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Tiro de Letras editora &
Revista Escriba n.7 apresentam
Os gafanhotos, a nova revoada Seleção de poemas Alvaro Barcellos Anabela Souto Pedroso Benette Bacellar Bernadete Saidelles Carla Magalhães Cristina Martim Branco Diego Petrarca Dilso J. dos Santos Duda Fortuna Edison Botelho Fábio Amaro Gerson Nagel Hamilton Alex Julio Alves Kadiny da Silva Hertzer Léris Seitenfus Lilian Rocha Lota Moncada Manuela Lopes Dipp Marcelo Silva Márcia Maranhão De Conti Maria Alice Bragança Maria Ottilia Rodrigues Michelle Buss Monica O’Day Renato de Mattos Motta Ricardo Mainieri Rodrigo Ohar Ronaldo Dória Júnior Rosmeri Menzel Sérgio Canarim Sidnei Schneider Taiasmin Ohnmacht Tony Saad TT Catalão 2020
1ª Nuvem “Poeta é que nem gafanhoto, quase nunca aparece mas quando aparece vem em bando.” (autor desconhecido)
Edison Botelho Acreditar
Lota Moncada no silêncio matinal um pobre deus triste insiste ainda sombrio em colher as flores do seu éden imaginário especialmente aquelas mudas miúdas murchas que a terra já não fecunda
Eu sou a flor que nasce ao sol E sob a noite lança sementes Sou eu mesmo meu farol Minha luz plena, intermitente Já não me mata a escuridão Nem me derrota o breu frio Sou do meu destino, capitão O almirante do meu navio Haverei de acreditar firmemente Na minha força, minha vontade Minha fé é minha flor e semente A minha definitiva identidade Escolhi ofício de lutar e lutar Como se fosse meu último dia Mas também de amar e amar Pois esta é a essência da vida
Cristina Martim Branco Marcelo Silva O terceiro dia do poema impedir que o medo coma nossa pele, sentir leves partículas de alegria, respirar pela janela aberta; amar os gatos, escrever cinco letras distintas, caminhar o meio-fio do meio-dia, mastigar um pouco de sol e futuro. depois é recolher as roupas e os olhos dentro da noite porém, antes, ao dia.
Quem de mim, me veja sobreviver do sustento que o amor alimenta em porções não se compadeça da fome à noite vem deitar comigo a inspiração/sopro, o gosto branco no leito vermelho, cobre a fome que exaure os dias Quisera os versos amanhecessem esboço ainda em quentura onde deito pro sol em maresia/vento quando a lua dançava no meu trapézio toda poesia no frescor do dia Então confessaria todo o amor só pra te encontrar de vez no tempo que nunca finda
Maria Ottilia Rodrigues Amor incessante Corpo meu sente saudade Da tua língua em deslizes curvilíneos Das tuas mãos a me tocar Do olhar desacreditado
Sozinha, pensamentos são pura memória Vivi contigo por uma semana Tua casa foi lar de perdições E agora me sinto tão só
Longe de ti estou Sinto-me gelo Fria, sem vida Não queira encostar agora
Casa minha é vazia, gelada Peito meu arde de saudade Te preciso Te amo Te quero.
Ou queira, venha Cause em mim calor como noite passada Cola tua boca em meu corpo Faça-me mulher Faça-me tua
Kadiny da Silva Hertzer Azul listrada
Gerson Nagel Subterfúgio
Te vejo de longe, Procurando algo na sua bolsa azul listrada.
Em dias chuvosos enterneço, sono pesado e denso. Noites de insônia cavalgo a cama em ritmo frenético, Vibram as paredes de dentro.
Me olha, mas não me vê. Me persegue, mas não me alcança. Procura no azul nossas últimas palavras E no listrado o beijo que nunca lhe dei. Olha nos meus olhos, Procurando aquilo que está em sua bolsa. Desculpe-me, Já não sou mais um papel rasgado Que você guarda na bagagem e esquece na bagunça. Limpe sua bolsa, Já não estou mais lá.
