A amplitude da especialidade e a escassez de material didático atualizado e voltado para seus fundamentos constituem, entretanto, desafios para aqueles que iniciam sua formação médica ou ingressam na área. Como compreender esses fundamentos sem se perder em uma quantidade excessiva de informações? Como reconhecer o que é essencial para a prática clínica e, ao mesmo tempo, construir uma base sólida para um aprofundamento futuro? Otorrinolaringologia Básica Aplicada foi concebido para responder a essas necessidades. Fruto de um projeto de extensão da Universidade Federal do Paraná, desenvolvido sob a coordenação de especialistas e professores da área, o livro reúne conhecimentos essenciais da Otorrinolaringologia com foco na aplicabilidade clínica. Com linguagem clara, conteúdo atualizado e abordagem orientada pelo raciocínio clínico, a obra contempla os principais temas da especialidade, valorizando o reconhecimento das condições mais prevalentes, a avaliação inicial, a interpretação dos achados e a definição das condutas fundamentais. Destina-se sobretudo a estudantes de Medicina, médicos generalistas e residentes de Otorrinolaringologia em início de formação, e também a profissionais que, em sua prática cotidiana, se deparam com pacientes apresentando queixas otorrinolaringológicas. Uma obra para assimilar os fundamentos da Otorrinolaringologia contemporânea e aproximar o conhecimento teórico da prática clínica.
ISBN 978-65-5572-432-5
www.Thieme.com.br
Otorrinolaringologia Básica Aplicada
A Otorrinolaringologia está presente em praticamente todos os cenários da prática médica. Queixas relacionadas à respiração, à audição, ao equilíbrio, à voz, à deglutição e à comunicação são frequentes e podem representar desde condições simples e autolimitadas até doenças que exigem diagnóstico preciso e intervenção especializada.
Mamgia Hamerschmidt Catani
Os principais temas da especialidade, valorizando o reconhecimento das condições mais prevalentes, a avaliação inicial, a interpretação dos achados e a definição das condutas fundamentais.
Otorrinolaringologia Básica Aplicada Lucas Mangia Rogério Hamerschmidt Guilherme Catani
Otorrinolaringologia Básica Aplicada
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (eDOC BRASIL, Belo Horizonte/MG) M277o Mangia, Lucas Otorrinolaringologia básica aplicada/ Lucas Mangia, Rogério Hamerschmidt, Guillherme Catani. – 1. ed. – Rio de Janeiro, RJ: Thieme Revinter Publicações, 2027. il. color. ; 16 x 23 cm Inclui bibliografia. ISBN 978-65-5572-432-5 eISBN 978-65-5572-433-2 1. Otorrinolaringologia. 2. Ouvido, nariz e garganta – Doenças. I. Hamerschmidt, Rogério. II. Catani, Guillherme. III. Título. CDD 617.51 Elaborado por Maurício Amormino Júnior – CRB6/2422
Contato com o autor: lucas.mangia@ufpr.br
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Nota: O conhecimento médico está em constante evolução. À medida que a pesquisa e a experiência clínica ampliam o nosso saber, pode ser necessário alterar os métodos de tratamento e medicação. Os autores e editores deste material consultaram fontes tidas como confiáveis, a fim de fornecer informações completas e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de erro humano por parte dos autores, dos editores ou da casa editorial que traz à luz este trabalho, ou ainda de alterações no conhecimento médico, nem os autores, nem os editores, nem a casa editorial, nem qualquer outra parte que se tenha envolvido na elaboração deste material garantem que as informações aqui contidas sejam totalmente precisas ou completas; tampouco se responsabilizam por quaisquer erros ou omissões ou pelos resultados obtidos em consequência do uso de tais informações. É aconselhável que os leitores confirmem em outras fontes as informações aqui contidas. Sugere-se, por exemplo, que verifiquem a bula de cada medicamento que pretendam administrar, a fim de certificar-se de que as informações contidas nesta publicação são precisas e de que não houve mudanças na dose recomendada ou nas contraindicações. Esta recomendação é especialmente importante no caso de medicamentos novos ou pouco utilizados. Alguns dos nomes de produtos, patentes e design a que nos referimos neste livro são, na verdade, marcas registradas ou nomes protegidos pela legislação referente à propriedade intelectual, ainda que nem sempre o texto faça menção específica a esse fato. Portanto, a ocorrência de um nome sem a designação de sua propriedade não deve ser interpretada como uma indicação, por parte da editora, de que ele se encontra em domínio público.
Thieme Revinter Publicações Ltda. Av. Almirante Barroso, 63, sala 509 Rio de Janeiro, RJ CEP 20031-005, Brasil http://www.thieme.com.br Thieme USA http://www.thieme.com Design de Capa: © Thieme Créditos Imagem da Capa: Imagem gerada por IA utilizando Copilot Impresso no Brasil por Forma Certa Gráfica Digital Ltda. 54321 ISBN 978-65-5572-432-5 Também disponível como eBook: eISBN 978-65-5572-433-2
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida por nenhum meio, impresso, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização por escrito.
DEDICATÓRIA
A
os professores e pesquisadores que nos antecederam, alicerces das certezas que, hoje, sustentam as dúvidas que fazem a Ciência avançar. Aos estudantes de Medicina, cuja curiosidade e ímpeto para aprender impulsionam o questionamento, a construção e a divulgação do conhecimento. Aos médicos generalistas, que enfrentam diariamente o desafio de manejar, com responsabilidade e sensibilidade, as mais diversas demandas da prática clínica. Aos residentes em início de formação, que trilham os primeiros passos na especialidade com avidez, dedicação e comprometimento. E aos pacientes, que são a razão maior de todo esforço em ensinar, estudar, aprender, pesquisar e cuidar.
v
AGRADECIMENTOS
A
elaboração desta obra é fruto do esforço coletivo de inúmeras pessoas que contribuíram, direta ou indiretamente, para sua concretização. Agradecemos à Universidade Federal do Paraná e ao Hospital de Clínicas da UFPR, por proporcionarem o ambiente acadêmico e assistencial que viabilizou o desenvolvimento deste projeto. Aos estudantes da Liga de Otorrinolaringologia, cuja participação ativa, dedicação e entusiasmo foram fundamentais para a construção inicial do conteúdo e para o crescimento do projeto ao longo do tempo. Aos colegas, pesquisadores e professores da área de Otorrinolaringologia, pela orientação, revisão crítica e constante incentivo à produção de material didático de qualidade. Aos pacientes, que diariamente contribuem para o aprendizado e aprimoramento da prática médica. E, por fim, aos familiares e amigos, pelo apoio e compreensão durante todo o processo de elaboração desta obra.
