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graduar Ano I l nO. 1 - março de 2010
4e5 Acolhimento Estudantil 6 COSEAC 7 Trote Cultural 8e9 PET 10 Pró-aluno 11 Labograd 12 Monitoria 13 Neami 15 Mobilidade Estudantil 16 Mobilidade Nacional 17 Bolsas Luso-Brasileiras 18 e 19 Dupla Diplomação 20 Prática Discente 21 Estágio 22 e 23 Colégio Universitário 24 Relatório de Gestão 25 Creche 26 e 27 Núcleo de Documentação 29 Prata da Casa 30 e 31 Sensibiliza 32 e 33 UFFesporte 34 Universidade Revista
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Esforço coletivo
Preparamos esta primeira edição da Revista Graduar inspirados na valorização do ensino de graduação na Universidade Federal Fluminense e no Brasil. Graças aos investimentos do MEC, a expansão da educação superior pública no país tem permitido o aumento de vagas nas instituições federais de ensino superior (IFES), em compasso com a garantia da qualidade do ensino e da pesquisa. Rumamos para o crescimento da UFF em Niterói e no interior do Estado do Rio de Janeiro, estabelecendo polos universitários, criando novos campi e, sobretudo, contratando mais técnicos e docentes altamente qualificados. Toda a Universidade se moderniza, aprimorando seu sistema de informação com intuito de viabilizar uma gestão mais eficiente e menos burocrática. Em particular, a Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos (PROAC), responsável pelo sistema de ensino de graduação, vem desenvolvendo projetos e programas para facilitar a vida do estudante e criar mecanismos de apoio para o ensino. Unidades da PROAC, como o DAE, a CAEG, o ESTÁGIO, a MONITORIA, a COSEAC, o NDC, o NEAMI, o COLUNI e o Sensibiliza, têm como foco a comunidade, especialmente os estudantes. O objetivo é apresentar uma síntese de nossas atividades e suas repercussões dentro da própria UFF. Vale destacar a construção do IdUFF, o novo sistema acadêmico da Universidade e seus serviços, o Programa de Acolhimento Estudantil, que dá boas vindas aos ingressantes e outros programas que envolvem a manutenção de infra-estrutura de graduação, o Esporte – UFFesporte, o Egresso – Prata da Casa, a Mobilidade Acadêmica no Brasil e exterior e a Dupla Diplomação. A ideia é oferecer um retrato do ensino de graduação da UFF nos últimos três anos, mas significa também o resultado da ação de sucessivas administrações da Universidade e do esforço continuado de uma comunidade universitária comprometida com a formação qualificada, a pesquisa de alto nível e a inclusão no ensino superior. Como desafios que temos pela frente, apontamos a luta para consolidar e democratizar o acesso ao ensino público e gratuito no Brasil em todos os níveis. A UFF cumpre o seu papel. Para nós, a Revista Graduar simboliza o trabalho coletivo em curso.
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O A C
Sidney Luiz de Matos Mello Pró-Reitor de Assuntos Acadêmicos
A Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos foi criada com objetivo de coordenar e supervisionar o ensino de graduação na UFF. É o órgão central responsável pelo acompanhamento da política de ensino de graduação incluindo a criação de seus cursos. Administra a vida escolar do estudante desde seu ingresso até a sua formatura, além de realizar atividades de apoio às coordenações de cursos e o gerenciamento de diversos programas e projetos referentes ao ensino e à pesquisa na área da graduação. Para a realização de suas atribuições, ações e projetos vem ao longo dos anos se reestruturando e hoje conta com a seguinte organização: Departamento de Administração Escolar (DAE) l Coordenadoria de Apoio ao Ensino de Graduação (CAEG) l Coordenadoria de Seleção Acadêmica (COSEAC) l Coordenadoria de Estágio l Coordenadoria de Monitoria l Coordenadoria de Licenciatura l Coordenadoria de Apoio a Programas e Projetos l Coordenadoria de Planejamento e Orçamento Coordenadoria Financeira l Núcleo de Documentação (NDC) l Núcleo de Educação Assistida por Meios Interativos (NEAMI) l Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (SENSIBILIZA) l Colégio Universitário (COLUNI) l Creche UFF
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Acolhimento estudantil faz as honras da casa Se é verdade que a primeira impressão é a que fica, a recepção aos calouros da UFF no dia da matrícula funciona como uma prova incontestável de carinho. Após uma verdadeira maratona de estudos e provas, em meio a muita tensão, os aprovados no vestibular são recebidos por alunos, professores e servidores com uma série de atividades que fazem parte do Programa de Acolhimento Estudantil, criado em 2007 para recepcionar os calouros de forma alegre e descontraída.
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O Acolhimento Estudantil apre senta a Universidade aos estudantes, buscando integrá-los ao novo espaço. Nos dias de matrícula, a PROAC organiza uma grande feira no campus, onde os ingressantes têm oportunidade de visitar estandes, conhecer trabalhos de estudantes da graduação e receber orientação acadêmica. O calouro conversa com o coordenador do curso para tirar dúvidas e obter informações. Além disso, se quiser, participa de sorteios de prêmios e de uma gincana que contribui com sua familiarização com a UFF. Os novos alunos fazem ainda um tour pelo campus de Gragoatá, no bairro de São Domingos, e conhecem a Biblioteca Central e o Restaurante Universitário. A gincana inclui corrida de saco, prêmio para quem cantar mais alto ao microfone e abraço grátis. A feira também abriga um estande para os estudantes que tenham interesse em conhecer as oportunidades de estágio em sua área, orientando-os sobre o mercado de trabalho. Além de Niterói, os campi de Santo Antônio de Pádua, Nova Friburgo, Campos e Rio das Ostras também participam do Acolhimento Estudantil. Quando ingressou no curso de Relações Internacionais, no primeiro semestre de 2009, Jardel Schettino estava cheio de dúvidas e ansioso como todo calouro, mas surpreendeu-se ao chegar à Universidade para a matrícula. “No Gragoatá me deparei com uma turma animada. Havia palhaços, música ao vivo. Recebi abraço grátis, teve sorteio de brindes e ganhei um calendário. Foi muito bom”.
O estudante, que veio da ci dade de Muriaé, na Zona da Ma ta mineira, descreve com afeto a experiência. “Havia muitas barra quinhas de cursos diferentes, que ofereciam folhetos, CDs, apresentações, tudo muito legal”. Jardel gostou tanto do programa que pretende tornar sua participação um hábito, mas agora na recepção aos novos colegas. O Acolhimento Estudantil existe para mostrar ao estudante que a Universidade é seu espaço, e busca integrar, também, a família e os amigos que acompanham os novos universitários no momento da matrícula. Aos alunos, professores e funcionários participantes, a PROAC oferece apoio e infraestrutura para realização de atividades e montagem de estandes. Em 2009, o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Urgências (NEPUR), da Escola de Enfermagem, instalou um estande para mostrar técnicas de salvamento aos calouros. O curso de Cinema e Audiovisual exibe vídeos e filmes realizados pelos alunos. Em 2010, uma grande tenda branca foi erguida no campus do Gragoatá, com monitores de TV, equipamento de som e almofadões. Ali os calouros tomavam conhecimento das salas às quais deviam dirigir-se para efetivar a matrícula. No pátio sob pilotis, es tudantes de Enfermagem, Nutrição, Medicina e Turismo, entre outros, montaram estandes, onde simulavam experiências aprendidas em
sala, como técnicas de atendimento de urgência, no caso de Enfermagem. Os alunos do Diretório Acadêmico distribuíam folders com informações básicas sobre o curso e as perspectivas do mercado de trabalho. O Acolhimento permite que os novos estudantes conheçam o curso e se familiarizem, ao mesmo tempo, com a universidade que escolheram. “Pode chegar que a casa é grande e é toda nossa”, avisa o folheto do Diretório Acadêmico Lieselotte Ornellas, de Nutrição, ou “Quem vem com tudo não cansa”, do D.A. Aurora de Afonso Costa, de Enfermagem.
Jardel Schettino lembra que foi muito bem recebido ao chegar à UFF. Hoje, o aluno de Relações Internacionais é mais um dos veteranos a recepcionar os calouros
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Em 20 anos o número de cursos de graduação da UFF praticamen te duplicou, saltando de 35, em 1990, para 69 em 2010. No último vestibular, quase 7 mil estudantes do ensino médio realizaram o sonho de ingressar em uma universidade pública, gratuita e de qualidade. A Coordenadoria de Seleção Acadêmica (COSEAC) é o órgão da PROAC responsável pelo planejamento e pela execução dos concursos para ingresso nos cursos de graduação. Além do vestibular, a COSEAC cuida também dos processos de seleção de reingresso e transferência. Nos últimos 10 anos, mais de 4.700 alunos reingressaram na UFF e 3.210 vieram transferidos de outras instituições de ensino. O maior desafio da COSEAC, porém, é o vestibular. Todos os anos, centenas de servidores técnicoadministrativos e professores são mobilizados em uma verdadeira maratona que começa em abril/ maio, com a publicação do edital, e só termina em março do ano se guinte com as reclassificações de candidatos. Em 1997, foram oferecidas 3.250 vagas; em 2009, esse número subiu para 5.700, o equivalente a um aumento de 43% das vagas. Foram mais de 100 mil estudantes matriculados na última década. A partir de 2008 a COSEAC se empenhou em levar o vestibular da UFF além das fronteiras do Rio de Janeiro. Hoje, os candidatos de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal podem realizar as provas em seus estados.
maior demanda. Para o coordena dor da COSEAC, professor Néliton Ven tura, o desafio consiste em mudar o perfil do vestibular para dar chance aos que têm potencial mas frequentaram escolas com menor nível de exigência.
Compromisso é democratizar acesso à Universidade
A participação da UFF também ajuda no desenvolvimento do interior do estado do Rio de Janeiro. Em 1998, apenas 10% dos cursos eram realizados fora de Niterói. Hoje esse número mais do que dobrou. São quatro polos universitários. Com isso, a UFF avançou de 3.635 alunos ingressantes em 1999 para 5.648 em 2009. Nos últimos três anos a COSEAC tem procurado criar condições para o ingresso de alunos oriundos de escolas públicas, que registram um índice reduzido de aprovação no vestibular, sobretudo nos cursos de
“Pensamos em políticas de inclusão social, que não fossem pau tadas na etnia, na cor da pele, e sim na carência socioeconômica do candidato. O vestibular da UFF já era bem organizado e respeitado, dentro e fora da Universidade, mas queríamos trazer alguns aperfeiçoamentos. Criamos o bônus para alunos de escolas públicas. Aqueles que passassem pela primeira fase receberiam um bônus de 10% na segunda fase. Procuramos resgatar a qualidade das escolas públicas. No primeiro ano, 10 alunos da rede pública foram aprovados em cursos como Medicina, Direito e Administração. Isso não só fez com que mais alunos fizessem o vestibular, como motivou muitos deles a cobrar melhorias em suas escolas”, afirma o coordenador da COSEAC. Dentro desse princípio, a UFF decidiu reservar 20% das vagas nos cursos de Licenciatura para docentes das redes estaduais e municipais. A COSEAC criou postos informatizados pelo estado para a inscrição online dos candidatos sem acesso à internet. Os planos incluem o aumento de vagas, principalmente nos polos do interior e a democratização do vestibular. “Enquanto for necessário um mecanismo de seleção, que ele seja o mais democrático possível”, observa Néliton Ventura.
