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2a capa_apoios_76_Layout 1 30/8/2011 16:57 Página 33

a r i V a z a f m Veja que

Sexo e Saúde

pelo Brasil

Associação Imagem Comunitária Belo Horizonte (MG) www.aic.org.br

Centro de Refererência Integral de Adolescentes – Salvador (BA) blogdocria.blogspot.com

Gira Solidário Campo Grande (MS) www.girasolidario.org.br

Catavento Comunicação e Educação Fortaleza (CE) www.catavento.org.br

Universidade Popular – Belém (PA) www.unipop.org.br

Ciranda – Curitiba (PR) Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência www.ciranda.org.br

Instituto de Estudos Socioeconômicos Brasília (DF) www.inesc.org.br

Grupo Conectados de Comunicação Alternativa GCCA - Fortaleza (CE) www.taconectados.blogspot.com

Grupo Makunaima Protagonismo Juvenil (RR) grupomakunaimarr.blogspot.com

Rede Sou de Atitude Maranhão São Luís (MA) www.soudeatitude.org.br

Movimento de Intercâmbio de Adolescentes de Lavras – Lavras (MG)

Grupo Cultural Entreface Belo Horizonte (MG) gcentreface.blogspot.com

Cipó Comunicação Interativa Salvador (BA) www.cipo.org.br

Agência Fotec – Natal (RN)

Apôitcha - Lucena (PB) www.apoitcha.org

Casa da Juventude Pe. Burnier – Goiânia (GO) www.casadajuventude.org.br

Taba - Campinas (SP) www.espacotaba.org.br

Avalanche Missões Urbanas Underground Vitória (ES) www.avalanchemissoes.org

Jornal O Cidadão – Rio de Janeiro (RJ) ocidadaonline.blogspot.com

Lunos – Boituva (SP) www.lunos.com.br

Projeto Juventude, Educação e Comunicação Alternativa Maceió (AL)

União da Juventude Socialista – Rio Branco (AC) ujsacre.blogspot.com


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s o m a v E ! e t n e r f em

Conteúdo

Copie sem moderação! Você pode:

a tados para edos apon d e vem e o d jo ia o e h ns sobre ia está c e íd g a m et, rd e o d b n gra s as a e na intern o são rara , revistas ã is N a . e rn d jo tu m e juven no rádio, taxando-o te na TV, cas e público, s s e d s o adolescen tões políti v s negati o às ques to c c ti e á p p s a a , e s va ado am apena está aí, ati esinteress que recort juventude iferente, d A d ! in as ta o rs lu e o m s iv o de d nte c ade ab bandeiras veladame uma verd o é d n o ã ta n n a o v e le is! Mas iss o seus pa ões locais e sociais. o mais com o revoluç d o n ã e n z por dentr e fa , a , a c te maneir , você fi a ri ra participan p o h ró p a m a z o c su e fa ó que da conectado Quem sab causas. S icipativo e m de capa rt e a g p a , rt o o ir p e sil Na re ilitante bra k o jovem m d il s. rf re e arda Glüc e p b o a ando s do nov atriz Leon in a m e m s o is c d d o des e teatr e trevista diversas re panhia de , leia a en o m ã o c iç d a e m ta os de u Ainda nes ticas para alizadora ostas artís pórter, ide p e R ro p ra s m a le e v a z no fa para o G eiras que resentado as brincad ue tem ap m é b da m s n ta e Curitiba q v veja s e jo cidade. E e criança d r e z la palcos da e sd ão momento agem Sert parte dos na report rá a e C o ld zona rura a leitura! rincar. Bo bom de b

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Quem somos A

Viração é um uma organização não governamental (ONG), de educomunicação, sem fins lucrativos, criada em março de 2003. Recebe apoio institucional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo e da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). Além de produzir a revista, oferece cursos e oficinas de capacitação em comunicação popular feita para jovens, por jovens e com jovens em escolas, grupos e comunidades em todo o Brasil. Para a produção da revista impressa e eletrônica (www.viracao.org),contamos com a participação dos conselhos editoriais jovens de 22 Estados, que reúnem representantes de escolas públicas e particulares, projetos e movimentos sociais. Entre os prêmios conquistados nesses oito anos, estão Prêmio Don Mario Pasini Comunicatore, em Roma (Itália), o Prêmio Cidadania Mundial, concedido pela Comunidade Bahá'í. E mais: no ranking da Andi, a Viração é a primeira entre as revistas voltadas para jovens. Participe você também desse projeto. Veja, ao lado, nossos contatos nos Estados. Paulo Pereira de lima Diretor Executivo da Viração – MTB 27.300

• Copiar e distribuir • Criar obras derivadas Basta dar o crédito para a Vira!

Apoio Institucional

Asso

ciazione Jangada

Conheça os Virajovens em 22 Estados brasileiros e no distrito Federal Belém (PA) - pa@viracao.org Belo Horizonte (MG) - mg@viracao.org Boa Vista (RR) - rr@viracao.org Brasília (DF) - df@viracao.org Campinas (SP) - sp@viracao.org Campo Grande (MS) - ms@viracao.org Curitiba (PR) - pr@viracao.org Fortaleza (CE) - ce@viracao.org Goiânia (GO) - go@viracao.org João Pessoa (PB) - pb@viracao.org Lavras (MG) - mg@viracao.org Lima Duarte (MG) - mg@viracao.org Maceió (AL) - al@viracao.org Manaus (AM) - am@viracao.org Natal (RN) - rn@viracao.org Porto Velho (RO) - ro@viracao.org Recife (PE) - pe@viracao.org Rio Branco (AC) - ac@viracao.org Rio de Janeiro (RJ) - rj@viracao.org Sabará (MG) - mg@viracao.org Salvador (BA) - ba@viracao.org S. Gabriel da Cachoeira - am@viracao.org São Luís (MA) - ma@viracao.org São Paulo (SP) - sp@viracao.org Serra do Navio (AP) - ap@viracao.org Teresina (PI) - pi@viracao.org Vitória (ES) – es@viracao.org

Com 12 edições anuais, a Revista Viração é publicada mensalmente em São Paulo (SP) pela ONG Viração Educomunicação, filiada ao Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas de São Paulo (Sindjore).

at en dimen t o ao l eit o r Rua Augusta, 1239 - conj. 11 - Consolação 01305-100 - São Paulo - SP Tel./Fax: (11) 3237-4091 / 3567-8687 HoRáRio dE atEndimEnto Das 9h às 13h e das 14h às 18h E-mail da REdação E assinatuRa redacao@viracao.org assinatura@viracao.org

Revista Viração • Ano 9 • Edição 76 03


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8 Liberdade de expressão

Rádio Comunitária Santa Marta, no Rio de Janeiro, é fechada pela polícia às vésperas da legalização

10

14 Inovação nos palcos

A atriz Leonarda Glück critica o conservadorismo na arte e fala ao Galera Repórter sobre como sua companhia de teatro tem roubado a cena em Curitiba

18

16

Lazer no Sertão

Relembre brincadeiras antigas, mas ainda muito presentes na vida de quem mora nas zonas rurais do Nordeste

Do nosso jeito

político da Conheça as novas formas de engajamento dem e defen que o m, pensa como eira, brasil juventude dade o que fazem em prol da socie

22

Sempre na Vira

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Manda Vê . . . . . . . . . . . . . 06 De Olho no Eca . . . . . . . . 09 Imagens que Viram . . . . . 12 No Escurinho . . . . . . . . . . 30 Que Figura . . . . . . . . . . . . 31 Sexo e Saúde . . . . . . . . . 32 Rango da Terrinha . . . . . . 33 Parada Social . . . . . . . . . . 34 Rap Dez . . . . . . . . . . . . . . 35

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Honra ao mérito

Conheça o trabalho educomunic ativo da Escola de Verão do norte da Itália que concedeu prêmio à Viração

Educom na Universidade Licenciatura em Fique por dentro do que rola na da análise de Educomunicação da USP a partir o curs do es dant professores e estu

Coisa nossa

Coletânea dos melhores episódios do Rap Dez, na Vira desde 2003, é lançado em livro neste mês

Essa é a hora

No Ano Internacional da Juventude, Campeã de Juventu de da ONU visita diversos projetos voltados aos jovens no Brasil

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Agora Vai

am experiências em Confira o relato de jovens que tiver de Valorização de rama Prog pelo s ciado projetos finan Paulo Iniciativas Culturais (VAI), de São

RG VÁLIDO EM TODO TERRITÓRIO NACIONAL Revista Viração - ISSN 2236-6806 Conselho Editorial Eugênio Bucci, Ismar de Oliveira, Izabel Leão, Immaculada Lopez, João Pedro Baresi, Mara Luquet e Valdênia Paulino

Conselho Fiscal Everaldo Oliveira, Renata Rosa e Rodrigo Bandeira

Conselho Pedagógico Alexsandro Santos, Aparecida Jurado, Isabel Santos, Leandro Nonato e Vera Lion

Presidente Juliana Rocha Barroso

Vice-Presidente Cristina Paloschi Uchôa

Primeiro-Secretário Eduardo Peterle Nascimento

Direção Executiva Paulo Lima e Lilian Romão

Equipe Adrielly dos Santos, Aleska Drychan, Ana Paula Marques, Bruno Ferreira, Douglas Lima, Elisangela Nunes, Eric Silva, Evelyn Araripe, Gisella Hiche, Karina Lakerbai, Manuela Ribeiro, Mariana Rosário, Sonia Regina e Vânia Correia

Administração/Assinaturas Douglas Ramos e Norma Cinara Padilha

Mobilizadores da Vira Acre (Leonardo Nora), Alagoas (Jhonathan Pino), Amapá (Camilo de Almeida Mota), Amazonas (Cláudia Ferraz e Délio Alves), Bahia (Nilton Lopes), Ceará (Amanda Nogueira e Rones Maciel), Distrito Federal (Danuse Queiroz e Pedro Couto), Espírito Santo (Jéssica Delcarro e Leandra Barros),

Goiás (Érika Pereira e Sheila Manço), Maranhão (Sidnei Costa), Mato Grosso do Sul (Fernanda Pereira), Minas Gerais (Maria de Fátima Ribeiro e Pablo Abranches), Pará (Alex Pamplona), Paraíba (Niedja Ribeiro), Paraná (Juliana Cordeiro e Vinícius Gallon), Pernambuco (Maria Camila Florêncio), Piauí (Anderson Ramos da Luz), Rio de Janeiro (Gizele Martins), Rio Grande do Norte (Alessandro Muniz), Rondônia (Luciano Henrique da Costa), Roraima (Cleidionice Gonçalves) e São Paulo (Ana Luíza Vastag, Damiso Faustino, Sâmia Pereira e Virgílio Paulo).

