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Revista Xonguila Nº45

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Publicação mensal • Março/March 2022 • Ed. 45 • Ano 05 • 300 MZN • xonguila.co.mz

SASOL

COMPANHIA NACIONAL DE CANTO E DANÇA Levando os nossos ritmos além fronteiras Taking our rhythms across borders

Acções para desenvolvimento local Local development actions

WINGS KITCHEN

Paladares mistos à beira-mar Fusion palates by the sea

LUXURY RECYCLE

Um rapper que veste celebridades A rapper who styles celebrities


Momentos Fashion

Luxury Recycle, rapper e um dos principais nomes da moda jovem africana

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Momentos Fashion

Março/March 2022 • Ed. 45 © Revista Xonguila | 5

Fotografia: Cortesia de Luxury Recycle

As ousadas escolhas de estilo e combinações de cores e acessórios "fora da caixa" tornam-no um dos melhores estilistas africanos da actualidade, e um dos mais requisitados.


Momentos Fashion

Luxury Recycle, rapper e um dos principais nomes da moda jovem africana Considerado um grande nome da moda af ricana, Hélio Manjate, conhecido como Luxury Recycle, divide o tempo entre a moda e a música. Luxury, que novamente foi indicado para um prémio internacional de moda, é exemplo de entrega com paixão tanto à moda como à música. Com seis anos no universo da moda, este jovem multitalentoso tem uma larga lista de clientes, entre celebridades nacionais e internacionais. A lista inclui o conceituado músico moçambicano de jazz Jimmy Dludlu, Mr. Bow e o trio Yaba Buluku Boyz. No exterior, Hélio Manjate já colaborou com artistas angolanos, com destaque para Pérola, Yola Araújo, Edmázia Mayembe e Rui Orlando. Já vestiu, na Áf rica do Sul, Kelly Khumalo, Wanda Baloy e Neli Zondo, e, em Portugal, a D j Sara Santini, entre outras celebridades internacionais. Luxury Recycle é um consultor de imagem e moda, director criativo, influencer e rapper natural da cidade de Maputo. Formado em contabilidade e auditoria, em 2018 decidiu fazer um curso de Fashion Styling, para satisfazer a paixão que tem pela moda. “Em 2018 fiz um curso onde se aprendem todas as técnicas do fashion styling, também o merchandising, aprende-se a fazer concept design, networking, estratégias de marketing, style design e por aí fora. Abrange um pouco de tudo o que tem que ver com fashion”, disse-nos o jovem fashionista maputense, que se inspira nos trabalhos de Burberry, Chanel, Christian Dior, Commes des Garçons, Maison Margiela, Prada, Tommy Hilfiger, Levi’s e Guess. Começou a interessar-se pela moda ainda em tenra idade, influenciado pelas marcas a que ficava exposto durante as suas viagens à Áf rica do Sul.

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O estilo prof issional contemporâneo e autêntico de Luxury trouxe uma nova imagem à moda moçambicana. As ousadas escolhas de estilo e combinações de cores e acessórios tornam-no um dos melhores estilistas af ricanos da actualidade, e um dos mais requisitados. "Procuro sempre pensar fora da caixa, não tenho medo de experimentar conceitos que ainda não foram implementados, porque só assim se pode ser original, se podem criar peças autênticas e conseguir marcar a diferença", disse. As actividades de Recycle incluem também a realização e produção de sessões fotográf icas de moda, e organização de vestes para o dia-a-dia, para ocasiões específ icas e eventos exclusivos. E cedo veio o reconhecimento Luxury Recycle só precisou de cinco anos para conquistar Áf rica e colocar a bandeira de Moçambique ao mais alto nível no mundo da moda. Desde cedo que as criações de Luxury chamaram a atenção da indústria da moda e das celebridades do mundo do Showbizz. No entanto, foi em 2021 que a sua carreira como fashion stylist atingiu outros horizontes, quando venceu o prémio de "Melhor Fashion Stylist do Ano", no Odartey Style & Fashion Awards, que teve lugar na cidade de Acra, capital do Gana. Recycle bateu a concorrência de outros cinco estilistas do Gana e do Quénia, tendo conseguido chegar ao pódio graças ao voto popular.


Fotografia: Cortesia de Luxury Recycle

Momentos Fashion

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Momentos Fashion

O Odartey Style & Fashion Awards é um evento anual que acontece na capital ganesa, onde são premiadas as melhores personalidades do mundo da moda em Áf rica. Com apenas seis anos de carreira, o multitalentoso jovem artista já é um nome com reputação internacional. Este ano, Luxury foi nomeado novamente para um award show anual naquele país, na cidade de Acra, intitulado Ghana Style Awards 2022, na categoria de International Stylish Icon of the Year. O Ghana Style Awards é também um evento que distingue individualidades em Áf rica que trabalham no mundo da moda e do entretenimento. “Sou uma pessoa que não gosta de criar expectativas em nada. Deixo as coisas correrem naturalmente. Só fazer parte dos nomeados do Ghana Style Awards já faz de mim um vencedor", disse, quando questionado em relação ao evento, que irá decorrer no mês de Março próximo. Luxury também já participou num dos maiores eventos de moda na Áf rica do Sul, o Mercedes Benz Fashion Week Spring Summer 2016, na equipa executiva da marca Xipixi.

Era um projecto do também rapper e apresentador de televisão Dygo Boy e do grupo Magnésia, em parceria com a Turma do Exagero Music - TEM”, explicou o jovem de 29 anos que entra em modo musical quando não está a explorar um guarda-roupa. O rapper Luxury Recycle retirou-se da música por alguns anos para se dedicar inteiramente à sua carreira como celebrity fashion stylist, na qual tem

Não tenho medo de experimentar conceitos que ainda não foram implementados, porque só assim se pode ser original, se podem criar peças autênticas e conseguir marcar a diferença – Luxory Recycle

Música, a mania que não sai da moda Apesar de ser mais conhecido como estilista, Luxury Recycle é igualmente um rapper. Na verdade, foi a música a primeira paixão a surgir na sua vida: “O que mais me influenciou na minha infância foi a música, a moda apareceu depois. Comecei a gravar em 2006, mas só em 2010 comecei a cantar como profissional, no agrupamento Último Nível.

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merecido grande destaque internacional. Em 2020 regressa ao hip hop com a música Taking Pictures, com participação de Maluke Cefa. Seguiu-se o single, desta vez a solo, intitulado Pai Grande, co-produzido pelo produtor português Red E e o produtor sueco Melodic Desert. Foi lançado com vídeo, onde o f igurino foi idealizado por Luxury, em parceria com as marcas moçambicanas Dear Boredom Shop e Peças Únicas. Luxury Recycle está em estúdio a trabalhar mais um projecto musical, ainda sem data marcada para o lançamento. Luxury garante que será um projecto que contará com muitas participações.

“Pretendo lançar a minha própria marca de roupa, e terá direito a um desf ile em Maputo. Em paralelo, pretendo lançar o meu projecto musical I'm Not a Rapper, que conta com a participação de vários artistas moçambicanos e internacionais", f inalizou, sem avançar detalhes dos dois projectos, que, segundo diz, def inem a sua existência.


Fotografia: Cortesia de Luxury Recycle

Momentos Fashion

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Fashion moments

Luxury Recycle, rapper and one of the major names in young Af rican fashion Considered a great name in contemporary African fashion, Hélio Manjate, known as Luxury Recycle, splits his time between fashion and music. Luxury, which was once again nominated for an international fashion award, is an example of passionate dedication to both fashion and music. After six years in the fashion world, this multi-talented young man has a long list of clients, including national and international celebrities. The list includes renowned Mozambican jazz musician Jimmy Dludlu, Mr. Bow and the trio Yaba Buluku Boyz. Abroad, Hélio Manjate has collaborated with Angolan artists such as Pérola, Yola Araújo, Edmázia Mayembe and Rui Orlando. In South Africa, he has dressed Kelly Khumalo, Wanda Baloy and Neli Zondo, and, in Portugal, the DJ Sara Santini, among other international celebrities. Luxury Recycle is an image and fashion consultant, creative director, influencer and rapper born in Maputo. He has a degree in accounting and auditing, and in 2018 he decided to take a Fashion Styling course to satisfy his passion for fashion. “In 2018, I took a course that taught all the techniques of fashion styling and merchandising. I learnt how to do concept design, networking, marketing strategies, style design and so on. It covered a little bit of everything that has to do with fashion”, explained the young fashionista from Maputo, who draws inspiration from

the work of Burberry, Chanel, Christian Dior, Comme des Garçons, Maison Margiela, Prada, Tommy Hilfiger, Levi's and Guess. He became interested in fashion at an early age, influenced by the brands he was exposed to during his trips to South Africa. Luxury's contemporary and authentic professional style has brought a new look to Mozambican fashion. Bold style choices, colour combinations and accessories make him one of the best contemporary African designers working today, and one of the most sought after. "I always try to think outside the box. I'm not afraid to experiment with concepts that haven't been tested yet, because that's the only way to be original, to create authentic pieces and stand out," he said. Recycle's activities also include the direction and production of fashion photo shoots, and styling clothes for the everyday, specific occasions and exclusive events. Recognition came early on It only took five years for Luxury Recycle to conquer Africa and raise the Mozambican flag at the highest level in the

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fashion world. From the start, Luxury's creations caught the attention of the fashion industry and celebrities in the world of showbiz. However, it was in 2021 that his career as a fashion stylist reached new heights, when he won the award for "Best Fashion Stylist of the Year", at the Odartey Style & Fashion Awards, which took place in Accra, Ghana´s capital city. Recycle beat out competition from five other designers from Ghana and Kenya and managed to reach the podium thanks to the popular vote. The Odartey Style & Fashion Awards is an annual event that takes place in the Ghanaian capital, to award the best personalities in the African fashion world. Only six years into his career, the multi-talented young artist already enjoys an international reputation. This year, Luxury was nominated once again for an annual award show in that country, in the city of Accra, titled Ghana Style Awards 2022, in the category of International Stylish Icon of the Year. The Ghana Style Awards is also an event that distinguishes individuals in Africa who work in the world of fashion and entertainment.


Fotografia: Cortesia de Luxury Recycle

Fashion moments

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Fashion moments

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Fashion moments

“I'm someone who doesn't like to create expectations around anything. I let things unfold naturally. Just being included in the Ghana Style Awards nominees already makes me a winner", he said, when asked about the event, which will take place in March. Luxury has also participated in one of the biggest fashion events in South Af rica, the Mercedes Benz Fashion Week Spring Summer 2016, as a member of the executive team of the Xipixi brand. Music, the mania that doesn't go out of style Despite being best known as a stylist, Luxury Recycle is also a rapper. In fact, music was his first passion: “What influenced me the most in my childhood was music; fashion came later. I began recording in 2006, but only started singing as a professional in 2010, with the Último Level group. It was a project by fellow rapper and television presenter Dygo Boy and the group Magnesia, in partnership with Turma do Exagero Music - TEM”, explained the 29-year-old, who goes into musical mode when he is not exploring a wardrobe. Rapper Luxury Recycle retired f rom music for a few years to dedicate himself entirely to his career as a celebrity fashion stylist, which has earned him great international prominence. In 2020 he returned to hip hop with the song Taking Pictures, featuring Maluke Cefa. It was followed by the single Pai Grande, this time performing solo, which was co-produced by Portuguese producer Red E and Swedish producer Melodic Desert. It was launched with video, with costume design by Luxury, in partnership with the Mozambican brands Dear Boredom Shop and Peças Únicas. Luxury Recycle is currently spending time in the studio working on another music project, with no release date yet. Luxury assures us that it will be a project that will feature many guest acts.

