Skip to main content

Jornal Icapra 110

Page 1

ANO 13 | n° 110 | 2018

ALTO DE OXÓSSI CELEBRA OS 50 ANOS DE PAI ÍCARO PÁGS. 06 E 07

“VIVA A DIVERSIDADE” MARCA UNIÃO EM SÃO PAULO

45 ANOS DE PAI BETO D’ OXAGUIÃ

EXPOSIÇÃO DE MESTRE DIDI

PÁG. 05

PÁG. 09

PÁG. 20

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

JORNAL

ICAPRA


ICAPRA

pg. 2


ICAPRA

pg. 3


ICAPRA

pg. 4

VIOLÊNCIAS:

COMO SOLUCIONÁ-LA? UMA ANÁLISE À LUZ DO ESPIRITISMO almirespirita@gmail.com

Reprodução da Internet

S

A Doutrina dos Espíritos, baseada nos três aspectos; Ciência, Filosofia e Religião, nos informam que o ser humano é um espírito imortal, ainda imperfeito em progresso evolutivo espiritual. - Mas seria a violência a pior coisa do mundo? A pior coisa do mundo não é a violência, é a apatia... A violência de modo geral terá fim quando todos nós pararmos de achar normal tudo o que acontece e não fazer nada para por fim aquele ato. “Reflexiona com calma em torno dos teus atos e ouve a consciência.” (Joanna de Ângelis). Saúde, paz e amor a todos, nesta caminhada Terrena ao encontro do nosso mestre Jesus o Cristo!

eria a violência doméstica, o efeito sobre as uniões de corpos, sem afetividades, e que podem ser repercutidas nas violências urbanas? Os desvios das verbas públicas por aqueles que foram eleitos pelo povo, caracteriza a violência política? A discriminação social baseada nas diferenças biológicas entre os povos seria os motivos das violências sociais? Segundo a ciência antropológica, o ser humano age por reflexos biológicos, herdados ou adquiridos, enquanto que a sociológica nos informa que o ser humano age por reflexos de convivências do meio social em que vive.

Expediente Jornal ICAPRA Editor Responsável: Marcelo Fritz Registro MTB: 30754-RJ Edição: Marcelo Fritz Diagramadora: Viviana Assunção Colaboradores: José Beniste / Almir O. de Souza / Walter Nkosi / Pai Marcio d’Jagun Endereço: Av. Presidente Kennedy, 335 Coelho da Rocha – São João de Meriti – RJ Tel: 21-2663-5815 / zap: 21-9 7032-9289 email: jornalicapra@gmail.com

OLÁ LEITORES! Nesta edição especial fazemos uma homenagem a Pai Ícaro d’ Oxóssi, pelos seus 50 anos de iniciação, Pai Beto d’ Oxaguiã pelos seus 45 anos. Em São Paulo As Águas de São Paulo e Encontro das águas se unem e fazem o encontro “Viva à Diversidade”, a exposição de Mestre Didi, Política e muta informação recheiam está edição do Jornal ICAPRA, que anuncia o próximo Prêmio Atabaque de Ouro. Na gira dos festivais que traz todas as informações sobre o universo dos festivais que recentemente a mídia o nomeou como Rock in Rio da Umbanda. E assim vamos seguindo, contribuindo com nossa parte e difundindo nossas tradições com compromisso e responsabilidade. Boa Leitura!

Marcelo Fritz – Editor Responsável


ICAPRA

pg. 5

“VIVA A DIVERSIDADE” MARCA UNIÃO ENTRE MOVIMENTOS DE POVOS TRADICIONAIS E MATRIZES AFRICANAS O evento foi promovido por “As Águas de São Paulo” e “Encontro das Águas” O “Viva a Diversidade” aconteceu dia 11 de junho, na Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, e reuniu mais de 400 pessoas de matrizes africanas. A edição simbolizou a união das Águas de São Paulo e o Encontro das Águas. Durante a cerimônia estiveram presentes diversos Babalorixás e Yalorixás, Luciana Franã, primeira dama do Estado, Patrícia Penna, secretaria adjunta de cultura de São Paulo e da deputada estadual Clélia Gomes. O evento também contou com apresentações de dança e desfile de moda afro. O “Águas de São Paulo” foi idealizado há 12 anos pela Mãe Edelzuíta de Oxaguian - quarta filha mais velha de Mãe Menininha do Gantois, precursora da Raiz Gantois no Rio de Janeiro (onde fundou o ILÈ OBÁ N’LÁ, em 1944). E o “Encontro das Águas” é um grupo recente, com grande atuação no município de São Bernardo do Campo. Os movimentos começaram a desenvolver uma série de atividades culturais na capital paulista, com a finalidade de dar visibilidade a cultura afro e sua ancestralidade. Ambos têm como objetivo manter viva a tradição religiosa, a preservação das tradições africanas, além de denunciar atos de preconceito e, principalmente promover a cultura de paz.

LEI SANCIONADA PARA NOSSOS POVOS O Águas de São Paulo auxiliou no desenvolvimento da Lei 1552/2015, de autoria da deputada estadual Clélia Gomes, que institui dia 30 de setembro no calendário oficial do estado, o Dia das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações da Umbanda e do Candomblé.

Lembrando que, o movimento surgiu por conta da criação de uma lei similar aprovada na Câmara Municipal de São Paulo. “O povo de Candomblé e da Umbanda, bem como todos os povos tradicionais do Brasil, necessita e merece ter espaço e voz no nosso país. E nada mais reconhecedor do que se instituir o Dia das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações da Umbanda e Candomblé”, afirmou a deputada. Vale lembrar que, Clélia criou a Frente Parlamentar do Respeito e da Liberdade à Diversidade Humana conta com cinco eixos, que são di-

vididos em grupos de trabalho. São eles: Diversidade Sexual E De Gênero; Cor e Etnia; Liberdade; Integridade e Autonomia da Mulher, Povos e Comunidades Tradicionais; Cultura de Paz e Liberdade de Crença.


ICAPRA

pg. 6

ALTO DE OXÓSSI CELEBRA OS 50 ANOS DE PAI ÍCARO D’ OXÓSSI Marcelo Fritz Robson d’ Oxóssi

O Axé Nilá Odé, conhecido pelo Axé do alto de Oxóssi, tradução do nome da casa, batizado por Waldomiro da Costa Pinto, Pai Waldomiro d’ Xangô, pessoa importante na fundação do Axé como na vida espiritual de pai Ícaro. Nascido em Niterói, Sebastião Ícaro Soares, conhecido como pai Ícaro d’ Oxóssi, tinha apenas um irmão, filho de umbandistas, avós e familiares que de certa forma influenciaram sua entrada na umbanda com 9 anos com a manifestação do Caboclo Treme Terra. Pai Ícaro ficou três anos na umbanda, logo em seguida foi para Seminário Vestibular Paulo VI, ficou até seus quatorze anos. “Seu Treme Terra se manifestou e mordeu a mão do Arcebispo da época. Fui para casa refletir e conheci a Iyá quequerê Ivone, ela estava procurando terreno, eu jogando bola. O diálogo veio e a amizade ficou, fui na casa dela mais tarde e com a amizade se fortalecendo fui levado a jogar na casa de Pai Walter Oyá, Oyá Kobi, ele foi a primeira Oyá de homem, do parque Fluminense, e fiquei na casa como abiã, ajudei, acompanhei fiquei até meus 17 anos, não pude entrar no primeiro barco, pois eu era de meno, mas no segundo barco, com a viagem de minha mãe me iniciei”. “Minha Mãe apareceu do nada devido ao atraso de meu retorno, chegou com a polícia no axé e foi um alvoroço. Fiquei com a cabeça confusa, mas fui pelo certo, mas foi gente presa uma loucura, mas já amava o candomblé, foi amor à primeira vista. Ela respeitou meu resguardo, eu dizia que só ia para

minha obrigação de três meses, já era de maior, fui pro quartel daí já era senhor de minhas atitudes. Me iniciei por pai Gamo, no axé de pai Walter d’ Oyá”. “Eu já abiã fazia amizade

com todos, Pai Baiano foi uma paixão à primeira vista de ambas a partes, desde então consegui conciliar os três pais digo assim, pois já havia ciúme dos três, pois eu era dedicado”.

“Nunca pensei em ser zelador, com o passar dos anos quando fiz seis anos de santo, resolvi alugar uma casa para louvar o caboclo Treme Terra, já no primeiro toque levei os três, era no bairro da Vila Três, no Centro de Alcântara, daí não parei mais, fiquei cinco anos lá até comprar um terreno, que era mato puro, em 1980. Eu mesmo construí minha casa, sou um excelente pedreiro, eu e o Ogã Paulo, era confirmado para meu pai Oxóssi”. Declara o Babalorixá com risos. “Tive uma vida profissional intensa, meu primeiro curso foi auxiliar de serviços hospitalar, depois fiz o curso auxiliar de enfermagem, trabalhei sempre em hospital, com uma passagem de guarda de banco”. Lembra com risos. Pai Ícaro tem enfim sua primeira, matrícula no estado no ano de 1972 e depois teve outra no Governo Federal.


