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UNAS na Construção do Bairro Educador

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Centros de Educação Infantil Heliópolis e Região

UNAS


Centros de Educação Infantil Heliópolis e Região

UNAS Realização: UNAS ­ União de Núcleos e Associações dos Moradores de Heliópolis e Região Presidente: Antônia Cleide Alves

Contato: UNAS ­ União de Núcleos e Associações dos Moradores de Heliópolis e Região Endereço: Rua da Mina,nº38 ­ CEP: 04235­660 Fones: 2272­0140, 2272­0148, 2272­9968 E­mail: unass@uol.com.br Facebook: facebook.com/UNASheliopolis Site: www.unas.org.br

Créditos: Coordenação editorial: Jairo Araldi ­ UNAS Editor: José Geraldo de Paula Pinto Diagramação: Cristovão Gonçalves Dias Reportagem e revisão: Nathalia Pazini e Flávia Gonçalves Fotos: Tiago Costa

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CEI Vereador Francisco Batista Rua Antonio Monteiro, 115, Vila Santo Estéfano. Tel.: 11 5058­0991 E­mail: ceichicobatista@gmail.com CEI Padre Pedro Ballint Rua Japaratuba, 65, Sacomã. Tel.: 11 2068­5273 E­mail: ceipadreballint.unas@gmail.com CEI Paulo Freire Estrada das Lágrimas, 1046, Ipiranga. Tel.: 11 2060­1306 E­mail: ceipaulofreire.unas@gmail.com CEI Josefa Julia Estrada das Lágrimas, 1558, Ipiranga. Tel.: 11 2083­7708 E­mail:ceijosefajulia.unas@gmail.com CEI Simone Agnalda Ferreira Estrada das Lágrimas, 2385, Sacomã. Tel.: 11 2351­2774 E­mail: ceisimoneagnalda.unas@gmail.com CEI Margarida Maria Alves Rua do Flamengo, 63, Heliópolis. Tel.: 11 2273­7411 E­mail: ceimargaridamaria.unas@gmail.com CEI Mina Rua da Mina Central, 53, Heliópolis. Tel.: 11 2272­2827 E­mail: ceimina@hotmail.com CEI Aparecida das Graças Silva Roseira Rua Luigi Alamanni, 96, bloco B, Sacomã. Tel.: 11 2264­0863 E­mail: ceiaparecida.unas@gmail.com CEI Frei Sérgio Calixto Valverde Rua Canção do Exílio, 175, Jardim São Savério. Tel.: 11 2334­1556 E­mail: ceifreisergio.unas@gmail.com CEI Girassol Rua Almirante Mariath, 44, Ipiranga. Tel.: 11 2274­6865 E­mail: ceigirassol.unas@hotmail.com CEI Jardim Clímax I Rua Francisco Pestana, 164, Jardim Clímax. Tel.: 11 2331­9908 E­mail: ceiclimax1@gmail.com CEI Minervino Rodrigues Ferreira Rua Salvador Pires de Lima, 158, Sacomã. Tel.: 11 3473­7170 E­mail: ceiminervinoferreira.unas@gmail.com CEI Leonarda Soares Alves Estrada das Lágrimas, 475, Heliópolis. Tel.: 11 2063­7191 E­mail: ceileonarda­unas@hotmail.com


Índice 04 Por dentro de um CEI 07 Quem é quem no CEI 11 Formações 14 No Caminho da Educação Com a palavra Cleide, presidente da UNAS

16 Desafios 18 Depoimentos 20 CEI Vereador Francisco Batista 24 CEI Padre Pedro Ballint 28 CEI Paulo Freire 32 CEI Josefa Julia 36 CEI Simone Agnalda Ferreira 40

CEI Margarida Maria Alves

44 CEI Mina 48

CEI Aparecida das Graças Silva Roseira

52 CEI Frei Sérgio Calixto Valverde 56 CEI Girassol 60 CEI Jardim Clímax I 64

CEI Minervino Rodrigues Ferreira

68 CEI Leonarda Soares Alves

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Por dentro de um CEI O que é um CEI ? O Centro de Educação Infantil (CEI) atende crianças de 0 a 3 anos. Segundo a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, o desafio do CEI é redefinir os termos educar e cuidar, integrando­os em uma só meta: mediar o desenvolvimento sociocultural da criança desde o seu nascimento.

O

s grupos de crianças dos CEI's são divididos de acordo com a faixa etária e com as condições individuais de desenvolvimento dos alunos, conforme abaixo: Berçário I (BI) ­ crianças de até um ano. Turmas de até sete crianças por educador. Berçário II (BII) ­ crianças de até dois anos. Turmas de até nove crianças por educador. Minigrupo I (MGI) ­ crianças de até três anos. Turmas de até 12 crianças por educador. Minigrupo II (MGII) ­ crianças de até 3 anos e 11 meses.Turmas de até 25 crianças por educador.

E o que a UNAS tem a ver com isso? A UNAS administra 10 CEIs dentro da comunidade de Heliópolis e mais três em regiões adjacentes, totalizando 13 escolas de educação infantil. Essa administração é resultado de um convênio com a Prefeitura do Município de São Paulo através da Secretaria Municipal de Educação. Todos os CEIs geridos pela UNAS respondem à Diretoria Regional de Educação (DRE) do Ipiranga. No total, são 2004 crianças e 350 colaboradores (entre gestores, educadores, cozinheiros, coordenadores pedagógicos, auxiliares de limpeza, auxiliares de cozinha e auxiliares de enfermagem) dentro dessa rede. Ter acesso ao CEI é direito de toda criança. Em São Paulo, existem 564.210 crianças de 0 a 3 anos (dados da Prefeitura de São Paulo divulgados no programa São Paulo Carinhosa). De acordo com o Censo Educacional 2012 (MEC/INEP), o número de crianças matriculadas em CEIs é 4 Unas Heliópolis e Região

262.372. Isso quer dizer que menos da metade das crianças paulistanas que tem direito à educação infantil conseguem usufruir desse serviço. É para garantir esse direito que a UNAS trabalha. Além de trabalhar pela garantia de acesso ao CEI, a UNAS tem disponível advogados para os familiares que desejam entrar com recurso na justiça para acelerar a matrícula da criança em um CEI. Prezando pela qualidade, a UNAS desenvolve o próprio projeto pedagógico, que, permeado pela sua missão de "Contribuir para transformar Heliópolis e Região num bairro educador, promovendo a cidadania e o desenvolvimento integral da comunidade"­ e pelos cinco princípios:(tudo passa pela educação; Escola como centro de liderança na comunidade onde está inserida; Solidariedade;Autonomia e Responsabilidade), reforça que brincar é um direito e oferece às crianças uma educação não tradicional,libertadora e transformadora, que traz esperança e consciência.

Qual é o nosso projeto político­ pedagógico? A partir do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, criado pelo Ministério da Educação, a UNAS construiu um Projeto Político­Pedagógico(PPP) que desenvolve os eixos temáticos, Movimento, Música, Artes Visuais, Linguagem Oral e Escrita ,Natureza e Sociedade,Matemática e Direitos Humanos sempre a partir do brincar.Isso porque é por meio das brincadeiras que a criança expressa suas emoções, sentimentos, pensamentos,


desejos e necessidades. A UNAS acredita que é brincando que se aprende, pois quando a criança brinca, ela cria, recria e repensa sua realidade, aumentando sua autoestima e favorecendo seu desenvolvimento integral. As atividades dos CEIs são desenvolvidas a partir desses eixos, mas levam em conta também alguns subtemas escolhidos de acordo com o planejamento anual, como por exemplo o resgate da cultura popular brasileira.Os projetos paralelos e de formação, como as Múltiplas Linguagens de Meninos e Meninas na educação infantil dentro do cotidiano de Heliópolis, que, a partir da compreensão de que as suas manifestações nem sempre estão presentes na fala ou na escrita, criam e recriam maneiras de interpretar essas manifestações em outras formas expressivas, como o movimento, o desenho, a brincadeira, a música, a dança. Todas as atividades dentro do CEI são propostas e desenvolvidas de modo que as crianças criem uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente. O objetivo é fazer com que a criança possa observar e explorar o ambiente com curiosidade, percebendo­se cada vez mais como sujeito integrante, independente e agente transformador do meio em que vive. A família é o primeiro grupo social ao qual a criança pertence, e faz com que desenvolva sua experiência de socialização e leve isso para dentro do CEI. Por isso, a participação dos familiares é muito importante. Não compete somente ao CEI educar. Todos devem estar envolvidos no desenvolvimento educacional da criança. Por isso, o projeto pedagógico também busca estabelecer uma relação de parceria com a família, fazendo com que ela colabore para o aprendizado e amadurecimento da criança.

Como nos organizamos? Um dos pilares do projeto Político­ Pedagógico da UNAS é o planejamento.Os CEIs participam de muitos eventos promovidos pela UNAS para garantir a integração do

projeto com a comunidade. Por isso,encontros regulares são realizados da seguinte forma: Paradas pedagógicas: a equipe toda de dois ou três CEIs se reúne para discutir um tema especifico, já pré­estabelecido na preparação da parada. Trata­se de uma formação, portanto é extremamente importante para a qualidade do atendimento oferecido pelo CEI. O tema da parada é definido pelas coordenadoras pedagógicas e varia de acordo com a necessidade das escolas, podendo ser desde assuntos relacionados ao cuidar e ao educar (sexualidade, alimentação, higiene) até os temas mais abrangentes, como situações do bairro e da cidade, políticas públicas, além das datas especiais, como o Dia das Crianças e a Caminhada pela Paz. Nesse encontro, os participantes também fazem a multiplicação dos conhecimentos adquiridos em outras formações. Grupo de estudos das coordenadoras pedagógicas: Troca de experiência e estudo das Coordenadoras Pedagógicas no que se refere a planejar e fazer grupos de estudo, supervisão, observação, e registros das devolutivas.A UNAS entende que só dividindo tudo isso é possível chegar a um bom resultado. São usados textos, filmes e livros para dar apoio à conversa. Grupo de estudo diário: coordenadoras planejam a formação de uma hora por dia das educadoras de acordo com as necessidades de cada módulo. Fórum: todos os coordenadores e gestores de todos os projetos da UNAS participam desse encontro, um espaço de discussão geral e de articulação de políticas públicas. Encontro de gestoras, CPs e comissão de formação: momento mensal para análise de como o planejamento anual dos CEIs está se desenvolvendo, avaliação do que já foi feito e do que deve ser melhorado, além de troca de experiências. Auxiliares de saúde: o encontro é mensal e tem acompanhamento de outros profissionais da área da saúde, como fonoaudiólogo e nutricionista, e também de duas gestoras. São discutidos assuntos de Unas Heliópolis e Região 5


extrema importância da saúde infantil como saúde bucal,alimentação e desenvolvimento da fala. As auxiliares de saúde dos CEIs também participam do Fórum da Saúde da Comunidade, que acontece todo mês. Reunião de vínculos: todos os projetos da UNAS, inclusive os CEIs, participam dessa reunião que acontece uma ou duas vezes por ano, dependendo da necessidade. Aqui são tratadas as questões relacionadas ao sistema de vínculos sociais, ação desenvolvida em parceria com a ActionAid Brasil . Parada Geral dos Projetos UNAS: acontece anualmente. São realizadas palestras com professores, líderes comunitários, filósofos, sempre com o objetivo de trazer mais informação à comunidade, discutir educação e direitos humanos. Movimento Sol da Paz: reúne CEIs, escolas e outros projetos e programas da UNAS para uma discussão sobre a violência dentro da sua mais alta complexidade, visando a educação como principal pilar para a luta pela paz. Caminhada pela Paz: todos os CEIs participam da caminhada que reforça a cultura de paz na comunidade. A atividade reúne de 10 a 15 mil pessoas para percorrer um trajeto de 7km dentro de Heliópolis. A caminhada é um apelo contra todo tipo de violência, não só a física, mas também a moral, o desemprego e a falta de moradia. A caminhada surgiu em 1999 como símbolo de resistência e mobilização comunitária, quando uma aluna da EMEF Campos Salles foi assassinada na saída da aula. Cronograma geral das ações UNAS: todos os projetos,incluindo os CEIs, se mobilizam na participação de festas e eventos como o Dia das Crianças, Festa Junina, Foliópolis (carnaval de rua de Heliópolis). Reunião de pais: acontece mensalmente no CEI e tem o objetivo não somente de discutir a vida escolar das crianças, mas também analisar e debater os temas vividos pelos moradores da comunidade. A proposta 6 Unas Heliópolis e Região

primordial é envolver os pais e parentes na formação escolar da criança. Para não deixar a reunião monótona, as equipes dos CEIs realizam atividades diversificadas como dinâmicas, oficinas, exibição de filmes, apresentações teatrais, exposições.

