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As Relações Públicas e a Sustentabilidade

Adam Werbach e a Gestão Sustentável

10 tendências para sustentabilidade

Natura: o pioneirismo verde


RRPP E SUSTENTABILIDADE

Editorial A preservação do meio ambiente na década de 80 deixou de ser apenas preocupação de grupos ambientalistas que bradavam pelo mundo contra o deletério processo de industrialização. O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu, então, pela primeira vez em 1987 no documento intitulado Nosso Futuro Comum, também conhecido como Relatório Brundtland (a comissão era chefiada pela então primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland). Elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, o relatório criou o conceito de desenvolvimento sustentáve. O Relatório Brundtland foi uma das iniciativas anteriores à Agenda 21, que criticavam o modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados e copiados pelos emergentes. O resultado da Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, foi a publicação da Agenda 21, documento que estabeleceu a importância de cada país se comprometer com os problemas sócio-ambientais e fixou as diretrizes para a discussão desse importante tema em cada região, envolvendo governos, empresas, organizações não-governamentais e todos os setores da sociedade. Nos anos 90 surgiu o que hoje se conhece por princípios de Governança Corporativa que se multiplicaram pelo mundo global dos negócios. As ações das empresas que aderiram ao capitalismo sustentável têm se demonstrado lucrativas como atestam os diversos índices de desempenho setoriais e vem desafiando, conceitualmente, o conflito de interesses entre shareholders (acionistas) e stakeholders (empregados, fornecedores, clientes, mídia, governo e comunidade).

Sociedade e Sustentabilidade Hoje há uma insatisfação generalizada. Achamos que não temos roupas suficientes, o carro que precisamos, a TV da moda. Estamos sempre comprando, comprando e comprando, sem perceber o limite do planeta em que vivemos. Temos que implantar a sustentabilidade na sociedade e entender sua importância. Todo o conceito de sustentabilidade vem do Relatório de Brundland, de 1987. Segundo ele, Sustentabilidade é suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das futuras suprirem as suas. Isso parece tão obvio, tão essencial, mas mesmo assim não mudamos. Em uma pesquisa feita nesse ano pela Revista Seleções, 99% dos 2269 entrevistados se dizem comprometidos com o meio ambiente, mas quando questionados sobre alguns hábitos simples mostram que o abismo entre a boa intenção e a prática ainda é grande. 96% deixam a torneira aberta enquanto escovam os dentes, 25% não apagam as luzes ao sair de casa e 94% continuam usando sacolas plásticas ao fazer compras. Tudo isso mostra que além de comprarmos sem necessidade, ainda tratamos muito mal os recursos disponíveis no dia-a-dia. Para levarmos uma vida sustentável, temos que seguir o tripé: aceitar a realidade dos limites ecológicos da Terra, promover a justiça social e ser politicamente viável. Teremos que aprender, cedo ou tarde. O grande problema é se já for tarde demais. Ainda não nos conscientizamos que não é a Natureza que vai acabar, mas a Humanidade. Nós é que seremos extintos. Segundo o conceituado biólogo Frank Fenner, professor da Universidade Nacional Australiana em entrevista ao jornal “The Australian” se a explosão demográfica e o consumo desenfreado continuar nossa espécie desaparecerá em 100 anos. Então mude, compre menos e melhor: dê valor aos produtos sustentáveis. Por Vanessa Schramm Pontifícia Universidade Católica Faculdade dos Meios de Comunicação Social Introdução à RRPP Edição e diagramação: Tiago Lobo Reportagem: Gabriela Santos, Paula Kellermann, Julia Franz e Vanessa Schramm.

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Entenda a SUSTENTABILIDADE

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Gestão Responsável Por sua imensa capacidade de afetar os sistemas naturais e sociais, as empresas buscam um padrão sustentável de desenvolvimento desde a concepção e gestão do negócios, princípios e critérios de desenvolvimento sustentável ao assumir um papel explícito na construção da sustentabilidade.

