Há algo profundamente irónico no facto de a inteligência artificial - a tecnologia que mais divide opiniões na indústria musical - ter escolhido o rock e o metal como campo de batalha. O género que nasceu do grito humano, da distorção crua e da revolta visceral vê-se agora frente a frente com algoritmos que imitam riffs, clonam vozes e compõem letras sem uma gota de suor ou de dor. O debate não é novo, mas ganhou uma urgência brutal. Uma pesquisa recente revelou que 97% das pessoas não conseguem distinguir música criada por IA de música humana - um número que devia preocupar qualquer fã que acredita haver algo de insubstituível num acorde tocado com dedos calejados. No universo metal, o caso mais perturbador chegou nos últimos dias e tem nome: Ozzy Osbourne. O Prince of Darkness faleceu em julho de 2025, aos 76 anos, mas a família anunciou uma parceria com a empresa de tecnologia Hyperreal para criar um avatar digital capaz de se mover, falar e responder como o lendário frontman dos Black Sabbath - em ecrãs interativos de tamanho real, previstos para o final deste verão. Jack Osbourne garantiu que o próprio Ozzy tinha dado luz verde à ideia antes de morrer, e o CEO da Hyperreal assegurou que tudo foi construído com material autenticado e controlado pela família. Os fãs dividiram-se em dois campos irreconciliáveis. Uns chamaramlhe homenagem. Outros, profanação comercial. A questão verdadeira, porém, é mais funda: onde acaba o legado e onde começa a exploração? Paul McCartney já respondeu com uma faixa de dois minutos e quarenta e cinco segundos de silêncio e ruídos de estúdio - um protesto sem palavras contra ferramentas que se alimentam do trabalho de décadas de Lennon, Hendrix, Mercury e tantos outros. O metal sempre soube resistir. É um género que sobreviveu à comercialização dos anos 80, ao streaming que desvalorizou o álbum enquanto obra. Mas a IA é uma ameaça diferentemais silenciosa, mais sedutora e, paradoxalmente, mais difícil de combater porque usa as nossas próprias criações como matéria-prima. Por entre a névoa digital, há um antídoto que nenhum algoritmo consegue replicar: uma praia a tremer com graves, um pit a fervilhar, o cheiro a relva queimada e cerveja. Este verão, Portugal prova que não precisa de ir lá fora buscar o seu metal. O Evil Live Festival abre as hostilidades a 5 de julho, no MEO Arena em Lisboa. Seguindo uma edição histórica de 2025 com Judas Priest, Korn e Slipknot no Estádio do Restelo, o festival regressa ao formato de um único dia de intensidade máxima, com Marilyn Manson e Mastodon como cabeças de cartaz - dois nomes que, juntos, representam décadas de provocação e peso sonoro que nenhuma IA vai conseguir sintetizar com a mesma visceral honestidade. O Vagos Metal Fest (5 a 9 de agosto, Vagos, Aveiro) é, como sempre, a capital nacional do metal pesado. O cartaz de 2026 inclui Godsmack, In Flames, Heaven Shall Burn, Deicide, Lamb of God e Within Temptation, numa maratona de cinco dias que é, de longe, o evento mais abrangente e diverso da cena nacional - do thrash ao gothic, do death ao melodic metal. O SonicBlast Fest (6 a 8 de agosto, Praia da Duna do Caldeirões, Âncora, Caminha) combina o stoner, o doom e o punk numa praia do norte de Portugal, onde os riffs chegam do palco e as ondas chegam do mar. O cartaz de 2026 junta Turbonegro, High On Fire, Deafheaven, Kylesa, Voivod e os gregos 1000Mods — uma proposta mais underground e intimista, mas de qualidade absolutamente irrepreensível. A fechar o verão com chave de ouro, o Milagre Metaleiro Open Air (21 a 23 de agosto, Pindelo dos Milagres, São Pedro do Sul) é já na sua 17.ª edição uma referência incontornável da Península Ibérica. O cartaz de 2026 tem Paradise Lost, mestres do gothic/doom britânico, e os alemães Primal Fear, ícones do power metal, como cabeças de cartaz, a que se juntam The Haunted, Crematory e Serious Black. O festival afirmou-se nos últimos anos como uma referência ibérica no circuito de festivais de rock e metal — e fá-lo com aquilo que nenhum algoritmo alguma vez terá: a hospitalidade genuína de uma aldeia que se entrega de alma à música pesada.
Ctrl Alt Delaney
VERSUS MAGAZINE
Rua José Rodrigues Migueis 11 C 3800 Ovar, Portugal
Adriano Godinho, Carlos Filipe, Cristina Sá, Dico, Eduardo Ramalhadeiro, Eduardo Rocha, Elsa Mota, Emanuel Roriz, Ernesto Martins, Frederico Figueiredo, Gabriel Sousa, Gabriela Teixeira, Helder Mendes, Hugo Melo, Ivo Broncas, João Paulo Madaleno, Nuno Lopes, Victor Hugo e Victor Alves
FOTOGRAFIA
Créditos nas Páginas
CAPA
Foto: Stefan Heilemann
Todos os direitos reservados. A VERSUS MAGAZINE está sob uma licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-ComercialNão a Obras Derivadas 2.5 Portugal.
O UTILIZADOR PODE:
copiar, distribuir, exibir a obra
SOB AS SEGUINTES CONDIÇÕES:
ATRIBUIÇÃO - O utilizador deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante.
USO NÃO-COMERCIAL. O utilizador não pode utilizar esta obra para fins comerciais.
NÃO A OBRAS DERIVADAS. O utilizador não pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.
CARACH ANGREN
Foto: Stefan Heilemann
Das estepes para o mundo
Vindos da Mongólia interior, os Nine Treasures têm construído um percurso improvável no metal internacional. Entre instrumentos tradicionais, espiritualidade e riffs pesados, a banda explica como chegou a um público global e o que está por trás do novo álbum «Seeking the Absolute».
Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro
Comecemos pelo panorama geral: como é que uma banda da Mongólia Interior consegue entrar na cena global do rock e do metal? Como foi o percurso desde a formação até ao contrato com a Metal Blade? E de que forma esse contexto moldou a vossa música e a vossa mensagem?
A nossa história começou na Mongólia Interior, longe dos centros tradicionais do rock e do metal. Quando começámos, não tínhamos acesso aos mesmos recursos ou exposição que as bandas da Europa ou dos Estados Unidos, mas tínhamos uma forte identidade e uma enorme paixão pela música. Crescemos rodeados pelos sons das estepes — o morin khuur, o canto gutural e o vasto silêncio da natureza — e esse ambiente moldou a nossa alma musical. Ao longo dos anos fomos aperfeiçoando o nosso trabalho, álbum após álbum, em digressões constantes pela Ásia e pela Europa, até que tudo finalmente se alinhou.
por encontrar o nosso lugar numa indústria que não sabia muito bem como nos definir. Mas nunca deixámos de acreditar. Cada digressão e cada disco ensinaramnos algo novo. Quando tocas para públicos que não falam a tua língua, mas que ainda assim se ligam profundamente ao teu som, percebes que a música realmente ultrapassa fronteiras. Não esperávamos necessariamente este reconhecimento, mas trabalhámos incansavelmente para ele.
«Seeking the Absolute» é o vosso primeiro álbum com lançamento global. O que mudou no processo criativo e na visão artística agora que estão a falar diretamente para
pessoa. Para nós representa a verdade — um estado de clareza em que som, emoção e intenção se alinham perfeitamente. Não se trata de perfeição, mas de autenticidade. Estamos sempre a evoluir como músicos e como pessoas, e este álbum capta essa procura contínua de significado através da música.
“Houve muitos desafios — desde dificuldades financeiras a barreiras linguísticas, passando por encontrar o nosso lugar numa indústria que não sabia muito bem como nos definir.
No final de 2022 viajámos até aos Estados Unidos para gravar o novo álbum, e pareceu destino. Conhecemos a equipa da Pride Management e, pouco depois, assinámos com a Metal Blade. Para nós, assinar com uma editora tão lendária foi mais do que um marco na carreira — foi como se o mundo finalmente estivesse pronto para ouvir a nossa história.
Quais foram alguns dos maiores desafios antes de conseguirem um contrato com uma editora tão importante? Esperavam este tipo de reconhecimento depois de quatro álbuns e tantos anos de digressões?
Houve muitos desafios — desde dificuldades financeiras a barreiras linguísticas, passando
um público mundial?
Este álbum representa o nosso trabalho mais maduro e intencional até agora. Desafiámo-nos a ir além de fórmulas e a deixar a música evoluir naturalmente, sem limites. Durante o processo de composição escrevemos cerca de 30 canções e descartámos a maioria. Estávamos à procura de algo puro e essencial. «Seeking the Absolute» acabou por refletir essa viagem — não apenas musical, mas também espiritual. Queríamos que cada nota fosse honesta, independentemente de quem a ouve ou de onde vem.
O título do álbum é filosófico e aberto a interpretações. O que é o “absoluto” que procuram — musicalmente, espiritualmente ou a nível pessoal?
O “absoluto” é diferente para cada
A vossa música mistura tradição mongol com metal moderno. Como mantêm o equilíbrio entre raízes culturais e inovação artística? Existe alguma linha que preferem não ultrapassar para preservar a autenticidade? Nunca vemos tradição e inovação como opostos. A nossa herança é a base, não uma limitação. O morin khuur, o tovshuur e o yatag não estão ali como decoração — são o coração do nosso som. Quando experimentamos novas técnicas ou sonoridades mais pesadas, fazemoslo para expressar as nossas raízes numa nova linguagem. Para nós, autenticidade significa ser honesto sobre de onde vimos, mesmo enquanto avançamos criativamente.
Canções como “Until Now” e “Seeking the Absolute” exploram glissandos, slide guitars e improvisação. Como abordam a improvisação num género muitas vezes tão estruturado como o metal?
A improvisação mantém a música viva. No metal há muita precisão, mas gostamos de deixar espaço para o instinto. Em temas como Until Now, as linhas de guitarra e certas frases vocais nasceram no momento. Essas partes espontâneas muitas vezes carregam a emoção mais profunda — algo que aprendemos com a música tradicional mongol, onde
a sensação e o fluxo são mais importantes do que a estrutura.
Já referiram que “Real Dream” nasceu de um bloqueio criativo. Como ultrapassam essas fases difíceis como banda? Existem rituais ou filosofias que vos ajudam a quebrar esses bloqueios?
Quando batemos contra uma parede criativa, damos um passo atrás e voltamos a ligar-nos à natureza. Às vezes o melhor é parar de forçar ideias. Meditação, viajar ou simplesmente estar em silêncio pode ajudar a reorganizar a mente. Real Dream nasceu precisamente de um desses momentos — quando a frustração se transformou em clareza. A chave é paciência e confiança no processo.
Instrumentos tradicionais como o morin khuur e o tovshuur não são apenas ornamentais na vossa música — são centrais. Como é o processo de composição ao combiná-los com guitarras, baixo e bateria?
Normalmente começamos com
uma melodia no morin khuur ou um ritmo no tovshuur, e depois o resto do arranjo constróise à volta disso. Pensamos em camadas — não em misturar Oriente e Ocidente, mas em deixar os instrumentos conversar. A distorção da guitarra e a ressonância do morin khuur partilham o mesmo espaço emocional; complementam-se naturalmente.
Já tocaram em grandes festivais como o Wacken Open Air e o Woodstock Poland. Como é ver grandes multidões ligarem-se a algo tão culturalmente específico? Houve momentos particularmente marcantes em palco?
É sempre surreal. Ver dezenas de milhares de pessoas de diferentes origens a cantar e a mover-se ao som das nossas músicas — muitas delas a ouvir letras em mongol pela primeira vez — é muito emocionante. Um momento inesquecível aconteceu no Wacken, quando o público começou a cantar partes de uma canção em mongol. Foi aí que
sentimos verdadeiramente como a música pode ser universal.
As vossas letras e o vosso som são influenciados pelo budismo e pela mitologia mongol, mas também transmitem uma mensagem universal de esperança e introspeção. Como veem a música como ferramenta de transformação pessoal ou coletiva?
A música pode abrir o coração. Os ensinamentos do budismo lembram-nos que tudo é impermanente e interligado, e tentamos expressar isso através do som. Seja através da intensidade ou da serenidade, queremos que as nossas canções levem os ouvintes para dentro de si próprios — para se confrontarem consigo mesmos, encontrarem paz ou simplesmente sentirem-se vivos. Se a nossa música conseguir aproximar pessoas ou provocar reflexão, então alcançámos algo significativo.
Enquanto se preparam para lançar um álbum que pode expandir ainda mais o vosso alcance global, qual é a maior ambição da banda: mais reconhecimento, uma fusão cultural mais profunda ou simplesmente continuar a explorar novos horizontes sonoros?
O reconhecimento é bom, mas não é o objetivo principal. A nossa maior ambição é continuar a evoluir — explorar, desafiar-nos e manter-nos fiéis às nossas raízes enquanto chegamos a novos públicos. Esperamos que a nossa música continue a ligar pessoas de diferentes culturas e línguas. É disso que «Seeking the Absolute» realmente fala: procurar unidade através do som.
“A música pode abrir o coração. Os ensinamentos do budismo lembram-nos que tudo é impermanente e interligado, e tentamos expressar isso através do som.
Uma mistura explosiva
Eis uma definição que quadra bem a «Even Light Decays», o primeiro lançamento do novo projeto de Jeff Grimal, que dá pelo nome de Aethervoid.
Entrevista: CSA
Saudações! A primeira coisa que me chamou a atenção foi a Black Metal vibe deste lançamento. Pode-se dizer que regressaste às tuas origens, Jeff? [A primeira vez que te entrevistei ainda estavas com os The Great Old Ones.] Jeff – Penso que nunca abandonei as minhas raízes Black Metal. Acontece que, de vez em quando, há períodos em que tenho vontade de me dedicar a outros géneros, de explorar outras sonoridades. Mas continuo a manter-me a par dos lançamentos, a informar-me e continuo profundamente ligado a essa arte sombria.
Na minha opinião, este efeito decorre sobretudo da voz. Concordas?
Jeff – É verdade. A minha voz
assume um estilo Black Metal. Mas, neste álbum, eu só canto na primeira faixa e no fim da segunda. No resto do EP, quem canta é o meu amigo Boris Doussy, cuja voz vai indo do Death ao Black Metal com passagens de voz limpa.
Ao ouvir as canções, sente-se que há muitas influências de outros géneros musicais em Aethervoid. Podes falar-nos um pouco desse aspeto?
Jeff – Sim, efetivamente, há uma verdadeira mistura de estilos neste EP. No primeiro título – “Even Light Decays” – há uma passagem acústica que dá muita vontade de dançar e é muito teatral, em que eu canto em Francês; é uma espécie de pequeno sermão, de chamada de atenção. Adoro
essa passagem, que antecede a tempestade. Existe uma passagem do mesmo género na última canção – “Crowned in Fire” –, em que se pode ouvir teclados vintage dos anos 70, que lhe conferem um estilo Pink Floyd. A terceira faixa –“Crowned in Fire” – apresenta riffs quase à Voivod, um tanto thrash. Na faixa final – “Echoes of Her Name” – tens teclados eletrónicos, que surpreendem. Todos estes elementos misturam-se uns com outros, mas a base continua a ser Black Metal: apenas exploramos outros universos musicais.
Adorei a ressonância “espanhola” da guitarra. É mesmo assim ou o som não existe na minha cabeça?
Jeff – Sim, é mesmo espanhol! Adoro misturar o som folk da
guitarra clássica com Metal. É uma mistura explosiva. Depois –adequando ao projeto em questão – há sempre elementos calmos, seguidos por uma tempestade, estás a ver? É muito mais interessante do que manter o tom agressivo de forma permanente, apostando no Black Prog. É preciso subidas antes de ocorrer o verdadeiro fogo de artifício.
Também gosto muito da capa do álbum. Tu és certamente a pessoa mais indicada para nos falar dela. Jeff – A capa apresenta uma divindade andrógina que segura um planeta nas suas mãos. Tem tudo a ver com as letras, que falam de astrologia. Para mim, essa entidade encarna o lado simbólico dos textos ligados a este tema.
Falando de papéis desempenhados na banda… - Quem são os membros de Aethervoid?
Jeff – Além de mim – que me encarrego das guitarras, da programação da bateria e dos teclados e também canto ocasionalmente –, temos o Boris Doussy, a voz principal, e o Benoît Gateuil, que é o baixista. - Como de organizaram para criar este álbum/EP?
Jeff – Eu compus quase tudo, à exceção das linhas de baixo e da voz principal. Os outros deram os seus contributos no fim do processo. Eu ia enviando as canções por mail aos outros. O Boris vive longe, logo enviava-me
as suas partes relativas à voz. O Benoît veio a minha casa gravar as linhas do baixo. Depois eu misturei e masterizei tudo em minha casa.
E de quando data a formação da banda?
Jeff – Do final do inverno de 2024. Eu e o Boris – amigo de longa data, que já cantou em Kesys (outro dos meus projetos) – costumávamos falar de Black Metal, entre outras coisas. Um dia, eu disse para ele: “Anda! Vamos lançar-nos num novo projeto!”. Compus logo as quatro faixas e convenci o Benoît a tocar baixo na banda. Está tudo a correr super bem e mantemos o trio… eu também trato de tudo o que diz respeito à mistura e à masterização, mas alguém tem de o fazer.
Boris – Sim, foi algo muito instintivo. Estou muito grato ao Jeff por me ter feito sair de um hiato musical de 10 anos. Chegámos logo a um acordo que estipulava que a nossa música deveria ser extrema, ao mesmo tempo que nos deixava um máximo de liberdade, não nos restringindo a nenhum espetro musical. Ciente dos dotes musicais do Jeff – tanto do ponto de vista técnico como compositivo – e da amplitude do seu universo, penso que o nosso projeto terá sempre uma identidade única. Pela minha parte, também gosto de arriscar e de fazer experiências com a minha voz.
Que significa o nome que escolheram para a banda? A que se refere?
Jeff – “Aethervoid” simboliza o ponto de rutura entre o mundo visível e o mundo astral. Na Antiguidade, o éter era a
substância divina que ligava entre si os planetas e os deuses. O vazio representa a ausência, a perda de sentido. A banda explora esses dois elementos, esse espaço em que as influências celestes se encontram com as emoções humanas. Penso que o Boris – que escreveu todas as letras – pode falar melhor desse tópico do que eu. Boris, avança! Boris – Eu diria que os antigos viam no éter uma dimensão que ultrapassa o tangível, em que se move o destino e onde circulam forças invisíveis. Quando o Jeff me lançou neste projeto, propuslhe que a astrologia “karmica” fosse a linha condutora das letras, mantendo uma dimensão universal. O nome da banda – AETHERVOID – tem tudo a ver com isto: exprime a ideia de que a nossa consciência se pode perder nesse vazio luminoso, navegar entre os planetas, as provas que temos de enfrentar e a nossa evolução, até encontrar o seu próprio caminho. AETHERVOID é esse espaço de potencialidade, de vazio fértil, em que tudo se pode transformar.
Previram fazer concertos para promover este lançamento?
Jeff – Não. Aethervoid é um projeto de estúdio, pelo menos para já.
Têm uma editora para vos apoiar?
Jeff – De momento, não. Mas –quando fizermos o próximo disco – tenciono enviar propostas a algumas editoras.
O que podem dizer-nos para recomendar o álbum aos nossos leitores?
Jeff – Se gostam de Black Metal entre Dodheimsgard e Blut Aus Nord, com passagens Prog um pouco loucas, têm de ouvir este EP!
Boris – Penso que os fãs de Metal extremo experimental e de Death Metal um tanto estrambólico também vão gostar do nosso EP.
Adriano Godinho
Playlist
Lesotho - A Flashing On Plain Glass
Neurosis - An Undying Love For A Burning World
Six Feet Under - Next to Die
Crippled Black Phoenix - Sceaduhelm
Erdve - Epigrama
Carlos Filipe
Ptolemea - Kali
Eihwar - Hugrheim
Coronatus - Dreadful Waters
Aexylium - Myth Of Mankind
A Forest Of Stars - Stack Overflow In Corpse Pile Interface
Eduardo Ramalhadeiro
Tesla - Mechanical Resonance
Tesla - The Great Radio Controversy
Bon Jovi - New Jersey
Lunar Mortis - The Absence
The Ottoman Empire - Way of the Blade
Emanuel Roriz
Inhuman - Gloriae
The Ominous Circle - Cloven Tongues Of Fire
Devenial Verdict - Old Blood, Fresh Wounds
Gaerea - Loss
Voidceremony - Abditum
Gabriela Teixeira
The Black Wizards - Reflections
Type O Negative - Life Is Killing Me
Viagra Boys - Cave World
Tempusvernum - Frightned/Enlightened
Angine de Poitrine - Vol.II
Helder Mendes
Leng Tch’e - Razorgrind
Alcest - Souvenirs d’Un Autre Monde
Camel - Mirage
Aversio Humanitatis - To Become the Endless Static Sunn O))) - Sunn O)))
João Paulo Madaleno
Iotunn - Waves Over Copenhell
Obscurity - Ascheregen
The Ruins of Beverast - Tempelschlaf
Ponte del Diavolo - De Venom Natura
The Holeum - Ensis
Obra - Prima 5
Trial by Fire
Excelente 4
Esforçado 3
Esperado 2
PTOLEMEA Kali (TRaging Planet Records)
MEGADETH Megadeth (BLKIIBLK Records)
THE SCALAR PROCESS Agnomysticism (Transcending Obscurity Records)
Básico 1
Good God / Baad Man (Nuclear Blast)
MORTIIS Ghosts Of Europa (Prophecy Productions)
Uma jornada árdua
Mas aparentemente bem-sucedida, tendo em conta as declarações de Adrien e Christelle Weber sobre o seu novo projeto: uma editora que lhes permitirá divulgarem projetos artísticos (em música e outras áreas) que lhes pareçam dignos da sua atenção.
Entrevista: CSA
Saudações, Adrien e Christelle! Espero que estejam bem.
Da última vez, entrevistei o Adrien sobre o último álbum de Vociferian. Agora é sobre o vosso último empreendimento: criar a vossa própria editora.
Tiveram essa ideia por causa dos aborrecimentos que o Adrien teve com a editora responsável pelo lançamento do seu último álbum?
Adrien – Na minha opinião, havia partes do contrato que eram quase insultuosas. Pressupunha muitas obrigações da minha parte, enquanto que eles se limitavam à produção. Cumpri todas as minhas obrigações e tudo acabou
por uma anulação do contrato em qualquer explicação, nem nenhuma razão válida. Penso que tudo isso resultou de um dos membros da editora ter ficado melindrado, porque lhe desagradou o facto de eu ter autorizado a divulgação do álbum nas plataformas de streaming. Eles não queriam fazêlo. Mas tinham-me dado o direito de o fazer.
Mas o nascimento de Kruisweg não tem nada a ver com este litígio. Há muito tempo que produzimos o nosso próprio merchandising e outros produtos e que distribuímos a nossa música com a divisa OPF (Obey Profanatory Forces). Há mais
de 20 anos, já dirigíamos a VSR (Voicea Succubus Records), a nossa editora. É uma maneira de nos renovarmos e de confirmarmos a nossa independência.
Como se organizaram para criar esta editora?
Christelle – Como o Adrien já explicou, é algo de muito natural para nós. Estamos habituados a estar em contacto com as pessoas que nos apoiam. Logo, já somos conhecidos e temos a sorte de dispor de um núcleo duro de ouvintes, a quem estamos reconhecidos. É por essa razão que nos esforçamos por manter
um nível de qualidade, de serviço e de interação que satisfaça essas pessoas. Na nossa ótica, a transparência e a comunicação são elementos-chave de uma relação de confiança, que é aquela que nós queremos manter. Comunicamos através anúncios, vídeos, fotos nas redes sociais, para manter a nossa comunidade informada sobre os nossos lançamentos.
O Adrien encarrega-se da execução artística digital dos elementos visuais e de toda a música, enquanto eu me ocupo da montagem de vídeos e outra formas de animação. Ao nível da concetualização, fazemos tudo de forma articulada. Estamos em interação permanente. No que diz respeito às relações que mantemos com o nosso círculo, sou eu que me encarrego da comunicação, porque estou presente nas redes sociais. Ao longo dos anos, desenvolvemos relações específicas com cada pessoa, que apoia as nossas propostas. É algo primordial, aos nossos olhos. Quanto ao Adrien, o seu terreno de eleição é a sombra: é nesse espaço que ele cria.
O que significa o nome que escolheram para a vossa editora? E onde o encontraram?
Christelle – “Kruisweg” é uma palavra neerlandesa que significa “caminho da cruz”. Vivemos próximo da parte neerlandesa da Bélgica. Uma vez que fomos fazer compras num local habitual, vimos esse nome num painel colado num tronco coberto de hera. Fotografei-o e o Adrien quis usar esse nome com fins artísticos. Tivemos de percorrer o nosso próprio caminho da cruz para chegarmos a Kruisweg. Adrien – A palavra “Kruisweg” fazme lembrar a Colina das Cruzes de Siauliai na lituânia. Mas, sobretudo, esse nome tem uma conotação fria, gótica, despojada, essencialmente profunda e espiritual, como a arte bruta ou brutalismo. Também me faz lembrar Kraftwerk, os pioneiros da New Wave eletrónica, o que também tem a sua relevância.
Que planos têm para a vossa editora?
Christelle – Kruisweg tem a função de criar e juntar todas as nossas criações sob um mesmo estandarte. Trata-se de uma encruzilhada multidisciplinar. Não queremos privar-nos de nada a partir do momento em que o que fizermos decorra de um sopro criador, que pode dar origem a um elemento visual, uma t-shirt, um
disco, um perfume, um artefacto. A par das minhas atividades na Metallian Magazine, tenho o projeto de escrever um livro.
Que tipo de música pretendem promover?
Adrien – Não nos preocupamos com géneros. Contudo, posso dizer-te que será sempre música independente, sombria e emocional. É a música que nos agrada e que temos vontade de criar.
O que vão oferecer aos vossos artistas?
Christelle – Estamos aqui para concretizar de forma independente os projetos do Adrien e as nossas produções artísticas. Kruisweg é a nossa cara: alternativa e integrada na linha de OPF. Não queremos sujeitar-nos a nenhum constrangimento.
O que está prestes a ser lançado?
Christelle – O Adrien tem peças em composição em que já está a trabalhar há vários anos, procurando decantar as suas diversas fontes de inspiração para encontrar uma direção pessoal e coerente. Por outro lado, em breve iremos editar a primeira t-shirt da marca KW, que se intitula «Nuits d’ossements».
O que podem dizer-nos para recomendar a vossa editora?
Adrien e Christelle – Os nossos clientes consideram que fazemos mais do que vender merchandising e nós também.
Kruisweg identifica-se com esta frase de Panovski : «Spiritualia Sub Metaphoris Corporalium». Estas poucas palavras procuram qualificar a pintura dos Primitivos Flamengos. No fundo, a arte é uma metáfora espiritual. O sagrado transcende o objeto e a obra de arte emerge. Combina com o postulado segundo o qual tudo o que moldamos contém um pouco de nós.
Mütiilation
Construindo o seu inferno
Segundo Meinach – a alma de Mütiilation – é esta a chave para interpretar a mensagem do último álbum da banda… até ao momento!
Entrevista: CSA
Saudações, Meyhnach! Espero que estejas bem.
Osmose dá-nos muito poucas informações sobre Mütiilation. Podes lançar alguma luz sobre a história da banda, os momentos mais importantes do seu percurso na cena Black Metal underground?
Meyhnach – Mütiilation existe desde 1992. A sua história é longa e, na minha opinião, já não precisa de ser apresentada. Depois do regresso, em 2024 – com o álbum intitulado «Black Metal Cult» – a banda lança um novo álbum em dezembro de 2025: «Pandemonium of Egregores». É mais melódico e mais pessoal que o seu antecessor, que privilegiava a agressão pura e simples. Com o tempo e este novo lançamento, sente-se uma certa amargura na música e nas letras.
Apesar do laconismo, a tua editora faz uma afirmação interessante:
“Mütiilation is the main reference in the French Black Metal scene.” O que pensas dela?
De qualquer modo, sentir-me-ei sempre incompreendido do ponto de vista pessoal.
Calculo que fizeste praticamente tudo neste álbum. Podes contarnos como se deu a criação de “Pandemonium of Egregores”? O processo foi muito diferente da gravação dos outros álbuns da banda?
Não propriamente. O processo de gravação decorre sempre da mesma maneira. Voltei a trabalhar com o BST para gravar este álbum, tal como aconteceu com o anterior. Bastou-me explicar-lhe
mas chegámos sempre a um resultado incrível. Estou encantado por poder trabalhar com ele, porque já não temos as limitações técnicas típicas dos anos 90. Ele consegue tocar todas as minhas composições sem problemas e eu sinto-me muito feliz com a nossa colaboração. Durante muito tempo, a banda careceu da colaboração de um bom baterista. Agora podemos explorar todas as possibilidades.
Qual é o tema de «Pandemonium of Egregores»?
“ […] [O novo álbum] É mais melódico e mais pessoal que o seu antecessor, que privilegiava a agressão pura e simples. Com o tempo e este novo lançamento, sente-se uma certa amargura na música e nas letras.
Sinto um certo orgulho, quando relembro tudo o que já fiz ao longo dos anos. Se alguns te veem como uma lenda, o teu trabalho não foi em vão. O meu mal-estar deriva mais da minha vida pessoal do que do facto de Mütiilation ser uma banda de culto. Estou bastante afastado da realidade no que diz respeito à composição e à arte em geral. Mütiilation existe para vos transportar para um mundo surrealista e os que nos seguem desde o início já o devem ter compreendido. É para eles que eu continuo a seguir o meu caminho.
as ligeiras diferenças de mistura que queria ter neste álbum em relação a «Black Metal Cult». Ele compreendeu logo tudo. Assim, desta vez, a mistura e a criação do som foram feitas sem problemas.
O Kham participou de alguma forma na criação desta obra?
Sim, fez as partes de bateria. Trabalhámos da forma habitual: mostro-lhes as passagens, ele toca-as na bateria, eu escuto e valido o trabalho dele. Às vezes, as nossas opiniões sobre a forma de tocar certas partes divergem,
Basta ler as letras e sobretudo a da canção que tem o mesmo título que o álbum. Em suma, eu diria que o inferno em que ides perecer é aquele que fostes criando durante as vossas vidas. Os vossos demónios são as vossas próprias egrégoras, dependendo das energias negativas com que as alimentais. Somos nós que criamos o nosso próprio inferno ao longo da nossa vida.
“Fifty Winters” tem alguma coisa a ver contigo?
Mais uma vez te digo que as letras falam por si. “Fifty Winters” tem a ver com o tempo que passa, o facto de eu estar a envelhecer e o sentimento permanente de que a sabedoria, a sensatez estão fora do nosso alcance.
Tu és a pessoa mais indicada para nos falar da capa do álbum, porque foste tu que a criaste. Que relação existe entre essa coleção de personagens (de que tu também fazes parte) e o tema central do álbum? [Faz-me pensar naquela espécie de circos da era vitoriana
que exibiam pessoas bizarras.]
A capa apresenta múltiplas visões do inferno e dos demónios que o ocupam. Essa ilustração está diretamente relacionada com a letra da canção “Pandemonium of Egregores”.
E como é criar uma nova obra quando se faz isso desde 1992? O processo é sempre mais ou menos o mesmo. A tecnologia e os estúdios evoluíram muito, o que permite obter o som adequado de forma muito mais fácil, mas a criação e a composição dos riffs continuam a ser semelhantes aos dessa época. Basta-me ter o meu instrumento à mão para que a magia aconteça.
Não vais alterar a tua decisão de não fazer concertos? [No entanto, não me parece estranho que haja bandas de Black Metal que se limitam ao estúdio, porque na minha opinião trata-se de um género musical muito intimista.]
Não, é uma decisão irrevogável.
Mütiilation não tocará mais ao vivo.
E a vossa editora não vê isso como um obstáculo à promoção do álbum?
Dão-me liberdade total no que concerne à música, aos aspetos visuais e à decisão de não fazer concertos. Deixam-me fazer o que eu quero e não interferem nas minhas opções artísticas. Estoulhes muito grato por isso.
O álbum foi lançado a 26 de dezembro de 2025 e nós já estamos a 10 de fevereiro de 2026. Tens alguns comentários a fazer sobre as reações dos fãs e da imprensa a «Pandemonium»?
[Provavelmente não é o aspeto mais importante para ti, mas desperta a minha curiosidade.]
Ainda não passou tempo suficiente para eu poder avaliar o sucesso deste álbum, mas já tive um muito bom retorno da parte dos fãs.
Conheces bandas portuguesas de Black Metal? Temos algumas bem underground: por exemplo, Morte Incandescente e Irae, de que sou grande fã.
De facto, conheço Morte Incandescente. Também me lembro de Decayed, que era uma banda de culto com a qual partilhei bons momentos há mais de 25 anos.
A Metallum reporta que tu extinguiste esta banda várias vezes, porque estavas muito dececionado com a cena Black Metal. Já se passaram mais de três décadas desde o aparecimento deste subgénero do Metal. Que pensas do Black Metal atual?
Frequentemente, tive a sensação de que tínhamos chegado ao fim do nosso caminho, mas surgia sempre uma força que me impelia a regressar. Mütiilation está intimamente ligada à minha existência, logo tenho de seguir caminho apesar de alguns momentos de fortes dúvidas. Na cena atual, há algumas bandas boas e muitas extremamente más. Não me interesso muito pelo que fazem as outras bandas atualmente.
De que música gostas tendo em conta todos os géneros? O que ouves quando tens tempo para isso?
Só ouço Metal, mas tenho gostos muito variados nessa área. Fora do Black Metal, gosto dos álbuns antigos de banda como Megadeth, Iron Maiden, Motorhead, Slayer... e todos os clássicos de Speed e Heavy Metal. Também ouço bandas antigas de Death Metal como Morgoth, Pestilence, Morbid Angel....
Uma última curiosidade: o que te levou a escolher uma ortografia bizarra para a palavra “mutilation” quando criaste a banda?
Já não me lembro. Deve ter sido para a distinguir das outras bandas que tinham o mesmo nome.
Metal Brasil!
Por: Gabriela Teixeira
Tempusvernum - Melodiosa Poesia
Formados em 2021, na cidade de Bauru, no interior do estado de São Paulo, os Tempusvernum propõem-nos uma sonoridade melódica e etérea, à qual a banda denomina metal poético, onde melancolia e euforia andam de mãos dadas.
