Rubens Correia Junior
Copyright© 2018 by Rubens Correia Junior Editor Responsável: Aline Gostinski Capa e Diagramação: Carla Botto de Barros CONSELHO EDITORIAL CIENTÍFICO: Eduardo Ferrer Mac-Gregor Poisot
Presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Investigador do Instituto de Investigações Jurídicas da UNAM - México
Juarez Tavares
Catedrático de Direito Penal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Brasil
Luis López Guerra
Magistrado do Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Catedrático de Direito Constitucional da Universidade Carlos III de Madrid - Espanha
Owen M. Fiss
HOMICIDAS EM SÉRIE: ONDE ELES ESTÃO?
Catedrático Emérito de Teoria de Direito da Universidade de Yale - EUA
Tomás S. Vives Antón
Catedrático de Direito Penal da Universidade de Valência - Espanha
VOL. 2 CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ C848h Correia Junior, Rubens Homicidas em série [recurso eletrônico] : onde eles estão?, volume 2 / Rubens Correia Junior. - 1. ed. - Florianópolis [SC] : Tirant Lo Blanch, 2019. recurso digital ; 6 MB Formato: epdf Requisitos do sistema: adobe acrobat reader Modo de acesso: world wide web Inclui bibliografia e índice ISBN 978-85-9477-275-6 (recurso eletrônico) 1. Homicídios em série - Estudo de casos. 2. Criminologia. 3. Livros eletrônicos. I. Título. 18-54399
CDU: 343.61
Vanessa Mafra Xavier Salgado - Bibliotecária - CRB-7/6644 17/12/2018 20/12/2018
É proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, inclusive quanto às características gráficas e/ ou editoriais. A violação de direitos autorais constitui crime (Código Penal, art.184 e §§, Lei n° 10.695, de 01/07/2003), sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei n°9.610/98). Todos os direitos desta edição reservados à Tirant Empório do Direito Editoral Ltda.
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De Jack Estripador ao Canibal de Milwaukee... Histórias assustadoras de homicidas reais. O fenômeno serial killer em todas as partes do mundo.
Sombras e Monstros "A maldade existe em nós como uma densa sombra que cobre a todos, sem exceção. Você pode, tomado de coragem, fazer-se luz e dissipar a escuridão... Mas sem as sombras os monstros se tornam visíveis... A partir daí só lhe sobram dois caminhos: ou aceitar que eles existem em nós ou apagar a luz....” Rubens Correia Junior
Este livro dedico a um Francisco: João Francisco pela esperança em dias melhores
AGRADECIMENTOS Escrever um livro pode parecer uma atividade extremamente solitária. Contudo, para que uma folha em branco se inunde de letras, conceitos e ideias é necessário que o escritor tenha se permitido vivenciar uma série de experiências boas e ruins, tenha convivido e apreendido em cada relação. Neste sentido, todos os agradecimentos têm em si uma inegável carga de ingratidão por todos que, eventualmente, passaram pela vida do escritor e não são nominalmente citados, até porque faltariam páginas para agradecer quem edifica nossa vida. Assim, começo agradecendo a todos que de alguma forma transitaram pela minha vida, ora como protagonistas, ora como coadjuvantes ou mesmo figurantes. Todos são formadores de trechos significativos desta obra. Cada observação feita, até mesmo frente às pessoas que para mim são anônimas, acabou por resultar na maneira como vejo a vida e consequentemente a maneira como vejo o fenômeno aqui estudado. Já objetivamente procuro agradecer aqueles que de forma direta tiveram participação para que esta obra se tornasse uma realidade. Primeiramente agradeço ao IPEBJ/SP e toda a sua equipe atual, assim como todos os funcionários que por lá passaram ao longo dos últimos cinco anos. Neste sentido agradeço também a FACTHUS/MG, casa onde hoje leciono. Meus agradecimentos ao professor Murillo Gutier, assim como todos do escritório Santo Gutier; ao psicólogo português Mauro Paulino que deste livro participou sem pestanejar e a psicóloga argentina Silvia Tendlarz por nossa parceria desde o seu livro (que tive a honra de traduzir) até o prefácio desta obra. A professora Carla Ventura e nosso grupo de pesquisa GEPESADES/USP. Meus singelos agradecimentos à Luana De Vito por acreditar continuamente e pelo apoio incondicional a obra, além da colaboração intelectual e crítica sempre.
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HOMICIDAS EM SÉRIE: ONDE ELES ESTÃO? - VOLUME 2
Não poderia deixar de citar os meus alunos, seja de graduação e pósgraduação por todo o aprendizado e experiências que culminaram com considerações neste livro. Agradeço igualmente aos professores de penal, processo penal e criminologia que passaram pela minha vida, em especial a psicóloga Fernanda Otoni. Por fim, agradeço ao meu filho João Francisco por suportar algumas horas de minha ausência, preço que paguei por cada página deste livro.
