INTRODUÇÃO
Como ja´ te apercebeste em edições anteriores, vais ser exposto a conteúdos explicativos, apresentados da forma mais elegante e bem estruturada que alguma vez observaste.
A edição deste ano, vai abordar um tema de extrema relevância - "O Empirismo de David Hume" - que te vai apresentar uma nova e surpreendente perspetiva sobre a origem dos nossosconhecimentos Procuro, desde já, deixar um agradecimento à professora Alexandra Barroso que me incentivou para escrever mais uma edição da revista"Filosofica-mente".
Ao longo desta revista vais ter a oportunidade de compreender onde surge o nosso conhecimento, assuasimplicaçõesecontradições,arejeiçãode conceitos habitualmente considerados como corretos, uma contraposição entre Hume e Descartes (racionalista) e também as objeções apresentadasaDavidHume
Vais ainda ter acesso à conclusão que Hume realiza relativamente à importância de aceitar que não somos portadores de todo o conhecimentoracionalmentejustificado,masque essas dúvidas não se devem sobrepor ao aproveitar o máximo que a vida prática nosdisponibiliza.
Espero que, tal como eu, expandas o teu conhecimentoeapreciesestasreflexõesdeDavid Hume, mas também o próprio design da 22ª ediçãoda"Filosofica-mente"
01 Contextualização Histórica
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avid Hume nasceu a 7 de maio de 1711 em Edimburgo, na Escócia. Pertenceu a uma família com posses financeiras e, aos 11 anos, matricula-se na Universidade de Edimburgo acompanhado do seu irmão (John Hume) onde ambos, posteriormente, se inscrevem em Direito (seguindo a herança paterna). Insatisfeito com o seu curso, Hume renuncia a sua carreira e procura o conhecimento na leitura, correspondendo aos seus interesses por literatura e filosofia.
Hume muda-se para Inglaterra, à procura de um emprego e envolve-se no mundo do comércio. Pouco tempo depois, muda-se para França e decide dedicar-se à escrita.
Publicou a sua primeira obra “Tratado da natureza humana”, entre 1739 e 1740 todavia, esta não alcançou o sucesso esperado. Hume admite que a sua escrita era demasiado complexa para uma explícita compreensão do conteúdo da mesma pela população e decide alterar o seu método de escrita, tornando-a mais acessível ao público. É desta forma que alcança a verdadeira notoriedade.
O filósofo faleceu a 25 de agosto de 1776 na cidade onde nasceu.
David Hume ficou conhecido pela sua contribuição como filósofo, historiador, ensaísta e diplomata escocês do século XVIII.
David Hume viveu durante o período iluminista, também designado por “século das luzes” cujos ideais encontravam-se fortemente conectados com a razão humana. A influência destes ideais contribuiu para a propagação e valorização do racionalismo, cujo grande pensador foi René Descartes. Perante o predomínio do racionalismo, David Hume critica o racionalismo de Descartes e apoia uma perspetiva contrária - o empirismo, que relaciona o conhecimento à experiência e aos sentidos. Na escrita da sua teoria, Hume inspirase nos filósofos John Locke, Richard Bentley, Jeremy Bentham e George Berkeley.
A L G U M A S D A S S U A S O B R A S M A I S R E L E V A N T E S S Ã O “ T R A T A D O D A N A T U R E Z A H U M A N A ” , " I N V E S T I G A Ç Ã O S O B R E O E N T E N D I M E N T O H U M A N O ” E
“ D I Á L O G O S S O B R E A R E L I G I Ã O N A T U R A L ”
O EMPIRISMO DE DAVID HUME 0 2
E M P I R I S M O
( D O G R E G O ) " E M P E I R I A "
E X P E R I Ê N C I A
O empirismo é referente às teorias que admitem como fonte principal do conhecimento a experiência e os sentidos Esta é oposta ao racionalismo de René Descartes e elimina a possibilidade da existência de ideias inatas, residentes na razão. Sob a perspetiva empirista, a mente humana não apresenta qualquer tipo de ideia à nascença, como uma folha em branco.
“SOMOS UMA FOLHA EM BRANCO ONDE A EXPERIÊNCIA ESCREVE.” DAVID HUME
EXPERIÊNCIA
Esta folha em branco, ao longo da vida de cada indivíduo, vai ser preenchida pelo conhecimento adquirido através da experiência sensitiva.
