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Património Artístico de Almada VI

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Património Artístico de Almada (VI)

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Som Boletim n.º 1e 2 julho 2018

Separata

Associação dos Professores do Concelhoe de e da Universidade Sénior de Almada Associação dos Professores da Almada Universidade Sénior de Almada

Património Artístico de Almada (VI)

Projeto Audiovisual Prof. Louro Artur

Igreja de Sant´Iago III “Transfiguração de Cristo” do Mestre Sousa Araújo1 Apresentação Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção

Dando continuidade à edição do Património Artístico de Almada, é divulgada a 6.ª separata no boletim n.º 1-2 InFormar, boletim que vem reformular e substituir o Profalmada onde foram publicadas as cinco anteriores separatas dedicadas ao mesmo tema. Não esqueçamos que património é tudo o que o Homem criou, produziu e/ou instituiu. É indispensável preservá-lo, restaurá-lo e difundi-lo. O Professor Louro Artur tem sabido trazer até nós o passado artístico para que o possamos transmitir às gerações futuras. Só assim, temos a certeza de que, o que à partida pode e deve ser de todos, por ignorância/desconhecimento, não acaba sendo de ninguém.

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27/06/18 10:02

Vista do jardim do Castelo (1928) do Aguarelista Alves de Sá


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Introdução A actual configuração arquitectónica da Igreja de Sant´Iago de Almada mostra sinais evidentes da sua última reconstrução, realizada no século XVIII, sob o patrocínio de D. António, irmão do rei D. João V, com planta do arquitecto das obras reais, Padre Francisco Tinoco da Silva. De uma família de arquitectos, Francisco Tinoco, com pouca obra conhecida, é apontado como autor do projecto para a fonte monumental do Sapal em Setúbal (Custódio da Silva) e da Igreja de N.ª Sr.ª dos Navegantes em Cascais? (Vitor Serrão). Com um traço de característica maneirista e proto-barroca, o arquitecto fez bom aproveitamento da abóboda gótica de nervuras da Capela-Mor da Igreja de Santiago. Outras referências ao gótico existentes na igreja, apesar de tardio, edificam a decoração das colunas e arco abatido da Capela de N.ª Sr.ª da Conceição e pormenores ornamentais da moldura tumular quatrocentista (actualmente mandada tapar, por uma moldura incaracterística) da família Fernão Gomes, proprietário da Quinta da Ramalha e Ermida de Santo Antão. O terramoto de 1755 e, falta de meios humanos e financeiros atrasaram as obras de reconstrução da igreja apesar desta não ser tão fustigada pela ruína, como nos descreve nas «Memórias Paroquiais de 1758», o Padre José Salgado de Araújo: «O telhado e teto do corpo da nave central, parte da fachada e torre, sofreram estragos consideráveis», deixando sem vida nos escombros, nove mulheres: Margarida Josefa, Teresa de Jesus, as jovens solteiras Mariana, Ana, Maria, Teresa, Feliciana Sebastiana Maria e a escrava das meninas Micaela (António Policarpo). Após este envolvimento dramático, o estaleiro de obras da Igreja constrói uma barraca-ermida em madeira, para serviço provisório de culto (1756) semelhante ao de Cacilhas (Rui Mendes). Este importante estaleiro que nasceu sob planta de Tinoco da Silva, foi constituído pelos mestres construtores lisbonenses, Pedro Ribeiro (carpinteiro), José da Cunha (pedreiro) e João Vicente (entalhador). Na visão exterior do templo, a geometria silenciosa de um estilo chão, ergue-se o corpo de planta quadrada da torre, de quatro ventanas e dois sinos, coroada por um coruchéu piramidal com pináculo cónico. O coroamento decorativo completa-se com a presença nos vértices de quatro pináculos cónicos, assentes na base quadrangular. A percepção espacial da frontaria da igreja regista uma presença de dois espaços delimitados por um friso contínuo e uma tradicional centralidade do seu portal e frontão. A simplicidade destes elementos arquitectónicos distingue os objectos estéticos da sua identidade II


