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L'EUPHORIE (PARTE TRÊS)

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CAPÍTULO CINCO

— Ei! Achei que a aventura de vocês já tivesse terminado. — A gatinha comenta. — Nós também achávamos, mas descobrimos uma coisa bizarra! — Viktor exclama, balançando os braços. — E viemos aqui avisar vocês. Está lá na— Não há tempo para aventuras agora, pessoal. O show vai começar, e precisamos de todos vocês a postos! — Cain bateu palma, para dispersar a conversa. — Cain, é sério, algo terrível aconteceu na caravana de Nelian. Precisamos... Cain, impaciente, cortou a fala de Damon. — Depois do show, Damon. Esse Nelian já está ferrado por não aparecer aqui no horário. Vamos nos preocupar com isso depois do show. — Disse de forma definitiva e saiu do local. Damon e Viktor trocaram olhares de frustração e resignação. Não teriam a atenção de ninguém no momento, pois o espetáculo exigia a atenção máxima de todos. Principalmente Cain, que mediava tudo. Suspirando em derrota, seguiram para o lado do palco, cientes de que teriam que lidar com o a informação que tinham até o encerramento do festival. Só esperavam que todos acreditassem neles, e escutassem suas explicações. Até porque os dois tinham provas até demais sobre a situação. — 92 —


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O espetáculo do circo se desenrolava como um magnífico emaranhado de talento e entretenimento. Cain, o incrível contador de histórias, hipnotizava o público com seus contos mirabolantes, mantendo todos à beira de suas cadeiras. O clímax de suas narrativas fazia a plateia pular de curiosidade, envolvendo todos em um misto de fascínio e animação. Kali e Viktor, em suas performances, aliviavam os nervos da plateia de maneiras únicas. Kali, com sua confiança exacerbada, e Viktor, com seu bom humor contagioso, conquistavam risos e aplausos, tornando-se a dupla inseparável do riso e da descontração. As duas ratinhas, habilidosas nos trapézios, pareciam desafiar a gravidade, encantando o público não apenas com suas habilidades acrobáticas, mas também com sua fofura irresistível. O lugar de Nelian foi preenchido por mais uma sessão de histórias com Cain, mantendo a audiência envolvida nas tramas que ele habilmente narrava e atuava no centro do palco. Enquanto isso, nos bastidores, Damon observava Cain ansioso. Seus cascos suavam, e sua cabeça latejava levemente, mas ele atribuiu isso à ansiedade pré-performance. Contudo, um pensamento intrusivo surgiu em sua mente, desejando por um momento de calmaria longe do circo. Olhou novamente para — 93 —


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o namorado no palco e se relembrou de mais cedo, onde imaginava um momento de calmaria com o mesmo, onde pudessem um dia desfrutar a experiência de não trabalhar no circo, e sim de ser apenas mais um espectador anônimo no meio da plateia. E não a estrela principal do show. Balançou a cabeça para afastar esses pensamentos, afirmando para si mesmo que amava essa vida. Não tinha porquê sair dela quando só tinha ganhado com sua jornada até aqui. Conheceu seus amigos aqui, e aqui com eles iria ficar. Você pode ter tudo que você quiser, Damon. Uma voz sussurrante alcançou seus ouvidos, tentando seduzi-lo. Ele já tinha ouvido aquela voz antes, no teatro. Com certeza era obra daquela chave estranha. — Eu já tenho tudo que eu quero, mas obrigado. — Falou contido. Não queria ter que lidar com qualquer problema naquele momento. Um arrepio percorreu sua espinha quando a voz tornou a ecoar na sua cabeça. Tome cuidado com seus desejos, eles tem mais poder do que aparentam. — 94 —


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Colocou a mão sobre seu coração, que batia em disparada, tentando acalmar. O que a voz queria dizer com aquilo? Não tinha desejado nada, apenas disse a verdade. Nesse momento, Cain deixou o palco e se deparou com o carneiro, mas não parecia perceber o nervosismo que ele exalava. — Boa sorte lá, você vai arrasar, como sempre. — Colocou uma pata carinhosamente no ombro de Damon, sorrindo. Damon sorriu de volta em agradecimento, e entrou no palco para sua apresentação, com a última coisa que a voz lhe disse ainda ecoando em sua mente, deixando-o com uma sensação desconcertante enquanto se preparava para encantar a plateia com suas habilidades únicas.

