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Valor Magazine Junho 2020

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Mensal Junho de 2020 nº007 Online

VOLTALIA "Eletricidade é energia,

mas energia não é só eletricidade" HABITAÇÃO: PORTO SEGURO NA PANDEMIA Artigo exclusivo de Ana Pinho, Secretária de Estado da Habitação

A REABERTURA DO PAÍS Artigo exclusivo de João Torres, Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor

IP SANTARÉM 40 anos de ensino e investigação

RETOMA ECONÓMICA O regresso ao trabalho


BRAGANÇA JUNTOS RUMO AO FUTURO!

decisoesesolucoes.com/agencias/braganca

Rua Eng. Amaro da Costa, 25 5300 - 146 Bragança.

273 326 361 Alexandra Branco Mediação Imobiliária Unipessoal, Lda Licença AMI 9632


IP Santarém

Todos quantos são pais, mães, responsáveis de empresas e trabalhadores foram abrangidos pela obrigação de ficar em casa, decretada a 16 de março. Com muita incerteza, medo até, toda a população recolheu a casa e a economia passou a ser digital. Reuniões por videoconferência, trabalhos de grupo realizados através de plataformas de partilha de documentos e negócios concretizados através de um clique. Até mesmo o dinheiro foi colocado de lado, em detrimento do pagamento por cartão bancário.

PwC

Esta foi a realidade de todos nós, nestes últimos dois meses e meio. Agora, chegou a altura de desconfinar – pessoas e economia – mas tendo em conta a nova realidade que se nos apresenta. As empresas irão reconverter algum do seu trabalho presencial em teletrabalho, alguns processos antes físicos passarão a ser efetuados digitalmente e as medidas de segurança, como o uso de máscara e a distância social, são para manter. Esta edição da Valor Magazine mostra isso mesmo. O reabrir do país, o regresso ao trabalho de muitos portugueses e a forma como as empresas lidam com isso.

CRN Contabilidade

A Valor Magazine também se adaptou e, durante este tempo, colocou sempre online as suas edições. A leitura – também ela – foi abrangida pela nova realidade digital e fomos ter consigo, a sua casa. Receba-nos mais uma vez, neste início do mês de junho, e garanta a sua leitura, sobre as histórias únicas que sempre lhe trazemos. VALOR - aquilo que uma coisa vale; importância que se atribui ou reconhece a algo ou alguém; qualidade que desperta admiração por alguém; valia, mérito, préstimo; qualidade de quem pratica atos difíceis, extraordinários ou perigosos; valentia; coragem. Somos Somos Os artigos que integram esta edição são da responsabilidade dos seus autores, não expressando a opinião do editor. Quaisquer erros ou omissões nos conteúdos não são da responsabilidade do editor, bem como este não se responsabiliza pelos erros, relativos a inserções que sejam da responsabilidade dos anunciantes. A paginação é efetuada de acordo com os interesses editoriais e demais questões técnicas da publicação, sendo que é respeitada a localização obrigatória - e paga - dos anúncios. É proibida a reprodução desta publicação, total ou parcial, por fotocópia, fotografia ou outro meio, sem o consentimento prévio do editor. "O Estatuto Editorial pode ser consultado no nosso facebook e em https://www.weboost.pt/developer/valormagazine/wpcontent/uploads/2019/09/Estatuto-Editorial.pdf". nos termos do nº1, art.º17º da Lei nº2/99 de 13 de janeiro – Lei de Imprensa".

Avós e Netos

Propriedade e Administração: Sinónimos Breves Unipessoal, Lda Gerência detentora de 100% do capital social José Moreira Sede da Administração, Redação e Edição: Avenida da República, 1622, 7º andar, Frente, sala 19, 4430-193 V.N. Gaia Telefone Geral: 223 204 952 | 221 143 269 Email: geral@valormagazine.pt redacao@valormagazine.pt www.valormagazine.pt facebook.com/revistavalormagazine linkedin.com/company/revista-valor-magazine

Diretor: José Moreira Editora e responsável de conteúdos: Sara Freixo Design e Paginação: Rui Fonseca facebook.com/insidejob.communication Gestores de Comunicação: Fernando Costa, Miguel Machado e Rui Moreira NIF: 515 541 664 Registo ERC nº 127356 ISSN: 2184-6073 Depósito Legal: 462265/19

FICHA TÉCNICA

Esta edição de junho fica marcada pelo fim do confinamento em Portugal.

DESTAQUES

Editorial


FUTURO SUSTENTÁVEL 06 - Voltalia - "A reconstrução económica deve ser ecológica e sustentável"

ENSINO E EDUCAÇÃO 11 - IP Santarém - 40 anos a ensinar, inves gar e inovar

OPINIÕES DE VALOR

ÍNDICE

14 - Rita Sobral - O tempo em tempos de Covid-19

RETOMA ECONÓMICA

15 - Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor - Confiança 18 - PwC - Opera onal Technology: a nova fronteira da Cibersegurança 21 - Hinojosa - "A internacionalização da Hinojosa começa em Portugal" 22 - CRN Contabilidade - "Somos um país de empreendedores"

IMOBILIÁRIO

25 - Secretária de Estado da Habitação- Habitação: a linha da frente na defesa contra a pandemia 28 - Ana Morgado - Setor imobiliário: a in...certeza no futuro 29 - DS Bragança - "O nosso obje vo é realizar sonhos"

OPINIÕES DE VALOR 32 - Daniela Pinheiro - Não trabalhe nunca!

SAÚDE E BEM-ESTAR

34 - Dr.ª Alícia Peres - "O Ser Humano tem uma virtude inegável: a resiliência" 36 - Avós e Netos - "O futuro passa por compar cipar o apoio a idosos, no seu domicílio"


Futuro Sustentável

“A RECONSTRUÇÃO ECONÓMICA

DEVE SER ECOLÓGICA E SUSTENTÁVEL” Há mais de 14 anos que a Voltalia existe e se posiciona como uma empresa de renome no mercado das energias renováveis. A aposta em Portugal é relativamente recente, mas de acordo com João Amaral, Chief Technology Officer, segura. O país posiciona-se como centro de competências e procura receber investimento em centrais de produção de eletricidade vinda de fontes renováveis, como explica Diogo Barros, Global Head of Equipment Trading and Distribution. Diogo Barros 06

Global Head of Equipment Trading and Distribution

João Amaral Chief Technology Officer


Futuro Sustentável

P

orquê escolher Portugal e qual o balanço que faz da presença em território português?

João Amaral, (JA): A Voltalia é uma empresa com quase década e meia de existência a trabalhar com várias tecnologias de energia renovável, com ênfase na energia eólica. Em 2016, o grupo tomou a decisão de fomentar a aposta no setor solar fotovoltaico e, perante o desígnio de crescer, era fundamental obter aquilo que podemos chamar de 3C’s: Colaboradores, Conhecimento e Competências. Foi assim que surgiu a oportunidade de entrar em Portugal, um país onde identificámos estas valências, aliadas à presença de profissionais hábeis e talentosos, que nos permitiram traçar um plano para o país como plataforma para os nossos próprios projetos, ou projetos dos nossos clientes. Aqui criámos o nosso centro de competências para a energia solar do Grupo Voltalia – SOLAR HUB, cujo balanço é sobejamente positivo. Hoje, são mais de 175 pessoas que trabalham connosco, de Norte a Sul do país. Trouxemos a estratégia habitual do Grupo, que assenta numa visão de longo prazo, onde vamos consolidar a operação como centro de competência mas também – sempre que possível – procurar o investimento em centrais de produção de eletricidade a partir de fontes renováveis. Em tempo de pandemia, qual o papel de quem está à frente de uma empresa, quer a nível de gestão de recursos humanos, quer a nível económico-financeiro? JA: Operamos a partir de Portugal para quatro continentes e desde cedo

fomos acompanhando o potencial impacto nas operações e negócio. Os últimos meses têm sido, de facto, únicos no que se refere à gestão de recursos humanos. Se por um lado tivemos de nos adaptar muito rapidamente a um contexto de trabalho diferente, por outro lado foi fundamental agregar esforços, aproximar virtualmente pessoas e, sobretudo, criar confiança no futuro, na Voltalia e no regresso à nova normalidade de que tanto se fala. A gestão em tempos de pandemia, a nível económico-financeiro, é um desafio para o qual normalmente nenhuma escola de gestão nos prepara, é um cenário que até hoje encontrávamos em ficção ou exercício teórico. O ponto de partida, com informação a variar a cada momento e uma incerteza que tomou e continuará a tomar, além dos negócios, os mercados. Após a declaração de pandemia pela OMS, e aos primeiros sinais que a situação poderia evoluir rapidamente, a equipa de gestão desenhou vários cenários hipotéticos e medidas de mitigação, onde avaliámos os mecanismos possíveis e colocámos à disposição das equipas de gestão as ferramentas necessárias para poder assegurar a continuidade de operações, nesta área tão fundamental como é a eletricidade. São palavras que repercuto dos meus colegas com quem fazemos a gestão da Voltalia, o Grupo conta com um balanço forte que foi fortalecido pelo significativo aumento de capital realizado poucos meses antes da pandemia ter o seu início, pelo que, se necessário fosse, teríamos a solidariedade do Grupo, dado ser firme e vincada a aposta em Portugal. Posso afirmar, com certeza, que sairemos mais fortes desta pandemia, com a já conhecida vontade de ser um ator fundamental nas renováveis de e para Portugal, juntando às várias e recentes histórias de sucesso, mesmo em período de confinamento.

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Futuro Sustentável

Que medidas tomaram, respeitantes aos recursos humanos, durante esta crise da Covid19? JA: Criámos um comité multidisciplinar para responder à Covid-19. Este comité foi responsável por criar um Plano de Contingência muito detalhado, por antecipar e organizar o teletrabalho generalizado. Foi responsável pela visão de helicóptero sobre a evolução da pandemia que fomos partilhando com toda a organização. Utilizamos as ferramentas digitais que tínhamos à disposição durante a crise para comunicar atualizações, disponibilidade de equipas e pessoas. Finalmente, e desde o início de maio, este comité organizou um regresso estruturado aos escritórios, seguindo as recomendações do Governo português e preparando, através de várias sessões de esclarecimento e trabalho, a sensibilização e formação de toda a equipa para a nova normalidade que todos vivemos. O confinamento aplicou-se transversalmente. A fragilidade humana perante um vírus criou a necessária proximidade virtual, os horários esbateram-se e a expressão humana ficou transparente. Quer dizer, uma interrupção de uma videochamada por quem tem filhos, por quem tem de dar um apoio na telescola, aconteceu a qualquer pessoa e em qualquer geografia, de quem faz a operação ou gestão, num forte sentimento de um problema comum. Um problema que nos une, nos unirá e nos humaniza. Ou seja, é um verdadeiro sentimento de igualdade. Igualdade como nunca vimos. É nosso desejo um regresso ao trabalho onde todos os colaboradores possam sentir-se seguros, confortáveis e motivados por um regresso à interação presencial, que terá ainda algumas limitações. A obrigatoriedade de recorrer ao teletrabalho foi difícil de implementar na empresa? JA: A nossa adaptação ao teletrabalho foi um passo bastante simples. Não só porque era já uma prática habitual dentro da Voltalia, mas também porque

