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Doc. 5° Edicao Prêmio Cena Minas "só um pouco a.normal"

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Documentação 5° Edição Prêmio Cena Minas Área Dança Categoria II - Circulação de Espetáculo Projeto „Bach-bacena – just a little bit (A)normal “só um pouco a.normal”

Só um pouco a.normal


Mesa Redonda Espectadores, imprensa,

estudantes e profissionais de diferentes áreas estiveram

presentes nas discussões após o ensaio aberto. Tais discussões após os espetáculos, mesmo que em situações informais moveram a cidade de Barbacena de forma marcante. O veículo (espetáculo) a princípio impulsionador para tais discussões de padrões de a.normalidade em nossa sociedade atual, cumpriu seu papel de sensibilizador e proponente de novos espaços de reflexão de temas políticos-sociais dentro de um contexto artístico contemporâneo. Estudantes de diferentes áreas, profissionais da área artísitica e saúde discutiram, além das estratégias cênicas utilizadas no espetáculo, seus pontos de vista e experiências sobre padrões e normas socias presentes no nosso dia a dia e seus desdobramentos. Estiveram presentes nestes encontros toda a equipe técnica e artísitica do espetáculo, assim como o diretor e coreógrafo Wagner Moreira, a diretora artística do Grupo de dança 1°Ato-BH Suely Machado, diretora do Grupo Ponto de Partida Regina Bertola, Dra. Mariana Vidigal Psicanalista, Frederico Furtado presidente da FUNDAC- Prefeitura Municipal de Barbacena .

Só um pouco a.normal


Frederico Furtado- Presidente da AGIR

Suely Machado -Diretora Grupo de Dança 1°

Prefeitura Municpal de Barbacena

Ato - BH

Pablo Ramon- Bailarino 1° Ato-Bh

Regina Bertola -Diretora Grupo Ponto de Partida – MG

Dra. Mariana Vidigal- Psicanalista

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Pablo Bertlola / Erica Elke / Ronaldo Pereira Atores do Grupo Ponto de Partida Hilreli Alves Estudante de Comunicação UNIPACBarbacena

Suely Machado, Regina Bertola & Wagner Moreira Suely Machado & Wagner Moreira

Só um pouco a.normal


Impressões – Ensaios Abertos/Mesas Redondas/ Estagiários “Um pouco a.normal, a meu ver, nos apresenta o “nonsense” que habita em todos nós. Desde a entrada, a interação dos bailarinos com o público, sentimos um pouco de nosso estranho particular. Em cena, assistimos a busca pelo quem somos afinal, corpos em busca de uma nomeação. Por não encontrarem sozinhos, ainda desamparados pela linguagem, seguem angustiados em direção ao Outro para que lhes diga quem são. Parecem, enfim, encontrar inúmeros

nomes, bem ditos e mal ditos que vestem os corpos, antes

desamparados e agora contornados pela palavra que vem do Outro. Mas afinal, quem somos nós? “Fúteis”, “frágeis”,”machos”, “sensíveis”, “inteligentes”, “bonitos”, “feios”, “loucos”, “normais”? Corpos marcados e alienados dançando a coreografia que o Outro ensaiou. “ Mariana Vidigal – Ex-bailarina e Psicanalista

Fui a Belo Horizonte visitar o grupo e tive o prazer de assistir ao ensaio geral do espetáculo “só um pouco a.normal”, que foi um presente de sensações, um trabalho realmente lindo, com traços de muita humanidade , por isso, completamente envolvente. E além do presente visual e sensorial , pude conversar com o coreógrafo e obter informações sobre o processo criativo e coreográfico. Priscilla Fargnolli bailarina, residente em Ribeirão Preto

Só um pouco a.normal


Um espetáculo muito particular, uma vez que cada pessoa tem um silêncio, um universo de pensamentos e conceitos. O tema nos leva para lugares muito íntimos de nossos pensamentos é sempre muito delicado falar sobre o que é certo, normal, anormal, loucura. Wagner conseguiu criar cenas para questionarmos tudo isso. O que é normal? Nessas cenas em que nos leva a pensar sobre tudo, há uma inevitável ligação com os bailarinos, tu se sente um deles, descobre que faz ou poderia fazer aquilo. Com muita sensibilidade o coreografo conseguiu falar de um fato presente na história de Uma maneira muito simples e poética, de uma sensibilidade magnífica. O espetáculo faz com que possamos refletir o que foi feito há muito tempo, de uma forma bárbara, e que talvez ainda aconteça no presente em outras maneiras; que é o julgamento, a definição de normalidade, certo ou errado. Como falei no inicio, um espetáculo que gera muita reflexão particular e extremamente emocionante e lindo de se ver. Diny Espíndola – Brasileiro, 26 anos. Bailarino profissional, formado no CAD – Centro Avançado de Dança em Ribeirão Preto – SP