APRESENTAÇÃO Primeiramente insurgirmos com a definição de homicida em série como sendo aquele indivíduo que comete dois ou mais homicídios, em eventos separados, necessitando de um período para o resfriamento emocional, além disso, na maioria das vezes age sozinho, sendo a motivação psicológica o impulso mais frequente e quase na totalidade dos casos com a presença de uma ou mais parafilias. Partindo desta definição e da análise mundial do fenômeno neste trabalho apresentada, resta incontroverso que o fenômeno homicida em série não respeita fronteiras ou qualquer outro tipo de barreira cultural existindo em todo o mundo. Ao longo do último século fica claro que este fenômeno se multiplicou em todas as sociedades. Fatores como o mundo urbanizado, a sociedade de consumo, a dificuldade de se lidar com o crescimento da violência nas grandes metrópoles, o distanciamento dos indivíduos na sociedade moderna, a perda da eficácia social, as dificuldades de se manter o núcleo familiar ou afetivo e a sensação de impunidade criminal (real ou simbólica) como fenômeno mundial contribuíram e edificaram estes sujeitos no seio da sociedade. Realmente essa sociedade de consumo pós-revolução industrial com sua urbanização raramente planejada, com o crescimento da pobreza, o capitalismo exacerbado e o modo de vida moderno em nada ajuda na diminuição de fenômenos violentos. Ao contrário, podemos dizer que estes ingredientes funcionam como facilitadores, catalisadores e patrocinadores para novos homicidas e demais sujeitos que vivem à margem social assim como potencializa o aparecimento de mais indivíduos estigmatizados pela ordem social imposta sempre pelo poder dominante. Na contemporaneidade a banalização do mal contribui para exponenciar estes criminosos e faz com que a sociedade vislumbre estes homicidas ora como uma coisa natural (ou mesmo como mero entretenimento na mídia
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HOMICIDAS EM SÉRIE: ONDE ELES ESTÃO? - VOLUME 2
e nos meios de comunicação de massa) ora como um bode expiatório que representa simbolicamente tudo de ruim que existe na sociedade e em nós. Sendo assim não é só desconfortante como também inaceitável as opiniões de alguns pesquisadores do tema que vislumbram como soluções para os homicidas em série apenas a morte ou o encarceramento perpétuo, justificando assim a pena de morte ou mesmo medidas extrapenais para manter o indivíduo preso indeterminadamente. Tais medidas, além de ineficazes, se mostram totalmente descontextualizadas frente à universalidade do fenômeno. Pois, estes indivíduos são um sintoma de nossa sociedade e a partir deles e de sua análise podemos refletir sobre a própria coletividade e também diminuir tais incidências. O fenômeno homicida em série é apenas o retrato estereotipado e alegórico dos comportamentos violentos que insistem em proliferar em nossa sociedade. Desta forma não podemos irracionalizar o estudo dos comportamentos desviantes no afã de achar uma resposta objetiva ou principalmente uma solução simples e rápida (tais soluções não existem). Sabemos que desde as malfadadas teorias de Lombroso, as tentativas de se catalogar os criminosos de maneira científica quedaram-se insatisfatórias e o mais grave: todas as classificações vêm eivadas de preconceitos e definições rasas pautadas em diversos interesses ideológicos. Portando, podemos inferir que tais sujeitos classificados como homicidas em série, não são monstros nem mesmo anomalias assombrosas. Pelo contrário, são “demasiadamente humanos”. Não corroboramos com o sistema hoje instituído em relação à culpabilidade, e principalmente a divisão ingênua entre imputáveis e inimputáveis, mas também não questionamos que os homicidas em série devam sim ter respostas frente à conduta cometida (dentro da perspectiva psicanalítica que há necessidade de responsabilização frente ao ato). Devido a isso uma nova e necessária análise se faz a luz da criminologia, da política criminal e de uma abordagem crítica com três essenciais e urgentes modificações: uma mudança na maneira que a mídia trabalha com estes criminosos seriais; outra mudança com relação aos autores e estudiosos criminais e principalmente um redirecionamento da maneira que a justiça trata tais criminosos. Por fim, não há maneira de prevenir objetivamente tais crimes, mas
APRESENTAÇÃO 13
uma sociedade justa e igualitária fatalmente sofreria menos com toda espécie de comportamento desviante. Tal sociedade pode começar a ser edificada com uma nova maneira de ver a questão prisional, uma releitura da culpabilidade em si e uma crítica a sociedade moderna. O homicida em série como todo e qualquer criminoso não pode e não deve se escusar da lei e da sociedade, mas é imprescindível que a sociedade e a lei também não se escusem e não se esqueçam do sujeito por trás do criminoso.
Rubens Correia Jr. 01 de maio de 2018
NOTA O Presente livro se faz apenas na intenção de noticiar fatos e atos que foram amplamente divulgados pela imprensa ou já descritos em livros e em sua maioria com processos judiciais findos ou mesmo em fases derradeiras. Não configura, em nenhum momento informações exclusivas do autor e tampouco refletem a sua opinião na interpretação das provas. Assim sendo, em nenhum momento há a intenção de caluniar ou difamar qualquer das pessoas que aqui são descritas, frisamos mais uma vez que a obra se limita a apenas prestar informações jornalísticas, não havendo desejo de desmerecer ou imputar informação meramente depreciativa de terceiros. No Estado Democrático de Direito a liberdade de expressão e de reflexão é uma garantia constitucional assegurada aos textos de raiz jornalística. Apesar de conter fatos criminosos e, por vezes, uma análise negativa (mas técnico-jurídica) não há a presença de dolo específico visando desmerecer a honra de nenhum sujeito. Optamos por uma linguagem cuidadosa e ressaltamos sempre que não há monstros ou predadores descritos aqui. Mas sim seres humanos que podem ter cometido crimes bárbaros e somente por eles devem ser julgados. Não temos aqui a pretensão de descrever a verdade absoluta e indiscutível até porque esta é inalcançável e quimérica, o que neste livro se apresenta é apenas uma das versões do fato, um ponto de vista geralmente narrado por jornalistas ou descrito nas fases investigatórias. Por fim, ressaltamos que não há processo penal que leve impreterivelmente à verdade. Portanto, os fatos aqui descritos estão sujeitos a mudar. E em nossas próximas edições estamos prontos a fazer as devidas atualizações e melhoramentos.
SUMÁRIO
1 - O HOMICIDA EM SÉRIE PELO MUNDO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 2 - HOMICIDAS EM SÉRIE NA EUROPA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 2.1. ALEMANHA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Joachim Georg Kroll . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Paul Ogorzov . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 Peter Kurten . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
2.2. ÁUSTRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Jack Unterweger . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
2.3. ESCÓCIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 Dennis Andrew Nilsen . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
2.4. ESPANHA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 Francisco García Escalero . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 José Antônio Rodriguez Vega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 Manuel Delgado Villegas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
2.5. FRANÇA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 Gilles de Rais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 Henri Désiré Landru . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Joseph Vacher . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 Marcel André Henri Félix Petiot . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Thierry Paulin e Jean-Thierry Mathurin . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
2.6. GRÉCIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 Dimitris Vakrinos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
2.7. HUNGRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Bela Kiss . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Erzsebeth Bathory (Elizabeth Báthory) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
2.8 INGLATERRA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 Graham Young . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 Harold Shipman . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Jack, o Estripador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 John G. Haigh . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
2.9. ITÁLIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 Leonarda Cianciulli . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 Monstro de Florença (Pietro Pacciani) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 Vicenz Verzeni . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
2.10. POLÔNIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 Lucian Staniak . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
2.11. RUSSIA E ANTIGA UNIÃO SOVIÉTICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 Alexander Pichushkin . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
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HOMICIDAS EM SÉRIE: ONDE ELES ESTÃO? - VOLUME 2
SUMÁRIO 19
Andrei Romanovich Chikatillo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
Ranavalona Manjaka . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123
2.12. SUÉCIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
5.5. MARROCOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125
Thomas Quick (Sture Ragnar Bergwall) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
2.13. UCRÂNIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 Anatoly Onoprienko . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
3 - HOMICIDAS EM SÉRIE NA ÁSIA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 3.1 . CHINA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 Hu Wanlin . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 Wenxian Li . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 Zangh Youngming . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 Yang Xinhai . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
