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Revista UERN 50 Anos

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50 Anos Revista Edição Especial 50ª Assembleia Universitária | Set 2018


Expediente Este material impresso foi desenvolvido pela Agência de Comunicação da UERN Direção Iuska Freire Edição Adriana Morais, João Moura Textos Adriana Morais, Bruno Barreto, Ilana Albuquerque, Iuska Freire, João Moura, Luziária Machado Colaboração Aílton Siqueira Ilustrações Isadora Paiva Dir. de Arte (proj. gráfico) Pablo Allende Diagramação Isadora Paiva, Pablo Allende Fotos Fernando Nícolas, Márcio Barbosa, Ricardo Morais, Wilson Moreno e Acervo Histórico da UERN Revisão Benjamim Linhares Apoio Aline Linhares, Argolante Lopes, Claudenice Santos, Rodrigo Oliveira


Editorial Meio século de história! Com raízes no interior e distribuindo frutos que hoje se espalham por todas as regiões, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) completa 50 anos em 2018. Cinco décadas de desafios, transformações e vitórias. Cinco décadas cumprindo seu papel de oportunizar o acesso ao Ensino Superior e de impulsionar o desenvolvimento socioeconômico do Estado. Nesta edição especial de 50 anos, buscamos relembrar a história da Universidade e daqueles cuja dedicação e zelo contribuíram pavra a evolução da UERN e para seu desenvolvimento no ensino, pesquisa e extensão. São histórias de admiração e apego pela Universidade, que muitas vezes transpassam gerações. Assim como as conquistas do passado, as perspectivas do futuro também estão presentes nesta edição. Avanços na área da neurociência, desenvolvimento de softwares que facilitam o dia a dia da população e projetos de extensão que dão novas perspectivas para a agricultura familiar estão entre os temas abordados nas reportagens a seguir. Já na entrevista com o reitor Pedro Fernandes, são abordados os principais temas relacionados à atuação da Universidade nos últimos anos, retratando os avanços e desafios da Instituição. Por fim, esta edição traz como novidade depoimentos em vídeos com histórias de professores, técnicos e alunos que relatam a relação estreita de carinho entre a comunidade acadêmica e a UERN - um retrato do que a Universidade representa para a população norte-rio-grandense.


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Sumário 32 6

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Novas esperanças através da tecnologia

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Uma nova Biblioteca para Pau dos Ferros

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A história de um povo

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Caminhos para o improvável

UERN presta atendimento a crianças com microcefalia

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Campo e academia: o desafio de encurtar distâncias

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Assistência Estudantil avança com a criação da PRAE


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42

Impulsionando projetos e sonhos

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Ciência na Escola

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Clínicas de Caicó alcançam 10 mil atendimentos

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UERN 50 anos: histórias de lutas e transformações

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Projetos da UERN beneficiam agricultura familiar

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Projeto analisa perfil do turista

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Universidade recredenciada e atenta aos processos avaliativos

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De egresso a servidor: laços que fortalecem a Universidade

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Entrevista com o reitor Pedro Fernandes

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Dedicação e carinho que ultrapassam gerações

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A memória como patrimônio social

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UERN: 50 anos construindo caminhos


Revista Edição Especial UERN 50 Anos Novas esperanças pela tecnologia

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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Adriana Morais

Novas esperanças através da tecnologia Pesquisa desenvolvida na FACS comprova possibilidade de regenerar neurônios em estufa de cultura

Imagine poder recuperar os movimentos ou a sensibilidade após uma lesão causada por traumas neurológicos. Se antes isso poderia ser considerado pouco provável, hoje o avanço da tecnologia e das pesquisas faz brotar um fio de esperança de que a cena possa se tornar acessível. Cada vez mais, estudos avaliam alternativas para resolver problemas desta natureza, buscando restabelecer a comunicação natural entre os membros e o cérebro.

crescimento das células nervosas) e substâncias que possam estimular a regeneração neuronal.

Pesquisa desenvolvida na Faculdade de Ciências da Saúde (FACS) da UERN dará um importante passo nesse sentido. Os pesquisadores comprovaram a possibilidade de regenerar neurônios em estufa de cultura. O trabalho inédito abre caminho para novos estudos com a utilização de fatores neurotróficos (relativos ao processo de nutrição, metabolismo e

O Prof. Dr. Fausto Pierdona Guzen, um dos coordenadores, explica que a pesquisa se trata da obtenção de neurônios humanos, a partir de cérebros traumatizados. Para o diagnóstico, foram coletadas amostras de tecidos nervosos de pacientes internados no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) que sofreram traumas neurológicos.


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Células-tronco Células-tronco A pesquisa com células-tronco está regulamentada no Brasil pela Lei Federal n° 11.105, de 24 de março de 2005. O uso de células-tronco está ganhando um espaço muito grande nas terapias, seja para a parte de trauma raquimedular, que é uma lesão de qualquer causa externa na coluna vertebral, acidente vascular encefálico, infarto do miocárdio, entre outros.

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para pesquisa e terapia. Essas células devem ser obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro, desde que sejam embriões inviáveis e que tenham sido mantidos congelados por mais de três anos. Também é necessário haver o consentimento dos genitores, bem como a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa.

A legislação brasileira permite o uso de célula-tronco embrionária

“São pessoas que foram acometidas por traumatismo cranioencefálico e, consequentemente, sofreram lesão neurológica, lesão cerebral”, explica o pesquisador. Nos casos de Acidente Vascular Encefálico (AVE) ou em situações traumáticas, como acidente automobilístico, arma de fogo, por

exemplo, o tecido nervoso pode ser “danificado”. Esse tecido é desconectado do sistema nervoso e durante a cirurgia se faz sua eliminação, “não tem como você reimplantá-lo, não tem como conectálo novamente no cérebro, como colar essas superfícies, que a gente chama de córtex”, reforça. “Nossa ideia foi pegar esse material e tentar obter as células desse tecido nervoso em cultura. Em vez de ser descartado, a gente coletou as amostras dos pacientes que sofrem trauma no HRTM, e preparamos o tecido nervoso para poder recuperar esses neurônios, essas células da glia”, explica o pesquisador. As células da glia são células auxiliares que possuem a função de suporte ao funcionamento do Sistema Nervoso Central (SNC).


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Os professores Starlynn Freire e Fausto Guzen coordenam o estudo - Fotos: Wilson Moreno

O Prof. Esp. Starlynn Freire dos Santos, que integra o estudo, ressalta que a pesquisa tem o aval do Comitê de Ética e Pesquisa, e o consentimento dos familiares dos pacientes traumatizados, cujos tecidos nervosos foram utilizados para o diagnóstico. “Essas células seriam desprezadas, não teriam nenhuma função”, reforça Fausto Guzen. De acordo com Fausto Guzen, durante o estudo eles conseguiram perceber que o tecido nervoso após ser desconectado do sistema nervoso ainda tem uma vida celular, e “coletando esse tecido que foi danificado, fragmentado, a gente consegue recuperar essas células em estufa de cultura”, declara, ressaltando que o estudo abre todo um caminho, por exemplo, para reimplantar essas células do tecido nervoso.

NOVAS PESQUISAS A FACS possui um laboratório de neurologia experimental, coordenado pelos professores Fausto Pierdona Guzen e Dr. José Rodolfo Lopes de Paiva Cavalcanti, que faz pesquisas com a parte de regeneração nervosa, usando principalmente a parte de medula espinhal, cultura de encéfalo, basicamente em modelos de animais. “Então, a gente se associou e resolveu fazer um trabalho em humanos, até mesmo porque não existia na literatura nenhum trabalho de regeneração neuronal, pesquisa com células nervosas, em humanos”, informa o professor Starlynn Freire dos Santos. Fausto Pierdona Guzen avalia que a pesquisa sobre o cultivo de neurônio é o pontapé para estudos mais avançados.

“Hoje a gente está vendo muito esse modelo da terapia celular, principalmente esse modelo com célula-tronco. No entanto, vemos essas células-tronco sendo depositadas no sistema nervoso, sem nenhuma identidade, ou seja, é implantada a célula-tronco embrionária dentro do tecido nervoso, mas essa é uma célula que ainda não tem uma diferenciação, não tem uma identidade”. A ideia, acrescenta, é que a partir do momento que sejam obtidos esses neurônios humanos, por meio do cultivo em cultura, seja possível misturálos com células-tronco, e em função dessa mistura dar uma identidade para a célula. “E a partir do momento que ela adquire essa identidade, a gente pode transplantá-la no sistema nervoso danificado”, explica Guzen.


Revista Edição Especial UERN 50 Anos Novas esperanças pela tecnologia

AVANÇOS NA ÁREA DE PESQUISA Na avaliação do titular da PróReitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPEG), Rodolfo Lopes de Paiva Cavalcanti, a UERN tem apresentado uma curva crescente em pesquisa, constatada por aspectos quantitativos e qualitativos. “Fazendo um simples recorte no tempo, é possível identificar que na edição 2010-2011 do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), pouco mais de 100 estudantes estavam envolvidos na proposta. Na edição atual do PIBIC ( 2 0 1 7 2018),

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que se encerrou em agosto, chegamos a marca dos 560 estudantes envolvidos nos mais diversos projetos, em todas as áreas do conhecimento”, exemplifica. Para ele, este é um número que por si só já gera impacto. Todavia, os aspectos qualitativos das pesquisas envolvidas também chamam muito a atenção. “Docentes, técnicos e estudantes têm empenhado esforços nas suas pesquisas, a fim de repensarem políticas públicas, reconstruírem conceitos, entenderem melhor as doenças, enfim… transformarem a realidade por meio da produção

do conhecimento científico”, pondera Rodolfo Lopes. Ele ressalta que inegavelmente, essa mudança no perfil acadêmico é resultado também da ampliação das ofertas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) nos últimos dez anos, aliado a uma política mais robusta de capacitação docente e “que hoje se reflete em números bastante animadores, quando mais de 90% do nosso quadro docente é formado atualmente por mestres e doutores”, destaca o pró-reitor. Com a transformação do panorama docente, veio a transformação do panorama da pós-graduação. Por conseguinte, a pesquisa científica institucional passou a sofrer influências desses impactos positivos.


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PESQUISA NA uern

351 PESQUISAS PIBIC EM DESENVOLVIMENTO

NALIZADAS 67 INSTITUCIO

117 GRUPOS DE

PESQUISA

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139 ALUNOS DE GRADUAÇÃO

EM PESQUISA INSTITUCIONALIZADO 535 ALUNOS GRADUAÇÃO PIBIC

ENVOLVIDOS EM PROJETOS DE PESQUISA

810 ALUNOS PÓS-GRADUAÇÃO

STRICTO SENSU

ENVOLVIDOS DIRETAMENTE EM PESQUISAS


Revista Edição Especial UERN 50 Anos A História de um povo

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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Adriana Morais

A história de um povo Projeto do PIBIC organiza e cataloga acervo documental da Casa Paroquial do município de Assú referente aos séculos XVIII e XIX Integrada à Diocese de Santa Luzia, a Paróquia de São João Batista, em Assú, é a terceira mais antiga do Rio Grande do Norte. A freguesia, criada em 1726, guarda um verdadeiro patrimônio históricocultural. São registros, documentos, imagens que preservam a história da cidade e da região do Vale do Açu. Recentemente, todo o acervo documental da Casa Paroquial do município referente aos séculos XVIII e XIX passou por um processo de identificação e catalogação. O trabalho foi desenvolvido por meio de projeto do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) 2016-2017, coordenado pelo professor Me. Marcelo Vieira Magalhães, do Departamento de História do Campus Avançado Prefeito Walter de Sá Leitão (CAWSL), da UERN, em Assú. Durante a execução do projeto, estudantes voluntários, orientados por Marcelo Magalhães, organizaram e catalogaram livros de tombo, registros de batismo, casamento e óbitos. Além de contribuir com a preservação da história do município, a ação possibilitou aos graduandos o contato direto com as

fontes e o conhecimento necessário para o manuseio dos documentos. “Antes de cair em campo, o projeto iniciou com leitura de texto, para saber como manusear e tratar esses documentos. Tivemos a noção do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas, jalecos e máscaras, para não nos prejudicar e não prejudicar a documentação ao longo da pesquisa”, explica o estudante voluntário do PIBIC, Ericlis Dantas de Oliveira. O momento de preparação foi fundamental para o êxito do trabalho. Para Ericlis Dantas, o trabalho possibilitou um primeiro contato com as fontes históricas. “Tivemos noção de trabalhar com essas fontes, além da experiência de produção de artigos sobre o projeto e os documentos catalogados”, diz. O estudante Matheus Rodrigues de Oliveira, também voluntário do PIBIC, observa que no município de Assú a conservação de documentos é bem precária, e o projeto desenvolvido pela UERN representa um primeiro passo para a preservação documental da história do município. “Existe a dificuldade de procurar por fontes temáticas em Assú. Assim, nosso trabalho


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A igreja concentrava documentos que variavam desde certidões de nascimento até registros de posse de escravos - Fotos: Wilson Moreno

vai ajudar aos alunos do nosso curso e de outras universidades nas pesquisas sobre a história da região”, declara. Para a catalogação do acervo documental da Casa Paroquial da Igreja de São João Batista, em Assú, foi necessário um trabalho minucioso de organização e pesquisa dos documentos. “Tivemos muito trabalho para organizar os documentos. Procuramos saber quais livros estavam faltando, onde estavam”, relata o professor Marcelo Magalhães sobre as dificuldades encontradas durante

o processo de desenvolvimento do projeto. Superados todos os percalços, o acervo foi organizado tanto em estantes na Casa Paroquial quanto em documentos armazenados em CDs. “O material está organizado de acordo com temáticas, facilitando o acesso de pesquisadores ao conteúdo do acervo”, afirma o professor. O graduando Matheus Rodrigues de Oliveira complementa que o projeto possibilitará a alunos, professores e pesquisadores que queiram estudar temáticas relacionadas à história de Assú o acesso a um acervo todo catalogado.

FONTE DE PESQUISA O professor de História Assis Nascimento, da rede básica de ensino de Assú, avalia a pesquisa como fundamental para a preservação da história do município. “No período correspondente aos documentos catalogados, tudo se concentrava na igreja. Você tem livros de tombo, de nascimento, casamento, óbitos, com registros da população da região. Então, vejo a pesquisa de forma muito positiva para o futuro”, diz. Ele enfatiza que o projeto abre margem para que o curso de História da UERN


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Antes de começar o trabalho, os estudantes tiveram orientações sobre como manusear e tratar os documentos

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Eles organizaram o acervo tanto em estantes na paróquia quanto em CDs

não foque apenas na formação de professores, mas de profissionais que também trabalhem com a preservação de arquivos. “Os meninos começaram esse trabalho, mas desejamos que no futuro ele seja aprofundado, porque não é só a igreja. A Câmara Municipal do Assú e o Fórum Municipal também têm documentos importantes que devem chegar ao conhecimento das pessoas”. OFICINAS Como parte integrante do projeto PIBIC, foi realizada uma oficina sobre “O uso de documentos eclesiásticos em sala de aula. A iniciativa foi dirigida a professores da rede básica de ensino e alunos de História. O intuito, segundo Ericlis Dantas, é instruir professores a utilizar esses documentos históricos que foram catalogados em sala de aula. O estudante de História Renato Vanderlei ressalta que a oficina despertou

um novo olhar para o passado. “Muitas das histórias contidas nos registros catalogados eram desconhecidas pelos próprios assuenses. Agora, estudantes e pesquisadores de Assú podem trabalhar com essas fontes e documentação que existem na Casa Paroquial. Também aprendemos a manusear os documentos e a importância da catalogação. A partir da oficina, nós, estudantes de História, ficamos estimulados a buscar novas fontes de conhecimentos”, declara. Marcelo Magalhães enfatiza que a ideia é aproximar o aluno da história. “Muitos dos estudantes veem a história como algo distante de si, do passado, ao adotar documentos locais em assuntos propostos pelos livros didáticos, como escravidão”, relata. O objetivo do projeto é fazer a população perceber que a história também acontece na sua cidade, no seu lugar.


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Caminhos para o improvável Em um cenário de adversidades, o estudo pode se apresentar como uma trilha que leva ao rompimento de barreiras e à quebra do predeterminado


Revista Edição Especial UERN 50 Anos Caminhos para o improvável

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Hoje pró-reitora de Ensino de Graduação, Francisca Ramos começou a relação com a UERN ainda na graduação - Fotos: Wilson Moreno

“Nasci para brilhar, lutar, encantar, brilhar!/ Brilhar? Sim! Brilhar e brilhar/ Mas como brilhar em uma sociedade/ Onde você é olhada ao avesso/ Onde há arremessos/ Onde há certezas/ (In) certas de que você não vai dar certo?/ Sua cor, sua pele, sua condição social/ Não lhe conferem nenhum porto de passagem.” O início do poema “Sol!”, publicado no livro “Família, escola, amigos e profissão: espaços de (re) significação das identidades de docentes negro/as”, reflete, de forma lírica e ao mesmo tempo categórica, o conflito que acompanha a autora, Francisca Ramos Lopes, ao longo

de uma trajetória de resiliência e perseverança diante de adversidades combatidas cotidianamente. Mais do que isso, ilustra o contexto vivido por centenas de estudantes do Rio Grande do Norte e de outros estados cujas histórias, se são marcadas pela luta contra o preconceito e pelo esforço constante de ascensão social, guardam também em comum a convicção de que o estudo e o aprendizado são o principal caminho para o rompimento das barreiras a eles impostas. Natural do município de Pedro Avelino, zona rural do Rio Grande do Norte, Francisca Ramos foi a

primeira de cinco filhas de um casal de agricultores. Enquanto a mãe cursou até o terceiro ano do Ensino Fundamental, o pai era analfabeto, não tendo frequentado nenhuma instituição de ensino. Já no caso de Francisca, o primeiro contato com uma escola se deu aos cinco anos de idade, quando a família se mudou para o município de Angicos, também no Rio Grande do Norte. Além de começar a conhecer o universo das letras e dos números, Francisca passou a vivenciar, naquele período, uma realidade que, só depois ela entenderia, iria acompanhá-la ao longo de todo o percurso estudantil


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e influenciar fortemente as relações sociais que teria em sua trajetória. Uma das poucas alunas negras da turma, Francisca sofreu preconceito por parte de alguns professores que demonstravam preteri-la em relação a outros estudantes. Em leituras para a classe ou apresentações culturais, por exemplo, alguns professores mal disfarçavam a vontade de limitar sua participação. Ao mesmo tempo, estimulavam a iniciativa de outros alunos, brancos e de famílias com melhores condições financeiras, mesmo que estes demonstrassem menos interesse nas atividades ou tivessem um desempenho escolar pior. À época, Francisca não enxergava a postura de seus professores como fruto de pensamentos preconceituosos. Longe disso, acreditava que a exclusão de que era vítima resultava de uma possível falta de empenho de sua parte. Para a menina, os professores que a discriminavam agiam dessa forma por considerar que ela não se esforçava o suficiente em relação aos estudos, não merecendo, por esse motivo, a mesma atenção que os outros alunos. “Eu era uma aluna muito dedicada, disciplinada. Eu não entendia que aquilo era preconceito. Nem sabia que existia isso. Eu botava na minha cabeça que se eu soubesse ler muito bem, seria chamada (para as atividades)”, relata Francisca. Nessa empreitada motivada por um misto de inocência e sentimento de culpa, começou a alimentar o hábito de

priorizar os estudos e a eles destinar grande parte de seu tempo livre. Isso não quer dizer, todavia, que a rotina fora da escola fosse livre de desafios. As dificuldades financeiras enfrentadas pela família eram um obstáculo que se apresentava de forma cotidiana, agravado após a ausência do pai de Francisca. Durante a maior parte da infância da garota, o pai esteve preso, o que limitou bastante o contato entre os dois. Depois desse período, poucos meses após deixar a prisão, saiu de casa para casar-se com outra mulher e constituir uma nova família. Filha mais velha, que presenciava diariamente o esforço da mãe para manter a casa, Francisca desenvolveu um forte sentimento de responsabilidade, que a fez começar a ver os estudos como um caminho para dar melhores condições de vida à família. Para isso, conciliava o tempo destinado aos livros com afazeres domésticos, para ajudar a mãe, e, a partir dos 16 anos, com um estágio no Centro Social Urbano de Angicos. “Eu sentia que tinha que ser um braço forte da minha mãe e um exemplo para minhas irmãs”, conta.