Podemos, assim, concluir que, de acordo com o raciocínio empirista, o conhecimento só é possível a posteriori. Contudo, David Hume (cético moderado) não restringe totalmente o conhecimento a priori, admitindo-o, como iremos ver mais à frente, nas ciências da geometria, álgebra e aritmética. É importante realçar que o conhecimento a priori não é substancial. Para além de David Hume, os filósofos Thomas Hobbes e John Locke foram grandes influentes do empirismo, contudo com algumas alterações.
AS PERCEÇÕES
I M P R E S S Õ E S E I D E I A S
O conhecimento que podemos adquirir deriva da experiência
As impressões podem ser decompostas consoante a sua derivação (de sensação ou de reflexão). As impressões internas (ou de reflexão) correspondem aos sentimentos e desejos, proporcionados pelas ideias e as impressões externas (ou de sensação) traduzem sensações provenientes dos sentidos e são responsáveis pela produção de novas ideias (e consequentemente novas impressões de reflexão).
Estas podem ainda ser caracterizadas como simples, no caso de não se decomporem (indivisíveis) ou complexas se corresponderem à associação de impressões simples.
As ideias podem também ser classificadas como simples (não se podem decompor) ou complexas (associação de ideias) seguindo o mesmo critério das impressões.
Conhecimento a posteriori Sentir Pensar
Para o filósofo, as impressões correspondem às sensações e emoções derivadas da relação entre os sentidos e a experiência imediata. Estas distinguem-se das ideias pela intensidade da sua força e vivacidade. As ideias são representações das impressões. O seu conteúdo é mais fraco e apresenta menos vivacidade que as impressões correspondentes.
P E R C E Ç Õ E S ( C O N T E Ú D O S D A M E N T E )
I M P R E S S Õ E S
I D E I A S
O E M P I R I S M O D E D A D I D H U M E
04
O PRINCÍPIO DA CÓPIA
David Hume começa por referir que as ideias são cópias e representações exatas das impressões. Contudo, a existência de ideias abstratas, como a de sereia, vêm contestar este princípio apresentado pelo filósofo, uma vez que não é possível dizer-se que a ideia de sereia resulta da impressão de uma sereia. Deste modo, não é verdade que todas as ideias tenham origem em impressões da sua representação exata, todavia a sua origem pode corresponder à união de diferentes impressões. Esta circunstância ocorre apenas nas ideias complexas. Logo, as ideias simples são cópias e representam concretamente as impressões correspondentes, princípio apresentado por Hume no “Tratado da Natureza Humana”:
Este é sustentado por dois argumentos. O primeiro corresponde ao facto de que as impressões simples procedem sempre as ideias delas resultantes e será incoerente suscitar a ideia para que o indivíduo tenha a impressão. O segundo argumento remonta à impossibilidade de formarmos ideais sem termos como antecedente a sua própria experiência. Esta ocorrência está evidente para aqueles que são privados de algum sentido à nascença, como acontece com um indivíduo que nasce surdo não é capaz de formar ideias de grave ou agudo.
Para o filósofo, o princípio da cópia constitui uma rejeição ao inatismo de Descartes, uma vez que, seguindo o raciocínio de David Hume, as ideias são cópias das impressões, logo não existem ideias inatas Desta forma, todas as ideias têm origem na experiência (a posteriori) e nenhuma é obtida à nascença (a priori).
Este princípio vai também resolver a divergência entre racionalistas e empiristas sobre a origem do conhecimento, pois assegura a experiência como origem das ideias da mente humana, uma vez que estas dependem das suas respetivas impressões.
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T O D A S A S N O S S A S I D E I A S S I M P L E S N O S E U P R I M E I R O A P A R E C I M E N T O D E R I V A M
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AIDEIADEDEUS EMHUME 05
DEUS
Para David Hume, a ideia de Deus pode ser clarificada de forma semelhante àquela apresentada anteriormente pelo princípio da cópia. Esta trata-se de uma ideia que deriva da experiência de modo indireto, pois não corresponde, de forma direta, a nenhuma impressão. A ideia de Deus trata-se de uma ideia complexa, que concilia a associação de outras ideias menos complexas (que coincidem com as suas próprias impressões).