ICAPRA

pg. 7 Os 50 Anos “Uma coroação, um sonho, algo que sempre imaginei, tantos rostos queridos e um flesh veio na minha cabeça com saudades, Professor Agenor, Mãe Dila, Tereza Matuquevi, Mãe Eunice d’ Oxalufã, Mãe Cantulina, Mãe Clarice, Meu avô Cristóvão, minha Vó Lindinha de Oyá, Mãe Agripina, Pai Nilson d’ Ossayn, Mãe Teodora, Mãe Caçula, seu Ninô, Equedy Célia, seu João da Goméia, dentre muitos.... Aos 49 anos de iniciado minha ficha começou a cair, as grandes conquistas e perdas que me marcaram. A hora difícil me arrumar e sentir essas faltas.

Saudades dos meus Pais “Primeiro foi Pai Gamo, logo depois foi pai Walter e fiquei com Baiano, que morei por quatro anos, de 1972 à 1975, foi quando fui para minha primeira casa de Axé que era alugada. Lembrome da briga deles, dos ciúmes, eu era muito mimado por todos eles, pai Gamo era meio seco, mas Baiano e pai Walter eram muito doces, pai Walter me incentivou a trabalhar, estudar e sempre esteve em cima de mim, isso agradeço a ele e esta lição incentivo aos meus filhos. Nunca ouvi falar e nem ví nada de errado desses meus pais. Pai Baiano não era letrado, mas homem de fibra e capaz, desbravador, cheio de culturas, trabalhou muito para construir o Parque Fluminense”.

J.I. O futuro de Pai Ícaro? Pai Ícaro: Meu Futuro é continuar com minha missão com responsabilidade, respeito, dedicação, pois um idoso vai virando uma criança estou com 68 anos de idade e necessito de todos. J.I. A continuidade do Axé Nilá d’ Oxóssi? Pai Ícaro: Quem sabe é Oxóssi, Xangô, eu não vi ainda, para mim tanto faz que seja um homem ou uma mulher, estou preparando algumas pessoas, que são dignas de assumir, tenho filha e filho que podem assumir, mas não necessariamente podem ser eles, sinceramente peço que Oxóssi me guie. J.I. Sonhos? Pai Ícaro: Quero Viver, sou muito apegado a vida, quero quanto mais vida tiver para fazer crescer ainda mais o axé.

Presença de Mãe Ângela do Gantois Iyá Quequerê do Gantois, filha carnal de Mãe Carmem, para mim foi uma honra, fui para o Gantois me entregar a Mãe Carmem de Oliveira, pessoa muito especial que chegou em minha vida, um presente, fui por recomendações de meu pai Baiano, era o que sempre dizia. Uma chancela importante nesta ocasião grandiosa de minha vida e de todos do meu axé.

J.I. Mensagem para Povo de Axé? Pai Ícaro: Que todos tenham esta felicidade que eu tive e estou tento, fazer seus 50 anos, é algo inexplicável, desejo isso para todos. Cuidado com as redes sociais, um bem mais seguido do mau, o que acontece em nossos axés são nossos ninguém tem nada haver com o outro. Aqui proibi fotos, filmagem ou registro sem autorização pois não sei a cabeça das pessoas. Conclui o Babalorixá. Contato: 21- 9996-78958


ICAPRA

pg. 8


ICAPRA

pg. 9

ILÊ AJAGUNÃ AXÉ OGUN MEJÉJÉ CELEBRA 45 ANOS DE PAI BETO D’ OXAGUIÃ Marcelo Fritz Mariana Maiara

O Axé Ajagunã abriu suas portas para celebrar os 45 anos de Carlos Alberto da Silva, conhecido pelo povo de axé por pai Beto d’ Oxaguiã. Iniciado em 6 de janeiro de de 1973, sozinho pelo saudoso Gidonã d’ Omolú no bairro Ramos, pai Beto carioca, sua família não era de axé, sua mãe Maria o levou para o axé por questões de saúde e alucinações. “Minha mãe nunca foi de santo, eu ficava alucinado com pesadelos, minha mãe fez muitas promessas e não mediu esforços para que eu melhorasse, eu tinha 14 anos, mas já tinha uma introdução no candomblé, fui abiã na casa de mãe Monamuquiamazi, filha de santo de seu João da Goméia. Me recolhi lá para fazer santo, erámos cinco, mas seu João da Goméia faleceu e então não fomos adiante.” Declara pai Beto. “Eu com 4 pra 5 anos, minha mãe era empregada doméstica, seu patrão era filho de Mãe Amanda, do Engenho Velho, seu Irineu (patrão), já tinha santo em casa, mãe Amanda me apontou para ajudar seu Irineu, a cuidar do oxalá dele, isso começou a piorar minha situação, não fiz santo lá, minha mãe me levou para mãe Monamuquiamazi, onde fiquei por al-

saí de lá com seu falecimento e fui para Pai Waldomiro Baiano pessoa que fiquei até seus últimos dias, uns 9 anos”. “Com falecimento de meu pai Baiano eu já frequentava o Gantois com meu pai, não vi outro caminho, hoje faz em torno de 10 anos que estou na casa”.

Meus 45 Anos

guns anos”. Sua família acabou entrando para o axé, sua mãe iniciou ele já era zelador, já estava com 14 anos de santo, quem fez sua mãe foi Belazinha d’ Oxum, filha de mãe Senhora. “Minha mãe já sabia que eu tinha cargo, quando fiz o santo todos sabiam. Comecei a colocar Yawô na casa de meu zelador, estava com em média pouco mais de sete anos, eu era braço

dele, abri a casa estava com 8 à 9 anos, aluguei uma casa e comecei, então não parei mais.”

Conclusão das Obrigações “Por motivos particulares embora já tivesse recebido Igbáxé e meus direitos de meu zelador fui para casa de pai Bira d’ Ogun do Pantanal, fiquei com ele uns 19 anos, só

“Fiquei muito feliz, faz um ano que enfartei, saí e caí dentro do candomblé novamente, muitos anos de dificuldades e vitórias, comecei de baixo, sou uma prova de vitórias. Valeu a pena as privações, esforços, lutas, e persistências. Amo o meu orixá, meu axé, só tenho a agradecer, não nasci em berço de ouro, tudo que tenho foi conquistado, não caiu do céu”. Declara Pai Beto com emoção. Contatos: 21-2775-5320 99249-9307


ICAPRA

pg. 10


ICAPRA

pg. 11

RELIGIÃO E PARTICIPAÇÃO NA POLÍTICA José Beniste

O período eleitoral vem se aproximando ao lado do interesse de vários companheiros em se candidatarem a um cargo político, nas próxima eleições. Em experiências anteriores nunca fomos felizes na conquista de um espaço político, em número de pessoas condizentes com a nossa grandeza religiosa. Podemos lembrar que nas décadas de 70 e 80 as Casas de Umbanda e de Candomblé eram visitadas por políticos, em sua maioria, estranhos à religião. As sessões eram interrompidas para que os candidatos fizessem uso da palavra, explicando as razões de sua visita. Acreditavam no poder de voto de nossa gente que, embora eleitos, não cumpriam o que prometiam. A inexperiência tem sido persistente nas últimas campanhas, e que pode ser revelada pelo total de votos conquistados entre todos os candidatos ditos da Umbanda e do Candomblé. A luta eleitoral é uma ciência que precisa ser bem estudada, tanto por parte do candidato como do eleitor. Um caminho necessário a ser seguido. RELIGIÃO E POLÍTICA Religião e política sempre andaram juntas, pelo hábito de acordos de núcleos religiosos com políticos e governantes. Podemos destacar que uma das mais im-

21-2437-4833

a fim de não sofrer discriminação. Há outros casos de humilhação e preconceito que dependem da política, sendo esta uma das razões de termos nossa gente para discutir os assuntos. O problema atinge os nossos eleitores, que ainda têm dificuldade para compreender a força do voto, a força da nossa comunidade organizada. Conforme ficou comprovado, muitos votam em candidatos que são contrários aos nossos princípios religiosos. A IMPORTÂNCIA DO VOTO portantes conquistas democráticas foi a separação entre religião e política. Não é que não tenham nada a ver, mas as relações políticas, sociais, cívicas, não permitem ser orientadas pelas opções religiosas. Por outro lado, as religiões muitas vezes ocupam um papel que deveria ser do Estado. Algumas igrejas, terreiros, sinagogas, entre outros, por todo país, incentivam seus integrantes a conhecerem seus direitos civis e a lutar por eles, além de ajudar pessoas em situação de pobreza ou de falta de saúde. Devemos lembrar que vivemos em um Estado laico, neutro, que não professa nenhuma religião, mas tolera, aceita todas, inclusive a falta total de religião. O fato questiona desde a presença

de crucifixos em repartições públicas até as recentes orações realizadas antes das sessões na câmara dos deputados. A Igreja foi importante para a formação nacional com uma presença contínua no cenário brasileiro. Enquanto isto, o Estado se revela em benefícios irregulares como, por exemplo, patrocínio efetivo à Marcha Evangélica para Jesus. No caso do Candomblé e da Umbanda, o problema não está na pretensão em se fazer religião dentro da política da forma como é feita pela Frente Parlamentar Evangélica. O propósito principal é o cumprimento das leis que já existem serem devidamente exercidas. Podemos lembrar de pessoas que são obrigadas a esconder a sua religião nas escolas, na vizinhança ou local de emprego,

É necessário lembrar que voto é coisa séria. Quem negocia seu voto, não terá o direito de cobrar depois. O voto consciente deve servir para fortalecer as ideias, fazendo com que Candomblé e Umbanda sejam cada vez mais respeitados e exerçam todos os direitos que a lei assegura às religiões. Devem merecer nosso voto àqueles candidatos que assumam compromisso público com a comunidade, que apresentem propostas concretas e que lutem contra a intolerância religiosa. O ideal certamente é que o voto sirva para eleger candidatos da própria religião, colocando pessoas que sintam na pele o peso da discriminação religiosa. Caso contrário, iremos fazer parte efetiva como participantes de procissões de protesto.