Fotografia: Cortesia de Luxury Recycle

“I intend to launch my own clothing brand, and it will have a show in Maputo. In parallel, I intend to launch my musical project I'm Not a Rapper, which guest-features several Mozambican and international artists", he concluded, without revealing any further details about these two projects which, according to him, define his existence.

"I intend to launch my own clothing brand, and it will have a show in Maputo. In parallel, I intend to launch my musical project I'm Not a Rapper, which guest-features several Mozambican and international artists" Março/March 2022 • Ed. 45 © Revista Xonguila | 13


34 COMPANHIA NACIONAL DE CANTO E DANÇA

Ritmos de todo o país Rhythms from all over the country

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26 VIGIAS DO TEMPO As cascatas da Namaacha The Namaacha Waterfalls

46 WINGS KITCHEN

Um restaurante cujo sucesso resulta da união familiar A restaurant whose success rests on a family united

68 DIÁSPORA

Fabiana Pereira, de Maputo para Dar es Salaam Fabiana Pereira, from Maputo to Dar es Salaam

82 PAULO OLIVEIRA E a sua participação no Rali Dakar And his participation in the Dakar Rally

4 LUXURY RECYCLE De rapper a ícone da moda From rapper to fashion icon

90 SINERGIA DE EMOÇÕES A união de Taíla Carrilho e Nália Agostinho Uniting Taíla Carrilho and Nália Agostinho

94 SABIAS QUE/ DID YOU KNOW

O poder das vacinas tradicionais The power of traditional vaccines

100 ALCANCE EDITORES

Conheça as recomendações de leitura do mês da Alcance Discover this month´s reading recommendations from Alcance Editores

110 CINEMA 35MM

A leiteira, um filme nigeriano bastante aclamado The Milkmaid, a highly acclaimed Nigerian film

18 SASOL

Acções para mais bem-estar em Govuro e Inhassoro Actions to improve wellbeing in Govuro and Inhassoro

FICHA TÉCNICA/BIOS

Propriedade/Property: Veludo & Mentol, Sociedade Unipessoal Lda • Conselho de Administração/Administrative Council: Omar Diogo, Nuno Soares, Mariano Silva • Director: Nuno Soares • Gestão de Conteúdos Editoriais/Editorial Content Management: Nuno Soares, Mariano Silva • Copy-desk (português): Fátima Ribeiro • Colunistas/Writers: Eliana Silva, Mariano Silva, Nuno Soares, Jaime Álvaro, Precidónio Silvério, Aayat Irfan • Tradução (Português-Inglês)/Translation (Portuguese-English): M. Gabriela Carrilho Aragão • Fotograf ia/Photography: Mariano Silva • Design de Capa/Cover Design: Nuno Azevedo • Graf ismo/Visuals: Omar Diogo • Infograf ia e Paginação/ Infographics and Pagination: Omar Diogo • Produtores Audiovisuais/Audiovisual Producers: Nuno Lopes, Ana Piedade, Mariano Silva • Gestão de Redes Sociais/ Social Media Management: Nuno Soares • Conteúdos de Marketing e Comunicação/ Marketing and Communication Contents: Omar Diogo, Nuno Azevedo • Gestão de Homepage e Edição Online/Homepage Management and Online Editing: Omar Diogo, Jorge Oliveira • Departamento Comercial/Commercial Department: Nuno Soares - comercial@xonguila.co.mz • Impressão/Printing: Minerva Print • Distribuição/ Distribution: Flotsam Moçambique, Lda • ISSN: ISSN-0261-661 • Registo/Register: 02/Gabinfo-dec/2018 • Registo de Propriedade Industrial/Industrial Property Registration: 35065/2017 - 35066/2017 (15/01/2018) Os artigos com assinatura reflectem a opinião dos autores e não necessariamente da revista. Toda a transcrição ou reprodução, parcial ou total, requer a autorização expressa da empresa titular da revista. The articles reflect the authors opinion, and not necessarily the magazine opinion. All transcript or reproduction, partial or total, requires the authorization of the company that owns the magazine

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Editorial

Do Director From the Director Estimado leitor, estimados membros da nossa equipa,

Dear reader, esteemed members of our team,

É

com a maior satisfação e orgulho que aqui publicamente congratulo toda a equipa da Xonguila pelo 4º aniversário que este mês comemora esta nossa e vossa revista. De 2018 a esta parte, foram 45 as edições, nunca falhando, mesmo nos momentos mais difíceis, sempre com o principal propósito de promover o país e o que de bom se faz por estes lados do globo. Ao longo do nosso trajecto, muitos foram os artistas, as estâncias turísticas, os hotéis e casas de pasto, os empreendedores e marcas, os negócios e projectos, monumentos e outros valores culturais que divulgámos e promovemos. E que grande alegria nos deu saber que, após as nossas publicações, eles se tornaram mais conhecidos, foram mais procurados e tiveram mais vendas e visitantes! Em contrapartida, diversas foram as manifestações de carinho e apoio por parte dos nossos amigos, leitores, entidades públicas e privadas e celebridades, o que nos incentivou a melhorar em cada edição. Temos consciência de que o sucesso só é possível quando conseguimos fazer desabrochar e amplificar talento individual em prol da colectividade, e foi assim que agimos a nível da nossa equipa. Assim, a todos vós, “membros” Xonguila e nossos leitores e apoiantes, o meu profundo e sincero agradecimento. Lutamos juntos, e as vitórias serão sempre de todos. Na presente edição comemorativa, iremos contar com a prestigiada Companhia Nacional de Canto e Dança, que nos tem representado levando a nossa cultura aos quatro cantos mundo. Também a nível de artistas, trazemos Luxury Recycle, conhecido rapper e ícone da moda, e Taíla Carrilho e Nália Agostinho, com a sua primeira exposição conjunta, a decorrer em Portugal. Por sua vez, Paulo Oliveira, o primeiro cidadão nacional a participar e concluir as etapas daquela que é a maior competição mundial de desporto motorizado do mundo – o Rali Dakar –, conta-nos como foi a experiência. Já se imaginou, caro leitor, a dar um refrescante mergulho em cascatas de água fresca não muito longe de Maputo? Não espere mais e veja na presente edição onde poderá realizar este desejo. Leia também a nossa rubrica Paladares à Solta, onde ficará a conhecer o simpático Wings Kitchen, um restaurante na marginal de Maputo onde imperam petiscos e outras saborosas iguarias. Como nos números anteriores, diversas outras peças se distribuem pelas nossas páginas, sempre condimentadas com a maior vontade de lhe proporcionar momentos de prazer. Que, apesar do duro momento que o mundo atravessa, Março seja um mês de metas alcançadas, mais paz e alegria de viver, pois é disso que precisamos. Num brinde à nossa e vossa revista, os meus votos de boa leitura e que tudo corra, a todos, da melhor forma possível.

I

t is with the greatest satisfaction and pride that I publicly congratulate the entire Xonguila team on the 4th anniversary that this magazine of ours and yours celebrates this month. From 2018 to this day, we published 45 editions without fail, even in the most difficult moments, always with the main purpose of promoting our country and all the good things done in this part of the globe. Throughout our journey, there were many artists, tourist resorts, hotels and eateries, entrepreneurs and brands, businesses and projects, monuments and other cultural values that we disseminated and promoted. And what a great joy it was for us to know that, after featuring in our editions, they became better known, were more sought after and had more sales and visitors! Moreover, there were several expressions of affection and support from our friends, readers, public and private entities and celebrities, which encouraged us to improve with each edition. We are aware that success is only possible when we are able to develop and amplify individual talent for the benefit of the community, and that is how we acted at the level of our team. So, to all of you, Xonguila “members” and our readers and supporters, my deep and sincere thanks. We fight together, and the victories will always be for all of us. In this commemorative edition, we speak to the prestigious Companhia Nacional de Canto e Dança which has represented us, taking our culture to the four corners of the world. Also within the arts, we bring you Luxury Recycle, a well-known rapper and fashion icon, and Taíla Carrilho and Nália Agostinho, with their first joint exhibition currently on show in Portugal. In turn, Paulo Oliveira, the first Mozambican to participate and complete the stages of what is the biggest motorsport competition in the world – the Dakar Rally –, tells us about the experience. Have you ever imagined yourself, dear reader, taking a refreshing dip in freshwater waterfalls not far from Maputo? Don't wait any longer and find out, in this edition, where you can make this wish come true. Also read our section Palates on the Loose, where you will get to know the friendly Wings Kitchen, a restaurant on the Maputo waterfront where snacks and other tasty delicacies reign supreme. As in the previous issues, several other features can be found in our pages, always sprinkled with the greatest desire to provide you with moments of reading pleasure. We wish that, despite the hard moment that the world is going through, March may be a month of goals achieved, more peace and joy in living, because that is what we need. In a toast to our and your magazine, my best wishes for a great reading and that everything goes, to all, in the best possible way.

Nuno Soares Director Com o apoio de:

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Editorial

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Fotografia:Cortesia de Sasol / Darlene Mavale

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No âmbito dos Acordos de Desenvolvimento Local, ao longo do ano de 2021, a Sasol entregou às comunidades de Govuro e Inhassoro 51 furos de abastecimento de água reabilitados e outros 10 construídos de raiz

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A Sasol e o desenvolvimento de Govuro e Inhassoro No âmbito dos Acordos de Desenvolvimento Local (ADL), ao longo do ano de 2021, a Sasol entregou às comunidades de Govuro e Inhassoro várias infra-estruturas de abastecimento de água. Trata-se de 51 furos de

abastecimento de água reabilitados e outros 10 construídos de raiz. Deste lote, 42 beneficiam as comunidades do Distrito de Inhassoro e 19 as do Distrito de Govuro, no norte de Inhambane. Govuro

Inhassoro

Total

Fontanários Reabilitados

16

35

51

Fontanários Construídos

3

7

10

19

42

61

Tabela 1: Investimento da Sasol em abastecimento de água em 2021

Para 2022, a Sasol tem um plano ambicioso, que contempla a construção de sistemas de abastecimento que vão fornecer o precioso líquido às escolas e unidades sanitárias dos Distritos de Inhassoro e Govuro. Os

Total

sistemas de abastecimento são compostos por furos, reservatórios e redes de distribuição. A água, depois de captada, será tratada e armazenada em reservatórios que alimentam uma rede de distribuição.

Fontanários a serem Reabilitados

Sistemas de Abastecimento a serem construídos Tabela 2: Investimento da Sasol em abastecimento de água em 2022

Neste semestre, a Sasol e a ENH (Empresa Nacional de Hidrocarbonetos) vão entregar um projecto estruturante – o chamado Sistema de Abastecimento de Água de Inhassoro - que beneficiará mais de 21 mil pessoas, estando previstas cerca de 2 mil ligações domiciliá-

Total

Govuro

Inhassoro

Total

20

3

23

8

4

12

28

7

35

rias, em consonância com a iniciativa governamental Água para a Vida (Pravida). Este projecto vai aumentar o acesso ao serviço de abastecimento de água, que contribuirá para a redução de doenças resultantes do consumo de água imprópria.

COMUNIDADES DEFINEM AS PRIORIDADES DO INVESTIMENTO O envolvimento da comunidade na gestão e monitoria destes projectos é de extrema relevância para garantir a sua sustentabilidade. Da consulta feita, as comunidades e os governos distritais indicaram que a prioridade número um está relacionada com a água.

Para além de projectos de água, no âmbito dos ADL, a Sasol implementa iniciativas de desenvolvimento económico, ordenamento territorial, promoção do desporto e capacitação em oportunidades de emprego e auto-emprego.

A Sasol, através do seu parceiro de implementação, a SNV, tem estado a capacitar as comunidades de modo a prepará-las para gerir os sistemas de abastecimento de água. No âmbito deste projecto, os Governos dos dois distritos receberam uma viatura cada, para assistência técnica às comunidades.

