimidade do website. Tenha cuidado com os websites que apresentam ofertas que parecem demasiado boas para serem verdadeiras, pois podem ser burlas. Utilize palavras-passe fortes: Proteja as suas contas de compras online utilizando palavras-passe fortes e únicas. Não facilite o acesso dos piratas informáticos às suas informações pessoais. Lembre-se de que utilizar a mesma palavra-passe para várias contas aumenta o risco de ser pirateado. Mantenha-se à frente do problema, alterando regularmente as suas palavras-passe.
Mantenha as suas informações pessoais em segurança: Ao efectuar compras, a protecção das suas informações pessoais deve ser sempre uma prioridade máxima. Certifique-se de que fornece apenas os dados essenciais necessários e nunca forneça dados sensíveis como o seu número de segurança social ou bilhete de identidade. Tenha muito cuidado com os esquemas de phishing que podem tentar obter as suas informações pessoais através de correio electrónico ou de outros canais de comunicação. Mantenha-se vigilante e proteja as suas informações pessoais a todo o custo.
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Esteja atento ao ambiente que o rodeia: Proteja-se de potenciais piratarias e roubos de identidade, evitando fazer compras em redes Wi-Fi públicas ou em computadores partilhados. Estas redes são frequentemente inseguras, tornando as suas informações pessoais susceptíveis aos cibercriminosos. Não corra esse risco - espere até estar numa rede segura antes de fazer qualquer compra.
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Mantenha um registo das suas compras: O controlo das suas compras online é um passo crucial para gerir eficazmente as suas finanças. Para garantir o controlo das suas despesas e estar preparado para qualquer problema com as suas compras, mantenha um registo detalhado da data da compra, do montante gasto e do website onde efectuou a compra. Não deixe que as surpresas o apanhem desprevenido - assuma o controlo das suas finanças hoje mesmo, mantendo um registo das suas compras online! Não se contente com nada menos do que um negócio justo ao comprar. Lembre-se de pesquisar o artigo em que está interessado e obtenha o melhor valor para o seu dinheiro.
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Pesquise antes de comprar: Se quiser fazer uma compra inteligente, deve fazer o seu trabalho de casa com antecedência. Reserve algum tempo para pesquisar tanto o produto como o vendedor. Ao ler as opiniões de outros clientes, pode ter a certeza de que o produto satisfaz as suas necessidades. Ao examinar a reputação do vendedor, pode ter a certeza de que este tem um historial comprovado de fornecimento de produtos e serviços de qualidade. Lembre-se de que um pouco de pesquisa pode ajudar muito a garantir a sua satisfação com a sua compra.
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Compare preços: Obtenha a melhor relação qualidade-preço comparando os preços de vários websites. Tire partido das potenciais poupanças – procure descontos e cupões. É simples, fácil e pode poupar-lhe dinheiro. Verifique as políticas de envio e devolução: É crucial compreender plenamente as políticas de envio e devolução antes de efectuar uma compra. Esteja atento a quaisquer taxas adicionais que possam ser cobradas pelo envio e certifique-se de que o vendedor tem uma política de devolução em vigor se o produto estiver defeituoso ou não corresponder às suas expectativas.
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Utilize um cartão de crédito: Fazer compras online pode ser uma forma cómoda de fazer compras, mas é essencial proteger-se de cobranças fraudulentas. Uma das melhores formas de o fazer é utilizar um cartão de crédito em vez de um cartão de débito. Os cartões de crédito não só oferecem uma excelente protecção contra a fraude, como também oferecem mais opções para contestar os encargos, e alguns ainda oferecem seguro para troca do produto ou reembolso do valor pago, proporcionando-lhe uma maior tranquilidade quando faz compras online. Compre com confiança e tranquilidade, seguindo estas boas práticas e orientações pessoais. O sucesso espera-o no mundo das compras online. Boas compras!
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Compre com confiança e tranquilidade, seguindo as boas práticas e orientações apresentadas neste artigo.
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Palates on the loose
Tenha cuidado com os websites que apresentam ofertas que parecem demasiado boas para serem verdadeiras, pois podem ser burlas.
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A PERSONAL GUIDE TO
ONLINE SHOPPING Written by:
Sany Weng - Money Savvy Mozambique
The power of online shopping lies in the convenience it offers. It's amazing how we can buy everything we need without leaving the comfort of our homes. However, we should also be aware of the associated risks, such as fraud and identity theft. The good news is that we can enjoy the benefits of online shopping while staying safe. With the right set of guidelines and a personal guide, we can navigate the world of online shopping with confidence and success. Before embarking on your online shopping journey, bear these essential factors in mind. These are crucial for a smooth experience.
