Uma revista em prol do Kosen-rufu do Brasil
KAISEN n. 227
ORIENTAÇÕES E MATÉRIAS DO ANO DE 2019 Mensagem de Ano-novo Orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu Matéria de Estudo C
Cerimônia de Oko Treinamento de Verão para os Adeptos do Exterior Cerimônia de Oeshiki
LEMA DO ANO DE 2019
ANO DE PROGREDIR COM ENTUSIASMO Diretrizes para a prática no ano de 2019 1. Prática efetiva de shakubuku, com gongyo e recitação de daimoku. 2. União na Hokkekô com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. 3. Promoção do desenvolvimento de pessoas, com a participação na Cerimônia de Oko e na Peregrinação.
CINCO GRANDES LEMAS DA HOKKEKO SHOBOJI GONGYO Hokkeko que realmente faz o aprendizado do gongyo e do daimoku, polindo o corpo e a vida através da constante renovação. SHAKUBUKU Hokkeko que realmente pratica o shakubuku com benevolência, orando pela salvação de todas as pessoas através do Verdadeiro Budismo. HERANÇA DA CHAMA DA FÉ Hokkeko que através da pura fé realiza o kosen-rufu e a prosperidade dos familiares, assegurando a Herança da Chama da Fé. RETRIBUIÇÃO PELAS DÍVIDAS DE GRATIDÃO Hokkeko que realmente coloca em ação a retribuição pelas dívidas de gratidão aos Três Tesouros do Budismo, participando da Cerimônia de Oko, propagando a Lei através do shakubuku e contribuindo na forma de oferecimento de bens (gokuyo). ESTUDO DO BUDISMO Hokkeko que apresenta a prova real à sociedade, baseando-se no daimoku, participando espontaneamente nas diversas atividades, estudando o budismo e superando os sofrimentos e angústias.
Índice Mensagem de ano-novo 2019 ................................................................................2 Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin
Mensagem para o gongyo de ano-novo ..............................................................3 Reverendo Gyoyu Urushibata
Mensagem para o gongyo de ano-novo ..............................................................5 Reverendo Prior Ryomu Seki
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de janeiro .............7 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de janeiro ........9 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de janeiro .................................13 Conhecer a lógica
Matéria para Treinamento de Verão do Templo Shoboji ................................14 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de fevereiro ...16 Recitação especial de Oko de fevereiro .............................................................20 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de fevereiro ..............................21 Os oito ventos
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de março ............22 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de março .......23 Recitação especial de Oko de março ..................................................................27 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de março ...................................28 Carta ao Monge Yadoya
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de abril ...............29 Recitação especial de Oko de abril .....................................................................30 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de abril ..........31 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de abril .....................................34 O tesouro do coração
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de maio ...............36 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de maio ..........37 Recitação especial de Oko de maio ....................................................................41 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de maio .....................................41 Sobre praticar diversas religiões ao mesmo tempo
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de junho .............43 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de junho ........44 Recitação especial de Oko de junho ...................................................................48 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de junho ....................................49 O mundo saha é a terra iluminada
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de julho ..............50 Recitação especial de Oko de julho ....................................................................51 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de julho ..........52 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de julho .....................................56 Polir a vida
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de agosto ...........57 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de agosto ......58 Recitação especial de Oko de agosto .................................................................62 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de agosto .................................63 A grande alegria
Treinamento de Verão para os Adeptos do Exterior .......................................64 Sobre a vida de Nichiren Daishonin II
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de setembro .......72 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de setembro ...73 Recitação especial de Oko de setembro ............................................................77 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de setembro .............................78 Hashi de um metro
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de outubro ..........79 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de outubro .....81 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de outubro ................................84 Exercícios de aprimoramento da Nichiren Shoshu
