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Principais conquistas econômicas em 8 anos de luta 2006 Motoristas R$ 1.004,00 Cobradores R$ 460,00 Piso mínimo R$ 418,00
Ticket Alimentação NÃO HAVIA Plano de Saúde NÃO HAVIA Anuênio NÃO HAVIA
Auxílio Creche NÃO HAVIA Jornada e
7 hs d e volant 7 hs de catraca 8 hs para o piso mínimo
Intervalo
1 a 2 hs para motoristas e cobradores 2 horas para o piso mínimo
2014 Motoristas R$ 1.900,00 Cobradores R$ 1.165,00 Piso mínimo R$ 950,00
Ticket Alimentação R$480,00 para todos Plano de Saúde
100% pago pelas empresas, estendendo-se aos pais com guarda dos filhos.
Anuênio
1% por cada ano trabalhado na mesma empresa.
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Auxílio Creche
R$180,00 para filhos de até 3 anos.
Jornada
7 hs para todos
Intervalo
1h 30min para motoristas e cobradores 2 horas para o piso mínimo
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[INDÍCE] [Expediente] DIRETORIA DO SINDETRANSCOL Sindicato dos Empregados nas Empresas Permissionárias do Transporte Coletivo Urbano de Blumenau e Gaspar – SC Presidente: Ari Germer Vice-Presidente: Pradelino Moreira da Silva Secretária: Marlene Satiro R Tesoureiro: Marciano Régis Arcanjo G Tesoureiro Adjunto: Cleberson Thiesen Diretor de Organização de Patrimônio: Osnir Schmitt Diretor de Educação Sindical e Assuntos Jurídicos: Ulir Dalpra Zanella SUPLENTES DA DIRETORIA Sérgio Antonio Rosa Angela Cristina de Miranda Érico Nicoletti Carlos Nei Gonçalves Padilha Rubi Alexandre Hobus Fábio Luiz Ferreira Jose Silvio Pereira Costa
CONSELHO FISCAL Juvino Antonio Rezini Acir Rosa Juarez Machado SUPLENTE DE CONSELHO FISCAL Joel Staroski Maria dos Anjos Alves de Lima Stefan Marcos
Delegado da Representante na Federação Dionísio Theiss Suplente de delegado Representante na Federação: Adelino Antonio Pegoraro
Apresentação Narrativas da pré-fundaçao 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Formação Campeonato Feijoada Olimpíadas Fim de ano Sindetranscol
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Era uma vez... Lá numa cidade chamada Blumenau, lugar bonito à beira de um grande Rio, um pessoal resolveu se juntar para conversar sobre a vida. Ah! Como é bom conversar sobre a vida! Quando crianças, tivemos a felicidade de ter alguém que nos contava estórias para ninar, ou mesmo por diversão em outros momentos. Como são boas as estórias infantis! Até mesmo aquelas que nos deixam com medo e nos causavam pesadelos! Quando acordávamos, abraçávamos forte alguém para perceber que tudo fazia parte da imaginação e fantasia. Coisa boa, a ser dividida com nossos(as) filhos(as) e netos(as), essas lembranças são uma forma de “rastro” que deixamos na vida. Essência daquilo de que somos feitos. É com este sentimento que o SINDETRANSCOL quer contar um pouco de “histórias”. Assim mesmo, no plural. Porque a história não é uma coisa única, uma linha reta com algumas datas e nomes que devemos decorar para passar na escola, como se fosse obra do acaso. Qualquer fato que analisamos, até pode ter uma data, uma liderança de destaque, mas só chegou naquele ponto em função de todo um processo, de um movimento coletivo muito mais complexo e profundo do que parece. Longe de ser estática no tempo, a nossa compreensão histórica depende de uma contextualização, de perceber que tudo está em movimento o tempo todo. O resultado das relações sociais não é imposição divina e, muito menos, é obra do acaso. Os fatos têm relação no tempo, um com os outros. Trazem muitas consequências, e às vezes até contradições. Por exemplo: se a galera que estava descontente não tivesse DECIDIDO ficar e se organizar, se tivesse decidido ir embora procurar outras formas de melhorar a vida? Qual teria sido a história da categoria até hoje? Talvez ainda estivéssemos trabalhando mais de 10 horas por dia sem ganhar horas extras, com salários bem menores, sem plano de saúde, enfim, sem essa história para contar. Quem sabe? O fato é que algumas pessoas resolveram se organizar para mudar o que estava descontentando, além delas, centenas de outras pessoas. Nas próximas
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páginas faremos uma pequena viagem, por alguns momentos importantes dos últimos oito anos de nossa existência como trabalhadores(as), enquanto pessoas que cumprem uma função de extrema importância para a comunidade. Se as estórias nos encantam e nos levam a uma viagem no mundo da fantasia, as histórias nos farão viajar naquilo que entendemos ser a realidade. É claro que não se trata de um livro com a história da fundação e solidificação do Sindicato. Nesta pioneira investida com uma revista de cultura e política, o tema dessa edição é a trajetória da organização das pessoas, não a da instituição. Encontros, lutas, festas, reuniões, assembleias, encontros esportivos, comemorações, enfim, vamos relembrar um pouco de nossas vidas, a partir da existência do “sindicato novo”. Ainda não se falava no SINDETRANSCOL, uma sigla recém criada, que em princípio não tinha a confiança da categoria, acostumada há anos e anos com o imobilismo e traição do chamado “sindicato antigo”. Era preciso se diferenciar do “sindicato velho”, que era odiado pela categoria. Superar décadas de completo abandono não é fácil e nem rápido, mas às vezes a vida nos reserva momentos que não planejamos. A história que estamos contando mostra que acabou sendo muito mais fácil e rápido do que se imaginava. Isso, talvez porque a situação cotidiana era muito ruim e as pessoas foram sendo tocadas pelo bom desempenho da maioria daquela primeira Diretoria, inexperiente é verdade, mas que soube ganhar apoios entre a categoria, inicialmente baseada em relações de amizade, em conversas cotidianas de olho no olho, cumprindo com os compromissos assumidos. É dessa maravilhosa história de relacionamentos humanos que estamos falando. A partir das publicações, de alguns documentos e da biblioteca de imagens do Sindicato, passando por acervos pessoais e relatos de algumas pessoas, da cotidiana conversa e acompanhamento do trabalho das duas Diretorias nestes anos, reunimos aqui os principais momentos dessa viagem. Folheie sem medo. Viaje junto. É disso do que somos feitos(as).
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ura muito importante nisso tudo, um cara simples, o companheiro Léo Bitencourt. Entra em cena a companheirada da “lida” no transporte, os(as) primeiros(as) a discutir “a boa nova”. O que moveu essa moçada? Eles nos contam aqui:
Para começar a percorrer estes caminhos, abrimos espaço para uma fig-
DE PARTIDA]
[PONTOS
Léo Bittencourt
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é peça fundamental no processo de formação do sindicato dos trabalhadores do transportes de Blumenau - o SINDETRASNCOL, que teve seu início em maio de 2006. Ele foi convidado pelo então presidente do SINTROBLU, Vilmar Zimmerman à participar de uma reunião com os trabalhadores da empresa Nossa Senhora da Glória que reivindicavam melhores condições de trabalho e reajuste salarial. A reunião, muito tumultuada, aconteceu no auditório da empresa justamente antes de uma assembleia que seria realizada na sede do antigo sindicato (SINTROBLU) e que decidiria os rumos do processo de negociação que iniciava naquele momento. A avaliação de Bitencourt era de que havia entre os trabalhadores um grande interesse de pertencerem a um sindicato que atuasse especificamente com as questões dos trabalhadores do transporte urbano, opinião compartilhada pelo então Presidente do SINTROBLU. Ambos entendiam que era o momento de colaborar com esses trabalhadores que buscavam se organizar mesmo que isso representasse perda de parte da base sindical. Vilmar pediu então que Léo Bittencourt articulasse as medidas necessárias para a criação do novo sindicato lembrando-o de que havia alguns companheiros, principalmente da empresa Nossa Senhora da Glória, se organizando justamente com esse objetivo: fundar um novo sindicato. Com a lista de nomes dos interessados em fundar o novo sindicato, fornecida por Vilmar, Léo iniciou uma série de contatos e encontros, um deles foi com Ari Germer, literalmente um grande entusiasta do movimento para fundação da nova entidade. O primeiro encontro entre eles ocorreu no escritório do advogado e, apesar da desconfiança inicial por parte do trabalhador, a conversa fluiu tomando os rumos da real necessidade de se ter uma organização sindical atuante que defendesse de fato, o interesse dos trabalhadores.
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“Ele (Ari) não me conhecia, mas confiou na minha pessoa e confiou na possibilidade de termos uma organização sindical que realmente lutasse pelos trabalhadores. Tenho que frisar a importância do Ari nessa formação, porque ele confiou numa pessoa que nunca tinha visto. Porém, sabia que eu era um advogado trabalhista e que sempre estive na luta dos trabalhadores. Ele tinha conhecimento da minha pessoa, porém eu não o conhecia”. Dessa primeira conversa resulta, fruto da clareza de quem partilha um objetivo em comum, se estabelece a primeira aliança concreta que tinha como meta fundar a nova entidade e, para ambos, a melhor maneira de os trabalhadores se organizarem seria chamando outros interessados para participarem. Na semana seguinte, em uma nova reunião, buscou-se o entendimento de como agir para concretizar o que era apenas uma ideia para se ter um novo Sindicato. Ari levou consigo dois companheiros: Gemir e Lorenço e os quatro conversaram longamente sobre a formação desse novo sindicato e novamente lembraram-se que ainda eram poucos, seria necessário um número maior de trabalhadores para fortalecer grupo. “No sábado seguinte, as reuniões eram sempre aos sábados, apareceram diversos companheiros e a partir de então (passamos a discutir todos os sábados à tarde) para formarmos um estatuto e dar os encaminhamentos de ordem prática para à formação deste novo sindicato.”
Ari Gremer conta com prazer a história da fundação do SINDETRANSCOL, para ele todos podem perceber nela, o que é a força do trabalhador. Foi após uma cansativa jornada, com mais de 12 horas de trabalho, que chegando em casa recebeu da esposa o seguinte recado: “_O seu Léo ligou convidando para uma reunião... assunto do seu interesse”. O nome não era totalmente desconhecido, já ouvira falar de Léo Bittencourt na época do (SETERB). Um encontro foi marcado para a tarde da próxima sexta-feira, já que a sua jornada de trabalho era entre doze e treze horas e encerrava lá pelas duas e meia da tarde. Ari iria direto do terminal para o escritório do Advogado. Na sexta-feira pela manhã, em conversas com alguns colegas de base, surgiram vários comentários sobre a reunião que os trabalhadores da empresa Nossa Senhora da Glória tinham realizado no auditório da empresa: Falou-se, e muito, sobre condições de trabalho, jornada excessiva, perda de direitos e conquistas de alguns trabalhadores, como por exemplo, as folgas mensais que eram seis e empresa optou por conceder uma por semana, cortando duas. Tudo isso, sem contar a retirada das horas extras fixas da folha de pagamento. A situação era insustentável para os trabalhadores que nutriam a esperança de que alguma coisa tinha que ser feita para mudar aquela realidade e não podia demorar muito. Apesar de ter uma consciência tranquila sempre lhe vinha aquela desconfiança natural. Ari de origem alemã nascido em Blumenau se dirigiu ao escritório cheio de interrogações, pensando no que um advogado queria com um mero trabalhador do transporte coletivo? Para tratar de que assunto? Teria ele cometido alguma falta grave em sua jornada para que um advogado o chamasse em seu escritório? Mesmo ciente de que trabalhava firme, fazendo o melhor, dando o melhor Sindetranscol
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de si, o mal-estar não passava, ao chegar no local foi conduzido para um ambiente reservado. A primeira pergunta que o advogado lhe fez foi sobre o seu tempo de serviço na empresa. Ari tinha oito anos de Nossa Senhora da Glória e antes fora caminhoneiro, passara dez anos na estrada tendo que enfrentar maus momentos que não foram poucos: Duas vezes assaltado ele queria era ficar perto da família mesmo trabalhando doze ou treze horas por dia, afinal, sempre voltaria para casa ao fim da sua jornada. Assim ingressou no transporte coletivo e gostaria de ficar nesse segmento. Virou e mexeu e a conversa acabou no tema sindicato e na opinião de Ari estava muito sumido, muito distante dos trabalhadores que, em sua grande maioria, ansiava por um sindicato mais presente. Ari tinha sido contratado em fevereiro de 1998 e já no mês de março o sindicato havia convocado uma assembleia, pois a data-base da categoria era em maio. Os dirigentes do velho sindicato diziam que os trabalhadores tinham que buscar melhores condições de trabalho .Um bom número de trabalhadores compareceu na Assembleia. E mesmo assim aconteciam coisas muito estranhas: Quando recebiam o salário, não era o valor que a categoria esperava. Não havia avanço algum para os trabalhadores. A conversa entre os dois evoluiu para um único caminho: A criação de um novo sindicato e Ari, apesar de se considerar “...Como peão de trecho, o meu negócio era volante” não deixou de perceber que a vida lhe oferecia uma oportunidade para ver se esse era o caminho que ele também buscava. “Eu sempre acredito nisso: Aparece uma oportunidade, ou a gente agarra ou deixa passar”. E o que aquele advogado lhe dizia era isso: Existia sim a possiblidade de criar um novo sindicato na região de Blumenau, que representaria os trabalhadores das três empresas de ônibus da região, já que elas estavam muito longe de proporcionar uma vida melhor para seus trabalhadores. Ari também tinha uma relação de nomes, eram dez, os mesmo nomes que Vilmar Zimmer8
mann apresentou para Léo, dizendo para que ele procurasse aquelas pessoas. Que elas seriam o núcleo do novo sindicato. Muitos ainda hoje ainda permanecem na categoria. Depois do primeiro encontro as conversas se intensificaram e para o próxima reunião programada, Ari levaria mais alguns companheiros e colegas de serviço para discutir a ideia que de acordo com Léo: “...Tinha muitas chances de progredir... de crescer na cidade”. A primeira pessoa que Ari procurou foi o Lorenço (>>>>), com quem já discutira o tema havia muito tempo. Também chamou o amigo e colega Gemir (>>>>), para fosse participar da próxima reunião
Gemir relembra com grande prazer toda a luta que culminou com a fundação do SINDESTRASCOL. Na primeira conversa com Ari Germer ele ficou um tanto apreensivo: “Será que ele quer fazer uma compra e vai pedir para que eu seja seu avalista?”. Afinal Ari não revelava do que se tratava, ficava só repetindo: “Vamos comigo!”. Para Germir foi realmente uma surpresa chegar no local e encontrar o Dr. Léo Bittecourt falando da possiblidade de ser ter um sindicato de luta que combatesse as injustiças que aconteciam nas escalas de trabalho, com turnos de 12 horas. Que lutaria para ter aumento de salário. A categoria dos transportes urbanos de
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Blumenau contava com quase mil trabalhadores concentrados nas três maiores empresas, todavia quando o “Sindicato velho” fazia uma assembleia o número de trabalhadores não chegava a 60. “Por mais que a gente brigasse não se chegaria nunca a ter uma vitória sequer, porque não acreditava mais no sindicato, não tinha força para lutar”. Gemir deixa claro que outra grande satisfação que tem: “... É ver que hoje no Estado, quando se fala o nome SINDETRANSCOL, se fala em um sindicato de luta, um sindicato de pessoas do bem, pessoas que não fingem lutar, pessoas que só pensam no trabalhador, não só no trabalhador mas também na família do trabalhador. É um orgulho muito grande ficilmente conseguiam avanços nas reivindicações. fazer parte do SINDETRANSCOL”. Em meados de 2000 as coisas começaram a mudar um pouquinho na cultura da cidade. Pessoas – Lembra de diversos lugares com ideias diferentes começaram
Marciano Régis Arcanjo
bem quando iniciou no ramo do transporte, foi em 17 de fevereiro de 1992, e lá se vão 23 anos de trabalho. Ele é do tempo em que trabalhar em uma empresa de ônibus na cidade de Blumenau era algo muito bem conceituado, pois era difícil ser contratado, era um sonho ter um parente numa das empresas da cidade para poder ajudar a conseguir uma vaga. Após várias tentativas decidiu conversar com um parente de um vizinho e finalmente conseguiu uma colocação. No início dos anos noventa o sistema de transportes era totalmente diferente, o cobrador sentava lá atrás, cuidava da porta do embarque e não da porta do desembarque. Hoje os ônibus articulados têm três portas para desembarque e os normais têm duas portas. Antes havia apenas uma porta para embarcar e uma para desembarcar. Foram anos difíceis, um tempo que os trabalhadores reivindicavam melhorias nas condições de trabalho. Quando começou na empresa sua jornada era uma semana pela manhã e outra à tarde, mas em alguns meses acabou mudando, quem trabalhava pela manhã permaneceu neste turno e quem trabalhava à tarde ficou à tarde. Muitas solicitações eram feitas junto ao sindicato para mobilizações nos locais trabalho mas, raramente eram atendidas e, di-
a se estabelecer em Blumenau. Dentre elas chegou um paulista que havia trabalhado como motorista na cidade de São Paulo e assim como ele, muitas outras pessoas começaram a ser contratadas, as empresas já não contratavam apenas pessoas de Blumenau. Essas pessoas viram a exploração que acontecia nas empresas e como traziam suas experiências, começaram a compartilha-las com os trabalhadores locais e assim começou a mudar a cultura do trabalhador local. Foi o “Paulista” quem a princípio começou um movimento para tentar trocar a direção do Sindicato que havia na época, quando as empresas souberam e o próprio sindicato descobriu, acabaram “degolando” o rapaz, ele foi demitido. Porém, a chama que ele iniciou continuou acesa e despertou em muitos trabalhadores um interesse pelo sindicato, dentre eles estava Marciano. “Toda vida eu fiz uma oposição à empresa, fui aquele cordeirinho preto, que questionava, sempre fazendo uma pergunta aqui, outra ali”. Em troca os patrões lhe concediam as piores escalas, as piores linhas eram sempre dele. Entre 2003 e 2004, se aproximou do grupo que é a atual direção do SINDETRANSCOL e acabou Sindetranscol
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se tornando uma das referências de luta. Foi então que o pessoal do “Sindicato velho” começou a convidá-lo para compor as comissões de negociações, o que a princípio lhe pareceu bem bacana, mas depois descobriu que tudo não passava de um teatrão. As verdadeiras negociações eram realizadas a portas fechadas e a turma que era chamada para participar simplesmente avalizava um acordo que já tinha sido previamente discutido e aprovado. Em 2005, quando é promovido a motorista, ele já conhecia Ari Germer e muitas outras pessoas que tinham um pensamento em comum: “Poxa, tá na hora dessa exploração acabar!”. Com a nova função sua escala começava às 05h30 e acabava às 19h30, haviam intervalos, mas eram absurdos! Em resumo, os trabalhadores viviam suas vidas para a empresa. Em 2006, no Terminal da Fonte começou um “zum zum zum” de que estariam trabalhando para montar uma chapa e fundariam um novo Sindicato dos Trabalhadores do Transporte, pois na época havia apenas o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Passageiros, Transporte Rodoviário e Transporte de Cargas. Era uma base ampla e que carecia de atenção. Antenado que era, mesmo com pouco tempo de função Marciano não se intimidou e logo soube que Ari Germer era um dos principais articuladores do projeto, foi até ele. Havia uma relação de amizade que ia além do campo profissional. O projeto tinha sido encaminhado no maior sigilo e durante a conversa soube que a chapa estava completa, porém havia um nome que não confirmara sua participação. Os dias se passaram e num novo contato, ficou sabendo que a situação era a mesma. Marciano reconhece que talvez o grupo que encaminhara o projeto talvez tivesse algumas reservas para com ele, não sabiam quais eram suas intenções em participar desse novo sindicato. Ele era quem menos participara das reuniões que já ocorriam há tempos, mas nas que esteve presente, sempre buscou ser propositivo estimulando o debate de ideias. Foram dias tensos e cheios de expectativa para Marciano, até que ao fim de uma jornada de três períodos, foi abordado por Ari que lhe comunicou ter 10
havido uma desistência E assim uma vaga estava disponível na chapa. A oportunidade foi abraçada sem vacilar pois há tempos tentava entrar para o grupo e sabia que juntos encontrariam respostas e força para combater as sacanagens patronais. As reuniões prosseguiram até que em 29 de julho de 2006, no Sindicato da Construção Civil foi realizada a histórica Assembleia para a fundação do SINDETRANSCOL. No primeiro mandato Marciano ficou como Suplente, assumiu a pasta de Esportes e também realiza várias atividades de lazer para movimentar a categoria. Afinal, a vida não se resume só ao trabalho e pensando no lazer dos trabalhadores, foi lançada a Copa Sindetranscol de Futsal que é realizada anualmente. No segundo mandato desempenha a função de Tesoureiro do Sindicato.