A ideia de Deus em Hume é extremamente distinta àquela que é apresentada por Descartes.
D E U S
D E S C A R T E S H U M E
Ideia complexa (empírica, não inata) originada pela associação de várias ideias
Ideia inata causada pelo próprio criador (Deus)
David Hume encontra-se totalmente seguro da sua perspetiva, uma vez que até a atualidade não foram apresentados exemplos que fossem contraditórios à relação de dependência entre ideias e impressões.
As relações de ideias e as questões de facto
O filósofo acredita que a mente humana é capaz de realizar a associação de ideias e pensamentos completamente distintas suficientes para produzir ideias que não apresentam correspondência na realidade, como acontece com o pensamento de um mar de chocolate. Contudo, Hume apresenta dois princípios que regulam a associação das ideias: as relações de ideias e as questões de facto.
Relações de Ideias
Questões de facto
E N D E R D O Q U E E X I S T A E M Q U A L Q U E R P A R T E D O U N I V E R S O ” - D A V I D H U M E
Um exemplo de relações de ideias é a ideia de que "dois mais dois são quatro''. Para a sua comprovação, é apenas necessário analisar e explicitar os conceitos que concebemos, relacionando ideias (relações de ideias). Este conhecimento determina-se a priori uma vez que, a sua determinação é possível sem recorrer à experiência ou aos sentidos. Este pensamento pode resultar da intuição ou da dedução (raciocínio demonstrativo).
Para além das características já referidas, as relações de ideias tratam-se também de verdades necessárias, pois a sua negação implica uma contradição (não pode suceder que dois mais dois sejam sete).
Existe ainda uma outra característica das relações de ideias: a certeza A verdade das relações de ideias é certa e pode ser estabelecida de forma demonstrativa (através de raciocínios, como cálculos matemáticos) ou intuitiva (através da compreensão direta e imediata - intuição).
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Para sermos donos do conhecimento resultante das questões de facto, não é suficiente analisar os conceitos e o significado dos termos utilizados, sendo imprescindível recorrer à experiência e observar os factos do mundo. Assim, o conhecimento gerado pelas questões de facto é a posteriori
As questões de facto apresentam um caráter contingente (é correto mas podia não o ser, não é fundamental que seja correto), por outras palavras, a negação de uma questão de facto é falsa, mas não implica uma contradição (“Fumar não faz mal à saúde” é falso mas não é contraditório).
As questões de facto caracterizam-se também pela probabilidade, uma vez que a sua verdade pode ser mais ou menos provável, porém nunca é totalmente certa.
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A S P R O P O S I Ç Õ E S D E S T E T I P O P O D E M S E R D E S C O B E R T A S P E L A S I M P L E S O P E R A Ç Ã O D O P E N S A M E N T O , S E M D E P
OConhecimento doMundo
David Hume assume-se como um empirista rígido e considera que todas as ideias da mente humana são resultados de impressões (da experiência). Seguindo este raciocínio, pode parecer incoerente ou até contraditório considerar a existência de conhecimentos a priori (relações de ideias), contudo o filósofo clarifica que as ideias que constituem este conhecimento são de origem empírica, nas suas impressões correspondentes. Deste modo, as relações de ideias, mesmo constituindo conhecimento a priori, são resultado da experiência de forma indireta. Hume, refere o conhecimento a priori como não substancial (não constitui conhecimento sobre o mundo) uma vez que este não apresenta nenhum dado novo sobre coisas existentes ou inexistentes no mundo. Só o conhecimento a posteriori (experiência), das questões de facto é considerado por David Hume como substancial pois, apenas a experiência é capaz de nos fornecer factos do mundo e proporcionar-nos novas perspetivas.
Deste modo, para Hume, a experiência é a origem do conhecimento do mundo
T O D O O C O N H E C I M E N T O
D O M U N D O É A P O S T E R I O R I ; E X I S T E C O N H E C I M E N T O A P R I O R I , P O R É M E S T E N Ã O É R E F E R E N T E A O M U N D O .