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Trote Cultural dá banho de cidadania Ser aprovado no vestibular sig nifica o coroamento de um período de estudo, sacrifício e ansiedade. O ingresso na universidade marca o início de um novo ciclo repleto de expectativas. Para o estudante, o primeiro contato com os colegas de graduação representa um momento confraternização. E nada melhor do que promover essa aproximação através da prática de trabalhos sociais. Com nove anos de existência, o Programa Trote Cultural deu nova vida ao trote aplicado na universidade por meio de atividades socioculturais e voluntárias que valorizam a cidadania e o meio ambiente. Em 2009, estudantes veteranos de 48 cursos de graduação aderiram ao Trote Cultural em Niterói e nas cidades do interior fluminense, como Volta Redonda, Campos, Nova Friburgo e Rio das Ostras. A equipe do projeto também acompanha as comissões de trote responsáveis para dar apoio aos organizadores. Com tanta adesão ao projeto a PROAC conseguiu introduzir uma nova pos tura nos trotes de calouros. O projeto abre as portas para que os alunos possam atuar em comunidades e instituições que necessitem da promoção de iniciativas voluntárias. O Trote Cultural é um projeto realizado junto com as coordenações de curso e os centros acadêmicos. Para aderir ao projeto, basta encaminhar propostas para análise da Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos (PROAC), que pode viabilizar a cessão de ônibus, equipamentos e material de divulgação. A estudante de Turismo Suellen Oliveira foi uma das organizadoras do Trote Cultural junto com outros
veteranos do Diretório Acadêmico. “Levamos os calouros a um passeio por Niterói. Fomos ao Museu de Arte Contemporânea (MAC), ao Teatro Municipal e a outros pontos turísticos da cidade. Fizemos um dia de campanha para doação de sangue no hospital Azevedo Lima, no Fonseca, e organizamos uma palestra para falar sobre ensino, pesquisa e extensão.” O Trote Cultural integra os alunos e estimula a participação cultural. A PROAC forneceu camisetas aos organizadores, blocos de anotações da UFF para os calouros e o ônibus para o passeio por Niterói. Os calouros também aprovam o Trote Cultural. Thabata Regina Saliba, 19 anos, do primeiro período de Direito, conta que a iniciativa ajudou a quebrar o medo do trote tradicional, nem sempre de bom gosto. “Tivemos a oportunidade de doar alimentos e agasalhos. Achei importante poder fazer uma ação social através da universidade.” O Trote Cultural da UFF aproxima o mundo universitário de outras realidades sociais e, com isso, ganhou reconhecimento e admira ção de muitas instituições, como a Fundação Educar Dpaschoal, que concedeu à UFF o Prêmio Trote da Cidadania. Ao longo desses nove anos, foram realizadas atividades sociais como campanhas de pre venção de doenças, preservação do
meio ambiente, de esporte, combate às drogas e à violência, coleta de roupas, alimentos, doação de medicamentos, fraldas descartáveis, brinquedos, livros, material escolar e produtos de limpeza, doação de sangue, além de debates e oficinas com temas de interesse público.
Alguns cursos aprovei- Os calouros tam o momento do Trote de Odontologia Cultural para oferecer aos fazem aplicação de flúor calouros o primeiro con- em crianças de idade tato com atividades do pré-escolar, uma das curso. Os estudantes de atividades socioculturais e voluntárias estimuladas Odontologia realizam a pelo Trote Cultural campanha Dê um Trote na Cárie, que prevê uma visita guiada a uma pré-escola para aplicação de flúor e transmissão de noções básicas às crianças sobre a importância da escovação.
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PET estimula a pesquisa como campo de atuação Contribuir para a melhoria do ensino de graduação e incentivar a atuação do aluno na prática de um projeto acadêmico diversificado. Esses são os principais objetivos do Programa de Educação Tutorial, criado pelo Ministério da Educação para fomentar a pesquisa nas universidades.
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Na UFF, o programa mantém quatro grupos nos cursos de Engenharia Mecânica, Engenharia de Telecomunicações, Economia e Geografia. Com um tutor e 12 alunos, cada equipe tem a missão de desenvolver trabalhos nas áreas específicas do curso ou no âmbito da universidade, atuando de forma interdisciplinar. O PET pode ser aplicado em qualquer curso, desde que atenda aos objetivos do programa Para se candidatar a uma bolsa no PET, o aluno precisa estar entre o segundo e o quarto períodos. Caso não haja bolsas disponíveis durante o período da inscrição, o estudante pode participar como voluntário. A seleção é feita de acordo com critérios estabelecidos pelo tutor. Os petianos – assim chamados os estudantes que participam do programa – desenvolvem pesquisas sobre um tema escolhido e realizam palestras, seminários, produção de folhetos e publicações. O estudante Fernando Bernardo, do sexto período de Economia, fez parte do PET durante um ano. “Quando participei, em 2008, também tinha um projeto interdisciplinar com os alunos de Ciências Sociais e História. Isso foi muito bom para integrar o pessoal”. Durante a permanência no PET, Fernando Bernardo apresentou, na Semana Acadêmica da UFF, a pesquisa desenvolvida pelo grupo sobre Energia no Brasil, consumo e fontes alternativas. “Foi muito in teressante. Eu, que entrei na UFF com o objetivo de trabalhar na área empresarial, hoje quero ter uma vida acadêmica, fazer mestrado e doutorado,” afirma o futuro economista.
Seu colega de faculdade e xará, Fernando Cruz, 25 anos, do oitavo período de Economia, é o bolsista mais antigo no PET de seu curso. Em 2008, Fernando foi convidado para um seminário na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, para apresentar a pesquisa desenvolvida na UFF. “O PET também contribuiu muito para minha formação como cidadão. É fundamental para nossa vida, dentro e fora da universidade.” Há 400 grupos PET entre instituições de ensino superior públicas e privadas por todo o país, com a participação de 4 mil estudantes universitários. Os alunos integrantes promovem encontros regionais e nacional para discutir o programa e apresentar trabalhos. No entanto, as pesquisas do PET não circulam somente na comunidade acadêmica. Os trabalhos chegam a outros setores da sociedade por meio de palestras, minicursos e blogs na internet. A professora Lérida Povoleri, tutora do PET na Faculdade de Economia, cita as diversas atividades que envolveram bolsistas com a comunidade. “Já oferecemos palestras para pessoas de fora da universidade, produzimos boletins eletrônicos e, ao concluir uma pesquisa, publicamos um livro pela EdUFF (Editora da UFF). Em 2009 tivemos uma atividade com alunos de pré-vestibular chamado ‘Show do Tostão’, em que fazíamos perguntas ligadas à Economia comuns em questões de vestibular.”
Lérida Povoleri destaca, ainda, a experiência que o programa proporciona aos professores. “Há um tutor, mas existe a contribuição de outros docentes na pesquisa de acordo com sua especialidade. O PET é uma atividade que integra. Nossos boletins são utilizados como material para aulas da graduação. Essa integração também desperta no aluno solidariedade com o colega, companheirismo e contribui para a formação do caráter e para formação da cidadania. Queremos que seja uma experiência para vida social do aluno.” A cada ano, o PET lança um edital com novas vagas. O aluno interessado deve procurar um pro fessor para que juntos possam desenvolver um tema e criar um grupo na sua unidade (informações no portal do MEC: www. mec.gov.br).
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Pró-aluno põe o pé na estrada do conhecimento Se compararmos a formação universitária a uma viagem de conhecimento, poderíamos dizer que o roteiro inclui escalas em seminários, congressos, fóruns e diversos eventos acadêmicos, científicos e culturais. Com esse espírito extra-muros, a UFF mantém o Programa PróAluno, que estimula e viabiliza a participação dos universitários em eventos que contribuem para formação acadêmica e profissional.
Trata-se de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos (PROAC), a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) e a Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PROPPi), que fornece passagens terrestres a estudantes de graduação e pós-graduação para participar de atividades realizadas em outros estados. O programa, que atende a todos os polos e campi da UFF, não tem pré-requisito quanto ao período do curso. O aluno faz o pedido à PROAC com pelo menos 15 dias de antecedência, especificando o evento do qual deseja participar e seu objetivo. Ao retornar, ele entrega um relatório das atividades realizadas e o comprovante de passagem para prestação de contas. O Pró-Aluno também proporciona ao estudante um intercâmbio de experiências pelo conhecimento da realidade em outros estados estabelecendo novas rela ções acadêmicas e experiências profissionais. Muitos estudantes já apresentaram trabalhos e pesquisas desenvolvidas em eventos acadêmicos e científicos com o apoio da Universidade.
O programa permite que o estudante mostre o que está sendo produzido em sua unidade e incentiva a disseminação do conhecimento. Christian Aparecido da Silva, do sétimo período de Biologia, já participou mais de uma vez. Ele apresentou um projeto em um congresso brasileiro de Botânica, em Natal, e foi a Brasília fazer um curso de cultivo de cogumelos medicinais e comestíveis, na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Christian fala com entusiasmo dos benefícios do programa. “Essas viagens tiveram um grande impacto tanto na minha vida pessoal como na minha vida acadêmica. Tive a experiência e a alegria de apresentar o resultado de minhas pesquisas em um congresso de âmbito nacional, o que me fez amadurecer muito como pesquisador.” Para ser beneficiado, o estudante não precisa apresentar trabalhos nos congressos científicos. Basta querer participar. Caso haja um grande número de interessados, a UFF pode reservar um ônibus para o transporte. Não é necessário que o evento esteja dentro do período de aulas, e não há limite de vezes para conceder a passagem para o mesmo inte ressado. O importante é a disponibilidade de recursos e a relevância do encontro acadêmico.
