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ADverso 183 novembro 2010

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ISSN 1980315-X

Nº 183 - Novembro de 2010

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Pós-Graduação em Farmácia é referência internacional de qualidade Programa da Ufrgs comemora 40 anos de tradição e pioneirismo na formação de recursos humanos e pesquisa Páginas 09 a 12


O novo site da Adufrgs-Sindical está saindo do forno! A partir de janeiro de 2011, os associados e internautas encontrarão o portal www.adufrgs.org.br totalmente repaginado. O moderno layout dará destaque para notícias, fotos e informações via multimídia - com atualizações dinâmicas – e virá totalmente readequado, possibilitando melhor navegação a qualquer hora do dia. Além de informativos e documentos disponíveis de forma mais visível, o novo site também irá permitir que o usuário faça download das edições da revistas Adverso, em arquivo PDF.

Acesse e confira! É a Adufrgs-Sindical se renovando a cada ano, para manter você informado sobre assuntos atrelados à carreira docente, e notícias em geral.

ISSN 1980315-X

Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior de Porto Alegre

Presidente - Claudio Scherer 1º Vice-Presidente - José Carlos Freitas Lemos 2ª Vice-Presidente - Maria Luiza Ambros von Hollenben 1ª Secretária - Daniela Marzola Fialho 2ª Secretária - Elizabeth de Carvalho Castro 3ª Secretária - Maria Cristina da Silva Martins 1º Tesoureiro - Paulo Artur Kozen Xavier de Mello e Silva 2ª Tesoureira - Maria da Graça Saraiva Marques 3ª Tesoureira - Ana Paula Ravazzolo

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Edição: Adriana Lampert Reportagens: Cláudia Rodrigues, Cleber Dioni Tentardini, Marco Aurélio Weissheimer e Michelle Rolante Projeto Gráfico: Eduardo Furasté Diagramação: Eduardo Furasté e Facundo de Arriba (estagiário) Ilustração: Mario Guerreiro Arte Final: Julio CC Lima Jr


Editorial Federação de docentes Em memorável assembleia geral, ocorrida em 03 de dezembro de 2008, a Adufrgs reformulou seus estatutos, transformando-se em Sindicato dos Professores do Ensino Superior Federal de Porto Alegre (Adufrgs-Sindical). As Associações de Docentes (ADs) das Universidades Federais de Minas Gerais e de São Carlos já haviam feito o mesmo e, mais recentemente, o exemplo foi seguido pelos professores das Universidades Federais da Bahia, de Santa Catarina, do Ceará e do Rio Grande do Norte. Atualmente, estão em processo de sindicalização as ADs de Goiás, de Mato Grosso do Sul, de Pernambuco e de Roraima. Esta é uma tendência sem volta do movimento docente superior federal, causada pelo entendimento de que uma estrutura sindical formada por entidades locais, reunidas nacionalmente em uma federação, é muito mais conveniente para os sindicalizados - no caso, os professores - do que a forma antiga de grande sindicato nacional. Isso, por vários motivos, dentre os quais os seguintes: · O sindicato local está mais próximo dos sindicalizados, com melhores condições de interpretar suas vontades e lutar pelas suas aspirações · O sindicato local é menos vulnerável a aparelhamento político partidário do que um sindicato nacional · Uma federação de sindicatos terá mais força política para negociar com o governo as questões de carreira e salários, bem como quaisquer outras demandas dos sindicalizados · Uma federação de sindicatos terá, necessariamente, como consequência de sua estrutura constitutiva, uma gestão muito mais democrática do que um grande sindicato nacional · Um sindicato local terá muito mais influência nas decisões de uma federação do que uma seção sindical nas decisões de um sindicato nacional. O Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) será transformado, por decisão de seus associados, em Federação de Sindicatos de Professores do Ensino Superior Federal (ProifesFederação). A transformação está prevista para ocorrer em 1º de janeiro de 2012. Enquanto isso, uma comissão de professores, representantes das entidades mencionadas acima, está elaborando uma sugestão de estatuto para a Federação. Esta proposta já está quase pronta, permitindo-nos adiantar que a estrutura de poder será extremamente democrática e marcadamente federativa. A instância deliberativa máxima será um conselho, cujos membros serão indicados autonomamente pelos sindicatos filiados da Federação, em números proporcionais aos de seus sindicalizados. A diretoria executiva, assim como o Conselho Fiscal, serão também formados por membros indicados por estas entidades. As decisões de maior impacto, como decretação de greve ou mudança estatutária, exigirão aprovação em um plebiscito nacional. A diretoria da Adufrgs-Sindical tem desempenhado papel fundamental na elaboração dessa proposta de estatuto e manifesta sua convicção de que, com ele, teremos uma federação verdadeiramente democrática e independente de governos e partidos.

Diretoria da Adufrgs-Sindical

ヘN D I C E

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AMBIENTAL

Discussões sobre clima e biodiversidade podem ser apenas base de ciclo capitalista com slogan verde

por Marco Aurélio Weissheimer

ESPECIAL

Uergs aposta em dias melhores com chegada do novo governo no Estado

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por Marco Aurélio Weissheimer

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SEGURIDADE SOCIAL REPORTAGEM

Pioneirismo marca Pós em Farmácia da Ufrgs

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por Cleber Dioni Tentardini

VIDA NO CAMPUS

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Geologia da Ufrgs prepara alunos para atuar na indústria do Petróleo

por Michelle Rolante

PING-PONG

Paulo Sangoi

"Porto Alegre terá um dos maiores campus dos Ifs do Brasil"

por Marco Aurélio Weissheimer

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ARTIGO

Governador, vamos priorizar a ciência e tecnologia?! por Eduardo Rolim de Oliveira

NOTÍCIAS

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OBSERVATÓRIO NAVEGUE

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EM FOCO

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ORELHA

Antropologia da Ufrgs encerra 2010 com muitos prêmios

por Cláudia Rodrigues

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+1 SANTIAGO

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AMBIENTAL

A vida não é uma mercadoria. Ou é? Ambientalistas advertem: conversas globais sobre clima e biodiversidade podem estar lançando bases para a consolidação de um novo ciclo de acumulação capitalista sob o slogan verde da “economia do baixo carbono” Por Marco Aurélio Weissheimer

A organização ambiental Amigos da Terra Brasil realizou em novembro, em parceria com a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos e Saúde e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul o seminário O Reflexo das Negociações Internacionais do Clima e da Biodiversidade nas Políticas Nacionais e Estaduais - Em Busca de Novos Paradigmas para as Políticas Ambientais, com a presença de representantes da sociedade civil do Brasil nas conferências da Diversidade Biológica em Nagoya, no Japão, e do Clima, em Cancun (México). Estes afirmam que tais negociações, quase sempre desconhecidas do conjunto da população, interferem diretamente em nosso dia a dia, seja pelas decisões tomadas ou pelas omissões praticadas. No cenário atual, as omissões aparentemente vêm ganhando das decisões, especialmente no que diz respeito às mudanças climáticas. Os painelistas convidados para o Encontro falaram um pouco sobre a dinâmica interna e o processo de tomada de decisões nos espaços multilaterais de negociação de políticas ambientais. Esses são dominados pelas grandes corporações empresariais e pelos governos dos países mais ricos, impondo sérios obstáculos para a participação de representantes da sociedade. O Seminário também abordou as disputas comerciais nas conferências internacionais e os processos de ajuste das políticas de meio ambiente, nacionais e locais, a partir de exemplos concretos, como o Código Florestal, a Política Nacional de Mudanças Climáticas e projetos de lei em tramitação na Assembleia Legislativa gaúcha. O objetivo do encontro foi abrir um canal de diálogo com formuladores de políticas públicas e estabelecer interlocução com os legisladores e os governos recém eleitos. A biodiversidade como produto de consumo Marciano Toledo da Silva, representante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)/Via Campesina Brasil na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (Cop-10), em Nagoya; e Camila Moreno, representante dos Amigos da Terra Brasil na mesma conferência, falaram sobre o resultado e os rumos das negociações e das políticas de biodiversidade. Ambos manifestaram preocupação com os resultados da Conferência, como a aprovação por 193 países – incluindo o Brasil - do Protocolo sobre Acesso e Repartição de Benefí-

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cios dos Recursos Genéticos da Biodiversidade (ABS, sigla em inglês), que determina regras básicas para o uso de recursos genéticos da biodiversidade. “Infelizmente, a mercantilização da biodiversidade é uma realidade cada vez mais presente nestas conferências, que reproduzem em seu interior os debates da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, observou Camila. A Cop-10 também anunciou o Plano Estratégico do período 2011-2020 e para o financiamento das ações de conservação. Em relação às áreas protegidas, aumentou-se de 10% para 17% a meta de conservação de limites terrestres, enquanto que na área marinha permanecem os 10% de extensões protegidas. No Plano Estratégico ocorreu a “inclusão do valor da biodiversidade” nas contas públicas dos países e a redução de subsídios destinados a atividades consideradas prejudiciais e degradantes desta riqueza específica. Foi, ainda, definida uma diretriz de redução da exploração inadequada de recursos pesqueiros e hídricos. Os ambientalistas presentes criticaram o processo de valoração que vem procurando estabelecer preços e índices com um objetivo central: a criação de um mercado da biodiversidade e de seus recursos genéticos. Segundo eles, o grande capital encontrou nesta área uma nova fronteira de acumulação e está investindo pesado nos conceitos de capital natural, banco da natureza e economia verde. Camila Moreno alertou que hoje, no Brasil, existem dois grandes blocos do movimento ambientalista: um que está integrado neste esforço de criação de um capitalismo verde, e outro, ao qual ela se filia, de origem anti-capitalista e que acha que esse processo de valoração da biodiversidade e da natureza só irá contribuir para acelerar a destruição dos recursos naturais do planeta, tornando as pessoas mais ricas cada vez mais ricas e, na melhor das hipóteses, deixando algumas migalhas para as comunidades tradicionais que aceitarão “comercializar” sua biodiversidade. Para a pesquisadora da Amigos da Terra, está claro que a saída que os países encontraram é colocar um preço na biodiversidade. Camila acredita que os discursos estão gerando uma distorção. Ela criticou que a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) aceite a ideia de que as empresas possam ser as personagens principais da conservação das riquezas específicas, porque sempre destruíram o meio ambiente. “Ao contrário, os povos tradicionais e os camponeses é que devem ser considerados


