7 minute read

Novidades Nacionais

A voz engajada de Lara Klaus

por_ Ricardo Silva ∎ de_ São Paulo

A percussionista recifense Lara Klaus, famosa no país e no exterior, dá um novo passo na carreira e se lança como cantora. Seu disco de estreia, “Força do Gesto”, que saiu em março, vem colhendo boas críticas graças à variedade musical com forte base percussiva (mas não só) e às letras reflexivas sobre mudança, atitude — “A verdade não mora na palavra, mas na intenção de quem a propaga”, prega, no single “Força do Gesto”, com participação de Zé Manoel. Também tem participação na obra a banda Maraca Arte, com pessoas com síndrome de Down. “Quando comecei a produzir, não tinha uma ideia exata do que se tornaria o disco, mas, ao mesmo tempo, na medida em que eu fui produzindo, vi que as músicas conversavam entre si. Por isso acabou se chamando ‘Força do Gesto’, porque me preocupo muito de a gente colaborar com outros, valorizar a experiência”, contou à “Folha de Pernambuco”.

O retorno do Cordel do Fogo Encantado

Depois de anunciar seu fim em 2010, com a saída do vocalista Lirinha, a banda pernambucana Cordel do Fogo Encantado regressa, em sua formação original. O marco foi o lançamento do novo álbum, “Viagem ao Coração do Sol”, no início de abril, e o início de uma turnê que passará por Salvador, Recife, Fortaleza, Ribeirão Preto (SP) e Rio de Janeiro. “Fomos procurados pelas plataformas de streaming para lançar nossa obra, e, para isso acontecer, foi necessário juntar nossa história musical. Pensamos em não só lançar as músicas do passado mas também compor um novo trabalho”, conta Lirinha. “Gravamos o disco entre maio e junho do ano passado, em São Paulo, mantendo o sigilo. As gravações foram emocionantes. O fogo encantado está aceso.”

VEJA MAIS! O ‘lyric video’ de “Liberdade, a Filha do Vento”. 
ubc.vc/CFE

Drenna grava bela versão de “Roda Viva”

Em tempos de surreal polarização política, o resgate de um hino lançado na ditadura militar por Chico Buarque vem fazendo barulho e provocando discussão. Produzida pela banda carioca Drenna, que tem à frente a vocalista de mesmo nome, “Roda Viva” ganhou videoclipe caprichado, dirigido por Gabriel Gomes e publicado no canal do grupo. “É uma música atual e dialoga com nossa contemporaneidade, pois vivemos num país e num mundo cheio de preconceitos e rodas-vivas, sejam na política, nas questões de gênero, raça etc.”, descreve Milton Carlos, baterista da banda.

VEJA MAIS! Assista ao clipe de “Roda Viva”, na versão da Drenna.
ubc.vc/Drenna

Geraldo Vandré: o fim de um silêncio de 50 anos

E uma das vozes mais emblemáticas da música brasileira durante o regime militar rompeu 50 anos de silêncio para uma emotiva apresentação, no último mês de março, em João Pessoa, sua cidade natal. Geraldo Vandré, 82 anos, foi ovacionado pelo público de mais de 500 pessoas que se espremeu no Espaço Cultural José Lins do Rego para vê-lo, com ingressos esgotados rapidamente. O último show de Vandré havia sido em Anápolis (GO), em 13 de dezembro de 1968, mesmo dia em que se publicou o AI-5. Agora, na apresentação da Paraíba, ele homenageou o exército, portou uma bandeira do Brasil e entoou, com o público, seu maior sucesso, “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”.

Pitty, de volta do aconchego   

Afastada dos palcos e estúdios para cuidar da filha Magdalena, Pitty anuncia seu retorno. Ela voltou a compor e está em fase de pré-produção do seu próximo disco, que sai em agosto. “Foram quase dois anos dedicada a entender e descobrir o que é ser mãe e às necessidades da minha filha. Chegou uma hora que deu. Eu precisava tocar, voltar a pisar num palco. Não aguento de saudade”, diz a baiana, que falou sobre os desafios de ser mãe, mulher e artista da música durante o Women’s Music Event, encontro dedicado às mulheres e realizado em março, em São Paulo. Ela também lançou um documentário sobre sua retomada da composição e dos shows, “Do Ventre à Volta”, dirigido por ela e por Otavio Sousa.