Ser um mágico não é apenas fazer truques baratos para fazer uma moeda desaparecer, ou fazer um objeto aparecer dentro da cartola. Não. É muito mais que isso. É a sua capacidade de manter o público vidrado na sua imagem, é fazê-los ansiosos pelo que pode vir. E quando todos pensarem que sabem o que vai — 95 —


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acontecer, o mágico vai e reduz às expectativas à gritos e aplausos surpresos, de quem nem ao menos esperavam tantas reviravoltas. Damon havia nascido com um talento nato, desde que era filhote tinha a habilidade de prender a atenção de todos a sua volta com suas falas e gestos de boa postura. Tirando o leve nervosismo, ele poderia conduzir qualquer um a fazer qualquer coisa. Como o grande mágico que ele é. — E agora vamos para o meu último truque, querida audiência. — Pôde ouvir os murmúrios triste de todos presentes. — Eu sei, se eu pudesse ficaria a noite inteira me apresentando para vocês. Mas sempre terá mais amanhã, nós do circo L’Euphorie nunca paramos de trazer alegria a todos vocês. E foi ovacionado por suas palavras. As crianças pulavam de alegria só de pensar em vim ao circo mais uma vez, e seus pais as olhavam com ternura, já amolecendo para fazer às vontades de seus pequenos. Damon observava e adorava o que via, pois era isso que servia seu trabalho. Trazer emoções positivas. — Bom, eu irei precisar de um voluntário nesse último truque. — Ao proferir sua fala, todos se agitaram em seus lugares. — Quem será valente o bastante para esse grande mágico aqui, hein? Uma série de patas se levantou, desde crianças — 96 —


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empolgadas até adultos curiosos. No meio da multidão, uma figura em questão chamou a atenção do mágico. Um filhote de carneiro que pulava animadamente, levantando seus pequenos cascos com entusiasmo e na esperança que pudesse ser escolhido. Damon parou e olhou o pequeno, e um sorriso emocionado se formou em seu rosto. — Já tenho alguém em mente para me ajudar. — Anunciou, aumentando a expectativa de todos. — E será... você! — Apontou para o carneiro, que quase cai pra trás com tamanha emoção. Damon quis rir, mas manteve seu personagem. O pequeno carneiro correu para o palco, revelando ainda mais sua animação por ter sido chamado, causando expressões bobas na plateia. — Senhor Damon! — O pequeno se aproximou do mágico, o fazendo se agachar para ouvir o filhote melhor. — Eu sou seu fã número um, sabia? — Uau! — Damon imitou uma cara de choque, achando graça da fala do carneiro. — Então quer dizer que estou conversando com o meu maior fã? Que honra. — Sim! E um dia eu irei me tornar um mágico tão bom quanto você. — Sorriu abertamente. Damon, tocado pela admiração do menor, acariciou sua cabeça com carinho. — 97 —


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— Seu sonho vai se realizar! — Afirmou animado. — Você já tem até o espírito de um verdadeiro mágico! — Sério? Que incrível! — Pulou animado. — Qual seu nome, pequeno? Tenho que saber o nome da minha futura concorrência. — É Benny, senhor Damon. Benny, o mágico! — Bom, Benny, vamos entregar um ótimo truque para eles, ok? Um que eles irão lembrar para sempre. Explicando o último truque, Damon anunciou que colocaria Benny dentro de uma enorme caixa, fazendo-o desaparecer. Uma onda de choque percorreu a plateia, mas Damon rapidamente dissipou o suspense com uma risada anasalada. — Não se preocupem, vou trazê-lo de volta depois. — Riu de novo, vendo as expressões de alívio de todos. Com um sorriso cativante, Damon anunciou à plateia que precisaria da ajuda deles para realizar seu próximo truque. Pediu que todos fizessem uma contagem regressiva de 10 até 0 junto com ele, garantindo que isso aprimoraria a mágica. Risos animados ecoaram pela multidão enquanto todos se preparavam para participar do espetáculo. — Posso contar com vocês nessa missão? — — 98 —


