Verde Fortaleza
Revista Fortaleza Verde
N.01
Ano 1
Possibilidades Sustentabilidade Transformação
Editorial N
o poema “Rondó da Liberdade”, Carlos Marighella lembra que, “É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer”. O fazer jornalismo exige de quem se aventura pela arte de ordenar as palavras em frases entendíveis, relatar fatos e vida, como quem conta uma história, coragem! É preciso coragem para nadar contra a correnteza da comunicação imediata, vazia e do jornalismo empresarial que só visa lucro, público e relações de poder. Coragem para dizer não as relações de exploração corporativas e não romper com valores, certezas e sonhos que custaram muito caro para serem lapidados ao longo da vida. Esta edição da revista Fortaleza Verde, também nasce da coragem/vontade/ ousadia de pautar temas tão relevantes para a cidade e para o mundo hoje. Construir outras relações de cuidado e sustentáveis é urgente e necessário. Essa geração, que será conhecida no futuro pelas marcas que deixará no planeta, precisa urgentemente retomar costumes de convivência com o planeta menos agressivos. O Hugo e o Demitri, contam mais na frente, como suas relações distintas com o meio em que estão inseridos mudaram suas vidas. São duas propostas de ver e conviver com a cidade que não são novas, mas foram deixadas de lado pela maior parte da população dessa grande fortaleza de concreto e verde. É dessa relação de contrastes cinza/esverdeado que Fortaleza é feita. Não ao longo de 289 anos. A história vivida não é a história contatada, e as criaturas que já habitavam aqui e, ainda hoje são responsáveis para que o ciclo da vida não se desestabilize por completo, tem tanto ou mais direito sobre essas terras, águas, ar... Nas páginas que seguem, algumas partilhas que podem ajudar a ver a cidade por outros ângulos e ousar tecer novas relações com o meio que também é formado por nós. Boa Leitura!
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Fortaleza Verde
Sumário
Anarquia sustentável Sobre como a cidade não me cabe mais
Passeio Público
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Casa da ‘árvore da vida’, testemunha de uma cidade verde/cinza
Caminhos de Vida
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Passear na mata, descansar na praça, respirar ar puro...
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Água para quem? O esverdeado tom de sujeira das águas de Fortaleza
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Parque do Cocó Entrevista com Demitri Túlio
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Lixo nosso de cada dia As quase 6 mil toneladas de lixo que Fortaleza por por dia Fortaleza Verde
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narquia sustentável Sobre como a cidade não me cabe mais Um convite à abertura de novas possibilidades, de experimentações e de mudança de hábitos. “Eu não tenho um jardim estético. Eu tenho um jardim ético. E é uma pena que seja preciso dizer isso”.
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aio tem 4 anos e meio. Ele come alface, rúcula e saboreia um pimentão como se fosse uma maçã suculenta. Reconhece de longe uma crotalária, e sabe que ela servirá como um ótimo brinquedo, um chocalho com som único. Na parte da frente da casa do caio há plantas, hortaliças e frutíferas dos mais variados tipos; no quintal, galinhas fazem parte dos bichinhos de estimação da casa, somadas a uma colméia de abelhas sem ferrão. Não, isso não é uma propaganda de TV para vender algum brinquedo, alimento ou qualquer outro produto para crianças. A casa do Caio é real e possível. Tudo graças à persistência do Hugo Theophilo, um jovem pai de 35 anos que resolveu mudar de vida para que seu filho pudesse ter mais vida. Tudo começou com o nascimento da criança e uma constatação para Hugo: ele não admitia ter que dar veneno para o seu filho ingerir. “O modo de vida da gente faz com a gente perca algumas capacidades, alguns tempos e a gente se submeta cada vez mais ao mercado”, lembra. Então, usando o pouco espaço que tinha na sua casa, dessas tipo condomínio, com uma espécie de quintal invertido, com a parte livre do terreno maior na frente, ele começou a pesquisar, experimentar, errar e por
vezes acertar. A casa virou um grande laboratório de novas possibilidades para uma vida mais saudável, e para a produção dos alimentos que a partir daquele momento ele, a esposa e o filho passariam a consumir; uma escola de ciências, biologias, matemáticas, gastronomias... São mais ou menos quatro metros de largura por 8 de comprimento. Nos fundos, um pequeno quintal, também de 4 metros de largura, por 2 de comprimento. A casa “calabouço”, como ele apelidou. Tudo gira como se fosse uma grande engrenagem funcionando para se ter uma vida mais sustentável, orgânica e de reaproveitamento. O certo é que não importam as nomenclaturas, o calabouço é, segundo seu habitante, um grande “ensaio de emancipação”.
