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biCIT7 - edição janeiro a julho de 2017

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. Edição 7 janeiro a julho de 2017

CIT

bi

boletim informativo da Cáritas da Ilha Terceira

“AS NOSSAS QUINTAS” A NOSSA EMPRESA SOCIAL DE INSERÇÃO Ouvimos o Sociólogo Prof. Fernando Diogo sobre a empregabilidade no combate à pobreza


S

UMÁRIO

EDIÇÃO 7 JANEIRO A JULHO DE 2017

14 22

04 Notícias 14 Empregabilidade e Combate à Pobreza

22 “As Nossas Quintas” Empresa Social de Inserção

26 Os Primeiros Passos da

26 Edição Gráfica e de Conteúdos:

Empresa

30 Perspetivas de Futuro Nuno Lopes & Paulo Pereira Colaboração Fotográfica de Laura Brasil

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Editorial Numa altura em que a Região procura encontrar respostas de combate ao desemprego, em particular ao desemprego jovem, a Cáritas da Ilha Terceira continua focada na premissa da integração social de jovens. Assim, tornando realidade um sonho antigo, foi criada a Empresa Social

de Inserção – As Nossas Quintas, a qual está a apoiar jovens em situaPaulo Pereira Colaborador na Unidade de Planeamento, Qualidade e Comunicação da CIT

ção de vulnerabilidade, capacitando-os para a empregabilidade. Na sétima edição do biCIT, os leitores terão oportunidade de testemunhar a análise feita pelo Sociólogo Prof. Fernando Diogo, da Universidade dos Açores, sobre a empregabilidade no combate à pobreza. Ficarão a conhecer a história d’As Nossas Quintas, fazendo uma breve viagem pelos dois projetos que estão na base da sua criação: Terra Nostra – Capacitação com Raízes e TRAD(E)-IN Tradição e Inovação para a Empregabilidade. Terão a possibilidade de testemunhar como têm sido os primeiros meses de existência da Empresa Social e Inserção nas suas diversas vertentes, bem como as perspetivas e ambições futuras. Nesta edição, como já vem sido hábito, iremos apresentar um resumo de algumas notícias relativas à atividade promovida pela Cáritas da Ilha Terceira. Votos de boas leituras!

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Cáritas Comemora Dia Internacional Da Não Violência E Da Paz Nas Escolas janeiro de 2017 No dia 30 de janeiro, a Cáritas da Ilha Terceira, no âmbito do Projeto 3D, comemorou na EBI/ JI de São Mateus da Calheta, EBI/JI de São João de Deus e na

EBI/JI da Terra-Chã o Dia Internacional da não Violência e da Paz nas Escolas.

escolas) para a importância da construção da Paz no dia a dia, quer no âmbito escolar, quer a nível familiar”, refere a nota. O Projeto 3D é promovido pela

Cáritas da Ilha Terceira em parceria com a EBS Tomás de Borba e EBI de Angra do Heroísmo,

De acordo com uma nota enviada ao sítio Igreja Açores, o projeto previa que cada turma elaborasse e apresentasse à equipa do 3D e à Câmara Municipal de Angra, uma banda desenhada alusiva ao tema. “Esta atividade permitiu sensibilizar aproximadamente trezentos alunos (das três

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financiado pelo Fundo Social Municipal da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. É um projeto de intervenção precoce, aplicado nas escolas primárias da Terra-Chã, São Mateus da Calheta e São João de Deus, tendo como objetivo implementar uma metodologia de intervenção socioeducativa, contribuindo para o desenvolvimento e


sucesso no ensino pré-escolar

está na sinergia e interação en-

e no primeiro ciclo do ensino

tre três grandes dimensões: Es-

básico.

cola, Família e Aluno. In Azores

O 3D surge da premissa que a

Today

chave para o sucesso escolar

Cáritas da Ilha Terceira cria Empresa de Inserção Social março de 2017

A Cáritas da ilha Terceira, nos Açores, criou uma empresa de inserção social, nas áreas da agricultura biológica, da doçaria e da pastelaria tradicional, que pretende ajudar jovens com maiores vulnerabilidades a integrar o mercado de trabalho. "Esta marca pretende ser um contributo para ações inovadoras, que possibilitem uma maior integração de jovens e outros públicos em situação de maior vulnerabilidade social, numa lógi-

bi

CIT05

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ca de promoção de competências pessoais e sociais e de em-

pregabilidade potenciadoras de comércio justo", adiantou Anabela Borba, presidente da Cáritas

Os outros dois funcionários esta-

da ilha Terceira, na apresenta-

rão afetos à transformação frutí-

ção da empresa, hoje, em Angra

cola em compotas e à pastelaria

do Heroísmo.

de pequenos doces tradicionais.

