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biCIT3 novembro & dezembro 2015

Page 1

. EDIÇÃO 3 NOVEMBRO/DEZEMBRO 2015

CIT

bi

boletim informativo da Cáritas da Ilha Terceira

QUE TIPO DE MUNDO DESEJAMOS TRANSMITIR ÀQUELES QUE VÊM DEPOIS DE NÓS? SUSTENTABILIDADE & INTERVENÇÃO SOCIAL A AÇÃO DA CIT

PROJETO TRAD(E)-IN HORTA BIOLÓGICA DA ARCIT ECOLOGIA INTEGRAL DIRETOR REGIONAL DA SOLIDARIEDADE SOCIAL FALA DOS DESAFIOS FUTUROS NOS AÇORES


EDIÇÃO 3 NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2015

08 32 60

08 SUSTENTABILIDADE & INTERVENÇÃO SOCIAL História da agricultura Biológica nos Açores, visão da Cáritas sobre a sustentabilidade e intervenção social, Projeto Trad(e)-In, horta da Arcit são alguns dos temas abordados nesta edição especial sobre sustentabilidade e intervenção social

32 UMA DÉCADA DE EXISTÊNCIA DO CDIJ Ana Pimentel, a Coordenadora Pedagógica da UFCIT/CDIJ leva-nos numa visita guiado pelos 10 anos de existência do Centro de Desenvolvimento e inclusão Juvenil

34 PAPEL DA MEDIAÇÃO NO CDIJ Apresentamos aqui a visão de alguns dos mediadores do CDIJ sobre o seu Papel

60 SOLIDARIEDADE NOS AÇORES Dr. Federico Sousa apresenta a visão da Direção Regional da Solidariedade social sobre a solidariedade nos Açores e quais os desafios futuros IMAGEM DA CAPA: pavel ahmed (CC BY 2.0)

02

ENTIDADE FINANCIADORA:


Editorial

A

questão

“Que

tipo

de

mundo

desejamos

transmitir

àqueles que vêm depois de nós?”, proferida pelo Papa Francisco na encíclica 'Laudato si', serve de mote a esta edição 3 do biCIT. Apesar de este ter solicitado para que os 150 líderes mundiais que participaram em Paris na Cimeira do Clima (COP21) focassem os seus Nuno Lopes

Coordenador da Unidade de Planeamento, Qualidade e Comunicação da CIT

esforços em "atenuar o impacto das alterações climáticas, combater a pobreza e favorecer a dignidade humana", não parece ter surgido no documento final desta cimeira qualquer referência à alteração na produção agrícola

atual

industrializada,

que

causa

3

triliões

de

dólares por ano em danos ambientais. Tentamos aqui divulgar

de

conjuga

a

ambiental,

que

forma

Intervenção

a

Cáritas

Social

nomeadamente

com

através

da a

Ilha

Terceira

Sustentabilidade

da

aposta

na

agricultura biológica. Nesta edição evocamos a comemoração dos dez anos de existência do Centro de Desenvolvimento

e

Inclusão

Juvenil

da

Cáritas

da

Ilha

Terceira e a visão sobre o papel da mediação na in-

tervenção

realizada

por

esta

valência.

Terminamos

com o Dr. Federico Furtado Sousa, Diretor Regional da Solidariedade Social, a apresentar a sua visão sobre a solidariedade nos Açores e os desafios futuros.

03


NOTICIAS Campanha 10 Milhões de Estrelas

Arrancou no passado dia 28 de novembro a Campanha 10 Milhões de Estrelas Um Gesto pela Paz, na Ilha Terceira, com uma celebração eucarística, na Igreja Matriz da Praia da Vitória, seguida de um momento de convívio e animação no Lar D. Pedro V. Esta campanha consiste em propor à comunidade que, na noite de Natal, acenda uma vela como gesto pela busca da paz, justiça e solidariedade. Este é um gesto rico em simbolismo, quer pela natureza da luz, como sinal de

esperança para a construção de um mundo onde o bem e a felicidade sejam apanágio de todos, quer pela comunhão de conceitos, gerada em torno de um ideal nobre e significativo. A venda das respetivas velas será feita nas diversas paróquias da Ilha, sendo que também poderão ser adquiridas junto da Cáritas Diocesana, no Lar D. Pedro V, no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira e num quiosque montado para a ocasião na Rua da Esperança em A.H. Aproveitamos para agradecer a todos os que compareceram neste evento, ao Lar D. Pedro V, por nos ter recebido, e ao Grupo de Jovens Nossa Senhora do Guadalupe, bem como ao Sr. Ricardo Ávila pela bela animação proporcionada.

ARCIT participa na Campanha S.O.S. Cagarro

A ARCIT participou, no

passado dia 14 de novembro,

na

campanha

SOS Cagarro. Foi uma noite dedicada a

uma

causa,

onde

o

dever cívico e o respeito

pela

natureza

foram

as palavras de ordem. Foram

momentos

de

aprendizagem, mas também de convívio e partilha. Felizmente de que

intervir, a

animais seu

não

uma

maioria já

rumo.

tivemos vez destes

seguiu

o

Ficaram

os

conhecimentos e a vontade de repetir!

04


Cáritas recebe o novo Bispo Coadjuntor de Angra No passado dia 07 de dezembro, a Cáritas da Ilha Terceira deu as boasvindas ao novo Bispo Coadjutor de Angra do Heroísmo, D. João Lavrador. Tendo ficado a confeção do lanche ao cuidado dos nossos alunos das turmas de Pastelaria e Doçaria Tradicional Açoriana, e Transformação Frutícola.

Jornadas Pastoral Social

A Cáritas dos Açores está a promover as "Jornadas Pastoral Social", com o objetivo de motivar a comunidade cristã para a organização da ação social na paróquia. O Projeto + PRÓXIMO continua a ser um projeto de formação destinado a todas

são social, conduziu a que se tornasse determinante a construção de uma ação social mais próxima, a qual apela ao envolvimento de todas e de cada uma das comunidades cristãs e, consequentemente, ao rejuvenescimento da Pastoral Social. “O amor ao próximo, radicado no amor de Deus, é um dever, antes de mais, para cada um dos fiéis, mas é-o também as paróquias da Diocese para a comunidade eclesidos Açores. Agora, em for- al inteira.” (Deus caritas mato de jornadas, est, 20) irá percorrer as cinco zonas pastorais da Ilha Terceira. A emergência de uma realidade social, caraterizada por um aumento de situações de pobreza e exclu-

05


Q Natal

uerido Menino

sigual,

onde

poucos

têm

Jesus...

muito,

mas

milhões

não

Neste

que

se

vêem-me à

têm nada. Neste mundo em

aproxima,

guerra, com tantas pessoas

memória

vras

da

me

dizia

muitas

sem

que

percebesse

o

MENSASAGEM DE NATAL

de

tempo

minha

alcance

“vivemos

irmãs

nossas:

sem

casa,

que

sem teto, sem lugar, apete-

vezes,

ce-me usar as palavras da

avó,

bem

minha

avó,

e

pedir-te

“um

dizia,

cantinho do céu”, onde as

cantinho do

pessoas vivam amadas, em

do

num

pala-

que

(…) neste mundo tão desigual, onde poucos têm muito, mas milhões não têm nada (…)

“Carta ao

Menino Jesus”

céu”. Então Menino Jesus,

casas cheias de luz, enfei-

o que desejo em primeiro

tadas

lugar

quentinhas

é

agradecer-te

por

com

bonitas

e

flores,

confortáveis,

tantas pessoas que podem

em aldeias ou cidades on-

viver

assim,

cantinho

do

amadas, com

como

“num

de as pessoas estão a tra-

céu”,

livres,

balhar, onde existe comida,

segurança,

acesso à educação, e saú-

em

acesso

a

condições

de,

onde

as

estão

bombas,

nem

ANABELA BORBA

de bem-estar, onde é fácil

limpas,

PRESIDENTE DA CÁRITAS DA ILHA TERCEIRA

fazer festa neste tempo de

atiradores furtuitos, sem ca-

Natal, em que as famílias

sas

se reúnem, trocam presen-

vra em PAZ.

tes e estão felizes.

Tu,

que

que

é

06

Mas

infelizmente

que

a

grande

humanidade

não

tu

sabes

maioria vive

sem

ruas

destruídas,

numa

conheces nascer

pala-

bem

sem

o

lugar,

da

sem condições, sem confor-

as-

to, mas com todo o acon-

sim, neste mundo tão de-

chego

do

amor

de

uma


mãe e de uma família, in-

luzes, dos enfeites, das can-

Que o Teu tempo seja pa-

funde o Teu amor no cora-

ções de Natal, da festa; é

ra cada Homem, “um canti-

ção dos líderes mundiais, e

que

nho do céu”, aqui na terra.

no

nós é motivo de festa. De

A

certo,

deseja

de

para

todos

que

os

cada

homens,

um

acolha

a

Tua

presença

ficas

triste,

entre

quando

Cáritas

da

um

Terceira

Santo

Feliz

os

seus

nós não vivemos este tempo

Natal

do

viver

de Natal, como Tu desejari-

utentes,

com dignidade e em segu-

as; que fiquemos pela azáfa-

luntários, parceiros, financia-

rança.

ma das compras, pelos sa-

dores e a quem nos acom-

cos

panha

É

homem

urgente

possa

que

olhes

para

com

este mundo em desagrega-

luzes

ção,

não iluminam.

onde

toda

a

gente

que

embrulhos,

suspeita do vizinho, o ódio

O

cresce

meramente

entre

irmãos,

Teu

pelas

encandeiam,

tempo,

mas

este

não

tempo

é de

porque são de cor, ideolo-

Natal, mas o ontem, o hoje

gia

ou

onde

e o amanhã, é o tempo da

não

lugar

muitos.

Luz que vem do Alto, que

Faz com que a Tua men-

ilumina o Mundo, que ilumi-

sagem, que sempre foi de

na

amor, toque no coração de

construção

cada Homem.

melhor, mais justo, mais soli-

diferente, para

cada

Homem, de

para

um

colaboradores,

nas

nossas

vo-

ações

de âmbito social. Que juntos,

que

todos

e

o outro, e permita que too

a

Ilha

continuemos

caminhada

de

a

nossa

estar

“mais

próximo do próximo”

a

Mundo

(…) faz com que a Tua mensagem, que foi sempre de amor, toque no coração de cada Homem (…) Embora não goste da pressa,

das

associadas

correrias ao

que

sempre dizem

ser o Teu tempo, o tempo do

Natal,

continuo

das

dário. O Teu tempo é tempo de

esperança,

da

certeza

que Contigo, o nosso tempo, pode

ser

melhor,

com

justiça, vida e verdade.

paz,

07


SUSTENTABILIDADE & INTERVENÇÃO SOCIAL

Cimeira do Clima sem referência à alteração na produção Agrícola Adaptado da publicação original do facebook da SATIVA

página do facebook da SATIVA, «a agricultura industrializada causa 3 triliões de dólares por ano em danos ambientais». «Produzir o alimento que comemos do campo à mesa contribui para cerca de metade de todas as emissões de gases de efeito estufa induzidas pelo homem. Quando se trata de gases de efeito estufa (GEE), o sector agrícola é resolução que saiu o segundo contribuinte a da 21ª Cimeira do seguir ao sector da enerClima em Paris, não gia». Mas apesar disso, faz qualquer referên- este facto não foi tido em cia à necessidade de alterar conta no acordo final doa a produção agrícola, apesar COP21. dos apelos no movimento da «O IFOAM apela a um agricultura biológica que apela- acordo sobre o clima que va ao fim das práticas agríco- reconheça a importância do las industriais de elevadas setor da terra e do início emissões de CO2. Segundo a de um processo de desenvolvimento de princípios claros e transparentes para garantir que a tomada de ações sobre as alterações

A

08

climáticas estão em conformidade com as considerações sociais e ecológicos. "A agricultura industrial é uma das principais causas da mudança climática, e os habituais agro-negócios não são uma opção", afirma André Leu, presidente da IFOAM. "Apenas uma transição para a agroecologia e agricultura biológica pode levar a cortes profundos nas emissões na produção de alimentos". Estamos já a produzir o suficiente para alimentar o mundo ainda que um terço dos alimentos não chegue à mesa. Metade dos pequenos agricultores que cultivam a maior parte da produção agrícola mundial estão entre a população que tem fome. Como Andre Leu, destaca "A menos que os agricultores adiram às tecnologias agroecológicas, os desafios colocados


foto: CC BY 2.0 - US Department of Agriculture

pelas alterações climáticas e os impactos sobre a produção de alimentos serão devastadores, levando milhões para a pobreza." Agricultura e ações de mitigação relacionadas com a floresta devem, assim, contribuir para a segurança alimentar e combater atividades com as maiores emissões, tais como o uso de fertilizantes em particular nos países mais emissores. Medidas de mitigação baseadas no solo não devem ser consideradas uma solução rápida para as alterações climáticas, porque utilizam a compensação de carbono em vez da eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Gábor Figeczky, Gestor do IFOAM adverte que "Se, em nome da luta contra as alterações climáticas, as terras utilizadas pelos agricultores

locais para produzir alimentos são adquiridas para serem usadas em projetos de compensação de carbono, a consequência será colocar mais 600 milhões de pessoas em risco de fome em 2080". Não podemos perder de vista o facto de que a mudança climática está a causar danos para aqueles que cultivam os nossos alimentos. Os agricultores devem ter capacidade para se livrarem da pobreza e da fome, alimentar as crescentes populações locais e globais e mitigar o aquecimento global através de baixa emissão e práticas e sistemas agrícolas de alto sequestro. Ao contrário de agricultura química que agrava a mudança climática, as práticas de cultivo biológico usam fatores de produção que levam a menos emissões de GEE e são benéficas para os solos. Os agricultores biológicos trabalham com técnicas como a rotação de culturas que fixam mais carbono no solo. É nesta base que as medidas de mitigação deverão ser enraizadas - redução das emissões e fixação de carbono no solo, sem comprometer a segurança alimentar.»