Tiago Lobo As atuais percepções sobre a natureza alertam para os riscos de negligenciar a dependência dos seres vivos em relação aos sistemas que permitem a vida no planeta. Sustentabilidade é a capacidade de criar, produzir e/ou consumir, afim de suprir as necessidades da geração presente, de forma a não causar impactos negativos ao seu redor – planeta e pessoas. Assim, garantimos que as futuras gerações possam também suprir as suas necessidades. Sustentabilidade também é aproveitar da melhor forma os recursos naturais, sem correr o risco de esgotá-los. Sustentabilidade é palavra grande e seu significado e importância é maior ainda. Por sua imensa capacidade de afetar os sistemas naturais e sociais, as empresas buscam um padrão sustentável de desenvolvimento desde a concepção e gestão de negócios, princípios e critérios de desenvolvimento sustentável ao assumir um papel explícito na construção da sustentabilidade.

Elementos da Gestão Responsável Dois elementos caracterizam uma gestão empresarial como responsável e sustentávável: 1. Diálogo permanente com os Stakeholders, por meio dos quais a empresa influencia e recebe influências de forma contante, adequando-se à mudanças externas. 2. Inserção de questões das partes interessadas (incluindo gerações futuras) no planejamento estratégico.

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Pioneirismo em SUSTENTABILIDADE

Natura e suas políticas de desenvolvimento sustentável no Brasil Reprodução

Gabriela Santos Através de uma política de sustentabilidade, a Natura assume a tarefa de agir em prol da melhoria e da manutenção das condições ambientais, com a intenção de identificar os impactos de seus produtos no meio ambiente, diminuindo os negativos e amplicando os positivos. As preocupações da Natura com o meio ambiente englobam a educação ambiental, a responsabilidade para com as gerações futuras, o gerenciamento do impacto ao meio ambiente e do ciclo de vida produtos e serviços. Para enfrentar os impactos ambientais causados pelas suas atividades no ramo dos cosméticos, saúde e fitoterápicos, a empresa incorpora tecnologias limpas à produção, elimina gradativamente testes com animais e age de acordo com os requisitos exigidos pela legislação. Focando na prevenção de processos prejudiciais ao meio ambiente, à saúde e à segurança de seus colaboradores, a Natura objetiva a prevenção à poluição desenvolvendo parcerias com fornecedores que também visam a sustentabilidade. A INICIATIVA Fundada em 1969 a Natura possui a preocupação com o desenvolvimento sustentável desde o seu nascimento, em época em que conceitos com responsabilidade social e sustentabilidade sequer possuíam definição. Em sua trajetória a empresa constrói uma imagem coorporativa de uma companhia empenhada em questões sócioambientais. Alguns exemplos disso são seus anúncios, em 2007, da eliminação total de testes em cobaias, atendendo aos apelos de entidades que atuam em defesa dos animais. Outro exemplo foi o projeto de redução de gases geradores do efeito estufa em sua cadeia produtiva: “Essas duas iniciativas eram sonhos antigos, que a Natura conseguiu realizar neste ano”, diz Alessandro Carlucci, presidente da empresa. Tudo isso faz parte de uma estratégia de mudança radical que a Natura promove em sua 4

Empresário “verde”

linha de produtos, mudando, inclusive a fórmula de seus cosméticos. São eliminados ingredientes de origem animal e minerais (provenientes do petróleo) e inserida matéria-prima vegetal, de extração sustentável, em um processo que a empresa chama de “Vegetalização”. “Quando o consumidor perceber que, em vez de tomar banho com sebo de boi, terá óleos vegetais, é claro que ele dará preferência ao sabonete vegetalizado”, diz Carlucci. O preço dos cosméticos, segundo o próprio Carlucci, deve subir, embora ainda não seja possível estimar quanto. Apesar do risco, especialistas acreditam que a marca se fortalecerá com essa iniciativa. “Certamente, os clientes da Natura de menor poder aquisitivo vão se afastar num primeiro momento”, afirma a analista Diana Litewski, da


corretora carioca Ativa. “Mas os consumidores mais esclarecidos vão se manter fiéis e novos clientes passarão a consumir a marca devido às ações de sustentabilidade.”

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AVALIAÇÃO DA EMPRESA Pontos fortes O programa de neutralização de carbono é considerado um dos mais eficazes por especialistas.

NEUTRALIZAÇÃO DE CARBONO Para reforçar essa imagem, a empresa aposta também no projeto Carbono Neutro. A idéia é reduzir ao mínimo as emissões de gases geradores do efeito estufa em toda a cadeia produtiva. Para alcançar o objetivo, a Natura trabalha em várias frentes: trocou os microônibus a diesel que transportavam funcionários dentro da fábrica, em Cajamar, na Grande São Paulo, por carrinhos movidos a gás natural; substituiu o álcool utilizado nas fórmulas de perfumes por álcool orgânico (produzido sem agrotóxicos ou queimadas) e está intensificando o uso de material reciclado nos frascos. Para a Natura, é vital que essas iniciativas tragam resultados positivos não só para sua imagem mas também para suas finanças.

