Skip to main content

Revista Movimento Para o Futuro (Ano I/2020)

Page 1

Revista Edição de Lançamento Ano 1 - 2020

MOVI MENTO PARA O

FU TU RO


FTC agora é


Mais que uma faculdade, somos um organismo, sempre em movimento. Acreditamos no poder de transformação do conhecimento. Aprendemos com o passado, agimos no presente, mas nosso olhar está no futuro, que pertence àqueles que o constroem. Somos agentes desta transformação, mas é você quem vai mudar o mundo. Assim, nos mantemos em evolução, afinal, a Educação não é um fim em si próprio, mas um meio para a renovação da sociedade. Acreditamos no potencial ilimitado da sua mente, na sua individualidade, no seu movimento. Por isso, somos inquietos e questionadores. Buscamos, sempre, novas formas de fazer, melhorar e construir o futuro de todas as pessoas com quem nos conectamos. Para isso, nos moldamos em um organismo dinâmico, adaptável e em constante evolução. Apenas assim, em movimento, estaremos preparados para as mudanças do mundo.


CONSELHO ADMINISTRATIVO Presidente

Gervásio Oliveira Conselheira

Milena Oliveira

20 ANOS De FTC a UniFTC Impacto da UniFTC nos centros urbanos UniFTC à Imagem e semelhança do seu fundador

6 9 10

Conselheiro

Pedro Daltro Conselheira

Vanessa Oliveira

EDUCAÇÃO E SOCIEDADE O aluno mudou, a educação também Afinal, o que é competência?

DIRETORIA Presidente

William Oliveira Vice-presidente Acadêmico e de Relações Institucionais

Ihanmarck Damasceno Vice-presidente da Área de Saúde

André Nazar Vice-presidente de Estratégia, Organização e Tecnologia

José Antônio Barata Vice-presidente de Finanças

Valdemir Ferreira Vice-presidente de Marketing e Relacionamento

Milena Oliveira Vice-presidente de Operações

Cristiano Lôbo DIRETORIA UNIDADES Diretora do Centro Universitário UniFTC de Feira de Santana

Marcly Amorim Reitor do Centro Universitário UniFTC de Salvador (Paralela)

Edilson Barbuda Reitor do Centro Universitário UniFTC de Vitória da Conquista

Aureliano da Silva Tavares Diretora da Faculdade UniFTC do Comércio (Salvador)

Cristiano Lôbo Diretor da Faculdade UniFTC de Itabuna

Kaminsky Mello Cholodovsckis Diretor da Faculdade UniFTC de Juazeiro

Andrei Melo Diretor da Faculdade UniFTC de Petrolina

Andrei Melo EQUIPE COMUNICAÇÃO E MARKETING Coordenadora de Comunicação e Marketing

Carol Costa Supervisora de Comunicação

Cyda Brito Supervisora de Criação

Clara Camardelli Designers

Milena Coelho (capa) Adna Novaes (Projeto gráfico e diagramação) Redação

Raisa Rodrigues Susana Rebouças Assessoria de Comunicação

Erivaldo Bonfim (Itabuna) Caroline Pimenta (Vitória da Conquista) Madalena Braga (Feira de Santana) Rafaela Anunciação e Tiago Lima (Salvador) Vânia Cibele (Petrolina e Juazeiro)

Jadson nascimento: a voz da favela A importância das competências socioemocionais no mundo do trabalho

12 16 18 20

Compromisso (com o) Social (e com a formação de profissionais mais humanos)

22

Velhice é questão de disposição

28 30

Ruth Bezerra: quando a terceira idade é sinônimo de atividade


N

esses 20 anos, abrimos muitas portas – as nossas com a chegada de novas unidades; as portas do mercado de trabalho para os nossos alunos; e também abrimos diversas oportunidades de crescimento às comunidades onde atuamos. Nos firmamos como uma instituição de referência porque não nos acomodamos. Nós nos movemos, questionamos nossas escolhas, recomeçamos tantas vezes e, por isso, crescemos. A Movimento para o Futuro é mais uma forma que encontramos para fazer ecoar nossa voz, nosso movimento. Nessa edição especial de lançamento, vamos falar de nossa história e de todas as histórias que transformamos pelo caminho.

MERCADO 4.0 Carreiras do Futuro: novas tecnologias geram desenvolvimento do mercado de trabalho Lucrécia maia: crescimento pela educação Like a boss Tiago Lima: Direção ao Jornalismo Direito do Futuro Assim caminha a humanidade. Assim, como?

Boa leitura!

34 38 40 44 46 48

TECNOLOGIA E CIÊNCIA Admirável mundo novo da Medicina Quanto mais humano, melhor Daniel Boczar: da UniFTC à Forbes Inovar A Ciência movimenta o mundo

52 56 58 60 64

VISÃO DE FUTURO Procura-se Solucionadores Para formar humanos é preciso ter Dom O compromisso de educar

70 72 75

William Oliveira Presidente da Rede UniFTC


20 ANOS

DE FTC A UNIFTC

A

instituição que todos conhecem como Faculdade de Tecnologia e Ciências, a FTC, assume agora um novo nome: UniFTC. A adição do sufixo “uni” remete ao credenciamento de algumas unidades como Centros Universitários. Mas a nova marca do grupo educacional representa muito mais do que isso. “Carregamos no nome o início de um novo tempo, um movimento para o futuro, mas também mantemos conosco o legado que já está atrelado à sigla FTC”, afirma Milena Oliveira, Vice-Presidente de Marketing e Relacionamento da Rede de Ensino. Este novo tempo anunciado pela marca renovada traz mais um ciclo de expansão, o quarto a ser tocado pela Instituição fundada em 1999. Esse movimento constante faz da UniFTC um organismo vivo, pulsante, que segue em direção ao futuro e à excelência.

PRIMEIRO CICLO: DA INTERIORIZAÇÃO (1999-2003) Quando a Rede UniFTC surgiu, ao final da década de 1990, o Brasil vivia o boom da educação superior. Além do crescimento em números, as faculdades, centros universitários e universidades também expandiam seu 6

UNIFTC

território de atuação, chegando ao interior dos estados brasileiros. Na Bahia, a UniFTC foi precursora deste movimento de interiorização. Feira de Santana foi a primeira cidade a receber uma unidade da então FTC. Em 2000, a Rede de Ensino aportou em Salvador. Dois anos depois, em 2002, foi a vez de Jequié, Itabuna e Vitória da Conquista. Presente no sertão, na capital, nas regiões sul e sudeste da Bahia, a UniFTC já concretizava o modelo de rede de ensino que viria a ser uma de suas principais marcas. “A UniFTC foi pioneira em todas essas cidades. Desbravamos as possibilidades do mercado de educação superior, assumimos o ônus e o bônus de sermos desbravadores. Foi árduo, mas essa é a nossa vocação: o pioneirismo”, declara André Portnoi, responsável pelo Núcleo de Expansão da UniFTC


SEGUNDO CICLO: DO FORTALECIMENTO (2003-2017) Se os quatro primeiros anos foram do pioneirismo e da expansão, os anos que se seguiram até 2017 foram dedicados à consolidação. A Instituição investiu em infraestrutura e capacitação dos colaboradores administrativos e acadêmicos. Neste período, a Unidade Paralela abriu seu curso de Medicina (2004) e passou a oferecer também o Mestrado Profissional em Bioenergia (2007). Um pouco antes, foi aberta a Unidade Comércio, uma aposta da UniFTC na revitalização do centro histórico de Salvador. Em 2015, a Rede UniFTC passa por uma grande reestruturação com a implantação do Currículo por Competências, entrando para a vanguarda pedagógica do ensino superior no Brasil.

TERCEIRO CICLO: DA EXPANSÃO (2017-2019) O terceiro ciclo da Rede UniFTC começa em 2017, com a abertura das faculdades em Petrolina e Juazeiro. Em 2018, as unidades Paralela, Feira de Santana e Vitória da Conquista foram credenciadas como Centros Universitários, um importante reconhecimento que faz ascender todo o grupo educacional. Ao completar duas décadas de atuação, em 2019, a Rede UniFTC apostou em expandir horizontes para realizar uma meta traçada por seu fundador, Gervásio Oliveira: edificar uma IES sustentável, que se perpetua pela inovação e excelência. As conquistas começaram já no primeiro semestre, com a chegada de dois institutos inéditos no Norte-Nor-

deste: o de Odontologia das Américas (IOA), voltado para a prática dos procedimentos da Odontologia; e o de Treinamento em Cadáveres (ITC), primeiro do Brasil a oferecer a metodologia americana de treinamento de técnicas cirúrgicas em cadáveres frescos, método que preserva as características do corpo humano vivo, o que permite aos estudantes treinarem situações muito próximas da realidade do dia a dia. Em agosto, a Rede UniFTC adquiriu a Unesulbahia, faculdade com 20 anos de trajetória em ensino no extremo sul baiano. O novo campus, localizado entre as cidades de Eunápolis e Porto Seguro, recebeu investimentos robustos em modernização das estruturas e capacitação de docentes. A primeira das vitórias alcançadas pela nova unidade foi abertura do curso de Medicina, já no primeiro semestre de 2020. A educação médica na Rede UniFTC galgou mais um degrau ao conquistar a liberação de quatro programas

Equipe reúnida na abertura da unidade em Itabuna. Abaixo, jornal da época fala sobre a expansão da faculdade.


20 anos

de residência em Medicina. Ao todo, serão ofertadas 23 vagas fazendo da Rede FTC a IES privada a oferecer mais programas e vagas de Residência Médica na Bahia.

2000

UM NOVO CICLO: MOVIMENTO PARA O FUTURO Para a Vice-Presidente de Marketing e Relacionamento da Rede UniFTC, Milena Oliveira, a nova marca traduz o foco que a Instituição tem dado à inovação em prol da Educação e da formação dos profissionais do futuro. E é justamente nessa seara que estão concentrados muitos dos investimentos feitos ao longo destes 20 anos e todo o investimento já projetado para este novo ciclo. “A Rede UniFTC está começando uma nova era em sua história”, assegura a gestora. Neste novo momento, a UniFTC traça um sólido plano de expansão que já começa a ganhar forma em 2020 com a chegada da Unidade Camaçari, na região metropolitana de Salvador. A nova unidade do Grupo Educacional oferecerá, exclusivamente, a graduação em Direito e, com estrutura física e matriz curricular inovadoras, promete ser um divisor de águas no ensino jurídico. Até o final do ano, estão previstos os lançamentos de mais quatro unidades como esta nos estados da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe. “Será um desafio e isto é o que nos motiva. As novas unidades trarão uma proposta moderna, uma verdadeira ruptura no modelo tradicional de ensino do Direito que, aos poucos, deve ser replicado nas outras unidades”, nos conta entusiasmado André Portnoi que, com 18 anos de UniFTC, está acostumado a planejar grandes avanços e assistir exponenciais transformações. 8

UNIFTC

2007

2017

REDE

2020

Estudos realizados pela equipe de branding durante a construção da nova marca


IMPACTO DA UNIFTC NOS CENTROS URBANOS É visível: onde a Rede UniFTC chegou, criou-se um polo de desenvolvimento que proporcionou a melhoria da educação e da qualidade de vida, o desenvolvimento do mercado, o crescimento da cultura, do esporte e do lazer, movimentando toda a comunidade. Tendo o pioneirismo como parte de sua essência, a UniFTC foi a primeira instituição de ensino superior a atuar na maioria das praças em que chegou. Foi assim em Feira de Santana, em Itabuna e no Bairro do Comércio, em Salvador, locais nos quais a Instituição teve um impacto fundamental no desenvolvimento da economia e da cidadania. Vice-Presidente de Operações da Rede UniFTC, Cristiano Lôbo faz parte da Instituição há 20 anos e acompanhou de perto esse crescimento, um movimento de interiorização que a Instituição encabeçou na Bahia. “Ao implantar unidades presenciais em diversas cidades baianas, a UniFTC democratiza o acesso ao ensino superior e a formação de mão de obra especializada, o que promove um grande impacto na economia de cada localidade e contribui para o desenvolvimento das comunidades”, sinaliza Lobo. São mais de 90 mil os profissionais formados pela Rede UniFTC em seus 20 anos de atuação. Em uma lista das contribuições que a Instituição prestou ao desenvolvimento social e econômico da Bahia, este poderia ser o primeiro item. “Nossos egressos são nosso principal legado. Alguns deles ocupam posições de destaque em órgãos públicos e na iniciativa privada, agindo ativamente para as transformações sociais e reforçando a credibilidade que a Instituição tem junto a sociedade”, afirma William Oliveira, presidente da Rede FTC. Os milhares de egressos formados pelo grupo de Ensino Superior experimentaram uma educação baseada na excelência da formação técnica, além do incentivo constante à consciência crítica e atuação humanística. A premissa básica é que, se o conhecimento não puder ser aplicado, ele perde a essência da educação.

A UNIFTC É SIM Um dos maiores marcos do Centro Universitário UniFTC Feira de Santana em prol do desenvolvimento urbano foi o crescimento do bairro SIM, que se transformou por completo e ganhou vida própria, com serviços de infraestrutura essenciais para a comunidade, permitindo a construção de empreendimentos residenciais e comerciais, iniciando uma nova história após a inauguração do Centro Universitário, há 17 anos, na Rua Artêmia Pires. A relação com os moradores do bairro também se estreitou ao longo do tempo, através de campanhas de benefícios para novos estudantes residentes no SIM, fortalecendo o sentimento de pertencimento entre a comunidade e a faculdade, além de impulsionar o crescimento tanto do bairro, da própria instituição e formando cidadãos comprometidos com a sociedade. Outro ganho para a população foi a valorização imobiliária da localidade. O SIM se tornou uma das áreas mais nobres de Feira de Santana, com elevada concentração de condomínios, supermercados, postos de combustível, livrarias, academias, salões de beleza, panificadora, restaurantes e agora um shopping, o segundo da cidade, bem próximos ao campus da UniFTC. Cada vez mais reconhecido pela importância do seu papel socioeconômico na expansão do município para um novo vetor rodoviário, que liga o centro da cidade à BR 324, o campus da UniFTC Feira de Santana ainda dá vida à Avenida Nóide Cerqueira, que funciona como um grande atrativo para realização de atividades esportivas e recreativas.

Movimento para o futuro

9


20 ANOS

UNIFTC À IMAGEM E SEMELHANÇA DO SEU FUNDADOR

A

o falar da Rede UniFTC, é comum usar palavras que remetam à inovação. Quem participou da história da Instituição costuma citar os momentos em que, diante dos limites, a empresa soube se reinventar e questionar regras pré-determinadas no mercado. Se fala da ousadia, do pioneirismo, do posicionamento vanguardista, da visão de futuro e o tino para negócios. Todas essas características podem ser atribuídas a Gervásio Oliveira que, há 20 anos, fundou a UniFTC ansiando por renovação e perpetuidade. “Lembro que, quando tudo começou, eu viajava pelo mundo para conhecer as principais referências em educação ao redor do mundo. Já começamos na vanguarda, pensando em inovar, e agora estamos entre as 20 melhores Instituições de Ensino Superior do Brasil”, conta orgulhoso o fundador da UniFTC. Depois de atuar por vários anos como representante e vendedor em uma multinacional, Gervásio trabalhava em sua primeira empresa, uma companhia de prestação de serviços. Toda vez que precisava recrutar novos talentos, o empresário se deparava com recém-formados despreparados para o mercado de trabalho. Incapaz de se arrefecer diante de um obstáculo, ele decidiu parar de procurar por profissionais ideais e decidiu, então, formá-los. Sem o apoio dos seus sócios que não acreditavam na educação como oportunidade de negócio, Gervásio precisou usar um de seus maiores dons: a facilidade com cálculos. Parou e contabilizou todos os recursos que tinha para construir essa sonhada faculdade com o dinheiro do próprio bolso. Também calculou se valeria a pena investir tanta energia e recursos em algo que todos diziam que não vingaria. Não parecia fácil, mas já dissemos que ele não desiste fácil? A Rede UniFTC já nasce com vontade de dar certo. 10 UNIFTC

É dessa época a relação profissional entre Gervásio Oliveira e Telma Souza, sua assistente há mais de 30 anos. Formada em Direito, a mulher que assistiu ao nascimento da Rede UniFTC, diz que o chefe foi sua verdadeira graduação. “Ele é um exemplo de vida, um homem otimista, que não se deixa abater. Um empreendedor nato. Mas, antes de tudo, um ser humano atencioso, família, que está disponível para estender a mão a quem precisar”, diz Telma com um sorriso terno de quem é muito grata. Em algum momento, todos os funcionários da Rede UniFTC já encontraram com o fundador. Ele é aquela figura carismática que passa por entre as estações de trabalho sorrindo e cumprimentando cada um dos colaboradores, contando caso ou cobrando metas. Muitos têm uma história para contar. Até hoje, a cada semestre, ele visita todas as Unidades do Grupo para avaliar de perto o resultado dos investimentos realizados e diz que sempre volta encantando com o que está sendo feito. Se é o olho do dono que engorda o gado, talvez seja a atenção constante e a eterna paixão de Gervásio Oliveira que faça da Rede UniFTC tão proeminente.


