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ADverso 189 maio 2011

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9912271463/2011- DR/RS

ISSN 1980315-X

Nº 189 - maio de 2011

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Internacionalização amplia oportunidades na Ufrgs Cerca de 400 alunos de outros países circulam em cursos de graduação e pós-graduação na Universidade a cada ano. Eles chegam às salas de aula brasileiras provenientes de programas de intercâmbio Páginas 06 a 08


O novo site da Adufrgs-Sindical está no ar Mais ágil e leve, o portal traz notícias e informações de fácil acesso aos internautas durante a navegação. As principais novidades ficam por conta da tecnologia para transmissão de eventos ao vivo e do arquivo dos programas de rádio. Na página, também serão publicados vídeos, informativos, e links para os exemplares da revista Adverso. Acesse www.adufrgs.org.br e conheça o novo site da Adufrgs-Sindical.

ISSN 1980315-X

Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior de Porto Alegre

Presidente - Claudio Scherer 1º Vice-Presidente - José Carlos Freitas Lemos 2ª Vice-Presidente - Maria Luiza Ambros von Hollenben 1ª Secretária - Daniela Marzola Fialho 2ª Secretária - Elizabeth de Carvalho Castro 3ª Secretária - Maria Cristina da Silva Martins 1º Tesoureiro - Paulo Artur Kozen Xavier de Mello e Silva 2ª Tesoureira - Maria da Graça Saraiva Marques 3ª Tesoureira - Ana Paula Ravazzolo

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Edição: Adriana Lampert Reportagens: Cláudia Rodrigues, Luana Fuentefria, Marco Aurélio Weissheimer e Michelle Rolante Projeto Gráfico: Eduardo Furasté Diagramação: Eduardo Furasté e Mateus Michaelsen Ilustração: Mario Guerreiro Arte Final: Julio CC Lima Jr Fotos da capa e contracapa: Fernando Araújo e Luana Fuentefria


Editorial Princípios para uma federação de sindicatos de docentes

ÍNDICE

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EDUCAÇÃO Ensino de música será obrigatório nas escolas por Michelle Rolante

Por decisão amplamente majoritária dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), filiados ao Forum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), no dia primeiro de janeiro de 2012 o referido forum será transformado em Federação dos Sindicatos de Docentes do Ensino Superior Federal, e se chamará Proifes-Federação.

REPORTAGEM Os corredores da Ufrgs convergem para o mundo

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por Luana Fuentefria

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ESPECIAL Quando a brincadeira do trote vira manchete nos jornais

É imperioso, para que a federação dos sindicatos dos docentes tenha a qualidade que todos desejam, sendo representativa das aspirações dos por Cláudia Rodrigues filiados e atuante na luta pela melhoria das instituições universitárias e das condições de trabalho e salários, que alguns princípios fundamentais PING-PONG constem do estatuto da mesma. No VII Encontro Nacional do Proifes, a Marcelo Branco realizar-se de 15 a 18 de julho próximo, o estatuto do Proifes-Federação "De repente os jovens saíram às ruas e os partidos envelheceram" deverá ser aprovado.

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por Marco Aurélio Weissheimer

Estamos propondo, como princípios mínimos a serem obedecidos pelo texto estatutário, os seguintes: A instância decisória máxima da Federação deve ser um conselho deliberativo, composto por docentes indicados pelos sindicatos da base, em números proporcionais aos de seus filiados;

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VIDA NO CAMPUS Projeto prepara futuros cotistas para teste de habilitação musical por Michelle Rolante

JURÍDICO Uma diretoria executiva pequena, para ser ágil e pouco onerosa, Ataque aos direitos adquiridos implementará as decisões do conselho deliberativo, administrará a sede e o atinge especialmente os aposentados por Maricélia Pinheiro patrimônio da Federação e desempenhará o papel de representação das bases junto às autoridades constituídas e outras instituições; ARTIGO Não podemos continuar calados ante Um conselho fiscal, autônomo em relação ao conselho deliberativo e à uma carga tributária exagerada diretoria executiva, zelará pela correta aplicação dos recursos financeiros e por Vagner Jaime Rodrigues, professor da patrimoniais da Federação; Trevisan Escola de Negócios

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Todas as ações da Federação deverão nortear-se pelos seguintes princípios: -Respeito à pluralidade de ideias e preferências individuais de toda ordem, política, religiosa, sexual, etc; -Independência em relação aos partidos políticos e aos governos; -Defesa da instituição pública de ensino, pesquisa e extensão, promovendo sua ampliação e aperfeiçoamento; -Defesa da gratuidade, para o estudante, do ensino nas instituições públicas; -Defesa da autonomia constitucional da Universidade e da autonomia do professor em sua atividade docente; -Busca de melhorias das condições de trabalho para os docentes, com salários apropriados e ambiente saudável; -Defesa da pesquisa científica, de alta qualidade, com recursos apropriados e com reconhecimento do trabalho do pesquisador; -Defesa da extensão universitária como forma de promover a interação universidade-sociedade; e, por fim: -Empenho no desenvolvimento sócio-econômico, educacional, cultural e científico do País. Diretoria da Adufrgs-Sindical

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NOTÍCIAS

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NAVEGUE

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OBSERVATÓRIO

ORELHA

EM FOCO Doação origina exposição histórica do esporte no Ceme

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por Cláudia Rodrigues

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+ UM MARIO GUERREIRO

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Ensino de Música será obrigatório nas escolas A Lei 11.769 institui que a disciplina passe a ser uma área de conhecimento em toda Educação Básica por Michelle Rolante

O prazo estipulado pelo Governo, de três anos letivos, para que toda escola pública e privada inclua o ensino de música na grade curricular encerra este ano. A Lei 11.769, de 18 de agosto de 2008, institui que a música passa a ser uma área obrigatória de conhecimento em toda Educação Básica. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases de 1996, só estão autorizados a lecionar com Educação Básica os professores com formação em nível superior, ou seja, profissionais que tenham cursado a licenciatura em universidades e institutos superiores de educação na área que irão atuar. A professora do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Luciane da Costa Cuervo, lembra que sempre que é sancionada uma lei, é necessário prever um período de flexibilidade. Ela adverte que é inviável obrigar as escolas a terem professores de música da noite para o dia. “Por isso, quando se tratam de leis com esta abrangência, é determinado um período para que todos possam se adequar”, destaca Luciane. Porém, muitos alunos correram para finalizar seus diplomas de licenciatura na última hora, revela a professora. Ela garante que ainda não há quantidade suficiente de professores licenciados em Música para dar aulas a alunos da Educação Básica, e uma parte significativa destes profissionais sequer pretende atuar em escolas.

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“Normalmente, quando existe professor de música, um mesmo profissional é destinado para a escola inteira, e acaba atendendo dez turmas de 30 alunos. São turmas que geralmente têm um período de ensino musical por semana”, salienta Luciane, dizendo que existe a intenção de alterar a Lei de 2008. “O governo federal desenvolveu várias iniciativas para estimular a qualificação e o oferecimento de licenciaturas em Música”, avalia. Curso para capacitar professores A Ufrgs é pioneira no curso de Educação Musical e Musicalidade (Licenciatura), no módulo de Educação à Distância (EAD), que está em sua primeira edição, iniciada em 2007, e agora já em fase de conclusão. O objetivo deste curso é dar uma formação inicial em música para professores que já estão atuando na rede pública. Segundo Luciane, alguns alunos eram formados em Geografia, Artes Visuais, mas de alguma forma estavam ligados ao Ensino Público, por isso eles foram pré-selecionados. “Foi uma escolha mais classificatória do que eliminatória desse perfil”, destaca Luciane. Ela explica que a proposta é diferente de um curso presencial, pois trata-se de uma formação básica para dar suporte para estes professores. A docente frisa que essa é apenas uma das iniciativas que ocorreram em diversos âmbi-


tos. Outro exemplo se dá no Curso de Pedagogia da Ufrgs, que inclui cadeira de Educação Musical ministrada pela professora Leda Maffioletti. “Sem dúvida, a disciplina de Educação Musical está muito bem representada na Faculdade de Educação”, afirma Luciane, destacando que a ideia de introduzir a música na Pedagogia tem justamente o objetivo de inserí-la no cotidiano escolar e possibilitar com que o interesse por este caminho se desperte. A professora do Instituto de Artes diz que hoje em dia é muito comum os pequenos estudantes ouvirem música através de diversos tipos de aparelhos. “Eles já sabem dizer quais são suas preferências musicais”, destaca Luciane, ressaltando que não se pode dizer que a música esteve fora das escolas até este momento. “Mas, formalmente, só se fortaleceu como uma área de conhecimento a partir da lei de 2008.” Para a docente, existem dois caminhos para argumentar a importância da música nas escolas: a mais consolidada é a música auxiliando em outras áreas do saber, como raciocínio lógico matemático, desenvolvimento motor, noções de espacialidade e tempo, e também no aprendizado de outros idiomas. O outro caminho, que está sendo buscado pelos profissionais de música, é consolidar a importância do desenvolvimento estético, de construir valores dentro da área, ou seja, tratar como área de conhecimento. “Estas duas questões se complementam - até agora, o que justificou a música nas escolas foram esses argumentos de que a disciplina ajuda em outras áreas”, cita Luciane, destacando que a música também tem seu valor intrínseco. “A musicalidade passa pelos vínculos afetivos, pelas noções de lógica, nas áreas de exatas, e é considerada como uma área de conhecimento do desenvolvimento humano”, reforça. O curso de extensão em Educação Musical e Musicalidade, coordenado por Luciane, é promovido pela Faculdade de Educação (Faced), em parceria com o Instituto de Artes. A atividade oferece um total de 32 horas-aulas, sendo 16

horas presenciais e 16 horas cursadas à distância. Dentro do currículo, foram criados quatro mini-cursos: Regência e Educação Musical, Musicalidade Humana, Flauteando e Criando e Desafinação Vocal. Até agora, foram abertas 20 vagas e foi realizada “uma divulgação modesta, através de e-mail”, conforme a professora. Porém, de acordo com a docente, no segundo dia de inscrições estas vagas já haviam sido preenchidas e vários alunos se interessaram em cursar a modalidade à distância, lembra Luciane, destacando a adesão de estudantes da Bahia, de Rondônia e Santa Catarina. Segundo a docente, a maioria dos professores que cursou a primeira edição do módulo à distância não tinha experiência com EAD, mas foi sugerido que cada um fizesse algo que representasse sua identidade. Uma das professoras, por exemplo, gravou uma aula e editou em mini-vídeos, deixando como tarefa na EAD ler um capítulo do livro, conta Luciane. Ela afirma que mesmo aqueles que não compareceram às aulas presenciais podem utilizar esse material digitalizado, feito exclusivamente para o curso, pois todas as atividades entregues foram analisadas pelos professores. A busca de realização de pesquisas e argumentos para consolidar o Ensino de Música nas escolas se deve à uma movimentação “muito grande” da própria Associação Brasileira de Educação Musical (Abem). “Nós temos fortes representantes da Abem nacional dentro da Ufrgs”, ressalta Luciane, frisando que os profissionais do Rio Grande do Sul foram muito importantes na aprovação desta nova Lei. A professora destaca que outro pilar desta consolidação é a atuação na qualificação dos professores. Esse preparo pode ser realizado através de cursos, não só em nível de graduação, mas também de pós-graduação. “A pós-graduação da Música da Ufrgs tem nível 7 sendo que esta é a nota máxima - e isso mostra a importância que o Ministério da Educação dá para essa área.”