A empresa "As nossas quintas"

A empresa social de inserção

vai criar três postos de trabalho,

surge na sequência de várias ini-

contando ainda com um quarto

ciativas de formação de jovens

funcionário, ao abrigo de um pro-

com baixas qualificações, sem

grama ocupacional.

emprego e com dificuldades de

Dois funcionários trabalharão em

acesso ao mercado de trabalho,

agricultura

promovidas pela Cáritas.

biológica,

embala-

mento e comercialização, estan-

Entre 2013 e 2015, a instituição

do prevista também a prestação

desenvolveu o projeto Terra Nos-

de serviços na área da horticultu-

tra - Capacitação com Raízes,

ra ou fruticultura a particulares.

financiado pela EDP Solidária, que formou 26 jovens na área da

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agricultura biológica, dos quais


quatro integraram o mercado de

com acompanhamento individua-

trabalho.

lizado, de mediação, focado na

No ano seguinte, a Cáritas de-

potencialização de jovens com

senvolveu o projeto Trade-IN -

assinalada dificuldade de ingres-

Tradição e Inovação para a Em-

so no mercado de trabalho", fri-

pregabilidade,

sou.

financiado

pela

Fundação Calouste Gulbenkian,

A criação da empresa represen-

que deu formação a 45 jovens

tou um investimento superior a

nas áreas da pastelaria e doçaria

85 mil euros, cofinanciado pelo

tradicionais açorianas, da trans-

Governo Regional dos Açores

formação frutícola e do embala-

em cerca de 64.800 euros.

mento de produtos hortícolas e

Para o vice-presidente do execu-

que resultou na empregabilidade

tivo açoriano, Sérgio Ávila, pre-

de 18 jovens.

sente na cerimónia, a empresa

Segundo Anabela Borba, a em-

de inserção social da Cáritas tem

presa "As nossas quintas" dará

"um enorme potencial de cresci-

continuidade a esta aposta na

mento".

formação de jovens com dificul-

"Pela qualificação de recursos

dades de integração no mercado

humanos, pelo seu enquadra-

de trabalho.

mento, por todo o historial de for-

"Esta

empresa

desenvolverá

mação e desenvolvimento, tem

ações de curta duração, que per-

todas as condições para ser uma

mitirão enriquecer as aprendiza-

empresa com sucesso", salien-

gens destes jovens que aqui tra-

tou.

balharem e de outros, sempre

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Edição 7 janeiro a julho de de 2017 Edição 6 agosto a dezembro 2016


Sérgio Ávila considerou, por outro lado, que a empresa se soube adaptar às realidades do mercado, alegando que a agricultura biológica é "um dos principais setores de crescimento da atividade económica no país e no mundo".

"Os consumidores têm revelado ao longo dos últimos anos uma enorme apetência para valorizarem os produtos biológicos e nós temos uma enorme potencialidade nesta matéria", acrescentou. In Lusa

Clique aqui para fazer compras na loja d “As Nossas Quintas”

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História de jovem açoriano contada em livro pela Gullbenkian fevereiro de 2017

Por mais escura que seja a noi-

de Josselino Sousa, da ilha Ter-

te... amanhã é outro dia". Este é

ceira.

o título do livro recentemente lan-

Do conjunto de histórias conta-

çado pela Fundação Calouste

das pela jornalista Inês Rapazote

Gulbenkian e que incorpora onze

e retratadas pelo fotógrafo José

histórias de vida selecionadas a

Carlos Carvalho, destaca-se a

partir de 113 projetos patrocinados pela Fundação, incluindo a

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oportunidade com um percurso

ascendente", disse o responsável da Cáritas. De acordo com a relativa àquele jovem terceirense, beneficiário da formação no âmbito do Projeto Trad(E) - IN, desenvolvido pela Cáritas da ilha Terceira com o apoio financeiro da Fundação.