Cerimônia de Oeshiki ..............................................................................................86 Reverendo Gyoten Shirai
Cerimônia de Oeshiki ..............................................................................................88 Reverendo Myoyo Kondoh
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de novembro .......91 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de novembro ..92 Recitação especial de Oko de novembro ............................................................96 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de novembro .............................97 Shichi Go San
Reunião de recitação de daimoku em prol do kosen-rufu de dezembro .......98 Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão de dezembro ...99 Recitação especial de Oko de dezembro ..........................................................103 Matéria de estudo para a reunião do núcleo de dezembro ...........................104 Teias de aranha
Mensagem de Ano-novo 2019 Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin
Acredito que Nikken Shonin, Reverendíssimo Soberano da Lei na reserva, tenha recebido satisfatoriamente a passagem para o 767.º ano do estabelecimento da doutrina. Gostaria de felicitar ao Sr. Koichiro Hoshino – grãodiretor koto e chefe da Confederação Hokkeko – e a todos os membros da Hokkeko, pelo ano-novo que acabou de começar. Neste ano, a Nichiren Shoshu está diante do “Ano de progredir com entusiasmo”, está avançando vigorosamente com a ascensão do anseio pelo shakubuku e pela propagação da Lei de todas as organizações Hokkeko de todos os templos, com a união de clérigos e adeptos em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, e a prática da fé sólida de todos, baseada nos princípios de insignificância do corpo perante a grandiosidade da Lei (shinkyo hoju), e de propagação da Lei com a dedicação da própria vida (shishin guho), em prol do estabelecimento da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador Nichiren Daishonin, em 2021. Isso se deveu, unicamente, ao resultado do desenvolvimento das lutas de shakubuku conduzidas de forma corajosa e resoluta, sem marasmo, pelas organizações Hokkeko de todos os templos, centralizadas em torno dos mestres orientadores e dos diretores representantes dos adeptos – koto, fato pelo qual não consigo me conter de tanta satisfação.
K A I S E N
Pois bem, reverenciando o Capítulo Yakusoyu do Sutra de Lótus: Todos esses seres, depois de ouvirem esta Lei, poderão ter tranquilidade nesta existência e posteriormente nascer em boas circunstâncias, recebendo, com o caminho, a satisfação, e venham a ouvir novamente a Lei. (Sutra de Lótus, pág. 217)
Sobre essa frase, consta na obra “Frases e versos do Sutra de Lótus (Hokke Mongu)”: Tranquilidade nesta existência e boas circunstancias nas existências futuras é perceber os efeitos correspondentes das causas. (Hokke Mongu Ki Ehon, volume II, pág. 409)
Isto é, revela o benefício que permeia as duas existências – presente e futura, por crer e abraçar o Sutra de Lótus, afirmando que com as causas que gerar, de dedicar-se à propagação da Lei Mística na existência presente, pelos dois princípios da causa correspondente e efeito corresponde – Causa e Efeito, sem falta será possível nascer em boas circunstâncias nas existências futuras. Ou seja, o efeito de “tranquilidade nesta existência e boas circunstâncias nas existências futuras” somente será possível alcançar com os benefícios de abraçar e manter a Lei Mística. Por essa razão, consta da escritura “Resposta ao Suserano Akimoto (Akimoto Dono Gohenji)”: Recite o Nam-Myoho-Rengue-Kyo. Não deve duvidar da “tranquilidade nesta existência e boas circunstâncias nas existências futuras”. Está claro, nas frases dos sutras, que todas as Entidades Iluminadas sem falta protegerão
N . 2 2 7
2
os seguidores do Sutra de Lótus.
lembrança do mundo de humanidade nesta existência. (Heisei Shimpen Gosho, 334)
Nichiren Daishonin nos orienta que, com os benefício da recitação de daimoku, não há dúvidas da “tranquilidade nesta existência e boas circunstâncias nas existências futuras” e que está claro nas frases dos sutras de que todas as Entidades Iluminadas sem falta protegerão o seguidor do Sutra de Lótus. Além disso, afirma na escritura “Diálogo sobre manter o Sutra de Lótus (Jimyo Hokke Mondo Sho)”: O que se deve desejar é manter a Lei Mística da “paz e tranquilidade nesta existência e boas circunstâncias nas existências futuras” – que será uma honra nesta existência e o conduzirá nas existências futuras. Deve-se ter como único propósito recitar o Nam-Myoho-RengueKyo e deve também incentivar os demais. Isso será a
Reverenciando a orientação: “Deve-se ter como único propósito recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo e deve também incentivar os demais. Isso será a lembrança do mundo de humanidade nesta existência”, orando de coração para que possamos retribuir pela grandiosa benevolência – vasta e ilimitada de Nichiren Daishonin, o Buda Original do Fim do Darma e o fundador, desenvolvendo uma grande luta de shakubuku com a dedicação de toda a nossa força, seja de dia ou de noite, com todos os clérigos e adeptos visando o estabelecimento da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko, até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador Nichiren Daishonin daqui a pouco mais de dois anos, gostaria de fazer deste, os meus cumprimentos pelo ano-novo.