O modo de vida da gente faz com a gente perca algumas capacidades, alguns tempos e se submeta cada vez mais ao mercado
Oficinas da série “Do meu lixo cuido eu”, com Hugo Theophilo: Duas vezes por mês a cada 15 dias. Informaçoes: - hugotheophilo@gmail.com - http://hugotheophilo.blogspot.com.br/
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Plantando tudo dá No quintal ficam três galinhas em um pequeno cercado. O número suficiente de animais para ajudar na compostagem do lixo produzido na casa. Quase tudo vai para lá, exceto plástico e outros materiais que as galinhas não podem dar conta. Em um ciclo de mais ou menos 45 dias, a cama do galinheiro feita de serragem e borra de café, é retirada e reutilizada. Ela passa por processo de compostagem e vira adubo do “jardim”. No quintal também fica um pequeno viveiro de mudas. Já na parte da frente é onde estão a maior parte das experimentações e os baldes usados para compostagem do lixo. É o que Theophilo chama de parede da biodiversidade: “Tomate perto da pimenta que está perto do maracujá que está perto da macaxeira, que está perto do pimentão, que está perto do outro tomate que está perto da outra pimenta, tudo junto e misturado num canteiro feito com um bambu que eu mesmo plantei, eu mesmo colhi, eu mesmo tratei (com fogo) e eu mesmo cortei! Nos vasos e calhas: rúcula, agrião, cebolinha, coentro nascendo, bertalha, alface, cúrcuma e hortelã-pimenta”, lembra. Estética? Pode ser feio para muita gente, mas é funcional para ele. “De nada adianta ter um jardim que não se possa comer e onde não se possa deitar!”, partilha Hugo. Hoje ele faz parte do movimento “Do meu lixo cuido eu”, presente em vários estados do Brasil. Além disso, ministra oficinas na sua casa ensinando aos que pensam em aventurar-se por esse
caminho, sobre os primeiros passos e de como começar. Viver de forma alternativa e romper com algumas “certezas” impostas pela sociedade de consumo não é tarefa fácil. “O Rompimento com a tradição, porque a gente está submetido a um modo de vida que se procria no tempo da gente, consome a gente, chupa a alma da gente”, desabafa. A casa se transformou no “centro de consumo”, lembra, e é preciso devolver a ela e seus habitantes o status de “centro de produção”. O calabouço, que antes era o lugar mais profundo, escuro e sombrio de uma casa ou castelo, é hoje sinal de resistência. É lá, no calabouço, onde se tem quase tudo que precisa para ter uma vida mais saudável ao alcance das mãos, que o Hugo e a família olham as estrelas e as noites enluaradas, cercados pelas paredes verdes que não sufocam, pelo contrário, libertam. E nos instigam a se perguntar: quem está preso, os habitantes do calabouço, ou os andarilhos “livres” fora dos muros?
De nada adianta ter um jardim que não se possa comer e onde não se possa deitar!
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Passeio Público
Casa da ‘árvore da vida’, testemunha de uma cidade verde/cinza Aquele grande ponto verde destacado entre prédios e com vista para o mar, conta parte da história de uma cidade que teima e resiste em permanecer verde.
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ertamente ele viverá mais que eu e você e, mesmo que somemos a quantidade das nossas vidas com a vida dos nossos amigos e os amigos deles, talvez, ainda assim, ele viverá mais que nós. É o baobá quem recebe os visitantes na principal entrada da Praça do Passeio Público. Plantado em 1910, no auge dos seus pouco mais de 100 anos, deve ter
Quando estou aqui a vontade que tenho é de ter mais e mais pessoas queridas por perto.
