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i9magazine#26

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Índice

A agulha, o dedal e o digital

Game over

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Investigação do Departamento de Matemática 6 da Universidade de Aveiro Católica-Porto revela vencedores 7 do concurso de inovação agroalimentar Representantes de agências de inovação 8 europeias reunidos em Lisboa O Futuro da Identidade 10

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“O momento é de exigência acrescida 11 de transparência e envolvimento” IT integra consórcio para a implementação 12 do 5G em Portugal Portugueses reescrevem a história genética 13 da Índia Cibersegurança requer colaboração mais 14 profunda entre os setores público e privado

Vânia Guerreiro 18 Filipe Pitacho 52

A agulha, o dedal e o digital 20

As Incubadoras da moda

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As Incubadoras da moda 24

Meyash 28

VOOB 36

Bloom Portugal Fashion 40

O mundo da moda português 42

Wearable Technologies

Respirar a natureza Conheça o estatuto editorial da i9 magazine: http://portal.i9magazine.pt/estatuto-editorial/

Alfaiataria 54 Respirar a natureza 58 62 65

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Propriedade/Editora Panorama i9 Unipessoal, Lda. NIF: 513630937 Morada e sede de redação INOVAGAIA Av. Manuel Violas, nº 476 4410 – 137 São Félix da Marinha (Vila Nova de Gaia)

Editorial

Diretor Nuno Silva e Pinto nuno.pinto@i9magazine.pt Conselho Editorial Alcino Lavrador, Ana Casaca, Ana Catarina Gomes, António Lucena de Faria, Carlos Azevedo, Carlos Brito, Fernando de Sousa, Irina Saur-Amaral, Isabel Caetano, Joana Rafael, João Fonseca Bigotte, João F. Proença, José de Almeida Martins, Luís C. Bernardes Rebelo, Luís Mira Amaral, Miguel Barbosa, Miguel Fonseca, Vasco Sousa, Vítor Barbosa, Vladimiro Cardoso Feliz Jornalistas Cláudia Pinto, Isabel Pereira, Marisa Figueiredo e Paulo Nogueira Revisão Paulo Colaço Assinaturas, Marketing e Publicidade Hugo Gonçalves marketing@i9magazine.pt Design Gráfico e Editorial Pedro Santos Colaboração Maria Inês Gesteira Periodicidade Mensal Distribuição Online Nº registo na ERC 126746 Depósito Legal 400015/15 Nº ISSN 2183-6434 Imagem de Capa © Adobe Stock

Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos e imagens, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais. // Os artigos de opinião, os seus conteúdos e o impacto que deles advier são da total responsabilidade dos seus autores.

Portugal na moda ou a moda em Portugal? Quando começámos a estruturar esta edição da i9 magazine colocámos esta questão para sabermos que linha deveríamos seguir. Facilmente chegámos à conclusão de que não há escolha: definitivamente a moda em Portugal…está na moda! O empreendedorismo implementado nos últimos anos e que nos corre nas veias abrange também o mundo fashion. Finalmente conseguimos aos poucos e poucos “dar cartas". A internacionalização foi o passo mais importante, tanto para mostrarmos ao mundo o que somos capazes de fazer, sublinhando que o que fazemos é bem feito e com gosto. Nesta edição fomos à procura dos jovens projetos de novos empreendedores e que já ocupam lugar de destaque. Estivemos à conversa com os fundadores da marca Meyash que nos contam a sua história e falam-nos do desenvolvimento da marca e do processo de internacionalização. Damos a conhecer marcas portuguesas que têm sucesso lá fora, tal como a Cantê, Josefinas, Alameda Turquesa, Latitid e Adalberto Estampados. Misturar a moda com a tecnologia de ponta? Sim, é mais que possível e nós mostramos como. Preparámos uma edição que está na moda e como inovador que é, não vai querer perder a leitura das próximas páginas. Até já!

Nuno Silva e Pinto

magazine


Game Over Jogadores em risco!

De acordo com uma investigação da Kaspersky Lab, 26% dos inquiridos portugueses joga regularmente online, um valor que aumenta para 39% entre os 25 e 34 anos e 32% entre os 35 e 44 anos. Acredita-se que a audiência de jogos online esteja neste momento entre os 2.2 e os 2.6 mil milhões e com perspetivas de aumentar. Esta indústria, dominada por plataformas como o Steam, PlayStation Network e Xbox Live, está a tornar-se um alvo clássico para os hackers que procuram atacar operações online e obter acesso a informações como palavras-passe e dados bancários, como se verificou nos mais recentes ataques às plataformas de Xbox e PlayStation. Com mais de metade da população a jogar online regularmente, os hackers têm agora um conjunto de novos alvos. Além disso, os jogos conquistam cada vez mais fãs, com utilizadores a jogarem quando se sentem aborrecidos, sozinhos ou querem socializar com amigos. Por estas razões, quando bem-sucedidos, os ataques podem ter graves consequências para as vítimas, como por exemplo: exposição dos seus dados pessoais, perder o acesso aos seus jogos

favoritos (quer temporária quer permanentemente), ao seu perfil de jogo e, até mesmo, ao dinheiro que eventualmente investiram. Dos utilizadores que experienciaram uma tentativa ou um ataque bem-sucedido a uma das suas contas online, 14% identificou a sua conta de jogo como alvo principal do ataque. De acordo com o estudo, 38% destas vítimas não consegue restaurar rapidamente os detalhes das suas contas de jogo quando perdidas. Os jogos estão cada vez mais presentes na vida de muitas pessoas, sendo o smartphone um dos dispositivos de preferência para jogar online. Apesar de estes dispositivos não serem totalmente seguros, 18% das pessoas utiliza o Wi-Fi público para aceder às suas contas de jogo e 49% dos portugueses admite não ter qualquer precaução de segurança adicional quando utiliza redes públicas, o que os expõe a grandes riscos de segurança. Este perigo aumenta quando apenas 6% dos inquiridos elege a sua conta de jogo como uma das três que necessita de uma palavra-passe mais forte. Além disso, como muitos perfis online estão hoje conectados, as vítimas poderão facilmente acabar por perder o acesso a diferentes contas, como o email ou as redes sociais, importantes por múltiplas razões. Enquanto este pode ser um risco emocional para jogadores amadores, jogadores profissionais correm riscos ainda maiores, podendo perder o acesso ao seu rendimento.

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Investigação do Departamento de Matemática da Universidade de Aveiro Incentivos fiscais criam mais emprego do que estágios

da utilização de duas ferramentas de controle (estágios e medidas indiretas como incentivos fiscais), consegue estipular qual o melhor mecanismo para diminuir o nível de desemprego no período estudado”. “Através da teoria do controlo ótimo constatamos que a oferta de estágios deve ser reduzida em períodos de maior desemprego ou mesmo eliminada, isto porque dada a maior quantidade de desempregados as pessoas estão mais recetivas a aceitar salários menores (desvalorização da mão-de-obra) pelo que o Estado neste cenário pode estar a fornecer mão de obra (com maior carga financeira inerente) que na prática já seria absorvida pelas empresas pelo seu baixo custo”, explica Aníbal Galindro. Apoio à contratação deve ser evitado Os estágios profissionais são uma boa ferramenta para incentivar a criação de emprego? Em períodos de elevado desemprego a resposta é clara: não! Em contextos onde o desemprego é elevado, os estágios profissionais devem não só ser reduzidos como, até, eliminados. A conclusão é de um grupo de matemáticos da Universidade de Aveiro (UA) que sugere que a chave para a criação de emprego deve passar pelo investimento em medidas indiretas de combate ao desemprego, como os incentivos fiscais.

Em alternativa aos estágios, o estudo considera que para combater o desemprego “qualquer incentivo que não envolva um apoio direto à contratação” é bem-vindo. É o caso do fornecimento de benefícios às empresas, através de incentivos fiscais, de menor tributação sobre os lucros ou, por exemplo, de subsídios. “O maior benefício deste tipo de medidas advém de muitos custos administrativos serem poupados neste processo”, explica Aníbal Galindro.

Estas são algumas das conclusões alcançadas por Aníbal Galindro durante o Mestrado em Matemática e Aplicações da UA com a tese intitulada “A simple mathematical model for unemployment: a case study in Portugal with optimal control”.

O trabalho do estudante garante ainda que as políticas nacionais de incentivo à criação de emprego serão mais eficazes se aplicadas em períodos de bonança.

Com orientação de Delfim Torres, investigador do Departamento de Matemática da UA, e tendo como referência o modelo matemático para o desemprego criado em 2016 pelos investigadores indianos Surekha Munoli e Shankrevva Gani, o estudante desenvolveu uma nova ferramenta. O modelo de Aníbal Galindro “descreve com qualidade a realidade do mercado do emprego em Portugal e que, através

Os resultados finais da tese de mestrado de Aníbal Galindro demonstram também um decréscimo na população ativa enquanto a população total aumentou “o que pode colocar maior pressão em medidas de proteção do estado como os subsídios de desemprego ou de rendimento mínimo”. Outra interpretação mais dramática, avisa o estudante, “pode assentar na premissa que o número de desempregados efetivos pode estar a aumentar silenciosamente e não estar compilado nos registos oficiais do governo”.


Católica-Porto revela vencedores do concurso de inovação agroalimentar

Iniciativa da Escola Superior de Biotecnologia aposta na transferência de conhecimento entre a investigação no setor agroalimentar e a indústria É já a 9 de fevereiro que a Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Católica-Porto revela os projetos vencedores da segunda edição do BIOTECH_agrifood INNOVATION – concurso que visa selecionar ideias inovadoras para o setor agroalimentar e apoiar a sua transformação em projetos de negócio. A iniciativa distingue-se pela aposta da transferência de conhecimento entre a investigação no setor agroalimentar e a indústria e posiciona, uma vez mais, a instituição na vanguarda deste domínio. Este ano, e após receber dezenas de propostas, a instituição selecionou seis projetos, que disputam, agora, os prémios “+Inovação” e “+Potencial”. O PhytoBerm – centrado na biorremediação para a criação de ecossistemas sustentáveis a nível ambiental, social e económico em solos afetados por atividades industriais antigas – é apenas um dos exemplos a concurso. Saliente-se, ainda, o Aquaval, que pretende integrar reatores de biomassa granular compactos e tanques de produção de bivalves no tratamento de água, de modo a que esta atinja um nível de qualidade para reciclagem/reutilização na instalação de produção ou descarga direta em fontes naturais.

(Criticalster) e na associação de nanopartículas a filmes orais para libertação de compostos bioativos (Oraleaf). Neste último caso, refira-se que o Oraleaf pretende utilizar esta tecnologia para desenvolver filmes orais com cafeína. A sessão, que está agendada para as 14h00, conta com a participação de Célia Manaia (vice-presidente do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa) e de Eduardo Cardoso (coordenador do Programa Biotech Innovation), que têm a seu cargo a abertura do evento. À apresentação final dos projetos, segue-se um painel de debate que tem como tema as oportunidades e desafios da inovação do setor agroalimentar. Deolinda Silva – diretora executiva da PortugalFoods – é responsável pela moderação do painel que conta com a participação do professor catedrático Emídio Gomes, de Sofia Vieira da Silva (diretora do departamento de Investigação, Desenvolvimento e Qualidade da Imperial) e de Mabílio de Albuquerque (fundador e CEO da Nata Pura). A entrega dos prémios está agendada para as 17h30. O evento decorre no campus Asprela da instituição.

Sessão de encerramento conta com a presença da PortugalFoods O projeto VeggyFlours pretende utilizar subprodutos de culturas vegetais com impacto em Portugal – tomate, uva ou azeitona – para criar alimentos funcionais, nomeadamente farinhas de alto valor nutricional. Já o projeto Sal Verde – Be healthy aposta na produção da salicórnia, uma planta comestível e medicinal, que poderá ser usada como um substituto do sal. Os dois últimos projetos centram-se, por sua vez, na esterilização de materiais biológicos sensíveis, destacando-se por apresentar um processo de esterilização inovador

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Representantes de agências de inovação europeias reunidos em Lisboa Evento organizado pela Agência Nacional de Inovação Representantes de 16 agências de inovação europeias reuniram-se em Lisboa para discutir qual o papel que as agências de inovação devem desempenhar no futuro, para apoiar mais e melhor a economia dos países, o empreendedorismo e a inovação de base tecnológica quer das empresas, quer da academia. A Agência Nacional de Inovação (ANI) está a liderar o trabalho desta task force europeia de 16 agências de inovação, no seio da TAFTIE, a Associação Europeia das principais agências nacionais de inovação. Pretende-se perceber que competências e soft skills devem existir nas agências de inovação para que possamos criar um novo modelo de suporte à inovação na União Europeia. No debate, organizado em Lisboa pela ANI, participaram várias personalidades de referência no desenvolvimento da inovação na Europa, bem como várias empresas e start-ups, para perceber o que pensam os que precisam dos apoios das entidades nacionais e europeias de apoio à inovação. José Carlos Caldeira, Presidente da ANI, recebeu as várias delegações “com enorme satisfação por poder contar com tão valiosos contributos para se perceber como se pode colocar a inovação no centro da economia europeia.” Para o Presidente da ANI, é fundamental “as agências perceberem quais os serviços que devem ser prestados às empresas inovadoras e quais as competências que as próprias agências devem incorporar, com vista a promoverem atividades de inovação e providenciarem o apoio necessário”. Este encontro organizado pela ANI teve lugar no preciso momento em que o Comissário Europeu Carlos Moedas, responsável pelas pastas da Investigação, Ciência e Inovação se encontrou com o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron para discutir a futura estrutura de financiamento comunitário nesta área e a integração de novos mecanismos de apoio. Apesar das visões divergentes é já certo que o futuro conta com um reforço da promoção à inovação europeia. A forma de levar para o terreno esta aposta reforçada foi um dos temas que esteve no centro do debate em Lisboa.

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Alex Glennie, investigadora da NESTA, uma fundação da inovação global, na sequência do trabalho que tem desenvolvido com agências de inovação de vários países, destacou alguns dos aspetos fundamentais que no futuro devem ser considerados pelas agências numa tentativa de se adaptarem às alterações a que vamos assistindo. “Precisamos de dedicar mais tempo a pensar nas agências e nas pessoas que lá trabalham”, referiu a investigadora, que destacou na sua intervenção, a importância fulcral que assume o desenvolvimento e aposta nas skills dos colaboradores das agências. Nos painéis de discussão participaram também representantes de start-ups, dando às agências presentes uma perspetiva diferente sobre qual pode ser o seu papel. A Entogreen – start-up portuguesa que se centra no desenvolvimento de tecnologias de base biológica que possibilitem reutilizar os desperdícios nutricionais que ocorrem no setor agroalimentar, reintroduzindo-os na cadeia alimentar - foi uma das empresas representada. Daniel Murta, cofundador da empresa, referiu na sua intervenção que “apesar das dificuldades, nunca se sentiu um ambiente tão favorável à inovação, com várias entidades – tais como a ANI - a apoiarem o empreendedorismo.” Destacou ainda a importância da realização de prémios para as melhores ideias inovadoras como o Born From Knowledge da ANI, “que além de divulgarem as ideias ajudam no reconhecimento dos projetos junto de potenciais investidores”. Estiveram igualmente presentes neste encontro dirigentes da Comissão Europeia, bem como de outras organizações europeias de referência na inovação e representantes do Parlamento Europeu, como Carlos Zorrinho. A importância de sensibilizar os cidadãos europeus para o papel da inovação na promoção da saúde, segurança, educação, entre outras áreas, foi um aspeto destacado pelos participantes e no qual é necessário apostar.


O Futuro da Identidade

Despreocupados com as passwords, mas mais familiarizados com a autenticação biométrica e multifatorial A IBM Security acaba de lançar um estudo global em que analisa as perspetivas do consumidor em torno da identidade e autenticação digitais, concluindo que hoje em dia é dada mais importância à segurança do que à facilidade no login em aplicações e dispositivos. Os Millennials, comparados com as gerações anteriores, parecem estar mais despreocupados com o que entendem ser as passwords tradicionais, mas mais abertos a usar identificação biométrica, a autenticação multifatorial e os gestores automáticos de passwords por forma a melhorar sua segurança pessoal. Com os Millennials a tornarem-se rapidamente na maior força de trabalho nos dias de hoje, estas tendências virão a ter impacto na forma como os empregadores e as empresas de tecnologia vão passar a dar acesso a dispositivos e aplicações num futuro próximo. Em geral, os entrevistados reconheceram os benefícios das tecnologias biométricas, como leitores de impressões digitais, scans faciais e reconhecimento de voz, já que as ameaças à sua identidade digital continuam a subir em número e em sofisticação. O estudo “IBM Security: Future of Identity” entrevistou cerca de 4.000 adultos dos EUA, Ásia-Pacífico e Europa, para obter informações sobre os pontos de vista do consumidor no que se refere à autenticação online. Algumas conclusões importantes:

• A segurança supera a conveniência: os entrevistados classificaram a segurança como a grande prioridade no momento de iniciar sessão na maioria das aplicações, sobretudo quando estamos perante apps e sites relacionados com questões financeiras, como o acesso a contas bancárias ou pagamentos online. • A Biometria torna-se dominante: atualmente 67% das pessoas estão já confortáveis com a autenticação biométrica, sendo que 87% ponderam usá-la no futuro. • Millennials para além das passwords: enquanto 75% dos Millennials estão confortáveis e disponíveis a usar a biométrica, menos da metade usa passwords complexas e 41% reutilizam passwords. Já as gerações anteriores demonstram mais cuidado a criar passwords, mas estão menos abertos a adotar a autenticação biométrica e multifatorial. • Mais adeptos dos dados biométricos na Ásia-Pacífico: os entrevistados na região Ásia-Pacífico foram os mais experientes e confortáveis com a autenticação biométrica, enquanto os entrevistados nos EUA aparecem no quadrante oposto. A evolução das ameaças e também do contexto tecnológico criou desafios amplamente conhecidos à segurança digital, com os métodos tradicionais de login a dependerem fortemente de passwords e informações pessoais para se aceder a páginas e perfis online. Em 2017, as violações à segurança online expuseram informações pessoais, passwords e até números de segurança social de milhões de pessoas. "No seguimento de inúmeras violações de dados pessoais altamente sensíveis, não há dúvida de que muita da informação que usamos para provar a nossa identidade online é agora um segredo partilhado que está nas mãos de hackers", constatou Limor Kessem, Executive Security Advisor, IBM Security. “Começa-se a reconhecer que, de facto, as passwords já não cumprem todos os requisitos de segurança e são inadequadas, pelo que é tempo de adotar métodos mais avançados que comprovem a identidade a vários níveis e possam ser adaptados com base em comportamentos e risco".


