Natal • Rio Grande do Norte Domingo, 28 de novembro de 2021
Motores DO DESENVOLVIMENTO DO RN
2022 NOVO ENSINO MÉDIO IMPÕE DESAFIOS À EDUCAÇÃO PÚBLICA
ENTREVISTA REITOR DA UFRN: EVASÃO VAI IMPACTAR O ENSINO SUPERIOR
LEGADO ENSINO HÍBRIDO PODE SER ALIADO PARA REPOR PERDAS
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ALEX RÉGIS
O FUTURO DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA NO PÓS-PANDEMIA O Seminário Motores do Desenvolvimento apontou uma visão ampla sobre o cenário da educação e reflexões para nortear ações que tenham a educação como motor para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Especial traz entrevistas com Marcus Vinícius (Andifes), Denise Campos (Ânima) e José Henrique Paim (FGV). PÁGINA 2 A 20
VEJA MAIS Acesse pelo celular e confira vídeo com a cobertura do 36º Seminário Motores do Desenvolvimento do RN.
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O FUTURO DA
EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA
Futuro requer inclusão digital e novo modelo de ensino Seminário apontou uma visão ampla sobre o cenário da educação em todos os níveis e reflexões para nortear ações que tenham a educação como motor para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte eunindo autoridades empresariais, políticas, especialistas em educação, gestores e estudantes, a 39ª edição do seminário “Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte” colocou a educação no centro do debate apontando que, para repor as perdas que foram ampliadas com a pandemia, será preciso mais investimento em todos os níveis, mudança no planejamento pedagógico para diagnosticar as deficiências e acompanhar a recuperação das habilidades e competências dos estudantes, além de um novo olhar para inserir as novas tecnologias no ensino, utilizando-se dos aprendizados que o ensino remoto trouxe, inclusive a necessidade de reduzir as desigualdades, dando acesso à era digital a todos os alunos. Com o tema central “O Futuro da Educação e da Ciência no Pós-Pandemia”, o seminário foi realizado no Hotel Barreira Roxa, na última segunda-feira (22), pelo Sistema Tribuna do Norte, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte - FIERN, Sistema Fecomércio, Universidade Potiguar (UnP) e RG7 Salamanca Investimentos, com apoio do Governo do Estado e da Neoenergia Cosern. A utilização de ferramentas digitais no ensino remoto foi apontada pelos participantes como uma rica herança que a pandemia vai deixar, contudo, a governadora Fátima Bezerra destacou que ainda falta dar garantir o acesso a esse legado. “A exclusão digital ficou escancarada durante a pandemia que mostrou a dificuldade de acesso dos estudantes. É bom que se reflita que essa combinação do ensino presencial com o remoto veio para ficar. E acho que a reflexão cabe no sentido de entendermos que esse seja um dos legados mais importantes do pós pandemia. Daí a necessidade imperiosa de valorizar a educação a ciência, a tecnologia e a inovação”, defendeu Fátima Bezerra na abertura do evento. Ela anunciou investimentos da ordem de R$ 70 milhões para levar banda larga às escolas em 2022. O reitor da UFRN, José Daniel Diniz, enfatizou que a pandemia diexou importantes perdas na educação, seja no ensino básico ou superior e que não se pode pensar nos dois níveis separadamente. “Sabemos que a educação é o mais importante vetor para a redução das desigualdades sociais e econômicas e para o desenvolvimento sustentável de qualquer país e a responsabilidade social de cada um de nós indica que não podemos abrir mão do nosso futuro“, disse ele.
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Rumos da educação Além de avaliar o que foi e está sendo feito durante a pandemia dentro do sistema de ensino, seja público ou privado, especialistas também apontaram os rumos que a educação poderá seguir para reduzir as perdas. Nesse novo momento, a aprendizagem requer novas formas de organização do pensamento, com a saída da disciplina para o pensamento em rede, das conexões, de descobertas. Esse modelo foi defendido pe-
José Daniel Diniz fez abertura do Motores, que apontou para desafios como a inclusão digital, a redução das desigualdades e a implantação de novo modelo de ensino
Análises
Autoridades
Conheça as avaliações dos palestrantes do Motores do Desenvolvimento do RN sobre o tema debatido
Governadora Fátima Bezerra “Parabenizo a Tribuna, a Fecomércio e as demais entidades parceiras na escolha do tema que não poderia ser melhor para o momento. Temos grandes preocupações porque nosso estado tem que estar preparado para vencer o desafio das desigualdades sociais e educacionais que afloraram durante a pandemia. E será enfrentado com o fortalecimento do tripé educação, ciência e tecnologia. É fundamental a valorização desse tripé para retomarmos nosso fluxo de desenvolvimento e articulação com o setor produtivo”
Denise Campos – vice-presidente Acadêmcia da Ânima Educação
Marcus Vinícius David – Presidente da Andifes
Luiz Henrique Paim – ex-ministro da educação
“A educação combina com o tema ‘motor do desenvolvimento’. Nós estamos precisando reaprender a viver e a viver juntos. A educação é a força capaz de fazer isso, de transformar as pessoas, de fazer diferente, de repensar, de mover, de mudar”
“Gostaria de falar da importância de termos a oportunidade de, em um evento, estarmos reunindo o meio acadêmico, o setor produtivo e os governos locais. Isso é de uma riqueza muito grande e o caminho que oferece as oportunidades de desenvolvimento”
“Discutir o tema da educação associado ao desenvolvimento econômico é sempre muito importante porque na história do Brasil nem sempre a gente teve essa preocupação com o casamento da agenda do crescimento econômico com a da educação.”
la vice-presidente Acadêmica da Ânima, Denise Campos. “Ao invés de nos organizamos no sentido de disciplinas, de alguma maneira, vamos trazer pra pauta as questões do on demand, das nanoddegrees, do espírito de laboratório, que é mais ou menos estudar por nano ou minicursos que tenham começo meio e fim e competências claras a serem desenvolvidas nas três dimensões do conhecimento. E a diplomação, ou o curso, é um conjunto de certificações que permita uma agilidade no ingresso no mundo do trabalho”, pontuou a educadora. Denise Campos também apontou a necessidade da inclusão digital. “O uso de tecnologias estará presente nos ambientes virtuais e presenciais. Então, antes de mais nada, é preciso focar nas questões de discussão de acesso”, reforçou ela.
Da mesma forma, o presidente da Associação Nacional das Instituições Federais de Ensino (Andifes), Marcus Vinícius David, endossou que é preciso tornar perenes algumas tecnologias remotas que já estão sendo operadas no sistema de ensino. “Precisamos ser capazes de utilizar tecnologias, mas ao mesmo tempo resguardar a presencialidade no processo de aprendizagem”, frisou. Ele disse ainda que o retorno das aulas presenciais vai gerar desafios econômicos, pedagógicos e comportamentais na comunidade acadêmica. “Não é só mandar os alunos de volta para as salas de aula. Tivemos legados da experiência remota que estamos discutindo a incorporação de forma perene e não podemos abrir mão dessas tecnologias. Então, precisamos fazer uma adaptação para o amplo
retorno das atividades presenciais”, declarou Marcus Vinícius. Todas essas questões passam pelo viés da governança. Nesse aspecto, o ex-ministro da Educação, Luiz Henrique Paim, enfatizou que a gestão na educação é complexa devido a autonomia de cada ente, e, por isso, a União precisa estar apoiando para que esses entes respondam à temática e aos desafios da educação básica. “Precisa orientar e coordenar, sendo responsável também pelo sistema federal e regulador do sistema privado. Todo esse papel precisa ser mais claro, orgânico, funcional e colaborativo. Quando falamos de governança e futuro da educação, com os efeitos da pandemia, há uma série de aspectos que precisam ser colocados, dada a desigualdade social. Precisa pensar em reduzi-la”, disse Paim.
José Daniel Diniz – reitor da UFRN “Sinto-me honrado por representar uma instituição que se tornou parceira do Motores desde a sua primeira versão. Com a convicção de acreditar no progresso do nosso estado, a despeito das dificuldades que atualmente são enfrentadas, tenho a certeza de que esta foi uma oportunidade rica para discutir o tema educação e ciência nesse momento de crise. A atividade educacional e a ciência não cessaram. Há nisso, certamente, um gesto de resistência que é necessário valorizar”
Marcelo Queiroz – presidente da Fecomércio/RN “O Motores do Desenvolvimento tem acontecido sempre discutindo temas importantes com palestrantes de mais alto nível. Com o tema educação não poderia ser diferente, com Henrique Paim, Marcus Vinícius, Denise Campos, que trazem a experiência, a visão deles e orientações sobre o que podemos fazer nesse momento em que a educação e a ciência está tão comprometida devido a forte pandemia que estamos passando” TIAGO ROCHA
Júlio Giraldi - Superintendente de Relacionamento com Clientes da Neoenergia Cosern “Parabenizar a todos pelo evento. Nós da Neoenergia Cosern acreditamos que educação e ciência são pilares que vão tracionar a retomada da econômica no pós-covid-19. A gente acredita muito na educação e na ciência, tanto que temos bolsas de estudo para o Brasil e todo o mundo e programas o do ponto de vista de ciência temos programas de investimento não só no futuro da rede elétrica mas também projetos para a descarbonização do planeta”
EXPEDIENTE Diretor de Redação: Everton Dantas
Gerente Comercial: Aluênia de Medeiros Alves
Edição: Margareth Grilo
Textos: Claudio Oliveira
Fotos: Alex Régis/Arquivo TN
Projeto gráfico e diagramação: Carlos Bezerra
Infografia: Carlos Bezerra
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O FUTURO DA
EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA
SEEC usará diferentes planos pedagógicos na rede estadual Com o retorno presencial, o desafio é atender os alunos que estão de volta às escolas, mas, dado o grau de defasagem e o nível de evasão, é necessário aplicar planos de trabalhos diferentes conforme as deficiências as escolas estaduais existe a preocupação em trazer de volta os alunos para as escolas, descobrir a razão que os mantém afastados e oferecer condições para que permaneçam estudando. A identificação daqueles que deixaram de acompanhar as aulas remotas e, agora, de retornar às atividades presenciais tem sido feita pelo programa “Busca Ativa”, estratégia do Unicef composta por uma metodologia social e uma ferramenta tecnológica disponibilizadas gratuitamente para estados e municípios. O programa identifica o aluno, georeferencia através das informações das escolas e, dessa forma, o assistente social ou o agente de saúde pode encontrá-lo e descobrir qual é a situação desse aluno e qual é a melhor forma de trazê-lo de volta, resolvendo o problema existente se possível. “Assinamos ainda em 2019 o convênio com o Unicef para identificar alunos que se evadem, que se reprovam e saber o porquê não vêm para a aula e começamos a aplicar durante a pandemia. Está sendo feito esforço junto com os municípios para ir em busca dos que não estão vindo, se é porque tem algum problema de saúde, porque mudou de cidade, porque mudou de escola, para, a partir desse levantamento, entrar a parte da assistência social e a área de saúde.”, explicou o secretário de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer (Seec), Getúlio Marques. Com o retorno presencial, corrido no mês de outubro, o desafio também é atender àqueles que estão de volta às escolas, contudo, o grau de defasagem e o nível de evasão só será possível conferir com maior segurança no final do ano, segundo o se-
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A identificação dos alunos que abandonaram as aulas remotas e não retornaram às atividades presenciais tem sido feita pelo “Busca Ativa”, estratégia do Unicef
cretário, aplicando planos de trabalhos diferentes de acordo com as deficiências. “Nosso trabalho agora é ter um plano de educação para os que já estão na escola. Com esse retorno, precisaremos fazer avaliação de diagnóstico com outros que não tenham tido acesso às atividades remotas. Só poderemos ter o balanço no final do ano”, explicou Getúlio Marques. O Sigeduc (Sistema Integrado de Gestão da Educação) traz ferramentas para a gestão escolar e dá suporte a diversas atividades, desde freqüência das aulas, até acesso aos pais e professores. Os professores criam sa-
las de aula virtuais na plataforma que foram utilizadas para as aulas remotas. Porém, dos 222 mil alunos matriculados neste ano, cerca de 30 mil não acessaram o Sistema. “Esse é um número de aferição, mas é relativo porque podem ter acessado outros meios, como as atividades impressas ou outras formas remotas de aula, externas ao sistema. Mesmo entre os 180 mil que acessaram, um grupo de 20 mil ficou abaixo da média de frequência. Consideramos que esse grupo precisa de apoio tecnológico. Cerca de 20% a 25% precisará de apoio tecnológico”, avaliou o secretário.