ICAPRA

pg. 12


ICAPRA

pg. 13

AXÉ&VARIEDADES

Babá Marcelo Fritz - email: icapra.geral@gmail.com

Olofin Odùduà, rei de Ifé,no Teatro joão Caetano Adeptos das tradições de matrizes africanas foram recepcionar o rei de Ifé no Teatro João Caetano, atrações culturais, ilustraram aos convidados que prestigiaram a atividade que contou com a presença do ilustre Rei e sua corte que o acompanharam em comitiva a toda agenda no Rio e demais estados por onde passou. Os trajes chamaram a atenção, não só da corte e do rei, mas dos convidados que capricharam nas vestimenta e adereços fazendo do encontro inesquecível.

Bárbara Lopes / Agência O Globo

75 ANOS DE INICIAÇÃO DE WALDOMIRO BAIANO

Secretária Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Recebe Representantes dos Cultos Afros Dra. Eloisa Arruda, recebeu representantes dos cultos afros em seu gabinete onde puderam expor diversas demandas do segmento. “O encontro foi super positivo, expomos nossas prioridades e fomos ouvidos com atenção”, declararam os convidados que julgaram muito positivo o encontro. Participaram da audiência os seguinte líderes religiosos: Pai Engels Barros, da Escola Curimba e Arte Umbandista Aldeia de Caboclos; Sandra Santos, presidente da Associação Umbandista e Espiritualista do Estado de São Paulo (Aueesp); Mãe Maria Aparecida Nalessio, presidente do Primado do Brasil;Ogan Juvenal, coordenador-geral da União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil; Dra. Juliana Ogawa, sacerdotisa umbandista e diretora jurídica de Federações, e representado a Casa Aldeia Estrela da Manhã de Mãe Monica de Oxum, o Ogan Dinho de Ogum.

CONCEIÇÃO EVARISTO IRÁ FORMALIZAR SUA CANDIDATURA À ABL

O Axé Barú Lépé está se preparando para os 75 anos de Xangô de Pai Waldomiro, o evento está marcado para dia 13 de outubro com programação a ser definida. No dia 07 de Julho a casa realizará um evento beneficente com objetivo de captar recursos para melhorias no espaço físico. O evento é uma feijoada beneficente que com bingo, petiscos, atrações culturais. As confirmações deverão ser feitas através de depósito garantindo os convites: Maiores informações: 1198294-8569 ou 21-96461-1754.

A escritora Conceição Evaristo confirmou que pretende entregar sua carta de candidatura à Academia Brasileira de Letras (ABL). A autora foi anunciada ainda como homenageada do primeiro Prêmio Mestre das Periferias, que acontece em agosto. ‘Estamos nos candidatando a um lugar que, como todos os lugares da política e da cultura, são lugares dos negros.’ Uma petição online criada em apoio à eleição da autora para a ABL já ultrapassou as 18 mil assinaturas. — Essa campanha tem me sustentado e motivado a seguir com a candidatura. Ver essa movimentação me fortalece — disse Conceição.

ADEUS A PAI RIVAS NETO E no dia 25 de maio ocorreu o desenlace do Bàbàlòrìsá Rivas Ty Ògìyàn também conhecido como Pai Rivas Neto, ou Mestre Arapiaga. Francisco Rivas Neto era Teólogo afro-brasileiro, autor consagrado e conceituado no âmbito das Religiões Afro-brasileiras, tem várias obras publicadas, com reedições e reimpressões. Fundador da primeira faculdade de teologia com ênfase em religiões afro-brasileiras, Faculdade de Teologia Umbandista e Dirigente da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino. Aos amigos e familiares, nossos pêsames sinceros.


ICAPRA

pg. 14


ICAPRA Rosa Perdigão Divulgação

No último dia 14 de junho, no salão nobre da câmara municipal da cidade do Rio de Janeiro, aconteceu o lançamento do setorial do partido Democratas, DEM AXÉ. Personalidades, dirigentes de templos, produtores culturais e aliados foram celebrar momento especial que deu posse a presidente Ekedy Débora d’ Ayrá que fará coordenação estadual. O evento teve início por volta das 18h com abertura com curimbeiros de Umbanda, campeões e veteranos do Prêmio Atabaque de Ouro, veteranos de festivais de músicas de Umbanda como: Beatriz Nascimento, José Carlos de Oxóssi, Márcio Barravento, o campeão dos campeões Ricardo d’ Ogun e seguidores de curimbas que acompanharam os veteranos. Uma mesa composta pela deputada federal Laura Carneiro, Ekede Débora, Babalorixá Marcelo Fritz, Rita Ventura da ABAM, Paulo de Oxalá, Mãe Arlene d’ Katendê e Cristiane resumiram em falas de agradecimentos e importância de setorial para mais uma voz na luta pela difusão e políticas públicas para segmento de axé. Pai Sagemi, Pai Bira d’ Xangô, Mãe Helena d’ Dã e Mãe Selma d’ Omolú também tiveram palavra para abençoar o novo setorial do democratas. OgãBangbala e Aurelino Encarnação comandaram toques e cânticos em louvor aos orixás, que passaram calor e coroaram a confraternização de todos.

pg. 15

LANÇAMENTO DE SETORIAL DO DEMOCRATAS DEM AXÉ REÚNE PERSONALIDADES DO POVO DE SANTO


ICAPRA

pg. 16


ICAPRA

pg. 17

DEPUTADA ESTADUAL CLÉLIA GOMES CONTRIBUI COM MATRIZES AFRICANAS E POVOS TRADICIONAIS A parlamentar é autora de leis estaduais que beneficiam a comunidade A deputada estadual Clélia Gomes, primeira mãe de santo eleita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), realiza trabalhos específicos na Assembleia Legislativa de São Paulo, voltados à matriz africana. Há Projetos de Lei protocolados e em tramitação que beneficiam a população adepta a religião e suas vertentes. Um deles é o PL 1553/15, que propõe a autorização à prestação de ajuda e amparo religioso em hospitais da rede pública ou particular, em suporte a pessoas enfermas e doentes. Visando regulamentar no Estado o acesso de sacerdotes religiosos, em hospitais ou penitenciárias para realizar apoio necessário aos membros da comunidade. Outro Projeto de Lei existente é o 1555/15, que visa à criação das delegacias específicas de crimes raciais e intolerância religiosa. Com esse Projeto, a deputada pretende criar uma delegacia de combate ao racismo e intolerância religiosa, tratando dessa questão por meio das diferenças étnicas raciais. Para compreender todas as necessidades da religião, a

#EMDEFESADAMULHER

deputada visita semanalmente casas e entidades em São Paulo. Durante o mandato, Clélia conheceu diversos terreiros na capital e no interior do Estado. Em conversa com os membros das casas, a deputada procura ouvir as demandas com o intuito de planejar políticas públicas que favoreçam os povos de tradições e matrizes africanas. Vale ressaltar que, Clélia participou no início do mês de maio, como palestrante do 2º Fórum Regional de Liberdade Religiosa de Povos Tradicionais de Matriz Africana, realizado em Araçatuba, interior do Estado. O evento ocorreu dia 07

de maio, no Teatro Paulo Alcides Jorge, e contou com a presença de mais de 100 pessoas. O principal objetivo do Fórum foi traçar ações que aumentem a participação político-social na busca por afirmação de direitos.

No dia 08 de junho, a lei número 16.754 de autoria da deputada estadual Clélia Gomes (Avante), em benefício à mulher, que torna obrigatória a divulgação em locais de acesso público aos telefones da Central de Atendimento à Mulher (Disque 180) e do Serviço de Denúncia de Violações aos Direitos Humanos (Disque 100), foi sancionada por Márcio França, atual governador do Estado de São Paulo. “O serviço ofertado pelo Estado será ainda mais utilizado se for divulgado de maneira intensa. A ideia é fortalecer o direito da mulher, tornando um incentivo a mais para que saiam do silêncio e, tomem coragem para denunciar casos que ponham suas vidas em risco”, afirma a deputada. Já o Disque 100, é um serviço de utilidade pública da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), destinado a receber demandas relativas a violações de direitos humanos, em especial as que atingem populações com vulnerabilidade acrescida, como: crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, LGBT, pessoas em situação de rua, entre outros.