3.2. IÊMEN . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 Muhammad Adam Omar Ishaak . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
3.3. ÍNDIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 Kampatimar Shankariya . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 Raman Raghav . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
3.4. IRÃ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 Gholomreza Khoshuruy Kuran Kordiyeh (Ali Reza Khoshruy Kuran) . . . . 96 Saeed Hanaei . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
3.5. JAPÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 Kiyoshi Okubo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 Yoshio Kodaira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
3.6. PAQUISTÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Jave Iqbal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
4 - HOMICIDAS EM SÉRIE NA OCEANIA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 4.1. AUSTRÁLIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 Ivan Robert Marko Milat . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 John Wayne Glover . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 William MacDonald . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109
4.2. INDONÉSIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 Ahmad Suradji . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113
5 - HOMICIDAS EM SÉRIE NA ÁFRICA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 5.1. ÁFRICA DO SUL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Christopher Mhlengwa Zikode . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Elias Xitavhudzi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 Moses Sithole . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
5.2. EGITO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 Ramadan Abdel Rehim Mansour . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121
5.3. GANA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122 Charles “papa” Kwabena Ebo Quansah . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122
5.4. MADAGASCAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123
Abdelali Amer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 Hadji Mohammed Mesfewi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126
5.6. NIGÉRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127 Kazeem Ayedemo (Adeyemo) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
6 - HOMICIDAS EM SÉRIE NA AMÉRICA DO NORTE. . . . . . . . . . . . . . . . 129 6.1. CANADÁ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 Peter Woodcock (David Michael Krueger) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 Robert William Pickton . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Russel Maurice Johnson . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 Wayne Clifford Boden . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135
6.2. ESTADOS UNIDOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136 Aileen Carol Wuornos (Aileen Carol Pittman) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139 Albert Hamilton Fish . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144 Albert Fish . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146 Albert Henry DeSalvo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 Dorothea Puente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 Ed Gein . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 Gary Michael Heidnik . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164 Gewndolyn Graham e Catherine Wood . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166 Henry Lee Lucas e Ottis Toole . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 168 Herbert Mullin . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172 Jeffrey Lionel Dahmer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174 John Wayne Gacy Jr. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179 Theodore Bundy . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184 Willian Theodore Henry Durrant . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189 Zodíaco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 190
6.3. MÉXICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 Adolfo de Jesús Constanzo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 José Luis Calva Zepeda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199 Juana Barraza . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200
7 - HOMICIDAS EM SÉRIE NA AMÉRICA CENTRAL . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 7.1. BAHAMAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 Cordell Farrington . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203
7.2. JAMAICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 Lewis Hutchinson . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204
8 - HOMICIDAS EM SÉRIE NA AMÉRICA DO SUL. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207 8.1. ARGENTINA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207 Francisco Antônio Laureana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207
8.2. BOLÍVIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209 Ramiro Artieda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209
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HOMICIDAS EM SÉRIE: ONDE ELES ESTÃO? - VOLUME 2
8.3. BRASIL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 210 Anestor Bezerra de Lima . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 212 Benedito Moreira de Carvalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 212 Cirineu Carlos Letang da Silva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 214 Cláudio de Souza . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 215 Douglas Baptista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216 Febrônio Índio Do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216 Francisco Costa Rocha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 222 Francisco das Chagas Rodrigues de Brito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 231 Francisco de Assis Pereira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234 Henrique Oliveira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 238 Jose Augusto Do Amaral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239 Jose Ramos e Catarina Palse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244 Paulo Sérgio Guimarães . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 249 Ainda sobre o Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 250
8.4. CHILE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254 Emily Dubois . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254 Julio Pérez Silva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255
8.5. COLÔMBIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257 Luís Alfredo Garavito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257 Pedro Alonso López . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260
8.6. EQUADOR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 265 Gilberto Antônio Chamba . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 265
8.7. PERU . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 267 Pedro Pablo Nakada Ludeña . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 267
8.8. URUGUAI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 268 Pablo José Gonçalvez Gallareta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 268
8.9. VENEZUELA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269 José Dorángel Vargas Gomes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269
9 - LISTA DE HOMICIDAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273 1. LISTA DE HOMICIDAS EM SÉRIE PELO MUNDO . . . . . . . . . 273 2. LISTA DE HOMICIDAS EM SÉRIE BRASILEIROS . . . . . . . . . . 286 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291
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O HOMICIDA EM SÉRIE PELO MUNDO A despeito do número expressivo de homicidas americanos, ingleses e afins, importante se faz desmistificar a vinculação entre homicidas em série e a cultura norte-americana ou mesmo anglo-saxônica. Embora seja latente que algumas culturas são, por motivos ainda desconhecidos, berço de casos de homicidas seriais, como Estados Unidos, Inglaterra e África do sul (principalmente os arredores de Atteridgeville), o fenômeno não vai se restringir a estes territórios. Demonstrar que este fenômeno tem proporções mundiais e não é fruto apenas de uma cultura restrita ou um sistema político qualquer é importante para o amadurecimento, respeitabilidade e a relevância das doutrinas criminológicas que tratam destes sujeitos. É imperioso trazer ao leitor a relevância do assunto, uma vez que os homicidas em série estão em toda parte do mundo, não se restringindo a filmes estadunidenses. Estabeleceremos então a geografia e a história dos homicidas em série, sendo húngaros, franceses, soviéticos, americanos ou ingleses. E tornar o assunto mais concreto e palpável, afastando toda e qualquer forma de idolatria ou falácia midiática, para então adentrarmos a criminologia e a psicologia cruciais e patentes ao tema.
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HOMICIDAS EM SÉRIE NA EUROPA Podemos considerar a Europa como o verdadeiro berço do fenômeno criminal descrito neste trabalho, desde a homicida Locusta no Império Romano, quando então os crimes em série começaram a ser notados historicamente. Passando pelos nobres e monarcas medievais como Gilles de Rais e Erzsebeth Bathory, que elevaram as mortes em série a números inimagináveis e também levantaram dúvidas em relação aos seus respectivos julgamentos. Foi também na Europa que o assunto homicídios em sequência (embora não houvesse essa expressão) se consolidou definitivamente com Jack estripador quando as ruas de Londres propagavam o medo e o receio por um assassino que nunca sequer foi capturado. O século XX avançou e na França o perspicaz homicida francês Henry Landru, comprovou que o conhecido velho continente sempre esteve às voltas com os crimes violentos, bárbaros e seriados em todos os lugares. Além disso, a Europa também foi responsável pela consolidação destes homicidas no ideário da população e foi a primeira a avançar nas formas e técnicas de investigação deste acontecimento policial. Para confirmar as premissas acima descritas, citaremos alguns dos mais prolíficos homicidas do velho continente, espalhados por dezenas de países.
