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Património Artístico de Almada VII

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Património Artístico de Almada (VII)

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Som Boletim n.º 3 dezembro 2018

Separata

Associação dos Professores do Concelhoe de e da Universidade Sénior de Almada Associação dos Professores da Almada Universidade Sénior de Almada

Património Artístico de Almada (VII)

Projeto Audiovisual Prof. Louro Artur

Apresentação Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção

Na continuidade da edição do património artístico de Almada publica-se a 7.ª separata, em nome da memória, contra o esquecimento. Todos reconhecemos a importância do nosso passado na construção do futuro. Todos reconhecemos que o que somos hoje o devemos às gerações que nos antecederam. Património é tudo isso e assume um papel preponderante na identidade de cada um de nós a qual nos é garantida pela memória. A perda por degradação ou desaparecimento constitui empobrecimento do património e, por conseguinte, da comunidade. Renovam-se os nossos agradecimentos ao Prof. Louro Artur que tem sabido ser o garante da qualidade das memórias vivas, símbolos da nossa identidade, da nossa pertença ao território de Almada, uma comunidade de gente com sentido patrimonial do presente, do passado e do futuro.

Sem título-1 1

D. Beatriz mãe de D. Manuel, donatária da Vila de Almada. Fragmento de Pintura a óleo s/ madeira existente no Museu da Rainha D. Leonor. Beja.

27/06/18 10:02

Rainha D. Leonor, irmã do Rei. Fragmento de Pintura a óleo s/ madeira. Mosteiro da Madre de Deus / Museu do Azulejo. Lisboa. Criadora das Misericórdias, passou algum tempo em Almada por causa da peste que D. Manuel I (jovem). Fragmento de ilumi- atingiu a cidade de Lisboa. nura do “Rei e do cronista” que lhe entrega D. Leonor assiste no seu Paço em Almada à um livro. (Livros das Crónicas – Leitura primeira representação do “Auto da Índia” Nova). Instituiu Foral a Almada em 1513. de Gil Vicente.


Património Artístico de Almada (VII) Texto

IntroduçãoImagem

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Património Artístico de Almada

Iluminuras dos tombos da Gafaria de São Lázaro de Cacilhas do Hospital e Albergaria de Santa Maria de Almada Contornando a Igreja de Santiago pela fachada Sul, deparamos com uma singela placa toponímica com uma legenda simples Rua do Castelo, Antigo Largo da Câmara. Perto desta, e um pouco mais acima, a Rua Rodrigues de Freitas – político, 1840-1896, antiga Rua da Lage. Núcleo espacial que envolveu até ao terramoto de 1755, a Câmara Municipal (Pereira de Sousa) e o primeiro Animatógrafo almadense (finais de 1913) descrito pelo ilustre almadense Eduardo Alves (1903-1984) como memória vivida. Transversal a este núcleo, desenvolve-se na horizontal, a Rua D. José de Mascarenhas (José Trasimundo Mascarenhas Barreto – 1802-1881), antiga Rua Direita, que liga Almada a Cacilhas pelo lugar da Pedreira. No início da Rua D. José de Mascarenhas, ergue-se o corpo central da Santa Casa de Misericórdia de Almada, sede social da Instituição, denominado Centro Retrato de D. José de Mascarenhas., de S. Lázaro, projecto dos arquitectos F. Xavier Olarabel e A. Pereira. Inaugurado no pintado pelo italiano G. Silvagni. ano de 2000, sob a provedoria de A. Valente da Cruz, o espaço adquire novos valores sociais e administrativos, conjugados com os princípios de Assistência e Beneficência, próprios da Confraria laica e religiosa secular. Recordo este esboço arquitectónico como Hospital de Almada, construído em 1947, com projecto do desenhador almadense, Luís Álvaro de Almeida que também projectou os edifícios da Cooperativa Piedense e da Academia Almadense. O hospital de Almada é referido nas breves palavras de Alexandre Flores «Desde o início do século até 1974, a Misericórdia encontrava-se desprovida de tudo e a população tinha de recorrer aos Serviços Hospitalares de Lisboa. Para este empreendimento muito contribuiu a Câmara Municipal de Almada, e os principais obreiros do já velho hospital se destacam, entre outros, Augusto Sant´Ana d´Araújo e o Dr. Eduardo Vilarinho…» O actual espaço da Instituição, completa-se com a reabilitação e restauro da sua simbólica Igreja, em Dezembro de 2013. Classificada como monumento de interesse público (portaria n.º 404/2013) teve como projectista principal o arquitecto portuense António Monteiro Guedes. Esta obra de grande importância para o património histórico e cultural da Cidade, foi edificada com o empenho de dois Provedores, Eng. José do Nascimento (iniciação da Obra), Dr. Joaquim Barbosa (conclusão da Obra). Retomando os sinais do tempo, como um eco que chega até nós, as origens desta Santa Casa são objecto de necessidades sociais e fé religiosa, que animam o século de quinhentos. Século reformista nas Artes, nas Letras e Ciências, idade denominada de ouro da cultura portuguesa, marca de um tempo de Descobertas, Paraísos perdidos e Terras prometidas. O governo do rei D. Manuel com os seus programas internos, caracteriza-se também pela sua cultura e espírito social. O monarca conhecido por dormir pouco, procurou impor-se como senhor absoluto do território centralizando os poderes em Lisboa (Ribeira das Naus) sendo por vezes criticado pela pouca itinerância no país. Neste universo de expansão e organização territorial, a informação revelou-se numa acção cultural e artística renovadora. São os casos específicos de uma oficina régia e organização funcional do Arquivo Real (Torre do Tombo). Neste envolvimento (1504) o rei mandou transcrever e compilar documentos dos seus antepassados, “Leitura Nova”, enriquecendo os livros com Iluminuras de grande interesse estético. Este tipo de ilustração em pergaminho, revelou-se notável nos manuscritos, pela intervenção do iluminador e do calígrafo, ou por um dos artístas, na realização dos Forais Novos, Livros de Horas, Genealogias e Ordenações. A Arte da Iluminura ou miniar, é conhecida em Portugal desde o século XII. O seu espirito simbólico,