Caminhada pela Paz

Corrida e caminhada de Heliópolis: o CEI se envolve na organização e também tem membros de sua equipe participando da competição que acontece todo ano. A corrida tem por objetivo mobilizar a comunidade para a prática esportiva e para a solidariedade, já que é beneficente, com inscrições feitas através de doações. Com percurso de 6,3 km, a corrida e caminhada conta com a participação de profissionais e amadores. Grupo de Mulheres e Encontro de Moradia e Saúde: integrantes das equipes dos CEIs participam das reuniões para discussão de leis, luta por direitos, sempre com a realização de seminários e palestras. As informações são posteriormente multiplicadas na reunião de pais, paradas pedagógicas e grupos de estudo.


Quem é quem no CEI Todos os CEIs possuem um quadro de educadores muito parecido, variando a estrutura organizacional de acordo com o tamanho da escola e a quantidade de crianças atendidas. É importante ressaltar que cada colaborador dentro do CEI tem um papel fundamental na educação das crianças. Aqui todos são educadores de alguma forma. Conheça as atribuições de cada integrante de um CEI:

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iretora/gestora: Coordena e supervisiona os trabalhos das áreas social e psicopedagógica, e de administração, saúde e nutrição da seguinte forma: • promovendo e articulando atividades socioeducativas envolvendo as crianças, as famílias, os funcionários e a comunidade; • promovendo parcerias com outras instituições viabilizando a construção da rede de proteção social; • participando da construção do Projeto Político Pedagógico e do Plano Escolar e acompanhando sua execução; • participando da elaboração e acompanhando a execução de todos os projetos do CEI • organizando a divisão de trabalhos da equipe do CEI; • organizando com o coordenador pedagógico e com a equipe as reuniões pedagógicas do CEI; • garantindo a atualização do CEI e de sua equipe sobre leis, decretos, portarias e comunicados; • cuidando para que o prédio escolar e os bens patrimoniais do CEI sejam preservados, atentando para sua manutenção; • coordenando e acompanhando as atividades administrativas relativas ao fluxo de frequência, fluxo de documentos da vida escolar e funcional; • comunicando autoridades competentes e os pais os casos de doenças contagiosas e irregularidades graves ocorridas na escola; • garantindo a circulação de toda informação de interesse da comunidade, da equipe e dos alunos.

C

oordenadora pedagógica: Planeja e coordena as ações educacionais no CEI e responde pela programação pedagógica da escola, garantindo a implantação e o desenvolvimento do processo educativo.Suas principais funções são: • substituir o diretor quando necessário (férias, licenças, etc); • fortalecer atitudes de acolhimento e respeito mútuo às crianças e seus familiares,dentro de uma prática pedagógica que integra educar e cuidar, tendo como ponto de partida a formação e orientação dos educadores através de grupos de estudo; • acompanhar as atividades em sala de aula; • analisar práticas através de vídeos; • estabelecer junto com os educadores uma rotina de trabalhos e horários; • observar as áreas relacionadas ao cuidar: higiene, alimentação e sono; • levando em conta a importância do planejamento que norteia as ações dos CEIs com as crianças, ter o compromisso de acompanhar o planejamento, bem como dar retorno para os educadores; • ajudar os educadores a se apropriarem de itens significativos do conhecimento historicamente construído, que os capacitem a mediar a curiosidade infantil e a construção de saberes pela criança sobre o mundo das ciências, das artes, sobre o fantástico e sobre si mesma; • participar da construção e execução do Projeto Político Pedagógico juntamente com a equipe e com os pais; • elaborar o planejamento do currículo do CEI junto ao diretor e técnicos do DRE (Diretório Regional de Ensino); • planejar, coordenar, supervisionar e avaliar as atividades diárias com as crianças no CEI; • orientar e supervisionar a atuação do Professor de Educação Infantil na execução das atividades diárias com as crianças; • subsidiar a formação dos educadores juntamente com o diretor; • contribuir para a adequação da Unas Heliópolis e Região 7


programação pedagógica à da comunidade; • garantir o registro do processo pedagógico; • organizar os grupos de criança considerando as características da faixa etária e as condições individuais de desenvolvimento; • contribuir para a organização do espaço físico do CEI; • elaborar relação de materiais necessários para a execução das atividades; • entrevistar as famílias com o objetivo de trocar informações sobre a criança; • informar as famílias sobre o desenvolvimento da programação pedagógica do CEI levando­as a participarem do processo educativo das crianças; • participar das reuniões de pais, de equipe do CEI e entre os CEIs; • coordenar, estimular e avaliar os projetos do CEI juntamente com o diretor e a equipe; • organizar com diretor e equipe as reuniões pedagógicas; • acompanhar e avaliar com a equipe docente o processo contínuo de avaliação nas diferentes atividades; • identificar junto com a equipe casos de crianças que necessitem de encaminhamento adequado.

P

rofessora de Educação infantil volante:

Realizam atividades planejadas que contribuem para o desenvolvimento e aprendizagem das crianças, visando sua autonomia e a construção do conhecimento de si e do mundo. Tais atribuições podem ser atendidas a partir das seguintes ações: • participação da construção do Projeto Político Pedagógico do CEI; • planejamento, execução e avaliação das atividades pedagógicas adequadas aos interesses, necessidades e características do grupo de crianças pelo qual é responsável; • observação e registro das atividades realizadas com o grupo de crianças; • troca de informações com a equipe sobre o desenvolvimento das crianças e das atividades realizadas; 8 Unas Heliópolis e Região

• organização da sala e dos materiais com as crianças; • desenvolvimento de atividades que estimulem as crianças na aquisição de hábitos de higiene e saúde; • troca de fralda e banho nos bebês quando necessário; • auxílio e orientação das crianças no controle de esfíncteres; • execução, orientação, acompanhamento e complementação da higiene das crianças após o uso do banheiro; • oferecimento e observação do banho de sol dos bebês; • estímulo e orientação do desenvolvimento de atividades ao ar livre; • promoção dos cuidados de higiene após alimentação e atividades; • higienização de mãos e faces das crianças; • troca de roupa das crianças (se necessário); • orientação e acompanhamento na escovação de dentes pelas crianças; • acompanhamento do sono e do repouso das crianças; • desenvolvimento de atividades que estimulem a aquisição de hábitos alimentares adequados; • auxílio e orientação na alimentação e na hidratação das crianças e dos bebês; • respeito ao ritmo e ao paladar das crianças; • incentivo às crianças a ingerirem os diversos alimentos oferecidos no cardápio do CEI; • conserva da limpeza da sala e objetos, higienização dos brinquedos; • manutenção da organização das mochilas das crianças; • comunicação diária com os pais no horário da entrada, saída e por meio da agenda; • limpeza e forração dos colchonetes; • participação das reuniões de equipe e de pais do CEI e das formações; • troca de informações sobre a vida da criança e seu desenvolvimento com a família; • estímulo de atividades lúdicas com base no conceito de que as crianças aprendem brincando.

Auxiliar de saúde

: Responde pelas condições gerais de saúde das crianças, bem como pela higiene do


CEI. Suas principais funções são: • zelar pela saúde das crianças, incentivando a alimentação; • auxiliar na escovação de dentes; • verificar a carteira de vacinação; • atender todas as ocorrências com crianças ou funcionários; • receber e conferir a alimentação; • participar de reuniões referentes à saúde e nutrição; • acompanhar a higienização dos espaços do CEI; • orientar os pais quanto a saúde de seus filhos; • orientar os funcionários sobre higiene, doenças, saúde, etc; • preencher a ficha de saúde da criança quando da sua admissão no CEI; • verificar, diariamente, o prontuário das crianças e registrar as informações obtidas da família ou das educadoras; • prestar os primeiros socorros bem como atender a criança que exigir cuidados especiais de saúde; • encaminhar e acompanhar casos de ocorrências graves que necessitem de pronto atendimento médico e/ou hospitalar; • ministrar medicação às crianças conforme prescrição médica; • realizar o controle biométrico das crianças do CEI; • classificar o peso da criança de acordo com o Gráfico Para Acompanhamento do Crescimento e encaminhar as crianças de risco ao serviço de saúde; • controlar mensalmente o esquema de vacinação das crianças do CEI; • colaborar com a direção do CEI no sentido de estabelecer cardápios básicos, introdução de novos alimentos e diversificação alimentar; • orientar e supervisionar a desinfecção do material de uso da criança, bem como o preparo e distribuição dos alimentos.

C

ozinheira: Supervisiona, orienta e controla o recebimento de tudo relacionado à cozinha, bem como a estocagem e a conservação e utilização adequada dos gêneros alimentícios da

seguinte forma: • elaborando controle de estoque; • preparando as refeições conforme o cardápio, o horário acordado e o número de crianças e funcionários; • elaborando relatórios de número de refeições; • respondendo pela higiene da cozinha, do lactário, da despensa, e de equipamentos e utensílios utilizados; • respondendo pelo cumprimento das normas de higiene no armazenamento, preparo e distribuição dos alimentos ; • resolvendo situações de emergência da cozinha e do lactário; • solicitando manutenção e/ou substituição de equipamentos e utensílios ; • disponibilizando­se para elaborar e testar novas receitas e procedimentos; • participando de todas as atividades de formação em serviço propostas pela UNAS e pelo DRE; • preparando, servindo e organizando as refeições.

A

uxiliar de cozinha: Faz o pré­peparo dos alimentos; prepara alimentos simples; organiza utensílios e alimentos previstos nas diversas refeições; higieniza a cozinha, seus equipamentos, utensílios e alimentos; auxilia a cozinheira a servir os alimentos; e participa de reuniões de equipe e de treinamentos específicos.

A

uxiliar de limpeza: É responsável pela limpeza geral do CEI. Limpa e higieniza salas, vidros, mesas e cadeiras, paredes, pisos, corredores e o parque. Lava babadores, lençóis, cortinas, capa de almofadas, quintal, banheiros, panos de limpeza, edredons. Recolhe o lixo e participa de reuniões de equipe e de treinamentos específicos.

A

uxiliar administrativo: Ajuda o gestor em todos os assuntos relacionados à administração do CEI. Unas Heliópolis e Região 9


10 Unas Heli贸polis e Regi茫o

Diretoras e Coordenadoras Pedag贸gicas dos CEIs.


Formações Sabendo que a educação continuada é a garantia de evolução sempre, a UNAS, graças às parcerias com outras instituições, promove a atualização de sua equipe com cursos, oficinas, seminários, palestras, workshops, ou seja, formações que garantem renovação no conhecimento e aperfeiçoamento no atendimento. Conheça algumas das principais formações realizadas com as equipes dos CEIs: Instituto Avisa Lá ­ 2005 e 2006

Cantinho do nariz no CEI Minervino

Nessa formação, o Projeto Político Pedagógico (PPP) dos CEIs, baseado no brincar, foi sistematizado, aprofundado e estudado em detalhes, num trabalho de troca entre os profissionais do Avisa Lá e todos os membros das equipes dos CEIs. Não é à toa que a formação é uma das mais lembradas. O Instituto ajudou na compreensão das rotinas, dos cantinhos, e como isso influi na educação infantil. Esses elementos já constavam no PPP, mas não tinham ganhado a devida importância na vida prática dentro dos CEIs. Com essa formação, profundas mudanças aconteceram dentro dos centros, principalmente nos assuntos : • À organização do espaço físico: aqui foram estudados os mobiliários que devem estar presente nas salas, como por exemplo: bolsões com livros que estão sendo trabalhados com as crianças, rotina (lista das atividades programadas para aquele dia), mural com fotos (das crianças e das famílias), chamada, relógio, calendário, lista de aniversariantes, alfabeto, números, lista das

músicas conhecidas pela turma, espaços para utensílios do cotidiano (mochilas, jarra de água), espaço para os materiais de uso exclusivo da sala, e o espaço do professor (aparelho de som, pasta com Planejamento e plano de aula, textos de apoio). Os cantos de atividades diversificadas, os famosos cantinhos, ganharam atenção especial. Eles permitem que, em alguns momentos do dia, as crianças possam escolher o que vão fazer a partir de um leque de opções. O professor pode ter alguns cantos fixos, como o de leitura, e outros facilmente organizados, a cada dia; • Ao planejamento do professor: como planejar (levando em conta três perguntas primordiais: que tipo de ser humano quero formar? Que tipo de sociedade quero que esse sujeito constitua? Como e o que posso fazer para alcançar esses objetivos?); o que planejar (sequências e projetos didáticos, espaços, tempos, propostas para as crianças, sempre levando em conta os eixos propostos pelo Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil: línguagem oral, matemática, natureza e sociedade, movimento, música e artes visuais); • À rotina pedagógica (ideias para alimentar o planejamento dos CEIs): foram aprimoradas atividades como a roda de conversa, na qual se prioriza o bate­papo das crianças, uma oportunidade para elas falarem e serem ouvidas sobre temas diversos; roda de história, que pode contar não somente com o apoio de livros, mas também de fantoches, teatro de sombra, e pode ser seguida por outras atividades como o reconto; importância das crianças usufruírem de um ambiente externo,como o parque, onde os professores podem brincar junto em atividades na areia, circuitos, corrida do saco, jogos de bola, faz de conta.Como também, atividades plásticas, a hora de desenhar, pintar , onde o professor observa, incentiva, elogia, ajuda nas diferentes produções, organiza rodas de apreciação para que todas as crianças possam observar, se relacionar com a produção do colega; e música, com rodas de apreciação musical, de instrumentos. Unas Heliópolis e Região 11