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ainda, se comparada com as outras árvores da sua espécie, pelo menos mais 5.900 anos pela frente. A “árvore da vida”, como é conhecida em alguns lugares, é cultuada em muitas civilizações africanas. Símbolo de Madagascar e emblema nacional do Senegal, ela se destaca no Passeio Público tatuada com as mensagens de amor dos casais, dos encontros dos amigos, das reuniões em família. Protegida pela Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção e com vista para as águas verde/azuladas do mar que banha a cidade, a praça foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 13 de abril de 1965 e, por muito tempo, esteve distante da vida da maioria dos fortalezenses por ser estigmatizada como lugar de violência e prostituição
Praça de muitas identidades De Campo da Pólvora a Largo de Fortaleza. A praça que tem a sua direita a sede da 10ª Região Militar do Exército Brasileiro e a esquerda a Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza, também foi chamada ao longo do tempo de Largo do Paiol, Largo do Hospital da Caridade e Praça da Misericórdia. O último título, Praça dos Mártires, é uma homenagem aos membros do movimento República do Equador, assassinados no lugar. Revitalizada em 2007, hoje, além dos moradores nativos do lugar que cantarolam o ritmo convidativo para um descanso sob a copa das árvores no intervalo do almoço ou o cair da tarde, a praça voltou a ser bem frenquentada, inclusive com programação nos fins de semana. Além do baobá centenário que ajuda a identificar a praça, árvore, palmeiras,
trepadeiras, flores dão o tom romântico e acolhedor desse reduto verde que é um dos mais arborizados de Fortaleza. Um cenário para fotografia. Sempre tem alguém por lá posando para lentes atentas aos melhores ângulos e enquadramentos. “Quando estou aqui a vontade que tenho é de ter mais e mais pessoas queridas por perto”, conta a estudante Renata Santos, que passou a frequentar a praça a pouco tempo. “Aqui me sinto bem, confortável, em paz. Me proporciona a esperança de que um dia a cidade toda pode ser dessa forma e, ao mesmo tempo, me reabastece de coragem para cuidar mais do meio ambiente e tentar passar isso para as pessoas”, lembra Renata, que gosta de encontrar os amigos no final de semana ouvindo boa música no Passeio Público.
S ex ta s - fe i ra s : p ro g ram a çã o musical a partir de 17 horas. Sábados: a partir de meio-dia, música instrumental do projeto Sol Maior e a tradicional feijoada. Domingos: a partir de 9 horas, espaço para piquenique e música ao vivo. Café Passeio Horário de funcionamento: todos os dias, de 11h às 17h. Outras informações: (85) 30638782.
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Passear na mata, descansar na praรงa, respirar ar puro...
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correria do dia a dia, caos do trânsito e as intensas jornadas de trabalho sugam praticamente todo o tempo das pessoas em grandes metrópoles como Fortaleza. A cidade passa e acontece e muita gente não vê e não sabe que pode desfrutar de ótimas oportunidades de contato maior com a natureza, as vezes perto de casa. Seja uma caminhada ou descanso em baixo de uma árvore... Reinaugurada em fevereiro de 2011 com investimento de R$ 1,9 milhão, a praça Luiza Távora, ou Praça do Ceart (Centro de Artesanato do Ceará) reúne no mesmo espaço condições para esporte, cultura, turismo, lazer e arte. Quem não se aventurar por alguma dessas atividades pode só sentar e descansar na sombra de uma das carnaubeiras ou de chuvade-ouro. Para quem aprecia flores, a Praça das Flores, em frente ao Hospital Geral de Fortaleza (HGF) te lojas a céu aberto com as mais diversas espécies, cores, cheiros e tamanhos. A grande área arborizada quebra com o ritmo.
São quase 25 mil metros quadrados... Banho de mar, banho de rio, banho de chuva O encontro do rio com o mangue e todas as belezas da travessia de seis quilômetros pela foz do rio Ceará é um atrativo cheio de encanto e descobertas. Regulamentado Capitania dos Portos do Ceará, o passeio é uma oportunidade única para conhecer um dos mais cenários ambientais da cidade. Quem quer se aventurar em águas mais profundas e começar a desbravar os segredos dos mares, o Parque Estadual da Pedra da Risca do Meio, é o espaço ideal para mergulhadores de primeira viagem. Depois do curso, o cenário que fica a aproximadamente 2 horas de barco da Praia do Mucuripe. Conhecer esses lugares, entre tantos outros que existem na cidade, é uma ótima oportunidade para estreitar a relação de cuidado com esses espaços. Quanto mais pessoas têm acesso a esses lugares, mais eles podem ser protegidos.
Caminhos... Mergulho no Parque Estadual da Pedra da Risca do Meio: Clube de Mergulho Mar do Ceará Avenida Heráclito Graça, 1090 Curso Básico: R$ 825,00 3081.3641/ 8744.7226 Instituto Atlântida Esporte e Aventura Avenida da Abolição, 2727 Curso Básico – R$ 550.00 3278.7149/ 8899.7150
Passeio de barco pelo Rio Ceará: Albertu’s Restaurante (av. Radialista José Lima Verde, 746) Valor: R$ 20 por pessoa Informações: (85) 3485 6945 / 8753 3940
Praça das Flores: No quadrilátero entre as avenidas Desembargador Moreira e Padre Antônio Tomás e as ruas Eduardo Garcia e Barbosa de Freitas.
