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O meio ambiente pede socorro!

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Título original: O Meio Ambiente Pede Socorro! Direitos Reservados © 2020 por Pontal, Marcos.

O conteúdo desse livro pode ser reproduzido somente com a divulgação da fonte.

Capa: Marcos Alexandre Machado (Marcos Pontal). Revisão do autor: Marcos Alexandre Machado e Roseli Laurência Souza Machado.

Todos os direitos reservados, por Marcos Alexandre Machado. Rua Fernando Costa, 278 - Vila Adelaide de Freitas 14180 - 000 - Pontal - SP Tel.:

(16)

3953-2844

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Watsaap:

+5598107-9175

E-mail: marcosmachado@visaoespiritual.com.br Site: www.velivros.visaoespiritual.com.br


SUMÁRIO Prefácio............................................................................4 Capítulo 1 – Reciclagem..................................................5 Capítulo 2 - Outros produtos recicláveis........................41 Capítulo 3 – Transformando o lixo em adubo..............127 Capítulo 4 - Tratamento do Chorume...........................136 Capítulo 5 - Combustíveis renováveis.........................147 Capítulo 6 - Energias Renováveis................................159 Capítulo 7 - Preservação das árvores..........................173 Capítulo 8 – Exemplos de Sustentabilidade................188 Capítulo 9 - Preservação dos rios................................210 Capítulo 10 - Reaproveitamento da água....................216 Capítulo 11 - Produtos ecológicos...............................225 Capítulo 12 – Plástico Biodegradável e Verde.............240 Posfácio........................................................................249 Sobre Autor...................................................................250 Agradecimentos...........................................................252 Bibliografia....................................................................253


PREFÁCIO – 4

PREFÁCIO O lixo no mundo aumenta a cada ano, e a espectativa que até 2030 venha aumentar cerca de 70%, terá um aumento de 1,3 bilhão de toneladas para 2,2 bilhões de toneladas até o ano de 2025, segundo as estimativas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Para

os

especialistas

da

entidade,

o

gerenciamento dos resíduos e o descarte correto de materiais se torna cada dia mais imprescindível para que o mundo caminhe para um desenvolvimento sustentável. Algo tem que ser feito, não tem como continuarmos do mesmo jeito, devemos, tomarmos atitudes para assim melhorarmos, vou citá-los todos aqui.


CAPÍTULO 1

RECICLAGEM


RECICLAGEM – 6

Todos nós produzimos lixo, mas nem todos nós sabemos quanto tempo demora para ele se decompor, o papel demora de 3 á 6 meses, tecidos de 6 meses á 1 ano, filtro de cigarro mais de 5 anos, madeira pintada mais de 13 anos, náilon mais de 20 anos, metal mais de 100 anos, alúminio mais de 200 anos, plástico mais de 400 anos, vidro mais de 1000 anos, isopor 150 anos e a borracha tempo indeterminado. Com tanto lixo produzido no mundo, devemos fazer algo para mudar, mas existe solução, vou explicar. Conheça a baixo cada material e saiba como cuidar de cada lixo. Papel O papel pode ser reaproveitado maneiras, reaproveitam

de muitas

várias gráficas

materiais

que

foram imprimidos errados, e em vez de jogarem fora, fazem bloco de Imagem: www.ecycle.com.br


RECICLAGEM – 7

anotações, isso é muito comum no Brasil todo. Apenas 37% do papel produzido vai para a reciclagem no

Brasil,

80%

é

destinado

na

confecção

de

embalagens, 18% a papéis sanitários e apenas 2% à impressão. Existem

outro

destino

como

descoberto

pelos

estudantes do Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho, em Guanambi (BA), descobriram que o papel pode ser usado como adubo, se colocado na quantidade certa, a celulose do papel inibe o crescimento dos fungos e não deixa formigas e lagartas chegarem na planta, água jogada na planta se tiver papel, o papel absorve a água e mantêm a planta úmida por mais tempo, uma grande descoberta

de

brasileiros.

A outra maneira de utilizá-lo é a reciclagem, o primeiro passo é a separação correta dos produtos, de modo a evitar a contaminação por agrafos, clipes, elásticos, tintas, entre outros. A coleta do papel velho pode ser obrigatória ou voluntária. A primeira, praticada por hipermercados, editoras, gráficas e instituições estatais, produz me-


.

RECICLAGEM – 8

lhores qualidades de papel, por este se apresentar pouco contaminado e ser de fácil localização. Coleta voluntária

apresenta

maiores

problemas.

..Geralmente, este papel apresenta uma maior contaminação, devido à incorreta separação do material depositado nos galpões. Para melhorar esta separação é necessário um maior investimento em formação, dirigida à sociedade civil, como campanha de conscientização a reciclagem. Precisamos reciclar para assim, diminuir o consumo de recursos naturais valiosos e a quantidade de lixos nos aterros sanitários. Após a coleta, o papel é selecionado, de forma a serem retiradas matérias perigosas para o equipamento ou processo

fabril

(metais,

cordéis,

vidros)

e

elementos impróprios (por exemplo, papéis sulfurizados, encerados ou parafinados). A eficiência desta operação será determinante para a futura formação dos lotes. A classificação do papel velho é feita em função da sua qualidade, origem e presença de matérias toleradas,


.RECICLAGEM – 9 de acordo com normas europeias. Então, são trituradas, em dimensões pré-determinadas, de alguns lotes de papel, como revistas, jornais e aparas. As operações finais do processo de recolha seletiva correspondem ao enfardamento e à venda do papel velho às unidades fabris de reciclagem, que farão a sua transformação, pronto para ser reutilizado. O processo industrial de transformação de papel usado é semelhante ao fabrico virgem, sendo o primeiro menos intensivo. A reciclagem do papel é conseguida através do aproveitamento das fibras de celulose existentes nos papéis usados. O papel pode ser fabricado exclusivamente com fibras secundárias (100% reciclado) ou ter a incorporação de pasta para folha. As fibras apenas podem ser recicladas cinco a sete vezes, pelo que a obtenção de papel reciclado por vezes implica adicionar alguma quantidade de pasta de folha virgem

para

substituir

fios

degradados.

..Desagregação ou maceração são a mistura do papel


RECICLAGEM – 10

usado com água, de modo a enfraquecer as ligações entre as fibras. Depuração e lavagem, têm como objectivo eliminar os contaminantes; é feita em crivos e a lavagem através de telas de plástico, em que a dimensão da rede vai diminuindo nas sucessivas fases; Dispersão, pretende-se, nesta fase, a diminuição em tamanho dos contaminantes existentes. São utilizadas temperaturas de 50° C a 125º C para dissolver os contaminantes, que são depois dispersos; Destintagem, consiste na remoção das partículas de tinta aderentes à superfície das fibras; Branqueamento é usado para a maioria dos produtos reciclados, a destintagem é suficiente para obter um grau de brancura adequado; no entanto, de alta qualidade o grau de brancura das pastas é inferior ao desejado, pelo que é feito ainda um branqueamento, utilizando produtos como lixívia e água oxigenada. Depois de feita a pasta, esta dá entrada na máquina . de papel, para ser transformada em folhas, que darão origem aos mais variados produtos, como, por exemplo,


.RECICLAGEM – 11 guardanapos e papel higiênico. Sendo 25% da composição física dos Resíduos Sólidos Urbanos, produtos de papel e cartão, a reciclagem permite libertar espaço nos aterros para outros materiais e produtos não recicláveis. Também ao nível energético este processo é benéfico, dado consumir menos água e energia (240 kWh por tonelada de fibra secundária contra 1000 kWh

por

tonelada de fibra virgem). Ao nível de resíduos produzidos, as lamas resultantes dos efluentes podem, em alguns casos, ser utililizadas como fertilizantes para a agricultura. Sacos de cimento Processo reciclagem cimento

simples,

a

dos

sacos

de

protege

o

meio

ambiente e gera renda, tanto no papel da embalagem (que pode imagem: jarinu.sp.gov.br


.

RECICLAGEM – 12

virar uma bolsa), quanto nas sobras de cimento, que podem

se

transformarem

em

esculturas.

A construção civil é um grande consumidor de materiais e um grande gerador de resíduos. A ideia é viabilizar o desenvolvimento sustentável em combinação com a solução do problema social da habitação não é novo e conta até com uma categoria especial no Setor Reciclagem. Os desafios da construção civil, em diminuir o impacto ambiental da sua atividade, são enormes, mas um de seus resíduos pode ter novas utilidades com pouco esforço e investimento. O papel que embala o saco de cimento é de boa qualidade, portanto pode se transformar em papel ou papelão novamente. O saco de cimento está classificado como KRAFT III, em uma grande lista de categorias de papéis, então é bom

não

misturá-lo

com

outros

tipos,

assim

preserva-se o valor das outras aparas de papel. Se a reciclagem deste resíduo é viável, deve-se fazer um trabalho de conscientização e sensibilização


RECICLAGEM – 13

que envolva todos os elos da construção civil, de fabricantes de cimento e construtoras, até o ajudante de pedreiro. O processo de reciclágem é bastante simples. Após o corte correto do saco, para não estragar ou espalhar pequenos resíduos de papel (além de não desperdiçar cimento), as embalagens devem ser separadas dos outros resíduos e lavadas em um tanque com água de chuva, por exemplo. Após a secagem, o papel deve ser estocado até alcançar

o

maior

volume

possível.

Recicladores

compram toneladas de papel. A borra obtida na lavagem do papel pode se transformar em esculturas. É importante ter visão ampla e reutilizar o que for possível. A mesma água pode ser usada inúmeras vezes. Vale também citar a iniciativa de sucesso do estilista mineiro Rogério Lima, que lançou uma coleção, que vai de maxi bolsas às carteiras, todas feitas de sacos de cimento. Aliadas a tecidos e peças de metal ou envernizadas, as bolsas ilustram a preocupação com a


RECICLAGEM – 14

reciclagem. ..A grande maioria dos resíduos são recicláveis, mas às vezes não são reciclados por estarem contaminados e misturados. Com força de vontade, transformamos lixo em riqueza. Com as bênçãos de Deus. Ferro A metalurgia e a reciclagem se confundem ao longo da História, pois as sucatas são geralmente as matérias-primas mais venientes na

confundição, não

Imagem: www.pensamentoverde.com.br

havendo também perdas de qualidade no processo. ..Os

metais são muito utilizados em equipamentos,

estruturas, embalagens, etc. Devido à sua elevada durabilidade, resistência e facilidade de conformação. Separam-se magneticamente as sucatas em ferrosas e não-ferrosas e ainda em:


RECICLAGEM – 15

• Sucatas pesadas: geralmente encontradas nos “ferros-velhos” (vigas, equipamentos, chapas, grelhas, etc). • Sucatas de processo: cavacos, limalhas e rebarbas, além de peças defeituosas que voltam ao processo industrial. • Sucatas de obsolescência: materiais descartados pós consumo. Crômio é utilizado para revestir latas e vários artefatos metálicos.

O

zinco

e

o

níquel

são

utilizados

também para revestir artefatos metálicos. Aço é uma liga de ferro com carvão e baixíssimas quantidades de outros metais (molibdênio, crômio, níquel, tungstênio, nióbio, etc). Dependendo deste outro metal, temos as diferentes categorias de aços. Geralmente os metais ferrosos são direcionados para as usinas de fundição, onde a sucata é colocada em


RECICLAGEM – 16

fornos elétricos ou a oxigênio, aquecidos a 1550 graus centígrados. Após atingir o ponto de fusão e chegar ao estado líquido, o material é moldado em tarugos e placas metálicas, que serão cortados na forma de chapas de aço. A sucata demora somente um dia para ser reprocessada e transformada novamente em lâminas de aço

usadas

por

vários

setores

industrializadas

montadoras de automóveis às fábricas de latinhas em conserva. Pode-se concluir que os benefícios da reciclagem de metais são: Economia de minérios, economia de energia, economia de água, aumento da vida útil dos lixões, diminuição das áreas degradadas pela extração do minério, diminuição da poluição e geração de empregos e recursos econômicos para os intermediários. Alumínio Devido as suas pro- priedades físico-químicas e por ser muito usado, gera um bom retorno financeiro para


RECICLAGEM – 17

empresas especializadas. O

processo

de

reciclagem do alumino consiste na reutilização www.vgresiduos.com.br

do alumínio para a confecção de novos

produtos. O que é muito mais barato e consome muitoImagem: menos energia do que produzir o alumínio por meio da bauxita. Alumínio pode ser reciclado tanto a partir de sucatas como de sobras do processo produtivo. Alumínio reciclado pode ser obtido a partir de esquadrias de janelas, componentes automotivos, eletrodomésticos, latas de bebidas, entre outros. Sempre quando falamos em reciclagem o primeiro pensamento que temos é do alumínio sendo reciclado. O que reforça a sua vocação para reciclagem são suas características que permite infinitamente sem perder suas propriedades. O alumínio pode ser reciclado tanto a partir de sucatas geradas

por

produtos

descartados,

quanto

por


RECICLAGEM – 18

sobras do processo produtivo. Utensílios domésticos, latas de bebidas, esquadrias de janelas, componentes automotivos, entre outros, podem serem fundidos e empregados novamente na fabricação de novo produtos. No Brasil as latas de alumínio para bebidas são as mais recicladas, devido ao preço pago pelo material usado. A ABAL, Associação Brasileira do Alumínio, estima que em cerca de 60 dias uma latinha de alumínio volta para o consumidor. Ou seja, pode ser comprada, utilizada, coletada, reciclada, envasada e voltar às prateleiras para o consumo. O processo de reciclagem de alumínio é muito mais barato e consome menos energia do que a produção deste metal. Para reciclá-lo é preciso separar os resíduos de alumínio (latas e outros materiais de alumínio), que já foram usados e descartados, eles são encaminhados para a reciclagem. Nessa etapa do processo é fundamental que programas de coleta seletiva sejam implementados, pois,


RECICLAGEM – 19

separa o lixo orgânico do reciclável. Na próxima etapa todas as impurezas são separadas do material que será reciclado. Na 3ª etapa, o resíduo de alumínio é picotado e reduzido para ser fundido. Após limpo e picotado o resíduo é fundido a 700° C. Nesse processo de fundição o alumínio é derretido e o produto gerado é o alumínio líquido. O alumínio líquido é transformado em lingotes ou chapas de alumínio. Estes produtos são vendidos para as indústrias que fabricam produtos e embalagens de alumínio. Assim, o material retorna a cadeia produtiva. Vale ressaltar também que o processo de reciclagem de alumínio é muito mais barato e consome menos energia do que a produção primária deste metal (usando a mineração da bauxita, que é a matéria-prima). A reciclagem do alumínio tem como benefícios: * Contribuição para diminuir a poluição do solo, água e ar, protegendo o meio ambiente;


RECICLAGEM – 20

* Melhora a limpeza da cidade e a qualidade de vida da população; * Prolongação da vida útil de aterros sanitários, uma vez que menos resíduos serão dispostos; * Melhora a produção de compostos orgânicos; * Geração de empregos e receitas para a população não qualificada com a comercialização dos recicláveis; * Estimulo da concorrência, uma vez que produtos gerados a partir dos reciclados são comercializados em paralelo àqueles produzidos a partir de matérias-primas virgens; * Contribuição para a valorização da limpeza pública e para formar uma consciência ecológica. Por não danificar a estrutura do metal a reciclagem do alumínio permite que o reciclado seja reutilizado na produção de qualquer produto com o mesmo nível de


RECICLAGEM – 21

qualidade do alumínio produzido por mineração. As características do reciclado permitem a sua utilização nas indústrias de embalagens, fomentando assim as empresas produtoras de laminados e folhas de alumínio. Também são empregados em outros grandes mercados

consumidores,

como

na

fabricação

de

embalagens de produtos farmacêuticos, de higiene e limpeza, de bebidas e de alimentos. Também podem ter outras utilizações, como na indústria

química,

refratários,

ferro-liga,

pigmentos,

mineração,

combustíveis

explosivos, sólidos

para

foguetes, resinas, soldas exotérmicas, botijões de gás, medicamentos antiácidos, abrasivos, placas de automóveis, entre tantas outras. Diante disso, concluímos que a reciclagem do alumínio é parte importante do seu ciclo de vida. Quanto mais aumenta a quantidade de reciclado, mais são minimizadas as emissões causadas pela fusão do metal usado. A fonte do resíduo de alumínio é ampla. Podem ser aviões, automóveis, bicicletas, barcos, computadores,

aparelhos

domésticos,

cabos

e

latas.


.

RECICLAGEM – 22

Plástico O plástico é um dos produtos mais utilizados na sociedade atual. Ao ser descartado por pessoas e empresas, pode passar por imagem: www.plasticotransforma.com.br

um

processo

de

reciclagem

que

garante

seu

reaproveitamento na produção do plástico reciclado. O plástico reciclado tem praticamente todas as características comum. A reciclagem é de extrema importância para o meio ambiente. Quando reciclamos ou compramos ele reciclado estamos contribuindo com o meio ambiente, pois este material deixa de ir para os aterros sanitários ou para a natureza, poluindo rios, lagos, solo e matas. Não podemos esquecer também, que a reciclagem gera renda para milhares de pessoas no Brasil que atuam, principalmente, em empresas e cooperativas de catadores

e

recicladores

de

materiais

reciclados.


RECICLAGEM – 23

Uma das etapas mais importantes no processo de reciclagem de plástico é a separação e coleta seletiva do Plástico. Nas empresas, condomínios e outros locais existem espaços destinados ao descarte de plástico. Esta

é

uma

atitude

extremamente

positiva

e

ecologicamente correta. Reciclagem de embalagens PET (politereftalato de etileno) Nas últimas décadas as indústrias, principalmente . de bebidas e alimentos, estão substituindo embalagens de vidro e latas pelas de plástico PET. Por serem mais resistentes e econômicas, o PET

está

presente

nas

embalagens de sucos, águas, óleos e refrigerantes. Quando começou a ser usado, o PET Imagem: cristalpetembalagens.com.br

não era reciclado

e seu


.

RECICLAGEM – 24

descarte na natureza provocava muita sujeira e poluição ambiental. Atualmente, a reciclagem de PET é praticada em larga escala por cooperativas e empresas de reciclagem. O processo de reciclagem do PET passa pelas seguintes etapas: As embalagens PET são lavadas e passam por um processo de prensagem; Os fardos de PET são triturados, gerando os flocos; Os flocos passam por um processo de extrusão, gerando os grãos; Os grãos são transformados em fios de poliéster ou outros produtos plásticos. Algumas empresas reciclam a garrafa pet transformando elas em vassoura e sua tampa na parte dura da vassoura. Vidro Não podemos dizer ao certo quando o vidro foi criado, mas sua revelação é atribuída aos fenícios que, casualmente o descobriram há cerca de quatro mil anos, quando faziam as fogueiras na praia. O que se sabe,


RECICLAGEM – 25

com certeza, é que os sírios, fenícios e babilônios já utilizavam o vidro. No Brasil, a primeira fábrica foi construída lo

XVII,

no em

século

Pernambuco,

por

artesãos. .Produzindo

. inicialmente

copos

e

janelas, frascos.

Imagem:www.mercadolivre.com.br

..Mas foi a partir do século XX, que as fábricas de vidro brasileiras começaram a se automatizar e processar em escala industrial o que então era feito de modo ..O

artesanal

e

individual.

vidro é um material obtido a partir da fusão de

matérias-primas, principalmente minerais. Resfriado até uma condição de rigidez, sem se cristalizar. Ele também pode ser considerado um material não poroso, comum e que resiste a temperaturas de até 150 °C sem deformar sua estrutura. Por isso pode ser reutilizadas várias vezes para a mesma finalidade. Por ter uma


RECICLAGEM – 26

estrutura molecular amorfa, a reciclagem de vidro pode ser feitas infinitas vezes sem perder a qualidade de origem. Mas para isso, deve ser devidamente separado em três cores, verde, branco e marrom. Neste processo, a coleta seletiva tem uma importância fundamental. Os vidros não são biodegradáveis e permanecem na natureza por cerca de dez mil anos. Por isso, o descarte desses materiais em locais inapropriados pode ser muito prejudicial ao meio ambiente. Dessa maneira, o melhor a se fazer é reciclar os materiais feitos em vidro. Confira

algumas

vantagens

na

reciclagem:

* Diminuição do volume de lixo nos aterros. * Reaproveitamento do vidro em 100%; Para cada tonelada de vidro reciclado, gasta-se menos 70% do que se gastaria para fabricar mais vidro; Para cada tonelada de vidro reciclado, economiza-se 1,2 toneladas de matéria-prima. Entende-se como reciclagem de vidro, o processo


.RECICLAGEM – 27 industrial de derretimento de resíduos de vidro. Para a fabricação de novos produtos, na maior parte das vezes, embalagens. Vidros reciclados são misturados com matéria-prima nova, e em média as garrafas de vidro são compostas em cerca de 60% de vidro reciclado. Dependendo da cor, esse percentual ainda pode chegar a 90%. Dessa forma, resíduos de vidro são uma importante fonte de matéria-prima para a fabricação de novas embalagens de vidro. O vidro usado em embalagens é um material totalmente reciclável, por isso quando se fala em reciclagem de vidro, principalmente na indústria vidreira, o assunto sempre teve um grande destaque. Ganhou forças nos últimos anos com grandes investimentos feitos para promover e estimular o retorno da embalagem de vidro como matéria-prima. O vidro pode ser reciclado várias vezes, pois é feito de minerais como areia, barrilha, calcário e feldspato. Ao se agregar o caco na etapa de fusão de vidro, diminui-se a retirada de matéria-prima da natureza. A reciclagem de vidro, além de poupar uma boa parte


RECICLAGEM – 28

dos

recursos

quantidade

de

naturais, energia

também e

emite

consome menos

menor material

particulado. Se comparado com a fabricação do vidro sem a incorporação de cacos. Vale ressaltar que, com um quilo de vidro se faz outro quilo de vidro, com perda zero de materiais. Outros aspectos a considerar ao se reciclar o vidro é a menor geração e descarte de resíduos sólidos urbanos, a redução nos custos de coleta urbana e o aumento da vida útil dos aterros sanitários. Assim como nos demais processos de reciclagem, na reciclagem de vidro o valor do material reciclado tem uma ligação direta com a pureza do mesmo. Por isso, a separação inicial é confiada á coleta seletiva. Na prática, porém, deve-se contar com a mistura dos vidros por parte da população. Sendo assim, a indústria da reciclagem deve contar com um processo de separação eficiente. A reciclagem de vidro é de extrema importância para o meio ambiente. Quando reciclamos o vidro, ou compramos vidro reciclado, estamos contribuindo com o


RECICLAGEM – 29

meio ambiente. Esse material deixa de ir para os aterros sanitários ou para a natureza (rios, lagos, solo, matas). A reutilização do vidro para a produção de novas embalagens consome menor quantidade de energia, e emite resíduos menos particulados de CO₂. Contribuindo assim para preservação do meio ambiente. A reciclagem de vidro é uma atividade economica- mente viável, tornando-se um nicho de mercado inexplorado, com grande potencial de lucratividade. Categorias de vidros recicláveis: * Garrafas de sucos, refrigerantes, cervejas e outras categorias de bebidas; * Potes de alimentos; * Cacos de vidros; * Frascos de remédios;


RECICLAGEM – 30

* Frascos de perfumes; * Vidros planos e lisos; * Para-brisa; * Vidros de janelas;

* Pratos, tigelas e copos. Depois de descobrir a importância da reciclagem de vidro, chegou a hora de você fazer a diferença! Comece a separar o seu vidro para reciclagem. Borracha Em

1845,

Charles

Goodyear

inventou o pneu. Inicialmente, a borracha utilizada era imagem:

www.petlove.com.br

uma

espécie

de

goma


.RECICLAGEM – 31 “grudenta”, usada principalmente para impermeabilizar tecidos e com sério risco de dissolução quando exposta a temperaturas elevadas. Com a necessidade de segurança e qualidade, o desenvolvimento do pneu como um artefato seguro e confiável passou por diversas modificações, incluindo a invenção de uma espécie diferente de borracha: a borracha sintética. Em seu estado natural, a borracha provém da seiva de seringueira (árvore originalmente nativa da Amazônia). Já a borracha sintética é feita a partir do petróleo, com características muito semelhantes à borracha natural, exceto pela resistência inferior ao calor. No Brasil, de toda

a

borracha

fabricada,

70%

é

destinada

exclusivamente para a produção de pneus. Os outros 30% são destinados à produção de insumos, como: calçados, instrumentos cirúrgicos, preservativos, etc. O pneu é o principal objeto descartado a partir da borracha. Composto por 30% de borracha sintética, 10% de borracha natural e os outros 60% de aço e tecidos de lona, o pneu é um fenômeno se considerarmos seus números: 2 milhões de pneus novos são


RECICLAGEM – 32

fabricados todos os dias, somando 730 milhões de pneus fabricados ao ano no mundo todo. Já o descarte é também impressionante, são 800 milhões de pneus descartados anualmente pelo mundo, sendo que, só no Brasil são descartados 17 milhões de pneus anualmente. Com base nesses números, a reciclagem de pneus e borracha

torna-se

primordial,

além

da

eficiente

contribuição para o meio ambiente, visto que não se sabe exatamente quanto tempo os pneus demoram para se decompor. No caso dos pneus, dentre os muitos métodos de reciclagem, destaca-se a separação da borracha dos demais itens através de cortes, em seguida o processo de purificação em peneiras é feito. As lascas são então moídas e colocadas em processo de digestão em vapor d’água, com produtos químicos

capazes

de

desvulcanizar

a

borracha.

Se comparadas à borracha original, a borracha reciclada apresenta características inferiores, servindo para coberturas de áreas de lazer, quadras poliesportivas, tapetes de automóveis, colas, câmaras de ar, solados de


RECICLAGEM – 33

calçados, materiais de limpeza, móveis, dentre outros. É importante lembrar que o pneu também pode ser recauchutado, processo no qual são adicionadas novas camadas de borracha no pneu já “careca”. ..Esse processo é extremamente benéfico e econômico, pois estende a vida útil do pneu em 40% e economiza 80% de energia. Outra função importante dado ao pneu velho é sua utilização como geração de energia no lugar do carvão e também como decoração de casas e empresas. Cobre O cobre é 100% reciclável, é um dos poucos materiais que podem serem reciclados e reuti- lizados sem perda

de

qualquer

desempenho.

imagem: www.ferametais.com.br

Também não há diferença na qualidade do cobre reciclado,

conhecido

como

secundário,

daquele

proveniente de mineração, referido como produção


RECICLAGEM – 34

primária. A reciclagem do cobre é uma forma ecoeficiente de trazer um material valioso de volta à economia. O processo requer até 85% menos energia que a produção primária. Isso representa mundialmente uma economia anual de 100 milhões de MWh de energia elétrica e 40 milhões de toneladas de CO2. A reciclagem do metal ajuda a suprir a demanda anual de

cobre,

preserva

recursos

naturais

valiosos,

economiza energia e reduz as emissões de Co², no entanto, a procura crescente por cobre irá requerer uma combinação de matérias-primas provenientes das minas (primárias) e de materiais reciclados (secundários). Para a reciclagem ser eficaz, a inovação também é necessária no projeto de componente inicial (facilita a recuperação ao final da vida útil), nos processos sociais (aumento da recuperação) ou nos processos de reciclagem industrial (aumento dos rendimentos globais). Em paralelo com o cobre primário, políticas regulatórias devem continuar a incentivar a recuperação e a reciclagem na indústria e em ações individuais.


