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biCIT 5 - edição abril a julho de 2016

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. EDIÇÃO 5 ABRIL A JULHO DE 2016

CIT

bi

boletim informativo da Cáritas da Ilha Terceira

VOLUNTARIADO

SER VOLUNTÁRIO NA CÁRITAS DA ILHA TERCEIRA PROGRAMA NACIONAL DE VOLUNTARIADO EM FÉRIAS RECORDAR VOLUNTARIADO EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE VOLUNTARIADO JOVEM REPORTAGEM FOTOGRÁFICA DE LUÍS GODINHO NO SENEGAL


EDIÇÃO 5 – ABRIL A JULHO DE 2016

12 20 24

12

VOLUNTARIADO EM SÃO TOMÉ

Rosa Pires fala de como recorda as pessoas, paisagens, sorrisos, rostos, tristezas e alegrias da sua experiência em São Tomé e Príncipe.

16 VOLUNTARIADO JOVEM Ana Catarina Pimentel indica qual a sua visão sobre o voluntariado jovem, quer como assistente social, quer como integrante do Séquito Real das Sanjoaninas 2016.

20 VOLUNTARIADO NA CIT

Entrevista realizada a várias Voluntárias da Cáritas da Ilha Terceira.

24 REPORTAGEM FOTOGRÁFICA NO SENEGAL O fotografo Luís Godinho deslumbra-nos com um conjunto de belíssimas fotografias tiradas numa viagem voluntária ao Senegal.

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Edição 5 abril a julho de 2016

IMAGEM DA CAPA: LUÍS GODINHO ENTIDADE FINANCIADORA:


Editorial

Apesar de existirem algumas divergências relativamente ao conceito de voluntariado, parece ser consensual afirmar que o voluntariado é uma atividade não remunerada, assumida de livre vontade, em que alguém oferece o seu tempo. Trata-se de uma prática de extremo valor económico e social, principalmente para as organizações não-governamentais sem fins lucrativos. Nesta edição do biCIT, vamos focar-nos nesta

Nuno Lopes

temática, nomeadamente tentar responder a algumas das questões

Coordenador da Unidade de Planeamento, Qualidade e Comunicação da CIT

básicas de quem quer vir a ser voluntário; conhecer o programa de voluntariado nacional em férias para estudantes de medicina, que decorreu na Cáritas; contemplar a experiência da nossa colaboradora Rosa Pires quando realizou voluntariado em São Tomé e Príncipe; analisar a visão da nossa estagiária Ana Catarina Pimentel sobre o voluntariado jovem; vamos ouvir também na primeira pessoa a experiência de várias voluntárias da Cáritas da Ilha Terceira e, por último, podemos apreciar 11 das 30 fotografias da exposição de Luís Godinho que irão percorrer o país e cuja sua venda reverterá para apoiar crianças do Senegal.

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Edição 5 abril a julho de 2016


NOTÍCIAS

Cáritas presente na III BioFeira

Cáritas da Ilha Terceira inaugurou, no dia 14 de abril, a Sala de convívio Celso Rodrigues

De 20 a 22 de maio, a Cáritas da Ilha Terceira ( CIT ) marcou presença na III BioFeira promovida pelo nosso parceiNuma iniciativa solidária organiza- dente da Cáritas Portuguesa,

ro Cooperativa BioAzórica.

da pela GrandVision Portugal e Professor Eugénio da Fonseca,

Durante o fim de semana,

pela MultiOpticas Angra do Heroís- da Engª Anabela Borba, Presi-

quem passou pela Marina da

mo, a Cáritas da Ilha Terceira dente da Cáritas da Ilha Tercei-

Praia da Vitória pôde aferir o

recebeu ontem uma nova Sala de ra, do Bispo D. João Lavrador,

trabalho

Convívio, espaço dedicado aos da Diocese, do Dr. Rui Borges,

nossa Ilha em torno da agri-

jovens da instituição, que presta CEO da GrandVision Portugal e

cultura biológica.

homenagem a um voluntário da do Dr. Francisco Pamplona, franinstituição – Celso Rodrigues. A quiado MultiOpticas Angra do inauguração que contou com uma Heroísmo. ” green MEDIA. cerimónia de descerramento da placa com a presença do Presi-

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Edição 5 abril a julho de 2016

desenvolvido

na

A CIT marcou presença com um ponto de venda de produtos biológicos da marca As Nossas Quintas.