- Embarcação Marta II Valor: a combinar Informações: (85) 3237 6883/ 8913 0314
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Lagos e lagoas Um levantamento feito pela Seuma, em 2014, diagnosticou que as Lagoas da Maraponga e da Parangaba, estavam impróprias para banho. As duas lagoas são usadas para pesca e lazer dos moradores. A situação se repete em praticamente todas as lagoas da cidade. Lixo e esgoto são uma constante realidade em espaços disputados por moradores, ratos, insetos e mato.
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O Plano de Arborização de Fortaleza tem pouco mais de um ano. Ele foi lançado em no dia 23 de maio de 2014 por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma).
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mil árvores plantadas até dezembro de 2016. Meta do Plano de Arborização. mil novas ávores foram plantadas até maio de 2015 em Fortaleza. ,693 novas ávores precisam ser plantadas em 18 meses para o cumprir Plano de Arborização.
Três centros de triagem públicos, dentre eles a sede da Cooperativa de Catadores do Jangurussu (ASCAJAN), processam e comercializam 80 toneladas mensais de recicláveis.
2,500 Milhões de habitantes
Toneladas de lixo por dia
8,800
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eza
A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), dentro da Política Ambiental da Cidade, em 2014, criou e regulamentou 21 Parques. Entre eles: Parque Rachel de Queiroz Parque Pajeú Parque da Lagoa da Maraponga
Parque Rio Branco Parque da Lagoa do Papicu Parque da Lagoa de Messejana
A maoria dos parques regulamentados sofre com o abandono e insegurança, dada a ausência do poder público
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Invisibilidade Desenvolvimento Meio Ambiente
Expediente
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Textos e produção: Thiago Silveira Orientação e Revisão: Diego Henrique Foto: Thiago Silveira Projeto Gráfico: Thiago Silveira
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Textos e Produção: Thiago Silveira Orientação e Revisão: Diego Henrique Fotos: Thiago Silveira Projeto Gráfico e Diagramação: Thiago Silveira
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Este número da Revista Fortaleza Verde é um produto de trabalho de conclusão de curso submetido à Faculdade 7 de Setembro para a obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo.
A Revista Fortaleza Verde é o produto do trabalho de conclusão de curso submetido a Faculdade 7 de Setembro para a obtenção parcial do título de Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo.
Ă gua par
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a ra quem? O esverdeado tom de sujeira das águas de Fortaleza
A Capital cearense tem mais de 60 lagos, lagoas e rios. Águas tomadas pela ocupação irregular, falta de esgotamento sanitário e cuidado dos órgãos públicos. Fortaleza Verde
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“Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto. Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.” Iracema, José de Alencar
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racema hoje repousa no espelho d’água na Lagoa de Messejana. A estátua inaugurada em 1º de maio de 2004, dentro das comemorações dos 278 anos de Fortaleza, e para marcar os 175 anos de nascimento do escritor cearense nascido em Messejana, José de Alencar, vive a mesma situação que uma das maiores lagoas da cidade: abandono. O mato cresce ao redor de quase toda a lagoa e ofusca sua beleza singular. É preciso ter sensibilidade para olhar e por através dele. O que acaba por impedir da lagoa ser um ponto turístico em potencial, espaço de lazer e encontro de uma região que carece de espaços que fortaleçam sua identidade e ajudem a cidade a respirar um ar mais puro em meio a tanta fumaça de uma frota de carros que só cresce. Segundo o Sindicato Nacional da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), Fortaleza terá mais 128 mil novos carros circulando nas ruas em 2015. Tatuada contra sua vontade por pichadores, com a cor desgastada pelo tempo e pela falta de manutenção e com o mecanismo que jorrava água em cima dela quebrado, Iracema não pode mais banhar-se com as águas de Messejana. Além dos problemas citados, a estátua da índia fica a pouco mais de cem metros de um esgoto que desemboca dentro da lagoa. Igual a esse, outro faz o mesmo movimento na margem oposta que na rua Tenente Jurandir Alencar.