vii
APRESENTAÇÃO
A
Otorrinolaringologia é uma disciplina que ocupa posição central na prática médica. Seu escopo abrange um amplo espectro de condições que afetam funções essenciais à vida cotidiana, como respiração, audição, percepção espacial, equilíbrio, deglutição e comunicação. Essas funções representam conquistas complexas e delicadas da evolução humana, fundamentais para a interação entre os indivíduos e para a relação com o meio em que vivem. Trata-se de uma especialidade transversal, presente em diferentes cenários assistenciais e níveis de atenção à saúde, sendo responsável pelo estudo, avaliação e manejo de queixas altamente prevalentes na população. Apesar de sua relevância, ainda se observa uma lacuna na disponibilidade de materiais didáticos que conciliem fundamentação teórica sólida com aplicabilidade clínica voltada à formação médica básica. O Otorrinolaringologia Básica Aplicada é fruto de um esforço científico e acadêmico coletivo. Foi concebido como um projeto de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sob a coordenação de médicos especialistas e professores da instituição, e desenvolvido em conjunto com estudantes da Liga de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da UFPR. Inicialmente proposto como material de apoio ao ensino de futuros médicos, o projeto foi gradualmente se consolidando e ampliando seu propósito, à medida que se evidenciava a necessidade de recursos didáticos específicos, porém acessíveis, objetivos, atualizados e orientados à prática clínica. A partir desse contexto, surgiu uma obra estruturada, capaz de atender não apenas estudantes de medicina, mas também médicos generalistas e residentes de Otorrinolaringologia em fase inicial de formação. Este livro tem o compromisso de oferecer conteúdo atualizado, organizado e com ênfase na aplicabilidade clínica, contemplando desde os fundamentos essenciais até a condução prática das principais condições em Otorrinolaringologia. Ele foi montado em eixos teóricos que abarcam os diferentes segmentos anatômicos e funcionais estudados e tratados pela especialidade. Cada um deles, por sua vez, se propõe a retomar aspectos básicos de anatomia e fisiologia, descrever as principais características fisiopatológicas, epidemiológicas e semiológicas das doenças otorrinolaringológicas e pontuar os elementos mais importantes de sua investigação complementar e tratamento. Espera-se que esta obra contribua de maneira significativa para a formação e atualização médica em nosso país e, sobretudo, que repercuta positivamente na qualidade da assistência prestada aos pacientes com queixas otorrinolaringológicas.
ix
PREFÁCIO
M
eu primeiro contato com a Otorrinolaringologia ocorreu em 2010, ainda durante a graduação em medicina na Universidade Federal de Minas Gerais. À época, utilizávamos como principal referência didática um material já consolidado há décadas, que, embora valioso, refletia uma realidade distinta da prática contemporânea. Além disso, tratava-se de um conteúdo denso que, apesar de concebido para a formação de especialistas, era usualmente empregado no ensino de futuros médicos generalistas. Desde então, a disponibilidade de materiais introdutórios, acessíveis e direcionados à formação inicial em Otorrinolaringologia, pouco se modificou. Paralelamente, muitos referenciais teóricos não acompanharam plenamente os avanços significativos da área, passando, por vezes, a refletir uma visão mais restrita e desatualizada dessa especialidade. Hoje, como professor de outra universidade pública renomada, a Universidade Federal do Paraná, sigo acompanhando de perto a formação de estudantes, médicos em início de carreira e futuros especialistas. Nesse contexto, permanece evidente a carência de materiais didáticos com curadoria abrangente, porém direcionada aos alicerces do entendimento e da prática em Otorrinolaringologia. Trata-se de uma especialidade ampla e complexa, que engloba múltiplos sistemas e interfaces clínicas, o que naturalmente impõe desafios à elaboração de conteúdos que consigam, ao mesmo tempo, ser completos, e eficazes na seleção do que é essencial para a prática médica geral e para a formação inicial do especialista. Foi a partir dessa percepção que surgiu o Otorrinolaringologia Básica Aplicada. Mais do que um compêndio teórico, esta obra foi concebida como um instrumento de aprendizagem prática, estruturado para auxiliar na construção do raciocínio clínico e na condução das principais queixas otorrinolaringológicas. Sua elaboração contou com a integração entre ensino, assistência e extensão universitária, envolvendo ativamente estudantes, sob supervisão direta de especialistas, docentes e pesquisadores, em um processo formativo alinhado às reais necessidades do aprendizado em saúde. Ao longo de sua construção, buscou-se priorizar a clareza, a objetividade e, sobretudo, a aplicabilidade clínica dos conteúdos apresentados. A proposta é oferecer ao leitor não apenas conhecimento, mas ferramentas úteis para a primeira abordagem das condições mais prevalentes em Otorrinolaringologia. Espero que esta obra contribua para uma formação médica mais sólida e ajude a preencher uma lacuna que, desde o início da minha própria trajetória na especialidade, se mostrava evidente. Ademais, almejo que contribua para valorizar a Otorrinolaringologia, reconhecer seus avanços e aprimorar a prática clínica na área, independentemente do nível de formação do colega leitor. Lucas Resende Lucinda Mangia
xi
COLABORADORES
AGNALDO RODRIGUES PEREIRA JUNIOR Médico Otorrinolaringologista pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ALEXANDRA DE OLIVEIRA DO CARMO Residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ANDRÉ RICARDO MERKLE Médico Otorrinolaringologista pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ARTHUR RICARDO CARMINATTI ORTINÃ Médico Otorrinolaringologista pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) AURENZO GONÇALVES MOCELIN Médico Otorrinolaringologista pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) BETTINA CARVALHO Médica Otorrinolaringologista e Preceptora da Residência Médica em Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente e Doutora em Clínica Cirúrgica pela UFPR CAIO MARCIO CORREIA SOARES Médico Otorrinolaringologista e Preceptor da Residência Médica em Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Doutor em Clínica Cirúrgica pela UFPR CAROLINA ALBINO WALTRICK Médica Otorrinolaringologista pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cirurgiã de Cabeça e Pescoço pelo Hospital Erasto Gaertner CAROLINA RODRIGUES LARANJEIRA VILAR Residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) CRISTIANE FARIA DE MIRANDA Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) DEBORA MATTANA VASCONCELOS TEIXEIRA Médica Cirurgiã de Cabeça e Pescoço e Preceptora da Residência Médica em Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ÉRIKA YUMI NAKAGAWA Médica Otorrinolaringologista pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