Ao passar pela porta de entrada, as sensações já começaram a se confundir. Um misto de curiosidade e aflição. Nunca em um espetáculo tinha me deparado tão diretamente com o artista. Durante a recepção comecei a me sentir angustiada com a abordagem dos bailarinos conosco, o que se intensificou ainda mais com o baixar da iluminação. Pensei: se em três minutos experimentei algo que jamais pensaria, imagine o que virá adiante: esse era o problema, não tinha a mais vaga ideia. Me senti insegura por não saber o que viria a sentir. Os olhares, os gestos, e o andar definem muito bem a diferença entre o que é proibido e o que nos é permitido fazer em público. Primeiro vem a vergonha e o medo do olhar do outro, depois a perda do pudor e a volta para si mesmo. A partir do momento que a loucura fica explícita, não foi preciso uso da palavra para saber que aquele comportamento caracteriza a loucura. O interessante é que muitas vezes Só um pouco a.normal


agimos da mesma forma quando ninguém nos vê, e por esse simples fato, não recebemos o estigma da loucura. O que mais me toca a todo tempo é que, tendo contato com os chamados “doentes mentais”, penso: o que temos de diferença? Qual é o determinante que nos separa? Qualquer um de nós está sujeito a semelhante condição, ao fim do espetáculo, me identifiquei tanto com o artista a ponto de compreendê-lo e sentir que o que ele sentia também se encontra presente dentro de mim. No decorrer do espetáculo você se esquece que é uma peça, e passa a encarar como uma experiência, onde você pode interferir na atuação e no andamento da apresentação. O cansaço que os bailarinos não escondem, deixa tudo mais real, você se deixa identificar mais, pois sabe que ele é tão humano e vulnerável como você. Diana Fernandino Estudante Medicina UNIPAC- Barbacena

Normal?! Só um Pouco Com a proposta de remontagem e utilização do material coreográfico, agora, com corpos diferentes dos da montagem original, foi que o Grupo de Dança Primeiro Ato (Belo Horizonte/MG) acordou sobre essa nova criação junto ao bailarino e coreógrafo Wagner Moreira, atualmente residente na Alemanha. O grupo mineiro já havia recebido o coreógrafo em momentos anteriores, a convite da diretora Suely Machado, onde foram realizadas algumas aulas no formato de oficinas, dando tempo para que os bailarinos conhecessem o tipo de movimentação sugerida por ele. Passada essa fase de experimentação de seu trabalho, Wagner retorna a Belo Horizonte já com a intenção de remontar o espetáculo originalmente intitulado Bach-Bacena – just a little bit (A)normal. O Grupo Primeiro Ato possui ao todo 9 (nove) bailarinos, dos quais foram escolhidos 4 (quatro) para comporem o espetáculo. A definição desses quatros nomes não foi imediata, Só um pouco a.normal


passando os 9 (nove), a princípio, por um momento de experimentação com o coreógrafo, no qual todo o material coreográfico foi apreendido, sem definição de posicionamento. No desenrolar do processo, foram definidos os bailarinos, enquanto os outros se mantinham na posição de aprendizado, pensando na possibilidade de substituição. Nesse primeiro momento, o coreógrafo passou por grande parte das movimentações exigidas no espetáculo, trabalhando pontos-chave e dando ênfase à experimentação e noção do tônus necessário para realização deste trabalho que, aqui no Brasil, recebeu o título de Só um pouco a.normal. Com foco maior no entendimento e nas dinâmicas do movimento, esse início foi marcado pelo contato com a base do espetáculo em si, seguido pelo momento em que as primeiras intenções eram despertadas. Os bailarinos começaram, então, a serem conduzidos às especificidades de cada cena. Desde o início, o coreógrafo não quis que para essa nova montagem, os bailarinos se prendessem às qualidades da primeira versão do trabalho, deixando claro, com isso, sua intenção de escutar esses novos corpos, bem como suas propostas. Mesmo sem definição de espaço e organização cronológica, a experimentação das movimentações, já com suas respectivas intenções, proporcionou aos bailarinos uma visão geral do modo como o espetáculo se organizava. No período de Maio a Agosto de 2013 (espaço de tempo que marcou o desenvolvimento de todo o processo de remontagem), o grupo bem como o coreógrafo manteve sua agenda, tendo, pois, outros compromissos além da remontagem. Dessa forma, entre um intervalo e outro, as cenas foram ganhando forma e se (re) configurando de acordo com o conteúdo proposto. Muitas foram as experimentações com o intuito de ampliar os tensões, as relações e situações propostas em cena e a estética pensada para determinados momentos. Nesse sentido o coreógrafo buscou deixar que os bailarinos assumissem a responsabilidade de composição de algumas cenas. Sabia-se o que era para ser feito, e como deveria/poderia se desenvolver, mas o “como” ficava a cargo dos 4 (quatro) bailarinos. Palavras, impulsos e ações foram sugeridas a todo momento a fim de provocar alguma reação que fosse interessante. Buscou-se atingir estados de corpo, onde os bailarinos não tivessem medo de assumir os estigmas que os cercavam. As ações eram pontuais, quase como máquinas Só um pouco a.normal