por trabalhar na construção civil, depois de abandonar a escola precocemente, e chegou a frequentar formações da Cáritas, mas sem sucesso. Foi com o

Rui Drumonde, do Centro de Inclusão Juvenil da Cáritas da ilha Terceira, afirmou - citado pelo

Sítio Igreja Açores - que a história de Josselino é, "infelizmente", a mesma de "tantos jovens a que a escola não soube ser a resposta e as dificuldades familiares e pessoais arrastaram para o mundo do trabalho sem qualificações".

projeto TRAD(E)-IN Tradição e Inovação para a Empregabilidade, promovido pela Cáritas da Ilha Terceira, em parceria com a Fundação de Ensino Profissional da Praia da Vitória e com uma vasta unidade de facilitadores onde se incluem a Agência de

Emprego, Qualificação e Trabalho de Angra do Heroísmo, Câmara Municipal de Angra do He-

"Esta é de facto uma história bonita porque acaba bem e o Josselino conseguiu depois de muitas

mesma fonte, Josselino começou

dificuldades

agarrar

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esta

roísmo, Direção Regional da Solidariedade Social, Escola Secundária Jerónimo e Emiliano de Andrade e a Escola Secundária Tomás de Borba, que conseguiu


aproveitar a nova oportunidade

Ilha Terceira e demais parcei-

que se lhe deparou e ser bem

ros", informa a nota enviada ao

sucedido.

Sítio IgrejaAçores pela organiza-

"O

Josselino

teve

oportunidade de ser uma estrela

ção católica.

nos palcos da Fundação Calous-

Josselino

te Gulbenkian, tendo sido o gran-

num restaurante na ilha Terceira.

de representante de todos os jo-

In Açoriano Oriental

trabalha

atualmente

vens em intervenção pela Cáritas

Projeto +Próximo chega ao Pico fevereiro de 2017 Cáritas promove formação na

ilha.

ouvidoria envolvendo diferentes

De acordo com uma nota da ou-

agentes de pastoral social em

vidoria enviada ao Sítio Igreja

toda a ilha.

Açores a ação centrou-se na “

O programa +Próximo, promovi-

tríplice dimensão de serviço soci-

do pela Cáritas diocesana, che-

al da Igreja: A celebração dos

gou ao Pico este fim de semana

Sacramentos, o anúncio da Pala-

e o Santuário do Senhor Bom

vra e o serviço da Caridade”.

Jesus

e

A encíclica “Deus Caritas est”, do

agentes de pastoral de toda a

Papa Bento XVI, serviu de mote

recebeu

formadores

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CIT15 11

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co, ajuda neste trabalho porque aponta para a transformação missionária da Igreja, reportando para este encontro que reuniu 40 agentes de pastoral social de toda a ouvidoria do Pico. Durante dois dias estas três dimensões estiveram presentes na reflexão: “a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social que se pode deixar para os outros, mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência”. “Neste contexto o “+ Próximo” leva às comunidades o conhecimento da ação social cristã e o

incentivo prático à sua organização ao nível dos grupos paroquiais”, refere a nota que destaca o trabalho desenvolvido também a partir da Alegria do Evangelho. “A Exortação Apostólica “Alegria do Evangelho”, do Papa Francis-

bi

CIT12

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a uma Igreja “em saída”, a uma comunidade de discípulos missionários que envolvem, acompanham, frutificam e festejam. Leva também a ter a capacidade de sair de nós próprios e ir ao encontro dos mais fracos, tal com fez o bom samaritano” refere a nota da ouvidoria.