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“Eu não gosto de dizer que a educação é salvadora, porque eu acho que a gente salva a si mesmo quando a gente acredita na gente e busca isso. Mas eu não vejo um caminho melhor para o ser humano do que o estudo. E para o ser humano pobre, melhor ainda”.

Os esforços foram recompensados com duas grandes conquistas, aos 18 anos – a aprovação em um concurso para professora da rede básica municipal e o ingresso na UERN, no curso de Letras do Campus de Assú. A partir de então, teve início uma nova fase, em que a necessidade de conciliar estudo e trabalho ganhou uma dimensão maior, tendo o estágio se transformado em um cargo público e as salas da escola serem agora salas de uma universidade localizada em outra cidade, distante cerca de 40 quilômetros. Para dar conta de todas as obrigações do período, foi necessário um esforço ainda maior. “Às vezes para estudar à noite eu mergulhava os pés numa bacia de água fria, pra não dormir”, exemplifica Francisca, que naquele período

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sentia crescer sua responsabilidade como mantenedora da família. Assim como a necessidade de conciliar estudo e trabalho, o preconceito enfrentado por Francisca permaneceu nessa nova etapa, sobretudo por parte dos colegas de turma. Para a estudante, os alunos com quem assistia às aulas não tinham intenção de ofendêla, mas faziam uso de “discursos naturalizados”, que inevitavelmente a magoavam mesmo que os colegas não demonstrassem qualquer vontade de agredi-la moralmente. “Você é negra, mas é gente boa”, “você tem alma de branca”, “você é negra, mas é diferente” eram algumas das expressões que Francisca escutava com certa frequência por parte dos colegas. À época, já não existia mais a inocência da menina que acreditava ser preterida por não se esforçar o bastante. Agora, ela identificava claramente o preconceito. E a ferramenta escolhida para enfrentar esse cenário e afirmar a própria capacidade foi mais uma vez o estudo.

“Eu já tinha consciência de que aqueles discursos eram de discriminação. Acho que nem queriam me machucar, mas usavam um discurso que ainda circula socialmente e é atrelado a uma época colonial. Isso me machucava muito. Mas o caminho que eu via contra isso era estudar”. Com o tempo, o empenho nos estudos e a admiração que nascia em relação aos professores universitários deram origem a um novo objetivo para Francisca, que agora percebia que sua vivência acadêmica não precisaria terminar ali. “Eu via aqueles professores e imaginava que aquilo poderia ser um caminho pra mim também, mesmo que distante”. O desejo de permanecer na Universidade foi concretizado com o início de uma especialização em Letras, também na UERN, logo após o fim da graduação. A partir daí, o vínculo com a Universidade só cresceu. Antes mesmo do fim da pós-graduação, em 1998, Francisca começou a atuar na UERN como professora substituta de Letras. Dois anos depois, com o desejo de aprofundar o conhecimento acadêmico, começou a cursar o mestrado em Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal. Se pareceu distanciar-se da UERN por algum momento, foi só para voltar com um laço ainda mais forte. Logo depois que concluiu o mestrado, em 2002 Francisca foi aprovada no concurso da Universidade como professora efetiva de Letras, no Campus de Assú. “Ali foi selado meu casamento com a UERN. Já existia o namoro, quando eu era substituta. Depois, foi o casamento”, brinca.


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de conscientização, de pensar criticamente, sair de um espaço que parece destinado a eles. Se eu pensar no meu exemplo, mulher, pobre, negra, de família de analfabetos, da zona rural, qual era o espaço social que existia destinado para mim naquela época?”, questiona.

Como professora, Francisca tenta motivar os alunos a perceberem o próprio potencial

DEVER SOCIAL Há 16 anos professora efetiva da UERN e hoje pró-reitora de Ensino de Graduação, Francisca Ramos não esconde o encantamento pela Universidade, o qual começou ainda na graduação. “Entrar aqui foi pra mim um divisor de águas, porque até aquele momento eu tinha uma visão muito fechada, de uma menina de 18 anos que tinha acabado de ser aprovada num concurso. E eu sei que se não tivesse a UERN ali pertinho (em Assú) eu não teria como fazer minha graduação, porque como

eu iria me manter sozinha na capital?”, destaca. Muito além do conteúdo relacionado ao curso, a professora se diz grata à Universidade por esta ter lhe motivado não só a ascender socialmente, mas também a refletir criticamente sobre seu próprio espaço na sociedade – algo que ela busca sempre despertar nos alunos. “Eu tenho o dever social de fazer o melhor no lugar onde eu estou, ajudando os alunos a enxergar que há uma possibilidade de vida,

Para a professora, esses questionamentos são importantes para que os alunos percebam seu potencial e possam aliar conhecimento e esforço pessoal ao longo de suas próprias trajetórias. “Eu não gosto de dizer que a educação é salvadora, porque eu acho que a gente salva a si mesmo quando a gente acredita na gente e busca isso. Mas eu digo que a educação é um porto de passagem, e que eu não vejo um caminho melhor para o ser humano do que o estudo. E para o ser humano pobre, melhor ainda”. E a partir desse “porto de passagem”, Francisca vislumbrou e perseguiu terras distantes, navegando por espaços onde pôde não apenas aprender, mas afirmar-se e mostrar, com a própria vida, que a desconstrução do que é aparentemente predeterminado e a construção de novos papéis são tarefas possíveis. Ou, como conclui, em seu poema: “Eis-me aqui! Eu existo! / Sou negra / Sou mulher negra / Sou mãe negra / Sou professora/ educadora negra. / Sou um ser humano... Faço parte da história / Sou história!”


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O professor Constantin Xypas destaca a proximidade entre os estudantes e professores da UERN

Características da UERN contribuem para a ascensão social Para o professor Constantin Xypas, o fato de muitos dos professores da UERN serem egressos da Instituição cria uma identificação entre docentes e discentes

Com cerca de 90% dos alunos egressos de escolas públicas, a UERN possibilita, a cada ano, um verdadeiro processo de transformação e ascensão social para centenas de estudantes do Rio Grande do Norte. Mais do que oferecer aulas e a estrutura necessária para o ensino, a Instituição guarda especificidades que são bastante relevantes para o desenvolvimento não

só do conhecimento, mas também da autoestima e da perspectiva de futuro dos discentes.

e a turma se dispersa. Aqui, é comum depois da aula alunos e professores continuarem interagindo, se sentindo mais próximos”, exemplifica.

Conforme o professor Constantin Xypas, que é docente visitante da UERN e estuda o êxito escolar e a ascensão social de alunos de origem popular, um dos motivos para que a Universidade tenha um papel tão significativo nesse processo é o fato de muitos dos professores que hoje atuam no local sejam egressos dessas mesmas salas de aula, já tendo vivido uma situação semelhante à dos alunos.

Esse fato, indica Xypas, faz com que os alunos se identifiquem mais com os professores e passem a acreditar na possibilidade de se tornarem, eles mesmos, professores universitários ou ascenderem socialmente de outras maneiras. Da mesma forma, complementa, os professores, por conhecerem mais de perto a situação dos alunos, são mais sensíveis a suas necessidades e particularidades.

Como consequência, aponta, existe um grau maior de proximidade entre os estudantes e professores, o que possibilita uma relação mais profunda dos discentes com o ambiente universitário. “Em outras universidades, quando a aula termina, a maioria dos professores vai embora

De acordo com Xypas, todo esse contexto faz com que os discentes acreditem que podem dar maiores passos no futuro, o que os motiva e os torna mais capazes de transformar não só sua realidade, mas também a daqueles que são impactados por sua atuação.


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50 Anos de histórias

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Mesmo tendo passado em outros concursos, dei preferência a permanecer aqui. A minha grande motivação de estar na UERN é o amor que tenho à Instituição Claudenice Santos Técnica administrativa

Foto: Fernando Nícolas

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Campo e academia: o desafio de encurtar distâncias Estudantes de pós-graduação da UERN desenvolvem pesquisas para otimizar rotinas de trabalho


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O trabalho desenvolvido pelos alunos foi selecionado para o 50º Simpósio Brasileiro de Pesquisa Operacional Fotos: Wilson Moreno

Reduzir a distância percorrida pelo caminhão que recolhe o leite nas propriedades rurais do sertão nordestino de forma que o produto chegue à cooperativa no menor tempo possível; otimizar a rota de distribuição dos medicamentos da farmácia pública de Mossoró ou dos alimentos da merenda escolar na rede municipal de Baraúna. Esses são alguns dos desafios que atingem o dia a dia de milhares de pessoas e que estão sendo objetos de pesquisa de estudantes do mestrado em Ciência da Computação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). A questão é encontrar soluções para esses problemas através da computação. Thyago Sobreira e Leonardo Torres desenvolveram uma pesquisa para solucionar um problema comum no semiárido nordestino: otimizar o transporte do leite das fazendas produtoras

até a indústria de beneficiamento. A ideia surgiu a partir da experiência de vida de Thyago no sertão paraibano. Sua família, assim como tantas outras da região, tem como meio de subsistência a criação de gado e a produção leiteira no município de Santa Cruz (PB). Toda a produção da região é recolhida e direcionada a uma indústria de laticínios, que faz o beneficiamento do leite, produzindo diversos derivados. O problema é que o leite é recolhido diariamente por um caminhão não-refrigerado e precisa chegar ao destino no menor tempo possível para não prejudicar a qualidade do produto. Thyago conta ter observado que o caminhão não obedecia a uma rota definida, o que prejudicava os produtores. Ele levou o problema para a sala de aula e desenvolveu, junto com Leonardo, um algoritmo que reduziu em aproximadamente 48 km a distância percorrida pelo caminhão,


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”

Para nós é uma grande alegria ver a qualidade do trabalho desenvolvido nesta disciplina e a preocupação dos nossos alunos em aplicar esse conhecimento para solucionar questões que influenciam diretamente na rotina de suas comunidades LIMA JÚNIOR Professor e diretor da FANAT

diminuindo também o consumo de combustível, o tempo gasto para realizar o percurso e os riscos de contaminação do produto, e sua consequente avaria. O trabalho de Thyago e Leonardo foi selecionado para o 50º Simpósio Brasileiro de Pesquisa Operacional (SBPO), com o tema “Cidades Inteligentes: Planejamento Urbano, Fontes Renováveis e Distribuição de Recursos”, realizado pela Sociedade Brasileira de Pesquisa Operacional (SOBRAPO) e PUC Rio. O Simpósio é um dos mais importantes eventos da área em todo o País. Para os pesquisadores, a importância do trabalho se dá ao fato de estar ligado ao uso da computação inserida no contexto do agronegócio do semiárido nordestino, especialmente pela carência de literatura especializada ligada a este tema. Thyago lembra que fez uma pesquisa durante a graduação, onde constatou que são raros os produtores que utilizam ferramentas para gerenciar a produção, seja ela agricultura, leite ou gado de corte. “O maior resultado para mim é mostrar que é possível desenvolver tecnologia

que venha a otimizar os processos e ajudar os pequenos e médios produtores do semiárido nordestino. Não adianta nada desenvolver tecnologia aqui na Universidade, se não tentarmos encontrar soluções para problemas que atingem diretamente o nosso povo”, afirma Thyago. Para o professor Lima Júnior, orientador do projeto e diretor da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais (FANAT), é uma grande alegria ver o resultado dos projetos, tanto pela seleção para o mais importante congresso da área no país, quanto para solucionar problemas do dia a dia de suas comunidades. “Tivemos seis trabalhos selecionados para o SBPO, que é o mais importante evento desta área, em nível nacional. Todos eles são frutos dessa disciplina no mestrado. São trabalhos que buscam soluções, através do uso de algoritmos, de problemas reais. Para nós é uma grande alegria ver a qualidade do trabalho desenvolvido nesta disciplina e a preocupação dos nossos alunos em aplicar esse conhecimento para solucionar questões que influenciam diretamente na rotina de suas comunidades”, finaliza o professor.


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Uma nova Biblioteca para Pau dos Ferros O prédio de três pavimentos é totalmente acessível e contempla salas de estudos individuais, coletivos e um auditório no terceiro andar

O paraíso imaginado pelo autor argentino Jorge Luís Borges é repleto de livros, um lugar para brotar sonhos e cultivar conhecimento. Esse lugar reúne obras de autores diversos que escrevem contos, poesias e narrativas sobre vários temas. Também há espaço para literatura técnica, infantojuvenil e científica. Um dos pedaços desse paraíso ganhou casa nova no Campus Avançado Professora Maria Elisa de Albuquerque Maia (CAMEAM), na cidade de Pau dos Ferros. A Biblioteca Setorial Pe. Sátiro Cavalcanti Dantas está de mudança. O prédio de três pavimentos chama atenção de quem passa próximo a BR-405, bairro Arizona, onde fica localizado o Campus de Pau dos Ferros. “É uma grande satisfação ver essa obra concluída. Ainda como pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, eu participei da formulação desse projeto. As bibliotecas são necessárias e fundamentais para as universidades e também para a

comunidade. Tenho certeza que Pau dos Ferros fará bom uso”, afirma o reitor Pedro Fernandes Ribeiro Neto. O Campus de Pau dos Ferros se esmera nos detalhes. “Essa Biblioteca é a nossa ‘menina dos olhos’. A região recebe esse prédio com muita alegria, principalmente por ser uma biblioteca. Vamos fazer o melhor uso para beneficiar a comunidade acadêmica e incentivar a leitura”, destaca o professor Jailson Santos, diretor do Campus. Contemplada com o edital do CT-Infra, da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), a Biblioteca foi construída com recursos captados pela pós-graduação com os programas estabelecidos no CAMEAM/ UERN – Programa de Pós-Graduação em Letras e Programa de Pós-Graduação em Ensino – e contou com contrapartida da UERN. Orçada em mais de R$ 1,3 milhão, a Biblioteca tem uma área construída de


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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Uma nova biblioteca para Pau dos Ferros

Essa Biblioteca é a nossa ‘menina dos olhos’. A região recebe esse prédio com muita alegria, principalmente por ser uma biblioteca. Vamos fazer o melhor uso para beneficiar a comunidade acadêmica e incentivar a leitura

”

JAILSON SANTOS Diretor do Campus de Pau dos Ferros

858 metros quadrados e um jardim que embeleza a entrada. As luzes do prédio são de LED, o que agrega maior economia na conta de luz. Além disso, o prédio tem janelas amplas que permitem a iluminação natural e a bela vista do Alto Oeste potiguar. A entrega da obra física do prédio aconteceu no dia 16 de julho de 2018. A obra foi executada pela empresa RCC – LTDA, vencedora da licitação, e teve projeto acompanhado pelo engenheiro civil Xavier Oliveira, fiscal do contrato e integrante da equipe da Assessoria de Infraestrutura da UERN. O assessor Osmídio Dantas explica que a Biblioteca é totalmente acessível e conta com plataforma elevatória para pessoas com necessidades especiais. “Essa obra é um marco, um prédio de arquitetura moderna, totalmente acessível, de grande importância para a Uern e região Oeste. Sentimo-nos orgulhosos de ter participado dessa grande obra da nossa Universidade”, salienta Osmídio. A fiscalização da obra também contou com outros

profissionais da Assessoria de Infraestrutura, como a engenheira elétrica Maria Teresa, a engenheira de segurança do trabalho Sara Barroso e as arquitetas Bruna Dantas e Giomara Lopes.

para 120 pessoas, as cadeiras já estão arrumadas. Esse espaço foi pensado como um ambiente para realizar capacitações, palestras, seminários, eventos e outras atividades como lançamentos de livros.

POR DENTRO DA BIBLIOTECA

PROGRAMA BALE TERÁ ESPAÇO NA NOVA BIBLIOTECA

No primeiro piso será localizado o acervo geral e a recepção. Conforme a bibliotecária Francismeyre Gomes de Oliveira, a Biblioteca de Pau dos Ferros é a segunda com maior acervo da UERN, com 29.861 títulos e 83.536 exemplares, incluindo livros, monografias, periódicos e dissertações. No segundo piso ficam as salas de estudos individuais, estudos coletivos, o setor administrativo da Biblioteca e um espaço para o programa de extensão Biblioteca Ambulante e Literatura nas Escolas – BALE – que conta um acervo de três mil livros infantis. Nesse espaço também deverão ficar os computadores para consultas on-line. O terceiro piso tem um auditório com capacidade

Um dos espaços mais coloridos da Biblioteca de Pau dos Ferros será ocupado pelo programa de extensão BALE. Vinculado ao Grupo de Estudos e Pesquisas em Planejamento do Processo de Ensino-Aprendizagem – GEPPE, o BALE se consolidou como uma das ações extensionistas mais atuantes do Campus de Pau dos Ferros. De forma lúdica, o BALE possibilita o acesso ao texto literário e tem o objetivo de disseminar o gosto pela leitura, a formação de novos leitores e mediadores de leitura. O acervo bibliográfico do BALE, com 3 mil títulos, será organizado no segundo andar da nova Biblioteca.


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A entrega da obra física do prédio aconteceu no dia 16 de julho de 2018 - Fotos: Wilson Moreno

Desenvolvido pelo Departamento de Educação, em parceria com o Departamento de Letras do CAMEAM, a iniciativa foi idealizada pelas professoras Maria Lúcia Pessoa Sampaio e Renata de Oliveira Mascarenhas, tendo início em 2007, nos bairros São Geraldo e Riacho do Meio, em Pau dos Ferros. O BALE está comprometido com uma das regiões mais carentes e de difícil acesso a bens culturais na região de Pau dos Ferros.

O programa dispõe de um rico acervo bibliográfico com livros infantis e adultos de gêneros distintos, sendo determinado pelo Ministério da Cultura (MinC) como “Ponto de Leitura – Edição Machado de Assis”. O BALE já ganhou prêmios nacionais, como o “Troféu Viva a Leitura” (2008) e a “Bolsa FUNARTE de Circulação Literária” (MinC), os quais contribuem para a credibilidade do programa no meio acadêmico e social.