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Património Artístico de Almada (VII) decorativo e ornamental, alcançou inicialmente grande relevo junto das oficinas conventuais, dos Mosteiros do Texto Imagem Som Lorvão, Santa Cruz de Coimbra e Santa Maria de Alcobaça. Desenhada e pintada com muita delicadeza, sobre pergaminho, descobre-se uma técnica virtuosa de tons limpos de luz, que se conjuga elegantemente com letras de tipologia grega. Apontam-se alguns mestres da ilumina como: Álvaro ou Alvarus ao serviço de D. Manuel (Forais), Gonçalo Annes iluminador do templo de D. Afonso V, Frei Bento Contreiras (livros do coro do Convento do Carmo), António de Holanda, Francisco de Holanda, e Simão Bening entre outros. As encomendas de livros iluminados são no tempo de quinhentos uma moda, muito apreciada pela aristocracia. Mantendo-se a produção nacional e a importação flamenga, francesa e italiana, destacam como objectos artísticos de grande valor, as existentes no Arquivo Nacional da Torre do Tombo; 1.º livro de “Além Douro, Leitura Nova, “Livro de Horas” de Pierre Testant, “Livro de Horas” de D. Duarte, “ Bíblia dos Jerónimos”, “Leitura Nova”, livro IV de Odiana. Também importante o Livro de Horas de D. Leonor, existente na Biblioteca Nacional e um conjunto de iluminuras das bibliotecas de Coimbra, Porto e Évora. Em Almada existem até ao momento, três interessantes iluminuras, uma do Foral Manuelino (Arquivo Histórico) e duas da Misericórdia de Almada(Hospital e Albergaria de S. Maria de Almada e Gafaria de São Lázaro de Cacilhas). Dada a expressão plástica das três peças quinhentistas, tudo indica que foram executadas pelo mesmo iluminador, provavelmente por Alvares ou Alvarus, que segundo Liberato Telles, “floresceu no reinado de D. Manuel. Sobre a folha iluminada do XI volume da Estremadura, lê-se o nome de Alvares, e a data de 1527. Iluminou muitos volumes em pergaminho da reforma dos forais de El-Rei D. Manuel.”. Quanto ao calígrafo não oferece dúvida, principalmente nos dois Tombos, da Santa Casa da Misericórdia, trata-se de Pascoal Nunes, escudeiro da casa de el-rei e escrivão da Corte e da Casa do Cível, apoiado por Estevão Martins, mestre-escola e provedor-mor do hospital de Todos- os-Santos (Alexandre Flores e Paula Costa). Esta parceria na feitura de iluminuras, acontece várias vezes e no entanto o iluminador, também exerce nalguns casos a arte do calígrafo. A mando do rei, D. Beatriz mãe de D. Manuel, Infanta e duquesa de Viseu, donatária da Vila Almada, Senhora muito respeitável na corte e hábil gestora organizacional «faço saber a todos os juízes e justiças oficiais» escrito na iluminura do tombo do Hospital/Albergaria de Nossa Senhora da Vila de Almada (1505). Na iluminura do Tombo da Gafaria de S. Lázaro de Cacilhas (1504) lê-se no seu final. Faço saber a todos os juízes e justiças oficiais e pessoas a que o conhecimento disto pertence e o Tombo ao diante escrito for mostrado, que sendo eu certificada». Os Tombos novos põem ordem à administração dos bens das duas Instituições de Saúde. A Infanta D. Beatriz morre em Beja em 1506 e é sepultada no Mosteiro das Religiosas da Conceição. A rainha D. Leonor irmã do rei, criadora das Misericórdias, encontra-se em Almada em 1509, por causa da peste que grassa em Lisboa e assiste no seu Paço ao Auto da India de Gil Vicente. D. Manuel concede Foral à Vila de Almada, em 1513. A rainha D. Leonor, irmã do rei D. Manuel e fundadora das Misericórdias em 15 de Agosto de 1498, demora-se em Almada no seu Paço, devido à peste que dominava Lisboa, assistindo à primeira representação do Auto da India de Gil Vicente. Provavelmente não deixou de motivar os Homens-Bons da Vila, a organizarem-se em confraria, no sentido de edificarem a sua Santa Casa de Misericórdia. No entanto, o rei D. Manuel que sempre apoiou a iniciativa de sua irmã, «chegando a enviar a muitas cidades e vilas do reino exortando-as a criarem as suas próprias Misericórdias (João Paulo Oliveira e Costa). Em Almada, apesar de tardia, «corria o mês de Maio de 1555, quando cerca de cento e trinta pessoas naturais ou moradores na vila de Almada e seu termo” (Alexandre Flores e Paula Costa) se constituíram irmãos da Misericórdia, fundando a Santa Casa de Misericórdia de Almada com a seguinte mesa interina: Provedor- Francisco de Sousa Tavares Escrivão – Paulo Arrais de Mendonça Tesoureiro – Pero Carneiro Realizado o compromisso, Regulamentos e avaliação de Bens, a Santa Casa de Misericórdia de Almada, apoiada pela Câmara, anexa os bens do Hospital de Santa Maria por alvará régio em 1562, e da Gafaria e Hospital de São Lázaro de Cacilhas em 1568. O forte incremento assistencial das Misericórdias e suas confrarias, em todo o pais, levam a agrupar nos seus princípios, todos os hospitais do reino. O Hospital- de Todos - os - Santos em Lisboa, pela sua grandeza, torna-se num caso singular de anexação à Misericórdia de Lisboa. Nota final: Esta breve introdução, aconselha o leitor, a ler o livro “Misericórdia de Almada das origens à restauração”, de Alexandre Flores e Paula Costa. III