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todas as condições necessárias para trabalhar remotamente estavam implementadas. Já reuníamos diariamente online e podíamos optar por trabalhar a partir de casa. Um dos maiores desafios do confinamento foi a sua duração. A decisão de replanear a agenda para várias semanas, sem ter imaginado tantas pessoas, por tanto tempo, sem qualquer proximidade social. Foi neste ponto que procurámos ter toda a equipa da Voltalia e m to r n o d o s o b j e t i vo s c o m u n s, n o acompanhamento das equipas que prestam os serviços de Operação e Manutenção e que se mantiveram no ativo, nas centrais, fazendo com que o estado de emergência passasse despercebido quando ligamos o interruptor da luz em casa. Organizámos sessões de espaço social por videochamada, de partilha de dificuldades e organizaram-se sessões tecnológicas e temáticas. Inovamos. Desde março, tivemos até o início de uma receita de culinária a cada 15 dias, com emissão global em direto, unindo a comunidade Voltalia. E tencionamos manter esta última. Portanto, o teletrabalho definitivamente não foi o mais difícil de implementar. Outro exemplo, no caso da área financeira, onde prestamos serviços centrais remotamente para seis geografias, foi de facto clara a implementação do teletrabalho. A maioria dos processos já pressupõem a realidade do trabalho à distância. A interação com as equipas internacionais favorece o teletrabalho e faz-nos ser flexíveis para adaptação a outros fusos horários, o que até facilita a conjugação, muitas vezes exigente, da vida pessoal e profissional. Apesar do distanciamento social, a equipa manteve-se focada na atividade e nos resultados. O trabalho mantevese de tal forma intenso que a opção de lay-off nunca foi equacionada. Mais, pelo contrário e em pleno estado de emergência, continuamos a contratar e a preparar a integração de novos colaboradores, recorrendo a recursos digitais. A transformação digital será fundamental para um sucesso integral de uma empresa no futuro? JA: A transformação digital é, já hoje, uma característica-chave, elementar para as empresas serem bem-sucedidas. Na Voltalia, aderimos à desmaterialização de processos e à prática de evitar

o uso de papel – com redução quase absoluta desde há um ano. Para tal, adotámos soluções que permitem a partilha e desenvolvimento de trabalho em plataformas digitais. Continuamos hoje a trabalhar na melhoria de soluções informáticas que, naturalmente, desafiam e estimulam a evolução dos procedimentos, incluindo a robotização de processos. Esta transformação exige que utilizemos uma comunicação clara e regular onde procuramos esclarecer, inspirar e partilhar a forma como tomamos decisões, para que a confiança na gestão seja transversal a todas as áreas dos nossos negócios. A confiança das nossas pessoas nas decisões que tomamos foi, é, e será sempre algo que temos como fundamental para manter a coesão e união entre todas as equipas, trazendo-as motivadas em casa, nas centrais onde é produzida eletricidade e agora para o regresso aos escritórios. Acreditamos que a transformação que fizemos até hoje e o que temos planeado nos trará uma competitividade fundamental para a nossa atuação no setor das renováveis, o que se vai traduzir em ainda melhores e mais confiáveis serviços. Que processos foram implementados durante a pandemia que continuarão ativos na fase de retoma? JA: Trabalhamos em rede, numa estrutura em “malha”, onde cada um tem contacto direto entre qualquer elemento. Dado que o desconfinamento em Portugal irá ocorrer de forma diferente e desfasada de outros países onde temos atividade, acarreta que iremos manter alguns métodos de operação “Covid” durante mais algum tempo. As principais implementações durante a pandemia foram adaptações às áreas que operam com recurso a infraestruturas fisicamente localizadas nos nossos escritórios. Alteramos a forma como estes serviços funcionam, pelo que na fase de retoma - ou posteriormente - estamos em condições para funcionar na forma que melhor equilíbrio oferecer entre um serviço de excelência e uma preocupação permanente que temos com cada um de nós, com cada “Voltaliano”. Vamos manter mais comunicação


Futuro Sustentável

entre equipas (locais, regionais e internacionais) recorrendo a videochamadas regulares, valorizando as reuniões e eficiência nos horários destas. Os processos administrativos serão no final ainda mais digitais, dado que alguns dos nossos fornecedores ainda não operavam de forma totalmente digital. Existirá uma reorganização empresarial, agora que a Covid-19 obrigou a alterar alguns métodos e hábitos de trabalho? JA: Costumamos dizer que a aprendizagem é permanente e é com humildade que dizemos que aceleramos o aprender de novos comportamentos na adaptação ao prolongado confinamento durante este período. Porém, isto não quer dizer que iremos alterar de tal forma os hábitos de trabalho por forma a não existir qualquer contacto social. Vamos procurar o equilíbrio e, algo que já anteriormente fazíamos, proporcionar a cada colaborador o melhor equilíbrio possível entre vida pessoal e profissional. Acreditamos verdadeiramente que é esse bem-estar excecional que procuramos proporcionar a cada colaborador um fator diferenciador neste competitivo mercado de trabalho. Tivemos, como qualquer empresa, um período de adaptação. Acredito que poderão existir reorganizações empresariais no mercado de trabalho, dentro do domínio da energia e em particular na área da eletricidade. No que à Voltalia diz respeito, a organização teve um comportamento exemplar durante a pandemia e estou seguro de que em qualquer outro desafio que nos apareça, teremos capacidade de adaptação. Somos uma organização flexível. Como antecipam o futuro, a curto e médio prazo, no setor das energias renováveis? JA: O futuro, a curto prazo e em Portugal, passa não só pelo segundo leilão de solar - em que tudo aponta se realize no final de agosto do corrente ano. O leilão está próximo, mas a chegada desta capacidade à rede irá levar algum tempo, sendo que tudo indica que apenas possa acontecer no Verão de 2024. Aguardamos com expectativa mais informações, porém tem sido consistente a forma como quase toda a indústria tem antecipado este leilão . Espera-se que seja igualmente competitivo face ao leilão do ano anterior, com uma procura a exceder a oferta, porém há várias alterações que mudam consideravelmente a

perceção e predisposição ao investimento. Isto porque, desde logo, será um leilão com menos capacidade e com menores lotes, mas também porque as expectativas dos preços da eletricidade a médio prazo baixaram muito consideravelmente, não só pelo efeito da Covid-19 mas também porque no momento de ligação à rede destes novos lotes em 2024, teremos vários gigawatts de centrais fotovoltaicas em concorrência direta e que produzirão eletricidade praticamente em simultâneo, aumentando a oferta nos períodos de maior produção solar. Isto, inevitavelmente, conduzirá à queda dos preços em mercado, o que para um investidor se traduz em risco acrescido. Em suma, estes fatores e outros de natureza técnica, irão certamente influenciar a perspetiva perante os leilões e fazer repensar o sentido de participação. A legislação em Portugal, nesta área, é positiva para o setor, para quem produz e para quem comercializa energia? JA: A Covid-19 efetivamente colocou à prova a capacidade de fazermos rápido, de nos adaptarmos a condições novas. No que diz respeito à legislação aplicável ao setor elétrico, esta percorre um tradicional fluxo que não é comparável à celeridade que foi necessária para a adaptação à pandemia. Faço esta menção para responder à sua pergunta na perspetiva que a regulamentação se deve adaptar também à digitalização e às necessidades que o setor tem para trazer agilidade e competitividade que, no fim de contas, se pretende que chegue à indústria e famílias em todo o país. Por exemplo, há vários regimes disponíveis para instalação de centrais fotovoltaicas, alguns similares a outros países dentro da União Europeia e outros bastante diferentes. No caso do autoconsumo e das comunidades de energia, a regulamentação em Portugal sofre várias modificações face às restantes geografias onde operamos no que diz respeito à remuneração de excedentes. Creio que o fundamental para a perspetiva do regulador é algo que consiga zelar pelos interesses das famílias, indústria e país em consonância com a visão de médio ou longo prazo que um investidor comprometido quer ter, evitando assim que qualquer investimento, feito no domínio da eletricidade ou energia, possa colocar em risco a capacidade do potencial investidor, pois tal poderá onerar indiretamente os consumidores.

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Quais os maiores desafios para quem quer começar a produzir energia para transformar posteriormente em eletricidade? JA: Eletricidade é energia mas energia pode não ser só eletricidade. Ou seja, quando falamos na energia para um automóvel esta pode ser um combustível ou eletricidade. Falando em projetos de grande escala, posso dar-lhe o exemplo de uma central de biomassa como central de produção de eletricidade. É possível fazer uma plantação que tenha como objetivo ser o recurso a utilizar, cumprindo com a regulamentação em vigor e posteriormente transformar esta biomassa em eletricidade. Isto acontece competindo com as restantes indústrias que também poderiam utilizar este recurso para outra finalidade, ou até aproveitando o calor além da eletricidade. Quando falamos de outras fontes primárias, como o Sol ou o vento, os maiores desafios estão hoje relacionados com a possibilidade de obter uma ligação à rede nacional de distribuição ou rede nacional de transporte de eletricidade. Estas redes irão sofrer várias aplicações para comportar mais eletricidade de fontes renováveis, pelo que são inúmeras as solicitações de acesso à rede pelos potenciais investidores. Em paralelo, é necessário cumprir com todos os preceitos regulamentares, incluindo os ambientais, que combinados são desafiantes para a produção de eletricidade. Se falarmos de autoconsumo, por exemplo, a instalação de um único painel de menos de 350 Watts pode ser um processo simples, que não requer qualquer tipo de certificação. Para este tipo de pequenos projetos destinados aos consumidores domésticos, temos também uma solução no mercado - Solar Energy Kit, comercializado em Portugal pela nossa marca de distribuição de equipamentos MPrime. O que mudou e o que é que ainda vai mudar, no mercado das energias renováveis? [JA: Nos próximos meses e anos vamos assistir a uma enorme dinâmica no mercado. Podemos dizer e esperar um aumento de tamanho e posteriormente de eficiência dos painéis fotovoltaicos, os aerogeradores irão continuar a crescer na potência, altura e comprimento das suas pás, veremos cada vez mais centrais instaladas no