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UERN presta atendimento a crianças com microcefalia NAMI oferece serviço gratuito multiprofissional para colaborar com o desenvolvimento das crianças


Revista Edição Especial UERN 50 Anos UERN presta atendimento a crianças com microcefalia - Luziária Machado

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Núcleo oferece atendimento multiprofissional a 14 crianças com microcefalia decorrente do Zika Vírus - Fotos: Wilson Moreno

Vice-reitora da UERN, Fátima Raquel é uma das coordenadoras do Núcleo

Já são aproximadamente três anos desde que começaram a surgir os primeiros casos de recém-nascidos com microcefalia em decorrência do Zika Vírus. Todas as regiões do País nos anos de 2014 e 2015, especialmente os estados da Região Nordeste, enfrentaram um surto de Zika, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, também transmissor do vírus da Dengue e da Chikungunya, entre outras arboviroses.

bebês, resultando na microcefalia. O risco maior se dá nos três primeiros meses de gestação.

A princípio, com sintomas considerados leves, como coceira no corpo, manchas vermelhas e febre baixa, a Zika era considerada a menos grave das arboviroses transmitidas pelo mosquito. Foi somente após o nascimento dos primeiros bebês gerados durante o surto da doença que descobriu-se sua gravidade. Pesquisas comprovaram que o vírus da Zika pode passar pela placenta e gerar calcificação no cérebro dos

Apesar do Ministério da Saúde prever a garantia do atendimento especializado para essas crianças, a realidade enfrentada por suas famílias dificilmente é a ideal para garantir seu desenvolvimento. Uma das maiores dificuldades se dá em função da escassez da oferta de serviço especializado na rede básica de saúde, o que pode interferir diretamente na qualidade de vida da criança. Paula Danielly é mãe de João Davi,

Crianças com microcefalia têm problemas de desenvolvimento e necessitam de cuidados especiais. Não há uma cura definitiva para a doença, mas tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e qualidade de vida da criança.

de 1 ano e 5 meses. Ela conta que o diagnóstico do filho só foi confirmado depois de um ano, e que enfrentou inúmeras barreiras para conseguir o tratamento adequado para o pequeno Davi. “Foi muito difícil receber o diagnóstico. Eu não sabia o que fazer, e o tratamento é difícil de conseguir. Bateu um desespero”, relata. Ela conta ainda que Davi chegou a fazer tratamento na rede básica de saúde do município, porém, devido ao falecimento do pai do bebê, Paula precisou voltar para a casa da mãe, localizada distante de onde o serviço é oferecido pelo município. Com problemas de deslocamento, Davi deixou de fazer o acompanhamento e perdeu a vaga na rede básica. Foi a partir da pesquisa desenvolvida por duas servidoras da Faculdade de Enfermagem e alunas do Mestrado em Saúde e Sociedade da UERN, e com o contato com a realidade de João Davi


VOCÊ SABIA? 35

DESDE A CONCEPÇÃO

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PERÍODO ATIVO (MULHER)

O vírus da Zika pode ser transmitido para o feto pelo pai, no momento da concepção, ou pela mãe, na concepção ou durante a gestação.

Três anos após o contágio, o vírus da Zika continua ativo no organismo da mulher, podendo ser passado para o feto e acarretar microcefalia no bebê. CABEÇA PEQUENA

PERÍODO ATIVO (HOMEM)

MICROCEFALIA E OUTRAS DOENÇAS

No organismo masculino, o vírus continua ativo durante três meses. Neste período, é possível que o vírus seja transmitido para a mulher ou para o feto.

e outros bebês que nasceram com microcefalia decorrente do Vírus Zika que surgiu a ideia da criação de um núcleo especializado no atendimento dessas crianças e suas mães. O Núcleo de Atenção Materno Infantil da Faculdade de Enfermagem da UERN (NAMI/UERN) busca ajudar os pacientes não apenas na parte clínica, mas também em seu contexto social e econômico. O objetivo é realizar atividades de estimulação precoce e reabilitação para as crianças com microcefalia de Mossoró, oferecendo sessões de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e outros atendimentos e serviços. “O projeto é um espaço que tem como objetivo inicial realizar atividades de estimulação precoce e reabilitação para as crianças com microcefalia do município de Mossoró”, afirma a técnica de nível

superior Hosana Góis, uma das idealizadoras do Núcleo. Em Mossoró, há o registro de 21 crianças diagnosticadas com microcefalia em decorrência do Zika Vírus. Dessas, 14 estão recebendo atendimento do NAMI. “O atendimento é muito bom. As meninas são excelentes e o tratamento delas com as crianças é muito bom”, avalia Paula Danielly, que conta ter tido esperanças renovadas quando conheceu o Núcleo. Miguel tem dois anos e oito meses e também é atendido pelo NAMI. Sua avó Meyre Regina é quem faz o acompanhamento da criança. Ela conta que complementa o atendimento da rede básica de saúde com o atendimento do NAMI. “Acredito que quanto mais ele for estimulado, melhor. Muitas mães

Outras doenças infecciosas como a rubéola, toxoplasmose e citomegalovírus podem provocar microcefalia.

pensam da mesma forma e unem os dois atendimentos”, explicou a avó de Miguel. O NAMI é coordenado pelas professoras Fátima Raquel Morais e Cíntia Nogueira, da Faculdade de Enfermagem. De acordo com Fátima Raquel, que também é vice-reitora da Universidade, o Núcleo é um dos projetos através do qual a UERN cumpre seu papel de universidade socialmente referenciada. “O NAMI dá suporte tanto na avaliação diagnóstica como no pensar as ações para o desenvolvimento cognitivo, linguístico, neuromotor, emocional dessas crianças e também com as mães, na perspectiva de que elas se conscientizem do que seus filhos têm e a partir daí consigam também nos ajudar nessa estimulação, na reabilitação dessas crianças”, explica a coordenadora.


Revista Edição Especial UERN 50 Anos UERN presta atendimento a crianças com microcefalia

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Unidade dispõe de aplicativo para otimizar atendimento

Ela também destaca a importância das parcerias para a concretização e manutenção do Núcleo. O NAMI tem parceria do Governo Cidadão, Fundação para o Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio Grande do Norte (FUNCITERN) e Residência Multiprofissional em Atenção Básica, Saúde da Família e Comunidade, além de profissionais voluntários. REABILITAÇÃO NA PALMA DA MÃO O grupo de mães de crianças com microcefalia atendidas pelo NAMI utiliza a tecnologia a favor da reabilitação de seus filhos. Através de um grupo de WhatsApp elas trocam experiências e informações. Foi através deste grupo que a maioria das mães tomou conhecimento do NAMI, e buscou atendimento para seus filhos. Ana Paula é mãe de Rute, de dois anos e oito meses. Ela conta que ficou sabendo

do NAMI através do grupo de mães e optou pelo atendimento no Núcleo da Faculdade de Enfermagem da UERN. “Ela fazia o acompanhamento na rede básica, mas como abriu essa oportunidade aqui, com todos os profissionais em um só lugar, preferi ficar só aqui, e estou gostando demais”, afirmou. Agora as mães têm uma nova ferramenta para auxiliar no desenvolvimento de seus filhos. Com o objetivo de facilitar a estimulação das crianças em ambiente domiciliar, a equipe do NAMI lançou um aplicativo para complementar as atividades realizadas no Núcleo. Através de vídeos, as mães e cuidadoras das crianças com microcefalia têm acesso a técnicas de estimulação para auxiliar no seu desenvolvimento. Neste primeiro momento, o aplicativo está disponível somente para as famílias atendidas pelo NAMI. Porém, os vídeos explicativos podem ser acessados pelo canal do Núcleo no Youtube: nami.uern.


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Geladeira literária leva cor e conhecimento aos corredores do Campus Central - Foto: Fernando Nícolas

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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Assistência Estudantil ganha impulso com a PRAE

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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Adriana Morais

Assistência Estudantil avança com a criação da PRAE Bandeira de luta dos movimentos estudantis, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis representa um grande avanço para a Universidade Bem mais do que oportunizar o acesso ao ensino superior para todos, é papel das universidades oferecer as condições necessárias para que estudantes, sobretudo aqueles em situação de vulnerabilidade social, possam chegar até a conclusão do curso. Nesse contexto, a política de assistência estudantil desenvolvida pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) tem sido peça fundamental para assegurar que aqueles estudantes que não tiveram tantas oportunidades na vida possam permanecer na Universidade e conquistar o tão sonhado diploma. No ano de 2018, a UERN atingiu um marco no que tange à assistência estudantil, com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE).

Em um momento histórico, o Conselho Universitário (CONSUNI) aprovou, por unanimidade, a criação das Pró-Reitorias de Assuntos Estudantis (PRAE) e de Gestão de Pessoas (PROGEP), desmembrando a então Pró-Reitoria de Recursos Humanos e Assuntos Estudantis (PRORHAE). Bandeira de luta dos movimentos estudantis e compromisso da gestão – contida inclusive no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) –, a PRAE era uma necessidade para a Instituição, que atualmente tem 89% do seu corpo discente formado por alunos que são oriundos de escolas públicas. São estudantes, em sua maioria, que merecem mais atenção e apoio para permanecer na Universidade e concluir seus cursos.


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DECLARAÇÕES

Vejo como muito importante a criação dessa Pró-Reitoria. Não só pelo papel que ela terá para exercer, mas considerando que trata-se de uma pauta dos estudantes. Acho fundamental. Quando eu era líder estudantil nos anos 1980 havia um departamento de assistência ao estudante, mas a Pró-Reitoria pode cumprir um papel importante. Socorro Batista, ex-presidente do DCE (1984)

A criação da PRAE veio em excelente momento. Em um cenário no qual a conquista de direitos está sendo enfraquecida, a UERN, ainda bem, fez a contramão ao criar uma Pró-Reitoria essencialmente vinculada aos estudantes. A comunidade acadêmica de agora colhe os frutos de uma luta antiga, de muitos anos e de muitos protagonistas. Quem vivenciou dias difíceis e dias de glória na UERN sabe qual a importância da PRAE. Rillen Rocha, representante do movimento estudantil (2010)

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A PRAE é resultante das lutas históricas dos estudantes da UERN por uma universidade pública e inclusiva que reconhece o papel preponderante dos estudantes em sua construção. A PRAE constitui-se um canal de escuta e atendimento às demandas dos estudantes, seja no campo da assistência estudantil, seja no campo da política estudantil. Parabéns, UERN! Ivonete Soares, ex-presidente do DCE (1986)

É um ganho histórico. Quem entra na universidade quer permanecer, não quer só estar na lista do SiSU. É avanço na democratização da Uern. Essa é uma conquista que vai mudar a vida das pessoas na universidade. Paulo Sérgio, presidente do DCE (2018)


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Criação da PRAE potencializa ações voltadas para assistência estudantil - Fotos: Wilson Moreno

“A implantação da PRAE representa um grande avanço para a Universidade. Nos últimos anos a UERN avançou vertiginosamente no que diz respeito à assistência estudantil, principalmente com a criação dos programas de auxílio, ampliação dos serviços especializados de atendimento aos alunos e expansão das residências universitárias, inclusive nos campi avançados. A criação da PRAE representa a continuidade desse processo de crescimento e fortalecimento da assistência estudantil na UERN”, destaca o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Erison Natécio. A PRAE tem como finalidade atender as demandas voltadas à permanência estudantil na sua formação profissional, proporcionando através do apoio e acompanhamento de uma equipe multiprofissional, o desenvolvimento de

uma trajetória acadêmica com qualidade. Com a unidade, a UERN poderá concorrer a editais específicos para estudante, além de possibilitar a UERN ter assento no Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assistência Estudantil que existe há mais de 30 anos. Erison Natécio reforça que a Pró-Reitoria potencializará as ações de assistência estudantil que vêm sendo desenvolvidas na Universidade. “Com a criação da PRAE nossa Universidade é alçada à condição de partícipe nos debates nacionais sobre a política de assistência estudantil, contribuindo nos principais fóruns de discussão. É importante registrar que com a PRAE o segmento estudantil terá suas pautas mais fortalecidas, pois um órgão com mais autonomia e capilaridade possibilitará dar respostas mais rápidas às reivindicações”, finaliza.


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Impulsionando projetos e sonhos Como a presença de um campus pode modificar a realidade local


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Em Patu, estabelecimentos localizados próximos ao Campus são diretamente beneficiados - Fotos: Wilson Moreno

Na correria do dia a dia, entre o cafezinho tomado na lanchonete ao lado da Universidade, a impressão do trabalho que o professor pediu para aquela tarde, o picolé para aliviar o calor e tantas outras pequenas ações rotineiras, boa parte dos universitários talvez nem perceba a quantidade significativa de serviços que demandam cotidianamente. Não à toa, restaurantes, gráficas, livrarias e lojas de produtos variados, para citar alguns exemplos, veem a presença de universidades como um dos fatores decisivos na hora de definir estratégias como localização, número de funcionários e horários de funcionamento, ao mesmo tempo em que segmentos como o transporte, aluguel de imóveis e o comércio em geral também são diretamente beneficiados. “Aqui, grande parte dos nossos clientes são alunos e professores. Tanto que a gente já chegou a abrir até a noite, porque vem muita gente da Universidade pra cá”, conta a vendedora Maria Fortunato, que trabalha em uma sapataria localizada em frente ao

Campus da UERN, em Patu. Por conta da presença da Universidade, afirma, a loja chega a ter faturamento maior do que outra sapataria da mesma rede, localizada no centro da cidade, onde está concentrada a maior parte do comércio. Diante da movimentação intensa de pessoas que estudam ou trabalham na Universidade, aponta Maria, a sapataria costuma se preparar, a cada semestre, para os períodos de férias e recesso estudantil, nos quais as vendas tendem a cair. Situação semelhante é vivenciada pela comerciante Itamália da Silva, que possui uma lanchonete na mesma rua. “A gente tem cinco funcionários, mas quando está no período de férias, às vezes a gente deixa só um, porque o movimento é muito menor”, exemplifica. Já nos meses de aula, acrescenta, a presença dos alunos é o principal fator para impulsionar a movimentação no local. Embora o impacto econômico do Campus possa ser observado de maneira mais


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clara nos estabelecimentos próximos, a presença da Universidade movimenta uma cadeia muito mais ampla, que se estende por toda a região. “Aí você pode incluir outros setores como transporte, vestuário, lazer, confecção de material gráfico. Se for enumerar, você vai ter de 30 a 40 atividades que são impactadas”, destaca o professor Leovigildo Cavalcanti, diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERN (FACEM). Esse peso sobre a economia local, ressalta Leovigildo, é ainda mais significativo quando a região não possui atividades econômicas com forte potencial, como um turismo pujante ou a extração de produtos minerais.

Um dos impactos positivos da existência do Campus é o aumento da arrecadação de impostos por parte do município

De acordo com o professor, além do impacto resultante das demandas geradas por alunos e servidores, a economia local é beneficiada, no médio prazo, com a capacitação dos estudantes, que se inserem no mercado de trabalho e possibilitam a melhoria dos serviços oferecidos. “São efeitos que ainda não são tão vistos diretamente, mas nesse processo você já tem uma melhoria no ensino daquela região, tem uma melhoria nos serviços ligados

Maria Fortunato conta que a sapataria onde trabalha chegou a abrir no turno da noite para atender à demanda do Campus

Na lanchonete de Itamália da Silva, os alunos são os principais clientes


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”

Nós precisamos desconstruir a ideia de que só há impacto se os números forem muito grandes. A gente precisa ver não só o ideal, mas também o real. E o real nos mostra a cultura, a inclusão social, o desenvolvimento de uma forma geral CLÁUDIA TOMÉ Diretora do Campus de Patu

aos cursos”, frisa. Para o economista e aluno do Mestrado Acadêmico em Planejamento e Dinâmicas Territoriais da UERN (PLANDITES) Jackson Monteiro, outro fator que contribui para o desenvolvimento local é o contato direto entre estudantes e determinados atores econômicos através dos projetos de extensão, possibilitando uma troca enriquecedora de experiências. “Quando você coloca o aluno em contato com um produtor rural, por exemplo, você tanto pode dar dicas ao produtor sobre como otimizar a produção, como pode ouvi-lo diretamente e entender melhor como funciona o plantio de determinado item”, ilustra. O economista destaca também os ganhos para a gestão municipal a partir da maior dinamização da economia, sobretudo diante do aumento na arrecadação do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), impulsionado pela criação de novas empresas ou ampliação dos estabelecimentos já existentes.

MUITO ALÉM DOS NÚMEROS Com 600 alunos, dos quais mais de 150 são bolsistas, 40 professores, 21 servidores efetivos e 19 profissionais terceirizados, o Campus de Patu é um dos principais fomentadores da economia da cidade, mobilizando desde empresas que fornecem equipamentos e materiais de trabalho até vendedores autônomos que aproveitam a movimentação intensa no local, onde são ofertados quatro cursos de graduação – Pedagogia, Matemática, Ciências Contábeis e Letras. De todo modo, destaca a diretora do Campus, Cláudia Tomé, os impactos resultantes da presença da UERN ultrapassam a dimensão econômica. Conforme a diretora, o incentivo a atividades culturais, às ações de inclusão e a melhoria da autoestima da população estão também entre as principais contribuições da Universidade na região. Além da formação de profissionais que hoje atuam no mercado de

trabalho da cidade – em salas de aula, escritórios de contabilidade e diversos outros espaços –, Cláudia Tomé destaca também a participação de egressos nas administrações municipais. Em vários dos municípios vizinhos, aponta, os secretários de Educação foram formados no Campus de Patu. “Você pode até tentar calcular todos esses efeitos de forma quantitativa, mas mensurar em sua totalidade, não tem como”, salienta a diretora, ressaltando ainda que a análise dos impactos gerados pela presença do Campus precisa ser feita levando em conta outros fatores, além dos números ligados à Universidade. “Em relação a outros campi, o Campus de Patu é pequeno, mas precisamos desconstruir a ideia de que só há impacto se os números forem grandes, se houver muitos cursos. A gente precisa ver não só o ideal, mas também o real. E o real nos mostra a cultura, a inclusão social, o desenvolvimento de uma forma geral”, sintetiza a diretora.


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50 Anos de histórias

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A partir do momento que conheci a DAIN na UERN, percebi que não iria ter dificuldades na questão da educação inclusiva Samuel Rebouças - Discente

Foto: Fernando Nícolas

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UERN 50 anos: histórias de lutas e transformações


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Revista Edição Especial UERN 50 Anos UERN 50 anos: histórias de lutas e transformações

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Até hoje, 1968 é lembrado como o “ano que nunca terminou”. O mundo estava em convulsão por conta da Guerra Fria, movimentos sociais e passeatas estudantis. No Brasil, vivíamos a decretação do Ato Institucional número 5, que endureceu ainda mais a ditadura militar.

época ele mesmo era membro do Conselho Estadual de Educação (CEE) e conseguiu ter força em várias decisões no processo de autorização da Universidade.

Edifício Epílogo de Campos

Em Mossoró, eram tempos de acirramento político e da histórica disputa eleitoral entre Vingt-un Rosado e Antônio Rodrigues de Carvalho. Sem eleições em capitais, a segunda cidade do Rio Grande do Norte se transformou no centro político do Estado. Enquanto o “Touro e o Capim” duelavam pelos votos em Mossoró, a cidade recebia o seu maior presente: a Universidade Regional do Rio Grande do Norte (URRN), criada através da Lei Municipal 20/68, assinada pelo então prefeito Raimundo Soares de Souza. O nascimento da UERN tem na sua história a mistura do DNA da Faculdade de Ciências Econômicas (FACEM), que funcionava de forma isolada desde 1943, sob a batuta da Sociedade União Caixeiral, a qual mantinha uma Escola Técnica do Comércio.