SME Natal orienta para busca de estudantes faltosos Depois de um ano e meio com a interrupção de aulas presenciais, a Secretaria Municipal de Educação de Natal (SME) concluiu a retomada presencial das turmas, contudo, já percebeu a baixa freqüência de alguns deles e planeja como trazer esses alunos de volta à escola. Concluído em junho, o ano letivo de 2020 aconteceu exclusivamente no formato não-presencial desde o início da pandemia, lançando mão de diversas estratégias metodológicas para atender todos os alunos diante das limitações de cada realidade. A Secretária Adjunta de Gestão Pedagógica da SME, Naire Capistrano, relembrou que o ano letivo de 2021 teve início no último dia 7 de julho ainda no formato não-presencial e só poderia concluir dados sobre
a evasão quando o retorno de todas as escolas ocorresse de forma presencial. “Não temos os dados fechados em relação à evasão, entretanto podemos antecipar que na rede já foi identificada a não assiduidade de estudantes”, disse ela. A partir do dia 14 de julho, o ano letivo 2021 passou a ocorrer de forma híbrida com atividades presenciais e não presenciais concluindo o retorno neste formato no dia 1º de setembro, que ocorreu para os Anos Finais (6º ao 9º ano) do Ensino Fundamental, inclusive na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA), seguindo o Protocolo para Retorno das Atividades Escolares na Rede Municipal de Ensino de Natal. Como a baixa freqüência de alguns está sendo monitorada,
a secretária disse que, neste momento, a ação mais efetiva é o atendimento presencial. O número de matrículas aumentou significativamente a partir da abertura das unidades de ensino para atender presencialmente os estudantes, segundo ela. “O controle e a busca devem ser atitudes freqüentes ao primeiro sinal de abandono ou ausências contínuas. A orientação da SME, junto aos gestores das unidades de ensino, é, no momento que o professor perceber a não assiduidade, entrar em contato com o estudante ou o responsável para buscar esclarecimentos sobre a situação e, na ocasião, já orientar para reverter o contexto desfavorável”. Quando não conseguir esse contato, ou no caso de constatar
Uma das medidas, segundo o secretário, é levar internet banda larga gratuita para escolas de 40 cidades do interior através da SEEC, de modo que os alunos consigam acessar a rede também em casa. “Estamos fazendo contrato para que todos os municípios tenham banda larga paga pela secretaria. A torre da escola transmitirá até 15km beneficiando cerca de 82 mil alunos. Vamos começar a usar ferramentas antes não usadas por falta de capacitação de professores ou de recursos e os alunos usarão moldem para ter acesso em casa”, prevê Getúlio Marques.
situação de vulnerabilidade, a orientação é procurar o Conselho Tutelar imediatamente. Considerando o atual cenário da covid-19 em Natal e o Protocolo para Retorno das Atividades Escolares, a rede municipal de ensino de Natal tem autorização para atender as crianças em sistema de rodízio, respeitando 1,5 de distanciamento entre as cadeiras e atender a todas as crianças público-alvo da Educação Especial. “Reconhecemos que, em breve, haverá ampliação do número de estudantes atendidos. O retorno de forma 100% presencial vai depender da queda nos números da covid19, e conseqüentemente na melhora da pandemia”. A Rede atende hoje 55 mil estudantes, soma-se a este universo 2.000 professores, 777 educadores infantis, 2.062 funcionários, 517 estagiários, divididos em 74 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) e 72 Escolas de Ensino Fundamental.
Assinamos ainda em 2019 o convênio com o Unicef para identificar alunos que se evadem, que se reprovam e saber o porquê não vêm para a aula e começamos a aplicar durante a pandemia.” GETÚLIO MARQUES secretário de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer (Seec)
Escolas municipais registram baixa frequência nas turmas
O controle e a busca devem ser atitudes freqüentes ao primeiro sinal de abandono ou ausências contínuas.” NAIRE CAPISTRANO Secretária Adjunta de Gestão Pedagógica da SME
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O FUTURO DA
EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA
Novo Ensino Médio impõe desafios à educação pública No novo ensino médio, que entra em vigor em 2022, a maior novidade são os itinerários formativos. Eles foram estabelecidos por áreas de conhecimento, similar ao que acontece no Enem, e são optativos partir de 2022, o Ensino Médio sofrerá mudanças em todas as escolas do País, passando a oferecer a modalidade de ensino que desobriga o estudo de alguns componentes curriculares e direcionando para a formação técnica e profissional. Contudo, também poderá se tornar mais um desafio para garantir ensino público de qualidade aos jovens porque nem todas as escolas poderão oferecer os cinco itinerários de formação previstos que consistem em linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, ciências humanas e sociais aplicadas e formação técnica e profissional. Esses itinerários começam a ser ofertados em 2022, mas só serão obrigatórios a partir de 2023. Em entrevista à Tribuna do Norte, o Professor Dante Henrique Moura, Doutor em Ciências da Educação, apresentou uma avaliação negativa alegando que as escolas não têm condição de oferecer o novo modelo do ensino e que os estudantes de escolas públicas sofrerão mais, seja pela mudança do itinerário, ou pela redução da carga horária referente aos conhecimentos gerais das quatro áreas do ensino médio. “Vai haver uma exacerbação, uma radicalização da diferença do ensino na escola pública e na escola privada. Porque a escola pública vai ser obrigada por força legal e do financiamento a implantar a reforma. Além de ser um problema de definição precoce porque o aluno precisa escolher o itinerário formativo logo no primeiro ano, tem outros aspectos muito preocupantes”, pontuou. Ele frisou que, se todas as escolas não conseguirem oferecer cinco opções de itinerários formativos, o estudante não terá o protagonismo de escolher entre cinco, como prevê a lei. Neste sentido, as escolas precisarão se esforçar para tentar amenizar
Novo modelo deve ampliar oportunidades
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A rede estadual já oferta educação profissional em nove centros, que terão expansão prevista em 2022 com a construção dos IERNs
os prejuízos. “Com esses conteúdos que estão sendo subtraídos da ciência, das letras, das artes, as escolas vão precisar compensar essas perdas dentro dos itinerários”, sugeriu o professor. O secretário estadual de Educação e Cultura do Rio Grande do Norte (SEEC/RN), Getúlio Marques, diz que há um equívoco na interpretação do oferecimento dos cinco itinerários. “O aluno poderá escolher dentre aqueles que a escola oferecer. Acho que em nenhum estado todas as escolas ofertarão os cinco. Cada município tem que ofertar pelo menos dois. Temos 133 cidades que só têm uma escola de Ensino Médio e não tem como oferecer tudo numa só. Va-
mos oferecer, pelo menos, dois em cada município”, disse ele. Segundo o secretário, municípios maiores que tiverem escolas maiores poderão ter uma diversidade maior e em diferentes escolas. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, componentes curriculares como geografia, filosofia, sociologia, história, biologia, física e química deixam de ser obrigatórios e passam a ser estudadas no novo Ensino Médio a partir das demandas dos alunos. Somente as disciplinas de matemática, língua portuguesa e inglês deverão ser trabalhadas obrigatoriamente ao longo dos três anos. Os estudantes que não optarem por nenhuma das quatro
áreas do conhecimento poderão ingressar na formação técnica e profissional diretamente. O itinerário alternativo tem a proposta de desenvolver programas educacionais para promover a qualificação profissional dos estudantes de forma efetiva visando a atuação no mercado de trabalho sem necessariamente passar por uma universidade. De acordo com as diretrizes do MEC, neste módulo são levadas em consideração ainda o contexto local e as possibilidades de oferta de projetos de vida e carreira. “Estamos trabalhando a possibilidade de trabalharmos a educação técnica em todas as escolas de ensino médio do Estado. Fizemos discussões com diversas en-
tidades e alunos e estamos dentro dos prazos estabelecidos pelo Ministério da Educação para começarmos a aplicar em 2022 para os alunos que estarão chegando no primeiro ano do Ensino Médio”, disse Getúlio Marques. A rede de ensino estadual do RN tem 588 escolas em todos os 167 municípios potiguares, conforme dados do Censo Escolar 2020. Além dos 22 institutos federais (IFRNs), a rede estadual mantém nove centros de educação profissional, com previsão de expansão para 23 unidades de ensino técnico até o fim de 2022, a partir da construção de 12 novas escolas, chamadas de Instituto Estadual do RN (IERN).
