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VISU.AU (RE)IMAGINE O MONUMENTO

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REIMAGINE O MONUMENTO Revista VISU.AU 2ª edição Brasil. Paraná. Curitiba. 2020

Curadoria Giulia Viana Julio Cesar B. da Silva Lucas Ferrari Marcos Eduardo Scopel Vítor Morandin

https://revistavisuau.wixsite.com/meusite revistavisuau@gmail.com @visu.au revistavisuau visu.au 01


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SUMÁRIO 05

SOMOS VISU.AU Edital

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REIMAGINE O MONUMENTO Edital

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DESAFIO Edital

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JÚRI

CAPA - SIMULACRA

Ana Julia Roesner Sofia Cenci

19 Carolina Goés Lucas Monserrat

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, PRESENTE

Nanta Roballo Durigan

Ana Alice Giovanaz


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DESPRENDIMENTO

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DESLOCAMENTO TROPICAL

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MONUMENTO PARA QUE(M)?

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ENTREVISTA

João Victor Grando

Julio Cesar Barros da Silva

Ariel Gomides Ferreira Lucas Cesar de Oliveira

Andrei Cristani

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APOIO E AGRADECIMENTOS

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SOMOS VISU.AU

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VISU.AU é um espaço sinérgico de visões, no qual a ótica arquitetônica e urbanística configura um ambiente de escape artístico.

A Revista VISU.AU busca emergir dentro do contexto acadêmico como um plataforma de apresentações e debates acerca de diferentes perspectivas. A partir de visões embasadas em nossa área de formação e suas vertentes, as simples folhas desse meio se transformam em um ambiente para a expressão artística, desejando impulsionar o posicionamento estudantil, áreas de debates e discussões, contudo, a vivência acadêmica.

Curadoria Giulia Viana Julio Cesar B. da Silva Lucas Ferrari Marcos Eduardo Scopel Vítor Morandin

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EDITAL Espacialidade e semiótica. O símbolo é a tradução imagética de visões de mundo e conceitos operantes em uma infinidade de escalas, potencializando uma teoria. Quando as características de uma estrutura imersa na cidade se sobressaem sobre o seu entorno temos o nascimento de um monumento. Acidentalmente ou propositalmente, a atribuição de marco independe do significado pretendido em sua concepção, ela ocorre quando um objeto torna-se físico, ou seja, essencialmente na relação de mensagem vs observador, na qual cria-se uma identidade, um símbolo do locus, um definidor de momento e cultura.

City of Chicago - Cloud Gate in Millennium Park

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A atribuição de significado a um objeto com a intenção de produzir um monumento é um fenômeno muito atual, buscando a reprodução de um novo “efeito Bilbao”, um marketing urbano. Essa proposição intencional ocasionou a construção de uma extensão de objetos arquitetônicos alheios ao local de implantação e descaracterizados de identidade, consequências da “conquista do mundo como imagem”, onde há monumentalidade.

Guggenheim Bilbao

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EDITAL O monumento tende a ser avaliado sob óticas variadas, não somente pela possibilidade de ser assimilado diferentemente por cada observador, mas também pela função inflexível que o tempo e a cultura impõe ao objeto observado. Nesse sentido, pode-se dizer que aplicam-se diferentes valores, podendo ser marcos históricos/artísticos, ou marcos que assimilam um maior valor de uso, facilmente associados à arquitetura. Entre outros valores depositados a eles, concebem-se enfim os monumentos. Dessa forma, se observa o vínculo entre sentimento e monumento, que é apresentado como uma constante variável.

Contemplating the Void: Interventions in the Guggenheim Museum 09


A experimentação da cidade, por vezes, se torna secundária ao monumento, como o caso do letreiro de Amsterdam que foi retirado de seu local de origem a fim de estimular a movimentação em outros pontos da cidade.