ICAPRA

pg. 18


ICAPRA

pg. 19

DOCUMENTÁRIO MOSTRA RIQUEZA DA MÚSICA TOCADA NOS TERREIROS DE CANDOMBLÉ

Jovens de Candomblé debatem racismo ambiental e o futuro da religião

Orin: Música Para os Orixás foi lançado em uma série de eventos até o dia 27 de maio Marília Moreira, no Correio 24 horas

Pleno News

Divulgação

A riqueza da música tocada nos terreiros de candomblé de Salvador e sua influência na construção da música popular brasileira são registradas no documentário Orin: Música para os Orixás, foi lançado no dia 20 de maio, no Terreiro do Gantois, na Federação. O filme, dirigido pelo baiano Henrique Duarte, 31, surgiu como um trabalho de conclusão da graduação em Jornalismo na Universidade Federal da Bahia. “Comecei a fazer essa pesquisa em 2014, no final do curso. Sou músico e na faculdade me interessei pela área de documentário”, lembra Duarte. Baixista de banda de rock desde a adolescência, ele começou a olhar com mais atenção para as bases rítmicas da música popular brasileira também há cerca de quatro anos, quando passou a tocar no grupo Tabuleiro Musiquim. Depois de entrevistar pais de santo, etnomusicólogos, alabês e artistas da cena baiana com a ajuda de amigos e finalizar o trabalho de conclusão de curso, Duarte viu que precisava melhorar o material. “É um tema importante, relevante para nossa cultura. Comecei a inscrever em editais para financiar a gravação de mais cenas, contratar uma equipe e finali-

Reprodução Facebook

zar melhor o material e acabei conseguindo ser aprovado em um da Fundação Gregório de Mattos”, conta Duarte. HISTÓRIAS Para ele, no entanto, o grande trunfo da nova fase do projeto foi ter conhecido o alabê Iuri Passos, 39, professor do projeto social Rum Alagbê, que ensina atabaque a jovens da comunidade do Terreiro do Gantois. “Quando o conheci, me dei conta do que faltava no filme: uma história humana que conduzisse a narrativa. Iuri viaja o mundo, toca com vários artistas, e sempre volta para o terreiro, onde comanda o projeto e também toca nas festas, nos rituais”, ressalta Duarte, que passou a acompanhar as aulas do Rum Alagbê, nas manhãs de sábado. Para Iuri, é uma satisfação ter parte do seu trabalho en-

quanto músico e também pesquisador documentado no filme. “A minha participação no documentário vem através do projeto Rum Alagbê mesmo, no qual eu transmito os ritmos da candomblé para a comunidade do Gantois e do entorno. Henrique foi ver uma aula, descobriu que eu estava fazendo um mestrado em etnomusicologia na Ufba relacionado à música de terreiro e pediu pra assistir e gravar a defesa”, conta Passos, que atualmente leciona a disciplina Ritmos Afro-Baianos na Universidade Federal da Bahia. Outro personagem central para a construção do filme é Nancy de Sousa Silva, a dona Cici, 76, filha de santo, griô e colaboradora da Fundação Pierre Verger, que lançou em 2015 o livro Cozinhando Histórias: Receitas, Histórias e Mitos de Pratos Afro-Brasileiros. Foi a partir de uma das três entrevistas feitas com ela que surgiu o nome do documentário. “No candomblé tem cantiga para trabalhar, para fazer as oferendas, para as folhas, para tudo que a gente faz”. Dona Cici foi entrevistada três vezes; a partir de uma das conversas com ela, que surgiu o nome do filme.

Nesta sexta-feira (8), três imagens da umbanda e do candomblé apareceram em frente a uma igreja evangélica no Rio de Janeiro. Elas foram deixadas durante a madrugada no portão da Primeira Igreja Batista de Vista Alegre (PIBVA), na Zona Norte da capital. O ato foi tido como uma afronta direta e uma ação de intolerância religiosa pelos membros da igreja e vizinhos. Ao saber do caso, o líder da Igreja Batista Nova Esperança, no bairro vizinho da Penha, lamentou que casos de intolerância não são incomuns e demonstrou sua tristeza. – Pela questão de convivência social e humana, intolerância existe em qualquer grupo social. (Estou) triste pela forma como expuseram sua fé ou, seja lá a motivação da provocação. Agora, espiritualmente falando: “maior o que está em nós, do que o que está no mundo!” – disse Michel Carvalho. – O respeito é fundamental, lamentável que ainda existam pessoas que não sabem respeitar a fé alheia. O respeito tem que ser praticado por todos os lados, é uma via de mão dupla – declarou Mônica Fernando, católica. O Pleno.News entrou em contato com o pastor da PIBVA, Cláudio Garcia, mas não obteve resposta até o presente momento.


ICAPRA

pg. 20

DUAS EXPOSIÇÕES DE MESTRE DIDI COMPROVAM VIGOR DE SUA OBRA Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

Valéria Gonçalvez/Estadão

Artista dialoga a tradição da ancestralidade africana com elementos do candomblé e da modernidade Mestre Didi, o escultor e sacerdote baiano Deoscóredes Maximiliano dos Santos (19172013), não dava entrevistas por causa de um interdição ligada a seus títulos no candomblé. Preferia escrever. Pena. Teríamos hoje, além de seus livros prefaciados por europeus cultos como o sociólogo francês Roger Bastide, o depoimento de um homem religioso sobre sua atividade como artista, o que seria bastante oportuno numa ocasião como esta, em que se registra a rara convergência de duas exposições simultâneas sobre suas esculturas em São Paulo, uma no Museu Afro Brasil, que vai até 10 de junho, e outra na Galeria Almeida e Dale – esta última aberta até sexta, 25, realizada em conjunto com a Galeria Paulo Darzé, da Bahia. Um depoimento do mestre neste momento seria esclarecedor, pois persiste uma visão equivocada sobre sua produção artística, ora confundida com artesanato, ora reduzida a uma expressão exclusiva da cultura que diz respeito tão somente a iniciados no candomblé. Essa situação é tão verdadeira que muitas coleções brasileiras importantes não ostentam uma só peça de Mestre Didi, seja por preconceito religioso ou falta mesmo de conhecimento dos procedimentos artísticos de um contemporâneo que não renunciou às tradições africanas. Ao contrário: todas as obras

de Mestre Didi exibidas nas duas mostras confirmam esse compromisso com a ancestralidade africana, algo que a modernidade européia teve (e ainda tem) dificuldade de assimilar, a despeito de replicar de modo predatório a cultura africana (exemplo máximo disso é o Cubismo Picassiano, como lembrou o historiador alemão Carl Einstein em seu livro Negerplastik, isso há mais de um século, em 1915). Os africanos e seus descendentes sempre foram explorados – e não só na Europa, mas abaixo do Equador. Nunca deve ter ocorrido a Mestre Didi que suas obras tivessem um valor intrínseco sem visar a edificação dos devotos, por exemplo. Isso não faz desses objetos peças com propósitos sociais e religiosos exclusivos. Ao se concentrar na composição ou nos problemas formais de cada um desses objetos, Mestre Didi estava ao mesmo tempo preocupado em construir refinadas peças rituais e reforçar sua presença na contemporaneidade, uma espécie de diálogo de um religioso com a moderna sociedade laica.

SANTO ANTÔNIO E EXU: PORQUE MUITOS FAZEM ESTA CORRELAÇÃO ENTRE ELES? Santo Antônio, santo católico, é muito associado a Exu, Guia e também Orixá de Umbanda. Contudo, basta buscar pelos dois na internet e logo encontraremos muitas referências. Nós, aqui no Umbanda Eu Curto, sempre evitamos a correlação. Afinal, isso se deve ao fato de não encontramos muitas fontes confiáveis para a aproximação entre um e outro. Ainda assim, olhando com mais cuidado o que muitos já publicaram, chegamos a algumas conclusões que dividimos aqui com todos. Santo Antônio é um dos santos mais populares da Igreja Católica. Igualmente, Exu talvez seja a figura (Orixá, Guia) mais popular das religiões afro -brasileiras. Também chamado de Santo Antônio de Pemba, de Lisboa, de Ouro fino e de Pádua, teve em sua bravura, quando encarnado, uma de suas maiores características. De maneira idêntica, Exu é guardião, é da Esquerda, bravura comprovada! Santo Antônio enfrentava os ricos e poderosos para favorecer os pobres. Da mesma forma, Exu atua sob a Lei Maior, orientando a todos para o crescimento e prosperidade, quando solicitado. Santo Antônio abandonou as coisas materiais para dedicar-se ao bem estar do próximo.Em vida, foi homem de grande cultura, professor de Universidade, e conhecia inclusive assuntos tidos como profanos. Era muito próximo, acessível a todos. Exu fala fácil a todos. Com efeito, é compreensível, direto, sem rodeios. Não sonega assuntos. Santo Antônio acreditava que o mundo espiritual deveria ser mais próximo do mundo material. Com isso, trabalhava para que as relações humanas fossem mais valorizadas, sempre

com ênfase no amor. De tal sorte que a relação com Exu, sempre procurado para questões bem terrenas como o amor, os relacionamentos e os negócios. Santo Antônio também tinha grande dom para oratória. Assim, falava com simplicidade e clareza, outra característica de Exu na Umbanda. Santo Antônio é o santo casamenteiro. Entende muito bem os problemas sentimentais e materiais dos seres humanos (assim como Exu). Por fim, não acreditamos que haja um sincretismo entre eles. Na verdade, Santo Antônio e Exu podem ser aproximados. O matrimônio é uma ligação amorosa, familiar. É um compromisso, um momento de mudança na vida de um casal. Com toda certeza, Exu está nos momentos de virada, nas encruzilhadas da vida. Escolher o melhor caminho, o melhor parceiro ou parceira para vida é um desejo da maioria. É um compromisso consigo mesmo e com outro. É relacionar-se, aproximar-se de alguém ‘para todo o sempre’. É ligar-se emocionalmente, fisicamente, pelo espírito e pela carne. E é este um terreno fértil para Santo Antônio e Exu.


