. Edição 4 Janeiro a março de 2016
CIT
bi
boletim informativo da Cáritas da Ilha Terceira
INTERVENÇÃO E PREVENÇÃO NA INFÂNCIA
ANIMAÇÃO DE RUA DA CIT FUNÇÃO DOS ANIMADORES DE RUA CRECHE E JARDIM DE INFÂNCIA AJUDANTES DE EDUCAÇÃO PROJETO 3D
EDIÇÃO 4 JANEIRO A MARÇO DE 2016
06 12 22 06 VISÃO DA ARCIT SOBRE A PREVENÇÃO Flávio Bettencourt fala sobre as ações de prevenção na ARCIT, seguindo-se a descrição de algumas das funções dos Animadores de Rua nesse projeto.
12 VISÃO DA CJIMD SOBRE A PREVENÇÃO Conceição Pereira indica a visão da CJIMD relativamente à prevenção primária e descreve-se as funções das ajudantes de educação
22 PROCUSSESSO Apresentamos aqui o projeto Procussesso que atualmente se desenvolve numa parceria entre a ARCIT e a CJIMD.
34 EXPETATIVAS O investigador Francisco Simões fala-nos da importância das expetativas no sucesso dos alunos. IMAGEM DA CAPA: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/MENINA-BALAN%C3%A7O-
02
BALAN%C3%A7AR-OUTONO-996635/
(CC0 Public Domain)
Editorial
Bronfenbrenner foi um dos primeiros investigadores a observar o comportamento humano numa perspetiva bio-ecologica. Essa perspetiva considera que o desenvolvimento da criança, depende em grande parte dos processos e contextos que lhe estão próximos. Por isso, para se desenvolver uma interven-
ção adequada na primeira infância, deve-se tentar avaliar e, se possível, intervir em vários dos contextos de vida das criNuno Lopes
anças. Por esse motivo, a Cáritas da Ilha Terceira tenta de-
Coordenador da Unidade de
senvolver uma intervenção com os mais novos cada vez mais
Planeamento, Qualidade e
inovadora e multidimensional. Nesta lógica, focamos esta edi-
Comunicação da CIT
ção do biCIT na intervenção e na prevenção de riscos na infância. Assim, neste número apresentamos a visão da prevenção segundo os coordenadores do projeto de Animação de Rua e da Creche e Jardim de Infância da Mãe de Deus. Tentamos dar a conhecer as funções dos Animadores de Rua e dos Ajudantes de Educação. Apresentamos três projetos que tentam alinhar esta perspetiva de intervenção multidisciplinar com os mais novos, são eles: o projeto de “Filosofia para Crianças”, o “Procussesso” e o “3D: Aluno, Família e Professores”. Como já vem sendo hábito, não nos esquecemos de dar a conhecer algumas das caras que todos os dias contribuem para o desenvolvimento da missão e estratégia da Cáritas da Ilha Terceira. Por último, finalizamos com o artigo “Expetativas” do investigador do Centro de Investigação e Intervenção Social do Instituto Universitário de Lisboa, Francis-
co Simões, que nos fala da importância da autoavaliação e do ajuste de expetativas no sucesso escolar.
03
U. Sebastianense e Cáritas
NOTÍCIAS
em jornada de convívio
Semana Cáritas Decorreu de 22 a 28 de fevereiro a Semana Cáritas 2016, este ano “Nos passados dias 19 e 21
sob o lema “Cáritas: Coração da
de janeiro, o prestigiado Uni-
Igreja no Mundo”.
de AH e para concluir, no dia 28
Para esta semana, a Cáritas da
comemorou-se o Dia Cáritas, na
Ilha Terceira organizou um pro-
Sé Catedral, com uma Celebra-
grama que, para além do habitual
ção Eucarística, seguida de vigília
talações, duas turmas da or-
peditório público, contou com a
à Imagem Peregrina de Nossa
ganização Cáritas. Uma opor-
realização de diversas atividades,
Senhora de Fátima. Quanto ao
tunidade para dar a conhecer
não só de cariz religioso, mas
peditório anual da Cáritas, este
também de cariz lúdico. No dia
decorreu ao longo de toda a Se-
26, promoveu um Espetáculo de
mana porta a porta e de 26 a 28
Solidariedade no Centro Cultural
nas superfícies comerciais.
ão
Sebastianense
Futebol
Clube, secção de ténis de mesa, recebeu, nas suas ins-
a modalidade e, ao mesmo tempo, proporcionar um dia diferente a todos os participantes nesta salutar atividade. O clube da Vila de São Sebastião disponibilizou todo o material necessário e conhecimento dos respetivos técnicos, dando, assim, uma perspetiva mais aprofundada e teórica da modalidade.” No final, realizou-se um torneio, em que todos os “atletas” se mostraram bastante determinados e interessados, algo
que foi, aliás, uma constante durante grande parte da demonstração. Segundo a orga-
04
nização, “uma experiência a repetir”.