O presidente do Sistema Fecomércio/RN, Marcelo Queiroz, defende que o novo ensino médio vai ampliar as oportunidades para a juventude. “Entendo que o novo ensino médio vem com uma proposta de aproximar o ensino profissional do ensino regular, ampliando as possibilidades dos nossos jovens. A implementação devida dessa proposta certamente trará ganhos”, destacou. A Fecomércio executa um dos braços do Sistema S através do Serviço Social do Comércio (Sesc) e dentro do Sistema S as escolas também precisarão aderir à nova formação do segundo grau. Nas Escolas do Sesi (Serviço Social da Indústria), por exemplo, as equipes de educação já estão passando por capacitações que apresentaram novas formas de trabalho pedagógico, promovendo uma reflexão sobre os novos contextos dos processos de aprendizagem e a necessidade de adequação da prática docente para esta mudanças de cenários. O Sesi e o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) têm trabalhado juntos com turmas piloto, no contexto de implantação do novo ensino médio, propiciando além do ensino regular um curso profissionalizante aos alunos que dele fazem parte. “As turmas têm demonstrado boa evolução, considerando que já partem de um ensino com qualidade para, principalmente, português e matemática, disciplinas cruciais para as áreas que atuamos e que em condições normais muitas vezes precisamos fazer nivelamento de conhecimentos. A expectativa, a depender das orientações do Departamento Nacional e normas federais, é que aumentemos esta demanda nos próximos anos”, explicou o diretor regional do SenaiRN, Emerson Batista.
‘Nova Escola Potiguar’ promete ensino de excelência para os jovens Com várias ações estruturantes, o projeto “Nova Escola Potiguar” (PNEP) é a aposta do Governo do Estado que promete um investimento de R$ 400 milhões em construção física de novas escolas, reformas, aquisição de equipamentos, capacitação e formação continuada dos educadores, e redução do analfabetismo. Desse valor, cerca de R$ 70 milhões serão direcionados para levar banda larga às escolas. “Teremos, no Rio Grande do Norte, escola pública estadual de qualidade e excelência para juventude, além do IFRN”, disse a governadora Fátima Bezerra ao apresentar o detalhamento do PNEP. O secretário de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer (Seec), Getúlio Marques explicou que R$ 110,5 milhões de recursos próprios e os outros R$ 280 milhões são re-
ferentes à diferença que o Governo Federal não repassou quando da transformação do Fundef no atual Fundeb. “O programa já estava no Plano de Governo da governadora antes da pandemia, quando previa aumentar o número de escolas profissionalizantes e a melhoria da infraestrutura das escolas”, disse ele. O plano contempla a criação do 12 Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (IERN) até o final de 2022, nos municípios de Alexandria, Areia Branca, Campo Grande, Jardim de Piranhas, Mossoró, Natal, Santana do Matos, São José de Mipibu, São Miguel, Tangará, Touros e Umarizal, que deverão doar terreno com área mínima de 8.500 metros quadrados. Os 11 Centros Estaduais de Educação Profissional (CEEPs)
serão transformados em IERNs. Serão recuperadas, reformadas e equipadas 182 escolas e outras 10 serão construídas. “É um novo conceito na educação estadual, seja na arquitetura sustentável das novas escolas, com energia solar fotovoltaica e reuso de água, seja na proposta pedagógica centrada no ensino integral, com protagonismo dos alunos, formação de professores e mediação tecnológica no processo ensino aprendizagem”, destacou o secretário. Dentro da tônica do projeto, o secretário prevê a compra de 3.200 chromebooks, com carrinhos que comportam cerca de 30 máquinas dessas para serem distribuídos nas escolas. “Vamos capacitar 400 profissionais que serão multiplicadores. Levar esses equipamentos aos alunos é uma forma de aumentar neles o
Nos Centos de Educação Profisisonal (CEEPs), os alunos já têm aulas práticas em laboratórios
interesse de estarem nas escolas”, sugere o Getúlio Marques. Ao sistema, será implantado o programa “Geração Conectada” (GC), reunindo programas pedagógicos com foco na inovação e no uso das Tecnologias da
Informação e da Comunicação (TICs); capacitação dos profissionais em educação; compra de mobiliários, equipamentos de tecnologia da informação para modernização da gestão escolar, com adoção de ferramentas e
metodologias que contribuam no fluxo das atividades pedagógicas e administrativas; compra e manutenção de veículos para transporte escolar e efetivação de políticas públicas de combate e superação do analfabetismo.
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O FUTURO DA
EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA
« ENTREVISTA : JOSÉ DANIEL DINIZ MELO » «
REITOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)
“Perdas e evasão na educação básica impactarão na formação superior” José Daniel diz que as perdas na aprendizagem da educação básica durante a pandemia vão impactar na formação superior em longo prazo, em especial, por causa da evasão definição sobre o retorno das aulas presenciais na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) ainda não aconteceu e, assim como a adoção do modelo híbrido para o pós-pandemia, depende de planejamento e diálogo constante com a comunidade universitária. O reitor José Daniel Diniz Melo abriu a 39ª edição do seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte na última segunda-feira (22) e enfatizou a preocupação com as perdas na aprendizagem da educação básica durante a pandemia da covid-19, isto porque, essa perda vai impactar na formação superior dos próximos anos se nada for feito, especialmente no tocante à evasão escolar, que apesar de ter diminuído na UFRN, na educação básica aumentou. Por outro lado, o corte no orçamento da universidades é um grande desafio apontado pelo reitor para a retomada do ensino e também para o desenvolvimento do estado e do país, já que uma coisa está diretamente relacionada a outra.
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Qual a maior dificuldade que o senhor aponta para o futuro da educação diante do atraso provocado pela pandemia?
As perdas na educação básica impactarão também na
educação superior, em médio e longo prazo. Não há como tratar esses níveis de maneira descolada. A evasão é outro problema que poderá causar conseqüências desastrosas se não forem enfrentadas, visto que indicadores apontam para uma regressão de dez anos na educação básica. Isso compromete o futuro do nosso estado e a oportunidade de um crescimento profissional para os potiguares. A universidade registra um índice alto de evasão?
Na UFRN, devido ao contexto da pandemia da covid-19, o Consepe regulamentou, temporariamente, a suspensão de cancelamento de cursos por abandono, decurso de prazo ou insuficiência de desempenho acadêmico. Nessa perspectiva, registramos uma redução na quantidade de evasão, já que, em 2019.1, tivemos 2.447 alunos evadidos e, em 2021.1, 740. Também tivemos um aumento na quantidade de matrículas, visto que no período de 2019.1 houve 26.492 matriculados e chegamos a 28.216 estudantes matriculados, em 2021.1. O senhor relacionou a educação com o futuro e o crescimento profissional. O desenvolvi-
mento econômico dialoga diretamente com a educação?
Vejo que estão necessariamente atrelados. Não existe desenvolvimento socioeconômico em nenhum lugar do mundo sem o crescimento e fortalecimento da educação. Penso que é isso que precisamos reforçar, mostrando a necessidade de mais investimentos da educação para que o país possa evoluir. Falando em investimento, o cenário é confortável, do ponto de vista orçamentário?
Os desafios orçamentários afetam gravemente a rede das universidades federais brasileiras, visto que as instituições enfrentam reduções desde 2014, com o agravamento da situação ano após ano, atingindo despesas essenciais para o funcionamento das atividades acadêmicas e administrativas, como os pagamentos de contratos de terceirização e despesas de energia elétrica. Na UFRN, por exemplo, o orçamento de capital deste ano chegou a zero, o que significa a indisponibilidade para a continuidade de obras e para compra de equipamentos e materiais permanentes necessários ao funcionamento da instituição. O que tem sido feito para repor o orçamento que foi reduzido?
A UFRN integra a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que vem trabalhando para restabelecer o orçamento de 2019, com correções pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O que a sociedade tem a ganhar quando se valoriza o ensino superior, a ciência e a pesquisa?
O desenvolvimento socioeconômico de uma nação tem como base a educação e a ciência. Podemos citar, de forma bem prática, a importância da atuação das universidades públicas brasileiras na pandemia da covid-19, que vêm auxiliando nosso país com diversas ações, como vacinação, testagem, pesquisas científicas, produção de material informativo, atendimento hospitalar, entre outras iniciativas.
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As perdas na educação básica impactarão também na educação superior, em médio e longo prazo. Não há como tratar esses níveis de maneira descolada. A evasão é outro problema que poderá causar conseqüências desastrosas, se não forem enfrentadas.”
Quais os desafios que a UFRN enfrenta para a retomada das atividades presenciais?
Nossa retomada presencial ocorre de forma gradativa. As atividades acadêmicas práticas vêm sendo realizadas desde novembro de 2020, se aprovadas pelas instâncias universitárias e asseguradas as condições de biossegurança. O trabalho presencial técnico-administrativo também vem sendo retomado de forma gradual
A universidade pretende adotar ou reforçar o ensino híbrido?
Para os próximos períodos letivos, seguimos realizando o planejamento, em diálogo com as representações de estudantes, técnicos e professores; ouvindo as Direções de Centro, Instituto e Unidade Acadêmicas Especializadas sobre o que é discutido nos colegiados dos cursos e plenárias de departamentos; bem como com a assessoria do Comitê covid-19. Qualquer decisão sobre o modelo de ensino ocorrerá após amplo debate e deliberação do Consepe. Qual a importância de se colocar a educação no centro dos debates nesse momento de retomada da economia, como ocorreu no Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte?
Neste contexto, a UFRN vai retomar 100% das aulas presenciais em 2022?
Esperamos evoluir com as aulas presenciais. Nosso próximo semestre inicia no final de março e esperamos que a pandemia nos permita que o próximo semestre seja presencial. Os estudantes, a comunidade universitária querem isso. Para o próximo ano letivo de 2022 a instituição de ensino segue realizando planejamento, em diálogo constante com a comunidade universitária e com a assessoria do Comitê Covid-19, formado por especialistas em virologia, medicina do trabalho, infectologia e pneumologia.
e segura, com avanço maior em setembro de 2021, quando ocorreu o retorno presencial dos gestores, seguido das equipes. Nessa perspectiva, um grande desafio é a vacinação da comunidade universitária, que é fundamental para garantir a segurança de todos.
Vejo que estão necessariamente atrelados. Não existe desenvolvimento socioeconômico em nenhum lugar do mundo sem o crescimento e fortalecimento da educação. Penso que é isso que precisamos reforçar, mostrando a necessidade de mais investimentos.”