Marlene Sartiro
trabalhava na Rodovel e como ela mesma se define: “Era uma trabalhadora cabrestada”. Naquela época, a empresa resolveu trocar as contas salários de banco e os trabalhadores teriam que pagar uma taxa para abertura da nova conta. Não apenas ela, mas muitos outros companheiros da empresa ficaram revoltados, diziam: “Como é que vamos pagar taxa para receber salário?!”. Os insatisfeitos com atitude, porque tem gente que não se agrada, mas não faz nada para mudar, procuraram saber à luz da legislação vigente se a tarifa poderia ser cobrada ou não. Descobriram que legalmente não se pode cobrar taxa para recebimento de salário.
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Ela lembra que muitos companheiros começaram a reclamar e num dia, quando chegou na empresa havia um membro do “sindicato velho”, que tinha sido Delegado ????? e ela perguntou: “Poxa cara, vocês não vão fazer nada a respeito disso? Isso não pode, é contra a lei!”. “Ah, não tem o que fazer...”, foi a resposta. Marlene comunicou que ela e muitos outros companheiros não iriam pagar taxa nenhuma e já tinham pensado no que fazer: “Ora, vamos fechar a conta no banco!”. Mas ninguém tinha coragem de tomar essa atitude. O quadro não era dos melhores e mesmo assim ela resolveu que fecharia sua conta apesar de saber que certamente seria demitida. Na época ela era a segunda mulher a trabalhar no transporte e pelo jeito que a situação se desenrolava, logo sua colega seria a única. No calor dos eventos aconteceu uma reunião com uma sala repleta de companheiros e no auge de sua indignação ela declarou que seus companheiros “Eram tudo uns calças frouxas”. Disse ainda que todos deveriam ir ao banco e fechar as contas imediatamente. Passados alguns dias quando iniciava sua jornada no ônibus ela foi abordada por um companheiro chamado Dirceu, que lhe perguntou se não queria entrar para o sindicato. Quando obteve uma resposta negativa Ele afirmou que a história era outra. Dirceu explicou o que acontecia, falou das reuniões anteriores, da participação do Dr. Léo e que as coisas seriam bem diferentes nesse “novo sindicato”. Diante dos argumento apresentados Marlene declarou: “Então eu estou dentro. Se são os trabalhadores que vão tocar esse Sindicato, ‘tô dentro’!”. Então ela teve que esperar um mês “pianinho”, se contasse que estavam formando um sindicato e os patrões ficassem sabendo, seria demissão sumária. E o mês seguinte transcorreu na maior gozação com companheiros dizendo: “Ué, não vai fechar a conta? A senhora não ia fazer e acontecer?”. Pois bem, após a fundação do Sindicato novo, essa foi a primeira ação da entidade dos trabalhadores
no transporte: questionar a troca de banco e o pagamento de tarifa para recebimento de salário e foi a primeira ação do SINDETRANSCOL em que os trabalhadores tiveram êxito. Marlene Sartio participou da terceira reunião organizada por Léo, a mesma que acabou por definir o núcleo que comporia a primeira Diretoria da entidade e, por ser mulher, ela teve seu nome indicado para secretária. “Eles eram uma tropa de machistas na época. Hoje não são tanto, mas na época, pelo amor de Deus! Então eu tive que ser a secretária!”
Cleberson Thiesen fazia parte da Diretoria do “velho sindicato” e recorda que mesmo assim dificilmente era chamado a participar de alguma reunião e que não tinha nenhum contato direto com o presidente. Isso acontecia somente em épocas de negociação. “Às vezes ele chamava a gente para participar de uma comissão de negociação como é feito hoje”. É o a gente fazia na época, sendo diretor do SINTRATURB. “Um dia encostei o ônibus na plataforma e o Ari me abordou perguntando se eu fazia parte do sindicato. Eu disse que sim. Ele explicou que não sabia se podia falar comigo sobre um assunto, mas que queria me convidar para participar de uma reunião.” Era para montar um outro sindicato, disse o Ari. Ele queria que eu participasse dessa reunião. Eu fiquei meio assim, eu tinha o meu ladinho garantido. Sindetranscol
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Loberto Scalvim - Ainda menor conseguiu trabalho no transporte coletivo, em 1984 era cobrador de ônibus e permanece até hoje na mesma empresa. Ele tinha um sonho desde menino e quando brincava com os primos e irmãos sempre tinha carrinho e bola, mas principalmente os carrinhos, as brincadeiras envolviam muito o ato dirigir. Seu objetivo na época quando começou como cobrador, era se profissionalizar e exercer a profissão de motorista e já se vão 25 anos no volante. É uma longa caminhada, trabalhando e exercendo a função, na qual pretende se aposentar. O interesse pelo Sindicato começou justamente quando assumiu como motorista. Ele lembra que entre 1984 até mais ou menos o primeiros anos de 2000 a representação sindical era com o Sindicato Rodoviário (também chamado de “Sindicato Velho” em outros relatos). Loberto sempre participou das reuniões do sindicato e tinha colegas que hoje não estão mais na empresa também participavam mas apesar dos debates sobre as questões que realmente interessam, nada acontecia. A situação dos trabalhadores estava no estagio “se correr o bicho pega se ficar o bicho come!”. Parecia não haver o que se fazer e então começou o assunto de uma nova formação, um sindicato novo para a categoria, um sindicato independente já que o “Sindicato velho” era envolvido com cargas e transporte e não tinham muitas condições de cuidar do transporte coletivo. 12
Por já ter participado ativamente nas tentativas de reivindicação e acreditar que categoria unificada, pedindo, reivindicando podia alcançar vitórias, ele acabou sendo convidado para participar dessa nova formação. Era a grande oportunidade para poder colaborar com a mudança que viria para atender os anseios da categoria, ninguém mais aguentava aquela situação de um sindicato que não fazia nada pelos trabalhadores. O convite foi feito por Ari Germer. Na visão de Loberto o SINDETRANSCOL hoje é a categoria no Sindicato: “É motorista, é cobrador que está dentro da área sindical envolvida diretamente com os trabalhadores. Não lembro se foi em 2007 a formação... Mas de lá pra cá a gente viu que “o negócio andou”, a gente vestiu a camisa! A categoria estava unida, e eu creio que permanece unida, começou a trabalhar junto com o próprio Sindicato, que é a categoria. Hoje o presidente do Sindicato é motorista. Os dirigentes sindicais, são cobradores e motoristas. É a categoria direto com a categoria, na conversa, no diálogo, nas questões sociais, no que concordam e não concordam, sempre debatendo assuntos de interesse da categoria.” As primeiras ações do SINDETRANSCOL tiveram resistência, por parte patronal, da imprensa, de amigos e colegas de trabalho que tinham medo de sofrer retaliação por parte das empresas. Quem se envolvesse poderia ser demitido. O Sindicato surgiu em uma época em que a turma enfrentava vários conflitos sociais e familiares. A primeira batalha teve uma resistência muito grande, os trabalhadores não tinham vale-alimentação como têm hoje. Foi uma conquista da categoria e do Sindicato! A categoria representada pelo Sindicato. A partir dai os reajuste salários passaram a ser mais dignos, mais próximos da realidade mas não só no aspecto de salarial, outros benefícios foram conquistados: planos de saúde, plano odontológico, dentistas com um custo bem inferior aos custos do mercado oficial. Além disso o Sindicato envolveu-se com as questões da comunidade em que está inserido. Quan-
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do as pessoas tem problemas de doenças, problemas de catástrofes que sempre ocorrem em Blumenau como enchentes o Sindicato está presente. Leoberto salienta ainda a importância da unidade dos trabalhadores em sintonia com Sindicato, pois somente com a participação da categoria é que as coisas mudam a força do sindicato é a categoria mobilizada.
zação por parte dos trabalhadores o leque de conquistas pode ser tornar mais amplo ainda. Uma experiência marcante para ela foi ter participado de uma mesa de negociação, percebendo ali a grande importância que é dada a pauta de reivindicação dos trabalhadores e que existem empresas que além e negarem i que é justamente reivindicado, ainda querem te tirar direitos adquiridos. A Cobradora estimula aos colegas que se tiverem disposição e desejo devem aproveitar e se oferecerem para participar das negociações. “Todo ano em assembleia são escolhidos observadores para acompanhar o processo”. Para ela a participação nas rodadas de negociação revela como é difícil avançar na busca de novas conquistas por menor que sejam.
Angela Alvez
- Trabalha na Rodovel há seis anos, é cobradora e foi assim que se envolveu com o Sindicato no qual permanece filiada até o dia de hoje. Tendo que trabalhar desde cedo, tornou-se professora de inglês e espanhol e a vida cheia de surpresas circunstanciais lhe trouxe um desafio: Desempenhar a função de cobradora num universo totalmente masculino, superar preconceitos e conquistar o respeito de maneira igualitária foi realmente uma superação e uma grande experiência de vida. “Hoje eu vejo que nós mulheres temos condições de enfrentar também essa luta, esse trabalho, que nós também podemos exercer o mesmo trabalho que eles fazem. Então considero isso como uma vitória e o Sindicato nos deu essa força.” Ela também constata que até surgir o “novo” Sindi-
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cato as condições de trabalho eram péssimas comparadas com as de hoje. Foram muitas conquistas e Angela avalia que as coisas estão bem melhores mas também considera que havendo uma maior mobiliSindetranscol
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MĂŠri Terezinha Cardoso
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Urda Krüger – é escritora e historiadora e acompanhou de perto a greve dos seis dias. Para ela a rotina dos trabalhadores em transportes em Blumenau era desumana: Iniciava às 04:00 transportando passageiros que começariam suas jornadas às 05:00 e apanhavam as pessoas que saíam do terceiro turno que terminava justamente naquele horário e as levavam de volta para seus bairros. Perto das 06:00 o serviço estava quase concluído e aí tinham que esperar entre seis ou oito horas em um lugar distante, sem café, sem local para comer e muitas vezes sem banheiros. Eram muitas horas parados e somente quando as fábricas e o comércio movimentassem seus empregados novamente é que jornada recomeçava. Motoristas e cobradores retornavam para casa por volta das 23 horas e às 03:00 tinham que levantar para começar tudo novamente. Surgiu então a ideia desses trabalhadores fundarem um sindicato. Havia uma necessidade mútua, entre eles, de se fazer alguma coisa por um futuro melhor. Foi uma questão de dignidade. Porque o motorista e cobradores esperavam quatro horas pela manhã, quatro horas à tarde em lugares distantes eram mais oito horas na jornada, totalizando dezesseis horas na rua, mais o tempo de chegar em casa. Eles nunca viam os filhos, mal viam a mulher, não tinham repouso semanal garantido, eventualmente eles tinham o domingo. A fundação do SINDESTRANSCOL causou uma
alteração em toda a situação dos motoristas de ônibus de Blumenau. “Em um primeiro momento houve a movimentação que resulta na greve que paralisa Blumenau durante seis dias, algo que talvez não tinha acontecido até então no Brasil: Motoristas e cobradores de ônibus pararem uma cidade por seis dias. As cidades dependem dos ônibus e os ônibus de seus condutores...”. Por uma questão de formação Urda acompanhou de perto o desenrolar destes acontecimentos e viu como a polícia agia para desmobilizar movimentos assim. “No terminal da Fonte os ônibus estavam todos trancados, fechados e os motoristas todos do lado de fora em um piquete, assando uma carninha. Chegaram muitas viaturas de polícia e pararam ao redor aonde se assava a carne, saltaram vários policiais, homens e mulheres já em coletes à prova de balas e começaram a fazer um terrorismo verbal, por assim dizer, falando: “Quem é que vai estar vivo aqui amanhã?” e coisas do tipo. Semearam o pânico e o terror foi aumentando e logo o piquete se desmobilizou, ninguém queria morrer e do nada vieram carros, muitos carros e entraram no terminal. Eram motoristas pelegos ou contratados de alguma forma que pegaram os ônibus e os tiraram do Terminal”. Desmobilizados por conta dos terrorismo psicológico imposto pelos militares e não havendo mais sentido em ficar ali os trabalhadores foram para o Terminal do Aterro onde já estava presente o comandante do 10º Batalhão Militar e seus homens. Para eles pouco importava se o que os trabalhadores solicitavam era justo, se pediam dignidade para serem motoristas, eram trabalhadores, pessoas honestas. Urda recorda que o 10º Batalhão e seu comandante, todos fortemente armados e muitos sem identificação, portavam “spray” de pimenta, só esperando uma mínima justificativa para atacarem os trabalhadores. O movimento persistiu e no domingo, o quinto dia de greve, nenhum ônibus trabalhou. Os motoristas e cobradores confraternizaram, como não faziam há muito tempo, inclusive com as suas família com as quais conviviam muito pouco. Aconteceu na Sindetranscol
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Fortaleza, no galpão da igreja, um almoço dos trabalhadores e suas famílias: “Passaram um domingo muito bom. Acho que isso criou uma nova coragem, porque tinha muita gente que tinha muito medo do que aconteceria, tinha muita gente que tinha medo de perder o emprego”. No final deste dia todos foram acompanhar a negociação no Hotel Rex, centenas de motoristas e cobradores, com suas famílias se postaram em frente ao hotel. “O movimento deixava de ser só da categoria e passava a ser das pessoas que a categoria abrangia. Os patrões chegaram com um grande aparato policial, como se lidassem com assaltantes, terroristas ou alguma coisa assim ...”. Ela lembra que Ari Germer, Ricardo Freitas, Marlene Satiro e Léo Bittencourt escutaram os patrões anunciando: “Não temos nada a oferecer!” justamente quando eles iam subir para a rodada de negociação. Um minuto depois voltaram, e comunicaram: “Ó, eles não tem nada para oferecer! Então a greve continua!” Todos que estavam ali aplaudiram e a greve foi para o sexto dia. Na madrugada seguinte é que aconteceu a negociação e às quatro horas da manhã os ônibus voltaram a trabalhar. Urda destaca que o mais impressionante é que os trabalhadores não estavam pedindo aumento de salário que eram bons. Queriam respeito, dignidade! “Então, a partir daí se estabeleceram negociações para que passassem a ter esse respeito, trabalhando 8 horas e tenham o final de semana para a família e essas coisas todas”. E a luta deles continua até hoje, os patrões sempre tentam puxar para trás e a cada tentativa começa uma nova movimentação. Ao longo deste oito anos, o aprendizado tem sido constante. “Os motoristas não tem medo de perder o emprego, eles aprenderam que a união faz a força, é um chavão, mas que eles viram que funciona. Então hoje a movimentação dos motoristas em Blumenau é uma coisa muito boa! É respeitada! Foi um respeito adquirido com a luta. E aí se formam lideranças, novas pessoas que vão estar à frente em cada empresa para garantir direitos e tudo mais”. 16
Ricardo
é Professor na universidade regional de Blumenau - FURB, graduado em Ciências Sociais e Mestre em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina, acompanhou a formação do novo sindicato, o SINESTRANSCOL, que logo se inseriu no Fórum dos Movimentos Sociais e também o Fórum dos Trabalhadores de Blumenau, tendo participação de destaque em relação aos demais sindicatos, exatamente pela capacidade de mobilização que a sua diretoria passa a exercitar junto a sua categoria. Entre 2005 e 2008, Blumenau viveu uma situação bastante interessante: foram criados jornais, programas de televisão e uma rádio comunitária. Três meios de comunicação onde os trabalhadores participavam efetivamente. O SINDETRANSOL contribuía não só com questões financeiras, também colaborava tanto na rádio comunitária como no programa de televisão “Cidadania em Debate”, veiculado pela FURBTV. O professor destaca ainda que a atuação positiva do SINDESTRANCOL rendeu em dois jornais: “O Expresso” e a “Folha Popular” - “...Então conseguimos efetivamente desenvolver uma atividade junto com os trabalhadores, exatamente porque nós tínhamos três aparelhos, três mecanismos de comunicação bastante fortes. Pelo ineditismo do que se vivia naquele momento da luta dos trabalhadores em Blumenau, o
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pessoal do SINDETRANSCOL foi convidado, na figura do Ari Germer, para participar do programa “Cidadania em Debate” e apresentaria um dos temas fundamentais para a categoria dos transportes: a diminuição da jornada de trabalho (o que de alguma forma provocaria a discussão nas demais categorias) pois era uma reivindicação da maioria dos trabalhadores de diversos segmentos. Porém a direção da FURB TV na época, contatou o Fórum responsável pela produção do programa e comunicou: “...vocês só apresentam o lado dos trabalhadores e não apresentaram o lado dos empresários, dos patrões, então o programa não será exibido!”. Foi uma dura represália ao direito de expressão dos trabalhadores. O programa “Cidadania em Debate” ficou fora do ar por quase dois anos num claro ataque a organização dos trabalhadores e porque os movimentos sindicais e sociais estavam efetivamente ocupando muitos espaços de comunicação. Levantar a discussão de diminuição da jornada de trabalho repercutiria de alguma forma nas outras categorias e como outros sindicatos estavam mobilizados isso representava uma séria ameaça aos interesses de todos empresários de Blumenau. “Naquele momento era importante para a direção da FURB, através da direção do núcleo de rádio e televisão da FURB que se cortasse o programa, censurasse exatamente para não trazer a tona na cidade essa discussão sobre a redução da jornada de trabalho”. Nunca os trabalhadores de Blumenau haviam
de “BBBBBB”, foi consequência natural do empenho de sua diretoria que primou em três aspectos: A formação sindical que envolveu um setor da cidade que discutia: mobilidade urbana, jornada e condições de trabalho, inserindo o trabalhador do transporte coletivo no contexto dos debates da que envolviam a cidade, politizando a categoria, a fez refletir sobre a realidade vivida, sobre o quanto estava sendo explorada, o quanto estava sendo massacrada por um sistema que só visa o lucro a qualquer custo. O segundo ponto de destaque é que a diretoria se empenhou em uma inter-relação com os outros sindicatos e sua postura diante dos movimentos sociais foi muito amadurecida, para uma entidade tão nova: apoiou o MST, os Movimentos Negros da cidade, os Movimentos de Mulheres, afirmando uma conduta de solidariedade entre trabalhadores. A capacidade de organização, mobilização e luta dessa categoria é exatamente o ponto mais importante desta recente história de lutas, que conquistou acordos que antes não se tinha condições de alcançar por falta de unidade dos trabalhadores. O SINDETRASNCOL interviu no âmbito de cidade e no âmbito da categoria em sua politização e nas conquistas de melhores salários e condições de trabalho. Constrói uma história muito rica e que eleva o nível do sindicalismo em Blumenau e Região.