Projeto Brincar em Heliópolis ­ Instituto Sidarta/ OMO ­ 2008 e 2009

UNAS e da comunidade, além de pais e familiares das crianças) e planejamento de ações; reuniões quinzenais com as coordenadoras pedagógicas; e visitas culturais (museus, por exemplo). Rede do Brincar ­ Mattel ­ 2012

Fogão feito a partir de material não estruturado no CEI Padre Ballint

Foram dois anos de encontros, construções, questionamentos, propostas, descobertas e muita brincadeira. O objetivo principal do projeto foi estimular o brincar livre e as práticas de ensino que valorizam o potencial criativo e a autonomia da criança, tais como: • Valorização do brinquedo não estruturado (aqueles que não foram criados para servir como brinquedos, como caixas de papelão, latas, tubos, materiais reciclados); • O respeito ao tempo e autonomia da criança ao brincar; • Envolvimento nas atividades das crianças (o educador tem que brincar junto com a criança, se encantar junto com ela); • Incentivo do uso de todos os espaços dos CEIs para exploração, acolhimento e proposição de desafios para as crianças, deixando que elas optem pelo local onde querem estar e brincar; • Inserção do repertório lúdico e cultural da comunidade nas atividades do CEI para fortalecimento da identidade. No primeiro ano, foram realizados encontros mensais com toda a equipe dos CEIs com brincadeiras, desafios, reflexão, apreciação de imagens de boas práticas do brincar, discussões coletivas sobre temas do brincar e leituras de textos e análise sobre filmes e fotos. Além disso, formadoras do Instituto Sidarta foram inseridas no cotidiano dos CEIs para realizar atividades em conjunto com educadores e crianças. No segundo ano do projeto, visando a sustentação das ações em desenvolvimento, foram realizados fóruns mensais de discussão (com participação não somente da equipe dos CEIs, mas também de representantes da 12 Unas Heliópolis e Região

Teatro de fantoche no CEI Frei Sergio

O curso contribui para o aprimoramento da qualidade do brincar e criou uma rede de troca de experiências e aprendizado. O objetivo principal da formação foi promover a compreensão do papel fundamental da brincadeira para o desenvolvimento infantil, além de ampliar o repertório de brinquedos e brincadeiras, tendo como resultado a valorização do papel do educador. Os participantes puderam refletir sobre o aspecto lúdico da criatividade e da imaginação, fatores que tornam o ato de brincar mais significativo tanto para quem propõe as brincadeiras (o educador) quanto para quem brinca (a criança). O ambiente educativo, com a criação de uma brinquedoteca, também foi tema de muita conversa, já que o espaço da brincadeira é muito importante no processo educativo. Múltiplas Linguagens de Meninas e Meninos no Cotidiano da Educação Infantil: Música e Dança ­ FICAS / PIPS FIES ­ 2012 e 2013

Crianças do CEI Margarida em atividades com instrumentos musicais


Coordenadoras pedagógicas e educadoras participaram dessa formação. O intuito dos encontros foi aprofundar o conhecimento da música e da dança (que fazem parte do currículo escolar do CEI) na educação infantil e incorporá­lo com mais força e significado nas atividades dos projetos. As formadoras Cintia Campolina (mestre e doutora em Multimeios e bacharel em música popular) e Isabel Marques (mestre em dança, doutora em educação e diretora do Instituto Caleidos) realizaram oficinas com apoio de textos e artigos, sempre enfatizando a música e a dança popular brasileira. As experiências musicais que permitem participação ativa (vendo, ouvindo, tocando instrumentos e dançando) favorecem o desenvolvimento dos sentidos das crianças. Ao trabalhar com os sons, elas desenvolvem sua sensibilidade auditiva; ao acompanhar gestos ou dançar, a criança trabalha a coordenação motora e a atenção; ao cantar ou imitar sons, ela está descobrindo suas capacidades e estabelecendo relações com o ambiente em que vive.

em seus aspectos criativos. Os participantes perceberam em suas práticas o quanto as propostas corporais de dança podem dialogar com outras propostas dentro da escola, sem seguir coreografias, deixando que as crianças ­ e as próprias educadoras ­ criem repertórios com as próprias escolhas de movimentos. Creche para todas as crianças ­ Fundação Abrinq ­ 2012 e 2013

Atividades de rotina no CEI Paulo Freire

Música Foram vivenciados conceitos musicais como pulsação, ritmo, melodia, altura, intensidade, duração, densidade, timbre e, também, a construção de instrumentos com material não estruturado. A prática foi levada para dentro do CEI e agregou os pais na construção de uma banda musical. As educadoras também aprenderam uma série de canções que auxiliam no aprendizado e na compreensão do conteúdo pelas crianças.

Dança Houve uma grande mudança no conceito de dança, que antes era compreendida como um conjunto de passos que deveriam ser copiados pelos alunos. Depois dos encontros, as educadoras entenderam o valor da dança enquanto arte a ser ensinada

O projeto visa ampliar o acesso e melhorar a qualidade do atendimento dos CEIs, garantindo a educação integral e a atenção aos aspectos de saúde e proteção para as crianças. A formação dos professores e coordenadores abriu um espaço para uma construção conjunta, através de vivências, experimentos, criação e reflexão sobre o papel das educadoras e das famílias das crianças atendidas pelos CEIs. Foram realizados seis encontros, nos quais foram abordados temas como o papel da educadora, a importância da arte e da cultura popular brasileira na educação infantil, a relevância da criatividade nas atividades diárias de um CEI, economia construtiva, construção da identidade das crianças, jogos e brincadeiras da tradição popular, a dança como resgate da cultura popular, organização do espaço e da rotina, entre outros temas. Ao longo da formação, os participantes construíram um portfólio, que permite a observação prática do curso no dia a dia do CEI. Unas Heliópolis e Região 13


Com a palavra Cleide, presidente da UNAS

No caminho da educação

O

objetivo dessa publicação é apresentar o trabalho da UNAS nos 13 CEIs (Centros de Educação Infantil) que administra, mostrar as práticas do nosso Projeto Político Pedagógico, divulgá­las e sistematizá­las, com o intuito de comprovar como a educação, que é alicerce da UNAS na luta para transformar Heliópolis e região num bairro educador, é que garante a formação de cidadãos. Nosso bairro começou há mais de 40 anos, na década de 1970, quando pra cá foram trazidas as famílias remanescentes da favela da Vila Prudente, formando o alojamento que deu origem à ocupação de Heliópolis. Por conta das ações movidas 14 Unas Heliópolis e Região

pelo poder público para despejar famílias e também pelo surgimento de grileiros — que se faziam passar por donos de terras e cobravam por seu uso — , nós, os moradores, começamos a nos organizar e lutar pelo direito a moradia. Com o passar do tempo, a comunidade percebeu que somente a briga por terra não bastava e a luta passou então a ser pela efetivação de todos os direitos. A UNAS (União de Núcleos e Associações dos Moradores de Heliópolis e Região) nasceu assim: da necessidade de se cobrar do poder público o direito à educação, saúde, moradia, transporte. Por causa da automação da indústria e da migração — principalmente


de famílias nordestinas — o desemprego cresceu muito em São Paulo nas décadas de 1980 e 1990. As mulheres de Heliópolis se viram obrigadas a trabalhar fora para complementar a renda da família. Surgiu aí uma necessidade: onde deixar os filhos. Nessa época, a comunidade contava com as mães crecheiras, vizinhas que cuidavam dos filhos de outras famílias. A intenção era boa, mas o resultado não bastava. E para piorar, as creches administradas pelo Estado naquele momento cuidavam mal das nossas crianças. Foi aí que sentimos que tínhamos que cuidar melhor dos nossos filhos, dos filhos de Heliópolis. Queríamos que as crianças tivessem um espaço apropriado para brincar, com gente capacitada cuidando delas, com um projeto pedagógico eficiente, com boa alimentação. Também percebemos que poderíamos ajudar com a diminuição do desemprego local: ao gerir as creches da comunidade, criaríamos mais emprego contratando gente da região. Foi com esse objetivo que a UNAS começou a administrar a primeira creche, hoje chamada de CEI Mina. Com o passar do tempo, a UNAS ampliou sua rede de CEIs, sempre em parceria com a Prefeitura de São Paulo, já que não é nosso intuito tirar do Estado a responsabilidade que ele tem. Aos poucos, mudamos a nossa cabeça. Hoje não achamos mais que a creche é o lugar onde a mãe deixa o filho enquanto trabalha. Sabemos que ela é a porta de entrada daquela criança para a sociedade. É a garantia de que as nossas crianças vão ser encaradas como um ser que pensa, que interage, capaz de buscar soluções e ter senso crítico, que pode fazer escolhas, que não é passivo e aceita tudo e não contesta nada. É nessa fase que os valores sobre cidadania, autonomia, solidariedade e responsabilidade são absorvidos e levados para o resto da vida. Faz parte da nossa missão tornar a escola um centro de liderança da comunidade. E só conseguimos isso com o

apoio dos nossos funcionários, que são os responsáveis por colocar as nossas ideias dentro do CEI, mas também com o suporte dos pais. O grande desafio nesse sentido é envolvê­los e fazer com que eles entendam o papel que têm na vida de seus filhos. Fazer com que os pais compreendam que também fazem parte do planejamento pedagógico do CEI, que podem questionar, perguntar, reclamar, sugerir, e claro, brincar, já que no CEI é brincando que se aprende. Além do brincar, nosso Projeto Político Pedagógico é baseado em planejamento. Assim foram implantadas as paradas pedagógicas, as reuniões com os pais, o fórum de gestores, as formações, e outros encontros com trocas de experiência que nos garantem uma educação continuada. Em cada CEI também reforçamos a nossa identidade, a memória da nossa comunidade. Por isso, vamos apresentar nessa publicação um pouco da história de gente como Simone, Cidinha e Frei Sérgio. Pessoas que hoje dão nome a alguns CEIs e que tiveram a vida marcada na luta por direitos a favor da educação. O CEI é um instrumento de mudança na vida das pessoas. Sabemos que não é o único e por isso a UNAS se dedica também a outros projetos de educação como o CCA (Centro de Criança e Adolescente) e o MOVA (Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos), por exemplo. Mas temos plena consciência de que há muito o que fazer. Há uma fila enorme de crianças esperando para conseguir vaga em um CEI. Nesse sentido, trabalhamos para ampliar ainda mais o nosso número de CEIs. Mais dois Centros de Educação estão surgindo: Minervino Rodrigues Ferreira e Leonarda Soares Alves, que juntos atenderão mais de 500 crianças. Mas a UNAS vive da inquietação. Sempre nos perguntamos como podemos melhorar e como incluir mais pessoas nos projetos sem perder de vista o desafio de manter unificada a nossa missão e os nossos princípios. O trabalho não pode parar. Antonia Cleide Alves Presidente da UNAS União de Núcleos, Associações de Moradores de Heliópolis e Região

Unas Heliópolis e Região 15


Desafios

prevista em lei para atendimento adequado às crianças. Também há uma batalha constante para garantia de mobiliário e alimentação adequada. Outro desafio é manter a qualidade dos educadores, que são determinantes no processo de desenvolvimento infantil. É por isso que a UNAS preza parceiros tão importantes, "como a SME (Secretaria Municipal de Educação), a ActionAid Brasil, a Fundação Abrinq, o Instituto Avisa Lá, o Ficas e a Fundação Itaú Social)". Há uma série de leis e resoluções previstas e já em vigor no Estatuto da Criança e do Adolescente, no Programa de Metas do Município e no Plano Nacional da Primeira Infância. É preciso agora que as ações saiam do papel e que sejam desenvolvidas políticas públicas para colocar tudo isso em prática.

