A metodologia da Medicina Narrativa, desenvolvida por Rita Charon, recorre às artes (literatura, cinema, artes plásticas) com a finalidade de aprimorar o exercício de percepção e respeito ao outro e fortalecer os elementos necessários no processo de obtenção de hipóteses diagnósticas e para uma assistência centrada na pessoa, não somente na doença.
Candido Portinari foi um dos mais expressivos artistas do século XX. Sua obra retratou fiel e afetivamente a realidade do povo brasileiro, continuando muito atual. A partir de um programa de Iniciação Científica da Faculdade de Medicina da Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, foram realizados exercícios narrativos que dialogaram com algumas das obras do artista. Acreditamos que a expansão dessa experiência, inclusive em ambientes de Graduação, possa contribuir para uma maior aproximação e entendimento dos profissionais de saúde daqueles por eles atendidos, muitas vezes com realidades tão distintas e tão bem retratadas por Portinari.
Por ser uma metodologia internacional, a Medicina Narrativa nem sempre utiliza como estimuladoras da narrativa obras relacionadas às especificidades do nosso país. Isso nos levou a Portinari. O pintor brasileiro do século XX retratou a alma brasileira, sendo reconhecido como o pintor social. Acreditamos que, por meio das Artes, podemos aperfeiçoar nossa capacidade de escuta e, como Portinari, contar também com as palavras e desenhar todas as cores das dores e memórias trazidas pelos pacientes. Durante um ano (2021/2022), estivemos em contato com a obra de Portinari, sempre desenvolvendo pequenas narrativas e considerando a possibilidade de sua utilização em oficinas de Medicina Narrativa, especialmente, para profissionais da área de saúde, com ênfase na graduação médica. Esperamos que o resultado seja capaz de estimular esse objetivo. “Quanta coisa eu contaria se pudesse e soubesse ao menos a língua como a cor.”
ISBN 978-65-5572-222-2
(Portinari) www.ThiemeRevinter.com.br
Candido Portinari no Ensino em Saúde
A expansão das discussões na Educação em Saúde sobre a necessidade de promover conexões artísticas que aprofundem o contato dos estudantes e profissionais de saúde com a criatividade, a subjetividade e as próprias emoções, nos aproximou da Medicina Narrativa.
Villela/Fernandes/Amorim/Mallet
"... uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende. Só o coração nos poderá tornar melhores, e é esta a grande função da arte..."
Candido Portinari no Ensino em Saúde Luiza Otero Villela Ana Paula de J. F. Fernandes Yohana Sotero B. de Amorim Ana Luisa Rocha Mallet