Atlas de Microbiologia Vaginal
Da Clínica ao Laboratório






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Da Clínica ao Laboratório






Da Clínica ao Laboratório
Rita Maira Zanine
Camila Marconi
Maria Isabel Lavoranti
T hieme
Rio de Janeiro• St ut tgar t• New York•Delhi
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (eDOC BRASIL, Belo Horizonte/MG)
Z27a
Zanine, Rita Maira
Atlas de microbiologia vaginal: da clínica ao laboratório/Rita Maira Zanine, Camila Marconi, Maria Isabel Lavoranti. – 1. ed. – Rio de Janeiro, RJ: Thieme Revinter Publicações, 2026.
il. color. ; 27 x 18,5 cm
Inclui bibliografia.
ISBN 978-65-5572-404-2
eISBN 978-65-5572-405-9
1. Ginecologia. 2. Microbiologia vaginal. 3. Saúde da mulher – Diagnóstico clínico.
4. Atlas médico – Laboratório. I. Marconi, Camila. II. Lavoranti, Maria Isabel. III. Título.
CDD 618.1
Elaborado por Maurício Amormino Júnior – CRB6/2422
Contato com a autora: Rita Maira Zanine ritazanine@yahoo.com.br
© 2026 Thieme. All rights reserved.
Thieme Revinter Publicações Ltda.
Avenida Almirante Barroso, 63, sala 509. Rio de Janeiro, RJ
CEP 20031-001, Brazil
http://www.thieme.com.br
Thieme USA
http://www.thieme.com
Design de Capa: © Thieme
Impresso no Brasil por Meta Brasil
5 4 3 2 1
ISBN 978-65-5572-404-2
Também disponível como eBook: eISBN 978-65-5572-405-9
Nota: O conhecimento médico está em constante evolução. À medida que a pesquisa e a experiência clínica ampliam o nosso saber, pode ser necessário alterar os métodos de tratamento e medicação. Os autores e editores deste material consultaram fontes tidas como confiáveis, a fim de fornecer informações completas e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de erro humano por parte dos autores, dos editores ou da casa editorial que traz à luz este trabalho, ou ainda de alterações no conhecimento médico, nem os autores, nem os editores, nem a casa editorial, nem qualquer outra parte que se tenha envolvido na elaboração deste material garantem que as informações aqui contidas sejam totalmente precisas ou completas; tampouco se responsabilizam por quaisquer erros ou omissões ou pelos resultados obtidos em consequência do uso de tais informações. É aconselhável que os leitores confirmem em outras fontes as informações aqui contidas. Sugere-se, por exemplo, que verifiquem a bula de cada medicamento que pretendam administrar, a fim de certificar-se de que as informações contidas nesta publicação são precisas e de que não houve mudanças na dose recomendada ou nas contraindicações. Esta recomendação é especialmente importante no caso de medicamentos novos ou pouco utilizados. Alguns dos nomes de produtos, patentes e design a que nos referimos neste livro são, na verdade, marcas registradas ou nomes protegidos pela legislação referente à propriedade intelectual, ainda que nem sempre o texto faça menção específica a esse fato. Portanto, a ocorrência de um nome sem a designação de sua propriedade não deve ser interpretada como uma indicação, por parte da editora, de que ele se encontra em domínio público.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida por nenhum meio, impresso, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização por escrito.
Gostaríamos de agradecer, de forma especial, a todas as pacientes atendidas no Ambulatório de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que consentiram em participar da elaboração deste Atlas. A colaboração dessas mulheres foi fundamental para a construção de um acervo de imagens reais e representativas, contribuindo de maneira essencial para o aprimoramento do conhecimento diagnóstico das vulvovaginites e para a formação de profissionais da Saúde.
Registramos nosso reconhecimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR) pelo suporte institucional e estrutural, bem como pela disponibilização dos recursos necessários à implementação da microscopia vaginal e à realização de diagnósticos com maior precisão na prática assistencial.