Ao propor a discussão do “Futuro da educação e da ciência no pós-pandemia”, nossa intenção é colocar a temática em destaque e possibilitar que diversas representações da sociedade, que participarão do evento, possam analisar e construir, coletivamente, soluções para a educação e a ciência do nosso estado e do nosso país. O “Motores do Desenvolvimento” discute temas importantes para o desenvolvimento do estado há 14 anos e a educação é o tema mais atual do momento. Sabemos como foi penalizada neste período de pandemia, as dificuldades enfrentadas em todos os níveis desde a educação básica até a superior. Por isso viemos com a missão de debater os temas, com experiências trazidas por palestrantes de peso e esperamos que as discussões tenham contribuído para o estado enfrentar esse momento ainda tão difícil de retomada.
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O FUTURO DA
EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA
Qualificação profissional transforma realidades Ligado ao Sistema Fecomércio, o Senac forma profissionais para atuar no comércio de bens, serviços e turismo. Nos últimos quatro anos, foram 15 mil matrículas ofertadas gratuitamente DIVULGAÇÃO
e a educação, por si só, é base para o desenvolvimento do cidadão, quando aliada à qualificação profissional, transforma a realidade de quem a recebe e melhora os serviços prestados nas mais diferentes áreas. Para tanto, pode contar com entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), ligado ao Sistema Fecomércio, que trabalha na formação de profissionais para atuarem nos segmentos do comércio de bens, serviços e turismo. De acordo com o Diretor Regional do Senac/RN, Raniery Pimenta, nos últimos quatro anos, foram cerca de 15 mil matrículas ofertadas gratuitamente, dando acesso à educação profissional de qualidade para pessoas cuja renda familiar mensal per capita não ultrapasse dois salários mínimos. “Esses números representam milhares de pessoas que, muitas vezes, não tinham qualquer perspectiva de um futuro profissional ou meios de geração de renda, mas, a partir de um curso de qualidade, tornam-se aptos a entrar no mercado de trabalho, empreender em seu próprio negócio e contribuir com a geração de emprego e renda”, destacou Raniery. Com unidades em Natal, Mossoró, Assú e Caicó, além do Hotel-Escola Senac Barreira Roxa, complexo que conta com ho-
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Senac faz, em média, 20 mil matrículas, por ano, nas suas quatro unidaddes, num vasto leque de opções que inclui novas tecnologias
tel, restaurante, centro de eventos e centro de ensino, a entidade executa uma média de 20 mil matrículas em cursos de qualificação profissional num vasto leque de opções de capacitações em diversas áreas, como beleza, saúde, idiomas, gastronomia, turismo e hospitalidade, Tecnologia da Informação, dentre outras. “Também podemos atender a todo o estado com ações das nossas unidades móveis, ou por
meio de parcerias com as prefeituras e entidades”, disse ele. Além das opções de qualificação profissional ofertadas, o Senac/RN tem investido em diversas ações e projetos com foco no desenvolvimento do Turismo do Estado. Por meio do Projeto Verena, uma parceria internacional de cooperação entre o Sistema Fecomércio/RN e a Câmara de Comércio de Trier (EIC Trier), na Alemanha, a ins-
tituição tem colaborado com a promoção turística local, com implantação de programas como o DEL Turismo em polos turísticos do Rio Grande do Norte. O Verena é executado através do Senac e o governo do estado alemão da Renânia-Palatinado. “Além disso, na área de turismo, gastronomia e hospitalidade, segmentos protagonistas na economia potiguar, dispomos do Senac Barreira Roxa, uma estrutu-
ra moderna com ambientes que simulam cenários reais de mercado. Somente no Barreira Roxa temos uma capacidade para mais de 2 mil matrículas por ano”.
Na pandemia, sala virtual manteve capacitações Durante a pandemia, assim como as outras instituições de ensino, o Senac precisou suspender as capacitações presenciais e lançou a Sala de Aula Virtual, que
funciona como uma extensão da sala de aula presencial, através da ferramenta Microsoft Teams. Nela, os alunos já estão cadastrados dentro das suas turmas, no mesmo horário da aula presencial, com seu instrutor e pedagogo que acompanha todo o processo. “Cerca de seis mil alunos tiveram acesso ao novo recurso. As equipes pedagógicas analisaram e definiram como cursos possíveis de serem continuados de forma online, os que contém unidades curriculares teóricas aptas para serem trabalhadas remotamente”, explica o diretor regional do Senac/RN. Segundo ele, a entidade se preparou para o atual cenário, porém, pela natureza de alguns cursos que são desenvolvidos com 100% de prática como os das áreas de Beleza e Gastronomia – no primeiro momento, nem todas as capacitações puderam ser adaptadas ao ambiente virtual. “Diante disso, a instituição elaborou conteúdos didáticos para os alunos que não foram contemplados na Sala Virtual. Esse material serviu de apoio para manter o aluno estudando e preparado para o retorno das aulas presenciais”, contou Raniery Pimenta. Mesmo após encerrado o período de quarentena, as opções de aulas na Sala Virtual foram mantidas de forma extensiva em algumas áreas, como a de Idiomas, por exemplo, disponibilizando aulas nas modalidades presencial e remota. Além das adaptações operacionais, o Senac investiu em um planejamento estratégico para atender o mercado profissional no cenário do póspandemia. “Atualmente, em nosso portfólio, em cada 10 cursos ofertados, 6 não existiam antes da pandemia. Como uma instituição que educa para o trabalho, priorizamos investir em capacitações que atendam as necessidades atuais de cada segmento atendido”, explicou o diretor.
« ENTREVISTA : MARCELO QUEIROZ » « PRESIDENTE DO SISTEMA FECOMÉRCIO/RN »
“Melhorar a dinâmica de ensino, capacitando profissionais, é uma necessidade” A Fecomércio tem forte atuação na educação, inclusive profissionalizante. Quais os ganhos para os cidadãos com o trabalho da entidade?
O papel do Sistema Fecomércio RN, além de fomentar a economia do estado e dar suporte aos empresários, passa também por auxiliar o crescimento social dos comerciantes e comerciários, seus dependentes e de toda a sociedade. E a educação é o caminho. Por isso, através do Sesc e do Senac, contribuímos para impulsionar a educação no nosso estado. Como garantir que essa formação dos trabalhadores pode contribuir para melhorar suas vidas e desenvolver a economia?
A educação está diretamente ligada a quantidade de opor-
tunidades que uma pessoa tem acesso no seu processo de desenvolvimento profissional e pessoal. Eu diria que é um ciclo: se você tiver uma educação de qualidade, estiver capacitado, estará mais próximo de oportunidades de trabalho e de geração de renda. Do ponto de vista das empresas, colaboradores mais capacitados permitem que tarefas sejam desenvolvidas com maior eficiência, garantindo uma melhor experiência para os clientes, fidelizando os consumidores e, muitas vezes, reduzindo custos. Para o Rio Grande do Norte, um estado com uma enorme vocação turística, ter profissionais qualificados se reflete diretamente na qualidade dos serviços prestados e no nível de satisfação que os visitantes terão, como apontam as pesquisas que
para os ensinos infantil, fundamental e EJA (Educação de Jovens e Adultos) para os quase 2.100 potiguares que estudam nas nossas sete escolas em Natal, Macaíba, Mossoró, Caicó, Nova Cruz e São Paulo do Potengi, sendo mais de 850 de forma gratuita. Além disso, já encaminhamos mais de 50 estudantes do nosso estado para a Escola Sesc de Ensino Médio, no Rio de Janeiro, escola de referência no país, atuando no formato residência e inteiramente gratuita, com capacidade para atender até 500 estudantes nas três séries do Ensino Médio. Ou seja, atingimos os potiguares desde a educação infantil até o ensino profissionalizante, ajudando na formação desse cidadão. O que esperar dos Governos para garantir educação de qualidade e mais incentivo à ciência?
temos desenvolvido por meio do nosso Instituto. Na sua visão, a educação profissional é um dos caminhos para a retomada da economia pós-pandemia? Por quê?
Como eu disse, quanto mais conhecimento, mais próximo de oportunidades essas pessoas estarão. E temos trabalhado para expandir e democratizar o acesso ao ensino profissional no nosso estado. A pandemia aumentou o número de desempregados no Rio Grande do Norte. Ho-
je, segundo dados do IBGE, totalizamos mais de 430 mil desempregados ou desalentadados (aqueles que desistiram de procurar trabalho) no nosso estado. Em 2019, antes da Pandemia, esse número era de 352 mil, ou seja, tivemos um aumento de 13,6%. São pessoas que precisam de apoio para que possam encontrar oportunidades de geração de emprego e renda. Por isso, especialmente através do Senac, temos dado uma importante contribuição. Desde o iní-
cio da Pandemia, já foram disponibilizadas mais de 10 mil vagas em ações gratuitas com foco na preparação de pessoas para o mercado e novas oportunidades do momento que temos vivido. Foram cursos técnicos, de biossegurança, capacitações nas áreas de vendas, marketing digital, dentre outros. Além do Senac, qual o trabalho desenvolvido pelas escolas SESC?
O Sesc, o lado social do Sistema Fecomércio, oferece educação
O Governo, nas suas três esferas, deve voltar os seus olhares para a educação, desde a estrutura física das escolas até a capacitação dos professores e investimento em pesquisas. Eu entendo que trabalhar em ações para melhorar a dinâmica de ensino, mais uma vez, capacitando os profissionais, para que o aluno que está na sala de aula seja atraído pelo conteúdo e se mantenha nos estudos é uma necessidade. Implementação de novas metodologias e ferramentas faz parte desse processo.
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O FUTURO DA
EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA
« ENTREVISTA : MARCUS VINÍCIUS DAVID » « PRESIDENTE DA ANDIFES, E REITOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA »
“Não podemos renegar o legado da experiência remota” Marcus Vinícius David afirma que a crise da pandemia da covid-19 terminou por criar soluções positivas. Uma delas é o legado remoto no sistema de ensino que não deve ser renegado durante o retorno presencial obre os desafios da educação, ciência e tecnologia no pós-pandemia o Presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino (Andifes), Marcus Vinícius David, Reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), falou com autoridade na 39ª edição do Seminário “Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, que aconteceu na última segunda-feira (22), com o tema “O futuro da Educalção no Pós Pandemia”. Ele enfatizou que, apesar do desafio das universidades públicas ser mais complexo do que na educação básica quanto ao retorno presencial, a crise da pandemia da covid-19 ajudou a criar todo um legado remoto no sistema de ensino que não deve ser renegado. Pelo contrário. Segundo disse, deve ser utilizado como uma solução positiva. Mas Marcus Vinícius vai além e pontua que há ainda o desafio comportamental, uma vez que o confinamento e o medo da pandemia afetou a saúde mental da população. E mais uma vez, a redução no orçamento do ensino superior foi lembrado porque também dialoga com o acesso ao ensino superior, o desenvolvimento econômico e a capacidade do País em enfrentar crises como a trazida pela pandemia.