quando deveriam ser, e o esforço físico, demasiado. Durante todo esse processo em que os bailarinos se esforçavam para entender a intenção de cada movimento, foi enfatizado tanto pela diretora artística Suely Machado, quanto pelo coreógrafo que, mesmo que a cada experimentação surgisse uma nova intenção, uma não descartaria a outra. Era necessário compreender e buscar a justa medida entre as práticas e os resultados advindos delas. A experimentação, nesse caso, não seria trabalhada para a busca de um ponto final, mas para levantar ainda mais possibilidades, (re) descobrindo novos e possíveis lugares para o trabalho. Um dos pontos primordiais neste processo foi o diálogo proposto entre bailarinos, direção e coreógrafo. Ao final de cada ensaio, de cada novo experimento, havia sempre a preocupação e o cuidado de repassar aos bailarinos o resultado, ainda que parcial, de suas propostas. O feedback foi importante para nortear e também confundir os bailarinos, não deixando que eles estabelecessem nenhum lugar de conforto para o desenvolvimento das cenas, principalmente as que envolviam jogos de improvisação. Acredito que justamente por isso, o resultado o lugar que o Só um pouco a.normal atingiu hoje é tão instigante. Os olhos dos bailarinos são capazes de conduzir o espectador de tal forma que é possível enxergar o reflexo desses corpos por entre as luzes penduradas, no fundo dos baldes, identificá-los nas radiografias. Vê-se muito mais que corpos. Percebese muito além das reações, e a emoção em meio ao cansaço consegue transpor a expressão de cada um daqueles seres humanos, tocando como uma flecha o aquele que assiste a obra. Jônatas Raine de Oliveira Andrade Bailarino estagiário Grupo de Dança 1° Ato

Quando fui convidada a assistir este espetáculo, sendo esta minha primeira vez em uma performance contemporânea, não imaginava que poderia ver o corpo dizer, através da dança, coisas que só tinha entendimento com a fala. É incrível como através da expressão corporal pode-se contar uma história tão complexa que nos enche de sentimentos diversificados e, a cada segundo, nos surpreende com uma movimentação intensa, forte, mas permeada de sutileza.

Janice Araujo Cobuci Só um pouco a.normal


Como o tema da discussão proposta é muito amplo, a ideia de ouvir outras pessoas é sempre interessante. As várias formas de interpretação de um mesmo mote cumpre o objetivo a que se propõe, qual seja... a polemização. Quanto ao conteúdo é ótimo perceber que as pessoas se sentem tomadas por emoções e sensações diferentes, mas muito envolvidas, diria até contagiadas.

Márcio Jessé Esteves Cabeleireiro

O convite é na realidade a participar. A arte sai do seu lugar comum e vem propor a discussão de temas que extrapolam a entidade dança em si. Desde a concepção do espaço, que coloca plateia como mais um elemento do espetáculo, passando pela luz e sombra, que aguça ainda mais a curiosidade, aos elementos água, luz (fogo) e mesmo a terra, o chão de linóleo que permite a uma das partes do espetáculo, o bailarino, talvez o único contato verdadeiro com a realidade. Os indivíduos e solos, sendo que na verdade nunca ficam sós, são preenchidos com o acolhimento da plateia incomodada, que deixa de ser mero espectador e submerge no contexto dança na expressão do que se propõe. O elemento humano visto e discutido leva a uma reflexão de quem somos e se somos, e como permitimos que os outros sejam de tantas formas rotulados. A quebra de padrões e aqui falo mesmo de pré-conceitos, é o que incomoda. Talvez seja essa a palavra, pois se algo perturba, devemos ao menos tentar uma mudança. A expressão do corpo, tanto em dança como nas artes marciais, passa pela verdade, a qual só existe para cada um que a queria ver como tal. A aceitação do diferente realmente incomoda. Sair do lugar comum também