Estudos e pesquisas comprovam que é dos 0 aos 6 anos (a chamada primeira infância) que as crianças desenvolvem áreas do cérebro relacionadas às emoções, relações interpessoais, caráter, personalidade e aprendizagem. É por isso que a qualidade dos primeiros cuidados é tão importante. A UNAS faz o que pode para garantir um desenvolvimento integral das crianças de Heliópolis e região e luta permanentemente pela educação infantil. Porém, a instituição sabe que está longe de resolver todos os problemas da comunidade. Até porque, de acordo com o artigo 227 da Constituição Federal, “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá­los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”Os deveres do Estado e da sociedade diante da proteção integral da criança e do adolescente também estão previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instituído pela Lei 8.069 no dia 13 de julho de 1990, que internalizou no país uma série de normas internacionais definidas pela Declaração Universal dos Direitos da Criança (UNICEF, 1959). Há uma fila de espera enorme para ingressar em um CEI. Segundo a Secretaria Municipal da Educação, no início de 2013, 46% das 564 mil crianças de 0 a 3 anos de São Paulo estavam matriculadas em CEIs. Mas essa proporção é bem menor quando só consideradas a população de baixa renda: 22%. É papel da sociedade cobrar do governo, em todas as esferas (federal, estadual e municipal), uma ação mais calorosa com relação ao acesso à escola. Além disso, grande parte dos CEIs enfrentam, diariamente, o problema do espaço físico. Poucos são os prédios com infra­estrutura Árvore do CEI Girassol 16 Unas Heliópolis e Região


Crianรงas brincam no parquinho do CEI Mina Unas Heliรณpolis e Regiรฃo 17


Depoimentos “O Sistema de Vínculos Solidários, desenvolvido em Heliópolis, graças a parceria entre UNAS e ActionAid, é um mecanismo de arrecadação de fundos e de mobilização através da qual a ActionAid consegue uma rede de apoiadores e recursos que permitem o planejamento e a execução de atividades em longo prazo em projetos espalhados em mais de 40 países. A UNAS vem atuando fortemente no campo da luta por direitos e no debate sobre acesso a políticas públicas, trabalhando com temas como direito à educação, participação política, juventude, direito das mulheres, educação infantil, entre outros temas. Como fruto deste trabalho coletivo, temos tido a experiência de vivenciar as conquistas e avanços nos processos de luta por direitos, processos estes construídos conjuntamente através da mobilização de diferentes segmentos sociais, como organizações comunitárias, movimentos sociais e apoiadores da ActionAid Brasil para atuarem politicamente em defesa dos direitos das pessoas em situação de pobreza.”

Avanildo Duque e Gabriela Pinto ActionAid Brasil

“Nossa parceria com a UNAS se dá por meio da realização de diversos projetos que buscam o fortalecimento de ações na área da educação, proteção e atenção à saúde. Essa parceria é muito importante para a transformação de vidas e contribui para o desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes de Heliópolis. A essência da constituição da UNAS ­ defesa dos direitos dos moradores do bairro ­ tornou­a referência no trabalho com a comunidade para a cidade. A participação ativa de crianças, adolescentes, famílias e moradores do entorno nas decisões e planejamento das ações, legitima sua missão.”

Denise Maria Cesario Gerente Executiva ­ Fundação Abrinq – Save the Children“

“A UNAS merece destaque e reconhecimento no compromisso efetivo em atender a demanda na primeira etapa da educação básica, ação indissociável entre a qualidade e a quantidade. A entidade possui uma proposta política pedagógica explícita e busca permanentemente a formação de todos os sujeitos do processo: educadores, população atendida e comunidade. Ao assumir, insistir e persistir na construção de uma cidade educadora, num bairro educador, auxilia na construção efetiva de uma sociedade mais justa e na luta permanente pela participação, organização e reconhecimento dos moradores de Heliópolis como sujeitos de direitos. Cidade educadora, bairro educador e sujeitos de direitos aliados permanentes de políticas públicas para um bem comum: cidadania.”

Maria Khadiga Saleh Diretora Regional de Educação ­ DRE Ipiranga 18 Unas Heliópolis e Região


O FICAS é uma organização sem fins lucrativos, que tem como causa o fortalecimento do papel estratégico das organizações da sociedade civil nas transformações sociais. Com metodologia construída de forma participativa, atua por meio de programas, assessorias e ações junto a organizações, empresas, fundações, institutos e similares. A parceria entre o FICAS e a UNAS se deu até hoje de duas formas: acompanhamento do programa Múltiplas Linguagens de Meninos e Meninas no Cotidiano da Educação Infantil (apoiado pelo FIES ­ Fundo Itaú Excelência Social) e por meio do Programa de Formação Pedagógica. Em “Múltiplas Linguagens”, foi realizada uma capacitação diferenciada aos educadores de Heliópolis e região, por meio de reflexões e vivências de diferentes linguagens artísticas. O programa se destacou pela abordagem metodológica arrojada, oferecendo a dança e a música como proposta formativa, apostando no conhecimento do universo das artes, seus aspectos pedagógicos e suas potencialidades. De maneira transversal, temas como cidadania, desenvolvimento integral das crianças, práticas de registro no cotidiano da educação infantil e o uso do portfólio, entre outros, incrementaram o conteúdo programático das formações.

“Quando trabalhamos junto com a UNAS, percebemos que os colaboradores são genuinamente interessados no desenvolvimento das crianças e em seu bem estar. Com poucos recursos, eles conseguem atender um bom número de crianças e, por meio das parcerias, pensar na melhoria da qualidade dos que oferecem. O trabalho que o Avisa Lá desenvolveu na UNAS deixou uma marca do que é ser um formador. Conseguimos enraizar a concepção de que formação é um processo permanente e que é baseado em refletir a própria prática. A UNAS contribui para que a comunidade tome consciência de seus problemas, de suas necessidades, e busque soluções conjuntamente. Outra coisa importante é de fato a integração de diferentes instituições do próprio bairro, e da formação de novas lideranças.”

Cisele Ortiz Coordenadora Adjunta ­ Instituto Avisa Lá

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CEI VEREADOR FRANCISCO BATISTA

Fachada do CEI Vereador Francisco Batista

A

casa que abriga o CEI foi construída pela prefeitura já com essa finalidade em 2006. O local, que hoje atende 138 crianças, passou a funcionar em fevereiro de 2008 e desde sua fundação é administrado pela UNAS. O CEI Vereador Francisco Batista ­ ou Chico Batista, como foi apelidado ­ está situado na Vila Santo Estéfano, bairro de origem operária pertencente ao distrito do Cursino, que surgiu em torno da instalação da fábrica siderúrgica Aliperti, na década de 1930. Juntamente com os CEIs Frei Sérgio e Jardim Clímax I, o CEI Vereador Francisco Batista é um dos três centros administrados pela UNAS localizados fora de Heliópolis. “Nossa ideia é apresentar o projeto para outras comunidades levando em conta as características e a realidade daquele lugar. O intuito não é levar um projeto de Heliópolis para ser copiado”, explica Antonia Cleide Alves, presidente da UNAS. “A UNAS só veio somar, é idônea e pode estar em qualquer lugar. Aqui na nossa comunidade, as pessoas sentem isso hoje até por causa da transparência com a qual trabalhamos”, complementa a diretora Sandra Soares da Silva, que gere o CEI desde 2009. E transparência não falta nem mesmo na 20 Unas Heliópolis e Região

estrutura física desse CEI, que tem a maioria das paredes de vidro. Com área total de 538,28 m², o CEI fica instalado numa casa de arquitetura sustentável que prioriza o uso da luz solar ­ quase não precisa de luz artificial. Além disso, cada sala conta com um solário individual, onde as crianças podem fazer atividades a luz do sol. E as reformas não param. Desde que começou a dirigir o CEI, Sandra pediu para azulejar as paredes (para facilitar na exposição dos trabalhos das crianças e fazer com que as paredes sejam decoradas pelas próprias), fez armários externos, dividiu os banheiros, pintou os muros e a caixa d’água, coloriu também o portão. A diretora tem planos ainda de fazer um jardim e logo vai viabilizar um quiosque externo que será usado como ateliê. Por aqui, o princípio da UNAS de que a escola deve ser um centro de liderança na comunidade é seguido à risca. Todo segundo sábado do mês, o CEI vira espaço de reunião do Movimento de Moradia da Vila Santo Estéfano, cujo objetivo é lutar pelo direito de ter uma casa própria. Nessas conversas, além de trabalhar a conscientização de que a moradia é um direito e é o primeiro passo para o cidadão ter dignidade, são também discutidos outros assuntos da atualidade ligados à saúde, educação, legislação. “As pessoas


têm que ter moradia com conhecimento. Se elas não entenderem o que significa ter uma casa, elas podem acabar vendendo o imóvel”, explica Sandra, que é militante do Movimento de Moradia há 20 anos e que mora em uma casa que conseguiu a partir de sua luta. “Aqui no CEI, depois de ter o aval da Cleide, comecei convidando os pais das crianças. Na primeira reunião, em 2012, tivemos 25 pessoas. Hoje são 310”, acrescenta. O Movimento de Moradia da Vila Estéfano integra o Movimento dos Sem Teto da UNAS, juntamente com o de Heliópolis e o do Jardim Savério.

Um pai de 138 filhos

Derivaldo dos Santos,o Bigode, funcionário mais antigo do CEI Chico Batista

Morador da Vila Santo Estéfano há 54 anos, Derivaldo dos Santos, 62, é o mais antigo funcionário do CEI Vereador Chico Batista. “Vi o primeiro caminhão de terra saindo daqui“, conta Derivaldo, que em 2006, durante a construção do CEI, trabalhava como vigia da obra. Vez ou outra trabalhou como ajudante de pedreiro até que foi convidado pela administração da UNAS para fazer parte da equipe de funcionários do CEI. Hoje, Bigode, como é conhecido por todos, não só cuida da limpeza da escola,como também é considerado um guardião: protege o CEI contra possíveis vandalismos (apesar de nunca ter sofrido nenhum furto), faz pequenos reparos, trabalha aos finais de semana se necessário, ajuda nas festas, e chega até a dormir por lá às vezes. “Troquei a minha casa pelo CEI. Me dou muito bem com as minhas companheiras de trabalho e com as minhas criancinhas, que me apóiam muito. Se alguém me pergunta se tenho filhos, digo que são 138”, explica com um sorriso no rosto.

Quem foi Francisco Batista? Francisco dos Santos Batista Filho, ou Chiquinho Batista, como era conhecido, nasceu em 25 de maio de 1920. Advogado, economista e escritor, foi eleito vereador por três vezes entre os anos 1960 e 1990. Morador do Ipiranga, ajudou a fundar o jornal Gazeta do Ipiranga em 1958. Pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) propôs benfeitorias ao bairro como a diminuição dos aluguéis para pequenos comerciantes e população de baixa renda (Fonte: Diário Popular, 1983). Faleceu em 2007, aos 87 anos.

Raio X do CEI Berçário I 7 crianças em uma sala Berçário II 47 crianças divididas em cinco salas Minigrupo I 36 crianças divididas em três salas Minigrupo II 30 crianças divididas em duas salas 21 educadoras: 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 13 professoras 2 auxiliares de limpeza 1 cozinheira 2 auxiliares de cozinha 1 auxiliar de saúde

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Momento de Recreação no CEI Vereador Francisco Batista 22 Unas Heliópolis e Região


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CEI PADRE PEDRO BALLINT

Uma das paredes da fachada ,com ilustrações educativas do CEI Padre Pedro Ballint

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CEI Padre Pedro Ballint é, junto com o CEI Mina, um dos mais antigos Centros de Educação Infantil administrados pela UNAS (desde 2001). O CEI já existe há mais de trinta anos e teve seu nome mantido pela gestão da UNAS porque a história do Padre, mesmo não tendo ligação direta com a história de Heliópolis, tem a ver com luta por direitos. O Padre Pedro Balint, entre outras ações de solidariedade, fundou em 1942 o Hospital Leão XIII, hoje São Camilo Ipiranga. O CEI atende 124 crianças, que aprendem brincando desde o momento que chegam até a hora que vão embora. Regularmente, os pequenos encaram o papel de chefes de cozinha e preparam doces, como bolo de cenoura ou salgados. “A atividade faz com que eles conheçam melhor os ingredientes do prato que vão cozinhar fazendo uma degustação, entendam suas propriedades (quais nutrientes tem naquele alimento, no que ele pode contribuir para o crescimento e para a saúde), desenvolvam a coordenação motora, e se divirtam, claro”, conta a gestora Maria Aparecida Ferreira Valderlei, ou Fia, como é conhecida por todos. As crianças também são responsáveis pela horta do CEI, que, entre outras delícias, tem erva 24 Unas Heliópolis e Região

cidreira plantada e colhida por eles mesmos para a produção de chás e outros pratos. “Tudo que pudermos fazer para contribuir com o aprendizado de nossas crianças de forma prazerosa será feito”, explica Fia. “Geralmente desenvolvemos nossas atividades em grupos pequenos, para que a compreensão de todos seja garantida”, acrescenta a diretora, que é uma das responsáveis por tornar a escola o lugar o mais agradável possível, gastando pouco e usando muita criatividade. Recentemente, Fia pregou na parede externa do CEI alguns berços que não eram mais utilizados. “Pintamos os berços que, pendurados na parede, viram qualquer coisa que a criança imaginar: trem, ônibus, cabanas. Isso faz parte do nosso projeto pedagógico, incentivar a imaginação deles sem precisar de brinquedos caros e industrializados”, analisa. No CEI Padre Ballint, dá para ver a missão da UNAS ­ contribuir para transformar Heliópolis e região num bairro educador, promovendo a cidadania e o desenvolvimento integral da comunidade ­ em todos os cantos. Todas as atividades propostas por esse e outros CEIs da UNAS contribuem para essa transformação, que só acontece com o envolvimento de todos, inclusive dos familiares.