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exterior. Um portal, de composição simétrica, constituído por pilastras de secção rectangular, adossados à parede, em forma de coluna lisa de tipologia toscana. Sobre as colunas, um entablamento com lintel e frisos de moldura simples, encimados por cornija angular que suportam dois elegantes coruchéus pinaculares em forma de garrafa. Uma pequena consola suporta a janela com varandim em ferro forjado. O vão, que ilumina o interior do templo, é ladeado por uma decoração simbólica em espiral que se eleva até ao friso contínuo de moldura saliente. Este friso contínuo, já mencionado anteriormente, para além de referir a base do frontão, a altura da janela, termina na extremidade sul, por base e pilastra em cunha, coroada por um pináculo cónico. O templo recorda a sua origem, ligada à Ordem de Santiago, através de uma cartela em baixo relevo, fixada no espaço interior do frontão coroado por um acrotério em cruz latina. Dois degraus e um patamar, em cantaria, celebram a entrada no templo. O olhar do observador fixa-se no Altar-Mor e seu trono, nas capelas colaterais e sua decoração geométrica e naturalista, seu púlpito transformado em peça de arte contemporânea, um óculo que inscreve um vitral, tipo Arte Nova, e o teto da nave única forrado a estuque decorado por rosetões em baixo-relevo que envolvem uma pintura naturalista de São Tiago peregrino, dos finais do século XIX ou princípios do século XX. Salientam-se, também, o baptistério com a sua pia baptismal octogonal, envolvida por uma forma esferóide, de estilo renascentista e na parede da direita a grande tela da “Transfiguração de Cristo” do arquitecto-pintor, Sousa Araújo. Tela pintada a óleo que inicialmente ocupava o espaço no Altar-Mor, onde hoje se encontra o trono devidamente restaurado. O artista João José Sousa Araújo (1929) Arquitecto, Pintor e Escultor, ganhou notabilidade na pintura de Arte Sacra contemporânea em Portugal e no estrangeiro. Com uma entrada nos 90 anos de idade, o Artista vai deixando um rasto de criatividade na procura da beleza, expressividade de estilo e qualidades formais. A comunicabilidade da sua obra de Pintura, abre-se para valores de linha e mancha, fortemente marcados pela textura e movimento, deixando nas grandes dimensões dos suportes, o encantamento de uma pincelada livre e espontânea. Este universo gestual reconhecido na obra "Transfiguração de Cristo", torna-se num objecto de luz difusa nas vestes de Jesus, com predomínio na intensidade dos apontamentos direccionados dos panejamentos, e na concepção dinâmica da forma oblíqua de representação. Um aparente e delicado rosto de Jesus, esboça um ligeiro sorriso aos seus discípulos Pedro, Tiago e João, acomodando-os perante a importante revelação que vai pronunciar. A figura de Cristo emerge em primeiro plano do quadro, com a figuração dos apóstolos no canto esquerdo, e a presença de Elias, Moisés e as Tábuas da Lei à direita, numa envolvência de formas de cor castanha, animadas por fortes contornos de representação realista. A composição do quadro de grandes dimensões, vive do conjunto de círculos e triângulos, que se projectam equilibramente no exterior e interior da figura de Jesus. As suas vestes de características abstractizantes, assumem um espaço pictórico prodigioso, entre o fantástico e a realidade. III