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Ouviu um coro gritando que “Sim!” — Então vamos começar! Benny, pode entrar na caixa. O pequeno se posicionou dentro do grande objeto, recebeu algumas instruções de Damon e sorriu para a plateia antes do mágico fechá-lo lá dentro. — Bom, que comece a contagem! Dez! Benny já estava ciente das instruções que Damon lhe havia dado. Ele sabia que quando a contagem chegasse a zero, deveria entrar em um fundo falso embaixo da caixa, permanecendo escondido e completando o ato com êxito. Nove! Era um truque de ilusão muito simples, mas que sempre fora o favorito da multidão. Tinha dias que depois do espetáculo, pessoas o paravam para perguntar quando teria o “truque da caixa” novamente. Cinco! De repente, um rangido acima de Damon capturou sua atenção. Parecia sons de metais batendo um contra o outro, mas ele optou por ignorar momentaneamente. Três! — Estamos quase lá! — Sorriu para a plateia. Deu leves batidinhas na caixa, para alertar Benny de se esconder, caso o filhote não estivesse escutando a — 99 —


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estivesse escutando a contagem do lado de fora. Dois! Anunciou que abriria a caixa quando, de repente, um rangido mais alto soou, chamando a atenção de todos. — Parece que até o próprio circo está animado com esse truque, não é mesmo? — Brincou, fazendo todos desviarem a atenção novamente para o mágico no palco. Ao se aproximar da caixa, o som de metal se sobressaiu mais uma vez. Um dos trapézios se soltou da estrutura de metal que ficam presos e caiu diretamente no palco, atravessando a caixa onde o filhote estava. Damon, olhando assustado para a cena diante dele, torcia desesperadamente para que Benny já estivesse em segurança no compartimento abaixo do palco. No entanto, sua esperança transformou-se em horror ao ver o sangue escorrendo para fora da caixa, fazendo com que todos na plateia se agitassem e expressassem sua consternação perante a inesperada tragédia. — F-Fiquem todos calmos, a equipe médica já está vindo. — Tentou falar, mas saiu baixo demais diante do desespero alheio. Damon estava atônito e horrorizado, não conseguia articular uma palavra diante da tragédia que — 100 —


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que se desdobrava diante de seus olhos. O espetáculo de horror que se desenrolava no circo L’Euphorie não era mais uma ilusão de sua cabeça, mas sim uma cruel realidade. Uma pessoa morreu. Durante seu ato. Outras estruturas de metal cederam, precipitando-se sobre a plateia, acertando várias pessoas de forma brutal. A cena se tornou um pesadelo grotesco, como se o circo se transformasse repentinamente em um cenário de terror. Ferros perfuravam corpos, cravando-se nas cabeças e atravessando torsos, enquanto gritos de súplica ecoavam pelo espaço antes de serem abruptamente interrompidos. Paralisado no lugar, observava impotente a carnificina diante de seus olhos. Sentia-se como um espectador indefeso em um show de horrores, onde cada escolha havia se transformado em consequências inimagináveis. As pessoas corriam desesperadamente pela vida, mas eram ceifadas em um instante pela frieza do metal que caia sobre elas. O palco, que antes fora um local de encanto e celebração, transformou-se em um cenário de desespero e agonia. Damon, preso em seu próprio pesadelo, não conseguia se mover, seu corpo congelado diante da brutalidade que testemunhava. O circo, outrora um refúgio de alegria, agora tornara-se palco de um — 101 —


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agora tornara-se palco de uma crime que o assombraria a mente para sempre. No caos ensurdecedor, uma voz familiar cortou o clamor trágico. — Damon... — Falou de modo arrastado e cantarolando. Damon reconheceu imediatamente aquele tom de voz. Nelian. O felino repetia seu nome como se estivesse testando a pronúncia, ecoando em meio ao cenário devastado. — Damon, onde você está? Por que fez isso? — Perguntou em tom triste, mas para o mágico era óbvio que Nelian não estava nem um pouco triste. Ele parecia estar falando de todo lugar e ao mesmo tempo de lugar nenhum, como se não existisse naquele plano consigo. — Não fui eu! — Gritou, desesperado. — Foram as estruturas de metal que caíram! Nelian, porém, não parecia convencido. — Mas você poderia muito bem ter evitado tudo isso, pequeno Damon. — Disse em tom penoso, como se falasse com uma criança. — 102 —