“O momento é de exigência acrescida de transparência e envolvimento” Introduzir normas de colaboração e eficiência no contexto empresarial Num contexto de soluções que alavancam o omnicanal e de surgimento de serviços que impactam a relação com o consumidor final, a GS1 Portugal identifica como desafios alargar a utilização do Sistema GS1 nas empresas e abordar novos setores de atividade. Entre as atuais áreas-alvo da organização conta-se a Saúde, que se destaca também pelas atuais imposições legais em implementação – exemplo da “Diretiva Europeia dos Medicamentos Falsificados”, a Banca, a Defesa e o Do It Yourself. A intervenção desenvolvida na globalidade dos setores tem por objetivo posicionar a GS1 Portugal como parceiro de confiança das empresas e agente neutro facilitador da unidade de ação no mercado, no sentido de promover o alinhamento entre parceiros de negócio e a eficiência de processos e operações. Para João de Castro Guimarães, Diretor-Executivo da GS1 Portugal, “torna-se neste momento fundamental abordar as exigências acrescidas de transparência e envolvimento que identificámos no mercado. Na hora de decidir, o consumidor exige das suas marcas o acesso a toda a informação relevante e de qualidade sobre o produto a consumir, desde as suas características específicas até à origem ou condições em que foi produzido/processado. No fundo, exige do seu interlocutor mais direto um compromisso de verdade, transparência e fiabilidade. É neste esforço que a intervenção da GS1 Portugal conquista mais sentido, potenciando a eficiência das empresas na resposta assertiva a este desafio”. Em plena era da economia digital, a GS1 Portugal promove a adoção de standards para facilitar a qualidade e a visibilidade dos dados de produto, através da utilização de um sistema robusto e multissetorial e de serviços de valor alicerçados na eficiência, na segurança, na qualidade e na colaboração. Os Standards GS1 representam as melhores práticas de identificação, captura e partilha de dados comerciais no mercado. O mais conhecido destes Standards é o código de barras - lido mais de seis biliões de vezes todos os dias - mas a GS1 é hoje mais do que uma organização de standards comerciais, posicionando-se enquanto agente neutro que promove uma rede de parceiros que colaboram para melhorar

a eficiência das operações, a qualidade da informação comercial, o desenvolvimento dos negócios e a partilha de boas práticas numa comunidade empresarial, vital ao sucesso do mercado. Ao utilizar uma linguagem de negócios comum a cadeia de valor torna-se mais eficiente e mais colaborativa. É aqui que reside a força dos standards. Estes constituem acordos entre parceiros; são orientações que todos podem aplicar, criando uma forma comum de medir, descrever ou classificar produtos ou serviços. Nas áreas presentemente a serem abordadas a GS1 Portugal atinge já um patamar de maturidade no setor do Retalho e Bens de Consumo – o setor que deu origem à organização mundial e nacional. Nos últimos anos tem vindo a assumir uma posição relevante em outros setores, designadamente na área da Saúde, onde realiza já contactos permanentes com os Reguladores e principais Stakeholders, existindo projetos e serviços implementados, exemplo do Estudo premiado do Hospital de Cascais (implementação de Standards GS1 no circuito do medicamento) ou do Estudo dos Níveis de Serviços para o setor da Saúde (Benchmarking Saúde); no setor da Defesa, onde existe já um protocolo celebrado com a Marinha, estando a decorrer um projeto-piloto neste âmbito; e na área dos produtos frescos, no qual a GS1 Portugal se encontra a planear um projeto de rastreabilidade de pescado, em conjunto com a DocaPesca.

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IT integra consórcio para a implementação do 5G em Portugal

Quinta geração garante maior velocidade e confiabilidade, menor consumo de energia e o suporte de um maior conjunto de serviços Investimento excede os seis milhões de euros Com um investimento superior a seis milhões de euros – cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional através do programa Portugal 2020 –, o projeto pretende criar sinergias entre as instituições envolvidas, no sentido de tornar Portugal uma referência internacional no contexto da implementação e promoção da tecnologia 5G. Altice Labs (líder do consórcio), Altran Portugal, EFACEC Energia, EFACEC Engenharia e Sistemas, IT Center e Nokia Solutions and Networks Portugal são apenas algumas das entidades que constituem o consórcio, que contará, ainda, com a participação de empresas como a EDP e a MEO. Acaba de arrancar o projeto que promete desenvolver a tecnologia 5G em Portugal. Denominada “Mobilizador 5G”, a iniciativa conta com a participação do Instituto de Telecomunicações (IT) – em colaboração com a Universidade de Aveiro –, e terá a duração de 36 meses. A este nível, refira-se que o IT será mesmo o parceiro com maior financiamento, envolvendo mais de 25 investigadores no polo de Aveiro. A sessão de apresentação reuniu 60 representantes de mais de 30 instituições académicas e empresariais, com o objetivo de discutir o design, a implementação e a validação de um conjunto de produtos tecnológicos com selo nacional, capazes de integrar e fornecer serviços no âmbito das futuras redes 5G. Ainda em desenvolvimento e com produção prevista para antes de 2020, o 5G representará um grande avanço tecnológico para Portugal, permitindo comunicações ainda mais rápidas – em velocidade e em tempo de resposta – mais confiáveis e com menor consumo de energia. Além disso, a tecnologia 5G permitirá suportar um maior número de serviços, como a “Internet das Coisas”, a realidade virtual e a realidade aumentada.


Portugueses reescrevem a história genética da Índia Estudo internacional coordenado por Pedro Soares, do CBMA-UMinho, está a gerar polémica Um estudo internacional liderado por Pedro Soares, da Universidade do Minho, reabriu a discussão entre cientistas e na Índia, ao provar que um grupo de falantes indo-europeus migrou para aquele país há 5000 anos, influenciando a língua e a cultura locais. Este é dos temas mais delicados da história política indiana e tinha sido refutado por defensores da língua indígena, mas as novas evidências genéticas nas linhagens masculinas são claras. O trabalho saiu na revista “BMC Evolutionary Biology” e está entre os 5% de artigos científicos com mais impacto social de sempre, segundo a Altmetric. Pedro Soares, investigador no Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da UMinho, em Braga, nota que a diversidade genética, linguística e cultural indiana é antiga. Remonta aos caçadores-recoletores que colonizaram a região há mais de 50 mil anos e, depois, aos imigrantes vindos do Próximo Oriente e Irão graças às melhorias climáticas há 20-10 mil anos. Mas o seu estudo foca-se na Idade do Bronze, com a chegada a partir das estepes de homens pastoris e domesticadores de cavalos que falariam um ramo do indo-europeu, um tipo de língua das raízes do hinduísmo e que teria originado as línguas hoje faladas por mais de mil milhões de pessoas no Norte e Centro da Índia. A teoria é defendida por cientistas europeus, no modelo chamado “invasões arianas”, mas tem sido ferozmente rejeitado por nacionalistas hindus, que criticam ainda as conotações racistas e colonialistas. “O hinduísmo é das civilizações mais antigas do mundo e terão sido migrantes arianos a ajudá-lo a nascer, segundo o estudo. Mas a última coisa que queremos com a ciência é insultar, o que fazemos é olhar, ler e interpretar”, diz Pedro Soares, que teve a caixa inundada de e-mails indignados. O artigo também tinha autores indianos, que pediram para sair aquando das conclusões. O estudo teve destaque na imprensa asiática. No “The Hindu”, com 1.4 milhões de exemplares de circulação, houve centenas de reações na notícia online, levando mesmo ao fecho da secção de comentários. O trabalho uniu 16 investigadores das universidades do Minho, Porto, Huddersfield (Inglaterra), Sydney (Austrália), Edimburgo (Escócia) e Gales (País de Gales),

incluindo oito portugueses – Pedro Soares, Marina Silva, Marisa Oliveira, Daniel Vieira, Andreia Brandão, Teresa Rito, Joana B. Pereira e Luísa Pereira. A equipa usou novas tecnologias de sequenciação para avaliar genomas completos atuais, tratados em estudos recentes, e ainda 500 genomas de indianos, tornados públicos na rede internacional Mil Genomas. A pesquisa incidiu no ADN mitocondrial (transmitido de mãe para filha) e no cromossoma Y (transmitido de pai para filho), que foi tratado pela primeira vez neste âmbito. Concluiu-se que boa parte das linhagens masculinas indianas era externa e que as linhagens femininas indianas denunciaram muito pouca migração. Ou seja, há 3500-5000 anos houve mistura de homens do exterior com mulheres locais da Índia. Ter as duas linhagens e o resto do genoma “deu muita força às conclusões”, que a equipa quer fortalecer. “Vamos tentar arranjar a nossa própria amostragem e avançar para mais análise genética, embora saibamos da dificuldade de não existirem fósseis humanos com ADN antigo da Índia ou estudos com dados suficientes, ao contrário da realidade da Europa", elucida Pedro Soares. O geneticista acrescenta que os homens falantes indo-europeus terão saído ao mesmo tempo das estepes para o subcontinente indiano e para a Europa central, influenciando também as línguas e a cultura deste continente. A teoria da migração global tem gerado cada vez mais consenso na comunidade científica.

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Cibersegurança requer colaboração mais profunda entre os setores público e privado Relatório realizado pelo Fórum Económico Mundial e pela BCG De acordo com um novo relatório desenvolvido pelo Fórum Económico Mundial em colaboração com a The Boston Consulting Group (BCG), apenas através da conjugação de capacidades entre os setores público e privado é que será possível enfrentar as ameaças cibernéticas decorrentes de um mundo cada vez mais digital e conectado. Com o título Cyber Resilience: Playbook for Public-Private Collaboration, o relatório visa promover uma discussão aprofundada em torno da necessidade de estabelecer instituições, normas, políticas e processos que reforcem a colaboração e fortaleçam a “resiliência cibernética”, de forma a salvaguardar a segurança do ciberespaço. Melhorar o Diálogo é Fundamental para reduzir o Risco A colaboração entre as diferentes entidades no campo da cibersegurança é desafiante. Com o aumento da preponderância da tecnologia na sociedade, as ameaças cibernéticas ficam mais complexas dinâmicas e impactam cada vez mais pessoas. Contrariamente ao que acontece hoje em dia, onde o diálogo entre líderes nos setores público e privado é, muitas vezes, tenso e desconexo e onde as políticas e prioridades variam consoante os contextos nacionais, uma abordagem eficaz perante estas ameaças requer um diálogo transversal a indústrias e setores, sobre temas que vão desde questões técnicas até questões do foro da ética.

“Não existe uma solução simples, que seja única ou milagrosa neste campo. Mas o progresso iterativo e os ciclos de feedback utilizados na área do desenvolvimento de software podem ser um modelo a ser seguido no sentido de melhorar as políticas” refere. Walter Bohmayr, Líder Global de Cibersegurança da BCG. Um Guia para Colaboração Público-Privada em Cibersegurança Através de uma análise das políticas e das suas problemáticas e também de casos de estudo relevantes, o Cyber Resilience Playbook for Public-Private Collaboration fornece aos líderes as ferramentas necessárias para compreenderem as principais questões e as implicações das diferentes políticas no que se refere a cibersegurança. Entre outros, o relatório inclui uma discussão detalhada de modelos de políticas como Zero-days, Vulnerability Liability, Botnet Disruption, Encryption. “O objetivo deste Playbook é incentivar o diálogo sobre segurança e resiliência às ameaças, e ultrapassar a retórica polarizadora que marca o atual debate sobre segurança cibernética, apresentando uma perspetiva orientada para a tomada de decisão e para a ação, que é imperativa para fazer face aos desafios cibernéticos globais,” afirma Daniel Dobrygowski, Project Leader for Cyber Resilience no Fórum Económico Mundial. Ao analisar as diferentes posições e escolhas políticas através de cinco dimensões-chave - segurança, privacidade, valor económico, responsabilidade e justiça – o Playbook apresenta uma visão completa das implicações, fundamental para um diálogo moderado e informado sobre o tema. Atendendo à importância crescente do tema da “resiliência cibernética” para os decisores, o Fórum procurará estar envolvido nos esforços futuros neste campo nos próximos anos.

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Da tradição à inovação Problema ou fascínio? Helena Nogueira Consultora de comunicação

O mundo da moda é, nos dias e hoje, um dos melhores exemplos de evolução, pois diariamente somos presenteados com novos produtos e com novas tendências que nos surpreendem. Uns pela positiva porque nos identificamos, outros nem tanto. Mas são todos válidos pela mensagem que transmitem ou pela mudança que provocam. A história confirma que a moda influencia épocas, pessoas pelas cores, pelos cortes e pelos tecidos, muitas vezes pela ousadia. Todos nos lembramos de uma ou outra tendência que determinou certa época – por exemplo, as calças à boca de sino. Podemos então dizer que a inovação e a criatividade são dois ingredientes que transformam o setor da moda num exemplo fértil de mudança constante. Esta mudança periódica é claramente positiva porque permite que a indústria do têxtil se mantenha no pelotão da frente, respondendo a um público tão diferenciado, cada vez mais informado e exigente devido às novas tecnologias. Mas se não temos dúvidas de que a inovação traz benefícios, é importante lembrar que esta mesma inovação traz também alguns desafios, nomeadamente na manutenção da tradição baseada em trabalho manual e intensivo. Falamos de um setor que precisa da inovação para criar novos produtos, mas, ao mesmo tempo, precisa de preservar uma tradição que lhe garanta a sua identidade. Esta relação complexa tem todas as condições para sobreviver e, até mesmo para produzir excelentes resultados, mas há uma necessidade de manter um equilíbrio. A convivência saudável entre a tradição e a inovação permitiu e vai continuar a permitir que a moda evoluía muito. Não esquecer que passamos do feito à medida para o pronto a vestir. Foi um grande salto. Creio que não será o único. Há outra dinâmica que impôs mudança. A tecnologia introduziu grandes avanços nomeadamente na criação de máquinas mais inovadoras que revolucionaram o setor da moda, mas também a introdução de novos modelos de negócios. Felizmente, temos vários exemplos positivos,

razão pela qual faz sentido mencionar a plataforma Farfetch que foi e continua a ser noticia pelas melhores razões. Falamos de uma plataforma que abriu uma porta para o mundo no que diz respeito à moda. Um simples click que dá acesso a uma enorme lista de possibilidades, permitindo a concretização de um desejo para muitos dos consumidores que podem, de uma forma mais fácil e simples, adquirir produtos que até agora estavam mais limitados, sobretudo geograficamente! A tecnologia trouxe também novos influenciadores que são “criadores de tendências” ou seja, influenciam o mundo na forma como comunicam, em particular junto dos seus públicos. Falamos de influenciadores de moda que são importantes pelas mensagens que divulgam que, na maioria das vezes, influenciam os comportamentos dos consumidores em setores importantes de Luxo, a moda é um deles. A criatividade em conjunto com a inovação permite o desenvolvimento de novos produtos no mercado, o que por si só é um fator a elogiar. Poderemos estar a falar de projetos passageiros, em alguns casos são arrojados, mas todos são bem-vindos pela capacidade de inovação, pela criatividade que apresentam. São, ao mesmo tempo, iniciativas que se distinguem pela sua originalidade. Bem sabemos que a moda é basicamente mutável e passageira, mas quando surge pode, pela sua capacidade própria, captar a imaginação da sociedade, imprimindo alguns desejos de compra. Criar uma primeira coleção de vestidos associando alta costura a uma marca de futebol pode ser encarado com uma ideia que nunca deveria ter saído da gaveta, alguns disseram, mas avaliar pela aceitação da mesma, podemos afirmar que a iniciativa não deveria ter ficado no papel. Trata-se de um projeto pioneiro, arrojado mesmo, que desenvolveu um produto que não existia no mercado e dirigido a um público muito específico. Mulheres que ainda acreditam no amor e no casamento, mas sem descurar o seu lado de amantes de futebol.

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Nem todos os projetos nascem para ter continuidade, por vezes nascem apenas e somente para marcar um determinado momento. Obviamente que o fato de estar associado a uma marca de futebol com notoriedade elevada nacional e internacionalmente, permitiu que a coleção fosse um sucesso. Em primeiro lugar, foi um sucesso na comunicação social, tendo sido notícia internacionalmente. Depois, foi um sucesso junto do seu público que demonstrou gostar de todos modelos, a avaliar pela procura dos mesmos. Quando uma coleção tem muito sucesso, pensamos quase de imediato que haverá uma continuidade no projeto, mas não é necessariamente verdade. Existem iniciativas, ações ou projetos que aparecem, criam o seu impacto junto do seu público. Deixaram uma marca, o que significa que cumpriram o seu objetivo. Esta coleção foi a concretização de uma vontade que ultrapassou largamente as expetativas. Só por isso valeu a pena. Cumpriu a sua missão. Agora é acreditar que outras vontades possam desenvolver outras ideias, no setor da moda ou não. O mundo torna-se mais interessante pelo número de ideias criativas que vão aparecendo. Todos podemos dar o nosso contributo. E não precisamos de todos ter muito sucesso. A realização de uma vontade, por si só, já é sinónimo de sucesso!