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Labograd moderniza laboratórios acadêmicos Quem não conhece a velha máxima de que uma boa aula ex perimental exige mais do que cuspe e giz? As oficinas e os laboratórios acadêmicos constituem hoje um ambiente fundamental na formação dos alunos, que encontram nesses espaços condições para desenvolver atividades práticas. Para garantir o equipamento e a constante renovação das salas ambientais, a UFF criou o Labograd (Programa de Apoio aos Laboratórios dos Cursos de Graduação), que atende a todos os cursos que tenham formado pelo menos uma turma. Implantado em 2007, o programa é gerido pela PROAC, que responde pela estruturação e pela manutenção dos laboratórios de todos os cursos da UFF, com verba oriunda do PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional). Parte desses recursos destina-se a equipar, anualmente, os cursos de graduação de acordo com o número de alunos inscritos.
Os coordenadores de curso definem as necessidades com base nas regras do edital e encaminham à PROAC as solicitações de compra de materiais e equipamentos e realização de pequenas obras nas salas ambientais. A coordenadora do programa, Cláudia Fidelis, ressalta a importância do Labograd. “Nosso trabalho vale muito porque sabemos que os laboratórios são essenciais ao ensino, quando estruturados adequadamente.” A UFF oferece, atualmente, 69 cursos de graduação. A verba que o Programa Labograd recebe, em média, por ano, oscila em torno de R$ 800 mil, valor insuficiente para atender às necessidades dos laboratórios, mas permite que estes funcionem adequadamente e preencham seu papel na formação dos alunos.
A estudante Ana Júlia Coutinho, do sexto período de Medicina, destaca o valor de ter aulas em um ambiente bem equipado. “Não tem como estudar Medicina sem os laboratórios, e imagino que seja a mesma coisa para outros cursos. Você pode ver e fazer o que ficaria só na imaginação se não houvesse os laboratórios.” Ana Júlia considera as aulas práticas essenciais a uma boa formação acadêmica.“Os ambientes precisam estar bem equipados. Não adianta ter um espaço, as disciplinas, e não contar com os materiais e a infraestrutura necessária para se estudar. Ainda faltam algumas coisas para chegarmos ao ideal, mas com o tempo sei que as coisas vão se aperfeiçoar.”
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Monitoria abre espaço para carreira docente O programa passa por diversas etapas. Na primei ra, os departamentos en caminham à reitoria os projetos de monitoria, que são avaliados quanto à rele vância e à conformidade com a proposta acadêmica. A seguir, são reencaminhados aos cursos os projetos aprovado com o número de bolsistas que cada um receberá. Só então é realizado um concurso com prova escrita para selecionar os monitores.
Complementar a formação e intensificar o envolvimento no processo de transmissão do conhecimento. Com esses objetivos, o Programa de Monitoria da UFF abre anualmente 1.050 vagas de monitores para estudantes de graduação. Maior programa entre as universidades federais do país, possibilita ao aluno experimentar a docência e a pesquisa, ampliando sua perspectiva acadêmica. O coordenador geral, professor Jorge de Sá, ressalta a importância de envolver o maior número possível de pessoas no processo de educar. “São mais indivíduos encarregados de transmitir conhecimento, o que só enriquece a formação e a prática dos estudantes”. Jorge de Sá lembra que o monitor tem a oportunidade de trabalhar dentro da própria universidade e recebe uma bolsa-auxílio, além de todos os ganhos pessoais e acadêmicos. “Isso permite o exercício da monitoria
com maior qualidade e dedicação, criando condições para que o estudante permaneça na instituição e complemente sua formação.” Destaque, em 2009, do Programa de Monitoria, o estudante Mário Balaro, de Medicina Veterinária, aponta dedicação e coragem como atributos necessários para o exercício da função. “É preciso coragem para levar adiante seus projetos, além de confiança naquilo que se faz, produz e ensina. Muito importante também é a capacidade de relacionamento com o outro”, comenta Mário, que ganhou o prêmio de Monitoria pelo projeto GEZ - Grupo de Estudos Zootécnicos. Nesse projeto, três grupos se encontram quinzenalmente para discutir temas que muitas vezes não ganham espaço no horário de sala de aula.
Com as funções de ministrar aulas extras, orientar grupos de estudos e realizar experimentações em laboratórios, o bolsista atua de abril a de zembro sob a orientação de um professor da área. Na Semana de Monitoria, que ocorre anualmente durante a Agenda Acadêmica, ele apresenta um trabalho ligado a sua atividade. O coordenador de Monitoria da Faculdade de Educação, professor Carlos Coutinho, classifica como uma verdadeira transformação o que sofre um aluno selecionado pelo programa. “Hoje ser monitor não é só auxiliar na docência, é fazer pesquisa, criar autonomia e assim aprimorar sua formação”. Os alunos recebem atenção extraclasse e podem tirar dúvidas. Uma ajuda essencial que faz a diferença.
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NEAMI encurta distância para a educação Da zona rural de Varre-Sai, no Noroeste Fluminense, Dayselane Pimenta, 33 anos, entrou para o curso de Licenciatura de Matemática. Ao contrário do costume, não foi morar em uma república em Niterói. Mãe e professora de uma escola rural, formou-se em quatro anos sem deixar sua terra natal, a 140 quilômetros de Santo Antônio de Pádua, onde a UFF mantém uma graduação em Matemática, e a 390 quilômetros do Instituto de Matemática, no Valonguinho, em Niterói. Como é possível? Dayselane é uma das alunas inscritas no curso de Licenciatura em Matemática a Distância da UFF, gerenciado pelo Núcleo de Educação Assistida por Meios Interativos (NEAMI). Vinculado à PROAC, o NEAMI/UFF foi criado em 2001 para oferecer novas tecnologias de informação e comunicação ao ensino presencial e a distância. Além de Matemática, a UFF disponibiliza o curso de graduação a distância em Tecnologia de Sistemas de Computação e prevê lançar um de Letras e outro de Administração Pública. Ao todo, 4,5 mil alunos cursam graduação a distância na UFF. Os dois cursos de especialização (Novas Tecnologias para o Ensino de Matemática e Planejamento, Implementação e Gestão de Ensino a Distância) somam mais de 2 mil estudantes, o mesmo número dos seis cursos de extensão (Aperfeiçoamento em Educação para Jovens e Adultos; Relações Étnico-Raciais; Educação Ambiental; Aperfeiçoamento em Formação de Tutores; Formação de Tutores para Ensino a Distância; e Auxiliar de Biblioteca). A modalidade de ensino é gratuita, incluindo a distribuição do
material didático. Se precisar tirar dúvidas, o aluno pode recorrer ao serviço 0800 ou participar de chats online. O NEAMI utiliza a ferramenta Moodle, um ambiente virtual que oferece espaço de interação, comunicação e trabalho colaborativo entre professores, tutores e aprendizes na internet. Por telefone ou internet, uma equipe de tutores esclarece problemas de conteúdo das disciplinas. Se preferir, o estudante poderá, também, visitar as tutorias semanais nos Polos de Apoio Presencial, espaços físicos mantidos por municípios ou governos de estado em regiões com pouca ou nenhuma oferta de educação superior, para dar suporte aos alunos de cursos a distância vinculados à Universidade Aberta Brasil (UAB). Esse programa foi criado pelo MEC para gerir a expansão da educação superior. “Os polos oferecem laboratórios, bibliotecas, videoconferências e secretarias acadêmicas. É lá que os alunos
fazem as provas”, explica Na ilha de edição do o diretor do NEAMI, Luiz NEAMI, Luiz Manoel Manoel de Figueiredo, coordena a produção de materiais didáticos PhD em Matemática. audiovisuais, como O Estado do Rio posvideoaulas e cursos sui 27 polos espalhados online de nivelamento por municípios diferentes. em Matemática, Língua Aluna da primeira turma Portuguesa, Biologia, de licenciatura em Mate- Física e Química mática da UFF, Dayselane frequentou o Polo de Itaperuna, a 50 quilômetros de casa. “Para tirar minhas dúvidas saía cedo de casa para pegar um ônibus e viajar uma hora até Itaperuna”. Luiz Manoel frisa que o ensino a distância permite a expansão de vagas e flexibiliza o local de oferta. “Muitos alunos do interior não têm recursos para se deslocar para as capitais. E os que conseguem, quando se formam, não voltam para compartilhar o conhecimento adquirido”. A cada ano a UFF disponibiliza 2 mil vagas, preenchidas por meio de vestibular, para os cursos de graduação a distância.
De uma forma ou de outra fazemos o possível De uma forma ou de outra fazemos o possível para que nossos livros estejam sempre ao alcance de suas mãos. para que nossos livros estejam sempre ao alcance de suas mãos. 14
Estique o braço para pegar um livro ou, se preferir, dê um clique. Estique o braço parade pegar um livro ou,(NDC) se preferir, dê um O site do Núcleo Documentação dá acesso aoclique. catálogo O site do Núcleo de Documentação (NDC) dácatalográfica acesso ao catálogo online das bibliotecas da UFF, com a ficha dos livros online das bibliotecas da UFF, com a ficha catalográfica dos livros disponíveis para empréstimo. disponíveis para empréstimo. Saiba mais acessando www.ndc.uff.br e ponha a leitura em dia. Saiba mais acessando www.ndc.uff.br e ponha a leitura em dia.
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Mobilidade Estudantil alarga fronteira acadêmica Que tal ser admitido em uma universidade federal, cursar outra durante um ano e depois voltar para a universidade de origem? Pois bem, essa possibilidade existe através do Programa de Mobilidade Acadêmica, regulamentado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Os universitários podem cursar até dois semestres do curso de graduação em uma das mais de 50 instituições conveniadas em todo o Brasil. Quem quiser participar precisa ter completado no mínimo os dois semestres iniciais, não ter mais de uma reprovação por período e esperar a aceitação da universidade anfitriã. As disciplinas devem ser equivalentes às do currículo na UFF. Os estudantes devem procurar o coordenador para preparar uma carta de apresentação que cite o plano de curso pretendido e encaminhá-la à Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos (PROAC). Somente alunos de graduação podem participar da Mobilidade Acadêmica, que tem como objetivo promover a integração entre estudantes das diferentes instituições. Juliana Alves, 24 anos, do oitavo período de Psicologia, cursou dois semestres na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Assim, ela pôde voltar a morar com o pai e os irmãos, com quem não convivia há mais de 15 anos. “Escolhi Recife porque minha família morava lá, mas eu gosto muito da cidade e de sua cultura. Passar um ano lá melhorou a relação com a minha família.”