pelos países como os que conservam a vida e a natureza”, defendeu. Ela condenou, ainda, a criação de um comércio para os tipos de vida parecidos com o mercado de carbono da Convenção do Clima. Por outro lado, a Cop-10 aprovou uma moratória para a chamada geoengenharia. A técnica aponta maneiras de diminuir o aquecimento global com medidas que modificam a maneira como o clima funciona. A moratória atinge projetos e experimentos e dá seguimento a proibição da chamada fertilização dos oceanos - técnica onde algas seriam soltas na água para capturar carbono e diminuir o aquecimento do planeta - , que foi aprovada há dois anos na Cop-9. O problema é que o controle sobre essas algas semeadas seria impossível, e os impactos ambientais imprevisíveis. Outro projeto proibido é o de instalar espelhos no espaço refletindo a luz do sol para fora do planeta. A medida que - em teoria - diminuiria o aquecimento da Terra, também mudaria de maneira imprevisível o regime de chuvas. O fracasso de Copenhague e a “economia do baixo carbono” Lucia Ortiz, coordenadora regional do Programa de Justiça Climática e Energia da Amigos da Terra Internacional; e Micheline Michaelsen, representante do MST e da Via Campesina no Congresso da Coordinadora Latinoamericana de Organizaciones del Campo, falaram sobre as expectativas para a Cop-16 do Clima e as tendências das políticas nacionais e estaduais sobre mudanças climáticas, florestas e agriculturas. A representante dos Amigos da Terra lembrou o fracasso das negociações mundiais pelo clima na 15ª Conferencia das Partes (Cop-15) da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizada em Copenhague no final de 2009. “Não houve nenhum Acordo de Copenhague, como chegou a ser divulgado pela mídia”, afirmou. Não é de espantar, acrescentou, que os Estados Unidos, que são os maiores poluidores do planeta, e que não assinaram sequer o Protocolo de Kyoto, tenham pretendido vender a ideia de que teria ocorrido um “acordo” na Dinamarca, sugerindo “compromissos voluntários”, sem prazos e metas e procurando eliminar a diferenciação entre os países industrializados e em desenvolvimento. Nas ruas de Copenhague, assinalou ainda, os movimentos uniram-se apenas na mensagem genérica de urgência por 'um acordo vinculante global com metas ambiciosas de redução de emissões para salvar o clima'. Repetindo advertência feita por Camila Moreno, Lucia Ortiz falou do grande risco de que essas conferências globais estejam lançando, na verdade, apenas as bases para a consolidação de um novo ciclo de acumulação capitalista sob o slogan verde da “economia do baixo carbono”. Se isso acontecer, acrescentou, a febre climática terá triunfado na incorporação das últimas fronteiras da natureza – do ar à biodiversidade - ao mercado mundial, sem alterar em nada a lógica da sociedade industrial e da

economia globalizada que justamente provocou o problema. O vocabulário dessa nova “economia do baixo carbono” começa a ganhar cada vez mais espaço na mídia, lembrando a propaganda massiva feita na época da chamada Revolução Verde: mercados compensatórios e especulativos de créditos de carbono, a partir da apropriação do carbono das florestas (um mercado avaliado na casa dos trilhões de dólares); capitalização dos fundos de financiamentos multilaterais a serem gerenciados pelo Banco Mundial para mitigação e adaptação; pacotes de transferência de tecnologia e abertura de mercados para empresas do Norte; apropriação e mercantilização de tecnologias sociais e conhecimentos tradicionais de comunidades de países pobres e em desenvolvimento. Lucia apontou algumas das “falsas soluções” que estão sendo propostas por esses agentes do grande capital internacional: a lógica das compensações dos mercados de carbonos, incluindo o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação de florestas tropicais e fundos gerenciados pelos Banco Mundial para investimentos em 'energias limpas' das hidrelétricas, das usinas nucleares e das monoculturas para agrocombustível. Geoengenharia, fertilização do oceanos, captura e armazenamento geológico de carbono até a suposta vantagem dos transgênicos para 'adaptação às variações climáticas', seriam outros exemplos. Movimentos sociais e ambientalistas buscam unidade Diante da constatação que, desde a Eco 92, realizada no Rio de Janeiro, a situação da destruição ambiental no planeta piorou, e do avanço do grande capital sobre os recursos da natureza e da genética, Micheline Michaelsen, da Via Campesina, defendeu a construção urgente de uma unidade política entre movimentos sociais e organizações ambientalistas. “Quanto mais a gente escuta um discurso desanimado afirmando que não é possível, mais acredita na urgência de colocar isso em prática”. Dois dados apresentados no encontro parecem reforçar essa urgência: O Brasil bateu recorde no consumo mundial de agrotóxicos em 2009 e em 2010. Mais de um bilhão de litros/ano de venenos foram jogados nas lavouras, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola. O País ocupa o primeiro lugar na lista de consumidores desses produtos químicos. Por fim, os governos não conseguiram cumprir sua promessa de chegar a 2010 com uma redução significativa da perda de diversidade biológica, segundo o Centro de Monitoramento para a Conservação Mundial. A biodiversidade declinou nas últimas quatro décadas. Essa diminuição pode ser observada em distintos grupos animais, como mamíferos ou aves. Reduziu-se também a extensão dos bosques e manguezais e se deterioraram as condições marinhas. As tendências agregadas dos indicadores de estado também pioraram. Em nenhum caso, se identificaram reduções dos ritmos de perdas. O novo capitalismo verde promete reverter esse quadro. Alguém acredita?

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ESPECIAL

Universidade Estadual aposta em dias melhores Inexistência de um plano de carreira e corte de investimentos levaram ao sucateamento da Instituição e à perda de grande parte de seu corpo docente

Em junho de 2011, a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul completará sua primeira década de vida. Criada em 2001, por iniciativa do governo Olívio Dutra (PT), a Uergs foi aprovada por unanimidade pelas forças políticas representadas então na Assembleia Legislativa. Hoje, a Universidade tem uma estrutura de 24 unidades espalhadas pelo Estado, divididas em sete regiões. A previsão inicial era de que a Instituição teria 300 professores. No entanto, hoje tem apenas 100 docentes no quadro de 150 funcionários, e conta somente com 18 cursos e cerca de dois mil alunos. O professor Fernando Guaragna (foto), doutor em Química, pelo Instituto de Química da Ufrgs, foi eleito no início deste ano, pelo voto direto de professores, alunos e funcionários, o novo reitor da Uergs. Primeiro gestor eleito da Instituição, ele está confiante que, após um período de descaso, a Universidade entrará em uma nova fase, onde poderá cumprir os objetivos para os quais foi criada. A proposta de fundação da Uergs, lembra Guaragna, estava baseada na ideia de que o Estado deveria cumprir um importante papel de indutor do desenvolvimento regional. Por essa razão, na época de sua implementação, a localização das unidades da Universidade equivalia, de modo geral, às regiões carentes do Rio Grande do Sul, que necessitavam de políticas de desenvolvimento por parte do poder público e que não estavam na área de ação de universidades federais, ou mesmo privadas. A ideia básica, portanto, era a de uma universidade focada no desenvolvimento regional. Por uma série de questões políticas, observa o reitor, a Uergs foi sendo sistematicamente ignorada nos últimos anos. “Hoje, com o número de professores e funcionários que temos, estamos no limite da operacionalidade. Algumas unidades estão tecnicamente fechadas. Os recursos da Uergs foram reduzidos nos últimos quatro anos, passando de R$ 30 milhões para R$ 25 milhões.” Além disso, acrescenta Guaragna, a Instituição não tem plano de carreira, o que provoca uma perda muito intensa de professores para as universidades federais. “A Uergs tinha profissionais altamente qualificados. Cerca de 85% do nosso corpo docente era formado por doutores e pós-

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Suzana Pires

Por Marco Aurélio Weissheimer

doutores em 2006, um dos maiores índices do País”, recorda. ”Sem incentivo, os excelentes professores que temos são obrigados a procurar outras oportunidades no mercado.” Com a inexistência de um plano de carreira, o corte dos investimentos e o consequente sucateamento da Instituição, no momento em que o governo criou novas universidades federais e promoveu uma série de concursos públicos, ocorreu uma migração de professores da Uergs para outras universidades. “A negativa do atual governo do Estado para a criação do plano de carreira e a lentidão na liberação de vagas para concurso e para contratação não permitiu a reposição desses profissionais, causando uma sangria muito grande”, lamenta Guaragna. Mas o futuro acena com dias melhores para a Uergs. Além de 20 professores, já aprovados em concurso e que aguardam nomeação por parte do governo do Estado, há uma série outros concursos engatilhados que devem ser


realizados a partir de 2011. O principal desafio, agora, destaca o reitor, é reverter o quadro de sucateamento a que a Universidade foi submetida nos últimos anos. “Ainda durante o processo eleitoral da Uergs, nós procuramos todos os candidatos a governador para que eles assumissem um compromisso em defesa do resgate e da valorização da Instituição. Os candidatos Tarso Genro (PT), José Fogaça (PMDB) e Pedro Ruas (PSOL) assumiram esse compromisso. A expectativa agora, com o novo governo, é tornar isso realidade. As sinalizações têm sido positivas, informa Guaragna. Já ocorreram três reuniões com a equipe de transição do governo Tarso Genro. A Uergs já conseguiu repasse de R$ 1 milhão a mais para 2011, por meio de uma emenda parlamentar ao Orçamento do Estado para o próximo ano. Além disso, a Universidade terá o reforço federal de outros R$ 10 milhões, fruto de uma emenda apresentada pelo senador Paulo Paim (PT). “Isso nos alegra muito, pois mostra que há uma vontade política para valorizar a Universidade”, comemora o reitor.