ICAPRA

pg. 21

CENTRO ESPÍRITA PAI OXALÁ CELEBRA VOVÓ MARIA CONGA Marcelo Fritz

Fundado no dia 6 de janeiro de 1939, pela saudosa Maria Luiza de Oliveira Nery, Mãe Maria d’ Iansã, hoje na segunda gestão com Mãe Selma d’ Omolú. A comemoração aconteceu em Raíz da Serra, filial do C.E.P.O., pois a casa tem sua matriz em praia de mauá. A cerimônia começou com as entregas de oferendas, feijoada, vinho, velas e flores que decoraram a mesa tradicional para as almas, logo em seguida a sessão foi aberta e em seguida os pretos velhos foram louvados em seguida os caboclos também foram reverenciados. Uma feijoada foi servida aos convidados no final dos rituais numa grande confraternização de amigos, filhos e assistência que acompanham os trabalhos do terreiro. Dia 14 de julho será a festa de dona Mulambo, entidade que comanda a gira dos exús no templo, a festa esta programada para às 20h e será na matriz na praia de Mauá, que se localiza na rua: João José de Campos 48, Novo Imperador – Praia de Mauá. Contatos com mãe Selma: 21-9 8715-9317.


JORNAL

ICAPRA

Anuncie! Divulgue no jornal que tem seriedade e compromisso com nossas tradições

(21)

G uiã E ssências Direção: Jairo d’ Guiã

Desde 2005 atuando no segmento de Águas - Essências Óleos - Perfumes do Boto e da Bota - Perfumes em geral Banhos etc... Atendendo em todo Brasil! Águas de Alfazema, Céu, Flor d e Laranjeira s, Melissa e Rosas

doa, o, Amên o, in íc R : s Óleo létric i, Peixe E Peixe Bo ra, Trombeta b Tatu, Co outros... t den re

(21) 2882-0039

(21)

97032-9289

mor Atração, A Perfumes: , o, Malandro agarradinh rixás, Todos os O e d , o n a ig C tos s, Exús, Pre Pombagira s. o tre outr .. Velhos, den

to, as, Absin , t ru F , s a s: Erv ijoim Essência rango, Cravo, Be ite, o M No Baunilha, ronela, Dama da it ,C de Alfazema outras, são mais ... re t lh n o e d a esc a u s à s e d a 50 varied

96419-9237


ICAPRA

pg. 23

Professor, advogado, escritor e Bàbálórìṣà

ori@ori.net.br Márcio de Jagun

Reprodução Internet

INTOLERÂNCIA JUDICIAL: Tribunal mantém vídeos ofensivos contra religiões afro A intolerância religiosa é, sem sombra de dúvidas, a temática relativa aos Direitos Humanos ainda menos difundida, compreendida e resguardada em nossa sociedade. O reflexo desta constatação é a falta de consciência social acerca do que sejam, na prática, os conceitos de liberdade religiosa, liberdade de expressão, racismo religioso e laicidade do Estado. Na formação jurídica básica de advogados, juízes, promotores, delegados, defensores públicos, etc, não são ensinadas as definições básicas acerca do que seja intolerância religiosa. O Judiciário sequer consolidou um entendimento jurisprudencial sobre o tema, capaz de refletir à farta legislação existente para garantir esse direito fundamental. No último dia 12/6/18, no processo 0006182-14.2017.4.02.0000, a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, por unanimidade, negou pedido do Ministério Público Federal para que YouTube retirasse 15 (quinze) vídeos preconceituosos e intolerantes contra religiões de matrizes africanas. O relator do caso, Des. Ricardo Perlingeiro alegou que o caso envolve “...sensível embate entre liberdade religiosa e liberdade de expressão”. A decisão é lamentável e reflete a insensibilidade do Judiciário no tocante à intolerância religiosa. A questão julgada não se trata de

YORUBÁ VOCABULÁRIO TEMÁTICO DO CANDOMBLÉ

Adquira direto com o autor e-mail: ori@ori.net.br

taram a ação judicial são gravíssimos e extrapolam em muito esses parâmetros. Esperamos que o Judiciário possa rever essa decisão em outra instância. ENTENDA O CASO:

simples caso de liberdade de expressão. O marco legal entre a liberdade religiosa e a liberdade de expressão, é o que conceituamos tecnicamente de proselitismo negativo. Ou seja, a liberdade de expressar opiniões, assim como a liberdade de convencimento ou de conversão são garantidas. Porém, até o limite em que esses dois direitos não ofendam, descontextualizem, nem façam apologia ao ódio, nem ao preconceito em relação a outras religiões e culturas. Os fatos que pau-

Em 2014, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro, atendendo à denúncia da Associação Nacional de Mídia Afro, instaurou um procedimento administrativo e determinou que a Google do Brasil, administradora do YouTube, retirasse daquele canal 15 vídeos cujos conteúdos foram considerados preconceituosos e intolerantes contra as religiões de matriz afro. Como o Google negou-se a retirar os vídeos, o Procurador da República Jaime Mitropoulos ajuizou uma ação requerendo liminar para que a empresa fosse compelida a cumprir a determinação do MPF. O pedido liminar foi julgado em primeira instância pelo juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal/RJ, que negou o pedido de antecipação de tutela para retirada imediata dos vídeos e fundamentou sua decisão alegando, entre outras coisas, que as manifestações religiosas afro-brasileiras não se constituem em religiões, muito menos os vídeos contidos no Google refletem um sistema de crença. O magistrado ainda afirmou que: “No caso, ambas as manifestações de re-

ligiosidade não contêm os traços necessários de uma religião a saber, um texto base (corão, bíblia etc.) ausência de estrutura hierárquica e ausência de um Deus a ser venerado.” A decisão, à época, ainda em 2014, ganhou enorme repercussão nacional e internacional, sendo inclusive incluída no relatório da ONU como caso grave de intolerância religiosa. Enquanto isso, religiosos são agredidos, terreiros são incendiados e depredados e o Judiciário ainda não conseguiu compreender que existe uma nítida estratégia de genocídio religioso contra as religiões de matrizes africanas. Cada vez mais graves e preocupantes, os casos de intolerância religiosa ganham contornos inimagináveis. Já temos situações dramáticas que chamamos de terrorismo religioso (atentado com 22 tiros a uma adepta do candomblé que denunciou episódio de intolerância praticado por suposto miliciano) e até de exílio religioso (Mãe de Santo que após sofrer violência por intolerância, resolveu deixar o Brasil, por receio de ser executada). O Poder Judiciário, por todas essas razões, precisa urgentemente compreender as demandas sociais relativas à intolerância religiosa. Ao contrário, a distância entre a lei e a sua aplicação continuará cada vez mais distante.