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FAST FASHION FASHION LAW

Vânia Guerreiro Diretora de Marketing e Comunicação da WINNING A moda é, inquestionavelmente, uma das maiores indústrias da sociedade atual. Influencia, direta e indiretamente, polos do conhecimento humano tão distintos como a economia, a arte, o património e a cultura. É por isso natural que, num negócio de amplas dimensões, existam traços de adulteração e aproveitamento do capital associado à moda, à inovação e às pessoas que desta indústria dependem. Portugal tem uma vasta tradição no vestuário e no têxtil e há muito que deixou de ser, apenas, um país importador de grandes marcas, para passar a apostar na indústria da criação. Essa aposta não é meramente interna, mas tem disso, sobretudo, destinada aos competitivos mercados externos. A fashion industry portuguesa destaca-se, atualmente, nos mercados internacionais e longe vão os tempos dos modelos tradicionais de negócios, baseados em atividades de fabrico com baixo custo de mão-de-obra e matérias-primas de qualidade duvidosa. Quando hoje se fala em “moda portuguesa” contemplamos os nossos criadores a partilharem os mais renomeados palcos internacionais, não só no vestuário e no calçado, mas também, nas indústrias dos acessórios, da marroquinaria, à ourivesaria ou joalharia. As empresas portuguesas, que atuam neste setor, souberam reinventar-se e posicionar os seus produtos através de atividades que acrescentam valor, não só através do investimento em inovação tecnológica, mas também na aposta no design e profissionalização mas, principalmente, no campo da criação e distribuição de marcas próprias, atividade na qual se encontra, o verdadeiro valor acrescentando. Segundo o mais recente relatório de “Estatísticas da Produção Industrial”, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística, a indústria do vestuário destaca-se com o contributo positivo mais acentuado nas vendas para o conjunto dos mercados Extra-UE e Intra-UE (0,7 p.p.) e a indústria do calçado coloca Portugal como o país responsável por 13,2% do total da produção da União Europeia. Os números não enganam e comprovam a forma como a indústria da moda nacional tem vindo a inovar-se, fortalecendo a marca Made in Portugal e contribuindo desta forma, muito positivamente, para o crescimento da economia nacional. Esta indústria representa, atualmente, um verdadeiro universo de oportunidades para os seus criadores e não restam dúvidas de que a fileira da moda nacional tem tido uma aposta crescente na inovação, criatividade, no conhecimento científico e técnico nos mais variados âmbitos. Para concretizar o sucesso no mercado global e competitivo, a indústria tem vindo a inovar

quotidianamente em materiais, tecnologias, técnicas de fabrico, processos industriais e modelos de negócio. Esta inovação é suportada em investigação e desenvolvimento, um instrumento imprescindível para vencer a concorrência e alcançar o sucesso. Sabemos que a “inovação” raramente resulta dum exercício de inspiração e sorte, mas sim da aplicação de processos estruturados e planeados que requerem bastante investimento em processos de reflexão informada, e numa abrangente de temáticas que vão muito além da dimensão tecnológica. A evolução, com vista ao desenvolvimento de conceitos e marcas próprias fortes, exige a acumulação de competências, conhecimentos e recursos, e uma abordagem estratégica aos mercados e segmentos-alvo. Tal como afirma Cantwell “a corrida competitiva entre empresas estimula a inovação, e essa inovação reduz os custos, melhora a qualidade dos produtos nessa indústria, e assim aumenta a procura na indústria”. (Cantwell, 2005). Os recursos financeiros são, por estes motivos, muito importantes para a implementação das marcas e para a entrada em novos mercados. FASHION LAW Ora, é nas fases de maior afirmação, inovação e crescimento que é importante refletir sobre a proteção jurídica e a propriedade intelectual dos seus criadores. Por este motivo, o tema “fashion law” tem sido recorrente em palestras, cursos e debates internacionais sobre os direitos da propriedade intelectual no universo da moda. Susan Scafidi é o principal nome associado a esta área da legislação. É a fundadora do Fashion Law Institute, o primeiro centro académico dedicado ao direito nos negócios da moda. O Fashion Law Institute é constituído por um grupo independente, sem fins lucrativos, com sede na Fordham Law School. A temática da fashion law é extremamente pertinente e abarca o interesse, não só dos pequenos criadores e comerciantes de peças de fabrico artesanal, como dos grandes conglomerados industriais ou de produção em série prêt-à-porter. Toda a cadeia produtiva da moda é envolvida nos processos que afetam a regulamentação no que respeita


à propriedade intelectual. Da ideia e desenho dos conceitos, até ao fornecimento dos produtos ao consumidor final, existem muitas etapas que carecem de regulamentação, supervisão e fiscalização. Num artigo publicado na revista JOTA, as juristas Michelle Hamuche Costa e Mariana Hamar Valverde (especialistas em Direito da Moda, no Brasil) referem que “uma das maiores polémicas atuais diz respeito às empresas chamadas fast fashion” A expressão fast fashion é refere-se às marcas que possuem uma política de produção rápida, que têm a possibilidade de trocar as coleções semanalmente e levam ao consumidor as últimas tendências da moda a preços extremamente acessíveis. Mas muitas dessas empresas limitam-se a criar cópias de peças de outras marcas/ criadores, feitas com tecidos e produção low-cost. Neste domínio é pertinente questionar se falamos de “inspiração” e “competitividade” ou se não passam, simplesmente, de meras cópias desleais, em coleções prêt-à-porter, que não restituem os devidos direitos aos seus verdadeiros autores e criadores? A ETERNA BATALHA DA PROPRIEDADE INTELECTUAL As problemáticas mais evidentes são discutidas há várias décadas. Desde as questões tributárias relacionadas com a circulação de mercadoria, passando pela contrafação e infrações ambientais, até às ofensas do direito do consumidor e, de uma forma mais controversa, os direitos dos animais e dos trabalhadores desta indústria. Este último, em países subdesenvolvidos, traça uma linha ténue com a afronta aos direitos humanos, tem contribuído, muito particularmente, para que a atenção mediática se vire agora para o ‘Direito da Moda’, uma especialidade que surgiu com a missão de pôr cobro a estas questões controversas. Indiferente de qualquer outra área criativa - e talvez até com mais impacto - a concorrência desleal e o plágio são as barreiras mais proeminentes ao desenvolvimento desta indústria. Questões que têm sido, largamente, discutidas desde a criação da fashion law. No mundo da moda tudo pode ser copiado ou contrafeito sob o argumento da ‘inspiração’ e o conceito de originalidade perde-se, arrastando investimentos de milhões para submundos de falsificação que acabam por tocar a todos.

Até à criação desta especialidade do direito, não existia uma regulamentação específica para a indústria da moda, gerando dúvidas sobre os instrumentos jurídicos mais apropriados para solucionar problemas que acabavam por se escoar da lei, incólumes. Atualmente, a missão dos criadores do ‘Direto da Moda’ é ultrapassar essa barreira e ir mais além, formando todos os profissionais de moda para que a iliteracia legal não seja mais uma ‘pedra na engrenagem’ deste setor que todos “vestimos” diariamente. Em Portugal, os artigos de moda são protegidos pelas patentes, pelas marcas, pelos desenhos ou modelos cujo quadro legal se encontra no Código de Propriedade Industrial e também pelo Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos, mas ainda estamos longe de uma situação ideal. No Brasil, a procura pela especialização no setor evoluiu tanto nos últimos anos que, em 2014, foi fundado o Fashion Business and Law Institute, um instituto que promove cursos de qualificação e fomenta o debate sobre o tema. É pertinente refletir sobre a moda em Portugal de maneira dinâmica e proteger, devidamente, os seus Criadores e Empreendedores. Para tal é urgente profissionalizar o mercado promovendo a partilha de conhecimento relacionado com as questões culturais e jurídicas enfrentadas na rotina de quem trabalha no setor - reflexões, soluções e inovações que são imperativas à sustentabilidade do negócio da moda nacional. Referências

Brannon, Evelyn L. (2005) Fashion Forecasting. 2nd Edition. New York: Fairchild Publications, Inc. Cantwell, John (2005) Innovation and Competitiveness. In: Fagerberg, J. et al (eds.) The Oxford Handbook of Innovation. New York: Oxford University Press, pp. 543-567 Godin, Benoit (2014). Innovation and creativity: A slogan, nothing but a slogan. Quebec: Project on the Intellectual History of Innovation, working paper nº 17 INE (2016) Estatísticas da Produção Industrial https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=277088230&PUBLICACOESmodo=2

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A agulha, o dedal e o digital Negócios inovadores no setor da moda Texto Marisa Vitorino Figueiredo

O mundo da moda abraçou, de vez, o digital. Novos projetos portugueses testam, nos dias de hoje, diferentes formas de inovação, aproveitando o potencial das plataformas digitais e com resultados positivos por parte dos clientes. Entre as ideias que fervilham no empreendedorismo português, há quem se destaque pela tecnologia, pelo modelo de negócio, pelos materiais usados ou pela forma de divulgação. A Platforme, a Glam to Glam, a REAL(IS) e a Orus Clothing são exemplos de cada uma destas vias de inovação. A relação entre start-ups, ideias de negócio disruptivas e o mercado da moda não é, de todo, desconhecida em Portugal. Até porque, contas feitas, o único unicórnio português (start-up avaliada em mais de mil milhões de dólares) é, precisamente, a Farfetch, uma tecnológica de moda de luxo. Por outro lado, mesmo sem o estatuto de unicórnio, a start-up portuguesa Chic by Choice também começou em alta este ano: as duas fundadoras, Filipa Neto e Lara Vidreiro constam na lista da Forbes dos “30 jovens abaixo dos 30 anos” mais influentes da Europa, no ramo “Retalho e Comércio”, na sequência da criação desta plataforma de aluguer de vestidos de luxo. Ou seja, a inovação ligada à moda existe, recomenda-se e está a dar resultados excecionais. É também na alta moda mundial que se movimenta a Platforme, start-up criada em 2014 e que, a propósito, partilha ADN Farfetch na sua origem. Isto porque a ideia

de criar a Platforme surgiu precisamente de José Neves, fundador do unicórnio português, que procurava dar um twist tecnológico à marca de sapatos Swear (a primeira que lançou e que conta já com cerca de 20 anos de existência). A vontade de dar uma nova roupagem à Swear levou a que José Neves desafiasse, para este propósito, Gonçalo Cruz. Estes foram os primeiros passos na origem da Platforme. Aos cofundadores José Neves e Gonçalo Cruz, juntou-se um terceiro sócio Ben Demiri. Mas em que incidiu, ao certo, este twist da Swear? Na possibilidade de ter produtos customizáveis, proporcionando uma experiência de compra única para os clientes finais. É precisamente este o trunfo da Platforme: providenciar uma tecnologia às marcas que lhes permita oferecer uma experiência de customização ao cliente final. Hoje em dia, além da marca própria Swear, a Platforme trabalha com marcas como a Karl Lagerfeld ou com a Fendi. Para cada uma das marcas, a Platforme disponibiliza o produto tecnológico que permite ao cliente ver, escolher e comprar uma peça feita à medida. É uma espécie de peça tecnológica de ponta que se incorpora nos websites de e-Commerce de cada marca (mas também em marketplaces associados ou como instalação numa loja física) e que permite visualizar – num modelo digital de grande realismo – as diversas opções de customização de cada peça, em termos de materiais e de cores. Depois, como em qualquer website de comércio eletrónico, basta adicionar ao carrinho virtual e encomendar. “Acreditamos que estamos muito bem posicionados e acabamos por ser líderes para este setor da alta moda”, afirma Rui Nogueira, Growth Manager da Platforme. Sobretudo porque, como explica o gestor, a start-up disponibiliza esta plataforma


digital de customização às marcas “com um nível de detalhe e realismo que consegue, realmente espelhar os materiais físicos da marca”. Este hiper-realismo dos modelos 3D é o principal fator distintivo da Platforme. Quando o cliente cria uma peça à medida nos websites da Swear ou da Fendi, por exemplo, ele consegue ver ao detalhe os pormenores da peça, como texturas ou costuras. Depois, basta ir escolhendo, para cada parte, qual o material e a cor que deseja – e ver as suas opções tomarem forma (ainda que virtual) no modelo 3D apresentado. As opções são tantas como aquelas indicadas pelas próprias marcas – que especificam quais as partes de cada artigo que estão abertas a customização e qual a palete de cores e materiais possíveis. Até porque, mesmo nesta experiência de criar uma peça ao gosto de cada cliente, tem de prevalecer a visão da marca – nem tudo pode ser possível, para não desvirtuar esta visão unificadora. À i9 magazine, Rui Nogueira prefere o termo “customização” em vez “personalização”. Isto porque, mais do que personalizar uma peça com iniciais, por exemplo, a oferta da Platforme permite uma “customização completa no sentido de poder definir o próprio produto que é criado, as cores e os materiais”. Em 2017, a start-up lançou sete plataformas de customização para marcas. Este ano, a fasquia é ainda maior: “esperamos, no mínimo, duplicar este valor e lançar mais de uma marca por mês”, refere o Growth Manager da Platforme. A oferta customizada está a gerar procura, até porque este é um contributo de peso para que as marcas “ofereçam experiências personalizadas”. Outros dos objetivos, a par com o online, é reforçar também a plataforma em lojas físicas (onde pode estar acessível aos clientes através de um tablet, por exemplo). “Cada vez mais será possível encontrar instalações com a marca Platforme em lojas de retalho espalhadas pelo mundo”, preconiza Rui Nogueira.

Usados que estão na moda Se a Platforme já dá cartas mundiais no setor da moda com uma existência de mais de três anos, a Glam to Glam encontra-se quase no espectro oposto, a dar os primeiros passos seu percurso. O projeto foi lançado este ano por Catarina Nogueira, Ana Margarita Matos e Sara Couto e, mais do que tecnologia, a inovação da Glam to Glam assenta no modelo de negócio: proporcionar uma plataforma virtual de compra e venda de peças de moda em segunda mão. Desta forma, a Glam to Glam junta ao mundo da moda algumas das práticas da sharing economy – conceito que abarca as atividades económicas assentes na disponibilização de excedentes. Neste caso, o excedente é, precisamente, a roupa que acumulamos no armário e à qual raramente damos uso. Qualquer pessoa pode disponibilizar, gratuitamente, peças para venda no site da Glam to Glam – e receber 70% do valor da venda (os restantes 30% são direcionados para a plataforma). Tudo isto sem encontros diretos ou troca de contactos entre vendedores e compradores, e com mediação da Glam to Glam. “O dinheiro da compra só é libertado para a vendedora quando recebemos a confirmação de entrega por parte da transportadora”, reforçam as fundadoras do projeto, acrescentando que toda a logística de transporte é também assegurada pela plataforma.

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© REAL(IS)

Na Glam to Glam podem ser vendidas peças de roupa, mas também calçado, malas, acessórios ou artigos de casamento e pré-mamã, desde que estejam em bom estado. O objetivo é chegar “precisamente àquelas mulheres que querem renovar o seu roupeiro, comprando artigos de moda de qualidade, mas a um preço mais acessível; e também às mulheres que têm o armário cheio de coisas que ainda estão boas para serem usadas, mas que já não as usam”, explicam as empreendedoras. Mesmo em início do projeto, os resultados são positivos, realçam: “já temos dezenas de utilizadoras, centenas de artigos à venda e uma taxa de conversão que superou todas as nossas expetativas”. Burel: de mal-ajeitado a material nobre Se a neve é a imagem de marca da Serra da Estrela, o Burel é a manta que aconchega este relevo montanhoso. O encorpado tecido artesanal, feito em lã, é tradicionalmente usado em capas de pastores. Contudo, nos últimos anos, a sua versatilidade e qualidade reservou-lhe novos voos na moda. Visto antigamente como tosco e até grosseiro, o Burel tornou-se, nos últimos anos, o menino bonito de diversos designers portugueses. Um dos mais recentes projetos a incorporar o Burel como marca identitária chama-se REAL(IS) e partilha raízes geográficas com o tecido que lhe dá forma: os criadores da marca, Marlene Gabriel e Bruno Silva, são de Manteigas, município da Serra da Estrela. Lançada em outubro de 2017, esta é uma marca de calçado em Burel com um design moderno e elegante.

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Nas capas dos pastores, a principal vantagem do Burel é a sua resistência face às condições climáticas e à água. “Aplicado ao sapato, o Burel cria conforto e aconchego, mas também maior qualidade e resistência”, explica Marlene Gabriel, que realça também o impacto estético do material. A marca estreou-se com uma coleção de sapatos em Burel para mulher, num estilo elegante e colorido, apenas disponível por compra online. Passados poucos meses, o negócio começa a evoluir e, em complemento com a oferta online, as peças da REAL(IS) estão também disponíveis numa loja física de retalho multimarca, em Manteigas. Para o futuro, os dois empreendedores planeiam uma loja própria da marca.


Para acompanhar as peças existentes em salto alto, Marlene Gabriel e Bruno Silva estão a ultimar a produção de calçado raso para mulher e a planear um conjunto de sapatos para homem que só será lançada mais tarde, na próxima coleção outono-inverno. As peças são produzidas em Oliveira de Azeméis, com design de Marlene Gabriel e Burel produzido na região da Serra da Estrela. Criar buzz digital

Com recurso a Youtubers, bloguers e outras personalidades com largas comunidades de seguidores online, a Orus procura uma amplificação da marca junto do seu público preferencial. “Com estas ações conseguimos aproximarmo-nos mais facilmente do nosso mercado-alvo, aumentar as vendas e crescer como marca”, refere Francisco Duarte que, a par de Pedro Gonçalves, é um dos criadores da Orus. Esta é uma forma de mostrar os produtos da marca a um público mais vasto, associado à opinião do Influencer. A relação estreita com os clientes permite ainda testar o mercado antes da produção em grande escala. “Quando pretendemos lançar um produto, testamo-lo com um desenvolvimento próprio e uma pequena produção. Caso o produto tenha uma boa aceitação por parte dos clientes, diversificamos a gama e apostamos em maiores quantidades”, conclui o cofundador da Orus.

© Orus

No mundo da moda – e não só – a fórmula de inovação pode residir também na forma como se comunicam os produtos. É este o caso da Orus Clothing – uma marca de roupa muito jovem, criada por universitários, e que encontra eco numa rede de influenciadores digitais.

Com venda exclusivamente online, a Orus trabalha com 14 fornecedores especializados para apresentar uma oferta diversificada, na qual existem preocupações vincadas com o “custo justo” das peças e com o ambiente. Da roupa aos relógios, passando por óculos de sol e chapelaria, a marca já vendeu mais de cinco mil unidades desde o seu lançamento, em 2016. Para este ano, o foco reside em equilibrar a oferta para homem e para mulher, apresentando novos produtos mais direcionados para o mercado feminino. //platforme.com //www.glamtoglam.com //www.realis.com.pt

© Orus

//www.orusclothing.com


As Incubadoras da moda O Cluster das Indústrias Criativas na Capital Texto Paulo Nogueira

Estar na moda é uma “moda”, e os espaços de aprendizagem permitem atualmente dar suporte e largas à imaginação dos criadores. A procura constante de ser diferente e a competitividade dos mercados, faz com que os futuros criadores procurem nas incubadoras novas maneiras para uma preparação mais estratégica para os primeiros anos de vida do seu negócio. Assim a cada ano que passa o número de empreendedores que procuram neste tipo de locais uma nova forma de pensar o ambiente de trabalho e promover o estímulo para a criatividade e aumento da visibilidade das suas ideias inovadoras tem aumentado exponencialmente.

Fábrica de Santo Thyrso A norte do País e inserido no Vale do Ave, coração da Indústria Têxtil e do Vestuário Portuguesa, encontra-se uma das mais emblemáticas fábricas, “uma referência incontornável na memória coletiva de Santo Tirso e um espaço fundamental na compreensão do desenvolvimento da região e da indústria”, a Fábrica de Fiação e Tecidos de Santo Thyrso. É neste espaço, de elevado simbolismo, que está a ser concretizado um importante processo de regeneração urbana, um Quarteirão Cultural e Criativo em torno do setor da Moda, designado Fábrica de Santo Thyrso que “inspira-se em algumas das mais interessantes políticas

e estratégias de revitalização e desenvolvimento urbano atuais, com uma aposta clara na articulação entre o fomento de indústrias culturais e criativas nas cidades e os processos de regeneração urbana.” Os diferentes projetos que integram este Quarteirão Cultural e Criativo “pretendem torná-lo simultaneamente, num espaço de trabalho, de negócios, de experimentação e inovação, de cultura, de fruição e lazer. Através desta dinâmica conjunta, diversificada e multifuncional (reunindo serviços, comércio e restauração) é possível favorecer um espaço criativo, sólido e atrativo, na Fábrica de Santo Thyrso, tendo por base atividades ligadas à área da Moda.”


