Sextual: interpenetrações que nem Freud explica...
Wellington Vinícius Fochetto Junior
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Dado que estamos aqui para provocar (questionamentos, por ora apenas questionamentos; o vômito a gente provoca depois, heh-heh) mesmo, convém perguntar, por que os nossos “olhos elásticos” nos pregam peças?
Li “sexual” num trecho de um livro interessante sobre a Desconstrução (é o livro de J. Culler, pela Editora Rosa dos Ventos, obra fora de catálogo) onde, na verdade,
estava
escrito
“textual”.
Ocorre
que
a
proximidade de termos quase homógrafos (ou do tipo que possuem quase as mesmas letras e quase na mesma quantidade) parece favorecer este fenômeno de confusão na leitura.
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Cidadão poaense, publicitário graduado (Universidade Braz Cubas, 2001), licenciado plenamente em Letras – Português (Centro Universitário Claretiano, 2007) professor de Língua Portuguesa e Literatura (Rede pública Poá/SP), pós-graduado em Saberes e Práticas em Língua Portuguesa (AVM Faculdade Integrada, 2014) e “estranho em sua própria terra”. (E esperançoso de, logo mais, concluir seu Mestrado em Letras, para dar sequência com o Doutorado na mesma área). Data desta publicação: 10 de março de 2014.
Ocorre, de igual modo, penso eu, que há semelhanças entre os termos adjetivos “sexual” e “textual”. É, a título de trocadilho, quase um “ritual”. Vejamos: este último adjetivo, relativo a texto, à natureza do que se entende por “texto”, é sempre um registro de algo que se teceu (o textum – tecido, em Latim), que possui uma tessitura. Dir-vos-ei, para (des)complicar “as coisa”, que o texto (digitado, escrito à mão etc.) é, de alguma forma, resultado de uma cópula (“Ai não! De novo esse maluco não tá falando coisa com coisa...”, poderão, os que me desacompanham, afirmar). Mas uma cópula quase que imperceptível. Poderei simplificar, talvez por meio de um gesto reducionista (ai! Reducionismo dói, não? Principalmente entre os academicistas), que esse coito dá-se pela teoria (a formação do texto pela fecundação das ideias – isto não “soa” tão romântico? rs rs rs) e seu encontro com a prática (a necessidade de se levar a cabo o registro no papel, num processador de textos etc.). Mas esta última teria outra grande função: a de parir (não conheço muito de etimologia, mas posso arriscar, por um palpite semiótico, na linha greimasiana, que o radical “par-”, que forma palavras como “parir”, “parto”, “participar”, “partilhar” etc., teria alguma relação, mais ou menos de parentesco [olha aí o radical reincidindo, desta vez na palavra “parentesco”] semântico: o de emissão, de introdução, de tomar parte). Logo, por que não?, arrisco: o parto textual, isto é, a transformação
da gestação do texto teórico (o que permanece em nível mental) em texto concreto, legível, é um ato associável, por
analogia,
ao
ato
sexual
propriamente
dito.
(“Wellington, ler Derrida e essa velharada toda tá te deixando mais louco do que você jamais pensou poder ser...”)
Vou parando por aqui, sacomé (“sabe como é”), né? Tô empolgado demais, daqui a pouco começo a propor
teorias
neofreudianas,
neoderrideanas,
neoprovocativas e acabo dando origem a mais confusão do que poderia sequer sonhar...
Mas e aí? Que achou deste meu post “amalucado”, com – horresco referens – afetações academicistas (por mais que eu critique os academicistas, figuro, ainda que paralelamente, entre eles; mas juro que “eu sou do Bem”, heh-heh...)?
(Ma vem cá, então: foi bom pra você?)