E por aqui muitos dos pais já estão fazendo a lição de casa. É o caso de Wedson Gonçalves, de 23 anos, pai da Emilly, que está no Berçário, e do David, que saiu há pouco tempo do CEI Padre Ballint para entrar em uma EMEI. Wedson é desenhista e, ao perceber que uma professora sentiu dificuldades em desenvolver um projeto sobre Luiz Gonzaga, se ofereceu para ajudar: construiu 25 chapéus como o do cantor para as crianças usarem no dia da apresentação sobre o rei do baião. David interpretou Luiz Gonzaga com uma sanfona construída em papelão pelo próprio pai. “Acho que nós temos obrigação de participar. Eu também aprendo muito com o cei e sei que ela Jaelson com a filha Mariana pode mudar as pessoas trazendo mais Jaelson Pereira de Aquino, 31 anos, informação e consciência para as crianças e concorda. Ele é pai da Mariana que, com 4 também para os pais ”, conta Wedson. anos, está se despedindo do CEI este ano. “Ela está aqui desde o BI, estamos um pouco preocupados porque ela vai sentir muita diferença indo para a EMEI. Aqui ela aprendeu a se virar sozinha, se alimenta, escolhe o que vai comer, não precisa mais da fralda”, conta o pai que assume que vai sentir saudades. “As pessoas aqui são uma maravilha. Eu posso entrar para trazer a minha filha até dentro da sala, fico à vontade, para acompanhar o café da manhã com ela quando eu posso. Mesmo depois que a Mariana sair daqui vou continuar visitando o cei”, brinca.

Wedson com os filhos Emilly e David

Hora da diversão no CEI Padre Ballint

Autonomia na hora da refeição Unas Heliópolis e Região 25


Uma vida pela educação Maria Aparecida Ferreira Valderlei, apesar de ter o apelido de Fia, trabalha como uma mãe. O tempo todo está correndo para resolver algum problema das escolas já que é a coordenadora pedagógica dos CEI’s da UNAS. “Não me intitulo como coordenadora, nem supervisora, porque aqui todo mundo resolve e discute tudo junto”, explica Fia, que participa dos projetos da UNAS desde o início das atividades da entidade, quando ainda era uma comissão de moradores. Criada em Porecatu, no Paraná, Maria Aparecida ganhou esse apelido por ter sido a primeira criança da família. “No interior as pessoas falam fia ao invés de filha. Era minha fia pra lá, minha fia pra cá, que eu só fui saber que meu nome era Maria quando entrei na escola”, conta a gestora, que chegou em São Paulo aos 14 anos junto com os pais e os quatro irmãos. Na década de 1970, Fia se mudou para Heliópolis. Seu pai, Minervino Rodrigues Ferreira, construiu o barraco onde a família morou por muito tempo, até conseguir construir uma casa de alvenaria. Fia estudou pedagogia, trabalhou no CCA Mina por nove anos e está no CEI Padre Pedro Ballint há 13. Ela fez da educação seu projeto de vida.

Raio X do CEI Berçário I 7 crianças em uma sala Berçário II 47 crianças divididas em cinco salas Minigrupo I 36 crianças divididas em três salas Minigrupo II 30 crianças divididas em duas salas

22 educadoras: 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 1 auxiliar administrativo 13 professoras 2 auxiliares de limpeza 1 cozinheira 2 auxiliares de cozinha 1 auxiliar de saúde

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A mini horta do CEI Padre Pedro Ballint Unas Heli贸polis e Regi茫o 27


CEI PAULO FREIRE

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Crianças brincam no parquinho no CEI Paulo Freire

Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”, a frase é de Paulo Freire, um importante educador brasileiro (saiba mais sobre ele no quadro da página ao lado), mas é replicada de outras formas, com outras palavras, por grande parte dos funcionários dos CEIs administrados pela UNAS. E no centro de educação que leva o seu nome não poderia ser diferente. Aqui, as ideias de Paulo Freire estão sempre presentes. Quem comprova a tese é Carmen Dolores da Silva Santos, diretora do CEI desde 2012, mas que já trabalha com o Projeto Político Pedagógico da UNAS desde 2010, quando era coordenadora pedagógica do CEI Cidinha. “Desde que entrei aqui tenho estudado cada vez mais o trabalho de Paulo Freire, e já recorri a publicações dele para solucionar problemas de dentro da escola”, conta Carmen. Ela se refere ao livro Professora sim, tia não ­ cartas a quem ousa ensinar, que levou para discussão numa das reuniões entre os funcionários do CEI quando uma criança insistia em chamar a professora de tia. “Hoje em dia os professores de um CEI 28 Unas Heliópolis e Região

criança, mas também a educa. Chamar uma professora de tia significa vincular o profissional a uma figura da família e isso não é o correto”, conta Carmen.

Autonomia e responsabilidade na hora de escovar os dentes


Promover a discussão das situações do CEI ­ um problema ou simplesmente assuntos cotidianos como festas e reuniões de pais ­ com todos os funcionários é tarefa da diretora da escola e faz parte da prática chamada gestão democrática, que também integra o Projeto Político Pedagógico da UNAS. Na gestão democrática, a responsabilidade pela educação das crianças é dividida entre pais e educadores da escola, não importando sua escolaridade ou cargo. É necessário haver uma reunião de esforços coletivos para o implemento dos fins da educação.

Junto e misturado Semanalmente, as crianças do CEI Paulo Freire, que tem 453 m², fazem uma integração entre as salas na qual todas as 120 crianças desenvolvem juntas alguma atividade. Geralmente, os professores propõem a construção de brinquedos não estruturados, já que esse tipo de atividade ­ a de construir algo em conjunto ­ estimula a socialização entre os alunos, além de impulsionar a solidariedade. “É comum a gente ver uma criança maior ajudando ou cuidando dos mais novos do berçário”, explica Carmen. A atividade também é muito importante para o dia a dia do educador, que acaba percebendo a responsabilidade pela educação não só dos alunos da sua sala, mas também dos outros alunos do CEI, fato que fortalece o trabalho em equipe.

Quem foi Paulo Freire? Nasceu em 19 de setembro de 1921, em Recife (PE), e morreu em São Paulo, no dia 2 de maio de 1997. É considerado o mais importante educador brasileiro. Por seu empenho em ensinar os mais pobres, Paulo Freire tornou­se uma inspiração para gerações de professores, especialmente na América Latina e na África. Pelo mesmo motivo, sofreu a perseguição do regime militar no Brasil (1964­1985), sendo preso e forçado ao exílio. Sua prática didática fundamentava­se na crença de que o aluno criaria sua própria educação, fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já previamente construído; libertando­se de chavões alienantes, o aluno seguiria e criaria o rumo do seu aprendizado. Tal prática faz parte do Projeto Político Pedagógico da UNAS, que incentiva a autonomia e a interferência das crianças no processo de aprendizagem.

Raio X do CEI Berçário I 14 crianças em uma sala Berçário II 34 crianças divididas em duas salas Minigrupo I 36 crianças divididas em duas salas Minigrupo II 36 crianças divididas em três salas 21 educadoras: 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 13 professoras 2 auxiliares de limpeza 1 cozinheira 2 auxiliares de cozinha 1 auxiliar de saúde

Dia da integração no CEI Paulo Freire Unas Heliópolis e Região 29


Turminha do minigrupo I A/B 30 Unas Heli贸polis e Regi茫o


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CEI JOSEFA JULIA

Fachada do CEI Josefa Julia ressalta o brincar como forma de aprendizagem

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CEI Josefa Julia funcionava na rua Professora Edméia Attab até 2008, quando mudou para a casa de 284m² de área construída localizada na Estrada das Lágrimas com o objetivo de melhorar o atendimento às 70 crianças que recebe diariamente. A diretora, Dilma Carvalho Silva, conta que o fato da casa não ser muito grande não interfere em nada no dia a dia das crianças. Pelo contrário, os alunos acabam saindo mais do CEI. “Eles vão brincar nos CEIs vizinhos, como o Margarida Maria e o Padre Ballint. Também frequentamos o Pólo, vamos ao cinema lá”, conta Dilma, que vê nesses passeios uma oportunidade para que as crianças conheçam outros espaços e tenham experiências diferentes. Outra atividade que tem feito parte das ações do CEI Josefa Julia é o encontro das crianças fora do ambiente escolar. O CEI está unindo esforços para convencer os pais que a interação das crianças fora da sala de aula é muito importante. “Estamos 32 Unas Heliópolis e Região

mobilizando os parentes para formar um grupo de pais que levem junto seus filhos para passear no fim de semana. Os pais não são amigos, mas os filhos deles são, e essa socialização, esse vínculo afetivo, é importante para a criança”, analisa a diretora. Para impulsionar a ação, o CEI tem se colocado à disposição para sair junto com o grupo nos finais de semana. Mas o trabalho com os familiares das crianças não para por aí. Assim como nas outras escolas da UNAS, o CEI Josefa Julia investe muito tempo e criatividade na forma de comunicação no dia da reunião de pais. O encontro não tem o objetivo apenas de promover uma conversa entre pais e educadores sobre o comportamento e o desenvolvimento das crianças na escola, mas também de impulsionar uma troca de ideias sobre coisas que podem melhorar a vida das pessoas no CEI, em casa, no bairro.


A dinâmica dessas atividades é sempre diferente: às vezes os pais montam brinquedos, outras vezes assistem filmes, como Preciosa ­ uma história de esperança. No filme, uma adolescente fica grávida do segundo filho aos 16 anos e por ser gorda, negra e pobre, sofre uma série de preconceitos e acaba sendo expulsa da escola. Apresentar este filme na reunião de pais pode parecer estranho, já que se trata de um encontro entre pais e educadores de crianças de até quatro anos. Mas foi através do filme que temas como o papel da escola, do educador, da mídia, do poder público e a questão do preconceito e dos estereótipos foram abordados. “O filme fez tanto sucesso que, como tivemos que interromper a exibição para abrir a discussão, os pais fizeram um rodízio do DVD para assistir em casa”, orgulha­se Dilma. “Esse é nosso objetivo, despertar o interesse dos pais, porque se pelo menos 50% deles já multiplicarem o que conversam aqui a gente já muda muita coisa”, acrescenta. A diretora, que trabalhou em uma escola particular do bairro por 13 anos antes de ter o primeiro contato com os CEIs da UNAS em 2009, revela que logo que entrou no CEI percebeu que, diferentemente das escolas pagas, o projeto priorizava a liberdade e a criatividade das crianças. “Temos poucos brinquedos industrializados, a maioria a gente faz por aqui mesmo. Produzir o próprio brinquedo é mais interessante, mais educativo e mais divertido. Através do brincar você consegue tudo da criança”, explica. A diferença também está, segundo Dilma, no papel do educador, que no CEI administrado pela UNAS não age como se fosse uma babá da criança. “Em escola particular, a professora faz tudo: dá comida na boca, coloca o tênis, arruma a mala. O professor do nosso CEI tem que ser diferente e deixar a criança desenvolver a sua autonomia e sua responsabilidade”, acrescenta. Uma das atividades que mais demandam esses dois valores é a escovação dos dentes. No CEI Josefa Julia, as crianças do BII já aprendem a fazer a limpeza bucal sozinhas. É necessário ensinar a escovação por partes, sempre com atividades e brincadeiras relacionadas a essa ação: primeiro os pequenos aprendem a pegar a água com a mão, depois a não engolir nada na hora do bochecho, aprendem a cuspir. O processo todo chega a demorar três meses. Mas vale a pena.

Lavar as mãos também faz parte do aprendizado

Quem foi Josefa Julia? O CEI ganhou esse nome para homenagear a moradora de Heliópolis que se destacou na militância pelo direito à moradia. Muitos dizem que Josefa Julia era conhecida por estar sempre presente, não importando onde fosse, nos encontros relacionados à luta por melhores condições da comunidade.

