OPINIÃO
CARTAS DO LEITOR CONVIDADO
Quer opinar, criticar, elogiar ou simplesmente desabafar sobre um tema da actualidade económica nacional ou internacional? Escreva ao Director do Expansão para: redaccao@expansao.co.ao ou rua Fernão de Sousa, Condomínio Bengo, Bloco B, Escritório n.º 01 – Bairro Vila Alice | Luanda, indicando nome, profissão e local de residência. Por questões de espaço, o Expansão reserva-se o direito de resumir as cartas seleccionadas para publicação.
Gastos com pré-pagos lá fora crescem 253% para 304 mil milhões Kz “Se ao menos tivéssemos boas intenções e fôssemos mais abertos. O que gastamos estaríamos também recebendo igual, ou mais. Infelizmente, nem rede Visa, nem Mastercard, nem PayPal, de forma normal te dá possibilidade de recebimentos em Angola, por falta de políticas credíveis.”
Rosário Dilo Facebook
Receita fiscal dos diamantes cresce 84% para 31,4 mil milhões Kz “Se o OGE é feito à base do preço do barril de petróleo, para onde é que vai o dinheiro desses diamantes?”
Nascimento José Chimo Facebook
Camionistas aumentam 15% o preço do transporte de mercadorias “E o Governo diante disto o
que faz? ( Só olha) Como alguém que não tem ideia de como fazer para contornar essa situação; Como alguém que realmente sabe mas não se importa.”
Domingos Lucala Vontade Mistr Facebook
Fórum Energia e Ambiente: “Se o Estado não actualizar as tarifas da energia, tal como fez nos combustíveis, não haverá investimento privado no sector” “Parem de se comparar com países que são mais organizados do que o nosso, se subir o preço de tudo será impossível viver nesse país para a maior parte da população.”
Jason Canivete Facebook
“A energia também é importada?”
Miguel Mb Facebook
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O que esperar da nova indústria transformadora angolana
A indústria transformadora em Angola está à beira de uma evolução substancial, conforme delineado no Plano de Desenvolvimento Industrial de Angola 2025 (PDIA 2025). Este plano ambiciona elevar a contribuição do sector industrial no PIB de 6,6% em 2017 para mais de 9% até 2025, evidenciando um compromisso com o crescimento sustentável e a inovação.
Hoje, os consumidores estão muito mais exigentes em relação à qualidade dos produtos, exigindo customização e preços competitivos, e seleccionando os fabricantes com base em critérios, como sustentabilidade e responsabilidade social. Neste contexto, desafios e oportunidades emergem para fortalecer a sustentabilidade do sector industrial. É imperativo desenvolver um ecossistema empresarial que enfatize a colaboração, inovação e competitividade, visando posicionar Angola como um líder no futuro industrial, com a indústria transformadora no seu núcleo.
A inovação, impulsionada por pesquisa e desenvolvimento, é fundamental para o avanço da indústria transformadora angolana. São importantes investimentos significativos nesta vertente, para a exploração de novos produtos e melhoria dos processos industriais. Isto envolve uma parceria estratégica com universidades e instituições de pesquisa, para promover a inovação tecnológica e desenvolver soluções que satisfaçam as necessidades do mercado e superem os desafios específicos do país, catalisando o progresso da indústria transformadora.
Tecnologias avançadas na transformação industrial A integração de tecnologias avançadas é fundamental para estabelecer uma nova era industrial em Angola. Com a Indústria 4.0, a adoção de sistemas automatizados, Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial associada a Big Data, Manufactura Aditiva, Cobots, entre outros são essenciais para otimizar processos produtivos e aumentar a eficiência. O conceito de Indústria 4.0, contudo, vai além da integração dos processos associados à produção e distribuição, envolvendo, também, todas as diversas etapas da cadeia de valor: do desenvolvimento de novos produtos, como projecto, desenvolvimento, testes e até mesmo a simulação das condições de produção, até o pós-venda. Estas tecnologias não automa-
tizam apenas tarefas repetitivas, mas também proporcionam análises preditivas que podem antecipar falhas de produção e otimizar a manutenção, resultando numa operação mais eficiente e reduzindo custos, principalmente em determinadas cadeias industriais. O desenvolvimento da Indústria 4.0 envolve inúmeros desafios: investimento em equipamentos que incorporam essas tecnologias; à adaptação de layouts; adaptação de processos produtivos e de formas de relacionamento entre empresas ao longo da cadeia produtiva; criação de novas especialidades e desenvolvimento de competências; necessidade de melhorias no ambiente de negócios e na infra-estrutura; ou programas de difusão tecnológica e aperfeiçoamento regulatório. Resumindo, um conjunto de aspectos que exigirão uma
Criação de novos cursos técnicos para satisfazer as necessidades de determinadas indústrias
nova concepção de política industrial para o país.
A gestão eficiente é um pilar fundamental para o êxito da indústria transformadora, que exige a implementação de estratégias de gestão avançadas, desde a gestão da cadeia de suprimentos até as relações com clientes e inovação nos modelos de negócios. Também a adoção de sistemas integrados de gestão industrial, como os ERPs (Enterprise Resource Planning) e plataformas de automação industrial, são fundamentais para permitir que as indústrias angolanas façam a gestão de recursos de forma mais eficaz e baseiem as suas decisões em dados concretos.
Melhoria contínua de processos industriais
A melhoria contínua dos processos industriais é vital para aumentar a competitividade. A gestão eficaz e a melhoria contínua dos processos são essenciais para aumentar a produtividade e competitividade da indústria transformadora angolana. Para ajudar as empresas
a alcançar altos padrões de eficiência, a responder com agilidade às mudanças do mercado e fomentar o seu poder de competitividade, é importante contar com sistemas de gestão da qualidade integrados com outros modelos como Lean Manufacturing, Just in Time e Six Sigma. Isto vai optimizar operações, reduzir desperdícios e melhorar a qualidade dos produtos.
Formação de mão de obra altamente especializada A capacitação da força de trabalho, com foco em competências digitais e tecnológicas, é fundamental para a adaptação às exigências da Indústria 4.0 e preparação para a Indústria 5.0. Especialmente em determinadas cadeias verticais industriais, para que as especializações necessárias para as novas tecnologias possam ter um bom aproveitamento e de facto imprimirmos competitividade ao sector. Criação de novos cursos técnicos para satisfazer as necessidades específicas de determinadas indústrias; criação de cursos de gestão da produção multidisciplinar com ênfase em Indústria 4.0 e 5.0 e incentivar a adoção de programas de competências tecnológicas nas empresas, são alguns dos mecanismos para dinamizarmos e suprirmos o mercado das competências do futuro. Nas chamadas “indústrias inteligentes”, máquinas e insumos “conversam” ao longo das operações industriais com escala e flexibilidade do processo de fabricação, que, assim, ocorre de forma relativamente autónoma e integrada. A indústria 5.0 surge como evolução da 4.0, procurando um ambiente laboral mais colaborativo, seguro e sustentável. Neste novo paradigma, os humanos focam-se em tarefas que requerem habilidades cognitivas e criativas, enquanto as máquinas actuam como assistentes inteligentes, promovendo eficiência e inovação. Isto permite a produção em massa de produtos personalizados, revolucionando o mercado e os padrões de consumo, transformando como adquirimos e utilizamos bens, adaptando-os às necessidades e preferências individuais de cada consumidor. Assim é incontestável que o futuro industrial para Angola é promissor, e com a adopção de políticas de industrialização voltadas a inovação e crescimento sustentável, pode-se alcançar novos patamares de eficiência e competitividade no cenário nacional e global.