tido uma rádio comunitária com um amplo espaço para fazer programas com depoimentos e entrevistas. Tudo voltado para os interesses dos movimentos sociais e questões trabalhistas. Afinados com o programa de TV os jornais “Folha Popular” e o “Expresso” (distribuído de graça nos terminais) se difundia entre os trabalhadores não só do SINDETRANSCOL, mas também de outras categorias. Foi um momento de muita efervescência política que agitou a cidade. O protagonismo do SINDETRANSCOL em todos esses processos, na visão Sindetranscol
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[2006]
O ano que nunca vai terminar No dia 29 de julho acontece a assembleia de fundação do SINDETRANSCOL, de eleição e posse de sua primeira Diretoria. Como vimos, a história não começa aí, no Auditório do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil [SIGLA??], mas essa data é a de nosso aniversário, iniciando a vida formal do sindicato. Estavam presentes na assembleia cerca de 300 trabalhadores(as) e, em poucos dias, o sindicato já tinha 200 sócios(as). Um pequeno panfleto “mosquitinho” chamava a categoria a se filiar com os dizeres: “Faça valer os seus direitos como trabalhador e ser humano. Dignidade sempre.” MS. Além de estruturar a entidade, a Diretoria foi começando o trabalho de base e buscando referências sobre a administração e a ação política sindical. Buscou em Joinville, onde encontrou um 18
sindicato inoperante. Outra viagem de exploração foi feita rumo ao sul, até Florianópolis, de onde se ouviam notícias muito diferentes: “Parece que lá tem uns malucos que trancam os ônibus e fazem uma baderna que tá loco! Só que o pessoal de lá tá muito melhor que nós, então vamos lá ver o que acontece. Não custa quase nada mesmo...”. Era mais ou menos essa, a conversa por aqui. O companheiro Ricardo Freitas conta um pouquinho dessa parte: “Estávamos em meados de outubro. No meio de uma manhã de segunda-feira, dia de reunião da Diretoria do SINTRATURB, chegou uma turma de Blumenau. Em princípio ninguém se conhecia. Foram entrando na sala: um cara de cabeça grande [adivinhem quem é?], um outro já meio grisalho com um bigodinho bem aparado, uma companheira baixinha e franzina com cara de braba, um cara
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uma estrutura boa e uns aninhos de experiência. Vimos que eles tinham vontade e eram honestos. Então, assumimos compromisso de ajudar no trabalho deles e também ficamos contentes, porque em todo restante do Estado a gente só tinha sindicato pelego. A convite deles, fomos à negociação que ocorreu na semana seguinte. Foi muito engraçado.
“Os patrões se assustaram
e não aceitaram a nossa presença na sala. Só olhavam para a camisa de um companheiro nosso que tinha a “foice e o martelo” no peito.”
de óculos mais metido a galã, e por fim, um cara alto, também grisalho, com um sorriso tímido no rosto. Este último eu conhecia de longa data, mas fazia muitos anos que não o via. Foi quando reencontrei o companheiro Léo Bitencourt. Nos conhecemos quando atuávamos como dirigentes no movimento sindical bancário, muitos anos antes.” Deonísio Linder, dirigente do SINTRATURB, de Florianópolis, relembra: “Bem, nós explicamos como funcionava o nosso sindicato, desde as finanças e administração até o posicionamento político; sobre nossa direção colegiada sem Presidência ou coordenação, sem tesoureiro e outros cargos tradicionais. Falamos um pouco de nossas estratégias nas paralisações e de como são as negociações, mas se interessaram, mesmo, quando começamos a falar sobre os salários, condições de trabalho e benefícios que já tínhamos conquistado. E já fomos ficando amigos; nossa categoria tem uma identidade. A gente já tinha
A Comissão de Negociação era enorme. Fomos conhecendo a rapaziada e conversando ao longo da negociação. Assim, consolidou-se uma relação política, de solidariedade nas lutas, muito legal. Também construímos amizades entre vários(as) de nós.” Esta negociação aconteceu nas dependências do Hotel Glória. Dias depois, nova reunião aconteceu na Subdelegacia Regional do Trabalho, em Blumenau. Mesmo contra a vontade dos patrões, dessa vez os companheiros do SINTRATURB permaneceram e participaram ativamente da negociação. Primeira lição: jamais aceitar que o outro lado imponha quem são nossos interlocutores. Sem grandes avanços nas propostas, fomos para o primeiro grande teste da direção: a primeira assembleia geral para debater uma proposta patronal e o que fazer. Nem a nova Direção, nem a categoria tinham essa experiência, porque o chamado “sindicato antigo” acertava tudo com os patrões e, às vezes, nem comunicava a categoria do fechamento do Sindetranscol
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acordo coletivo. Quando alguém perguntava, ouvia a desculpa de que “ninguém participava mesmo”, e a defesa de que “a situação das empresas estava ruim e que os patrões não podiam dar mais”. Porém, esse tempo passou! Essa direção do Sindicato não faz corpo mole. Bem, agora adiantamos um pouco a história. Já estamos em novembro e precisamos voltar um bocadinho!
A “máquina sindical” já está estruturada e funcionando. Alguns dirigentes estão liberados para atuar no Sindicato. Eram o Ari, o Zanella e a Marlene. Em setembro saiu o primeiro número do jornal EXPRESSO: “Vamos conduzir nosso destino”, dizia uma das manchetes. O pequeno jornal trazia informações sobre a assembleia de fundação do Sindicato, onde estiveram presentes aproximadamente 300 pessoas, sobre os membros da Diretoria eleita e os cargos ocupados. Informava sobre o funcionamento do atendimento jurídico, tinha a convocação de assembleia, no dia 27 de setembro, que definiria a PRI20
MEIRA PAUTA DE REIVINDICAÇÕES que a categoria entregou ao patronato, após a fundação do Sindicato. Por fim, estava publicada a primeira denúncia sobre a superexploração, alertando a categoria sobre os prejuízos de receber horas trabalhadas “por fora da folha de pagamento”. Mas, voltemos a novembro, naquele ponto das negociações. No início do mês, sai o PRIMEIRO BOLETIM EXPRESSO, uma edição extra, mais direta e rápida do jornal do Sindicato, usada para divulgar e debater as negociações. Nesse primeiro Boletim, a manchete foi “A CIDADE VAI PARAR”. Foi o maior alvoroço na categoria e na cidade! Imagine: “fai ter um crréve nos ônipus!” A imprensa, que nunca tomou conhecimento das condições de trabalho da categoria, sempre subserviente aos interesses dos poderosos, agora se dedicava a criticar o radicalismo das greves e alertava a população para a presença de “forasteiros de Florianópolis, gente de fora de Blumenau que veio propagar a baderna entre nossos pacatos trabalhadores”.
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Trabalhar no transporte era um verdadeiro sacrifício Muitos companheiros trabalhavam até 14 horas num só dia. A frase mais ouvida era mais ou menos a mesma: “A gente nem vê a família”. Não tinha tíquete alimentação e os salários estavam entre os mais baixos de Santa Catarina. As empresas Glória e Rodovel pagavam salários ainda piores que os da Verde Vale. Os patrões não acreditavam na mobilização. Aliás, ninguém acreditava. Há muito tempo Blumenau não tinha um sindicato que fosse referência de luta e de atitudes claras em defesa dos(as) trabalhadores(as). A proposta patronal era a criação de “comissões” para solucionar cada problema que lhes era apresentado. Propuseram o valor de R$ 3,00 de tíquete alimentação para o pessoal da Verde Vale e de R$ 5,50 para as outras duas, mas descontavam o valor do dia em que o(a) empregado(a) faltasse. Além disso, o pagamento só iniciaria em fevereiro de 2007, ou seja, quatro meses depois da data-base. A proposta salarial para motoristas era de R$ 1.120,64 na Verde Vale e R$ 1.044,16 nas demais. Para os cobradores(as) era de R$ 656,11 na Verde Vale e R$ 478,40 na Rodovel e na Glória. Este histórico boletim, além de estampar na capa o anúncio da possível paralisação, fazia o debate do que é, e os objetivos de uma paralisação/greve. E ia além, trazendo toda a orientação sobre COMO PARALISAR O TRABALHO, tanto nas garagens, como nos terminais, mostrando as diferenças, vantagens e desvantagens de cada uma das possibilidades de paralisação. Isso era uma nova ESTRATÉGIA POLÍTICA para o sindicalismo blumenauense. A Diretoria prepara com a base o debate da assembleia. Com isso, mesmo quem não fosse na assembleia, discutiria o assunto. E os que fossem, não seriam pegos de surpresa, podendo amadurecer seu posicionamento. Cria-se um clima de envolvimento na categoria, que possibilita à direção avaliar o que realmente querem os(as) trabalhadores(as). Sindetranscol
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Pedro II entra para a história da categoria O famoso colégio estadual abrigou a assembleia geral que debateu a proposta patronal e a possibilidade de greve. Tudo era novidade. Assembleias não existiam e os trabalhadores do transporte nunca tinham paralisado suas atividades em Blumenau. O velho auditório da escola ficou pequeno. A galera veio em peso ver a novidade que estava acontecendo. Com ajuda do pessoal de Florianópolis, a grande assembleia foi bem conduzida, discutiu e rejeitou a proposta patronal, decidindo pelo ESTADO DE GREVE. Foram emocionantes os momentos de orientação e explicação do que é uma paralisação, porque paralisar, como paralisar, as possíveis consequências. O silêncio era absoluto por parte da plenária. As palavras de cada orador, naquele dia, eram absorvidas e se enraizaram em cada um(a) dos presentes. Quem lá esteve relata que saiu dali emocionado(a) e certo do que tinha de ser feito. Foi decidida a paralisação. A diretoria do Sindicato é que anunciou o dia. 22
O dia escolhido foi 17 de novembro, uma sexta-feira. Azar do patrão! Conforme combinado, ao sinal, motoristas e cobradores(as) saíram dos veículos levando as chaves e caixa de cobrança e dirigiram-se até onde se concentravam os dirigente sindicais com o sistema de som, em cada local de trabalho. No dia 21, o Boletim Expresso no 3 tinha por manchete: “VITÓRIA!”, em letras destacadas. Descrevia e avaliava detalhadamente o “dia que a cidade parou” e rebatia as acusações dos patrões que chamavam aquilo tudo de baderna. Combatendo a campanha da imprensa, contava com um agradecimento especial e uma explicação sobre o papel da campanheirada de Florianópolis, que ao nosso lado, participou desse enfrentamento aos patrões. Realizada a primeira paralisação da história do transporte, com total adesão da categoria e excelente organização, os patrões pressionados, marcaram nova negociação, na qual apresentaram
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uma proposta bem diferente. A direção do Sindicato convocou assembleia para o dia 24/11, em dois períodos, no auditório da sede do Sindicato dos Têxteis, SINTRAFITE. Num clima de alto astral a categoria aprovou seu primeiro Acordo Coletivo de Trabalho, fruto da participação ativa da categoria, dirigida por um sindicato “diferente”, que acabara de ser criado. Em dezembro, a segunda edição do jornal EXPRESSO já trazia na capa um aviso de possível nova paralisação. Cláusulas do recente acordo vinham sendo descumpridas. Os patrões relutavam em aceitar que a vida tinha mudado com a construção do SINDETRANSCOL. Nesta
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colorida edição do jornal, publicaram-se os principais pontos do Acordo Coletivo que foi fechado, e ainda imagens da paralisação do dia 17/11, além dos primeiros balancetes mensais e numa página inteira divulgava o sucesso do 1º CAMPEONATO DE FUTEBOL SUIÇO, promovido pelo Sindicato. Nascia uma das atividades permanentes e de grande participação da categoria, que até hoje é anualmente realizada concomitantemente com a campanha salarial. Vale aqui, uma saudação à equipe LUNÁTICOS: primeira campeã da história do torneio do Sindicato, vencendo na final a equipe Patota da Picanha.
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A grande virada “Se o elefante soubesse a força que tem, seria o dono do circo e não ficaria só dançando no tamborete”, diz alguém em nosso meio. Essa brincadeira, repetida em assembleias e rodinhas de conversa nos terminais, ganhou corpo. As pessoas passaram a ser sujeitos de sua própria história e percebem que não adianta ter a força do elefante sem ter consciência dela, não saber usá-la. Os(as) trabalhadores(as) perceberam que sua “força de elefante” é lutar COLETIVAMENTE. Esta descoberta faz de 2007 o ano de MUDANÇAS ESTRUTURAIS na vida dos(as) trabalhadores(as) do transporte de Blumenau. Foram várias lutas, paralisações, denúncias e inúmeras reuniões com patrões, Poder Público, Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, Judiciário e outras tantas. Foi um ano de inserção do SINDETRANSCOL no movimento sindical e social de Santa Catarina, em especial no Fórum dos Trabalhadores e dos Movimentos Sociais de Blumenau, à época, forte e atuante
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na vida da comunidade. Neste mesmo ano, foi também anunciada a Licitação do Transporte Público da cidade; uma farsa, aqui demonstrada. Lançado em janeiro, o EXPRESSO nº 03 faz uma retrospectiva de 2006. Em 8 páginas, o jornal debate o cotidiano de trabalho; denuncia a precariedade de vias públicas para trânsito dos ônibus; traz informações jurídicas; fala da importante desvinculação entre o preço da tarifa e nossos salários e denuncia a conivência do SETERB com as empresas. A extensa jornada de trabalho, de até 14 horas em certos dias, começa a ser o centro dos materiais publicados pelo Sindicato, nos meses de fevereiro, março e abril. Segue sendo denunciada a falta de pagamento, ou pagamento “por fora”, de inúmeras horas extras. As publicações tratam de inúmeros assuntos do cotidiano da categoria; direitos surrupiados. É publicado um EXPRESSO ESPECÍFICO para a galera da Verde Vale, onde ficaram mal entendidas questões relativas às primeiras negociações.
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8 de março:segunda paralisação No dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, a categoria paralisou por uma hora as suas atividades. Além de chamar atenção para toda a discriminação sofrida pelas mulheres, foi um momento para denunciar o excesso de jornada e vários descumprimentos dos acordos, motivos que justificaram a segunda paralisação da história da categoria. A população mais uma vez se surpreende com essa novidade. Estamos numa região “culturalmente avessa” a mobilizações, característica que precisa ser superada. Uma assembleia geral, no dia 14, avaliou todo esse movimento e encaminhou a continuidade da luta, apontando para o enfrentamento à intransigência dos patrões, que se recusavam a reconhecer a necessidade da redução da jornada. Após essa paralisação, intensificam-se os chamados da Justiça e do Ministério Público para conciliar os conflitos entre nosso novo sindicato e as empresas/SETERB. A novidade leva a imprensa a dispor de amplo espaço de cobertura. Mesmo tendenciosa, deturpando o sentido da ação dos(as) trabalhadores(as), acabavam levando a toda sociedade uma situação que merecia atenção. O tiro do grupo patrão/SETERB/ mídia saiu pela culatra. A intenção de nos desmoralizar junto a opinião pública, acabou por nos ajudar, alertando a população para o fato de motoristas e cobradores(as) terem jornadas diárias absurdas, ilegais, desrespeitosas e que estavam adoecendo as pessoas. Afinal, as longas jornadas aumentam a possibilidade de envolvimento em acidentes e colocam em risco a própria população, que entendendo o sentido da luta, apoia incondicionalmente o movi-
mento dos trabalhadores e seu novo sindicato. No dia 13 de abril, uma sexta-feira, os patrões tiveram seu dia de azar. Em reunião no Ministério Público do Trabalho, se viram totalmente encurralados e admitiram que agiam fora da lei, porém alegam a impossibilidade de aplicar alterações rápidas por problemas de logística que o transporte exige. Balela! Ainda em abril, a direção sindical passa por um teste de fogo, ao auxiliar pela primeira vez, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), numa ocupação de terras improdutivas. Acuados pelo exército, que detinha a posse da área, a direção do Sindicato recebe, ainda, grande cobrança da categoria sobre a participação na atividade. O fato gera um grande e frutífero debate sobre a relação entre nossas lutas urbanas e as lutas no campo, dos trabalhadores(as) rurais. O que temos em comum? Como o êxodo rural influiu em nossa vida na cidade? A elite de Blumenau passa a identificar, claramente, o SINDETRANSCOL, como um inimigo perigoso, que se mostra muito diferente do acomodado sindicalismo tradicionalmente praticado na cidade nas duas últimas décadas.