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Buy from trusted websites: When shopping online, it's essential to make sure you're using a trusted website. Look for the HTTPS encryption in the website URL and to ensure the legitimacy of the website, read customer reviews. Beware of websites that offer deals that seem too good to be true, as these could be scams.
and never provide sensitive data such as your social security number or identity card. Be very cautious of phishing scams that may try to obtain your personal information via email or other communication channels. Remain vigilant and protect your personal information at all costs.
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Use strong passwords: Protect your online shopping accounts by using strong and unique passwords. Don't make it easy for hackers to access your personal information. Remember that the risk of being hacked increases if you use the same password for several accounts. Make sure you stay one step by changing your passwords regularly.
Keep your personal information safe: When making purchases, protecting your personal information should always be a top priority. Make sure you only provide the essential data needed
Be aware of your surroundings: Protect yourself from potential hacking and identity theft by avoiding shopping on public Wi-Fi networks or shared computers. These networks are often insecure, making your personal information susceptible to cybercriminals. Don't take that risk - wait until you're on a secure network before making any purchases. Keep a record of your purchases: Keeping track of your online purchases is a crucial step in effectively managing your finances. To ensure that you can control your spending and be prepared for any problems with your purchas-
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es, keep a detailed record of the date of purchase, the amount spent and the website where you made the purchase. Don't let surprises catch you off guard - take control of your finances today by keeping a record of your online purchases! Don't settle for anything less than a fair deal when shopping. Remember to research the item you're interested in and get the best value for your money.
A
Research before you buy: If you want to make a smart purchase, you need to do your homework. Take some time to research both the product and the seller. Reading the reviews of other customers, helps you to be sure the product fulfills your needs. By examining the seller's reputation, you can be sure that they have a proven track record of providing quality products and services. Remember that a little research can go a long way towards ensuring your satisfaction with your purchase.
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Compare prices: Get the best value for money by comparing prices from various websites. Take advantage of potential savings - look for discounts and coupons. It's simple, easy and can save you money.
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Check shipping and return policies: Fully understanding shipping and return policies is crucial before making a purchase. Be aware of any additional fees that may be charged for ship-
ping and make sure the seller has a return policy in place if the product is faulty or doesn't meet your expectations.
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Use a credit card: Online shopping can be a convenient way to make purchases, but it is essential to protect yourself from fraudulent charges. One of the best ways to do this is to use a credit card instead of a debit card. Credit cards not only offer excellent protection against fraud,
they also offer more options for disputing charges, and some even offer insurance for exchanging the product or refunding the amount paid, offering you greater peace of mind when shopping online. Shop with confidence and peace of mind by following these good practices and personal guidelines. Success awaits you in the world of online shopping. Happy shopping!
Shop with confidence and peace of mind by following these good practices and personal guidelines.
Sany Weng Money Savvy Mozambique sany@moneysavvymozambique.com Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila +258| 93 84 44 22 211
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CADA CESTO MOÇAMBICANO CARREGA UMA HISTÓRIA DE ENGENHO E TRADIÇÃO
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abia que a cestaria em Moçambique é uma expressão artística tão enraizada quanto a terra que pisamos? Esta arte milenar, que se entrelaça com a história do país, é uma autêntica fusão de identidades culturais que se estende por todo território nacional.
se fundiram com as tradições indígenas.
Nas mãos de artesãos habilidosos, fibras simples como palha, vime e junco são transformadas em peças de cestaria de utilidade e beleza. Cada peça criada com técnicas tradicionais é um reflexo da identidade e da alma moçambicana. As cores vibrantes dos cestos contam histórias de celebração e de vida, enquanto os padrões intricados são um diálogo silencioso entre o passado e o presente.
Economicamente, a cestaria é um pilar para muitas comunidades, e a venda das peças serve não apenas de meio de subsistência. É também uma janela para o mundo, mostrando a riqueza cultural de Moçambique. Elaborados para os mais diversos fins e em formatos diversos, os cestos carregam consigo uma herança cultural, uma ligação tangível entre as gerações e são um símbolo do engenho moçambicano. Assim, ao contemplar as linhas e cores de um cesto moçambicano, lembre-se de que cada entrançado é uma palavra numa narrativa antiga, cada forma é um capítulo de história, e cada cor é um pedaço da alma de Moçambique.