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João José de Sousa Araújo Nasceu em Lisboa em 1929, filho de Renato Penha e Cantos de Sousa Araújo e Maria Manuela Gramunha Vasques. Baptizado em 3 de Janeiro de 1930, casado em 1953 com a poetisa Nena Costa, de quem tem nove filhos. Formou-se em Lisboa na Escola Superio das Belas Artes de Lisboa, em Arquitectura, em Pintura e em Escultura (Prémio Roque Gameiro). Nos primeiros anos da sua carreira ensinou nesta escola, prosseguindo simultaneamente o seu trabalho artístico. A arquitectura obriga-o a deixar o ensino em 1961, continuando no Banco de Portugal (1950-1984) como arquitecto consultor onde realizou as primeiras maquetes de todas as notas em circulação nas décadas de 60 a 80. Ainda de referir que durante a década de 50 executou a colecção de selos para as províncias ultramarinas, celebrando o Ano Santo, bem como uma vasta colecção de gravuras onde se situa também a edição do livro de poemas de Nena Costa mas sendo toda a ilustração e texto feitos em gravura (ponta seca). J.S.A. fez exposições em Portugal e no estrangeiro. A sua primeira exposição foi em 1951 na S.N.B.A.A sua carreira internacional começa em 1973 na exposição Paul-Louis Weiller, em Paris. A sua primeira exposição individual no estrangeiro deu-se em 1975, no Rio de Janeiro, convidado pelo Conselho Federal de Cultura. Em 1976 expõe em Roma na embaixada de Portugal junto da Santa Sé, tendo sido um dos quadros seleccionado para o Papa Paulo VI, representando Cristo na Cruz (ofício da Secretaria de Estado do Vaticano n.° 322 391 de 2 de Março de 1977). Deste quadro foi feita uma gravura em ponta seca (2,40 m x 0,45 cm), cuja chapa original em cobre se encontra colocada no hall de acesso ao elevador do monumento de Cristo Rei. O retrato do Santo Padre Paulo VI está actualmente colocado no Colégio dos Portugueses em Roma, representando este óleo a bênção da primeira pedra deste Colégio, feita pelo mesmo Santo Padre em Fátima (1967). Ainda do mesmo Papa existe actualmente em Roma no Vaticano, outro retrato exposto na Galeria da Via della conciliazione, representando o Papa a ler ao mundo as mensagens do encerramento do Concílio Vaticano II (com o oficio n.° 80 596 da Secretaria de Estado Vaticano de 7 de Outubro de 1966). Em 1977 faz duas exposições em São Paulo, Brasil, em 1978, em Espanha, na Propac, um ano depois no Palácio de Congressos e Exposições de Madrid a convite do Secretário de Estado da Cultura. Após um intervalo de sete anos termina as suas exposições no norte de Portugal, Hotel Vermar, Póvoa do Varzim e Museu de Arte Sacra de Aveiro. Em 1987 nova exposição de arte sacra integrada no circuito do Palácio Nacional de Mafra. Das suas pinturas sobre temas sacros merecem especial referência as pinturas a óleo e os vitrais dos três níveis do corpo da Basílica de Fátima, encomendados pelo santuário para a celebração do 50.° aniversário das aparições. O painel sobre o altar-mor, tal como as capelas laterais de Francisco, Jacinta e Lúcia são de sua autoria. No mesmo ano foi entregue o projecto da Cripta da Colunata para 10 000 pessoas, deslocação do altar das celebrações e cúpula, encomendados pelo mesmo santuário. Em 1967 pintou diversas telas a óleo que se encontram em Fátima, representando nomeadamente a Ceia de Cristo e os Apóstolos, o Papa Paulo VI com a Rosa de Ouro, um par de quadros representando o Imaculado Coração de Maria e o Anjo Custódio de Portugal. Todas as maquetes das referidas obras se encontram no arquivo do santuário. Em 1967, e durante os 30 anos seguintes, trabalhou a convite do arcebispo de Nampula para-a Catedral de Nossa Senhora de Fátima, Rainha da Paz em Nampula, Moçambique, projecto de Raul Lino. Este conjunto de trabalhos é constituído por cerca de 42 vitrais e dois polípticos com 4 m x 9 m, estando um colocado no altar-mor da catedral, sob o tema da Glorificação de Nossa Senhora de Fátima (a maquete encontra-se actualmente colocada na Capela do Santuário de Cristo Rei em Almada), o outro políptico representa a Pacem in Terris, colocado na Capela do Santíssimo desta Catedral de Nampula. Ainda em Moçambique, Boanne - Maputo, a construção da igreja da Casa do Gaiato, o políptico a óleo do altar-mor, representando o ciclo da Encarnação e os vitrais da mesma. Em 1997 é convidado pela comunidade portuguesa, em Turlock, Califórnia, USA, a realizar o interior de todas as obras e vitrais da Igreja de Nossa Senhora da Assunção dos Portugueses. No mesmo ano realiza para a diocese de Ponces, Yauco, Porto Rico, a tela a óleo para a réplica da Capelinha de Nossa Senhora de Fátima e um políptico composto por nove quadros denominado Catequese de Fátima. Estas obras estão na Hacienda Santa Rita, sede das Irmãs Dominicanas de Nossa Senhora de Fátima em Porto Rico. Em 2004 pintou para o Convento dos Crúzios, em Fátima, o retrato do superior da Ordem, D. João Pereira Venâncio, uma interpretação de Santo Agostinho e o fundador São Teotónio. Em escultura, é de referir o busto do Infante D. Henrique, em Porto Rico, de D. Afonso Henriques, em Zamora, as estátuas em bronze de Nossa Senhora da Misericórdia (7,50 m x 5,50 m) (Centro João Paulo II, União das Misericórdias), o Anjo de Portugal, em Fátima (rotunda do Anjo), o busto de D. João Pereira Venâncio, baixo-relevo de São Miguel (Colégio de São Miguel, Fátima), bronzes da fachada da Igreja de São Pedro e São João do Estoril, constituídos pelo conjunto da Crucificação e Ressurreição de Cristo e dois baixos-relevos, de um anjo e Nossa Senhora, Mãe da Humanidade, São João e Maria Madalena. Ainda de referir a estátua alusiva às Descobertas em Cascais e no Estoril, o monumento aos 1