EDUCAÇÃO E SOCIEDADE

O ALUNO MUDOU, A EDUCAÇÃO TAMBÉM

E

m 1979, a banda britânica Pink Floyd lançava a canção Another brick in the wall, uma crítica ao modelo educacional que oprimia crianças ao invés de motivá-las. As salas de aula não são assim tão rigorosas quanto o ambiente escolar dos anos 70 e estudantes de todas as idades já não aceitam ser apenas outro tijolo no muro. A geração que chega hoje ao ensino superior vive conectada à internet e tem acesso irrestrito a tecnologias que tornam sua rotina extremamente dinâmica. Para oferecer a melhor formação a esses jovens, é crucial compreender as mudanças que eles demandam e, principalmente, seus modos de aprender. Em pesquisa realizada com universitários brasileiros nascidos entre 1996 e 2010, a organização Porvir levantou alguns dados muito interessantes sobre o perfil da chamada ‘Geração Z’: eles preferem conversar cara a cara, usam as redes sociais para se informar e disseram aprender melhor através da experiência prática. Alcançar boas notas ainda é importante para os estudantes, mas eles precisam de estímulos menos objetivos, como se sentir realizado (opção escolhida por 89,9% dos entrevistados) ou defender algo que acredita (com 74,5% das respostas). Eles se descrevem como pessoas leais, determinadas e de mente aberta que, durante a graduação, buscam obter competências profissionais e também pessoais. Motivar esse público tão exigente e diferenciado é o principal desafio dos professores, que agora são vistos por seus alunos como orientadores no processo de aprendizagem e não mais como meros replicadores de conteúdo. Esses profissionais, 12 UNIFTC


porém, foram formados por uma educação conteudista, baseada em dominar temas que são abordados de forma isolada, e precisam se reinventar junto com as instituições de ensino superior para acompanhar os alunos que agora tem acesso irrestrito à informação e querem assumir o protagonismo de seus processos de aprendizagem. Para minimizar esse choque geracional, a UniFTC vem investindo na remodelagem de estruturas curriculares e na capacitação de seus docentes. Os professores são constantemente incentivados a inovar, reforçando sempre a relação entre os assuntos trabalhados em sala e a vida real de seus alunos. “O professor deve conseguir se utilizar de ferramentas pedagógicas para promover uma aprendizagem significativa e desenvolvedora que habilite o estudante a aplicar seus conhecimentos e ter atitudes éticas comportamentais adequadas a sua profissão”, afirma o Jardel Araújo, pós-doutor em Educação por Competências e professor da UniFTC. Jardel chegou à UniFTC, em 2016, a convite da professora e pós-doutora Letícia Suñé que comandava uma verdadeira revolução no projeto pedagógico de todos os cursos ofertados pela Instituição. Educar para construção de competências foi o ponto norteador de todas as mudanças implementadas à época e que, hoje, colocam a UniFTC como pioneira na conexão assertiva entre Metodologias Ativas, Projetos Integradores e Avaliação por Competências. O professor colaborou com a professora Letícia Luñé e com o Prof. Dr. Roberto de Armas na elaboração de uma metodologia para a construção Movimento para o futuro 13


Educação e sociedade

de currículos para desenvolver competência. Cientificamente embasado e com resultados comprovados, esse método foi aplicado na realidade da UniFTC. “Ao longo de minha trajetória profissional, já fiz treinamentos em diversas instituições pelo Brasil e, apesar de se falar muito em currículo por competências, jamais vi um planejamento ser tão bem aplicado como na UniFTC. Os gestores compraram a ideia de verdade e construímos um projeto muito bem estruturado, onde as práticas estão entrelaçadas com o norte dos currículos por competência, treinamento para os docentes em metodologias ativas e processos de avaliação por competências”, destaca Jardel.

MUDANÇAS Em seu modelo mais habitual, a aprendizagem acontece como em um grande depósito. Vamos pensar cada disciplina estudada na graduação como uma caixa que guarda todo o conteúdo trabalhado em um semes14 UNIFTC

tre. Ao longo do curso, um estudante abre, fecha e empilha caixas de todos os tamanhos. Funciona muito bem para responder questões em provas. Mas a rotina em um trabalho real exige que o profissional seja capaz de integrar saberes e considerar a sociedade ao seu redor. Entre as mudanças implementadas pela UniFTC a partir de 2016, está justamente a dissolução dessas caixas. Para tanto, é utilizada uma matriz pedagógica interdisciplinar e integradora, que cria diferentes conexões de aprendizagem entre os conteúdos. São essas experiências interdisciplinares que capacitam o futuro profissional a resolver os desafios que encontrarão no mercado de trabalho com perfil crítico e reflexivo. Aliado a essa integração, entra a aplicação prática de tudo que é trabalhado na teoria. “Eu vim transferida de outra IES e um dos motivos que me fez tomar essa decisão foi saber que a metodologia utilizada na UniFTC me proporcionaria vivenciar,

ainda na graduação, experiências que eu só teria quando estivesse no mercado. Os professores sempre ressaltam a importância de entender que nossa vida profissional já começou”, declara Daniela Almeida Santos, estudante do 3º semestre do curso de Educação Física da UniFTC Salvador, unidade Paralela. “Nenhuma prática pedagógica ativa deve ser proposta desassociada dos objetivos de aprendizagem das disciplinas, as quais devem estar previamente conectados com as competências específicas delineadas para o curso. A aplicação de métodos ativos sem esta integração, apesar de mobilizar os estudantes em sala, não garante efetividade no processo de ensino e aprendizagem”, diz Prof. Jardel. O professor defende ainda que esses primeiros passos – entender o que precisa ser estudado e fazê-lo também na prática e de forma integradora – precisa culminar em um processo de avaliação que também foque na construção de competências. Subme-


ter o estudante a testes que se limitam a avaliar conteúdos quebraria a cadeia de funcionamento da Educação para construção de competências. O modelo de avaliação empregado na UniFTC perpassa estratégias ativas associadas a matrizes de valoração que mapeiam o alcance dos objetivos de aprendizagem definidos para cada competência específica da matriz curricular. As competências vão sendo construídas de forma evolutiva durante o processo educacional e os docentes devem acompanhar esse processo de evolução avaliando os estudantes de forma adequada. “Na UniFTC, as disciplinas integradoras são norteadas por perfis parciais por semestre, para que a gente consiga perceber se o aluno está evoluindo ou não. Pode ser que um aluno entre com uma capacidade incipiente, mas nosso objetivo é que, pelo menos, ele chegue a um nível avançado ou excelente de todas as competências propostas na ementa do curso. Aí sim, garantimos que ele sai da graduação não com um cheque sem fundo, mas sim com um diploma com sustância repleto de competências que ele construiu nesse processo”, afirma Jardel Araujo.

Dito assim, parece até complicado. Mas vamos ver na prática: 1. Delimitar a competência que está sendo avaliada neste momento Por exemplo, “capacidade de trabalhar em equipe”. 2. Determinar indicadores que vão mensurar essa capacidade de trabalhar em equipe Por exemplo, “Medir a interação social”, “Medir se sabe liderar”, “Sabe ser liderado” 3. Para cada um dos indicadores, é preciso definir os níveis de desenvolvimento. – os chamados descritores: incipiente, em desenvolvimento, proficiente ou avançado. Por exemplo: Um estudante com ‘interação social’ incipiente se relaciona com a equipe, apoia decisões conjuntas, mas se envolveu em brigas no processo de tomada de discussão com a turma.

TECNOLOGIA Com acesso irrestrito a tecnologias e informação, o estudante exige um processo de aprendizagem mais dinâmico e provocativo. Por sua vez, o mercado de trabalho demanda profissionais capazes de assumir uma postura reflexiva e de propor soluções criativas para situações rotineiras. Neste cenário, o papel de IES é acompanhar essa evolução. Mestre em Computação Aplicada, o professor Fabrício Oliveira, foi convidado pela UniFTC a compor o quadro do Núcleo de Qualidade Acadêmica, ficando responsável por pensar e propor ferramentas que os professores pudessem utilizar em sala de aula, fomentando o uso de tecnologias na Educação. “Com a tecnologia evoluindo tão rapidamente, é preciso repensar uma prática docente que permita a utilização de metodologias que possam qualificar e enriquecer o processo de ensino tanto para o professor quanto para o aluno, que ganha ainda mais autonomia e confiança na sua caminhada acadêmica, cada vez mais desafiadora, exigindo protagonismo do aprendizado. Foi o que fizemos na UniFTC, que se antecipou com a disseminação de ferramentas tecnológicas e mudou sua realidade, acompanhando as mudanças do século”, conclui Fabrício Oliveira. Movimento para o futuro 15


Educação e sociedade

AFINAL, O QUE É COMPETÊNCIA? Planejar, botar a mão na massa e avaliar, tudo com foco em construir competências e habilidades. Mas sem esquecer o contexto em que o aluno está inserido. Não é simples, mas o pós-doutor Jardel Araújo, gestor do Núcleo de Qualidade Acadêmica da UniFTC explica como deve funcionar a educação por competências Revista Movimento para o Futuro: Quais elementos definem a Educação por Competências? Jardel Araújo: Uma educação configurada para propiciar a construção de competências nos estudantes perpassa desde o planejamento curricular até sua avaliação. O primeiro elemento base do processo é a construção curricular por competências, norteando as matrizes curriculares no que realmente o estudante deve construir no seu processo formativo. Após definido o currículo por competências, deve-se estabelecer mecanismos que permitam ao estudante a construção destas competências. Para tanto, faz-se necessário um planejamento integrado das competências às práticas discentes, assim como o docente deve estabelecer estratégias em sala de aula que destaquem o protagonismo do estudante, permitindo que o mesmo “aprenda fazendo” (metodologias ativas), esta etapa que modela estrategicamente a construção das competências caracteriza o segundo elemento do processo. E por fim, não há lógica em configurar um currículo por competências, estabelecer mecanismo para que as competências sejam construídas e posteriormente avaliar conteúdos, sendo assim o elemento final que permitirá um feedback ao processo é um sistema avaliativo das competências construídas ao longo da formação do estudante. 16 UNIFTC

Jardel Araújo é PósDoutor Em Educação por Competências e Consultor Acadêmico da Rede UniFTC

RMPF: Na sua concepção, por que a Educação por Competência seria a proposta ideal para educação profissional? JA: Não se trata de ser ideal, mas sim de ser real. Todos os instrumentos e documentos reguladores do processo educacional (DCNs, Portarias ENADE, Portarias de conselhos de classe, etc) determinam que as IES devem estabelecer um processo formativo para atender a uma série de competências, as quais se complementam nestes diferentes instrumentos. Desta forma, construir competências no estudante é obrigatório, inclusive por lei. A proposta que se aplica nas IES da UniFTC estabelece não somente um currículo voltado para as competências, como também mecanismos facilitadores para que os estudantes construam estas competências e formas de avaliar as mesmas sistematicamente. Este ciclo educacional é que permite um processo conciso, planejado e aplicado, fazendo assim o diferencial da proposta pedagógica da UniFTC. RMPF: Qual é o perfil do egresso formado em uma IES que pratica Educação por Competências? JA: Em primeiro lugar será um egresso de posse das competências profissionais mínimas determinadas pelos órgãos reguladores da educação no Brasil. Adicional a isso, devido a programas de formação transversal e prá-


ticas integradoras estabelecidas em todos os nossos currículos, nossos egressos terão capacidades gerais de gestão, empreendedorismo, formação humanista, linguagens verbais e não-verbais, as quais são diariamente praticadas nas disciplinas seguindo bases orientadoras de interpretação de textos, modelagens, resolução de problemas e trabalho em equipe. RMPF: Como é possível avaliar, dentro de um sistema que ainda precisa de notas, se os estudantes realmente estão desenvolvendo suas competências? JA: Realmente é difícil se pensarmos em notas como números. NOTA tem como uma de suas definições no dicionário: “avaliação acadêmica de trabalho, exame ou concurso prestado”, ou seja, os números não necessariamente devem determinar a NOTA. A avaliação acadêmica pode ser feita em termos de nível de alcance das competências, sendo assim atribuída uma nota a este nível. No processo de avaliação por competências, cada competência geral é mapeada em uma matriz de avaliação contendo indicadores de alcance das competências e descritores em 5 (cinco) níveis para cada indicador, permitindo assim classificar a construção da competência por cada estudante de um nível incipiente até um nível excelente. Como as competências são processuais, o sistema avaliativo da disciplina deve ser o mais processual possível. E em especial as competências específicas que o egresso irá construir, devem ser mensuradas por meio dos objetivos de aprendizagem atrelados a elas e que se desenvolvem em diferentes disciplinas de diferentes semestres na matriz curricular por competências.

RMPF: Como foi o processo de remodelação do projeto pedagógico da UniFTC do qual o senhor fez parte? JA: O processo de remodelagem educacional da UniFTC englobou na etapa de construção curricular encontros mensais com equipes gestoras (Coordenadores e NDEs) dos cursos da área de Saúde inicialmente, seguindo para as áreas de Negócios, Comunicação e Direito posteriormente. Nestes encontros com representantes de várias IES da UniFTC em cada área citada, discutiu-se dentro de uma sistematicidade para construção de competências, quais os elementos indispensáveis para a formação técnica profissional e generalista. Após 6 a 12 meses de trabalho (variação devido a complexidade de cada curso que participou do processo) a etapa de construção matricial por competências foi finalizada. Após esta etapa entrou-se num ciclo quadrienal de capacitações dos professores em planejamento integrado às competências, metodologias ativas de aprendizagem (5 a 6 métodos diferentes de acordo com cada curso) e construção de avaliações por competências. Esta fase é contínua tanto pela maturação dos docentes que estão já vivendo o processo, quanto pelos novos docentes contratados. RMPF: Como a Educação por Competência se relaciona com a Responsabilidade Social, tão importante para a UniFTC? JA: A partir do momento que estabelecemos um processo de formação com práticas integradoras, os resultados de aprendizagem apresentados pelos estudantes nas diferentes disciplinas naturalmente terão um

caráter de extensão, pois toda formação acadêmica e profissional procura preparar o estudante para atuar no mercado de trabalho em consonância com o bem-estar social. Na proposta pedagógica da UniFTC é ainda mais aparente o desenvolvimento desta responsabilidade social, pois este se alastra por todo o processo em programas de formação transversal humanista e de sustentabilidade, desenvolvendo em nossos estudantes competências de trabalho em equipe, sustentabilidade, responsabilidade social e ambiental, ética, crítica e autocrítica, que permitirão aos nossos egressos tomadas de decisão sociais e profissionais responsáveis com a sociedade e o meio ambiente. RMPF: Qual é o diferencial da UniFTC em comparação ao que outras IES realizam ou prometem realizar? JA: A UniFTC dentro de uma proposta pedagógica de educação para construção de competências traz para as comunidades nas quais suas IES estão inseridas um diferencial no processo de formação de seus egressos, pois além de ter um desenho curricular inovador e atendendo a demandas sociais e mercadológicas, possui uma forma de planejamento alinhado às competências garantindo um link entre o proposto no currículo e o que realmente acontece na sala de aula. Além disso, o programa de formação docente é contínuo permitindo que a cada semestre os docentes se aperfeiçoem e maturem seus planejamentos com novas técnicas de aprendizagem e avaliação processual por competências. Todos estes elementos permitem aos nossos egressos uma educação para a vida, social e profissional. Movimento para o futuro 17


UNIFTC EM MINHA VIDA

JADSON A VOZ DA NASCIMENTO FAVELA

J

Jadson tem 27 anos e é estudante de Jornalismo da UniFTC unidade Paralela

18 UNIFTC

adson chegou à Rede UniFTC depois que uma amiga indicou o curso de jornalismo da instituição. Ele havia se inscrito em outra instituição, mas ao chegar para o primeiro dia de aula, descobriu que não poderia estudar pela falta de formação de turma.“Recebi um balde de água fria. No dia seguinte eu liguei para a UniFTC para ver se eu conseguia transferir a bolsa, que eu ia já tinha conseguido através do Educa Mais Brasil. O programa confirmou e, no dia seguinte, fiz a inscrição. Em seguida, fiz a prova, fui aprovado e logo eu já estava estudando”, afirma. Depois da decepção, Jadson se sentiu acolhido pela UniFTC. “Desde o primeiro momento, desde a primeira ligação, fui muito bem recebido. Além disso, já no primeiro dia de aula, com a professora Alessandra Bahia Valente, recebi um grande suporte dela e da coordenadora Júlia Centurião também. Hoje, eu não troco de instituição”, afirma o estudante. Logo Jadson se tornou líder da turma, foi quando começou a receber informações para repassar aos colegas. Uma dessas novidades veio através da professora de Introdução ao Jornalismo, Alessandra Bahia Valente, que enviou informações para inscrição no curso Rede de Agentes Comunitários de Comunicação (RACC), oferecido pela Agência de Notícias da Favela (ANF), em parceria com a Rede UniFTC. Foi assim que o aluno foi um dos selecionados para o curso na Bahia.