Incubadora de Moda e Design A Incubadora carateriza-se como “um projeto com um conceito que ultrapassa as fronteiras do modelo convencional de incubação, uma vez que, além da cedência de espaços vocacionados para instalação de empresas em fase de arranque, pretende ainda promover uma colaboração estreita entre os criativos e a indústria do setor, dotando-a de meios modernos de conceção e alavancando-a no panorama internacional de excelência.”

4. A realização de eventos e a criação de um espaço de animação e consumo criativo, associada à divulgação de iniciativas de âmbito internacional e promoção do projeto e das empresas a ele associadas. Centro de Empresas e Inovação O Centro de Empresas e Inovação da Fábrica de Santo Thyrso, tem como objetivo incentivar a criação e o desenvolvimento de empresas inovadoras, disponibilizando “aos empreendedores um ambiente propício à concretização dos seus projetos empresariais e apoiando de forma sólida e constante o crescimento e projeção externa dessas iniciativas, fornecendo-lhes “espaços equipados para a instalação das suas empresas, a partilha de espaços e serviços de utilização comum, apoio ao desenvolvimento e consolidação da ideia de negócio e a sua implementação, ligação a Instituições do Sistema Científico e Tecnológico e a entidades ligadas ao financiamento de projetos empresariais, nomeadamente Sociedades de Capital de Risco e Business Angels, além de aconselhamento sobre programas de incentivos no âmbito do QREN.” Ainda, e de modo a promover sinergias com os projetos em desenvolvimento na Incubadora de Moda, o Centro privilegia a admissão de projetos (start-ups ou empresas com maiores índices de maturidade) de áreas como o desenvolvimento de novos materiais e têxteis técnicos e áreas complementares à criação de Moda como sejam as TICE, audiovisual e multimédia, a fotografia, jornalismo de moda, agenciamento, etc. Nave Cultural

A Incubadora visa alcançar 4 objetivos fundamentais: 1. A criação de uma estrutura profissional, altamente qualificada, através da valorização de recursos materiais e humanos existentes, garantindo uma resposta mais rápida, eficaz e sustentada, potenciando a criação de novos projetos. 2. Colaborar no programa de requalificação do Quarteirão Cultural e Criativo/Fábrica de Santo Thyrso, de forma a tornar num espaço de referência nacional e internacional ao nível da moda, do design, do empreendedorismo e do turismo cultural. 3. Integrar e criar redes institucionais, ligadas às áreas da moda, inovação e criatividade, que possam gerar novas fontes de financiamento.

Um espaço multifuncional com uma área total de cerca de 2.200 metros quadrados, para produção de eventos e atividades de diversos tipos (concertos, festivais, teatro, dança, performances, exposições e instalações, feiras, exposições, eventos sociais e técnico/científicos, etc.) mas que também pretende garantir a regularidade na animação urbana de cariz cultural no quarteirão, permitindo aumentar a oferta cultural da cidade. Para além que pretende ser ainda a anfitriã de grandes momentos de moda e de atividades de promoção de empreendedorismo, promovidas por qualquer uma das duas incubadoras. Morada: Rua Dr. Oliveira Salazar, 88 Santo Tirso Telefone: 252 809 120 Email: info@fabricasantothyrso.com Site: www.fabricasantothyrso.com

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O CIM “disponibiliza postos de trabalho totalmente equipados, mentoria e consultoria na área jurídica, branding e marketing digital, sessões formativas, acesso a soluções de financiamento e apoio à comercialização dos produtos e serviços. Todos os serviços disponíveis estão direcionados para dar resposta às necessidades específicas encontradas nos setores das Industrias Culturais e Criativas.”

Centro de Inovação da Mouraria O Centro de Inovação da Mouraria é um equipamento da Câmara Municipal de Lisboa que tem como principal missão acolher empreendedores com projetos e ideias de negócio de diferentes áreas das indústrias culturais e criativas de forma a garantir a sua sustentabilidade, autonomia e a sua implementação no mercado, valorizando a identidade e o caráter inovador das propostas residentes e a sua ligação com a comunidade que os envolve. Instalado no coração de Lisboa, o edifício que acolhe o CIM é um local com história, situado no bairro mais cosmopolita da cidade, a Mouraria, esta antiga residência senhorial do século XV e propriedade municipal desde 1998 recebeu obras de reabilitação, a cargo da autarquia com recurso a fundos comunitários transformando-se assim, em maio de 2015, na primeira incubadora para o setor cultural e criativo da cidade, enquanto parte da estratégia de regeneração do bairro da Mouraria e um dos eixos de sucesso da Lisboa Capital Europeia Empreendedora 2015. Ocupando 1.400m2 de área útil, nos quais se encontra 50 postos de trabalho, distribuídos em 8 salas; uma sala multiusos; uma sala de reuniões; uma copa; uma sala para microprodução; um espaço lounge e diversas zonas exteriores (algumas delas com vista para o Castelo de S. Jorge), o CIM acolhe, neste momento, cerca de 15 projetos, de áreas tão diversas como o Design de Moda, o Design de Produto, Audiovisual e Produção Cultural. Alguns projetos residentes em Design de Moda são por exemplo o "Birdwalk”, uma marca portuguesa de acessórios versáteis, como malas e mochilas; “Carol From Lisbon” que nasce da vontade de unir o Design Gráfico, a Ilustração e a Moda sustentável, dando uma nova vida às matérias-primas; Um chapéu fica sempre bem e ainda melhor com uma linha única “The Tie Hat”, por Elisabete Palma, da marca “Elizab’Hats” que cria chapéus a partir de gravatas; “Sofia Alves Design”, um serviço de criação de padrões, todos pintados à mão únicos e personalizáveis.

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A programação do Centro comtempla atividades abertas ao público, atuando principalmente em dois eixos: um de caráter mais formativo e específico tal como sessões de esclarecimento de Contabilidade para Criativos e de Internacionalização; e outro de índole cultural e mais multifacetado tal como concertos, workshops e debates. Para os seus residentes disponibiliza ainda “um Programa de Aceleração específico para a área cultural e criativa, com o objetivo de consolidar e fomentar o crescimento da dinâmica e competências dos projetos, oferecendo condições para evoluírem rapidamente e de modo financeiramente sustentável.” O Centro de Inovação da Mouraria é, sem dúvida, uma âncora para trazer mais pessoas, maior investimento assim como capacidade de reabilitação e regeneração para a cidade de Lisboa através da criatividade. Morada: Travessa dos Lagares, 1 Lisboa Telefone: 218170202 Email: cim@cm-lisboa.pt


Meyash

Nunca foi tão inovador e entusiasmante comprar meias Texto: Cláudia Pinto | Imagem Meyash

A Meyash é um serviço de subscrição de meias com uma componente de responsabilidade social associada. Fundada há dois anos por três jovens empreendedores portugueses, mais de metade da faturação vem do estrangeiro, a empresa tem cerca de 100 clientes por mês e tem vindo a crescer a dois dígitos. Manuel Guedes de Oliveira, Marcos Fonseca e José Massada moram em Nova Iorque, Porto e Londres, respetivamente, e apesar de trabalharem remotamente, a maior parte das vezes, estão satisfeitos com o sucesso deste modelo de negócio que consideram inovador e diferenciador. Como surgiu a ideia de criar este negócio, quando e com que apoios contaram para início de investimento? Manuel Guedes de Oliveira (MGO) - A Meyash surgiu por uma combinação de vários acontecimentos. Eu e o Marcos já tínhamos trabalhado juntos numa agência têxtil e sempre tivemos o sonho de montar uma empresa que pudesse fazer uso da enorme qualidade da indústria têxtil portuguesa, nomeadamente na criação de produtos masculinos de roupa básica, mas de excelente qualidade. Há dois anos, decidimos que era a altura de aproveitar essa qualidade e navegar uma tendência mas também num problema existente no mercado de meias. Primeiro, notámos que as meias coloridas e estampadas têm vindo

a ganhar grande proeminência no guarda roupa masculino, e vindo a substituir a gravata e outros acessórios, como o detalhe que ajuda a vincar a personalidade do homem. Entretanto, descobrimos também um problema - meias de grande qualidade são caras, há ainda relativamente pouca variedade, e este é um produto que, embora as pessoas gostassem, a maioria com quem conversámos demonstrou pouca paciência para as ir comprar. Nesse sentido, já com o José, passámos alguns meses em pesquisas para que pudéssemos criar, não apenas uma marca de meias, mas desenvolver todo um serviço de


conveniência, onde os nossos clientes passam a ter uma espécie de stylist que todos os meses seleciona e envia um par de meias de grande qualidade e design, a preço acessível, diretamente para a sua caixa do correio. Uma das grandes vantagens é a conveniência porque este é um produto que as pessoas acabam por precisar de ir renovando com uma certa cadência. As meias funcionam muito bem com um modelo de subscrição por correio porque são leves o suficiente para o custo de envio - que nós oferecemos gratuitamente - e não têm impacto no preço final, e cabem perfeitamente na caixa do correio, o que é uma enorme vantagem em Portugal e em vários países europeus, onde ao contrário dos EUA, por exemplo, pois os apartamentos não costumam ter porteiro. Para além disso, desde que começámos, temos um protocolo com a Associação dos Albergues Nocturnos do Porto (AANP), a quem entregamos o equivalente de número de pares que vendemos, num modelo de buy one give one semelhante ao que fazem outras empresas como a Tom’s Shoes ou a Warby Parker. A ideia é que, à medida que o nosso negócio cresce, iremos conseguir doar mais pares, com mais frequência. Qual a vossa opinião sobre os negócios de subscrição em Portugal? MGO - Em Portugal, há múltiplas subscrições com grande sucesso, da assinatura mensal de jornais, como o Público, à Sporttv, o Spotify e a Netflix. A subscrição está presente no nosso dia a dia. Dito isto, a inovação de inscrição não se aplica apenas a produtos e serviços digitais Temos assistido a um crescimento gigantesco no retalho por subscrição. Nos EUA, em particular, os negócios por subscrições cresceram 800% desde 2014 e temos visto inúmeros negócios multimilionários evolvendo empresas de subscrição: o Dollar Shave Club, que vende subscrição de produtos de barbear, foi comprado pela Unilever por mil milhões de dólares; o Trunk Club, que vende caixas de roupa para homem e mulher, foi comprado pela Nordstrom por 400 milhões de dólares; e a Blue Apron que faz entrega de produtos de comida, foi listado na New York Stock Exchange e avaliado em quase dos mil milhões de dólares. Acreditamos que este mercado explodiu porque a revolução digital que estamos a viver tem levado a mudanças grandes na forma como os consumidores definem valor. As pessoas não estão simplesmente interessadas em comprar produtos. Estão à procura de ter novas experiências e de formas mais simples e convenientes de fazer compras.

Em Portugal, alguns negócios de subscrição começaram pelo replicação do modelo das beauty boxes muito bem desenvolvido pela Birchbox em particular, e adaptado em Portugal, com algum sucesso, por marcas como a Popy box, Itbox, Beauty4AllBag, Skin Box. Recentemente, para além das Meyash, temos visto também outras empresas de subscrição fora da área de produtos de beleza, como a Tugabox, que se foca em produtos portugueses, a Bububox ou Mimobox, focadas em produtos de bebés, ou a Wime, que é um clube de subscrições de caixas de vinho. Os negócios de subscrição permitem resolver vários problemas: para quem vende, a flexibilidade e previsibilidade das assinaturas ajuda as empresas a ter um fluxo de caixa mais previsível e um compromisso de fidelização a longo prazo com os clientes, o que por sua vez, permite levar à criação de produtos que melhor refletem as suas necessidades. Por outro lado, as subscrições acabam por permitir, não só que os consumidores vejam os produtos existentes de uma nova forma, mas também uma grande conveniência para produtos mais transacionais, que precisam de ser reabastecidos com regularidade, como alimentos para animais, produtos de higiene feminina ou produtos de barbear ou outros que compramos regularmente. Nesse sentido, penso que num setor como a moda, que está permanentemente em busca de novas fontes de receita e que procura aprofundar a relação que desenvolve com os clientes, o potencial para o sucesso existe e creio que há espaço para mais atividade no desenvolvimento de modelos de subscrição inovadores que beneficiam, tanto as empresas, como os consumidores. Têm concorrentes na vossa área de atuação? MGO - Qualquer empresa tem sempre concorrentes, sejam eles diretos ou indiretos. Temos vários concorrentes que lutam pelo mesmo espaço/tipo de cliente, sendo eles produtores de acessórios de moda ou mesmo outras marcas de meias, tipo a Happy Socks. Para além disso, há várias outras empresas estrangeiras de subscrição de meias, embora nenhuma das que conhecemos tenha um perfil semelhante ao nosso ou que procure o mesmo tipo de cliente.

Neste momento, temos perto de 100 clientes por mês e temos vindo a crescer mensalmente a duplos dígitos, com uma taxa de retenção alta

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Qual o balanço que fazem até ao momento da forma como o negócio tem crescido? MGO - O primeiro ano foi pensado para ser um ano de testes, mas acabou por correr ainda melhor do que tínhamos imaginado. Conseguimos uma visibilidade que não estávamos à espera e entrar em vários países organicamente. Neste momento, temos perto de 100 clientes por mês e temos vindo a crescer mensalmente a duplos dígitos, com uma taxa de retenção alta. A vertente social está presente desde o começo no vosso negócio. Como tem funcionado a parceria na prática com a AANP? Marcos Fonseca (MF) – A AANP têm sido uma ótima parceira. Desde o primeiro momento que andávamos à procura da confirmação de algo que tínhamos lido – que a roupa interior e meias em particular são o produto em maior carência nos centros de acolhimento – e a associação demonstrou uma enorme abertura e interesse nesta parceria. A razão para funcionarmos bem juntos é simples: é raro pensarmos em doar roupa interior usada. Normalmente, fazemos as doações em valor, seja em comida, calças, camisolas, calçado ou casacos. Por isso decidimos seguir o modelo de buy one give one em que, por cada par que o cliente compre, nós oferecemos um par grátis à AANP. Como sempre dizemos, isto pode parecer um pequeno gesto, mas acreditamos que se conseguirmos contribuir um pouco que seja para aumentar o conforto e melhorar a qualidade de vida destas pessoas, certamente lhes daremos menos uma coisa com que terão de se preocupar. Quais as modalidades do vosso serviço? Os clientes podem escolher vários tipos de assinatura? MF – Temos essencialmente dois tipos de subscrição. Uma mensal, que é renovada todos os meses em auto-piloto até o cliente decidir cancelar, do mesmo tipo do

Temos pensado e estamos a estudar a possibilidade de entrar no mercado de meias feminino que consideramos ser diferente, mas igualmente interessante

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Spotify ou da Netflix. A outra é um modelo pré-pago, que normalmente é usada para oferecer presentes, em que o cliente pode escolher se quer receber um ou dois pares por mês e se quer a subscrição por três ou seis meses. Porque é que este serviço é apenas dedicado aos homens contemporâneos? Já pensaram em alargá-lo para o sexo feminino? MF – Decidimos começar pelos homens porque era onde tínhamos maior mercado, mas temos vindo a estudar a hipótese de entrar no mercado feminino. Na verdade, surpreendentemente, cerca de 50% dos nossos clientes são mulheres, que oferecem subscrições da Meyash para os seus namorados, maridos, pais, colegas. Temos pensado e estamos a estudar a possibilidade de entrar no mercado de meias feminino, que consideramos ser diferente, mas igualmente interessante. No entanto, é algo que não está ainda fechado. Consideram que o vosso serviço vai ajudar os homens a gostar de comprar meias? Quase como que uma espécie de afastamento do mito de que este é aquele produto que ninguém gosta de receber ou comprar? MF – Sabemos que a roupa que vestimos também afeta o nosso processo cognitivo e queremos contribuir para mudar a forma como as pessoas pensam sobre as meias. Hoje em dia, com o uso de calças mais curtas ou com a bainha das calças dobrada, as meias tornaram-se mais visíveis e levaram a que os homens passassem a usar essa oportunidade para usar meias com padrões e cores mais vivas. Acreditamos que as nossas meias não são apenas muito confortáveis, mas também ajudam, de certa forma, a expressar a personalidade mais confiante de quem as usa. É interessante pensar como uma peça de roupa tão pequena pode ser utilizada para quebrar o gelo, destacar um look mais básico, ou quebrar a formalidade numa ocasião especial, seja ela no trabalho, ou num momento mais relaxado ao fim de semana. E a verdade é que o feedback tem sido fantástico, não só em termos da qualidade ou design e até a embalagem, mas também sobre o próprio modelo de subscrição: temos tido vários clientes a afirmar que cada vez que recebem a nossa encomenda sentem como se estivessem a receber um presente de aniversário (só que todos os meses).


procuramos estar na linha da frente no que diz respeito à qualidade e design das meias que colocamos no mercado Na vossa opinião, qual papel da inovação no setor da moda? MF – Nós estamos no meio de uma era de transformação de negócios digital em que as empresas estão a inovar, não só nos produtos que põem à venda, mas também na forma como são vendidos e consumidos pelos clientes, e a moda não é exceção. Já não basta dar aos consumidores o que eles procuram, até porque eles sabem que podem obtê-lo à distância de um clique. Para manter um cliente satisfeito, temos lhe oferecer algo que não espera, e as subscrições são um instrumento ideal para a promover esse tipo de surpresas. Na Meyash, acreditamos que a inovação pode ser feita de várias formas, seja ela, a maneira que a empresa está estruturada, seja através do design e/ou da qualidade do produto ou serviço, do modelo de negócio e/ou de distribuição, do seu impacto social, da maneira que comunica, etc. Procuramos tocar em quase todos esses pontos: não produzimos apenas um produto, mas oferecemos todo um serviço de subscrição que promove a conveniência, procuramos estar na linha da frente no que diz respeito à qualidade e design das meias que colocamos no mercado, e procuramos fazer tudo isto com base numa estratégia de grande responsabilidade social. Em que se diferenciam de outros existentes em Portugal? José Massada (JM) – A Meyash não é apenas uma marca ou um produto mas sim um serviço de subscrição de meias com um vertente social. Tal como com um jornal ou uma revista, damos a possibilidade aos nossos clientes de receberem todos os meses, por correio, um par de meias coloridas selecionada pela nossa equipa, renovando assim “a gaveta de meias pretas” com alternativas de qualidade com padrões contemporâneos. E nós tratamos de tudo: desde o desenho, seleção e escolha da peça, certificando-nos que a mesma é entregue diretamente na caixa do correio de casa dos nossos clientes, que não se têm que preocupar com mais nada. Por cada par de meias vendido, doamos outro de qualidade semelhante, a uma instituição social. Poderíamos passar