Colaboradores Antônio Martins, Evelyn Kazan, Heloísa Sato, Henrique Parra, Isabel Santos, Lentini, Márcio Baraldi, Maurício Silva, Natália Forcat, Novaes e Sérgio Rizzo.

Projeto Gráfico Ana Paula Marques e Cristina Sayuri

Jornalista Responsável Paulo Pereira Lima – MTb 27.300

Divulgação Equipe Viração

E-mail Redação e Assinatura redacao@viracao.org assinatura@viracao.org

Preço da assinatura anual Assinatura Nova Renovação De colaboração Exterior

R$ 58,00 R$ 48,00 R$ 70,00 US$ 75,00


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A Vira pela igualdade. Diga lá. Todas e todos Mudança, Atitude e Ousadia jovem.

Diga lá

Fale com a gente! E-mail

Resposta:

Gostaria de parabenizá-los pela maravilhosa reportagem sobre o desperdício de alimentos e o trabalho que vem sendo feito pelas instituições para minimizar o impacto desse horrível contexto.

Obrigado! Este prêmio representa mais uma conquista para a Vira e uma demonstração de reconhecimento ao valor da Educomunicação.

Desenvolvemos um projeto chamado Nutri-Ação, que pretende colaborar nesse sentido, através da

@JonasBanhos, via Twitter:

formação de uma rede de feirantes para arrecadação de alimentos e aulas para crianças de aproveitamento num espaço próprio que estamos construindo, a cozinha-escola.

Parabéns, galera da @viracao, pelo Prêmio Cesare Scurati. Vida longa!!!

Arnaldo Augusto Rede Cultural Beija-Flor

Siga a Vira no Twitter! Nosso perfil é http://twitter.com/viracao

@felipebaraujo, via Twitter: Adoro ler a @viracao, só tem matérias bacanas!

Resposta: Ficamos felizes que tenha gostado da reportagem de capa da edição n°73, disponível também pela internet em: www.issuu.com/viracao. A Vira está de portas abertas! Quando quiser, é só marcar uma visita para conhecer nosso espaço e nossos projetos.

Resposta: Obrigado por acompanhar a Vira, Felipe! Acompanhe também o site da Agência Jovem de Notícias (www.agenciajovem.org), atualizado diariamente com a produção dos nossos conselhos Virajovens presentes em 22 Estados brasileiros e Distrito Federal.

Perdeu alguma edição da Vira? Não esquenta! Agora você pode acessar, de graça, as edições anteriores da revista na internet: www.issuu.com/viracao

Ops! Erramos! Na edição n° 72, o nome Marilene das Neves foi o nome que apareceu assinando o depoimento de Alcides Roberto de Lima, de 16 anos, no Manda Vê. Pedimos desculpas pelo engano.

Mande seus comentários sobre a Vira, dizendo o que achou de nossas reportagens e seções. Suas sugestões são bem-vindas! Escreva para Rua Augusta, 1239 - Conj. 11 - Consolação - 01305-100 - São Paulo (SP) ou para o e-mail: redacao@viracao.org Aguardamos sua colaboração!

Ponto G Para garantir a igualdade entre os gêneros na linguagem da Vira, onde se lê “o jovem” ou “os jovens”, leia-se também “a jovem” ou “as jovens”, assim como outros substantivos com variação de masculino e feminino.

Parceiros de Conteúdo


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Manda Vê Juliana Cordeiro, Virajovem Curitiba (PR)*; Akhim Salles Nazareth, do Programa Quarto Mundo; Eric Silva, Mariana Rosário e Bruno Ferreira, da Redação

A internet tomou o espaço de diversos meios de comunicação, por propiciar a interação e o conteúdo que você quer na hora que deseja. Além disso, ela ocupa um espaço fundamental no processo da democratização da comunicação e informação. Por meio da internet, ficamos por dentro de fatos que ocorrem no mundo todo. Qualquer pessoa pode postar conteúdos na rede mundial de computadores e usá-la para mobilizar ou

sensibilizar pessoas em prol de uma ideia ou causa. As redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut trazem à tona uma nova forma de se relacionar e interagir com as pessoas. Elas dão a oportunidade de encontrar no universo virtual os amigos com os quais convivemos presencialmente, além de possibilitar conhecer novas pessoas. Por isso, perguntamos para a galera de Curitiba e São Paulo:

Você acha que a internet e as redes sociais são ferramentas úteis para as mobilizações?

Marcos Andrey, 14 anos, Curitiba (PR)

“Acho que a principal forma de mobilização é através da internet e das redes sociais, pois como a internet é o local onde mais tem pessoas se comunicando ao mesmo tempo, dependendo de como você irá interagir com os demais, nesse local você pode fazer uma mobilização e tanta, dependendo do gênero dessa mobilização.”

Beatriz Purcino, 18 anos, São Paulo (SP)

Diego Silva, 22 anos, Curitiba (PR) “A internet em si não é um problema. A forma como nós a utilizamos é que faz toda a diferença. Em vez de usarmos as redes sociais digitais apenas como espaço de futilidade e para coisas efêmeras, devemos ficar atentos ao universo de possibilidades positivas que ela nos oferece.”

06 Revista Viração • Ano 9 • Edição 76

“Sim, pois seria mais fácil para atingir um grande número de pessoas para irem a qualquer lugar ou então para poder fazer campanhas e coisas do tipo.”

* Um dos Conselhos Jovens da Vira presentes em 22 Estados e no Distrito Federal pr@viracao.org e redacao@viracao.org)


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Yasmin Zordan, 14 anos, Curitiba (PR) “Claro que sim, porque assim podemos divulgar conteúdos para todo o mundo e para várias pessoas. Assim, todos nós podemos ajudar ao mesmo tempo.”

Nayane Leal,16 anos, São Paulo (SP) “Sim, são muito úteis, ainda mais nos dias de hoje que uma grande parcela da população utiliza as redes sociais para se comunicar, se informar, e por aí vai.”

Mariana Firmino Confessor, 22 anos, São Paulo (SP) “Acho que sim, por questão de praticidade de informações, principalmente se for o caso de uma mobilização independente da causa. Nessas horas que se precisa de coisas imediatas.”

Osni Fagundes, 35 anos, Curitiba (PR)

Mariana de Oliveira Cabral, 20 anos, São Bernardo do Campo (SP) “Acho que sim, mas se souberem ser usadas e se atingirem pessoas que realmente estão interessadas em se mobilizar. Hoje em dia, eles criam passeatas para tudo e no fundo é só uma pequena parcela que vai para lutar por um ideal, o resto do pessoal vai só pela bagunça.”

“Sim, no mundo contemporâneo e globalizado, as redes sociais se tornaram ferramentas importantes nas relações sociais, tendo em vista a facilidade com que as pessoas têm em se comunicar com qualquer outra em qualquer parte. Já tivemos exemplos de movimentos que tiveram origens nas redes sociais.”

O Poder das Redes Sociais (Tara Hunt) Editora Gente Com as redes sociais, é possível obter maior visibilidade na rede, mas nem sempre pensamos em maneiras eficientes de manifestação para aproveitar melhor os instrumentos oferecidos pelo Twitter, Facebook, Orkut etc. Tara Hunt aborda estratégias para potencializar a reputação e o valor individual dos usuários no mundo digital no livro O Poder das Redes Sociais, publicado pela Editora Gente. Ela utiliza a palavra Whuffie para designar o capital social e a reputação dos usuários na internet.

Faz Parte

As redes sociais já conquistaram até o mundo do cinema. Em 2010, o filme indicado e vencedor de diversos prêmios A Rede Social conta a história da criação da maior rede social no mundo atualmente, o Facebook. Com direção de David Fincher, o filme estadunidense conta a história de Mark Zuckerbeg, que em 2003 criou um projeto que em seis anos lhe renderiam 500 milhões de amigos e o tornou o mais jovem bilionário da história.


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Mídias Livres

Calados

Arquivo da Rá

Gizele Martins, Alex Ferreira e Rafael Lopes, do Virajovem Rio de Janeiro (RJ)*

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á um ano, a rádio comunitária Santa Marta vem fazendo a alegria dos moradores do morro Santa Marta, favela localizada no bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. A rádio, que foi fundada em setembro de 2010, sem documentação para funcionar, acabou de ser fechada pela Polícia Federal e a Anatel, funcionando hoje apenas pela internet. Os diretores da emissora já estavam dando entrada na documentação para a legalização da rádio. De acordo com um levantamento feito pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), no Brasil, cerca de 14 mil rádios comunitárias, assim como a Rádio Santa Marta, esperam pela legalização. E este é um processo que dura anos e que precisa ser mudado. Com sete diretores e 20 locutores, os moradores já estavam acostumados a ouvir diariamente os mais variados tipos de programação, que ia do rock internacional à música gospel. “Temos uma programação plural: forró, hip-hop, funk, momento mulher, dirigido apenas por mulheres moradoras da favela, infantil, jornalismo, informativo, entre outros”, diz o morador Emerson Claudio dos Santos, mais conhecido como Fiell, que além de ser diretor tesoureiro da rádio, é também cineasta, escritor e cantor de rap. Fiell conta que a rádio não poderia ser fechada, já que a Polícia nem a Anatel tinham mandado de busca e apreensão. “Foi um fechamento ilegal. Ironia ou não, a emissora teve seu transmissor apreendido e fomos conduzidos à delegacia da Polícia Federal no dia 03 de maio, em que se comemora o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.” Debate por nova lei Durante o 4° Seminário de Legislação e Direito à Comunicação promovido pela Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC), que rolou no Sindicato dos Jornalistas

08 Revista Viração • Ano 9 • Edição 76

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Cerca de 14 mil rádios comunitárias esperam pela legalização no Brasil, e a Rádio Santa Marta, no Rio, é uma delas