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mar, sendo estas flutuantes ou de ancoragem fixa. Para comportar com as renováveis, com a crescente mobilidade elétrica e com a descarbonização dos transportes terrestres, marítimos e aviação, será crescente a aposta no hidrogénio produzido a partir de fontes renováveis, o aparecimento de instalações de armazenamento de eletricidade, o estímulo adicional à instalação de painéis nas casas e indústria. Os sistemas de consumo serão dotados de sistemas inteligentes, tão ou mais fundamentais do que o armazenamento ou hidrogénio para regular a procura e a oferta e que podem ajustar o consumo a tarifas dinâmicas, mediante o que possa ser mais importante para cada cliente – se a disponibilidade do serviço, se o preço. Vamos poder decidir se o mais importante é ter uma peça de roupa lavada ou se a queremos lavar quando for mais barato. Acreditamos em muitas mudanças e estamos estrategicamente preparados para elas. No que à área de distribução de equipamentos diz respeito, onde a Voltalia opera em Portugal com a marca MPRIME, qual foi o impacto nas vendas durante o período de confinamento? Diogo Barros, (DB): Na área de distribuição de equipamentos – MPrime/Voltalia, muito devido à estratégia de proximidade com os nossos parceiros e clientes, a MPrime tem vindo a registar um aumento de vendas sustentável, não tendo notado qualquer abrandamento da sua atividade durante estes últimos três meses, em que, globalmente, vivemos tempos de maior exigência logística e operacional. Graças a esta estratégia e investimento em stock local para fazer face a contingências imprevistas, associados a uma total disponibilidade operacional das nossas equipas, a MPrime registou durante este período um novo recorde de vendas, tendo superado as expectativas previstas. Este «novo normal» obrigou a Voltalia Distribuição/MPrime a reavaliar e reajustar a sua estratégia? DB: Efetivamente o negócio da distribuição de equipamentos solares fotvoltaicos na Voltalia (que em Portugal se faz representar pela marca MPrime) sofreu recentemente, em 2019, uma redefinição estratégica quer do ponto de vista do seu modelo

de negócio, quer da sua expansão internacional. Neste último ano, criaram-se condições internas e de mercado para que esta unidade de negócio (distribuição) passasse de uma presença em apenas dois países (Portugal e Itália), para uma presença mais alargada e com vendas efetivas em seis países, tendo adicionado e iniciado operações em Espanha, França, Reino Unido e mais recentemente, na Grécia. Por outro lado, alargou-se o âmbito da atividade implementando novos modelos de negócio, que aportam valor acrescentado aos nossos clientes, oferecendo soluções inovadoras associadas a serviço e em perfeita sintonia com a missão da Voltalia – promover o desenvolvimento local, impactando na melhoria do ambiente global. Atendendo às, imprevisivelmente baixas, cotações recentes das fontes de energias de origem fóssil a que assistimos, como vê o futuro das energias renováveis e mais concretamente da energia solar fotovoltaica? DB: Se já havia antes desta pandemia, agora elevou-se ainda mais uma consciência generalizada de que a sustentabilidade ambiental do planeta em que vivemos é uma preocupação de todos. Ouvimos hoje os altos governantes das economias mais relevantes, assim como os líderes das principais empresas europeias e mundiais, a reclamarem uma reconstrução da economia, aprendendo com o passado e projetando a mesma numa visão ecológica e sustentável. A única solução que se vislumbra para evitar futuras crises energéticas e, consequentemente, económicas passará pela implementação de uma transformação energética urgente com a erradicação progressiva das fontes poluentes. Nesta perspetiva, a proliferação de painéis solares fotovoltaicos nos telhados das nossas casas, em vilas e aldeias, nos parques industriais e em grande escala nas regiões com melhor irradiação solar para produção, promovendo desta forma para uma produção elétrica descentralizada. Esta será, seguramente, a forma mais segura e eficiente de responder a estes desafios.

voltalia.com


Ensino e Educação

40 ANOS A ENSINAR, INVESTIGAR E INOVAR ipsantarem.pt

O Instituto Politécnico de Santarém completa o seu 40º aniversário e, por ocasião desta celebração, a Valor Magazine entrevistou o professor João Moutão, presidente interino desta instituição, sobre o ensino, a investigação e a importante ligação entre a academia e o mercado de trabalho.

O

Instituto Politécnico de Santarém foi criado em 1980, mais exatamente no dia 6 de junho e celebra o seu 40º aniversário este ano. Numa data como esta, que lhe parece ser de salientar nesta instituição? A data de criação do Instituto Politécnico de Santarém (IPSantarém) remonta ao dia 26 de dezembro de 1979, através do Decreto-Lei n.º 513-T/79, que criou o Ensino Superior Politécnico Público em Portugal. Podemos dizer, dessa forma, que o IPSantarém foi um dos primeiros Institutos Politécnicos a ser criado em Portugal. O dia do Instituto é oficialmente celebrado a 6 de junho de 1980, data do despacho de nomeação do Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão para Presidente da Comissão Instaladora do Instituto, e que representa o início formal da sua atividade. Ao longo destes 40 anos há a salientar o notável percurso realizado em prol do desenvolvimento da região e da qualificação das populações. Às duas Escolas que inicialmente fizeram parte do Instituto, a Escola Superior Agrária e a Escola Superior de Educação, foram adicionadas mais três, a Escola Superior de Gestão e Tecnologia, na altura apenas Escola Superior de Gestão, a Escola Superior de Desporto e a Escola Superior de Saúde, na altura Escola Superior de Enfermagem. A diversidade de áreas científicas e de formação é um dos aspetos que mais há a salientar no IPSantarém.

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Ensino e Educação

componentes estão presentes na generalidade dos ciclos de estudos oferecidos pelo Politécnico de Santarém e são uma das razões da elevada empregabilidade e aceitação dos nossos diplomados. A NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém, o Cluster Agroindustrial do Ribatejo – Agrocluster, a Desmor, EM, SA., o Hospital Distrital de Santarém e o Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano são alguns exemplos das parcerias que temos na região.

João Moutão Presidente Interino

Possuem cinco Escolas Superiores e uma área de Investigação e Desenvolvimento e Inovação. 40 anos depois da sua fundação, que análise faz desta academia? Que êxitos já obtiveram que possam ser relembrados? Foram muitos os êxitos ao longo da história do IPSantarém. A criação e integração das diferentes Escolas são marcos importantes, celebrados todos os anos pelas respetivas comunidades académicas. Mais recentemente, temos a destacar o crescimento ao nível dos centros de investigação com a criação do Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV) (https://www.cieqv.pt/pt/) e de um novo pólo do Ce n t r o d e Inve s t i ga ç ã o e m A r te s e Comunicação, dedicado à literacia digital e à inclusão social (https://ciac.pt/). Estes centros de investigação, financiados e acreditados pela FCT integram docentes de diferentes áreas do conhecimento e Escolas Superiores propiciando condições de massa crítica e de inovação. No último concurso da FCT para o financiamento de Projetos de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico (IC&DT) em todos os Domínios Científicos, o IPSantarém participou em 18 projetos submetidos a

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financiamento nas seguintes áreas científicas: Economia e Gestão – Organização e Gestão de Empresas, Biotecnologia Agrária e Alimentar, Agricultura, Silvicultura e Pescas – Pescas, Ciências da Saúde – Cuidados de Saúde e Serviços, Ciências da Saúde – Ciências do Desporto, Ciências da Terra e do Ambiente, Educação Geral, Ciências da Comunicação – Ciências da Informação. Uma das grandes características dos institutos politécnicos é a sua integração na comunidade onde estão inseridos e a comunicação com os diversos agentes empresariais da região, para oferecer ao mercado aquilo de que o mercado necessita. Isso também se verifica no IP Santarém? A ligação às entidades empregadoras e ao tecido empresarial da região é fundamental. O envolvimento começa desde logo no próprio processo de formação, com a participação de docentes especialistas em determinados setores, e na realização de formação em contexto de trabalho e de estágios, envolvendo uma rede de parceiros institucionais. Estas

Como caracterizaria a vossa oferta formativa? A nossa oferta formativa caracteriza-se por ser diversificada, inovadora e com elevados índices de empregabilidade. Temos atualmente cerca de 67 ciclos de estudos de licenciatura, mestrado, pós-graduação e TeSP, garantindo elevados padrões de qualidade. Todos os anos a oferta formativa é atualizada e são reestruturados ou abertos novos cursos. Para o próximo ano, a título de exemplo, vamos avançar com três novos cursos TeSP, em Marketing Digital, Secretariado em Saúde e Proteção e Apoio à Pessoa Idosa, uma nova licenciatura em Gestão de Marketing e um novo Mestrado em Engenharia Agronómica. Ao longo destes 40 anos, como foram adaptando a realidade académica às mudanças sociais e tecnológicas que aconteceram? Procuraram sempre um ajuste da lecionação à realidade do país e do mundo? A maior parte dos estudantes que hoje entra no ensino superior, especialmente ao nível d o 1 . º c i c l o d e fo r m a ç ã o, j á s ã o o s denominados “nativos digitais”. Nasceram e cresceram num mundo dominado pelas tecnologias. O IPSantarém encontra-se numa fase de transição total para o digital,


Ensino e Educação

numa fase de transição total para o digital, através da implementação de um portal único com interoperabilidade para todas as plataformas que utilizamos, fazendo com que qualquer membro da nossa comunidade, através de um único login tenha acesso a todos os serviços e a plataformas que necessita. Isto estará tudo acessível através de um dispositivo eletrónico e representa também uma maior eficiência e qualidade dos serviços prestados. O desafio de ensinar, atualmente, é diferente de há 40 anos? Quais os aspetos que mais se alteraram? Quase tudo mudou. Para os estudantes atuais pouco sentido faz estar dentro de um auditório a ouvir uma informação que qualquer um pode obter à distância de um clique. O conceito de “aprender a fazer, fazendo” é algo que os atuais estudantes valorizam muito, especialmente quando há uma ligação muito clara à resolução de problemas concretos em contexto real, com forte sustentação científica. Esta inovação pedagógica, aliada às novas tecnologias e aos ambientes de aprendizagem inovadores são alguns dos aspetos que caracterizam a realidade de ensino atual.

Que desafios anteveem para as próximas décadas, sobretudo no que respeita ao ensino, à sua qualidade e aos desafios que o mercado de trabalho impõe? A educação é, sem margem de dúvida, o melhor instrumento que temos ao nosso dispor para a construção de uma sociedade mais justa e democrática. Sabemos hoje que um jovem qualificado tem acesso a melhores condições de trabalho e, consequentemente, de vida. Esta dimensão de “elevador social” é crucial. Mas também sabemos que um jovem que seja treinado na sua capacidade de “reflexão” estará menos vulnerável a fenómenos de “populismo” emergentes nas sociedades atuais, alimentados com «fake news». Identifico por isso dois grandes desafios: 1) o aumento do número de jovens a entrar para o ensino superior após terminarem o ensino secundário, que continua a ser muito reduzido, cerca de 50%; 2) o reforço da rede de ensino superior fora dos grandes centros urbanos como política de desenvolvimento territorial e de democratização do ensino superior, possibilitando as mesmas condições de qualificação às populações do interior, muitas vezes esquecidas.