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horas a falar da qualidade do algodão (que com um pequeno toque de poliamida e elastano, não perde a forma e confere resistência e um conforto absolutos), mas acredito que propomos uma abordagem que é essencialmente uma combinação de três aspetos: o modelo de negócio é um pouco diferente dado que não vendemos um produto, mas sim um serviço em que desenhamos, selecionamos e enviamos meias diretamente para casa dos nossos clientes que não se têm que preocupar com mais nada; o nosso preço que é competitivo, e, por último, temos a questão de responsabilidade social que, pelo que sabemos, é um modelo que mais nenhuma outra marca a atuar em Portugal segue. Sabemos também que a inovação na moda tem vindo também a focar-se na costumização de cada produto/serviço, fazendo com que as marcas procurem a personalização, no sentido de poderem diferenciar-se num mundo cada vez mais concorrencial. Na Meyash, para além do serviço de concierge e escolha personalizada de cada artigo, procuramos, a cada mês, surpreender e tornar a experiência do cliente única. Juntamente com cada par de meias, enviamos um postal com uma mensagem escrita à mão, dirigida à própria pessoa, alusiva ao par que estamos a enviar. Ou seja, criámos um modelo em que combinamos a eficiência e conveniência de um modelo de subscrição, aliadas a um conceito de moda e de responsabilidade social, o que pensamos ser único em Portugal. Onde se inspiraram para criar este negócio? O facto de alguns de vós estarem fora do país ajudou? JM – A inspiração vem sempre das nossas vivências, portanto, o facto de morarmos em três cidades cosmopolitas, viajarmos bastante, e estarmos em indústrias totalmente diferentes foi crucial e muito enriquecedor para a Meyash. Acredito que isto não teve apenas impacto na criação do produto e no design das meias, mas também na criação e estrutura da própria empresa. O facto de trabalharmos remotamente é desafiante, mas obriga-nos a ser altamente rigorosos e eficientes na comunicação e no trabalho. Felizmente, devido à amizade e conhecimento mútuo

O facto de trabalharmos remotamente é desafiante, mas obriga-nos a ser altamente rigorosos e eficientes na comunicação e no trabalho


que já tínhamos há vários anos, e ao uso de tecnologia e Apps criadas, temos conseguido garantir esta coordenação sem grandes problemas. Por último, acho que o facto de termos background de indústria têxtil e ter uma determinação em querer explorar o que de bom se faz no têxtil em Portugal acabou por ser um fator decisor. Depois, gostaríamos de lançar um produto com o qual nos identificássemos, e no qual pudéssemos ter um argumento forte na venda ao ser relativamente fácil colocar-nos nos sapatos dos nossos clientes e adivinhar o que lhes faz falta. Quais os projetos para este ano? Estão a preparar alguma novidade? JM – Para além de vendermos através do nosso canal próprio, temos sido contactados por outras empresas para distribuirmos através de lojas online e offline, mais tradicionais, e temos vindo a explorar esse interesse. Para evitar o canibalismo dos dois canais, temos desenvolvido novas coleções, com mensagens separadas, apresentando um produto mais "sazonal" no retalho de venda direta (online/offline) e uma coleção mais intemporal no canal subscrição, que pretendemos continuar a aperfeiçoar, sobretudo na experiência de compra através do nosso site. Uma outra vertente que temos vindo a desenvolver é a venda em B2B, como que agenciamento, tornando-nos

cada vez mais especialistas, quer no design, quer na confeção de meias. Isto surge por temos vindo a reparar que há muitas marcas com interesse em incluir no “welcome kits” algo um pouco diferente da tradicional t-shirt com o logo da marca – dai que estejamos a desenvolver meyash customizadas para clientes corporativos. Last but not the least, personalização é o nosso objetivo chave para 2018. Queremos continuar a pedir mais informações aos nossos consumidores para lhes oferecermos uma experiência ainda mais curada. Consideram que este é um negócio rentável? MGO – Somos uma empresa ainda pequena e sempre fomos muito controlados com os nossos investimentos, mas podemos confirmar que fizemos o break even com menos de um ano de vida, e que temos tido uma rentabilidade muito razoável, mesmo depois de todo o custo de lançamento da inicial da marca. Temos também estado atentos a possibilidades de recorrer a fundos de apoio a PME, sobretudo para podermos alargar a nossa gama e apostar numa comunicação digital internacional mais forte. Qual o peso dos mercados internacionais na vossa faturação? Têm clientes fidelizados e em quantos países? JM – Hoje em dia, mais de metade da nossa faturação vem do estrangeiro. Não tivemos ainda nenhum caso de


cliente que tenha mudado de país e mantido a subscrição, mas não temos dúvida que isso vai acontecer, dada a mobilidade atual do nosso tipo de público. Já vendemos para todos os continentes com exceção da Oceânia. Tudo isto é algo que não tínhamos sonhado sequer atingir no primeiro ano, sendo regularmente surpreendidos com encomendas vindas do estrangeiro, de forma orgânica, e que nos deixa com excelentes perspetivas para o futuro por acreditarmos que é um negócio que poderá funcionar muito, também com base no excelente feedback que temos tido sempre que entrevistamos os nossos clientes. De que forma divulgam o vosso negócio? Qual a importância das redes sociais, de parcerias com influenciadores digitais, da presença em eventos? JM – O nosso negócio tem crescido essencialmente de uma forma orgânica. Já apostamos em compra de AdWords, Facebook ou Instagram Ads, mas o que temos visto é que o que funciona verdadeiramente são parcerias com influenciadores, sendo o Instagram, o canal em que temos vindo a focar-nos mais. Temos tido muita sorte porque muita gente com quem trabalhamos - desde a Carolina Patrocínio, ao César Mourão ou ao Francisco Garcia, entre vários outros atores e bloggers conhecidos, que têm dado um feedback incrível ao nosso produto e têm-no promovido nas suas comunidades de seguidores, o que tem sido extremamente importante para a exposição da marca e para o brand awareness. Por outro lado, é interessante verificar como até o nosso trabalho de customer service passa muito pelo Instagram, pois os clientes querem falar diretamente com as marcas, o que talvez seja também um sinal de que os millennials, contrariamente aos baby boomers, estão pouco a pouco a deixar para trás canais, como o e-mail ou Facebook, que até há pouco tempo eram absolutamente fundamentais. Que conselhos dariam a jovens empreendedores em Portugal? Este é um país onde vale a pena investir? MGO – Há três mantras fundamentais que tentamos ter sempre em mente: evitar bottlenecks, criar processos que possam ter escala, e decidir com base em dados. Temos também tomado decisões baseadas em factos e evidências, dados ou conversas com clientes, competidores e outras pessoas da indústria, e temos também procurado estar preparados para mudar de opinião, o que já aconteceu mais vezes do que inicialmente pensávamos. Por último, procuramos organizar os nossos processos de modo, para

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que o aumento de atividade ou produção não implique um acréscimo proporcional nos custos. Temos um país absolutamente fantástico, com ótima qualidade de vida, boas estruturas, comida fantástica, bom tempo, segurança e pessoas com muito talento e vontade de trabalhar. Creio que este segredo deixou de o ser e está a ficar evidente para muitas pessoas que o nosso país é um diamante por lapidar, e por isso é que temos assistido a este boom de start-ups e empresas internacionais a criarem escritórios em Portugal. Manuel Guedes de Oliveira tem 33 anos, é responsável pelo mercado de América Latina na GLG, uma empresa de serviços financeiros, baseado em Nova Iorque. As áreas que desenvolve são a visão, a estratégia, as vendas e as parcerias. Marco Fonseca, de 30 anos, é responsável pelo mercado de Norte de África e Médio Oriente na Zippy, do grupo Sonae, baseado no Porto. É responsável pelas operações, design, branding e desenvolvimento de produto. José Massada tem 35 anos, e é responsável por desenvolvimento de software e programação na Transport for London (TFL), em Londres. Tem a seu cargo, as áreas de tecnologia, informação e plataformas digitais.


VOOB

Marca com alma lusa criada em Barcelona Texto Nuno Silva e Pinto | Imagem VOOB

David Ferreira tem 33 anos, nasceu em Lisboa e cresceu em Elvas, no Alentejo, onde criou as suas raízes e passou a sua infância e adolescência. Aos 21 anos decidiu arriscar e dar um salto para o desconhecido em busca de novas experiências. Acabou por se fixar em Barcelona, Espanha. Desde muito pequeno que demonstrava grande empreendedorismo e iniciativa. Na idade adulta e depois de vários anos no ramo hoteleiro onde geriu vários negócios, um deles o seu próprio negócio, decidiu dar uma volta de 180 graus e ir em busca do sonho de pequenino, criar uma marca onde ele próprio se identificava. Fez prospeção de mercado e apesar do setor ser altamente competitivo decidiu apostar no mundo do têxtil. A VOOB nasce de um sonho e torna-se realidade, é uma marca espanhola, mas com “alma e coração portuguesa”. Uma das grandes apostas da marca foi promover e dar a conhecer as futuras promessas do desporto, basicamente nos mercados português e espanhol, nos quais teve excelentes resultados. Jogadores do Real Madrid, Futebol Clube Barcelona, Sporting de Portugal, entre outros. Mas a marca não se ficou por aqui, até jogadores do NBA já colaboram com a marca. O resultado tem sido muito positivo, muitos dos clientes voltam a comprar o que é uma prova de satisfação para ambas as partes. A aposta tem sido essencialmente em padrão básico e desenhos simples, com estilo urbano e com tendência “surf” e “skate” é o que define a marca VOOB. As compras são feitas através da net. Como surgiu a ideia de criar este negócio, quando e com que apoios contaste para início de investimento?

Achas que neste momento é mais favorável ter uma loja online em vez de ter uma loja física?

A ideia surge em 2015, estando eu cansado de trabalhar para terceiros, e tendo desde há muito o sonho de criar uma marca, com alguns recursos que fui amealhando desde que me instalei em Barcelona.

Sim, derivado a que estão a mudar os hábitos dos consumidores, e os gastos são menores em relação a uma loja física.

Porquê Espanha e não Portugal? Desde que cheguei a Barcelona há cerca de 11 anos à procura de um futuro melhor, Espanha para além de ser o país onde resido, abriu-me as portas em todos os sentidos, mas a ideia é expandir para Portugal.

Porquê o conceito de moda ligada ao surf e skate? É um estilo de vida, é tendência tanto para homem e mulher, que transmitem liberdade permite estar cómodos sem renúncia a moda. Cada vez tem mais e mais adeptos. Onde queres estar daqui a seis meses? E daqui a seis anos?

Qual o balanço que fazes até ao momento da forma como o negócio tem crescido?

Daqui a seis meses espero ter lançado a quarta coleção e continuar a crescer progressivamente.

O balanço é bastante positivo, foram superadas todas as expetativas no primeiro ano, esperamos continuar a crescer no segundo para dar um salto importante no terceiro.

Daqui a sei anos, espero que a marca esteja a ser distribuída nas maiores lojas multimarca na Europa, bem como ter as minhas próprias lojas.

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Qual o segredo para um negócio como o teu ter o sucesso? Em primeiro lugar acreditar, apaixonar-se pelo negócio e sobretudo muita dedicação Dizes que estás em Espanha, mas que a marca tem alma portuguesa, onde é que os clientes podem sentir isso? 80% do produto é produzido em Portugal. O criador que sou eu, vou buscar a minha inspiração naquilo que é português

Os clientes são maioritariamente espanhóis ou já há muitas encomendas a vir para Portugal? Inicialmente eram mais portugueses, neste momento há um grande equilíbrio, mas com tendência a subirem os espanhóis. Para ti inovar é? Inovar é utilizar recursos que estejam ao nosso alcance, mas de forma distinta da maioria. // www.voob.es

Em que te diferencias de outras marcas do mesmo estilo? Muito boa qualidade, bom preço e um estilo (desenhos), muito próprios

Instagram: -voob.es


O Desafio Digital para as Pequenas Empresas Hugo Varejão CEO da loja online LUC.pt O mercado Digital acompanhado da evolução tecnológica faz parte do nosso quotidiano, desenvolve-se e transforma-se a um ritmo e velocidade extraordinários, assumindo uma importância incontestável e criando desafios para a sociedade e para os seus agentes (pessoas, empresas e organizações). Permitam-me mesmo dizer que o digital está omnipresente no mundo em que vivemos. De acordo com um estudo da Mediapost realizado em 2017, os portugueses entre os 15 e os 44 anos estão em média cerca de 13 horas por dia ligados à internet. A conexão com a internet é constante, acordamos e confirmamos a meteorologia no AccuWeather, deslocamo-nos com o GPS, trabalhamos com sistemas de faturação online, enviamos emails, ouvimos músicas no Spotify, vemos vídeos no Youtube, comunicamos pelas redes sociais (Facebook, WhatsApp, Instagram), compramos viagens, alugamos casas e hotéis, compramos e vendemos automóveis e outros bens, acedemos ao banco, efetuamos inúmeras ações online. Estamos certamente perante um mundo desmaterializado em que o digital assume um papel fundamental numa grande parte da sociedade. O estudo Anual da Economia e da Sociedade Digital em Portugal elaborado pela ACEPI (Associação da Economia Digital) e pela IDC (International Data Corporation) em 2016, que já foi analisado na I9 Magazine, prevê que o volume de compras online pelo consumidor final aumente de cerca de 2 mil milhões de euros em 2010 para 4,7 mil milhões de euros em 2017 e chegue aos 9,2 mil milhões de euros até 2025. Relativamente à utilização da internet em Portugal, este estudo estima que em 2017, 74% da população portuguesa use a internet e dos quais cerca 36% irá realizar compras online. Este panorama, torna a economia global ainda mais imprevisível pela sua crescente dinâmica e complexidade. Sendo crucial para as pequenas empresas procurarem acompanhar o desenvolvimento da sociedade e definir a melhor estratégia para acompanhar esta nova realidade.

O desafio do digital e do e-commerce para as pequenas empresas e para o comércio tradicional é enorme, desde logo pela grande adaptação e progresso interno que implica, mas também pela colossal diferença de capacidade de recursos humanos e financeiros para fazer frente às grandes empresas altamente especializadas já instaladas na web. Na minha perspetiva de empreendedor na área do e-commerce de moda com a LUC.pt, encaro a era da digitalização como uma oportunidade para evoluirmos, modernizarmos, sermos criativos, podermos estar mais próximos dos nossos clientes em todas as plataformas de contacto e explorar a possibilidade de captar novos negócios. A aventura da nossa loja online de moda tem sido grandíssima, pois é um processo muito exigente de melhoria contínua e adaptação da empresa. Estando no comércio tradicional há mais de 30 anos com lojas de vestuário, calçado e acessórios para adulto e criança, foi necessário um grande ajustamento interno que foi feito de forma gradual, antes de entrarmos no mercado online há 1 ano. Além do período de desenvolvimento da LUC.pt, tivemos de melhorar os nossos processos internos e definir todos os pormenores desde a receção e tratamento dos artigos de mais de 60 marcas, até à embalagem que enviamos para o nosso cliente. É fundamental a cooperação e compromisso de todos os colaboradores para que seja possível termos uma plataforma, dinâmica, responsiva, atrativa, capaz de surpreender e cativar os seus visitantes em todos os pontos de contacto. O online tem-nos dado acesso a imensas oportunidades e temos investido em diferentes plataformas além do website, como redes sociais, publicidade nos motores de busca e newsletters para conseguirmos transportar a atenção, o conhecimento e a proximidade do comércio tradicional para o online. Mantendo sempre a nossa paixão pela moda, o foco na escolha de artigos de qualidade e a procura das últimas tendências. As novas tecnologias concedem-nos a oportunidade de alargar as nossas possibilidades de comunicar com os nossos clientes, conquistar novos seguidores e, potenciais clientes nacionais e internacionais.


Os desafios para o futuro são muitos, pois as exigências dos consumidores online são cada vez maiores e existe uma crescente necessidade de informação especializada e assertiva. Ao mesmo tempo, surgem novas plataformas de comunicação e interação e as que já existem estão em constante transformação. Assistimos regularmente a melhorias ou ajustamentos das métricas de análise da Google (SEO), do Facebook, do Instagram, pelo que é necessário termos capacidade de adaptação rápida, criar conteúdo interessante e procurar obedecer às regras cada vez mais exigentes dos grandes players do online. Considero ainda que é importante seguirmos com atenção as mudanças e tendências do digital, a Comissão Europeia pretende derrubar as barreiras regulamentares e criar um Mercado Digital Único na UE, a importância crescente da cibersegurança, o desenvolvimento da inteligência artificial, a internet das coisas (tudo conectado), a realidade virtual e possíveis “novos” meios de pagamento com o Bitcoin e outras criptomoedas. A temática do desafio digital para as pequenas empresas é bastante envolvente, afetando diversos atores da sociedade e exigindo uma transformação continua. A decisão de estar na web é cada vez menos uma opção e mais uma necessidade, em que o seu sucesso funcionará como um elemento chave para enfrentar e acompanhar o desenvolvimento da sociedade global em que vivemos, onde a concorrência é forte e está no mercado online. Bibliografia:

Mediapost ACEPI: Estudo IDC/ACEPI Economia Digital em Portugal 2009-2017 Comércio eletrónico em Portugal cresce acima da média europeia em 2015 I9 magazine - Estudo Anual da Economia e da Sociedade Digital Jornal de negócios - Marketing na era digital Centro Europeu do consumidor - Mercado Digital na EU Comissão Europeia - Digital Economy and Society Index 2017 – Portugal

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Bloom Portugal Fashion Os novos nomes da moda portuguesa começam aqui Texto Marisa Vitorino Figueiredo

Chama-se Bloom e é, desde 2010, o projeto de eleição do Portugal Fashion para promover jovens criadores nacionais. Este ano, a rampa de jovens talentos reinventa-se e integra mudanças cirúrgicas de funcionamento, rumo a uma maior sustentabilidade e visão de negócio das novas marcas. O objetivo é claro: continuar a apoiar o sangue novo da moda portuguesa, com alicerces sólidos para o futuro. Irreverente, experimental, arrojado e com uma identidade marcada. Assim se carateriza o Bloom Portugal Fashion e o trabalho dos designers integrados nesta plataforma. A iniciativa começou no 15º aniversário do Portugal Fashion e, desde então, já ganhou um dia próprio nas edições nacionais do evento, com público fiel que cresce ano após ano. Em duas apresentações por ano, os Bloomers expõem as suas coleções e dão os primeiros passos no mundo da moda, numa montra nacional que desperta atenções além-fronteiras. Ao todo, cerca de 40 jovens promessas da moda nacional já passaram pela plataforma, em mais de sete anos de apresentações no Portugal Fashion. Hoje em dia, oito designers têm lugar marcado no Bloom: Beatriz Bettencourt, David Catalán, Inês Torcato, Joana Braga, Maria Kobrock, Nycole, Olimpia Davide e Sara Maia. Este é, no entanto, um lugar temporário, já que o apoio do Bloom – e os holofotes no Portugal Fashion – só duram, por norma, quatro apresentações (duas por ano). Mesmo assim, ressalva o atual coordenador do Bloom, Paulo Cravo, “algumas marcas poderão permanecer mais uma estação, além dos dois anos, para amadurecer o projeto”. O importante é que “não se faça do Bloom um dado adquirido: esta é uma plataforma flutuante de novos designers, que depois têm de seguir um caminho. Alguns podem continuar com a marca, outros podem simplesmente ficar por ali”, explica o coordenador. David Catalán e Inês Torcato são os designers que, este ano, deixam a rampa do Bloom para novos voos: graças ao amadurecimento das suas marcas, passam agora à passerelle principal do Portugal Fashion.

feito antes das apresentações, para a marca crescer e vender – ou seja, um trabalho comercial, de estratégia de marca”, ressalva, acrescentando que se os designers “não conseguirem alicerces sólidos para a marca, então terão marcas frágeis, com lacunas”. Para apoiar os jovens criadores no amadurecimento das marcas em nome próprio, a organização do Bloom promove reuniões regulares de consultoria tanto ao nível criativo, como de contactos com a indústria têxtil ou diferenciação de marca. Nesta abordagem à sustentabilidade dos novos projetos, as novidades de 2018 do Bloom reforçam a aposta na comercialização das coleções. Para já, e em paralelo com as apresentações do Portugal Fashion, a estratégia assenta também em showrooms comerciais onde as marcas dos Bloomers se possam inserir. Em janeiro, por exemplo, três designers do Bloom estiveram presentes em showrooms na Semana da Moda de Homem, em Paris – numa iniciativa que também se interliga com o propósito de internacionalização do Bloom. Em Portugal, a organização está a negociar o lançamento de pop up stores em lojas de referência. As coleções masculinas ficarão na Wrong Weather durante dois meses. Quanto à pop up store com coleções para mulher, ainda não são conhecidos pormenores relativos à localização e parceiros, mas o objetivo é que seja lançada depois de março.