Cáritas distinguida com o Galardão Eco-Escolas No passado dia 20 de janeiro, a Cáritas da Ilha Terceira foi uma das entidades presentes na Cerimónia Regional de entrega do Galardão Eco-Escolas 2015 e de Lançamento da Rota dos 20 nos Açores. Foi com muita honra e grande satisfação que recebemos esta distinção. Obrigado a todos os que contribuíram para que tal reconhecimento fosse uma realidade.
Conselho Geral da Cáritas dos Açores -se a necessidade de um maior trabalho em rede entre as várias Cáritas, para além da determinação em se continuar a apostar na estreita relação de cooperação com a Secretaria Regional da Solidariedade Social. Foram ainNo dias 11 e 12 de março, reali-
bém esteve devidamente repre-
zou-se, na Ilha Terceira, o Con-
sentada pela Dra. Andreia Car-
selho Geral da Cáritas Diocesana
doso. Durante estes dias, foi fei-
dos Açores, no qual estiveram
to um balanço do trabalho de-
representadas as diversas Cári-
senvolvido pela Cáritas na Regi-
tas de Ilha, bem como a Cáritas
ão, e perspetivou-se os próxi-
portuguesa. A Secretaria Regio-
mos anos. De entre várias con-
nal da Solidariedade Social tam-
clusões alcançadas, destacam-
da abordados outros temas, nomeadamente o Plano Estratégico.
05
A
definição de pre-
da obesidade infantil ou do con-
venção transporta-
sumo de substâncias psicoativas
nos para o fim, pa-
com crianças bastante jovens
ra a consequência. Para a ante-
sem falar em comida ou em dro-
cipação e para as medidas que
gas? Sim, claro que sim. E isto é
poderão minimizar o prejuízo no
feito diariamente nesta valência.
resultado de uma ação. Muitas
No espaço ARCIT são realiza-
vezes a dúvida reside nos me-
das dinâmicas que promovem
lhores meios a adotar para que
as relações interpessoais, fo-
seja eficaz.
mentando o espírito de grupo,
A prevenção é feita em gestos
de pertença e de valorização
simples, com conteúdos e re-
pessoal e social. São desenvol-
percussões complexas. Aconte-
vidos ateliês e oficinas que tra-
ce em casa, na escola, na
balham competências para a vi-
rua…. Em qualquer idade.
da, que, acima de tudo, vincam
A intencional e orientada infor-
a adoção de hábitos de vida
malidade que reveste todo o tra-
saudáveis, e procuram fazer em
balho desenvolvido pela valên-
cada dia pequenas mudanças
sobre a
cia Animação de Rua da Cáritas
que poderão marcar, a longo
Prevenção
da Ilha Terceira (ARCIT) poten-
prazo, toda a diferença. Aos
cia o desenvolvimento de ativi-
poucos a consolidação destes
dades que transportam, no nos-
princípios vai-se transformando
so entender, a essência da ver-
num poderoso fator de proteção
dadeira prevenção.
para os utentes desta valência.
Podemos fazer prevenção da
É na ótica das crianças e dos
INTERVENÇÃO &
PREVENÇÃO PRIMÁRIA
Animação de Rua: Uma visão
FÁVIO BETENCOURT COORDENADOR
DA
ARCIT
06
jovens que reside a chave para
nesta a favor desta corrente.
o sucesso da prevenção em
Em suma, a base do trabalho de
qualquer área. Na ARCIT segue-se um caminho de procura. Procura-se en-
(…) É na ótica das crianças e dos jo-
prevenção geral e global desenvolvido na valência
Animação
de Rua é, fundamentalmente, a
tender a forma como as crian-
vens que reside a
capacitação para o fortaleci-
ças e jovens olham o mundo,
chave para o suces-
mento do sentido crítico, que
como o entendem, como metabolizam a informação que lhes é dada e como reagem. O que rejeitam, o que agrada, o que
so da prevenção em qualquer área (…)
possibilita a correta tomada de decisões, e a exposição a informações verdadeiras e fundamentadas.