Depois do fechamento pela Polícia, a rádio só funciona via internet dio Santa M ar

pela Polícia

do Rio de Janeiro, no centro da capital, no dia 11 de agosto, foi discutida a nova lei para rádios comunitárias, que está sendo preparada pelo Ministério das Comunicações. Na mesa de debates havia autoridades que lidam com a questão no Brasil e na América Latina. Para João Paulo Malerba, representante da AMARC Brasil, o Ministério das Comunicações “está lento por não haver nenhuma proposta para a lei que está sendo construída e que deve ser debatida com a sociedade”. Demerval da Silva Júnior, representante do Ministério das Comunicações relata que “audiências públicas e consultas pela internet estão no plano do ministério para a construção da nova lei”. Vale lembrar que a sustentabilidade das rádios comunitárias é um dos seus maiores obstáculos. Espera-se que, com a nova lei, esta e outras questões sejam resolvidas. V

Conheça mais sobre a Rádio Santa Marta no site: http://www.radiosantamarta.com.br/

* Um dos Conselhos Jovens da Vira presentes em 22 Estados e no Distrito Federal (rj@viracao.org)


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A C E o n o h l De o Larissa Ocampos, do Portal Pró-Menino*

Sua vez de debater seus direitos

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gora a participação dos jovens na defesa de seus direitos é mais que recomendável. Em agosto, foi publicada a Resolução nº 149 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Essa normativa afirma que mais crianças e adolescentes devem participar das comissões de organização da 9ª Conferência dos Direitos da Criança e do Adolescente, prevista para ocorrer em julho de 2012, em todas as suas etapas (municipais, distrital e estaduais). De acordo com esse documento, os Conselhos dos Direitos serão os responsáveis por garantir essa participação. E uma regra deve ser respeitada: a proporção de uma criança ou adolescente para cada dupla de adultos. Aliás, segundo consta, a comissão organizadora da etapa nacional já conta com a participação de cinco adolescentes, um representando cada região do país. A resolução concretiza um tema muito abordado e pouco colocado em prática até hoje: a participação infantojuvenil, que inclusive já foi tema de um artigo dessa seção no último mês de maio. Quem melhor do que as crianças e os adolescentes para opinar sobre seus próprios direitos? Um homem ou mulher lá pelos seus 30 ou 40 anos, que já foi jovem, mas não vive mais esse dia a dia? Com toda a certeza, esses atores são essenciais para garantir o que foi previsto pelo ECA em 1990 e, sem eles, o sistema não funcionaria. Mesmo assim, as maneiras de garantir esses direitos devem ser desenhadas em conjunto com os tutelados. Somente deste modo o trabalho de todos os órgãos que garantem os direitos de crianças e adolescentes será realmente bem sucedido.

A ideia de ter crianças e adolescentes participando ativamente de debates e tomadas de decisões sobre seus direitos é proposta há tempos. A importância da participação infantojuvenil ficou muito mais evidente e ganhou peso na 8ª Conferência Nacional, em 2009, quando um terço dos delegados eram crianças e adolescentes. E, a partir disso, o próprio Conanda elaborou e aprovou, em abril, o Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, que tem uma seção específica sobre o tema e traz determinações que facilitam e incentivam a “participação organizada e a expressão livre de crianças e adolescentes”. V

A vontade dos jovens de ter voz ativa e poder opinar, a partir de agora, ganha força e está mais próxima de acontecer. No entanto, para que tudo isso se torne realidade, é preciso que você esteja disposto a participar, debater e compartilhar suas opiniões com todos os que atuam na defesa dos Direitos Humanos. Portanto, procure o Conselho Tutelar ou o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de sua cidade para se informar sobre como fazer parte das comissões organizadoras da Conferência. Essa é a sua chance de ajudar a melhorar o sistema de garantia dos direitos de todas as crianças e todos os jovens brasileiros.

*O Portal Pró-Menino, parceiro da Vira, é uma iniciativa da Fundação Telefônica em conjunto com o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (CEATS/FIA).

Revista Viração • Ano 9 • Edição 76 09


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Paixao por midia-educacao ,

de mora 20 anos de Curso Associação italiana come ação e premia a Viração Verão sobre mídia e educ

Aleska Drychan, da Agência Jovem de Notícias, e Elisangela Nunes, da Redação

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o norte da Itália, uma Escola de Verão de mídia e educação acaba de completar 20 anos. Promovida pela Associação Italiana de Educação aos Meios e à Comunicação (MED), a Escola de Verão reúne todo ano uma média de 75 pessoas durante uma semana de curso, vindas de todas as regiões do País para a cidade de Corvara, onde são aprofundadas as metodologias, compartilhadas as experiências e reforçados os laços de amizade e parceria. “Já participaram mais de 1500 pessoas nesses 20 anos de escola. Colocamos juntos teoria e prática, experiência e informação”, recorda o fundador do MED, Roberto Giannatelli. Para a atual presidente da associação, Gianna Cappello, “esses anos todos mostram que criamos um jeito muito original, e com sucesso, de fazer uma escola de verão, movida a muito entusiasmo. Sem paixão não há mídia-educação.” Esta edição comemorativa, que se realizou de 11 a 16 de julho, teve como tema “No princípio, era o cinema”. E contou com a presença de especialistas como o pesquisador italiano Paolo Peverini e a estadunidense Renée Hobbs, uma das principais autoridades em mídia e educação nos Estados Unidos. Em uma programação intensa, 75 comunicadores e educadores discutiram, durante seis dias, os fundamentos, contextos sociais e aplicações da mídia e educação na Itália e no mundo, por meio de palestras, oficinas e laboratórios temáticos – envolvendo fotografia, vídeo, interpretação de roteiro e técnicas a serem aplicadas em sala de aula.

10 Revista Viração • Ano 9 • Edição 76

A presença brasileira foi garantida por meio da palestra A Educomunicação no Brasil, realizada pela jornalista e mestranda da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA?USP), Juliana Winkel, que falou sobre as principais iniciativas realizadas no País e sobre os caminhos desta área de interface como politica pública. O jornalista brasileiro Paulo Lima, fundador e diretor da Vira, também esteve presente ao evento, como homenageado pelo trabalho realizado na revista – que venceu o Prêmio MED "Cesare Scurati" de Júri Popular e a Menção Especial do Júri Científico, concedidos durante a Escola de Verão do MED. O prêmio existe desde 2005 e procura reconhecer e estimular a produção de boas práticas de mídia-educação nos vários âmbitos educativos. Canção Fora de Tempo, projeto realizado pela professora Rossana Bruzzone, em uma escola fundamental de Milão, recebeu o Prêmio do Júri Científico. A organização do MED justificou assim o prêmio concedido à Vira: “Em uma realidade educativa brasileira complexa e difícil, a Revista Viração representa uma experiência significativa de educomunicação, capaz de conciliar a profissionalidade de alguns jornalistas com um trabalho expandido de participação juvenil que se torna conscientização, seguindo os ensinamentos de Paulo Freire”. É isso mesmo, e muito mais. Além do pessoal do MED, os jovens que participam e fazem a Viração acontecer todos os dias também sabem definir de um jeito bem bonito o que é esse trabalho. Dá uma olhada: “A Vira, é um espaço onde se aprende a ouvir e falar muitas línguas”, diz Michel Ribeiro, de 18 anos, participante da Agência Jovem de Notícias.


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“Lugar de ariscar sem ter medo do ridículo, do erro, confiar em si mesmo”, diz Gabbriela Santana Domingos, de 17 anos, participante da Plataforma dos Centros Urbanos. É o lugar onde se compartilham sonhos, desejos em busca de um bem comum. Lugar da busca da experimentação, da criatividade, do novo, do velho e dos encontros. É um espaço de leveza, de prazer, que facilita a construção de saberes diversos e coletivo. E essa é a energia da Viração, essa é a folia que move tudo: ela é partilha, é o desejo de que esse trabalho sobreviva em diversos lugares do mundo. V

Mídia e Educação na Itália A Associação Italiana de Educação aos Meios e à Comunicação (MED) foi criada há mais de 20 anos e reúne dezenas de jornalistas, professores e pesquisadores de escolas e universidades e educadores sociais de várias regiões da Itália. É reconhecida pelo Ministério da Educação como principal parceira para desenvolver pesquisas e atuar com projetos de mídia e educação nas escolas públicas. A associação possui uma revista acadêmica semestral, a Media Education: estudos, pesquisas e boas práticas, produzida e distribuída com o apoio da Editora Erickson. A revista também dispõe de uma versão online: http://riviste.erickson.it/med/

Fotos: Divulgação

País: Itália Capital: Roma População: 59,9 milhões Língua oficial: Italiano

Saiba mais sobre o evento e sobre a associação no site da MED: www.mediaeducationmed.it


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IMAGENS QUE VIRAM

Vou de magrela Texto e fotos: Evelyn Araripe, da Agência Jovem de Notícias

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o dia 22 de setembro é comemorado o Dia Mundial sem Carro. Nesta data, milhões de pessoas deixam o carro em casa e andam mais a pé, utilizam transporte público e bicicleta. Mas são as magrelas que ganham mais destaque, com manifestações ciclísticas em várias cidades do planeta que reivindicam mais espaços públicos pensados para o trânsito de bicicletas e pessoas, menos poluição do ar e também sonora. Afinal, as bicicletas, realmente, embelezam as cidades, deixando os lugares mais limpos, mais silenciosos e coloridos. É até possível ouvir o canto dos pássaros, ver o colorido das flores e descobrir cantinhos como praças e parques escondidos pela cidade. V

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Revista Viração • Ano 9 • Edição 76 13


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r e t r ó Rep

A Degenerada do Velho-Oeste k, que vem Atriz, transsexual, polêmica. Assim é Leonarda Glüc o em Curitiba promovendo uma revolução no jeito de fazer teatr

Vinícius Gallon, Ana Paula Braga Salamon e Dorothy Lavigne de Beaumont, do Virajovem Curitiba (PR)*

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degenerada em questão é Leonarda Glück Spercoski e o Velho Oeste é Curitiba. Parece e é uma mistura explosiva. Se por um lado temos uma cidade socialmente provinciana e repressora, do outro temos uma mente livre e criativa atenta às desigualdades, à corrupção, à sexualidade e à diversidade de gênero, típicos do comportamento humano e tão mascarados pelo povo “coxa branca”. Tudo isso vira arte nas mãos de Leonarda, que se orgulha em dizer que seu corpo transsexual é uma bandeira. Léo Glück, como é mais conhecida, é atriz, formada pelo curso de ator do Colégio Estadual do Paraná e diretora de teatro, formada pela Faculdade de Artes do Paraná – FAP. Em entrevista à Vira, realizada no Fingen Café, que fica ao lado do Teatro Guaíra, na capital paranaense, a artista falou de sua grande paixão, o teatro, sobre a Companhia Silenciosa que ajudou a fundar, sobre sexualidade e sobre o palco de suas encenações, Curitiba.