(…) Estamos já a produzir o suficiente para mundo

alimentar ainda

o que

um terço dos alimentos não chegue à mesa (…)

09


SUSTENTABILIDADE & INTERVENÇÃO SOCIAL

Agricultura Biológica Produção e consumo

N

os

Açores,

como gal

em

tal por várias pessoas, entidaPortu- des e instituições de ensi-

continental

e no- Universidade dos Aço-

na Europa, a área de pro- res. Sendo, porém, legítimo

CÉSAR MEDEIROS

dução inscrita nos operado- questionar se foi o sufici-

ENG.º AGRICULA

res de controlo e certifica- ente? ção

tem aumentado

deravelmente.

A

Se

a

passos

10

dar em

os 1990

o

percurso

consi- ideal? Bem, foi o possível.

agricultura Atualmente

biológica nos Açores come- produção çou

foi

o

modo

biológico

de

(MPB)

primeiros está mais próximo do cone

muito ceito

original.

Revisitando,

trabalho teve que ser feito “A Agricultura Biológica

é


um modo de produção que

procura

visa

local

produzir

fibras

alimentos

têxteis

de

e

elevada

excede

de

a

produtos

oferta hortíco-

dução

regional

e

nacional

de qualidade.

las, frutícolas e de origem

Sabor: em solos regenera-

animal (ovos).

dos e fertilizados com ma-

mesmo tempo que promo-

De entre as muitas enunci-

téria

ve

qualidade,

saudáveis,

práticas

de

impacto

as

plantas

e

adas razões para o consu-

crescem

positivo

no

mo de alimentos, destacam

senvolvem o seu verdadei-

-se

ro

agrícola.

sim,

do

uso

Asade-

quado de métodos preventivos e culturais, tais como as

orgânica,

sustentáveis

ecossistema através

ao

rotações,

os

adubos

o

saúde,

benefício as

razões

sobre

a

ambien-

tais, e o incentivo à pro-

saudáveis

aroma,

a

sua

e

de-

cor

e

sabor autênticos, permitindo -nos

redescobrir

o

verda-

(…) em solos regenerados e fertilizados com ma-

verdes, a compostagem, as

téria orgânica, as plantas crescem saudáveis e

consociações

desenvolvem o seu verdadeiro aroma (…)

e

a

instala-

ção de sebes vivas, entre

outros, fomenta a melhoria da fertilidade do solo e a biodiversidade” Agrobio. A produção em Agricultura Biológica

assume-se

cada

vez mais como uma oportunidade para a Agricultura

Açoriana. Pois produz produtos

diferenciados,

com

um valor acrescentado, que têm registado um aumento na

procura

consumidor.

por Neste

parte

do

momen-

to, arrisco a afirmar que a

11


deiro gosto dos alimentos.

orgânica.

nidade

Solo fértil: O solo é a ba-

Certificação:

se

biológicos

e

reconhecimento

que

lhe

são

ca-

pelo

seu

papel

mentar e a principal preo-

derno de normas, verificado

dião

da

cupação da Agricultura Bio-

por organismos de controlo

ecossistemas

lógica. Toda a prática agrí-

e

primeiro garante da saúde

cola deve ter como objetivo

legislação europeia de Agri-

humana.

conservar e melhorar a fer-

cultura Biológica.

Emprego: A Agricultura bio-

tilidade

Dignidade

de

toda

do

a

cadeia

ali-

solo, aumentan-

Os

produtores

seguem

certificação,

do

um

segundo

agricultor:

a

A

lógica

cria

merecidos, de

guar-

paisagem, agrícolas

dos e

oportunidades

do o seu teor de matéria

Agricultura Biológica permite

de emprego permanente e

orgânica

revitalizar os meios rurais e

gratificante devido às práti-

restituir ao agricultor a dig-

cas ecológicas e à dimen-

12


são das explorações agríco-

técnicas,

las, adaptadas à escala hu-

competências

mana.

sociais.

sempenhar

Futuro: Os produtores bioló-

Hoje ser um operador de

forma adequada.

gicos são audaciosos inova-

agricultura

dores que combinam os co-

formação

nhecimentos

mais

alicerçadas individuais

biológica é

em e

naturais

e

biodiversidade

são imprescindíveis para deas

funções

de

com

fundamental

e

modernos

com as práticas e saberes tradicionais, uso

de

dispensando

todos

poluentes

os

do

o

produtos

ecossistema.

(Jean-Claude Rodet - funda-

(…) A agricultura Biológica cria oportunidades

dor da Agrobio).

de emprego permanentemente e gratificantes

É

sobre

pontos

Ilha

os

que

últimos a

Cáritas

Terceira

projeto

dois

através

Terra

Nostra

da

do Ca-

pacitações com Raízes, cujos

mentores

mões

Francisco

devido às práticas ecológicas e à dimensão

das explorações agrícolas, adaptadas à escala humana (…)

Si-

e Rui Drumonde er-

gueram e criaram condições, com todo o apoio da Direção

da

Cáritas

Anabela

faz

a

diferença

na

hora

Borba, proporcionando forma-

de vestir a camisola e de-

ção

sempenhar

a

dois

grupos

de

jo-

as

suas

fun-

vens em situação de risco

ções.

em

operador, aliado ao conhe-

agricultura

formação vens

biológica.

permitiu

adquirir

aos

A jo-

competências

A

cimento, ambiente,

sensibilidade

o

respeito pelos

do

pelo

recursos

13


E

transfor-

constante,

tempos.

foram

ao

Na

do

ambiente,

em

toma-

algumas

E,

se

uma

longo

dos

atualidade, sistemática

dúvidas

a da

houvesse,

franjas

escute-se o Papa Francisco,

das comunidades, um rumo

que desde o início do seu

gravoso

pontificado,

que

atinge,

com

tem

abordado,

violência, uma enorme ca-

com

mada da população.

mas nas homílias, encontros

É então urgente tomarmos

com jornalistas e em diver-

consciência que tal consta-

sos

tação exige de cada indivi-

advertir

duo

desmedido

e

dos

grupos,

uma

veemência,

estes

documentos. quanto que

Além

te-

de

ao

volume

a

pobreza

postura proactiva conducen-

atingiu no mundo, tem dado

te

especial

a

Comum”

e

de,

práticas

cada

próximas

da

inovação,

nas

cidadania.

cuidar

do

ação

questões

É

ser

vez

realida-

mobilizadoras de

de

preciso

relacionadas

às

ques-

com

a

preservação do ambiente e reforçado

a

ponsabilidade

ideia

da

do

res-

homem

perante a criação. É ainda

da natureza que o suporta.

apontada pelo Santo Padre

A

como nefasta, a «cultura do

Igreja,

na

princípios

defesa

que

sempre

esteve

tudo

que

o

condições

humana

humano

tões

atenção

e

a

14

as

domínios

Igreja continua.

Casa

DIREÇÃO DA CÁRITAS DA ILHA TERCEIRA

grandes

e

tes

relacionadas com a conser-

mais

LIVRAMENTO CARVALHAL

XXI

sé-

intervenção

ram,

“A Nossa

culo

no

mações, quer sociais, quer

vação

SUSTENTABILIDADE & INTERVENÇÃO SOCIAL

ntrámos

e

perfilha, atenta

diga da sua

dos

descarte».

Na

Encíclica

a

«LAUDATO SI», faz referên-

respeito

cia constante à necessidade

dignidade

de olharmos o Mundo como

relação

a «nossa casa comum».

com o meio ambiente. As

Estas

problemáticas,

como

chamadas de atenção nes-

se sabe, são muito abran-


gentes

e

processo

mediante

educacional

um

ence-

tado o mais cedo possível nas crianças e jovens, poder-se-á ganhar alguma eficácia.

A

Cáritas

Terceira,

desde

assumiu

e

da há

optou

Ilha muito,

decidida-

mente por essa via, desen-

volvendo de

uma

atividades

larga com

gama jovens,

numa perspetiva de promover a interiorização de princípios que venham a nortear

procedimentos,

em

prol

do bem comum. Perante

a

factos,

na

Terceira

constatação

dos

Cáritas

Ilha

(CIT),

da

reflete-se,

discute-se e procura-se responder

adequadamente

situação

de

jovens

da

à co-

munidade, de modo a que estes

consigam

encontrar

um rumo definido, quer ao nível académico, quer comportamental, rumo esse que lhes

venha

para

a

estruturação

sária

à

construção

futuro,

a

dar

conducente

suporte necesde a

um uma

realização

com

pessoal

hipótese

de

efetiva,

garantias

que

isso

aconteça

ladoras

de

e

derem-se

sem

que

uma

de

A título de reflexão, consi-

sabendo que o trabalho é, dúvida,

trajetórias

vida consistentes.

de segurança e dignidade. Para

criar assim condições mode-

instância

as

vêm

transformações ocorrendo

privilegiada de inserção so-

mundo

cial,

do emprego estável, aumen-

que

surge

e

interfere

de modo decisivo, nas pro-

to

duções

zação

da

subjetividade

e

laboral

do

-

no

ausência

desemprego, e

novas

formas

trabalho

mas de comportamento, pro-

que afetam toda a popula-

cura-se

ção,

seja

essa

instaurada,

vertente

marcando

de

na elaboração dos paradig-

que

flexível

precari-

de

fatores

forma

tentando

15


indelével os jovens. A Cá-

referência prioritária aqueles

ritas

que mais necessitam, tanto

da

veste

Ilha

Terceira

então,

com

esforço,

neste

concluindo

ser

in-

muito

no

domínio, urgente

âmbito

económica,

in-

peitante

da

situação

como

às

no

vertentes

resde

ventariar alguns modelos e

natureza psíquica ou profis-

formas

de

sional.

nham

a

ação

que

colmatar

ve-

esses

Então, nesta perspetiva de

danos.

promoção dos jovens, têm

Sob esta visão, comente-se que,

tanto

a

vertente

indivíduo

como

integrante

da

em

que

se

do

elemento comunidade

insere,

como

as marcas da sua subjetividade, e

são

aceites

compreendidas como

produção

histórica resultante de uma relação dialética com a realidade pos,

objetiva

dos

dos

espaços

gru-

e

das

épocas. Neste

(…) procura-se imprimir aos processos, proximidade,

dina-

mismo, organização e inovação, tendo

sido e

de

adequa-

concebidas

de

percursos

acordo

rência

mos

necessitam (…)

de

modelos

e

com

assumidos

pelas novas formas de trabalho.

aqueles que mais

iniciativas

de vida,

configurações

sempre como refeprioritária

propostas

que ajudam na construção

Como a

alguns

exemplo,

te-

concretização

de

projetos

onde

se

aplicam técnicas inovadoras e se fomenta a interiorização

esforço

formuladas

de

saberes

competências que

serão

e

fatores

ção ao mundo atual, pro-

decisivos no incremento de

cura-se

imprimir

pro-

modelos de formação inte-

cessos,

proximidade,

dina-

gral – refira-se o «TERRA

mismo, organização e ino-

NOSTRA» e «TRAD(E)-IN»,

vação, tendo sempre como

entre outros.

aos

16

Na

implementação

destes


programas,

enveredou-se

forneçam

mecanismos

e

pela introdução de ativida-

competências para a inser-

des

ção

tradicionais

pastela-

futura

ria, doçaria regional e hor-

trabalho.

ticultura.

são

Na

vertente

da

no

mundo

Em

também

simultâneo, cultivados

produção agrícola, seguem-

princípios

relativos

se

servação

do

práticas

biológica

da

com

agricultura a

fuga

ao

conservação

os

à

pre-

ambiente da

saúde,

a

que

Outra

nosso século tanto apelam.

destas

pensadores

e

uso de produtos químicos. componente

os

do

Para

as

cias da sociedade, no pre-

vados

cio, pelo que se processa

sente,

relativos à preserva-

a introdução sistemática de

nos empreendimentos reali-

compostagem

e

zados

de

embora,

de

desperdí-

reciclagem

a

fomenta-se

sob

a

exigên-

(…) são também culti-

atividades tem a ver com situações

responder

do

também,

alçada

da

os

princípios

ção do ambiente e

isto

Cáritas, o espírito de coo-

conservação da saú-

nível

peração e interajuda, quer

de, a que os pensado-

bastante elementar, apenas

no respeitante aos desem-

e

penhos do dia a dia, quer

residios,

tudo

ainda

quase

a

só,

sensibilização

um

na

fase

para

de

futuras

no

formular

de

parcerias,

realizações que permitam a

com outras forças vivas da

sustentabilidade.

comunidade,

Na

vertente

da

formação

assim

a

outro

apelo

feito

por Sua Santidade o Papa

ra-se integrar, além de as-

Francisco,

petos

«cultura da solidariedade e

habilidades,

gostos,

preferências

do

tanto apelam. (…)

respondendo

humana dos jovens, procu-

individuais

res do nosso século

que

é

a

encontro».