2.1. ALEMANHA Joachim Georg Kroll Entre a década de 1950 e 1960, a Alemanha foi palco de uma série de homicídios, geralmente precedidos de estupro e tendo como modus operandi a esganadura ou estrangulamento. As incontáveis vítimas eram geralmente crianças e adolescentes do sexo feminino, com idades variando de 5 a 16 anos. O homicida era Joaquim Kroll, alemão de família grande que viu o pai se tornar prisioneiro durante a segunda guerra. E na década de 1950
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perdeu a mãe. Não há maiores relatos de abusos ou violência sofrida ainda criança. Mas é inegável que sua carreira homicida somente se iniciou após a morte de sua progenitora. Começou praticando violações sexuais e morte, mas posteriormente chegou ao canibalismo, necrofilia e ao sadismo (uma vez que cortava algumas das vítimas em vários pedaços, em especial as nádegas e braços). De todas as vítimas que se atribuem a este homicida, apenas algumas sofreram a dilaceração do corpo, pois Kroll não parecia seguir um padrão exato na execução de seus crimes. Curiosamente, embora a maneira de matar se alterasse, este homicida alemão costumava a matar suas vítimas em locais próximos. Foi preso na década de 1970, após descobrirem vísceras de crianças nos encanamentos de seu apartamento. A polícia no dia da prisão chegou a verificar parte de um corpo cozinhando em uma panela. Foi condenado por oito homicídios, mas confessou um número bem maior. Estimasse que pelo menos 14 crianças e adolescentes morreram em sua mão. Morreu na prisão em 1991.
Paul Ogorzov O cidadão alemão Paul Ogorzov era ferroviário e um dos muitos membros do partido nazista. Pode-se dizer que o nazismo alemão contribuiu em muito para que este homem tivesse tanta liberdade para abordar, estuprar e matar mulheres, uma vez que as forças policiais da Alemanha estavam então dedicadas à busca de outros inimigos do Reich como judeus, ciganos e homossexuais. Paul que já tinha um histórico reconhecidamente misógino, mas nos anos de 1939 a 1941, sua fúria ultrapassou qualquer limite e passou a matar as mulheres. Foi condenado pela morte de oito destas mulheres, além de várias tentativas de homicídio e dezenas de agressões. Seu modus operandi consistia, na maioria das vezes, em estupros seguidos de golpes dados com um cabo de chumbo. Ele foi beneficiado pelo período de guerra, e chegou a se oferecer para a proteção das mulheres nos trens durante a noite, proteção essa que foi solicitada exatamente para impedir as mortes que ele mesmo perpetrava. Os companheiros nazistas de Ogorzov não tiveram compaixão ao condená-lo a morte por seus crimes em um julgamento que durou apenas uma tarde. Ele foi morto em 1941.
Peter Kurten Um pouco antes da segunda guerra mundial, outro sádico alemão de nome Peter Kurten ou “Vampiro de Düsseldorf ”, aterrorizou Koln-Mulheim.
2 - HOMICIDAS EM SÉRIE NA EUROPA
Kurten se notabilizou pela precocidade homicida, sendo que seu primeiro homicídio foi logo aos nove anos, aliás, se tratou na verdade de um duplo homicídio. Parte desta sagacidade e crueldade é explicada pela infância pobre e família completamente desestruturada e violenta. Seu pai foi preso por tentativa de estupro das próprias filhas, ato banal e corriqueiro naquele lar e realizado na frente de todos os filhos. Como se não bastasse, seu pai ainda abusava e violentava sua mãe na frente de todos os irmãos. Em relação a Peter, ainda muito novo já praticava sexo com animais, esfaqueando-os no momento do ato. Parecia ter seu prazer vinculado ao sangue e morte das vítimas. Na adolescência, seguiu as atitudes do próprio pai e violentou suas irmãs. A masturbação compulsiva e a pirofilia eram distúrbios frequentes na vida do jovem alemão. Na adolescência também praticou crimes variados, inclusive contra o patrimônio. Mas foi somente aos 16 anos que voltou a matar. O estupro seguido de morte passou a ser seu modus operandi predileto; sua onda de crimes não cessaria, nem mesmo após seu casamento em 1921 (embora sua fúria homicida se aferreceu durante os primeiros anos de matrimônio). Entre a adolescência e sua morte antes de completar 50 anos, Peter foi preso inúmeras vezes, e sempre que retornava a sociedade voltava a praticar toda uma série de crimes, contra a propriedade, contra a dignidade sexual e contra a vida (estrangulamentos, incêndios, morte a facadas, esganaduras). Kurten só pararia de matar em 1930, depois de um ataque mal sucedido foi capturado pela polícia. Foi julgado por nove homicídios, embora se estime que tenha matado o dobro disto. Foi condenado a guilhotina em 1931 e ao receber o veredicto animou-se com a possibilidade de ter seu próprio pescoço cortado. Morreu em julho de 1931. Vale frisar que sua alcunha de vampiro se deu ao fato de ter confessado ter bebido sangue de alguns animais e também de algumas vítimas. Embora tais fatos nunca foram devidamente apurados. Veja também: 1931 – M - O vampiro de Dusseldorf. Com Peter Lorre, Otto Wernicke. Direção de Fritz Lang (vale frisar que o Diretor negou ter se inspirado em Peter para criar o vilão, mas as semelhanças entre o protagonista e o homicida alemão são tão grandes que decidimos manter nossa indicação). 1965 – O diabólico Vampiro de Dusseldorf. Com MarieFrance Pisier, Annie Anderson. Direção de Robert Hossein
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2 - HOMICIDAS EM SÉRIE NA EUROPA
2.2. ÁUSTRIA
2.3. ESCÓCIA
Jack Unterweger
Dennis Andrew Nilsen
Já na Áustria, Jack Unterweger ficou conhecido pela morte de diversas mulheres não só em seu país. Jack seguiu uma história semelhante a outros homicidas, cresceu em um lar desestruturado e desde cedo conviveu com a violência e o abuso sexual. Sua infância foi cercada pela prostituição e drogas e sua mãe foi presa quando tinha três anos. Cresceu com os avós e sempre foi descrito como uma criança problemática.
A Grã-Bretanha, no final da década de 1970 e começo da década de 1980, foi o palco para o escocês Dennis Andrew Nilsen que estrangulou, desmembrou e cozinhou 15 pessoas (entre homens e meninos). Sobre sua infância, merece destaque o pai descrito como alcoólatra e ausente e uma mãe com um forte apelo religioso que, por vezes, pregava ao filho todos os malefícios do sexo e das impurezas da carne. Aos quatro anos, após a mãe se casar novamente Nilsen passou a ser criado pelos avós. A vida principalmente com seu avô é descrita como calma e afetuosa, mas aos seis anos seu avô faleceu e depois disso Nilsen se tornou uma criança introspectiva, isolada e ressentida por acreditar que era preterido frente aos seus irmãos.