RECICLAGEM – 35

Caixas de leite A reciclagem da embalagem longa vida pode ser difícil, mas é

possível.

Tetra Pak é o nome de uma empresa de destaque que imagem: projetocolabora.com.br

produz embalagens para alimentos, sendo a

maior

fornecedora do mundo de embalagem cartonada "Tetra Pak" virou sinônimo de embalagem para caixa de leite (de origem animal e vegetal), sopas, sucos e outros produtos

líquidos

alimentares.

Apesar de Tetra Pak ser o nome da marca, na linguagem informal, o

termo

"embalagem cartonada", "caixa de

leite" ou "embalagem longa vida". É cada vez mais comum que produtos como polpa de tomate, creme de leite, sucos, água de coco e chá sejam revestidos do mesmo material, o que leva os fabricantes como Tetra Pak ou SIG Combibloc a desenvolverem novos tamanhos e formatos para as caixas. A embalagem longa vida, também chamada de em-


RECICLAGEM – 36

balagem cartonada, possui múltiplas camadas e varia de acordo com o alimento, caixa de leite, por precisa

de

seis

camadas.

Essas

exemplo,

camadas

passam por um processo de compressão sobre todas as folhas dos diferentes constituintes. A composição da embalagem de longa vida se dá, basicamente, 75% papel cartão, dois papéis unidos sem cola, que oferecem suporte mecânico e resistência à embalagem; 20% de filmes de polietileno (PEBD): impede a umidade e o contato direto do alimento com o alumínio, além de evitar o vazamento; 5% alumínio: barreira à entrada de luz e oxigênio. Devido às características mencionadas acima e por ser compacta, a embalagem Tetra Pak, ou embalagem cartonada, é uma ótima solução para conservação de alimentos, fácil de ser transportada (em razão do espaço e do peso dessa embalagem), sendo a principal escolha dos fabricantes de produtos. Apesar de ser viável, a reciclagem da embalagem longa vida é difícil, pois ela apresenta diversos componentes prensados que possuem características físicas e


RECICLAGEM – 37

químicas diferentes, o que dificulta a separação dos mesmos. Porém, de acordo com os fabricantes, ela ainda pode ser considerada vantajosa, pois no caso da reciclagem da embalagem longa vida caixa de leite a separação de seus componentes produz 35% composto de plástico/alumínio e 65% de fibra celulósica; Uma tonelada de embalagem cartonada produz cerca de 700 kg de papel (o que evitaria o corte de 21 árvores; Propicia

menor

custo

na

produção.

O processo de reciclagem se dá, primeiramente, em um equipamento que mistura a embalagem longa vida e a água, agitando fortemente a mistura durante 30 minutos. Ao longo desse período, as fibras de papel da embalagem são separadas das camadas de plástico e de alumínio e, com isso, se misturam à água. Então as fibras de papel e a água são submetidas a uma peneiração, que separa os dois compostos e retém o plástico com o alumínio, permitindo que a polpa siga para o processo de reaproveitamento e fabricação de papel. Enquanto isso, o plástico e o alumínio, ainda


RECICLAGEM – 38

unidos, são retirados do equipamento e levados para outras empresas de reciclagem especializadas na separação desses dois materiais em alguns casos, eles são

reaproveitados

ainda

unidos.

As fibras podem ser usadas para a fabricação de palmilha para sapatos, papel toalha, embalagens leves, papelão ondulado, caixa de ovos, papel branco e até retornar como embalagem cartonada novamente. O composto de plástico e alumínio também está sendo utilizado para produção de diversos objetos, a exemplo da produção de telhas, que são impermeáveis e resistentes à flexão. Segundo a associação, Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), existem no Brasil, 20 usinas especializadas na reciclagem de embalagem cartonada. O hábito de reciclar essa embalagem, porém, ainda não é forte por aqui. De acordo com a empresa Datamark, especializada em fornecimento

de

informações

sobre

indústrias

de

embalagem, bens de consumo e insumos industriais, o Brasil consumiu, em 2004, cerca de seis milhões e


RECICLAGEM – 39

quinhentas

mil

embalagens

embalagem

cartonada.

flexíveis,

Contudo,

o

incluindo

percentual

a de

embalagem cartonada, destinado à reciclagem foi irrisório, 16%. Em 2008, esse número subiu para 26,6% e em 2011, 27,1% segundo o CEMPRE. Além da embalagem que entra diretamente em contato com o alimento, a tampa da embalagem cartonada, de plástico polipropileno, também possui reciclagem. É importante descartar os materiais recicláveis limpos para não ocorrer a proliferação de doenças, odores, bem como para evitar a contaminação de itens recicláveis que estejam

no

mesmo

local;

pois

caso

ocorra

a

contaminação, a reciclagem dos materiais contaminados fica mais difícil. Adicionalmente faz sentidos termos o conhecimento que estes materiais são, por muitas vezes, manuseados por pessoas nas cooperativas que praticam a seleção dos objetos. Contudo, é muito difícil retirar o odor e os resquícios de leite ou de outros alimentos e bebidas das embalagens e frascos, o que faz com que gastemos uma quantidade considerável de água, algo pouco razoável em razão de sua escassez bem como


.

RECICLAGEM – 40

soa irracional o uso de água tratada, com requisitos de qualidade elevados para ser potável, obtida a custos cada vez mais altos, exclusivamente para esse fim. A caixa de leite, por ser feita a partir de uma mistura de materiais com propriedades diversas, torna-se bastante densa, potencialmente ocasionando problemas ambientais se inadequadamente descartada, pois ela demora muitos anos para ser decomposta na natureza. Mas, como a embalagem da caixa de leite é reciclável, não deixe de fazer a destinação correta.


CAPÍTULO rrrrrh2

OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 42

Tecidos Projeções do mercado dizem que a

produção

mundial de roupas terá dobrado até 2025 e esse volume

terá

enorme

para

um

peso

o

meio

imagem: ulianabrasil.com.br

ambiente, uma vez que 80% dos tecidos que jogamos fora, acabam em aterros sanitários. Está na hora de apostar-mos na reciclagem e sustentabilidade como parte da inovação no ramo têxtil. Estima-se que, atualmente, 50 milhões de toneladas de roupas são jogadas fora a cada ano. Tecidos misturados ao lixo viram uma “esponja”, absorvendo rejeitos e demorando ainda mais para degradar. Nas confecções do Brás e do Bom Retiro (centro da cidade de São Paulo), todos os dias são geradas 20 toneladas de retalhos de tecido, material que é colocado nas calçadas e recolhido por caminhões com o lixo comum.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 43

Esse cenário precisa fazer as confecções e grandes marcas se moverem em direção ao tecido sustentável. Vamos acompanhar o que algumas estão fazendo: A empresa Lenzing aposta em uma fibra chamada Refibra, feita a partir de celulose contendo os resíduos de algodão e de madeiras que sobraram dos cortes de produção. A nova fibra de celulose foi lançada na feira têxtil Première Vision, em Paris. É uma das primeiras fibras do seu tipo produzida em escala comercial utilizando um alto volume de material reciclado. A Refibra mostra o potencial da criação de fibras de alta qualidade com materiais

que

seriam

normalmente

desperdiçados

durante a produção. A importância estratégica dessas novas fibras é tanta que a companhia desenvolveu um sistema de identificação para que os clientes tenham certeza de que a fibra que compraram é realmente feita a partir de material reciclado. O sistema faz com que seja possível identificar a fibra nos tecidos comprados da indústria. Isso garante uma maior transparência na cadeia de processamento


.

OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 44

geral. Benetton lança seu o inovador conceito ‘malha de fio único’. Tecer malhas sem costura e usando apenas um rolo de fio permite uma utilização de quase 100% do fio original sem gerar nenhum desperdício durante o processo de fabricação. O conceito de fio único foi lançado recentemente pela marca italiana. Uma camisa de manga longa de 130 gramas é produzida com apenas um único rolo de 500 metros de fio, tecida sem costura numa máquina de tricô 3D. A peça leva uma hora para ficar pronta. Depois de um certo tempo de uso, a malha é devolvida na loja pelo consumidor para ser enviada de volta à fábrica para reciclagem. Na fábrica, a malha é cuidadosamente picotada e depois transformada quimicamente num novo rolo de fio, para ser reutilizado na máquina de tricô e tecer uma ‘malha de fio único’ com novo design. Com a nova tecnologia de reciclagem química com líquido iônico, este processo poderia ser repetido infinitamente com a adição esporádica de pequenas quantidades de fios novos para tecer fios de alta


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 45

qualidade. A H&M segue um caminho mais tradicional do que tecnológico em busca da moda sustentável, recolhendo roupas que os consumidores já não usam mais, independentemente da marca. O objetivo é dar a todas as peças uma nova vida, seja através da reciclagem, doação ou de outras soluções que passem longe dos aterros sanitários. A marca sueca desenha modelos que são totalmente feitos de material usado, mas afirma que uma elevada porcentagem dos tecidos coletados não pode ser reutilizada com qualidade. Todas as peças que estejam em boas condições são distribuídas pelo mundo para serem utilizadas em segunda mão. As restantes são convertidas em outros produtos, como panos de limpeza ou “moídos e utilizados nas indústrias da construção e automóvel como

materiais

de

revestimento

e

isolamento”.

Peças metálicas como os botões e fechos enviados para a reciclagem industrial. A reciclagem de resíduos têxteis existe, apesar de ser


.

OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 46

pequena no Brasil. O grande uso de restos de tecido ocorre no artesanato. A indústria têxtil pode contaminar os efluentes líquidos, pois os tecidos passam por inúmeros processos de tingimento e tratamento com substâncias antifúngicas, por exemplo. Assim, a reciclagem dos resíduos têxteis é importante para a redução da poluição, uma vez que estes são frequentemente queimados ao ar livre ou depositados em lixões. A dificuldade da reciclagem industrial pós-consumo é consequência do estado em que os tecidos se encontram após serem descartados (muito sujos e parcialmente

degradados)

e

também

pelo

pouco

volume

concentrado, o que inviabiliza comercialmente. A reciclagem industrial de tecido é incipiente no Brasil. É possível que fábricas utilizem aparas têxteis de outras empresas, que seriam incorporadas ao processo produtivo (resíduo pré-consumo), evitando que se tornem resíduos, mas esta não é uma prática comum no país. A reciclagem transforma o tecido em matéria-prima para indústrias de tecido não-tecido, colchões, papel


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 47

(moeda),

produtos

medicinais,

automobilísticos,

mobiliário e metalurgia. A reciclagem de resíduos têxteis é complexa. Para que volte a ser fio novamente, esse material deve ser separado por matéria-prima e comprimento de fibra. Uma sugestão para o aproveitamento desses resíduos sem muita complexidade, seria na produção de estopas, no qual não é necessário a eliminação dos tingimentos, mas só a fragmentação dos retalhos. Devido às dificuldades apresentadas, deve-se procurar reutilizar ao máximo todos os panos e restos de tecidos antes de serem descartados. Roupas velhas devem ser doadas ou consertadas. Quando não puder mais ser utilizada como vestimenta, ainda encontra uso como pano de chão e de limpeza bruta. No ramo da reciclagem artesanal, artesãos confeccionam bonecas de pano, ecobags, colchas, tapetes, roupas, porta-documentos, capas de caderno, marcadores de livros e uma infinidade de objetos, se valendo de talento e criatividade.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 48

Com muita pesquisa e ações efetivas, as marcas começam a oferecer soluções para introduzir a economia circular na indústria têxtil. Os poucos exemplos citados mostram o potencial para reaproveitar materiais inutilizados e reduzir o desperdício em toda a cadeia de valor, criando assim novas matérias-primas. As marcas acima mal tem representantes no Brasil, portanto as soluções citadas podem estar longe do nosso alcance. Isso não impede que tomemos medidas para que nossas roupas sejam mais sustentáveis. Veja algumas sugestões: * Lave menos o seu jeans! Mantenha a higiene, mas observe seus hábitos. Muitas pessoas têm mania de colocar para lavar o Jeans da mesma forma que faz com uma camiseta ou com roupas íntimas. * Doe ou venda suas roupas em bom estado. Muita gente precisa e nossa economia favorece encontrar excelentes oportunidades em brechós.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 49

* Não tem condições de uso? Vira pano! O que você prefere, gastar comprando pano de chão ou uma nova camiseta? * Pressione, se informe! É fã de alguma marca de roupas? Corre então para as redes sociais e pergunte como eles trabalham a sustentabilidade. Mostre que você é um consumidor responsável se houvessem opções. Ou vá para o brechó! Filtro de cigarro As bitucas de cigarro estão entre

os

resíduos

mais

descartados nas ruas. Não é

difícil

comprovar

este

dado. Uma caminhada pela cidade revela em canteiros Imagem:www.pensamentoverde.com.br

e calçadas a presença constante delas.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 50

..Além dos malefícios acarretados pelo vício, o hábito de jogar as bitucas nas ruas pode trazer prejuízos também para o meio ambiente. As bitucas jogadas na natureza levam até cinco anos para se decompor. Quando descartadas nas ruas, são arrastadas pela enxurrada, caindo nos bueiros e depois nos rios. Além disso, são responsáveis por incêndios e podem provocar a morte de animais que as ingerem. Quando descartadas corretamente em lixeiras coletoras ou cinzeiros, as bitucas podem ser reutilizadas. Uma das principais formas de reaproveitamento deste resíduo é a incorporação a outros insumos para a produção de adubo, utilizado na recuperação de áreas degradadas de paisagismo. Projetos e pesquisas científicas também desenvolvem outras formas de reciclagem de bitucas. Em São Paulo, estudantes de administração da Escola Técnica Estadual de

Heliópolis

descobriram

como

transformar

este

material em pasta de celulose ou papel semente. Neste processo, 300 unidades do resíduo produzem sete folhas


.OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 51 em tamanho A4. A empresa TerraCycle também encontrou uma boa utilidade para as bitucas. O projeto desenvolvido pela organização que está sendo aplicado com sucesso no Canadá, Estados Unidos e Espanha, transforma o material em produtos plásticos e incentiva estabelecimentos,

empresas

e

consumidores

a

enviar

gratuitamente as bitucas pelo correio. Bitucas verdes: conheça o filtro biodegradável. Uma empresa chamada Greenbutts, com sede em San Diego, desenvolveu um novo cigarro, chamado “cigarro verde”, que busca minimizar os impactos causados pelo descarte de bitucas em locais inapropriados. Além de contar com um filtro biodegradável, à base de linho algodão orgânico e cânhamo, que não polui o solo em seu processo de decomposição, estes cigarros possuem

sementes

de

ervas,

gramas

ou

até

mesmo flores em seu interior, que, em contato com o solo, fazem brotar uma planta.

.


.

OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 52

..A cidade de Votorantim (SP) se tornou a primeira do Brasil a ter uma usina de reciclagem de bitucas de cigarro. O projeto 100% nacional, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Brasília, transforma o material em papel. O município já tem inúmeras caixas coletoras dos resíduos, o que facilita o descarte ecologicamente correto das bitucas. Uma vez por semana, funcionários fazem a coleta das bitucas nos pontos de descarte. No total são 2600 caixas em 17 municípios. Por mês são coletados 130 quilos. Já na usina, o material passa por uma triagem. Depois, as bitucas são colocadas em uma espécie de caldeirão com

água

e

uma

solução

química,

que

faz

a

desintoxicação. Depois de 5 horas fervendo a 100° C, a mistura descansa e se resfria. Só depois é peneirada e lavada em tanques. Desse processo sai uma massa celulósica. A ideia da reciclagem é do diretor industrial Marcos Poiato, que trabalhava na indústria farmacêutica e percebeu o nicho de mercado. Ao todo, com 25 bitucas, é possível fazer uma folha de


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 53

papel,

utilizada

em

atividades

pedagógicas.

Os

profissionais da usina também realizam palestras de educação ambiental na rede municipal de ensino para conscientizar a população. Madeira A reciclagem de madeira a princípio ficou conhecida a partir das décadas 80 e 90. Isso pela grande preocupação no momento em que o desmatamento alertou imagem:

não

sobretudo apenas

a

www.gruposalmeron.com.br

necessidade em manter a proteção dos ecossistemas, assim também ao propósito da qualidade de vida das pessoas. Conforme levantamento feito pela ONU, atualmente são destruídos quase 7 milhões de hectares de florestas naturais no mundo, em resumo certamente um dado preocupante para o presente e o futuro, contudo ainda é


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 54

possível reverter esse cenário. Como resultado dessa crescente conscientização, até hoje estamos evoluindo, e contribuindo para a vida! A madeira residual é um recurso precioso que estão disponíveis em grandes quantidades. A crescente conscientização de preservação do meio ambiente não apenas contribuem para desenvolver a conduta do ser humano, também garante o ciclo da reciclagem de madeira. Todas as madeiras que chegam ao fim da vida útil do produto, igualmente podem serem utilizados na reciclagem do material. A reciclagem de madeira e outros resíduos contribuem para a preservação dos recursos naturais e do meio ambiente, igualmente promove o desenvolvimento da consciência ambiental e o melhor aproveitamento dos resíduos, sendo, contudo, uma excelente alternativa para a geração de energia através da Biomassa. Confira abaixo as características da madeira para reciclagem:


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 55

* Dormentes retirados de linhas ferroviárias; * Paletes normalmente usados na indústria para o transporte de produtos ou na logística interna da empresa; *

Caixas

de

Madeira

usado

para

transportar

equipamentos industriais; * Troncos e Galhos de podas previamente autorizado conforme a lei; * Madeiras de demolição de qualquer tipo; * Madeiras de residências como: portas, janelas, ripas, guarda-roupas, criado-mudo, camas, objetos em geral; * Madeiras em geral proveniente da construção civil e outros setores.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 56

* Madeira Processada para a Geração de Energia. Depois disso acontece a coleta e o transporte dos resíduos de madeira, feito isso, o processo de reciclagem é realizado com equipamentos apropriados, a partir de trituração primária. Logo após, os resíduos de madeira passam por um processo de triagem manual onde componentes metálicos, de plásticos, de papéis e outras impurezas são removidas, separados e destinados corretamente. Em seguida, a madeira passa pela trituração secundária, adequando-se o tamanho dos cavacos de acordo com a necessidade dos clientes. Na etapa final vira uma biomassa livre de impurezas e com alto poder calorífico, sendo um combustível de alta qualidade, com rastreabilidade ambiental, proporcionando economia. No processo de reciclagem de madeira, ganha valor energético, sendo utilizada como biomassa, evitando seu descarte

em

locais

inadequados

e

em

aterros.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 57

Náilon Patente

de

invenção

pertencente ao campo dos processos de reciclagem que utilizam produtos químicos a fim de obter um estado de pureza tal que possa levar o resíduo a ser reutilizado de imagem: universoaventura.com.br

forma como foi concebido e gerado quimicamente, e para tal, é necessário selecionar os resíduos separando os tecidos que contem fibras estranhas ao processo como algodão, polipropileno, polialiléster através de processos manuais e 10 equipamentos de medição. Uma vez separados os elementos estranhos deve-se separar os náilons 6 do 6,6 por avaliação de pontos de fusão, que tem características diversas para utilização final, tanto a níveis têxteis como ao nível de Plásticos de Engenharia. O resíduo ou material a ser processado e já selecionado manualmente será dividido em 15 lotes de Nylon 6 ou 6,6 sempre dependendo da capacidade de


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 58

carga da porta material da máquina. ..Uma vez formados os lotes de materiais, eles são carregados no cesto porta material da máquina, sendo o circuito de processo fechado hermeticamente. Assim, o processo

é

hermético,

isento

de

oxigênio,

com

introdução de 20 nitrogênio e utilizando como veículo o solvente Dimethylformamide a quente e à 90°C numa relação de banho de 6 partes de solvente para uma de tecido. Isopor Durante muito tempo, fosse por falta de

tecnologia, viabilidade

financeira ou

mesmo conscienti-

zação, as pessoas deixaram de dar o destino correto a esse material.

Por

esclarecer:

isso o

precisamos

isopor

resíduo reciclável! imagem: www.setorreciclagem.com.br

O material pode ser reciclado de três formas:

é

um


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 59

..Reciclagem mecânica, que transforma o produto em matéria-prima para a fabricação de novos produtos; energética, que usa o isopor para a recuperação de energia em função do seu alto poder calorífico; e química, que reutiliza o plástico para a fabricação de óleos e gases. Várias iniciativas estão acontecendo no intuito de fomentar a reciclagem do isopor, material plástico que tem em sua composição, 98% ar. A Santa Luzia, empresa de Molduras de Braço do Norte, sul de Santa Catarina, encontrou uma maneira para substituir a madeira, criando um processo de compactação de resíduos de EPS ou isopor. A partir do poliuretano ou do poliestireno

reciclado,

a

empresa

produz

perfis,

molduras, revestimentos de pisos e paredes, com foco em alto padrão e capacidade de transformar grandes quantidades de resíduos plásticos em várias linhas de produtos, como rodapés, rodas tetos, guarnições, roda meios, revestimentos (Ecobricks e Vértices) e decks (Ecodeck), além de espelhos, molduras e porta-retratos. Além disso, a Termotécnica, empresa de embalagens


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 60

para produtos industriais e transformadora de EPS (isopor®) com sede em Joinville–norte de Santa Catarina, desenvolveu um programa de reciclagem do material e tem direcionado grandes esforços para a orientação a respeito da possibilidade e importância de reaproveitar

este

material. Ao

longo

do

trabalho

desenvolvido pela empresa, foi criado um site onde é possível localizar o ponto de coleta deste resíduo mais próximo da sua localidade, uma ferramenta útil e que facilita o engajamento. Segundo a empresa, o processo de reciclagem consome poucos recursos naturais, como água e energia, e gera poucos resíduos. O programa conta com uma rede de mais de 1100 pontos de coleta e 270 cooperativas parceiras, o que corresponde a reciclagem de 30% da quantidade de embalagens de EPS produzidas pelo país, evitando cerca de 6 mil toneladas por ano de descarte inadequado do material em aterros. Com 10 anos de existência o programa já reciclou mais de 35 toneladas de isopor e gera, hoje, cerca de 100 empregos diretos e impacta


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 61

cerca de 5 mil famílias. A empresa investiu no desenvolvimento de uma ampla cadeia de logística reversa, o que significa importante incentivo às cooperativas pelo fato do isopor ser um material que ocupa bastante espaço e é extremamente leve, o que desestimula sua coleta e envio para reciclagem. Além disso, com investimentos na ordem de R$15 milhões instalou unidades próprias de reciclagem nas cidades de Manaus (AM), Rio Claro

(SP),

São

José

dos

Pinhais

(PR),

Joinville (SC) e Petrolina (PE). Após reciclado, o isopor volta para o mercado e é utilizado para a fabricação de itens como: régua escolar, corpo de caneta, solas de sapato, rodapés, molduras, entre outros. É fato que para desmistificar a ideia de que o isopor é um resíduo reciclável será necessário um forte trabalho de educação e conscientização. Marmóre A indústria das rochas ornamentais gera grande


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 62

quantidade de resíduos sólidos anualmente. O objetivo desse trabalho é avaliar a produção de compósitos a partir de resíduos sólidos provenientes

do

beneficiamento de mármore e granito utilizando resina poliéster

isoftálica

como

matriz agregante. Após a coleta e beneficiamento do resíduo,

realizam-se

experimentos quantidade

variando de

a

resíduo

imagem: www.casashow.com.br

na matriz polimérica, adotaram-se 0% de resíduo como padrão de comparação para os demais corpos de prova contendo 10, 20, 30, 40, 50, 60 e 70% de resíduos em substituição à resina. Após a confecção dos corpos de prova, foram realizados ensaios experimentais para obtenção de valores de massa específica aparente, absorção de água e porosidade aparente para avaliar a influência

da

quantidade

de

resíduos

nessas

propriedades. Os resultados obtidos comprovam a


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 63

eficiência da incorporação desses resíduos na matriz polimérica para uso como material alternativo e de menor impacto. Restos de construção Quando o assunto em debate é a construção civil, é inevitável abordar a importância que a área

possui

destaque, infelizmente

no no não

país.

O

entanto, abrange

imagem: entendaantes.com.br

apenas um cenário favorável: ao mesmo tempo, em que figura como um dos setores que mais geram riqueza e postos de trabalho no Brasil, a construção civil é também uma das principais geradoras de resíduos. Quase a totalidade dos processos do setor produz resíduos, o que se deve principalmente ao alto nível de perdas da atividade. Ainda que nem toda perda gere rejeitos (já que uma parte dela fica na obra), dados da Abrecon - Associação


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 64

Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, apontam que os resíduos chegam a representar 50% do material desperdiçado no segmento. O número alarmante dá uma boa ideia da imensa quantidade de materiais de construção que se descarta todos os dias em decorrência das obras. A problemática da geração desses resíduos se agrava quando a ela se soma outro fator preocupante: grande parte não recebe a destinação correta, e acaba por ser deixada clandestinamente em terrenos baldios, áreas de preservação permanente, vias e logradouros públicos. Neste quadro, a disseminação de uma cultura de tratamento, reciclagem e reutilização no setor se apresenta como uma questão cada vez mais urgente dos nossos tempos, em que a sustentabilidade ambiental deve ser encarada como aliada indispensável do desenvolvimento econômico. A geração de resíduos na obra: entulho e efluentes devem ter destinação adequada. Em definição da Abrecon, o Resíduo da Construção e Demolição (RCD) ou Resíduo da Construção Civil


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 65

(RCC) é todo resíduo gerado no processo construtivo, de reforma, escavação ou demolição. Desta forma, pode-se dizer que o entulho inclui os restos de tijolos, argamassa, concreto, madeira, aço e outros materiais advindos da construção, reforma ou demolição de estruturas diversas como residências, pontes e prédios. Se a geração desses resíduos se tornou um grande obstáculo a ser ultrapassado pelo setor da construção civil, que se vê em meio ao desafio de conciliar seus processos de produção com um desenvolvimento consciente, a alternativa da reciclagem e do reaproveitamento importância

de

se

apresenta

escolher

este

como

solução.

caminho

ainda

A é

respaldada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) ou Lei 12.305/2010, que regulamenta o manejo ambientalmente correto dos resíduos sólidos e define metas de reutilização, redução e reciclagem. A lei, que visa minimizar o nível de rejeitos para destinação final, demanda a participação de todos os setores da sociedade, e certamente engloba a mudança de postura de empresários do ramo da construção.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 66

Outros resíduos gerados em obras são efluentes como a

lama

bentonítica

na

etapa

de

escavações

e

perfurações, e a água residuária composta de esgotos domésticos. Se esses efluentes não forem tratados adequadamente, ocasionam a poluição do solo e corpos d’água, além de ações passíveis de penalizações e até interdição da obra por parte dos órgãos responsáveis. O armazenamento dos efluentes deve estar de acordo com a NBR 7229 da ABNT que determina as condições para construção e operação de tanques sépticos, tratamento e disposição de efluentes e lodos sedimentados, não sendo permitido o uso de valas ao ar livre ou de caixas sem tampas adequadas. A norma também estabelece que os efluentes dos refeitórios passem previamente por caixa retentora de gordura, antes de serem levados para tratamento. Benefícios econômicos, sociais e ambientais: as vantagens de encaminhar o entulho para reciclagem. Independentemente da utilização do resíduo reaproveitado, a opção pelo tratamento dos resíduos da construção civil acarreta benefícios da ordem econômica, social


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 67

e ambiental. A substituição dos materiais convencionais pelo entulho, por exemplo, resulta em economia na aquisição de matéria-prima. Com a reciclagem, há ainda a minimização da poluição causada pelos resíduos, que podem causar enchentes e o assoreamento de rios e córregos. É importante destacar que o descarte incorreto também traz sérias consequências para o ambiente urbano, sendo ambientes que propiciam doenças como dengue e febre-amarela e chamariz de roedores e insetos. Como se vê, a falta de encaminhamento adequado desses materiais gera prejuízos do ponto de vista do meio ambiente e da qualidade de vida da população, evidenciando ainda mais a necessidade de reaproveitamento. Em um processo sustentável completo que reduz a poluição, preserva as reservas naturais de matéria-prima, acarreta ganhos financeiros e ainda promove oportunidades de trabalho e renda, o tratamento e reciclagem dos resíduos da construção civil demanda a atenção dos órgãos fiscalizadores e a conscientização de empresários do setor que detêm o grande poder de


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 68

decidir de mudança. Segundo a ABRELPE - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, o Brasil produz em média 31 milhões de toneladas de resíduos

da

construção

civil

(RCC)

por

ano.