Com a Mobi lidade Acadê mica Juliana ganhou nova experiência acadêmica. “A UFPE é muito diferente, estudar lá me fez entender melhor o estilo de ensino da UFF.” A vivência em outro estado também permite ampliar os horizontes quanto à atuação no mercado de trabalho. A Mobilidade pode abrir as portas para estudantes viverem o cotidiano de outra cidade e conhecerem pessoas novas dentro e fora do ambiente acadêmico. Os interessados podem procurar a instituição pretendida para pedir orientação quanto a locais de moradia e serviços que a universidade oferece. Depois de aceito, o aluno tem acesso a praticamente todas as possibilidades oferecidas aos colegas, como participar de grupos de pesquisa e extensão, e está sujeito às regras da entidade receptora. O vínculo estabelecido entre aluno e instituição é temporário, sem caráter de
transferência algum. A Mobilidade Estudantil é mais uma oportunidade oferecida para que o universitário possa acrescentar experiência e conhecimento a sua formação aca dêmica unindo ensino e experiência de vida. A Mobilidade Estudantil na UFF também conta com apoio do Santander Universidades não só para mobilidade nacional como também para mobilidade internacional e luso-brasileira.
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Programa incentiva intercâmbio na graduação O Programa Santander Universi dades de Mobilidade Nacional oferece 10 bolsas de estudo a cada semestre, para estudantes da UFF cursarem gratuitamente disciplinas em outras universidades brasileiras, com direito a uma bolsa de R$ 2.500. Podem candidatar-se alunos de qualquer curso de graduação entre o quarto e o sexto períodos que não tenham mais de uma reprovação e com Coeficiente de Rendimento (CR) superior a sete. Os pedidos são avaliados por um comitê formado por professores e servidores. Os candidatos devem inscreverse no Serviço de Comunicações Administrativas (SCA), na reitoria, indicando a universidade de seu interesse e as disciplinas que deseja cursar. A instituição escolhida também deve ser fazer parte do Programa Santander Universidades de Mobilidade Nacional. Para elaborar o plano de estudo, o estudante deve procurar seu orientador e escolher matérias, obrigatórias ou optativas, que sejam compatíveis com a ementa do curso de origem na UFF, para que sejam aproveitadas no currículo. O plano de estudo fica sujeito à aprovação de uma das 20 universidades receptoras cadastradas no programa. Entre os documentos exigidos estão uma carta do coordenador do curso, uma carta do candidato explicando por que deseja participar do programa, além de duas cartas de recomendação de professores do curso de origem. A estudante de Letras (Português/Alemão) Luiza Mariana Mangueira, de 21 anos, que reside em Niterói, foi selecionada para fazer um período de seu curso na Univer sidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS). “Na UFRGS, tive a chance de cursar disciplinas que não são oferecidas na UFF, como Tradução do Alemão e Didática da Língua Alemã. Além disso, eu convivi com professores que me estimularam bastante a seguir estudando na área de licenciatura e não desanimar com a ideia de me tornar professora de alemão.” Luiza acrescenta ainda que morar fora foi uma experiência importante pela chance de conviver com as diferenças culturais de outro Estado. “O programa é interessante pela oportunidade que dá ao aluno de desenvolver mais o lado profissional e social”, comenta a estudante de Letras. O programa, administrado pe la PROAC desde 2008, permite ao aluno conhecer o mercado de trabalho em outras regiões e ter contato com modelos de prática de ensino, pesquisa e extensão em outras universidades brasileiras. Até 2009 a UFF havia recebido 12 estudantes de variados cursos que permaneceram um semestre na Universidade. Um deles é Adriano Macieira Pinho, 22 anos, estudante de Engenharia de Telecomunicações da Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição privada da capital cearense. “Fui muito bem recebido por professores e alunos. O curso de Engenharia de Telecomunicações da UFF é muito bem conceituado. Quero fazer mestrado aqui.” No segundo semestre de 2009, Adriano cursou quatro disciplinas, todas com equivalência prevista na Unifor. Além da receptividade, ele destaca a dedicação dos professores e a estrutura da Universidade
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“Os professores são muito bons e a biblioteca também ”. Para o estudante cearense, o programa significa ao mesmo tempo uma experiência acadêmica e de vida. “Durante a mobilidade tive que resolver os problemas sozinho, o que me deu mais responsabilidade. Todo estudante universitário deveria passar por essa experiência” Quando chegou a Niterói, Adria no encontrou por meio de um anún cio no campus da Praia Vermelha o endereço de uma república de estudantes próxima do prédio da Faculdade de Engenharia. “É tão perto
que eu acordo 10 minutos antes do início da aula”. Segundo Adriano, o custo de vida no Rio é semelhante ao de Fortaleza. Com os recursos da bolsa, foi possível estudar, manter-se fazendo as refeições nio restaurante universitário e, ainda, ir a festas e aproveitar o circuito universitário. “Fazer amizades foi fácil. Niterói é uma cidade fantástica. Valeu a pena participar do Programa Santander, porque dá uma visão geral do mercado de trabalho e de pesquisas que estão sendo realizadas. A UFF é tão legal que eu quero voltar!”.
Viagem de descobrimento rumo a Portugal Em busca das raízes. Uma parceria entre a Universidade Federal Fluminense e o Banco Santander oferece aos alunos da graduação a alternativa de estudar seis meses em Portugal. O Programa de Bolsas Luso-Brasileiras Santander Universidades disponibiliza 10 bolsas por semestre para os estudantes que já tenham cursado no mínimo quatro períodos e que alcancem Coeficiente de Rendimento (CR) acima de sete. Para participar, é necessário ter acima de 18 anos e frequentar aulas na universidade receptora compatíveis com as disciplinas do currículo na UFF. Os alunos interessados devem procurar a Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos (PROAC) ou a Assessoria de Assuntos Internacionais. Os contemplados não têm custos com taxas na instituição em Portugal e recebem bolsa no valor de 3.300 euros. Os estudantes escolhem uma entre as 10 universidades conveniadas em Portugal que ofereçam o mesmo curso de sua graduação. O processo de seleção divide-se em duas etapas: o candidato deve ser
aceito no programa primeiramente pela UFF e em seguida pela universidade portuguesa receptora. Na UFF, a escolha é realizada por um comitê que analisa o histórico acadêmico do estudante. Recomenda-se ao aluno estabelecer contato com a instituição de interesse para buscar informações sobre moradia e outros hábitos locais. A bolsa pode ser paga em até três parcelas. O valor e a forma de pagamento podem ser alterados a critério do Banco Santander, financiador do programa. Podem-se inscrever estudantes de qualquer cursos de graduação e não há um número específico de bolsas para cada curso. A permanência em Portugal é de um semestre, sem chance de prorrogação. A primeira edição na UFF do Programa de Bolsas Luso-Brasileiras Santander ocorreu no segundo semestre de 2009, atendendo estudantes de História, Odontologia, Produção Cultural e Arquitetura. Nessa viagem de descobrimento, todos regressaram com imensa bagagem cultural.
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Dupla Diplomação leva estudante a mare Qual estudante não deseja estudar no exterior, aumentar sua bagagem de vivências e, ainda, receber dois diplomas no fim de seu curso? O Programa Internacional de Dupla Diplomação oferece a chance de o estudante adquirir parte de sua formação na Universidade Federal Fluminense e passar uma temporada em uma instituição es trangeira que tenha convênio com a UFF. Ao fim do curso, ele recebe diploma das duas universidades. Duas instituições portuguesas já acertaram os ponteiros para se engajar no projeto: a Universidade de Coimbra, uma das mais tradicionais da Europa; e a Universidade Técnica de Lisboa. A ideia é ampliar, em prazo curto, o leque de universidades europeias que desejam participar do intercâmbio em nível de graduação. A oportunidade será dada aos estudantes de qualquer curso de graduação, porém fica a cargo do Colegiado de cada curso definir o perfil e os requisitos do aluno apto a se candidatar ao programa. Só as instituições credenciadas poderão ser o destino dos alunos. Cabe a cada curso definir o que deverá ser cumprido em cada universidade, compatibilizando carga horária e currículo. Uma vez concluído o curso, o egresso adquire os mesmos direitos acadêmicos do cidadão do país e pode pleitear o registro profissional no conselho da categoria quando for o caso.
O programa já vem sendo adotado pelas universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Federal de Minas Gerais (UFMG) e Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), entre outras. O país pioneiro em convênios dessa natureza com instituições brasileiras de ensino superior foi a França, que mantém convênios com a UFRJ e a PUC-Rio na área de Engenharia. O professor Alberto di Sabbato, diretor da Faculdade de Economia, explica que o estudante, depois de graduado, poderá atuar na área de formação nos dois países. “Este programa é mais abrangente do que o intercâmbio ou a mobilidade acadêmica. porque obriga o aluno a ter responsabilidade com os estudos fora do país para cumprir todos os requisitos e completar a parte do curso”, frisa Alberto, que participou da comissão que elaborou as normas da dupla diplomação na UFF.
A coordenadora do curso de Engenharia de Produção, Maria Helena Soares de Melo, também fez parte da comissão que trabalhou durante seis meses na sistematização do programa. Ela cita a grade curricular no formato da letra Y para explicar o tipo de curso mais adequado à graduação feita simultaneamente no Brasil e no exterior. “Aqui na Engenharia, depois de cumprir os requisitos básicos, ou seja, a perna maior do ‘Y’, o aluno pode seguir a perna da carreira técnica ou a da carreira gerencial. Assim é também com a dupla diplomação. Ele deve
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es nunca dantes navegados fazer lá fora as disciplinas que não estão previstas aqui na UFF”. A coordenadora ressalta as diferenças entre o ensino de Matemática no Brasil e na Europa. “Nosso ensino tem uma visão mais prática, dentro do modelo norteamericano. Já na Europa a Matemática é mais voltada para a análise e compreensão dos fenômenos. Não é que um curso esteja certo e o outro, errado. São apenas visões distintas. Essa diferença exige uma preparação prévia do estudante que se candidata à dupla diplomação”. Para Maria Helena, o papel
desempenhado pelo coordenador de cada curso será fundamental no preparo do aluno que pensa em estudar no exterior. A viabilidade do intercâmbio com dupla diplomação depende, entre outros aspectos, do perfil da grade curricular dos cursos pre tendidos. Quanto mais flexível e menos engessado for o currículo, maior será a possibilidade de intercâmbio. Na UFF, os cursos que, no momento, adaptam-se melhor ao projeto de dupla diplomação estão na área de Engenharia, Geociências e Economia. O programa nasceu na PROAC a partir da vontade dos próprios alunos. “Seria ideal que o intercâmbio ou a mobilidade evoluíssem, além de toda a experiência que já significa estar em outro país, com pessoas novas, cultura diferente, em outro ambiente acadêmico, ganhar mais um diploma é fantástico”, afirma a estudante de Psicologia Roberta Nunes.