O curso que aconteceu no Centro Universitário UniFTC da Paralela durou três meses e, ao final, a Instituição ofereceu uma bolsa de 100% para o aluno eleito como destaque, posto conquistado por Jadson, que passou a ter bolsa integral em 2019. Como resultado do curso, o aluno continua como voluntário no jornal A voz da Favela, produto da ANF. “Minha experiência na ANF tem sido gratificante! Todo domingo, tenho coluna na qual posso escrever sobre diversos temas. Desde o segundo semestre da graduação, venho crescendo no Jornalismo, com um trabalho voluntário, aprendendo bastante sobre questões das minorias e sobre ir contra a mídia hegemônica”, explica. A oportunidade de unir o aprendizado da graduação com o curso da RACC foi um acelerador na formação do estudante, que conta com aulas de técnica de reportagem em diversos semestres do curso. “Para mim, foi uma adianto em muitas coisas, tanto na escrita, como no network com as pessoas. Em janeiro de 2020, em A Voz da Favela, por exemplo, das 10 edições do jornal, eu tenho participação em oito. Eu também tive a oportunidade de ao Rock in Rio e trabalhei sete dias no evento pela ANF”, comenta. Morador do bairro do Curuzu, em Salvador, Jadson não tinha participado de nenhum trabalho social em comunidades até fazer parte do jornal A Voz da Favela, o que estimulou na disseminação do trabalho para sua comunidade. “Hoje, a gente consegue levar informação de verdade para as nossas comunidades. Porque se a gente for para a televisão, não teremos informação de como é realmente a comunidade”, afirma.

Acima, Jadson e três colegas do RACC exibem orgulhosos a edição feito por eles d’A Voz da Favela. Ao lado, o estudante com o coordenador do projeto RACC e o jornalista Caco Barcelos no encerramento do curso.

A ANF E O VOZ DA COMUNIDADE A ANF é a primeira agência de notícias de favelas reconhecida mundialmente, contando com mais 500 colaboradores e com um portal alimentado diariamente. O curso da RACC está em todo o Brasil. Depois da segunda edição, que aconteceu em Salvador, o curso foi para Pernambuco. A primeira edição foi no Rio de Janeiro. O jornal impresso produzido pelos alunos passou de 50 mil exemplares, quando aconteceu no Rio, para 100 mil, juntando com Salvador e, depois, chegou ao número de 150 mil exemplares com os produzidos em Pernambuco. “AO que tudo indica, a gente vai em 2020 para Natal, onde vai ter um curso da RACC. O projeto está crescendo e está sendo muito bacana trabalhar com eles”, explica Jadson. Movimento para o futuro 19


EDUCAÇÃO E SOCIEDADE

IHANMARCK DAMASCENO é vicepresidente acadêmico e de Relações Institucionais da Rede FTC

A IMPORTÂNCIA DAS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS NO MUNDO DO TRABALHO O mundo ainda está aprendendo a formar os profissionais do século 21 e a tarefa é como trocar o pneu de um carro em movimento e velocímetro a mil. Mas uma coisa é certa: diante das constantes mudanças tecnológicas, econômicas, culturais e sociais, o desafio para a educação é preparar cidadãos não só para uma boa carreira, mas para a vida. E, neste contexto, as competências técnicas abrem cada vez mais espaço para as socioemocionais. Segundo dados do Fórum Econômico Mundial, 75% dos jovens que estão em idade escolar vão trabalhar em empresas que ainda não existem. Estudos apontam que milhões de empregos desaparecerão em virtude da auto20 UNIFTC

mação, transformação digital e da inserção da inteligência artificial. Neste cenário, cresce cada vez mais a busca pela aprendizagem das competências socioemocionais, tanto por profissionais que já estão inseridos no mercado de trabalho quanto por instituições de ensino que desejam incorporar inovações capazes de potencializar o desenvolvimento dos seus alunos e prepará-los para os desafios que vêm junto com todas essas mudanças. As instituições de ensino que estão antenadas a todo esse turbilhão de mudanças ensinam aos alunos a se relacionar, trabalhar em equipe, lidar com valores e opiniões divergentes e criar metas para sua própria vida. Isso faz


com que eles comecem a desenvolver suas competências socioemocionais, além de se preparem para lidar com as novas ideias, novos formatos e esse novo mercado. Somente os conteúdos acadêmicos não serão mais suficientes, os alunos devem colocar essas competências em prática nas atividades curriculares para que estejam prontos para o que o mercado necessita. De acordo com relatório do Capgemini Digital Transformation Institute Survey, 59% dos empregadores afirmam que a sua organização necessita de funcionários que possuam competências socioemocionais desenvolvidas. Isso ocorre porque essas habilidades permeiam e permearão os processos produtivos em todas as áreas e carreiras, independentemente do grau de automa-

ção que sofrerão. Afinal, lidar bem com as emoções advindas de feedbacks e críticas, ser resiliente diante de frustrações que podem surgir no dia a dia e em todo meio corporativo, comunicar-se de maneira empática e assertiva são competências essenciais no exercício de qualquer profissão. Nos dias de hoje, recrutadores de grandes corporações não apenas valorizam tais competências, como as têm considerado decisivas em muitos processos seletivos. Nessa perspectiva, aqueles que ao longo da sua formação educacional têm a oportunidade de desenvolver suas competências socioemocionais saem na frente em direção aos cenários que se projetam em relação às profissões e ao mundo do trabalho.

Movimento para o futuro 21


EDUCAÇÃO E SOCIEDADE

COMPROMISSO (COM O) SOCIAL (E COM A FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS MAIS HUMANOS) A UniFTC realiza projetos, eventos e mantém clínicasescola em funcionamento durante todo o ano para formar profissionais completos e promover cidadania e qualidade de vida para as comunidades onde está inserida

N

o mundo, há pessoas de todos os tipos. Algumas são indiferentes aos abismos sociais e tantas mazelas. Outras se compadecem com uma causa específica e podem, pontualmente, estender suas benesses a quem não teve tanta sorte assim. Mas há ainda aquele cidadão que, atento e generoso, faz da responsabilidade social um verdadeiro compromisso, uma marca forte em sua trajetória. Assim é a professora e cientista social Maria Augusta Rosa Rocha, que carrega uma pesada bagagem de ações em prol das comunidades com as quais esteve envolvida em sua formação e atuação profissional. Nascida na cidade de Maracangalha, no interior da Bahia, ela correu o mundo pesquisando metodologias criativas 22 UNIFTC

e participando de projetos sociais sustentáveis. Apurou seus conhecimentos nos Estados Unidos, onde cursou mestrado na Universidade de Stanford, e colaborou com a UNESCO em projetos na América Central e Alemanha. Em 2000, a profissional foi convidada a compor o time responsável pela fundação da UniFTC. Àquela época, a Instituição começava a dar seus primeiros passos já norteada por propósitos sociais voltados à melhoria da qualidade de vida das comunidades onde a atuava. “Resolvemos adotar o princípio da transdisciplinaridade dos cursos, articulando todas as coordenações pedagógicas por meio de um projeto integrado que ajudasse a diminuir as desigualdades sociais, tendo a Educação como ferramenta para essa mudança”, relembra Maria Augusta


Educação e sociedade

O que é educação transdisciplinar? É um enfoque plural do conhecimento que visa alcançar a unificação do conhecimento, unindo várias disciplinas para que se torne possível um exercício mais amplo da cognição humana.

Aqueles “tipos” listados lá no primeiro parágrafo podem servir tanto para descrever pessoas quanto para falar de empresas. E a UniFTC, que já nasceu com o propósito de transformar realidades, assim como Maria Augusta, também se comprometeu com a responsabilidade social desde o início de sua trajetória. Já em seu primeiro projeto social de peso, a UniFTC contou com o fomento da Unesco para promover saúde e emancipação no Bairro da Paz, comunidade próxima ao Centro Universitário UniFTC Paralela. Com ações em saúde e cidadania, o projeto culminou com a abertura da rádio comunitária Avançar que segue, agora independente, sintonizando desenvolvimento no bairro. Nestes 20 anos, a UniFTC vem apostando em educação de qualidade e responsabilidade social para formar profissionais tecnicamente excelentes e, sobretudo, conscientes de seu papel na construção de uma sociedade mais justa. Esse binômio está expresso, principalmente, nos programas e ações de responsabilidade social que a Instituição oferece ao público externo gratuitamente ou a preços módicos. “É impossível falar de educação e sociedade de forma isolada pois os dois fatores são indissociáveis”, defende Cristiano Lôbo, Reitor do Centro Universitário UniFTC de Feira de Santana e Vice-Presidente de Operações do grupo UniFTC. Para ele, que é gestor e educador, toda instituição de ensino deve ter como premissa básica a transformação social e, por isso, se orgulha dos 90 mil atendimentos que a UniFTC oferece anualmente em todas as suas unidades. Ao todo, são 17 clínicas-escola, 5 Núcleos de Práticas Jurídicas, diversos projetos, programas e eventos pontuais que a Instituição desenvolve ao longo do ano envolvendo toda a comunidade acadêmica em prol do desenvolvimento da comunidade. Por semestre, são atendidas mais 30 mil pessoas que, como Maria Luiza Alves de Lima, tiveram a vida tocada pela UniFTC. 24 UNIFTC

VOCÊ SABIA? A Barra é um dos pontos turísticos mais visitados de Salvador. Depois de visitar edificações históricas, como o Farol, e mergulhar nas águas calmas e quentes do Porto, é possível assistir um belíssimo pôr do sol. Soteropolitanos e visitantes se reúnem para assistir esse espetáculo da natureza que é saudado com uma salva de palmas. O que poucas pessoas sabem é que esse costume, já tradicional, foi iniciado quando a UniFTC realizou o projeto Verão no Porto da Barra, que oferecia palestras, serviços e atividades para o público. A programação acontecia das 6h às 22h e, em uma pausa ao fim da tarde, alunos e professores paravam para descansar, assistir o pôr do sol e aplaudí-lo.


CLÍNICA-ESCOLA EM CADA UNIDADE UNIFTC SSA

Quando chegou à Clínica-Escola UniFTC Ogunjá, Maria Luiza estava em uma verdadeira via crucis em busca de um diagnóstico que explicasse o ganho de peso, as dores e a fadiga constante que já a impedia de realizar tarefas rotineiras. A aposentada, que tem plano de saúde e estava sendo atendida por diversos outros médicos, só conseguiu detectar a doença hepática quando foi atendida por um cardiologista da Instituição, que a direcionou para cirurgia em um hospital externo e segue acompanhando o progresso de Maria Luiza. “Mesmo tendo plano de saúde, nunca nenhum médico teve comigo o cuidado que tive aqui gratuitamente. Por isso, volto a cada 6 meses para fazer meu acompanhamento e sempre estou trazendo outras pessoas para cá sem receio. Já trouxe mais de 100 pacientes sem recurso nenhum, 18 deles fazem tratamento contínuo aqui há quatro anos”, conta a apo-

sentada que, no dia dessa entrevista, acompanhava a vizinha que foi até a Clínica-Escola para realizar uma pequena cirurgia.

CLÍNICAS-ESCOLA “Levar a cura quando possível, acolhimento e conforto sempre”. Com essa fala inspirada em um aforismo creditado a Hipócrates, Mariana Seixas encerrou seu discurso na colação de grau da 19ª Turma de Medicina da UniFTC Salvador. Há poucos minutos de se tornar, oficialmente, médica, a jovem agradeceu à Instituição pela oportunidade de ter conhecido a Medicina na prática. “Fomos colocados em campo de prática desde o primeiro semestre. Conhecemos lugares em Salvador que nem sabíamos que existiam. E tivemos o contato com nosso mais importante meio de aprendizado: os pacientes”, destacou a então aluna e agora médica - Mariana Seixas.

Centro Integrado de Educação em Saúde Laboratório-escola de Análises Clínicas Clínica-escola de Enfermagem Clínica-escola de Farmácia Clínica-escola de Fisioterapia Consultórios de Nutrição Clínica-escola de Odontologia Clínica-escola de Psicologia Clínica-escola UniFTC da Ogunjá

FSA Clínica-escola de Odontologia NAIS (Psicologia, Nutrição e Fisioterapia) Clínica escola-veterinária

CENTRO Clínica-escola de Psicologia

ITABUNA Clínica-escola de Nutrição Clínica-escola de Psicologia

CONQUISTA Clínica-escola de Nutrição Clínica-escola de Psicologia Clínica-escola de Fisioterapia Clínica-escola de Odontologia 1 Clínica-escola de Odontologia 2 Núcleo de Práticas Jurídicas Clínica-escola de Veterinária

JEQUIÉ Nutrição Biomedicina Psicologia Odontologia

Movimento para o futuro 25


Educação e sociedade

A experiência vivida por Mariana e seus colegas faz parte da formação de todos os profissionais de saúde na UniFTC. Os projetos de responsabilidade social mantidos pela Instituição permitem ao estudante a oportunidade de enxergar o paciente como um todo, exercitando suas habilidades técnicas e humanas. Nesse processo, a Educação assume seu papel no fomento à Saúde e à Cidadania. A cada semestre, são atendidas mais de 35 mil pessoas só nas clínicas-escola da Instituição. A partir de parcerias fechadas com o poder público e outras organizações, os alunos da UniFTC ainda atuam em hospitais, clínicas e outros postos de atendimento como parte dos estágios obrigatórios, internatos e nas atividades práticas que integram as matrizes curriculares dos cursos. Essa é uma grande oportunidade de treinar a relação do profissional de saúde com o paciente e, ao mesmo tempo, beneficiar a população. O impacto na sociedade é enorme. Atualmente, a instituição conta com mais de 20 clínicas-escola que oferecem atendimento nas áreas de Medicina, Enfermagem, Odontologia, Fisioterapia, Psicologia, Medicina Veterinária e Biomedicina. Os atendimentos são gratuitos - exceto por alguns procedimentos, como determinados exames e pequenas cirurgias, pelos quais são cobrados apenas os valores de custo. Jéssica Magalhães, 31, é uma das pacientes encontrou na clínica de Fisioterapia da UniFTC Paralela o atendimento humanizado que buscava desde o início do tratamento. A operadora de caixa realizou a ressecção de um câncer de mama diagnosticado em 2016 e, depois da 26 UNIFTC

“O cidadão de baixa renda que nos procura recebe atendimento da melhor forma possível, para que ele tenha uma acompanhamento satisfatório”, RAFAEL FREIRE, coordenador do NPJ da Unidade Itabuna

cirurgia, passou a sentir dores no ombro que limitavam seus movimentos, mas recusava o tratamento fisioterápico. “Eu sabia que precisava fazer fisioterapia, mas sentia falta de um atendimento diferenciado, onde eu me sentisse acolhida e as pessoas se importassem com a minha situação. Foi o que encontrei na UniFTC, onde fui acompanhada durante seis meses por uma equipe que tem toda a paciência do mundo ”, explica a beneficiada, que já recuperou a movimentação do abraço e viu as dores desaparecerem.

NÚCLEOS DE PRÁTICA JURÍDICA O número de pessoas que recorrem à justiça para reivindicar seus direitos é cada vez maior. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informam que mais de 19 milhões de brasileiros abriram um processo entre 2009 e 2019. Assegurar o direito daqueles que mais precisam também um compromisso da UniFTC.

A Instituição mantém, em 7 de suas 11 unidades, Núcleos de Prática Jurídica (NPJ) onde estudantes de Direito e docentes oferecem atendimentos gratuitos à população. A cada semestre, são realizados uma média de 3,5 mil atendimentos e os serviços mais buscados são referentes às áreas de Família, Trabalhista e Consumidor. Os NPJ da UniFTC podem ser classificados sob duas vertentes: as funções social e acadêmica que exercem. Na acadêmica, está a importância da inserção prática dos alunos na vivência da advocacia e dos tribunais. Já a função social, segundo o coordenador do NPJ da Unidade Itabuna, Rafael Freire, está em realizar atendimento humanizado e gratuito. “O cidadão de baixa renda que nos procura recebe atendimento da melhor forma possível, para que ele tenha uma acompanhamento satisfatório”, afirma o professor e advogado. Rafael Freire, egresso do curso de Direito da UniFTC, lembra que, quando ainda era aluno da faculdade, o NPJ foi o seu primeiro e único contato com a prática jurídica, o que demonstra a importância do núcleo para a formação dos alunos.

Unidades com atendimento gratuito dos Núcleos de Prática Jurídica (NPJ) Unidade Paralela/ Salvador Unidade Comércio/ Salvador Unidade Itabuna Unidade Vitória da Conquista Unidade Feira de Santana Unidade Eunápolis (Unesulbahia)


“Aqui o aluno atua como estagiário advogado, onde ele faz o atendimento e a triagem dos processos e preparação de petições para que os advogados do núcleo deem entrada no processo. E uma coisa interessante é que os alunos continuam tendo contato com estes processos enquanto estiverem em nosso curso de Direito, podendo entender todo o processo”, explica.

EVENTOS Empregabilidade. Carreira. Mais atendimentos em saúde! Capacitações. Aquela ajuda na hora da declaração do imposto de renda. Além das clínicas e dos núcleos de prática jurídica, a UniFTC também estende seus braços para a sociedade através de diversas ações realizadas ao longo do ano. São palestras, workshops, oficinas e eventos com programação variada que levam o melhor do que é produzido na academia para o público externo. Todos os anos, as unidades do grupo UniFTC recebem da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES) o selo “Instituição Socialmente Responsável” pela sua participação na Semana de Responsabilidade Social. A última edição contou com mais de 10 mil atendimentos durante o evento. “As ações desenvolvidas no bojo da Semana de Responsabilidade Social só reafirmam o compromisso perene da UniFTC com a prestação de serviços às comunidades e com a formação humanística e ética de nossos alunos”, afirma o Presidente da UniFTC, William Oliveira.