O certo é tratar os efluentes que são devolvidos à natureza, assim 100% do lodo gerado pelo processo é agregado a outros resíduos orgânicos. Na compostagem, eles são transformados em fertilizante orgânico composto e substrato para plantas, promovendo assim a reciclagem em cada etapa do processo. Rejeitos O rejeito é o que sobra do processo de composto beneficiamento do minério de ferro, areia e água. Ele não é tóxico, corrosivo ou inflamável. A Samarco produz duas imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

categorias de rejeito:


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 69

arenosa e lama. De acordo com suas características químicas e físicas, estes rejeitos se tornam matéria-prima para outros setores produtivos. Como destino do rejeito, pode-se ter a produção de ladrilhos hidráulicos, blocos pré moldados, artefatos cerâmicos, sais férricos, dentre outros produtos. Tecnologia desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) oferece uma alternativa de aproveitamento dos rejeitos de minério armazenados nas barragens a montante, as mais comuns no Brasil, semelhantes

às

que

se

romperam

em

Mariana,

Brumadinho e às que ameaçam Barão de Cocais e São Sebastião das Águas Claras, em Minas Gerais. O material (rejeito) quando processado por uma tecnologia denominada calcinação flash, transforma-se em uma espécie de cimento pozolanaque serve como base para vários outros materiais, tais como concreto, argamassa e pelotas de minério, que podem serem

utilizados

na

pavimentação

de

estradas,

construção civil, agricultura, piscicultura. A técnica também

recupera

ferro

para

fabricação

de

aço.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 70

A partir daí, após o descomissionamento, com a tecnologia existente seria possível retirar todo o resíduo e transformá-lo em produtos, proporcionando uma forma sustentável de gerir a cadeia da mineração. A pozolana, substância oriunda do processo de calcinação flash, pode ser utilizada no lugar do calcário na mistura feita para gerar o cimento tradicional. Ossos As pessoas que esperam o açougueiro desossar e retirar o sebo das peças de carne que compram geralmente não sabem que se inicia ali uma complexa imagem: diolhonapanela.wordpress.com

cadeia de processos da indústria química e que aquelas partes bovinas rejeitadas pelos consumidores de bife voltarão para eles em outras e inesperadas formas. A utilidade

deste

aproveitamento

industrial

dos

subprodutos do comércio de carne se dá tanto por seus


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 71

resultados finais, quanto por poupar o meio ambiente de receber milhões de toneladas de resíduos orgânicos que se transformariam invariavelmente em lixo urbano se não encontrasse este ou outro modo de aproveitar. Tudo começa com a separação, nos próprios açougues, dos ossos e do sebo bovino, com o objetivo de vendê-los as indústrias especializadas que os coletam para utilizá-los como matérias-primas. Farinha de ossos bovinos vira ração. Houve época em que os ossos bovinos eram utilizados na indústria de transformação para fabricar uma série de utensílios, como botões, pentes e peças de jogos de xadrez. Com a disseminação dos materiais plásticos, estas aplicações caíram em desuso, passando os ossos bovinos a ser mais valorizados por suas características químicas do que pelas físicas. Ossos são compostos orgânicos ricos em cálcio e proteína. Como estas substâncias têm grande valor nutricional, são amplamente utilizadas na fabricação de rações para animais de corte ou domésticos. Para isso, os ossos são cozidos a alta temperatura em digestores industriais, moídos e transformados em farinha. Essa farinha de


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 72

ossos é combinada a outras matérias-primas que complementam as necessidades nutritivas da ração, muito usada na criação de aves de corte, como frangos e perus, que, por conta da alimentação rica em proteína concentrada, crescem e chegam mais rápido ao ponto de abate. As farinhas de ossos também podem ser usadas para várias outras aplicações nas quais o cálcio é útil, como, por exemplo, a correção de solos, embora esta utilização exija outras intervenções para dar ao cálcio reciclado a solubilidade necessária à sua absorção pelas terras tratadas. Já o sebo bovino coletado nos açougues cumpre uma sequência de transformações químicas mais longa e complexa. O sebo bovino é uma gordura animal que, assim como os óleos vegetais, é constituído de moléculas de triglicerídios. Um triglicerídio é formado por uma molécula de glicerol unida a três moléculas de ácido graxo. As indústrias especializadas se interessam em extrair dos triglicerídios tanto o glicerol quanto os ácidos graxos, matérias-primas utilizadas em uma grande gama de


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 73

processos químicos. Assim, a primeira etapa do processamento industrial do sebo bovino é separar o glicerol

dos

ácidos

graxos,

o

que

pode

ser

feito pelo processo de hidrólise, no qual água aquecida quebra as ligações do glicerol, que se desprende do ácido graxo e se dilui em solução aquosa. O glicerol diluído em água é posteriormente, separado dela em concentradores por evaporação e em seguida, destilado, resultando na popular e conhecida glicerina, utilizada pela indústria farmacêutica, de cosméticos, alimentícia e química em geral. A glicerina está presente em sabonetes, cremes, xaropes, aditivos alimentícios, limpadores de pneus e até explosivos, como é o caso da conhecida nitroglicerina. Uma vez destacada a glicerina, os ácidos graxos provenientes do sebo são processados visando a separação dos dois principais, o ácido oleico e o ácido esteárico. Os ácidos graxos são definidos quimicamente pelo tamanho de sua cadeia carbônica e pelo número de insaturações nesta cadeia, ou seja, o número de duplas ligações presentes. O ácido oleico possui uma cadeia insaturada de dezoito carbonos,


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 74

apresentando-se à temperatura ambiente no estado líquido. A separação das chamadas oleínas do ácido graxo de sebo se dá através de prensagem, método mais antigo, ou por resfriamento e centrifugação, um modo mais moderno e produtivo. Utiliza-se o ácido oleico na fabricação de sabão e sabonetes, lubrificantes, aditivos alimentícios e cosméticos. O ácido esteárico também possui dezoito carbonos em sua cadeia, mas, diferentemente da cadeia do oleico, ela é saturada, o que faz com que este material se apresente sólido à temperatura ambiente. As estearinas, como também são chamadas, são muito utilizadas na indústria da borracha, sendo necessária para conferir à massa do polímero suas características de flexibilidade. Também estão presentes no creme de barbear, no creme hidratante e mais uma série de cosméticos e são um aditivo importante nos processos industriais de transformações de plásticos. Se hoje em dia as palavras reaproveitamento e reciclagem são valorizadas como ambientalmente corretas, o aproveitamento em larga escala do sebo bovino e dos ossos pela indústria


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 75

química, mostra que não é de agora que as tecnologias industriais, tão acusadas de serem poluentes, podem minimizar os impactos ambientais do progresso. Afinal, quem torce o nariz para as pelancas que o açougueiro descarta do contrafilé talvez não imagine que aquelas gorduras, que não entrariam em sua casa pela porta da cozinha, encontrarão um lugar destaque na penteadeira de seu quarto, entre os cremes hidratantes finos, perfumados e caros que pouco lembram as matérias-primas originais das quais vieram. Tintas Na hora de se desfazer das tintas

é

necessário

cuidados

ter

especiais.

Primeiramente, é importante lembrar de que é preciso muito

cuidado

para

imagem: www.solucoesindustriais.com.br

descartar vernizes e tintas, bem como solventes utilizados durante a pintura, pois se descartados de maneira


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 76

incorreta, podem prejudicar o meio ambiente. Isso porque serão absorvidos pelo solo, contaminando plantas e os lençóis freáticos, podendo causar até doenças aos animais e à população que tiver contato com a água. Com relação às latas e embalagens, segundo a cartilha sobre resíduos da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (ABRAFATI), o correto é inutilizar as latas com furos, cortes ou prensagem para evitar outro uso já que elas possuem poluentes e não podem ser destinadas à coleta municipal de lixo. Além disso, o descarte desses resíduos químicos na rede de esgotos, seja diretamente em bueiros, ou até nos tanques, pias e vasos sanitários, podem também levar estes produtos para a rede fluvial, ou seja, para os rios. Daí, para chegarem aos mares, não precisa de muito. Dessa maneira, toda a fauna foi contaminada. Dependendo

da

toxicidade

desses

elementos, pode até haver explosões sérias, com pontos de incêndio. O ideal é determinar a quantidade de tinta neces-


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 77

sária, ação que faz bem para seu bolso e para o meio ambiente. Para isso basta medir a área a ser pintada e conferir na embalagem ou com o fabricante sobre o rendimento da mesma. Outro destino para os resíduos que restaram em sua casa após a reforma, se estiverem em condições de uso, é doar para conhecidos ou até instituições carentes. A lei n° 15121 de 2010, de Gilberto Kassab no município de

São

Paulo,

dispõe

que

as

empresas

que

industrializam tintas, vernizes e solventes de uso domiciliar ou industrial sejam obrigadas a aceitar as sobras destes materiais para reciclagem, reaproveitamento ou descarte adequado. As empresas que não respeitarem a lei, poderão ter sua licença de funcionamento cassada. Mas antes de fazer uma reforma é preciso estar informado sobre o que fazer com restos de tinta, assim como restos de verniz e solvente; para evitar causar danos ao meio ambiente e efeitos nocivos às pessoas. Se a tinta for a base de látex o ideal para seu descarte é sua solidificação, ou seja, secar ela até que


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 78

fique um material sólido. Para isso, basta deixar secar, ou se a quantidade for muito grande pode-se utilizar algum material para acelerar esse processo como, por exemplo misturar a tinta com areia de gato. Após seca ela pode ser descartada normalmente e enviada a aterros sanitários. Outra dica boa é sempre reaproveitar os pincéis que você usa para aplicar os produtos. Ou seja, quando você acabar sua obra, limpe os objetos e guarde-os para uso futuro, pois eles podem ser reutilizados em outros momentos. Mas lembre-se: para tintas à base de solvente, lave as ferramentas com o mesmo solvente utilizado na diluição da tinta aplicada. Despeje os resíduos dessa lavagem e do solvente em areia, mas nunca no solo. Depois que o solvente evaporar, descarte a areia no lixo comum. Para tintas à base de água, lave as ferramentas com água e em seguida com água e sabão. Se no local há esgoto tratado, descarte a água da lavagem das ferramentas em ralos, tanques ou vasos sanitários. Assim ela irá para a rede de esgotos, evitando impactos


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 79

nos rios e córregos. Não a descarte em bueiros, bocas-de-lobo e muito menos no solo. Você também pode procurar a prefeitura de sua cidade para saber como eles lidam com materiais de difícil reciclagem, caso as demais alternativas não estejam funcionando. Pode-se também misturar as sobras de tinta para fazer uma cor cinza ou concreto. Mas só podem ser misturados produtos do mesmo tipo e com as mesmas características. Não junte tinta à base de água com outra à base de solvente. Tampe bem a lata de tinta para não ressecar e garantir um próximo uso. .Mesmo com restos de tinta seca, encaminhe as latas vazias para a reciclagem. As latas de aço ou alumínio são infinitamente recicláveis, podendo voltar ao ciclo da reciclagem sempre que necessário, entregue elas para algum catador de material reciclável ou cooperativa de sua cidade. Chapa de raio-x


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 80

As radiografias, ou raio-x como são comumente conhecidas,

são

muito

utilizadas no ramo da medicina, para identificar traumas e lesões nos pacientes. Como esses exames

são

muito

importantes no histórico imagem: www.docol.com.br

da saúde de uma pessoa, são comumente guardados durante muito tempo, e quando já não são tão úteis, acabam sendo descartados sem o cuidado apropriado. Essa forma despreocupada de jogar as chapas fora faz com que elas vão parar em aterros sanitários e causem diversos problemas, pois elas contaminam o solo e o lençol freático, além de ocasionarem outros problemas. A importância da destinação correta das radiografias se dá por dois fatores. O primeiro é que elas são feitas a partir de uma chapa de um plástico chamado acetato. A segunda é que essa placa é coberta por uma fina camada de grãos de prata, sensíveis à luz. O plástico gera riscos para o meio ambiente, demorando mais de


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 81

cem anos para se decompor na natureza, sem contar que é um derivado direto do petróleo, cuja extração traz problemas ambientais como gases-estufa. Já a prata, assim como outros metais pesados, é altamente poluente e prejudicial à saúde, pois se acumula no organismo, causando problemas renais, motores e neurológicos. Sua liberação no ambiente é proibida pelas normas

estabelecidas

pela

Agência

Nacional

de

Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Para tornar a imagem visível, deve ela seja revelada a partir da reação de uma película de grãos de prata com a hidroquinona, um agente revelador. Em seguida, a película recebe um banho de carbonato de sódio e de bissulfito de sódio, que evita a decomposição da hidroquinona. Para que a imagem não se desfaça rapidamente, é utilizada uma solução fixadora de tiossulfato de amônio, sulfato de sódio ou EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético), que remove o excesso de prata existente e que poderia reagir com a presença de luz, comprometendo a imagem. A chapa


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 82

então é lavada, para remover vestígios de produtos químicos que possam estragar a película, e, em seguida, seca. Depois de realizado todo esse processo, restam ainda muitos resíduos químicos, que são encaminhados para empresas especializadas, onde são tratados. Acontece que a chapa de raio-x é reciclável e a importância do seu descarte correto vai muito além do que você imagina. Primeiramente, esse processo evita que os componentes tóxicos contaminem o meio ambiente. Outra questão importante é a possibilidade de reutilização dos materiais envolvidos. O processo de reciclagem das radiografias mais comum acontece da seguinte forma. A radiografia é tratada em uma solução de hipoclorito de sódio 2,0% (água sanitária), em que são gerados: Um resíduo sólido que contém a prata e as películas radiográficas “limpas”. Em seguida, o resíduo que contém a prata é tratado com hidróxido de sódio em água e aquecido durante 15 minutos, obtendo-se o óxido de prata misturado a


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 83

impurezas; O óxido de prata é então aquecido em uma solução de sacarose por 60 minutos, obtendo-se a prata impura sólida e que ainda não apresenta brilho; Por fim, a prata é aquecida a 1000 °C por 60 minutos em uma estufa, obtendo-se a prata pura e com o brilho. Com 2,5 mil chapas de raio-x, é possível obter de 450g a 500g de prata (cada quilograma é vendido por cerca de R$ 1,2 mil). Para comprar os equipamentos e montar a estrutura necessária, é preciso um investimento de R$ 300 mil. Com o plástico, a reciclagem de 300 kg do material gera um lucro de R$ 15 mil por mês. Os dados parecem muito vantajosos, mas é importante saber que toda empresa que quiser reciclar as radiografias deve funcionar de acordo com as licenças ambientais. A água contaminada com agentes químicos utilizados no processo de obtenção da prata não deve, de maneira alguma, ser lançada sem tratamento no esgoto. Portanto, a empresa deve ter a sua própria estação de tratamento de água, para evitar que o processo se torne ambientalmente inviável.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 84

Com o plástico resultante do processo é possível fazer diversos

objetos,

como

embalagens.

Já

a

prata

serve como matéria-prima para joalherias, por exemplo. Com a inovação da tecnologia e a tendência para a geração de imagens digitais, os tradicionais exames de raios-x podem ser feitos e processados pelo computador. Os exames radiológicos são realizados diferentemente

das

radiografias

convencionais:

utilizam-se

equipamentos de digitalização de imagens e o paciente é submetido a baixas doses de radiação. Na radiologia digital, o filme convencional é substituído por uma película sensível aos raios-x, que é lida por um equipamento moderno de computação, gerando uma imagem de alta resolução. Os exames feitos a partir desta tecnologia produzem imagens de alta qualidade, que proporcionam maior visibilidade na detecção de patologias e, com isso, diminui a repetição de exames e a exposição dos pacientes à radiação ionizante. Assim, a chapa de raio-x não precisa mais ser guardada em casa, ocupando espaço, e nem correr mais o risco de ser destinada para os aterros. É possível guardar as


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 85

imagens em CDs, servidores digitais ou discos rígidos. ..Guarde ..Segundo

com

cuidado

suas

radiografias.

os profissionais da saúde, a radiografia

pode esclarecer se uma doença antiga já foi curada ou não. Você deve ter cuidado ao armazenar sua radiografia. Elas podem ser guardadas em sacos plásticos ou envelopes de papel, em temperatura ambiente, sem exposição solar (o calor ajuda na formação de vapores perigosos à saúde a partir dos químicos presentes na chapa de raio-x) e longe da umidade. Equipamentos Eletrônicos A Internacional

Organização do

Trabalho

(OIT) estima que a geração mundial de lixo eletrônico, também conheci-do como

e-lixo,

alcance

imagem: www.reciclagemfacil.com.br

a ordem de dezenas de milhões de toneladas anuais. O lixo eletrônico possui diversos contaminantes nocivos ao


.

OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 86

meio ambiente e à saúde. No Brasil, existem os postos coletores, mercados e revendedores de produtos eletrônicos que aceitam os Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE). Apesar de não possuir uma alta tecnologia de reciclagem, o país inicia essa caminhada para intervir na crescente produção de lixo eletrônico. Após a coleta do e-lixo, o processo de reciclagem de equipamentos eletrônicos se inicia através de uma triagem, que pode ser feita manualmente ou por um computador há a separação dos equipamentos em condições de uso (que podem ser doados) dos que não podem ser reutilizados. Logo, os aparelhos são desmontados, e a carcaça, a bateria, o vidro e as placas de circuito são separados, sendo dado um destino diferente para cada componente. A carcaça é triturada e separada por material de acordo com a sua densidade. Depois disso, os resíduos podem, então, serem vendidos para outras empresas que utilizam

os

polímeros

presentes

nesses

objetos, bem como serem incineradas para gerar energia


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 87

(esse método, no entanto, ainda suscita discussões devido às substâncias, como a dioxina, que podem ser liberadas a partir dessa queima), ou podem ser derretidos e transformados em outro plástico. Este material

reciclado

apresenta,

segundo

algumas

pesquisas, desempenho satisfatório em testes de resistência mecânica. Os materiais tóxicos são colocados em tanques preparados para

armazenar

esse

resíduo

e

são

destinados a empresas especializadas. O vidro da tela de celular e monitores possui diferentes componentes, como chumbo e arsênio. Logo, são separados por vidro ou são misturados e passam por um processo de moagem e tratamento, podendo ser vendidos para empresas que o utilizam como matéria-prima. As baterias são separadas e destinadas a empresas específicas que farão o descarte correto ou a reciclagem. No Brasil ainda não existe processo de reciclagem para a placa de circuito impresso (PCI). Ela é encaminhada para países que possuem tecnologia suficien-


.

OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 88

te para realizar essa reciclagem, como EUA e Suíça. Mesmo sem uma tecnologia adequada para a reciclagem do e-lixo, China e Índia são as maiores receptoras desses materiais. Seus trabalhadores não utilizam proteção e descartam os rejeitos no solo e no rio. Existem 3 categorias de reciclagem para as placas de circuito: mecânico, químico ou térmico. Na reciclagem mecânica ocorre a diminuição do tamamanho do material (processo também chamado de cominuição) e a fragmentação do objeto, que passa pela fase de britagem e moagem. Em seguida, os resíduos passam por peneiras, classificadores mecânicos e ciclones, que classificam os materiais por granulometria. Por fim, passam por uma separação por densidade magnética; magnéticos ..Os

esse (Fe,

processo Ni)

separa dos

não

os

fragmentos magnéticos.

não-magnéticos passam por uma separação

eletrostática, separando condutores de materiais (por exemplo: Pb, Cu, Sn) dos não condutores de corrente elétrica (polímero e cerâmico). A reciclagem química se dá pelo processo de hidrome-


.OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 89 talurgia, ou seja, é a extração dos metais com o uso da lixiviação, usando água-régia (75% de ácido clorídrico e 25% de ácido nítrico) ou ácido sulfúrico, obtendo-se frações pesadas (metais) e frações leves (plásticos e cerâmicos). Por fim, a reciclagem térmica ocorre pelo processo de pirometalurgia, que consiste em converter os metais em diferentes estados de pureza ao passarem por altas temperaturas. O processo exige grande energia para incinerar as placas e obter um metal concentrado, que segue para outro processo de separação: a eletrostática. No Japão, por exemplo, onde o hábito de devolver o celular velho ou quebrado à loja da operadora é uma prática disseminada entre a população local, as lojas costumam

receber

vários

celulares

antigos

por

dia. Lá, esses telefones são colocados em uma espécie de panela de pressão de grande porte a 500 °C. Após 12 horas, é obtido um material escuro, que é levado para separação, onde se obtém os metais como prata, ouro e cobre. Uma mineradora japonesa, por exemplo, conseguiu produzir uma barra de dez quilos de ouro, a partir


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 90

dos metais encontrados nos celulares. Tudo é reutilizado em outros metais voltam para o mercado na forma de equipamentos novos e o plástico se transforma em óleo combustível das máquinas. Segundo o relatório From Waste to Resources da UNEP, uma tonelada de celulares renderia: 3,5 kg de prata; 130 kg de cobre; 340g de ouro; 140g de paládio. Portanto, é um mercado emergente que ainda está em crescimento. São necessários mais investimentos em tecnologia para a reciclagem dos componentes eletrônicos, buscando uma forma mais sustentável de produzir os equipamentos eletrônicos. Pilhas Reciclagem recuperar

quase

consegue 100%

do

outros materiais. Mas as pilhas e baterias não podem ser destinadas comum. imagem: www.sobiologia.com.br

para

a

coleta


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 91

Quem nunca usou ou nunca precisou descartar uma pilha ou uma bateria? A única diferença entre elas é que, enquanto as pilhas são unitárias, as baterias são formadas por uma série de pilhas em paralelo formato depende da utilização necessária. Muito utilizadas no dia a dia, pilhas e baterias estão nos aparelhos celulares, notebooks, aparelhos de surdez, relógios, controles remotos e de videogame, câmeras fotográficas e por aí vai. No Brasil, de acordo com dados publicados em 2003, o consumo de pilhas e baterias era de cinco unidades ao ano por pessoa, enquanto em países do primeiro mundo o consumo chega a 15 unidades ao ano. Considerando a população mundial, isso implica num consumo de dez bilhões de unidades ano. No ano de 1999 foram produzidas mais de 800 milhões de pilhas e baterias no Brasil, isso sem contar as falsificadas. Esses utensílios oferecem muita praticidade no dia a dia, o problema surge hora de descartar. Até as recarregáveis, um dia precisam ser descartadas. Não descarte suas pilhas no lixo doméstico.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 92 ..Você

sabia que mesmo se forem destinadas em

aterros sanitários as pilhas e baterias causam danos ambientais significativos? Saiba aqui porque você não pode descartá-las no lixo comum. A notícia boa é que se elas não forem parar nestes aterros, lixões ou ficarem expostas ao ar livre, elas podem passar pelo processo de reciclagem! A reciclagem consegue recuperar quase 100% do material. O primeiro passo para que essas pilhas e baterias passem pelo processo de reciclagem é embalálas corretamente basta usar um plástico resistente, que faz com que os itens fiquem protegidos contra a umidade e destiná-las corretamente. Assim que a recicladora recebe o carregamento, as pilhas e baterias passam pelos

seguintes

processos:

Triagem que é separação por tipo e marca, em seguida, são destinadas para o processamento. Depois passa pela Trituração, a capa das pilhas e baterias é removida, assim as substâncias do interior podem ser tratadas. No processo térmico as pilhas e baterias são sub-


.OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 93 metidas a um processo de reação química em que são recuperados sais e óxidos metálicos que serão utilizados como matéria-prima em processos industriais na forma de corantes e pigmentos. No Processo térmico, as pilhas e baterias são inseridas num forno industrial em alta temperatura para ocorrer a separação do zinco. Dessa forma, eles podem ser recuperados em sua forma metálica e serem reutilizados como matéria-prima na confecção de novas pilhas e baterias. A legislação brasileira (Art.33 da Política Nacional de Resíduos

Sólidos)

obriga

empresa

fabricante

a

estruturarem e implementarem sistemas de logística reversa. Mas fazer as pilhas e baterias retornarem à cadeia de produção também é responsabilidade do consumidor. Então, para descartar, lembre-se: antes de tudo é necessário embalar corretamente o material de modo a evitar futuros vazamentos contaminantes. Use sacola plástica resistente. Em seguida, basta destiná-las nos postos de


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 94

recolhimento mais próximos da sua residência. Copos descartáveis O copo descartável, geralmente feito de plástico, leva centenas de anos para desaparecer na natureza. Copos de plástico são funcionais, melhor ainda quando reutilizáveis, algo que

nem

possível

e

sempre os

descartáveis vezes

surgem

é

copos muitas como

solução. A boa notícia é que

eles

são

imagem: www.magazineluiza.com.br

recicláveis, por isso não deixe de descartá-los de forma consciente. O grande problema, no caso do copo descartável, é que a sua praticidade causa uma enorme quantidade de resíduos que não são descartados de modo correto. Além disso, a reciclagem de copos de plástico


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 95

descartáveis é pouco viável economicamente, já que eles são leves e, em geral, descartados sujos, o que faz com que sua higienização para a reciclagem encareça o processo (além de gastar muita água). Sendo o principal ícone da indústria de descartáveis, o copinho está presente em muitos estabelecimentos comerciais e eventos, que vão de festas infantis e encontros familiares a baladas e eventos de grande porte. Com isso, o copo descartável se tornou um dos principais poluentes do meio ambiente no contexto atual. Dados do setor mostram que o problema é bastante complexo. Estamos falando de uma produção estimada em 96 mil de toneladas de copos de plástico todos os anos, que envolvem cerca de 10 mil empregos diretos. Na prática, a reciclagem é economicamente pouco viável. Primeiro porque os compostos químicos usados como matéria-prima para a produção de copos de plástico

descartáveis,

como

o

poliestireno,

são

extremamente baratos. Segundo pelo baixo preço pago às cooperativas pelo quilo de material reciclável, que vale, em média R$ 0,20. Um copo de plástico de 200 ml


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 96

pesa cerca de 2 gramas, sendo assim necessário juntar 500 copos para a reciclagem de um quilo desse material, uma quantidade muito alta. Além disso, se não compactado, esse material pode ocupar uma grande área, trazendo prejuízos em seu armazenamento. Outra dificuldade é que quase sempre os copos de plástico são descartados sujos ou melados, afinal são descartados logo após seu uso, e não é permitido que esses materiais contaminados sejam reciclados, pois, podem trazer riscos para o processo de reciclagem e para a saúde. Lavar eles antes do seu descarte também não é uma solução sustentável, já que além do gasto de água necessário para a lavagem os copos ainda perderiam sua principal

vantagem de praticidade.