Os Acordos de Desenvolvimento Local (ADL) representam as prioridades para o financiamento de projectos de desenvolvimento, baseados na Política de Responsabilidade Social Empresarial para a Indústria Extractiva, assinados em Setembro de 2019 com os Governos dos Distritos de Govuro e Inhassoro e 37 comunidades locais.

“Testemunhamos com muita satisfação a colheita de bons frutos, nas diversas áreas de intervenção, criados pelos Acordos de Desenvolvimento Local.” – Director Geral da Sasol em Moçambique, Ovídio Rodolfo “As iniciativas dos ADL estão a contribuir para a melhoria da qualidade de vida das comunidades.” – Administrador Govuro, Fernando Muzimbigua 20 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022

“Parabéns à Sasol pela concretização de acções visíveis, na implementação dos ADL” – Administradora de Inhassoro, Dulce Canhemba. “Já estamos a sentir o impacto das iniciativas da Sasol. Encorajamos a Sasol a continuar com estes projectos.” – Justino Sainda, Presidente do Comité de Parceria de Govuro


Fotografia:Cortesia de Sasol / Darlene Mavale

"Parabéns à Sasol pela concretização de ações visíveis na implementação dos ADL" — Administradora de Inhassoro, Dulce Canhemba

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Sasol and the development of Govuro and Inhassoro ed 51 public standpipes and another 10 were built from scratch. Of this lot, 42 benefit communities in the District of Inhassoro and 19 benefit those in the District of Govuro, in northern Inhambane. Govuro

Inhassoro

Total

Public Standpipes Rehabilitated

16

35

51

Public Standpipes Built

3

7

10

19

42

61

Table 1: Sasol's investment in water supply in 2021

For 2022, Sasol has an ambitious plan, which includes the construction of water supply systems that will supply the precious liquid to schools and health centres in the Districts of Inhassoro and

Total

Govuro. The supply systems are composed of boreholes, reservoirs and distribution networks. After being collected, the water will be treated and stored in reservoirs to feed the distribution network.

Public Standpipes to be Rehabilitated

Water Supply Systems to be Built Table 2: Sasol's investment in water supply in 2022

Total

Govuro

Inhassoro

Total

20

3

23

8

4

12

28

7

35

In this semester, Sasol and ENH (Empresa Nacional de Hidrocarbonetos) will deliver a structuring project – the socalled Inhassoro Water Supply System – which will benef it more than 21,000 people, with around 2,000 household connections being planned, in line with the government initiative Água para a Vida (Pravida – “Water for Life”). This project will increase access to the water supply service, which will contribute to the reduction of diseases resulting f rom the consumption of untreated water. 22 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022

Fotografia:Cortesia de Sasol / Darlene Mavale

Throughout 2021 and within the scope of the Local Development Agreements (ADL), Sasol delivered to the communities of Govuro and Inhassoro several water supply infrastructures. Sasol rehabilitat-


Março/March 2022 • Ed. 45 © Revista Xonguila | 23


“We are already feeling the impact of Sasol's initiatives. We encourage Sasol to continue with these projects.” – Justino Sainda, Chairman of the Govuro Partnership Committee

COMMUNITIES DEFINE INVESTMENT PRIORITIES Community involvement in the management and monitoring of these projects is extremely important to ensure their sustainability. During the public consultation carried out at the outset, communities and district governments indicated that the number one priority should be related to water. Sasol, through its implementing partner SNV, has been empowering communities to prepare them to manage the water supply systems. Within the scope of this project, the governments of the two districts received one vehicle each, for tech24 | Revista Xonguila ©to Ed. 45 •communities. Março/March 2022 nical assistance the

Within the scope of the ADL and in addition to water-related projects, Sasol implements initiatives for economic development, territorial planning, promotion of sports and training in employment and self-employment opportunities. The Local Development Agreements (ADL) represent the priorities for financing development projects, based on the Corporate Social Responsibility Policy for the Extractive Industry, signed in September 2019 with the Governments of the Districts of Govuro and Inhassoro and 37 local communities.


Fotografia:Cortesia de Sasol / Darlene Mavale

“With great satisfaction, we witnessed the harvesting of good fruit in the different areas of intervention, established by the Local Development Agreements.” – Sasol's General Manager in Mozambique, Ovídio Rodolfo “The ADL initiatives are contributing to improving the quality of life of communities.” – Govuro District Administrator, Fernando Muzimbigua

“Congratulations to Sasol for carrying out visible actions in the implementation of the ADL” – Inhassoro District Administrator, Dulce Canhemba “We are already feeling the impact of Sasol's initiatives. We encourage Sasol to continue with these projects.” – Justino Sainda, Chairman of the Govuro Partnership Committee

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Vigias do tempo

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Fotografia: Mariano Silva

Vigias do tempo

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Vigias do tempo

AS CASCATAS DA NAMAACHA A Namaacha situa-se num planalto da cordilheira dos Libombos, a 76 km da cidade de Maputo, junto às f ronteiras com a Áf rica do Sul e o Reino de Essuatíni (antiga Suazilândia), dispondo de um posto f ronteiriço rodoviário com este último país. Seu nome deriva de Lomahacha, um antigo soberano da região.

Fotografia: Mariano Silva

É nesta zona que se localizam as famosas cascatas de onde provém uma das águas minerais mais consumidas no país – a Água da Namaacha. Quedas de água, lagoas naturais e paisagens verdejantes dotam este lugar de uma beleza singular, permitindo desf rutar-se de ref rescantes mergulhos em águas cristalinas, fazer o avistamento de aves raras, ou fazer piqueniques e passeios entre penhascos e arbustos que complementam

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as suas maravilhas. Devido a uma intensa seca que se fez sentir na região anos atrás, a determinada altura as cascatas secaram, o que as fez perder muito do seu encanto. Todavia, graças à precipitação que se tem verif icado nos últimos tempos, as cascatas voltaram a ter água, cativando de novo os af icionados pela natureza e dinamizando o turismo na zona. Convidamo-lo, caro leitor, a visitar este local ímpar de Moçambique, e recomendamos que, ali estando, aproveite para visitar também o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, a Academia Mário Coluna, uma instituição que se dedica à formação de jovens futebolistas, bem como o Jardim Zoológico da Namaacha.


Vigias do tempo

Devido a uma intensa seca que se fez sentir na região anos atrás, a determinada altura as cascatas secaram, o que as fez perder muito do seu encanto.

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Fotografia: Mariano Silva

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Vigias do tempo

THE NAMAACHA WATERFALLS

N

amaacha is located on a plateau in the Libombos mountain range, circa 76 km from the city of Maputo and next to the borders with South Africa and the Kingdom of Eswatini (formerly Swaziland), with whom we share a road border post in that district. Its name derives from Lomahacha, a past ruler of the region. It is in this area that the famous waterfalls are located, the source of one of the most consumed mineral water brands in the country – Água da Namaacha (“Water from Namaacha”). Waterfalls, natural lagoons and lush landscapes give this place a unique beauty, allowing you to enjoy refreshing dips in crystal clear waters, spot rare birds, or take picnics and walks

between cliffs and bushes that complement its wonders. Some years ago, an intense drought in the region caused the waterfalls to nearly dry up, making them lose much of their charm. However, thanks to healthy levels of rainfall in subsequent years, the falls have water again, newly captivating nature lovers and boosting tourism in the area. We invite you, dear reader, to visit this unique place in Mozambique, and we recommend that, while there, you also take the opportunity to visit the Sanctuary of Our Lady of Fátima, the Mário Coluna Academy (an institution dedicated to training young footballers) and the Namaacha Zoo.

Now, the falls have water again, newly captivating nature lovers and boosting tourism in the área

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Arte Daqui

“A Companhia Nacional de Canto e Dança surge das experiências do grupo cultural que começava a representar Moçambique, embora não independente, nos festivais de alguns países que apoiavam a luta de libertação nacional” – André Salvador Mabasso, Director-Geral da CNCD 34 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022


Companhia Nacional de Canto e Dança

Fotografia: Mariano Silva

Ritmos e movimentos que celebram Moçambique

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Companhia Nacional de Canto e Dança Ritmos e movimentos que celebram Moçambique Escrito por: Yana

Q

de Almeida

uando a independência ainda era um desejo partilhado entre os moçambicanos, a cultura ajudava a fortalecer laços através da união entre as diferentes regiões do país. O canto e a dança procuravam sempre uma maneira de auxiliar na comemoração das vitórias e das dores de um povo a que nunca faltaram razões para celebrar. Movimentos ordenados e ritmos que faziam ecoar Moçambique nas “zonas libertadas” anunciavam de forma titubeante o surgimento da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD). “A Companhia Nacional de Canto e Dança nasce não de uma simples vontade de alguém, mas da dinâmica da própria história e da existência da Frente de Libertação de Moçambique. Ela surge das experiências do grupo cultural que começava a representar Moçambique, embora não independente, nos festivais de alguns países que apoiavam a luta de libertação nacional”, afirmou o Director-Geral da Companhia, André Salvador Mabasso. Criada em 1979 integrando 30 elementos, a grande maioria dos primeiros membros do grupo era proveniente do então Batalhão de Honra das Forças Populares de Libertação Moçambique, dos antigos combatentes da luta de libertação nacional, de empresas e escolas, e das Organizações Democráticas de Massas.

Mais tarde foram integrados estudantes finalistas da Escola Nacional de Dança e ex-trabalhadores do Instituto Nacional de Cinema afectos ao Cine-Teatro África, no momento da passagem desta/deste?? para a gestão da CNCD. Enquanto os ritmos e as danças eram executados, a riqueza cultural moçambicana era levada aos palcos internacionais. “Num dos encontros com a CNCD, o presidente Chissano revelou-nos a importância que teve a Companhia para o reconhecimento de Moçambique após a independência nacional. Levámos o nome de Moçambique a todos os continentes”, disse André Mabasso. Em 1996, ela foi legalmente constituída como pessoa colectiva de direito público, gozando de autonomia administrativa e financeira. Assumindo a missão de pesquisar as danças de todo o país, a CNCD investiga e congrega todos os saberes e culturas, sintetiza-os e coloca-os em palco, sob a forma de bailados. O seu trabalho já rendeu prémios e distinções que levantam a bandeira nacional. Tal é o caso da Medalha de Honra no Festival Mundial da Juventude e Estudantes (Cuba), da Menção Honra no Festival Internacional da Bulgária, e da Melhor Presença e Grupo no Festival Internacional de Artes Negras Kizomba (Brasil).

A CNCD investiga e congrega todos os saberes e culturas de Moçambique, sintetiza-os e coloca-os em palco, sob a forma de bailados. O seu trabalho já rendeu prémios e distinções que levantam a bandeira nacional

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Fotografia: Mariano Silva

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Passados mais de 40 anos, a missão de levar Moçambique para o mundo está cada vez mais forte, e a participação da Companhia na “Expo Dubai 2020” é prova viva disso. A 14 de Fevereiro último embarcou para os Emirados Árabes Unidos, para actuar na maior exposição do mundo, em Dubai, com o principal objectivo de “conquistar o maior número de interessados em trabalhar com a CNCD em espectáculos comerciais”. “Para a Expo Dubai 2020 levamos as obras “O planeta

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azul” e “Em Moçambique o sol nasceu” e um pouco da música tradicional tocada através de instrumentos típicos nacionais”, disse aquele Director-Geral. O bailado “O planeta azul” chama a atenção para a utilização dos recursos e a responsabilidade no uso do planeta, enquanto a obra “Em Moçambique o sol nasceu” é uma rapsódia das danças mais representativas do país. Com o olhar voltado para o futuro, a


CNCD quer continuar a trazer alegria aos moçambicanos. E já sabe como o fazer… “Para o futuro temos grandes perspectivas. Primeiro gostaríamos de “renovar” os nossos bailarinos. Temos bailarinos que precisam de sair dos palcos e entrar de outra forma: criando coreograf ias.