Dos 16 anos até os 25 foi diversas vezes condenado e preso, sempre por motivos semelhantes: agressões a prostitutas ou violência e abuso sexual a mulheres. Seu primeiro homicídio se deu em 1974, quando estrangulou uma jovem alemã de 18 anos, utilizando o sutiã da vítima para perpetrar o crime. Foi condenado a prisão perpétua e escreveu no cárcere uma série de contos, poemas e até uma autobiografia. Este novo ofício deu a UnterWeger uma notoriedade nos anos 1980, e se tornou uma pessoa conhecida no meio artístico. Conseguiu a liberdade em 1990 (mediante o perdão de sua prisão perpétua, que foi solicitado por vários intelectuais e até mesmo um prêmio Nobel da paz), depois de 15 anos em regime fechado. Logo após sua soltura, voltou imediatamente a matar e estima-se que matou mais dez pessoas não só na Áustria, como também na antiga Tchecoslováquia e nos Estados Unidos. Seu modus operandi continuou sendo o estrangulamento pelo sutiã da vítima, combinado com agressões diversas, estupro e também a introdução de objetos, galhos e paus na vagina das vítimas. Em 1994 foi condenada a prisão perpétua por nove homicídios e posteriormente se suicidou devido ao veredicto. Pouco antes de seu julgamento foi diagnosticado com transtorno de personalidade narcisista. Veja também: 2015 – Jack. Com Johannes Krisch, Birgit Minichmayr, Paulus Manker. Direção de Elisabeth Scharang
A primeira vítima relatada foi um menino natural da Irlanda. Nilsen então com 23 anos o asfixiou com uma gravata e guardou o corpo por quase um ano. Nos anos que se passaram o homicida permaneceu com o mesmo modus operandi, matou mais de uma dezena de homens, geralmente asfixiados por gravatas e fios elétricos, dissecados e cortados em vários pedaços. Pedaços estes, jogados no vaso sanitário ou enterrados sob o piso da casa. Posteriormente, tais restos mortais eram queimados em fogueiras armadas no próprio jardim. Nilsen cozinhou grande parte de suas vítimas e é inegável que se deliciava com a morte e os corpos, mas o seu canibalismo nunca foi devidamente provado. Seu modus operandi levou a descoberta de suas vítimas no encanamento de sua residência, uma vez que um entupimento fez com que os vizinhos chamassem um encanador e este fez a terrível descoberta de pedaços humanos dentro dos canos. Nilsen foi preso, sendo logo depois julgado e sentenciado a prisão perpétua em 1983. Ele ainda está vivo em uma prisão na Inglaterra. Veja também: 1989 – Cold Light of Day. Com Bob Flag; Claire King. Direção de Elisabeth ScharaFhiona Louise
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2 - HOMICIDAS EM SÉRIE NA EUROPA
importunado. Aliás, sua história homicida só encontra fim devido às vozes de sua cabeça que ao invés de pedirem por mais mortes, pedem que ele se suicide.
2.4. ESPANHA Francisco García Escalero Conhecido como o assassino de mendigos, este homem matou mais de dez pessoas na Espanha na década de 1980. Seus crimes chamaram atenção pela violência, necrofilia e também canibalismo. Em seu julgamento foi considerado inimputável devido a diagnósticos que apontavam esquizofrenia e alcoolismo. Francisco foi uma criança introspectiva e solitária e cresceu em áreas pobres da cidade de Madri. Sofreu na infância não só com a pobreza, mas com uma frágil saúde e também com os frequentes espancamentos de seu pai. Tendências suicidas eram presentes e desde muito jovem começou a praticar pequenos furtos. Antes dos 21 anos já havia cometido vários crimes, inclusive o estupro de uma jovem o que lhe rendeu uma condenação de 12 anos. Ir para a prisão não parecia incomodar Escalero que desde os 16 anos já frequentava centros psiquiátricos e reformatórios. Na prisão se mantém isolado e com hábitos incomuns, como tatuagens com frases depressivas e masoquistas. Ao sair da prisão não tinha mais nenhum contato com o mundo, abandonado pela família e sem nenhum conhecido passou a perambular pelas ruas de Madri e mendigar, frequentemente bêbado. Em 1987 Escalero decidiu seguir as vozes em sua cabeça que imperativamente ordenavam que ele matasse pessoas. Neste ano, ele decapitou e matou sua primeira vítima, uma prostitua viciada em drogas que vivia nas ruas. Após a primeira morte e um pequeno intervalo de alguns meses, Escalero volta a matar e seu modus operandi que desde o primeiro homicídio se destacava pela violência vai se tornando ainda mais brutal inclusive com a retirada das vísceras, a decapitação, esmagamento de crânio com pedras, vítimas queimadas e por fim chega a experimentar a carne das vítimas. Nos intervalos entre um homicídio e outro, o homicida espanhol não descansava e costumava a visitar cemitérios onde profanava as sepulturas e praticava necrofilia com os cadáveres. Como as vítimas eram mendigos, pobres e indigentes a polícia demorou a relacionar todas as mortes a um só homicida. Foram sete anos que Escalero pôde cometer crimes sem ser
Porém sua tentativa de suicidar-se não se concretizou e ao ser levado ao hospital acabou por confessar todos os seus crimes. Escalero foi, enfim, condenado em 1995 pela morte de 11 pessoas e morreu na prisão em 2014.
José Antônio Rodriguez Vega A Espanha viveu dias de pânico ao se deparar com José Antônio Rodriguez Vega que em dois anos (1987 e 1988) matou 16 mulheres, além de violentá-las e estuprá-las. Conhecido como “o assassino de senhoras” Vega foi preso e condenado, pelas 16 mortes, a mais de 400 anos de prisão. Pouco se sabe da infância e começo da adolescência deste homicida, o que se pode afirmar é que começou sua carreira criminosa já na fase adulta com agressões e estupro de mulheres. Tais atos o levaram a prisão com uma sentença de 27 anos de reclusão em 1978. Foi beneficiado pela lei espanhola da época que previa o perdão das vítimas nos casos de crimes sexuais e foi colocado em liberdade em 1986. Após a prisão, casou e era descrito por todos como um homem zeloso, prestativo e bom marido. Em agosto de 1987 comete seu primeiro homicídio, uma senhora de 80 anos. As demais vítimas tinham idade de 66 a 93 anos. Vega foi preso em 1988 e em seu julgamento o diagnóstico se deu pela psicopatia, descrito como um assassino organizado, frio e paciente. Seu modus operandi era observar a rotina da vítima, depois se fazer passar por um ajudante, empregado de empresas de telefonia para então adentrar a casa das vítimas e asfixiá-las. Posteriormente furtava alguns objetos da casa para guardar com souvenires dos crimes cometidos. Na prisão foi assassinado em 2002.