Qual é sua opinião sobre o teatro de Curitiba? Leonarda Glück: Como Curitiba: conservador e careta. Aqui se faz muitas peças que não exigem muito dos expectadores, com piadas prontas, machistas, racistas, homofóbicas, enfim, tudo de ruim que há. Me parece que existe uma movimentação, impulsionada por esses stand ups, em que quanto mais você humilhar, espezinhar as pessoas, mais risadas você vai tirar do público. Mas, por outro lado, tem o teatro de pesquisa, pra salvar um pouco. Existem várias coisas interessantes sendo produzidas por aqui. Várias companhias. Queremos promover um mundo melhor com nosso trabalho, colocando as pessoas para pensar. O que você acha do culto ao teatro clássico, que muitas vezes renega os temas importantes da atualidade? Acho que o teatro é uma das artes mais atrasadas. A música está super tecnológica, as artes visuais já trabalham com tudo quanto é coisa, porque qualquer coisa pode virar assunto pra gente trabalhar.

Linha do Tempo Léo Glück se forma na escola de atores do Colégio Estadual do Paraná.

1999

14 Revista Viração • Ano 9 • Edição 76

Então estudante da Faculdade de Artes do Paraná, Léo Glück funda a Companhia Silenciosa com mais cinco amigos.

2002


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Estreia de de Léo como dramaturga e diretora teatral, com o espetáculo Bandulho.

2003

* Um dos Conselhos Jovens da Vira presentes em 22 Estados e no Distrito Federal (pr@viracao.org)

A mídia é responsável pela construção do estereótipo de uma determinada feminilidade, de uma mulher pra ser consumida. Como você lida com isso no teatro? Mesmo esteticamente, nas peças, eu tenho a preocupação de que eu não quero ficar escrevendo mulher vítima o resto da minha vida. A imagem da mulher é extremamente consumida, até por quem não tem interesse sexual em mulher. Desconstruir o padrão é uma coisa que sempre penso com meu trabalho, questionar e brincar com o padrão. Mulheres mais gordas eram padrão há 400 anos e, pra nós, isso é uma repulsa hoje. Por quê? Eu, com um corpo todo trans, qual é a ação e reação desse corpo no mundo? Mulher é uma coisa que vai ser discutida pra sempre. Como é a relação com sua família? Tive muita sorte porque eles me apoiaram. Com minha mãe, principalmente porque ela me ama incondicionalmente. Acho que ela não entende tudo o que eu sou, nem tudo o que faço, mas não vai entender nunca, porque nem eu me entendo. Ela também não entende tudo o que ela fez. Mas apoia, é uma relação de tentar defender. Não é do tipo que reage chutando pra fora de casa, sabe? É uma relação de tentar respeitar e proteger ‘aquela coisinha’ mesmo sem saber o que ela é, uma coisa instintiva, né? Eu também não sei o que eu sou, nem o que ela é, nem o que os outros são. Claro, ela me critica, quando ela vê minhas fotos nuas, ela diz: “Você tá louca, não pode, isso é muito feio!”. Aí eu respondo, mas mãe, o contexto é artístico, essas imagens têm elementos pra chocar, mas também são pra questionar, não é só uma coisa pra se masturbarem. Mas são argumentos vazios para ela. Mãe é mãe. V Fotos: Ana Paula Braga Salamon

Minha companhia já incorpora dança, música, artes visuais em algumas circunstâncias. A incorporação desse tipo de tecnologia é vista como se escapasse dessa linguagem teatral. De fato, escapa um pouco, mas, no nosso trabalho a gente gosta de mesclar as linguagens artísticas sem estabelecer muita distinção entre elas. Eu sou uma atriz, mas eu me aproprio de outra mídia, e expandir o teatro é muito interessante. Quais são os temas mais recorrentes no seu trabalho e na sua companhia? Nossa companhia trabalha muito com a sexualidade. Ninguém fica passivo e sem opinião em relação a isso. Ou pensa besteira, ou fica irritado, ou se sente ofendido, ou vai usar pra fins sexuais mesmo. Em Burlescas, espetáculo com seis horas de duração, encenado em um bar da cidade e retransmitido online para outros locais urbanos, algumas pessoas chegavam a fazer proposta de prostituição. Já acham que a gente é prostituta. Claro que vamos dizer: olha, não vou sair daqui com você, porque eu sou uma atriz, estou no meu horário, daqui a pouco eu vou trocar de roupa e volto pra fazer outra cena. Tchau! A sua arte é política? Toda arte é política. E mais, para ser arte tem que ser política. Acho que o papel da arte, hoje em dia, é mudar e entrar na vida das pessoas. Nossa companhia tem um quê de rebeldia, de tentar bagunçar o coreto no bom sentido, tentando fazer com que as pessoas pensem em novas coisas. Questões como família, heterossexualidade, a homossexualidade, a tal da transsexualidade, qualquer sexualidade, drama, comédia, tragédia. Talvez um dia eu ainda faça um stand up commedy do meu jeito, só pra criticar. Enfim, tem um quê de protesto. Não dá pra vivermos achando que tudo é lindo, quando não é.

“Toda arte é política. E mais, para ser arte tem que ser política.”

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Leonarda Gluck

Burlescas, da Companhia Silenciosa, determina novas maneiras de colaboração e organização internas

2009

Revista Viração • Ano 9 • Edição 76 15


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divertem Confira como crianças a adolescentes se Brasil durante as férias nas regiões rurais do Rones Maciel, do Virajovem Fortaleza (CE)*

O

inverno acabou e o Sertão ainda está meio verde. Erilânia Faustino, de 14 anos, Tem milho, feijão, verduras e legumes fresquinhos. estudante do 1° ano do ensino Armar aquela rede no alpendre de casa e ver o médio que mora no assentamento tempo passar. Mas, além de aproveitar essas coisas Muxuré Velho, no município de boas do campo, em mês de férias dá para aproveitar Quixeramobim (CE), aproveitou bem muito mais. Por aqui, o que menos se quer é dormir. suas férias, mas sente que ainda A meninada é aquela do campo, que já mora nas faltam mais espaços na comunidades rurais, ou a que espera o semestre comunidade para brincar: “Eu inteiro para o fim das aulas e vir da cidade para brinquei muito nas minhas férias. passar férias na casa da tia ou dos avós. Ela só quer Andei de bicicleta, tomei banho saber de uma coisa: aproveitar esses poucos dias, de açude e outras brincadeiras. mas valiosos, para brincar e muito. Mas, acho que ainda falta lugar O Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) garante: para gente brincar e ter mais toda criança e adolescente lazer no assentamento. As tem direito ao lazer. Esse pessoas da comunidade Erilânia e Daniel curtem suas lazer pode ser das mais deveriam lutar por isso e procurar a férias aproveitando os espaços, a natureza e o ar livre variadas formas, desde prefeitura para ela fazer alguma coisa.” brincar dentro de casa a Mas, mesmo previsto na lei e no ECA, o correr pelos espaços da direito a espaços para brincar nem sempre é comunidade. É dever do garantido para todos. No campo, onde há Estado promover momentos muitas crianças e adolescentes, ainda faltam de integração, construção e locais de lazer. Aos poucos, estão sendo manutenção de construídas áreas nas sedes dos distritos para equipamentos públicos. viabilizar e proporcionar melhores condições de Mas não é pela falta de vida aos moradores da zona rural, em especial, espaços e equipamentos às crianças e adolescentes. como quadras poliesportivas, clubes e praças que a meninada da Com a tecnologia cada vez mais ao alcance roça deixa de se divertir. O futebol, esporte antigo e religiosamente de muitos, o campo não está longe de buscar também no presente em todas as comunidades rurais, é uma forma de lazer e ciberespaço formas de lazer e diversão. Agora, a distância até a diversão dos adolescentes e jovens. Mesmo que brincadeiras como cidade, antes medida em quilômetros, é feita em poucos segundos, Pular corda, Bandeira, Esconde-esconde não sejam mais tão graças à internet, mais uma facilitadora a novas formas de diversão. comuns no cotidiano da nova geração de crianças e adolescentes, Daniel Alves, de 13 anos, estudante do 8º ano do ensino o brincar não perde o seu valor. fundamental, busca diversão em diversos locais durantes as férias:

16 Revista Viração • Ano 9 • Edição 76


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“Eu gosto de jogar bola, mas às vezes vou pra rua brincar de outros jogos. Sempre que dá, vou à casa onde mora a minha irmã. Daí, acabo aproveitando e jogo videogame ou jogos no computador”. Certas tradições não se vão como a água do açude no qual se toma banho. Se o inverno tiver sido bom, os reservatórios ficam com muita água, aí é diversão garantida. O Sertão continua lindo, seja com suas tradições e com as novas gerações que misturam cores e sabores que o deixam ainda melhor. Confira algumas das brincadeiras que ainda fazem parte do dia a dia de crianças e adolescentes das zonas rurais do Brasil. V

Manja Uma criança é escolhida para contar até 31 com os olhos fechados em um determinado local chamado de “manja”, enquanto as outras se escondem. Após a contagem, ela tenta encontrar cada criança escondida e ao avistá-la tem que dizer “batida” e o nome da pessoa encontrada, tocando na “manja”. Se alguma das crianças que se esconderam conseguir chegar na “manja” sem ser vista por aquela que está procurando, fala alto “batida, salve todos” e quem está procurando começa novamente a contar. Se todos forem pegos, a primeira pessoa batida na “manja” irá contar e começa todo o processo outra vez. A brincadeira é também conhecida como esconde-esconde.