- os de natureza académi-

Para

reforçar

tudo

o

que

ca e profissional, que lhes

atrás

foi

abordado

e

de-

17


monstrar que as tentativas

te resultado, a Cáritas da

mática»

da Cáritas da Ilha Tercei-

Ilha Terceira tem procurado

controlada

do

ser

ra,

implementar

e

da

possibilidade

iniciam

quados

modelos exigências

desenvolver

falou

des-

humano

com

duma

momento presente, refira-se

o

ação

sob

o

mais

«Sempre mais Próximo do

da

civilização

Próximo»,

São João Paulo, debruçou-

uma

do

e

atividade

atividades, de acordo

Sua

às

ade-

da

mensagem

Santidade

o

de

Papa

Francisco:

«O

seu

seu

urgente

desafio

de

lema

as

de

diretrizes

Plano

do

Estratégico,

se

«catástrofe efeito

com

ecológica

da

explosão industrial»;

interesse,

sobre

sempre tendo em conta o

este tema e advertiu que

proteger a nossa casa co-

que

o ser humano parece «não

mum inclui a preocupação

consequências

relação

dar-se conta de outros de

de unir toda a família hu-

dos indivíduos com o meio

outros

mana

e a modalidades e exigên-

ambiente

cias que daí resultam.

além daqueles que servem

O Santo Papa João XXIII

para

apelou

consumo imediatos»

na

busca

desenvolvimento

de

um

sustentável

e integral… » Tem

merecido

atenção,

nas

especial

aos

cristãos

de

deterioração

sociais

e

quero

dirigir-me

da crise económica que se

pessoa

registou

planeta»

Região

prolongado,

e

se

deixando

do

tendo

que e

de

to-

vontade que «…à vista da

transformações

pessoas

e

as

resultantes

tem

da

Cáritas

situações

as

referido

e

da

na

foi

propostas

atividades

das

atrás

ambiente, a

cada

habita

neste

ainda

«…

especialmente diálogo

boa

entrar

marcas indeléveis, em toda

em

a população, mas especial-

acerca da nossa casa co-

mente notórias na juventu-

mum.»;

de.

Paulo VI referiu-se à pro-

Perante a constatação des-

blemática

o

com

pre-

Beato

ecológica

todos

Papa

apre-

sentando-a como uma crise

18

que

é

«consequência

dra-

significados

fins

do

natural,

de

um

seu para

uso

ou


Excertos da encíclica “LAUDATO SI’” do Papa Francisco: “Não quero prosseguir esta encíclica sem invocar um modelo belo e motivador. Tomei o seu nome por guia e inspiração, no momento da minha eleição para Bispo de Roma. Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos. Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior.” “O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados sectores da atividade humana, estão a trabalhar para garantir a proteção da casa que partilhamos. Uma especial gratidão é devida àqueles que lutam, com vigor, por resolver as dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo. Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos.” “Existem formas de poluição que afetam diariamente as pessoas. A exposição aos poluentes atmosféricos produz uma vasta gama de efeitos sobre a saúde, particularmente dos mais pobres, e provocam milhões de mortes prematuras. Adoecem, por exemplo, por causa da inalação de elevadas quantidades de fumo produzido pelos combustíveis utilizados para cozinhar ou aquecer-se. A isto vem juntar-se a poluição que afeta a todos, causada pelo transporte, pelos fumos da indústria, pelas descargas de substâncias que contribuem para a acidificação do solo e da água, pelos fertilizantes, inseticidas, fungicidas, pesticidas e agrotóxicos em geral. Na realidade a tecnologia, que, ligada à finança, pretende ser a única solução dos problemas, é incapaz de ver o mistério das múltiplas relações que existem entre as coisas e, por isso, às vezes resolve um problema criando outros.”

“Entretanto não basta pensar nas diferentes espécies apenas como eventuais «recursos» exploráveis, esquecendo que possuem um valor em si mesmas. Anualmente, desaparecem milhares de espécies vegetais e animais, que já não poderemos conhecer, que os nossos filhos não poderão ver, perdidas para sempre. A grande maioria delas extingue-se por razões que têm a ver com alguma atividade humana. (…) Por exemplo, muitos pássaros e insetos, que desaparecem por causa dos agrotóxicos criados pela tecnologia, são úteis para a própria agricultura, e o seu desaparecimento deverá ser compensado por outra intervenção tecnológica que possivelmente trará novos efeitos nocivos. São louváveis e, às vezes, admiráveis os esforços de cientistas e técnicos que procuram dar solução aos problemas criados pelo ser humano. Mas, contemplando o mundo, damo-nos conta de que este nível de intervenção humana, muitas vezes ao serviço da finança e do consumismo, faz com que esta terra onde vivemos se torne realmente menos rica e bela, cada vez mais limitada e cinzenta, enquanto ao mesmo tempo o desenvolvimento da tecnologia e das ofertas de consumo continua a avançar sem limites. Assim, parece que nos iludimos de poder substituir uma beleza insuprível e irrecuperável por outra criada por nós.

19


N

ão é minha pre-

de

tensão

será o cerne da luta eco-

um

“Ecologia Integral”

ROSA PIRES COORDENADORA DO PROJETO + PRÓXIMO CARITAS DOS AÇORES

20

tratado

teoló-

deve

vestigação

meio

exaustivo

sobre

foi

e

sempre

lógica da Igreja. O centro

gico ou um estudo de in-

ser

o

humano

ambiente

e

deve

o ser

a Encíclica do Papa, gos-

entendido como um contex-

tava porém de partilhar em

to

simples

natural ou produzido pelas

palavras

o

que

reter

ao

ler

consegui

SUSTENTABILIDADE & INTERVENÇÃO SOCIAL

escrever

sempre

da

realidade,

No

da e de tanto ouvir falar

Francisco

na

do

pensei

que

o

à

tarmos

Alerta

poupar

capítulo

que

Papa iria pedir para planárvores,

ele

mãos do homem.

“Laudato si”. Logo à parti-

mesma,

seja

faz

retrato

a

acontecer

Casa

comum”.

para

as

ções

ras….

um ritmo acelerado e mui-

quando

surpreendida

deparo

com

um

tas

delas

se

transforma-

água e respeitar as criatuFiquei

que

Papa

um

está

“Nossa

o

sucedem

contribuem

a

josos dos

tempos.

em que vivemos. As cau-

Trata do problema da eco-

sas têm a sua origem na

logia sim, mas dando uma

poluição

nova

de aumentar e se verifica

visão,

propõe

uma

do

para

dos documentos mais coraúltimos

deterioração

a

que

não

mundo

param

nova ecologia: a “Ecologia

a vários níveis.

Integral”.

pro-

A destruição da natureza e

põe um grande desafio pa-

toda a atividade que con-

ra

tamina as águas, o solo e

toda

A

Encíclica

a

humanidade,

crentes e não crentes, que

o

inclui claramente as dimen-

natura, contra nós mesmos

sões

e um pecado contra Deus,

humanas

e

soci-

ais” (137). Este na verda-

o

ar

é

Papa

um

crime

chama

a

contra

esses


Imagem: Korean Culture and Information Service (CC BY-SA 2.0 )

duas

tor que nos leva ao amor

Criação” (8) e convida-nos

enamoramento

entre

a

pessoas

descrever

dando-nos

e

a

mudar

a

como sendo um fio condu-

Papa

reconhecer

usa

do

pecados “pecados contra a

para

analogia

o

a Deus e por consequência

o

exemplo

“ (…) A Encíclica propõe um grande desafio para

de Assis “que

toda a humanidade, crentes e não crentes, que

vivia

inclui claramente as dimensões humanas e soci-

numa

harmonia com

total

os

tros,

com

consigo tando pelo

A

a

natureza

mesmo”

nome

poluição

também

ou-

todas

as

ais (…) ”

Deus,

com

todas

criaturas.

de

Francisco

São

a

as de

(9).

e

Tra-

criaturas irmãs.

O

encantamento de (11).

Assis É

de

Francisco

pela

natureza.

esse

encantamento

que nós devemos conquistar

tribuir perda pois

da

está

a

con-

para

a

biodiversidade

desaparecem

anual-

21


mente cies

milhares vegetais

Todos

e

estes

acarretam da

de

animais. fenómenos

a

qualidade

espé-

deterioração da vida

hu-

à bondade, à fé, à hones-

bre os princípios da Doutri-

tidade;

na Social da Igreja, debru-

de

chegou

o

reconhecer

momento que

esta

alegre

superficialidade

pouco

nos

serviu”

de (229).

ça-se

sobre

dois

destes

princípios fundamentais: Princípio do bem comum e

mana e a degradação so-

Só através do amor, garan-

o

cial. Os que mais sofrem

te

versal dos bens. Esta análi-

com estas agressões ambi-

mesmo

entais

um mundo melhor”.

são

as

pessoas

o

Papa

Francisco,

possível

é

“construir

princípio

se

não

do

nos

destino

pode

uni-

passar

ao lado, como crentes. Te-

mais pobres. Outro proble-

O

ma é o consumismo exa-

para

cerbado

“Nossa Casa” consegue dar

volta

leva ao desperdício de ali-

pistas

para

mãos que mais sofrem seja

mentos que faltam à mesa

mudarmos e arrumarmos a

qual for o tipo de sofrimen-

dos pobres. Boa parte dos

casa,

podemos

to. Este olhar acontece em

problemas

diretrizes

rante

o

dos

países

do

Papa,

ricos

Papa

além

os

ga-

essas

seriam

re-

capítulo.

alertar

problemas

e

mundo,

de

sugestões

da

encontrar no

mos a responsabilidade e o dever de olharmos à nossa e

ver

os

nossos

último

muitas

pessoas

apela

mente

mas

honesto

muitas

instituição

Francisco

ir-

individual-

também

em

solvidos se houvesse mais

para

“amor

políti-

capaz de estruturar proces-

dedicam aos

necessário

sos de decisão transparen-

dos

voltar a sentir que precisa-

tes, e recorda que nenhum

caso

mos

projeto pode ser eficaz se

outras tem como missão “

temos uma responsabilidade

não

Mais

para com os outros e pa-

consciência formada e res-

É bom sentir que todos os

ra com o mundo, que va-

ponsável,

pistas

apelos que o Papa nos faz

le a pena sermos bons e

capazes

um

ao longo da Encíclica estão

honestos. Vivemos já muito

crescimento

sentido,

realçados no dia a dia da

tempo na degradação mo-

a nível educativo, espiritual,

Cáritas da Ilha Terceira que

ral,

eclesial, político e teológico.

procura fazer uma simbiose

A Encíclica faz uma análise

perfeita

muito profunda e bela so-

Humana

co”

civil (231).

uns

e “É

dos

outros,

baldando-nos

à

que

ética,

22

um

for

diálogo

animado

por

sugerindo de

garantir nesse

uma

e

que

mais fragiliza-

desamparados,

da

Cáritas

próximo

que

do

entre e

se

a

é

o

entre

Próximo”.

Ecologia

Ambiental”

da


qual resulta a “Ecologia Inte-

testemunha de Cristo. Uma

gral”. É bom sentir a entre-

pessoa que busca Cristo e

ga

se

incondicionalmente

pessoas para

que

uma

volta e ver os nossos

o espírito de Cristo, o espí-

ela

irmãos que mais sofrem seja qual for o ti-

a vida nos projetos que a

po de sofrimento (…)

Cáritas da Ilha Terceira tem

ferramentas

futuro

oferecer,

mais

Ele;

seja

procuram algum sentido para

lhes

por

uma pessoa que ama com

É bom olhar os jovens que

lhes

buscar

(…) olharmos à nossa

material ou mesmo espiritual.

para

deixa

procuram

nos

ajuda,

às

rito

da

gratuidade,

e

do

dom.”

dando-

para

um

sustentado

e

mais risonho. É bom olhar as crianças do jardim

de

Infância

e

da

“Animação de Rua” e saber que estamos a transmitir os valores e princípios humanos que os tornará em Homens e Mulheres capazes de respeitar “ A Nossa Casa Comum”. Gostava de terminar deixando

uma

frase

do

Papa

Francisco proferida na missa de abertura da 20ª Assembleia Geral da Cáritas Internacional: “Quem vive a missão

da

simples

Cáritas agente,

não mas

é

um uma

Excertos da encíclica “LAUDATO SI’” do Papa Francisco:

“Embora não disponhamos de provas definitivas acerca do dano que poderiam causar os cereais transgénicos aos seres humanos e apesar de, nalgumas regiões, a sua utilização ter produzido um crescimento económico que contribuiu para resolver determinados problemas, há dificuldades importantes que não devem ser minimizadas. Em muitos lugares, na sequência da introdução destas culturas, constata-se uma concentração de terras produtivas nas mãos de poucos, devido ao «progressivo desaparecimento de pequenos produtores, que, em consequência da perda das terras cultivadas, se viram obrigados a retirar-se da produção direta». Os mais frágeis deles tornam-se trabalhadores precários, e muitos assalariados agrícolas acabam por emigrar para miseráveis aglomerados das cidades. A expansão destas culturas destrói a complexa trama dos ecossistemas, diminui a diversidade na produção e afeta o presente ou o futuro das economias regionais. Em vários países, nota-se uma tendência para o desenvolvimento de oligopólios na produção de sementes e outros produtos necessários para o cultivo, e a dependência agrava-se quando se pensa na produção de sementes estéreis que acabam por obrigar os agricultores a comprá-las às empresas produtoras” “Nas condições atuais da sociedade mundial, onde há tantas desigualdades e são cada vez mais numerosas as pessoas descartadas, privadas dos direitos humanos fundamentais, o princípio do bem comum torna-se imediatamente, como consequência lógica e inevitável, um apelo à solidariedade e uma opção preferencial pelos mais pobres. ...”