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Ele insistiu que Damon poderia ter evitado a tragédia, lembrando-o das expectativas que todos tinham sobre ele Prestativo. Maravilhoso. O melhor. Damon, com lágrimas nos olhos, reconheceu a parcial verdade nas palavras de Nelian. Ele não havia feito nada para impedir o desastre, permitindo que todos perecessem em frente de si. — Você merece o mesmo destino que os outros. — Desdenhou. — Não vou permitir que alguém manche o circo com sangue de pessoas inocentes. Temos uma reputação a zelar, não sabe? Num instante, como se tudo tivesse ficado em câmera lenta, Damon conseguiu ouvir o som sinistro de vigas de metal cedendo acima dele. Em um reflexo instintivo, ele se lançou para o lado, evitando por um triz a ameaça mortal que se precipitava rapidamente em sua direção. O perigo iminente serviu como um despertar abrupto para Damon, que agora enfrentava não apenas as consequências da tragédia, mas também a ira de Nelian, enquanto tentava desesperadamente escapar da sombra da morte que pairava sobre ele. — Tsk. Eu esqueço que você é um pouco mais esperto que os outros. — Falou, decepcionado. “Outros?” Pensou Damon. E na mesma hora — 103 —


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arfou horrorizado com o significado. — O que você fez com eles?! — Gritou para todos os lados, já que não tinha ideia de onde Nelian se escondia. — Eu? — Riu, como se fosse um absurdo culpá-lo de algo. — Eu não fiz nada, eles mesmo que escolheram o próprio destino. Apenas dei... uma mão. Damon, ainda agachado no chão, chorava diante do caos que se desenrolara. O pensamento de seus amigos e seu namorado feridos o consumia e o enlouquecia de certa forma. — Por que está fazendo isso? — Disse com a voz trêmula, tentando controlar sua respiração. — O que você quer? Nelian riu de maneira cruel. — Meu único objetivo é apagar você da história desse circo de uma vez por todas. — Falou friamente. — Você não é nada mais do que um carneiro sortudo que escolheu as cartas certas. — O-O que? — Não conseguia assimilar em sua mente tudo que estava acontecendo. — Você não é nada. — Continuou com o desprezo. — Deveria ter sido eu no centro do palco todo esse tempo. — Se ser o centro é o que você quer, então podemos conversar sobre isso. De maneira pacífica, sem — 104 —


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precisar do uso da violência. — Sugeriu, mesmo tendo um pouco de certeza que o felino não iria acatar. — Por favor, Nelian. Nelian riu de forma macabra, de um jeito que Damon nunca havia ouvido. — Tão inocente! Você me irrita com esse seu jeito apaziguador. — Rangeu os dentes, em raiva. — Mesmo com essa “conversinha”, você ainda seria o centro nos olhos do público. Não. Eu quero te apagar para sempre. De repente, as luzes se apagaram, mergulhando o circo em uma escuridão profunda. Damon, movendo-se por instinto, levantou-se rapidamente, sentindo um pressentimento horrível. Sem hesitar, seguiu a luz do lado de fora do circo, ansioso para deixar aquele pesadelo para trás e, com sorte, encontrar Cain. Infelizmente, algo segurou sua canela, o fazendo tropeçar e cair no chão. Soltando grunhidos de dor, Damon se vira para ver o que lhe segurou e perdeu todo o ar na hora. Com a cara totalmente desfigurada e totalmente desprovida de expressões, Nelian estava colado ao chão enquanto segurava a canela de Damon, o encarando. Parecia um animal selvagem, com os olhos profundos e sem nenhum tipo de brilho. Apenas um buraco negro de profundo sofrimento. — 105 —


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— Aonde pensa que vai, carneirinho? — Sorriu de um jeito horripilante, sua mandíbula parecendo deslocada do próprio rosto. Damon, desesperado, tentou se libertar dos apertos de Nelian, desferindo chutes desesperados em direção ao outro. Contudo, o felino foi mais rápido, torcendo violentamente a perna de Damon, que soltou um grito agudo, sentindo seu membro se quebrar na hora. A dor insuportável tomou conta de seu corpo, fazendo-o se contorcer em agonia, desejando que tudo aquilo cessasse. — No final, você se reunirá com seus amigos. — Levantou-se do chão e pegou novamente a perna de Damon, o arrastando lentamente de volta ao palco. Enquanto era arrastado, Damon percebeu como um vislumbre de horror, a presença de Kali em uma das cadeiras da plateia. No entanto, ao focar melhor sua visão, notou que suas orelhas haviam sido cortadas e seus olhos arrancados, deixando apenas um corpo vazio no meio da audiência. As lágrimas brotaram nos olhos de Damon, que orava para que aquilo fosse apenas um pesadelo de mau gosto. O terror atingiu um novo patamar quando, olhando para cima, viu os pequenos corpos das — 106 —


