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Património Artístico de Almada V

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Património Artístico de Almada (V) Texto

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Boletim n.º 44 dezembro 2017

ISSN: 1647-1075

Separata

Património Artístico de Almada (V)

Projeto Audiovisual Prof. Louro Artur

Esculturas Sacras – São Tiago e São João Baptista Apresentação Prof.ª Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção No seguimento da edição de Património Artístico de Almada, com separatas divulgadas nos boletins do Profalmada n.º 37 (junho 2015); n.º 39 (abril de 2016); n.º 40 (julho de 2016), n.º 41 (novembro de 2016) é editada a 5.ª separata com o Profalmada n.º 44 (dezembro de 2017). Ao professor Louro Artur o nosso agradecimento por nos trazer “Memórias” que deixam respirar experiências vividas em ambientes sociais e culturais tão diferentes dos que conhecemos hoje. Janelas através das quais podemos olhar e perceber “os mundos” que encerram.

Louro Artur pinta o painel de azulejos policromados Itinerários plásticos na obra de Romeu Correia


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Introdução

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A Igreja de Sant´Iago, situada numa zona elevada do espaço urbano de Almada, partilha valores espaciais com o jardim público panorâmico, fortaleza ou castelo, e promontório sobre o rio Tejo. Construída no séc. XIII, reconstruída nos finais do séc. XVI, e séc. XVIII, foi objeto de restauros até 2015-16. As três configurações representadas (à esquerda), retiradas dos livros, Foral de Almada – 1190 (coord. de Alexandre Flores), Misericórdia de Almada (Alexandre Flores e Paula Costa) e "Descrição histórica sobre Almada" (Luis de Queiroz in Almada na História: Boletim de fontes documentais), proporcionam um olhar sobre uma revelação, medida e paixão, do desenho gravado, como também de memórias trágicas que a ação do tempo provocou em abalos sísmicos, no século de quinhentos e em 1755, obrigando a novas reabilitações da sua arquitetura. Atualmente são visíveis no templo, sinais dos estilos gótico, clássico, maneirista e barroco, na sua estrutura interna e externa, mantendo-se a sua identidade de lugar e orientação. A sua frontaria virada a Oeste, edifica o seu eixo longitudinal (via de salvação) e vertical no altar-mor (via de elevação) fixando o corpo sagrado mais importante da Igreja. O altar-mor, centro do qual tudo irradia, recebe, no seu lado esquerdo, um pequeno altar suportado por um ornato em folhas de acanto de tipologia romana, onde assenta a figura de São Tiago em madeira policromada do século XVII. A escultura, de autor desconhecido, necessita na atualidade de ser restaurada. A presença de vestígios dourados pouco definidos nas roupagens de azul cobalto escuro, carmim e amarelo claro, sem bordão de caminhante (desaparecido), e de falhas no estufado da mão esquerda e pé direito, são alguns reparos a exigir medidas de intervenção. A imagem de Santo peregrino, descalço de penitente, corpo ligeiramente inclinado para a esquerda e pé direito avançado, numa sugestão de movimento aparente de quem caminha devagar. O seu rosto, calmo e firme, fixa o lugar e o infinito intemporal. Apesar desta situação, o eterno orago do Templo guarda a sua memória de culto que se edificou até aos finais de século XVII, conjugando, na atualidade, a sua iconografia de Santo peregrino, e Santo Matamouros, como singularidade da sua capela-mor. A sua imagem de culto e devoção, consagrada nas festividades anuais pela Ordem de Santiago, segura com firmeza o livro sagrado (Volumen da Nova Lei) apoiado nas suas vestes canónicas, que edificam a sua vocação apostólica de pregador da fé. A verticalidade da pose, a assimetria dos panejamentos, o bom desenho do pequeno bornal de provisões, inserido num cinto de tecido, a figura do Santo regista uma herança maneirista e protobarroca de caráter italianizante. Sem rigidez aplicável, regista-se neste universo de estilos e expressões, um sinal de aproximação à escultura em madeira ou barro no centro mais fecundo e mais original do período de seiscentos, edificado no Mosteiro de Alcobaça, no qual assume relevância o escultor ou ensamblador Frei Pedro. Apesar da escassez de encomendas do reino, devido à situação bélica existente, na defesa da Restauração dois homens se destacam na periferia, D. Manuel de Moura Corte Real ( 2.º Conde de Castelo Rodrigues) e D. Luis de Meneses (Conde da Ericeira), mas cabe à Igreja e às suas instituições o importante papel de mecenato artístico. Recorda-se a presença da fábrica da Igreja de Sant`Iago, acomodada por duas importantes confrarias, a Irmandade do Santíssimo (1565?) e a Irmandade de Escravos do Senhor (1601), esta última em honra do “Santo Jesus dos Escravos”, presença devota e milagrosa, que mandou encomendar ao pintor e gravador francês Debrie (Guilherme Francisco Lourenço Debrie – Ernesto Soares) uma gravura, a II