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REPORTAGEM

Corredores da Ufrgs convergem para o mundo Internacionalização amplia oportunidades de vivência de estudantes e professores dentro da Universidade por Luana Fuentefria

Em uma época em que o conhecimento disciplinar não é mais suficiente para qualquer área profissional, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) entra cada vez mais no processo multicultural e oferece a toda a comunidade universitária o aprendizado além-fronteiras. A presença constante, nos corredores da Universidade, de centenas de alunos estrangeiros, provenientes de programas de intercâmbio da Ufrgs, permite a qualquer aluno ou professor a percepção de um mundo muito maior, dentro e fora da vida acadêmica. Por ano, aproximadamente 400 rostos de outros países circulam em cursos de graduação e pós-graduação. Em 2010, foram 240 estudantes na graduação e 143 na pós, oriundos de 56 países, sobretudo Portugal, França, Alemanha e Argentina. Eles chegam às salas de aula brasileiras por meio de convênios entre as unidades universitárias ou de outros consórcios. Todo o processo, desde a seleção do aluno até a vida dele na capital gaúcha, é acompanhado por um conjunto de esforços de toda a comunidade acadêmica. Em boa parte dos casos, é o próprio professor que toma iniciativa de abrir a vaga e buscar financiamento de

programas da Capes e do CNPq. Os que não se envolvem com esse procedimento são informados da presença do novo estudante na faculdade, de maneira que possam se preparar para possíveis adequações. A Secretaria de Relações Internacionais (Relinter) procura orientar o corpo docente para esse tipo de situação. “Temos uma campanha para que os professores entendam a cultura do aluno e como é o ensino no país dele, para que compreendam a forma de reagir de cada um”, conta a secretária de Relações Internacionais da Universidade, Liane Hentschke. O segredo, no entanto, é entender sem diferenciar. O professor Antonio Padula, da Escola de Administração (EA), onde um convênio com duas universidades americanas já está sendo renovado por mais quatro anos, acredita que dar uma aula sem atender especialmente ao estrangeiro, valoriza o estudante de outro país. “Ele vem com vontade de se desenvolver, então isso ajuda”. Na avaliação do docente, a dificuldade é somente inicial, mas logo todos se adaptam. O que não significa, conforme Padula, a falta de auxílio.

Alunos da Faculdade de Ciências Sociais organizaram, em maio, ciclo de palestras Brasilidades para integração e apresentação da cultura brasileira aos atuais intercambistas estrangeiros

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Foto: Fernando Araújo

Fernando Araújo


O professor da Faculdade de Informática Nicolas Maillard lembra que o interesse do aluno vem justamente da dificuldade, mas que é importante estar disponível a uma conversa para esclarecer dúvidas após o horário das aulas. Maillard busca propor soluções para que os alunos se sintam à vontade, ainda que sem receberem privilégios. Uma das opções que encontrou é oferecer a possibilidade de realização de provas em inglês. Os estudantes aceitam ou não o apoio de acordo com as suas dificuldades e interesses de desenvolvimento. A norte-americana Meg Rebecca Capshew, que veio da Universidade da Indiana para cursar disciplinas de Letras e Ciências Sociais até o fim do ano, prefere escrever em português nas provas, apesar da possibilidade de fazê-lo em sua língua materna. Uma possível nota baixa é resolvida com trabalhos extras, uma forma de também reforçar os estudos. Meg, que chegou ao País com uma perna quebrada, conta que desde o princípio foi recebida com carinho pela comunidade acadêmica. “Fui tratada ainda melhor quando souberam que eu não era daqui”, comenta. Para não correr o risco de que os visitantes fiquem sozinhos, além do auxílio às acomodações e às demais necessidades do estrangeiro na cidade, a Relinter criou o programa do Amigo Internacional, em que um aluno da Ufrgs dá apoio a um intercambista. A secretaria, assim como os próprios estudantes e professores, também promove eventos de integração e de cultura brasileira. Em maio desse ano, alunos da Faculdade de Ciências Sociais organizaram o ciclo de palestras Brasilidades, com exposições que giraram em torno de temas como música, futebol e política, além de apresentação de capoeira. A boa convivência e o entendimento nas relações é o que tem feito esse tipo de experiência bem sucedida na Ufrgs. Uma compreensão que, além do processo educativo, abrange a cultura de cada país. Liane lembra que o principal fator de afastamento dos estudantes internacionais, por não conseguirem cumprir as tarefas

Foto: Luana Fuentefria

Fotos: Luana Fuentefria

na Universidade, é a falta comunicação com o docente, que lhes causa temor pelo fato de, em muitos países, o mesmo ser visto como uma autoridade intangível. Todos os esforços para que essa realidade seja cada vez menos assustadora para os estudantes vai ao encontro do processo de internacionalização da Ufrgs, que nos últimos oito anos vem aumentando, e que promete se intensificar ainda mais nos próximos. A secretária da Relinter acredita que o aumento de propostas de

cooperação é resultado da melhor avaliação da Universidade no cenário da educação nacional. Entre as possíveis novas parcerias estão Dinamarca, Singapura, China, Coreia do Sul, Vietnã. Complementação no ensino e na carreira Dentro do processo de intercâmbio, os currículos da Ufrgs e da universidade parceira são analisados pelos professores para que o aproveitamento do aluno seja o melhor possível, e para que não haja qualquer deficiência na sua formação. Em alguns casos, entretanto, a passagem pela universidade gaúcha agrega aos intercambistas mais do que o esperado, assim como os atrai a dar continuidade a essa vivência. A parceria com a Universidade de Poitiers, na França, estabelecida em 2005, já permitiu que a faculdade de Geologia recebesse três intercambistas - um de mestrado e dois de graduação. Neste ano, outros dois estudantes acabam de chegar para desenvolver, durante três meses, o trabalho de conclusão em Porto Alegre. O tempo de curso mais longo – na Ufrgs são cinco anos e, em Poitiers, três – atrai os alunos, que vêm para aprofundar o conhecimento, assim como os trabalhos de campo, que não são realizados na cidade francesa. “Temos bons laboratórios e projetos interessantes sendo desenvolvidos aqui, o que chama muito a atenção deles”, conta o professor de Geociências André Mexias. Da Ufrgs, os alunos levarão o conhecimento compartilhado com os bolsistas de iniciação científica e as compensações às deficiências acadêmicas da geologia na

Intercambistas levam da Ufrgs conhecimento compartilhado com a comunidade acadêmica local, além do aprendizado na área escolhida ADVERSO 189 |MAIO 2011

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REPORTAGEM

se difere muito da argentina. “O mais interessante é ver como o povo gaúcho pensa a sociedade e o direito”, comenta. O espaço para debate em sala de aula é tido por eles como a oportunidade de discutir a relação entre os países vizinhos.

Universidade de Poitiers. “Reconhecemos a importância de receber esses estudantes como forma de mostrar para os alunos da Ufrgs como somos todos iguais e apresentar ao mundo as nossas riquezas científicas”, exalta Mexias. Além disso, o que era para ser um intercâmbio de seis meses pode se transformar em uma experiência mais duradoura. Apaixonada pela América Latina, a norteamericana Meg Capshew espera que os contatos feitos em Porto Alegre lhe ajudem em um possível retorno para trabalhar na cidade. A Faculdade de Informática já conseguiu absorver quatro franceses e um alemão para o mercado de trabalho brasileiro. “Muitos colegas têm medo da fuga de cérebro. Mas a gente consegue convencer tão bem os alunos da qualidade de vida e de ensino que eles resolvem ficar. É uma tendência, e Porto Alegre vai ter que evo l u i r u m p o uc o m a i s p ra re c e b e r e s s a internacionalização”, comemora o professor Nicolas Maillard. Ainda que não fiquem no Brasil, o docente da Escola de Administração Antonio Padula lembra que o importante é que a experiência siga em qualquer lugar do mundo. Atualmente, ele orienta um aluno de graduação da Guiné-Bissau que realiza pesquisa sobre a viabilidade da produção de biodiesel no seu país. Quando terminar o trabalho, ele pretende impactar a terra natal com o resultado. “Brinco que estamos preparando ele para ser ministro do desenvolvimento da Guiné-Bissau, mostrando que ele vai ter que assumir um grande compromisso quando voltar”, relata Padula. Cada um viaja por uma experiência diferente. Os argentinos Edgardo Ezequiel Bustamante, que estuda Direito na Universidade Nacional de Tucumán, e Carlos Chiesa, do curso de Arquitetura da Universidade Nacional de Rosário, têm visões diferentes quanto à complementação para seus cursos. As diferentes temáticas da arquitetura na Ufrgs agregam formação a Chiesa, enquanto para Bustamante, a legislação brasileira