Isso sem contar a utilização de detergente, que possui um impacto significativo no meio ambiente. Pesquisas apontam que esse produto leva centenas de anos para se decompor naturalmente. Quando os copos são jogados no solo, o processo de decomposição, pode durar em torno de 200 anos. Outro destino comum para esse resíduo é o oceano.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 97

Atualmente, a quantidade de plástico em algumas regiões são tão grandes que especialistas chegam a afirmar que esse material já faz parte da composição da água. O plástico, ao chegar ao oceano, passar por um processo em que pequenos pedaços, conhecidos como microplásticos, se desprendem e são engolidos por pequenos seres marinhos, que acabam morrendo. O microplástico também consegue absorver compostos químicos tóxicos, tornando-os ainda mais perigos, saiba mais sobre os problemas causados pelo plástico nos oceanos. Devido a grande dificuldade de reciclar os copos de plástico e o baixo interesse econômico dessa prática, a ideia da reciclagem dos copos plásticos fica muito inviável atualmente. Assim, o ideal é reduzir ao máximo o consumo de copos descartáveis. Sempre que possível, prefira copos ou xícaras que possam ser reutilizadas. Garrafas reutilizáveis, como as de alumínio ou aço inox, também são boas alternativas. Os copos de plástico tem como base o petróleo, que é


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 98

uma fonte não renovável, assim a utilização de outras opções são mais favoráveis ao meio ambiente. No trabalho ou na escola, tenha uma garrafa ou caneca na sua mesa para tomar seu café, água e incentive seus colegas a fazerem o mesmo. Se for fazer uma festa na sua casa, por que não usar copos de vidro, ou até mesmo de plástico, mas que possam ser reutilizáveis? Outra

opção

são

os

copos

biodegradáveis.

O

produto pode ser feito a partir de materiais naturais e petróleo, mas por serem biodegradáveis, têm potencial de causar menos impacto ambiental. Exemplo nesse sentido são o plástico de amido de milho ou batata e o PLA (ácido poliláctico), derivado da fermentação do açúcar. De acordo com os fabricantes, o produto desaparece da natureza dentro do período de três meses. Para ingerir os seus dois litros diários de água, sempre tão recomendados pelos médicos, você precisaria de 16 copinhos de 125 mililitros todos os dias. Em um ano, o número de copos usados uma única vez seria de, cerca


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 99

de, seis mil copos de plástico, uma quantidade muito grande para algo que pode ser facilmente eliminado com uma simples mudança de hábito. Remédios O Brasil é o sétimo país que

mais

consome

medicamentos mundo,

do

mas

pouca

existe

legislação

referente

ao

correto

descarte de imagem: rr.sapo.pt

medicamentos vencidos ou sem uso. Porém, devido aos grandes riscos à saúde humana e ao meio ambiente, o descarte de medicamentos deve ser feito em pontos de coleta

específicos,

encaminhados

à

para

serem

destinação

final

posteriormente ambientalmente

correta. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece como obrigatoriedade o correto descarte de medicamentos. No caso dos remédios, a chamada


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 100

logística reversa funciona com as farmácias e drogarias aceitando medicamentos vencidos para encaminhá-los ao seu destino sem risco de contaminação. A Anvisa possui uma lista de postos de coleta credenciados o processo todo é regido pela norma ABNT NBR 16457:2016. O descarte de medicamentos é um problema que ocorre no mundo todo e é relativamente novo. Ele apresenta riscos à água, ao solo, aos animais e também à saúde pública. Nos Estados Unidos, a população recebe orientações para descartar medicamentos na privada ou no lixo, pois eles dão prioridade a reduzir o risco de uso não intencional ou overdose. Mas o risco ambiental emergente está presente nesse tipo de atitude, devido aos “micropoluentes”. Assim, ao descartar medicamentos vencidos de forma incorreta, os consumidores

contribuem

com

uma

quantidade

pequena, mas que quando acumulada causa grandes consequências. E o pior é que a

maior parte das

pessoas não sabe o mal que está fazendo ao realizar o descarte de medicamentos no lixo comum ou no vaso


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 101

sanitário. Cerca de 20% de todos os medicamentos que utilizamos são descartados de forma irregular. A contaminação ambiental ocorre pelo descarte incorreto e também pela parcela excretada na urina e fezes de produtos que tomamos. O uso de medicamentos veterinários

também

contribui;

a

criação

de

gado, peixes e animais domésticos utiliza antimicrobianos, antiprotozoários, hormônios, entre outros, e entram no meio ambiente da mesma forma, por descarte inadequado e excreções. Esses medicamentos vão parar em aterros, lixões, estações de tratamento de água e esgoto, corpos d’água ou no solo. Os fármacos que ingerimos são metabolizados e eliminados pelo nosso corpo indo parar nas redes de esgoto com aqueles que descartamos em pias e vasos sanitários. Ele percorre todo o caminho até uma estação de

tratamento

de

esgoto

onde

também

sofre

metabolização, mas muitos não são totalmente degradados e se tornam imprevisíveis. As estações de tratamento não foram projetadas para eliminar fármacos


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 102

eles são apenas atenuados. Existem técnicas de remoção de fármacos como ultrafiltração, ozonização, oxidação avançada, mas os elevados custos não viabilizam sua implantação para o tratamento de esgoto em larga escala. Existe também a perigosa parcela de descarte de medicamentos no lixo comum, geralmente sobras de medicamentos vencidos. Como eles não são metabolizados, podem chegar em sua forma original aos aterros que, caso não possuam impermeabilização adequada, podem percolar (atravessar alguns meios) e contaminar o solo e o lençol freático em con- centrações até maiores que via esgoto. Os problemas causados pela presença dos compostos de medicamentos no ambiente ainda não são muito bem conhecidos. Sabe-se que os medicamentos diluídos em água podem interferir no metabolismo e no comportamento de organismos aquáticos. Há fármacos que são persistentes e se acumulam no meio ambiente, além dos riscos de doenças na população e animais que podem encontrar medicamentos descartados no lixo e


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 103

utilizá-los. Os antibióticos também são preocupantes, pois quando expostos ao meio ambiente, tornam as bactérias resistentes ao antibiótico em questão. Outro problema se dá no âmbito da saúde pública. ..O armazenamento de medicamentos em casa aumenta o risco de intoxicação pelo uso indevido cerca de 28% dos casos de

intoxicações no

Brasil

são

por

medicamentos. As pessoas que manejam esses resíduos sem proteção, como catadores nos lixões, também são suscetíveis a eventos adversos e intoxicações caso achem o medicamento e o consumam. Essa situação, que poderia ser controlada, deve-se em grande parte ao fato de a sociedade não ter informa -ções

quanto

à

forma

correta

do

descarte

de

medicamentos e seus riscos. A maioria dos medicamentos descartados vem das sobras de remédios da nossa “farmácia caseira”, um hábito comum do brasileiro. Devemos comprar medicamentos na dose certa, para que não sobre. Use remédios de forma racional, sem exageros, sem automedicação e não interrompa o tratamento por conta


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 104

própria. Também exija do seu médico uma prescrição completa e coerente, sem desperdícios. Ao comprar medicamentos sem critérios ou em grandes quantidades para deixar armazenado em casa é provável que parte passe da validade sem uso e tenha que ser descartado. Existe hoje a PL 33/2012 em tramitação

no

senado

desde

2012

sobre

a

obrigatoriedade de se vender medicamentos fracionados.

Assim,

o

consumidor

compraria

apenas

o

necessário para seu tratamento, evitando desperdícios. Limpe e organize sua caixa de remédios com seis dicas simples: Muitas pessoas descartam medicamentos no lixo ou nas redes de esgoto por falta de informação, não por falta de opção. Conte para amigos e familiares que existem pontos de coleta como farmácias e drogarias espalhadas

pela

cidade

que

fazem

o

descarte

ambientalmente correto dos medicamentos vencidos. Agora que você sabe dos riscos que isso pode causar, leve os medicamentos até um ponto de coleta para o descarte ambientalmente correto.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 105

Os objetos como seringas e agulhas são primeiramente descontaminados em uma usina de tratamento, depois destinados a aterros sanitários como resíduos sólidos. Os medicamentos vencidos são tratados por processos térmicos, geralmente queimados em usinas de incineração, diminuindo o volume dos resíduos e sua periculosidade. É importante lembrar que a incineração também apresenta riscos para o meio ambiente e para a saúde, já que os gases emitidos pela queima e as cinzas produzidas podem conter substâncias tóxicas. ..Isso exige um extremo controle e equipamentos modernos com alta eficiência de filtração e lavagem de gases para diminuir os riscos. Por enquanto, é a melhor opção para destinação final dos resíduos de serviço de saúde (RSS) método também usado amplamente no exterior. Fraldas descartáveis Uma fralda descartável demora até 6 séculos para se


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 106

decompor. O Brasil é o terceiro maior consumidor

de

fraldas

descartáveis do mundo, está atrás apenas dos Estados Unidos

e

da

China,

de

imagem: www.ecycle.com.br

acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Apesar de ser prática para o dia a dia, a fralda descartável tem produtos derivados do petróleo em sua composição por isso, leva 600 anos para se decompor, segundo

estudo

Engenharia

Civil,

realizado Arquitetura

pela

Faculdade

de

e

Urbanismo

da

Unicamp. Estima-se que um recém-nascido troque, em média, dez fraldas por dia e uma criança use 5 mil descartáveis nos primeiros anos de vida, o que gera em torno de 400 kg de lixo por ano. Pensando nisso, a Boomera, empresa especializada em tecnologia para resíduos, desenvolveu uma solução para a reciclagem de fraldas em

parceria

com

a

Universidade

Presbiteriana


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 107

Mackenzie (SP). No Brasil, 2% do lixo gerado são fraldas descartáveis. Após um ano de testes em laboratório com a coleta do material pós-consumo, a empresa encontrou uma forma de descontaminar as fraldas para a reciclagem. O processo consiste na esterilização, onde o material retido é

triturado

e

transformado

em

resina

plástica.

A maior descoberta foi que o modelo de descontaminação também quebra as moléculas do gel superabsorvente da fralda, que é nocivo à natureza e costumava ser um complicador do processo de reciclagem. A partir do conceito de economia circular, a iniciativa pretende reinserir as fraldas recicladas no ciclo produtivo e minimizar o impacto humano no meio ambiente. Com a resina plástica gerada na reciclagem da fralda, a Boomera confecciona novos produtos: cabides para roupas infantis, banquinhos para crianças e cestos de lixo para descarte de fraldas. A empresa está finalizando o teste da parte orgânica (urina e fezes) esterilizada para dar aplicação total ao resíduo, que pode servir como fertilizante no replantio de


.

OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 108

eucalipto, que vira celulose, uma das matérias-primas que compõem a fralda. Sacolas plásticas As sacolas plásticas têm sido alvo de grande controvérsia ultimamente. Elas foram

retiradas

dos

supermercados em muitas capitais, mas logo depois retornaram por determinação

da

justiça.

Esta

imagem: www.psgembalagens.com.br

situação divide a opinião da população com relação à legalidade de seu uso e sua potencial fama de vilã do meio ambiente. Inegavelmente, as sacolas plásticas representam um mal para o meio ambiente. Dados do MMA (Ministério do Meio Ambiente) apontam que todos os anos, cerca de um milhão de animais marinhos morrem em virtude das sacolas plásticas que vão parar inapropriadamente no


.OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 109 mar. Ainda com relação aos problemas causados nos oceanos, de todos os detritos que boiam sobre as águas, 90%

deles

são

de

plásticos,

o

que

inclui,

em

grande quantidade, as sacolinhas. Segundo estimativas, são produzidos todos os anos em torno de 15 bilhões de sacolas plásticas no Brasil. Como a produção desses materiais é de custo muito baixo, podendo ser realizada com apenas uma máquina em uma empresa de “fundo de quintal”, não há ainda um controle ou fiscalização efetiva sobre a produção das sacolinhas. O descarte incorreto das sacolinhas plásticas também é perceptível quando as enchentes atingem as cidades. As sacolas plásticas são grandes vilãs nestas situações, pois elas entopem bueiros, o que acaba por dificultar o escoamento da água e, por consequência, acarretando uma enchente. Outro problema adicional no uso das sacolas plásticas é referente às sacolas plásticas de supermercado. Segundo regulamentação da ANVISA, como as sacolas


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 110

plásticas de supermercado são usadas para o transporte de alimentos, elas devem ser feitas a partir de material virgem, o que implica na extração e refinamento de petróleo, gerando assim grandes impactos no meio ambiente e uma consequente produção de resíduos. A reutilização de sacolinhas plásticas é outro ponto primordial

nesse

processo.

Como

elas

não

são

descartadas corretamente pela população e geram essa série de problemas citados acima, uma possibilidade interessante e bastante sustentável é fazer a reutilização dessas sacolas. Muitas técnicas têm sido aplicadas e aprimoradas neste processo, das quais se destacam o crochê e o tear, em que são criadas bolsas, tapetes, objetos de decoração e uma infinidade de outros objetos com grande possibilidade comercial. Outro processo que tem se destacado é a reciclagem de sacolinhas plásticas em fibras de carbono, material “High

Tech”

presente

em

carros

de

corrida,

equipamentos esportivos, aviões e sondas espaciais. Cds e DVDs


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 111

CDs e DVDs são compostos por metais

e

plástico,

portan-

to

recicláveis, mas o custo X benefício desse processo fal- ta de educação e de respeito à legislação, fazem essas imagem:

novosusadosereciclados.blogspot.com

mídias serem jogadas no lixo. CDs e DVDs foram um avanço tecnológico, armazenavam boas quantidades de informação na sua época, substituindo papel e fitas magnéticas. O tempo dos CDs para armazenagem passou e os DVDs estão sendo rapidamente trocados pela praticidade das “locadoras virtuais”. Música agora também é comprada virtualmente, dispensado seu arquivamento. Provavelmente o que ainda sustenta o mercado de CDs é a pirataria. Sem nenhum controle, os CDs estão sendo descartados. Um CD é basicamente é composto por uma base plástica de Policarbonato e uma camada reflexiva feita de liga metálica de ouro, prata ou alumínio. ..Além disso, existe a camada de gravação, de laquea-


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 112

mento e uma superfície de proteção. A reciclagem de CDs ocorre principalmente em países desenvolvidos. A reciclagem industrial inclui a desmagnetização, o desmonte dos discos e a reciclagem do plástico e de outros componentes. Apesar da reciclabilidade do material, a “Software Manufacturer’s Association” (USA) estima que menos de 30% das mídias são recicladas. Isto significa que milhões de CDs e outras mídias de armazenamento vão para o lixo. São materiais que levam mais de 400 anos para se decompor. O policarbonato e os metais reciclados podem ser usados em diversas aplicações, mas o custo X benefício da operação não é vantajoso. Então são necessários incentivos para que o material seja efetivamente transformado em nova matéria-prima. Muito provavelmente isso nunca vai acontecer no Brasil, então repense o hábito de comprar DVDs piratas só porque são baratos, sendo que você nunca vai assisti-los novamente.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 113

Tubos de pasta de dente Os tubos de pasta de dente podem ser muito mais útil do que

imaginamos.

Além

de

demorar até 450 anos para se decompor, a embalagem é imagem:

http://www.crea-al.org.br

matéria-prima de armários, mesas, lixeiras, armação para óculos, telhas e diversos outros produtos. Ao menos duas empresas do Estado de São Paulo trabalham com a reciclagem: Ecofour, em Santo André, e Metagreen, em Santa Bárbara d’Oeste. Além de contribuir com o ambiente, o material tem vantagens em relação aos convencionais como mais flexibilidade e resistência ao fogo, não absorção de água e funcionamento como isolante térmico. A construção civil foi a primeira a se interessar pelos atrativos. O produto, utilizado principalmente em telhas, recentemente ganharam atenção especial para fabricação de móveis e utensílios. A Ecofour, instalada desde 2010 em Santo André, tem


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 114

se destacado na confecção de armários para grandes redes de restaurantes. Durante a reciclagem, os tubos são triturados e o material é derretido até a formação das placas. A vantagem desse processo em relação ao plástico puro é a presença de alumínio, que dá mais flexibilidade ao material final e permite o uso de parafusos, por exemplo. Por causa dos rótulos, o produto final ganha cores granuladas. Os tubos de pasta de dentes descartados representam muito pouco da produção. A maior parte do material vem de embalagens com defeitos que seriam incineradas nos grandes produtores. Canetas esferográficas A tinta da caneta, é composta de um material tóxico, prejudicial ao meio ambiente, além das partes de plástico e de metal


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 115 imagem: www.suprinform.com.br

demorarem décadas para se decompor. Na reciclagem os resíduos são transformados em uma nova matéria-prima, chamada Pellet. Essa matéria-prima é vendida e utilizada para a produção de outros objetos como bancos e lixeiras. Lâmpadas fluorescentes Uma lâmpada fluorescente típica é composta por um tubo selado de vidro preenchido com gás argônio baixa pressão (2,5 Torr) e vapor de mercúrio, também à baixa pressão parcial.

O

revestido

interior do

tubo

é

com

uma

vários

elementos.

imagem: m.copafer.com.br

poeira

fosforosa

composta

por

iiEspirais de tungstênio, revestidas com uma substância emissora de elétrons, formam os eletrodos em cada uma das extremidades do tubo. Quando uma diferença de potencial elétrico é aplicada, os elétrons passam de um


.

OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 116

eletrodo para o outro, criando um fluxo de corrente denominado de arco voltaico ou descarga elétrica. ..Esses elétrons chocam-se com os átomos de argônio, os quais, no que lhe concerne, emitem mais elétrons. Os elétrons chocam-se com os átomos do vapor de mercúrio e os energizam, causando a emissão de radiação ultravioleta (UV). Quando os raios ultravioleta atingem a camada fosforosa, que reveste a parede do tubo,

ocorre

a

fluorescência,

emitindo

radiação

eletromagnética na região do visível. A lâmpada fluorescente mais usada é a de 40 watts (4 pés de comprimento = 1,22 m; diâmetro de 1.1/2"), embora outras de diferentes formas e tamanhos sejam também procuradas. O tubo usado numa lâmpada fluorescente, padrão é fabricado com vidro, similar ao que é utilizado para a fabricação de garrafas e outros itens de consumo comum. Os terminais da lâmpada são de alumínio ou plástico, enquanto os eletrodos são de tungstênio, níquel, cobre ou ferro. A camada branca, normalmente chamada de fósforo, que reveste o tubo de uma lâmpada fluorescente, é geralmente um cloro fluor fosfato de


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 117

cálcio, com antimônio e manganês (1 a 2%). Quantidade desses componentes menores pode mudar ligeiramente, dependendo da cor da lâmpada. Uma lâmpada padrão de 40 watts possui cerca de 4 a 6 gramas de poeira fosforosa. A vida útil de uma lâmpada de mercúrio é de 3 a 5 anos, ou um tempo de operação de, cerca de, 20000 horas, sob condições normais de uso. O Problema da Reciclagem das Lâmpada em localidades onde existe a separação de resíduos recicláveis, é importante manter os produtos que contêm mercúrios separados do lixo comum.Tais produto são, frequentemente, classificados como resíduos perigosos se excederem o limite regulatório de toxicidade (0,2 mg.L-1). Uma vez segregados e separados, os resíduos mercuriais podem, então, serem tratados objetivando recuperação do mercúrio neles contidos. As opções de aterramento e incinerações não são as mais recomendadas. Com a finalidade de minimizar o volume de mercúrio descarregado ao meio ambiente, opção de reciclagem, com a consequente, recuperação do mercúrio, é considerada a melhor solução. Principal argumento é que tecnologias


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 118

comprovadamente bem sucedidas para esta finalidade já existem. As principais empresas mundiais para reciclagem de mercúrio estão localizadas nos EUA, enquanto os fabricantes de equipamentos estão localizados na Suécia e Alemanha. ..Esse último foi o precursor na fabricação de equipamentos para a desmercurização de lâmpadas fluorescentes, em meados da década de 80. O termo reciclagem de lâmpadas refere-se à recuperação de alguns de seus materiais constituintes e a sua introdução nas indústrias ou nas próprias fábricas de lâmpadas. Existem vários sistemas de reciclagem em operação em diversos países da Europa, EUA, Japão e Brasil. Um processo típico de reciclagem inclui desde um competente serviço de informação e esclarecimentos junto aos geradores de resíduos, explicando como estes devem ser transportados para que não ocorra quebra dos bulbos durante o seu transporte, até a garantia final de que o mercúrio seja removido dos componentes recicláveis e que os vapores de mercúrio serão contidos durante o processo de reciclagem. Analisadores portáteis


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 119

devem monitorar a concentração de vapor de mercúrio no ambiente para assegurara operação dentro dos limites de exposição ocupacional (0,05 mg.m³, de acordo com a Occupational Safetyand Health Administration -OSHA). O processo de reciclagem mais usado na operação

em

várias

partes

do

mundo

envolve

basicamente duas fases: Fase de esmagamento, que são lâmpadas usadas introduzidas em processadores especiais para esmagamento, quando, então, os materiais constituintes são separados por peneiramento, separação eletrostática e ciclonagem, em cinco classes distintas: Terminais de alumínio, Pinos de latão; Componentes ferro-metálicos; Vidro, Poeira fosforosa rica em Hg; Isolamento baquelítico. No início do processo, as lâmpadas são implodidas ou quebradas em pequenos fragmentos, por meio de um processador (britador ou moinho). Isto permite separar a poeira de fósforo contendo mercúrio dos outros elementos constituintes. As

partículas

esmagadas

restantes

são,

posteriormente, conduzidas a um ciclone para um


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 120

sistema de exaustão, onde as partículas maiores, tais como vidro quebrado, terminais de alumínio e pinos de latão são separadas e ejetadas do ciclone e separadas por diferença gravimétrica e por processos eletrostáticos. As poeiras fosforosas e demais particuladas são coletadas

em

um

filtro

no

interior

do

ciclone.

Posteriormente, por um mecanismo de pulso reverso, a poeira é retirada desse filtro e transferida para uma unidade de destilação para recuperação do mercúrio. O vidro, em pedaços de 15 mm, é limpo, testado e enviado para reciclagem. A concentração média de mercúrio no vidro não deve exceder a 1,3 mg/kg. O vidro nessa circunstância pode ser reciclado, por exemplo, para a fabricação de produtos para aplicação não alimentar. O alumínio e pinos de latão, depois de limpos, podem ser enviados para reciclagem em uma fundição. A concentração média de mercúrio nesses materiais não deve exceder o limite de 20 mg/kg. A poeira de fósforo é normalmente enviada a uma unidade de destilação, onde o mercúrio é extraído. O mercúrio é, então, recuperado e pode ser reutilizado. A poeira fosforosa resultante pode


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 121

ser reciclada e reutilizada, por exemplo, na indústria de tintas. O único componente da lâmpada que não é reciclado é o isolamento baque lítico existente nas extremidades da lâmpada. No que se refere à tecnologia para a reciclagem de lâmpadas, a de maior avanço tecnológico é apresentada pela empresa Mercury Recovery Technology - MRT, estabelecida em Karlskrona Suécia. O processador da MRT trabalha a seco, em sistema fechado, incorporado em um "container" de 20 pés de comprimento (6,10m). Todo o sistema opera sob pressão negativa (vácuo) para evitar a fuga de mercúrio para o ambiente externo (emissões fugitivas). E tem a segunda fase, fase de destilação de mercúrio, que subsequente nesse processo de reciclagem é a recuperação do mercúrio contido na poeira de fósforo. A recuperação é obtida pelo processo de reportagem, onde o material é aquecido até a vaporização do mercúrio (temperaturas acima do ponto de ebulição do mercúrio, 357° C). O material vaporizado a partir desse processo é condensado e coletado em recipientes especiais ou decantadores. O mercúrio assim obtido pode passar por


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 122

nova

destilação

para

se

removerem

impurezas.

Emissões fugitivas durante esse processo podem ser evitadas usando-se um sistema de operação sob pressão negativa. A MRT utiliza uma câmara de vácuo para o processo de destilação. Para se conseguir uma pureza de mercúrio da ordem de 99,99%, as partículas orgânicas carreadas pelos gases durante a vaporização do mercúrio são conduzidas a uma câmara de combustão

onde

são

oxidadas.

Os

custos

para

descontaminação de lâmpadas para a reciclagem e a consequente, descontaminação do gerador de resíduos depende do volume, distância e serviços específicos escolhidos pelo cliente. Nos EUA, o custo para pequenos geradores de lâmpadas usadas varia de $ 1.08 a $2.00 por lâmpada. Para grandes geradores, o preço final é da ordem de $0.36 por lâmpada de 4 pés, mais custos com frete e acondicionamento para transporte. No Brasil, uma tradicional empresa do ramo cobra pelos serviços de descontaminação valores de R$0,60 a R$0,70 por lâmpada. A esse preço, deve-se acrescentarmos custos de frete (transporte), embalagem e seguro contra


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 123

acidentes. O ônus envolvido no processo de reciclagem tem sido suportado, até o momento, pelas empresas e indústrias mais organizadas, que possuem um programa ambiental definido. Os subprodutos resultantes do processo de reciclagem, tais como vidro, alumínio, pinos de latão e mercúrio, possuem baixo valor agregado: R$20,00/tonelada para o vidro; R$900,00/tonelada para o alumínio; R$900,00/tonelada para o latão e R$0,04 a R$ 1,l2/grama para o mercúrio, dependendo do seu grau de pureza. Óleo de cozinha Muitos bares, restaurantes, hotéis e residências ainda jogam o óleo utilizado na cozinha, direto na rede de esgoto, desconhecendo os prejuízos dessa ação. Independente do imagem: exame.abril.com.br

destino, esse produto prejudica o solo, a água, o ar e a vida de muitos animais, inclusive o homem.