Raio X do CEI Berçário II 21 crianças divididas em três salas Minigrupo I 24 crianças divididas em duas salas Minigrupo II 25 crianças em uma sala 12 educadoras: 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 7 professoras 1 auxiliar de limpeza 1 cozinheira 1 auxiliar de cozinha

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Contação de história com fantoches no CEI Josefa Julia 34 Unas Heliópolis e Região


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CEI SIMONE AGNALDA

Fachada do CEI Simone Agnalda Ferreira

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undado em novembro de 2008, o CEI fica dentro do Centro de Convivência Heliópolis, ou Pólo Cultural, como é conhecido. O CEI conta com um espaço privilegiado já que pode usufruir de toda a estrutura do Pólo, com cinema e teatro. Estar dentro do Centro de Convivência também significa socializar com as outras escolas ali dentro instaladas: CEI Nora Auler de Arruda Botelho, CEI Aparecida das Graças Silva Roseira, EMEI Antonio Francisco Lisboa, EMEF Presidente Campos Salles e ETEC ­ Heliópolis. Em breve, as crianças poderão contar ainda com um complexo esportivo (com piscina), uma biblioteca, e a Torre da Cidadania, que vai abrigar projetos da comunidade. “Essa interação entre as escolas é muito importante para a troca de experiência e de aprendizado entre os alunos, mas também entre os educadores”, explica a coordenadora pedagógica Ivone Vicente Dias, que trabalha no CEI desde 2009. “Nossos alunos foram convidados a visitar, por exemplo, a Mostra Cultural da EMEF Presidente Campos Salles, e lá todos aprendemos alguma coisa“, acrescenta. O tamanho do Pólo (ao todo são 46 mil m²) 36 Unas Heliópolis e Região

permite que os alunos do CEI Simone Agnalda Ferreira tenham muita liberdade. “Aqui eles enfiam o pé na lama, correm de um lado para o outro”, conta Ivone. Mas essa liberdade teve que ser trabalhada com todos os envolvidos no processo de educação: alunos, professores e pais. No início das atividades do CEI, muitos educadores ficavam com receio de perder as crianças de vista. Além disso, alguns pais, com medo do excesso de espaço, chegavam a vigiar seus filhos do portão. “Hoje as coisas mudaram. Professores e pais têm confiança no trabalho que vem sendo desenvolvido e no nosso Projeto Político Pedagógico. Criança tem que brincar, e quanto mais espaço melhor. Aqui ela aprende também a ter responsabilidade”, conclui.

O canteiro da fachada do CEI Simone Agnalda Ferreira foi construído com a ajuda das crianças


As noções de responsabilidade das crianças não são apenas discutidas nas atividades externas, mas em todo momento, na rotina do CEI. Cada aluno é orientado a ter cuidado com seus pertences: mochila, sapato, escova de dentes. Depois da hora do sono, as próprias crianças é que dobram seus cobertores, arrumam os colchonetes, sempre com a supervisão dos educadores. O CEI, que atende 176 crianças e tem 733,29 m², ganhou um presente das crianças e de seus familiares recentemente. Cada um trouxe uma planta ou flor para fazer o jardim da entrada da escola. Além disso, como de costume, as paredes do CEI estão sempre enfeitadas pelos trabalhos dos alunos que, com a chegada da primavera, mergulharam no poema de Vinicius de Moraes, As borboletas. Além de trabalhar as cores citadas nos versos do poeta, as crianças do minigrupo IIA criaram suas próprias borboletas fazendo carimbos com as mãos. Esse tipo de atividade vem sendo impulsionado como as formações promovidas pela UNAS e pelos parceiros, e são muito importantes para a consistência e continuidade do Projeto Político Pedagógico dos CEIs. “Eu trabalhava em uma escola particular com adolescentes de 12 e 13 anos. Logo que entrei aqui, em 2009, peguei a formação do Instituto Sidarta, que valorizava muito a questão do brincar, do lúdico, e me ajudou a descobrir como trabalhar com crianças. Foi participando desses projetos que compreendi que a criança é um ser ativo e interativo”, analisa Ivone.

Quem foi Simone Agnalda Ferreira? Filha de Cosme Zeferino Ferreira e Neide da Anunciação Ferreira, Simone Agnalda (7/10/1966 ­ 20/05/1997) foi uma grande liderança na comunidade na luta pelos direitos das mulheres e de moradia digna e pela educação de crianças e adolescentes. Deixou duas filhas, Caroline e Bárbara, e ganhou homenagem no CEI porque plantou em todos a esperança de que um mundo melhor é possível.

Raio X do CEI Berçário I 21 crianças divididas em três salas Berçário II 34 crianças divididas em duas salas Minigrupo I 75 crianças divididas em três salas Minigrupo II 50 crianças divididas em duas salas 29 educadoras: 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 1 auxiliar administrativo 18 professoras 3 auxiliares de limpeza 1 cozinheira 3 auxiliares de cozinha 1 auxiliar de saúde

Atividade feita a partir do poema de Vinicius de Moraes Unas Heliópolis e Região 37


Brinquedo feito com materiais reciclรกveis 38 Unas Heliรณpolis e Regiรฃo


Crianças do minigrupo I A/B com seus trabalhos ao fundo

Os pequenos do berçário II usaram somente tinta e os próprios pés para a atividade Unas Heliópolis e Região 39


CEI MARGARIDA MARIA ALVES

Fachada do CEI Margarida Maria Alves

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undado em julho de 1991, mas administrado pela UNAS desde 2007, o CEI com 586,04 m², é dirigido por Fabiana Rodrigues Martins Roseira, que carrega uma responsabilidade enorme no sobrenome. Ela é filha de Aparecida das Graças Silva Roseira, a Cidinha, uma das lideranças da UNAS, que hoje dá nome a um dos CEIs do Pólo Cultural. “Cresci ouvindo falar da missão da UNAS e acreditando no trabalho que é desenvolvido na comunidade. Minha família e eu continuamos a acreditar no sonho que minha mãe tinha de fazer a diferença na vida de crianças e adolescentes”, conta Fabiana. Esse também é o objetivo do CEI, ser um instrumento de mudança na vida de seus alunos. E mudar aqui significa educar apresentando novidades e elementos que não fazem parte do mundo cotidiano das crianças. A tarefa não é fácil e para isso a diretora conta com o apoio das 18 professoras e da coordenadora pedagógica Camila Francine Alves. Esse ano, por exemplo, a equipe resolveu abordar o folclore brasileiro de uma maneira diferente. Para não trabalhar em cima das 40 Unas Heliópolis e Região

lendas, atividade que elas já tinham feito anteriormente, resolveram mostrar que o folclore retrata também a cultura popular brasileira e optaram por resgatar as cantigas de roda na sua origem. A pesquisa na internet revelou que esse gênero está cada vez mais difícil de ser encontrado. Para não desperdiçar o trabalho e divulgar a raridade que tinham em mãos, as professoras decidiram gravar as músicas em CD, entregar para as crianças levarem para casa e dividirem essa experiência com os pais. “Muita gente aqui de Heliópolis é de origem nordestina e temos certeza de que essas músicas mais antigas fizeram com que os familiares se aproximassem das crianças com suas lembranças de infância”, explica Camila.

“A gente não pode trabalhar os princípios desvinculados das atividades de rotina do CEI” Camila, coordenadora pedagógica do CEI Margarida Maria Alves


Quem foi Margarida Maria Alves? Nascida em 5 de agosto de 1933 em Alagoa Grande, Paraíba, foi a primeira mulher presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade. Lutou pela defesa dos direitos dos trabalhadores sem terra e teve como principais metas o registro em carteira de trabalho, a jornada diária de trabalho de 8 horas, 13° salário, férias e demais direitos, para que as condições de trabalho no campo pudessem ser equiparadas ao modelo urbano. Por ser uma ameaça aos interesses latifundiários, foi Hora da soneca no CEI Margarida assassinada no dia 12 de agosto de 1983. A data é até hoje conhecida como o Dia As 156 crianças do CEI Margarida Nacional de Luta contra a Violência no participam de atividades regulares de Campo e pela Reforma Agrária. integração, porém é na festa de aniversariantes do mês que ela tem seu resultado mais efetivo. Isso acontece porque autonomia e responsabilidade também são explorados nesses encontros. “A gente não pode trabalhar os princípios desvinculados das atividades de rotina do CEI”, explica Camila. Em uma das festas, por exemplo, foi servida salada de frutas. Mas ao invés da salada ser oferecida aos pequenos já pronta, eles mesmos tiveram que montar seu prato. Na mesa, que é da altura deles, a equipe do CEI Margarida disponibilizou as frutas separadas, já cortadas. Com essa atividade, as crianças puderam optar pelas frutas que queriam (fazer escolhas), treinar a coordenação motora com o pegador e ajudar os amigos. O resgate das brincadeiras de rua também é muito explorado nas atividades dessa escola. No dia dos pais, por exemplo, o CEI promoveu uma oficina de construção de pipas. A proposta era simples: pais e filhos construírem juntos o brinquedo. A atividade serviu para estimular os pais a brincarem com seus filhos; mostrar que não é preciso gastar muito dinheiro pra se divertir com a criança; e impulsionar os pais a tirarem os filhos de dentro de casa, da frente da televisão.

Raio X do CEI Berçário I 26 crianças divididas em duas salas Berçário II 36 crianças divididas em duas salas Minigrupo I 38 crianças divididas em duas salas Minigrupo II 56 crianças divididas em três salas

27 educadoras : 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 18 professoras 2 auxiliares de limpeza 1 auxiliar administrativo 1 cozinheira 2 auxiliares de cozinha 1 auxiliar de saúde

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Fotos dos alunos do berçário II A fazem parte da decoração do CEI 42 Unas Heliópolis e Região


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CEI MINA

Fachada do CEI Mina

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om 590,21 m², o CEI foi o primeiro a ser administrado pela UNAS. O CEI, que já tem 22 anos, era inicialmente gerido pelo Governo do Estado, mas em 1999 começou a responder indiretamente para a Prefeitura, com intermediação da UNAS. A diretora Francilene Vieira da Silva é uma das funcionárias mais antigas, está no CEI há nove anos. “Foi o meu primeiro emprego na área de Pedagogia. Entrei como professora, depois fiquei seis anos como coordenadora pedagógica até virar gestora”, explica Francilene, que colocou de lado 12 anos de experiência como costureira para se dedicar à educação. As 130 crianças atendidas pelo CEI Mina têm, na hora da alimentação, um dos momentos de maior aprendizado e desenvolvimento da autonomia. Por aqui, assim como em outros CEI’s da UNAS, os próprios alunos se servem no buffet self­service, o que permite a criança exercer a liberdade de escolha. Os alunos do berçário recebem ajuda das professoras para a colocação da comida no prato de plástico, mas as crianças com mais de dois anos já se servem sozinhas e comem 44 Unas Heliópolis e Região

em prato de vidro, com garfo e faca. Ao escolher o que vai comer, arranjar cuidadosamente os alimentos no prato, a criança é incentivada a comer melhor. Além disso, o uso de talheres adequados possibilita a criança aprender a manuseá­los, desenvolvendo a coordenação motora. Os pequenos passam por um trabalho de motivação para que eles coloquem no prato apenas o quanto vão comer, isso ajuda e muito na diminuição do desperdício de comida. O uso de prato e copo de vidro nos CEIs é defendido por muitos especialistas, já que, ao contrário do plástico, que se deteriora rápido, torna­ se anti­higiênico, e é desagradável ao tato e aos olhos, o vidro é resistente, durável, fácil de limpar e mais bonito. As justificativas que muitas instituições encontram para não utilizar pratos e copos de vidro concentram­se no fato de que as crianças podem quebrá­los. Mas é justamente nesse momento que o CEI trabalha a noção de responsabilidade com seus alunos. Ainda com relação à alimentação, os CEIs da UNAS recebem semanalmente orientações de uma nutricionista, graças a parceria com a Fundação Abrinq.


Outro projeto que agita o CEI Mina é a Caminhada pela Paz, que acontece anualmente em Heliópolis. Professores, líderes comunitários, moradores e claro, as crianças, se juntam para fazer um apelo pela paz. Nesse ano, os alunos do CEI Mina ensaiaram as músicas, construíram instrumentos musicais e saíram para as ruas entoando a frase “a paz é de todos ou não é de ninguém”. Os pequenos chegaram até a dar entrevista sobre o assunto na Rádio Heliópolis.

Por que CEI Mina? O CEI ganhou esse nome por estar localizado na Rua da Mina, uma das vias mais importantes de Heliópolis e onde está sediada a UNAS. A rua foi batizada assim porque nela encontra­se uma mina d’água onde os antigos moradores da região buscavam água para beber, lavar roupa, em uma época que ninguém ali tinha acesso a água potável, nem saneamento básico. Foi na Rua da Mina que muitas famílias começaram a ser reunir na luta pelo direito à moradia e por melhores condições de vida.