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Experiência dos professores facilita adaptação Ter professores que estudaram fora do Brasil facilita a tutoria aos alunos internacionais. Muitos deles tomam a iniciativa de abrir as vagas justamente para países e universidades nas quais estudaram, o que serve como mais um apoio à chegada do estudante em Porto Alegre. Na Faculdade de Informática, 40 dos 80 professores fizeram doutorado no exterior. O professor Nicolas Maillard é um dos que mais conhece a necessidade dos alunos. O francês chegou ao Brasil em 2000 após estudar nas aulas de doutorado no seu país com maior quantidade de estudantes gaúchos do que franceses, que viajaram por meio de convênio com a Ufrgs. O interesse em um estágio na capital gaúcha resultou na experiência que até hoje divide com os estudantes. “Minha história ilustra exatamente como o relacionamento profundo entre os países tem trazido frutos”, comenta. Maillard apoia os intercambistas em processos burocráticos e mesmo motivacionais. Como estrangeiro no Brasil - primeiramente como estudante e depois como professor -, ele já absorveu o dia a dia no País e, sobretudo, em Porto Alegre. E essa é uma diferença que faz questão de assinalar. Para que valorizem ainda mais a chance de estarem na cidade gaúcha, ele esclarece sobre o processo seletivo da Universidade, o vestibular, para que compreendam a taxa de concorrência. O professor garante que a explanação funciona, já que eles começam a dar mais valor para a vaga. O docente ainda conhece o sistema universitário brasileiro e europeu, o que faz os alunos o procurarem também para esclarecer a diferença entre ambos. Maillard observa que a Universidade transparece um perfil de seriedade, assim como a capital gaúcha, em relação ao resto do País, o que não inibe a procura. Pelo contrário, a Ufrgs consegue selecionar os estudantes que quer agregar. Na Informática, ele garante que os estrangeiros não são escolhidos sem a certeza de que alcançam os critérios de seleção da Universidade. Nos últimos anos, em todos os semestres, cerca de cinco a seis franceses, dois ou três alemães e alguns portugueses circulam pelos corredores da faculdade. Um peruano também já esteve entre eles. Dos 120 alunos dos dois cursos de graduação, 10%, portanto, são de outros países. Para que não haja fracassos, os procedimentos são bilaterais. Os currículos dos cursos dos países envolvidos são analisados pelos docentes, para garantir que os alunos estudem disciplinas que se complementem e possam contemplar a chamada dupla diplomação, um dos tipos de convênio.


ESPECIAL

Quando a brincadeira do trote vira manchete nos jornais Por Cláudia Rodrigues

Em março deste ano, o estudante Felipe Boff Molski, de 18 anos, entrou em coma após o trote universitário, em Porto Alegre. O aluno do curso de Ciências da Computação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) foi encontrado pela família caído no chão do Parque Farroupilha, e levado para o Hospital de Pronto Socorro da Capital. O fato é considerado um caso isolado pela Universidade, que incentiva o trote solidário. O secretário de assistência estudantil da Ufrgs, Edílson Amaral Nadarro, é enfático ao lembrar que este foi um episódio infeliz, que não é característica do tipo de recepção que os veteranos da Ufrgs realizam. “Além do mais, essa situação aconteceu fora da Universidade. E mesmo assim, a Ufrgs se envolveu para tomar todas as providências necessárias”, explica. Segundo ele, a Universidade segue a decisão do Conselho Universitário (Consun), que estipulou o trote universitário através da Decisão 02/2001, que traz formas de acompanhamento e sanções para quem as violam. A partir deste documento, cada unidade criou sua comissão encarregada de recepcionar e integrar os calouros à Universidade, com participação da direção das unidades, entidades representativas dos estudantes e representantes dos servidores docentes e técnicoadministrativos. O que define a Decisão 02/2001 O Conselho Universitário, em sessão de 26 de janeiro de 2001, tendo em vista a proposta da Comissão Especial do Consun (Decisão n° 227/2000), relativa ao trote universitário e as sugestões aprovadas em plenário, considera que a educação é “um dever de todo cidadão, diante de que a Universidade precisa, de forma intencional, aproveitar as oportunidades e propor ações, em qualquer um de seus espaços e ao longo do todo o período de formação do acadêmico”. O Consum admite que há uma gradual, mas ininterrupta mudança coletiva na maneira de olhar o mundo e a vida. “O que se torna necessário e essencial, neste processo que a humanidade vivencia, é a formação de uma consciência, individual e coletiva, de que a sociedade só vai mudar na

medida em que cada um transformar sua visão de mundo, de vida, de liberdade, de direito, de dever, de respeito”, diz o texto da Decisão 02/2001. Considerando o exposto no Manifesto da Unesco 2000 por uma cultura da paz e da não violência, adaptado à realidade em questão, a Decisão 02/2001 propõe respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa, sem discriminação ou preconceito; praticar a não violência ativa, rejeitando a violência sob todas as suas formas: física, sexual, psicológica, econômica e social, em particular contra os grupos mais desprovidos e vulneráveis, como as crianças e os adolescentes; compartilhar o seu tempo e seus recursos materiais em um espírito de generosidade visando o fim da exclusão, da injustiça e da opressão política e econômica; defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural, dando sempre preferência ao diálogo e à escuta, no lugar do fanatismo, da difamação e da rejeição do outro; entre outros. A partir destes conceitos, o Consum aprova o reconhecimento da Ufrgs nas atividades de trote como “um ritual de iniciação às atividades universitárias, o qual expressa tanto a alegria dos novos alunos, quanto a satisfação da Instituição em ver-se mais uma vez renovada pelos novos ingressantes”. A criação, em cada unidade, de comissão encarregada da recepção e integração dos calouros à Universidade com

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ESPECIAL

participação da direção das unidades, entidades representativas dos estudantes e representantes dos servidores docentes e técnico-administrativos é uma das medidas tomadas pela Universidade neste sentido. Em texto que define as normas da Ufrgs, o planejamento destas atividades deve procurar eliminar os "espaços vazios" ocasionadores de práticas não-acadêmicas que atentem contra a dignidade dos calouros. O documento ainda prevê a institucionalização, em período comum a todos os cursos, da Semana de Recepção e Integração e do Dia do trote. Dentro deste contexto, as melhores atividades de recepção e integração recebem premiação de uma comissão eleita pelo Consun. De acordo com o texto, é “facultada à comissão encarregada da premiação a atribuição de menção de desaprovação para as atividades onde tenham acontecido abusos.” A Universidade orienta que sejam evitadas, nas atividades de trote, práticas que envolvam violência sob as formas física, sexual e psicológica, bem como importem desrespeito à vida e à dignidade humanas e dispõe que os responsáveis pelos abusos não fiquem impunes e sofram, conforme o grau de participação, as sanções previstas no Art.185 do Regimento Geral da Universidade (advertência, suspensão e exclusão), no Estatuto da

Criança e do Adolescente e no Código Penal Brasileiro, conforme o caso. Trotes violentos que viraram notícia No caso do estudante Felipe Boff Molski, da Ufrgs, vários colegas disseram que eles teriam “ingerido cachaça”. No entanto, os exames do jovem não acusaram álcool no sangue, apenas lesões pelo corpo do rapaz. Como comprovar o que realmente aconteceu? Infelizmente, há outros episódios terríveis que mudaram a vida de muitas pessoas. A turma da Medicina da Universidade de São Paulo (USP), de 1999, ficou conhecida em todo o País depois que o calouro Edison Tsung Chi Hsueh foi encontrado morto no fundo da piscina em consequência de um trote. No ano passado, também em São Paulo, a brincadeira para receber os calouros virou manchete nos jornais. Os jovens foram obrigados a permanecer com um fígado de boi estragado na cabeça. Os veteranos podiam encher a boca de cerveja e cuspir nos futuros colegas. Em um muro na Universidade de Mogi das Cruzes o recado dava o tom deste trote: “Se chorar, vai ser pior”. Se traçarmos alguns exemplos nas últimas duas décadas, lembraremos do calouro do curso de Jornalismo

Dicas de trotes legais Desde o incidente com Felipe Molski, o reitor da Ufrgs, Carlos Alexandre Netto reforça o conceito que a Universidade reconhece a importância do trote como um “ritual de iniciação às atividades universitárias, desde que expresse tanto a alegria dos novos alunos, quanto a s a t i sfação da instituição em ver-se renovada pelos novos ingressantes.” Existem muitos exemplos de trotes dignos, sem humilhação, como plantio de árvores e doação de alimentos e roupas para instituições carentes, aponta o reitor. Para os veteranos, seguem algumas dicas: Se o trote que você recebeu não foi legal, não passe isso adiante. Faça algo construtivo. Faça a diferença entre seus futuros colegas. Não faça para o outro o que você não quer que te façam. Se houver bebida alcoólica no trote, não obrigue nenhum calouro a beber. Você pode conquistar um amigo que vai querer por escolha própria te convidar para saírem juntos. Não obrigue ninguém a ficar todo sujo de tinta, muito menos imponha algum tipo de corte de cabelo. Se o aluno estiver disposto, maravilha! Aproveitem e divirtam-se. Do contrário, respeite seu colega. Ele poderá ser no futuro alguém que vai ser o médico do seu filho, por exemplo. Bolem trotes solidários: doem sangue, distribuam comida, pintem uma escola, visitem um asilo, um abrigo para menores... Essas atitudes criam laços entre bichos e veteranos. Assim surgem verdadeiras amizades. Brincadeiras são ótimas também. Por que não realizar uma aula incrivelmente difícil durante alguns minutos para os calouros? É uma pegadinha leve. Depois, os veteranos entram em cena e apresentam-se como amigos e colegas à disposição para a troca de materiais, por exemplo. O filósofo gaúcho Paulo Denisar Fraga estudou a história do trote universitário e em 1993 escreveu A Violência no Escárnio do Trote Tradicional, uma pesquisa sobre o tema da humilhação dos calouros. Leia!