Agradecemos à equipe do Ambulatório de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia do CHC-UFPR, cuja competência técnica, dedicação assistencial e compromisso com o ensino possibilitaram o desenvolvimento deste Atlas.
De modo particular, expressamos nosso agradecimento às Dras. Dulcimary Dias Bittencourt, Ana Luiza Mendonça Fontes, Bruna Letícia Souza Taveira, Luiza Maria Suter Correia Cadena e Mariana Barbosa Carvalho pelo apoio institucional e pela atuação clínica no âmbito do serviço, contribuindo para o ambiente acadêmico e assistencial no qual esta obra foi concebida.
RITA MAIRA ZANINE
Graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná-PUC/PR.
Mestre e Doutora em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná.
Chefe do Setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.
Professora Titular de Ginecologia da Universidade Federal do Paraná.
Atua na integração entre assistência, ensino e pesquisa translacional, baseadas em casuística de serviço universitário de alta complexidade com ênfase em métodos de rastreamento, infecção pelo HPV, biomarcadores diagnósticos e prognósticos, oncogênese e tratamento das lesões precursoras do trato genital inferior.
CAMILA MARCONI
Bacharel em Ciências Biológicas – Modalidade Médica pelo Instituto de Biociências de Botucatu-UNESP.
Especialista em Citologia Oncótica pela Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP.
Mestre e Doutora em Patologia pela Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP.
Atualmente, Professora Adjunta do Departamento de Patologia Básica do Setor de Ciências Biológicas da UFPR.
Tem atuado há mais de 20 anos em pesquisas direcionadas à composição da microbiota vaginal e suas implicações para a saúde da mulher.
MARIA ISABEL LAVORANTI
Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná-UFPR.
Especialista em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pelo Complexo Hospital de Clínicas da UFPR.
Mestranda em Saúde da Mulher pela Universidade Federal do Paraná.
Médica do Setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.
Atua em pesquisa translacional com foco na microbiota vaginal e biomarcadores.
A Universidade Federal do Paraná abriga uma ampla estrutura de ensino, pesquisa e extensão, com centenas de cursos de graduação e pós-graduação, além de expressiva comunidade científica. Como instituição pública centenária, tem como missão produzir, difundir e aplicar o conhecimento em benefício da sociedade.
No campo da Saúde, o Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (CHC-UFPR) representa um dos mais importantes hospitais universitários do país. Vinculado integralmente ao Sistema Único de Saúde, o hospital atua nos níveis terciário e quaternário de atenção, combinando assistência de alta complexidade, formação profissional e pesquisa de qualidade.
É nesse ambiente de intensa atividade científica e compromisso com a saúde pública que se insere o Atlas de Microbiologia Vaginal, idealizado no âmbito dos Ambulatórios de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia do CHCUFPR, serviço de referência nesta área em todo o Brasil. Este Atlas nasceu a partir das discussões de casos clínicos reais e das demandas de formação continuada de residentes, de especialistas e de equipes laboratoriais.
Ao reunir imagens representativas e orientações técnicas, o Atlas contribui para a padronização de condutas e para a qualificação do cuidado às mulheres, em consonância com as diretrizes nacionais e internacionais de atenção à saúde.
Esta obra traduz a vocação da Universidade Federal do Paraná para a produção de conhecimento aplicado às necessidades reais da prática clínica e do sistema de saúde brasileiro. Mais do que um instrumento técnico, representa o esforço coletivo de profissionais, docentes, residentes e pacientes que contribuíram para o aprimoramento do diagnóstico das vulvovaginites, reafirmando o papel da Universidade Federal do Paraná como instituição de excelência, comprometida com a ciência, com a formação de qualidade e com a promoção da saúde da população.
Camila Girardi Fachin Vice-Reitora UFPR
INTRODUÇÃO
CONDIÇÕES PARA COLETA
COLETA DE AMOSTRAS DE CONTEÚDO VAGINAL –
CRITÉRIOS DE NUGENT (1991)
Esse Atlas foi idealizado nos Ambulatórios de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR) durante as discussões dos casos clínicos de vulvovaginites.