ICAPRA

pg. 24


ICAPRA

pg. 25


ICAPRA

pg. 26

Câmara aprova Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé Maria do Rosário: proposta busca enfrentar desigualdade no reconhecimento, pelo Poder Público, das religiões de matriz africana

passado não muito distante. Inicialmente proibida e considerada como ato criminoso, a prática do Candomblé chegou a ser impedida por vários governos, sendo seus adeptos perseguidos e presos pela polícia", destacou ao apresentar a proposta. A proposta tem caráter conclusivo e, a não ser que seja apresentado requerimento pedindo a votação no plenário, segue agora para análise do Senado.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados - Agência Câmara Notícias

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quartafeira, o Projeto de Lei 3551/15, do deputado Vicentinho (PT -SP), que institui o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, a ser comemorado anualmente no dia 30 de setembro. Os deputados Fábio Sousa (PSDB-GO), João Cam-

pos (PRB-GO) e Marcos Rogério (DEM-RO) votaram contra. Durante a votação na CCJ, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que a proposta busca “enfrentar a desigualdade no reconhecimento, pelo Poder Público, das religiões de matriz africana.”. Segundo o autor da proposta, o Candomblé desembarcou no Brasil junto com as gran-

des levas de escravos no século XVI. "Atualmente reconhecido como religião, o Candomblé foi bastante marginalizado num

ÍNTEGRA DA PROPOSTA: PL-3551/2015 Reportagem - Paula Bittar Edição - Rachel Librelon

VENDAS ATACADO E VAREJO

Aguás: Água do Céu

Água Flor de Laranjeiras Água de Melissa Água de Rosas

MAIS DE 150 FRAGRÂNCIAS DE PERFUMES E ESSÊNCIAS

Água de Alfazema Água de Cheiro

Perfumes da Atração Deo Colônia Alfazema DESPACHAMOS PARA TODO O BRASIL


ICAPRA

pg. 27

ÓONI DE IFÉ REALIZA ENCONTRO COM POVO DE SANTO DO TEATRO JOÃO CAETANO Baba Carlinhos de Oxaguian Reprodução Internet

Em 12 de junho de 2018, no Teatro João Caetano , situado na Praça Tiradentes s/n - Centro do Rio de Janeiro às 14h , aconteceu um grande encontro das lideranças de Matrizes Africanas para receber o Óoni de Ifé Obá Adeyeye Enitan Babatunde Ogunwusi II, para uma grande conversa. Sua Majestade Imperial,quis ouvir as reivindicações do povo de axé sobre a intolerância religiosa,o racismo e tudo que vem acontecendo contra o nosso povo. Vossa majestade imperial dividiu o palco com sacerdotes e sacerdotisas ,representando sete

casas tradicionais de axé como Iyá Regina Damazia de Osumarê Axé Bangboxe, Iyá Regina Lúcia de Yemanja Axé Opô Afonjá, Iyá Maria de Xangô Axé Pantanal Efôn, Iyá Edeuzuita de Osoguian Axé Gantois e Babá Mauro de Logun representando Iya Débora de Osun Axé Engenho Velho. Durante o renomado evento, aconteceu à apresentação do Balé Iya Omin do axé de mãe Edeuzuita. Logo após, mãe Maria do Pantanal fez a leitura de uma carta de intenção das casas de axé ao rei. Fomos agraciados com ás bênçãos do nosso Ooni com as águas de Oxum trazida de Ilé Ifé . Finalizando com cânticos para Oduduwá e Oxalá entoados pelo Co-

mendador Ogan Bangbala e Iyá Edeuzuita. Se fizeram presente aproximadamente umas quinhentas pessoas entre Sacerdotes, Sacerdotisas, Ogans, Ekedes, autoridades e a Secretária de Cultura do município do Rio de Janeiro Nilcemar Nogueira. Esse evento foi realizado e produzido pelo coletivo OSE MIMO composto por Iya Rita d’Oiya do Axé Bangboxe, Babá Carlinhos de Oxoguian Axé Bangboxe e Nenem de Oya Axé Bangboxe com a participação da Iyamorô Jaciara de Nanan Axé Gantois, Professora Lessa de Yemanjá, Ogan Sandro de Oxoguian Axé Oba Nilá, Ogan Marcelino, Arthur Axé Pantanal, Janice e Stela da casa de mãe Edeuzuita.


ICAPRA

pg. 28


ICAPRA

AXÉ OGBOJÚ SAÚDA EXÚ, OGUN, OXÓSSI E OSSAYN Elizangela de Carvalho Acervo Axé Ogbojú

Nó último dia 9 de junho o Axé Ogbojú, abriu suas portas para xirê em louvou à Exú, Ogun, Oxóssi e Ossayn. O xirê teve início por volta das 19:30h e foi cantado pelo Babalorixá do Axé Marcelo Fritz acompanhado pelos ogãns Lucas d’ Oxóssi, Yago d’ Omolú, Helinho, e Leandro do Opô Afonjá-RJ, ogan Daniel, dentre convidados que estiveram presentes acompanhando e auxiliando dando maestria aos cânticos e toques. Exú, Ogun, Oxóssi, Ossayn, Oxum, Logun e Iansã, estavam na corte que adentraram o salão com presenças de Pai Célio d’ Oxumarê, Pai Jorge d’ Omolú, Pai Marcos d’ Oxalá, Pai Robinho d’ Ogun, Mãe Ana d’ Oxum, Pai Marcelo d’ Ogun, dentre convidados que foram prestigiar o xirê que faz parte do odun 2018. O axé este ano conforme a tradição teve início das festividades com Oxalá, sendo esta a segunda festividades e em julho dia 28 Xangô e as Iyabás serão louvados dando continuidade, seguindo os obrigações até dezembro onde encerram as festividades no dia 17 com odun da casa, que este ano completará 41 anos de fundação. Contatos com o Axé: 21- 9 7032-9289

pg. 29


ICAPRA

pg. 30


ICAPRA

pg. 31


ICAPRA

pg. 32


ICAPRA

pg. 33


ICAPRA ICAPRA

pg. 30 pg. 34


ICAPRA

pg. 35

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS RELATAM PRECONCEITO EM SALA DE AULA Religiões afro-brasileiras continuam sendo alvo de discriminação Custódio Coimbra/O Globo

Kayque Ferraz, 8 anos, todos os dias era obrigado a rezar o Pai Nosso em sua escola. Adepto do Candomblé, se recusava a cumprir a ordem: dizia que era filho de Xangô e, portanto, permaneceria em silêncio. A professora e os colegas insistiam. E isso gerava isolamento ao menino. Grazielle, a mãe, percebeu o comportamento estranho e foi conversar com a diretora. Pediu para que a fé da criança fosse respeitada, mas nada mudou. “Os professores e a diretora diziam que ele devia rezar porque era a regra da escola. A situação era ainda pior quando passávamos em frente a outro colégio, onde os alunos o chamavam de macumbeiro e o mandavam ir para a igreja. No início do ano, mudamos de casa, de Duque de Caxias para a Pavuna (na Zona Norte do Rio), e no novo colégio ele tem aulas sobre cultura africana e nossa crença é respeitada”, relata a mãe. Kayque é apenas um exemplo da visão intolerante de diversas instituições de ensino. O combate a casos contra as religiões afro -brasileiras ainda caminha a passos lentos. VERSÃO OFICIAL – Em 2014, a Conferência Nacional de Educação (Conae) — encontro organizado pelo governo federal —

Kaique e Grazielle, mãe e filho

orientou o Conselho Nacional de Educação (CNE) a elaborar um documento que limitasse as manifestações religiosas em instituições educacionais. A iniciativa, com a finalidade de assegurar uma escola laica e proteger alunos de episódios de intolerância, ainda não foi elaborada. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o ensino religioso:

“…é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”. A matrícula, porém, é facultativa. A lei estabelece ainda que é proibida a doutrinação dos alunos para alguma religião. O ensino de história, cultura religiões afro-brasileiras foi instituído em 2003 como obrigatório nas escolas de ensinos fundamental e médio do país. Mas, quase 15 anos depois, praticamente não há informação sobre sua capilaridade no sistema brasileiro. Ela ainda depende da iniciativa de professores ou de pessoas comprometidas com o enfrentamento à intolerância. Ainda não se entende a lei como algo central no debate educacional do Brasil. Segunda a antropóloga e integrante do Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas da UFF, Roseane Rodrigues nós temos um dos racismos mais perversos do mundo. “Meus alunos negros não se veem como negros. A discriminação religiosa é o sinal mais evidente, porque existe uma negação na tentativa de compreender a mitologia africana, considerada inferior e sem prestígio em relação à cultura ocidental. Por que falamos da deusa da fertilidade grega, mas evitamos um debate sobre Oxum?”, questiona.

SABÃO AFRICANO PALMARES FEITO COM ERVAS E AROMAS NATURAIS... Tradição na receita, elementos de descarrego, limpeza de fluidos negativos, energizar elementos dos assentamentos e objetos sagrados, além de seu uso ser recomendado em dias de tensões, obrigações e rituais...

(21) 2882-0039

(21)

96419-9237


mos a h c a Desp odo para t l si o Bra

Produtos Em Porcelana em 1ª Linha

O Mel hor Preço só Aq ui !!!

IGBÁS | QUARTINHAS | PRATOS | CANECAS | BRINDES | LEMBRANÇAS...

PRODUTOS DE MARAJOARA LEGÍTIMO INOVAÇÃO E QUALIDADE – PEÇAS EXCLUSIVAS!