Os patrões e a imprensa tentam jogar a categoria contra a Diretoria, e também envenenar a população contra nosso movimento, qualificando-o como ação sindical radical e fora da lei. No dia 23 de abril acontece nova assembleia, que fortalece a organização da categoria na luta contra a extensa jornada de trabalho.
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Os seis dias que a b
O 1º de Maio Dia do(a) Trabalhador(a) Pela primeira vez a categoria discutiria o dia 1 DE MAIO de uma forma diferente. Nesse ano, o Sindicato divulga um material sobre a história dessa data, ressaltando não ser um simples feriado, mas um dia de luto, de luta e de comemoração; o dia em que se reverenciam outros trabalhadores(as), mártires da luta; dia de se comemorar vitórias do passado, assim como de lutar por conquistas futuras. Neste dia primeiro, os companheiros foram chamados a trabalhar o dia todo COM FARÓIS DOS ÔNIBUS ACESOS. A grande maioria dos veículos que circularam naquele dia estavam com o faróis ligados, em reverência aos(as) que morreram lutando por redução de jornada. Ainda, em comemoração à data, o Sindicato realiza uma confraternização com a categoria e seus familiares no dia 06 de Maio, no Centro Comunitário da Fortaleza. Foi um belo encontro, com um momento de reflexão histórica, um grande almoço coletivo, música e atividades para as crianças. Assim nasce a ideia da feijoada da categoria como uma forma de confraternização. No dia 12, uma quinta-feira, a direção do Sindicato convida o pessoal que trabalha nas áreas administrativas, de manutenção e limpeza para uma conversa sobre suas condições específicas de trabalho. A reunião acontece no final da tarde, no Clube Guarani, próximo da Itoupava Norte. Hora de quebrar o gelo e mostrar que o patrão tenta dividir motorista e cobrador do restante da categoria, especialmente do pessoal da oficina. Precisávamos mudar isso, e mudamos. 26
No dia 23 de Maio, uma quarta-feira, as centrais sindicais brasileiras estavam mobilizando milhões de trabalhadores(as) em todo o país. A pauta de luta era longa, com destaque para a REDUÇÃO DA JORNADA e o FIM DO FATOR PREVIDENCIÁRIO nas aposentadorias. Em Blumenau, o movimento sindical e popular consegue reunir muita gente na Praça da Figueira, em frente a sede do Executivo Municipal. Os(as) trabalhadores(as) do serviço público municipal estavam em campanha salarial e bem mobilizados(as). No transporte, a categoria não suportava mais uma jornada tão extensa. Para às onze horas daquela manhã ensolarada, porém fria, estava marcada a paralisação de duas horas dos(as) trabalhadores(as) do transporte. A quantidade de pessoas era grande. Em grupos, os(as) manifestantes se dirigiram aos seis terminais da cidade para prestar solidariedade aos(às) rodoviários(as). Às onze e meia, famílias das comunidades da Vila União, Vila Vitória e Jensen, juntamente com militantes do MST e do serviço público, entraram no prédio da
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a balaram Blumenau prefeitura municipal e OCUPARAM O SALÃO NOBRE. Exigiam soluções para problemas que essas comunidades demandavam o Poder Público havia muito tempo. Às treze horas, o movimento comunitário se incorpora à manifestação do Terminal do Aterro e os militantes do MST chegam ao terminal da Fonte. Os(as) trabalhadores(as) da Prefeitura, em assembleia pela manhã, decidem paralisar suas atividades por 24 horas no dia seguinte, 24 de Maio. Esta informação, a solidariedade de movimentos populares e toda a indignação da categoria, levam a companheirada do transporte a decidir NÃO RETORNAR ao trabalho às 13 horas, como estava previsto inicialmente. O protesto de 2 horas da categoria se transforma numa paralisação de 24 horas, em conjunto com os trabalhadores do serviço público. Mais uma vez Blumenau é cenário de paralisações de trabalhadores(as) de categorias diferentes, um estágio superior de luta. “Um perigo!”, diria o pessoal lá do Tabajara Tênis Club.
Greve por tempo indeterminado Com o anúncio da greve de 24 horas, os patrões convocam a direção do SINDETRANSCOL para uma reunião de negociação, que aconteceu no Hotel Rex, das 16 até às 21 horas, mediada pelo Procurador do Trabalho, Dr. Acir Hack. As tropas da Polícia Militar (PM/SC) se aglomeravam nas garagens e em cada terminal urbano. O trânsito no final de tarde e início da noite ficou totalmente caótico e engarrafado. A cidade não discutia outra coisa. “Posentão! Aconteceu o crrréve tos ônipus tenofo!”. “Mas fiu! Os cara trapaia até catorsse hora por dia... é pacabá”! A categoria, orientada pela sua direção sindical e contando com a ajuda da direção sindical de Florianópolis, de algumas lideranças de outras categorias, do movimento popular e do MST, rapidamente vai se organizando na frente dos locais de trabalho. Quando a Comissão de Negociação sai da reunião e percorre os locais de trabalho, para levar informações e debater os encaminhamentos seguintes, encontra barracas e churrasqueiras improvisadas nas portas de todas as garagens e em todos os terminais. Uma infraestrutura básica vai sendo montada sob a coordenação dos mais experientes. O frio é muito intenso na madrugada. As fogueiras e o calor humano aquecem os corpos e a esperança de uma categoria sofrida. A frase mais ouvida era “agora vamos até o fim”, ou, ainda, “essa temos que ganhá”. Sindetranscol
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Dia 24, Quinta-feira segundo dia da greve
Ao longo da noite/madrugada e na manhã do dia seguinte, pequenos confrontos acontecem entre trabalhadores e policiais militares que atendem chamados dos patrões para escoltar veículos de volta às garagens. Às 14 horas, a coisa fica feia no Terminal do Aterro. Há grande número de ônibus parados. São centenas de manifestantes ali reunidos. A PM arma um cenário de grande confronto para a retirada desses veículos. A direção do movimento argumenta que não há necessidade de confrontos, que esse não é o objetivo da luta. Acalma, assim, os ânimos da categoria, que permite o recolhimento dos veículos às garagens. Evita-se o pior, pelo menos por ora. Ao meio dia, há uma grande concentração na Praça da Figueira, já equipada com pequenas churrasqueiras. O povo se organiza com facilidade, não precisa luxo e, por alguns dias e uma boa causa, abre mão até do mínimo de conforto. Após o repasse de informações da direção é liberado o almoço. Naquele alvoroço, um misto de alegria pela dignidade defendida e a certeza de estar fazendo o certo, o justo, com a tensão do momento: alguns poucos ônibus ainda circulavam, a mídia afinada como uma orquestra atacando o movimento dos “arruaceiros” dirigidos por “forasteiros”... É importante lembrar daqueles momentos tão ricos de nossas vidas! Então, de repente, chega aquele senhor, com as marcas de uma vida difícil no semblante, mas sobrepujadas pelo sorriso aberto. “Seu Joaquim”, homem de X anos, cobrador da empresa Glória há muitos anos, vestindo fatiota e gravata, se dirige até o carro de som, com a Dona Maria enganchada no braço, não menos solenemente vestida e com umas flores na mão. Ela está radiante, os brancos cabelos alinhadíssimos como nunca, reluzem ao sol. Eles pedem que a direção anuncie que eles estão ali, alegres e vestidos daquela maneira, porque resolveram se CASAR E COMEMORAR, na praça, juntos e irmanados naquela luta. Os olhos ávidos da D. Maria mostravam que aquele momento era um basta, após décadas de muito labor, a prender a própria voz e aceitar a vida como ela é. Era um grito de liberdade. Liberdade para uma vida melhor. Liberdade para o amor, que perdurava após ......anos vivendo juntos. Nesse dia, resolveram se casar, em meio a uma greve. 28
Às 18 horas daquela histórica quinta-feira, realiza-se uma grande passeata composta pelos(as) trabalhadores(as) do serviço público municipal e do transporte. A cidade, com trânsito paralisado, APLAUDE a passagem da grande manifestação. Alguns poucos ônibus circulam durante o dia. São chefetes, alguns fura-greve e pessoal de outras funções que dirigem esses veículos, numa clara tentativa de desmoralizar a greve e pressionar o pessoal a retornar ao trabalho. Ocorrem apedrejamentos desses veículos e, prontamente, patrões e SETERB, com ajuda da mídia, divulgam que se trata de “vandalismo praticado pelo sindicato”. Há uma grande tensão no ar, normal, afinal, uma cidade do porte de Blumenau já há três dias sem transporte coletivo teve toda sua dinâmica alterada, com muita gente sem poder trabalhar. Até hoje, apesar de não existir uma única prova contra o Sindicato, ou qualquer de seus membros, a imprensa vendida, comercial lucrativa, NUNCA SE DESCULPOU de tão mentirosa e terrível acusação de vandalismo que propagou contra o Sindicato. A disputa de informações é vital. Superamos o desleal comportamento da imprensa pela a importância de nossa pauta, já que é INDEFENSÁVEL a manutenção dessa situação de desrespeito e ilegalidade na jornada de trabalho dos(as) trabalhadores(as) do transporte. Por isso, a grande maioria da população apoia o movimento.
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Dia 25 – Sexta-feira
terceiro dia da greve
A madrugada foi novamente muito fria, mas a estrutura das barracas, de utensílios e agasalhos já havia melhorado muito. O rango não falta, nem baralhos, dominós e outras formas de passar o tempo. A principal atividade são as rodinhas de discussão, de previsões sobre a greve; quando chegavam as principais lideranças, o “buchicho ficava grande”.
Às 10 horas da manhã, os companheiros Ari Germer, presidente do Sindicato, e os assessores Dr. Léo Bittencourt e Ricardo Freitas, são recebidos pelo Vice-Prefeito, Edson Brunsfeld. E às 15 horas foram recebidos, na Câmara, por uma Comissão de Vereadores criada para acompanhar a crise no transporte.
Às 18 horas ocorre nova passeata pelo centro da cidade. Dessa vez, apenas trabalhadores(as) do transporte e apoiadores(as) de outros movimentos. Após a atividade, cada grupo retorna a seu acampamento, na frente dos terminais e garagens das empresas.
Dia 26 – Sábado quarto dia da greve
O aprendizado dos(as) trabalhadores(as) numa greve é muito superior ao de alguns anos de qualquer curso acadêmico. Rapidamente se aprende qual é o papel da imprensa, do Estado (Judiciário, Ministério Público, PM etc), da maioria dos(as) políticos(as), para que servem as leis. Também se evidencia a diferença entre quem pratica um sindicalismo sério e de compromisso com a classe trabalhadora e quem só enrola. Na fria madrugada e início da manhã são reforçadas as Comissões de Esclarecimento em todas as garagens. Muitos(as) companheiros(as) que começavam a cansar e se desestimular foram, novamente, convencidos a permanecer na greve. A partir das 10 horas, foi iniciada uma grande panfletagem pelas principais ruas e avenidas da cidade. Nos panfletos a categoria explicava os motivos da greve, as reivindicações e solicitava apoio da população. Novamente se ouviram MUITOS APLAUSOS. Papel picado era jogado do alto dos edifícios por onde os grupos de grevistas passavam. Após às 13 horas se inicia uma enorme diminuição do funcionamento do sistema de transporte. Os patrões não tinham fura-greve em quantidade mínima suficiente para operar o sistema. A direção do movimento estrategicamente orienta a manutenção de pequenos grupos nos acampamentos, enquanto a grande maioria vai para casa, rever a família e descansar. O rodízio funcionou perfeitamente até às 11 horas do dia seguinte. Sindetranscol
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Dia 27 – Domingo quinto dia da greve
A partir das 11 horas a categoria e seus familiares começam a se reunir no pátio e salão de festas da Igreja São Francisco de Assis, no bairro Fortaleza. O dia está lindamente ensolarado e o frio foi “passear na Patagônia”, felizmente. Ali acontece uma grande e estimulante assembleia, com almoço comunitário e culto ecumênico, da qual participam religiosos de várias igrejas. Mais de 1.500 pessoas se fazem presentes. O clima é o mais descontraído desde o início da greve. Um pouco antes de iniciar-se a assembleia, a direção do movimento é convocada para uma negociação, marcada para às 17 horas, no Hotel Rex, com mediação do Ministério Público. Da assembleia a categoria sai em carreata até a Rua 7 de Setembro, onde fica o Hotel, no Centro de Blumenau. A avenida e a pequena praça, ali em frente, foram transformadas em “praça de guerra”. Dezenas de policiais armados e com cachorros, seguranças privados e muitas vias fechadas ao trânsito. O clima muda totalmente. A tensão é alta. Ao iniciar a reunião, os patrões se dizem surpreendidos com a quantidade de pessoas na frente do Hotel, alegando que “o barulho da rua atrapalha a reunião e que se sentem inseguros”. Caras de pau! Lá em baixo, a PM proíbe o uso dos 30
carros de som. E vai cercando e confinando as pessoas em um espaço cada vez menor. As provocações são constantes. O clima fica ainda pior e quem começa a correr risco não são os patrões dentro do Hotel, mas sim nossas famílias, amigos(as) e apoiadores(as), que estão na rua sendo acossados(as) pela polícia e seguranças contratados. Aliás, contratados por quem?! As mulheres... Ah, as mulheres! Cada vez mais se tornam protagonistas da história. Assumem a frente do povo e encaram nariz-a-nariz a tropa de choque. Nada detém a verdade e a justeza da luta! Quando, finalmente, se constitui a mesa de negociação, nos chega a informação de que a PM havia prendido um dirigente sindical dos metalúrgicos que estava desde o primeiro dia nos apoiando. Colocamos a libertação do companheiro Hartmut Kraft como condição para negociarmos. Os representantes do SETERB e do Ministério Público alegavam não poder assegurar isso. Exigimos que interviessem para a libertação de nosso apoiador. Os patrões se aproveitaram do episódio e fugiram de fininho do local. Frustrada a negociação, reunimos a categoria em assembleia, ali mesmo, na via pública. A decisão unânime é pela continuidade da greve. Já eram dez horas da noite.
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Dia 28 – Segunda-feira sexto dia da greve
Desde o início da madrugada os acampamentos vão recebendo grevistas e apoiadores(as). O ânimo e a disposição de lutar estão renovados com os acontecimentos do final de semana, em especial a atividade de confraternização e o grande confronto do início da noite de domingo. Às 10 horas voltamos ao Hotel Rex, para nova tentativa do MPT de intermediar a negociação. Colocamos como condição que os patrões garantissem NENHUM DESCONTO das horas paradas e 120 dias de ESTABILIDADE a toda categoria. O segmento patronal não aceitou e nos retiramos da reunião. Já estava marcada Audiência de Conciliação para às 14 horas no TRT/SC, em Florianópolis. Então, os companheiros Ari Germer, Ricardo Freitas e Dr Léo Bittencourt se dirigiram para a Capital, para participar da audiência. Às 18 horas, sem que os patrões aceitassem a diminuição da jornada, ameaçamos nos retirar da desgastante Audiência. Foi quando apareceu a primeira proposta que abriu diálogo. A partir dela, por volta das 20 horas, a Presidente do TRT/SC fez uma proposta de acordo judicial sobre jornada de 7 horas trabalhadas e intra jornada (até uma hora e meia), atendendo nossos pleitos de não punição. Às onze horas da noite, ocorre uma reunião de todo o Comando de Greve, inclusive com lideranças de outras categorias e movimentos populares. É discutida a proposta mediadora do judiciário e avaliada a situação
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da greve. O Comando entende que foram atendidas as reivindicações e decide propor à categoria a aceitação do acordo judicial e o retorno ao trabalho. A proposta é levada a avaliação da assembleia geral, realizada no terminal da Fonte. Com alguns ônibus, a coordenação do movimento vai recolhendo a galera nas barracas, em todos os acampamentos. Às quatro horas da madrugada, mais de seiscentos companheiros(as) encontram-se reunidos para uma emocionante assembleia. O Comando de Greve apresenta a proposta que prevê: JORNADA DIÁRIA MÁXIMA DE 7 HORAS, com intervalo intra jornada de, no máximo, uma hora e meia; 90 dias de ESTABILIDADE e NENHUM DESCONTO dos dias parados; e NENHUMA PUNIÇÃO a quem tenha participado do movimento. Quarenta e cinco minutos depois de iniciada, a assembleia geral decide pela aceitação da proposta e encerramento da greve. A categoria conquista grande vitória de redução pela metade da jornada de trabalho diário; redução do intervalo intra jornada pela metade na Verde Vale (que praticava intervalo de 3 horas), e em 30 minutos nas empresas Glória e Rodovel (que tinham intervalos de 2 horas); além de evitar qualquer tipo de punição a todos(as) os(as) lutadores(as). Após 138 horas de paralisação, o transporte público de Blumenau começa, paulatinamente, a voltar à normalidade, mas nunca mais seria o mesmo. No início de junho é publicada uma edição especial do jornal EXPRESSO, fazendo uma retrospectiva dos seis dias de greve, uma avaliação de todos os acontecimentos e, também, dos termos do acordo judicial. É preciso avaliar cada passo, para evitar a repetição dos erros e aprimorar as condutas acertadas. Plantação do pé de cedro --- seu crescimento.