Criatividade sim, mas sem esquecer o lado comercial

A edição do Bloom dentro da Fashion Week do Portugal Fashion, a 22 de março, conta também com uma novidade de peso em 2018: o Bloom Up. Esta é uma iniciativa pioneira da plataforma, que permitirá ao público comprar peças das coleções de verão dos jovens designers, em paralelo com a apresentação da coleção outono/ inverno 2018. “O objetivo é potenciar a venda das marcas, para que comece a existir retorno”, reforça Paulo Cravo.

Paulo Cravo está ao leme do Bloom desde o início do ano passado. Com ele, chegou também uma vontade de incutir nos Bloomers uma vertente mais comercial, de estratégia de marca. “Há um trabalho que tem de ser

Na Fashion Week serão ainda conhecidas as coleções dos finalistas do Concurso Bloom 2017 – uma das portas de entrada para fazer parte do Bloom. Desta vez, e rompendo a tradição,

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apenas dois (e não quatro) finalistas irão ser consagrados vencedores, tornando-se Bloomers. Esta redução do número de designers vencedores do Concurso Bloom permite uma maior competitividade no Bloom, mas também mais lugares vagos para absorver outros projetos que cheguem à plataforma por candidatura espontânea ou por convite pessoal, reforça Paulo Cravo. Outra maneira de aceder ao Bloom é através do Concurso Jovens Criadores PFN: o vencedor de cada edição ganha o direito de apresentar uma coleção no Bloom. Joana Braga foi a vencedora da última edição e permanece como Bloomer depois de já ter ganho o Concurso Jovens Criadores PFN na edição anterior.

Conhecidas as novidades da organização, falta aguardar pela Fashion Week para conhecer as propostas criativas em que os Bloomers estão a trabalhar. A 22 de março, no Porto, as fortes promessas nacionais voltam a mostrar o que valem na rampa de lançamento do Portugal Fashion, com coleções que se esperam arrojadas e capazes de apoiar marcas cada vez mais sustentáveis. “Cabe-nos renovar a identidade da moda portuguesa”, conclui Paulo Cravo, deixando os pormenores sobre as coleções Bloom para o dia da apresentação. //www.portugalfashion.com/pt/bloom


O mundo da moda português Made in Portugal Texto Paulo Nogueira

São marcas portuguesas dos mais variados segmentos da moda, roupa, calçado, acessórios e até estamparia, nasceram há pouco ou já perduram no tempo, estão no mercado para mostrar que o que é “made in Portugal” é sinónimo de qualidade e inovação. Cantê - It’s Always Summer Somewhere

Foi esta viagem que despertou o que viria a ser os seus projetos de vida, assim trocaram as linhas da arquitetura para se dedicarem à paixão do swimwear e fruto disso nasceu a Cantê Lx, desde o início pensada como mais do que uma “marca de biquínis”, tendo uma estética muito própria e um posicionamento assente na exclusividade, fazendo qualquer Mulher “sonhar e inspirar-se” no universo (ou, como lhes chamam, a alma) Cantê. “O nosso objetivo é oferecer a cada mulher uma peça única e diferenciadora em que se possa sentir especial e confortável”, explica Mariana.

© Cantê

Para marcar a diferença as duas transformam espírito jovem em biquínis, triquínis e fatos de banho manufaturados em Portugal, apostando em matérias que se diferenciam pela atenção aos detalhes, o corte original e as estampas exclusivas. A inspiração vem de Portugal, a produção de qualidade e a saudade de ver o verão chegar outra vez.

As coleções foram crescendo, e o sucesso tem vivido de mãos dadas com a aventura destas duas amigas que nas pequenas coisas da vida viram um verdadeiro motivo para acreditar que a felicidade está ao alcance de quem faz a diferença. Não mostrando receio de arriscar em 2015 abriram portas ao mundo, levando o espírito cool da Cantê Lx até outras paragens “decidimos então mudar para uma loja que idealizámos à nossa imagem no Chiado”, revela Rita. A Cantê Lx - loja/atelier situada em pleno centro do Chiado, é um espaço onde todos os detalhes transmitem a essência da marca, que conta com várias coleções de swimwear lançadas durante os meses de verão e vários acessórios que complementam cada coleção (desde almofadas e toalhas de praia, schrunchies para o cabelo, pequenos notebooks, capas de telemóvel, etc.), tem ainda uma marca dedicada a swimwear de crianças (My First Cantê), uma marca de lingerie em parceria com Francisca Pinto Ribeiro (My Intimate Cantê). Neste momento, a coleção SS18 está em preparação, sendo que a sessão fotográfica decorreu nas Maldivas e será apresentada daqui a uns meses. Morada: Rua Garrett, nº29 (pátio) no Chiado, Lisboa e na loja online www.cantelisboa.com

© Cantê

Quando em 2011 depois de terminarem o curso de arquitetura, Rita Soares e Mariana Delgado, decidiram fazer uma viajar pelo Brasil e se aperceberam que no mercado português não existia swimwear de qualidade e diferenciadora, no regresso questionaram: “porque não criar uma marca nossa?”, recorda Mariana.


© Cantê

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Josefinas - Movimento ao poder feminino Um dia uma mulher sonhou, outras juntaram-se e nasceu a Josefinas.

torna-se, assim, mais do que uma marca de sapatos, uma marca de women empowerment.

A Josefinas é uma marca portuguesa de calçado lifestyle de luxo, idealizada por Filipa Júlio, arquiteta de formação que tinha o sonho de criar um sapato raso, símbolo do poder feminino, e uma inspiração, a avó Josefina que tornou sempre a vida da Filipa numa carinhosa aventura, especialmente quando a levava às aulas de ballet.

Produzidas em Portugal e, sempre que possível, recorrendo a materiais nacionais, a sua confeção é feita par a par e são utilizados produtos da melhor qualidade desde as peles, aplicações de metais e pedras preciosas até à caixa de sapados, tudo pensado ao pormenor para que uma mulher se sinta única e especial, porque ao “abrir uma das nossas caixas, vai abrir uma porta mágica.” A internacionalização foi algo muito natural e autêntico, porque a marca foi criada para o mundo desde o primeiro momento, com o site em inglês e com uma estratégia 100% digital, o mundo está mais próximo do que alguma vez esteve. Por esse motivo a marca já conquistou além-fronteiras e já é recorrente ver as Josefinas nos pés de vários ícones da moda internacionais. À venda em: www.josefinas.com/pt e lojas selecionadas.

Assim em 2013, num país em plena crise, onde sonhar tinha pouco espaço, o fazer sapatos à mão ganhou novo nome. Coerente com o atributo bem português, o “savoir-faire” dos artesãos e a paixão por uma ideia, o nunca desistir deu cunho à Josefinas e aos valores que representa. O conceito fundamental da Josefinas é que as mulheres não precisam de saltos altos para serem uma melhor versão de si mesmas, “as mulheres chegam onde quiserem chegar, e de rasos.” Por isso, rapidamente chegaram as criações de sabrinas com personalidade, elegância e autenticidade, valores que marcam a diferença e veem a cativar o poder feminino. A Josefinas


© Latitid

Latitid – Latitude + Atitude Latitid é uma marca nacional de bikinis, fatos de banho, concebida por três portuenses, as irmãs Inês e Marta Fonseca, gestora da marca e designer respetivamente, juntamente com a amiga Fernanda Santos, responsável de produção, com o objetivo de criar linhas de bikinis e fatos de banho mais atuais e com cortes mais parecidos com os brasileiros. Fundada em 2013 a Latitid surge da fusão das palavras Latitude + Altitude e mostra-se como “uma marca pensada para mulheres irreverentes, com atitudes diferenciadas, que procuram destinos cosmopolitas, que abraçam a fusão entre a cultura, arte e modernidade”, onde “cada coleção é uma viagem, uma visita a uma cidade cosmopolita, uma mistura harmoniosa entre a história, arquitetura e lifestyle assente nas mais marcantes tendências de biquínis e fatos de banho.” Todo o design e produção a ser feito em Portugal, mas com a utilização materiais de alta qualidade provenientes de Espanha e Itália, todas as peças são influência dos prints e cortes da cidade escolhida para a coleção assim como assinadas com a latitude correspondente do local que serviu de inspiração. A primeira coleção foi lançada em abril de 2013 com a latitude 41º09'01.79''N, da cidade do Porto, com prints inspirados na típica calçada portuguesa e outras sensações

do mundo. Barcelona, 41º22’58.96”N, foi a segunda cidade escolhida como fonte de inspiração para a designer da marca, que combinou as linhas retas e curvas do Macba com o espírito que se vive no Sonar, com prints que se distinguem entre si, indo desde o psicadélico ao étnico. Londres, 51.5072ºN, nunca passa de moda e foi a cidade escolhida para 2015, a coleção foi dividida em 5 linhas de metro – cada linha do metro um tema e cada nome de uma estação, um modelo. Em 2016 a Latitid viajou até Istambul, 41º00’38.18”N, num contraste entre o Oriente e Ocidente, numa coleção de cores quentes dos azulejos, especiarias e tapeçarias. Já em 2017 a marca viaja até Itália, 40º32’54.33”N, sobre o conceito paradisíaco da ilha de Capri, onde nasce o il dolce far niente: o desfrutar da doçura da vida, que inspira uma coleção de cores brancas e suaves numa imagem mais clean. A dúvida fica no ar, para onde nos levará no Summer’18? O que começou apenas por ter uma loja online, atualmente a marca já conta com três espaços físicos. “Temos crescido todos os anos em volume de vendas e de clientes, este ano vamos ter uma linha para criança e tentar alargar a outros mercados.” A internacionalização da marca tem vindo a aumentar, mas o primeiro país em n.º de vendas é Portugal, seguindo-se Espanha e no ano 2017 a marca começou a ser comercializada para o Dubai. À venda : www.latitid.com

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Fundada em 1969 a Adalberto Estampados é uma empresa Portuguesa líder incondicional em design, inovação e produção nas áreas da moda e têxteis lar, obtendo a maior rentabilidade líquida no setor a nível europeu, com a faturação agregada do grupo a rondar os 35.000.000,00€.

Com uma quantidade de tecido produzida de cerca de 1000 km por mês, que dava para cobrir uma estrada desde o norte ao sul de Portugal e quase para voltar a Lisboa, o que faz desta fábrica imbatível a nível de produção em qualquer parte do mundo é a rapidez com que se trabalha “entre a conceção do produto e a sua chegada ao retalho demoramos entre 3 a 4 semanas”, fruto do seu “capital humano. Sem os melhores talentos as empresas não conseguem manter uma posição de liderança no mercado”. “Somos promotores da inovação. Tanto a nível de produto como de processo, diferenciamo-nos no mercado pela nossa capacidade criativa, técnica e operacional. Estes são três dos principais pilares em que suportamos o

© Adalberto Estampados

© Adalberto Estampados

A empresa que surgiu num contexto de crescimento da indústria têxtil e vestuário do inicio da segunda metade do século passado e onde foram precisos cinquenta anos de evolução e reinvenção para passar de um “simples prestador de serviços de estamparia a empresas de proximidade a um hub de desenvolvimento e produção de produtos de moda a escala mundial.”, revela o CEO.

© Adalberto Estampados

Adalberto Estampados – a arte de estampar

crescimento.” Para tal muito contribui a máquina de estamparia digital das mais modernas do mundo. Jorge Machado explica que os “equipamentos digitais que possuímos hoje eliminam totalmente as limitações físicas dos convencionais relativamente a tipologia de desenhos que podem ser produzidos, conferindo à nossa equipa de design uma capacidade criativa sem precedentes. A qualidade do produto é também bastante superior, estamos a falar de um salto de qualitativo de controlo de imagem de milímetros para pixéis.”

© Adalberto Estampados

Com a maioria das vendas, quase 90%, a serem realizadas para fora de Portugal, “exportamos para todos os países europeus e para a maioria dos países do continente americano”, a Adalberto viu na distribuição de produtos licenciados uma oportunidade ao entrar no licensing (Disney) e ao lançar uma marca própria (Natura Design), mas também vende para marcas conhecidas como Max Mara ou Prada, “as marcas que estão no mercado com um produto de qualidade necessitam de uma supply chain capaz de as ajudar a desenvolver constantemente novos produtos e a introduzir inovação e novas tecnologias para continuar a satisfazer os seus clientes.”


Alameda Turquesa – o calçado dos pompons Tudo começou em 2012, com uma pulseira que a mãe, Ana fez com pompons e que a filha, Carolina postou no seu blog Thefrenchfries seguido no mundo inteiro. Em pouco tempo as pulseiras e colares de pompons tornaram-se virais, assim nasceu a Alameda Turquesa. Inspirada em cores vivas e momentos felizes, depressa Ana que trabalhava na indústria do calçado há mais de 20 anos e a jovem arquiteta Carolina acharam que a palavra de ordem era inovar e decidiram “evoluir para uma marca de sapatos” colocando literalmente “as nossas pulseiras nos pés”, afirma Carolina Santos.

nosso instinto e gosto, pensamos aquilo que gostaríamos de ter, usar e guardar. É assim que nascem as nossas coleções, segundo uma ótica muito próxima de consumidora. Penso que o fator que nos diferencia é sermos muito genuínos naquilo que fazemos, as nossas clientes percebem a nossa história.”, esclarece. A nova coleção de 2018 já está em execução de modo a superar o que já fizeram e deverá ser lançada na primavera. À venda na loja online em alamedaturquesa.com

A força da marca prende-se à criatividade aliada ao luxo, fruto do trabalho manual dos artesãos da Alameda Turquesa, que levam quatro horas para aplicar numa única sandália todos os detalhes, à qualidade dos materiais, sempre que possível portugueses e de peles ecológicas provenientes de Itália, tudo de forma a tornar as peças da marca únicas e que as fazem serem reconhecidos em todo o mundo.

© Alameda Turquesa

© Alameda Turquesa

Com um design muito peculiar que desde o início “seduz” e cativa o público feminino, para a Alameda Turquesa o sucesso está em não “pensarmos muito na concorrência ou de que forma podemos ser diferentes, nós simplesmente fazemos aquilo que gostamos e pensamos segundo o

© Alameda Turquesa

A marca afirma-se em 2015, depois da promoção no blog e da coleção cápsula que rapidamente ganha uma dimensão enorme, “com muitas celebridades internacionais a usar a Alameda Turquesa, desde a Chiara Ferragni, a Anna Dela Russo ou a Eva Chen. Além disso a imprensa de moda internacional sempre nos ajudou desde o primeiro dia. Nós vendemos 95% para o estrangeiro e somos mais conhecidos lá fora do que cá dentro”, partilha Carolina

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Wearable Technologies Quando a tecnologia “está na moda” Texto Paulo Nogueira

A área das tecnologias integradas no vestuário – Wearable Technologies – está em amplo crescimento, com um potencial de aplicação em contextos tão distintos como a Biomedicina, o Desporto, o setor Militar e a Moda. Por outro lado, também o processo de produção de vestuário está a viver uma autêntica revolução tecnológica, abrindo novas possibilidades aos criativos.

© Kniterate

© Kniterate

Neste artigo, reunimos vários “retalhos” que ajudam a tecer o panorama atual da inovação tecnológica no setor do vestuário.

Kniterate: uma “máquina de costura” 3D A Kniterate é uma impressora 3D capaz de “costurar” peças em malha. O criador só tem de propor um design digital, carregar num botão e tirar a sua obra da impressora. Se for uma peça simples, como um cachecol, já sai completamente pronta. Uma peça mais complexa, como uma camisola ou um casaco, sai em partes e depois é só juntar. O inglês Gerald Rubio estudava design em Londres quando, perante as dificuldades dos colegas de moda em trabalhar com as velhas máquinas de costura, teve a ideia de criar esta nova ferramenta de trabalho. “Ao contrário do que já acontecia com as impressoras 3D, as máquinas de costura digitais não estavam ao alcance de

qualquer um, devido à sua dimensão e preço elevado”, lembra Rubio. Quatro anos depois, em 2017, o empreendedor já tinha criado um protótipo e promoveu uma campanha de financiamento, para levar o projeto até ao mercado. A invenção não passou despercebida e o resultado foi a angariação do triplo do valor inicialmente esperado. A Kniterate deverá ser comecializada ainda no primeiro semestre de 2018. Cada unidade custará entre 4 e 7 mil euros e está ainda a ser desenvolvida uma aplicação para que o utilizador possa desenhar peças com pormenores personalizáveis. // www.kickstarter.com/projects/kniterate/kniterate-the-digital-knitting-machine?ref=dfg


© The Unseen

Nike Hyper Adapt: sapatinhas que se apertam sozinhas Recorda-se dos icónicos ténis “Air MAG”, usados pela personagem Marty McFly (Michael J. Fox), no filme Regresso ao Futuro 2, que se apertavam sozinhos? Em setembro, a Nike lançou algo do género: os Nike HyperAdapt 1.0. As novas sapatilhas da marca adaptam-se à forma do pé graças a um sensor interno. Quando o calcanhar toca no sensor, é ajustado o encaixe nos pés de quem as está a utilizar. Na lateral existem ainda dois botões que servem para desapertar completamente as sapatilhas, quando pressionados por dois segundos.