Feira do Ambiente De forma a celebrar o Dia Mundial do Ambiente, no dia 08 de junho, os Serviços

Municipalizados

de

Angra

do

Heroísmo organizaram na Praça Velha a "Feira do Ambiente". Durante o dia foram dinamizadas diversas atividades, sendo que a Cáritas da Ilha Terceira esteve presente com um ponto de recolha de vestuário e com a venda de compotas da marca As Nossas Quintas.

Recolha de Alimentos angariado 5.614 kg de alimentos. A Cáritas da Ilha Terceira agradece a todos os que contribuí6.884 kg. Os alimentos recolhi-

ram para esta causa através dos

( C IT ) angariou 6.884 kg de ali-

dos

donativos, e também aos volun-

mentos na recolha que promoveu

diversas famílias que se encon-

tários

nos dias 02 e 03 de julho, nas

tram em situação de maior vulne-

ações de recolha e separação

superfícies comerciais Continente

rabilidade socioeconómica, e que

dos

e Guarita da Ilha Terceira.

recorrem à Cáritas. A CIT promo-

superfícies comerciais que cede-

Em Angra do Heroísmo foram

veu esta recolha de género ali-

ram o seu espaço.

obtidos 4.324 kg e na Praia da

mentares pelo segundo ano con-

Vitória 2.560 kg, num total de

secutivo, depois de em 2015 ter

A

Cáritas

da

Ilha

Terceira

serão

distribuídos

pelas

que

participaram

alimentos,

nas

tal como às

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Edição 5 abril a julho de 2016


NOTÍCIAS

+Próximo

Encerramento Projeto TRAD ( E ) - IN

na Graciosa Nos dias 5, 6 e 7 de maio, realizaram-se na Ilha Graciosa

as

Jornadas

do

+Próximo, nas quais foram abordados três módulos: Eclesiologia, Voluntariado de Proximidade e Doutrina A Cáritas da Ilha Terceira, no dia

da Praia da Vitória e com uma

Social da Igreja.

29 de abril, levou a cabo a ses-

unidade de facilitadores onde se

A emergência de uma rea-

são

incluem a Câmara Municipal de

lidade social, caraterizada

TRAD ( E ) - IN - Tradição e Ino-

Angra

Direção

por um aumento de situa-

vação

Empregabilidade,

Regional do Emprego e Qualifica-

ções de pobreza e exclu-

financiado pelo mecanismo finan-

ção Profissional, Direção Regio-

são social, conduziu a que

ceiro das EEA Grants ( Noruega,

nal da Solidariedade e Seguran-

se tornasse determinante

Islândia e Liechstein ) do Progra-

ça

e

a construção de uma ação

ma Cidadania Ativa, gerido pela

Secundária Tomás de Borba e

social mais próxima, a qual

Fundação Calouste Gulbenkian.

Escola Secundária Jerónimo e

apela ao envolvimento de

Este projeto de intervenção social

Emiliano de Andrade.

todas e de cada uma das

encerramento

para

do

projeto

do

Social,

Heroísmo,

Escola

Básica

foi realizado em parceria com a

comunidades

cristãs

Fundação de Ensino Profissional

consequentemente,

e, ao

rejuvenescimento da Pas-

06

Edição 5 abril a julho de 2016

toral Social.


Feira do Voluntariado

A 28 de maio, a Cáritas da Ilha

va promovida pela Câmara Muni-

dário demonstrassem o trabalho

Terceira participou na Feira de

cipal de Angra do Heroísmo e

por elas desenvolvido, sensibili-

Voluntariado que se realizou na

pelo Séquito Real ep ermitiu que

zando a comunidade para a

Praça Velha. Esta foi uma iniciati-

diversas instituições de cariz soli-

importância do voluntaria-

Bodo de Leite na ARCIT A 13 de maio, e inserido no projeto “ E spírito Santo ” , a valência Animação de Rua da Cáritas da Ilha Terceira promoveu um Bodo de Leite na urbanização do Lameirinho. Com esta iniciativa pretendeu-se fomentar junto dos nossos jovens utentes o gosto por uma tradição tão nossa, bem como chegar até junto da comunidade.

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Edição 5 abril a julho de 2016


VOLUNTARIADO

Ser Voluntário Algumas Questões

O que é o Voluntariado? É o conjunto de ações de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projetos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade, desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas. A Legislação Portuguesa não considera voluntariado as atuações que, embora desinteressadas, tenham um carácter isolado e esporádico ou sejam determinadas por razões familiares, de amizade e de boa vizinhança.