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Sagrados Corações de Jesus e Imaculado Coração de Maria, o busto do primeiro prior do Estoril, monsenhor Moita e o baixo-relevo de Santo António (realizado para as comemorações do 75.° aniversário da paróquia). Nesta mesma Igreja também realizou trabalhos de arquitectura, tais como: residência paroquial, acolhimento, capela de Emaús e toda a cripta subterrânea de cobertura arrelvada. Ainda na área da arquitectura, realizou hotéis como o Hotel Savoy, na ilha da Madeira, estalagens (Estalagem do Sado), edifícios públicos, blocos residenciais (Edifício Santa Isabel, no Estoril), pavilhões de caça, moradias particulares e igrejas. Dos seus azulejos, o último trabalho foi um painel representando os Antigo e Novo Testamentos com o Apocalipse (400 m2) cobrindo o interior da Igreja de São Pedro e São João do Estoril, painel dos Franciscanos no Mundo para a Província Franciscana Portuguesa, recentemente terminado, e estando ainda em curso a estátua de São Francisco de Assis (4,50 m). Na Igreja da Encarnação (Chiado), a Capela de Santa Maria Goretti e o fresco do Percurso e da Aliança, abóbada com 100 m2. Ainda na pintura é de referir os Mistérios do Rosário, publicados pelo Patriarcado de Lisboa na obra A Família é o Lugar2, São João Baptista, encomendada pela Ordem de Malta, actualmente na diocese de. Santarém bem como os Mistérios Luminosos na Igreja de Nossa Senhora de Fátima (Entroncamento) e o Políptico do Espírito Santo na Igreja, de Cedofeita (Porto), onde estão também os quadros de São Martinho e a Ceia de Emaús. Na Seminário de São Paulo, em Almada, está outro tríptico no altar-mor da Igreja representando a Eucaristia. Na Igreja de Santiago, na mesma cidade, um quadro representando a Transfiguração de Çristo, igualmente colocado no altar-mor. Na Fundação Vale de Açor temos também um quadro de grandes dimensões, representando o filho pródigo e ainda dois laterais alusivos à Visitação e a Cristo na Sinagoga. Ainda nesta instituição encontra-se um quadro de São João de Deus levando um Cristo ao colo. Na capela da Casa do Gaiato na Arrábida temos o quadro Vim para fazer a Tua vontade, dentro da temática do ciclo da Encarnação Redentora. No vitral são de referir os painéis do fundo do altar principal da Igreja da Virgem dela providencia, S. Juan Porto Rico, o conjunto de vitrais da Igreja de São Pedro e São João do Estoril, capela de Nossa Senhora das Neves, Caparide, Estoril e capela das Oficinas da Casa do Gaiato em Setúbal. O projecto da Igreja do Imaculado Coração de Maria da Paróquia de Vale Figueira, Almada, é da sua autoria, bem como as várias pinturas a óleo e azulejo. Na área da pintura a óleo existem cerca de quatrocentos retratos e composições de arte sacra, em diversas colecções particulares, no país e no estrangeiro. Também são de salientar todas as obras plásticas existentes no Santuário de Cristo Rei, em Almada, obras estas que são óleos sobre tela, frescos, pintura em tábua, escultura e baixos-relevos em bronze. CORRÊA DE OLIVEIRA, A.& Sousa Araújo, J. (2004),A Família é o Lugar, Departamento da Pastoral da Família do Patriarcado de Lisboa.