Tem parceria com comunidades da Amazônia e da Bahia, que são treinadas para fazer o extrativismo sustentado de produtos como a castanha. Baniu o uso de testes em animais em 100% de sua linha de produtos. Pontos fracos Embora não divulgue os custos do programa de neutralização de carbono, a empresa admite tratar-se de um investimento que vai ser repassado aos preços ao consumidor. Ainda é muito dependente de matérias-primas oriundas do petróleo. A linha de cremes para a pele, por exemplo, continuará a usar componentes minerais.

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10 TENDÊNCIAS em sustentabilidade nas empresas Julia Franz A sustentabilidade é, sem dúvidas, a pauta do novo milênio. Por ser um tema tão discutido atualmente as maiores marcas globais estãolevantando suas bandeiras em prol dessa causa, pois, além de ser ecológicamente correto, atrai o público consumidor. Inserir esse tema na hora de fazer o planejamento estratégico de comunicação ou até mesmo na organização de um evento não é uma obrigação profissional, e sim uma atitude ética que se enquadra nas mudançasexigidas pela sociedade atual. Foram realizadas diversas pesquisas em relação à satisfação do público diante de tais práticas. A empresa Edelman Significa revelou, através da pesquisa Goodpurpose, que, em 2010, 81% dos brasileiros mostraram-se propensos a comprar produtos de marcas que apoiavam causas, o que demonstra concretamente as vantagens que isso pode trazer às empresas. Porém, várias empresas incorporaram os preceitos da sustentabilidade apenas para autopromoção, e não por desejo genuíno. Segundo a mesma pesquisa, 57% dos brasileiros acreditam que as empresas preocupam-se apenas com sua imagem, e não com as causas ecológicas. Portanto, é extremamente difícil para os profissionais de Relaçõs Públicas realizarem práticas sustentáveis que tenham fundamentos reais e atitudes realmente ecológicas. Para alcançar isso, a empresa GreenBiz criou um portal especializado em sustentabilidade empresarial, que contém as 10 principais tendências de sustentabilidade que devem fazer diferença neste ano para as empresas. CONFIRA ABAIXO AS 10 TENDÊNCIAS CRIADAS PELA GREENBIZ: 1– Gigantes do consumo acordam para o verde Empresas que produzem artigos de alto consumo, como a das categorias de limpeza, alimentos industrializados e higiene pessoal, possuíam um histórico de relutância para atuar com a sustentabilidade, por acreditar que o tema fosse 6

arriscado para seus negócios. Entretanto,este cenário alterou-se radicalmente há alguns anos. O estabelecimento de metas ambiciosas para redução de suas emissões de gases estufa, aumento da reciclagem, redução do uso da água,eficiência energética, uso de energia alternativa, entre outras, são as principais ações das empresas atuais. 2- Empresas almejam o “zero” Diversasempresas colocaram a meta “lixo zero” em suas perspectivas denegócio. 3- Países em desenvolvimento ganham importância na cadeia desuprimentos A extração de commodities em países em desenvolvimento passou a ser melhor analisada. Ou seja, a produção de minerais, como, por exemplo, o óleo de palma – matéria prima para a produção de diversos alimentos processados – passou a receber atenção maior por parte das empresas. A preocupação com a construção de uma cadeia de produção socialmente responsável inclui a capacitação dos produtores, com programas de geração de renda e incentivo aoempreendedorismo. 4- Transporte “verde” para maior eficiência energética O ano de 2010 será lembrado pelo nascimento dos veículos elétricos,como os modelos Chevy Volt e Nissan Leaf. Mas as tecnologias e práticas verdes estão emergindo não só para a terra, mas também para o mar e o ar. 5- Alimentação sustentável transforma-se no prato principal Não faz muito tempo que a agricultura sustentável estava reservada à indústria da alimentação natural, voltada para um mercado deconsumidores de nicho preocupados com alimentação saudável. Entretanto, a agricultura sustentável expandiu-se e grandes empresas estão arcando com compromissos neste campo de atuação. 6- Certificações para todas as indústrias Existem diversas certificações relacionadas ao negócio sustentável, mas para algumas


categorias específicas de produto, restam lacunas. Para isso, organizações e empresas estão fazendo sua parte. O Underwriters Laboratories, por exemplo, criou uma certificação para a indústria dos telefones celulares. A Nike, por sua vez,desenvolveu seu Environmental Apparel Design Tool, para a criaçãode roupas feitas a partir de material orgânico.