esperam. E a abordagem é feita
07
INTERVENÇÃO & PREVENÇÃO PRIMÁRIA
A Função do Animador de Rua
VÂNIA SILVA & LUÍSA MARQUES
08
O
biCIT foi falar com
Animação de Rua. Estas duas
Luísa Marques e Vâ-
profissionais trabalham com cri-
nia Silva, animadoras de Rua
anças e jovens desde os 6 aos
do Projeto ARCIT. Ambas tra-
21 anos, o que obriga a uma
balham com jovens há quase
grande organização e gestão,
20 anos, mas estão na Cáritas
quer do espaço, quer na gestão
da Ilha Terceira desde 2004,
das atividades. De forma a me-
ano em que iniciou o projeto de
lhor responder às necessidades
destas crianças e jovens, atualmente a Vânia trabalha com os
(…) jogos de tabuleiro, trabalhos manuais, dinâ-
mais novos (com menos de 12
micas de grupo, jogos tradicionais ou até peddy
anos), enquanto a Luísa direcio-
papers no bairro (…)
na a sua intervenção junto dos mais velhos, apesar de se continuar a realizar algumas atividades em comum. As crianças e os jovens chegam à ARCIT geralmente à tarde (com exceção dos períodos das pausas leti-
vas), é oferecido o lanche e dependendo da idade são encaminhados para uma ou para outra sala. Na sala dos mais novos, sempre que necessário, a Vânia
apoia-lhes nos trabalhos de casa, seguindo-se atividades diversas, tais como, jogos de tabuleiro, trabalhos manuais, dinâmicas de grupo, jogos tradicionais ou até peddy papers no bairro. Já na sala dos mais velhos, são desenvolvidas ativida-
09
dades mais direcionadas para
dos por tecnologia e, por isso,
essas faixas etárias, tal como é
torna-se mais difícil cativá-los
o caso do projeto Escalada
para atividades ao ar livre. Por
Aventura ou o Prosucesso. Pa-
esse motivo, pelo menos um dia
ra além do trabalho realizado
por semana é dedicado ao dia
diretamente,
animadoras
sem tecnologia, em que não se
também realizam um trabalho
usa computadores, nem table-
diário de compreensão da situa-
tes e os telemóveis só para re-
ção destas crianças e jovens,
ceber chamadas, em que as
as
nomeadamente deslocando-se
“ (…) trabalho diá-
atividades se realizam de prefe-
e tentando ter informações nas
rio de compreen-
rência “outdoor”. Outra das dife-
escolas e nos contextos familia-
são
renças assinaladas relacionam-
res destes. Pelo que o biCIT pôde verificar, estas crianças e jovens,
apresentam
algumas
da
situação
destas crianças e jovens (…) ”
se com o facto de algumas das crianças e jovens apresentarem cada vez mais cedo problemáti-
particularidades que os tornam
cas que podem auxiliar a uma
mais
nomeada-
maior exclusão social futura
mente alguma dificuldade em
(como problemas com a justiça,
seguir regras.
consumo de substâncias psico-
Quando questionadas sobre as
páticas e absentismo escolar).
alterações verificadas nos últi-
Por esse motivo, o desenvolvi-
mos anos, as animadoras indi-
mento de competências sociais
cam que cada vez mais as cri-
é uma prioridade no ARCIT.
anças e os jovens estão rodea-
Competências como trabalhar
vulneráveis,
10
em equipa, respeitar a opinião
do outro, gerir orçamentos, sa-
ber comunicar, são algumas das competências que se tenta desenvolver em projetos como Escalada Aventura, Prosucesso, noites temáticas, chá ARCIT, exposições, formações à comunidade, saídas noturnas
“ (…) pelo menos um dia por semana é dedi-
sem álcool (com os mais velhos), entre outras.
cado ao dia sem tecnologia, em que não se usa computadores, nem tabletes e ou telemóveis (…) ”
Este trabalho, de prevenção primária nos mais novos, de diminuição de riscos com os mais velhos realizado pela ARCIT, tem sido fundamental na estratégia da Cáritas em desenvolver uma intervenção focada na diminuição da exclusão social.
11
U SUSTENTABILIDADE & INTERVENÇÃO SOCIAL
Creche e Jardim de Infância Mãe de Deus:
m dos principais objetivos
pedagó-
Segundo
Eduardo
Sá,
gicos, quer da cre-
psicólogo, “O jardim de infân-
che, quer do jardim de infância
cia não é para aprender a ler
é promover o desenvolvimento
nem a escrever”, antes disso
integral e harmonioso da cri-
aprendem a interpretar, daí a
ança.
importância da expressão mu-
A nossa instituição está a implementar o Sistema de
sical, expressão corporal, expressão plástica…
Gestão da Qualidade, pelo
No seguimento desta li-
que foram introduzidos proce-
nha de pensamento, estamos
dimentos, que nos orientam
a implementar dois projetos:
na nossa prática pedagógica e
”Filosofia
uma série de registos, que nos
“Literacia Emergente”, sobre
permitem avaliar e conhecer
as quais têm oportunidade de
mais pormenorizadamente ca-
ler neste biCIT.
da criança.
Uma visão
pelo 3º ano consecutivo.
para
crianças”
e
A entrada no 1º ciclo é
As atividades são plane-
uma das nossas preocupa-
sobre a
adas de acordo com a faixa
ções, pelo que para minimizar
Prevenção
etária de cada grupo e procu-
o “choque”, realizamos, com o
ramos que tenham acesso a
grupo de 5/ 6 anos, visitas de
outras complementares. Des-
estudo a uma escola, onde as
de o ano letivo transato, que
crianças podem participar e
as nossas crianças têm judo e
assistir a uma dinâmica dife-
a expressão musical decorre
rente.