Património Artístico de Almada (VII) Texto

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Som Maria João Pires Shubert Impromptu D. 935

• Nesta iluminura policromada, o traço e a superfície gráfica orientam-se de acordo com uma perspectiva de interior. • Uma visão de teto e paredes imaginárias, recebem uma decoração naturalista e simbólica, de acordo com a funcionalidade do tombo. A configuração simbólica da moldura, fechada por manchas, dificulta a sua leitura plástica. • Um corte nas tarjas laterais decorativas, inscreve uma predela de base, simbolicamente funcional com o espírito do Tombo.

Iluminura do Tombo do Hospital/Albergaria, de Santa Maria de Almada, dim.-20,7x15,7 cm ano - 1505

• Nesta iluminura, o traço e a superfície gráfica determinam um plano vertical aberto ladeado por tarjas naturalistas policromadas. • Na representação do plano vertical, um rectângulo de cor acinzentada recebe no seu centro, uma moldura quadrangular de bordos interiores em forma de letra (?) rodeado de arabescos entrelaçados. • No centro da iluminura uma forma horizontal, regista a presença da Instituidora do Tombo (Eu, a Infanta Dona Beatriz…) • Na base do Tombo edifica-se a sua funcionalidade, através de um escudo simbólico, rodeado por elementos florais e por duas pombas simetricamente convergentes no olhar. • A cor e a luz que emanam dos suportes em pergaminho nas iluminuras edificam uma beleza virtuosa e delicada no seu tempo.