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buril e água forte, alusiva à cena da morte de Jesus Cristo. Esta gravura de retábulo poderá ser uma observação direta do real, ou um retábulo imaginário, criado pelo artista nos meados do século XVIII. Desconhece-se a matriz e o número de reproduções. No entanto, a imagem deixa sinais de comunicação, do lugar de culto e devoção na capela do Santíssimo. Esta capela, situada do lado do evangelho, num dos braços do transepto, abre-se para o seu espaço por um arco abatido, decorado com ornatos em forma de pérolas (referenciado na gravura). O interior da nave da capela, com paredes revestidas de silhares de azulejos pombalinos, de recorte triangular, é organizado por cartelas com motivos da Paixão. Na parede de fundo, ligeiramente arredondada, fixa-se um importante retábulo, em talha dourada, de estilo neoclássico, construção colocada sobre o altar, onde repousa em arca de madeira a imagem de Jesus Cristo, atualmente protegida por vidro azulado (referenciada na gravura). Em plano superior e no centro do retábulo está São João Baptista, escultura em madeira do

século XVIII. Esta escultura sacra, outrora na capela-mor, é uma imagem de Santo protetor das gentes de Almada desde o séc. XVII se não antes. O seu aniversário (24 de junho) e as festividades, em sua honra, conjugam fatores cósmicos ligados no solstício de Verão e tempos de colheita, assim como, à imaginária e fantasiosa conquista de Almada aos mouros nos campos de Alvalade (Quinta da Ramalha, de Cratos e de Regil, segundo Pereira de Sousa). A imagem barroca de S. João Baptista de Almada reflete os princípios comunicativos de beleza e funcionalidade romana e da técnica do artista que a concebeu. O movimento aparente de linha em S alongada, na centralidade da figura; o dobrar e desdobrar dos panejamentos que esvoaçam sem tempo; a volumetria assimétrica das formas; a anatomia realista dos volumes, bem estofados do corpo; a beleza dos membros inferiores que se apoiam numa rocha de base; e o rosto sereno e belo do jovem São João que olha para o infinito com um ligeiro sorriso. Estes atributos do Santo, na generalidade, complementam-se iconograficamente com a posição em pé do cordeiro de Deus, apoiado nas patas dianteiras, sobre as vestes sagradas de São João. Regista-se também, no Santo almadense, um simbólico ornato móvel em forma de cacho de uvas, um resplendor em prata dourada, em forma de disco solar, e vara de caminhante em forma de cruz com estandarte religioso. No último restauro, este elemento importante foi substituído por um tubo metálico incaracterístico. O universo festivo que gira em volta deste evento religioso e profano, realiza-se a 23 e 24 de junho, registando no início uma interessante intervenção popular. A preparação do andor e organização da procissão, que leva a imagem até à capela de S. Antão na Ramalha pela tardinha, e o seu regresso no dia seguinte pela mesma hora. O andor, decorado tradicionalmente pela fábrica da Igreja e pela pequena irmandade secular de S. João Baptista (1736), edifica simbolicamente uma linguagem naturalista, de flores vermelhas em abundância, e dois pequenos conjuntos de flores amarelas seguras pelas mãos do Santo. A representação enriquece-se com a presença de frutos, sobretudo de cachos de uva preta, que se combinam harmoniosamente, com o fundo policromado da imagem do Santo, e as vestes de vermelho alaranjado das figuras que seguram o andor, lanternas, e pálio. Esta cor simbólica estava, também, presente nas fogueiras que se faziam nestas duas noites, juntamente com as alcachofras de poder divinatório. Na generalidade, a organização da procissão mantém o mesmo figurino de tradição secular, desaparecendo o homem dos foguetes que abria o evento religioso o papel do coreto do Castelo como centro de animação cultural, quer na saída da procissão, quer no seu regresso. Memórias do princípio de século XX, que se regista com a presença, por vezes, das duas bandas filarmónicas juntas na procissão, a Incrível e a Academia, ou somente uma, guardando a III