Membros:
- Hegle - Voz (2021-presente)
- Lívia Messi - Bateria (2023-presente)
- Gabrielle Rocha - Guitarra (2024-presente)
- Thiago Barbosa Baixo - (2025-presente)
- Nathan Jose - Guitarra (2025-presente)
O quinteto conta com 2 EP lançados em 2024 e encontra-se a gravar o seu terceiro EP. «Frightened» e «Enlightened» são ambos compostos por 4 temas e, na minha opinião, funcionam como um lado A e lado B, na medida em que, sonoramente, há uma transição muito suave e contínua de um registo para o outro“Shoot Me Down” e “Payback” são dois temas bastante catchy, com um ritmo dançante.
A voz de Hegle é muito doce e feminina que traz mais uma camada melodiosa ao som da bandaainda que nos apresente alguns apontamentos guturais inesperados - “Mystical Call”. Aquilo que eu sinto ao ouvir a banda, é que todos os instrumentos se nivelam e curvam perante a sua delicadeza vocal. As guitarras merecem uma palavra de apreço por conseguirem imprimir o peso ideal de modo a não comprometer a melodia, como acontece na música “Harmony”.
O meu tema favorito é “Shoot Me First”, que
fecha o primeiro EP, por ser rasgadinho e transmitir uma boa vibe através de uma bateria e baixo deveras hipnóticos - tal como eu gosto!
Como disse acima, os Tempusvernum estão a gravar o seu novo EP, no entanto eu vou ficar de olho e ouvido neles, à espera de uma longa duração porque acredito que são uma banda promissora e, portanto, se lhes quiserem dedicar também um pouco da vossa atenção, poderão encontrá-los através dos seguintes links:
Para Noir Suaire, o frontman da banda do mesmo nome, a experiência tem-lhe ensinado o valor do tempo, algo que não se deve economizar quando se pretende fazer algo bem feito.
Texto: CSA
A primeira coisa em que reparei quando comecei a ouvir o álbum foi a vibe de Black Metal old school que emanava dele. Estou completamente de acordo com a tua editora que afirma que a música de Noirsuaire nos traz um som dos anos 90. Que pensas destas afirmações?
Noir Suaire – Agradeço a oportunidade de me exprimir nas páginas da vossa revista. Dado a Osmose estar entre as entidades mais capazes de categorizar a minha música, rendo-me à evidência. Noirsuaire inspira-se nos álbuns antigos de bandas como Gorgoroth, Darkthrone, Enthroned, mas também na cena francesa da segunda metade da década de 90 e do início dos anos 2000 com bandas como Seigneur Voland, Bekhira, Osculum Infame e congéneres.
Contudo Norsuaire é uma banda muito recente: de 2023, não é? Esse o único tipo de música que consigo compor e que me agrada. Como é lógico, o conceito subjacente à banda e a sua imagem vão nessa linha também.
Conta-nos como surgiu Noirsuaire.
Durante muitos anos pus de parte qualquer atividade musical, já nem tinha material nenhum à exceção de uma guitarra velha. Não tinha vontade de tocar numa banda e não me sentia capaz de criar e gerir um projeto a solo. Em conversas esporádicas com outros músicos, descobri certas técnicas e práticas de “home recording”. Deixeime seduzir pela facilidade de o fazer e comecei a gravar algumas ideias, que se foram acumulando e deram origem a duas potenciais canções. Entretanto, o Agravh –que conheci, porque ele tocava em ACOD – propôs-me gravar as partes de bateria das duas faixas, sentindo que ficaria bem melhor do que se eu recorresse a uma drum machine. O resultado final era incrível e, por conseguinte, decidi gravar as duas canções. Ficaram sem voz durante meses, que se
transformaram em anos até ao dia em que eu decidi gravar a voz usando material em segunda mão que tinha comprado. O produto final agradou-me e disponibilizei as duas faixas no Bandcamp para download gratuito e depois pus um post nas redes sociais do projeto. No dia seguinte, as duas canções apareceram no YouTube, disponibilizadas por alguém que as tinha decarregado do Bandcamp e a editora alemã Nachzehrer Productions contactou-me para
“ Foi muito difícil. Não me sentia
capaz de gravar um álbum inteiro. […] Parecia-me muito pretensioso da parte de uma banda tão recente. […]
Tinha ficado com a ideia de que era uma one man band. Mas fui consultar a Metallum e constatei que a banda tem dois elementos de zonas diametralmente opostas da França. Como se conheceram? [Conheço bem a Alsácia e a Lorena.]
Conheci o Agravh quando ele fazia parte de ACOD. No entanto, por razões pessoais, ele não pôde participar na gravação do álbum «The Dragging Poison».
Já lançaste vários EP e até uma demo. Como chegaste a este álbum?
Foi muito difícil. Não me sentia capaz de gravar um álbum inteiro. Lançar demos em cassettes era algo que me agradava muito e Noirsuaire poderia ter continuado a seguir esse caminho. Pareciame muito pretensioso da parte de uma banda tão recente. Além disso, eu tenho tendência para querer lançar imediatamente tudo o que componho. Mas depois de ter lançado dois EP por editoras, tendo na mão um bom conjunto canções já prontas e sentindo um certo entusiasmo por essa ideia, decidi que tinha chegado a altura de o fazer.
E como correu a aventura de gravar este álbum?
me propor o lançamento dos dois títulos em cassette. Fiquei maravilhado! Noirsuaire nasceu oficialmente nesse momento.
E a que se refere o nome escolhido para a banda. Como vivi a minha adolescência nos anos 90, tal como muitos outros era fã de “jeux de rôles”, especialmente os que se apresentavam em formato de livro. Um deles passava-se numa ilha e envolvia um necromante, vampiros e uma aldeia chamada Noirsuaire. Adorei o nome. Anos depois, encontrei o livro e, numa onda de nostalgia, adotei logo o nome: sombrio como as minhas raízes juvenis.
Foi uma experiência maravilhosa, que me ensinou muitas coisas. Por exemplo, ensinou-me a despender o tempo necessário para fazer tudo como deve ser, algo de que aprendi a gostar. Isso não tinha acontecido nos meus lançamentos anteriores. Gravei tudo no mesmo sítio onde componho, no sótão da minha casa. De forma pontual, não intensiva. Fazia isso à noite, depois do meu dia de trabalho, sem pressões, de modo natural e quando me dava a vontade de o fazer. Quando cheguei a algo do meu agrado, enviei o material a uma lista de editoras que me pareciam interessantes ou que já me tinham contactado. Recebi várias ofertas interessantes que estaca a analisar, quando recebi uma mensagem da Osmose.
Já tinha dado a conhecer o EP anterior – «The Wrath of the Silent Temples» – ao Hervé Herbaut, o dono da editora, e ele não tinha gostado. Desta vez, respondeume: “Que carnificina! Espera que eu regresse do Steelfest e logo falamos.” Esperei, falamos e ele disse-me que queria lançar o álbum. Propôs-me fazer a mistura e a masterização no BST Studio, o que eu aceitei imediatamente de forma entusiástica. O Sébastien do BST Studio fez um trabalho excecional, que demorou várias semanas, ocupando as férias do verão. Cheguei a um ponto em que até fiquei saturado do álbum de tanto ter ouvido as várias versões da mistura! Mais uma vez, agradeço ao Sébastien pela sua paciência e pelo seu talento. Ele até aproveitou a ocasião para gravar algumas partes de voz na faixa intitulada “Fogged by the Leaves of Pestilence”.
Foi muito diferente das outras vezes em que gravaste EP? Quais são os pontos comuns? Quais são as diferenças?
Sobretudo o facto de tudo ter sido feito de forma lenta e natural. Os lançamentos anteriores foram feitos de forma apressada e o resultado nem sempre foi o melhor. E o álbum teve direito a uma verdadeira mistura e a uma verdadeira masterização.
Conheço álbuns com intro e outro. Mas nunca encontrei nenhum com um interlúdio. Quem teve a ideia? Como decidiste onde o irias colocar, que critérios usaste para encontrar a sua localização?
Um jovem organista que vive na minha zona tocou essa parte de improviso numa catedral. Gravei-a no meu telemóvel.
A tua editora revela que te inspiraste no antigo folclore europeu. É verdade? Podes falarnos um pouco dessa faceta do álbum?
Tenho uma verdadeira paixão por mitos e lendas. O folclore antigo sempre tétrico é uma fonte
de inspiração inesgotável.
O que é este «Dragging Poison» a que se refere o título do álbum?
Um dos principais temas de Noirsuaire é o vampirismo (abordado em muitas lendas antigas). Trata-se de um tema que me fascina desde a infância e continua a fascinar-me atualmente.
“ […] ensinou-me a despender o tempo necessário para fazer tudo como deve ser, algo de que aprendi a gostar. Isso não tinha acontecido nos meus lançamentos anteriores. […]
E como podemos associá-lo à capa que David Thiérrée criou? [É assombrosa!]
O David Thiérrée é um amigo e um artista fantástico. Não vi ninguém melhor para ilustrar este álbum. Queria uma imagem bastante forte com uma personagem central (para ilustrar o facto de que Noirsuaire é uma one man band). Algo que se assemelhasse às capas de álbuns como «Glorification» de Marduk ou «Svøpt Morgenrød» de Kaosritual. Sou um grande fã da arte do David desde que vi o trabalho que fez para «The First Possession» de Warloghe.
Tens a teu cargo a voz, as guitarras, o baixo e também as letras das canções. De que falam os textos que escreveste para este álbum?
Os temas recorrentes e habituais: o vampirismo, o antigo folclore tétrico da minha região ou de outros países.
Fazes concertos? Previste algo especial para celebrar a saída do teu primeiro álbum?
Não criei Noirsuaire para fazer concertos. Além disso, vivo numa região muito isolada e nunca pensei em procurar músicos. Mas, em conversa com o Sylvain da Onodrim Booking, decidi que Noirsuaire faria concertos. Ele
encarrega-se de marcar as datas e de contratar os músicos para me acompanhar ao vivo. De momento, não temos nenhuma festa de lançamento prevista.
E a tua editora tem planos gizados para esta ocasião especial? Como vão apoiar-te na promoção do álbum?
A Osmose tem feito um excelente trabalho para promover este álbum.
Conheces bandas portuguesas de Black Metal? Temos algumas bem underground: por exemplo, Morte Incandescente e Irae, que eu adoro.
Sim, claro. Conheço Morte Incandescente, Filii Nigrantium Infernalium, Celtic Dance, mas sobretudo Moonspell, cujos primeiros álbuns são muito importantes para mim. Aliás, dentro de alguns dias, irei ao festival Invicta Requiem Mass.
Uma última curiosidade: o que anda na tua playlist neste momento? [Na minha está Noirsuaire sem dúvida.]
No que toca a álbuns recentes, tenho andado a ouvir Malakhim, Sargeist, Testament, também Katatonia.
“Peregrinando”
«Peregrinus»
deu o mote para uma conversa em que Cris Frederiksen (guitarra) discutiu connosco as deambulações da banda e a criação do novo álbum dos Svartsot.
Entrevista: CSA
Começarei com uma curiosidade: por que razão a vossa editora afirma que este é provavelmente o último álbum tradicional de Svartsot? O que querem dizer com isso?
Cris – Ah! Sim! Foi algo que escrevemos para a informação de imprensa, mas ainda não discutimos esse assunto com a editora. Basicamente, notámos mudanças na forma como as pessoas consomem música, sobretudo o público mais jovem. Muitas pessoas não ouvem um álbum integralmente, preferem limitar-se a ouvir playlists ou só a primeira faixa do álbum. Geralmente, os álbuns de Svartsot
são concebidos para contarem uma história. «Peregrinus» é o terceiro álbum concetual que lançámos. Os outros são «Maledictus Eris», de 2011, e «Vældet», de 2015. Habitualmente, temos uma faixa de abertura que contextualiza o resto do álbum, o que acontece neste álbum e também no seu antecessor: «Kumbl», lançado em 2022. A faixa de abertura não deve ser uma canção isolada. Mas, pouco antes de entrarmos no estúdio, reparámos que a faixa instrumental que abre «Kumbl» estava a ser tocada muito mais vezes no Spotify do que o que seria de esperar, o que nos deixou a pensar que iria acontecer o
mesmo com este álbum, que também começa com uma faixa instrumental.
Dado que este álbum nos deu muito trabalho, parece-nos que seria uma pena se só a intro fosse passada como um grande hit. No entanto, já era tarde: todo o álbum tinha sido composto e estava pronto para ser gravado, quando nos apercebemos desta tendência. Por conseguinte, decidimos que iríamos adotar uma abordagem diferente para os nossos lançamentos futuros. Ainda não decidimos o que vamos fazer, mas estamos a pensar em várias possibilidades. Mas já reparamos que outras bandas também estão a
pôr de parte o tradicional formato de álbum.
Vimos em várias críticas e artigos relacionados com lançamentos que havia quem se interrogasse sobre se este seria o nosso último lançamento. Mas, na realidade, já estou a compor novo material, logo não estamos a pensar em parar: vamos só experimentar outras formas de divulgar o nosso material.
O ano de 2025 marca o vigésimo aniversário da banda. Sentem-se como peregrinos na cena Metal? Isso depende do sentido que deres à palavra “peregrino”! No sentido religioso, não somos nada peregrinos: todos os membros de Svartsot são não-religiosos. Se estás a pensar em estarmos a empreender uma jornada, penso que sim, mas penso que isso também se aplica à maioria das outras bandas. Para nós, os últimos 20 anos têm sido uma jornada muito interessante com mudanças de formação, de estilo e muitas experiências diferentes ao longo dos anos. Não sei que mais possa dizer.
Por que escolheram peregrinos e cruzados como tópicos centrais para o vosso último álbum (até agora, é claro)? [Acho o tema fascinante e percebi logo do que se tratava a partir do título, porque a palavra portuguesa para “pilgrim” é “peregrino”).
Svartsot sempre compôs canções sobre temas históricos e há muito tempo que eu queria escrever um álbum sobre as cruzadas. Inicialmente, queria que o álbum se centrasse nas cruzadas dinamarquesas contra os povos eslavos que viviam na costa sul do Báltico, onde se situam atualmente a Pomerânia Ocidental e a Polónia, e os Estónios, porque este período da história sempre me fascinou. Estas cruzadas do Norte – em que também participaram suecos e alemães – são menos conhecidas internacionalmente do que as que se desenrolaram na Terra Santa, mas nem por isso
deixam de ser uma parte muito importante da história da Europa do Norte. Mas, quando comecei a compor música para o sucessor de «Kumbl», em meados de 2022, acabei por me pôr a brincar com alguma ideias antigas baseadas em escolas arábicas. Agradou-me a ideia de tentar fundir as nossas habituais melodias de Folk europeu e medieval com melodias de ressonância árabe e que mesmo assim o álbum podia ter como tema uma cruzada. E foi isso que acabámos por fazer. Na realidade, o álbum trata de um homem que é enviado para as cruzadas para se redimir dos seus “pecados” (tinha engravidado a mulher “errada”). Em vez disso, acaba por perder a fé em qualquer religião. Na Idade Média, o ato de ir para as cruzadas era encarado como uma espécie de peregrinação. Por isso, escolhemos o tema latino medieval para designar um cruzado/peregrino para título do álbum. A palava “pilgrim” em Inglês – e também em Dinamarquês – também vem da palavra “peregrinus” via Francês arcaico.
Quando vemos a palavra Dinamarqueses, lembramonos dos Vikings. Houve alguma ligação forte entre a Dinamarca e os cruzados em geral ou os Templários em particular?
Bem, a cena dos Vikings foi um grande golpe de publicidade de um arqueólogo dinamarquês da década de 1870 chamado J. J. A. Worsaae. Pensava que os povos escandinavos – e em especial os Dinamarqueses – precisavam de algo no seu passado de que pudessem orgulhar-se, algo que estivesse ao nível dos Gregos e Romanos da Antiguidade clássica, seguindo as tendências do movimento romântico nacional que dominava a Europa na época. Portanto, decidiu fazer dos “Vikings” (um termo que foi buscar às sagas islandesas) os valorosos portadores desse legado cultural numa obra datada de 1873 e intitulada “De Danskes Kultur i
Vikingetiden” (ou seja, “The Culture of the Danes in the Viking Age”). E agora, 150 anos mais tarde, o mundo inteiro está obcecado pelos Vikings, o que os torna muito aborrecidos. Aliás, a sua época corresponde a um período de 250 anos que, na Europa ocidental e meridional, faz parte da Idade Média.
Também não se pode falar de uma relação forte entre a Dinamarca e as cruzadas, pelo menos no sentido clássico. Como já referi, os Dinamarqueses tomaram parte nas cruzadas do Norte contra povos eslavos da costa sul do Báltico e os Estónios. Segundo a lenda, a nossa bandeira nacional teria caído do céu durante as campanhas contra os Estónios, o que deve simbolizar muito simplesmente o facto de o Papa ter apoiado as cruzadas contra os povos pagãos da região do Báltico. Aparecem bandeiras similares na Tapeçaria de Bayeux e alguns clamam que a invasão normanda da Inglaterra (a que a tapeçaria faz alusão) teria sido uma espécie de cruzada 30 anos antes de surgirem os verdadeiros cruzados que queriam libertar a Terra Santa e que essas bandeiras correspondiam a uma marca da aprovação papal. Não tenho conhecimento da existência de qualquer relação entre a Dinamarca medieval e os Templários, talvez porque aqui as cruzadas não tiveram grande impacto e também não precisávamos dos serviços bancários que eles prestavam noutras regiões do mundo. Na Dinamarca, esteve presente uma outra ordem religiosa militar: os Hospitalários.
Efetivamente a leitura do enredo do álbum leva-nos a compreender que não defendem nenhum tipo de religião. Lembrou-me aquele filme chamado “O Reino dos Céus”. Consegues encontrar alguma relação entre os dois? Não, não apoiamos nenhum tipo de religião: em Svartsot, somos todos ateus. Mas a religião era uma parte importante da vida das pessoas no passado, logo é
um assunto que tem sido tratado nas nossas canções ao longo dos anos. Por vezes – como acontece neste álbum – fazemos com que o protagonista perca a sua fé, o que não é muito credível do ponto de vista histórico. Na realidade, não ter fé no Cristianismo na Idade Média leva diretamente à excomunhão, que basicamente te convertia num pária. Por conseguinte, dificilmente as pessoas falariam tão abertamente de terem pedido a sua fé como acontece nas nossas canções. Não vi “O Reino dos Céus”, mas fiz uma pesquisa online sobre o respetivo enredo e não vejo nenhuma relação entre as duas narrativas. Grosso modo, baseamonos nos romances do escritor sueco Jan Guillou protagonizados por Arn, um cruzado fictício, que depois foram adaptados para o
“
queríamos igualmente criar uma boa história. Tal como já referi, o Thor inventou uma boa parte da história, mas baseou-se na sua investigação sobre o tema das cruzadas. Este foi o primeiro álbum em que o Thor escreveu todas as letras, portanto eu não estive assim tão diretamente envolvido nessa parte do processo como nos álbuns anteriores.
No que diz respeito à pesquisa musical, este álbum está ligado a «Kumble», que é uma coleção de canções medievais reinterpretadas e expandidas para constituírem um tributo a alguma da música que nos influenciou ao longo dos anos. Previamente, tínhamos usado uma canção tradicional, que apareceu como uma faixa bónus na edição limitada de «Mulmets Viser». Mas eu senti que usar algumas melodias medievais e tradicionais ajudaria
dessa que foi a que me agradou mais.
A capa criada por Frederik Jensen parece-me muito adequada ao álbum. Deram-lhe algumas dicas ou carta branca para gerir a sua inspiração?
O Frederik vive na cidade onde
[…] Agradou-me a ideia de tentar fundir as nossas habituais melodias de Folk europeu e medieval com melodias de ressonância árabe […]
ecrã. Essa personagem também engravida a mulher errada e é mandada para as cruzadas como castigo – ou para obter o perdão dos seus pecados. O resto da história foi inventado pelo Thor, o nosso vocalista.
Tu e o Thor tiveram de pesquisar para escrever a música e as letras deste álbum respetivamente? [Li que tanto a música como as letras se inspiram em composições antigas incluindo uma que está associada às “Cantigas de Santa Maria”, uma joia da literatura medieval hispânica.] Realmente fizemos pesquisa durante o processo de composição das canções, porque queríamos que tivessem alguma semelhança com a realidade. Mas também podes encontrar nela o produto de muita “licença poética”, porque
a conferir alguma autenticidade a este álbum.
A faixa “Como Póden Per Sas Culpas” (conhecida como Cantiga 166 da coletânea “Cantigas de Santa Maria”) é uma composição que conheço há muitos anos e que me pareceu que daria uma bela intro para este álbum. Uma das melodias na faixa intitulada “Libertas” vem de uma canção sobre um cruzado alemão do século XIV chamada “Palästinalied” da autoria de Walther von der Vogelweide, que me foi sugerida por alguém das minhas relações. Finalmente, também fui buscar uma melodia a uma canção libanesa chamada “Al Nedda” ou “Al Nadda” para a faixa intitulada “Spiritualitas”. Andava à procura de uma canção Folk com um som verdadeiramente árabe, logo ouvi várias canções e escolhi a melodia
ensaiamos – e a sua banda também, penso eu. Portanto, ensaia no mesmo local que nós. Assim, convidamo-lo a assistir a um dos nossos ensaios para as sessões de gravação do álbum e fizemos uma reunião com ele sobre o álbum e o respetivo artwork. Fez muitas perguntas sobre o conceito subjacente ao álbum e as faixas que o compõem e até levou algumas das letras do Thor, se a memória não me falha. Fomos interagindo com ele enquanto criava o artwork. No entanto, demos-lhe rédea livre. Bem depressa estava em condições de nos enviar um primeiro esboço das suas ideias, que nos agradou muito. A partir daí, foi só continuar a fazer o que já tinha começado. Pensamos que fez um excelente trabalho.
Ao que parece recebem muito apoio da vossa editora. Deu-vos a oportunidade de trabalhar com grandes profissionais para vos ajudarem a dar vida a este álbum. Fala-nos um pouco da experiência da banda durante a criação de «Peregrinus».
Sim, recebemos muito apoio da Mighty Music. Também mantemos com eles uma relação nada tradicional em muitos aspetos. Na realidade, sinto que se trata mais de uma colaboração ou sociedade do que de uma situação em que assinámos um contrato com eles. Temos toda a liberdade para fazer o que quisermos e para decidir com quem queremos trabalhar, porque a editora não interfere nesse aspeto de nenhuma forma. Calculo que poderiam recusar lançar um álbum se não lhes parecesse suficientemente bom, mas ainda não aconteceu! O processo de composição teve início em meados de 2022, mais ou menos meio ano depois do lançamento de «Kumble» começando pela escrita da música. Muitas vezes, nós começamos a compor a música antes de sabermos sobre o que vai ser o álbum. A composição levoume mais ou menos meio ano e o conceito subjacente ao álbum já andava a ser burilado durante este período. Depois o Thor escreveu as letras, o que demorou um ano inteiro, porque ele tinha outras coisas a fazer. Isso devese provavelmente ao facto de que a maioria dos membros da banda tem outros compromissos como famílias, empregos, etc. A maior parte do material já estava pronta no início de 2024: bastava estudá-lo e fazer uns ajustes. No entanto, durante esse tempo, tivemos de procurar outro baterista. Conseguimos o apoio de um dos nossos antigos bateristas para assegurar os concertos de 2024, enquanto procurávamos um candidato permanente. Foi então que apareceu o Rune Frisch, que começou a tocar connosco no verão de 2024. E assim pudemos finalizar o material e o Rune fez um
trabalho fantástico: teve exames durante os últimos meses do último ano, ao mesmo tempo que escrevia as partes de bateria para o álbum. Por esta altura, o Frederik estava a começar a fazer a capa e já estava bastante adiantado, quando fomos para o estúdio do Tue Madsen em janeiro deste ano. O processo de gravação demorou pouco menos de três semanas, o que foi muito mais rápido do que o que tínhamos previsto. Isto deveu-se sobretudo à forma como o Tue trabalha e à sua maneira de ser: o processo foi tão suave e descomplicado que tudo se tornou extremamente fácil. Ele também foi muito rápido a misturar o álbum e nós pedimos poucas alterações, porque nos pareceu que essa primeira mistura estava quase perfeita. Penso que mais de 30 anos de experiência e muitos álbuns de sucesso no seu currículo fazem com que o Tue saiba o que está a fazer e nós pretendemos continuar a trabalhar com ele no futuro. Por fim, recorremos ao Lars Roed para as fotos. O Simon, o nosso baixista, e eu conhecemos o Lars há muitos anos da cena Metal: ambos tocámos com ele em várias alturas. Ele também fez um trabalho maravilhoso a capturar em fotos o que nós queríamos. Por conseguinte, nós tivemos a sorte de trabalhar com profissionais competentes, que tornaram o processo muito suave e os resultados muito bons.
Vão fazer concertos para promover este longa duração? Parece-vos que o vosso novo baterista está pronto para o palco?
Na realidade, o Rune estava preparado para o palco antes de estar pronto para o estúdio! Já fez o seu primeiro concerto connosco num festival de Metal aqui na Dinamarca em agosto do ano passado. Desde essa altura, participou em vários concertos da banda, logo está totalmente pronto para os concertos que prevemos fazer no próximo ano. Até agora, já pudemos anunciar concertos na
Dinamarca no início de 2026, mas o nosso agente internacional tem planos para nós no próximo ano.
E vão celebrar o 20.º aniversário? O nosso aniversário oficial ocorreu em fevereiro. Além do álbum, também lançámos uma t-shirt comemorativa em edição limitada no início do ano, que esteve disponível durante algum tempo. Não temos mais nenhuns planos para comemorar o nosso aniversário.
O que falta à banda concretizar duas décadas depois da sua fundação?
Boa pergunta! Tivemos a sorte de poder fazer muito do que queríamos, mas há sempre mais coisas a fazer e ter membros novos na banda de vez em quando ajuda. Há coisas que nós fizemos e que os novos membros ainda não tiveram a possibilidade de fazer, portanto estamos sempre abertos a experimentar. Ao mesmo tempo, também estamos numa situação confortável que nos permite não precisarmos de nos preocupar tanto como as bandas mais novas. Por outro lado, não nos passa pela cabeça a ideia de que alguma vez poderemos viver da música, se nos esforçarmos mais ou se aceitarmos qualquer oportunidade que nos apareça. Atualmente, podemos escolher as oportunidades que nos interessam e recusar as que não nos interessam. Em muitos aspetos, isso só por si já é um feito! Mas estou certo de que acabaremos sempre por encontrar novas coisas que queremos experimentar, novos locais para tocar, bandas com quem gostaríamos de partilhar o palco. Portanto, parece-nos que ainda temos uns bons anos para viver! E – quem sabe? – talvez em breve consigamos finalmente ir tocar a Portugal pela primeira vez. Ainda não aconteceu, embora já quase tenha acontecido várias vezes.
Da dor e da vida
De Jerusalém ao Black Metal escandinavo – passando pela sua participação em Satyricon e desembocando no álbum de estreia de Via Doloris – Gildas Le Pape fez-nos uma visita guiada pelo seu percurso na música extrema.
Entrevista: CSA | Fotos: Linnea Syversen
Saudações, Gildas! Espero que estejas bem.
Fala-nos da tua experiência na cena Black Metal em geral e na da Noruega em particular.
Gildas Le Pape – Ave! Cresci na Bretanha (em França) a ouvir Black Metal e muitas outras coisas. Comecei cedo a compor no meu canto, sozinho ou em grupo.
Alguns anos mais tarde, tive o privilégio de me juntar a Satyricon como guitarrista (entre 2007 e 2013), no palco e no estúdio. Assim, tive de mudar de Paris para Oslo. Aprendi muito com Satyricon continuando a interessarme por muitas outras coisas, independentemente do estilo. E agora estou de regresso ao Metal depois de um intervalo de vários anos, pelo menos como agente.
E cá te temos associado a Frost para concretizar o projeto chamado Via Doloris.
- Ele faz parte da banda? [O Google apresenta-o como “session drummer”.] Como é que isso aconteceu?
O Frost não faz parte da banda. Mas é difícil chamar-lhe “session drummer”, porque o homem é uma lenda e o seu contributo notável. Durante o processo de composição do álbum e de programação da bateria (compus e pré-produzi tudo no meu estúdio em casa), apercebime de que ouvia a sua “batida”, quando imaginava a secção rítmica. Não é nada surpreendente, visto que toquei com ele durante 6/7 anos. De facto, é o baterista com quem toquei durante mais tempo. Quando as demos estavam prontas, comecei a procurar um baterista. No início, hesitei em falar com ele. Devido ao meu passado com Satyricon, parecia-me algo redundante. Mas acabei por reconhecer que ele era a melhor escolha do ponto de vista artístico, logo o primeiro baterista a quem deveria mostrar o meu projeto. Ele ficou muito entusiasmado quando ouviu as demos e começámos a ensaiar. Todas as linhas de bateria já estavam escritas até ao pormenor, logo o Frost tocou o que
eu tinha composto/arranjado nota a nota com poucas exceções.
- Que razões justificam a escolha do nome do grupo? [Vejo-o como uma descrição bem precisa da vida.]
O nome da banda corresponde efetivamente a uma descrição da vida: breve, mas muito precisa. Em 2022, tive a sorte de me encontrar em Jerusalém. Apesar de não ter um passado religioso, fiquei muito impressionado com a antiga cidade em geral e com a Via Dolorosa em particular. Pouco tempo depois, já tinha encontrado o nome para o meu projeto.
- Quais são os objetivos deste novo projeto?
Via Doloris é um projeto artístico sincero e não tem qualquer objetivo específico. Procurando abreviar, este álbum é o primeiro capítulo de uma obra que pretende ser forte e coerente, com a música de qualidade como principal vetor.
Adoro o som da banda: Black Metal old school com um toque de modernidade e uma produção limpa, mas não demasiado. Sou super fã da produção “suja” que caracteriza certas bandas de Black Metal. Adoro as guitarras “obcecadas”, a percussão ritmada, a voz áspera! É uma bela forma de começar 2026!
- Concordas com este retrato da sonoridade de Via Doloris? O que justifica estas escolhas?
Obrigado! Penso que o álbum pode ser visto dessa forma em termos de produção. As escolhas feitas decorreram da própria música e também resultam das minhas preferências pessoais. Não aprecio as guitarras indefinidas a funcionar como “pano de fundo”, nem as “produções clínicas”. É preciso valorizar a arte dos músicos, tornar visíveis o seu desempenho e a obra, mas manter-se fiel à ideia geral do projeto e a uma abordagem honesta. A música emana dos artistas e é preciso evitar convertê-la num “produto normalizado”. o que acontece vezes demais.
- Pode-se dizer que foram boas
escolhas dado que o teu primeiro álbum vai ser lançado pela Season of Mist, uma editora conhecida pelo seu extremo bom gosto musical. O que nos podes dizer sobre este assunto?
No que diz respeito à Season of Mist, efetivamente tratase de uma editora com uma reputação impecável, que dispensa elogios. Trata-se de um contrato interessante para Via Doloris pelo alcance da editora e também pelas condições que me propuseram.
O título do álbum – «Guerre et Paix» – atraiu imediatamente a minha atenção. Temos aqui uma alusão a célebre romance de Tolstoi? [Li-o quando tinha 13 anos e deixou-me uma impressão duradoura.] O que são esta “guerra” e esta “paz” sobre as quais Via Doloris pretende refletir?
Exatamente! A referência existe: na realidade, trata-se mais exatamente de um “piscar de olhos”. De qualquer modo, tanto o livro como Via Doloris tratam da condição humana. As noções de “guerra” e “paz” abrangem um campo quase ilimitado, cada um pode vê-las sob a sua própria perspetiva. No entanto, o fulcro da questão está sempre relacionado com lutas, territoriais ou existenciais.
Que mensagem nos transmite o alinhamento das canções e dos respetivos títulos? Ou estou a ver demais?
Não há nisso propriamente uma mensagem. Mas, de facto, a ordem das faixas não é aleatória, como referiste. Nada fica ao acaso nas escolhas criteriosas de Via Doloris.
E por que razão decidiste convidar o teu compatriota Raido para te apoiar numa das canções do álbum?
Quando comecei a ocupar-me da parte vocal do projeto (primeiro compus toda a música), não era minha ideia cantar no álbum. Por conseguinte, pus-me a ouvir o que se fazia em França nesta
“
O nome da banda corresponde efetivamente a uma descrição da vida: breve, mas muito precisa. […]
área: precisava de um vocalista francófono, visto que uma parte das letras foi escrita em Francês. Acabei por entrar em contacto com o Raido, cuja prestação em Ferriterium me deixou uma ótima impressão. Ele experimentou uma canção que era excelente, mas havia muitos pormenores que tínhamos de ver juntos. Percebi logo que ia ser muito complicado atingir o nível de precisão desejável para o álbum inteiro, dado que eu vivo em Oslo e ele vivia no Leste da França. Portanto, decidi tentar cantar e resultou bem, apesar de já não o fazer há quase 20 anos. Decidimos conservar os takes que ele tinha feito para os backing vocals da faixa em questão e ele estava muito satisfeito com o resultado. A sua morte no ano passado foi uma verdadeira tragédia.
Se eu percebi bem, fizeste muito trabalho neste álbum. Podes contarnos o que aconteceu desde a primeira faísca até ao álbum que podemos agora ouvir?
Na época em que a ideia germinou, eu ouvia muita música rápida e agressiva, sobretudo sueca. Penso que surgiu aí o catalisador. Começou com um riff, depois vieram mais dois e a vontade de fazer algo muito catártico e violento e a base ficou pronta em poucas semanas. Depois, muito naturalmente, tudo se foi ampliando, ganhando cambiantes, associando-se a algo mais profundo… a música adquiriu aspetos por vezes atmosféricos, por vezes progressivos… o caminho percorrido foi longo e penoso em alguns momentos, mas estou muito orgulhoso deste álbum em todos os aspetos. Penso que é impossível escaparmos ao que somos. Fazer um álbum estúpido e maldoso de uma forma precipitada não é nada o meu estilo, apesar de apreciar alguns assim feitos por outros.
O que podemos ver na capa do álbum? E que relação estabeleceste entre essa imagem (que tu mesmo criaste) e a essência desta obra?
Deixo a resposta a essa pergunta por tua conta.
Via Doloris vai fazer concertos?
Ou será exclusivamente uma banda de estúdio?
