GBC G R E E N
REVISTA
B U I L D I N G
C O U N C I L
BRASIL
C O N S T RU I N D O U M F U T U RO S U S T E N TÁV E L
ANO3 / Nº11 / 2016
ESCRITÓRIO
EY
WORKPLACE OF THE FUTURE, EM SÃO PAULO, É LEED CI PLATINUM
HABITAT 3: Discussões renovam agenda urbana para os próximos 20 anos Comitês técnicos do GBC atuam para aperfeiçoar o mercado LEED CI: Cases e soluções nos projetos de interiores
DOSSIÊ ESPECIAL SAÚDE E BEMESTAR NAS EDIFICAÇÕES GANHA IMPORTÂNCIA
VIBEDITORA
índice
GBC G R E E N
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B U I L D I N G
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ANO 3 / Nº11 / 2016
EDITORIAL............................................................. > 3 COLUNA GBC........................................................ > 6
GREEN PAGES
EDO ROCHA...................................> 8
COLUNA CBIC..................................................... > 12
PROJETO DESTAQUE...........................> 14
URBANISMO - HABITAT 3................................... > 20 COMITÊS TÉCNICOS GBC BRASIL..................... > 22
ESPECIAL SAÚDE E BEM-ESTAR
AMBIENTES DE TRABALHO MAIS SAUDÁVEIS........ >
28
CERTIFICAÇÃO WELL......................................... > 34 CLIMATIZAÇÃO PARA SAÚDE............................ > 36 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E TECNOLOGIA...... > 39 ESCRITÓRIOS E BEM-ESTAR DOS OCUPANTES
NOVA SEDE HTB........................................................ > 40 ATHIÊ WOHNRATH............................................. > 44 MARCETEX........................................................... > 48 GREEN PEOPLE................................................... > 54 VISÃO DA AMÉRICA............................................ > 56 POLÍTICAS PÚBLICAS................................................. >
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INOVAÇÃO - EVENTO DANFOSS...................... > 64 SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS................................ > 66 HTB: 50 ANOS NO BRASIL.................................. > 68 4
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inovação
©Divulgação Edo Rocha
da TV Globo, em São Paulo, é outro exemplo interessante. Lá não só foi planejada toda a questão da arquitetura, mas também do mobiliário e acústica o que resultou num índice de reverberação baixo. E tem projeto da HP com novas maneiras de trabalhar e novos equipamentos. Por fim, cito também a sede da Souza Cruz, um dos últimos projetos que fizemos, com um resultado estético e de conforto bastante interessantes. Todas as mesas foram desenhadas, o espaço tem uma qualidade acústica e de iluminação excelentes e tem toda uma série de percepções onde as pessoas conseguem expressar a manifestação de conforto do antes e do depois.
"Essa é a habilidade que o arquiteto tem que ter de entender isso [bem-estar] e transformar isso num aspecto de conforto e não necessariamente num aspecto de décor"
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GREEN PAGES
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Recentemente você lançou um livro sobre o conforto na arquitetura e no design. Esse tema tem muito a ver com as questões aqui levantadas nessa edição, que dizem respeito à relação entre a edificação, os seus ocupantes e o meio ambiente. Como equacionar essa relação no projetar? ER. O livro tem basicamente 10 capítulos, onde eu falo sobre essa percepção do confor- to na arquitetura e sobre a consciência disso. O conforto não tem uma regra, é extremante subjetivo, varia de cada pessoa. Ele muda com o passar do tempo, você vai envelhe- cendo e mudando a percepção de conforto. Explico ainda os 5 sentidos, a criação do sexto sentido, o TOVAP, e o sétimo sentido que é a percepção do espaço, como você entende e sente a arquitetura. Por exemplo, você deve ter em sua casa o lugar que mais gosta, e onde se sente mais confortável. Você cria suas referências ou desenvolve essa percepção de conforto nesse lugar. Falo também sobre o conforto na arquitetura, esse
sétimo sentido que é expresso pela sua emoção ao se relacionar com uma edificação. Quando você tem uma experiência marcante com algum local que te desperta uma sensação tão forte a ponto de lhe tirar o ar, esse é o sétimo sentido. No livro cito ainda a influência da tecnologia e como ela muda a percepção de conforto através dos anos. Falo também sobre um elemento importante para o conforto: a areia. Da areia fez-se o vidro e isso transformou o conforto do homem, que fez as lentes, o microscópio, o telescópio, a televisão, a tela do computador, do celular, os transistores, as lâmpadas, e muito mais. O vidro, através das janelas e das portas, representou um grande carimbo da arquitetura. Quando você olha uma janela ou uma estrutura arquitetônica, já sabe se é neoclássico, colonial, e por aí vai.