A cestaria não é só uma manifestação da criatividade local; é um legado de influências árabes e suaílis, um lembrete da posição única de Moçambique como uma encruzilhada de culturas e civilizações. Mercadores e navegadores de terras distantes trouxeram consigo não apenas bens, mas também técnicas e estilos que
Importante é também aqui salientarmos uma importante mais-valia dos nossos cestos: nos nossos dias, com a crescente preocupação ecológica global, a cestaria tradicional moçambicana, feita de materiais naturais e biodegradáveis, representa uma opção sustentável face aos produtos de plástico.
A cestaria moçambicana é uma arte milenar que se entrelaça com a história do país. É uma autêntica fusão de identidades culturais que se estende por todo território nacional. 96 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
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Millennium bim
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Millennium bim
EACH MOZAMBICAN BASKET CARRIES A STORY OF INGENUITY AND TRADITION
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id you know that basketry in Mozambique is an artistic expression as deep-rooted as the land we stand on? This ancient art, which is intertwined with the country's history, is an authentic fusion of cultural identities which extends throughout the country.
niques and styles that merged with indigenous traditions.
Simple fibres such as straw, wicker and reeds are transformed, by the hands of skilled artisans, into useful and beautiful basketry pieces. Each piece created using traditional techniques is a reflection of the Mozambican identity and soul. The vibrant colours of the baskets tell stories of celebration and life, while the intricate patterns are a silent dialogue between the past and the present.
From an economic point of view, basketry is a cornerstone for many communities, and the sale of these items serves not only as a means of livelihood. It is also a window to the world, showcasing Mozambique's cultural wealth. Made for the most diverse purposes and in different shapes, baskets carry with them a cultural heritage, a tangible link between generations and are a symbol of Mozambican ingenuity. Therefore, when you contemplate the lines and colours of a Mozambican basket, remember that each braid is a word in an ancient narrative, each shape is a chapter in history and each colour is a piece of Mozambique's soul.
Basketry is not only a manifestation of local creativity; it is a legacy of Arab and Swahili influences, a reminder of Mozambique's unique position as a crossroads of cultures and civilisations. Merchants and navigators from distant lands brought with them not only goods, but also tech-
We must also emphasise an important added value of our baskets: nowadays, with the growing global ecological concern, traditional Mozambican basketry, made from natural and biodegradable materials, represents a sustainable option compared to plastic products.
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Fotografia: Cortesia de Baía Mall
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O HALLOWEEN NO BAÍA MALL Numa celebração que já se tornou tradição, o Baía Mall acolheu a sua 6.ª edição do Halloween, nos dias 28 e 29 de Outubro, transformando o centro comercial num palco de festividades que atraíram e encantaram miúdos e graúdos. Este evento anual, que se afirma cada vez mais no calendário de eventos da região, destacou-se pelo seu programa diversificado e pela participação entusiasta da comunidade.
O
arranque das celebrações, no dia 28, foi marcado por performances vibrantes das companhias Dansartes e Arte Makonde, que trouxeram cor e movimento ao ambiente festivo. A peça "Doces ou Travessuras", encenada pelo grupo Sico na Sico, capturou a imaginação do público, enquanto a Samsung proporcionou uma experiência cinematográfica envolvente. Um torneio FIFA, a cargo da Is Technology, e a competição "Melhor Maquilhagem de Halloween", apresentada pela Inglot, desafiaram a habilidade e criatividade dos participantes. A arte esteve também em destaque, com Muzilene e Deep Mind a orientarem sessões de pintura que transformaram simples desenhos, molduras e t-shirts em obras de arte. Os lojistas do Baía Mall juntaram-se à festa, oferecendo
vales que foram entregues durante as actividades, num gesto de generosidade e de envolvimento comunitário. As festividades prosseguiram no dia 29, com o Timbila Café a adicionar novas actividades ao programa, entre as quais se destacaram o espectáculo de circo, o salto à corda e as sempre impressionantes pernas de pau. A continuação da oferta de vales manteve o espírito de celebração e recompensa. Durante dois dias, o evento não só celebrou a alegria das crianças e adolescentes, mas também abraçou a riqueza das expressões culturais locais, como a música, a dança, o teatro e as artes plásticas, provando que o Baía Mall é, de facto, um lugar onde as famílias se unem na felicidade.
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AIESEC - ANNUAL PARTNERSHIP BREAKFAST
Fotografia: Cortesia de AIESEC
No dia 9 de Novembro, a AIESEC realizou o “Annual Partnership Breakfast”, destacando a cooperação para o desenvolvimento juvenil. Líderes de várias áreas debateram sobre sustentabilidade e educação em Moçambique, num evento que contou com a EY como parceira e a presença do ex-Presidente da República Joaquim Chissano.