Neste momento, não sei dar uma resposta precisa a essa pergunta. Tenho algumas ideias sobre o assunto, mas podem não se concretizar como eu desejaria.
Sei que o álbum só vai ser lançado no primeiro dia da primavera. Mas certamente já o mostraste a algumas pessoas da tua confiança. Como reagiram essas pessoas?
Para já, tenho reações muito positivas. É claro que são um tanto enviesadas, porque as pessoas a quem dei a oportunidade de ouvir o álbum na sua totalidade me conhecem. Mas o single “For the Glory” saiu há duas semanas e o retorno continua a ser excelente. Vamos ver o que acontece com o álbum inteiro.
Inspiraste-te no Black Metal francês? Também é uma cena muito forte. E como vês o futuro do Black Metal na Escandinávia e de uma forma geral?
De modo nenhum, porque praticamente não conheço Black Metal francês. Sempre me interessei muito mais pela vertente escandinava, que apresenta uma musicalidade muito mais apelativa para mim. Também me parece que a qualidade está a baixar neste estilo (aqui na Escandinávia), mas há sempre alguns grupos que levam o estandarte. De qualquer modo, não me parece que eu seja a melhor pessoa para dar opinião sobre o estado da cena, porque tenho tendência para fazer as minhas coisas no meu cantinho e estar pouco a par do que se passa…
CRITICAS VERSUS
MEGADETH
«Megadeth»
(BLKIIBLK Records)
Nunca fui grande fã da personalidade de Dave Mustaine e, na verdade, praticamente deixei de os acompanhar a seguir a «Youthanasia». Ainda assim, a curiosidade - muito alimentada pelos rumores de que este poderá ser o álbum de despedida - levou-me a ouvi-lo com atenção. E a surpresa foi clara: o álbum está muito bom, sobretudo se for encarado como um possível fecho de carreira - Como diz o povo: “O que hoje é verdade, amanhã é mentira”. Este não será, de todo, um disco consensual. O álbum tem temas que são autênticas reminiscências dos anos 80, com riffs e estruturas que remetem diretamente para a era clássica da banda - exemplos claros são “Let There Be Shred” ou “I Don’t Care”. O guitarrista Teemu Mäntysaari é, na minha opinião, o melhor que passou pela banda desde a saída de Marty Friedman, com trabalhos de guitarra inspirados, técnicos e cheios de personalidade. A inevitável versão de “Ride the Lightning” seria sempre alvo de críticas, qualquer que fosse a abordagem. Mustaine optou por ser fiel ao original - como seria de esperar - com a grande diferença a estar na bateria de Dirk Verbeuren… . No geral, trata-se de um thrash extraordinariamente competente, que prova que Mustaine ainda está para as curvas, apesar da idade. A partir de “Another Bad Day”, o álbum muda ligeiramente de ritmo, tornando-se um pouco mais contido e melódico. Esta segunda metade tem uma vibração que poderia muito bem ter cabido em «Youthanasia» ou «Countdown to Extinction». No entanto, este será, curiosamente, o disco que mais me agrada ouvir desde «Youthanasia». [8,5/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
A FOREST OF STARS
«Stack Overflow in Corpse Pile Interface» (Prophecy Productions)
Nunca foram uma banda convencional de black metal, os A Forest of Stars. Nem sequer são a convencional banda de avantgarde, se é que se pode colocar “convencional” e “avantgarde” na mesma frase… Após um hiato algo prolongado (o anterior «Grave Mounds and Grave Mistakes» já tem perto de 10 anos…), o regresso dos A Forest of Stars investe bastante em texturas folksy, estimuladas pelo violino de Katheryne, que confere um sabor não muito distante do celta a faixas como “Street Level Vertigo”. Momentos mais prog e vanguardistas podem ser encontrados em “Mechanically Separated Logic”, com um baixo quase omnipresente a acrescentar valor; já apontamentos black metal, pois, disso não há, mas já há algum tempo que os A Forest of Stars vinham a fazer esse percurso de diluição, que «Stack Overflow in Corpse Pile Interface» absolutamente confirma. E, claro, não se pode falar nos A Forest of Stars sem abordar o contributo vocal de Mr. Curse: goste-se ou odeie-se, a verdade é que a teatralidade da voz é parte identitária e indissociável dos A Forest of Stars e mesmo com um ou outro exagero na prestação (“Roots Circle Usurpers”, por exemplo) ajuda a apimentar a sonoridade, e isso torna-se mais evidente nos casos em que essa teatralidade é posta em confronto nas faixas em que Katheryne também intervém vocalmente. «Stack Overflow in Corpse Pile Interface» consolida, pois, a carreira dos A Forest of Stars e não decepcionará quem os vem seguindo. [8/10] HELDER MENDES
CREATURES
«Creatures II»
(High Roller Records)
Os Creatures são uma banda de Curitiba, no Brasil, uma das maiores cidades do país e com uma actividade cultural que tem vários aspectos de inspiração para os apaixonados pela arte e por um estilo de vida mais cosmopolita. Se fosse possível esquecer os Angra, associaríamos o Brasil à tendência do metal mais extremo pensando em nomes como Sepultura, Sarcófago, Krisiun ou Nervosa e Crypta, mas os Creatures vêm refrescar as propostas vindas do país
BESTA
«John Carpenter Redux»
(Raging Planet Records)
do carnaval. A música deste quarteto tem uma visão clássica e saudosista, trazendo à tona o texturado do rock hard ’n heavy da década de 80, incutindolhe um ambiente obscuro e malvado e sendo reconhecida pelos próprios músicos a influência de Judas Priest ou Dokken. A edição deste segundo trabalho é uma prova de evolução com nota positiva. Há o salto de uma editora de menor dimensão, a polaca Iron Oxide Records, para a High Roller Records que se tem mostrado uma referência no lançamento de bandas deste universo; e há também um maior sentimento de banda, com todos os músicos a tomarem acção na criação dos temas de “II”, o que terá levado a canções mais amplas em termos de dinâmicas, mais detalhe nas guitarras, refrães e melodias impactantes e uma belíssima sintonia entre imagem, palavras, e sonoridade. Escutem a intro “Inferno” e a seguinte “Devil In Disguise” para ficarem com uma ideia clara do que podem encontrar neste disco. Se gostarem, daí em diante a diversão está garantida.
[7/10] EMANUEL RORIZ
Os Besta são uma instituição, tal e qual há algumas na música de peso nacional. Contam uma história que já está perto de bater nos 15 anos de actividade, com um invejável número de 18 edições, repartidas entre álbuns de longa-duração, EPs, splits, singles, compilações e discos ao vivo. A fúria e a raiva com que se atiram sobre quem quer que lhes deite o olho e o ouvido é imagem de marca. É puro grindcore, com laivos bem vincados de atitude punk, e quem o ouve não deverá ficar com muito espaço para queixas ou apontar dedos.
Este novo lançamento, com o título «John Carpenter Redux», reveste-se com um invólucro de artigo de colecção, pois para além de ser uma edição limitada e exclusivamente feita em vinil, neste disco, os Besta trazem para o presente a homenagem feita ao mestre do cinema de terror e da ficção científica. Nesta versão redux fazem uma brilhante re-mixagem e re-imaginação da maior parte dos temas que integraram a edição original do disco, quando foi lançada no ano de 2014. Paulo Rui, o vocalista, re-gravou a totalidade dos temas, contribuindo assim para um registo que se tornou mais actual, agressivo e acutilante. São cerca de 17 minutos que passam extremamente rápido. Mas no final, a vontade de repetir é muita. Há algo de irresistível no voltar a entrar de rompante pelo imaginário de John Carpenter em temas como “A Cidade dos Malditos”, “O Carro Assassino”, “Fuga de Los Angeles” ou “O Príncipe das Trevas”. Soa familiar? [9/10] EMANUEL RORIZ
LANTLÔS
«Nowhere In Between Forever» (Prophecy Productions)
Os Lantlôs já foram uma proposta bastante excitante no âmbito do post-black metal/shoegaze, mas esta novidade «Nowhere In Between Forever» encontrase muito abaixo do que Markus Siegenhort criou noutros tempos. Nem começa mal, na verdade, pois “Daisies” ainda observa algumas qualidades, mas bem depressa este novo disco se espalha ao comprido. A partir de “Cherries”, com uma ou outra excepção, a electrónica domina o disco, e não de uma forma positiva: das explorações quasi-”jogo de computador” em “Jeanet” às programações que debitam ritmos dançáveis, quase tudo o que se ouve em «Nowhere In Between Forever» parece uma criatura estranha que anda perdida, sem rumo, em que as parcelas mais próximas ao shoegaze (“Solar Death”) depressa dão lugar a momentos onde a vontade de ser acessível (“AutoGuard”) não evita cair na piroseira, cuja consequência é levar o ouvinte a torcer o nariz. Quando se chega a “Ghost”, a atenção já abandonou a estação dos Lantlôs e só quer outras paragens, o que nunca é uma boa sensação quando se está perante um disco com pouco mais de 40 minutos. “Clockworks” ainda devolve alguma vida, com a sua sonoridade não distante de uns Deftones, e “Windhunter” fecha este «Nowhere In Between Forever» numa nota positiva, mas são insuficientes para o redimir.
[5/10] HELDER MENDES
HAMASAARI
«Pictures»
(Klonosphere Records)
O segundo trabalho de uma banda pode ser um momento complicado, depois de se conseguir materializar e expor um primeiro longa-duração, especialmente quando se trata de um projecto musical derivado de outro projecto já existente. O que sai dali é a verdade daquele momento e que faz sentido ali. Quando um grupo de pessoas se juntam outra vez para começar a trabalhar num próximo passo há que considerar a mudança, a nova realidade. Este Pictures dos Hamasaari reflete bem isso, sente-se a diferença (sem realmente ser diferente em muito) da banda neste momento com o que ouvimos com o “Ineffable” de há 3 anos atrás. Diria que havia uma aura de procura muito presente no trabalho anterior, onde este o sentimento é mais de afirmacao, nao tanto de procura, mais de confrontação. Talvez com eles próprios, talvez distanciaram-se mais da dúvida e aproximaram-se mais da certeza. Dá prazer sentir esta mudança, as imagens em “Pictures” são mais claras, os traços mais acentuados. Estão mais em controlo no som e na mensagem, conseguem um momentum calculado em “The Wild Ones” e trazem força como se pode ouvir em “Our Heads Spinning”. O álbum ouve-se muito bem, com momentos muito interessantes pelo meio, como nas entranhas de “Frames” ou na intimidade de “Under the Trees”. Não final chegam a casa, em “Home”, deixando um sabor a sons mais “Ineffable”, mas também mais “Pictures”.
[8,0/10] ADRIANO
GODINHO
KHÔRA «Ananke» (LADLO)
O segundo disco dos Khôra pode muito bem considerar-se uma das pérolas mais bem escondidas dos lançamentos de black metal em 2025 e antecipar voos mais altos para a banda. «Ananke» sucede a «Timaeus» e consolida a sonoridade sinfónica/técnica/experimental/prog, que poderia ser definida como uns Arcturus sob esteróides. Há bastante para explorar aqui, na verdade: bateria e guitarras rápidas escudadas por elementos sinfónicos? Faixa 1, “Empyreal Spindle”. Ritmos que mudam de um momento para o outro e coros que ficam no ouvido? Faixa 6, “On a Starpath”. Riffs típicos de black metal a que se juntam dissonâncias à Ihsahn e um solo quase jazzístico? Faixa 7, “The Sentinel”. E poderíamos perfeitamente continuar. O contraste entre vozes limpas, gritadas e urradas ajuda a oferecer ainda mais variedade à já muita diversidade no campo instrumental, e a produção apoia o todo permitindo que as diferentes partes sejam percebidas como iguais e equilibradas. O resultado final é pois um disco que se ouve e se deseja de imediato voltar a carregar no play, descortinando pormenores que despercebidos tivessem anteriormente ficado. O ponto menos positivo talvez seja a parte final de «Ananke»: a instrumental “Q.E.D.” e “Crowned”, que a antecede, são os momentos menos cativantes e impedem «Ananke» de ter uma nota mais alta. Porém, a que lhe está atribuída já diz muito sobre o elevado nível deste óptimo disco de black metal. [8,5/10] HELDER MENDES
MALEPESTE
«Ex Nihilo» (LADLO)
Malepeste é mais um colectivo black metal que faz agora parte do interessante catálogo da editora Les Acteurs de l’Ombre. Não acertando sempre, mas quem acerta?!, há contudo nesta label um nível médio de qualidade bastante aceitável e os Malepeste inserem-se no lado da qualidade acima da média. «Ex Nihilo» vive sobretudo da prestação vocal de Larsen, foco inevitável da sonoridade dos Malepeste e que tem uma qualidade sombria e abastardada que se alinha com aquela vertente do black metal pagão pincelado de folk tornada popular por frontmen como Averill Nemtheanga dos Primordial. Mas a sonoridade dos Malepeste, vocalizações à parte, é claramente mais orientada
para o lado black, mesmo quando por vezes foge ao convencional do género (ouçam-se “Imperium” e “Stupor”), nãoconvencionalidade essa alimentada em grande medida pelas guitarras de Xahaal e Herjann, sendo que o primeiro integra também os Dysylumn nos espectáculos ao vivo, e a menção a mais esta banda francesa justifica-se por «Abstraction» ter sido dos lançamentos mais bem conseguidos do último trimestre de 2025 no que ao black metal diz respeito. Apreciação semelhante pode ser feita relativamente a este «Ex Nihilo» dos Malepeste, inquestionavelmente uma boa adição à discografia destes gauleses. [7,5/10] HELDER MENDES
MAUSOLEUM GATE
«Space Ritual and Magic»
(Cruz Del Sur Music)
A pergunta que poderemos fazer a Jarno Saarinen, o vocalista dos finlandeses Mausoleum Gate, é a de que se considera que o seu timbre se assemelha ao do nosso Ozzy Osbourne por mera coincidência, milagre genético, acaso evolutivo, ou se é algo projectado em jeito de homenagem, devoção, ou mestria, na arte de recriar um registo familiar, que continua a conquistar amores. Este terceiro disco tardou a sair, mas o resultado final traz justificação para este espaço temporal. Segundo Count L.F. [guitarrista], no processo de composição parecem ter sido trespassados por um rio de criatividade que ia transformando as músicas naquele tipo de edifícios que nunca mais se terminam. Souberam tirar bom proveito deste recurso e construíram um disco com detalhes fascinantes, muito apreciáveis, que se vai mantendo interessante a cada momento. Há um trabalho de composição de fundações bem alicerçadas, de onde se erguem melodias e harmonias de grande dimensão, verdadeiramente épicas e cativantes, em que a atenção dedicada a cada instrumento: guitarras, bateria, teclados, vozes, projecta este disco para um patamar alcançado apenas por aqueles que se dedicam a fundo, dispostos a superaram-se. Não vou destacar temas, pois cada um é especial à sua maneira, mas vou assinalar que «Space, Rituals and Magic» invoca uma realidade refrescante ao misturar muito do classicismo do heavy metal do final dos 70’ e início da seguinte década, injectando-lhe uma aura espacial, apostando em levar-nos a um paraíso desconhecido.
[9/10] EMANUEL RORIZ
INHUMAN
«Inhuman»
(Alma Mater Records)
A banda algarvia, com sede na cidade de Silves, editou em 2020 o disco «Contra», que foi anunciado como um disco de “regresso”, tal como teria de ser apelidado, porque os Inhuman já não editavam um trabalho de longa duração desde a segunda metade dos anos 90. Mantiveram-se activos e não se pode diz que chegaram a desaparecer do mapa, lançaram algumas demos neste intervalo. No final de 2025 aparecem com um novo disco e só espero que seja significado de que continue a surgir material novo nos próximos anos. Que a música continue a ter espaço nas vidas destes músicos e que isso signifique concertos e maior divulgação da sua música! Vou aproveitar a ocasião e mencionar com toda a intenção a glória que envolve o presente momento de uma banda com quase 35 anos de história. Chegados aqui, apresentam um trabalho fresco, com canções interessantíssimas, uma identidade sólida e uma sonoridade alicerçada em pilares que souberam amadurecer e cuidar. Uma voz característica que explora melodias de braços dados com um trabalho de guitarras cativante, sempre com uma natureza rítmica que não deixa nenhum momento cair por terra. A criatividade dos Inhuman está plantada em terreno fértil. Apesar de parecer contraditório, a forma simplista que atribuíram ao grafismo do álbum, na verdade, abre o espaço para ter lugar a experimentação e exploração que estes 10 temas podem proporcionar. Despidos de adornos desnecessários, focaramse na música e em todo o que podem transmitir com ela. Assim o fizeram.
[8.5/10] EMANUEL RORIZ
THE OMINOUS CIRCLE
«Cloven Tongues Of Fire»
(Osmose Productions)
Deixem-se guiar sem resistir à tentação e ao convite para descer abaixo da linha do solo. É lá que podem permanecer enquanto percorrem os sete temas de «Cloven Tongues Of Fire», num universo cavernoso, com sombras que se vão movimentando e paredes que se banham pela luz do fogo. O segundo disco dos portugueses The Ominous Circle chega-nos sensivelmente oito anos depois da aclamada estreia com «Appalling Ascension». É com agrado que se verifica que continuam a carregar uma forte componente estética, extensivamente demarcada pela visão já descrita inicialmente, pela apresentação enigmática e pelo trabalho de arte que acompanha este lançamento. Como causadora do primeiro impacto, a capa do disco adopta aqui um papel de destaque, por colocar o ouvinte numa atmosfera ideal para desfrutar do que aí vem. O trabalho gráfico criado pelo colectivo Ars Alchymiae enriquece esta descida. Permite-nos extrair ainda mais das melodias cortantes das guitarras e dos riffs pesados e sombrios. Todas as composições têm uma tonalidade que é profunda, quer seja num tema de oito minutos como “Lowest Immanations” ou no interlúdio “In Ira Flammae Devoratur Qui Salvatur”. Neste momento presente, a música dos The Ominous Circle soa sempre intensa e acima de tudo coesa, enquanto nos envolvem com sequências flamejantes de black ou death metal. O ocultismo dos The Ominous Circle é para ser contemplado e aplaudido, pois a entrega artística é de valor acrescido. Desçamos…
[8,0/10] EMANUEL RORIZ
LJUNGBLUT
«Sauda/Vietnam»
(Karisma Records)
Há discos feitos para encher salas e há discos feitos para ocupar silêncio. Sauda / Vietnam, o mais recente lançamento de Ljungblut através da Karisma Records, pertence claramente à segunda categoria. Não é um álbum que procure impacto imediato ou grandes gestos sonoros; pelo contrário, vive de pequenos detalhes, de respirações entre notas e de uma atmosfera serena que se instala lentamente. É um disco que pede atenção e tempo — e recompensa quem estiver disposto a abrandar. A edição reúne dois miniálbuns originalmente separados, Sauda e Vietnam, ambos inspirados por viagens e lugares marcantes na vida de Kim Ljung. Essa ideia de lugar, mais emocional do que geográfica, é o verdadeiro fio condutor do álbum. Cada composição funciona quase como uma fotografia sonora: um momento suspenso, uma memória revisitável. Musicalmente, o registo afasta-se de qualquer expectativa que alguém possa ter se associar imediatamente Ljung ao universo mais eléctrico e intenso de Seigmen ou Zeromancer. Aqui tudo é mais íntimo, mais despido. O centro da música é a voz de Ljung, próxima, quase confessional, apoiada por guitarras acústicas suaves, pianos discretos e pequenos arranjos que aparecem como sombras sonoras. Nada soa exagerado; tudo parece deliberadamente contido. Há campainhas orientais, trompetes suaves, sintetizadores Korg vintage e pequenos detalhes que surgem e desaparecem sem nunca perturbar o equilíbrio geral. É uma produção quente, artesanal, que parece ter sido construída à mão. [8.5/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
BLUES FOR NEIGHBORS
«Rivers of Living Water» (Bloos Records)
«Rivers of Living Water» confirma a identidade singular do duo de Wroclaw mostrando um lado ainda mais profundo dos Blues For Neighbors. O duo polaco continua a vaguear por caminhos poeirentos de blues e folk sombrio, transformando melancolia em beleza. É um disco de boa música e bom gosto, diferente, feito à margem de modas. Já tinha destacado o anterior «From Roaming About» (2022), mas aqui a abordagem soa um pouco mais contida. Os temas são sinceros, tocados com alma e sem filtros. A atmosfera áspera e minimalista que atravessa o álbum pode não agradar a todos os ouvidos - mas é precisamente essa crueza que o torna, de alguma forma, especial. [7.5/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
LIMINAL SKY
«All Tomorrows Darkness» (Karisma Records)
Sendo um álbum de estreia produzido por Jaime Gomez Arellano, «All Tomorrows Darkness» apresenta desde início uma identidade estética bem definida, sem soar a exercício de estilo ou tentativa de afirmação forçada. A referência a Jeff Buckley no press kit levanta expectativas difíceis de cumprir - e, nesse sentido, o álbum não procura imitá-lo, mas antes captar uma sensibilidade emocional semelhante, mais contida e atmosférica. A melancolia que atravessa o disco não é decorativa: é estrutural, alimentada por temas como o luto e a insónia, que moldam o tom de forma consistente. Gravado num ambiente isolado do interior inglês, esse contexto não surge apenas como curiosidade biográfica, mas como elemento integrante da própria música. Há uma sensação persistente de imobilidade, como se cada faixa estivesse suspensa num espaço aberto e silencioso, entre campos vazios e noites prolongadas. O disco privilegia a criação de atmosfera e a dilatação do tempo, com arranjos que evoluem lentamente e convidam a uma escuta mais paciente. Essa contenção acaba por ser uma das suas maiores forças: em vez de procurar picos emocionais evidentes, o álbum constrói um impacto mais subtil e duradouro, ancorado na coerência e na densidade do ambiente que consegue criar.
[8.5/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
DARK DIVINATION
«Liitto Hengen Ja Veren»
(Signal Rex)
Dark Divination não trazem praticamente nada de novo para a luz do dia ou para a obscuridade das trevas. Black metal cru, forjado na Finlândia por Dark Divinator – nome artístico de Joel Kahara – e se calhar podia ficar a crítica a este trabalho por aqui. Obviamente que black metal no limiar do “old school” com trabalho de produção reduzido ao absolutamente essencial é só mesmo para quem gosta. Porém há algo de etéreo, difícil de explicar, talvez uma atração irracional pelos caminhos trilhados pela pista sonora que, se tivesse sido registada algures em 1985, com uns reles microfones e gravadores de 8 pistas, não surpreenderia. Há até alturas em que fica difícil de perceber se foi tudo gravado em estéreo ou partes gravadas em mono. Talvez o que traga essa tal estranha sedução seja mesmo isso, a sobreposição entre algo que sabemos ter sido feito hoje mas que transporta inevitavelmente para algures no passado onde a TV era a preto e branco para quem tinha, onde os rádios eram quase tudo monofónicos, onde tudo era analógico, físico, orgânico. O nível de produção é, diria sem grandes hesitações, propositadamente cru para fazer esse transporte espácio-temporal. Sem embelezamentos digitais, ao limite do nanossegundo e do segmento gravado. E é por isso mesmo algo refrescante, pois soa a genuinidade e até ingenuidade, porém cerebral, orquestrada e direcionada. Escrito isto, volto ao início, é um sub-género musical muito específico e não cairá no goto de quem é alérgico a black metal “old school”.
[7.5/10] SERGIO TEIXEIRA
ANCIENT SETTLERS
«Autumnus (Revisited)»
(Signal Rex)
Este trabalho dos Ancient Settlers, que estiveram em Portugal no festival Laurus Nobilis, é o primeiro a incluir as duas novas vocalistas Nia Creak e Noelia Fernández Jiménez que se juntaram à banda no início de 2025. Para além disso é uma reedição do primeiro EP da banda datado de 2021. Se o EP já era “pinga da boa”, este trabalho então é propagado para um novo limiar de bom gosto. Pessoalmente fiquei arrebatado pelo coro das duas novas vocalistas no tema «Monument Restored». É fenomenal e viciante. Sem recorrer a “gritaria” conseguem encaixar num tema de death metal melódico vocalizações quase pop/rock. Mas assenta que nem uma luva. O resto do trabalho torna-se também apelativo, no sentido em que aproveita as possibilidades de ter Nia e Noelia tanto a cantar em coros ou refrões suaves,
como segmentos guturais e oscilando entre ambos. Esta fórmula não é necessariamente original. Podemos ir a alguns “progenitores” do death metal lá nos seus primeiros trabalhos e encontrar esta oscilação entre vocalizações limpas e guturais. Como seria de esperar numa reedição, houve algum trabalho de produção extra mas também alguns arranjos foram adicionados ou modificados, não sendo apenas uma cópia do original em que se troca exclusivamente a voz e tudo o resto fica intacto. O somatório das diferenças torna o trabalho de reedição bastante diferente. Por se tratar de um EP, acaba por saber a pouco e deixa curiosidade para saber como será o próximo trabalho. [8/10] SERGIO TEIXEIRA
AIRBAG
«Dysphoria (Live in the Netherlands)»
(Karisma Records)
Este disco dos Airbag é um trabalho ao vivo já lançado em Novembro de 2025, porém candidato a um registo intemporal para ter nos suprimentos de retaguarda lá de casa no que à música de bom gosto diz respeito. O ponto menos abonatório, comecemos por aqui, é a similaridade com, obviamente, Porcupine Tree que são ainda assim a maior referência atual em rock progressivo. É um ponto menos abonatório que, se nos abstrairmos dele, vem imediatamente à tona a música incrivelmente bela, assente em sonoridades psicadélicas (Olá Pink Floyd) e em guitarras que oscilam entre a simplicidade e a distorção. O álbum «The Century of the Self» é tocado na íntegra, sobrando espaço para mais um punhado de temas da restante discografia. Houve algum trabalho de mistura, i.e., o que se ouve não será exatamente o que foi possível captar ao vivo. Os teclados equilibram todo o percurso do disco do primeiro ao último minuto, na percussão Henrik Fossum traz uma base rítmica equilibrada e junto com a voz de Asle Tostrup tornam-se num todo épicamente equilibrado. Este equilíbrio impede por exemplo destacar um ou outro tema. Faz sentido escutar este trabalho como se de uma cerimónia se tratasse. Carregar no “play” e deixar ir até ao fim. Voltando um pouco ao início onde referi registo intemporal, imagino que tenha sido decidido editar em disco de vinil para colecionadores porque este trabalho justifica a 110% a edição em vinil. É exatamente a este nível que está. Um trabalho para manter por perto como se de um quadro intemporal se tratasse. [9.0/10] SERGIO TEIXEIRA
CRIPPLED BLACK PHOENIX «Sceaduhelm» (Season of Mist)
O mundo do rock já passou por inúmeras transformações até ao presente. A base, claro, é a guitarra, o baixo, a bateria e, por fim, a voz. Neste caso os Crippled Black Phoenix adicionam quase tudo o que é possível em termos de instrumentos e variações, é só consultar a página de Wikipedia e perceber tanto a desmultiplicação de atuais e anteriores músicos mas também de instrumentos. Neste trabalho «Sceaduhelm» são inúmeras as equações que dão suporte, minuto após minuto, às múltiplas rotas para as paisagens sonoras que se desenrolam perante os nossos sentidos. Já não é só audição, acaba por ser uma experiência quase visual, fruto, claro dos elementos psicadélicos que são uma constante. Sendo o 13º trabalho a ver a luz do dia, não é de estranhar que os elementos e apontamentos sonoros que entrecruzam os múltiplos segmentos de áudio tenham uma personalidade que é sólida como uma rocha. A experiência nota-se. Porém perde-se um pouco na criatividade genuína. Os sentimentos descaem sempre para o obscuro, sendo dominante um certo fatalismo no qual se emaranha o próprio álbum, gerando-se um colete-deforças do qual não se consegue libertar. Isto se a libertação fosse o objetivo. Porém o aprisionamento no fatalismo é a pedra de toque de tudo o que se ouve. É interessante perceber que haveria uma série de outras opções na expressão e composição que estariam à disposição destes músicos mas que ficam excluídas. Ponto. Este é um excelente trabalho de estúdio em que também é evidente pensado e produzido para ser tocado ao vivo. Aí certamente brilhará. [8.5/10] SERGIO TEIXEIRA
CRYPTIC SHIFT
«Overspace & Supertime»
(Metal Blade Records)
Nesta crítica vou saltar o percurso desta banda Inglesa, Cryptic Shift, que já anda a fazer “estragos” desde 2015, para ir direto ao cerne deste «Overspace & Supertime» já que poderá ser eventualmente candidato a um dos melhores álbuns do ano de technical death metal. E porquê? Ora o que temos aqui é um somatório de várias diretrizes que estão todas elas ao melhor nível dentro de um trabalho de technical thrash/death metal. A originalidade é talvez a característica mais difícil de se conseguir nos dias que correm. Requer aqui o apoio da editora e a destreza dos músicos. Não basta agarrar num conjunto de riffs meio malucos, colar e ver se resulta. É preciso que mudanças de direção na composição (mais abruptas ou mais sublimes) não pareçam um puzzle em que as peças estão simplesmente abandonadas ao acaso. É preciso que o puzzle encaixe. E aqui diria que temos nota máxima. E o rasgo de genialidade nas composições catapulta os temas para durações entre 9 e 30 minutos! Depois o cuidado extremo no registo do áudio, onde a separação entre cada instrumento é notória e permite uma absorção esclarecida da torrente de notas musicais. Portanto o trabalho de produção está também a um nível irrepreensível. Por fim o que se ouve. Este subgénero e a maneira como é interpretado pela banda torna o trabalho um pouco abstrato e alienígena embora seja essa a ideia fundamental da conceção do mesmo. Não é uma falha mas sim um efeito provocado, porém é o travão que o faz ficar a escassos centímetros da nota máxima. Outros ouvintes poderão mesmo achar que é mesmo uma obra-prima… [9.0/10] SERGIO TEIXEIRA
IMMOLATION
«Descent» (Nuclear Blast)
A guitarra que se ouve assim que se inicia a descida é um momento raro, uma acalmia que serve para inspirar antes de os Immolation nos lançarem no turbilhão. “These Vengeful Winds” apresenta o décimo segundo capítulo na história dos norte-americanos de Cleveland, no seu trigésimo sétimo ano de história! Uma história que tem vindo a ser feita com uma solidez galardoável, desde o lançamento do mítico «Dawn Of Possession» em 1991, tempos pelos quais iniciaram a sua rota de ascensão ao topo do death metal, a nível mundial, por onde se vão ombreando com os grandes nomes do movimento. Este novo disco, ao longo de dez temas, leva-nos numa jornada fundeada na desilusão sobre o futuro da humanidade, assim como de todo o seu legado. A queda dos impérios, as incessantes guerras e a corrupção do ser humano, são parte da inspiração para o decair que é retratado nesta obra, com um trabalho de arte feito pelo artista Eliran Kantor. A música encontrada em «Descent» é Immolation refinado, temas estruturados, muito bem seccionados e diversificados, de forma que este death metal nunca se torna massudo. Há sempre o trabalho de guitarras, com a sua particularidade, reconhecível em qualquer disco do grupo. Há uma infinidade de riffs e solos que se tornam difíceis de quantificar, soando imperiais, massivos e que veem a sua brutalidade ser expandida pelas vociferações guturais e a incansável secção rítmica. Descent é ritual e tem muito para agradar, especialmente aos seguidores do movimento.
[8/10] EMANUEL RORIZ
FJORDS
«Gehenna» (Independente)
O duo de Coimbra Rafael Borges e André Figueiredo estreia- se em álbum com uma ambição conceptual considerável: «Gehenna» percorre a Divina Comédia de Dante em quatro faixas densas - «Virgílio» apresenta o guia da jornada, e as três restantes representam cada etapa da descida, da permanência e da saída do inferno. Só pela audácia da ideia, merece respeito. Musicalmente, o stoner doom pesado e atmosférico dos Fjords não é para todos os dias nem para todos os ouvidos. Bem executado, mas de nicho assumido. O conceito salva - e justifica a viagem.
[7/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
VEILBURNER
«Longing for Triumph, Reeking of Tragedy» (Transcending Obscurity Records) Resiste no meu leitor há meses e continuo a achá-lo um dos álbuns mais impressionantes de 2025. Já não restam dúvidas: a dupla Mephisto Deletério/ Chrisom Infernium, que responde pelo colectivo Veilburner, é mesmo uma das mais talentosas e subestimadas da década em curso. É a conclusão que decorre da exposição a uma discografia brilhante feita de trabalhos consistentemente ambiciosos, à qual se junta agora este oitavo registo de originais que eleva para níveis estratosféricos a excelência da fusão vanguardista de death e black metal que a formação norte-americana tem vindo a explorar. São 50 minutos de uma intensidade sónica avassaladora, pautados por uma criatividade que contorna fórmulas mas deixa a descoberto referências sónicas familiares. Do irresístivel pontuado militarista do tema de abertura “Longing for triumph…” à maquinaria industrial de “Pestilent niche”, passando pela atmosfera de mistério hermético que envolve “Rigor & wraith” e chegando, finalmente, às melodias discordantes de guitarra de “Ouroboreal whorl”, descobre-se rapidamente que há pouco de previsível e nada de convencional na música dos Veilburner. No meio de tanto negrume e de riffs demolidores à la Morbid Angel, Deletério surpreende com linhas de guitarra luminosas que criam um estranho contraste. Infernium brinda-nos com uma versatilidade laríngica assustadora na poesia de triunfo e tragédia que recita (ouçam-no especialmente em “That which crypts howls grandeur”) num registo demencial evocativo de Attila Csihar. A produção é irrepreensível e o resultado final é do outro mundo.
[9.5/10] ERNESTO MARTINS
HARDLINE «Shout» (Frontiers Records)
Há bandas que existem para reinventar o rock. Os Hardline não são uma delas — e é precisamente isso que os torna tão valiosos. Fundados em 1992 com o magistral Double Eclipse, regressam em 2026, após um hiato de cinco anos, com Shout: dez faixas de hard rock puro e sem concessões, gravadas como se o tempo tivesse estado parado à espera deles. No centro de tudo está Johnny Gioeli, um vocalista extraordinário que faz parecer fácil o que é difícil: encher uma música de energia, emoção e presença sem jamais forçar. A sua voz percorre o álbum como uma corrente elétrica, seja nos “hinos” de arrebatar as salas como “Shout”, “Rise Up” ou “Welcome To The Thunder”, seja no intimismo da balada «Glow» — dedicada aos mais de 20 cães que a banda teve ao longo da vida. A surpresa do alinhamento fica por conta de «When You Came Into My Life», regravação de um clássico dos Scorpions que Gioeli descobriu recentemente, aqui reinterpretada com toda a marca Hardline. A única nota agridoce é inevitável: os Hardline continuam a ser, na prática, uma banda paralela - tanto para Gioeli (Axel Rudi Pell, Crush 40) como para Del Vecchio, cujo nome aparece em metade das discografias do rock europeu. Talento sobra. O que falta, talvez, é que esta banda seja tratada como prioridade - porque com Shout ficou provado, mais uma vez, que quando se dedicam a sério, o resultado é de outro nível.
[8.5/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
SKAPHOS
«The Descent» (LADLO)
Meia hora. É quanto os Skaphos precisam para destruir tudo à voltasem pausas, sem clemência, sem sequer fingir que vão aliviar. O quarteto francês, veterano de palcos com Vader, Marduk e Suffocation, sabe exactamente o que está a fazer: fundir o black metal e o death metal da forma mais violenta e abissal possível. «The Descent» é um lançamento bombástico e muito sólido. Única reserva pessoal: os blast beats triggados - questão de gosto, nada mais. De resto, recomendado para quem aprecia uma boa mescla de black e death metal.
[8/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
MUERTO
«Eclipsed Realms»
(Transcending Obscurity Records)
Os Muerto, oriundos de San Juan del Río, no México, acabam de editar o terceiro álbum, «Eclipsed Realms», registo onde aprofundam uma sonoridade crua, angustiante e dissonante. O disco mergulha num Black Metal Atmosférico inquietante, oscilando entre explosões frenéticas e secções de andamento arrastado, sustentadas pela bateria dinâmica de Eddel Jared e pela guitarra de Juan Mondra. A vocalista e baixista Penny Smitten entrega-se a sofridos lamentos carregados de ressentimento, como se fosse consumida pelas melodias atmosféricas que a conduzem por paisagens devastadas e sombrias. A abordagem desarmantemente directa dos Muerto, aliada à forma magistral como exploram diferentes emoções sob uma atmosfera de escuridão sufocante, bem como a crueza revigorante que exibem numa era de música excessivamente produzida, tornam-nos uma banda digna da mais séria atenção.
[8/10] JOAO PAULO MADALENO
LAST PISS BEFORE DEATH
«Resistance»
(Raging Planet Records)
Portugal tem dado sinais crescentes de que a cena metal nacional não é para brincadeiras. Os Last Piss Before Death - quarteto formado em 2019 em torno do vocalista Edgar Alves e do guitarrista e produtor Pedro Lourenço - são mais uma prova disso. Com «Resistance», o seu segundo álbum, chegam quatro anos depois da estreia homónima e com uma ambição clara: crescer. E crescem, de facto. Quem conhecia o groove metal pesado do primeiro registo encontra aqui uma banda que alargou o mapa. O groove continua presente, mas recuou para segundo plano, cedendo território ao thrash mais direto, ao death metal e a momentos de textura progressiva que surgem onde menos se espera. O resultado é um álbum mais variado, mais maduro - e, para quem nunca foi adepto incondicional do groove, francamente mais interessante. “Fall” impõe-se logo com um riff que não sai da cabeça - seco, agressivo, construído para… doer. Uma boa surpresa é «Echoes»: começa com uma calma quase enganadora, melódica, a fazer crer por uns segundos que vem aí uma balada - e depois fecha a porta na cara com uma aceleração brutal que apanha sempre desprevenido, mesmo quando já se sabe o que está para vir. O álbum é coeso de ponta a ponta - dez faixas que soam como um todo pensado, sem enchimento - e a produção de Pedro Lourenço faz jus ao material: limpa sem esterilizar, com peso suficiente para que cada riff chegue onde tem de chegar. «Resistance» não reinventa nada, mas não precisa. É um segundo álbum honesto, bem executado e com personalidade suficiente para se destacar numa cena cada vez mais populosa. Os Last Piss Before Death estão a afinar a mira - e vale a pena estar atento ao próximo disparo. [7.5/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
MALHKEBRE
«B.A.M.N.»
(Battlesk'rs Productions)
Trinta anos de underground francês destilados em quarenta e poucos minutos de caos controlado. Os Malhkebre, quarteto formado em 2002 em torno de Eklezjas'tik Berzerk, regressam com «B.A.M.N.» - terceiro álbum, mais cru, mais ritual, mais declamatório do que tudo o que fizeram antes. A colaboração com Meyhnach dos Mütiilation em «You Failed» diz tudo sobre o círculo em que esta banda se move. Não é música para toda a gente - e não quer ser. O que impressiona, mesmo sem ser o meu território, é o desespero genuíno na voz de Berzerk: cru, caótico, mas com uma convicção que não se finge. Para os devotos do black metal ortodoxo, provavelmente essencial.
[7/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
DISAFFECTED
«Spiritual Humanized Technology» (Larvae Records / Firecum Records )
Desde 1991 que os Disaffected habitam o underground português com uma teimosia admirável. Nascidos death/ thrash, foram-se tornando progressivamente mais complexos, mais atmosféricos, mais difíceis de encaixar numa prateleira. «Spiritual Humanized Technology» - o quarto álbum, oito anos depois de «The Trinity Threshold» - é o registo onde essa evolução atinge o ponto de maior maturidade. O álbum é uma viagem conceptual que cruza metal progressivo, texturas cibermelódicas e uma envolvência quase espacial - sem nunca abdicar do peso que sempre definiu a identidade da banda. É simultaneamente mais calmo e mais trabalhado do que qualquer coisa que fizeram antes: as camadas sucedem-se com uma paciência que exige atenção e recompensa quem a der. As letras acompanham esse espírito - contemplativas, contemporâneas, a dialogar com o mundo tecnológico e espiritual que habitamos. O nível técnico e a própria execução impressionam do primeiro ao último minuto — cada instrumento tem o seu espaço, nada sobra, nada falta. Produzido entre os Black Sheep Studios em Sintra e os Pentagon Audio Studios em Loures, o som é cristalino e denso em simultâneo. Um dos álbuns do ano de 2025, sem reservas. Os Disaffected provam que trinta anos de carreira não embotam - aguçam. Obra maior da cena nacional.
[9/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
ERDVE
«Epigrama»
(Season of Mist)
Apanhar estes Erdve, que emanam sludge metal desde os Bálticos, mais concretamente Lituânia, foi uma excelente surpresa. Não são propriamente estreantes, andam a fazer barulho desde 2016 e na Season of Mist desde 2017. Obviamente que sludge é o mesmo que dizer guitarras pesadinhas q.b. som cheio e texturado, e no caso deste trabalho uma clara separação e identificação de cada som que surge, o que torna este álbum paradoxalmente sujo e limpo simultâneamente. Uma sujidade saudável proveniente da textura das guitarras e limpo devido à separação de cada instrumento. Do ponto de vista de produção a nota é claramente 10, sem quaisquer dúvidas. E isso permitiu à banda traduzir para a dimensão sonora todas as emoções que são debitadas, sem ambiguidade ou indiferença. A paixão pela comunicação de uma nota, de uma vocalização, de uma linha de guitarra melódica ou distorcida ao extremo estão lá. O ponto menos conseguido talvez seja nas vocalizações que são excelentes mas sempre na mesma tónica. Não sei se seria possível introduzir mais variações vocais sem desvirtuar a mensagem e o espírito do trabalho. O resultado é indiscutivelmente um trabalho coeso em que quem gostar do primeiro minuto de audição, vai gostar com grande probabilidade do trabalho completo. Não há 10 segundos de mau gosto ou de perda de rumo e isso é de valorizar já que a personalidade vincada do álbum não descai facilmente para exaustão ou tédio. Apesar da nota já bastante positiva pode pecar por defeito. É realmente um bom trabalho, essencial escutar pelo menos uma vez. [9.0/10] SERGIO TEIXEIRA
GALIBOT «Catabase» (LADLO)
Galibot - o nome dado às crianças enviadas a trabalhar nas minas do norte de França. Um ponto de partida brutal para uma banda que nasceu em 2023 em Wallers-Arenberg, cidade marcada pelas cicatrizes da indústria mineira, e que fez do black metal melódico a sua língua natural. «Catabase» - segundo álbum, agora em quinteto - é uma descida deliberada e conceptualmente densa: a catabase da mitologia grega, a viagem do herói épico ao mundo subterrâneo dos infernos, aqui reinterpretada com os mineiros do Norte como protagonistas. O disco divide-se em dois painéis - dentro e fora da mina - explorando história, lendas populares e paisagens de uma região que a banda trata como uma epopeia macabra. A produção ganhou musculatura e nuance
relativamente ao estreia, com tempos mais variados e composições mais maduras. Confesso que o black metal não é o meu território natural - e este disco chegou mesmo ao limite do que estou disposto a ouvir do princípio ao fim. Opinião completamente pessoal, claro. Mas há algo que me prendeu mesmo assim: a voz de Agathe Boulanger, a.k.a. Diffamie. Poderosa, expressiva e genuinamente perturbadora, é ela que transforma o peso do género em algo com alma. «Catabase» não dá tréguas: bomba atrás de bomba, riff atrás de riff, sem espaço para respirar - e é precisamente isso que os fãs do género vão adorar. O conceito é sólido, Diffamie impressiona, e a banda chegou ao segundo álbum com uma identidade muito própria.
[7.5/10]
EDUARDO RAMALHADEIRO
JOURS PÂLES
«Résonances» (LADLO)
Jours Pâles é, acima de tudo, a visão de Spellbound, que após o fim de Asphodèle assume o controlo criativo do projeto e o conduz por territórios mais sombrios e pessoais. Em «Résonances», essa identidade singular torna-se ainda mais evidente: um disco profundamente íntimo, onde a dor e a contemplação coexistem num equilíbrio tenso. Musicalmente, o álbum destaca-se pela riqueza melódica do instrumental, frequentemente delicado e quase etéreo, contrastando com uma base emocional pesada e opressiva. Há uma dicotomia constante entre beleza e ruína - guitarras que evocam esperança ou nostalgia são atravessadas por atmosferas densas e arrastadas, criando um espaço sonoro onde o ouvinte oscila entre conforto e inquietação. A voz de Spellbound é o verdadeiro catalisador dessa tensão. Longe de uma abordagem tradicional, opta muitas vezes por um registo declamado, cru e exposto, que intensifica o carácter confessional do álbum. Não se trata apenas de cantar, mas de expurgar - cada frase carrega desespero, agonia e uma vulnerabilidade difícil de ignorar. Esta escolha pode afastar quem procura estruturas mais convencionais, mas é precisamente aqui que «Résonances» encontra a sua força. Tematicamente, o disco mergulha em questões profundamente humanas, com destaque para a separação paternal, sem nunca perder uma dimensão mais ampla de desencanto com o mundo contemporâneo. É um trabalho denso, exigente, mas recompensador. [8/10] EDUARDO RAMALHADEIRO
INHERITS THE VOID
«The Silent Abscission»
(Avantgarde Music)
Os Inherits The Void, coletivo Francês formado em 2020, aparecem com o seu 4º álbum de originais precisamente agora em Junho de 2026 com um trabalho conceptual que apresentam como sendo “um ponto de viragem”. A aposta em paisagens sonoras (oscilando entre a vivacidade e a timidez), mais do que em virtuosismo ou complexidade estrutural das composições, é a pedra de toque que dá corpo aos 8 temas. Mas não é um trabalho simplista, pois beneficia de uma dose de camadas que lhe dão densidade - e que densidade! - sonora. O “carimbo” estético que podemos aplicar ao que se ouve é black metal melódico. Mas em contraponto com o pendor melódico estão riffs ultra rápidos, blast beats, pedal duplo sem medo de entrar em cena as vezes que forem necessárias, e as vocalizações num gutural rasgado clássico. A componente melódica, confesso, foi o que me levou a selecionar «The Silent Abscission» para escrever este texto. Paradoxalmente, a torrente de riffs tem como consequência trazer à tona a essência da música: um exercício lúdico de contemplação das sonoridades que proporcionam apenas e tão só, bons momentos de prazer auditivo. Em suma, ao longo dos minutos de audição, o pacote completo que soma pontos engloba: as mudanças de riff, as mudanças de som/tonalidade nas guitarras, as pequenas estruturas melódicas imprevisíveis mas coerentes, as progressões, as melodias principais, sim, elas que ficam na memória, não todas, mas um bom punhado delas.
[8.5/10] SERGIO TEIXEIRA
“Fantasmando”
Em mais um lançamento que garantidamente vai atrair a atenção da imprensa e dos fãs, os Carach Angren dão largas à sua imaginação e ao seu gosto por aparições fantasmagóricas.
Entrevista: CSA | Fotos: Stefan Heilemann
Saudações, Clemens. Como tem passado Carach Angren ao longo destes cinco últimos anos?
Ardek – Saudações. Obrigado pela entrevista. Tenho de admitir que os anos passaram muito depressa. Tivemos de enfrentar alguns obstáculos, mas acabámos por regressar!
Como foi o vosso álbum anterior recebido pela imprensa e pelos fãs?
Muito bem! Parece-me que este até foi de todos o que teve a melhor receção, tendo em conta a resposta global e o número de pessoas que realmente compraram o álbum. A imprensa também gostou muito dele: lembro-me de termos tido apreciações muito elogiosas.
Conseguiram fazer concertos para o promover? [Infelizmente, a pandemia não ajudou nada a atingir esse objetivo. Tive a sorte de ver Carach Angren no Vagos Metal Fest antes desse flagelo nos atingir.]
Sim. Lançámos o álbum em 2020, exatamente quando a pandemia rebentou. Até gravámos um videoclip muito rapidamente aproveitando os poucos meses de interrupção do confinamento. Estávamos tremendamente excitados com a ideia de promover o álbum, mas infelizmente foi impossível fazer concertos antes da primavera de 2022 e mesmo a partir dessa altura a situação pouco melhorou. Ainda fizemos uma digressão nos EUA com Hypocrisy e um ano mais tarde uma outra com Rotting Christ. Foram ambas um sucesso, portanto retrospetivamente acabámos por conseguir promover «Franckensteina», embora bem mais tarde do que previsto. Para nós, o álbum ainda estava fresco por essa altura. Também tocámos em alguns festivais europeus em 2023 e fizemos um concerto na Holanda.
O vosso último álbum girava em torno de uma espécie de Frankenstein – um tema bastante conhecido – mas este EP é sobre Kariba, uma personagem de que eu nunca tinha ouvido falar. Quem é Kariba? O que lhe aconteceu? Por que a escolheram para ser o tema central do último lançamento de Carach Angren [até agora, é claro]?
Há uns anos atrás, o Seregor e eu andávamos a explorar ideias para a nossa iteração seguinte. O Seregor encontrou informação que apresentava novos aspetos da história que abordámos no nosso primeiro álbum: «Lammendam». Afinal parece que a lenda é muito mais antiga do que se pensava e que havia outras histórias semelhantes e até versões diferentes. Algumas fontes revelaram que, na realidade, a dama branca era uma bruxa chamada “Kariba”. Encontrei um poema antigo de que consegui obter uma cópia através de um arquivo oficial holandês. Este poema apresenta a bruxa como uma envenenadora Ninguém podia aproximar-se dela na floresta, ela matava qualquer pessoa que se aproximasse dela. Também havia histórias de abuso e de traição, como no enredo de «Lammendam». Paralelamente, eu andava a ler contos de H. P. Lovecraft e daí me veio a ideia da hipotética existência de um culto na aldeia perto da
floresta de Lammendam. Esta ideia de habitantes locais criarem um culto e tentarem fazer regressar à vida o fantasma da bruxa Kariba pareceu-me um bom enredo de horror.
“[…] À medida que avança no EP, o ouvinte fica a saber mais sobre a história de Kariba e vai recolhendo algumas (poucas) pistas sobre Lammendam.
Assim, aos poucos, eu e o Seregor começámos a ficar entusiasmados por esta ideia e achámos que um EP seria o melhor formato para contar esta história. Já tínhamos um LP sobre Lammendam, logo este lançamento seria uma espécie de sequela com muitas surpresas.
Estou totalmente de acordo com a vossa editora, quando enfatiza a natureza cinemática deste EP. Ao ouvir as suas faixas senti que tinha um filme a ser projetado na minha mente.
- Como criaram esse efeito?
A nossa história está organizada de modo linear e cronológico. O ouvinte é informado sobre a existência do culto na intro e sobre os primeiros sacrifícios na faixa intitulada “Draw Blood”. Pareceu-me importante criar essa parte para dar sentido à narrativa literária. À medida que avança no EP, o ouvinte fica a saber mais sobre a história de Kariba e vai recolhendo algumas (poucas) pistas sobre Lammendam.
Depois, em vez de ressuscitar o espírito de Kariba, o seu agressor do passado regressa de uma forma que rompe toda a linha da história. Isso acontece na faixa chamada “Ik Kom Uit Het Graf”. O que é interessante é que a música e a letra dessa canção também
criam uma rutura no EP. Depois, em “Venomous 1666”, a própria bruxa ressuscita e mata todos os habitantes da aldeia.
Na nossa opinião [minha e do Seregor], é importante que as pessoas leiam as letras das canções e mergulhem profundamente na história. Mas, ao mesmo tempo, sentimos que a música e cada uma das faixas do EP têm de agradar. Parece-me que muitas bandas que fazem álbuns concetuais se focam demasiado na narrativa, o que pode afastar da música. É preciso encontrar um equilíbrio entre as duas componentes. Penso que nos tornamos bons nisso ao longo dos anos.
Há quem diga que levámos muito tempo a fazer este EP, mas é preciso ter consciência do facto de que só avançamos para o lançamento quando estamos 100% satisfeitos com a nossa música. O processo pode demorar bastante tempo, mas permite-nos evitar faixas que só lá estão para ocupar espaço ou ter a tentação de converter num álbum algo que deve ser um EP. Esperamos que os fãs apreciem o nosso lançamento. De há uns anos para cá, instalou-se a prática de apresentar a música em streaming. Isso levou a sentir a necessidade de lançar algo semana sim, semana não. Não me parece que a arte funcione de acordo com essas linhas. Pelo menos, não é assim que nós vemos o processo. - Já pensaram em fazer um filme em que este lançamento fosse usado como banda sonora?
Convidariam a modelo que figura na capa do EP para participar no vosso filme?
Fazer um filme seria muito tentador, mas gostamos demasiado desta forma de fazer as coisas para sucumbir a essa tentação. Gostamos de contar uma história recorrendo a música usando a arte gráfica e os videoclips para a enriquecer. Mais uma vez, o artwork foi feito pelo Stefan Heilemann, que, desta vez, contou com a colaboração da Lara Mauve, a modelo que aparece na capa do álbum. Ela e o Stefan fizeram um
trabalho sensacional!
Também fizemos novamente um vídeo fantástico com o Zoran Bihac em que brilhou a Julia Gorovaya, acompanhados por uma equipa terrífica, que trabalhou até à exaustão.
A presença do violino contribui muito para o lado cinemático de «The Cult of Kariba». Quem teve a ideia? Onde encontraram o Nikos Mavridis?
Já trabalhamos com o Nikos desde o nosso primeiro álbum. Quando estávamos a gravar «Lammendam» nos Tidal Wave Studios, na
“[…] é importante que as pessoas leiam as letras das canções e mergulhem profundamente na história. Mas, ao mesmo tempo, sentimos que a música e cada uma
das faixas do EP têm de agradar. […]
Alemanha, o Patrick (Damiani) disse-nos que conhecia um violinista que vivia perto da casa dele e que já tinha trabalhado com ele. Adorámos a ideia de substituir uma parte dos meus solos de violino programados pelo som de um verdadeiro violino. Tornámonos amigos e ele fez um trabalho maravilhoso. Ter pelo menos algumas linhas de violino dele em todos os nossos lançamentos tornou-se uma espécie de ritual desde essa altura. É sempre uma satisfação para nós constatar que ele nunca nos desilude.
Pode-se ouvir também a voz de Tim Wells. Quem é? Como aconteceu esta colaboração?
Encontrei o Tim online. Faz muita narração e trabalho de dobragem. A sua voz sinistra e autoritária agradou-me muito. Enviei-lhe as letras e ele acertou logo.
Penso que a voz dele confere um tom ultra sério à introdução da narrativa. Precisávamos disso. As pessoas precisam de mergulhar lentamente na possível realidade de uma história.
E Frodo Wijers? É um membro da tua família?
É um dos nossos cães. É da raça Kokoni. Sempre que passa uma ambulância, ele desata a uivar. Deve ter algo a ver com os seus instintos de lobo, haha!
Um dia decidi gravá-lo, porque o som era muito fixe. Assim, quando precisámos de um uivo de lobo numa canção, incluímo-lo a ele. Portanto, agora é famoso!
A propósito de família, a banda encolheu desde a última vez que vos entrevistei, porque o Namtar decidiu sair. Como é que isto vos afetou? Onde encontraram o vosso atual baterista? Tencionam fazê-lo participar no vosso próximo lançamento?
É verdade. Um dia o Namtar dissenos que queria ir embora e assim aconteceu. Propusemos-lhe que fizesse uma pausa (longa), mas ele disse que não queria. Queria mesmo sair. Ficámos tristes, mas respeitámos a sua decisão. Fazer música e tocar numa banda não é para todos. Assim, há pessoas que, a dada altura, decidem que querem fazer outra coisa e isso é perfeitamente compreensível. Eu e o Seregor temos essa cultura entranhada em nós e provavelmente iremos fazer isto para sempre. Hehe! Sempre tivemos uma certa rotina criativa desde os primeiros momentos. De uma forma típica do Black Metal, eu fui abençoado com a capacidade de escrever estruturas básicas para canções do início ao fim. Sempre fiz isso e é o
que gosto mais de fazer: escrever canções, composições, para nós e para outros. O Seregor sempre esteve de acordo com esta forma de trabalhar. Depois trabalha sobre as guitarras, as letras e traz ideias que nos permitem dar às canções a sua forma definitiva. Sempre funcionámos assim e pretendemos manter este modus operandi. O Gabe é um baterista fenomenal, que nos maravilhou neste lançamento!
As pessoas tendem a ver os EP como um prenúncio do lançamento de um álbum. É esse o caso de «The Cult of Kariba»? Já têm algumas ideias para o próximo álbum?
É-me difícil compreender a forma
como as pessoas veem os EP atualmente. Para mim, um EP foi sempre uma versão curta de um álbum e, para nós, essa é a conceção correta. Basicamente, deu o mesmo trabalho, porque só tem menos algumas canções. Sei que algumas bandas ou artistas usam o formato EP para publicar remixes e outro material, mas não é essa a nossa maneira de ver a coisa. Trabalhámos tão arduamente neste EP como no álbum anterior: fizemos fotos/arte/ vídeos/promoção, etc., etc. Como sempre, focámo-nos na verdadeira qualidade e esperamos que os nossos fãs tenham consciência disso. Por favor, vejam «The Cult of Kariba» como um álbum curto com uma história completa!
Calculo que a tua carreira como músico e compositor de bandas sonoras influencia Carach Angren. Ou será o inverso?
Sempre gostei imenso de música clássica e de bandas sonoras e é claro que isso influencia o meu trabalho com Carach Angren assim como o meu trabalho com outros artistas. Também componho música, faço curtas e, por vezes, até anúncios. Atualmente, estou interessado numa grande variedade de estilos e constantemente a tentar fazer a minha arte evoluir.
“
De há uns anos para cá, instalou-se a prática de apresentar a música em streaming. Isso levou a sentir a necessidade de lançar algo semana sim, semana não. Não me parece que a arte funcione de acordo com essas linhas. Pelo menos, não é assim que nós vemos o processo.
ÁLBUM VERSUS
At the Gates
«The Ghost of a Future Dead» (Century Media)
Há álbuns que chegam carregados de história. E há álbuns que chegam carregados de dor. «The Ghost of a Future Dead» é as duas coisas ao mesmo tempo - e por isso é impossível ouvi-lo sem que algo dentro de nós se quebre.Os At The Gates nasceram em Gotemburgo no início dos anos 90 e, com «Slaughter of the Soul», codificaram uma linguagem inteira - o death metal melódico tal como o mundo o viria a conhecer. Tomas Lindberg era a voz dessa linguagem: áspera, urgente, humana de uma forma que poucos vocalistas de metal alguma vez conseguiram ser. Quando a banda regressou em 2014 com «At War with Reality», ficou claro que não se tratava de nostalgia, mas de uma banda viva e irrequieta. «The Nightmare of Being» confirmou-o com ousadia.
Este sétimo álbum começou a tomar forma em 2023, com o regresso do guitarrista Anders Björler - ausente durante seis anos - a reconstituir a formação histórica de «Slaughter of the Soul». Em dezembro desse ano, Tomas Lindberg recebeu um diagnóstico devastador. Mesmo assim, completou as suas partes vocais em janeiro de 2024, no dia anterior a entrar no hospital para cirurgia. A 16 de setembro de 2025, Tomas morreu, com 52 anos. O que ficou gravado é isto: um disco que não pede licença. Sem tempo de processamento, as músicas sentem-se como verdadeiros murros - diretas, implacáveis, sem a menor condescendência. Desde a abertura fulminante de “The Fever Mask” e “The Dissonant Void” até à escuridão pesada de “Det Oerhörda” ou à brutalidade pós-punk de “In Dark Distortion”, cada faixa é um soco com intenção. A voz de Tomas nunca soou tão presente, tão necessária, tão insubstituível - como se soubesse que não havia tempo a perder. O título, escolhido na primavera de 2024, adquire agora uma dimensão quase premonitória. «The Ghost of a Future Dead»: o fantasma de um futuro que já morreu. É um nome para um álbum que não deveria existir nestas circunstâncias - e que, precisamente por isso, é o mais poderoso que os At The Gates alguma vez fizeram. Ouvir este álbum é despedir-se de um titã. Tomas Lindberg foi uma das vozes mais importantes que o metal alguma vez teve - e deixou-nos, como último gesto, a prova de que até ao fim foi maior do que a doença. [--/10] Eduardo Ramalhadeiro
Foto: Ester Segarra
A culpa é do cemitério…
Por: Emanuel Roriz
Hate Crew Deathroll (2003)
Alexi Laiho. Escolhi escrever sobre os finlandeses Children Of Bodom e as duas primeiras palavras que me surgem na ponta dos dedos são apenas estas. Nome do fundador, guitarrista, vocalista e principal compositor. Tendo-se iniciado na prática do violino com 11 anos de idade, aos 18, Alexi e companhia tinham já pronto a ser lançado um disco que desbravou caminho, pela forma selvagem como casavam de forma límpida a natureza da música clássica com o heavy metal, criando uma sonoridade sem par e um estilo que não era simples de catalogar.
Encontrei os Children of Bodom numa fase em que já tinham a carreira em velocidade cruzeiro, quando lançaram em 2001 o terceiro álbum, «Follow The Reaper». Apesar da sua existência ser ainda curta, já passavam a mensagem de objecto de culto, com todas as capas dos discos a apresentarem o mesmo tema, em cores berrantes para discos de metal extremo, mas que lhe conferiam uma identidade inequívoca. Alexi já era também conhecido pela sua alcunha “Wildchild” e conhecida era também a história de contornos verídicos, que misturava mistério, crime e morte, nas margens do lago Bodom, que serviu de inspiração ao nome do colectivo. No início do novo milénio, o meu radar apresentava uma sensibilidade romântica para a música de peso com origem nas terras escandinavas. O sinal era forte sempre que surgiam as iniciais C.O.B. e em
2003, este dispositivo que muito me orientou e orienta, quase rebentou de vez assim que cheguei a casa com a minha cópia do disco «Hate Crew Deathroll». Numa discografia com nove álbuns de estúdio, o disco que abre com “Needled 24/7” é aquele que me caiu no goto de forma rara e que me mantém apegado a ele até aos dias de hoje. Passados estes anos, acredito que permanecerá como referência intemporal. Neste disco há uma actualização na sonoridade da música dos Children Of Bodom. Com a utilização de afinações mais graves, carregam-se ainda de mais peso, groove e agressividade. O título do disco é perfeito para a mensagem que passam ao longo dos nove temas e encaixa como uma luva bem justa, que me entrou na
mão sem esforço e que ficou vestida sem qualquer folga, ou sem me apertar em qualquer dedo. Hate Crew Deathroll é um trabalho de estúdio em que se nota uma atenção exaustiva pelo preciosismo a cada início de canção, passagem de verso para o refrão, antecipação ao solo de guitarra ou teclado, mudança de direcção, nas palavras. Tudo parece ter sido escrito e revisto com a paixão que nas grandes obras habita. O porquê de este disco me ter saciado de tal forma grandiosa parece estar a tornar-se claro durante a presente reflexão, que surge mais de 20 anos depois da primeira toma deste estupefaciente. No início deste milénio o disco tinha toda a agressividade musical que correspondia aos requisitos deste adepto juvenil de
música extrema e que deambulava entre os clássicos do thrash/death/ black metal, enquanto bebericava ainda do groove de maior qualidade que o nu-metal ainda produzia. Em «Hate Crew Deathroll» os Children Of Bodom não tiveram receio em se tornarem “catchy” (está por inventar palavra em português para este termo, tratemos disso), e transformaram esta descarga de desprezo e ódio numa epopeia festiva pejada de um sentimento de união e invencibilidade, que está perfeitamente espelhado nas palavras que compõem o refrão do último tema do disco: “We are the hate crew, we stand and we won’t fall, we are all for none and none for all!”
Por estes dias aconteceu em Helsínquia um regresso aos palcos dos Children Of Bodom, em jeito de homenagem. Sem a presença do génio de Alexi a cantiga é outra, mas a devoção demonstrada revela o quão influente é o seu legado e a forma como continua vivo!
A terminar este texto há um conjunto de palavras que me surgem: Jaska Raatikainen, Alexander Kuoppala, Henkka Seppälä, Janne Wirman e Roope Latvala.
Inconformados
Em “L(i)mbo”, o potentíssimo novo álbum, os Booby Trap atiram-nos violentamente à cara 12 temas do seu Crossover honesto, direto e visceral, como sempre nos habituaram. Numa entrevista rápida para a Versus, o vocalista, Pedro Junqueiro, falou sobre a escolha de escrever todas as letras em português (uma estreia para a banda), mas também sobre o processo de composição ou a leitura que faz dos acontecimentos que assolam o mundo.
Entrevista: Dico
Fartei-me de rir com a bela introdução ao piano deste álbum, porque já imaginava a descarga demolidora que se seguiria. Foi vossa intenção baralhar um pouco as ideias aos ouvintes, levandoos a pensar que estariam mais melódicos?
Pedro Junqueiro – [risos] Nada disso, esta introdução foi uma encomenda minha ao nosso guitarrista Pedro Azevedo. Já
tínhamos o álbum todo escrito e praticamente gravado quando decidimos que não haveria nada melhor que uma pequena intro instrumental antes da primeira música, que entra logo “a matar”. O Pedro e o Miguel compuseram a introdução e gravaram-na (sim, é mesmo o Miguel a tocar piano na gravação) e só apareceram com ela quando o álbum já estava pronto a misturar.
Os Booby Trap têm alguns temas em português ao longo da sua discografia, mas a predominância sempre foi o inglês. No split anterior, “Thrashatlântico”, a tendência inverteu-se, com quatro dos sete temas cantados na nossa língua (incluindo a cover de “Rock Radioactivo”, dos Mata-ratos). Agora, em “L(I)mbo”, apresentamnos um álbum integralmente
“’Limbo’ significa a dualidade da vida (…), aquilo que nós, enquanto pessoas com consciência, fazemos da nossa vida.
cantado em português, incluindo a cover de “Antisocial”, dos Trust, que os Anthrax popularizaram (já lá vamos). Ouvindo o novo disco não restam dúvidas que a línguamãe eleva a vossa música a um novo patamar, tornando-a ainda mais direta, urgente e eficaz. Foi essa a vossa intenção ao cantar em português ou as letras simplesmente foram surgindo, acabando por resultar neste álbum?
Não foi nada planeado ou premeditado, aconteceu que a letra para a primeira música que escrevemos para este disco me saiu em português e a partir daí decidi escrever tudo em português. Já tínhamos escrito algumas letras na nossa língua materna, mas de facto predominou sempre o inglês. Aliás, muito provavelmente vamos continuar a usar ambas as línguas, conforme me der mais jeito.
Porquê L(i)mbo e qual o significado do “i” entre parêntesis?
“Limbo” significa a dualidade da vida, o facto de estarmos entre o bem e o mal, não em função do que a sociedade ou a religião definem como sendo o bem ou o mal, mas aquilo que nós, enquanto pessoas com consciência, fazemos da nossa vida. Na verdade, frequentemente, aqueles que se regem pelos dogmas da religião são os que mais prejudicam os outros. O parêntesis no “i” é apenas uma private joke da banda, podes tirar do título essa letra e meter
outra qualquer vogal e o título continuará a ser igualmente válido.
O vosso Crossover típico, que funde Hardcore, Punk e Thrash, está aqui no seu auge e não é exagerado atribuir a “L(i)mbo” o estatuto de melhor álbum dos Booby Trap. Neste álbum, o processo de composição foi o habitual para a banda ou alteraram o processo de trabalho? O nosso processo mantém-se sempre igual. Algumas músicas nascem de uma ideia que alguém leva para o ensaio, ou de uma jam enquanto tocamos. Depois, desenvolvemos a ideia com contribuições dos restantes elementos; entra mais um riff aqui, um arranjo acolá e a estrutura da música fica completa, com a contribuição de todos.
O tema-título apresenta uma abordagem Groove Metal, fazendo lembrar uns Pantera (banda que vem à memória também, aliás, no riff “Dimebaggiano” de “Maldição”). Sentiram que através desta orientação musical poderiam fazêlo destacar-se dos restantes? Consideram-nos uma banda crossover porque o nosso som de base é uma mistura entre o Thrash e o Hardcore, mas essa definição é limitadora para o que fazemos. Nunca nos inibimos de juntar Heavy Metal, Punk, Rock, Funk ou o que nos der na telha. Se há coisa que nos recusamos fazer é impor limites no género musical que fazemos. Se nos der prazer tocar, tocamos e mais nada. Nesses casos em especial que mencionas, mais uma vez não foi nada premeditado, e é engraçado que fales nos Pantera como “inspiração” para esses temas, pois um dos exercícios que costumo fazer depois de gravar um disco é tentar identificar as influências dos meus gostos musicais naquilo
que faço enquanto músico, escritor, vocalista e letrista. No que respeita ao tema-título em concreto, identifiquei-me com os Exploited, Pantera, Smashing Pumpkins, Helmet e Rage Against the Machine. [risos]. Agora vê a salgalhada que vai na minha cabeça quando estou a escrever músicas. [risos]
Tendo como matriz estas diferentes abordagens à vossa música, é natural para os Booby Trap criar um álbum em que todas elas se complementam harmoniosamente, resultando num todo coeso, ou habitualmente existe necessidade de trabalhar mais determinados temas para encaixarem no puzzle? Não, isso acontece naturalmente. Um caso engraçado foi o álbum de covers que gravámos durante o confinamento e sobre o qual nos disseram precisamente que, apesar de termos gravado músicas completamente distintas, todas soavam estranhamente a Booby Trap.
Na boa tradição Boody Trap, a crítica sociopolítica contundente é transversal a todo o álbum. Atualmente, Portugal e boa parte do mundo vivem momentos críticos, ao nível político, social e económico. Existem guerras em curso e a perspetiva de outras eclodirem. Que análise fazes do momento que vivemos? Sinceramente custa-me um bocado perceber o que se passa no mundo hoje em dia. Venho do tempo em que fazíamos verdadeiros milagres com poucos recursos. Hoje em dia as pessoas têm tudo na palma da mão e no entanto parece que a ignorância, o ódio e a falta de empatia para com o próximo são a forma normal de estar em sociedade. Não compreendo.
“…a IA está a ser usada principalmente de forma prejudicial.
“Se há coisa que nos recusamos fazer é impor limites no género musical que fazemos.
Uma vez mais o Paulão fez um trabalho excecional no que respeita à mistura e masterização, tendo-se a banda encarregado da produção. Em equipa vencedora não se mexe?
Sem dúvida. O Paulão já é o sexto elemento dos Booby Trap, há um entendimento muito grande entre a banda e o produtor e quando assim é torna-se fácil trabalhar. Esperamos poder continuar a trabalhar com ele por muito mais tempo.
A cover de “Antisocial”, original dos Trust, é muito interessante porque se, por um lado, a nível musical a vossa interpretação é fiel à versão popularizada pelos Anthrax, por outro lado, a nível da letra, vocês optaram por fazer uma tradução para português adaptada do original em francês, tornando este tema mais vosso. Era este o objetivo da banda?
Sim, a ideia original foi fazer uma interpretação da versão dos Anthrax, mas com a letra original dos Trust (em francês). No entanto, quando começámos a ensaiá-la, percebi que, além da métrica da versão original ser estupidamente difícil, o meu francês era uma bosta, daí decidir fazer uma adaptação para português. Assim, “peguei” nas letras dos Trust e dos Anthrax, compilei as partes mais interessantes de ambas e acrescentei algumas frases minhas para juntar tudo.
Têm algo previsto a nível de licenciamentos do álbum para o
estrangeiro?
Não, a Firecum Records consegue chegar a boa parte do mundo, ainda que neste momento haja algumas zonas que devido aos problemas comerciais atualmente vividos sejam difíceis de gerir, como os Estados Unidos e a Europa de Leste.
Que planos existem para promover ao vivo este álbum, quer internamente quer no estrangeiro?
Demos dois concertos de apresentação, um no Porto e outro em Lisboa e agora é continuar na estrada. Temos já mais alguns concertos na agenda - Almada, Leiria, etc…
À semelhança do Gary Holt, dos Exodus, sentem que, hoje, as bandas (em especial as que se movem no underground) são meras vendedoras de merchandise nos concertos, dado que a venda destes itens representa uma fatia importante do seu rendimento? Compreendo perfeitamente essa perspetiva, mas não representa a nossa realidade pelo simples facto de nenhum de nós depender da música para viver. Todos temos vidas profissionais preenchidas e fazemos música por puro prazer. Os negócios ficam fora da equação.
Que opinião tens das plataformas de streaming e que papel têm, ou não, na carreira da banda? Acho que são mais uma ferramenta de divulgação como outra qualquer. São boas porque chegam aos quatro cantos do mundo, mas, para mim, não substituem o objeto físico como um todo. Esse sim, é the real thing.
Como vês o papel da inteligência artificial na promoção das bandas e na sua gestão de carreira? É assunto que nem sequer me ocupa tempo, a IA passa-me completamente ao lado. Sei que pode ser usada para muitas coisas interessantes, mas, infelizmente, como o povo é estúpido e só pensa no pior, está a ser usada principalmente de forma prejudicial. Se as pessoas gastassem metade da energia que usam para ajudar a comunidade em vez de a usarem para prejudicar os outros seria bem melhor.
ESPIRITUALIDADE TECNOLÓGICA
A relação entre humanidade e tecnologia afigura-se cada vez mais difusa, desafiante e dada a profundos debates filosóficos. Somos meros fantoches das tecnologias que nós próprios criámos? É possível manter o equilíbrio entre humanidade e tecnologia? Poderemos conjugar espiritualidade e desenvolvimento tecnológico? Como? Estas são apenas algumas das questões emergentes a cada nova audição do novo álbum dos Disaffected, “Spiritual Humanized Technology”, que nos mostra um grupo no topo da sua forma. Sobre o disco e outras temáticas a VERSUS teve uma esclarecedora conversa com António Gião (baixo) e José Costa (voz).
Entrevista: Dico | Fotos: Joana Cardoso
O conceito deste álbum é complexo. A forma como espiritualidade, humanidade e tecnologia se relacionam motivam aqui uma profunda reflexão, na qual são consideradas as múltiplas dimensões do indivíduo (mente, corpo e alma) num contexto
de acelerado e omnipresente progresso tecnológico. Se por um lado os mais atentos poderão confrontar-se com este género de reflexões diariamente, acredito que a maioria não o fará. Como chegaram a este conceito?
José Costa - O conceito nasceu
de uma inquietação interior, não de um plano conceptual fechado. Sempre encarei o ser humano como uma entidade indivisível — mente, corpo e alma — e, naquele período, sentia que essas dimensões estavam a ser progressivamente desajustadas
pelo ritmo e pela omnipresença da tecnologia. Vivemos numa era em que o progresso técnico é quase automático e raramente questionado, enquanto as dimensões espiritual e humana são constantemente sacrificadas em nome da eficiência, da velocidade e do controlo. Esse desequilíbrio foi o ponto de partida das letras. Não como um ataque à tecnologia, mas como uma reflexão sobre a forma como nos deixamos moldar por ela, muitas vezes à custa da perda de consciência e da identidade. O álbum propõe uma tensão permanente entre transcendência e mecanização, entre evolução interior e avanço externo. A complexidade do conceito vem do facto de essa contradição ser real e quotidiana, mesmo que nem todos a enfrentem de forma consciente. Trata-se de questionar se estamos realmente a evoluir como indivíduos ou apenas a acumular ferramentas cada vez mais sofisticadas. Neste disco, a música e as letras colocam essa dúvida.
A espera por “Spiritual Humanized Technology” foi grande. As gravações aconteceram entre 2023 e 2024, mas o álbum só foi editado em 2025. A complexidade do material, mais assumidamente progressivo e melódico do que propriamente Death Metal, traduziu-se num mais longo período de composição ou foi necessário irem deixando os temas “amadurecerem” até lhes darem a forma final? Como é que decorreu todo o processo? António Gião – A composição deste álbum começou em 2019, e no início de 2020 já tínhamos três temas compostos. Depois, com os dois anos da pandemia, fomos compondo à distância. Dado que os ensaios eram escassos, o processo atrasou-se um pouco. Em finais de 2022 tínhamos o álbum praticamente pronto a nível instrumental e com as clicktracks concluídas. À semelhança dos álbuns anteriores, o Costa começou a colocar a vozes.
“
(…) o novo disco é um pouco diferente e ousado, sem nunca se desviar do estilo e da matriz original de death metal progressivo da banda (…)
António Gião
No início de 2023 o processo de pré-produção estava finalizado e entrámos em estúdio para gravar em meados desse ano. O facto de as captações e gravações terem acontecido entre 2023 e 2024 foi uma mera questão de agenda, tanto da banda, como dos estúdios e do produtor Fernando Matias. A questão da complexidade e orientação musical do novo material foi natural, propositado e assumido pela própria banda desde o início da composição, e não teve influência para o longo período da produção do disco em si.
Neste álbum a melodia faz-se mais presente, por exemplo com a presença destacada do piano em «Dreaming V (Lazarus Syndrome)», Resistance – The Age of Digital Apocalypse», «In Every Dawn», e passagens frequentes com guitarras e vozes limpas (num registo quase narrado, por vezes). A amplitude musical que imprimiram a este trabalho foi propositada, no sentido de quererem expandir-se musicalmente, ou a orientação estilística que ouvimos na generalidade dos temas é apenas o resultado natural do vosso amadurecimento?
AG – Sim, tanto a nível lírico como musical este é um álbum conceptual, mais melódico do que os anteriores, mais groovy, com ambientes dark e espaciais, no qual a ideia é fazer o ouvinte viajar
numa odisseia sónica.
As partes vocais estão um pouco diferentes dos álbuns anteriores, com muitas partes clean sim. Em suma, tanto a nível instrumental como vocal este disco é um pouco diferente e ousado, sem nunca se desviar do estilo e da matriz original de death metal progressivo que a banda adotou desde “Vast”, em 1995. Neste álbum quisemos regressar um pouco à fórmula dos dois primeiros discos. Enveredámos por uma abordagem mais experimental e jazzy, com muitas dissonâncias e harmonias entre guitarra, baixo e teclados, misturadas com partes melódicas e linhas de baixo groovy, e apostámos menos na fórmula do disco anterior (“The Trinity Threshold”), onde introduzimos um conceito mais óbvio e clássico de canção (verso-refrão-verso).
Os trabalhos de gravação, produção e mistura tiveram à frente o Fernando Matias, o Bruno Xisto e a banda, tendose realizado nos Black Sheep Studios e no The Pentagon Audio Manufacturers. O Miguel Tereso encarregou-se da masterização nos Demigod Studios. Sentiram que apenas conjugando os serviços destes profissionais e os equipamentos dos estúdios mencionados teriam garantias de obter a dimensão sonora (e até mesmo a aura) que este álbum exigia?
“ Este álbum foi concebido como um local de tensão e revelação, não como um percurso guiado.
José Costa
anteriores. O conhecimento que ele tinha da nossa sonoridade e o seu profissionalismo foram essenciais para continuar a trabalhar com ele.
As gravações de bateria decorreram no Black Sheep Studios em Mem Martins com o Fernando Matias porque esse estúdio nos dava mais garantias acústicas em termos de captação do instrumento, devido ás características da sala. Depois, as gravações das guitarras, baixo, teclados e voz, e, finalmente as misturas finais, decorreram no The Pentagon Audio Manufacturers, igualmente com o Fernando Matias, finalizando o processo de gravação e mistura.
lhe propusemos. Ficou um álbum com um som global muito oldschool a nível de masterização, o que contribuiu bastante para a orgânica do disco.
Zé, num post recente no Facebook dizias que, em 2025, com os Disaffected tinhas mergulhado “num processo criativo intenso e transformador”, sublinhando o facto de o novo álbum ser mais do que um disco, mas “uma visão.” Que José Costa saiu desse processo criativo?
AG – Sim, o álbum foi gravado, produzido e masterizado em três locais diferentes. Tivemos essa ideia logo no final da composição. O produtor Fernando Matias já produzira os dois álbuns
A ideia de entregar a masterização do álbum ao Miguel Tereso surgiu logo na fase da composição do álbum. O Miguel tem uma grande experiência e qualidade de trabalho ao nível de masterização e o resultado final foi completamente satisfatório em relação à ideia que
JC - Saiu um José Costa mais depurado, mais consciente do que realmente importa quando se cria. Esse processo foi transformador porque deixou de ser apenas um exercício artístico e passou a ser um processo de alinhamento interior. Criar este álbum obrigoume a abrandar, a escutar mais e a questionar não só a música, mas a intenção por detrás dela. Percebi que este trabalho não podia ser reduzido a um conjunto de temas ou a uma estética sonora. Tinha de se assumir como uma visão, no sentido mais profundo da palavra: uma forma de observar a relação entre o humano, o espiritual e o tecnológico, mas também uma forma de me observar a mim próprio dentro dessa equação. Saí desse processo mais comprometido com a coerência entre pensamento, emoção e expressão.Houve um desapego consciente de fórmulas, de expectativas e até de versões anteriores de mim, mesmo enquanto criador. O José Costa que emerge deste álbum é alguém que aceita a dúvida como parte essencial da criação e entende a música como um espaço de questionamento contínuo.
Ouvir este álbum leva-nos numa dicotómica viagem de contemplação/reflexão interior e de análise crítica exterior. É assim, pelo menos, que me sinto ao ouvir as diferentes texturas sonoras que “Spiritual Humanized Technology” nos entrega e ao assimilar as letras. Era vossa intenção, de
alguma forma, induzir os ouvintes a mergulhar neste estado de espírito?
JC - Sim, essa viagem dicotómica está no centro da visão do álbum. “Spiritual Humanized Technology” foi concebido como um local de tensão e revelação, não como um percurso guiado. Não queríamos conduzir o ouvinte, mas colocá-lo num ponto de instabilidade onde a contemplação interior e a análise crítica exterior coexistem e se confrontam. As diferentes texturas sonoras funcionam como estados de consciência. Há momentos que convidam ao recolhimento, quase à introspeção silenciosa, e outros que irrompem como forças externas, intrusivas, exigindo posicionamento e reação. Essa alternância reflete a condição contemporânea do indivíduo: permanentemente dividido entre a necessidade de sentido interior e a pressão constante de um mundo hiperestruturado, tecnológico e normativo. As letras pretendem evocar esse conflito. São fragmentos, sinais, símbolos que dialogam com a música para criar um espaço onde o ouvinte se torna parte ativa da obra. Nesse sentido, o álbum não se completa sem essa imersão — ele só ganha significado pleno quando alguém aceita habitar esse estado de suspensão entre o “dentro” e o “fora”. Se o ouvinte sentir que é levado a esse lugar, então o álbum cumpriu a sua função. Não como narrativa fechada, mas como uma experiência. Mais do que induzir um estado de espírito específico, quisemos abrir um portal onde cada um confronta o seu próprio equilíbrio (ou desequilíbrio) entre consciência interior e realidade exterior.
Zé, o teu registo vocal apresenta neste disco algumas mudanças comparativamente aos discos anteriores. Aqui encontras diversas opções, que passam, por vezes no mesmo tema, pela declamação até quase ao spoken-word, passando pelo teu registo tradicional (menos
frequentemente) e algumas partes mais cantadas («Soul and Words», «In Silence Deep» ou «The Stream We Abide»). Chegar as estas soluções em termos vocais (e conjugá-las) foi intuitivo ou tiveste de fazer várias experiências?
JC - Foi um processo que começou de forma muito intuitiva, mas que rapidamente se transformou num campo de experimentação consciente. Desde o início senti que o registo vocal tradicional, tal como vinha a usá-lo nos discos anteriores, não era suficiente para servir a visão de “Spiritual Humanized Technology”. Este álbum exigia outra relação com a voz — menos uniforme, mais fragmentada, mais humana. A declamação e o quase spokenword surgiram naturalmente, porque havia textos que pediam presença e intenção, mais do que agressividade ou projeção. Em alguns momentos, a voz precisava de funcionar quase como pensamento audível, como consciência em fluxo, em vez de mais um elemento rítmico ou extremo. Noutros, fez sentido regressar ao registo tradicional, mas de forma mais contida e pontual, precisamente para que tivesse peso quando surgia. As partes mais cantadas foram uma extensão desse processo. Não apareceram por vontade de variar, mas porque determinadas emoções e ideias só se completavam quando a voz assumia uma dimensão mais melódica e exposta. Faixas como “Soul and Words”, “In Silence Deep” ou “The Stream We Abide” pediam essa vulnerabilidade. No fundo, foi uma conjugação de intuição e experiência. Houve espaço para testar, errar, ajustar e, acima de tudo, ouvir o que cada tema pedia. A voz deixou de ser apenas um veículo de força para se tornar um instrumento narrativo, capaz de habitar diferentes estados — contemplação, conflito, silêncio e revelação. E isso acabou por redefinir a forma como me vejo enquanto vocalista nos Disaffected.
A recetividade ao álbum tem sido bastante positiva, quer em Portugal quer fora de portas. O que se segue agora no plano promocional e de concertos/ eventuais digressões? AG – Sim, a reação das pessoas ao novo álbum tem sido muito boa, tanto a nível nacional como internacional. É claro que há sempre fãs que dizem que o novo álbum deveria seguir a linha do “The Trinity Threshold” e outros que adoram este regresso à fórmula antiga, mas nós estamos muitos satisfeitos com o resultado final. A nível de espetáculos, vamos continuar a promoção do álbum durante este ano e já estamos a marcar concertos e agendar presenças em festivais. Possivelmente faremos uma tour. Irá também ser muito positiva para a promoção deste disco a reedição, em fevereiro, da versão em vinil do “Vast”, que comemora 30 anos. As nossas editoras Larvae Records e Firecum Records fizeram um excelente trabalho, devo dizer. Esta reedição será muito positiva, porque fará com que um álbum ajude o outro na promoção. No fundo, é mais um motivo de interesse para que as pessoas nos vejam ao vivo.
Há algum mercado especialmente apetecível para a banda, no qual sintam que as vendas de discos, bilhetes e merchandise pode ser quantitativamente interessante? AG - O mercado a nível musical hoje em dia está um pouco dividido no mundo, tanto a nível de venda de discos como de merchandise, devido às tarifas norte-americanas. Isto leva a que, por exemplo, os CTT se neguem a enviar encomendas para os Estados Unidos, o que é negativo tanto para os nossos fãs norteamericanos como para nós. Mas, no geral, excetuando o mercado norte-americano, direi que o mercado nacional, o europeu em geral e também algum asiático, têm sido muito positivos para nós no campo das vendas on-line. No que respeita às vendas
“ (…) o impacto da IA depende da intenção, da consciência e do lugar que lhe damos no processo criativo.”
José Costa
nos concertos de promoção os números têm sido bons. A recetividade das pessoas que nos vão ver tem-se revelado bastante positiva, materializando-se na aquisição de merch.
E já que falamos de tecnologia, não podia terminar a entrevista sem vos perguntar qual o vosso posicionamento sobre a criação musical através da inteligência artificial. Multiplicam-se as bandas e artistas fictícios a fazer dinheiro dessa forma e mesmo no Underground os exemplos sucedem-se. É legítimo usar a IA na criação musical, mesmo que residualmente, ou mesmo assim deturpa-se a genuinidade da música?
JC - A questão da inteligência artificial na criação musical é inevitável e, de certa forma, coerente com tudo o que “Spiritual Humanized Technology” aborda. Para mim, a IA é uma ferramenta e, como todas as ferramentas, o seu impacto depende da intenção, da consciência e do lugar que lhe damos no processo criativo. O problema começa quando a IA deixa de ser suporte e passa
a ser substituto. Quando a criação deixa de nascer de uma experiência humana — dúvida, conflito, falha, intuição — e passa a ser um produto otimizado para consumo, então algo essencial se perde. A música sempre foi um reflexo da imperfeição humana, e é precisamente aí que reside a sua força e a sua verdade. Usar IA de forma residual, por exemplo como apoio técnico e na investigação de temáticas e assuntos, não me parece ilegítimo se existir uma visão humana clara por detrás. O que considero problemático é a delegação da intenção artística a um sistema que não vive, não sente, não questiona e não assume consequências. Nesse ponto, a música deixa de ser expressão para se tornar simulação. No underground, onde a criação sempre foi um ato de resistência e identidade, este aspeto tornase ainda mais sensível. Quando surgem bandas ou projetos fictícios a gerar lucro sem vivência, sem risco e sem percurso, estamos a inverter valores fundamentais: a máquina passa a criar e o humano a consumir passivamente. Por isso, a questão não é se a IA é legítima ou não. A verdadeira pergunta é quem está no centro do processo. Se for o Homem, consciente e responsável, a tecnologia pode servir a visão deste; se for a Máquina, então estamos apenas a assistir a mais uma forma de esvaziamento da música enquanto linguagem humana. E isso, para mim, é incompatível com aquilo que a música sempre representou.
Tendo em conta a realidade da produção musical com recurso à IA, que futuro anteveem para a música feita por humanos? A coexistência entre músicos e chabots é possível (e quiçá desejável?) ou ambos virão a excluir-se mutuamente, com um prejuízo maior para os músicos de carne e osso?
JC - Acredito que a música feita por humanos não vai desaparecer, mas vai ser colocada à prova. A
IA vai ocupar um espaço cada vez maior na produção musical de forma funcional, previsível e orientada para consumo rápido. Isso é quase inevitável. Mas esse tipo de música nunca foi, nem será, o centro da experiência artística humana. A coexistência é possível, mas não se pode ser neutra. A coexistência com a IA só faz sentido se houver uma distinção clara entre criação e simulação. Chatbots e sistemas de IA podem gerar estruturas, estilos e superfícies sonoras, mas não conseguem gerar vivência, intenção ou risco. A música feita por humanos continuará a existir precisamente nesses territórios: na falha, na imperfeição, na dúvida, no conflito e na necessidade de expressão. O verdadeiro perigo, creio, é a confusão relativa à troca de papéis. Quando se apresenta como arte aquilo que é apenas replicação estatística, cria-se um ruído que prejudica sobretudo os músicos de carne e osso, que trabalham a partir de experiências reais e irrepetíveis. Se tudo for nivelado, perde-se a capacidade de reconhecer o que é humano. Este cenário pode tornar a música humana ainda mais relevante. Valorizar mais a criação humana, pois num mundo saturado de conteúdos gerados por máquinas, a autenticidade, a presença e a intenção tornam-se valores raros. A música feita por humanos terá de se afirmar menos pela quantidade e mais pela verdade que ransporta. O futuro, para mim, não passa pela exclusão da tecnologia, mas pela reafirmação do humano no centro do processo criativo. Se falharmos nisto, podemos perder a capacidade de nos reconhecermos na música, que passa a ser mais um ruído de fundo.
Nota: Esta entrevista foi realizada antes da substituição do guitarrista Bruno Vicente pelo regressado Sérgio Paulo, fundador da banda.
Descobri que sou poliamorosa musical!!!
Se eu vos disser que eu, filha dos anos 80 e “teenager inconsciente” dos 90s, não tenho uma banda favorita, vocês acreditam? Pois podem acreditar porque é a mais pura verdade!
Muito recentemente cheguei à conclusão que não consigo destacar nenhuma banda como a minha favorita, contrariamente, por exemplo, ao meu irmão. Temos menos de 2 anos de diferença e começámos a ouvir música exactamente na mesma altura - ali por volta de 93, e assim que ele descobriu os Nirvana, nunca mais os largou. Mais de três décadas passadas, ele continua a achar Nirvana a melhor banda do mundo e o «In Utero» o melhor disco do mundo. Acredito que com a maioria do pessoal do rock e do metal o mesmo tenha acontecido - encontraram algures na adolescência aquela banda com a qual criaram uma relação afectiva “monogâmica” que perdura até hoje e continuará a perdurar.
Comigo não aconteceu bem assim! Por volta dos 12 anos, três bandas não só abriram as portas do mundo do rock, como esculpiram a minha heterossexualidade - Guns N’ Roses, Bon Jovi e Aerosmith.
A banda sonora da minha vida acontecia ao som dos solos imortais dos eternos Slash, Joe Perry e Richie Sambora, dos vozeirões do Axl Rose e do Steven Tyler, e o coraçãozinho da jovenzinha que outrora fui batia pelos lindos olhos azuis do Jon Bon Jovi no videoclip da “Always”.
Durante alguns anos convenci-me que era uma Gunner, mas, na realidade, a minha relação afectiva com as três era semelhante, ou não estivessem todas em óptima forma na primeira metade da década, apesar do repentino eclipse dos Guns que nos deixou a todos órfãos.
A minha orfandade foi preenchida, entre os 15 e 18 anos, pelo furacão Marilyn Manson que foi o trampolim para a exploração de estéticas mais negras e subversivas (ainda que a sua parceria com Trent Reznor nunca tenha contribuído para me tornasse fã de Nine Inch Nails). Das muitas formas de viver a rebeldia dos verdes anos, a minha consistia em ouvir ad nauseum «The Antichrist Superstar» e «Mechanical Animals» e ter um poster gigante na parede do quarto que os meus pais repudiavam profundamente!
Assim que entrei nos 20s, mergulhei nas female fronted metal bands (não mostrem este texto à Tatiana Shmayluk, se não ela dá-me uma coça por usar esta designação), a que de forma muito genérica eu chamava metal gótico até aprimorar o conhecimento e descobrir o metal sinfónico, o gothic/doom, o power metal e por aí fora. Nesta altura, já na faculdade, apresentaram-me quatro
The girl with the kaleidoscope eyes
Por: Gabriela Teixeira - mixcloud.com/Submundo
bandas que mudaram a minha forma de ver a mulher no mundo da música - Lacuna Coil, Theatre of Tragedy, Within Temptation e Nightwish. Quatro sereias pelas quais me encantei - Liv Kristine era um anjo; Cristina Scabbia transbordava de sensualidade na voz e na presença; Sharon den Adel era uma figura celestial, toda vestida de branco, que nos tocava a alma com cada palavra cantada no seu maravilhoso timbre de mezzo-soprano e, por fim, Tarja Turunen, a grande responsável por durante alguns anos eu considerar Nightwish como a minha banda favorita. Para mim, Tarja era o equilíbrio ideal entre a beleza e delicadeza feminina com uma voz operática extraordinária em perfeito concílio com os arranjos orquestrais bombásticos de Tuomas Halopainen, na tríade «Oceanborn», «Wishmaster» e «Century Child».
De facto, os 20s foram a década em que me especializei nos vários subgéneros de metal, com destaque para as fases obsessivas de Thrash e de Folk metal, mas sempre com a Tarja a ocupar o lugar da minha voz feminina favorita e a fazer-me sempre companhia.
Quando dei por mim já tinha 30 anos, mas o espírito continuava jovem e cheio de vontade de conhecer coisas - música inclusive, no entanto, a maior parte desta década foi passada a revisitar o passado, aquelas bandas e cantores mais velhos que eu nunca tive tempo ou vontade de explorar, e de onde surgiu um amor maduro, que se tornou incondicional: os Beatles.
Assumo que desde sempre tive algum preconceito com os Fab Four por puro desconhecimento da sua carreira, limitando-me a reduzi-los a musiquinhas com versos do estilo “She loves you, yeah, yeah, yeah”, ignorando por completo que, aqueles quatro penteadinhos que levavam as raparigas a esgotar o stock de Mebocaína por onde quer que passassem, começaram a consumir uns cigarrinhos de artista e outras substâncias que tais e nos deixaram algumas obras-primas entre 1965 e 1970, cujo desconhecimento devia ser punível com pena de prisão. Quantas bandas lançam em 5 anos 7 discos que se tornaram absolutos clássicos? Nenhuma que eu conheça! Quatro músicos individualmente muito talentosos que se uniram para fazer magia e lançar alicerces musicaisvejamos o exemplo da “Helter Skelter”: Paul McCartney lançou uma pedra fundadora do Punk, ao criar uma música tão distorcida, caótica e berrada nesse longínquo ano de 1968. Não é à toa que muitos dos nossos ídolos do heavy metal veneram Beatles, como era o caso do Peter Steele. Eu adoro esta fase de mudança estética sonora e visual da
banda, onde percorrem caminhos de experimentação de sons e substâncias psicadélicas, de onde destaco «Rubber Soul», a marca dessa transição, como o meu disco favorito, seguido muito de perto do quase, quase perfeito «Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band»
Para além do quarteto de Liverpool, também ouvi muito Led Zeppelin, Janis Joplin, David Bowie, Nick Cave, Leonard Cohen, com direito a uma breve passagem pelo universo da Chanson Française por sentir uma forte necessidade de colmatar umas quantas lacunas musicais.
O heavy metal é um espectro muito amplo e absorvente do qual sinto que preciso me afastar, de quando em quando, para depois regressar. A minha única certeza, no que à música diz respeito, é que eu regresso sempre aos braços do heavy metal.
No momento que escrevo este texto tenho 43 anos e a minha actual paixão musical avassaladora recai sobre os Rival Sons (na última edição da Versus, a minha playlist foi totalmente dedicada a eles). A banda de Jay Buchanan & Cia, que para mim é a melhor voz da actualidade no mundo do rock, entrou no ano passado na minha vida, no dia em que vi em stream o concerto de despedida dos
Black Sabbath. O primeiro a ouvir os discos da banda foi o meu irmão, mas assim que segui o seu conselho e ouvi «Darkfighter», só descansei quando ouvi a discografia toda. Há muito que uma banda não me entrava assim, que som brutal! Uma mistura de rock e blues, uma vibe dos anos 70, mas ao mesmo tempo actual e depois as letras que me apoiaram num dos momentos mais importantes da minha vida.
As viagens de autocarro para ter aulas de mobilidade e orientação, vulgo tirar a carta de bengala branca, foram feitas religiosamente ao som de Rival Sons, onde encontrei o amparo que me serenou as emoções. Sempre que pego na minha bengala, que dá pelo bonito nome de Janis - em homenagem à sua alteza Joplin, vem-me de imediato à cabeça umas várias músicas dos Rival Sons. Abreviando a questão: estas bandas foram entrando na minha vida em momentos muito distintos e, como há um fosso colossal entre a pessoa que sou hoje e a adolescente que outrora fui, acabei por guardá-las num lugar muito especial no meu coração, sem nunca conseguir eleger a favorita de entre as favoritas.
E agora era giro saber se há mais leitores da Versus Magazine que também partilhem do mesmo diagnóstico que eu - poliamorosos musicais, onde andam vossas mercês?
…E das cinzas se fizeram diamantes
Se for para gravar mais álbuns como o recém-editado “Veil of Ashes”, os Morbid Death podem morrer e ressuscitar mais vezes, quais gatos das profundezas infernais. Fortíssimo candidato a disco nacional do ano, o quinto longa-duração dos ponta-delgadenses mostranos uma banda renovada a todos os níveis e no pico da sua forma, à beira de comemorar 36 anos. Com vários fins anunciados, ainda não foi desta que o quarteto entrou caixão adentro. Ricardo Santos, fundador e líder, explicounos tudo sobre o atual momento dos Morbid Death.
No final de 2024 foi anunciado o fim dos Morbid Death num concerto intitulado “The Final Chapter”, realizado a 25 de janeiro de 2025, mas apenas os Tvmvlo subiram ao palco. Semanas depois, recuaste na decisão e anunciaste a continuidade do grupo, agora com uma nova formação. O que é que motivou estas decisões? Ricardo Santos - É Verdade. Um dos antigos membros do grupo contraiu uma lesão que o impossibilitou de marcar presença no evento e, consequentemente, de atuarmos. Apenas os Tvmvlo tocaram. Bom, na prática, a banda nunca chegou a “fechar portas”, mas estava tudo em marcha para que o fim da nossa carreira fosse consumado. Muita gente falou comigo, aconselhando-me a voltar atrás na decisão. Após o evento refleti alguns dias sobre o assunto e pensei que rumo seguir. Cheguei à conclusão que aquele não era o momento para terminar com os Morbid Death, encarando como se de um sinal “divino” se tratasse o facto de não termos subido ao palco nesse dia. Se o tivéssemos feito, não haveria volta a dar.
A decisão de prosseguires com a banda foi muito rápida, bem como o recrutamento dos novos elementos, que são músicos bastante experientes. Que
Entrevista: Dico
Critérios estiveram subjacentes à seleção destes músicos?
Quando mostrei aos ex-membros a minha vontade de continuar, eles optaram por não me acompanhar neste novo renascer. Rapidamente tomei o leme do navio e alguns nomes surgiram, de forma natural. Queria recrutar pessoas com espírito metaleiro, que vivessem e sentissem nas veias o Heavy Metal, mas simultaneamente que fossem humildes e trabalhadoras. Sempre foram estes os princípios desta banda. Portanto, não levou muito tempo a completar a formação. Foram excelentes escolhas.
Sem dúvida. Tendo a continuidade dos Morbid Death sido anunciada apenas 13 meses antes de “Veil of Ashes” ser editado, imagino que a composição dos oito temas que nele ouvimos tenha sido bastante orgânica e espontânea, pois é assim que soam. Como decorreu o processo de composição? Tivemos um ano bastante cansativo, mas muito prolífico, gratificante e enriquecedor, pelo que estamos muito orgulhosos. Trabalhámos como uma verdadeira equipa, com todos a participarem na construção dos temas.
Todas as ideias foram tidas em consideração, por mais simples que fossem. Conforme ensaiávamos, gravávamos demos. Após várias
escutas, e com o aval de todos, as demos foram enviadas ao nosso produtor, para que quando entrássemos em estúdio tudo já estivesse encaminhado.
Neste quinto longa-duração apresentam-nos uma sonoridade que nos remete às vossas origens, fazendo um cruzamento entre o Thrash e o Death Metal clássicos, embora numa abordagem moderna. Os temas são brutos e agressivos mas extremamente melódicos, enquanto a produção é crua, mas nítida. Esta era a orientação musical que já ambicionavas conferir aos Morbid Death antes do fim anunciado ou aconteceu naturalmente?
Quando optei por dar continuidade à banda, e como único membro fundador na formação, decidi que o rumo a tomar seria recuperar o ADN há muito perdido, recuperando a sonoridade praticada nas demos do início de carreira. Isso era ponto assente! Até o logótipo antigo foi recuperado. Portanto, era algo que já ambicionava. Regressámos às origens, quer em termos de método de trabalho, quer ao nível da sonoridade. É tão bom voltar a sentir os “amps” a “rasgar” com dois guitarristas de carne e osso!!! Tudo soa muito mais orgânico.
“ É tão bom voltar a sentir os ‘amps’ a ‘rasgar’ com dois guitarristas de carne e osso!!!
Liricamente, que temas te são mais caros neste álbum e porquê?
Não há nenhum que se evidencie, até porque todos estão como que interligados. O disco fala do homem como sendo o ser vivo mais inteligente à face da Terra, mas que, por outro lado, é aquele que mais destrói, em todos os aspetos. O mundo encontra-se, cada vez mais, coberto por um véu de cinzas. Vivemos tempos estranhos.
O disco foi gravado, misturado e masterizado em Ponta Delgada, no StepKeys Studio, tendo a banda assumido um papel importante no processo, nomeadamente em termos de produção. Como é que decorreram os trabalhos?