Esta formação foi orientada pelas assistentes sociais Rosa Pires e Ana Margarida Meneses, ao serviço da Cáritas dos Açores e contou com voluntários da Cáritas, catequistas, chefes de escuteiros e ministros extraordinários da comunhão de várias paróquias da ilha do Pico. Depois das ilhas Terceira e São Miguel, agora foi a vez do Pico receber esta formação. In igreja Açores


Ofertas Formativas - Sessão de Esclarecimento maio de 2017

No dia 22 de maio, na Animação

formativas pelas quais estes po-

de Rua da Cáritas da Ilha Tercei-

derão optar.

ra (ARCIT), estivemos à conver-

Esta foi mais uma ação promovi-

sa com o Dr. Rui Drumonde e

da pela Cáritas da Ilha Terceira

com a Dra. Cláudia Pacheco so-

com o objetivo de combater o

bre as ofertas formativas para o

desemprego e a exclusão social,

ano letivo que se aproxima. Com

contribuindo, assim, para a inte-

esta sessão, queríamos esclare-

gração social. Cáritas da Ilha

cer utentes e respetivos pais so-

Terceira

bre as diversas possibilidades

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A Empregabilidade no Combate à Pobreza Prof. Fernando Diogo

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O emprego é uma área central na vida dos indivíduos. De facto, somos definidos por nós e pelos outros pela posição que ocu-

pamos no mundo do trabalho. Os mais novos são futuros trabalhadores (estudantes), os adultos

Fernando Diogo Sociólogo, Professor da Universidade dos Açores Coordenador da Secção Temática da Associação Portuguesa de Sociologia em Pobreza, Exclusão Social e Política Sociais Membro do grupo de trabalho sobre pobreza infantil da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN)

em idade ativa são trabalhadores ou

não-trabalhadores

(desempregados ou domésticas) e os mais velhos são póstrabalhadores (reformados).

Quando questionados sobre o que é mais importante na sua

vida, os indivíduos em toda a Europa tendem a responder a famí-

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ília e só depois o trabalho. Não

obstante a força simbólica desta escolha, as análises sociológicas colocam o trabalho acima da família com elemento mais importante na vida dos indivíduos. De facto, o trabalho é importante pelo rendimento que gera e este rendimento permite os consumos que asseguram a sobrevivência dos trabalhadores e das suas famílias. Além disso, o rendimento permite que os consumos sejam integradores, isto é, em boa parte responsáveis pela inclusão social dos indivíduos. Acresce que a nossa identi-

dade social, quem somos para nós e para os outros, depende em boa parte da nossa posição no mundo do trabalho. Tendemos a definirmo-nos e a ser definidos pela profissão que temos e pelo trabalho concreto que exer-

cemos. Não admira, portanto, que o emprego seja uma questão central na vida de todos os adultos, em especial se forem do sexo masculino. As mulheres ainda podem encontrar como ocupação socialmente aceite o serem domésticas. Mas mesmo esta ocupação tem vindo a perder encanto para as mulheres açorianas e está hoje muito ligada às mais velhas e

às menos escolarizadas. Aliás, a entrada massiva das açorianas no mundo do trabalho ao longo dos últimos dez anos representa uma revolução social quase sem precedentes no arquipélago. É difícil subestimar a importância e o impacto social deste fenómeno nos Açores. A empregabilidade é um conceito que tem vindo a ser usado de forma sistemática nos últimos dez a quinze anos. Contudo,

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apresenta uma falha muito gran-


de que se não for tida em conta

trário, são profundamente influ-

implica que o seu uso sistemáti-

enciados pelo contexto. No caso

co faça mais mal que bem. Essa

dos Açores, uma questão central

falha é relativamente simples: a

tem a ver com o tipo de ofertas

empregabilidade centra-se nos

de emprego disponíveis. Por

indivíduos e esquece o efeito

exemplo, estamos a sair de uma

contextual.

crise económica muito grave que

A questão chave está no

reduziu

substancialmente

as

efeito contextual. Os indivíduos

ofertas de emprego para os mais

não são livres de encontrarem o

pobres, em especial na constru-

emprego que pretendem em fun-

ção civil. Por si só, o efeito desta

ção das suas qualificações ou da

conjuntura dificultou sobremanei-

sua empregabilidade, pelo con-

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ra a empregabilidade dos indiví-

empresas muito pequenas de

duos.

base local. Por muito que os indi-

Existem outros efeitos conjuntu-

víduos se esforcem para se tor-

rais que condicionam a emprega-

narem mais empregáveis as op-

bilidade. Desde logo, no caso

ções disponíveis são apenas pa-

dos Açores, uma economia as-

ra empregos sem qualidade: mal

sente em sectores de atividade

pagos, precários e muitas vezes

que tradicionalmente pagam mal

penosos e perigosos.

