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Novos Horizontes - 10ª edição da Revista Escriba

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Produção Tiro de Letras Ed.


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Revista Escriba 10ª Edição

Novos Horizontes Produção

Tiro de Letras Editora C a p a e fo t o g ra f i a o r i g i n a l Rua da República, atual Rua Mal. Floriano, Santa Cruz do Sul - RS.

Acervo: Jonas Cervi Luzzani

Tiro de Letras editora

e-mail: ed.tirodeletras@gmail.com

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Alice Medeiros Annacris Andrades Camila Rosa Matos Canhotorium Cassionei Niches Petry Celso Gutfreind Clara Gabriela Cleiton Leal Diva Helena Marinho F.M. Souza Edison Botelho Eledir do Prado Rosa Elias Ficavontade Gerson Nagel Isabel Furini Janaina Wayne Jorge Rosa Leandro Angonese Leonardo de Oliveira Mara Garin Mauro Ulrich Max Montiel Severo Paulo Jorge Ricardo Koch Kroeff Rosiane Iglesias Rosmeri Menzel Tatiana Billodre Luiz Thomás Weiss Zaira Cantarelli Porto Alegre / RS 2021


Por Canhotorium Coração Azul

“Há um pássaro azul em meu peito que quer sair mas sou duro demais com ele, eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.(...)” — Charles Bukowski

(Trecho inicial do poema Pássaro Azul)

Grafite e pintura digital instagram: @canhotorium


Dois cantos

Tatuagem

Passarinho cantando triste, Sente falta do que não viveu, Já nasceu no cativeiro, Seu canto é coro do meu...

Tua dor é tatuagem, teu temor é tempestade que arde no peito fogo fátuo, feito verdade. Tua vaidade é supor que saudade é amor e o caminho é estreito, imperfeito, sem cor. Tua razão é manca estanca teu desejo, e deixa beijos de água mansa mortos ainda nos leitos. E a correnteza dança e leva assim de qualquer jeito, tua canoa de quimeras onde nem sabe direito.

Meu canto também é tristeza, Sonhos vagos, ilusão... Tentando soltar a algema Que me encarcera o coração. Passarinho, passarinho, Somos dois a lamentar, Dois seres aprisionados, Duas almas tentando buscar Abrir as asas da vida, Alçar voo pelo ar. Rosiane Covaleski Iglesias Santa Cruz do Sul/ RS

Leonardo de Oliveira Sapucaia do Sul/ RS instagram: @leonardodeoliveira.o2


Encanto

Oscilante

Um dia, tu feito passarinho, Cantou num viaduto, Por segundos de eternidade...

quero procurar a essência e fugir das reticências…

Ofereceu-me sua voz (en)canto, Fazendo parte do meu (uni)verso Onde, apenas (re)pousou...

mergulho no oceano dos verbos e evito os queixumes

Logo alguém te espantou, Bateu as suas asas e Para um velho ninho, Retornou...

minha vida faz lembrar de vaga-lumes e substantivos

Só ficou seu canto-presença, Marcando talvez os sonhos E os versos dos meus poemas.

luzes piscantes e palavras que se acendem e se apagam na escura noite da alma.

Mara Garin Cachoeira do Sul/ RS maragarin@gmail.com

Isabel Furini Curitiba/ PR isabelfurini@hotmail.com


Por Elias Ficavontade Chosen

O infantil

A Florence Guignard

Da noite acordada, acorda sem acordo nem negócio, ódio pelo poema perdido a noite que continua até a faísca do dia, amor em cada fresta da onda brava e do sangue, muito puto da verdade, não ser tudo aqui e agora e já pronto para o embate de uma vida com as artes, neste ponto de crueldade e esperança

pintura instagram: @eliasficavontade

Celso Gutfreind Porto Alegre/ RS


Ex-ercícios pô-éticos de um ex-critor Cansado Sim, hoje despertei cansado Isso tem sido minha rotina ultimamente (mas quem se importa com isso)? Todos possuem seus próprios fardos Seus desafios a dar conta Reluto em abrir a janela O ar está contaminado E o quarto cavaleiro vem se juntar aos outros três Regendo um coro de lamentos Das almas que partiram antes do tempo A hora do juízo para muitos foi antecipada (serei eu o próximo)? Queria parar o tempo não parar no tempo Mas é justamente o que acontece comigo agora Ser o pai da mentira já não é privilégio do diabo Mas dos que falam em nome de Deus Sim, estou cansado Leandro Angonese Caxias do Sul/ RS ateu.poeta@gmail.com