Bandeirinha É uma brincadeira que necessita de um número bom de participantes, além de um espaço amplo para que todos possam correr. Os grupos são divididos igualmente e separados por uma linha que vai de uma ponta a outra de um retângulo. De cada lado terá que ter, em uma mesma distância dos dois lados, uma bandeira presa a um pedaço de madeira leve fixada no chão. Ao redor da bandeira terá que ser feito um círculo que comporte até três pessoas. Este será o único espaço do campo onde o adversário não poderá ser tocado. Caso algum participante tente pegar a bandeira do outro e seja pego fora deste círculo, ele ficará preso até que alguém do seu time o salve. E os dois terão que sair do campo adversário, sem que sejam pegos novamente. Como todo jogo, ganha que tem o maior número de pontos. Esta brincadeira demanda agilidade, raciocino rápido, união e habilidade dos participantes. Essa brincadeira também é conhecida como Pega Bandeira.

Cai no poço Um grupo fica em formato de fila para frente de duas pessoas que irão realizar a brincadeira. Dessas duas pessoas, uma ficará vendada e a outra irá guiá-la. As pessoas que estão emparelhadas irão trocar de lugar, se misturar. Tudo pronto, a pessoa guiada vai passando pela frente das outras até pedir para parar. Nesse momento, o guia irá perguntar se ela quer pêra (aperto de mão), uva (um abraço), maçã (um beijo no rosto) ou salada mista (beijo na boca). Após tirar a venda, a pessoa terá que realizar o que escolheu. Caso uma das pessoas, a guiada ou a escolhida, se recusar a realizar a tarefa, ela sai da brincadeira. O legal desse jogo é que ele é feito com adolescentes e jovens de sexos diferentes e isso pode gerar momento de integração, descontração e até situações inusitadas. A brincadeira é também conhecida como Salada Mista.

* Um dos Conselhos Jovens da Vira presentes em 22 Estados e no Distrito Federal (ce@viracao.org) Revista Viração • Ano 9 • Edição 76 17


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Capa

Quem sabe faz a hora , revolucionária e A juventude continua questionadora mento político e social encontrou novas formas de engaja Reynaldo de Azevedo Gosmão e Silmara Aparecida dos Santos, do Virajovem Lavras (MG)*; Elisângela Nunes, Vânia Correia e Bruno Ferreira, da Redação; Liliane Freitas, Henrique Souza e Evelyn Araripe, da Agência Jovem de Notícias

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are pra pensar nas suas aulas de história. Você já reparou que muitas das grandes revoluções do mundo surgiram a partir da iniciativa e desejo de mudança de alguns jovens? Pense no movimento estudantil, por exemplo, que ajudou na queda da ditadura militar no Brasil. O maior ícone do Socialismo no mundo, Che Guevara, liderou aos 25 anos a Revolução Cubana a partir de 1953. Tem também Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, que se tornaram ícones da Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo. Claro que há outros exemplos, como Mahatma Gandhi e Nelson Mandela, que não eram jovens quando levaram adiante sua sede por mudança, mas utilizaram o seu poder revolucionário para promoverem avanços importantes e transmitirem suas mensagens de paz e igualdade. No entanto, é muito comum nos dias de hoje ouvir algumas pessoas falarem a típica frase: “A juventude de hoje não faz nada”. Mas, não é bem assim! Desde as últimas décadas, os jovens têm feito muito coisa, só que diversificado as temáticas de suas bandeiras. Ações e protestos pela liberdade de expressão, direitos humanos da mulher, da criança e do adolescente são campos cada vez mais frequentes de engajamento da juventude, que, inclusive, está protestando contra vários tipos de preconceitos, violências sexuais, além de estar voltando seus olhos para a questão da sustentabilidade, do meio ambiente e outras temáticas. Apesar das suas especificidades, cada vez mais jovens e adolescentes vêm conquistando espaços e sendo participativos em várias causas.


Comparando gerações

Interessada nas questões ambientais, Fernanda é engajada desde os 13 anos Fernanda Winter, de 21 anos, por exemplo, atua com ações e projetos envolvendo as temáticas sexualidade, gênero, bullying, participação social, violências, entre outras. Desde os 13 anos, quando começou sua atuação no Movimento de Intercâmbio de Adolescentes de Lavras (MIAL), teve a oportunidade de participar em várias ações, iniciando com os Encontros Regionais e Nacionais de Adolescentes, passando pela representação mineira no Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) e Mostra Nacional do SPE, até chegar aos encontros mundiais como o J8, promovido pelo UNICEF, reunião paralela ao G8, que reúne os oito países mais desenvolvidos do mundo, na Itália e Alemanha. Fernanda também esteve presente no Fórum de Mudanças Climáticas em Copenhague (COP15) como facilitadora e foi convidada a estar junto de jovens do mundo todo no Rio de Janeiro, quando foi realizado o Seminário Mundial contra o Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. “Acredito que os jovens estão sim cada vez mais interessados e só vem melhorando. É preciso ter persistência, as dificuldades vão surgir e vai bater o cansaço e você vai parar pra se questionar e as repostas são demoradas. Para as conquistas, paciência, pois, por mais que pareça que não tem resultado, sempre vale a pena”, diz Fernanda.

Levada à sério “Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério”. O que a música da Banda Charlie Brown Jr denuncia não é segredo para muitos jovens. “A juventude é deixada de lado na mídia. E quando aparece é em notícia ruim de morte, roubo. Aparece sempre como algo que está perdido”, desabafa Marcos Eduardo Rodrigues Santos, de 18 anos. A imagem do jovem problema, que aparece sempre na perspectiva do risco que representa pra si ou para a sociedade, não convence, não agrada e tampouco é capaz de traduzir toda a diversidade presente nas vivências juvenis. Essa imagem estigmatizada, que a mídia ajuda a difundir, está presente em diversos segmentos da sociedade e legitima ou justifica discursos e ações cada vez mais punitivas como a redução da idade penal, por exemplo. É mais ou menos assim: se o jovem é um problema e um risco, é preciso contê-lo de algum modo.

“O que eles falam ~ sobre o jovem nao e serio”

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Para muitos, está claro que o padrão de qualidade de juventude foi definido nas décadas passadas, especialmente pelos jovens que lutaram contra o regime militar nos anos 1970. Qualquer coisa diferente disso representa, para muitos, a traição da essência dessa fase da vida. A socióloga e estudiosa sobre as questões da juventude Helena Abramo acredita que a análise do perfil da juventude deve ser feita com cautela e que jovens de diferentes épocas se mobilizaram de acordo com o momento histórico que vivenciaram. Para ela, não é possível dizer exatamente se a juventude está mais ou menos atuante que as gerações passadas. O que é possível comparar é a forma como as mobilizações ocorreram em diferentes épocas. “Falar que esta geração tem menos interesse em política que as gerações passadas é complicado, porque foi uma minoria que fez história nos partidos políticos. Naquela época, era a única opção. Muitos, inclusive, eram partidos clandestinos. Da população inteira, é uma pequena parcela que participa de partidos políticos.” É claro que gerações passadas vão sempre inspirar as atuais. E o valor das lutas pela redemocratização do país é inquestionável. Mas comparações descontextualizadas são sempre reducionistas e limitadas para o jovem Rafael Biazão: “As pessoas tendem a fazer comparações e, muitas vezes, a juventude de hoje é criticada pelos gostos e pelas ações, mas os tempos são outros.” Não existe um único jeito de ser jovem. As experiências juvenis são múltiplas e variam de acordo com repertórios, trajetórias e escolhas. Essa geração está, sem dúvida, deixando também suas marcas na história. Criando suas próprias formas de intervir na realidade. “Muitas pessoas não olham em volta para ver o que Revista Viração • Ano 9 • Edição 76 19


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Capa está acontecendo. Os jovens de hoje fazem muito mais do que o povo pensa”, alerta Marcos Eduardo. “Às vezes o reconhecimento das coisas boas demora a acontecer. Nenhuma geração foi perfeita”, completa Rafael. Para Helena Abramo, os setores da juventude passaram a buscar diferentes canais de mobilização e não mais as formas clássicas de atuação política a partir dos anos 1970. Um desses novos canais é a manifestação cultural, que têm colocando na pauta da sociedade questões relevantes, por meio da música e das artes plásticas, por exemplo. “Há na cultura essa dimensão na participação na vida pública, com exposições nas ruas e praças. Os punks e grupos de hip hop com manifestações artísticas, fanzines, grafites, capas de discos produzidos como produtos culturais e falando sobre questões sociais. Isso é uma forma de atuação social. O hip hop, por exemplo, levantou o debate sobre a violência ao jovem negro da periferia, as desigualdades.” Outra característica atual destacada por Helena é a organização de jovens em coletivos, que se mobilizam em torno de diversas bandeiras, algumas locais, outras nacionais e mundiais, articulados em redes quando há interesses comuns: “Antes, não pensávamos nisso como participação social e política. Hoje, a juventude é vista e tem a possibilidade de se organizar em coletivos. Isso tem mais reconhecimento hoje, além de existir viabilidade pública para acontecerem”, analisa.

Líder comunitário aos 14 anos em Recife (PE), Betinho promove mobilizações pela luta de direitos em sua comunidade

Diversidade de atuação Helena Abramo diz ainda que hoje há uma grande diversidade de questões e demandas amplas que têm surgido por parte da juventude, muito diferente das décadas anteriores, em que as bandeiras levantadas e as formas de atuação eram mais restritas. De tempos em tempos, o jeito de atuar da juventude muda, porque a sociedade também muda, está em constante transformação. “As formas de atuação e mobilização se diversificaram muito. O movimento estudantil, por exemplo, ainda está aí propondo coisas. Alguns segmentos que foram protagonistas no passado continuam ativos, mas o que é mais característico hoje é a diversidade de atuação e de segmentos sociais.” A análise de Helena pode ser exemplificada com a atuação de Amanda Martins, de 18 anos, que desde os 14 se envolve em questões relacionadas à juventude, educação e ações na comunidade, mas foi aos 16 que ela entrou para a ONG Cidade Restaurada (Cires), onde desenvolve gincanas, brincadeiras e acampamentos com adolescentes e jovens da comunidade Fazenda da Juta. Amanda também participa da Plataforma dos Centros Urbanos, projeto no qual acompanha o dia a dia de sua comunidade. Agora ela está envolvida no processo de preparação dos jovens para as Conferências da Juventude, ação que faz com que a jovem entenda “cada dia mais o papel fundamental dos jovens para mudar o Brasil”.