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E o ano ainda não chegou nem à metade No dia 13 de julho, uma sexta-feira, a partir das 8 horas, ocorre a Audiência Pública, teoricamente, para discutir com a comunidade o Edital de licitação do transporte público da cidade. O farsesco evento acontece no luxuoso Viena Park Hotel, numa sala onde não cabem mais do que 20 pessoas; tudo feito para impedir a participação da população, objetivo do ditame legal. Nos fizemos presentes e, claro, foi inevitável o “bate-boca” com a representação do SETERB/Prefeitura. Apesar de todos os alertas do SINDETRANSCOL, as comunidades se envolveram pouco no processo; a imprensa sempre boicotou os posicionamentos do Sindicato e amplificou o discurso mentiroso do prefeito e do segmento patronal, que apesar de alegarem enormes prejuízos, pagavam 10 milhões de reais ao Poder Público, como OUTORGA para permanecer operando o serviço público de transporte. 32
Mesmo com nossas denúncias sobre a Audiência Pública descumprir preceitos legais; mesmo com a cobrança para garantir a participação da população e manifestações contrárias de alguns poucos vereadores; o prefeito João Paulo Kleinubing consegue impor seu projeto que privilegia seus amigos e atuais empresas, financiadoras de campanhas eleitorais. No fim de julho é publicada mais uma edição do EXPRESSO que convoca assembleia para o dia 25, abrindo a campanha salarial de 2007. O informativo traz os desdobramentos do processo licitatório e explica as alterações no processo de trabalho devido a implantação das CATRACAS ELETRÔNICAS. Um ano após a fundação do Sindicato, já com muita história para contar, comemora-se o DIA DA CATEGORIA. [NÃO É MELHOR: “DIA DO TRABALHADOR DO TRANSPORTE”?]
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Respeitando a população O Sindicato inaugura uma conduta de respeito aos demais trabalhadores, que utilizam o transporte coletivo, construindo uma relação positiva entre as pautas da categoria e da população. Toma para si a tarefa, que as empresas e o SETERB não cumprem, de informar a usuários do transporte e debater as grandes questões do transporte. Articulamos vários sindicatos e movimentos populares, de diversos segmentos, no melhor momento do Fórum dos Movimentos Sociais. Criamos o jornal Folha Popular, que abordou profundamente todo o golpe da Licitação do Transporte Público de Blumenau e denunciou a farsa da Audiência Pública. A capa expôs os rostos dos vereadores que votaram (muitos sem nem conhecer o projeto da licitação) e aprovaram o modelo que nenhuma melhora trouxe à vida população. O material tinha, também, um espaço para divulgação de outros temas de interesse da comunidade. Lamentavelmente foi o primeiro e único número da Folha Popular, apesar de todo o empenho do SINDETRANSCOL para mantê-lo. O personalismo de duas ou três pseudolideranças sindicais, e o oportunismo de outros(as) tantos(as), acabou com essa excelente experiência vivida em nossa cidade. O importante é que o SINDETRANSCOL manteve seu compromisso com o patrimônio e serviço público, com um sindicalismo autônomo em relação a patrões e partidos políticos, porém al-
tamente politizado e classista. A Folha Popular se transformou no EXPRESSO DO POVO, material mais restrito às questões do transporte, mas que mantém canal de diálogo direto com a população. O EXPRESSO tinha uma coluna sobre regras básicas de português, auxiliando a leitura. Em agosto, o EXPRESSO convocou assembleia para definição da Pauta de Reivindicações, organizou a participação da categoria no Grito dos Excluídos, e trouxe os resultados da COPA SINDETRANSCOL DE FUTSAL. No dia 08 foi realizada uma importante assembleia geral, que recompôs a vacância de cargos da Diretoria do Sindicato, devido à saída de alguns de seus membros. Seis novos companheiros, forjados na luta da grande greve de Maio, são incorporados à direção sindical. São eles: os irmãos Eugênio e Gilberto Giacomoni, motoristas da Rodovel; Lindomar .... e Odair ....., respectivamente cobrador e motorista da Verde Vale; Marcelo ..... e Policarpo ....., motoristas da Glória. As edições de setembro e outubro debatem as principais reivindicações, apresentam balancetes de prestação de contas, cobram o início das negociações e a implantação das escalas com a nova jornada de trabalho e tempo de intervalo, já que o acordo judicial estabelecia o prazo final de 1o de novembro, data-base da categoria.
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A perda do companheiro Adenilson Teles Ao final da tarde do dia 28 de outubro, todos(as) os(as) lutadores(as) de Santa Catarina choraram a perda do companheiro Adenilson Teles, jornalista abnegado, militante social incansável e corajoso fundador da rádio comunitária da Fortaleza, que hoje leva seu nome. Um companheiro para qualquer “empreitada”, uma figura humana simples, que era firme em suas posições, sem perder a ternura jamais, como ensinou Che Guevara. Teles foi assassinado em uma curva da rodovia BR 470, por uma irresponsável manobra de uma motorista que ultrapassava outro veículo em local proibido. Além da perda de grande figura humana, perdemos, também, um profissional da mais alta competência, em plena reta final da campanha salarial de um ano absolutamente atípico e inusitado. Teles jamais sairá de nossas memórias. Ele tem parte em todas as nossas vitórias. Marcou profundamente nossas vidas e nossas lutas. Como forma de homenagem, seu nome batizará a sede de nosso sindicato, assim que o imóvel for registrado em nome do SINDETRANSCOL.
Patrões propõem acordo caracú Em meados de outubro as negociações se intensificaram. Mesmo consternados com a tragédia da perda de nosso companheiro de lutas, iniciamos o mês de novembro dando um ultimato aos patrões. Eles se comprometem em apresentar nova proposta na primeira semana de novembro. Apresentaram o que passamos a caracterizar como acordo Caracú, onde os patrões entravam com a Cara e a categoria com o... prezuízo! Diante de rumores de nova greve, acabaram retirando a ridícula proposta e, finalmente, apresentando condições de uma composição, que foi aprovada em polêmica assembleia, realizada no dia 27. A proposta continha avanços consideráveis, mas não igualava o salário pago pelas três empresas. O patrões apresentaram um cronograma onde somente os(as) trabalhadores(as) das empresas Glória e Rodovel teriam aumentos salariais, escalonados ao longo da vigência do Acordo, incorporando percentuais até se igualar ao salário pago na empresa Verde Vale. Foi mais um aprendizado para todos(as), base e direção. Divergir no debate, mantendo o respeito ao outro, ainda mais com a falta de experiência e sobre temas tão polêmicos, é um difícil exercício. Ao final da assembleia, por grande maioria, a proposta patronal foi aprovada e ficou decidido o fechamento do ACT com as três empresas. 34
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Ufa! Enfim, dezembro..
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O
ano mais dinâmico e surpreendente de toda nossa história termina como começou: com polêmica. Dessa vez, a maioria da categoria e a direção sindical debatendo com a parcela de trabalhadores que ficaram descontentes com a decisão da assembleia. Valorosa gente, não queria encerrar a campanha salarial. Queremos sempre avançar nas conquistas, porém, é preciso avaliar as possibilidades, as condições concretas para atendermos nossos sonhos, para além de nossa vontade. Quanto conquistamos com a redução da jornada e do intervalo? Na média, reduzimos 4 horas por dia de trabalho e tivemos aumento real na remuneração em novembro. Fortalecemos politicamente a categoria, o que possibilita a exigência mais contratações. Foi um ano de intensa formação política para a direção e toda a categoria. Desde a condução de reuniões até temas bem mais complexos, passamos a decifrar coletivamente a estrutura sindical, a legislação trabalhista e de movimentos coletivos. Durante as paralisações, compreendemos a legislação de greve, o comportamento de órgãos e termos que alguns desconheciam (MP, MPT, MTE, Lei de Greve, serviço essencial, contrato suspenso, etc.). Avançamos muito na coesão de uma categoria historicamente dividida pelos patrões. São mais duas definições sociológicas, jurídicas e políticas a se compreender. Primeiro, provamos que a cor do uniforme não faz ninguém diferente. Somos todos trabalhadores(as) iguais, da mesma classe social e da mesma categoria profissional. Em segundo lugar, buscamos unificar os diferentes setores de trabalho dentro de uma mesma empresa. E essa árdua e vital tarefa continua. Foi o ano em que o Sindicato mais produziu e publicou jornais, boletins, cartilhas e outros materiais, direcionados à categoria e, também, para além dela. Toda a formação política da base e da direção, assim como a necessidade de um canal de comunicação com a comunidade, demandou do Sindicato um enorme esforço e investimento. Foi um rico aprendizado. Sindetranscol
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[2008]
A força da água, da lama e das perdas
E
m todas as viradas de ano são desejadas muitas conquistas e felicidade para o período seguinte. Em 2008 não foi diferente. Um mês de janeiro de projeções e planejamentos. A falta do companheiro Teles, em nosso meio, é cotidianamente sentida, sendo ainda mais forte cada vez que se elabora um comunicado ou jornal do Sindicato. Em fevereiro, exatamente durante o carnaval, a empresa Rodovel demitiu, sem o menor motivo, dois companheiros que compõe a Direção do SINDETRANSCOL. Os companheiros Pradelino Silva e Leoberto Scalvin – Tatu – membros do conselho Fiscal, a quem tem sido negado, nos tribunais, estabilidade no emprego. Os patrões tentaram. Se colasse, as duas outras empresas fariam o mesmo. Passamos o final de sema-
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na e o feriado do carnaval tentando dialogar, mas a empresa estava irredutível. Então, na quarta-feira de cinzas, a categoria tocou fogo na cadeira do patrão.
Uma paralisação, já no início da manhã, tirou, em poucos minutos os patrões de suas cadeiras e fez com que voltassem atrás nas demissões. Este ano, tivemos a primeira temporada com uniforme de verão. Era só risada nos terminais, porque tinha cada “perna branca, feia e cabeluda” de fora, que dava até medo. Sem contar os “dedões pra fora das sandálias”. Aos poucos, foi-se padronizando o uniforme e a coisa ficou “mais bonitinha”.
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Em março, tivemos a segunda assembleia de prestação de contas do Sindicato no Himmelblau Hotel. Esta é outra marca registrada desse novo sindicato: os balancetes são publicados e os pareceres do Conselho Fiscal sobre as contas são submetidos à assembleia geral dos sócios. As manifestações nos terminais no 8 de Março, Dia Internacional da Mulher e o programa de rádio do Sindicato foram grandes novidades dessa gestão. O programa entrava no ar nas manhãs de terça-feira, na Rádio Comunitária ADENILSON TELES, cobrindo a região da Fortaleza. No programa de formação, conhecemos a realidade vivida pelos(as) trabalhadores(as) em Cuba; seus ótimos sistemas educacionais e de saúde. O EXPRESSO de maio traz, na capa, a história do 1º de Maio, com a famosa frase de August Spies aos seus juízes/algozes, na qual diz que o enforcamento dos líderes não vai destruir a organização operária: “Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão”. Em julho, ocorrem atividades e reflexões no Dia da Categoria, 25/07. Poucos
dias depois, temos o dia 29, aniversário do Sindicato, lembram? Nesses dois anos: quanta coisa mudou! Ainda bem que foi para melhor! A novidade, dessa vez, foi uma atividade de confraternização para registrar a importante data. A Diretoria oferece à categoria um grande bolo de aniversário, em cada local de trabalho. Com o tempo, a iniciativa tornou-se tradicional na vida da categoria. No dia 20 de agosto, no auditório “chique” do Himmelblau Hotel, tivemos assembleia de abertura da campanha salarial, que definiu a estratégia de luta e a Pauta de Reivindicações a ser entregue aos patrões. Nesse momento, já tinha começado a 2ª COPA SINDETRANSCOL DE FUTSAL, com show das torcidas em todos os finais de semana. A preparação do Grito dos Excluídos, no Dia 7 de Setembro, possibilitou o debate com a população sobre as mazelas do sistema de transporte público. A precariedade do Terminal da Velha era uma das principais reclamações naquele momento. No ano de 2008 vivemos essas e outras novidades na ação sindical do SINDETRANSCOL. Além da atividade do BOLO e da COPA DE FUTSAL, o Sindicato lança o
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primeiro número do EXPRESSO DO POVO, aquele mesmo, que substituiu a Folha Popular como já mencionamos, no final de agosto. Nesta primeira edição, com a LATA
Setembro e outubro passam rápido. As negociações com o segmento patronal estão indo mal e estamos longe da possibilidade de acordo. Como sempre, nessa épo-
DE SARDINHA como símbolo da indignação popular, a superlotação dos ônibus foi denunciada. Questões centrais como a crise de mobilidade e as soluções que a prefeitura se recusava a implementar, apesar se serem financeiramente acessíveis, tiveram seu espaço garantido no material. Associações de moradores, entidades populares e sindicais são chamadas para uma ação conjunta em defesa do transporte público com mais qualidade e menos tarifa. A defesa da classe trabalhadora aparece em denúncia contra a Rede Globo, que utiliza a sua novela da época para ATACAR O MST, em função da ocupação das dependências da Aracruz Celulose. Nesse ato político foram destruídas pelos trabalhadores perigosas sementes de plantas cujos experimentos traziam risco ao meio ambiente. Suas patentes constituem dependência absoluta dos agricultores, que produzem, ao grande proprietário monopolista, de quem os consumidores também se tornam reféns, já que o controle dos preços e da qualidade tem por fim os lucros astronômicos.
ca, SETERB e patrões conseguem amplos espaços na imprensa ataques ao movimento, ao Sindicato e às reivindicações. Trabalham a revolta do povo dizendo que precisarão AUMENTAR O PREÇO DA TARIFA para atender nossas reivindicações. No início de novembro é publicada a segunda edição do EXPRESSO DO POVO que acena a possibilidade de greve da categoria. A partir da segunda semana de novembro começamos com pequenas e pontuais paralisações, já anunciando claramente a possibilidade de GREVE. Entre as motivações estão: a intransigência patronal nas negociações e a defesa contra as desrespeitosas mentiras publicadas em notas pagas através da imprensa. Mais uma edição do EXPRESSO DO POVO, de número 03, é distribuída gratuitamente à população, desmentindo o segmento patronal, denunciando a conivência do SETERB com muitas irregularidades das empresas e explicando os motivos das paralisações. Em dezembro, época de preparação das festas de fim de ano, os(as) tra-
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balhadores(as) do transporte estão com agenda cheia, mas é de luta! Continuam construindo o movimento de greve, uma vez que as negociações estão emperradas. Nesse momento, perto do fim do mês, se abatem sobre o vale do Itajaí, intensas e intermitentes chuvas durante vários dias. A água sobre rápido e as enchentes vem acompanhadas de um fenômeno devastador: os deslizamentos de terra, atingindo muito mais pessoas que em anos anteriores. Diante da catástrofe e do sofrimento de toda população, a direção sindical convoca assembleia, que delibera suspensão das atividades que estavam anunciadas, inclusive a greve.
tribuídos em 2 horas para a população, nos terminais. A edição inteira é dedicada à solidariedade aos afetados e à denúncia de É hora de enxugar as lágrimas, políticos oportunistas, que não tomaram as limpar nossos caminhos e casas, medidas necessárias, e ainda assim, apareciajudar a quem muito precisa. Mil- am depois da tragédia com suas “máscaras hares de pessoas perderam tudo, de sofrimento” e fazendo promessas não inclusive centenas de cumprirão. As marcas e consequências da companheiros(as) da categoria. tragédia poderiam ser infinitamente menores. O exemplo mais emblemático foi o que O termo TUDO é o mais ad- aconteceu no Morro do Baú e a explosão do equado: a água e a lama não gasoduto, que depois de mais de cinco anos, destruíram somente móveis, utensílios e al- permanece uma incógnita. Fica a pergunta: gumas residências. Muitos(as) VIRAM DESA- a explosão causou ou foi consequência dos PARECER O TERRENO onde estava sua casa. deslizamentos? No local de residência e/ou trabalho, Passamos as nossas folgas de final surgiu um novo curso de um riacho, uma de ano e as férias coletivas do setor industricratera ou um barranco íngreme, prestes a al reconstruindo material, emocional e afecontinuar deslizando pelo resto da encos- tivamente nossas vidas. Dentro do possível, ta. Aproximadamente 20 companheiros(as) desejamos boas festas e um feliz ano novo! ficaram absolutamente sem ter para onde ir com suas famílias. De seus endereços, sobraram apenas o registro no correio e o carnê de IPTU. As imagens e o cenário de Blumenau estavam exatamente iguais ao de uma cidade devastada por um bombardeio durante uma guerra. O número de mortos foi alto. Os 15 mil exemplares da quarta edição do EXPRESSO DO POVO são disSindetranscol
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Quem faz é a gente
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essa a manchete do jornal EXPRESSO na retomada dos trabalhos do Sindicato, após o recesso do final de ano, quando foi reconstruída parte da sede, que encheu um metro e meio de água. O trabalho de arrecadação e entrega de donativos aos desabrigados é intenso. Continuamos denunciando o oportunismo de políticos e os desvios de donativos nas centrais “oficiais” do Poder Público. O prefeito João Paulo Kleinubing tenta implantar regime de “campo de concentração” nos abrigos improvisados para os(as) milhares de desabrigados(as). Diz o ditado popular que “miséria pouca é bobagem”. Dois fatos de repercussão mundial chegam até nós e demandam um posicionamento. O primeiro é o anúncio das primeiras falências e crises de inadimplência no sistema imobiliário dos EUA acompanhada pela quebra de bancos e financeiras. No efeito dominó, a quebradeira vai se espalhando e envolvendo, na
autoriza um absurdo aumento de 12% nas tarifas do transporte. O EXPRESSO DO POVO, de número 5, denuncia mais este ataque. Do ponto de vista das consequências da catástrofe, o pior já passou. Muitas coisas foram reconstruídas, a grande maioria das pessoas já normaliza suas atividades. Para os patrões, também, tudo se normaliza e eles voltam a sua atividade de explorar o povo trabalhador. Retomamos nossa campanha salarial. Os patrões alegam a impossibilidade de avançar nas negociações de benefícios e direitos. A necessidade da greve se mantém, exatamente como estava ao final de novembro. Durante os meses de fevereiro e início de março intensificam-se as negociações: patrões choram miséria e tentam judicializar o conflito. A categoria foi reaquecendo o espírito de luta, até que no dia ............ FOI DEFLAGRADA A GREVE. Somente em março de 2009 terminamos a campanha salarial do ano anterior,
com saldo altamente positivo. Diferentemente de 2007, a avaliação unânime da categoria foi de que fechamos um ÓTIMO Acordo Coletivo de Trabalho. No aspecto econômico, a reivindicação inicial era o índice do INPC mais 3% de aumento real, mas a luta da categoria derrotou o oportunismo dos patrões e arrancou aumento real de 9% para motoristas e 14,5% para cobradores(as). Fomos muito além do Afrontando a população, o prefeito JPK que exigimos inicialmente! Agradecemos crescente crise, o mundo todo. O segundo é o massacre do povo palestino, na faixa de Gaza, imposto pelo Estado terrorista de Israel. Esses dramas humanos se entrelaçam, e os patrões, especialmente os do transporte de Blumenau, se aproveitam do clima de fragilidade para descumprir cláusulas do acordo atual e negar direitos alegando dificuldades das empresas por conta da catástrofe.