Acordo de Bolonha unifica Europa É comum um estudante brasileiro fazer um curso de graduação ou pósgraduação no exterior e, ao regressar, esbarrar em obstáculos para reconhecer o diploma por diferenças como carga horária ou conteúdo programático. Nos últimos anos as autoridades educacionais de diversos países têm buscado superar barreiras e encontrar formas de estimular o intercâmbio. O Acordo de Bolonha, que estabelece uma padronização do ensino em todos os níveis entre os países europeus, significa uma tentativa de aproximação. O objetivo é facilitar a mobilidade estudantil e a formação de um mercado profissional com habilidades comuns do Mar do Norte ao Mediterrâneo. Os países que saíram à frente nesse processo foram Reino Unido, Alemanha, França e Itália. Firmada, em junho de 1999, por 29 países europeus, a Declaração de Bolonha representou uma carta de intenções, na qual os signatários assumem o compromisso de promover reformas no ensino. A escolha da cidade italiana não foi à toa: com mais de 900 anos, a Universidade de Bolonha é a mais antiga instituição de ensino superior que se conhece no mundo. O documento ressalta a relevância da educação para a socialização do conhecimento. Com o tempo, outros países do continente aderiram à proposta para enfrentar a concorrência de universidades na Ásia e nos Estados Unidos. A ideia é que estudantes tenham o direito de mudar de país e encontrem condições semelhantes de aprendizagem em outras instituições de ensino. O Acordo de Bolonha prevê a padronização das fases do ensino desde o período fundamental à pós-graduação em toda a Europa. Os educadores críticos do acordo, no entanto, alertam para o risco de perda da identidade nacional, principalmente no caso dos países de desenvolvimento industrial e tecnológico ainda incipiente.
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Prática Discente, ensaio em sala de aula “Ensinar não é fácil, porque envolve a relação entre seres humanos.” Com essas palavras, a professora Sueli Camargo, da Faculdade de Educação, responsável pelo programa Bolsa de Apoio à Prática Discente, define a necessidade de experimentar novas práticas pedagógicas que melhorem a relação ensinoaprendizagem. O projeto aproxima os estudantes de Licenciatura à realidade da sala de aula por meio da convivência com professores e alunos da rede pública. Sueli Camargo considera fundamental que o futuro professor conheça o ambiente da escola de Sueli Camargo, ensino básico. “É nessa coordenadora do interação que ele percebe programa, considera como se organiza a relaimportante para o futuro professor conhecer a prática de sala de aula
ção professor-aluno e, de maneira crítica, envolve-se com a educação pública numa troca de experiências que enriquece a todos.” A Bolsa estreita a relação da UFF com as escolas de ensino básico e contribui para a formação acadêmica e pessoal do bolsista. Desde 2008 são distribuídas 260 bolsas de auxílio para licenciandos de todas as áreas. O número por curso varia de acordo com a demanda. Em média cada área recebe de 10 a 15 bolsas, ajuda de custo fundamental para o estudante sem recursos. Para receber a ajuda, o universitário deve apresentar um projeto pedagógico para uma das 15 escolas que mantêm convênio com a UFF. A atividade é realizada, geralmente, por estudantes da disciplina Pesquisa e Prática de Ensino. O professor seleciona o bolsista e orienta e acompanha a realização do projeto na escola básica. A escolha passa por dois critérios: a relevância da proposta e a carência da esco-
la. O resultado é apresentado em dois eventos anuais: o Seminário Interativo de Prática Pedagógica e a Agenda Acadêmica. A estudante Karla Silene Marinho, de Física, atua no Colégio Estadual Pinto Lima. Karla propõe textos e atividades especiais para os alunos portadores de deficiência visual. “Essa experiência contribuiu muito para que eu resolvesse prosseguir na área de Educação Especial”. Sob a orientação de duas professoras, ela produziu artigos acadêmicos sobre o tema. Priscila Nunes, estudante de Letras, vê o magistério como um de safio. “Manter contato direto com as escolas serve de ensaio do que vamos enfrentar no futuro”. Outra bolsista de Prática Docência, Denise Cardoso, acha que seria muito mais difícil se começasse a lecionar só depois de formada. Ambas dão aulas de Redação no pré-vestibular comunitário. “A maior satisfação é quando um aluno vem contar que conseguiu bom resultado no vestibular”, revela Denise.
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Estágio, porta de entrada do mercado de trabalho “Não quero mais ficar à toa. Quero estagiar pra sempre.” A disposição da estudante Geani Vargas, de Comunicação Social, evidencia a importância que os alunos dedicam ao estágio, porta de entrada para o cada vez mais disputado mercado de trabalho. Geani começou a estagiar em junho de 2009 na Fundação Euclides da Cunha (FEC), dentro do Programa de Estágios da UFF. “No início tive dúvida, com medo de atrapalhar a faculdade, mas o ambiente de trabalho é tranquilo. Aprendo muito e tenho liberdade para produzir e escrever”. O programa da UFF busca orientar e preparar os alunos que ingressam no mercado de trabalho. Segundo o coordenador do programa, professor Luiz Flávio Machado, o estágio representa um estímulo para o estudante pôr em prática aquilo que aprendeu na faculdade. “O aluno é um cidadão em formação, estagiar significa antecipar o mundo que, a rigor, só conheceria no fim do curso”, observa Luiz Flávio. Hoje, a UFF conta com 169 campos de estágio em suas próprias unidades, e um total de 340 estudantes que recebem uma bolsa com duração de seis meses. A seleção é feita através de concurso, e o número de estagiários varia de acordo com as necessidades dos setores. Para o professor Luiz Flávio, a UFF possui um grande campo em todas as áreas; “Somos um laboratório de aprendizado prático. Uma vantagem do estágio interno é estar próximo ao local onde estuda. O custo de transporte é zero.” A relação entre estagiário e contratante deve ser fundamen-
talmente pedagógica para evitar problemas comuns de exploração do trabalho, “Há empresas não muito sérias que demitem profissionais e contratam estagiários com custo muito mais baixo. Por isso, a UFF credencia empresas interessadas, o que nos permite maior controle”, frisa Luiz Flávio. A Universidade possui convênio com mais de 920 empresas ampliando diariamente esse número. No estágio obrigatório, a avaliação pelo professor-orientador e pelo estudante é indispensável. Para o professor Armando Pereira do Nascimento, coordenador de estágio do Instituto de Química, a interação com as empresas deveria ser mais efetiva. “Idealmente, o aluno deveria começar a estagiar por volta do 3º período durante seis meses. Esse contato externo é extremamente importante para ampliar conhecimentos e técnicas sem comprometer os estudos. Num segundo
momento, perto do fim do curso, a imersão deveria durar um ano, para o jovem ter noção da realidade da empresa e das relações de trabalho. Dessa maneira, o aluno adquire uma bagagem profissional e de vida muito maior. Sem contato com essa realidade ele pode se iludir”, alerta Armando Nascimento. O coordenador de estágio da Escola de Engenharia, professor Vitor Hugo Ferreira, afirma que a experiência incentiva trabalhos em grupo, o que melhora a convivência interpessoal e o aproveitamento do curso. “Estagiar é a oportunidade de se colocar em prática o que se aprenA estudante Geani Vargas, deu. O importante é de Comunicação Social, encarar o estágio como faz estágio na Fundação aprendizado, valorizar Euclides da Cunha o que ele vai agregar e considera fundamental de conhecimento e a experiência para entender o processo complementação como um adicional na das atividades formação”. na sala de aula
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Aprendendo a ensinar Um aluno de Química precisa testar soluções para aprender. Um estudante de Medicina tem que tratar pacientes. E um futuro professor não aprende a lecionar sem a experiência em sala de aula. O Colégio Universitário Geraldo Reis (Coluni) nasceu para possibilitar aos estudantes das licenciaturas um espaço de vivência da prática de ensino por meio de estágios supervisionados e projetos de iniciação à docência. Fundado na década de 1980 pelo Governo Estadual, o então Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) só se transformou em um colégio universitário em 2006, quando o Estado assinou um convênio com a UFF. Com a parceria, a escola, no bairro de São Domingos, tornou-se uma unidade acadêmica vinculada à PROAC a fim de atender
à demanda de alunos por educação básica e formar professores. “Os estudantes de licenciatura vão para escola e ganham com a experiência dos professores. E os professores ganham com o contato com novos conhecimentos e propostas. É uma troca importante”, destaca a diretora geral do Coluni/ UFF, Iduína Mont’Alverne. Desde que a UFF assumiu a gestão do CIEP, cerca de 500 estagiários já passaram por experiências no colégio entre estudantes de Serviço Social, Informática, Letras, Pedagogia, História, Ciências e Sociologia. A importância do colégio vai além da formação profissional dos estudantes de licenciatura. Hoje, com turmas do 1º ao 9º ano, a escola atende 350 alunos, contando os 290 do ensino fundamental, mais os 60 atendidos pela Creche UFF, que integra o Departamento de Educação Infantil do Colégio Universitário Geraldo Reis.
Os alunos estudam em horário integral. “Nossa proposta pedagó gica é de inclusão, de formação humana. Preparamos a criança pro fissional e pessoalmente”, explica Iduína, doutora em Educação. Pela manhã, a escola oferece as disciplinas regulares, como Matemática e Língua Portuguesa. À tarde, são desenvolvidos os projetos extracurriculares, como aulas de Inglês e Francês, escolinha de futebol, sala de leitura, teatro e jogos matemáticos. Enquanto estão na escola, os alunos recebem, ao todo, quatro refeições por dia. A UFF ampliou de 20 para 35 o número de vagas em sala de aula. O processo de seleção é feito por sorteio. O Coluni/UFF conta com uma gestão colegiada, com representantes da PROAC, Colegiado de Licenciatura, professores e pais. A escola passa por momento de transição. No corpo docente, por exemplo, 26 professores substitutos foram contratados e mais cinco estão em fase de seleção para, aos poucos, substituírem o quadro de profissionais vinculados à rede estadual de ensino. Na estrutura física, o colégio ganhou um laboratório de informática, com 18 computadores, e um espaço voltado para atividades das turmas iniciais.