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Amanda Martins, de 18 anos, promove atividades lúdicas com adolescentes e jovens em São Paulo (SP)

Outro exemplo está no trabalho de José Alberto Pereira da Silva, o Betinho, que aos 14 anos já era líder comunitário em Recife (PE). O envolvimento com a comunidade fez com que ele fosse uma das pessoas mais jovens de Pernambuco, senão do Brasil, a integrar conselhos municipais para acompanhar políticas públicas voltadas para a educação e a juventude. Hoje Betinho tem 24 anos e ainda é referência em sua comunidade. O Sítio dos Pintos é o lugar onde ele mobiliza os moradores na luta pelos seus direitos, além de promover discussões e debates na comunidade e por meio das redes sociais. Betinho diz que sua grande vontade é garantir que a juventude tenha espaços de debate e discussão que vão além da internet.


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Juventude otimista Uma pesquisa recente sobre a juventude tem chamado a atenção por abordá-la de forma positiva, engajada e interessada em participação política, diferentemente do que a grande mídia tem apresentado. Para Carla Mayumi, sócia da Box1824, empresa que realizou a pesquisa O Sonho Brasileiro, a juventude atual é inspiradora. “Os jovens estão fazendo muitas coisas, realizando projetos de formas múltiplas. Eles não querem ser mártires, querem ser felizes, estarem bem para agir pelos outros, têm várias bandeiras”, disse durante o evento Diálogos sobre o Sonho Brasileiro, realizado em São Paulo nos dias 15 e 16 de agosto. A pesquisa aponta para um perfil otimista da juventude, mostrando a importância do chamado jovem-ponte, aquele que transita por diversos grupos, recolhendo referências diversas e redistribuindo ideias e conectando redes, sendo influente transversalmente. De acordo com a pesquisa, um em cada 12 jovens brasileiros é um jovem-ponte, o que representa cerca de dois milhões de pessoas entre 18 e 24 anos. Durante o evento em São Paulo, os participantes

do debate Poder Humano: Novo Engajamento Político refletiram sobre novas formas de engajamento político, participação social aliada à realização pessoal e política institucional. Gabriel Milanez, um dos diretores de Planejamento e Pequisa da Box 1824, disse durante o debate que “59% dos jovens brasileiros não se conecta com partido político e não acredita que a política é feita apenas em Brasília”. A partir desse dado, Gilberto Dimenstein, jornalista e fundador da Associação Cidade Escola Aprendiz, disse que a participação da juventude em ações locais tem sido bem sucedida, mas sente falta da representação jovem nas esferas políticas, como câmaras e assembleias, pois para ele, grandes mudanças dependem do governo e suas decisões. “Consigo entender o milagre das pequenas coisas. Todo mundo se encanta com elas, porque você vê resultado. Mas estamos valorizando demais isso e deixando espaço para os canalhas. A gente desenvolveu nojo pela política. Como as melhores pessoas não ocupam a política, nas mãos de quem ela fica?”, disse Gilberto Discordando da posição do jornalista, Daniela Silva, uma das participantes da pesquisa e diretora do projeto de inclusão política Esfera, da Casa de Cultura Digital, considera “a política que a gente conhece ultrapassada, assim como as gravadoras. Os movimentos mais importantes da música, hoje, não estão nas gravadoras. No entanto, elas ainda existem e ninguém deixou de ouvir música por conta disso”, compara. “O jovem não deixa de ver a política, mas enxerga outros atores. Há jovens estratégicos. Se um partido político serve para chegar a algum objetivo maior, ao bem comum, ele utiliza mesmo que não acredite totalmente em sua ideologia”, complementa Gabriel. V

*Integrantes de Conselhos Jovens da Vira presentes em 22 Estados e no Distrito Federal (mg@viracao.org)

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Especial

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Area para educadores e comunicadores

Estudantes e professores da Licenciatura em Educomunicação da USP fazem balanço do primeiro semestre do curso Bruno Ferreira, da Redação, Evelyn Kazan e Maurício Silva, estudantes da Licenciatura em Educomunicação da ECA/USP

M

Bacharelado em Educom Na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, há desde agosto de 2010, o Bacharelado em Educomunicação, atendendo uma demanda regional para a produção de mídias educativas e avaliação crítica de produtos, práticas e processos de comunicação, privilegiando a estruturação da relação comunicação-cultura-educação. “Estamos procurado estabelecer várias parcerias, não só com outras instituições de ensino superior como, por exemplo, a USP. Mas, também, com escolas, instituições culturais, órgãos públicos, meios de comunicação, ONGs, entre outras. Nossa intenção é fomentar o trabalho de extensão comunitária. Estamos iniciando agora o terceiro período, contando hoje com 160 alunos ao todo e, o melhor, todos muito motivados para a formação a qual estamos oferecendo”, conta a coordenadora do Bacharelado, Profª. Danielle Andrade de Souza. 22 Revista Viração • Ano 9 • Edição 76

es

“Não se trata de pensar a comunicação ou a educação em termos de competição para ver qual delas é mais importante. O princípio que rege nosso trabalho é a compreensão do papel transformador da comunicação na sociedade, num sentido amplo, e de mobilizador de competências de alunos, professores, comunicadores, enfim, de pessoas.” Profª. Cristina Mungioli, que ministrará a disciplina Linguagem Verbal nos Meios de Comunicação

Glória Marcond

uitos profissionais das áreas de educação e comunicação estão envolvidos em ações educomunicativas, como por exemplo, jornalistas que desenvolvem projetos de jornalismo comunitário e educadores que já utilizam ferramentas de comunicação para estimular o aprendizado e o compartilhamento de conhecimentos e experiências com seus estudantes. “Comunicadores e educadores que implementam ações colaborativas em suas práticas profissionais são candidatos naturais a buscar os referenciais teóricos e metodológicos possibilitados pela sistematização acadêmica. Um curso oferecido pela universidade permite contatos com múltiplas correntes de pensamento e com experiências diversificadas, o que é mais difícil de se obter na rotina do trabalho diário”, explica Ismar de Oliveira Soares, coordenador da Licenciatura em Educomunicação e responsável pelo laçamento do curso na USP. Fábio Nepomuceno é professor de Português da rede municipal e estudante da Licenciatura em Educomunicação. Ele está envolvido com projetos educomunicativos desenvolvidos na escola onde trabalha muito antes de ingressar no curso da USP. “A Licenciatura em Educomunicação amplia a leitura crítica dos meios de comunicação e fornece referencial teórico que permite entender melhor os conceitos envolvidos na Educomunicação e consolida a sua definição para o comunicador e para o educador”, analisa Fábio Nepomuceno. O licenciado em Educomunicação terá diversas opções profissionais: ser professor de comunicação no ensino médio, consultor nas áreas da mídia ou do terceiro setor, ou ainda ser um pesquisador nas interfaces comunicação e educação.


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Educomunicaçao na USP s

O curso de Licenciatura em Educomunicaçao da USP começou em fevereiro deste ano, e muita coisa bacana ja- foi feita. Ao final do primeiro semestre, estudantes e professores deixaram suas impressoes sobre as aulas.

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"O curso é dinâmico e vem sendo modelado com responsabilidade e espaço para o diálogo entre corpo discente e docente. A proposta vincula uma possibilidade nova de olhar para a comunicação e permite, a partir deste foco, reconhecer seu papel fundamental para formação humana no mundo contemporâneo." Beatriz Alves “O curso é teórico-prático, com leituras e confecção de resenhas. Houve eventos e fizemos captação em vídeo e áudio, e também editamos o material. Para a conclusão do semestre, montamos o blog da turma e fizemos posts sobre saúde.” Glória Marcondes

"A disciplina Atividades Acadêmicas, Científicas e Culturais permite ao aluno o estudo, a reflexão e a produção cultural, propostos por temas de interesse da área de educomunicação. A metodologia é educomunicativa, ou seja, diálogo e reflexão sobre o produzido, com retorno à sociedade." Profª. Roseli Figaro, da Licenciatura em Educomunicação

Ensino Pratico s

A Licenciatura em Educomunicaçao vai além da sala de aula. Para aprofundar os conhecimentos dos estudantes, foi desenvolvida a ideia de “Imersoes Educomunicativas”, uma oportunidade de conviver com projetos que tem uma proposta de educaçao e formaçao critica através da comunicaçao e de apropriaçao das midias na busca pela cidadania.

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“Na TV USP, acompanhei o projeto Quarto Mundo, no qual pude colocar em prática o conhecimento teórico advindo das aulas. É o momento em que afiamos o olhar crítico sobre os processos educomunicativos, identificamos os erros e acertos deste processo, o que é de grande valia para a nossa formação.” Flávia Silveira

“ Tive a oportunidade de vivenciar as práticas educomunicativas na Revista Viração. Observei de perto como podemos, por meio da comunicação e liberdade de expressão, propiciar aos jovens educação e formação cidadã. Instigar as artes, cidadania, política de forma democrática e trabalhando sempre em conjunto e respeitando a opinião de cada um." Isabela Rosa

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Foram feitas também “Imersoes Educomunicativas Internas”, com base no conceito de educaçao entre pares, nas quais os proprios estudantes se reuniram, oferecendo e participando de oficinas. Livros sobre Educomunicaçao

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“Realizar uma Oficina de Televisão foi gratificante, do ponto de vista educacional e comunicativo. Aprender a ensinar foi uma experiência reveladora. Perceber que, às vezes, o que é óbvio para nós nem sempre é para o aluno. Ao mostrar, por exemplo, como uma reportagem é feita, como um comercial de TV pode ser desconstruído, como determinado filme passa uma ideologia foram alguns assuntos discutidos.” João Paulo Almeida

A Editora Paulinas lançou, em 2011, dois livros de interesse para a prática educomunicativa: Educomunicação: o conceito, o profissional, a aplicação, de Ismar de Oliveira Soares, e Educomunicação – construindo uma nova área de conhecimento, coordenado por Adílson Citelli e Maria Cristina Costa, reunindo artigos originalmente publicados pela revista Comunicação & Educação.