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Edição Santuário de Cristo Rei

Ficha Técnica Direção: Maria de Lourdes Albano Coordenação: Maria de Lourdes Albano e Edite Prada. Fotografia, Capa, Conceção Gráfica e Paginação: Joaquim Ribeiro Revisão: Edite Prada Secretariado: Sónia Tomás e Tânia Sofia Redação e Administração: Rua da Cerca, 21-23 - 2800-050 Almada Telefone e Fax: 219012420 e-mail: usalma@apcalmada.org

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Som Rão Kyao – Sopros de Vida

O mistério da arte joga-se entre os olhos e a mão do pintor. René Hyghe

•A metamorfose e o fantástico na Obra •Gestualidade e tensão no movimento, com texturas relevantes •A luminosidade difusa e transparente •A evocação dos contrastes fortes da mancha e dos traços finos e cheios •As formas circulares e triangulares simbólicas, dominam a estrutura do quadro, enriquecendo o sentido de obliquidade da figura de Jesus.

Na sombra, o rosto de Jesus, emerge das roupagens dirigindo-se aos apóstolos. Um rosto sereno de fino traço, com massas de cor reduzidas aos volumes fundamentais. O sentido oblíquo da imagem orienta o braço direito de Jesus, num gesto de acolhimento, determinando os sinais de panejamento e as respectivas texturas

Na imagem os três apóstolos convidados por Jesus, para ouvirem uma secreta revelação. Cristo transfigura-se e os Apóstolos exprimem atenção e temor nos rostos. A expressão plástica tratada por manchas texturadas, no sentido do volume modelam fortemente os rostos e seus contornos, entre tonalidades castanhas VI


Património Artístico de Almada (VI) Texto As vestes revoltas e iluminadas de Jesus, sugerem na imagem uma visão abstracta. O panejamento aparente de linha aberta, recebe alguns sulcos de tons castanhos, numa superfície animada por uma textura variada e criativa.

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Som Rão Kyao – Sopros de Vida

Uma forma orgânica descobre a mão esquerda de Jesus envolta nas vestes A imagem plástica edifica o seu empastre generalizado, de sentido circular. O empastamento de pintura a óleo, obtido por um meio de trabalho (pincel ou espátula), sobre a superfície da tela, edificam o gosto do Pintor por esta matéria pictórica.

A imagem de pormenor na base esquerda do quadro, evoca a presença de Elias e Moisés na revelação de Jesus. (Ressureição) A figuração na sombra, excepto nas Tábuas da Lei segura por Moisés, são uma contínua visão dramática, de linhas e manchas que se sobrepõem. Uma densa paleta de cor e tons castanhos, apoiada por toques luminosos, determinam a sua representação realista.

Bibliografia Consultada 1 – Flores, Alexandre, “Almada Antiga e Moderna, Freguesia de Almada”, C.M.A, 1985 2 – Huyghe, René, “Diálogo com o Visível”, ed. Livraria Bertrand, 1955 3 – Mendes, Rui, “Património Religioso de Almada e Seixal, Anais de Almada, ed. C.M.A, nº 11-12, 2008-2009 4 - Teixeira, Luís Manuel, “Dicionário Ilustrado de Belas-Artes ed. Presença, 1985. Agradecimentos - Associação de Professores do Concelho de Almada - Dr. Alexandre Flores

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Património Artístico de Almada (VI) Texto

Número 1

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Número 3

Número 2

Património Artístico de Almada (I)

Património Artístico de Almada (III) Texto

Boletim n.º 37 junho 2015

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Boletim n.º 40 junho 2016

Separata

Património Artístico de Almada (III)

Património Artístico de Almada (I)