Lucubro o sujeito, que porventura desassossego. Que iluminem as manhãs que canto os dias tensos. Nos ponteiros do relógio subo ou desço, não sei ao certo: entristeço ou enalteço, as pessoas que tergiverso.
Ricardo Mainieri Sunday/domingo
Monica O’Day
o homem da kombi não apareceu
Saudades do seu toque Do seu cheiro do seu beijo.
com seu pregão insistente anunciando ovos & legumes
Saudades do seu riso. Dos seus gestos seus suspiros.
sol se derramou pela cidade sem ser censurado árvores repousam sem a ameaça do corte tudo parece sob controle até a emergência do caos.
Saudades de nós dois A sós nos lençóis. Saudades do carinho Comidas suas na sua cozinha. Saudades do seu amor Seu corpo seu calor Saudades vem Quando estou sem Você.
Paulo Rodrigo Ohar
Rosmeri Menzel Há poesia!
no fundo do mar jaz o navio há anos no fundo do mar carcomido moído pedaços partidos é morada de moréias e enguias um fantasma das profundezas incrustado de almas e conchas algas decoram sua proa seu mastro partido aponta para cima como quem pede salvamento mas o mastro partido é apenas a cruz no mar de seu sepultamento
Te ver, poesia... te sentir, poesia. E há poesia em todos os quadrantes, até na saudade do casal de amantes... Há poesia, há! Na brisa que embala as flores, nas flores que exalam um doce aroma de amor. No olhar encabulado de quem faz arte, no sorriso do amigo ou da chamada à parte, no semblante leve quando a vida brinda... Há poesia, há! E eu te vejo, poesia, sim! No dó-ré-mi da Fascinação na noite sem lua, pura escuridão... Não te recolhas, poesia, Já te vi...
Ronaldo Dória Jr. Música Não toco Arranho uns poucos acordes Desafinados Esqueço as cifras Perco o rumo, o ritmo, o chão Da capo Dedilhados sem muito jeito vibram as cordas de aço Tudo bem, não sou mesmo um virtuose no que faço Escolho a canção, aprendo a introdução E me sinto músico de renome me apresentando num paço
Tampouco canto Vou jogando as palavras Descompassadas Esqueço a letra Perco o rumo, o ritmo, o chão Da capo De algum canto da memória me virá o verso esquecido E se não vem, não me sinto vencido Só de estar com o violão, afugento a solidão E acalento meu coração combalido
Sidnei Schneider Flúmen caminhar sobre o rio de pedras requer pouco, apenas entrar. quando se vê, já se lançou um pé à frente, sem saber aonde vai pisar. ao escolher a pedra e a direção, o alcance da vista é pequeno, não facilitar o entorse ou a queda (seguir será preciso).
de relance, alçar os cílios, para de novo se ater ao vão e ao salto. nutre-se aonde se quer chegar. cadê o mapa? /o ruído da cachoeira já se pode avistar./
Taiasmin Ohnmacht Circular de tudo o que tinha. Tiro. Frames confusos. Tiro. Grito até encontrar o silêncio premente. Pré-mente. Conta a ti mesmo e eu mentirei quantos tu és. Quantos és tem a palavra buscapé? Sem mente, corre no chão, sem mente, zigue-zagueando, sem mente, para, estoura, enterra. Cresce carcomido o adeus que te dei, árvores tronchas de galhos a se fingirem dedos. Devo dizer, de galhos a se fingirem pelos. Devo dizer, devo dizer, devo dizer. Ponto. Restam folhas de alface para fazer. Pronto. Prato feito, primeiro minuto. Tiro o sal de minha carne. Tiro o sal
TT Catalão a base da escravidão é a sua visceral violência em “aceitar” o humano como mercadoria... senhores eliminam “não produtivos”, isolam anti-produtivos, promovem os mais servis e regulam pequenos bônus aos q razoavelmente servem: o truque foi sempre manter a massa sob migalhas sem perder o fausto do seu banquete...no pós-Chile-póstumo, um alerta aos Chicago Boys daqui e aos q alimentam a besta para implantar o viés ideológico do bestiário...
