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E agor bancรก a rio?


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A Campanha Nacional dos Bancários 2014 Uma campanha salarial vitoriosa depende do nível de mobilização e organização dos trabalhadores a partir de seus sindicatos. De acordo com pesquisa do DIEESE, houve aumento salarial em 93% das Convenções ou Acordos Coletivos celebrados no primeiro semestre de 2014, onde a maioria alcançou ganhos reais médios de 1,5%. Tendo como parâmetro os acordos firmados por diversas categorias profissionais, o resultado econômico da negociação entre bancários e banqueiros (2,02%) pode ser considerado bastante positivo. Em contrapartida, não obtivemos avanços significativos com relação à melhoria das condições de trabalho. Que respondam a questões como o crescimento exponencial das denúncias de assédio moral nas empresas e a cobrança abusiva de metas. Considerando o cenário econômico, enquanto a crise internacional provocou recessão em diversos países, desemprego, arrocho salarial e perda de direitos aos trabalhadores, o governo brasileiro privilegiou o mercado interno de consumo e de produção, gerando emprego e renda. O desempenho da economia é a base para o avanço dos resultados das negociações coletivas. Por isso, é fundamental manter a estratégia de desenvolvimento econômico combinada com as políticas de inclusão social e recuperação da renda dos trabalhadores.


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«Os ricos ficarão rapidamente cada vez mais ricos, pois dispõem de um estoque de rendimentos de capital que traz significativamente mais rendimentos do que o trabalho. Para a maioria da população, em contrapartida, os rendimentos dos salários não são mais suficientes para que criem reservas.»

Thomas Piketty, professor de economia francês, autor de O Capital no Século 21.


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“Dano existencial é aquele que fere a existência pessoal, caracterizado pela ofensa à personalidade e à dignidade humana do trabalhador, gerando a frustração de seus projetos pessoais.” Débora Kastucia Alves Mendes, advogada trabalhista, em artigo publicado no Boletim Sindicatos em Foco, edição de novembro 2014.


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A tecnologia e as mudanças no comportamento

O autoatendimento, através dos caixas eletrônicos, internet e «mobile banking» demais tecnologias está cada vez mais presente no cotidiano da vida das pessoas. Qual o impacto dessa mudança no comportamento de clientes e usuários na greve dos bancários, já que os efeitos da paralisação são cada vez menos evidentes? Na medida em que a participação direta do trabalhador nas atividades produtivas é cada vez mais reduzida, como evitar a desvalorização dos profissionais frente às novas tecnologias? Em contrapartida, precisamos valorizar e socializar os benefícios resultantes das transformações sociais, como a possibilidade do trabalhador ampliar o tempo disponível para atividades culturais e de lazer.


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Democracia e legitimidade O principal objetivo da paralisação das atividades profissionais, em geral, é a conquista ou manutenção de benefícios, como o aumento dos salários e a melhoria das condições de trabalho. Normalmente, ocorrem depois de esgotadas todas as possibilidades de negociação entre empregados e patrões. Garantida por Lei, a greve é um instrumento legítimo dos trabalhadores no processo de reivindicação de direitos sociais e melhorias salariais. Outra característica da greve dos bancários, além da extensão dos resultados econômicos e conquistas a todos os empregados, sem distinção entre grevistas ou não grevistas, sindicalizados e não sindicalizados, é a forma democrática como é deliberada, organizada e conduzida. A participação na greve deve refletir o nível de compreensão de cada um quanto aos elementos aqui explorados: democracia e legitimidade. O resultado da negociação com os patrões será sempre responsabilidade de todos. Equivocam-se aqueles que, ao se negarem a participar do processo na condição de funcionários, demonstram concordância com a política de desvalorização do trabalho imposta pelas empresas, sem, entretanto abrir mão das conquistas obtidas pelo esforço da greve. Como avaliar a atitude de alguns colegas que, comparecendo às assembleias, votam a favor da greve, mas não participam da paralisação?


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Que rejeitam propostas, sem a disposição de contribuir para o avanço nas negociações? Ou que aprovam acordos em assembleias apenas para desmobilizar o movimento? Ou ainda, de bancários que não comparecem às assembleias e não participam do movimento e, encerrada a greve, se transformam em duros “críticos” dos acordos que aprovamos, acusando colegas e dirigentes sindicais de “entregar” a greve e a campanha? São questões que merecem a nossa reflexão, pois ao terceirizarmos a responsabilidade por decisões que afetam nossas vidas estamos transferindo


Para além das portas giratórias Quais os limites da participação dos trabalhadores na construção e no desenvolvimento de políticas públicas que transformem a nossa sociedade, historicamente excludente e concentradora da renda nacional? Devemos restringir nossa ação nos limites da representação por categorias, nos mobilizando ou organizando apenas para tratar de questões específicas da nossa atividade profissional? É possível discutir a melhoria da qualidade de vida apenas com foco em nossas remunerações, sem levar em conta o modelo econômico e as opções dos governos quando decidem o que fazer com os recursos públicos? Devemos nos omitir dos debates, quando projetos de desenvolvimento afetam diretamente a exploração dos recursos naturais e o bem estar das pessoas? Se não percebermos a interação contínua entre sociedade civil e sociedade política, o processo de transformação tende a gerar desequilíbrios entre as forças produtivas, estimulado pela maior capacidade de intervenção de alguns setores em detrimento de outros. Se de fato vivemos uma crise de representatividade por parte da classe política e dos partidos, cresce a responsabilidade das lideranças sindicais e dos movimentos sociais no fortalecimento da participação popular em todos os espaços de decisão.


O caminho é a sindicalização Resultado da mobilização dos bancários e bancárias pela manutenção e ampliação de direitos em campanhas salariais, nossos acordos coletivos são referência para as demais categorias de trabalhadores do país. Para que o trabalhador possa compreender a importância de estar sindicalizado, primeiro deve entender o que é o sindicato: uma associação de pessoas que fazem parte de um mesmo segmento trabalhista, cujo objetivo principal é a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos de seus associados. Ao sindicalizar-se, o trabalhador passa a construir coletivamente objetivos em comum: salários maiores, melhores condições de trabalho, perspectivas de crescimento na carreira, relações de trabalho democráticas, etc. É no sindicato que se constroem as possibilidades de negociação com as empresas e quanto mais organizada a categoria estiver, maiores as chances de vitória.


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