VEJA MAIS! Assista ao documentário de Pitty. 
ubc.vc/DocPitty

Gessinger, ao vivo e sempre criando   

Um dos maiores nomes do rock brasileiro, o gaúcho Humberto Gessinger lançou em abril seu novo DVD, “Ao Vivo Pra Caramba”, com canções que vem executando em shows e que já estão disponíveis nas plataformas de streaming. Quatro das 17 faixas são inéditas e compostas por ele, tendo sido apresentadas ao público num megashow que reuniu milhares de pessoas em Porto Alegre. Outras, como “Infinita Highway”, “Até o Fim”, “Vozes” e “Terra de Gigantes”, sucessos do tempo dos Engenheiros do Hawaii, ganharam novos e surpreendentes arranjos, com violão, viola caipira ou bumbo leguero. Agora acompanhado dos músicos Felipe Rotta e Rafa Bisogno, Gessinger formou um power trio.

Sergio Lopes, mais de 30 anos de sucessos

Há mais de trinta anos envolvido profissionalmente com a música evangélica, o paraibano Sergio Lopes festeja o sucesso do seu novo álbum, “Somos”. Com 15 canções, o disco é o 22º da sua carreira, somados seus lançamentos solo e os do grupo Altos Louvores, do qual participou. Com uma agenda extensa que não lhe impede estar sempre compondo para novos trabalhos, Lopes é o autor de sucessos gospel como “Agora Posso Crer”, “Anseios“, “Serenata para Deus“, “Para Onde Vão as Aves”, “Brilhante” e “Entre Nós Outra Vez”.

Gabriel Elias em quatro tempos

Dividido em quatro entregas, o segundo álbum do cantor e compositor Gabriel Elias vai ser uma celebração à passagem do tempo. “Quatro Estações” tem clima praiano e músicas que falam sobre rompimentos, relacionamentos felizes, a natureza e outros temas presentes na obra do mineiro que, em sua curta carreira, já conquistou o país, com mais de 38 milhões de visualizações de seus vídeos e audições das suas músicas no YouTube. A primeira parte a ser lançada, mês passado, foi o EP “Outono”, com clima mais intimista, às vezes melancólico, marcando a passagem para a estação que antecede o inverno. “Inverno”, “Primavera” e “Verão” serão os próximos. A produção do disco é de Rafael Ramos.

OUÇA MAIS! O EP “Outono”, de Gabriel, na íntegra.
ubc.vc/OutonoEP

Reginaldo Bessa: uma festa dupla

Nos 60 anos da bossa nova, celebrados este ano, um dos pioneiros do estilo comemora uma efeméride particular. É o carioca Reginaldo Bessa, que faz 80 anos de vida e repassa uma rica carreira que começou de um jeito bem particular: na Argentina. “Me mudei para lá em 1962, por razões familiares. Ao aparecer num programa de TV, despertei a atenção da CBS e gravei um disco quase todo com canções de minha autoria e só com músicos argentinos”, lembra. O álbum foi “Amor en Bossa Nova”, um marco no estilo e que ele viria a lançar no Brasil, já de volta, em 1964. De lá para cá, Bessa teve canções gravadas por Maysa, Agnaldo Rayol, Elza Soares, Alcione, Peri Ribeiro, Guinga e muitos outros. Hoje, faz shows solo no estilo que conhece melhor: com banquinho, violão e muita bossa.

Rubel lança segundo disco

Depois do sucesso de “Pearl”, de 2015, Rubel lançou “Casas”, seu mais recente álbum, no início de março. Com o single “Colégio”, sucesso nas plataformas de streaming, e as participações de Rincon Sapiência (em “Chiste”) e Emicida (em “Mantra”), o disco tem 14 faixas ao todo. Para marcar o lançamento, o artista publicou em seu perfil numa rede social uma terna homenagem ao pai, morto durante o processo de produção, e elogiou o apoio dos seus fãs: “Obrigado por acreditarem nesse sonho.”

OUÇA MAIS! O novo álbum de Rubel. 
ubc.vc/RubelCasas

Baco Exu do Blues, ou como meter o dedo em muitas feridas

Uma das grandes novidades recentes da música brasileira bebe nas fontes nobres de Chico Science, Racionais MCs ou Tim Maia, recheando suas letras de poesia e referências ao abismo social brasileiro, ao racismo e a outras mazelas da nossa democracia imperfeita. É o rapper baiano Diogo Montolvo, cujo nome artístico é Baco Exu do Blues, e que vem colhendo os frutos do seu primeiro álbum, lançando no terceiro trimestre do ano passado. Em “Esú” — nome que dá o tom da provocação religiosa, ao fazer um jogo de palavras com o nome Jesus, além de deixar espaço para canções como “Abre Caminho” e “Senhor do Bonfim” —, ele fala ainda de relações amorosas disfuncionais, como na forte “Te Amo Disgraça”, cita Almodóvar (“A Pele Que Habito”) e Jorge Amado (“Capitães de Areia”).

VEJA MAIS! O vídeo de “Facção Carinhosa”. 
ubc.vc/Faccao