A FACEM se uniu a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência e da Técnica (FUNCITEC), fundada em 1963, que tinha sob sua coordenação a Faculdade de Serviço Social (FASSO) e o Instituto de Filosofia, Ciências e Letras de Mossoró, onde estavam os cursos de Pedagogia, Letras, História e Ciências Sociais. Em maio de 1968, junta-se a esses cursos a Escola Superior de Enfermagem de Mossoró. A união de todos esses cursos terminou por formar a URRN em 28 de setembro de 1968. Em menos de dois meses, a Universidade recebeu autorização do Conselho Estadual de Educação. Isso aconteceu em 13 de novembro, através do Decreto 5.025. Essa autorização teve assinatura do então governador Monsenhor Walfredo Gurgel. O primeiro reitor da então URRN foi o professor João Batista Cascudo Rodrigues, falecido em 2009. No livro “João Batista Cascudo Rodrigues: lições de um professor”, o ex-reitor conta que naquela

Ele conta ainda que, nesse período embrionário, o MEC deu um apoio financeiro importante para o pagamento dos professores e técnicos, bem como a aquisição do terreno e a construção do Campus Central. “O apoio financeiro do MEC permitiu em algumas ocasiões sustentar o ânimo de professores e funcionários administrativos, a fim de que a Universidade não sucumbisse”, frisou.

João Batista Cascudo, primeiro reitor da UERN


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Ao final do mandato de João Batista Cascudo Rodrigues, em 1973, a gestão da UERN foi dividida em dois cargos, com o reitor ficando responsável pelas questões acadêmicas e o presidente da Fundação responsável pelas questões de ordem administrativa. PRIMEIRA REITORA DO BRASIL Professora da FASSO, Maria Gomes foi nomeada em 1973 como reitora. A segunda reitora foi a primeira mulher a ocupar o cargo não só na UERN, mas em todo o Brasil. Enquanto Maria Gomes foi reitora, Canindé Queiroz se tornaria o primeiro presidente da Fundação. O quadriênio, que se encerrou em 1977, foi marcado pela inauguração do primeiro Campus Avançado da UERN, na cidade de Assú, em 1974, com os cursos de História,

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Pedagogia, Economia e Letras. Em junho de 1975, Canindé Queiroz deixa a presidência. No lugar dele, assume Gabriel Negreiros, que fica no cargo até fevereiro do ano seguinte. Já em 1976, a mesma gestão construiu o Campus de Pau dos Ferros, atualmente o segundo maior da Universidade. Inicialmente foram ofertados os cursos de Ciências Econômicas, Letras e Pedagogia. Em 1977, o professor e jornalista Elder Heronildes assume a Reitoria. A presidência ficou com Laplace Rosado Coelho. Nesta gestão é construído e inaugurado em 1980 o Campus de Patu com os cursos de Pedagogia, Matemática e Ciências Contábeis. Além disso, foi criado o curso de Direito da UERN.

Solenidade realizada na Reitoria da UERN em 1974

A gestão seguinte foi do professor Genivan Josué Batista, que enfrentou muitas dificuldades por causa da crise financeira. “A UERN nasceu sob o signo de muita obstinação e uma vontade muito grande de ocupar espaço no Rio Grande do Norte. Era uma Universidade muito sofrida


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Para apaziguar a FURRN após a crise política que derrubou o então reitor Laplace Rosado, o Padre Sátiro Cavalcanti assumiu a Reitoria em 5 de agosto de 1985, na condição de reitor pro tempore da FURRN. A estratégia inicial foi de pedir ajuda aos três níveis de poder para buscar uma solução para os problemas da Universidade

financeiramente e a nossa luta de sobrevivência era muito grande. Não podemos deixar de registrar a ajuda fundamental do deputado federal Vingt Rosado que conseguia recursos. Uma das coisas que me deixam muito feliz foi ter dado minha modesta contribuição como fundador da Universidade e ajudado a consolidar essa instituição que é um patrimônio cultural do Rio Grande do Norte”, explicou. A gestão de Genivan foi sucedida pela de Walter Fonseca, que ficou à frente da Universidade entre março e junho de 1983, quando deu lugar a Padre Sátiro, que iniciou o processo de estadualização da UERN.

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A VIRADA HISTÓRICA COM A ESTADUALIZAÇÃO A UERN vivia em seguidas crises desde a sua criação, mas resistia bravamente. A situação se complicou ainda mais em 1983, com o colapso da economia do país. Diante dos atrasos salariais e da inflação galopante era preciso encontrar uma solução. A primeira ideia foi de federalizar a UERN, mas a proposta não avançou. Estadualizar era o caminho. Surgia o “Projeto de Emergência” tendo à frente o professor João Batista Xavier. “Foi um movimento difícil iniciado por um pequeno grupo de professores”, declarou João. Para apaziguar a FURRN após a crise política que derrubou o então reitor Laplace Rosado, o Padre Sátiro Cavalcanti assumiu a Reitoria em 5 de agosto de 1985, na condição de reitor pro tempore da FURRN. A estratégia inicial foi de pedir ajuda aos três níveis de poder para buscar uma solução para os problemas da Universidade. Como a proposta de federalização não prosperou ao longo do segundo semestre de 1985, a UERN seguia em situação caótica. “O ápice da crise foi no ano de 1985. Vários servidores iam ao meu gabinete chorando. Mandavam as pessoas irem buscar outra coisa porque ia fechar e eu dizia que isso não ia acontecer porque aqui tinha homem”, relata o então presidente do Sindicato dos Técnicos Carlos Filgueira (na época professor e técnico administrativo). Padre Sátiro passou a atuar junto ao Governo do Estado para buscar uma solução para a Universidade, enquanto o presidente da Associação dos Docentes Paulo Linhares redigia

Cerimônia de colação de grau

o projeto de estadualização após a realização de pré-assembleias com cada segmento da Instituição. Em 8 de julho de 1986 foi realizada a assembleia histórica do PAX, com a presença de todos os segmentos da Universidade. Ali ficou decidido que a UERN não poderia mais se manter naquelas condições e que sem a estadualização ela fecharia as portas. Após várias tratativas, o projeto que autorizava o município a ceder a FURRN ao Estado começou a tramitar na Câmara Municipal de Mossoró. O processo foi rápido e já no dia 15 de setembro de 1986, o prefeito Dix-huit Rosado enviou o projeto. No dia seguinte, a Câmara o aprovou e o projeto foi sancionado pelo “Velho Alcaide” no dia 18. A decisão foi logo entregue ao governador Radir Pereira, a quem cabia pedir autorização à Assembleia Legislativa. Em 19 de dezembro, a proposta estava aprovada. A UERN foi oficialmente entregue ao Governo do Estado em 8 de janeiro de 1987, quando o governador Radir Pereira sancionou o projeto.


Aconteceu em 1968 53

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13 de dezembro

15 de novembro

Antônio Rodrigues de Carvalho derrota Vingt-un Rosado por apenas 98 votos na eleição e se torna prefeito de Mossoró na mais equilibrada da história da cidade.

O Ato Institucional número 5 (AI-5) é assinado pelo presidente Costa e Silva, fechando o Congresso Nacional e consolidando a ditadura militar

28 de setembro A URRN é fundada em Mossoró.

2º de maio

27 de setembro

Estouram os protestos de 1968 realizados pelos estudantes em Paris. Uma greve geral é decretada na França.

Reforma Universitária é aprovada pelo governo federal.

5 de junho

Quando se preparava para entrar na disputa presidencial americana Robert Kennedy é assassinado no Hotel Ambassador em Los Angeles, na Califórnia.

1º de maio

O movimento Tropicália é lançado.

4 de abril

Prêmio Nobel da Paz de 1964, o líder da luta pelos direitos civis dos negros americanos, Martin Luther King, é assassinado a tiros em Memphis, aos 39 anos de idade.


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Reitora Maria das Neves Gurguel e vice-reitor Walter Fonseca (à direita) em comissão para o credenciamento

Reitor Gonzaga Chimbinho, Francisco Sanchotene e Maria das Neves participam do processo de reconhecimento


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A URRN, que tinha autorização para funcionar como universidade através do Decreto Estadual 5.025 de 11 de novembro de 1968, agora era uma universidade devidamente reconhecida como Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURRN)

RECONHECIMENTO MARCA OS 25 ANOS DA UERN Foram 46 meses de muito trabalho, esclarecimentos e discussões até que no dia 4 de maio de 1993, o Conselho Federal de Educação reconheceu por unanimidade a Universidade Regional do Rio Grande do Norte (URRN). Votaram 19 conselheiros. A URRN, que tinha autorização para funcionar como Universidade através do Decreto Estadual 5.025 de 11 de novembro de 1968, e tinha sido estadualizada em 8 de janeiro de 1987, agora era uma Universidade devidamente reconhecida como Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURRN). Eram quase 4 mil alunos, 442 professores e 417 técnicos administrativos que passavam a atuar numa Universidade que já existia de fato e agora passava a ser reconhecida de direito.

O relator do processo foi o professor Sanchotene Felici. Foram dez visitas da comissão a FURRN. Oito delas sob o comando do primeiro relator, Amaral Rosa, e duas com Sanchotene. Na época, o reconhecimento foi encarado como um avanço para o futuro da Universidade, que livrouse da necessidade de pedir ao MEC autorização para criar cursos com a autonomia pedagógica. O reitor da época Gonzaga Chimbinho declarou aos jornais que a FURRN passaria a ter um outro patamar, o que de fato se confirmou nos anos seguintes. “É uma luta que teve muitos personagens, muitos nomes de destaque”, acrescentou em entrevista ao jornal Gazeta do Oeste. Graças ao reconhecimento foi possível criar cursos e faculdades e fazer a UERN dar um salto de qualidade e quantidade, atendendo muito mais alunos no interior do Rio Grande do Norte. FINALMENTE UERN: O CRESCIMENTO VERTICAL E HORIZONTAL Foram dois anos de transição até que a UERN adotasse a atual sigla. A primeira mudança foi em 1997, através da Lei Estadual nº. 7.063, de 29 de setembro, sancionada pelo então governador Garibaldi Alves Filho. Nesta decisão, foi trocado o nome de Universidade Regional do Rio Grande do Norte para Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, mas a sigla URRN foi mantida.

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Somente em 1999, finalmente surge a sigla UERN através da Lei nº 7.761 que alterou a denominação de Universidade Estadual do Rio Grande do Norte para Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, passando a sigla a ser UERN. Por fim, o Decreto nº 14.831, de 28 de março de 2000, muda a denominação da mantenedora para Fundação Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (FUERN), extinguindo a famosa sigla FURRN. Com o novo nome a UERN passa por um período de expansão com a criação dos Campi de Caicó e Natal, respectivamente, em 2002 e 2005. O Campus de Natal passava a ofertar os cursos de Direito, Turismo e Ciência da Computação. Caicó surgiu com os cursos de Enfermagem, Filosofia e Odontologia. Cursos como o de Medicina e Comunicação Social foram criados no Campus Central em 2003 e 2004, respectivamente. Ainda como FURRN, a Universidade teve seu primeiro mestrado entre 1995 e 2004. O Mestrado em Meio Ambiente foi ofertado em parceria com instituições nacionais e internacionais. Somente a partir da década de 2000, a UERN passou a oferecer cursos de mestrado com corpo docente próprio. Primeiro, com os mestrados em Física, Letras e Ciência da Computação, em 2008. Hoje são 20 cursos de mestrado e dois de doutorado, sendo um em Letras no Campus de Pau dos Ferros e outro em Bioquímica e Biologia Molecular em Mossoró.


Revista Edição Especial UERN 50 Anos Universidade recredenciada e atenta aos processos avaliativos

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Universidade recredenciada e atenta aos processos avaliativos

Desde o seu credenciamento, a Universidade avançou em diferentes áreas - Foto: Wilson Moreno

Após 25 anos de seu reconhecimento, a UERN é recredenciada pelo Conselho Estadual de Educação


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Há 25 anos, a UERN era credenciada pelo Ministério da Educação (MEC). A Portaria nº 874/93, de 17 de junho de 1993, assinada pelo ministro da Educação e do Desporto, Murílio de Avellar Hingel, reconhecia a então Universidade Regional do Rio Grande do Norte (URRN), aprovava seu Estatuto e Regimento Geral e, igualmente, os campi avançados previstos no projeto. O fato aconteceu na gestão dos professores Antônio Gonzaga Chimbinho (reitor) e Maria das Neves Gurgel de Oliveira Castro (vice-reitora). Antes do reconhecimento, o registro dos diplomas expedidos pela UERN era feito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O recredenciamento legitima todos os diplomas emitidos pela UERN, resultado de um trabalho dedicado e constante

Um salto de duas décadas mostra como a Universidade avançou desde o seu credenciamento. Em 2013, quando iniciou a primeira gestão do reitor Pedro Fernandes, os diplomas passaram a ser entregues no momento da colação de grau. O trabalho para o reconhecimento e a renovação do reconhecimento dos cursos virou uma tarefa contínua e impôs decisões sérias, como a suspensão de novas vagas para os Núcleos Avançados de Educação Superior. Em 2017, a UERN iniciou o processo de recredenciamento junto ao Conselho

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Estadual de Educação. No dia 20 de abril de 2018, a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura do Rio Grande do Norte homologou o parecer do Conselho Estadual de Educação, com o recredenciamento institucional da UERN e dos seus campi, localizados em Mossoró, Natal, Assú, Pau dos Ferros, Patu e Caicó. Esse ato legitima todos os diplomas emitidos pela UERN, resultado de um trabalho dedicado e constante. A comissão interna responsável pela organização de todas as documentações necessárias ficou sob a responsabilidade da professora Inessa Linhares, então próreitora de Ensino de Graduação, que contou com a parceria da professora Francisca de Fátima Araújo, à época pró-reitora adjunta de Ensino de Graduação. Outros professores e técnicos integraram a equipe nesse trabalho. A UERN conta hoje com todos os seus cursos reconhecidos, uma instituição legalmente respaldada. Pensando no próximo recredenciamento da Universidade e na perspectiva de implantar uma Cultura de Avaliação, um trabalho importante vem sendo conduzido há um ano pelos professores Mayra Ribeiro, da Avaliação Institucional, e Mademerson da Costa, ouvidor e pesquisador institucional da UERN. Trata-se do Caderno de Indicadores, que reunirá todas as informações da UERN numa série histórica que servirá para monitorar os pontos em que a Universidade está avançando e os pontos que precisam de mais atenção. “A primeira coisa que fizemos foi o estudo do estado da arte. Avaliamos o que a Instituição tem de avaliação e qual seu sentido. Temos trabalhado no Caderno de Indicadores das pró-reitorias acadêmicas – Ensino, Pesquisa e Extensão – com os indicadores principais e os secundários. Nosso caderno piloto será o da PROEG”, afirma Mayra Ribeiro, explicando que esses indicadores surgem a


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Os professores Mayra Ribeiro e Mademerson da Costa trabalham no Caderno de Indicadores, que reunirá informações da UERN numa série histórica

partir do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), que lança um olhar para os próximos 10 anos da UERN. A intenção é disponibilizar esses dados com fácil acesso para todos. “Creio que seja a primeira vez que esse trabalho está sendo feito de forma conjunta entre a Avaliação Institucional, o Pesquisador Institucional, as Pró-Reitorias e outros setores como a DINF. Além de cada Pró-Reitoria deixar claro quais são seus indicadores, foi definida também a periodicidade de cada um deles”, afirma Mademerson. Mayra ressalta que nesse processo avaliativo, além da atuação junto aos Núcleos Docentes Estruturantes (NDEs) e as Comissões Setoriais de Avaliação (COSEs) de cada

curso, a equipe tem trabalhado na questão externa da avaliação, especificamente o Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (ENADE) e o Conselho Estadual de Educação (CEE) – responsável pelos reconhecimentos e renovação de reconhecimentos dos cursos, bem como pelo recredenciamento da UERN. “Nós sabemos a importância de melhorar nesse ranking geral. Temos potência para isso, com oferta de cursos de pós-graduação e ampla imersão na pesquisa. A UERN tem tudo para melhorar. As pessoas precisam parar para olhar essa importância e direcionar esforço para isso. Nosso foco é melhorar nosso Índice Geral de Cursos, através da avaliação do INEP/MEC”. Mademerson complementa a fala de Mayra, conclamando o

comprometimento de todos no sentido que compreenderem que este é um trabalho para o bem de toda a Instituição. “É algo que não vai demandar mais trabalho. É simplesmente um direcionamento correto das ações para que seja refletido no melhor desempenho geral da Universidade. Tenho certeza que no futuro próximo a Universidade vai alcançar patamares de avaliação mais condizentes com o papel que ela realmente exerce”, concluiu. A expectativa é disponibilizar o primeiro Caderno de Indicadores o mais breve possível. Outra meta é inserir os técnicos administrativos no próximo processo de Avaliação Institucional, para fazer com que essa cultura de avaliação se torne algo institucionalmente natural.


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Estudantes contribuem para embelezar blocos das Faculdades - Foto: Fernando Nícolas

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ENTREVISTA

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COM O REITOR Equipe Agecom

ENTREVISTA

COM O REITOR PEDRO FERNANDES No ano em que a UERN completa cinco décadas de existência, o reitor Pedro Fernandes fala sobre os principais avanços da Instituição nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. O perfil inclusivo e transformador da Universidade, a criação da PróReitoria de Assuntos Estudantis, as estratégias para driblar a crise econômica e os investimentos recentemente realizados estão entre os temas abordados. Nas próximas páginas, Pedro Fernandes sintetiza as conquistas, os marcos históricos, as dificuldades e mudanças na Universidade ao longo desse meio século de história.

PEDRO FERNANDES


ENTREVISTA

COM O REITOR PEDRO FERNANDES

Equipe Agecom

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ENTREVISTA

COM O REITOR

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Equipe Agecom

PEDRO FERNANDES

Nesta edição, a entrevista com o reitor Pedro Fernandes foi feita por jornalistas da Agência de Comunicação da UERN (AGECOM), que elencaram os principais temas relacionados à atuação da Universidade e às ações desempenhadas em 2018.