A Mega Revisão ENEM é outro evento promovido anualmente pela UniFTC e que já virou uma referência. A edição mais recente, realizada pela UniFTC em 2019, reuniu cerca de 15 mil estudantes em seis unidades da Bahia e em Petrolina. O evento tem o objetivo de proporcionar, gratuitamente, a oportunidade de os alunos tirarem dúvidas com professores com grande experiência na preparação para provas dos principais vestibulares do país, sobretudo o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Durante o evento os participantes recebem dicas de todas as disciplinas fundamentais para serem aprovados. “Na Mega Revisão ENEM FTC há um projeto pedagógico por trás das aulas e o time de professores é montado com cuidado para levar aos participantes os melhores conteúdos com uma metodologia realmente eficaz”, explica o mestre em Educação, professor Ricardo Carvalho, coordenador pedagógico do projeto. Em 2019, a UniFTC promoveu também a Mega Revisão OAB que reuniu grandes mestres do Direito em um aulão para os estudantes e bacharéis às vésperas do Exame da Ordem. O evento gratuito aconteceu em Salvador e era aberto para alunos e egressos de qualquer instituição de ensino. São diversos os exemplos de projetos e programas que, abertos à população, colocam a UniFTC em movimento, cada vez mais próxima das comunidades onde a Instituição atua. Para acompanhar esse movimento, é só ficar atento às redes sociais das Unidades e às notícias que sempre circulam nas imprensas locais. Movimento para o futuro 27


Educação e sociedade

VELHICE É QUESTÃO DE DISPOSIÇÃO Os brasileiros estão vivendo mais. A expectativa de vida não parou de crescer nos últimos 80 anos e, em 2018, chegou a 76,3 anos. Mas, junto à longevidade, cresce também o nível de isolamento social a que estão submetidos os idosos no Brasil. São aproximadamente 26 milhões de idosos vivendo sozinhos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de acordo com pesquisas realizadas na Universidade de Chicago, o isolamento pode aumentar o risco de morte em 14% para idosos. Pensando nesse público, a UniFTC realiza os projetos Vida Ativa, em Salvador, e FTerCeira Idade, em Feira de Santana e Itabuna. Os programas funcionam como um mecanismo de redução para o isolamento e aumentam a inclusão da população de terceira idade dos diversos nichos sociais. 28 UNIFTC

Ao todo, são atendidos mais de 700 pessoas entre 50 e 89 anos nas três cidades. Os dois programas ainda servem para que os alunos dos cursos envolvidos pratiquem o que aprendem nas aulas.

FTERCEIRA IDADE A Faculdade Aberta da Terceira Idade, que se popularizou pela alcunha de FTerCeira Idade, é um projeto surgido na UniFTC de Itabuna em 2010 com o objetivo de, através de oficinas, proporcionar aos idosos um espaço de multiplicação de conhecimentos numa perspectiva de desenvolver novos saberes e promover qualidade de vida. São trabalhados aspectos como socialização, prevenção de doenças, manutenção de direitos e economia doméstica. Em 2011, o projeto chegou também à unidade da UniFTC em Feira de Santana.


O FTerCeira Idade começou como atividade de extensão. Depois, virou prática de estágio, criando oportunidade para os alunos da instituição que participam ativamente do programa através de seus colegiados, oferecendo oficinas e palestras e atuando de forma prática dentro de suas competências. Os futuros dentistas de Itabuna, por exemplo, dão oficinas especiais sobre saúde bucal e os alunos de Sistema de Informação atuam dando aulas de inclusão digital. “Não é obrigatório que os alunos do programa participem de todas as disciplinas, eles fazem matrícula para as disciplinas que têm interesse”, explica a coordenadora do programa FTerCeira Idade em Itabuna e professora do curso de Fisioterapia, Andrea Cristine da Fonseca Machado. Responsável por levar o FTerCeira Idade à Feira de Santana, Cristiano Lôbo, que atualmente é Reitor da unidade e Vice-presidente de Operações da UniFTC, explica que, para que o indivíduo tenha um comportamento socialmente eficaz, é necessário respeito. “É necessário respeito às diferenças, respeito ao direito do outro, ao pensamento do outro, à profissão de fé do outro. Neste contexto, a alteridade passa a ser o ponto de partida, ou seja, a capacidade de me colocar no lugar do outro torna eficaz o meu comportamento em sociedade”.

O FTerCeira Idade virou prática de estágio, criando oportunidade para os alunos da instituição que participam ativamente do programa através de seus colegiados, oferecendo oficinas e palestras e atuando de forma prática dentro de suas competências

VIDA ATIVA Duas vezes por semana, o Centro Universitário UniFTC de Salvador (Paralela) recebe os alunos do Vida Ativa. Iniciado em 2002, o programa é um dos mais antigos da UniFTC e conta com a participação do então coordenador do projeto, Wilken Pimenta, desde quando ele ainda estudava na Instituição. O projeto que trabalha com corpo, mente e meio social atende, atualmente, mais de 50 alunos na unidade Paralela em Salvador. O programa funciona de forma integrada, contando com os cursos de Farmácia, Fisioterapia, Educação Física, Enfermagem e Biomedicina. Entre as diversas funções sociais que o programa consegue exercer, está o acolhimento e aconselhamento de idosos. “Aqui tem uma aluna que estava sem falar com a neta porque ela é evangélica e descobriu que a neta é homossexual. A gente aproveitou para falar sobre respeito, sobre cada um continuar a sua vida e sobre amor. Outra ficou dois anos para me contar que o neto tinha envolvimento com tráfico de drogas. A gente já suspeitava, mas esperamos que ela falasse caso quisesse. Orientamos para que ela não se sentisse culpada pela situação”, conta o coordenador, que está no projeto há 17 anos. Movimento para o futuro 29


UNIFTC EM MINHA VIDA

RUTH QUANDO A BEZERRA TERCEIRA

IDADE É SINÔNIMO DE ATIVIDADE

A

Ruth ao lado da colega Helena Marinho (esquerda) após atividade do FTerCeira Idade

30 UNIFTC

s limitações físicas de alguns idosos costumam atrapalhar uma vida social ativa. Na maioria das vezes, a terceira idade é vista, equivocadamente, como situação de fraqueza e de incapacidade. Mas, na contramão dos estereótipos em relação aos idosos, Ruth Bezerra de Souza, 70, professora aposentada, descobriu qualidade de vida na Faculdade Aberta da Terceira Idade (FTerCeira Idade), projeto da Rede UniFTC que reúne oficinas sobre corpo, doenças na terceira idade, direitos do idoso, alimentação saudável e economia doméstica, além de inclusão digital, questões ambientais e autoestima. Após sofrer com algumas limitações físicas, como má locomoção e fala prejudicada, resultados de uma cirurgia na hipófise (glândula que tem a função de regular o funcionamento de diversas glândulas do corpo), Ruth conheceu o projeto que funciona na unidade de Itabuna, através da colega e também beneficiada do programa, Helena Marinho Capistrano. “Já nas primeiras aulas, comecei a gostar. Sou uma pessoa muito hiperativa, mesmo com algumas dificuldades. Essa porta que se abriu para mim com o FTerCeira Idade mudou completamente a minha vida para melhor”, afirma Ruth.


Aos poucos, Ruth começou a vencer algumas das limitações que afetavam não só o seu corpo, mas a sua mente e relações sociais. “O projeto abriu caminhos que eu até então desconhecia. A gente sabe que é capaz, mas a gente se torna ainda mais capaz quando frequenta o projeto”. Dentre as atividades que têm auxiliado no progresso da professora aposentada, estão o estímulo ao raciocínio e memória, a elevação do conhecimento cultural e os que trabalham a autoestima e o conhecimento do corpo. “Eu não sabia que eu era capaz de ainda adquirir tanto conhecimento e de vivenciar tanta coisa boa”, comenta. Entre as diversas amizades que fez nessa nova fase, está Helena Marinho, 73, aposentada, que está no projeto desde 2010. “Eu e Ruth nos conhecemos no ensino fundamental. Depois, mudei de cidade e só a reencontrei há uns 6 anos. Foi quando a reconheci e convidei para participar do projeto, explicando os benefícios e aprendizados para a nossa saúde física, mental e também social”, explica Helena. Para Ruth, estas são amizades para o resto da vida. “Eu digo que aqui a gente não tem colega, a gente tem a família FTerCeira Idade, começando pela Direção que nos proporciona esta oportunidade através dos professores que criaram este projeto”, afirma Ruth. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos no Brasil cresceu 50% nos últimos 10 anos. Aumentou também a porcentagem de idosos que vivem sozinhos, o que tem gerado problemas de isolamento social, fator que aumenta em

“AQUI É UMA CASA ONDE TODOS SÃO ACOLHIDOS COM MUITO AMOR, MUITO CARINHO E, ACIMA DE TUDO, COM MUITO RESPEITO”,

RUTH BEZERRA

14% os riscos de morte. Indo contra este isolamento. Ruth e os colegas passaram a enxergar no projeto uma forma de manter-se saudável no meio social. “Eu sempre convido as pessoas para que venham para a FTerCeira Idade, porque aqui é uma casa onde todos são acolhidos com muito amor, muito carinho e, primeiro, com muito respeito”, explica a beneficiada. Para a fisioterapeuta e coordenadora do programa FTerCeira Idade, Andrea Cristine da Fonseca Machado, Ruth é um exemplo de superação. “Ela fala do tanto que foi importante para ela entrar no grupo, como ajudou e como foi importante no tratamento dela. Às vezes, fica meio desmotivada, tem uma recaída, mas os colegas vão apoiando. A gente consegue ver o quanto que isso é importante na vida deles”, afirma. Movimento para o futuro 31


EM MOVIMENTO COM RESPONSABILIDADE SOCIAL Somos mais que resultados, somos transformação social.

Saúde na Rede

07

áreas de atendimento

(Medicina, Enfermagem, Odontologia, Fisioterapia, Psicologia, Medicina Veterinária e Biomedicina)

20 90 MIL

Clínicas-escolas

atendimentos por ano na Rede


Direito na Rede

03

áreas campeãs de atendimento

(família, trabalhista e consumidor)

20 Educação na Rede

Núcleos

de prática jurídica

35 MIL

atendimentos gratuitos por ano

03 beneficiados 10 na Semana de Responsabilidade Social Super eventos

(Semana Da Responsabilidade Social, Mega Revisão ENEM, Redação Máxima)

MIL

15

MIL

estudantes beneficiados na MEGA REVISÃO ENEM e Redação Máxima REDE


MERCADO 4.0

CARREIRAS DO FUTURO:

NOVAS TECNOLOGIAS GERAM DESENVOLVIMENTO DO MERCADO DE TRABALHO Mercado 4.0 é tema de evento da UniFTC com o intuito de orientar e preparar profissionais para os avanços tecnológicos e as novas carreiras

D

esde o surgimento do mundo, a espécie humana está em evolução. As constantes descobertas fazem com que a humanidade avance de forma acelerada a cada ano. Novas formas de organização e vida surgem, trazendo consigo mudanças que passam a reger a sociedade. Com a chegada da internet, por exemplo, estas transformações passam a acontecer de forma ainda mais acelerada, como só foi imaginado em profecias e teorias não confirmadas. Toda essa pressa trouxe a nossa espécie para a quarta Revolução Industrial, que tem impactado no cotidiano, causando reestruturação, inclusive, nos modelos de negócios. Pensando nestes avanços, a Rede UniFTC se empenha para que seus alunos sejam profissionais do futuro, capazes de lidar com as novas tecnologias e o capital humano. Para tanto, a Instituição organizou a primeira edição do Mercado 4.0, em 2019, evento gratuito que aconteceu em Salvador, mas deve ser expandido para todas as Unidades do Grupo nas próximas edições. Na ocasião, foram oferecidas mais de 200 vagas para estudantes e profissionais participarem de oficinas em todas as áreas. O evento também contou com uma feira de estágios e espaço para networking, além de 34 UNIFTC

Marca desenvolvida especialmente para o evento Mercado 4.0


possibilitar a interação com equipamentos de última geração. O projeto reuniu especialistas renomados para palestras e oficinas sobre o mercado e o futuro das organizações, como Ricardo Sales, um dos principais speakers brasileiros, e a pesquisadora e futuristic thinker Ligia Zotini, que esteve à frente da palestra “Trabalho do Futuro ou Futuro do Trabalho”, tratando de tecnologia, inovação e desenvolvimento humano. Ligia Zotini é fundadora do ecossistema digital de educação Voicers, que busca democratizar o acesso às tecnologias e tendências futuras, ajudando a desenvolver e incentivar as pessoas a usá-las de forma exponencial e positiva. “A gente combate aquela história do efeito Black Mirror ou Exterminador do Futuro, onde a máquina encontra o pior do humano e, juntos, destroem tudo. A gente gosta de narrativas onde, através da tecnologia, alcançamos o progresso da humanidade, que é o que está acontecendo desde que a humanidade começou a inventar máquinas”, explica a pesquisadora. Ricardo Sales é consultor de diversidade e pesquisador na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, pela qual também é mestre, e atualmente cursa doutorado sobre Políticas de Diversidade nas Organizações. O comunicólogo também é sócio na empresa Mais Diversidade, que é uma consultoria de diversidade e inclusão. A missão da empresa é ajudar os clientes a terem um ambiente de trabalho mais inclusivo a partir da valorização de todas as diferenças. “Trabalhamos com a consultoria estratégica, apoiamos nossos clientes no desenvolvimento de políticas


Mercado 4.0

e práticas de valorização da diversidade, isso além dos treinamentos, palestras, workshops e capacitações. Também damos suporte para marcas que querem se comunicar com diversidade. E, por fim, fazemos curadoria de talentos, ajudando as empresas a encontrarem talentos diversos para as vagas que elas já têm em aberto”, explica Ricardo Sales. A Mais Diversidade é hoje a maior consultoria de diversidade e inclusão da América Latina, atendendo clientes de todo o Brasil em diferentes mercados. “Falar sobre diversidade é falar de gente, é falar de todas e todos nós, é falar do conjunto de características que nos torna únicos. Falar de inclusão, por outro lado, é falar justamente da valorização destas singularidades que todos nós temos”, afirma Ricardo Sales. Para a Coordenadora do Centro de Carreiras da Rede UniFTC, Alessandra Calheira, o mercado de trabalho passa por uma intensa remodelagem, em diversas áreas, em diferentes indústrias. Segundo ela, o mundo não sabe ao certo para onde estamos caminhando agora, enquanto existem muitas transformações em curso e tecnologias sendo criadas. “A gente vive hoje um grande laboratório e as instituições de ensino precisam realmente estar atentas a essas transformações, investindo especialmente no capital humano, na formação humana e na questão do desenvolvimento de competências socioemocionais. Essas sim são configuradas como as competências que habilitam as pessoas a trabalhar nos cenários mais diversos”, explica Alessandra. Sobre o receio de que algumas profissões sejam extintas, a coordenadora acredita que existe, sim, uma 36 UNIFTC

tendência de que profissões - especialmente aquelas de cunho repetitivo e de pouca exigência de raciocínio - sejam substituídas rapidamente por máquinas. “O ‘sempre’ não existe mais. A gente tem que acordar para entender quais são as transformações e os impactos, olhando para dentro de si e fazendo uma autoavaliação daquilo que é preciso desenvolver como competência para se adequar aos novos tempos”, explica. Assim, vivendo a quarta Revolução Industrial, a UniFTC tem como uma de suas funções formar novos profissionais, além de especializar os que já estão no mercado de trabalho, para que acompanhem as mudanças do mundo, colocando-os em contato direto com os avanços tecnológicos e seus desdobramentos.