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Incrível o empenho da sua Comissão de festas, numa quermesse que recolhia fundos para a escola de instrução primária, pelo método de João de Deus, mantida pela Sociedade no seu espaço (António Henriques). A ação pedagógica desenvolvida pela Incrível é reconhecida em 1903, pelo rei D. Carlos e rainha D. Amélia de Orleães, ao enviarem para a sua Comissão de quermesse duas peças de Arte Nova (Jarrão cerâmica e bilheteira de prata com as armas reais). As festividades populares, atualmente deram lugar ao comes e bebes da sardinha assada e da fartura, acompanhadas por bailarico e música popular, no largo Luís de Camões diante dos Paços de Concelho. O leitor tem ocasião de recordar para o futuro, os livros de imagens e textos de Alexandre Flores, “Almada Antiga e Moderna – Roteiro Iconográfico, Freguesia de Almada” Alexandre Flores, “Almada Antiga e Moderna – Roteiro Iconográfico, Freguesia da Cova de Piedade”, António Manuel Neves Policarpo “Memórias da nossa Terra e da nossa Gente”, Rui Mendes, “património Religioso de Almada e Seixal”, Anais de Almada – Revista Cultural nº 11-12; Alexandre Flores e Alice Gago – “ Visitações da Ordem de Santiago a Almada (séculos XV e XVI), Anais de Almada, nºs 15, 16 e 17. Texto

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Santiago de Almada – séc XVII • Ligeira obliquidade tridimensional em relação ao eixo central da peça. • Cálculo e exaltação. • Perspetiva aparente entre a figura do Santo e o observador. Característica monumental, do século de seiscentos. •Resplendor de prata naturalista, em forma de vieira. • Realismo bem estofado do rosto firme e jovial do Santo. • Panejamentos assimétricos com cor sóbria e equilibrada.

A imagem cria uma memória de busto-relicário. Peças religiosas veneradas neste século, assim como, da Virgem Maria (N. S.ª da Conceição, padroeira de Portugal). O rosto firme, sereno e direcionado, do Santo peregrino, edificam a sua vocação e pregação apostólicas, no ciclo dos milagres de peregrinação.

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Som Rão Kyao – Sopros de Vida


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Som Rão Kyao – Sopros de Vida

Torna-se visível neste pormenor, a volumetria bem conseguida da mão. Este movimento de extensão e flexão anatómico, segura o livro sagrado, de cor escura. O panejamento, oposto, aberto em tons de amarelo, conjugam-se, para formar uma composição plástica revelada, de efeitos estéticos equilibrados. Os pés da figura, em pose aparente de quem caminha devagar, apoiam-se num bloco de madeira de cor preta, de características geometrizantes. Este conjunto assenta sobre uma base de mármore que lhe dá altura, sobre o altar em talha dourada repintada. O pequeno altar decorado com folhas de acanto estilizadas, edifica uma decoração exuberante, assumindo um papel importante a partir do século XVII, em todas as Igrejas portuguesas.