Outra perspectiva é a reabilitação do Cine-Teatro Áf rica e a sua transformação em teatro nacional. Com a reabilitação do Áf rica, os espectáculos poderão fluir, e voltaremos a conquistar o nosso público, para alcançar ainda mais os palcos do mundo", concluiu André Mabasso.

Fotografia: Mariano Silva

“Levámos o nome de Moçambique a todos os continentes”

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Em Fevereiro último a CNCD embarcou para os Emirados Árabes Unidos, para actuar em Dubai, na maior exposição do mundo 40 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022


Fotografia: Mariano Silva

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Companhia Nacional de Canto e Dança

Celebrating Mozambique through rhythm and movement Written by: Yana

de Almeida

When independence was still a shared desire among Mozambicans, culture helped strengthen ties in uniting different regions of the country. Singing and dancing were always a means to celebrate the victories and pains of a people who never lacked reasons to celebrate. Coordinated movements and rhythms that echoed Mozambique in the “liberated zones” tentatively announced the emergence of the Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD – “National Song and Dance Company”). “The Companhia Nacional de Canto e Dança was not born out of someone’s will, but f rom the dynamics of history itself and the existence of the Frente de Libertação de Moçambique (“Mozambique´s Liberation Front”). It arises f rom the experiences of the cultural group that began to represent Mozambique, although not yet independent, in festivals in some countries that supported the national liberation struggle”, said the General Director of the Company, André Salvador Mabasso. Created in 1979 and initially comprising 30 elements, the vast majority of the f irst members of the group came f rom the then Batalhão de Honra das Forças Populares de Libertação de Moçambique (“Honor Battalion of the Popular Forces for the Liberation of Mozambique”), former combatants of the national liberation struggle, companies and schools, and the Organizações Democráticas de Massas (“Mass Democratic Organizations”). Later, f inalist students f rom the National Dance School and former employees of the National Institute of Cinema assigned to Cine-Teatro Áf rica were also integrated after the latter came under CNCD management. In performing national rhythms and dance styles, the CNCD took Mozambique’s cultural wealth to international stages.

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Fotografia: Mariano Silva

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“In one of the meetings with the CNCD, President Chissano revealed to us the importance that the Company had for the recognition of Mozambique after national independence. We took Mozambique´s name to all continents”, said André Mabasso. In 1996, it was legally constituted as a juridical person under public law, thus enjoying administrative and f inancial autonomy.

Fotografia: Mariano Silva

Taking on the mission of researching dance practices f rom all over the country, the CNCD investigates and brings together diverse knowledge and cultures, synthesizes them and stages them as dance performances. This work has already won awards and distinctions that raise the national flag high. Such is the case of the Medal of Honour at the World Festival of Youth and Students (Cuba), the Mention of

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Honour at the Bulgarian International Festival, and the Best Presence and Group at the Kizomba International Festival of Black Arts (Brazil). More than 40 years later, the mission to take Mozambique to the world is getting stronger and stronger, and the Company's participation in the Expo Dubai 2020 is living proof of that. On February 14, the Company travelled to the United Arab Emirates to perform at the largest exhibition in the world, in Dubai, with the main objective of “attracting the largest possible number of people who may be interested in working with CNCD in commercial shows”. “For Expo Dubai 2020 we took the works O Planeta Azul (“The Blue Planet”) and Em Moçambique o sol nasceu (“The sun rose in Mozambique”), as well as some traditional


music played with typical national instruments”, said that Director-General. The dance performance O Planeta Azul draws attention to the use of [natural] resources and our responsibility towards the planet, while the work Em Moçambique o sol nasceu is a rhapsody of the most representative dance styles in the country. With their sights on the future, CNCD wants to continue to bring joy to Mozambicans. And they already know how to do

it… “We have great prospects for the future. First, we would like to “revamp” our dancers. We have dancers who need to leave the stage and re-enter in another way: creating choreographies. Another prospect is the rehabilitation of Cine-Teatro Áf rica and its transformation into a national theatre. With the rehabilitation of Áf rica, the shows will be able to flow, and we will conquer our audience once again, to reach even more stages in the world", concluded André Mabasso.

Another prospect is the rehabilitation of Cine-Teatro África and its transformation into a national theatre

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Paladares à solta

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Fotografia: Mariano Silva

Paladares à solta

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Paladares à solta

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Paladares à solta

WING’S KITCHEN CÉLIA WING, GESTORA, NA PRIMEIRA PESSOA

“A nossa alma é, definitivamente, o partilhar bem-estar e servir os nossos paladares da cozinha misto-chinesa."

Fotografia: Mariano Silva

Existe alguma história por trás da criação do negócio, que data dos anos 60, logo a seguir ao casamento dos meus pais. Por volta de 1966, eles abriram uma casa de pasto na Beira, onde hoje se encontra o Restaurante 2+1, e ali começaram a preparar, com sucesso e muita procura pelos residentes da Beira da zona do Maquinino, e mesmo de outros bairros, sandes de carne assada e galinha na brasa, que eram os pratos fortes da minha mãe. Uns anos mais tarde, decidiram apostar numa mercearia e deixaram por algum tempo o negócio da restauração, apenas passando para os familiares e amigos a confecção de deliciosos pratos que era possível fazerem-se naquela cidade nos difíceis anos do final da década de 70 e na década de oitenta. A imaginação necessária para se prepararem pratos saborosos naqueles tempos (devido à parca oferta de alimentos e exiguidade de recursos) determinou a fama que a minha mãe veio a alcançar nos anos pós 86. Assim, em 1987, um grande e especial amigo desafiou-nos a explorar um “pequeno” Centro Social no Acampamento do Corredor da Beira, o qual viria a ser um dos maiores restaurantes da Beira durante os anos 90 e parte de 2000. As receitas possíveis ao longo desses anos foram sofrendo as “mutações” da imaginação da minha mãe, do paladar requintado e muito crítico do meu pai e dos meus irmãos, e ainda dos conselhos dos muitos amigos que frequentavam a nossa casa no bairro Palmeiras. Hoje, o Wing’s Maputo (Wing’s Kitchen) é uma viagem a essa história, que tem décadas, e aos

dias que passámos na Beira, nos dois restaurantes que os meus pais e o meu irmão Eduardo (Eduardinho) ali exploraram. Muitos dos clientes de hoje são os mesmos de antes e que têm referência dos pratos que eram os seus favoritos ali. Ainda lembram o ambiente familiar dos dois espaços que tínhamos na Beira, e que agora fazemos por recriar em Maputo. Um amigo da família, feliz pelo nosso desafio agora na cidade de Maputo, disse: “O Chiveve transbordou em Maputo”, e creio que acertou: viemos para Maputo para partilhar os nossos paladares e sabores que preparávamos na Beira, nossa terra natal. O Eduardinho, nosso único chef com formação em academia (Prue Leigh de Pretória), é um artista. Ele tem um paladar exclusivo e uma inesgotável imaginação, para além de “brincar” com os ingredientes. A sua cozinha, tendo como base as receitas da nossa mãe, são a verdadeira fórmula do sucesso da nossa casa em Maputo. Isso, a nossa família e o nosso ambiente retro chique à beira-mar! A comida, definitivamente, tem um papel muito importante, mas não é o mais importante. A comida, a apresentação do prato, o ambiente e a localização do espaço jogam, combinados, o papel fundamental. Em termos gastronómicos, temos uma cozinha de “fusion”, mistura de mediterrânea, chinesa, indiana, o que faz aquilo que é a cozinha moçambicana e que vocês sempre referem: a dos paladares à solta! O nosso menu é revisto regu-

“O Wing’s Maputo (Wing’s Kitchen) é uma viagem a uma história, que tem décadas, e aos dias que passámos na Beira, nos dois restaurantes que os meus pais e o meu irmão Eduardo ali exploraram“ Março/March 2022 • Ed. 45 © Revista Xonguila | 49


Paladares à solta

larmente e tem muito a ver com o que os nossos clientes pedem do menu da nossa mãe, e também com a imaginação do nosso Chef Eduardinho. Temos uma ementa semanal e esse é diferente do menu corrente, fruto da imaginação do Eduardo. Sempre que é possível, usamos muita produção orgânica (em parceria com fornecedores locais: ovos, vegetais, carnes) e fazemos por desenvolver pequenas empresas, também por parcerias ou contratação. Para além do restaurante, fornecemos serviços de catering para eventos, e, claro, comida para levar em doses familiares. O restaurante é parte de uma empresa de consultoria e de eventos e, para além da restauração, organizamos conferências e outros eventos corporativos.

“Sempre que é possível, usamos muita produção orgânica (em parceria com fornecedores locais: ovos, vegetais, carnes) e fazemos por desenvolver pequenas empresas, também por parcerias ou contratação”

Temos constatado, nos últimos tempos, a imersão do digital e, felizmente, a família tem membros jovens e, com a ajuda dos sobrinhos – a 3ª geração dos Wing – ela tem sido muito bem-sucedida. Como algumas dessas plataformas têm custos para um desempenho profissional, achámos por bem iniciar com o que está disponível a custos baixos, e avançar para o futuro num passo mais lento. Consideramos a criação de uma página e ter um menu online para encomendas e reservas, entre outros. Ainda não atingimos o patamar que pretendemos; numa cidade tão grande como é Maputo, queremos muito expandir a curto e médio prazos, e solidificar a nossa posição no mercado. Os nossos planos para o futuro são mesmo o continuar a fazer este trabalho maravilhoso de que tanto gostamos, ter os amigos e clientes à volta das nossas mesas e poder oferecer pratos lindíssimos e saborosos. E que eles queiram sempre voltar para mais.”

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Fotografia: Mariano Silva

O Wings Maputo (Wings Kitchen) abriu num contexto de crise e pandemia. As medidas que implementamos foram as decretadas pelo Presidente da República para não propagação da covid-19, e redobrámos os esforços para evitar que os nossos funcionários corressem riscos. Conseguimos aderir à iniciativa COVAX do sector privado e vacinámos todos os colaboradores logo que as vacinas estiveram disponíveis, fizemos quarentena e isolamento sempre que tivéssemos tido contactos de risco e não poupámos na desinfecção e higienização de todos (clientes e funcionários). Isso, por si só, é um custo muito elevado para um negócio emergente e reduziu os ganhos de forma muito significativa e impactante, mas em nenhum momento lamentámos, pois conseguimos, mesmo assim, permanecer no mercado, e todos os nossos clientes se sentiram sempre seguros quando nos visitaram. A fiscalização feita pelos oficiais do governo foi muito educativa e pertinente, pese embora o facto de ter sido normalmente accionada por denúncias que não transmitiam a realidade.


Paladares à solta

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Palates on the loose

“Em termos gastronómicos, temos uma cozinha de ‘fusion’, mistura de mediterrânica, chinesa, indiana, o que faz aquilo que é a cozinha moçambicana e que vocês [a Xonguila] sempre referem: a dos paladares à solta!” 52 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022


Fotografia: Mariano Silva

Palates on the loose

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Palates on the loose

WING’S KITCHEN CÉLIA WING, MANAGER, IN HER OWN WORDS

“The essence of what we do is, without question, to promote wellbeing and serve our Chinese-fusion cuisine flavours.”