Manuel Delgado Villegas Conhecido como “El arropiero” este homicida em série é considerado por muitos como o mais prolífico assassino espanhol. Estima-se que chegou a matar quase cinquenta pessoas. Sua infância foi dura, uma vez que perdeu a mãe no parto. Cresceu em uma Espanha pós-segunda guerra e com um pai ausente e alheio. Isto levou a ser criado por sua avó e depois por uma série de parentes. O ponto em comum de todas as casas que morou na infância eram os brutais espancamentos a que
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era sempre submetido. Sem nenhuma perspectiva e longe da escola, aos 12 anos já demonstrava um interesse incomum por sexo e passou a ganhar dinheiro com isto, chamava a atenção de seus parceiros pela sua incapacidade de ejacular o que agrava clientes. Aos 18 anos se juntou a legião espanhola e alguns anos depois desertou e viajou o mundo, espalhando um rastro de cadáveres por Espanha, Itália e França. Aos 21 anos cometeu seu primeiro crime, em 1964 matou um homem com pedradas na cabeça e depois subtraiu seus pertences. Três anos depois voltou a matar, uma jovem de apenas 21 anos e daí por diante foram dezenas de mortes sem um modus operandi reconhecível. A única semelhança nas mortes era que geralmente feria as vítimas com golpes de karatê aprendidos na época do exército. Com algumas vítimas praticou também necrofilia, enquanto outras mortes foram latrocínio.
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há séculos. Existem famosos homicidas da Idade Média. Dentre estes, sem dúvida, o mais proeminente foi Gilles de Rais. Bielba assevera (2007, p. 97): “Este [Gilles de Rais] é sem dúvida um dos assassinos mais cruéis e sádicos que apareceram na história da criminologia. A mente doente deste homem imaginou e efetivou horríveis homicídios que ainda hoje em dia provocam pavor”. Com finalidades de um estudo mais objetivo e cientifico, achamos por bem catalogar os crimes que tenham um maior número de evidências e não apenas lendas e documentos dúbios, considerando então como os pioneiros crimes em série os acontecidos e relatados na Europa nos séculos XV e XVI, pelos nobres e monarcas.
Confessou exatos 48 crimes, em uma jornada criminosa que durou de 1964 a 1971, mas como a Espanha vivia uma ditadura de pouco contato internacional os crimes cometidos na França e na Itália nunca foram devidamente apurados. Foi preso na década de 1970 e levado ao centro psiquiátrico de Carabanchel em 1978, onde ficou por quase duas décadas até ser solto. Livre não voltou a matar e morreu devido a uma doença pulmonar em 1998. O detalhe é que Manuel nunca foi devidamente julgado por nenhum de seus crimes. Veja também: 1989 – Arropiero, el vagabundo de la muerte. Documentário. Direção de Carles Balagué.
Gilles de Rais por Éloi Firmin Féron. Século XIX.
2.5. FRANÇA Gilles de Rais Como já foi observado anteriormente, o triste fenômeno de homicidas em série estudado, tem suas origens obscuras, e estima-se que exista
Primordialmente vale ressaltar que há uma linha bastante complexa para se distinguir homicidas em série dos déspotas da monarquia e da nobreza dos séculos que sucederam a Idade Antiga. Uma vez que tais nobres e monarcas se transformavam rapidamente em tiranos quando obtinham poder e dinheiro e a partir disso não conheciam limites, sendo que grande parte das vezes, tais lideres tinham seu papel confundido com o papel religioso.
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Esses nobres uma vez com o poder ilimitado, gozavam de toda a liberdade para dizimar etnias, opositores e todos os desafortunados que cruzavam seu caminho, principalmente sob o argumento de heresia e blasfêmia. Tais crimes divergem em muito das características dos homicidas seriais. Partindo então desta premissa, podemos admitir como um dos precursores dos homicidas em série modernos o nobre Francês, Gilles de Rais, primeiro barão de Bretanha, nascido em 1404 em Machecoul. Na idade adulta se tornou um soldado e também o homem mais rico da Europa devido a um casamento muito bem sucedido. Chegou a atuar na política e disponibilizar cavaleiros para algumas guerras, no entanto afastou-se da vida pública após a morte de Joana D’Arc, cuidando apenas das suas imensas propriedades (BERTIN, 1980). O nobre padronizou sua vida tomando como expoente o imperador Calígula, conhecido imperador libertino e sanguinário. Desperdiçou quase toda sua fortuna com seu estilo de vida pautado em excesso e em uma crescente pedofilia sádica. Sua vida foi pautada em gastos hiperbólicos e a busca incessante de sua satisfação sexual de maneira extravagante. O ápice desta vida de excessos foi a prática da alquimia, ambicionando uma possível produção de ouro. Esse desejo o tornou alvo fácil dos mais variados charlatões que vivam de lhe aplicar golpes. Até então, a agitada vida de Rais em nada se diferenciava com a de tantos nobres na Idade Média, embora já fosse excessivamente violento até para os padrões da época. O que o levou ao patamar de homicida serial foi sua compulsão pela pedofilia. Tendlarz e Garcia (2013, p. 138) lembram que a grande mudança no comportamento de Rais se deu após a morte de seu avô: Com a morte de Jean de Croan, seu avô paterno,(outra figura importante na juventude de Gilles) em 1432, o jovem de Rais com 28 anos e recém nomeado Marechal começa a cometer seus crimes. O desaparecimento desta presença forte e brutal que era seu avô paterno contribuiu possivelmente para libertar e desmantelar sua psique.
Rais molestava e sodomizava crianças de ambos os sexos e ainda as torturava e assassinava na maioria das vezes decapitadas, com o intuito único de se divertir. Raptar crianças era sua ocupação predileta que piorou depois que conheceu o padre Francisco Prelati, que o iniciou em rituais demoníacos que utilizava o sangue das crianças na tentativa vã de originar o ouro do ferro e chumbo (BERTIN, 1980).
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Nos anos que se seguiram a 1430, foram contabilizados mais de 800 meninos desaparecidos com as idades de 8 a 10 anos na região da Bretanha. Tendlarz de Garcia (2013, p. 137) em relação à Rais afirmam: No tocante aos seus abusos com as crianças assassinadas (particularmente gostava de mandar abrir os corpos, despedaçar, cortar o pescoço, pelo simples prazer de ver sangue, e tudo isto produzia uma grande excitação sexual), a resposta que obtinha era o silêncio dos humildes pais de suas vítimas, pelo temor de represálias. A angústia frente aos caprichos da nobreza caracterizava o mundo feudal. A volúpia do Marechal da França, vencedor da batalha de Orleáns juntamente com Joana D’arc em 1435, quase não tinha limites.
