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um olhar alternativo

JOAQUIM CARDOZO LUCENA, Emanoel de – UFPB emanoelvictor@gmail.com ROMANO, Elisabetta – UFPB - elisabetta.romano@gmail.com

Resumo Joaquim Cardozo nasceu no Recife, em 26 de agosto de 1897. Foi engenheiro calculista e poeta, carreira começada ainda no Ginásio Pernambucano, em 1913. Formou-se engenheiro na Escola de Engenharia


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do Recife, onde mais tarde foi professor, e também atuou como um dos fundadores da escola de Belas Artes do Recife. Trabalhando com Niemeyer na construção de Brasília, destaca-se nos projetos da Catedral, do Congresso Nacional e do Palácio da Alvorada. Faleceu em 1978, aos 81 anos em Olinda. Palavras-chave: Joaquim Cardozo, Brasília, cálculo.

Résumé Joaquim Cardozo est né à Recife, en 26 août 1897. Il a été inginieur calculiste et poète, carrière commencé au Gym Pernambucaine, en 1913. Il s’est diplomé inginieur à l’École d’Inginierie de Recife, où Il a été professeur plus tard. Il a participé aussi de la fondation de l’École de Beaux Arts de Recife. Avec Niemeyer, en Brasília, Il est ressorti aux projets de la Cathédrale, du Congrès National et du Palais de l’Aube. Il est décedé en 1978, avec 81 ans, à Olinda. Mots-clés: Joaquim Cardozo, Brasilia, calcule.

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Introdução Ao se falar em Brasília é impossível não lembrar das formas arquitetônicas, por vezes,

desafiadoras, a exemplo das cúpulas do Congresso Nacional, das colunas do Palácio da Alvorada, que apenas tocam o chão, promovendo uma leveza peculiar, além da estrutura de módulos em série da Catedral. Obras trabalhadas em puro concreto, material considerado, até então, robusto e resistente, mas que se transfigurou em elástico nas mãos de um pernambucano apaixonado pela literatura, pelo cálculo e pelo desenho: Joaquim Cardozo. Eis o fio condutor do trabalho: quem é esta personalidade que, atualmente, permanece escondida atrás do prestígio reforçado pela mídia aos principais idealizadores da “Nova Capital”: Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa? Quem é o responsável por concretizar as linhas sinuosas e ousadas de Niemeyer? A pesquisa se desenvolve em duas etapas: a primeira abordará do seu nascimento, passando por sua formação de engenheiro e explorando sua carreira de poeta. A segunda explanará toda sua trajetória de engenheiro calculista, destacando sua participação na construção da Capital Federal.


Joaquim Cardozo: o Poeta do Concreto

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João Pessoa , 19 de Maio de 2010

O Poeta Pernambucano, nascido no Recife em 26 de agosto de 1897, Joaquim Maria Moreira Cardozo

iniciou a carreira literária ainda muito cedo, aos 16 anos, quando ainda estudava no Ginásio Pernambucano, com o conto Astronomia Alegre, publicado no jornal O Arrabalde: Órgão Lítero-Elegante, editado pelo próprio Joaquim juntamente com alguns colegas, em 1913. No ano seguinte, trabalhando como chargista e caricaturista, publica seus primeiros trabalhos no Diário de Pernambuco e no Diário da Tarde. Em 1915, ingressa na Escola de Engenharia do Recife onde, por motivos de ordem financeira e pessoal, interrompeu o curso várias vezes, conseguindo formar-se apenas 15 anos depois. Nesse ínterim, trabalhou na Revista do Norte, como ilustrador, onde publica seus primeiros poemas, tendo destaque Recife Morto em 1925: “ [...]Vindos do mar, do céu... Sonhos!... evocações!.../ A invasão! Caravelas no horizonte!/ Holandeses! Vryburg!/ Motins. Procissões. Ruído de soldados em marcha” (CARDOZO, 1947). Nele, o autor confronta duas épocas: o recife velho e o novo, enfatizando o efeito do tempo numa cidade em eterno movimento. Tímido, morava sozinho e fazia suas refeições em restaurantes, freqüentando reuniões do meio intelectual, entre elas o “Cenáculo Lafayette”, grupo de artistas e intelectuais que se reunia no Café Continental, no centro da cidade, e discutia assuntos no campo das artes e da poesia. Foi durante esses encontros que, através de alguns integrantes, surge a idéia de reunir os textos de Cardozo e publicá-los. Assim, é editado seu primeiro livro, Poemas, em 1947, quando Joaquim Cardozo contava 50 anos. Mais tarde, entre as décadas de 1960 e 1970, trabalhou o gênero dramatúrgico, em peças como O Coronel de Macambira (1963) e Antônio Conselheiro (1975). Seus temas estão ligados , numa alusão aos autos medievais, ao imaginário e aos espetáculos nordestinos, como o pastoril e o bumbameu-boi, como também aos problemas sócio-políticos, enfatizados nesta última, segundo a Enciclopédia Itaú Cultural Literatura Brasileira, 2010, em que ele critica explicitamente o sofrimento vivido pela população nordestina menos favorecida: [...]Este homem deve ter chorado,/Deve ter deixado cair/Quase todas as suas lágrimas;/Nele, tudo é agora erosão e aridez;/O seu rosto de lágrimas lavado/Se desbotou, se desvelou;/Através dos seus olhos profundos e secos,/Pode-se ver a sua face interior;/A face que cada um de nós/Tem guardada e consentida./Alguém ouve suas palavras não pronunciadas./Alguém ouve a sua voz não permitida... alguém.../[...] (CARDOZO, 1975, p.6).