Existe alguma legislação que regulamenta o Voluntariado em Portugal? Sim, a Lei nª 71/98 de 3 de Novembro, que define as bases do enquadramento jurídico do voluntariado.

Quais são os direitos dos voluntários? São direitos do voluntário: a ) Ter acesso a programas de formação inicial e contínua, tendo em vista o aperfeiçoamento do seu trabalho voluntário; b ) Dispor de um cartão de identificação de voluntário; c ) Enquadrar-se no regime do seguro social voluntário, no caso de não estar abrangido por um regime obrigatório de segurança social; d ) Exercer o seu trabalho voluntário em condições de higiene e segurança; e ) Faltar justificadamente, se empregado, quando convocado pela organização promotora, nomeadamente por motivo do cumprimento de missões urgentes, em situações de emergência, calamidade pública ou equiparadas; f ) Receber as indemnizações, subsídios e pen-

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Edição 5 abril a julho de 2016


sões, bem como outras regalias legalmente definidas, em caso de acidente ou doença contraída no exercício do trabalho voluntário; g ) Estabelecer com a entidade que colabora um programa de voluntariado que regule as suas relações mútuas e o conteúdo, natureza e duração do trabalho voluntário que vai realizar; h ) Ser ouvido na preparação das decisões da organização promotora que afetem o desenvolvimento do trabalho voluntário; i ) Beneficiar, na qualidade de voluntário, de um regime especial de utilização de transportes públicos, nas condições estabelecidas na legislação aplicável; j ) Ser reembolsado das importâncias despendidas no exercício de uma atividade programada pela organização promotora, desde que inadiáveis e devidamente justificadas, dentro dos limites eventualmente estabelecidos pela mesma entidade.

Quais são os deveres dos voluntários? São deveres do voluntário: a ) Observar os princípios deontológicos por que se rege a atividade que realiza, designadamente o respeito pela vida privada de todos quantos dela beneficiam; b ) Observar as normas que regulam o funcionamento da entidade a que presta colaboração e dos respetivos programas ou projetos; c ) Atuar de forma diligente, isenta e solidária; d ) Participar nos programas de formação destinados ao correto desenvolvimento do trabalho voluntário; e ) Zelar pela boa utilização dos recursos materiais e dos bens, equipamentos e utensílios postos ao seu dispor; f ) Colaborar com os profissionais da organização promotora, respeitando as suas opções e seguindo as suas orientações técnicas; g ) Não assumir o papel de representante da organização promotora sem o conhecimento e prévia autorização desta; h ) Garantir a regularidade do exercício do trabalho voluntário de acordo com o programa acordado com a organização promotora; i ) Utilizar devidamente a identificação como voluntário no exercício da sua atividade

Como se pode tornar voluntário da CIT? Qualquer cidadão que queira exercer a pratica de voluntariado na CIT, deve enviar um mail para uas@caritasterceira.org ou entrar em contacto via telefone para 295212795. Posteriormente será agendada uma entrevista com o voluntário.

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VOLUNTARIADO

Programa de Voluntariado Nacional em Férias

o início do mês de

sociais, prestando um serviço

março,

o

Departa-

de qualidade à sociedade ao

mento

de

Direitos

mesmo tempo que desenvolvem

Humanos e Paz da

competências humanísticas que

Associação Nacional de Estu-

aplicarão diariamente nos hospi-

dantes de Medicina ( ANEM )

tais. ”

desafiou-nos a aderir ao Progra-

Naturalmente, não hesitámos

ma de Voluntariado Nacional

em aceitar o desafio, pois consi-

em Férias ( VNFs ) , que con-

derámos que atua na linha da

siste em estágios para estudan-

nossa

tes de Medicina, com a duração

“ s empre mais próximo do pró-

de duas semanas nas férias de

ximo ” . Depois de acolhido o

verão, realizados em institui-

projeto, foi altura de pensarmos

ções de solidariedade por todo

num leque de atividades que as

o país.

voluntárias pudessem desenvol-

N

Os promotores do Projeto

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Edição 5 abril a julho de 2016

Missão

de

caminhar

ver junto dos nossos utentes,

consideram-no uma ferramenta

nas

que contribuirá para o desenvol-

como na comunidade. Assim,

vimento da componente huma-

durante estas duas semanas, as

na, essencial para o desempe-

jovens tiveram a possibilidade

nho da prática médica no futuro.