CONCEIÇÃO PEREIRA COORDENADORA DA CJIMD
12
Quando verificamos que
De qualquer modo, toda
uma criança não está apta a
a intenção de trabalho é ir ao
transitar do jardim para o 1º
encontro das necessidades de
ciclo, pede-se um adiamento
cada criança, encarando-a co-
escolar, garantindo assim, que
mo ser único e individual, res-
tenha mais um ano para al-
peitando as suas diferenças.
cançar as metas de aprendizagem exigidas. O despiste de inadaptações ou deficiências também merece o nosso cuidado. A
(…) “O jardim de infância não é para aprender a
avaliação é feita por um técni-
ler nem a escrever”, antes disso aprendem a inter-
co do ISSA e caso se justifi-
pretar (…)
que a criança terá apoio, se não, são nos fornecidas ferramentas educativas a utilizar em cada situação.
13
INTERVENÇÃO & PREVENÇÃO PRIMÁRIA
Ajudante de Educação: Uma função imprescindível para o desenvolvimento das crianças
Q
uando se aborda a
dantes de educação. Para com-
temática da preven-
preender melhor as suas fun-
ção primária na primeira infân-
ções, o biCIT falou com quatro
cia, costuma-se solicitar a opinião a vários técnicos, tais como pediatras, psicólogos, pedago-
“ (…) frequente-
das nove profissionais que tra-
mente,
balham na Creche e Jardim de
esque-
cemo-nos daque-
gos, educadores de infância, mas, frequentemente, esquecemo-nos daqueles que, de uma forma geral, são os profis-
meiros anos de vida - os aju-
14
tas da Ilha Terceira (CJIMD):
les (…) que mais
Cláudia Machado, Gabriela Pai-
tempo
xão, Manuela Goulart e Paula
passam
com as nossas cri-
sionais que mais tempo passam com as nossas crianças nos pri-
Infância Mãe de Deus da Cári-
anças (…) ”
Lima. Todas elas, com vinte anos ou mais de experiência como ajudantes de educação, testemunharam ao biCIT o seu biCIT o seu dia-a-dia, responsabilidades e desafios futuros.
Uma das grandes vantagens desta Creche e Jardim de Infân-
“ (…) O bom ambiente laboral transparece
cia, onde o bom ambiente laboral transparece no trabalho rea-
no trabalho realizado (…) ”
lizado. A planificação das atividades e a sua implementação na sala, dependem muito do nível etário das crianças, como indica a Gabriela, que está este ano na sa-
Manuela Goulart & Gabriela Paixão
15
Paula Lima
la dos bebés, “ (…)tentamos
seguir a planificação que desenvolvemos com a educadora, mas como são crianças muito pequeninas, não
“ (…) não podemos colocar crianças com quatro anos, sentadas uma tarde inteira a
é possível estabelecer um plano de
fazer atividades(…) ”
atividades que seja muito rígido, te-
a comida de casa, o que obriga a
mos que nos desviar muitas vezes,
uma logística diferente. Nestas ida-
porque elas tem necessidades de
des, trabalhamos muito com can-
higiene, temos de lhes mudar a fral-
ções, lengalengas, já que se trata
da, necessitam dormir ou porque
do início do desenvolvimento da fa-
têm menos de 9 meses e trazem a
la. ”. Na sala das crianças de 1 ano,
16
já se começa a trabalhar, paulatinamente, alguns conhecimentos, tais
como a identificação de figuras,
teriormente tínhamos trabalha-
vezes, já não têm tempo para
“(…) estamos agora a trabalhar
do o carnaval (…)”. Na sala dos
brincar com eles em casa, o
os animais, devagarinho eles já
4 e 5 anos, começa já a ser im-
que torna ainda mais premente
vão identificando algumas das
portante alguma preparação pa-
dar-lhes mais tempo na CJIMD
figuras que lhes vamos apre-
ra a entrada no 1º ciclo, apesar
para brincarem e jogarem ao
sentando, mas como são muito
de continuar a ser fundamental
“faz de conta”.
pequeninas, ainda não conse-
dar tempo às crianças para
Não se podendo generalizar,
guem estar muito tempo foca-
brincarem, já que tal como evi-
denota-se cada vez mais dificul-
das nestas atividades (…)” indi-
dência a Cláudia“(…) não pode-
dades relacionadas com a edu-
ca a Manuela. Já a Paula que
mos colocar crianças com qua-
cação parental. A particularida-
se encontra atualmente a apoiar
tro anos, sentados uma tarde
de do contexto envolvente à
a sala dos 3 anos e que para
inteira a fazer uma atividade
CJIMD torna evidente a neces-
além das tarefas rotineiras, co-
(…)”.