Projeto Audiovisual Prof. Louro Artur

Apresentação

Projeto Audiovisual*

Prof.ª Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção

Prof. Louro Artur

Dando continuidade ao projeto de edição Património Artístico de Almada, do Prof. Louro Artur, primeira Separata do Profalmada n.º 37, junho de 2015, segunda Separata do Profalmada n.º 39, abril de 2016, eis a terceira Separata, a divulgar com o Profalmada n.º 40, julho de 2016. Um projeto de pesquisa artística que amplia a informação e o conhecimento sobre o património histórico-cultural de Almada. Deste modo, a Associação de Professores do Concelho de Almada também cumpre a sua missão cívica e institucional de serviço à Cidade. De facto, como diz a UNESCO, a educação é um tesouro a descobrir porque assenta em quatro pilares de aprendizagem ao longo da vida toda, e de toda a vida: aprender a conhecer (...); aprender a fazer (...); aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros (...); aprender a ser (...) (cf. Relatório Internacional, 1996, p.77-87). Não é bastante celebrar o aniversário do 25 de Abril como memória histórica. É fundamental desenvolver uma atitude de reflexão e promoção de atividades e projetos no sentido do desenvolvimento social e da cidadania democrática. Para o regime do Estado Novo o analfabetismo não era um problema social, no entanto foi consentindo o catecismo do ler, escrever e contar, a partir dos anos 50 do século XX, cultivando e instilando uma visão da vida e do mundo em que a cultura é supérflua para o povo e, por isso, apanágio de elites. Uma pobreza maior e mais profunda que a pobreza da sobrevivência/subsistência. Estamos perante um desafio sócio-histórico que tem por nome Educação. Pois, como adverte Sophia de Mello Breyner Andresen em Cantata de Paz: Vemos, ouvimos e lemos Não podemos ignorar Vemos, ouvimos e lemos Não podemos ignorar D’África e Vietname Sobe a lamentação Dos povos destruídos Dos povos destroçados

Apresentação Prof.ª Maria de Lourdes Albano Presidente da Direção

•A Associação de Professores do Concelho de Almada (Apcalmada) tem eleito a área editorial como uma das

estratégias do seu projeto associativo, traduzida em duas dimensões: publicações periódicas e institucionais (Boletins – Profalmada e Correio da Usalma, Revista Memórias e Futuro); publicações não periódicas, como sejam Separatas e Brochuras, e, particularmente, edições de autor direcionadas para a criação literária, a educação e a cidadania, privilegiando os associados, os professores e estudantes da Universidade Sénior de Almada (USALMA). A geografia humana da nossa atividade editorial, assegurada pela coordenação de Ernesto Fernandes, Edite Prada e Joaquim Ribeiro, regista, entre 2011 e o tempo de hoje, autores como Feliciano Oleiro, José Monteiro, Amélia Cortes, Américo Morgado, Madalena Moreira (narradora), Luciana Couto, Maria de Lourdes Albano (coord.), Ernesto Fernandes e Edite Prada (org.). Uma viagem editorial escrita por centenas de autores, nomeados na nossa Revista Memórias e Futuro.

• A presente Separata Património Artístico de Almada I inicia a divulgação da pesquisa artística de Louro Artur, professor e pintor, que honra o concelho ao devolver a cada um de nós a riqueza estético-expressiva da nossa identidade cultural. Uma investigação exemplar que, editada em capítulos, impressa e online, dará lugar a edição em livro. Um projeto que amplia a bibliografia da História das Artes, daí o seu valor didático-pedagógico para o aprofundamento da educação democrática, ancorada nos direitos e responsabilidades humanos. • A educação, seja académica ou ao longo de toda a vida, deve ser sempre formação contínua e pluridimensional: científico-técnica, estético-expressiva e ético-política. Estas três dimensões em cruzamento são a condição para aprender a ser, conforme o Relatório da UNESCO para o século XXI – Educação: um tesouro a descobrir (1996).

Vemos, ouvimos e lemos Relatórios da fome O caminho da injustiça A linguagem do terror (...) Nada pode apagar O concerto dos gritos O nosso tempo é Pecado organizado.

Bem haja, Louro Artur. O nosso reconhecimento.

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ISSN: 1647-1075

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ISSN: 1647-1075

Vitral do pintor Louro Artur – Igreja do Pragal

Projecto publicado na revista “Anais de Almada” N.º 3, ano 2000, p.113-122, agora revisto com outros dados.

Número 4

Número 5

Ficha Técnica Direção: Maria de Lourdes Albano Coordenação: Maria de Lourdes Albano e Edite Prada. Fotografia, Capa, Conceção Gráfica e Paginação: Joaquim Ribeiro Revisão: Edite Prada Secretariado: Sónia Tomás e Tânia Sofia Redação e Administração: Rua da Cerca, 21-23 - 2800-050 Almada Telefone e Fax: 219012420 e-mail: usalma@apcalmada.org

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