xiii
xiv
COLABORADORES
FERNANDO AZEVEDO FERREIRA Médico Otorrinolaringologista pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) GABRIELA ÁVILA RODBARD Residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) GABRIEL FELIPE MOREIRA SOUZA Residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) GUSTAVO DE ARAUJO NISHIMOTO Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) GUSTAVO DE OLIVEIRA MORAIS Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) ISABELA MANSUR CASTRO Graduação em Medicina pela Universidade Positivo JORGE OBERHOFER CHAMMAS Residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) JOSÉ FERNANDO POLANSKI Mestre e Doutor em Medicina (Otorrinolaringologia) pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) Professor de Otorrinolaringologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Professor de Otorrinolaringologia da Faculdade Evangélica Mackenzie JÚLIA LING CATANI Graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) KAROLAYNE BRAZ PEREIRA Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) LETICIA RAYSA SCHIAVON KINASZ Médica Otorrinolaringologista no Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria – Joinville LETÍCIA TEIXEIRA CASTELLANO Médica Otorrinolaringologista e preceptora da Residência Médica em Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) LOUISE FERREIRA IUNKLAUS Médica Otorrinolaringologista pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) LUCAS SPINA Médico Otorrinolaringologista e Cirurgião de Cabeça e Pescoço e Preceptor da Residência Médica em Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) MARIA CRISTINA DE ALENCAR NUNES Pós-Doutora em Distúrbios da Comunicação pela Universidade Tuiuti do Paraná Doutora em Medicina Interna pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) Mestre em Distúrbios da Comunicação pela Universidade Tuiuti do Paraná Pós-Graduação em Motricidade Orofacial em Oncologia pelo Hospital A. C. Camargo, SP Fonoaudióloga do Instituto Brasileiro de Disfagia – IBD e do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR MARIA EDUARDA CARVALHO CATANI Graduação em Medicina pelo Centro Universitário da Fundação Educacional de Brusque (UNIFEBE)
COLABORADORES
xv
MARIA THERESA COSTA RAMOS DE OLIVEIRA PATRIAL Médica Otorrinolaringologista e Professora do Departamento de Otorrinolaringologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) MARCIA LEILA BROTTO Médica Otorrinolaringologista e Médica do Sono PAULO EDUARDO PRZYSIEZNY Médico Otorrinolaringologista e Professor do Departamento de Otorrinolaringologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) PAULO RICARDO MONTINI NUNES Residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) PEDRO DE AGUIAR SOARES Graduação em Medicina pela Universidade Positivo Residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital Universitário Evangélico Mackenzie RAFAELA DE ALMEIDA LARA Residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) RAFAELA SILVA WALTRICK Médica Otorrinolaringologista pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) RAQUEL CAVALCANTE SILVA Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) RITA DE CÁSSIA CASSOU GUIMARÃES Médica Otorrinolaringologista e Preceptora da Residência Médica em Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR Membro da Academia Brasileira de Otoneurologia (Abon) ROGGER ANTUNES Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) ROGÉRIO DE AZEVEDO HAMERSCHMIDT Acadêmico de Medicina na Faculdade Pequeno Príncipe VINICIUS MONTEIRO DE OLIVEIRA Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) VINICIUS POPLAWSKI ROEDER Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) VITOR KOTELOK MARQUEZONI Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) VITÓRIA GABRIELA BERLITZ Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) VITORIA YURI MIAZAKI VILLANOVA Residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) YASSER JEBAHI Médico Otorrinolaringologista Assistente e Preceptor da Residência Médica em Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
SUMÁRIO
PRANCHA EM CORES......................................................................................................... xxi
PARTE I FUNDAMENTOS
1 INTRODUÇÃO E ANAMNESE EM OTORRINOLARINGOLOGIA.......................................... 3 Gabriela Ávila Rodbard Lucas Resende Lucinda Mangia Paulo Ricardo Montini Nunes
2 EXAME FÍSICO E PROPEDÊUTICA COMPLEMENTAR BÁSICA EM
OTORRINOLARINGOLOGIA.......................................................................................... 15 Paulo Ricardo Montini Nunes Lucas Resende Lucinda Mangia Gabriela Ávila Rodbard
PARTE II NARIZ E SEIOS PARANASAIS
3 ANATOMOFISIOLOGIA DO NARIZ E DOS SEIOS PARANASAIS E RINOSSINUSITES.......... 31 Jorge Oberhofer Chammas Aurenzo Gonçalves Mocelin Caio Marcio Correia Soares Pedro de Aguiar Soares
4 RINITES....................................................................................................................... 43 José Fernando Polanski Arthur Ricardo Carminatti Ortinã
5 EPISTAXE.................................................................................................................... 51 Paulo Eduardo Przysiezny Alexandra de Oliveira do Carmo Cristiane Faria de Miranda
6 RESPIRADOR ORAL..................................................................................................... 65 Letícia Teixeira Castellano
PARTE III TRAUMA
7 TRAUMA MAXILOFACIAL............................................................................................. 73 Paulo Eduardo Przysiezny Fernando Azevedo Ferreira Karolayne Braz Pereira
xvii
xviii
SUMÁRIO
PARTE IV OUVIDO E AUDIÇÃO
8 FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO E AVALIAÇÃO INICIAL DAS PERDAS AUDITIVAS.................... 99 Lucas Resende Lucinda Mangia Gustavo de Oliveira Morais
9 OTITES EXTERNAS..................................................................................................... 113 Aurenzo Gonçalves Mocelin Rogério de Azevedo Hamerschmidt Rogério Hamerschmidt
10 OTITE MÉDIA AGUDA................................................................................................ 121 Aurenzo Gonçalves Mocelin Rogério de Azevedo Hamerschmidt Rogério Hamerschmidt
