polícia O trabalho da perícia criminal gabriela santos
Alex Schutz, 35 anos, saiu do seu local de trabalho para atender uma chamada. Chegando lá se deparou com um cadáver de um homem moreno-claro, ensanguentado, atirado na sarjeta, que tinha sofrido ferimentos a bala. Essa rotina se repete toda a semana há 1 ano, desde que Alex virou um perito criminal. Seu trabalho consiste em desvendar um crime a partir da análise de locais e provas, tentando retratar qual foi o delito e como ele ocorreu. Através da Balística Forense munições e armamentos apreendidos são analisados através de aparelhos micro comparadores. Cada arma possui estrias que funcionam como uma impressão digital no projétil da munição quando disparada, tornando-as únicas. O órgão responsável pela perícia no estado é o Instituto Geral de Perícias (IGP), que atende o município de Porto Alegre, grande Porto Alegre e litoral norte. Ele é dividido em Departamento Médico Legal, onde são realizadas autópsias e avaliação de lesões corporais e psicológicas; Departamento de Identificação, ajudando no reconhecimento de mortos indigentes e impressões digitais; Laboratório de Perícias, que analisa materiais coletados em cenas criminais, como resíduos e DNA; e o Departamento de Criminalística, que examina disparos de armas de fogo e locais onde ocorreram crimes contra a vida, como homicídios e suicídios. Existe ainda o setor de Áudio e Imagem que trabalha com gravações de voz, interceptações telefônicas e ima-
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Uma das muitas cenas cotidianas do trabalho dos peritos criminais gens de câmeras de segurança utilizadas para o reconhecimento dos infratores. A identificação de vozes é feita a partir de programas específicos, que analisam a fonética e a frequência de voz do indivíduo. Técnicos em informática que fazem exames em softwares e hardwares e trabalham com crimes de internet. O setor de fotografia é responsável pela criação de retratos falados através de programas de computador e as imagens apresentadas nos laudos periciais, gerando em média 100 mil fotos por ano e a área da Documentoscopia, responsável pelo estudo de documentos, cartas e bilhetes para o reconhecimento de falsificações, principalmente em casos de estelionato. A identificação da numeração de armas de fogo e de veículos é a função do setor de Química-Legal e a Papiloscopia é a seção responsável pelo
recolhimento e comparação de impressões digitais nas cenas de crimes. Através de séries de televisão como CSI e Law & Order, a perícia ganha destaque. Schutz acredita que as séries expõem a profissão, tornando-a mais conhecida, mas são distantes da realidade pelo fato de se passarem em outros países, onde ocorrem outros tipos de crimes. Embora os programas enalteçam a profissão, a vida de um perito forense não tem tanto glamour quando pode parecer. O IGP conta com três peritos plantonistas. O maior número de chamadas acontece à partir das 20h e invadem a noite de sextas, sábados e domingos. Os tipos de crimes mais comuns são homicídio e latrocínio (assalto seguido de morte) motivados pelo envolvimento com o tráfico de drogas.
Por dentro do programa de proteção a testemunhas vanessa schramm
Saia da sua cidade, não veja mais os vizinhos e não conte para sua família e amigos para onde você vai: essas são as regras básicas do Programa Estadual de Proteção, Auxílio e Assistência a Testemunhas Ameaçadas, o PROTEGE. Hoje são quarenta pessoas que estão nessa situação no RS. Vivendo sobre regras rígidas, e levando apenas objetos pessoais e dependentes, eles tem que avisar quando saem e só podem contatar a família por intermédio do programa. Sua maior parte recebe proteção por denúncia de tráfico ou homicídio. Todos os casos são analisados
por um conselho deliberativo formado por dez instituições governamentais e não-governamentais, por isso já ouve recusa do PROTEGE em acolher testemunhas, e, também por falta de verbas, segundo a coordenadora do programa, Joice de Freitas. Elas ficam então sob proteção da Brigada Militar, até que abra uma vaga. O protegido pode sair do programa por vontade própria ou pelo não cumprimento das regras. Condenados pela justiça que estão cumprindo pena não podem participar. O programa foi criado em maio de 2000 pelo Decreto n° 40027,
tendo como suporte a Lei Federal 9807/1999. O PROTEGE conta com uma equipe composta de advogado, assistente social, psicólogo e operadores de segurança responsáveis por escoltas e deslocamentos, é financiado pelo governo e tem o objetivo de assegurar a integridade física e psicológica das testemunhas, mas a taxa de depressão é alta. Apesar de os recursos serem limitados, não há um aparente índice de falha no programa. Nenhum participante, até hoje, foi encontrado de quem se escondia.