Ricardo Maciel Fernandino Professor de Língua Estrangeira e Graduado em Letras e Artes Marciais

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- Um homem no meio do balde. - Ou a mulher. - O que cabe dentro do que se coube. - Um cado de mistura com um pouco de parcimônia, por favor. - Quanto de cada? - Cada qual com seu tanto. No tanto. - Todos com mesclas únicas de suas loucuras, por favor novamente. - Tudo bem? - Tudo. - Tá tudo bem com você? - Tá, tá sim, digo... - Tá tudo bem mesmo?! Você tá confortável? Está sentindo seguro?! - Olha... até agora tá, ou tava, nem sei dizer, tudo...tu.. tudo bem, uai...acho! - Que bom. - Reparou? – Que? - Um homen, ali, no meio do balde. - Não sombras. Apenas. Não dizem nada. - Ninguém diz nada. - Tem um homem no meio do balde, nas sombras, do balde e do homen, tem. - Tem. Reparei uma coisa. - Que? - Todos tem aroma de rosas. - Que loucura. - Não. Não tem loucura. – Tem. – Um tanto. – Não se considera. – Mas tem. - Crianças... - Onde? - Dentro. - Do balde? - Do homem ou da mulher? - Quantas? - Pequeninas histórias. - Nas sombras dos homens, os baldes de água de consciência purificam a beleza da inocência e multiplicam a loucura do co-existir. Só um pouco a.normal. Frederico Furtado Presidente da FUNDAC – Prefeitura Municipal de Barbacena Só um pouco a.normal


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Olhares espectadores

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„ só um pouco a.normal“

Só um pouco a.normal, concepção e coreografia de Wagner Moreira; direção de Suely Machado, música de J. S. Bach, peça levada a cena em Barbacena entre os dias 26 e 28 de julho de 2013, brinca com os elementos míticos primordiais: o fogo o ar a água e a terra. Partindo desta que seria a ordem da lucidez, com a luz do fogo no topo da representação, este espetáculo não é conduzido pelo fogo-luz da razão, enquanto a terra de pisar se torna apenas anteparo do chicoteamento pelos corpos nus; a água de beber encena o elemento frio a derramar-se sobre os bailarinos, e matéria sufocante nos mergulhos das cabeças. Enquanto a terra deixa de ser a matéria divinamente soprada para engendrar os homens, e o fogo (o das cavernas ou o dos leds) passa de espírito criador a mero brinquedo, o ar de respirar e de produzir palavras torna-se vítima da água mortal e da mudez.

Do ar é suprimido seu poder de criar palavras. O espetáculo é quase mudo, com apenas dois imperativos, poeticamente monossilábicos: entra! Sai! A luz é dispensada de iluminar razões. Atores e espectadores constroem juntos o clima estético, na sensação de estarem todos mergulhados no universo amniótico de uma loucura.

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Abrem-se as cortinas. Ou melhor, inicia-se o espetáculo. Mas o espetáculo se iniciou antes mesmo do começo, com os atores em cena, já interagindo com os presentes. E também não há cortina. Esta seria própria da narrativa episódica, que acolhe no palco o narrador onisciente. Aqui narrador e espectador se contemplam face a face e constroem juntos o espetáculo. Não cabe ao narrador ou ator sugerir que sentimento se deva ter: de piedade, de pena, de medo, de remorso, de culpa... Não interessa. O sentimento é criado não pelos atores, mas a partir de seus movimentos em cena. O representador não-narrador se confunde com o espectador, numa mescla de eu/outro. Há um momento em que alguns presentes são convidados a segurar o fogo que ilumina a arena. Não há um limite entre o representar e o fruir, mesmo porque não há ações grandiosas no palco, senão aquelas que podem ser praticadas pelo fruidor presente.

O espetáculo não busca definir ou conceituar o normal/anormal, mas criar as condições para que cada um crie dentro de si sua própria impressão. Por isso, ele não oferece elementos para que alguém discorra sobre normalidade/anormalidade. Em lugar disso, propicia o clima que possibilita sair do teatro aliviado: sem necessidade de saber até onde vai a normalidade e começa o anormal em cada um, sem a ânsia de situar-se no gráfico que vai dos loucos até os santos. É um espetáculo catártico. Não dá para dizer muito além disso, mas dá para dizer que é assim. E isto é muito.