Opiniões de Valor

O TEMPO EM TEMPOS DE COVID-19

A

ntes da pandemia tomar conta das nossas vidas, muitos de nós tínhamos uma retórica e sentimento constante de agendas excessivamente ocupadas com compromissos profissionais, familiares e sociais. Tudo mudou e o tempo chegou de uma maneira antes desconhecida. Sem bater à porta e para ficar. Temos hoje mais tempo devido ao confinamento parcial, com logísticas minimizadas e algumas obrigações facilitadas ou dissipadas. Criámos forçosamente o hábito de utilizar exatamente o mesmo espaço físico para fazer uma reunião, uma refeição, uma discussão, uma aula dos nossos filhos, um momento de reflexão religiosa. Tudo isto com uma capacidade de aproveitamento excecionalmente mais complexa. Perdemos o conceito do nosso tempo pois a total privacidade, em grande parte, foi-nos retirada. Dividimos o espaço constante com família e amigos – espaço físico, temporal, emocional, psicológico – pois os nossos círculos de confiança passaram a círculos também eles de check-in diário quanto ao nosso estado de saúde. Sentimos uma pressão imensa para maximizar tempo numa estrutura totalmente nova com teletrabalho, distanciamento social, máscaras obrigatórias e stocks pessoais de álcool gel em quantidades jamais imaginadas. Se Kafka vivia sob a lógica do tempo como capital e maximização da sua utilização sob

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Rita Sobral Advogada e Mestre em Direito

pena de ‘estragar a vida’, espero sinceramente que não apliquemos essa mesma lógica aos meses passados e acima de tudo, aos meses que temos à nossa frente. Esperam-nos meses difíceis, de ainda maior frustração, pois o tempo parece ter perdido sentido. Encontramo-nos sedentos de uma vida ‘normal’, como a conhecíamos. Em que o exato dia da semana se sentia relevante, em que se contava o tempo para férias, fim de semana e feriados. Mas o vírus está no mesmo lugar em que estava no dia antes do Estado de Emergência ter sido decretado. Não nos esqueçamos disso. O tempo como o conhecíamos não voltou (ainda) e provavelmente irá tardar (até uma vacina ou tratamento serem descobertos, para os quais a ciência trabalha a todo o gás). O ‘normal’ deixou de o ser. Estamos no início do ajuste ao ‘novo normal’. Einstein e a sua teoria da relatividade do tempo nunca nos fizeram tanto sentido. O tempo é relativo – iremos senti-lo de maneiras diferentes consoante e mediante as circunstâncias vividas. Essa é a nossa grande lição. E aceitando esta premissa, o caminho não pode ser o do esgotamento do tempo na sua lógica de capitalismo triunfal de maximização de recursos. O desafio encontra-se em como utilizar e interpretar o tempo daqui em diante, tanto do ponto de vista pessoal e de preservação da saúde mental e física individual mas também do ponto de vista da eficiência para a economia e os empregadores. Redescobrir um

desaceleramento forçado que talvez fosse necessário em qualquer circunstância. Os tempos pré-pandemia foram para muitos tempos de burnout, de esgotamento, de pressão desmesurada, de acesso constante ao trabalho e obrigações por via do acesso tecnológico. Será que este tempo que nos é hoje apresentado chegou como estado de graça? Como oportunidade para nos recolocarmos como sociedade e reajustarmos fenómenos que, de há muito, precisam da nossa atenção. E assim, será que inesperadamente encontrámos a beleza em tempos de tanta incerteza? Será que podemos, agora, dar tempo ao tempo? Em vez de esperarmos voltar a uma lógica de maximização constante de cada minuto das nossas vidas sem pensarmos ou refletirmos, será que nos podemos permitir interiorizar este tempo? Como tempo de transformação, tempo de fazer o bem a nós mesmos e aos outros, tempo de reflexão ou simplesmente tempo de sentir o tempo e tudo que ele nos traz. ‘Afinal, há é que ter paciência, dar tempo ao tempo, já devíamos ter aprendido, e de uma vez para sempre, que o destino tem de fazer muitos rodeios para chegar a qualquer parte’ – José Saramago.


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CONFIANÇA João Torres Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor 15


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m 2019, o desempenho da economia nacional fez superar os valores estimados pelo próprio Governo e o peso das exportações no produto interno bruto cresceu, mesmo perante uma conjuntura internacional mais adversa, demonstrando a resiliência e a competitividade do nosso tecido económico. Nos dois primeiros meses de 2020, o volume de negócios do emprego e das remunerações nas atividades de comércio e de serviços cresceu sustentadamente, como confirmam as estimativas já publicadas. O rumo trilhado passava pelo crescimento e pela convergência face aos congéneres europeus, reforçando a confiança no futuro. Em meados de fevereiro, porém, o novo coronavírus alastrou-se à Europa, surgindo, no início do mês de março, o primeiro caso de infeção em Portugal. O desconhecimento sobre o vírus e sobre os seus mecanismos de propagação obrigou à adoção de um vasto conjunto de medidas para proteger a saúde pública, o que determinou que se suspendessem atividades e se definissem restrições ao funcionamento de diversos setores da economia. Desde a primeira hora, o Governo assumiu três objetivos fundamentais, nos quais

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esteve, está e permanecerá empenhado: a manutenção dos postos de trabalho e dos rendimentos dos trabalhadores, a facilitação do acesso a liquidez por parte das empresas e, naturalmente, a preservação da capacidade produtiva instalada. Tendo em vista o cumprimento destes objetivos, foram concretizadas várias medidas, que vão desde a dinamização de linhas de crédito com garantia pública à possibilidade de acesso a um regime de lay-off simplificado, entre outros instrumentos de proteção dos cidadãos e dos sinais vitais da economia. Adicionalmente, o contexto de acentuada imprevisibilidade suscitou preocupação quanto ao funcionamento da cadeia de abastecimento agroalimentar. A hipótese da emergência de perturbações que espoletassem ruturas no fornecimento de bens essenciais exigiu a articulação permanente entre representantes de diversos setores, num esforço conjunto cujo resultado é assinalável. O regresso ao quotidiano comunitário e a gradual retoma da atividade económica marcaram o início de um novo período. Sem nunca menosprezar a preponderância da saúde pública, o plano de desconfinamento apresentado pelo Governo acautelou a necessidade


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de gerar e sedimentar, desde a primeira hora, confiança. Por forma a auxiliar as micro, pequenas e médias empresas no esforço de adaptação dos seus estabelecimentos, de métodos de organização do trabalho e de relacionamento com clientes e fornecedores, foi concebido um programa de apoio específico especialmente oportuno e relevante, por exemplo, para os setores do comércio, dos serviços e da restauração. Tem sido, pois, absolutamente notável o empenho dos operadores e c o n ó m i c o s n a a d a p t a ç ã o a e s t e n ovo n o r m a l . Se m o extraordinário – mas não surpreendente, para quem conhece os Portugueses – esforço e a capacidade de adaptação dos trabalhadores e dos empresários, nada teria sido igual. Ainda no período do estado de emergência, a redução da mobilidade contribuiu para o crescimento significativo das encomendas e, c on s e q u e n te m e n te, d a s e n t r ega s, t an to d e pr o d u to s alimentares, como de refeições preparadas, ou ainda de bens e p r o d u to s d e o u t r a n a t u r e z a , i l u s t r a n d o o e s fo r ç o d e digitalização e de recurso a soluções inovadoras por parte das empresas.

Nos futuros próximo e imediato, a dinâmica da economia nacional não será exatamente idêntica à que existia no período anterior ao surto que – ainda – enfrentamos. Mas os pilares essenciais da nossa estratégia de desenvolvimento mantêm-se intactos e foram, antes mesmo desta nova e difícil circunstância, bem assinalados pelo Governo: o desafio da digitalização, a necessidade de reforço do combate às alterações climáticas, a abordagem integrada e inclusiva da demografia e a redução das desigualdades. Para que, em breve, possamos retomar a trajetória que vínhamos seguindo, coletivamente, é fundamental que todos os cidadãos – consumidores – assim como as empresas, continuem a ser agentes ativos de contenção da propagação da Covid-19. Com passos comedidos, mas sólidos, acredito que estaremos à altura do desafio de combater o vírus SARS-CoV-2 e de, simultaneamente, retomar a atividade económica, para o que a responsabilidade e a confiança são, justamente, os fatores mais decisivos.

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OPERATIONAL TECHNOLOGY: A NOVA FRONTEIRA DA CIBERSEGURANÇA Miguel Fernandes Consulting Partner

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medida que a Indústria 4.0 aumenta a conectividade entre o nova geração de ciber hackers a começar a dominar este mundo físico e o digital, as ameaças de cibersegurança à ecossistema. tecnologia operacional (OT) amadurecem Infraestrutura: sob cerco proporcionalmente e com efeitos potencialmente devastadores. A falta de consciencialização desta ameaça crescente, apesar de Os ataques de cibersegurança endereçados à tecnologia operacional relevante, não tem sido o principal problema. Muitas vezes, as - um termo que descreve a tecnologia responsável pela organizações governamentais e públicas não têm visibilidade plena monitorização e movimento dos elementos físicos de um dos seus sistemas OT e muito menos das vulnerabilidades de componente de infraestrutura - têm vindo a aumentar ainda antes segurança dentro destes. do final do século passado. A metodologia dos primeiros ataques foi experimental, determinando quais as técnicas que obtiveram êxito, Adicionalmente, a noção de que a cibersegurança é um problema e rapidamente se tornou mais militarizada como arma cibernética informático e não uma preocupação de toda a empresa pode concebida para destruir ativos importantes. A atual vaga de ataques também fomentar uma falta de responsabilização na manutenção OT envolve ações cada vez mais sofisticadas e impactantes, com uma da segurança das organizações, aumentando ao mesmo tempo a

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probabilidade de terceiros mal-intencionados poderem ter acesso a na nuvem estão a criar "superfícies de ataque" que estão constantemente a mudar de forma. É mais importante do que nunca que as organizações sistemas e redes críticos. compreendam os seus ativos críticos, saibam como geri-los e ponham em Finalmente, há a questão da segregação das redes, que é fundamental para prática os quadros de gestão de risco adequados, como por exemplo, a proteger estes sistemas das redes menos fiáveis, como o correio eletrónico e framework NIST. o acesso à Internet em ambientes empresariais, onde estas ameaças se podem propagar com relativa facilidade. A segregação de redes TI/OT, que Estes frameworks acomodam os riscos relevantes associados aos utiliza tecnologias como as firewalls para dividir as redes em vários ambientes operacionais, onde a saúde, a segurança e os impactos segmentos de rede, é um conceito relativamente simples. Mas a sua ambientais são frequentemente mais proeminentes do que as questões implementação numa sociedade digital em que as barreiras tradicionais de segurança tradicionais, como a privacidade e a confidencialidade. das redes estão continuamente a ser derrubadas para facilitar e acelerar a As organizações devem trabalhar na direção da identificação dos pontos sua utilização pode ser extremamente difícil. cegos, segmentar as suas redes informáticas e OT evitando assim uma Tendo em mente estas complexidades, as organizações que gerem tendência típica de desenhar uma configuração inicial que, infraestruturas críticas podem tomar três medidas para ajudar a colocar a posteriormente, carece de atualização face à ausência de monitorização. tecnologia operacional no centro da sua estratégia de cibersegurança e Uma boa estratégia de cibersegurança deve também incluir a capacidade garantir que os riscos são mitigados - criando ao mesmo tempo uma de antecipar as mudanças no panorama tecnológico. organização mais resistente a futuros ataques no processo. 2. Foco nas pessoas e na cultura Tendo como base que a sensibilização e a responsabilização são um dos 1. Criar frameworks adequados para a gestão de riscos principais obstáculos a uma estratégia robusta de cibersegurança, A convergência das TI e das infraestruturas críticas tornou as cidades mais verificou-se que, e de acordo com o estudo da PwC “2019 Digital Trust inteligentes e interligadas. Durante esse processo, os ambientes industriais Insights”, 71% das organizações de elevado desempenho (as «cyber outrora isolados - fábricas, linhas ferroviárias, redes elétricas - são agora security trailblazers») concordaram fortemente que a sua equipa de explorados de forma mais perfeita e eficaz. Mas a proliferação de sensores cibersegurança comunica eficazmente com os seus conselhos de digitais que recolhem dados dentro destes criou um ambiente em que o administração e quadros superiores sobre o risco cibernético. Noutra perspetiva, apenas 33% dos inquiridos das organizações “regulares" grande número de ativos os torna cada vez mais difíceis de proteger. concordaram fortemente nesta vertente do inquérito. Este número é A explosão dos pontos de contacto dos clientes - smartphones, influenciado pela convicção comum de que a cibersegurança é o domínio computadores portáteis, tablets - e a mudança para plataformas baseadas das TI e não da competência de toda uma organização.