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 124

Quando retido no encanamento, o óleo causa entupimento das tubulações e faz com que seja necessária a aplicação de diversos produtos químicos para a sua remoção. Se não existir um sistema de tratamento de esgoto, o óleo acaba se espalhando na superfície dos rios e das represas, contaminando a água e matando muitas espécies que vivem nesses habitats. Dados apontam que com um litro de óleo é possível contaminar um milhão de litros de água. Se acabar no solo, o líquido pode impermeabilizá-lo, o que contribui com enchentes e alagamentos. Além disso, quando entra em processo de decomposição, o óleo libera o gás metano que, além do mau cheiro, agrava o efeito estufa. Para evitar que o óleo de cozinha usado, seja lançado na rede de esgoto das cidades, instituições e pessoas de todo o mundo tem criado métodos para reciclar o produto. As possibilidades são muitas: produção de resina para tintas, sabão, detergente, glicerina, ração para animais e até biodiesel. Um produto

desenvolvido na

Espanha promete

solidificar o óleo e facilitar seu armazenamento, coleta e


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 125

reciclagem. Batizado de Frito Limpio, o produto deve ser jogado no óleo ainda quente e após alguns minutos todo o líquido estará sólido. Basta retirar da frigideira e guardar. Caso essa solução esteja muito longe de você, basta armazenar a sobra da fritura em uma garrafa PET e entregar em um posto de coleta. Em algumas capitais brasileiras são as prefeituras que estão se mobilizando, em outras, é a própria população através de organizações não governamentais. Ribeirão Preto: possui o projeto Cata óleo numa parceria da USP e o Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas). Os interessados recebem um recipiente para armazenar o óleo. O caminhão do laboratório passa recolhendo o produto em datas pré-estabelecidas. Todo o óleo recolhido na cidade é usado na produção do biodiesel. Hoje são recolhidos cerca de 20 mil litros de óleo por mês com os comerciantes, no entanto, o interesse é atingir a população e, nessa altura receber cerca de 160 mil litros mensalmente. O sucesso destes


OUTROS PRODUTOS RECICLÁVEIS – 126

programas de reciclagem de óleo de cozinha depende inteiramente da participação da comunidade. Todos esses programas de coletas, sejam governamentais ou não-governamentais, oferecem todas as informações necessárias para a reciclagem do óleo e também esclarecimentos sobre proteção ambiental, justamente para inserir a sociedade na responsabilidade ecológica.


CAPÍTULO …....3

TRANSFORMANDO O LIXO EM ADUBO


TRANSFORMANDO O LIXO EM ADUBO – 128

Restos de frutas e alimentos Quase todo mundo já levou bronca dos pais por

deixar

comida no prato, um desperdício que geralmencomo

te é visto

inocente

imagem:

vivasaude.digisa.com.br

ou insignificante. Hoje em dia, porém, há uma conscientização maior de que qualquer desperdício deve ser evitado para que não haja prejuízo aos recursos naturais e ao futuro da humanidade. Atualmente, descartar uma casca de laranja ou limão, uma casca de ovo e até restos de comida pode ser considerado um desperdício de

recursos.

Isso

porque

esses

são

excelentes

ingredientes para a compostagem orgânica, que resulta na formação de adubo. Além disso, muitos desses itens podem ser reaproveitados para fazer receitas deliciosas, como um pudim com cascas de goiaba ou um doce de cascas de laranja. Em 2017 comecei a usar restos de alimentos (cascas de legumes, ovos, café e frutas) como adubo e ajudou


TRANSFORMANDO O LIXO EM ADUBO – 129

muito na qualidade dos pés de frutas que tenho em casa. Para evitar o mau cheiro do material em decomposição, expõe os restos ao sol, de modo a enxugar a água. Em seguida, bate todo o material em um liquidificador, processo que dá origem a uma farinha altamente nutritiva para as plantas. Esse processo preserva os nutrientes, como o potássio das cascas de banana e o cálcio das cascas de ovo. Esse composto é usado para fertilizar as plantas. Essa prática de reciclagem de alimentos é muito bem-vista

pelas

plantas,

que

acabam

exibindo

uma

aparência muito melhor em relação àquelas em que o produto não é usado. Cascas de laranja e limão podem ser usadas para espantar mosquitos. Para isso, basta substituir o tablete convencional do aparelho repelente por pedaços de casca dessas frutas. Apesar de todas essas ideias, a melhor forma de se fazer a reciclagem de alimentos ainda é por meio da compostagem orgânica, processo que converte resíduos orgânicos em adubo. O procedimento consiste no arma-


TRANSFORMANDO O LIXO EM ADUBO – 130

zenamento de resíduos orgânicos em uma composteira, formada por um conjunto de três caixas plásticas contínuas sendo às duas primeiras furadas, para dar passagem ao líquido e permitir o trânsito das minhocas entre as caixas, e a terceira fechada e com uma torneirinha por onde é retirado o adubo líquido. Galhos de árvores Na Alemanha as árvores de natal são reaproveitadas como adubo e energia. O

reaproveitamento

desse

material orgânico é uma forma de minimizar os impactos ao meio ambiente. imagem: www.pinterest.de

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente alemão, transformar a árvore em energia é uma técnica muito utilizada. As árvores em geral e seus resíduos vão para usinas de biomassa. Lá, este material é queimado e transformado em energia elétrica ou térmica,


TRANSFORMANDO O LIXO EM ADUBO – 131

utilizada para aquecer a água, o país tem um inverno rigoroso e depende de aquecedores nesse período do ano. Há ainda um destino curioso para pedaços de galhos grandes e troncos: eles são enviados ao zoológico de Berlim para servirem de “brinquedo” para os elefantes. O reaproveitamento das árvores é uma necessidade para combater a perda acelerada de recursos naturais no planeta. As árvores são fundamentais para os seres humanos, não só pela geração de oxigênio, mas também para equilibrar o clima, regular a umidade do ar, evitar erosão, controlar a poluição sonora, além de oferecer uma vista relaxante. Assim, é necessário conviver com seus resíduos após as podas e suas quedas naturais ou por força da natureza. No Brasil, até bem pouco tempo atrás, todos os resíduos arbóreos eram jogados nos aterros sanitários, onde eram enterrados e esperavam a decomposição. O material não é perigoso, mas em contato com produtos químicos, pode causar danos ao solo e à água.


TRANSFORMANDO O LIXO EM ADUBO – 132

Outra prática comum era a queimar os restos de árvores, atividade que gerava mais CO₂ e poluía o ar. Hoje, já existem até projetos para o reaproveitamento dos resíduos de árvores em grande parte dos centros urbanos, embora o Ministério do Meio Ambiente não tenha dados concretos sobre a porcentagem de municípios que fazem este trabalho. O Governo do Estado de São Paulo, por exemplo, não tem um projeto para as prefeituras, ou seja, não participa de ações de reciclagem e reaproveitamento de resíduos de árvores. Mas a Secretaria do Verde e Meio Ambiente confirma que 79% dos municípios já têm algum projeto de reutilização. Na capital paulista são recolhidas quatro mil toneladas de resíduos de árvores por mês. Esse material antes era integralmente enviado para os aterros sanitários, mas há algum tempo vem sendo reciclado. Em 2010 foi regulamentado

o

projeto

Pampa

(Programa

de

Aproveitamento de Madeira de Poda de Árvore), com o objetivo de realizar uma manutenção mais eficaz das árvores,

para

aumentar

sua

vida

útil

e

seu


TRANSFORMANDO O LIXO EM ADUBO – 133

reaproveitamento após queda ou poda. ..Esse material é levado para centros de compostagem e vira adubo para a área verde de praças e parques públicos. Além disso, pode ser transformado em briquetes, que são blocos cilíndricos para serem jogados em fornos, caldeiras, aquecedores, etc. Assim, São Paulo também mostra que é possível reaproveitar alguns recursos que seriam descartados e diminuir a carga de exploração do meio ambiente. Para um planeta sustentável ainda há um longo caminho há percorrer, mas passos importantes já estão sendo dados, mesmo em locais de grande desenvolvimento industrial, como é o caso da capital paulista. Prefeitura

de

Sertãozinho

lança

projeto

de

compostagem caseira Cascas de frutas e outras sobras podem ser transformadas em adubo, através de um processo chamado,

compostagem.

E

os

moradores

de

Sertãozinho podem contribuir para a redução de lixo


TRANSFORMANDO O LIXO EM ADUBO – 134

doméstico por meio do projeto Composta Sertão, que

foi

lançado

oficial-

mente neste dia 10 de novembro

de

2018,

imagem: www.sertaozinho.sp.gov.br

sábado, na Praça 21 de Abril. ..Com recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente e do Fundo Socioambiental da Caixa Federal, o projeto foi realizado pela Prefeitura de Sertãozinho e pelo Instituto Agir Ambiental. O principal objetivo é

transformar

Sertãozinho em referência na gestão do lixo. Ao todo, 1200 famílias receberam gratuitamente uma composteira, que servirá para produzir adubo a partir dos restos de alimentos. Para que todos os bairros tenham oportunidade de participar, a cidade foi dividida em seis grandes regiões, e 200 famílias foram contempladas a cada bimestre. Os cidadãos deverão, no que lhe concerne, registrar o uso do sistema durante dois meses. Muito simples de manusear, a composteira pode ser usada por qualquer pessoa, em casas e até em apartamentos pequenos. Ela consiste em pelo menos


TRANSFORMANDO O LIXO EM ADUBO – 135

três caixas plásticas empilhadas. Nas duas caixas superiores

ocorre

a

reciclagem

dos

restos

de

alimentos e sua transformação em adubo natural sólido. Essas caixas possuem furos em sua base, permitindo que o adubo líquido escorra e seja acumulado na caixa inferior. Por ser rico em nutrientes, o composto proveniente da composteira é muito indicado para ser utilizado em hortas. Além de ser fácil de usar, o que chama atenção neste sistema é a busca por uma solução local e de baixo custo para o gerenciamento dos resíduos. ..Além disso, a composteira contribui com o acordo do clima ao reduzir a emissão de gases de efeito estufa produzidos durante o transporte e aterramento do lixo. A Composta Sertão também prevê a distribuição de 40 composteiras para escolas municipais, para que sejam usadas como ferramenta de educação ambiental e conscientização entre os alunos.


CAPÍTULO 4

TRATAMENTO DO CHORUME


TRATAMENTO DO CHORUME – 137

Por dia, 130 mil litros de chorume viram água e adubo no aterro do ES. No

RJ,

empresa

economiza R$ 300 mil em dois meses imagem: neertam.eco.br

com tratamento.

As tecnologias de proteção e de recuperação do meio ambiente têm conseguido resultados revolucionários no Brasil e no mundo. O chorume, aquele líquido resultante da decomposição do lixo, já pode ser transformado em água pura. A maior parte do lixo gerado no Brasil é matéria orgânica, principalmente restos de comida. A decomposição desses resíduos provoca o aparecimento do chorume, o suco do lixo, um líquido escuro, tóxico, que pode contaminar as águas subterrâneas. Na maioria dos aterros do país, não há tratamento adequado para o chorume. Uma das exceções é o aterro de Cariacica, no Espírito Santo. Lá, uma

tecnologia

totalmente

brasileira


TRATAMENTO DO CHORUME – 138

transforma 130 mil litros de chorume por dia em água tratada e adubo, 95% do chorume vira água e os outros 5% são transformados em resíduo, na forma de um lodo sólido, sendo que este resíduo pode ser utilizado em processos de compostagem para que sejam transformados em adubo orgânico. Em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, o tratamento do chorume é ainda mais sofisticado. Sai mais barato tratar o chorume por essa tecnologia alemã do que levar o material para tratamento em uma estação de esgoto.

.

..O chorume recolhido do aterro é bombeado para uma miniestação de tratamento que cabe em um contêiner. Equipamentos de última geração filtram o chorume. Micros membranas só deixam passar as moléculas de água. O resultado do processo é impressionante. É água pura, destilada. O que era problema virou solução. Uma economia de R$ 300 mil em apenas dois meses. O desafio agora é descobrir o que fazer com 80 mil litros de água destilada por dia. Por enquanto, a água destilada está sendo usada para


TRATAMENTO DO CHORUME – 139

baixar a poeira dentro do próprio aterro. Um banho de luxo, até que novos negócios transformem essa água em uma fonte de receita para quem cuida do lixo. Lixo produzido pela comunidade venâncio-airense percorre mais de 130 quilômetros, diariamente, para ser aterrado. Para quem não conhece Minas do Leão, a cidade do lixo, deve imaginar que os moradores da cidade de pouco mais de oito mil habitantes convivem com um cheiro insuportável. Mas estão enganados. O trabalho executado pela Companhia Riograndense de Valorização de

Resíduos

(CRVR),

localizada

na

BR-290

no

quilômetro 181, alguns metros após o trevo de acesso à cidade, não ‘deixa perceber’ que é lá que está aterrado 42% do lixo produzido no Rio Grande do Sul. Alguns metros da entrada da companhia, ao abrir o vidro do carro para sentir o ‘cheiro do lixo’, o único aroma que se sente é do ar puro emitido pela vegetação às margens da rodovia. Quando se fala em aterros sanitários, imaginam-se montanhas e montanhas de lixo. Mas é justamente o


TRATAMENTO DO CHORUME – 140

contrário que se vê dentro da CRVR, empresa que opera os resíduos de 132 municípios do Rio Grande do Sul, entre eles, Venâncio Aires. Diariamente são depositadas 3,5 mil toneladas de resíduos. A balança responsável por pesar as 3,5 mil toneladas que chegam diariamente é a primeira etapa do lixo que chega no aterro sanitário. Logo abaixo dela está um gramado verdinho e bem aparado. Não se imagina, logo de cara, que abaixo dele já estão depositados resíduos de 42% dos municípios do estado. Onde a máquina opera para conseguir uma compactação do resíduo em uma densidade de 1,05 toneladas por metro cubico, já tem uma altura de 115 metros. Quando atingir 130, a capacidade do espaço será atingida. Mas, enquanto este gigante espaço não é preenchido, outra área, do lado contrário, já é estruturada para receber os futuros resíduos. Com esse processo concluído, o efluente é encaminhado à Estação de Tratamento de Efluentes, onde o chorume é tratado e depois utilizado para lavar o


TRATAMENTO DO CHORUME – 141

carvão da empresa Copelmi Mineiração Ltda, que fica próximo da CRVR. E o odor gerado pelos resíduos só é percebido a 15 metros da frente de serviço, onde colaboradores munidos com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), cuidam dos resíduos que chegam dos 132 municípios. O coordenador da unidade de Minas do Leão, Rafael Hollweg Salamoni destaca que o espaço ainda tem vida útil de 20 anos. Após esse período, a área de 254 hectares, com destinação de 77 hectares para aterro sanitário, mas tem apenas 44 ocupados até o momento, será entregue à comunidade para áreas verdes e campos de futebol. Aberto em 2001, o aterro sanitário, chamado de Unidade de Valorização Sustentável (URV), está atuando em uma antiga cava de carvão que precisava, na época, ser recuperada com algum projeto de restauração de área degradada. A unidade foi instalada, principalmente, para atender a região de Porto Alegre que estava enfrentando um sério problema com a disposição de resíduos.


TRATAMENTO DO CHORUME – 142

..Hoje é a maior cliente da CRVR, depositando duas mil toneladas por dia e 50 mil toneladas por mês. A CRVR é licenciada para receber 120 mil toneladas de resíduos sólidos domiciliares e urbanos por mês. Até o momento, recebe 100 mil toneladas por mês. A Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos está gerando 7.5 megabyte/hora de energia a partir do resíduo. Com essa produção, uma cidade com 50 mil habitantes poderia ser atendida. Equipamento

israelense

transforma

resto

de

comida e fezes em gás de cozinha. ..A empresa israelense HomeBiogas trou- xe em 2018 para o Brasil um equipame- nto que transforma re- síduos orgânicos do- mésticos, como

restos

imagem:

www.gazetadopovo.com.br

de alimentos, esterco animal e até fezes humanas, em


TRATAMENTO DO CHORUME – 143

gás metano, que pode ser usado no fogão da cozinha ou para aquecer a água do banho. Custa R$ 5.900. Segundo a empresa, já foram vendidas 30 unidades no país. Até 2023, a empresa tem a meta de vender 15 mil unidades. A empresa não tem loja física, e vende pelo site

e

através

de

representantes

comerciais.

O

equipamento é desenvolvido e fabricado em Israel. Fundada em 2012, a HomeBiogas tem três sócios israelenses: Yair Teller, Oshik Efrati e Erez Lanzer. A empresa não revela investimento inicial, faturamento e nem

lucro

do

ano

passado.

O

investimento

no

Brasil também não foi informado. Equipamento pode ser instalado na cozinha ou no banheiro. Na cozinha, o equipamento é instalado do lado de fora de casa e, com uma mangueira, o gás é levado até o fogão. Gera até três horas de gás por dia, segundo a empresa. No banheiro, o equipamento pode ser acoplado a um vaso sanitário náutico, pelo lado de fora. ..Quando a descarga é acionada, fezes, urina e papel


.

TRATAMENTO DO CHORUME – 144

higiênico vão para dentro do sistema, que transforma os resíduos em gás. O gás gerado é usado para aquecer a água, proporcionando até 25 minutos de banho quente por dia, ou pode ser canalizado para uso no fogão. No banheiro, o sistema funciona como uma solução de saneamento básico. Segundo a empresa, o vaso sanitário náutico consome 1,2 litro de água por descarga. O equipamento não precisa de eletricidade e é, segundo a empresa, de fácil instalação e não causa mau cheiro. Apenas quando é aberta a tampa para colocar os resíduos no sistema pode ser sentido um cheiro ruim, mas semelhante aquando se abre a tampa de uma lata de lixo. O gás metano gerado desses resíduos orgânicos é limpo e não tem cheiro, pois passa por um filtro de carvão ativado que remove qualquer odor desagradável. O HomeBiogas tem capacidade para armazenar 700 litros de gás, o equivalente a três horas diárias de uso. Quando o tanque está completamente cheio, a válvula de segurança do equipamento libera automaticamente o


TRATAMENTO DO CHORUME – 145

gás excedente, que se dissipa na atmosfera. Como o gás metano é armazenado no sistema de baixa pressão, não há risco de explosão, desde que seguidas todas as normas de segurança, como instalar o equipamento em local aberto e longe de fagulhas e chamas. Equipamento é alimentado por resíduos orgânicos. ..O equipamento é um biodigestor e funciona através de um processo anaeróbico (sem oxigênio), com bactérias internas que vão consumir o resíduo orgânico e gerar o gás metano, que é filtrado e armazenado. Para ativar o sistema pela primeira vez é preciso adicionar mil litros de água e 120 litros de esterco animal, como fezes de qualquer comedor de capim (vaca, boi, cavalo e burro). Isso equivale a cinco baldes de esterco. Após um período de duas a quatro semanas, forma-se dentro do sistema uma colônia de bactérias, que agirá nos resíduos orgânicos para gerar gás. Para ter gás de cozinha, é preciso adicionar diariamente restos de comida (com exceção de cascas de frutas cítricas, que contêm óleos bactericidas, em excesso, podem reduzir a eficácia da digestão das bactérias). O


TRATAMENTO DO CHORUME – 146

indicado, segundo a empresa, é adicionar o limite máximo diário de 12 litros de resíduos orgânicos ou 40 litros de esterco (equivalente a dois baldes). Isso gera até três horas de gás de cozinha por dia. O sistema gera também um fertilizante natural, que pode ser utilizado para adubar plantações. O fertilizante fica acondicionado num recipiente atrás do equipamento. O equipamento deve passar por uma limpeza interna a cada oito anos, anualmente, o filtro deve ser trocado. O equipamento é indicado para casas (para uma família de até oito pessoas), empresas, escolas, fazendas e hotéis, por exemplo. Não é indicado para apartamentos. Em condomínios, é possível colocar vários sistemas em linha. O equipamento ainda é pouco acessível para o consumidor individual, por ser um produto relativamente caro, e por ocupar muito espaço, não é adequado para pequenos ambientes.


CAPÍTULO .

5

COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS


COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 148

Um em cada dez infartos na capital paulista está ligado à poluição do ar, o que resulta em 4 mil mortes prematuras por ano. Os efeitos do ar poluído respondem por 12% das internações respiratórias, sendo o setor de transportes responsáveis por 14% das GEE (Gases de efeito estufa). Quem convive com o tráfego das metrópoles inala partículas tóxicas expelidas pelos veículos movidos a diesel e a gasolina que ficam suspensas no ar. Estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) aponta que, só na cidade de São Paulo, os carros representam 73% dos gases poluentes presentes na atmosfera. De acordo com um estudo de 2013, conduzido por Saldiva para a USP, se os veículos da capital consumissem apenas gasolina, o custo anual para o Sistema Único de Saúde (SUS) seria de, no mínimo, R$ 380 milhões apenas para os cuidados relacionados com doenças do sistema respiratório. É fato que a substituição de combustíveis fósseis por energia

limpa

tem

o

potencial

para

reduzir

a

poluição nos grandes centros, já que os carros movidos


COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 149

a biocombustível emitem bem menos CO₂ (dióxido de carbono) do que os motores a diesel ou a gasolina. O etanol sozinho proporcionaria uma redução adicional de emissões estimadas em 571 milhões de toneladas de CO₂. Para a saúde, isso evitaria 11 mil internações e quase 7 mil mortes no período. Segundo o estudo, haveria uma economia de até R$ 23 milhões para o SUS. Por ser uma fonte limpa, o etanol popularmente conhecido como álcool contribui para manter a qualidade do ar, inclusive, na segunda geração (E2G), obtido através de biomassa, como a palha e o bagaço da cana-de-açúcar. Se a cidade trocasse os combustíveis fósseis da frota veicular por etanol, a poluição cairia 50%. Usando uma versão do Prius importada do Japão, a Toyota do Brasil desenvolveu o protótipo de um carro híbrido movido a etanol. Os testes de rodagem do Prius flex, como o modelo tem sido chamado, a ideia é que futuramente ele seja produzido no Brasil. A nova tecnologia foi desenvolvida por engenheiros do Brasil e do Japão ao longo dos últimos três anos. A


.

COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 150

grande vantagem do carro seria substituir a gasolina (que atualmente faz parte do motor do Prius) pelo etanol, um combustível mais limpo, renovável e de matriz nacional. O modelo aguarda liberação do governo a respeito da taxação de impostos para veículos desse tipo. A Toyota já vendeu 11 milhões de carros híbridos no mundo, a maioria Prius. Em 2017, no Brasil, foram vendidas 2,4 mil unidades, segundo dados do jornal O Estado de S.Paulo. O Inmetro diz que o carro é o mais econômico à venda no país, fazendo 18,9 km/l na cidade e 17 km/l na estrada. Atualmente o modelo recolhe 4% de Imposto de Importação, 13% de IPI e custa R$ 126,6 mil. Um projeto que reduz o IPI de híbridos e elétricos para 7% já está nas mãos do governo, assim como a nova política para o setor (automotivo). A Toyota acredita que esse tipo de carro movido a etanol e energia elétrica pode se tornar realidade no Brasil se houver suporte e incentivo das estatais, já têm o apoio da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) e da Investe São Paulo, ligada ao governo do Estado.


COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 151

Depois de passar por testes de laboratório, o carro híbrido flex agora vai rodar 1,5 mil km de São Paulo até Brasília. Engenheiros da empresa e estudantes de universidades com as quais a Toyota tem parceria serão os condutores e vão avaliar fatores como durabilidade

do

carro,

comportamento

do

motor

e

da

transmissão usando só etanol. A intenção é que o carro mantenha, no mínimo, a mesma relação de desempenho entre um carro híbrido comum e um só a combustão, que é de eficiência 50% maior. Biodiesel: Combustível renovável e

.

ambientalmente correto O

aquecimento

global,

provocado pelo efeito estu- fa, vem

causando

graves

alterações em nosso ecossistema. O dióxido de carbono, principal

causador,

imagem: www.ceisebr.com

é liberado na atmosfera com a combustão do óleo diesel.


COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 152

O biodiesel, um biocombustível renovável, apresenta-se como uma possível solução para os atuais malefícios provocados pelo petróleo e seus derivados, reduzindo significativamente a emissão dos gases causadores do aquecimento global. Resultante de um processo químico, onde o principal elemento é a biomassa, caracteriza-se como um produto agrícola, biodegradável e não-tóxico. Os biocombustíveis são energias renováveis, provenientes de biomassas. Liberam na atmosfera uma quantia significativamente menor de poluentes em relação aos combustíveis derivados do petróleo. ..Alguns exemplos mais conhecidos são: o hidrogênio, o álcool (etanol) e o gás natural. Porém, este último é uma fonte de origem não-renovável. O biodiesel, por sua vez, consiste em uma fonte renovável de energia e apresenta conveniências frente ao hidrogênio e ao álcool: é mais barato que o hidrogênio e sua produção é menos limitada à região sudeste, como no caso do etanol proveniente da cana-de-açúcar. Ele pode ser produzido em qualquer região


COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 153

do país, inclusive no semi-árido. Produzido a partir de óleos vegetais, sebo de origem animal, óleo de frituras e da matéria graxa encontrada nos esgotos municipais, é

considerado

um forte

candidato a substituto do petróleo e seus derivados. O biodiesel apresenta vantagens ambientais frente ao diesel de petróleo. Ele permite que se estabeleça um ciclo fechado de carbono, ou seja, a planta que será utilizada como matéria-prima, enquanto em fase de crescimento, absorve o CO2 e o libera novamente quando o biodiesel é queimado na combustão do motor. Segundo estudos, com esse ciclo fechado estabelecido, o biodiesel reduz em até 78% as emissões líquidas de CO2. Além disso, o uso desse biocombustível reduz significativamente as emissões de: 20% de enxofre; 9,8% de anidrido carbônico; 35% de hidrocarbonetos não-queimados; 55% de material não-particulado; 78 a 100% dos gases causadores do efeito estufa; 100% de compostos sulfurados e aromáticos; Vale lembrar também que os materiais não particu-


COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 154

lados são os principais causadores de problemas respiratórios e os compostos sulfurados são os precursores do câncer e da chuva ácida. O Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 pelos países industrializados, exceto pelos Estados Unidos, foi criado com o objetivo de reduzir ou controlar as emissões de carbono a um nível, em média, 5,2% menor que no ano de 1990, com um prazo de cumprimento até o ano de 2012. ..Criou o chamado “Mercado de Carbono”, onde cada país ou empresa possui uma cota para emissão desse gás na atmosfera, se não atingido o nível máximo de sua cota, o excedente pode ser vendido através de um projeto chamado MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. O MDL possui programas de reflorestamento de áreas desmatadas e de captura de carbono antes mesmo de ele ser lançado na atmosfera. O financiamento pode ser feito através do CBF – Fundo Bio de Carbono, administrado pelo Banco Mundial. O Brasil é considerado uma das fontes mais limpas do


COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 155

mundo: 35,9% da energia fornecida pelo país são de origem renovável. Entretanto, além das vantagens ambientais, o biodiesel pode, também, gerar empregos, fortalecer o setor industrial, principalmente nas regiões norte e nordeste, incentivar a agricultura familiar e melhorar a geração e distribuição da renda, contribuindo para a erradicação da fome e para um equilíbrio do êxodo rural. Existem no país vários projetos e algumas unidades piloto instaladas com a finalidade de pesquisar e experimentar o uso do biodiesel para que se possa chegar a um custo final do produto, acessível ao consumidor. Como exemplo, há o projeto Mamona-Ceará, que visa gerar renda e melhor distribuí-la, gerar empregos e fortalecer o setor industrial da região e a unidade piloto de Teresina-PI, cujo objetivo é funcionar como uma fábrica-escola para capacitação profissional na produção de biodiesel. Além disso, também

pretende contribuir

para a erradicação da miséria na região. Detentor de uma grande diversidade de biomassas, o


COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 156

Brasil se destaca com relação à sua capacidade produtiva: o país tem condições de liderar a produção mundial de biodiesel, promovendo a substituição de, pelo menos, 60% da demanda mundial atual de óleo diesel de petróleo. O ex-presidente Lula aprovou uma medida provisória autorizando a mistura de 2% de biodiesel ao diesel convencional, o que poderá gerar uma grande economia de divisas, podendo chegar a $ 160 milhões nos primeiros 8 anos, o equivalente a 800 milhões de litros de petróleo, desencadeando um possível processo de crescimento econômico no país. Essa lei vigorou no dia 1º de janeiro de 2006. A cada 1% de substituição de óleo diesel convencional por biodiesel poderá gerar cerca de 45 mil empregos no campo e uma renda anual de aproximadamente R$ 4.900,00

por

emprego,

o

que

levará

a

uma

maior concentração do homem no campo, diminuindo o êxodo rural. Com essa medida, o setor industrial poderá ser fortalecido, principalmente nas regiões norte e nordeste,


COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 157

onde a produção de dendê, que pode ser utilizado como matéria-prima, é considerável. Além disso, a agricultura familiar é incentivada através do selo “Combustível Social”, que é atribuído às empresas

que

se

utilizam

de

matérias-primas

provenientes de pequenos agricultores. Em troca, essas empresas recebem incentivos fiscais, como a isenção de parte do Pis e Cofins. O Brasil apresenta vantagens competitivas em relação aos outros países devido ao solo e climas favorá veis à produção das matérias-primas. Porém, se chegarmos a uma completa substituição do diesel convencional pelo biodiesel ao invés de apenas fazermos uma adição percentual do mesmo, os países, inclusive o Brasil, podem não possuir um número tão grande de áreas cultiváveis, em que as mesmas não estejam sendo usadas para fins alimentares. Ainda assim, muitos países têm apresentado interesse quanto ao uso do biodiesel para que se cumpram as medidas propostas no Protocolo de Kyoto. Entretanto, as vantagens do biodiesel se sobrepõem às


.

COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS – 158

suas possíveis desvantagens, levando-o ao conceito de melhor alternativa atual como um combustível para motores do ciclo diesel.


CAPÍTULO 6

ENERGIAS RENOVÁVEIS


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 160

Durante a cadeia produtiva da cana-de-açúcar são gerados inúmeros subprodutos, entre eles a palha ou palhiço e o bagaço. O palhiço compreende todo o material remanescente sobre a superfície do talhão, após a colheita da cana, principalmente a mecanizada, constituída de folhas verdes, palhas, ponteiros, colmos, raízes, ervas daninhas e partículas de terra aderidas a ela. Já o bagaço é resultante do processo de extração do caldo da cana. Ambos são constituídos por celulose, hemicelulose e lignina, dentre outros constituintes. Até alguns anos atrás o bagaço de cana e a palha eram subaproveitados. Parte era queimado em caldeiras para geração de energia e a palha ficava no campo. Mas esse cenário mudou nos últimos anos e o subproduto agroindustrial ganhou valor econômico e ambiental. Hoje, essas matérias são utilizadas para fins como: produção

de

papel,

carvão

vegetal

e

até

para

composição de massa asfáltica e produção de pellets (biocombustível que usa como matéria-prima resíduos como

a

serragem

ou

maravalha).

O Brasil já tem instalado duas fábricas que produzem


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 161

etanol a partir do bagaço e palha de cana nos estados de

Alagoas

e

São

Paulo.

Abrindo

um

novo

mercado, as usinas sucroenergéticas já estão empregando o bagaço e a palha de cana para fabricação de pellets,

que

podem

servir

como

carvão

para

churrasqueiras e lareiras, como material combustível para alimentar, caldeiras em fábricas e geradores de energia elétrica. A vantagem da utilização destes pellets vai desde o fato de ocuparem pouco espaço, pois o bagaço ou palha passam um processo de secagem e pressão, até o fato de

serem

obtidos

de

matéria

vegetal

renovável,

substituindo o carvão e outras fontes poluidoras. A utilização de bagaço de cana para produção de papel não é novidade. Já existe há mais de 60 anos! ..Atualmente, várias empresas internacionais utilizam essa

matéria-prima

para

produção

de

diversos

categorias de papel, inclusive o sulfite. Em 2017 foi instalada na cidade de Lençóis Paulista (SP) a primeira fábrica do Brasil a produzir matéria-prima para o papel a partir da palha da cana-de-açúcar. De acordo com a


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 162

empresa todo o processo produtivo que envolve a obtenção da pasta base para produção do papel é sustentável, sem emissão de poluentes e os produtos obtidos são biodegradáveis. Também está sendo testada no Brasil uma nova tecnologia que emprega o bagaço de cana como um aditivo estabilizante para produção de mistura de asfalto, do tipo SMA (Stone Matrix Asphalt). Um grupo de pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF), da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Grande Rio (Unigranrio), desenvolveram um tipo de SMA que utiliza o bagaço em sua composição, reduzindo os custos de produção deste tipo de mistura asfáltica, já que as fibras normalmente empregadas para produção SMA têm custo mais alto quando comparadas às fibras do bagaço de cana. O laboratório Nacional de Tecnologia, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNNano/CNPEM) começou a testar o bagaço de cana para produção de carvão vegetal. A nova tecnologia pode ser uma revolução na fabricação de filtros (de água


.ENERGIAS RENOVÁVEIS – 163 e de ar) no Brasil e no mundo, uma vez que o carvão vegetal obtido do bagaço e da palha de cana possuem a mesma eficiência do utilizado tradicionalmente. Geração de Energia O Brasil necessita da cogeração a partir da cana-de-açúcar. O setor sucroenergético é responsável por 80% da capacidade de geração de energia a

partir de

biomassa do país. Porém, esses valores podem ser aumentados, pois, resta ainda muito bagaço excedente, além do potencial de uso da palha, uma vez que poucas unidades industriais recolhem a palha do campo. Em 2015, a oferta de energia obtida a partir da biomassa cresceu 7%, gerando mais de 22 TWh, o que equivale ao abastecimento de 11 milhões de residências durante um ano inteiro. A energia gerada nas usinas a partir do bagaço e da palha da cana contribui como capacidade

instalada,

em

quase

10%

da

matriz

energética, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), ocupando a segunda posição


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 164

na matriz, atrás apenas das fontes hídrica e fóssil, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). Assim, toda a biomassa responsável pela geração de energia elétrica e térmica, bagaço e palhiço passa a ser de fundamental importância aos novos projetos e também nas ampliações das plantas existentes. Além da importância para geração de energia elétrica, tanto o bagaço quanto a palha podem ser utilizados também como matéria-prima para produção de etanol de segunda geração (2G) e de terceira geração (3G). Por meio da hidrólise química ou enzimática, as frações de celulose e hemicelulose são convertidas a hexoses e pentoses e após processos de pré-tratamento, a solução obtida

pode

ser

fermentada

e

produzir

etanol.

Nos anos de 2015 e 2016 a safra brasileira ultrapassou 666 mil toneladas, segundo estimativa da UNICA. Deste total, cerca de um terço virou bagaço, obtido após o processo de moagem da cana nas usinas, além da palha que vem sendo recolhida do campo por várias unidades industriais. Diante deste cenário, o bagaço e a palha de


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 165

cana, ganharam importância e valor comercial para o setor sucroenergético, como matéria-prima para vários produtos e processos. Mesmo após queimado, o bagaço de cana ainda tem valor comercial. As cinzas recolhidas das caldeiras é um rico composto utilizado na lavoura como insumo complementar a adubação da cana ou como aditivo para produção de tijolos, fabricação de produtos como telhas, caixas d’água e divisórias. Porém, existe ainda um grande gargalo que precisa ser corrigido. Atualmente o produtor não recebe pelo bagaço entregue na usina. Inúmeros estudos têm sidos feitos para tentar remunerar o produtor de cana pelo bagaço entregue, mais nada ainda em fase de implantação. Estima-se que para cada tonelada de cana-de-açúcar processada, 260 quilos são transformados em bagaço e para palha este valor está condicionado a variedade e estágio de corte podendo gerar entre 10 a 15 toneladas de matéria seca por hectare de cana-de-açúcar, com teor de umidade de 10%. A massa asfáltica SMA foi desenvolvida na Alemanha


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 166

no final da década de 1960, sendo composta de fibras de celulose ou de vidro. Sua principal característica é a grande resistência, sendo utilizada como revestimento de rodovias e aeroportos europeus e americanos. O carvão vegetal produzido a partir do bagaço tem custo inferior em até 20%, quando comparado ao carvão disponível no país, que geralmente é importado e proveniente de madeira, ossos de animais ou casca de coco. Por isso, a nova tecnologia torna o país mais autônomo na produção dessa matéria-prima, sem dependências de preços e flutuações de mercados internacionais. Ceará planeja transformar onda do mar em energia a partir de 2020 O estado nordestino é pioneiro no aproveitamento elétrico

da

energia

ondo-

motriz, produzida pelo movimento das ondas do mar imagem:

casa.abril.com.br


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 167

A energia elétrica pode ser gerada por diversas formas. No Brasil, as principais fontes usadas são a hidráulica, o gás natural, o petróleo e o carvão mineral. Os processos de produção que utilizam essas fontes, entretanto, apresentam desvantagens que ameaçam a natureza, como a emissão de gases estufa, poluição do ar e chuva ácida. Todavia, uma alternativa que respeita o meio ambiente foi instalada no Ceará em 2012: a usina de ondas do Porto de Pecém, localizada no município de São

Gonçalo

do

Amarante.

Resultado da parceria entre os pesquisadores da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), o projeto foi financiado pela Tractebel Energia (atual ENGIE) e teve apoio do Governo do Estado do Ceará. A empresa privada chegou a investir R$ 15 milhões no empreendimento, mas, com o fim do contrato em 2016, o projeto foi paralisado. Em 2017, o então coordenador da usina e professor Segen Estefen retomou os experimentos no Ceará, com previsão de conclusão total prevista para 2020.


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 168

Entretanto, a coordenação também foca na construção de uma usina de ondas no Rio de Janeiro, desta vez, em parceria com a Furnas e com a Seahorse Wave Energy. Da usina do Porto de Pecém, espera-se gerar 100 quilowatts para abastecimento do principal porto cearense (energia que pode abastecer até 60 famílias locais). Por ter o movimento das ondas como principal fonte, a energia ondomotriz é limpa e renovável não causando, assim, danos ao meio ambiente. Além disso, é um processo que tem um grande potencial de exploração, uma vez que o Brasil possui um vasto litoral e constância dos ventos alísios, principalmente no Ceará.

Esse

fenômeno

garante

regularidade

no

movimento das ondas, o que aumenta a eficiência da usina. A usina é construída em módulos, sendo cada um deles formado por um flutuador, um braço mecânico e uma bomba conectada a um circuito de água doce. A partir do movimento das ondas, os flutuadores sobem e descem, acionando as bombas hidráulicas. Estas fazem


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 169

a água doce circular em alta pressão e depois a transporta para um acumulador, onde a água e o ar são comprimidos em uma câmara hiperbárica. A água sai do acumulador com pressão e vazão e movimenta uma turbina, que aciona um gerador e produz energia elétrica. Essa é a grande diferença para a energia hidráulica: em vez da água ser aproveitada na queda, ela é pressionada

em

um

circuito

fechado.

Fontes de energia renováveis e limpas. As tradicionais fontes de energia, combustíveis

como

os fósseis

(petróleo, carvão mi-neral e o

gás

natural),

imagem: www.portal-energia.com

são extremamente poluentes e causam um grande impacto negativo no meio ambiente. Além disso, também não são renováveis, ou seja, suas reversas na natureza são limitadas. Por essa razão, explorar alternativas que sejam menos poluentes e


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 170

renováveis é uma das principais ações das estratégias da sustentabilidade. Entre as chamadas “energias limpas”, algumas das mais conhecidas são: solar (obtida através do Sol); eólica (obtida através da força dos ventos); hidrelétrica (obtida através da força das águas); geotérmica (através do calor que existe no interior do planeta); entre outras. As fontes de energia minerais são limitadas, ou seja, suas reservas existentes na Terra um dia terão um fim. Para que o planeta não enfrente uma crise energética, é preciso haver uma estratégia que controle e racione a extração desses recursos. O ideal seria a substituição total das matérias-primas minerais por fontes de energia renováveis. ..Mas, enquanto o mundo caminha para esse cenário, torna-se imprescindível o zelo pelo modo como essas fontes poluentes estão sempre extraídas. A exploração desses recursos deve ser feita com extremo cuidado, pois acidentes podem comprometer a estabilidade de todo um ecossistema. As plataformas de extração de petróleo em alto mar, por exemplo, podem


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 171

provocar um desastre ambiental, caso ocorra um vazamento do mineral no oceano. Não apenas a exploração de minérios, mas também de outras matérias-primas naturais, como as árvores, por exemplo, deve ser feita com responsabilidade. Os automóveis movidos a combustíveis fósseis são grandes responsáveis pela poluição da atmosfera nas grandes metrópoles. Assim, adotar meios alternativos de transporte, como a bicicleta ou uso dos transportes públicos, é um exemplo de colaboração ao crescimento sustentável da comunidade. O incentivo ao desenvolvimento de tecnologias que sirvam como alternativa para os atuais combustíveis (gasolina, gasóleo, diesel, etc) é outra ação voltada para a sustentabilidade do meio ambiente. Os carros elétricos e movidos a energia solar são exemplos dessas tecnologias “amigas da natureza”. Muitas cidades, principalmente nos países desenvolvidos, fornecem serviços de aluguel de bicicletas. Esse é um exemplo de estímulo feito pelo governo e empresas para que as pessoas mudem os seus hábitos


ENERGIAS RENOVÁVEIS – 172

e adotem medidas mais ecológicas. Evitar o desperdício de energia e água é uma ação individual, mas que faz toda a diferença no propósito da sustentabilidade. Para isso, atos como desligar aparelhos eletrônicos quando não estão em uso, assim como lâmpadas e aproveitar a luz solar o máximo possível são exemplos de como é possível racionalizar o consumo de energia.


CAPÍTULO 7

PRESERVAÇÃO DAS ÁRVORES


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 174

As árvores sequestram CO₂ da atmosfera, o que ajuda

a

melhorar

a

qualidade do ar. Se na sua lista de coisas para fazer na vida houver imagem: d24am.com

o item “plantar uma árvore”, pode colocar esse objetivo na lista de prioridades. E, se possível, não plante apenas uma. Segundo um estudo publicado dia 5 de julho de 2019, na revista científica Science, plantar alguns bilhões de árvores pelo mundo seria a melhor maneira de melhorar a qualidade do ar no futuro. Essa é a primeira pesquisa a quantificar as árvores que poderíamos plantar na Terra para diminuir em até 25% os níveis de carbono na atmosfera. E não só em quais regiões do planeta cabem mais áreas verdes? Foi o que os especialistas de instituições científicas da Suíça, Itália e França responderam. Eles levantaram dados de 80 mil florestas do mundo e usaram um software do Google para gerar um mapa de


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 175

quais partes do planeta poderiam contar com maior cobertura vegetal. Os resultados apontam que, excluindo áreas verdes já existentes, assim como regiões urbanas e de agricultura, o ecossistema terrestre ainda tem espaço para 0,9 bilhão de hectares ocupados por árvores. Se tudo isso fosse plantado, 200 trilhões de toneladas de carbono poderiam ser removidos da atmosfera. Caso esteja se perguntando como isso aconteceria, é só lembrar das aulas de biologia da escola: ao fazer a fotossíntese, as plantas captam dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. Por isso elas são essenciais para garantir um ar mais limpo. Um relatório recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) demonstrou que seria preciso plantar mais de 1 bilhão de hectares para limitar a 1,5 °C o aumento da temperatura global até 2050. A melhor maneira de cultivar tantos pés de árvores ainda não está clara nem se seria possível plantar tudo isso. Mas, enquanto medidas em larga escala não são


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 176

tomadas, podemos fazer a nossa parte. Semear algumas sementinhas já é um começo. QueImadas A fumaça que escureceu o céu de São Paulo dia 19 de agosto

de

2019,

aumentou

a

preocupação

de

pesquisadores em relação aos efeitos das queimadas que se espalham pelo país. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que cinco estados brasileiros tiveram um maior aumento no número de queimadas desde o início do anode 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado(2018). Só no Mato Grosso do Sul o aumento foi de 260% em relação a 2018. As queimadas podem, sim, causar efeito nas cidades. O caminho natural dessa fumaça era ir para a região Sul, mas uma frente fria entrou no caminho e fez essa fumaça realizar um “desvio” para São Paulo. Os paulistas sentiram o ar que a população de estados


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 177

como Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará

e

Maranhão

conviveram por semanas

consecutivas durante o inverno, especialmente no fim da estação, quando as queimadas se intensificam e se alastram pelo país. No entanto, como a fumaça estava bem alta, o fato não causou tantas consequências para São Paulo além da poluição que já existe na cidade. Mas isso não significa que não devemos nos preocupar com a questão. Dia 17, o aeroporto internacional de Viru Viru, na Bolívia, foi fechado devido à baixa visibilidade. Além disso, os especialistas destacam o aumento do risco de doenças respiratórias para as populações das regiões que ..Os

vivem

próximas

às

queimadas.

incêndios ambientais são causados especialmente

com o objetivo de queimar resíduos agrícolas e de pastagem para plantar uma nova produção.

..Estão

anunciando uma queimada na Chapada dos Guimarães no Mato Grosso que pode ter sido causada por uma bituca de cigarro porque alguém queimou lixo e o fogo


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 178

saiu de controle. Mas é possível falar que isso é acidental? Natural não é. Mas a atividade humana continua sendo a grande causa das queimadas, como no caso da Amazônia, uma floresta tropical e consequentemente úmida. Queimadas na Amazônia aumentam entre duas e quatro vezes temperatura do solo e do ar. Durante agosto e setembro de 2019,

jornais

de

todo o mundo noticiaram os vastos

incêndios

devastaram

a

que floresta

amazônica brasileira. Grande parte da preocupação vem da importância da Amazônia na regulação do clima mundial. Segundo a Associated Press, a Amazônia

absorve 2 bilhões de toneladas de

dióxido de carbono por ano cerca de 5% das emissões globais. Assim, os incêndios na região diminuem essa capacidade de absorção e, ao mesmo


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 179

tempo, adicionam carbono no ar através da queima. Um recente estudo liderado por Gabriel de Oliveira da Universidade do Kansas (EUA), publicado na revista Ecohydrology, traz uma contextualização importante sobre os incêndios que atualmente ocupam grandes áreas da Amazônia, a maioria dos quais foram intencionalmente iniciados por agricultores e pecuaristas para converter florestas em terras adequadas para pastagem de animais ou cultivo. Os pesquisadores procuraram

descobrir

como

essas

mudanças

na

cobertura do solo afetam a troca de água e calor entre a superfície da Amazônia e a atmosfera. Oliveira e seus colegas analisaram informações de satélites e de estações meteorológicas em terra na Amazônia.

Com

dados

do Advanced

Spaceborne

Thermal Emission and Reflection Radiometer (ASTER) e do Large-Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in Amazonia (LBA), eles examinaram as mudanças de energia da superfície e da água em diferentes categorias de cobertura da terra em um ano chuvoso e em um ano de seca no estado de Rondônia. A equipe também


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 180

encontrou diferenças estatisticamente significativas em várias medidas importantes antes e depois de um ano de desmatamento. Os pesquisadores descobriram variações significativas entre áreas em lados opostos do rio Ji-Paraná, sendo que um lado sofreu mais desmatamento do que o outro, que é localizado dentro da área protegida da Reserva Biológica de Jaru. Eles mediram a variação espacial

do

albedo

(a

fração

da

luz

solar

incidente que a superfície reflete), da radiação líquida (energia total, derivada da luz solar disponível na superfície), do solo e dos fluxos de calor sensíveis (quantidade de calor transferida da superfície para a atmosfera) e da evapotranspiração (processo pelo qual a água é transferida da terra para a atmosfera por evaporação do solo e transpiração das plantas). O resto do mundo depende da região amazônica para ajudar a regular o clima global. A precipitação nos trópicos, todos os fluxos de água que ocorrem ali, afetam o mundo inteiro. A Amazônia tem um papel muito importante nisso. Não há nada no


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 181

mundo como o ecossistema singular da Amazônia. É bastante fascinante. ..Mas, às vezes, o fogo fica fora de controle e atingem a floresta, contribuindo para o desmatamento. ..Mas isso acontece na Amazônia todos os anos. Não há incêndios naturais na Amazônia. Todos são causados por seres humanos. Focos de incêndio na amazonas aumentaram 30% em 2019 no Pantanal, quase 6 vezes maior. Por que não é correto comparar os incêndios na Amazônia aos que ocorrem na Austrália. Pense na fumaça que sai de um vulcão. Agora, imagine compará-la à fumaça que sai do escapamento de um carro. A analogia com a fumaça vulcânica e a de um carro não é ao acaso. É porque a diferença essencial entre os duas

categorias

de

fogo

é

a

mesma

daquela

entre esses duas categorias de fumaça: um é, em sua maior parte natural; o outro, causado principalmente


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 182

por ação humana. O que se sabe sobre o 'Dia do Fogo', momento chave das queimadas na Amazônia. A floresta leva décadas ou centenas de anos para se recuperar: O que difere os incêndios na Amazônia e no cerrado. A influência do aquecimento global sobre a intensidade das situações é uma das poucas semelhanças possíveis. É principalmente devido a causas tão distintas que não se pode comparar os fogos na Amazônia e na Austrália. Jos Barlow, pesquisador da Universidade de Lancaster e da Universidade Federal de Lavras, explica que a flora australiana evoluiu com o fogo, que ocorre naturalmente em regiões do país. É um ecossistema que queima de tempos em tempos. Ou seja, as queimadas acontecem em sua maior parte de forma natural, pela incidência de raios. Também há uma minoria de casos de incêndios causados de forma proposital. Os incêndios em diversos ecossistemas australianos,


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 183

como os outbacks, ocorrem naturalmente. Faz parte ter fogo com uma certa frequência, como nas florestas costeiras da Califórnia, nas savanas na África ou no cerrado brasileiro. Tem um regime de fogo. Mas isso, está sendo exacerbado pelos efeitos das mudanças climáticas. As temperaturas já estão mais altas e o período de secas mais prolongado na Austrália, o

que

..Também

favorece

a

propagação

do

fogo.

houve influência do Dipolo do Oceano Índico

(conhecido como El Niño do Índico), que se refere à diferença nas temperaturas da superfície do mar em regiões opostas do oceano. No ano passado, foi “extraordinariamente forte”. Isso significa que a região a oeste do Índico ficou mais quente que o normal e, a leste, mais fria, causando enchentes na África e na Indonésia e condições secas na Austrália. Já a floresta amazônica, “sem interferência, nunca queima naturalmente”, a floresta é úmida, como diz o nome em inglês, "rain-forest”, ou "floresta de chuvas”. O fogo não ocorre naturalmente nesse ambiente ultra úmido que


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 184

é a Amazônia. Precisa ser iniciado por alguém. Então, o fogo no Brasil teria sido iniciado em sua maior parte como parte do processo de desmatamento, quando a vegetação é derrubada, colocada ao sol para secar e depois queimada para limpar a área. As árvores viram cinzas. A comparação entre a dimensão das queimadas nos dois países feita anteriormente pela BBC News, outros veículos e usuários de redes sociais tão pouco poderia ter sido feita. Isso porque não só são incêndios com causas bastante diferentes, como também diferentes períodos e metodologias para a medição das dimensões. Segundo dados do programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Programas Espaciais), entre janeiro e novembro de 2019, uma área de 70698 km² foi queimada na Amazônia brasileira. Isso equivale a 7 milhões de hectares. O INPE usa dados de satélite. Já na Austrália, de acordo com o jornal The Guardian, total queimado desde o início da temporada, em junho de 2019, até dia 8 de janeiro de 2020 é de 10,7 milhões de hectares.


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 185

Então, um dado é referente a quase um ano inteiro no Brasil; o outro, à temporada de incêndios na Austrália que começou em junho. E comparar o que aconteceu nos dois países no mesmo ano não seria justo, porque o Brasil teve um ano “normal” em relação à temperatura, “até

bastante

úmido”,

enquanto

a Austrália

teve

“condições climáticas excepcionais” no ano passado. Seria menos injusto comparar o fogo na Amazônia em 2015 com a atual temporada de queimadas da Austrália. Em 2015, o fenômeno El Niño causou secas extremas na Amazônia, dando condições para que incêndios prosperassem. O programa Queimadas, do Inpe, dá uma estimativa “ampla e visão geral das áreas queimadas nos biomas brasileiros”. Desenvolvido em parceria com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais - LASA, do Departamento de Meteorologia da UFRJ, está em “constante atualização e validação”. Além de datas e metodologias distintas, outros aspectos que esses dados não podem traduzir, complicam a comparação entre o fogo na Austrália e no Brasil.