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O Ensino híbrido deve permanecer nas universidades públicas no pós-pandemia?
Temos todo um legado de ensino remoto e precisamos fazer ampla adaptação para o retorno das aulas presenciais nas universidades. A pandemia nos deu soluções positivas. No momento que oferecemos aulas remotas criamos uma rede de universidades federais onde um aluno pode se matricular em disciplina remota de uma universidade de outro estado. Começamos com quatro e estamos com 17 e a expectativa é todas no ano que vem. Uma disciplina remota tem esse potencial, o processo de mobilidade digital. A grande questão é se seremos capazes de aproveitar as potencialidades da experiência remota. Creio que isso vai ocorrer, teremos mudanças.
QUEM Marcus Vinícius David, graduado em Economia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1988) e em Direito pelo Instituto de Ciências Jurídicas e Sociais Vianna Júnior (1989). Mestre em Administração pela COPPEAD da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994) e doutor em Administração pela Universidade Federal de Lavras. Reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino (Andifes).
E quais os próximos passos?
A próxima etapa é a retomada das atividades presenciais e não é só mandar os alunos de volta para as salas de aula. Tivemos legados da experiência remota e não podemos abrir mão dessas tecnologias.
Como foi essa migração?
As universidades públicas têm acesso democratizado, todos os segmentos sociais têm acesso à universidade com 70% dos alunos da rede universitária federal vem de um segmento em que a renda per capita é inferior a 1.5 salário mínimo. Então, sentimos a necessidade de transformar o ensino remoto mas não ser excludente, de modo a criar condições para que esses alunos continuassem participando e tendo acesso a esse ensino de qualidade. Uma série de medidas de inclusão desses alunos chegou a ser adotada. Fizemos esse desafio e transformamos a educação de alta qualidade em educação remota.
so projeto de nação passa por criar uma indússtria com capacidade de competição global, fundamentado em tecnologias temos que reverter esse sistema.
De que forma isso vai ocorrer?
Os desafios para a educação superior nessa retomada são econômicos, pedagógicos e comportamentais. Temos uma situação diferente da educação básica, onde o aluno mora no bairro da escola. Na educação superior ele mora muitas vezes há 2 mil quilômetros da universidade onde faz o curso. Não podemos virar para o aluno e dizer que viaje essa distância para assistir aula uma vez na semana. Isso gera problemas econômicos e problemas de amplo movimento de mobilidade. Então, precisamos fazer uma adaptação para o amplo retorno das atividades presenciais. Gran-
de parte das universidades já está com algumas atividades presenciais e práticas em andamento em algumas áreas. O senhor falou em desafio comportamental...
A retomada da socialização mexe com a saúde mental da população. Algumas pessoas têm dificuldade de voltar à vida normal. Algumas pessoas adquiriam fobias e vamos ter que lidar com isso, com a saúde mental, com o acolhimento. Não é um problema menor, é um problema urgente. Além disso, há o desafio econômico, é isso?
O orçamento da educação superior, foi de R$ 7.3 bilhões em 2014 para R$ 4.5 bilhões em 2021. A redução é de quase 60% do orçamento discricionário das universidades. O Brasil fez a opção de reduzir investimento em educação superior e ciência e tecnologia. Se nós definirmos que nos-
A política fiscal do Governo, que promove cortes na educação, está equivocada?
Tudo o que explica essa redução é uma política fiscal que justifica a redução do investimento. Mas quando se tem uma política fiscal que se expansioniza por vários anos seguidos, você pode pressionar as taxas de juros, gerar desorganização econômica e causar danos na estrutura do estado severa. Isso se iniciou em 2015 e já vai para o sétimo ano. Além do mais ainda fizemos constar na Constituição que essa política de austeridade fiscal vai ter 20 anos. Essa queda orçamentária afetou a pesquisa e a ciência?
Vinhamos numa curva de crescimento com ápice em 2014, com bolsa de divulgação cientifica, de iniciação cientifica, de auxilio a pesquisa... e começamos a ter uma redução drástica nos últimos anos. Estamos adotando uma política de redução de investimentos em ciência e tecnologia. De que forma isso se reflete na produção científica, que foi tão essencial na pandemia da covid-19?
O Grande desafio é ou o Brasil muda seu papel na ordem econômica mundial, ou vamos continuar expostos a crises como esta. E para reverter essa situação precisamos implementar uma
Temos todo um legado de ensino remoto e precisamos fazer ampla adaptação para o retorno das aulas presenciais nas universidades.”
cia de que precisa investir agora se quiser ter um resultado nos próximos 5 ou 10 anos. Isso passa por mais acesso à formação superior, certo?
Na comparação com vários países do mundo o Brasil tem apenas 21% da sua população entre 25 e 34 anos com educação superior. Na Coreia do Sul, por exemplo, o percentual é de 70%. Nós temos menos de um terço da população com nível superior, bem abaixo dos países desenvolvidos. Investimento em educação também se reflete no desenvolvimento econômico?
política de ciência e tecnologia, de educação superior. Esse é um desafio que se coloca. As universidades terão que, efetivamente, assumir e liderar a política de inovação no País. Se isso não acontecer e tivermos uma nova pandemia, conseguiremos dar respostas rápidas?
Se vier nova pandemia precisamos estar com infraestrutura pronta para dar resposta rápida. Isso aconteceu com o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) que nós precisávamos para as vacinas. O Brasil se propôs a produzir, mas não tinha um industria nacional preparada para isso. Nós precisávamos fazer o investimento em infraestrutura para ter a capacidade de produção do IFA. A suspensão do investimento em pesquisa lá atrás comprometeu o presente. Investimento em ciência e tecnologia precisa de um tempo de maturação e aí a gente precisa ter essa consciên-
O Brasil não terá capacidade global se não criarmos um sistema de ciência e tecnologia que se transforme em inovação e que seja apropriado para a indústria nacional. Uma lição que tivemos na pandemia é hoje a grande dependência industrial. Podemos hoje fazer grande discussão sobre a ordem econômica mundial. O Brasil, como vários outros países, tomou decisão de reduzir seu papel como agente da produção industrial. Há 40 anos tinha 3% da população do mundo e 2% da produção industrial. O discurso que fazemos é que, no mínimo temos que trazer a produção industrial para 3% da produção do mundo, já que, 40 anos depois, o país continua com 3% da população do mundo, mas apenas 1% da produção industrial. Acho que é uma reflexão se debater universidade e setor produtivo. Se quisermos ingressar numa era na produção industrial.
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CAMINHOS DO BRASIL E DO RN NA
GESTÃO PÚBLICA
Ensino híbrido pode ser aliado para recuperar perdas nas universidades Cursos de nível superior que ainda permanecem no sistema remoto podem ter o ensino híbrido como aliado para recuperar perdas. O desafio será incluir essa modalidade na metodologia educacional necessidade de adaptar o ensino realizado de forma presencial ao remoto atingiu em cheio a educação brasileira. Essa realidade não está presente apenas nos níveis básico e médio, mas também no nível superior que ainda permanece no sistema remoto ou híbrido, diferente dos outros níveis, cujos alunos estão retornando às escolas. Porém, para restabelecer perdas, o ensino híbrido poderá ser um importante aliado e o desafio será incluir essa modalidade na metodologia de ensino. A previsão é do professor membro do Conselho Nacional de Educação e ex-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior – Andifes, Mozart Neves Ramos. “O ensino remoto, com o uso de novas tecnologias, vai ser muito importante para reposição dos déficits de aprendizagem. Esse vai ser um dos desafios, porém, o Brasil deveria ter feito - e o Ministério da Educação não fez esse dever de casa - um plano de conectividade digital, internet e banda larga para as universidades e rede pública de ensino”, alertou ele. Segundo avalia, será necessário que as universidades e escolas se planejem dentro de um contínuo curricular 2020-2021-2022 para tentar repor esses déficits de aprendizagem provocados pela pandemia. “A universidade, a escola brasileira, vai precisar usar tanto o presencial quanto o remoto. Será difícil estimar um prazo para reverter as perdas”, pontuou. O professor avalia ainda que a área das ciências sociais aplicadas não deve enfrentar muitas dificuldades, pois é mais adaptável à componente híbrida. “Já aquelas que têm forte conteúdo na prática vão depender da atitude da universidade, no apoio a esses jovens. Por isso a necessidade de uma avaliação diagnóstica clara para saber se atendem o que se espera deles em termos de habilidades e competências. É fundamental
Retorno exige recomposição orçamentária
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UFRN suspendeu atividades presenciais em 17 de março/2020. Período letivo 2021.2 começou dia 18 de outubro passado com aulas virtuais
NÚMEROS Queda no orçamento da UFRN 2017: R$ 164.393.917,00 2018: R$ 176.738.348,00 2019: R$ 152.142.347,00 2020: R$ 156.385.763,00 2021: R$ 155.376.853,00
para apoiá-los”, disse ele. Outro desafio apontado pelo especialista é a evasão. A previsão dele é de que com a pressão para os jovens buscarem complementação salarial para ajudar na renda familiar, conseqüentemente, aumente o número de desistentes nos primeiros anos do ensino superior, mas também no Ensino Médio. Na Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN), o reitor José Daniel Diniz Melo disse que registrou queda na evasão durante a pandemia. “Suspendemos o cancelamento de cursos por abandono, decurso de prazo ou insuficiência de desempenho acadêmico. Nessa perspectiva, registramos uma redução na quantidade de evasão”, disse ele. Em 2019.1 foram 2.447 alunos evadidos e, em 2021.1 a universidade registrou 740, segundo números apresentados pelo reitor. O reitor pontuou que um desafio nessa retomada é a imunização de toda a comunidade universitária, que é fundamental para garantir a segurança de todos no pleno retorno presencial que ainda não está definido. Esse é outro ponto em questão no pós-pandemia: o ensino híbrido, mencionado pelo professor Mozart Ramos.
