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Laura gota de água

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Laura gota de água Era uma vez, uma gota de água que vivia no mar e se chamava Laura. Era uma gota pequenina mas muito irrequieta e brincalhona. Estava sempre a correr de um lado para o outro. Viajava nas correntes apressadas ou subia bem alto nas ondas, para logo de seguida rodopiar nos remoinhos turbulentos e voltar a descer até ao fundo do mar. A gota Laura tinha muitos amigos com quem brincava todo o dia e toda a noite, porque as gotas de água não precisam de dormir, estão sempre em movimento. Um belo dia, estava a gota Laura nas suas brincadeiras, quando de repente reparou que o céu começou a ficar muito escuro, com grandes nuvens cinzentas que viajavam ao sabor do vento. De dentro dessas nuvens saltaram muitas gotas de chuva que caíram no mar e algumas acertaram em cheio em cima da cabeça da Laura gota de água. Intrigada, a gota Laura aproximou-se de uma delas e perguntou: - Olá! Quem és tu? - Eu sou uma gota de chuva. - Donde é que tu vens? - Venho da nuvem, que está lá em cima no céu. - E como é que foste parar lá dentro? - Não sei! - respondeu a gota de chuva - Quando acordei, já estava preparada para saltar para fora da nuvem e cair no mar, mas não me lembro como é que subi para dentro da nuvem. E dito isto, a gota de chuva fugiu apressada para se juntar a muitas outras gotas de chuva acabadas de sair da nuvem e formar uma onda que se levantou bem alto e rebentou na areia da praia. A gota Laura, resolveu então tentar subir para dentro da nuvem. - Se eu conseguir saltar muito alto, talvez seja capaz de me agarrar à nuvem. - pensou a Laura gota de água. E assim fez. Começou a saltar, a saltar cada vez mais alto, mas por mais que se esforçasse, voltava sempre a cair no mar. Nesse momento, viu aproximar-se um cardume de peixes que nadava calmamente e perguntou a um deles:


- Olá sr. Peixe! Sabes dizer-me o que é que eu tenho que fazer, para conseguir subir para cima de uma nuvem? - Eu gostava de te ajudar - respondeu o peixe - mas não sei. No meu mundo, só existe água, água e mais água. Desde que nasci, estou sempre rodeado de água e não sei o que existe fora dela. Mas desejo-te boa sorte na tua aventura. - Obrigado sr. Peixe! Vou tentar encontrar alguém que me possa ajudar. A gota Laura continuou o seu caminho e encontrou um golfinho. - Olá sr. Golfinho! Sabes dizer-me o que é que eu tenho que fazer, para conseguir subir para cima de uma nuvem? - Eu sei o que é uma nuvem, porque quando vou respirar fora de água, às vezes vejo-as no céu. Umas são branquinhas e leves como bolas de algodão, outras são escuras e pesadas e deixam cair grossas pingas de chuva. Por vezes estão zangadas umas com as outras e começam a lutar entre si, fazendo muitas faíscas e também muito barulho. Mas as nuvens estão sempre muito longe e nunca lhes consegui tocar, mas desejo-te boa sorte para a tua aventura. - Obrigado sr. Golfinho! Vou procurar alguém que me possa ajudar. A gota Laura continuou o seu caminho e encontrou uma grande baleia que se alimentava calmamente de plankton. - Olá sra. Baleia! Sabes dizer-me o que é que eu tenho que fazer, para conseguir subir para cima de uma nuvem? - perguntou a Laura gota de água, mas manteve-se sempre longe da baleia, porque uma boca daquele tamanho quando está aberta, é muito perigosa. - Eu não te posso ajudar. - respondeu a baleia - Sou uma baleia muito calma e descontraída e só me preocupo com a quantidade de comida que tenho que ingerir durante o dia. Eu sou muito grande e pesada e tenho que estar sempre a comer, por isso não tenho tempo para pensar em mais nada. Mas desejo-te boa sorte na tua aventura. Laura gota de água, pensou então visitar a areia da praia e tentar encontrar quem a pudesse ajudar. Apanhou boleia numa onda,