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Guia Exame de Sustentabilidade Recentemente práticas de responsabilidade social corporativas tornaram-se parte da estratégia de um número crescente de empresas. Sabendo da necessária relação entre retorno econômico, ações sociais e preservação da natureza, as empresas que buscam manter a competitividade no mercado devem responder às expectativas dos cidadãos e respectivamente consumidores. Isto significa valorizar o comportamento responsável através de boas práticas de sustentabilidade, por isso, as empresas estão implantando inúmeros projetos. O Guia Exame de Sustentabilidade, que está em sua 11ª edição, é um dos mais respeitados levantamentos sobre práticas de sustentabilidade empresarial do país. O ranking é coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, que avalia as estratégias, compromissos e práticas das empresas. O Guia Exame de Sustentabilidade procura eleger uma empresa que se diferencia pela consistência, pelo comprometimento e sobretudo, pela persistência na busca da sustentabilidade.

7- Preocupações tóxicas incentivarão alternativas verdes A revelação de ingredientes tóxicos nos bens de consumo atingiu um pico em 2010. Esse movimento jogou luz ao campo da química verde, uma área em crescimento que busca transformar a maneira pela qual os produtos são fabricados, reduzindo ou eliminando determinadas substâncias que podem ser prejudiciais à saúde, além, também, da redução do impacto ambiental na produção. 8- A preocupação com o uso da água só cresce A preocupação com a redução do uso da água nos processos produtivos estava reservada a empresas que possuíam este subsídio como fundamental em suas atividades. Diversas empresas têm percebido que analisar seu uso da água pode ajudá-las a encontrar oportunidades para eficiência e otimização na produção, além de inovação.

Conheça as empresas premiadas:

9- Empresas aprendem a fechar o ciclo A promessa de uma sociedade com ciclo fechado – onde tudo seria reciclado e transformado em novos produtos e embalagens – parece estar cada vez mais próxima de ser cumprida. As empresas têm encontrado maneiras de transformar produtos, principalmente embalagens, em novos. Exemplos não faltam, como a Starbucks que pretende reciclar 100% de seus copos até 2015 e parcerias de empresas com a TerraCyle, empresa de upcylcing, como é o caso da Nestlé aqui no Brasil.

ALCOA Amanco Anglo American Bradesco Braskem Bunge CPFL EDP Fibria HSBC Itaú Unibanco Masisa Natura Philips Promon Santander Suzano Unilever Walmart Whirlpool

10- Bioplásticos transformam-se em embalagens Em 2010 o bioplástico atingiu mais importância na agenda de empresas. Uma subsidiária da Coca-Cola, a Odwalla, afirmou que já substitui suas embalagens de bebidas por plástico derivado de melaço e cana de açúcar e a Pepsico, com a embalagem de seu salgadinho Frito-Lay, feito a partir de um polímero de milho, são alguns dos exemplos. 7


Educação para SUSTENTÁBILIDADE A educação ambiental é um caminho para o futuro Paula Kellermann A responsabilidade social empresarial é a forma de conduzir os negócios que torna a empresa parceira pelo desenvolvimento social. A empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes e conseguir incorporá-los ao planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos, não apenas dos acionistas ou proprietários. A Comissão Brundtland define desenvolvimento sustentável como a ação que “satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”. A responsabilidade social poderia ser considerada como um comprometimento com a sociedade, enquanto a sustentabilidade seria uma conduta ética. Esse compromisso com o desenvolvimento está relacionado ao diálogo e ao engajamento. Para haver sustentabilidade na vida das pessoas e das corporações, é preciso um fortalecimento do seu conceito real e da sua importância para o planeta. Embora exista um esforço para isso, a dinâmica ainda não está evoluída e isso pode ser uma das causas dela não ter sido convertida em comportamento comum. Existem alguns paradoxos entre o que é considerado sustentável e o que realmente se faz para chegar a esse fim. Por exemplo, há pessoas que afirmam que a reciclagem é um beneficio social e ambiental, mas nunca separam o seu lixo para ser coletado. Nesse caso, existe uma diferença entre a teoria defendida e a prática adotada. Essas contradições também ocorrem no mundo corporativo, no entanto, nem sempre são notadas. Apesar dessas diferenças nos hábitos das pessoas e das evidências de conduta nas empresas, é fato comprovado que o interesse pelo tema sustentabilidade aumentou nos últimos anos.