Iluminura do Tombo da Gafaria de Cacilhas, dim. – 21x16,4 cm ano - 1504

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No pormenor inferior da iluminura da Gafaria de São Lázaro de Cacilhas, a fauna e a flora combinam-se harmoniosamente entre cores complementares. O seu centro, um escudo revela-nos um signo importante. A mão segura uma matraca, sinal de instrumento que o leproso, teria de utilizar para ser reconhecido pela população. Ladeando o escudo simbólico, duas pombas brancas, apoiadas em duas rosas brancas vistas de trás. Este interessante conjunto decorativo, símbolos da pureza, da virgem e da paz, foi na Antiguidade clássica atributo de Vénus.

No pormenor superior, da iluminura do Tombo do Hospital/Albergaria de Santa Maria de Almada, regista-se a interioridade espacial do mesmo. A presença de uma coruja das torres, sinal simbólico de uma visão medieval de sabedoria, noite e maus presságios, foi na antiguidade clássica, atributo consagrado a Minerva deusa da sabedoria e da inteligência (Sónia T. Azambuja). A figura na composição naturalista, abre-se na luz, através de um vértice, que separa uma planta de seis cravos estilizados.

No pormenor inferior desta iluminura, um interior de Hospital / Albergaria, regista dois doentes cobertos por mantas vermelhas em camas da época. A imagem com algum sentido de perpectiva de interior, recebe num primeiro plano, uma cobertura arquitectónica de três colunas de capitel toscano apoiadas por dois arcos abatidos ou em asa de cesto. contrasta com o chão de azulejos policromados

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Som Maria João Pires Shubert Impromptu D. 935


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Som Maria João Pires Shubert Impromptu D. 935

As tarjas laterais das duas iluminuras, edificam a linguagem simbólica do universo das plantas. São na generalidade, pelo seu nome vernacular, as açucenas ou cajado de São José, rosas brancas, morangueiros e cravos brancos. As plantas definidas pelo iluminador, são realizadas com movimento expressivo (arabesco direccionado), ou simplesmente na vertical, caso da açucena da primeira imagem, que se desenvolve a partir do seu vaso vermelho alaranjado protegido com rede. Nesta codificação gráfica e psicológica, de sentido religioso, a planta é envolvida por uma forma serpenteada, onde se fixa uma visão mariana. (Avé Maria; plena; contigo) entre um azul escuro de fundo, o verde da planta e o impacto branco das flores. Termino com uma memória curiosa, a árvore mais importante da Vila de Almada, foi a Amoreira, seguida da Figueira e da Videira. Em 1820 o Rei D. João VI, concede privilégios importantes,a Joaquim José Rodrigues, inspector da plantação de Amoreiras nesta terra.

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Bibliografia Consultada Araújo, Augusto Santana. “Antologia Histórico-Social do Concelho de Almada”, impresso Lito Diana, Évora, 1977 Azambuja, Sónia Talhé. “A linguagem simbólica da natureza”, ed. Presença, 1989. Eco, Umberto. “ Arte e Beleza na Estética Medieval”, ed. Presença, 1989 Flores, Alexandre e Costa, Paula, “Misericordia de Almada, Das Origens à Restauração”id. Santa Casa da Misericórdia de Almada, 2006. Flores, Alexandre (coord.). “Almada na história”, N.º 25-26; Camara Municipal de Almada, 2014. Massironi, Manfredo. “Ver pelo desenho”, ed. 70, 1982 Teixeira, Luís Manuel. “Dicionário Ilustrado de Belas-Artes, ed. Presença. 1985 Agradecimentos – Prof.ª Maria de Lourdes Albano – Prof.ª Edite Prada. – Prof. Joaquim Ribeiro

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Património Artístico de Almada (VII) Texto

Número 1

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Número 3

Número 2

Património Artístico de Almada (I)

Património Artístico de Almada (III) Texto

Boletim n.º 37 junho 2015

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Separata

Património Artístico de Almada (III)

Património Artístico de Almada (I)