sidade da Cáritas da Ilha Ter-
mo receber as crianças pela
Para todas estas profissionais,
ceira promover futuras ações
manhã, apoiar na higiene, refei-
o sistema pré-escolar atual tem-
que possam vir a colmatar algu-
tório, dormitório e entrega das
se focado em demasia na pre-
mas destas lacunas nas compe-
crianças aos pais no fim da tar-
paração das crianças para a
tências destes encarregados de
de, apoia (tal como as suas co-
entrada no 1º ciclo, em detri-
educação. Por esse motivo, é
legas) a educadora na realiza-
mento de algo que é fundamen-
fundamental
ção de atividades relacionadas
tal na infância, dar-lhes tempo
trabalho cada vez mais profis-
com temáticas específicas “(…)
para brincarem, algo que deve-
sional, responsável e inovador
neste momento estamos a tra-
ria ser basilar nestas faixas etá-
por parte das ajudantes de edu-
balhar os transportes, apro-
rias. Cada vez mais as crianças
cação. Muitas vezes estas têm
veitámos rolos de papel higiêni-
vivem rodeadas por tecnologia,
de substituir os seus cuidadores
co e fizemos carrinhos, com
televisão,
garrafas fizemos aviões (…) an-
“smartphones” e os pais, muitas
desenvolver
um
“tablets”,
17
naturais, personagens que de-
cnicas, uma capacidade de en-
biCIT várias situações em que
veriam ser capazes de simulta-
trega que vai muito além da
tiveram de apoiar as crianças
neamente saber estabelecer e
profissão, já que é com estas
muito para além do que a sua
manter regras e promover cari-
figuras que muitas destas crian-
função exige, quer a nível finan-
nho e afeto. Apesar da forma-
ças aprendem a viver em socie-
ceiro, já que a maioria das cri-
ção ser essencial para se torna-
dade e a se relacionarem com
anças que frequentam a CJIMD
rem num bom ajudante de edu-
os outros de uma forma saudá-
provêm de agregados carencia-
cação, esta profissão requere,
vel e cívica.
dos, quer a nível afetivo.
mais do que competências téc-
Estas profissionais contaram ao
Apesar destas carências, a dire-
Cláudia Machado
18
ção da Cáritas da Ilha Terceira
que frequentam a CJIMD”, a
desenvolvimento destes novos
tem tentado providenciar todas
Paula acrescenta mesmo que
cidadãos. Apesar de todas as
as condições necessárias para
“nalguns casos já temos mesmo
adversidades, conseguem diari-
estas crianças. As profissionais
uma 3ª geração”. A Cláudia ob-
amente, muitas vezes sozinhas
entrevistadas
serva que“(…) é um orgulho
nas salas, responder a um turbi-
qualidade alimentar da CJIMD
quando
imensos
lhão de necessidades e impaci-
como sendo mais um dos pon-
anos, vem ter connosco um ho-
ências simultâneas. E como o
tos de excelência deste estabe-
mem ou uma mulher adulta e
caminho
lecimento educativo. Como re-
dizem que nos conhecem e que
sendo que os primeiros passos
ferem, a quantidade e qualidade
fizemos parte da sua educação
no percurso e na vida são fun-
dos alimentos e da confeção
aqui no colégio, é ótimo para
damentais, cabe a estas profis-
realizada vão muito para além
nós(…)” e finaliza a Gabriela
sionais caminhar lado a lado
dos “standards” normais em es-
“(…) modéstia à parte, é muito
nesta fase crucial do desenvol-
tabelecimentos semelhantes.
raro ouvirmos críticas negativas
vimento das crianças.
A relação privilegiada de cuida-
relativamente ao trabalho que
dor, por parte destas profissio-
realizamos e como a Ilha é mui-
nais, é notório no “feedback”
to pequena, é normalíssimo cru-
que recebem, nomeadamente
zarmo-nos novamente com cri-
por parte de antigos utentes,
anças que frequentaram o colé-
como indica a Manuela “nós já
gio”.
somos avós [risos] nos 28 anos
Ser ajudante de educação, mais
que eu já trabalho na Cáritas, já
do que um trabalho, é uma mis-
passaram muitas crianças por
são. O biCIT conseguiu presen-
aqui e agora já são os filhos
ciar o orgulho que estas profis-
que frequentam a CJIMD”, a
sionais têm em contribuir para o
salientaram
a
passados
se
faz
caminhado,
19
INTERVENÇÃO & PREVENÇÃO PRIMÁRIA
Filosofia para Crianças
O
Projeto de Filosofia
sob o título - "De pequenino
para Crianças teve
pensa
o
menino".