11 OTITE MÉDIA CRÔNICA............................................................................................. 135 Aurenzo Gonçalves Mocelin Rogério Hamerschmidt Lucas Resende Lucinda Mangia
12 CONCEITOS GERAIS EM PERDA AUDITIVA E IMPLANTE COCLEAR............................... 151 Rogério Hamerschmidt Rogério de Azevedo Hamerschmidt Louise Ferreira Iunklaus Isabela Mansur Castro
13 ZUMBIDO................................................................................................................. 159 Lucas Resende Lucinda Mangia Rita de Cássia Cassou Guimarães Rogger Antunes Carolina Rodrigues Laranjeira Vilar
PARTE V SISTEMA VESTIBULAR
14 ANATOMOFISIOLOGIA DO LABIRINTO E DO SISTEMA VESTIBULAR............................ 173 Lucas Resende Lucinda Mangia Rita de Cássia Cassou Guimarães Vitor Kotelok Marquezoni Raquel Cavalcante Silva
15 DOENÇAS VESTIBULARES.......................................................................................... 193 Lucas Resende Lucinda Mangia Rita de Cássia Cassou Guimarães Vinicius Monteiro de Oliveira Raquel Cavalcante Silva
PARTE VI NERVO FACIAL
16 PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA................................................................................... 211 Bettina Carvalho Vinicius Poplawski Roeder André Ricardo Merkle
PARTE VII FARINGE E DISTÚRBIOS ASSOCIADOS
17 ANATOMOFISIOLOGIA E DOENÇAS DA FARINGE........................................................ 221 Vitória Gabriela Berlitz Vitoria Yuri Miazaki Villanova Maria Theresa C. R. de Oliveira Patrial
18 DEGLUTIÇÃO E DISFAGIA........................................................................................... 233 Maria Cristina de Alencar Nunes Rafaela de Almeida Lara
19 SÍNDROME DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO......................................................... 243 Maria Theresa C. R. de Oliveira Patrial Vitória Gabriela Berlitz Rafaela Silva Waltrick Marcia Leila Brotto
SUMÁRIO
xix
PARTE VIII LARINGE
20 ANATOMOFISIOLOGIA E DOENÇAS DA LARINGE........................................................ 255 Agnaldo Rodrigues Pereira Junior Aurenzo Gonçalves Mocelin Guilherme Simas Catani Jorge Oberhofer Chammas Júlia Ling Catani Lucas Resende Lucinda Mangia Yasser Jebahi
21 MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS DA LARINGE............................................................. 269 Leticia Raysa Schiavon Kinasz Guilherme Catani Maria Eduarda Carvalho Catani Gabriel Felipe Moreira Souza
PARTE IX CABEÇA E PESCOÇO
22 MASSAS CERVICAIS E DIAGNÓSTICO PRECOCE DO CÂNCER....................................... 277 Gustavo de Araujo Nishimoto Érika Yumi Nakagawa Carolina Albino Waltrick Debora Mattana Vasconcelos Teixeira Lucas Spina
ÍNDICE REMISSIVO........................................................................................................... 287
PRANCHA EM CORES
Fig. 2-7
xxi
xxii
Fig. 9-1
Fig. 10-3
PRANCHA EM CORES
Fig. 9-2
PRANCHA EM CORES
xxiii
Fig. 11-1
a Fig. 11-2
b
xxiv
PRANCHA EM CORES
Audiometria tonal limiar Orelha direita (OD) -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120
0,25
0,25
Fig. 11-3
0,5
1
Orelha esquerda (OE)
3 4
6 8 kHz
1 4 0,5 2 Condução aérea (OD)
8 kHz
2
-10 0 10 Normal 20 30 Leve 40 Moderado 50 Moderadamente 60 severo 70 80 Severo 90 100 Profundo 110 120 Condução aérea Condução aérea Condução aérea
0,25
0,25
1
0,5
0,5
3 4
6 8 kHz
1 4 2 Condução aérea (OE)
8 kHz
2
xxv
PRANCHA EM CORES
Audiometria tonal limiar Orelha direita (OD) -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120
0,25
0,25
Fig. 11-4
0,5
1
Orelha esquerda (OE)
3 4
6 8 kHz
1 4 0,5 2 Condução aérea (OD)
8 kHz
2
-10 0 10 Normal 20 30 Leve 40 Moderado 50 Moderadamente 60 severo 70 80 Severo 90 100 Profundo 110 120 Condução aérea Condução aérea Condução aérea
0,25
0,25
1
0,5
0,5
3 4
6 8 kHz
1 4 2 Condução aérea (OE)
8 kHz
2
xxvi
PRANCHA EM CORES
Fig. 17-3
Fig. 17-4
Fig. 17-5
Fig. 17-6
xxvii
PRANCHA EM CORES
Fig. 20-1
Fig. 20-2
Fig. 20-3
xxviii
PRANCHA EM CORES
Fig. 20-4
Fig. 20-5
Fig. 20-6
Fig. 20-7
Otorrinolaringologia Básica Aplicada
Parte I
FUNDAMENTOS
Capítulo 1
INTRODUÇÃO E ANAMNESE EM OTORRINOLARINGOLOGIA Gabriela Ávila Rodbard Lucas Resende Lucinda Mangia Paulo Ricardo Montini Nunes
INTRODUÇÃO
A Otorrinolaringologia é a especialidade médica dedicada a estudo, diagnóstico e tratamento das doenças do ouvido, nariz e garganta, bem como das estruturas relacionadas com a cabeça e o pescoço. A área integra conhecimentos clínicos e cirúrgicos, sendo fundamental na abordagem de condições que afetam funções essenciais associadas a três dos cinco sentidos (audição, olfação e gustação), além de respiração, deglutição, fonação e equilíbrio. A nomenclatura deriva diretamente do grego moderno: oto (ouvido), rhino (nariz), laryngo (laringe), refletindo as principais regiões anatômicas sob sua responsabilidade, que despertam interesse da humanidade desde a antiguidade. Médicos gregos, hindus e bizantinos já realizavam tratamentos e cirurgias envolvendo tais estruturas. No século XX, avanços clínicos e cirúrgicos na área foram impulsionados pelo desenvolvimento de técnicas de anestesia e radiologia, advento e aprimoramento de terapias antimicrobianas e surgimento de novas tecnologias médicas. A Otorrinolaringologia possui interface com outras especialidades médicas, como pediatria, clínica médica, neurologia, pneumologia, alergologia e oncologia, exigindo raciocínio clínico amplo e domínio do exame físico específico. Além disso, destaca-se pelo caráter tecnológico, incorporando exames complementares como audiometria, nasofibrolaringoscopia e exames de imagem, bem como técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, incluindo procedimentos endoscópicos nasais e microcirurgias otológicas e laríngeas. Essa área aborda queixas altamente prevalentes na prática clínica e que impactam diretamente na qualidade de vida dos pacientes das mais diferentes faixas etárias. É, pois, uma especialidade abrangente e dinâmica. O conhecimento básico na área permite reconhecer sinais de gravidade, instituir condutas iniciais adequadas e encaminhar corretamente os casos que demandem avaliação especializada. Conhecer as estruturas de estudo é essencial para proceder a avaliação clínica, a ser discutida em breve. Do ponto de vista anatômico e funcional, a Otorrinolaringologia compreende as orelhas, o nariz, os seios paranasais, a cavidade oral, a faringe e a laringe. Os principais aspectos desses segmentos anatômicos serão discutidos nos itens a seguir.