Aulas remotas A UFRN iniciou o segundo semestre de 2021 no dia 18 de outubro passado ainda com aulas
virtuais, porém, diferente dos outros semestres, há a possibilidade de atividades práticas presenciais, desde que garantidas as condições de biossegurança e observadas as normas relativas à emergência em saúde pública. O atual semestre só deverá ser encerrado em fevereiro de 2022. Até lá, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) deverá se reunir e avaliar o retorno presencial no semestre 2022.1, previsto para começar em março do ano que vem. “Qualquer decisão sobre o modelo de ensino ocorrerá após amplo debate e deliberação do Consepe”, enfatizou o reitor Daniel Diniz. A Resolução 062/2020 do Consepe prevê o ensino remoto estabelecendo ainda que, nas aulas remotas dos cursos presenciais, os professores utilizarão a Turma Virtual do Sigaa, plataforma oficial para registro e controle acadêmico, autorizando o uso de outras ferramentas virtuais. Já para os cursos da mo-
dalidade à distância, continua assegurado o uso do ambiente virtual de aprendizagem Moodle Mandacaru Acadêmico. No Plano de Desenvolvimento Institucional 2020-2029, a UFRN prevê a adoção de práticas inovadoras com a utilização de recursos das novas tecnologias de apoio ao ensino e à aprendizagem e a incorporação de conteúdos de empreendedorismo nos projetos pedagógicos dos cursos. Além disso, para a formação didático-pedagógica permanente dos docentes lista a oferta de cursos sobre metodologias de ensino, com ênfase no uso de recursos tecnológicos, na modalidade semipresencial e on-line, de caráter teórico-prático, voltados para o aprimoramento da prática docente. Além disso, prevê a criação de uma assessoria pedagógica para elaboração de instrumentos de avaliação para os componentes curriculares e montagem de ambientes virtuais de aprendizagem.
UnP foca em competências e novas tecnologias Na maior universidade privada do Rio Grande do Norte, a Universidade Potiguar (UnP), o ensino é focado nas competências de aprendizagem e o desafio de adotar novas tecnologias na metodologia de ensino já foi abraçado pela instituição, que retomará suas aulas presenciais em um novo momento, administrada agora pelo holding Ânima Educação. “A Ânima Educação é a 1ª organização do país a criar um modelo de ensino focado em competências. O projeto acadêmico valoriza o desenvolvimento da autonomia dos estudantes, buscando uma formação ampla do profissional, do indivíduo e do cidadão, buscando garantir que os alunos tenham acesso a um ensino acadêmico de qualidade”, explicou a vice-presidente acadêmica da Ânima, Denise Campos. Ela conta que o grupo fez com que a tecnologia deixasse de ocupar um setor específico para ser
uma competência presente em todas as áreas da companhia, uma vez que a pandemia acelerou um processo cultural do formato de aprendizado que duraria anos mais à frente para ser concretizado. “Hoje, você vê todas as pessoas adaptadas a esse novo modelo, prontas para voltar ao presencial no momento certo. Com isso, continuamos investindo na continuidade da jornada de transformação digital da companhia e aprimoramento das ferramentas para a educação híbrida e para uma experiência excelente de estudantes e docentes”, disse ela. Denise destacou que, assim como a estrutura física, as metodologias de ensino e as tecnologias têm papeis importantes no ensino. “Hoje, a UnP tem, sem dúvida, uma das melhores estruturas de laboratórios do Estado. Além disso, promove uma maior interdisciplinaridade e conexão
com o mundo do trabalho. Acreditamos em um modelo personalizado, no qual você oferece autonomia para que os estudantes escolham como querem aprender, com quem quer aprender e o que querem aprender”, disse ela. Neste modelo, a vice-presidente da Ânima frisou que o espaço não é mais importante, mas as ferramentas que pode disponibilizar para que este aluno se desenvolva. “Tudo que, em um primeiro momento, parecia difícil de realizar, se transformou em uma realidade. O ensino remoto e híbrido se tornou uma realidade mais próxima dos brasileiros, por meio da tecnologia”, concluiu.
Interiorização Fora da capital, o sistema de ensino remoto das universidades também deve alcançar os alunos, através do processo de interiorização que já existe. No caso da UnP, a Ânima ainda não fala sobre
planos de expansão, mas ressalta que, a partir de Mossoró, na região Oeste, a instituição deu o primeiro passo para levar qualidade do Ensino a outras regiões. Além disso, universidade já contava conta com Educação a Distância (EaD) contribuindo para o avanço da democratização e expansão da oferta do ensino superior no país. “Hoje atuamos também nas cidades de Caicó, Currais Novos, Pau dos Ferros e, no Ceará, em Limoeiro do Norte. Todos esses são lugares que vivem essa revolução do ensino superior graças à Universidade Potiguar por meio de cursos presenciais. Mais recentemente lançamos um pólo de ensino a distância em Juazeiro do Norte, expandindo nossa atuação em solo cearense. Esse pólo vem se somar a tantos outros que a UnP tem pelo Brasil”, declarou a vice-presidente acadêmica da Ânima, Denise Campos. Já a Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN) ressaltou que, com seus cinco campi (um em Natal - Campus Central-, e quatro no interior: Campus de Caicó, Campus de Currais Novos, Campus de Macaíba e Campus de Santa Cruz) e a institucionalização do ensino de graduação a distância (atuação em 15 polos localizados em diversos municípios do Estado), busca pela qualidade acadêmica com igualdade de oportunidades, fortalecendo a interiorização da educação superior. A UFRN já oferecia educação à distância através de 15 pólos localizados em diversos municípios do estado antes da pandemia e as atividades de pesquisa, ensino e extensão são desenvolvidas por 8 centros acadêmicos através de seus 82 departamentos acadêmicos e 10 de suas unidades acadêmicas especializadas. Todos estão ligados com o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (Sigaa).
Todas as dificuldades impostas pela pandemia da covid-19 já se mostram suficientes para exigir grande esforço no sentido de garantir a qualidade do ensino e da pesquisa, porém, há outro agravante que já afetava a qualidade do ensino superior antes da crise pandêmica e que poderá se intensificar na retomada das atividades presenciais: o corte no orçamento das universidades federais. Na UFRN o recuo chega a quase 12% em quatro anos, numa redução de mais de R$ 21 milhões. Para os reitores, o retorno presencial das aulas necessita de recomposição orçamentária, de modo a garantir medidas sanitárias seguras para a comunidade acadêmica. “Dessa forma, há urgência de recomposição de orçamento e o retorno das atividades presenciais torna a situação ainda mais grave”, diz o reitor da universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), José Daniel Diniz Melo. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) vem trabalhando para restabelecer o orçamento de 2019, com correções pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ele explicou que a queda no orçamento se agrava a cada ano, de modo que atinge despesas essenciais para o funcionamento das atividades acadêmicas e administrativas, como os pagamentos de contratos de terceirização e despesas de energia elétrica. “Na UFRN, o orçamento de capital deste ano chegou a zero, o que significa a indisponibilidade para a continuidade de obras e para compra de equipamentos e materiais permanentes necessários ao funcionamento da instituição”, disse ele. Além das fontes de recursos do Tesouro, a UFRN possui arrecadação própria, principalmente relacionada a receitas de projetos de pesquisa, de extensão, de ensino e de desenvolvimento, receitas administrativas, cobranças de custos indiretos, aluguel de bens imóveis, entre outras formas de captação inerentes à área de atuação da Universidade. Créditos orçamentários transferidos por meio de Emendas Parlamentares também fazem parte do orçamento. Já as receitas de convênios geralmente referem-se às descentralizações de créditos com o propósito de financiar o avanço de projetos acadêmicos envolvendo mútua cooperação e objetivos recíprocos. O reitor destacou ainda que, mesmo sem aulas presenciais, as atividades não pararam durante a pandemia. “No intuito de garantir a qualidade do ensino e promover a permanência estudantil, a Universidade fez diversas ações, como a oferta de auxílios aos estudantes em vulnerabilidade socioeconômica, para aquisição de equipamentos de tecnologia da informação e pacotes de dados de internet, além de capacitações para os professores, técnicos e alunos sobre o ensino mediado por tecnologias”, disse ele.
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O FUTURO DA
EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA « ENTREVISTA : DENISE CAMPOS » «
VICE-PRESIDENTE ACADÊMICA DA HOLDING ÂNIMA EDUCAÇÃO »
como a estrutura física, as metodologias de ensino e as tecnologias têm papeis importantes no ensino. Hoje, a UnP tem, sem dúvida, uma das melhores estruturas de laboratórios do Estado. Aliado a isso, prezamos pela qualidade do ensino e sabemos que essa é também uma das características da UnP. A Ânima Educação é a 1ª organização do País a criar um modelo de ensino focado em competências. A senhora também defende que a pandemia da covid-19 acelerou o processo de dependência por tecnologias, sobretudo na educação?
“A gente deve formar alunos que dêem conta de projetar soluções para o futuro” Denise Campos alerta que as tecnologias impactam nas profissões e as universidades precisam estar atentas para não formar profissionais obsoletos vice-presidente acadêmica da holding Ânima Educação, que comprou os ativos da Laureate no Brasil, grupo do qual a Universidade Potiguar (UnP) fazia parte, Denise Campos, levou para a 39ª edição do Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, suas considerações sobre a educação na era digital. Ela enfatizou a necessidade das universidades se planejarem para mudar a forma de preparar profissionais para a era digital, impulsionada pela pandemia da covid-19. Para tanto, sugere que as instituições têm um corpo de profissionais capaz de acompanhar as transformações do mundo e aplicar isso na formação dos estudantes. O convívio com novos modelos de ensino passa a ser uma constante, segundo ela, visto que o ensino híbrido veio para ficar e poderá ser aplicado ao se observar os aspectos em que melhor pode ser aproveitado. Tudo isso sem se esquecer do papel ético da educação e que permanece ainda mais evidente a necessidade de políticas de financiamento, para as universidades públicas por uma via, e para as privadas, por outra.
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As universidades não têm capacidade de prever, mas têm grande gama de informações e de dados que se consegue antecipar um pouco das tendências e dos rumos que cada área de conhecimento está trilhando hoje, com o embate das novas tecnologias.”
Em sua palestra “A educação na era digital” a senhora destacou que as universidades precisam trabalhar para não formar profissionais obsoletos. Como isso deve ocorrer?
Em relação a isso há uma capacidade, uma competência que
as universidades precisam ter de projeção do futuro. Para isso, possuem toda uma equipe interna que trabalha com dados advindos de todas as áreas do conhecimento . São informações advindas de todas as profissões, que têm por objetivo fazer esse olhar do que as tecnologias impactam nas profissões e como a gente deve formar alunos para que depois de formados dêem conta não só do que se tem hoje, mas de produzir novas soluções, projetar, formular novas possibilidades para o futuro. Mas é possível prever essa evolução?