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Demasiadas vezes, a dissonância entre os departamentos de TI e de OT, bem como a adesão insuficiente a nível executivo, podem deixar as empresas mais abertas a violações de segurança colocando assim as infraestruturas e serviços críticos sob ameaça. Investir no talento dos recursos, defender a sensibilização para a cibersegurança a todos os níveis de uma organização e derrubar as barreiras que impedem a colaboração entre as diferentes partes de uma empresa podem preparar o terreno para uma abordagem mais holística e eficaz para mitigar os riscos cibernéticos na tecnologia operacional antes que estes surjam. As organizações que dependem fortemente de sistemas OT tendem a ter fortes culturas de segurança incorporadas devido aos riscos associados ao funcionamento e manutenção dos seus ativos de infraestrutura, bem como dos ambientes potencialmente perigosos em que tipicamente operam.

visão única do risco de segurança graças a um conjunto de fatores, tais como: limitações introduzidas pelos sistemas legados, múltiplos fornecedores de tecnologia e uma estrutura organizacional pouco assertiva no que respeita à responsabilização dos ativos críticos. Uma outra tipologia de risco prende-se com as organizações que não segmentam adequadamente os seus ambientes OT e TI. Por um lado, conduz a uma estrutura de rede plana e mais fácil de gerir, mas por outro é mais fácil de comprometer do ponto de vista da cibersegurança. Isto significa que uma violação de um dispositivo - seja internamente, através de um empregado ou de uma parte externa - pode comprometer toda uma rede de TI e, subsequentemente, alastrar a sistemas OT críticos. Desta forma, uma boa estratégia pode assentar na separação entre sistemas críticos e não críticos, ajudando assim as organizações a compreenderem melhor os seus ativos e quais é que vale a pena proteger para assim instituírem os controlos adequados. Em última análise, a obtenção de uma visão mais clara.

Neste contexto, a cibersegurança é o garante da proteção de características como estabilidade, tempo de atividade e resiliência - todos eles com fortes laços ou dependências em relação à segurança. Ao “converter” a cibersegurança nestes termos garante-se uma comunicação mais alinhada, tocarufar.com potenciando assim o sucesso de uma estratégia de consciencialização para o Garantir o futuro: crescimento www.adegaborba.pt universo OT. Embora a tecnologia tenha tornado a infraestrutura de que dependemos mais transparente, conveniente e centrada no cliente, é crucial que a mesma 3. Eliminar os obstáculos à visibilidade A falta de uma estratégia clara de cibersegurança pode aumentar o risco de esteja preparada, não só para o constante surgimento de novos riscos, como uma organização ser alvo de ataques de cibersegurança. Mas, em OT, muitas também para a antecipação de novas ameaças. Assim, deve-se começar por organizações estão também restringidas pela sua incapacidade de detetar e colocar a cibersegurança no centro do suporte aos negócios, investindo e promovendo uma cultura de cibersegurança e identificando as formas como responder a ameaças. Por exemplo, muitas organizações que dependem das OT não têm uma os sistemas são vulneráveis.


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“A INTERNACIONALIZAÇÃO DA HINOJOSA COMEÇA EM PORTUGAL” A Hinojosa é uma empresa especializada na produção de embalagens há mais 70 anos e líder de mercado em Espanha, além de ser considerada um dos principais grupos familiares. Com um crescimento acentuado nos últimos anos, a empresa espanhola adquiriu a empresa Graphicsleader, líder em Portugal no setor das embalagens, abrindo assim as portas à internacionalização e reforçando a sua posição no mercado ibérico de embalagens.

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oi no final do mês de maio que a empresa espanhola Hinojosa terminou a aquisição da empresa portuguesa Graphicsleader. Ambas líderes no setor das embalagens, nos seus países, estas empresas fazem agora parte integrante do mesmo grupo. Esta aquisição representa o primeiro passo da Hinojosa para a internacionalização.

De acordo com a administração espanhola, a empresa portuguesa possui valores muito semelhantes aos seus, com a orientação para o cliente muito patente, bem como a inovação. Com 175 colaboradores, a Graphicsleader continuará a laborar e a ser supervisionada pela família que a geria, sendo que a Hinojosa se compromete a melhorar a produtividade e eficiência da empresa portuguesa, bem como aumentar a sua capacidade produtiva.

Especializada há mais de 70 anos em embalagens, a Hinojosa tem vindo a crescer, enquanto grupo de empresas familiar, e a expandir o seu negócio. Em 2019, o grupo espanhol fechou o ano a faturar 418 milhões de euros, mais 5% do que em 2018. Além disso, ainda realizou a aquisição de duas outras empresas espanholas, também elas do setor das embalagens, com vista ao alargamento da sua oferta aos clientes. Inicialmente, a Hinojosa adquiriu a Demco, localizada em Cardedeu, uma empresa que se dedica à produção de embalagens de cartão canelado para clientes cuja exigência técnica é maior. Depois, seguiu-se a aquisição da Edihor, cujo core business passa pela compra e venda de produtos complementares à embalagem, como plástico-bolha ou fita adesiva. Ambas as empresas passaram a integrar o grupo Hinojosa Packaging Cardedeu.

No que respeita aos mercados que serve, a Graphicsleader vai permitir à Hinojosa alargar a sua oferta na indústria alimentar, calçado, detergentes e têxtil e exportar 50% da sua produção para Marrocos, Argélia, França, Alemanha e Malta. Os restantes 50% destinam-se ao mercado português. O foco da empresa espanhola na constante inovação permite oferecer ao mercado sistemas de embalagem que respeitam o ambiente e há uma clara aposta na economia circular - compra de matéria-prima, design, produção e gestão de resíduos. Na base do crescimento do grupo está, de acordo com a administração, o contínuo investimento tecnológico.

A aquisição da Graphicsleader, empresa portuense com mais de 125 de laboração e especializada em embalagens de alta qualidade, em cartolina e micro canelado, veio reforçar a posição ibérica da Hinojosa e representa o primeiro passo na internacionalização do grupo espanhol.

O futuro passa por cimentar a sua posição no mercado ibérico, alargando a sua oferta e inovando em técnicas e matérias-primas, enquanto leva a cabo o processo de internacionalização, iniciado em Portugal, com a compra da Graphicsleader.

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“SOMOS UM PAÍS DE EMPREENDEDORES” A CRN Contabilidade nasceu há 10 anos, fruto do empenho de uma equipa dedicada e focada nos objetivos de satisfação do cliente. Quem o relata é Rúben Nunes, CEO da empresa, em entrevista à Valor Magazine. Os desafios do confinamento, o teletrabalho e a importância da área da Contabilidade também estiveram em destaque.

C

omo descreveria a empresa, no que respeita à equipa e aos serviços que desenvolve?

A CRN Contabilidade possui profissionais qualificados em diversas áreas de atuação empresarial e corporativa. Prestamos serviços nos ramos de Contabilidade, Gestão Administrativa, Gestão de Recursos Humanos, Consultoria Fiscal e Outsourcing, que nos permitem satisfazer as necessidades dos empresários que nos procuram, sendo a CRN Contabilidade o parceiro n.º 1 dos nossos clientes. Desse modo, a formação qualitativa é uma forte aposta para fundamentar os nossos colaboradores no mundo real do trabalho.

Rúben Nunes CEO

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Estamos no mercado há 10 anos, com um progresso exponencial, graças a uma boa relação com o cliente, com muita dedicação, superação, amor e sacrifício em auxiliar as empresas durante esta década. Abdicámos de muitos feriados e fins-de-semana para nos dedicarmos à profissão e, sendo que a CRN Contabilidade foi formada por marido e mulher, enquanto casal adiámos até o nascimento do nosso primeiro filho, o Tiago, que nasceu em 2019.


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Como conseguiram organizar o vosso trabalho, de forma a responder aos clientes, ainda que em teletrabalho? A CRN Contabilidade acompanha as novas tecnologias e está sempre a par dos avanços significativos e do impacto produtivo nas empresas ano após ano, sabendo que a tecnologia pode proporcionar às organizações uma dinâmica de trabalho mais versátil geograficamente, utilizando ferramentas que foram surgindo na última década, como o software de gestão e armazenamento cloud. Contudo, a tecnologia não é tudo e o aparecimento de profissionais qualitativos e dedicados, com amor à camisola, proporcionou um tempo de resposta equilibrado face às adversidades. Reinventámos e dinamizámos processos, efetuámos reuniões telefónicas ou por videoconferência. Os telefonemas que recebemos diariamente foram reencaminhados para os nossos profissionais proporcionarem o suporte necessário e conseguimos cumprir os nossos objetivos enquanto equipa e manter a qualidade exigida. Que avaliação faz sobre o período de confinamento e a respetiva ação da área da Contabilidade junto das empresas? A CRN Contabilidade mobilizou-se, criando uma ligação quase direta com entidades como a Segurança Social, o Ministério das Finanças e a Autoridade Tributária, de modo a interpretar e poder esclarecer sobre os apoios financeiros da atual situação. Os Contabilistas Certificados viram um aumento nas suas responsabilidades

em certificar contas e garantir as condições elegíveis para os apoios criados pelo nosso Governo e em enquadrar as empresas nos respetivos apoios, sendo a maior dificuldade as constantes alterações diárias ou semanais destas elegibilidades aos apoios financeiros. Os profissionais da vertente da Contabilidade serão muito importantes nesta fase de desconfinamento, de forma a auxiliar as empresas nos apoios que o Governo e entidades reguladoras estão a criar ao longo do tempo. Que soluções apresentam às empresas e aos trabalhadores, para esta fase de recuperação económica? Possuímos um gabinete de Contabilidade definido para proporcionar apoio às micro, pequenas e médias empresas e aos empresários em nome individual, mas também prestamos serviços a grandes empresas. Com algumas das pequenas empresas, também auxiliámos os profissionais a transformar as suas métricas de negócio, servindo de alavanca do negócio, com uma assessoria eficaz, onde o grau de exigência é elevado. Esta fase de recuperação económica é um enorme desafio corporativo, mantendo a nossa estrutura e serviços atualizados com informações de suporte para o cliente, proporcionando soluções de análise financeira adequadas ao momento, identificando indicadores pertinentes aos empresários e colaborando com os bancos, para validarem os seus projetos de apoio financeiro. Também disponibilizamos informações importantes sobre a segurança das empresas em tempo de

pandemia, as quais se aplicam também à nossa organização para mantermos os rácios financeiros aos níveis a que estamos habituados e mantermos a aposta na segurança, motivação e formação dos nossos trabalhadores. Qual é a realidade do tecido empresarial português atualmente? O tecido empresarial português ficou enriquecido por empresários com histórias reais de superação, que foram denominados ou apelidados de empreendedores natos. Nesse sentido, presumimos que vamos dar uma boa resposta. Somos um país de empreendedores. A recessão já estava prevista, com a existência de uma nova crise, com ou sem a pandemia. A curva negativa denomina-se negative yeld e surgiu em 2019. Contudo, o surto de Covid-19 veio acelerar o aparecimento de uma crise com proporções semelhantes à crise anterior, que vivemos nos tempos da implementação da Troika. Como lhe parece que a economia se irá comportar daqui em diante? Comprovámos, na última crise, que o país é capaz de superar e sair da crise. No entanto, os tempos atualmente são outros e as portas que se abrem são importantes, sendo que muitas delas são as mesmas e os empresários já sabem como corresponder. Contudo, é importante que o Governo auxilie as empresas, porque é muito provável que o número de desempregados aumente. crncontabilidade.pt

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HABITAÇÃO: A LINHA DA FRENTE NA DEFESA CONTRA A PANDEMIA Ana Pinho Secretária de Estado da Habitação Fotos cedidas pelo MIH