Mensagem para o Gongyo de Ano-novo Reverendo Gyoyu Urushibata Chefe do Depto. do Exterior
Senhoras e senhores da Hokkeko de todo o mundo, minhas sinceras felicitações pelo novo ano de 2019! Minhas sinceras congratulações, neste início de ano, a todos os sacerdotes residentes no exterior, e também às senhoras e aos senhores adeptos da Hokkeko, pelo ano novo. Neste início de ano, gostaria de lhes dedicar respeitosamente as minhas felicitações pelo ano novo. Oro sinceramente em prol do estabelecimento da paz no mundo e do avanço ainda maior da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – em todos os países. No ano passado, sob as orientações do 68.ª Reverendíssimo Soberano da Lei, Nichinyo Shonin, os clérigos e adeptos da Nichiren Shoshu do mundo todo realizaram corajosamente o shakubuku em prol da concretização da meta de estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o 800.ª (octingentésimo) aniversário de nascimento de Nichiren Daishonin, em 2021, atingindo grandes resultados não somente no Japão, mas também no exterior. Este será o quinto ano em prol do estabelecimento da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko. Restam-nos dois anos até o 800.ª aniversário de nascimento de Nichiren Daishonin, em 2021. A partir deste ano, levando-se em consideração o número de dias e meses que restam, é preciso que todas as organizações Hokkeko dos templos se voltem para a concretização plena do objetivo jurado para o Gohonzon, elaborando um planejamento minucioso, mensal e diário das atividades a
K A I S E N
serem colocadas em prática, para que toda as organizações, em um só corpo, desenvolvam ativamente as ações. Neste início de um novo ano, gostaria que cada um dos senhores renovasse a determinação em prol da concretização da meta de shakubuku jurada para o Gohonzon e se dedicasse em prol da ampla propagação da Verdadeira Lei. A Nichiren Shoshu definiu a diretriz deste ano como: “Ano de progredir com entusiasmo”. Assim, o Departamento do Exterior definiu os três objetivos para a prática deste ano: 1.Prática efetiva de shakubuku, com gongyo e recitação de daimoku. 2.União na Hokkekô com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. 3.Promoção do desenvolvimento de pessoas, com a participação na Cerimônia de Oko e na Peregrinação. Falarei primeiramente sobre o significado da diretriz deste ano, “Ano de progredir com entusiasmo”. A diretriz indica almejar a concretização efetiva da meta, com o estabelecimento da base sólida para podermos avançar com entusiasmo, com todas as organizações em união harmoniosa e em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, entre clérigos e adeptos. Especialmente com relação ao shakubuku nos próximos dois anos, ampliar a extensão da semeadura, com o círculo de relações de pessoas recém convertidas, é um meio importante. E para isso, o aprimoramento de pessoas recém N º 2 2 7
3
convertidas tem um peso significativo. Orientá-las sobre o gongyo e a recitação de daimoku, e incentivá-las a participar nas Cerimônias de Oko e na peregrinação (tozan) ao Templo Principal – essas ações efetivas, visando o desenvolvimento das pessoas, levam por fim à concretização do objetivo de shakubuku jurado para o Gohonzon e da meta lançada [pelo Reverendíssimo Soberano da Lei]. Prosseguindo, falarei sobre os três objetivos para prática deste ano. O primeiro é a “prática efetiva de shakubuku, com gongyo e recitação de daimoku”. O gongyo da manhã e da noite e a recitação de daimoku são exercícios básicos da prática da fé dos membros da Hokkeko, e fonte de benefícios. É importante ensinar adequadamente sobre os procedimentos perante o altar do Buda. Há uma clara diferença entre a prática da fé de quem realizou efetivamente o gongyo e a recitação de daimoku diários no decorrer de um ano com a de quem não os fez. Procurem definir um horário para que toda a família realize em conjunto o gongyo e a recitação de daimoku. Tendo-se a convicção de que com o gongyo e a recitação de daimoku é possível obter uma vigorosa força vital para enfrentar e superar todas as dificuldades, elevar a própria condição de vida e abrir uma vida de felicidade, vamos realizar efetivamente o shakubuku! O segundo é a “união na Hokkeko com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin”. Para realizar efetivamente o shakubuku visando a ampla propagação da Lei, a organização deve, primeiramente, ter os clérigos e adeptos unidos com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. O Reverendíssimo Soberano da Lei também tem sempre nos orientado que, para termos resultado de shakubuku, as atividades promovidas no âmbito organizacional são importantes e que, para isso, a união de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin é imprescindível. Quando os membros, repletos de convicção na prática da fé, conduzirem o shakubuku em união, um grande impulso será gerado, e assim, sem falta será possível atingir um grande resultado.