3
4
PARTE I FUNDAMENTOS
ORELHAS
A orelha pode ser dividida em três porções: externa, média e interna (Fig. 1-1). Tais estruturas, em última análise, são responsáveis pela captação de estímulos auditivos e de movimento do corpo no espaço.
Orelha Externa Formada por:
Pavilhão auricular: estrutura fibrocartilaginosa que auxilia na captação e localização do som. Meato acústico externo: estrutura que conduz as ondas sonoras até a membrana timpânica. Funcionalmente, atua como caixa de ressonância, transferindo e amplificando sons (principalmente nas frequências entre 2.000 e 5.000 Hz), além de proteger as estruturas mais internas — reduzindo a intensidade sonora — e manter condições adequadas de temperatura e umidade.
Externa
Média
Hélice
Interna
Nervo facial Ossículos da audição
Canais semicirculares
(martelo, bigorna e estribo)
Nervo vestibular Cóclea
Osso temporal
Antihélice
Concha
Lóbulo da orelha
Nervo coclear
Membrana timpânica Meato acústico externo
Tuba auditiva
Fig. 1-1. Esquema anatômico em vista coronal da orelha externa, média e interna, com setas indicativas das principais estruturas de cada região. (Fonte: produzida e adaptada pela Dra. Gabriela Ávila Rodbard utilizando o chatGPT, versão GPT-5, 2026.)
Capítulo 1 Introdução e anamnese em Otorrinolaringologia
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Orelha Média
A orelha média é uma cavidade pneumática localizada na parte petrosa do osso temporal, na base do crânio, e que se comunica com a nasofaringe por meio da tuba auditiva e com as células mastóideas. Seu principal conteúdo é a cadeia ossicular, composta por martelo, bigorna e estribo, articulados entre si. Esses ossículos transmitem e amplificam a energia mecânica do som proveniente da membrana timpânica até a orelha interna. A amplificação ocorre por: Diferença de área entre membrana timpânica (maior) e janela oval (mecanismo similar a um pistão hidráulico com ≈ 17 vezes de aumento de pressão). Forma côncava da membrana timpânica (aumento de força na mobilização do martelo). Sistema de alavancas ossiculares (ganho de ≈ 2,5 dB). Assim, a orelha média funciona como transformador de impedâncias, permitindo a passagem eficiente do som do meio aéreo para o meio líquido da cóclea.
Orelha Interna
Localiza-se na porção petrosa do osso temporal e é composta pelo labirinto ósseo (vestíbulo, cóclea e canais semicirculares). Esse arcabouço ósseo contém o labirinto membranoso, preenchido por endolinfa e circundado por perilinfa. A cóclea, órgão relacionado à audição, é responsável pela transdução mecanoelétrica, convertendo vibrações sonoras em impulsos nervosos. O sistema vestibular periférico é responsável pela produção de informações sensoriais que alicerçam o equilíbrio e a orientação espacial, atuando em conjunto com os sistemas visual e proprioceptivo. É composto por: Canais semicirculares (anterior, posterior e lateral): detectam acelerações angulares da cabeça. Sáculo e utrículo: detectam acelerações lineares, inclinação e ação da gravidade.
NARIZ E SEIOS PARANASAIS Nariz
O nariz tem como função conduzir o ar em condições adequadas aos alvéolos pulmonares. Ele modula o fluxo aéreo e promove a filtração, o aquecimento e a umidificação do ar inspirado por meio das vibrissas, do muco, do epitélio ciliado e da rica vascularização da sua mucosa. O nariz é dividido em duas cavidades pelo septo nasal, estrutura osseocartilaginosa que lhe fornece sustentação. As cavidades nasais se comunicam com o meio externo pelas narinas e se estendem posteriormente até a nasofaringe, conforme demonstrado na Figura 1-2. Em cada cavidade existem três conchas ósseas recobertas por mucosa, chamadas de conchas superior, média e inferior, responsáveis pelo condicionamento do ar inspirado. Entre elas localizam-se os meatos nasais. A cavidade nasal apresenta regiões especializadas, incluindo o epitélio olfatório localizado no teto da cavidade, na concha superior e na porção superior do septo nasal, composto por neuroepitélio responsável pela percepção dos odores.
6
PARTE I FUNDAMENTOS
Fibras nervosas olfativas Seio frontal
Bulbo olfatório Seio esfenoidal
Concha nasal média Concha nasal inferior
Vestíbulo nasal Palato duro Palato mole
Óstio da tuba auditiva Fig. 1-2. Esquema anatômico do nariz em vista sagital indicando as principais estruturas que compõem assoalho, teto e parede lateral da cavidade nasal. (Fonte: produzida e adaptada pela Dra. Gabriela Ávila Rodbard utilizando o chatGPT, versão GPT-5, 2026.)