Livros... Livros? Melhor não escrevê-los! Mas se os escrevemos Quem vai lê-los? “ora”, direis, “escrever poemas” certo, perdi o senso viver escrevendo é perdê-lo não, não escrevo poemas, apenas os assassino. sina, destino narrar é o que faço passo noites morrendo escrevendo, bebendo inseparável café aroma, sabor, dor, palavras, amargor Bandido bom é o que rouba livros. Escritor bom é escritor morto. Leitor bom é o que se faz de morto. Livro bom é o que nunca parece morto. Cassionei Niches Petry Santa Cruz do Sul/ RS


Posfácio Já não é mais um adeus Seria como um amanhecer que preenche a janela e me faz renascer Já não é mais uma despedida Seria como um evocativo Que nos chama a trilhar diferentes caminhos Ora, perguntas – jura-me, não me ama mais? E eu o digo não há como jurar um sentimento que sempre permanecerá comigo O amor independe do interlocutor Ele pode ser contínuo sendo soberano aos epílogos Veja, isso não é um final Apenas uma nova chance de continuar a amar Abra as cortinas Pois um novo dia se aproxima e o Sol logo já brilha lá em cima Clara Gabriela Cachoeira do Sul/ RS instagram: @ssoulclara

Rosme ri

Menze Ressecç l ão Venânc ioAi

res/ RS


Reecontro Tem coisas que ficam pelo caminho E que achamos ter perdido pra sempre Mas eis que não mais que de repente, Como que num passe de mágica, Ali ressurge das cinzas o que não se via É como se uma flor brotasse no asfalto Ou um sacerdote fizesse um assalto O guarda fazendo grossas vistas E o artista, na rua, olha a mulher nua Que corre descaça pela calçada Então a gente olha para o horizonte E o sol defronte nos olha nos olhos E afirma que é possível reconstruir Um muro derrubado pelo vento Como se pode tudo com o pensamento E eu agradeço por isso tudo que vivo Os perigos enfrentados, as cicatrizes Expostas, a lágrima dependurada no rosto Tudo é possível tudo tudo não me iludo Por isso te apalpo e sinto teu gosto Enquanto és vida redescoberta ainda Max Montiel Severo Santa Cruz do Sul/ RS

Esses tais poetas Todos pensam Que os poetas São loucos Bichos estranhos Seres de outro planeta Ora meus caros Os poetas seres humanos De carne e osso Para mudar o mundo Possuem apenas Duas armas Papel e caneta Suas almas São despidas em versos Nus e crus Não têm pudores São questionadores Vivem na contramão do mundo Apenas um coração vagabundo Sonhador Camila Rosa Matos Cachoeira do Sul/ RS


Por Annacris Andrades Os girassois

fotografia annacrisblue@gmail.com


Sábados Saudosa infância Tardes de café na vó Sendo paparicada pela tia a neta mais nova. “Alicinha” sempre foi muito amada Desde cedo muito inteligente Elas diziam. Com seus cachinhos castanho-claro muito educada, um amor de menina. Família reunida nos aniversários da vó Todos têm uma foto épica na porta da sala. A parede da sala ficou pequena para todos os retratos de netos, bisnetos e trinetos. A infância passou depressa A vó não está mais entre nós A tia continua me paparicando A família infelizmente não se junta mais. Os sábados não são os mesmos. Alicinha cresceu e se tornou mulher. Mulher essa cheia de sonhos Mudou sua postura amável, não tolera mais certas coisas. Mas que nunca esquece suas origens Que guarda com amor e nostalgia Essa e tantas outras lembranças da infância. Alice Medeiros Cachoeira do Sul/ RS instagram: @ssoulclara

Rasurado até as bordas Papel almaço bloco de notas Canson largado às traças Amarelado no fundo armário Anseei me rasgar em mil pedaços Retalhar cada ínfimo deste impresso Em que estive inscrito Para recriar uma chuva de papel picado Sobrevoar reluzente a tua janela Num dia desses cinzentos Agora caminhas sobre o meu poema Inclina-te à rima Esparrama-te na melodia Que soluça no meio fio da calçada (Quero todos que me saibam) Interprete essa letra Com um passo de dança Como um pássaro que ainda canta. Gerson Nagel Porto Alegre/ RS instagram: @revistaescriba


A sombra do urubu teu corpo seco estatelado em fria pedra preta acomodado o voo lirico do teu eu acabrunhado ganha o ceu assim como o urubu alado silencia o grito que de qualquer jeito ja anda tao calado passeando com os besouros e caranguejos do jardim teu corpo em decomposicao aviso inerte para os dias vindouros que o futuro pariu e a terra comeu e o mosquedo assintomatico nao viu enquanto o teu eu jaz assim estrangulado folguedo do que ja fora um dia e que hoje nunca existiu Paulo Jorge Santa Cruz do Sul/ RS

