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Hyldon: na rua, na chuva e no futuro

Com a cabeça a mil e cheios de novas criações, o cantor e compositor de 67 anos lança aos poucos as canções que comporão seu novo disco

por_ Alessandro Soler ∎ do_ Rio ∎ foto_ Yas Medyna

Com mais de 50 anos de carreira e 45 desde que lançou aquele que ficaria conhecido como seu maior sucesso, “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda (Casinha de Sapé)” — título também de seu primeiro álbum —, Hyldon parece manter intacto seu espírito experimentador. Com mais de 25 discos, entre compactos, compactos duplos, álbuns de estúdio e ao vivo e coletâneas, ele prefere nem fazer contas de quantas músicas escreveu ou gravou, de quantos parceiros musicais teve, de quantas gravadoras deixou. Sua cabeça está no futuro.

“Não gosto de ficar contando. Estou mais preocupado em produzir. Andei dando muito espaço entre um disco e outro, porque brigava com as gravadoras”, ri. “Hoje em dia quero andar com isso, estudar, tocar, manter o tesão do início.... Estou com 67 anos, cheio de gás, e já não tenho mais tempo a perder”, afirma o soteropolitano, catedrático em temas de soul, funk e MPB e que, numa rara concessão a tendências de mercado, começa a entregar em singles as canções do seu próximo álbum, “Amsterdã”. Com participações de Rappin’ Hood, Arnaldo Antunes, Thaíde, Zeca Baleiro e Mano Brown, a obra ainda não tem uma data fixa estabelecida para o lançamento.

O primeiro single, “Zondag em Amsterdã”, é uma homenagem à capital holandesa, de que o cantor e compositor desfrutou em diferentes ocasiões. “Em maio de 2017 passei uma temporada lá, me apaixonei. Comprei um violão lá, um Fender azul lindo, e nele compus a música. Voltei em setembro passado e gravei o clipe, o primeiro a ser lançado. Mas não é minha primeira homenagem a cidades, não. Tenho várias para a minha Salvador e também para o Rio”, esclarece.

Das 12 canções do novo disco, a única não inédita é “Vida Que Segue”, gravada por Gal Costa e lançada no seu álbum anterior, “A Pele do Futuro”. Nela e nas outras canções, acompanha Hyldon uma porção de jovens músicos talentosos. João Viana, “baterista maravilhoso”, é filho do Djavan. O baixista é Arthur de Palla. Márcio Pombo e Luiz Otávio tocam piano, e o primeiro também pilota os sintetizadores. Guilherme Schwab é o dono das guitarras.

Mas a batuta é de Hyldon, que se orgulha da produção independente. “Eu, graças a Deus, não dependo mais de gravadoras. Hoje, se você está sozinho, mas sabe fazer, fica mais flexível para poder negociar suas coisas.” A distribuição nas plataformas digitais será da OneRPM.

“O processo está sendo bom. Eu tenho tempo para fazer direito, sem ter que correr. Quando você grava um disco para terminar rápido, não se detém muito nos detalhes. Quando faz faixa por faixa, aquilo fica em produção até terminar. Estou toda hora mexendo, tendo uma ideia nova. A produção está viva”, compara o artista, cujo álbum anterior, “As Coisas Simples da Vida”, ainda foi lançado no formato tradicional: “O disco é como um livro, um filme: ele dura, é longevo. Estou fazendo achando que vai durar bastante, dando o melhor de mim. E chamei as pessoas que eu queria, que vão somar. O prazer de fazer é enorme. Fico até com pena de acabar.”