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es that were their favourites there [in Beira]. They still remember the family atmosphere of the two spaces we had in Beira, and which we are now trying to recreate in Maputo. A family f riend, happy with our new venture in Maputo city, said: “The Chiveve overflowed in Maputo”, and I think he is right: we came to Maputo to share our palates and the flavours that we prepared in Beira, our hometown. Eduardinho, our only academy-trained chef (Prue Leith, in Pretoria), is an artist. He has an exclusive taste and an inexhaustible imagination, in addition to “playing” with the ingredients. His cuisine, based on our mother's recipes, is the real formula behind the success of our restaurant in Maputo – that, our family and our retro chic beachf ront setting! Food def initely plays a very important role, but it's not the most important. The food, the plating, the environment and the location of the space combined play the fundamental role. In gastronomic terms, we have a “fusion” cuisine, a mix of Mediterranean, Chinese and Indian, which is what Mozambican cuisine is and what you always refer to: a f ree-ranging palate! Our menu is regularly revisited and has a lot to do with what our customers order f rom our mother's menu, and also with the imagination of our Chef Eduardinho. We have a weekly menu – and this is different f rom the regular menu – the f ruit of Eduardo's imagination. Whenever possible, we use a lot of organic produce (in partnership with local suppliers: eggs, vegetables, meat) and we do it to develop small businesses, also through partnerships or contracting. In addition to the restaurant, we provide catering services for events and, of course, takeout in family-sized portions. The restaurant

Fotografia: Mariano Silva

T

here is some history behind the creation of the business, which dates back to the 1960's, right after my parents' marriage. Around 1966, they opened a restaurant in Beira, where the Restaurante 2+1 is presently located, and there they began to prepare, successfully and to great demand by the residents of Beira f rom the Maquinino neighbourhood and beyond, roast beef and grilled chicken sandwiches, which were my mother's main specialties. A few years later, they decided to invest in a grocery store and left the restaurant business for a while, exclusively passing on to family and f riends the preparation of delicious dishes that were possible to make in that city in the diff icult years of the late 1970's and in the 1980´s. The imagination required to prepare tasty dishes in those times (due to the scarce supply of food and scarce resources) determined the fame that my mother came to achieve in the post-1986 years. So, in 1987, a close and special f riend challenged us to explore a “small” Social Centre at Acampamento do Corredor da Beira (“Beira Corridor Campsite”), which would become one of the biggest restaurants in Beira during the 1990s and part of the 2000s.The recipes that were possible to make during those years have since undergone “mutations”, as a result of my mother's imagination, the ref ined and very critical palate of my father and brothers, and also the advice of the many f riends who f requented our house in the Palmeiras neighbourhood. Today, Wing’s Maputo (Wing’s Kitchen) is a journey through that decades-long history, and to the days we spent in Beira in the two restaurants that my parents and my brother Eduardo (Eduardinho) explored there. Many of today's customers are the same as then, and tend to reference dish-


Palates on the loose

is part of a consulting and events company and, in addition to catering, we organize conferences and other corporate events. Wings Maputo (Wings Kitchen) opened in a context of crisis and the pandemic. The measures we implemented were those decreed by the President of the Republic to prevent the spread of Covid-19, and we redoubled our efforts to prevent our employees f rom taking risks. We were able to join the COVAX initiative for the private sector and we vaccinated all employees as soon as the vaccines were available. We quarantined and isolated whenever we had risky contacts and we spared no expense in disinfecting and sanitizing everyone (customers and employees alike). This, in itself, is a very high cost for the startup phase of a business and it reduced earnings in a very signif icant and impactful way, but we didn´t regret it at all, since we managed to remain in the market even so, and all our customers always felt safe when they visited us. The inspections carried out by government off icials were very educational and relevant, despite being usually triggered by baseless complaints that were not true to fact. Lately, we have seen the rise of digital and, fortunately, the family has young members; with the help of our nephews – the 3rd generation of Wings – this [integration] has been very successful. As some of these platforms have costs for professional solutions, we thought it best to start with what is available at low cost and move to the future at a slower pace. We are considering creating a webpage and having an online menu for orders and reservations, among others. We still haven't reached the level we want; in a city as big as Maputo, we really want to expand in the short and medium term and solidify our position in the market. Our plans for the future are really to continue doing this wonderful work that we love so much, having f riends and customers around our tables and being able to offer beautiful and tasty dishes. And may they always want to come back for more.” Março/March 2022 • Ed. 45 © Revista Xonguila | 55


Gwaza Muthine é como se designa um combate que se travou a 2 de Fevereiro de 1895, nas proximidades de Marracuene, em que as forças rongas demonstraram a sua capacidade de organização e resistência à ocupação colonial portuguesa 56 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022


Fotografia: Mariano Silva

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Gwaza Muthine Celebração novamente contida pela pandemia Escrito por: Hélder Massinga

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registando de ano para ano um contínuo aumento no número de participantes. Segundo Justino Cuna, Director dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, e porta-voz do Gwaza Muthine, mais de 50 mil pessoas marcaram nele presença em 2019. Tudo mudou, porém, com a eclosão da pandemia. Este ano não chegou lá o tradicional Comboio da Marrabenta, levando consigo músicos e público, moçambicanos e estrangeiros. Condicionado pelo decreto presidencial, contou com pouca gente e poucas bancas de comes e bebes, com produtos seleccionados. Sem a efervescência e azáfama que lhe eram tão características nesta altura, a vila de Marracuene,

Fotografia: Mariano Silva

Desde a eclosão da pandemia da covid-19 que a doença vem desaf iando diversos sectores e segmentos da sociedade, em Moçambique e no mundo em geral. Vários ramos de actividade foram literalmente obrigados a encerrar, outros f icaram desorganizados, e muitos tiveram que se reinventar. A pandemia suscitou a adopção de profundas medidas colectivas, e o sector da Cultura e Turismo não foi nisso excepção. Este ano, tal como no ano passado, o festival cultural de Marracuene Gwaza Muthine não teve o sabor que lhe era habitual. Evento tradicionalmente celebrado com pompa e circunstância na noite do dia 2 de Fevereiro, véspera do Dia dos Heróis Moçambicanos, feriado nacional, recebia antes um verdadeiro formigueiro humano,


Fotografia: Mariano Silva

para quem a conhece, parecia um local moribundo, apesar de o lema escolhido para o presente ano ter sido “127 anos exaltando a cultura como legado da nossa identidade”. Esta efeméride começou a ser celebrada em 1974, tendo havido continuidade em 1975 e 1976. Depois, registou-se uma longa interrupção, até 1994, mas daquele ano a esta parte, embora com muitas restrições nos últimos tempos motivadas pela pandemia, a celebração nunca falhou. Dados do Ministério da Cultura e Turismo indicam que o sector de cultura e turismo tem sido um dos mais prejudicados pela pandemia. Segundo o

vice-ministro Fredson Bacar, em Moçambique, mais de nove mil empreendimentos turísticos e culturais encontram-se encerrados em consequência da covid-19, e mais de quinze mil trabalhadores têm suspensos os seus contratos. Recorde-se que Gwaza Muthine é como se designa um combate que se travou a 2 de Fevereiro de 1895, nas proximidades de Marracuene, em que as forças rongas demonstraram a sua capacidade de organização e resistência à ocupação colonial portuguesa. E Marracuene é a vila sede do distrito com o mesmo nome, localizado na província de Maputo, na margem direita do rio Incomáti.

Este ano não chegou a Marracuene o tradicional Comboio da Marrabenta levando consigo músicos e público, moçambicanos e estrangeiros Março/March 2022 • Ed. 45 © Revista Xonguila | 59


Dados do Ministério da Cultura e Turismo indicam que o sector de cultura e turismo tem sido um dos mais afectados pela pandemia 60 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022


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Fotografia: Mariano Silva

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Gwaza Muthine Celebration once again constrained by the pandemic Written by: Hélder Massinga

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ince the outbreak of the Covid-19 pandemic, the disease has been challenging different economic sectors and societal groups in Mozambique and in the world at large. Several branches of activity were literally forced to close, others became disorganized, and many had to reinvent themselves. The pandemic prompted the adoption of profound collective measures, and the Culture and Tourism sector was no exception. This year, just like the last, Marracuene´s cultural festival of Gwaza Muthine did not have the usual flavor. An event traditionally celebrated with pomp and circumstance on the night of the 2nd of February, the eve of the Mozambican Heroes' Day, a national public holiday, it once received veritable human hordes, registering a continuous increase in the number of participants year on year. According to Justino Cuna, Director of the District Services for Education, Youth and Technology, and spokesman for Gwaza Muthine, more than 50,000 people attended the festival in 2019. Everything changed, however, with the outbreak of the pandemic. This year, the traditional Comboio da Marrabenta was not in attendance, thus taking away musicians and the public, both Mozambican and foreign, f rom the festival. Conditioned by the presidential decree, the festival had few people attending and fewer food and drink stalls, with only a few selected

products. Without the effervescence and hustle that were so characteristic of that time, the town of Marracuene, for those who know it, seemed like a ghost town, even though the motto chosen for this year was “127 years exalting culture as a legacy of our identity”. This historical date began to be celebrated in 1974 and continued through to 1976. Thereafter, there was a long interruption until 1994. Since then, the festival has taken place without fail, albeit with many restrictions in recent times due to the pandemic. Data f rom the Ministry of Culture and Tourism indicate that the culture and tourism sectors have been one of the most affected by the pandemic. According to the Deputy Minister Fredson Bacar, more than nine thousand tourist and cultural enterprises are currently closed because of Covid-19 in Mozambique, and more than f ifteen thousand workers have their contracts suspended. Remember that Gwaza Muthine is the name of a battle that took place on February 2, 1895, near Marracuene, in which the Ronga forces demonstrated their ability to organize and resist the Portuguese colonial occupation. The town of Marracuene is the seat of the namesake district, located in the Maputo province, on the right bank of the Incomáti River.

This year, just like the last, Marracuene´s cultural festival of Gwaza Muthine did not have the usual flavor. Março/March 2022 • Ed. 45 © Revista Xonguila | 63


Notícias

Parque Nacional da Gorongosa e Nedbank Moçambique assinam nova parceria No passado mês de Fevereiro, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) e o Nedbank Moçambique, S.A. (Nedbank) assinaram, na cidade de Maputo, um acordo de parceria no âmbito do Clube Empresarial da Gorongosa, criado em 2014. O Clube é uma iniciativa que pretende encorajar e envolver a comunidade empresarial moçambicana no nobre esforço de restaurar um dos parques mais emblemáticos em Áf rica e no mundo. O Nedbank assumiu, assim, o compromisso de continuar a apoiar o Departamento de Conservação do PNG, que supervisiona a implementação de acções de gestão no Parque e na zona tampão ao seu redor. Todos os programas do Departamento de Conservação – Serviços Veterinários, Fiscalização, Gestão da Fauna Bravia e Integridade do Ecossistema – estão focados em resultados fortes e mensuráveis que garantem a protecção contínua da preciosa biodiversidade da Gorongosa. No âmbito da assinatura deste acordo de parceria, Joel Rodrigues, Presidente da Comissão Executiva do Nedbank, enalteceu o excelente trabalho que o Parque Nacional da Gorongosa está a fazer, não só em prol da preservação do Parque, mas também do desenvolvimento da região e das comunidades nela inseridas, e a forma como tem elevado o nome de Moçambique.

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Fotografia:Cortesia de Parque Nacional da Gorongosa / Piotr Naskrecki

Notícias

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Fotografia:Cortesia de Parque Nacional da Gorongosa


Gorongosa National Park and Nedbank Moçambique sign new partnership agreement

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ast February, Gorongosa National Park (PNG) and Nedbank Moçambique, S.A. (Nedbank) signed a partnership agreement in the city of Maputo, under the umbrella of the Clube Empresarial da Gorongosa (“Gorongosa Business Club”) established in 2014. The Club is an initiative that aims to encourage and involve the Mozambican business community in the noble effort of restoring one of the most emblematic national parks in Africa and in the world. Nedbank is therefore committed to continuing to support the PNG´s Conservation Department, which oversees the implementation of management actions in the Park and the buffer zone around it.