As universidades não têm capacidade de prever, mas têm grande gama de informações e de dados que se consegue antecipar um pouco das tendências e dos rumos que cada área de conhecimento está trilhando hoje para saber um pouco, com o embate das novas tecnologias vindas do 5g, aquelas formas de fazer das profissões que são modificadas na suas bases. É todo um trabalho de planejamento, gestão e escuta dos profissionais da área que hoje têm acesso ao que é produzido no mundo todo.
A pandemia acelerou um processo cultural do formato de aprendizado que duraria anos mais à frente para ser concretizado. Hoje, você vê todas as pessoas adaptadas a esse novo modelo, prontas para voltar ao presencial no momento certo. É importante estabelecer essa relação das transformações tecnológicas e digitais com uma pandemia que acometeu as populações e trouxe um problema global. Somos homens e mulheres que estamos vivendo uma era que combinou questões peculiares e, portanto, falar de nós, de pessoas, educação, é falar de agentes que se combinaram numa mesma era em termos experimentado uma pandemia. Outra questão é o ensino híbrido. Ele veio para ficar?
A tecnologia e o ensino híbrido vieram e não vão mais sair. Assim como modificamos nossas formas de viver e nos relacionarmos, o ensino híbrido e essa composição de aprender na sua casa com um professor remoto, ou nas vezes que vai a um campus, a qualidade da presença, o fato de estar juntos num campus universitário, refletirmos o que posso aprender num ambiente on line e o que é importante ir aprender num campus. Essas diferenças hoje pautam o ensino-aprendizagem e serão as novas tendências que nunca mais voltaremos atrás. Essa tendência já está presente na Ânima Educação, no Rio Grande do Norte representada pela UnP?
O nosso projeto acadêmico valoriza o desenvolvimento da autonomia dos estudantes, buscando uma formação ampla do profissional, do indivíduo e do cidadão, buscando garantir que os alunos tenham acesso a um ensino acadêmico de qualidade. Além disso, promove uma maior interdisciplinaridade e conexão com o
mundo do trabalho. Acreditamos em um modelo personalizado, no qual você oferece autonomia para que os estudantes escolham como querem aprender, com quem querem aprender e o que querem aprender. E neste modelo, o espaço não é mais importante, mas sim as ferramentas que podemos disponibilizar para que este aluno se desenvolva. Quais exemplos de ferramentas a senhora pode citar que já são utilizados?
Nós da UnP temos investido muito nas questões tecnológicas, em laboratórios de simulação, laboratórios que ajudam o aluno a estar conectado com os grandes avanços tecnológicos do mundo inteiro, mas para além das tecnologias a grande contribuição hoje de uma universidade é formar pessoas. Então, nós diríamos que educação na nova era é uma discussão forte sobre tecnologia, sobre pessoas e sobretudo resgatar o papel fundamental da educação que é a formação ética, que é a formação pra convivência. Há planos de modificar a estrutura de ensino montada?
Consideramos que, assim
QUEM Denise Campos é vice-presidente acadêmica da Ânima Educação. Possui Doutorado em Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC-SP. É especialista em Currículos Integrados pela Universidad de Valencia - Espanha e Mestre em História do Brasil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Entre sua trajetória profissional destaca-se: foi Reitora da Universidade São Judas–USJT; vice-Reitora do Centro Universitário das América e atuou na Universidade Cidade de São Paulo como professora, onde exerceu o cargo de Diretora dos cursos de História, Pedagogia e do Programa de Formação de Professores. Também foi Coordenadora e Professora do curso de Especialização em Gestão Escolar, com chancela da UNESCO. É ainda membro da Rede latinoamericana del Liderázgo em Educación pela Oficina de Educación da América Latina y el Caribe – UNESCO/OREALC.
E o que isso significa do ponto de vista do ensino?
Falar de educação na era do conhecimento, na era digital, é sobretudo falarmos de um momento histórico que nos traz questões fundamentais sobre um novo sentido, um novo papel e novo lugar para a educação. É preciso refletir em que a era do conhecimento se sobrepõe a uma era industrial que ainda acomete a organização acadêmica, administrativa das nossas escolas da educação básica e do ensino superior. Teríamos que romper com a forma de ver e enxergar as escolas e universidades e de repensar o papel da educação por meio de novos projetos acadêmicos, propostas e proposições curriculares. Em que esse rompimento muda no papel da educação em formar pessoas e profissionais?
O papel cada vez mais ético que a educação assume numa era dita digital. O uso de tecnologias estará presente nos ambientes virtuais e presenciais, então, antes de mais nada, é preciso focar nas questões de discussão de acesso, mas o nosso ponto principal de defesa aqui é o lugar do ser humano em meio as essas tecnologias porque a tecnologia por si só não vai fazer nada se não tivermos pessoas conectadas. Mas é preciso destacar a questão do acesso ao ensino superior que, a se verificar no número de contratos do Fies e de inscrições no Enem, está em queda?
No País, a grande massa a menos no Enem foi das populações mais carentes. Houve uma debandada do aluno mais carente, e isso nos mostra a necessidade de políticas de financiamento, para as universidades públicas por uma via, e para as privadas, por outra via, através de uma política séria de financiamento. O momento atual exige da educação um olhar à frente, para ver para onde vamos, com quais recursos queremos trabalhar na universidade e como uma política pública pode dar conta de olhar esse país nesse momento peculiar.
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O FUTURO DA
EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA
Na pandemia, cresce demanda por capacitação tecnológica Na formação profissional a demanda cresceu, principalmente, na área de Tecnologia da Informação. No Senai, as matrículas em TI superaram as dos cursos tradicionais pandemia da covid-19 aumentou a demanda por tecnologia da informação em todo o mundo, tanto que impactou na produção industrial e levou à escassez de insumos. Na formação profissional essa demanda foi percebida também na procura por capacitação na área de TI. No Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/RN) as matrículas na área superaram as dos cursos tradicionais em 2020. O diretor regional do SenaiRN, Emerson Batista disse que a entidade conseguiu atingir todas as metas planejadas para a educação profissional no ano, mesmo fora do cenário em que tinha sido concebido o planejamento estratégico para o período. “Com a mudança repentina das circunstâncias, obedecendo criteriosamente os decretos que regulavam o cenário surpreendente de 2020, a educação a distância do Senai-RN demonstrou força ao conseguir manter o ritmo de produção educacional remota, presencial e híbrida. Além dos temas transversais que sempre foram trabalhados, ainda surgiram diversas demandas nas áreas de TI”, ressaltou. Ele observa que esta área foi fortemente explorada, principalmente no desenvolvimento de aplicativos e softwares. “Para se ter ideia de como foi 2020, tivemos 2.302 alunos matricu-
A
Além da alta procura para TI, a demanda também foi elevada para cursos de qualificação e aperfeiçoamento na área de energia
lados na área de Tecnologia da Informação, voltada principalmente à parte de softwares e superando, inclusive, as matrículas para cursos tradicionais como da construção civil, área industrial que mais emprega no estado do Rio Grande do Norte”, contou o diretor. No cenário de Pandemia, o Senai/RN manteve o ritmo na realização de matrículas, inclusive, superando 2019, chegando
ao número de 31.258 capacitações. Com o cenário desafiador e sendo a educação um dos setores mais atingidos por causa do distanciamento social e isolamento, a instituição manteve o arrojo para transmissão de conteúdo profissional a todos os seus alunos. Através da realização de parcerias estratégicas com o Google, T2K e o Departamento Nacional, o Senai conseguiu oferecer mais de 230 cur-
sos, distribuídos em 30 áreas tecnológicas, de forma presencial com auxílio dessas tecnologias, EAD ou híbrida. “A pandemia da covid-19, apesar dos pesares, nos forçou a acelerarmos aquilo que já buscamos constantemente, a inovação. Neste caso tivemos que inovar internamente, na melhoria de processos e formas de educar e formar a mão-de-obra necessária, visto que a indústria não parava
e precisávamos garantir a produção”, afirma Emerson Batista. Outra força importante do momento foi o atendimento na área de confecção e vestuário. Em 2020, o Senai-RN formou quase mil Costureiros Industriais em Tecido Plano. Formação focada diretamente nas estratégias estaduais de desenvolvimento econômico, principalmente na região do chamado “Seridó Oriental”.
« ENTREVISTA : AMARO SALES » « PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO RIO GRANDE DO NORTE – FIERN » Qual a importância da educação para a indústria?
A educação profissional no Brasil é condição básica para o crescimento da indústria no país, especialmente para a melhoria da sua competitividade. Apostamos no ensino profissionalizante como caminho para se permitir a retomada do crescimento econômico do país, gerando melhores oportunidades de emprego e renda para nossos jovens. Há uma grande demanda em áreas como construção civil, logística e transporte em todo o país, e aqui no Rio
Grande do Norte também na área de energias renováveis. Como é a atuação do Sistema Fiern na área de educação?
O Sistema Fiern tem forte atuação no ensino profissionalizante por meio do Senai-RN. Em 2021, até este mês de novembro, o Senai-RN deve superar o número de matrículas previstas para o período em todas as modalidades ofertadas como cursos de aperfeiçoamento e especialização profissional, aprendizagem industrial básica, qualificação profissional
e técnico de nível médio. O Senai também atua na oferta de soluções em inovação e tecnologia principalmente para a indústria, por meio do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISIER) e do Instituto Senai de Tecnologias em Petróleo e Gás, localizado em Mossoró. Além disso, temos as unidades da SESI Escola que levam um ensino diferenciado em todas as suas unidades no Rio Grande do Norte e que, junto com o Senai, desenvolvem os pilotos do Novo Ensino Médio no estado. Já na Educação Executiva,
temos capacitações, MBAs e consultorias ofertadas pelo IEL-RN. No último dia 13 de outubro, o senhor entregou à governadora Fátima Bezerra uma Agenda Propositiva para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte. O que esse documento traz de contribuição?
Trata-se de um documento que reúne sete temas importantes de áreas fundamentais para o desenvolvimento do RN, e que não dependem de grandes investimentos para terem andamento,
mas de algumas ações relacionadas à gestão. A governadora demonstrou uma boa receptividade às sugestões. Temos aqui no Rio Grande do Norte uma experiência positiva de diálogo única no País, entre a Federação e o governo, que teve início no período no qual a FIERN e parceiros apresentaram um plano de retomada gradual das atividades econômicas, durante a pandemia. As instituições que representam os setores produtivos entendem que esse diálogo foi muito positivo e deve ter continuidade.