São João Baptista de Almada século XVIII

• Dinamismo e exaltação espiritual •Realismo barroco e revelações anatómicas •Sentimento poético no ligeiro movimento de torsão da figura •Cálculo de beleza nas proporções do corpo •Naturalismo lírico e afetivo, na presença do cordeiro de Deus e da rocha de suporte •Panejamentos assimétricos e harmonia das cores e tons

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O resplendor solar simbólico, o rosto jovial aberto à luz, a ligeira torsão do tronco e a funcionalidade dos membros superiores (na imagem sem o cacho de uvas móvel), exaltam os valores plásticos, de modo expressivo, sob ideia do encomendador e do escultor que o criou.

Um turbilhão de formas assimétricas, de volumetria diferenciada, recebem um sopro de vento de movimento aparente.

Uma forma rochosa talhada em madeira suporta a figuração singular, matizando-a de harmonia naturalista. A perna direita de boa carnação plástica, conjuga-se com o movimento poético do cordeiro de Deus. Ambos paralelos de sentido oblíquo, contrastam com a verticalidade da outra perna, equilibrando a posição da figura. A base que suporta a parte rochosa e a figuração, recebe uma decoração em Talha, fenómeno peculiar do gosto barroco português.

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Som Rão Kyao – Sopros de Vida


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Biografia Consultada - Azambuja, Sónia Talhé, A Linguagem Simbólica da Natureza - Editora Nova Vaga e Autora 2009 - Barros, Luís de, Documentação existente nas reservas artísticas do CMA Museu do Sítio - Barros, Luís de, Artigos na Revista Anais de Almada - Flores, Alexandre, Almada Antiga e Moderna – Freguesia de Almada, Ed. CMA – 1985 - Sousa, R.H. Pereira, Almada Toponímia e História das Freguesias Urbanas, ed. CMA - 1985 - Corte-Real, Afonso João, Proprietariado, ed. Instituto da propriedade, 1962 - Flores, Alexandre, Almada Antiga e Moderna; Roteiro Iconográfico – Freguesia de Almada, ed. C.M.A 1985 - Flores, Alexandre, Almada Antiga e Moderna; Roteiro Iconográfico – Freguesia da Cova de Piedade, ed. C.M.A - Henriques, António, A Incrível no limiar dos 150 anos, volume III ed. Incrível Almadense 1993 - Moura, Carlos, História de Arte em Portugal – O Limiar do Barroco, ed. Publicações Alfa. 1986 - Mendes, Rui, Património Religioso de Almada e Seixal, Anais de Almada, ed. CMA, n.º 11-12, 2008-2009. - Policarpo, António Manuel Neves, Memórias da Nossa Terra e da Nossa Gente, ed. Freguesia de Almada. 2013 - Pereira, José Fernandes, Dicionário de Escultura Portuguesa, ed. Caminho, 2005 - Serrão, Victor, História de Arte em Portugal – O Maneirismo, ed. Publicações Alfa. 1986

Agradecimentos Ao historiador Dr. Alexandre Flores Aos artistas plásticos, Gena de Sousa e D´Sousa

Ficha Técnica Direção: Maria de Lourdes Albano Coordenação: Maria de Lourdes Albano e Edite Prada. Fotografia, Capa, Conceção Gráfica e Paginação: Joaquim Ribeiro Revisão: Edite Prada Secretariado: Sónia Tomás e Tânia Sofia Depósito Legal: 284511/08 ISSN: 1647-1075 Redação e Administração: Rua da Cerca, 21-23 - 2800-050 Almada Telefone e Fax: 219012420 e-mail: usalma@apcalmada.org

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Número 1

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Número 2

Património Artístico de Almada (I)