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Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come Rodeada de casas com duas praças às margens, também em péssimo estado de conservação com mato e lixo que saem das margens da lagoa entrando pelos espaços que deveriam ser de lazer, quem se aventura pela região ainda sofre a constante ameaça de violência. “Não vá pra lá não que levam sua câmera”, alerta José Monteiro, entregador de um supermercado da região. Ele lembra que tem que andar com cuidado, já que o risco de assalta é constante. “Se aqui estivesse mais conservado, com segurança, teria mais gente e poderia ser um bom local para pessoas virem visitar”, comenta. A assessoria de comunicação da
Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social disse que equipes fazem rondas constantes na área. Na produção dessa matéria até foram avistados alguns policias, mas bem longe da lagoa. Outro risco é o das estruturas ao redor da lagoa. O mirante, que deveria ser um local de encontro, afugenta as pessoas. Praticamente toda a madeira está podre e há buracos enormes entre as tábuas. Um passo em falso ou mais firme pode ocasionar um acidente bem grave. Grades de contenção derrubadas, enferrujadas e buracos também compõem o cenário que não é nada agradável de se ver. Essa água dá pra beber?
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HECTARES DE ESPELHO D’ÁGUA
APP ÁREA DE
865 MIL METROS CÚBICOS DE ÁGUA
Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) de Fortaleza, a cidade tem mais de 60 lagoas, lagos e riachos. Não precisa ser especialista para constatar que todas ou praticamente quase todas estão poluídas. Isso é visível por causa da presença de aguapés, forte indicativo de que naquelas águas há concentração de matéria orgânica em decomposição decomposta. O Águas da Cidade, projeto da Seuma que faz parte do conjunto de políticas ambientais, tem como missão principal a recuperação da qualidade dos recursos hídricos na cidade. Além disso, a iniciativa prevê ainda a conquista de melhores índices de balneabilidade das praias de Fortaleza, considerando que alguns rios e riachos deságuam diretamente no mar. A ação ainda não consegue dar conta da diversidade que a cidade tem. A maioria das lagoas, mesmo poluídas, como no caso da Messejana, da Parangaba e também Maraponga, recebem diariamente não só banhistas, mas pescadores em busca de algo que incremente a alimentação em casa ou a pesca por esporte. “Rapaz, eu sei que água não é muito boa, mas fazer o quê né, a gente precisa”, diz Jorge Silva, pescador na Messejana. Enquanto isso, o verde lodo tom de sujeira toma conta desses espaços importantes para a vida cidade. Iracema, que essa sim, deveria ser verde, agora é cinza. Marcas de uma fortaleza verde. As fortalezas têm mesmo essa cor cinza de concreto e pedra!
PRESERVAÇÃO PERMANENTE SEGUNDA MAIOR LAGOA DA CIDADE
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Invisibilidade descoberta, e afeto
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Invisível para muitos, como o quintal de casa para alguns. É assim que o jornalista Demitri Túlio compara sua relação com o Parque do Cocó, algo como a parte dos fundos de casa, onde estão guardadas as melhores lembranças.
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ntre os mais premiados do Brasil, o jornalista Demitri Túlio foi classificado em 2014 pelo Ranking dos Mais Premiados Jornalistas Brasileiros de Todos os Tempos, feito pelo Portal Jornalistas e Cia, na primeira posição do ranking na região Nordeste. O jornalista coleciona 18 prêmios nacionais e regionais e uma premiação internacional. Hoje, na Editoria de Especiais do O Povo, Demitri tem se dedicado muito a escrever sobre o espaço urbano da capital cearense e seus problemas e soluções ambientais. Da sua afinidade com o Parque do Cocó, nasceu em 2012 o caderno especiai “Expedição Cocó: Mil Dias na Floresta” vencedor do Prêmio Jornalista & Cia/HSBC de 2012. Túlio conversa com a Fortaleza Verde e conta da sua vida no Cocó, que para ele, é como o quintal da casa que tinha na década de 1970, e aponta os grandes problemas que essa grande floresta de Fortaleza rica em biodiversidade enfrenta hoje.