prática da fé da Nichiren Shoshu. O Templo Principal é a terra sagrada onde se encontra protegido o Dai-Gohonzon do Supremo Santuário do Portal Original – o âmago da vida de Nichiren Daishonin, e o Reverendíssimo Soberano da Lei que herdou a Pulsação Vital da Lei, preservada desde Nichiren Daishonin, e nos conduz para a Iluminação. Em contato com esse aspecto sublime, o ambiente e as brisas revigorantes que nos permitem purificar a mente e o corpo, manifesta-se o espírito de refutar o errôneo e revelar o Verdadeiro, mantido desde Nichiren Daishonin. Todas as peregrinações – de representantes, de Treinamento de Verão, particulares, de recém convertidos – promovem o enriquecimento da organização e tornam-se importantes oportunidades para desenvolver qualidades nas pessoas, de modo que sejam valiosas em prol da ampla propagação da Lei. Nichiren Daishonin revela na escritura “Resposta ao Monge Sairen (Sairen Bo Gohenji)”: Se o devoto do Sutra de Lótus, sem se afastar da prática da fé e sem falsa afetividade, entregar totalmente a sua vida ao Sutra de Lótus e realizar os exercícios de aprimoramento conforme o dito dourado, nem é preciso dizer sobre as suas existências futuras, mesmo nesta existência terá uma vida longa e saudável, sem acidentes, recebendo a imensa e suprema recompensa mística, e ainda concretizará a grande aspiração da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 642)
O terceiro é a “promoção do desenvolvimento de pessoas, com a participação na Cerimônia de Oko e na Peregrinação”. A Cerimônia de Oko, realizada mensalmente no segundo domingo, é uma ocasião para retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda fundador e aos Três Tesouros, e também para eliminar as causas negativas e renovar o juramento de realizar o shakubuku. É também uma preciosa oportunidade para verificar o direcionamento da Nichiren Shoshu, ouvindo a preleção do Mestre Orientador. A peregrinação – visita ao Templo Principal – é a base da K A I S E N
N º 2 2 7
4
Acumulando |as recitações de daimoku com a convicção no Gohonzon, é certo que ocorrerá conforme essa frase: “nem é preciso dizer sobre as suas existências futuras – mesmo nesta existência terá uma vida longa e saudável sem acidentes, recebendo a imensa e suprema recompensa mística, e ainda concretizará a grande aspiração da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu”. Quando todos acumularem esforços com a dedicação na prática para si e para os outros, com convicção, sem duvidar do grandioso benefício do Gohonzon, a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, um dia se tornará uma realidade. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orientou o seguinte na ocasião da “Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu” do mês de outubro do ano passado: O estabelecimento da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko é um compromisso que nós juramos firmemente perante o altar do Buda fundador e dos Três Tesouros, é o objetivo mais importante no momento, que deve ser atingido custe o que custar, reunindo todas as forças da Nichiren Shoshu para salvar as pessoas que agonizam com sofrimentos severos resultantes dos malefícios das calúnias à Lei de doutrinas e religiões
errôneas, purificar a situação atual da Era do Fim do Darma, extremamente caótica com os cinco tipos de impurezas, estabelecer a paz no seu verdadeiro sentido e tornar realidade o país do Buda. E para a concretização desse objetivo, é fundamental que, primeiramente, cada um de nós se dedique com seriedade à recitação de daimoku, consciente e orgulhoso de fazer parte da estirpe dos Bodhisattvas da Terra, e pratique o shakubuku com entusiasmo, com os benefícios e satisfações que dela resultam. (Daibyakuho, pág. 991)
Quanto aos senhores clérigos e adeptos de todo o mundo, desejo que gravem as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei no âmago de seus corações e estabeleçam a verdadeira paz no mundo maculado pelos cinco tipos de impurezas e, para tornar realidade o estabelecimento do país do Buda, solidifiquem com o espírito renovado a união de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, e dediquem-se à ampla propagação da Verdadeira Lei. Orando de coração pela felicidade de cada um dos senhores e pelo avanço da paz e da propagação irrestrita da Verdadeira Lei em todos os países, faço destas palavras os meus cumprimentos pelo ano novo.