23


SUSTENTABILIDADE & INTERVENÇÃO SOCIAL

Projeto

TRAD(E)-In

N Centro

os

últimos

anos,

a

e

requer

Cáritas da Ilha Ter-

de

ceira

bém

de

através

do

incita

ao

celho de Angra do Heroís-

mas

mo e tem como fio condu-

tam-

desenvolvi-

tor

a

revitalização/

transformação de atividades

ra a empregabilidade.

tradicionais identificadas em

uma maior preocupação com a

Nesta perspetiva, a Cáritas

diagnóstico

formação

da

com

Juvenil,

e

e

persistência,

capacidade

mento de competências pa-

Inclusão

Desenvolvimento

uma

evidenciou

a

inclusão

no

Ilha

Terceira

submeteu

como

potencial

económico.

mercado de trabalho de jovens

uma candidatura ao Progra-

Desta

em situação de maior vulnera-

ma

ram 3 componentes organi-

bilidade

Fundação Calouste Gulben-

zadas

kian,

necessidades dos jovens.

mercado um

social.

O

acesso

ao

de

trabalho

não

processo

simples

e

24

é

fácil,

Cidadania

na

Ativa

modalidade

da

D

linha

áreas

por

central

faixas

deriva-

etárias/

Apoio à Empregabilidade e

No que se refere à com-

Inclusão de Jovens. O pro-

ponente um, pretende-se o

jeto está centrado no con-

desenvolvimento

de

itinerá-


rios vocacionais para jovens entre os 14 e os 18 anos. A intervenção está centrada

(…) tem como fio condutor a

em

revitalização/

grupo/turma

através

da

conceção/implementação/ avaliação/disseminação

transformação

de atividades tradicionais (…)

de

um itinerário formativo voca-

cional

centrado

em

ativida-

às

suas

necessidades,

des tradicionais. Conta com

como

acompanhamento

ma com os diretores de tur- de competências pessoais e

individual

uma

articulação

bem filhos. São aplicadas sessões próxi- de

orientação

vocacional

e

de

ma e os restantes professo- sociais que permitirão a in-

mentores, com uma periodi-

res, e não esquece a impor- clusão dos alunos em 2 ex-

cidade

tância

dos

alunos

por

quinzenal,

parte

sendo

adequado a cada jovem e

no

que

a

processo

família formativo

possui periências dos

profissionais

em

25


contexto de trabalho. Na

execução

desta

dos

componente

objetivos contamos

com a colaboração da Es-

(…) formação (...) em Pastelaria e Do-

cola

Secundária

çaria Tradicional Açoriana, embala-

Tomás de Borba e a Esco-

mento de produtos hortícolas e produ-

la

Básica

e

Secundária

Emiliano

de

Jerónimo

Andrade,

e

com

intervenção com uma turma

26

ção de Compotas (…)


Oportunidade

Profissionalizan-

te em cada escola, e com o trabalho essencial e fulcral de 3 mediadores do Centro de Desenvolvimento e Inclusão

Juvenil

da

Ilha

Terceira,

Dra.

Ana

Cáritas que

da

são

Pimentel,

a

a

Dra.

Joana Esteves e o Dr. Miguel Capote. Na componente dois, pretende-se apoiar jovens dos 18 aos

25

anos

de

idade

formação/reconversão competências tradicionais via

de

nas

de atividades

de interesse por

ações

nhamento

na

de

individual

acompanuma

desenvolvem

a

formação

formadores

experientes

lógica de reorientação voca-

com

cional,

e conceituados na ilha Ter-

numa

perspetiva

de

carreira, através da mentoria

ceira

e formação em unidades de

que contam com um exce-

curta duração, nomeadamente

lente

em Pastelaria e Doçaria Tra-

e acompanhamento individual

dicional

de

Açoriana,

embala-

para

estas

trabalho

uma

de

técnica

áreas

e

mentoria

afeta

ao

mento de produtos hortícolas

projeto, a Dra. Ana Margari-

e produção de compotas.

da Meneses.

Atualmente estão em forma-

Esta

ção cerca de 45 jovens que

apoio essencial do parceiro

componente

tem

o

(…) 45 jovens que desenvolvem

for-

mação (…)

27


do projeto, a Fundação de

projeto

Ensino Profissional da Praia

apoio ao empreendedorismo

da Vitória com os seus for-

nas

madores na aplicação teóri-

através

ca e prática das unidades

(com

de formação de curta dura-

ção/formação/consultadoria/

ção.

acompanhamento

Na

componente

três

do

prende-se

atividades do

ações

criação

do

com

o

tradicionais autoemprego

de

sensibiliza-

para

próprio

a

empre-

go), mas também no apoio

28

à

auto-organização

dutores

através

da

de

pro-

criação

(…) tem o apoio essencial do parceiro do projeto, a Fundação de Ensino Profissional da Praia da Vitória (…)


de uma estrutura de supor-

O desenvolvimento das ativi-

Direção Regional da Solidari-

te

económica

dades deste projeto só tem

edade

de jovens com maior grau

sido possível, devido ao em-

Escola Básica e Secundária

de vulnerabilidade social nu-

penho,

Tomás

ma

dos seus técnicos nas suas

Secundária Jerónimo e Emi-

diferentes

componentes,

liano de Andrade .

também

dos

à

atividade

perspetiva

social

ou

de

negócio

empresa

social

de inserção . Este

projeto

assenta

metodologia inovação

que

e

dedicação

mas

numa

que de um modo global, es-

engloba

tão envolvidos na dinâmica e

formação

nos objetivos aqui apresenta-

perspetiva de reconversão e

dos, o que nos faz acreditar

formação

que os indicadores e as me-

de

áreas

competências

económicas

de

das .

dividualizada que potencie a

TRAD(E)-IN é um Projeto de

empregabilidade

intervenção

jovem.

social,

financiado

A componente de mentoria,

pela Noruega, Islândia e Lie-

é

chtenstein

essencial

neste

projeto,

através

das

Grants do Programa Cidada-

público-alvo

nia

motivação de

e

metas

nível

da

definição

louste

da

Fundação

Gulbenkian,

em parceria com a Fundação

ação do autoemprego e do

de

empreendedorismo são privi-

Praia da Vitória e com uma

legiados

em

do

unidade de facilitadores onde

negócio

social

emprego

se incluem a Câmara Munici-

e

isto, dos

de o

empodera-

jovens

estratégia fulcral.

é

uma

pal

Ensino

de

Profissional

Angra

do

(…) financiado pela Noruega, Islândia e Liechtenstein (…)

promovido

curto e médio prazo. A cri-

detrimento

Escola

Ca-

pela Cáritas da Ilha Terceira

mento

objetivos

Ativa

a

para

e

da

e

EEA

face às vulnerabilidades do ao

Borba

Social,

tas propostas serão alcança-

interesse na abordagem in-

do

de

Segurança

beneficiários,

na

nas

na

entrega

e

da

Heroísmo,

Direção Regional do Emprego e

Qualificação

Profissional,

29


E

m

Fontinhas mo

o

para

à

mente

empresa

configurou-se de

criação

saída

de

30

ao

se-

prato,

fez

passar à prática uma teoria difusa,

frágil

e

pouco

fun-

horta na Animação de Rua.

tes deste projeto, e que no

Direcionado

utentes

seu

Cáritas

força e raízes.

aos

valência

da

decurso

previu, numa fase inicial, a

sementeiras

aquisição de conhecimentos

escolhidas.

em

Dividida a horta em parce-

biológica,

a

uma

natureza

dos

exploração e

de

pes-

las,

é

ganhando

A

agricultura

terra

foi

da Ilha Terceira, o projeto

preparada,

as

criteriosamente

cada

grupo

compete

saudavelmente por uma colheita melhor.

quisas efetuadas pelos pró-

Cada

prios,

orientação

é alvo de medição e regis-

valência.

to, escrito e fotográfico, pe-

dos

ANIMADOR DE RUA & COORDENADOR DA ARCIT

co-

até

a

damentada que traziam an-

desta

FÁVIO BETENCOURT

Bio-

desde

uma

jovens

Biológica da ARCIT

ticipação ativa no ciclo da

alimentação,

através da deslocação

Horta

de

2011, uma visita

pontapé a

desta

SUSTENTABILIDADE & INTERVENÇÃO SOCIAL

outubro

com técnicos

a da

planta

desponta

Todo processo foi acompa-

riódico

nhado por um técnico agrí-

de Campo. Consultando es-

cola que auxiliou na insta-

te registo poder-se-á perce-

lação da horta e que deu

ber a evolução das plantas,

as diretrizes para o desen-

quem

volvimento do projeto. Sen-

tratou e colheu. Para estes

tiu-se,

desde

jovens

grande

interesse

logo, e

um

motiva-

no

que

as

é

chamado

plantou,

uma

nova

Diário

regou,

visão

sobre a agricultura, e sobre

ção por parte das crianças

as

suas

próprias

capacida-

e jovens. O poder conhe-

des e competências .

cer, acompanhar e ter par-

A compostagem é um dos


pilares

onde

a

constam algumas plantas, os

saberes.

Por

seus benefícios, a sua fun-

As plantas foram crescendo,

Guia

ção no âmbito da agricultu-

os jovens também.

ori-

ra biológica e cuidados que

Cada

entou a construção e boa

necessitam.

cozinham-se

utilização de um compostor,

Em

que viria a “alimentar” toda

parceria

a horta .

da Cáritas da Ilha Terceira,

mesa experiências que leva-

o “(En)formar Aprender”, tor-

rão, com certeza, a hábitos

de

nando-se esta horta biológi-

de

conhecimentos e à constru-

ca no palco para uma das

sustentáveis.

ção

de

mais

ferramentas.

oficinas ministradas por esta

No

que

diz

respeito

iniciativa,

agricultura isso de

foi

assenta

biológica. utilizado

Compostagem

As

pesquisas

levam

à

um que

recorrentes

consolidação

às

2014, com

firmou-se outro

promovendo

uma projeto

a

teração com outras pessoas,

do

outras

guia

próprio,

onde

realidades

e

que os

se

colhem,

legumes

outros

e

conhecimentos adquiridos na nossa

horta.

vida

mais

E

serve-se

saudáveis

in-

plantas aromáticas foi criaum

vez

31

à

e


F

há que reconhecer as mu-

10

anos

danças que o tempo trouxe

que

teve

início,

(além de algumas rugas e os

tas, na verdade) esta ca-

cos).

minhada

em

2005,

Uma Década de Existência

precisamente

para mim (e para a Cári-

jovens.

CDIJ—CENTRO DE DESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO JUVENIL

oi

no

trabalho

com

Nessa

altura,

em

erámos

nós

uma

primeiros A

cabelos

equipa

tamanho,

qualidade. foram

bran-

aumentou,

diversidade

e

As

instalações

sempre

melhorando,

pequena equipa, numa pe-

em

quena sala, com escassos

nossos jovens, mas também

recursos, mas com enorme

da própria equipa. Os com-

empenho, dedicação e for-

putadores

te convicção de que esta

Quanto ao público-alvo, para

era uma área de enorme

além

da

importância

traba-

temos

vindo

lhada. Refiro-me ao traba-

desde

a

lho com jovens em aban-

com jovens fora do contex-

dono escolar, sem escola-

to

ridade

anos

em

ser

obrigatória

e

sem

do

bem-estar

são

de

dos

ponta.

intervenção a

desenvolver

génese

escolar,

que

do

nos

CDIJ,

últimos

arriscámos

mais

3 um

qualificações

para

ANA PIIMENTEL

ao

de

COORD. PEDAGÓGICA & MEDIADORA

O trabalho era feito sobre-

conforto e a voltar para a

tudo

Rua

escola (admito que desde o

computa-

meu 12º ano que não tinha

dores (doados) mal funcio-

voltado a cruzar os portões

navam,

do

do

32

mercado

numa

acesso

prol

trabalho.

sala

Barcelos,

na

os

salas

de

atendi-

pouco e fomos nós técnicos a

sair

da

Liceu…).

Em

de

2012-2013,

a

ções,

fei-

com

Mi-

Borba assume novos contor-

2015,

nos e começa a ser a es-

tas cra…

no

necessárias,

meu

saudoso

Chegados

a

a

zona

mento não havia, deslocase

parceria

nossa

Escola

estabelecida Tomás

de


cola a receber-nos. Em 2014-2015, partimos

também

Jerónimo

(…) nos últimos 3 anos arriscámos mais um pouco e fomos nós técnicos

Neste

para

Emiliano

tempo,

em

a

de

Escola Andrade.

conjunto

com

toda a comunidade escolar destas nossas

entidades

parceiras

a sair da nossa zona de conforto e a

(conselhos

executivos,

voltar para a escola (…)

pessoal não docente), temos vindo

professores,

então a trilhar um novo rumo no trabalho

com

jovens

em

situação

de absentismo e/ou insucesso escolares.

Este

investimento

passa

33


por dois grandes focos: ori-

piercings

mes-

mais um desafio a trilhar

entação vocacional, com vis-

mos… a motivação para a

na senda de novos su-

ta

áreas

escola já não é bem a

cessos. Se é certo que,

inserção

mesma, pois vem agrava-

para eles e para nós, o

em experiências de formação

da por um grande desâ-

caminho

em

nimo

afigura

como é

à

de

descoberta

interesse

contexto

de

para

de

trabalho;

e

são

face

os

ao

futuro.