e que contratam de forma precá-

Contudo, como dizem os ingle-

ria ou muito precária: as pescas,

ses, não devemos deitar fora o

a agricultura, o turismo, o peque-

bebé com a água do banho. Se o

no comércio, mas também em

conceito de empregabilidade tem

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Edição 7 janeiro a julho de 2017

sérias limitações, como acabá-


mos de ver, também tem utilida-

rança no emprego aos seus fun-

de para o desenvolvimento dos

cionários. Os empresários tam-

Açores e dos seus habitantes. É

bém precisam de melhorar as

que a região apresenta um pro-

suas qualificações para poderem

blema muito grave de desqualifi-

ser mais competitivos a nível na-

cação da sua população ativa.

cional e internacional já que a

Nos contextos nacional e euro-

maioria tem qualificações tão

peu é uma região particularmen-

baixas como o resto dos açoria-

te desqualificada.

nos.

Esta desqualificação é má-

No

caso

dos

açorianos

xima no caso dos indivíduos em

mais pobres existem alguns de-

situação de pobreza, como tenho

safios importantes à sua maior

tido ocasião de mostrar através

qualificação e emergem outros

das minhas investigações. As-

fatores importantes na emprega-

sim, é claro que se queremos

bilidade (dentro destes destaco:

retirar os indivíduos da pobreza

a motivação, a assiduidade, a

precisamos de começar por au-

pontualidade, a relação com os

mentar as suas qualificações es-

colegas e a relação com as che-

colares e profissionais. Contudo,

fias – ou seja o conjunto de com-

isso não chega e é também pre-

petências sociais para o empre-

ciso trabalhar o lado da econo-

go). Estes desafios estão muito

mia, em especial o das empre-

associados a uma passagem

sas e dos empresários. Por

traumática pelo sistema de ensi-

exemplo, parece-me óbvio que o

no que os coloca contra a esco-

turismo tem que pagar ordenados mais altos e dar mais segu-

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la, as formas de aprendizagem

dade, através da melhoria das

escolares e o saber escolar. É

qualificações escolares e profis-

difícil conservar os pobres na es-

sionais e da capacitação das

cola ou fazê-los voltar a ela dado

competências sociais para o em-

que para a esmagadora maioria

prego. Cientes das limitações

a escola é apenas um lugar onde

desta abordagem e usando abor-

são repetidamente humilhados e

dagens complementares pode-

da qual têm as piores recorda-

mos contribuir decisivamente pa-

ções (com a exceção do convívio

ra tornar uma maior empregabili-

com os colegas no recreio, a úni-

dade num emprego de qualida-

ca coisa gratificante que encon-

de: estável, recompensador e

traram na escola).

com um salário socialmente inte-

Contudo, isso não impede que o

grador

caminho seja o da empregabili-

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Apoiar jovens em situação de maior vulnerabilidade, capacitando-os para a empregabilidade.

Empresa Social de Inserção

grandes projetos de intervenção social desenvolvidos entre 2014

“As Nossas Quintas”

A

Empresa Social de Inserção As Nossas

Quintas nasce da ambição da Cáritas da Ilha Terceira para criar um negócio social que permitisse apoiar jovens em situação de maior vulnerabilidade, capacitando-os para a empregabilida-

e 2016 pelo Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil da Cáritas da Ilha Terceira e os seus parceiros. Primeiramente, o projeto Terra Nostra – Capacitação com Raízes, que decorreu entre 2013 e 2015, em parceria com a Cooperativa BioAzórica e a Ordem Franciscana,

de. É o resultado final da junção de 2

financiado

pela

Fundação EDP Solidária, o qual consistiu numa formação teórica

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e prática dada a 26 jovens na


área da agricultura biológica, com o complemento de experiên-

O Projeto Terra Nostra promo-

cias práticas em terrenos da Cá-

veu formação em agricultura biológica

ritas da Ilha Terceira e de experi-

entre 2013 e 2015

ências vocacionais com produtores locais. Como resultados ime-

diatos deste projeto, tivemos a inserção de 4 jovens no mercado de trabalho e a criação de um sistema de produção e venda de produtos em modo biológico em espaços e terrenos da Cáritas, bem como de novos parceiros que se aliaram ao projeto.