juntou-se à suave espuma branca e pousou na areia da praia. Estava nessa altura a passar por ali, um batalhão de caranguejos, que marchava ordenado e sincronizado ao som da voz do seu comandante: - Op dois, esquerdo direito, encolhe a barriga e estica o peito! Op dois, esquerdo direito, encolhe a barriga e estica o peito! - Olá sr. Caranguejo! Sabes dizer-me o que é que eu tenho que fazer, para conseguir subir para cima de uma nuvem? - Alto companhia descansar! - ordenou o comandante caranguejo. Quando estou a patrulhar as rochas, já vi muitas gotas como tu desaparecer das poças de água como se fosse magia, mas não sei para onde vão. Talvez subam para dentro das nuvens. Experimenta perguntar às gaivotas. Elas conseguem voar muito alto e pode ser que saibam o que fazer para te ajudar. Desejo-te boa sorte na tua aventura. - Obrigado sr. Caranguejo! Vou seguir o seu conselho e procurar uma gaivota. A pequena gota Laura, voltou para dentro do mar e encontrou uma gaivota que estava a descansar em cima da água. - Olá sra. Gaivota! Sabes dizer-me o que é que eu tenho que fazer, para conseguir subir para dentro de uma nuvem? Já perguntei ao peixe, ao golfinho, à baleia e ao caranguejo, mas nenhum me conseguiu ajudar. - Quando eu saio de dentro de água e estou toda coberta de gotas, - respondeu a gaivota - fico parada ao sol e passado algum tempo, elas desaparecem e eu fico seca e pronta para voar outra vez. Pode ser que seja o sol, com os seus raios, que faz com que as gotas de água subam para dentro das nuvens. Mais logo, ao fim do dia, o sol vai deitar-se no mar. Tenta falar com ele e pede-lhe ajuda. Boa sorte para a tua aventura. - Obrigado sra. Gaivota! A gota Laura, nadou com muita velocidade e conseguiu chegar mesmo a tempo à linha do horizonte, no momento em que o sol se preparava para dormir no mar.


- Olá sr. Sol! Eu sou a Laura gota de água e gostava muito de subir para cima de uma nuvem. A Sra. Gaivota disse que tu me podias ajudar. É verdade? - Claro que posso, menina Laura gota de água. - respondeu o sol Amanhã quando for meio-dia, fica parada em cima do mar que eu vou mandar um raio de sol bem quentinho e luminoso para te aquecer e transformar em vapor de água. Vais ficar muito leve e poderás voar e subir para dentro de uma nuvem. - Obrigado sr. Sol! Até amanhã. A Laura gota de água, nem queria acreditar que no dia seguinte iria realizar o seu sonho: subir para dentro de uma nuvem. Mas enquanto a noite não terminasse e já agora para não perder tempo, aproveitou para se juntar às suas amigas e voltar a brincar nas ondas do mar. No dia seguinte, ao meio-dia em ponto, a gota Laura estava parada em cima do mar, muito quietinha à espera. O sol, mandou-lhe um raio, que a aqueceu e a transformou em vapor de água. Esse vapor subiu bem alto no céu, juntou-se a outras gotas vapor e formaram uma grande nuvem que soprada pelo vento partiu para bem longe. A nuvem, depois de voar durante alguns dias, parou por cima de uma alta montanha que estava coberta de um manto de neve branquinha. A gota Laura, que tinha estado a dormir durante toda a viagem, acordou de repente cheia de frio e reparou que o seu corpo estava muito rijo, já não se conseguia mexer como quando vivia no mar. - Mas o que é que me está a acontecer? - pensou a Laura gota de água - Porque é que eu tenho tanto frio e sinto o meu corpo congelado? Ai! Ai! Eu estou a cair! - gritou assustada. A gota Laura, ainda não tinha percebido que se tinha transformado em floco de neve e estava a cair da nuvem em direção à montanha. Quando finalmente aterrou no chão, olhou à sua volta muito espantada. - Onde é que eu estou? - perguntou curiosa - Já não vejo as ondas do mar, nem os peixes, nem os golfinhos, nem as baleias, nem os caranguejos, nem as gaivotas a voar no céu. Isto aqui é tudo branco e muito frio. Não consigo mexer-me e estou a ficar com