Tony Saad Escrever
Júlio Alves
Escrever é um modo delicado de sangrar pelos dedos: há um esvair-se a cada letra pingada no papel.
não acredito deus é um fracassado na fila do desemprego deus um invento sendo demitido do céu deus um invento humano pra transformar tua única vida um inferno pra pagar a longo prazo quem diz que inventou deus goza dos prazeres da carne adeus vou pra onde a vida me foder
É também um jeito de costurar feridas: há sempre algo em cada verso que me cicatriza. Estranho instinto, este: meio suicídio, meio cirurgia, que, num só gesto, me corta e me costura. Mas sempre dói.
Dilso J. dos Santos A janela grávida de passarinhos Hoje resolvi contar as estrelas. Uma para cada sorte que tive. Para cada ‘estar-sendo’... Posso até chamar de constelação, por que não? O céu me parece tão cheio de abraços que nem o calor nem o frio podem destemperar o que o sol é: fogo. Mas e a lua? A lua é escura sem o seu irmão (Apolo). A janela me olha num sorriso de paisagem, de gestante. Sei que ela está grávida de passarinhos, pois eu os sinto mexer, eu os vejo, eu os ouço, mas não ouso tocálos. Os grilos não, estes considero violoncelistas nos concertos da grama. Uma pena que só saibam tocar “Noturnos”.
Duda Fortuna Ligue é aí eu vi , tava nem aí e logo fiquei ligue on aqui ou acolá pq hoje tava estanque tranqs focado como tanque thanks na mira da fé que a vida é fera da hora e cola o agora a batalha humana que emana boas ideias , energias e emoções num constante tumtumzar dos corações chute esquerdo ou direito, o efeito é no peito e gratidão. com vc fico ligue dia à dia rimo rima, repente de repente poesia meu tio dos mil vinil, deu um riso foi pro rio disse antes q nem tão ágil . ta tá tudo lá, viu?
jazz funk e pery . até a rita tava ali. numa curva em zig zag , usando calça lee e aqui entre nós disco discado é jogo jogado quem conhece o riscado, escutou tá visto então carimba o visto que vou viajar e te chamar no DDDI. durango de duração interminável numas de amor improvável e se isso for indivisível . o improviso é imprevisto e vem do invisível pra vc fico ligue todo dia rimo rima, repente, de repente poesia.
Carla MagalhĂŁes
2ª Nuvem “Legal, se vc chegou até aqui,
não perde por esperar a próxima Revoada.”
Fábio Amaro Genealogia Vinte e sete costados me separam de Fernando IV, rei de Castela e Leão. Fernando casou com Constança, filha da Santa Isabel de Aragão e de lusitano Dom Dinis, que fundou a Ordem de Cristo para recolher o espólio dos Templários. Quarenta e cinco costados me separam do Rei Ricardo I da Normandia. Ele era chamado “O Destemido” e botou Teobaldo I pra correr antes mesmo que cruzasse o Sena. Cinquenta e sete costados me separam de Carlos Magno, rei dos francos, dos lombardos e imperador dos romanos.
Carlos o Grande, como também se diz, fundou a dinastia carolíngia e unificou sob seu jugo o que hoje se conhece como a Europa Ocidental. Com tantos nobrementes, eu bem que podia ter um castelo, ou um cetro de ouro, ou um bocado de terra. Mas aqui estou, no extremo Sul do Brasil, escrevendo um poema para não enlouquecer. Já banquei o bobo-da-corte, noutras horas me senti como um rei, mas há muito me perdi das heráldicas e da razão. Hoje só peço a benção dos anjos e as coragens ancestrais para deixar de ser prisioneiro das minhas próprias calamidades.
Bernadete Saidelles
Sou como a natureza que vive cada estação às vezes sou flor aberta noutras sou o botão
Alvaro Barcellos Retina Reges com tua batuta de condão a orquestra de poetas. E o mais louco de todos te lança um olhar bem no fundo da retina. É pesada a noite – nela despertas em sobressalto. E então percebes que a flor lilás das madrugadas ainda é o que mais te dói.