lugar pela primeira vez no Jar-
Este projeto assenta em duas
MANUELA CARDOSO
dim de Infância -Mãe de Deus
grandes linhas orientadoras:
AJUDANTE DE EDUCAÇÃO
da Cáritas da Ilha Terceira, no
por um lado, tirar partido da
ano letivo de 2013-2014. De-
"insaciável idade dos porquês"
pois de ter estado parado du-
para que se trabalhe, interdis-
rante um ano letivo, volta agora,
ciplinarmente, os domínios da
no mês de janeiro de 2016,
linguagem e suas estruturas
(LIC. EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA E PÓS-GRADUADA EM FILOSOFIA PARA CRIANÇAS)
20
(afirmação, negação, questão, etc.), da matemática (raciocínio lógico) e desenvolvimento pessoal e social (falar na sua vez, capacidade de decisão, autonomia, etc.), por outro lado, e ten-
e Pós-graduada em Filosofia para Crianças Manuela Cardoso em colaboração com a Educadora Francisca Ornelas, responsável pelo grupo de crian-
ças da referida sala.
do em conta a sociedade multicultural em que vivemos, despertar para a vivência ética e para os valores universais como fraternidade, justiça, solidariedade, respeito pelo outro, etc., sem que seja necessário incor-
(…) tirar partido da “insaciável idade dos por-
rer em nenhuma religião em es-
quês” (…) despertar para a vivência ética e para
pecífico. "De pequenino pergunta o menino" será desenvolvido em
os valores universais da fraternidade, justiça, solidariedade, respeito pelo outro (…)
sessões semanais de uma hora, até ao final do ano letivo, com o grupo de crianças mais velhas da sala dos 4/5 anos (as que irão ingressar no primeiro ciclo em setembro de 2016). O projeto está a cargo da Licenciada em Educação de Infância
21
INTERVENÇÃO & PREVENÇÃO PRIMÁRIA
O
Governo Regional dos Açores determinou
implementar
o
plano integrado de promoção
do sucesso escolar – Prosucesso, Aço-
Prosucesso Projeto Intergeracional
res pela Educação que elege como principal objetivo a redução da taxa de abandono precoce da Educação e da formação e o aumento do sucesso escolar em todos os níveis e ciclos de ensino, em
LUÍSA MARQUES & SANDRA TABORDA ANIMADORA DE RUA NO ARCIT & EDUCADORA DE INFÂNCIA DA CJIMD
sintonia com a estratégia Europeia para a Educação e Formação , Europa 2020. O Prosucesso concretiza-se, através de um conjunto de medidas e projetos
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transversais distribuídos por três eixos de ação–foco na qualidade das aprendi-
(…) projeto intergeracional com jovens da ARCIT e as crianças da sala dos dois anos da CJIMD (…)
zagens dos alunos, mobilização da comunidade educativa e parceiros sociais e promoção do desenvolvimento profissional dos docentes. Assim sendo, e na sequência do convite da Direção Regional de Educação dirigido à Instituição, após formação neste âmbito de duas colaboradoras, uma Educadora e uma Animadora Social, deu-se início a um
projeto intergeracional com os jovens da ARCIT (Animação de Rua) e as crianças da sala dos dois anos da CJIMD (Creche e Jardim de infância da Mãe de Deus), intitulado “Os nossos saberes”,
visando promover competências de literacia e competências sociais, as quais são entendidas como núcleos transver-
23
sais de toda a aprendizagem.
por Deus, Natal, Carnaval, entre outros.
Este intercâmbio, a decorrer desde outubro de
Para clarificarmos tudo o que acima foi
2015 e com término em junho do corrente ano,
referido, passemos a um exemplo concre-
tem duas fases distintas: a planificação das ativi-
to. No passado dia 3 de fevereiro, realizou
dades e a execução uma experiência chave, Pão
-se mais uma atividade, em torno do Carnaval. Os jovens construíram um palhaço
24
interativo, trabalhando os seguintes aspe-
(…) Este intercâmbio (…) tem duas fases distintas: a planificação das atividades
dades e a execução das mesmas (…)
tos: textura, forma, cor e atributos. Todos os adereços referentes aos mesmos, foram sendo colocados pelos meninos dos dois anos, sob orientação dos jovens.
25
N
uno Santos,15anos a frequentar o nono ano de escolarida-
de, é um dos jovens participantes no projeto, tendo se disponibilizado para falar um pouco
sobre a sua experiencia Nuno, o que tem sido para ti a participação neste projeto? Tem sido uma experiência muito enriquecedora, para a qual
temos trabalhado com entusiasmo e dedicação, tanto nas atividades conjuntas, como em todo TESTEMUNHO
o trabalho de pesquisa que antecede as mesmas.
