Património Artístico de Almada (II) Texto
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Som Boletim n.º 39 abril 2016
ISSN: 1647-1075
Separata
Património Artístico de Almada (II) Projeto Audiovisual Prof. Louro Artur
Apresentação Prof.ª Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção
Na sequência da edição de Património Artístico de Almada (I), Separata do Boletim n.º 37, junho de 2015, eis a segunda Separata, resultante da pesquisa artística de Louro Artur, professor e pintor, que honra o património histórico-cultural do Concelho e projeta a sua identidade. Este projeto em curso, a traduzir-se em várias monografias, é um excelente instrumento para a educação pluridimensional e integral do ser humano científico-técnica, estético-expressiva e ético-política, nas escolas e na USALMA. O nosso reconhecimento, Professor Louro Artur.
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Introdução
Som
O edifício dos Paços do Concelho guarda na Sala da Presidência (antigo salão nobre), duas importantes obras de pintura. A «Descida da Cruz de Columbano» (referenciada na última Separata) e “Um prazer que dure” de Rogério Ribeiro. Na paisagem urbana da cidade, este edifício simbólico foi Câmara Municipal, Tribunal Judicial e Cadeia Pública (Alexandre Flores). Construído nos finais do século XVIII, foi edificado segundo as leis de planeamento urbanístico de Pombal, criados pós-terramoto de 1755. Dotado de planta irregular (tipo trapezoidal), com frontaria virada a Oeste, ladeado por duas ruas e um largo1, reconstruídas segundo princípios teóricos (DisLouro Artur (esq.) e Rogério Ribeiro (dir.) sertações) de Manuel da Maia (1677-1768), engenheiro-mor do reino e figura numa sessão de trabalho na Casa da Cerca ligada a Almada por laços familiares (António Policarpo). A obra estendida no tempo, em estilo pombalino (com alguns sinais clássicos), de autor desconhecido, possivelmente integrado numa das equipas constituídas por Eugénio dos Santos, Carlos Mardel, Reinaldo Manuel, Elias Sebastião Popre, Mateus Vicente ou Manuel Caetano de Sousa 2. Segundo o Instituto de Habitação e de Reabilitação Urbana, a tipologia do edifício é de "Arquitetura civil, maneirista pombalina. A torre e a porta do piso térreo têm traços classizantes do Maneirismo, anteriores ao resto do edifício". Do Pombalino ressalta a estrutura do edifício, a simetria da fachada ainda que não haja fidelidade rigorosa a este estilo, pela dissimetria existente entre os volumes da torre em relação ao edifício, que teria resultado do compromisso assumido pela estética do novo edifício camarário. Os sinais relevantes do alçado principal revelam em embasamento criativo de base, com animação espacial da porta em arco pleno, patim decorativo em calçada à Portuguesa (estrela de 8 pontas – estrela polar?) e dupla escadaria fechada por pilaretes e gradeamento em ferro forjado. A porta nobre no patim superior, em arco de verga curvo, recebe uma moldura ornamental em baixo-relevo, com coroamento em brazão real (D. Maria I)3. Esta decoração ornamental expande-se pela moldura da janela central, até à cornija e beiral do telhado de quatro águas que se adossa à Torre. Torre de planta trapezoidal, ligeiramente descentralizada do eixo central do edifício (Alexandre Flores) é fixada por lajedos e cantarias que a suportam. O seu alçado de dois corpos, separados por um friso simples arredondado, recebe no primeiro a maquinaria de quatro mostradores de relógio circulares sem funcionalidade, e no segundo, quatro ventanas com dois sinos orientados para Norte e Oeste. A torre é coroada com um coruchéu campanulado e um sistema de pontos cardiais, com catavento de figuração antropomórfica4 . O edifício