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todo o apoio da população na publicação do 6º do EXPRESSO DO POVO. Mais uma vez os problemas de mobilidade, superlotação nos ônibus, falta de infraestrutura nos terminais e tarifas abusivamente altas são denunciados. Por falar em serviços públicos, o jornal aborda a FALTA DE ÁGUA na cidade, as OBRAS de reconstrução paralisadas, a piora da EDUCAÇÃO e do atendimento no sistema de SAÚDE, a desumana situação dos(as) que ainda estão DESABRIGADOS(AS), a precariedade do serviço de COLETA DE LIXO e a tentativa de PRIVATIZAÇÃO DO ESGOTAMENTO SANITÁRIO. As campanhas salariais e as lutas dos(as) trabalhadores(as) do serviço público municipal, metalúrgicos(as), do vidro/cristais e da FURB recebem apoio nessa edição. Maio inicia com as atividades alusivas ao DIA DO TRABALHADOR, logo no dia 1º Além do material impresso, 42
realizou-se a 3ª FEIJOADA de confraternização pelo 1o de Maio e Dia das Mães. Começa o trabalho de fiscalizar o cumprimento do novo ACT. Em junho, o 7º EXPRESSO DO POVO, denuncia a privatização do sistema de esgoto da cidade. Outra notícia marcante a comprovação por laudo técnico de que a frondosa e famosa Figueira, que sombreia boa parte da Praça da Prefeitura, está muito doente e pode morrer brevemente. Bem, agora o(a) leitor(a) já sabe que em julho temos duas festas: O DIA DA CATEGORIA, no dia 25, e o ANIVERSÁRIO do Sindicato, dia 29, com o já tradicional café coletivo com BOLO. Neste ano, porém, a confraternização do aniversário não acontece nos locais de trabalho, mas no salão paroquial da igreja católica Matriz, no Centro de Blumenau, momento em que ocorre, também, uma assembleia geral. O conluio entre SETERB e patrões, anun-
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cia que vai retirar da categoria o histórico benefício do passe livre para esposas(os). O Passe Livre a esses familiares foi historicamente utilizado pelos patrões como salário indireto, compensando, em parte, a superexploração, portanto, enquanto direito adquirido, vamos lutar por ele!
Uma grande novidade é que o SINDETRANSCOL, agora, passa a representar também a categoria do município vizinho, Gaspar, e naquele momento, se preparava para uma greve, descontente com a falta de negociação e propostas do patrão. No dia 14 de agosto, com participação de vários(as) apoiadores(as) de outras categorias e movimentos populares, a categoria paralisa as atividades por duas horas em Gaspar. Foi dado o primeiro aviso. Em Blumenau, no dia 09 de setembro, aconteceu a assembleia de abertura da campanha salarial, com a definição da pauta reivindicatória e da estratégia anual de luta. No dia seguinte, também em assembleia, a categoria, em Gaspar, decide pela GREVE, que começa na madruga-
da do dia 11. Ninguém imaginava, naquele momento, o que aconteceria nas próximas três semanas. Foram inúmeras e exaustivas as negociações, no âmbito do MPT, da prefeitura de Gaspar e do TRT/12a Região. Finalmente o patrão cedeu, em especial, no pagamento do tíquete alimentação. Recolocar o tamanho da greve, 14 dias sem tarifa etc etc ... Em Blumenau, a Pauta de Reivindicações é oficialmente entregue ao segmento patronal. A campanha salarial foi bastante atípica. Mesmo se desenrolando por longos dois meses, com idas e vindas, a mesa de negociação superou os impasses. Assim, a Assembleia Geral aprovou a proposta apresentada e, pela primeira vez, o ACT foi assinado sem paralisações ou greve. Além disso, vencemos a disputa judicial, defendendo e garantindo o direito do Passe Livre para Familiares, que estava ameaçado. O jornal EXPRESSO de dezembro traz uma profunda avaliação das cláusulas do acordo e, com base no texto “A ARTE DA GUERRA”, avalia que chegar ao objetivo sem necessidade de lançar mão da arma mais poderosa É UMA GRANDE VITÓRIA.
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Vamos, é sua vez!
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stá terminando a primeira década do século 21. Iniciamos o ano com uma vitória emblemática: a empresa Glória, que havia demitido o motorista Célio Freitas, desprezando seu estado de saúde, foi obrigada a recontratá-lo, pois o Sindicato GARANTIU O RETORNO do companheiro ao trabalho, por força de ação judicial. O jornal EXPRESSO de janeiro explica o que é o desconto assistencial e apela para que a categoria não se oponha ao desconto. Independentemente de ser sócio(a), ou não, TODO MUNDO ganha com nossas lutas. O mínimo que cada um pode fazer para construir a luta é contribuir para o fundo de greve do Sindicato. No início de fevereiro, o EXPRESSO DO POVO comemora uma grande vitória da população. Através de ação judicial, o movimento popular consegue uma decisão CONTRA O AUMENTO ABUSIVO DAS TARIFAS. A falta de cobradores(as) em vários horários e
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o desconforto da maioria dos terminais também são denunciados. Em março, a publicação denuncia uma tentativa, comentada corredores do SETERB, de retirada de postos de trabalho de cobradores(as) no sistema. A direção do Sindicato trabalha na convocação de duas assembleias. Uma é geral da categoria, para discutir a prestação de contas. A outra acontece em Gaspar, abrindo a campanha salarial dos trabalhadores daquele município. O 8 de Março, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, é saudado nas páginas do informativo, assim como a categoria é chamada a conhecer a nova sede do Sindicato, uma ampla e confortável casa, ainda nas proximidades do Terminal da Fonte. O EXPRESSO de abril convida a categoria para a feijoada do DIA DO TRABALHADOR, que nesse ano acontece no Bairro da Velha e, além disso, abre uma campanha de arrecadação de agasalhos de inverno, para distribuição em comunidades carentes.
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Em Maio, retornam os rumores sobre os cortes de postos de cobradores(as) e a categoria deixa claro que jamais aceitaria esse ataque, mais prejudicial ainda para a população. O Sindicato anuncia o início de mais uma COPA SINDETRANSCOL DE FUTSAL: em clima de início do campeonato brasileiro de futebol e da Copa do Mundo da África do Sul, vai começar a maior “copa de barrigudos do mundo”. A equipe do MMC é a campeão do futebol da categoria nesse ano. No EXPRESSO DO POVO, o Sindicato alerta sobre as ameaças aos postos de trabalho de cobradores(as), elencando as nefastas consequências para a qualidade e segurança do sistema de transporte, no caso de permanecerem apenas os motoristas. Em julho, temos o DIA DA CATEGORIA e o ANIVERSÁRIO DO SINDICATO. Como medida administrativa, o Sindicato adquire um novo veículo de trabalho e um terreno para a construção da futura sede, no qual são efetuados serviços de terraplanagem. O trabalho de fiscalização e de contato com a base é tarefa permanente da di-
reção sindical. Em 18 de agosto, a categoria se reúne em assembleia para a abertura da campanha salarial, aprovando a Pauta de Reivindicações. Lembram da alegria da vitória contra o aumento das tarifas? Pois é, o EXPRESSO DO POVO de setembro traz má notícia para a população: após a prefeitura ter contratado, sem licitação, um estudo sobre transporte para recalcular a tarifa, o judiciário DEVOLVE o aumento para as empresas. Dois fatos chamam atenção e são emblemáticos nessa questão. Primeiro, o Poder Público, que deveria defender os interesses da população, contrata e paga técnicos para justificar o AUMENTO TARIFÁRIO contra o povo. Em segundo lugar, o instituto contratado é dirigido e de propriedade, de um exsecretário de Estado no governo de Vilson Kleinunbing, pai do prefeito da época. Muito sugestivo, não? Enfim, essa edição abordou, também, problemas com o troco e a paralisação das obras dos corredores exclusivos dos ônibus. No início de outubro é fechado e assinado o ACT da companheirada de Gaspar, Sindetranscol
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onde também acontece algo de grande importância:
A empresa DO VALE é obrigada, judicialmente, a reintegrar ao trabalho o motorista Erico Nicoletti, um sexagenário trabalhador que foi demitido por perseguição, por falar em nome do Sindicato e estimular a sindicalização de seus companheiros de trabalho. Ainda em outubro, comemoramos a grande vitória da chapa de oposição nas eleições do Sindicato dos Trabalhadores de Frigoríficos de Chapecó. Estivemos por muitos meses apoiando esta oposição de luta, contra um grupo pelego que dominava o Sindicato há mais de 20 anos. Esse acontecimento traz algumas alterações no quadro sindical de SC, por se tratar de uma base
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numerosa de trabalhadores, na região dos maiores frigoríficos de aves do país. O EXPRESSO DO POVO do início de novembro alerta a população para a possibilidade de greve dos(as) trabalhadores(as) do transporte, que estão em campanha salarial e com as negociações truncadas. A denúncia sobre a contratação do instituto dirigido pelo amigo do pai do prefeito ganha força. O Sindicato consegue desmascarar a os cálculos tarifários manipulados ao povo. Com impasse nas negociações, a categoria entra em greve na madrugada do dia da reintegração, permanecendo parada por dois dias. Os patrões se rendem e, na maior cara de pau, oferecem exatamente aquilo que era reivindicado antes da greve, e que negavam, sob a alegação de que atender
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essa pauta quebraria as empresas. Entre outras conquistas, é necessário destacar que a partir de agora não existe mais diferenças salariais entre os trabalhadores das três empresas; as mesmas funções têm tratamento isonômico do ponto de vista de direitos, benefícios e remuneração. Em mais uma edição do EXPRESSO DO POVO, o Sindicato faz uma ampla explicação de como funciona a bilhetagem eletrônica e os cálculos tarifários, assim como a sua relação com nossos salários. A lei de greve também é abordada detalhadamente. A abordagem desses temas desmascara as mentiras repetidas pela grande imprensa da região, que historicamente se coloca ao lado dos patrões e ataca ferozmente qualquer tipo de mobilização de trabalhadores(as).
O último grande compromisso do ano aconteceu no dia 16/12, quando ocorreu a assembleia de aprovação do Plano Anual de ação sindical, na qual, foi apresentada e aprovada a proposta de compra de um imóvel oferecido ao Sindicato para ser a sonhada sede própria. Esta assembleia “orçamentária” consolidou-se como confraternização de final de ano da categoria, quando a Diretoria entrega a cada sócio um chester inserido numa bolsa térmica. É o complemento da ceia de nossas famílias e um utensílio muito necessário para “conservar as geladas”. Com mais um ano vitorioso, do ponto de vista dos avanços de direitos, fechamos a primeira década do século 21 em condições muito diferentes das que tínhamos lá no seu início. Que venha a próxima década com muitas conquistas também!
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Ano novo, casa nova... Esta foi a manchete da capa do EXPRESSO de janeiro, acompanhada de uma foto do edifício no qual hoje funciona a sede do Sindicato. Desde o acanhado conjunto de salas alugadas da Rua Amazonas, sempre sonhamos com a casa própria. Com tanta felicidade quanto cada sócio(a) e seus familiares, a Diretoria anunciou que se concretizaram os planos construídos naquela assembleia e o sonho virou realidade.
...E muitas divergências Esse início de ano traz a consequência concreta de um aprofundamento de divergências internas da diretoria do Sindicato. A eleição para a Diretoria do SINTRAFITE – Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Blumenau – que ocorrerá em abril – mobiliza toda a região, dado o tamanho e importância de ser o maior sindicato dessa categoria na América Latina. Havendo duas chapas, a Diretoria do SINDETRANSCOL não está unida em relação a que grupo apoiar. Esse debate está francamente aberto na categoria, que passou os primeiros anos da existência de nosso sindicato vendo uma ação comum e 48
unitária dos sindicatos que compunham o Fórum dos Trabalhadores de Blumenau. No entanto, ocorre o abandono de uma linha sindical mais combativa, pela Diretoria do SINTRAFITE, substituída por um claro alinhamento com a UGT, central sindical pelega e de conciliação com o patronato brasileiro. Também ocorrem práticas questionáveis com relação a sindicatos importantes como os dos bancários e dos vigilantes, cujas diretorias se alinham com a maioria da direção do SINTRAFITE. Esses elementos causam uma grande divisão e embate político no movimento sindical da
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cidade. Esta disputa expõe mais claramente as diferenças e antecipa a composição de dois grupos, também, na direção de nosso sindicato. Coisas da luta política... Feitas as adequações necessárias, ocupamos o edifício adquirido no início do ano. O EXPRESSO de março informa o novo endereço e convida a toda categoria para conhecê-lo: “Apareça, conheça e use; a casa é sua!”, dizia o convite. No dia 16, ocorreu a assembleia geral para aprovação das contas do ano anterior e, no dia 19, tivemos a assembleia com a companheirada de Gaspar, iniciando a campanha salarial, que lá, tem data-base em maio. O aviso na capa do EXPRESSO era: “Hei, Patrãozinho! Se liga, depois não vão mentir dizendo que não sabem porque estamos PARALISADOS”. Apenas três meses após a assinatura do ACT, já descumpriam cláusulas assinadas. O material trazia vários alertas a categoria: “Faróis acessos e muito cuidado nos corredores exclusivos para ôni-
bus, recentemente inaugurados em várias regiões da cidade; muito cuidado com a velocidade nos corredores e nos terminais; atenção com a nova sistemática de registro de ponto eletrônico; e, continua a campanha de cuidados com a saúde, nesse mês tratando do problema do tabagismo.” Outra questão abordada é a eleição para renovar a Diretoria do Sindicato, marcada para o dia 19 de maio. Desmentindo acusações feitas contra a maioria da Diretoria, sobre práticas antidemocráticas na condução da eleição, esse jornal, antecipa, além da data, o cronograma e os encaminhamentos legais necessários, dando a devida transparência a todo o processo eleitoral. O principal destaque foi o DIA INTERNACIONAL DA MULHER, com página completa sobre a história do assassinato das trabalhadoras têxteis nos EUA e reverência à luta de enfrentamento aos preconceitos e à violência praticada contra as mulheres.
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Duas chapas disputam o Sindicato renço Klein, candidato a Presidente. Em Chapecó, a partir da eleição de combativos companheiros para a Diretoria do SINTRACARNES, iniciamos um trabalho conjunto. O SINTRACOL passa a ser o quarto sindicato de rodoviários a integrar o trabalho conjunto realizado pelos sindicatos de Blumenau, Florianópolis e Araranguá. Nos últimos dias do mês de abril e primeiros do mês de maio, o EXPRESSO é publicado contendo uma grande entrevista com o Coordenador da Comissão Eleitoral, o companheiro Cleiton Muniz, eleito mais cinco anos de mandato juntos. As em assembleia geral para esse fim. Ele diferenças extrapolam a condução do Sindi- explica detalhadamente como ocorrerá o cato, aparecem amplamente no debate processo eleitoral, como será a cédula e que existe em todo o movimento sindical outros detalhes. O debate nos terminais da região. A Chapa 01 – NOSSA FORÇA É é intenso. O cotidiano da galera se mistuNOSSA HISTÓRIA, é liderada pelo com- ra com a acirrada disputa entre as duas panheiro Ari Germer, Presidente atual; e chapas. Coisas da democracia... Esse ano a Chapa 02 – INDEPENDÊNCIA, UNIDADE é adiada a feijoada do(a) trabalhador(a), E LUTA, é liderada pelo companheiro Lou- para o período pós eleitoral. Na última semana do mês de março, sai mais uma edição do EXPRESSO. Nela estão colocadas várias orientações sobre novas condições de nosso ACT, mas a principal manchete se refere às eleições do Sindicato, disputada por DUAS CHAPAS, que, como todos sabiam, eram reflexo da separação do grupo dirigente. Ao longo do mandato as divergências foram aparecendo e se aprofundando. As diferentes concepções internas do grupo não atrapalhou o trabalho conjunto em torno dos interesses de todos(as) nós, mas não havia condições de manter
Apesar de grandes embates e acirrada disputa de posições, as eleições ocorrem no dia 19 de maio, como o previsto, com tranquilidade. A coleta de votos inicia-se na madrugada e dura o dia todo. No início da noite as urnas são recolhidas ao Sindicato e inicia-se a apuração dos votos. No início da madrugada seguinte se inicia a festa da Chapa 01, NOSSA FORÇA É NOSSA HISTÓRIA, que saiu vitoriosa das eleições com .......... votos, contra ........ votos, concedidos a Chapa 02 – INDEPENDÊNCIA, UNIDADE E LUTA. Houveram, ainda, ...... votos em branco e ......votos nulos. A posse da nova gestão ocorre em 1º de agosto. 50
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E segue a vida
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o dia 19 de junho ocorre a quinta feijoada do trabalhador(a) e o grande sucesso da festa é mostrado no EXPRESSO do início do mês de julho, que tem matéria principal sobre a greve da nossa categoria ocorrida em Chapecó. A luta da companheirada do Oeste é fruto de nossa ação conjunta, que reúne quatro sindicatos de rodoviários num grupo chamado de COLETIVO. Lá a greve não foi fácil. A categoria não lutou unificadamente. O patrão se aproveitou disso e de suas ligações com o Poder Público e a PM/SC. Mesmo com todas as dificuldades, repressão e ameaças, a intransigência patronal foi quebrada e chegou-se a um acordo, inclusive com garantias futuras contra perseguições. Como já vem acontecendo nos últimos anos, o mês de julho se encerra em clima de confraternização da categoria, com o DIA DA CATEGORIA e o ANIVERSÁRIO DO SINDICATO. O já tradicional “Parabéns para Você”, em torno de um belo e gostoso BOLO não pode faltar!