A C O M P R E E N S Ã O H A B I T U A L D A C A U S A L I D A D E
O quotidiano encontra-se repleto de circunstâncias que relacionam a causalidade cuja compreensão é facilmente realizada através do seguinte esquema:
Um exemplo de inferência causal é se observo a queda de uma laranja de uma árvore repleta destes mesmos frutos, todos os restantes frutos acabarão por cair.
Pancada na bola com o taco
Movimento da bola
Consideramos, portanto, que um acontecimento A, a causa, provoca um acontecimento B, o efeito. No caso de não existirem interferências, é possível constatar que existe uma conexão entre A e B logo, a ideia de causalidade está associada à ideia de conexão necessária. Esta relação de necessidade é realizada de forma tão recorrente que após a ocorrência da causa esperamos sempre o seu consequente efeito em toda e qualquer situação. Este género de conclusão é denominada por inferência causal.
Esta conceção é defendida por diversos filósofos empiristas como John Locke e filósofos naturais britânicos, como Isaac Newton.
B ( E F E I T O ) A ( C A U S A )
“ T O D O S O S R A C I O C Í N I O S R E L A T I V O S A Q U E S T Õ E S D E F A C T O P A R E C E M A S S E N T A R N A R E L A Ç Ã O D E C A U S A E E F E I T O S O M E N T E P O R M E I O D E S T A R E L A Ç Ã O P O D E M O S I R A L É M D A E V I D Ê N C I A D A N O S S A M E M Ó R I A E D O S N O S S O S S E N T I D O S ”D A V I D H U M E
ACAUSALIDADE PARAHUME
Contrariamente a diversos empiristas e racionalistas, David Hume considera a compreensão habitual da causalidade como incorreta. Para Hume, a relação causa-efeito não é, em nenhuma circunstância, alcançada através do conhecimento a priori (pela razão), derivando exclusivamente da experiência.
O filósofo assume que a experiência é condição indispensável para a realização de inferências causais, uma vez que, por exemplo:
Desta forma, sem a experiência, utilizando apenas a razão, uma pessoa que nunca viu água a tornar-se gelo, nunca faria tal previsão. Por outro lado, Hume constata também que a experiência permite o conhecimento da causa e do efeito, porém esta não é capaz de nos fornecer dados sensitivos (relativos a uma impressão sensorial) da sua relação causal, ou seja da sua conexão necessária. Desta forma, para o filósofo, não temos qualquer prova que nos demonstre uma conexão necessária.
Deste modo, para Hume, só temos experiência da conjunção constante, ou seja, a sequência que ocorre entre a causa e efeito de forma regular (A e depois B, A e depois B ). Com a ocorrência desta repetição, criamos a expectativa (o hábito) de que, ao ocorrer A irá suceder B. Esta expectativa trata-se de um sentimento (impressão interna) que projetamos para o mundo, contribuindo para a crença das conexões necessárias. Por tratar-se de um fenómeno psicológico e subjetivo, ele dá-se apenas na nossa mente e não nas coisas do mundo. Deste modo, a ideia de conexão necessária é a cópia de um sentimento (impressão interna) e não de uma sensação (impressão externa) logo, baseia-se na experiência, mas trata-se de uma experiência interna e não do mundo. Assim, a perspetiva da causalidade de Hume apresenta um caráter cético.
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A S U A C O N G E L A Ç Ã O E A Q U E L E Q U E N U N C A T I V E R V I S T O G E L O A C H A R Á A B S U R D O Q U E
A Á G U A A O A R R E F E C E R S E T O R N E D U R A E S Ó L I D A
” D A V I D H U M E
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O PROBLEMA INDUÇÃO 09
Q U E S T Õ E S D E F A C T O
Hume admite a certeza da primeira premissa do argumento. Contudo, a experiência disponibilizada na mesma, diz apenas respeito aos seus objetos correspondentes, no período assinalado. A inferência causal apresentada na conclusão, é uma consequência que pode parecer necessária, mas foi retirada do pensamento, não proveniente de uma impressão do mundo Deste modo, não é possível afirmar uma explicação racional para esta inferência e o seu argumento Para o filósofo, não é possível passar diretamente da premissa para a conclusão, uma vez que os acontecimentos que ocorrem na primeira premissa e na conclusão são distintos e a sua inferência não pode ser comprovada, pois a premissa não constitui suporte à conclusão.