de efetuar diversos rastreios da

Sendo que,

“ os estudantes

diabetes e tensão arterial junto

poderão, assim, contactar com

do nosso público, quer nas nos-

diversas realidades das várias

sas instalações, quer indo ao

faixas

encontro da comunidade, como

etárias

e

estatutos

nossas

valências,

bem


aconteceu no Centro Comunitá-

( P dE ) e outra para as colabo-

rio da Terra-Chã e no Centro

radoras da Creche e Jardim de

Social

e

Paroquial

de

São

Mateus. Para além disto, foram realizadas diversas sessões de sensibilização/esclarecimento destinadas aos nossos utentes, onde, de acordo com as faixas

“ Os

estudantes

poderão

(… )

desenvolver competências humanísticas

etárias, foram abordados temas como o cancro da mama e hábitos de vida saudável, havendo ainda lugar para a promoção de duas ações de esclarecimento sobre suporte básico de vida,

que aplicarão diariamente

nos

hospi-

Infância da Mãe de Deus da Cáritas da Ilha Terceira. Certos de que estes dias significaram

uma

mais-valia

para

todas as partes envolvidas, resta-nos agradecer às voluntárias a sua preferência pela nossa Instituição e desejar que iniciativas do género se tornem um habitué na nossa região.

tais. ”

uma destinada aos jovens da Plataforma de Encaminhamento

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VOLUNTARIADO

D

iz a sabedoria do povo que Recordar é

viver e é isso mesmo que sinto ao escrever estas breves palavras sobre o que vivi no ano 2009-2010. Recordo pessoas,

Recordar é

paisagens, sorrisos, rostos, tristezas e alegrias; muitas coisas me passam neste momento

Viver…

pela cabeça e que mexem com

Voluntariado em São Tomé e Príncipe

ROSA PIRES

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Edição 5 abril a julho de 2016


as minhas emoções. Mexem porque vivi um ano intenso de entrega

“ R ecordo pessoas, paisagens, sorrisos, rostos,

tristezas e alegrias ( … ) ”

incondicional

a

um

povo que passou a ser o meu povo de eleição. Parti para S. Tomé e Príncipe no mês de junho, sem grandes perspetivas e sem ter noção do que me esperava, levava simplesmente a minha vontade de trabalhar e de conhecer outras realidades. Sabia à partida que iria trabalhar num projeto de desenvolvimento do distrito de Lembá, a norte da Ilha na cidade de Neves. O que nunca pensei foi encontrar um povo acolhedor, simples e com uma enorme garra de viver. Por outro lado foi para mim um grande choque ver tanta pobreza: casas sem qualquer tipo de condições básicas de higiene,

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sem luz nem água canalizada

tro de costura com 20 mulheres

sem nada mesmo. O meu maior

e raparigas que passavam as

desafio ao encarar aquela reali-

tardes à aprender a costurar. A

dade era conseguir integrar-me

minha função era muito ingrata

na comunidade local como se

porque o meu dever era passar

fosse «um deles». Mais do que

por todas as valência e chamar

perceber, eu queria “ Sentir ”

atenção do que estava mal e

… sentir como viviam, sentir o que pensavam, sentir os seus sonhos

as

suas

preocupa-

corrigir…

“ P arti

para

São

Tomé e Príncipe no

ções… “ tarefa quase impossível ” , porque eu sou branca e era assim que eles me chamavam “ branca ” e esse termo

mês de junho, sem grandes perspetivas e sem ter a noção

diz tudo…. O meu dia a dia passava por coordenar todo o projeto que já contava com várias valências: um Lar de idosos, com 20 internos e 40 durante o dia, um jardim-de-infância com 250 crianças, uma carpintaria que funcionava com 30 rapazes, um cen-

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Edição 5 abril a julho de 2016

do que me esperava ( … ) ”

Nem

tudo

foram

rosas, houve muitas dificuldades a todos os níveis, a falta de dinheiro para gerir tamanho projeto, pensar em cada noite que no dia seguinte tínhamos mais de 250 crianças para alimentar e não saber como….Mas todas estas dificuldades foram aos poucos preenchidas com a alegria de um sorriso com a certeza que não eramos nós os responsáveis e que a comida aparecia sempre. Na missão somos simplesmente instrumentos na mão de Deus.