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DESAFIO Em meio de infinitas possibilidades de observação acerca do espaço urbano, nos debruçamos agora sobre o estudo do monumento: O monumento consolidado, como marco e símbolo de uma cidade, o impacto destes na vivência urbana e na paisagem da cidade, seus trajetos e desfechos e, por fim, a importância para a arquitetura e sociedade. A VISU.AU abre essa segunda edição com a proposta de releitura e reinterpretação dos monumentos existentes, indagando os participantes:

Como o espectador pode reimaginar os monumentos urbanos? Qual o impacto gerado nas cidades a partir da alteração de monumentos urbanos?

REFERÊNCIAS: https://www.fag.edu.br/upload/contemporaneidade/anais/5b45eba219101.pdf LYNCH, Kevin. The image of the city. 1960. https://www.b9.com.br/100690/placa-i-amsterdam-e-retirada-de-amsterda-por-atrapalhar-o-turismo-da-cidade/

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RE IMAGINE O MONUMENTO

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JÚRI

Thaylini Luz Arquiteta e Urbanista formada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Diretora Fundadora do TEU TUA.

Juliano Geraldi Arquiteto e Urbanista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Atualmente é Professor de Planejamento Urbano da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

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Thaylini Luz é graduada em Arquitetura e Urbanismo, com especialização em artes híbridas pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Docente no curso de Arquitetura e Urbanismo do centro Universitário Católica de Santa Catarina. Desenvolve pesquisa de mestrado no programa de pós-graduação em Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) nas áreas de teoria e projeto da arquitetura e do urbanismo. Empreendeu e atuou como arquiteta no CORA Ateliê, Juliano Monteiro Studio e no TEU TUA.

Juliano Geraldi possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2003) com passagem pela graduação em Arquitetura e Urbanismo da Università degli Studi di Ferrara (Itália, 2001-2002). Doutor em Democracia no Século XXI, na Universidade de Coimbra (Portugal), mestre em Geografia (UFPR, 2011), especialista em Desenvolvimento Regional (UFPR, 2006) e em Gestão Técnica do Meio Urbano (GTU-Brasil/UTC-França, 2004). Atualmente é Professor de Planejamento Urbano da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Tem experiência na área de Planejamento Urbano e Regional, Urbanismo, Gestão Urbana, Políticas Habitacionais e de Regularização Fundiária, Desenvolvimento Territorial, Planejamento Governamental e Participação Social.

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Ana Julia Roesner Sofia Cenci

Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR

"SIMULACRA" Colagem digital

Os monumentos são meios de comunicação e representações materiais dos processos políticos. São recriadores de paisagens e imagens ambíguas de construções sociais. Não se é comunicado só que se deseja. Os monumentos são inerentes a interpretações humanas e estas, marcam uma geografia cultural segmentada. As paisagens são criadas e recriadas com monumentos que se portam como “elementos centrais da iconografia política do território” e a presença ou não da monumentalidade se mostra na segregação social e espacial. Afinal, onde estão os monumentos? A Ópera de Arame é um ícone curitibano, que eleva a cidade à uma situação referencial. Ela representa a vida de parte dos que vivem essa cidade. É um território que esconde a plurivocalidade urbana e se desloca das realidades diversas. Além dos significados culturais e práticas ambientais, a Ópera de Arame é uma marca da territorialidade segregacionista, onde o usuário se apropria de um caminho contemplativo de um ambiente imerso nas riquezas, que na verdade demonstra uma fantasia, uma caixa deslocada das vivências urbanas. Essa situação é escancarada pela privatização como ícone de turismo e não para apropriação do cidadão. A Ópera é a representação de uma beleza aceita, um monumento visível e não representativo de todos os corpos da cidade. Paralelamente ao questionamento da inserção dos monumentos urbanos, busca-se uma reflexão... quais são os monumentos e quem eles representam? Se indaga e se propõe uma segunda narrativa, onde a imagem da Ópera de Arame se concretiza como ícone e a favela é inserida no contexto agregando a cidade como um todo e se portando também como monumento. A narrativa é recriada, é plural, é periférica e central.