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Diáspora
DES(P
Realizoudaços)', um se revelou Enia Lipan pelo púb A noite fo deixaram assistir. No
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-se, no dia 25 de Novembro, no Teatro Avenida, o espectáculo 'Des(pema celebração envolvente de dança oriental e fusões afro-latinas que u um triunfo retumbante. Com a presença dos convidados especiais nga, Frias & Maiasse e Nana, as actuações foram fortemente aclamadas blico, que se rendeu à mestria e paixão transmitida em cada movimento. oi marcada por uma atmosfera electrizante e interpretações exímias que m uma marca indelével na memória de todos os que tiveram o prazer de ota alta a mais esta apresentação do Infinity Estudio de Dança
Fotografia: Paulo Alexandre
PEDAÇOS)
Fotografia: Cortesia de Millennium bim
Acontece
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Acontece
PROJECTO “POLUIÇÃO AMBIENTAL” VENCE ZONA SUL NAS OLIMPÍADAS BANCÁRIAS MILLENNIUM BIM No âmbito da realização da 12ª edição do projecto de literacia financeira “Olimpíadas Bancárias Millennium bim”, teve lugar a final de Maputo. No total, esta edição contou com a participação de 20 escolas do ensino secundário. Trata-se de um projecto onde são introduzidos conceitos bancários e de gestão de finanças pessoais como poupança, seguros, empreendedorismo e prevenção do meio ambiente, com o objectivo de estimular a educação e elevar o índice de literacia financeira entre os jovens e adolescentes em idade escolar.
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Poemas de Cabo e do Confinamento e Outras Extensões
Poems of the Cape and Confinement and Other Extensions
Armando Artur
By Armando Artur
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This is a book of confined affections: I think of the conEste é um livro de afectos confinados: penso no context that generated much of the poetry decanted here. texto que gerou boa parte da poesia aqui decantada. In this sense, the image of a suffocated voice is capable Neste sentido, é capaz de chegar ao leitor a imagem de of reaching the reader. This deuma voz asfixiada. Esta decantacantation is therefore an exercise ção é, portanto, um exercício de José in catharsis that reconstructs, catarse que reconstrói, enquanArmando Artur Craveirinha while revealing, the poet's esto revela, os afectos essenciais sential affections, irremediably do poeta, irremediavelmente in dialogue with this context of em diálogo com esse contexthe Covid-19 pandemic. By imto da pandemia da Covid-19. plication, it may therefore also Por implicação, é capaz de ser, be a book about the reader as por conseguinte, um livro tama subject who, in the process of bém do leitor enquanto sujeito reading, will sew together the que, no processo de leitura, vai memory of the confinement of costurar a memória do confinahis own emotions, habits and mento das suas próprias emodreams, in short, the memoções, hábitos e sonhos, enfim, ry of "the love of times turned a memória do «amor dos temupside down". But this coincipos virados ao contrário». Mas dence, more than inviting us to esta coincidência, mais do que remember or forget, primarily convidar-nos a rememorar ou makes this book an ironic gesa esquecer, faz deste livro soture of courageous questioning bretudo um gesto irónico de of the unfathomable future and corajosa interpelação ao insononce again confirms Armando dável futuro e volta a confirmar Artur as one of the great voices Armando Artur como uma das in the universe of Mozambican grandes vozes do universo da poetry. poesia moçambicana. 2021
Poemas de Cabo e do Confinamento e Outras Extensões
(Lucílio Manjate)
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(Lucílio Manjate)
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35mm
N
NAYOLA
um país onde as marcas da guerra civil ainda se fazem sentir profundamente, Nayola é uma janela animada que nos leva à realidade de três gerações de mulheres angolanas. Este é o pano de fundo do filme de animação de longa duração de José Miguel Ribeiro, um nome incontornável no panorama do cinema de animação português que agora se aventura na sua primeira longa-metragem. Com um enredo que cruza passado e presente através das vivências destas mulheres, Nayola é inspirado na peça “A caixa preta”, de Mia Couto e José Eduardo Agualusa, duas figuras cimeiras da literatura em língua portuguesa.
pos mais turvos.