Av Ministro Edgard Romero, 244 LOJA: 117 Madureira – Rio de Janeiro – RJ

(21) 2458-8677

(21) 9 6867-9464


ICAPRA

pg. 37

Assembleia de SP aprova projeto que diminui pena de presos que lerem livros da Bíblia Bárbara Muniz Vieira, G1 SP, SP

Reprodução/ TV Gazeta

Gregório dos Santos aprendeu o trabalho com a mãe

Cada um dos 66 textos presentes no Velho e no Novo Testamento passam a valer como obra independente. A cada leitura e resenha, presidiário tem direito a 4 dias de remição da pena Um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em 29 de maio vai diminuir a pena de presidiários que lerem livros da Bíblia. O projeto foi apresentado por quatro deputados estaduais do PRB, partido ligado à Igreja Universal. A remição de pena, ou seja, o direito do condenado de abreviar o tempo imposto em sua sentença penal, pode ocorrer mediante trabalho, estudo e, de forma mais recente, pela leitura, conforme recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Neste último caso, a leitura de cada livro possibilita a remição de quatro dias de pena, limitado a 12 livros por ano. O projeto foi aprovado em dezembro de 2017 e vetado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na terça (29), os deputados derrubaram o veto. VEJA O ESPECIAL UM MÊS NA ASSEMBLEIA DE SÃO PAULO De acordo com o Projeto de Lei nº 390 de 2017, aprovado pela Alesp, a Bíblia, que antes contava apenas

Raul Spinassé | Ag. A TARDE

Homens conquistam respeito e espaço na venda de acarajé Roy Rogeres e Catarina Alcântara | A TARDE SP

como um livro, passa a ser considerada uma coletânea de livros. Sua leitura será dividida em 39 livros do Velho Testamento e 27 do Novo Testamento, totalizando 66 livros. A leitura de cada um destes livros passa, então, a ser considerada como uma obra literária concluída. Após a leitura, o presidiário tem de fazer uma resenha para ter direito a remição de 4 dias de sua pena. O presidiário terá 30 dias para ler e mais 10 para fazer uma resenha, que será submetida a avaliação de uma comissão. PROJETO É INCONSTITUCIONAL, DIZ ESPECIALISTA Segundo o professor do Instituto de Direito Público de São Paulo (IDPSP) Conrado Gontijo, o projeto é inconstitucional. “Em primeiro lugar, a legislação penal é de competência do legislativo federal, ou seja, do Senado e da Câmara. Não cabe à Alesp interferir na questão da execução penal para fins de remição. A Constituição prevê que isso é competência do Congres-

so Nacional”, explica ele. De acordo com Gontijo, o projeto também esbarra na escolha da recomendação da Bíblia como livro indicado para leitura. “O Estado brasileiro é laico. Você não pode beneficiar alguém por ler a Bíblia e tirar o benefício de outra pessoa ler outro livro de sua religião”, diz ele. De acordo com o projeto da Alesp, a remição de penas pela leitura consiste em proporcionar aos presos custodiados alfabetizados a possibilidade de remir parte da pena pela leitura mensal de uma obra literária clássica, científica, filosófica ou religiosa, dentre outras, de acordo com as obras disponíveis na unidade prisional. Gontijo acredita, no entanto, que a divisão da Bíblia em 66 livros é um estímulo. “A ideia não é ruim, mas a forma que foi feita é completamente equivocada. O projeto cria um estímulo quase impossível de resistir por causa do benefício e acaba preterindo outros materiais que do ponto de vista de socialização talvez sejam mais interessantes”.

Característica da Bahia e historicamente exercida por maioria feminina, a profissão de “baiano de acarajé” tem ganhado força entre os homens no Brasil e na Bahia. De acordo com dados da Associação Nacional das Baianas de Acarajé (Abam), mais de 5.200 homens atuam na atividade no País, o que corresponderia a cerca de 3% dos cadastrados na entidade. Em Salvador, pioneiros no ramo, alguns baianos de acarajé relataram como enfrentaram preconceitos, conquistaram espaço e tornaram-se referência de sucesso na produção e venda do mais famoso produto que representa a Bahia. Com nome inspirado em chef de cozinha, sua profissão, o baiano Cuca possui hoje três pontos de venda situados em lugares estratégicos da capital baiana: Ondina, Porto da Barra e Rio Vermelho. Durante cada dia da semana, ele usa uma cor para suas vestes, em referência aos orixás Iemanjá, Oxum, Oxóssi, Iansã e Oxalá. Todos os figurinos, revestidos com rendas, cetins e brilho, chamam a atenção. O início da sua história com o acarajé foi marcado por incentivo da mãe, aos 12 anos. Sua avó e toda a família exerceram e continuam na atividade, passada por gerações. “Eu carregava cestos, tabuleiros, arrumava as coisas e fui criando gosto pelo trabalho”, recorda. Quan-

do sua mãe adoecia, ele e a irmã davam continuidade a produção e venda dos acarajés, para “ganhar o pão de cada dia”. AUTONOMIA Aos 15 anos casou-se e conseguiu o primeiro tabuleiro. Na época, diz ter enfrentado dificuldades com fiscalização e preconceitos por ser um jovem rapaz a exercer uma atividade predominantemente feminina. “Enfrentei humilhações, até que outros homens adentraram no ramo, o que nos fortaleceu”, conta. As polêmicas e situações vexatórias enfrentadas no passado ainda acontecem. “Em alguns lugares sofro reprovações daqueles que acham que homem não deveria fazer acarajé. São poucos, mais existem”. Hoje, aos 57 anos, sua equipe conta com o reforço da esposa Cláudia e das filhas Dandara e Jeane, além de três ajudantes. São cerca de 10 a 15 kg de acarajés, e entre 20 e 30 dúzias de abarás por dia. Os produtos podem ainda ser entregues em domicílio ou em eventos. Luciano Sacramento tem 39 anos e começou na profissão há 19, inspirado pelo baiano Cuca. Atravessou as mesmas dificuldades, preconceitos e desafios e, hoje, possui ponto no bairro de São Cristóvão, mas duas vezes na semana o Rio Vermelho é o lugar escolhido para a venda dos produtos. “Consigo sustentar minhas três filhas, construí minha casa e vivo bem. Com uma boa renda”, orgulha-se.


ICAPRA

pg. 38

ANGOLA Pesquisado por Walter Nkosi

Reprodução

MAKUMBA DEFINIÇÕES DISTINTAS... Os povos Chokwe (tchokwe, Quioco) são uma etnia Bantu que, ao se envolverem historicamente com o antigo reino de Lunda, hoje se encontram desde o nordeste de Angola até ao sul do país. No entanto, também habituam uma parte da República Democrática do Congo e da Zambia. Os adivinhos, conhecidos como Nganga ou Tahi, geralmente mediam casos tais como, doenças, mortes, infortúnios ou má sorte, impotência ou infertilidade, roubos, etc, através de vários instrumentos religiosos, dentre os quais, o Lipele. O LIPELE (CESTO DE ADIVINHAÇÃO) As práticas de adivinhação são métodos de lidar com o desconhecido, usando poderes espirituais. Os sinais e símbolos utilizados são considerados elementos de comunicação direta com o reino dos espíritos. Entre os Chokwe, a prática de adivinhação ocupa um lugar dominante em suas vidas, através do qual buscam-se formas de entendimento e orientação para lidar com situações de morte, doença, mudança, acidente e até mesmo na tomada de decisões. O cesto de adivinhação, constitui um dos métodos mais comuns de adivinhação praticado na comunidade Chokwe. A cesta contém variadíssimos objetos simbólicos representativos de possíveis problemas e situa-

WALTER NKOSI

ções sociais do universo Chokwe. (Metropolitan Museum of Art - Art and Oracle) O Nganga, para conservar, guardar e transportar, “variadíssimos objetos simbólicos representativos de possíveis problemas

e situações sociais do universo Chokwe”, faz uso de um recipiente. Um Balaio. Um cesto grande com tampa, e tipicamente feito de papa lha. O balaio este que se chama de Kumba. A visão desse recipiente, no ponto de vista de A. Kandimba, provavelmente deu a criação da expressão “bugiganga”, usada pejorativamente para desqualificar a sabesabe religiodoria do adivinho e desvalorizar a religio sidade de povos africanos, como algo insignificante e de muito pouco vava apetrelor. Bugiganga seria os apetre chos do Nganga (Sacerdote de adivinhação)... O prefixo “Ma”, e’ usado em lindiversas línguas do tronco lin guístico bantu, especialmente na região Congo e Angola, como prefixo do plural em Kimbundu. Ao responder a aupergunta de alguém, ou mesmo das au toridades, por exemplo: “O que levas por ai?”... Os Nganga, responderiam: “As nossas Macumba! ”...Ou seja, os nossos cestos de adivinhação. usaNeste sentido, macumba era/é algo usa do para armazenar e transportar o lipele e seus apetrechos. Entretanto no Brasil MaMa cumba é um instrumento musical, e é tamtam bém usado pejorativamente para determinar as religiões de matrizes africanas, e as didi versas obrigações e oferendas votivas em lugares específicos. Bibliografía consultada A. Kandimba.