José Geraldo Heleno

Doutor em Estudos Clássicos pela Universidade de São Paulo. Professor aposentado da UFJF, UNIPAC e Centro Universitário Newton Paiva. Com 4 livros publicados . Só um pouco a.normal


Hoje recebi um grande presente; uma dádiva: assisti ao espetáculo Só um pouco a.normal. Corpos suados; corpos que rolam; corpos autômatos; corpos que se desnudam e que com sua nudez expõem as feridas que jazem escondidas naqueles que os contemplam. Rostos cansados; olhares perdidos, fixos num vazio de solidão e aflição. Assim é essa dança. Dança? Balé? Teatro? Oficina de gestos? Drama? Psicodrama? Circo do absurdo? Difícil rotular. Seja como for, difícil mesmo é manter-se indiferente, distante, inerte, inatingível diante dos quadros que vão se apresentando e nos envolvendo, nos abraçando, nos penetrando e nos atingindo naquilo que não ousamos expor. A loucura do bailarino no palco (no mesmo plano da platéia) encontra no espectador o seu interlocutor. É com ele que interage e busca a voz complementar àquela ruptura, àquela fragmentação e àquela desestruturação que é apresentada. Não há história para ser contada. Não há texto linear com princípio, meio e fim. Pois falar da loucura, falar da a-normalidade é, justamente, falar da incompletude que nos angustia, da solidão a qual estamos presos e da qual não podemos escapar, e de uma realidade fugidia a qual nos apegamos como náufragos. É, portanto, intenso e profundo o que nos atinge - cada um de nós - frágeis e fragilizados, apressados e automatizados, rotulados e rotuladores. A loucura do palco é a nossa própria loucura – nós, até então, normais, somos irremediavelmente arrancados de nossa zona de conforto para confrontarmo-nos com a nossa própria a-normalidade cotidiana. Não, não há história para ser contada pelos bailarinos-atores, senão aquela que permitimos seja pinçada e resgatada do íntimo de cada um de nós espectadores; somente aquela resgatada por aqueles corpos que rolam e se desenrolam diante de nossos olhos, corações e mentes. Débora Borba Souza Professora de Literatura Rio Grande do Sul Só um pouco a.normal


Só um pouco a.normal: o espetáculo. Não. Não é preciso fazer fila. Os ingressos não têm lugares marcados, foram conquistados cada um com a sede que moveu os que, vitoriosos, os adquiriram, mas não, não é preciso fazer fila. Há fila de espera para o espetáculo, há espera, mas não, não é preciso fazer fila. Meus olhos se inquietam. Não. Não é preciso fazer fila para entrar. Só um pouco mais. Só um pouco. Alguém abre a porta. Não. Não é preciso fazer fila porque todos têm lugares privilegiados. Quatro jovens lindos, duas moças e dois rapazes nos recebem. Elegem alguns da platéia para interagir. Tudo bem com você? Perguntam uma, duas, três vezes, ou mais. E aí começa. Aí não. A fila era o começo. Não. Não é preciso ter pressa. Não é preciso. Não. Os corpos começam a dançar. Os corpos bailam no ar numa convulsão de movimentos, numa confusão de movimentos. Os corpos começam a contar histórias. Os corpos sim. Os deles, o meu, os nossos. Os corpos. Não é preciso. Os corpos não, os corpos sim, os corpos vão, os corpos veem. Quero olhar todos, mas não, não consigo. Escolho. Faço escolhas. Olho aqui, olho ali, olho a moça, olho o rapaz, olho os olhos da menina que em frente a mim, olha como eu queria poder olhar, pura, livre, sem teorias. Olho e sinto, olho e penso, olho e me espanto e me surpreendo. Olho e continuo olhando. Meus olhos se inquietam. Não. Não é preciso fazer nada. Faz frio e há baldes com água. Não é preciso ter medo. Não é preciso arrepiar quando eles jogam sobre si a água do balde e se molham. Não é preciso sentir frio. Os corpos estão quentes, estão arfando em movimento, estão pulsando uma pulsação sem fim. Os corpos sim. Os corpos. O meu também. Todos. Os corpos. A pulsação. Os corpos pulsam. Os corpos. Não. Não é preciso dizer nada. O espetáculo. Um espetáculo. Nosso espetáculo. Não. Não é preciso dizer nada, porque nada que eu diga é suficientemente pleno para dizer do espetáculo. Um espetáculo. Sim, um espetáculo. Só. Só um. Só um pouco. Só um pouco a.Só um pouco a-normal. Ivana Melhem Deoud Doutora em Literatura Comparada pela UFMG. Professora da Universidade Presidente Antônio Carlos. Só um pouco a.normal