Retalhos Entre altos e baixos Minha coleção ficou fora de moda. Tempo escorregou entre os dedos e a roupa ficou gasta. Tecido vistoso Hoje retalhos... Retalhos que a vida se apiedou e não jogou fora. Tecido vistoso hoje desbotado. Retalhos que guardam íntimos segredos Tempos felizes! Entre beijos e carícias, ora me cobria ora me desnudava. Diva Helena Marinho F.M. Souza Muriaé/ MG dhelenamf@gmail.com


Por Tatiana Billodre Luiz Linha de ilusão

Alma que voa Vem comigo, alma que voa Me ensina tudo sobre o céu Me mostra o que tem por lá Diz do que são feitas as nuvens Explica a beleza dos pássaros Fala sobre toda leveza que há Conta como é bonito lá em cima Muda a natureza da minha alma Até me tornar mais leve que o ar Edison Botelho Santa Cruz do Sul/ RS

colagem e ilustração instagram: @tatianabluiz


Felicidade Felicidade é o que deixamos pra trás, depois sentimos saudades. É quando nada ainda foi escrito. A felicidade não acaba, se você tropeçar. Nem se você descer alguns degraus das suas escolhas. A felicidade é aquele momento sozinha, na multidão. Era aquele desenho, que a onda apagou na areia. Não vou atrás da felicidade, se ela não vier. Não é preciso se temos o hoje, sem pensar no amanhã, ou depois. Se sobrevivi o ontem, já sou feliz. Então não deixe a esperança acabar, pra perceber o que há de melhor em você. Hoje a felicidade me é suficiente, já me basta. Eledir do Prado Rosa Venâncio Aires/ RS pradorosaeledir@gmail.com

Diarista da sedução Ela chegou sorrateira Num coração inóspito Varreu os cantos Mais íntimos numa assepsia de antigos amores fantasma de velhos temores escovou ressentimentos brilhou cristais e borrifou com aroma silvestre o velho coração agora no compasso renovado e púrbere com ares de sim à vida Jorge Rosa Cachoeira do Sul/ RS


Poema pessoal Se eu conhecesse Fernando Pessoa Pessoalmente em carne e osso Faria com os livros uma canoa E navegaria com seus heterônimos. Este escritor brincou de ser Deus Foi o criador de várias criaturas. Fingiu a dor, mas ninguém leu Os versos da própria loucura. Se eu conhecesse Fernando Pessoa O verdadeiro poeta fingidor Personagem que chora à toa O fingimento é o ferimento do ator. Se eu conhecesse Fernando Pessoa Aproveitaria o inesquecível ensejo Andaríamos pelas ruas de Lisboa , Criaríamos um cais para rio Tejo. Cleiton Leal Cachoeira do Sul/ RS Poema e imagem do autor


Todos temos dias ruins, mas nesse fim de tarde Frio e chuvoso. Tiramos nossas cascas, nossas roupas e vamos a rua. Expostos. Submetidos por inteiro. Recebemos a chuva, o frio. Minhas palavras viram borrões e em minha língua desbotam todas as palavras inúteis. Até me calar por inteiro. Eu, o poeta de uma folha molhada. Mudo de palavras inúteis. Entristeço, me entregando a tristeza. Mas a sua mão encontra a minha. Seu sorriso me invade. Finalmente entendo e deixo ir tudo que a chuva quer levar. Pois não cabe mais em mim. Thomás Weiss Vera Cruz/ RS instagram: @coletivopoesiars

Clausura Ao raptar instantes nesta tarde opaca triturados pela pandemia quero palavras soltas versos luminosos Quero um poema tocante para que depois de lido permaneça no coração Quero extrair o néctar das palavras libertar-me das eras me construir com elas. Zaira Cantarelli Tapes/ RS


Fantástico Domingo, e a gente ia no cemitério limpar o túmulo do avô. Atravessar o Sinos de barca... Berto Círio e suas estradinhas de chão batido... O cortejo tinha trilha sonora de cigarras. A mãe passava um pano úmido sobre os azulejos encardidos de sol. Seus olhos castanhos, também úmidos, transbordavam memórias do pai que já não tinha. Eu ficava por ali, absorto, espiando ossos nas covas entreabertas. Depois, a gente voltava às pressas pra casa pra ver na televisão em preto e branco “o fantástico show da vida”. Mauro Ulrich Santa Cruz do Sul/ RS

Por Ricardo Koch Kroeff instagram: @agora.eu.era


“Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhoso espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti... ” — Mário Quintana

Por Janaina Wayne

instagram: @janaina_wayne


Bônus: Confira a animação baseada no poema “Pássaro Azul” de Charles Bukowski

Tiro de Letras Ed.

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