Agosto inicia nesse clima festivo, com a posse da nova Diretoria, momento de reafirmação do compromisso com a manutenção da linha de ação sindical e política adotada, assim como renovação do compromisso com a classe trabalhadora. Na luta de rua, no enfrentamento direto com a patronal, e seus governos, estaremos com quem na luta estiver, mesmo lamentando que a maior parte dos integrantes do campo político no qual estávamos inseridos, em especial os do Fórum dos(as) Trabalhadores(as), a cada dia se degeneravam, trocando a defesa da classe trabalhadora, pelas alianças com pelegos e oportunistas do sindicalismo brasileiro. Nas semanas seguintes tivemos: fechamento do ACT da categoria em Gaspar; e, homenagem, com a entrega de MENÇÃO HONROSA, feita pela Câmara de Vereadores(as) de Blumenau, ao SINDETRANSCOL, reconhecendo a importância do Sindicato e os relevantes serviços prestados ao transporte da cidade. Sindetranscol
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Companheiras da direção do Sindicato participam de atividade de formação da UBM – União Brasileira de Mulheres. Enquanto isso, integrantes da Diretoria estiveram em Curitiba, onde conheceram, melhor, o funcionamento do sistema de transporte da cidade e tiveram reuniões com dirigentes sindicais de nossa categoria naquela região. No dia 24 realizou-se a Assembleia Geral de abertura da campanha salarial em Blumenau, quando definiu-se a Pauta de Reivindicações, posteriormente, entregue aos patrões, assim como, as linhas gerais de ação sindical para esse período. Em setembro, o Sindicato cumpre mais uma etapa do trabalho de “educação em saúde”, discutindo os benefícios de atividades físicas e combate ao sedentarismo, grave prob-
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lema em nossa categoria. Também foi denunciada, publicamente, a precariedade de muitos dos ônibus que atendem a população em Blumenau e em Gaspar, que colocam em risco a segurança e a saúde das pessoas. É o mês de mais uma COPA SINDETRANSCOL DE FUTSAL, mas nem tudo anda bem. Entre os dias 8 e 12 de setembro, a população do Vale do Itajaí sofre, mais uma vez, com enchentes em função das fortes e constantes chuvas. A nova sede do Sindicato fica tomada por mais de um metro e meio de água. Mais uma vez demonstramos nosso poder de rápida recuperação e nos fortalecemos como um povo de luta. Superados os efeitos das intempéries, foram retomados os jogos de futsal da categoria e impulsionada a campanha salarial, durante todo o mês de outubro. Todo ano é a mesma coisa: negociações que demoram a iniciarem e são arrastadas pelo segmento patronal. Em nova edição, o EXPRESSO DO POVO dialoga com a cidade sobre o transporte e as reivindicações da categoria. Não nos cansamos de explicar a relação entre nossas reivindicações e os custos a serem repassados para as tarifas, pois essa é uma questão central. Os patrões e a administração do SETERB não se cansam de enganar a população e divulgar contrainformações e mentiras no intuito de nos indispor com usuários(as) do transporte.
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Por isso, com quadros de dados e gráficos detalhados, de fácil compreensão, mostramos que as tarifas têm aumentado, na média, em aproximadamente 3,5 vezes a mais do que o custo real dos Acordos Coletivos. A população acaba por demonstrar confiança nas nossas informações, cansada das manipulações a que é submetida. A forma de condução dos trabalhos de atendimento as novas vítimas das recentes enchentes contribuiu muito nessa disputa. Fica bem caracterizado o oportunismo político, principalmente para justificar a paralisação das obras dos corredores de transporte e a falta de manutenção dos abrigos nos pontos de embarque/desembarque, espalhados pela cidade. O interesse da elite local em destruir o SINDETRANSCOL não tem limites. No final de novembro, o então vereador Marcelo Schrubbe entra com projeto de lei para alterar a lei municipal que garante a necessidade de dois(duas) trabalhadores(as) por ônibus, apresentando um estudo onde seria possível diminuir o preço das tarifas, em R$ 0,30, se exterminasse a função de cobrador(a). Em poucos dias a posição do vereador irresponsável é literalmente massacrada, até mesmo por integrantes de seu partido político. É nítida a mera intenção de criar mais factoides para atrapalhar o trabalho do Sindicato e a luta da categoria em campanha salarial.
intensificam em função de algumas pequenas e parciais paralisações que a categoria realiza, para pressionar os patrões a negociarem com mais seriedade. É intenso o debate público e na mesa de negociações. O irresponsável vereador Marcelo Schrubbe anuncia que está processando o SINDETRANSCOL por ter sido chamado, publicamente, de “playboy”. Seria cômico, se trágico não fosse, um vereador de uma cidade com tantos problemas como Blumenau estar se prestando a usar seu mandato público com o ridículo intuito de ajudar os barões do transporte. O acerto na estratégia, e a pressão exercida por nosso movimento, acabam por levar o patronato a ceder em pontos importantes da negociação. Com isso a categoria, reunida em assembleia, decide por aceitar a proposta patronal e fechar o acordo coletivo do próximo ano. A manchete de capa da última edição do ano do EXPRESSO DO POVO questiona: “O que dirão a imprensa e os patrões?”, referindo-se ao fato de termos chegado a acordo SEM A GREVE, que insinuavam que era o único objetivo do Sindicato. Mais uma vez, o ano é fechado com a assembleia de aprovação do Plano Orçamentário e de Ação sindical para o próximo período, com a tradicional confraternização de final de ano: todo mundo na fila para receber seu brinde de final de ano.
O debate sobre custos das empresas é abordado em mais uma edição do EXPRESSO DO POVO, ficando cada vez mais clara a manipulação de dados e informações do SETERB, cuja função é ser “mais uma sala das empresas”.
A edição do jornal coloca os impasses da negociação, mostrando o quanto é mentirosa a campanha patronal, via imprensa, que caracteriza a categoria como “intransigente e que busca meramente o desgaste político do prefeito, e de vereadores, com vistas às eleições municipais do próximo ano.” Esses ataques se Sindetranscol
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[2012] Ano de eleição municipal ... E de uma prova de fogo
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primeiro número do EXPRESSO no ano, além de trazer temas do cotidiano de trabalho nas empresas, destacou, mais uma vez, a relação entre nosso Acordo Coletivo e o aumento de tarifas do transporte, que ocorre, anualmente, em janeiro. Matéria de grande destaque, também, foi sobre a importância das CIPAS. Em fevereiro, vários segmentos dos movimentos sociais tomaram as ruas de Blumenau para protestar contra o aumento do valor das tarifas do transporte. Novamente, o SINDETRANSCOL apoia a luta da juventude e do povo por um transporte melhor e demonstra que o preço da tarifa tem subido muito mais que as conquistas da categoria. O EXPRESSO garante o apoio do Sindicato à luta do povo, e destaca a importância do Acordo Coletivo recentemente fechado com o segmento patronal, além de publicar os balancetes financeiros da entidade e convocar a categoria, em Gaspar, para o início da campanha salarial. Em março, Acorda, Raimundo! foi o filme utilizado na atividade política do Sindicato no Dia Internacional da Mulher, pri-
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meiro grande ato realizado contra misoginia e em defesa de políticas públicas voltadas para a mulher. O EXPRESSO dedicou uma página inteira a cobertura desse evento, assim como em relação à importância das CIPAS em nosso cotidiano. Também foi noticiada a atividade de formação sindical com a Diretoria. Em abril, o EXPRESSO convida todos para a atividade do 1º de Maio e a tradicional Feijoada, na matéria de capa, destacando a história das datas. Como sempre, traz várias matérias sobre os problemas da categoria e a prestação de contas do Sindicato. Já em maio, o jornal tem na capa imagens de dois históricos momentos: a atividade de 1º de Maio, realizada pelo Sindicato, e a GREVE de nossa categoria em Florianópolis. Destaca ainda, que a categoria se levanta em luta também em outras regiões do país, listando as principais conquistas. A grande novidade, porém, é a APROVAÇÃO DA LEI 12.619/12, a conhecida LEI DOS MOTORISTAS. Depois de décadas nas gavetas, o Congresso aprova, e a Presidenta Dilma Roussef sanciona,
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essa lei pode mudar muito nossas vidas, especialmente do segmento rodoviário. Em junho, a companheirada de Gaspar estava “pintada pra guerra”, o que facilita a conquista de um bom acordo coletivo. As obras no Terminal do Aterro são outro destaque do mês nas tarefas da Diretoria. Inclusive ocorreu um “trancaço” do estacionamento, num justo protesto da categoria. Com a campanha de Gaspar resolvida, a Diretoria pode se voltar para a organização das atividades alusivas ao dia da categoria, 25/07, e ao aniversário de fundação do Sindicato e nosso tradicional “Parabéns”, com bolos distribuídos nos locais de trabalho. A capa do EXPRESSO de agosto estampa a assembleia da categoria abrindo a campanha salarial, mas o grande destaque são as greves na empresa Santo Anjo, em Florianópolis, e, também, da nossa categoria em Chapecó, a segunda em dois anos. A comemoração do ANIVERSÁRIO DO SINDICATO, em 29 de julho, e as primeiras avaliações sobre as eleições municipais, também são destacados pelo informativo. O EXPRESSO de setembro está re-
cheado de novidades e traz uma cobrança direta à categoria, que andava um tanto ausente das atividades da campanha salarial em Blumenau. Outro destaque foi o vitorioso resultado da greve de Chapecó, que serviu para conscientizar a categoria da necessidade da unidade e lutas conjuntas em todo o Estado e no País. É nesse clima que a Pauta de Reivindicações é entregue aos patrões e ao Poder Público, em Blumenau.
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Uma das conquistas da campanha da categoria em Gaspar é a inauguração de uma SALA DE CONVIVÊNCIA, toda equipada, no terminal central daquele município, o que contrasta com nossa denúncia sobre as péssimas condições do mesmo espaço no terminal do Garcia, em Blumenau. A empresa Glória havia atrasado o pagamento de salários e tíquetes alimentação em meses anteriores. Com ação do Sindicato, a empresa depositou os valores das multas previstas pelos referidos atrasos, os quais o Sindicato repassou para os trabalhadores. Ainda em setembro, o Sindicato publica dois Boletins Informativos Extras: um sobre a falta de negociações, já que chegávamos ao final do mês e os patrões faziam de conta que nada tinham recebido; o outro se referia às eleições municipais, mais uma vez alertando para a importância de um voto consciente, em candidaturas ligadas as nossas lutas. No mês de outubro, finalmente iniciam-se as negociações. Foram realizadas três reuniões seguidas, mas os patrões só choramingavam miséria e se negavam a negociar com seriedade. Por isso, o “bicho pegou”. Houveram pequenas e rápidas paralisações da categoria, o que levou os patrões a recorrerem ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Justiça do Trabalho. E não é só de luta que vivemos: tivemos mais uma Copa SINDETRANSCOL de FUTSAL, que foi um sucesso. O mês de novembro nos coloca, literalmente, uma prova de fogo. Quando discutíamos a reta final da campanha salarial, a partir do pedido da Presidência do Tribunal do Trabalho, para a categoria tivesse “paciência”, nos vimos envolvidos em uma onda de violência, com ônibus sendo alvos 56
de incêndios em várias regiões do Estado. Nossa Comissão de Negociação pede um tempo ao Tribunal, o que foi imediatamente concedido. O Sindicato publica um jornal EXPRESSO DO POVO, assumindo compromisso de não encaminhar nenhuma mobilização enquanto a sociedade vivesse aqueles momentos de tensão. Por outro lado, esclarece os impasses da negociação e as mentiras patronais sobre a relação salários e tarifa do transporte. No início de dezembro, com a vida voltando ao normal em todo o Estado, aumentamos a pressão sobre os patrões e paralisamos a empresa Glória, que estava sendo a “pedra no sapato” das negociações. Foi o suficiente para “amolecer os corações de pedra” do segmento patronal e chegarmos a ótimo acordo coletivo, encerrando a campanha salarial e realizando uma assembleia de planejamento de 2013, com o momento da entrega do “brinde de final de ano”.
SINDICATO E A POLÍTICA
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ão podemos fechar a avaliação deste ano sem mencionar um intenso debate ocorrido em nosso meio. As orientações da direção sindical, durante o
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processo eleitoral municipal, geraram algumas críticas e cobranças por parte da categoria. Foi muito bom o acontecido, porque tirando a “meia dúzia” de “ventríloquos de patrão”, o restante das críticas era somente motivada por falta de esclarecimento. A política é “um dos MAIORES TABUS” criados para enfraquecer os sindicatos de trabalhadores(as) no Brasil, impedindo-os de participação mais direta. É assunto no qual os(as) poderosos(as) não brincam em serviço e a “dona Lei” cuida direitinho, para que o sistema de poder não seja ameaçado. No senso comum, falar de política é falar só de partidos e eleições, essas coisas, que o Sindicato não tem que se meter. Essa compreensão propositadamente simplista e limitada esconde a verdadeira essência do termo. De origem grega, “politiká” é uma derivação de “polis”, que designa aquilo que é público. Portanto, o significado de política está relacionado com tudo aquilo que diz respeito ao espaço público. Por isso, todas as pessoas e toda organização coletiva podem e devem participar da política. É preciso enfrentar a lei que discrimina e pretende proibir os sindicatos de trabalhadores(as) de participarem da vida política do país. É fácil compreender porque a classe dominante
tenta impedir que sindicatos fortes e representativos orientem os(as) trabalhadores(as) no momento das eleições: isso diminui muito as chances de corruptos e de patrões se elegerem. A posição do SINDETRANSCOL é clara: sindicatos não podem ser partidarizados, dinheiro e patrimônio do Sindicato não podem ser utilizados em campanhas eleitorais. Porém, orientar a categoria, alertar sobre a conduta e história dos(as) candidatos(as), é OBRIGAÇÃO de qualquer sindicato sério, assim como orientar o voto em candidaturas da luta popular. E isso foi feito com tranquilidade.
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[2013]
Apesar das superstições, o ano foi favorável
É
considerado fato que no Brasil o ano só começa depois do carnaval, mas isso é uma meia verdade, pois para quem trabalha com transporte urbano de passageiros o ano nunca parece acabar, afinal as cidades não param, em algumas o movimento diminui em outras aumenta. Claro que há umas pausas no calendário e que, em algumas delas, quase todos conseguem dar uma “paradinha”, mas ônibus, seus motoristas e cobradores, mais o pessoal do suporte nas garagens, principalmente nas grandes cidades, são obrigados a cumprir escalas, sempre: sábados, domingos, feriados, copas dos mundo, olimpíadas, comoções nacionais e internacionais. Sempre haverá um ônibus, seu motorista e cobrador. E é assim também com o Sindicato. Nesses meses de”temporada” as lutas
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seguem, afinal as demandas são anuais e além de avaliar e organizar o calendário de lutas, tem a assembleia de Prestação Contas que avalia a execução financeira da entidade no exercício anterior. Contas aprovadas, tão logo o ano inicia (para aqueles que esperam o carnaval passar), o SINDETRANSCOL entrega a pauta de reivindicações da base de Gaspar e para marcar oficialmente o início a campanha salarial da categoria entrega também a pauta de reivindicações para a empresa Do Vale. No ano de 2013 o fato que mais chamou a atenção nas edições do jornal Expresso foi a venda da empresa Glória e a forma como a empresa veio tratando os problemas criados por conta desta negociação. Em Abril a empresa Glória em meio a uma onda de boatos afirma que honrará seus comprom-
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issos e desmente que esteja a venda. Ao passar dos meses novas situações afetavam a vida dos trabalhadores: atrasos dos salários, planos de saúde suspensos por falta de pagamentos, até mesmo o sindicato deixou de receber os valores que deveriam ter sido repassados, pois foram descontados na folha dos trabalhadores, atitude juridicamente caracterizada como apropriação indevida, podendo ser considerada crime. O FGTS também foi afetado, sendo também descontado, porém sem depósito algum. A empresa deixou de pagar horas extras que ocorriam em cursos e reuniões. O descaso afetou também os aposentados. Há dois anos o SINDETRANSCOL vinha questionando o poder público sobre a real condição da empresa Glória e como
Tudo para estabelecer uma relação respeitosa por parte da empresa Glória para com seus trabalhadores. O ano terminou com um jornal criado pela empresa achincalhando os trabalhadores, seu direito à greve, o respeito que lhes é devido, desrespeitando até mesmo suas religiões, impondo a sua forma grosseira e ilegal, distribuindo bíblias. Na Verde Vale um absurdo também ocorria: a falta de pagamento das férias dos trabalhadores completava um ano de atraso. O SINDETRANSCOL sempre atento, forçou uma reunião com os patrões. Na pauta, além atraso do pagamento das férias, outras questões foram levantadas já que a empresa estava impedindo trabalhadores de gozar seus 30 dias de descanso anuais. O resultado foi bem positivo com os patrões se com-
poderia estar em negociações com grupo que vinha sendo acionado judicialmente por vários “outros negócios” no ramo de transporte público, em outros estados do Brasil? Era uma negociação onde o poder público demonstrou “estar por fora” do que realmente acontecia, foi preciso a paralisação dos trabalhadores do setor para a SETERB se manifestar. O SINDETRANSCOL trabalhou incansavelmente na defesa dos direitos dos trabalhadores daquela empresa, realizando inúmeras reuniões, assembleias e diante da intransigência patronal não restou senão o último recurso, a paralisação dos trabalhos.
prometendo em tomar uma atitude sobre o problema até dia 25 de abril. O Sindicato sugeriu uma solução: contratar novos funcionários ou promover trabalhadores em funções de garagem e cobradores para a função de motorista. A empresa também comprometeu -se em resolver a questão dos uniformes de verão passando a cumprir o determinado em acordo coletivo de trabalho, já na próxima temporada. Também por pressão do SINDETRANSCOL, declarou que solucionaria os problemas de transporte de funcionários abrindo mais um horário no fim da jornada, evitando assim, que os traSindetranscol
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balhadores tivessem que acelerar para chegar na garagem a tempo de poderem retornar às suas moradias. Os trabalhadores da Volkmann passam as ser representados pelo SINDETRANSCOL por conta de sua combatividade e pra começo de conversa chama uma assembleia que acontece no dia 16 de julho e rejeita a proposta patronal, concedendo-lhes um prazo para reverem sua posição. As campanhas salariais tiveram inicio cedo, em agosto todos já estavam a postos, mas para variar as empresas deixaram tudo para ultima hora negociando novamente em outubro sabendo que a data base é em novembro, sempre colo-
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cando ainda mais pressão na negociação. Por fim a luta valeu a pena. Direitos foram garantidos em Gaspar com aumentos reis de salário e plano de saúde pago 50% pela empresa, em Pomerode pela primeira vez representados pelo SINDETRANSCOL se obteve uma grande vitória salarial e com a implantação do anuênio. Em Blumenau a luta foi grande, mas trouxe excelentes resultados, aumento salarial real, aumento do anuênio, do tíquete alimentação, redução de 15 minutos de intervalo, revisão de escalas, mesa de negociação permanente e a manutenção de 100% dos cobradores.