Boletim n.º 37 junho 2015

Separata

ISSN: 1647-1075

Património Artístico de Almada (I) Projeto Audiovisual* Prof. Louro Artur

Apresentação Prof.ª Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção

•A Associação de Professores do Concelho de Almada (Apcalmada) tem eleito a área editorial como uma das

estratégias do seu projeto associativo, traduzida em duas dimensões: publicações periódicas e institucionais (Boletins – Profalmada e Correio da Usalma, Revista Memórias e Futuro); publicações não periódicas, como sejam Separatas e Brochuras, e, particularmente, edições de autor direcionadas para a criação literária, a educação e a cidadania, privilegiando os associados, os professores e estudantes da Universidade Sénior de Almada (USALMA). A geografia humana da nossa atividade editorial, assegurada pela coordenação de Ernesto Fernandes, Edite Prada e Joaquim Ribeiro, regista, entre 2011 e o tempo de hoje, autores como Feliciano Oleiro, José Monteiro, Amélia Cortes, Américo Morgado, Madalena Moreira (narradora), Luciana Couto, Maria de Lourdes Albano (coord.), Ernesto Fernandes e Edite Prada (org.). Uma viagem editorial escrita por centenas de autores, nomeados na nossa Revista Memórias e Futuro.

• A presente Separata Património Artístico de Almada I inicia a divulgação da pesquisa artística de Louro Artur, professor e pintor, que honra o concelho ao devolver a cada um de nós a riqueza estético-expressiva da nossa identidade cultural. Uma investigação exemplar que, editada em capítulos, impressa e online, dará lugar a edição em livro. Um projeto que amplia a bibliografia da História das Artes, daí o seu valor didático-pedagógico para o aprofundamento da educação democrática, ancorada nos direitos e responsabilidades humanos. • A educação, seja académica ou ao longo de toda a vida, deve ser sempre formação contínua e pluridimensional: científico-técnica, estético-expressiva e ético-política. Estas três dimensões em cruzamento são a condição para aprender a ser, conforme o Relatório da UNESCO para o século XXI – Educação: um tesouro a descobrir (1996). Bem haja, Louro Artur. O nosso reconhecimento.

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Projecto publicado na revista “Anais de Almada” N.º 3, ano 2000, p.113-122, agora revisto com outros dados.

Número 4

Número 3 Património Artístico de Almada (III) Texto

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Boletim n.º 40 junho 2016

ISSN: 1647-1075

Separata

Património Artístico de Almada (III) Apresentação

Projeto Audiovisual Prof. Louro Artur

Prof.ª Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção Dando continuidade ao projeto de edição Património Artístico de Almada, do Prof. Louro Artur, primeira Separata do Profalmada n.º 37, junho de 2015, segunda Separata do Profalmada n.º 39, abril de 2016, eis a terceira Separata, a divulgar com o Profalmada n.º 40, julho de 2016. Um projeto de pesquisa artística que amplia a informação e o conhecimento sobre o património histórico-cultural de Almada. Deste modo, a Associação de Professores do Concelho de Almada também cumpre a sua missão cívica e institucional de serviço à Cidade. De facto, como diz a UNESCO, a educação é um tesouro a descobrir porque assenta em quatro pilares de aprendizagem ao longo da vida toda, e de toda a vida: aprender a conhecer (...); aprender a fazer (...); aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros (...); aprender a ser (...) (cf. Relatório Internacional, 1996, p.77-87). Não é bastante celebrar o aniversário do 25 de Abril como memória histórica. É fundamental desenvolver uma atitude de reflexão e promoção de atividades e projetos no sentido do desenvolvimento social e da cidadania democrática. Para o regime do Estado Novo o analfabetismo não era um problema social, no entanto foi consentindo o catecismo do ler, escrever e contar, a partir dos anos 50 do século XX, cultivando e instilando uma visão da vida e do mundo em que a cultura é supérflua para o povo e, por isso, apanágio de elites. Uma pobreza maior e mais profunda que a pobreza da sobrevivência/subsistência. Estamos perante um desafio sócio-histórico que tem por nome Educação. Pois, como adverte Sophia de Mello Breyner Andresen em Cantata de Paz: Vemos, ouvimos e lemos Não podemos ignorar Vemos, ouvimos e lemos Não podemos ignorar D’África e Vietname Sobe a lamentação Dos povos destruídos Dos povos destroçados Vemos, ouvimos e lemos Relatórios da fome O caminho da injustiça A linguagem do terror (...) Nada pode apagar O concerto dos gritos O nosso tempo é Pecado organizado.

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Vitral do pintor Louro Artur – Igreja do Pragal


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