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 186

Especialistas dizem que os números do Inpe subestimam a área queimada na região amazônica porque “os satélites têm dificuldade de detectar fogo debaixo da copa das árvores”. Os satélites detectam melhor fogo em áreas abertas ou em biomas como o cerrado, ou a savana. Essas diferenças entre categorias de incêndio está explicada no estudo Clarifying Amazonia's Burning Crisis (Esclarecendo a Crise dos Incêndios na Amazônia, em tradução livre), publicado na revista cientifica Global Change Biology em novembro do ano passado, de autoria de Barlow, Berenguer, os pesquisadores Rachel Carmenta e Filipe França, e outros que preferiram se manter anônimos. Os incêndios também têm impacto diferente nos dois ecossistemas. Um exemplo: Em ecossistemas que evoluíram com o fogo, as árvores têm casca bem grossa, formando uma barreira contra chamas. Já as cascas das árvores na Amazônia são bastante finas. Quando o caso ganhou ampla repercussão nacional e


PRESERVAÇÃO DAS ARVÓRES – 187

internacional sendo debatido até por líderes na cúpula do G7, o governo brasileiro decidiu enviar tropas do Exército para combater os incêndios. O primeiro-ministro australiano também foi acusado de estar sendo negligente perante a crise, inclusive, alguns dias de férias no Havaí e tem sido criticado por subestimar os efeitos do aquecimento global nos incidentes.


CAPÍTULO …....8

EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 189

Mônaco dá exemplo de sustentabilidade para o mundo. Existem

várias

iniciativas

sustentáveis sendo desenvolvidas em Mônaco. Conheça algumas ações

que

as

instituiçõ-

es vêm implementando no país: Prince Albert II of Monaco Foundation Em 2006, o H.S.H. Prince Albert II fundou a Prince Albert II of Monaco Foundation, dedicada a preservar o meio

ambiente

e

promover

o

desenvolvimento

sustentável em escala global. A fundação apoia iniciativas públicas, privadas e foca seus esforços em três áreas principais: mudanças climáticas e desenvolvimento de energias renováveis; biodiversidade; e gerenciamento de água (como o acesso universal à água limpa e luta contra a desertificação), atuando principalmente no me.


.

EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 190

-terrâneo, regiões polares e países subdesenvolvidos da África, da América do Sul e do sudeste asiático. Desde seu início, já foram mais de 420 projetos financiados. A missão da fundação não é apenas estabelecer parcerias e executar projetos, mas também despertar a consciência das pessoas e autoridades sobre o impacto da atividade humana no meio ambiente e encorajar comportamentos mais sustentáveis. Os projetos apoiados pela fundação são bastantes diversificados, abrangendo desde o combate ao desmatamento

até

desenvolvimento

de

áreas

marinhas

protegidas ou mesmo de cunho social, entre muitas outras ações. Não apenas em outros países, há também iniciativas no próprio principado, como o pacto “Wood Forever”, que encoraja a indústria de iates em Mônaco a usar madeira de florestas sustentáveis. Monaco Ocean Week A primeira edição do evento aconteceu em 2017 e reuniu stakeholders locais e internacionais focados em


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 191

uma causa: a proteção dos oceanos. Um manifesto foi assinado ao final do evento por diversas autoridades para recordar o papel decisivo dos oceanos no equilíbrio climático e para a vida dos habitantes de todo o planeta. Os stakeholders também foram capacitados para ajudar na preservação dos oceanos e no desenvolvimento de áreas marinhas protegidas. Santuário Pelagos O acordo Pelagos foi assinado por Mônaco, França e Itália no final do século XX para a criação de um santuário marinho de 87500 km². O objetivo é proteger os mamíferos e seu habitat de impactos negativos da atividade humana, como poluição, colisões entre navios e animais, distúrbios, entre outros. Trilha por árvores históricas Como parte do comprometimento do principado contra o desmatamento, há uma trilha por árvores


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 192

históricas de Mônaco, elaborado pela Prince Albert II of Monaco Foundation e pela associação MC2D. ..Além de sua beleza, as árvores ilustram as ações de entidades monegascas contra o desmatamento. Há informações sobre cada árvore e o caminho passa pelo Jardin de La Petite Afrique, além de outros jardins, emblemáticos como o Jardim Japonês e a Villa Sauber. Campanha The Bag For Life Mônaco baniu a utilização e venda de sacolas plásticas descartáveis. Para ajudar na redução do plástico, cada casa

monegasca

recebeu

uma

sacola

de

pano

reutilizável, feita com materiais naturais e biodegradáveis. Monaco Explorations A iniciativa, que foi lançada em 2017, reuniu um grupo de cientistas e especialistas em ciências humanas e da natureza, que participará de expedições científicas


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 193

para estudar o impacto de atividades humanas e a relação de diversas culturas com o mar. A bordo do barco Yersin, o grupo completará uma circunavegação do globo em um período de 36 meses. Monitoramento Há 20 anos, o principado instaurou uma rede de controle de qualidade do ar com seis estações de monitoramento. Fazendo essa medição contínua, é possível imitir avisos de poluição e verificar a qualidade do ar a longo prazo e os resultados são comunicados ao público geral através de telas localizadas na entrada do país. O principado também monitora a qualidade física e química das águas costeiras com base em medições repetidas de todos os componentes do ambiente marinho (massas de água, sedimentos e organismos vivos), assim como monitora os efeitos de eventos naturais ou atividades artificiais que podem afetar a qualidade da água. É importante ressaltar que a baía de


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 194

Mônaco inclui duas áreas protegidas, a Larvotto Reserve, criada em 1976, com uma área de 30 hectares e a submarina Spelugues, com cerca de 1.9 hectares, criada em 1986 e casa de diversas espécies marinhas.

Grimaldi Forum O centro é eco-responsável desde o início e em 2008 se tornou um dos primeiros centros culturais e de conferência europeus a obter o ISO 14001:2004. Sua política verde se tornou uma das principais partes de sua estratégia

corporativa.

O

local

oferece

soluções

concretas para organizar eventos verdes customizados. Monaco Scientific Center Foi fundado em 1960 pelo Príncipe Rainier III com o objetivo de promover pesquisas oceanográficas e apoiar organizações

governamentais

e

internacionais

responsáveis pela proteção e conservação do ambiente


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 195

marinho. Desde 1989, o centro se especializou em estudar a função de ecossistemas coralíneos em relação às mudanças climáticas. Os times são divididos em três grupos: departamento de biologia marinha, departamento de biologia polar e departamento de biologia médica. ABC Cerrado: exemplo da sustentabilidade do agro brasileiro O Plano ABC prevê o fomento a sistemas e processos

tecnológicos

para

ampliar a produção susimagem:

www.cnabrasil.org.br

tentável. Reconhecido

como

potência

agroambiental,

o

Brasil caminha para ser um dos maiores produtores sustentáveis de alimentos do mundo. Hoje a agropecuária brasileira ocupa somente 30% dos nossos 850 milhões de hectares. Consideradas apenas as lavouras, a ocupação não chega a 8% de terras utilizadas mais de uma vez, pois colhemos na mesma área, graças à


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 196

tecnologia

que

desenvolvemos

para

a

agricultura

tropical, duas ou três safras. Mais de 60% do território são ocupados por florestas nativas, sendo que boa parte delas está conservada em reservas legais de vegetações que os produtores rurais têm, por lei, de manter e cuidar em suas fazendas. O mercado internacional e também o nacional cobra do Brasil

mais

e

mais

preservação

da

nossa

rica

biodiversidade. O governo e os produtores, pequenos, médios e grandes, têm buscado responder às exigências do consumidor contemporâneo, aqui e lá fora. Prova desse esforço, é o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), lançado em 2011 e presente em todos os estados. O Plano ABC prevê o fomento a sistemas e processos tecnológicos para ampliar a produção sustentável, contribuindo para que nossa agropecuária se adapte com maior facilidade aos efeitos adversos das mudanças climáticas, bem como possibilitando que o Brasil cumpra, até mesmo antes de se encerrar o prazo, as metas assumidas no Acordo de Paris para reduzir a emissão de


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 197

gases de efeito estufa. Sabe-se que a agropecuária é um dos setores mais suscetíveis às mudanças climáticas e aos efeitos desse processo de redução dos períodos de chuva, aumento de pragas e agravamento da seca, por exemplo. Nenhum agricultor quer sofrer isso e todos têm consciência de que precisam aderir às práticas sustentáveis. Está demonstrado que, no Plano ABC, as tecnologias de baixa emissão de carbono proporcionam maior rentabilidade econômica e produtividade aos produtores rurais que as adotam. Dentro desse plano, o projeto ABC Cerrado trabalhou o manejo das terras no segundo maior bioma do país, contribuindo para a preservação da vegetação nativa na região central do Brasil e para a diminuição da emissão de gases de efeito estufa. Entre 2014 e 2019, o ABC Cerrado levou, aos pequenos e médios produtores rurais de sete estados: Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Bahia, Piauí, Minas Gerais e Distrito Federal, práticas simples e inovadoras para uma agropecuária de baixo carbono.


.

EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 198

Cerca de 7800 produtores tiveram a oportunidade de conhecer e adotar modernas tecnologias de produção: recuperação de pastagens degradadas, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), sistema plantio direto e florestas plantadas. Em parceria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

(Mapa),

da

Empresa

Brasileira

de

Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o ABC Cerrado beneficiou

uma

área

total

de

93844

hectares,

correspondentes a 110 mil campos de futebol. Até o início do ABC Cerrado, projeto financiado pelo Banco Mundial, 21,7% das propriedades usavam tecnologias de baixo carbono na região. Após quatro anos de trabalho, o índice subiu para 59,1% das propriedades. Com o projeto, 88 mil hectares de pastagens foram recuperados no cerrado. A recuperação de pastagens envolve diferentes técnicas, que vão desde a adubação e correção do solo até a substituição do capim. Assim, a produção de pasto aumenta, sendo possível alojar mais animais, que


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 199

ganham mais peso, numa mesma área. Ou seja: o empreendimento torna-se mais rentável para o pecuarista. Ao mesmo tempo, os recursos naturais são usados de forma mais racional e eficiente, reduzindo-se a pressão sob novas áreas de vegetação nativa. Tudo isso combinado garante a preservação do bioma cerrado. Um dos dados mais relevantes observados ao longo do desenvolvimento do ABC Cerrado foi que, a cada $ 1 investido pelo governo federal em capacitação e assistência técnica, o produtor rural colocou, do próprio bolso, $ 7 em insumos e serviços para adotar práticas sustentáveis. Isso mostra que, como temos destacado, o produtor

brasileiro

preza

pela

proteção

ao

meio

ambiente. E comprova que o poder público não está sozinho nessa missão. Ações como o ABC Cerrado são importantes ainda para mantermos os produtores rurais e respectivas famílias em suas terras, levarmos os jovens de volta ao campo e garantirmos, também pela integração entre lavoura e pecuária, a segurança alimentar do Brasil e de seus 160 parceiros

comerciais.

Sempre

considerando

a


.

EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 200

preservação do meio ambiente, ativo fundamental da nossa agropecuária. LafargeHolcim dá exemplo de sustentabilidade ao devolver mudas nativas Franco-suíça LafargeHolcim planta no Brasil 91 mil mudas em minas aposentadas e mostra que é possível recuperar regiões seriamente degradadas, minimizando danos da exploração. iiSão

.

Paulo: As tragédias ambientais causadas pelo rom-

pimento das barragens de Mariana e de Brumadinho, em Minas Gerais, chamaram a atenção para a fragilidade não apenas da segurança nas atividades de mineração, mas também da fiscalização pelos órgãos públicos. Um projeto no interior de São Paulo mostra que, mesmo uma atividade de exploração de recursos minerais pode, ao fim do seu ciclo, minimizar seus danos. Uma área de 51 hectares, o equivalente a cerca de 51 campos de futebol, voltou a ser coberta por vegetação depois de décadas de atividade.


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 201

..Foram 10 anos até a conclusão do projeto e investimentos de R$ 3 milhões, que incluíram a compra e o plantio de 91 mil mudas de árvores nativas, parte veio de um viveiro mantido pela multinacional em Minas Gerais. As áreas de 150 hectares (Felicíssimo) e de 50 hectares (Ipanema) compõem juntas a concessão de lavra explorada pela franco-suíça LafargeHolcim. ..Desse total, foram explorados 51 hectares. Os recursos para a recuperação das duas minas aposentadas vieram do provisionamento feito ao longo de anos, numa política definida pela multinacional e aplicada não apenas em suas cerca de 15 minas no Brasil (voltadas às operações de agregados, como brita usada para a construção civil, e cimento), mas em todas as operações no exterior. Em dezembro de 2018, foi editada uma medida provisória que, ao regulamentar o Código de Mineração, tornou

esse

provisionamento

obrigatório

para

a

recuperação de minas fechadas (como se denomina quando elas se tornam improdutivas e a extração de minério é concluída), mas quem atua no setor aponta


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 202

para a falta de detalhamento no texto. No projeto da LafargeHolcim, o primeiro desenvolvido pela companhia no Brasil, além de entregar o terreno com uma nova área verde, também foi reaproveitada parte das instalações da unidade de produção. Cerca de 500 metros cúbicos de concreto não armado e outros 500 metros cúbicos de tijolo foram encaminhados ao aterro sanitário de Sorocaba, onde ficava a mina. Quando chegam ao fim, operações como a de Felicíssimo e Ipanema passam por um desmonte das construções (que incluem escritório, casas, depósitos, britador, rede elétrica, oficina de manutenção) e a remoção de maquinário e de resíduos da extração de calcário. Uma parte desse material foi destinada para a manutenção de estradas. Outra parte pôde ser reaproveitada pela comunidade das áreas de assentamento em Ipanema. No ano passado, a LafargeHolcim comunicou ao Ibama que havia concluído os trabalhos na mina paulista, mas ainda falta o sinal verde do órgão público para que a área volte definitivamente para a União. Até que isso


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 203

ocorra, a multinacional é responsável por monitorar a região. Para o plantio de mudas, foi possível aproveitar o material descartado durante a vida útil da mina, diferentemente do que acontece com o minério de ferro. Na

extração

do

calcário, são

retiradas camadas

superiores de solo árido, estocadas uma por cima da outra, formando uma espécie de degrau (os taludes). ..Essas são as chamadas pilhas de estéril, que chegam a 60 metros de altura. Na técnica de recuperação usada pela LafargeHolcim, o plantio das mudas foi feito no topo da pilha, transformada em floresta. ..Essa técnica, segundo a companhia, garante a estabilidade geotécnica do terreno. Para Bruno Hallak, gerente de meio ambiente da companhia, apesar de minério e calcário terem características muito diferentes, os acidentes em minas em Mariana e Brumadinho alertaram para a necessidade de aumentar os cuidados no setor. ..O projeto paulista rendeu à LafargeHolcim, em abril, durante o fórum, Programas de Recuperação de Áreas


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 204

Degradadas (Prad) no Licenciamento de Mineração, um certificado de reconhecimento do Ibama pelas ações desenvolvidas naquela região. Apesar da experiência no interior de São Paulo, uma

nova

recuperação

de

mina

fechada

pela

LafargeHolcim deverá levar tempo. As atuais operações no Brasil, segundo Hallak, têm pela frente pelo menos 10 anos de exploração. Mas o provisionamento de recursos para aplicar na recuperação ambiental vem sendo feito desde

o

início

da

exploração

dessas

minas.

Colombianos criam prato biodegradável que germina quando

descartado. O

prato

é

totalmente

descartável e ecológico, mas, em vez de contaminar mais ainda o meio ambiente, ele cria uma nova vida quando começa imagem:

www.revistapazes.com

a

se

decompor.


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 205

Não é novidade que o plástico se tornou o maior inimigo do nosso planeta, do meio ambiente na totalidade. Hoje, mais do que nunca, precisamos nos

reunir

para encontrar a solução para a grandes quantidade de resíduos

de

plásticos

jogadas

principalmente

nos

oceanos. Mas há quem lute para fazer a diferença, como é o caso da empresa colombiana LifePack, que acabou de criar produtos biodegradáveis que germinam após o uso.

Ou

seja,

eles

podem

ser

jogados

no

chão sem nenhum problema que não vão poluir o meio ambiente. Após o uso, o prato pode ser plantado no chão ou em uma panela para germinar flores, ervas ou mais espécies de plantas. É tão simples quanto remover a camada de biofilme que você tem por cima do prato para apoiar a placa no chão. Caso você não queira plantá-lo, o prato usado se desintegrará em apenas 3 semanas. Uma notícia excelente para o meio ambiente. Além de tudo, é o melhor substituto para os pratos de plásticos descartáveis.


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 206

Atualmente, a empresa cria apenas pratos, mas é de interesse dela que num futuro próximo eles consigam expandir

os

produtos

com

também

embalagens

sustentáveis, tanto para alimentos quanto para bebidas, incluindo xícaras e talheres. Diferentemente de outras empresas, a LifePack gera mais de 60% dos empregos indiretos para mães solteiras através da venda de produtos. Dessa forma, elas se beneficiam da empresa porque têm a oportunidade de trabalharem de casa enquanto cuidam dos filhos. As Lições que Devemos Aprender com Austrália, Israel e Singapura O Brasil sempre foi considerado um país abundante em recursos hídricos. Porém, passa por escassez devido a um mal gerenciamento. Servindo de exemplo sobre as lições que devemos aprender, alguns países têm muito o que nos ensinar. Entre os países que buscam melhorar cada vez mais o gerenciamento dos recursos hídricos, temos Austrália,


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 207

Israel e Singapura. Das técnicas utilizadas por esses países, posso citar grandes investimentos em infraestrutura, o reúso da água e a dessalinização da água do mar. Austrália sofre com as grandes simplesmente

secas, não

lá chove.

Sendo considerado um dos países mais secos, a fonte de água utilizada por ela é a Bacia Murray-Darling, com 5890 km de extensão. Para solucionar os problemas hídricos, foram investidos cerca de 6 bilhões de reais em infraestrutura, o que ajudou a combater vazamentos e economizar água. No Brasil, um dos grandes fatores enfrentados é a água tratada que se perde devido a vazamentos em tubulações antigas. Além disso, foram realizadas obras de combate ao desperdício, fazendo com que as águas residuais das casas sigam para reservatórios próprios para receber tratamento. Após tratada, a chamada água de reúso retorna para as moradias que estão adaptadas com torneiras especiais para essa finalidade.


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 208

..Essa água é utilizada na limpeza das casas, lavagem de roupas ou qualquer outra atividade que seja possível evitar o uso de água potável. Outro fator importante foi a construção de usinas de dessalinização, usadas para transformar a água do mar em água potável. Em Israel em uma região com pouca água, o país luta contra a seca desde o seu nascimento. Por conta desse fator, a solução teve que ser mais ampla e foi preciso desenvolver técnicas para extração de água até de geadas, sendo revertida para a agricultura. Ainda para a agricultura, foram desenvolvidas técnicas de irrigação por gotejamento, no qual a água é direcionada diretamente para a raiz das plantas. Além disso, o saneamento é um fator importantíssimo, com índices de tratamento que chegam a 90% de esgoto tratado, que posteriormente é reutilizado. O país também conta com cerca de 5 plantas de


EXEMPLOS DE SUSTENTABILIDADE – 209

dessalinização da água do Mar Mediterrâneo, além de um forte programa de educação ambiental para crianças nas escolas e controle rígido de perdas, o que evita o desperdício em todo o país. Israel enfrenta 9 meses de seca por ano, registrando menos chuvas que o semiárido brasileiro. Mesmo assim, a população não sofre com a falta d’água, um exemplo no gerenciamento de recursos hídricos. Singapura é conhecido como um dos polos mais eficientes em reaproveitamento

de

água,

100% da população tem água potável e esgoto tratado e reutilizado. Singapura conta com uma imponente infraestrutura para coleta da água da chuva, usinas de dessalinização, combate a vazamentos e campanhas de conscientização. Também possui um plano que importa água da Malásia através de dutos, uma logística complexa e cara. Dentre os programas de conscientização, existe o incentivo de compra de produtos que diminuem o uso de água, chamadas etiquetas de eficiência hídrica.


CAPÍTULO 9

PRESERVAÇÃO DOS RIOS


PRESERVAÇÃO DOS RIOS – 211

A poluição das águas é

qualquer

alteração

em suas características físicas, químicas e biológicas que possa causar prejuízo à saúde da imagem: www.akatu.org.br

população, comprometer a fauna e a utilização das águas para usos benéficos. Milhares de rios são poluídos por todo o mundo todos os dias, o que representa um problema socioambiental bastante grave. A expansão urbana desordenada, aliada ao desenvolvimento da indústria e das atividades agrícolas são as principais causas da poluição dos rios. As atividades domésticas, industriais e comerciais geram poluentes característicos que influenciam de diferentes formas a qualidade das águas. A poluição dos rios pode ser química, física ou biológica. A poluição química é caracterizada por duas categorias de poluentes: biodegradáveis (produtos químicos que são decompostos pela ação de bactérias ao final de um tempo, como detergentes e


PRESERVAÇÃO DOS RIOS – 212

inseticidas) e persistentes (persistem no meio ambiente e nos organismos vivos, sendo tóxico para estes, como o mercúrio). A poluição física altera as características físicas da água, a principal é a poluição por sólidos. A biológica é a contaminação da água

por organismos

patogênicos (bactérias, vírus, vermes, etc). Várias são as fontes poluidoras dos rios, entre as quais se destaca o lançamento de esgotos residenciais, industriais e hospitalares não tratados. Esse esgoto aumenta a quantidade de matéria orgânica na água e consome oxigênio em seu processo de decomposição, causando a morte de peixes e outros organismos aquáticos. Além disso, causa mau cheiro e representa um risco a saúde pública, pois, é constituído por vários micro-organismos patogênicos. Outra fonte poluidora é o depósito de lixo nos rios. Esse lixo é formado por resíduos sólidos, principalmente residenciais e industriais. O lixo vai se acumulando, provoca o assoreamento dos rios e pode chegar ao ponto de não permitir o fluxo da água para locais onde o rio é canalizado, provocando enchentes quando ocorrem


.PRESERVAÇÃO DOS RIOS – 213 chuvas intensas. O uso de defensivos agrícolas é a principal causa de poluição dos rios no meio rural. Os agrotóxicos usados acumulam-se no solo e são direcionados aos rios pela água das chuvas, onde intoxicam e matam diversos seres vivos. Os fertilizantes contêm em sua composição nitrogênio e fósforo, que quando atingem os rios provocam o desenvolvimento de uma superpopulação de algas, causando a eutrofização das águas. Essa poluição

também

é

causado

por

indústrias

de

fertilizantes que lançam seus efluentes nos rios. No Brasil, quase todos os rios possuem alguma poluição. Entre os mais poluídos estão os rios Tietê, Iguaçu, Ipojuca, dos Sinos, das Velhas e Doce. Algumas possíveis estratégias para evitar e diminuir a poluição dos rios é a implantação de sistemas de coleta e tratamento de esgotos, recuperação e revitalização dos cursos d’água, controle dos usos e ocupação do solo e correto manejo de resíduos sólidos. Além disso, conscientizar a população a respeito dos problemas causados pela poluição dos rios é fundamental.


PRESERVAÇÃO DOS RIOS – 214

A falta de tratamento dos esgotos e condições adequadas de saneamento podem contribuir para a proliferação de inúmeras doenças parasitárias e infecciosas além da degradação do corpo da água. A disposição adequada dos esgotos é essencial para a proteção da saúde pública. Cerca de, cinquenta categorias de infecções podem ser transmitidas de uma pessoa doente para uma sadia por diferentes caminhos, envolvendo os excretas humanos. Os esgotos, ou excretas, podem contaminar a água, o alimento, os utensílios domésticos, as mãos, o solo ou ser transportados por moscas, baratas, roedores, provocando novas infecções. Epidemias de febre tifoide, cólera, disenterias, hepatite infecciosa e inúmeros casos de verminoses algumas das doenças que podem ser transmitidas pela disposição inadequada dos esgotos são responsáveis por elevados índices de mortalidade em países do terceiro mundo. As crianças são suas vítimas mais frequentes, uma vez que a

associação

dessas

doenças

à

subnutrição

é,

geralmente, fatal. A elevação da expectativa de vida e a redução da prevalência das verminoses que, por norma,


PRESERVAÇÃO DOS RIOS – 215

não são letais, mas desgastam o ser humano, somente podem ser pretendidas através da correta disposição dos esgotos. Outra importante razão para tratar os esgotos é a preservação do meio ambiente. As substâncias presentes nos esgotos exercem ação deletéria nos corpos de água: a matéria orgânica pode causar a diminuição da concentração de oxigênio dissolvido provocando a morte de peixes e outros organismos aquáticos, escurecimento da água e exalação de odores desagradáveis; é possível que os detergentes presentes nos esgotos provoquem a formação de espumas em locais de maior turbulência da massa líquida; defensivos agrícolas determinam a morte de peixes e outros animais. Há, ainda a possibilidade de eutrofização pela presença de nutrientes, provocando o crescimento acelerado de algas que conferem odor, gosto e biotoxinas à água (CETESB, 1988).


CAPÍTULO 10

REAPROVEITAMENTO mmmmmDA ÁGUA


REAPROVEITAMENTO DA ÁGUA – 217

É possível reduzir 15% do consumo de sua casa só com o reaproveitamento

de

água. Apesar de o anúncio imagem: blog.safesst.com.br

oficial ainda não ter sido feito, ninguém nega que vá ser muito difícil que as torneiras não sequem nos próximos meses. Numa estimativa dura, pode ser que o rodízio faça com que o paulistano tenha dois dias com água e cinco sem qualquer vestígio dela. Um cenário que assusta, mesmo porque estamos acostumados com muita água. Segundo à Sabesp, o consumo de água do Brasil está acima da média recomendada pela Organização Mundial de Saúde: enquanto o indicado é que cada pessoa use 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene, o brasileiro chega a gastar 200 litros por dia. Existem várias soluções tecnológicas para a reutilização da água que podem ser construídas nas residências como, por exemplo, um sistema que capta água da


REAPROVEITAMENTO DA ÁGUA – 218

chuva do telhado ou outro que direciona a água que sai do ralo do chuveiro para um reservatório que alimentará a descarga. É possível reduzir em 15% o consumo de água. Uma descarga consome em média seis litros de água. Alguns modelos mais antigos chegam a consumir de 10 a 14 litros. Para economizar, o ideal é deixar um balde no banheiro com as sobras da máquina de lavar. A água da máquina de lavar dura no máximo dois dias. Como tem sabão, amaciante além de sujeira, cabelo e pele, ela gera mais bactéria que a água da chuva e se decompõe rapidamente. Por isso, a água dos primeiros ciclos de lavagem só serve para descarga e deve ser usada em menos de dois dias. Já a água do ciclo final aquela da centrifugação, que não contém sabão nem sujeira, pode ser usada para a próxima lavagem da própria máquina. ..Dependendo do modelo da máquina dá para despejar novamente a água que estava na bombona na máquina e iniciar a lavagem de outras roupas.