A

por

vezes

se

tortuoso,

trabalho individual, com espe-

enorme falta de perspeti-

também

cial enfoque no domínio mo-

vas de emprego agrava a

não podemos, nem deve-

tivacional.

desmotivação

mos,

Pensando

comparação

entre

numa

ao

jo-

percurso

vens de agora com os pri-

cerbando

a

meiros

enquanto

“desperdício

grupos

estes

quanto

do

extinto

programa Itineris… as idades são ções

as

mesmas,

são

as

as

reten-

mesmas,

os

académico, visão

exadeste de

mos

nós

profissional, o

dever

tede

olhar para este negativis-

34

mo

e

deixar

de

aqueles

que

lembrar casos

e

aqueles momentos surpreendentes, verdadeiros milagres, olhando à origem

tempo”. Enquanto

todos

verdade

encará-lo

como

e

às

dificuldades

passadas. dez anos!

Venham

ultramais


S

ou mediadora nu-

aptidões e valores profissio-

ma

nais.

programa

nidades,

com

Escola Tomás de Borba

do

Oportu-

equivalência

perspetiva

esta é uma intervenção de grande

relevância

para

es-

Tomás

temática

de

Borba. o

Enquanto

meu

papel

da

orientação

vo-

cacional é pouco explorada

consiste em ajudar os alu-

no

nos a atingir o seu objetivo

junto

destes

de terminar o 9º ano, mas

este

programa

também que adquiram com-

trabalham competências pes-

petências e estratégias, quer

soais e sociais como a co-

pessoais,

municação

quer

profissionais,

ano,

especialmente jovens.

e

os

o

Com

jovens

relaciona-

que os permitam encarar o

mento

futuro

oportunidade de refletir so-

com

mais

sucesso

bre

escolar.

Para

os

isso

tenho de

jovens.

diferentes

trabalho Num

com

primeiro

momento, tenho oportunidade de trabalhar com os jovens

MEDIADORA

minha

tes jovens, uma vez que a

momentos

JOANA ESTEVES

Na

ao 9º ano, na escola EBS

mediadora

O PAPEL DA MEDIAÇÃO NO CDIJ

turma

em grupo, em contexto de sala de aula, onde é aplicado um programa de Orientação

Vocacional.

Este

programa tem como objetivo promover

a

autodescoberta

dos

jovens,

explorar

seus

interesses,

as

os suas

interpessoal,

as

suas

tendo

características

pessoais e a sua aplicabilidade

e

contexto

adequabilidade de

trabalho.

ao

Tudo

isto é completado com duas

pequenas

de

formação

experiências em

contexto

real de trabalho, em áreas definidas pelos próprios jovens.

Desta

forma,

estes

têm oportunidade de experienciar eleição, próprias

as

suas

áreas

vivendo do

dia

de

situações a

dia

do

35


trabalho,

desconstruindo

mi-

de desafiante e de inova-

qual os jovens se encon-

e adquirin-

dor. A metodologia de tra-

tram

balho utilizada assenta es-

quência disto encontro um

sencialmente

desafio…

tos

profissionais

do

estratégias

fundamentais

ao

sucesso

profissional.

Acredito dade,

que

esta

sendo

junto

de

oportuni-

pouco

alunos

um

para

percurso

escolar

que

Como

se-

motivar

os

jovens a sair da sua zona

usual

plicadas situações do quoti-

de

fre-

diano potencialmente desen-

sua

cadeadoras

emoções/

experiências ?

negativos.

Outra

que

jovens de

dinâmicas

Na

de grupo em que são re-

quentam o 9º ano, é fundamental

em

formatados.

de

conforto

e

diminuir

resistência

a

a

novas

componente

desta

com

insucesso

através

destas

experiências podem não só ganhar como

novas

aumentar

crenças

de

melhorar

a

ao

competências as

suas

autoeficácia

sua

e

autoestima

descobrirem

as

suas

competências e capacidades. A comunicação e o relacionamento interpessoal é algo tão intrínseco ao ser huma-

comportamentos

no

a

Esta estratégia poderá criar

intervenção

questionar a necessidade de

situações de ativação emo-

atendimentos

explorar

competências

cional que após enquadra-

onde

em sala de aula. No entan-

das e exploradas em con-

focada e adaptada às sin-

to,

texto

seguro permitem ge-

gularidades de cada jovem.

rar a mudança. Esta inter-

Este pretende ser um es-

venção diverge da tradicio-

paço seguro, onde através

nal

da abordagem da entrevis-

que

na

nos

pode

tais

minha

levar

perspetiva,

tem tanto de intuitivo como

36

intervenção

escolar,

à

a

consiste

em

individuais,

estratégia

é

mais


ta

motivacional

trabalha-se

a motivação escolar e estratégias que ajudem estes jovens seus são

a

ultrapassar

obstáculos do

à

ano.

os

concluEsta

foi

também uma estratégia nova

para

desafios

mim

onde

novos

surgiram.

Percebi

que a relação com os jovens é uma das principais ferramentas e que merece grande investimento da minha parte. Esta é também

ar

uma

vens e as suas expectati-

nova

trazemos

dimensão

que

escola,

que

aplica

uma

à

normalmente estratégia

mais

em

e

grupo

pensada

pouco

indivi-

dualizada. Tendo

a

oportunidade

de

(…) nova dimensão que trazemos à es-

a

vas

relação

e

os

necessidades

jo-

com

as exigências e características

do

cola, que normal-

rindo

mente aplica uma

relação

meio

escolar,

ge-

simultaneamente

a

com

os

restantes

professores e encarregados

trabalhar em contexto esco-

estratégia

lar

pensada em grupo

É

e pouco individuali-

vejo como muito completa,

o

objetivo

é

prevenir

casos graves de abandono escolar ou de experiências extremamente negativas associadas à escola. No en-

zadas (…)

mais

com

de educação.

com

uma

a

intervenção

qual

me

que

identifico

e acredito ser fundamental aos jovens.

tanto aqui surge a importância de conseguir concili-

37


A Dezembro tinha

Vocacional;

na Cáritas inici-

também muito importante, o

ou-se a 16 de

conceito

de

2014.

conhecimento

Já que

guês,

um

em

contexto

dual de

do

na

Escola

Secundária

Emiliano de

An-

e

“mentoring”,

como

ra experiência de trabalho sen-

outro,

sendo traduzido para portu-

“mentoria”,

escolar,

por

de

iria iniciar a minha primei-

Jerónimo

O PAPEL DA MEDIAÇÃO NO CDIJ

minha “aventura”

sendo

em

a

que é

acompanhamento cada

aluno,

feito indivicomo

uma estratégia de promoção do desenvolvimento juvenil.

drade. Fiquei feliz. Lembro-

Os

me

venção têm em média entre

da

troca

de

correio

jovens

trevista. Tal como no es-

sendo que estes estão inte-

Jerónimo

tágio

grados num programa intitu-

na matriz do curso, esta-

lado

Emiliano de Andrade

ria novamente no contexto

neste

escolar,

Profissionalizante”, tendo ca-

integrado

apesar

de

ser

uma intervenção diferente.

MIGUEL CAPOTE

No

MEDIADOR

ano

letivo

anterior,

intervenção

e

baseia-

se em duas linhas metodológicas por

um

orientadoras: lado,

foi/é

se

traba-

lhado na componente letiva um programa de Competências Sociais e Pesso-

38

idade,

“Oportunidade”,

caso,

“Oportunidade

da um deles já um número

no presente ano letivo, a minha

como

de

inter-

os

curricular

anos

de

eletrónico e da minha en-

Escola

16-18

alvos

ais, alinhado à Orientação

significativo

de

retenções

escolares. Numa primeira fase, na minha opinião, o principal foco da minha intervenção e dos

restantes

intervenientes,

prendeu-se/prende-se busca

de

foco

das

soluções

na e

no

potencialidades.

Pois, analisando o histórico


destes alunos, vemos as mais diversas vulnerabilidades identifi-

cadas. Entre elas é de destacar o absentismo escolar; insu-

(…) o principal foco da minha interven-

cesso

ção (…) prende-se na busca de solu-

comportamentos desviantes; vio-

ções e no foco das potencialidades (…)

e

lência em

abandono

escolar;

meio escolar; famí-

lias com problemas; entre muitos outros. Assim sendo, coubeme

questionar:

o

que

posso

fazer para melhorar o contexto de vida destes jovens? O que significa Serão

a tais

escola as

para

eles?

vulnerabilidades,

39


que

os

impossibilitam

alcançar

o

sucesso

de

esco-

muitas

vezes,

tempo”,

não

é

o

“nosso

o

“tempo

lar? Obviamente que, sen-

deles”. Que o ritmo difere

do o meu primeiro ano de

de jovem para jovem, que

trabalho, os resultados nun-

(…)

ca poderiam ser no imedi-

muitas

ato.

Nunca

visíveis

poderiam

ser

espaço

de

num

aprendi

que,

vezes,

“nosso

o

tempo”,

são eles que têm o poder de decisão, seja a escolha saudável ou não. A

conquista

dos

jovens

tempo tão curto. Não po-

não é o “tempo

requer tempo. É mais um

deria

deles” (…)

elemento desconhecido que

destes sem

pedir

a

jovens os

Comprovei

que

meus e

cada

um

incutis-

conselhos.

aprendi

que,

40

entra no seu “meio”, e por vezes o

essa

seu

aceitação de

tempo.

Nessa

perspetiva,

penso

que

disponibilidade

a

espaço

tem

em


realizar as aulas de Edu-

se

cação

Física

vens

foi

com

uma

também

noutros

eixos

vez mais a intervenção deve

os

jo-

presentes

na

vida

diária

forma

de

de

um

deles.

Para

que

tal

que

cada

passar

pela

escola.

Uma vez que esta deixou

tivesse/

se

tenha sucesso, e da minha

de

socialização

primeira experiência ao lon-

mas

que

sobretudo, também erram .

go

letivo

conjunto de atores em que

Encarei também a mentoria

2014/2015,

necessário

tornam este contexto cada

como

um

eles

visualizarem,

como

eles,

não

são

de

os

técnicos

perfeitos,

sendo

e

um

futebol.”

que

“campo

Neste

caso,

esta

do

bem

outra,

tar:

equipa

foi

de

patentes

relação.

uma

ano

conjunto

não uma equipa contra a mas

equipa

em

Sendo

escuta

conceitos toda

de

a

salien-

ativa;

empatia;

conjunta. Nesta equipa (eu

e, por fim, a assertividade.

com

o

Foi e é assim, que muitas

uma

conquista

jovem),

havia/há pontos

vezes

em direção a algumas me-

tência

tas

do

com estes três eixos, que

com

su-

em

que

se

definidas

nono

de

(término

ano

letivo

e

outras

cesso)

cendo

também,

fazendo

vezes,

haviam

mutações.

Neste

“jogo”,

houve/há

sempre

uma

de

transmissão

experiências,

conheci-

a

resis-

jovem.

espetro,

Foi/É

os

jo-

vens promovem ações concretas

por

quebra

do

largo

vão definindo. Não esqueque

se

rumo

à

com

mudança, que

ao

longo

do

tempo.

a

motivação,

cooperação quer

e

fosse

no eixo escolar, quer fos-

escolar,

entra

todo

um

vez mais complexo. Apesar dos tempos de crise de valores que vivemos na sociedade hodierna, encontrando

os

vez

mais

sem

perspetiva

jovens

cada

desanimados de

acontece,

pois

Neste

momento,

não tenho dúvidas que somos capazes de deixar as coisas um pouco melhores do que quando exploradas pela primeira vez.

notam-se

e

após

término do primeiro ano de trabalho,

penso

que

cada

e

futuro,

que muitas das vezes não

de toda a intervenção.

a

palco

Algo

três

melhoram

um

ações se tornem repetitivas

algumas recaídas ao longo

melhoraram/

apenas

estas

mentos e de medos. Estes conceitos,

ser

41


H

á

cerca

meses

6

atrás

nas idades compreendidas entre

os

18

e

os

25

iniciei um novo

anos se encontravam nu-

desafio profissional, media-

ma situação de desocupa-

ção com jovens inseridos

ção,

em

principalmente de descren-

contexto

formativo.

experiência

O PAPEL DA MEDIAÇÃO NO CDIJ

de

era

A

pouca,

ça

de

desemprego

num

futuro.

Importa

mas a vontade de agar-

referir

rar

conhecimentos

sem nenhum projeto, quer

e de me adaptar a no-

a nível formativo, quer no

vos contextos profissionais

âmbito profissional.

era muita.

Ao levar a cabo as en-

Ao ser-me apresentado o

trevistas

projeto

jovens

novos

TRAD(E)–IN

que

e

muitos

deles

individuais

aos

interessados

em

(Tradição e Inovação para

ser

Projeto

a Empregabilidade), desde

nente

logo me cativou pelo fio

constatar que cada jovem

TRAD(E)-IN

condutor,

entrevistado

sua

bem

forma

de

a

atuação

na

formativa,

compofoi

fácil

conseguiu

enumerar os diversos fra-

junto dos jovens que se

cassos,

encontravam

vos, experiências e expec-

ção

MEDIADORA

de desemprego. No

de

numa

MARGARIDA MENESES

situa-

desocupação

e

tativas que

desenvolvimento

episódios

negati-

falhadas,

vivem

jovens

alguns

deles

do

sem um projeto individual

jovens

e sem ter consciência de

pelos

diversos

qualquer tipo de potencia-

do

projeto

lidade

TRAD(E)-IN, fiquei bastan-

mano.

te

Foi

contacto

com

sinalizados facilitadores

42

como

admitidos

os

surpreendida

pela

quantidade de jovens que

enquanto

nesse

ser

Hu-

momento

que

tive consciência da dimen-


são do desafio da mediação: admitir jovens para formação, acom-

(…) Foi nesse momento que tive consciência da dimensão do desafio da mediação (…)

panhá-los, motivá-los, trabalhar individualmente volver

potencialidades,

estratégias

e

desen-

ferramentas

para resolução de problemas, quer emocionais, quer pessoais. O processo

de

mediação

de

jovens

é

complexo, mas não deixa de ser muito recompensador quando verificamos

que

a

nossa

intervenção

pode, e muitas das vezes faz a diferença.