© The Unseen

A bateria dos HyperAdapt 1.0 tem capacidade para duas semanas de utilização, com um único carregamento. Para adquirir um par é preciso ser membro da Nike+, aplicação da marca dedicada à corrida.

The Unseen: a alquimia têxtil A The Unseen apresenta uma gama de tecidos que mudam de cor em interação com o ambiente ou com quem os utiliza, e por isso fala da sua tecnologia como uma espécie de “alquimia têxtil”.

A pensar principalmente nos atletas, o modelo poderá vir a ter outras funções, que se encontram em testes pela marca. Aliás, a própria designação “1.0” sugere que novas versões estão ainda por vir. “Não seria excelente se as sapatilhas do futuro pudessem perceber quando o atleta precisa de apertar ou despertar os atacadores? Ou até apertar mais do que normalmente faz para ficar mais 'aconchegado', numa manobra rápida? É para aí que caminhamos. No futuro o produto ganhará vida”, referiu a Nike, em comunicado. // news.nike.com/news/how-to-get-the-nike-hyperadapt-1-0

Aliando a química ao design Lauren Bowker é a “alquimista” que desenvolve estas soluções visuais disruptivas. A tecnologia usada baseia-se em “tintas de mudança cromática com diferentes compostos químicos, de acordo com objetivo desejado”, refere a criadora. Há, por exemplo “uma bolsa que muda de cor de acordo com as diferentes estações ano, em resposta aos níveis de luz UV, humidade e temperatura”, explica. Seguindo este conceito, a The Unssen já produziu uma linha completa de acessórios para a Selfridges, com mochilas e lenços que mudam de aparência quando tocam na pele, são abanados pelo vento ou são expostos ao sol. Lauren Bowker acredita ter encontrado nos tecidos que mudam de cor uma fórmula para o sucesso no mundo da moda. “O luxo está em oferecer às pessoas coisas verdadeiramente exclusivas e as superfícies coloridas e táteis representam, simultaneamente, uma linguagem universal e algo único”, defende.

© Nike Hyper Adapt

//seetheunseen.co.uk/press

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Modern Meadow: couro produzido com biotecnologia

© Jacquard

A Modern Meadow produz couro sem precisar de abater animais, e com menos água, energia e produtos químicos do que os métodos tradicionais. Fundada em 2011 em Nova Jersey, a empresa quis responder, de acordo com a sua diretora criativa Suzanne Lee, à “procura de soluções alternativas ao couro, por parte da indústria da moda”.

No passado mês de outubro o produto saiu dos laboratórios, com o lançamento de uma marca própria: a Zoa. Mas, segundo Suzanne Lee, a Modern Meadow quer ir mais longe e “levar o seu material para fora das passarelas”. Para tornar o cabedal biofabricado presença comum no mercado da moda, no prazo de um ano, está “em negociações com várias marcas”, que poderão vir a usar esta inovação nas suas peças. A criadora acredita que o caminho que a sua start-up está a traçar será seguido por muitos, fazendo com que o “tecidos desenvolvidos com biotecnologia venham a dominar o setor dentro de uma década”.

© Jacquard

Para desenvolver um material com a mesma estética, sensação e qualidade do cabedal convencional, a startup norte-americana recorre a um processo de biofabricação. A partir de células vivas (de organismos como bactérias, fungos ou algas), consegue estimular o crescimento do colagéno, a mesma proteína natural encontrada na pele animal. Segue-se a montagem desse colagéno nas fibras que dão origem ao couro.

Jacquard: o casaco inteligente O Jacquard parece saído de um filme de ficção científica, mas a verdade é que já faz parte do presente. Trata-se de uma peça de roupa em ganga, aparentemente normal, mas cujas fibras tornam a manga numa superfície que responde ao toque. O projeto Jacquard foi anunciado em maio de 2015 como uma parceria entre a Levi’s e a Google. Dois anos mais tarde, em outubro de 2017, começou a ser comercializado este modelo de casaco, tecido a fios capacitivos com um núcleo de cobre.

// www.modernmeadow.com

Sem fios pendurados, baterias ou luzes, esta peça de roupa pode ser conectada a dispositivos tecnológicos, como um telemóvel ou um relógio. O utilizador poderá, assim, receber na sua manga comandos de navegação GPS e notificações de mensagens, atender chamadas e controlar a reprodução de músicas. Apesar de toda esta componente tecnológica, o Jaqcard continua a ser um casaco, com todas as suas características mais comuns: é confortável, elegante e prático, e pode até ser lavado na máquina. O preço deste gadget que se veste ronda os 350 dólares, ou seja, cerca de 282 euros.

© Moder Meadow

// www.levi.com/US/en_US/features/levi-commuter-xgoogle-jacquard/


WeStoreOnTex: um têxtil que armazena energia Em Portugal também há quem aposte nas Wearable Technologies. É o caso da WEStoreOnTEX. A startup criou um têxtil que “funciona como uma bateria e pode ser usado para alimentar dispositivos integrados na própria roupa [como sensores de monitorização de biossinais – ritmo cardíaco, frequência respiratória e movimento], ou para alimentar dispositivos externos”, releva Clara Pereira, que faz parte da equipa responsável pelo projeto. Atualmente sediada no UPTEC a empresa surge no seio dos Laboratórios Associados REQUIMTE e IFIMUP-IN, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, pelas mãos de uma equipa constituída por três membros com valências complementares nas áreas da Química, Engenharia Física, Nanotecnologia, Energia e Empreendedorismo – Clara Pereira, André Pereira e Rui Costa.

Nesta fase o projeto WEStoreOnTEX está a iniciar o processo de hibridização (acoplamento) do têxtil armazenador de energia, com sistemas de produção de energia, para tornar o produto autónomo, sem necessidade de carregamento usando fontes externas. A tecnologia está ainda a ser otimizada para produção em larga escala.

© WeStoreOnTex

De acordo com a cofundadora da WEStoreOnTEX, a tecnologia está atualmente a ser implementada no setor dos têxteis e vestuário eletrónico. A “rapidez de carregamento, o peso reduzido, a flexibilidade, e a segurança, e o facto de, por estar acoplado ao tecido, manter o conforto da peça de roupa”, fazem com o sistema seja adequado para produtos de “desporto, saúde e bem-estar”.

Para o futuro, a equipa de empreendedores ambiciona “fechar contratos de negócio com multinacionais na área dos Wearables, evoluir de projeto de startup para empresa e contribuir para o crescimento económico nacional”. A WeStoreOnTex quer fazer parte de uma transformação que acredita já estar em curso, aliando a moda à Internet of Things (IoT). “Num futuro muito próximo, não temos dúvida que testemunharemos o surgimento de novas peças de vestuário contendo sensores de monitorização de sinais vitais, sistemas luminosos, microprocessadores, antenas para comunicação sem fios e outros dispositivos eletrónicos, e simultaneamente que sejam simultaneamente totalmente autónomas no carregamento”, afirma Clara Pereira.

© WeStoreOnTex

// uptec.up.pt/empresa/westoreontex

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Ligue-se ao que realmente lhe interessa Filipe Mensurado Pitacho Consultor da área de Development da Mind Source Numa era que cada vez mais se fala de IA (Inteligência Artificial) e em foco no utilizador/consumidor, temos vindo a verificar uma grande evolução nestas áreas, claro que sempre acompanhadas do eterno e sensível tema da privacidade. Os beacons são pequenos dispositivos de localização Bluetooth e prometem fazer muito sucesso no mercado de vendas, entenda-se lojas físicas. Estes dispositivos são posicionados numa loja e o responsável da mesma poderá obter diferentes informações sobre o cliente tais como: qual a sua deslocação na loja, quais os artigos que mais o atrai, qual o percurso mais frequente. Na realidade funciona como um sistema de GPS indoor de alta precisão. Mas não nos fiquemos por uma simples deteção de GPS, os beacons podem fazer muito mais. Para além de detetarem a localização, têm a possibilidade de enviar notificações. Se aprofundarmos um pouco este novo dado e aplicarmos a lojas de retalho, imagine-se a entrar numa loja e ser abordado como se o vendedor conhecesse todo o seu histórico naquela loja, as suas preferências, o seu tamanho, desta forma a ajuda seria bem mais focada e assertiva. Não gosta de ser abordado dentro de uma loja? Tudo bem, e que tal se ao passar perto das lojas onde habitualmente faz compras recebesse no seu telemóvel as promoções dessa loja? Interessante, não? Podemos ter uma abordagem ou captação mais suave: se numa loja existirem ecrãs com produtos, imagine-se que estes ecrãs mudam de produto exposto consoante o cliente que se encontra perto do mesmo, chamando a sua atenção para algo que realmente poderá interessar. Todas estas ideias de aplicação resumem-se a conversões de cliente, ou seja, vendas!

Poderá surgir a questão: “Mas assim tenho que ter o Bluetooth sempre ligado?”. A resposta é “Sim”, senão o beacon não o reconhecerá, no entanto devolvo outra questão “Não será vantajoso para poder usufruir deste atendimento personalizado?”. Atualmente, os telemóveis já possuem aquilo que se chama bluetooth low energy (ou a denominação mais comum de Bluetooth 4.0), cujo consumo de bateria por parte dos dispositivos móveis é mínimo. Existem aplicações que não utiliza no seu telemóvel que consomem muito mais bateria. Como já foi mencionado, existe o tema da privacidade, no entanto é um preço a pagar por um melhor serviço, trata-se de uma opção pessoal, pesando os prós e os contras. Do meu ponto de vista, nós, consumidores, apenas temos a ganhar com esta tecnologia por termos publicidade mais direcionada para nós. Os vendedores, por outro lado também têm a ganhar, pois com uma publicidade mais assertiva terão mais clientes a comprar. Em suma, todos ganhamos. A questão da privacidade não me incomoda, hoje em dia temos tanta invasão que desconhecemos e não autorizaríamos, porque não permitir aquela que pede autorização (sim, tem de autorizar os beacons a acederem ao seu Bluetooth) e que tem um propósito de facilitar a vida? Mas na vossa imaginação, não se fiquem por aqui. Este artigo foi muito focado em vendas a retalho, mas pensem em situações como restaurantes, em que ao aproximarmo-nos nos indica o menu do dia e os preços, ou num bar sugerir-nos mais um copo ou a conta quando já lá estamos há algum tempo, ou num armazém detetar os fornecedores que já fizeram as entregas, numa empresa mostrar as pessoas sentadas nas secretárias (numa ótica de um trabalho de horário flexível). A esta tecnologia juntemos outros dispositivos que a complementem como wearables, computadores, smartbands, entre outros. São inúmeras as hipóteses de utilização!

*Texto escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 em vigor desde 2009. Figura 1: http://www.iciindia.in/beacons


Alfaiataria

A inovação na mão dos alfaiates

Tem 44 anos e trabalha como alfaiate, há onze. O interesse de Manuel Teles surgiu naturalmente depois de ter terminado o curso em engenharia têxtil e do vestuário, no Porto, e de ter trabalhado numa empresa de confeção em série de fatos para homem. “Nessa empresa, como tinha um espaço disponível para trabalhar, criei uma marca comecei a fazer coleções para serem vendidas em Espanha. Mas como eram muito customizadas, e pouco normais para pronto a vestir, a ideia acabou por não ser muito bem aceite, na altura”, confessa. O alfaiate sentia que esta era uma coleção que fazia falta para o consumidor, mas as lojas que as poderiam comercializar, ainda não estavam preparadas para esse tipo de serviço. “Por outro lado, a própria indústria não facultava as amostras de tecido necessárias”, explica. Suspendeu a ideia e começou a entrar no mundo da alfaiataria. Abriu um atelier no Porto, acumulou com outro em Lisboa, mantendo ambos durante os primeiros anos, com muitas viagens entre as duas cidades, mas também para algumas capitais da Europa, como Madrid, que considera “excelente para este produto”. De quando em quando, ainda viaja e visita alguns clientes, sob marcação [embora não aceite novos pedidos, devido ao volume de trabalho, trabalhando apenas com alguns que já vêm do passado]. Mais recentemente, abriu uma loja na zona da Foz, no Porto, mantendo-se mais na invicta. E é precisamente aqui que tem oportunidade de criar alguma inovação ao seu negócio. “A loja permite-te ter uma oferta adicional, como por exemplo, acessórios para os fatos: sapatos,

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algumas camisas já prontas, gravatas, lenços, etc. No entanto, considero que as redes sociais ajudam muito mais a vender do que a minha loja. Posso adiantar que 80% dos meus clientes vêm das redes sociais. Aposto no Facebook, e muito, no Linkedin, que funciona muito bem”, explica. Como inovar? Inovar é possível num setor com uma história enraizada em Portugal? E os alfaiates mais novos são adeptos da mudança? Manuel Teles considera que “a alfaiataria da nova geração está melhor preparada em relação à alfaiataria clássica. Estamos mais abertos à informação e isso ajuda bastante”. No entanto, sente alguma resistência por parte de alguns colegas, sobretudo por “falta de conhecimento porque considero que a partir do momento em que experimentassem, não quereriam voltar atrás. O cliente final quer ser bem servido e quer que o produto final seja bom, não lhe interessando se o ponto é feito à mão, de uma forma igualmente perfeita ou ainda melhor do que o método tradicional”. Considerando que o setor tem tudo para estar ligado à inovação, destaca alguns exemplos de como as novas tecnologias são úteis ao setor. “A partir do momento em que conseguimos permitir que sejam feitas marcações online, colocando o cliente em sua casa a tirar medidas para fazer uma encomenda, julgo que a alfaiataria tem tudo para agarrar a tecnologia ao dispor. Desde que apareceu um computador que consegue desenhar e fazer os moldes

© Manuel Teles

© Manuel Teles

© Manuel Teles

Texto Cláudia Pinto


Ayres Gonçalo cresceu no seio de uma família tradicional de alfaiates, demonstrando desde cedo, interesse pelo ofício. O seu avô, Ayres Carneiro da Silva, dono do estabelecimento Ayres Alta Costura, foi considerado um dos melhores alfaiates portugueses, ao longo de uma carreira de mais de 70 anos. Herdou-lhe o gosto e a arte, e foi aos 19 anos, que sob o olhar atento do avô, se começou a dedicar à alfaiataria a tempo inteiro. Estudou em Madrid em 2004, para melhorar a sua técnica e conhecimentos, rumando dois anos depois, a Londres, onde trabalhou na famosa rua londrina Savile Row, onde se podem encontrar os mais prestigiados alfaiates do mundo. Ao fim de 15 dias, assegurou uma colocação na reconhecida Gieves & Hawkes, localizada no n.º 1 da mesma rua. Como um dos momentos mais especiais da sua carreira, está a confeção de um fato para o Príncipe Carlos.

© Ayres Gonçalo © Ayres Gonçalo

Na primeira prova, o cliente pode experimentar um fato, desde logo, o que permite ao alfaiate poupar tempo. Tem noção que a ideia é polémica, mas os clientes têm demonstrado agrado pela inovação. “Há muitos colegas que não concordam. No entanto, a peça acaba por ser personalizada à mesma, apesar da maior rapidez. É uma peça que está cortada, em ‘cru’, só tem um tecido exterior, tem as telas no interior que estão por definir, no que respeita à forma”, salienta. E acrescenta que quem procura se justifica pelo facto de conseguir entregar a peça em apenas duas semanas.

© Ayres Gonçalo

Manuel Teles assume-se como o primeiro alfaiate no nosso país a fazer uma experiência inovadora, resultante do seu trabalho com confeções em série, para algumas situações de clientes que surgem com pedidos de urgência. “É o caso de clientes que chegavam à última hora, tinham um evento e precisavam de um smoking, ou de um fraque para um casamento, e eu não tinha disponível nem possibilidade de fazer em duas / três semanas. Desenvolvi um procedimento que resultou, e que se aplica a fatos, calças soltas e blazers”. E explica o passo a passo: “Faço o pré fitting, ou seja, corto a peça, não a costuro na totalidade, faço um alinhavo total e coloco-o pronto para a primeira prova, que pode ser feita pelo indivíduo A, B, C ou D. Tenho vários tamanhos de prova pois encontrei um padrão nas medidas dos meus clientes que oscila entre determinados valores.”.

© Ayres Gonçalo

que necessitamos, num plano em 2D, e que depois de impresso, consegue fazê-lo em 3D, conseguimos reduzir um tempo extraordinário, e a alfaiataria poderia aproveitar isso, mas julgo que persiste um preconceito, de que o resultado final não é tão bom. Por outro lado, como não há formação, as pessoas desconfiam e tendem a criticar. É necessário que as pessoas demonstrem essa vontade de evoluir”.


© Cifonelli.com

Em 2009, foi finalista do concurso Golden Shears Contest, cujo objetivo é reconhecer jovens alfaiates a exercer no Reino Unido. Um ano depois, rumou a Nova Iorque, onde teve a oportunidade de trabalhar com Michael Andrews Bespoke, até maio do ano seguinte. Atualmente em Portugal, decidiu que tinha chegado o momento de dar continuidade à tradição familiar, tendo fundado a marca Ayres Bespoke Tailor. Divide o seu tempo entre Lisboa e Londres.

depois decidi, trocar de cidade e fui para Paris onde ainda estou hoje. Comecei a trabalhar como oficial de alfaiataria numa das mais reputadas casas do mundo: a Cifonelli”, conta. Passados três anos como oficial, foi convidado pela Academia de Paris para reabrir o único curso de formação de Alfaiates em França, o que fez durante um ano “até ser promovido a conta-mestre da Cifonelli”, função que ainda exerce.

O alfaiate tem uma opinião um pouco distinta de Manuel Teles no que respeita à inovação. “Cada um tem o seu estilo e forma de trabalhar. Mas não confundamos alfaiataria por medida com confeção por medida. São coisas completamente distintas. Portugal, e os portugueses estão recetivos à inovação. O povo que não estiver está condenado”, afirma.

Na sua opinião, o setor passou por uma fase difícil no pós 25 de abril, com a diminuição das atividades artesanais. “Os mestres da época sofreram as consequências diretas desta realidade, e viram os ser ateliers reduzidos a quase nada, ou esquecidos por falta de clientes. Estes últimos viram, no mercado de massa, uma solução menos cara e mais diversificada para se vestirem. Depois de uns 30 anos de vazio artístico na área surgiram interessados como eu, que com base no conhecimento antigo, familiar ou não, renovaram a imagem da alfaiataria em Portugal. Nem sempre com um trabalho melhor, mas com uma linha mais atual, vão aos poucos evitando o esquecimento e o fim de uma linha artesanal longa”, afirma.