Uma vez que aquilo que nos impede de inferir diretamente os acontecimentos futuros a partir dos anteriores é a possibilidade de mudança do curso da natureza, podemos adicionar uma segunda premissa ao argumento que garante que os acontecimentos futuros corresponderão aos mesmos do passado
Uma vez que a relação causal resulta da experiência, é importante compreender de que forma a experiência pode justificar a crença de que as relações causais do passado irão ter a mesma correspondência no futuro. Mais uma vez, David Hume distancia-se do pensamento dos filósofos empiristas que consideravam possível adquirir crenças razoavelmente certas sobre acontecimentos futuros baseados na experiência, sem apresentarem qualquer evidência racional para a sua convicção Deste modo, Hume considerava que não existe qualquer fundamento racional que justifique a possibilidade de ter crenças razoáveis sobre acontecimentos futuros A conclusão obtida pelo filósofo é compreendida através do seguinte argumento:
R E L A Ç Ã O D E C A U S A - E F E I T O
E X P E R I Ê N C I A ?
N O P A S S A D O , C A I U U M C O P O D E V I D R O A O C H Ã O E E L E P A R T I US E .
L O G O , D A P R Ó X I M A V E Z Q U E C A I A U M C O P O D E V I D R O A O C H Ã O , E L E P A R T I R - S E - Á
N O P A S S A D O , C A I U U M C O P O D E V I D R O A O C H Ã O E E L E P A R T I US E
O F U T U R O S E R Á C O M O O P A S S A D O
L O G O , D A P R Ó X I M A V E Z Q U E C A I A U M C O P O D E V I D R O A O C H Ã O , E L E P A R T I R - S E - Á
Assim, a inferência a partir da experiência é justificada Esta segunda premissa é denominada por Princípio da Uniformidade da Naturezauniformidade da naturezafuturo=passado - em circunstâncias idênticas, os acontecimentos de que não temos experiência=acontecimentos que temos experiência
A justificação do Princípio da Uniformidade da Natureza também não é possível a posteriori, ou seja, recorrendo à experiência Este acontecimento pode ser compreendido através do seguinte argumento:
Este trata-se de um argumento circular, uma petição de princípio, uma vez que não é possível justificar a indução e o Princípio da Uniformidade da Natureza através de um raciocínio indutivo
Este princípio é uma questão de facto e não uma relação de ideias, não pode ser provado a priori (a razão não é suficiente para justificar o Princípio da Uniformidade da Natureza), logo é uma verdade contingente e não necessária Por outras palavras, a negação da uniformidade da natureza constitui uma premissa falsa mas não contraditória: não é possível imaginar um triângulo com quatro lados, mas é possível imaginar um planeta onde as árvores cresçam sobre a água
Deste modo, Hume conclui que não existe justificação racional para a indução, apresentando assim uma perspetiva cética
“ T E N T A R P R O V A R A S U P O S I Ç Ã O D E Q U E O F U T U R O S E R Á S E M E L H A N T E A O P A S S A D O M E D I A N T E A R G U M E N T O S P R O V Á V E I S , O U R E L A T I V O S À E X I S T Ê N C I A , É E V I D E N T E M E N T E A N D A R E M C Í R C U L O S , T O M A N D O C O M O E S T A B E L E C I D O P R E C I S A M E N T E O P O N T O Q U E E S T Á E M D I S C U S S Ã O ( ) É I M P O S S Í V E L Q U E Q U A I S Q U E R A R G U M E N T O S T I R A D O S D A E X P E R I Ê N C I A P O S S A M P R O V A R E S S A S E M E L H A N Ç A E N T R E O P A S S A D O E O F U T U R O , D A D O Q U E T O D O S O S A R G U M E N T O S A S S E N T A M N A P R E S S U P O S I Ç Ã O D E S S A M E S M A S E M E L H A N Ç A ”D A V I D H U M E
Defende a suspensão de todas as crenças.