foi inaugurado em 1795 (Pereira de Sousa), recebendo oferta de um sino pela rainha D. Maria I, com a imagem em relevo da Nossa Senhora da Conceição (Luis de Barros). Esta peça simbólica de comunicação contém também o ano da sua fundição, 1795 (Alexandre Flores). A campanha de obras foi longa, só terminando em 1830-31, anormalidade que merece estudos mais aprofundados. Na década de 40 do século XX, são realizadas obras importantes no interior e exterior do edifício. Em 1983, uma pequena intervenção arqueológica no interior, revelou a presença de uma cisterna abobadada em tijoleira do século XVII, um pequeno silo (provavelmente da época árabe) e fragmentos de cerâmica e materiais de construção (Francisco Silva). Em 1985, o edifício recebeu novas obras no seu interior, deixando para memória, alguns fragmentos de azulejaria, pombalina e neoclássica nas suas paredes. Nas reservas artísticas da C.M.A. (Museu Naval) encontra-se um painel de 12 azulejos, de características naturalistas do século XIX, oriundo das paredes dos Paços do Concelho. Ficha Técnica No universo dos processos de comunicação, as linDireção: Maria de Lourdes Albano Coordenação: Ernesto Fernandes. guagens literárias e plásticas convergem num acto de Fotografia, Capa, Conceção Gráfica e Paginação: Joaquim Ribeiro motivação. Duas jovens adolescentes descontraídas, Revisão: Edite Prada e Ernesto Fernandes Secretariado: Sónia Tomás e Rosa Schürmann de corpos sobrepostos, lêem um livro ou revista de Depósito Legal: 284511/08 capa preta. No silêncio de interior, um ambiente coISSN: 1647-1075 Redação e Administração: Rua da Cerca, 21-23 - 2800-050 Almada lumbanesco jogado em tons de laranja, ocre e casTelefone e Fax: 219012420 e-mail: usalma@apcalmada.org tanhos escuros celebram momentos de afetividade, interesse, atenção e descoberta. A luz orientada na II
Património Artístico de Almada (II) Texto Imagem Som oblíqua de baixo para cima, desenha e transforma formas como num jogo de sombras. Sem narrativa aparente, o Mestre Rogério Ribeiro dá-nos na presença dos corpos a perceção intimista do texto eleito pelas jovens. Um nítido nulo de fundo descobre, na centralidade, uma textura de castanhos avermelhados num contraste equilibrado, entre os sentidos e a razão. Esta obra de arte identifica-se no conjunto de um ciclo de obras dedicadas à leitura, pelas características da horizontalidade e movimento expressivo da figuração. Quase uma década que o Pintor se dedicou ao tema, entre desenhos esboçados ou aguarelados e pintura a óleo sobre tela. Rogério Ribeiro, Pintor, Professor, Ilustrador, Designer e Historiador de arte contemporânea, nasceu em Estremoz a 31 de março de 1930. Com um longo e importante currículo social e artístico esteve presente em Almada numa Exposição itinerante de Arte Moderna (1960) na II Exposição de gravura contemporânea Portuguesa (1961), no Dragão Vermelho, na Oficina da Cultura (1983), na Exposição «Uma Gaivota ao Vento» e na Academia Almadense, numa mostra individual de «ilustração da Revolução de 1383-85» As ligações do Mestre a Almada5 enriqueceram o dinamismo cultural e artístico da cidade, que, desde os anos 60 do século XX, se manifestaram nas áreas do Associativismo, História Local, Artes Plásticas, Teatro e Dança. NOTAS:
1. Inicialmente denominado Praça Nova, atualmente Praça Luís de Camões. Segundo alguns historiadores locais, existiu neste local frente ao edifício da Câmara, o Pelourinho da Vila de Tipologia Manuelina. A sua destruição por ser um símbolo feudal iniciou-se com os cortes dos ferros (sessão de Câmara de 16 de dezembro de 1835) e posteriormente reduzido a fragmentos: enterrados na Vila, uns guardados e outros, em depósitos camarários. O conjunto de peças soltas em «Brecha de Arrábida» necessitam de reconstrução e restauro, dado a sua importância histórica na identidade almadense 2. Manuel Caetano de Sousa (1742-1802). Arquiteto e Engenheiro das Ordens militares (1766), Casa do Infantado e Patriarcal (1786) e Obras Públicas e Reais (1792). Considerado o último representante do tardo barroco nacional realizou para Almada o projeto de reconstrução da Igreja de S. Maria do Castelo que não chegou a ser edificada, a planta do Castelo de Almada na altura (Mário Fernandes) e o projeto da Quinta e Ermida de S. Francisco de Borja (Rui Mendes). A sua obra revestiu-se de um ecletismo, pontuado por estilos pombalino, rococó e neoclássico. 3. D. Maria I, a Piedosa (1734-1816), personalidade «culta, amante da música e da pintura, de temperamento doce e melancólico e extremamente devota» (Manuel de Sousa). O brazão regista neste edifício público uma homenagem simbólica, que não exclui a hipótese de apoio financeiro à construção da obra. Em 1912 (acta camarária de 03/07/1912) sob proposta do vogal José Duarte Vitorino Junior, aprovada por unanimidade, foi mandada suprimir a coroa do brazão por uma esfera armilar . A encomenda é atribuída ao canteiro Salvador Duarte Cordeiro morador no Caramujo (acta camarária de 11/09/1912). Pago ao canteiro 13 mil reis pela feitura da peça e sua colocação foi posteriormente apeada por deliberação camarária, por não reunir condições estéticas em relação ao edifício (António Policarpo) até à presente data não foi colocada nenhuma peça em substituição da coroa real. 4. Uma violenta tempestade assolou a Vila de Almada no dia 13 de dezembro de 1864, fez estragos consideráveis nos telhados da Igreja da Santa Casa da Misericórdia desta vila, e o das Albergarias da mesma Santa Casa e Caixilhos da Sacristia” (documento solto existente na Misericórdia de Almada), também em acta camarária de 17 de dezembro de 1864, se refere aos estragos na Vila, como: Telhados da Câmara, candeeiros de rua, muro do cemitério e catavento da torre. 5. Em 1988, Rogério Ribeiro foi convidado pela C.M.A a exercer funções de Diretor da Galeria Municipal de Arte, criando um notável programa de exposições coletivas e individuais, com edições de catálogos e colóquios sobre arte moderna e contemporânea « ver desenho I, II, III» (aula de desenho). Outra forma outra função. Hoje as irresoluções resolvidas). Expõe individualmente na Galeria Municipal «pintura 1957-1982». Em 1991, expõe como artista convidado, na exposição anual da Imargem – Associação de Artistas Plásticos de Almada, e posteriormente cria a capa do livro “20 anos da Imargem”. Uma nova exposição da sua autoria marca o ano de 1992, «conflito e unidade da Arte» com textos documentais de Rogério Ribeiro, Fernando Azevedo e Mário Dionísio, num evento com 48 artistas nacionais contemporâneos. Dado o interesse histórico e arquitetónico, a C.M.A. adquiriu o Palácio e Quinta da Cerca em 1988. O edifício reconstruído nos finais de setecentos foi alvo de obras de adaptação em 1993, sob projeto dos arquitetos Vasco Lopes e Vitor Lopes dos Santos. Mestre Rogério Ribeiro foi convocado para dirigir não só a Galeria Municipal de Arte, como o futuro Centro de Arte Contemporânea, no antigo Palácio da Cerca, posteriormente chamado Casa da Cerca. O projeto inicial do Pintor alargou-se mantendo-se o espirito pela paixão do Desenho; criou um espaço para o jardim botânico (Chão das Artes), um parque de escultura e um espaço de reservas e oficinas. No ano 2000, o Pintor recebe da C.M.A. a Medalha de Ouro da cidade de Almada. O dinamismo do artista levou-o a inserir na Casa da Cerca - Centro de Arte