Manuela Dipp Osso do mundo No osso do mundo No fundo nada é nosso Vivo estou Vivo o que posso No poço do mundo Sem fundo difundo opostos Fundo uma nova ordem Infundo possibilidades Osso imundo Mudo no fosso Na água da poça Possantes difusores Do nada Desordem Desmando De um mundo Na fossa Há quem tudo possa
Há o que nos assole Sobra nada se fôssemos ao fundo No osso do mundo Seríamos diversos Reversos Veríamos excessos Pasmados Sentiríamos insanos Desejos Voltaríamos sábios Desnudos Cheiraríamos almíscar Oriente Cegaríamos olhares Morenos Escorreríamos areias Movediços Sonharíamos ampulhetas Tardios Sairíamos fugidios ilesos.
Sérgio Canarim Minha angústia me dá fome Não é comida que busco Vem de tudo isso que sou Esta totalidade que me compõe Intui Racionaliza Sente Percebe Pulsa Toma consciência Inconsciente consciente Mistifica Imagina Grita o instinto Isso que se dá entre vida e morte é tudo que há. Embora possa haver infinitos mundos
Isso dá uma fome do tamanho do mundo De sorver cada gota de orvalho Verão-primavera-outono-inverno Comer momentos salgados-doces-amargos-azedos Todos eles loucamente Ser tudo que há para ultrapassar aquilo que é
Anabela Souto Pedroso Máscaras Usamos algumas máscaras querendo ou não. Muitos nem percebem que as têm, outros não percebem o quanto dependem delas. Há quem as considere como partes legítimas suas. Algumas destas máscaras não foram criadas por nós, as criaram quando muito pequenos com a intenção de nos proteger de algo ou, por algum motivo, proteger o seu criador através de nós. Algumas máscaras atuam em bares ou como um “belo casal”. Há máscaras escondidas atrás de promessas e juras de amor, mas de fato podem ser verdadeiros pactos secretos vindos de quem as concedeu. Às vezes o amor que acreditamos ter por alguém mascara o desamor que temos por nós, por que na solidão, outras máscaras caem, doendo muito mais. Afinidades também podem mascarar a verdade sobre o que as pessoas sentem uma pela outra ou esconder o medo de termos que ser responsáveis por nossas próprias ações na busca de termos um outro a quem culpar. Máscaras escondem o que somos e, podem por outro lado, significar “proteger” algo muito difícil, inimaginável enfrentar. Máscaras tentam evitar rejeições mesmo já existindo um ambiente favorável para nós, pois, as próprias máscaras nos atrapalham a visão e nos acomodam a consciência. Alguns de nós acreditam ver no outro o que desejam ver, ao final, fomos nós mesmos que colocamos ou forçamos a outra pessoa a usar uma máscara para nos deixar conformados. Nem sempre conseguimos detectar tantas máscaras em nós ou nos outros. Tudo se confunde e nos faz esquecer quem e o que somos. Deixamos de existir para termos a ilusão de que existimos para alguém ou através de alguém. Ficamos todos perdidos e irreconhecíveis à nossa alma. As consciências já começam a mudar. Ninguém é igual ao outro, então, ser quem se é talvez seja tudo o que o mundo precise e o que muitos esperem de nós. Com menos máscaras, mais consciência há. Podemos nos surpreender com a vida e com quem tenha seu coração aberto.
Lilian Rocha Smile
Márcia Maranhão De Conti Serventia enterrei gritos em um terreno baldio nasceu um poema enorme onde amarro a minha rede.
Um sorriso negro Dizem que traz felicidade Para quem? No corpo morto no chão A mãe a desmaiar O pai a desesperar Os irmãos a lamentar Mais um sorriso Morto no chão Resiliente Aprisionado Em sua própria trajetória Ocultada E mentirosa Nos livros de história Um sorriso Triste.