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Carolina Góes Lucas Monserrat

Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Sem título Colagem Digital

E se o mundo fosse visto pelos olhos de uma criança? Todo ano no mês de outubro na cidade do Rio de Janeiro ocorre a festa de Nossa Senhora da Penha, uma das mais antigas da cidade. A comemoração, que dura o mês inteiro e já está na sua 385º edição, inicia-se sempre da mesma maneira: com a tradicional lavagem da escadaria. Nessa lavagem, os fiéis levam suas vassouras de casa, recebem a benção de suas fitinhas devocionais, fazem uma oração e, quando o padre autoriza, esfregam de cima a baixo os 382 degraus. Mais como um ato simbólico do que uma limpeza em si, as crianças presentes se aproveitam desse momento da melhor maneira que podem: A escadaria se torna um parque de diversões. De todos os lados escutamos risadas e os vemos tentando escorregar pela pedra molhada. A Igreja da Penha é um monumento que, apesar de não estar localizado no principal eixo turístico da cidade, e muitas das vezes ser esquecida por quem vem de fora, possui uma grande história e significado para a população local. A colagem representa a releitura desse momento de ressignificação desse espaço da maneira mais pura possível: pelos olhos de uma criança.

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Natan Roballo Durigan

Universidade Positivo - UP

“, presente” Aquarela

“Tornar algo memorável é trazer à tona algo que, de algum modo, com o passar do tempo, poderia ser esquecido. Fazer com que o objeto resultante desta operação se mantenha através da história é uma outra questão, por vez contrária a própria ação do tempo, que no caso da construção é a ruína. Analisar o monu- mento é compreender o jogo de simbolismos e abstrações, compreender o seu sentido narrativo de indicar as mudanças de comportamento de uma sociedade, seja política ou comportamental e também o aspecto de enunciação, de marcar o território com a intenção de transmitir e conservar uma ideia ou feito através das gerações. Os monumentos narram a história das cidades: fazem parte da construção do tecido urbano, e jamais são dissociados dele. A sua permanência dá sentido ao contexto, ao mesmo tempo em que o contexto tem a capacidade de valorizá-lo, como numa rede de interrelações. Portanto fazem parte da compreensão estética das cidades.” Mayra Simone dos Santos. O monumento.

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Ana Alice Giovanaz

Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Sem título Desenho Digital

Faz parte de ser artista procurar inspiração em qualquer lugar, com o olhar afiado na inconveniência de um bloqueio criativo é recomendável perambular pelas ruas da cidade, lendo placas, vendo estátuas, notar as pessoas irreverentes ou aquelas mais corriqueiras. Interagir com a história, pegar o velho, transformar em novo, a máquina do tempo em um sketchbook. E no papel desse artista pode tudo, misturar seu traço com qualquer forma encontrada, “é feio, mas é meu”.

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João Victor Grando

Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR

“Desprendimento” Colagem Digital

Por todo o mundo, Cristóvão Colombo é homenageado por monumentos, Avenidas, Cidades, Celebrando seu pionerismo ao “descobrir” o continente americano; mas 500 anos atrás ele também foi pioneiro em escravizar e assassinar milhões de nativos e suas culturas. Por que ele merece essas homenagens? E Adolf Hitler, que cometia monstruosidades parecidas há 80 anos, será ele o próximo? Basta caminhar pelo centro das metrópoles do Brasil para avistar homenagens à algum escravocrata do nosso próprio passado. Nossa visão do passado é determinada pela nossa visão do presente. Ainda há espaço na sociedade atual para homenagear essas pessoas? Se preservar a história for a razão para mantê-la, que se coloque uma faixa escrito “GENOCIDA” ao redor delas. A memória daqueles que foram escravizados e mortos foi apagada e ninguém questionou. Não existe apagar a história, apenas retirar o prestígio de quem nunca deveria ter recebido homenagens. Derrubar ou alterar esses monumentos é fazer história tanto quanto preservá-la, legitimando uma mudança na sociedade.