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da Universidade de Mogi das Cruzes (SP), Carlos Alberto de Souza, de 20 anos, que morreu de traumatismo cranioencefálico, resultante das agressões praticadas por estudantes veteranos em 1980. Dez anos depois, George Mattos, de 23 anos, calouro do curso de Direito da Fundação de Ensino Superior de Rio Verde (GO), morreu de uma parada cardíaca quando tentava fugir de veteranos que iam lhe aplicar um trote. Em 22 de fevereiro de 1999, o estudante Edison Tsung Chi Hsueh sofreu trote com consequências fatais. Em 10 de fevereiro de 2009, o calouro Bruno César Ferreira, de 21 anos iria começar o curso de Veterinária da Faculdade Anhanguera, em Leme, interior de São Paulo. Além de ser obrigado a ingerir bebidas, e ter entrado em coma alcoólico, o calouro também teve de rolar em uma lona com animais mortos e fezes em decomposição. No mesmo ano, o aluno Vitor Vicente de Macedo Silva, 22 anos, do Departamento de Física da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro morreu afogado numa piscina de saltos ornamentais (9 m de profundidade). Segundo se suspeita, ele teria sido forçado a entrar na piscina mesmo sem saber nadar, isso porque Vítor tinha sido admitido no alojamento há pouco tempo. No ano passado, estudantes da Unicastelo, em Fernandópolis (SP), foram obrigados a fumar, tirar as roupas íntimas, pedir dinheiro em semáforos e até beber álcool combustível. No mesmo período, na Escola Superior de Propaganda e Marketing, também em São

Paulo, um estudante foi agredido, e teve ossos do nariz e do rosto quebrados. Na Ufrgs, um outro acontecimento vergonhoso marcou o trote de 2010. O Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação divulgou uma nota de repúdio aos estudantes do curso de Direito. O texto dizia que o diretório “repudia a atitude de estudantes do curso de Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito da mesma Universidade, pela atitude discriminatória ocorrida na manhã do dia 11 de março de 2010, enquanto os calouros do curso de Pedagogia realizavam suas atividades de trote. Ao passar pelo prédio do curso de Direito, os estudantes de Pedagogia foram agredidos verbalmente pelos estudantes do curso de Direito que se encontravam, igualmente, em atividade de trote, com gritos que minimizavam a importância de nosso curso como “salário mínimo” e “segunda opção”, assim como outras expressões de baixo calão, ofendendo pessoalmente cada um que por ali passava.” Na internet existem milhares de vídeos de trotes na Ufrgs. É comum vermos alunos todos pintados pedindo dinheiro nas esquinas para os motivos mais estapafúrdios possíveis. Fazer as meninas deitarem de bruços ou ficarem de quatro para promoverem uma “ola de bumbum” também é de praxe em vários cursos na Universidade. Muitos levam isso na brincadeira e topam fazer parte. No entanto, tem gente que se sente humilhada e fica traumatizada.

A origem do trote O histórico do trote estudantil pode ser traçado a partir do começo das primeiras universidades, na Europa da Idade Média. Nestas instituições, surgiu o hábito de separar veteranos e calouros, aos quais não era permitido assistirem as aulas no interior das respectivas salas, mas apenas em seus vestíbulos (de onde veio o termo "vestibulando" para designar estes novatos). Por razões profiláticas, os calouros tinham as cabeças raspadas e suas roupas muitas vezes eram queimadas. Todavia, já no século XIV, as preocupações com a higiene haviam se transformado em rituais aviltantes, com nítida conotação sadomasoquista. Isto é observado nas universidades de Bolonha, Paris e, principalmente, Heidelberg, onde os calouros, reclassificados como "feras" pelos veteranos, tinham pelos e cabelos arrancados, e eram obrigados a beber urina e a comer excrementos antes de serem declarados "domesticados". Em Portugal, os trotes violentos (como o notório "Canelão") podem ser rastreados a partir do século XVIII na Universidade de Coimbra. Não por coincidência, estudantes da elite brasileira que por lá realizaram parte de seu processo educativo, trouxeram a "novidade" para o território nacional. Em decorrência disso, surgiram desavenças entre veteranos e calouros que culminaram com a morte, em 1831, de um estudante da faculdade de Direito de Olinda, Pernambuco – seria a primeira, mas lamentavelmente não a última vítima de um trote violento no Brasil. Fonte: Wikipédia

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PING-PONG

Marcelo Branco

“De repente os jovens saíram às ruas e subitamente os partidos envelheceram” Nos últimos meses, o mundo tem assistido a uma série de mobilizações populares massivas, conduzidas principalmente por jovens indignados com a situação política e econômica em seus países. Começou na Tunísia, propagou-se pelo Egito e uma série de outros países do Oriente Médio e Norte da África, e chegou finalmente à Europa, especialmente na Espanha. Profissional de tecnologia da informação desde sempre, como se define em sua página no Facebook, um dos construtores do movimento do Software Livre, da Campus Party Brasil, e coordenador da campanha vitoriosa de Dilma Rousseff nas redes sociais, Marcelo Branco analisa, em entrevista à revista Adverso, as causas e o significado destas mobilizações e o papel da internet e das redes sociais na sua organização. Para ele, o combustível destas revoltas é “o desencanto da população mais ativa na internet com os partidos de esquerda tradicionais, somado com o problema do desemprego que atinge principalmente a juventude”.

Fotos: Fernando Cavalcante

Por Marco Aurélio Weissheimer

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Adverso: Qual sua avaliação sobre o significado e as consequências do desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação na internet? Essas tecnologias contribuem para a requalificação da democracia? Marcelo Branco: Eu acredito que a internet está proporcionando uma revolução com a mudança da forma como a humanidade se relaciona em todas as áreas, talvez uma revolução tão profunda quanto foi a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX. A indústria fonográfica talvez tenha sido a primeira "vítima" dessa nova forma de relacionamento, que alterou a forma pela qual a humanidade se comunicava. A comunicação na internet não é de massas, no sentido clássico do termo. Ela não é como uma rádio, uma televisão, um jornal, onde o aparato tecnológico do editor, de quem está divulgando a mensagem, é infinitamente superior ao do público. Existe, neste caso, uma grande diferença entre o público e quem está transmitindo a informação. O público do rádio não tem uma emissora de rádio, o público da televisão não tem um canal de TV e assim por diante. Já na internet, principalmente na chamada internet 2.0, o público tem a mesma ferramenta tecnológica do editor. Então, pela primeira vez na história da humanidade, a matriz de mídia do público e dos editores é a mesma. Portanto, a comunicação é necessariamente mais horizontal. Adverso: Quais as implicações dessa maior horizontalidade? Branco: Por exemplo, se a Rede Globo tem lá seus blogs e pode publicar vídeos e áudios, o seu público também dispõe destas ferramentas. A primeira era da internet, a chamada internet 1.0, foi a dos portais, reproduzindo a forma de comunicação dos meios de massa. Era uma comunicação de textos, áudios e vídeos em formato digital e unilateral, trafegando em um único sentido. A novidade nos últimos anos, que ajudou a democratizar a informação, é que os

Imagens: Reprodução Internet

usuários da internet se apropriaram de suas ferramentas de uma forma que deu a elas novas funcionalidades. As redes sociais passaram a fazer uma mediação daquela comunicação que conhecíamos dos meios convencionais (rádio, tv, jornal), reinterpretando e rehierarquizando as notícias. Antes da internet, os assuntos mais comentados nas ruas, nas casas e locais do trabalho era aquilo que saia no rádio, na TV e no jornal. Em geral, era notícia aquilo que era hierarquizado pelos meios de comunicação. A internet e as redes sociais mudaram esse quadro. A comunicação de massa continua influindo na opinião pública, é óbvio, mas quando as informações desses meios chegam até o público, ele as rehierarquizam por meio das redes sociais. Assim, nem sempre a notícia mais comentada no Brasil é aquela que os meios de comunicação apresentaram como sendo a principal do dia. Às vezes uma notícia bem secundária, publicada em um meio de comunicação que não tem tanta audiência, passa a ser o assunto mais comentado pelas pessoas por que elas viram aquilo na internet. E há alguns momentos em que determinado assunto nem foi tão comentado em nenhum veículo das grandes empresas de comunicação ou mesmo na mídia alternativa e passa a ser bastante comentando porque alguém publicou no blog, no Facebook, no Orkut ou no Twitter. E, em alguns casos, esse assunto pode pautar os meios de comunicação de massa. Creio que essas novidades significam uma democratização dos meios de comunicação, não só do ponto de vista de quem é dono desses meios, mas também nos espaços dos trabalhadores, nos sindicatos, nos partidos, nas entidades populares. Adverso: Como se materializa essa democratização? Branco: Até então, essa disputa sobre os meios de comunicação era travada entre os monopólios das empresas de comunicação e aqueles que faziam comunicação alternativa.

Hoje, de um lado, temos a comunicação feita por meios de massa que não têm interação e participação do público, e de outro, os meios que incentivam a interação e a participação. Isso vale tanto para as grandes empresas quanto para os sindicatos. Neste sentido, o movimento sindical e as organizações políticas em geral têm que perceber essa mudança. A audiência hoje está muito ligada à capacidade de um meio de comunicação ou de uma política de comunicação de incluir o seu público na construção da notícia. Não adianta querer usar meio de comunicação da internet só para transmitir informação. A qualidade da informação de um sindicato, por exemplo, não vai melhorar se ficar só publicando as notícias da direção no Twitter ou no Facebook. Ela vai melhorar na medida em que a página ou o blog deste sindicato possa ter conteúdos postados pela própria base, pelos filiados. Os meios de comunicação de grandes empresas já estão fazendo isso, estimulando que o seu público participe diretamente da construção das informações. Adverso: Alguns vêem a internet como algo que estimula o individualismo e o isolamento das pessoas, mas a rede contribui para criar mobilizações de rua, como aconteceu na Tunísia, no Egito e, agora, na Espanha.... Branco: Já há pesquisas acadêmicas que comprovam que o suposto isolamento provocado pela internet é um mito. Quanto mais horas conectado, maior o número de encontros físicos você tem. Um jovem que não tem acesso à internet e às redes sociais terá poucos amigos físicos - a internet potencializou a possibilidade dos encontros físicos. Uma segunda questão é que a sociedade já se movimenta na forma de uma rede. Desde os primeiros anos do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, já ficou comprovado o poder da internet para organizar eventos

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PING-PONG

Marcelo Branco massivos. As ferramentas são virtuais, mas os encontros são físicos. As três primeiras edições do Fórum Social Mundial foram organizadas praticamente pela internet. Tivemos quase 100 mil pessoas na cidade para participar do Fórum, organizadas pela internet. As manifestações massivas que temos visto nos últimos anos, desde as mobilizações contra as guerras do governo Bush pai, depois as manifestações antiglobalização em Seattle, Gênova, Barcelona e em outras cidades, todas elas foram organizadas pela internet. O que talvez seja um objeto de estudo é que essa relação da internet com os indivíduos tem tido uma grande capacidade de organizar mobilizações massivas, mas o papel das organizações que até então intermediavam a relação indivíduo-público – sindicatos, partidos políticos – tem sido muito pequeno nas mobilizações de agora. Essas organizações da era industrial estão perdendo sua capacidade de organizar massas para eventos concretos. Quem está fazendo isso é a internet. São indivíduos conectados em rede, sem intermediação de um partido ou de um sindicato, que têm organizado essas manifestações nos últimos anos. Não estou entrando no mérito se isso é bom ou ruim, mas isso tem sido uma realidade. A internet empodera o indivíduo de forma inédita, com uma capacidade de comunicação global. Ela não é um espaço individual, mas sim um espaço de ação coletiva. Só que as alianças não se dão como antigamente, em cima de uma base programática de um partido ou de um sindicato. Pode ser que se consiga um grupo de aliados para um determinado tema às dez da manhã e um outro grupo às duas da tarde para uma outra luta. Um pouco da minha militância política tem sido isso. Buscamos alianças na rede a partir de interesses comuns. E eu não me lembro de ter ocorrido até hoje de terem votado alguma coisa em alguma plataforma da internet para fazer algum tipo de ação

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ou mobilização. A ideia da mobilização cria corpo e se materializa na rua, na medida em que tenha maior ou menor adesão das pessoas. É uma mudança muito grande.