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gêmeas perfurados pelos próprios trapézios. A cena era macabra, um pesadelo surreal que se desenrolava diante dele. A dor física agora se mesclava com a angústia emocional, levando Damon a um estado de desespero diante da cruel realidade que o cercava. — Gostou do que eu fiz com elas? — Perguntou ao ver Damon chorando copiosamente no chão. — É um gran finale e tanto. Principalmente para crianças. — V-Você é um monstro... — Já estava perdendo as forças para lutar contra o aperto do felino. — Um monstro... — Só estou fazendo o que é o certo, Damon. Como o bobo sonhador que eu sou. O holofote do palco se acendeu, revelando uma figura bem no centro. — Cain! — Damon gritou, feliz em ver o namorado outra vez. Mas a felicidade durou pouco ao ver mais perto o estado do coelho. Empalado. Com espinhos feitos das páginas do seus livros de histórias. Perfurando cada parte de seu corpo, principalmente sua garganta, que estava degolada. Manchando as linhas da sua própria narrativa. — Acho que é isso que chamam de plot twist nos livros,não? — Riu da própria piada. Damon, em lágrimas e mergulhado em um — 107 —


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profundo desespero, não suportava a visão aterradora diante de seus olhos. O estado deplorável de seu namorado e a terrível cena com os outros eram demais para suportar. A tristeza que o envolvia era tão esmagadora que ele sentia a iminência de vomitar. — V-Viktor... O que você fez com ele? — Aquele cachorro sarnento ainda vai se ver comigo, não se preocupe. Ao chegar de volta ao palco, Nelian o observava, indiferente ao sofrimento profundo de Damon. Parecia até estar se divertindo. Em meio aos soluços, Damon mais uma vez suplicou para que Nelian encerrasse aquela atrocidade. — Por favor, pare com isso... Mais uma vez, apenas ouviu mais uma das risadas esganiçadas de Nelian. Era inútil. — É aqui que você vai morrer, Damon. No palco onde tudo começou. — Levantou os braços, mostrando em volta. — Não tem nada mais emocionante que morrer enquanto seus amigos assistem, não é mesmo? Virou o rosto de Damon para Cain mais uma vez, o forçando a olhar fixamente para rosto sem vida do parceiro. — 108 —


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— Morrer sendo assistido pelo amor da sua vida. — Riu de forma maníaca, como se tivesse contado a melhor piada do mundo. Damon fechou os olhos, se negando a passar mais um segundo naquele inferno. Vendo pessoas inocentes dilacerada ao seu redor. Vendo seus amigos jogados de forma deplorável aos pés da morte. Eram tragédias demais para si. — Você fica entediante rápido demais. Não sei como podem gostar tanto de você. — Observou por alguns segundos o carneiros, então deu de ombros. — Vamos acabar logo com isso. Agarrou o pescoço de Damon, o apertando enquanto sorria largamente, o vendo abrir os olhos em desespero pela dor repentina. Nelian continuava a sorrir. Mesmo quando a expressão de Damon se retorcia cada vez mais. Mesmo quando ele começou a se contorcer pela falta de ar. Mesmo quando suplicou sem parar por um segundo. — Agora me responda, Damon. — Estabilizou o mágico no chão, para que ficasse parado. — E quero que você seja sincero, como o carneiro bonzinho que eu sei que você é. Damon já não respirava mais. Sentia suas forças indo embora e o corpo cada vez mais leve, mesmo com o aperto tão pesao. Escutava Nelian, mas agora — 109 —


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bem longe, como se estivesse no fundo do mar. Desejava ajudar o amigo. Ajudá-lo a recuperar sua sanidade. Mas não conseguia ajudar a si próprio naquele momento. — Quem é a estrela mais amada do circo? E tudo escureceu de vez. — Me diga! Quem é a estrela mais amada do circo? Sem resposta. Até porque todos sabem quem é a estrela mais amada de todas, não é? Não poderia ser ninguém menos que Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian Nelian — 110 —


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