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Julio Cesar Barros da Silva

Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR

“Deslocamento Tropical” Colagem Manual

Nesta colagem manual, a arquitetura do edifício do STF, projetado por Oscar Niemeyer, e monumento máxima da Justiça Brasileira, tem seu entorno modificado. Grandes palmeiras imperiais, pássaros nativos e uma massiva vegetação clamufam o edifício, que também pode ser livremente ocupado pelas pessoas. Com isso, questiona-se como o que acontece ao redor de um monumento-edifício tem um grande impacto na imagem do monumento em si. Seriam essas alterações capazes de modificar a construção de significado do monumento, até hoje intacto? Ou deveriam esses significados ser alterados e modificados conforme as modificações da sociedade?

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Ariel Gomides Ferreira Lucas Cesar de Oliveira

Universidade Federal do Paraná UFPR Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR

“Monumento para que(m)?” Colagem Digital com texto

O prazer de se pensar essa obra foi acompanhado de um relevante desafio. Como articular de maneira satisfatória dois campos de conhecimento que, à primeira vista, são bastante distintos: arquitetura e ciências sociais? A solução que encontramos para esse dilema foi de pensar sociologicamente o próprio fazer arquitetônico, mas não só isso - e aqui está o desafio, situar essas reflexões numa lógica visu.au (com perdão do trocadilho).

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ENTREVISTA:

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ENTREVISTA ANDREI MIKHAIL ZAIATZ CRESTANI Doutor em Arquitetura e Urbanismo na USP (CAPES 5), com período como Visiting Scholar na Columbia University - EUA com bolsa CAPES na modalidade PDSE - Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (julho 2015 - julho 2017). Professora de graduação em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Positivo. Mestre em Gestão Urbana (PUCPR CAPES 5) com bolsa CAPES no programa de Mestrado em Planejamento e Projeto do Espaço Urbano (Universidade de Cuyo - Argentina). Especialista em Paisagismo: Planejamento e Projeto (PUCPR). Arquiteto e Urbanista (PUCPR e Universidad Politécnica de Madrid). Tem experiência técnica na área de Planejamento Urbano e Regional com ênfase em aspectos socioespaciais.

Atuação em projetos arquitetônicos, paisagísticos e urbanísticos. Consultor técnico em Planos Diretores e demais áreas de Planejamento estratégico. Foco de pesquisa nos temas: espaço público e privado e seus processos contemporâneos de ressignificação, produção da cidade contemporânea, privatização do espaço público, lugares e territórios urbanos, e paisagem urbana.

Nesta primeira entrevista da revista, temos como convidado o co-fundador da página URBIDEIAS, projeto em parceria com os arquitetos e urbanistas João Ricardo Mac Knight Lemberg e Richard Apolinário Viana Pires. Em conjunto, os arquitetos procuram tornar mais acessível o conhecimento para estudantes e outros profissionais. O projeto conta com diversos cursos, entre eles gráfica, paisagem e urbanismo, além de mentorias, consultorias e produções visuais semanais. 33

@urbideias


1. Nos últimos anos, o ambiente virtual tornava-se cada vez mais presente na

vida dos estudantes e profissionais da área de arquitetura, seja em projetos sendo desenvolvidos a distância, cursos de graduação, especialização ou workshops diretamente da tela, sem a necessidade de locomoção do cliente ou espectador. Qual sua opinião sobre essa mudança? No que ela afeta as pessoas, quais os benefícios e malefícios desse novo meio de levar informação? O ambiente virtual é algo que não se pode evitar. O modo como ele tem interagido com o nosso cotidiano, transformou a forma e as possibilidades de nos relacionarmos com o mundo e aprender com ele. De um lado, acredito que isso nos coloca frente a potência de construir conhecimento junto com mais pessoas ao mesmo tempo de um modo não visto antes, o que é muito bom do ponto de vista da democratização da informação. Por outro, o problema é que isso nos levou para um mundo em que "tudo é considerado conteúdo" e literalmente qualquer pessoa se auto pronuncia "gerador de conteúdo". Não acho que tudo o que se passa na internet tenha que ter um rigor científico profundo...mas ao mesmo tempo, percebo que muitas pessoas (das produzem e das que consomem informações) tem tido cada vez menos critério sobre o que de fato é uma informação de qualidade que, para mim, significaria: com fontes confiáveis; com responsabilidade do que se comunica; que tem algo realmente novo a dizer ou de forma inovadora para contribuir; que tenha profundidade e domínio sobre o que se fala. Numa realidade em que "tudo é conteúdo", me preocupa muito o impacto a médio e longo prazo tanto nas profissões, como no senso crítico sobre a realidade que nos cerca.