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s circunstâncias extraordinárias que vivemos nos últimos meses tornaram evidente para todos algo há muito defendido por alguns: a importância da habitação como direito fundamental da pessoa humana. A habitação esteve na linha da frente da defesa contra a pandemia: foi espaço de recolhimento, foi, para muitos, espaço de convalescença e de cura, foi espaço de trabalho, foi espaço de aprendizagem. Foi, em síntese, o porto de abrigo seguro nos momentos mais difíceis. A consciência da importância de que se revestia a habitação e do risco que poderia advir da situação de vulnerabilidade que iria afetar muitas famílias levou a que, num primeiro momento, fosse aprovado um conjunto de medidas excecionais e de emergência que garantissem a permanência das famílias nas suas habitações, numa altura em que lhes era pedido para ficarem em casa, e em que a troca de habitação era, não só muito difícil, como mesmo desaconselhada. Estas medidas incluíram a suspensão dos despejos, da caducidade e denúncia dos contratos de arrendamento e da execução de hipotecas de habitação própria e permanente. No entanto, estas medidas por si só não impediam que as famílias entrassem em incumprimento, caso os rendimentos do seu agregado familiar sofressem alguma redução, e que se vissem confrontadas com a perda da habitação num futuro próximo. Para acautelar estas situações e para conferir as condições para as famílias manterem a habitação onde residem após o término do estado de emergência, foi aprovado outro conjunto de medidas, entre as quais se contam: a moratória para os créditos habitacionais, um regime excecional e temporário de mora no pagamento de rendas e um apoio financeiro a conceder pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, I.P. (IHRU, I.P.) para pagamento de rendas. A aprovação do regime excecional para o arrendamento veio permitir que as famílias que tivessem uma quebra de rendimentos significativa e cujos encargos com a renda fossem superiores a 35% dos seus rendimentos mensais não fossem penalizadas por atrasos no pagamento das rendas e que pudessem saldar essa dívida com os seus senhorios posteriormente, ao longo dos 12 meses seguintes. A medida abrangeu todos os agregados familiares que se encontrassem nestas condições, independentemente do seu nível de rendimentos ou dos valores das rendas. O seu objetivo era garantir que todos os que se vissem excecionalmente afetados por esta crise tinham medidas de apoio excecionais para manter os seus compromissos. Esta medida vigorou durante o estado e emergência e mês seguinte, ou seja, termina no corrente mês de junho. Aprovado em simultâneo e disponível desde 15 de abril, o apoio financeiro concedido pelo IHRU, I.P., veio permitir que as famílias que a este recorressem não só pudessem manter o pagamento das rendas em

dia junto dos seus senhorios, como usufruíssem de uma forma de regularização dos valores devidos verdadeiramente comportável para o seu orçamento. Por um lado, este apoio garante o tempo necessário para as famílias normalizarem a sua situação financeira: tem um período de carência de seis meses, sendo que nunca se inicia o pagamento antes de janeiro de 2021, o que é muito mais longo do que o previsto para iniciar a regularização do valor em dívida junto do senhorio, que ocorre já no próximo mês. Por outro lado, o valor das prestações mensais é bastante mais baixo e permite ainda a sua renegociação, sempre se verifique que a taxa de esforço e o rendimento das famílias assim o justifica. Convém ainda sublinhar que o recurso ao apoio do IHRU, I.P., - que está também disponível para os senhorios de baixos recursos sempre que os arrendatários não o façam -, além de ser mais vantajoso para as famílias permite ainda aos senhorios manterem os rendimentos dos seus imóveis arrendados inalterados, minimizando assim os impactos negativos deste período para todas as partes.


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Co m o s a b e m o s , e m b o r a o e s t a d o d e emergência já tenha sido levantado, as dificuldades sociais e económicas motivadas pela pandemia irão prolongar-se. É previsível que haja um número significativo de famílias que demorem ainda algum tempo a recuperar a sua estabilidade financeira. Por esta razão, considerou-se essencial que o levantamento das medidas excecionais aprovadas para a habitação fosse também progressivo, tal como está a acontecer com o d e s c o n fi n a m e n to e c o m a r e to m a d a economia. Por essa razão, no que respeita ao arrendamento, a despenalização dos atrasos no pagamento das rendas junto dos senhorios

cessa este mês, iniciando-se em julho a obrigatoriedade de reposição das mesmas. Não obstante, o apoio do IHRU, I.P., foi prorrogado até setembro, permitindo que, mesmos os arrendatários com quebra de rendimentos que a este ainda não tenham recorrido o passam fazer. Por esta via é possível aos arrendatários regularizar as rendas em dívida, usufruir de apoio à renda nos próximos meses e somente iniciar a regularização dos pagamentos em março do próximo ano. Assim, nesta nova fase, e sem penalização para os senhorios, foram criadas as condições para que as famílias não entrem em incumprimento nos seus contratos de arrendamento,

regularizem as rendas de forma suave ao longo do tempo, e somente após um período alargado, para possibilitar a normalização da sua vida profissional e situação remuneratória. A proteção das famílias e da pessoa humana exige que, mesmo numa altura difícil como a que estamos a atravessar, se evite o surgimento de novas situações de precariedade habitacional e, principalmente, se garanta que o direito a uma habitação condigna continua a consolidar-se em Portugal, sem retrocessos, na senda do que tem vindo a acontecer nos últimos anos. Este é mais um passo nesse sentido. 27


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SETOR IMOBILIÁRIO: A IN... CERTEZA NO FUTURO Ana Morgado CEO e Executive Manager

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e estiver atento às notícias que vão sendo publicadas sobre o que se espera do setor imobiliário nos próximos tempos, poderá ficar um pouco confuso. Uns dizem que se aproxima uma crise e que os preços deverão sofrer um ajuste, outros estão super otimistas e afirmam que os preços ainda irão subir mais. Mesmo que lhe chamemos crise, esta crise tem contornos bem diferentes da que vivemos em 2008. Não temos a famosa “bolha”, graças à regulamentação imposta para o financiamento bancário. Hoje, as famílias estão mais protegidas, por terem sido obrigadas a dispor de capitais próprios para a aquisição das suas casas. Todos sabemos que vêm aí tempos difíceis para todos os setores de atividade, quase sem exceção. A Taxa de Desemprego e a Dívida Pública estão a subir, assistimos já a uma desaceleração da economia que se prevê que irá continuar. Os bancos poderão alterar as condições de financiamento para regras mais apertadas. Nada disto é novidade para nós, portugueses, de tão habituados que estamos a superar estas coisas. Somos incríveis!

considerar reduzir as suas instalações para espaços mais pequenos, sendo oferecidas condições aos funcionários para trabalhar a partir de casa. Isto irá condicionar a procura, havendo uma consequente descida de preços. Poderá também verificar-se uma maior procura de imóveis para habitação própria nas zonas periféricas ou mesmo mais afastadas dos grandes centros urbanos, onde é possível adquirir casa a preços substancialmente mais baixos e onde a qualidade de vida é muito superior. Irão por isso surgir novas oportunidades de negócio, com a consequente dinamização do mercado. Por outro lado, o confinamento pareceu não afetar muito a área da construção civil. O que já estava em curso continua “a todo o vapor”. Surgem já notícias de novos empreendimentos, sendo alguns de moradias expressamente feitas a pensar nos clientes estrangeiros. Esta fase em que estivemos mais por casa veio despertar a necessidade de termos um espaço exterior privado, do qual podemos usufruir de forma livre e segura.

dos voos, as coisas poderão começar a “mexer”. Estes investidores estarão atentos e a aguardar pacientemente uma descida de preços para comprar, na esperança que o setor recupere rápido, na expectativa de conseguirem maximizar a sua rentabilidade no curto prazo. O investimento em imobiliário ainda é a opção que continua a apresentar rentabilidades mais elevadas, apresentando-se como uma boa alternativa para os que têm recursos financeiros disponíveis e querem obter retorno. Depois desta “travagem a fundo” que fomos obrigados a fazer, estamos de volta, com novos clientes a surgir todos os dias. Aos poucos, a atividade imobiliária vai entrando na nova normalidade e em pouco tempo acredito que estaremos a trabalhar com todos os nossos recursos. Todos estamos expectantes relativamente ao futuro, mesmo que ele se apresente in...certo!

No que se refere a venda ou arrendamento de Relativamente ao investimento estrangeiro, sem espaços para escritórios, com a opção do regime dúvida que Portugal continuará no radar. Com a de teletrabalho, muitas empresas estão já a normalização esperada relativamente à questão

www.anamorgadoproperties.com

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«O NOSSO OBJETIVO É REALIZAR SONHOS" decisoesesolucoes.com/ agencias/braganca

Alexandra Santos está à frente da Decisões e Soluções de Bragança há sete anos. Uma decisão tomada num momento crítico, de crise financeira, revelou-se muito positiva e a diretora da agência DS de Bragança está otimista para o futuro. Agora que a Covid-19 permitiu um desconfinamento da população e retoma dos negócios e da atividade empresarial, Alexandra Santos continua motivada e afirma que “nunca se pode perder a esperança”, pois os sinais de retoma são positivos.

O

que a fez avançar para a abertura de uma agência DS?

A abertura da agência aconteceu há sete anos e deveu-se à necessidade de fazer algo com que me sentisse confortável e realizada, a nível pessoal e profissional. Tinha sido gerente bancária, mas passei por um processo de rescisão de contrato, numa época de forte crise financeira, e o meu objetivo era encontrar uma alternativa de trabalho, sendo que não haveria muitas que se identificassem com o meu perfil comercial. A Decisões e Soluções foi a opção de escolha, uma vez que as áreas de negócio que desenvolve são um complemento às áreas de negócio da Banca, com a qual me sentia bastante confortável, logo este projeto, em meu entender, teria tudo para dar certo.

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Como caracterizaria o serviço prestado nesta agência? Os consultores imobiliários têm formação prévia? Desenvolvemos um serviço de excelência, sempre na ótica de satisfação dos que nos procuram: os tão importantes clientes. Todos os dias, a nossa preocupação é a realização de sonhos, procurando sempre as melhores soluções de mercado, quer na Mediação Imobiliária, quer na Intermediação de Crédito, ou Seguros, ou outras áreas de negócio que trabalhamos, pois temos um serviço diferenciado. Os nossos consultores, desde o primeiro momento, têm o privilégio de fazer formação interna, com um dos melhores formadores da área imobiliária a nível nacional, que temos o prazer de ter na rede DS. A DS é mais que uma agência imobiliária? Porquê? A DS não é mais uma agência imobiliária. É uma agência única, que desenvolve um trabalho diferenciado e personalizado, que nos permite fidelizar pessoas e satisfazer em pleno cada um que recorre a nós. Tratamos as pessoas como família e desenvolvemos todos os dias laços de amizade. Tendo em conta a sua posição geográfica diferenciada, como avalia a atividade de mediação imobiliária, relativamente àquela praticada noutras regiões portuguesas? Tem características únicas? Sim, Bragança está muito próxima da fronteira, onde também existem muitos emigrantes que procuram apoio na compra de habitação e crédito bancário. Tentamos sempre dar o nosso melhor, no entanto dada a zona geográfica do país, claro que os negócios embora significativos em número de operações, ficam aquém em volume, pois nos grandes centros urbanos os volumes negociados são muito superiores e nós sofremos com isso. No que respeita aos clientes, portugueses e espanhóis são clientes da DS Bragança, ou apesar de fazer fronteira, existe uma maioria nacional? Temos bastantes clientes emigrantes nomeadamente de França, Suíça e Espanha, mas o maior volume são clientes nacionais residentes. Como caracterizaria a sua região, no que respeita aos imóveis disponíveis no mercado? Estamos inseridos numa região que se tem desenvolvido muito a todos os níveis, cresceu muito a nível turístico e, sendo uma zona do país com características próprias, as pessoas que vêm têm-se fixado. Nos últimos tempos, é percetível a entrada de estrangeiros à procura de qualidade de vida, bem assim como pessoas das grandes cidades à procura do sossego e a tal

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Alexandra Santos Diretora de agência


Imobiliário

conhecimentos nas áreas de negócio que d e s e nvo l ve m o s. A r e tom a te m s i d o extraordinária, pois continuamos a abrir a porta diariamente a muitas pessoas, estamos a retomar negócios, o crédito tem crescido exponencialmente e estamos muito otimistas em relação ao futuro.

qualidade de vida, com capacidade financeira para adquirir imóveis com características muito próprias, nomeadamente moradias em zonas rurais.

interessadas em comprar, continuamos a mostrar imóveis, continuamos a apoiar no crédito, com a Banca a querer dar o seu contributo. No mercado de arrendamento, o que eu entendo é que também continua a haver muita procura e pouca oferta e daí não me parecer que as rendas irão sofrer grande oscilação no preço.