muito sono, o que é estranho, porque eu nunca estou cansada. Acho que vou dormir uma pequena sesta e quando acordar, vou à procura das minhas amigas para voltar a brincar com elas. E assim fez. Fechou os olhos e adormeceu. Só que a Laura gota de água não sabia que era inverno e que iria dormir durante três meses seguidos deitada no alto da grande montanha. Quando chegou a primavera, o sol tornou-se mais quente, a neve começou a derreter e a Laura gota de água finalmente acordou. - Bom dia! Dormi mesmo bem! Já não tenho frio e o meu corpo já se mexe bem melhor outra vez. Já posso voltar a nadar e a brincar com as minhas amigas. Ai! Ai! Estou a escorregar! Mas para onde é que eu vou agora? - gritou a Laura gota de água. Como a montanha era muito inclinada, todas as gotas que iam derretendo com o calor do sol, corriam rapidamente em direção ao leito do rio que seguia por entre uma floresta de árvores e de lindas flores. A gota Laura ,estava encantada com tantas coisas novas que ela não conhecia, com tantas cores diferentes e tantos aromas que perfumavam o ar. Viu lindas flores amarelas, vermelhas, roxas e brancas, viu borboletas a voar que pareciam flores com asas, viu enxames de abelhas que retiravam o néctar das flores para depois o transformarem em doce mel, viu andorinhas que dançavam pelo céu à procura de insetos para comer. Depois de muito andar, nadando no rio, chegou a um lago mais calmo e aproximou-se da margem para poder descansar um pouco de tanta correria. Qual não foi o seu espanto, quando viu aproximar-se um enorme animal que ela não conhecia e resolveu ir falar com ele: - Olá sr. Animal! Eu nunca vi ninguém igual a ti! Como é que te chamas? - perguntou a Laura gota de água. - Eu sou um cavalo selvagem e vivo aqui nesta planície, juntamente com a minha família. - disse o cavalo - Tenho muitos filhos e filhas e adoramos correr e saltar, comer erva tenrinha e beber água fresca no lago. Como está muito calor eu estou cheio de sede. Importas-te de ficar quieta para que eu te beba calmamente?


-Beber água? Mas a água sou eu! E eu não quero ser bebida por um cavalo gigante. O que eu gostava mesmo era de voltar para o mar, para junto das minhas amigas com quem brincava todo o dia e toda a noite e lá ninguém me queria beber. Sabes dizer-me o que é que eu tenho que fazer para voltar para o mar? - Eu sempre vivi aqui neste lugar e não sei o que há para além dele. Mas desejo-te boa sorte no teu regresso. - Obrigado sr. Cavalo! A Laura gota de água foi então à procura de alguém que a pudesse ajudar a encontrar o caminho de volta para o mar. Nadou para a outra margem do lago e reparou que estavam dois cães a brincar correndo atrás de uma bola. - Eu já vi, lá na minha praia, uns cães iguais a estes a brincar na areia. Será que eles me podem ajudar? - Aproximou-se um pouco mais da margem do rio e tentou chamar os dois cães, mas eles estavam sempre a correr de um lado para o outro perseguindo a bola e faziam muito barulho a ladrar. A gota Laura teve que esperar algum tempo, mas quando finalmente se deitaram na relva para descansar ela aproveitou e gritou bem alto: - Olá meninos cães! Como é que vocês se chamam? - Eu sou o Marley e este é o meu primo Big. - respondeu um dos cães - Somos dois cães e adoramos brincar com esta bola amarela. Os nossos donos atiram a bola e nós corremos atrás dela para ver quem a consegue apanhar primeiro. É muito divertido mas agora estamos cheios de calor e de sede e queremos beber água fresquinha no lago. Importas-te de ficar quieta para nós te bebermos calmamente? - Outra vez a mesma conversa! Claro que me importo! Não quero ser bebida por dois cães barulhentos. O que eu gostava mesmo era de voltar para o mar, para junto das minhas amigas gotas de água salgada, com quem brincava todo o dia e toda a noite e lá ninguém me queria beber. Sabem dizer-me o que é que eu tenho que fazer para voltar para o mar? - Nós já fomos brincar numa praia ao pé do mar, mas não sabemos como lá chegar. Foram os nossos donos que nos levaram dentro