"As manifestações massivas que temos visto nos últimos anos foram todas organizadas pela internet" Adverso: Uma das causas das atuais mobilizações na Espanha foi a aprovação de uma lei para aumentar o controle sobre a internet. Quais ameaças pairam hoje sobre a rede? Branco: As revoltas árabes mostraram o poder de mobilização da internet em regimes fechados, ditaduras. Isso foi saudado por todos, inclusive pela imprensa brasileira, como uma boa notícia. Agora eu fico impressionado com o silêncio desta mesma imprensa, em relação ao que está acontecendo na Espanha, que é uma democracia representativa consolidada dentro dos marcos do capitalismo. Não existe nenhum traço de autoritarismo, nem de ditadura, no funcionamento do regime político espanhol. No entanto, as

manifestações da Espanha parece que vieram para questionar também um outro paradigma, que é a própria limitação da democracia representativa. Elas questionam a democracia representativa e a própria plataforma de mobilização utilizada para organizar os protestos - a internet - dá pistas de como deve ser uma democracia participativa no século XXI. O uso das ferramentas da rede possibilita dar opinião sobre o que um determinado governo vem fazendo, dar opinião sobre projetos que estão no parlamento e até para construir propostas políticas. No caso da Espanha, o estopim dessas mobilizações foi exatamente a lei Sinde, que leva o nome da ministra da Cultura do país. Essa lei permite, por meio de uma ordem judicial, fechar páginas da internet que apresentem conteúdos sujeitos a direito autoral. Essa é uma polêmica mundial. A indústria do copyright, das grandes gravadoras, das grandes empresas de cinema, das grandes editoras, que às vezes a gente chama de "máfia do conteúdo", são hoje a principal ameaça à internet. Ameaçam a internet tal como a gente conhece, uma internet neutra, livre e democrática. Os lobbys dessas organizações do copyright, da propriedade intelectual e do direito autoral tentam impor limites à rede com legislações que são inaceitáveis em um Estado de Democrático de Direito. Adverso: Por que são inaceitáveis? Branco: Para saber o que um indivíduo está baixando pela internet, sendo protegido ou não por direito autoral, só há um forma: a quebra da privacidade e a vigilância indiscriminada. Não tem como saber se eu estou baixando uma música do teu computador, na minha casa, sem invadir a privacidade da minha casa e da tua casa pela internet. É isso que essas indústrias poderosas e os lobbys de suas associações querem fazer no mundo inteiro.


VIDA NO CAMPUS

Projeto prepara futuros cotistas para teste de habilitação musical Curso de Extensão para alunos de escolas públicas ocorre no Departamento de Música da Ufrgs Por Michelle Rolante

depois, no doutorado, trabalhou com comunidades quilombolas, diz que foi transformando seu pensamento, a partir de sua experiência com musicalidade de afrodescendentes e de outras pesquisas. “Passei a perceber que havia uma grande quantidade de músicos de classe social com menor poder aquisitivo e afrodescendentes que não chegavam ao curso superior, principalmente na Faculdade de Música”, conta. A constatação impulsionou Luciana a verificar com colegas a possibilidade de criar um curso de música que tivesse como público alvo alunos de escolas públicas. A partir daí, surgiu o Curso de Extensão em Música para Alunos de Escolas Públicas (Cemep). “Para aprender a ler música e repertório com a fluência exigida, um semestre não seria suficiente, por isso o curso foi pensado para ter duração de três anos.” Assim, o estudante que estiver no

Fotos: Suzana Pires

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Quando começou a trabalhar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), há quatro anos atrás, a professora de música Luciana Prass percebeu que o perfil da maioria dos alunos do curso de Música eram de classe média, enquanto uma grande quantidade de alunos de origem humilde não ingressava porque não passava na prova de habilitação. “Já havia observado a ausência de outro perfil de alunos, que não os de classes média e média alta que costumavam frequentar nossos cursos”, conta Luciana, explicando que este fato ocorria em função da prova específica. A prova de habilitação, que antecede o vestibular e é eliminatória, exige conhecimentos musicais sem os quais não é possível fazer um curso superior na área. A professora, que realizou seu trabalho de Mestrado na Escola de Samba Bambas da Orgia, sobre ensino e aprendizado na bateria, teve sua pesquisa publicada em livro, e e

As aulas são ministradas por quatro bolsistas da Ufrgs, sendo dois professores de violão, um de canto

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VIDA NO CAMPUS

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As aulas de teoria musical são obrigatórias no curso de extensão para alunos de escolas públicas

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primeiro ano do Ensino Médio tem três anos para se preparar para o teste de habilitação, caso queira seguir carreira na área. Segundo a professora, nada impede que um aluno que esteja no segundo ou terceiro ano do Ensino Médio ingresse no Cemep. “Em 2010, primeiro ano do curso, aceitamos alunos egressos de escolas públicas, mas que já tinham alguma experiência musical”, conta. A primeira turma começou com 58 alunos – destes, 43 concluíram o primeiro ano do curso - e, devido ao grande número de inscrições, em 2011 foi usado um critério para limitar os inscritos: não aceitar egressos. As aulas são ministradas por quatro bolsistas, sendo dois professores de violão, uma professora de canto e uma de teoria. Atualmente, o Cemep atende 88 alunos e as aulas ocorrem aos sábados pela manhã. O curso possui 16 turmas e recebe alunos de Charqueadas, São Leopoldo, Canoas, Novo Hamburgo e Gravataí. “Nós recebemos alunos de toda Região Metropolitana de Porto Alegre, inclusive do Bairro Guajuviras, considerado um dos mais violentos de Canoas. E esses alunos são extremamente dedicados”, revela Luciana. Ela diz que a aula de teoria musical é obrigatória, mas os alunos podem escolher entre canto e violão. No futuro, o objetivo é incluir outros instrumentos. “Alguns alunos acabam sendo encaminhados para um curso de extensão quando atingem um determinado nível”, conta Luciana, referindo-se ao Curso de Extensão em Instrumentos Musicais (Ceim), que tem um custo mais elevado, mas que oferece bolsas de estudo para aqueles que desejam seguir na carreira. O Cemep cobra mensalidade simbólica de R$ 10,00, utilizada para fazer cópias das partituras musicais, comprar

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cordas de violão entre outros materiais. “Na verdade, o curso funciona praticamente sem custos. A única exigência é a dedicação de comparecer às aulas.” Segundo a professora, para alunos de graduação do Curso de Música da Ufrgs - que estão ministrando as aulas tem sido uma experiência “incrível”. “Eles lecionam violão para dez pessoas ao mesmo tempo, o que não é usual”, comenta, ressaltando que normalmente as aulas são individuais ou com menos alunos. Desta forma, os bolsistas aprendem muito e percebem que podem trabalhar coletivamente técnica, repertório, postura, entre outros. “Os bolsistas sabem que não podem faltar sem avisar com antecedência, pois as crianças vêm de longe, trazidas pelos pais, para assistir as aulas, e gastam com condução”, ressalta Luciana. Existem casos de alunos de Charqueadas, por exemplo, que não têm condições de pagar as passagens e contam com o apoio das prefeituras. O Cemep também fornece atestado para que os alunos consigam alguns descontos nas passagens de trem e consigam negociar valores pagos com a carteira de estudante. Para a professora, é importante este diálogo, porque a universidade aprende com a escola pública. “É muito bom sairmos do lugar confortável em que estamos. Às vezes um aluno diz que não tem lápis, e não é porque ele esqueceu, é porque não tem mesmo”, explica. No curso, os bolsistas também têm que trabalhar com repertório que os estudantes trazem do seu cotidiano, como rap e pagode. “Eles têm que negociar com os alunos e fazer arranjos com esses repertórios e isso ajuda a desmitificar muitos preconceitos que carregamos.” Por isso, o grande ganho do projeto não é só para os alunos de escolas públicas, mas também para professores, graduandos e para a Universidade, afirma a professora. Além da qualificação de estudantes oriundo de escolas públicas, ampliar o acesso destes alunos, que podem vir a ser os futuros cotistas das universidades, é o principal objetivo do Cemep. Por isso, o único documento exigido é um comprovante de que eles estudam em escola pública, para que se acostumem com a exigência. “Nossa expectativa é que o ingresso de alunos cotistas no curso de música seja ampliado”, enfatiza Luciana. Em 2011, de 58 alunos que ingressaram no curso, 14 eram cotistas, o que representa 24% do total de 30% das vagas disponíveis para cotas sociais e raciais. “Destes 14 alunos, dois eram autodeclarados negros o que era bastante raro aqui no nosso curso”, ressalta Luciana. A professora afirma que os alunos negros que passaram pelo Departamento de Música não tinham entrado por cotas. “Percebo que ainda é muito difícil, principalmente no Rio Grande do Sul, os negros sentirem-se à vontade para concorrer às cotas raciais.”