Mensagem para o Gongyo de Ano-novo Reverendo Prior Ryomu Seki
Minhas congratulações pelo novo ano. Nesta ocasião do Gongyo de Ano-novo de 2019 – “Ano de progredir com entusiasmo”, realizei o gongyo juntamente com os senhores presentes e orei profundamente pela saúde e pela realização dos desejos no decorrer deste ano, bem como pela concretização do objetivo de shakubuku. Pois bem, este ano foi denominado de “Ano de progredir com entusiasmo”. Assim, gostaria de analisar efetivamente sobre o que é necessário para que, a partir de hoje, primeiro dia do ano, seja possível progredir com entusiasmo. Penso que seja praticar em conformidade com os seguintes objetivos para prática do ano, que foram lançados pelo Templo Principal: 1. Prática efetiva de shakubuku, com gongyo e recitação de daimoku. 2. Corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – para a unidade da Hokkeko. 3. Promoção do desenvolvimento de pessoas, com a participação na Cerimônia de Oko e na Peregrinação. Em primeiro lugar, temos “prática efetiva de shakubuku, com gongyo e recitação de daimoku”. Nem é preciso explicar que se refere aos exercícios de aprimoramento para si e
K A I S E N
para os outros, que é o essencial. Gostaria de chamar a atenção dos senhores, em especial, para o gongyo da manhã e o treinamento de gongyo realizado aos sábados. Nem é preciso dizer que os exercícios de aprimoramento para si e para os outros – gongyo, recitação de daimoku e shakubuku – são todos importantes, mas gostaria que tivessem uma atenção especial com relação ao gongyo da manhã. O primeiro exercício de aprimoramento que se realiza no dia é o gongyo da manhã. Quem tem o Gohonzon consagrado em casa, ao acordar, oferece água para Gohonzon e, senta-se à sua frente para realizar a leitura da liturgia e a recitação de daimoku. Essa postura estará diretamente ligada a todas as ações no decorrer do dia, ou seja, às causas que serão geradas. Os exercícios de aprimoramento nos permite manifestar o mundo de Buda em nossas vidas a cada instante, para que geremos as causas para a verdadeira felicidade e, assim, obtermos como consequência os seus efeitos. Portanto, é extremamente importante realizarmos devidamente o gongyo da manhã que é o inaugural do dia. No Templo Shoboji, o gongyo da manhã é realizado a partir das oito horas da manhã aos sábados, domingos e feriados. Peço que encontrem um tempo em sua agenda para que possamos realizar juntos o gongyo. Além disso, o
N º 2 2 7
5
treinamento de gongyo é realmente importante. Treinar, para conseguir ler cada frase e verso do gongyo, é um importante exercício de aprimoramento no caminho do Buda. Ao realizálo com um sacerdote, poderá incorporar a pronúncia e o ritmo corretos. Gostaria que participassem e recebessem as orientações dos sacerdotes, mesmo quem tenha o pensamento “consigo fazer perfeitamente o gongyo”. Acredito que os senhores saibam bem sobre a importância do segundo objetivo – “corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin”. O Reverendíssimo Soberano da Lei nos orienta: De fato, conforme Nichiren Daishonin afirma: “Com corpos diversos com o mesmo propósito tudo se realizará, mas com um mesmo corpo com diversos propósitos nada se realizará”, essa união de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, é a chave para a vitória. Entretanto, corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, não se refere de forma alguma a “serem amigos”, e sim, ao fato de todas as pessoas da organização, embora sejam diferentes em sua natureza, aspecto e forma, lutarem tendo o mesmo propósito, focados num único ponto, da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu. (Dainichiren, edição n.º 844, pág. 34)