Fortaleza Verde – Em que situação começa sua relação com o Parque do Cocó? Demitri Túlio - Eu fui repórter e depois editor do caderno Cidade, da Tribuna Ceará, jornal extinto. Nesse tempo entre a Tribuna e aqui [O Povo], durante uns sete anos, eu sempre pautei o Parque, mas eu n unca tinha ido ao Cocó, nesse pedaço de Cocó que hoje é chamado de Parque do Cocó, que na verdade nem Parque é ainda oficialmente. FV – E algum motivo em especial para, mesmo escrevendo sobre o Parque, nunca ter ido lá? DT - Eu nasci em uma época rural de Fortaleza. A cidade era um grande meio rural que estava começando a se transformar em cidade. Então a minha relação com o mato, com a floresta foi sempre de contemplação, eu sempre gostei. Fui menino de criar passarinho em gaiola. Hoje que não crio! Mesmo depois que foram abertas as trilhas em 2005, eu nunca tinha ido porque eu achava que lá era perigoso. E eu não via aquela floresta. Aquela floresta para mim era invisível. FV – E quando você de fato conseguiu ir no Parque? DT - Só fui em 2007. Fiz a primeira trilha, que é a trilha principal. Não sabia nem que tinham outras entradas, e tinha medo! Tinha medo daquela cidade, porque era mato, não tinha aquelas cercas, e você tinha muita história de gente que roubava e corria para dentro do Parque. Quando eu vou em 2007 para dentro do Cocó, com uma “maquinazinha” cyber short, eu não acreditei no que eu estava vendo lá, que dentro da cidade tinha uma floresta. A primeira foto que eu fiz, e é uma foto que eu gosto muito, fiz com a cyber, é uma procissão de caranguejos subindo um mangue vermelho. Na minha cabeça eu achava que eles estavam subindo porque eles estavam atrás do sol, era tempo de chuva. Mas não era, eles estavam comendo. Eles comiam pedaços de casca, bichinhos... Linda a procissão deles, eu nunca tinha visto, aquilo para mim era uma revelação. Porque a gente sempre dava o Cocó na perspectiva humana. Você praticamente “humaniza” a mata e é uma lógica doida, eu não posso humanizar a mata não posso querer que a lógica de um bicho seja igual a minha lógica.
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FV - Em que perspectiva você fazia essa abordagem antes sobre o Parque? DT - Muitas vezes dentro de academicismo muito doido. A importância não é só para a cidade, a importância é para floresta mesmo. A consequência da importância da cidade é porque, na verdade, a gente não é descolado da floresta, só que a gente descolou, é urbano. Não deveria ter mais essa história de meio ambiente, todo mundo está no meio ambiente, eu sou meio ambiente, eu não sou bicho igual a uma iguana?! Dentro da cadeia sim! Construiu prédio, fez casa, construiu a cidade, mas essa mata, essa floresta que estava aqui é anterior a gente. Fazíamos parte dela de outra maneira. Depois a gente se descola, começa a chamar ela de mata e começa a destratá-la. Tanto é que você rebola lixo no mato; você faz queimada no mato; você faz cocô no mato, seria até uma relação legal fazer cocô no mato, está dentro de uma lógica, mas você faz como coisa suja, você joga o que não presta no mato. Então Quando eu fui para dentro do Cocó eu comecei a descobrir outra história. FV – Uma floresta invadida... DT - Ela é uma floresta invadida. As pessoas dizem às vezes: “você é contra a cidade crescer!”. Não! Só acho que a cidade deve crescer ordenadamente e eu não tenho que está matando tudo quando é de recuso natural. FV - Você foi ao Cocó com que intenção? DT - Eu estava como menino descobrindo alguma coisa. Um menino quando está aprendendo a ler, juntando letra, olhando para os bichos que estavam ali. Vendo um bando de siri, aratu em procissão subindo árvore, descendo lama, vendo como é que o ciclo das águas rege aquele mangue inteiro. Então comecei a me empolgar com isso, a descer para floresta, praticamente três ou quatro dias na semana e passava de duas a três horas no Parque, principalmente quando comecei a perceber que tinha que ir para o Parque nos horários que não tinha ninguém, porque muita gente lá dentro fica agitado e a lógica é outra, bicho que é bicho fica escondido, não está na trilha, não está onde eu quero. E aí comecei a explorar. FV - trabalho de pesquisador então!
DT - Virei. Se eu tivesse no mestrado não era nada mais que uma dissertação de mestrado ou uma tese de doutorado. Tanto é, que alguns professores me chamaram para o mestrado. Um da biologia e um da geografia. Da biologia entrei na primeira fase, perdi a segunda prova e não entrei. Quando fui ver eu estava com 10 mil fotos. Com 70 pássaros diferentes fotografados, tinha pássaros, cobras, mas o grosso do trabalho era o trabalho com os pássaros. Estava em um caminho do inventário. FV - Foi por conta de tanto material que nasceu o especial “Expedição Cocó”? DT - Quando o jornal [O Povo] viu o material que eu tinha e eu comecei a postar algumas fotos aí alguns editores começaram a perguntar onde era. Perguntaram se eu não queria fazer uma matéria sobre isso, e disse: só se for um caderno, aliás, faço até três cadernos. E o Jornal propôs dois cadernos. Assim nasceu a Expedição Cocó. E o bom era que a relação do leitor era sempre: isso é aqui? Tem uma leitora que criticou dizendo que o que o jornal estava publicando era mentira, que aquilo era uma campanha do governo para matar os gatos, e que nem na época que o Pinzón [Vicente Yáñez] tinha invadido aqui existia essa biodiversidade toda, e era uma bióloga. Até respondi, dizendo, com todo respeito, se a senhora quiser andar comigo no Cocó eu me disponho a andar com a senhora. Agora a senhora tem que ter perna e paciência. FV - Sem dúvida deve ter sido, e ainda é, um espaço de muitas descobertas. O que mais te surpreendeu em todas essas idas? DT - Foi a invisibilidade dessa floresta. Ainda hoje ela é invisível. Quando você entra no Parque você se envolve. É uma floresta no meio dessa cidade cheia de carro, confusão, fumaça. Quando você entra o som é outro, o clima é outro a dinâmica é outra. Quanto mais ficar conhecida essa floresta, mais as pessoas se apropriam dela, mais as pessoas discutem essa floresta, mais as pessoas querem ir para lá e, consequentemente, mais querem protegê-la ou torná-la sustentável. FV - Então a falta de informação distancia as pessoas? DT - Eu acho! Muita coisa que eu não conheço eu não experimento. As vezes vc é despertado para alguma coisa porque alguém te falou.