Arquivo/diretoria de comunicação

Planos para o futuro “A nossa ideia não é competir com as federais e muito menos com as privadas. O que buscamos é uma relação de harmonia e complementariedade dentro do Estado. Hoje temos áreas que não são cobertas pelas universidades federais nem pelas comunitárias, onde a Uergs atua com uma formação mais apropriada para aquela determinada região. Há uma divisão do trabalho por meio da qual podemos criar uma rede de colaboração e de formação em todo o Estado, sem que haja superposição de cursos e desperdício de dinheiro público”, explica Guaragna ao falar dos planos da reitoria para o futuro. Além de reforçar essa relação de complementariedade, o reitor acredita que os serviços oferecidos pela Uergs devem ser rediscutidos. “Os cursos que temos hoje foram estabelecidos há quase 10 anos. Naquele momento não existia a Unipampa, não existiam os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Hoje temos cidades que abrigam unidades da Uergs e destas instituições. Precisamos rediscutir, portanto, se os nossos cursos estão adequados e se estão bem distribuídos geograficamente no Estado, considerando a intenção que referi de evitar superposições e desperdício de recursos”. Outro objetivo, informa Guaragna, é que a Uergs se torne, de fato, uma universidade, uma vez que hoje a Instituição não tem pesquisa nem pós-graduação adequados. “Temos que estruturar nossa pós-graduação, com os quatro mestrados e os dois doutorados que o MEC exige. Teremos que avaliar nossa oferta de cursos e a nossa infraestrutura, que é muito precária. A Uergs, por exemplo, não tem prédios próprios, funcionando geralmente em prédios de escolas e outras instituições do Estado”. Apesar dessa precariedade, o clima é de muito otimismo na reitoria com os novos ventos políticos que começam a soprar. O projeto da Uergs idealizado no início da década passada, terá, a partir de 2011, uma chance de renascer.

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Suzana Pires

SEGURIDADE SOCIAL

Professores Aposentados debatem Plano de Carreira Por Michelle Rolante

O 1º Encontro Nacional dos Professores que será promovido pela Adufrgs-Sindical, em 2011 foi aprovado durante o 6º Encontro dos Professores Aposentados, realizado em novembro, que teve como objetivo principal debater o Plano de Carreira do Magistério Superior. O advogado Francis Bordas, assessor jurídico da Entidade, apontou as principais alterações do Projeto de Lei de Estruturação da Carreira Docente proposto pelo governo. De acordo com Bordas, entre os pontos mais problemáticos do PL está o fato de que este traz os anexos de valores de vencimentos iguais aos que já estão em vigor hoje. “Muda-se a carreira, mas não o salário, isso é, no mínimo, incongruente. Poucas classes ganham aumento e os aposentados não ganham absolutamente nada.” Do ponto de vista dos professores aposentados, isso não melhora em nada a vida deles, e os expõe a alguns riscos, ressalta o advogado. Segundo Bordas, juridicamente o PL não atende aos direitos mínimos dos professores em geral. Na opinião dele, talvez seja necessário propor algo novo, que traga ganhos reais para os docentes. O presidente da Adufrgs-Sindical, Claudio Scherer, apresentou proposta substitutiva ao Projeto de Lei, elaborada pela diretoria da Entidade e aprovada na última reunião de ADs pelo Proifes e explicou as alterações indicadas. “O documento, que propõe uma carreira com o mesmo número de classes atual – ou seja, cinco -, mantendo a do professor titular, e um teto salarial equivalente ao da carreira da Ciência e Tecnologia, está em fase de ajustes”, lembrou. Scherer ainda salientou que dentro dessa proposta podem ser feitas algumas mudanças. Além disso, o presidente da Adufrgs anunciou que em breve deve se concretizar o Proifes-Federação. Segundo a docente aposentada Rosa Maria Magrinelli, é importante a participação dos professores inativos no debate, principalmente para influenciar e alertar os jovens docentes que um dia estarão nesse lugar. “Não é um costume do povo brasileiro refletir sobre qual é sua participação no futuro da sociedade”, destacou Rosa. O professor Lucio Hagemann ressaltou a importância

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da adesão dos associados no Encontro dos Professores Aposentados. “Quanto maior o número de participantes nesses conclaves que discutem essa matéria, mais legitimidade confere a todas essas discussões para que isso tenha força de argumentação junto aos fóruns, especialmente nacionais, aonde vai se continuar discutindo. Além disso, deve-se fazer um esforço muito grande junto aos parlamentares, especialmente da Região Sul, para que eles compreendam essa situação e votem conscientemente de acordo com as reivindicações da categoria do funcionalismo público”, alertou. Hagemann destacou ainda que a Proposta de Emenda Constitucional (Pec) 555 visa a correção histórica de uma situação - onde todos os servidores públicos federais sempre contribuíram pela totalidade de seus vencimentos para a formação de um fundo que os possibilitasse obter direito à aposentadoria integral. Está regra foi alterada em 2003, com vigência em janeiro de 2004, para fazer com que os aposentados fossem obrigados a uma contribuição acima de 11% de acordo com o nível de vencimentos para diminuir o déficit da Previdência. Por isso, foi apresentada no Congresso Nacional a PEC 555, que tem como objetivo suprimir o desconto previdenciário dos aposentados. No momento, essa proposta está em tramitação no Congresso - com aprovação de comissão especial aguardando inclusão na ordem do dia para ser apreciada pela Câmara, e posteriormente encaminhada ao Senado. A partir daí, só mediante aprovação de dois terços do quórum em cada uma dessas casas legislativas é que a mesma será considerada aprovada e, ainda assim, deverá ser submetida à sanção do presidente da República. Para o professor aposentado Curt Henrique Sommer, o encontro promovido pela Adufrgs-Sindical foi excelente para colocar os docentes a par do que o governo pretende com esse PL. “Eu quero parabenizar a Entidade que, identificando as falhas existentes, apresentou contraproposta, com o objetivo de sanar esses problemas. Por isso, é importante que cada vez mais colegas participem dessas ações”, destacou.


REPORTAGEM

Pioneirismo marca Pós em Farmácia da Ufrgs Programa chega aos 40 anos integrando a lista dos quatro cursos do gênero considerados como de excelência internacional na área em todo o País Por Cleber Dioni Tentardini

O Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCF/Ufrgs) comemora quatro décadas de tradição e pioneirismo na formação de recursos humanos e pesquisa e o reconhecimento pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) como um dos quatro programas de excelência internacional na área de farmácia no Brasil, após ter obtido recentemente o Conceito 6. A tradição de cooperação internacional que originou o PPGCF se mantém até hoje em convênios com diversas universidades na França, Alemanha, México, Colômbia, Uruguai e Bolívia, através de editais do CNPq e da Capes. Também são realizadas parcerias com universidades brasileiras, estaduais e federais, através de projetos do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica da Capes (Procad/Capes). Nos últimos anos, a colaboração com o setor produtivo farmacêutico tem se consolidado, com a geração de produtos com alta tecnologia, além de parcerias com instituições públicas, como Agência Nacional de Vigilância

Sanitária (Anvisa), Ministério da Saúde e Fundo Nacional de Saúde, contribuindo com a construção da autonomia do setor farmacêutico nacional. Esses intercâmbios, somados a uma política centrada na formação de recursos humanos, que iniciou na década de 80, propiciaram a constituição heterogênea do quadro de professores doutores da Faculdade de Farmácia da Ufrgs, tornando o PPGCF um núcleo de alta qualificação científica de amplo reconhecimento no País. O Programa conta atualmente com 33 docentes, sendo 27 permanentes. Destes últimos, 77% têm bolsa produtividade do CNPq, sendo 28% bolsistas de nível 1 (PQ1). Em 2009, de acordo com a coordenadora do PPGCF, Grace Gosmann, houve uma reestruturação das áreas de concentração e linhas de pesquisa, visando, principalmente, uma melhor inserção dos projetos relacionados ao âmbito do conhecimento biológico e assistência farmacêutica - e também com o objetivo de permitir a inclusão de novos docentes no Programa. Atualmente a Pós-Graduação em Ciências

Fotos: Suzana Pires

Formação de doutores tem sido o foco da Pós Graduação em Ciências Farmacêuticas

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REPORTAGEM Grace Gosmann é coordenadora do Programa Farmacêuticas atua em três linhas de pesquisa: Investigação de alvos terapêuticos e biomarcadores; Prospecção, síntese e avaliação biológica de moléculas de interesse farmacêutico; e Desenvolvimento, avaliação da qualidade e utilização de insumos e produtos farmacêuticos e cosméticos. Estes projetos visam subsidiar o desenvolvimento de fármacos com mecanismos de ação inovadores, bem como aperfeiçoar o diagnóstico de doenças humanas, a investigação das etapas do processo de desenvolvimento e avaliação de insumos farmacêuticos, medicamentos e cosméticos - desde a pesquisa de novos insumos e tecnologias para produção de medicamentos, até o delineamento experimental e o desenvolvimento desses produtos em escala piloto de fabricação. “Assim, muitos projetos estão relacionados com a investigação química e biológica de novas moléculas com potencial ação terapêutica, visando o tratamento de doenças em animais e seres humanos, obtidas tanto via prospecção na natureza, quanto por via sintética”, explica a coordenadora. Grace destaca, ainda, que vários projetos, de docentes e discentes, compreendem o desenvolvimento de ferramentas para avaliação da qualidade e desempenho de insumos, fármacos e medicamentos com vistas a investigar os padrões de utilização de medicamentos pela população e os problemas associados com seu uso inadequado.

Projetos inovadores Continuamente aprovados em editais de agências de fomento como Capes, CNPq e Finep, além do Ministério da Saúde e dos convênios com o setor privado, os projetos de pesquisa do corpo docente do PPGCF são, sem dúvida, inovadores e competitivos. Estes trabalhos permitem não somente o aporte financeiro ao Programa, como também a concessão de bolsas de mestrado acadêmico, doutorado e pós-doutorado.