NUNO SANTOS PARTICIPANTE DO PROJETO
Prosucesso
Com as pesquisas pretendemos adquirir estratégias de comunicação,
técnicas
relacio-
nais, um conjunto de ações de forma a proporcionarmos o desenvolvimento de competências para que todos juntos possamos contribuir na promoção da
26
qualidade do ambiente de lite-
-racia na creche. Das ativida-
des desenvolvidas saliento os livros por nos executados, “Um Conto de Natal “e o livro “Os Brinquedos”. Estes proporcionaram novas experiências tais
como, composição de textos,
“Tem sido uma experiência muito enriquecedora, para a qual temos trabalhado com entusiasmo e dedicação (…)”
ilustração e edição Em todas as atividades temos de ser criativos para captarmos a atenção dos mais novos. Felizmente, temos conseguido e está bem patente na participação destes nas atividades conjuntas, assim como a afinidade já existente nestes dois grupos. Qual o teu desejo para este projeto no futuro? Gostava que, tivesse continuidade
para
que
possamos
acompanhar a evolução do percurso pré-escolar destas crianças.
27
INTERVENÇÃO
& PREVENÇÃO PRIMÁRIA
Projeto 3D: Aluno, Escola e Família
O
Projeto
3D surge em 2014,
apresentando como missão
uma intervenção de cariz socioeducativo em contexto escolar. Enquadrado e financiado pelo Fundo Social Municipal de Angra do Heroísmo, este projeto pretende desenvolver
um conjunto de intervenções que possam, de forma articulada, potenciar o aproveitamento escolar dos alunos do primeiro ciclo, iniciando a intervenção ainda na fase do ensino pré-escolar. Atualmente a sua ação desenvolve-se na Escola Prof. Maximino Fernandes Rocha, na Terra-Chã e na Escola Bási-
28
ca e Jardim de Infância de S. Mateus da Calheta, no concelho de Angra do Heroísmo. Neste momento encetam-se esforços no sentido de alargar a intervenção à EB1/JI de S. João de Deus, já no próximo ano letivo.
Deve o seu nome ao facto de todo o trabalho ser desenvolvido em três grandes dimensões distintas: Aluno,
Família e Professores. Embora trabalhados em planos parale-
los, estes eixos estão estreitamente interligados o que define a singularidade do desenho de toda a intervenção.
Dimensão Professores: O Professor assume um papel fundamental na execução do projeto. No início de cada ano letivo, o corpo docente de cada uma das escolas envolvidas, participa num momento de formação. Ao longo de todo o ano têm uma participação ativa em reuniões regulares que visam o entrosamento entre o próprio projeto e o meio escolar, a sinali-
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lização de situações que pos-
As famílias são convidadas a
sam, de algum modo, configurar
participar nos eventos organiza-
-se como risco para o normal
dos nas escolas pela equipa
desenvolvimento e aproveita-
3D, pelos docentes e pelos as-
mento escolar dos alunos e a
sistentes operacionais, assim
discussão de estratégias de in-
como em momentos de reflexão
tervenção nestas situações.
e partilha sobre competências
A sua participação no planea-
parentais.
mento e organização de ativida-
Dimensão Aluno:
des e eventos dirigidos aos alu-
Esta é a dimensão chave de
nos e às respetivas famílias re-
todo o processo, e para a qual
força a relação entre as dimen-
todos os esforços convergem.
sões visadas.
São realizadas sessões que
Dimensão Família:
abordam temas como as emo-
As visitas domiciliárias preconi-
ções e as relações interpesso-
zam uma das grandes ferra-
ais. O saber lidar com a tristeza
mentas do 3D. Esta abordagem
e com a alegria, o respeito pelo
promove uma maior proximidade às famílias e propicia uma
Crianças – São feitas sessões no pré-escolar
melhor e mais eficaz resposta
onde são trabalhadas as questões sobre as
às necessidades sentidas e si-
emoções, no primeiro ciclo são realizadas ses-
nalizadas, sejam elas de ordem
sões sobre as relações interpessoais: Partilha,
económica, alimentar ou de sa-
ajuda, lidar com a diferença, alteração de com-
úde.
portamentos.
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outro e a valorização da diferen-
ça, o saber ouvir, o saber ajudar e pedir ajuda e a importância da partilha são alguns exemplos do que é tratado nesses momentos.
As crianças participam e chamam os seus familiares a participar na escola e, desta forma, alimentam um crescente senti-
Família – Acompanhamento a famílias que são si-
do de pertença, que se reflete
nalizadas, é feito um trabalho na área de competên-
num maior à vontade e num
cias parentais (sessões de sensibilização), são tam-
melhor aproveitamento acadé-
bém desenvolvidas atividades que promovam a in-
mico.
teração entre a família e o meio escolar.