Mas estes limites começaram a aparecer em 1440, Gilles de Rais já não gozava de tantas regalias como nobre, quando o duque de Bretanha encontrou no seu castelo, os restos mortais de mais de cinquenta crianças. O nobre Francês foi então formalmente acusado, e sofreu variadas torturas, o que gerou uma série de confissões, nenhum verdadeiramente confiável. No entanto, Gilles somente admitiu os crimes de homicídio quando foi ameaçado de excomunhão por parte da igreja. Em setembro exatamente na festa da Exaltação da Verdadeira Cruz, em 1440, teve início, sem dúvida, um dos mais simbólicos processos da Idade Média, em um dos julgamentos mais detalhados do século XV. Formalmente, Gilles de Rais foi acusado de crimes contra a fé, pactos demoníacos, heresia, blasfêmia, sodomia, violação de privilégios eclesiásticos. Os homicídios, estranhamente tiveram papel totalmente coadjuvante durante o julgamento, sendo que os problemas relacionados à cristandade tiveram valoração maior e pesaram mais em sua acusação. Em sua acusação, que tinha apenas 15 páginas os crimes de rapto e assassinato de mais de uma centena de crianças só são arrolados no 27º item. (BERTIN, 1980). Gilles de Rais foi condenado quando tinha 34 anos. E pareceu aceitar de maneira serena e tranquila a ideia de morte, confessando os homicídios sem demonstrar remorso, a única coisa que realmente o preocupava era a possível excomunhão católica. Foi condenado à morte e estrangulado ainda no ano de 1440. Não podemos olvidar que embora o desaparecimento de centenas de crianças fosse um fato notório e incontroverso na metade do século XV na região de Machecoul, o julgamento de Gilles foi cercado de obscuridades e incertezas: sua condenação priorizou crimes com viés religioso (de valoração
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discricionária por parte dos juízes); os homicídios foram pouco debatidos nos autos; o processo durou apenas alguns dias e por fim, devemos ressaltar que Gilles era, ao tempo de seu julgamento, dono de várias propriedades que foram parar, em parte, nas mãos da Igreja. Bertin (1980, p. 144) cita Michelet sobre o desfecho do julgamento de Gilles e deixa claro o dualismo e maniqueísmo aflorado que restou presente durante todo o julgamento de Gilles: O que é triste dizer é que, tendo perdido toda a noção do bem, do mal, do discernimento, ele [Gilles] teve sempre até o fim esperança na sua salvação. O miserável julgava ter enganado simultaneamente o diabo e Deus. Ele não negava Deus, tinha-o em atenção, julgando subornar o seu juiz com missas e procissões. O diabo não se fiava nele, senão com garantias, fazendo sempre as suas reservas, oferecendo-lhe tudo <<à exceção da sua vida e de sua alma >> isso o tranquilizava. Quando o separaram do mágico, disse-lhe soluçando, estas estranhas palavras; “Adeus, François, meu amigo, peço a Deus que vos dê resignação e consciência e podeis estar certo de que, contanto que tenhais resignação e esperança em Deus, nos veremos na grande alegria do Paraíso.
Assim, Gilles de Rais nunca se preocupou com a vida das pessoas que vitimou ao longo das décadas e trazia consigo uma noção peculiar do maniqueísmo dualista cristão. Ao morrer tinha plena segurança de qual seria seu lugar – o céu. Enfim, Bataille (apud, Tendlarz e Garcia, 2013, p. 137) resume a história de Gilles de Rais em uma célebre frase: “No crime se dá sempre, essencialmente, uma possibilidade teatral que exige que o criminoso seja descoberto, por onde o criminoso goza até que, por fim, queda desmascarado” Veja também: 1948 – Joana D’arc. Ingrid Bergman; José Ferrer; Henry Brandon (no papel de Gilles de Rais). Direção de Victor Fleming. 1999 – Joana D’arc. Milla Jovovich e Vicent Cassel (no papel de Gilles de Rais). Direção de Luc Besson. 2009 – Barba Azul. Lola Créton, Daphné Baiwir, Dominique Thomas. (Neste filme o personagem Barba azul é inspirado em Gilles de Rais). Direção de Catherine Breillat. 2014 – Monstrum – O terrível destino de Gilles Rais. Cédrick Spinassou; Didier Brice; Erick Maillet. (Neste filme o personagem Barba azul é inspirado em Gilles de Rais). Direção de Eric Dick.
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Veja também: • O Marechal das Trevas: a verdadeira história do Barba Azul. Autor: Juan Antônio Cebrián • Gilles Rais. Autor: Joris-Karl Huymans. • Gilles Rais – Unabridged Guide. Autor: Connie Chris. • Gilles Rais – e o Compendium Maleficarum. Autor: J. A. Andrade
Henri Désiré Landru Embora Gilles de Rais tenha sido um lendário homicida, podemos afirmar que na França, nenhum homicida em série foi mais famoso e tristemente lembrado como Henri Désiré Landru, um estudante brilhante e amante sedutor, Landru também ficaria famoso como Barba Azul, justamente por matar apenas suas esposas e posteriormente ficar com a herança. Nas duas primeiras décadas do século XX o famoso assassino francês, fez onze vítimas sendo condenado à guilhotina em 1922. Diferentemente dos homicidas em série característicos, Landru não matava vítimas desconhecidas e tampouco tinha como objetivo apenas a satisfação de sua lascívia mediante a morte de outra pessoa. Devido a isso, muitos questionam se este francês pode figurar no rol de homicidas em série, uma vez que todos os seus homicídios tiveram motivos patrimoniais envolvidos. Embora, corroboramos com este entendimento, Landru figura em nossa lista, por ser uma figura sempre atrelada aos homicídios em série e também já integrada a cultura popular sobre o tema. A infância deste assassino foi bem humilde e com severos problemas em relação a dinheiro. No aspecto afetuoso, vale ressaltar que apesar de todas as dificuldades financeiras não há relatos de abusos ou qualquer violência de seus pais para com nenhum dos filhos. O lar que Landru cresceu parecia ser harmonioso e tranquilo. Depois da época de escola, já com 18 anos foi para o exército onde ficou por quatro anos, até 1891. Logo após o exército, teve uma relação amorosa com sua prima, da qual resultou um filho não desejado. A relação com a prima não suportou o desentendimento e Henry logo se casou com uma segunda mulher da qual teve mais quatro filhos. Casado e com filhos ele foi vítima de um duro golpe financeiro aplicado por seu próprio patrão
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que o deixou em ruínas. Após estes acontecimentos começou a intensificar seus golpes e pequenos delitos e a partir dos trinta anos começou a frequentar o cárcere de maneira mais perene. Contudo, foi somente uma década depois que se tornou um verdadeiro homicida, aproveitando-se da guerra e da fragilidade e vulnerabilidade das viúvas dos soldados Landru começou a intentar golpes contra estas mulheres. Seus golpes envolviam a própria esposa que foi aconselhada a chamá-lo de Françoise Petit dentro da própria casa. E mesmo com a estranheza de tal fato e as ausências frequentes do marido a esposa achou por bem nada falar, pois Landru era um marido dedicado e um bom pai. O plano de Henry foi além da mera procura e ele mesmo se anunciou em um jornal se candidatando ao matrimônio com a seguinte frase “Senhor sério deseja casar-se com viúva ou mulher incompreendida de 35 a 40 anos” (BIELBA, p. 117, 2007). “Senhor sério deseja casar-se com viúva ou mulher incompreendida de 35 a 40 anos”
Recebeu dezenas de respostas a este anúncio e então as classificou entre CF – com fortuna, SF – sem fortuna. A partir daí passou a olhar também os obituários e analisar a situação financeira destas viúvas e com estas informações partiu para o golpe fatal. A partir de 1914 até 1919 foram dez mulheres desaparecidas e um adolescente (filho de uma delas). Sem nenhum corpo a polícia em nada suspeitava de homicídios em série. O modus operandi do homicida francês era sempre o mesmo, se apresentava à sua pretendente, com nomes e identidades falsas começava um caso amoroso onde se mostrava totalmente atencioso e carinhoso, permanecia com a vítima durante alguns meses, tempo suficiente para pegar todo o dinheiro possível e depois se livrava da vítima.