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Além de concepções individuais, os professores da pósgraduação na área de farmácia colaboram em projetos em redes nacionais financiados pelo CNPq, como o Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Farmacêutica (INCT-if), o Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento de Fármacos e Medicamentos (INCT – Inofar), o Instituto Nacional de Genética Médica Populacional (Inagemp), e o Instituto Nacional de Análise Integrada do Risco Ambiental (Inaira). Os professores também coordenam ações do CNPq como a Rede de Nanocosméticos e projetos do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência em Ciência, Tecnologia & Inovação (Pronex/Fapergs). Em função do grande aporte de recursos gerados pelos docentes do Programa, o mesmo conta atualmente com uma estrutura de laboratórios e centrais analíticas com equipamentos de pesquisa modernos e diversificados, que asseguram a exequibilidade dos projetos desenvolvidos. Em relação à produção de textos científicos dos professores permanentes, no último triênio o Programa publicou 314 artigos indexados, sendo 75,5% de publicações com participação discente. Pode-se constatar que 43% da produção do Programa encontra-se nos três primeiros estratos do Qualis Capes (A1 a B1), indicando a qualidade da pesquisa desenvolvida. A formação de doutores tem sido o foco da PósGraduação em Ciências Farmacêuticas nos últimos anos. Em 2009, quintuplicou-se o ingresso de alunos de doutorado em relação ao primeiro ano do triênio 2007-2009. Uma das estratégias da política atual para essa expansão é o ingresso direto de graduados treinados em pesquisa através da iniciação científica realizada durante a graduação. Com essa medida, o Programa também reconhece a excelente atuação dos seus pesquisadores junto à graduação, não somente como docentes, mas também como motivadores e formadores de novos cientistas, uma vez que a média de alunos de iniciação científica do curso de Farmácia da Ufrgs envolvidos com projetos de pesquisa é de 2,5 estudantes por professor permanente do PPGCF. Os docentes do Programa também colaboram com professores e alunos do Ensino Médio e, desde 2010, iniciaram cooperação mais efetiva junto ao Ensino Fundamental, através da participação no projeto da Ufrgs aprovado no Programa Novos Talentos, fomentado pela Capes. Intercâmbio de conhecimento O quadro discente do PPGCF sempre contou, em sua trajetória, com um grande número de profissionais vindos de outras Instituições de Ensino Superior (IES), distribuídas por todo o País, mantendo sua tradição de formação de recursos humanos para qualificação do ensino e pesquisa na área farmacêutica no Brasil. Atualmente, 50% dos alunos do Programa são procedentes de outras IES. O intercâmbio de discentes também ocorre em nível nacional, sendo que os mestrandos e doutorandos realizam estágio em diversas instituições de ensino e pesquisa no


País, em empresas farmacêuticas e em instituições públicas de saúde como a Anvisa. Além de enviar seus alunos para estágio, o PPGCF/Ufrgs também recebe, através de seus orientadores permanentes, discentes de outros programas de pós-graduação, de outras regiões brasileiras - como os da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - e do exterior, a exemplo da Universidad de la República (Uruguai) e do Centro Colombiano de Genómica y Bioinformática (Colômbia). O doutorando Leandro Francescato destaca essa oportunidade como um dos pontos fortes do PPGCF. “O vínculo com instituições de países da América Latina e da Europa possibilita o intercâmbio de professores, alunos e conhecimento científico. Além disso, com frequência participo de eventos científicos nacionais e internacionais, apresentando e discutindo meu trabalho, aproveitando também para me atualizar e aprender novas técnicas”, declara. Farmacêutico Industrial e Tecnólogo de Alimentos pela Universidade de Santa Maria - onde também cursou o mestrado - Francescato realiza no Programa de Pós um projeto na área de Desenvolvimento e Controle de Qualidade de Insumos e Produtos Farmacêuticos. “Como sou contemplado com bolsa Capes-Reuni, que tem como objetivos incentivar práticas pedagógicas inovadoras e contribuir com a formação de docentes para o Ensino Superior, também tenho a possibilidade de atuar como assistente de ensino em aulas práticas e teóricas no curso de graduação de Farmácia, durante todo o período do doutorado. Isso contribui sobremaneira para meu aperfeiçoamento e atualização científica e profissional, e ao final do curso, estarei habilitado e credenciado para exercer atividades de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico na área de Ciências Farmacêuticas”, explica. Com ótima infraestrutura, equipamentos de ponta e professores/pesquisadores altamente conceituados e reconhecidos internacionalmente, segundo o farmacêutico, as perspectivas futuras de trabalho são boas, diante de um mercado que se mostra diversificado e em expansão – devido ao crescimento nacional do setor farmoquímico e do Ensino Técnico, Tecnológico e Superior -, havendo a necessidade de profissionais plenamente qualificados. Para a doutoranda Francini Kiyono Yatsu, o desafio atual do PPGCF é aumentar o número de parcerias com universidades brasileiras e estrangeiras, e com a indústria, aumentar e qualificar a produção científica, expandir a área de atuação dos mestres e doutores para além da universidade e estimular a modernização das linhas de pesquisas. “O cenário sofreu uma grande transformação nos últimos anos e, hoje, o ingresso de alunos de doutorado praticamente dobrou, sendo que a maioria deles possui bolsa de estudo”, afirma a representante discente.

Ela se dedica à pesquisa na linha de Desenvolvimento, Avaliação da Qualidade e Utilização de Insumos e Produtos Farmacêuticos e Cosméticos, mais especificamente na área de fitoterápicos e entende que é preciso avançar. “Apesar dos esforços conjuntos do corpo docente e discente, o desenvolvimento de pesquisas com fitoterápicos ainda é um grande desafio, devido à complexidade do tema e da falta de recursos e estrutura”, avalia.

Indústrias mais próximas da Academia Com a recente modernização e expansão das linhas de pesquisa, o incremento das colaborações nacionais e internacionais, a expansão do curso de doutorado e a competitividade de seus egressos no mercado de trabalho, de acordo a coordenadora Grace Gosmann, o Programa está apto para enfrentar os desafios atuais para a formação de profissionais pós-graduados qualificados e para a produção de ciência na área de farmácia. Esses desafios – os mesmos que a pesquisa brasileira enfrentará nos próximos anos - devem nortear as metas para o futuro do PPGCF. O Brasil ocupa hoje o 13º lugar no ranking da produção de artigos científicos e ainda está longe de ser um país reconhecido como líder mundial em ciência e tecnologia e inovação. “Para galgarmos uma posição de liderança mundial em ciência, tecnologia e inovação, muito ainda tem que ser feito em termos de qualificação da pesquisa científica desenvolvida no País e do número, qualidade e inserção dos mestres e doutores formados”, afirma Grace. Segundo ela, hoje, no Brasil, a pesquisa científica se desenvolve nas universidades, enquanto no exterior a pesquisa científica é fortemente desenvolvida nas indústrias. “A questão é encontrar meios de fazer o setor industrial participar da geração do conhecimento científico e promover o desenvolvimento tecnológico necessário para o País crescer.”

Francescato ressalta importância de intercâmbio com universidades do exterior

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REPORTAGEM Laboratórios da Central Analítica da PPGCF são modernos e diversificados A coordenadora do PPGCF acredita que nos próximos anos será necessário buscar estratégias para aumentar e qualificar cada vez mais a produção científica do Programa, aumentar o número de doutores formados, expandir as colaborações com a indústria farmacêutica, com as instituições de pesquisa no Brasil e no exterior, “na busca incessante pela excelência em pesquisa e formação de recursos humanos”. “Temos também que buscar estratégias para inserir nossos egressos nas empresas farmacêuticas brasileiras, se quisermos sair do estágio de produtores de genéricos para o estágio de inovadores na pesquisa de fármacos e medicamentos”, completa. O vice-diretor da Faculdade de Farmácia, professor José Angelo Zuanazzi, destaca que o pioneirismo do

Programa o tornou referência de qualidade reconhecido no País e exterior, como produtor de ciência de qualidade. “É o setor de maior relevância em pesquisa na Faculdade de Farmácia da Ufrgs, abrigando muitos cientistas e principalmente estudantes ligados aos diversos grupos de pesquisa no campo das Ciências Farmacêuticas. Muitos orientadores do Programa iniciaram sua carreira científica no PPGCF, o que aliás é o meu caso, bem como de outros tantos cientistas espalhados por todo o Brasil”, ressalta. Zuanazzi concorda, no entanto, que o Programa ainda tem de aperfeiçoar o que ele classifica como o grande desafio para os anos vindouros: “a crescente parceria com o setor produtivo”.

História O Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCF/Ufrgs) foi criado em 1970 apenas com mestrado acadêmico em Análise, Síntese e Controle de Medicamentos. Em agosto daquele ano foi credenciado pelo Câmara Especial de Pós-Graduação e Pesquisa da Ufrgs (Resolução 296/70) e, em novembro, reconhecido pelo Conselho Universitário da Universidade (Decisão 161/70). Em 6 de novembro de 1973, foi credenciado pelo Conselho Federal de Educação (Resolução 184/73). Pioneiro na área de medicamentos no País, o Programa tem suas origens fortemente vinculadas à cooperação internacional com a Universidade de Münster (Alemanha) e Universidade de Toulouse (França). O curso de doutorado iniciou suas atividades em 1992. O mestrado profissional na área farmacêutica do Programa, também pioneiro no Brasil, iniciou suas atividades em 2002, sendo organizado em dois cursos: Gestão da Assistência Farmacêutica e Desenvolvimento Tecnológico e Controle de Qualidade de Produtos Farmacêuticos. Diferente dos cursos acadêmicos que ocorrem em fluxo contínuo, as turmas de mestrado profissional são ofertadas em edições, sempre em parceria com o Ministério da Saúde, tendo sido realizadas três edições até o momento.