Reitor concede entrevista à equipe da Agecom - Fotos: Wilson Moreno

A UERN tem como característica um perfil muito inclusivo. Quase 90% de nossos alunos são egressos de escolas públicas e muitos deles vêm de um quadro de vulnerabilidade social. Que análise o senhor faz da importância social da UERN ao longo desses 50 anos de existência da Universidade? Isso é o que mais nos motiva, é onde reside nossa luta. Estamos

fora de um grande centro e de um grande estado. A UERN continua sendo essa instituição sediada no interior. Nosso Campus em Natal está instalado na zona Norte, que é uma região mais populosa que Mossoró e não contava com uma universidade. Além disso, nós insistimos em cursos de licenciatura para a formação de professores. A Constituição Federal assegura que todo estado deve investir pelo menos 25% das suas despesas em Educação. Muitos querem traduzir

ESTA UNIVERSIDADE FOI VANGUARDISTA NA OFERTA DE VAGAS CONSIDERANDO O SISTEMA DE COTAS


ENTREVISTA

COM O REITOR PEDRO FERNANDES

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Equipe Agecom

isso de forma errada, como se esse investimento fosse exclusivo para a educação básica. No Rio Grande do Norte, desse percentual de 25% para a Educação, a UERN equivale a 2,7%. Mas o investimento em Educação também se traduz em outros pontos. Afinal, quem é que está presente nas quatro regiões do RN formando professores nas áreas básicas e dando condições para que esses professores continuem nesses municípios? É uma satisfação poder proporcionar a todos os norte-rio-grandenses o ingresso no ensino superior. Aproveitando esse gancho da questão social, hoje existe uma grande discussão em torno da inclusão sob vários aspectos, como a igualdade racial e de gênero. Qual o papel da Universidade nesse contexto? Esta Universidade foi vanguardista na oferta de vagas, considerando o sistema de cotas em 2002, onde pelo menos 50% das vagas são para alunos que tenham cursado toda sua educação básica na escola pública. Também destinamos 5% das nossas vagas para pessoas com deficiência. Estamos provocando a nossa equipe para trabalhar a implantação das cotas raciais e também a discussão da regionalização. Com a adesão do ENEM/SiSU, a Universidade abriu suas portas para alunos de todo o País, mas precisamos preservar as vagas para quem nasceu no nosso Estado. Também estamos trabalhando para que a Diretoria de Políticas e Ações Inclusivas (DAIN) tenha autonomia e uma transversalidade para permitir que nossos alunos não só tenham essa cota para entrar, mas que consigam permanecer. Temos buscado a questão da acessibilidade em todos os nossos espaços. Também temos buscado o diálogo com o Diretório

naqueles alimentos, buscando fazer com que o aluno pague menos na alimentação e consiga aqui ficar dentro da Instituição. Buscamos parceria com o Governo do Estado através do restaurante popular e conseguimos colocar um no Campus Central. Mas queremos mais. Queremos chegar em todos os campi e essa vai ser nossa busca.

Restaurante popular no Campus Central

Central dos Estudantes (DCE) para que essas políticas inclusivas estejam em consonância com a nossa gestão.

Nós investimos na aquisição de transportes, adquirimos três microônibus, um ônibus novo, investimos em ajuda para participação de eventos. Tudo isso a PRAE vai conduzir. Algumas coisas já vinham sendo feitas, e outras ela deve inovar.

Um dos principais marcos recentes da Universidade foi a criação da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), agora em 2018. O que representa para a UERN a criação dessa Pró-Reitoria? Desde o início da primeira gestão, até mesmo antes de tomar posse, a gente apontava infraestrutura e assistência estudantil como foco. E fizemos todo um trabalho nessa perspectiva, culminando com a criação da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis. Pró-Reitoria essa que passa a ter assento não só nos conselhos da Instituição, mas também nos fóruns nacionais em busca de melhorias. Hoje, ela já controla a maior política de bolsas da Instituição, no intuito de que os estudantes em situação de vulnerabilidade social tenham condições mínimas de transformar o sonho de se formar em realidade. Para além dessa política de bolsas, temos expansão das residências universitárias. Nós também fizemos a licitação dos espaços para venda de lanches, a gente colocou o subsídio

Pesquisa avançou nos últimos anos

Além dos avanços citados, a UERN teve crescimento bastante significativo na pesquisa e na pós-graduação. Fale um pouco sobre essa trajetória e os desafios para essas áreas. Esse crescimento se deu ao longo desses 50 anos. A gente tem que dizer isso, tem que olhar para cada gestão, cada ex-reitor, ex-reitora, próreitor, técnico, professor, aluno para chegarmos onde estamos. O fato é que em 2007 nós não tínhamos nenhum mestrado nem doutorado na Instituição e isso era almejado por todos. Por quê? Porque já existia uma política de capacitação de docentes a ser considerada.


ENTREVISTA

COM O REITOR

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50%

da Graduação são destinadas das vagas à Cota Social

NÓS TÍNHAMOS A INFRAESTRUTURA E ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL COMO FOCO, E ISSO CULMINOU NA CRIAÇÃO DA PRÓREITORIA DE ASSUNTOS ESTUDANTIS

Equipe Agecom

5

%

das vagas

são voltadas para Pessoas com Deficiência

90%

PEDRO FERNANDES

dos professores são Mestres ou Doutores

aponta para a interiorização do ensino superior e para formação continuada de professores. E nós oferecemos vagas para todas as áreas dos professores da educação básica. Todas as áreas têm uma oportunidade dessa formação continuada, para além dos mestrados profissionais. A gente fica muito contente com essa vivência e essa inserção na pósgraduação, mas isso é só o começo. Nós também precisamos avançar no conceito dos cursos e na oferta de doutorado. Então, esses avanços foram só o começo.

terço da classe docente formada por mestres e doutores, agora temos 90%. Antes a gente brigava para ter um terço de Dedicação Exclusiva (DE) e hoje é 90%. Tudo isso em menos de 10 anos do primeiro concurso. Nós estamos fazendo com que os técnicos ocupem cargos administrativos com protagonismo, fazendo com que eles tenham a capacidade de mostrar o que têm de melhor. Além disso, temos a paridade com os técnicos escolhendo os nossos dirigentes em igualdade com professores e alunos.

Hoje o corpo docente da UERN é formado por alto índice de doutores e mestres, e a Universidade investe na capacitação dos técnicos administrativos. Como priorizar esse trabalho e mantê-los na Instituição?

A UERN realizou dois concursos públicos em oito anos. O que representa para a Universidade ter servidores efetivados por concurso público?

Nós tínhamos o grande desafio de quebrar a assimetria onde a oferta de mestrado e doutorado e as vagas se concentravam nos grandes centros. Conseguimos com muita luta, com muito trabalho, porque para além da capacitação docente, tem que ter a fixação, e essa fixação não se dá só através dos salários. Ela se dá pelas condições de trabalho, pelas condições da elaboração de uma pesquisa. E é dessa forma que a gente é avaliado. Agora, temos uma plataforma de 22 turmas de mestrado e doutorado.

Nós temos pela frente três desafios: a captação que se dá através de concurso público, a capacitação que trabalha dentro dessa motivação, e a fixação. A capacitação contribui na fixação, mas é muito pouco porque na medida que se capacita, o servidor fica mais apto a ir embora. A gente tem visto isto em outras instituições, inclusive privadas. Nós temos esse desafio aqui em ter um ambiente onde o respeito, a eficiência e a ética prevaleçam buscando fazer com que as pessoas se sintam parte da Universidade.

Diante dessa oferta, existe também o Plano Nacional de Educação, que

Temos avançado na capacitação. Antes a gente brigava para ter um

Respeito! A nossa Instituição, como tantas outras, surgiu com as regras daquele momento, mas hoje tem servidores concursados e provisórios. Lembrando que na questão dos provisórios, desde 2015 temos uma lei que limita o tempo de condição provisória dos professores. Em 2014, tivemos que fazer a terceirização dos serviços de apoio de acordo com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2007. Buscamos com que as pessoas continuassem tendo um trabalho, mas dentro da legalidade. Também tivemos uma situação muito triste, que eu acho injusta,


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A GENTE TEM BUSCADO PROJETOS PARA APOIAR, ACRESCENTAR, COMPLEMENTAR O CUSTEIO PREVISTO NO NOSSO ORÇAMENTO quanto a nível estadual, apresentando projetos para a Universidade, e dali buscando emendas para que esse recurso adicional venha para questões pontuais.

Pedro Fernandes enfatiza papel transformador da Universidade

que foi a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) dizendo ser inconstitucional uma Lei Estadual de 1994, onde nós tínhamos cerca de 80 servidores efetivados por esta lei. Essas pessoas por mais de duas décadas prestaram seus serviços sem uma penalidade administrativa, sem uma punição, e tiveram que ser exoneradas. Eu tive que assinar isso. Não posso falar de concurso público sem lembrar dessas feridas que doeram muito. A Universidade não transgride a lei, não está aqui para ser uma caixa fechada sem mostrar às pessoas o nosso ambiente público. Quais as estratégias da UERN para driblar esse cenário de crise e continuar investindo em infraestrutura? É driblar mesmo! A gente tem buscado entender qual a situação

do nosso Estado. A gente sempre revisita a primeira gestão, onde apontamos que a folha de pagamento dos servidores não tem outra alternativa, tem que ser via Estado. A gente tem buscado projetos para apoiar, acrescentar, complementar o custeio previsto no nosso orçamento. E o investimento, que tem sido o grande gargalo do nosso Estado, tem sido buscado também por meio de convênios e projetos. Podemos citar projetos da pósgraduação, através do PróEquipamentos, através do CTInfra, onde sempre que lança um edital nós somos contemplados, e com percentual ainda maior que as outras instituições. Apontamos o PIBID, o PARFOR, o Ensino a Distância, que têm contribuído nesses convênios. As emendas, que fomos muito criticados quando a gente passou a visitar os parlamentares tanto a nível federal

O senhor poderia citar algumas das obras provenientes dessa captação de recursos? O resultado disso hoje é que nós temos a obra do Campus de Natal sendo concluída, sendo esse dinheiro do Pró-Investe anterior à gestão Pedro Fernandes, eu faço questão de dizer isso. Um investimento de R$ 6,2 milhões para conclusão da obra, e aqui atribuindo muito à comunidade do Campus Avançado de Natal. Conseguimos a Biblioteca de Pau dos Ferros, uma obra de mais de R$ 1 milhão. Conseguimos no Campus de Apodi, que foi aprovado também na gestão Milton Marques, no Conselho Universitário. Temos aqui em Mossoró um prédio do curso de Pós-Graduação em Ciência da Computação, que foi a opção daquele momento do CTInfra, em que temos recursos em conta e estamos com dificuldade com o construtor. Estamos buscando, inclusive em via judicial, resolver essa questão, que soma em torno de R$ 1 milhão. Temos


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PEDRO FERNANDES

Festuern é exemplo do bom desempenho das ações de extensão - Foto: Márcio Barbosa

HÁ MUITO TEMPO A UNIVERSIDADE FAZ UMA EXTENSÃO BEM-CONCEITUADA, BEM VULTOSA um prédio vizinho, que é o Núcleo Tecnológico em Engenharia de Software, um investimento de R$ 1,3 milhão, que já era para ter sido concluído. Também estamos brigando com o construtor. A gente busca o prédio da FANAT, que é imenso, num valor de quase R$ 4 milhões. Conseguimos investir

em 2014 em torno de R$ 1 milhão dos R$ 2,2 milhões ali postos. Foi quando verificamos que o Estado não tinha condições de concluir e nós tínhamos várias outras demandas nos campi. Então, optamos por atender estas demandas. Buscamos estrategicamente um recurso de emenda, pouco mais de R$ 1 milhão. O valor está destinado, e estamos aguardando a liberação desse recurso, obviamente apresentando diligências para a liberação e a retomada daquela construção e conclusão. Para além disso, nós contabilizamos em torno de R$ 3 milhões com emendas de parlamentares, tanto estaduais quanto federais, com projetos de pesquisadores, projetos institucionais, onde estamos conseguindo fazer o que

se precisa imediatamente. Um exemplo é a Faculdade de Letras e Artes (FALA). Os primeiros blocos foram construídos no Campus Central fazia pelo menos 40 anos e nunca tinha sido feita uma reforma. Estamos perseguindo para fazer nos outros. Aponto aqui também a Faculdade de Educação (FE), a Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (FAFIC), a Faculdade de Ciências Exatas e Naturais (FANAT), a Faculdade de Serviço Social (FASSO), a Faculdade de Ciências Econômicas (FACEM), a Faculdade de Enfermagem (FAEN), em que fizemos toda a reforma, além da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS). E aí tenho que trazer o trabalho feito em Patu, o trabalho feito em Assú, a nova sede do Campus de Caicó, onde a gente apresenta toda essa busca por melhorias.


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Capacitação é uma das metas da UERN

A UERN também avançou bastante nos últimos anos no que diz respeito à extensão. Hoje a Universidade está sendo apontada como referência, principalmente no que diz respeito à curricularização da extensão. A que o senhor atribui esse avanço? Atribuo a muito trabalho. Há muito tempo a Universidade faz uma extensão bem-conceituada, bem vultosa. O FESTUERN é prova disso. Você consegue envolver sobretudo escolas públicas, atraindo jovens e crianças para a arte e a apresentação em público, que é muito difícil, mas nós também apontamos avanços durante nossa gestão, como o (programa federal) Capacitasuas, capacitação de assistentes sociais, onde a UERN protagonizou, de 2013 a 2015, a maior capacitação envolvendo os 167 municípios do Estado, com a entrega de quase 1.500 certificados, um projeto em parceria com o Governo do Estado e com o Ministério do Desenvolvimento Social, e fomos demandados por outros estados para fazermos essa mesma capacitação. Também devemos citar esse papel protagonista da Universidade na discussão da extensão a nível

nacional. Em consequência disso, terminei sendo o presidente da Câmara de Extensão da ABRUEM (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais). Registro o trabalho do pró-reitor de Extensão Etevaldo Almeida, que fez essa discussão ampla no âmbito da nossa Universidade, no âmbito da ABRUEM, e hoje está sendo convidado em todas as instituições do País. Não adianta a gente ter 90% de mestres e doutores trancados dentro de laboratórios. A pesquisa de ponta se faz necessária, mas também que ela tenha interação e inserção social, como somos avaliados. Durante muitos anos, a UERN ofertou cursos nos Núcleos Avançados, mas foi necessário suspender essa oferta. Gostaríamos que o senhor falasse sobre essa suspensão. Quando a Universidade expandiu sua atuação por meio dos Núcleos Avançados não havia a política de expansão do ensino federal. Também não havia essa oferta de ensino privado e educação a distância. Com o tempo, essa situação mudou. Hoje, principalmente depois da Lei de Diretrizes Básicas (LDB) de 1996, que atribuiu aos Conselhos Estaduais de Educação a tarefa de avaliar as universidades, com o reconhecimento, recredenciamento e renovação de reconhecimento dos cursos, a gente teve que se ajustar. De 2001 a 2018, nós precisávamos fazer o recredenciamento de nossa Universidade. Iniciamos esse processo em 2013, quando assumimos. Entretanto, não podíamos pensar em

NÃO ADIANTA A GENTE TER 90% DE MESTRES E DOUTORES TRANCADOS DENTRO DE LABORATÓRIOS recredenciamento sem passar pelo reconhecimento e a renovação de reconhecimento dos cursos. Fizemos isso e com muita satisfação fomos recredenciados. Com muita segurança entregamos aos nossos concluintes, no ato da colação de grau, seus diplomas com o carimbo válido. Assim, nós temos a convicção que tivemos que tomar algumas decisões não tão simpáticas, mas necessárias para termos todos os nossos cursos reconhecidos e regulamentados. Nesse processo de construção da revista, nós conversamos com muitas pessoas e o que a gente viu de mais forte foi o relato sobre o papel da UERN em transformar a vida delas. Sejam alunos, servidores, pessoas da própria comunidade que têm acesso à extensão. De que forma a Universidade desempenha esse papel de instrumento transformador da realidade? A UERN é sim transformadora de vidas. Aproximadamente 89% dos nossos alunos nunca estudaram em escola particular. Esta Universidade faz com que o sonho deles de se formar se transforme em realidade. Mais ainda, faz com que aquela escola da educação básica passe a ter um professor ou uma professora. Faz com que aquela criança,


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Cursos de Mestrado e Doutorado

aquele jovem daquele município tenha um professor para lhe ensinar a ler. A atuação da nossa Universidade é nessas pessoas que não estão nesses palanques, não estão na mídia. É por isso que dizem que a Universidade tem sido “alvo”, e a gente fica muito tranquilo porque a gente escuta mil pessoas falando da Universidade como transformadora da sua vida, enquanto escuta uma questionando o papel da nossa Instituição. Neste seu segundo mandato, o que o senhor encara como o maior desafio? O segundo mandato, sem dúvida, é outra experiência, tudo se apresenta de forma distinta, com um detalhe: você é mais cobrado, pois já vem de uma gestão e as pessoas entendem que você já está preparado para dar respostas mais céleres. Iniciamos um segundo mandato de forma diferente, pois ousamos mudar toda nossa equipe, praticamente todos os cargos. Trouxemos pessoas que nunca haviam participado de uma gestão, justamente nessa proposta de que todos os servidores da nossa Universidade também conheçam, para além de sua parte acadêmica ou seu concurso fim, a gestão universitária. No momento que mudamos toda a equipe, nós tínhamos cobranças por respostas mais céleres, porém tenho certeza que nós conseguimos, sim, dar as respostas que precisávamos.

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Cursos de Graduação nos seis Campi

A UERN está completando 50 anos e gostaríamos que o senhor falasse sobre sua relação pessoal com a Instituição e o que ela representa na sua vida. Ainda bem que é a última pergunta, porque a emoção chega. Eu não tive oportunidade de me formar na UERN. Não tinha o curso de Ciência da Computação aqui. Eu me formei numa coirmã, a UECE (Universidade Estadual do Ceará). Ingressei em 1998, mas já vendo meu pai formado pela UERN, sendo professor da UERN, minha mãe sendo formada pela UERN, minha esposa sendo formada pela UERN. Hoje tenho um filho que estuda e uma filha que estudava também nesta Instituição. A gente olha lá a escritura do terreno do Campus Central, tem a assinatura do meu avô já participando do Conselho Curador. Minha tia Joaninha (Joana D’Arc Fernandes), viúva do ex-reitor Laplace Rosado. É uma família que de geração em geração vem se envolvendo na Instituição. Eu entrei na Universidade muito jovem ainda, com 24 anos, querendo transformar vidas, querendo fazer tudo de bom, achando que era só querer que dava certo. Mas posso dizer que não me aquietei, sempre busquei, tanto é que hoje estou como reitor, que é um cargo que encaro como uma missão. É uma responsabilidade quando olho a galeria de ex-reitores. Confesso que não me vejo do tamanho

PEDRO FERNANDES

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Diplomas expedidos na Graduação e MIL Pós-Graduação

O SEGUNDO MANDATO, SEM DÚVIDA, É OUTRA EXPERIÊNCIA, TUDO SE APRESENTA DE FORMA DISTINTA, COM UM DETALHE: VOCÊ É MAIS COBRADO deles. Vejo ali pessoas com bonitas trajetórias, serviços prestados e eu cheguei aqui já nesse posto. Tento olhar para estes ex-reitores e exreitoras. Aliás, temos muito orgulho de ter ex-reitoras (Maria Gomes e Nevinha). Tento me inspirar neles todos, nas pessoas, nos alunos, a gente conhece vidas de estudantes que depois da UERN deram guinadas e assim fica todo esse envolvimento, não só profissional, mas o envolvimento emocional. A Universidade hoje é uma Instituição de Ensino Superior que tem destaque em nível nacional. A UERN tem 50 anos, é consolidada, presente e, sem sombra de dúvidas, a UERN é o principal instrumento transformador dessa sociedade porque ela respeita o ser humano, ela dá dignidade, ela dá autonomia para qualquer cidadão.