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Património Artístico de Almada (II) Contemporânea, um Museu/Exposições, um Centro de Documentação e Informação e processos de investigação sobre Texto O sentido criativo de Rogério Ribeiro continua Imagem Som arte moderna e contemporânea. a surpreender até à sua morte. A divulgação nacional de exposições coletivas de artistas nacionais reflete-se assim na edição de catálogos, como: «O Desejo do Desenho» (1995), «Desenho 1993-2003» (2003), «Dramaturgias do Desenho» (2004) e «O Desenho dito» (2008), última publicação orientada por Rogério Ribeiro e concluída por sua filha Ana Ribeiro, dado o artista ter falecido em Lisboa a 10 de Março de 2008. Mencionei alguns títulos editoriais, dos muitos editados pela Casa da Cerca, sempre de boa qualidade gráfica que o leitor poderá consultar no Centro de Documentação. Voltarei ao Pintor noutra Separata, sobre a obra de Azulejaria e Tapeçaria deixada em Almada. Recordo aqui com saudade, os momentos de trabalho e reflexão que tivemos. Rogério Ribeiro foi um homem de valores; crítico e criativo, perante os fenómenos artísticos portugueses que teimam em ser maltratados, com prejuízo para os artistas nacionais. Património Artístico de Almada II Um prazer que dure do Pintor Rogério Ribeiro
Projeto Audiovisual Prof. Louro Artur
Referências bibliográficas Barros, Luis de – Documentação existente nas reservas artísticas da C.M.A. - Museu Naval. Costa, Paula – Documentação da Santa Casa da Misericórdia de Almada Flores, Alexandre – Almada Antiga e Moderna – Freguesia de Almada. Ed. C.M.A. – 1985 Mendes, Rui – Anais de Almada, n,º 1-12. Ed. C.M.A. 2010 Policarpo, António – Memória da Nossa Terra e da Nossa Gente – Junta de Freguesia de Almada. 2003 Porfírio, José Luis – Rogério Ribeiro. Ed. Campo das letras. – 2003 Silva, Francisco (coordenação) – Almada e o Tejo – itinerários. Ed. Centro de Arqueologia de Almada – 1999 Sousa, R.H. Pereira – Almada Toponímia e História das Freguesias urbanas. Ed. C.M.A. – 1985 Teixeira, Luis Manuel – Dicionário ilustrado de Belas – Artes. Ed. Presença – 1985
Foto atual dos Paços do Concelho. Observa-se a torre pintada de branco, incluindo a pedraria dos seus cunhais e friso contínuo a ocre claro.
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Planta dos Paços do Concelho de 1984. Sublinhado a vermelho a base da torre outrora existente.
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Som Maria João Pires, Chopin – noturnos 1997
“Um Prazer que Dure” pintura a óleo sobre tela (2,26X200cm) do Pintor Rogério Ribeiro, ano de 1991. No universo do quadro reconhece-se: Comunicação interativa, informalidade das personagens, afetividade e paixão pela leitura, jogos de luz e sombra, diálogo pictórico entre o tímbrio e o tonal, sugestão direta do real….
Imagem da Obra
No invisível da obra, a estrutura composicional de forte horizontalidade, descobre um sinal tímbrio geometrizado, nos elementos de textura do fundo do quadro. Sinal de feição naturalista, onde convergem linhas oblíquas de configuração triangular. .
Linhas da estrutura da composição
Uma mão direita aberta naturalmente, acompanha um momento de reflexão da leitora. A sua posição, prolonga a configuração estética do corpo, ao mesmo tempo que promove o movimento anatómico do polegar.
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Som Maria João Pires, Chopin – noturnos 1997
Os tons de negro de fundo descem sobre as figuras, modelando-lhes os contornos de castanho alaranjados. Os volumes dos rostos virtuosos das jovens, em momentos de leitura diferenciada, criam expressões sugestivas, motivadas por um texto emotivo. O intimismo das personagens irradia por todo o quadro, tornando-se no intimismo do pintor que as convoca.