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VIDA NO CAMPUS

Programa de Geologia da Ufrgs prepara alunos para atuarem na indústria do petróleo Por Michelle Rolante

Com o objetivo de formar profissionais capacitados para atuar no novo cenário da exploração de petróleo no Brasil, o Programa de Geologia do Petróleo (Geopetro) do Instituto de Geociências da Ufrgs é desenvolvido em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), através do Convênio Ufrgs/ANP – PRH 12. Atualmente, no Brasil são 42 programas do gênero, cobrindo diferentes linhas de pesquisa da indústria do petróleo nas áreas de química, engenharias, direito do petróleo, geologia, entre outras que se inserem na cadeia que envolve o setor. Após a implementação da ANP, o mercado aumentou - e a necessidade de mão de obra qualificada para atender às demandas também. Por isso, há dez anos foi criado o Geopetro, integrando os Programas de Formação de Recursos Humanos (PRH) da ANP. Estes oferecem bolsas de graduação e pós-graduação para desenvolver atividades dentro de projetos de pesquisa específicos nas áreas de estratigrafia e análise de bacias, geocronologia, caracterização estratigráfica e diagenética de reservatórios e petrologia orgânica. Além disso, os alunos recebem ajuda de custo para desenvolverem projetos, desde que vinculados à indústria do petróleo. O Geopetro está vinculado ao curso de Geologia da Ufrgs e tem um conjunto de disciplinas eletivas que visam uma formação complementar. O PRH 12 formou, até agora, 54 alunos: 15 em doutorado, quatro em mestrado e 34 em

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Arquivo/Geopetro-Ufrgs

VIDA NO CAMPUS O Geopetro tem trabalhos de campo vinculados a alunos da Geologia, desenvolvidos em diferentes bacias brasileiras

Suzana Pires

graduação - com empregabilidade de 55,6%, sendo 46,3% no setor de óleo e gás. Entre outubro de 2009 e novembro de 2010, foram gastos aproximadamente R$ 43.124,60 em despesas como locação de veículos, passagens aéreas, diárias, material de consumo, prestação de serviços e equipamentos entre outros. A partir desse ano, além da ANP, a Petrobras financiará bolsas de estudos para incentivar mais pesquisas na área. De acordo com o coordenador do Programa de Geologia do Petróleo, professor doutor Claiton Scherer, as demandas da área são capacidade de integração de diferentes métodos e técnicas de levantamento, e identificação de dados geológicos, como estratigrafia de sequências, análise tectônica, petrologia orgânica, datação de rochas sedimentares, entre outros. “Também é importante o conhecimento de métodos que possam auxiliar na exploração e desenvolvimento de campos petrolíferos, além do domínio de

Claiton Scherer coordena Programa de Geologia do Petróleo na Ufrgs

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softwares de processamento e interpretações de dados geológicos”, destaca. A geologia está encarregada de descobrir as jazidas de petróleo, e para isso usa uma série de técnicas e métodos de análise para desenvolver esses campos. “Afinal, não basta encontrar e saber que tem óleo, deve-se fazer com que o campo produza o máximo de tempo possível”, ensina o coordenador. O programa pretende dar uma visão ampla para o profissional que desenvolve alguma ferramenta peculiar que será utilizada na indústria, e a monografia do aluno trata dessa área específica dentro da geologia do petróleo. A maioria dos projetos da Ufrgs estão localizados em bacias fora do Estado, entre elas as de Campos (RJ), Santos (SP), e quase todas do Nordeste. Além das bolsas de estudo, a ANP auxilia os alunos envolvidos com um valor adicional para desenvolverem suas pesquisas, em qualquer lugar do País. Além da Petrobras, que é a principal financiadora, o Programa possui parcerias com outras empresas de petróleo, como a Britsh Gas. Segundo Scherer, a Petrobras deve gastar em torno de 0,5% dos recursos


Suzana Pires

Muitos dos alunos bolsistas do Geopetro atuam desde a graduação em projetos de interesse da indústria petrolífera

obtidos nos campos gigantes de petróleo com universidades brasileiras. Por isso, a Estatal criou uma série de redes temáticas com assuntos específicos onde são desenvolvidos projetos de interesse da empresa. A geologia da Ufrgs está em cinco dessas redes e os professores da Universidade têm vários projetos de interação com a Petrobras. “Muitos dos alunos bolsistas do Geopetro atuam desde a graduação em projetos de interesse da indústria, em parceria com a empresa”, diz o coordenador. A seleção dos alunos para participar do projeto começa no terceiro ano da graduação, ou seja, eles se tornam bolsistas nos dois últimos anos para desenvolver o trabalho de conclusão dentro do Programa. Os estudantes têm dois encaminhamentos pós-formação: trabalhar na indústria, o que significa cerca de 50% dos alunos formados no Geopetro, ou seguir dentro do Programa, cursando mestrado ou doutorado, para ser absorvido, mais tarde, pelo setor industrial.

O Pré-Sal no desenvolvimento do mercado brasileiro De acordo com Claiton Scherer, com a descoberta do Pré-Sal o mercado nacional vai crescer muito, e, com isso, a Petrobras terá que contratar novos geólogos para atender a demanda de campos que entrarão em produção. “A questão do Rio Grande do Sul é mais delicada, porque recém estão iniciando os estudos exploratórios da bacia de Pelotas”, pondera o professor, ressaltando, que, como não se sabe se existe óleo por lá, a bacia de Pelotas é considerada uma incógnita geológica em termos de reservatórios de hidrocarbonetos. Por outro lado, toda a parte de construção de plataformas em Rio Grande abre uma perspectiva de aumento de empregos significativa na região. E a demanda é por diferentes profissionais, não só geólogos. Scherer anuncia que cerca de 60 alunos foram escalados para passar por treinamento, para conhecimento e descrição de rochas, principalmente na região de Caçapava. “É preciso toda uma logística para acompanhar as saídas de campo. Nesse caso são necessários, no mínimo, dois professores para realizar essa atividade.” O Geopetro também tem trabalhos de campo vinculados a projetos de alunos da Geologia que podem ser desenvolvidos em diferentes bacias brasileiras, de acordo com área escolhida. Existem algumas saídas que são realizadas para Goiás, Tocantins, Minas Gerais, entre outros estados. “Como o aluno do Programa tem recursos para financiar seu projeto de pesquisa, ele consegue fazer seu trabalho em qualquer parte do País. É uma experiência muito rica”, conclui o coordenador.

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PING-PONG

Paulo Roberto Sangoi

“A comunidade de Porto Alegre terá um dos maiores campus dos IFs do Brasil” O juiz da Vara Federal de Canoas, Daniel Luersen, acolheu, dia 29 de outubro, o pedido de adjudicação do prédio ocupado pela Ulbra no Centro de Porto Alegre - localizado na rua Coronel Vicente, 281- em favor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, antiga Escola Técnica da Ufrgs. Assim, o prédio da Ulbra Saúde e o anexo do edifício garagem, na Voluntários da Pátria, serão transferidos para o IF-RS. O imóvel de propriedade da Ulbra encontrava-se penhorado por dívidas fiscais com a União e servirá de sede do Campus Porto Alegre do Instituto. A partir de março de 2011, o Instituto Federal já deve estar ocupando as 31 salas de aula existentes no antigo prédio da Ulbra Saúde, abrigando, em um primeiro momento, os cursos de Contabilidade, Secretariado e Administração. Os 2.000 alunos do IF-RS em Porto Alegre estudam provisoriamente, desde 2008, no prédio da antiga Escola Técnica de Comércio da Ufrgs. Com o novo prédio, a Instituição pretende ampliar sua capacidade para 3.500 alunos nos próximos anos. Em entrevista à revista Adverso, o diretor do Campus Porto Alegre do IF-RS, Paulo Roberto Sangoi, fala sobre o que o novo campus significará para o Instituto, ao lado de seu vice-diretor, Julio Xandro Heck. Eles manifestam muito entusiasmo com a novidade e, principalmente, com o que ela representa em termos de fortalecimento da Instituição. Sangoi considera impressionante o crescimento da demanda por cursos técnicos de formação profissional. Nunca antes na história deste País, brinca, o governo federal investiu tanto nesta área. A instalação do Campus do Instituto no Centro de Porto Alegre deverá mudar todo o entorno daquela área. Serão mais de 2.000 alunos circulando diariamente pelo prédio. “A comunidade de Porto Alegre terá um dos maiores Campus dos IFs do

Por Marco Aurélio Weissheimer

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Fotos: Michelle Rolante

Brasil”, anuncia Sangoi.