Considerando a necessidade de formação continuada dos médicos residentes e especialistas do Serviço, bem como da equipe do laboratório de apoio de análises clínicas, esse material pode ser utilizado como ponto de partida para o estudo das características microscópicas do conteúdo vaginal auxiliando no diagnóstico das principais vulvovaginites.
O objetivo desse atlas de microbiologia vaginal é guiar o ginecologista na prática diária do consultório, bem como na sua comunicação com o laboratório de apoio, fornecendo ferramentas, para o diagnóstico assertivo das vulvovaginites.
As vulvovaginites, termo frequentemente utilizado para se referir ao conjunto de infecções e alterações de microbiota vaginal, figuram entre os principais motivos de busca ao atendimento ginecológico. Na maior parte dos casos, a abordagem é exclusivamente sindrômica dada a ausência de ferramentas e pessoal treinado para realização da microscopia vaginal. Nesse contexto, cerca de 40 % das mulheres tratadas empiricamente recebem tratamento inadequado.
Neste Atlas, todas as fotografias da microscopia de esfregaços preparados a fresco foram obtidas na observação em objetiva de 40× (aumento de 400×) com contraste de fase, à exceção da foto de Trichomonas vaginalis (ver pag. 16) que foi obtida sem contraste de fase. Já as fotografias dos esfregaços corados pela técnica de Gram foram obtidas durante a observação microscópica com objetiva de imersão de 100× (aumento de 1000×).
Hillier SL, Austin M, Macio I, Meyn LA, Badway D, Beigi R. Diagnosis and treatment of vaginal discharge syndromes in community practice settings. Clin Infect Dis. 2021;72(9):1538-43.
Todas as condições a seguir podem influenciar na quantidade e/ou composição da microbiota vaginal.
Sugere-se a aplicação do checklist anteriormente à coleta do material.
☑ Não estar em período menstrual;
☑ Não ter realizado tratamento com antimicrobianos tópicos ou sistêmicos (30 dias);
☑ Não ter realizado ultrassonografia transvaginal ou outros exames vaginais (< 48 horas);
☑ Não ter realizado aplicação de produtos vaginais (cremes, lubrificantes, óleos essenciais);
☑ Não ter realizado ducha íntima/vaginal (< 24 horas);
☑ Não ter tido relação sexual com penetração vaginal recente (< 48 horas).
1. Realizar exame especular sem uso de lubrificantes.
2. Utilizando um swab estéril (algodão, dácron ou rayon), acessar a região do terço médio da parede vaginal não recoberta pelo espéculo.
3. Rodar suavemente o swab na mucosa da parede do terço médio vaginal, retirando amostra do conteúdo aderido.
4. Realizar um esfregaço em lâmina de microscopia previamente limpa com álcool.
5. O esfregaço deve ser realizado com movimentos suaves de rotação do swab na superfície da lâmina em linhas horizontais paralelas sucessivas, sem sobrepor material, aproveitando o máximo possível da superfície da lâmina.
Identificação Nome (iniciais) Registro

Em caso de excesso de material no swab, retirar com gaze estéril .
IMPORTANTE!
O esfregaço deve ser fino e sem sobreposição de material .

A microbiota vaginal é considerada como “normal” ou “protetiva” quando se observa predomínio de espécies do gênero Lactobacillus. Tais espécies produzem diversos componentes que inibem o crescimento de outros microrganismos no ambiente vaginal, como o ácido lático, que mantém o pH vaginal < 4,5. O ácido lático é produzido como produto da fermentação da glicose por Lactobacillus. A glicose utilizada por tais espécies é oriunda do glicogênio armazenado nas células epiteliais vaginais sob influência do estrogênio.
Smith SB, Ravel J. The vaginal microbiota, host defence and reproductive physiology. J Physiol. (2017) 595:451–63.
A perda ou diminuição de Lactobacillus vaginais é acompanhada pelo aumento do crescimento de diversas espécies bacterianas, em sua maioria anaeróbias ou anaeróbias facultativas. O modelo mais aceito atualmente da patogênese da vaginose bacteriana, a principal disbiose vaginal, indica que cepas mais virulentas de Gardnerella spp. se aderem ao epitélio vaginal e estabelecem relações sinérgicas com a Prevotella bivia e Fannyhessea (anteriormente Atopobium vaginae).