Essa disseminação do assunto entre a população indica que o interesse está se consolidando e passa a fazer parte das considerações com que as pessoas enxergam as empresas e as marcas. Numa pesquisa feita por estudantes de Relações Públicas, se destaca o crescente interesse de busca na internet por relatórios sociais, responsabilidade social, desenvolvimento sustentável e código de ética. Temas que estão relacionados ao planejamento e comunicação. As falhas nos processos de gestão e as contradições de identidade e imagem nas organizações ocorrem muitas vezes derivam por causa da ausência de mecanismos que enfatizam a visão e o entendimento de sustentabilidade. Quando uma organização não consegue agregar a visão compartilhada e é ineficaz por não atender os valores e expectativas de todos os indivíduos da empresa acaba acontecendo resistências operacionais ou contradições públicas, e isso impossibilita a mudança para modelos sustentáveis. O estímulo à mudança de comportamento de consumo, como criação de carros híbridos é um exemplo disso. O posicio-

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namento é antagônico com a empresa, pois seus produtos não são sustentáveis. O planejamento é necessário nesses casos. Esse processo é chamado de mediação da ação comunicativa, e ele se caracteriza pela construção de ideais comuns. O valor deve ser refletido pela criação de todos e assumida oficialmente pela gestão da organização, para direcionar o desenvolvimento de longo-prazo do negócio. Neste cenário, o profissional de relações públicas se destaca como mediador, oferecendo oportunidades de pautas e temas que conciliem os dois lados.

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GESTÃO SUSTENTÁVEL Por Duda Teixeira Revista Veja - 27/08/2008

Desiludido com os resultados de sua militância, Adam Werbach fundou uma empresa de consultoria, a Act Now, para ajudar as companhias a se tornar sustentáveis. Werbach conversou com o repórter Duda Teixeira, da Revista Veja. O ambientalismo fracassou? É muito difícil encontrar um caso em que tenha funcionado. A falha do movimento foi ignorar a demanda por justiça social e desenvolvimento econômico. Isso não significa que o ambientalismo sumirá totalmente. Sempre haverá quem acredite que tudo a fazer é proteger o ambiente. O mundo é mais complexo do que isso. Existem centenas de milhões de pessoas subnutridas no planeta. O movimento ambientalista não olha para elas. A sustentabilidade, com a qual trabalho, sim.

Soluções domésticas, como comprar produtos orgânicos ou ir a pé ao trabalho, fazem diferença? São pequenos passos que servem de exemplo para outras pessoas, principalmente para as crianças. Quando os consumidores exigem produtos que duram mais ou usam quantidades menores de embalagem, toda a cadeia produtiva precisa se adaptar.

Em um livro publicado em 1997, o senhor qualificou o Wal-Mart de “nova espécie de toxina”. Como se explica que hoje o senhor trabalhe para a empresa? Quando o Wal-Mart me procurou pela primeira vez, percebi que a empresa estava sinceramente empenhada em se tornar sustentável. A rede de supermercados aceitou traçar metas muito ambiciosas, como usar energia renovável, produzir menos lixo e vender proPor que o senhor diz que uma gestão susten- dutos que não agridam os recursos naturais e tável estimula os empregados a comparecer o ambiente. Percebi que poderia atuar melhor ao trabalho? com eles, e não contra eles. Quando escrevi As pessoas querem acreditar no que fa- aquele livro, eu usava minha atividade polítizem. Não querem apenas bater o cartão de ca para me separar do mundo. Eu sabia que ponto, executar um trabalho monótono e ir o aquecimento global estava ocorrendo e não embora. Ficam mais felizes quando há uma fazia nada para amenizá-lo. Apenas criticava relação entre o que fazem em casa e o que re- a todos. Não ouvia as pessoas. Mudei minhas alizam no trabalho. Os funcionários se sentem táticas. Estou mais sério. Estou convencido de estimulados quando contribuem para uma ati- que posso atingir resultados, atuar de maneira vidade sustentável. mais eficiente. 10