A maior descoberta em toda esta aventura foi que a missão de todo o batizado, esteja onde estiver, tem que estar ao serviço do Amor, “ mais próximo do

próximo ” .

“ N em tudo foram rosas, houve muitas dificuldades a todos os níveis, a

falta de dinheiro para gerir tamanho projeto, pensar em cada noite que no dia seguinte tínhamos mais de 250 crianças para alimentar e não saber como… ”

Rosa Pires é atualmente colaboradora na Unidade de Atendimento Social da Cáritas da Ilha Terceira e coordenadora do Projeto +Próximo da Cáritas dos Açores

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VOLUNTARIADO

Voluntariado Jovem

N

um tempo em que cada vez mais o

combate à pobreza e a luta pela inclusão social são uma preocupação

por

parte

de

diversos grupos sociais e instituições, ou até mesmo pela sociedade em geral, o desen-

ANA CATARINA PIMENTEL ESTAGIÁRIA NA UNIDADE DE ATENDIMENTO SOCIAL

volvimento de atividades de participação cívica, por livre iniciativa e de uma forma organizada é crucial para aju-

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Edição 5 abril a julho de 2016

dar a combater esses proble-


mas. Deste modo, é inegável

apercebendo da importância

que o voluntariado, juvenil ou

que este tem vindo a adquirir.

não, auxilia muitas instituições

Sinto que as instituições, não

e muitos cidadãos/grupos nas

só de cariz Social, têm uma

suas

grande necessidade de um

ações/missões.

Cada

vez mais a prática do volunta-

apoio

riado encontra-se enraizada

desenvolvimento que temos

na nossa sociedade podendo

vindo a assistir, quer seja este

ser observada em diversos

social, económico, cultural ou

peditórios nacionais, em hos-

de outro género, as institui-

pitais e no terceiro setor.

ções por diversas vezes ficam

Eu,

sem respostas, não conse-

Social,

enquanto fui

Assistente

ganhando

uma

guindo

extra.

Com

todo

acompanhar

o

este

maior proximidade com este

desenvolvimento e todas as

mecanismo de apoio e fui-me

especificidades

que

dele

advenham. Desta forma, o papel dos voluntários torna-se fundamental.

“ S into que as instituições, não só de cariz social, têm uma grande necessidade de um apoio extra “

O meu contato com o voluntariado ampliou-se com a minha integração no Séquito Real das Sanjoaninas 2016. Foi proposto ao Séquito que suge-

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risse e realizasse um conjunto

riado necessitavam, em que

de atividades de cariz social.

áreas poderiam colaborar com

Deste modo, realizamos uma

a entidade.

feira de voluntariado, em con-

Posso afirmar que enquanto

junto com a Câmara Municipal

cidadã e elemento do séquito

de Angra do Heroísmo, no

real tinha o desejo de conse-

passado dia 28 maio, com o

guir transmitir às pessoas os

intuito de angariar voluntários

benefícios da prática do volun-

para as mais diversas institui-

“ (… )

ções da Ilha Terceira. Conta-

cidadã e elemento do

mos com a presença de instituições

das

mais

e nquanto

séquito real tinha o

diversas

áreas de atuação, como por

desejo de transmitir

exemplo, a “ Make-a-Wish ” ,

(… )

a AMI, a Casa de Saúde de

os benefícios

da prática do volunta-

São Rafael, a Cáritas, entre outras. O objetivo primordial

riado ( … ) ”

tariado, pois com este adquire -se uma maior consciencialização social, apercebemo-nos de que podemos ter um importante papel ativo na sociedade e contribuímos para a melhoria social. Tudo isso traz-nos felicidade e aumenta-nos a autoestima. No exercício do

desta feira era que os cida-

voluntariado podemos adquirir

dãos tivessem um contato

novos caminhos, novas opor-

direto com os técnicos das

tunidades e, naturalmente, dá-

instituições, de modo a conhe-

nos a oportunidade de conhe-

cerem o trabalho por estas

cer pessoas novas que nos

desenvolvido e, claro, perce-

fazem sentir úteis.

berem de que tipo de volunta-

O facto de todos os elemen-

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tos do Séquito Real serem jovens foi algo fundamental,


pois assiste-se a uma grande

ção, para os voluntários e

o apoio dos nossos voluntá-

dificuldade em captar a aten-

essencialmente para os nos-

rios

ção desta faixa etária, de

sos utentes, será para manter,

mais dificuldade em seguir a

modo a sensibilizá-la para a

não ficando por aqui as cam-

nossa

importância do voluntariado.

panhas de sensibilização, tal

“ s empre mais próximo do

Contudo, a Cáritas da Ilha

como outras ações. Resta-me

próximo ” .