Ainda segundo a Enciclopédia, embora suas peças denunciem as injustiças sociais, sua originalidade artística não se perde, “exprimindo uma visão transcendental dos seres e das coisas, pondo a cultura popular nordestina em contato com assuntos antagônicos como a matemática, a filosofia e o teatro medieval e oriental.”

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Joaquim Cardozo: o Poeta do Concreto

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João Pessoa , 19 de Maio de 2010

O Engenheiro Quando ainda trabalhava na Revista do Norte, atuou, em 1915, como topógrafo na Comissão

Geodésica do Recife, onde, sob as ordens do engenheiro Domingos Ferreira, fez levantamentos topográficos nos arredores do Recife. Segundo Andrade,2004, trabalhou ainda, como desenhista, em parceria com o engenheiro alemão Von Tilling, no Departamento de Engenharia em projetos de irrigação e perfuração de poços tubulares. Ainda estudante, entre os anos de 1929 e 1930, após a morte de Von Tilling, fica encarregado dos projetos de irrigação de uma das ilhas do São Francisco. Recém formado, em 1931, passa a trabalhar na Secretaria Estadual de Viação e Obras Públicas. Posteriormente, participa na fundação da Escola de Belas Artes do Recife, assim como passa a lecionar na Escola de Engenharia, onde fica até 1939, quando é repreendido pelo governo por criticar em um de seus discursos o mau uso e as distorções que o governo público fazia em relação à engenharia. É então transferido para o Rio de Janeiro e lá conhece Oscar Niemeyer que o convida a trabalhar na construção de Brasília, lugar onde pôde revolucionar a concepção estrutural do concreto armado e do cálculo, elevando o nome do Brasil e contribuindo para a evolução da engenharia civil. Fugindo dos padrões estruturais da época, rompendo as normas, superou o até então mestre das estruturas, o italiano Pier Luigi Nervi (1891-1977) que após criticar duramente o trabalho de Cardozo, se impressionou ao deparar com o mezanino do Ministério das Relações Exteriores. Joaquim Cardozo destacou-se na construção das cúpulas do Congresso Nacional, da colunata do Palácio da Alvorada e da Catedral. No início da década de 1970, profundamente abalado com o desabamento do Pavilhão da Gameleira de Belo Horizonte, obra projetada por Niemeyer e calculada em seu escritório, e sofrendo com as tentativas de imputarem-lhe a culpa pelo acidente, veio a falecer em 1978, aos 81 anos em Olinda.

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Joaquim Cardozo: o Poeta do Concreto

João Pessoa , 19 de Maio de 2010

Conclusão Através do que foi exposto, conclui-se que, apesar da grande importância de Cardozo na construção da Capital Federal, o mesmo ocupa, atualmente, um lugar pequeno no cenário das grandes personalidades, tanto no campo da literatura, como, principalmente, no da construção civil, não recebendo o merecido reconhecimento por parte da crítica e do público.

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Joaquim Cardozo: o Poeta do Concreto

João Pessoa , 19 de Maio de 2010

Referências AANDRADE, Maria do Carmo. Joaquim Cardozo. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: 22 mai. 10. CARDOZO, Joaquim. Antônio conselheiro. Disponível em: <http://www.joaquimcardozo.com/paginas/joaquim/livros/teatro/antonio_conselheiro.pdf>. 88 p. Acesso em 22 mai. 10. ______________________Poemas. Disponível em: http://www.joaquimcardozo.com/paginas/joaquim/poemas/poemas.htm>. Acesso em: 22 mai 10.

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DANTAS, Maria da Paz Ribeiro. Apresentando Joaquim Moreira Cardozo. Disponível em: < http://www.joaquimcardozo.com/paginas/joaquim/biografia1.htm>. Acesso em 20 mai. 10. ENCICLOPÉDIA, Itaú Cultural Literatura Brasileira. Cardozo, Joaquim (1897 - 1978). Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm? fuseaction=biografias_texto&cd_verbete=5196&lst_palavras=&cd_item=35>. Acesso em: 20 mai. 10. PAIVA, Ana Carolina. Joaquim Cardozo e sua Palavra Espetacular. Disponível em: <http://www.joaquimcardozo.com/paginas/joaquim/depoimentos/ana_carolina.pdf>. Acesso em 22 mai. 10. SANTANA, Geraldo. O engenheiro da Poesia. Disponível em: < http://www.joaquimcardozo.com/paginas/joaquim/depoimentos/engenheiro.htm>. Acesso em 20 mai. 10.

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Joaquim Cardozo