Projeto Audiovisual Prof. Louro Artur

Apresentação

Projeto Audiovisual*

Prof.ª Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção

Prof. Louro Artur

Dando continuidade ao projeto de edição Património Artístico de Almada, do Prof. Louro Artur, primeira Separata do Profalmada n.º 37, junho de 2015, segunda Separata do Profalmada n.º 39, abril de 2016, eis a terceira Separata, a divulgar com o Profalmada n.º 40, julho de 2016. Um projeto de pesquisa artística que amplia a informação e o conhecimento sobre o património histórico-cultural de Almada. Deste modo, a Associação de Professores do Concelho de Almada também cumpre a sua missão cívica e institucional de serviço à Cidade. De facto, como diz a UNESCO, a educação é um tesouro a descobrir porque assenta em quatro pilares de aprendizagem ao longo da vida toda, e de toda a vida: aprender a conhecer (...); aprender a fazer (...); aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros (...); aprender a ser (...) (cf. Relatório Internacional, 1996, p.77-87). Não é bastante celebrar o aniversário do 25 de Abril como memória histórica. É fundamental desenvolver uma atitude de reflexão e promoção de atividades e projetos no sentido do desenvolvimento social e da cidadania democrática. Para o regime do Estado Novo o analfabetismo não era um problema social, no entanto foi consentindo o catecismo do ler, escrever e contar, a partir dos anos 50 do século XX, cultivando e instilando uma visão da vida e do mundo em que a cultura é supérflua para o povo e, por isso, apanágio de elites. Uma pobreza maior e mais profunda que a pobreza da sobrevivência/subsistência. Estamos perante um desafio sócio-histórico que tem por nome Educação. Pois, como adverte Sophia de Mello Breyner Andresen em Cantata de Paz: Vemos, ouvimos e lemos Não podemos ignorar Vemos, ouvimos e lemos Não podemos ignorar D’África e Vietname Sobe a lamentação Dos povos destruídos Dos povos destroçados

Apresentação Prof.ª Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção

•A Associação de Professores do Concelho de Almada (Apcalmada) tem eleito a área editorial como uma das

estratégias do seu projeto associativo, traduzida em duas dimensões: publicações periódicas e institucionais (Boletins – Profalmada e Correio da Usalma, Revista Memórias e Futuro); publicações não periódicas, como sejam Separatas e Brochuras, e, particularmente, edições de autor direcionadas para a criação literária, a educação e a cidadania, privilegiando os associados, os professores e estudantes da Universidade Sénior de Almada (USALMA). A geografia humana da nossa atividade editorial, assegurada pela coordenação de Ernesto Fernandes, Edite Prada e Joaquim Ribeiro, regista, entre 2011 e o tempo de hoje, autores como Feliciano Oleiro, José Monteiro, Amélia Cortes, Américo Morgado, Madalena Moreira (narradora), Luciana Couto, Maria de Lourdes Albano (coord.), Ernesto Fernandes e Edite Prada (org.). Uma viagem editorial escrita por centenas de autores, nomeados na nossa Revista Memórias e Futuro.

• A presente Separata Património Artístico de Almada I inicia a divulgação da pesquisa artística de Louro Artur, professor e pintor, que honra o concelho ao devolver a cada um de nós a riqueza estético-expressiva da nossa identidade cultural. Uma investigação exemplar que, editada em capítulos, impressa e online, dará lugar a edição em livro. Um projeto que amplia a bibliografia da História das Artes, daí o seu valor didático-pedagógico para o aprofundamento da educação democrática, ancorada nos direitos e responsabilidades humanos. • A educação, seja académica ou ao longo de toda a vida, deve ser sempre formação contínua e pluridimensional: científico-técnica, estético-expressiva e ético-política. Estas três dimensões em cruzamento são a condição para aprender a ser, conforme o Relatório da UNESCO para o século XXI – Educação: um tesouro a descobrir (1996).

Vemos, ouvimos e lemos Relatórios da fome O caminho da injustiça A linguagem do terror (...) Nada pode apagar O concerto dos gritos O nosso tempo é Pecado organizado.

Bem haja, Louro Artur. O nosso reconhecimento.

Vitral do pintor Louro Artur – Igreja do Pragal

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Som

Boletim n.º 40 junho 2016

ISSN: 1647-1075

Separata

ISSN: 1647-1075

Projecto publicado na revista “Anais de Almada” N.º 3, ano 2000, p.113-122, agora revisto com outros dados.

Número 4

Número 5

Número 6

Ficha Técnica Direção: Maria de Lourdes Albano Coordenação: Maria de Lourdes Albano e Edite Prada. Fotografia, Capa, Conceção Gráfica e Paginação: Joaquim Ribeiro Revisão: Edite Prada Secretariado: Sónia Tomás e Tânia Sofia Redação e Administração: Rua da Cerca, 21-23 - 2800-050 Almada Telefone e Fax: 219012420 e-mail: usalma@apcalmada.org

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Património Artístico de Almada VII by Associação de Professores do Concelho de Almada (Apcalmada) - Issuu