O CETICISMO M DE DAVID HUME
DavidHumeassume-secomocéticomoderado Estefactoé fundamentadopelassuasconclusõescéticas,relativamenteà induçãoeàcausalidade,ealimitaçãodoconhecimentodoser humano
ParaHume,temosconhecimentodasrelaçõesdeideias(não substancial) e das questões de facto (substancial - acerca do mundo), logo não é negado que o ser humano possui conhecimento, contudo este é visivelmente limitado pela experiência Estalimitaçãopõeemcausamuitasproposições científicas que, para Hume, se tratam de crenças e não de conhecimento.
Apesardetudo,ocarátermoderadodoseuceticismotorna-o defensor da crença do senso comum porque a sua oposição tornariaavidapráticaimpossível.Ouseja,ofilósofodefendea realização de raciocínios indutivos, embora considere que estesnãoapresentamqualquerjustificaçãoracionaledefende a crença em relações causais e inferências causais, apesar da experiência não as comprovar pois, a sua dúvida tornaria a vida do ser humano extremamente complicada. Existe tambémumatendênciapsicológicaquelevaoserhumanoa acreditarnacausalidade,logodevemoscontinuarafazê-lo
C E T I C I S M O M O D E R A D O
C E T I C I S M O R A D I C A L
“ T O D A S E S T A S O P E R A Ç Õ E S S Ã O U M A E S P É C I E D E I N S T I N T O S N A T U R A I S , Q U E N E N H U M R A C I O C Í N I O O U P R O C E S S O D O P E N S A M E N T O É C A P A Z D E P R O D U Z I R O U E V I T A R . ” - D A V I D H U M E
Na vida prática temos de acreditar na existência de relações causais e nas inferências indutivas, mesmo sem justificação racional.
MODERADO
Assim, as crenças,que o ser humano dispõe pelo senso comum, correspondem a hábitos ou costumes que não devem ser abandonados, uma vez que são eles que transmitem praticidade ao nosso quotidiano
Não temos capacidade de justificar racionalmente as nossas crenças das quais não conseguimos prescindir Para Hume é importante reconhecer que o nosso conhecimento é limitado, para que não façamos correspondências erradas entre opiniões ou especulações sem fundamento com conhecimento Portanto, devemos adotar uma postura humilde intelectualmente e não sermos dogmáticos
Acima de tudo, David Hume realça a importância de aproveitar a vida sobre a reflexão de problemas epistemológicos
O CETICISMO
RADICAL
Segundo David Hume, existe uma impossibilidade em vivermos como céticos radicais, pois é possível constatar um conflito entre as reflexões da filosofia (que nos permitem obter conclusões céticas) e a vida prática O “vencedor” é a vida prática que exige a crença em coisas postas em dúvida nas reflexões, devido às suas necessidades
OBJEÇÕES A HUME
O S C O N H E C I M E N T O S M A T E M Á T I C O S S Ã O S U B S T A N C I A I S
O primeiro argumento que sustenta esta crítica a Hume é o facto de que os conhecimentos matemáticos são, na verdade, substanciais Isto, porque para além de uma relação de ideias, estes apresentam um dado novo, uma vez que afirmar 72+95= 167 é afirmar 167 que constitui um termo que não se encontra presente nos conceitos 72 e 95. Para além deste, esta objeção é também assegurada pela possibilidade de aplicação dos dos conhecimentos matemáticos ao mundo Esta ocorrência é notável em diversas circunstâncias diárias, como é o caso de "adicionar duas chávenas e meia de farinha ao preparado”. É também frequente nas ciências, que recorrem à matemática para apresentar as suas teorias com rigor (o que acontece na disciplina de Economia, que utiliza a matemática para realizar cálculos que vão fornecer dados sobre a população, que irão posteriormente constituir base de dados para futuras análises) Deste modo, é possível aplicar os conhecimentos matemáticos ao mundo e estes auxiliam a sua descrição e explicação - são, assim, conhecimentos substanciais
De acordo com Thomas Reid, ao aceitarmos a conceção de Hume sobre a causalidade (causalidade=conjunção constante), estamos a consentir as suas consequências de caráter falso
A primeira consequência que Reid aponta é a incoerência da equivalência entre causalidade e conjunção constante, por exemplo: “o dia é a causa da noite” ou “a noite é a causa do dia“, trata-se de uma conjunção constante porém, esta é falsa porque nem o dia é causa da noite, nem a noite é causa do dia.