A professora, que é uma estudiosa da Musica Popular Brasileira, diz que esses alunos estavam apartados do processo da universidade. “O que é paradoxal: a musicalidade brasileira, como samba, choro, bossa nova, de canções, foi feita por afrodescendentes que fazem música, mas estes não estavam presentes no curso”, avalia, ressaltando que isso não significa que o aluno de escola pública tenha que fazer o Curso de Música Popular - podendo optar por estudar música erudita. Um exemplo, é o caso do aluno Vladimir Soares, que participava do Projeto Orquestra Villa Lobos da professora Cecília Torres. “Esse rapaz é um virtuoso da flauta doce”, afirma Luciana. Soares se formou em Música pela Ufrgs e pretende fazer mestrado na área de performance de música erudita. “Se ele quisesse fazer música popular também poderia. Por isso, um dos papéis da Universidade é ampliar os horizontes dos alunos”, lembra Luciana. Recentemente o Departamento de Música da Ufrgs teve aprovado o Curso de Música Popular, que inicia no próximo ano. Cotas na Ufrgs As cotas sociais e raciais no Ensino Superior são medidas paliativas, porém positivas tendo em vista que o ideal seria que houvesse vaga para todos. Esta é a opinião do professor do Colégio Aplicação, João Vicente Souza, que vê o Cemep como parte das ações afirmativas instaladas na Universidade. “É importante possibilitar um maior equilíbrio no acesso e permanência de estudantes das mais diferentes classes sociais e raças”, afirma. Na Ufrgs, 30% das cotas são destinadas a alunos de

escolas públicas. Deste total, 15% são para alunos autodeclarados negros. Algumas pessoas acreditam que apenas pelo fato de efetuarem a inscrição para as cotas, os negros e estudantes de escolas públicas ingressam direto na universidade. Mas não é assim que funciona: “Esse aluno tem que ter alcançado, no mínimo, a média harmônica exigida para o curso ao qual se candidatou”, ressalta Luciana Prass. As cotas criam um recorte social e racial, destaca a professora. “Um aluno negro que estuda em colégio particular não terá direito à cota, pois tem Ensino Médio e Fundamental com uma qualidade que, infelizmente, ainda não há na escola pública - pelo menos não na maioria delas”, salienta Luciana. Neste caso, o aluno não tem direito à cota, porque está apto a disputar o ingresso universal com qualquer outro estudante. Na Ufrgs, observa-se que os 15% das cotas destinadas a alunos de escolas públicas e afrodescendentes autodeclarados negros ainda não são preenchidas por este público, porque os próprios alunos não optam por este direito no vestibular. A média de autodeclarados negros na Universidade é em torno de 3 a 5%. “Tenho percebido que muitos alunos se inscrevem para as cotas e atingem uma média alta e acabam ingressando pelo acesso universal”, destaca Luciana, ressaltando que esta vaga dentro das cotas acaba sendo liberada para outro aluno. “Agora com as políticas afirmativas, os alunos podem ter mais esperança de ingressar na Ufgrs, porque antes isto era um mito para eles”, ressalta.

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Dos 58 alunos que ingressaram este ano, 14 usam as cotas sociais e raciais, representando 24% do total de 30% das vagas disponíveis para cotistas

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JURÍDICO

Ataque aos direitos adquiridos atinge especialmente os aposentados Por Maricélia Pinheiro

A ameaça à segurança jurídica não se limita apenas ao corte de vantagens decorrentes de planos econômicos ou perdas de inflação, como ocorre com os 3,17% e a URP-89. Servidores públicos aposentados e pensionistas viraram o principal alvo da prática adotada pelos governos de suprimir vantagens resultantes de ganhos judiciais, observa o assessor jurídico da AdufrgsSindical, Francis Campos Bordas. O advogado cita alguns exemplos mais comuns de ações envolvendo os inativos. Um deles diz respeito à vantagem prevista no artigo 192 do RJU (Lei 8112/90), que beneficia professores titulares com o recebimento de uma rubrica que correspondia à diferença entre a remuneração desta classe com a dos adjuntos. “Em 2000, o Governo quis alterar o critério de cálculo desta vantagem, que era praticado desde 1990, impondo uma redução do valor. A Adufrgs garantiu na Justiça a manutenção do critério que era habitualmente usado”, informa. Mesmo com decisão judicial garantindo este critério, em 2009, quando criada a Retribuição por Titulação e Gratificação Especial do Magistério Superior, estes professores titulares foram prejudicados, obrigando a Adufrgs a propor novas ações, novamente em defesa do que já tinha sido ganho em juízo nove anos antes. Depois de muitos anos remunerando as funções de chefia e direção através de Funções Comissionadas (FC's), o governo federal ordenou, em 2000, que estas fossem substituídas pela tabela que criou o Cargo de Direção e as Funções Gratificadas, o que traria sensíveis reduções nos salários e aposentadorias. Respaldado por um parecer da Advocacia Geral da União (AGU), o Governo manda substituir as antigas FCs de todos os que até então percebiam estas gratificações na forma de quintos ou décimos ou que tenham se aposentado com a remuneração da função de chefia ocupada. “Alguns professores teriam uma redução de quase 70% no salário final”, conta Bordas. Foi novamente necessária uma ação judicial para manter o critério antigo, mantendo os direitos adquiridos. Para esse público, ainda que seja uma pequena parcela dos docentes, essa ação é muito importante, ressalta o assessor jurídico. Outro ataque mais recente envolve a redução no valor da aposentadoria proporcional em 2009, quando foram criadas a Gratificação Executiva do Magistério Superior (Gemas) e a Retribuição por Titulação. “O Governo baixou o salário de quem era aposentado proporcionalmente ao tempo por serviço, com o argumento de que as gratificações devem ser proporcionalizadas, tal qual o vencimento básico. Ocorre que este critério não existia com relação às gratificações anteriores (GED e GTMS) e a implementação desta nova orientação trouxe redução nominal nas aposentadorias de alguns professores”, explica Bordas. Segundo ele, novamente o Sindicato agiu prontamente para evitar esta redução e, até o momento, vem obtendo êxito na ação.

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Segurança jurídica ocupa espaços de discussão As constantes ameaças aos direitos adquiridos, que configuram o quadro da chamada “insegurança jurídica”, estão cada vez mais presentes nas pesquisas e estudos na área jurídica. Basta uma breve navegada pela internet para encontrarmos uma quantidade considerável de artigos e teses sobre o tema, a grande maioria relativa à última década (2000/2010). De acordo com as lições básicas do direito, “o princípio da segurança jurídica se encontra intensamente relacionado ao Estado Democrático de Direito, podendo ser considerado inerente e essencial ao mesmo(....) possui conexão direta com os direitos fundamentais e ligação com determinados princípios que dão funcionalidade ao ordenamento jurídico brasileiro, tais como, a irretroatividade da lei, o devido processo legal, o direito adquirido, entre outros”. Em maio do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça e a Comissão de Trabalho de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, por solicitação do Proifes, promoveram uma importante audiência pública para debater o assunto. Foi a primeira vez na história que houve um debate público sobre a segurança jurídica do servidor público no Congresso Nacional. A participação dos professores foi intensa, através de questões colocadas, comentários e exemplos de atos praticados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e AGU, considerados ilegais e que resultaram em prejuízo para os docentes. O debate despertou o interesse dos parlamentares presentes e caracterizou-se, principalmente, pelo fato de todas as partes envolvidas terem tido espaço para expor suas questões. As críticas à postura do TCU não partem apenas de sindicalistas e servidores. Na referida audiência, alguns advogados e juristas de renome se posicionaram contra a determinação do órgão de que o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão reveja o pagamento de valores referentes a sentenças judiciais que causem distorções salariais ou enriquecimento ilícito do servidor (Acórdão 2161/2005 do TCU). Para o doutor em Direito Constitucional e professor da PUC de São Paulo, André Ramos Tavares, o acórdão “retoma decisões já tomadas e transitadas em julgado”. Ao cassar acórdãos do TCU que suspendiam a URP-89, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, utilizou os princípios da segurança jurídica e proteção da confiança. “O excelso Tribunal de Contas da União não dispõe, constitucionalmente, de poder para rever decisão judicial transitada em julgado nem para determinar a suspensão de benefícios garantidos por sentença impregnada da autoridade da coisa julgada, ainda que o direito reconhecido pelo Poder Judiciário não tenha o beneplácito da jurisprudência prevalecente no âmbito do Supremo Tribunal Federal”, explicou o ministro em sua decisão. Na ocasião, ele lembrou que o trânsito em julgado em matéria civil só pode ser legitimamente desconstituído mediante ação rescisória.


ARTIGO

Tudo tem limite: Não podemos continuar calados ante uma carga tributária exagerada Por Vagner Jaime Rodrigues, mestre em contabilidade e professor da Trevisan Escola de Negócios

A Reforma Tributária no Brasil é discutida há anos, mas nunca chegamos a um acordo. O impressionante é que os valores pagos pelos contribuintes só aumentam. Podemos conferir isso no Impostômetro, situado no prédio da Associação Comercial de São Paulo, que, na tarde do dia 4 de maio, alcançou os R$ 500 bilhões arrecadados pela União, estados e municípios. Ou seja, em 124 dias, cada um dos 190,7 milhões de brasileiros já pagou cerca de R$ 2.600,00. Em 2008, quatro anos atrás, alcançamos esse número apenas em 25 de junho. Em 2009, foram um trilhão de reais arrecadados em cerca de 300 dias. Ou seja, mais de R$ 5.300,00 com que cada habitante contribuiu, considerando os distintos tributos. A estimativa de arrecadação de impostos, para cada habitante em 2011, ultrapassa os R$ 7 mil. Parte expressiva dos brasileiros não ganha, por ano, este valor. Já passou da hora de se realizar eficaz reforma tributária, em uma mobilização do Executivo e do Legislativo federais, ambos responsáveis por implementar emendas constitucionais voltadas à desoneração da produção e dos investimentos e à racionalização dos tributos. Uma das medidas anticíclicas adotadas no enfrentamento da crise do subprime (a redução do IPI para automóveis, linha branca e construção civil) mostrou ser possível diminuir os tributos, sem causar prejuízo ao equilíbrio fiscal do Governo. Por que, então, não estabelecer medidas semelhantes perenes?