All of the Conservation Department´s programs – Veterinary Services, Supervision, Wildlife Management and Ecosystem Integrity – are focused on strong, measurable results that ensure the continued protection of Gorongosa's precious biodiversity. During the signing of this partnership agreement, Joel Rodrigues, Chairman of Nedbank´s Executive Committee, praised the excellent work that Gorongosa National Park is doing, not only for the preservation of the Park, but also for the development of the region and its communities, and the way it has elevated Mozambique´s name.

The Clube Empresarial da Gorongosa is an initiative that aims to encourage and involve the Mozambican business community in the noble effort of restoring one of the most emblematic national parks in Africa and in the world

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Fotografia: Cortesia de Fabiana Pereira


Diáspora

Sair para ficar sempre Fabiana Pereira, Tanzânia

“De todas as vezes que saí, Moçambique nunca saiu de mim. Parece cliché, mas é exactamente assim que vejo, e, talvez por isso, encontro sempre o caminho de volta” – Fabiana Pereira

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Diáspora

Sair para ficar sempre

Fabiana Pereira Dar es Salaam, Tanzânia Escrito por:

Eliana Silva Há aventuras e aventuras, e cada vez que Fabiana Pereira saiu da sua zona de conforto, Maputo, fê-o com Moçambique no coração e na alma. A saída mais recente levou esta marketeer a viver na capital tanzaniana, Dar es Salaam. Fabiana sente que a expressão ‘sair de Moçambique’ é demasiado forte para descrever o que tem feito ao longo dos anos: “De todas as vezes que saí, Moçambique nunca saiu de mim. Parece cliché, mas é exactamente assim que vejo, e, talvez por isso, encontro sempre o caminho de volta”, partilha. Nascida em Maputo, Fabiana Pereira começou a explorar novas geografias logo depois da escola secundária, quando foi fazer a Faculdade, em Portugal. Seguiu-se um intercâmbio no Brasil, tendo pelo meio feito diversas viagens de lazer para vários lugares no mundo. Entre as latitudes e longitudes que visitou, esta foi a segunda vez que Fabiana partiu para abraçar novos desafios profissionais: “A primeira foi em 2013, 2014, para assumir uma posição de gestão de um segmento de marcas distribuídas por vários países. A base era Joanesburgo, na África do Sul, mas a minha rotina incluía viajar para estar mais perto das equipas e consumidores nos mercados. Tive a sorte de conhecer vários países do continente e assim fazer crescer a minha lista. Sim, tenho uma lista, pois viajar e conhecer lugares novos é algo que adoro”, revela, animada, acrescentando: “Este ano foi-me dado um novo desafio, o de liderar a equipa de Marketing da unidade de negócios Southeast da AB Inbev. Esta unidade tem 6 países – Tanzânia, Uganda, Moçambique, Zâmbia, Botswana e Namíbia –, sendo a base na Tanzânia”.

Consciente de que a área do Marketing e da Publicidade é bastante atractiva, Fabiana ressalva a exigência de todo o processo de criar um produto e ligá-lo efectivamente ao mercado. “O mercado das cervejas é sempre um tema de conversa. Há muitas perguntas e opiniões, quase como se houvesse um mestre cervejeiro dentro de cada um de nós, e o nosso processo de actualização começa exactamente nesse momento. É ouvindo os consumidores, as opiniões de amigos, conversas de bar, que vou “bebendo” o que se diz e o que se pensa sobre o meu universo de trabalho”. Já quando é questionada sobre as várias fontes de actualização constante, Pereira destaca publicações ou newsletters da área, case studies premiados, páginas do Instagram sobre criatividade, páginas de marcas de categorias diversas que a inspirem, formações internas ou mesmo pesquisas de mercado. Fabiana concretizou o sonho de colocar Moçambique no mapa de sucessos internacionais, e, hoje em dia, acções de marca realizadas localmente são referência em algumas áreas de negócio. Hoje, um pouco mais a norte, o sonho mudou: “Agora tenho o sonho de colocar esta unidade de negócio no mapa e temos as pessoas, a atitude, e, claro, as marcas certas para isso”. Consegues escolher uma marca preferida? – perguntámos. “Eu costumo dizer que tenho muito filhos e todos são especiais. Efectivamente, eu adoro de paixão

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construir cada uma das marcas que fazem parte do nosso portfolio. Seja qual for o segmento, posicionamento, função, cada marca é uma peça essencial, e é essa diversidade que torna a minha função mais interessante. Contudo, confesso que tenho um carinho especial por marcas locais, marcas que orgulhosamente celebram o DNA dos respectivos países. Aliás, uma das coisas de que mais gosto nesta empresa é ter acesso a know-how, frameworks, experts de todo mundo, que são usados para construir, de igual forma, marcas internacionais e marcas locais. Quisemos também saber quais eram os principais desafios do seu trabalho, ao que Fabiana respondeu prontamente: “Nesta função, eu diria que um dos desafios é conseguir manter engajada e conectada uma equipa que está em 6 países diferentes. Outro é acelerar a curva de crescimento do negócio e desenvolvimento da função de marketing em todos os países. Outro ainda, que é contínuo e muito importante para mim, é garantir que todas as acções das marcas sejam relevantes para os consumidores. Saber que se revêm nelas, que sorriem, que se emocionam, é um sentimento incomparável. É através do engagement de quem consome as nossas marcas que vamos medindo também o sucesso do nosso trabalho, e é um desafio positivo poder desenvolver diariamente formas de conquistar a escolha e os corações de tantas pessoas espalhadas pelo continente.


Fotografia: Omar

Diáspora

“Este ano foi-me dado um novo desafio, o de liderar a equipa de Marketing da unidade de negócios Southeast da AB Inbev. Esta unidade tem 6 países – Tanzânia, Uganda, Moçambique, Zâmbia, Botswanae Namíbia –, sendo a base na Tanzânia” Março/March 2022 • Ed. 45 © Revista Xonguila | 71


Fotografia: Mariano Silva


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Leave, to forever stay

Fabiana Pereira Dar es Salaam, Tanzania Written by:

Eliana Silva There are adventures and adventures, and every time Fabiana Pereira left her comfort zone, Maputo, she did so with Mozambique in her heart and soul. The most recent departure took this marketeer to live in the Tanzanian capital, Dar es Salaam. Fabiana feels that the expression ‘leaving Mozambique’ is too strong to describe what she has done over the years: “In all the times I left, Mozambique never left me. It sounds cliché, but that's exactly how I see it, and maybe that's why I always f ind my way back”, she shares. Born in Maputo, Fabiana Pereira started exploring new geographies right after high school, when she went to college in Portugal. An exchange program in Brazil followed, having in the meantime made several leisure trips to various places in the world. Among the various latitudes and longitudes she visited, this was the second time that Fabiana left to embrace new professional challenges: “The f irst was in 2013/2014, to assume a management position for a group of brands distributed across several countries. The base was Johannesburg, South Af rica, but my routine included traveling to be closer to teams and consumers in the [various] markets. I was lucky enough to get to know several countries on the continent and thus grow my list. Yes, I have a list, because traveling and discovering new places is something I love”, she reveals excitedly, adding: “This year I was given a new challenge, that of leading the Marketing team of the Southeast business unit of AB Inbev. This unit has 6 countries – Tanzania, Uganda, Mozambique, Zambia, Botswana and Namibia – and is based in Tanzania”.

Aware that the Marketing and Advertising sector is very attractive, Fabiana emphasizes the demands of the entire process of creating a product and effectively connecting it to the market. “The beer market is always a topic of conversation. There are many questions and opinions, almost as if there was a brewing master inside each of us, and our improvement process starts right at that moment. It is by listening to consumers, the opinions of f riends, bar conversations, that I “drink in” what is said and thought about my work universe”. When asked about the various sources she uses for continuous improvement, Pereira highlights sector-specif ic publications and newsletters, award-winning case studies, Instagram pages on creativity, pages of brands f rom different categories that inspire her, in-house training and even market research. Fabiana fulf illed her dream of putting Mozambique on the map of international successes and, nowadays, brand actions carried out locally are a reference in some business sectors. Today, a little further north, the dream has changed: “I now have the dream of putting this business unit on the map and we have the people, the attitude and, of course, the right brands for that”. Are you able to pick a favourite brand? – we asked. “I usually say that I have a lot of children and they are all special. Indeed, I am passionate about building

each of the brands that are part of our portfolio. Regardless of the segment, positioning, function, each brand is an essential piece, and it is this diversity that makes my role more interesting. However, I confess that I have a special affection for local brands, brands that proudly celebrate the DNA of their respective countries. In fact, one of the things I like most about this company is having access to know-how, f rameworks, experts f rom all over the world, which are used to building international brands and local brands alike”. We also wanted to know what the main challenges of her work were, to which Fabiana responded promptly: “In this role, I would say that one of the challenges is to keep a team that is in 6 different countries engaged and connected. Another is to accelerate the business growth curve and development of the marketing function in all countries. Another one, which is ongoing and very important to me, is ensuring that all brand actions are relevant to consumers. Knowing that consumers see themselves in them [the brands], that they smile, that they get emotional, is an incomparable feeling. It is through the engagement of those who consume our brands that we also measure the success of our work, and it is a positive challenge to be able to develop ways to win the choice and hearts of so many people across the continent on a daily basis”.

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Fotografia: Jeremy Yap

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Fotografia: Cortesia Associação Amigos do Museu do Cinema

A Associação Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM) anunciou que estão abertas as candidaturas de projectos para a 3ª edição da Residência Criativa Audiovisual UPCycles. Realizada a primeira edição em 2019, a UPCycles viu-se forçada a adiar as suas atividades em 2020, devido às restrições de mobilidade internacional, concretizando a segunda edição apenas em 2021. Este ano têm o orgulho de receber em Maputo as duas tutoras, Ângela Ferreira e Rita Rainho, bem como os sete artistas a serem seleccionados no processo de candidatura que decorre até ao dia 31 de Março. Com um programa de dois meses de tutoria à distância, e um período de residência presencial, em Maputo, de 28 de Agosto a 10 de Setembro, 78 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022


esta iniciativa da AAMCM culmina, como habitualmente, com uma exposição na Fortaleza de Maputo. Com apoios desta instituição, do Centro Cultural Franco-Moçambicano, do Camões – Centro Cultural Português, e do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas, e financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, a UPCycles tem como objectivo proporcionar a jovens artistas interdisciplinares emergentes dos PALOP experiências de aprendizagem, de intercâmbio e desenvolvimento profissional. Para consultar o regulamento, visite https://www.facebook.com/ upcyclespalop Março/March 2022 • Ed. 45 © Revista Xonguila | 79


Fotografia: Houses Cheung

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UPCycles 2022 T

Audiovisual Creative Residency

he Associação Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM – “Association of Friends of the Museum of Cinema in Mozambique”) announced that project proposals are now open for the 3rd edition of the UPCycles Audiovisual Creative Residency. After holding the first edition in 2019, UPCycles was forced to postpone its activities in 2020, due to international travel restrictions, carrying out the second edition only in 2021. This year, they are proud to welcome the two tutors, Ângela Ferreira and Rita Rainho, as well as the seven artists to be selected through the call for proposals process that runs until the 31st of March.

With a two-month remote tutoring program, and a period of in-person residency in Maputo, f rom 28 August to 10 September, this AAMCM initiative culminates, as usual, with an exhibition at the Fortaleza de Maputo. With support f rom this institution, as well as the Franco-Mozambican Cultural Center, Camões – Centro Cultural Português, and the National Institute of Cultural and Creative Industries, and f inanced by the Calouste Gulbenkian Foundation, UPCycles aims to provide learning experiences, exchange and professional development to young interdisciplinary artists emerging f rom the PALOP.