O filme percorre duas épocas – a luta de Nayola em 1995 para reencontrar o marido desaparecido na guerra e o activismo de uma jovem rapper em 2011 –, ambas ligadas pela presença de uma avó que esconde um mistério. Com uma narrativa visualmente rica e estilos gráficos que reflectem a complexidade das suas personagens, "Nayola" convida à reflexão sobre a resiliência e esperança que se mantêm mesmo nos tem-
Nayola é mais do que uma animação, é uma experiência cinematográfica rica, emocional e visualmente impressionante. Um filme que merece ser visto e vivido, oferecendo uma perspectiva singular sobre a história e cultura angolanas através da animação. É um convite para mergulhar nas profundezas da experiência humana, marcado por uma realização exímia e desempenhos vocais cativantes.
A expressividade de Feliciana Délcia Guia (Yara) e Elisângela Rita (Nayola) concede ao filme uma identidade autêntica que ecoa no coração dos espectadores. A música, outro elemento-chave, encaixa-se perfeitamente, acrescentando camadas de emoção à narrativa. Nayola tem sido elogiado internacionalmente e destaca-se numa era dourada para a animação, partilhando atenções com outras obras notáveis e uma diversidade de nomeações e prémios em festivais internacionais, incluindo o Prémio do Público na Mostra de São Paulo, no Brasil.
Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 111
Diáspora
35mm
I
NAYOLA
n a country where the marks of the civil war are still deeply felt, Nayola is an animated window into the reality of three generations of Angolan women. This is the backdrop to the feature-length animated film by José Miguel Ribeiro, an essential name on the Portuguese animation film scene who is now venturing into his first feature film. With a plot that crosses past and present through the experiences of these women, Nayola is inspired by the play "The Black Box" (A caixa preta) by Mia Couto and José Eduardo Agualusa, two leading figures in Portuguese-language literature.
even in the darkest times.
The film spans two eras - Nayola's struggle in 1995 to find her husband who disappeared during the war and the activism of a young rapper in 2011 - both linked by the presence of a grandmother who hides a mystery. With a visually rich narrative and graphic styles that reflect the complexity of its characters, "Nayola" invites reflection on the resilience and hope that remain
Nayola is more than an animation, it's a rich, emotional and visually impressive cinematic experience. A film that deserves to be seen and experienced, offering a unique perspective on Angolan history and culture through animation. It's an invitation to dive into the depths of the human experience, marked by superb directing and captivating vocal performances.
112 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
The expressiveness of Feliciana Délcia Guia (Yara) and Elisângela Rita (Nayola) gives the film an authentic identity that resonates in the hearts of viewers. The music, another key element, fits in perfectly, adding layers of emotion to the narrative. Nayola has been praised internationally and stands out in a golden age for animation, sharing the spotlight with other outstanding works and a number of nominations and awards at international festivals, including the Audience Award at Mostra de São Paulo in Brazil.
Diáspora
Novembro - November 2023 • Ed. 64 © Revista Xonguila | 113
A MENSAGEM DE NZAZI Numa pequena aldeia no norte de Moçambique, havia um velho embondeiro conhecido pelo nome de Nzazi. Este embondeiro era o portador de segredos antigos e de estórias há muito esquecidas. Os aldeões, respeitando a sabedoria da árvore, visitavam o seu tronco robusto para ouvir conselhos à sua sombra reconfortante. Nzazi ocultava um segredo peculiar, algo que até ele próprio tinha dificuldade em entender. No seu interior, cresciam raízes sombrias e silenciosas que ameaçavam a sua vitalidade e vigor. Estas raízes representavam uma doença invisível, a desenvolver-se sem que ninguém dela se apercebesse. Num belo dia, um rapaz chamado Tau, notando uma mudança na tonalidade das folhas de Nzazi, interpelou-o acerca do seu estado. Nzazi, depois de alguma hesitação, decidiu partilhar a verdade sobre as suas raízes sombrias. Explicou que, assim como ele, muitos homens carregam em silêncio males desconhecidos, que apenas podem ser revelados através da procura e do diálogo. Tau, comovido com a história do embondeiro, levou esta lição para a aldeia. Começou a ensinar que, da mesma forma que cuidavam de Nzazi, as pessoas deveriam atentar à sua própria saúde, procurando conhecimento e auxílio para lidar com as doenças ocultas. Assim, a lenda de Nzazi tornou-se uma metáfora viva, encorajando os homens da aldeia a partilhar sem tabus as suas preocupações de saúde. Enquanto o embondeiro enfrentava as suas próprias raízes escuras, a sua estória florescia, espalhando luz e esperança pelos corações daquela comunidade.
Nuno Soares 114 | Revista Xonguila © Ed. 64 • Novembro - November 2023
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