As alterações no ambiente vaginal causadas pelo crescimento de tais espécies, incluindo a destruição da camada de muco protetora, leva ao crescimento de outras espécies bacterianas, incluindo Bacteroides, Mobiluncus, Peptostreptococcus entre muitas outras.
Hillier SL, Marrazzo J, Holmes KK. Bacterial vaginosis. In: Holmes KK, Sparling PF, Mardhsim PA, et al. (Eds.). Sexually transmitted diseases. 4th ed. New York: McGraw-Hill; 2008:737-68. Muzny CA, Taylor CM, Swords WE, Tamhane A, Chattopadhyay D, Cerca N, et al. An updated conceptual model on the pathogenesis of bacterial vaginosis. J Infect Dis. 2019 Sep 26;220(9):1399-405.
A microscopia vaginal é importante ferramenta para o diagnóstico assertivo das vulvovaginites, sendo recomendada pelo Ministério da Saúde do Brasil e sociedades internacionais.
A microscopia a fresco pode ser facilmente implementada como teste point-of-care (POC) na maioria dos serviços de ginecologia, pois demanda pouco tempo de preparo do material para análise. Os serviços que contam com estrutura laboratorial podem realizar a microscopia vaginal com a coloração pela técnica de Gram. Os esfregaços vaginais corados por Gram permitem a classificação da microbiota de acordo com Nugent et al., que permanece o padrão-ouro para o diagnóstico da vaginose bacteriana.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis – IST/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, Johnston CM, Muzny CA, Park I, et al. Sexually transmitted infections treatment guidelines, 2021. Diseases characterized by vaginal itching, burning, irritation, odor or discharge: bacterial vaginosis. MMWR Recomm Rep. 2021;70(No. RR-4):1-187.
Vieira-Baptista P, Stockdale CK, Sobel J (Eds.). International Society for the Study of Vulvovaginal Disease recommendations for the diagnosis and treatment of vaginitis. Lisbon: Admedic, 2023.
Eleutério Jr J. Noções Básicas de Citologia Ginecológica. São Paulo: Santos; 2003.
Nugent RP, Krohn MA, Hillier SL. Reliability of diagnosing bacterial vaginosis is improved by a standardized method of gram stain interpretation. J Clin Microbiol. 1991;29:297-301.
ESCORE
Lactobacillus (número/campo)
Gardnerella/Bacteroides (número/campo)
Mobiluncus (número/campo)
> 30
INTERPRETAÇÃO – Soma dos escores para cada uma das três categorias
0-3 microbiota normal; 4-6 microbiota intermediária; 7-10 vaginose bacteriana
Nugent RP, Krohn MA, Hillier SL. Reliability of diagnosing bacterial vaginosis is improved by a standardized method of gram stain interpretation. J Clin Microbiol. 1991;29:297-301.

Um Atlas e um guia prático para o diagnóstico rápido e eficaz de alterações, infecções e condições inflamatórias em Ginecologia.
Na prática diária da Ginecologia, interpretar corretamente o conteúdo vaginal pode ser o diferencial entre o tratamento empírico e o diagnóstico preciso.
Este Atlas nasce da experiência clínica aliada ao ensino em um serviço de referência reunindo, de forma clara, objetiva e altamente visual, os principais achados da microscopia vaginal. Com imagens didáticas e explicações diretas, o leitor é conduzido, passo a passo, na identificação das alterações da microbiota, das infecções e das condições inflamatórias mais frequentes.
Mais do que um material teórico, este livro é um guia prático para o uso no consultório, facilitando a correlação entre clínica e laboratório, além de levar à tomada de decisões mais seguras e assertivas.
Ideal para ginecologistas, residentes e profissionais da saúde que desejam aprofundar seus conhecimentos e incorporar a microscopia vaginal como ferramenta diagnóstica no dia a dia.
ISBN 978-65-5572-404-2