MINISTRA CURSO DA TRADIÇÃO BANTU, RAÍZES, MITOLOGIA, IDIOMA KIMBUNDO

(21) 3685-9755


ICAPRA

pg. 39

A ialorixá do terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, Mãe Stella de Azevedo dos Santos, também chamada de Mãe Stella de Oxóssi, a partir de quinta-feira (24), passou a ocupar a cadeira de número 33 da Academia de Letras da Bahia A mãe-de-santo recebeu 22 votos dos acadêmicos em sessão realizada na quinta-feira (25) com objetivo de escolher o novo nome para vaga deixada pelo historiador Ubiratan Castro, que morreu em janeiro. Mãe Stella foi comunicada pelo presidente da Academia, Aramis Ribeiro Costa, e aceitou ser a nova “imortal”. “Acredito que é a primeira vez que uma mãe-de-santo entra em uma Academia de Letras. Isso é absolutamente pioneiro, não tenho co-

nhecimento disso em nenhum outra do Brasil ou do mundo. Representa o reconhecimento de uma cultura, de uma raça e da história de um povo. É uma figura notável”, comemora. O poeta Castro Alves é o patrono da cadeira 33, que já foi ocupada por nomes como Francisco Xavier Ferreira Marques, Heitor Praguer Frois, Waldemar Magalhães Mattos, além de Ubiratan, que era presidente da Fundação Pedro Calmon. A Academia de Letras da Bahia

tem 40 membros, entre eles, João Ubaldo Ribeiro, José Carlos Capinan, Myrian Fraga, Cid Teixeira, Ruy Espinheira Filho, Consuelo Pondé, Hélio Pólvora, Florisvaldo Matttos e Edivaldo Boaventura. Mãe Stella é colunista do jornal A Tarde e autora de livros como “Meu tempo é agora”, “Òsósi - O Caçador de Alegrias” e “Epé Laiyé- terra viva”. Em 2009, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

Fórum debate plano de salvaguarda do Bembé do Mercado Ascom/Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado (Ipac)

Nova York retira estátua de médico que operava escravas sem anestesia Estátua de J. Marion Sims, considerado o ‘pai da ginecologia moderna’ foi retirada do Central Park após protestos e pedido do prefeito Fábio Fleury, do R7

A estátua foi retirada na manhã desta terça-feira (Getty Images / Spencer Platt) Pela primeira vez, a cidade de Nova York retirou um monumento de uma figura histórica ligada a práticas de racismo. Na terça-feira (17 de abril) a estátua do médico J. Marion Sims, considerado o pai da ginecologia moderna, foi removida de uma base de granito no Central Park, onde ela permaneceu nos últimos 84 anos. A retirada

foi aprovada na segunda-feira por um comitê que está revisando os monumentos da cidade a pedido do prefeito Bill de Blasio, após o protesto de supremacistas brancos em Charlottesville, em agosto do ano passado, e faz parte de um movimento que tem mirado estátuas em todos os Estados Unidos. A estátua de Sims foi retirada porque, na década passada, foi descoberto que ele testava técnicas cirúrgicas em escravas negras à força e sem o uso de anestesia. Depois da violência em Charlottesville, o monumento, que ficava diante da Academia de Medicina de Nova York, foi vandalizado algumas vezes. Agora, ele será transferido para um cemitério no Brooklyn, onde o corpo do médico está enterrado.

De 10 a 11 de maio, o teatro Dona Canô, na cidade de Santo Amaro, localizada no Recôncavo baiano, foi palco do “Iº Fórum de Fortalecimento do Bembé do Mercado de Santo Amaro - Processos para a construção das Diretrizes do Plano de Salvaguarda”. A ação, uma iniciativa da associação dos terreiros de candomblé da região, visa promover a conscientização sobre a importância da preservação da manifestação cultural Bembé do Mercado, que este ano comemora 129 anos de existência. O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), responsável pelo registro do Bembé do Mercado como Patrimônio Imaterial da Bahia, decreto estadual nº 14.129/2012, foi convidado para participar do fórum e será responsável por discutir o ‘plano de salvaguarda’ do Bembé. De acordo com a gerente de Patrimônio Imaterial do Ipac, Nívea Alves, trata-se de uma ação com metas, objetivos, regras e ações de proteção a curto, médio e longo prazo que será construída e pensada em conjunto, pelos proponentes e sociedade civil. “O nosso objetivo é contribuir para a continuidade e sustentabilidade dessa importante manifestação. Será também um momento importante para que a gente fale

sobre o processo de registro do Bembé como patrimônio cultural do Estado”, destaca Nívea. Para o líder religioso do terreiro Ilê Axé Oju Onirê, Pai Pote, que participa da festividade Bembé do Mercado há, pelo menos, 30 anos, a realização deste fórum já era um anseio de muito tempo. “As pessoas devem ter o conhecimento que o Bembé, para além de um candomblé de rua, é um sinal de resistência, é a afirmação do povo negro. Esse fórum vem fortalecer e consolidar essa manifestação que deve ser passada de geração em geração, a nossa expectativa é de um público de aproximadamente 500 pessoas”, explica Pai Pote. Além de palestras, o fórum também reunirá exposições, grupos de trabalhos e apresentações artístico-culturais.


ICAPRA

pg. 40


ICAPRA

pg. 41

OGAN RICARDO D' OGUN Campeão dos Campeões da 13 edição do Prêmio Atabaque de Ouro

TAMBORES DO PARANÁ RECEBE MENÇÃO HONROSA Daniel Rebello

Na última sexta-feira, 25/05/2018, o grupo Tambores do Paraná recebeu uma Menção Honrosa da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná pela participação incisiva e pela celebração de nossa amada Umbanda. “Por obviedade receber tal “prêmio” nos motiva a continuar nossa missão, mas, o que encheu nosso coração de alegria é saber que nossa luta e dedicação em fortalecer a união dos terreiros através da música e dos toques de atabaque e reforçar o grito de NÃO a Intolerância Religiosa” declarou o grupo nas redes sociais. Um arranjo do Hino Nacional Brasileiro foi feito pelo grupo que emocionou todos. Parabéns!

Pai Élcio d’ Oxalá será o Grande Homenageado em Festival em São Paulo

II Festival De Curimbas Clara Nunes O evento que teve sua primeira edição coroado de êxito, este ano acontecerá no próximo dia 19 de agosto à partir das 12h, no Recreativo Caxiense, na Rua Manuel Vieira, 397 – Centro Duque de Caxias. Além das belas cantigas o evento terá feira gastronômica, expositores afro e um Show da Sambista Ana Quintas. A realização é do grupo I.U.L.A. que tem a direção de Pai Duda Cigano e Pai Zé Carlos. Nas premiações especiais terá um prêmio especial para cantiga do Povo Cigano. Maiores Informações: 21- 9 7642-2816.

A sexta edição do festival de Curimba e Dança, Batuqueiros da Luz. O evento também terá um espaço com brinquedos para crianças, brindes, uma feira com expositores e muito mais. O evento fará uma homenagem especial a Pai Élcio de Oxalá e será no próximo dia 08 de julho à partir das 11h, no local: Kaikan Vila Ré, na Vila Ré. Maiores informações: 11-9 8170-8171. A realização é da Rádio Web Batuqueiros da Luz, com a direção do Willian da Batuqueiros. Imperdível!!!

Prêmio Atabaque de Ouro é considerado Oscar em Movimento considerado como Rock in Rio da Umbanda Em matéria divulgada pelo jornal Extra e o jornal O globo, o movimento dos festivais foi citado como uma espécie de Rock in Rio da Umbanda e o Prêmio Atabaque de Ouro uma espécie de Oscar do movimento. Para o diretor do evento Marcelo Fritz, tudo que divulgue o movimento é de extrema importância, mas Rock in Rio da Umbanda, falta muito, para começar com a verba destinada pelo poder público e iniciativa privada ao movimento de rock. “Os festivais narram o cotidiano no negro escra-

vo, sua cultura, tradição, filosofia. Contam e valorizam tradições tão perseguidas outrora e na atualidade, fato que o poder público deveria dar mais atenção.” Declara Fritz. A matéria deu boa repercussão além de dar visibilidade há produtores e participantes.

FESTIVAL CANTO DA FÉ Elisangela Carvalho

A grande campeã foi Shirley Rinaldi, com uma belíssima cantiga em louvor a Iemanjá, a serenidade de sua voz encantou a todos e ainda rendeu o troféu de revelação da noite. José Carlos de Oxossi ganhou o premio especial de louvor a Malandro. O festival realizado por Beatriz Nascimento fez uma homenagem a Ivo de Carvalho e Mãe Maria Preta e teve a presença de Ito Melodia fechando a noite com muito samba e alegria. Parabéns para todos os participantes.

14º Prêmio Atabaque de Ouro é Marcado para 23 de Setembro O maior encontro de Curimbas do Brasil, já tem data e local marcado, o mesmo ocorrerá no dia 23 de setembro no espaço show tradição. Segundo o diretor do evento Marcelo Fritz, “este ano vamos estar mais à vontade, pois ano passado foi tensão pelo espaço lotado e estrear num lugar novo e maior de todos. Vamos com tudo!” diz o diretor que já tem 4 estados que confirmaram participação e espera chegar pelo menos em 6 no total. O evento terá três valores que estão sendo definidos esta semana, mas as pré-reservas não param de acontecer. Maiores informações: 21-97032-9289


ICAPRA

pg. 42


ICAPRA

pg. 43


ICAPRA

pg. 44


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook