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Versus #49

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A N T RO D E FO L IA

HEAVY METAL & FUTEBOL

V E R SUS

LIVE

AMORPHIS Reis do Tempo

TA R J A Diva pt 2 BETWEEN THE BURIED AND ME Auto mata e m d os e dupla

The Di rty Coa l Tra in A z a ga te l D ogm a


V E R S U S M A G A Z IN E

EDITORIAL

Rua José Rodrigues Migueis 11 R/C 3800 Ovar, Portugal Email: versusmagazinept@gmail.com

vErSUS MAGAZINE

W E B S IT E www.versusmagazine.pt

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D IR E C Ç Ã O

Férias e festivais C h ega ram as fér i as e com elas o me re ci do de s ca n s o… o u n ão . Este ano, como sempre, os fe s t i va i s de m ús i ca

Adriano Godinho, Eduardo Ramalhadeiro & Ernesto Martins

G R A F IS M O Eduardo Ramalhadeiro

COLABORADORES

No b ilis q u e d ecorre por este fi m de s e ma n a .

Adriano Godinho, Carlos Filipe, Cristina Sá, Dico, Eduardo Ramalhadeiro, Eduardo Rocha, Elsa Mota, Emanuel Roriz, Ernesto Martins, Frederico Figueiredo, Gabriel Sousa Helder Mendes, Hugo Melo, Ivo Broncas, Nuno Kanina, Paulo Freitas Jorge e Victor Alves

Infeliz mente , depoi s de alguns an os e nt re Va gos e

F O T O G R A F IA

a co ntecem p o r este paí s fora. Do s ma i s i mport a nte j á a co nte ce ra m o SWR Bar roselas Met a l Fe s t – cuj a re p orta ge m é fei t a nest a edi ção da Ve rs us e o L a urus

Co r ro io s o Vagos Open Ai r não se real i z a rá e m 2 0 1 8 .

Créditos nas Páginas

Meta l Fe st, q uat ro di as de músi ca pe s a da , a gora com

Todos os direitos reservados. A VERSUS MAGAZINE está sob uma licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-ComercialNão a Obras Derivadas 2.5 Portugal.

d o i s p a lco s: “Palco Vagos” e “ Palco St a i rway”.

O U T IL IZ A D O R P O D E :

No se g u nd o f i m de semana de Ago s to te m os o Va gos

Po r isso , a e q u i pa da Versus vos dese j a uma s boa s fé ri a s co m excele nte músi c a… qualquer que e l a s e j a . Bo a mú sica , Eduardo Ramalhadeiro

copiar, distribuir, exibir a obra

S O B A S S E G U IN T E S C O N D I ÇÕES: AT R IB U IÇ Ã O - O uti l i za dor deve dar crédi to ao autor o r iginal, da for ma especi fi cada pel o aut or ou l i cenci ante.

U S O N Ã O - C O M E R C IA L . O ut ilizador não pode uti l i zar esta obr a par a fi ns comerci ai s. N Ã O A O B R A S D E R IVA D A S . O uti l i zador não pode al terar, transfor mar ou cri ar outr a obr a com base nesta.

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FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM

C O N T E ÚDO Nº49 07/18

0 4 A M OR P H IS

34 GLORIO R B E L L I

1 0 V I NNIE PAU L R I P

38 ALBUM V E R S U S

1 1 T R IA L B Y FIR E

40 CRÍTI C A S V E R S U S

9 4 L IV E V E R S U S

1 2 T H Y C ATA FA L QU E

50 A ANO M A L IA D O WH IT E M E TA L

1 0 8 G A B R IE L S O U S A

1 8 O HO MEM D A MOTOSERRA

52 TARJA

110 DER BLUTHARSCH

2 2 MOS GE NER ATO R

66 BETW E E N T H E B U R IE D A N D M E

1 1 3 P L AY L IS T

24 LIK

72 NUNO L O P E S

1 1 4 PA L E T E S D E M E TA L

2 7 V I C TO R ALVE S 2 8 E MA NU E L JR . 3 3 N U NO LO P E S

G R Ê L O S D E O RTE L Ã

H E AV Y M E TA L & F U TE B O L

C A F É A Q U A N TO O B R I G A S

8 4 T H E D IRT Y C O A L T R A I N AMORPHIS

MOSH

74 WALLA C H IA 80 CARLO S F IL IP E

9 0 A Z A G AT E L

128 GARAGE POWER ANTRO DE FOLIA

84 M IGUE L T IA G O . . . D O R E S T E L O PA R A O M U N D O

(SU)POSIÇÕES

DOGMA

1 3 2 N E K R O G O AT H E R E S Y 1 3 6 C A R L O S F IL IP E D O D I C I C I L I N D R I

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Velhos são os trapos Foto: Ville Juurikkala 4 / VERSUS MAGAZINE

Olli-Pekka refere a longa experiência de Amorphis, mas mostra – sem sombra de dúvidas – que o “bichinho” da experimentação ainda lá está.

Entrevista: CSA & Eduardo Ramalhadeiro


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orquestrais e os coros. É algo completamente novo para nós. Somos uma banda que gosta de experimentar e estamos sempre abertos à utilização de novas influências na nossa música. A produção é excelente e estes novos elementos tornam o álbum muito especial. Eduardo – Como referiste, este álbum tem alguns convidados e novos elementos musicais, que nunca foram utilizados nos vossos álbuns: orquestra, coros, os tubos de Chrigel Glanzmann. dos Eluveitie, a laringe de Albert Kuvezin e o saxofone de Jørgen Munkeby e, claro, Anneke van Giersbergen, de quem sou grande fã. A canção “Amongst Stars” foi composta para a voz dela? Não pensámos em ter uma voz feminina neste álbum, mas, com os coros e a orquestra, acabámos por pensar que seria interessante termos uma variação, com a inserção de uma voz feminina. Como a Anneke é uma velha amiga e vem do mesmo lugar que os Amorphis, era natural a escolha. Fez um trabalho fenomenal. Foto: Lars Johnson

Eduardo – Olá Olli! Aqui temos mais um grande álbum de Amorphis. Como está a ser recebido pelos media? Já tiveram a oportunidade de tocar as novas músicas ao vivo? Qual foi a reação dos fãs? Olli – Tem havido uma excelente resposta, quer dos medias, quer dos fãs. Falando por mim, eu gosto imenso do álbum. Mas, como quando a gravamos, temos de tocar as canções inúmeras vezes, acabamos por não ter uma opinião imparcial. Creio que quando as tocarmos nos concertos, logo se verá a reação do público. Há cerca de uma semana estivemos num festival na Noruega onde tivemos a oportunidade de tocar a «The Bee» e a «Wrong Direction». Mas, como agora as pessoas estão sempre a gravar os concertos com os telemóveis, torna-se difícil fazer o que se fazia antes: experimentar as novas músicas ao vivo antes dos álbuns saírem. Eduardo – É fantástica a consistência que mantiveram ao longo da vossa carreira: por vezes, experimentando novos sons, mas sempre mantendo o som original. Poderemos ver «Queen of Time» como o vosso trabalho mais ambicioso? É uma evolução natural? Sim, creio que é o mais ambicioso, porque é uma combinação de todos os elementos da carreia de Amorphis, com algo mais. Fez-se um grande trabalho com os músicos convidados e com os arranjos

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Eduardo – Qual era a dimensão da orquestra? Quantos elementos tinha? Bem, é difícil dizer, porque não estive nessas gravações. Teria de perguntar. Não sou especialista em instrumentos clássicos. Eduardo – Estes arranjos enriqueceram ainda mais a vossa música e é fácil imaginar-vos a tocar todo o álbum com uma orquestra. Olhando para o resultado final desta colaboração, já pensaram nesta possibilidade? Pensas que seria possível? É difícil de dizer, porque já usamos samples desde o primeiro dia, mas com orquestra… é uma ideia interessante, mas teria de ser um álbum acústico. O grande desafio é não exagerar, porque senão o álbum seria de difícil audição após algumas canções. Seria interessante fazer um álbum ao vivo com orquestra, à semelhança dos Deep Purple ou dos Metallica. Pessoalmente, gostei bastante do álbum dos Metallica. No entanto, preferiria enveredar mais por um álbum acústico, ao vivo e com orquestra. CSA – Uma vez mais, as letras são da responsabilidade de Pekka Kainulainen, mas estou bastante curiosa quanto ao título do álbum. Se compreendi a informação disponibilizada pela editora, «Queen of Time» refere-se a abelhas. Porque é que as veem como Rainhas do Tempo? Uma das razões é porque é o título de uma das músicas e surge nas letras. Creio que o tempo se refere ao da raça humana e as abelhas são uma metáfora para os restantes animais. Estão a desaparecer e o ecossistema está a ficar em risco. Enquanto houver abelhas, há tempo para a raça humana fazer alguma coisa. Esta é a minha interpretação. No entanto, cada um é livre de fazer a sua interpretação e dar o seu sentido ao título e às


letras. É uma forma de cada um ter uma experiência pessoal com as letras. Não faz sentido estar a explicar as letras uma a uma. ­­­ CSA – Quanto da “Kalevala” encontramos neste álbum, nomeadamente no que diz respeito às letras? A “Kalevala” fará sempre parte de Amorphis e, dessa forma, afetará sempre a nossa música e as nossas letras, é algo que está no nosso DNA. Lemos a “Kalevala” desde muitos novos e não nos é possível fugir disso. É um milagre que as letras ainda funcionem, mas tem a ver com a sua complexidade. CSA – A capa do álbum é simplesmente maravilhosa. Lembra-me as famosas obras de Klimt. Quem criou o trabalho artístico? Qual foi a influência da banda na sua conceção? A capa foi criada por Valnoir Mortasonge. Já tinha feito um grande trabalho em «Under the Red Cloud» e decidimos voltar a trabalhar com ele. Tem uma forma de trabalhar bastante simétrica. Enviámos-lhe as letras e ele usou-as como inspiração para o seu trabalho. Creio que terá usado a música «The Bee» como principal fonte de inspiração. O trabalho é fantástico visto pessoalmente e o produto final, depois de trabalhado digitalmente, ficou simplesmente fabuloso.

[…] Somos uma banda que gosta de experimentar e estamos sempre abertos à utilização de novas influências na nossa música. […]

CSA – O «Queen of Time» faz-me querer ouvir novamente o «Silent Waters». Penso que isto acontece porque a voz do Tomi apresenta, neste novo trabalho, à semelhança daquele, diferentes variações. Para além do facto de serem ambos álbuns dos Amorphis, existe alguma relação entre eles? Bem, o «Silent Waters» é um dos meus álbuns favoritos e a verdade é que pode ter influenciado este novo álbum, embora não intencionalmente. Mantém o mesmo equilíbrio e balanço que existia em «Silent Waters» e que, nos últimos trabalhos, acabámos por não seguir. Eduardo - Também és o baixista de Barren Earth. Quem tem a melhor voz pesada, Jón Aldará ou o Tomi? Bem tenho de dizer que são igualmente bons, mas creio o Tomi Joutsen tem maior qualidade vocal. Mas são vocalistas muito diferentes, pelo que é difícil compará-los. Eduardo – Estás de volta passados quase 18 anos. Como reagiste quando recebeste o convite para regressar à banda? Bem, foi como um choque. Nunca me tinha preparado para isso. Estava a levar uma vida completamente diferente. Estive tanto tempo fora que foi um passo enorme deixar a minha vida e voltar para os Amorphis. Claro que foi nostálgico e emocionante poder voltar a juntar-me a eles. Por esse lado, foi um passo natural, que acabou por facilitar. Ainda havia uma ligação

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Foto: Lars Johnson

espiritual e a química estava lá. Uns anos antes tinham saído os livros sobre Amorphis, que me deixaram de certa forma aberto a esta possibilidade. Não é fácil explicar, mas a saída destes livros e tudo aquilo que despertaram em mim facilitaram todo o processo de regresso. Eduardo – És um dos elementos originais de Amorphis e um dos melhores álbuns de sempre é para mim o «A Tale of a Thousand Lakes». Recordaste desses dias? Bem, não muito! (risos) Lembro-me de algumas coisas. Muita coisa aconteceu nesse ano. Quando és novo, os gostos musicais mudam rapidamente. Num ano ouves Speed Metal, no ano seguinte, Thrash, depois Black Metal... E, de repente, todos começámos a ouvir música progressiva. Fomos evoluindo com essa música e quisemos experimentar o que ouvíamos nas canções. Esse álbum foi criado de forma bastante rápida: se não me engano, em duas

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semanas compusemos e gravámos. Claro que, nessa altura, tivemos a oportunidade de experimentar essas músicas ao vivo e iam já bem ensaiadas. Eduardo – Olhando a esta distância, alguma vez pensaram que «A Tale of a Thousand Lakes» viria a ser considerado um dos mais influentes álbuns de Death Metal de todos os tempos? É difícil para mim ser objectivo relativamente a isso. Espero que sim, que tenhamos tido influência sobre outras bandas por aquilo que fizemos de diferente, os pianos, as vozes limpas, etc. Comparando com os álbuns que saiam na altura, de facto era diferente. Mas é como te disse: não sou a melhor pessoa para te dar uma opinião imparcial sobre isso. Fizemos um bom álbum, que assim foi visto logo na altura. Eduardo – Vão entrar em digressão com os Dark Tranquility, Omnium Gatherum e os nossos Moonspell. Já tinham partilhado o palco com esta


banda portuguesa? Os Amorphis já tocaram com Moonspell algumas vezes, mas pessoalmente só me recordo de uma vez: salvo o erro, em 1996, em Amesterdão. Lembro-me que eram uns tipos de poucas palavras, com quem era difícil falar. Mas creio que agora vai ser diferente. Estamos mais velhos, mais sábios e mais estáveis (risos). Vai ser excelente entrar em digressão, estou ansioso por isso. E vai ser excelente tocar com os Moonspell, porque vieram do mesmo lugar que os Amorphis: fizeram parte dos anos 90, em tocámos Metal Gótico, e temos várias coisas em comum. Muito obrigado e esperamos ver-vos em Portugal. Obrigado Eduardo e espero sinceramente que tenhamos a possibilidade de tocar em Portugal. Amorphis Youtube

[…] Creio que o tempo se refere ao da raça humana e as abelhas são uma metáfora para os restantes animais. Estão a desaparecer e o ecossistema está a ficar em risco […] 9 / VERSUS MAGAZINE


Vinnie Paul 1953 – 2017

Cowboy From Hell Não só a comunidade Metal, mas como todo o mundo da música, ficaram novamente de luto com a notícia da trágica morte de Vincent “Vinne” Paul Abbott. Um portentoso músico, um homem acarinhado por todos, Vinnie Paul marcou, literalmente, o ritmo de uma geração. Os Pantera, banda que formou juntamente com o seu malogrado irmão, o imortal Dimebag Darrell, foram uma lufada de ar fresco no metal dos anos 90. Numa linha temporal em que o Grunge era Rei e senhor, conseguiram lutar contra a corrente musical da época e voltaram a colocar o Metal na ribalta. E fizeram-no tão brilhantemente que garantiram um lugar na história como uma das melhores bandas de sempre do género. Com um estilo único de tocar que aliava poder, técnica, velocidade e “Groove”, ele foi um dos grandes responsáveis para o sucesso dos Pantera, e tornou-se uma inspiração para várias gerações. Pessoalmente não encontrei qualquer referência a menos simpática à personalidade de Vinnie Paul. Muito pelo contrário. De carácter afável e divertido, generoso por natureza, cultivou inúmeras amizades e será recordado também pela sua alegria contagiante. Perdemos um mito, uma referência, um exemplo. A música está mais pobre, nós estamos destroçados, mas agradecidos. Agradecidos pela música e por tudo aquilo que os Pantera significaram para o Metal. A perda é grande, mas o legado é sem dúvida imortal. Ivo Broncas


Trial by Fire AMORPHIS

AT THE GATES

B ATTL E R O A R

Q ueen Of T i m e

To D r i n k F ro m T h e N i g h t

Codex Epicus

(Nuclear Blast)

(Century Media) MÉDIA: 3,9

(Cruz del Sur Music) MÉDIA: -

MÉDIA: 4,1

C A R L O S F. EDUARDO R. EMANUEL R. EMANUEL J. ERNESTO M. HUGO M. NUNO L.

4 5 3,5 4,5 3,5 3 5

C A R L O S F. EDUARDO R. EMANUEL R. EMANUEL J. ERNESTO M. HUGO M. NUNO L.

3,5 4 3,5 4,5 4 4

C A R L O S F. EDUARDO R. EMANUEL R. EMANUEL J. ERNESTO M. HUGO M. NUNO L.

DIMMU B ORGIR

FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM

ORANGE GOBLIN

Eo nia n N uclear (Nuclear Blast)

H osti a (Osmose Productions) MÉDIA: 3,2

The Wol f B i tes Bac (Candlelight) MÉDIA: 3,3

MÉDIA: 3,6

C A R L O S F. EDUARDO R. EMANUEL R. EMANUEL J. ERNESTO M. HUGO M. NUNO L.

2 3,5 4,5 4 3,5 4

C A R L O S F. EDUARDO R. EMANUEL R. EMANUEL J. ERNESTO M. HUGO M. NUNO L.

2 3 3,5 3,5 4 3

C A R L O S F. EDUARDO R. EMANUEL R. EMANUEL J. ERNESTO M. HUGO M. NUNO L.

4 2,5

RED SUN RISING

SYK

THE DARK RED SEED

Thread (Spinefarm Records) MÉDIA: 2

I

B e c o m e s Aw a k e

(Ear Split) MÉDIA: -

(Prophecy Productions) MÉDIA: 3

C A R L O S F. EDUARDO R. EMANUEL R. EMANUEL J. ERNESTO M. HUGO M. NUNO L.

2

C A R L O S F. EDUARDO R. EMANUEL R. EMANUEL J. ERNESTO M. HUGO M. NUNO L.

C A R L O S F. EDUARDO R. EMANUEL R. EMANUEL J. ERNESTO M. HUGO M. NUNO L.

3

T OU ND R A Vor t ex (InsideOut Records) MÉDIA: 3,5

C A R L O S F. EDUARDO R. EMANUEL R. EMANUEL J. ERNESTO M. HUGO M. NUNO L.

Obra - Prima

5

3

Excelente

4

4

Esforçado

3

3,5 3,5

Esperado

2

Básico

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Vagabundagem perpétua Eis a essência de «Meta», o novo álbum de Thy Catafalque, nas palavras do seu criador. Entrevista: CSA Fotos: Aurelija Karaliunaite

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Esta é a nossa terceira entrevista sobre os teus novos álbuns. Desta vez, trata-se de «Meta». O que significa este título) (Em Português, a palavra meta significa objetivo.] Tamás – Este meta vem do Grego e significa através de, por cima de algo, para além de algo. A ideia de base do título de «Meta» é que as mais ínfimas partículas de todas as vidas derivadas do carbono andam a vaguear através de diferentes corpos, diferentes formas de vida depois da morte de cada uma das vidas, das formas de que fazem parte. É uma espécie de ciclo sem fim, a última aventura. E que relação existe entre a capa do álbum – de sabor medieval – e o tema subjacente a ele? Por que podemos ver nela um veado e uma raposa? Simbolizam algo em particular? A capa do álbum baseia-se na iconografia da Igreja Ortodoxa Oriental ou, para ser mais preciso, num ícone bizantino clássico representando São Constantino e Santa Helena. No lugar das suas cabeças, pusemos as cabeças desses dois animais. O veado e a raposa são personagens habituais no meu universo artístico. Por exemplo, o nome do meu quarto álbum – «Róka Hasa Rádió» – significa algo como “rádio do ventre da raposa”. Além disso, o veado e a raposa também aparecem nas letras de «Meta», pelo que o artwork é uma referência direta ao conteúdo do álbum. Para mim, eles simbolizam a vida no seu estado mais puro, sendo representados como santos porque também simbolizam a santidade da vida em todas as suas formas. A capa apresenta ainda outros símbolos: as aves que dormem no chão, as montanhas e o moinho. São descritos nas canções, mas, infelizmente, precisas de dominar o Húngaro para conseguires captares todo o sentido destes símbolos. És tu o autor desta capa? Parece bastante diferente das dos teus álbuns anteriores. Eu criei o conceito e pedi a uma artista búlgara, ligada à iconografia – Agnessa Kessiakova – que pintasse a imagem correspondente. Não foi fácil encontrar alguém para fazer este trabalho, porque a maioria destes artistas estão exclusivamente ao serviço da religião ortodoxa, cuja iconografia tem regras muito rígidas, que eles se recusam a infringir. De facto, esta capa é realmente muito diferente das outras, mas era assim que eu a via desde o início e sempre quis ter uma capa com uma verdadeira pintura. Estou a ficar farto das ilustrações digitais que aparecem constantemente nas capas das edições dos álbuns em CD e vinil. Atualmente a maioria das capas dos lançamentos de Metal são clichés totalmente desprovidos de bom gosto e estúpidos.

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O que distingue entre si «Rengeteg», «Sgùrr» e «Meta»? «Rengeteg» ficava no ouvido, «Sgùrr» era hostil e «Meta» é mais amigável, mais acolhedor. Para mim, representa um resumo de tudo o que tenho feito até ao momento em termos musicais, com alguns elementos novos. Mas nada drasticamente novo. Com este álbum, sinto-me como se tivesse chegado ao fim de um ciclo, Usaste o teu velho Korg para o fazer ou tiveste de recorrer a outro material? Da última vez que te entrevistei, disseste que os seus botões estavam à beira do colapso final. Usei o Korg em alguns momentos, mas a maior parte dos teclados foi feita com sintetizadores virtuais. O N5 funciona bem, ainda o posso usar. Que músicos convidaste para «Meta»? Algum deles te deu uma ajuda na composição? Fui eu próprio que compus a música, mas é claro que a participação de outros artistas tem um grande impacto no álbum. Attila Bakos está de regresso para uma canção (que, na realidade, foi gravada em 2010, durante as sessões relativas a «Rengeteg»). Ágnes Tóth, outro nome dos velhos tempos, também está presente. E há ainda mais três vocalistas: Gyula Vasvári, de Perihelion, Lambert Lédeczy de Ahriman, Tyrant Goatgaldrakona, Mörbid Carnage e Orsolya Fogarasi. Há ainda um solo de guitarra de Balázs Tóth, de Casketgarden, algumas passagens de violoncelo de Judit Csere e de oboé tocado por Luci Holland. O álbum está cheio de contributos de outros músicos, todos bem melhores do que eu. Gostei particularmente da voz feminina na maravilhosa segunda faixa, em que combinaste tão bem guitarras pesadas com melodias bucólicas que fazem o ouvinte sonhar. Em “Sirály”, canta Ágnes Tóth, dos The Moon And The Nightspirit [duo folk húngaro]. Já tinha cantado em «Róka Hasa Rádió» e «Rengeteg». A propósito de géneros musicais, que influências podemos encontrar neste álbum? A segunda faixa é francamente bucólica, mas a terceira já me faz pensar em música épica para sagas cinematográficas. Ora bem, acho que há demasiadas influências na minha arte. Por isso, é que os meus álbuns são tão ecléticos e difíceis de classificar. Na segunda faixa, podes sentir a influência de Rock dos anos 70, com aqueles grandes riffs, o órgão, o solo de guitarra no fim, mas o violoncelo e a suave voz feminina não têm nada a ver com essa época. Para ser franco, raramente penso nisso, limito-me a tocar o que me vem à mente.

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“

[…] Para mim, [os animais da capa do álbum] simbolizam […] a santidade da vida em todas as suas formas. […]

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E, felizmente, tenho um mundo bastante rico na minha cabeça. És supersticioso? Pensas que este álbum será um sucesso maior que os anteriores, por ser o sétimo da banda? Qual é a tua maior ambição para «Meta»? Não me vejo como uma pessoa supersticiosa e não tenho grandes ambições para «Meta». Fi-lo porque senti que tinha de o fazer e porque ele representa o que eu era na altura em que o criei. Nada mais. Não estou preocupado com o valor comercial do álbum, isso é assunto que diz respeito à editora. A única coisa que me interessa pessoalmente é sentir-me contente com as canções. Estou bastante satisfeito, logo a minha ambição está concretizada. Qual é a situação de TC na Hungria? Será que o facto de já não viveres no teu país afeta a receção d atua música lá? Não me parece. O facto é que, de acordo com as estatísticas do Facebook, tenho mais fãs no estrangeiro do que na Hungria, mas não tenho motivo para me queixar da receção de TC na minha pátria. Penso que a minha música é respeitada e apreciada. Muitas pessoas gostam do que faço e eu não podia desejar mais do que isso. Como não faço concertos, em termos práticos não interessa onde vivo. Podia até estar no Alasca, que isso não afetaria em nada a minha situação. Pelo menos, no que diz respeito a Thy Catafalque. Parece-te que TC tem algo a ver com bandas como Alcest, que começou por fazer parte da cena Black Metal e agora faz algo bem diferente desse género? Há uma infinidade de bandas com raízes no Black Metal, que depois evoluíram noutras direções. A razão de isso acontecer está no facto de se tratar de um género livre, que pode ajudar-te a dar largas a uma infinidade de fluxos criativos. Multidões de gente criativa foram atraídas pelo Black Metal e usaramno como ponto de partida para criarem o seu estilo próprio. Se calhar, já nem existe Black Metal, a bem dizer. Mas que importa isso? De certo modo, importa sim. Mas, de outro ponto de vista, nem por isso. E como vai indo a tua carreira de artista gráfico? Haha, não vai a lado nenhum, porque não existe. Limito-me a fazer o artwork para mim próprio. E já me é muito bom para mim. Thy Catafalque Youtube

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O HOMEM DA MOTOSERRA Ideias tristes em horas bizarras

Je suis Alcochete: a História não contada Penso que não foi só o Universo Sportinguista, mas também Portugal em peso, que ficou chocado com a invasão à Academia do Sporting em Alcochete, com consequente agressão bárbara a jogadores, treinadores e staff. Muito se tem falado sobre este episódio, especulado sobre o verdadeiro responsável pelos mesmos e esmiuçando sobre tudo o que se passou naquele fatídico dia. Porém, existe informação que não foi divulgada nos media e que está a revoltar ainda mais os adeptos Sportinguitas! Como todos sabemos, uma boa franja de adeptos e sócios Sportinguistas pertence a uma classe com maior poder económico, sendo muitos deles membros de ilustres famílias. Pessoas com educação e bom senso que para lá das agressões, que já são graves o suficiente, não conseguem esquecer outras situações igualmente perturbadoras. Talvez sejam ainda mais do que isso: situações aberrantes e absolutamente imperdoáveis e indignas, que tornam ainda mais insuportável o dia mais negro da história do Sporting Clube de Portugal!!! • Todos os adeptos entraram na Academia sem cumprir um “dress code” digno do Sportinguismo! Ninguém tinha uma camisa Saccor, Gant, Quebra-mar, nem mesmo Fred Perry ou Pedro del Hierro! Em termos de calçado, os agressores usavam todos ténis! Ténis! Nem um sapato de vela se viu naqueles pés. Tamanha barbárie nunca foi sequer mencionada!!! Todo o chão de Alcochete deveria ser desinfetado para purgar o sucedido! • Os vândalos entraram com lenços a tapar os seus rostos. Nem um, repito, num um lenço era Burberry! Como conseguiram passar a segurança nestas condições, o bom adepto Sportinguista não consegue explicar! • Bas Dost foi cobardemente agredido com um cinto. Sabe-se agora que não era Gucci! Muito menos Guess! Que desrespeito brutal pela sua pessoa! E assim se viu o resultado: 7 pontos! É firme convicção destes adeptos que um cinto de marca apenas deixaria uma leve marca na testa, e corrigiria a posição do pescoço tornando o seu golpe de cabeça mais eficaz. • Uma das teorias que sugere que Bruno de Carvalho esteve envolvido nestas agressões prende-se indirectamente com o que Battaglia sofreu: um garrafão de 25 litros água nas costas…. E água que não era Evian!!!!!! Para além das dores o jogador, por já estar completamente integrado na cultura Sportinguista, sofreu também, uma enorme urticária devido à menor qualidade da água. E quem é que trocou a água em Alvalade? Investigue-se….. • Apenas se safou o facto de terem sido retirados de BMW. Tudo menos que isso e o universo Sportinguista caía de vez, sem hipótese de se levantar! Ligeiramente mais a sério, parece-me um bocadinho contraproducente esta invasão. “Bora lá aleijar e lesionar os nossos jogadores, aviar-lhes uma valente carga de porrada para estarem frescos e com força anímica para ganharem a Taça de Portugal”. Pois… se calhar não deu assim tão bom resultado. Contudo, e agora que vão estar uns tempos arredados destas andanças, e supondo que a discoteca Urban já

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tem as vagas preenchidas, sugeria que o “talento” destes “adeptos” não fosse desperdiçado. Caso se consigam manter longe da prisão há todo um futuro risonho que os espera. Podem abrir uma empresa de cobrança, (“Cobradores do Lenço” era um bonito nome para mesma), ou fazer exactamente o mesmo discurso motivador na assembleia da república. E porquê parar na assembleia da República?? Há tantos locais onde podiam exercer o seu talento inato: BES, PT, alguns madeireiros Portugueses, José Sócrates, Ricardo Salgado, EDP, ex diretora da Raríssimas, e isto é só uma pequena lista de serviços públicos que o grupo de amigos do Fernando Mendes poderia fazer. Sim, foi absolutamente estúpido e troglodita o que fizeram! Não há outra forma de o classificar. E agora que viram a taça voar para o Aves (grande trocadilho, não foi?!) se calhar tomaram consciência disso. Então, como punição, a minha proposta era voltar a juntar que este conjunto de pessoas “que só querem conversar”, e que o fizessem com todos aqueles que já referi, e ainda mais alguns. Seria uma bonita forma de alcançarem a redenção aos olhos da opinião pública. Despeço-me longe de poder entrar na Academia de Alcochete porque não tenho sapatos vela: O Homem da Motoserra.

A entrevista

Cortar “a torto e a direito” Todos os clubes da história do futebol mundial e quiçá, de Portugal, tiveram ou têm aquilo a que os telespectadores nos estádios chamam de: CEPOS. Ora pois, nesta entrevista juntaram-se dois cepos… mas atenção, cepos de qualidade - não da bola mas da escrita. Um Ser Híbrido entrevistou o grande escritor, cepo e colaborador da Versus de seu nome: Homem da Motoserra.

Olá Homem da Motoserra. Parabéns pelo teu Blog e página do Facebook, os quais não fui capaz de ler. Como te sentes sabendo que as pessoas humanas não lêem os teus textos e se estão a borrifar para aquilo que escreves? Olá! Antes de mais quero apresentar o meu desejo de melhoras… da vossa saúde mental,

Entrevista: Ser Híbrido Fotos: Não há

isto é. Com tanta banda boa pedirem-me para responder uma entrevista… enfim… As melhoras! De certeza que vai correr tudo bem! Em relação à tua pergunta, é de facto um alívio saber que as pessoas humanas se estão a marimbar para ler aquilo que escrevo. As pessoas que se intitulam “humanas”, são na

realidade uma amálgama de ideias pré-concebidas, misturadas com hipocrisia, pouco sentido de humor e matéria fecal onde deveria estar alocada massa encefálica. Não tinha conhecimento dessas pessoas se estarem a borrifar para aquilo que escrevo, e fiquei deveras feliz com essa notícia. Muito obrigado!

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é de facto um alívio saber que as pessoas humanas se estão a marimbar para ler aquilo que escrevo. Sendo a Versus Magazine uma revista de bem que se dedica à música em particular e ao Heavy Metal em geral, como é que surgiu a oportunidade de escreveres algo que é vá… parvo, para uma revista de elevado gosto cultural? No início fiquei perturbado. “Mas porque razão querem que faça crónicas para a revista?”, perguntei a mim mesmo. Depois em conversa com a vossa equipa, percebi que o vosso distúrbio mental, de quando em vez, quase que se aproxima do meu. Após esta constatação percebi o porquê de pedirem a minha colaboração. Outra das razões é porque eu próprio sou fã de Metal e não quis ser indelicado com indivíduos que partilham o meu gosto de música que eu, ou como os funcionários da instituição onde estou internado lhe chamam: “essa merd@ que é só berros que tu gostas de ouvir.” No seguimento da pergunta anterior, são só os textos que são parvos, ou o Homem da Motoserra é ele mesmo parvo?

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Devo já dizer que acho indecente essa pergunta! Acho que faltou inclusivamente diferenciação intectual a quem a decidiu fazer. Qualquer pessoa não humana percebe que o Homem da Motoserra (sim, eu refiro-me a mim mesmo na terceira pessoa por solidariedade aos jogadores de futebol) é que é parvo!! Enfim…. Sem mais comentários! Próxima pergunta se faz favor!! Já foi ventilado que o Donald Trampa poderia ser nomeado para o Nobel da Paz. Será esta proposta hedionda um grande passo para tu seres nomeado para o Nobel da Literatura? Eu por acaso não acho nada hedionda a nomeação de Donald Trampa para prémio Nobel da paz! Reparem: nunca uma pessoa juntou tanto consenso à sua volta: todos o querem ver com uns sapatinhos de cimento a ser atirado para a fossa das marianas. Ora um espécime/aglomerado de massa adiposa que gera este tipo de união entre tantas pessoas do planeta, deveria ser efectivamente nomeado para Nobel da Paz! Desde Chineses a Europeus, passando por Norte Coreanos e até líderes do Médio oriente, todos estão unidos contra Donald Trampa. Este poder de união que ele provoca não deve ser menosprezado! Quanto ao prémio Nobel da literatura, estou até bastante confiante. Vou anunciar publicamente a minha retirada se ganhar o Nobel. Logo, penso que terei boas hipóteses. Agora restame trabalhar Domingo a Domingo, dar o máximo nos treinos, e prontoZZ, esperar o Mister tenha confiança em mim. Clara Pinto Correia foi acusada de plágio. Já dedicaste algum artigo parvo a este assunto? O que achas da escrita desta “escritora”? Antes de mais desconhecia que esta…. senhora vá, sabia escrever. Nunca me passou pela cabeça que conseguia juntar palavras e transformá-las numa frase percetível, e por isso mesmo nunca

me passou pela cabeça pegar sequer num “livro” seu. Mas será uma boa ideia! Se a gastroenterite com a qual estou a lutar se prolongar, porque não arriscar passar os olhos numa publicação sua? Obrigado pela ideia. Por falar em “escritores”, tenho um livro do José Rodrigues dos Santos que é considerado o maior “escritor” português da actualidade, para vender – “O Codex 632” por acaso não mo queres comprar? Podemos falar sobre isso. Todas as armas de arremesso que tinha estão inutilizadas. Percebi que um dos requisitos para ser “vendedor de porta a porta” é ter a cabeça muito dura!!! Como tal, não há nenhuma que resista muito tempo. Não achas que todos os livros dele deveriam vir impressos em papel mais macio? Não só mais macio, como também mais absorvente. E talvez com um formato maior. Uma crítica também para a qualidade da impressão: não há nada mais irritante do que ter literatura de qualidade duvidosa “impressa” provisoriamente nos nossos refegos mais íntimos. Quais são as tuas maiores influências a nível literário e escriturário? A nível escriturário aprecio bastante as canetas BIC. As Parker já não porque são caras e têm a mania que são boas. Não tenho paciência para essas mariquices! Quanto a nível literário, depois do “Correio da Manhã”, “Dica da Semana” e “A Bola”, confesso que em momentos de fraqueza já li livros de Thomas Pynchon, Neil Gaiman, Bret Easton Ellis e Patrick Rothfuss Vi no teu Blog que tens um problema existencial. O que nos podes dizer sobre isso? O que significa “existencial”? Posso dizer sim que tenho um distúrbio mental, e luto todos os dias para


que as pessoas com os mesmos problemas possam ser aceites, toleradas pela sociedade, e até para que lhes seja dada a hipótese de exercerem cargos relevantes! Isto costuma resultar muito bem… até ao primeiro arremesso de fezes. A partir daí todo o trabalho vem por água abaixo. Enfim, é uma luta diária.

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Quanto ao prémio Nobel da literatura, estou até bastante confiante. Vou anunciar publicamente a minha retirada se ganhar o Nobel. Logo, penso que terei boas hipóteses.

De todos os artigos que já escreveste quais foram o que deram Broncas? Infelizmente foram poucos. Houve de facto um que deu alguma polémica, mas retirei-o do blog, e explico porquê: Há uns anos atrás foi feita uma exposição de fotografias de… ânus masculinos e peludos. Não, não se tratavam de glúteos, mas sim de grandes planos de ânus. Resumindo (e nunca é demais frisar): Fotos com bem mais de um metro de altura de grandes planos de ânus peludos! Alguém considerou aquilo arte. Eu considerei nojento, uma perfeita anormalidade, e dei a entender que quem apreciava tal exposição teria o QI de uma pedra da calçada, ou seria alguém que tivesse sido sujeito a uma lobotomia radical, entre outras coisas simpáticas que enunciei. Afinal de contas, parece que o nojento, o ignorante e o preconceituoso sou eu. E eu tudo bem! Prefiro sê-lo a apreciar aquela exposição. Esse artigo deu de facto uma polémica que me deu muito gozo. Porém, todos temos limites e eu estava cansado de ter aquelas fotos expostas no meu blog. E como ignóbil que sou, retirei aquelas “peças de arte” da página. Para terminar a nossa entrevista: quando escreves estás completamente lúcido ou sobre o efeito de drogas e/ou opiáceos? Gostava imenso de dizer que estava efectivamente sobre o efeito de substâncias que deixariam um lutador de sumo a babar-se durante duas semanas. Contudo, não é o caso. Admito sim que por vezes esqueço-me de tomar os meus comprimidos. Queres deixar o teu contacto ou endereços fiscais das tuas páginas para quem te quiser ofender pessoal ou verbalmente? Podem sempre insultar-me em abundância através do blog: http:// o-homem-da-motoserra.blogspot. pt/ Terei todo o prazer de ler e

responder à letra aos vossos insultos, inventar uns novos, e quem sabe se não nascerá uma grande amizade? Obrigado pelo tempo que despendeste a responder a estas perguntas, foram feitas com todo o amor e carinho, enquanto reflectia no WC. De nada, foi um prazer, e é muito agradável de saber que a vossa forma de trabalhar é tirada a papel químico da minha. Facebook

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Eu considerei nojento, uma perfeita anormalidade, e dei a entender que quem apreciava tal exposição teria o QI de uma pedra da calçada [...] 2 1 / VERSUS MAGAZINE


Rock de barba rija Os norte-americanos MOS GENERATOR estão de regresso com «Shadowlands» que, como sempre, nos traz uma banda inspirada e que teima em fazer do Rock a sua bandeira. A VERSUS esteve à conversa com o mentor TONY REED para saber que terras são estas e para fazer um balanço da carreira. Entrevista: Nuno Lopes

Deixa-me começar esta entrevista por dizer que é um enorme prazer voltar a falar contigo desde a fantástica entrevista e concerto que deram da última vez que tiveram em Lisboa. Que recordas desse concerto? Tony: Foi a nossa primeira vez em Portugal. É uma cidade muito bonita, mas haviam várias obras a decorrer o que nos fez levar imenso tempo a atravessar a cidade. Gostei do local do concerto, não muito grande, e o pessoal de suporte também foi bastante simpático. Creio que desse concerto tenho sentimentos mistos. Nessa altura estavam a promover o «Abyssinia», que foi bem aceite pelo público e media. Sentiste que havia mais pressão e responsabilidade para este «Shadowlands»? Na realidade não vejo os nossos álbuns como casos de sucesso, pelo que, quando estou a escrever para um novo álbum, mantenho-me honesto comigo mesmo e escrevo aquilo que me ocorre de forma natural. Tenho a certeza que, se alguma vez nos tornarmos muito famosos, aí sim, sentirei a pressão para fazer um determinado álbum. Sinceramente tenho algum receio desse tipo de pressão, não sei se conseguiria lidar com isso. O novo trabalho tem a vossa identidade e som bem marcados, mas parece ir um passo mais além. Era esse o vosso desafio? É difícil continuar a evoluir após uma carreira tão longa?

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Tinha mencionado na resposta anterior que a escrita vem de forma natural e foi isso que aconteceu em «Shadowlands». Na realidade eu tenho de controlar o quando evoluímos. Aprecio vários tipos de música pelo que se torna um desafio deixar entrar apenas aquilo que funciona para a banda. Acho que tenho de formar outras bandas ou projectos para tocar outros estilos de música que gosto. Creio que o facto da nova secção de ritmos ser parte do arranjo das músicas, permitiu-me adicionar várias texturas ao som dos MG. O Jono e o Sean estiveram em algumas das músicas de «Abyssinia», no entanto, quando entraram em estúdio para gravar, a maioria das músicas já estavam feitas. Os últimos três anos, temos estado em digressão e isso reflecte-se no novo álbum. Sabe bem expandirmo-nos. Quais são as “Shadowlands” a que o título se refere e qual foi o ponto de partida para as letras das músicas? São os locais negros que todos temos em nós. Lugares onde não gostamos de ir, mas por vezes não temos escolha se não viver lá. Aqui dá-se a ruptura: Sou um cavaleiro e estou a tentar chegar à luz do sol (que representa a pureza e a bondade). O espectro representa a escuridão que todos possuímos. Não é necessariamente uma presença maligna, apenas algo que me impede ser tão completo como procuro. As letras neste álbum são muito pessoais e transparentes. É um estilo de escrita que tenho vindo a usar desde «Nomads», de 2012.


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Tenho a certeza que,

se alguma vez nos tornarmos muito

famosos, aí sim, sentirei a pressão para fazer um

determinado álbum.

Em músicas como «Stolen Ages» ou «Woman Song» temos a ideia que agora estão numa onda mais Bluesly ou de puro rock. É esta a nova direcção dos Mors Generator? Se ouvires o nosso primeiro álbum de 2002, é um álbum puramente rock. Quando a banda se formou, falámos sobre qual seria a base que serviria de fundação a partir da qual cresceríamos. Ao longo dos anos conseguimos manter a base e voltar a ela a cada álbum. Pessoalmente não oiço nenhumas influências de blues neste álbum. Encontro um misto de hard rock, prog rock, power pop, e o som alternativo do underground dos anos 80. Foi assim que as coisas ficaram, não tenho nenhuma direcção quando estou a compor um álbum. Apenas escrevo um conjunto de músicas e escolho aquelas que, juntas, fazem mais sentido. Posso afirmar que procurei que este trabalho tivesse uma boa energia, provavelmente é por isso que não existem slows ou músicas pesadas. Passados 18 anos desde o inicio da vossa viagem, quais são os momentos que destacas na vossa carreia? Destaco toda a música que fizemos. É óbvio que é fantástico ter todas estas memórias das digressões e de todas as pessoas que conhecemos pelo mundo fora, mas aquilo que fica de forma permanente é a música que gravámos. Quem sabe, um dia, esta música venha a ser explorada e reconhecida como música vinda do coração e feita por pessoas que colocaram todo o seu ser na sua criação.

Da última vez que falámos, o Trump tinha sido recentemente eleito e tu estavas, de certa forma, num estado de esperar para ver. Depois deste tempo, como vês as mudanças no teu país e como avalias as “guerras” que ele abriu? Não falo de política, faço música. Brevemente o álbum vai estar disponível nas lojas, quais são as vossas expectativas e quais são as hipóteses de ver novamente os Mors Generator em Portugal? Não tenho espectativas, apenas esperanças. Gostaria de ver os ouvintes perder algum tempo a absorver o conteúdo deste trabalho e tentarem compreender aquilo que o faz um todo, em termos de composição lírica e musical. Adoraríamos regressar a Portugal com esta digressão de «Shadowlands». Tivemos uma excelente experiência em 2016, e sentimo-nos muito bem-vindos. Ainda não temos as datas definitivas, mas quando começarmos a estruturar a digressão vamos pedir datas em Portugal. Gostarias de deixar uma mensagem a Portugal? Esperamos estar aí brevemente e esperamos que gostem do novo trabalho.

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Agressividade crĂ­tica A sua mĂşsica violenta retrata a forma como veem a sociedade dos tempos modernos. Entrevista: CSA

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Olá, Chris! Lik é realmente violento. Só precisam de tocar para ficar em forma. Chris – Hahaha! Quem me dera que fosse assim tão fácil. Como nasceu Lik? Eu e o Tomas começámos a tocar juntos, porque ambos gostávamos de Dismember, que acabou por se converter na maior influência de Lik. Fizemos algumas canções e uma demo, assim que o Nille se juntou a nós. Lançámos o nosso álbum de estreia – «Mass Funeral Evocation» – pela War Anthem Records. Fizemos alguns concertos e uma minidigressão europeia. Mas não aconteceu nada de especial para nós até agora. Vamos ver o que se segue. A Suécia é um terreno fértil no que diz respeito ao Metal (entre outras coisas, é claro). Que bandas do vosso país vos influenciaram? Dismember, Entombed e Edge of Sanity principalmente, penso eu. E do estrangeiro? Autopsy, Death, Repulsion, Rotten Sound etc., etc.

Bem, tentei fazer isso ao vivo aí umas duas vezes e foi realmente muito difícil. Nunca mais me vou aventurar a fazer tal coisa ou pedirei a quem quer que seja que o faça. Hahaha! Tal como já disse, canto numa canção aqui e ali, mas nada mais. Deixo isso para os profissionais como o Tomas. Quem se responsabiliza pela música? E pelas letras? O Tomas é o nosso principal compositor. Mas eu também faço uma boa parte desse trabalho, pelo menos no que toca a criar riffs. Depois, o Tomas articula-os no esqueleto de uma canção (que corresponde a uma espécie de demo grosseira) e juntamo-nos os três na sala de ensaios para converter esse material numa verdadeira canção. Portanto, o nosso processo de composição é muito old school. É importante para nós que os três estejamos satisfeitos com o que compomos. O trabalho de escrita das letras é dividido entre o Tomas e eu.

Em Lik, todos cantam. Como distribuem os deveres vocais entre os membros da banda? Isso não é bem assim. Eu canto numa canção de «Mass Funeral Evocation», que se intitula “Sickening”. Mas não fiz um bom trabalho. A minha voz Death Metal não vale um caracol comparada com a do Tomas, que é verdadeiramente o vocalista da banda. Ele tem uma das melhores vozes que já encontrei no universo do Death Metal. Parece estar furioso e completamente enlouquecido. Mesmo assim, consegue pronunciar tudo de forma clara, o que é simplesmente fantástico.

Nas vossas canções, por vezes, as guitarras são tão trabalhadas que parecem uma espécie de “renda musical”. Queres comentar esta ideia? [Sinto o mesmo em relação a outras bandas como, por exemplo, os vossos compatriotas Dark Tranquility.] Esse aspeto vem de Dismember e resulta do modo como eles interiorizaram a influência de Iron Maiden e a puseram em ação em algumas das suas canções. Somos grandes fãs de Iron Maiden e da forma como Dismember integrou a sua influência na sua arte. Tratase de deixar as canções “respirar”, estás a perceber? É refrescante e gratificante ser capaz de criar este tipo de riffs e partes e inseri-los de forma perfeita na estrutura da canção.

Não é particularmente difícil tocar bateria e cantar ao mesmo tempo? [Sei que não és o único que faz isto, mas sempre quis fazer esta pergunta a alguém que estivesse nessa situação.]

Posso dizer que o teu estilo na bateria é ligeiramente Hardcore? É uma questão de opinião. Eu limito-me a tocar como fica melhor na canção. Mas talvez a minha forma de tocar seja um bocadinho

Harcore. Para mim, é Death Metal puro e simples. A carnificina não é um tema pouco usual para uma banda de Metal. O que torna a vossa abordagem original? Nada. Como relacionas as várias faixas do álbum com o seu tema central? [No caso de algumas, a relação é óbvia, mas o mesmo não acontece para outras como, por exemplo, “Dr. Duschanka”.] As nossas letras falam de todas as coisas desagradáveis que acontecem nas nossas vidas, no mundo, de assassinos em série, de filmes de horror. Pegamos em todas as impressões que essas coisas nos deixam e fazemos delas a matéria das nossas histórias loucas.

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A ideia expressa no título “Only Death Is Left Alive” é muito interessante. Quem a concebeu? Foi o Tomas que escreveu toda a música para a canção e depois eu e ele escrevemos as letras juntos. É

As nossas letras falam de todas as coisas

desagradáveis que acontecem [...] Pegamos em

todas as impressões que [...] nos deixam e fazemos

delas a matéria das nossas

histórias loucas.

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simplesmente a nossa forma de interpretar a célebre fórmula “Only death is real.” Nem mais, nem menos do que isso. O que pensas do facto de a civilização ocidental ter tanta dificuldade em ver a morte como uma parte do ciclo em que nos envolvemos a partir do momento em que nascemos? Na minha opinião, é uma questão cultural. Cada um tem de se adaptar à ideia de morte à sua maneira, de determinar o que esta significa exatamente para si próprio. Onde foram buscar a capa do álbum? [Gosto particularmente da aposta no preto e branco e do padrão intrincado do artwork.] Foi criada pelo espantosamente talentoso Mark Riddick. Contactámo-lo há uns tempos atrás para nos fazer um motivo para t-shirts. Depois ele pediunos autorização para refazer o nosso logo de modo a adapta-lo a esse desenho. Ficou tão giro que passamos a usar essa versão desde essa altura e nunca mais deixamos de trabalhar com esse artista. Não nos vejo a substitui-lo por outro nos tempos vindouros.

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A Metal Blade afirma que tocaram muito durante 2017 e que ainda tocarão mais este ano. - Onde deram esses concertos? Na Alemanha, na Finlândia, na Suécia, na Eslovénia, tanto quanto me posso lembrar. - Com quem tocaram? Foram demasiadas bandas para ser possível mencioná-las aqui, até porque a maioria dos concertos estava integrada em festivais. - Onde vamos poder ouvir-vos tocar em 2018? Para já, temos concertos confirmados na Suécia e na Finlândia. Também estamos a preparar uma minidigressão na Alemanha e na Holanda. Mas ainda não está nada confirmado. E estamos a preparar mais concertos. Por acaso, neste momento andamos à procura de uma agente. - Com quem vão partilhar o palco? Ainda não sabemos. Mas vamos ser cabeças de cartaz na maioria dos eventos em que vamos participar até agora. LIK Youtube


Grêlos de Hortelã Por: Victor Alves

Saudade

Com que idade já eu a tenho? Seus bastardos. O sucesso não transpira à volta do suor de uma cona Nem o homem é feito de papel É preciso esquecer as necessidades que criamos E mergulhar no impacto da novidade. Seus brutos!

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Heavy Metal & Futebol Por: Emanuel Leite Jr.

Mundial 2018 Futebol e Heavy Metal são conterrâneos. Afinal, ambos surgiram na Inglaterra. O futebol, em sua forma moderna, foi codificado em 1863 com a criação da Football Association. Enquanto a história aponta o primeiro álbum dos Black Sabbath, de mesmo nome, lançado numa sexta-feira 13 de fevereiro de 1970 como o pioneiro do metal. Da Inglaterra o heavy metal logo se espalharia pelo mundo ainda na década de 1970. Na Alemanha, surgiriam os Scorpions. Da distante Austrália, os AC/DC. Nos Estados Unidos, os Kiss contribuíriam para popularizar o estilo musical. No fim da década, na própria Inglaterra, um movimento denominado de “Nova onda do heavy metal britânico” rejuvenesceria o género e viria nascer aquela que se tornaria uma de suas maiores bandas: os Iron Maiden. A partir dos anos 1980, o Metal consolidou-se como um fenómeno global. Com a força do seu peso, atravessava as fronteiras culturais e nacionais, fincando sua bandeira desde o Brasil, passando pela cortina de ferro da Europa Oriental, chegando à Ásia e África. Em meio ao Campeonato do Mundo de futebol, que já caminha para a sua fase decisiva, o “Heavy Metal & Futebol” traz a questão: se houvesse um Campeonato do Mundo do Metal, qual país seria campeão? Façam suas apostas.

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Grupo A

Grupo B

Rússia Desde os tempos da União Soviética, mesmo com toda a restrição à música ocidental, os russos são fanáticos pelo heavy metal. Bandas como Sepultura, Metallica e Pantera fizeram concertos históricos ainda na antiga União Soviética. Algumas bandas russas exploram bastante a cultura local, experimentando elementos de black metal, progressive metal com elementos de sua riqueza musical, como é o caso dos Arkona.

Espanha Ao contrário de outros países europeus, os espanhóis não são assim tão reconhecidos pela sua cena metálica ao redor do mundo. Mesmo assim, há nomes históricos que se destacam, comos os Angelus Apatrida, Mägo de Oz e os bascos do Soziedad Alkoholika.

Uruguai A ditadura militar que durou 12 anos no Uruguai, entre 1973 e 1985, foi extremamente repressora a movimentos do underground cultural, como o Metal. Mesmo assim, os Acido surgiram em 1981 e em 1986 lançam o primeiro registo fonográfico do género no país, o EP “Acido”. O grupo encerraria suas atividades em 1987, mas em 2010 voltou à ativa. Outra banda pioneira são os Alvacast, criados na capital Montevidéu em 1985. Praticantes de um heavy metal tradicional, os Alvacast são considerados a melhor banda do estilo no Uruguai. Interromperam suas atividades em 1999, mas em 2014 voltaram a fazer concertos. Egito Ser headbanger no Egito não é nada fácil. Em 1997, houve uma série de prisões de metaleiros pelo simples fato de serem… Metaleiros. Já em 2016, os brasileiros dos Sepultura tiveram seu concerto no Cairo cancelado pelas autoridades locais e a banda de Minas Gerais sentiu na pele a perseguição que o Heavy Metal sofre no país. O concerto havia sido organizado pelo músico egípcio, que atualmente vive nos EUA, Nader Sadek, que tem um projeto de Technical death metal. Mas, o Metal resiste no Egito. E um bom exemplo disso são os Crescent com o seu blackened Death Metal, similar ao som dos Behemoth.

Portugal Se houvesse um Campeonato do Mundo do Metal, certamente os Moonspell, um dos ícones maiores do Dark Metal internacional, seriam os representantes portugueses. Irão Mais um país em que não é fácil ser headbanger. Oficialmente, o metal é banido do Irão. Porém, atualmente, existem várias bandas ativas no país. E os Kuadrumana é uma delas. Marrocos Em 2003, 14 metaleiros marroquinos foram condenados por “chocarem a fé muçulmana”. Eram membros das bandas Nekros, Infected Brain e Reborn, além de cinco fãs. Apesar de tudo, a cena heavy metal do Marrocos vive dias de maior abertura do que em lugares como Irão ou Arábia Saudita e já há alguns anos contam com eventos e festivais, como o Tremplin Rock and Metal Festival. Ship Of Wisdom (Heavy/Thrash/Power Metal) e Alcantagram (Death Metal) são alguns dos nomes que se destacam no país atualmente.

Kuadrumana

Arábia Saudita Mais um país em que ser headbanger pode representar ir à prisão. Em 2009, um músico foi detido e passou um ano preso e outro, de nacionalidade síria, foi deportado do país. Concertos na Arábia Saudita são raros e sempre clandestinos. Mesmo assim, a cena resiste com grupos como Al-Namrood (Flok/Black Metal) ou Grieving Age (Doom Metal).

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Grupo C

Grupo D

França Celeiro do power metal e metal progressivo, é uma banda de progressive death metal que tem honrado as cores tricolores. Com sua enorme técnica, os Gojira figuram entre os grupos mais sonantes da atualidade no cenário internacional. Certamente a França, assim como sua seleção de futebol, iria longe num Campeonato do Mundo do Metal.

Argentina Os Rata Blanca (Power/Heavy Metal) são o nome mais icónico do metal argentino. Os A.N.I.M.A.L, que seguiram as pegadas do Sepultura, explorando mais o groove e a cadência, conseguiram relativo destaque no fim dos anos 1990.

Dinamarca Mais uma força do Metal mundial. Ou alguém questiona o poderio de um país que tem nomes como Mercyful Fate, King Diamond, Artillery e Volbeat do seu lado? Austrália É o país dos AC/DC. Parece-nos que basta este trunfo, para os australianos se credenciarem a figurar entre os finalistas desta competição. Peru O heavy metal chegou ao Peru nos anos 1980 e se desenvolveu a partir da cena do Death e Black Metal. Pioneiros, os Kranium surgiram em 1984, como Murder, e continuam na ativa até hoje, com seu Folk/ Doom/Death Metal. Os death metallers dos Mortem, primeiro grupo peruano a fazer digressões pela Europa e pelos EUA, também seguem ativos.

Islândia Nem só de Björk vive a música islandesa. O Metal na Islândia é muito presente, ao ponto de em 2013 ter sido lançado o filme Metalhead, do premiado diretor Ragnar Bragason. Auðn, The Vintage Caravan e HAM são alguns dos representantes islandeses. Porém, sem sombra de dúvida, os Sólstafir são o maior expoente do país a nível internacional atualmente. Croácia Kryn, Omega Lithium e Ashes You Leave são nomes que despontam no cenário croata. Nigéria Sim, existe uma cena metaleira na Nigéria e está em franco crescimento. Há até um portal na internet que se dedica a divulgar o cenário underground do país, o Audio Inferno, que destaca os 1LastAutograph e Arum como bandas a serem ouvidas.

Sólstafir

Kranium

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Grupo E

Brasil O primeiro álbum de heavy metal no Brasil data de 1982 e veio do estado do Pará, com a banda Stress. Mas foi no Sudeste que o género se desenvolveu no país. Em Minas Gerais surgiria aquela que se tornaria não só a maior banda nacional, mas um dos maiores nomes de todos os tempos. Os Sepultura venderam cerca de 20 milhões de cópias em todo o mundo ao longo de seus quase 34 anos de carreira. Além dos Sepultura, Krisiun, RDP e Angra são grupos bem estabelecidos no cenário internacional. Suíça No futebol, a Suíça é conhecida por ter criado o catenaccio, o “ferrolho suíço”, esquema extremamente defensivo. Já no metal, os caras são um dos criadores do black metal, com nomes icônicos como Celtic Frost e Hellhammer. No thrash metal, os veteranos do Coroner merecem respeito. Dentre as bandas mais jovens, a Eluveitie se destaca com seu folk metal. Sérvia As raízes do heavy metal sérvio remontam aos tempos da antiga Jugoslávia. Por exemplo, os veteranos do Speed/Thrash Metal dos Bombarder surgiram em 1986, em Sarajevo, Bóssnia e Herzegovina (então parte da Jugoslávia), e só anos depois é que se mudaram para Belgrado, na Sérvia. Formados 10 anos depois, em 1996 e já numa Jugoslávia reduzida a Sérvia e Montenegro, os The Stone são os maiores nomes do black metal sérvio. Um grupo que não existe mais, porém se destacou por suas parcerias com os Soulfly do Max Cavalera, foi o Eyesburn seus integrantes participaram em músicas do álbum “Prophecy” (“Moses”) e “Dark Ages” (“Innerspirit”). Costa Rica Os Ticos, como são conhecidos os costarriquenhos, também têm uma efervescente cena metal. Inclusive, os Moonspell já se apresentaram naquele país da América Central. Sight of Emptiness (que já se apresentou no Bloodstock Open Air) e Advent of Bedlam são dois dos nomes mais apreciados pelos headbangers do país.

Grupo F

Alemanha O país teutônico é um dos maiores celeiros de bandas de metal no mundo. Além de ser um dos principais mercados consumidores do género e de possuir alguns dos melhores festivais do planeta. O Wacken Open Air é como o santuário do metal. Os Scorpions podem ser considerados os pioneiros no país e um dos principais nomes a nível internacional. Porém, são as bandas precursoras do thrash metal que se destacam na escalação: Kreator, Destruction, Sodom e Tankard formam o quarteto de peso do thrash germânico. Enquanto Blind Guardian e Helloween são as grandes referências do power metal mundial. E os Rammstein lotam arenas pelo mundo com seu metal industrial. Suécia Assim como os demais países escandinavos, o heavy metal é extremamente popular na Suécia. É até difícil selecionar alguns nomes de destaque num cenário que conta com ícones do peso de Bathory, Marduk, Entombed, Katatonia, Opeth, Dark Funeral, Therion, Candlemass, Amon Amarth, Arch Enemy, Dark Tranquility, At the Gates, Meshuggah e Ghost. Ao contrário do futebol, cuja seleção surge como surpresa, no Metal, a Suécia já parte para qualquer embate como favorita. México Os mexicanos são dos maiores fanáticos do metal mundial. Difícil encontrar uma banda de renome internacional que não tenha boas memórias de suas apresentações diante de tão caloroso público. Representando o México no cenário internacional, encontramos os Asesino, do guitarrista Dino Cazares (Fear Factory e ex-Brujeria) com os músicos Tony Campos e Emilo Marquez. Além, claro, do maior grupo de metal que canta em espanhol: Brujeria. Coreia do Sul A cena sul coreana existe há mais de 25 anos e é composta pelos mais diversos subgêneros, do thrash, death ao black e dark metal. Fundada em 1989, a Crash é uma das bandas mais antigas do país. E o grupo de thrash metal tem como uma de suas principais influências os brasileiros do Sepultura.

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Grupo G

Grupo H

Inglaterra País criador do género. Ao contrário do futebol, que também criaram, porém a seleção está longe de figurar no topo mundial (mas este ano até que não tem estado mal), as bandas inglesas formam um timaço de impor respeito. Além dos pais do metal, Black Sabbath, a Inglaterra ainda contribuiu com o surgimento de grupos e subgéneros como o heavy metal tradicional dos Judas Priest ou o som sujo e pesado do Motörhead. A tríade do death/doom Anathema, Paradise Lost e My Dying Bride - também é inglesa. No extremo do campo, nomes como Venom (a semente do black metal), Carcass e Napalm Death se destacam. Por fim, aquela que divide o estrelato máximo com os Black Sabbath: Iron Maiden. A donzela de ferro é a banda inglesa de metal que mais vendeu discos na história.

Polónia Behemoth, Vader, Decapitated e Riverside são quatro representantes de respeito da cena metal polaca.

Bélgica É na Bélgica que acontece um dos maiores festivais de metal do mundo na atualidade, o Graspop Metal Meeting. É de lá que vêm nomes como Ancient Rites, Aborted, Evil Invaders e Enthroned. Não tão badalados como a “ótima nova geração belga” do futebol, mas, sem dúvida, representantes de peso. Tunísia Vem da Tunísia um dos nomes mais interessantes do metal progressivo dos últimos tempos, os Myrath. Panamá Enquanto serviu aos interesses dos EUA, o ditador Manuel Noriega comandou o Panamá entre 1983 e 1989. Foi deposto após uma invasão comandada pelo seu antigo aliado, George Bush. E enquanto se refugiava na embaixada do Vaticano na Cidade do Panamá, Noriega foi “torturado” com músicas repetidas à exaustão. Dentre elas, de bandas como Van Halen e Guns’N’Roses. Fora essa curiosidade, a cena no país não é tão grande. Para não ficar sem mencionar um nome: Azaroth.

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Japão O heavy metal é muito forte e tem um público fiel no Japão. Devido ao alto poder aquisitivo dos japoneses, as gravadoras sempre lançam versões especiais dos álbuns exclusivos para aquele mercado. Bandas como Loudness e X Japan contribuíram, no começo dos anos 1980, a difundir o gênero no país. Da leva mais recente, tem o thrash metal dos Ritual Carnage e as jovens do Babymetal, que com bastante marketing, tornou-se uma febre internacional há uns anos. Colômbia Os headbangers colombianos são dos mais calorosos e fanáticos. Kraken, do lendário vocalista ‘El Titan’ Elkin Ramírez Zapata, conhecido como o Bruce Dickinson colombiano, e Masacre, são dois nomes que fizeram história na cena do país sul-americano. Senegal Este país africano seria eliminado por falta de comparência, pois não encontramos uma única banda de Metal do Senegal.

Kraken


Café a Quanto Obrigas (Not) Everything is New Por: Nuno Lopes

Há dias cruzei-me com uma entrevista, salvo erro na RTP, com Álvaro Covões. Podia estar aqui a perder tempo a apresentar a pessoa em causa, porém, de forma rápida podemos dizer que é graças ao seu trabalho na Everything Is New que Portugal tem recebido alguns dos (muitos) concertos e festivais que ocorrem em Portugal, como é o caso (recente) de Ozzy Osbourne ou dos Festivais Legends of Rock e, claro, o gigante NOS Alive. Apresentação feita e, sem, ainda falar do conteúdo, ficam também os parabéns à estação publica (para a qual todos pagamos) fazer, finalmente, algum serviço público. Esta entrevista serviu, sobretudo, para clarificar a «zona cinzenta» que é a organização de eventos e, sobretudo perceber o negócio que gera milhões todos os anos. Não vou estar a discutir números, não os sei decifrar porém, perante a frieza dos dados e a forma como os mesmos são apresentados é preocupante. Como podem os números ser curtos? Serão os mesmos desde quando? Se é assim tão pouco que se gasta como é tanto o que se ganha? É claro que o CEO da Everything is New faz é o óbvio, maximizar as dificuldades para, a partir daí se defender da sua dama. Mas, perante isto o que dizer? A resposta poderia ser tão simples e complexa e, talvez estejamos próxima dela com o aparecimento da LiveNation em Portugal. em Portugal há demasiados promotores, muitos em muitos géneros mas, ao invés de se unirem, parece existir um oitavo grau de separação. Depois, e para ajudar à festa, temos a nossa fraca economia e, é aí que a coisa complica. Olhando para os últimos eventos da EIN percebemos o quão apetecível pode ser ser Ozzy Osbourne, Marylin Manson, Kiss, Scorpions, Megadeth e, claro, o «monstro» Nós Alive, porém é impossível ir a todos e, é aí que a EIN se deveria reinventar. Claro que não estamos a dizer para juntar os nomes do festival com os de Ozzy ou Megadeth (e porque não?) mas, ao invés de, num mês ter toda esta fartura que, queiramos ou não mexe com a carteira do comum cidadão nacional. Feitas as contas, ir ao Ressurection Fest, mesmo aqui ao lado, são muitos mais cafés que poderemos beber. É claro que os números valem o que valem e são preocupantes mas, cabe aos agentes, que também dependem desses números agir mediante a economia que lhes é apresentada. e depois há, também, a falta de interesse de muitos em actividades culturais e querendo-se ou não admitir, Covões tem razão, é mais fácil ir ver a bola para um «tasco» do que ir a Museus e Óperas. Isto porque o problema é de fundo e estrutural e, independentemente dos dados do INE que o homem forte da Everything is New apresente, é um reflexo do apoio à cultura e das artes. Queixar-se de que os portugueses gastam pouco em cultura e comparar isso com cafés é tão eficaz como se dizer que o cartaz do NOS Alive se vem repetindo ao longo dos anos e começa a ser mais do mesmo «café». Ou seja, e concluindo, porque isto de escrever também cansa, Alvaro Covões tem razão no que diz, porém, não pode, em nenhum momento atribuir essa responsabilidade e essa culpa ao mesmo público que enche estádios, passeios maritimos ou arenas. Este não é um problema apenas do público, é também um problema de Alvaro Covões e de todos os intervenientes na Cultura Portuguesa, seja lá ela qual for e onde, quer o próprio queira ou não, o Senhor Álvaro Covoões está incluido e pode, facilmente, fazer as contas aos cafés que se bebem com os ingressos dos já mencionados eventos da Everything is New.

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A liberdade pela negação Este poderia ser o lema de Glorior

Belli,

uma banda francesa que até da cena Metal se demarca. Entrevista: CSA | Fotos: Neurotica Photography

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[…] Pareceu-me interessante dar o nome de «The Apostates» ao álbum, porque é uma boa definição da natureza de Glorior Belli atualmente: párias da cena […]

Saudações, Billy! Glorior Belli é uma banda veterana. De que forma evoluiu a sua mensagem ao longo dos 16 anos de carreira? Billy – Penso que a mensagem não mudou desde os nossos primórdios, ao invés do que aconteceu com a música. Quando Glorior Belli surgiu, em 2002, éramos só dois. As primeiras tentativas foram marcadas pela influência acentuada das nossas bandas favoritas naquela época: Immortal, MayheM, Dissection, etc… Não tínhamos nenhum objectivo particular a atingir, mas éramos animados por uma necessidade raivosa de nos fazermos ouvir, de transmitir a mensagem que Glorior Belli sempre passou: libertarmo-nos de todos os tipos de opressão, das cadeias que nos prendem à nossa existência medíocre, demarcarmosnos da nossa miserável condição de homens, elevarmo-nos. Aliás, é isso que significa a expressão latina Glorior Belli: ilustrar-se através das armas, obter a glória combatendo, provar o seu valor fazendo frente à adversidade. E podes crer que, em 16 anos, tivemos de ultrapassar muitos obstáculos! Por que razão decidiste dar a este álbum o título «The Apostates»? Querias renegar algo? É irónico constatar que o próprio ato de nos destacarmos em relação aos nossos pares – em termos musicais – devassando fronteiras pouco frequentadas nos vale recriminações por parte de certas pessoas. Mais uma vez, o nosso objetivo não é agradar a toda a gente e a crítica só nos atingiria se tivéssemos algo a provar. Pareceu-

me interessante dar o nome de «The Apostates» ao álbum, porque é uma boa definição da natureza de Glorior Belli atualmente: párias da cena [Metal], no sentido positivo do termo, na minha opinião. Temos algo diferente a propor e assumimos plenamente essa missão. Em tempos idos, ainda me interrogava sobre se não seria melhor adaptar-me mais [às regras da cena], de vez em quando, sobretudo quando tocávamos ao vivo, mas esse tempo já passou à História, sem dúvida para ninguém. Para além desta coincidência irónica, o título do álbum faz referência à negação da fé em prol de novas ideias. Para alguns, isto representa um crime extremamente grave, nomeadamente no seio da religião no sentido lato do termo. Mas, para nós, é a melhor maneira de seguir o caminho da verdade. Fui batizado em criança e recebi uma educação religiosa até à adolescência. Não a renego devido a algum trauma, porque não lhe associo nenhuma experiência negativa. Trata-se apenas de algo que não me diz nada, que não foi feito para mim. Havia demasiadas proibições e ideias a aceitar sem se interrogar sobre a sua validade. Foi isso que, gradualmente, me levou a enveredar por caminhos que, inicialmente, me pareciam menos interessantes. Hoje em dia, tenho vontade de dedicar o meu percurso a todos os que foram vítimas de uma qualquer forma de opressão em consequência das escolhas que fizeram e que assumem, mesmo que contrariem a opinião coletiva. Ainda há países onde ouvir Metal é um crime passível de pena de

morte. Talvez tenhamos esquecido isso, mas essas pessoas são os primeiros destinatários da nossa mensagem! A canção homónima do álbum refere-se apenas a um caso de apostasia? Ou consideras que – apesar do seu título – o álbum não é concetual? No seu conjunto, o álbum tem como tema o ato de renegar a sua fé, como já referi. «Sui Generis», a primeira faixa, por exemplo, significa “do seu próprio género” [logo, diferente de todos os outros], enquanto «Deserters of Eden» é muito fácil de compreender e implica, de novo, a vontade de escapar à sua condição. Cada título está associado ao conceito de base do álbum. «Hangin’ Crêpe» fala de desforra e baseia-se numa tradição do Sul dos EUA, que consistia em pendurar véus negros nas portas das casas das famílias de luto. Não vou aqui alargar-me em considerações sobre o significado de cada canção do álbum. Decidi disponibilizar as letras do álbum, para que cada um possa usufruir delas a seu gosto. Pode-se dizer que algumas das imagens que usas nas letras das canções deste álbum têm um gosto a poesia simbolista/ decadentista (de que sou grande fã)? (Estou a pensar na mistura de trevas e luz, de glória e de podridão, por exemplo.) É mesmo isso e fico muito contente por teres reparado nesse pormenor! Todos os textos são inspirados pela obra dos poetas malditos de quem sou grande admirador, começando por

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[…] o título […] faz referência à negação da fé em prol de novas ideias. […] a melhor maneira de seguir o caminho da verdade. […]

Baudelaire – o chefe incontestado – mas sem esquecer Verlaine, Rimbaud, toda a equipa. Pareceme que é muito possível associar os temas da época à atualidade: anticonformismo, mal du siècle, demanda do absoluto, uma estética do bem e do mal… Como deves ter reparado, nas minhas letras, uso muitos recursos poéticos: rimas, campos lexicais associados aos temas, respeito pelas regras da métrica… A imagem que ilustra a capa do álbum é mesmo antiga ou é um pastiche de algo antigo? Não, é mesmo uma imagem de época. Na realidade, foi feita a partir de uma foto de um vitral da catedral de Chartres, que sofreu algumas transformações para se adaptar ao conceito do álbum. Tinha vontade de fazer algo diferente, de modo a evitar as gravuras habituais, mas sem me afastar demasiado da tradição. Nela poderás encontrar uma ponta de ironia – um tanto à maneira do grotesco medieval – que me enche de orgulho. Espero que os fãs reparem nisso. Como a associas ao álbum? As três personagens principais correspondem a caricaturas dos membros do grupo: à esquerda, está o Marco, o nosso baixista; à direita, o Arthur, que mostra do que devia para se manter decente; ao centro, estou eu. Há ainda muitos pormenores que ilustram

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o facto de que renegamos em absoluto a doutrina do divino, afirmando-nos como apóstatas. O dedo apontado aos anjos é o detalhe mais evidente, mas há muitos outros, mais subtis. Estou muito satisfeito com este trabalho.

Tentei entrevistar-te quando saiu «Sundown: The Flock That Welcomes», o álbum anterior. Na altura, estavam na Agonia. - Porque mudaste de editora? Eu não paro quieto. Glorior Belli nunca esteve muito tempo com a mesma editora… Que posso dizer sobre isso? Não sou daqueles que apreciam a rotina. Tenho uma necessidade constante de novos desafios, preciso de me arriscar para ir mais longe. Não gosto do conforto, nem da inércia. Um homem tem de se por em causa constantemente e de muitos pontos de vista. Mesmo assim, lançámos dois álbuns pela Agonia (batemos um recorde!) e já era altura de levantarmos voo novamente. - O que pode a SoM dar-te a mais? E como vão promover este álbum? Tudo o que posso dizer para já é que a equipa da SoM é fantástica, a comunicação é muito boa. É uma editora mais importante que a Agonia, mas não se trata de uma experiência nova para nós, porque já trabalhámos com parceiros de respeito como a Metal Blade, a Candlelight, a Southern Lord… Todas têm profissionais muito competentes, sem dúvida. O trunfo

da SoM é a dimensão humana, que se faz sentir juntamente com os efeitos da sua experiência e dos excelentes contactos que têm. É inacreditável a quantidade de bandas a assinar contrato com eles neste momento. E é tudo incrivelmente bom. As pessoas têm confiança num grande grupo como a SoM: sentem que pode comprar quase de olhos fechados, o que é uma ótima garantia! Glorior Belli é uma one man band. Qual é então o estatuto dos dois outros músicos que embarcaram contigo nesta última aventura (até agora, claro)? O Arthur, guitarrista, está comigo há quatro anos. Mais um recorde! Recentemente, recrutei mais dois membros: o Marco e o Rodon, respetivamente baixista e guitarrista. Somos muitos próximos e isso é muito importante para a coesão da banda. Já se está a sentir o efeito dessa proximidade, quando nos juntamos para preparar os concertos que vêm aí… quase que tenho vontade de deixar de ser uma one man band, mas não posso esquecer as vantagens desse modelo de funcionamento. É muito eficaz, porque só há um cérebro que sabe em que direção seguir. De qualquer modo, ficarei muito contente, se puder contar com eles durante muito tempo e parece que tudo aponta nesse sentido. Glorior Belli Youtube


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album VERSUS

Foto: Lars Johnson 3 8 / VERSUS MAGAZINE


AMORPHIS - « Queen of Time » (Nuclear Blast)

Na cena do Heavy Metal mundial há vários exemplos de bandas que no início de suas carreiras praticavam um determinado subgénero e, ao longo dos anos e dos trabalhos que lançavam, foram mudando consideravelmente a sonoridade. Os Amorphis são, indubitavelmente, uma dessas bandas. Fazendo jus ao próprio nome, derivado de amorfo (sem forma definida), a banda sempre primou acima de tudo pela qualidade musical, independentemente de rótulos e sem prender-se a uma fórmula. Não por acaso, estes finlandeses começaram como uma banda de Death Metal e, com o passar dos anos, foram flertando com diversos géneros musicais, desde o Doom Metal até ao Folk Metal, passando pelo Heavy Metal e mesmo o Rock Progressivo. “Queen of Time”, o 13º álbum de estúdio dos finlandeses e já o sétimo com o vocalista Tomi Joutsen, não foge à esta característica que já é marca do grupo: a autenticidade sonora. O desafio para este álbum não era simples. Afinal, a fasquia estava bastante elevada após o aclamado “Under the Red Cloud”. E “Queen of Time” faz jus às expectativas, estando à altura não apenas de seu predecessor, mas de toda a trajetória dos Amorphis. O peso e a agressividade típicas da banda, perfeitamente harmonizados com arranjos mais climáticos, introspectivos e épicos estão em “Queen of Time”. Passagens com flauta, saxofone, além de orquestrações e coro (algo inédito na carreira de 28 anos dos finlandeses) inovam e contribuem para dar uma atmosfera ainda mais épica e grandiosa, para além de passagens sombrias e melancólicas. Variações que não seriam possíveis sem um vocalista tão versátil e talentoso como Tomi Joutsen, que vai do gutural e agressivo ao melódico e limpo com qualidade admirável, interpretando cada momento musical com precisão, dando profundidade às composições. O álbum marca o retorno de Olli-Pekka Laine ao baixo e a faixa de abertura, “The Bee” é um belo cartão de visitas para esta volta em grande, com belas linhas de baixo logo no início e com suas orquestrações e corais. “Message in the Amber” e “Heart of Giants”, principalmente por seus corais, remetem-nos à sonoridade do Orphanend Land. Algo que também se nota na épica “The Golden Elk”, pesada, com teclados atmosféricos e riffs potentes, mas com o som da orquestra com aquele quê do Médio Oriente. “Wrong Direction” é talvez a mais melódica, com belo registo de flauta e coral. Outra faixa de destaque é “Amongst Stars”, com seu clima épico e folk, contando com a participação da magistral Anneke van Giersbergen. Por fim, “Pyres on the Coast”, mais sinfônica e progressiva, com bela harmonia e bom teclado e piano, encerra o álbum com maestria. Menção seja feita ao produtor Jens Bogren, responsável não apenas pela complexidade das várias camadas sonoras que dão grandiosidade a este trabalho, mas também por ter sugerido à banda o incremento de instrumentos de cordas e outros elementos com os quais os Amorphis não haviam trabalhado antes (algo que o sueco já tinha feito com os Moonspell, Sepultura e Kreator, recentemente). Em suma, “Queen of Time” mostra, novamente, que os Amorphis sabem trabalhar com versatilidade, originalidade e criatividade. Um grande trabalho, sem sombra de dúvida! [9/10] EMANUEL LEITE JR. 39 / VERSUS MAGAZINE


CRITICA VERSUS

ANG E LU S APATRIDA

AT T H E G AT E S

B AT T L E R O A R

«Cabaret de la Guillotine» (Century Media Records)

«To Drink From the Night Itself» (Century Media Records)

«Codex Epicus» (Cruz Del Sur Music)

Pumba! Toma lá! Embrulha! Estas são algumas das palavras que surgem quando a escuta de «Cabaret de la Guillotine», o novo disco dos veteranos Angelus Apatrida termina. Produzido pelo «nosso» Daniel Cardoso, nos seus Ultrasound Studios, este disco surpreende por ser o mais diverso da banda e por, enfim, elevar a fasquia destes Senhores do Thrash europeu. É óbvio que estão lá as influências de Destruction ou Sodom, mas isso não faz mal nenhum. Thrash à desgarrada seria um outro bom adjectivo, porém é redutor para as guitarras de Polako e Álvarez, que agigantam este registo. Sendo, porventura, o registo mais diverso dos Angelus Apatrida, há aqui muitos e bons exemplos de grandes temas Thrash. Sem nunca dar espaço, ou sequer tempo, para respirar, os espanhóis destilam um disco furioso e que não se contém. «Cabaret de la Guillotine» é um regresso pela porta grande dos Angelus Apatrida e um sério candidato a ser um dos discos do ano. [9/10] NUNO LOPES

O título do álbum é herdado da obra “A Estética da Resistência” de Peter Weiss, centrada na relação entre arte e resistência no contexto político conducente à 2ª Guerra Mundial. A par da referência literária, a magnífica artwork do meritoso Costin Chioreanu, excisada de uma cena do Altar de Pérgamo (retratando a batalha entre os deuses olímpicos e os titãs), sugere, metaforicamente, a dinâmica de um colapso social de valores a engrenar a muda ansiedade por um novo paradigma. Conceptualmente é refletida a neurótica urgência inculcada no indivíduo, desvitalizado pelos ditames de um totalitarismo económico indiferente e de um labiríntico síndrome de culpa religioso, os quais são emergentes no vítreo olhar de um deus em declínio, sugerindo a “cínica mesmerização” referida na letra de “To Drink from the Night Itself”. Esta erudição reflexiva é inflamada pela agonia das vocais de Tomas Lindberg, emprestando a voz ao violento cortejo de bruxuleantes sombras em torno desta pira sacrificial de dogmas invertidos. A inclusão do novo guitarrista Jonas Stålhammar no processo criativo em estúdio, revela um death metal metal tão musculado quanto a contorcida figura que adorna a capa e tão sentido quanto a angústia que respira por trás da lívida cegueira que macera a sua face. O sexto trabalho dos suecos cimenta a sua reputação como percursores do death metal melódico e pouco fica a dever a clássicos como “Terminal Spirit Disease” ou “Slaughter of the Soul”. Um álbum tão elevado quanto o espírito que sangra esta radiante tela de verdades embriagadas em lucidez. [8/10] FREDERICO FIGUEIREDO

Os Gregos Battleroar já nos habituaram ao seu magistral som épico, repleto de grandes momentos de Heavy Metal. «Codex Epicus», o seu quinto LP de originais, segue essa linha, assegurando a banda como uma das mais interessantes e consistentes no seu género. Todo o álbum respira o som épico na verdadeira essência do metal, com riffs e solos que enchem os ouvidos, e que nos faz lembrar uma certa veia de true metal. Desde o intro “Awakening the muse” até “Enchanting threnody”, os Battleroar seguem um caminho musical homogéneo, sem nunca se desviar desta orientação musical. Talvez esteja aqui a única crítica ao álbum, a falta de um certo arrojar, que desestabilize as músicas aqui ou ali, arriscando, em vez de seguirem pelo caminho certo. Falta um bocado de impulso a este álbum para ir mais além e conseguirse o tão desejado efeito WOW! «Codex Epicus» encaixa-se perfeitamente naquela máxima do “óptimo ser inimigo do bom”. É um álbum bom, com grandes momentos de riffs melódicos, que para mim atinge o expoente máximo em “Kings of old” – Um verdadeiro hino, mas que nos deixa frustrados por não atingir a excelência, de não nos surpreender verdadeiramente. Os Battleroar são um dos melhores actos da Europa, fazendo jus ao legado dos seus influenciadores Manilla Road e estão claramente numa caminhada ascendente, com o lançamento de mais um sólido álbum que faz desta banda o sinónimo de metal épico e desafiante de ordem maior. [8.5/10] CARLOS FILIPE

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CRITICA VERSUS

CE NT UR IES

CRAFT

«The Lights of this Earth Are Blinding»

«White Noise and Black Metal» (Season of Mist)

(Southern Lord) Definir os norte-americanos Centuries e este novo disco não é uma tarefa fácil. Desde logo porque o disco é brutal e depois porque rotular esta banda não é fácil. Podemos nela encontrar a disfuncionalidade de uns The Dilinger Escape Plan ou Meshuggah ou as paisagens mais «dark» de uns Cult of Luna, tudo isto num caldeirão Stoner/ sludge com laivos de Hardcore que nos sufocam a espinha, que nos aperta na faixa inicial e nos afaga na, estranhamente bela “Wooded hands”. A fórmula dos Centuries não é um dado adquirido, sendo este, talvez, um dos registos mais diversos da banda e onde se pode, de alguma forma, perceber o que pode vir aí no futuro. Com um alinhamento que não nos permite desligar do seu conteúdo e com descoberta a cada faixa que passa. Podemos aqui falar de um disco intenso, poderoso e uma experiência que se vai revelando um banquete de grandes malhas e de uma banda que teima em elevar o seu estatuto e a sua evolução enquanto músicos e mentes criativas. Um disco estranhamente delicioso de tão pujante que é. [8/10] NUNO LOPES

Pondo cobro a um longo hiato de sete anos, os Craft estão finalmente de volta com um trabalho que teima em não abandonar o meu leitor de mp3. O novo disco mantém a carga malévola de «Void»(2011), bem como um certo afastamento daquela agressão vitriolica que caracterizou os primeiros trabalhos, e sintetiza, em pouco mais de 40 minutos, o melhor do Black Metal contemporâneo mais produzido, constituindo também um passo notável na progressão artística da formação sueca. A música não perdeu nada do sinistro e violento que já lhe conhecíamos e o crocitar demoníaco de Nox continua tão odioso como antes, mas «White Noise and Black Metal» introduz mais nuance, musicalidade, mais detalhe, uma mão cheia de ideias interessantes e a execução mais aprimorada de sempre. Todos os instrumentos soam realmente irrepreensíveis, desde os riffs cortantes da guitarra de John Doe à sólida bateria do convidado Daniel Moilanen (dos Katatonia e Runemagick). Mas é o baixo do ex-Shining Phil Cirone que se destaca francamente, sobretudo quando surge em contratempo com a percussão, como é evidente em “YHVH’s shadow” e “Undone”. Este último tema, onde as guitarras, na segunda metade, remetem vagamente para os conterrâneos Dawn, é uma das melhores peças de Black Metal que já ouvi. O sombrio “The cosmic sphere falls” e o pulsante “Again” contam-se também entre os temas mais memoráveis, num disco que, em abono da verdade, não inclui material dispensável, é permanentemente contagiante e melhora a cada audição. Desde já, um sério candidato ao melhor disco de Black Metal de 2018. [9/10] ERNESTO MARTINS

FA L L O F C A RT H AGE «Emma Green» (MDD Records) Se dúvidas existem em relação aos germânicos Fall of Carthage (FOC) elas não ficarão desfeitas no mais recente e terceiro disco da banda. Fica a sensação, bem real, de que a banda, que conta com Antonius Antonik (Realms of Odoric, Suidakra) e que se completa com Sascha (voz) e ... (bateria), não tem limites e percebe-se a confusão e a dificuldade em rotular a banda. Em alguns momentos ficamos com a sensação de que os FOC andam a beber na mesma fonte de Robb Flynn e fazem o que tem sido rotulado de ‘Modern Metal’ (seja lá o que isso for) mas, enquanto em outras bandas isso parece encaixar, nos FOC a coisa tem descambado, o que não quer dizer que a banda se atemorize. “Emma Green” tem na sua virtude o seu maior defeito e fica, por vezes, a sensação de que a banda se perde nos temas, colocando tudo numa amálgama que se torna confusa, difusa e convergente. Fieis a si mesmos, os FOC não mudam uma vírgula ao seu conceito e, tal como no anterior «The longed – For the reckoning», os germânicos apresentam um disco que será odiado e venerado. Existem temas como “Priceless” (um dos melhores de todo o disco) mas há espaço para o minimalismo de “Emma green” ou “Superior”, sem esquecer uma justa homenagem aos Beastie Boys, em “Slow and low”. Em suma, este é um registo que parece ser o futuro do Metal, mas, no presente pode ser confuso e mal assimilado. Mas os FOC não se importam, são eles contra o Mundo. [7/10] NUNO LOPES

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CRITICA VERSUS

F I L I I NIGR A NTIU M INFERNALIUM

FIVE T H E H IE R O P H A N T

GODSMACK

«Hóstia» (Osmose Productions)

«Over Phlegethon»

«When Legend Rise»

(Dark Essence Records)

(BMG Records)

Apesar de publicado há mais de oito meses, seria imperdoável deixar passar este disco sem pelo menos uma singela referência aqui nas páginas da VERSUS Magazine. É que mais do que um trabalho instrumental como muitos outros, debruçado nas sonoridades mais escuras do Metal, «Over Phlegethon» é um registo que se destaca positivamente do mar de lançamentos que nos chegam todos os meses, graças à sua criativa proposta de post/doom atmosférico e psicadélico, permanentemente desnorteado por um esquizofrénico saxofone e uma série de outros instrumentos exóticos. A faixa de abertura, “Queen over Phlegethon” cativa desde logo a atenção muito por culpa de um hipnótico riff em loop de guitarras fortemente distorcidas e uma atmosfera densa e mística pontuada por batucadas tribais em djembê. Depois de “Vampire” segue-se o sincopado “Seafarer”, onde as cornucópias dementes de sax e os excertos spoken word sobre o fundo de guitarras dissonantes se conjugam para criar um dos temas mais bizarros em oferta. Com alguma inspiração circence e muito psicadelismo, “Der geist der stets verneint” surpreende com uma transição brilhante, a meio, conduzida por um riff irresistível, sendo uma das peças mais originais deste disco de estreia do trio londrino. “Omen tree” conclui o álbum com uma bem conseguida trip fantasmagórica, onde sobressaem sonoras notas de trombeta tibetana e ecos de um sermão de um qualquer místico oriental. Apesar da composição que progride fluentemente através de passagens bem distintas, este é um trabalho que requer o mood certo para ser apreciado pelo valor que tem. Uma coisa é certa: não encontram por aí nada parecido. [9/10] ERNESTO MARTINS

Se vivêssemos em tempos idos “Under your scars” seria um tema com airplay garantido em muitas das rádios que hoje são mera poeira comercial/vendável. Surgidos no caldeirão do Nu-Metal, os Godsmack cedo se tentaram distanciar desse rótulo, sem nunca fugir a ele, um pouco como Staind ou Creed, entre muitos outros, no entanto, no caso dos Godsmack o caso torna-se diferente pois, ao longo das duas décadas a banda foi soltando as amarras e, lentamente, se entranhou nos meandros do Rock. Este não é um disco de Nu-Metal. Este é um disco Rock com tudo a que temos direito. Aqui e ali Sully Erne aproxima-se de uns Bush ou Live, sem qualquer pudor ou receio, afinal, os Godsmack já nada têm a provar. Mesmo sem nunca sair da mediania, este disco resvala para um saudosismo que tanto se procura no Rock, feito por uma banda que cresceu e soube crescer perante os desafios que lhes foram colocados e transformaramse numa banda undeground dentro do mainstream Rock/Metal. Quem nunca gostou vai detestar faixas como “Unforgettable”, “Bulletproof” ou “Just one time”, porém e na realidade, este «When Legend Rise» é um belo disco Rock, só é pena vivermos noutros tempos. [7/10] NUNO LOPES

Cinco anos de silêncio são violados por um teatralizado prelúdio sob forma de bílica encantação satânica, ao qual sucedem provocatórios riffs de thrash de velha guarda, agudizados pelas vociferações descarnadas da laringe de Belathauzer. É aparente que a banda prossegue marcialmente a sua senda de anarquização dos sentidos em escatológica e insólita entrega. A articulada composição lírica que acompanhou a génese da banda (notável sobretudo no EP “A Era do Abutre”) tem sido progressivamente desconstruída na imediatez de uma métrica irascível de inclinação punk, revestindo-se esta de um caráter de manifesto niilista que bem se adequa à contundência que a contraparte sonora tem adquirido. As letras, projetadas como um ato de agressão, laceram, quais palavras de ordem, o estigma do temor católico impregnado no subconsciente da seclusão secular, vomitadas em convulsão laríngica. Riffs floreados de N.W.O.B.H.M. serpenteiam entre o lodo revulsivo de black metal em faixas como “A Morte é Real (Para já)” e “Autos de Fé”. A par desta influência, “Lactância Pentecostal” e “Santa Misericórdia” transpiram cortantes riffs “noruegueses”, com o tema título a evidenciar igualmente a pegajosidade rítmica de um rock ‘n’ roll bem orelhudo, revelando a tendência omnívora da banda. F.N.I. continuam a fomentar transgressivamente o desprezo gregário, camuflado na imediatez da semiótica de um género que tendencialmente dissimula conservadorismo com ortodoxia. As vocais chegam mesmo a arriscar, esparsamente, um indício de harmonia, sem grande redenção do grau de enfermidade que o álbum emana na irada autenticidade do registo belathauzariano. A inglória artwork de Paolo Girardi coroa “Hóstia” em libidinosa decadência vaticanal, pavimentando o caminho para três décadas de blasfemo metal imerso em reatividade punk. [8/10] FREDERICO FIGUEIREDO

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CRITICA VERSUS

IMMORTAL

KIS S IN ´ D Y N A M IT E

M E M O R IA M

«Northern Chaos Gods»

«Ecstasy»

«The Silent Vigil»

(Nuclear Blast)

(Metal Blade Records)

(Nuclear Blast)

O conceito de “true black metal” tem sido tradicionalmente manipulado pelos fãs do género e muitas vezes arremessado de forma pueril, disfarçando inépsia e colocando a atitude das bandas a uma considerável distância do seu talento. Com “Northern Chaos Gods”, a seminal banda norueguesa demonstra o que o conceito realmente representa. Trata-se do primeiro registo com Demonaz (ex guitarrista da banda) nas vocais, de regresso após afastamento compulsivo por motivos de doença, desde o “Blizzard Beasts” de 1997. A subtração do carismático Abbath, notável pela singularidade do seu registo vocal (de qualidade debatível), pouco se faz sentir nesta avassaladora tempestade de blast beats e criogénicos riffs disparados em frenético tremolo. As vocais de Demonaz situam-se algures no espectro entre Quorthon e o próprio Abbath (descartando fortemente a caricata entoação “Popeye”), revelando-se o presente álbum como um irrepreensível retorno aos tempos negros do “Pure Holocaust” ou “Battles in the North” (o “Reign in Blood” do black metal norueguês). O groove em mid-tempo, presente sobretudo nos últimos trabalhos, é cilindrado num ostentoso tributo aos Bathory, surpreendente na sua honestidade despretenciosa e assertiva, que marca o contraste com a tendência que a banda (em sua anterior formação) vinha a seguir. De destacar as faixas “Gates to Blashyrkh” e “Mighty Ravendark”, hinos mensuráveis com os mais memoráveis momentos da banda; ou a cortante invernosidade do tema título. Um dos mais marcantes lançamentos do ano e uma revigorante baforada de gélido conforto. [9/10] FREDERICO FIGUEIREDO

Rock ‘n’ Roll… Pura e simples. Quem passou pelos anos 80 e ouvia o saudoso Rock em Stock, de Luís Filipe Barros, na antiga Rádio Comercial, não vai achar estranho esta sonoridade. Já onze anos de carreira e um visual algo exagerado e andrógino, típicos e condizentes com o “Hair”, Sleaze” ou Glam Metal. Puro, simples, energético e muito directo «Ecstasy» é um álbum para quem cresceu a ouvir Rock nos anos 80/90 mas com alguma evolução sonora. Não será algo que nos faça relembrar grandes álbuns como “Slippery When Wet”, “Long Cold Winter” ou “Dr. Feelgood” e muito provavelmente não resistirá ao “teste do tempo”. No entanto, e para já, é música alegre e fresca que nos vai divertindo há já algumas semanas. Melodias que facilmente ficam no ouvido… mas que apraz dizer: “Vocês sabem do que estou a falar!”. «Ecstasy» abre com dois temas supermelódicos: “I’ve got the Fire” e “You’re not Alone” que são bem capazes de vos obrigar a aumentar o volume, porque é tudo aquilo que define este estilo; “Somebody’s Gotta Do It” cheio de swing que foge um pouquinho à “linearidade” dos temas anteriores; “Superhuman” é outro tema melodicamente muito bom e já estão a ver o filme do resto dos temas, nada de muito diferente. Obviamente, banda que se preze tem de ter a sua baladazinha, neste caso a orquestrada “Heart of Stone”, só mesmo para desanuviar. Para quem gosta deste tipo de sonoridade – como aqui o vosso escritor - «Ecstasy» torna-se divertido de escutar, os outros poderão achar “piroso” mas… caríssimos, era muito disto que se ouvia nas épocas douradas do Rock. Uma palavra para a sonoridade do baixo, não estou habituado a ouvir com tanto destaque e tão bem produzido, é o que sobressai, na minha opinião, em «Ecstasy». [8/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

Formados por dois ex-Bolt Thrower, o frontman Karl Willets e o baterista Andrew Whale, mais o baixista Frank Healy, que passou pelos Benediction e Sacrilege, e o guitarrista Scott Fairfax, também ex-Benediction e Cerebral Fix, os britânicos Memoriam apresentam aqui um death metal que tem mais do que simples reminiscências do som e estilo dos… Bolt Thrower (BT). Quase sem solos ou mesmo simples floreados de guitarra, a música faz-se exclusivamente de andamentos a meio tempo e riffs esmagadores, espessos, monolíticos, enrolados, que se repetem incessantemente ao longo das canções. A abordagem, até do ponto de vista da composição, é inegavelmente próxima dos BT, mas também tem laivos de Benediction. “Bleed the same”, por exemplo, uma das faixas mais salientes, poderia bem ter sido escrita pelos BT. O mesmo pode ser dito de “As bridges burn”, que inclui as transições mais viciantes do disco. Willets tem o registo vocal cavernoso e a forma de se expressar (sobre temas como o estado do mundo e até – mais um vez – o drama da guerra) que lhe conhecíamos dos BT, pelo que este registo pode até ser um sucesso junto dos fãs saudosos de BT, com as devidas reservas – não rivaliza com nenhum dos discos mais recentes dos BT. «The Silent Vigil» segue claramente, e de perto, o álbum de estreia «For the Fallen» (2017) excepto nas últimas faixas, “No known grave” e “Weaponised fear”, onde a banda se afasta consideravelmente do estilo BT, o que pode ser bom sinal. O disco até se mantém apelativo depois de várias audições, mas a colagem evidente à sombra dos BT subtrai-lhe algum valor artístico. [7.5/10] ERNESTO MARTINS

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CRITICA VERSUS

MINIS TRY

M O R S S U B ITA

«AmeriKKKant»

«Into The Pitch Black» (Inverse Records)

«The Banished Heart» (Century Media Records)

Com 15 anos de existência e muitas mudanças de formação depois, onde apenas resta o guitarrista Mika Lammassaari, os finlandeses não desistem da sua batalha e regressam aos discos com o seu terceiro registo «Into The Pitch Black», lançado pela Inverse Records. O quinteto apresenta mais um bom disco da NWOSDM, onde cabem nomes como In Flames ou Meshuggah, porém estes “jovens” colocam tudo isso num caldeirão em que, a tempos, se mistura com um thrash que nos remete para os anos 90. Tecnicamente irrepreensível este «Into The Pitch Black» revela-se uma bela surpresa e um disco que nos traz uns Mors Subita mais velhos e sábios, como tal, também mais maduros. Em alguns momentos o disco pode parecer repetitivo devido à fórmula da banda, mas, «Into the Pitch Black» consegue ir buscar forças a malhas como “I, God” ou “Defeat”. Quando bandas como os já referidos In Flames se tornam enfadonhos e numa ponte com bandas como Caliban ou Gojira, os Mors Subita são, hoje, muito mais que uma banda de NWOSDM. Uma boa surpresa. [7/10] NUNO LOPES

Quantas vezes o Homem, em momentos de crise encontra força onde julga não existir? A vida é feita de amores e desamores, é feita de encontros e desencontros...é feita de vida e de morte. «The Banished Heart» é isso mesmo. Um disco que comporta o triste fado, por vezes fardo, que é a vida. Para os Oceans of Slumber, «The Banished Heart» é um trabalho de catarse, de afugentar os demónios que nos assolam a vida. Um disco cuja intensidade é elevada pela voz de Cammie Gilbert, que nos empurra, que nos abraça, que nos persegue os sentidos enquanto se agarra ao coração, que sai do seu corpo, tal como se percebe na capa, carregada de simbolismo negro, ou sombrio se preferirmos. Keegan Kelly, Antony Contreras e Sean Gary são a voz da consciência pesada de um luto que se faz triste, porque a vida é feita disto mesmo. A música enquanto catarse é isto. “At Dawn” “Feelting Vigilance” ou ou instrumental “The Watcher” são reflexos de uma vida que já passou e deixa marcas para um presente futuro. “The Banished Heart” é um disco que não se entende à primeira e não é de escuta fácil mas entranha-se no nosso corpo até que saia de nós. [8.5/10] NUNO LOPES

(Nuclear Blast) De cada vez que o Senhor Al Jourgensen lança um novo disco o mundo treme e o efeito é sentido um pouco por todo o lado. Sempre foi e há-de ser desta forma. Desta feita o músico atira-se de forma directa e sem qualquer ponta de perdão para o estado do Mundo mas, principalmente, para o que se passa nos Estados Unidos nesta era Trump, aliás, o disco inicia-se com as palavras “Let’s make America great again”. Como sempre Jourgensen mostra-se um cidadão (do Mundo) atento e conhecedor de uma sociedade que mudou muito desde a criação dos Ministry. «AmeriKKKant» é um disco soturno, pesado e, em muitos momentos, de difícil respiração. Porém, este é um retrato fiel do Mundo no séc. XXI, com todos os defeitos inerentes a um retrocesso humano e social, em que o KKK no título não é, de todo inocente, assim como o artwork do disco. Al Jourgensen e os Ministry continuam a ser uma bomba de TNT pronta a rebentar. Não há inocentes como não há culpados. Não sendo um disco político, este «AmeriKKKant» é, isso sim, um disco social e um alerta vermelho que cabe a cada um de nós reverter. O Ministro Al Jourgensen lança o alerta. [9/10] NUNO LOPES

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O C E A N S O F S L U M BER


CRITICA VERSUS

OPHE «Litteras Ad Tristia Maestrum Solitude»

(My Kingdom Music) Ophe é o projecto de Bargnatt XVIII, conhecido pelos seus projectos com Omrade, Nerv ou Gloomy Hellium Bath. Existindo, claramente, a identidade do músico, seja em termos de produção, seja em termos musicais, Ophe é uma parte distante da mente do músico. «Litteras Ad Tristia...» é um disco assumidamente Avantgarde mas que não se esgota neste rótulo. Ophe é a raiva, é a violência que um misantropo, talvez cosmopolita, que observa o Mundo com a sua raiva, sem que o faça transparecer. «Litteras Ad Tristia...» é uma montanha-russa de sensações em que os temas, saltando entre o francês e o Latim, demonstra o talento de Bargnatt para criar autênticas peças musicais que nos sufocam e torturam a mente, em alguns casos com a ajuda de um psicadélico e febril saxofone (cortesia de Val Door). Um disco surpreendentemente real, tal como o sufoco da realidade. Destaque ainda para o brilhante trabalho no artwork que, tal como em Omrade, foi pintado por Jeff Grimal (habitual colaborador de Bargnatt) e que é a melhor forma de entrar num disco surpreendente. [8.5/10] NUNO LOPES

O R A N G E G O B L IN

P R IM O R D IA L

«The Wolf Bites Back» (Candlelight Records)

«Exile Amongst The Ruin» (Metal Blade Records)

Quem acompanhou com alguma atenção as mais de duas décadas de actividade dos Orange Goblin sabe o que esperar de cada novo álbum da histórica formação londrina: hard rock´n´roll directo, sem grandes floreados e fiel aos cânones do género. «The Wolf Bites Back» não foge a essa regra, revelandose também um dos discos mais variados na extensa discografia da banda. Depois dum inicio rolante e auspicioso ao som do memorável “Sons of Salem”, o disco entra no seu momento mais introspectivo e Sabbathiano com “Swords of Fire”, para logo de seguida nos surpreender com o groove southern rock de “Ghosts of the primitives” onde se inclui uma sequência de leads galvanizantes bem na veia de Led Zeppelin. O guitarrista Joe Hare volta à ribalta no suave instrumental “In bocca al lupo”, que contrasta com a crueza 100% Motorhead (a propósito, o disco conta com a participação de Phil Campbell em alguns solos) do tema seguinte, “Suicide division”, ao qual se sucede mais uma transição abrupta, agora para o bluesy “The Stranger”. Toda esta variedade acaba, no entanto, por deixar uma sensação de alguma incoerência, ficando a ideia que o disco beneficiaria com mais temas criativos e menos óbvios como este último ou como “Ghosts of the primitives”. Ainda assim, num tempo em que mesmo no Metal a alma da música é por vezes esquecida, este nono álbum de originais do quarteto britânico é um daqueles discos de rock, como o rock deve ser na sua essência: poderoso em atitude, selvagem e emocional q.b., electrizante e com as guitarras sempre a ditar a lei. [7/10] ERNESTO MARTINS

Os Primordial são um daqueles casos em que os adjectivos começam a faltar, seja pela longa carreira, seja como a mesma tem sido pautada por discos como «A Journey’s End» ou «Storm Before Calm». Porém, a banda irlandesa teima em trazer grandes discos ao mundo, sendo que este «Exile Amongst The Ruin» é mais um disco magnífico dos Primordial. Por qualquer motivo, ao ver a capa do disco associei-o aos tempos de «Serenades» dos Anathema e, as minhas suspeitas estavam certas. E não, não temos um disco de Anathema mas sim de Primordial. Aqui há espaço para a Folk, para o Doom e para um mar de mestria melódica que se funde em solidão, miséria e pó. A.A Nemtheanga prova, uma vez mais, a sua capacidade de transpor a penumbra da alma em palavras enquanto que os restantes acompanham sob a forma de música. «Exile Amongst The Ruin» é um disco que surpreende porque é de louvar a forma como os irlandeses conseguem, a cada disco, baralhar e voltar a dar as cartas sem qualquer receio. Afinal, as regras são deles. Mas, sobretudo, a forma qualitativa como o fazem. É isso que se respira neste novo disco, uma banda fiel a si própria e incapaz de se desprender da sua génese, regenerando-se e gerando força a cada novo disco. Este é mais um grande momento Primordial. [8/10] NUNO LOPES

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CRITICA VERSUS

S K E L E TA L R E M A IN S

S U S P E R IA

«Thread» (Jihosound Records)

«Devouring Mortality» (Century Media)

«The Lyricist» (Agonia Records)

Os Red Sun Rising são “catalogados” com uma banda de “Rock Moderno”. Irónico ou não, é o facto de este seu novo trabalho nos transportar, aqui e ali, para a era Grunge e bandas que dela beberam a sua influência. O seu estilo puramente rock aposta maioritariamente num som mais limpo, com vozes melódicas, guitarras ligeiramente distorcidas, um baixo mais eclético chegando a apresentar por vezes um som ligeiramente funk, e uma bateria que cumpre na perfeição a sua função e mantém as músicas vivas. A banda apresenta um álbum cuidado onde cada faixa foi arduamente trabalhada. Transições perfeitas em composições complexas com diversas mudanças de ritmo são quase um denominador comum deste «Thread». É interessante ver a forma como combinam harmoniosamente elementos aparentemente díspares, mas os fazem resultar na perfeição, como a conjugação de piano e guitarra mais pesada em “Evil like you”. Nesse sentido, os Red Sun Rising apresentam um grande trabalho com músicas de qualidade inegável. Porém, as suas influências são bem identificáveis, e talvez por isso as músicas nos soem a algo familiar. Muito embora as tenham conseguido fundir na perfeição, a verdade é que em algumas faixas não se conseguiram descolar o suficiente das mesmas, sendo inevitável ouvir as contribuições indiretas de Soundgarden, Muse, entre outras bandas. Esta é talvez uma das razões que impedem que este seja um álbum deslumbrante. Outra prende-se com a forma como as músicas são abordadas pela própria banda: apesar de todas as qualidades que já lhes referi, parecem, por vezes, ficar aquém em termos da intensidade. Os ocasionais rasgos de guitarras mais pesadas nem sempre têm continuidade, o que parece prejudicar algumas faixas. Para os fãs de rock melódico que foram outrora seguidores das bandas oriundas de Seattle, este «Thread» será um ótimo álbum para descobrirem. Os fãs de Metal puro, mesmo os que seguiram o Grunge na sua época de esplendor, talvez não se identifiquem tanto com este trabalho, mas não se enganem: para o estilo em questão, é extremamente bem conseguido. [5/10] IVO BRONCAS

E eis que dos restos esqueléticos do death metal feito à maneira old school surgem os… Skeletal Remains! O que dizer de um disco cuja faixa de abertura (e um dos temas mais fortes do disco), “Ripperology”, podia perfeitamente caber na discografia da saudosa banda do também saudoso Chuck Schuldiner? O mesmo vale para “Grotesque creation”, em particular o solo de guitarra. Chris Monroy, guitarrista e vocalista dos Skeletal Remains, “homenageia” tão bem os Death que, por vezes, somos levados a pensar se não será mesmo Chuck reencarnado… Caso houvesse, à semelhança do que acontece para com um certo rocker falecido em Memphis, um concurso de Schuldiner impersonators, Chris Monroy levava a taça. Centremo-nos, todavia, no que «Devouring Mortality» tem para oferecer, e menos nas qualidades miméticas dos seus autores. Estamos perante um trabalho que merece ser escutado por si próprio, bem para além das influências exibidas e do constante piscar de olho ao death metal tal como era tocado nos anos 80 e 90 do passado século (a produção de Dan Swanö também ajuda). Saudosismos à parte, os Skeletal Remains conseguem prender a atenção com as suas composições e fabricar um álbum bastante agradável de death metal, praticamente sem momentos mortos (sim, o trocadilho é intencional). Para “restos”, é caso para dizer que não estão nada mal, uma vez que é tudo feito conforme vem nos livros. E ainda bem. [7.5/10] HELDER MENDES

Finalmente! Foi a primeira palavra que pensei para mim mesmo quando me deparei com o regresso dos noruegueses Susperia. Este é um disco há muito aguardado por alguns motivos mas, principalmente porque marca a estreia de Bernt Fjellestad (ex-Haunted Hollow, exScornbath, entre outros) que substitui Athera, que saiu em 2015. Talvez por minha culpa a escuta deste disco não foi fácil, por este ou aquele motivo não lhe prestei qualquer atenção até que ele se entranhou em mim. Podemos dizer que o início não seduz e até causa alguma estranheza mas Fjellestad começa desde logo a revelar os seus dotes. A sonoridade em (quase nada) muda e, aí sim, recordamos os Susperia. Aqui e ali «The Lyricist» até se aproxima de algum do trabalho por Tjoldav e Cyrus nos Dimmu Borgir e que nos remete para uma visualização quase Scy Black Metal, tais os arranjos que nos vão sendo apresentados e que engrandece a alma. Pelo meio existem momentos como “In my darkest moment” que é a bonança antes da tempestade de “Day I died” ou “Heretic”. Claro que a banda não se reinventa, mas também não é preciso, nem eles querem. Porém, «The Lyricist» é (talvez) o disco mais diverso dos Susperia e um regresso à vida numa forma surpreendente e poderosa. Uma excelente surpresa sem o ser! [8/10] NUNO LOPES

RE D SU N RISING

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CRITICA VERSUS

T H IR D S P H E R E

TH E D A R K RED SEED

T H E G R O T E S Q U E RY

«Old Mother Hell»

«The Lupine Anathema»

«SYZYGY»

(Cruz Del Sur Music)

(Agonia Records)

(Edição de autor)

À primeira audição deste disco, ainda sem saber muito sobre estes Old Mother Hell, não desconfiei de forma nenhuma que este era um trabalho de estreia! Os germânicos, praticantes de um heavy metal que rotulam de epic doom metal, lançam de forma homónima um conjunto de seis canções com boas características e que cativam logo à primeira audição. A verdade é que a sonoridade aqui registada remete precisamente para algo saído da década de 80. A forma como soam a bateria, baixo, o registo vocal e a guitarra são autenticamente old school. Este sentimento está certamente ligado à forma como o disco foi registado. Tal como eles próprios descrevem: “três músicos, bateria, baixo, guitarra e uma sala de ensaios gigante”. Seis músicas gravadas em formato ao vivo que totalizam 34 minutos de descarga de pura energia. Queriam soar em disco como se de um concerto se tratasse e assim o conseguiram de facto! Diria também que o epic doom dos Old Mother Hell não tem receios de pisar o acelerador e estes brindamnos com verdadeiros momentos de heavy metal tradicional. Para exemplo ponha-se a rodar o tema de abertura, “Another war”, ou o tema título a fechar. E para exemplo da fação mais sentenciosa do disco destacaria como bom exemplo o segundo tema do disco, “Mountain”. Refrões épicos, sem dúvida, melodias gloriosas, alternância entre momentos lentos que se arrastam e movimentações mais aceleradas…estas são as principais características que permitem que os Old Mother Hell se destaquem pela positiva neste primeiro trabalho editado. [7.5/10] EMANUEL RORIZ

No activo desde 2009 desde cedo os The Grotesquery caíram no goto dos amantes do Death Metal mais extremo devido, muito em parte, a uma fórmula refrescante e com novas coordenadas para o género e que caiu “que nem ginjas podres” num género que, apesar de tudo, nunca teve grandes alterações na sua génese. Após uma trilogia, que concluiu com o anterior «Curse of the Skinless Bride», os The Grotesquery apresentam este «The Lupine Anathema» através da Agonia Records (a sua nova casa) e, uma vez mais, o grupo sueco-americano volta a apresentar-se em grande forma e com um disco poderoso. Se tantas vezes parece faltar conceito e uma ideia às bandas de Death Metal, isso existe de sobra a um grupo que vai buscar aí a sua força. Com uma voz que faz estremecer todo o nosso esqueleto e com musicalidade que nos corta em pedaços, os The Grotesquery apresentam aquele que será o passo seguinte, mesmo que não o seja. Sem nunca cair no exagero, a banda tem aqui um belo exercicio de como fazer um bom disco de Death Metal e, se dúvidas existissem sobre o talento dos músicos em contar histórias, elas ficam desfeitas (em pedaços) ao longo destas 10 malhas. Este é um disco para seguidores do género mas, também, para qualquer amante de uma boa história e de sonoridades mais extremas. [8/10] NUNO LOPES

Quem nos segue sabe que as nossas reviews, por vários motivos, têm uma classificação de 0 a 10. Este método de classificar um álbum pode acabar por ser um pouco redutor se não for complementado com as palavras. Os Thirdsphere lançaram terminaram 2017 da melhor forma, com o lançamento de «SYZYGY». Dedicados a um estilo musical intenso, rápido e agressivo, «SYZYGY» define um pouco o que é o deathmetal/deathcore. À partida não é um estilo que ouça com grande frequência (escrevo fora da minha zona de conforto…) e por isso, terei de ser o mais imparcial possível e aqui, entra a premissa de que não podemos dissociar as palavras da classificação. «SYZYGY» é bem tocado e reconheço capacidade musical, no entanto, não gosto da masterização, me parecendo a sonoridade demasiado… comprimida (e alta) – DR5, fazendo jus à “Loudness War” – já agora, podem ler uma entrevista saída Versus #31 / 2014 e que chamou a atenção do prestigiado site MetalFi - http://www.metal-fi. com/man-talks-loudness-war/. De resto, este álbum conta com a participação de dois convidados: Mendel Bij De Lei, guitarrista dos Aborted e Andrew Ivashchenko, vocalista dos Shokran. Do príncipio ao fim, os Thirdsphere não vos deixam respirar e descarregam dez temas pujantes e furiosos. Voltando ao início: esta classificação não procura ser redutora, nem retirar mérito à banda que apesar de não fazer parte dos meus gostos musicais julgo que caminham e podem vir a ser uma referência a nível nacional. Para quem gosta de deathmetal/deathcore tem aqui um belo lançamento nacional. [7/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

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CRITICA VERSUS

TO U ND RA

V O R B ID

W IN T E R F Y L L E T H

«Vortex» (InsideOut Music)

«Mind» (Indie Recordings)

«The Hallowing of Heirdom» (Candlelight Records)

Os espanhóis Toundra mostram-se hábeis criadores e executores de um género que não é para todos. Afinal, manter consistentemente uma carreira gravando álbuns com a total ausência de voz, não é para qualquer um. E aqui encontramos aquilo que estes Toundra melhor sabem fazer, ou seja, a capacidade de comporem músicas que são apelativas per si, fazendo com que quase nos esqueçamos que estamos há vários minutos a ouvir música que não tem o adorno das vozes, é inegável. Oiçamos, por exemplo, a faixa “Tuareg”, onde encontramos oito minutos de variações e orquestrações, com várias dimensões de guitarras e rasgos de uma bateria bem construída e simbiótica com os restantes elementos. Por outro lado, temos a predominância das guitarras nos interlúdios “Cartavio” e “Roy Neary”, com um trabalho de cordas extremamente interessante, a marcarem de forma sublime, mantendo a génese da composição e da ambiência na passagem para as “Kingston Falls” e “Cruce Oeste”, respectivamente. Mas a verdade é que, mesmo com estes interlúdios, após ouvirmos algumas músicas ficamos com a sensação que falta qualquer coisa e é aqui que o “quase nos esqueçamos das vozes” de repente grita pela sua presença. O som das restantes músicas torna-se monótono e após algum tempo soam bastante semelhante ao que demais encontramos dentro deste género. Estes nuestros hermanos conseguem com este «Vortex» (curiosamente não o V, já que os quatro álbuns anteriores foram baptizados de I, II, III e IV) um álbum equilibrado, mas para quem não for realmente fã deste género, poderá se ressentir da falta das vocalizações. [7/10] HUGO MELO

Originária de Arendal, Noruega, esta é mais uma daquelas jovens formações deslumbradas com o thrash metal que se fez no final dos 80s. Apresentaram-se ao mundo em 2016 com um excelente EP homónimo, acabando agora de publicar este que é o primeiro longa duração. No essencial, «Mind» segue de perto os parâmetros canónicos do thrash, baseandose numa torrente de riffs técnicos e de ritmos contagiantes que facilmente nos fazem perder o controlo da cervical. Mas apesar dos muitos tiques e clichés omnipresentes na música, é notório que estamos perante um thrash ambicioso que tende a não se ficar pelo básico do género, apresentando mesmo contornos claramente progressivos no último tema do disco – um épico que passa os 23 minutos de duração. Esta última faixa, “Mind”, inclui um pouco de tudo: partes instrumentais cativantes, mostras de criatividade e virtuosismo, agressão e melodia, e uma composição plena de musicalidade e dinamismo. No seu todo parece carecer, no entanto, de alguma estrutura, como, por exemplo, uma melodia recorrente que funcione como espinha dorsal. Na ausência deste tipo de elementos estruturantes fica a sensação de uma colagem de passagens que poderiam bem ter dado dois ou três temas separados. Mesmo assim, “Mind” é uma experiência com valor que merece toda a atenção, ainda para mais sabendo (segundo declarações recentes da banda) que é nesta direcção artística que os Vorbid tencionam prosseguir em futuros lançamentos. Uma última nota: o vocalista Michael Briggs não surge aqui tão colado ao estilo vocal de Russ Anderson (Forbidden) como no EP de 2016, soando mais estridente e até esganiçado, o que pode levar algum tempo a habituar o ouvido. [7/10] ERNESTO MARTINS

Conhecidos pelo seu característico black metal atmosférico, os ingleses Winterfylleth acabam de surpreender com um novo disco... inteiramente acústico. Mas a surpresa é apenas aparente pois na verdade a banda sempre incorporou influências salientes do folk inglês na sua música, explorando desta vez a fundo e em exclusivo essa faceta, talvez como forma de assinalar o seu 10º aniversário. E o resultado é simplesmente de encantar. As linhas melódicas de guitarra acústica que conduzem todos os doze temas (metade deles instrumentais) buscam inspiração num certo folclore pastoral que evoca de uma forma quase espiritual os vastos espaços verdejantes da Inglaterra rural. As vocalizações graves e profundas de Chris Naughton são frequentemente secundadas, em harmonia coral, pelos restantes membros da banda, e as letras baseiam-se em temas históricos tradicionais ou servem-se de adaptações de poemas clássicos da literatura inglesa antiga, saldando-se numa verdadeira homenagem à herança cultural do colectivo. O violino e o violoncelo, executados por músicos convidados, desempenham um papel central em alguns temas e conferem uma dimensão quase transcendente à atmosfera sonora. Radicalmente diferente do que ouvimos nos cinco álbuns anteriores da banda, «The Hallowing of Heirdom» é uma experiência arrojada que nos remete para aventuras semelhantes como “Kveldssanger”(1996) dos Ulver, ou “Where at Night the Woodgrouse Plays”(1999) dos Empyrium (disco que me lembra sempre a minha mãe, que o adorava), mas com resultados ainda mais memoráveis. Um disco maravilhoso. [9/10] ERNESTO MARTINS

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A anomalia do White Metal Por: Ernesto Martins

Mas anomalia porquê? Antestor Banda norueguesa de UnBlack Metal, pioneira da cena cristã do norte da Europa.

O White Metal, ou Heavy Metal com conteúdos líricos expressamente religiosos, mais conhecido actualmente por Metal Cristão (MC), surgiu nos Estados Unidos e ganhou particular força nos anos 80 com a cruzada movida contra o Metal secular por alguns sectores mais conservadores da sociedade americana, que viam neste género musical um inimigo da moral e dos valores familiares. O MC apresentava-se assim como uma alternativa de ideologia mais positiva e cristã em contraponto ao alegado carácter destrutivo e imoral do Metal secular. De lá para cá o MC desenvolveu uma cena Metal muito própria, alargando-se pela América Latina e norte da Europa, e desenvolvendo as suas próprias infra-estruturas, incluindo editoras, canais de distribuição, revistas e festivais focados apenas em artistas de MC.

Rainbow Rock Festival 2018

“Rainbow Rock is a drug and alcohol free festival. Offenders will be removed from the venue”

Não obstante a sólida implantação e de uma história com mais de três décadas, o MC sempre foi motivo de controvérsia nos meios do Metal secular. A atitude evangelizadora, comum nas bandas de primeira vaga fortemente enraizadas no protestantismo evangélico americano, foi recebida nos meios seculares com frequente hostilidade, e ridicularizada por se sobrepor, não raras vezes, à qualidade musical. Com a expansão da cena para além das fronteiras dos Estados Unidos, este proselitismo passaria para segundo plano, embora o tom apologético se mantenha ainda hoje bem visível nas letras das canções e no discurso de algumas revistas dedicadas à divulgação do MC. Curiosamente na Europa, onde o MC se vive mais como uma forma de expressão de religiosidade moderada, algumas bandas tornam-se alvo de criticas dos seus pares por não transportarem uma mensagem cristã suficientemente explícita.

Mas a principal objecção que se pode colocar ao MC é a um nível mais fundamental. Numa review do álbum «Nonexistent» dos Living Sacrifice, no site AllMusic, o autor comentou que “o termo death metal cristão parece ser um dos paradoxos mais cómicos de sempre”. Desde as suas origens, o Heavy Metal (o secular) esteve sempre associado a uma identidade contra cultural de contestação dos poderes vigentes. Metal é, muitas vezes, sinónimo de rebelião contra todo o tipo de autoridade: parental, social, política, religiosa. É o “we don’t care what you say, fuck you!” celebrizado pelos Overkill. É a substituição da paz e do amor pela

Parakletos Os finlandeses Parakletos fizeram um versão (un)black metal do Pai Nosso (“Fader var”, incluída no álbum «Offerlammets makt»).

morte e destruição. A imagética mística e oculta usada amiúde, é ela própria símbolo de rebelião. O espirito é de permanente inconformismo. De desafio dos valores morais doutrinados por instituições vistas como

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HM magazine A HM Magazine (antes era Heaven’s Metal) é uma revista digital mensal com o objectivo expresso de “divulgar o estado actual da música pesada numa perspectiva de fé cristã”

hipócritas, particularmente as cristãs por serem as de maior influência no mundo ocidental. Metal é o tratamento estético de temas malditos ou tabus. Até a sonoridade musical é maldita, por vezes no limite do audível e com abuso de dissonâncias e de trítonos, o famigerado ‘acorde do diabo’. Não admira pois que a transposição para o contexto do MC de toda esta controversa linguagem artística, nascida duma atitude de libertação francamente oposta ao conservadorismo cristão, soe como uma contradição de termos, um paradoxo. Neste processo de criação (subversão?) de uma versão cristã de Heavy Metal, as bandas de MC chegam mesmo ao ponto de redefinir o conceito de rebelião, com resultados não menos que surpreendentes. Aqui a rebelião exerce-se contra uma alegada erosão moral da sociedade actual onde os valores tradicionais da família são ameaçados pela crescente legalização e aceitação do aborto, da pornografia, dos direitos dos homossexuais e dos movimentos feministas. Trata-se portanto de uma rebelião contra as conquistas mais recentes da modernidade e um claro apelo ao retrocesso civilizacional. Para as bandas conotadas com os movimentos evangélicos norte-americanos a ideia de rebelião é ainda mais virada do avesso, passando pela resistência ao pecado e pela obediência aos pais, à Igreja e à autoridade divina. Acredite-se ou não, a obediência é defendida como a mais pura das transgressões.

www.metalforjesus.org - “Thru Christian Metal we can talk the metalheads language and have their attention” - “...there is a good and positive alternative to all the crap that many secular bands are offering”

A demarcação vincada das bandas de MC em relação às suas congéneres seculares e a demonização destas últimas é também frequente. Um estudo sobre as letras de canções de MC [Jousmäki, 2011] revela uma tendência para a ênfase da dicotomia entre eles e os não crentes, sempre com uma atitude de superioridade epistémica (eles é que estão certos; os não crentes estão errados) e moral (eles são bons; os não crentes são maus). Segundo a autora deste estudo, esta reacção colectiva deve-se ao domínio da secularização e à rejeição crescente do Cristianismo. Marcus Morberg, um dos académicos que mais tem estudado o fenómeno do MC, considera que “se pudesse definir-se algo como uma ideologia subjacente ao Metal (secular), essa ideologia seria o individualismo… o poder de pensar pela própria cabeça e a rejeição liminar das autoridades tradicionais” [Moberg, 2007]. Ora, conciliar essa atitude individualista com a submissão à vontade de um deus, como se faz aparentemente no MC, é algo que desafia qualquer espírito minimamente crítico. O cristianismo, nas suas múltiplas denominações, esteve sempre, e ainda está, associado a atitudes mais ou menos conservadoras, contrárias por natureza à afirmação de poder individual promovido pelo Metal. Ao longo da história o cristianismo erradicou heresias, paganismos e mitologias – aquilo que é, afinal de contas, a matéria-prima conceptual de muito Metal. O cristianismo perseguiu, e persegue sempre que pode, o livre pensamento, subscrevendo doutrinas que segregam e castram a actividade humana a vários níveis. O que pode haver de mais contrário ao espírito fundacional do Metal? Bibliografia • [Jousmäki, 2011] “Epistemic, interpersonal, and moral stances in the construction of us and them in Christian metal lyrics”, Henna Jousmäki, Journal of Multicultural Discourses, 6 (1), 53-66, 2011. • [Luhr, 2005] “Metal Missionaries to the Nation: Christian Heavy Metal Music, ‘Family Values,’ and Youth Culture, 1984-1994”, Eileen Luhr, American Quarterly 57 (1). pp. 103-28, 2005. • [Moberg, 2012] “The ‘double controversy’ of Christian metal.”, Marcus Moberg, Popular Music History, 85- 99, Sheffield, Equinox Publishing Ltd, 2012. • [Moberg, 2008] “Turn or Burn? The Peculiar Case of Christian Metal Music”, Marcus Moberg, Heavy Fundamentalisms: Music, Metal & Politics, Salzburg, Austria, 3-5 November, 2008. • [Moberg, 2007] “The transnational christian metal scene – Expressing alternative christian identity through a form of popular music”, Marcus Moberg, INTER: A European Cultural Studies Conference, Norrköping, Sweden, 11-13 June, 2007.

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Diva

parte 2

“Uma vez Rainha, para sempre Rainha.” «Act II» é a continuação de «Act I», pesado mas caloroso e intimista. Dois concertos gravados em locais diferentes: Um set mais intimista dado para 20 pessoas no Metropolis Studio em Londres e outro mais pesado dado em Milão. Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro Transcrição: Hugo Melo

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[...] a maior diferença entre o «Act I» e o «Act II» são as músicas. No primeiro álbum ao vivo tocámos músicas dos meus dois primeiros álbuns de estúdio e no «Act II» tocámos músicas dos últimos 3 álbuns.

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Olá Tarja, mais uma vez obrigado por responderes novamente às nossas questões. Aqui temos um grande álbum ao vivo, este constituído por duas partes. Porque é que decidiste lançar o «Act II» dividido em duas partes? O ACT II inclui dois concertos muito diferentes, por isso, não diria que tem duas partes. Um foi gravado em Londres, nos Metropolis Studios, antes do álbum «The Shadow Self» ter saído. Tocámos as músicas desse álbum, pela primeira vez ao vivo, para um restrito grupo de fãs, media e pessoal da editora. Foi um momento muito especial para todos nós. O segundo concerto foi gravado em Milão, na Itália, com uma grande produção e para uma grande audiência. Quis mostrar aos nossos ouvintes dois concertos diferentes para que pudessem constatar as emoções que estiveram presentes nesses concertos. Adorei o desafio que este álbum ao vivo me voltou a proporcionar. Trabalhei arduamente para tirar o melhor deles. O primeiro tem 75 minutos e foi dado perante apenas 20 fãs! Embora seja um cenário bastante íntimo, porquê tão poucos fãs? Foi o possível no estúdio onde apresentámos o álbum. Quando vires o vídeo, vais-te aperceber disso. Este segue-se ao bem-sucedido «Act I». Existe alguma grande diferença entre estes dois actos (para lá da saída do Mike Terrana)? O que mencionas não é uma grande alteração. Foi apenas uma entre outras alterações na formação. Diria que a maior diferença entre o «Act I» e o «Act II» são as músicas. No primeiro álbum ao vivo tocámos músicas dos meus dois primeiros álbuns de estúdio e no «Act II» tocámos músicas dos últimos 3 álbuns. Portanto, se tiveres estes dois álbuns ao vivo, praticamente tens todas as minhas canções

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ao vivo. A produção deste «Act II» é igualmente diferente da do primeiro, porque a localização não foi, como no primeiro, numa sala de ópera. Por isso, ainda houve algumas mudanças. Este lançamento vem numas variantes muito porreiras. Quantas versões do álbum há e quais são as diferenças entre eles? Consegues essa informação em www.tarja-act2.com. Estou a ver um vídeo da edição de 2017 do festival Sweden Rock Festival, com a Sweden Rock Symphony Orchestra. Como também és uma cantora clássica, habituada a cantar com orquestras, alguma vez pensaste em gravar este álbum com uma orquestra completa, e eventualmente também com um coro? Podemos, no futuro, esperar algo deste género? Na minha carreira, dou regularmente concertos sinfónicos e já gravei noutros projectos com orquestras e coros. Num futuro próximo, não há planos concretos para gravar um álbum como o «Act II» com uma orquestra.

que há a hipótese de estarmos juntos, aproveitamos. Recordas-te como surgiu a oportunidade? O manager dos Scorpions contactou o meu e, pouco tempo depois, já estava a falar ao telefone com o Klaus Meine. No ano passado partilhaste o palco com o Marco (Hietala) e na música “Ave Maria” o vosso abraço chamou-me a atenção. Como te sentiste quando partilhaste o palco com ele? Tenho imenso orgulho do meu trabalho com os Nightwish e nunca apagaria essa época da minha vida, porque foram anos muito importantes. Na realidade foi de facto muito bom partilhar o palco com ele, e estou muito confortável em o fazer. Tenho uma carreira própria e estou muito confiante e feliz, por isso não houve necessidade de falar sobre o que aconteceu entre nós no passado. Virei essa página há muito tempo.

Vi que para o «Act I», a iniciativa de angariação de fundos foi tua. Porque é que o tiveste de o fazer? Esta campanha partiu da vontade da minha editora.

O último álbum foi em 2016, quase há dois anos. Para quando novas canções e um novo álbum? Podes nos dizer alguma coisa relativamente à abordagem musical? No geral, tenho lançado um novo álbum a cada três anos, mas tens razão. Actualmente estou a escrever músicas para um novo álbum, que deverá sair algures no próximo ano. A abordagem musical deverá ser semelhante à do anterior «The Shadow Self». Sintome à vontade a escrever músicas, esse processo tem-se tornado mais fácil ao longo dos anos.

Há uns anos cantaste “The Good Die Young” com os Scorpions. Como foi partilhar o palco com estes veteranos? Desde a adolescência que sou fã dos Scorpions pelo que, colaborar com eles foi, para mim, um sonho tornado realidade. Foi o fechar de um ciclo. São todos humildes pelo que adorei a experiência. Mantemos o contacto e sempre

Na última digressão viajaste imenso - mais de 200 concertos em 40 países para cerca de um milhão de pessoas. Alguma vez te sentes cansada? As digressões são difíceis. Aposto que conseguia colocar as minhas amigas, durante apenas uma semana, num autocarro da digressão e, uma após outra, todas me pediriam para regressar

Vai haver uma digressão a suportar este «Act II»? Se sim, que podem os fãs esperar? Sim, haverá alguns concertos de lançamento e os fãs poderão ver e ouvir espectáculos semelhantes ao «Act II».


a casa para junto das famílias. Quando estou na estrada sinto imensas saudades da minha família, até porque os tinha comigo quando a minha filha era mais nova. Agora que está na escola, o meu marido fica em casa a tomar conta dela. Adoro viajar, conhecer pessoas novas, os meus concertos, os fãs, o facto de ter a liberdade de fazer aquilo que quero, MAS… a determinada altura gostava de simplesmente regressar a casa e não fazer nada. Mas a realidade é que, quando, após a digressão, regresso a casa, o trabalho continua! Assim, raramente tenho férias. Mas não me estou a queixar. Estou super feliz com a vida que tenho, com a minha família, com o meu trabalho, com a minha liberdade e com a minha saúde.

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Na realidade foi de facto muito bom partilhar o palco com ele (MArco Hietala), e estou muito confortável em fazê-lo.

A tua filha tem quase seis anos, certo? Com uma digressão tão extensa como é que arranjas tempo para estar com ela? Se a digressão é na Europa, a minha família viaja até onde estou durante um ou dois fins de semana. Quando viajo para fora da Europa, então não nos vemos. Telefono diariamente à minha filha através do facetime e brincamos durante horas. Às vezes até a coloco a dormir enquanto ela mantém o iPad ao lado da cama. A tecnologia de hoje permite-nos estar mais próximos uns dos outros, embora nunca seja o mesmo de estar realmente presente. Algumas questões rápidas: - Quem ou o quê é que Adoras Odiar (“Love to Hate)? Não sei se na verdade adoro odiar aranhas, mas não consigo evitar odiá-las. - Quem defenderias até ao Teu Último Suspiro (“Until your last breath”)? A minha família. - Gostas, ou tens a necessidade de Caminhar Sozinha (“Walk Alone”)? Estou sempre a caminhar sozinha. Embora sinta que ao longo da minha vida nunca tenha estado realmente sozinha, no final do dia caminho sozinha nas minhas decisões. Corri tantos riscos e enfrentei tantos desafios que definitivamente sinto que mais ninguém os poderia tornar reais, senão eu. Tarja Youtube

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Um copo nas trevas Com o recente lançamento de “Hóstia” a par da reedição da versão definitiva de “Fellatrix” pela reputada Osmose

Productions, Filii Nigrantium Infernalium celebram mais um passo rumo à internacionalização. Marcámos encontro com o emblemático líder da banda, Monsenhor Belathauzer, na esteira da apresentação dos referidos lançamentos na 2ª edição do Masmorra Fest em Cacilhas. A conversa tomou lugar numa tasca algures em Anjos, entre cervejas e tremoços, humor, sabedoria e sarcasmo. Entrevista: Frederico Figueiredo

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Sem elaborados preâmbulos, ao brinde e agradecimento protocolar foi desferida uma declaração em tom de abertura de hostilidades: Monsenhor Belathauzer: Digo-te que odeio entrevistas. A pior praga da música são as entrevistas e os festivais. Só gosto de salas de ensaios. Odeio tocar concertos. Os festivais têm um problema em geral (excepto o Masmorra, que é um festival absolutamente único...): metem bandas a mais, as bandas depois têm pouco tempo para tocar, mesmo bandas grandes como Venom, Master's Hammer ou Voivod, que deviam tocar pelo menos 1 hora e meia, tocam 50 minutos. 5 9 / VERSUS MAGAZINE


Sentes isso em relação à vossa banda? Monsenhor Belathauzer: Em relação à nossa banda sinto. Nos festivais temos 40 minutos e nós não somos robôs. Tentamos ser máquinas do amor, mas isso não é em palco que se verifica... O Julio Iglésias disse que “tocar concertos é como fazer amor com milhares de pessoas”, mas acho que são pessoas a mais. Não sei se é tudo ao mesmo tempo... Uma logística complicada... Há muita tensão, tanto que, se tivermos o tempo que nós e o público quiser, há uma interacção com o público muito maior. Se acabarmos o concerto e o público estiver numa de continuarmos a tocar, continuamos a selvajaria e a festa, na medida do possível. Os acidentes que acontecem são um drama e um horror em festivais. Partir cordas, ter problemas com o monitor, ter uma pele do bombo que se parte (isso aconteceunos na Moita e tirou-nos logo 10 minutos do concerto e até nem fomos nós a partir a pele do bombo, foi outra banda). Esses atrasos e essa tensão de termos de olhar sempre para o relógio é um pouco antitética em relação ao que devia ser o rock em geral. Não sermos, citando os Testament: “Disciples of the Watch”, não estarmos a olhar para o relógio, mas estarmos a olhar para a banda e haver uma suspensão do tempo e, na medida do possível, do espaço. Isso conseguiu-se no Masmorra, apesar de ser festival. Por outro lado, eu percebo a lógica do festival, para juntar em três dias bandas como Master's Hammer (a referir-me a Barroselas), Nifelheim, Carpathian Forest, é preciso cronometrar-se, senão os atrasos são muito chatos, etc... É uma espécie de contradição; por um lado percebo os organizadores de concertos e admiro imenso os organizadores que nos trazem bandas como Master's Hammer; por outro lado, enquanto fã e enquanto músico (ou anti-músico), gostaria que houvesse mais

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concertos com 3, 4 bandas no máximo. Referiste a questão de seres “antimúsico”, mas neste concerto (na actuação no Masmorra), achei que havia um esforço, pelo menos da tua parte, em interagir, puxar pelo público e houve uma parte, em particular, em que comparavas os concertos de 1989 com os concertos de agora. Viraste-te para o público e disseste: “se fosse o mesmo concerto em 89, estava toda a gente a gritar! O Vaticano deve-vos ter cortado a língua!”. A vossa banda já é antiga e já deves ter visto tendências a passar dentro do metal... black metal... como é que avalias este cenário e como achas que a vossa banda se encaixa nele? É uma resposta múltipla. Em relações às tendências, estamos muito melhor do que estávamos em 95... 96. Já não há nu metal, o que é muito bom. Já não há aquele black metal monocórdico e chato (sei que gostas, mas basta um “Transilvanian Hunger”... é como se todas as bandas tentassem ser Napalm Death... uma cena plana, do meu ponto de vista). Por outro lado, dá impressão de que agora, à medida que os anos passam é cada vez mais difícil criar coisas novas, enquanto que no início e meados dos anos 90 era possível bandas como Master's Hammer inovarem (ou Darkthrone...), mesmo recriando influências de alguns clássicos. Agora cada vez se torna mais difícil. É difícil pegar numa guitarra e criar um riff diferente de coisas que já foram feitas. O que é possível é combinar de forma diferente, por vezes extravagante (acho que é o que nós conseguimos fazer, por vezes, involuntariamente), toda a herança do passado, que é uma herança que no metal vem, não dos anos 80, mas dos anos 60. No fundo tudo começa com Black Sabbath, Led Zeppellin e Deep Purple... e para quem for um pouco mais aberto, com bandas como The Stooges ou Velvet Undergound. Aliás, para mim a primeira banda

de thrash metal são os Stooges. Antes do “Seek & Destroy” veio o “Search & Destroy”. Eles inventaram para mim o punk e o thrash metal, ao mesmo tempo! Depois vieram os anos 80... e lembro-me do que a malta que ia a Londres nos anos 80 e 90 dizia: haviam tantos concertos que as pessoas já estavam um pouco anestesiadas e o público só reagia muito excepcionalmente; limitavase a ver a banda. Eu acho que não é apenas por isso, acho que é por causa dos telemóveis e de ver a vida através de ecrãs que geram uma espécie de anestesia. Os ecrãs da televisão, dos telemóveis geram uma espécie de atitude de espectador passivo, ou seja, de espectador de televisão. Mas, de facto, houve outra razão para a falta de interacção do público: a hora já avançada e outro tipo de anestesia (com o qual estou absolutamente de acordo) que é a anestesia do álcool, ou como dizia Baudelaire: dos “paraísos artificiais”, mas não assim tão artificiais... a cerveja Cristal não tem aditivos. Tinhas mencionado também durante o concerto que este estava a ser filmado e eu fiquei sem perceber se vocês planeiam lançar um dvd ou se será um videoclip? Bom, provavelmente esta resposta ficará de fora, mas eu vou tentar dizer umas frases que possam ficar dentro. Na verdade, o concerto foi gravado em áudio com um mp3 colocado numa sala posterior à sala do concerto, ou seja, no backstage, e nós queríamos muito editar isto como o nosso primeiro concerto em cassette limitadíssima de 66,6 cópias pela Caverna Abismal (que teve a notícia que ia editar um concerto nosso ao vivo através de uma entrevista que eu dei na Antena 3, no programa Alta Tensão, do António Freitas). O concerto realmente está gravado e o som, desde que não esteja absolutamente inaudível, eu farei força para que ele seja editado. A nossa ideia é fazer uma edição “Filii


Nigrantium Infernalium ao vivo num cenário Mad Max de Cacilhas! Até que ponto é que a produção dos álbums é importante para ti? Eu pergunto isto porque vocês têm o mesmo álbum lançado como se fossem álbums diferentes - o “Fellatrix” - e tu também anunciaste esse álbum como o vosso “segundo novo álbum”. O “Hóstia”, o “Fellatrix” e até o “Pornokrates” têm um som bastante bom, bastante limpo, canónico digamos... mas não em termos de “Belo Horizonte 1985”; aí o som é horrível, mas horrivelmente bom! Eu queria mesmo que fosse editado este concerto com o pior som possível, no limite; em cassette, porque nos anos 80 ouvíamos muitos bootlegs em cassette. Há aquele culto aos anos 80, mas os anos 80 eram horríveis. Haviam maravilhas: a troca de cassettes e tal... mas há pessoas que dão uma ideia de que tudo era bom nos anos 80. É como um carimbo “vintage”. Mas não era nada assim. Eu vejo que muito pessoal que estava lá no concerto é malta que tinha entre 20 e 30 anos, e eu bem queria que tivesse havido gente assim nos meados e finais dos anos 90. Faltava muito heavy metal e muita atitude necro rock'n'rolleira. Portanto, voltando à questão do “Fellatrix” e dos relançamentos: nós gravámos o “Hóstia” sem perspectiva nenhuma de edição (provavelmente seria editado pela Chaosphere), mas houve uma necessidade intrínseca que nos levou a gravar, e quando acabámos de gravar o disco, eu pensei: “isto nem que vá para streaming ou então oferecemos à malta” e, entretanto, graças ao Nuno da Caverna Abismal, apareceu a Osmose. A Osmose apareceu mais ou menos em abril de 2017. Tínhamos gravado o disco em janeiro ou fevereiro desse ano, e os meses de verão foram para combinar o lançamento do “Hóstia”. Foi quando o Hervé da Osmose nos disse que teríamos de ter uma boa capa para esse disco (não que as outras não

fossem boas, mas ele queria apostar na capa). Mais uma vez o Nuno, da Caverna Abismal, sugeriu o Paolo Girardi e eu vi os trabalhos dele e achei-o um pintor excepcional que, ainda por cima, tem tudo a ver com as minhas referências na pintura, que são o Hieronymus Bosch, o Francisco de Goya e os expressionistas alemães (sobretudo dos anos 20). Trabalhei a capa (eu nessa altura estava fora de Portugal, em São Paulo no Brasil, por causa de uns negócios imobiliários. Eu trabalho na indústria imobiliária, vendo imóveis)... Inicialmente tinha desenhado uma virgem completamente vestida, dos pés à cabeça, com uma espécie de burca, empalada. Porém, porque sou muito mau a desenhar roupa, decidi optar pelo nudismo, por uma mera questão de conveniência técnica. Para não ofender o puritanismo, decidi colocar a nossa senhora de “alguma coisa” de costas... mandei ao Paolo Girardi, fomos interagindo e o resultado foi o resultado alucinante que está à vista, que está baseado na técnica de restauração de frescos de igrejas do século XVIII (foi assim como o Paolo Girardi aprendeu a pintar). Posteriormente, à medida que os meses passavam, já estávamos em agosto... setembro, perguntámos ao Hervé, da Osmose, se ele não queria reeditar coisas de Filii e ele disse que sim. Proposemos reeditar o “F.D.P.” (anagrama para Filho Da Puta), também conhecido por alguns como “Fellatrix Discordia Pantocrator”, que é um título pomposo, um pouco pedante, petulante... um pouco teriónico, e decidimos ser mais sintéticos... sintéticos a posteriori, ou seja, na parte traseira, e fizemos umas propostas e o Hervé financiou a regravação do “Fellatrix Discordia Pantocrator” e nós actualizámos o disco. Estivemos à volta dos riffs, dos temas e melhorámo-lo. Actualizámo-lo completamente, o que nos faz pensar no “F.D.P.” como uma espécie de demo tape preparatória para o “Fellatrix”. É um

disco que tivemos oportunidade de rearranjar. Não é uma mera regravação. O “Pornokrates” não precisa de regravação porque está perfeito como está e não me imagino a regravar mais nada de Filii, era só esse disco. O “F.D.P.” mal saiu de Portugal, apesar da boa vontade e do empenho total, absoluto, 66,6% da Pro-Con... e nós bem sabemos, agora que nós estamos a gerir o bandcamp e vamos aos correios e mandamos encomendas. Isso é muito velha guarda! Sim, tem algo disso, porque sou eu que faço as embalagens, vou aos correios... Sim, é a recuperação de uma onda underground. Por último, as editoras portuguesas, o meio português, a cena portuguesa, é periférica e isto não é “coitadinhismo”, que eu odeio. É muito fácil a comunicação entre Bélgica, França...; o centro da Europa tem uma força do caraças, há muito mais equipamento, é muito mais fácil arranjar certas coisas... e foi isso o que nos decidiu a pensar: “já que agora estamos na Osmose e a Osmose tem distribuição universal (chegam, se for preciso, até Marte, que é onde está o nosso público ideal), agora sabemos que o “Fellatrix” vai chegar a qualquer pessoa inumana, da Indonésia até Bharat, e vai chegar da forma mais correcta. Entre os aspetos que vos distinguem, salientam-se as letras, que, sobretudo em “A Era do Abutre”, eram singulares, articuladas... O que eu penso sobre as letras é que há dois tipos de letras: há as letras encaradas como panfleto, que podem ter o seu gozo (o panfleto pode ter sarcasmo, como por exemplo, as letras dos Sex Pistols, ou sobretudo dos Dead Kennedys, que para mim são letras magníficas), depois temos letras como as dos Celtic Frost, dos Venom, algumas dos Priest, Maiden, Slayer... que são letras que podem ter uma vertente chocante para a “mente bem

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No fundo tudo começa com Black Sabbath, Led pouco mais aberto, com bandas como

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Foto: Estefânia silva

d Zeppellin e Deep Purple... e para quem for um o The Stooges ou Velvet Undergound.

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“Hóstia” é uma

palavra que eu gritei num momento de gravação e que eu não tinha escrito nunca.

pensante” (um tipo de mente muito limitada para a recepção de Arte), mas que podem ser letras artísticas. De facto, com Celtic Frost conheci umas letras que estavam claramente fora, ou muito superiores às letras do metal em geral. Antes de eu ler Baudelaire e de já ter lido Edgar Alan Poe, eu li as letras de Celtic Frost, que estão num patamar infinitamente superior às letras em geral que se ouviam no heavy metal... Eu todos os dias escrevo algum verso e às vezes tenho uma melodia na cabeça e saem versos. Às vezes uma só palavra é potente e é a semente de uma letra que poderá surgir dez anos depois, como é o caso da “Hóstia” por exemplo. “Hóstia” é uma palavra que eu gritei num momento de gravação e que eu não tinha escrito nunca. No momento da gravação do “Pornokrates”, na canção “Labirinto”, eu, às tantas, gritei “Hóstia”, porque tenho uma certa influência de certos aspetos da chamada “cultura espanhola”, e “hóstia” é uma palavra que se diz muito em Espanha, como quem diz “fodasse”, um pouco como o “credo”, mas em versão dura. No fundo, todas as minhas letras são

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uma letra, são variações da mesma coisa... tenho ideias e palavras que metaforizo, como “Hóstia”, que é uma belíssima metáfora, carregadinha de simbolismo e de tradição, pelo menos desde as primeiras hóstias dos primeiros católicos e desde a divisão do pão de Cristo na última ceia, e gosto muito de juntar âmbitos... eu insisto em editar em vinil por causa da superfície e os cds. Nestes cds da Osmose fizemos questão de ter cuidado para que as letras pudessem ser lidas e fruídas por quem ouve o disco. Isso eu sinto que já não se faz. Sinto que esta é uma grande diferença entre o passado (os anos 80 e 90) e o presente. As letras são muito importantes. Quem é que compõe as músicas? Podemos dizer que a maior parte dos riffs são criados por mim, mas é uma percentagem que não chega, de longe, aos 100%... e sem “aquela” bateria, sem este baterista, sem o Rick a tocar baixo e agora sem o Iron Fist na outra guitarra, não haveria Filii como é. Para compor todos são importantes, porque nós somos uma banda que compõe em

estúdio, nos ensaios. Eu não me imagino a compor temas em casa, a enviar gravações para a Indonésia ou para outro sítio qualquer, nem que seja para a mesma cidade e depois receber uma programação em bateria (ou eu fazer a programação em bateria). Precisamos de começar a tocar mal logo de início, com pregos. Sentir a dinâmica do som. Sempre gostei de blues e das origens de tudo. Uma das minhas bandas favoritas é o Howling Wolf, é uma grande influência. Todo esse som de rock 'n' roll fez-se em ensaios. Os Black Sabbath fizeram-se em ensaios, não foi pessoal a gravar em casa e a mandar para os amigos em cassette... essa é uma das razões pelas quais demoramos tanto tempo a chegar a ter um álbum pronto. Outra razão é que nós não queremos editar supositórios. Quem diz supositórios, diz fascículos. Só queremos editar quando tivermos. A prova do tempo é muito importante. Tal como com as letras, com os riffs é a mesma coisa. No “Hóstia” há riffs que eu criei em 2005, que eu deixei até ao momento certo. Não confio em bandas que editam todos os anos.


Têm existido hiatos bastante alargados entre albums... Filii teve de acabar em 2000 e pouco e depois estivemos a recompor a banda com o baterista primeiro, que é o Malm (que tinha saido e não gravou o “F.D.P.”). Começámos a ensaiar outra vez. O Mantus, apesar de não ter tempo nenhum, quis logo entrar nessa reformação de Filii e entre 2008 e 2009 estivemos a preparar material. Gravámos três temas para o EP “Retrofornicator”, que foi o “regressozinho” ou marcação de presença e recomeçamos os concertos. Primeiro foi um concerto tremendo em Guimarães, no Vimaranes, um fantástico concerto de regresso que correu muito bem (eles tinham bifanas estragadas... foi uma coisa demente, alucinante, comer aquelas bifanas putrefactas. As bifanas eram proporcionalmente inversas à qualidade do festival). Voltámos a tocar outra vez e a compor o disco, que gravámos em 2012 - o “Pornokrates”. Visto assim, não é tanto tempo dado que toda a gente trabalha. Eu sou mediador imobiliário, Helregni trabalha com uma picareta... num cemitério... o Malm não estou autorizado, porque ele trabalha para os serviços secretos de uma nação estranha, e Iron Fist trabalha para Deus. Depois a Chaosphere lançou o “Pornokrates Deo Gratias” que foi uma excelente produção, tanto o vinil como o cd. Fomos tocando, cada vez mais, criando material para algo que acabaria por ser o “Hóstia”.... 4... 5 anos depois. As medidas do tempo convencionais não nos interessam. Rimbaud quantos livros publicou em vida? Um; e é para nós maior referência certamente do que, apesar de tudo, Camilo Castelo

Branco, que muito do que ele publicou era por trabalho, por dinheiro, porque ele precisava de comer. Agora vou usar um palavrão. Não é necessariamente uma pergunta, mas um palavrão: “religião”. A religião, qualquer uma, é um modo abortativo de pensamento. Existe Aristóteles, que deixou a lógica e a religião que deixou a “lógica abortiva”. Uma lógica que castra, capa, sem gerar castrati. Porque capar um homem e que o homem tenha uma formação para cantar Mozart, é uma coisa. Uma coisa de valor! E nesse sentido, devo dizer, que todos nós devíamos ser capados à nascença, mas com formação musical para cantar Mozart! Ligas alguma coisa a ocultismo? Eu ligo esteticamente, mas não acredito minimamente na existência de diabos, nem de transcendências. É uma opção estética. E duvido que haja em Venom ou que houvesse em Bathory. É muito fácil começar com um individualismo antigregário e depois encontrar leituras como Nietzsche, a teoria do superhomem e essa aversão, essa crítica sistemática às religiões organizadas, sobretudo aos monoteísmos, e em particular àqueles que melhor conhecemos, neste caso será o cristianismo... é muito fácil a pessoa artística procurar simbologia que seja ofensiva em relação a esses valores e isso desenvolve-se e faz-se um sistema estético. Eu só respeito satânicos que sejam anarcosatânicos, como eu suspeito que seja, por exemplo, o Franta Štorm dos Master's Hammer. Duvido que ele esteja numa associação

satânica ou numa igreja negra. Houve muita mascarada por causa do pessoal escandinavo. Quererem criar um sistema estético fechado. É como criar uma religião que tem uns parâmetros que “só nós compreendemos realmente”... Durante alguns anos, o sentido de humor foi proscrito, foi banido do black metal. Parecia que o black metal não poderia tolerar o sentido de humor, nem o prazer... o Aleister Crowley com o “Do what thou wilt” (que não é outra coisa senão Nietzsche) tem um satanismo libertário, por isso é que eu falo em anarco-satanismo ou anarco-black metal. O black metal totalitário e dogmático não é black metal sequer. Para fechar: o que antevês para os Filii Nigrantium Infernalium? (Nisto, Belathauzer recorre a um pedaço de literatura que o acompanhou na entrevista: ) “Nós, Filii Nigrantium Infernalium, vamos fazer todo o esforço para manter a mesma confiança dos munícipes e, se possível, reforçála. Desde o princípio falamos a verdade, pedimos tolerância e trabalhamos a favor de todos. Porém, quando questionados sobre o ordenamento do território, declaro-me insatisfeito com as medidas que estão a ser tomadas para atrair pessoas para o interior do metal. Há 18 anos a marcar pela qualidade! Filii Nigrantium Infernalium! Nós já desenvolvemos projetos para os avós, para os pais, mas agora queremos meter as mãos nos vossos netos!! E, sobretudo, para os nossos fãs: cliente uma vez, cliente para sempre.” Filii Nigrantium Infernalium Youtube

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Sonhos

“... e se os sonhos pudessem ser transmitidos como forma de entretenimento?� Entrevista: Adriano Godinho & Eduardo Ramalhadeiro

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Existem partes pessoais, tenho sempre algo de pessoal nas minhas letras. Pensei como seria se fosse eu a perder a minha mulher e o meu filho.

«Coma Eliptic» foi outro álbum conceptual e recebeu boas críticas. Como está a correr a recepção do «Automata»? Tem sido fenomenal, para uma banda com já alguns anos, nunca se sabe como as pessoas vão reagir. Continuamos a ter o nosso som mas tentamos puxar os limites. Receamos sempre da altura onde as pessoas já não se irão interessar mas...essa altura ainda não é agora, por isso, óptimo. Temos tido opiniões muito boas, os fãs parecem gostar do álbum, estamos em digressão e apercebemo-nos que as novas músicas estão a resultar bem ao vivo. Pensas que «Automata» irá fazer jus ao seu antecessor? Considero cada um dos nossos álbuns diferentes uns dos outros, são momentos da nossa evolução, duram menos do que nós mesmos. Tentamos criar o que somos nessa altura e penso que fizemos algo de muito bom. Tratase de fazer sempre melhor e tentar manter-nos interessados. Gosto de todos os nossos álbuns, não sou do tipo de pessoa que fala mal dos trabalhos passados, temos 10 álbuns agora, o que é de loucos.

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Porque é este álbum dividido em duas partes? Várias razões, foi algo que decidimos depois de gravar. Foi o trabalho certo para o fazer, como hoje em dia as coisas são tão rápidas, quisemos dar aos nossos fãs a oportunidade de terem dois trabalhos nossos este ano. Não quisemos dar o que a pessoas querem quando querem, o que é raro em 2018 onde as pessoas estão habituadas ao contrário. Essa foram as razões principais. Existe alguma distinção, musicalmente falando, entre a parte 1 e 2 ou foi tudo composto como um único álbum? Foram compostas como um álbum mas penso que podem ser logicamente divididas. Disseste que este trabalho foi influenciado pelo suicídio do Chris Cornell. De que forma este acontecimento influenciou a tua música? Foi algo que aconteceu enquanto estávamos a gravar o álbum e foi algo que influenciou a letra virando-a para o lado triste e deprimente. É estranho que um facto tão triste me tenha influenciado para escrever música, mas foi o que aconteceu.

As letras e os sonhos têm alguma relação com a tua vida pessoal? Existem partes pessoais, tenho sempre algo de pessoal nas minhas letras. Pensei como seria se fosse eu a perder a minha mulher e o meu filho. Liguei isso aos sonhos que me relacionaram pessoalmente com a história e pensar nas consequências de algo tão grave. Porque não se chama este trabalho «Sonhos»? Porque penso que soa melhor (risos). Gosto de ter títulos que façam as pessoas pesquisar o significado. Neste novo trabalho, fazem algo fundamentalmente diferente dos vossos trabalhos anteriores? Não. A nossa preocupação é sermos genuínos e escrevermos sobre o que sentimos nesse momento. Também porque como somos todos bastante diversificados na forma como compomos, penso que é algo que está sempre a mudar, sempre a procurar formas diferentes de trabalhar e de ter ideias. Isso serve para nos manter sempre reactivos. Mas no que toca ao processo, esse é o mesmo, somos nesta altura uma máquina bem oleada e trabalhamos bem juntos.


Como nascem as ideias para as vossas músicas e como as trabalham até alcançar a versão final? Alguma progressão de acordes, uma chave específica ou modo? É diferente para cada música, para cada álbum. Nunca começamos as músicas juntos, cada um traz ideias já trabalhadas, ouvimos as ideias e trabalhamos juntos para compor as músicas, ver como os temas podem encaixar... Muitas coisas não são pensadas, acontecem. Mas uma música pode começar de um riff de guitarra ou de uns acordes no piano. Depende muito. Hoje fazemos as coisas de forma diferente do que fazíamos há 10 anos. Este álbum representa um desafio diferente, quão diferente foi e como foi gravar? Adoramos gravar. Todo o stress e pressões acontecem antes de chegar ao estúdio. Fazemos uma pré-produção nós mesmos, para ter uma ideia exacta do que queremos, vamos muito bem preparados e quando chegamos ao estúdio a gravação passa-se até muito bem, preocupamo-nos apenas em ter boas execuções. Tentamos sempre desafiar-nos uns aos outros com aquilo que fazemos. Não focamos

a nossa mente apenas na parte técnica, tentamos transmitir emoção e soar natural. Vocês são músicos muito talentosos, têm algum histórico de estudos musicais ou fazem música complexa porque acham fixe? Tudo o que tocamos é porque nos soa natural, não compomos partes em tempos compostos complicados só porque queremos forçar que o seja, são partes que nos sai naturalmente. Temos todos um passado diferente, eu pessoalmente comecei com a guitarra, mas nunca tive estudei música, preocupo-me apenas em arranjar ideias que soem fixe e explorar como poderei fazer as coisas soarem interessantes. Certas pessoas poderão achar a nossa música louca, e temos partes que são mais técnicas, mas penso que mais do que tudo, temos um som orgânico. Há algum membro da banda que traz mais complexidade para as músicas? Se falas em tempos compostos, loucos e complexos, diria que o Dan é o que mais contribui, mas cada um de nós também tem as suas ideias..

Olhando para a vossa discografia, têm agora uma colecção impressionante de álbuns. Como se sentem em relação aos vossos trabalhos anteriores e principalmente os iniciais? Tudo é feito por uma razão, reflectem o que foram. Se fossem compostos hoje, soariam diferentes, claro. Gosto dos nossos álbuns , poderá haver partes que aprecio menos hoje, mas no geral gosto das nossas músicas porque mostram quem somos. Como se sincronizam quando tocam ao vivo? Treinamos muito. Individualmente, porque até é assim que treinamos para gravar. Treinamos juntos duas ou três vezes antes dos concertos. Quando tocamos ao vivo temos o click no ouvido, facilita as coisas. São capazes de tocar qualquer das vossas músicas caso fizessem uma sessão de discos pedidos? Claro! Já o fizemos, até, para o DVD do «Colours». Somos capazes de tocar qualquer música composta por nós. Obrigado pela entrevista, espero tocar outra vez em Portugal. Da última vez que aí tocamos foi num barco e foi espetacular.

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Divagações Metálicas... Música Surda Por: Nuno Lopes

Porra! Isto é, simplesmente, inadmissível! Como se não bastasse ser segunda-feira, como se não bastasse todo o misticismo que envolve este dia da semana, como se não bastasse tudo o resto, seria mesmo necessário passar o dia sem música? Dá vontade de praguejar, dá vontade de dizer mal de tudo e de todos. E tudo por causa de uns headphones! Que grande Merda! Porém, há sempre as palavras e essas a electrónica não me tira e o pensamento continua a ser livre para quem quiser faze-lo. Quantos de nós, em algum momento da nossa existência, se cruzou com pessoas que, com os seus equipamentos tecnológicos, invadem espaço alheio com os seus Kizombas, Hip-Hops ou technos. Fazem-no em todos os lados, estão em todas as frentes e... de uma maneira ou de outra, estamos de forma constante a ouvir a música dos outros. Curiosamente, ou talvez não, acho que nunca vi alguém do Rock, do Metal, do Alternativo ou de outro sub-género, fazer isso. Quer isto dizer que somos menos? Não! Quer isto dizer que temos vergonha? Não! Esse facto apenas se prende com o puro prazer de se ouvir música, com o simples acto egoísta de usufruir cada nota, cada palavra em paz e sossego, sem que isso queira dizer que estejamos a perturbar o normal funcionamento de algo conhecido como «sociedade» e a «regra» simples de «a minha liberdade começa onde acaba a do outro». Não me incomoda (muito!) ouvir a música dos outros porque (geralmente) estou demasiado ocupado a ouvir a minha, porém, na sua ausência incomoda-me ouvir a música dos outros.

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Uma crença incondicional na música Por oposição à sua atitude para com a religião, das palavras de Lars Stavdal – mentor de Wallachia – ressaltam um infinito amor pela música e uma forte crença no seu poder. Entrevista: CSA

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Olá, Lars! É a segunda vez que tenho o prazer de entrevistar Wallachia. Imagino que deve ter acontecido muita coisa desde que lançaram o vosso terceiro álbum. Lars – Olá novamente, amiga, e obrigado pela segunda entrevista a Wallachia para a Versus Magazine. Gosto sempre de ter notícias das belas praias de Portugal. Deram concertos para apresentar «Shunya»? Da última vez que “falámos”, estavam a pensar em se manterem exclusivamente como uma banda de estúdio. De facto, até agora só demos um único concerto, que teve lugar no Dark Bombastic Evening Festival VI, em 2015, numa fortaleza que fica no coração da Transilvânia – um local perfeito para a nossa estreia no palco. No entanto, foi uma experiência stressante, porque nunca fomos uma banda, na verdadeira aceção da palavra, e, em pouco tempo, tivemos de ensaiar uma set list de uma hora. Ainda por cima, ensaiámos individualmente. Eu e o Paal – os únicos que vivem na Noruega – estivemos juntos. Mas o Grolig (voz), o Thomas (bateria) e o Stefan (baixo) tiveram de aprender e ensaiar tudo sozinhos. Depois, só tivemos dois dias para ensaiar todos juntos e lá fomos nós para a Roménia para fazer o concerto. Foi uma experiência muito divertida, mas também capaz de dar cabo dos nervos de qualquer um de nós. Recentemente, tivemos algumas propostas para tocar ao vivo, mas é realmente muito complicado para nós prepararmo-nos tão longamente para fazer apenas alguns concertos isolados. Esperamos conseguir algo mais duradouro da próxima vez. Como foi recebido o vosso terceiro álbum? «Shnya» foi bastante bem recebido, tanto pelos nossos fãs de longa data como por aqueles para quem somos uma descoberta recente. Enquanto o segundo álbum – «Ceremony of Ascension» – era um tanto disperso, em termos de som e expressão musical, «Shunya»

mostrou-se mais coeso e sólido, centrando-se mais no lado melancólico da minha personalidade e do nosso som. Houve alguns comentários sobre a produção mais limpa e os sons mais modernos (nomeadamente os teclados), aspetos que tivemos em mente na preparação do nosso quarto álbum, porque, desta vez, fizemos uma gravação de som mais enérgica, crua e viva. «Shunya» falava do vazio, mas este seu sucessor parece-me muito cheio de ideias. - Porque decidiste tratar o tema da heresia? É algo que sempre fez parte da minha vida e da música de Wallachia – desde a nossa demo de estreia e ainda mais neste novo álbum. Da maneira como vejo o mundo a funcionar desde a minha infância, passando pela adolescência até chegar à idade que tenho agora, parece que a nossa sociedade estagnou ou então regressou a um ciclo de conflitos ancestrais, derramamento de sangue, terror – tudo isto em nome da religião. Parece que nunca aprendemos o suficiente a partir da observação do que aconteceu mesmo no passado mais recente. Todas as religiões monoteístas dizem querer unir a humanidade à sombra de uma só verdade, mas não fazem mais do que semear a discórdia entre os seres humanos, porque acreditam em versões diferentes da suposta verdade. Uma faixa do nosso novo álbum intitulada “Returned Favor of Abandonment” refere-se ao facto de eu ter tomado consciência de que não queria ter nada a ver com a religião, quando era ainda uma criança. Não devia ter mais de 8 ou 9 anos, quando tomei esta decisão. - Como vês este conceito? Para mim, a heresia significa muito simplesmente que não aceitas nenhuma das crenças religiosas estabelecidas e que procuras contradizê-las. E, para mim, a verdadeira essência de qualquer religião – Cristianismo, Judaísmo, Islamismo e todas as suas ramificações – corresponde apenas a formas extremamente depressivas de dedicares

a tua vida a algo que não tem qualquer interesse para esta. Ninguém nasce Cristão ou Muçulmano. A maior parte das vezes, essa crença é passada de geração em geração, de forma automática ou à custa de doutrina e converte-se numa prisão para a nossa mente desde tenra idade. E, de facto, não é saudável para ninguém crescer num tal estado de condicionamento. Só de pensar que, em certos países, ainda em 2018, podia ser preso só por tocar “Rock’N’Roll”, com base em razões de ordem religiosa, é algo que me parece uma completa loucura, uma total insanidade. Para mim, o que é importante é tirarmos o maior proveito de cada dia que passamos neste planeta, cuidar do que nos rodeia, dos nossos entes queridos e evoluir como seres humanos livres, aceitando a diversidade, em vez de lutar contra ela – como a religião frequentemente faz. A aceitação da diversidade torna-nos tolerantes e ascender a um mundo menos focado em tretas divinas seria um grande, grande passo para todas as sociedades. - «Monumental Heresy» é um álbum conceptual? O título espelha a totalidade do álbum, apesar de este não ter sido composto como um álbum puramente concetual, em que cada faixa se foca num só aspeto. No entanto, há cinco canções que estão diretamente relacionadas com os temas da heresia, da descrença e do respeito pela mãe Natureza. - Há alguma relação entre este álbum e o seu predecessor, ou usaste «Shunya» para te livrares de alguns sentimentos e seguir em frente em busca de novas direções? Sinto que há uma relação entre algumas das canções de «Shunya» e a direção que demos a este novo álbum. As faixas “The Parallel Fate of Dreams”, “So We Walk Alone” e “Returned Favor of Abandonment” são todas extremamente melancólicas e mantêm laços muito estreitos com o lado sinfónico de «Shunya» e, sobretudo, com as letras mais ligadas a experiências pessoais menos felizes. Também

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[…] Da maneira como vejo o mundo a funcionar desde a minha infância […] parece que a nossa sociedade

estagnou ou então regressou a um ciclo de conflitos ancestrais […] em nome da religião. […]

quando pensas em canções como “Hypotheist” e “Nostalgia Among the Ruins of Common Sense” – de «Shunya» - encontras nelas vês uma abordagem mais pagã e Folk que nós aprofundámos no novo álbum. Quando estava a ler os títulos das faixas do álbum, fiquei com a impressão de que, uma vez mais, estavam a tratar dos tempos modernos (como aconteceu em «Shunya»). Estou a pensar bem? Sim, as canções estão todas enraizadas no aqui e no agora do nosso mundo, algumas referem-me mesmo a momentos ainda muito recentes: por exemplo, a já referida está intimamente ligada a aspetos da minha infância e da educação

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que recebi. Já escrevi letras inspiradas em factos históricos e em mitos, mas parece-me muito mais compensador e interessante escrever sobre coisas que eu conheci mesmo, que vivi, senti e experienciei em primeira mão ou testemunhei no mundo atual. Momentos que nos fazem mudar converteram-se em canções que continuam a fazer-nos evoluir – é assim que isto funciona para mim. Eu adoro mesmo este álbum. - Tal como o anterior, deixa nos nossos ouvidos uma espécie de “sabor musical” que me recorda a saudosa Bathory. O que pensas disto? Os álbuns da “meia idade” de Bathory – sobretudo «Blood Fire

Death» e «Hammerheart» – continuam a ser uma grande influência musical para mim e o som épico de Wallachia. Quorthon era um mestre a criar essas camadas vastas e cinemáticas de música, combinadas com efeitos especiais que remetiam para sons da natureza, cavalos, etc. A sua música faz-te realmente embarcar numa jornada. E em Wallachia também queremos fazer o nosso melhor para criar música que tenha essa qualidade visual – um som que crie imagens e desperte sentimentos. Bathory é, sem dúvida, uma das nossas maiores influências. - Aprecio particularmente o contraste entre as vozes ásperas e as guitarras bem ligadas ao Metal e o belo e melancólico som do


violoncelo (um instrumento que aprecio muito), tudo pontuado pela bateria bem equilibrada. Gostas desta descrição da vossa música neste álbum? Acertaste em cheio. O violoncelo está lá para conferir uma beleza mais frágil à aspereza das vozes e ao som agudo das guitarras. É fundamental que haja algum equilíbrio e dinâmica na forma como a música flui e essas passagens mais amenas sublinham as mais agrestes. - Esta música também me faz pensar na beleza desolada das paisagens de neve como a que se vê na tua foto promocional. Há alguma relação entre as duas coisas? Realmente a natureza e o meio em que vivemos são uma grande fonte de inspiração para as imagens sonoras e visuais que queremos conjurar através da nossa música. Basta dizer que uma canção como “Heathen Shores” nasceu das minhas caminhadas diárias pela cidade onde vivo e da intemporalidade que sentes quando contemplas a natureza agreste e imutável, a beleza do pôr-do-sol no horizonte recortado pelos fiordes e as montanhas ao longe sobranceiras à água. Para mim, o meu amor pela natureza representa a suprema heresia, porque me devoto de corpo e alma ao mundo natural e não a um reino para lá dele. - Tens muitos convidados neste álbum. Como os convenceste a colaborar contigo? (Tenho de dizer que acredito que não foi difícil, já que o álbum é verdadeiramente belo.) A colaboração com Athelstan dos Forefather (Reino Unido) aconteceu na sequência de longos anos de contactos e do facto de eu ser um grande fã da sua música. Foi uma grande honra para mim que ele tivesse aceitado tocar a intro e a outro do nosso álbum, fazendo também os arranjos para essas partes, em que se nota perfeitamente a sua assinatura musical. Ele é um verdadeiro mestre a criar essas peças musicais bombásticas. O mesmo acontece com a jovem italiana – Aeterna (das

bandas Xvarhnah e Nahabat) – cuja colaboração nos permitiu conferir uma dimensão nova e totalmente diferente a “The Parallel Fate of Dreams”, através do recurso à voz feminina, que faz a faixa sobressair no álbum. A ideia inicial era que fosse uma canção baseada na guitarra acústica e limpa, mas pareceu-nos que ficaria melhor e bem mais dinâmica, se fizéssemos uma versão Metal, que acentuaria o lado angélico e a beleza da sua voz. Provavelmente é a canção que mais se destaca em todo o álbum e também foi a primeira que eu compus. Os elementos do coro masculino foram contactados pelo Stefan, o produtor/engenheiro de som, uma iniciativa inteiramente dele, que me deixou plenamente satisfeito. O nosso som foi ainda enriquecido por esses amigos vindos de França e da Áustria, que fizeram um trabalho maravilhoso num muito curto lapso de tempo. Fico com pele de galinha, cada vez que ouço essas partes em que aparece o coro masculino. Em suma, foi maravilhoso poder contar não só com a formação completa, mas também com esses convidados que deram ao álbum uma nova dimensão. Estou muito grato pelo seu contributo, que nos ajudou a fazer deste álbum o melhor de Walachia.

capa que constitui uma verdadeira obra de arte surgida da mão humana, porque não tem qualquer edição digital. É um design mais old school. A Lucile recorre a essa mesma técnica para criar as tatuagens, usando os pequenos lápis como agulhas, o que confere à sua arte uma textura e um sentimento únicos. Foi muito bom podermos fazer algo com uma abordagem diferente, já que fizemos o mesmo para gravar este álbum.

E a capa? Foi feita pela mesma artista que contrataste para «Shunya»? [Gostei tanto da capa desse álbum que ainda me lembro da forma como descreveste a sua conceção.] Desta vez, toda a arte foi feita por uma jovem francesa chamada Lucile, que trabalha sobretudo como tatuadora artística. Podes ver a página do seu estúdio em https://www.facebook.com/ deadmunchst/ O Dehn Sora, que fez o design para o nosso CD/LP intitulado «Carpathia Symphonia», já há alguns anos, recomendou-nos a Lucile e eu estou encantado com o que ela criou. Ela apreendeu na perfeição a essência da música do álbum e assim pôde criar uma

Se chegarem a fazer concertos, os vossos convidados estarão lá convosco? Se isso vier a acontecer, penso que só vai ser possível contar com a formação que gravou «Monumental Heresy»: os convidados não estarão presentes. Seria muito difícil que isso viesse a acontecer, porque estamos espalhados por vários cantos da Europa. Basta dizer que, se pensarmos apenas nos membros da banda, já estamos a lidar com três países. Mas isso é algo em que temos de pensar nos tempos vindouros. Pode ser que tenhamos a sorte de criar um evento especial em que os nossos convidados também possam participar.

O que vão fazer para promover este quarto álbum de Wallachia? A nossa editora – a Debemur Morti – delineou um plano de promoção que inclui o streaming de algumas das novas canções através de vários magazines/webzines e parceiros com quem mantém estreitas relações de colaboração. E, atualmente, numa época em que a internet desempenha um papel dominante nas atividades de promoção e comunicação, tudo é muito diferente do tempo em que tudo isso era feito através de panfletos (infelizmente, penso eu). Pelo nosso lado, temos de fazer o nosso melhor para promover o álbum nos seus formatos físicos, porque francamente não somos adeptos fervorosos do universo digital.

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E como vão as coisas com a Debemur? Vão lançar mais álbuns com eles? Esperamos poder continuar a contar com a cooperação de DMP no futuro, visto que se trata de uma editora fantástica e que nos dá imenso apoio. Aprecio muito a clareza dos seus objetivos e a sua tenacidade e constato que se esforçam imenso para garantir o sucesso de todos os seus lançamentos, também no que diz respeito ao design como à embalagem. É essencial ter o espírito de um fã e colecionador de música, além da perspetiva do negócio. Penso que a DMP põe uma grande dose de paixão em tudo o que faz. Assinámos com eles um contrato para dois álbuns,

que está concluído. Além disso, lançámos o CD/LP intitulado «Carpathia Symphonia», à margem do contrato. Portanto, o futuro vai certamente depender das vendas. Esperamos que os nossos devotados fãs ainda valorizem o formato físico e apostem na compra do novo álbum em CD ou LP. Por falar de novos álbuns, já têm ideias para a quinta obra-prima de Wallachia? Já tenho algumas ideias de base, temas e uma espécie de intuição sobre para onde quero levar a música. Também já tenho algumas canções mais ou menos prontas. Criar música é quase sempre um processo muito longo para mim,

“[…] Para mim, o meu amor pela natureza representa a suprema heresia, porque me devoto de corpo e alma ao mundo natural e não a um reino para lá dele.” 7 8 / VERSUS MAGAZINE

porque deixo que tudo aconteça naturalmente: não costumo sentarme para compor material novo. Por vezes, trabalho canções e melodias apenas na minha mente e persigo essas ideias até as conseguir tocar numa guitarra. E acontece que me basta tocar uma corda para todo o tema me ocorrer. Já escrevi canções num só dia, mas, a maior parte das vezes, são precisos meses ou até anos para eu conseguir acabar uma canção. No caso deste álbum, há uma canção longa – “Silenced No Longer” – que só ficou pronta Wallachia Youtube


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ANTRO DE FOLIA

Por: Carlos Filipe

Este é o título do capítulo IV, do livro mais recente que li sobre a vida de Jesus de Nazaré, de Paul Verhoeven. O livro debruça-se sobre o Jesus histórico e não o Jesus criado pela igreja cristã, tal como nos é mostrado na Bíblia. Neste antro, vamos abordar um livro ao invés de um filme ou realizador, numa temática sempre controversa, pois, desde o cerne da discussão se desvia da teologia instalada, dá polémica. O que o autor deste livro faz é, simplesmente, contrapor o Jesus bíblico, do Jesus que verdadeiramente existiu, analisando cuidadosamente todos os escritos existentes, tentando responder à pergunta «Quem era realmente Jesus e o que representava?», aplicando sempre nas suas avaliações uma boa dose de senso comum, na apreciação de todos os evangelhos que nos chegaram até aos dias de hoje. Em princípio, este antro aparenta nada ter a ver com cinema, mas, as aparências conseguem ser bastantes dissuasoras, um pouco como a temática deste antro. Este livro só existe porque o seu autor, o realizador Holandês Paul Verhoeven, realizador de filmes tais como Instinto fatal (1990), Robocop (1987), Starship Trooper(1997) ou Showgirls(1995), não conseguiu fazer um filme sobre o Jesus histórico, o qual planeava há anos, e decidiu ao invés, escrever todo o seu saber e investigação num livro, neste livro de 2008, de título original “Jesus van Nazaret” – Jesus de Nazaré (Guerra e Paz, 2011). Para isto, contribuiu em muito o seu envolvimento com o grupo de 77 proeminentes professores catedráticos, das mais diversas áreas, tais como da Teologia, Filosofia, Linguísticas e História da bíblia, o chamado Jesus Seminar, que é um projecto que nasceu em 1985 e analisa à lupa tudo o que Jesus teria dito e feito, deliberando os factos com um código de cores: Vermelho queria dizer que Jesus realmente disse ou fizera aquilo, roxo que Jesus dissera ou fizera qualquer coisa parecida, cinzento que «talvez ou quem sabe», e preto, «Nunca disse ou nunca fez». Se este filme tivesse visto a luz do dia, teria sido sem dúvida polémico, não fosse Verhoeven um provocador por natureza, e garanto que, depois de ler o livro, se o filme caísse na opinião pública, iria levantar muito pó, sobre a discussão do verdadeiro Jesus que realmente existiu. Nas palavras do autor, seria «Um filme realista baseado na vida de Jesus [que] continua por fazer.» e não se achasse mesmo a pessoa mais indicada para tal, pois «nenhum outro argumentista ou realizador de cinema estudou a matéria tão profundamente». Mas afinal, o que tem este livro de interessante para o comum do não católico, do não crente? Muito. Apesar de “não acreditar naquilo”, a figura de Jesus é incontornável, é mítica, o que torna todo este misticismo sobre a sua vida, algo de misterioso e de verdade incógnita, logo, apelativo a qualquer pessoa interessada em história. Quem é que não gostava de saber o que é que aconteceu mesmo? Quem não gostaria de lá estar para depois dizer, “ah, ah, não foi nada assim como escreveram.” O fascínio deste livro reside aqui, na forma acutilante com que o seu autor analisa os dados que tem na mão e exprime uma opinião sempre fundamentada, não tendo mesmo qualquer receio a apontar a mentira, a inveracidade, quando ela é pertinente, como por outro lado ressalva a especulação factual, quando ele mesmo tem de a praticar, tal como diz: «Neste livro tentei olhar da forma mais

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“Jesus, o exorcista” limpa para a vida de Jesus, para um Jesus sem spin[reviravoltas]. Será que as minhas conclusões sugerem que vivemos há dois mil anos numa mentira gigantesca?». O livro relata a história de Jesus de Nazaré, desde o seu nascimento até à sua morte na cruz. Verhoeven baseia-se nos três mais importantes evangelhos, primeiro o de Marcos, escrito por volta do ano 70, e que poderá ter mesmo conseguido alguns testemunhos em primeira mão, depois o de Mateus – o favorito da Igreja – e Lucas, escritos 15 a 20 anos depois do de Marcos, evangelho que conheciam de antemão e serviu de base – Copiaram passagens substanciais - para os seus evangelhos, suprimindo pelo caminho muitos aspectos por razões políticas ou com medo de ofender os Romanos, agindo como verdadeiros spindoctors nos ditos de Jesus e alterando radicalmente as suas acções. O autor dá mesmo um exemplo deste facto afirmando que «esforçaram-se [Mateus e Lucas] muito para não representar Jesus como um rebelde. É compreensível: No império Romano era um perigo mortal adorar um homem que foi cruxificado como arruaceiro.». Outros escritos importantes foram os evangelhos de Judas, que foram considerados heréticos pela igreja e estiveram perdidos 1800 anos. O evangelho, parte da ideia que o único discípulo que compreendia verdadeiramente Jesus era, Judas Iscariotes, o famoso traidor. Há ainda o evangelho secreto de Marcos, que um tal de Morton Smith anunciou a sua descoberta em 1973, e que se revelou ser uma falsificação para dar uma ideia de Jesus como homem que não corresponde de veras à verdade. O Livro acompanha a vida de Jesus desde a sua “concepção e infância de Jesus”, refutando uma das grandes impossibilidades da vida, nascer de uma virgem, até conhecer o seu verdadeiro mentor, João Baptista em “João Baptista e Jesus”, o seu batismo por este e a sua peregrinação pelo estabelecimento do reino de Deus na terra e suposta entrada triunfal em Jerusalém em “A peregrinação de Jesus sobre o reino de Deus”. Pelo caminho, o “profeta”, usurpou a ideia de João Baptista quando entrou em ruptura com este, e pelo caminho desenvolveu a sua especialidade de curandeiro que o fez famoso, tirando com um ritual esotérico “o dia do corpo das pessoas”, o que, na verdade curava as pessoas do mal que lhes atormentava, estabelecendo assim Jesus como um reputado exorcista – “Jesus, o exorcista”. No capítulo da “fuga de Jesus”, este foge para o deserto após a captura de João baptista por Herodes Antipas, para depois reaparecer na famosa cena bíblica da multiplicação dos pães, cena é amplamente escalpelizada pelo autor e com revelações surpreendentes. Segue-se três capítulos mais vocacionados para a transfiguração de Jesus no messias que anuncia a chegada do reino de Deus e a sua viragem em desordeiro quando os seus intentos não se concretizam. “Transfiguração”, “Confrontação” e a morte de Lázaro – “Lázaro é morto”, são os capítulos que nos falam desta mutação divina que o levará à condenação num julgamento sumário, à revelia de Jesus, e posterior execução por Pôncio Pilatos, o governador Romano da Judeia de 26 a 36 d.C. E desta forma chegamos à famosa última ceia, a traição de Judas e todos

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ANTRO DE FOLIA

Por: Carlos Filipe

os acontecimentos que levaram à crucificação de Jesus. Mesmo nestes acontecimentos históricos, no capítulo “O último dia da vida de Jesus”. Há muito para contar e dissecar, pois nem tudo parece tão certo como nos têm contado. Desde a transformação de Judas em traidor, já depois de Jesus morto, simplesmente porque este deixou de acreditar na teologia deixada por Jesus aos seus discípulos, até à ressurreição de Jesus três dias depois da sua crucificação e morte – “O traidor”. Aqui, nesta história da ressurreição de Jesus, onde o autor refere “Depois da sua morte, Jesus não é apenas «visto» como também pode ser tocado: voltou a ser inteiramente de carne e osso.”, até todos sabemos amplamente bem, pelos inúmeros filmes e séries, que: se ressuscitou, é zombie! Jesus de Nazaré de Paul Verhoeven é um livro interessante, que coloca alguns pontos nos íis e levanta muitas questões sobre os acontecimentos de há 2000 anos. A abordagem do autor é correcta e justa, as suas conclusões valem o que o leitor aceitar ou não. É um livro que se lê bem, tendo a único defeito na riqueza das notas que acompanham o livro todo, que nos obriga ao andar a saltar entre o texto principal e estas, agrupadas no fim do livro, tornando a leitura até certo ponto cansativa. Algumas notas são simplesmente referências numéricas sobre os documentos que o autor está a citar, mas algumas, são um texto que complementa perfeitamente o texto principal. Este é um livro que poderá enganar qualquer crente que vá pela capa – aquela capa engana – pois a temática do livro irá fazer qualquer fervoroso crente ou teólogo acabar de imediato com a sua leitura, dado às “blasfémias e heresias” contidas nele. Por isto, este livro destina-se mesmo aos não religiosos, que queram aumentarem a sua cultura geral ou queram ter mais argumentos aquando de discussões teológicas num cenário “ateu vs cristão”. Para mim, que já tinha interiorizado que “aquela história está mal contada”, que foi adulterada ao longo dos anos com um único propósito de salvaguardar a santíssima trindade, este livro só vem cimentar este meu pensamento, agora com um pouco mais de conhecimento histórico, pois Verhoeven, convenceu-me do muito que escreveu sobre o Jesus de Nazaré, histórico.

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tudo isto é verdade sou eu que trago a semente mas só tu verteste essas lágrimas se quero viver nos poros da tua pele quando morrer só quero ir para o céu da tua boca.

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Comboio rápido... sem paragem! Mais uma banda nacional com enorme qualidade. Os The Dirty Coal Train [tDCT] mantêm viva a “sujidade” e a “crueza” do Garage Punk. «Portuguese Freakshow» é uma ode ao Garage Punk que brota do underground nacional. Embarcamos numa viagem virtual com Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues para nenhures e o resultado está à vossa vista. Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro

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Queríamos reunir uma data de amigos que consideramos importantíssimos na história do rock underground feito por cá [...]

data de amigos que consideramos importantíssimos na história do rock underground feito por cá (e muitos que ficaram de fora) daí o nome do álbum. É uma espécie de enciclopédia de géneros que gostamos (núcleo duro no habitual garage punk com espaço para algum surf, blues e até exótica e algum experimentalismo) recheada da malta que passou “à margem” de ser famosa, daí o termo “freak” mas usado sem qualquer conotação negativa! É um prazer estar à margem do mainstream quando o mainstream nos é maioritariamente enfadonho!

Antes de mais, perdoem-me a minha ignorância mas não vos conhecia – infelizmente – Por isso, quem são os tDCT? Na versão curta da coisa os tDCT são um projecto que nasceu da cabeça do Ricardo Ramos quando a banda anterior acabou (uma banda mais centrada no pós punk e indie rock, os Puny) e decidiu expressar o seu amor pelo garage punk, o punk blues e sobretudo pelo DIY. Depois de algumas alterações na formação o projecto solidificou-se finalmente centrado no duo Ricardo e Beatriz (vinda dos No No) que ao vivo se acompanha no mínimo de mais um baterista (na melhor tradição das bandas garage punk dos 90: Gories, Blues Explosion, Cheater Slicks, Oblivians,... ) e em estúdio de quem lhes der na telha!

A vossa música está carregada com uma forte componente cinemática. Onde foram buscar o “argumento” para realizar este “filme”? Maioritariamente ao amor que recebemos de pessoas que admiramos. Crescemos a ver e ouvir os Tédio Boys, os Great Lesbian Show, os Canal Caveira, … ainda nos 90’s. É uma prazer imenso ter essas pessoas como amigos e partilhar palco com elas e com as bandas novas que surgiram entretanto. Ver que houve um entusiasmo imediato para trabalharem demos nossas ou fazermos temas em conjunto foi o fuel que a ideia precisou para ganhar asas! Em termos de imaginário é o usual: série B (ovnis, monstros, vampiros, lobisomens,..), algum anarco-punk e muitas histórias de amor venenoso que para romances queques já há bandas que cheguem!

Este disco é muito sui-generis, no sentido em que é um duplo LP com 38 temas. Porquê esta abordagem na composição e realização do álbum? Antes de mais convém dizer que, tendo os nossos temas uma média de 2 minutos naquela fórmula de quase-punk-à-ramones e gostando nós de fazer interlúdios entre temas, para nós a média de temas por disco tem sido 17/19 temas. Claro que mesmo assim este disco foi especial. Queríamos reunir uma

… de onde surgiu a inspiração para “encaixar” um excerto de James Dean no filme “Fúria de Viver” no tema “Jim Stark’s Kicks”? O tema foi inspirado por um sentimento anti-Trump que na altura se sentiu (e perdura) e baseado na típica “teenage angst” usada como modo de ação contra o estado das coisas. Achamos que, por mais que as gerações mais velhas possam ajudar e apoiar, a revolução a existir tem de nascer e ser aceite pelas gerações mais

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novas. Serão sempre elas a afirmar os ideais pelos quais acham valer a pena lutar e defender. O “Fúria de Viver” e para nós o personagem do Jim Stark personifica bem um desassossego adolescente e uma rebeldia contra a falta de direção da geração que ocupa posições de poder. … por falar em “argumento”: este “filme” é conceptual? Mesmo com a variedade de temas assumida (da série B até aos temas de intervenção e romances selvagens) diríamos que sim! Há um conceito base no centro de tudo nem que seja na própria concepção do disco (gravado a dois momentos em dois estúdios) e sentimos um espírito único ao gravar com toda esta gente. Seria sempre arriscado pois o resultado poderia ser apenas uma “manta de retalhos” mas ficamos contentes com as recepções até agora que nos dizem que o álbum duplo funciona como um todo! Seja ele ouvido primeiramente no segundo disco ou no primeiro ou, como os mais aventureiros fazem: os dois discos (da edição em vinil) seguidos! Quem é o responsável pelas letras e, já agora, onde raio foram desencantar os títulos das músicas? Os títulos nascem de divagações sobre pseudo filmes trash ou então nascem depois de haver uma letra específica. As letras são repartidas entre Ricardo e Beatriz, mas fizemos questão de que o Rodrigo Paulino (ex-Puny e que fez parte da formação inicial dos tDCT) escrevesse e cantasse um tema. Ele estava um pouco reticente pois desde que foi papá de uma linda menina não tem tocado e estava com receio de estar “enferrujado” mas isso aconteceu no “fake blues for Captain Orange” (referência directa ao Sr Trump) e ficámos parvos pois resultou num dos nossos temas preferidos do álbum. Na biografia que me chegou às mãos, vocês são descritos… ou

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descrevem-se de uma forma quase magistral. No entanto, acho que falta um adjectivo que também ajuda na vossa descrição: irreverência. Vocês são ou não irreverentes? Magistral? Como em mestres de algo? hahaha Pelo contrário: nós assumimos que não tocamos grande merda! Magistrais só se for pelo modo como assumimos não ter problema nenhum em não ser grandes virtuosos dos instrumentos ou líricos! Irreverentes diríamos que sim! Gostamos de brincar com as regras! Sejam elas aquelas com as quais se fazem temas sejam elas aquelas regras que ditam que só quem faz as coisas certinhas e “daquele certo modo” é que chega a algum lado! Nós somos a prova que podes não saber nada e gravar uma data de discos e fazer tours internacionais! Precisas é de encontrar o que gostas de fazer e fazê-lo de coração! Muito amor à causa que outras motivações dão para aguentar mas não duram tanto tempo! hehe Como é que vocês se definem enquanto músicos e o que representa, para vocês, os tDCT? Como músicos auto-didactas com bandas desde os 15 anos podemos dizer que sentimos que atingimos a “maioridade” quando finalmente nos sentimos confortáveis com o que fazemos mesmo que isso não represente uma aproximação ao que é tido pela maioria como“virtuosismo”. Citamos recorrentemente uma cena do documentário Half Japanese: The Band That Would Be King (de 1993 sobre a banda de Jad Fair por onde passou o seu irmão David Fair e nomes tão distintos como Tim Foljahn, John Zorn, Don Fleming, Moe Tucker, Rob K, Fred Frith,...) em que eles em menos de 1 minuto ensinam a tocar guitarra! Para nós os tDCT são a prova que podemos ter um projecto musical verdadeiramente independente que edita e gere actividade com espírito DIY e que mesmo sem dinheiro para


comprar airplay (radiofónico, televisivo, em festivais de renome, em...) conseguimos estar aqui 8 anos depois apenas apoiados pelo nosso amor e gosto pelo que fazemos e pelo apoio de amigos e divulgadores que se identificam com este modo “à margem” de estar e de trabalhar. «Portuguese Freakshow» é diferente dos seus antecessores – vocês elevaram o grau de experimentalismo – Porquê esta nova abordagem musical? Sempre tivemos essa vontade (adoramos nomes como Morton Subotnick, Ornette Coleman, Derek Bailey, Alterations, Louis & Bebe Barron, The Residents de quem fazemos um medley ...) nos outros álbuns estava mais contida porque temos sempre a preocupação em manter um núcleo duro de garage punk. Com a hipótese de um LP duplo achámos que fazia mais sentido e sentimo-nos com “carta branca” para expandir um pouco a nossa veia experimental em temas como “Cancel the World”, “radio friendly filter”, “Death Valley North Star” (que começou com a ideia de um ritmo em bongos após ouvirmos um dos nossos álbuns preferidos do Fela Kuti),.... Mas mais que gostarmos de freejazz e música experimental achamos piada às caras que as pessoas fazem quando dizemos que gostámos muito do último dos Obituary ou dos Napalm Death! haha (e é verdade! gostamos bastante de umas tantas bandas de metal e o último dos Obituary está do caraças!) Às vezes as pessoas estão tão convencidas de que como fazes aquele género de música só gostas daquilo que é giro quebrar esse mito! Vocês além de terem alguns (muitos) convidados, a panóplia instrumental também é algo vasta. Qual foi o critério ou como surgiu a ideia de convidar essa malta toda e incluir diferentes instrumentos nas músicas? Quando fazemos demos tentamos

ter essa “calma” para pensar no que um tema precisa e não gostamos de estar com aquela limitação de pensar “mas ao vivo somos 3! 2 guitarras e uma bateria! como vai funcionar?” Em estúdio queremos que o tema fique o melhor possível para nós. Ao vivo ou adaptamos para trio ou tocamos outro tema que resulte melhor. Havendo temas que foram criados do zero com os convidados, por vezes é mais difícil ter essa frieza em estúdio e pensar “ok, este tema precisa de algo mais para funcionar! E obviamente esse critério é sempre subjectivo ao nosso gosto, mas tentamos colocar egos de parte e pensar friamente nos temas. Claro que temos limitações, não temos dinheiro nem amigos para meter uma secção de cordas num disco por exemplo. Quem sabe um dia... Como já disse, estruturalmente este disco é diferente, duplo LP com 38 temas, muito diferente do que estamos acostumados a ver. Vocês acham que de alguma forma as pessoas se irão retrair e não comprar ou vocês apostam mais nos concertos ao vivo? Desde o primeiro single que publicámos em vinil 7” de tiragem limitadíssima (acho que foram 150) pensámos “ninguém nos conhece! isto não vai vender nada!!” e em menos de um ano tinham desaparecido. Isto para dizer que claro que pensamos que por ser duplo as pessoas talvez não o comprem, mas por outro lado nós gostamos dele e achamos que este álbum só faria sentido assim, não temos pressão de nenhuma das 2 editoras da edição para o vender (vantagem de ser uma banda independente e fazer edições em registo de parceria) nem temos pressa de o vender. Vamos tocando ao vivo e acreditamos que ele vai saindo nos concertos, lojas ou em quem nos encomendar online. Se daqui por um ano tivermos ainda cópias em casa ninguém se chateia com isso! Pode parecer um modo pouco profissional ou mesmo

egoísta de fazer as coisas, mas este álbum tinha de nos agradar a nós em primeiro lugar! É por isso que somos uma banda independente e por consequência “de nichos”. Mas claro que não vivemos numa concha e ficamos contentíssimos de o disco estar a ter uma recepção tão boa nas pessoas que já o rodaram! Porquê a edição em vinil e não em CD? (Pelo menos foi o que depreendi pela leitura do e-mail promocional) Temos editado sempre em Vinil. Em CD apenas fizémos uma edição limitada, espécie de “best of” das edições até 2016 que entretanto esgotou (mas estamos a pensar fazer 2ª prensagem). Gostamos do formato. Apenas por isso. Não foi uma coisa muito pensada em termos de mercado. Se fosse estaríamos mais presentes no spotify e afins em vez de ainda andarmos digitalmente pelo bandcamp. Mas se é para a música se transformar num objecto tentamos ir pelo nosso gosto. Por exemplo, imaginamonos mais depressa a editar um álbum em cassete que em CD, mas quem sabe... Também não gostamos de ideias fechadas e fundamentalismos. hehe A digressão conta (ou contou) com algumas deslocações ao estrangeiro – Itália, França, Espanha… Como é que surgiram estas oportunidades de tocar fora de Portugal e como reagiu o público à vossa música? As reacções têm sido óptimas. Em Itália foi a nossa primeira vez e adorámos! Claro que numa tour há sempre concertos melhores e alguns com menos afluência em que pensas o que estás ali a fazer, mas o saldo geral é muito positivo. Os contactos para essas datas têm surgido de modo natural, talvez pelo género musical que praticamos e também muito pelo “passa palavra” de alguém que viu um concerto em que andámos a fazer porcaria pelo palco e por acaso se divertiram! hahaha

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Como músicos auto-didactas com bandas desde os 15 anos podemos dizer que sentimos que atingimos a “maioridade” [...]

O artwork é feito pelo Olaf Jens – que tem um estilo muito próprio. Qual o significado da ilustração da capa e o que é que vocês pretendem transmitir com esta banda desenhada? Chegámos ao Olaf pelas ilustrações dos volumes mais recentes do “Back from the grave” e pareceunos o ideal para ilustrar o nosso freakshow. Demos-lhe a ideia base (de não dar ênfase à banda mas sim colocá-la algures no meio de figuras típicas de um freak show) e ele executou na perfeição. A ideia foi pegar nesse imaginário do freakshow que se encaixa na nossa onda de culto ao cinema trash e série B e traçar um paralelo com o facto de todas as pessoas que tocam neste disco para nós serem também freaks no modo em que, pelo menos para nós, são ou foram parte do melhor que se fez/ faz de rock em Portugal e nunca deram aquele “salto mediático”. Ainda bem ou não? Não sabemos… O Ricardo costuma dizer que não

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percebe como é que os Tédio Boys não foram tão grandes como os Xutos e ganharam mais público depois de acabar com um documentário do que em anos a dar os melhores concertos de rock em Portugal e nos Estados Unidos! A irreverência está também patente nas fotos promocionais. Vocês são assim no “filme” da vossa vida ou isto é apenas o vosso Alter Ego? Somos assim, o alter ego é aquele que usamos no emprego do dia a dia! Fazemos um esforço muito maior para parecer “normais” do que a aparvalhar sobre monstros, sexo e rock&roll ou em cima de um palco a fazer o que fazemos! Eu estive a ver as datas dos vossos concertos e o de Sta. Maria da Feira espero não deixar escapar. O que é podemos esperar dos tDCT ao vivo? Nós tentamos sempre dar tudo! Claro que por vezes corre melhor

outras pior, por vezes estamos cheios de dores fisicamente e não podemos dar o mesmo que outras! haha Mas o que prometemos sempre é essa honestidade no que fazemos! Vão ver um trio rock a fazer um rock bem simples com um amor pleno ao que faz e com sorte vão sair de lá a pensar “eu também consigo fazer esta merda” e vão para casa fazer bandas para mal dos vossos vizinhos! hehe Mais uma vez obrigado pelo vosso tempo a responder às nossas perguntas. Obrigado nós! Beijos e Abraços! The dirty coal train Youtube


Orgulhosamente ibéricos Azagatel, uma banda de Aveiro, que já surgiu várias vezes nas páginas da Versus Magazine, chama cada vez mais a atenção para as raízes de Portugal e para o lado ibérico da nossa herança cultural, que também nos liga à Espanha. Entrevista: CSA

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Esta entrevista surge na sequência da minha passagem pelo auditório da associação cultural Mercado Negro – em Aveiro – para assistir ao minifestival em que também participaram Drusuna e Urze de Lume e em que foi apresentado o vosso novo EP. Para começar, gostaria de saber como foi recebido o álbum anterior («Lux-Citanea» lançado em 2012)? Fizeram muitos concertos para o promover? Hrödulf – O «Lux-Citanea» foi muito bem recebido, teve excelentes críticas, apesar de ter tido uma promoção deficiente, pois não tínhamos baterista para apresentar o álbum como gostaríamos. Saiu e continua a sair bem… E como está a vossa formação? Fiquei com a ideia de que houve mais alterações. A formação dos Azagatel nunca foi muito estável, desde o início da banda. Já depois do último concerto que demos no Mercado Negro, voltamos a sofrer alterações: o guitarrista Filipe saiu e regressou o Nelson. A formação neste momento é composta por mim (Hrödulf) na voz, o Nelson e o Sérgio nas guitarras, o João Costa no baixo e o João Mota na percussão. Espero que esta se aguente firme durante muito tempo. De onde vos veio a ideia para criar este «SOL» que tem um sabor tão português? A ideia de fazer algo como o «Sol» surgiu já durante 2011. Entretanto, lançamos o «Lux-Citanea», que já contém muitos elementos Folk e algumas letras em português. No ano seguinte, gravamos o tema “Sangue dos Deuses”, já completamente em acústico e em Português. Entretanto o Tiago (baterista) abandonou a banda. O facto de termos ficado sem baterista deu mais força à ideia, assim como os Àrnica que foram uma grande influência. Após a excelente receção do tema

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“Sangue dos Deuses” e com a formação reduzida a 3 elementos (com a qual ainda tocamos na primeira edição do Oestrymnis com a ajuda do Daniel dos Àrnica na percussão), começamos a compor o que se tornou no «SOL». Durante o processo, o João regressou para o baixo e entrou o Mota para a percussão. Pode-se dizer que é um digno sucessor de «Lux-Citanea»? Apresenta “ingredientes” semelhantes (uma mistura de paganismo e folk, o recurso à língua portuguesa, temas intimamente ligados à nossa cultura popular). Acho que, de certa forma, se pode dizer que o «Lux-Citanea», em termos de conceito, foi uma “prequela” do «SOL», mas não considero este último como um sucessor, pois foi algo totalmente novo para nós. Ninguém tinha alguma vez tocado ou feito algo similar, totalmente acústico e em Português. O que o distingue do seu predecessor na vossa opinião? A grande diferença começa logo pela ausência de distorção. Além disso, o conceito do «SOL» é mais introspetivo e identitário, ligado às nossas raízes ancestrais e ao culto solar. O processo de gravação foi completamente diferente.

Desta vez, com a grande ajuda do Rui Oliveira, gravamos “live” na nossa sala de ensaio, para captar a essência das músicas de uma forma mais verdadeira. Quem fez os poemas para as canções? Como foram escolhidos os respetivos tópicos e articulados com o tema central do EP? As letras foram todas escritas por mim. As raízes ibéricas, a vida pré-romanização e o culto solar sempre foram assuntos que me fascinaram. Todo o conceito gira à volta da nossa terra, de valores perdidos, batalhas ganhas, traições, celebrações, deuses… sendo que o Sol é o elemento que liga todas as músicas e acabou por dar título ao EP. Que artista escolheram para vos fazer a capa? Como viu essa pessoa o conceito subjacente ao álbum para criar essa imagem? A capa foi feita pela minha namorada, Rosa Soares, que acompanhou de muito perto todo o desenvolvimento do «Sol». A ideia da capa já estava definida mesmo antes de termos as músicas todas compostas. Continuam com a Nekrogoat Heresy – que eu também gostava de entrevistar para a secção da Versus consagrada às editoras. - O que previram conjuntamente


para promover este álbum de Azagatel? A Nekrogoat Heresy mais que nossa editora é um amigo que já nos acompanha há muitos anos Ainda estamos a planear a melhor forma de promover o «SOL», com as condicionantes que temos de momento. - Se pudessem fazer mais pequenos festivais como o do passado dia 8 de dezembro de 2017, com quem gostariam de partilhar o palco? E onde gostariam de tocar? Vamos organizar mais um no dia 30 de abril com os nossos amigos Sangre Muerdago, para celebrar o Beltane. Gostaríamos de voltar a tocar com os Keltika Hispanna, Àrnica, Falcata de Fogo, Urze de Lume, Drusuna, Cuélebre… já a sonhar um pouco talvez com Sturmpercht, Jannerwein, Wardruna, e mais uns

tantos… Por cá, gostaríamos de tocar na Igreja da Pena, no Entremuralhas. Também queríamos participar em alguns festivais de Neofolk europeus – como o Mėnuo Juodaragis, M’era Luna, o Darkland Fire –, voltar ao Oestrymnis e Raíz Ibérica e estarmos presentes em tudo o que forem festivais que promovam os nossos costumes e tradições. - Foram vocês que escolheram os parceiros para o festival de dezembro? De onde os conheciam? O cartaz de dezembro foi fruto de algo que já vinha a ser falado com os Àrnica e os Urze de Lume. Infelizmente, os Àrnica não puderam vir e contamos com os camaradas Drusuna. Todas as bandas com quem temos tocado nos últimos 2 anos são velhos amigos ou pessoas com quem

tivemos uma empatia enorme desde que nos conhecemos. - Como pode o fã interessado adquirir este e outros álbuns da banda? O «SOL» vai estar disponível na loja on-line da Nekrogoat Heresy, no bandcamp de Azagatel e através da banda diretamente. Uma última pergunta que se prende com uma curiosidade de há longo tempo: como encontraram o nome da banda e o que significa? O nome Azagatel não tem um significado real, mas simboliza equilíbrio, a dualidade e o cíclico, assim como o sol que nasce e morre todos os dias para voltar a nascer… Hrodulf Youtube

Rosa Soares – A capa do novo álbum de Azagatel, Sol, foi retirada de uma tela pintada, por mim, em acrílico, intitulada “Novembro”. Representa a natureza viva, na sua estação outonal, onde os tons dourados e avermelhados se revelam e nos lembram que mais um ciclo solar está prestes a terminar, para dar início a outro, nesta roda da vida. Quando comecei a pintar esta tela, que faz parte de um conjunto de três, oferecidas ao Rodolfo, não tinha ainda surgido a ideia de esta ser capa de algum álbum, mas, a certa altura e ao mesmo tempo que o conceito do novo trabalho de Azagatel se estava a definir, deu-se conta que fazia todo o sentido usá-la. Resta-me dizer que me sinto orgulhosa e grata por ter contribuído, desta forma, para este espetacular «SOL».

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KING DUDE 22/06/18 - Sabotage Club Reportagem e fotografia: Frederico Figueiredo

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Na sua 5ª ingressão por território luso, o músico norte-americano trouxe consigo os salmos libidinosos de um litânico evangelho crucificado na iridiscência do pecado. Mais uma celebração de folk e dark americana estranguladas em pernicioso intimismo, numa atuação a solo, à semelhança da última passagem por Lisboa na sala Musicbox em 2015. A nua mudez de uma garrafa de Jack Daniels e uma familiar Super Bock, encimadas num banco que ladeava a portentosa guitarra Gretsch, serviram como dueto de acompanhamento de T. J. Cowgill (a.k.a. King Dude), contemplando vitreamente a audiência na sua pautada congregação e ansioso aguardo pelo início da atuação. A espera foi longa, tendo contudo a entrada do músico em palco passado quase despercebida entre os meandros do público, pouco auxiliada pela camuflagem da seleção musical do D.J. que, incipientemente, continuava a sua rotina mesmo depois da subida do artista ao palco, levando este a manifestar-se. O início da atuação foi marcado pela sublime “Deal with the Devil” seguida da saudosa “Jesus in the Courtyard”. A interatividade contagiante de King Dude com o público contrastava, saudavelmente, com a soturnidade melancólica das composições, incrementando a temperatura da atuação. Incitações como “We can raise the roof tonight to Lucifer” suscitaram a previsível imediatez da resposta do público com a salivada exigência do hino “Lucifer is the Light of the World”, ao que Cowgill respondia que estava a guardar a faixa para o final e que, de resto, a composição é tão simples que até a podíamos tocar nós em casa. Daí passou a recear potenciais reações de choque por parte de membros da audiência que tenham lá ido parar por acaso, podendo estes confundir a atuação com um preâmbulo para um ritual satânico. Embora a referência fosse espirituosa, acabou por revelar, no fundo, o quão enraizada a influência cristã se manifesta culturalmente no músico, insinuando-se quase sob a forma de preocupação. A vontade do público acabou no entanto por prevalecer, tendo sido o emblemático tema cantado em uníssono. A atuação revestiu-se igualmente de um cariz “educativo”, tendo sido feitos reparos em relação à falta de civismo por parte de certos membros da audiência que teimavam, importunamente, em colocar a conversa em dia durante grande parte do concerto, bem como aos sucessivos comentários depreciativos em relação ao músico, tendo chegado estes a merecer uma intervenção direta do mesmo. O lineup obedeceu ao critério de aleatoriedade, com a referência de “I play what I want, when I want”, com a participação da audiência na escolha de alguns dos temas. Estes, curiosamente, não comtemplaram o último álbum, tendo a escolha incidido sobretudo em faixas mais remotas como “Born in Blood”, “River of Gold”, “Witches’ Hammer” e “Vision in Black”. Foram testados igualmente na audiência temas do futuro álbum, rendidos sobretudo em piano. A fraca qualidade deste instrumento, que, imaginamos nós, tenha sido cedido pela casa, foi embaraçosamente notório, merecendo igualmente um conjunto de comentários depreciativos por parte de Cowgill, equiparando por fim a escassa qualidade acústica da sala às gravações de Buddy Holly and the Crickets nos anos 50 (justificando, sem perder a destreza humorística, que a génese do nome da banda tinha a ver justamente com a qualidade amadora de gravação de garagem, em que o som era tão reduzido que se chegavam a ouvir grilos no plano de fundo). Entre as interações com o público e a diluição da deceção com certos aspetos do concerto nos refills do icónico Jack Daniels, King Dude aproximavase da audiência ora com pedidos de asilo em Lisboa (ao qual várias vozes responderam, oferecendo os seus aposentos), referências a substâncias ilícitas, ou mesmo a tentativa de colocar a audiência em “singalong”. Foram visitados temas do “Songs of Flesh and Blood” como “Silver Crucifix” e “I Don’t Wanna Dream Anymore”, tendo o lineup sido encerrado com duas escolhas do público: “Barbara Ann” (marcada pelo esquecimento de um acorde a meio da faixa, reconhecendo Cowgill de que tal se deveria ao álcool) e o encore de “Watching Over You”. A esta seguiu-se a venda de merchandising diretamente pelo artista numa espécie de leilão a partir do palco, a venda da banha da cobra, como referia jucosamente Cowgill, promovendo o calor interativo com a audiência que permaneceu para a sequência de autógrafos que encerrou o evento.

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XXI SWR BARROSELAS METALFEST 26 a 29 de Abril - Barroselas, Viana do Castelo

Reportagem & Fotografia: Emanuel Roriz

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Já é uma tradição. As bandas do cartaz não são a primeira questão, mas sim, quando vamos, como vamos, quem vai andar por lá? À 21ª edição o SWR Barroselas Metalfest volta a demonstrar a existência de uma atmosfera única, e envolvência acolhedora, a qualquer apaixonado por festivais que se aventure a rumar à pequena vila minhota do concelho de Viana do Castelo. O festival arrancou logo na quinta feira dia 26 de Abril com acesso gratuito a concertos dos Paisiel, We Dream Alone, Firebreather, Putas Bêbedas e Gost. Ao longo dos seguintes três dias a quantidade de concertos refletiu qualidade e boas escolhas por parte de uma organização atenta aos movimentos do underground mundial, que também não se esquece dos verdadeiros clássicos...ah, e o convívio foi uma constante, a par dos litros de cerveja, e muitas foram as passagens pelo SWR Café...

Dia 1 (Sexta-feira) À chegada ao recinto, já de pulseira no pulso, dirijo-me rapidamente ao palco Warriors Abyss para testemunhar a presença dos Mortuary Drape. Prendiam a atenção dos presentes nem que fosse só pelo aparato visual. A generalidade das suas composições pode até parecer demasiado linear ao vivo mas, a qualidade sonora que apresentaram causou uma excelente impressão! Aqui já o primeiro dia de festival corria a bom ritmo e era possível ouvir em conversas paralelas os comentários sobre os “putos” da África do Sul, os Vulvodynia. Colectivo jovem que surpreendeu pela brutalidade empreendida. Fora do palco principal também os OAK, Placenta Powerfist, Départe, Wormhole e Hexis já tinham contribuído, cada um à sua maneira, para o início dos rituais de extremismo de mais uma edição do SWR. A postura clássica dos Master’s Hammer foi mais do que adequada. Revisitaram grande parte da sua discografia e os grandes clássicos geraram manifestações de reconhecimento por parte da plateia. Não estavam esquecidos. Um regresso de saudar, com novo álbum - “Fascinator” - à espera de ser explorado. A intensidade passou para lá do vermelho com a prestação dos Teethgrinder! As dimensões mais reduzidas do palco 2 não limitaram em nada a entropia do colectivo. O seu grindcore fez-se com toda a raiva, sem falhas e com ganchos certeiros. Exhorder, o principal nome desta primeira noite justificou o estatuto com a sua atitude em palco e, claro, pela qualidade das composições dos dois registos de estúdio, que já datam do início da década de 90. Alguns problemas técnicos e uma equalização de som pouco favorável, eliminaram as hipóteses deste ter sido muito provavelmente o melhor concerto de todo o festival. É que mesmo assim, os grandes riffs de “Slaughter Of The Vatican” provocaram movimentações

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em círculo e fizeram erguer muitos braços. Os Obliteration foram um grande exemplo de competência. O seu death metal com laivos de black/thrash aqui e ali, foi a verdadeira delícia. Destacaram-se pela estrutura interessante dos temas. Sentia-se o público satisfeito e quando saíram de palco havia muita gente a desejar que por lá continuassem. Depois de tamanha fustigação, o ambiente volta a mudar completamente e recebemos Mortiis entrando nas suas paisagens negras medievais. A hora já ia avançada e este projecto faz-se apenas com um elemento em palco. O concerto que durou pouco mais que 40 minutos foi baseado em temas instrumentais com o recurso a sintetizadores. Marcou pela diferença. Axia e Pestifer foram as duas propostas de fecho da primeira noite na SWR Arena.

Dia 2 (Sábado) Os espanhóis Looking For An Answer foram os primeiros a pisar o palco principal neste segundo dia. Ergueram uma parede de som com o seu grindcore e mostraram-se bastante dinâmicos. Pode-se dizer que deixaram o público pronto para mais um dia de brutalidade. De volta ao segundo palco, encontravam-se já prontos os brasileiros Flagelladör. Sujaram a plateia com o seu heavy/speed/thrash clássico e obscuro mas necessitavam de algo mais coeso para terem sido memoráveis. A novidade nacional do momento, Gaerea, tocou no mesmo horário que os suecos Interment. Estes últimos chegaram a Barroselas com a sua sonoridade tipicamente sueca e altamente demolidora. Assim prenderam muita gente no Warriors Abyss de início a fim. Os Process Of Guilt já há muito que nos habituaram a prestações irrepreensíveis de provocar arrepios na espinha. Assim foi mais uma vez! Estava perto a hora de subir a palco mais uma das principais atracções deste ano. Os suecos Nifelheim expeliram o seu black/thrash efervescente num concerto que foi cara chapada do ambiente e imaginário do SWR! Prova disso foi a enorme empatia que se sentiu entre banda e público, que delirou com o desfile de clássicos e temas rápidos. Sem haver tempo para fazer a digestão, é-nos servida uma excelente dose de diversão punk ’n roll. Os Malignant Tumour não defraudaram expectativas e certamente que surpreenderam quem não os conhecia. Grande enchente e agitação no palco 2 ao som dos hinos punk/ crust/heavy do colectivo de Ostrava. No final a moldura humana seguiu toda o mesmo caminho, pois seguiase a prestação do maior nome do XXI SWR - Suffocation! Sem Frank Mullen na voz, parecia estar a faltar algo aos norte-americanos, embora Ricky Myers seja absolutamente competente. As condições sonoras não foram as ideais desde início, e ao tecnicismo “perfeito” do colectivo faltou-lhe alguma emoção. De qualquer forma foi um verdadeiro deleite sentir na pela a brutalidade rítmica da dupla Derek Boyer [baixista] e Eric Morotti [baterista] enquanto discorriam temas clássicos (“Catatonia”, “Pierced From Within”) lado a lado com temas mais recentes. Quem também não esteve em pleno foram os míticos Filii Nigrantium Infernalium. Infelizmente as condições de som não foram as melhores e não possibilitaram que se extraísse o máximo de prazer das excelentes malhas. Só dá para imaginar o quão bom poderia ter sido! Estava escrito que o ritmo desta sequência de espetáculos não ia abrandar e para o garantir tínhamos no palco 1 os belgas Evil Invaders. Speed Metal como manda a tradição! Músicos irrequietos e malhas acutilantes, entre solos, riffs, refrões fortes e uma imagem tipicamente anos 80 em cima de palco. Fecharam com distinção o palco principal neste segundo dia. Depois de tudo isto ainda restavam as prestações de Lóstregos e Tottengot na SWR Arena.

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Dia 3 (Domingo) Os Helllight e Jack Devil lançaram o alerta de início do último dia da rebelião, ainda na SWR Arena! Os Andralls aproveitaram e mote e mostraram-se bem coesos e interessantes com uma prestação que gerou expressões de contentamento entre os presentes. Ajudou a dissipar qualquer cansaço que já pesasse no corpo dados os dias de festival já passados. Os Altarage provocaram a divisão da plateia ao longo de um set de sensivelmente 40 minutos. Era visível que havia quem não entendesse o que ali se estava a passar. Houve quem estivesse a delirar por completo com as alternâncias entre o drone/doom e o death abundante em guitarra e baixo ultra saturados, e houve quem fosse entrando e saindo da zona do palco 1. Black Panda é sinónimo de Punk/ Crust, e portanto, bailarico e agitação, sempre a alta rotação. Enquanto os nacionais Dead Meat brutalizavam a SWR Arena os Dyscarnate estavam no palco 1 com toda a sua mestria e peso, protagonizando uma das atuações mais consistentes de todo o fim de semana. O seu death metal carregado de groove, contagiante, provocaram boas dores de se sentir nos pescoços dos festivaleiros! O black metal voltou a marcar presença, desta vez pelas mãos sujas dos Irae. Constantes de início a fim, este foi um concerto sem altos e baixos. Com mais dinâmica teriam certamente convertido um maior número de almas. Foi absolutamente perceptível o reconhecimento e respeito do público do SWR pelo trio belga que se seguiu. Os Agathocles descarregaram uma quantidade infindável de pequenos temas, mas nem isso quebrou a atenção do público. Protestaram impiedosamente e saíram de palco debaixo de longos aplausos. Da suécia chegavam os Suma e com eles uma nova viragem na orientação musical deste último dia, algo já muito característico nos alinhamentos de cada nova edição deste festival. O ritmo voltou a abrandar e viajamos com os Suma para latitudes desérticas, negras, gélidas. Se fechássemos os olhos podíamos sentir a atmosfera e o negrume a envolver-nos. A este nível foram sem dúvida mais eficientes do que os Carpathian Forest. Não sabendo se terá sido efeito colateral, é facto é que Nateffrost e companhia não transpiraram blasfémia tal como outrora tinham como imagem de marca. A escolha de temas foi bem diversificada e os clássicos provocaram reacções mais efusivas na plateia. Contudo, o concerto esteve sempre dentro de controlo, e vai daí, faltou caos e confusão na prestação dos noruegueses. Foram mais um exemplo em que, a ausência de dinâmica no decorrer do espetáculo lhes tirou brilho...ou neste caso, melhor será dizer, que lhes desvaneceu a escuridão e a sujidade. Cumpriram com qualidade a tarefa de cabeças de cartaz, mas podiam teríamos gostado mais se tivessem incendiado a plateia! Também da Noruega veio uma das prestações que vai para top da 21ª edição do SWR. Os Nekromantheon borrifaram a plateia do palco 2 com o seu thrash metal que pareceu estar em maturação desde os meados dos anos 80! As malhas dos álbuns “Divinity Of Death” e “Rise, Vulcan Spectre” trazem de volta à vida os tempos de “Schizophrenia”, “Reign In Blood” ou “Pleasure To Kill”, mas com uma voz muito própria e uma aura negra a pairar. Interessante, muito interessante. A encerrar as festividades do palco principal estiveram os carismáticos Church Of Misery. Doom metal vindo de Tokyo, Japão. Nem toda a gente ficou para os ver, mas os que lá estavam ficaram conectados com a vibração clássica do colectivo. Hiroyuki Takano [vocalista] completamente embebido na sonoridade do grupo, ajudou a tornar ainda mais autêntica esta sessão de hipnotismo da qual fomos despertados com a entrada no palco da SWR Arena dos Theriomorphic, aos quais se seguiu a pedrada sonora dos Raw Decimating Brutality. A festa não acabou aqui. Não faltava energia e alegria à maioria dos festivaleiros. Entre os Djs na SWR Arena e o convívio sem fim no SWR Café, continuou-se a caminhar em direção ao caos que todos querem enfrentar na 22ª edição!

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A magia de Einar Salvik Reportagem: Eduardo Rocha Fotografia: Tilly Domian

O que se pode dizer acerca de um evento como o Wave Gotik Treffen (WGT) que já conta com 27 edições e que, desde cedo, se assumiu como o maior festival gótico a nível mundial? Faltam adjectivos para o conseguir descrever, tamanha é a dimensão e a ousadia do mesmo. Mas vamos tentar, nas próximas linhas, relatar como foram estes quatro dias de festival que mais se assemelha a uma viagem do que a meros concertos. Para quem desconhece o WGT, o festival caracterizase pelo facto de ter cerca de 50 palcos espalhados por toda a cidade de Leipzig. Alguns são de maiores dimensões (como o Agra Park), outros são autênticas vilas medievais (Heydinisches Dorf) ou até antigos banheiros municipais (por exemplo a Stadtbad), outros são montados dentro de Igrejas ou museus e, por fim, muitos outros são em belas salas de concertos. Como se pode imaginar então, o programa é bastante variado e completo faltando apenas escolher o que, e quando, se quer ver. E é aqui que reside o maior problema dos festivaleiros. Quanto a nós, as escolhas foram relativamente simples. O nosso fascínio pela figura enigmática de Einar Salvik fez com que o mesmo fosse a figura central dos nossos dois primeiros dias de festival. De facto, no primeiro dia, Einar apresentou-se num concerto íntimo a solo numa sala conhecida como Schauspielhaus completamente esgotada. Foi fascinante ver uma faceta mais extrovertida de Einar, como o próprio mencionou: num concerto de Wardruna não há conversas enquanto que em concertos a solo, o próprio não pára de falar. E muito nos contou Einar sobre as músicas que interpretou nessa noite: desde canções vikings que glorificam a Natureza, os Deuses e até mesmo a Morte passando por belas histórias da sua vida e do seu povo milenar que, inevitavelmente, influenciaram a música de Einar. O próprio explicou como eram construídos os instrumentos que usou, quais as suas histórias e deixou em todos os presentes, um fascínio imenso pela sua música e por toda a mitologia e civilização Viking. Como bónus, até tivemos direito a músicas que o próprio interpretou na famosa série histórica.

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Antes de Einar subir ao palco, tivemos a oportunidade de nos deliciarmos com um grande concerto dos Die Kammer. O octeto, que orgulhosamente apenas usa instrumentos acústicos, também explorou a intimidade imposta pela sala e iniciou o seu concerto apenas com Marcus Testory (vocalista e guitarrista) e Ambré (guitarrista) em palco. Ao duo, que hipnotizou todos os presentes, juntaram-se depois os restantes músicos e o concerto mudou de toada. De um início calmo, melancólico e introverto passou-se para um concerto irreverente e dinâmico em que muitos dos presentes não se contiveram e dançaram ao som das belas músicas debitadas do palco. Temas como “Carnival of the Peculiar” ou “Sinister Sister” fizeram as delícias de uma sala completamente esgotada e serviram de uma bela introdução para o concerto que descrevemos algumas linhas acima.

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O segundo dia iniciou-se de forma diferente e tal deveu-se à irreverência da vila medieval. Para quem ainda não teve a oportunidade de participar no festival, o WGT organiza uma vila medieval na parte Sul da cidade na qual numerosas bandas, de estilos que vão desde o puro folk até à música medieval passando pelas variantes mais relacionadas do metal, tocam num pequeno palco enquanto os presentes se deliciam com as típicas bebidas Viking no meio de um belo parque. Quanto a bandas, tivemos a oportunidade de presenciar aos íntimos concertos dos Hekate e dos QNTAL. Findos os mencionados concertos, rumamos à maior sala de espectáculos do festival, para um concerto especial de Wardruna. É, de facto, impressionante ver a popularidade que a banda conseguiu alcançar nos últimos anos uma vez que o enorme pavilhão do Agra-Park parecia demasiado pequeno para acolher tantos fãs dos Noruegueses. E que belo concerto que foi! Apesar de a sala não ser a mais envolvente, os Wardruna conseguiram transportar todos os presentes para tempos em que os Vikings faziam raides por todo o Mundo. Após uma bela introdução, Einar e restante banda subiram ao palco e presentearam os ouvintes com as primeiras notas de “Tyr” e “Wunjo”. É fascinante ver como os Wardruna cresceram e nesse aspecto há que dar mérito à organização, pois o próprio festival acompanhou a banda desde o seu início. De facto, a primeira actuação dos Noruegueses no festival foi num palco bem mais pequeno e ainda com Gahal na banda. De seguida, temas como “Raido”, “Isa” e “Jara” continuaram a deleitar os presentes, naquele que foi talvez um dos concertos mais longos desta edição do festival: mais de 2 horas! Por fim, a banda despediu-se ao som de “Odal” e “Helvegen”, deixando para trás, um público extremamente arrebatado.

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(Su)Posições - Hard N’ Heavy Por: Gabriel Sousa

Os Hard Rocks dos 80s

O

de hoje.

s anos 80 foram a época de ouro, a época de maior sucesso comercial do Hard Rock, isto não é uma opinião, é algo incontestável. Mas existem alguns erros quando se quer definir qual foi o som do Hard Rock dos anos 80, quer-se colocar tudo dentro do mesmo pacote, os termos detestáveis (para mim) de Hair Metal, Glam Metal e Pop Metal, demonstram isso mesmo. O Hard Rock dos anos 80 consagrou várias formas de fazer música com sucesso e é sobre isso a minha “(Su)Posição”

No início dos anos 80 há logo um enorme sucesso no Hard Rock que se transformou em sucesso universal, ainda hoje é um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, estou a falar do álbum “Back In Black” dos Ac/Dc. Este álbum é o primeiro da banda com o vocalista Brian Johnson a substituir o malogrado Bon Scott. O som deste álbum é uma mistura do som clássico e Bluesy dos Ac/Dc com um pouco mais de peso e a produção perfeita de Mutt Lange. Este exemplo de sucesso marca a tipologia do Hard Rock com mistura de Blues que voltou a dar sucesso nos 80s aos Aerosmith uns anos depois e também aos Guns N’ Roses com a sua mistura de Hard Rock, Blues, atitude Punk selvagem. Ainda nos primeiros anos dos anos 80 outro tipo de Hard Rock fez sucesso, estou a falar do AOR, estilo que consagrou bandas como Journey ou Foreigner. O AOR é um estilo marcado claramente pela riqueza das melodias, pela permanente mistura e importância das guitarras e dos teclados, os álbuns “Escape” dos Journey e “4” dos Foreigner são os grandes marcos de sucesso dentro deste estilo. Sonoramente é dentro do AOR que está a maior aproximação que o Hard Rock fez ao universo Pop mas a verdade é que não foi este som mais melódico e polido que fez o maior sucesso no Hard Rock dos anos 80. Em meados dos anos 80 algumas bandas com um som mais pesado começam a fazer sucesso, é o chamado Hard N’ Heavy, não acho o Hard N’ Heavy um subgénero per si, existem álbuns Hard N’ Heavy, existem bandas que apostam nessa mistura entre o Hard Rock e o Heavy Metal, apesar disto, não considero que existam

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músicas Hard N Heavy. O que eu acho é que existem bandas que fazem músicas Hard Rock e músicas Heavy Metal, como por exemplo os Twisted Sister, a música “We’re Not Gonna Take It” é claramente Hard Rock, para mim, não pode ser considerada de Heavy Metal, mas a música “Burn In Hell”, é um petardo Heavy Metal, é demasiado pesada para ser considerada Hard Rock. Dentro desta tipologia podemos também colocar bandas como Motley Crue, Ratt, Vinnie Vincent Invasion, entre muitas outras. Para mim existe ainda uma forma diferente de fazer Hard Rock nos 80s e ter sucesso, é a fórmula intermédia que bandas como Bon Jovi, Def Leppard ou Whitesnake entre muitas outras utilizaram, concretizando o que é esta fórmula intermédia, é aquele Hard Rock que tem peso mas não é pesado o suficiente para estar próximo do Heavy Metal, é melódico mas não tão melódico como o AOR e sem dar tanto destaque aos teclados apesar de fazerem parte das músicas, apesar de terem um papel importante no som cheio que músicas como “Still Of The Night” ou “Livin’ On A Prayer” têm. Houve ainda uma 5ª forma de Hard Rock de sucesso nos 80 anos, uma forma que é transversal a todas as outras porque todas as bandas a utilizaram, estou a falar das baladas e mais concretamente das Power Ballads. Para mim, o que diferencia uma Power Ballad de uma “comum” balada é a energia que ela tem, é o peso que a guitarra tem, algumas Power Ballads têm partes acústicas, partes sinfónicas ou mesmo partes ao piano mas quando a guitarra eléctrica entra elas ganham uma nova dimensão, um novo peso e uma nova emoção, vejam a versão de “Love Song” dos Tesla no seu “Five Man Acoustical Jam” e vão perceber o que eu quero dizer. Este pequeno texto é apenas a minha “visão” do Hard Rock dos anos 80, é tudo Hard Rock, eu gosto de tudo mas há diferenças… mas para quem quiser achar que Boston é exactamente igual a Great White e a Skid Row… é livre para o fazer, é uma opinião, tão válida como a minha, it’s only Hard Rock and we like it.

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Der Blutharsch and the Infinite Church of the Leading Hand

Os Der Blutharsch and the Infinite Church of the Leading Hand são uma banda Austríaca que conta já com vinte e dois anos “no corpo”. A música é estranha, diferente, cheia de elementos electrónicos, muitos elementos pop sintetizados… que facilmente vos levam a “tripar” para outro universo. Estivemos à conversa com Albin Julius e o seu mais recente «Desire» editado em parceria com os White Hills. Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro

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Olá Albin, obrigado pelas duas cópias de «What makes you pray» e do novo EP «Desire». Não conhecia a banda até há uns meses para cá e talvez como vários dos nossos leitores, será que nos podes esclarecer sobre quem são os Der Blutharsch and the Infinite Church of the Leading Hand? Albin: Somos austríacos e com já alguns anos – vamos para os nossos 22 anos de existência. O projecto começou como um one man band das cinzas do meu projecto precedente (The Moon lay hidden beneath a Cloud) e evoluiu ao longo dos anos para este pequeno monstro que temos agora, sofrendo transformações ao longo dos anos. O nome da banda é algo estranho, o que significa? “Der Blutharsch” tem dois significados – um é o nome dos mercenários suíços das guerras suecas (foram os invasores) o outro significado é do calão austríaco que quer dizer sangue seco. Após termos evoluído adicionamos o apêndice (aticoth) que surgiu de uma piada durante uma digressão. Tens andado a fazer música desde 1996, como classificarias a tua música ao longo dos anos? Comecei com algo que as pessoas classificam como “Military Pop” com uma forte componente provocativa e depois virei para uma música mais orientada para a guitarra. Mas como não temos restrições de estilo nem de temática penso que a viagem só agora começou. Veremos onde tudo isto nos leva, como sempre, a viagem é a parte verdadeiramente interessante. O vosso EP «Desire» foi elaborado com a colaboração dos White Hills. Como nasceu esta colaboração? Foi a vossa primeira? Descobrimos os White Hills há séculos, durante a era MySpace – há procura de boa música; e descobrimos que eles eram nossos

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[...] foi intencional, queríamos ser controversos e chocar certas pessoas e cuspir-lhes na cara.

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fãs, o que foi uma agradável surpresa (além do Dave nos ter enviado todas as músicas de borla). Tornamo-nos amigos próximos e um dia decidimos compor um EP de 7 polegadas, gravamos dois temas e publicamos o EP há 8 anos. O desejo alimentou a necessidade de gravar algo juntos novamente. Não é a nossa primeira colaboração, a primeira foi com os nossos amigos austríacos “ Our Survival depends on us” e então depois o EP com os White Hills, depois outra com Aluk Todolo (Youtube) que irá ser lançada dentro de 3 semanas em vinil e cassete pela Van Records. Também fizemos dois EPs com a banda de pop francesa “Derniere Volonte” e também temos sempre convidados na nossa música. Tivemos Rummelsnuff ou Edward Kaspel (dos Legendary Pink Dots) como convidados, trabalhamos também com a nossa amiga Lina Baby Doll (dos Deutsch Nepal), Niko dos 7 That Spells (onde no projecto paralelo “Jastreb” faço todos os synths). Ah e não esquecer a colaboração com a banda belga “Wolvennest” no seu primeiro álbum. Para mim é muito importante e emocionante trabalhar com outras pessoas e outros estilos musicais, é um claro benefício! A música é muito estranha e cheia de elementos electrónicos, vozes pop e sons alucinantes. Como foi o processo de composição? Como sempre. Começa-se por um

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ritmo ou um riff, ou uma melodia no teclado e constrói-se a música a partir daí. Nós não compomos música, penso que fazemos construção de sons, é como cozinhar um bolo, mais ou menos... um space cake doce. Estou a ver alguns dos vossos concertos no Youtube, vocês são 5 elementos, quem são os outros elementos? Todos participam na composição? Somos todos amigos, a vocalista Marthynna é a minha mulher, o guitarrista Jörg é o meu melhor amigo (após a minha mulher) e ele juntou-se à banda há mais de 16 anos. Ele tem o seu próprio projecto, uma banda de Black Metal chamada Amestigon. O nosso baterista Mazo é um amigo de longos anos do nosso guitarrista (andaram juntos na escola e sempre tocaram juntos em vários projectos – o que torna as coisas muito fáceis porque funcionam mesmo bem juntos) e um grande amigo nosso. Ele também tocou em projectos muito bons como “The Attention” ou “Zetkin”. O baixista, Jörg 2, outro Jörg (risos), é também um bom amigo nosso e faz música sob o nome de “Natascha Schampus”. Somos mais um grupo de amigos do que uma banda no sentido usual do termo. ...E sim, todos participam no processo criativo, mas como mencionei antes, não compomos música, construímos sons, mas cada um acrescenta a sua parte.