Quanto mais ficar conhecida essa floresta, mais as pessoas se apropriam dela, mais as pessoas discutem essa floresta.
FV - Como a falta de informação sobre os viadutos, por exemplo, por parte da grande massa. DT - O viaduto até poderia existir ali, mas eu poderia discutir outras alternativas, torná-lo mais sustentável, fazer dois binários. Como a ponte estaiada que está para ser construída e vai atravessar o Cocó. É preciso mesmo essa ponte? A questão é só estética porque eu preciso ter um monumento dentro da cidade para achar bonito? Essa ponte vai favorecer o Parque, porque eu estou passando por cima e ele vai se tornar conhecido? Eu adoro o Central Park [Nova Iorque, EUA] e não gosto do Cocó. Não defendo que essa floresta se transforme num grande shopping, porque não é a função dela, mas ela pode se transformar num grande laboratório que eu, como cidadão, posso ir lá fazer minha caminhada, botar minha toalha de picnic e comer com meus amigos, família... FV – A Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado firmaram parceria para revitalização do Parque, quais são suas expectativas em relação a esse projeto? DT - O que eles querem fazer nas áreas de lagoa, que são áreas de ZPAs (Zonas de Proteção Ambiental), é liberar as áreas que já estão construídas para mais construção. Estão fazendo a lógica invertida. Porque a lógica seria: eu vou é derrubar o que já tem construído, pois lança efluentes para outros rios
e vou recuperar essas áreas. E essas construções ficam mais afastadas. Mas pelo contrário, eles tão querendo é ampliar esse raio de construção mais perto da lagoa. Tem uma parte que o Camilo [Santana, governador do Ceará], vai aumentar a área do Parque perto do cemitério Jardim Metropolitano, mas, em compensação, amplia de um lado e cede do outro. Sempre é lógica de quem tem dinheiro e da construção civil. FV - Como você vê a situação do Parque no que diz respeito a gestão? DT - A gestão do Cocó é muito ruim, tanto do ponto de vista do gestor, como da gestão do hoje secretário do Meio Ambiente do Estado. Primeiro que eles não conhecem aquilo ali; segundo, a um problema porque o Parque não é Parque. Oficialmente não é Parque. As poligonais deles não estão oficializadas. Então quando eu falo de invisibilidade é isso também. Oficialmente não existe FV - Além disso, que outros problemas o Cocó enfrenta hoje? O lixo no Cocó é o grande problema hoje, tanto pelo que ele recebe do rio que vem descendo desde a Pacatuba até aqui. Só na Sebastião de Abreu tem mais de 70 bocas de esgoto jogando lixo dentro do rio. O rio passa pelo Jangurussu onde recebe mais dejetos. O rio é todo poluído. Tem pocilgas na área do Lagamar, e são muitas. As casas estão praticamente dentro do rio. As pessoas fazem suas necessidades fisiológicas que vão direto para dentro do rio e, mesmo assim, pescam e comem de lá. FV - O que o Cocó representa para cidade e para você? DT - Para mim, o Cocó é o quintal da casa que eu tinha na década de 1970. É a minha volta para o quintal. Quintal no melhor sentido da palavra, porque quintal é um lugar bom. Quintal é onde tem árvore, é um lugar de brincar , quintal é um lugar de troca. Para cidade, ele é a cidade, faz parte da cidade, o problema é que a gente separa. Temos que pensar o Cocó como se tirássemos uma perna da gente. O Cocó é parte do nosso corpo. Quando você criou a cidade edificada, esqueceu a cidade plantada. É tanto que a gente fala: o meio ambiente. O meio ambiente é todo mundo, só que temos que voltar a fazer essa junção, porque a gente se apartou. Fortaleza Verde
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Lixo nosso de cada dia
Reciclar é gerar diginidade, consciência , crescimento sustentável e cuidado com as pessoas e a cidade.