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[2014]
Janeiro
Fevereiro
Na Glória continua a enrolação dos novos donos da empresa com muito papo furado sem solução alguma e surgem complicações com o cartão do vale-alimentação. Eleições na CIPA: o sindicato chama atenção para eleger gente nossa, que lutam a favor do trabalhador. Ação judicial cobra diferenças na correção dos valores do FGTS. Conquista da redução do intervalo intrajornada. Convênio com o Clube Caça e Tiro de Blumenau. Fim das horas-extras na empresa Volkmann. Sindicato pleiteia local para estacionamento de ônibus. 15 de Janeiro, dia do cobrador de ônibus.
Glória continua descumprindo do ACT o que não será mais tolerado pelo SINDETRANCOL. Mesmo com muitos problemas a empresa ainda conse-gue faltar com respeito para com a religiosidade de cada um de seus trabalhadores. Também investe na disputa da informação com os jornais do Sindicato lançando o “Glorinha” que carrega nas tintas do pelêguismo e puxasaquismo. A empresa cobra ética e moral no trabalho, mas atrasa salários e pagamento do tíquete-alimentação, além de forncecer um cartão que não é aceito na maioria dos estabelecimentos. Também abusa nas dobras e plantões excessivos e depois “doura” a pílula com festas e eventos sem contar com diminuição do intervalo intrajornada não cumprido. Sindetranscol
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Março e Abril Paralisação de três horas na Glória (10/3) força soluções para problemas já crônicos da empresa. Na segunda rodada de negociação com empresas e Consórcio SIGA foram debatidos diminuição do intervalo, Fundo de Garantia, Troca de Serviço, Plano de Saúde, Fracionamento das Férias, Atestado Médico e Declaração de Comparecimento, Segurança nos Terminais, Vacina contra a Gripe A, Defesa das Multas, Escalas de Finais de Semana. Assembleia Geral dia 26/3. Rodovel leva multa por atraso do vale/adiantamento salarial. Em abril começa a Campanha Salarial em Gaspar e Pomerode e uma Terceira mesa de debates foi programada com patrões para 16 de Maio. Chamada para a 8ª Feijoada do SINDETRANSCOL. Material especial sobre o 1º de Maio no Expresso. Balanço Financeiro do SINDETRANSCOL aprovado.
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Maio
Sindicato protocola ofício solicitando nova rodada com a empresa Do Vale. Volkmann ainda não se manifestou sobre reivindicações. Passe livre para todos os trabalhadores do Consórcio SIGA. Expresso dá as boas vindas aos novos companheiros de trabalho e de luta. Sindicato acompanha negociações em Florianópolis. Lançamento da 8ª Edição da Copa SINDETRANSCOL de Futsal. EXPRESSO DO POVO) Matéria sobre administração do Prefeito Napoleão: mentiras ou desinformação? Sindicato pede apoio da população à Greve dos Servidores Públicos. Repúdio aos sindicalistas traidores da classe trabalhadora. Apoio ao Sintraseb e à coordenadora Sueli Adriano.
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Agosto
SINDETRANSCOL completa oito anos de luta (29/7/2014). Em Pomerode, empresa Volkmann apresenta proposta, que diz ser a última e Sindicato chama trabalhadores para a luta organizada. SINDETRANSCOL discute nova proposta de encaminhamento. Começa a organização e articulação para a Campanha Salarial em Blumenau. Em Gaspar pouco avanço nas negociações com a Do Vale. Assembleia dia 16/8. Ultimato para Glória pagar os 15 minutos do intervalo. Assembleia Geral dia 27/8. Rodovel paga multa por descuprir ACT.
Novembro
Campanha Salarial de Blumenau: mesa única e proposta única. Categoria conquista melhores salários e melhores condições de trabalho. Trabalhadores aprovam proposta salarial, do tíquete-alimentação, intervalo intrajornada, plano de saúde, férias. Acordo ainda não foi fechado na Volkmann, em Pomerode. SINDETRANSCOL fecha Acordo em Gaspar. Assembleia Geral Ordinária (17/12). Final da 8ª Copa SINDETRANSCOL de Futsal. Brinde de Natal dia 17/12 na sede do Sindicato. Luta contra atraso no pagamento do FGTS com vitória para a categoria. 2ª Olimpíada dos Associados do SINDETRANSCOL, dias 7 e 14/12.
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E aí?
Vamos refletir, comemorar, celebrar, correr e sorrir?
ular de uma entidade que deve ser um instrumento da categoria e de toda classe trabalhadora. Essa compreensão é a mais ampla possível, dando conta dos mais variados aspectos da vida dos(as) trabalhadores(as). As atividades sociais, artísticas, esportivas, de lazer, congraçamento, comemoração, reflexão, enfim, das mais variadas naturezas, foram e são impulsionadas e valoriza-
Nas próximas páginas, nossa sín-
das, fazendo do Sindicato um PONTO
tese histórica entra por outros caminhos
DE ENCONTRO, não só da categoria,
da vida da entidade sindical e da galera
mas das famílias e amigos. Como diz o
do transporte. A visão sobre os sindica-
ditado popular: “nem só de pão vive o
tos, e de seu papel, é muito contraditória.
homem”. E nós dissemos: “nem só de
É muito comum a palavra sindicato soar
assembleia vive nossa convivência”.
negativamente, em virtude da delibera-
da confusão e deturpação de seu papel,
va das várias atividades, algumas mais
propositalmente disseminadas ao longo
antigas e outras mais recentes, que
do tempo.
foram desenvolvidas ao longo desses
Podem-se encontrar definições
oito anos, as quais motivaram muitas
para
todos
SINDE-
alegrias, emoções, lágrimas e sorrisos.
TRANSCOL nasce a partir de uma com-
Escreveremos pouco, porque imagens
preensão classista, democrática e pop-
falam mais do que mil palavras.
os
gostos.
O
Faremos uma rápida retrospecti-
Sem perseguir um caráter competitivo, mas de atrair e unir a categoria e familiares, de divulgar valores coletivos, de convivência e de hábitos de vida mais saudáveis, o esporte é uma atividade muito legal e envolvente. Confira! 64
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FUTEBOL: aqui ele nasceu SUIÇO e virou FUTSAL Em nosso país, esporte é sinônimo de futebol. E foi o campeonato dessa modalidade, a primeira atividade esportiva desenvolvida pelo Sindicato, para não falar jogos de cartas de baralho, que é atividade diária nas rodas de conversa. Em 2006, com poucos meses de existência, organizamos um campeonato de futebol Suíço, que coroou os primeiros campeões, a equipe LUNÁTICOS. foto ..... ano a galeria dos campeões registra: 2007: ................; 2008: ........................; 2009:....................; 2010:..........; 2011:...............; 2012: ..................; 2013: .................... E não pensem, machistas de plantão, que a mulherada ficou fora dessa. Claro que não! E estão batendo um bolão.
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OLIMPÍADAS: Haja fôlego... para rir!
Chegamos a um sonho, quase teimosia, do companheiro Marciano. Com certo
descrédito no começo, realizamos a 1a Olimpíada da categoria, que aconteceu em ...... ................................., com muita “competição”, risadas e resultado muito positivo. Foi uma forma importante de incluir as mulheres nas atividades esportivas. A participação de familiares também foi um ponto alto da iniciativa.
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[Primeiro de Maio]
É dia de feijoada! O mês em que agradecemos cheios de emoção às nossas mães, inicia com uma data especialíssima: 1o de Maio, mundialmente celebrado como O DIA DO TRABALHADOR. Muito mais do que um simples feriado, no Brasil decretado para tentar esvaziar seu sentido original de resistência, este é um dia de luta, de luto e de comemorações. É dia de luta porque foi assim que nasceu, na cidade de Chicago, em 1886, quando operários em greve pela redução da extensa jornada de trabalho e outros direitos sonegados, foram brutalmente reprimidos pela policia de Estado e milícias patronais. Trabalhadores que lideravam o movimento foram assassinados pelo Es-
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tado após julgamentos de exceção, que deveriam envergonhar o judiciário estadunidense até os dias de hoje. As sábias palavras de August Spies, uma das principais lideranças, durante seu julgamento e dirigidas aos juízes/algozes, se tornaram uma profecia, principalmente a partir da decisão de congressos operários internacionais de 1889, que consagraram a data, e das jornadas de luta que se espalharam pelo mundo nesse dia. Foi imposta à elite patronal o reconhecimento das atrocidades cometidas e conquistado um dia oficial para refletir sobre o papel social do trabalho. Nos primeiros anos a repressão continuava brutal e a luta foi se impondo. Ainda hoje, em todo mundo, há re-
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pressão do Estado sobre manifestações de trabalhadores(as) nessa data, mas está consolidada como uma data mundial de consagração ao tema. No Brasil, a partir de violência e mortes, o Presidente Artur Bernardes acabou sendo obrigado a decretar o dia como feriado, inclusive para tentar esvaziar as manifestações e lutas que ocorriam. Os patrões, por sua vez, trataram de organizar missas, festas, campeonatos de futebol, churrascos, sorteios e toda sorte de iniciativas que buscam desviar a atenção do trabalhador para o sentido da data e o superar o protagonismo dos sindicatos, e crescentemente, foram ganhando a adesão de direções sindicais pelegas. Infelizmente, mesmo organizações sindicais que nasceram classistas e de luta, hoje se apelegaram. Promovem shows e sorteios, geralmente financiados pelos patrões, para reunir trabalhadores(as) nesse dia, muitas vezes sequer lembrando as razões da data.
É dia de luto, porque temos que reverenciar milhares de companheiros e companheiras que foram brutalmente espancados(as), presos(as), torturados(as) e mortos(as) ao longo da história, por lutarem por uma vida melhor, por um aumento do estágio civilizatório. É dia de comemoração, porque já avançamos muito e temos conquistas históricas a celebrar e para servir de exemplo para novas lutas. A marca dessa celebração em nossa categoria é a tradicional Feijoada, que reúne as famílias e convidados que participam ativamente em nossas lutas. Nesses encontros, a música, o teatro, a diversão são parte da vida dos trabalhadores, mas não mascaram o sentido desse dia, onde jamais deixamos de relembrar a história e homenagear nossos heróis e heroínas. É assim, anualmente desde 2007, que o SINDETRANSCOL se fortalece e educa seus representados, marcando um dia que é NOSSO. Sindetranscol
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[Oito de Março] É dia de nossas heroínas Muito do que foi dito sobre o Dia do Trabalhador, serve para o Dia 8 de Março,
Em 2013, foi a vez do teatro dinamizar o debate, onde a dramaturga, atriz e condedicado ao DIA INTERNACIONAL DA MUL- tadora de histórias, Heleninha, através “dos HER. Sem cair na “esparrela de floricultura”, fios da vida e de seu tear imaginário”, teceu o SINDETRANSCOL sempre dedicou um es- concretamente a história da exploração paço ao debate da questão da mulher. Es- feminina no mundo do trabalho. O evenpecificamente em março, por uma iniciativa to aconteceu no dia ........... Trouxemos de de nossa guerreira Marlene Satiro, nos últi- volta o cinema como meio de promover a mos três anos a Diretoria vem encaminhan- necessária reflexão sobre o tema. O filme do atividades lúdicas e de reflexão sobre a exibido como abertura do debate e da ativiquestão do feminino em nossa sociedade. dade gastronômica foi Terra Fria, que retrata Desde 2012, anualmente em março, o machismo e o assédio moral e sexual no temos reunido as companheiras da catego- ambiente de trabalho. Em seguida houve ria e de nossas famílias, para uma atividade um rico debate com a presença da companespecificamente delas. Naquele ano foi ex- heira Meri, trabalhadora na empresa Verde ibido o curta metragem Acorda, Raimundo Vale, que se tornou a PRIMEIRA MULHER (1990), que relata a agonia de um homem, MOTORISTA no sistema de transporte de machista, que dorme e sonha que vivia numa Blumenau. sociedade onde as mulheres exercem o pa- Para nossa reflexão, fica a frase de pel masculino, de opressor, e os homens ex- abertura da fala da companheira: “Nos priercem o papel feminino. Pense no “cagaço” meiros dias, até mulheres que chegavam na dos homens diante da realidade de passar o porta do meu ônibus, quando viam que era dia cozinhando, cuidando de filhos, limpando uma mulher no volante, voltavam a sentar, a casa, lavando roupa e, no início da noite, para esperar o próximo”. ter que aturar a mulher em casa, chegando Fotos e uma mensagem tradicional do trabalho depois de “tomar umas” com as do movimento feminista amigas no bar. Foi muito legal! 70
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[Julho]
Tem bolo e comemoração
O dia 25 de julho é tradicionalmente considerado o dia dos motoristas. Em nosso
Em torno de um grande bolo, regado pelo café trazido de casa por cada um(a), a cat-
sindicato temos tratado como sendo o DIA DA CATEGORIA. O evento mais marcante acontece no dia 29, dia da FUNDAÇÃO DO SINDICATO, como se fosse um presente da vida, ao dia da categoria. Desde 2007, quando completou o seu primeiro ano, as datas são conjuntamente celebradas, em cada local de trabalho.
egoria se reúne comemorando seu dia e o aniversário do seu INSTRUMENTO DE MUDANÇA. Não esqueçamos que em Blumenau há mais um motivo para celebrações e reflexões sobre nosso cotidiano. Instituído por lei municipal, votada na Câmara de Vereadores, o dia 15 de janeiro foi consagrado como o dia DO(A) COBRADOR(A).
Nos finais de ano tem assembleia e algo mais... Para fechar cada ano, é realizada no mês de dezembro a assembleia em que se discute o Plano de Ação do Sindicato para o ano seguinte. É momento de lembrar do que ocorreu, construir expectativas de um futuro melhor e, tradicionalmente, receber aquela lembrança do Sindicato, como reconhecimento da participação de todos nas lutas e nas atividades ao longo do ano. Confira. Sindetranscol
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[Formação] Qualificação pra “fazer bonito” Outro registro essencial de todo o trabalho realizado até aqui, é o grande investimento na FORMAÇÃO CULTURAL/POLÍTICA da Direção e da base da categoria. Esse Sindicato se transformou numa grande referência de luta e de conquistas em toda a sociedade, portanto, exerce influência para além dos limites da categoria, e se diferencia, especialmente em meio ao universo de peleguismo e descompromisso com a classe trabalhadora, que a esmagadora maioria dos sindicatos da região demonstram. O trabalho de formação política da base é algo extremamente complexo de ser feito. Desde a relação cotidiana dos(as) dirigentes com a categoria, até chegar nas reuniões e assembleias, o trajeto é longo, e passa por cultivar o interesse pelas atividades sócio-culturais-comemorativas, pelos materiais, jornais, boletins, etc. Cada instante dessa relação tem esse sentido de construção de “um novo olhar sobre a realidade”. No conjunto da categoria destacam-se dois grupos, nos quais esse investimento foi mais concentrado e tem métodos mais claros e experimentados de formação: o coletivo de dirigentes do Sindicato; e o coletivo de lideranças intermediárias da categoria; entre os quais estão os(as) Cipeiros(as), os(as) integrantes das Comissões de Negociação e formadores de opinião nos locais de trabalho, entre outros. Palestras, filmes, documentários, debates, aulas expositivas e interativas, viagens de estudo e pesquisa, esquetes teatrais, apostilas, cursos a distância, os convênios com o SEST/SENAT para os cursos de qualificação profissional e obrigatórios para nossa atividade, foram os principais veículos utilizados na formação de toda essa companheirada, em muitos momentos, conjuntamente com companheiros de Araranguá, Chapecó e Florianópolis. Confira alguns desses momentos, porque “prá representá bonito” a categoria, é preciso estudar e conhecer.
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Compromisso público e solidariedade de classe
[Causos] Um “causo” inesquecível foi o casamento do Seu Joaquim com a Dona Maria, celebrado na Praça, durante atividade da vitoriosa greve de seis dias, de 2007, em meio à luta pela redução da jornada de trabalho. “Seu Joaquim” é cobrador da empresa Glória há XX anos. Sua companheira de vida, Dona Maria, é a sorridente e falante senhora que vendia café e salgadinhos nas imediações do Terminal do Aterro. Populares entre a categoria, viviam juntos há décadas e re-
Apesar de trabalharmos em empresas privadas, estamos envolvidos na operação de um SERVIÇO PÚBLICO e, consequentemente, no ATENDIMENTO DO POVO. Enquanto trabalhadores(as), fazemos parte de UMA CLASSE SOCIAL. Apesar de claras especificidades em cada categoria profissional, temos também muitos interesses, direitos e problemas comuns, independentemente de se trabalhar numa sala de aula, numa indústria, num ônibus, num comércio ou num banco. É por isso que estivemos juntos(as) em inúmeras lutas sindicais e populares, na região e no Estado todo. Estivemos juntos(as) nos momentos mais tristes e trágicos dos fenômenos climáticos que afligem nosso povo no Vale do Itajaí. O Sindicato liderou várias iniciativas, desde a abertura de conta bancária para contribuições financeiras em solidariedade aos atingidos (trabalhadores de nossa categoria ou de outras), até a centralização da arrecadação e distribuição de donativos. As imagens falam por si.
solveram se casar formalmente. Só que a data marcada acabou ficando em meio à greve decidida pela categoria. Nas palavras de Seu Joaquim: “Que momento melhor poderia ter para fazer a cerimônia reunido com os(as) amigos(as)?”
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TERCEIRA CAPA
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CONTRA CAPA
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