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Rapper dos quadrinhos Rap Dez desde a Livro reúne coletânea de episódios do primeira edição da Viração Da Redação

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as proximidades dos 10 anos da Vira, o cartunista Márcio Baraldi, criador do nosso querido Rap Dez, lança este mês o livro Rap Dez: o primeiro rapper dos quadrinhos. A publicação reúne episódios do personagem que saíram na Revista Viração desde o seu início, em 2003. O livro tem prefácio de Paulo Lima, fundador e diretor executivo da Viração Educomunicação, e do escritor Ferréz, além de depoimentos de diversos artistas do rap como DJ Hum, Rappin Hood, Xis,Toni C, e outras personalidades como os mestres das histórias em quadrinhos brasileiras Emir Ribeiro, Fernando Ikoma e Getúlio Delphim, além do jornalista Osvaldo Bertolino. As histórias do Rap Dez são todas narradas em versos rimados, como um rap de verdade, sempre abordando temas em sua maioria sugeridos e escritos pelos adolescentes e e jovens que participam dos Conselhos Jovens da Vira (Virajovens), presentes em 22 Estados e o Distrito Federal. Tudo com muito bom humor e energia positiva, típicas de Márcio Baraldi. Nas 52 páginas coloridas do livro, o leitor que já conhece o rapper terá a oportunidade de reler suas opiniões e engajamento. E quem ainda não conhece o primeiro rapper dos quadrinhos, perceberá o caráter educativo de suas abordagens. Temas como direitos humanos, respeito à diversidade, desigualdade social, educação e responsabilidade social fazem parte do repertório do Rap Dez. É por isso que muitos professores, inclusive, usam suas tiras em sala de aula em algumas disciplinas.

“Ilustrações bem feitas, sacadas inteligentes que merecem destaque, pois retratam situações vividas pela juventude brasileira. Vida longa à Revista e aos quadrinhos de Baraldi, o Brasil precisa conhecer essa maravilha. Que venham os gibis e os almanaques”, diz o rapper Rappin Hood sobre o trabalho de Márcio Baraldi e a Vira. Paulo Lima destaca a relevância do personagem em diversas características: adolescente, afrodescendente e da periferia. “Ele é o primeiro personagem rapper da história em quadrinhos do Brasil. E arriscaria dizer que é o primeiro do mundo. Já rodei por tantos lugares desse mundão, conheço trocentas propostas de revistas para jovens e não encontrei algo parecido. Como o Rap Dez não tem igual em lugar algum. O sujeito é como uma espécie de Mafalda brasileira. Assim, como o personagem do hermano argentino Quino, Rap Dez tem um espírito rebelde, profundamente preocupado e ocupado com a humanidade e a paz no mundo.” Outro aspecto interessante do Rap Dez é o processo de construção dos roteiros. É elaborado de forma colaborativa, envolvendo adolescentes, jovens e o Márcio Baraldi. “O Rap Dez, sem dúvida, expressa a opinião de tantos e tantos jovens que se identificam com seu estilo e posicionamento crítico, mas que nem sempre têm possibilidade de gritar para o mundo aquilo que sentem. Por isso, é tão especial e importante. Melhor: é tão original!”, finaliza Paulo Lima.

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A vez da Juventude sencadeou uma série Ano da Juventude de mundo a fora de ações e reflexões

Alaide de Oliveira Dastelani, Alisson Rodrigues, Joabe Yuri Machado Morabito, da Plataforma dos Centros Urbanos, Gabriela Santana Domingos, Verônica Mendonça da Silva, Vinicius Balduino, do Projeto Segurança Humana, e Vânia Correia, da Redação Fotos: Jovens da Plataforma dos Centros Urbanos

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erca de 18% da população mundial é jovem, o que significa que mais de 1,2 bilhão pessoas, ao redor do Globo, têm idade entre 18 e 24 anos. Desse total, 87% vive nos países em desenvolvimento, enfrentando dificuldades de acesso a direitos fundamentais como emprego, moradia, saúde, cultura. Foi nesse contexto que a Assembleia Geral das Nações Unidas lançou o Ano Internacional da Juventude sob o tema Diálogo e Entendimento Mútuo, que começou em 12 de agosto de 2010 e terminou com as celebrações do dia Internacional da Juventude, em 12 de agosto de 2011. Aumentar o investimento na juventude e a participação dos jovens e suas parcerias e a compreensão intercultural entre os jovens eram os três principais objetivos do Ano. Em todo o mundo aconteceram diferentes iniciativas, envolvendo governos e sociedade civil, que evidenciaram a importância e a urgência de considerar os jovens como agentes estratégicos do desenvolvimento. O encerramento do Ano Internacional da Juventude aconteceu em julho na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, durante o Encontro de Alto Nível das Nações Unidas sobre Juventude. Na ocasião, a Secretaria Nacional da Juventude assinou um termo de cooperação com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) que prevê a colaboração mútua para disseminação de boas práticas na área das políticas públicas de juventude no eixo sul-sul.

Visita internacional Uma das muitas atividades que marcaram as celebrações do Ano Internacional da Juventude no Brasil foi a visita da atriz

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Jovens da Plataforma dos Centros Urbanos entrevistam a atriz do filme High Scholl Musical Monique Coleman, conhecida por ter interpretado a personagem Taylor McKessie do filme High School Musical. A atriz foi nomeada a primeira Campeã da Juventude da Organização das Nações Unidas (ONU), uma espécie de embaixadora para o tema, com a missão de aumentar a conscientização sobre os desafios enfrentados pelos jovens no mundo. A atriz viajou para diversos países para conhecer e incentivar iniciativas voltadas para a garantia dos direitos dos jovens. No Brasil, Monique visitou uma série de projetos voltados para a juventude, entre eles o Projeto Segurança Humana, realizado por UNICEF, UNESCO, UNFPA e OPAS em comunidades populares da zona leste de São Paulo, com o


Arquivo Vira ção

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Em momento descontraído, adolescentes apresentam a Revista Viração para Monique

objetivo de reduzir os índices de violência na região por meio de ações integradas nas áreas da educação, ação comunitária e saúde. A galera da Vira, da Plataforma dos Centros Urbanos e do Projeto Segurança Humana marcou presença e aproveitou pra fazer umas perguntas pra ela. Confira. Na sua opinião, qual a importância do ano internacional da juventude? O aspecto mais importante é para os jovens reconhecerem seu poder, se sentirem inspirados e motivados a participar em suas comunidades. O tema do ano é Diálogo e Entendimento Mútuo e eu acho que é o melhor tema, porque promover o entendimento mútuo significa ver além das diferenças. Qual a importância de ter os jovens envolvidos em causas sociais? Os jovens são grande parte do nosso mundo e tem ideias muito criativas e muito tempo em suas mãos, então por incluir os jovens você representa a realidade do mundo. Os jovens também são muito inteligentes e muito corajosos, então na medida que o mundo evolui, nós temos novos problemas, e temos que incluir os jovens porque eles vão criar novas soluções.

discriminação, mas também à pessoa que está sendo descriminada, porque essa pessoa tem uma escolha: ela pode escolher aceitar ou rejeitar. Pra alguém ser bem sucedido em te por pra baixo, você tem que ficar em baixo. Como e quando você começou a participar de projetos sociais? Eu sempre fui muito ativa na minha comunidade. Quando eu era jovem, era membro de várias organizações e fazia voluntariado e eu sempre quis fazer a diferença de alguma maneira. Quando o High School Musical alcançou o sucesso que alcançou, isso me mostrou o poder da juventude, que era importante dar exemplos e ideias positivas para os jovens, porque vocês estão ouvindo e assistindo. O que é o Gimme Mo' e qual a sua proposta? Gimme Mo' é um talk show online que eu comecei no ano passado e também um blog. É basicamente um espaço para os jovens se unirem para falar das coisas de uma maneira nova, para se expressarem. Para pegar vídeos, artigos e poder analisá-los de uma nova perspectiva. Nós recebemos e estamos expostos a muitas informações, mas às vezes nós não percebemos como somos afetados.

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Você, por ser uma atriz negra, já foi vítima de racismo? O que você poderia dizer sobre isso? Como uma pessoa eu já sofri preconceito, sofri com experiências como o bullying. Especialmente na indústria do entretenimento você está sempre sendo comparada com outras pessoas e isso pode ser muito desafiador. "Eu sou bonita o suficiente?", "Eu sou esperta o suficiente?", "Eu sou talentosa o suficiente?". Mas acho importante não somente se dirigir à pessoa que está cometendo a

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E eu com isso?!

Mão na massa unicação e cultura

Jovens de São Paulo realizam projeto de com

Amanda de Paula Martins, Elisângela Nunes, Henrique Souza Andrade e Karina Lakerbai, do Pira na Notícia; Eric Silva e Paulo Lima, da Redação

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iração, notícia, construção coletiva... O que tudo isso tem a ver com política pública? Tudo. Pelo menos é isso que vem experimentando um grupo de cinco jovens proponentes do Pira na Notícia, um projeto de comunicação e cultura que visa a participação juvenil por meio de coberturas jovens colaborativas na cidade de São Paulo. Tudo é organizado pelos próprios jovens que cuidam, desde o planejamento das atividades até a administração da grana. O Pira foi aprovado pelo Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), criado pela lei municipal 13540, e tem como objetivo a difusão da cultura na cidade de São Paulo. Os projetos aprovados pelo VAI são prioritariamente propostos por jovens de baixa renda, entre 18 a 29 anos. Uma característica do programa é a pluralidade de linguagens que envolve. Vai desde arte de rua até cultura digital. São raros os projetos em que há linguagem única. Em geral eles mesclam diferentes expressões para contemplar a diversidade do público alvo. Acessar uma política pública e poder, de algum modo, intervir na realidade comunitária por meio de uma atividade cultural, tem sido uma experiência enriquecedora para muitos dos jovens que se beneficiaram desse e de outros programas.“É uma forma de empoderamento juvenil. Nós temos tido experiências super positivas na gestão desse projeto, porque temos que cumprir um plano de ação e articular mais de perto o projeto com o poder público”, diz Amanda Martins, jovem participante do projeto. “Com certeza, é possível notar um ganho significativo na participação política dos jovens. Isso em razão da articulação estabelecida entre eles, e da luta comum por diversos direitos, como o direito à cultura, à cidade, ao meio ambiente, entre outros, além da crítica às desigualdades existentes na cidade, sobretudo nas áreas periféricas”, analisa James Abreu, supervisor do VAI para o projeto Pira na Notícia. V

A bandeira das juventudes A juventude brasileira vivenciou, nos últimos anos, uma série de conquistas, incluindo a criação da Secretaria Nacional de Juventude e do Conselho Nacional de Juventude e a execução de programas como o Projovem e Prouni, e de políticas universais nas mais diversas áreas. O tema avançou de maneira significativa com a criação dos conselhos e órgãos específicos de juventude nos municípios e Estados brasileiros e com a aprovação da Emenda Constitucional 65, que inseriu o termo “jovem” no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais da Constituição Federal. Um marco importante desse processo foi a realização da 1ª Conferência Nacional de Juventude, em 2008, com o lema: Levante Sua Bandeira, que mobilizou mais de 400 mil pessoas em todo o país.