A LOUCURA COMO FONTE DE INSPIRAÇÃO PARA MANIFESTAÇÃO ARTÍSTICA

Só um pouco a.normal. Um espetáculo no qual as crenças e valores dos espectadores são colocados em cheque. Torrentes de impressões e sensações, habilmente geradas pela articulação entre dança, música, imagem, iluminação e elementos originais. Inspirado na temática da loucura, o espetáculo Só um pouco a.normal – denominação para circuito de apresentações no Brasil – foi concebido como o resultado da conclusão de mestrado do bailarino e coreógrafo Wagner Moreira na Palucca, universidade alemã de dança. Wagner, que iniciou seus estudos de dança no Brasil em 1991, foi educado em diversos países da Europa e nos Estados Unidos. Dentre os marcos de sua carreira profissional, pode-se destacar sua nomeação, em 2001, como professor Royal Academy of Dance de Londres, o recebimento do prêmio Cena-Minas neste ano e a agraciação em 2012 com o prêmio German Academic Exchange Service do DAAD – para estudantes de graduação em coreografia profissional com destacado compromisso social e intercultural. Mineiro, natural da cidade de Barbacena, Minas gerais, Wagner Moreira utiliza os estereótipos da cidade como pano de fundo para seu trabalho. Barbacena, conhecida como cidade dos loucos, adquiriu a alcunha em função do considerável número de hospitais psiquiátricos instalados no local, no decorrer de sua história. Atribui-se normalmente o atípico número de hospitais à pretérita crença de que o clima ameno da região favoreceria o tratamento de doenças de cunho psíquico. Inspirado portanto neste histórico barbacenese, o espetáculo de dança – disposto em contrastes, que vão da introspecção a extroversão – vem como resultado de uma investigação comportamental, realizada entorno daquilo tido como socialmente (in)aceitável.

O modo como o espetáculo articula a temática da loucura ao contexto

histórico da cidade de Barbacena é incrivelmente rico em termos sensitivos e visuais. Temas como o pudor, coerção e convenção social, são astuciosamente trabalhados. Em Só um pouco a.normal


movimentos extremamente orgânicos os bailarinos transmitem a loucura em uma deslocada e desconexa linguagem corporal. Só um pouco a.normal é, em termos literais, uma assertiva acerca do viver em sociedade. O espectador é convidado a pensar sobre a natureza das excentricidades e dos trejeitos pessoais. O espetáculo trata, em suma, de uma reflexão sobre o social, ou no mínimo de uma provocação para a tentativa de uma leitura crítica da vida rotineira – e do embate entorno do que se convenciona ou tipifica como (a)normal. A disposição intimista das apresentações, em um reduzido número de assentos dispostos a volta da cena do espetáculo, garantem uma rica gama de impressões. Quando em comparação com a disposição dos teatros tradicionais, é possível afirmar sente-se, em alguma medida, enquanto parte componente do espetáculo. Pode-se ouvir o respirar dos bailarinos, observar as atléticas anatomias em proximidade, enxergar as reações dos espectadores do lado oposto, e até mesmo se surpreender com algumas gotas de água ou pétalas de rosa – outro forte símbolo local da cidade de Barbacena, referenciada como cidade das rosas, devido ao cultivo da flor na região. Esta intencional projeção do público é ainda potencializada pela desenvoltura dos bailarinos que, desde o momento de entrada do público no espaço do espetáculo, interagem seus insanos personagem com os que chegam. Lançam insustentáveis olhares aos espectadores que ainda procuram seus assentos, bem como saudações e perguntas, acompanhadas de inesperadas mudanças de comportamento ou de expressão. O espetáculo funciona no formato espectador emancipado, no qual o público conta com a possibilidade de interferir no desenvolvimento de certas cenas, interagindo de modo pontual. Enquanto um trabalho de conscientização social e promoção de valores humanitários, a disposição tétrica e melancólica de algumas cenas desperta comoção e sensibilidade por aqueles tantos condenados aos tratamentos subumanos, dados aqueles marcados com o rótulo da loucura – como a grotesca cifra de óbitos nos antigos hospitais psiquiátricos de Barbacena, estimada em 60.000 mortes. Todavia conjuga-se a este peso estético também uma leveza pueril, que torna o espetáculo bastante lúdico em diversos momentos. Expressões dignas do comportamento infantil acabam também por remeter a vulnerabilidade dos que sofrem dos males psíquicos. Só um pouco a.normal