A gente gosta de narrativas onde, através da tecnologia, a gente possa alcançar o progresso da humanidade, que é o que está acontecendo desde que a humanidade começou a inventar máquinas”, LIGIA ZOTINI


QUANTO MAIS COLORIDO, MAIS CRIATIVO A inclusão de grupos diferentes no mercado de trabalho tem sido um dos temas mais recorrentes nas empresas. Atualmente, existe uma valorização das diferenças e individualidades, entendendo a diversidade como um fator de enriquecimento para as equipes e instituições que buscam por inovação e criatividade. Além disso, com o processo de inclusão de Pessoas com Deficiência (PcDs) e de grupos marginalizados por conta de gênero, etnia, cultura e regionalidade, as instituições acabam cumprindo com um papel social na luta contra a desigualdade. Segundo dados divulgados através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em 2019, por exemplo, houve uma diferença salarial entre brancos e negros de 45%. O resultado não pode ser atribuído apenas à falta de formação que acomete pessoas negras, já que os salários comparados são entre negros e brancos com ensino superior, isolando-se outras variáveis. Uma das organizações que tratam sobre a importância da diversidade no mercado de trabalho é a Associa-

ção Brasileira de Recursos Humanos na Bahia (ABRH Bahia), entidade não governamental sem fins lucrativos que tem como finalidade o desenvolvimento de pessoas, organizações e sociedade, através da educação, cultura, apoio técnico e científico, capacitação, pesquisa, atividades associativas e ação social. Segundo o estatístico Wladimir Martins, presidente ABRH Bahia, a empresa que busca se ocupar com

todos os segmentos sem distinção de cor, raça, religião e gênero tem uma riqueza maior de informação, conhecimento e cultura. “Quanto mais diversa, quanto mais a cultura for variada, quanto mais a condição sexual e a religião forem variadas, as organizações terão mais contribuição para criatividade e melhores resultados”, afirma. Dentro das ações da associação, está a promoção de eventos, levando diversidade para estes espaços, de modo que as pessoas que participam reconheçam a importância desta pluralidade. “Em 2019, fizemos um foro de liderança feminina no qual trouxemos como tema mulheres negras no topo das organizações, justamente para que o mercado reconheça que as pessoas independem de raça, cor, religião e sexo para ter competência. Então, em todos os nossos eventos, a gente busca fomentar essa forma de pensar”, explica Wladimir Martins.

Movimento para o futuro 37


UNIFTC EM MINHA VIDA

LUCRÉCIA CRESCIMENTO MAIA PELA EDUCAÇÃO

L

Lucrécia é professora da UniFTC Itabuna

38 UNIFTC

ucrécia Maia era moradora do município de Ibicaraí, cidade de pouco mais de 23 mil habitantes, localizada a 470km de Salvador e a 40km de Itabuna. O primeiro contato de Lucrécia com a UniFTC foi em 2004, quando soube de uma vaga de emprego para Pessoa com Deficiência (PcD) no campus de Itabuna. “Eu fui contratada em 2004 como ascensorista do elevador e permaneci no cargo até 2008. Na época a Instituição era um espaço que estava além de mim, não só no campo social, porque venho de outra realidade, mas educacional também. Apesar de minha família sempre conseguir me manter, existiam coisas que eles não podiam fazer, como uma faculdade particular, por exemplo”, explica. No início, Lucrécia visava apenas o trabalho para ajudar a família e melhorar financeiramente. A ideia de começar a estudar só apareceu depois que a colega Rita Froes, ex-funcionária do setor de Convênios/Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e os professores Jacques Costa e Antônio da Silva Costa, então diretor geral da unidade, começaram a estimular o sonho que surgiu em Lucrécia após a implantação do curso de Nutrição em Itabuna, em 2006. “Eu não pensava em estudar. Esta era uma realidade muito distante. Em 2006 foi implantado aqui na unidade de Itabuna o curso de Nutrição e eu me encantei


pelo curso, eu já era apaixonada, mas ainda era algo que eu pensava estar além da minha realidade. No segundo semestre de 2006, tive a oportunidade de começar a fazer meu curso, algo que só foi possível por eu ser funcionária da UniFTC. Se eu não estivesse aqui, não teria essa chance”, comenta. Em 2008 Lucrécia saiu da função que exercia como ascensorista de elevador para ser auxiliar administrativa no Centro de Atendimento ao Docente (CAD) e, dois anos depois, veio a formação em Nutrição. “A UniFTC sempre participou da minha formação de maneira direta. Então, foi estar aqui que me permitiu estudar, facilitou minhas relações, me permitiu crescer na minha formação. A UniFTC sempre me ofereceu mais do que as pessoas conseguiam enxergar”. Um tempo depois, já nutricionista, Lucrécia foi aprovada em um concurso para atuar na sua área de formação, mas o sonho na área acadêmica continuava. “Eu tinha um sonho de estar aqui na Faculdade como professora. Eu não queria me desligar, então continuei trabalhando na área administrativa. A faculdade sempre me incentivou a dar este passo, mas eu ainda não me sentia preparada, então fiz minha pós-graduação. Comecei a atuar e como professora em janeiro de 2013, quando uma colega se desligou da Rede e surgiu a oportunidade de participar da seleção”. Atualmente Lucrécia é professora na UniFTC. Algumas das lembranças da professora de Nutrição falam da distância física e social que tinha com a educação. “Quando ainda estava no elevador, eu não vinha na sala de aula, eu não conhecia a sala de aula

“MINHA PALAVRA PARA A UNIFTC, PARA A MINHA FORMAÇÃO, POR TUDO O QUE EU CONQUISTEI ESTANDO AQUI, É GRATIDÃO”,

LUCRÉCIA MAIA

da faculdade onde eu trabalhava. Só fui conhecer quando fiz o vestibular”, explica emocionada. Quando fez sua apresentação para ser docente da Rede, Lucrécia sentiu ainda mais forte a mudança de vida que parecia inalcançável há poucos anos. “Tinha pouco tempo que meu pai tinha falecido e eu sentia a presença dele durante a aula. Eu sabia que, mais uma vez a Instituição, estava me permitindo mudar de vida, não só pela questão financeira, mas também como ser humano. Hoje, posso oferecer algumas coisas para a minha família, posso crescer profissionalmente e, no momento em que eu estava ali, nervosa, eu senti a presença do meu pai. Foi algo muito marcante pra mim, porque em todos os momentos em que sinto que eu cresço profissionalmente, sinto a presença dele”, relata. Tendo sempre a empresa como referência, Lucrécia considera a Rede UniFTC como sua primeira casa. “Ao

invés de ser a minha segunda casa, é a minha primeira casa, que é onde a gente passa a maior parte do tempo, onde a gente cresce, onde a gente faz as relações, não só profissionais, mas também laços de amizade. Tenho amizades em todos os setores desde que eu era assistente de elevador. Aqui, eu formei laços e raízes que não se perdem”, afirma. Uma das compensações para Lucrécia foi sua história de vida ter se tornado inspiração para seus alunos. Ao ouvir alguns depoimentos, a professora percebe que os alunos se conectam com os professores, não apenas pelo conteúdo discutido em sala de aula, mas pelo incentivo aos sonhos. “Para muitos alunos que estão aqui, isso é um sonho. Então eles precisam dessa palavra de incentivo e conto a minha história de vida nos primeiros dias de aula, já para incentivar outras pessoas a conseguirem alcançar seus objetivos, como eu consegui”, conclui. Movimento para o futuro 39


MERCADO 4.0

LIKE A BOSS

Os processos digitais aceleram as rotinas nas instituições e os líderes enfrentam o desafio de reacender o fator humano

C

oordenar. Inspirar. Desenvolver talentos. Garantir resultados. Bater metas. As demandas de um líder vão muito além do que, tradicionalmente, se esperava de um chefe e, neste novo cenário, a habilidade de gerir pessoas se torna mais importante do que apenas administrar processos ou delegar tarefas. Em posts engraçadinhos ou artigos mais sérios, o chefe autoritário é rechaçado e comparado a essa figura inspiradora, empática, capaz de reconhecer e estimular talentos, que arrasta suas equipes a partir de seu discurso e, sobretudo, de seu exemplo. Mas, afinal, o que é preciso para ser esse mentor? Jamile Santana, Especialista em Gestão de Pessoas e Liderança, consegue definir as obrigações de um líder com muita facilidade: para ela, o essencial é dar orientação, afeto e limites. Simples assim. Mas a profissional, que lidera um setor com 13 colaboradores, admite que assumir o comando de uma equipe é um trabalho desafiador e exige uma grande entrega pessoal. Como Coordenadora de RH da Rede UniFTC, Jamile foi a responsável por tocar, em 2019, o Programa de Desenvolvimento de

40 UNIFTC


Milena Oliveira e equipe da Vice-PresidĂŞncia de Marketing e Relacionamento


Mercado 4.0

Lideranças. Durante os workshops promovidos em todas as unidades da Instituição, supervisores e coordenadores tiveram a oportunidade de lapidar habilidades e dominar ferramentas importantes na rotina de um líder, como o poder de se comunicar de forma clara com seus times. Nos encontros, os gestores puderam também trocar experiências e conhecer melhor seus colegas. Essa integração só corrobora com uma cultura organizacional positiva e inspiradora. “Estou na UniFTC há três anos e pude presenciar muitas mudanças. As pessoas notam o quanto a Instituição cresceu, como nos posicionamos de uma forma diferente no mercado, e os nossos líderes precisam estar prontos para comandar essa transformação”, diz Jamile Santana, que se orgulha de ter seu nome impresso

neste novo momento da Rede UniFTC e também ser líder nesse processo.

QUEM INSPIRA OS LÍDERES INSPIRADORES? Quando questionados sobre as características que um líder precisa ter, muitos profissionais costumam citar ‘coerência’ e ‘atitude’. Para eles, é importante ver que as lideranças colocam em prática o que pregam em seus discursos. Nessa missão, Jamile se consagrou. A gestora, que acredita no afeto como um verdadeiro catalisador no ambiente corporativo, é definida por seus liderados como acolhedora, atenciosa e empática. “Jamile é uma líder nata, a pessoa certa para o cargo. Em nenhum momento ela precisa dizer que é nossa líder, ela nos guia pelo exemplo para que a equipe alcance os objetivos. É raro ouvir um funcionário dizer que torce para encontrar seu gestor no trabalho, não é? Eu fico feliz em ser recebido por Jamile todos os dias”, diz José Carlos Rocha, engenheiro de Segurança do Trabalho na Rede UniFTC. O impacto de lideranças inspiradoras atinge todo o clima organizacional e é capaz de dar o tom em uma empresa. Milena Oliveira é Vice-presidente de Marketing

COM A PALAVRA, OS LIDERADOS:

o que estamos esperando de um líder?

reconhecer o trabalho do outro

empatia atitude proatividade

boa comunicação

dar liberdade pra criar

respeito coerência

confiança no time

senso lógico alteridade ser um exemplo

humildade estar presente limites credibilidade

42 UNIFTC


5 DICAS PARA SER UM CHEFE LÍDER: 1. Seja empático: enxergue seu time para além das tarefas 2. Se permita ser inspirado por outros líderes 3. Seja um par para os outros líderes 4. Saiba dar e receber feedbacks 5. Saiba reconhecer talentos e impulsioná-los

Acima, Jamile Santana e a equipe de Gestão de Pessoas. Ao lado, os professores Júlia Centurião e Marcio Liolly da UniFTC de Salvador

e Relacionamento da UniFTC e, para seu time, ela é inventiva, inquieta e visionária. Milena diz ter se inspirado em outra liderança: Gervásio Oliveira, fundador da Rede UniFTC. “Nosso fundador é uma liderança sem igual, um profissional com visão de futuro que traz para gente essa inspiração de sempre querer o melhor, de se cercar dos melhores profissionais. Ele está sempre se reinventando e esse movimento é o que norteia a UniFTC e o que, pessoalmente, me motiva também”, afirma Milena.

ENSINANDO E LIDERANDO Para além dos bastidores administrativos da Instituição, nas salas de aula os professores também são verdadeiras lideranças. Além de passar conteúdos e experiências, docentes podem estabelecer uma relação colaborativa com seus alunos. Um professor que também é líder, é capaz de despertar potenciais. Márcio Liolly é docente dos cursos de Comunicação da UniFTC e teve a oportunidade de encontrar, na graduação, uma professora que lhe

despertasse a vontade de também lecionar. Júlia Centurião, que hoje coordena os cursos de Comunicação na Unidade Paralela, em Salvador, foi essa fonte de inspiração para Márcio. Na época, o jovem estudante tinha receio de não ser capaz de estimular os alunos como sua mentora fazia a partir de uma metodologia que inseria a turma no ambiente profissional, com teoria e prática. “O bom líder é uma pessoa iluminada, resolutiva, que se empenha no que acredita e faz a gente acreditar em nossos projetos. Júlia tem um cuidado gigantesco com os alunos e com os professores que coordena, é uma líder humana que incentiva e cobra na medida certa e não mede esforços para ajudar. Por isso, ela é minha referência e inspiração até hoje”, conta Márcio. Movimento para o futuro 43


UNIFTC EM MINHA VIDA

TIAGO DIREÇÃO AO LIMA JORNALISMO

A

Tiago Lima é assistente de Comunicação das unidades UniFTC do Comércio e da Lapa

44 UNIFTC

ntes de conhecer o ensino da UniFTC, Tiago Lima, 39, já tinha contato com a grande paixão de sua vida. Durante quatro anos como motorista do Jornal A TARDE, enquanto levava repórteres e fotógrafos para as coberturas, Tiago teve contato com o jornalismo, profissão que sempre quis exercer. “Eu tinha alguns amigos e conhecia algumas pessoas que já eram formados pela UniFTC. Jéssica Senra mesmo, eu trabalhava na rádio Metrópole e já a enxergava como referência. Foi quando pensei em fazer jornalismo aqui na instituição”, explica Tiago, que hoje é Assistente de Comunicação das faculdades localizadas no Centro de Salvador: Comércio e Lapa. Entre os muitos contatos que fez antes de cursar jornalismo, estava a atual Supervisora de Comunicação, Cyda Brito. “Eu a conheci no jornal A TARDE quando ela era estagiária. Depois eu fui aluno da FTC, estagiei na Governadoria quando ela trabalhava em uma outra empresa de assessoria e eu falava com Cyda sem saber que era ela, recebia releases assinados por ela, falava por telefone e não associava. Depois eu fui estagiário na FTC, formei e fui contratado e Cyda passou a ser minha chefe. Eu tive contato com Cyda durante todo o jornalismo em minha vida”, brinca.


Foi como estudante de jornalismo da UniFTC que, de fato, Tiago entendeu como funciona a produção jornalística. Já nos primeiros semestres os professores do curso estimulavam a prática jornalística, enviando os alunos a campo. “Lá não é apenas sala de aula. E isso me ajudou muito. Quando eu consegui meu primeiro estágio na Governadoria, eu lembro que da primeira vez que eu saí, meu chefe me enviou para uma matéria delicada sobre uma desapropriação e eu fui muito tranquilo porque eu já era acostumado a sair com as práticas da UniFTC. Meus outros colegas ficavam inseguros com relação a isso. Se não fosse a UniFTC, talvez eu não tivesse entregado a pauta”, explica. “Eu sugiro para as pessoas que tenham uma meta profissional, que busquem por uma graduação. Se por algum motivo elas tiverem dúvidas sobre em qual instituição investir, eu aconselho que elas vejam como a UniFTC funciona, porque ela não exerce só uma papel mecânico, aqui você realmente vive a faculdade”, conclui Tiago.

“PARA MIM A UNIFTC É A REALIZADORA DOS MEUS SONHOS, PORQUE ELA ME PROPORCIONOU TUDO O QUE EU QUERIA E SUPEROU AS MINHAS EXPECTATIVAS”, TIAGO LIMA

Movimento para o futuro 45


MERCADO 4.0

DIREITO DO FUTURO Os avanços tecnológicos estão mudando a nossa forma de pensar, agir e viver. As profissões estão se adaptando conforme as mudanças tecnológicas, inclusive as mais tradicionais, como o Direito

A

s transformações da sociedade impactam também o mercado do Direito que abre espaço para um novo perfil profissional. Mais flexível, autoconsciente e apto a lidar com as tecnologias, o jurista do futuro precisa ir além das leis. A educação baseada em metodologias ativas, que estimula o desenvolvimento de competências, já vem sendo usada pela Rede UniFTC para formar profissionais adaptáveis às contínuas mudanças e demandas mais diversas. Essa abordagem se soma a uma estrutura física 46 UNIFTC


arrojada, interativa, e a uma matriz curricular atualizada e integradora para inaugurar uma nova realidade no ensino do Direito. A primeira unidade do grupo educacional a aderir à novidade está localizada em Camaçari, região metropolitana de Salvador, e será dedicada exclusivamente ao curso de Direito. A Faculdade UniFTC de Camaçari conta com um projeto arquitetônico surpreendente e inovador, com salas de aula bem diferentes das convencionais e tecnologia de ponta para que os estudantes sintam-se convidados a protagonizar sua formação. “Para montar a matriz desses novos cursos de Direito, realizamos uma profunda pesquisa de mercado a fim de levantar as principais atribuições e habilidades que o profissional da área precisa desenvolver para se destacar e alcançar o sucesso”, afirma o diretor da Faculdade UniFTC Camaçari, Dalzimar Andrade. Segundo o gestor, que é advogado e especialista na implementação de novos cursos de graduação em Direito, o estudante será preparado para lidar, por exemplo, com gestão de recursos, desenvolvimento de negócios, práticas atreladas entre o Direito e a Tecnologia, Marketing jurídico, Compliance e outras temáticas que devem guiar o egresso também para a conquista de bons resultados no ENADE e no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma prioridade da Instituição. “É preciso que o aluno se forme tendo o domínio da tecnologia, já que estamos atrelados à análise de jurimetria, integração com a inteligência artificial, e o próprio processo eletrônico; ou seja, uso de ferramentas que tornem o processo menos trabalhoso, colocando a tecnologia para agregar valor à sua mão de obra e não o contrário”, explica Dalzimar Andrade. Todas as mudanças que serão empregadas na unidade de Camaçari também serão levadas para as novas faculdades de Direito que serão abertas pelo grupo educacional, além de serem levadas para as unidades já existentes.