A presença da luz de baixo para cima, invade o livro e o membro superior esquerdo da segunda figura; criando uma forte presença, na reflexão articular do antebraço sobre o braço. O ângulo obtido por esta alavanca anatómica, apoia-se no sobrado de madeira do interior da casa, prolongando a sua dinâmica até à mão que sustém as páginas do livro. A revelação da aparente tridimensionalidade pictórica, da roupagem que cobre o membro superior até parte do braço, define o peso e textura da cor numa pincelada larga e libertadora. O contraste dos volumes obtidos, com os macios de claro escuro, animam o primeiro plano do quadro. VI
Património Artístico de Almada (II) Texto A poética presença de roupagem tocada por um simples ponto de luz, cria uma sombra, sugestiva nas formas volumétricas. As pregas do tecido direcionadas na oblíqua esvoaçam com elegância, dando sentido à forma do corpo. Estes elementos plásticos registam um gesto independente e um impulso feliz do pincel, expresso no toque modelado das formas e das texturas. O conjunto pictórico, suportado por duas manchas lineares azuis, únicas no quadro, determinam uma mancha cónica, onde se manifestam as pregas de um tecido transfigurado.
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Som Maria João Pires, Chopin – noturnos 1997
Uma perceção visual de bailado dos membros inferiores, acrescentam simultaneidade e alternância no movimento do quadro. O jogo lúdico na penumbra do interior, esboça uma síntese nas formas representativas. Os corpos adquirem descontraídos, uma leitura do texto que no silêncio acomodado, se revela um prazer que dure.
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Som Maria João Pires, Chopin – noturnos 1997
No fundo do quadro, na sua centralidade, nasce uma memória abstrata. A revalorização da matéria e das suas texturas, onde a natureza não se identifica, mas está lá na própria vida dos ritmos das formas e cores. Na imagem fragmentada, o fundo negro traz consigo um tempo de estética neo-realista, muito importante na formação artística e social de Rogério Ribeiro. Este fundo de memória agita-se na presença de texturas transparentes de castanhos avermelhados, recortados por traços geométricos perpendiculares. Este sentido geométrico, descobre um sinal tímbrio de cor laranja, quase orgânico, que se define como ponto de encontro entre a forma e fundo. Património Artístico de Almada (I)
Boletim n.º 37 junho 2015
Separata
ISSN: 1647-1075
Património Artístico de Almada (I) Projeto Audiovisual* Prof. Louro Artur
Apresentação
Número 1
Prof.ª Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção
•A Associação de Professores do Concelho de Almada (Apcalmada) tem eleito a área editorial como uma das
estratégias do seu projeto associativo, traduzida em duas dimensões: publicações periódicas e institucionais (Boletins – Profalmada e Correio da Usalma, Revista Memórias e Futuro); publicações não periódicas, como sejam Separatas e Brochuras, e, particularmente, edições de autor direcionadas para a criação literária, a educação e a cidadania, privilegiando os associados, os professores e estudantes da Universidade Sénior de Almada (USALMA). A geografia humana da nossa atividade editorial, assegurada pela coordenação de Ernesto Fernandes, Edite Prada e Joaquim Ribeiro, regista, entre 2011 e o tempo de hoje, autores como Feliciano Oleiro, José Monteiro, Amélia Cortes, Américo Morgado, Madalena Moreira (narradora), Luciana Couto, Maria de Lourdes Albano (coord.), Ernesto Fernandes e Edite Prada (org.). Uma viagem editorial escrita por centenas de autores, nomeados na nossa Revista Memórias e Futuro.
• A presente Separata Património Artístico de Almada I inicia a divulgação da pesquisa artística de Louro Artur, professor e pintor, que honra o concelho ao devolver a cada um de nós a riqueza estético-expressiva da nossa identidade cultural. Uma investigação exemplar que, editada em capítulos, impressa e online, dará lugar a edição em livro. Um projeto que amplia a bibliografia da História das Artes, daí o seu valor didático-pedagógico para o aprofundamento da educação democrática, ancorada nos direitos e responsabilidades humanos. • A educação, seja académica ou ao longo de toda a vida, deve ser sempre formação contínua e pluridimensional: científico-técnica, estético-expressiva e ético-política. Estas três dimensões em cruzamento são a condição para aprender a ser, conforme o Relatório da UNESCO para o século XXI – Educação: um tesouro a descobrir (1996). Bem haja, Louro Artur. O nosso reconhecimento.
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Projecto publicado na revista “Anais de Almada” N.º 3, ano 2000, p.113-122, agora revisto com outros dados.