Em que sentido a música deste EP é diferente dos lançamentos anteriores? Penso que é mais leve e talvez um pouco mais pop. Na verdade não me sinto muito confortável em falar demasiado em detalhe sobre a nossa música e não quero fazer análises ou até pensar sobre isso. Fazemos e não gostamos de falar sobre isso, se é que me entendes. Enquanto pesquisava sobre vocês para esta entrevista, li um artigo sobre um escândalo relacionado com a vossa música e logotipo. O que vos levou a mudar o logo? Quais os temas e influências principais das vossas letras? Como disse anteriormente o conceito era muito provocante e controverso, foi intencional, queríamos ser controversos e chocar certas pessoas e cuspirlhes na cara. Infelizmente certas pessoas não conseguiram separar a imagem da banda com a dos seus membros. Devo confessar que passado algum tempo também achei aquilo um pouco seca, começamos a discutir… bem, cá estamos. Existe algum plano para depois de «Desire»? Sim, já estamos a trabalhar para o próximo álbum, que tencionamos lançar no início do próximo. Der Blutharsch Youtube


Playlist Carlos Filipe

Dukes Of The Orient - Dukes Of The Orient Amorphis - Queen Of Time Overkill - Live In Overhausen Therion - Beloved Antichrist Imperial Age - The Legacy of Atlantis Luciferian Light Orchestra - Luciferian Light Orchestra Joe Satriani - Flying In A Blue Dream

Cristina Sá

Ad Hominem – Napalm for All Amorphis – Queen of Tim Bonjour Tristesse – You Ultimate Urban Nightmare Decline of the I – Escape Demonstealer – The Last Reptilian Warrior Gaerea – Unsetlling Whispers Hekate – Totentanz Pensées Nocturnes – Grotesque Uada – Cult o a Dyng Sun

Eduardo Ramalhadeiro

Colective Soul - Seven Year Itch Madder Mortem - Marrow Redemption - Long Night’s Journey Into Day Tarja - Act II

Emanuel Leite Jr.

Kreator - Gods of Violence Dimmu Borgir - Eonian Orphaned Land - Unsung Prophets & Dead Messiahs Ghost - Prequelle

Ernesto Martins

Akercocke - Words That Go Unspoken, Deeds That Go Undone Craft - White Noise and Black Metal Mão Morta - Pelo Meu Relógio São Horas de Matar Filii Nigrantium Infernalium - Hostia Pyrrhon - What Passes For Survival

Frederico Figueiredo

Apocalypse Now - B.S.O. Caskets Open - Follow Nothing Drug Honkey - Cloak of Skies Fange - Pourrissoir Hank Williams III - Straight to Hell Weedeater - Jason… The Dragon

Gabriel Sousa

The Amorettes - Born To Break Thunder - Stage - Live in Cardiff Judas Priest - Firepower Pleasure Maker - Dancin’ With Danger Hogjaw - Way Down Yonder

Ivo Broncas

Body Count - Bloodlust Pantera - Vulgar Display of Power Ate the Drive in - In•ter a•li•a Metallica: Mastermaster of puppets remasterd

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PALETES Por: Carlos Filipe

som pelos ERDVE. Quando ERDVE se formou no ano de 2016, a banda tinha uma clara visão estética da criação de um som pesado único que experimentava elementos do hardcore, sludge e black metal ainda que não estivesse vinculado a quaisquer “regras” não escritas em torno desses géneros. (Season of Mist)

In Vain - «Currents» (Noruega, progressive death metal) 10 anos após sua grande estreia, os IN VAIN regressam com o seu quarto álbum «Currents». Os pioneiros do metal extremo progressivo têm neste álbum o ápice definitivo da carreira até agora. Composições únicas, inovadoras e cativantes, com longevidade que mesclam elementos de muitos géneros diferentes, mantendo uma dinâmica cuidadosamente balanceada. IN VAIN mantém o foco principal nas sólidas composições com inteligência e uma abordagem original. (Indie Recordings) Erdve - «Vaitojimas» (Lituania, Experimental Hardcore Sludge) A insanidade pesada atmosférica de cada música e riff de «Vaitojimas», gira em torno de um conceito de um vazio emocional, preenchido sem quaisquer barreiras morais para o degenerado interior que vai do comum ao criminoso. Esta ideia é transformada em melodias, ritmo e

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Watain - «Trident Wolf Eclipse» (Suécia, Black Metal) Depois de 20 anos construindo o seu próprio caminho, «Trident Wolf Eclipse» parece um ponto digno de chegada mais do que um ponto de partida. Um de poder e força, lançando uma nova luz sobre tudo o que tem sido, aqueles que pereceram, na luta que altera a vida e leva o triunfante êxtase de Watain. «Trident Wolf Eclipse» não é sobre o passado, nem o futuro, é sobre o aqui e agora que são tão impacientes quanto nós para o dia vindouro. (Century Media)

Magnum - «Lost On The Road To Eternity» (Inglaterra, Rock progressivo)

Então, quais são exatamente os critérios inconfundíveis de uma música típica dos Magnum? Primeiro de todos, a voz carismática de Bob Catley, acompanhado do guitarrista Tony Clarkin, melódico e balançando as composições da banda. «Lost On The Road to Eternity» apresenta uma série de melodias assombrosas, seja a abrupta abertura “Peaches And Cream” ou “Storm Baby” com um poderoso riff de rock. «Lost On The Road to Eternity» é reforçada por arranjos atmosféricos da cortesia da orquestra Wolf Kerschek. (SPV Steamhammer)

Miracle - «The Strife Of Love In» (Internacional, progressive postrock) Os Miracle são compostos por Steve Moore, metade da dupla progressiva pós-rock Zombi, compositor de bandas sonoras tais como The Guest, CUB, Mayhem e The Mind’s Eye e produtor de música de sintetizador magistral, e do vocalista e multi-instrumentista Daniel O’Sullivan, conhecido pelo


seu trabalho com uma miríade de luminares de arte rock incluindo Ulver, Grumbling Fur, Æthenor, Sunn O))), Guapo, Mothlite e This Is Not This Heat. (Relapse Records)

vestimentas ímpares, cuspindo sangue e mordendo o ar com bestial ferocidade e adorando as forças satânicas mais poderosas. (Scarlet Records)

Rebellion - «A Tragedy In Steel Part Ii Shakespeare S King Lear» (Alemanha, Heavy Metal) O 8º álbum das lendas do metal REBELLION de Hesse, Alemanha, contém uma atmosfera sombria do texto de Shakespeare, o que leva à implementação musicalmente de um ritmo bastante lento para os REBELLION. A banda é caracterizada por uma atmosfera sombria. Durante o mix do álbum, as guitarras foram tocadas para a esquerda e para a direita, abrindo espaço para os vocais e o baixo no meio. O som emergente lembra o som ao vivo da banda e apoia-se no som de grandes álbuns clássicos de metal do final dos anos 70 e 80. (Massacre Records)

Dobbeltgjenger - «Limbohead» (Noruega, Rock) Dobbeltgjenger é uma banda de rock eclética e lúdica de Bergen, Noruega, que apresenta uma sólida torção musical. As letras da banda contam histórias de neuroticíssimo, profundamente enraizado e acompanhadas por grooves contagiantes, num som de guitarra futurista e com vocais de soul emocionantes. Os Dobbeltgjenger são compostos por membros de MAJOR PARKINSON, OSSICLES, DEPRESNO e 9 GRADER NORD. O álbum é uma representação colorida de uma realidade ansiosa, onde as portas estão trancadas, a fim de impedir as perigosas conspirações do mundo. (Karisma Records)

Deathless Legacy - «Rituals Of Black Magic» (Itália, Horror Metal) «Rituals Of Black Magic» é o quarto lançamento da sensação de Horror Rock Deathless Legacy e o primeiro álbum conceitual da carreira. O álbum descreve antigos rituais de magia negra, com dosagens, ingredientes, processos e feitiços a serem lançados. O grimório ocultista consiste em mais de dez rituais, recuperados de tomos escondidos nas prateleiras empoeiradas dos arquivos secretos do Vaticano. Tal como uma grotesca e chocante banda de metal de horror, eles vestem

Hamferd - «T Msins Likam» (Ilhas Faoré, Doom/Death Metal) Hamferð “refere-se a uma aparição: a imagem de uma pessoa que enfrenta a morte, aparecendo diante de seus entes queridos como um presságio. Os Faroense do doom metal têm um som poderoso e exclusivo para estes auto-intitulados de Hamferð. Por quase uma década, o sexteto que veste de forma fúnebre tem lançado uma expressão única enraizada na tragédia conceitual e intensa do doom metal narrativo. Hamferð é fortemente inspirado pelo ambiente natural e herança cultural. Esses aspectos combinam sentimentos e atmosferas únicas. (Metal Blade) Deathwhite - «For A Black Tomorrow» (EUA, Dark Melodic Metal) O metal americano é frequentemente associado ao lado brutal na Europa e muitas vezes envolve os termos “death” e “core” por padrão. Com o seu primeiro álbum «For A Black Tomorrow», os DEATHWHITE demonstraram

magistralmente que sons difíceis do exterior também podem ser sombrios, emocionais e sutis. Embora os americanos já tenham um estilo bem amadurecido, algumas comparações oferecem uma ideia incompleta sobre quais os caminhos a seguir. (Season of Mist)

Anvil - «Pounding The Pavement» (Canadá, Heavy/Power Metal) É claro que existem bandas que conseguiram chegar ao topo, venderam mais álbuns e encherem espaços maiores do que os Anvil. No entanto, há poucos artistas de metal que ganharam tanto respeito de seus colegas quanto os canadianos em torno do vocalista / guitarrista Steve ´Lips` Kudlow e do baterista Robb Reiner. O seu último álbum, «Pounding The Pavement», prova a sua impressionante resistência: nunca antes Anvil pareceu tão diverso, determinado e inspirador. (SPV Steamhammer) Avatar - «Avatar Country» (Suécia, Nu-Metal) Os Kingelikookeliking têm, portanto, ao lado de sua orquestra de elite, um remédio sónico, em homenagem à nação que representam. «Avatar Country» é o álbum inspirado no filme homónimo, na qual diplomatas e negociadores, que vagueiam pelo mundo para espalhar a boa vontade e as intenções do mito de um homem-rei, têm dificuldade em explicar as propriedades do raro mineral encontrado apenas nas

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minas METAL do «Avatar Country». (Century Media)

Cultus Profano - «Sacramentum Obscurus» (EUA, Black Metal) Longe de moda fugaz e anosluz de tendências de curta duração, CULTUS PROFANO orgulhosamente mantém a chama do Pure Black Metal. Com o seu primeiro LP, a dupla americana apresenta-se como a digna herdeira dos Great Old Ones, as bandas lendárias de culto, nascidos e mortos durante os anos 90. Esta primeira oferta imperial não é um anacronismo, mas o símbolo incandescente de um precioso avivamento inteiramente dedicado à gloriosa génese do Black Metal da segunda onda. Um compêndio pesaroso de riffs assassinos, bateria devastadora e vocais rudes, todos banhados por uma atmosfera deletéria. «Sacramentum Obscurus» é uma ode magistral para a forma mais pura de Black Metal. (Debemur Morti Productions) Black Wizard - «Livin Oblivion» (Canadá, heavy metal and hard rock) Na moda clássica de Wiz, o novo álbum evoluiu. O «Livin ’Oblivion» é maior, mais pesado, mais nítido e mais alto do que nunca. Um monte de elementos thrash, mais rápidos, foram adicionados, enquanto ainda mantém a vibe de peso ao estilo Thin Lizzy. O tema abordado é o da obliteração ou a lenta decadência do ego, da moral e da vida como a conhecemos. (Listenable Records)

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Good Tiger, no entanto, forja seu próprio caminho. Misturando influências de uma maneira que desafia a preguiçosa classificação, o que os diferencia de seus contemporâneos, impregnando tudo o que eles fazem com um som e sensação distintos. (Metal Blade)

King Witch - «Under The Mountain» (Escócia, Heavy/Doom Metal) Num tempo em que muitos procuram manter-se rigidamente dentro dos limites de seu género de eleição, KING WITCH simplesmente escreve as músicas que eles querem tocar. Fazendo comparações com Black Sabbath, Candlemass, Mastodon e High On Fire, o EP de estreia da banda, «Shoulders of Giants», rapidamente construiu uma base de fãs. Musicalmente, a faixa principal “Beneath The Waves” oferece uma visão geral do som muscular da banda e dos vocais de Laura Donnelly. (Listenable Records)

Good Tiger - «We Will All Be Gone» (Inglaterra, Progressive Metal) Com a música instantaneamente ligada ao toque de um botão, parece que o desejo de classificar bandas com a maior rapidez e precisão possível foi cada vez mais extremos nos últimos anos.

Accuser - «The Mastery» (Alemanha, Thrash Metal) De 1986 a 1996, os Accu§er foram um dos pilares das cenas de metal nacionais e internacionais. Especialmente em álbuns como «Who Dominates Who» (1989) e «Repent» (1992), onde uma impressionante exibição das habilidades técnicas e composicionais do grupo estão bem patentes. Musicalmente, os Accu§er encontram o seu próprio nicho num lugar entre o Thrash Metal da Bay Area e o som do Thrash Alemão. (Metal Blade)

Harms Way - «Posthuman» (EUA, hardcore punk) O hardcore metálico do Harms Way conquistou fãs nos quatro continentes; a sua reputação de entregar conjuntos exagerados não pode ser excessiva, e as suas letras oportunas sobre luta, crescimento pessoal e autoconsciência deixam uma impressão duradoura sobre qualquer ouvinte. O título, «Posthuman», sintetiza apropriadamente os temas do registro, refletindo um sentimento de não se sentir mais como uma parte do mundo, seja politicamente, socialmente,


eticamente ou emocionalmente. (Metal Blade) Ancst - «Ghosts Of The Timeless Void» (Alemanha, Blackned Hardcore / Metal) O que começou a mover-se não mais pode ser interrompido: desde a sua fundação em 2011, os ANCST mostraram-se incansável, sendo a ponta de lança de uma nova onda de black metal infundido de hardcore. ANCST provou a sua marca e querem fazer a diferença - eles têm algo a dizer! ANCST quer acordar os seus ouvintes e colocar os dedos nas feridas. Assim, «Ghosts of the Timeless Void» tem que soar tão violento e desiludido como o é. (Lifeforce Records)

Visigoth - «Conqueror S Oath» (EUA, Power/Heavy Metal) Os martelos de metal pesado soam alto e verdadeiro nos salões das montanhas de Salt Lake City, Utah! Permanecendo firme oposição a qualquer noção presuntiva de ‘reinventar a roda’ ou ‘redefinir o género’, os Visigoth dedicaramse a adorar os altares eternos do heavy metal com um foco singular em escrever músicas inspiradas nos seus discos favoritos. Seja, um frenesi desencadeado por clássicos hinos da USPM ou de NWOBHM, seja, meditando pensativamente em épicos tradicionais de heavy metal ou momentos de inspiração. (Metal Blade) Bleeding Gods - «Dodekathlon» (Holanda, Thrash/Death Metal)

A banda foi fundada em 2012, quando o guitarrista Ramon Ploeg começou a escrever um álbum depois de ter deixado a banda de death metal holandesa HOUWITSER. Ramon, que queria realizar o seu sonho de ter uma banda própria, escreveu algumas músicas pesadas e até clássicas que deram em demo. Chegou a hora de procurar pessoas para participar e ele contactou alguns músicos de metal. As antigas bandas de seus colegas naquela época eram (técnicas) bandas de death metal, então, o desafio de fazer algo diferente, desta vez, foi realmente atraente! (Nuclear Blast)

Corrosion Of Conformity - «No Cross No Crown» (EUA, Crossover / Sludge / Southern Metal) Sempre que CORROSION OF CONFORMITY lança um novo álbum, as pessoas notam. Mas o mais recente deles é um verdadeiro evento. Já faz doze anos desde que os C.O.C. gravaram novo material com o vocalista / guitarrista Pepper Keenan no comando. Senhoras e Senhores, a longa espera acabou. CORROSION OF CONFORMITY estão de volta com «No Cross No Crown», um álbum que soa como se não tivesse passado qualquer tempo entre «In The Arms Of God» de 2005 e hoje. (Nuclear Blast) Ilsa - «Corpse Fortress» (EUA, Death/Doom Metal/Crust) Os ILSA, um grupo de obcecado por terror e clandestinidade, entrelaçam contos de depravação e adoração demoníaca no seu

trabalho de estreia «Corpse Fortress». Este oferece nove faixas falsificadas com camadas densas de sludge emocionalmente desgastante, sombrio e primordial, e death metal carregado de feedback. «Corpse Fortress» é facilmente o álbum mais cru, abominável e desagradável dos ILSA. (Relapse Records) Nightmarer - «Cacophony Of Terror» (EUA, Technical Death Metal) O caos vem em ondas que quebram a bizarria. Padrões emergem de energia rodopiante. Escuridão coalescência de fragmentos em formas bizarras e formas angulares estranhas. O que lê como uma lista de entradas no H.P. O dicionário de horrores de Lovecraft é a visão musical de pesadelo oferecida pelo NIGHTMARER no seu álbum de estreia, «Cacofonia do Terror». (Season of Mist) Centuries - «The Lights Of This Earth Are Blinding» (EUA, Hardcore Punk) «The Lights Of This Earth Are Blinding» é um álbum sombrio que carrega um tema de constante Auto dúvida. Segue-se como escolhemos aceitar as nossas perdas e a reação à vida, bem como a jornada que tomamos para fazer as pazes com os demónios do passado. (Southern Lord) Faal - «Desolate Grief» (Holanda, Black/Death Metal) Este é o terceiro monólito de FAAL! A banda fundada em 2005 no sul da Holanda, a fim de criar Doom com toques de Black / Death Metal e Post-Rock. A sua estreia «Abhorrence-Salvation» foi em 2008 e foi aclamada pelos fãs e críticos. Em 2011, os FAAL voltam ao estúdio para gravar o seu segundo álbum chamado «The Clouds Are Burning», seguido por um lançamento dividido com Eye Of Solitude (UK) em 2015. (Van Records)

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no novo álbum algo que vai cativar tanto os antigos quanto os novos fãs. (Agonia Records)

Crippled Black Phoenix - «Horrific Honorific» (Inglaterra, Dark Rock) Bandas que prestam homenagem aos seus artistas favoritos e influências pessoais, podem facilmente ser vítimas de duas grandes armadilhas: copiar o original de uma overdose de respeito ou torcer um clássico para algo além do reconhecimento e não captar a essência de uma faixa. Os Crippled Black Phoenix têm evitado elegantemente tais armadilhas como os roqueiros do Reino Unido prestam homenagem a grandes artistas e canções clássicas com o devido respeito no seu novo LP «Horrific Honorifics», ao mesmo tempo fazendo com que essas faixas sejam boas e sem comprometer a integridade das obras originais. (Season of Mist) Susperia - «The Lyricist» (Noruega, Melodic Thrash/Black/Heavy Metal) As origens dos Susperia remontam a 1998, quando Tjodalv ocupava o lugar do baterista nos Dimmu Borgir, e o antigo amigo Cyrus (exSatyricon, Old Man’s Child) reuniase para partilhar ideias e escrever canções. Claramente enraizada e experiente na cena do black metal norueguês, Susperia elevou o seu som em áreas mais melódicas de metal extremo. Em «The Lyricist», Susperia voltou às origens, a uma expressão mais sombria. A torção melódica, característica pela qual a banda é conhecida, continua bem presente e uma camada adicional de variedade foi adicionada graças ao novo vocalista. Os Susperia têm

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Frozen Crown - «The Fallen King» (Itália, Melodic Power Metal) Frozen Crown é uma banda Melódica de Power Metal com vocais femininos e masculinos, inspirando-se no início dos Sonata Arctica e Nightwish. Entre refrões cativantes e épicos, riffs de guitarra melódicos e duetos vocais numa sólida base de Power Metal, a banda faz frequentes incursões no Heavy Metal Clássico, Folk e Melodic Death, ocasionalmente adicionando vocais mais rasgados. O uso de teclados enriquece as músicas e adiciona uma aura épica, sem nunca deixar de ser fortemente guiado pela guitarra. (Scarlet Records) Usurpress - «Interregnum» (Suécia, Swedish Death Metal with a twist put upon Sludge, early & pre-Heavy Metal era and 70’s Hard/Prog Rock) Os autoproclamados suecos “primitivos e progressistas” dos death metal, Usurpress, retornam com um novo e ousado álbum. Desta vez, os membros principais Stefan Pettersson (vocal e letras), Påhl Sundström (guitarras, música) e Daniel Ekeroth (baixo, música) são acompanhados pelo baterista de jazz Fusion Stefan Hildman e tecladista de trance ambiente Erik Sundström, e o resultado surpreendeu até a banda em si. «Interregnum» pode ser descrito como “uma mistura profana

entre Camel e Bolt Thrower, que de alguma forma funciona perfeitamente”, então estejam preparados para algo fora do comum. (Agonia Records) Voidhanger - «Dark Days Of The Soul» (Polónia, Black/ Death/Thrash Metal mixed with Hardcore, Punk and D-beat) Os Polácos Voidhanger fazem um death / thrash enegrecido de Zyklon (Infernal War), Warcrimer (Infernal War, Iperyt) e Priest (Massemord, Odraza). A banda surgiu em 2010 com uma clara intenção de “espalhar a escuridão e a negatividade através da música de metal”. Niilista e militante, «Dark Days Of The Soul» segue o mesmo caminho dos dois lançamentos anteriores, alternando entre cortes punk com infusão, hardcore agressivo, dbeat e metal extremo “in-your-face” - todos encharcados de raiva, amargura e negação. (Agonia Records)

Eryn Non Dae - «Abandon Of The Self» (França, Tech/Extreme Prog Metal / Progressive Rock) Desde a sua formação em 2001, a talentosa banda francesa ERYN NON DAE criou um universo exclusivamente claustrofóbico e este quarto estelar é uma monumental onda de melancolia e desespero. A coisa mais incrível sobre «Abandon Of The Self» é a sua facilidade excepcional com que ERYN NON DAE coloca uma secção rítmica inventiva e impermeável no coração das composições, as quais são


incrivelmente complexas. A música é assim lindamente estruturada, impulsionada por manipulações extraordinárias de guitarra e uma performance vocal intensa e abrangente. (Debemur Morti Productions)

Mike Lepond’S Silent Assassins - «Pawn And Prophecy» (EUA, Progressive Metal, Heavy Metal) Mais conhecido como o baixista dos gigantes do metal progressivo Symphony X, Mike LePond saiu por conta própria para liderar o seu próprio projeto, Silent Assassins. A banda regressa com o muito aguardado «Pawn And Prophecy», que mostra uma investida do verdadeiro metal pesado na sua forma mais pura. Uma hora inteira de riffs, vocais e letras contando histórias épicas que influenciam desde as bandas clássicas de metal dos anos 80 até o viking / folk metal de hoje. A faixa-título é um opus de 21 minutos baseado em “Macbeth” de William Shakespeare, essencialmente uma banda sonora de heavy metal para este clássico conto. (Frontiers Music) Perfect Beings - «Vier» (EUA, progressive rock) Perfect Beings é uma banda americana de rock progressivo formada em Los Angeles em 2012. Eles são conhecidos pela sua visão moderna do som do supergrupo clássico do rock progressivo. Fiel à forma progressiva, os seus álbuns são célebres viagens musicais através de estranhas assinaturas de tempo, poesia de vanguarda e

misticismo sinfónico. «Vier» é uma experiência sonora imersiva que apresenta um aumento no uso de instrumentos de sopro e metais, adicionando tons contemporâneos clássicos e jazz-rock ao som dos Perfect Beings. (InsideOut Music) Rick Springfield - «The Snake King» (EUA, Blues Rock / Classic Rock) O currículo de Rick Springfield como um músico e actor de sucesso não precisa de ser repetido aqui. O que precisa ser discutido é que «The Snake King» não será o álbum de Rick Springfield que estavam à espera. Rick, lançou uma bola curva que surpreende e encanta ao mesmo tempo. «The Snake King» encontra Rick a explorar o lado de blues de seu rock ‘n roll. (Frontiers Music)

The Osiris Club - «The Wine-Dark Sea» (Inglaterra, psychedelic progressive rock) Os THE OSIRIS CLUB deram continuidade à sua estreia em 2014, abrangendo os mundos do rock progressivo, metal e póspunk. Inspiradas igualmente por histórias aos quadrinhos e ficção de terror, as nove faixas que compõem» The Wine-Dark Sea» são uma jornada sombriamente psicadélica de som, numa sensação proto gótica. (Indie Recordings) Ammunition - «Ammunition» (Noruega, Glam Rock, Melodic Rock) Os Ammunition foram fundados em 2014 pela dupla de

compositores Age Sten Nilsen (ex-vocalista do WIG WAM) e o multitalentoso Erik Mårtensson (Eclipse, W.E.T., Nordic Union). Juntando-se ao ex-baixista dos TNT e Jack In The Box, Victor Cito Borge, o tecladista Lasse Finbråten (Circus Maximus, ex-Wig Wam), o skinsman Magnus Ulfstedt (Eclipse) com o excepcional guitarrista Jon Pettersen, os Ammunition fazem um nome per si como um incrível ato ao vivo. (Frontiers Music)

Kayak - «Seventeen» (Holanda, progressive rock) Ao longo de uma carreira que até agora se estende por 45 anos, os KAYAK estabeleceram-se como uma das bandas de rock progressivo de maior sucesso da Holanda. Depois de uma pausa de 3 anos, eles estão de volta com um novo álbum, apropriadamente chamado de «Seventeen». Este trabalho continua sendo muito KAYAK. Não importa quem toca ou canta, ou quem está nele, ainda é muito identificável. Como a essência do KAYAK é o rock progressivo, Scherpenzeel decidiu colocar algumas faixas sinfónicas mais longas no álbum. (InsideOut Music) Plenty - «It Could Be Home» (Japão, indie rock) Emergindo das cinzas da excêntrica pós-punk baseada em Liverpool, A Better Mousetrap e da banda de Warringtonian Art Rock, After The Stranger, Plenty é a banda de pré-no-man imediato de Tim Bowness. Distintamente ecoando

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artistas contemporâneos como The Blue Nile e Prefab Sprout a música de Plenty alternava entre pop anémico, baladas pungentes e experimentos musicais ambientais. (Karisma Records) Crisix - «Against The Odds» (Espanha, Thrash metal) O género do Thrash Metal foi moldado por marcos como «Kill em all», «Bonded by Blood», «The Legacy» entre muitos outros, do qual tais declarações perfuraram globalmente todos os ouvidos dos fãs de metal com grande alegria. Muitas bandas de thrash mais jovens seguiram estes marcos com relativo sucesso. Entretanto, uma coisa certa. É que muito poucas ainda podem reivindicar a existência de clone, que apresentam tal fresquidão, dinamismos e tanto vigor e convicção quanto os CRISIX. (Listenable Records)

Abinchova - «Weltenwanderer» (Suiça, Melodic Death Metal) «Weltenwanderer» é o terceiro álbum da banda de death metal melódica suíça ABINCHOVA e segue o caminho musical que a banda começou a explorar no seu álbum anterior, «Wegweiser”». Aqui, pode-se esperar riffs ainda mais pesados ​​e melodias mais épicas, com os instrumentos característicos dos ABINCHOVA - como o violino e o teclado. Qualquer que seja o tema usado, os ABINCHOVA continuam a explorar a mitologia suíça e transformar velhas histórias em

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canções de metal. (Massacre Records) Headless Crown - «Century Of Decay» (Suiça, Heavy Metal) «Century Of Decay» é um álbum conceitual na veia dos clássicos da ficção científica como “1984”, “Brazil”, “Blade Runner” e a série de “The Prisoner”. A história deste álbum está situada num futuro próximo, distópico, onde um trabalhador sem nome tenta espiritualmente escapar da sua vida sem sentido através dos seus sonhos, com o objetivo de viver neste mundo indolor que ele criou. As músicas vão leválo numa viagem de luta pela sua sanidade e liberdade. «Century Of Decay» é um álbum mais agressivo e complexo do que «Time For Revolution», sendo uma progressão natural na composição e no som. (Massacre Records) Killing Gandhi - «Aspirations Of Failure» (Dinamarca, Melodic Death Metal) «Aspirations Of Failure» é um álbum conceitual sobre dois homens que enfrentam a sua própria vontade de ter sucesso ou falhar nas suas vidas pessoais e profissionais. O novo álbum contém elementos de vários géneros de metal, como passagens de black metal, um agressivo toque de Arch Enemy, e refrões cativantes no estilo de Children of Bodom. Os vocais deste álbum apresentam um amplo espectro com o vocalista (Thorbjørn Jensen) mostrando as suas habilidades, variando de grunhidos profundos a gritos médios e agressivos, deixando o ouvinte com o foco nas músicas, sem saber o que esperar para a próxima linha. (Massacre Records) Schwarzer Engel - «Kult Der Krähe» (Alemanha, Dark/Gothic Metal) Com asas negras, o “Senhor dos Corvos” orbita o caos terrestre e mais uma vez surge para apresentar mais um marco na história do black / gothic metal:

«Kult der Krähe». Dois anos passaram, e os SCHWARZER ENGEL entrega agora mais uma nova peça de arte. «Kult der Krähe» apresenta onze hinos obscuros, que soam majestosos e brutais. A instituição de metal alemã em torno do frontman carismático Dave Jason mostra de forma impressionante como o Dark / gothic metal deve soar no século XXI: batidas de som épicas e linhas vocais fascinantes encontram riffs de guitarra e letras controversas. (Massacre Records) Avslut - «Deceptis» (Suécia, Black Metal) Avslut descreve uma humanidade deformada, decadente e perdida. O grupo tem as suas raízes nos subúrbios de Estocolmo, na Suécia. Com força total, seguindo o seu bem-recebido miniálbum «Vanskapt», os Avslut lançam agora o seu aguardado álbum de estreia, «Deceptis». O álbum é uma viagem numa jornada através de seus desejos mais profundos e sombrios, com uma mistura perfeita de atmosfera e ferocidade. (Osmose Productions)

Necrodeath - «The Age Of Dead Christ» (Itália, Black/Death/ Thrash Metal) «The Age Of Dead Christ» é o novo álbum dos Necrodeath, e o 11º da sua carreira. São 33 anos de carreira, 33 como a idade de Cristo, o Cristo morto, como diz o título do álbum. Necrodeath volta às suas raízes lançando um dos capítulos mais rápidos, mais violentos e


brutais na sua caminhada musical mortal. «The Age Of Dead Christ» inclui a música ‘The Return Of The Undead’, uma nova versão do clássico da banda ‘The Undead’ (originalmente incluída no álbum de estreia de 1987 «Into The Macabre»), apresentando mais uma lenda do metal extremo. (Scarlet Records) Goath - «Ii-Opposition» (Alemanha, Black Death Metal) Inspirada no início dos anos 90, a banda foi fundada em dezembro de 2015 por Goathammer (guitarras, vocais), Muerte (baixo, vocais) e Serrator (bateria) e lançou uma demo auto-entitulada. O álbum de estreia dos GOATH «Luciferian Goath Ritual», foi lançado no início de 2017 e recebeu aclamação mundial pela cena underground. Agora, os GOATH retornam com “II –Oposição” - um ataque brutal, feroz e desagradável! (Ván Records)

Insanity Alert - «Insanity Alert» (Austria, Thrash Metal) O thrash tem inspirado fortemente bandas jovens de metal desde os anos 80. No entanto, quando os INSANITY ALERT entraram nessa cena como uma bola de demolição de dez toneladas, quando o seu álbum de estreia homónimo chegou às ruas em 2014, algo estava diferente. Obviamente, os austríacos estavam a ser bemsucedidos na diversão do regresso do thrash metal. A intenção declarada da banda: entregar o triturador esmagador da festa. (Season of Mist)

Chris Bay - «Chasing The Sun» (Alemanha, Rock) É uma situação bem conhecida, que o fundador e líder dos Freedom Call, compartilha com muitos outros compositores, e, ocasionalmente, a sua riqueza inspiradora vai muito além do escopo estilístico e temático de sua própria banda. O seu trabalho constante fez com que colecionasse várias faixas ao longo dos anos que, por um lado, não serviram para o Freedom Call, mas pelo outro são boas demais para irem ganhar pó na gaveta. A solução para o seu problema de “luxo”: Lançar o seu primeiro álbum a solo de Chris Bay, «Chasing The Sun. (Steamhammer SPV) Ignore The Sign - «A Line To Cross» (Alemanha, Rock) Existem situações na vida em que se deve abandonar o plano original e seguir o instinto. É precisamente o que Ossy Pfeiffer fez: em vez de lançar o seu novo material num álbum a solo, envolveu amigos e colegas de renome na produção, e assim uma banda emergiu dessa frutífera colaboração. O nome dessa nova banda é Ignore The Sign. Os membros são o vocalista e multi-instrumentista Ossy Pfeiffer, a guitarrista / vocalista Anca Graterol (Rosy Vista), o guitarrista dos MSG Steve Mann, o baixista Lars Lehmann, renomeado músico de estúdio com a lendária banda britânica UFO, assim como a percussionista Momme Boe e o baterista Kristof Hinz. (Steamhammer SPV)

Et Moriemur - «Epigrammata» (Rep. Checa, Atmospheric Doom Black Death Metal) Et Moriemur com o seu novo LP «Epigrammata», mergulha na rica história europeia, absorvendo o canto gregoriano e usando o latim e o grego antigo para transmitir a sua mensagem. O supergrupo checo, reuniu um naipe de músicos díspares que tocam violoncelo, violino, trombone entre outros e até empregaram serviços de um coro para levar a sua expressão a outro nível. Eles combinam influências de death, doom e até mesmo um pouco de black metal e usam o seu estilo operístico para impregná-lo com uma qualidade hipnotizante. (Transcending Obscurity Records)

Towards Atlantis Lights - «Dust Of Aeons» (Internacional, Atmospheric Doom Black Death Metal) Doom metal supergrupo Towards Atlantis Lights dá-nos um sublime álbum de cortar o coração que emana de eventos históricos.