Seios Paranasais
Os seios paranasais são cavidades aeradas nos ossos da face e do crânio e recebem denominação conforme o osso em que se desenvolvem: frontais, maxilares, etmoidais e esfenoidais. São revestidos por mucosa produtora de muco, que auxilia na limpeza e umidificação do ar. Seu desenvolvimento inicia-se ainda na vida intrauterina, estando presentes ao nascimento apenas os seios maxilares e as células etmoidais, com crescimento progressivo após o nascimento. A drenagem das secreções sinusais anteriores ocorre, principalmente, para o meato médio, enquanto os seios posteriores drenam para o recesso esfenoetmoidal. Em ambos os casos, o batimento ciliar do epitélio respiratório move as secreções em direção à rinofaringe. Ainda, o ducto nasolacrimal, via condutora da lágrima desde o ponto lacrimal, localizado na parte medial da pálpebra inferior, drena para o meato inferior.
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Capítulo 1 Introdução e anamnese em Otorrinolaringologia
CAVIDADE ORAL E FARINGE Cavidade Oral
A cavidade oral constitui o segmento inicial dos sistemas digestivo e respiratório, sendo delimitada, anteriormente, pelos lábios; posteriormente, pelo arco palatoglosso; superiormente, pelos palatos duro e mole; e, inferiormente, pelo assoalho da boca, continuando-se com a faringe (Fig. 1-3a). As estruturas orais incluem gengivas aderidas aos ossos maxilares, língua formada por musculatura estriada recoberta por epitélio especializado contendo as papilas gustativas, palato duro queratinizado resistente ao trauma mastigatório e palato mole muscular, essencial para a deglutição e proteção das vias aéreas. As glândulas salivares produzem saliva responsável por lubrificação, digestão inicial de carboidratos, ação antimicrobiana e facilitação da deglutição.
Faringe
A faringe é um tubo musculomembranoso que se estende da base do crânio até a borda inferior da cartilagem cricoide, dividindo-se em nasofaringe, orofaringe e hipofaringe (laringofaringe), como demonstrado na Figura 1-3b. A nasofaringe comunica-se com a cavidade nasal, pelas coanas, e com a orelha média, pelas tubas auditivas. A orofaringe contém os arcos palatoglosso e palatofaríngeo, entre os quais se situam as tonsilas palatinas, além do dorso da língua e da epiglote. A hipofaringe estende-se da epiglote até a cricoide. A faringe exerce funções respiratória, fonatória e digestiva: permite a passagem do ar, integra a caixa de ressonância faringobucal na produção vocal e participa ativamente da deglutição. A fase faríngea da deglutição envolve elevação do palato mole para vedar a
Palato duro Palato mole
Úvula Nasofaringe Tonsilas palatinas
Orofaringe
Papilas gustativas
Laringofaringe
Lábio
Língua
a
b
Fig. 1-3. (a) Esquema da cavidade oral indicando as estruturas visualizadas na avaliação por oroscopia. (b) Esquema, em vista sagital, da faringe demonstrando suas subdivisões regionais. (Fonte: produzida e adaptada pela Dra. Gabriela Ávila Rodbard utilizando o chatGPT, versão GPT-5, 2026.)
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PARTE I FUNDAMENTOS
nasofaringe, contração coordenada dos músculos constritores faríngeos para impulsionar o bolo alimentar e fechamento da laringe, prevenindo aspiração. As tonsilas correspondem a estruturas linfoepiteliais organizadas em um anel de proteção imunológica situado na entrada das vias aerodigestivas superiores. O anel linfático de Waldeyer é composto pela tonsila faríngea (adenoide), pelas tonsilas tubárias, pelas tonsilas palatinas e pelas tonsilas linguais. Ele desempenha funções de produção de anticorpos, reservatório de linfócitos T e defesa imunológica local.
LARINGE
A laringe é um órgão musculocartilaginoso localizado aproximadamente entre as vértebras cervicais C3 e C6 (região infra-hióidea), estendendo-se da borda superior da cartilagem epiglote e das pregas ariepiglóticas até a borda inferior da cartilagem cricoide (Fig. 1-4). Suas principais funções são: proteção esfincteriana, impedindo a entrada de conteúdo alimentar nas vias aéreas durante a deglutição; respiratória, ao regular a passagem do fluxo aéreo; e fonatória, por meio da vibração das pregas vocais que gera o som glótico fundamental, posteriormente modificado pelas estruturas supraglóticas do trato vocal.
Osso hioide
Epiglote
Cartilagem tireoide Cartilagens aritenoides
Ligamento cricotireóideo Cartilagem cricoide
Traqueia
Fig. 1-4. Esquema anatômico da região laríngea, à esquerda em vista anterior e à direita em vista posterior, demonstrando suas porções ósseas e cartilaginosas. (Fonte: produzida e adaptada pela Dra. Gabriela Ávila Rodbard utilizando o chatGPT, versão GPT-5, 2026.)
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A laringe divide-se em três compartimentos: supraglótico, situado acima das pregas vocais até o ádito laríngeo; glótico, correspondente ao nível das pregas vocais; e subglótico, que se estende inferiormente até a margem inferior da cartilagem cricoide. O arcabouço estrutural da laringe é constituído por nove cartilagens interligadas por ligamentos, membranas e pregas mucosas, algumas das quais indicadas na Figura 1-4. Entre elas destacam-se: a cartilagem tireoide, a maior do conjunto; a cartilagem cricoide, que forma o único anel cartilaginoso completo da via aérea; as cartilagens aritenoides, pares, responsáveis pela inserção do ligamento vocal e pela movimentação das pregas vocais por meio de músculos locais e; a cartilagem epiglote, posicionada na entrada superior da laringe, que protege as vias aéreas durante a deglutição ao direcionar o alimento para o esôfago.
ANAMNESE EM OTORRINOLARINGOLOGIA
A obtenção de um histórico detalhado é fundamental no raciocínio clínico em Otorrinolaringologia. Muitas vezes a avaliação clínica minuciosa associada ao exame físico cuidadoso consegue elucidar o diagnóstico sem exames adicionais, enquanto casos mais complexos podem requerer investigação complementar. Portanto, a avaliação criteriosa orienta a conduta clínica e previne atrasos no tratamento, permitindo assistência adequada ao paciente.