Clique aqui para ver vídeo sobre o Projeto Terra Nostra

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O Projeto TRAD€_IN desenvolveu ações de capacitação em Pastelaria e Doçaria Tradicional Açoriana, Transformação Frutícola e Embalamento de Produtos Hortícolas

Em segundo lugar, entre 2015 e

para a empregabilidade em 3 di-

março de 2016, foi desenvolvido

ferentes áreas (Pastelaria e Do-

o projeto TRAD(E)-IN Tradição e

çaria

Inovação para a Empregabilida-

Transformação Frutícola e Em-

de, em parceria com a Fundação

balamento de produtos hortíco-

de Ensino Profissional da Praia

las), resultando na integração de

da Vitória e financiado pelo me-

8 jovens no mercado de trabalho.

canismo

EEA

Na premissa da Cáritas da Ilha

Grants do Programa Cidadania

Terceira se posicionar nas ações

Ativa, gerido pela Fundação Ca-

de capacitação de jovens para a

louste Gulbenkian. Por sua vez,

empregabilidade em áreas do

este projeto permitiu o desenvol-

sector primário, e como junção

vimento de ações de capacitação

das potencialidades dos 2 proje-

europeu

das

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Tradicional

Açoriana,

tos, foi então criada a marca “As


Nossas Quintas”, a qual pretende uniformizar estas experiências anteriores e dar a conhecer, de uma forma organizada, a ação de promoção de competências para a empregabilidade em áreas tão profícuas nas ilhas de bruma e que, esperemos, possam ser potenciadoras de oportunidades para os jovens. “As Nossas Quintas” promove

atividades de produção hortofrutícola em modo biológico, embalamento e comercialização. Também aposta na produção de compotas e de pastelaria tradici-

eventos sociais e coffee breaks. Apostando sempre no que é local, a marca “As Nossas Quintas” visa contribuir para o desenvolvimento sustentável de ações inovadoras e facilitadoras da integração de públicos em situação de maior vulnerabilidade social, numa equação que se pretende de equilíbrio entre a intervenção social, a promoção de competências pessoais e sociais e a empregabilidade. Queremos ser referência na área da economia social solidária na Ilha Terceira.

onal açoriana, para festas, even-

Clique aqui para ver o sitio na internet “As Nossas Quintas”

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Os Primeiros Passos...

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O

tempo é um verdadeiro

escolar têm, nesse espaço, opor-

consumidor.

tunidade de desenvolver compe-

Quatro meses separam já a inau-

tências práticas na área da agri-

guração d`As Nossas Quintas da

cultura biológica, numa lógica de

atualidade. O tempo teima em

estabilização para um percurso

voar rápido demais para todas as

de vida mais saudável.

nossas ambições. Mas permite-

Em parceria com a Escola Bási-

nos também ter um olhar de

ca e Secundária Tomás de Bor-

perspetiva

ba,

sobre o que

também

foi

vindo a re-

feito,

sendo

as

temos

ceber

jo-

dificuldades

vens

em

ultrapassa-

estágio no

das por pro-

âmbito dos

dutos

cursos vo-

e

iguarias de

cacionais

qualidade, feitos sempre com de-

de Hortifruticultura. Estes desen-

dicação e carinho.

volvem competências práticas na

Através d`As Nossas Quintas es-

área da agricultura biológica,

tá em desenvolvimento semanal

mas também competências pes-

a Oficina da Plataforma de Enca-

soais e sociais importantes para

minhamento – Agricultura em

o seu presente e futuro.

Crescimento. Jovens em situação

de

abandono/absentismo

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Edição 7 janeiro a julho de 2017


Em abril, recebemos jovens de

rais do mercado de trabalho, so-

vários países europeus no âmbi-

bre como ultrapassar as dificul-

to do Intercâmbio Internacional

dades e encontrar trabalho em

Active Jobs do Programa Eras-

zonas rurais, foram o mote para

mus +, organizado pela Casa do

este encontro. A todos, organiza-

Povo de Santa Bárbara da Ilha

ção e participantes, agradece-

Terceira, que puderam conhecer

mos a oportunidade.