To consult the terms and conditions, visit https://www.facebook.com/upcyclespalop

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Sabias que

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Sabias que

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Paulo Oliveira o primeiro piloto moçambicano a participar no Rali Dakar Foi o primeiro piloto moçambicano a participar nesta competição, algo que é motivo de orgulho para o nosso país. Como define o Rali Dakar e o que significa participar naquele que é o maior evento mundial do desporto motorizado? O Dakar é a maior corrida de todo-o-terreno do mundo. Não é só uma competição, é uma prova de superação humana. São 15 dias de pura adrenalina, com muito esforço físico, que temos que gerir. Essa gestão passa também por conseguirmos gerir as nossas emoções, frustrações, ansiedade, portanto, gerir a parte psicológica. Qualquer praticante de desporto motorizado off road sonha com o Dakar, e para mim foi um sonho que se tornou possível. Num futuro próximo, acha possível existirem mais moçambicanos nesta competição? Penso que sim. O mais difícil está feito, foi estarmos presentes pela primeira vez e abrir o caminho. Ficou muita experiência adquirida que podemos partilhar. Por outro lado, penso que com o meu projecto conseguimos profissionalizar um piloto/equipa e conseguimos patrocinadores, sem os quais seria muito mais difícil estarmos presentes. As empresas, neste momento, já acreditam que é possível ter retorno do investimento que fazem num atleta que faz as coisas bem feitas. Como se gere a relação com a mota durante tantas horas de percurso? Quantas vezes teve de ser assistido? Passamos cerca de 10/12 horas na mota por dia, durante 13 etapas. Necessitamos de estar muito focados diariamente para que não aconteça nenhum acidente. Além de uma preparação física grande, temos que estar muito fortes psicologicamente. Tive uma queda muito feia na 4ª etapa, onde parti duas costelas, perdi os sentidos por momentos, mas continuei a corrida. Seguiram-se dias muito penosos, mas a adrenalina e os medicamentos ajudaram. Nunca fui assistido em pista, felizmente. Tive, por duas vezes, que parar para assistir dois concorrentes, um que por razões mecânicas estava parado, e outro por acidente. Quando é que percebeu que tinha jeito para conduzir? Desde miúdo que sonhava em pilotar motas de cross e enduro, mas só aos 18 anos é que consegui comprar a primeira mota, os meus pais eram contra a ideia de eu andar de mota. Comecei a competir já com 23 anos, um pouco tarde para esta modalidade. Qual é a sua moto de sonho? A minha mota de sonho é a minha, a KTM RALLY REPLICA, onde os meus ídolos correm também. Sou fã da marca KTM. Viveu algum episódio caricato em que pensou:

“só mesmo no Dakar”? O Dakar é uma competição longa, portanto cheia de episódios e peripécias, com imensas histórias para contar. Qual a que mais o marcou no evento? A que mais marcou foi a 11ª etapa, onde o motor da minha KTM cedeu. Fiquei 8 horas sozinho no deserto, porque não quis desistir, e esperei por assistência. Acabei por chegar às duas da manhã ao parque fechado. Entreguei a mota ao mecânico, o Carlos Damião, e ao Miguel Alberty – que, apesar de não mecânico, fez de tudo e foi um elemento preponderante para que eu terminasse este desafio –, que ficaram a trabalhar na mota. Após ter dormido duas horas, fui ver como estava a mota, mas ela continuava a apresentar o mesmo problema. Tomámos então a decisão de que, se queríamos terminar a corrida, teríamos que trocar de motor, e em uma hora mudámos o motor. Arranquei para a 12ª etapa com uma hora de atraso, mas, mesmo assim, ainda passámos 10 concorrentes em pista e conseguimos terminar. A alegria de ter terminado foi igual à do piloto que ganhou a prova, o Sam Sunderland da Gas Gas. Houve alguma etapa que o fez ponderar se pretenderia repetir a participação? Alguma vez pensou em desistir? Existem etapas em que, devido ao esforço, pensamos: o que estamos aqui a fazer? Pensamos que poderíamos estar em casa, no sofá, a acompanhar a competição na TV. Mas, logo que terminamos esse dia, ganhamos novo fôlego para enfrentarmos a etapa seguinte. O desafio é enorme, e a vontade de terminar também. Qual é o seu piloto favorito? Mário Patrão, meu amigo de longa data, que sempre lutou e acreditou que poderia fazer carreira no todo-o-terreno, mesmo não tendo condições na fase inicial da sua carreira, e Toby Price, piloto da KTM, por tudo o que passou na sua carreira. Ele que, após um grande acidente que teve, e em risco de ficar paraplégico, acabou por vencer o Dakar por duas vezes. Pensa em entrar noutras competições? Que planos existem para os próximos tempos? Estamos a montar o projecto desportivo para 2022. Depois de recuperar das mazelas trazidas, vamos reunir com os patrocinadores e algumas instituições para ver o que iremos fazer este ano. Pode haver novidades em breve. Como gostaria de ser recordado? Como alguém que contribuiu para o desenvolvimento do desporto motorizado no nosso país, quer na competição quer na representação.


“Um esforço digno de muito orgulho”


Sinergia de emoções As artistas moçambicanas Taíla Carrilho e Nália Agostinho unem-se para apresentar uma exposição intitulada Sinergia de Emoções, no Espaço Espelho d’Água, em Lisboa, Portugal. A mostra estará patente ao público até 20 de Março, sendo composta por 20 obras, sobre tela e papel, onde suaves pinceladas e cores várias expressam as suas vivências, sentimentos e visões sobre a força, o medo, a perda, a resiliência e as lutas e conquistas do seu dia-a-dia. Cada uma destas jovens artistas moçambicanas tem a sua personalidade, mas há pontos de encontro na sua arte. Expõem juntas pela primeira vez, tal como se apresentam em Portugal pela primeira vez. Exprimem-se através da pintura, do desenho e de ilustrações, utilizando acrílico, pastel, carvão e óleo, tinta-da-china e aquarelas, sobre tela e papel. No seu processo criativo a literatura desempenha um importante papel, podendo-se

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encontrar textos que dialogam com os seus quadros. Questões de género, discriminação, inclusão e exclusão social da mulher, em Moçambique e no continente africano, estão no centro das suas preocupações, num ambiente em acelerada transformação sociocultural. A presente exposição é resultado de uma incessante busca identitária nesse contexto de mudança, de perdas, de ciclos. A morte, o desespero, o abismo, a angústia, o sof rimento, a memória, o presente ou a esperança atravessam as obras de Nália e Taíla, marcam as suas expressões, as formas como interpelam a realidade. Moçambique e Áf rica, sempre em transição, estão nas telas expostas, que vão do carvão azeviche às cores garridas que explodem no quotidiano moçambicano. Se estiver por perto, não deixe de visitar a exposição.


Fotografia:Cortesia de Sinergia de emoções

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Sinergia de emoções Mozambican artists Taíla Carrilho and Nália Agostinho came together to present an exhibition titled Sinergia de Emoções (“Synergy of Emotions”), at Espaço Espelho d’Água, in Lisbon, Portugal. The exhibition will be open to the public until March 20, and consists of 20 works on canvas and paper, where soft brushstrokes and various colours express their experiences, feelings and visions of strength, fear, loss, resilience and day-to-day struggles and achievements.

Fotografia:Cortesia de Sinergia de emoções

Each of these young Mozambican artists has their distinct personality, but there are intersections between their art. The artists are exhibiting together for the f irst time, just as they are exhibiting in Portugal for the f irst time as well. They express their artistic selves through painting, drawing and illustrations, using acrylic, pastel, charcoal and oil paints, Indian ink and watercolours, on canvas and paper. In their respective creative processes, literature plays an important role, and one can f ind texts that dialogue with their paintings. Gender issues, discrimination, the social inclusion and exclusion of women, in Mozambique and on the Af rican continent, are at the center of their concerns, amidst accelerated socio-cultural transformation. The present exhibition is the result of a continuous search for identity in this context of change, of loss, of cycles. Death, despair, the abyss, anguish, suffering, memory, the present or hope thread through the works of Nália and Taíla, mark their expressions, the ways in which they challenge reality. Mozambique and Af rica, always in transition, are reflected on the exhibition canvases, rendered in a range f rom jet charcoal to the bright colours bursting through the Mozambican quotidian. If you are nearby, be sure to visit the exhibition.

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Diáspora

RUNNING FROM THE URB

Fotografia: Creative Lines

Museu da Mafalala

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Sensa-Som de Rita Couto e Silk

Fotografia: Miguel Peral

Centro Cultural Franco Moçambicano


Sabias que

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Sabias que

N

As vacinas tradicionais seculares em Moçambique

um momento em que tanto se fala de vacinas para prevenir a covid 19, achamos oportuno trazer para esta rubrica as chamadas vacinas tradicionais em Moçambique. Não aquelas que se tomam nos hospitais e centros de saúde públicos e privados, como as que protegem contra o sarampo, o tétano, o cancro do colo do útero e outras do género, mas as que são aplicadas pelos chamados médicos tradicionais ou curandeiros. Tais vacinas são utilizadas por inúmeras pessoas, sobretudo rurais, como arma de defesa contra possíveis males ou para obter outros benefícios. Para ministrar estas vacinas, são feitos pequenos cortes, com uma lâmina ou um pedaço de vidro, em alguma região do corpo. Quando o sangue começar a escorrer, é aplicado um remédio tradicional, em pó ou pasta, na zona do corte, para que se misture com o sangue. Normalmente feito à base de ervas, raízes ou ossos esmagados, esse remédio é utilizado para tratar algumas doenças, como a asma e enxaquecas, entre outras que possam estar a incomodar o paciente, mas também problemas psicológicos e preocupações espirituais ou materiais. Por se acreditar que o coração é o principal órgão a ser protegido contra o mal, o peito é a região mais comum para a aplicação, mas são também usadas outras partes do corpo, consoante o objectivo pretendido. Recomendam os médicos tradicionais que não se tome banho após a toma, para assegurar que o medicamento se una ao sangue devidamente. Esta é uma antiga prática tradicional que continua a ter lugar nos dias de hoje, sendo facilmente visível no corpo de quem a ela foi submetido: cicatrizes com o formato de pequenos riscos, os famosos “onzes”, numa tradução dos termos locais para português. Por curiosidade se diga que, nos anos oitenta do século passado, durante a guerra dos 16 anos em Moçambique, existiu na zona centro-norte um grupo constituído por milhares de pessoas que, utilizando armas tradicionais como arcos, flechas, lanças e catanas, se atribuíra a missão de ajudar a população a defender-se dos ataques armados. Eram os chamados naparamas, cuja suposta invencibilidade resultava de um ritual de vacinação do género da que aqui referimos, que os protegia contra balas. Nas últimas décadas, as autoridades governamentais têm vindo a trabalhar com os médicos tradicionais, analisando a sua actividade e tentando aproveitar a influência que detêm para conduzir as populações no sentido de boas práticas de saúde e higiene. Março/March 2022 • Ed. 45 © Revista Xonguila | 95


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A

Centuries-old traditional vaccines in Mozambique

t a time when there is so much talk about vaccines to prevent against Covid 19, we think it is opportune to bring to the fore the so-called traditional vaccines in Mozambique. Not those taken in public and private hospitals and health centres, such as those that protect against measles, tetanus, cervical cancer and the like, but those administered by so-called traditional healers. Such vaccines are used by countless people, especially rural people, as a defence against potential illnesses or to obtain other benefits. To administer these vaccines, small cuts are made with a blade or a piece of glass in a specific part of the body. When the blood starts to flow, a traditional remedy in powder or paste form is applied to the area of the cut, so that it mixes with the blood. Usually made from herbs, roots or crushed bones, the remedy is used to treat some diseases, such as asthma and migraines, among others that may be afflicting the patient. Such remedies can also be used for psychological problems and spiritual or material concerns. Because the heart is believed to be the main organ to be protected from harm, the chest is the most common body region for administering the remedy, but other areas are also used, depending on the intended objectives. Traditional healers recommend that one doesn´t bathe after the remedy is applied, to ensure that the medicine properly binds to the blood. This is an old traditional practice that continues to this day and leaves visible traces on the body of those who were subjected to it: scars in the shape of small, short lines – the famous “elevens”, in a translation of the local language terms into Portuguese. Out of curiosity, it should be said that, in the 1980s, during the 16 years of civil war in Mozambique, there was a group made up of thousands of people in the centre-north region of the country who, using traditional weapons such as bows, arrows, spears and machetes, were assigned the mission of helping the population defend itself from armed attacks. They were the so-called naparamas, whose supposed invincibility resulted from a vaccination ritual of the kind mentioned here, believed to protect them against bullets. In the last few decades, government authorities have been working with traditional healers, studying their activity and taking advantage of the influence they hold within communities to lead populations towards good health and hygiene practices.n the last few decades, government authorities have been working with traditional healers, studying their activity and taking advantage of the influence they hold within communities to lead populations towards good health and hygiene practices. 96 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022


Diáspora

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LA FRENCH GIN & TONIC INGREDIENTES: 50 ml de Beefeater Dry 200 ml de Indian Tonic 10 ml de Grenadine 10 ml de Blue Coração Gelo em cubos 1 rodela de lima desidratada 1 ramo de hortelã COPO: Taça de Gin MODO DE PREPARAÇÃO:

Encher a taça de gin com o gelo em cubos, de seguida adicionar o gin, uma rodela de limão desidratado, Indian tonic e decorar com hortelã e/ou tomilho.