No que respeita ao setor da alfaiataria, considera que são apenas os mais antigos alfaiates, juntamente com “dois ou três mais novos” é que asseguram o setor no país. “Os restantes, embora se cataloguem como alfaiates, o que praticam, na realidade é confeção industrial por medida que não se assemelha à alfaiataria tradicional. A alfaiataria industrial é algo que não existe. Há espaço para todos, sim. A taxa de desemprego da alfaiataria é de 0%”, defende. João Paulo Rodrigues tem 33 anos, estudou design de moda, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, e Desenho, na Faculdade de Belas Artes, também na capital. Depois da universidade, mudou-se para o Porto onde foi aprendiz de alfaiate, com dois mestres, e durante três anos. “Por fim, abri o meu primeiro atelier de alfaiataria, nos Aliados, e fundei uma marca de camisas por medida, a Slagen. Por motivos familiares, algum tempo

A inovação, no entender de João Paulo Rodrigues, está mais presente na tecnologia têxtil e no marketing do que na arte propriamente dita. “Nos têxteis, destaco a tecnologia que potencia as peças a estilos de vida mais dinâmicos com tecidos que não engelham ou não admitem nódoas. Na comunicação, a projeção individual do artista pode ser propulsionada pelos media ou pela Web”, defende. Assumindo-se como um alfaiate tradicionalista, mais interessado pela história e cultura clássicas da arte, defende que é na experimentação e na busca do que


Para Manuel Teles, o grande desafio futuro passa pelo facto de os alfaiates terem poucas pessoas para trabalhar nos seus projetos. “Não vamos ter camiseiras, calceiras, costureiras… A média de idade das pessoas com quem trabalho ronda os 50 e muitos anos, e estas vão manter-se por apenas mais dez ou quinze”, lamenta. Formação, precisa-se! O caminho da alfaiataria necessita, urgentemente, de uma escola, defendem os alfaiates que colaboram nesta edição. “O caminho tem de passar pela formação qualificada em alfaiataria. Sim, existem clientes, mas não há uma escola”, afirma Ayres Gonçalo. Manuel Teles também sente essa lacuna na área formativa. “A última escola de que tive conhecimento fechou nos anos 90. Considero que existe falta de formação neste setor, em Portugal. Não temos ninguém a dar formação, não temos nenhuma escola de alfaiataria neste momento, e julgo que é algo em que se deve apostar, se é que queremos passar o testemunho a novos alfaiates. Temos de ensinar! Sinto que temos alguns jovens que gostavam de iniciar a profissão, mas encontram barreiras gigantescas porque a alfaiataria tende a esconder o que não deve, como os segredos, e os truques dos cortes. Ainda há pouco tempo

© Esquire.com

© Gentleman Chemistry

considera ser a silhueta perfeita, que assenta o seu processo de evolução artística. “No meu entendimento, Portugal não está plenamente aberto à inovação, de tal forma que nem sempre os processos ditos novos podem ser utilizados, correndo o risco de desvirtuar a produção clássica da alfaiataria”, diz-nos.

dei formação a um rapaz que queria saber como era a alfaiataria, e tinha curiosidade em perceber a profissão. O que pude fazer foi deixá-lo assistir e passar-lhe alguns conhecimentos, mas faltam-lhe outras bases formativas que são essenciais.” João Paulo Rodrigues considera que existe sempre espaço para a inovação, mas que num futuro próximo, há que melhorar a formação, praticamente inexistente em Portugal. “A arte conta agora com muito poucos representantes, e a escassez de mão de obra faz com que, apesar de maior procura, o que se fornece nem sempre tenha a melhor qualidade. Tenho receio que em Portugal passemos de um país “com” a um país “sem” história em alfaiataria”, comenta. Considera que são necessários passos para que o futuro da arte da alfaiataria no país seja “brilhante”, e isso, passa por ter “alfaiates mais jovens que possam dar e receber mais ensinamentos dos mestres para que todos, em conjunto, superem as dificuldades da arte. Defendo ainda, a formação e a exposição cultural da alfaiataria, que através de investimento público ou privado, permita conferir a dignidade que o setor merece, no mercado nacional e no internacional”, acrescenta. // www.ayresbespoketailor.com/ // www.cifonelli.com/ // www.manueltelespersonaltailoringservices.blogspot.pt

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Respirar a natureza

Um lugar mágico a menos de uma hora de Lisboa, Areias do Seixo respira a Natureza a plenos pulmões. Os pinheiros, as dunas e o mar contam-lhe ao ouvido os seus segredos. Por redação | Imagem Areias do Seixo

O hotel Areias do Seixo nasceu de um sonho dos proprietários Marta e Gonçalo. Era muito forte o desejo de criar um lugar único onde pudessem receber pessoas dos vários cantos do mundo num ambiente mágico e ao mesmo tempo familiar. Desde o sonho à construção deste espaço muitos obstáculos foram ultrapassados. Resultado? Um lugar onde todos os ingredientes que o compõem foram escolhidos a pensar na originalidade, no conforto, um sítio onde simplesmente apetece estar e viver cada momento, rodeado de mar, dunas e pinhal.

O hotel Areias do Seixo vive em total respeito e consonância com a natureza. Nasceu e cresceu de olhos voltados para o mar. É uma unidade de baixa densidade composta por 14 quartos. Cada um dos quartos está decorado de forma diferente proporcionando uma viagem sensorial distinta. Nalguns sentem-se inspirações africanas, noutros abraça-nos um ambiente romântico, ainda há outros em que a reciclagem de materiais dá a sua nota. São criadas sensações únicas e em cada regresso o hóspede viverá uma nova história. Em comum têm a vista para o mar


e para as dunas (à exceção de um dos quartos que tem vista para um pequeno jardim privativo), lareira, terraço em deck, zona de banho onde chuveiro altos dão-nos a sensação de chuva a cair. O hotel dispõe ainda de um restaurante onde se pretende partilhar com quem o visita boa comida, “verdadeira”, feita com amor, uma mercearia onde predominam azeites, compotas, alimentos e objetos que fazem bem ao corpo e à alma, uma sala confortável para desfrutar de um bom filme, um SPA que proporciona harmonia e Bem-Estar interior, uma piscina exterior aquecida através de painéis solares (no período de abril a outubro) e uma estufa para realização de eventos, envolvida pelos cheiros e sabores de ervas aromáticas e legumes. São palavras de ordem a originalidade, o conforto e o acolhimento. Funde-se sofisticação com um ambiente descontraído. É um lugar para quem busca o rompimento com a agitação característica dos centros urbanos, e que, através da integração com a natureza e com o meio rural procura ganhar novas energias. Construção, recuperação e processo de decoração O Hotel Areias do Seixo foi projetado pelo Arquiteto Vasco Vieira. A decoração do hotel foi assinada por Rosário Gabriel, que acompanhou, em conjunto com os proprietários, a obra desde muito cedo, sendo de sua autoria, para além da decoração, muitos dos aspetos relacionados com arquitetura de interiores. A decoração contou também com a participação da decoradora de interiores Isabel Schedel, iniciada poucos meses antes da abertura do hotel. A construção do hotel foi desenvolvida considerando sempre uma intervenção em harmonia com a natureza envolvente. Predominam matérias como a pedra regional, o seixo, o vidro e a madeira. Os materiais e a decoração personalizam e tornam este hotel único e inovador. Sentem-se várias inspirações e ambientes. Índia, Marrocos, Savana Africana, espaços românticos, outros rústicos, outros ainda sofisticados. As oliveiras, paus de madeira colocados em forma de labirintos e papiros resultam numa mistura perfeita entre os espaços interior e exterior, respirando-se a natureza dentro ou fora de portas. Este hotel é um espaço ecológico utilizando princípios do turismo sustentável cuja incidência assenta na eficiência energética, energias renováveis e aproveitamento dos recursos naturais.

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Restaurante Areias do Seixo - Restaurante/ Bar/ Mercearia A premissa principal do Restaurante é tirar o maior partido do que o planeta dá, quer em mar, quer em terra, partilhando-se à mesa experiências gastronómicas “feitas com amor”. Livres de aditivos, a maioria dos legumes vêm diretamente da horta que cresce numa das dependências ao ar livre do hotel, onde não faltam um sem fim de ervas aromáticas para dar mais sabor aos cozinhados. O restaurante funciona mediante reserva, sendo 59,00 € o preço médio por refeição. No restaurante espera por si uma viagem de cheiros, sabores e cores, tirando partido do que a terra nos dá naturalmente. Sinta a originalidade, o conforto e sofisticação numa perfeita fusão com a terra e regresse às origens sem pressas num espaço em que sentir é o verbo principal. // www.areiasdoseixo.com

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Estas são algumas das boas notícias do mês Desfiles em Roma

Os designers David Catalán e Inês Torcato apresentaram as suas coleções FW18/19 no desfile da Altaroma Por redação

A convite do Portugal Fashion, que mantém a sua parceria com a Altaroma, David Catalán e Inês Torcato apresentaram, dia 28 janeiro, um preview da coleção FW18/19 em Roma. Este desfile coletivo estive inserido no calendário oficial Altaroma (de 25 a 28 de janeiro), na área do Fashion Hub em Guido Reni District. David Catalán levou-nos até à sua infância e apresentou uma coleção masculina inspirada no escutismo. A partir de acontecimentos que recorda da sua própria história, o designer desenvolveu uma estética que se associa de imediato ao escutismo, mas manteve a sua assinatura das peças desportivas, de visual urbano com detalhes de alfaiataria. Incute ainda na coleção uma positiva moralidade, retirada de elementos extremamente pessoais, que surgem em mensagens bordadas e emblemas aplicados. Inês Torcato apresentou uma coleção mista, de peças sem género, onde a camisa é o ponto de partida para um trabalho ousado ao nível dos materiais e das formas. Mantendo a sua linha de auto-retrato, a designer explora a camisaria através da desconstrução ou readaptação – camisas duplas, forradas ou torcidas, que se inserem num universo de peças no estilo clássico reinterpretado que já a caracteriza. Dentro de um conceito que aborda a forma como tocamos os outros e aquilo que podemos partilhar de nós com o próximo, surgem também nas peças textos em português – resultado de uma parceria com a escritora e letrista Regina Guimarães. O Altaroma Fashion Hub é uma plataforma que se dedica a apoiar e promover designers emergentes e em início de carreira. Este momento especial de visibilidade e a oportunidade de estar em contacto com potenciais buyers e imprensa internacionais, foi possível através da colaboração com o Portugal Fashion/BLOOM e ANJE, que têm acreditado no David Catalán e na Inês Torcato como promessas do design de moda nacional. Aguarda-se agora pela totalidades das suas coleções FW18/10 no calendário oficial do Portugal Fashion.

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Kg-Free

Uma nova forma de combater o estigma na obesidade e excesso de peso Por redação

Investigadores do Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCE-UC) desenvolveram e testaram a eficácia de uma intervenção psicológica inovadora, baseada em três componentes essenciais - mindfulness, aceitação e autocompaixão -, para diminuir o impacto do estigma internalizado na obesidade. O programa, chamado Kg-Free, resulta de quatro anos de investigação e foi desenvolvido no âmbito do doutoramento de Lara Palmeira, orientado pelos professores José Pinto Gouveia, da FPCE-UC e coordenador do CINEICC, e Marina Cunha, do Instituto Superior Miguel Torga. Constituído por dez sessões semanais e duas quinzenais em grupo, o Kg-Free foca-se em promover comportamentos saudáveis e qualidade de vida e diminuir o impacto do estigma em relação ao peso em mulheres com excesso de peso e obesidade. A intervenção aposta no mindfulness (um treino mental que ensina as pessoas a lidarem com os seus pensamentos e emoções), promovendo uma relação mais consciente com a alimentação, como, por exemplo, dando atenção aos sabores e textura dos alimentos. É também promovida uma relação positiva e flexível com a imagem corporal, peso e alimentação. A terceira componente trabalha a relação do “eu” e da autocompaixão, isto é, diligencia uma relação interna baseada numa atitude de compreensão, cuidado e suporte a nós mesmos quando falhamos ou quando as coisas correm mal. O projeto, que foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), envolveu a participação de centenas de adultos com excesso de peso e obesidade, na sua maioria mulheres, em tratamento para perda de peso no distrito de Coimbra, destacando-se o estudo da intervenção Kg-Free em que participaram 60 mulheres adultas com excesso de peso ou obesidade. Os resultados, afirma a investigadora Lara Palmeira, evidenciam que a “intervenção foi eficaz na promoção do bem-estar e da qualidade de vida e na diminuição de comportamentos alimentares perturbados, do estigma internalizado e do autocriticismo”.

O programa Kg-Free “permitiu que as participantes desenvolvessem uma atitude mais saudável, flexível e positiva em relação ao seu peso e alimentação, promovendo uma alimentação mais consciente e saudável, bem como o desenvolvimento de uma visão do Eu mais positiva e menos crítica/hostil, focada no bem-estar e na persecução de uma vida com significado que vá para além do peso”, explicita a investigadora do CINEICC. As conclusões desta investigação chamam a atenção para a importância de complementar as tradicionais abordagens de combate à obesidade com uma intervenção psicológica. É necessária “uma abordagem multidisciplinar que se foque não só na perda de peso, mas que promova diretamente o bem-estar e qualidade de vida, intervindo na diminuição do estigma e nas estratégias de regulação emocional desadaptativas”, observa Lara Palmeira. “Apesar do seu profundo impacto negativo, o estigma em relação ao peso permanece atualmente como uma das formas de estigma mais socialmente aceite, sendo muitas vezes promovido como forma de combate contra a obesidade e que tende a ser internalizado pelas pessoas com excesso de peso e obesidade. É urgente integrar a abordagem psicológica nos tratamentos porque a obesidade é uma doença muito heterogénea”, acentua. No seu conjunto, os resultados “apresentam importantes implicações para a intervenção psicológica na obesidade, salientando a importância de adequar as intervenções às pessoas com excesso de peso e obesidade e consciencializar os profissionais de saúde para a importância de adotar uma atitude de tolerância, aceitação e não julgamento para promover a adesão ao tratamento e melhores resultados”, conclui a investigadora.


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fevereiro

Dia da Internet Mais Segura

No dia 6 de fevereiro, mais de 130 países comemoram o Dia da Internet Mais Segura, sob o mote ‘Cria e partilha com responsabilidade: uma melhor Internet começa contigo’. Em Portugal, o dia será assinalado com um evento aberto ao público, em Braga, que irá celebrar também os 10 anos de atividade do Centro Internet Segura. O evento irá reunir diferentes especialistas, atores sociais e os parceiros do Consórcio do Centro Internet Segura (CIS), que é coordenado pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Será abordado o trabalho realizado pelo Centro na ótica da prevenção, sensibilização e aconselhamento, mas também na resolução de problemas/questões apresentadas pelos cidadãos.

Informal Business Drinks no Bonaparte Downtown

Networking e oportunidades de negócio à escala global é o que propõe o Informal Business Drinks a realizar no próximo dia 7 de fevereiro, no Bonaparte Downtown, no Porto. Promovida pela ANJE em parceria com diversas Câmaras de Comércio bilaterais (Luso-Britânica, Alemã, Belga-Luxemburguesa, Luso-Colombiana, Portugal-Peru e Portugal-Holanda), a iniciativa consiste num encontro de negócios em ambiente informal.

Porto

// www.anje.pt

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Conferência: Segurança nos Negócios - O Regulamento 2016/69 da UE sobre a Proteção de Dados (RGPD) A iniciativa decorre na Sede Nacional da Associação, no Porto, visando dar aos participantes uma visão alargada acerca do regulamento de proteção de dados da União Europeia, pondo em perspetiva a lei e a prática. O evento contará com a intervenção dos oradores André Inácio, João Marques Vilar e Paulo Félix.

Porto // www.anje.pt

Braga

// www.fct.pt

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Mapear a Economia Circular em Lisboa

Estas olimpíadas têm por objetivo incentivar e desenvolver o gosto pelo Marketing e Publicidade nos estudantes do Ensino Secundário e Profissional e dos Cursos de Especialização Tecnológica, considerando a sua importância na educação dos jovens e o seu crescente impacto em todas as atividades das empresas e outras organizações e projetos.

Na primeira parte, a Circular Economy Portugal (CEP) apresentará a organização e passará em revista as iniciativas circulares já identificadas. Com base nesta informação, os participantes identificarão colaborativamente exemplos adicionais de boas práticas considerando diferentes setores e tipos de entidade. Após uma pausa, seguir-se-á uma breve apresentação feita por um empreendedor da região, que servirá de base para uma conversa sobre as oportunidades e barreiras que se colocam à transição para uma economia circular em Lisboa. No final deste evento interativo todos teremos mais conhecimento sobre o ecossistema local e uma mais vasta e sólida rede profissional no âmbito da economia circular.

// www.iscet.pt

// circulareconomy.pt

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III Olimpíadas de Marketing e Publicidade

Porto

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Negócios&Cocktails Networking

A Comunidade Adoro.Ser.Mulher tem o prazer de convidar todas as Mulheres Empreendedoras / Empresárias, Gestoras do Lar e Trabalhadoras por conta d'Outrem no Distrito de Porto e não só, para o Cocktail de Lançamento deste projeto internacional que apoia o empreendedorismo feminino.

Porto // www.adorosermulher.com

Lisboa

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fevereiro 100 Ano de Moda Com mais de 400 imagens icônicas, este livro conta a história da Moda no século XX, desde a influência das vanguardas artísticas e a entrada das mulheres no mercado de trabalho até os movimentos de grupos urbanos como criadores de tendências e a liberdade de estilo dos dias atuais. Estilistas clássicos como Coco Chanel, Jeanne Lanvin, Cristobal Balenciaga e Christian Dior estão reunidos aqui. A obra também traz o trabalho de Designers Contemporâneos como Karl Lagerfeld, Alexander Mcqueen e Marc Jacobs.

A Moda Imita aVeja Vida online mais eventos em: Na moda ou na http://iagenda.i9magazine.pt vida estamos sempre em busca do nosso espaço Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? A questão é o ponto central da nossa existência, como se tudo precisasse ser revelado no campo da racionalidade (ou da afetividade) para existir. Quando se trata da construção de uma marca, descobrir o que fazer tem muito a ver com descobrir quem a marca é. Com jeitinho de 'autoajuda', mas sem a menor intenção de trazer receitas ou respostas milagrosas, 'A moda imita a vida' tem o objetivo de gerar insights sobre caminhos de construção e manutenção de uma marca de moda, por meio do seu autoconhecimento. A partir de entrevistas com alguns dos principais profissionais do mercado e criadores de grandes marcas, como Oskar Metsavaht, Ronaldo Fraga, Isabela Capeto, Kátia Barros e Marcello Bastos, o livro aborda as principais questões de uma marca na construção da sua identidade, imagem e posicionamento.


EUROS DE INSCRIÇÃO

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