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No escurinho

História do Cinema - Parte 7 A cada edição, Sérgio Rizzo traz em capítulos um pouco da história cinematográfica. Uma oportunidade para colecionar e conhecer as diferentes fases que ajudaram a tornar o escurinho da sala de cinema um espaço apreciado por muitos

Em cena, a "estética da fome"

Sérgio Rizzo*, crítico de cinema

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* www.sergiorizzo.com.br

Cena de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha

Fotos: Divulgaç

neorrealismo italiano, o mais influente movimento cinematográfico do século 20, exerceu influência marcante também sobre os precursores do Cinema Novo brasileiro. Rio 40 Graus (1955) e Rio Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos, e O Grande Momento (1958), de Roberto Santos, apontaram para um cinema comprometido com o cotidiano da população, usando como protagonistas a classe trabalhadora e, como tema, seus dramas e dilemas. Barravento (1961), o primeiro longa-metragem dirigido por Glauber Rocha, era baseado na cartilha neorrealista. Os filmes posteriores do cineasta, como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em Transe (1967), o transformam no principal nome do Cinema Novo. Foi Glauber o autor do termo “estética da fome”, que passou a ser aplicado a um formato de produção com poucos recursos materiais, voltado para a discussão da realidade, da história e das tradições nacionais. Nelson Pereira assinou O ator Paulo Autran em cena do também Vidas Secas filme Terra em Transe (1967) (1964), outro clássico do período, e se mantém em atividade até hoje – seu filme mais recente é Brasília 18% (2006). A geração cinemanovista, que se organizou principalmente no Rio de Janeiro, incluiu Joaquim Pedro de Andrade (Macunaíma) e Leon Hirszman (A Falecida), ambos falecidos precocemente, assim como Glauber, e ainda Walter Lima Jr. (Menino de Engenho), Carlos Diegues (A Grande Cidade) e Ruy Guerra (Os Fuzis). V

“Nossa originalidade é nossa fome e nossa maior miséria é que essa fome, sendo sentida, não é compreendida.” Glauber Rocha

“A ‘estética da fome’ faz da fraqueza a sua força, transforma em lance de linguagem o que até então é dado técnico.” Ismail Xavier

“O Cinema Novo não é uma questão de idade, mas de verdade.” Paulo César Saraceni

“Não queremos saber de cinema; queremos ouvir a voz do homem.” Gustavo Dahl


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Sexo e Saúde

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esta edição, procuramos abordar a questão da sexualidade associada ao uso de drogas. Para esclarecer a galera sobre o assunto, contamos com a colaboração do psicólogo Felipe Rafael Kosloski, do Centro de Referência e Assistência Social (Creas), da cidade de Pinheiros (ES). Confira!

Natália Forcat

Jéssica Delcarro, do Virajovem Pinheiros (ES)* De que forma as drogas interferem no desempenho sexual? Algumas drogas, por terem um poder estimulante, como a cocaína, podem aumentar a percepção da pessoa sobre o fato, mas de um modo geral nenhuma droga melhora o desempenho sexual. Sexo não é só ereção, quantidade, potência etc. Sexo é um conjunto de sensações e experiências que devem ser vividas naturalmente. Por que algumas pessoas sentem vontade de fumar depois da relação sexual? Essa imagem foi muito vendida pelo cinema dos anos 1960 e 1970 e hoje não vem sendo divulgada mais, pois naquela época o que se queria era associar o fumo à liberdade, ao poder e à autonomia. Mas alguns fumantes relatam que sentem vontade de fumar após o ato sexual, assim como depois de tomar café ou na hora que acordam. O consumo de drogas antes da relação sexual poder interferir no desempenho sexual do homem ou da mulher? Com certeza, dependendo da droga, da quantidade e da tolerância de cada pessoa. Há alguma relação entre ter vários parceiros e usar drogas? O que pode existir é o comportamento de risco que, ligado à dependência química, pode, sim, levar a ter vários parceiros. Em casos de dependência de crack por mulheres, são relatados casos de prostituição para manter o vicio. Há alguma droga afrodisíaca? Algumas pessoas relatam que determinado tipo de droga pode melhorar o desempenho sexual, mas na verdade o que muda é a percepção da pessoa sobre o ato quando está usando drogas, além de que a droga vai causar dependência e a pessoa não vai nem ter desejo sexual.

Mande suas dúvidas sobre Sexo e Saúde, que a galera da Vira vai buscar as respostas para você! O e-mail é redacao@viracao.org

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As drogas interferem no campo sexual e afetivo? As drogas interferem na vida das pessoas de uma maneira extremamente destrutiva e muda as relações. A pessoa dependente química faz coisas que nunca faria e, entre elas, principalmente no campo afetivo e social, incluindo-se que a sexualidade faz parte deste contexto.

* Um dos Conselhos Jovens da Vira presentes em 22 Estados e no Distrito Federal (es@viracao.org)


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Rango da terrinha

BonIto e solteIro um charmoso candidato à O nome do famoso docinho é uma homenagem a presidência da República da década de 1940 Mariana Rosário, da Redação

E

le é presença confirmada em todas as festas de aniversário, famoso e adorado por todos. Esse docinho faz o gosto da galera desde meados dos anos 1940. Direto de São Paulo, o brigadeiro surgiu nas festas de um candidato à presidência da República, o brigadeiro Eduardo Gomes, da União Democrática Nacional (UDN), um dos partidos mais conservadores da época. Por ser “bonito e solteiro”, como dizia o slogan de sua candidatura, conquistou várias eleitoras que faziam um docinho de leite condensado com chocolate para substituir o até hoje usado “santinho”, em busca de donativos para campanha e votos. O “docinho do Brigadeiro”, que com o tempo foi chamado apenas de Brigadeiro , foi batizado em homenagem a Gomes. Apesar de todo apoio de suas eleitoras, o candidato perdeu a eleição de 1945 para Eurico Gaspar Dutra, do Partido Social Democrático. Há quem diga que a origem do doce é do Estado do Rio de Janeiro, mas todas as versões dizem que o docinho foi uma homenagem ao candidato Eduardo Gomes.

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Modo de preparo:

1 lata de leite condensado 1 colher (sopa) de manteiga sem sal 7 colheres (sopa) de achocolatado em pó (ou 4 de chocolate em pó) 150g de chocolate granulado para fazer as bolinhas

Misture o leite condensado, a manteiga e o achocolatado em uma panela. Em fogo médio, mexa até aparecer o fundo da panela. Espere esfriar, unte as mãos com manteiga, faça bolinhas e passe no granulado. Coloque em forminhas e sirva frio.

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LiteraSampa foi constituído em 2010, com apoio técnico e financeiro do Programa Prazer em Ler (PPL/IC&A), por sete organizações sociais da grande São Paulo que já desenvolviam projetos de incentivo à leitura e mantinham bibliotecas comunitárias. Atualmente há 13 Polos de Leitura espalhados pelo país, que visam fortalecer em Jovem mediador de leitura com seus projetos os eixos: espaço, acervo, crianças numa biblioteca mediação e gestão compartilhada. Com este comunitária em São Paulo (SP) espírito, o Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Seguindo o formato dos demais eventos Comunitário (IBEAC) tem buscado coordenar as realizados pelo LiteraSampa, haverá ações do Polo no período 2011-2012. momentos para reflexão teórica e prática: Neste ano, o LiteraSampa tem investido na articulação de diferentes atores para a promoção debates, oficinas de mediação, declamação de poema, bate-papo com autores, exposição de da leitura. Em abril realizou, com a participação de cerca de 150 pessoas, o Encontro Bibliotecas obra de Guimarães Rosa bordada pela organização Teia de Aranha. Comunitárias e Bibliotecas Públicas: juntas por É estimado um público de 250 uma São Paulo Mais Leitora. participantes entre educadores sociais, jovens O 2° Seminário de Leitura LiteraSampa tem mediadores de leitura, professores de escolas como tema a Bibliodiversidade por meio de públicas e estudantes de biblioteconomia. diferentes abordagens: diversidade de acervo, O evento é gratuito, mas é solicitado democratização do acesso, acessibilidade etc. O que cada participante leve um livro de evento propõe a reflexão sobre a importância do literatura editado nos últimos cinco anos, critério da diversidade na seleção do acervo, na gestão da biblioteca, na formação dos gestores e para compor o acervo das bibliotecas comunitárias do Polo. V mediadores de leitura. Na Biblioteca Monteiro Lobato, no dia 10 de setembro, acontecerá o LiteraSampinha para 30 crianças a partir de cinco anos: haverá leitura compartilhada e, com apoio da organização Espaço Arterial, será Confira a programação do seminário, produzido, pelas acessando o blog do LiteraSampa: crianças, um http://literasampa.blogspot.com jornal literário.


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UM DIA PARA IR ALÉM DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS Moving Planet é uma manifestação mundial que visa nos levar para além dos combustíveis fósseis e exigir soluções climáticas. Venha de bicicleta, patins, skate ou a pé. Venha com seus vizinhos e amigos, sua família e colegas de trabalho. Venha fazer parte de um grande movimento

24 DE SETEMBRO DE 2011 Encontre uma ação perto de você, ou crie a sua própria ação!

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Revista Viração - Edição 76 - Setembro/2011