Como avalia o desequilíbrio existente entre a procura e a oferta? Este desequilíbrio existente é a nível nacional. Efetivamente, existe mais procura que oferta no mercado nacional. O que se verificou nos últimos anos é que tivemos uma crise financeira e a maior parte dos construtores pararam completamente, pelo que deixou de haver imóveis novos no mercado. Neste momento, mais concretamente desde há dois/três anos para cá, houve uma retoma na construção civil, mas apartamentos novos ainda são escassos, daí ainda haver pouca oferta. O que existe são maioritariamente imóveis usados e de reconstrução urbana, bastante apetecíveis a potenciais investidores.

Como lidou a DS Bragança com os tempos de confinamento imposto pela pandemia? E como está a ser a retoma da atividade? A DS Bragança, assim como toda a rede, esteve quase dois meses com as portas fechadas e em teletrabalho, a tentar dar continuidade aos processos que estavam em curso e não deixar sem acompanhamento os seus clientes. Tivemos de nos reinventar, adaptarmo-nos à nova realidade de forma virtual, com tecnologia e muita criatividade à mistura - tendência que veio para ficar.

A Covid-19 poderá funcionar como um travão para o mercado imobiliário, que obriga a uma redução do valor da renda? No meu entender, a Covid-19 veio abrandar um pouco a euforia que estava a acontecer, no entanto não me parece que o mercado imobiliário vá abrandar muito. As pessoas continuam

Aproveitámos este período para refletir, adotando novas metodologias de trabalho, tirando partido do tempo para fazer formação, reciclar c on h e c i m e n to s, m e l h orar a s n o s s a s performances, mostrando ao nosso mercado-alvo que estamos presentes e cooperantes. Este período deu também para aperfeiçoar regras e

Que desafios existem para os mediadores atualmente, dado o súbito crescimento de agências de mediação e mediadores imobiliários, de há uns anos a esta parte? Claro que vai ser desafiante, pois quem se quer destacar no mercado, quem quer prestar um serviço de excelência, quem estiver capacitado com ferramentas que permitam trabalhar com transparência e credibilidade tem tudo para se destacar. As pessoas procuram serviços diferenciados, querem sentir confiança e seriedade nos negócios. Mais que um vendedor, procuram um “amigo” e aí a rede DS é claramente reconhecida! Quais os objetivos para o futuro a médio e longo prazo? Os objetivos para o futuro são promissores, não podemos deixar de sonhar. Penso que estamos numa rede que tem crescido muito, que nos dá apoio e nos mune de ferramentas para sermos e estarmos no mercado com margem para nos destacarmos! Temos presente um nova vitalidade e dinamismo do setor, lutando diariamente com muita resiliência, inerente à nossa profissão. Estamos munidos de pessoas que todos os dias se veem crescer, os números e negócios são alcançados de forma ascendente e temo-nos superado todos os meses, por isso só posso estar neste projeto com muito otimismo e esperança no futuro a médio e longo prazo!

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Opiniões de Valor

NÃO TRABALHE

NUNCA! Daniela Pinheiro Human Capital Manager

A

pesar de ainda se viverem momentos conturbados, aquela sensação inicial – daqueles primeiros segundos da manhã, que ainda mal acordados na penumbra, não percebemos bem, se o que está a acontecer não passou de um sonho estranho ou se é de facto a realidade – julgo que terminou. Finalmente caímos em nós! Aprendemos a viver com este bizarro quotidiano, de gritarmos na rua às crianças para não tocarem em nada, desinfetarmos as mãos em todas as esquinas e de, no meio de tantas máscaras e viseiras, até já vermos algumas com super-heróis e princesas, numa tentativa de trazer alguma descontração e conforto a este desconforto. Mas parece-me que algo mais profundo surgiu disto tudo… Julgo que muitos se encontram em reflexão sobre as suas vidas. Pode ser sobre a importância das suas famílias, sobre o emprego que têm (ou

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deixaram de ter), sobre o modo como desempenham as suas funções, sobre o que verdadeiramente tem significado para eles ou sobre o que deixaram de fazer e, ao contrário do que julgavam, não lhes faz falta nenhuma. Fruto desta fase, reavaliaram as suas prioridades, encontraram novos polos de interesse e paixões, ocuparam-se quando não tinham ocupação, com uma criatividade, imaginação, frescura e positividade que torna o espírito humano único. Esta “pausa forçada” que todos tivemos, maior ou menor, de um modo ou de outro, teve e terá implicações na nossa vida. E ainda bem! Não será então que todos devemos refletir sobre o que realmente tem tanto significado para nós, que conseguiu o prodígio de nos manter sãos durante estes tempos estranhos? Esse deverá ser o nosso foco, seja ele qual for.


Opiniões de Valor

No mundo do trabalho já tínhamos vindo a assistir a muitas alterações e este momento tornou-se um acelerador das mesmas. Não consigo deixar de pensar em algumas das ideias de Agostinho da Silva e como se aplicam tão bem à nossa realidade. Este dizia que: “o Homem não nasce para trabalhar, nasce para criar, para ser o tal poeta à solta” e, de facto, a teoria do ócio criativo faz cada vez mais sentido. A ideia de que não só a conciliação da vida familiar e de lazer com a profissional, mas mais ainda, que a total mistura e integração de todas as dimensões humanas, para que o chamado “ócio” beneficie a vida profissional

e esta, por sua vez, seja feita de ócio é fascinante. A pessoa que se diverte a satisfazer os vários quadrantes da sua vida relacional e intelectual executa em simultâneo a sua atividade profissional. Perfeito, não? É a sensação que se apanha no ar, vinda das novas redes sociais e nos dias em casa a trabalhar junto com a família (se o conseguirmos fazer sem enlouquecer, claro). Quase como se estivéssemos na vertigem de uma grande descoberta… Naturalmente que, para conseguir uma completa apreensão destes conceitos, pressupõe-se uma

abertura e recetividade a alguns dos aspetos mais básicos da nossa existência, como a introspeção, a reflexão, as relações humanas e sentimentais, colocando em segundo plano outras necessidades como o poder e o status social. Não acredito que o nosso estádio de evolução humana ainda o permita na sua totalidade, mas para lá caminhamos, mas acredito ser o momento de repensar os nossos conceitos, a nossa forma de fazer e tudo o que rodeava o nosso dia-a-dia como certo e inevitável. Ou talvez, somente usando as palavras de Agostinho da Silva: “Não trabalhe nunca; por favor esteja sempre ocupado”.

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Saúde e Bem-Estar

Alícia Peres Psicóloga

aliciaperes.psicologia@hotmail.com 910 700 936

“O SER HUMANO TEM UMA VIRTUDE INEGÁVEL:

A RESILIÊNCIA”

Psicóloga há pouco mais de 10 anos, Alícia Peres exerce a profissão que sempre quis. Proprietária de um espaço próprio, o trabalho no consultório é complementar à atividade exercida junto da população reclusa de um estabelecimento prisional. Nesta entrevista esteve ainda presente a situação de confinamento, causada pela pandemia do coronavírus.

Considera que pode ter havido habituação dos portugueses ao confinamento? Pode. As reações variam de pessoa para pessoa, e é difícil discutirmos sem dados estatísticos, de qual terá sido a prevalência nos comportamentos dos portugueses, no caso específico da possível habituação ao confinamento. A habituação é um comportamento aprendido e o período de confinamento possibilitou tempo suficiente para a ocorrência dessa hipótese. Além disso, temos de ter em consideração que o Ser Humano tem uma forte capacidade de adaptação, até mesmo às situações mais adversas, como a que vivenciamos. Um fenómeno particularmente interessante de observar, que pode ter c on t r i b u í d o p ara a n or m a l i z a ç ã o d o confinamento, foi o exacerbar do uso das redes sociais que, apesar de já existirem, permitiram manter um contacto com a nossa família, com os nossos amigos, com os nossos colegas de trabalho e, ao mesmo tempo, respeitar o novo paradigma da necessidade do aumento do 34

distanciamento físico social. No entanto, devemos prestar particular atenção à fundamental necessidade de contacto físico e comunicação face-a-face, sem intermédio tecnológico. Aquando do desconfinamento, as pessoas podem sofrer um “choque com a realidade”? Nem todas, mas uma parte da população poderá vir a sentir. Sobretudo aquelas pessoas que não desenvolveram ainda, suficientemente, os mecanismos de coping necessários para se adaptarem à nova realidade. Pelo próprio desenvolvimento pessoal, existem pessoas mais resistentes à mudança. Infelizmente, este processo não é um retorno à realidade, é a criação de uma nova realidade. A ameaça constante de um agente externo, neste caso um vírus, impõe uma mudança interna do quotidiano e das preocupações do indivíduo que poderá ser melhor ou pior gerida. Durante o confinamento houve uma mudança drástica e

dramática, não só de uma perspetiva pessoal, mas igualmente profissional. A incerteza do retorno normal ao trabalho, ao rendimento, criou uma situação atípica, expondo algumas das fragilidades já existentes na nossa sociedade. De realçar que este choque que algumas pessoas inevitavelmente irão sentir com a mudança do novo paradigma social, não faz de nós melhores ou piores, apenas expõe a nossa humanidade, nas suas limitações e virtudes. Não existem respostas fáceis nem rápidas. No entanto existem algumas medidas consensualmente aceitáveis, como retomar atividades normais do dia-a-dia, assumir uma postura ativa face às consequências da nova realidade, procurar suporte social e emocional, recordar situações de sucesso em acontecimentos desafiantes anteriores, obter informação adequada, procurar sensações de segurança, de autoeficácia e esperança.