Com a entrega das demos ao Stepan Kobyakin, todo o processo foi agilizado - ele sabia o que pretendíamos e assimilou totalmente os nossos objetivos. Tivemos em conta algumas ideias dele e incluímo-las. Foi um trabalho feito sem pressões e com alguns shots de Fireball à mistura. [risos] Ficámos muito satisfeitos com o resultado.
Através da Firecum Records e do Museu do Heavy Metal Açoriano (MHMA) encontraram a parceria ideal para lançar este trabalho, até pela participação do Pedro Junqueiro (Firecum) na Audiowax, empresa que fabricou os discos. Como se estabeleceu esta jointventure?
Se não tentarmos, o “não” está sempre garantido, pelo que resolvi perguntar ao Pedro se estaria interessado em editar o nosso novo trabalho (aliás, eu já trabalhara com a Firecum). O “sim” foi imediato e o mais curioso é que ele julgava que a banda já não existia há muito. Quanto ao MHMA, foi a parceria ideal, ou não tivesse o Mário Lino [fundador do MHMA] visto a banda nascer, crescer e amadurecer.
Julgo ter lido algures que “Veil of Ashes” é o primeiro álbum de uma banda açoriana de Metal a conhecer edição em vinil. Estou enganado?
Creio ser verdade, sim, e tal só foi possível com a enorme vontade do MHMA. Já é o segundo vinil que o Museu edita, sendo o primeiro o “Azores & Metal Vol. IV”, mas no que respeita a LPs de um só grupo de Metal, creio que somos os primeiros a editar neste formato nos Açores.
Os Morbid Death Já começaram a dar espetáculos promocionais ao novo disco e a atuação no Lamaecum, em Lamego, é um exemplo. No que respeita a concertos o que poderemos esperar de vós numa altura em que começam a tocar regulamente no Continente (a atuação em Lamego foi a terceira num espaço de três anos, mais ou menos)?
Um dos aspetos de que falei com o João [Raposo, guitarrista], o Pedro [Sousa, baterista] e o Hélder [Pinheiro, guitarrista] era que fizéssemos o possível para sairmos daqui mais regularmente. Ficarmos nos Açores, longe de onde tudo acontece, é muito frustrante, ainda para mais com um novo álbum nas mãos. Dentro das nossas
possibilidades, vamos entrando em contacto com organizadores de eventos em todo o território nacional. Já conseguimos sair daqui algumas vezes, mas, como este álbum, espero que mais portas se abram.
Aliás, durante muitos anos os Morbid Death não atuaram no Continente. O que mudou, orçamental e logisticamente, para poderem agora mostrar o vosso valor de forma regular fora dos palcos açorianos?
A vontade! O querer! Viver nas ilhas tem aspetos positivos e outros nem tanto. Temos de contornar os obstáculos e fazer acontecer. Esta resiliência torna tudo mais desafiante e confere a cada passo em frente um saber especial ― o da conquista! Tocamos para nos divertirmos, ao mesmo tempo que divertimos outras pessoas. O nosso objetivo é dar aos fãs a possibilidade de nos verem sempre que possível.
O álbum já se encontra disponível em CD e vinil, bem como nas diversas plataformas de streaming. Planeiam fazer algum pack limitado e especial, eventualmente com extras? Temos alguns packs disponíveis com o merchandise, embora um ou outro quase esgotado. Por exemplo, restam pouquíssimos exemplares do vinil colorido em Marble Green, o que nos deixa muito satisfeitos. A procura tem sido satisfatória.
Está em cima da mesa algum licenciamento para o estrangeiro?
Até ao momento não, mas de um momento para o outro as coisas podem mudar. Se tal suceder, temos de analisar muito bem as propostas. Embora já estejamos quase a celebrar o nosso 36º aniversário, ainda há muito para conquistarmos.
Sem lugar à indulgência
Moldados por duas almas gémeas infernais que partilham da mesma visão artística, os Nekromatics apresentam-nos em “Place of Indulgence” um álbum de estreia musicalmente rico na sua fusão Black/Metal e que nos deixa as melhores perspetivas para os espetáculos atualmente em preparação. Sobre esta promissora estreia falámos com Melek Taus (guitarra) e Melkor (voz, baixo, orquestrações) e ainda ficámos a saber que o segundo álbum já está quase, quase pronto.
Entrevista: Dico
Melek, os Nekromatics partiram de ti, mas cedo te fizeste acompanhar do Melkor para levar o projeto adiante. Como decidiste ser ele o parceiro ideal com quem trabalhar?
Melek Taus (MT) - A génese/matriz, como lhe quiseres chamar, partiu de mim, sim, mas a identidade dos Nekromatics nasceu de mim e do Melkor. Há exatamente um ano tinha apenas uma pré-produção daquele que viria a ser o primeiro tema dos Nekromatics. Numa feliz coincidência, eu e o Melkor cruzámo-nos no Oeste Underground Fest e a partir daí que tudo começou a desenrolar-se.
A propósito de projeto, desde o início que entendes Nekromatics como uma banda ou, numa primeira instância, idealizavas esta entidade como um projeto, que apenas mais tarde evoluiria para o conceito de banda? Pergunto-te isto porque já enfatizaste algures que os Nekromatics são uma banda constituída por ti e pelo Melkor, sendo que apenas vocês os dois compõem.
MT - Quando idealizei Nekromatics era apenas um one-man project, até porque, à data, ainda militava nos Ruttenskalle. Com a minha saída, fiquei totalmente livre para me dedicar ao que realmente gostava de fazer. Assim que o
Melkor aceitou entrar no projeto comigo, Nekromatics transformouse automaticamente numa banda. Relativamente à composição propriamente dita, sim, apenas eu e o Melkor dirigimos esta peça de teatro. Talvez pela experiência adquirida em projetos anteriores, cheguei à brilhante conclusão de que, quanto menos cabeças pensantes e menos egos existirem no momento de definir um projeto, melhor.
Era teu intuito enveredar por esta direção musical - Symphonic Death/Black Metal - ou foi a própria música que te conduziu nesse rumo?
MT - Sim, era meu intuito enveredar por este caminho. Foi tudo feito e decidido ao pormenor para que os Nekromatics enveredassem pelos trilhos do Symphonic Death/Black. Nada foi feito ao acaso; talvez seja essa a razão pela qual não permitimos opiniões exteriores à banda no que toca à composição, porque, na minha opinião, isso acabaria por a descaracterizar.
Corrijam-me se estiver enganado, mas julgo que a apresentação da banda ao mundo se fez inicialmente através de versões, em vídeo, de temas de bandas clássicas que, de alguma forma,
vos influenciaram, neste caso os Mötley Crüe, Twisted Sister e W.A.S.P. Foi uma estratégia promocional ponderada ou simplesmente as ideias evoluíram nesse sentido?
MT - Na verdade, a apresentação dos Nekromatics ao mundo não começou com as versões, mas com os três primeiros singles originais que lançámos. Foi através deles que definimos a identidade da banda e mostrámos ao público aquilo que realmente estávamos a construir. Para primeiro single escolhemos “Overkill Boulevard” porque condensa bem o espírito do álbum, tem aquela mistura de decadência urbana, violência estilizada e uma aura quase cinematográfica. É um tema direto, visual, fácil de absorver e, ao mesmo tempo, carregado daquela escuridão que nos define. A nossa estreia foi feita com material original porque queríamos que a primeira impressão fosse inequívoca: este é o som dos Nekromatics, esta é a nossa atmosfera, este é o mundo em que a banda existe. As covers surgiram mais tarde, quase como uma ponte. Enquanto esperávamos que os CDs chegassem da fábrica - e quem já passou por esse processo sabe como a espera pode parecer interminável - decidimos manter o interesse vivo e, ao mesmo tempo,
“
(…) quanto menos cabeças pensantes e menos egos existirem no momento de definir um projeto, melhor.
Melek Taus
Passámos horas e dias ao telefone, no WhatsApp, seja o que for, a rever detalhes, a fazer audiçõess, a experimentar ideias que acabaram por não ficar, etc.
prestar homenagem a algumas bandas clássicas que fizeram parte da nossa formação musical. Mötley Crüe, Twisted Sister e W.A.S.P. não são influências diretas no som dos Nekromatics, mas representam aquela energia crua e teatral que sempre admirámos. Não foi uma estratégia promocional calculada ao detalhe. Foi algo espontâneo: tínhamos tempo, tínhamos vontade, e queríamos oferecer algo ao quem já nos seguia. No fim, acabou por funcionar como uma forma curiosa de mostrar outra faceta da banda, mais descontraída, mas ainda assim envolta na mesma estética sombria que define os Nekromatics.
A contribuição do Melkor para o resultado foi determinante, não só como teu parceiro de composição, mas também a nível dos arranjos, orquestrações, escrita das letras e trabalho de estúdio. Tendo vocês trabalhado à distância, de que forma geriram o processo? MT - Sempre em constante contacto e sintonia. Todos os pormenores foram discutidos.
Este é um álbum muito equilibrado, não só em termos de influências, mas também da variação entre registos e tempos. Há brutalidade, mas também encontramos aqui melodia. Aliás, quem conhece o trabalho que desenvolvem noutras bandas identifica logo aqui o ADN musical de cada um de vós, não só em termos de execução, mas também de composição. Ainda na sequência da pergunta anterior, o equilíbrio de que eu falava foi planeado ou surgiu espontaneamente?
MT/Melkor - O equilíbrio surge invariavelmente com a intuição de cada um de nós e, por feliz acaso, fizemos um match perfeito, porque somos imensamente parecidos, tanto na forma de trabalhar, como na imensa vontade de ter tudo pronto “para ontem” e isso faz toda diferença. Somos autênticas máquinas de guerra. [risos] O equilíbrio que se ouve em “Place of Indulgence” é uma consequência natural da forma como funcionamos enquanto entidade criativa. Cada tema nasce de impulsos diferentes, e quando começámos a construir o álbum percebemos que havia uma tensão constante entre brutalidade e melodia, entre caos e atmosfera. Em vez de forçar
uma direção, deixámos que a própria música ditasse o caminho. A agressividade vem de forma instintiva, mas as partes mais melódicas e atmosféricas surgem com a mesma naturalidade, quase como se fossem a respiração necessária entre os momentos mais intensos. À medida que as composições evoluíam, o álbum começou a ganhar uma identidade própria, e o equilíbrio entre registos acabou por se tornar uma característica central do disco. Quem conhece o nosso trabalho noutras bandas reconhece certos traços, claro, isso é inevitável, mas nos Nekromatics tudo se mistura de forma diferente. Aqui, cada contributo é filtrado pela estética e pela visão do projeto, e o resultado acaba por ser algo que nenhum de nós conseguiria criar sozinho. O equilíbrio não foi imposto - foi revelado.
Melkor, deparaste-te com algum desafio em concreto na altura de produzir, misturar e masterizar? Melkor - Para mim, o maior desafio na produção, mistura e masterização deste álbum foi mesmo lidar com a quantidade de camadas que cada tema carrega. Trabalhar com tantas pistas e garantir que tudo encontra o seu espaço, sem perder peso, clareza ou atmosfera, é sempre um processo exigente. Há muitos elementos a competir entre si, e o objetivo é que nada se perca e tudo contribua para a identidade do tema. Talvez a parte mais complicada tenha sido a escolha dos sons das teclas. Queria que as atmosferas fossem grandiosas e sombrias, mas sem abafarem o resto da instrumentação. Encontrar esse equilíbrio levou tempo, experimentação e alguma teimosia. Quanto às guitarras do Melek Taus, segui sempre as indicações dele. Ele tem uma visão muito específica para o timbre e para a forma como as guitarras devem cortar na mistura, e foi importante respeitar isso para manter a identidade de Nekromatics. No fim, tudo se alinhou e o resultado
reflete exatamente aquilo que queríamos: um som pesado, claro e envolvente, em que cada detalhe tem o seu lugar.
O tema escolhido para o videoclip oficial foi “Shadows Await Behind the Walls”. Aliás, se eu fizesse parte da banda a minha escolha recairia precisamente sobre ele. Esta foi uma opção intuitiva para vocês ou tiveram dúvidas sobre que tema a escolher?
MT/Melkor - Não houve qualquer dúvida na escolha de “Shadows Await Behind the Walls” para o videoclip oficial. Sentimos desde o início que este tema reunia tudo aquilo que define Nekromatics: a história forte, a letra carregada de tensão e paranoia, o ambiente quase cinematográfico e a envolvência sombria que atravessa todo o álbum. Era o tema que melhor traduzia a sensação de perseguição, claustrofobia e presença invisível que queríamos transportar para o formato visual. Além disso, a música tem uma dinâmica que se presta naturalmente à narrativa, começa com aquela inquietação crescente, evolui para momentos de confronto e termina num clima de inevitabilidade que encaixa perfeitamente no tipo de estética que queríamos explorar. Foi uma escolha intuitiva, quase automática. Assim que o álbum ficou fechado, percebemos que “Shadows Await Behind the Walls” era o tema que pedia imagem, movimento e escuridão.
No geral, o que procuram transmitir com as letras da Nekromatics? Há muitas metáforas, imagens fortes e camadas interpretativas, mas, sem entrar em temas específicos, como é que abordaram o processo de criação lírica e que tipo de atmosfera ou mensagem pretendem passar ao ouvinte? Melkor - A escrita das letras foi um processo partilhado entre os dois. As ideias iniciais, muitos dos títulos e vários dos temas partiram do Melek Taus, que é uma fonte
constante de conceitos, imagens e direções possíveis. A partir daí, eu começava a desenvolver algumas linhas, estruturava partes da narrativa ou da metáfora, e depois o texto voltava para o Melek Taus. Esse ciclo criativo permitiu que cada letra acabasse por complementar a música de forma natural, como se ambas crescessem lado a lado. No geral, o que procuramos transmitir não é uma mensagem literal, mas uma atmosfera. As letras dos Nekromatics vivem de metáforas, de imagens densas e de camadas interpretativas que remetem para obsessão, indulgência, decadência emocional e a sensação constante de haver algo a perseguir ou a consumir o protagonista. Não trabalhamos com histórias lineares; preferimos criar cenários e sensações que o ouvinte possa interpretar à sua maneira. Há letras que exploram a perda de controlo, outras que abordam a sedução do abismo ou a transformação interior. O objetivo é sempre o mesmo: amplificar a estética sonora da banda e transportar o ouvinte para o interior do universo Nekromatics, onde cada tema é uma porta para um estado mental distinto.
O álbum tem selo da Prophetical Productions. Como chegaram até eles?
MT/Melkor - Quando começámos a procurar uma editora para lançar “Place of Indulgence”, tínhamos uma lista bastante extensa de selos nacionais e internacionais que admiramos e que, de alguma forma, se enquadravam no universo da banda. Enviámos o álbum para vários deles, mas a Prophetical Productions destacou-se imediatamente pela rapidez e pela forma direta como respondeu. A abordagem da Prophetical foi exatamente aquilo que procurávamos: profissional, transparente e com uma visão que ia ao encontro daquilo que queríamos para o lançamento. Sentimos logo que havia uma sintonia natural. Perceberam o
conceito, a estética e a direção da banda sem precisarmos de grandes explicações. No fundo, a escolha acabou por ser simples. A Prophetical mostrou interesse real, disponibilidade imediata e uma compreensão clara do que os Nekromatics representam. Foi a combinação certa no momento certo.
Entretanto completaram a formação para atuar ao vivo. Falem-me sobre o processo de seleção e recrutamento dos novos elementos.
MT/Melkor - O processo de seleção é simples: é inevitável que exista algum nível técnico para poder interpretar os temas, aliado ao gosto por este género musical e, obviamente, disponibilidade e alguma flexibilidade para ensaios. Todos trabalhamos e temos família, pelo que o tempo tem de ser bem gerido. Posso adiantarte que o Manuel Barradas, dos Disaffected, é oficialmente o baterista da Nekromatics. Depois temos, na linha da frente, o Fred Brum e o Rodrigo, respetivamente. Mas, caso algum deles não esteja disponível por alguma razão, aqui o Trambalazanas e o Parranchas têm sempre um plano B. [risos]
Apesar de o álbum ainda não ter muito tempo, a composição do segundo já vai adiantada. Planeiam tocar algum dos novos temas ao vivo?
MT/Melkor - Boa pergunta. Para te sermos sinceros, ainda não sabemos. Tocaremos de certeza todos temas do “Place of Indulgence“, das novas, só em caso de necessidade, pelo menos para já. Mas o álbum está quase pronto, inclusive o booklet, título, conceito… está tudo praticamente decidido.
PALETES
Por: Carlos Filipe
Species - «Changelings» (Polónia, Technical/Progressive Thrash Metal) | O primeiro álbum do power trio polaco SPECIES, «To Find Deliverance», arrasou-nos a sua rara mistura de destreza técnica e composições pouco ortodoxas, mas altamente inspiradas. Um passo à frente em todos os aspetos, «Changelings» surpreende na sua precisão. O álbum apresenta uma sobrecarga de guerra de guitarra angular, agressão tradicional euro-thrash com uma ressonância moderna, convulsões percussivas rítmicas e linhas de baixo intrincadas. (20 Buck Spin)
Antiversum - «De Nemesis Omnes Et Omnia» (Suiça, Black/Death Metal) | ANTIVERSUM é uma entidade niilista que cria uma perturbadora e tempestuosa amálgama de black, doom e death metal, manifestando o fim do universo. ANTIVERSUM estende agora ainda mais os espaços entre o vazio, espreitando no seu interior, uma ameaça verdadeiramente inquietante. «De Nemesis Omnes et Omnia», o tão aguardado 2º LP da banda. (Amor Fati)
Hadopelagyal - «Haematophoryktos» (Alemanha, Black/Death Metal) | A inundação da morte cospe, selando gemidos de julgamento pela conquista de uma aurora negra. Desce à tranquilidade torturante, extorsão a criação sonora do abismo aberto e contemple os fogos sanguíneos com os seus olhos condenados.... Da Fossa de Mariana surge o segundo LP dos HADOPELAGYAL: «Haematophoryktos». (Amor Fati)
Penthos - «Erevos» (Grécia, Black Metal) | Os PENTHOS escolheram o daimon da dor, desespero e tristeza para o nome da sua banda. Fundada nas profundezas de Atenas em 2017, a horda tem feito justiça ao seu nome criando um black metal sinistro. Após o álbum de estreia, chegou a hora de lançar o segundo álbum. Composto por nove devaneios mergulhados numa atmosfera sombria, «Erevos» é um álbum que tem black metal tradicional escrito por todo o lado, com riffs cativantes e memoráveis. (Darkness Shall Rise)
Defigurement - «Endbryo» (EUA-Califórnia, Technical Grindcore) | Abominação experimental de death/grind, os DEFIGUREMENT englobam um elenco de amigos de longa data vindos do underground metal/música extrema; um projeto experimental de grindcore. O álbum de estreia deste coletivo devastador, «Endbryo» chega com dezasseis faixas de pura intensidade; uma criação unificada nascida do death metal de ficção científica, infiltrada por tons hiperativos de gore, grind, prog e experimentalismo. (Nefarious Industries)
Sintage - «Unbound Triumph» (Alemanha, Heavy Metal) | Os alemães SINTAGE estão prontos para lançar o seu tão aguardado novo álbum. Chama-se «Unbound Triumph» e conta com o segundo guitarrista Chili como novo membro adicional da banda. O seu antecessor «Paralyzing Chains» recebeu boas críticas, pelo que as expectativas para o novo álbum são bastante elevadas. (High Roller Records)
Barrens - «Corpse Lights» (Suécia, Post-rock) | Cinco anos de trabalho, «Corpse Lights» mostra BARRENS encontrando um equilíbrio impressionante entre luz e escuridão, beleza e brutalidade, calma e caos, enquanto estes três amigos refinam o seu formidável domínio das dinâmicas composicionais. «Corpse Lights» apresenta sintetizadores cintilantes e guitarras extensas, impulsionados por baterias e percussão emocionantes. Uma coleção densa e elegante de pós-rock impulsionada por sintetizadores. (Pelagic Records)
Ordeals - «Third Rail Prayer» (EUA-Califórnia, Black/Death/Doom Metal) | Formados em 2011, os ORDEALS são um trio de black/death metal originário de Nova Iorque. O que a banda não tem em prolificidade, supera-se mais do que habilmente em qualidade. O álbum de estreia tem o sinistro título «Third Rail Prayer». E um título tão torto encaixa no seu som como um punho de ferro forrado de veludo: black / death METAL undergorund, cheio de doenças, que exibe de forma proeminente uma multiplicidade de reviravoltas únicas. (Eternal Death)
Redshark - «Sudden Impact» (Espanha, Heavy/Speed/Power Metal) | Os REDSHARK foram fundados em 2012 em Barcelona - Espanha, por Philip Graves (guitarra) visando entregar Heavy Speed Metal Clássico e Intenso. As suas influências tradicionais do metal dos anos 80 podem iluminar o circuito da nostalgia, mas os REDSHARK carregam a tocha com grande atitude e uma composição melódica poderosa. Desde então, aperfeiçoaram o seu crunch heavy metal, speed metal gloriosamente cru, mas precisamente incisivo, escuro, cativante e viciante, mantendo-se fiéis às suas influências originais retiradas de lendas indiscutíveis do metal. (Listenable Records)
The Other - «Alienated» (Alemanha, Horror Punk) | «Alienated» marca um regresso triunfante às raízes mais sombrias e punk da banda. É um álbum de “regresso às raízes” que funde o imediatismo do seu trabalho inicial com ideias frescas nascidas da formação revitalizada da banda. Com 13 faixas de hinos assombrosos, cantorias sinistras e narrativas carregadas de horror, «Alienated» pode ser o álbum mais sombrio e poderoso dos THE OTHER até à data. (Massacre Records)
Sowulo - «Niht» (Países Baixos, Dark Nordic Folk) | Sowulo é a obra musical evocativa de Faber Horbach, que mistura a filosofia espiritual da antiga Europa do Norte com os ciclos contínuos do universo. Recorrendo a uma vasta gama de instrumentos históricos, melodias melancólicas e letras filosóficas em anglo-saxão, Sowulo cria uma paisagem sonora imersiva e interior. Entrelaçando os sons de instrumentos musicais do mundo e várias técnicas vocais tradicionais, Sowulo molda o seu distintivo som. (Season of Mist)
Drofnosura - «Ritual Of Split Tongues» (Canadá, Sludge Metal) | Os Drofnosura do Canadá são uma criatura estranha que se sente confortável na sua própria pele iridescente e translúcida. Eles pegaram em elementos de vários estilos, como sludge, doom, black e até post metal, moeram-nos finamente e usaram o material para esculpir um corpo completamente novo. As influências já não são tão distintas, mas a entidade consegue mudar de forma e mostrar as tendências desses estilos. O movimento é fantasioso, rítmico e elegante. (Transcending Obscurity Records)
Gorleben - «Menetekel» (Alemanha, Doom/Death Metal/Hardcore) | GORLEBEN descreve o seu estilo como uma mistura de death, doom e black metal, enriquecido com elementos atmosféricos e rudimentares. «Menetekel» é um aviso sobre a destruição da nossa civilização, onde a contagem decrescente já está a decorrer. GORLEBEN traz o apocalipse previsto para o nosso presente e torna-o tangível. (Darkness Shall Rise)
Illusive Key - «Consume Us» (Alemanha, Atmospheric Black Metal) | Sem surpresa, o trabalho do trio encarnado em ILLUSIVE KEY é black metal, é ao mesmo tempo fortemente tradicional e manifestamente alucinógeno. Este álbum de estreia é composto por quatro faixas que evaporam o tempo ao longo de 32 tensos minutos, «Consume Us» carrega a catarse característica dos seus criadores, a tensão pulsante que leva provocativamente a uma libertação quase insuportável. (Amor Fati)
Bianca - «Bianca» (Itália, Black Metal) | BIANCA é uma exploração imersa no fogo subversivo do black metal, com inclinação para o doom e ressonâncias atmosféricas, centrada numa identidade feminina que atravessa diferentes dimensões, desde uma presença etérea até crueza primordial. O primeiro álbum homónimo de BIANCA é uma enigmática viagem de oito passos pelo poder da mente humana e pela dimensão inconsciente como mensageiro de preciosos insights para interpretar a realidade. (Avantgarde Music)
Czart - «Czarty Polskie» (Polónia, audiovisual metal) | Czarty Polskie é mais do que apenas um álbum — é uma exploração multimédia e IA de demónios antigos e modernos. Uma obra que não só soa intensa, mas também parece e se sente de outro mundo. Uma invocação audiovisual do caos, do folclore e do espelho negro da tecnologia. Ao integrar IA à composição musical e ao design de vídeos, o projeto alcança uma vibe surreal e onírica que estimula a imaginação e intensifica o sentido de mistério. (Code666)
Æternia - «Into The Golden Halls» (Alemanha, Heavy/Power Metal) | Os mestres alemães do power metal AETERNIA lançam o seu álbum de estreia! A banda gravou e produziu o disco por si própria, por isso, cada fibra do álbum é um testemunho do seu trabalho incrivelmente árduo. Sente-se um som massivo que combina riffs de guitarra ofuscantes e leads sobre uma bateria rítmica inquebrável da bateria e do baixo, mantidos por vozes imponentes e cheias de alma. (Cruz del Sur Music)
Undersave - «Merged In Abstract Perdition» (Portugal, Death Metal) | Heróis pouco reconhecidos do death metal de Portugal, Undersave, têm tentado traçar o seu próprio caminho e, a cada meia década, recebemos um álbum que é um enorme passo à frente do anterior álbum. O novo álbum apresenta uma progressão marcada, sem abandonar o som central. «Merged in Abstract Perdition» é um álbum magistral, sombrio, dissonante e atmosférico. Embora naveguem por caminhos labirínticos semelhantes, fazem-no de forma pausada, permitindo que os riffs criem o seu próprio crescendo hipnótico. Os Undersave podem ter acabado de criar uma obra-prima com este trabalho, rivalizando, se não superando, os seus próprios álbuns. (Transcending Obscurity Records)
Dispossessed - «Dêmocide» (EUA-Oregon, Sludge/Doom Metal) | O coletivo DISPOSSESSED infunde elementos de sludge, doom e death metal num som imponente enraizado na raiva, desespero e, resistência política. Formados em 2014, a banda emergiu da cena metal de Portland com a missão de enfrentar sistemas de opressão através de música intransigente e guiada por feedback. O seu som combina riffs lentos, atmosferas sombrias e uma energia crua e agressiva. (Carbonized Records)
Mac Gollehon & The Hispanic Mechanics - «Pistoleros» (EUA-North Carolina, Experimental Avant Jazz) | O prolífico trompetista/multi-instrumentista e orquestrador de Nova Iorque, MAC GOLLEHON, apresenta «Pistoleros», o mais recente álbum do seu grupo em constante transformação, MAC GOLLEHON & THE HISPANIC MECHANICS. Este álbum inovador funde e evoca simultaneamente facetas de beleza, terror, amor e loucura, convidando os ouvintes a explorar novos territórios musicais. Oito canções originais abrangem uma influência animada e reconstruída dos grooves latino-caribenhos, camadas intrincadas de jazz cinematográfico, e amplos traços de progressivo e eletrónica. (Earsplit)
Mellowdeath - «Mellowdeath» (Alemanha, Instrumental Jazz Doom Metal) | MELLOWDEATH, sediado em Berlim/Bielefeld, Alemanha, apresenta o seu álbum de estreia homónimo. Em 2018, os MELLOWDEATH lançaram o seu EP de estreia, «Deadly Stares», apresentando o seu estilo cativante de nightmare jazz — uma paisagem sonora cinematográfica inquietante, um circo assombrado intercalado com um western de David Lynch — uma mistura igual de ameaça e travessura. Agora, os MELLOWDEATH lançam o tão aguardado álbum de estreia, simplesmente intitulado «Mellowdeath». O álbum chega com dez músicas novas instantaneamente imersivas. (Earsplit)
Maahes - «Nechacha» (Alemanha, Black Metal) | Emergindo das profundezas da Floresta da Baviera, os MAAHES regressam com a sua segunda obra de longa duração, «Nechacha» – um disco mais pesado, sombrio e orquestral do que qualquer outro que tenham lançado até então. Nomeado em homenagem ao flagelo, o antigo símbolo egípcio de domínio detido por faraós e deuses, «Nechacha» marca uma nova era para MAAHES: arranjos épicos, orquestração monumental e uma descida mais profunda ao vazio escurecido — sem abandonar a ferocidade crua das suas obras anteriores. (Massacre Records)
Besta - «John Carpenter Redux» (Portugal, Grindcore) | Os mestres portugueses do grindcore, BESTA, regressam com «John Carpenter Redux». Uma homenagem máxima ao mestre do terror, John Carpenter, “Redux” faz a ponte entre os mundos do grindcore selvagem e do punk politicamente carregado, canalizando a mesma tensão, raiva e resistência que alimentam muitos dos filmes intemporais de Carpenter. (Nacionais)
Eldfödd - «Risen From The Flames» (Suécia, Death Metal) | o EP de estreia dos antigos Death Metal suecos ELDFÖDD, intitulado «Risen from the Flames», é podre, vil e poderoso, e nascido do fogo. Os ELDFÖDD começaram como um projeto destinado a reviver e homenagear os espíritos que outrora trouxeram entusiasmo à cena death metal. A música pode ser mais bem descrita como death metal sueco à moda antiga. (Edged Circle Productions)
Auri - «III - Candles & Beginnings» (Finlândia, Progressive folk Metal) | A música pode ter uma multiplicidade de impactos emocionais e criar mundos interiores a partir de vozes, sons e estados de espírito. Se abrir o coração e o ouvido para as paisagens sonoras hipnotizantes e assombrosamente belas de AURI, poderá encontrar um farol de luz num reino sonoro intocado pelas realidades muitas vezes assustadoras e sombrias de hoje; um cenário onírico que pode ser profundamente edificante. Auri apresentou um mundo de sentidos. (Nuclear Blast)
Nine Treasures - «Seeking The Absolute» (China, Folk Metal) | Formados pelo vocalista/guitarrista Askhan Avagchuud em 2010 na região autónoma da Mongólia Interior, na China, os Nine Treasures são uma combinação única de metal e instrumentação tradicional mongol, utilizando tanto vocais convencionais, tais como canto gutural mongol. Guitarras, baixo e bateria colidem com instrumentos de cordas indígenas, incluindo, a balalaika e o morin khuur (violino de cabeça de cavalo). Resumindo, música pentatónica oriental misturada com heavy metal. O resultado? Um caleidoscópio sonoro que não segue um modelo definido. Nine Treasures passam facilmente de um estilo de headbanging direto para um estilo progressivo mais atmosférico em «Seeking the Absolute». (Metal Blade Records)
Thaumaturgy - «Pestilential Hymns» (EUA-Kansas, Black/Death Metal) | Na sua interminável busca por impulsionar e apoiar os atuais grupos underground que perpetuam o cheiro do death metal vintage, chegou o segundo álbum dos THAUMATURGY, «Pestilential Hymns». THAUMATURGY foi gerada no Meio-Oeste americano por um músico enigmático que usa o pseudónimo KT, movido pelo desejo de tocar uma mistura feroz de death metal sombrio, carregado de doom, chasmic e cavernoso. Qualificar THAUMATURGY como “blackened” não seria injusto, mas «Pestilential Hymns» soa completamente a um disco de DEATH METAL. (Memento Mori)
Elettra Storm - «Evertale» (Itália, Power Metal) | Do power metal, maravilha e vingança. Elettra Storm assumiu a cena do power metal por... Storm com o impecável álbum de estreia de 2024, «Powerlords». Agora dão um grande passo em frente, e o som de «Evertale» é ainda mais definido e coeso. As músicas são mais técnicas: algumas têm um sabor progressivo, outras trazem à mesa a fúria do speed power metal – mas todas são diretas e cativantes ao mesmo tempo, com melodias elevadas que ficam na mente à primeira audição. (Scarlet Records)
Your Inland Empire - «Your Inland Empire» (França, Post-metal) | Batizado no cadinho do som cru e da apreensão industrial, Your Inland Empire transforma a herança numa ousada missão para além de reinos sonoros outrora considerados invencíveis. «The End of All Things», o último álbum dos Crown sob este nome, foi uma reviravolta inesperada do que a banda é capaz de fazer. Escuro e sombrio, sombrio e sublime, arejado e esmagador, hipnotizante e envolvente, ousado, mas infalível, dançante e sufocante. (Season of Mist)
Tuesday The Sky - «Indoor Enthusiast» (EUA-Connecticut, Ambient Instrumental Rock) | «Indoor Enthusiast», o terceiro disco de Tuesday the Sky, é o projeto instrumental do guitarrista Jim Matheos. Com 11 músicas de pura execução e paixão, Tuesday the Sky pode ser descrito como um “projeto a solo lindamente estranho”. Matheos, famoso pelo seu trabalho com os gigantes do metal progressivo Fates Warning, OSI, Arch/Matheos. «Indoor Enthusiast» é inteiramente instrumental, produzido e misturado por Matheos, e masterizado por Jacob Hansen, (Metal Blade Records)
Glorious Depravity - «Death Never Sleeps» (EUA-New York, Death Metal) | Com a ilustre formação composta por membros de Pyrrhon, Gravesend, Woe, Scarcity e outros, pode-se presumir com segurança que os Glorious Depravity conheceriam bem a música metal extrema. E entregam em abundância; eles criaram um álbum que mostra os melhores elementos do death metal, mesmo com as suas raízes no som old school e a música tingida de influências de thrash metal. A música é refinada e melhor, não deixando pedra por explorar. (Transcending Obscurity Records)