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om população estimada em 2014, de 2.571.896, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fortaleza produziu no ano passado 5.876,69 toneladas/dia de resíduos sólidos, de acordo com um levantamento feito pelo Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam). Não é muito raro topar com alguns quilos de todas essas toneladas diariamente em Fortaleza. A cidade está repleta de pontos de lixo, principalmente nos espaços onde o poder público se faz menos presente, como as periferias. Seja por omissão dos órgãos responsáveis os pelos maus hábitos da população, o lixo vai tomando conta das ruas, lagoas e virando rotina na vida das pessoas. São pequenos Jangurussus que morrem e nascem todos os dias. 26
Fortaleza Verde
Nosso grande problema é que a gente ainda depende do atravessador pra vender.
A Lei Federal 12.305/2010, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), determinou que até o dia 2 de agosto de 2014 todos os municípios dessem uma ação ambientalmente adequada aos resíduos e rejeitos. Para dar o destino correto a boa parte desse lixo, Fortaleza descarta desde 1997, quando foi fechado o lixão do Jangurussu, seus resíduos no Aterro Sanitário Metropolitano Oeste de Caucaia. Do montante de toneladas coletadas diariamente na capital, uma pequena parte, se comparada ao volume total, é processada por associações de catadores que recolhem e destinam o material para empresas de reciclagem. “A Prefeitura mantém três centros de triagem públicos, dentre eles a sede da Cooperativa de Catadores
do Jangurussu (ASCAJAN), um equipamento de 600m², onde trabalham 70 catadores, dentre eles 56 mulheres que processam e comercializam 80 toneladas mensais de recicláveis”, lembra a secretária da pasta de Urbanismos e Meio Ambiente de Fortaleza (Seuma). Lixo que pode/deveria gerar lucro Para a Ascajan, que fica aos pés do antigo lixão desativado, são destinadas mensalmente 60 toneladas de resíduos entre papelão, PET, alumínio cobre, vidro e outros materiais. Na associação o material é selecionado e armazenado para ser vendido depois. “Nosso grande problema é que a
gente ainda depende do atravessador pra vender. Se vendêssemos direto, ganharíamos bem mais”, lembra Sebastiana do Carmo Alves, 38 anos, presidente da associação. Sebastiana é remanescente do lixão. Do que ganhava lá conseguiu criar os seis filhos junto com o marido, hoje só cinco estão vivos. Tempo difícil em que ela e a família tinham que consumir muita coisa que era jogada fora por outras pessoas e se arriscar entre as máquinas. “É bem melhor está aqui hoje (associação), porque lá em cima do lixão você tinha todos os riscos do mundo: de adoecer, de se cortar de morrer atropelado pela pá mecânica, ficar enterrado...”. Cada associado recebe em média
500 reais por mês na Ascajan. Entram por voltam das 8 horas da manhã, tomam café e almoçam no local e saem às 16h. A renda não é fixa. Com o arrecadado a associação paga os gastos mensais e, o que sobra, é dividido entre os associados. Menos lixo nas ruas ou no aterro sanitário, salários mais justos para as pessoas que dependem do que é jogado fora para sobreviver e uma cidade mais igualitária e sustentável, são demandas que dependem do coletivo. Poder púbico e sociedade civil podem e devem estar juntos e um processo de conscientização, divisão de responsabilidades, educação e cuidado com as pessoas e a cidade.
Associações que coletam material reciclável Associação Viva a Vida Rua Domingos Olimpio s/n – Farias Brito / Otávio Bonfim Tel: 88721756
ASCAJAN Rua Estrada do Itaperi, 1665 -Jangurussu Tel: 85207116
ACORES Travessa Azevedo Montauri, 161B Serrinha Tel: 30447038
RECICLANDO Rua Plácido Castelo, 284 – Conj. Tancredo Neves - Jardim das Oliveiras Tel: 3275.7815
SOCRELP Rua São Serafim, nº 8 - Pirambú Tel: 8783.7834
Materiais coletados:
Vidro
Metal
Plástico
Papel
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Revista Fortaleza Verde Produto de Trabalho de Conclusão de Curso Faculdade 7 de Setembro Comunicação Social - Jornalismo