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Estudo questiona a novidade do Óxi tiago lobo
Uma nova droga mais potente que o Crack recebe atenção da grande imprensa desde abril desse ano mas pode não ser tão nova e agressiva como se pensa. Os dados vêm do artigo “Óxi ou pasta base?” do perito criminal federal e mestre em ciências farmacêuticas Marcus Vinicius de Oliveira Andrade, publicado em 2005 na edição nº21 da revista Perícia Criminal. O perito explica que testes laboratoriais apontam que a composição, cor, odor e forma do Óxi são muito semelhantes à formulação da pasta base utilizada no preparo do Crack, Merla e Cocaína. A pasta base consiste nas folhas de Coca maceradas e processadas com componentes tóxicos como cal virgem, cimento, querosene, ácido sulfúrico entre outros que seriam utilizados na produção da nova droga. No entanto esses produtos são os mais empregados na primeira etapa de preparação da coca e derivados.
“É preciso desmistificar essa história de Óxi. Tudo leva a crer que aquilo que está sendo chamado de Óxi é a pasta base de coca Andrade diz que: “No Laboratório, quanto aos ensaios físico-químicos mais corriqueiros realizados para a cocaína, não há distinção clara daquilo que é chamado de Óxi e de pasta base”. Segundo o delegado Oslain Santana, chefe do setor de Repressão a Entorpecentes da PF, indícios mostram que o oxi não passa de uma versão fumável da pasta base de coca. Também não existe base científica para afirmar que a droga seja mais tóxica ou letal do que o crack. “É preciso desmistificar essa história de oxi. Solicitamos um estudo científico para verificar, mas tudo leva a crer que aquilo que está sendo chamado de Óxi é a pasta base de coca solidificada”, disse Santana. A PF desconfia que os traficantes
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Óxi: nome da droga pode vir da pasta base passada pelo processo de oxidação. estão vendendo diretamente a pasta base, para baratear o produto. Por isso o Óxi custa entre R$2,00 e R$3,00 contra R$5,00 e R$7,00 do Crack. O fato de o Óxi ter surgido no Acre é outro indício de que a “nova droga” não passa da pasta base. O estado não é um mercado consumidor, mas uma rota do tráfico, onde há fartura da pasta desde os anos 80. Mapa da pedra A droga é produzida na Bolívia e no Peru e começou a entrar no Brasil em 2005 pelo interior do Acre. Em pouco tempo, chegou a Rio Branco e se espalhou para outras capitais da região Norte, como Manaus (Amazonas), Belém (Pará), Macapá (Amapá) e Porto Velho (Rondônia). Nos últimos meses, houve apreensões e registros de usuários em Goiás, Distrito Federal, Pernambuco, Bahía, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí - onde foram confirmadas 18 mortes só neste ano por conta do uso do óxi. Há rumores da circulação da droga no Mato Grosso, Maranhão e Paraná, embora não haja registros oficiais. No estado do Rio Grande do Sul a primeira aparição da droga aconteceu em 25 de abril desse ano, com 360 gramas apreendidas pelo Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) em Porto Alegre. A droga veio de São Paulo, após entrar no Brasil pela fronteira com a Bolívia. Efeitos do Óxi A fumaça chega aos pulmões e cai na corrente sanguínea. No cérebro cria uma sensação de prazer com efeito aproximado de dez minutos.
Esse processo leva de 6 a 8 segundos para atingir o cérebro e pode provocar perda dos dentes, queimaduras nos lábios e necrose de tecidos. Além de ocasionar enfisema pulmonar, derrames, perda de memória, dificuldade de raciocínio e concentração, vômitos, diarrérias, aumento da chance de hipertensão e infartos, e inflamações de fígados e rins. Usuários descrevem que o uso causa lacrimejamento, olhos avermelhados, respiração difícil, tremores das mãos e irritabilidade. Produção da droga O método mais comum de refino da pasta base é o chamado método colombiano que consiste no mergulho das folhas de coca em uma solução de cal virgem e gasolina ou querosene. Este processo serve para extrair o alcalóide cocaína, que possui o princípio ativo da droga e resulta em uma massa dura de cor ocre amarelada. A segunda etapa é a purificação. Se o objetivo for a obtenção da cocaína em pó (cloridrato de cocaína), são usados solventes como o éter e a acetona para aumentar a pureza e o valor agregado da droga. Se o objetivo for o crack, existem dois caminhos básicos. Um deles é submeter o pó de cocaína a um processo de aquecimento, resfriamento e adição de bicarbonato de sódio ou amoníaco para que o pó se transforme em pedra e possa ser fumado. Uma alternativa, mais popular e barata, é submeter a pasta base ao mesmo processo de solidificação, obtendo o chamado Óxi.