Terceira, consciente do gran-

apenas acrescentar que sem

teríamos,

Missão

certamente,

de

estar

de contributo que o voluntariado jovem lhe pode proporcionar, tem vindo a desenvolver uma série de iniciativas para a captação dos jovens, tendo como exemplos mais recentes, o Programa de Voluntariado de Verão da Cáritas e a participação no Programa de Voluntariado

Nacional

em

Férias, promovido pelo Departamento de Direitos Humanos e Paz da Associação Nacional de Estudantes de Medicina. Enquanto estagiária na Cáritas da Ilha Terceira, fico muito satisfeita ao constatar que a aposta no voluntariado, como uma mais-valia para a Institui-

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VOLUNTARIADO

Voluntariado na Cáritas da Ilha Terceira

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“

Vim gostei e ( … ) já

livre… ” )

estou cá há … 4, 5, 7

voluntários. São elas Margarida

exercido

pelos

ou mesmo 9 anos. ” O biCIT foi

Mendonça,

falar com algumas voluntárias

Rosa Veríssimo, Giselda Rebe-

da Unidade de Atendimento

lo e Lúcia Fernandes, voluntá-

Social e da Ação Sócio Caritati-

rias que realizam tarefas de

va da Cáritas da Ilha Terceira.

apoio no banco de alimentos,

Apesar de vários voluntários já

no roupeiro e apoio social de

terem exercido funções em dife-

continuidade ( já que o primeiro

rentes valências da CIT, é nes-

atendimento é sempre realizado

tas duas áreas que mais se faz

por uma técnica superior de

sentir o seu trabalho ( como

ação social, o que possibilita

elas próprias dizem “ … isto é

uma primeira análise mais pon-

um trabalho, não é tempo

derada ) .

Adelina

Rocha,


O facto de estarem reformadas ou em situação de desemprego foi a razão do início do trabalho como voluntárias. Se para umas esta é a primeira experiência de voluntariado, outras já têm uma larga prática, nomeadamente, no apoio aos amigos do Hospital de Angra do Heroísmo. Apesar de como dizem “ … não é

porque não tenha nada para fazer, se estivesse em casa tinha sempre o que fazer, mas a gente é voluntária porque gos-

“ ( … ) não é porque não tenha nada para fazer (… ) a gente é voluntária porque gosta ( … ) ocupo o tempo a ajudar os outros (… ) ”

ta… ” , mas

“ … são quatro

horas em que ocupo o tempo a ajudar os outros e a conviver também

com

outras

pes-

soas… ” , “ … se fico em casa perco o juízo, aqui estamos acompanhadas,

conhecemos

outras pessoas, falamos com

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outras pessoas ( … ) no início nem estava a gostar muito, mas agora se por acaso ocorre algo que me impede de vir, sinto logo falta disto… ” . Apesar de ser um benefício para estas voluntárias, saírem de casa e conviverem com outras pessoas, segundo elas “…

ser

fácil… ” ,

voluntário

não

é

“ … o voluntário é

( … ) o voluntário é alguém que gosta de

alguém que gosta de estar com outras pessoas… ” , “ … gosta de estar, gosta de ouvir, a gente cresce

muito

com

o

que

faz… ” , mas “ … não é para toda a gente… ” , “ … a gente ouve muita coisa que não quer… ” , desaforos,

“ … algumas vezes má

criações… ” ,

“ … e tem de se calar, sai muitas vezes daqui revoltada… ” , “ … mas passado umas horas

tudo passa ” .