Raio X do CEI Hora de brincar no CEI Mina

Berçário II 30 crianças divididas em duas salas Minigrupo I 48 crianças divididas em quatro salas Minigrupo II 52 crianças divididas em duas salas 21 educadoras: 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 12 professoras 2 auxiliares de limpeza 1 auxiliar administrativo 1 cozinheira 2 auxiliares de cozinha 1 auxiliar de saúde

Aluno brinca na casinha do CEI Mina

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Alunos do CEI Mina aprendem brincando 46 Unas Heli贸polis e Regi茫o


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CEI APARECIDA DAS GRAÇAS SILVA ROSEIRA

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Fachada do CEI Cidinha

Ao brincar com a criança, o adulto está brincando consigo mesmo”. É com essa frase de Carlos Drummond de Andrade que o CEI Aparecida das Graças Silva Roseira, ou simplesmente Cidinha, como foi carinhosamente apelidado, recebe seus alunos, pais, funcionários e visitantes. Assim como o CEI Simone Agnalda, a escola está instalada dentro do Pólo Cultural de Heliópolis, foi fundada em novembro de 2008, tem 721 m² e atende 176 crianças. “Somos irmãs gêmeas”, brinca a gestora Monica Rita da Conceição Amaral. Várias atividades das duas escolas são feitas em conjunto. Por exemplo, toda manhã, os Minigrupos I brincam juntos no parque. “É uma socialização gostosa e importante”, analisa Monica. A diretora entrou no CEI como educadora em dezembro de 2010 e no ano seguinte assumiu sua gestão. “A UNAS valoriza muito o trabalho de seus profissionais e investe nas pessoas”, explica. Investe mesmo. Dentro da escola, duas educadoras são exemplos disso. Deisi de Almeida dos Santos, 39 anos, começou 48 Unas Heliópolis e Região

trabalhar no CEI Simone em 2008 como auxiliar de cozinha, foi promovida a cozinheira e assim que terminou a faculdade de Pedagogia ­ com uma bolsa de estudos que ganhou graças à parceria entre a UNAS e a Faculdade São Marcos ­ começou a trabalhar como educadora no CEI Cidinha. “Cresci de pouquinho em pouquinho na UNAS e agarrei essa oportunidade com unhas e dentes. A UNAS me empurrou, me fez evoluir”, conta Deisi. Moradora da Rua da Mina há 22 anos, ela frequenta as reuniões da UNAS mesmo antes de trabalhar no CEI e conhece a história de Aparecida das Graças Silva Roseira, liderança em Heliópolis que deu nome ao CEI e que trabalhou como cozinheira antes de virar gestora no CCA PAM. “Nunca fiz uma comparação entre as nossas vidas, mas já pensei em ter meu nome em um CEI”, brinca.

Os CEIs Cidinha e Agnalda são vizinhos no Pólo


A história de Neury Batista é um pouco diferente. Ela já tinha começado a estudar Pedagogia em Canarana, na Bahia, onde nasceu. Teve que interromper os estudos por falta de recursos financeiros. Decidiu vir para São Paulo e começou a trabalhar como auxiliar de limpeza no CEI Cidinha em 2011. Voltou a estudar Pedagogia e em 2013 passou a ser educadora volante, ou seja, auxilia em todas as salas. “Criança é minha felicidade. Depois que entrei na sala de aula minha vida mudou muito, minha autoestima subiu. Quero ser uma professora renomada”, conta Neury. Outras duas funcionárias ganham destaque na história da escola: Auriza Batista Oliveira e Elizabeth Cordeiro de Santana foram as primeiras educadoras a pisar no CEI. E começaram como voluntárias, sem receber salário. Pouco antes dos CEIs do Pólo abrirem as portas, foi preciso mobilizar a comunidade sobre a abertura das vagas. Isso porque, naquela época o sistema de inscrições para vagas nos CEIs não era unificado. Auriza e Elizabeth saíram batendo de porta em porta. “Tempos duros, mas hoje em dia é ao contrário, tem um monte de gente na fila de espera”, analisa Elizabeth.

Quem foi Aparecida das Graças Silva Roseira? Cidinha, como era chamada, nasceu em 6 de agosto de 1956 em Santa Rosa do Viterbo, interior de São Paulo. Na década de 1970, mudou para a capital. Em maio de 1976, casou com João Albino Rodrigues Martins Roseira. O casal teve quatro filhos ­ Cleber, Kátia e os gêmeos Fabiana e Fábio ­ e adotou mais um, Johnatan. Em 1984, a família se mudou para Heliópolis. Cidinha se engajou na luta por urbanização, educação, saúde e direito das mulheres. Organizou o movimento que culminou com a implantação do CCA PAM, onde trabalhou como cozinheira e depois como gestora. Passou sua paixão pela educação aos filhos ­ três deles trabalham em projetos educacionais da UNAS ­ e deixou como legado o compromisso com a luta, a simplicidade, a humildade e a firmeza, que devem ser seguidos pelas próximas gerações.

Raio X do CEI Berçário I 21 crianças em uma sala Berçário II 34 crianças divididas em duas salas Minigrupo I 71 crianças divididas em seis salas Minigrupo II 50 crianças divididas em duas salas 30 educadoras : 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 1 auxiliar administrativo 19 professoras 3 auxiliares de limpeza 1 cozinheira 3 auxiliares de cozinha 1 auxiliar de saúde Trabalho artístico do MGII Unas Heliópolis e Região 49


Contação de Histórias com as crianças do CEI Aparecida Das Graças Silva Roseira 50 Unas Heliópolis e Região


Unas Heli贸polis e Regi茫o 51


CEI FREI SÉRGIO CALIXTO VALVERDE

CEI Frei Sergio Calixto Val Verde

Fachada do CEI Frei Sérgio Calixto Valverde

O

CEI funciona desde 1999, mas está sob administração da UNAS desde o começo de 2012. Foi nessa mesma época que o centro passou a atender, além de seus próprios alunos, crianças do CEI Jardim Celeste, que foi desativado por falta de estrutura no atendimento. Hoje o CEI, com uma área total de 762,5 m², atende 160 crianças a partir do Berçário II (um ano) e compõe um pólo de atendimento, já que ao seu lado funciona o CCA Sacomã e o SASF Chico Mendes. O Jardim São Savério, bairro onde está localizado o CEI Frei Sérgio Calixto Valverde, é considerado uma região de alta vulnerabilidade social, com a presença de drogas e violência constante. E o Centro de Educação, claro, acaba sofrendo o reflexo dos problemas da comunidade. Nesse ano de 2013, por exemplo, eles já foram assaltados três vezes. Como combater isso e garantir um trabalho de qualidade? A diretora Penépole Cândido de Souza conta que o desafio é enorme, mas que não falta força para mudar essa realidade. “O nosso dever é informar a população sobre seus direitos e facilitar o acesso à todo e qualquer tipo de informação que pode 52 Unas Heliópolis e Região

ajudar a mudar a vida dessas famílias e, consequentemente, da comunidade”, explica. Algumas ações que fazem parte do Projeto Político Pedagógico da UNAS vem ajudando nesse processo. Por exemplo: diferentemente dos outros CEIs da região, o CEI Frei Sérgio não estipula dia nem horário específicos para que os pais façam a inscrição de seus filhos no sistema de vagas da Prefeitura. Outra atividade que tem um resultado bem significativo de aproximação com a comunidade é a de permitir o livre acesso dos pais ao CEI, onde estes acompanham o café da manhã com seus filhos, permitindo que os pais levem as crianças até a sala de aula. “Temos relatos de muitos pais que diziam nunca ter entrado num CEI, que não tinham a mínima ideia do que seus filhos comiam”, conta Penépole. “Vamos, aos poucos, ganhando a confiança da comunidade”, acrescenta. Por exemplo, a visita domiciliar, que é realizada duas vezes por ano pelos educadores com o objetivo de conhecer melhor a realidade de cada uma das crianças para entender seu desempenho escolar, teve certa resistência no ano passado. Segundo a diretora, hoje alguns pais acham que duas vezes por ano é pouco.


CEI Frei Sergio Calixto Val Verde “Quem sabe se estamos com excesso de algum alimento é a cozinheira, ela não pode deixar de participar desse processo (elaboração do cardápio). Ela também tem que observar se a criança está ou não comendo o que ela prepara e qual o motivo da rejeição, se houver” Penépole Cândido de Souza Diretora do CEI

No CEI Frei Sérgio, não só a autonomia das crianças é instigada, mas também a dos funcionários. A cozinheira é estimulada a definir o cardápio junto com a diretora e com a auxiliar de saúde. “Quem sabe se estamos com excesso de algum alimento é a cozinheira, ela não pode deixar de participar desse processo. Ela também tem que observar se a criança está ou não comendo o que ela prepara e qual o motivo da rejeição, se houver", analisa Penélope. Atividades de alimentação também são pedagógicas. Certa vez, serviram no CEI Frei Sérgio peixe durante o almoço. Algumas crianças nunca tinham comido a carne branca e estranharam a textura, o cheiro. Depois de alguns dias, o CEI conseguiu realizar uma saída para um aquário e o peixe que as crianças comeram pode ser analisado, estudado, ganhando significado para os alunos.

Quem foi Frei Sérgio Calixto Valverde? Coordenador da Pastoral de Favelas da Região Episcopal do Ipiranga que, na década de 1970, trabalhou diretamente com as famílias que ocupavam Heliópolis (seja pela transferência das famílias da favela de Vila Prudente, seja pelos trabalhadores que ali se instalavam por conta da construção do Hospital Heliópolis e até mesmo pela transferência de famílias que queriam deixar de pagar alugueis abusivos). Frei Sérgio ganhou homenagem no CEI porque foi uma das pessoas que apoiou a luta dos moradores de Heliópolis pelo direito à moradia e que trouxe a visão de que a comunidade podia lutar por esse e outros direitos como instalação de água, luz, coleta de lixo e canalização dos córregos.

Raio X do CEI Berçário II 54 crianças divididas em duas salas Minigrupo I 58 crianças divididas em três salas Minigrupo II 48 crianças divididas em duas salas

25 educadoras : 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 17 professoras 2 auxiliares de limpeza 1 cozinheira 2 auxiliares de cozinha 1 auxiliar de saúde Cozinha do CEI Frei Sérgio Calixto Valverde Unas Heliópolis e Região 53


Turminha do CEI com Kety, a gatinha de estimação da classe, que foi produzida com material reciclável 54 Unas Heliópolis e Região


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CEI GIRASSOL

Fachada do CEI Girassol

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m dos projetos mais importantes do CEI Girassol em 2013 foi a Exposição Folclórica. A ideia surgiu em agosto, na reunião administrativa, quando as professoras e a coordenadora pedagógica sugeriram que o trabalho anual feito com folclore resultasse em alguma atividade diferente, algo nunca antes feito no CEI, que surpreendesse pais e crianças, e que de alguma forma explorasse os cinco princípios da UNAS. Resolveram então produzir uma exposição artística. “A gente sempre mostra os trabalhos dos alunos para os pais, mas montar uma exposição e deixá­la em cartaz por um tempo dá um impacto maior porque não só os familiares podem visitar, mas também a comunidade”, conta a coordenadora pedagógica Gislene Costa Azevedo. 56 Unas Heliópolis e Região

A exposição foi aberta ao público no dia da reunião de pais, em setembro. São ações como essa que aproximam a criança de seus familiares, que muitas vezes não têm tempo ou não sabem muito bem o que fazer para participar do processo pedagógico pelo qual a criança está passando. “Teve até uma avó que veio do Rio de Janeiro para ver o trabalho do neto”, conta Gislene. “E é esse nosso intuito: mudar o olhar dos pais e dos familiares para a educação“, acrescenta. Mas produzir uma exposição dessas não é nada fácil e dá um trabalhão. Até porque o objetivo é envolver a criança em todas as atividades relacionadas à mostra, desde a criação das obras até a montagem do espaço expositivo. Foi então que o folclore entrou de uma vez na rotina da escola e passou


Por que Girassol?

Hora da refeição

a definir o tema de várias atividades distintas como desenho, pintura, escultura, dança e música. Para isso, foram levadas em conta as seguintes premissas: mostrar para a criança que o folclore faz parte da cultura do país; explorar os movimentos do corpo pelas brincadeiras folclóricas; perceber que uma lenda amplia os conhecimentos, desperta o interesse, a curiosidade e a criatividade; reviver o valor cultural das brincadeiras folclóricas envolvendo as famílias; desenvolver o imaginário infantil; e construir o conhecimento do folclore brasileiro através da participação e vivência real nas brincadeiras. O resultado foi magnífico: mais de 70 trabalhos sobre as lendas da Iara, do Boi Bumbá, do Negrinho do Pastoreio, do Sapo Cururu e do Saci Pererê. “As crianças ficaram encantadas com a noção de exposição, já que na cabeça deles eles estavam produzindo um trabalho isolado, mas na mostra ele fez parte de um contexto, ganhou um sentido maior”, conta Gislene. O retorno positivo veio por parte dos pais e dos funcionários, que se empenharam e se uniram muito para conseguir fazer com que a exposição acontecesse com tão pouco prazo. “A troca entre os pais foi muito enriquecedora. Eles apreciavam não só os trabalhos de seus filhos, mas também o de outras crianças, faziam apontamentos, sugestões entre eles. Isso fortalece ainda mais a noção de comunidade”, analisa a coordenadora pedagógica.