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Quem passa em frente ao Colégio Universitário não sabe por que a escola recebeu o nome de Geraldo Reis, ainda como CIEP e depois mantido pela Universidade Federal Fluminense. Os livros não contam e as ferramentas de busca na internet ignoram. Certamente um aluno do COLUNI que receba a tarefa de escrever sobre o personagem que aparece na fachada do prédio encontrará dificuldade. Geraldo Achiles dos Reis, mineiro da região de Teófilo Otoni e formado em Direto pela UFF, lecionou Língua Portuguesa em diversas escolas de Niterói, como o Colégio Brasil, no Fonseca, e o Figueiredo Costa, em Santa Rosa; mas gostava mesmo é de ensinar em cursos noturnos para estudantes pobres que trabalhavam de dia e só tinham a noite para se dedicar aos estudos. Ex-aluno de um seminário em Araçuaí, no nordeste de Minas, e marxista por formação, Geraldo Reis elegeu-se deputado estadual pelo antigo Estado do Rio no final dos anos 50, na legenda do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em maio de 1964, um mês após o golpe militar, ficou preso no Estádio Caio Martins acusado de subversão. “Como ele tinha nível universitário, podia ficar nos alojamentos do estádio, junto com advogados e mé-
Geraldo Reis, um educador dicos, mas preferiu ficar na quadra de basquete para conversar com a gente dos sindicatos”, relembra a viúva Martha Reis, 81 anos, ex-diretora do Departamento de Assistência Social (DAS) da UFF. Tempos depois, Geraldo foi preso novamente, desta vez na estação de trem desativada em Neves, São Gonçalo. As sucessivas prisões e os proces sos políticos interromperam a carreira de Geraldo Reis no magistério. “Naquela época, ninguém queria dar emprego a comunista. Ele dava aula particular em casa; mas, quando as mães descobriam que tinha sido preso político, cancelavam a aula dos filhos”, diz Martha, que, depois de se aposentar na UFF, ajudou a fundar o projeto social Criança=Vidda, que dá assistência a órfãos de pais aidéticos. “Geraldo não sofreu tortura física, mas a tortura psicológica era enorme. Às vezes, chegava arrasado em casa quando descobria que, entre os interrogadores, havia ex-alunos”, recorda Mar-
tha, que recentemente se desfez das apostilas de Português do marido. Queria apagar da memória o sofrimento vivido por Geraldo para conciliar a necessidade de sobrevivência como professor e a convicção ideológica nos tempos da ditadura. O cantor Achiles Reis, do grupo vocal MPB-4, conta que volta e meia, após os shows ou nas ruas, é procurado por ex-alunos do pai. “As pessoas se referem a ele não apenas como professor, mas como educador, pela importância na formação do caráter deles”, conta o filho. Geraldo Achiles dos Reis morreu em dezembro de 1973, vítima de aplasia medular, após 11 meses de internação no Hospital Santa Cruz, em Niterói. Deixou na memória de seus ex-alunos o aprendizado de um educador que se eterniza mais do que qualquer apostila.
Reis: entre a convicção e a sobrevivência
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Relatório de gestão tem números otimistas
Quem não conhece a expressão cérebro eletrônico? Aquele dispositivo impessoal que digere um emaranhado de dados fornecidos em série e os transforma em índices matemáticos. O cargo não existe no serviço público, mas talvez a função que mais se assemelhe a um cérebro eletrônico, em carne e osso, seja a do pesquisador institucional. Ele tem a missão de traçar um quadro de desempenho com base nos resultados informados por todos os órgãos da instituição. Na UFF, quem exerce esse trabalho há 12 anos é o professor José Márcio Lima, coordenador de gestão da Informação da Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan). Ex-diretor do Instituto de Matemática, José Márcio ocupa uma pequena sala no primeiro andar da reitoria com uma secretária e um computador. É para lá que seguem os dados extraídos dos sistemas acadêmicos de graduação e pós-graduação e de outros sistemas como o Relatório Anual dos Docentes (RAD), número de alunos matriculados, prováveis
concluintes, transferências, trancamentos, bolsistas, titulação dos docentes, qualificação de servidores, projetos de iniciação científica e uma infinidade de informações que precisam ser fornecidas ao MEC e influenciam o orçamento da universidade. Com base nesses números, a Coordenação de Gestão da Informação elabora planilhas, tabelas e gráficos que atuam como uma espécie de radiografia dessa instituição que mantém 63 cursos de graduação, 28 mil estudantes, 2.500 professores e 3.900 servidores. As informações ajudam o MEC a atualizar a Plataforma de Integração de Dados das Instituições Federais de Ensino Superior (PingIFES), que serve de referência para a distribuição de recursos para as IFES. Um item em que a UFF apresenta uma melhora sensível de desempenho nos últimos anos diz respeito à Taxa de Sucesso na Graduação (TSG) que mede o percentual de alunos formados no tempo mínimo previsto na grade curricular dos cursos de graduação. Em 2009, a média na UFF chegou a 0,79%. Isso
significa que, de cada 10 estudantes que ingressaram na universidade, aproximadamente 7,9 concluem seu curso no prazo previsto. “Nosso TSG poderia melhorar ainda mais se os horários fossem elaborados levando em conta o interesse dos alunos. Cursos que são definidos como de tempo integral no Manual do Vestibular poderiam ser oferecidos em um único turno”, frisa José Márcio, docente da UFF há 32 anos. O Índice de Qualificação do Cor po Docente (IQCD), que leva em conta o número de doutores e mestres, é outro índice no qual a UFF apresenta bons resultados. Em 2009, o índice chegou a 3,94 em uma escala que varia de um a cinco. José Márcio explica que esse número só não foi maior porque o Tribunal de Contas exige a inclusão no cálculo dos professores substitutos que, independentemente da titulação, são registrados como docentes graduados no SIAPE. Sem os substitutos, o índice subiria para 4,22, mesmo resultado alcançado pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2008. Em 2003, o grau de envolvimento dos alunos da UFF na pósgraduação era de 11,78%. Seis anos depois, em 2009, saltou para 14,96. Essa elevação de mais de 3 pontos percentuais se deve ao aumento do número de pós-graduações stricto sensu, tanto de cursos de mestrado como de doutorado. Esse índice ganha dimensão ainda maior se lembrarmos que a graduação também registrou crescimento expressivo no número de vagas nos últimos dois anos, desde o lançamento do Programa de Reestruturação e Ampliação das Universidades Federais (REUNI). Em 2010, foram ofertadas 6.528 vagas no vestibular, 20% a mais do que em 2008.
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Creche leva a sério arte das brincadeiras Clarice Sena foi mãe logo no início da faculdade. Para dar à luz Eduarda, em 2004, a estudante de Pedagogia precisou afastar-se das aulas. Dois anos depois, a nova mamãe decidiu retomar os estudos, mas esbarrou em um obstáculo: com quem deixar a filha? Clarice contou com apoio da própria Universidade. Enquanto a mãe assiste às aulas, Eduarda é uma das 60 crianças que ficam sob o cuidado da Creche UFF, que constitui o Departamento de Educação Infantil do Colégio Universitário Geraldo Reis. Fundada em outubro de 1997 e vinculada à PROAC, a Creche UFF surgiu para atender à demanda da comunidade universitária por um campo de aplicação voltado para a formação profissional dos estudantes de graduação e pós-graduação da área de Educação Infantil. De quebra, beneficiou também servidores técnico-administrativos, professores e alunos, cujos filhos frequentam gratuitamente a creche enquanto os pais trabalham ou estudam. “Teria sido muito difícil continuar os estudos sem o apoio da UFF, porque não existem creches perto da faculdade e da minha casa”, conta Clarice, 39 anos, moradora de São Gonçalo. O centro escolar, voltado a crianças entre 1 ano e meio e 6 anos, funciona nos turnos da ma-
nhã e da tarde ou integral. As vagas são distribuídas entre as categorias de funcionários, professores e estudantes, cabendo 20 vagas para cada uma. Na prática, no entanto, os filhos de alunos chegam a ocupar metade das vagas, preenchidas com base em uma lista de espera. “Como os estudantes geralmente possuem uma renda inferior, a demanda dos alunos é maior”, explica a coordenadora geral, Dominique Colinvaux, na creche desde 2003 e na coordenação desde 2008, acrescentando que a proposta educativa privilegia a brincadeira como princípio educativo na construção de conhecimentos e valores como respeito, autonomia e cidadania. Com um espaço para formação profissional, estagiários e bolsistas de pesquisa e extensão desenvolvem na Creche UFF projetos espe cíficos com crianças, famílias e edu cadores. Ao todo, 11 estagiários e 26 bolsistas dos cursos de Psicologia e Serviço Social integram o quadro de trabalho. Além disso, os cursos de graduação em Educação Física, Nutrição e Pedagogia contam com disciplinas que se articulam com a creche e preveem atividades práticas de visita e permanência na unidade. “Um dos objetivos da creche é investir no educador como sujeito pensante, em processo de for-
mação sempre permanente, e não um sujeito que só executa”, frisa Dominique, doutora em Educação. A creche abre espaço pa ra aperfeiçoamento da for mação de professores em atividade. Como parte de um convênio entre a UFF e a Secretaria de Educação de São Gonçalo, conta com a colaboração de sete professoras da rede municipal. O centro escolar busca , também, integrar-se a movimentos sociais de debate e formulação de políticas públicas para a Educação Infantil e promove fóruns e palestras sobre o assunto. Só em 2009, recebeu 450 visitas, tanto de estudantes da UFF quanto de alunos e profissionais de outras instituições que desejam conhecer as atividades de um centro de educação de referência. A creche segue um modelo participativo e colegiado. A coordenação geral conta com o apoio de um grupo gestor, formado por professoras da Faculdade de Educação, da Escola de Serviço Social e do curso de Psicologia, além de representante do grupo de pais e do corpo técnico administrativo.
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Usuรกrio das bibliotecas navega pelo mundo digital
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Comprar tudo que é livro indicado por professor pode custar caro no final do curso. Com serviço de empréstimo gratuito, as bibliotecas da UFF se apresentam como excelente alternativa a livrarias e sebos. E, se o deslocamento até uma das 27 bibliotecas da Universidade for difícil, uma nova possibilidade se abre: o Núcleo de Documentação (NDC) começa a entrar no mundo digital para facilitar os empréstimos a quem deseja ter acesso aos mais de 1 milhão de exemplares do acervo. Vinculado à Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos (PROAC), o NDC responde pela coordenação técnica e administrativa do Sistema de Bibliotecas e Arquivo da UFF. A divisão tem como objetivo desenvolver serviços e produtos que atendam às necessidades de informação da comunidade acadêmica, além da demanda externa. “As bibliotecas têm uma função essencial na formação do cidadão. Como existe um défice de bibliotecas públicas, o NDC atende também à sociedade, que tem acesso gratuito ao acervo”, conta a bibliotecária Ana Maria de Sá Couto, diretora desde 2007. Ao todo, o Núcleo administra 290 mil títulos. Para se ter uma ideia da importância do sistema de bibliotecas, o acervo é três vezes maior do que o da Biblioteca Estadual de Niterói. E não para de crescer. Com recursos do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), o NDC investe R$ 520 mil por ano em novas aquisições, o que dá para comprar cerca de 9 mil exemplares. Além disso, o Núcleo conta com doações. Só em 2009, foram 28 mil volumes.