Fale um pouco da importância do GBC, que agora em 2017 completa 10 anos no Brasil ER. No começo tinha um certo receio sobre se o trabalho desenvolvido pelo GBC seria bem aceito aqui. Mas tive uma grata surpresa ao ver como o GBC foi abraçado no Brasil e como teve essa aceitação tão grande. Isso é de uma importância única. O Brasil é um dos países com maior número de projetos em aprovação. Eu diria que no final o conceito foi aceito. Essa é a importância que vejo como resultado. Também acredito que a iniciativa do Referencial CASA GBC Brasil terá uma repercussão bastante interessante. É um começo muito promissor e há uma expectativa que terá um bom resultado.
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©Acervo EY
projeto em destaque
Fotos: Divulgação Hospital Oswaldo Cruz
Inovador, novo escritório da
recebe certificação LEED CI Platinum Por Paulo Dias
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Colégio Estadual Erich Walter Heine, rev/gbc/br Rio de Janeiro
projeto em destaque
©Acervo EY
A empresa precisou se adaptar às mudanças no perfil dos funcionários e criar um novo conceito de escritório que incentivasse a colaboração e a autonomia de seus colaboradores, sem deixar de lado a sustentabilidade. Os resultados já são sentidos na prática.
O
novo escritório paulistano da Ernst & Young (ou simplesmente EY), uma das maiores empresas de Auditoria e Consultoria do mundo, recebeu certificação LEED CI, categoria Platinum. Ocupando cinco andares da Torre Norte do Condomínio São Paulo Corporate Towers (que também é certificado LEED CS – Platinum), o escritório é local de trabalho de cerca de 3 mil colaboradores e se tornou um exemplo de como aliar sustentabilidade, tecnologia e inovação, sem deixar de pensar no bem-estar dos funcionários. Ao adentrar o espaço, a primeira coisa que chama a atenção é uma grande área de convivência com sofás, pufes, mesas e balcões, além de uma máquina de café e outra de petiscos saudáveis. “Quisemos criar esse espaço para atender os mais diversos tipos de profissionais e deixar o ambiente melhor, mais dinâmico”, explica Zunara Carvalho, sócia em avaliação de Riscos, Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da EY.
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Em outubro desse ano, o escritório recebeu certificado LEED Commercial Interior na mais alta categoria, a Platinum. A certificação resultou do anseio da empresa por um selo de reconhecimento global e das diretrizes mundiais da organização, que já incentivam a promoção de diversos critérios de sustentabilidade dentro dos escritórios da EY.
Escritório do Futuro
Workplace of the Future, é o conceito para o projeto do escritório da EY, que se baseia numa palavra chave: multifuncionalidade. “Temos vários escritórios no mundo, todos têm como principal objetivo promover maior integração entre as pessoas e incentivar o trabalho de colaboração. Para isso tivemos que investir em tecnologia, sustentabilidade e integração dos escritórios a nível internacional. O conceito Workplace prevê um ambiente de trabalho onde não se tenha a percepção de hierarquia. Investimos muito também nessa quebra de hierarquia”, analisa Zunara.
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©AMATA Divulgação
políticas públicas
Os caminhos da madeira: do corte à certificação Por Paulo Dias
Um dos produtos mais importantes para o desenvolvimento da sociedade é também um dos que mais podem causar impactos negativos ao meio ambiente quando não extraído corretamente. Como equilibrar essa balança?