O FUTURO REFLETIDO NA ESTRUTURA FÍSICA Imagine estar em um espaço de educação em que você é o centro e o motivo pelo qual as aulas acontecem, com uma estrutura que facilite o seu acesso à informação e que torne tudo mais simples, possibilitando a interação entre você, seus colegas e professores. Assim foi pensada a nova unidade da Faculdade UniFTC que chega em Camaçari com o curso de Direito.

“Todo planejamento foi rigorosamente pensado para que a aulas sejam dinâmicas permitindo a aplicação das metodologias ativas” DALZIMAR ANDRADE, Diretor da Faculdade UniFTC Camaçari

Para o diretor da Faculdade UniFTC de Camaçari, Dalzimar Andrade, o diferencial do curso é fornecer ao aluno, desde o início, um processo de conhecimento cognitivo enquanto pessoa e como protagonista. “A ideia é traçar o perfil do aluno, identificando quais são os recursos dele, seus os gaps e, com isto, traçar o caminho que ele irá percorrer para alcançar seus objetivos profissionais e pessoais”, explica. O novo Campus contará com salas de aula modernas e interativas; compostas por paredes que são verdadeiras lousas e permitirão que os alunos se expressem de qualquer ponto, promovendo integração. “Todo planejamento foi rigorosamente pensado para que a aulas sejam dinâmicas permitindo a aplicação das metodologias ativas”, explica Dalzimar Andrade. Muitos dos espaços terão o mínimo possível de barreiras visuais a fim de facilitar a aproximação e comunicação entre instituição e aluno, a exemplo da sala dos professores e da coordenação. Movimento para o futuro 47


MERCADO 4.0

Alessandra Calheira é Especialista em Empregabilidade e Gestora do Núcleo de Carreiras da Rede UniFTC

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE. ASSIM, COMO? Computação quântica, Inteligência Artificial, Learn Machine, Blockchain. Essas são algumas das tecnologias que prometem mudar a sociedade nos próximos anos. Apesar das inúmeras análises preditivas, a verdade é que ninguém sabe para onde o mundo está caminhando e as consequências deste novo caminhar. Neste cenário imprevisível, dois comportamentos têm sido observados na população: o medo e a negação. Alguns entram em pânico por não entender ao certo o que precisa ser feito para acompanhar 48 UNIFTC

os novos mercados e outros simplesmente não acreditam que as mudanças chegarão. Ou, se acreditam, não imaginam ser para agora. Você faz parte de algum desses grupos? Desde o movimento Ludista, na Inglaterra do século XIX, o medo tem estado presente na relação que envolve homens e máquinas e continua fortalecido no século XXI. É importante ter clareza que, se há uma máquina ou tecnologia viável economicamente, ela deverá executar as tarefas para a qual foi criada de forma mais eficiente que um huma-


no. Não temos como fugir desta realidade. Mas, mesmo sendo possível capturar, armazenar, analisar milhares de dados e ainda por cima aprender, máquinas nunca terão algo que apenas nós temos: humanidade. Tecnologias existem para facilitar o nosso trabalho e deixar a nossa vida melhor. Existem para nos servir e não o contrário. Vendo as máquinas como parceiras e não como inimigas, podemos refletir mais livremente sobre como elevar a nossa humanidade exponencialmente. Segundo Peter Diamandis, co-fundador da Singularity University, o futuro é abundante. Ele nos faz reconhecer o quanto o mundo vem evoluindo a partir do barateamento da energia e da popularização da informática e internet, por exemplo. Faz sentido acreditarmos que a evolução tecnológica continuará propiciando mais abundância que escassez para a humanidade. Mas também faz sentido pensar que o momento demanda atenção e preparo, tan-

to cognitivo quanto psicológico, e o primeiro passo para aproveitar as oportunidades é o reconhecer os movimentos que se manifestam cotidianamente nos mais diversos mercados. Por que ainda temos dificuldade em associar mudanças relevantes no macroambiente ao desenvolvimento de novos processos, hábitos e culturas? Por que é tão difícil aceitar que, para reagir ao novo, faz-se necessário sair da zona de conforto? Hoje te proponho um desafio: dedique um pouco do seu tempo para analisar com calma o contexto envolto na sua área profissional. Busque leituras de fontes confiáveis na internet sobre o futuro. Identifique em que posições um dispositivo tecnológico pode substituir um grupo de trabalhadores. Vá além, estabeleça conexões em sua área específica com toda a sua cadeia produtiva. Um detalhe! Durante o processo, pegue a palavra “sempre” e risque do seu dicionário. O sempre é inimigo da disrupção. Movimento para o futuro 49


EM MOVIMENTO COM UMA CARREIRA DE SUCESSO Somos mais que mercado, somos realização de propósitos.

CENTRO DE CARREIRAS

Principais serviços IDENTIFICAÇÃO DE PERFIS PARA ESTÁGIO

REALIZAÇÃO DE OFICINAS E TREINAMENTOS

PLANEJAMENTO DE CARREIRA

APOIO EM PROCESSOS SELETIVOS

PARCERIAS COM DIVERSAS EMPRESAS

APOIO PARA EDUCAÇÃO CONTINUADA


Programa Sempre UniFTC SUPORTE PARA EGRESSOS

IDENTIFICAÇÃO DE PERFIS COM POTENCIAL

DIVULGAÇÃO DE VAGAS DE EMPREGO E TRAINEE

REALIZAÇÃO DE OFICINAS E TREINAMENTO

PLANEJAMENTO DE CARREIRA

DESCONTOS EM CURSOS DE EXTENSÃO E PÓS

REDE


TECNOLOGIA E CIÊNCIA

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO DA MEDICINA Os carros voadores ainda não são uma realidade em 2020, mas as ciências médicas evoluíram como previsto pelas mentes mais inventivas. Cirurgias podem ser realizadas por robôs, câmeras microscópicas navegam pelo corpo em exames inimagináveis, a inteligência artificial reconfigura processos e a Educação não poderia ficar de fora dessa revolução. Confira como são formados os futuros médicos na Rede UniFTC

U

m homem adulto é usado por estudantes de Medicina em aulas práticas. Os alunos de uma Instituição privada em Salvador se revezam ao redor do “paciente”, que se debate,

para testar dosagens de medicamentos e outros procedimentos invasivos. No laboratório ao lado, outra turma exercita habilidades cirúrgicas no corpo de uma mulher. Parece enredo de um filme de terror realmente terrível, certo? E até seria se, na verdade, as cobaias em questão não fossem protótipos sintéticos desenvolvidos justamente para o ensino em Saúde. Modelos realísticos e cadáveres sintéticos como esses utilizados nos cursos de saúde da Rede UniFTC são considerados o principal método alternativo ao uso de cadáveres em salas de aula. 52 UNIFTC


Tecnologia e ciência

Os protótipos são uma parcela de todo o investimento feito em tecnologia pela Instituição que, recentemente, ampliou e modernizou suas instalações, transformando as salas de aula em incríveis ambientes virtuais que empregam tecnologia de ponta. “Não há nada semelhante no país. Nosso ambiente é inovador, com tecnologia de última geração abarcada em laboratórios, simulações realísticas de ambientes hospitalares, plataformas de treinamento cirúrgico virtual e sistemas de telemedicina que potencializam toda prática docente”, afirma André Nazar, Vice-Presidente da Área de Saúde da Rede UniFTC. Uma das plataformas citadas pelo Gestor é a mesa virtual, que está ajudando a revolucionar as aulas de anatomia do curso de Medicina. A professora da disciplina, Gilmara Vasconcelos, conta que a novidade encanta os estudantes. “É um equipamento com tecnologia de ponta, que funciona com realidade virtual. Podemos acessar qualquer

órgãos, tecidos e sistemas, o que é ex-

parte do corpo humano e interagir

tremamente necessário na construção

com as imagens na tela de uma forma

do raciocínio clínico”, declara.

nunca vista antes. Os alunos ficam encantados e completamente focados

QUASE VIVOS

nas aulas. O ganho é enorme, inclusive

Esqueça o cheiro de formol nos laboratórios. Além dos cadáveres sintéticos e dos simuladores, a Rede UniFTC trouxe para Salvador mais uma inovação para o treinamento de habilidades cirúrgicas e clínicas que sepulta de uma vez a necessidade de usar corpos de indigentes em aulas e experimentos. No Instituto de Treinamento de Cadáveres (ITC), inaugurado em Salvador pela UniFTC em meados de 2019, os alunos podem utilizar cadáveres humanos que, captados de doadores, passam por um processo de resfria-

para nós, professores. Tivemos que receber um treinamento para aprender a explorar as diversas possibilidades que a mesa virtual pode nos trazer em sala de aula”, revela Gilmara. Gabriela Rosier, aluna do curso de Medicina, também aprova a aplicação de recursos dinâmicos como a mesa virtual no dia a dia da graduação. “Essa plataforma possibilita uma aprendizagem das estruturas anatômicas de forma mais fluida, permitindo que tenhamos uma experiência com ampla possibilidade de integração dos 54 UNIFTC

mento para preservar características do tecido vivo. A prática é comum nos Estados Unidos, país responsável por exportar a tecnologia e os materiais, mas ainda não era empregada no Brasil para cursos da área médica antes da parceria com a Rede UniFTC. “Diferente dos cadáveres dissecados, as peças utilizadas no ITC possibilitam que estudantes e profissionais em especialização simulem procedimentos em condições muito similares àquelas encontradas na rotina com pacientes reais”, explica o médico e professor André Nazar. Durante o primeiro curso oferecido no Instituto, em 2019, médicos residentes em Neurocirurgia e neurocirurgiões de outros estados do país receberam o treinamento necessário


“Quem participou sabe a oportunidade única que é ter acesso ao ITC Salvador. Independentemente de ser um residente, um neurocirurgião que está aprimorando suas técnicas ou um acadêmico de Medicina como eu”, LILAMANIE PARDINHO, estudante do sétimo semestre

para realizar a ressecção de tumores de hipófise através de acesso endonasal endoscópico. Parece complexo e realmente é. A técnica revolucionária só pôde ser treinada durante o curso graças à tecnologia empregada no ITC. Alunos do curso de Medicina do Centro Universitário UniFTC da Paralela também tiveram a oportunidade de assistir às aulas e experimentar o que há de mais avançado no treinamento em Neurocirurgia. “Quem participou sabe a oportunidade única que é ter acesso ao ITC Salvador. Independente de ser um residente, um neurocirurgião que está aprimorando suas técnicas ou um acadêmico de Medicina como eu, que estou no sétimo semestre”, contou a estudante Lilamanie Pardinho, presidente-fundadora da Liga Acadêmica Baiana de Neurocirurgia da UniFTC. Ao longo do ano, o ITC recebeu profissionais de saúde do país inteiro que se deslocaram para Salvador, atraídos pela possibilidade de terem acesso a uma tecnologia que, antes, só estava disponível no exterior. Além do curso de Neurocirurgia, foram oferecidos cursos de Harmonização Facial, Cirurgia Plástica e diversos outras especialidades. Movimento para o futuro 55


Tecnologia e ciência

QUANTO MAIS HUMANO, MELHOR Vice-Presidente da Área de Saúde da Rede UniFTC, André Nazar acredita que os cursos precisam correr para acompanhar o crescimento no setor de Saúde na Bahia. “É preciso formar profissionais capazes de atuar nos setores públicos e privados. A tecnologia caminha junto a esse processo para facilitar e potencializar o ensino. São muitas mudanças que, sem sombra de dúvida, vão impactar na melhoria da qualidade de vida da população”, diz o professor e médico que defende que, para além da aquisição de recursos tecnológicos, é importante inovar nas metodologias e cuidar da formação dos profissionais enquanto cidadãos. Com 14 anos de existência, o curso de Medicina do Centro Universitário UniFTC da Paralela também é pioneiro em Salvador na utilização do método de aprendizado baseado na resolução de problemas (PBL), no qual o aluno é exposto a casos reais que são estudados em sala de aula. A estrutura do curso também coloca o estudante em contato com a prática do primeiro até o último ano, utilizando suas experiências como recursos de formação. O projeto pedagógico foi construído baseado em conceitos inovadores. A matriz curricular é estruturada para 56 UNIFTC

a formação de competências, que direcionam o foco da aprendizagem para o desenvolvimento de habilidades que tornam o profissional capaz de atuar com resolutividade em qualquer situação. Outro conceito importante é o das metodologias ativas, que inserem o estudante como agente responsável pela sua aprendizagem, processo fundamental para a construção de profissionais mais seguros, criativos, éticos e capazes de aplicar o conhecimento na prática. “Hoje, temos todas as disciplinas do curso funcionando em pequenos grupos de trabalho, valorizando o Team Based Learned (TBL), que é aprendizagem baseada em equipes tanto para a parte teórica quanto para a prática. Além disso, temos uma carga horária diferenciada, com o predomínio da prática sobre a teoria,


o que garante a formação de profissionais tecnicamente competentes e conscientes do seu papel social”, destaca André Nazar. Com o objetivo de formar médicos capazes de atuar em todos os níveis de complexidade de assistência, na prevenção de doenças e na promoção da saúde em nível individual e coletivo, a Rede UniFTC segue investindo constantemente em infraestrutura, na contratação e capacitação do seu corpo docente, sendo este altamente qualificado e composto, em sua maioria, por mestres e doutores. Os investimentos vêm acompanhados do excelente resultado divulgado pelo MEC, que posiciona o curso de Medicina da UniFTC entre os melhores do Brasil, com Conceito Preliminar de Curso (CPC) igual a 4 – em uma escala de avaliação que vai de 1 a 5 –, garantindo a concessão da ampliação das suas vagas. As recentes mudanças inserem o curso como o mais bem equipado do Brasil.

(Salvador, Lauro de Freitas e Camaçari) e rede privada garantem a realização de atendimentos gratuitos à população de Salvador e Região Metropolitana. Os alunos têm à disposição também uma clínica própria, equipada com aparelhos modernos onde, auxiliados pelos professores, realizam mais de 2,5 mil atendimentos gratuitos por mês, entre consultas em diversas especialidades médicas, exames e até pequenas cirurgias. Situada no bairro do Ogunjá, a Clínica UniFTC também passará por ampliação com investimentos inovadores. O projeto contempla a criação de um grande centro de diagnóstico avançado, com tecnologia digital e realização de procedimentos de média complexidade, tudo isso para oferecer aos estudantes uma formação prática ainda mais qualificada e acompanhar as modificações do mercado de trabalho na área da saúde.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

A mesma excelência de ensino e infraestrutura moderna aplicadas no curso de Medicina da Unidade Paralela, em Salvador, foram replicadas na Unesulbahia, faculdade do grupo UniFTC localizada no Extremo Sul baiano e que acaba de ser autorizada para abrir sua primeira turma de Medicina.

MEDICINA LONGE DAS CAPITAIS A formação humanizada com foco no retorno para Comunidade é uma das premissas do curso de Medicina da Rede UniFTC. Os convênios firmados com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), Secretaria Municipal de Saúde

Movimento para o futuro 57


UNIFTC EM MINHA VIDA

DANIEL DA UNIFTC BOCZAR À FORBES

D

Daniel Boczar é médico formado pela Faculdade UniFTC, um dos nomes citados na lista Under 30 da Forbes

58 UNIFTC

aniel Boczar, 27 anos, médico. Em 2020, ele ficou conhecido por estar na lista Under 30 da revista Forbes, que reúne nomes de jovens bem sucedidos de até 30 anos. O que levou Daniel para a lista foi a criação da SutureSkin, um modelo de pele que simula camadas de epiderme, derme, gordura e músculo, projetado para treinos. A tecnologia foi patenteada por ele e possibilita o ajuste de tensão, sendo um diferencial em relação aos outros modelos disponíveis no mercado. A empresa foi criada quando o médico ainda estudava Medicina na UniFTC, no quinto ano do curso e primeiro do internato. “A Medicina foi uma escolha muito natural, meu pai é médico e me influenciou muito positivamente. No início da faculdade, eu queria ser endocrinologista como ele, mas acabei me encantando pela Cirurgia Plástica logo no segundo ano. A partir do momento que comecei a me encantar pela Cirurgia, fiquei acompanhando cirurgiões e entrei para a Liga de Cirurgia Plástica, foi quando tive a oportunidade de fundar a Associação Brasileira das Ligas de Cirurgia Plástica (Ablcp)”, organização que presidiu de 2013 a 2015. Com o modelo SutureSki pronto, Daniel decidiu comercializá-lo. Mudou inúmeras vezes de fornecedores até chegar ao que considerou ideal. “Comecei a desenvolver a pele no meu quarto, que ficou interditado e se transformou em uma micro indústria para produção em pequena escala”, conta. Persistente em seus ideais, agora o jovem vem, junto a seu sócio, Flávio Cardeal, distribuir a pele artificial para instituições em todo o país.