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50 Anos de histórias

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Desde criança, eu sabia que a UERN era referência de Universidade. Eu sabia que aqui ia estar meu futuro Heitor Liberalino - Professor

Foto: Fernando Nícolas

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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Iuska Freire

Ciência na Escola A importância de despertar a curiosidade científica desde a infância Como surgiu o universo? Existe vida fora da Terra? Como a raça humana se desenvolveu? Perguntas como essas mostram que a curiosidade é o principal combustível para o desenvolvimento da Ciência. Despertar esse espírito curioso e crítico entre as crianças pode estimular grandes descobertas, mas as escolas estão preparadas para trabalhar com educação científica? Neste ano, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia traz o tema “Ciência para a Redução das Desigualdades”. O objetivo é incentivar jovens para o fazer científico e tecnológico e promover a pesquisa como instrumento para o desenvolvimento sustentável do País. Para a Profª. Dra. Simone Cabral, estudiosa do tema e uma das organizadoras do livro “Ciência na Escola – fazendo, vivendo e experimentando”, o modo como professores e alunos são estimulados para o acesso ao conhecimento prático da aplicação da Ciência deve ser parte integrante da vida social da escola. “As crianças são naturalmente curiosas, investigativas e observadoras. Daí a importância do papel do professor no enriquecimento de suas experiências de ensino, a fim de que as crianças adquiram o gosto pelas pesquisas e descobertas. É perceptível no espaço escolar, o aluno ser condicionado por um aprendizado passivo:

espera receber o conteúdo do professor e não questiona”, reflete Simone Cabral, que é lotada no Departamento de Educação do Campus Avançado de Pau dos Ferros e coordena o Programa de Pós-Graduação em Ensino (PPGE). Simone Cabral aponta que o país padece de um analfabetismo científico. Ela defende que uma educação científica efetiva-se quando se afirma como uma prática cultural da escola, enquanto um processo em formação. “Há um fluxo de conhecimentos que garante uma formação cidadã favorecendo o viés coletivo e transdisciplinar nas áreas do desenvolvimento humano. Fazer ciência de uma forma simples, porém com qualidade, favorece uma aprendizagem inovadora para o ensino de maneira singular. Tornar a ciência uma prática acessível e uma atividade do cotidiano da escola é uma forma de popularizá-la. Ao convertermos o conhecimento científico em linguagem fácil e acessível, temos estimulado o interesse de alunos e professores a elaborarem seus projetos científicos, cada vez mais, de forma autônoma e de melhor qualidade”, opina Simone Cabral. Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UERN, Prof. Dr. Rodolfo Cavalcanti


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Tornar a ciência uma prática acessível e uma atividade do cotidiano da escola é uma forma de popularizá-la

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SIMONE CABRAL Professora e coordenadora do PPGE

também fala sobre a importância do conhecimento científico como instrumento de ensino: “Não nos restam dúvidas de que o conhecimento científico é um dos principais instrumentos do processo ensino-aprendizagem. Afinal, é por meio dele que buscamos instrumentos para testarmos hipóteses e, assim, buscarmos respostas aos nossos questionamentos e/ou problemas relacionados à sociedade, o que proporciona o nosso amadurecimento enquanto sujeitos”, analisa o próreitor. Rodolfo afirma que o conhecimento científico adquirido ao longo da vida, atrelado às estratégias pedagógicas e às experiências de vida, é capaz de modelar os neurônios de tal maneira que as sensações e percepções, emoções, motricidade, ideias e decisões são aprimoradas. “Isso resume o fenômeno que chamamos de neuroplasticidade, pelo qual os nossos neurônios passam diariamente. O sistema nervoso de uma criança passa por isso numa dimensão bem superior à dos adultos, uma vez que os circuitos cerebrais

estão em plena fase de consolidação e amadurecimento. Assim, o pensar cientificamente, enquanto dispositivo pedagógico, torna-se indispensável ao desenvolvimento dessa criança, uma vez que trará grandes contribuições ao aprimoramento das suas funções mentais e repercutirão na sua vida futuramente”, complementa Rodolfo. Além de produzir ciência ainda na escola é preciso socializar essa prática e os resultados. A divulgação científica apresenta-se necessária para que haja inclusão social. Simone Cabral afirma que a ciência é um produto cultural e, portanto, de estreita relação com a sociedade. Popularizá-la significa desenvolver culturalmente a sociedade numa perspectiva inclusiva. A POPULARIZAÇÃO DAS FEIRAS DE CIÊNCIAS Um dos instrumentos de popularização da Educação Científica é a realização das tradicionais Feiras de Ciências. Nesse contexto, ganha destaque a Feira de Ciência do Oeste Potiguar que tem

como referência o projeto “Ciência Para Todos no Semiárido Potiguar”, de abrangência estadual, realizado anualmente desde 2011, uma parceria entre a Ufersa e a Uern. Em 2017, foram mais de 90 projetos apresentados na Feira em Apodi, envolvendo cerca de 230 alunos e mais de 60 professores. A Feira de Ciências do Oeste Potiguar abrange escolas municipais, mas, sobretudo, estaduais de ensino médio e fundamental (8º e 9º anos) dos municípios de área de abrangência da 13ª Direc: Apodi, Caraúbas, Felipe Guerra, Itaú, Rodolfo Fernandes, Severiano Melo e Tabuleiro Grande. “Essa Feira tem ocorrido desde 2011, mas sob a minha coordenação a partir de 2013. Fui incentivada pela professora Celicina Borges. Tenho conseguido aprovação na chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, por meio do CNPq, para financiar Feiras de Ciências e Mostras Científicas no País. De lá pra cá, tenho pleiteado e conseguido recursos para custear o evento, bem como bolsas de Iniciação Científica Jr. para alunos com projeto melhor


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Para o pró-reitor Rodolfo Cavalcanti, o conhecimento científico é importante para o pensamento crítico - Foto: Wendson Medeiros

classificado na Feira. Além da bolsa, temos conseguido uma vaga para participação de alunos e professororientador na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), realizada na USP, em São Paulo, para o projeto classificado em primeiro lugar na Feira”, detalha Simone, acrescentando que o financiamento da Feira também é custeado pela Secretaria de Educação do Estado. Nos últimos anos, sobretudo a partir de 2016, os recursos para a Ciência, Tecnologia e Inovação foram diminuindo. Em 2017, o corte foi de 44% e em 2018 o orçamento sofreu novos cortes. Essa redução também afeta as Feiras de Ciências, mas os organizadores buscam meios de continuar a nobre missão de produzir ciência e incentivar crianças e adolescentes. Em sua oitava

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A Feira de Ciências do Oeste Potiguar incentiva a popularização da Ciência - Foto: cedida

edição, realizada em agosto, a Feira de Ciências no Oeste Potiguar, no município de Apodi-RN, teve como proposta uma experiência de grande relevância para criação de um elo entre as escolas e a universidade. DA ESCOLA PARA A UNIVERSIDADE A participação dos alunos nas Feiras de Ciências resultou em um projeto de pesquisa intitulado “Protagonismo estudantil em feiras de ciências na escola”, coordenado pela professora Simone Cabral. Desenvolvida no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), a pesquisa busca compreender o modo como o professor desenvolve o gosto pela ciência e estimula e/ou é estimulado quanto à aplicação do método

científico escola.

na

vida

social

da

“Estamos em processo de institucionalização dessa pesquisa que tem como objetivo compreender a feira de ciências como espaço para a promoção de uma postura protagônica no aluno enquanto construtor e promotor de conhecimento, além de avaliar o impacto desse projeto no despertar da vocação científica de estudantes de escolas públicas do RN”, explica Simone Cabral, complementando que a expectativa é identificar o ingresso no Ensino Superior de estudantes participantes do programa “Ciência para Todos no Semiárido Potiguar”, bem como avaliar o papel desse programa quanto a tomada de decisão do aluno pelo prolongamento dos estudos em nível superior.


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Projetos da UERN beneficiam agricultura familiar Com apoio da Universidade, cooperativas no município de Apodi e cidades circunvizinhas conseguiram a certificação federal e participam de licitações

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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Projetos da UERN beneficiam a agricultura familiar

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Frutas servem de matéria-prima para a fabricação da polpa, gerando renda para os produtores - Fotos: Wilson Moreno

Através de projetos de pesquisa e extensão, a UERN tem contribuído para a transformação da vida de comunidades rurais no interior do Estado. A Instituição tem atuado junto às cooperativas de produtores da agricultura familiar, desenvolvendo projetos que possibilitam a profissionalização e certificação dos produtos derivados desta atividade. O município de Apodi, localizado a 75 km de Mossoró, é referência no Rio Grande do Norte (RN) na produção de polpa de fruta, castanha e mel. Lá, a Universidade desenvolve projetos desde 2010, e tem contribuído significativamente para o fortalecimento dessas cadeias produtivas. O desperdício de frutas era uma cena comum nessas comunidades. O que não era vendido em feiras

ou consumido pela própria família terminava no lixo ou virando comida para animais. Hoje, essas frutas servem de matéria-prima para a fabricação da polpa, gerando renda para os produtores. Organizados através da Cooperativa Potiguar de Apicultura e Desenvolvimento Rural Sustentável (Coopapi), os agricultores conseguiram montar um entreposto, para onde o excedente das frutas é direcionado. Após um rígido processo de beneficiamento, o produto final é embalado e distribuído para a merenda escolar de diferentes municípios, o que só é possível graças à ação da UERN. “A parceria com a Universidade foi muito boa porque nos auxiliou, nos deu qualificação e o apoio para conseguirmos chegar até aqui. A gente percebe a melhoria na qualidade de vida dos produtores”,

afirma o presidente da Coopapi, Marto Souza. Em 11 de novembro de 2011, a UERN realizou um seminário com representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), do Ministério Público (MP) e com os produtores de frutas de todo o Estado para discutir a realidade que se apresentava naquele momento. Este seminário é considerado um marco para a legalização da produção de polpa de fruta no Rio Grande do Norte, pois foi a partir daí que os produtores, com o apoio da UERN, Sebrae e outras entidades, buscaram a certificação do processo. Menos de cinco anos a cooperativa não

depois, apenas


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Além da produção de polpa de fruta e mel, a castanha é um dos itens produzidos pela cooperativa

conseguiu a certificação como também tem vencido processos licitatórios para o fornecimento dos produtos para a merenda escolar de diferentes municípios. Atualmente, aproximadamente 280 famílias das comunidades rurais de Apodi fazem parte da Coopapi. A produção mensal gira em torno de 4 mil quilos de polpa de fruta, porém a expectativa é de dobrar a produção com a aquisição de uma nova máquina empacotadeira e de uma segunda câmara fria.

desafio da agricultura familiar é introduzir seu produto no mercado formal. O produto precisa ter o selo de certificação, e esse processo não é simples. Conquistar um selo desse é ter a senha para entrar em uma festa, onde só entram os grandes produtores, não os pequenos. Conseguir ter uma ação que ajude essa turma a acessar um mercado tão competitivo, que exige a formalidade, e de forma legal, é uma conquista fantástica”, explica o coordenador.

O titular da Pró-Reitoria de Extensão, Emanoel Márcio Nunes, que é professor da Faculdade de Economia, acompanha de perto todo esse processo. Ele explica que em 2010, o Ministério da Agricultura, que até então havia incentivado a produção artesanal de polpa de fruta, passou a exigir a certificação federal. “O grande

A experiência de Apodi foi tão exitosa que a presidente da cooperativa, Fátima Torres, foi convidada para coordenar a Cooperativa Central da Agricultura Familiar no Rio Grande do Norte (Cooafarn), que gerencia a Central de Comercialização da Agricultura Familiar e Economia Solidária (CECAFES). Ela destaca a importância da parceria entre a

UERN e o setor produtivo, através dos programas de pesquisa e extensão. “Foi uma parceria muito interessante pela integração entre a academia e a agricultura familiar de Apodi, um setor produtivo que nunca tinha sido alvo de pesquisas acadêmicas. E foi através dessas pesquisas que comprovou-se que a agricultura familiar tinha um potencial incrível, porém precisava ter a legalização, pois tínhamos frutas o ano inteiro, mas não podíamos transformar aquilo em renda para os produtores, pois não tínhamos a legalização das frutas”, avaliou Fátima Torres, que também é presidente da Associação das Cooperativas do RN. Fátima conta que o modelo aplicado para a legalização das polpas de fruta de Apodi foi reproduzido nas


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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Projetos da UERN beneficiam a agricultura familiar

Conquistar um selo desse é ter a senha para entrar em uma festa, onde só entram os grandes produtores, não os pequenos

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CLÉBSON LIMA Secretário da Cooafarn

casas de mel dos municípios de São Rafael e Caraúbas, que conseguiram a certificação municipal e estadual. Em Apodi, o processo para a certificação do mel já está mais avançado. Um entreposto está sendo construído e está bem adiantado o processo de certificação do produto junto ao Serviço de Inspeção Federal (S.I.F.). “Sonhamos com este entreposto há mais de uma década. Sabemos que o mercado está desabastecido de mel, e com essa certificação a gente quer ganhar o mercado externo, com uma produção inicial de 400 toneladas/ano”, afirma Marto Silva. A obra do entreposto está em fase final e a expectativa é de que o mel produzido receba a certificação federal ainda em 2018.

do Córrego, em Apodi, pelas cadeiras da faculdade. Ele é graduado em Direito pela UERN e durante todo o curso conciliou as atividades acadêmicas com o trabalho na cooperativa.

“O BOM FILHO A CASA TORNA”

Ele destaca ainda a relação da Universidade com o município. “Mesmo sem ter ainda um campus em Apodi, a UERN tem um papel fundamental no desenvolvimento desta cidade. Tem muita gente aqui que estuda ou é formado pela UERN. Além disso, a UERN desenvolve projetos aqui que têm uma importância muito grande para a economia do município. Algumas estruturas, como os entrepostos, só foram conseguidas através da parceria com a Universidade, que nos apoiou em diversas

O contato com professores e pesquisadores da Universidade tem despertado o interesse dos filhos de agricultores em ingressar em um curso superior, e aplicar os conhecimentos adquiridos na academia, de forma direta ou indireta, em prol da agricultura familiar. Clébson Lima é filho de agricultor e resolveu trocar a lida no campo, na comunidade

Clébson conta que quando ingressou na Universidade só via três caminhos a seguir. “Ou trabalhava no comércio, que é a única opção para a maioria das pessoas em Apodi; ou na agricultura ou na cooperativa. Como nos dois primeiros casos eu não teria como conciliar com as aulas e outras atividades do curso, fui trabalhar na cooperativa e, de forma indireta, continuo até hoje”, afirma o advogado que mesmo não trabalhando mais na cooperativa, continua envolvido e faz parte da diretoria.


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Parceria entre a UERN e o setor produtivo reflete em melhorias na qualidade de vida dos produtores

ações. É um serviço prestado de qualidade, de excelência, que é fundamental para a otimização dos processos não só na cooperativa como em outras organizações sociais de Apodi”. Alexandre Fernandes também é filho de agricultor. Ele está concluindo o curso de Ciências Econômicas no Campus Central, em Mossoró, e atua no projeto como bolsista de iniciação científica. Ele se sente

orgulhoso em participar do processo de transformação de vida de sua comunidade. “É uma experiência única. Além de ser filho de agricultor, eu também era o único bolsista de iniciação científica na minha turma. Para mim é uma satisfação enorme ver a qualidade de vida dessas pessoas, que não teriam uma fonte de renda sem essa atividade, seja nos mercados informal, formal ou institucional”, afirmou o estudante.


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Dedicação e carinho que ultrapassam gerações Quando o afeto pela Universidade é ao mesmo tempo herança do passado e presente para o futuro


Revista Edição Especial UERN 50 Anos Dedicação e carinho que ultrapassam gerações

A pequena estrada de barro foi num primeiro momento o caminho para um ambiente de diversão. Era por ela que Rafael Demetrius Rodrigues costumava caminhar de casa até o Campus Central da UERN, onde ele e os dois irmãos aproveitavam o espaço aberto para brincar, soltar pipa e jogar bola até que terminasse o expediente da mãe, Railma Rodrigues Nunes. Servidora lotada na Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), Railma ingressou na UERN no início da década de 1980, no mesmo período em que Rafael nasceu. Naquele momento, provavelmente não imaginava que a sua entrada na Universidade significaria não apenas um marco em sua vida, mas também um elemento essencial na trajetória das gerações futuras de sua família. “Eu, praticamente, nasci dentro da UERN. Como meu pai morava em outro estado e minha mãe era divorciada e não tinha com quem deixar os filhos, muitas vezes a gente vinha para a parte externa do Campus e ficava brincando. Boa parte da minha infância foi passar por essa trilha de barro para vir à UERN”, conta Rafael Demetrius. E a cada ida ao Campus, em meio às brincadeiras, o garoto conhecia um pouco mais daquele ambiente que no futuro lhe seria tão precioso. Ao mesmo tempo, embora ainda não pensasse na possibilidade de um dia estar ali estudando ou mesmo trabalhando, sentia crescer uma admiração que o acompanharia em toda sua trajetória e o levaria a tomar decisões importantes sobre sua carreira profissional. “Mamãe era uma verdadeira defensora da UERN. Ela dizia que o que ela tinha, os amigos, a renda, o patrimônio, até a pessoa que ela era, devia à Universidade. Isso me marcou muito”, recorda. Motivado pelas palavras da mãe e já familiarizado ao Campus que por anos

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foi palco de alegria e divertimento, Rafael não teve dúvidas ao final do ensino médio – prestou vestibular para o curso de Administração da UERN, em Mossoró, sendo aprovado na primeira tentativa. Teve então início uma nova fase da relação entre o jovem e a Universidade. A antiga estrada de barro que levava ao Campus continuava sendo trilhada, mas agora conduzia a um espaço de descobertas e aprendizado.