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Um conto majestoso repleto de conflitos melancólicos e emocionais. Cada música é uma expressão elegante das suas visões oníricas de um mundo longínquo. Towards Atlantis Lights criou uma obra-prima do death metal / doom épico e atmosférico que é temperado com talento, experiência e visão. (Transcending Obscurity Records)

Horizon Ablaze - «The Weight Of A Thousand Suns» (Noruega, avant-garde extreme Black/Death Metal) Horizon Ablaze de Kristiansand, tem feito metal extremo de vanguarda já faz dez anos. O terceiro álbum deles, «The Weight Of A Thousand Suns» conta a história de uma jornada através da psique humana e um profundo mergulho nos medos e sonhos mais íntimos do homem. Com uma combinação de black metal atmosférico e a intensidade do death metal, os Horizon Ablaze criaram um som próprio. (Viral Propaganda) On Thorns I Lay - «Aegean Sorrow» (Grécia, death/doom Metal) «Aegean Sorrow» funde conceitos aparentemente em conflito, em melodias sedutoras e um ambiente incessantemente lúgubre por toda parte. Após «Eternal Silence» de 2004, a banda decidiu fazer uma longa pausa porque sentiram que estavam a perder a sua identidade musical. Em 2015, sentimos a necessidade de escrever música

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novamente e ouvir os nossos álbuns favoritos e então assim nasceu «Aegean Sorrow». É uma mistura das nossas primeiras demos e dos nossos primeiros quatro álbuns dos 90, mas com um som moderno. Ondas de emoções que fluem repetidamente numa jornada mágica para a profundidade da alma. (Earsplit)

Winterfylleth - «The Hallowing Of» (Inglaterra, Acoustic, Atmospheric, Folk) Os melhores proponentes de atmosfera e emoção do Reino Unido, Winterfylleth, estão de regresso com seu novo álbum «The Hallowing of Heirdom». Nesse 6º álbum, mais uma vez, vemos a banda a expandir os limites do som para novos territórios, mas desta vez, com um álbum totalmente acústico composto por 12 faixas novas. Winterfylleth tem atraído as suas habilidades coletivas através de uma ampla variedade de estilos musicais para incorporar interessantes e novas instrumentações e texturas neste álbum. (Candlelight) Spiders - «Killer Machine» (Suécia, Rock) Os Spiders tecem uma teia selvagem de riffs imprudentes e estridentes, vocais fascinantes, ritmos sedutores, ganchos acutilantes e alma punk. O quarteto tem aqui, a sua terceira oferta, «Killer Machine», o que os vê seguir um novo território mais uma vez, preservando as suas assinaturas sonoras. (Candlelight)

Don Broco - «Technology» (Inglaterra, Rock) O objetivo por trás do terceiro álbum de estúdio de DON BROCO foi um, mas o resultado é algo muito mais do que apenas um álbum inventivo e constantemente surpreendente. Filtrando sem problemas a carismática rock pop-fletida dos anos 80, através do metal, do funk e da eletrónica. Desde a sua formação em 2008, DON BROCO tornou-se numa das bandas mais diversas e carismáticas do rock. (Nuclear Blast) Cave Bastard - «The Bleak Shall Dev» (EUA, Metal/hardcore/ sludge) O quinteto de brutal metal de San Diego, CAVE BASTARD completou o flagelo do seu álbum de estreia, «The Bleak Shall Devour». Três anos e meio de trabalho depois, a visão sombria do LP dos CAVE BASTARD está finalmente pronta para ser libertada. O álbum combina imagens sombrias e perspectivas da banda, com riffs devastadoramente brutais e ritmos de terraplenagem que definem o tom para uma viagem ao apocalipse. (Earsplit)

Gygax - «Second Edition» (EUA, hard rock) Continuando onde pararam, as oito faixas que compõem «Second Edition» mostram a tendência inigualável e potente dos GYGAX em criar sucessos absolutamente emprenhados de rock ‘n’ roll, repletos de grooves hip-hop e


explosões de guitarras gémeas. (Earsplit)

Jaded Heart - «Devil’s Gift» (Alemanha, Melodic Metal) Os JADED HEART estão de volta com seu 13º álbum «Devil’s Gift». Aqui podemos encontrar o novo hino “Wasteland”, os headbangers “Set Free” e “Scream Of Anger”, o cativante “The Enemy”, o pesado “One World” memorável, o dramático “ Phoenix “, o escuro e melódico” Tears Of Our World “, um épico” Coming Home “, e um número de rock ‘n’ roll chamado” Story Of My Life “. Do começo ao fim, este álbum é uma joia de metal melódica cheia de poder, melodia e atitude! Os JADED HEART tornaram-se na instituição alemã de hard rock / melódica de primeira classe, desde que a banda surgiu há 23 anos atrás. (Massacre Records)

Mile Marker Zero - «The Fifth Row» (EUA, progressive rock) MILE MARKER ZERO formaram-se

em 2005 quando os irmãos Dave (vocal) e Doug (bateria) Alley, ao lado do amigo de infância Mark Focarile (teclados), conheceram o guitarrista John Tuohy e o baixista original Tim Rykoski. O segundo álbum conceitual é, «The Fifth Row», e é composto de 15 faixas que exibem brilhantemente os ganchos melódicos da banda e os arranjos exclusivos. (Prosthetic Records) Long Distance Calling «Boundless» (Alemanha, PostRock) Para o seu sexto álbum, os Long Distance Calling regressaram ao básico. Os pós-roqueiros alemães do rock instrumental lançam o seu sexto álbum de estúdio «Boundless». Após o lançamento de dois álbuns que viram a banda explorar a adição de vocais ao som, a banda voltou ao básico e criou um registro puramente instrumental. (InsideOut Music)

Demonical - «Chaos Manifesto» (Suécia, Death Metal) Demonical surgiu das cinzas dos Centinex em 2006 e, em comparação com o seu irmão mais velho, executa um death metal de uma maneira muito mais impetuosa e melódica. «Chaos Manifesto» é um testemunho dessa afirmação. Depois de quase cinco anos desde o lançamento do último álbum «Darkness Unbound», eles continuam o tradicional caminho demoníaco com HM feroz. Demonical mais uma vez prova, que são uma força

a ser considerada na cena do metal extremo. (Agonia Records)

Feed The Rhino - «The Silence» (Inglaterra, hardcore/metal) O som do seu novo álbum pode ser descrito como Gallows atendendo ao groove sulista de Down, e os refrões melódicos de grandes nomes como Deftones ou Alice In Chains. O som único da banda é uma combinação dos artistas heavy metal e noisecore com os quais o quinteto cresceu ouvindo nos anos 90 e início de 2000, com um soul e groove, que remete ao rock clássico dos anos 70. (Century Media Records) Of Feather And Bone - «Bestial Hymns Of Perversion» (EUA, Blasting Death Metal) Depois de receber substanciais elogios pela demo de 2016, OF FEATHER AND BONE lançam o álbum de estreia que resulta numa salva tumultuosa de detonação de death metal; uma exploração de mais de trinta e dois minutos das táticas mais vis do género. As sete faixas de death metal implacável do «Bestial Hymns Of Perversion» pressagiam a destruição da era moderna. (Earsplit) Martyria - «Martyria» (Grécia, Rock / Folk / Heathen Ambient) O álbum de estreia homónimo dos Martyria é lançado apenas em vinil! Com grande profundidade textural, ambientes sepulcrais e passagens ritualísticas exóticas e ricamente detalhadas, a estonteante estreia autointitulada da dupla masculina grega Martyria. Com duração de

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41 minutos, distribuídos em cinco faixas, o álbum abre com “Logos”, uma faixa assombrosa de lindas lutas femininas, angelicalmente flutuando sobre uma cama primitiva de ritmos bizantinos e cantos litúrgicos. (Hammerheart Records)

Necrophobic - «Mark Of The Necrogram» (Suécia, Death Metal) Necrograma despertou! Dormente por quase quatro anos, o sigilo - criado pelas lendas do death metal sueco Necrophobic há muito tempo - vai espalhar o ódio, a peste e a doença, mais uma vez. Uma estrela invertida de cinco pontas, delimitada por um pentágono invertido, enfeitada com um círculo é o Necrograma, e sua marca é toda poderosa e imutável. Os Necrophobic intitularam o seu oitavo álbum de estúdio como, «Mark of the Necrogram». Este não é apenas mais um álbum dos Necrophobic, é uma iminente desgraça, a guerra para acabar com todas as guerras, a luta final contra a luz deste mundo. (Century Media Records) Replicant - «Negative Life» (EUA, technical death metal) Situado numa atmosfera sombria de imundície, mal-estar e infraestrutura decadente, os REPLICANT são um trio de Nova Jersey que pretende produzir riffs despóticos, depravados e emplumados - uma consequência tremula e dolorosa do pântano industrial primordial que define o seu despejo. Apresentando

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membros atuais da banda técnica de death metal, Dystrophy, os REPLICANT são mórbidos, brutalmente extremos e assustadoramente sombrios. (Earsplit)

Wallachia - «Monumental Heresy» (Noruega, symphonic pagan black metal) «Monumental Heresy» é uma culminação maravilhosa de anos de dedicação sincera ao ofício pela mão do seu mentor Lars Stavdal. Este é um olhar retrógrado simultâneo dos Wallachia para a atmosfera duramente bela da banda. A crueza e energia dentro da música elevaram-se a par dos sentimentos de solidão saudosa para criar um álbum de esplendor, tanto intemporal quanto ecoante da época gloriosa dos anos noventa. Os elementos orquestrais foram levados um passo adiante, com um coro masculino que marcha ao som dos arranjos perfeitos para violino, viola e violoncelo, sintetizador ornamentado e guitarra nostálgica orientada para o folk. (Debemur Morti Productions) Rivers Of Nihil - «Where Owls Know My Name» (EUA, Modern Technical Death Metal) Esqueça tudo o que vocês acham que sabem sobre os Rivers of Nihil. O quinteto anunciou-se como uma das bandas de metal mais promissoras e inovadoras do mundo de hoje. Considerando que «Seed and Monarchy» foi tematicamente centrado em

torno da primavera e do verão, respectivamente, «Where Owls Know My Name» representa a queda. E embora essa estação seja geralmente associada à morte, para os Rivers of Nihil, o outono serve como um renascimento. (Metal Blade)

Pissed Regardless - «Feed The Birds» (EUA, thrash metal/ crossover) Os PISSED REGARDLESS foram fundados com a intenção de escrever punk / hardcore thrash metal. A banda tem um talento especial em compor hardcore rápido e direto que mostra o punk e influências grind. O resultado é uma onda contagiante de peso que terá a maioria dos headbangers alegrando-se em pouco tempo, como já comprovado com os seus dois anteriores álbuns. (Earsplit)

Ungfell - «Mythen Maeren Pestilenz» (Alemanha, Black Metal) «Mythen, Mären, Pestilenz» revela


dez novos feitiços de black metal que continua o som característico da banda Ungfell. A fusão de conjurações sujas de black metal e instrumentação folclórica ocasional, acompanhada por um feroz conjunto de riffs perfurantes, percussões em marcha e uivos torturados faz deste segundo LP dos Ungfells algo profundamente enraizado no folclore medieval e contos de feitiçaria pestilenta. (Eisenwald)

Tusmorke - «Fjernsyn I Farver» (Noruega, psychedelic, progressive folk rock) Tusmørke é uma banda de folk rock psicadélica e progressista de Skien, na Noruega. «Fjernsyn i ferver» (“Televisão a cores”) é o 6º álbum, baseado em dois conceitos de luz, tempo e realidade. Como tudo o que vemos é uma reflexão feita pela luz do sol batendo num objeto. Se pudéssemos criar um meio para movermos mais rápido que a luz, poderíamos ultrapassar essas reflexões e vêlas novamente, vendo a história para trás. A segunda ideia é que a luz não é vista como algo até atingir algo e ser refletida de volta, criando uma imagem colorida para o olho humano. (Karisma Records) Circle Of Silence - «The Crimson Throne» (Alemanha, Power Metal) Este é o terceiro álbum da banda de power metal CIRCLE OF SILENCE, pelo que «The Crimson Throne» mais uma vez apresentanos o power metal intransigente! As músicas de ritmo acelerado

colidem com faixas contagiantes de contrabaixo e formam a base do álbum mais rápido e pesado da banda até hoje. (Massacre Records)

The Crown - «Cobra Speed Venom» (Suécia, Melodic Death/ Thrash Metal) Formado numa garagem em 1990 sob o nome de Crown of Thorns, o grupo que se tornaria The Crown apareceu numa compilação em 92 e lançou o elogiado álbum de estreia «The Burning» em 1995. Combinando um forte senso de melodia com a ferocidade dos actos americanos e o sabor atmosférico da tradição escandinava, a banda impressionou com uma fusão perfeita de sentimento e pura brutalidade. (Metal Blade)

Twitching Tongues - «Gaining Purpose Through Passionate Hatred» (EUA, Doom/Stoner Metal/Rock/Hardcore) Embora o seu som tenha evoluído

dramaticamente desde o seu início, os Twitching Tongues nasceram da cena hardcore de LA em 2009. Formado pelos irmãos Colin Young (vocal) e Taylor Young (guitarra / vocal) ao lado do baterista Michael Cesario e do baixista Keith Paul, a unidade estabeleceu lentamente a sua reputação local. Mantendo os mesmos níveis de dureza e agressividade que caracterizaram o seu trabalho anterior, eles apresentam melodias muito mais imediatas e memoráveis, que evocam o som de «In Love There Is No Law» e, ao mesmo tempo, sentem-se frescas e novas. (Metal Blade)

Letters From The Colony «Vignette» (Suécia, progressive extreme metal) Álbum de estreia. Nas florestas profundas do centro da Suécia, às margens do rio Dalecarliano, fica uma siderurgia, em torno da qual uma cidade é construída. A austera cidade de Borlänge ergue-se sombriamente, como se estivesse enterrada entre as muitas colinas que caracterizam a paisagem. Os invernos aqui são duros e os verões evanescentes. E é assim que a história desses cinco jovens suecos dos LETTERS FROM THE COLONY surgiu em 2010 (Nuclear Blast) Scorched - «Excavated For Eviscerat» (EUA, Death Metal) Nos últimos anos, os SCORCHED construíram uma reputação de death metal ao bom estilo clássico. O LP de estreia, «Echoes Of

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Dismemberment» de 2016 foi tão sutil quanto uma marreta coberta de matéria cerebral, uma marca de tudo o que faz o death metal ainda relevante. (Earsplit) Howling Sycamore - «Howling Sycamore» (EUA, extreme metal / progressive metal) HOWLING SYCAMORE, a inovadora nova exploração em metal extremo / metal progressivo dos mentores Jason McMaster, Davide Tiso e Hannes Grossmann. Visualmente, o plátano é particularmente impressionante no inverno, quando adquire um apelo fantasmagórico: a casca torna-se branca e reflete o luar de outras formas, tendo não apenas um mistério, mas também um certo componente de solidão e dor. Estas foram as inspirações para Tiso, construir o seu conjunto progressivo e extremo, os Howling Sycamore. (Prosthetic Records)

Monotheist - «Scourge» (EUA, progressive death metal) Este novo álbum vê a banda a levar o seu estilo progressivo e técnico de metal para o próximo estágio de sua evolução musical, que inclui, estruturas de músicas mais sofisticadas e novas explorações nos reinos clássicos e de jazz, que há muito fazem parte do som da banda. Apesar da natureza experimental e aventureira sempre presente dentro da banda, o death metal sem limites, continua a ser a base e o núcleo do som dos Monotheist, apresentando muitos riffs brutais que não deixarão

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nenhum amante do metal extremo desapontado. (Prosthetic Records) Huntsmen - «American Scrap» (EUA, Americana metal) Os HUNTSMEN continuam a longa tradição de contar histórias nas suas músicas. Contar histórias é o grande, embora obsoleto, passatempo americano. Antecedeu a escrita e, em muitos casos, foi contada na música. A banda tece estilos musicais, para capturar diferentes emoções com base no evento ou personagem que está sendo focado. (Prosthetic Records)

Wolf King - «Loyal To The Soil» (EUA, blackened hardcore) A Bay Area enlouqueceu com o hardcore, WOLF KING apresenta «Loyal To The Soil», que é uma subcultura punk encrustada ao longo das onze faixas - violentas e rasgando com uma atmosfera de pressentimento que paira sobre riffs purificadores. Uma estreia pesada para os apreciadores de Trap Them, Young And In The Way e afins ... (Prosthetic Records)

Stone Broken - «Aint Always Easy» (Inglaterra, Hard rock) Desde o primeiro single “Worth Fighting For” até ao feliz “The Only Thing I Need”, esta é uma coleção absorvente e profundamente sincera que combina questões importantes, tanto pessoais quanto urgentes, com hard rock instantaneamente acessível e granítico. (Spinefarm Records) Wuw - «Rien Ne Nous Sera Épargné» (França, Instrumental French metal / post metal) «Rien Ne Nous Sera Épargné» dos WuW pode ser ouvido como uma banda sonora progressiva escura e pesada. WuW é o derramamento criativo de dois irmãos, ambos percussionistas de formação clássica e veteranos da cena musical de Paris. Tendo tocado em conjuntos de jazz, orquestras clássicas contemporâneas, trupes de música mundial e ao lado de músicos tradicionais do Oriente Médio, enriqueceram a vasta colagem de sons que se tornou WuW. (Prosthetic Records) The Atlas Moth - «Coma Noir» (EUA, indie metal) Ao longo da carreira da banda, The Atlas Moth, evoluiu e expandiu o seu som. Os resultados foram continuamente recebidos com elogios da crítica, membros da banda e fãs. «Coma Noir», seu novo álbum, não é excepção. (Prosthetic Records)

Glorior Belli - «The Apostates» (França, Southern Black Metal) GLORIOR BELLI perfurou deliberadamente esse tabu religioso com o título de seu sétimo inteiro, «The Apostates», que deve ser entendido como programático em muitos níveis. Musicalmente, os franceses continuam a crescer a partir de suas raízes de black metal, mas cada nova música ramifica-se para além dos limites da ortodoxia estilística. Da reveladora abertura “Sui Generis” à vertiginosa faixa-título sem vergonha do rock pesado, GLORIOR BELLI obviamente não se conforma ou se curva a qualquer conjunto de “regras” que algum autoproclamados juízes de género possa tentar impor. (Season of Mist) Black Foxxes - «Reiði» (Inglaterra, alternative progressive rock) «Reiði» - a palavra islandesa para a raiva - é um título apropriado para o segundo álbum dos Ingleses Black Foxxes de Exeter. Nascidos


de uma inquieta necessidade de empurrar limites criativos, e um medo de estagnação em todas as suas formas, a continuação do aclamado álbum de estreia, «I’m Not Well», vê o trio empurrando a mordida viciosa que alimenta a banda para novos máximos, e experimentando com uma sombra ameaçadora a luz edificante em plena igualdade. (Spinefarm Records)

Black Moth - «Anatomical Venus» (Inglaterra, Doom/Stoner Metal/ Rock) Encontrando tanta força em graça e sagacidade quanto em peso guiado pelo riff, os Black Moth emergiram alimentados pelas forças gémeas de Sabbath e Stooges. Os seus dois álbuns viram-nos impulsionar o imediatismo do garage rock e o escuro na estratosfera com classe e ousadia, mas é o terceiro e novo «Anatomical Venus» que os leva a viajar além dessas influências, emergindo como mestiços únicos e inclassificáveis. «Anatomical Venus» é uma experiência tão trabalhada quanto visceralmente atraente. (Spinefarm Records) Eldritch - «Cracksleep» (Itália, Progressive Metal) «Cracksleep» é o álbum mais diversificado da banda até hoje, misturando Eldritch da era inicial com as suas últimas influências, atmosferas sombrias e sons modernos, partes instrumentais tecnicamente desafiadoras, enriquecidos por um conceito

lírico que lida com alguns das mais causas comuns de insônia. (Scarlet Records)

Arkheth - «12 Winter Moons Comes The Witches Brew» (Australia, Experimental Black Metal) Sinuosa, assombrosa e bizarra, a música dos Arkheth é extraordinária. Houve bandas de black metal experimentais, mas isso é algo totalmente diferente. É uma micro fusão de todos os diferentes estilos que o género pode abranger, brilhantemente ligados de uma forma aparentemente distorcida, embora perfeita. Requeremse rara ingenuidade, para criar música discordante e melódica ao mesmo tempo. A adição de saxofone só aumenta o quociente bizarro e adiciona cor à loucura desequilibrada. Virtualmente inigualáveis ​​e transcendendo fronteiras, este é o black metal que é lindo em todo o seu design intricado e demente. (Transcending Obscurity Records)

pior) memórias do rock ‘n’ roll são feitas. (Spinefarm Records)

De Profundis - «The Blinding Light Of Faith (Death Metal)» (Inglaterra, Death Metal) A banda de death metal De Profundis teve uma carreira ilustre. Ao longo dos anos, eles continuaram limando seu som, o qual incorporou elementos progressivos e melódicos, e para o seu quinto LP, eles destilaram apenas as melhores qualidades numa enorme placa de death metal que é emotiva, mas poderosa. «The Blinding Light Of Faith» é um ousado passo à frente para a banda que se aventura em territórios mais pesados. De Profundis está confiante na direção e promete ser este o seu melhor álbum até agora. É um álbum de death metal por excelência que consegue mostrar a diversidade sem comprometer o peso. (Transcending Obscurity Records)

Hogjaw - «Way Down Yonder» (EUA, southern rock) Vindos da terra do deserto do Arizona, HOGJAW são quatro amigos de longa data, que tocam uma ampla gama de elementos musicais, incluindo rock, blues e country, levando os Hogjaw a entregar, o que eles sentem que é o Southern Rock que deve soar em 2017. Os resultados são perfeitos para começar o tipo de festas de fim de semana que os melhores (e

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GARAGE POWER

Dogma Um regresso auspicioso Sempre que possível tentamos divulgar o máximo possível a música portuguesa e foi com um misto de alegria e admiração que recebemos um contacto da banda. “Alegria” pela qualidade e maturidade da banda – apesar de ser ainda o primeiro álbum; “Admiração” por ver que este lançamento é de autor, sem editora, sem uma “máquina” de promoção capaz de elevar os Dogma a patamares bem mais altos. Nesta entrevista os Dogma contam como foi chegar até aos dias d’hoje, vindos desde 1996. Façam como nós: ajudem a divulgar os Dogma (e a música portuguesa em geral) porque têm muito talento e seria uma pena perder-se uma banda capaz de nos dar tão bons momentos de

Metal!! Entrevista: CSA & Eduardo Ramalhadeiro

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Nunca nos preocupámos em seguir critérios demasiado rígidos em relação à nossa música. No início, tratou-se simplesmente de construir música para emoldurar a palavra. […]

CSA e Eduardo – Saudações a todos. Em boa hora, os Dogma tiveram a excelente ideia de contactar a Versus Magazine. E cá estamos nós prontos para vos entrevistar. CSA – Comecemos por um pouco de história. - O que levou à formação da banda em 1996? Gonçalo Nascimento – Em 1996, eu e o Luís eramos colegas de escola, tínhamos algumas preferências musicais que coincidiam e ambos queríamos fazer alguma coisa diferente. Eu não tinha experiência, mas tinha letras preparadas e sabia que ele tocava muito bem. Fizemos uns ensaios, gostámos e fomos levando o projeto para a frente. - O que conduziu à sua dissolução em 2003? Luís Possante – A banda, desde o seu nascimento em 1996, passou por muitas mudanças na sua formação. Houve sempre muitos elementos a entrar e a sair e se, por um lado, essa infusão de sangue novo veio contribuir para que surgissem novas ideias, por outro, levou a uma desintegração progressiva da ideia original de Dogma. A dada altura a banda deixou de fazer sentido e os elementos fundadores que ainda restavam enveredaram por outros projetos musicais. - E o que determinou o seu reaparecimento em 2014? Gonçalo Nascimento – O Miguel utilizou o Facebook para contatar com os elementos da formação original e propôs a gravação dos temas da nossa primeira demo – «Weltschmerz» – assim como de outros temas que não chegámos a gravar na altura. Acho que toda a gente aceitou sem grande expectativa: tinha passado tanto tempo… No decorrer dos ensaios, apercebemonos de que estávamos a gostar do que ia saindo, os temas estavam a ficar como queríamos e… já se passaram quatro anos. CSA – Quando uma banda se forma, tem de fazer escolhas. Algumas das vossas suscitaram a minha

curiosidade. - Começo por vos perguntar como caracterizam a vossa música (independentemente de etiquetas associadas a géneros, que alguns pretendem que sejam rígidos)? Luís Possante – Nunca nos preocupámos em seguir critérios demasiado rígidos em relação à nossa música. No início, tratou-se simplesmente de construir música para emoldurar a palavra. Tínhamos a sempre abundante escrita do Gonçalo, muito influenciada por escritores malditos como Edgar Allan Poe ou Marquês de Sade, a apontar-nos um caminho. As músicas foram sendo construídas em torno das ideias implícitas nessas letras – umas mais melancólicas, outras mais violentas e agressivas – mas sempre com uma personalidade muito vincada e muito própria. Se tivermos de colocar uma etiqueta na nossa música, efetivamente será algo dentro do Gothic/Doom Metal, mas não fazemos questão em fazê-lo, uma vez que os rótulos são sempre limitativos. - O que vos levou a apostar na combinação de uma voz feminina bastante aguda com uma voz masculina mais grave (uma boa escolha, sem dúvida)? O que é que essa decisão trouxe a Dogma? Luís Possante – Logo desde o início, quando começámos a trabalhar os primeiros temas, demos conta que havia necessidade de trazer uma componente mais melódica, não só para fazer um contraponto à voz do Gonçalo, mas também de modo a alargar o espectro daquilo a que nos propúnhamos fazer musicalmente. A ideia de uma voz feminina começou por ser uma experiência, mas rapidamente se tornou essencial e emblemática no som de Dogma. Eduardo – Na sequência da última pergunta da Cristina, a voz masculina e também, alguns riffs, fazem-me lembrar os Moonspell e o Fernando Ribeiro. Nada que belisque a qualidade do álbum,

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que, para mim, foi um dos melhores nacionais de 2017. Mas… estão preparados para as críticas que possam surgir? Ou, se já surgiram, como lidaram com elas? Gonçalo Nascimento – Apesar de Moonspell ser uma das nossas referências e uma das bandas mais admiradas por alguns de nós, não conseguimos detetar essas semelhanças. Pessoalmente, não considero a minha voz parecida com a do Fernando. Acho que só podemos ter semelhanças pelo facto de

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[…] As músicas foram sendo construídas em torno das ideias implícitas nessas letras – umas mais melancólicas, outras mais violentas e agressivas […]

sermos portugueses e lançarmos um álbum cantado em português no mesmo ano que eles o fazem. Se nos virem ao vivo, garanto que ficarão com a certeza de que somos bandas completamente diferentes. Preferia que fossemos destacados por todos pela originalidade que nos esforçamos para transmitir. Tem sido assim pela maior parte da crítica. De qualquer forma, para nós não é ofensiva a comparação com uma banda com a qualidade de Moonspell. Seria se nos caracterizassem por um som ao qual não quiséssemos estar ligados. CSA – Que temas abordam nas vossas canções? Gonçalo Nascimento – Tudo o que seja abstrato e depressivo pode influenciar os trabalhos dos Dogma. Procuramos fugir ao mundano. Deixamos que a dor abstrata convide para um estágio longe da dor real. CSA – Quem compõe a música e escreve as letras para os trabalhos de Dogma? Gonçalo Nascimento – As músicas do «Reditum» foram todas compostas pelo Luís. As letras são minhas e dele, tirando o “Corro Pela Floresta” que foi, na sua maior parte, escrito pelo nosso primeiro guitarrista João Alves. Eduardo – “Os Dogma mostram o pior mundo acompanhado de um som de esperança.” Porquê esta dicotomia e não acompanhar o pior do mundo com um som mais negro? Gonçalo Nascimento – Os nossos temas, como disse, são depressivos, muitas vezes violentos e, às vezes, tornam-se mais eficazes, se forem transmitidos de uma forma mais embelezada. Alternamos a agressividade e o caos com a tristeza e a solidão. Esperamos assim que os temas possam transmitir esse misto de sensações de forma harmoniosa. Tentamos levar esse ambiente para o palco de forma a reforçar os sentimentos que queremos transmitir. CSA – Por que razão esperaram por 2017 para lançar o vosso primeiro álbum? Luís Possante – Pode parecer estranho, tendo em conta que a banda nasceu em 1996, mas é o que acaba por fazer sentido. Penso que só agora estavam reunidas as condições técnicas, financeiras e de estabilidade na formação da banda necessárias para podermos lançar um trabalho em formato de longa duração com a qualidade da qual nos possamos orgulhar. Acho que este foi o momento exato para o lançamento do álbum e que, se tivesse sido lançado antes, teria sido prematuro.

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CSA – Que relações mantém ele com os lançamentos anteriores? O que traz de novo? Luís Possante – A maior parte das músicas deste álbum faziam parte da nossa demo «Weltschmerz», que foi gravada em 1997. O «Reditum» é, portanto, uma coletânea das nossas primeiras músicas. que foram compostas entre 1996 e 1997, mas que, entretanto, levaram novos arranjos e estão substancialmente diferentes do que eram originalmente. A única música realmente nova foi o tema “Reditum”, que dá nome ao álbum. CSA – O que significa o respetivo título («Reditum») e como se relaciona com o álbum? Luís Possante – O título “Reditum” significa “renascimento” em latim. Foi o título escolhido pelo nosso baixista – Miguel Sampaio – para ilustrar o nosso regresso após todos estes anos de interregno. Eduardo – Se vocês cantam em português, porque é que a escolha do título recaiu no latim? Luís Possante – Queríamos um título que evidenciasse o nosso regresso, mas que também não fosse demasiado óbvio. O latim é o ancestral direto da nossa língua portuguesa e, como tal, achamos que faz todo o sentido usá-lo. É parte da nossa herança cultural. Pretendemos assim criar uma ligação linguística entre o velho e o novo. CSA – Quem fez a arte para este último lançamento de Dogma (até agora, claro)? Luís Possante – Fui eu que fiz o artwork. Pretendi criar uma atmosfera em que as forças da Natureza fossem o elemento primordial e à qual se impõe uma figura macabra que simboliza o espanto e o mistério.

seja de que forma aparece caracterizada. Quando escrevi a letra, concentrei-me em fazer algo de chocante que provavelmente nunca iria ser lido e muito menos ouvido. Fiquei bastante satisfeito com o resultado. Só faltava o refrão, que tinha de fugir a qualquer cliché, teria de ser surpreendente. E foi! Hoje sinto muito orgulho pela musica o “Esperma de Lava” se tornou. Oiçam, se tiverem estômago, claro. CSA – Onde e quando vamos ter o prazer de vos ouvir tocar para apresentar este álbum e recordar os vossos lançamentos anteriores? Miguel Sampaio – Para já, temos duas datas confirmadas. Iremos estar no dia 7 de julho no RCA, a acompanhar os Gwydion no lançamento do seu novo álbum. A outra data confirmada é dia 1 de novembro, em Tomar, num festival que está a ser organizado pelo Projecto Cru. Mas estamos a trabalhar em mais concertos. Por isso, vêm aí mais novidades. CSA e Eduardo – Espero que os Dogma não sejam um breve “Reditus”, mas sim que tenham chegado para engrandecer ainda mais o Metal em Portugal. Obrigado por este grande álbum! Luís Possante – Certamente que Dogma ainda têm muito para oferecer nos próximos anos. Obrigado nós por este convite e até uma próxima oportunidade. Dogma Youtube

Eduardo – Geralmente, costumo pedir para falarem um pouco mais sobre um tema em especial. Mas convosco é difícil fazê-lo, porque rechearam este disco de muitos bons temas. Mesmo assim, não resisto a pedir para falarem um pouco mais sobre dois temas em particular: “Novo Senhor das Cinzas”, um dos mais melódicos do álbum (gostava de saber quem é este “Novo Senhor”) e “Esperma de Lava”, um dos temas mais pesados e irreverentes. Gonçalo Nascimento – Curiosamente, são os dois primeiros temas dos Dogma. Fazem parte do compêndio de letras que eu tinha escrito antes do projeto. Não é difícil de explicar o “Novo Senhor das Cinzas”: ele não é mais do que a mão que dá o último golpe que provoca o suicídio, ele é (ou não) o último amigo, o que resta, a última voz que diz o que se quer ouvir. Pelo menos é o que imaginei tentando entrar na cabeça de quem se quer ir embora, ou tem mesmo de ir. O nome é apenas um apelido poético: no fim, as cinzas podem caracterizar o que resta sempre daquela curta amizade. O “Esperma de Lava” é um trabalho realmente ofensivo: tudo é utilizado para desrespeitar a vida,

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A essĂŞncia do underground Eis o objetivo a atingir pela Nekrogoat Heresy, uma editora bem conhecida no Metal portuguĂŞs Entrevista: CSA

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Já há uns tempos que tinha vontade de entrevistar a Nekrogoat Heresy, por me parecer uma editora bastante underground (sem que isso a faça perder o seu valor). [CSA]

O que esteve na origem da fundação desta editora e quando surgiu ela? João Soares – A ideia de criar a editora surgiu no decorrer de 2006, concretizando-se em outubro do mesmo ano. O que despoletou o desenvolvimento da ideia e criação da editora foi o desejo de fazer algo pelo Underground, passar a ser parte integrante do mesmo e não "apenas" um fã. O gosto pelas Demo Tapes foi crucial para isso. Que momentos marcaram mudanças de direção na vida da Nekrogoat Heresy? Ao longo dos anos existiram várias mudanças na forma de trabalhar, na abordagem a esse trabalho e nos objetivos que estabeleci para a editora como organismo editorial. Tal como uma banda, uma editora de cariz UG como esta, passa por mutações e experimentações até encontrar a sua forma perfeita e foi isso mesmo que aconteceu no meu caso. Qual é o vosso moto? A criação de edições que transmitam a essência do UG e se mantenham fiéis à ideologia extrema que representam. Em que tipo de música se focam? Estive a ver o vosso catálogo e parece-me ver aí variados géneros dentro do Metal. Black Metal é o género fundamental desde a criação da editora, mas conforme referiste, existem vários subgéneros pelos quais tenho passado, nunca abandonando o BM, mas sim acrescentando outros sons. Isso é o reflexo direto dos meus gostos pessoais e, se pessoalmente não me limito a um género, editorialmente também nunca o consegui fazer. Ao longo dos anos, tentei separar essas diversas sonoridades, deixando para a Nekrogoat Heresy apenas as mais próximas do BM. Atualmente, já não me preocupo tanto com isso, mas mantenho três editoras ativas. - Nekrogoat Heresy Productions – BM em todas as

suas vertentes mais extremas; - Escaravelho Records – Death Metal, sendo o foco nas abordagens mais tradicionais ao género; - New Approach Records – inicialmente dedicada ao Ambient e Folk, mas agora dedicada em exclusivo ao Noise, Power Electronics. Qual foi a primeira banda que assinou convosco? E a última (até agora)? Não pensando na cronologia dos lançamentos, mas em parcerias a longo prazo, Azagatel é a banda mais antiga da editora. A mais recente, também com vista a uma parceria longa, é Colosso. O último acordo para lançamento foi com a banda francesa K.F.R. O que oferece a Nekrogoat Heresy às bandas que assinam convosco? Aquilo que qualquer editora realmente UG oferece. Devoção e dedicação aos lançamentos. Honestidade e, acima de tudo, respeito pelo trabalho desenvolvido. Que parte do trabalho reservam para vocês e o que deixam à banda? Todo o trabalho criativo é, obviamente, das bandas. Dado o cariz limitado e especial que imprimo a todas as minhas edições atualmente, poderei por vezes dar dicas ou sugestões relativamente à direção visual, especialmente em edições para as quais já tenha uma ideia prévia daquilo que quero fazer quando proponho o lançamento. Mas tudo o que se refere ao som, tema e conceito é da responsabilidade das bandas. O meu trabalho é dar forma física à arte criada. E o que exigem das bandas em termos éticos? Não exijo nada às bandas em termos éticos: cada um tem a sua visão e forma de expressar a sua arte. Só trabalho ou proponho lançamentos a bandas e indivíduos que, de alguma forma, refletem ou partilham a minha própria visão do UG. Bandas que admiro e respeito pelo seu percurso, convicção e

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abordagem às sonoridades extremas. Tudo isto serve de "triagem". Por isso, à partida, todas as partes sabem o que esperar umas das outras. Costumam acompanhar as vossas bandas em festivais e concertos? E o que fazem nessas ocasiões para as promover? Não. Tenho muito pouca presença em festivais e concertos. Para mim, uma banda que dá dois concertos por ano tem o mesmo valor que uma que dê 20. O que vem por aí (em termos de lançamentos, concertos, etc.)? Acabado de sair está o novo EP de Azagatel – «Sol» – primeiro registo no campo do Dark Folk que eles têm vindo a desenvolver nos últimos anos. Música com um forte sentimento bélico e de orientação Pagã Lusitana. Alguns concertos já estão planeados, outros ainda serão propostos. Ainda sem data, haverá um lançamento de K.F.R. e depois logo se verá. Tenho também em preparação o próximo volume da compilação Noise/P.E. "Poison", que edito pela NAR. E também estão em preparação próximos lançamentos pela Escaravelho, mas que ainda estão numa fase demasiado embrionária para serem divulgados. Todos temos um sonho que – mais ou menos – orienta a nossa vida. Qual é o da Nekrogoat? Não há sonhos, mas sim objetivos e o objetivo é o de continuar a contribuir para o verdadeiro UG com edições honestas, de bandas honestas, para fãs que entendem aquilo que move o UG. Nekrogoat heresy

“[Visamos] A criação de edições que transmitam a essência do UG e se mantenham fiéis à ideologia extrema que representam.”

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Dodici Cilindri Por: Carlos Filipe

Doze cilindros Aproveitando o nome desta nova rúbrica da Versus, doze cilindros, preferencialmente em V com um ângulo de abertura a 65º. Sejam todos bem-vindos a esta nova rúbrica onde pretendo abordar as questões do mundo automóvel dos nossos dias e assim, falar de carros que julgo interessantes e raros, de quando em vez. Evidentemente, com uma rúbrica chamada de “dodici cilindri” é de esperar um certo tendenciosíssimo para os carros italianos, afinal, não é em vão que a máxima “Não se é um petrohead sem se ter tido um Alfa Romeo algures na vida” pegou no léxico dos carros. Na obstante, não deixarei levar o meu entusiasmo por um certo facciosismo. Deixo isso para o mundo do futebol. A ideia não é fazer criticas de carros novos ou antigos, mas sim falar de carros interessantes, de questões do mundo automóvel actual, opinar bem ou mal sobre este interessante e apaixonante universo de carros, de marcas, de curiosidades automobilísticas, quem sabe mesmo dos inúmeros youtubers que abordam estas questões e fazem criticas, programas da TV/plataformas, etc... Em alguns tópicos pretendo simplesmente dar um ponto e vista diferente, e, quem sabe, servir de contraponto. 1 3 6 / VERSUS MAGAZINE


O primeiro tema que vou abordar é o motor clássico 2018, que decorreu no fim de semana de 6 a 8 de abril na FIL, no parque das nações. Já vai na edição não sei quantos, mas eu, foi a 3ª vez que lá fui, e, pelo que vou partilhar convosco, a não ser que haja algo de interessante para ver no futuro, foi a última vez… bem nem eu lá muito acredito nisto. O problema do evento é que é dispendioso para aquilo que oferece. 10 € para ver os carros que estão à venda nos stands especializados de clássicos e pouco mais, parece-me excessivo. Na essência, o certame divide-se em 4 áreas: os stands de clássicos e novos (!?!), a feira das peças e automobilia, os clubes e os carros dos particulares. Digamos que todos ocupam 1/3 e os clubes ficam essencialmente nas laterais. Todos os anos há uma temática. Este ano foi os 70 anos da Porsche, no ano passado foram os 70 anos da Ferrari. Na prática são meia dúzia de carros no espaço central, protegido dos visitantes. Os Porsches deste ano eram quase todos do Stand Jorcar de Leiria. Tudo 911s. Nada de especial, nenhum Carrera GT, nem um 918 spyder ou mesmo um panamera sport turismo. E, para verem o nível do certame, no ano passado estavam no mesmo espaço 6 Ferraris, enquanto que, no Automóveis e Motociclos Clássicos de Vila Franca Xira do mesmo ano, 2017, com entrada gratuita, estavam 7 Ferraris, entre eles um magnífico 430 scuderia amarelo. O verdadeiro sustento do certame são o que os stands de clássicos têm no momento em “carteira” para vender, trazendo os seus mais belos e raros exemplares para mostrar, e na ânsia de encontrar um comprador neste fim de semana do evento. Por isso, para o entusiasta dos carros, aquele que lá vai para ver carros e não simplesmente passear, o que irá ver vai em muito depender do que estes stands âncora trouxerem. Para todos aqueles que vão simplesmente passear, e eu diria que são à vontade 85% das pessoas que lá vão, é indiferente o que lá estiver, vão lá como podiam ir lanchar ao café ou passear à beira rio. É como a maioria das pessoas que vão ao cinema estes dias. Elas vão ao cinema, não vão ver aquele filme específico, mais nada. Isso são os cinéfilos, tal como aqui são os petrolheads, que vão de propósito a estes eventos a pagar para verem carros. E isto é assim, quer seja o motor clássico em Lisboa, quer seja no Salão Internacional do Automóvel e Motociclo Clássico e de Época na Exponor.

Assim, se são daqueles que não vão simplesmente passear, comprar peças ou algo mais, sabendo de antemão que o coração destes eventos são uma mão cheia de stands, nomeadamente, os stands Jorcar, Pep’s Gang, FS auto, Lisbon Classics ou mesmo konzept automóvel – No de Matosinhos haverá outros com certeza do Norte, basta na semana antes ver o que têm nos seus sites e ponderar se vale a pena gastar 10 € ou não. O Jorcar até anuncia que determinado carro vai lá estar exposto! Por exemplo, eu este ano, já sabia de antemão que ia lá estar um Maserati Shamal (1 de 2 existentes em Portugal) e o Ferrari 512 BB – também ultra raro. Assim, para mim os 10 € da entrada foram mais do que justificados pois de outra forma dificilmente veria estes dois carros. De resto não havia mais nada de grande interesse que soubesse de antemão. Lá, pude ver o fabuloso Lancia 8.32 e Flaminia Coupé, o raríssimo BMW 850 Csi, os dois Maserati 2.24v e Merak – do museu do Caramulo, e, penso que pela primeira vez estavam lá carros novos. Um Bentley Muslanne e o magnífico Lamborghini Aventador S, junto com o carro do certame, o Lamborghini Miura de 2 milhões de €, o qual

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pode ser visto no Museu do Caramulo. Mas o mais estranho, foi ver num evento de clássicos a Tesla Portugal. Ainda por cima, eram a atracção principal, com inúmeras pessoas de volta do Model X 100D que de tempos a tempos se punha a dançar. Isto só visto que não dá para acreditar: O carro com maior destaque de um evento de clássicos é um novíssimo Model X. Para finalizar, o carro que me surpreendeu mais, pelo interesse geral, foi o Nissan Figaro de 1992. Um carro com 25 anos, mas que hoje passaria como um moderno retro na onda dos Fiat 500. A sorte destes eventos, que custam muito dinheiro a organizar, e cobram bem a entrada, é que a malta vai lá na prática simplesmente passear. Mas podiam oferecer muito mais. O tema central tem que ter maior substância, os clubes têm de ter a possibilidade de levar carros dos seus associados e algumas marcas deviam estar lá com os seus próprios clássicos, e assim, haver uma oferta bem maior que justifique o preço da entrada.

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