Diego Petrarca Toda prova cantar uma letra sem sentido ou significar em acordes ou pelo o que deseja a garganta eu deveria cantar pelos cantos da casa num treino espiritual mas
toda prova de amor é uma chance ao irreversível vou deixar-me caminhar entre as distorções das guitarras sei na sombra existe um caminho que o sol consente
Michelle C. Buss Renato de Mattos Motta (Re)canto meu canto na cidade não tem encanto nem recanto não tem som nem tem lugar não é material nem musical meu canto na cidade soa um canto qualquer uma esquina uma buzina um canto sujo estridente agudo e incômodo como dor de dente
a minha raiva que você ridiculariza, revoada de pássaros que rompe gaiolas sombrias e ruma ao céu profundo, é a resposta de tantas gerações silenciadas... de tantas bocas agredidas... tantos corpos talhados por valas de medo... essa raiva é o grito das tempestades que me assolam por inteira, bordando insônia em meus olhos, arrematando fios de culpa, o meu peito que deseja ser livre. essa raiva, estouro de trovão, não é a mesma que desenha guerras, não é a mesma que oprime... é minha voz que resiste, é minha voz renascida da fogueira de cicatrizes dizendo às agressões: “não”.
Maria Alice Bragança Ela te espera no cais Penélope, ela te espera no cais. Desmancha todos os dias o tricô de sua mortalha. Ela te espera no cais. Espanta todos os pretendentes, entre eles a própria morte. Ela te espera no cais. Odisseia de um homem perdido em labirintos. Encantado por tesouros de cobre, por medalhas, honrarias e outras quinquilharias, por sereias pós-modernas e luzes de sex shops. Naufragaste. Ela te espera no cais, enquanto observa Caronte atracar.
Léris Seitenfus Pescador Vem... é dia de pescaria Se não houver peixes nem no rio nem no mar Viva em desvario Pesque o sonhar Doe asas a imaginação paz na alma é a mais nobre religião.
Hamilton Alex Mamilos misteriosos Em casa: “baby, você vai sair sem o porta-tetas? “SUTIÃ! Sim. Por quê?”, “Nada.” Redenção. Avisto um escroto, camisa de jacaré: “diabos lá vem aquele cara que eu odeio!” “E eu nunca mais olho pra tua cara se tu armar barraco!” Cumprimentos efusivos entre Deby e o Fonseca. Lendo nas entrelinhas do papo casual. Fonseca: “e tu Deby arrasando no estilo free-minista...” Papo vai, papo vem. E a impressão é que o cara falava com os mamilos dela. “Mamilos não são microfone”, eu resmungo. “Que?” “Não liga que ele é meio retardado Fonseca...” “Os mamilos dela vão secar como ameixas ou passas deste jeito!”. “Que?” “Antomnio Tomiello?!” “Amorzin?” Conversa em off: “Esse cara fica olhando pras tuas tetas que nem um bezerro faminto!” Ofensas gratuitas da parte de Deby para comigo... À noite, no apartamento, na cama. Deby sem blusa: “Onde estão os teus mamilos?” “Brocharam com tua grosseria. Na real mamilos são assim, misteriosos, somem e aparecem.” “Agora que está a sós comigo eles somem, é? Deixa comigo, amor! Vou reanimá-los!” Comecei a fazer uma respiração boca a boca neles. Digo boca nos mamilos. Nada. “Amor, sério, tu vacilou, hoje não tem clima.” Vou pra sala. Nada de NBA, nada de pornochanchada no canal Brasil. Geladeira muito melhor que televisão! Pego uma cerveja e outra e outra...
Benette Bacellar levadas pelo destino sombrio muitas mulheres estão trancadas em gaiolas dentro de suas paredes há lágrimas e sangue nos rostos uma conformação plantada por falta de esperança acostumadas com ventos violentos que arrancam as flores das árvores mais bonitas mudando a pigmentação de todos os matizes sentam-se em silêncio no canto do pátio olhando-se fixamente como se completam numa linha de desamparo entre si em lugares escolhidos ao lado da santificada melancolia e desamparadas, ficam à espera sem hora fixa para dor acabar
Xilos: Renato de Mattos Motta
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