Olde Throne - «Megalith» (Nova Zelândia, Atmospheric Black Metal) | Olde Throne é uma banda de black metal melódico e atmosférico, nascida numa época em que o principal compositor e vocalista era Harrison McKenzie. Depois de regressar à sua Nova Zelândia natal, McKenzie sentiu-se profundamente inspirado pela sua experiência nas terras altas, e este projeto foi o resultado dessa inspiração. «Megalith» é concebido como um único ritual auditivo ininterrupto. O álbum é uma peça conceptual contínua, com cada faixa a fluir perfeitamente para a seguinte, exigindo ser vivida na sua totalidade, do início ao fim. Olde Throne cria oito faixas profundamente enraizadas na tradição do black metal dos anos 90, mas acrescentam atmosferas de flautas e vozes femininas, tornando «Megalith» o ponto de encontro perfeito para Saor e Naglfar, só para citar algumas. (Avantgarde Music)
Dunes Of Ash - «The Fall Of The Seven Sisters» (Internacional, Black Metal) | Oratio ad Septem Profanationes. Invocação às Sete Profanações. Tu, que te ajoelhas perante as frágeis arquitraves do divino, contemplas a erupção do Antagonista Primordial, cuja essência subverte o próprio tecido da criação. Este compêndio sonoro, forjado no cadinho do black metal ortodoxo dos anos 90, é a anti-ladainha que decreta a corrupção das Sete Irmãs — outrora pilares da harmonia cósmica, agora colapsados sob o peso da negação absoluta. (Signal Rex)
Destruction Ritual - «Providence» (Internacional, Black Metal) | Da província do nascimento e da morte de Lovecraft surge Destruction Ritual, um pacto transatlântico entre adversários franceses e americanos. «Providence», álbum de estreia, desce por ciclos de vício, assimilação e ruína ao longo de seis atos venenosos. É black metal enraizado tanto na tradição como na transgressão – uma oferta a sangrar de velhas feridas que se recusam a sarar. Oscila entre violência braquial negra/mortal e uma melodia doentia e psicótica – passagens guiadas por arpejos e samples inquietantes a formar uma narrativa fragmentada. (End All Life Productions)
Deathwinds - «...Towards Doom…» (Canadá, Black/Death Metal) | «...Towards Doom...» reabre os portões para um domínio profano de caos purificado em vício nuclear. Empunhadas como uma maça de guerra numa nova era neolítica pós-nuclear, estas onze músicas, golpeiam com crueldade e barbárie impiedosas enquanto as mãos do tempo são recuadas para reincorporar os instintos mais primitivos de destruição do black metal e do punk. Uma atmosfera densa e mortal de chumbo e fumos tóxicos paira sobre as planícies devastadas. (Sentient Ruin)
Vrîmuot - «Lupus Viridis» (Alemanha, Neofolk) | No seu segundo álbum, «Lupus Viridis» (“O Lobo Verde”), VRÎMUOT leva os ouvintes para um Outro Mundo habitado por criaturas míticas de contos populares, mitologias e lendas. Os inovadores alemães do folk negro são excelentes contadores de histórias, tanto em letras poéticas como musicalmente. O mentor T.S., também conhecido como Lupus Viridis, deu passos gigantes no seu desenvolvimento musical desde o lançamento do álbum de estreia. (Prophecy Productions)
Voidceremony - «Abditum» (EUA-Califórnia, Progressive/Technical Death Metal) | Emergindo com uma obra labiríntica de criatividade construída com uma intensidade implacável e precisa, os VOIDCEREMONY regressam com o seu som característico, uma zona abstrata e mordaz de obscuridade musical, repleta de cinismo em relação à humanidade. «Abditum», o terceiro álbum, desenrola com um sentido de design arcano onde riffs retorcidos colidem e convergem em sequências imprevistas. A VOIDCEREMONY volta a resistir à facilidade. (20 Buck Spin)
Mausoleum Gate - «Space Rituals And Magick» (Finlândia, Heavy Metal) | O culto finlandês de heavy metal MAUSOLEUM GATE regressa com o seu tão aguardado terceiro álbum de estúdio. Este é um álbum de heavy metal de culto, inspirados nas pérolas obscuras dos anos 80 e além. Uma viagem a outros reinos e tempos antigos com um sentimento místico ao longo do tempo... dos sintetizadores obscuros às guitarras elevadas e tambores de marcha; pode-se sentir um disco autêntico de heavy metal, equilibrando melodias, atmosfera e composição. (Cruz del Sur Music)
Antinoë - «The Fold» (Espanha, Dark Folk) | Das montanhas de Madrid vem Antinoë, o inquietante projeto a solo da pianista e vocalista Teresa Marraco. Com a sua voz etérea e arranjos austeros, guiados pelo piano, Antinoë molda paisagens sonoras onde a elegância neoclássica colide com o peso atmosférico do metal, tecendo música que é ao mesmo tempo frágil, imersiva e profundamente melancólica. Antinoë revela o seu primeiro álbum de material original: «The Fold». Uma jornada conceptual que navega pela aceitação da morte, traçando o processo de “dobrar-se para dentro”, para enfrentar diferentes fases do luto. (Dark Essence Records)
Fessus - «Subcutaneous Tomb» (Austria, Death Metal) | Nos últimos 30 anos, não foi lançado um único álbum de death metal na Áustria que igualasse a qualidade dos pioneiros. Aparentemente, foi preciso Brenton, um australiano, para colocar a Áustria novamente no mapa. Os FESSUS regressam com o seu primeiro álbum, um título enigmaticamente apelidado «Subcutaneous Tomb». Enquanto outras bandas se focam na hipervelocidade, tecnicalidade excessiva e brutalidade, o estilo de death metal dos FESSUS é maioritariamente tocado em tempos moderados, com explosões de velocidade e agressividade espalhadas pelo álbum. (Darkness Shall Rise)
Infernal Presence - «Fiery Paths» (Alemanha, Black Metal) | Apesar de os INFERNAL PRESENCE estarem ativos há 2 anos, o seu híbrido de Black-Death Metal soa como se tivesse sido composto por uma banda experiente. os INFERNAL PRESENCE são aptos a compor o seu material de forma inteligente, alternando frequentemente entre diferentes tempos e ambientes. Composta por 6 músicas, sendo a primeira uma introdução instrumental, «Flamy Paths» é um esforço muito convincente em todos os níveis. (Darkness Shall Rise)
Sun Of The Dying - «A Throne Of Ashes» (Espanha, Doom/Death Metal) | SUN OF THE DYING é uma banda espanhola de Doom/Death Metal sediada em Madrid. Inspirados em clássicos do género, eles seguem o caminho do Doom/Death Metal autêntico, sem receio de incorporar toques de muitos outros estilos. A banda foi fundada em 2013 por Casuso (guitarra) e Lavín (voz), tendo alcançado uma formação estável em 2017. (AOP Records)
Devoid Of Thought - «Necrotic Surface Discarded» (Itália, Death Metal) | Vacuid Of Thought tem vindo a crescer de forma implacável há anos. A banda italiana lançou o seu álbum de estreia «Outer World Graves» em 2021. «Necrotic Surface Discarded» apresenta oito faixas diferentes vindas de tempos e lugares distintos, um testemunho do caminho sempre mutável e da maturidade adquirida de «Deceid Of Thought». (Avantgarde Music)
Kariti - «Still Life» (Itália, Atmospheric/Dark/Ambient) | KARITI (карити) – que significa “chorar os mortos” em eslavo eclesiástico – é a expressão emocional e criativa de Ekaterina, uma poetisa e compositora nascida na Rússia radicada na Itália. O álbum de estreia dos KARITI, «Covered Mirrors», representou uma “peregrinação catártica através do luto.” A segunda obra, «Dheghom», registou um desenvolvimento no seu som, composição e instrumentação. No terceiro LP, «Still Life», as canções são o resultado da galvanização duma reflexão desiludida sobre a vida humana e, a forma como ela é vivida pela maioria de nós no mundo. (Earsplit)
Sakna - «De Syv Doedssynder» (Canadá, Black/Folk/Doom Metal) | Os Sakna, uma banda de um homem envolta em mistério desde a sua criação em 2006, são um bastião do ethos pós-Segunda Vaga do Black Metal –defendendo um período em que a musicalidade do Black Metal sobrepôs-se às peripécias dos seus antecessores. Concebido pelo falecido multi-instrumentista canadiano Solemn, o projeto defende um som que foi apelidado de “uma extensão natural de Windir”; uma fusão perfeita de Sognametal épico com Black Metal atmosférico emotivo, DSBM, Funeral Doom, Neo-Folk e Dark Ambient. (Earsplit)
Hostilia - «Face The Fire» (Suécia, Thrash Metal) | A banda sueca de thrash metal Hostilia foi formada em Gotemburgo no outono de 2021, pelos irmãos William (guitarra solo) e Albert Lindeblad (bateria) – com apenas 18 e 14 anos na altura. Antes do fim do ano, a banda lançou a sua primeira demo, que chamou a atenção do underground. O que começou como uma simples ambição – tornar-se uma banda ao vivo incrível – pode ter sido afinal, a estratégia perfeita. (Hammerheart Records)
Creatures - «Creatures II» (Brasil, Heavy Metal/Hard Rock) | Os CREATURES foram formados no verão de 2019, na cidade de Curitiba. Como na maioria dos lugares do Brasil, a cena lá é dominada pelo metal extremo. No entanto, existem alguns pequenos “bolsões de resistência” que sustentam a tocha, para um som mais tradicional de heavy metal. E os CREATURES são dos mais talentosos de todos. Musicalmente, o álbum é literalmente uma mistura de heavy metal e hard rock, com uma vibe mais sombria e maligna. (High Roller Records)
Calcraft - «Reborn Through Torture» (EUA-Texas, Death Metal) | Com o credo intransigente “Death metal implacável. Sem tendências. Sem piedade.” Os CALCRAFT definem o seu som – e com o seu álbum de estreia «Reborn Through Torture», fazem uma declaração implacável contra tudo o que seja diluído ou movido por tendências. A banda sediada no Texas representa um death metal cru e alimentado pelo ódio. As suas canções estão impregnadas de atmosfera sombria, agressividade e uma violência cinematográfica. (Lifeforce Records)
Summoning Hellgates - «Spear Of Conquest» (Espanha, Black Death Metal) | «Spear Of Conquest» é o assalto de estreia implacável de 21 minutos de SUMMONING HELLGATES. Um ato de devastação espiritual, de decadência existencial e de violência ritual. Uma desintegração da identidade e a libertação encontrada na morte e na transgressão. Isto não é uma proclamação, mas uma ferida profundamente esculpida na carne. (Osmose Productions)
Aktor - «Professori (Season Two)» (Finlândia, Heavy Metal/Hard Rock) | A AKTOR é um dos muitos projetos paralelos do único e inigualável Chris “The Professor” Black. «Professori (Season two)» pode parecer um título estranho para o álbum de uma banda. «Professori» é uma série de televisão do género ‘Nordic noir’, como uma série policial crua com todos os clichés habituais. Portanto, cada música do álbum é um episódio da série. Os AKTOR apresentam, mais uma vez, uma mistura muito eclética de estilos diferentes. (High Roller Records)
Embraced By Darkness - «Ex Inferis» (Países Baixos, Black Metal) | Forjado no frio underground holandês, Embraced by Darkness surgiu há alguns invernos com a intenção de canalizar a essência crua do Black Metal numa tempestade furiosa, mas melódica. O seu som mistura agressividade implacável com atmosferas assombrosas, entrelaçando tons de Death Metal para criar um estilo distinto e intransigente. Mantendo esse ímpeto, a banda gravou o seu primeiro álbum, «Ex Inferis». O álbum capta a banda no seu momento mais feroz e focado. (Non Serviam Records)
Binah - «Onkos» (Inglaterra, Death Metal) | Sete anos depois de Phobiate, e após um prolongado período de produção de mais de três anos assombrado por inquietação pessoal, trazemos-vos o terceiro álbum dos Binah, «Ónkos». Dividido em dois atos, «Ónkos» mergulha profundamente nos processos de doença, perda e parte do que resta (e por vezes se agrava) para eles. (Osmose Productions)
Hammerfilosofi - «Signum» (Internacional, Black Metal) | A força incansável conhecida como HAMMERFILOSOFI regressa com a sua obra mais intransigente até à data: «Signum». Um testemunho da extremidade sonora, «Signum» é mais do que um álbum — é uma proclamação. Uma declaração de resistência, misticismo e guerra filosófica entregue com intenção inabalável. Black Metal martelante mergulhado em escuridão, revolta e tradição esotérica; profundidade lírica que funde rigor filosófico com ira intransigente; e paisagens sonoras tanto majestosas como destrutivas, invocando o antigo e incendiando o novo. (Osmose Productions)
The Ominous Circle - «Cloven Tongues Of Fire» (Portugal, Death/Black Metal) | Os THE OMINOUS CIRCLE de Portugal ressurgem novamente da névoa com o seu segundo álbum, «Cloven Tongues of Fire», uma descida mais profunda para os grandes e intermináveis abismos. Um turbilhão de fogo e caos implacável que desafia tudo nesta era de padrões vazios e paradigmas estéreis, o novo álbum representa o seu manifesto mais sombrio, intenso e intransigente até à data, tanto testemunha da maldade da iniquidade como tributo às artes do extremo. Sofisticado, mas cru, dinâmico e feroz, apresentando uma abordagem diferente à composição, «Cloven Tongues of Fire» oferece 43 minutos de death metal com infusões de black e blocos monolíticos de doom. (Osmose Productions)
Dome Runner - «World Panopticon» (Finlândia, Industrial Metal) | O gigante do metal industrial DOME RUNNER tem vindo a “grindar” no underground desde 2017, fundindo elementos de metal extremo, hardcore e alternativo com paisagens sonoras distópicas e máquinas de grinding. «World Panopticon», o álbum duplo de 77 minutos, representa a composição mais forte e mais destemida do grupo, enquanto vai mais longe, dinamicamente e sonoramente do que nunca. (Svart Records)
Kathodos - «Parasomnia Pavor Nocturnus» (Inglaterra, Dark Ambient) | Kathodos, uma nova banda experimental de dark ambient ritual, lançou o seu álbum de estreia «Parasomnia: Pavor Nocturnus». Este consiste numa jornada auditiva de sonhos confusos, sombrios, belos, assustadores, cómicos, distorcidos, psicóticos e bizarros. O álbum leva o ouvinte numa viagem sombria e por vezes aterradora de vozes estranhas, sons bizarros, momentos belíssimos, arquitetura enlouquecedora e instrumentação intrincada. (Rune Serpent Europa)
Phaeton - «Neurogenesis» (Canadá, Progressive Instrumental Metal) | O quarteto canadiano de metal progressivo instrumental Phaeton regressa com o seu terceiro álbum, «Neurogenesis». O disco é uma viagem interestelar e tensa através da melodia, do músculo e da musicalidade que expande a mente. Sem vozes, sem limites, os Phaeton deixam os seus instrumentos falarem por si, criando paisagens emocionais sem uma única letra. (Independente)
Psychonaut - «World Maker» (Bélgica, Post-Metal) | Os mestres belgas do pós-metal psicadélico Psychonaut regressam com o seu triunfante e incrível novo álbum «World Maker». A formação tradicional de três elementos do coletivo belga de pós-metal psicadélico Psychonaut há muito que desmentiu a mestria composicional, a profundidade narrativa cativante e a presença ao vivo esmagadora de uma banda que agora opera na vanguarda da música pesada contemporânea e inovadora. Embora os riffs gigantes, polirritmia punitiva e raiva vocal gutural de Psychonaut estejam mais resplandecentes do que nunca. (Pelagic Records)
Our Oceans - «Right Here, Right Now» (Países Baixos, Progressive Rock) | Forjado nas profundezas da melancolia e imbuído de uma gravidade emocional transcendente, Our Oceans é um trio poderoso dos Países Baixos. Misturando sensibilidades de cantor-compositor com elementos modernos de rock progressivo, a música dos Our Oceans ressoa com ouvintes que procuram uma experiência comovente, oferecendo tanto catarse como esperança, revelando uma paisagem sonora mais brilhante e emocionante. (Long Branch Records)
Qrixkuor - «The Womb Of The World» (Inglaterra, Death Metal) | Aqui, no inferno de sangue... na amargura de cada cela... no arrepio dos teus nervos... Os QRIXKUOR voltam a emergir para levar os sussurros crepusculares do passado a um crescendo estrondoso, aterrador e triunfante com o seu segundo álbum, «The Womb of the World»; que desafia ainda mais os dogmas da morte e do black metal, arrastando-os ainda mais para as profundezas do delírio textural e tímbrico. (Invictus Productions)
The Behaviour - «Pedestals» (Internacional, Gothic Psych-alt Rock) | Misturando sons de rock alternativo, gritos de garage rock e a profundidade expressiva do blues, shoegaze e rock melancólico, The Behaviour cria paisagens sonoras sombrias que encaixam em playlists para passeios noturnos, reflexão introspetiva e jornadas de rock psicadélico sombrio. O projeto é liderado pelo multi-instrumentista e produtor Marshall Kilpatric. Com «The Behaviour», Kilpatric assume o controlo criativo total. (Rexius Records)
Wolver - «Act Ii Scene I - Birth Of An Empire» (Internacional, Dark Rock) | Uma experiência de rock teatral e sombria como nenhuma outra. Entre no mundo de Wolver, onde o rock moderno encontra o mistério de um espetáculo itinerante sombrio. Natural de Karlstad, Suécia, o trio entrelaça hard rock com grandes harmonias e narrativas imersivas. Mas para além da música existe um conceito mais profundo: um universo fictício que se desenrola a cada lançamento. ‘Ato II: Cena I’ é o primeiro capítulo. (Rexius Records)
Azketem - «Amid» (Alemanha, Black Metal) | Para além da forma. Para além dos limites. «Amid», o terceiro álbum dos AZKETEM, continua o seu estilo conhecido por lançamentos anteriores, representa, antes de mais, um capítulo sonoramente novo. Além de manter a tradição de batizar os seus álbuns com uma única palavra começando pela letra a, «Amid» é também a prova de que Azken, continua motivado a criar metal melancólico e densamente atmosférico. (Darkness Shall Rise)
Morbikon - «Lost Within The Astral Crypts» (EUA-Virginia, Black/Thrash Metal) | O projeto de blackened death/thrash metal MORBIKON lançam o seu novo álbum «Lost Within The Astral Crypts». O esforço criativo do guitarrista/baixista Phil “Land Phil” Hall com Mathias “Vreth” Lillmåns nos vocais, levam os MORBIKON a serem guiados pela segunda vaga das cenas escandinavas de black metal e death metal melódico dos anos 90. Aqui jazem oito meloblack rippers, cada um calibrado para trazer o inverno à tua alma e um chicote ao pescoço. (Tankcrimes)
Nattradio - «The Longest Night» (Suécia, Gothic/Doom Metal/Rock) | Emergindo da aparentemente interminável escuridão do norte, NATTRADIO, é uma banda obscura, recentemente nascida, com apenas um álbum lançado. Se a força do seu segundo álbum, «The Longest Night», for um indicativo, a obscuridade da NATTRADIO deverá terminar em breve. Este novo álbum é caracterizado por um sentido sóbrio e persistente de melancolia que encapsula, de forma esplêndida, temas de isolamento e de luta emocional. (Darkness Shall Rise)
Noirsuaire - «The Dragging Poison» (França, Black Metal) | Gravado na solidão de um sótão do lado francês dos Pirenéus, «The Dragging Poison» marca a primeira obra de longa duração dos NOIRSUAIRE, o receptáculo de um só homem do criador N. O álbum canaliza o espírito cru e arcano do underground francês do final dos anos 90, inspirando-se no mesmo poço venenoso que deu origem a entidades de culto como Bekhira, Senhor Voland e Funeral, enquanto invocava a aura espectral de Nastrond, Marduk e Cultes des Ghoules. «The Dragging Poison» não é uma tentativa de inovação — é uma declaração de devoção. (Osmose Productions)
Dymytry Paradox - «Born From Chaos» (Chéquia, Metalcore / Industrial Metal) | Metal paradoxal para o caos em que vivemos: Afasta-te e contempla a revolta do poderoso Dymytry Paradox, o segredo do metal moderno mais bem guardado da República Checa. Após muitos anos a tocarem as suas vidas na sua terra natal e a subir de fenómeno underground, chegou finalmente a hora destes arautos mascarados do caos enfrentarem o resto do mundo. O mundo, em breve, se ajoelhará perante o gigante que é o Dymytry Paradox. (Reaper Entertainment)
Victimarum - «Seitsemän Soihdun Valossa» (Finlândia, Black Metal) | Formados em 2022, os VICTIMARUM, da Finlândia, rapidamente começaram a trabalhar para manter os padrões exemplares da cena underground de black metal do seu país. Com força, honra e devoção negra satânica, o quarteto descarrega nove diatribes de miséria melancólica transformados em atordoamento acelerado. Indignados, mas não sem um certo sentido de glória desgrenhada, os VICTIMARUM mantêm esse modelo inabalável estabelecido pelos seus antepassados e reforçam-no com uma composição forte e uma execução ainda mais sólida. Bandeiras erguidas! (Signal Rex)
Cepheidae Variable - «Primordial Reverie» (Canadá, Instrumental Progressive Metal) | Cepheidae Variable, o projeto de metal progressivo a solo liderado pelo guitarrista e compositor Ryan Koepke. Originalmente concebido como uma exploração pessoal do crescimento musical, Cepheidae Variable evoluiu para um empreendimento profundamente emocional e ambicioso, numa narrativa instrumental que desafia géneros, entrelaçando fantasia sinfónica, texturas de ficção científica e complexidade progressiva. (Independente)
Hér - «Monochrome» (Polónia, Nordic Fusion/Jazz) | “Hér” em islandês significa “aqui”. É um apelo muito claro, da banda para o público: estar aqui, experienciar, inspirar-se, está a acontecer agora, e é a essência de participar na nossa expressão artística. Cinco personalidades musicais independentes e fortes reuniram-se “aqui”—num lugar e tempo específicos—para criar comunidades que são, ao mesmo tempo, únicas e harmoniosas. A música que propõem transporta o ouvinte para a poesia de sabedoria nórdica antiga do século XI. Eles revelam a beleza sombria do Norte e os seus extremos: fogo e gelo, violência e ternura. (Season of Mist)
Oromet - «The Sinking Isle» (EUA-Califórnia, Funeral Doom Metal) | A dupla funerária DOOM de Sacramento, OROMET vai lançar o seu impressionante e imersivo segundo álbum, «The Sinking Isle». OROMET foi criado em 2022 pelo guitarrista/vocalista Dan Aguilar e pelo multi-instrumentista Patrick Hills visando criar música poderosa, onde a melodia é o ponto central, em vez de um pensamento secundário. OROMET esculpe épicos funerários monumentais e imponentes. Harmonias transcendentais de guitarra elevam-se sobre paisagens sonoras imensas e ondulantes enquanto vocais agonizantes uivam de profundezas cavernosas. (Hypaethral Records)
Sodality - «Benediction, Part 2» (Polónia, Black Metal) | «Benediction, Parte 2» cultiva o mesmo impulso abandonado ouvido pela primeira vez no álbum de estreia de Sodality em 2020, Gothic, e ainda mais aguçado em... Parte 1. É black metal despido de pretensões, carregando todas as marcas da guerra esotérica e da devoção levadas ao seu limite. Cinco hinos para a fé ruinosa ecoam por uma catedral de colapso espiritual, sustentada pelo sopro sufocado dos santos, pelo peso do silêncio e pela violência da crença. (Norma Evangelium Diaboli)
Sun Of The Suns - «Entanglement» (Itália, Progressive Deathcore) | Brutalidade existencial cósmica do death metal moderno. Sun Of The Suns criaram um espaço peculiar, misturando death metal técnico, groove progressivo e paisagens sonoras futuristas. Agora, a banda está pronta para reacender a cena extrema com «Entanglement», uma paisagem sonora cósmica transcendente forjada a partir do ritmo brutal do tech death e melodias etéreas. A música apresenta uma visão criativa singular e apresenta uma bateria explosiva e intrincada. (Scarlet Records)
Frozen Land - «Icemelter» (Finlândia, Symphonic Power Metal) | A banda de power metal, sediada em Helsínquia, FROZEN LAND, regressa com o seu terceiro álbum, «Icemelter», onde exploram o seu território mais agressivo, fundindo guitarras incomummente brutais com vozes clássicas de power-metal e atmosferas panorâmicas. O resultado é um disco esguio e musculado, mantendo um sentido distintamente finlandês de melodia e melancolia. A identidade de FROZEN LAND mantém-se afiada em oito faixas explosivas. (Massacre Records)
ZU - «Ferrum Sidereum» (Itália, Jazz Metal) | O trio italiano de jazz metal ZU regressa com «Ferrum Sidereum», um álbum instrumental duplo que continua a sua tradição de misturar livremente géneros para se adequar às suas intenções musicais. A sua música combina a complexidade do rock progressivo, a aspereza do industrial, a precisão do metal, a energia do punk e a inteligência do jazz. O resultado é uma jornada sonora tão cerebral quanto visceral, desafiando categorizações fáceis. O ferro vindo das estrelas forma a base elementar que molda a narrativa sobrenatural dos ZU neste álbum. (House of Mythology)
Deogen - «The Graves And Ghosts Of Yore» (EUA, Symphonic Black Metal) | O black metal dos DEOGEN está pelo menos algumas décadas atrasado, e eles estão orgulhosos disso! Assim, «The Graves and Ghosts of Yore» tem quase um título perfeito: como uma relíquia perdida de 1998, o seu misticismo cru remete de várias formas os super-cultos. DEOGEN não faz meias-medidas aqui, mas nunca insiste no seu som feio, mas aristocrático. (Iron Bonehead Productions)
Lavisher - «Aligned Vital» (EUA-Illinois, Rock) | «Aligned & Vital», o segundo álbum do coletivo de rock espacial aveludado-grunge, LAVISHER. Criação do cantor, compositor e guitarrista de Chicago Gavin Cushman III e do baterista Benjamin Standage, os LAVISHER continuam a conquistar espaço no panorama do rock moderno, e a mensagem é clara: o futuro do rock pesado é vestido de veludo. (Nefarious Industries)
Windswept - «The Devil’s Vertep» (Ucrânia, Black Metal) | Os WINDSWEPT regressam com «The Devil’s Vertep», um novo álbum enraizado em documentação histórica e expressão musical crua. Inspirado no Livro Negro do Castelo de Kremenets 1747–1777, o registo traça os julgamentos das bruxas de 1753–1754 no oeste da Ucrânia, desenrolando-se como uma narrativa conceptual ao longo de seis composições. Cada faixa apresenta uma atmosfera arrepiante de acusação, confissão e execução, através de black metal cru. (Season of Mist)
Drowned In Silver - «Mothers» (Polónia, Black Metal) | Drowned in Silver, é um projeto formado por músicos experientes das cenas de black metal e música experimental. A sua música encontra um equilíbrio único entre o rock oculto e a expressão quase hipnótica. O som característico da banda, mistura atmosferas sombrias do ocultismo e doom rock com um toque gótico distinto. (Pagan Records)
Uranium - «Corrosion Of Existence» (EUA, black industrial/power Electronics) | A arma industrial black americana, Uranium, regressa para personificar o triunfo mais aterrador da música industrial. Nos seus trinta e seis minutos que envolvem a vida, o novo álbum da banda, «Corrosion of Existence», leva o misterioso conceito de devastação nuclear da banda de um homem só às suas conclusões mais angustiantes e inevitáveis, desenrolando cinco novas faixas monstruosas de terror auditivo alimentado a plutónio. (Sentient Ruin)
Sepulchral - «Beneath The Shroud» (Espanha, Death Metal) | SEPULCHRAL ergue-se novamente para além do monte funerário para rasgar tudo no seu caminho com onze músicas de Death Metal gasto, mofado e enferrujado. O segundo álbum desta entidade basca vem embrulhado numa amálgama pútrida de decadência que te fará rastejar pela lama e implorar pela tua vida! (Soulseller Records)
Death Obvious - «Death Obvious» (Finlândia, Death/Doom Metal) | Death Obvious surgiu do nada para lançar um álbum de estreia que mistura elementos de black, death e até doom metal, criando um som angustiante, embora intrigante, que é estranhamente ao mesmo tempo, alarmante e reconfortante por vezes. Sem aderir a nenhum estilo ou escola em particular, limitam-se a criar música que serve à sua visão demente de forma imprudentemente intuitiva, uma cacofonia de sons a voar que de alguma forma acerta à primeira. (Transcending Obscurity Records)
Malefic Throne - «The Conquering Darkness» (EUA-Florida, Death Metal) | MALEFIC THRONE é composto pelo guitarrista Gene Palubicki, pelo vocalista e baixista Steve Tucker e pelo baterista John Longstreth. Palubicki sublinha que a música produzida pelos MALEFIC THRONE tem a marca dos três membros muito presente em cada momento das músicas. A síntese dos três membros através da entrega e escrita é o que torna a banda uma entidade especial própria, com uma dinâmica aumentada dentro da forma de death metal que geram. (Agonia Records)
Defaced - «Icon» (Suiça, Death Metal) | A banda suíça de death metal DEFACED lança o terceiro álbum de estúdio, «ICON». Após anos de composição meticulosa e dois ciclos completos de pré-produção, «Icon» é a obra mais orgulhosa e cuidadosamente construída da banda até à data. Embora firmemente enraizado no death metal, o disco aventura-se na agressividade do grindcore, atmosferas de black metal e uma paixão pronunciada por harmonias e ambiente. (Massacre Records)
Cordyceps Corpse - «From Flesh To Fluids» (EUA-Ohio, Slam/Brutal Death Metal) | Cordyceps Corpse é o pesadelo sonoro a solo de Nani Porter, um multi-instrumentista de Ohio cujo amor pelo brutal death metal, slam e goregrind colidiu com uma ética DIY e a recusa em esperar que uma banda se forme. «From Flesh To Fluids» é um fragmento grotesco, caótico e mórbido de slam que ultrapassa os limites do género com uma sujidade descarada e criatividade crua. O som de Cordyceps Corps é mais bem descrito como caótico, denso, repugnante, brutal e mórbido. (Gore House Productions)
Phantoms Of Future - «Forever Dark» (Alemanha, Dark Rock) | Se o título sugere a escuridão como destino, a música defende a escuridão como lente. «Forever Dark» não é sobre resignação. O álbum percorre um amor que parece um risco, cidades que zumbem como máquinas e a teimosa esperança que sobrevive à noite. Os ganchos surgem onde menos se espera, os refrões florescem como néon, e a secção rítmica mantém tudo a avançar com um sentido de propósito que roça o emocional. (Massacre Records)
Aether - «Verfallsschemen» (Alemanha, Black Metal) | Num mundo que há muito desistiu de si próprio, a segunda obra de AETHER ergue-se como um monólito lamentoso de cinzas e desespero. Este álbum não é uma coleção de canções, é uma descida, um ritual, um espelho de turbulência interior. Entre a melancolia gélida e a autodestruição eruptiva, desenrola-se uma paisagem sonora que procura beleza no abismo. (Amor Fati)
Unfyros - «Star Blood» (Finlândia, Black Metal) | Emergindo da natureza selvagem espectral do Norte da Finlândia — seguindo as vozes labirínticas que surgem das profundezas totémicas e guiadas pelo Fogo do Além — Unfyros canaliza uma força nascida da escuridão, da solidão e da busca pela transcendência. «Star Blood» é uma viagem primal e visceral, mantendo-se fiel à anterior personificação da banda do old-school, Black Metal eldritch de andamento médio. (Avantgarde Music)
Roth - «Alles Endet» (Alemanha, Dark Metal) | A força emergente do dark metal alemão, os ROTH, regressam com o novo álbum «Alles Endet». Cada composição, cada letra e toda a interpretação instrumental foram criadas pelo próprio Quentin, resultando numa obra de completo controlo artístico e visão. A sua abordagem meticulosa confere ao disco um som moderno, intenso e emocional. (Massacre Records)
Black Magic Tree - «Terra» (Alemanha, Heavy Blues Stoner Rock’n’Roll) | Os Black Magic Tree, de Berlim, regressam com o seu tão esperado álbum, «Terra». Este mostra a banda a afiar o seu lado rock pesado, ao mesmo tempo que abraça a psicadélica calorosa e o swagger melódico que se tornaram a sua marca registada. Uma mistura contagiante de riffs de blues pesados, ritmos groovy e vocais elevados que equilibram a nostalgia com algo inteiramente presente do momento. (Majestic Mountain Records)
Casket - «In The Long Run We Are All Dead» (Alemanha, Death Metal) | Formada em 1990, a CASKET começou a atormentar os seus instrumentos com selvajaria, fúria e brutalidade implacável, mas também com uma dose excessiva de entusiasmo e indiferença. «In The Long Run We Are All Dead» inclui onze novos e brutais rolos de death metal intransigente. Se ouves CASKET, não ouves tendências, nem hypes, apenas Death Metal! (Neckbreaker Records)
Garde - «Harbinger Of Revenge And War» (Países Baixos, Viking/Black Metal) | Uma estreia inesperada, aparentemente, os GARDE são o auge do metal bombástico, épico e VERDADEIRO Viking. De facto, com um nome que é uma arma de grande poder. Enquanto o “metal viking” perdeu na maioria o seu significado original nestes dias de disparates do Eurofest, os GARDE avançam pela tundra, tanto tangível como espiritual, para restaurar a honra, o valor e o orgulho centrais do subgénero. (Heidens Hart Records)
Joy Shannon - «In The Forest Singing Sorrowless» (Irlanda, Dark folk) | Joy Shannon é uma harpista e cantora irlandesa cujas canções etéreas e assombrosas vêm das profundezas do folclore irlandês. As suas melodias evocam imagens de tocas de bruxas em bosques escuros ou os ecos distantes das vozes dos espíritos nos antigos lugares do campo irlandês. O mais recente álbum de Joy Shannon, «In the Forest Singing Sorrowless», é inspirado na poesia do autor J.R.R. Tolkien. (Royal Tea and Fiadh)
Moral Implant - «Delusion» (Polónia, Death Metal) | MORAL IMPLANT formou-se em outubro de 2017 como uma perspetiva partilhada sobre tocar e fundir gostos musicais diversos. Enquadrado por uma introdução e outro igualmente inquietantes, «Delusion» é composto por quatro faixas principais com uma duração de 18 minutos de violência incessante e envolvente. Death metal na superfície, enegrecido por baixo, e exibindo uma urgência ao estilo grindcore, os MORAL IMPLANT explodem e ardem com fervor incendiário. (Caligari Records)
