SR.
A senhora revista
Analisamos um marco do jornalismo cultural brasileiro
HistĂłrico
Cinco anos de vida: tempo suficiente para deixar sua marca
SENHOR
Projeto grĂĄfico
Elegância e modernidade em um design arrojado
Projeto editorial
Uma revista voltada para ele, mas vendida para ela
Designers
Carlos Scliar, Glauco Rodrigues e Jaguar: um time de feras
Grupo 7
A Senhora Revista
A
Revista Senhor circulou no Rio de Janeiro entre 1959 e 1964, momento de fervor cultural no país, o que propiciou um ambiente ideal para o lançamento de uma publicação como tal. Por isso tornou-se um símbolo do Brasil que queria ser moderno e crescer 50 anos em cinco. Era uma publicação para o homem, mas que também podia ser lida pela mulher. Uma revista diferente de todas as outras publicações existentes. Distinguia- se não só pelos assuntos abordados, mas também pelo elaborado projeto gráfico e de produção. Com uma equipe que contava com Nahum Sirotsky, Paulo Francis e Luiz Lobo, a revista trazia o interesse pelas artes cênicas, literatura e artes plásticas, porém, sempre com um toque de humor
e irreverência. Ainda contava com a presença de Jaguar, que tornou o desenho de humor e a charge uma das marcas da revista. Os colaboradores da Revista Senhor eram sempre os melhores do país. Muitos nomes reverenciados na literatura encontravam na revista uma porta aberta. A revista publicava sempre produções já reconhecidas, inclusive da literatura internacional, ao mesmo tempo em que lançava novos nomes. A fotografia ganhou muito espaço na revista e rompia páginas. O design gráfico ia muito além do convencional. Carlos Scliar, foi o primeiro diretor de arte da revista e fez o design passar a ser visto como um diferencial, um meio de provocar interesse. Foi incorporado à linguagem
gráfica o que havia de moderno, com o grande apoio financeiro que a direção de arte tinha, Scliar fez uma revista graficamente arrojada. Porém, a produção da revista implicava em altos gastos e com as fortes mudanças econômicas que o país sofria na época, não se sustentou. O alto custo do papel e a transformação da imprensa em negócio de grandes proporções, tornaram a tarefa de reduzir gastos e manter a qualidade da revista fiel ao modelo inicial impossível. Assim, em Janeiro de 1964, foi publicada a última edição da Revista Senhor. No âmbito editorial, revista foi dividida em cultura, política, economia e entretenimento. Embora apresente toda essa diversidade temática, sua maior contribuição está no campo do Jornalismo Cultural com espaço para literatura, pintura, escultura, teatro, música, arquitetura, cinema e abrangendo também a cultura popular, o comportamento social – formas de ser e se portar, e as ciências sociais, ajustadas e transportadas ao meio jornalístico. Desde seu inicio, Senhor se mostrou como
uma revista de caráter formador de opinião, prezando a notícia, a atualidade, e debatendo amplamente acerca dos aspectos da formação cultural brasileira, a cultura intelectual e a cultura popular. Um grande diferencial da Revista Senhor, foi o uso do humor. Sátira, ironia e humor picante, sem falar do tom de deboche saudável da sociedade da época, contribuíram para que a publicação fosse única em sua linguagem. Além disso, mais uma peculiaridade de suas páginas, eram os ensaios fotográficos presentes a cada edição. Voltados para o público masculino, as fotos traziam sempre mulheres em ensaios sensuais. Mas garotos, podem se acalmar, os ensaios eram sempre sensuais, porém de bom gosto, inteligentes, sem serem pornográficas e esbanjando elegância, justamente para provocar o imaginário do público masculino. Na época em que a sociedade ainda via a mulher somente como dona-de-casa, mãe e esposa, Senhor trouxe como suas musas, atrizes, fotógrafas, escritoras, musicistas e outras profissionais.
A revista também promovia um encontro entre modernidade textual e gráfica. Elegante, bem paginada ,editada e grafada com as letras SR, Senhor valorizou como poucas na época, a linguagem gráfica, um visual moderno e precursor de tendências. Tendo um público-alvo mais culto, a revista dava-se ao luxo de escrever minuciosamente textos críticos, analítcos, pesquisados a fundo e preparados com cuidado
especialmente na linguagem que certamente seria compreendida pelo leitor. Tal estilo teve como grande inspiração a publicação norte-americana The New Yorker, Squire e Seleções. Com publicações bem feitas, considerada de elite e com um corpo editorial bastante intelectual, a revista permaneceu no mercado por pouco tempo, mas foi o suficiente para deixar sua marca
“uma revista para ser lida pelos elementos mais responsáveis pela vida nacional, a fim de estimulá-los a considerar com mais seriedade os problemas culturais do país”. Simão Waisman
“Parti das revistas Esquire e Seleções. Teria ensaios sobre grandes temas de todos os tipos por grandes nomes. Publicaria uma noveleta em cada número e uns contos. Serviços para homens, como vestir bem, preparação de coktails, escolha de bons vinhos, resenhas de livros de utilidade para o empresário e etc. As capas seriam especialmente criadas por artistas brasileiros, assim como as ilustrações. Tudo boa arte. Teria o tamanho de Esquire e preço de capa várias vezes mais caro do que a mais cara do Brasil para que fosse símbolo de status. Ele gostou. Pediu que montasse um exemplar para mostrar”. Nahum Sirotsky
“Eu tinha que fazer com a ilustração, com a tipologia, com a organização do espaço, um trabalho que desse ritmo aquela matéria para que você fosse induzido a ler, depois a responsabilidade já não era mais minha, eu tinha feito o que estava no meu alcance – fazer você começar a ler”. Carlos Scliar