mais de perto As Nossas Quin-

Maio foi especial, ao recebermos

tas. A troca de experiências so-

as crianças do Jardim de Infân-

bre diferentes realidades cultu-

cia Mãe de Deus da Cáritas da

Em abril de 2017 recebemos a visita jovens de vários países europeus no âmbito do Intercâmbio Internacional Active Jobs do Programa Erasmus +

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Ilha Terceira e Escola Básica e

versar com os visitantes sobre o

Jardim de Infância de São Ma-

seu trabalho e os seus produtos.

teus da Calheta, esta com tur-

Absolutamente genial. Em nome

mas do Projeto 3D. Tiveram

da equipa, aproveitamos para

oportunidade de contatar com a

agradecer o convite e a oportuni-

terra, compreender como nas-

dade à Cooperativa BioAzórica.

cem e crescem as plantas que

Nos dias 12e 13 de junho, desta

consumimos diariamente e per-

vez a convite da Escola Secun-

ceber a importância de todos cui-

dária Jerónimo e Emiliano de An-

darmos do ambiente. Receberam

drade, marcámos presença no

mimos dos nossos colaborado-

ECO-FEST, um evento de sensi-

res e, posteriormente, agracia-

bilização para a proteção do

ram-nos com excelentes traba-

meio ambiente e promoção de

lhos sobre a visita.

hábitos sustentáveis.

Iniciámos junho em grande. A

Durante este período, continuá-

convite da nossa grande parceira

mos a produzir os nossos produ-

Cooperativa BioAzórica, marcá-

tos hortofrutícolas com a qualida-

mos presença na IV Biofeira dos

de de sempre e investimos na

Açores. Foi momento de levar à

produção e comercialização de

comunidade o melhor que faze-

produtos de pastelaria para ani-

mos e produzimos na agricultura

versários e coffe breaks.

biológica. Enche-nos de orgulho

a evolução e a capacidade que os nossos jovens colaboradores mostraram, a apresentar e a con-

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Perspetivas Futuras “As Nossas Quintas”

30

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S

omos uma empresa social de inserção

recente, mas é grande a nossa ambição. É certo que nos próxi-

Pretendemos chegar ainda mais à nossa comunidade e tornarmonos referência na economia social solidária da ilha Terceira

mos meses pretendemos estabilizar as nossas ações principais, mas também é inquestionável a nossa ambição de chegar ainda mais à nossa comunidade e tornarmo-nos referência na economia social solidária da Ilha Ter-

ceira, com práticas sustentáveis e de qualidade. Estamos a preparar o nosso plano de ação para o último semestre de 2017, mantendo sempre o foco no nosso público-alvo, no desenvolvimento de competências pessoais, sociais e humanas, tendo em vista a capacitação para a empregabilidade. Em preparação e brevemente a anunciar, teremos formações de curta duração certificadas na

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Edição 7 janeiro a julho de 2017


Brevemente teremos formações de curta duração certificadas na área de agricultura biológica.

área da agricultura biológica, em

volver com os nossos clientes e

parceria com a Cooperativa Bio-

seguidores “As Nossas Quintas”,

Azórica, através do projeto “As

para promoção dos nossos pro-

Nossas Quintas– cultivar voca-

dutos de agricultura e de pastela-

ções”, que pretende intervir com

ria, envolvendo os nossos cola-

jovens entre os 18 e os 26 anos

boradores e convidados especi-

de idade, na promoção de com-

ais.

petências em áreas do setor pri-

Em articulação com diversos par-

mário.

ceiros, temos recebido, e quere-

A curto prazo, teremos também

mos continuar a fazê-lo, jovens

workshops temáticos, a desen-

e/ou adultos em situação de mai-

32

Edição 7 janeiro a julho de 2017

or vulnerabilidade social em experiências vocacionais nas áreas


de intervenção “As Nossas Quintas”. Por fim, mas não mesmo importante, encetamos um processo de melhoria dos espaços

existentes para embalamento de produtos hortofrutícolas de outros produtores, eventualmente permitindo a alocação de mais um recurso humano. A prestação de serviços na manutenção de pequenos

terrenos

privados,

também está em construção e prometemos novidades muito em breve. Para acompanhar os nossos projetos e as nossas ações, convidamo-lo a consultar o nosso facebook As Nossas Quintas e o nosso

site,

com loja

online:

www.asnossasquintas.com.

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Edição 7 janeiro a julho de 2017


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