Tendo como um dos principais focos do trabalho a elaboração de projetos, Railma ministrou vários cursos para estudantes da Universidade, incluindo Rafael

“Foram cinco anos de curso, muito proveitosos. Eu passei os dois primeiros anos só estudando, até conseguir trabalhar e aí ter meu primeiro transporte, minha primeira moto. Mas, até isso acontecer, eu ia pegando aquela mesma trilha todos os dias”, relembra, acrescentando que os dois irmãos também se graduaram na UERN, o que era motivo de muito orgulho para a mãe. A influência de Railma em relação à graduação, aliás, não se limitou à escolha da Universidade. Tendo como um dos principais focos do trabalho a elaboração de projetos, Railma ministrou vários cursos


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Após prestar concurso em 2016, Rafael Demetrius é hoje professor de Administração no Campus de Pau dos Ferros - Fotos: Wilson Moreno

sobre esse tema para estudantes da Universidade, incluindo Rafael, que chegou a ser seu aluno. Tendo a UERN como um ambiente cada vez mais estimado, Rafael sentiu crescer o desejo de estreitar e consolidar os laços com a instituição. Logo que terminou a graduação, em 2005, ele ingressou na Especialização em Administração em Sistemas da Qualidade, também na UERN, onde passou a atuar, dois anos depois, como professor substituto. Embora tenha tido contato com outras universidades – como professor ou aluno de Mestrado – Rafael Demetrius manteve o objetivo de fazer parte do corpo docente efetivo da UERN. A oportunidade surgiu em 2016, com o concurso que previa uma vaga para professor de

Administração no Campus de Pau dos Ferros. “Eu acho que fui o primeiro inscrito. Assim que o concurso abriu, eu me inscrevi, paguei o boleto e me joguei nos estudos”, relembra Rafael, que foi aprovado em primeiro lugar no certame. A partir de então, a relação com a Universidade, que havia iniciado ainda na infância, ganhou uma nova dimensão, a qual ainda carrega, todavia, traços do passado. O jovem que pôde observar e aprender com a mãe o potencial da extensão e o impacto de projetos que ultrapassam os muros da academia traz hoje essa lição como uma das marcas de sua atuação, tornando a UERN mais próxima da comunidade externa. Se já não caminha mais pela estrada de barro que o levava ao Campus Central, Rafael hoje tenta fazer

novas trilhas entre a Universidade e a população, possibilitando uma troca mútua de conhecimentos. “Eu respiro extensão. Eu gosto muito de ver o que a Universidade pode proporcionar para as pessoas, além do ensino. Você transformar a vida de pessoas, dando a elas dignidade, dando a possibilidade de se inserir no mercado de trabalho e fazer a diferença é algo que eu sempre carrego comigo e tento praticar”, comenta. Da mesma forma, o professor busca transmitir o apreço pela Universidade às duas filhas, Mariana, de 12, e Marília, de 9 anos, que hoje tocam violino e flauta transversal através de projetos em Pau dos Ferros. “Ver isso me deixa muito emocionado, porque as pessoas às vezes não têm a dimensão de como a Universidade


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consegue transformar vidas, não têm a dimensão de como a Universidade consegue tirá-lo de um cenário que teria tudo para dar errado para um estado de sucesso absoluto. Mas se elas olharem com atenção, vão ver que a UERN forma muito mais do que alunos. Ela forma o cidadão, traz dignidade e desenvolve famílias”, conclui o professor. OS FRUTOS DA DEDICAÇÃO Ao longo das últimas cinco décadas, o apreço que Rafael e Railma alimentaram pela UERN foi compartilhado por centenas de outros servidores que também transferiram para irmãos, filhos, sobrinhos e netos. Mais do que compartilhar o mesmo ambiente de trabalho, as diferentes gerações puderam testemunhar o avanço alcançado pela Instituição durante esses 50 anos. “A gente batalhou bastante e viu muitas conquistas da UERN. Foi um lugar que se transformou mesmo”, relata a aposentada Tarcila Gurgel, que ingressou como servidora da Universidade na década de 1980. Exercendo inicialmente a função de datilógrafa, Tarcila atuou tanto no Campus Central quanto no edifício Epílogo de Campos, também em Mossoró. Além das mudanças na estrutura da Universidade, Tarcila destaca o aumento no número de cursos de graduação e pós-graduação como uma das principais evoluções registradas pela UERN. Para a aposentada, as mudanças foram resultado, sobretudo, do esforço empreendido pelos servidores, tanto técnicos quanto professores, que se

Ainda criança, Roberta Gurgel acompanhava a mãe no trabalho - Foto: Fernando Nícolas

dedicaram com afinco para promover o desenvolvimento da Instituição. Mas de todos os efeitos resultantes desse zelo pela Universidade, um em especial é o que mais alegra Tarcila. No mesmo ambiente onde ela se dedicou, formou amizades e se aposentou, hoje é a filha, Roberta Gurgel, que trabalha e constrói novas relações. Lotada na Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP), Roberta iniciou a trajetória profissional na UERN em 2011, após ser aprovada em concurso como técnica administrativa. “Quando fui admitida e entrei aqui (no edifício Epílogo de Campos), fui reconhecendo tudo, as salas, os jardins”, comenta Roberta. As memórias, explica, se referem ao tempo em que era criança e acompanhava a mãe no trabalho. “Eu fazia dança na UERN e às vezes terminava a aula e ficava

esperando por ela. Às vezes também eu estava, por exemplo, de férias e não tinha com quem ficar, então vinha pra cá. Aí conhecia as salas, criava já um vínculo com as pessoas”, relembra. O afeto pela Universidade, que cresceu observando na mãe, Roberta carrega hoje no dia a dia, junto com a alegria de perceber o mesmo sentimento em outros servidores. “Aquele amor que eu via que ela tinha hoje eu tenho também e vejo nas outras pessoas que trabalham aqui”, ressalta Roberta, que conheceu o marido, professor da Faculdade de Educação Física, através da UERN. E se seguiu os passos da mãe em relação à escolha do ambiente profissional, Roberta deseja que essa trajetória continue se estendendo ao longo das gerações. “A minha meta hoje é continuar na UERN. E quero que um dia meus filhos também façam parte dela”, finalizou.


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50 Anos de histórias

Revista Edição Especial UERN 50 Anos

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Me sinto bem em trabalhar aqui na UERN. Gosto do meu trabalho, de atender aos servidores. Não me sinto preparada para me aposentar Marileide Costa Técnica administrativa

Foto: Fernando Nícolas

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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Amanda Veríssimo - PROEX

A memória como patrimônio social

Para o manuseio do material, são necessários procedimentos de segurança para evitar o contato com bactérias - Foto: Wilson Moreno

Através de fotos e documentos diversos, é contado o contexto histórico em que a UERN foi criada

Projeto de extensão salvaguarda, organiza e preserva o acervo pessoal de João Batista Cascudo Rodrigues A memória do homem é um dos alicerces de sua vida, do mesmo modo é a memória de uma instituição. Preservar a história institucional é uma forma de fortalecer suas bases e de ter a partir dos erros e dos acertos do passado um entendimento sobre o presente e uma orientação para as ações futuras. Além disso, permite aos constituintes daquela instituição compreender a função social dos sujeitos históricos. Para pôr isso em prática é necessário que se tenha, a partir de uma política de gestão documental, a conservação de fotos,

documentos, objetos e de uma organização dos fatos. A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) dispõe de um Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica (NUDOPH) que é responsável por salvaguardar, organizar, catalogar e preservar a documentação institucional - e da região Oeste potiguar. A partir dessas dinâmicas, o NUDOPH garante o direito à memória para as futuras gerações, além de disponibilizar materiais que fomentam o

desenvolvimento de pesquisas acadêmicas acerca da história institucional. Associado ao Núcleo está o projeto de extensão “Ainda educando: o acervo do reitor João Batista Cascudo como ferramenta de oficina e memória da educação do Rio Grande do Norte”, que mostra que é preciso olhar também para as pessoas, haja vista que a história institucional é uma construção que traz em si as marcas dos sujeitos que dela fizeram parte. Servidores


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Natural de Mossoró, João Batista Cascudo (à direita) foi advogado, promotor de justiça e professor - Reprodução: Wilson Moreno

que passaram pela UERN e os que continuam na ativa têm dado sua contribuição para construir essa história que se busca preservar, e João Batista Cascudo é um dos grandes protagonistas dessa história. O primeiro reitor da única universidade pública estadual do Rio Grande do Norte, e um dos principais responsáveis por sua criação, tem em seu acervo muito a oferecer na constituição da memória institucional da UERN. Através de cartas, títulos honoríficos, fotos, livros e documentos diversos é revelado o contexto histórico em que a Universidade foi criada - com toda sua estrutura, no interior do Estado e seus diversos campi.

Carlos Torcato, que também é vicecoordenador do NUDOPH, e tem apoio de três alunos voluntários. “A ideia é que a gente possa concentrar as atividades de pesquisa dentro da própria Universidade, além de disponibilizar - aos interessados - documentos e fotografias que explanem a história da UERN”, diz Torcato.

tudo seja higienizado, para que possam ser enumerados, catalogados e guardados novamente. PESQUISA, ENSINO E EXTENSÃO

AINDA EDUCANDO

A natureza das ações do projeto exige a realização de atividades de orientação e preparação dos documentos, conforme metodologia específica. Para o manuseio desses arquivos trabalhados serão necessários procedimentos de segurança a fim de evitar o contato com bactérias, como o uso de jaleco, máscaras e luvas.

Segundo o professor Carlos Torcato, o projeto ajuda muito no processo de profissionalização do aluno bolsista/ voluntário. “Eles têm compromissos, trabalham com metas, com horários, precisam respeitar a hierarquia, ou seja, tudo aquilo que é exigido no mercado quando se sai da universidade”, diz. E conclui dizendo que o projeto dá uma formação a mais, permitindo que o aluno possa trabalhar futuramente com o tratamento de arquivos ou com gestão documental.

O projeto teve início em agosto de 2017 com a coordenação do professor

Também é necessário que após a retirada dos documentos das caixas

Além do conhecimento construído diariamente no projeto, também


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O principal objetivo dos cursos de licenciatura da UERN é formar professores pesquisadores e o projeto tem como meta viabilizar esse material para pesquisa, que servirá como instrumento e suporte, sendo o “Ainda educando” um potencializador de pesquisas. “Se eu não tivesse esse contato com a extensão, eu perderia uns 50% do aprendizado que tive na Universidade. Com esse contato, passei a entender melhor sobre a história do Rio Grande do Norte e de Mossoró, e como professor, vou poder propagar isso”, relata Genilson. A disponibilização desses arquivos proporciona outros alunos a terem o mesmo acesso. QUEM FOI JOÃO BATISTA CASCUDO?

O projeto está associado ao Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da UERN (NUDOPH) - Foto: Wilson Moreno

são oferecidas, semestralmente, oficinas de orientação para alunos e público externo de modo que essa qualificação de organização e tratamento dos documentos possa ser multiplicada para outras instituições. “Os círculos de oficina estão na quarta edição. Além do aprendizado técnico, também recebemos o apoio do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas (PPGCISH) da UERN, que explana um pouco sobre as produções que realizaram durante o mestrado”, conta o professor Carlos. Desse modo, os círculos de cultura permitem que os alunos das oficinas tenham contato com o meio da pesquisa. “Eu não tinha contato com a pesquisa, e através do círculo de oficina proposto através da extensão eu pude aplicar certos aprendizados na minha prática ensino-pedagógica no estágio”, diz Genilson Maximiliano, aluno do 7º período de História e voluntário do projeto.

João Batista Cascudo Rodrigues, nascido em Mossoró em 1934, foi advogado e professor. Filho de comerciante e professora, foi promotor de Justiça aos 18 anos na sua cidade natal. Em sua formatura, teve como padrinho Juscelino Kubitschek. Fundador da então Universidade Regional do Rio Grande do Norte - URRN, vinculada à Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte – FURRN, João Batista foi seu primeiro reitor, tornando-se o mais jovem dos reitores brasileiros, em 1968, aos 34 anos de idade. Também redigiu o decreto nº 20/68, que criou a ESAM - Escola Superior de Agricultura de Mossoró, atual UFERSA Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Autor do livro “Direitos Políticos e Sociais da Mulher Brasileira”, entre outros, dirigiu por muitos anos o programa norte-americano “Aliança para o Progresso”. Foi membro das Academias Norte-rio-grandense de Letras e de Ciências e a Academia Brasileira de História (São Paulo). João Batista faleceu aos 76 anos de idade na cidade de Brasília (DF), no ano de 2009.


Revista Edição Especial UERN 50 Anos Clínicas de Caicó alcançam 10 mil atendimentos

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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Adriana Morais

Clínicas de Caicó alcançam 10 mil atendimentos

Clínicas oferecem atendimento a pacientes da região do Seridó - Fotos: Wilson Moreno

Alunos aplicam na prática teoria vista em sala de aula

Referência na prestação de serviços em saúde bucal em todos os níveis de complexidade, as Clínicas Odontológicas, do Campus de Caicó, reúnem ensino, pesquisa e extensão em um mesmo espaço. Além de campo de aprendizado para os graduandos, a unidade oferece atendimento gratuito e de qualidade a pacientes de 17 municípios da região do Seridó, além de cidades dos estados do Ceará e Paraíba


Revista Edição Especial UERN 50 Anos Clínicas de Caicó alcançam 10 mil atendimentos

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O atendimento clínico é uma das nossas mais fortes ferramentas de ensino, porque o aluno está vivenciando o conteúdo na prática. Tudo que é visto em teoria e praticado em manequim pré-clínico é vivenciado de verdade na clínica. É a nossa melhor sala de aula PROF. EDUARDO SEABRA Coordenador do curso de Odontologia

Referência na prestação de serviços em saúde bucal em todos os níveis de complexidade, as clínicas do curso de Odontologia da UERN do Campus de Caicó reúnem ensino, pesquisa e extensão em um mesmo espaço. Para além de um campo de aprendizado dos alunos, as clínicas oferecem atendimento gratuito e de qualidade a pacientes da região do Seridó e dos estados do Ceará e Paraíba. Desde 2013, foram atendidos mais de dois mil pacientes, totalizando mais de 10 mil procedimentos clínico-odontológicos. “O atendimento é ótimo. Eles fazem todo o acompanhamento e o tratamento dentário completo”, atesta Patrícia Kelly, de Caicó, uma das beneficiadas com o projeto. Nas clínicas, os cidadãos encontram serviços e especialidades que não são facilmente encontradas em unidades que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Cirurgia oral menor, extração do terceiro molar, tratamento de canal, tratamento de dores orofaciais em geral, estomatologia (que

são diagnósticos e tratamento de lesões orais), prevenção de combate ao câncer bucal são alguns dos procedimentos oferecidos. Coordenador do curso de Odontologia, Eduardo Seabra ressalta que o objetivo do setor da clínica não é realizar procedimentos pontuais, mas sim tratar o máximo possível de pacientes, como forma de promoção de saúde e atenção de saúde bucal integral e integrada. Segundo ele, a Faculdade de Odontologia tem convênio com o SUS. São 31 cadeiras de atendimentos, incluindo o centro cirúrgico, que funcionam de segunda a sexta-feira, no horário de expediente do curso de Odontologia. Nas clínicas, são atendidos pacientes com problemas bucais de média e alta complexidade. Todos os atendimentos dentários são realizados por alunos, acompanhados por professores, que são responsáveis legais pelos procedimentos. “Em média, 44% do tempo que o aluno passa na Faculdade de Odontologia da UERN é dentro de clínica atendendo pacientes”, informa

Seabra. São 50 alunos em clínicas, recebendo pacientes com o objetivo do tratamento concluído. “O atendimento clínico é uma das nossas mais fortes ferramentas de ensino, porque o aluno está vivenciando o conteúdo na prática, para a tomada de decisões frente à biologia, frente à química de materiais, biomecânica, técnico operatório. Tudo que é visto em teoria e praticado em manequim pré-clínico é vivenciado de verdade na clínica. É a nossa melhor sala de aula”, exalta o professor. Para o diretor do Campus Avançado de Caicó, Álvaro Lima, as clínicas odontológicas são importante campo de prática de nossos alunos. “Desde a metade do curso, os nossos alunos vão para as clínicas terem contato direto com a profissão. Além desse contato fundamental para os discentes, as clínicas prestam relevantes serviços a pacientes de toda a região do Seridó, muitos destes têm dificuldades de acesso ao serviço odontológico, principalmente algumas especialidades pouco mais complexas”, finaliza.


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Procedimentos são desenvolvidos por estudantes, acompanhados pelos professores

FORMAÇÃO As clínicas desempenham fundamental papel na formação dos graduandos, abrigando projetos de extensão, estágios e aulas curriculares. Para a estudante Tarciana Seni, do 9º período, o contato com o paciente ainda na graduação, possibilitado pelas clínicas, proporciona maior segurança aos futuros profissionais. “Muito importante ter esse momento com o paciente. Sem ter esse momento, a gente não ia ter a formação adequada, e quando chegássemos ao mercado de trabalho ficaríamos totalmente perdidos. Na teoria a gente adquire conhecimento, mas é só na prática que a gente sabe de verdade se vai dar certo o que a gente aprendeu, se a gente vai conseguir reproduzir”, declara. O graduando Tásso Assuero, natural da cidade de Governador Dix-sept Rosado, também vê como essencial o

atendimento. “Desde a metade do curso a gente vem praticando em pacientes e é muito bom ter professores de várias áreas que acompanham a gente nas disciplinas e nos procedimentos”. Ele frisa que as clínicas possibilitam que os estudantes tenham mais segurança para chegar ao mercado de trabalho. “Já que estamos lidando com pessoas, é importante que a gente comece a praticar o quanto antes”, pondera. Desde o 5° período em clínica, Tarciana Seni observa que a sua evolução é nítida. “Logo quando comecei na clínica, quando estava diante de um paciente, ficava nervosa, pensando o que fazer. A gente demorava, entrava no atendimento do outro. Agora está um pouco mais tranquilo. Mesmo com procedimentos com um nível que a gente considere mais complicado, a gente consegue lidar um pouco melhor”.


Revista Edição Especial UERN 50 Anos Projeto analisa perfil do turista

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Projeto analisa perfil do turista

Um dos objetivos do projeto é construir um sistema de informação capaz de revelar o perfil dos turistas que visitam o Estado - Fotos: Ricardo Morais

Observatório de Turismo do RN colhe, compila e divulga informações e dados estatísticos que têm norteado rumos do setor O curso de Turismo do Campus de Natal da UERN vem se consolidando como um importante centro de pesquisa na área e, assim, conquistando espaço como agente nas decisões sobre o turismo potiguar. Muito bem avaliado nos níveis estadual e nacional, o curso já teve duas notas máximas no ENADE

e, atualmente, está entre os dez melhores do Brasil, sendo referência pela qualidade das pesquisas realizadas. Isso porque, além da teoria, o curso incentiva a prática dos alunos com uma estrutura de laboratórios e projetos únicos no Estado para a formação de turismólogos, o que propicia a empregabilidade de 85%

dos profissionais formados em empresas no RN, no Brasil e também no exterior. Um dos projetos de maior destaque é o Observatur/RN - Observatório de Turismo do RN, que o curso de Turismo do Campus de Natal da UERN coordena junto com o curso


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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Ilana Albuquerque

Curso de Turismo do Campus de Natal vem realizando levantamento sobre o setor desde 2017

de Gestão do Turismo do Campus de Canguaretama do IFRN e tem como parceiros Fecomércio/RN, Emprotur, Setur/RN, Setur/Natal, IFRN, UnP e Sindicato dos Bugueiros. “A missão do Observatório de Turismo do RN é de ser um instrumento social, facilitador de gestão, informações e debate, funcionando como um instrumento técnico, catalisador, polifuncional e descentralizado, planejado e administrado de forma participativa, com estabilidade e autonomia”, esclarece o Prof. Dr. Sidcley D’sordi Alves Alegrini da Silva, coordenador do Observatur. O objetivo geral do Observatório é analisar o comportamento do turista no RN, levantando conhecimento sobre o turismo potiguar, compilando dados estatísticos e analisando as

respostas obtidas em pesquisas de demanda turística, para construir um sistema de informação capaz de revelar o perfil e a percepção do turista que visita o Estado e municiar estudos de impactos do turismo. As atividades do Observatório começaram em setembro de 2017, mesmo extraoficialmente. “A ideia surgiu por uma demanda dos membros do Conselho Estadual do Turismo”, lembra o professor Sidcley. Em junho de 2018, o projeto foi institucionalizado pela UERN, abrindo novas perspectivas para o futuro dele. “O projeto institucionalizado nos permitirá fechar parcerias, atrair recursos financeiros e projetar o Observatur/RN, a nível nacional e internacional. Tudo ficará mais fácil e simplificado”, comemora o

coordenador, que sonha em celebrar parceria entre o Observatório e o Ministério do Turismo. “Esse é nosso próximo objetivo. Para alcançá-lo, precisávamos ser institucionalizados. A UERN nos abrigou. Nossa gestão comprou a ideia e agora seguiremos em busca desse convênio com o Ministério do Turismo, que julgo como necessário e legítimo, visto que o Ministério apoia financeiramente outros observatórios no Brasil. Com dedicação, trabalho e comprometimento de todos chegaremos lá, com certeza”, prevê. Desde 2017, o Observatur/RN já realizou três levantamentos de campo: Pesquisa Turismo Receptivo (setembro 2017), Perfil do turista 2018 (janeiro 2018) e Pesquisa de demanda turística (junho 2018),


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todas disponíveis para consulta no site: fecomerciorn.com.br/pesquisas. Os dados foram coletados a partir da aplicação de aproximadamente 3.000 questionários em Natal, pelos pesquisadores, que são alunos do curso de Turismo. Eles abordaram visitantes no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, na Rodoviária de Natal e nos principais locais de fluxo de turistas na capital potiguar.