43


alguns

meses

componente

em

que

a

formativa

TRAD(E)-IN

se

do

encontra

em

funcionamento, com 48 jovens admitidos

em

formação

nas

UFCD´S de Pastelaria e Doçaria

Tradicional

Açoriana;

Transformação Frutícola e Pre-

paração de Produtos em moNo

âmbito do

TRAD(E)-IN, a

onde

são

mediação desenvolvida com os

questões

jovens

ção;

dois

é

compreendida

níveis:

Grupo

(turma)

em e

Individual. No

contexto Grupo (turma) é

realizado

um

acompanhamento

próximo das Unidades de Formação (UFCD),

de

Curta

trabalhando

Duração aspetos

trabalhadas

como:

a

motiva-

potencialidades

indivi-

do

de

Agricultura

Biológica

para Embalamento, o balanço é positivo.

duais; resolução de proble-

Sem margem de dúvida que

mas, quer emocionais, quer

é

profissionais;

e

desafiador, atendendo que aju-

mente

ser

um

tempo

onde

sinta

o

principal-

jovem e

se ori-

entado. No

entanto,

de conflitos; coesão de grupo;

tem

e trabalho de equipa; desen-

complexidade

trabalho

complexo

e

espaço/ damos a crescer jovens emo-

acompanhado

como: a entreajuda; resolução

um

cional e formativamente. No

entanto,

chegar

ao

final

do dia e constatar nas difequando

exis- rentes áreas de formação jomaior

vens motivados, ocupados, in-

solicitado,

seridos, participativos, produzin-

volvendo pequenos projetos no

com autorização e vontade

do algo e com iniciativas fu-

âmbito da formação ao longo

do jovem, apoio psicológico

turas é sem margem de dúvi-

do processo formativo. A nível

por parte da equipa técni-

da

individual é centrado no con-

ca da Cáritas, o que aca- poderíamos ter. É melhor que

texto de atendimento individual

ba por ser um aliado no

qualquer número estatístico ou

acompanhamento do jovem.

percentagem.

44

situações

com é

Até ao momento, e após

o

melhor

resultado

que


Entrevistador: Andreia, o que é que te levou a integrar o projeto “Trad(e)-In”?

Entrevistado: Eu estava inscrita no Centro de Emprego. Estava a ser subsidiada e fui chamada para ter esta formação de ocupação. Eu já estava desempregada há seis meses, sim, há seis meses que eu

estava

quando uma

desempregada

fui

chamada.

licença…

estive

Tive

grávida…

estive de licença de maternidade

ao

e

depois

Centro

de

fui

chamada

Emprego

para

me inscrever. Estava… portanto… Maio, Junho… estava desempregada

três

meses.

Estava inscrita no Centro de TESTEMUNHO DE FORMANDOS

ANDREIA BORBA TRANSFORMAÇÃO FRUTÍCULA

Emprego. este

Fui

projeto…

entrevista.

E

chamada

para

Fomos

a

uma

depois

tivemos

uma entrevista individual… depois

fomos

selecionados.

À

partida, eu não tinha escolhido

a

transformação

frutícola.

Tinha escolhido o embalamen-

45


to, porque achava que ti-

bom… Comecei a trabalhar

própria formação, que pas-

nha

com ele…

saste para a transformação

mais

arranjar

um

potencial

para

trabalho.

Por-

que aqui há mais fábricas onde a gente possa trabalhar… e transformação frutícola, só abrindo uma empresa,

ou

calhar

tem

Mas

coisa

que

mais

depois

se

saída…

fui

chamada

para vir para esse curso…

Entrevistador:

E

Entrevistador: Está a ser então uma experiência positiva?

Entrevistado: Sim, está a ser uma experiência muito positiva! E… vai ser, acho, muito

E

para

o

nosso futuro, vai ser muito

tens

as

minhas

expectati-

vas… Por completo! Gostei da parte teórica, e começamos

na

parte

prática.

Estou a gostar muito. Começou

pouco

tempo,

mas estou a gostar muito da parte prática. Os formadores foram, principalmente

que tinhas algum potencial nessa

área.

especto

Tens

negativo

algum que

tu

queiras referir?

Entrevistado:

Não…

Entrevistador: Tens gos-

Superou as minhas espectativas (…)

tenho

adorado a formação. Supe-

rou

beste que realmente vimos

(…) tenho adorado a formação.

gostado?

Entrevistado:

relevante

frutícola, mas depois perce-

bom, porque para o nosso

do de estar cá então, não

currículo

é?

nada

é

de

mais

para os meios que a gen-

Entrevistado: Tenho gos-

te está agora. Tudo conta

tado

para

tenho.

um

Ah…

E

que

conte

futuro

no

melhor…

futuro

espero

bastante

essa

formação e penso que vai ser muito positivo.

muito

de

estar

cá…

Entrevistador: (risos) Ok. O que é que tu pretendes fazer

a

Portanto,

nível o

profissional? que

é

que

o formador da parte práti-

Entrevistador: Ok! Conse-

perspetivas?

ca,

gues indicar algum especto

Entrevistado:

Perspetivas

que

em

muito

bons

e

agora

estou a conhecer o Chefe

negativo?

Paulo…

positivos já enumeraste um

está

a

ser

muito

46

bocadinho,

O

positivo…

não

é?!

Os

A

eu

tenha

profissionais…

termos

gostava

de

arranjar um trabalho… Anh…


Gostava de aplicar a minha formação

que

estou

a

de-

senvolver aqui…

Entrevistador:

Portanto,

gostas do contexto de cozinha…

Entrevistado: Gosto… Gosto bastante do contexto de cozinha. Gostava de no futuro poder aplicar a formação

que

a

gente

está

a

tirar.

ximidade…

Entrevistador: tu

achas

pode

que

ajudar?

portanto… potencial

O

que

este Este

Achas para

trabalho

na

área

Entrevistador: Atendimento

expectativas

ao público, não é?

tem

acompa-

Sim,

gente

um

tra coisa, quais são as tuas

sinto.

Sinto que é um bom potena

jar

projeto,

depois sentes isso?

para

sim…

da minha experiência.

várias possibilidades para ti,

cial

Sim,

Entrevistador: Diz-me ou-

nhar no futuro, vermos aqui

Entrevistado:

Entrevistado:

projeto

que te

é

também gostava de arran-

ter

um

futuro melhor!

Entrevistador: Ok… Entrevistado: Sem dúvida… Entrevistador: Sentes-te assim acompanhada com pro-

para

o

futuro?

O que é que tu desejavas?

Entrevistado:

Entrevistado:

Desejava

muito de conhecer pessoas

muito

um

trabalho,

e de lidar com elas. Gos-

arranjar

to

Entrevistador: Ok… (risos)

arranjar um trabalho nestas

não andar naquela coisa…

Entrevistador:

E

qual

eram as áreas que tu gos-

Eu

gosto

mas um trabalho fixo!

Entrevistado: Gostava muito…

muito.

Eu

gostava

de

áreas…

Entrevistador:

Nestas

áreas, não é?

Entrevistado: É…

tavas?

Entrevistado: Eu gosto da parte de cozinha! Gosto. E

47


Entrevistador:

Jocelino,

o

que é que te levou a integrar o projeto “Trad(e)-In”?

Entrevistado: Bom, na altura

eu

estava…

sempregado.

e

estou

de-

Inscrevi-me

no

Centro de Emprego à espera que aparecesse alguma coisa que pudesse fazer, algum trabalho,

algum

altura…

emprego,

estava

e

na

inscrito

há três meses mais ou menos,

e

nunca

me

apareceu

nada. Houve um dia em que fomos

chamados

Centro

de

para

Emprego,

ir e

ao tive

uma entrevista sobre três curTESTEMUNHO DE FORMANDOS

sos

que

iam

abrir,

de

um

projeto da Unidade de Forma-

JOCELINO SOUSA PASTELARIA E DOÇARIA TRADICIONAL AÇORIANA

ção

de

Curta

Duração,

e

apareceu lá três projetos: Doçaria

e Pastelaria Tradicional,

um de embalamento, e apareceu

outro

que

eu

agora

não me lembro qual é…

Entrevistador: Transformação frutícola… as compotas!

Entrevistado:

48

Compotas

e

licores! Exatamente! E eu co-


ces.

mecei a ver nos três cursos

mos

qual era aquele que pudesse

passámos,

servir para mim, e eu fui pa-

módulos, e os dois primei-

gostado

ra Pastelaria e Doçaria… não

ros foram sobre higiene e

nós trabalhamos aqui com

sei… Por acaso gosto de co-

segurança

os jovens? Pois é diferente

zinha,

restauração.

e

é

parecido…

mais

menos

bem

fizemos

na

cozinha,

Já três

na

E já começá-

Entrevistador: da

E

tens

forma

como

da escola…

mos nas aulas práticas. A

Entrevistado:

doces em vez de comida, é

minha experiência até ago-

pela professora… que foi a

comida

da

ra, acho que é muito po-

que começou com a gente

mas

doces

sitiva,

e a que teve sempre dis-

mesma

que

módulos…

é

é

está

ou

vários

maneira,

(risos).

E

eu

tenho

um

balanço

Começando

gostei da ideia, e dei o meu nome. Vim fazer a entrevista

(…) fui para Pastelaria e Doçaria… não

com a esperança de ficar, e

sei… Por acaso gosto de cozinha (…)

por acaso tive essa sorte e fiquei aqui no curso.

para

arranjar

as

de

coisas, e para a gente vir

que está a correr a tua ex-

aprender

periência? Para já, quais são

higiene

os aspetos positivos que enu-

não sabia até hoje… Sabia

apoio...

meras, e também os aspetos

algumas coisas, mas outras

fessores que tivemos, tam-

negativos?

que tem

não, e agora vejo as coi-

bém

sido estar aqui? Já cá estás

sas na cozinha, tanto em

agora.

há dois meses… Como é que

casa

como

fazes esse balanço? Como é

uma

forma

que tem sido?

levo

alguns

Entrevistado: Bom, para já a experiência… eu guardo para mim uma experiência positiva.

Aquilo

mos

até

que

hoje.

aprende-

Primeiro,

tive-

as e

Gostei

ponível

muito

Como é

positivo…

de

Entrevistador: Ok! Como é

normas

segurança

que

e

não

faltar, A

seguir,

gostei Gostei

dos

e

deu

os

pro-

três

de

até

qualquer

escola

de

um deles… cada um à sua

diferente.

maneira. Mas os três bons

aspetos,

professores. Os funcionários

na

uso algumas coisas. E as-

também…

petos

todos

positivos

e

negati-

fazem

muito

parte,

bem.

e

Gosto

positi-

de todos também. Aspetos

vos eu queria dizer todos,

positivos são estes… e é o

vos…

Bom,

aspetos

o que já aprendi a fazer, várias

receitas,

vários

do-

49


que aprendi, e as coisas. As-

fosse gostar tanto e estou

cadinho

petos negativos que possa ti-

a

aqui?

rar,

nível profissional, de repen-

talvez

os

outros

colegas

gostar…

e

acho

te

que

depois dando nomes, e a

quiseram…

que

não

pessoa

não

Que

rar… trabalho não vem até

perderam

à pessoa, a pessoa é que

um módulo, e que já perde-

tem que procurar. Posso a

ram

são

nível profissional vir a tra-

os aspetos negativos que tiro

balhar numa padaria, numa

faltaram,

o

e

não

que

curso,

sei…

acho

que

disso!

pretendes fazer a nível profis-

procu-

chegaste

Entrevistado: Bom, para já, vou sair daqui com um curso, o que antes não tinha, nem sequer acabei a escolaridade obrigatória que era o nono ano, só tirei o oitavo, e

não

tinha

curso

nenhum.

Agora já saio daqui com um

curso e vou sair… acho que com boa nota (…)

sional? No que é que achas

pastelaria,

que

que

o

projeto

“Trad(e)-In”

te

pode ajudar no futuro?

Entrevistado:

Bom,

se

eu

dissesse que a nível profissional, antes pensava poder seuma

carreira,

talvez

na

pastelaria, eu estava a mentir. Pois não estava. A nível pro-

fissional,

talvez

pudesse

para outra coisa! Mas com

ir

que

(…) saio daqui com um curso. Tenho um

Entrevistador: O que é que

guir

que

ou

sei, por motivos pessoais, ou pessoais,

ter

ajuda,

a

que tiveram na minha turma, não

com alguma

que

desde

esse

virar agora,

projeto… pode

dar

completamente!

por

acaso

não

mu-

Não

sei…

pensava

que

50

para

trabalhe

um

lugar

mais

assim

curso. Tenho um curso e vou

sair…

acho

que

com

com pão e massas, e do-

boa nota. E não sei, ex-

ces,

pectativas… acho que posso

não

sei…

Acho

que

esse projeto me pode aju-

esperar.

dar muito.

probabilidades

de

arranjar

um

ou

mesmo

Entrevistador:

Ok!