Alíquotas menores estimulam a produção e o consumo, podendo até mesmo aumentar a arrecadação, considerando o efeito em escala na economia. Somos o país do “presente”, como muitos dizem, mas temos de nos preocupar com vários aspectos econômicos, para não ficarmos vendo os navios passarem – e os tributos são um dos pontos cruciais que têm de ser reavaliados. Das cargas tributárias das nações do BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), a nossa é a mais alta (34%), seguida pela da Rússia (23%), da China (20%) da e Índia (12,1%). É o que revela o estudo Carga Tributária no Mundo – um comparativo Brasil x BRICs, realizado pela Machado-Meyer. A reforma tributária também não é só uma questão governamental. Enquanto os brasileiros não tomarem consciência de sua importância e se mobilizarem em torno desta meta, não teremos uma solução. A omissão não se deve à falta de informação: pela internet, todos podem acompanhar os impostos pagos, além de fazer estimativas de quanto será recolhido até determinada data. Tudo tem limite. Não podemos continuar calados ante uma carga tributária exagerada. Pare e pense o que você poderia fazer com estes R$ 2.600,00 que já deu para os cofres públicos? Temos duas saídas: exigir do Governo que aplique melhor o nosso dinheiro ou lutar para reduzir os impostos. Não dá mais para ficar do jeito que está!

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NOTÍCIAS

USP destinará R$ 70 milhões para pesquisa A Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) divulgou, em maio, os projetos contemplados pelo Programa de Apoio à Pesquisa. Foram aprovadas, no total, 43 propostas, dentre as 122 inscritas, com a participação de cerca de dois mil docentes da universidade. Para atender à demanda, o reitor da USP, João Grandino Rodas, aprovou o aumento dos recursos destinados ao programa, que passaram dos R$ 50 milhões iniciais previstos para R$ 70 milhões. De acordo com a Pró-Reitoria de Pesquisa, trata-se do maior programa institucional de incentivo à pesquisa desenvolvido pela USP. «O objetivo era fazer com que os pesquisadores reexaminassem a maneira de organizar a pesquisa, estabelecer laços e relações com outros que tenham atividades afins e criar novos padrões focados em temas mais amplos e que precisam de participação múltipla", disse o pró-reitor de pesquisa da USP, Marco Antonio Zago. Os recursos destinados aos projetos serão

distribuídos de acordo com três modalidades: 22 projetos contemplados são de grupos consolidados, que receberão R$ 2 milhões cada um; 14 são de grupos promissores (cada um receberá o valor de R$ 900 mil); e 7 referentes aos chamados centros de instrumentação (que receberão R$ 1,5 milhão cada um). De acordo com a coordenação do programa, o julgamento e a seleção dos projetos foram realizados por uma comissão avaliadora formada por 21 pesquisadores e docentes externos à USP, oriundos de universidades e instituições brasileiras e estrangeiras. Dentre elas estão o Kings College London, a Washington State University, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade do Porto e a Academia Brasileira de Ciências. O processo de avaliação das propostas ocorreu entre os dias 11 e 13 de abril. Os projetos aprovados foram divulgados em 28 de abril.

Fonte: O Serrano

Governo federal quer dar 75 mil bolsas de estudos no exterior até 2014 A presidente Dilma Rousseff disse que pretende lançar um programa de bolsas de estudo no exterior para beneficiar 75 mil estudantes até 2014. A ideia é financiar os estudos, principalmente na área de ciências exatas. Dilma espera ainda ter ajuda do setor privado para chegar a 100 mil bolsas. Os dados mais recentes no site da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) mostram que 4.346 bolsas de estudo no exterior foram oferecidas pela coordenadoria em 2009 para graduação e pós-graduação. A Capes quer dobrar o valor dos recursos em bolsas para estudantes e pesquisadores do ensino superior até 2020. A Capes

tem para este ano um orçamento previsto de R$ 1,7 milhão. Dez anos depois, a intenção é de uma destinação de recursos de cerca de R$ 3,5 milhões. Outras bolsas já são oferecidas por empresas e fundações diretamente às universidades brasileiras, que estão, cada vez mais interessadas em estabelecer parcerias internacionais. O objetivo, segundo as próprias instituições, é trocar cada vez mais experiências com diferentes países e culturas. Há acordos para intercâmbio de alunos e professores, pesquisas feitas no Brasil em conjunto com escolas de outros países e até com instituições como a agência espacial americana Nasa. Fonte: G1

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Sistema permite ligar de celular olhando para os números A tela sensível ao toque dos mais modernos celulares parece obsoleta diante dos resultados da pesquisa de um grupo formado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, e da Universidade de Hinschu, em Taiwan. O estudo mostrou como usuários podem discar apenas olhando para os números do celular. O princípio básico usado é que o cérebro das pessoas emite sinais elétricos de diferentes frequências, dependendo do que está tentando fazer ou de seu estado cognitivo. Esses sinais podem, então, ser captados e decodificados. Os pesquisadores tiraram proveito de um tipo de atividade cerebral que é uma resposta natural da pessoa a estímulos em frequências específicas. Por exemplo, quando se olha para uma luz piscando dez vezes por segundo, o córtex visual exibe uma atividade rítmica na mesma frequência. Nos testes, uma tela de computador exibia ao usuário dez caixas, trazendo os dígitos do telefone, e cada uma delas piscava em uma frequência diferente. Assim, ao olhar para um dos números, o córtex visual do usuário emitia sinais referentes a ele. Os sinais eram, em seguida, captados por uma espécie de fita que envolvia a cabeça como um todo. A fita amplificava e transmitia o sinal para um telefone, por meio do Bluetooth, permitindo que a ligação fosse realizada. Fonte: Estadão

Engenheiros espaciais querem lançar barco-robô em mar de Titã O mar que existe em Titã, a maior lua de Saturno, pode ser explorado por um barco-robô no futuro. A proposta, que vem de um grupo de engenheiros espaciais da Universidade Aberta (Reino Unido), é medir ventos e ondas da superfície de Ligeia Mare, formado por etano e metano líquidos. E, principalmente, detectar evidências de um complexo químico orgânico capaz de gerar a vida. As baixas temperaturas, que chegam à casa dos -180ºC representam o maior desafio da empreitada. Além de desenvolverem equipamento resistente o suficiente para suportar um clima como esse, os pesquisadores também precisam considerar o envio do barco-robô até o lago de forma cirúrgica. O equipamento viajaria através do Sistema Solar e, tão logo entrasse na atmosfera de Titã, seria lançado com um paraquedas a alguns metros de acima de Ligeia Mare. O projeto, enviado à NASA, poderia estar pronto em 2016 e demandaria sete anos até a volta do barco-robô com os dados procurados. Fonte: Folha de São Paulo

São Paulo sobe 21 posições em ranking de produção científica Um relatório divulgado na Grã-Bretanha diz que São Paulo subiu da posição 38 para o 17º lugar em um ranking de cidades com mais publicações científicas no mundo. De acordo com o estudo feito pela Royal Society, a evolução da capital paulista nesse setor “reflete o rápido crescimento da atividade científica brasileira”. O relatório, chamado Conhecimento, Redes e Nações: A Colaboração Científica no Século 21, analisa a publicação de trabalhos científicos por país no período entre 1996 e 2008. O documento indica que o Brasil e outros países emergentes, liderados pela China, estão despontando como grandes potências na área de produção de estudos científicos, capazes de rivalizar com países que têm tradição nessa área, como os Estados Unidos, nações da Europa Ocidental e o Japão. A representatividade dos estudos brasileiros teve leve aumento: entre 1999 e 2003, eles equivaliam a 1,3% do total de pesquisas científicas globais. Entre 2004 e 2008, essa porcentagem subiu para 1,6. Mas “as reduções significativas no orçamento de ciência em 2011 levantam preocupações”, diz o relatório. Em meio aos cortes de R$ 50 bilhões anunciados pelo governo no orçamento federal, o Ministério de Ciência e Tecnologia deve perder R$ 1,7 bilhão. Fonte: BBC Brasil

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Preservação do ambiente aquático http://www.igre.org.br A Igré é uma Associação Sócio-Ambientalista, fundada em 2003, que surgiu da iniciativa de um grupo de pessoas, principalmente de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) das mais diferentes áreas do conhecimento, comprometidas com a necessidade de assegurar a preservação dos cursos d' água. Entre os principais objetivos da Ong, estão apoiar e estimular iniciativas públicas que visem à preservação dos ambientes aquáticos continentais e sua biodiversidade. Além de desenvolver o exercício da cidadania através da educação ambiental para melhorar a qualidade de vida da população e pesquisar e divulgar os problemas dos ambientes límnicos e as possíveis soluções, visando o desenvolvimento ecologicamente sustentável.

Espécies de animais ameaçados http://www.arkive.org Esse site traz filmes de animais selvagens e as fotos são armas essenciais na luta para salvar espécies ameaçadas do mundo à beira da extinção. Desta forma, o portal Arkive conta com a ajuda dos melhores cineastas, fotógrafos, ambientalistas e cientistas do mundo contra a extinção de espécies, que tem ocorrido em um ritmo cada vez mais acelerado. O objetivo também é de sensibilização dos internautas, através de programas de educação ambiental.

Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia http://www.ipam.org.br O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), fundado há 15 anos, surgiu com uma proposta inovadora na época: engajar a ciência e o ativismo ambiental na região amazônica, construindo bases para a ação de movimentos sociais e para a formulação de políticas públicas. Formado por cientistas e educadores, o Ipam tinha como missão original combater os três males que ameaçavam a sobrevivência da floresta e de sua população: paisagem degradada, economias não-sustentáveis e injustiça social. Neste sentido, outra premissa importante do Instituto, que ainda permeia toda a sua atuação, é a ideia de que as soluções para os problemas amazônicos precisam, obrigatoriamente, incluir a participação ativa das populações que vivem na região, sobretudo os povos da floresta: indígenas, extrativistas, ribeirinhos e quilombolas, entre outros. O site traz links como agenda, notícias, galeria de fotos e especiais.

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ORELHA

Fernando Pessoa: uma quase autobiografia Autor: José Paulo Cavalcanti Filho Editora: Record A primeira biografia escrita no Brasil sobre o poeta português Fernando Pessoa traz a mais completa obra de referência das muitas personas assumidas pelo autor de Tabacaria. Seus heterônimos, muitos deles desconhecidos do grande público, revelam-se no livro de José Paulo Cavalcanti com riqueza de detalhes, apresentando as produções e as origens de cada um desses que habitaram o imaginário e a escrita de Fernando Pessoa.