A pedra basilar do Projeto 3D é a crença de que é possível minimizar e/ou erradicar muitas das causas do insucesso escolar, através da sinergia entre os vetores envolvidos na vida de cada criança, e de que este princípio poder-se-á disseminar e ter repercussões individuais e sociais nas comunidades onde tem intervenção.
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CARAS DA Cร RITAS
Mรกrio Silva Coordenador dos Serviรงos Administrativos
Sandra Pacheco & Sandra Grifo Auxiliares de Serviรงos Gerais
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Francisca Ornelas & Telma Simas Educadora de Infância & Ajudante de Educação Filipa Carvalhinho Mediadoras & Psicólogas
Carla Carvalho Ajudante de Educação
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VOZES DE INCLUSÃO
EXPECTATIVAS
P
ara que servem as expectativas dos alunos? Como podem elas influir no sucesso escolar? Por que é que crianças com perspectivas mais realistas, mas ao
mesmo tempo positivas, podem sair-se melhor na escola? Parecem perguntas aleatórias, mas não são. Desde cedo, as crianças aprendem a ler muito mais do que um texto. Lêem as suas emoções perante a aprendizagem, até ao ponto em que as mesmas podem impulsionar o seu conhecimento, o esforço e a persistência perante as dificuldades, o estabelecimento de objectivos. Mas pode pensar-se o que pode uma expectativa positiva de uma criança desde o primeiro ciclo comparada com a qualidade dos professores, a organização
FRANCISCO SIMÕES
do currículo, as metodologias de trabalho, o envolvimento parental.
INVESTIGADOR DO CENTRO DE
Curiosamente, pode muito. Pode até mais do que a acção dos pro-
INVESTIGAÇÃO E INTERVENÇÃO SOCIAL DO INSTITUTO
UNIVERSITÁRIO DE LISBOA
fessores, o interesse dos pais, a realização de trabalhos de casa ou a didáctica seguida na sala de aula. É o que nos diz uma aturada
(CIS-IUL)
revisão de três décadas de estudos em Educação: a capacidade
dos alunos se auto-avaliarem e, logo, de ajustarem as suas expectativas, é o factor que, por si só, mais determina o sucesso de um aluno, que mais peso tem para melhorar as suas notas. Agora que sabemos isso, que a investigação, robusta e revista, nos aponta esse dado, o que poderemos fazer para melhor promover as expectativas de cada aluno? Julgo que temos feito bem pouco. Se
propomos turmas de nível, estamos a baixar as fasquias para muitos, a passar a mensagem de que não acreditamos. Se damos mais importância ao erro do que ao sucesso, de preferência a vermelho e
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com bastante veemência, continuamos longe de poder fazer melhor pelas expectativas dos pequenotes. Se propomos auto-avaliação,
apenas para cumprir um preceito, estamos a ser desonestos. Se ensinamos a pensar no teste, no exame, na questão da aula, não atendemos ao processo, logo, damos menos espaço para perceber os erros que se cometem e as virtudes da estratégia que o aluno escolheu. Se insistimos na urgência e no insucesso com os pais, estamos a afastá-los e, com eles, também o estamos a fazer com os alunos. Se preenchemos o tempo com trabalhos de casa, estamos na maior parte das vezes a repetir e não a consolidar. Se não damos escolha aos alunos, estamos a facilitar-lhes em demasia a vida. E se estas práticas não são dominantes da mesma forma e com a mesma intensidade, muitas delas cruzam-se, marcam rotinas, bai-
(…)
a
capacidade
dos alunos se auto-avaliarem e, logo,
xam expectativas. Depois, há o contexto. Ainda ameaçadas pela crise, as sociedades tendem a desinvestir na escola. Os pais desacreditam na educação como veículo
de ajustarem as suas expectativas, é o
de melhoria das perspectivas sociais. Os alunos começam a ponderar que talvez não valha a pena o esforço. Os governos insistem nas qualificações, a pensar no mercado de trabalho, mas desinvestem nos meios. Nesse quadro, as expectativas de sucesso tendem a piorar. Dois dados que talvez ajudem a perceber que vale a pena esperar o melhor da escola, da
factor que, por si só, mais determina o sucesso de um aluno
educação, dentro dos limites do razoável. Um estudo norte-americano de dois mil e doze demonstrou o poder da educação como veículo de comba-
(…)
te à pobreza. Num grupo de alunos seguidos durante trinta anos, comprovou-se que oitenta por cento deles tinham melhorado as suas condições de vida a um ponto que tinham saído da pobreza e tinham passado a ter rendimentos compatíveis com os das classes média ou alta daquele país. Outro estudo recente, de dois mil e quinze, promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) evidencia que
nos países membros (incluindo em Portugal), os jovens que completam o ensino superior tinham mais setenta por cento de hipóteses de encontrar um emprego do que os jovens com o ensino básico ou secundário. Se a Matemática é assim tão clara, então a expectativa não será desajustada.
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