E

Posso

emprego,

ter

mais

quais são as tuas expecta-

numa outra área que não

tivas

futuro?

seja

a

Tu tens 20 anos, o que é

não

sei.

que perspetivas agora para

é muito melhor para mim

quando

ter

para

UFCD? de

o

teu

terminares Portanto,

Pastelaria

e

o

a curso

Doçaria

um

minha. Acho

curso,

Mesmo… que

que

agora

antes

não tinha e já tendo alguma

experiência. o

futuro,

Acho devido

que

Tradicional Açoriana, o que

para

a

é que perspetivas para o

esse curso que está aqui,

teu futuro? Mudou um bo-

posso melhorar.


Entrevistador: Carlos, o que é que te levou a integrar no projeto “Trad(e)-In”?

Entrevistado: não

tinha

Foi

trabalho

porque e

eu

inscrevi-me

no fundo de desemprego. E eles deram-me

oportunidade

de

estar

aqui na Cáritas. E estou a gostar disto… e é isso.

Entrevistador: Ok. Como é que está

a

ser

a

tua

experiência?

Ou seja, vocês também começaram

pouco

tempo

as

aulas.

Mas o que é que tu tens achado de diferente? O que é que te tem motivado para vires para

TESTEMUNHO DE FORMANDOS

as aulas? Quais os aspetos positivos e os negativos?

CARLOS PEDRO PREPARAÇÃO DE PRODUTOS EM MODO DE AGRICULTURA BIOLÓGICA – EMBALAMENTO

Entrevistado: Eu estou… a minha

experiência

tem

sido

boa…

os ambientes aqui são diferentes das escolas, os professores aqui ajudam mais os alunos, e… estou

a gostar disso. E tenho aprendido

coisas

novas…

Gosto

desta

área.

Entrevistador: Quais os aspetos que achas negativos? Sobressaiu algum?

51


Entrevistado: Não, não…

da escola?

Entrevistador: Não?

Entrevistado:

Entrevistado: Eu só acho

anos. Mas tem sido posi-

balhado? Se não…

tivo. Tenho um professor

Entrevistado:

um bocadinho estranho porque

muito

tempo

que

não estou na escola.

Entrevistado: Sim, sim… Há

oitos

que é muito simpático e “porreiro”… e é isso.

Entrevistador: Já tinhas tra-

de

ser

Eu

Guarda

gostava Prisional.

Mas eu já tenho experiência

Entrevistador: Ok!

Entrevistador: Ok. Diz-

nesse curso dos embalamen-

Entrevistado: Mas está a

me uma coisa, o que é

tos,

ser positivo…

que tu pretendes fazer a

numa

nível

profissional?

fazem isso. Portanto, se eu

lheste

esta

Entrevistador: que

tem

quanto

sido

tempo

Como

é

voltar?

estavas

52

fora

escolha

foi

área.

EscoA

também

ver para o teu futuro?

tua a

porque

eu

floricultura

já e

trabalhei eles

não conseguir…

Entrevistador: Gostavas? Entrevistado: Sim, gostava.


Se

eu

não

conseguir

ir

tuas

expectativas

para

o

não é?

para Guarda Prisional… vou

teu futuro?

Entrevistado: Pois, o pro-

seguir este caminho.

Entrevistado: É seguir…

fessor também fala daque-

Entrevistador: Em que é

Entrevistador:

que

tu

projeto, estás

achas a

a

que

este

que

formação

que

futuro?

receber,

pode-te

ajudar para o teu futuro?

desejas

O

que

para

o

é teu

les projetos, que vai criar um

projeto.

Se

Entrevistado:

O

que

é

Entrevistador: Ok! Entrevistado:

Entrevistado: Pode ajudar

futuro?

nós

em

bom…

coisa…

prepara-

Se

der bom resultado…

que eu desejo para o meu

muita

der…

É

ter

um

futuro

temos

Mas de

que

trabalhar,

temos de nos esforçar, ha-

(…) Se eu não conseguir ir para Guarda Prisional… vou seguir este caminho (..)

ração, não é? Faço coisas

que

se

calhar

nunca

fiz

no trabalho… Higiene e segurança…

na

floricultura

nós não fazíamos isso.

Entrevistador: Vocês estão

a

dar

esse

módulo,

não é?

Entrevistador:

Ok.

Mas

queres concluir essa forma-

que eu tenho a dizer!

ção?

Entrevistador: Então tens

Entrevistado: Claro, claro…

gostado de estar por aqui?

Entrevistador: E depois?

Entrevistado:

Entrevistado: Depois, que-

nho…

ria

ver

trabalho.

se

arranjava

Nem

que

um

aqui nas Cáritas. Se eles…

Entrevistador: Ok…

se

é só isso…

Entrevistador: Ok! Diz-me uma

coisa,

qual

são

as

eles

tivessem. Se

Tenho,

te-

Entrevistador: Ok, Carlos.

fosse

Entrevistado: É, é…

Entrevistado: E acho que

ver disciplina… e é só isso

eles

não tivessem… havia de se ver.

Entrevistador: O Professor também

fala

de

projetos,

53


A 15

e

16

Cáritas

dos

Doutor Carlos Farinha Ro-

Açores

promo-

drigues iniciou os trabalhos

veu, de

nos

dias

outubro,

o

com uma apresentação assente no tema “Erradicar a

Seminário Humanizar a So-

Pobreza,

ciedade:

das

dades e Promover a Coe-

IPSS no processo de hu-

são Social: o caminho pa-

manização

ra

no

O

papel

da

Pequeno

sociedade, Auditório

do

Reduzir

uma

Desigual-

sociedade

humanizada

e

mais

justa”,

com

Centro Cultural e de Con-

a moderação do Dr. Antó-

gressos de Angra do Hero-

nio

ísmo,

Provedor

na

Ilha

Terceira,

o

Bento

Fraga da

Barcelos,

Santa

qual se inseriu na Semana

da

Pelo Combate à Pobreza e

do Heroísmo.

à Exclusão Social.

De seguida, o Diretor Re-

Neste

evento

Misericórdia

de

Casa Angra

estiveram

gional da Solidariedade So-

presentes alguns dos maio-

cial, Frederico Furtado Sou-

res

sa,

especialistas

nacional,

a

a par de

rencistas

da

nível confe-

região

que

expôs

sobre

o

tema

“A Solidariedade na Região Autónoma

dos

Açores

e

abordaram o tema de dife-

os Desafios Futuros”, tendo

rentes

ficado

perspetivas,

certamente, os

e

que,

enriqueceram

objetivos,

ao

cuidado do Cónego Doutor abordou o tema “As Instituições

Vigário Geral da Diocese.

de Solidariedade Social, o De-

intervenção social.

Após o almoço, foram re-

senvolvimento Local e a Inclu-

No dia 15, após a Sessão

tomados os trabalhos com

são

de Abertura, o Professor

uma apresentação realizada

entregue

pelo Professor Doutor Car-

Almeida, Presidente da Direção

los

da

concertadas

e

moderação

Hélder Manuel S. Mendes,

estratégias

métodos

a

de

54

Laranjo

Medeiros

que

Social”.

União

ao

A

moderação

Dr.

Regional

Paulo

das

foi Dias

IPSS.


do Seminário, houve espaço

ências

à

plateia. Este foi um momen-

apresentação

“Humanizar

a

do

Sociedade”,

Miranda

uma

Alexandre,

Seminário

com

a

Reitor

Episcopal

de

grande

foi

dinamismo,

possível

assistir

consistente

troca

O dia 16 iniciou-se com o

causas e as soluções para

tema

o

“Empreendedorismo

e

Local”,

de

perceber

insucesso

Mesa

escolar.

fizeram

Duarte Gonçalves Luís, com

do

a moderação da Dra. Isabel

más de Borba, o Dr. Mário

Berbereia, atual Responsável

Rodrigues,

pela Agência para a Qualifi-

executivo da E.S. Jerónimo

cação, Emprego e Trabalho

Emiliano

de Angra do Heroísmo.

Dra. lugar

executivo

Presidente

da

E.S.

de

Andreia

Jaqueta,

a

Re-

presentante dos Empresários

a uma Mesa Redonda, on-

para

de se discutiu sobre o te-

Dr. Marcelo Formosinho, Co-

ma “As escolas e as IPSS:

ordenador processual e me-

que relação no combate ao

todológico

insucesso e abandono esco-

nos

lar?”.

o Doutor Francisco Simões,

Aqui,

para

além

de

a

Inclusão

do

Açores,

Social,

Projeto e,

por

ponto de vista de especia-

Investigação

e

palavras do Prof. Eugénio da

listas experientes no terreno,

Social

ISCTE-IUL.

Fonseca,

Presidente

tivemos

ficado

o

precioso

ção

da

Cáritas

Para

terminar o

dia

do

Andrade,

das

primeiro

To-

Presidente

editorial

Portuguesa.

Dr.

Leandro

do

Dire-

o

apresentado pelo Doutor Rui

houve

Viriato,

as

Desta

parte

Investigador

da

de

objetivo

termos ficado a conhecer o

através

a

ideias e experiências com o

introdução e apresentação do Cáritas,

pela

Angra.

Seguidamente,

prosseguiu

de

pois

Desenvolvimento

tarde

to

pelo Cónego Doutor Hélder

do

A

livro

mencionadas

a

possibilidade

de

ouvi-los quando confrontados com

as

opiniões

e

experi-

de

moderação

o

EPIS último,

Centro

de

Intervenção

a

Tendo trabalho

cargo

do

55


Dr. Nuno Costa Neves, Jor-

Diana

nalista da RTP Açores.

tulado

Após pausa para almoço, o

em

trabalho

a

seguida, a Professora Douto-

caso

ra Teresa Seabra de Almei-

Dra.

da

retomou

apresentação p rático,

de

com um

pela

Sebastião

“Intervenção

Contexto

proferiu

sobre

inti-

Social

Escolar”.

“Desigualdades

56

Costa,

o

Sociais

De

tema em

ções ficou a cargo do Professor Doutor Alfredo Silvei-

ra

de

Borba,

Departamento Agrárias

Diretor de

da

do

Ciências

Universidade

dos Açores. Para

terminar

o

Seminário,

Contexto Escolar”. A modera-

e antecedendo à Sessão de

ção

Encerramento,

destas

duas

apresenta-

a

Dra.

Ana


Cristina Macedo Pereira, da

Combate à Pobreza e à Ex-

Escolas e a Sociedade, com

Santa Casa da Misericórdia

clusão

o

vista

a

encontrar

de

Heroísmo,

Seminário Humanizar a Soci-

para

os

problemas

livro

edade, um espaço de gran-

breza e exclusão social que

“Gerontologia, Gerontagogia”.

de importância para o deba-

existem na Região.

Assim,

do

te das questões sociais, ten-

a

do como um dos objetivos o

e

reforço

Angra

do

apresentou

Dia

em

o

vésperas

Internacional

Erradicação da inserido

na

para

Pobreza,

Semana

pelo

Social,

da

Instituições,

decorreu

rede o

entre

as

Governo,

as

soluções da

po-

57


CARAS DA CARITAS

Diana Mendes Animadora Sociocultural

Cátia Araújo & Ana Ponte Técnicas Administrativas

58


Melanie Petiz & Filipa Carvalhinho Mediadoras & Psicólogas

Manuela Rocha (Micas) Técnica Administrativa

Rui Drumonde Coordenador do CDIJ-CIT Gestor da Formação

Renata Borges & Marcelo Gusmão Operadores Agrícolas

59


VOZES DE INCLUSÃO

A SOLIDARIEDADE NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES E OS DESAFIOS RESUMO

FREDERICO FURTADO SOUSA Diretor Regional da Solidariedade Social Frederico.F.Sousa@azores.gov.pt

A de sum aniz aç ão da so cied ad e já t em con tor nos , em bora m ai s té nu es, n a n oss a so cie dad e. O antído to p ara e ste m al enc ont ra - se no exe rcíci o ativ o de ci d ada nia de cad a u m de nós . Da soli darie d ade. Da s Or ga niza çõe s. Das Ins titui ç ões . Pa ss a ig ualm ent e pela aç ão det erm in ada do po der polí tico, nas ca us as pú blica s . No di a a dia d as dific ulda de s hum an a s en con tram os , inv a riavel m e nt e, as In stit u içõe s Pa rtic ular es de Soli dari eda de S ocia l e as O rga niz aç ões Não - Go ver nam ent ai s, da nd o res po sta s no terre no, jun to de q uem dela s p reci sa . Par al el am e nte , im põ em -s e ou tra s re sp o sta s. As do p od er públ i co ; do s d epa rtam ento s d o g ove rno que t ut elam a áre a soci al ; d os s ervi ço s da A dm ini str açã o P úblic a Re gio nal qu e gerem o s dinh eiro s p úblic os co m vi sta a ga ran tir a s r es po sta s nec es sári as. A pre oc up açã o na cria ção d e sol uç õe s adeq uad as a cad a situa ção , e sp ecífi ca s para c ada reali d ade, nã o m as sific a das , tem d e ser um a con sta nt e n o tr abal ho a de se nv olve r na s área s d a inf ânci a e juv ent ude , da defi ciên cia, da t ercei r a i dad e e fam íli a e c om uni da de. Refi ra - se, qu e a c ons ec uçã o de t od as est as ini ciati va s s ó é pos sí v el d evi do ao trab alh o d as In st ituiç ões Parti cul are s de Sol i dari eda de S oci al en vol vida s e da b oa arti cula çã o est ab eleci da entr e o s se us técni co s e o s c ol abor ad ore s da Se cr etari a Re gi on al d a Solid ari eda de So cial . A Di r eçã o Re gio na l da Solid arie dad e S oci al con tar á a ssim , com o sem pre te m c onta do , com a c ola bora çã o da C árit as enqua nto par ceir o p riv ilegia do nes ta m at ér ia.

capacidade de interpelar a sociedade, de questionar paradigmas, de inquietar sistemas estabelecidos é, paralelamente à competência na intervenção, um fator relevante no processo de construção de uma sociedade mais justa, mais coesa e mais humanizada.