Recomendação de leitura Reading suggestions

MOÇAMBIQUE E OUTROS POEMAS DISPERSOS José Craveirinha

No ano em que se comemora o centenário de José Craveirinha, nada melhor do que ler Moçambique e Outros Poemas Dispersos, um livro de poemas inéditos escritos entre 1950 e 1970, em que uma vez mais se revela o olhar atento do poeta à realidade então vivida no país. To celebrate the centenary of José Craveirinha this year, there is perhaps nothing better than reading Moçambique e Outros Poemas Dispersos, a book of unpublished poems written between 1950 and 1970. The poems reveal, once again, the poet's attentive portrayal of everyday life of that period in Mozambique.


Estas obras estão disponíveis no quiosque Alcance Editores, no Baía Mall, Avenida Marginal, 1100, Maputo (Entrada 4). 102 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022


Recomendação de leitura Reading suggestions

MAR DE MAPUTO Rafo Diaz

Um livro infantil, edição trilingue, em português, changana e inglês, cheio de aventuras e surpresas para os leitores, levando-os a uma viagem na imaginação e a aventuras sobre o mar This trilingual children's book, presented in Portuguese, Changana and English, is full of adventures and surprises for readers, taking them on an imaginary journey and seafaring adventures.

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A COZINHA Chow Mein à Wing, por Célia Wing

Esta é uma das receitas fusion, de uma cozinha chinesa adaptada localmente pela nossa querida mãe da família Wing. É um prato por camadas e tem que ser feito por partes: a massa/pasta, os vegetais, as carnes (ou peixe, ou marisco) e o molho. É trabalhoso, mas o resultado, muito apreciado por todos. Todas as frituras são leves, e a ideia é serem feitas em fogo alto, para dourar e não cozer, em particular os vegetais, que devem ficar crocantes. O óleo que usamos para os vegetais é o de gergelim. Para o restante, é sempre de girassol e de boa qualidade. O azeite de oliveira deteriora o sabor deste prato. Fazemos a massa diariamente com ovos frescos para garantir a qualidade dos nossos “noodles”. Para a massa, 6 ovos inteiros, 1 kg farinha de trigo, 1 pitada de sal fino, um pouco de água para a tender. Mistura-se tudo e deixa-se descansar por 30 a 40 minutos, tapando-se com um pano húmido. Estende-se e corta-se a massa em máquina apropriada. Depois, ela é fervida, já cortada em esparguete, escorrida e frita em pouco óleo e uma pitada de sal. Reserva-se. Os vegetais são repolho, cenoura, cebola e/ou pepino, cortados em juliana e fritos em óleo e alho pisado, a que adicionamos um pouco de sal. Para paladares mais exóticos, usamos algas desidratadas e remolhadas em água quente por 10 minutos, que fritamos com os vegetais. São muito saborosas, embora nem todos as apreciem. As carnes, que podem ser de acordo com o gosto, são limpas, ficando sem gordura (sem tripas e casca, se for marisco), e temperadas com sal, molho de soja (claro, para mariscos, e escuro, para as carnes) e um pouco de alho macerado. São fritas em óleo por uns minutos, adicionando-se, antes de as retirar do lume, pimentos e cebola em juliana. Reserva-se. O molho, agridoce, leva água tépida, farinha maisena, molho de soja escuro, sal, açúcar castanho, vinagre tinto e alho macerado. Mistura-se tudo em frio. Aquece-se um pouco de óleo numa panela, põe-se o alho esmagado, deita-se a mistura e mexe-se até engrossar. É preciso cuidado para que não fique muito grosso nem muito líquido. Caso seja necessário, põe-se um pouco mais de água ou um pouco mais de farinha maisena diluída em água tépida. Depois, montamos o prato, começando com a massa, os vegetais, as carnes e, por fim, o molho. Enfeitamos ou arrematamos sempre com cebolinho e coentros bem lavados e cortados.

Nota: A massa pode ser substituída por uma opção glúten free; usamos a feita pela Woolworths, pelo controle de qualidade, ou uma dos parceiros, quando temos disponível. Todo o restante se mantém, pois a farinha maisena é sem glúten.

Fotografia: Mariano Silva

Fica uma delícia!


A COZINHA Chow Mein a la Wing, by Célia Wing

This is one of our fusion recipes, locally adapted from the Chinese cuisine by our dear mother of the Wing family. It is a layered dish and has to be made in parts: the noodle dough, the vegetables, the meat (or fish or seafood) and the sauce. It's hard work, but the result is much appreciated by everyone. All frying is lightly done, and the idea is that it´s done over high heat, so as to brown rather than cook through, in particular the vegetables, which should turn out crispy. We use sesame oil for the vegetables. For the rest, it is always good quality sunflower oil. Olive oil spoils the flavor of this dish. We make the dough daily with fresh eggs, to guarantee the quality of our noodles. For the noodle dough, 6 whole eggs, 1 kg wheat flour, 1 pinch of fine salt, a little water to knead. Mix everything together and let it rest for 30 to 40 minutes, covering with a damp cloth. Roll out and cut the dough using an appropriate machine. Once cut into spaghetti-like shapes (noodles), it is boiled, drained and fried in a little oil and a pinch of salt. Reserve.

The sweet and sour sauce is made with lukewarm water, cornstarch, dark soy sauce, salt, brown sugar, red vinegar and macerated garlic. Mix everything at room temperature. Heat a little oil in a pan, add the crushed garlic and the previous mixture and stir until it thickens. Care must be taken not to make it too thick or too liquid. If necessary, add a little more water or a little more cornstarch diluted in lukewarm water. We then assemble the dish, starting with the noodles, vegetables, meats, and finally the sauce. We always garnish with finely chopped spring onions and thoroughly washed coriander. It's delicious! Note: The noodle dough can be substituted for a gluten free option; we use the one made by Woolworths, for their quality control, or by one of our partners, when available. Everything else in the recipe can remain as is, since cornstarch is gluten-free.

Fotografia: Mariano Silva

The vegetables are cabbage, carrots, onions and/or cucumbers, cut in julienne and fried in oil and crushed garlic, to which we add a little salt. For more exotic flavors, we use dehydrated seaweed soaked in hot water for 10 minutes, which we then fry with the vegetables. They are very tasty, although not to everyone likes them.

The meats, which can be according to taste, should be cleaned and all fat removed (for seafood, remove the guts and shells), and seasoned with salt, soy sauce (light, for seafood, and dark, for meats) and some crushed garlic. They are fried in oil for a few minutes, adding peppers and julienned onions before removing them from the heat. Reserve.

106 | Revista Xonguila © Ed. 45 • Março/March 2022


Editorial

Tranquilo amor Quero a sorte de um amor tranquilo Com a mesma cumplicidade de um beijo entre a lua cheia e o mar. Que acalme como a maresia tem o poder de acalmar Que seja ardente na mesma proporção que a lua cheia Que tenha seus dias menos bons Já que até a lua, na sua tamanha perfeição, é imperfeita. Mas que, ainda assim, tenha sabor a porto seguro. Que seja a minha ilha de repouso depois de ondas bravas Que tenha o brilho do luar em noites escuras Imenso como o mar, ainda que possua tantos segredos. Que seja para lá o meu retorno sempre que quiser amar.

Yaniza Nizamodine

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A

A Leiteira

Leiteira é um filme nigeriano que conta a história de Zainab, uma leiteira de uma minoria étnica que enfrenta extremistas religiosos quando procura por sua irmã desaparecida. Escrito e realizado por Desmond Ovbiagele, retrata a guerra contra uma organização considerada terrorista, responsável pela morte de mais de 37 mil pessoas na Nigéria. Apesar de se tratar de um tema delicado, o filme tem uma abordagem suave e divertida, que facilita a compreensão da difícil situação das vítimas da insurgência, especialmente mulheres e crianças, sensibilizando e contribuindo assim para os esforços contínuos que visam erradicar o extremismo da sociedade. Tecnicamente elaborado com os mais altos padrões cinematográficos internacionais, deixa bem patentes tanto a beleza natural – o planalto de Mambilla no estado de Taraba, por exemplo –, como a riqueza cultural exis-

tentes naquele país. A crítica cinematográfica alega que é o melhor filme nigeriano dos últimos anos, o que não impediu, no entanto, que fosse alvo de censura por parte das autoridades resultando em diversos trechos cortados. Foram removidos cerca de 24 minutos do filme original e, dessa forma, a longa-metragem ficou desprovida de alguma das cenas mais impactantes e poderosas. A Leiteira tem participado em diversos festivais de cinema de renome e tem vencido prémios internacionais. A versão original foi enviada para os Óscares, chegando a ser nomeada para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Apesar de ter estado numa notável corrida até à fase final da competição, acabou por não sair vencedora. É um excelente filme, daí a nossa escolha como proposta cinematográfica nesta edição 45 da Xonguila.

A Leiteira retrata a guerra contra uma organização considerada terrorista, responsável pela morte de mais de 37 mil pessoas na Nigéria

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The Milkmaid The Milkmaid is a Nigerian film that tells the story of Zainab, a milkmaid from an ethnic minority who faces religious extremists whilst looking for her missing sister. Written and directed by Desmond Ovbiagele, it portrays the war against an organization considered terrorist, responsible for the death of more than thirty-seven thousand people in Nigeria. Despite tackling a sensitive topic, the film has a soft and playful approach, thus promoting a better understanding of the plight of the victims of the insurgency, especially women and children, whilst raising awareness and contributing to the continuous efforts to eradicate extremism from society. Technically made with the highest international cinematography standards, it shows both the natural beauty – for example, the Mambilla plateau in the state of Taraba – and the cultural wealth of that country.

Despite the high praise received from film critics, who hailed it as the best Nigerian film of recent years, the movie was nevertheless censored by the authorities, which resulted in several sections being edited out. Approximately 24 minutes of the original film were removed and, as a result, the feature film is now devoid of some of its most impactful and powerful scenes. The Milkmaid participated in several renowned film festivals and has won international awards. The original (uncensored) version was sent to the Oscars, earning a nomination for the Best Foreign Language Film category. Despite having been in a remarkable race until the final stage of the competition, it did not win in the end. Nevertheless, it is undoubtedly an excellent film, hence our choice as the cinematographic proposal for this 45th edition of Xonguila.

The Milkmaid participated in several renowned f ilm festivals and has won international awards

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Editorial

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Editorial

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