Em função da pluralidade e intensidade de acontecimentos que se desenvolvem concomitantemente, acaba-se por entrar em contato com esta atmosfera inebriante. Remete-se assim as loucuras e as excentricidades pessoais, ao ponto de constatar que o que define a individualidade são justamente essas peculiaridades e (a)normalidades de cada ser. E cada qual abstrai variadas conclusões e interpretações. Após o espetáculo alguns se mostram incomodados por um excesso de elementos ou por uma negligência ao pudor, enquanto outros afirmam estar em estado de deleite com o surrealismo do ambiente. A constante que permanece nos pareceres é a de que, independentemente de uma opinião positiva ou negativa, não existe aquele que diga que o espetáculo fora tedioso ou pouco envolvente. Invariavelmente o espectador é provocado ou tocado pela intensidade do ambiente. As contradições não se encerram no tocante as diferentes opiniões, mas na verdade estas compõem a essência do espetáculo, afinal como dar sentido a um tema que aparentemente não tem sentido? Na temática loucura não se pode trabalhar com normatividade ou temporalidade. A percepção de tempo e espaço é desconexa. Não existe senso comum, moral ou ética. Trabalhar com este tema é trabalhar em uma instância periférica à realidade social. Intenta-se – muito mais do expressar um contento pessoal com um belo trabalho de arte – despertar a curiosidade do público brasileiro para os trabalhos de cunho artístico que, partindo de uma inspiração fundada em termos nacionais, encontram solo fértil apenas no exterior. O potencial nacional é gigantesco, portanto nada mais justo do que um reconhecimento e acolhida em mesma medida. Gabriel Campos Fernandino Estudante Ralações Internacionais – PUC Minas

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Notas sobre um ensaio: Espetáculo de dança Só um pouco a.normal

Aqui o passado-presente se concretizou no ato de dançar. O que é anormalidade para alguns se torna normalidade para outros e a loucura deixa de ser retratada apenas por sofrimentos estereotipados da cultura Barbacenense. Estar ou ser louco ganha visibilidade nos padrões comportamentais emoldurados em cenas e esse jogo físico de alguma forma apresenta memórias e olhares de outrora. Através desse ensaio foi possível perceber uma linguagem híbrida de representação. A qualidade cênica foi encarnada não apenas por bailarinos, mas dialogava-se com o uso do vídeo como atuante/participante que possibilita outro lugar, outro tempo; elementos naturais e artificiais (água, baldes, pétalas de rosas vermelhas e lanternas) que desenhavam o chão preenchido por um linóleo branco. Cuidadosamente, a repetição foi utilizada como recurso de direção e evidenciava a exaustão como mais um instrumento de cena. Esse que proporcionava um estar próximo do bailarino como intérprete de sua dança; deixando o público inquieto e com querência de adentrar esse universo dançante. A aparição dos corpos conectivos poderia ser vista em pequenos e grandes detalhes, tais como: conversas com o público, cansaços, troca de roupas, jogos, respiração, desfile, pausa, palavras e rótulos, banho d’água; toda essa conexão sensorial e perceptiva estava conectada com o chão; pés firmes e tensão relaxada. Fricção de movimentos, presença, hábitos cotidianos ou extracotidianos explorados e desconstruídos. O espetáculo Só um pouco a.normal de Wagner Moreira possibilita adentrar um universo de cores, regado ao um toque especial de Bach que junto da iluminação traz ao público um encontro coreografado, mas com acasos que torna o processo aberto para não ignorar os estados de presença do aqui e agora. Ana Paula Gomes da Rocha Atriz e estudante de Teatro na Universidade Federal de São João Del Rei e, também, da VI Turma do Curso de Preparação para Atores oferecido pela Cia Teatral ManiCõmicos da cidade de São João Del Rei, Minas Gerais. Só um pouco a.normal


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Oficinas Crianças, Adolescentes e Adultos

As oficinas ministradas pelo coreógrafo Wagner Moreira contaram com a presença de 60 participantes de diferentes idades e backgrounds. Uma oficina foi realizada para 40 crianças do Vale do Jequitinhonha que compõem o coro dos Meninos de Araçuaí do projeto CPCD e estavam de passagem por Barbacena na Bituca Universidade de Musica Popular do Grupo Ponto de Partida. Uma outra oficina aconteceu em uma das instalações da UNIMED Barbacena para 20 funcionários da empresa. Com o título „desplug@do“ o workshop utilizou de técnicas corporais para higiene mental através de ginástica laboral e dança contemporânea e teve como assistente a bailarina e estudante de fisioterapia Vivian Moreira que também acompanhou os ensaios finais do espetáculo „Só um pouco a.normal“ em Barbacena.