A

60


O tema que subjaz aos trabalhos do Seminário é cada vez mais oportuno e urgente. A humanização da sociedade é uma prioridade. Tem de ser a prioridade. Como já tem sido referido, temos assistido ao ruir dos ismos. E depois da derrocada colossal do socialismo soviético, materializada na derrocada do muro de Berlim, assistimos ao colapso do capitalismo já designado de selvagem, à construção de novos muros - agora de arame farpado – cimentando fronteiras com preconceitos, com medos, com desinformação. O êxodo de África e do Médio Oriente para a Europa, os novos contornos da velha realidade da imigração aliados ao envelhecimento, à pobreza e desemprego crescentes numa velha Europa muitas vezes desunida, forçarão a criação de novos desenhos sociais, de novas respostas a velhos problemas ciclicamente reciclados. A visão poética do conceito de aldeia global desvaneceu-se rapidamente perante o óbvio aproveitamento dos recursos humanos e matérias prima dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, por parte do mundo dito desenvolvido. O velho axioma que assegura que riqueza gera riqueza nem sempre se sustenta perante os casos flagrantes em que a riqueza gera pobreza, por conta dos princípios da tal economia capitalista selvagem. O desenvolvimento sustentável é posto em causa. O egoísmo ecológico é recompensado. O fomento do consumismo é chocante. O consumerismo é combatido com todas as armas do marketing e da publicidade. Em suma, o consumo responsável que promova escolhas mais racionais promotoras de maior qualidade de vida antagoniza-se com a necessidade de produção em larga escala e de lucros avantajados. Por causa do crescimento económico. Por causa das balanças comerciais. Por causa dos défices. Assim se tem descurado a humanidade. Assim se tem descurado a “nossa casa comum” como chamou o Papa Francisco ao nosso grande habitat que é o planeta. O Pontífice, na Encíclica Laudate Si, quando se refere à desigualdade planetária, diz: “O ambiente humano e o ambiente natural degradam -se em conjunto; e não podemos enfrentar adequadamente a degradação ambiental, se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a degradação humana e social. De facto, a deterioração do meio ambiente e da sociedade

(…)

o

consumo

responsável que promova

esco-

lhas mais racionais de

promotoras maior

quali-

dade de vida antagoniza-se com a

necessidade

de produção em larga escala e de lucros

avantaja-

dos (…)

61


VOZES DE INCLUSÃO A SOLIDARIEDADE NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES E OS DESAFIOS DESAFIOS FUTUROS FUTUROS -- Frederico Frederico Furtado Furtado Sousa Sousa

(…) é necessária uma

ecologia

económica,

ca-

paz de induzir a considerar a realidade de forma mais ampla (…)

62

afetam de modo especial os mais frágeis do planeta: «Tanto a experiência comum da vida quotidiana como a investigação científica demonstram que os efeitos mais graves de todas as agressões ambientais recaem sobre as pessoas mais pobres”. Continua o Papa naquela Encíclica: “Nos tempos modernos, verificou -se um notável excesso antropocêntrico, que hoje, com outra roupagem, continua a minar toda a referência a algo de comum e qualquer tentativa de reforçar os laços sociais. Por isso, chegou a hora de prestar novamente atenção à realidade com os limites que a mesma impõe e que, por sua vez, constituem a possibilidade dum desenvolvimento humano e social mais saudável e fecundo. (…) Além disso, o crescimento económico tende a gerar automatismos e a homogeneizar, a fim de simplificar os processos e reduzir os custos. Por isso, é necessária uma ecologia económica, capaz de induzir a considerar a realidade de forma mais ampla”. Fim de citação. A Região Autónoma dos Açores, por força do seu distanciamento geográfico e da pequenez do seu território, parecem salvaguardados de algumas nuances deste cenário. Mas não tenhamos ilusões. Há sempre a outra face duma mesma realidade. E as vicissitudes dos sistemas macro extravasam para os contextos micro. A desumanização da sociedade já tem contornos, embora mais ténues, na nossa sociedade. O antídoto para este mal encontra -se no exercício ativo de cidadania de cada um de nós. Da solidariedade. Das Organizações. Das Instituições. Passa igualmente pela ação determinada do poder político, nas causas públicas. A palavra Cáritas que esta Instituição tão bem adotou, tem origem no latim significando caridade, amor. Sendo a caridade o dom de fazer o bem, de ajudar o próximo desinteressadamente, é esta a génese desta instituição. Solidariedade, conceito adotado para o nome do departamento da Administração Pública que aqui represento, traduz um ato de bondade para com os outros ou um sentimento de união e de partilha de objetivos, de cooperação mútua entre pessoas. Já a Solidariedade Social pressupõe a ideia de que os indivíduos se sintam


elementos integrantes de uma mesma comunidade, logo interdependentes. Tem origem no termo obligatio in solidum, que no direito romano expressava a obrigação comunitária, ou seja, as responsabilidades que o indivíduo tinha em relação a uma coletividade à qual pertencia e de cuja manutenção se beneficiava. Podemos assim concluir que, no âmbito das nossas causas e dos nossos objetivos, temos as questões mais relevantes em comum. A importância do outro, leia-se, da comunidade, o propósito de participar no processo de valorização e de maior dignificação de todos os seus indivíduos. Como articular, então, os valores comuns de duas faces opostas – a pública e a privada – convergindo numa ação conjunta de promoção da qualidade de vida dos açorianos e das açorianas? “Vemos, ouvimos e lemos” e, efetivamente, nunca poderemos ignorar que na linha da frente das emergências sociais encontramos sempre o voluntariado e as instituições. O voluntariado pontual, movido pelos valores da solidariedade, que acorre de forma individual, disponibilizando a sua ajuda; o voluntariado organizado, canalizado através das instituições de solidariedade social e organizações não governamentais; mas todos movidos, sempre, pela capacidade máxima da dádiva. No dia a dia das dificuldades humanas também encontramos, invariavelmente, as Instituições Particulares de Solidariedade Social e as Organizações Não Governamentais, dando respostas no terreno, junto de quem delas precisa. São estas as respostas mais rápidas, genuínas e nobres da sociedade. Paralelamente, impõem-se outras respostas. As do poder público; dos departamentos do governo que tutelam a área social; dos serviços da Administração Pública Regional que gerem os dinheiros públicos com vista a garantir as respostas necessárias. Cabe assim ao Estado definir prioridades assentes em estudos, diagnósticos e análises da realidade social. Cabe igualmente assegurar a consecução dessas respostas financiando a sua concretização com verbas públicas afetas ao setor. Cabe -lhe, também, definir mecanismos de regularização e fiscalização da ação nesta área por outras entidades, no

(…) nunca poderemos ignorar que na linha da frente das emergências sociais en-

contramos

sem-

pre o voluntariado e as instituições (…)

63


VOZES DE INCLUSÃO A SOLIDARIEDADE NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES E OS DESAFIOS FUTUROS - Frederico Furtado Sousa

(…) criação de soluções

adequa-

das a cada situação,

específicas

para cada realidade, não massificadas (…)

64

sentido de garantir a qualidade das respostas prestadas e de salvaguardar os interesses das pessoas abrangidas pelas mesmas. Por fim, embora com igual importância, cabe -lhe promover, apoiar e valorizar as múltiplas respostas asseguradas pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social e pelas Organizações não-governamentais que vão de encontro às prioridades estabelecidas. A Direção Regional de Solidariedade Social tem pois competência nestas matérias, abrangendo as áreas da solidariedade social, da igualdade de oportunidades e do voluntariado. O trabalho que tem sido desenvolvido, no âmbito das prioridades definidas e das estratégias delineadas, passa por uma avaliação das respostas existentes, dando prioridade máxima às respostas direcionadas para as pessoas idosas; pela consolidação e criação de respostas para cada um dos setores. A preocupação na criação de soluções adequadas a cada situação, específicas para cada realidade, não massificadas, tem de ser uma constante no trabalho a desenvolver nas áreas da Infância e juventude, deficiência, terceira idade e família e comunidade. Temos portanto as instituições de acolhimento para crianças e jovens. Temos as creches, os jardins -deinfância, os centros de atividade de tempo livres. Temos os centros de atividade ocupacionais, os lares residências para pessoas com deficiência. Temos as casas abrigo e os centros de acolhimento para vítimas de violência doméstica. Temos os centros de dia, de noite, de convívio, serviços de apoio domiciliário e os designados lares para a terceira idade. Tudo isso é necessário, infelizmente, vezes demais. Mas vão-se criando respostas mais específicas que lhes são complementares. Como o Programa Impacto, que assegura acompanhamento individualizado a crianças vítimas de contexto familiar de violência doméstica. Ou o Programa Conecta, que faz acompanhamento a adolescentes em situação de conflito familiar. Ou o Programa Contigo, quer na vertente de apoio à vítima, quer no percurso reeducacional do agressor. Ou no reequacionamento das respostas do Serviço de Apoio Domiciliário prestado a pessoas idosas ou dependentes.


E na planificação de apoio e formação para os cuidadores formais desta população, assim como o apoio aos cuidadores informais, através de informação e acompanhamento. Há também um forte investimento na área da igualdade de oportunidades, com especial enfoque na problemática da violência doméstica. Esta prioridade consubstancia-se no II Plano Regional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género com um período de vigência – 2014-2018. Este Plano engloba quatro áreas estratégicas, abarcando a informação e sensibilização da comunidade; a formação e qualificação de profissionais; a proteção às vítimas e a intervenção junto dos agressores e ainda o conhecimento e a monitorização da realidade. No âmbito do mesmo pretende -se trabalhar a violência doméstica de uma forma abrangente, direcionada para todos os grupos particularmente vulneráveis, a saber: pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas imigrantes, comunidade LGBT. A problemática dos abusos sexuais sobre crianças e jovens é uma matéria que tem merecido reflexão por parte de uma equipa técnica específica e que irá desenvolver o trabalho planificado, a breve trecho. Há cada vez mais necessidade de se criar estratégias que contribuam para o fomento de políticas e atitudes sociais comuns e de fácil acesso a todos, para que haja uma efetiva integração na sociedade de todos os cidadãos. As estratégias que aqui se fala nunca são suficientes, por isso, estamos hoje aqui presentes para tentar também encontrar ainda mais medidas que sejam promissoras e capazes de irem cumprindo com aquilo que é a igualdade entre todos no acesso e nas escolhas. Reforço que o papel desempenhado pela Secretaria Regional da Solidariedade Social em conjunto com as Instituições Particulares de Solidariedade Social tem sido fundamental na criação dessas estratégias e medidas nas mais variadas áreas de atuação, como sejam: A Solidariedade Social; A Emergência Social; A Habitação; A Segurança Social; - As Políticas de igualdade de género, igualdade

(…) áreas estratégicas, abarcando a

informação

e

sensibilização da comunidade;

a

formação e qualificação de profissionais; a proteção às vítimas e a intervenção junto dos agres-

sores e ainda o conhecimento a

e

monitorização

da realidade. (…)

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VOZES DE INCLUSÃO A SOLIDARIEDADE NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES E OS DESAFIOS FUTUROS - Frederico Furtado Sousa

(…) criar atividades

económicas

sustentáveis, geridas na base da cooperação

en-

tre os trabalha-

dores e trabalhadoras (…)

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perante o trabalho e combate às discriminações; O Voluntariado; Entre outras. O desafio também passa por criar atividades económicas sustentáveis, geridas na base da cooperação entre os trabalhadores e trabalhadoras, numa perspetiva de desenvolvimento local e de construção de outras relações sociais, emancipadoras e equitativas. Tem assim, a economia social, uma visão mais multidimensional, que vai para além do económico, e integra fortemente a educação, a cultura, a ação política para a transformação social. Não é de mais relembrar que a economia social vem se apresentando, nos últimos anos, como uma inovadora forma de resposta a favor da inclusão social. Compreende uma diversidade de práticas económicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações e instituições, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços e consumo solidário. O que interessa acima de tudo é trabalharmos em conjunto, de forma concertada, para que se criem trajetos cada vez mais capazes de responder às necessidades que vem sendo diagnosticadas na nossa Região, numa lógica de potenciar a igualdade entre todos e para todos. É esta relação estreita entre os diversos atores sociais, entre as diferentes entidades com capacidade de intervenção, que assegurará um futuro solidário para a nossa sociedade; privilegiando as políticas de proximidade, o trabalho no terreno, as respostas específicas a cada contexto, o desenvolvimento local e sustentável com vista a uma coesão social mais efetiva e a um desenvolvimento mais harmonioso. A Direção Regional da Solidariedade Social contará assim, como sempre tem contado, com a colaboração da Cáritas enquanto parceiro privilegiado nesta matéria. A capacidade de visão dos seus dirigentes, o caráter inovador do seu trabalho, a dinâmica que imprime às


suas iniciativas, o empenho na mobilização de recursos diversificados, a competência do seu quadro técnico, são fatores que garantem a qualidade da sua intervenção. Contribui pois, à sua escala, para um desenvolvimento mais justo e para uma comunidade mais humanizada.

(…) A Direção Re-

gional da Solidariedade

Social

contará

assim,

como sempre tem contado,

com

colaboração

a da

Cáritas enquanto parceiro privilegiado (…)

Apresentação realizada “Humanizar a Sociedade“

no

âmbito

do

Seminário

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