Orelhas
A anamnese inicia-se pela identificação do paciente e coleta de dados de perfil de saúde. Fatores como idade, sexo e profissão auxiliam na suspeita diagnóstica, pois determinadas condições auditivas apresentam distribuição específica nesses grupos. Nos recém-nascidos destacam-se infecções perinatais, uso de medicamentos ototóxicos e alterações genéticas; em crianças, a otite média é mais prevalente; e, em idosos, a presbiacusia ganha relevância clínica. A presbiacusia é mais frequente em homens, enquanto a otosclerose e as doenças imunomediadas, em mulheres. A depender da profissão, pode-se apresentar exposição a ambientes ruidosos ou a agentes tóxicos. Na investigação clínica em crianças, deve-se considerar: Antecedentes pré-natais: infecções congênitas (toxoplasmose, citomegalovirose, vírus da imunodeficiência humana (HIV) e rubéola) e uso de substâncias ototóxicas. Antecedentes perinatais: prematuridade, anóxia e hipóxia. Antecedentes pós-natais: internação em unidade de terapia intensiva (UTI), uso de aminoglicosídeos ou diuréticos de alça, hiperbilirrubinemia e meningite neonatal. Em adultos e idosos, deve-se avaliar: Tabagismo, etilismo, hábitos alimentares e sedentarismo. Doenças sistêmicas, cirurgias prévias e uso de medicamentos ototóxicos. Exposição ocupacional a ruído e traumatismo cranioencefálico. Dentre os antecedentes familiares, é importante investigar história de perda auditiva hereditária, como disacusias congênitas, otosclerose e presbiacusia. Os sintomas mais relevantes incluem: Disacusia (hipoacusia ou anacusia): é a queixa mais comum relacionada com a audição, devendo ser caracterizada quanto a: • Lateralidade (uni ou bilateral). • Forma de início (insidiosa, progressiva ou abrupta). • Intensidade (parcial ou total).
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PARTE I FUNDAMENTOS
• Duração. • Constância ou flutuação. • Relação com aquisição da linguagem (pré ou pós-lingual). • Presença de sintomas associados, como zumbido, tontura e plenitude auricular. Tontura e vertigem: termos frequentemente usados como sinônimos pelos pacientes. Tontura engloba sensações de desconforto espacial sem percepção de movimento verdadeira. Vertigem é a sensação ilusória de movimento. Sua avaliação inicial deve abranger: • Tempo de evolução dos sintomas. • Recorrência, duração e periodicidade. • Características da sensação. • Sintomas associados (como náuseas, alteração auditiva e cefaleia). • Fatores desencadeantes (como movimentos da cabeça, esforço físico, alimentação ou estresse). Zumbido: é a percepção sonora sem estímulo externo, podendo ser manifestação inicial de perda auditiva. Aspectos básicos para sua caracterização incluem: • Localização e características do som. • Tempo e forma de início. • Fatores de melhora ou piora. • Sintomas associados. • Doenças sistêmicas (como hipertensão arterial, diabetes e doenças tireoidianas). • Uso de medicamentos. • Hábitos de vida. • Tratamentos prévios. • Grau de incômodo (podendo ser avaliado pela escala visual analógica). Otalgia: é a dor de ouvido, podendo originar-se nas orelhas externa, média ou interna. Deve-se investigar: • Sintomas associados (como presença de secreção ou febre). • Disfunção temporomandibular; infecções de vias aéreas concomitantes. • Duração e intensidade do sintoma. Plenitude auricular: corresponde à sensação de “ouvido cheio”, possível ocorrer durante mudanças pressóricas atmosféricas, edema, acúmulo de debris ou por presença de secreção de qualquer tipo (água, pus ou sangue) na orelha externa e/ou média. Otorreia: é a exteriorização de secreção pelo ouvido. Deve-se avaliar: • Conteúdo e características da secreção. • História de trauma concomitante. • Tempo de evolução e sintomas associados.
Nariz e Seios Paranasais
A anamnese nasal deve incluir dados de identificação, antecedentes pessoais e familiares e a caracterização dos principais sintomas, permitindo correlacionar manifestações clínicas com suas possíveis etiologias. Na identificação, a idade é fundamental: recém-nascidos com dificuldade respiratória podem apresentar malformações congênitas ou infecções perinatais, sendo a obstrução nasal potencialmente grave por serem respiradores nasais obrigatórios. O sexo relaciona-se com algumas malformações, como a atresia de coanas, mais comum em meninas. A profissão também deve ser considerada, pois exposição a poluentes pode desencadear rinites ocupacionais.
Capítulo 1 Introdução e anamnese em Otorrinolaringologia
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Entre os antecedentes pessoais, investigam-se tabagismo, etilismo, cirurgias prévias, doenças sistêmicas, sobretudo as atopias, uso de medicamentos, exposição a irritantes inalatórios e traumatismo cranioencefálico. Nos antecedentes familiares, destaca-se história de alergia, a qual pode estar fortemente associada à rinite alérgica. Os sinais e sintomas mais prevalentes são: Obstrução nasal: é comumente conhecida como “nariz entupido”. Deve ser avaliada quanto a: • Lateralidade. • Início. • Fatores desencadeantes. • Sintomas associados. • Uso de fármacos que geram alteração vasomotora na mucosa. Pode decorrer de edema inflamatório, causas estruturais ou hipertrofia adenoideana em crianças, frequentemente levando à respiração bucal, roncos e maior suscetibilidade a infecções. Rinorreia: também chamada de corrimento nasal ou coriza. Deve ser caracterizada conforme: • Lateralidade. • Viscosidade e tipo de secreção. • Periodicidade. • Fatores desencadeantes. • Sintomas associados. Secreção hialina com espirros e prurido sugere etiologia alérgica; secreção espessa ou purulenta aponta possível infecção. Em crianças, rinorreia unilateral fétida sugere corpo estranho, e rinorreia hialina persistente sem alergia pode indicar fístula liquórica pós-trauma. Alterações do olfato: são classificadas em: anosmia, hiposmia, hiperosmia e disosmia (parosmia e fantosmia). Podem ter origem condutiva (bloqueio da passagem do odor), neurossensorial (lesão do epitélio ou nervos olfatórios) ou central (doenças intracranianas ou degenerativas). Gotejamento pós-nasal: manifesta-se como sensação de secreção na nasofaringe, causando desconforto local. Pode estar associada à tosse e à dificuldade de expectoração. É comum em quadro de rinossinusite. Epistaxe: corresponde ao sangramento nasal decorrente de alteração da hemostasia da mucosa. Deve-se investigar: • Lateralidade. • Duração. • Fatores desencadeantes e associados (como trauma, rinite e infecções). • Comorbidades (hipertensão e coagulopatias). • Uso de anticoagulantes. • Hábitos como tabagismo e etilismo; volume. • Resposta dos sintomas à compressão nasal. • Se acompanha repercussão hemodinâmica.