Saúde e Bem-Estar

Os reclusos do estabelecimento prisional onde trabalha são uma população particularmente vulnerável a esta situação pandémica? Sem dúvida. Os reclusos são indivíduos que, em condições normais, se encontram isolados. No entanto, pelo facto de se encontrarem circunscritos a um espaço comum, faz com que uma população com características muito particulares se sinta ainda mais vulnerável do que o comum indivíduo em liberdade. Existe um medo óbvio de que a limitada liberdade que estes indivíduos gozam dentro dos estabelecimentos prisionais seja ainda mais limitada. Independentemente do facto de que o número de casos de infeção em estabelecimentos prisionais seja manifestamente residual. Estamos a lidar com uma situação de ansiedade e de stress dramática, na qual o recluso poderá ser privado da limitada liberdade que possui, na qual existe o isolamento do contaminado. No contexto familiar, nas nossas casas, todos nós estivemos, em certa medida, confinados mas ainda assim todos possuímos um certo grau de liberdade. Liberdade de diálogo com o nosso marido ou esposa, com os nossos filhos, com os nossos pais, ou tão simplesmente a liberdade de poder mudar de divisão. Esta liberdade já por si, infelizmente, demasiado limitada, não existe na população reclusa. Outro potencial fator de aumento de ansiedade na população reclusa e nos seus familiares foi a possibilidade colocada pelo Governo português de indulto dos indivíduos mais vulneráveis. Esta medida não só afetou os indivíduos possivelmente abrangidos, mas como todos aqueles dentro do estabelecimento prisional. Outra questão particularmente pertinente prende-se com a

avaliação destes indivíduos que viram a sua liberdade antecipada e a incerteza se possuiriam as ferramentas necessárias para se inserirem numa sociedade completamente atípica. De realçar que foi feito um planeamento por cenários e a população reclusa foi preparada à medida que cada um foi apresentado. A forma como se comunica tem sempre impacto. Numa situação de crise, ainda mais sensíveis e responsáveis temos de ser, e aqui houve um reforço nesse sentido. Parece-lhe que este é também um momento de reconhecimento da importância da saúde mental? Parece-me que tem sido um momento em que estamos de olhos postos na ciência e espero, em particular, que também se continue a olhar para as ciências psicológicas e o papel que estas têm na saúde mental. A literacia na saúde tem sido uma forte aposta e é importante referir o trabalho incansável por parte da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Tem-se reconhecido mais o valor da saúde mental e tem-se falado mais em prevenção, da qual não se deverá esquecer a influência direta para baixar custos financeiros e humanos. Teve oportunidade de exercer a sua profissão enquanto vigorava o confinamento obrigatório? Tive oportunidade de realizar consultas e, sempre que possível, com recurso aos meios de comunicação à distância. Nas primeiras semanas não senti um impacto significativo da pandemia, mas depois fui verificando algumas alterações com especial agravamento nas Perturbações de Ansiedade e Perturbações de Humor.

Parece-lhe que algo vai mudar, a nível comportamental, após esta experiência de confinamento? Considero que existe potencial para a mudança comportamental, após esta experiência. Considero também que essa mudança poderá tanto ocorrer numa perspetiva de crescimento quanto de stress pós-traumático. Não compartilho da premissa do “vai ficar tudo bem”, ainda que compreenda a benemérita ideia que subjaz o lema. Muitíssimo mais marcante do que a questão da clausura, sem prejuízo do seu valor, é sem dúvida a questão do trauma adjacente à perda humana. A violência imposta pela imposição de um luto atípico irá, sem dúvida, ter um impacto social e individual significativo. Historicamente, podemos constatar que todos as crises económicas, como a que espreita, implicam, com variáveis graus, uma significativa crise social de saúde mental. O Ser Humano, com todos os seus defeitos, possui uma virtude inegável: a sua resiliência. Embora de perto e a curto prazo nos custe acreditar, todas as adversidades são uma oportunidade de crescimento e esta crise é uma oportunidade inegável de mudar paradigmas há muito sedimentados. Sem dúvida poderá existir mudança. A mudança coletiva virá inevitavelmente da reação individual. Não menosprezemos a perda individual. E como o indivíduo reagirá a tal ditará o nosso futuro.

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Saúde e Bem-Estar

Marisa Barroso

Beatriz Pires

Joana Amorim

Assistente Social

Diretora Geral e Fundadora

Diretora Técnica

“O FUTURO

avosenetos.pt

PASSA POR COMPARTICIPAR O APOIO

A IDOSOS, NO SEU DOMICÍLIO” Beatriz Pires, responsável pela Avós e Netos, dá uma entrevista à Valor Magazine, numa altura em que a empresa pela qual é responsável celebra 20 anos de atividade. A Avós e Netos presta serviços de apoio às famílias, nomeadamente no que respeita às áreas da Geriatria, Babysitting e Pessoas Portadoras de Deficiência. A Formação Certificada a quem quiser dedicar a sua vida a uma destas áreas de cuidados humanos também é uma das suas áreas de atuação.

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Saúde e Bem-Estar

Foi uma das primeiras empresas a trabalhar nestas áreas. O que a levou a criar este projeto? Criei a Avós e Netos porque trabalhava, na época, num grande grupo económico e apercebi-me das dificuldades que as senhoras que faziam parte do Conselho de Administração tinham em articular a sua vida profissional com o apoio aos seus idosos e crianças e porque os meus pais ficavam angustiados em pensar acabar os seus dias numa instituição. Que dificuldades sentiu? As pessoas desconheciam este tipo de serviço. As hipóteses passavam pelo apoio do Centro de Dia ou contratar uma empregada doméstica, sem competências técnicas para o efeito. Ao longo do tempo, foram compreendendo que estas respostas são facilitadoras da vida familiar, garantindo a prestação de cuidados, validados pela formação, responsabilidade e seriedade para com os nossos clientes. E no que respeita à mão-de-obra? Constatamos a existência de pessoas motivadas para trabalhar nesta área, com perfil pessoal, contudo, sem competências técnicas validadas. Como tinha uma vasta experiência na área formativa, com o apoio de especialistas, criámos o curso de Técnico Auxiliar de Geriatria, certificado pelo IQF na altura, atualmente DGERT. Esta formação, direcionada inicialmente para pessoas entre os 40/50 anos à procura de reconversão profissional e adquirir competências técnicas para responder às necessidades do mercado. Atualmente já não é assim, o curso destina-se a quem nos procura com gosto pela área, há casos de jovens, alguns com menos de 20 anos, que optam por serem profissionais de Geriatria e fazem o curso connosco. É uma área com elevada taxa de empregabilidade em franco crescimento. Que diferenças existem entre a procura destes serviços, há 20 anos e atualmente? Atualmente há uma maior procura e melhor conhecimento destes serviços, quer pelo crescente envelhecimento da população, quer porque os familiares têm maior dificuldade na articulação da vida familiar e profissional. Muitas vezes, são os filhos ou netos que procuram os nossos serviços para os seus seniores, mas também nos procuram os próprios, dependendo das suas capacidades e situação familiar. Há casos em que os cuidados são prestados ao casal, porque os familiares não residem em Portugal. A necessidade do apoio surge pela sua perda de autonomia, física ou cognitiva. Que tipo de serviços disponibilizam? Prestamos serviços entre duas a 24 horas/dia, 365 dias por ano, dependendo das necessidades, cada caso é um caso. O nosso trabalho passa pela avaliação das necessidades, em conjunto com a família, assegurando o apoio em serviços gerais (manutenção da habitação,

confeção de refeição etc.), acompanhamento ao exterior (passeios, consultas, compras de medicação…), apoio especializado (cuidadoras com competências profissionais, apoio médico, fisioterapia e enfermagem). Que diferença existe entre o vosso serviço e a possibilidade de ir para um lar? A personalidade da pessoa conta muito, no momento da escolha. Há pessoas que optam pela integração em lar, outras preferem permanecer no seu ambiente familiar - a sua casa, onde têm as suas memórias, podem receber familiares e amigos num ambiente mais intímo, gerir o dia ao seu ritmo no que respeita a refeições, horas de levantar, deitar, etc., quem não gostará de ter esta liberdade após uma vida profissional a cumprir horários? Sentir que podemos gerir o nosso tempo. Ainda há o mito que um bom lar, sendo muito caro, é mais barato do que contratar os serviços personalizados de uma empresa como a nossa, 24 horas por dia, o que nem sempre se verifica. Outras vantagens como por exemplo neste período de pandemia Covid-19, infelizmente tivemos conhecimento de muitas situações dramáticas de contágio, que num espaço de partilha é muito difícil controlar apesar de todos os cuidados, no domicílio o controlo é muito mais fácil e o confinamento mais agradável porque estão no seu ambiente. A Avós e Netos não teve qualquer caso de Covid-19 nos seus clientes, porque cada cliente tem contacto só com as suas cuidadoras pessoais, as cuidadoras desde o primeiro momento usam equipamento de proteção e desinfeção, todas as cuidadoras e equipa técnica foram testadas. No que respeita ao babysitting, existem diferenças entre esse cuidador e um cuidador geriátrico? Claro que sim, no caso do babysitting, as competências são mais lúdicas e pedagógicas, até porque, além do babysitting, há o apoio nas tarefas escolares. Quem se candidata a babysitter são jovens, com formação académica em educador de infância e atividades de animação maioritariamente. Parece-lhe que estes serviços, sobretudo os ligados à Geriatria, terão de ser, no futuro, comparticipados pelo Estado? Parece-me inevitável. Todas as pessoas, independentemente da sua condição financeira, merecem ser cuidadas por profissionais competentes que respeitem a sua identidade e dignidade. A população está cada vez mais envelhecida e com maior longevidade, a necessidade de cuidados aumenta, as alterações ao sistema atual serão inevitáveis.

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Saúde e Bem-Estar

A minha experiência de 20 anos a cuidar diz-me que havendo comparticipação estatal ajudará muito a que as pessoas fiquem na sua própria casa, evitando a institucionalização e assegurando melhor qualidade de vida, com maior participação das famílias no envelhecimento dos seus idosos num ambiente acolhedor e familiar, proporcionando um final de vida mais feliz e harmonioso. Se questionarmos os nossos idosos, estou certa que a sua preferência será ficar em casa junto de quem mais amam. As instituições e residências seniores têm um papel importante nas situações de maior dependência e patologias mais severas, em que os cuidados médicos especializados são necessários, todos nós sabemos que um elevado número de idosos permanece internado após alta hospitalar por não haver respostas, com custos elevados para o setor da saúde. Esta poderia ser uma forma de melhorar a situação, libertando camas no sistema hospitalar. Temos de pensar em respostas para combater o elevado número de lares e casas de acolhimento ilegais existentes, em que não há controle da qualidade dos serviços prestados, onde não existe acompanhamento dos procedimentos pelas entidades competentes. A nossa preocupação maior é a qualidade dos serviços, o que levou a Avós e Netos a obter, além do alvará da Segurança Social, o certificado ISO 9001/2015, sendo uma das primeiras empresas a obter esta certificação da qualidade nos cuidados que prestamos. Não haverá instituições para acolher todos os idosos e dependentes num futuro breve. É necessário começar a pensar numa resposta concertada, para fazer face ao envelhecimento populacional e permitir aos idosos somar anos com qualidade. Que objetivos delineou para os próximos 20 anos? Divulgar o serviço de Apoio a Pessoas com Deficiência, para o qual já criámos um curso específico; apoio a residentes estrangeiros no nosso país; levar ao conhecimento da diáspora os nossos serviços, para o cuidado daqueles que mais amam e que ficam em Portugal, criar um Clube de Avós e Netos, para promover o convívio intergeracional e muito mais... Há muito a fazer no cuidar, só temos de estar atentos ao outro.

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A fazer o que me faz feliz! ANA MORGADO Properties

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