“ Ouvimos

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e

estar com outras pessoas ( … ) de ouvir, a gente cresce muito com o que faz (… )


vemos muita miséria… ”

“…

necessário fazer aquilo que nos

miséria física e histórias muito

pedem… ” ,

tristes, muita desgraça… ”

,

cumprir horários, tal como se

“ … é preciso ter estofo, não é

fosse um trabalho, responsabili-

para qualquer pessoa… ” , “ …

zarmo-nos

alguns tentam ser voluntários,

fazer… ” , “ … alguém depende

vêm cá uma duas vezes, e

de nós, não podemos vir uma

depois desistem, dizem que isto

vez e faltar sempre que nos

não é para eles ” .

apetece… ” ,

A Cáritas é a resposta prática

voluntário temos de nos entre-

da Ação Social da Igreja, para

( … ) para se

algumas voluntárias, este é o cerne da sua ação “ … eu não

consigo distinguir o ser católica de ser voluntária … ” , para

ser voluntário temos de nos entregar de corpo e alma (… )

“…

temos que

pelo que vamos

“…

para

ser

gar de corpo e alma, saber escutar o outro e dar de nós o que podermos…. ” , “ … é um compromisso… ” , ” … há muita gente que quer, mas não con-

outras “ … o que me interessa

segue… ” ,

é a ação que se realiza, se a

experimentar outros locais, já

instituição é religiosa ou não,

que se todos dermos um boca-

isso não influencia o facto de eu

dinho do nosso tempo aos

ser voluntária… ”

outros, podemos construir um

Para estes valiosos colaborado-

mundo melhor! ”

“…

aqui,

pode

res da Cáritas da Ilha Terceira: “ … ser voluntário não é fazer

as coisas à sua vontade, é

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IMAGENS DE INCLUSÃO REPORTAGEM FOTOGRÁFICA DE LUÍS GODINHO NO SENEGAL Tudo o que o sonho precisa para ser realizado, é alguém que acredite nele. Ir numa missão ao Senegal, era um dos meus sonhos. A viagem, fez-me olhar para vida de uma forma mais pura e verdadeira. Num mundo egocêntrico, ter a oportunidade, nem que seja por cinco minutos, de fazer a felicidade de alguém, é algo mágico e impagável. A Aventura Solidária que fintegrei com a AMI ao Senegal foi, também por isso, especial, intensa e inesquecível. Guardarei na memória todas as manifestações de cultura que me foram dadas a ver; fosse através das danças ao som dos Djembes, dos rituais com água e leite das famosas lutas Lamb, dos centros de saúde, de vacinação e costura, dos mercados e dos imponentes embondeiros. Os traços dos rostos dos mais velhos e o olhar penetrante e doce das crianças, perpetuam-se na lembrança de todos os aventureiros. Quem se aventura numa missão destas, acaba sempre por dizer, que trouxe muito mais do que o que deixou. Estas imagens jamais poderão contar as emoções do que vivi. É apenas uma menção à grandiosidade de sentimentos que se deram a todo o momento. Sei que os laços que criámos entre nós e aquele povo, farão para sempre, parte da minha existência enquanto pessoa. Como testemunha visual ficará o registo fotográfico, que espero, possa permanecer para além de mim e perpetuar no tempo a imagem deste povo e a bondade das pessoas que nunca se esquecem dele.

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IMAGENS DE INCLUSÃO

“ O copo estará sempre meio cheio ” . Com 30 imagens realizei uma exposição fotográfica que vai percorrer o país que depois serão leiloadas e o dinheiro reverterá para as crianças do Senegal.

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IMAGENS DE INCLUSÃO

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IMAGENS DE INCLUSÃO

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IMAGENS DE INCLUSÃO

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IMAGENS DE INCLUSÃO

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IMAGENS DE INCLUSÃO

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IMAGENS DE INCLUSÃO

Luís Godinho nasceu em Angra do Heroísmo, em 1983. Em 2009, concluiu a licenciatura em Engenharia e Gestão do Ambiente, na Universidade dos Açores. Atualmente, trabalha na Secretaria Regional da Agricultura e Ambiente e como fotógrafo Freelancer. O seu trabalho fotográfico é reconhecido internacionalmente pelos editores dos principais sites de fotografia, como a National Geographic, 500px, 1x, Leica Fotografie International, entre outros. Venceu o concurso nacional "Paisagens de Portugal", em 2012, ganhou o primeiro e segundos prémios do Concurso "Água no Concelho" em Angra do Heroísmo em 2011 e tem sido agraciado várias vezes com a marca de excelência em concursos de fotografia Leica. Tem várias fotos publicadas na imprensa nacional e internacional, nome damente nas revista "O Mundo da Fotografia digital", "Visão", "Vander Love Magazine". Em 2014, publicou o livro de fotografia intitulado "Luís Godinho".

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Edição 5 abril a julho de 2016


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biCIT 5 - edição abril a julho de 2016 by Caritas dos Açores - Issuu