2. Como docente, quais foram os desafios na adaptação para as novas plata

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formas?

O maior desafio não é tanto sobre as plataformas em si, mas manter a atenção e interesse dos estudantes naquilo que temos juntos a construir. A maior dificuldade é enfrentar "vídeos de 3 minutos que prometem ensinar tudo". Realmente: existem vídeos, tutoriais etc que podem dizermuito em 3 minutos. Mas existe uma diferença enorme entre entender uma informação em 3 minutos, e realmente aprender um conteúdo e criar autonomia em torno dele para enfrentar diferentes desafios da vida que demandem deste conteúdo. O maior desafio é manter estudantes curiosos suficientemente pelo conteúdo para que tenham o interesse e a resiliência de um processo para apreender, e não apenas entender sobre certas informações. 34


3. O projeto Urbideias foi criado recentemente para tornar mais acessível o

conhecimento sobre a cidade e paisagem urbana, como descrito na descrição da página. Como foi a formação da equipe e o processo de criação? A formação do urbideias na verdade começou há pelo menos 5 anos, quando eu percebia no Brasil a carência de plataformas virtuais que tratassem de arquitetura da paisagem e urbanismo de uma maneira mais didática, ilustrada com qualdiade e palpável. Existe muita produção em torno de urbanismo, mas em geral: ou são apenas teóricas (entre textos, frases compartilhadas), ou quando técnicas, tendem a ser densas, nada fáceis de compreender sem algum tempo de leitura. Em torno de arquitetura da paisagem existe uma confusão e uma redução do tema como se fosse jardinagem. Enquanto isso, ao pesquisar pelo instagram, existe muito conteúdo sendo gerado há muito tempo em torno de arquitetura de interiores e arquitetura da edificação como um todo. Assim, num contexto em que se convive tanto com cidade e paisagem, mas percebemos que as pessoas quase não sabem falar sobre isso, surgiu o urbideias com essa missão de construir conhecimento de modo conjunto sobre este universo da cidade e paisagem, tornando-o o mais ilustrado e didático possível. A formação da equipe se deu a medida em que a ideia foi amadurecendo para mim e fui visualizando pessoas em que eu acredito e admiro o trabalho, e percebia nelas também o desejo de fazer algo diferente em torno de temas como cidade e paisagem. Basicamente, foi notando aquele "brilho no olhar" quando falávamos sobre este tema, além de perceber nos membros atuais da equipe uma potência enorme em criarem com leveza e alegria, sem perder a seriedade e qualidade no que fazem. O urbideias só é o que é hoje por ser um trabalho em equipe, em que todos nós juntos nos esforçamos para trazer o nosso melhor e produzir coletivamente o conteúdo que vocês veem lá na página :)

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4. Quais foram as bases de referência para o lançamento do movimento do

Urbideias?

Confesso que não tinhamos base no formato em que lançamos...inclusive, foi muito difícil (e ainda é) manter certa produção, qualidade, engajamento com o pessoal, porque não encontramos virtualmente perfis que trabalhem em cima de temas de cidade e paisagem do modo como queremos trabalhar. O que vemos, em geral, são páginas que replicam informações, desenhos, mapas, mas não que produzam alguma leitura/perspectiva própia a partir disso - que é o que buscamos fazer. Muito do que nos inspira não está no instagram, mas sim em laboratórios internacionais renomados que aliam pesquisa científica e aplicação prática que ajuda a sociedade a enfrentar desafios relacionados ao espaço urbano e paisagem (um exemplo é o Senseable city da MIT). O urbideias está em constante evoluação/mutação porque achamos que não existe um modo fechado de falar de assuntos do urbano e da paisagem.