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Casa ECOLÓGICA Tiago Lobo Construções bioclimáticas, arquitetura sustentável, ecovilas, green buildings, bioconstrução, permacultura, construção ecológica e empreendimentos verdes são temas bastante discutidos hoje. Com a preocupação cada vez maior com as questões ambientais, parecem ter sido inventados há pouco tempo, porém, muito do que permeia tais conceitos vem sendo utilizado pelo ser humano desde os primórdios. Eficiência energética, uso racional da água, preferência por materiais ecologicamente corretos e preservação ambiental estão entre os principais fatores que definem uma casa sustentável, conceito que vem se difundindo no

Brasil principalmente nos últimos anos. Apesar dos avanços, ainda há muito a fazer por aqui, a começar pela conscientização sobre a importância do consumo sustentável inclusive depois da entrega das obras, o que ajuda a pagar – em questão de meses, dependendo da área construída – os investimentos nas reformas ou construções ‘verdes’. Para a arquiteta e bióloga Martha Nader, da Ecohabitar Arquitetura e Construção, todo projeto já deveria nascer sustentável. “É preciso sempre olhar o meio-ambiente como um fator limitante, interferindo o mínimo possível e fazendo a natureza trabalhar a favor da arquitetura da casa”, acredita. Reprodução

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Instituto Ethos Vanessa Scharamm A missão do instituto Ethos é ajudar as outras firmas a virarem socialmente sustentáveis. Isto é, eles estimulam um relacionamento ético das empresas com seus funcionários, acionistas, clientes, comunidade em geral e meio ambiente. O instituto dá o meio de incorporarem essas ações no dia-a-dia da companhia. Criada em 1998 ele é uma referência internacional de gestão. Desenvolve projetos com outras entidades de várias partes do mundo. Já tem 1367 associados, empresas de diferentes portes, quem empregam 2 milhões de pessoas.

Sua característica mais inovadora é ser não-governamental e não cobrar das empresas interessadas o trabalho de orientação. Sua estratégia é trabalhar em cinco linhas de atuação: ampliar o movimento de responsabilidade social da empresa, aprofundar as práticas, criar o ambiente favorável usando a influência do mercado, juntar o movimento com políticas públicas e, por fim, produzir informação sobre o movimento. A sede da instituição fica na Rua Dr. Fernandes Coelho, número 85, em São Paulo (SP). Para conhecer mais sobre o trabalho da empresa, acesse www.ethos.org.br ou ligue para (11)38972400.

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Motivos para plantar uma ÁRVORE Tiago Lobo Reduzem a contaminação. As folhas das árvores retêm partículas de pó que flutuam no ar, melhorando o ar que respiramos.Plante árvores em fileiras. Assim, elas funcionarão como uma barreira contra as partículas na atmosfera. Oxigenam o ar. As folhas absorvem o CO2 atmosférico, um produto residual do metabolismo humano e animal e da queima de combustíveis. Além disso, produzem o oxigênio necessário para a vida. Refrescam o ambiente. Além da fotossíntese, as plantas desenvolvem outros processos como a evapotranspiração. As folhas liberam um vapor de água que refresca o ar e o umedece. Se você plantar árvores ao redor da sua casa, você pode refrescá-la de 10% a 50%. Assim, diminuirá o uso dos sistemas de refrigeração - que também contaminam o meio ambiente.

Reduzem a contaminação sonora. As grandes massas de folhas funcionam como redutores do barulho gerado pelo trânsito, pelas indústrias e pelo funcionamento diário das cidades. São pequenos ecossistemas. Cada árvore funciona como um verdadeiro ecossistema, pois sobre ela vivem pássaros, insetos e outros vegetais que interagem entre si. Quando uma árvore é cortada, outros seres vivos que a habitavam ou dependiam dela desaparecem. Participam do ciclo da água. As raízes retêm a água da chuva, permitindo que esta se filtre lentamente pelo solo até os lençóis freáticos e que chegue lentamente até os rios, mantendo o nível estável e evitando secas e inundações. Protegem o solo. As árvores, com as suas raízes, evitam a erosão e o desgaste dos solos.

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RP e a Sustentabilidade