REAPROVEITAMENTO DA ÁGUA – 219

Vale lembrar que a água da chuva não é potável e nem dá para tomar banho, mas é indicada para regar plantas, limpar calçadas e usar na descarga. ..Em casa, é possível armazenar a água que cai pela calha do telhado, mas, tome cuidado para não dar dengue. A água da louça engordurada, tem de ir para o ralo de vez. Não tem outro jeito. Mas, aquela que sobra da lavagem de frutas e louças não gordurosas deve ter outro destino: use para regar plantas ou fazer a limpeza da casa e do quintal. A economia e reaproveitamento de água é apenas uma parte da solução, mas não custa fazer um pouco para ajudar. Dicas para economizar água no dia a dia e como ensinar as crianças sobre o seu uso consciente 22 de março foi a, data criada para nos conscientizar sobre a importância desse recurso fundamental para a vida no planeta. O Dia Mundial da Água foi instituído pela


REAPROVEITAMENTO DA ÁGUA – 220

ONU e muitas instituições (ONGs, escolas, governos) fazem campanhas alertando para o bom uso da água. Talvez a maioria das pessoas saiba da sua importância e da sua escassez (há quem a chame de "ouro azul”), pois apesar de o planeta ter um volume de 70% de água, apenas 0,7% dela é potável. Essa data comemorativa nos faz lembrar da importância de se economizar água, mas as ações de respeito a esse elemento fundamental à vida devem ser coloca- das em práticas todos os dias. Vejamos como economizar água no dia a dia com pequenas grandes ações: Feche a torneira enquanto você ensaboa as mãos; Para escovar os dentes, use um copo; Reduza o tempo de banho; Varra a calçada em vez de lavá-la; ..Repare as torneiras com vazamentos; Para lavar frutas e verduras, não precisa usar litros de água corrente: Limpe-as as em uma bacia com um pouquinho de bicarbonato de sódio e outra para enxaguar; Use a máquina de lavar roupa e louça apenas quando tiver carga suficiente para completá-las;


REAPROVEITAMENTO DA ÁGUA – 221

Se não tiver máquina de lavar louça, use uma bacia para lavar pratos e utensílios e outra para enxaguar. ..Use pouco sabão e do biodegradável; Se você tiver um jardim, regue as plantas no início da manhã ou à noite; Lavar o carro em um lava-jato é melhor que lavar em casa; Reutilize água; Recolha a água da chuva para regar as plantas na parte da manhã. Reaproveite a água do cozimento dos alimentos; Não desperdice alimento. Isso é desperdiçar água também, pois todo processo produtivo utiliza água. Conheça aqui o conceito de água virtual. Compre menos, recicle e reutilize mais. Tendo em mente o conceito de água virtual, fica fácil entender que comprar significa, também, gastar água. Por isso o consumo de bens deve ser pensado e repensado. Há várias dicas de especialistas para novas instalações em casa que ajudam a economizar água. Se você está construindo a sua casa ou pensando em uma reforma,


REAPROVEITAMENTO DA ÁGUA – 222

confira essas dicas valiosas. O consumo de água em casa pode ser reduzido em 45% com a instalação de: ..Vasos sanitários inteligentes, que funcionam a seco. ..Máquinas de lavar roupa e lava-louças que otimizam e economizam água e energia. ..Chuveiros e torneiras de alta eficiência na utilização da água. O E-shower ainda não está à venda, mas daqui a pouco estará. Ele tem um sistema que permite ajustar a temperatura e mantém sob controle as economias de água e energia. E tem, também, a Swirl, uma torneira com uma turbina dupla incorporada à torneira que pode criar um vórtice de água natural sob a influência da gravidade. A sua tecnologia economiza em 15% o gasto de água.

.

Nas hortas aconselha-se a instalação de um sistema de irrigação por gotejamento. E gramados com o tipo de grama que requeira menos água. Hoje em dia, já existem arquitetos especializados em bioconstrução, um tipo de construção que aplica medi-


REAPROVEITAMENTO DA ÁGUA – 223

das, dentre outras, que fazem ainda mais diferença na redução da água e da energia para o consumo doméstico. Ensine as crianças sobre o consumo consciente. Afinal, dar o exemplo em casa é uma ótima forma de ensiná-las sobre a importância da água. Converse com os seus filhos e, juntos, elaborem uma lista com itens que podem servir como metas, como reduzir o tempo de banho em cinco minutos por pessoa, varrer a calçada em vez de lavar, coletar a água que cai do chuveiro enquanto a temperatura está sendo regulada e

outras

ações

que

resultem

em

economia.

Ao fim de cada semana, a família pode retomar a lista para

avaliar

o

que

foi

ou

não

cumprido.

Ensine as crianças os afazeres nos quais se utiliza ou não água potável. Vocês podem reutilizar a água para usá-la na limpeza da casa, por exemplo. Para ensinar as crianças que água é vida, faça um jardim com elas, mostrando que os vegetais não vivem sem água e que isso compromete a disponibilidade de alimentos.


REAPROVEITAMENTO DA ÁGUA – 224

Visite parques na sua cidade e programe passeios em contato com a natureza para demonstrar às crianças a importância de conservar as áreas naturais e a relação delas

com

..Faça

compras

as de

fontes mercado

com

de

água.

as

crianças.

..Escolha os alimentos explicando que para eles estarem prontos para a venda foi utilizada água no processo de produção. Você pode contar para elas que para produzir um quilo de carne bovina são necessários cerca de 15 mil litros de água. Já a mesma quantidade de carne de frango exige quase quatro mil litros. Faça escolhas conscientes e explique às crianças porque um produto é mais aconselhável de ser consumido do que outros. É fundamental tornar as crianças conscientes da importância da água a da sua preservação. Fazendo a nossa parte, elas podem seguir um caminho mais sustentável do que a nossa geração.


CAPÍTULO 11

PRODUTOS ECOLÓGICOS


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 226

Há três anos, o estudante de Engenharia de Produção, Gabriel Laux dos Santos, 22 anos, teve a ideia de investir na moda sustentável e criou a Levithai (@levithaicloting),

uma

empresa

e-commerce

com

roupas fabricadas apenas com tecidos ecológicos. O jovem diz que a marca nasceu do inconformismo com os impactos e efeitos desastrosos da indústria têxtil no equilíbrio do planeta. Sobre o nome da empresa, Gabriel explica que pode ser entendido como “o imperativo do verbo levitar”. Dentre as peças que são confeccionadas em São Sebastião do Caí, cidade onde ele mora, estão camisetas, moletons, carteiras e biquínis. O empreendedor, no entanto, trabalha apenas com divulgação on-line pelas redes sociais e não possui espaço físico, exceto quando participa de feiras ecológicas. A média de vendas dos produtos é variada e quando há exposição nesses eventos, ele comercializa mais de 50 itens. A proposta de roupas ecológicas já é um desejo que Gabriel tem para mudar o mundo. Além disso, ele decidiu começar pela comunidade a sua volta.


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 227

..Em março do ano passado surgiu a ideia de fazer o plantio de árvores em parceria com a Prefeitura Municipal de São Sebastião do Caí, toda vez que uma peça fosse vendida. Desde então, já foram 145 mudas espalhadas pela cidade. Moda ecológica, moda sustentável, slow fashion, uma prova de que os hábitos de consumo do brasileiro estão mudando. Porém, a sustentabilidade e o slow living são conceitos que pregam o consumo mais racional. ..Então, se você está querendo entrar nessa onda agora, não gaste milhões em novas peças de roupas, existem algumas mudanças simples que podem ter que ajudar a ter uma guarda-roupa mais sustentável. 1 camiseta custando R$ 79,00, com uma margem de 2×, tem um gasto de R$ 39,00. Desses R$ 39, 20% é revertido para mão de obra (usando a média praticada pelo mercado), logo cada costureira recebe por peça R$ 7,80. Para essa mesma costureira ter um salário de R$ 1000, ela precisa costurar 130 peças em média, sendo 5 peças


.

PRODUTOS ECOLÓGICOS – 228

dia. Olha, é fácil dizer que uma peça sustentável é “cara” se você comparar com os preços dessas grandes lojas, que revendem produtos fabricados a toneladas todos os dias. Mas a primeira coisa a se considerar é: roupas sustentáveis são melhores. No sentido de qualidade de material mesmo. Você pode comprar uma “brusinha” de R$ 30 numa loja de departamento, mas quanto tempo ela vai durar? Em quanto tempo você terá que gastar mais R$ 30 em outra “brusinha”? E o mais importante: com qual mão de obra essa roupa foi feita para custar tão pouco? Pessoas em situação precária e salários que mal alimentam a família? Crianças? Trabalho escravo? Boutique São Paulo A Boutique São Paulo reinventou o conceito de brechó, não só revendendo peças previamente descartadas, mas dando nova vida a elas. Os produtos de segunda mão são garimpados, revitalizados, higienizados e enviados


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 229

com muito carinho. Essas peças não necessariamente são eco-friendly, veganas, ou qualquer coisa do tipo. Em vez de irem parar no lixo após o descarte, vão para o guarda-roupa de alguém que poderá deixar de comprar uma peça recém-fabricada, freando a carreta desgovernada que a grande indústria da moda se tornou. Parece um passo pequeno, mas, sem dúvida, é um passo na direção certa. Para produzir 1 kg de algodão, cerca de 25000 litros de água são gastos. O processo de criação de um jeans, por exemplo, afeta o ambiente de maneira muito significativa, inclusive aumentando a concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Prolongar a vida útil de uma peça é colaborar com a preservação de recursos que já foram extraídos da natureza. Isso torna justa a inclusão da Boutique São Paulo na lista de marcas de roupas sustentáveis para conhecer em São Paulo. Honey Pie


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 230

..É uma marca de roupas femininas, é o slow fashion. Basicamente, uma alternativa à produção em massa, que costuma ser pouco transparente. ..As peças são feitas com matéria-prima brasileira, para fortalecer o mercado nacional, além de concentrar todo o processo de produção das roupas dentro do ateliê, para acompanhar de perto as condições de trabalho. Ada Na Ada, também não existem coleções, apenas tiragens pequenas de roupas feitas com fibras naturais 100% feitas no Brasil. Além do slow fashion, a marca tem raízes veganas, então, se preocupa que sua matéria-prima respeite os Direitos dos Animais. O nome da marca é inspirado em Ada Augusta Byron King, criadora do primeiro algoritmo para ser processado em

uma

máquina.

As peças têm design minimalista lindíssimo, o que as tornam atemporais. Falando em veganismo, se essa é seu ideal, você vai


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 231

amar a marca Nicole Bustamante. As peças são feitas à mão com matéria-prima vegan friendly, se posicionando totalmente contra a moda descartável/fast fashion. Tanto que eles oferecem roupas de modelagem sem gênero, ou seja, você só precisa ser humano para usar. King55 Ela produz manualmente peças masculinas e femininas, focadas na moda streetwear, com matéria-prima sustentável e ecológica. A loja vende roupas, acessórios, calçados, tudo que há de bom e descolado. Siga o Instagram deles para conferir tudo que há por lá: Além de vender on-line, a King55 tem uma loja em Pinheiros e uma Vila Madalena. Cofi Wear Na onda da moda unissex, a Cofi são calças 100% algodão são confortáveis, bonitas, práticas e modernas:


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 232

Eles não usam nenhuma matéria-prima de origem animal, tanto que até os zíperes foram trocados por elásticos de algodão. Para complementar a produção vegana, ela tem uma pegada artesanal, feita por uma equipe de costureiras com uma remuneração que a Cofi tem orgulho em chamar de justa. Inescta Como o próprio pessoal da Insecta diz, a palavra-chave deles é REAPROVEITAMENTO. Com um conceito bem interessante, eles transformam roupas usadas em calçados super descolados. Além disso, a Insecta tem outros valores que valem a pena serem citados: veganos, ecológicos, unissex, feitos no Brasil, igualdade de gênero e comércio justo. E não para por aí, eles conseguem tirar nota 10 no quesito, beleza. 787 Shirts


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 233

Consumos conscientes é o principal valor que colocou a 787 Shirts nessa lista. Daniela e Gabriela criaram a marca para ir na contra-mão do consumo desenfreado pregado pelos grandes varejistas fashion. Mas a nobreza da ideia delas não para por aí. As peças trazem a tona o empoderamento das mulheres através das roupas e da moda. Com muita originalidade e uma pitada de humor, frases fortes são corriqueiras nas estampas das 787. SIM A estilista Samanta Fernandes acredita que peças simples, atemporais, que podem ser usadas por anos é uma grande solução para o consumo desenfreado que assombra a moda há décadas. Isso e mais aquela outra coisinha que falamos tanto por aqui: menos produção em série, mais produção humana e de qualidade. Orgânica Orgânica é uma marca difícil de não se apaixonar.


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 234

Os tecidos reutilizam fibras descartadas na natureza (como bamboo, seda, algodão, linho e lã) e são tingidos artesanalmente. Tudo com matéria-prima renovável, não poluente e descarte consciente de materiais. Tudo é feito com muito amor e carinho, dá para ver pela delicadeza. Serena Lua Serena Lua é uma marca super good vibes, para quem, além de ser sustentável, gosta de se relacionar com o mundo, a natureza e equilibrar o espírito. Os produtos são todos artesanais, vegan e ecofriendly! As vendas são feitas lá no Instagram mesmo, por direct. . HEVP HEVP é uma analogia à palavra HELP e já mostra bem o engajamento social da marca. Ela ainda está na busca de novos tecidos e processos produtivos ambientalmente sustentáveis, mas entra na lista porque se propõe


.PRODUTOS ECOLÓGICOS – 235 diretamente a combater a fome e lutar pelo direito à educação. Funciona assim: Cada peça comprada no site significa, automaticamente, uma doação para crianças carentes. Esse processo é feito em parceria com ONGs, projetos ou pessoas que atuam em comunidades, ou seja, tudo organizado

e

com

alto

comprometimento.

Manala A Manala aposta num processo de fabricação 100% artesanal

para

alimentar

o

mercado

nacional.

..Fizeram questão de procurar o melhor e mais puro algodão, porque sabem que roupas de melhor qualidade duram mais. Com todo o carinho, cortam, modelam, costuram e estampam lá na fábrica deles mesmo, num processo bem manual. Coreia do Sul cria canudos feitos com arroz e mandioca.


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 236

Empresa

desenvolve

modelos mais resistentes e macios que fazem bem à natureza. imagem: pleno.news

Desde setembro de 2019, a Lei do Canudinho passou a multar estabelecimentos no município do Rio de Janeiro que não oferecem canudos em papel biodegradável ou reciclável. Mas uma empresa sul-coreana desenvolveu uma

técnica

que

pode

ajudar

ainda

mais

os

comerciantes na preservação da natureza: canudos feitos de arroz e mandioca. Além de ecológicos, os canudos são totalmente comestíveis. Em sua composição, a empresa usa 70% de arroz e 30% de mandioca, produtos facilmente encontrados na agricultura brasileira. Dessa forma, o canudo fica mais resistente e macio na superfície ao mesmo tempo. Só na Coreia do Sul são utilizados mais de 10 bilhões de canudos ao ano e mais de 25 bilhões de copos descartáveis no mesmo período. Se adotado no mundo,


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 237

o canudo comestível poderá evitar que cerca de 8 milhões de toneladas de plástico parem nos oceanos como acontece anualmente segundo a ONU. Alunos fazem canudo de mandioca e vencem Olimpíada do Futuro. Alunos da escola SESI Mossoró, no Rio Grande do Norte,

venceram

a

Olimpíada do Futuro com o canudo de mandioca que desenvolveram,

chamado

imagem: www.sonoticiaboa.com.br

Biotinga, para combater ter o avanço de plásticos nos oceanos. A premiação, organizada pelo grupo Companhia de Letras e o Instituto Vertere, foi no último fim de semana em São Paulo. Biodegradável, ele é feito com cera de carnaúba e mandioca matérias-primas abundantes e nativas da região Nordeste mais glicerina.


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 238

Ele também pode ser ingerido, sem causar problema à saúde humana. O canudo biodegradável tem consistência firme e boa flexibilidade, para garantir conforto e praticidade aos consumidores. E de acordo com o sabor de menta, maracujá, morango, uva, chiclete e baunilha o canudo tem uma cor diferente. A premiação Olimpíada do Futuro pretende incentivar nos

jovens

o

interesse

pelos

17

Objetivos

do

Desenvolvimento Sustentável da ONU. A estudante Francisca Helen Marques, líder do projeto, conta que a ideia surgiu porque o canudo de plástico vêm sendo apontado como um grande problema ambiental. O professor que ajudou a equipe a se inscrever e a passar pelas três etapas da competição, Aryon Diniz Soares, acredita o quanto é importante incentivar a pesquisa entre estudantes mais jovens. Os alunos do SESI/RN levaram o prêmio principal do evento, com o Biotinga e outra equipe de Mossoró, do


PRODUTOS ECOLÓGICOS – 239

colégio Mater Christi, ficou em 2º lugar com o projeto Melíponas

da

Mata-Branca,

preservação de abelhas.

uma

iniciativa

de


CAPÍTULO 12 PLÁSTICO BIODEGRADÁ VEL E VERDE


PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL E VERDE – 241

O plástico “verde” do Brasil Cada vez mais, são desenvolvidas variedades de plástico feitas de matéria-prima renová-vel. No Brasil,

o

sobras

vegetais

canavieira

aproveitamento pode

da

de

indústria

gerar

uma

produção sustentável. imagem: alunosonline.uol.com.br

Quase já não é possível imaginar o nosso mundo sem plástico. Até mesmo quando se trata de conservação ambiental, essa espécie de “matéria-prima da vida moderna” também possui um papel importante. Por motivos

bastante

óbvios:

o

plástico

convencional

provém, em sua maioria, do petróleo. De todos os estoques mundiais do óleo bruto, cerca de 4% são destinadas à fabricação do produto. ..Durante o processo industrial, são liberados na atmosfera seis quilos de CO₂ para cada quilograma de plástico produzido. Considerando ainda o ritmo


PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL E VERDE – 242

acelerado com o qual as reservas naturais de petróleo estão se extinguindo, logo se conclui o porquê das alternativas sustentáveis ao plástico terem sido tão bem-sucedidas nos últimos anos especialmente na indústria de embalagens. O plástico “verde” ou o bioplástico é composto geralmente por plantas como a cana-de-açúcar, trigo, o milho ou a batata, mas também por óleo vegetal. ..Dificilmente pode-se encontrar algum produto doméstico para o qual ainda não haja ou esteja sendo desenvolvida uma alternativa em bioplástico. As aplicações do material incluem desde estruturas para celular e talheres descartáveis até sacolas de supermercado e vasos de flores, passando por sapatos e fraldas. Para os especialistas, esse é apenas um elemento da crescente demanda por produtos sustentáveis, causada pela explosão no mercado de alimentos orgânicos nos últimos anos. A tendência despertou reação também nas empresas responsáveis pelo produto tradicional, feito de petróleo além de um investimento multimilionário em pesquisas e


PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL E VERDE – 243

métodos de produção “verdes”. O grupo de gigantes globais desse ramo inclui, entre outros, a corporação agrícola estadunidense Cargill, a empresa italiana Novamont e a companhia química alemã BASF. ..Materiais plásticos biodegradáveis como o poliactide, derivado de milho, já estão em uso em algumas das maiores redes de supermercados e multinacionais da indústria alimentícia, tais quais o Wal-Mart ou a Coca-Cola. O plástico “verde” é responsável ainda por grandes negócios em solo brasileiro. No país, líder mundial na produção de açúcar, a empresa petroquímica Braskem utiliza a crescente indústria nacional de etanol canavieiro para produzir o bioplástico. No entanto, questionamentos foram levantados quanto à nova alternativa. De modo a reagir às críticas, pequenos projetos procuram sair do padrão e, ainda assim, integrar a explosão da indústria canavieira. Um deles, concebido numa parceria entre Brasil e Alemanha, no Senai Climatec

de

Salvador

(BA),

produz

plástico


PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL E VERDE – 244

a partir dos restos da cana-de-açúcar, que são descartados pelas fábricas de etanol da região. Os chamados “bagaços” costumam ser queimados, resultando em grandes emissões de dióxido de carbono na atmosfera. O objetivo é transformar o produto reciclado no futuro plástico convencional e, com isso, sobrepor outro grande setor econômico do país: a indústria automotiva. O avanço comercial do plástico “verde” parece inevitável. Todavia, até o momento, a variante ecológica representa apenas um percentual menor do que 1% no mercado global de plástico. E a Associação Industrial Plásticos Europeus acredita que o montante não deve crescer mais do que 5 a 10% nos próximos anos. Ainda assim, os especialistas veem um verdadeiro potencial no bioplástico para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e, com isso, adiar as mudanças climáticas. O produto “verde” subjuga o convencional por demandar menos energia em sua produção e por ser livre de toxinas. Mas, a princípio, são necessários mais estudos científicos para se

comprovar o quão


PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL E VERDE – 245

sustentável, de fato, é o bioplástico. Com a reciclagem do bagaço da cana-de-açúcar, contudo, os produtores de plástico de Salvador, na Bahia, oferecem uma primeira resposta positiva. Extra e Pão de Açúcar trocam bandejas de isopor por material biodegradável. Mensalmente, 600 bandejas de

mil

isopores são

utilizadas pelo grupo em todo o país. A pauta do uso excessivo de embalagens, como plástico e isopor,

tem

sido

imagem: www.ambientelegal.com.br

bastante frequente, principalmente quando se fala do setor de hortifrúti, que a cada ano vem recheando as prateleiras (e os lixões) de bandejas de poliestireno expandido (isopor), plástico filme e embalagens plásticas rígidas. No Brasil, segundo dados do Banco Mundial, mais de


PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL E VERDE – 246

2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular, sem qualquer tratamento, em lixões a céu aberto. Outros 7,7 milhões de toneladas são destinadas a aterros sanitários. E mais de 1 milhão de toneladas sequer são recolhidas pelos sistemas de coleta. Pensando em amenizar este impacto ambiental, o GPA, controlador das bandeiras Extra e Pão de Açúcar, anunciou que vai substituir 100% de suas bandejas de isopor utilizadas em produtos hortifrúti (frutas, verduras e legumes) Taeq e Qualitá para uma solução 100% biodegradável. A mudança começou em maio de 2019. A nova embalagem, produzida a partir de uma tecnologia da Tamoios Tecnologia, é desenvolvida com caixas de celulose e amido. Elas são 100% livres de petroquímicos e aditivos tóxicos e totalmente biodegradáveis. Ao ser descartada, a nova embalagem leva até seis meses para ser totalmente degradada, diminuindo assim, o descarte de resíduos. As bandejas substituem às feitas de isopor (poliestireno expandido), PVC, PET e outros plásticos mensalmente, 600 mil bandejas delas


PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL E VERDE – 247

eram utilizadas por Taeq e Qualitá em todo o país. A mudança começou a ser implantada em itens orgânicos Taeq comercializados nas redes Extra (super, hiper e Mini Extra) e Pão de Açúcar (supermercado e Minuto) do estado de São Paulo, além dos respectivos e-commerces. A expectativa é que, após a avaliação do uso inicial da tecnologia, a substituição aconteça também nos demais estados do país e inclua os itens Qualitá. Até maio de 2020, portanto, todas as bandejas de frutas, verduras, legumes e ovos das marcas Qualitá e Taeq serão feitas com a nova tecnologia. O isopor é um material que, em razão de sua composição (98% de ar e 2% de plástico) é pouco aproveitado para a reciclagem e inclusive já possui restrições ao seu uso em alguns lugares do mundo, como em Nova York, Vancouver, Jamaica e Fernando de Noronha. Se descartado incorretamente no meio ambiente, provoca diversos prejuízos, tanto se queimado (emitindo gases tóxicos e poluentes) como quando descartado, levando centenas de anos para se decompor, se quebrando em micropartículas que contaminam o solo


.

PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL E VERDE – 248

e os recursos hídricos. O material contribui fortemente para a chamada “sopa-plástica” que flutua nos oceanos e vai parar em diversas correntes, praias e ilhas do litoral, sendo frequentemente ingeridos por aves e animais marinhos. O grupo também anunciou que suas linhas de ovos de galinha, antes comercializadas em bandejas plásticas, serão migrados para a mesma solução da embalagem de caixa de celulose com amido. Já a segunda novidade será para as bananas orgânicas do grupo, que passarão a ser vendidas em uma cinta que garante suas especificações e a legislação de orgânicos, porém, consumindo menos embalagem.

.

..Outros exemplos é uma rede supermercado tailandesa que trocou o plástico por folhas de bananeira e outra neozelandêsa que simplesmente aboliu embalagens no setor de hortifrúti.


POSFÁCIO – 249

POSFÁCIO Espero que tenham gostado do conteúdo desse livro, o objetivo dele foi conscientizar as pessoas da importância de cuidarmos do meio ambiente, e se não cuidarmos isso prejudicará nossa saúde. Devemos reaproveitarmos coisas ao invés de jogarmos fora, reciclar, plantar árvores, buscarmos alternativa de combustíveis menos poluentes, porque só assim viveremos melhor. Agora que acabei de escrever, vou ter que sair, vou pegar minha bicicleta e andar uns 5 quilômetros, porque não tem necessidade de pegar meu carro, assim faço exercício e poluo menos. Quando chegar, vou colher os frutos de 5 árvores que tenho, separar materiais recicláveis e entregar aos catadores e a noite vou sair com minha esposa de carro e abastecer com etanol.


SOBRE O AUTOR – 250

SOBRE O AUTOR Natural da cidade de Pontal-SP (Interior de São Paulo), Marcos depois de fazer um curso de técnico em informática e não conseguir emprego, começou a catar lixo reciclável na rua, depois de 1 ano conseguiu arrumar emprego em uma usina, depois de alguns anos fez um curso de técnico em química que é a profissão atual dele. Escreveu em março de 2019 os livros “A História dos Filmes Cristãos no Brasil — Edição com 462 Fotos” e “A História dos Filmes Cristãos no Brasil — Edição sem Fotos”, os dois com o mesmo conteúdo só muda que 1 tem foto outro não, em setembro escreveu o livro “A Restituição do amor” e em dezembro ficou em 3° lugar no Festival Internacional de Cinema Cristão na categoria "Game" por causa do jogo "A história dos filmes cristãos no Brasil", baseado no livro com o mesmo nome. Em 2019 moradores de 6 países (Brasil, Estados Unidos, Canadá,


SOBRE O AUTOR – 251

Austrália, Reino Unido e Itália) leram os livros escritos por ele.


AGRADECIMENTOS – 252

AGRADECIMENTOS Venho agradecer primeiramente a Jesus, minha esposa Roseli Laurência, minha mãe Maria Machado, meu irmão Padre Marcelo Machado, minha primeira professora Gracinha Fausto, meus professores de química (José Márcio Oliveira, Gi Brugnoli da Cunha, José Orlando Santos, Vitor e a todos os outros professores). Sou eternamente

grato

ao

professores. Deus abençoe a todos! Marcos Pontal.

meu

Deus,

pelos

meus


BIBLIOGRAFIA- 253

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