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Core贸grafo Wagner Morereira & Meninos de Ara莽ua铆 S贸 um pouco a.normal


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Site Barbacenaonline Setembro 2013

http://www.barbacenaonline.com.br/noticias.php?c=11627&inf=100 S贸 um pouco a.normal


Jornal Praça Pública 19 de Julho 2013

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Jornal Correio da Serra 27 de Julho 2013

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Jornal Estado de Minas 15 Agosto 2013

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Jornal de S谩bado 27 de Julho 2013

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Revista Veja - BH 21 Agosto 2013

http://vejabh.abril.com.br/arte-e-cultura/teatro/antigo-hospital-colonia-barbacena-tema-coreografia-grupo-primeiro-ato-750150.shtml

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Revista Veja - BH 21 de agosto 2013

http://vejabh.abril.com.br/edicoes/inconfidencias-mineiras-750131.shtml

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Revista Viver Brasil 23 de Agosto 2013

http://www.revistaviverbrasil.com.br/155/coluna/zoom/

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Jornal O TEMO 23 de agosto 2013

http://www.otempo.com.br/diversรฃo/espetรกculo-lanรงa-um-convite-ao-encontro-com-as-diferenรงas-1.701474

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Jornal „Hoje em Dia“ 23 de Agosto 2013

http://www.hojeemdia.com.br/pop/primeiro-ato-estreia-montagem-inspirada-na-historia-do-maiorhospicio-do-brasil-em-barbacena-1.160794 Só um pouco a.normal


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Jornal Estado de Minas 23 de agosto 2013

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Jornal Estado de Minas 03 Setembro 2013

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Jornal Nova M铆dia

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Site Barbacena Mais

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Site Prefeitura Municipal de Barbacena

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Site Barbacenaonline Junho 2013

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Site Barbacenaonline Julho 2013

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Di谩rio Regional Juiz de Fora

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Tribuna de Minas Juiz de Fora

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Site Barbacenaonline Mar莽o 2013

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Jornal Praça Pública 08 Março de 2013

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Jornal se Sรกbado 09 Marรงo de 2013

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Site Funarte - Agosto

2013

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http://www.funarte.gov.br/danca/grupo-de-danca-primeiro-ato-apresenta-“tecendo-encontros”/

Site DZAI –BH Agosto 2013

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http://www.dzai.com.br/raquelclf/noticia/montanoticia?tv_ntc_id=85834

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Site Radio Inconfid锚ncia - Agosto2013

http://www.inconfidencia.com.br/modules/extcal/event.php?event=2602

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Site da Band - Agosto 2013

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Site Orfury - Agosto 2013

http://www.orfury.com.br/blog/104680/espetaculo-lanca-um-convite-ao-encontro-com-as-diferencasminas-gerais.html

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Blog Canal Minas Sa煤de - Agosto 2013

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Site Agenda BH – Agosto 2013

http://www.agendabh.com.br/eventos_detalhes.php?CodEve=11723

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Blog Pens麓Antes Julho 2013

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http://padomapirms.blogspot.com.br/2013/07/contradanca-com-loucura-so-um-pouco.html

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Exposição Fotográfica „Três Lentes sobre um olhar“

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Convite e Flyer virtual

Livro de assinaturas Exposição e Instalação „Museu da Loucura“ Barbacena

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Visitantes no „Museu da Loucura“

BQ Shopping - Barbacena Instalação Fotográfica / Divulgação

Coreógrafo Wagner Moreira- Montagem Instalação/ Divulgação

Espaço de Acervo de Criação Compartilhada (EACC) do Grupo 1° Ato- Nova Lima Só um pouco a.normal


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O nosso muito obrigado aos nossos parceiros

AGIR- Prefeitura Municipal de Barbacena UNIMED - Barbacena Grupo de Dança 1° Ato Grupo Ponto de Partida Toca Music Bar Metamorfose Cabelereiros Carlinhos Auto Peças Passo Certo Calçados O Boticário BQ- Shopping CVC - Barbacena

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Doc. 5° Edicao Prêmio Cena Minas "só um pouco a.normal" by Wagner Moreira - Issuu