736 Página s Preço: R$ 7 9,9

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Nietzsche, vida como obra de arte Autor: Rosa Dias Editora: Civilização Brasileira Nos últimos anos, a bibliografia de e sobre Nietzsche tem-se ampliado no Brasil. Este livro acrescenta um diferencial reflexivo à fortuna crítica do autor: Rosa Dias propõe não apenas levantar e explicar categorias, mas pensar junto com o filósofo alemão, tendo em vista um dos aspectos fundamentais de sua produção a relação entre arte e vida. A autora é doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, professora-adjunta de Filosofia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e já escreveu diversos livros sobre Nietzsche.

160 páginas Preço: 29,90

Meu caminho Autores: Edgar Morin Editora: Bertrand Brasil O livro apresenta entrevistas concedidas pelo autor à jornalista Djénane Kareh Tager ao longo de 2008. Nelas, Edgar Morin mostra a unidade de uma obra marcada pela diversidade e pelas vicissitudes. Desde o início do livro, o leitor mergulha na vida do intelectual, desde seu engajamento na resistência comunista à sua ruptura com o stalinismo. Em Meu Caminho, o homem, escritor, sociólogo, inventor do pensamento complexo, ator da vida social, e mesmo política, se liberta, não escondendo as emoções nem as paixões, e revelando ao leitor sua própria experiência na vida, no amor, na velhice e diante da morte. No cerne das reflexões de Edgard Morin, o apoio sobre todos os aspectos positivos das ciências e técnicas, desenvolvendo a economia solidária e o comércio equitativo. Para ele, a crise econômica é tanto um risco quanto uma chance para a humanidade, “podendo favorecer as forças retrógradas ou a emergência de soluções positivas que modificarão para sempre o sistema global.”

378 páginas Preço: 45,00

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Doação origina exposição histórica do esporte Visitantes do Ceme puderam admirar relíquia olímpica que pertenceu a atleta brasileiro por Cláudia Rodrigues Você sabia que a primeira medalha olímpica conquistada pelo Brasil, em 1920, esteve recentemente exposta no Centro de Memória do Esporte (Ceme) da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Esef)? Essa relíquia de valor histórico inestimável foi doada ao Ceme pelo médico e educador físico Dr. Henrique Licht. Durante o mês de maio, a exposição intitulada Henrique Licht: Um Garimpeiro de Memórias promoveu o respeito ao esporte em um país que pretende receber com civilidade a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Há mais de 50 anos, Licht reúne objetos relacionados ao esporte. Segundo ele, desde menino costumava participar e assistir a tudo que tivesse relação com o tema. Formado na Ufrgs em dois cursos, ele trabalhou em clubes, confederações, federações, foi médico pela Esef e ocupou a direção do Centro Olímpico. Aos 89 anos, o acervo deste bisavô é algo incrível. Após mais de 40 exposições pelo Brasil, Licht decidiu começar a fazer doações do seu vasto material. Em 2002, ele entregou para a então reitora da Ufrgs, Wrana Panizzi, 7.905 itens de sua coleção. De lá até 2011, foram 17 doações, sendo a última no dia 27 de abril deste ano, que originou a

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recente mostra que permaneceu no Ceme até dia 31 de maio. “Eu confiei e confio muito no trabalho desenvolvido pelo Ceme. Já doei para o local 10.894 itens e estou preparando a 18ª doação para este ano ainda”, diz. Medalha de Dario Barbosa Durante décadas de armazenando itens relacionados ao esporte, Licht ficou conhecido por ter essa paixão, e acabou recebendo também muitas doações de amigos. Entre tantos presentes que recebeu, gosta de citar as contribuições de João Avelange e Eduardo Henrique de Rose, amigos de longa data. Mas o destaque da exposição que esteve no Ceme fica por conta de uma amiga da sua esposa, que um dia ficou sabendo o tamanho do amor e o cuidado de Licht com esses materiais e resolveu oferecer para ele a medalha que seu tio havia deixado com ela. Tratava-se da sobrinha de Dario Barbosa e da primeira medalha olímpica brasileira.


Dario Barbosa, falecido em 1965, representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de 1920, em Antuérpia, na Bélgica. Na ocasião, ele conquistou a medalha de bronze na disputa de pistola livre de 50m por equipe. Pelas mãos de Licht, este atirador esportivo brasileiro teve registrada e preservada a sua carreira no Ceme. Além da medalha, Licht disponibilizou para toda a comunidade a lista de passageiros do navio que conduziu a delegação brasileira até Antuérpia e o passaporte do atleta Dario Barbosa. “Ainda tenho muitas fotos tiradas por ele que são espetaculares”, vibra o colecionador, que em 1972 foi convidado a presenciar a Olimpíada de Munique como observador, representando a Secretaria Estadual de Educação. Confiança na Instituição “Teremos muito material interessante para a Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre”, anuncia Licht. O objetivo de suas doações é fazer com que outros desportistas façam o mesmo. Ele insiste em salientar que o trabalho de preservação produzido no Ceme é de extrema qualidade e profissionalismo. “O material está muito bem guardado, em condições ideais de temperatura, cuidados com umidade e outros aspectos”, explica. Conforme Licht, o Estado do Rio Grande do Sul e a Prefeitura de Porto Alegre prometeram um museu do esporte que até hoje não saiu do decreto. Portanto, afirma, nada mais justo que as pessoas confiem e doem seu material histórico para aumentar o acervo do Ceme.

No Pós-Guerra, Antuérpia destruída vê a estreia de um Brasil vencedor. Dois anos após o fim da Primeira Guerra Mundial, a Bélgica foi o local escolhido pelo Comitê Olímpico Internacional para sediar a sexta Olimpíadas da história. Em um cenário de destruição, a Antuérpia teve que se virar como pôde para abrigar o evento. O mais importante para as nações participantes era ter de volta os Jogos Olímpicos, cancelados em 1916 por conta do conflito. Ao indicar Berlim como sede das Olimpíadas 1916, o Barão de Coubertin, então presidente do COI, ainda esperava contribuir para a paz na Europa e, assim, evitar o conflito. A iniciativa, porém, não deu resultado. Quando se iniciaram as hostilidades, Coubertin fez pressão sobre os outros membros do comitê para mudar a sede dos Jogos para os Estados Unidos ou para a Escandinávia, regiões ainda não envolvidas no conflito. O COI recusou a proposta e, em 1915, quando se tornou evidente que a Alemanha não teria condições de abrigar os Jogos, a entidade anunciou o cancelamento das Olimpíadas. O adiamento deu ao Brasil a chance de se preparar melhor para conseguir

uma boa campanha na sua estréia nas Olimpíadas. Com 29 atletas, a delegação nacional chegou aos Jogos mesmo sem ter ainda um Comitê Nacional. De cinco esportes (natação, pólo aquático, remo, saltos ornamentais e tiro), os brasileiros tiveram bom desempenho apenas no tiro. O tenente do Exército Guilherme Paraense tornou-se o primeiro atleta brasileiro e também sul-americano - a conquistar o ouro olímpico. O paraense venceu a prova de pistola de velocidade ou tiro rápido. As armas utilizadas pela equipe brasileira na disputa foram cedidas pelos norte-americanos, já que os brasileiros tiveram seu armamento e munição furtados durante a viagem. A medalha de prata foi conquistada por Afrânio da Costa, na competição individual de pistola livre. Nessa mesma categoria, o Brasil conquistou o bronze, só que por equipes, com

Sobre o Ceme O Centro de Memória do Esporte da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ceme) foi implementado em dezembro de 1996 tendo como objetivo reconstruir, preservar e divulgar a memória do esporte, da educação física, do lazer e da dança no Brasil. Para tanto, ali são desenvolvidas pesquisas históricas, exposições, mostras de fotografias, oficinas temáticas, palestras, entre outras atividades. Além de atingir especialistas, o local é voltado para o público em geral, disponibilizando a documentação histórica de diversas formas: via computador, catálogos bibliográficos, exposições, mostras fotográficas, palestras, oficinas, cursos e resultados de pesquisa. Entre os objetivos do espaço estão: reconstruir, preservar e divulgar a memória do esporte, educação física, lazer e da dança no Brasil; implementar a produção científica no campo da pesquisa histórica e/ou o intercâmbio de informações entre pesquisadores nacionais e internacionais; realizar exposições e mostras fotográficas que tematizem a cultura corporal brasileira; possibilitar aos pesquisadores e comunidade em geral informações relacionadas à memória esportiva brasileira; promover oficinas temáticas sobre história do esporte, lazer, dança e educação física; fomentar publicações individuais e coletivas; disponibilizar o acervo via catálogos bibliográficos e recursos computacionais e buscar parcerias com escolas, universidades, clubes, confederações e federações esportivas, entidades e instituições preocupadas em preservar a memória do esporte estabelecendo uma rede de comunicação. O acervo de Ceme tem aproximadamente 1000 livros publicados antes de 1960; mais de 3000 fotografias; inúmeros artefatos tais como troféus, medalhas, vestuário, bandeiras, flâmula; mais de 5000 documentos, além de vídeos, slides e diversas coleções.

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+1 Filme Quem já assistiu, sempre sai ganhando ao rever o filme Carruagens de Fogo. Para quem nunca viu, é uma ótima dica. Vencedor de quatro Oscar em 1981, incluindo melhor filme, Carruagens de Fogo é a cativante história real de Harold Abrams, Eric Liddell e da equipe que trouxe para a Grã-Bretanha uma de suas maiores vitórias no esporte. Os melhores atletas da Inglaterra iniciam sua busca da glória nos jogos olimpicos de 1924. O sucesso honra sua pátria. Para dois corredores, a honra em questão é pessoal, e o desafio vem de cada um deles. Com suas inigualáveis tomadas da competição para a época e sua trilha sonora vencedora de um Oscar, este filme marcou definitivamente seu lugar no coração daqueles que amam o cinema e o esporte em qualquer parte do mundo.

+1 Livro O Atlas do Esporte no Brasil é uma obra que apresenta os resultados de uma das maiores pesquisas sobre esporte feitas no mundo até hoje. São 924 páginas com centenas de mapas, quadros e tabelas, completadas por uma seção especial com cerca 200 fotos e figuras que sintetizam a história do esporte brasileiro, do descobrimento do Brasil, em 1500, aos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Organizado pelo professor Lamartine Pereira da Costa, o atlas está disponível na biblioteca da Ufrgs e em locais especializados.

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