“PENSO QUE TODAS AS PESSOAS QUE ESTÃO NA LISTA DA UNDER 30 VÊEM A OCASIÃO COMO UM IMPULSO PARA FAZER MAIS.” DANIEL BOCZAR

Daniel é grato aos professores do Centro Universitário UniFTC da Paralela que o estimularam à prática desde cedo. “Tenho muito a agradecer à coordenação do curso de Medicina da UniFTC e aos professores que me ajudaram e incentivaram o contato com pacientes desde cedo. Não posso deixar de mencionar alguns destaques no curso, como a disciplina de Empreendedorismo que me impulsionou a criar a Sutureskin, além do incentivo à pesquisa do 1º ao 8º semestre, que despertou em mim a formação do pensamento crítico, e a Clínica-Escola UniFTC, que possui sala de pequenas cirurgias e que proporciona aprendizado de técnica cirúrgica associada à prática para os estudantes”, enumera.

SÓ O COMEÇO Depois da euforia de ter sido uns dos nomes da lista da Forbes, Daniel en-

tende que sua carreira não está feita e finalizada com a conquista. “Penso que todas as pessoas que estão na lista da Under 30 percebem a ocasião como um impulso para fazer mais. A gente ganhou um destaque muito grande através da Forbes e isso faz com que a gente possa entrar em lugares que não entraria antes, conversar com pessoas que a gente sequer conheceria. E estamos aproveitando cada oportunidade que esse prêmio está nos dando para impulsionar ainda mais para as nossas carreiras”, explica o médico. Atualmente, Daniel está exatamente onde gostaria de estar: se especializando em cirurgia plástica e realizando pesquisas em uma importante organização sem fins lucrativos da área de serviços médicos e de pesquisas médico-hospitalares, nos Estados Unidos. “É tudo que eu queria, sabe? Gosto de estar em ambientes em que tem gente do mundo inteiro, são colegas brilhantes e eu me sinto privilegiado de estar entre eles. E, para gente que vem assim de muito longe, a oportunidade de aprender em um lugar que tem uma tradição muito forte de inovar e fazer a diferença na Medicina é muito enriquecedora. Mas tenho muita coisa pela frente, não sinto como se eu estivesse realizado e pronto profissionalmente. Ainda tenho muita coisa para aprender”, afirma Daniel. Movimento para o futuro 59


TECNOLOGIA E CIÊNCIA

INOVAR

Na Rede UniFTC, a palavra de ordem é um verbo a ser conjugado por todos os estudantes que, constantemente, são convidados a empreender e buscar aquelas soluções criativas e viáveis que mudarão o mundo

M

ilena Oliveira tinha 19 anos e iniciava o curso de Administração de empresas quando participou de seu primeiro congresso internacional sobre Educação. Diante de importantes pesquisadores e gestores de instituições de ensino de várias partes do mundo, a jovem tomou coragem e a palavra para questionar: a quem serve tanta discussão teórica? “Sabe o porquê dessa minha inquietação? Porque eu era aluna, era desesperador ter acesso àquele mundo de informação sem saber como aplicar a teoria na vida real”, conta ela. Hoje, a estudante do passado deu espaço a uma gestora igualmente inquieta que segue questionadora, seja como membro do Conselho Administrativo ou como Vice-Presidente de Marketing e Relacionamento da Rede UniFTC. Foi em outro evento, dessa vez no Vale do Silício, que Milena encontrou a resposta para a pergunta feita lá atrás: a discussão teórica não serve se não puder ser 60 UNIFTC

aplicada na prática, assim como o conhecimento produzido na academia não tem valor se não dialogar com a sociedade. A questão, agora, era como replicar na Rede UniFTC ações de fomento à inovação e ao empreendedorismo que ela tinha conhecido mundo afora. A missão foi confiada a Fabrício Oliveira, membro do Núcleo de Qualidade Acadêmica (NQA) que, anos antes, tinha sido responsável por capacitar o corpo docente da Instituição na utilização de tecnologias no processo de ensino. A quatro mãos, surgiu o Núcleo de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo (NITE) que vem movimentando todas as unidades da Rede com


novos projetos, eventos, capacitações e, sobretudo, força criativa.

EMPREENDER É INOVAR? Fabrício Oliveira explica que, diferente do que tínhamos há 10 ou 15 anos, empreender não é mais sinônimo de abrir um negócio e, talvez, ficar muito rico. Ser um empreendedor seria, nessa visão atualizada, conquistar autonomia para aplicar suas competências na construção de algo que tenha valor - sendo que “valor” adquire aqui um significado que vai além do capital, podendo significar ideais, comprometimento, propósito. “Nossa missão com o NITE é estimular empreendedorismo para promover inovação”, dispara o professor e gestor. Presente em todas sete faculdades e nos três centros universitários da Rede UniFTC, o NITE faz ponte entre colegiados, empresas e outras organizações para levar aos estudantes os mais diversos eventos. A proposta é realizar palestras, workshops, bootcamps, seminários, hackathons, cursos e mais um universo de ações que unam a comunidade acadêmica àqueles empreendedores que já fizeram a caminhada da “ideia ao negócio” e podem, então, dar seu testemunho. “Em cada uma das unidades, o NITE mantêm, ao menos, um professor responsável por propor, junto aos colegiados dos cursos, ações e projetos que estimulem o estudante a inovar e a empreender”, explica o professor Fabrício. Movimento para o futuro 61


Tecnologia e ciência

O NITE EM UM ANO

+ de 8 mil

alunos impactados

Muita troca de conhecimento, experiências e energia com a realização de dezenas de

encontros, rodas de conversa, palestras e workshops

O que está acontecendo de mais inovador no mundo? A UniFTC trouxe para casa!

sobre os mais diversos temas.

BOOTCAMP é um evento no qual os participantes são estimulados a escrever e apresentar planos de negócio inovadores e viáveis. Durante a atividade, todos colocam a mão na massa para estipular as metas, pensar estratégias, elaborar a defesa dos projetos e estudar o mercado.

Em parceria com o Sebrae, o projeto PAPO DE START UP trouxe profissionais que estão mudando o mercado com muita ousadia e inovação para conversar com os estudantes da UniFTC. É inspiração que você quer, @?

DESIGN THINKING foi uma das metodologias de desenvolvimento de produtos e serviços a qual os estudantes da UniFTC foram apresentados em workshops, palestras e outras ações. A abordagem prática tem por base resolver problemáticas das mais diversas áreas e é centrada na diversidade, apostando em interdisciplinaridade e colaboração para gerar resultados e mudanças.

O QUE É STARTUP? É um modelo de negócio escalável e que se desenvolve de forma acelerada e extremamente eficiente em comparação a pequenas empresas convencionais. Ágeis e jovens, startups normalmente se utilizam de tecnologia e equipes multidisciplinares para reagir às mudanças no cenário. Abrir ou trabalhar em uma empresa assim é o sonho de muitos profissionais dessa nova geração

62 UNIFTC


MARATONA DE IDEIAS

A palavra HACKATHON vem da junção das expressões “hack” e “marathon” e pode ser traduzida como maratona de programação. Eventos como esse reúnem desenvolvedores por horas ou até dias para que, juntos, eles discutam soluções e desenvolvam projetos a partir de dados abertos ou problemas reais enfrentados por instituições. Hackathons estão ficando cada vez mais populares no Brasil e já envolvem projetos de outras áreas que não só programação.

HACKATHON DA NASA Promovido pela NASA, o Space Apps Challenge é o maior e mais complexo hackathon do mundo. A UniFTC entrou nessa dando suporte ao evento em 2018, em Salvador. No ano seguinte, a Instituição apostou alto ao incluir Feira de Santana no roteiro do desafio global que aconteceu, simultaneamente, em 75 países e envolveu mais de 18 mil pessoas na resolução de problemas que afetam pequenas comunidades ou todo o espaço sideral. Durante 3 dias, 133 hackateiros se reuniram no Centro Universitário UniFTC de Feira de Santana e usaram dados disponibilizados pela agência espacial estadunidense para desenvolver ferramentas, aplicativos e outros apetrechos tecnológicos que funcionem como solução para os problemas levantados nos desafios. Mas não basta criar, os estudantes e empreendedores precisam defender suas ideias para uma banca de jurados. A proposta precisa ser, além de inovadora, viável e acessível. Duas equipes que participaram do Hackathon da Nasa em Feira de Santana foram escolhidas para representar a UniFTC na competição mundial.

Todas as atividades promovidas pelo NITE ao longo de 2019 culminaram no projeto Maratona de Ideias. A competição envolveu estudantes da UniFTC e alunos no ensino médio, que tiveram a oportunidade de conhecer o universo de uma Instituição de Ensino Superior. Os participantes se dividiram em grupos para buscar a inovação e a criatividade necessárias para que uma boa ideia possa se tornar uma verdadeira revolução. “A gente queria que nossos alunos chegassem até a Maratona com uma bagagem, que eles soubessem, por exemplo, o que é um negócio, o que é uma ideia, como validar uma ideia para transformá-la em um negócio apto a trazer resultados”, explica Fabrício. Com o mote “Eu movimento a minha cidade”, o projeto instigou os estudantes a buscarem soluções para os problemas enfrentados em suas comunidades. E as ideias foram muitas e muito interessantes, indo de propostas para o incentivo à reciclagem até um aplicativo que mapeava, em colaboração com o usuário, os postos de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços que podiam ser encontrados em cada um deles. Na primeira rodada, os estudantes participaram de disputas em suas Unidades. As equipes ganhadoras de cada cidade concorreram entre si em uma etapa realizada em Salvador. Na grande final, time de jurados, formado por gestores da UniFTC, avaliou as equipes e seus projetos com base em cinco critérios: o impacto que a ideia pode ter na sociedade, a inovação, a aplicabilidade e validade da proposta na prática, a relevância do projeto e a qualidade da apresentação. A equipe campeã veio da Unidade Paralela e desenvolveu o projeto do aplicativo ‘Save Life’, que objetiva desburocratizar e facilitar o processo necessário para que qualquer pessoa seja um doador de órgãos ainda em vida. “A Maratona de Ideias foi uma iniciativa incrível. Em pouco tempo, surgiram ideias muito boas. Mostrando que somos capazes de criar coisas boas que podem melhorar nossas comunidades e nosso país. Ainda vem muita coisa boa por aí”, comemora a aluna da UniFTC Paralela, Aline Cerqueira. “Acreditamos que o estudante precisa ter a oportunidade de estar imerso em sua comunidade para poder reconhecer os problemas enfrentados e levá-los para a academia, onde essas questões podem ser trabalhadas e solucionadas. Quando a gente cria um ecossistema de empreendedorismo, como o que criamos aqui na UniFTC, a gente permite e conduz o aluno nessa jornada ao longo de toda a graduação”, explica a Vice-Presidente de Marketing e Relacionamento da instituição, Milena Oliveira.

Movimento para o futuro 63


TECNOLOGIA E CIÊNCIA

A CIÊNCIA MOVIMENTA O MUNDO O conhecimento científico produzido dentro das academias impulsionam a inovação e o desenvolvimento da humanidade

A

s pesquisas que geram o progresso em diversas áreas têm importância imensurável, já que mantém a humanidade em constante movimento, transformando e melhorando o modo de vida humana há aproximadamente 2,4 milhões de anos. Em 1992, por exemplo, os pesquisadores Sir Frederick G. Banting, Charles Beste e JJR Macleod, da Universidade de Toronto, descobriram a insulina, que foi purificada por James Collip. O uso da insulina continua sendo o único tratamento efetivo para diabetes do tipo 1, que matava milhares de pessoas por anos antes da descoberta. A busca pela cura de doenças como a Aids e os diversos tipos de câncer, por exemplo, seguem sendo pesquisados em todos os cantos do mundo. O impacto da produção científica brasileira a nível mundial aumentou 18% entre 2011 e 2016, segundo dados do InCites – Clarivate Analytics Web 64 UNIFTC

of Science. Mas, nos últimos anos, houve uma queda nos investimentos em pesquisa e extensão no país. Em 2019, por exemplo, com um orçamento 33% menor, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) não conseguiu investir em pesquisas ao longo do ano, condição adotada para não realizar cortes nas bolsas oferecidas pela agência de fomento à pesquisa científica no Brasil. Atualmente, entre as agências de fomento à pesquisa mais conhecidas no Brasil estão o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que disponibilizam financiamento e bolsas de estudo para que estudantes se dediquem ao estudo e à análise aprofundada em suas linhas de pesquisa. Segundo o pró-reitor de Pesquisa e Extensão da UniFTC e doutor em Química Orgânica, Cleber Cechinel, a pesquisa é a chave para o desenvolvimento de qualquer país que busque o crescimento do PIB, levando em consideração responsabilidade social e sustentabilidade do meio ambiente. “Essa tríade é a solução direta para os problemas que assolam nosso país, seja de ordem estrutural e também relacionados a saúde e segurança, pois somente um ensino dinâmico levará a cidadãos pensadores e formadores de


Tecnologia e ciência

opinião não alienados. A pesquisa é a luz em tempos de escuridão científica que vivemos”, afirma.

QUANDO A PESQUISA VIRA PRODUTO A Rede UniFTC conta com o Programa Institucional de Extensão Acadêmica (PIEx-UniFTC), que incentiva a pesquisa entre seus alunos. O estudante Manolo de Souza Barreiro, do 9º semestre do curso de Farmácia da unidade Paralela é um dos pesquisadores da casa que já têm levado retorno para a sociedade. Quando entrou na faculdade, ele tinha a certeza que queria ser farmacêutico hospitalar da área de Oncologia. Ao longo do curso, o jovem foi diversificando suas experiências e acabou se apaixonando por um pouco de tudo. No terceiro semestre, Manolo participou do projeto de iniciação científica, e, no quarto, em 2017, surgiu a necessidade de desenvolver um produto com base nos conhecimentos que já tinha adquirido. A criação seria apresentada durante o Projeto Integrador, em uma mostra de práticas integradoras da UniFTC. “Depois de muita pesquisa, nós decidimos criar um hidratante de pele com ações antioxidantes, que ajudasse a combater o envelhecimento precoce, a partir do extrato do maracujá. O produto fez tanto sucesso que eu decidi comercializar. Criei uma marca e hoje sou um empreendedor”, explica Manolo Barreiro. Além dos hidrantes, o estudante já desenvolveu gel antisséptico e sabonete. Óleos de banhos e perfumes estão em fase de estudo. “Hoje, parte da minha renda gira em torno da comercialização desses produtos e, com certeza, o processo de compartilhamento de saberes foi funda66 UNIFTC

mental, porque abriu um mundo de possibilidades para minha atuação no mercado e eu consegui enxergar que existem muitas coisas para além da sala de aula”, declara o estudante. Para o ano base de 2019 a UniFTC disponibilizou 38 bolsas de R$ 400,00 para a Iniciação Científica e 15 bolsas de R$ 200,00 para Projetos de Extensão, todas com duração de 12 meses. “Para o ano de 2020, a ideia é dobrar a quantidade de bolsas oferecidas, estabelecendo assim um número maior de alunos envolvidos na pesquisa científica. Todo aluno matriculado regularmente em curso de graduação pode participar do processo de seleção, que é feito a partir de editais divulgados na página da Instituição. As regras são estabelecidas de acordo com normas definidas pela CAPES, CNPq e FAPESB”, explica o pró-reitor de pesquisa e extensão, Cleber Cechinel.

Para que mais resultados sejam levados para a sociedade brasileira, a UniFTC também conta com periódicos que publicam pesquisas realizadas por doutores, mestres, professores e graduandos da faculdade em parceria com outras instituições. Entre elas estão as revistas Diálogos e Ciência, que recebe trabalhos de diversas áreas, com a única exigência de um dos autores tenha título de doutorado, e a Ritec (Revista de Inovação, Tecnologia e Ciências), publicação que conta com produções da iniciação científica de graduandos, principalmente de alunos da UniFTC.