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esde o início da civilização humana, a madeira tem grande serventia aos projetos do homem. Importância essa que só fez crescer ao longo dos séculos. Se por um lado a madeira é uma matéria-prima de primeira grandeza, por outro, séculos de exploração desenfreada tem causado danos irreparáveis ao meio ambiente. Só para se ter uma ideia, de acordo com estudo do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), para cada árvore comercial que é retirada, são danificadas outras 27 árvores com mais de 10 cm de diâmetro, são construídos 40 m de estradas e são abertos 600 m² no dossel florestal.
A legislação ambiental brasileira é uma das mais complexas do mundo. A lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), em seu Capítulo V, Seção II, artigos 44 a 46 criminaliza e prevê punição que vai de multa a pena de até dois anos de reclusão a quem extrair e comercializar madeira ilegalmente (ver box). Apesar disso, o governo ainda encontra dificuldades para conter o desmatamento ilegal. Dados alarmantes do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam que, só entre junho de 2015 e junho 2016, 7.989 km² de cobertura da floresta foram desmatados por corte raso, que é a eliminação total da vegetação existente sobre uma área. Isso representa um aumento de 29% em relação ao ano anterior.
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©Divulgação FSC
políticas públicas
Quando analisamos a procedência da madeira, encontramos três conceitos: a madeira ilegal, a legal e a certificada. Como o próprio nome já diz, madeira ilegal é toda aquela proveniente de extração ilegal. A respeito dessa prática, Ricardo Russo, Analista de Conservação sênior do WWF-Brasil, explica que “quando a extração é feita de forma ilegal, causa-se um desequilíbrio do ambiente florestal. Isso gera diversos problemas graves, dentre eles a extração desenfreada de espécies raras e aberturas de clareiras que a floresta talvez não consiga recuperar”. Aline Tristão, diretora executiva do FSC Brasil, aponta ainda outros perigos que a madeira ilegal representa: “tal madeira não paga impostos e nem direitos trabalhistas, além de não regular ambientalmente as propriedades. A extração devasta aquele território e ainda por cima leva a madeira ilegalmente de povos indígenas, de povos tradicionais e também de unidades de conservação”. Os pontos que diferenciam a madeira legal da madeira certificada ainda geram dúvidas em muitas pessoas. O fato de uma madeira ser considerada “legal” não necessariamente a exime de ter sido extraída de maneira inadequada.
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Processos de certificação O FSC (Forest Stewardship Council), ou Conselho de Manejo Florestal, é uma organização mundial que atua em prol do uso adequado dos recursos florestais. O selo
“A GRANDE DIFERENÇA É QUE A MADEIRA CERTIFICADA OFERECE AO CONSUMIDOR GARANTIA REAL DE SUA ORIGEM.”
Aline Tristão diretora executiva FSC Brasil
©Divulgação FSC
Madeira ilegal, legal e certificada
Só para se ter uma ideia, segundo estudo da BVRio (Bolsa de Valores Ambientais), cerca de 80% da madeira que se diz legal pode ter origem ilegal ou processos ilegais em sua extração. Aline analisa que “a grande diferença é que a madeira certificada oferece ao consumidor garantia real de sua origem. Com a certificação, ele sabe que aquele produto está de acordo com a legislação ambiental e trabalhista”.
que leva o nome da organização é a garantia que o mercado consumidor tem da boa procedência de produtos de origem florestal. Apesar de levar o nome do FSC, a instituição não certifica diretamente os produtos. Sua função é capacitar outras empresas para que essas sim possam se tornar certificadoras. Atualmente, são 13 certificadoras atuando no Brasil. Existem dois tipos de certificação FSC: a por Manejo Florestal e a de Cadeia de Custódia. A certificação por Manejo Florestal busca garantir que a floresta esteja sendo manejada de forma responsável, de acordo com os princípios e critérios da certificação FSC. Já a certificação de Cadeia de Custódia torna possível rastrear todo o caminho daquele produto, desde a produção da matéria-prima que sai das florestas até sua chegada ao consumidor final.
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