Verificamos que a hospitalidade, a qualidade dos hotéis e a qualidade dos nossos atrativos turísticos são os elementos mais bem avaliados pelos turistas

O professor Sidcley conta que antes de formular os questionários o Observatório quis saber o que o trade turístico desejava conhecer, para propor um planejamento participativo. “Verificamos que a hospitalidade, a qualidade dos hotéis e a qualidade dos nossos atrativos turísticos são os elementos mais bem avaliados pelos turistas. Outro ponto relevante é o desejo de retorno, manifestado por 92% dos visitantes, que declararam querer voltar e trazer familiares e amigos para conhecer o RN”, revela. As pesquisas realizadas já estão orientando o planejamento e a implementação de políticas públicas de turismo no RN. “Estamos, ainda,

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atraindo com os dados das pesquisas, novos investidores. Um caso concreto foi a ampliação dos voos de Buenos Aires (Argentina) para Natal. Além disso, várias pesquisas acadêmicas estão utilizando dados colhidos pelo Observatório, para fundamentar trabalhos, fortalecendo, assim, as investigações científicas de natureza turística no RN, inclusive em programas de pós-graduação stricto sensu e a nível de mestrado e doutorado”, acrescenta. As pesquisas seguem um cronograma de execução trimestral, financiadas pelas instituições parceiras. Contudo, prefeituras, terceiro setor e iniciativa privada também podem contratar levantamentos específicos, entrando em contato pelo e-mail: observatur. natalrn@gmail.com “Nas próximas pesquisas ampliaremos abrangência territorial e amostra de público, uma vez que aplicaremos questionários em todos os polos de desenvolvimento turístico do RN, contemplando todas as regiões do Estado que possuem potencial turístico, pois fechamos parcerias recentes e importantes, como com a UFRN, para as próximas investigações”, antecipa. Especificamente para o curso de Turismo da UERN, os principais benefícios são o envolvimento e inserção dos alunos como pesquisadores, investimentos em infraestrutura para o curso, visibilidade e laboratório de práticas acadêmicas, que aproximam os graduandos do mercado de trabalho e favorecem a contratação de egressos por empresas na área de turismo e hospitalidade. Atualmente, o projeto conta sete alunos bolsistas da UERN, contratados pelas entidades parceiras do projeto, sendo cinco remunerados pela Fecomércio/RN e dois, pela SETUR/Natal, através do CIEE. O IFRN ainda está em processo de contratação de alunos bolsistas.


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50 Anos de histórias

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A importância da UERN para minha família, como retrato das famílias do interior, é que ela dá a oportunidade de as pessoas terem uma outra perspectiva de vida Daniela Freitas - Discente

Foto: Fernando Nícolas

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Revista Edição Especial UERN 50 Anos De egresso a servidor: laços que fortalecem a Universidade

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Revista Edição Especial UERN 50 Anos Adriana Morais

De egresso a servidor: laços que fortalecem a Universidade Grande número de servidores egressos da UERN potencializam as relações interpessoais e contribuem para otimizar o trabalho desenvolvido

Não são apenas salas de aula, laboratórios, departamentos, infraestrutura, projetos que fazem uma universidade. Definitivamente, ela é muito mais do que isso. Uma universidade também é feita de pessoas, de sonhos, de histórias. Cada placa de turma de graduados fixada nos corredores eterniza narrativas de vidas, conquistas, mudanças, superação. Em cinco décadas de existência, a UERN foi, e continua sendo, cenário dos mais variados enredos. Vidas que são transformadas, vínculos que ultrapassam gerações, professores, técnicos administrativos e alunos que protagonizam avanços na academia, egressos que ganham o mundo e outros que permanecem na Universidade, seja para qualificação

nos cursos de pós-graduação ou para viverem uma outra versão de sua história com a Universidade. “A UERN não é só uma academia, é um lugar onde você cria laços e fortalece relações interpessoais. Essas relações conseguem ser a mola propulsora da sua vida acadêmica, da sua vida pessoal e social”, descreve o técnico administrativo Erison Natécio, egresso do curso de Serviço Social e, hoje, próreitor de Assuntos Estudantis. Voltar à UERN era um desejo cultivado por ele desde os bancos do curso. “Já na graduação, você acaba adquirindo uma identidade muito forte com a Universidade”, frisa Erison Natécio. Por esse envolvimento, a UERN foi seu foco principal logo quando começou a fazer concurso público. “Porque

conhecia todo mundo, me sentia familiarizado, por gostar da UERN, amar a UERN, ter ajudado no meu segmento, enquanto estudante, a construir muitas vitórias, aí você tem uma afinidade muito grande”, justifica as razões que o fizeram escolher ser técnico administrativo uerniano. “É tanto que tinha passado no concurso de agente penitenciário, mas não fui nem fazer o teste físico porque optei pela UERN”, confessa. Militante dos movimentos estudantis, Erison Natécio foi presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Hoje, enquanto servidor, está à frente da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE). A possibilidade de viver as duas perspectivas de uma mesma situação, comum a tantos servidores da UERN, que são


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egressos, é uma peculiaridade que potencializa as relações interpessoais e contribuem para otimizar o trabalho desenvolvido. “Uma grande vantagem que eu tenho à frente da PRAE é a empatia, não por ser, necessariamente, empático, mas porque já estive no outro lado. Seria incoerente de minha parte não perceber a demanda dos estudantes, pois eu sei como funciona, tenho uma visão ampliada do movimento estudantil”, declara Erison Natécio. Para ele, o desafio se coloca quando você tem identidade, mas sabe que existem as limitações burocráticas e financeiras/orçamentárias. A mudança de relação discenteservidor possibilita uma ressignificação de papéis, que traz benefícios mútuos para os indivíduos e à instituição. “O tempo foi muito generoso comigo, porque enquanto presidente do DCE participei do processo da estatuinte, onde a gente lutou pela implantação da paridade e da PRAE, que eram os dois carros-chefes do movimento estudantil à época, e hoje vivo a efetivação dessas lutas no papel de técnico. Sou grato de ter participado do processo. Quando que ia imaginar que um aluno iria ser um técnico e ocupar um protagonismo na própria Universidade. O bom da UERN é ver as histórias de vida que são gestadas aqui a partir da graduação, dando prosseguimento a novas histórias”, finaliza.

Erison Natécio foi presidente do DCE e hoje está à frente da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis Fotos: Wilson Moreno

é tão próxima da Universidade que ultrapassa as barreiras profissionais. “Minha história com a UERN começou desde quando eu estava na barriga da minha mãe”, conta, com orgulho.

A mudança de relação discente-servidor possibilita uma ressignificação de papéis

DOS BANCOS DA GRADUAÇÃO À DOCÊNCIA A história da Profª. Dra. Allyssandra Maria Lima Rodrigues Maia, da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS),

Filha de servidores da UERN, desde criança passeava pelos corredores da Universidade. Mas foi em 1997 que ela começou a escrever sua própria

história na Instituição, quando ingressou no curso de Ciências Biológicas (licenciatura), no Campus Central. “Ainda na faculdade, já entrei como bolsista da PROEX e dava aula no cursinho pré-universitário. Foi nessa época em que me despertou o desejo da docência”, relata. Allyssandra Rodrigues terminou a graduação em janeiro de 2000 e já em fevereiro do mesmo ano ela voltou à Universidade como técnica administrativa. Embora trabalhando no ambiente que queria, Allyssandra Rodrigues ainda não estava totalmente satisfeita com o cargo. Em 2010, ela fez concurso para docente na FACS e foi aprovada. “Na época, estava concluindo o doutorado, e já voltei como docente”, relata. “Tenho todo um histórico de vida


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Allyssandra Rodrigues tem forte ligação pessoal e profissional com a UERN

com a Universidade. Voltar para lecionar é uma satisfação muito grande, porque foi aqui onde eu aprendi. A casa que eu aprendi e ainda aprendo. Hoje leciono na graduação em Medicina, na Residência Médica, e no Mestrado em Biologia, no curso ao qual eu me formei e hoje sou docente”. Esse retorno de egressos como servidores, na sua visão, possibilita uma identificação maior com o trabalho. “Quando voltei para a sala de aula, eu me vi nos alunos. O aprendizado é uma história, um dia você é aluno, no outro é professor. Voltar à Universidade, no curso de Biologia, numa pós-graduação, para mim é muito importante porque é o curso que é minha formação, meus ex-professores hoje são meus colegas”, descreve. Allyssandra Rodrigues reforça que além da estreita relação profissional tem uma forte ligação familiar com a Universidade. “Minha mãe é

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David de Medeiros Leite avalia que característica da UERN traz benefícios mútuos

aposentada da UERN, meu pai trabalha aqui, meu avô trabalhou, minha tia trabalhou também. Minha família tem uma ligação muito forte, inclusive, com a própria formação da Universidade. João Batista Cascudo, era irmão-primo do meu avô. Eu cresci aqui, meus pais se formaram aqui, meus dois irmãos se formaram aqui, e espero que minha filha também estude aqui. A UERN é minha segunda casa, uma casa muito especial”. SERVIDORES EGRESSOS FORTALECEM CULTURA ORGANIZACIONAL Histórias como a de Erison Natécio e Allyssandra Rodrigues são familiares na UERN, onde grande parte dos servidores efetivos são egressos. O titular da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP), David de Medeiros Leite, que também é egresso do curso de Administração, avalia que esse traço contribui para otimizar os trabalhos. “Temos o que na administração

de empresa se chama de cultura organizacional, e a UERN tem um aspecto bem peculiar. Só o fato do indivíduo atuar como servidor de uma instituição ele já incorpora muito de seus valores, cria uma familiaridade, porque passa 8 horas do dia útil dentro de uma instituição e isso cria raízes. Quando você já fez um curso na Universidade e volta como servidor existe a tendência de ter mais familiaridade com o ambiente, o clima organizacional tende a ser mais forte”, explica Leite. Como egresso, o pró-reitor fala com propriedade que essa característica traz benefícios mútuos tanto para os servidores, devido à afinidade com a Instituição, quanto para os discentes. “Quando um egresso volta como servidor traz consigo um sentimento a mais pelo serviço. Você se vê do outro lado do balcão, você atende o estudante numa pró-reitoria, num departamento, sendo que há pouco tempo era você o estudante. Isso carrega em si um valor muito forte”.


UERN: 50 anos construindo caminhos AILTON SIQUEIRA Professor Dr. da UERN Ailton Siqueira é doutor, professor do Departamento de Ciências Sociais e Políticas (DCSP) da UERN, docente do Mestrado Interdisciplinar em Ciências Sociais e Humanas (PPGCISH), líder do Grupo de Pesquisa do Pensamento Complexo (GECOM).


E

stamos diante de um acontecimento histórico para todo o Estado: a comemoração do aniversário da maior instituição pública de ensino superior do Rio Grande do Norte: 50 anos da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN. 50 anos de existência e resistência. 50 anos de vida e compromisso social. 50 anos de produção de saberes, práticas formativas e integrativas. 50 anos de muitas histórias.

outra coisa senão o espírito dessa terramãe, desse povo pai, das outras instituições irmãs. Pertencendo ao Estado, ela faz parte da história política do RN, assim como da vida de todos aqueles que tiveram aqui sua formação profissional e humana, daqueles que se fizeram nela e que a ajudaram a se fazer. Nossa história foi feita juntamente a história de muitos que por aqui passaram e que aqui estão. Não é exagero dizer que nossa história é feita de muitas histórias. E nem todas são possíveis É inegável Sendo a única instituição de serem contadas. a relevância da pública estadual de Estamos, assim, todos instituição para ensino superior e a mais nós juntos, unidos por antiga Universidade da histórias semelhantemente o povo do RN, cidade de Mossoró, a diferentes. Estamos todos bem como o UERN ramificou-se nós unidos pela UERN, reconhecimento para as várias regiões porque a UERN nos do seu do Estado semeando une. Portanto, pensásaberes, cultivando la como investimento crescimento nos perspectivas e e como compromisso últimos anos esperanças, assim socioeducacional para o como colhendo povo do RN é reconhecê-la doces frutos, o que tem como espaço do saber e da se constituído como um dos alicerces cidadania, da diversidade e da solidariedade, principais no fortalecimento do Estado da educação e de uma instituição de todos e de seu povo. Mesmo territorializada e para todos. em Mossoró, ela se desterritorializou em grandeza, importância e serviços Independentemente de qualquer postura prestados aos norte-rio-grandenses, ou ideologia política assumida, interna e sobretudo à população pobre do RN - externamente, é inegável a relevância dessa esse povo que viu e vê na UERN um meio instituição para o povo do RN, bem como possível de formação, de aprendizagem, o reconhecimento do seu crescimento de profissionalização, de mudança de vida nos últimos anos. Crescimento em termos e dignidade. materiais e em termos de capacitação docente, com grande potencial no Situada na terra da “resistência e da ensino, na pesquisa e extensão. Temos liberdade”, a UERN não poderia expressar pesquisas locais, estaduais, nacionais


e internacionais; produção científica (nacional e internacional) e programas de pós-graduação em todas as áreas do conhecimento; professores, pesquisadores envolvidos em eventos nacionais e internacionais etc.

respeito às manifestações que contrariam sua imagem.

Por outro lado, as críticas só atestam a visibilidade social que tem nossa instituição. Há um provérbio popular que diz: “árvore que dá frutos recebe muitas pedradas”. Todavia, o brilho que reluz, nem sempre Se nós sabemos os frutos que científica, é percebido. Essa incapacidade cultural e socialmente estamos de percepção torna-se mola gerando e aqueles que poderemos propulsora de críticas produzir, devemos ter infundadas, as quais a capacidade de ouvir e ganham espaço entre responder ao absurdo A UERN sujeitos que deixam de com o silêncio próprio das existe e resiste perceber essa capacidade, pedras. Às vezes, diante iluminada essa importância social de críticas infundadas e e as reivindicações que, absurdas, ficar em silêncio pelo sonho de justamente, expressam é resistir e responder. O construir um mais do que pedidos, silêncio também é resposta. futuro para lutas momentâneas ou aqueles que circunstanciais dessa Não podemos esquecer instituição. Trata-se de aqui outra questão: a dela precisam reivindicações e lutas que crítica revela muito menos e precisarão pedem respeito de um o objeto criticado do que povo que pede para ser os limites perceptivos reconhecido e valorizado, e analíticos, a cegueira, de uma instituição que precisa de apoios ou não, de quem critica. Isso acontece e investimentos para poder continuar porque o olhar de quem tudo quer ver enquanto universidade socialmente não consegue enxergar a si mesmo, nem referenciada. Em vez de lutar pelo seu rever suas visões, nem repensar seu fortalecimento e crescimento, renegam pensamento. E sem isso, fica carente de o papel social que a UERN tem compreensão, princípio elementar para desempenhado. qualquer relação e posicionamento ético, justo, respeitoso e humano. É fato que nos últimos anos a nossa instituição também tem recebido muitas Como a maior instituição de produção do críticas por parte de certas autoridades. saber e da cultura do Estado, a UERN Reconhecemos que isto faz parte da combate resistindo e ganha sua função de democracia de ideias e, com isso, esta ser em meio às críticas daquelas mentes Universidade exercita a tolerância e o apressadas que estão preocupadas muito


mais em aparecer do que serem justas com a realidade. Por extensão, atuação e relevância, a UERN hoje é todo o Estado. Não é mais a UERN que busca o apoio da sociedade ou de outras instituições. É sim, a sociedade e as outras instituições que apoiam e abraçam a UERN e as suas causas, porque todas sabem que o crescimento e aprendizagem, cidadania e respeito, educação e cultura são coisas que só crescem se forem semeadas e nutridas por todos. UERN, sociedade e população estão mais do que juntos em uma única defesa: somos todos um só. É essa visão de unidade que precisamos ver na educação, na política e nas decisões governamentais. A UERN tem um inegável passado; um presente visível e, significativamente,

inquestionável, mas ela existe e resiste iluminada pelo sonho de construir um futuro para aqueles que dela precisam e precisarão, para todos aqueles que nela estão e que a ela ainda virão. Mas isso é mais do que sonho: é compromisso que só assume aqueles que sabem transformar utopia em realidade, que apostam no ser humano, aqueles que sonham fazer do impossível possível. Sabemos que o desafio de nossa instituição é crescer tecnológica, científica, estrutural e infraestruturalmente, mas, sobretudo, como disse o filósofo Patrick Viveret, “o desafio é crescer em humanidade”, porque é disso que é feito as relações, o mundo, a vida e as próprias instituições. Parabéns à UERN, que em seus 50 anos vem alimentando sonhos e abrindo portas; 50 anos construindo caminhos, iluminando futuros.


Ilustrações dos painéis da FALA tornam ambiente mais acolhedor - Foto: Fernando Nícolas


Reitor Pedro Fernandes Ribeiro Neto Vice-reitora Fátima Raquel Rosado Morais Chefe de Gabinete Zezineto Mendes Oliveira Subchefe: Esdra Marchezan Sales Pró-reitor de Administração Tarcísio da Silveira Barra Adjunta: Maria Elza de Andrade Pró-reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças Iata Anderson Fernandes Adjunta: Elizabeth Silva Veiga Pró-reitor de Gestão de Pessoas David de Medeiros Leite Adjunta: Jéssica Neiva de Figueiredo Leite Pró-reitor de Assuntos Estudantis Erison Natécio da Costa Torres Adjunta: Sephora Edite Nogueira do Couto Borges Pró-reitora de Ensino de Graduação Francisca Maria de Souza Ramos Lopes Adjunto: Wendson Dantas de Araújo Medeiros Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação José Rodolfo Lopes de Paiva Cavalcanti Adjunto: Cláudio Lopes de Vasconcelos Pró-reitor de Extensão Emanoel Márcio Nunes Adjunto: Francisco Fabiano de Freitas Mendes

A UERN é membro da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (ABRUEM), única representante do Rio Grande do Norte, das quarenta e cinco Instituições de Ensino Superior (IES) associadas, pertencentes a vinte e dois estados da Federação, e com um papel fundamental na erradicação do analfabetismo, na superação das desigualdades educacionais, na melhoria da qualidade da educação, na promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade, entre outras diretrizes descritas no Plano Nacional de Educação (PNE), Lei Nº 13.005, de 25 de junho de 2014.


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