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5.

A equipe já realizou workshops durante o ano de 2020 e adaptou cursos para o ambiente online devido a pandemia que enfrentamos. Como é a relação da página com os estudantes e profissionais? O retorno tem sido como esperado? Buscamos manter uma relação com o pessoal de maneira bastante orgânica/espontânea..acho que nosso traço é um pouco este: de poder falar de coisas sérias, mas de modo leve, divertido, acessível. Percebemos que nossos posts geram bastante interesse, especialmente pelo número de compartilhamentos que vemos em nossos posts. Mas um fato que achamos curioso é que: enquanto percebemos que o pessoal se marca bastante em páginas de conteúdos relativos à decoração, desenho manual, ou coisas do gênero, em nossa página existe um baixo índice das pessoas marcarem seus amigos, ou ao menos comentarem. Isso é uma característica que ainda não entendemos o porquê: nosso público conversa muito com a gente por mensagem, salvam e compartilham no stories o conteúdo, mas não mencionam nos comentários seus amigos..o que de certo modo dificulta um pouco para que a rede se expanda e o conteúdo chegue a novas pessoas. Neste sentido, pensávamos que o retorno seria um pouco mais ágil do que ele tem sido, mas de todo modo, nosso objetivo é continuar oferecendo nosso melhor e, aos poucos, poder alcançar mais longe com nosso conteúdo e ajudar a coletivamente construir mais conhecimento sobre a cidade e paisagem.

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6. Quais são os próximos passos do Urbideias? Temos muitas urbideias em pauta hehe. Novos cursos, novos formatos de conteúdos e parcerias também estão chegando por aí. Estamos com algumas novidades no forno de interação concreta com a cidade, levando o urbideias para as ruas, mas isso é o máximo que posso dizer neste momento hehe. Temos estudado também diferentes formas de poder ajudar o pessoal em torno destes temas e em 2021 chegaremos aos poucos com essas ideias. Temos o desejo também de aumentar o time, mas este é um passo que pretendemos fazer com muito planejamento.

Nota de agradecimento

Agradeço o convite da equipe da VISU.AU pelo espaço para poder partilhar um pouquinho da minha perspectiva como docente, e também falar como um dos membros do urbideias. Agradeço em nome da equipe urbideias, os nossos urbifollowers que nos dão tanto carinho nas mensagens que enviam e quando participam em nossos cursos.

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APOIO E AGRADECIMENTOS

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Em meio a infinitas observações acerca das temáticas apontadas, chegamos ao fim de mais uma edição. E é com imensa felicidade que agradecemos cada um de vocês, que participaram e deixaram um pouco de si nessa revista. Sabemos que passamos por um ano atípico e que ainda temos muito a enfrentar, mas esperamos entregar esse material como forma de gratidão e aprendizado. Mesmo em um momento de distanciamento social conseguimos unir. O projeto Prédios de Curitiba foi essencial para a realização desta 2ª edição "Reimagine o monumento" da revista VISU.AU, somos gratos a toda a equipe do projeto e esperamos por novas parcerias. Os arquitetos(as) e urbanistas, Juliano Geraldi e Thaylini Luz, que colaboraram para a escolha da capa da Revista VISU.AU, fizeram um trabalho com maestria e carinho. Agradecemos muito ao Arquiteto e Urbanista Andrei Crestani, que pode compartilhar um pouco sobre o ensino no ambiente virtual e o projeto Urbideias em uma entrevista super incrível! Por fim, deixamos um grande obrigado a todos aqueles que de uma forma ou de outra colaboram e apoiam o projeto e essa edição. Obrigado(a), Equipe VISU.AU.

URBIDEIAS 40


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REIMAGINE O MONUMENTO Revista VISU.AU 2ª edição Brasil. Paraná. Curitiba. 2020

Curadoria Giulia Viana Julio Cesar B. da Silva Lucas Ferrari Marcos Eduardo Scopel Vítor Morandin

https://revistavisuau.wixsite.com/meusite revistavisuau@gmail.com @visu.au revistavisuau visu.au 42


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