Adverso: Como se deu o processo de aquisição do prédio que abrigará o novo campus do Instituto Federal em Porto Alegre? Paulo Sangoi: Em 2008, no período de transição entre Escola Técnica e Instituto Federal, houve um acordo entre a Ufrgs e o IF para que pudéssemos usar o prédio da Escola Técnica por um determinado período, até que conseguíssemos adquirir uma nova sede. Em 1 de janeiro de 2009, o Campus Porto Alegre do Instituto Federal começou a funcionar. A partir daquele momento, começamos a procurar uma área que pudesse abrigar o Campus definitivamente. Foram dois anos de procura. No final de setembro de 2009, ficamos sabendo que o prédio da Ulbra havia sido penhorado, em função da dívida daquela instituição para com a União e começamos a estudar essa possibilidade. No final de outubro, a Justiça determinou que os prédios da Ulbra deveriam ir à leilão. Foi aí que começamos a atuar. Conversamos com o Ministério da Educação (MEC) para encaminhar um pedido de adjudicação, que é um ato judicial através do qual o credor, no caso a União, recebe o bem penhorado como forma de pagamento, e chegamos à conclusão que essa seria a melhor alternativa. A partir daí, começamos a fazer um trabalho para que o juiz chegasse a esse entendimento. A União entrou com o pedido de adjudicação do prédio do Centro e também dos hospitais. No dia 29 de outubro de 2010, o juiz federal Daniel Luersen atendeu o pedido e concedeu a adjudicação. Adverso: O Instituto Federal conseguiu conquistar também o prédio ao lado... Sangoi: Sim, há um prédio ao lado, onde funcionam salas de aula, a rádio Pop Rock, a Ulbra TV e um estacionamento. Colocamos para o MEC que dispor desse prédio seria importante, não só pelo estacionamento, que é fundamental no Centro de Porto Alegre, mas pela existência de várias salas de aula. Nosso pedido foi atendido e conseguimos, assim, um total de 38 mil metros quadrados de área construída. Adverso: Hoje a área ocupada é de que tamanho? Sangoi: Nosso campus atual tem oito

"Nosso projeto é atender 3.500 alunos em Porto Alegre, já a partir de 2012" mil metros quadrados. Trata-se, portanto, de uma expansão enorme. Não temos uma visão imediatista, mas sim um olhar para o futuro. Não adiantaria nada conseguirmos um prédio um pouco maior do que este em que estamos, pois daqui a quatro ou cinco anos estaríamos novamente procurando outra área. Adverso: O que esta expansão significa para o Instituto, além do aumento da área e da infraestrutura física? Sangoi: Quando assumimos, há dois anos, tínhamos 1.200 alunos. Hoje, temos 2.060 estudantes matriculados. Nosso projeto é atender 3.500 alunos em Porto Alegre, já a partir de 2012. A partir desse nível, teremos que ter o aporte de novos professores e servidores. O espaço que ocupamos hoje não comportaria esse crescimento. Estamos operando no limite da capacidade. Adverso: Quando ocorrerá a mudança para o novo prédio? Sangoi: Nós fizemos uma reunião com a direção da Ulbra e decidimos criar duas equipes, uma nossa e uma

deles, para tratar desta transição. O problema da Ulbra hoje é que há mais de 1.000 alunos estudando naquele prédio. Não é interesse do MEC ou do Instituto Federal desalojar estes estudantes. As duas equipes irão organizar uma transição. Os turnos da manhã e da tarde estão livres para a utilização do prédio nestes horários. O nosso grande problema é a noite. O ensino técnico hoje ocorre preferencialmente neste turno. Nós vamos organizar essa transição para, já no semestre que vem, colocarmos uma boa parte dos cursos naquele local. Será uma transição gradual e cuidadosa. O importante é que ela já começou. Além disso, a Universidade Federal, por conta da expansão do Reuni, também está precisando de espaço. O reitor da Ufrgs, Carlos Alexandre Netto, vem sendo um grande parceiro neste processo. Ele nos ajudou em tudo o que foi possível para a implementação do campus de Porto Alegre do Instituto Federal. Nós temos esse compromisso com ele, de conseguir liberar, a curto prazo, o espaço que ocupamos hoje. Então, essa é a nossa preocupação: atender a Ufrgs, atender o nosso corpo de alunos, professores e funcionários e também fazer uma transição com a Ulbra, sem causar prejuízos para os estudantes que lá estão. Adverso: Com a ampliação da área física, haverá maior oferta de cursos e aumento de projetos da Instituição? Sangoi: Nós já temos previsto, para 2011, o curso de Técnico em Vendas, que é um curso do Proeja. Eles iniciarão fazendo o Ensino Médio e o Técnico. Também temos aprovado o curso de Instrumentos Musicais, que será o primeiro curso técnico federal na área de música, e iniciará em março do ano que vem. Há, ainda, o projeto Prelúdio, que é um projeto de extensão em música bastante antigo, que era da Ufrgs e acabou ficando conosco. São, atualmente, cerca de 350 alunos matriculados e, no momento, está funcionando fora da área ocupada pelo IF-RS na Capital. Para que o projeto Prelúdio se concretize temos pago aluguel, porque, além de faltar espaço físico, não temos condições técnicas adequadas para abrigar esses alunos. O novo

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PING-PONG

Paulo Roberto Sangoi

campus resolverá esse problema. Já temos um plano idealizado para que eles tenham uma ala exclusiva, com um ambiente propício para crianças e adolescentes trabalharem e prosseguirem o belo projeto que realizam há mais de 20 anos. Essa foi, aliás, uma das justificativas para pegar o segundo prédio, pois ele tem essa característica de isolamento acústico. Por fim, temos também a ampliação do Ensino à Distância - área em que queremos crescer bastante - e a criação de cursos de pós-graduação. Estamos aguardando a aprovação de nosso primeiro mestrado, que será na área de Educação e Meio Ambiente. Ou seja, esse novo prédio irá permitir a criação de uma série de novos cursos e a ampliação de projetos já existentes.

ca, que é de última geração. Os estudantes que ingressam na Instituição logo percebem que terão um ensino de qualidade. Isso gera uma expectativa positiva, e o número de alunos acaba crescendo. Só através do Enem, tivemos 1.700 inscritos na última seleção. Desde 2008, temos feito também um trabalho de divulgação sobre o Ensino Técnico, que ajudou neste crescimento. Em geral, o egresso desta área entra no mercado de trabalho com mais facilidade do que um aluno de graduação. Segundo dados do MEC, a empregabilidade de egressos de cursos técnicos no Rio Grande do Sul está na casa dos 72%. Ou seja, em nosso estado, de cada quatro alunos do ensino técnico, três já saem empregados no final do curso.

Adverso: Como é que está a demanda por cursos técnicos? Sangoi: Quando assumimos, em dezembro de 2008, tínhamos 1.200 alunos inscritos. Em nosso último processo seletivo, dois anos depois, tivemos mais de 6.000 matriculados. Houve um crescimento de 195% na procura. A nossa média, na última seleção, foi de 12 inscritos por vaga, e chegamos a registrar, em um dos cursos, 24 estudantes disputando uma mesma vaga. Temos orgulho desses números. O IF-RS, a partir da política de forte incentivo a esta área adotada pelo governo federal, vem crescendo e se qualificando. Reformamos vários laboratórios, e criamos o de informáti-

Adverso: São dados bastante significativos... Sangoi: Sim, e eu gostaria de reafirmar o apoio que sempre tivemos do reitor Carlos Alexandre Netto. Ele é nosso parceiro de todas as horas, desde o primeiro momento. Nunca tivemos problema nenhum, muito pelo contrário. No ano passado, apenas para dar um exemplo, aprovamos um acordo, segundo o qual a reitoria da Ufrgs usará 180 bolsas de estágio para alunos do Instituto Federal. E é preciso destacar ainda uma coisa: o que o governo Lula investiu e vem investindo nas escolas técnicas não encontra precedentes na história do Brasil. Nos últimos dois anos, o crescimento do número de

O vice-diretor Julio Xandro Heck (esq) auxilia o diretor Paulo Roberto Sangoi a administrar o Campus Porto Alegre do Instituto Federal do Rio Grande do Sul

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"Segundo dados do MEC, a empregabilidade de egressos de cursos técnicos no Estado é de 72%" matrículas é de quase 100% em toda a rede de escolas técnicas federais espalhadas pelo País. Adverso: Isso é, em certa medida, um reflexo da ascensão social das camadas mais pobres da população? Sangoi: Sem dúvida. Podemos ver isso naquilo que o aluno egresso do Ensino Técnico passou a representar dentro de sua família. Ele ingressa no mercado de trabalho com um salário médio superior ao que teria se tivesse apenas o Ensino Médio, gerando toda uma reformulação na família com melhoria de qualidade de vida. O irmão ou a irmã passam a querer seguir o exemplo, e também procuram a escola técnica. Daqui a pouco, o pai volta a estudar pelo Proeja. Ou seja, desperta uma expectativa de crescimento muito grande. E nós temos muito orgulho de fazer parte desse processo.


NOTICIAS

Universidades brasileiras e europeias formam o Instituto de Estudos Europeus O lançamento do Instituto de Estudos Europeus no Brasil (IEE-BR) ocorreu no último dia 29 de novembro, em cerimônia realizada na sala do Conselho da Universidade de São Paulo. Coordenado pela USP, o projeto agrega mais sete instituições de ensino brasileiras como parceiras, sete universidades europeias como associadas, e visa maximizar a cooperação em ensino superior e pesquisa entre o Brasil e a União Europeia (UE). Representando a reitoria da USP, o professor Marco Antonio Zago, pró-reitor de Pesquisa, ressaltou que a herança europeia é e continuará sendo predominante no meio universitário brasileiro. Zago apontou a particularidade de um continente “que manteve a força individual de cada país ao mesmo tempo em que empreendeu um modelo de integração de sucesso.” Segundo o pró-reitor, mesmo que esta cooperação seja forte, ainda é feita de maneira isolada nas universidades. “Falta uma visão mais global, estruturada, que organize a interação entre os dois lados do Atlântico – que é o que esperamos que possa acontecer agora”, afirmou. O IEE-BR empreenderá atividades acadêmicas, de pesquisa, de diálogo, e de extensão. A parte acadêmica incluirá a criação de curso de pós-graduação em Estudos Europeus e de disciplinas optativas nos cursos de graduação, além da uniformização de titulação e reconhecimento mútuo de títulos obtidos no Brasil e na UE. Haverá incentivo às pesquisas em colaboração já existentes e à promoção de novos estudos com este modelo, bem como às pesquisas com participação da média e pequena empresa, e a concessão de prêmios para

pesquisas que visem à integração Brasil-Europa. Já as atividades de diálogo incluem workshops, congresso anual e fóruns de discussão, enquanto que as de extensão prevêem programas de pós-graduação lato sensu, criação de biblioteca digital e de programas de rádio e televisão, e divulgação de informações sobre financiamento para estudantes e pesquisadores. Após a assinatura do documento que estabeleceu a entidade, o coordenador do IEE-BR, Moacyr Martucci Jr. conduziu um debate entre autoridades diplomáticas e acadêmicas presentes, oficializado como a primeira atividade do Instituto. Marco Antonio Zago aproveitou para anunciar que também está em implementação, com sede na USP, um centro ibero-americano de estudos – mais uma iniciativa voltada para a criação de pontes entre os dois continentes. Para o pró-reitor, ciência e tecnologia são instrumentos de coesão diferentes da economia, porque não apresentam tanto a força dispersiva da competição, e, por isso, tanto o centro ibero-americano quanto o IEE-BR serão fortes instrumentos agregadores entre as regiões. A intenção é que o número de universidades que fazem parte do instituto – tanto brasileiras como europeias – seja ampliado a cada ano. No Brasil, fazem parte atualmente da parceria, ao lado da USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho (Unesp), Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Universidade Federal do Pará (UFPA). Fonte: USP Online