de um carro que andava muito depressa e não sabemos o caminho. Mas desejamos-te boa sorte no teu regresso. - Obrigado Marley e Big. A gota Laura voltou de novo para o meio do rio e continuou o seu caminho quando de repente ficou parada, presa no meio de um dique de troncos. Virou para o lado direito mas não conseguiu encontrar uma saída, virou para o lado esquerdo e também não viu forma de fugir daquela prisão. Já estava a ficar preocupada quando à sua frente apareceu um animal muito engraçado. Tinha um pelo macio e lustroso, uma cauda comprida e uns grandes dentes que parecia que não lhe cabiam dentro da boca. - Olá sr. Animal engraçado! Como é que te chamas? - Eu sou um castor e vivo aqui neste rio desde que nasci. - Sabes dizer-me o que é que eu tenho que fazer para conseguir voltar para o mar? Não sei porquê mas fiquei presa aqui dentro destes troncos e não consigo sair para continuar a minha viagem. - Estes troncos fui eu que os cortei com os meus dentes e os empilhei uns em cima dos outros para construir um pequeno dique. - disse o castor. - Atrás deste dique construí a minha casa. Tenho dois quartos e uma bela sala onde vou armazenar muita comidinha para toda a minha família. Já me nasceram duas filhas. Uma chama-se Maria e a outra chama-se Mafalda. Por enquanto elas só bebem leite da mãe mas daqui a algum tempo vão começar a comer sozinhas e eu tenho que ter muita comida em casa. Mas não te quero atrapalhar a viagem. Chega aqui ao pé destes troncos mais fininhos que eu abro um buraco para tu passares e continuares o teu caminho. Boa sorte no teu regresso ao mar. - Obrigado sr. Castor. De novo livre, a Laura gota de água apanhou uma corrente rápida que descia uma alta cascata. Quando estava a cair para dentro do rio que ficava lá em baixo, cruzou-se com uma águia que voava junto da cascata. - Olá sra. Águia! Sabes dizer-me o que é que eu tenho que fazer, para conseguir voltar para o mar? Eu estou a gostar muito desta aventura mas já tenho muitas saudades das minhas amigas, gotas


de água salgada, com quem brincava todo o dia e toda a noite a subir e a descer as ondas do mar. E não sei porquê, mas aqui todos me querem beber. Quando vivia no mar não tinha que me preocupar nem tinha que fugir de ninguém. - Sim tens razão, quando vivias no mar o teu corpo sabia a sal e ninguém gosta de beber água salgada. - respondeu a águia - Mas aqui nos lagos e nos rios a água é doce e todos os animais que vivem em terra gostam de beber água fresquinha. Para encontrares o mar, acho que só precisas de continuar a nadar no rio, sempre a descer, porque todos os rios vão parar ao mar. Mas tens que ter muito cuidado, porque durante o caminho, se te aproximares da margem do rio, existem muitos animais que gostam de beber água doce e fresca: vacas, ovelhas, porcos, galinhas, patos, cães, gatos e muitos mais. - Obrigado sra. Águia! E a Laura gota de água voltou para o meio do rio e nadou o mais rápido que conseguiu, sempre a descer em direção ao mar. Demorou vários dias e várias noites. Quando estava cansada nadava mais devagar, mas nunca se aproximou da margem do rio porque se lembrava dos conselhos da sra. Águia. Primeiro o rio era estreito e tinha pouca água, mas lentamente foi-se tornando cada vez mais largo, até que um dia, finalmente, a gota Laura voltou a encontrar o mar. Que alegria! Até parecia que a água tinha outro sabor, estava bem temperada e tinha a dose certa de sal. A primeira coisa que a gota Laura fez quando chegou ao mar, foi procurar as suas amigas, as outras gotas de água salgada, com quem costumava brincar todo o dia e toda a noite. - Olá amigas, estou de volta! - gritou a Laura gota de água - Que grande aventura que eu vivi. Viajei numa nuvem, dormi no cimo de uma montanha gelada, nadei por entre florestas e campos verdejantes, conheci novos animais mas já tinha muitas saudades vossas e das nossas brincadeiras. Vamos subir numa onda e voltar a descer até ao fundo do mar? - Sim, vamos! - responderam as outras gotas de água salgada.


E lá foram elas, sempre a correr de uma onda para a outra. Cada vez que uma onda rebentava na areia da praia, a gota Laura e as suas amigas, soltavam ruidosas gargalhadas de felicidade e voltavam a nadar para dentro do mar para logo de seguida apanharem outra onda e mais outra e outra ainda e uma mais e só mais uma, ou duas, ou três, ou quatro, ou muitas mais, sem nunca se cansarem de brincar, porque as gotas de água não precisam de dormir, estão sempre em movimento.


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Laura gota de água by Associação de Professores do Concelho de Almada (Apcalmada) - Issuu