Para tornar o acervo mais acessível, o NDC aposta na digitalização das informações. Navegando pelo site do núcleo www.ndc.uff.br, o internauta tem acesso ao catálogo online das bibliotecas da UFF, com a ficha catalográfica dos livros disponíveis para empréstimo. Em 2009, a Divisão de Bibliotecas (DBT) lançou, oficialmente, o projeto Desenvolvimento de Interfaces Web para controle da circulação e acesso universal de material bibliográfico, que visa ao aperfeiçoamento do sistema antecessor de informatização do serviço de empréstimos. Com o repasse de recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), o projeto incorporou ao serviço de empréstimo online das bibliotecas da UFF, entre outros benefícios, a cobrança automática dos usuários em débito e a emissão de recibos e acesso ao catálogo. Ao todo, 14 bibliotecas já aderiram ao serviço informatizado. A curto prazo, a ideia é estender o projeto a mais 11 locais. “A interface web é uma via de mão dupla. Dá mais facilidade e rapidez ao usuário e maior controle e gerência de empréstimos para o núcleo, porque o número de visitantes aumenta a cada ano”, destaca Ana Couto. De acordo com dados do NDC, diariamente 3,4 mil pessoas frequentam, em média, as bibliotecas da UFF. O número daria para lotar duas barcas que fazem a travessia Rio-Niterói pela Baía de Guanabara e ainda sobraria gente.
Quem quer acessar o acervo de teses e dissertações, em alguns casos, nem precisa sair de casa. O Laboratório de Reprografia (LARE) do NDC cuida da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) da UFF, que disponibiliza, na web, as produções dos alunos dos programas de pós-graduação da Universidade. No total, mais de 2 mil teses estão disponíveis na internet, em resumo ou na íntegra, dependendo do pesquisador. A proposta de acesso fácil à informação se estende ainda para além do sistema de bibliotecas. “O NDC é um núcleo de interação com todas as pró-reitorias”, conta a diretora da Divisão de Bibliotecas, Sandra Coelho. A digitalização dos prontuários médicos do Hospital Universitário Antônio Pedro; dos arquivos de contabilidade da Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan) e do acervo administrativo da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi) são alguns dos projetos desenvolvidos pelo Núcleo. Para cuidar de todas suas atividades, o NDC conta com um quadro de 310 pessoas (214 servidores, 85 prestadores de serviço e 41 estagiários, alunos de Biblioteconomia e Arquivologia). Esses estudantes têm na biblioteca não apenas acesso a uma complementação teórica com os livros, mas também a oportunidade de enriquecer, na prática, sua formação profissional.
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IdUFF. Você aqui na Universidade.
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Prata da Casa aproxima gente formada na UFF “O bom filho à casa torna.” Foi com base nesse espírito de reencontro que nasceu o Programa Prata da Casa, que busca retomar o contato com profissionais de nível superior que se graduaram ao longo dos 50 anos de existência da Universidade Federal Fluminense. O objetivo é manter o elo entre a UFF e os milhares de brasileiros que conquistaram com esforço um diploma universitário e, agora, prestam serviço à sociedade. Formar uma comunidade de ex-alunos, promover encontros e divulgar o trabalho realizado por eles são algumas das estratégias do Prata da Casa. O programa surgiu em 2008 com a elaboração de uma home page. Foi feito um trabalho de divulgação por meio de cartas, telefonemas e e-mails para que ex-alunos tomassem conhecimento do programa e se cadastrassem. Em dezembro de 2009, o registro contava com 1.700 ex-alunos cadastrados. As inscrições já se tornaram espontâneas. O trabalho com os formandos procura despertar o sentimento de pertencimento à UFF, convidandoos a manter os laços com o ambiente universitário. O egresso tem a chance de divulgar, no portal da UFF, sua produção, seu evento ou prêmio que tenha recebido. O portal, interativo, disponibiliza notícias sobre a Universidade e conta, também, com um twitter. A coordenadora Rita Cubel Garcia diz que o principal objetivo do Prata da Casa é estimular o ex-aluno a manter contato com a instituição onde se formou. “Não queremos que ele se sinta fora desse ambiente só porque terminou o curso. Ele precisa ter consciência de que pode
voltar”, defende Rita, professora do Departamento de Microbiologia. A divulgação no site também permite que empresas busquem profissionais formados na UFF. “Já tivemos ex-aluno que lançou livro e divulgamos a noite de autógrafos.” O site também conta com uma janela para disponibilizar trabalhos e pesquisas. As mensagens recebidas confirmam o sentimento de saudade e o desejo de retomar os contatos com antigos colegas, professores e funcionários. “As mensagens revelam um carinho especial pela UFF”, garante Rita Cubel. A saudade não é apenas da Universidade, mas também dos colegas de turma que, ao longo do tempo, perdem o contato. Tiago Afonso Santos, cadastrado no programa, se diz muito satisfeito pela iniciativa. “Nunca mais esqueci os anos que passei lá. Quero reencontrar meus antigos amigos”. Para viabilizar esse reencontro, o Prata da Casa está elaborando uma ferramenta de busca no próprio site que facilitará a localização de gente formada na UFF ao longo dos anos. A ferramenta permitirá que uma pessoa encontre outra pelo nome entre os cadastrados e envie uma mensagem pelo site. O projeto significa, ainda, a possibilidade de a UFF resgatar sua história. “Nessa busca de ex-alunos, encontramos nomes importantes. A UFF não conhece sua memória. Precisa buscar essa identidade”, frisa Rita. Para conhecer o site, deixar algum recado, postar notícia e reencontrar um colega antigo, acesse: www.proac.uff.br/exalunos.
Terminei meu curso de licenciatura plena no 2º semestre de 1973. Foi muito bom, aprendi muito, pois foi um curso que me ajudou no decorrer da minha carreira de professora, durante 31 anos em que trabalhei na rede de escolas do Município de Niterói Eliana Martins Santos Pedagogia - conclusão em 1973
A UFF representou, representa e sempre representará, pelo ensino superior de excelência, minha sólida formação acadêmica e um futuro mais construtivo e solidário para o país, social e profissionalmente falando Antonio Carlos Martins da Costa Direito - conclusão em 1986
A UFF representou a escolha certa da carreira ideal. Tenho boas lembranças e muitos amigos conquistados Rafael Barreto Almada Química Industrial - conclusão em 2005
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O advogado Geraldo Nogueira, em palestra para alunos de Direito, fala sobre dificuldades e soluções para portadores de deficiência
Sensibiliza reduz obstáculos e reforça o acesso à cidadania A universidade é o lugar da interdisciplinaridade e do exercício da cidadania; mas, para que essas duas qualidades se concretizem, é preciso entender e respeitar as diferenças. O Núcleo de Acessibilidade e Inclusão - Sensibiliza promove o acesso e a inclusão social de portadores de necessidades especiais. Com medidas que visam a reduzir as barreiras físicas, educacionais e comunicacionais, o núcleo procura conscientizar a comunidade acadêmica através de palestras e ações que transformam o ambiente educacional. A coordenadora do Sensibiliza, Luiza Santos Moreira da Costa, conta que o NAIS foi criado para assessorar a Universidade em relação à acessibilidade. “Falamos da acessibilidade não só arquitetônica, mas também comunicacional, instrumental, programática e metodológica”, diz a professora do Instituto de Saúde da Comunidade.
O núcleo iniciou as atividades, em 2007, promovendo debates sobre a inclusão dos deficientes físicos. O principal foco do trabalho concentra-se nos estudantes com necessidades especiais. São alunos com problemas de visão, audição, locomoção, com transtorno de desenvolvimento e superdotados. O Plano de Promoção de Acessibilidade prevê a adoção de pisos lisos (sem paralelepípedos) em todos os campi, e, pelo menos um banheiro acessível a cadeirantes em cada pavimento de todos os prédios. O plano inclui, ainda, construção de rampas e balcões de atendimento com altura acessível a cadeirantes e adaptação das bibliotecas com piso tátil e equipamentos voltados para deficientes visuais. Além das barreiras físicas, porém, existem entraves que afastam das faculdades milhares de brasileiros portadores de necessidades
especiais. O Núcleo propõe tornar acessíveis todas as páginas institucionais da UFF na internet e instalar programas de leitura de tela nos computadores de bibliotecas e laboratórios. Outra proposta é dispor de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais para atender estudantes surdos e estimular a produção de livros falados na EDUFF. Rayssa Almeida Araújo, de 19 anos, cursa o 3º período de Arquitetura e Urbanismo. Um glaucoma reduziu em 10% sua capacidade de visão, mas não diminuiu a capacidade de superar barreiras. Carioca da Tijuca, Rayssa frequenta o curso em tempo integral e já participa informalmente do escritório modelo de Arquitetura, que faz projetos de reforma e restauração para comunidades carentes. “Sempre quis estudar Artes. Mas, como não existe muito mercado no Brasil, escolhi Arquitetura. Que-
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ro aproveitar minha experiência e meus conhecimentos na universidade para melhorar o acesso das pessoas portadoras de deficiência”, planeja a estudante, que ingressou na UFF no vestibular de 2009 realizando as provas em formato ampliado para facilitar a leitura. Na faculdade, ela conta com a colaboração dos professores e da secretaria, que amplia as provas para a folha de tamanho A-3. “A boa vontade da faculdade é excelente. Logo na primeira sema-
na de aula, na recepção aos calouros pelo pessoal do diretório, eu falei que faltava uma sinalização no casarão da Arquitetura, que é um prédio tombado pelo patrimônio histórico. Mesmo assim, eles encontraram um jeito de atender ao meu pedido”, conta a estudante. Rayssa Araújo aponta como um dos maiores obstáculos o piso de paralelepípedos que trava a bengala dos portadores de deficiência visual e as cadeiras de rodas. Ela recomenda a construção de cami-
nhos alternativos nos campi, em piso liso e dotado de sinalização com ranhuras ou em alto relevo para facilitar a identificação dos obstáculos. A estudante de Arquitetura elogia o Sensibiliza, mas acha que ainda existem muitos caminhos a serem percorridos. “O projeto mostra a importância de entender as diferenças e estimula as pessoas tidas como diferentes a lutar pela igualdade de direitos”.