PROGRAMA INSTITUCIONAL DE EXTENSÃO ACADÊMICA (PIEX-UNIFTC) O Programa Institucional de Extensão Acadêmica da UniFTC (PIEx-UniFTC) é um instrumento básico de interface docente/discente, que permite rela-


O PIEx-UniFTC tem como objetivos: - Produzir a interação dialógica da comunidade acadêmica da UniFTC com a sociedade; - Contribuir para a formação cidadã dos estudantes; - Viabilizar a articulação entre ensino/ extensão/pesquisa na instituição; - Contribuir na formação integral do discente da UniFTC; - Promover iniciativas que expressem o compromisso social da rede.

cionar o ensino e a pesquisa refletindo os desafios atuais e colocando a extensão universitária como uma atividade-fim, integrada, como explica o Doutor em Ciências, Energia e Ambiente Gustavo Alonso Muñoz Magna, coordenador de Extensão da UniFTC. “O PIEx-UniFTC é destinado à comunidade acadêmica da rede e envolve um conjunto de ações, dentro da política nacional de extensão visando a melhor qualificação dos alunos da Rede UniFTC. Vale ressaltar que todas as ações relacionadas a esta coordenação são de caráter gratuito”, explica o coordenador. “Na promoção das ações extensionistas, o PIEx- UniFTC articula e viabiliza atividades tais como programas, projetos, semanas, seminários, palestras, dentre outras, com destaque para a Semana de Tecnologia e Ciência (SETEC) e os projetos aprovados mediante o edital PIEx/ACAD. Entre o período

2018 a 2019, foram aprovados um total de 21 projetos de extensão distribuídos em todas as unidades da rede”, conclui o coordenador Gustavo Alonso Muñoz Magna. Em 2020, a SETEC organizada pela Rede UniFTC está seguindo para a sua 6º edição. “A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia é um movimento que já acontecia com o Governo Federal, através do Ministério de Ciência, Tecnologia, Cultura e Inovação, que está na sua 12ª edição. Nos últimos cinco anos, fomos contemplados com recursos do Governo Federal para sediar o evento que, por conta da sigla da nossa instituição, decidimos chamar de SETEC ”, explica a bióloga e doutora em Química Biológica Mabel Esteves, que é coordenadora de Iniciação Científica na UniFTC e uma das idealizadoras do projeto SETEC.. A edição do evento de estreia teve a participação das unidades Salvador, Feira de Santana, Itabuna e Vitória da Conquista, com o tema Luz, Ciência e Vida. Todos os anos, o Governo Federal lança um tema padrão. Em 2020, o tema será inteligência artificial. A estimativa é que, neste ano, a UniFTC conte com mais de 2 mil pessoas circulando em todas as unidades. Um dos objetivos da SETEC é promover a participação de alunos dos Ensinos Fundamental e Médio das redes pública e privada, em conjunto com alunos de todos os cursos da instituição. Movimento para o futuro 67


Tecnologia e ciência

DE PESQUISA A PRODUTO Revistas Científicas publicadas pela UniFTC divulgam pesquisas de pesquisadores locais

Toda pesquisa precisa ser publicada em algum momento para que faça sentido. Nada mais justo que instituições locais mantenham periódicos com publicações científicas produzidas na região. Este é o caso da Rede UniFTC, que atualmente mantém as revistas Diálogos e Ciências (D&C) e Revista de Inovação, Tecnologia e Ciência (Ritec), além de retomar a revista ReverCidade, originalmente fundada pela anterior Faculdade da cidade, atual Faculdade UniFTC do Comércio. “Enquanto a D&C e a Ritec são revistas interdisciplinares com foco nas diversas áreas. A ReverCidade será mais centrada para publicar artigos nas áreas de Ciências Humanas, Sociais e Comunicação”, explica a doutora em Biologia e editora dos periódicos da UniFTC, Maise Silva Santana Santos, 49. Além das Revistas Científicas, a Instituição editou, organizou e publicou, em 2018, o livro “Verso e Reverso do olhar poético”, coletânea de poemas de estudantes, funcionários e docentes do grupo de ensino. E, em 2019, foi editado o livro “Abordagem Multidisciplinar de Pesquisa em Farmácia”, trazendo resultados de pesquisas realizados por docentes e egressos do curso de Farmácia do Centro Universitário UniFTC da Paralela. Em 2020, os dois livros e os periódicos estarão disponíveis para download no portal da IES, seguindo política de livre acesso fomentada pela Instituição. A editora Maise Silva explica que o processo de submissão de artigos é de fluxo contínuo e, para publicações 68 UNIFTC

trimestrais, como o caso da D&C, os pesquisadores podem submeter suas publicações a qualquer tempo. “Nós recebemos artigos de todas as áreas, porque a revista é interdisciplinar”, afirma.

AVALIAÇÃO As Revistas Científicas da Instituição adotam o método de revisão por pares, como é comum à maioria das publicações científicas. O artigo submetido passa por três etapas: primeiro é feita análise técnica quanto às normas de formatação exigidas para publicação na Revista; em seguida, análise científica de escrita e conteúdo. Uma vez dentro dos requisitos, o artigo é enviado para avaliação cega por pares. Nesta etapa, o nome do autor, ou dos autores, é retirado e encaminhado para dois pesquisadores


doutores que atuam na mesma área do tema da pesquisa do artigo. Caso um revisor dê parecer favorável à publicação e o outro seja desfavorável, o artigo é enviado para um terceiro avaliador. Tendo o parecer favorável, o material é reenviado para o autor que fará as correções indicadas pelos avaliadores e, então, o artigo é publicado.

DIÁLOGOS E CIÊNCIA A Diálogos e Ciência foi organizada no contexto do mestrado em Bioenergia em 2003. O foco era publicar três edições anuais com artigos de pós-graduação de alunos de pós-graduação sob orientação de professores da UniFTC, permitindo a interação de pesquisadores da casa com pesquisadores de outras instituições realizadoras de pesquisa no Brasil. “Quando o mestrado foi criado a revista tomou uma dimensão nacional. Com essa dimensão a editoria da Época, em 2003, cadastrou a revista na plataforma Capes e a revista passou a ser avaliada pela agência fomentadora”, explica a editora Maise Silva. Atualmente, a D&C tem avaliação B3 na Capes e em 2020 volta a contar com o Identificador de Objeto Digital (DOI). “A D&C tem um caráter interinstitucional a nível de pesquisa. No corpo editorial participam apenas doutores E é permitido publicação de pesquisadores de outras instituições também. Este é um caminho para a diminuição da endogenia. A gente quer que a obra publique cada vez mais artigos de pesquisadores de diferentes instituições, incluindo os pesquisadores da UniFTC em interação com pesquisadores de outras instituições”, explica Maise Silva.

RITEC A Ritec é uma revista anual, criada em 2015, como uma ação institucional aliada ao Programa de Iniciação Científica da Rede UniFTC e tem o objetivo de divulgar as pesquisas desenvolvidas por estudantes orientados por docentes-pesquisadores. “Propusemos a organização de uma Revista visando divulgação, valorização e treinamento dos estudantes como etapa final do processo de iniciação científica. No cronograma do IC, os estudantes apresentam o trabalho na forma oral. Antes, precisam submeter o artigo ou resumo expandido à Ritec. Apesar de a Ritec ter um fluxo anual, publica entre 30 e 40 artigos ao ano, que é a mesma quantidade de artigo publicados pela D&C nas três edições”, conclui Maise.

Pesquisadores interessados devem acessar a página Periódicos no portal da UniFTC (www. uniftc.edu.br), onde encontrarão instruções para a submissão

Movimento para o futuro 69


VISÃO DE FUTURO

PROCURA-SE SOLUCIONADORES

P

roblemas sociais são, por natureza, questões complexas. Via de regra, derivam de raízes múltiplas e se desdobram em ramos diversos e, justamente por isso, precisam ser avaliados com um olhar mais amplo. É assim desde que estávamos em nossas pequenas aldeias e agora, que vivemos em um mundo intensamente conectado, a tendência é enfrentarmos situações cada vez mais intrincadas e multifacetadas. As habilidades de visualizar o quadro geral em uma situação do cotidiano e saber trabalhar em equipes multiprofissionais costumam ser consideradas skills que serão desenvolvidas na prática profissional. Diz-se do profissional experiente, “fulano tem overview e sabe gerenciar problemas”. Mas será mesmo necessário esperar que os anos de experiência ou uma pandemia nos ensinem aquilo que podemos desenvolver ainda na graduação? Para formar profissionais capazes de trabalhar em conjunto, é preciso repensar o modelo segundo o qual esses atores são formados. “Precisamos evoluir em programas educacionais contextualizados com problemas reais e

70 UNIFTC

pensar uma grade curricular disruptiva, que transforme o modelo de formação que temos hoje e que vem do século passado”, explica William Oliveira, presidente da Rede UniFTC. Para ele, a resposta a essas questões virá de um modelo de currículo interprofissional, suportado pela tecnologia. Vice-Presidente Acadêmico e de Relacionamento Institucional da Rede UniFTC, o educador Ihanmarck Damasceno defende que, além do interprofissionalismo e da utilização de tecnologia, essa educação renovada precisa se apoiar em metodologias ativas para estimular os futuros profissionais a buscar serviços ou ferramentas para solucionar problemáticas que emanem da sociedade.


“O processo de ensino e aprendizagem não está só nas salas de aula. Ele ocorre no campo acadêmico, com modelagens educacionais muito bem definidas. Segue no estímulo à pesquisa, buscando desenvolver nossos conhecimentos e treinar estudantes para que se tornem pesquisadores; bem como na extensão, que é quando a comunidade acadêmica se aproxima da sociedade”, explica o professor Ihanmarck desenhando o tripé “ensino, pesquisa e extensão” que norteia as instituições de ensino superior. No método de educação interprofissional, aplicado nas faculdades e centros universitários da Rede UniFTC, os alunos estão no centro do processo de ensino-aprendizagem baseado na solução de questões importantes dentro do contexto atual e voltado para o desenvolvimento competências, dentre elas, a do foco na resolução em equipe de problemas complexos e com visão muito integrada com a necessidade da sociedade. O investimento em novos métodos, estruturas e projetos tem um objetivo muito claro: formar, para o futuro, mais do que profissionais, formar os solucionadores que a sociedade precisa.

“O processo de ensino e aprendizagem não está só nas salas de aula. Ele ocorre no campo acadêmico, com modelagens educacionais muito bem definidas. Segue no estímulo à pesquisa, buscando desenvolver nossos conhecimentos e treinar estudantes para que se tornem pesquisadores, IHANMARCK DAMASCENO, Vice-Presidente Acadêmico e de Relacionamento Institucional da Rede UniFTC

Movimento para o futuro 71


VISÃO DE FUTURO

PARA FORMAR HUMANOS É PRECISO TER DOM Colégio Dom de Educar estimula alunos para serem proativos, questionadores e pesquisadores para experimentar, analisar, dialogar e compreender o mundo

O

Instituto Dom de Educar, localizado na unidade Paralela da Rede UniFTC, em Salvador, tem instruído crianças e adolescentes dentro de uma perspectiva inovadora. Se valendo do método Educação para o Fazer, o colégio busca estimular nos alunos a capacidade de questionar, pesquisar, experimentar, analisar, dialogar e compreender a realidade de uma forma científica, se transformando em cidadãos conscientes, não mecânicos. Para o Diretor de Operações do Instituto Dom de Educar, Toni Lima, o que é chamado de Educação para o Fazer já não é apenas uma tendência no mundo. “Na Coreia do Sul, Japão, Finlândia, Itália e Canadá, por exemplo, este método já é uma realidade, já está internacionalizado. Então a gente tem trazido isso para o Dom. Este ano, em julho, devemos receber, inclusive, o certificado de escola associada da UNESCO, que faz com que a gente esteja trabalhando temas que são debatidos em vários lugares do mundo”, explica o diretor, que é mestre em psicologia, pedagogo e historiador,

72 UNIFTC


“O DOM É UMA ESCOLA NO PRESENTE, MAS TAMBÉM É UMA ESCOLA DO FUTURO” TONI LIMA, diretor de operações do Instituto Dom de Educar.

Todos os anos, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lança temáticas a serem debatidas nas escolas que atuam de forma associada por todo o mundo. Em 2019, as temáticas sugeridas foram Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos e Ano Internacional das Línguas Indígenas, ambas foram trabalhadas pelo Dom. Luciano dos Santos, Diretor do Instituto Dom de Educar de Jequié, considera que essa conquista é resultado de um trabalho de educação que antecipa a Base Nacional Comum Curricular (BCNN). Segundo ele, há busca pelo desenvolvimento das chamadas competências socioemocionais dos estudantes. “Quando se busca trabalhar com o estudante como um protagonista do processo de ensino e aprendizagem, o resultado aparece. E é assim que pensamos a Educação: formar cidadãos e não meros reprodutores de conteúdo. O conteúdo é importante, mas a busca por uma formação completa é nosso principal diferencial”, garante o gestor.

ESTRUTURA Para 2020, o Instituto Dom de Educar cresceu quase 300m² para abraçar Movimento para o futuro 73


Visão de futuro

o funcionamento do espaço Maker, uma estação que conta com uma mini horta, uma mini fazenda, uma réplica de consultório, um mini mercado, uma mini casa e outros setores da sociedade. Além disso, a instituição também estruturou o Espaço Experimental Gourmet, onde as crianças devem aprender Matemática, Ciências e Sociabilização por meio da alimentação, sendo também um espaço de alimentação saudável. “É uma bancada para 60 alunos, onde o professor poderá dar aula. Nós também vamos ter uma horta agora em fevereiro, que será cuidada junto a garotada, para que eles aprendam a plantar, colher e para que, depois, usem o Espaço Experimental para experimentar o que for colhido”, explicou o diretor do Instituto Dom de Educar, Toni Lima. A professora Virnna Aline Raic Gouveia, do curso de Administração da Faculdade UniFTC de Jequié, mantém os filhos Ivna Luise, que está no 3º ano do ensino fundamental I, e João Vitor, que está finalizando o ensino médio, na unidade do Instituto Dom em Jequié, pois acredita na formação ética da instituição. “O Dom está cada vez mais preocupado em formar um profissional ético, com habilidades que realmente representem um diferencial nesse mercado em constante transformação. Eu consigo ver, através de meus filhos e dos egressos do colégio que chegam à faculdade, a importância de uma formação humanizada e de excelência que se reflete no profissional que está desenvolvendo o mercado de nossa região”, explica Virnna Gouveia. A unidade do colégio em Jequié ficou em primeiro lugar do Exame 74 UNIFTC

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), o Instituto Dom de Educar de Jequié foi a escola que melhor preparou seus alunos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2018. Nacional do Ensino Médio (Enem) na região, resultado de uma educação que, para a professora Carla Patrícia, que dá aulas de História na unidade no colégio, tem o compromisso de instigar e trocar informações entre professores e alunos, buscando a consolidação do conhecimento. “O estudante não recebe o conteúdo pronto, ele é instigado a trocar informações com os professores em busca da consolidação do conhecimento. É um processo de interação que torna o conhecimento muito mais significativo para o aluno. E, eu que sou professora, tenho crescido como profissional, pela proposta da formação continuada do grupo educacional”, afirma.

INTERAÇÃO COM A EDUCAÇÃO SUPERIOR As Unidades do Dom em Salvador e Jequié ainda contam com o apoio das

unidades UniFTC das duas cidades para o uso de laboratórios e espaços para as aulas práticas. “O Dom, em Salvador, utiliza de manhã o espaço que o Centro Universitário utiliza à noite. E quando o espaço é usado pelo colégio, os alunos não têm contato com adultos ou estranhos. É uma forma de segurança”, explica o diretor Toni Lima. O professor também explica como acontece o uso dos espaços. “O laboratório de Odontologia, por exemplo, é usado para as crianças aprenderem sobre higiene bucal. Todos os laboratórios podem ser usados para ensinar sobre Citologia. O laboratório do curso de Engenharia Aeronáutica, onde temos um simulador de voo, serve para os alunos aprenderem sobre ação e reação, segundo as Leis de Newton”, exemplifica o diretor.


O Prof. Ms. Toni Lima é diretor de operações do Instituto Dom de Educar

O COMPROMISSO É O DE EDUCAR por PROF. MS. TONI LIMA

A sociedade contemporânea tem passado por expressivas transformações de caráter social, político e econômico. Por essa razão, os inúmeros problemas educacionais e o verdadeiro papel da educação formal são motivos de amplas discussões. Com isso a escola, como instituição, sofre continuamente os impactos produzidos pelas transformações em curso na sociedade brasileira, decorrentes das mudanças técnico-organizacionais no mundo do trabalho. A educação no Instituto Dom de Educar, portanto, assume o compromisso de preparar a criança, o adolescente e o jovem para o exercício pleno da cidadania, não com o olhar de futuro, mas de presente/futuro. Não estamos priorizando o caráter preventivo da educação, mas reafirmando nossa proposta de formação para a autonomia. Nessa perspectiva formativa, utilizamos a abordagem sociointeracionionista. Essa abordagem possibilita não só o entendimento do desenvolvimento dos aspectos psicológicos dos educandos, mas instru-

mentaliza os educadores em uma prática constante de mediação e construção conjunta dos novos saberes aprendidos todos os dias; tal orientação, é sustentada pelos pilares das metodologias ativas, que exercitam o educando em uma atividade social transformadora, implicando na construção de sólidas bases cognitivas, afetivas e morais. Entendemos que a escola é responsável pela promoção do desenvolvimento do cidadão, independentemente da idade, no sentido pleno da palavra. E desde o início de suas atividades, forma o cidadão para atuar e transformar o meio em que vive, numa sociedade democrática, Plural e Justa. Por isso trabalhamos incansavelmente na formação desses cidadãos; competentes, capazes de compreender e criticar a realidade, atuando na busca da superação das desigualdades e do respeito incondicional. E é sob essa perspectiva que se estrutura a Proposta Pedagógica da Educação Básica do Instituto Dom de Educar. Movimento para o futuro 75


EM MOVIMENTO PARA O FUTURO Somos mais que conhecimento, somos conhecimento com inovação


Começamos cedo a trilhar o caminho do conhecimento e acreditamos, desde o princípio, que construindo coletivamente, somos e seremos mais diversos. As possibilidades de aplicação com uma infinidade de saberes, aliadas a parcerias inovadoras, trouxeram nosso futuro para o agora. O futuro não é mais algo distante, ele é imediato e acontece todos os dias em cada troca de conhecimento. E sua prática que transforma a realidade de quem aprende, também beneficia a sociedade com a chegada de um movimento totalmente humanizado. Agora, a Rede UniFTC está de portas abertas para que você também participe desse novo Movimento para o Futuro.

REDE


REDE


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Revista Movimento Para o Futuro (Ano I/2020) by Rede UniFTC - Issuu