Cavidade Oral e Faringe
A anamnese das afecções da cavidade oral e da faringe deve iniciar-se pelos dados de identificação, especialmente a idade, que se relaciona com a etiologia das infecções. Em crianças com menos de 2 anos predominam faringotonsilites virais, enquanto
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PARTE I FUNDAMENTOS
a mononucleose infecciosa é mais comum na segunda e terceira décadas de vida. A infecção por Streptococcus pyogenes torna-se relevante a partir dos 2-3 anos, com maior prevalência entre 5 e 15 anos. Sobre a profissão, é importante questionar se há contato frequente com crianças, bem como exposição a ambientes confinados, tabagismo passivo ou ativo e, em pacientes pediátricos, frequência em creches ou escolas. Esses fatores aumentam a incidência de faringotonsilites. Quanto aos sinais e sintomas que devem ser abordados, destacam-se os seguintes: Dor de garganta: corresponde ao sintoma mais frequente, podendo ocorrer espontaneamente ou à deglutição em doenças inflamatórias, neoplásicas ou neurológicas. Por vezes está associada à otalgia reflexa. Ronco: o sintoma pode surgir devido à hipertrofia das tonsilas palatinas ou adenoides, por vezes associando-se à síndrome da apneia obstrutiva do sono. Em casos de grandes cistos epiglóticos ou neoplasias avançadas da orofaringe e hipofaringe, pode ser acompanhado de obstrução respiratória. Disfagia: representa a dificuldade de deglutição associada a etiologias diversas. Tosse: sintoma reflexo decorrente de irritação faríngea, edema tonsilar ou da aspiração de secreções da via aérea. Deve-se indagar sobre sua frequência, aspecto (se produtiva ou seca), fatores de piora e sintomas associados. Halitose: pode ser desencadeada devido ao acúmulo de detritos e descamação epitelial nas criptas tonsilares, formando massas caseosas branco-amareladas e fétidas denominadas cáseos. Comumente está relacionada com alterações dentárias, periodontites ou má higiene bucal e da língua.
Laringe
A anamnese das afecções laríngeas deve considerar dados que se relacionam com etiologias dos distúrbios vocais, como idade, sexo e profissão. Na infância, predominam inflamações agudas e malformações congênitas; em adultos e idosos, destacam-se laringites crônicas e neoplasias. Profissionais que utilizam intensamente a voz e indivíduos expostos a poluentes inalatórios apresentam maior risco de lesões. Devem ser investigados tabagismo, etilismo, cirurgias prévias com possível lesão do nervo laríngeo recorrente, doenças sistêmicas, uso de medicamentos e história de traumas cervicais ou intubações orotraqueais. Nos primeiros meses de vida, é fundamental questionar quanto a intercorrências neonatais possivelmente associadas à obstrução laríngea no neonato e estridor. Os principais sinais e sintomas que devem ser investigados são: Rouquidão (disfonia): é a alteração do timbre, intensidade ou qualidade vocal, podendo manifestar-se como voz mais grave, áspera, soprosa ou enfraquecida. Entre as causas estão processos inflamatórios ou alérgicos da laringe, abuso vocal, traumas (como intubação ou tosse intensa), lesões estruturais das pregas vocais, refluxo gastroesofágico, compressões extralaríngeas de nervos laríngeos e doenças neurológicas. Devem-se avaliar: • Forma de início, se lento, pode indicar neoplasia e, se súbito, sugere infecção, abuso vocal, distúrbios psicogênicos ou paralisia de pregas vocais. • Frequência, se constante, relaciona-se com distúrbios orgânicos e, se intermitente, pode indicar distúrbios funcionais. • Sintomas associados auxiliam no diagnóstico diferencial, como otalgia reflexa e odinofagia, que são indicativos de tumores supraglóticos, ou dispneia e tosse, que apontam para tumores glóticos.
Capítulo 1 Introdução e anamnese em Otorrinolaringologia
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• Duração. Disfonia persistente por mais de duas semanas indica necessidade de investigação complementar. Estridor: representa ruído respiratório decorrente de obstrução das vias aéreas superiores, podendo ser inspiratório (supraglótico ou glótico), expiratório (subglótico) ou bifásico. Deve-se avaliar: • O tempo de início, se ao nascimento ou nas primeiras semanas de vida (malformações como laringomalacia). • Se ocorreu após intubação (estenoses adquiridas). • Os sintomas associados, como febre (indica possível laringite aguda). • Periodicidade. • Fatores de melhora ou piora. • Sinais de gravidade respiratória, como taquipneia, retrações torácicas, uso de musculatura acessória, cianose, apneia ou bradicardia. A suspeita de aspiração de corpo estranho deve ser levantada em casos de estridor abrupto e isolado com falta de ar.
BIBLIOGRAFIA
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A amplitude da especialidade e a escassez de material didático atualizado e voltado para seus fundamentos constituem, entretanto, desafios para aqueles que iniciam sua formação médica ou ingressam na área. Como compreender esses fundamentos sem se perder em uma quantidade excessiva de informações? Como reconhecer o que é essencial para a prática clínica e, ao mesmo tempo, construir uma base sólida para um aprofundamento futuro? Otorrinolaringologia Básica Aplicada foi concebido para responder a essas necessidades. Fruto de um projeto de extensão da Universidade Federal do Paraná, desenvolvido sob a coordenação de especialistas e professores da área, o livro reúne conhecimentos essenciais da Otorrinolaringologia com foco na aplicabilidade clínica. Com linguagem clara, conteúdo atualizado e abordagem orientada pelo raciocínio clínico, a obra contempla os principais temas da especialidade, valorizando o reconhecimento das condições mais prevalentes, a avaliação inicial, a interpretação dos achados e a definição das condutas fundamentais. Destina-se sobretudo a estudantes de Medicina, médicos generalistas e residentes de Otorrinolaringologia em início de formação, e também a profissionais que, em sua prática cotidiana, se deparam com pacientes apresentando queixas otorrinolaringológicas. Uma obra para assimilar os fundamentos da Otorrinolaringologia contemporânea e aproximar o conhecimento teórico da prática clínica.
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