No meio do caminho tinha uma pedra Letícia Matheus embarca no ônibus da linha 47, na Avenida Almirante Ary Parreiras, em Santa Rosa, em Niterói. Com uma bengala, ultrapassa com alguma dificuldade a roleta. São 15 minutos de viagem até a Rua Tiradentes, no Ingá, onde conclui este ano o doutorado em Comunicação. Na hora de saltar, estica-se toda para acionar a sineta. Com 34 anos e 1,12 metro de altura, Letícia sofre de osteogênese imperfeita, doença de origem genética que causa traumatismos nos ossos, prejudicando o crescimento. Há mais de 15 anos, desde que ingressou no curso de graduação em Jornalismo do Instituto de Arte e Comunicação Social, Letícia Matheus percorre o caminho entre os bairros de Santa Rosa e Ingá. Dentro da Universidade, as dificuldades de acesso diminuem, mas não cessam. Andar pelos paralelepípe-
dos do campus de Gragoatá, para chegar à Biblioteca Central, e subir as rampas e escadas do prédio principal do IACS, na Rua Lara Vilela, requerem esforço extra. “Essas dificuldades são tão comuns que eu já me acostumei. Mas, com o tempo, fazer coisas simples, como ir ao banheiro e tomar café, passam a ser tarefas cansativas”, frisa a doutoranda. No campus do Gragoatá, os paralelepípedos fazem doer o corpo e o bolso. “A bengala tem um amortecedor que desgasta muito rápido. É um par de borrachas amortecedoras por mês”. As pedras no meio do caminho, no entanto, não impediram que Letícia alcançasse uma carreira bem sucedida no meio acadêmico e profissional. Recém-formada em Jornalismo, foi aprovada no processo de seleção de estágio no jornal O Globo, disputado por centenas de estudantes
do Rio e de Niterói, e acabou sendo contratada como repórter de cidade. Antes trabalhou em O Fluminense. A atividade de repórter exige a presença diária na rua para as tarefas de apuração. De volta à UFF, tornou-se mestre, em 2006, e deu aulas até 2008 como professora-substituta no IACS. Em 2010, a exrepórter de O Globo e O Fluminense acaba de defender tese de doutorado sobre a história da imprensa no Brasil. Se, durante a vida universitária, Letícia Matheus enfrentou dificuldades de acesso à faculdade, também encontrou apoio de professores e funcionários. No IACS, despertou a atenção do servidor José Marques,
do Arquivo Audiovisual, que teve a ideia de construir um platô de madeira para que a professora pudesse alcançar o quadro branco. Uma pedra a menos no caminho da professora.
Os alunos de licenciatura da UFF poderão aprender a linguagem de sinais Libras sem sair de casa. O curso a distância de Língua Brasileira de Sinais é uma parceria entre o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão – Sensibiliza e o Núcleo de Educação Assistida por Meios Interativos (NEAMI) e deve estar disponível para os estudantes ainda em 2010. Com uma carga horária de 30h, o curso consiste em videoaulas produzidas pelo NEAMI, com apoio da PROAC.
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UFFesporte ajuda a vencer barreiras Mens sana in corpore sano. A associação entre esporte e conhecimento, preconizada na citação, se concretiza no Projeto UFFesporte, que desde sua criação, em outubro de 2008, já atendeu a 60 atletas, entre estudantes, servidores e professores da Universidade Federal Fluminense, de 15 modalidades es portivas. O apoio vai desde o pagamento de inscrições em competições, hospedagem e transporte até a compra de equipamentos. O projeto apoia o time do Praibola Futebol Clube, a equipe UFF de Rugby, a equipe de Fórmula SAE, a Atlética do curso de Veterinária, 10 atletas de corrida de rua, um atleta de corrida de orientação, dois atletas no kart, dois surfistas, dois
nadadores, quatro na maratona aquática, dois esportistas de triatlo e um de paraglider. Desde seu início, apoiou o I e o II Torneio de Rugby UFF Sevens em 2008 e 2009, as Olimpíadas UFF 2008 e 2009 e o Troféu UFF de Orientação. A coordenadora geral do projeto, Nelma Cezário, afirma que o apoio a esses atletas valoriza a autoestima do aluno ou funcionário e contribui para sua formação pessoal. “A gente não forma atletas, mas ajuda quem tem alguma bagagem e principalmente vontade de continuar com essa prática.” A meta atual é expandir o projeto, com a chegada de novos parceiros e financiamentos, agregando pessoas e programas para atender ao maior número possível de pedidos. Nelma lembra que
os atletas precisam de apoio em todo o processo de treinamento, incluindo a participação em competições fora do Estado do Rio de Janeiro e do país. “Esse apoio tem possibilitado muitas conquistas.” O projeto possibilitou, por exemplo, a participação de quatro atletas na corrida de São Silvestre em 2009, e em outras competições com resultados expressivos dos corredores. A realização das Olimpíadas UFF é um sucesso e conta sempre com a participação de muitos alunos de diversos cursos da instituição. No momento, ainda não é possível federar os atletas para competir em nome da UFF, mas essa é uma possibilidade que está sendo estudada. Um destaque do UFFesporte é Yuri Cantarino, aluno de Nutrição. Ainda na infância, o jovem começou a se interessar pelo atletismo pelas mãos do avô, treinador da
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modalidade. Há cinco anos treina seriamente e participa de competições importantes em corridas de longa distância. Yuri está no projeto desde outubro de 2008 e deseja tornar-se profissional. Já participou de competições importantes e, em sua última prova, a maratona Adidas no Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, conseguiu o primeiro lugar entre aproximadamente 12 mil competidores no dia 11 de outubro de 2009. “Antes do UFFesporte, sempre participei das competições, treinei e me alimentei por conta própria e com a ajuda da família.” Ele destacou a importância do auxílio do programa. “Mesmo ainda não sendo suficiente para cobrir todos meus gastos e necessidades com o
esporte, já é uma grande ajuda não ter que me preocupar em pagar as inscrições em competições e, algumas vezes, o transporte.” A escolha do curso de Nutrição na UFF também não foi ao acaso. “A alimentação é parte essencial nessa preparação. Muita coisa que aprendo utilizo em beneficio próprio, para a saúde e para um desempenho melhor no atletismo”, comenta Yuri, um entre vários estudantes que conheceram o projeto graças à divulgação na internet ou através de amigos e que, agora, colhem resultados po sitivos não só nas competições, mas na prática do esporte como fator de desenvolvimento pessoal e socialização.
Madrinha é a medalhista Isabel Swan A cineasta recém-formada pela UFF Isabel Swan, que conquistou uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, no iatismo (classe 470), aceitou o con vite para ser madrinha do UFFesporte e ajudar em seu desenvolvimento. “O projeto é muito válido, é uma forma de fomentar o esporte dentro da universidade. É um pequeno passo por enquanto, uma iniciativa única no país que tem que crescer. Nos Estados Unidos, por exemplo, os atletas profissionais, em sua maioria, são formados nas universidades.” Isabel diz que se sentiu muito honrada quando foi convidada pela coordenadora Nelma Cezário para ser madrinha do programa. “Acho que posso dar mais visibilidade, e é dessa maneira que eu posso ajudar. Eu também sou ajudada pelo projeto já que todas as quintas-feiras corro na pista de atletismo da UFF e treino com o Carlos Eugênio, que é o preparador físico do UFFesporte.” A ve-
lejadora conta que sempre conciliou, com uma certa tranquilidade, os estudos. “No primeiro período da faculdade peguei o máximo de matérias possíveis e depois, fui conciliando os horários.” Isabel lembra que se valeu de outro programa da UFF, o de Mobilidade Acadêmica, pelo qual pôde transferirse temporariamente para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul de maneira a conciliar os estudos com os treinamentos com a gaúcha Fernanda Oliveira, com quem obteve a medalha olímpica. “Contei com a ajuda da coordenação, que sempre me apoiou”, comenta Isabel, que continua intimamente ligada à UFF: além de utilizar as dependências da Universidade para treinar. Sua parceira de tripulação, hoje, é Martine Grael, estudante de Engenharia Ambiental e filha de Torben Grael, ex-aluno da instituição nos cursos de Engenharia (inacabado) e Administração (pelo qual se graduou).
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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Reitor Roberto de Souza Salles
Vice-reitor Emmanuel Paiva de Andrade Pró-reitor de Assuntos Acadêmicos Sidney Luiz de Matos Mello Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação Antonio Claudio Lucas da Nobrega Pró-reitor de Extensão Fábio Barboza Passos Pró-reitora de Planejamento Miriam Assunção de Souza Lepsch Superintendência de Arquitetura, Engenharia e Patrimônio (SAEP) Mario Augusto Ronconi Superintendência de Administração (SDA) Leonardo Vargas Superintendência de Recursos Humanos Jovina Maria de Barros Bruno Produção PROAC/ NDC Alessandra Menezes, Loana Castro, Nelma Cezário, Rita Quintiere, Sandra Coelho e Sonia Carvalho Esta publicação foi produzida pelo curso de Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade)
Estudantes bolsistas André Ramalho, Fernando Pinto, Laura Marques, Maira Renou, Rodrigo Costa, Sarah Gomes Fotografia André Ramalho, Laura Marques, Ronaldo Coelho Revisão Maria Luiza Macedo de Lima Edição João Batista de Abreu Roberto Falcão Planejamento Visual e Ilustrações ildo nascimento www.ildonascimento.com
Edição online João Fanara Fernando Benevides Agradecimentos Martha Reis Endereço para correspondência
Pró-reitoria de Assuntos Acadêmicos Rua Miguel de Frias, nº 9 -2º andar Icaraí - Niterói RJ 24.220-000
Universidade revista No momento em que se realiza o processo de edição final desta revista, contam exatos 30 anos desde que iniciei minha relação com a Universidade Federal Fluminense. Então calouro do curso de Comunicação Social, em 1980, não poderia imaginar que, três décadas depois estaria na UFF, agora na condição de professor, no mesmo Instituto de Artes e Comunicação Social que me legou não só formação acadêmica, mas também me ofereceu os vários caminhos para a vida profissional e até mesmo pessoal. Essa distância de 30 anos permite uma análise crítica simples, mas bastante clara, de como realmente os tempos mudaram. Hoje, o aluno da UFF dispõe de uma oferta de programas que, certamente, faz inveja ao seu colega dos anos 80. Para chegar até este artigo, o leitor atravessou mais de 30 páginas recheadas de opções acadêmicas para que os alunos possam viver a Universidade segundo sua vocação e papel social: de produção e troca de conhecimento.
A construção de uma Universidade que não se limite às salas de aula é, hoje, fundamental para a formação do aluno, que tem a oportunidade de aprender e, principalmente, de exercer seu senso crítico. Cada vez que se insere em um programa, o aluno ganha novas perspectivas acadêmicas, profissionais e até mesmo pessoais, como demonstram nossas reportagens. A própria construção desta revista, com a fundamental vivência dos alunos em sua feitura, é exemplo da importância da participação do estudante nas atividades da Universidade. Com a feitura de textos, fotos e anúncios, os alunos envolvidos neste projeto puderam aplicar e aperfeiçoar os conhecimentos adquiridos em sala, mas também contribuíram para o crescimento da própria Universidade na medida em que a produção interna de serviços e produtos impulsiona outra produção, a mais importante: de conhecimento.
Roberto Falcão Jornalista e professor do Departamento de Comunicação Social