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São Paulo tomba 126 escolas públicas As primeiras escolas públicas de São Paulo, representantes do primeiro plano educacional criado no País, estão agora protegidas. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo (Condephaat) tombou 126 escolas construídas entre 1890 e 1930, na Primeira República. Onze ficam na capital. Sete prédios tombados foram projetados por Ramos de Azevedo e outros seguiram o mesmo modelo. A maioria das escolas tombadas, muitas delas, centenárias - com arquitetura semelhante, de plantas simétricas e influência francesa -, mantêm o mesmo uso até hoje. Construídos na virada do século 19 para o 20, os primeiros prédios são quase todos de dois andares, com oito a 20 salas de aula, divididas por corredores centrais. Na resolução que protege as escolas, o Condephaat ressalva a possibilidade, após aprovação do Conselho, de obras de adaptação para acessibilidade, e recomenda a demolição de anexos que tenham modificado os projetos originais. Fonte: Estadão

Uma reportagem do jornal Mercury News em novembro, nos Estados Unidos, mostra como figuras importantes do Vale do Silício — entre eles, um dos fundadores do Google, Sergey Brin — estão por trás de uma nova corrida espacial, desta vez, patrocinada por empresas privadas ao invés de agências governamentais. O empresário está na fila, desde 2008, para fazer uma viagem de turismo espacial pela empresa Space Adventures, que já colocou oito milionários passageiros no espaço. Brin, que é cofundador do Google ao lado de Larry Page, pagou US$ 5 milhões pela reserva na espaçonave. A empresa que vai levar o executivo ao espaço se prepara agora para lançar empreitada de enviar dois passageiros comerciais para fazer uma volta ao redor da Lua. Segundo a reportagem, a inciativa pode ocorrer em três ou quatro anos. A Space Adventures também está anunciando um voo comercial, junto com outras grandes companhias do setor de viagens, para uma estação espacial, a partir de 2015. Além disso, outra empresa, a Space X quer colocar em fu funcionamento cápsulas espaciais para turistas, semelhante tes às usadas pela Nasa. Em dezembro, deve ocorrer o pr primeiro teste, segundo a reportagem. O jornal também cita que uma agência da Califórnia está of oferecendo voos espaciais de duas horas por US$ 200 mil, pe pela empresa Virgin Galatic.

OBSERVATORIO

Corrida espacial

Fonte: Estadão

Índice de felicidade O governo britânico anunciou planos de lançar um novo índice para medir o bem-estar da população: o índice da felicidade. A iniciativa deriva de uma proposta que já vinha sendo defendida pelo primeiro-ministro, David Cameron, anos antes de ele ser eleito para o cargo. Recentemente, Cameron lançou uma consulta popular pela internet para avaliar a iniciativa de um censo para detectar o "índice de felicidade". A consulta faz parte do National Well Being Project (Projeto do Bem-Estar Nacional), que, ainda em seu estágio inicial, está identificando as perguntas e temas que ajudariam a medir o bem-estar da população. A ideia de Cameron não é novidade. O ex-senador americano Robert Kennedy, morto em 1968, costumava dizer que o PIB media tudo, "exceto aquilo que faz a vida valer a pena". O Banco Mundial, a Comissão Europeia, a ONU e a Organizção para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE) também estão considerando índices alternativos semelhantes. Fonte: Estadão ADVERSO 183 |NOVEMBRO 2010

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Rede Ambiente http://www.redeambiente.org.br A Ong Ambiente Brasil Centro de Estudos publica em seu site notícias internacionais e nacionais sobre mudanças climáticas, energias sustentáveis, resoluções políticas, biodiversidade, entre outras, relacionadas ao meio ambiente. O portal também traz artigos de opinião, informações sobre cursos e eventos vinculados a questões ambientais de todo o País, e links para outros endereços eletrônicos que abordem o tema.

Portal Vida Orgânica http://www.programavidaorganica.com.br Programa jornalístico voltado para o esclarecimento de aspectos relacionados à sustentabilidade e preservação ambiental, publica em seu site, assuntos sobre agricultura, energia, fauna e flora, produtos orgânicos, saúde, negócios sustentáveis, tecnologia, moda e estilo, entre outros.

Ambiente Brasil http://www.ambientebrasil.com.br Fonte de estímulo à ampliação do conhecimento ambiental, com informações em constante pesquisa e renovação e mídia dirigida a um público formador de opinião, o site é referência dentro da Internet. A missão do portal é estimular a ampliação do conhecimento ambiental e a formação de uma consciência crítica sobre os problemas e soluções para o meio ambiente, idealizando a obtenção de informações de forma organizada, sistemática e com velocidade.

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ORELHA

A Prática Farmacêutica na Manipulação de Medicamentos Autora: Judith E. Thompson Editora: Artmed Este livro é uma referência atual, prática e completa, direcionada não só a professores e a estudantes, mas também a profissionais dedicados à manipulação de medicamentos.

576 páginas 00 Preço: R$ 168,

Clínica Médica - Volume 7 / Alergia e Imunologia Clínica, Doenças da Pele, Doenças Infecciosas Autor: FMUSP/ Vários Editora: Manole A obra faz parte de um projeto da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do Hospital das Clínicas da FMUSP de editar livros que reúnam o conhecimento e a experiência dos médicos, pesquisadores e professores dessas instituições. O livro é dedicado a estudantes de medicina, médicos, residentes e clínicos gerais que atendam adultos. A publicação também pretende servir de consulta para especialistas que precisem aprofundar conhecimentos em áreas da clínica médica fora de sua especialidade.

856 páginas 25 Preço: R$ 186,

Antropologia do Cuidar Autores: Francesc Torralba I Rosello Editora: Vozes O profissional de enfermagem é quem conhece melhor o ser humano doente, já que sua ação se desenvolve no centro deste universo. O livro mostra que sua contribuição para a antropologia filosófica é, por isso, chave em uma visão realista sobre a pessoa e sua circunstância. Por outro lado, a antropologia filosófica traz elementos e instrumentos de reflexão teórica sobre o sentido e a essência da condição humana e sobre as várias dimensões do ser humano no mundo.

200 páginas Preço: 34,50

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Antropologia da Ufrgs encerra 2010 com muitos prêmios Por Cláudia Rodrigues Suzana Pires

Respeitado a nível nacional e reconhecido internacionalmente, o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS ) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) caracteriza-se por desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão que contribuam com o desenvolvimento da antropologia no Brasil. O Programa encerra o ano de 2010 em alto estilo. Pela terceira vez, o PPGAS alcançou o conceito 6 de excelência na Avaliação Trienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O objetivo da instituição é avaliar os cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrados e doutorados) do País. Com a atribuição dos conceitos é fundamentada a deliberação do Conselho Nacional de Educação (CNE) do Ministério da Educação (MEC) sobre a renovação de reconhecimento de cada programa/curso para o próximo triênio. Os resultados fornecem subsídios para a definição de planos e programas governamentais de desenvolvimento e os investimentos no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG). A classificação é feita por conceitos que podem variar de 1 a 7, reconhecendo os variados desempenhos de cada curso. Os programas de níveis mais elevados, de conceitos 6 e 7, são reconhecidos como de desempenho equiparados a cursos internacionais de excelência. Também não é à toa que a Associação Nacional de PósGraduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) concedeu o prêmio de melhor tese de doutorado em 2010 para um dos trabalhos do curso. A tese de Rosana Pinheiro-Machado, intitulada Made in China: Produção e Circulação de Mercadorias no Circuito China-Paraguai-Brasil, será publicada como livro pela Anpocs. Segundo o orientador do trabalho, professor doutor Ruben George Oliven, o mesmo concorreu com dezenas de outras teses de Antropologia, Ciência Política e Sociologia dos quase 100 programas afiliados à Associação. Este feito repete a premiação recebida em 2006, com a orientação da tese de Arlei Damo, Do Dom à Profissão - Uma etnografia do futebol de espetáculo a partir da formação de jogadores no Brasil e na França, reconhecida pela Capes como a melhor tese das áreas das Humanidades e, pela Anpocs, como a melhor tese de Ciências Sociais. Outro prêmio importante recebido em 2010 agraciou a professora Cláudia Fonseca com a medalha Roquette Pinto, concedida pela Associação Brasileira de Antropologia, em reconhecimento aos serviços prestados para área em todo o País. Este mesmo prêmio já foi concedido ao docente Ruben Oliven, por ocasião de sua presidência nessa Associação.