Meta de matrículas deve ser superada Com o avanço da vacinação, a melhoria do quadro pandêmico no Brasil e no Rio Grande do Norte, a flexibilização dos decretos de distanciamento social, o Senai foi retomando as práticas laboratoriais e, gradualmente, retomou suas atividades em sala de aula, unidades móveis, unidades remotas e laboratórios de práticas. “Através da adoção de protocolos de segurança e de medidas rígidas para o cumprimento dos decretos municipais e estaduais, pode-se verificar um resultado extremamente satisfatório, se comparado ao que fora planejado para todo o exercício de 2021”, ressalta o diretor regional do Senai-RN, Emerson Batista. A expectativa é de que ainda neste mês de novembro o número de matrículas previstas para o período seja superado. “Em todas as modalidades de atuação, verifica-se a tendência de superação das metas estabelecidas para este ano. Isso mostra o potencial de qualificação profissional de mão de obra existente no nosso estado”, destaca o diretor. Segundo conta, pelos números acompanhados até o momento, neste ano existe uma alta procura para os cursos na área de segurança do trabalho, gestão, vestuário, logística e energias (eólica e solar/fotovoltaica) especialmente em cursos de qualificação e aperfeiçoamento profissional. Áreas como confecções do vestuário e energias passaram a ter uma maior proporção na busca pelas capacitações, dada a realidade da indústria local. Todavia aquelas que historicamente demandam capacitação, como alimentos e construção civil, também começam a ganhar força nas contratações. Mesmo com a busca por trabalho e qualificação, Emerson Batista lembra que em alguns momentos houve evasão, já que o trabalhador se viu obrigado a priorizar seu sustento e mais uma vez as ferramentas tecnológicas auxiliaram. “Com a ajuda das tecnologias e alguns ajustes, conseguimos minimizar esse impacto e garantir uma taxa mínima de evasão na ordem 18%. Por outro lado, a taxa de empregabilidade dos egressos de cursos do Senai alcançou recentemente, em média, 70% de efetivação no mercado de trabalho”, destacou o diretor regional do Senai-RN.
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O FUTURO DA
EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA
« ENTREVISTA : JOSÉ HENRIQUE PAIM FERNANDES » « EX-MINISTRO DA EDUCAÇÃO E DIRETOR DO CENTRO DE DESENVOLVIMENTO DA GESTÃO PÚBLICA E POLÍTICAS EDUCACIONAIS DA FGV »
“É importante que tenhamos a cultura do acompanhamento” O ex-MEC defende o acompanhamento de metas nas escolas, e afirma que é importante construir um projeto de retomada que resgate os elementos mais importantes da educação, que é a aprendizagem e a inclusão o falar sobre os desafios da governança na 39ª edição do Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, o ex-ministro da educação, José Henrique Paim Fernandes, abordou diversos aspectos que estão postos num cenário de retomada da educação brasileira com vistas no desenvolvimento econômico. Um dos destaques foi a necessidade do acompanhamento de cada aluno, identificando as habilidades e competências que precisam ser recuperadas. É através desse processo, que envolve desde o professor até os gestores, que precisam também de suporte do Ministério da Educação, que o ex-ministro diz que as escolas conseguirão repor as perdas na aprendizagem que foram agravadas pela pandemia da covid-19. O ex-ministro também destaca a importância de se adotar um novo conceito de educação e trabalho colaborativo, aliado à ciência, pesquisa e inovação.
ça da educação é fundamental.
A
O senhor falou em integrar educação com o mundo do trabalho. Como isso pode se dar?
Precisamos aumentar matrículas vocacionais. Em comparação com outros países a média de ensino integrado com profissão é de 44% e no Brasil é 11%. O Rio Grande do Norte é um dos que mais atua no ensino vocacional com o ensino médio, mas na média brasileira é muito pequena. Esse atraso precisa recuperar e aí o esforço é duplo. Essa integração também deve ocorrer entre universidades e setor produtivo?
O senhor participou como palestrante do 'Motores do Desenvolvimento”. Como avalia as discussões abordadas no evento?
Foi um evento excepcional, no qual discutimos um tema essencial que é o desenvolvimento econômico com a educação e a ciência no pós-pandemia,. Sem dúvidas é o debate que o país precisa fazer a partir do Rio Grande do Norte para que possamos pensar numa retomada que venha garantir a recomposição da nossa educação. A pandemia da covid-19 trouxe uma crise histórica e perdas para educação do País. E para recuperar essas perdas, o que o senhor propõe?
Quando se fala em governança, precisamos pensar no atingimento de metas e no acompanhamento de metas. Isso está ligado primeiro à questão do compromisso, desde o professor com cada criança, com cada jovem, passando pelo diretor das escolas, pelo coordenador pedagógico, com a aprendizagem em cada turma, em cada classe, e por fim, da secretaria de educação em acompanhar cada uma das escolas. Para que isso aconteça é importante que tenhamos a cultura do acompanhamento. É possível fazer esse acompanhamento sabendo que boa parte dos alunos sequer conseguiu acompanhar as aulas remotas e ainda se contabilizando quantos não retornaram?
O acompanhamento faz a diferença, mas precisamos também que dentro desse processo de governança, além do acompanhamento, criar condições para que o gestor público, seja o secretário de educação estadual ou municipal, possa também se
desonerar dessa parte toda que a gente chama de processo de suporte. É fundamental que a gente consiga fazer com que todos esses processos funcionem para que a gente tenha boa aprendizagem para todos. A gente sabe que tem um grande processo de exclusão e que, com a pandemia, a gente projeta muita dificuldade do ponto de vista de evasão. Por isso, a importância desse acompanhamento de cada uma dessas crianças e de cada um desses jovens. O que é necessário para superar essa dificuldade e fazer esse acompanhamento?
É importante que a gente consiga construir um projeto de retomada que resgate os elementos mais importantes da educação, que é a aprendizagem e a questão da inclusão. Tudo isso deve ser feito, a partir de uma ação coordenada. Essa discussão foi feita no Motores do Desenvolvimento, pensando não só nas dificuldades que a gente tem enfrentado e que estão também associadas às dificuldades sociais e às desigualdades do país, mas pensando também no futuro. Isso é essencial para que possamos construir um projeto de nação integrado às questões da nova economia, do desenvolvimento pleno e no qual precisamos trabalhar fortemente para termos resultados melhores. O que pudemos aprender sobre a necessidade da pesquisa e ino-
vação na pandemia?
Uma transformação grande está acontecendo no mundo de forma acelerada e o Brasil precisa acelerar para não perder esse bonde da história. Conseguimos resolver o problema grave da pandemia em um ano com a vacina porque trabalhou-se com o conceito de inovação aberta. Este é o futuro, onde a produção é coletiva e colaborativa cada vez mais. Assim vimos pesquisadores de várias partes do mundo, com empresas diferentes, em laboratórios diferentes buscando uma solução. Como isso tudo dialoga com a educação?
Isso tem a ver com a educação porque quando vamos ver os países desenvolvidos, vemos que estão mudando seus currículos. Estão preocupados em fazer com que no currículo se tenha visão de respeito às opiniões diferentes. Precisamos ter colaboração, sabendo conviver com as diferenças para encontrar soluções. Para isso, a questão da tolerância é fundamental, baseado na democracia, nos direitos humanos, nas ciências humanas. Entendo como vértice fundamental a democracia, isso vai permitir que o jovem através do pensamento critico, transforme a sua curiosidade em criatividade e futuramente em inovação. Para que isso aconteça é importante trabalhar a tolerância e o convívio com as diferenças, mais ainda num cenário em que
vivemos de muita polarização. Também está relacionado à inclusão ao ensino superior? Essa inclusão, através de programas de financiamento, está enfraquecida?
Nos deparamos com uma importante questão de permitir políticas que garantam que o estudante de escola pública tenha acesso através de políticas afirmativas, seja pelo Prouni ou pelas leis de cotas. Vemos hoje uma outra fotografia desde que implantamos essas políticas, na medida em que conseguimos fazer as pessoas mais pobres, negros e indígenas acessando o ensino superior. O outro elemento é que ainda temos uma demanda muito forte de pessoas que dependem do apoio governamental para cursar o ensino superior e, por isso, apoio como o Prouni e o Fies são importantes. Sem dúvidas essas políticas são fundamentais e é importante que retome essa agenda para a democratização do acesso ao ensino superior. Se o estado brasileiro não se preocupar em garantir políticas para que o jovem possa acessar a universidade vamos ter situação muito grave no Brasil. Então, para se pensar em desenvolvimento econômico, precisamos também promover mais inclusão?
Crescimento econômico é diferente de desenvolvimento econômico, que é mais amplo e requer um processo social e de coe-
QUEM José Henrique Paim Fernandes, é um economista e professor brasileiro. É professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas e diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais, ambos da Fundação Getúlio Vargas. Foi ministro da Educação por 11 anos, no período de 2004 a 2014.
são, relacionado à educação e à cultura, que se não forem bem trabalhados como propulsores do desenvolvimento teremos problemas mais na frente. Pensar em desenvolvimento sem pensar em educação e cultura, é correr o risco de termos crescimento sem inclusão social, que não funciona e mais na frente nos obrigará a pagar um preço muito alto. O Brasil, ao longo da sua história teve janelas de oportunidades com ciclos de crescimento acelerado, desenvolvimento industrial importante, reforma do Estado como em 1930, mudança importante do ponto de vista da modernização da agricultura e tudo isso sem conexão direta com a educação e isso trouxe prejuízos que precisam ser recuperados hoje. Por isso, a governan-
O futuro da educação e da ciência passa necessariamente por esse casamento que precisa ser feito entre mundo produtivo e universidade. É fundamental que consigamos avançar nesta questão. Há questões ligadas ao regramento que trava a possibilidade das universidades terem mais agilidade em responder as demandas do setor produtivo, mas também é papel do mundo produtivo. As empresas precisam alterar sua forma de trabalhar, organizar seus processos, assim como os estados brasileiros precisam organizar esse processo podendo fazer com que a produção científica brasileira esteja voltada para a pesquisa aplicada que necessita de demanda organizada pelo Estado brasileiro. A tecnologia no ensino se tornou uma necessidade?
Nós estamos falando de desafio de forma dupla. Falar no futuro precisa estar alinhado a ele. A questão tecnológica na educação básica passou a ser tema central. O tema da inclusão digital deve ser também incluído na assistência estudantil para que os estudantes tenham acesso a internet. Se vamos ter que usar ensino hibrido para recompor educação brasileira é importante que tenhamos acesso a internet e é importante que o Governo federal crie um programa nesse sentido.
Pensar em desenvolvimento sem pensar em educação e cultura, é correr o risco de termos crescimento sem inclusão social, que não funciona e mais na frente nos obrigará a pagar um preço muito alto.”
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