O CEI recebeu o nome de Girassol porque a flor que acompanha a direção do sol tem relação direta com a palavra Heliópolis, que em grego quer dizer cidade do sol. A educação é como o sol, norteadora de todas as ações do CEI e da comunidade.

Raio X do CEI Berçário II 7 crianças em uma sala Minigrupo I 26 crianças divididas em duas salas Minigrupo II 37crianças divididas em duas salas

11 educadoras : 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 6 professoras 1 auxiliares de limpeza 1 cozinheira 1 auxiliar de cozinha

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Fotos da abertura da exposição criada pelos próprios alunos do CEI Girassol 58 Unas Heliópolis e Região


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CEI JARDIM CLÍMAX I

Fachada do CEI Jardim Clímax I

Primeiro CEI administrado pela UNAS fora de Heliópolis, foi fundado em 2001, passou pela gestão de outra entidade, mas no mesmo ano começou a operar sob a supervisão da UNAS. O Centro tem 655 m², atende 153 crianças, quase todas moradoras do bairro que dá nome à escola. Dentro do CEI, educação e brincadeira dividem espaço nos vários cantinhos montados diariamente pelos professores. A prática dos cantinhos integra o Projeto Político Pedagógico aplicado nos CEIs administrados pela UNAS. É simples, barata e muito eficaz. A ideia é transformar uma sala de aula num lugar com diversas atividades, todas ao mesmo tempo. Dessa forma, os grupos de crianças se dividem entre os cantinhos da pintura, da beleza, da cozinha, do médico, do escritório. A atividade incentiva a autonomia das crianças, que escolhem o cantinho do qual vão participar, tomam decisões, responsabilizam­se por suas ações e contam consigo próprias e com os colegas ­ e não somente o professor ­ como parceiros de troca. Dessa forma, as brincadeiras educativas vão tomando o rumo que as crianças definem, sem a necessidade de um direcionamento maior do professor. “Não quer 60 Unas Heliópolis e Região

dizer que o professor não dá orientações, mas o papel dele aqui não é definir o que os alunos vão fazer e como devem fazer, e sim escolher a melhor forma de construir o espaço e propor desafios ao grupo, sempre variando as atividades para não cair na rotina”, explica a diretora Cristina Silva de Lacerda, que está à frente do CEI Jardim Clímax desde 2007. Os cantinhos também acabam fazendo com que as próprias crianças aprendam a gerir seu espaço e saibam cuidar dos materiais de uso coletivo, esses, vale ressaltar, feitos a partir de caixas de papelão, garrafas pet, ou seja, os chamados materiais pouco estruturados, que não têm necessidade de investimento financeiro e são resultado de muita criatividade. “Nos cantinhos também conseguimos trabalhar a desmistificação da divisão entre as brincadeiras de menino e de menina”, acrescenta Cristina. “Se um menino vai para o cantinho da cozinha ou da manicure, não vamos intervir, não vamos cercear as escolhas”. Um dos cantinhos mais famosos e fixos no CEI Jardim Clímax I é o do nariz. “É onde a criança vai começar a perceber o cuidado com o corpo“, analisa a diretora.


Na parede, é colocado um espelho na altura da criança ao lado de um rolo de papel higiênico. Quando o nariz da criança fica sujo, ela é incentivada pelo professor a se olhar e se limpar, entender o que está fazendo. Aos poucos a atividade passa a ser um hábito, contribuindo para sua autonomia.

Cantinho do nariz do CEI Jardim Clímax I

A responsabilidade também é trabalhada diariamente, com atividades como O ajudante do dia, que, entre outras atribuições, deve ajudar a professora com a chamada, conversar com a cozinheira para divulgar o cardápio do dia, etc. Assim como em outras escolas administradas pela UNAS, a estética do CEI valoriza o trabalho da criança. Nas paredes das salas, ao invés da letra bonita do professor, o que vemos são os trabalhos dos alunos expostos sempre na altura deles. “Quando comecei a trabalhar aqui é que entendi que os projetos não seguem a linha tradicional, que aqui as crianças são responsáveis pela construção estética do espaço. Muitas professoras do CEI já tinham passado por formações importantes, como a do Instituto Avisa Lá, que ressaltava a importância da mudança do espaço físico para uma educação eficaz”. Cristina se refere ao fato de que em muitas outras instituições de ensino, o professor, com o objetivo de deixar a sala bonita e enfeitada, acaba ignorando a produção dos alunos e decorando o espaço, que é da criança, com algo que não foi feito por ela em uma altura que ela não consegue nem ver, muito menos tocar, com medo de que o aluno estrague a atividade. “Se eles estragarem, a gente vai fazer de novo, junto com eles, estamos aqui para isso”.

Cantinho da familia do CEI Jardim Clímax I

Raio X do CEI Berçário I 21 crianças em uma sala Berçário II 45 crianças divididas em duas salas Minigrupo I 45 crianças divididas em duas salas Minigrupo II 42 crianças divididas em duas salas

25 educadoras : 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 17 professoras 2 auxiliares de limpeza 1 cozinheira 2 auxiliares de cozinha 1 auxiliar de saúde

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Crianças do berçário com suas professoras 62 Unas Heliópolis e Região


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CEI MINERVINO RODRIGUES

Equipe da cozinha do CEI Minervino acompanhada por nutricionistas

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CEI Minervino foi inaugurado em novembro de 2013, a escola tem seus mais de 1000 m² distribuídos em três prédios com capacidade para atender 265 crianças. O CEI ainda está passando por pequenas reformas, pois o prédio teve que mudar bastante estruturalmente para atender todas as necessidades de uma escola de educação infantil. “Há três anos, funcionava aqui uma escola particular, então tivemos que providenciar adaptações nos banheiros, nas salas, e principalmente na cozinha, que foi totalmente reformada porque tinha uma estrutura de lanchonete”, conta a diretora Cristiane da Silva Francinelli Cruz. As mudanças não só ocorrem na estrutura do prédio, mas também na cabeça de quem trabalha ali ou frequenta o lugar. A maioria dos professores são novos e nunca tiveram contato com o Projeto Político Pedagógico da UNAS. “Temos feito formações para apresentar como a UNAS pensa a educação e o cuidar”, explica Cristiane.“Muitos pais 64 Unas Heliópolis e Região

também não conhecem a UNAS e o nosso pensamento político­pedagógico, então já estamos conseguindo mostrar que aqui valorizamos a autonomia e a responsabilidade da criança, que olhamos para ela de um jeito diferente das outras escolas. Sinto que os pais estão gostando do que estão vendo”, acrescenta.

Os murais com as rotinas já começam a decorar o novo CEI


Quem foi Minervino Rodrigues Ferreira?

Educadoras constroem os primeiros brinquedos do CEI

Minervino Rodrigues Ferreira chegou em Heliópolis na década de 1970 com a mulher e os cinco filhos. No bairro, que nessa época não tinha nenhuma infraestrutura, construiu o barraco onde ele e sua família moraram por muito tempo, até conseguir construir uma casa de alvenaria. Seu Minervino ajudou na construção do local onde os moradores começaram a se reunir para discutir a luta pelo direito à água, luz e moradia digna. Hoje esse local é um dos mais simbólicos projetos da UNAS, o CCA Mina. Por causa de todo seu engajamento nos assuntos relacionados ao desenvolvimento da comunidade, a UNAS faz uma homenagem a Minervino dando seu nome ao CEI administrado pela entidade.

Raio X do CEI Berçário I seis grupos com 6 a 14 crianças em cada Berçário II 22 grupos com 9 a 25 crianças em cada Minigrupo I quatro grupos com 24 crianças em cada Minigrupo II previsão para atender as crianças a partir de 2014

No primeiro mês de funcionamento, a escola trabalhou em regime de adaptação, ou seja, as crianças passam menos tempo no CEI e estão acompanhadas por seus pais ou responsáveis, para que fiquem acostumadas com o novo espaço e as novas pessoas. “É um método para a criança não estranhar a nova rotina, não sofrer tanto com a mudança e nos ajuda a aproximar os familiares do CEI”, explica a diretora.

48 educadoras : 1 gestora 1 coordenadora pedagógica 1 auxiliar administrativo 35 professoras 4 auxiliares de limpeza 1 auxiliar de saúde 1 cozinheira 4 auxiliares de cozinha

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Mães e familiares acompanham as crianças na refeição durante a adaptação 66 Unas Heliópolis e Região


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CEI Leonarda Soares Alves

O convívio desde cedo contribui na formação social

A

ssim como todos os CEIs administrados pela UNAS, o CEI Leonarda Soares Alves busca o desenvolvimento integral das 280 crianças, de 0 a 1 ano,atendidas por ele. Nele, todos os aspectos de cada criança, que está iniciando sua experiência no CEI, são aprimorados, seja ele físico ou social. Através dos CEIs, as crianças são incentivadas a melhorar seu progresso perceptivo, motor, intelectual e emocional. Todas as ações pedagógicas tomadas pelo CEI são direcionadas à formação do cidadão desde os primeiros contatos que ele tem com ambientes externos, respeitando sempre o Projeto Político ­Pedagógico da UNAS. Por conta do nome longo, o centro é chamado apenas pelo primeiro, CEI Leonarda. Aberto recentemente, em 06 de maio deste ano, o CEI Leonarda fica localizado na Estrada das Lágrimas, via importante dentro de Heliópolis.Nesse trecho da comunidade há muito movimento pela quantidade de residências, prédios e diversos comércios dos variados tamanhos. 68 Unas Heliópolis e Região

Para a diretora, Katia Regina de Lima Manoel, administrar um CEI dentro da comunidade é muito importante, pois contribui no atendimento aos que mais precisam, além de fazer parte do desenvolvimento de diversas crianças. “A importância do CEI, não só o Leonarda, para a população é muito grande, afinal oferece atendimento para a grande demanda que há em Heliópolis, principalmente, para essa faixa etária. Contribuir com essas ações, possibilita a realização de colaborar para o desenvolvimento dessas crianças e atender a população que realmente necessita”, relata Katia. Aliado aos projetos da UNAS, os agentes que desenvolvem suas tarefas no CEI procuram preencher as lacunas da população, de forma que apoie as intenções da UNAS em transformar Heliópolis em um bairro educador. Afinal, educação de qualidade é uma das principais metas da UNAS e isso vai a partir da infância, idade onde tudo é possível e nada é descartado. Desde que a atuação da UNAS passou a atingir outras necessidades, além da moradia, projetos e ações são desenvolvidos em benefício coletivo e buscam a inclusão por meio da cultura e lazer, além da, já dita, educação.


Assim como afirma a presidente da UNAS, Antonia Cleide Alves, através da educação e da cultura é possível tornar as pessoas mais capacitadas para viver em sociedade, como também para sanar as dificuldades.“Essas ações são importantes para articular o poder público a criar iniciativas políticas, afinal elas empoderam a comunidade pelos direitos e o controle social. Elegemos a educação como prioridade, pois a educação emancipada traz oportunidades de emprego, consciência política e social”, afirma a presidente Antonia Cleide. Comoção, indignação e luta Apesar de novo, o CEI Leonarda carrega uma grande memória em seu nome, afinal por trás dele existe uma história de comoção e luta, que há 15 anos faz parte das iniciativas que existem em Heliópolis. Leonarda Soares Alves dá nome ao CEI por ter sido assassinada em frente a escola que estudava, a EMEF Campos Salles. E além de nomear um dos centros de ensino, a morte de Leonarda foi a principal razão para dar início a Caminhada da Paz, que nasceu no ano de sua morte, gerada pela indignação dos líderes comunitários. Desde então, a caminhada é feita anualmente e percorre cerca de 4 km dentro das ruas estreitas do bairro. E, para isso, é eleito um tema que busque o fim da violência, como também outras questões de interesse social e benefício coletivo. A caminhada visa despertar na população a luta por direitos e justiça.

Quem foi Leonarda Soares Alves? Leonarda Soares Alves era estudante da EMEF Campos Salles e em março de 1999 foi assassinada a tiros ao voltar da escola. O crime foi cometido por Leonarda não querer se relacionar com um rapaz, que por vingança mandou que a matassem. O homicídio gerou revolta na comunidade e a partir dessa lamentável ação os agentes comunitários passaram a realizar todos os anos a Caminhada da Paz. Movimento popular com objetivo de refletir sobre as atitudes de paz, com grande sucesso entre os moradores.

Raio X do CEI Berçário I 137 crianças divididas em seis salas

Berçário II

143 crianças divididas em seis salas

55 educadoras : 1 diretora 1 coordenadora pedagógica 1 auxiliar administrativo 41 professoras 4 auxiliares de limpeza 1 auxiliar de saúde 1 cozinheira 4 auxiliares de cozinha 1 auxiliar de manutenção As crianças são incentivadas a desenvolver seus sentidos como o tato e o paladar. Unas Heliópolis e Região 69


Em roda,as atividades s찾o desempenhadas para que todos se vejam. 70 Unas Heli처polis e Regi찾o


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