Diespnea - «Radici» (Itália, Experimental/Atmospheric Black Metal) | «Radici», o segundo álbum de Diespnea, está imerso num black metal vanguardista encantador, profundamente enraizado nas atmosferas, cores e calor rude de um sul imaginário. Ao contrário das habituais influências do Norte, aqui as raízes afundam-se numa terra quente, árida e rochosa, com um sopro manchado de pó e olhos semicerrados contra o sol ofuscante. (Code666)
Robec - «The Forest Is Too Loud» (Noruega, Progressive Instrumental Rock) | Robec é o projeto a solo de Marius T. Røbech, antigo membro dos Ocean of Lotion, sediado em Bergen, Noruega. Ao longo de anos de explorações sonoras em diferentes lugares e espaços, o antigo guitarrista encontrou as paisagens sonoras de sintetizadores pulsantes combinados com grooves repetitivos e guitarras twangy, tornando-o um lugar interessante para explorar no espaço mais vasto do mundo do prog rock. «The forest is too loud» é um álbum instrumental que explora paisagens sonoras expansivas moldadas por ritmos inquietos e linhas de baixo hipnotizantes. (Gymnocal Industries)
Ponte Del Diavolo - «De Venom Natura» (Itália, Doom/Black Metal) | PONTE DEL DIAVOLO cria uma mistura focada de doom, black metal, pós-punk e wave — uma estética a que chamam “post-punk negro”. Vocais femininos com tingimento ondulado ancoram o núcleo flamejante do projeto, apoiados por uma configuração invulgar de dois baixos que fundamenta as guitarras rítmicas e um pulso de bateria cru e dinâmico. O resultado é um som imersivo, impulsionado pela tensão. «De Venom Natura», um disco que expande e refina os limites. (Season of Mist)
Astral Spear - «Astral Spear» (Polónia, Black Metal) | Os ASTRAL SPEAR são recém-chegados com um som antigo. Originária da Polónia, esta entidade misteriosa remete, de facto, ao antigo estilo black metal da sua terra natal – frio, místico, desafiante – e apresenta uma composição igualmente forte. Com o seu próprio fogo a arder intensamente, ASTRAL SPEAR erguem monumentos imponentes de escuridão estoica, sob uma lua fúnebre, levando a tocha para outros lugares temíveis. (Signal Rex)
Cryptic Shift - «Overspace & Supertime» (Inglaterra, Technical Thrash/Death Metal) | Xander Bradley (Voz/Guitarra) e Ryan Sheperson (Bateria) partiram para concretizar um projeto que incorporasse a sua paixão conjunta pela arte da ficção científica e da música heavy metal. Com o CRYPTIC SHIFT a tomar forma como um crossover entre os mundos do Technical Thrash / Death Metal e tudo o que é Sci-Fi, os dois decidiram expandir a sua influência pelo Reino Unido, e em breve aventuraram-se pelo mundo. «Overspace & Supertime» propõe-se a conquistar os fãs de Extreme Metal com um novo padrão de espetáculo Technical Thrash/Death Metal, com vibe progressivas. (Metal Blade Records)
Dark Divination - «Liitto Hengen Ja Veren» (Finlândia, Black Metal) | Os DARK DIVINATION são mais uma adição brilhante ao sempre fértil underground finlandês do black metal. Sem abrandar à vista, chega agora o álbum de estreia da banda, «Liitto hengen ja veren». DARK DIVINATION tem uma tocha pelos antigos idiomáticos finlandeses. (Signal Rex)
Greyhawk - «Warriors Of Greyhawk» (EUA-Washington, Heavy/Power Metal) | Fusão power metal clássico dos EUA, AOR e tudo o que é metal épico; Os GREYHAWK voltaram com o seu terceiro álbum de hinos de batalha triunfantes. Revigorado, rejuvenescido e pronto para a aventura; Os GREYHAWK estão de volta com o seu terceiro álbum de power/heavy metal épico e melódico, fundido com um ângulo AOR e himno. Guitarras devastadoras, vocais elevados, ritmos poderosos e canções que ficarão contigo fazem parte desta obra majestosa. (Cruz del Sur Music)
Black Pig Meat - «Symbiotic Dream» (Portugal, Psychadelic Rock Fusion) | o quarteto Black Pig Meat irá lançar o seu álbum de estreia «Symbiotic Dream», uma fusão marcante de rock psicadélico e alternativo, energia jazz-fusion e improvisação explosiva. Formados em 2022, os Black Pig Meat começaram como um power trio de alta voltagem cujos anos de jams informais e sessões exploratórias evoluíram naturalmente para a base do primeiro álbum. «Sonho Simbiótico» oferece um som intenso, mas nunca caótico: as suas paisagens instrumentais são impulsionadas por melodias poéticas que atravessam um terreno frenético e cósmico. (Raging Planet)
Katakomba - «The Second Death» (Suécia, Death Metal) | Os destruidores suecos de death metal Katakomba regressam com o seu segundo álbum apropriadamente intitulado «The Second Death». Reforça o seu ataque conduzido pelo HM-2 com uma coleção ainda mais crua e selvagem de músicas que se deleitam com energia underground crua e pura intensidade. Emergindo do underground sueco, construíram uma reputação com o seu feroz timbre de guitarra HM-2, combinando death metal clássico com uma intensidade moderna e uma ponta afiada de niilismo alimentado pelo punk. (Majestic Mountain Records)
Fili Bibiano’s Fortress - «Death Is Your Master» (EUA-Califórnia, Heavy Metal) | FORTRESS é uma banda tradicional de heavy metal, formada em Whittier, Califórnia, em 2016. Para diferenciar todas essas bandas com o mesmo nome, decidiu-se usar a partir de agora o nome FILI BIBIANO’S FORTRESS, relacionado com o membro fundador da banda (que também toca com os Intranced). «Death Is Your Master» é o segundo álbum dos FORTRESS. (High Roller Records)
Lone Wanderer - «Exequiae» (Alemanha, Funeral Doom Metal) | Com o seu terceiro álbum «Exequiae» (latim para “ritos fúnebres”), os LONE WANDERER fazem uma declaração marcante no domínio dos Funeral Doom. A estreia da banda continua a linha temática do seu antecessor «O Inverno Faustiano». «Exequiae» é uma missa fúnebre em câmara lenta – majestosa, desesperada, intransigente – e é a obra mais cativante da banda. (High Roller Records)
Rave In Fire - «Square One» (Espanha, Heavy Metal) | RAVE IN FIRE é uma banda emergente de metal tradicional liderada por mulheres, formada em Madrid em 2015. Canções como “Dark Poison”, “Knightwalker” ou a energética “Speed And Rave” soam mais ou menos a Chastain, com Leather Leone, misturados com os Scorpions do início dos anos 80 e um pouco de Dio para dar um toque especial. A faixa “Square One” é a grande epopeia do álbum, a flertar com o prog metal. (High Roller Records)
Fanatisme - «Tro, Håp Og Kjærlighet» (Noruega, Black Metal/Post-Punk) | Fanatisme lançou o álbum de estreia «Tro, håp og kjærlighet». Ainda na casa dos vinte anos, o quarteto norueguês canaliza o espírito lunático e adorador da floresta dos primeiros Ulver e Darkthrone, fundindo-o com o pulso gótico de Christian Death e The Cure. O resultado é uma onda ferozmente individual de black metal com infusões pós-punk, uma celebração arrepiante da humanidade, da beleza da vida e da inevitabilidade da morte. (Fysisk Format)
HamaSaari - «Pictures» (França, Modern Progressive Rock) | Artesãos de um som que é simultaneamente massivo e delicado, os HamaSaari incorporam a alma do rock progressivo moderno. Inspirando-se em bandas que definem o género como Pink Floyd, Porcupine Tree e Karnivool, a banda trabalha e poli cuidadosamente uma linguagem musical construída sobre emoção, atmosfera e profundidade. Delicado, mas poderoso, o disco movese por atmosferas sombrias e vibrantes que se fundem numa paisagem sonora caleidoscópica em constante movimento. (Klonosphere Records)
In A House Of Heartbeats - «Divination Of Dreams» (Inglaterra, instrumental Post-Rock) | Emergindo das sombras da cena underground de Essex, o trio instrumental In A House Of Heartbeats tem vindo discretamente a esculpir bandas sonoras para pesadelos eufóricos desde 2022. A sua música, imersa em atmosfera e tensão cinematográfica, caminha na linha entre o sonho e o medo, uma mistura em constante mudança de post-rock, doom, gótico e shoegaze, filtrada por inspirações que vão muito além do mundo musical. (Ripcord Records)
Messticator - «Total Mastery» (Alemanha, Death/Thrash Metal) | E se ... Havia mesmo uma entidade, maior do que todos os humanos, que governava, julgava e punía todos nós? Esta seria a própria definição de «Total Mastery», que é o título do segundo álbum dos MESSTICATOR, bem como um dos conceitos ominosos que permeiam as suas letras. Em «Total Mastery», os MESSTICATOR continuam a equilibrar-se habilmente na fronteira do death e do thrash metal, mas com mais experiência vem uma subida de nível geral e mais de tudo. (Testimony Records)
Monograf - «Occultation» (Noruega, Post-Rock/Metal Folk) | Se o black escandinavo tivesse uma banda sonora pós-apocalíptica, soaria a MONOGRAF. No seu segundo álbum, «Occultation», o coletivo norueguês evoca uma paisagem sonora que se inspira na intensidade sombria dos seus pares, enquanto entrelaça a melancolia assombrosa dos instrumentos folclóricos escandinavos como o nykkelharpa e o violino. O resultado é uma música que parece tão vasta e desolada quanto a própria paisagem nórdica e assombrosamente bela. (Overhead Productions)
Silas Fernandes - «Carbon Purge Acceleration» (Brasil, Progressive Metal/Shred/Djent) | Silas Fernandes começou na música ainda adolescente, tocando na banda de heavy metal da lendária cena “metal” da região ABC em São Paulo (Brasil) numa banda chamada Esfinge, com Andreas Kisser, que mais tarde se tornaria o guitarrista dos Sepultura. Conhecido pela sua fusão de metal industrial, guitarra shred e influências progressivas, Fernandes continua a ultrapassar limites com música instrumental que mistura agressividade, melodia e temas que fazem pensar. O novo álbum de seis faixas de Fernandes, «Carbon Purge Acceleration», desenrola-se como uma jornada sonora que transita da intensidade agressiva para paisagens sonoras etéreas. (Independente)
Jagged City - «There Are More Of Us, Always» (EUA-Califórnia, Post-Rock) | Os Jagged City apresentam o seu álbum instrumental de estreia, «There Are More of Us, Always», uma coleção ousada que transita entre passagens de guitarra espaçosas e melódicas e subas ruidosas e crescentes. Com composições sentidas e melodiosas, uma diversidade de toques ecléticos escondidos e erupções de som denso e camado, este disco oferece composições maravilhosamente equilibradas através de uma produção crua e pessoal. (Pelagic Records)
Bizarrekult - «Alt Som Finnes» (Rússia, Post-Black Metal) | Imagine o oceano do interior do olho de uma tempestade. Cada onda ascendente apresenta a sua própria ameaça agitada pela mudança das marés. Este é o estado mental torturado, mas penetrantemente claro, de onde a curiosidade pós-black metal Bizarrekult emergiu lenta e meticulosamente com o seu envolvente terceiro álbum, «Alt Som Finnes». (Season of Mist)
Aeon Gods - «Reborn To Light» (Alemanha, Symphonic Power Metal) | Com «Reborn To Light», os Aeon Gods abrem um novo capítulo no seu universo metal, dominado por mitos, entrando no reino radiante e sombrio do antigo Egipto. As novas músicas misturam o poder do power metal com textura orquestral. A banda alemã entrega uma obra verdadeiramente cinematográfica e dinâmica: hinos rápidos, poderosos, de batalha, passagens atmosféricas sombrias, grandeza sinfónica e um momento de calma e profundidade emocional. (Scarlet Records)
Phasma - «Purgatory» (Internacional, Technical/Blackened Death Metal, Deathcore) | A banda grega Phasma tenta fundir influências que vão do black metal ao brutal death metal e tudo o que está pelo meio. A música oscila sem esforço entre riffs agudos de black metal e explosões de death metal contundente com estilos vocais correspondentes, e até insere um ou dois breakdowns no meio. Goste-se ou não, as Phasma vieram para ficar. (Transcending Obscurity Records)
Radian - «Subterfuge» (EUA-Ohio, Sludge/Doom Metal) | Os RADIAN, sediados em Akron, Ohio, lançam o seu terceiro LP, «Subterfuge». Situado num Egipto moderno e revisitado – que nunca caiu perante a conquista romana – Subterfúgio conta a história de um homem disposto a fazer tudo o que for preciso para proteger a sua casa, o seu povo e a sua cultura de uma cabala. Musicalmente, «Subterfuge» mostra RADIAN no seu estado mais focado e implacável – um sludge belamente opressivo, carregado de groove, aguçado por um arco narrativo e entregue com o peso da experiência vivida. (Independente)
Lead Injector - «Witching Attack» (Alemanha, Black/Speed/Thrash Metal) | Os estreantes do black/thrash de Dresden, LEAD INJECTOR, apresentam o seu álbum de estreia «Witching Attack» – uma homenagem intransigente ao metal extremo clássico, gravado ao longo de sete dias intensivos. «Witching Attack» combina faixas demo regravadas com material novo. Desde o início, os LEAD INJECTOR demonstraram um talento para estruturas de músicas cativantes, o que os distingue dos artistas comuns deste estilo. (High Roller Records)
Coscradh - «Carving The Causeway To The Otherworld» (Irlanda, Black/Death Metal) | Como um vento negro a erguer-se das turfeiras há muito silenciadas, os COSCRADH da Irlanda desenterram o seu segundo álbum «Carving the Causeway to the Otherworld», arrancando as estradas do pântano dos mortos com feitiçaria temível. As guitarras brilham e queimam como meteoros que cortam o horizonte, soltando riffs enferrujados ancestrais. (20 Buck Spin)
Blackwater Drowning - «Obscure Sorrows» (EUA-Carolina do Norte, Melodic Death Metal/Metalcore) | BLACKWATER DROWNING é uma banda norte-americana de cinco elementos de melodic death metal/metalcore da Carolina do Norte. O novo álbum reflete a união da banda para criar um segundo álbum, com todos os membros a contribuírem para o processo criativo. Criaram um álbum híbrido de melodias emotivas e roucas e escurecidas, ataques brutais e selvagens que transcendem para grooves pesados e paisagens sonoras de death metal. (Blood Blast Distribution)
Miserere Luminis - «Sidera» (Canadá, Atmospheric Black Metal) | Os MISERERE LUMINIS, de Montreal, exploraram uma vertente estridentemente emotiva e enriquecida por um Black Metal angustiado. O extraordinário novo álbum «Sidera» mostra a banda a completar uma jornada traçada pelo álbum anterior, entrelaçando Black Metal apaixonado, paisagens sonoras cinematográficas e texturas contemplativas num conjunto profundamente comovente de canções que misturam uma tristeza sentida com uma vontade feroz de existir. (Debemur Morti Productions)
Deeper Graves - «Pull Me Toward The Dark» (EUA-, Post-Punk / Shoegaze) | Desde o seu início, DEEPER GRAVES existe nos espaços silenciosos entre o peso e a libertação – um projeto pós-punk atmosférico e lento, moldado pela contenção e pela gravidade emocional. Criado por Jeff Wilson, o projeto serve como um contraponto profundamente pessoal ao seu trabalho em áreas mais pesadas, privilegiando o ambiente, a textura e a introspeção em detrimento do imediato. (Disorder Recordings)
Lesotho - «A Flashing On Plain Glass» (EUA-Massachusetts, Instrumental Post-metal) | A banda instrumental de post-metal de Boston, Massachusetts, LESOTHO, está a preparar-se para lançar o tão aguardado terceiro álbum, «A Flashing On Plain Glass». O disco, com quase trinta minutos, apresenta cinco novas canções imersivas que funcionam mais como movimentos, transitando de forma fluida de melodias catárticas para crescidas monolíticas. O álbum representa temas de impermanência e mudança inevitável no mundo. (Earsplit)
Unverkalt - «Héréditaire» (Grécia, Post-Metal) | Os UNVERKALT são atraídos para o limite. Desde que emergiu do underground, a banda de pós-metal da Alemanha à Grécia equilibrou uma atmosfera ilimitada com um peso sufocante. O terceiro álbum não segue tanto nessa direção, mas sim, mergulha na escuridão que sempre esteve à sua espera. «Héréditaire» levanta o véu de uma existência amaldiçoada. (Season of Mist)
Ensanguinate - «Death Saturnalia» (Eslovénia, Death Metal) | ENSANGUINATE é a entrada pútrida da Eslovénia no grimório oculto do black/death metal dos antigos, performando artes sombrias e sons sinistros. «Death Saturnalia» é um monumento à forma feminina no ocultismo, um tema tão multifacetado que exigia uma paleta musical alargada; O Death Metal arde com ainda mais zelo pelos velhos costumes. (Soulseller Records)
Draken - «Here Be Draken» (Noruega, Stoner Metal/Rock) | Draken – Verdadeiro Hard Rock Norueguês! Draken é um trio contundente de Oslo, Noruega. Musicalmente, estão algures entre o heavy rock e o metal. Com guitarras afinadas para baixo, riffs enormes e uma parede sonora, Draken procura canalizar a essência crua e natural do rock, com canções poderosas, musicalidade precisa e pura força sonora. (Dark Essence Records)
Cemetery Reign - «Confined To Time» (EUA-New Mexico, Death Metal) | CEMETERY REIGN é um projeto a solo de death metal liderado pela mente deprimida e deteriorada de David McMaster. Temos uma multiplicidade de canções carregadas de riffs, com guitarras assombrosas e reverberantes, e ataques rítmicos devastadores de implacabilidade de drum and bass que estiveram até agora sepultados. (Carbonized Records)
Zepter - «Zepter» (Austria, Heavy Metal) | ZEPTER é uma nova banda tradicional de heavy metal da Áustria. O álbum de estreia homónimo dos ZEPTER, que Lukas descreve como “autêntico heavy metal da velha escola, com muitos refrões cativantes e partes saborosas de harmonia de guitarras duplas. Todas as faixas do álbum são novas, exceto a versão cover de uma canção chamada “Lonely Night” da banda Screem. A música dos ZEPTER transmite uma vibe bastante forte de NWOBHM. (High Roller Records)
The Holeum - «Ensis» (Espanha, Doom, Post Metal e Dark Ambient) | Batizado com um nome derivado de teorias astrofísicas sobre matéria escura e buracos negros, os THE HOLEUM procurou ultrapassar os limites da música pesada e intensificar o impacto emocional da escuridão no som. O conceito deles é tanto cósmico como sonoro. Com o seu terceiro álbum «Ensis», a banda continua a sua jornada pelo metal experimental, death doom, metal melódico e pósmetal. (Lifeforce Records)
Foetorem - «Incongruous Forms Of Evergrowing Rot» (Dinamarca, Death/Doom Metal) | FOETOREM irrompe com uma nova investida de Death/Perdição pútrida! Mais pesado, mais sombrio e mais impiedoso do que antes, com riffs a pingar decadência, baterias a martelar como pedra a desmoronar e vozes resgatadas da mais profunda podridão! Uma onda sufocante de imundície transformou-se em pura ruína. Sem luz, sem esperança, apenas o fedor do colapso inevitável! Foetorem é um quarteto de metal extremo originário do obscuro e emergente underground. (Everlasting Spew Records)
John Macko Music - «Zero-Point Machine» (EUA-Califórnia, Progressive Rock / Metal) | John Macko, renomado baixista dos Fifth Angel, apresenta com orgulho o seu tão aguardado álbum de projeto Zero-Point Machine –uma exploração ousada e magistral para além dos limites do power metal pelos quais é conhecido. Misturando rock progressivo, jazz fusion e metal moderno, Zero-Point Machine oferece uma experiência auditiva rica e cinematográfica que guia o público numa jornada musical épica. (Outcast Angel Music)
Paaris - «Sic Parvis Magna» (Venezuela, Guitar Virtuoso) | O virtuoso da guitarra PAARIS lança um novo álbum instrumental. «Sic Parvis Magna» é um álbum conceptual feito para ser vivido do início ao fim. No seu cerne, trata-se de superar demónios internos, mas também de aprender a conviver com eles. O título, Sic Parvis Magna, traduz-se por ‘grandeza a partir de pequenos começos’, e foi exatamente isso que esta jornada. Enrique Márquez Paris, reconhecido como PAARIS, é um guitarrista dinâmico, compositor, produtor e um executivo de grande sucesso na indústria musical de Caracas, Venezuela. (Independente)
Voidhämmer - «Noxious Emissions» (EUA-Califórnia, Death Metal/Crust) | VOIDHÄMMER é um trio poderoso originário de Los Angeles, composto por membros dos Swampbeast e dos Crematory Stench. A sua vil cifra sonora de quatro músicas, intitulada «Noxious Emissions», é um arranjo caótico de vibrações que sugerem um conhecimento antigo e proibido. Os VOIDHÄMMER não se limitam a jogar; entregam quatro faixas cáusticas que alcançam um som desprovido de humanidade, recorrendo à entropia primitiva e zumbante do crust, death metal e grindcore — um som que sugere o pulso rítmico de algo vasto e indiferente. (Caligari Records)
Witch Ripper - «Through The Hourglass» (EUA-Washington, Stoner/Sludge Metal) | No seu terceiro álbum, «Through the Hourglass», os WITCH RIPPER libertam todo o potencial da sua impressionante capacidade de entregar melodias e riffs cativantes, com ganchos implacáveis. A banda de metal norte-americana combina perfeitamente a intensidade melódica com pinças de progressivo, sludge e outros estilos com aparente facilidade. (Prophecy Productions)
Ellefson-Soto - «Unbreakable» (EUA-Califórnia, Heavy Metal/Hard Rock) | O baixista vencedor de um GRAMMY®, David Ellefson (ex-Megadeth), e o aclamado vocalista de metal Jeff Scott Soto juntaram-se novamente e estão prestes a lançar o seu aguardado segundo álbum, «Unbreakable». A dupla Ellefson-Soto é acompanhada pelo guitarrista italiano Andy Martongelli e Paolo Caridi, na bateria. São 11 faixas de estúdio com participações especiais de Tim Ripper Owens (Priest dos KK) e Laura Guldemond, vocalista dos Burning Witches. «Unbreakable» é um assalto sonoro repleto de riffs cativantes, vocais melódicos e letras reflexivas que misturam as suas raízes clássicas do metal com intensidade do rock moderno. (Reaper Entertainment)
Only Human - «Planned Obsolescence» (Dinamarca, Progressive Metal) | Apesar de evoluir com maior velocidade e alcance do que outros, o metal progressivo nunca se afasta da vanguarda. Os ONLY HUMAN são novos na cena metálica. Com a estreia «Planned Obsolescence», eles inventam uma forma existencial de prog metal que alerta para a nossa distopia não muito distante. Ao contrário das tentativas da inteligência artificial, a fusão de prog, djent, hard rock e paisagens sonoras eletrónicas é o resultado de muito cuidado e trabalho árduo. (Season of Mist)
Master’s Ashes - «How The Mighty Have Fallen» (EUA-New York, Crush Punk / proto-industrial) | Construída sobre riffs serrilhados, um ímpeto rítmico esmagador e um sentido sufocante de urgência, «Defiance Disorder» encapsula os pilares ideológicos e musicais que definem MASTER’S ASHES: uma rejeição flagrante da submissão, uma reflexão sobre a decadência social e uma poderosa declaração de desafio forjada ao longo de décadas de experiência musical extrema. Inspirando-se no medo atmosférico da música heavy alternativa do início dos anos 90 e na energia radical do crust clássico, proto-industrial e metal apocalíptico. (Time To Kill Records)
Antrisch - «Expedition III: Renitenzpfad Marañones» (Alemanha, Atmospheric Black Metal) | Antrisch (termo austro-bávaro para estranho ou estranho) é uma mistura de diferentes estilos de black metal com partes de doom, djent e dark ambient. Na sua terceira expedição, Antrisch aventura-se nos aspetos sombrios da história humana: Expedição III: Renitenzpfad segue os passos do conquistador Lope de Aguirre. Ao longo de sete palcos sombrios, Antrisch envolve-nos numa história de loucura, violência e excesso, no meio de um ambiente hostil, tecendo uma paisagem sonora deprimente e com riffs de black metal comoventes, agressivos. (AOP Records)
Emily Rach - «Beisel Sumptuous Branching» (EUA-Illinois, Drone / Avant Jazz / Experimental / Ambient) | A solista EMILY RACH BEISEL revela o seu cativante e introspectivo segundo álbum, «Sumptuous Branching». EMILY RACH BEISEL é uma improvisadora, compositora, educadora, curadora e especialista em sopros radicada em Chicago. Conhecida por atuações viscerais, que misturam técnicas vocais e instrumentais estendidas com eletrónica analógica, a sua música centra-se no clarinete baixo e incorpora voz, eletrónica, técnicas estendidas e outros instrumentos de sopro, criando uma paisagem sonora complexa e com nuances onde as origens dos sons são frequentemente obscurecidas. (Amalgam)
Mammon’s Throne - «My Body To The Worms» (Austrália, Stoner/Sludge/Doom Metal) | Com «My Body to the Worms», os Mammon’s Throne dobram os subgéneros do metal à sua vontade para forjar uma oferta esmagadora de metal extremo sombrio! A banda entrelaça sem esforço, elementos de Death Metal, Black Metal, Doom Metal e muito mais para criar uma atmosfera envolvente e narrativa, com letras comoventes e memoráveis, trabalho de guitarra intrincado e estilos vocais diversos que certamente farão os ouvintes regressarem vezes sem conta. (Hammerheart Records)
Via Doloris - «Guerre Et Paix» (Noruega, Black Metal) | VIA DOLORIS é a visão do fundador Gildas Le Pape. Através do som, ele constrói um mundo onde emoção, disciplina e atmosfera convergem num lugar, para dar forma ao que não pode ser dito. Enraizado na solidão e moldado pela interação entre a escuridão e a beleza, o projeto confronta a gravidade da existência. Em vez de seguir as tendências do género, Via Doloris devolve a melodia ao seu lugar de direito: não como decoração, mas como força motriz da música. (Season of Mist)
Mystfall - «Embers Of A Dying World» (Grécia, Symphonic Metal) | Grandeza do metal sinfónico mediterrânico. O segundo álbum de estúdio do conjunto grego de metal sinfónico Mystfall, liderado pela extraordinária voz da soprano Marialena Trikoglou, irá seduzir o ouvinte e levá-lo numa viagem majestosa num mundo de atmosferas cinematográficas sombrias e oníricas. «Embers Of A Dying World» retrata uma dimensão alternativa onde os sonhos estão vivos e lutam contra pesadelos para manter o espírito humano vivo. (Scarlet Records)
Osmium Gate - «Cannibal Galaxy» (EUA-Utah, Instrumental Black / Cosmic Metal) | Forjados nas sombras de Salt Lake City, Utah, os OSMIUM GATE formaram-se em dezembro de 2024 como uma presença emergente no metal instrumental, canalizando o poder bruto de fenómenos elementares e de outro mundo em cada nota. A sua música faz a ponte entre o terrestre e o cósmico, criando paisagens sonoras imensas e íntimas, como testemunhar a fúria silenciosa de uma tempestade ou o lento arder de uma galáxia distante. (Independente)
Kerrigan - «Wayfarer» (Alemanha, Heavy Metal) | Os KERRIGAN são uma das estreias mais promissores da Alemanha, tocando heavy metal tradicional. Três anos depois de «Bloodmoon», chegou a altura do álbum seguinte chamado «Wayfarer». Canções acessíveis, mas com tantos detalhes interessantes que nunca se tornam aborrecidas. Para além do speed metal ortodoxo, encontra-se aqui de tudo. (High Roller Records)
Green Carnation - «A Dark Poem, Part Ii Sanguis» (Noruega, Gothic/ Progressive Metal/Rock) | Não importa quanto tempo ou onde a viagem os tenha levado, a Green Carnation nunca teve medo de um desafio. Após atingirem novos picos esmagadores durante o grandioso e sombrio capítulo inicial da sua tão
aguardada trilogia de álbuns, os bardos prog noruegueses estão a descer para profundezas mais profundas, sombrias e pessoais com a Parte II de «A Dark Poem». Enquanto a Parte I apenas arranhou a superfície, a épica faixa-título que abre a Parte II promete perdoar e esquecer velhas feridas sangrentas. (Season of Mist)
Matador - «Above, Below And So» (Canadá, Psychedelic Atmospheric Doom Metal) | Os Matador regressam com «Above, Below and So», uma nova declaração imponente no pós-metal épico e psicadélico. Expansivo, mas esmagador, o álbum capta a banda no seu momento mais ambicioso, definido por momentos de atmosfera vasta e ameaçadora, alcance cinematográfico e profundidade sonora imersiva. Os Matador levam o seu som mais longe do que nunca. O álbum mostra a banda a mergulhar mais fundo em composições técnicas e meticulosamente elaboradas, misturando melodias delicadas e assombrosas com riffs brutais carregados de doom e ritmos poderosos. (Church Road Records)
Kate’S Acid - «Hellbender» (Bélgica, Speed Metal) | A única e inigualável ACID, formada em Bruges em 1980 (e inicialmente chamada Precious Page), é amplamente considerada uma das primeiras bandas de speed metal no continente europeu. «Hellbender» é o nome do primeiro álbum de estúdio dos recém-formados KATE’S ACID, que inclui nove composições totalmente novas. (High Roller Records)
Monosphere - «Amnesia» (Alemanha, Post-Metal / Prog Metal) | Nos últimos quatro anos, os Monosphere tornaram-se uma das bandas independentes mais respeitadas da cena alemã de post & prog-metal. O seu estilo é versátil, post/progmetal misturado com influências de mathcore, post-rock, metalcore, black metal e até jazz, música clássica e vanguarda. (Independente)
Metal De Facto - «The Land Of The Rising Sun Pt 2» (Finlândia, Power Metal) | A força finlandesa do Power Metal METAL DE FACTO regressa com «Land Of The Rising Sun – Parte II», o próximo capítulo da sua épica homenagem à história, cultura e mitologia do Japão. A banda apresenta o seu trabalho mais poderoso, dinâmico e maduro. O álbum apresenta um som natural e orgânico, baterias massivas, trabalho de guitarra vibrante e uma produção cinematográfica ampla. (Reaper Entertainment)
Evermore - «Mournbraid» (Suécia, Power Metal) | Uma odisseia power metal inspiradora. O terceiro disco «Mournbraid» para os mestres suecos do power metal, oferece o som característico dos Evermore, feito de riffs de guitarra agressivos, vocais épicos e inesquecíveis e refrões fortes – tudo amplificado por uma produção massiva e impecável. Mestre do ardor e da melodia perfeitamente misturados. (Scarlet Records)
Engrupid Pipol - «Quadragenta At Finem Mundi» (Chile, Progressive Metal) | O trio chileno de metal progressivo Engrupid Pipol lançou o seu explosivo novo álbum conceptual «Quadragenta At Finem Mundi». Uma a obra ambiciosa de Engrupid Pipol, um álbum instrumental de prog-metal em sete atos que retrata, metaforicamente, a queda da humanidade. O álbum oferece uma profecia sonora cativante. (Independente)
Apolaustic - «No Plenitude Without Suffering» (Suiça, Black Metal) | Os Apolaustic foram formados pelo antigo vocalista/guitarrista dos Stortregn, Romain Negro, como forma de expressar a sua visão pessoal. Ao mesmo tempo, cortantes e comoventes, os riffs afiados e insistentes andam de mãos dadas com melodias elegantes. A agressividade e a emoção são lindamente geridas, com muitas variações para realçar as emoções nos momentos certos. (Transcending Obscurity Records)
Muerto - «Eclipsed Realms» (México, Black Metal) | Há algo na crueza das emoções expressas na sua forma pura. Contra o pano de fundo de uma música angustiante e lamentosa, estão os ecos vazios de uma mulher ressentida e possuída, acrescentando malícia à música do que qualquer coisa possivelmente artificiosa. Aqui está algo sombrio, indecoroso, insidioso, e tão naturalmente real e relacionável. A intrigante música black metal carregada de doom pulsa e torce-se com um aperto firme da atmosfera. (Transcending Obscurity Records)
Género
Black Metal
Death Metal
Power Metal
Thrash Metal
Black/Death Metal
Progressive Metal
Progressive Rock
Atmospheric Black Metal
Heavy Metal
Rock
Doom/Death Metal
Folk Metal
Jazz Metal
Post-metal
Death/Thrash Metal
Doom Metal
Post-rock
Stoner/Doom Metal
Power/Speed Metal
Stoner
Dark Rock
Dark Folk Metal
Grindcore
Avant-Garde Metal
Heavy Metal/Hard Rock
Symphonic Metal
Deathcore
Funeral Doom Metal
Progressive Metal/Rock
Black/Doom Metal
Sludge
Progressive Rock/Metal
Metalcore
Brutal Death Metal
Industrial Metal
Sludge/Doom Metal
Stoner/Sludge
Guitar Hero
Guitar Virtuoso
Industrial Rock
Gothic Wave Synth
Heavy/Speed Metal
NeoFolk Metal
Symphonic Metal/Rock
Black ‘n’ Roll
Post-Punk / Shoegaze
Horror Punk
Vicking Metal
Dark/Ambient
CURIOSIDADESPALETES
Álbuns por Países
País
Alemanha
Noruega
Finlândia
Suécia
EUA-Califórnia
Inglaterra
Itália
Internacional
Canadá
Polónia
Países Baixos
França
EUA-North Carolina
Portugal
Espanha
Dinamarca
Suiça
Rússia
Grécia
Austrália
EUA-Washington
EUA-New York
EUA-Ohio
EUA-Oregon
#LPs
Irlanda
EUA-New Jersey
EUA-Illinois
EUA
Brasil
Bélgica
Austria
Hungria
EUA-Massachusetts
EUA-Tennessee
EUA-Texas
Nova Zelândia
Chéquia
EUA-Florida
Ucrânia
Eslovénia
Para esta edição da Versus, chegaram-nos pouco mais álbuns do que na versão anterior, passando de 317 para 333 álbuns. No que respeita ao top das tabelas na tabela de estilos, tivemos um burst de álbuns de Black Metal, que aniquilou o Death Metal. A tendência Death-Black é uma constante desde que iniciamos esta estatística. Espero que os fãs do género sejam em número que possa justificar esta proliferação de bandas de Black e Death Metal. Duvido que alguma banda faça um estudo de mercado antes de abraçar qualquer género. Surpreendente a ascensão aos lugares cimeiros do Power Metal, Thrash Metal e dos estilos progressivos.
No lado dos países de origem das bandas que lançaram um álbum, a Alemanha continua a reinar. Penso que isto deve-se ao facto de a maioria das grandes editoras europeias, serem alemães. Para esta edição, é de realçar no topo, logo atrás da Alemanha, o agrupamento dos países escandinavos. A Inglaterra, o berço do Heavy Metal, um país que devia dominar a tabela, tem andado arredado do topo da lista. Nesta edição, conseguiu recuperar o seu lugar de direito, quase destronando a Califórnia. Duplicou a sua pontuação. Relativo a outros países, é de realçar a receção de um álbum vindo do Irão, Venezuela, Luxemburgo e Eslovénia.