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Neste período conseguiu sempre ter uma vida dupla, era um carinhoso companheiro para as viúvas e regressava vez em sempre a sua verdadeira casa onde continuava mantendo as aparências e trabalhando de mecânico. Comprava joias para a esposa e se dedicava carinhosamente aos filhos. Enquanto isso passou a alugar um apartamento próprio para suas vítimas morarem em Gambais e chegou a instalar um forno com o objetivo de se livrar dos corpos. Apenas uma das vítimas de Landru não tinha dinheiro, era apenas uma jovem de 19 anos que ele encontrou no metrô, seduziu e deu a ela o Cartaz do filme Monsieur Verdoux (1947) filme mesmo fim de todas as outras. inspirado no golpista e homicida H. Landrú. A guerra havia acabado em 1919 e o desaparecimento de tantas mulheres começou a chamar a atenção da polícia. Ademais, os vizinhos de Landru começaram a suspeitar dele em Gambais. Algumas denúncias chegavam para o departamento de polícia, mas apontavam sempre nomes diferentes. Foi somente quando a irmã de uma das vítimas reconheceu Landru que os investigadores conseguiram o endereço real do suspeito. Ao ser interrogado o francês negou veementemente qualquer crime, mas em Gambais encontraram restos ósseos e diversos outros indícios como passagens de trens e uma gaveta com dinheiro. A principal prova foi uma lista de várias mulheres onde constava o nome de praticamente todas as desaparecidas. O processo durou dois anos e Henry se tornou uma celebridade imediata. Participou de entrevistas e foi capa de tabloides durante todo esse
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tempo. Sempre alegou inocência e seu advogado (uma dos maiores criminalistas franceses da época) defendeu até o fim que estava se condenando um homem inocente. No entanto, embora não houvesse corpos, Landru foi condenado com base nas demais provas e foi levado a guilhotina em 1922. Em relação ao homicida francês Tendlarz e Garcia (2013, p. VII) afirmam: Jacques-alain Miller distingue entre o crime utilitário e o crime de gozo. O caso Landrú, recentemente estudado por Francesca Biagi-chai, destaca o paradoxo deste binômio, isso porque os “motivos utilitários” frente aos sociais podem obedecer, na verdade, a uma lógica secreta que responda a crenças delirantes.
Tendlarz e Garcia lembram que Chaplin, juntamente, com Orson Welles produziram e protagonizaram o filme Monsieur Verdoux em 1947. Tal filme vai se inspirar claramente na vida de Henry Landru. O protagonista apresenta o mesmo prenome, é casado, e principalmente vive de maneira dupla aplicando golpes em jovens viúvas e também cometendo homicídios. O filme de humor negro ainda carrega uma dura crítica ao sistema capitalista e principalmente a guerra. No filme Verdoux também é condenado à morte, mas antes de sua pena ele faz um grande discurso afirmando que a guerra foi bem mais letal que ele. A partir deste filme Lacan acaba por tirar algumas reflexões em relação ao personagem principal, claramente inspirado na vida e crimes de Landru. Lacan (apud Tendlarz e Garcia, 2013 p. VIII) a respeito do protagonista do referido filme afirma: “há uma completa separação entre o grupo vital constituído pelo sujeito e pelos seus (Landru, sua esposa e sua amante Fernande) e o grupo funcional (aonde devemos achar os meios de sobrevivência do primeiro grupo), fato que permite uma ótima ilustração ao tornar verossímil o Sr. Verdoux”.
Veja também: 1963 – Landru – A verdadeira história do Barba Azul. Charles Denner, Danieelle Darrieux, Michèle Morgan. Direção de Claude Chabrol 2005 – Désiré Landru. Patrick Timsit; Julie Delarme; Catharine Arditi. Direção de Pierre Boutron. Veja também: Henri Désiré Landru. Autor: Chaboute
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Joseph Vacher Joseph Vacher nascido em Beaufort na França em 1869 foi um homicida que se tornou conhecido por estuprar e desmembrar suas vítimas o que lhe rendeu a alcunha de “Estripador Francês”. Vale ressaltar que se atribui a ele onze mortes, embora tenha sido condenado por apenas uma que o levou a morrer na forca em 1898. Contemporâneo do positivismo e também de Jack “O Estripador”, Vacher ainda aguçava a curiosidade de todos pelo seu biótipo e vestimentas. Era um homem taciturno, com roupas extravagantes, chapéus bizarros e um rosto repleto de marcas e cicatrizes. De família pobre, desde criança demonstrava um comportamento arredio e ânimo exaltado que em nada melhorou depois do seu ingresso em uma rígida escola católica. Sabe-se que depois dos 20 anos entrou para o exército e lá colecionou desafetos com um comportamento agressivo e antissocial. Durante os anos no serviço militar chegou a tentar suicídio (tentando cortar a própria garganta) o que deixou sua presença no exército insustentável. Pouco depois de sair do exército, tentou o seu primeiro homicídio, contra uma jovem que não aceitou seus pedidos de namoro. Vacher chegou a dar vários tiros em sua pretendente, mas felizmente ela sobreviveu. Posteriormente ele tentou, pela segunda vez, suicidar-se também sem sucesso (agora com uma arma de fogo). Mas esta última tentativa o deixou com marcas para sempre no rosto, inclusive causando uma paralisia facial. Depois destes episódios foi recolhido em uma instituição para portadores de transtorno mental, contudo estranhamente um ano depois conseguiu a liberdade com o diagnóstico que estava recuperado. Aos 25 anos iniciou sua carreira homicida que em três anos levaria dezenas de pessoas à morte. Vacher se contentava em matar qualquer tipo de vítima, homens, mulheres ou crianças, qualquer um que cruzasse o seu caminho era uma vítima em potencial. Seu modus operandi era marcado pela sodomização da vítima, estupros e depois de matar geralmente a facadas estripava as vítimas. A necrofilia foi recorrente em várias situações. Sobrevivendo de esmolas, Vacher percorreu parte do sudoeste francês atrás de mais mortes, até 1897 quando tentou em vão cometer um crime contra o patrimônio e foi pego pelo marido e filho da vítima que o levaram para a delegacia, onde o homicida acabou confessando quase três dezenas