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Made in China A premiada tese de Rosana PinheiroMachado, Made in China: produção e circulação de mercadorias no circuito China-Paraguai-Brasil, é um trabalho pioneiro e inovador. Tendo como norte a ideia de uma “cadeia global de mercadorias”, o trabalho discute o sistema formal e informal de produção e circulação de bens chineses – bugigangas e cópias – no circuito China – Paraguai - Brasil, a partir de uma pesquisa de campo qualitativa realizada em três países diferentes. Rosana morou em Ciudad del Este e na Província de Guangdong, na China, onde ficou quase um ano. Corpo docente qualificado “De fato, o PPGAS colhe, no momento, frutos de um trabalho inaugurado por professores como Sergio Alves Teixeira, Ruben Oliven, Ignacio Pedro Schmitz, Claudia Fonseca, entre outros, que lutaram pela fundação do Programa e são os responsáveis pela forma qualificada com que o mesmo se estruturou”, declara Cornelia Eckert, atual coordenadora do curso. Segundo ela, o Programa se empenhou em construir um corpo docente qualificado, sendo rigoroso nos seus critérios científicos de formação. Ao mesmo tempo, o PPGAS formou uma identidade própria com núcleos e linhas de pesquisa que se apoiaram mutuamente, conforme a professora. Atualmente, são 211 dissertações de mestrado e 63 teses de doutorado defendidas. Com orgulho, Cornelia ressalta que a grande visibilidade do PPGAS se deve à qualidade da produção científica de seus professores e alunos, como comprovam os diversos prêmios recebidos pelos pesquisadores. “Vale assinalar que também temos um quadro funcional altamente qualificado. O Laboratório de Antropologia Social conta com o desempenho da antropóloga doutora Ana Luiza da Rocha, pesquisadora do Cnpq e coordenadora de projetos de ponta. Além disso, nossa secretária executiva, Rosemari Feijó, é muito competente, e isso faz toda a diferença”, diz a coordenadora.

Horizontes Antropológicos O Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Ufrgs é responsável pela Revista Horizontes Antropológicos avaliada como A1. Isso significa que a publicação possui o mais alto nível de avaliação de periódico científico. De abrangência internacional, seus números são temáticos, abertos à pluralidade de interpretações e de temas que possam interessar à antropologia para compreensão dos fenômenos socioculturais. Os núcleos de pesquisa também publicam periódicos especializados inseridos no sistema SEER e qualificados para a divulgação on-line das produções científicas de professores e alunos.

Instituições financiadoras A coordenação do PPGAS segue a linha de pensamento que diz que é sempre importante acentuar que um bom programa de formação se deve às políticas científicas desenvolvidas pelas instituições financiadoras. “Sem entidades como Capes, Cnpq, Fapergs, Fundação Ford, entre outras, um programa não existiria. Internamente o apoio de nosso IFCH e do Instituto de Estudos Latino Americano de Estudos Avançados que abriga projetos do PPGAS são essenciais e possibilitam a consolidação de projetos de excelência de Programas de Pós-Graduação”, diz Cornelia Eckert. Ela contextualiza a afirmação dizendo que todo o financiamento é da responsabilidade dessas instituições e a qualidade dos pós-graduação no Brasil parte de políticas científicas - a partir da demanda da sociedade. A comunidade antropológica tem buscado se afinar no acompanhamento dos problemas sociais de maior relevância e impacto, respondendo às políticas sociais e às reivindicações de direitos civis. Dessa forma, projeta uma formação transparente e ética de seus alunos nos processos de pesquisa. “A disciplina antropológica é extremamente dinâmica e sua existência só faz sentido se estiver atenta às demandas sociais e, sobretudo às injustiças e conflitos sobre os quais pode contribuir com estudos concretos e projetos críticos. O Programa que assim não o for estará fadado a nunca conquistar um projeto de formação qualificado dado à complexidade de suas disciplinas, à heterogeneidade de seu público em formação e à qualidade interdisciplinar de suas pesquisas”, finaliza a coordenadora do PPGAS.

Objetivos do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Ufrgs - Domínio da problemática sociocultural das sociedades simples e complexas - Busca de padrões de excelência - Formação profissional e produção científica Núcleos de Pesquisa em que está estruturado: · Antropologia e Cidadania · Antropologia Visual · Estudos da Religião · Antropologia das Sociedades Indígenas e Tradicionais · Estudos em Arte e Estilos de Vida · Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde · Pesquisas sobre Culturas Contemporâneas · Banco de Imagens e Efeitos Visuais O Programa conta ainda com o Laboratório de Antropologia Social, que articula as várias pesquisas em andamento nos diferentes núcleos e realiza projetos institucionais de pesquisa e extensão. O curso possui um intenso intercâmbio com outros centros de pós-graduação do Brasil e do exterior, tendo recebido professores visitantes dos mais diversos países.

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+1 Documentário João Sem Terra é o nome do documentário brasileiro que conta a história de João Machado dos Santos, gaúcho que se envolveu na luta política pela terra. Lançado neste ano e dirigido por Teresa Noll Trindade, o filme relata a ativa participação do personagem no Master, movimento que nos anos 60 teve fundamental importância na colocação da Reforma Agrária na agenda política nacional. João Machado dos Santos faleceu em 20 outubro de 2010, aos 86 anos, reconhecido como o precursor do MST.

+1 Livro Dentre os tantos desafios da contemporaneidade ao sujeito globalizado, um dos mais difíceis é o da propriedade intelectual. Ondina Fachel Leal e Rebeca Hennemann Vergara de Souza são as autoras da obra Do Regime de Propriedade Intelectual: estudos antropológicos. Trata-se de uma leitura extremamente pertinente e atual que aborda temas como direitos de autor, de marcas e de patentes; saúde pública e software livre; novas formas de organização social e patrimônio cultural e genético das comunidades tradicionais. A obra convida a pensar a modernidade em suas diferentes facetas.

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por Eduardo Rolim de Oliveira, vice-presidente do Proifes

Neste momento de transição de governo, é hora de uma reflexão importante para a sociedade gaúcha. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), fundada há mais de 40 anos, foi um importante instrumento de desenvolvimento científico e tecnológico, que muito contribuiu para o crescimento do Estado. Gerações de pesquisadores foram contempladas com bolsas de iniciação científica, de estágios, de pós-graduação, e financiamentos para montar laboratórios e realizar atividades de pesquisa, que levaram ao desenvolvimento de produtos, de tecnologias e à formação de recursos humanos qualificados. A Fapergs já foi das mais importantes Fundações e Entidades de Amparo à Pesquisa do País, refletindo a importância que o Estado dava à Ciência e Tecnologia. Isso fez com que a comunidade científica gaúcha tenha se mobilizado e convencido a sociedade riograndense a incluir na Constituição estadual, em 1989, a determinação de que o governo repasse à Fapergs, a cada ano, 1,5% da receita líquida do Estado. Mas esse princípio constitucional nunca foi cumprido em sua integralidade, em nenhum governo desde então. O melhor ano foi 2001, quando o deputado Adão Villaverde era Secretário de Ciência e Tecnologia, no governo de Olívio Dutra. Apesar de ter sido o melhor da série histórica, em 2001 atingiu-se apenas 21% do valor correspondente aos 1,5% constitucionais. Os anos seguintes foram cada vez piores para a pesquisa no Estado. As dotações diminuíram, os editais foram escasseando, e artifícios foram criados para incluir nas contas dos repasses os valores advindos do governo federal. Hoje, a sensação geral é de que a Fapergs “acabou”. No entanto, a pesquisa científica no RS está mais viva que nunca, graças à capacidade que a comunidade científica local tem tido de buscar recursos federais, de agências internacionais e na colaboração com o mercado produtivo. Mas, apesar disso, os pesquisadores gaúchos têm sido muito prejudicados. Os jovens praticamente não têm mais projetos tipo “enxoval”, que permite a inserção na carreira – antes uma das prioridades da Fapergs. Não temos tido editais voltados às necessidades regionais do Estado. Os programas federais giram em torno de grandes projetos, que fazem com que grupos grandes ou consolidados obtenham os recursos, levando a uma concentração dos financiamentos, o que vai em sentido contrário ao enorme crescimento do número de professores e pesquisadores nas universidades, uma realidade nos dias de hoje. Ou seja, temos um considerável aumento no sistema de pesquisa, mas esse processo faz com que grande número dos pesquisadores, jovens, em particular, não tenham

ARTIGO

Governador, vamos priorizar a Ciência e Tecnologia?! financiamento. E é responsabilidade da Fapergs ampliar a democratização dos recursos, contribuindo para aumentar a eficiência do sistema e garantir que as pesquisas científica e tecnológica possam se refletir no desenvolvimento econômico e social do Estado. Mesmo para os grandes grupos consolidados, a falta de capacidade da Fapergs em garantir a contrapartida para recursos federais leva a que o Rio Grande do Sul perca muitos recursos. Com a legitimidade que o governador Tarso adquiriu ao ter sido eleito pela maioria absoluta dos gaúchos, esperamos que lidere um profundo processo de mudança nesse quadro. A comunidade científica espera que seu governo marque a retomada da priorização da Ciência e Tecnologia, o que se coaduna integralmente com o programa que a sociedade elegeu, que prevê o crescimento do Estado em consonância com o crescimento do País. Não é mais possível que o estado que era visto como exemplo de educação e desenvolvimento viva isso apenas como lembrança de um passado glorioso. Senhor governador, sabemos que suas tarefas são muitas, que o Estado tem muitos setores a serem recuperados, que as dificuldades financeiras são grandes, mas nada disso será revertido se dentre as prioridades do governo não estiverem a pesquisa científica e tecnológica e a educação, que são fatores fundamentais de promoção de desenvolvimento econômico e distribuição de renda. É claro de que não é em um ano, ou mesmo em quatro, que espera-se cumprir na integralidade os repasses constitucionais para a Fapergs, mas imaginar que a curto prazo se possa ter no mínimo os patamares de 2001 é algo que deve estar nos planos, de sorte que na prática se exercite essa priorização. Espera-se que se possa abrir rapidamente em seu governo um processo de crescimento dos repasses progressivamente, apontando para que em um horizonte finito essa meta histórica seja atingida. Estima-se também que a Secretaria de Ciência e Tecnologia seja, em vossa gestão, uma secretaria de ponta, respeitada, e que esteja no centro das ações da administração estadual - e que não seja apenas mais uma secretaria, vista na composição de governo como uma peça de menor valor. O titular desta pasta deverá ser uma pessoa comprometida com a causa, alguém que respeite seu posto e se coloque como um defensor da Ciência e Tecnologia como um alto valor de estado, como aliás, já tivemos experiências em alguns períodos. Senhor Governador Tarso Genro, a Ciência e Tecnologia tem que ser prioridade no Rio Grande do Sul!

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ADverso 183 novembro 2010 by leonardo barros - Issuu