AS CONSEQUÊNCIAS ABSURDAS DA CAUSALIDADE DE HUME
Por outro lado, se concordarmos com a perspetiva de Hume, não poderemos assumir que a criação do universo foi um caso de causalidade, pois a criação do universo sucedeu-se uma única vez, não existindo conjunção constante (não houve repetição) Ou seja, “A teoria do Big Bang”, que afirma a expansão de um ponto (acontecimento A) foi a origem do universo (acontecimento B). David Hume diria que não existiu conexão necessária entre ambos os conhecimentos, apenas uma conjunção (B ocorreu a seguir a A) cujo caráter constante não é assegurado. Deste modo, ao existir uma conjunção que não pressupõe ser constante, não pode ter sucedido uma situação de causalidade Todavia, existem razões para acreditar nessa teoria que implica a causalidade da criação do universo. Assim, pode haver causalidade sem existir conjunção constante e por isso a ideia de Hume é falsa
THOMAS REID
Assume a su Exemplos: o "cogito
Obtido através da int Este é subbstancial, informações so
Discorda da perspetiva considera possív conhecimentos indubi distintas, cuja verdade que podem ser
Empirista
zão
Sentidos (ou Experiência)
São ideias inexistentes.
A origem de todas as ideias são as impressões (mesmo sendo abstratas, como a ideia de Deus). tuição e da dedução. pois permite-nos ter obre o mundo.
ua existência. " e a Ideia de Deus.
Através da intuição e da dedução. Este não é substancial, porque o conhecimento das relações de ideias não dá informações sobre o mundo. Os factos do mundo só podem ser conhecidos a posteriori.
D e d e s c a r t e s e h u m e
ogito" nto racional, a priori)
As impressões (fundamento empírico, a posteriori) a cética, uma vez que vel o alcance de táveis (ideias claras e é garantida por Deus) nalmente justificados.
Concorda parcialmente, pois acredita que possuímos alguns conhecimentos, contudo em muitas áreas não temos conhecimento, apenas crenças sem justificação, mas que não podemos rejeitar.
escartes
David Hume
CONCLUSÃO
"OHOMEMSÁBIO AJUSTASUA CRENÇAÀ EVIDÊNCIA." -DAVIDHUME
Chegaste agora ao final de mais uma edição de "Filosofica-mente"!
Espero que, tal como eu, tenhas compreendido na sua totalidade a teoria empirista de David Hume e que, agora, sejas capaz de a caracterizar, contrapondo com a teoria racionalista de Descartes.
Ao finalizar esta revista, voltei a compreender que a sua constituição é extremamente exigente, contudo é, da mesma forma, cativante.
Vou ser sincera, esta perspetiva empirista parece-me interessante e é uma das minhas favoritas.
Esta teoria é, para mim, realizada através de uma observação firme sobre a vida prática do ser humano no mundo e, apesar do seu caráter cético moderado, este parece-me ser mais apropriado do que aquele que René Descartes nos disponibilizou anteriormente.
Após esta aventura, já és capaz de formular a tua opinião sobre a correção da teoria empirista? Já consegues debater e argumentar a favor ou contra esta teoria? Espero que sim!
Conto contigo para a próxima edição de "Filosofica-mente"!
FONTES
W E B G R A F I A E B I B L I O G R A F I A
FILOSOFIA - David Hume - YouTube; Biografia de David Hume - eBiografia; David Hume: biografia, pensamento, obras, citaçõesMundo Educação (uol.com.br); Biografia de David Hume :: Origem/Possibilidade do Conhecimento (webnode pt);
DAVID HUME | Guia do Estudante (abril com br); Racionalismo x Empirismo (resumo) | FILOSOFIAYouTube; Iluminismo: o que foi, ideias, repercussões - História do Mundo (historiadomundo com br); David Hume: principais ideias, frases e obrasnetmundi.org; empirismo - Infopédia (infopedia.pt); Educa Mais Brasil; O empirismo de david hume (slideshare.net); Problema da causalidade Hume - YouTube; O problema da indução - YouTube.
Documentos disponibilizados pela professora: davidhume RESUMO.docx; o que é empirismo.pptx; Manual "Dúvida Metódica"Texto Editora