Quando ouvimos a expressão “corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin”, acabamos associando primeiramente com afinidade, tal como assunto em comum ou preferências. Mas não é isso. É voltarmos o foco para o único ponto: “propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu”, isto é, mirarmos o coração do Buda e ficarmos em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Indica corpos diversos com o mesmo propósito em relação ao ensino do Buda, e não entre as pessoas. Falando de forma prática, para a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, as atitudes devem sempre ter as considerações “se eu fizer isso agora, será útil em prol da propagação irrestrita da Lei – kosenrufu?”, “praticar essa ação agora, levará à propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu?”. Seja a pessoa que recebeu hoje a Cerimônia de Conversão – gojukai, seja alguém que recebeu há cinquenta anos; seja quem mora próximo ao templo, seja quem mora longe; seja quem conhece e estudou profundamente o budismo, seja quem não tem esse conhecimento, todos têm, igualmente, uma missão em prol da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu. É por isso que há a necessidade de realizar os exercícios de aprimoramento em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. O fato de estarmos aqui hoje, como membros da Hokkeko do Templo Shoboji, deve-se à relação causal que vem desde as existências passadas. Dedicar-se à prática para si e para os outros com sentimento de união, comportamento gentil e palavras de incentivo para os companheiros é a Hokkeko da Nichiren Shoshu. Na escritura “Resposta ao Suserano Matsuno (Matsuno Dono Gohenji)” consta: [...] são Budas todas as pessoas que mantêm o Sutra de Lótus. Insultar o Buda é uma transgressão. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1047)
K A I S E N
. Gostaria que reafirmassem o significado de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Quanto ao terceiro objetivo, temos a “promoção do desenvolvimento de pessoas, com a participação na Cerimônia de Oko e na Peregrinação”. Sobre a Cerimônia de Oko, Nichiren Daishonin revela nessa escritura “Resposta ao Suserano Matsuno (Matsuno Dono Gohenji)”: Caso ouça este ensino [ensino de Nichiren Daishonin] ainda que por um instante, acumulará um grandioso benefício e conseguirá atingir uma condição de vida de satisfação. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1047)
Além disso, na escritura “Carta ao Suserano Niike (Niike Gosho)”: Haja o que houver, aproxime-se do sacerdote que conhece o coração deste Sutra e, ouvindo a razão da Lei, avance ainda mais na caminhada da fé. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 10457)
O benefício de ouvir a doutrina e a Lei ao visitar o templo é algo realmente grandioso. Para poder visitar o templo, primeiro é necessário sair de casa. Quem vem de carro precisa de combustível e quem vem de ônibus ou de metrô precisa comprar passagens. Analisando, primeiramente estão realizando o oferecimento do corpo, de trazer a si mesmo até o templo. E o combustível e as passagens, além dos itens de oferecimento que recebemos e que estão diante do altar, são todos oferecimentos materiais. E, acima de tudo, a leitura da liturgia e a recitação de daimoku que realizamos juntos é um oferecimento à Lei. A visita ao templo nos permite acumular o benefício de ouvir a Lei e todos os outros benefícios de que lhes falei. Desejo que também neste ano participem sem falta nas Cerimônias de Oko e de Oeshiki para acumularem os benefícios. A peregrinação citada na sequência, é o encontro com o Dai-Gohonzon, o verdadeiro propósito do advento de Nichiren Daishonin. Nichiren Daishonin é o Objeto de Devoção na forma de pessoa e o Dai-Gohonzon é o Objeto de Devoção na forma da Lei. E, pelo princípio de unicidade de pessoa e Lei, ambos são a entidade do Buda Original, cuja nascente, na forma de Dai-Gohonzon, é protegida no Templo Principal Taisekiji pelos sucessivos Reverendíssimos Soberanos da Lei. Caso nos percamos dessa nascente, não é possível, de forma alguma, seguir a prática de Nichiren Daishonin. Por isso a peregrinação é um dos exercícios de aprimoramento da prática da fé. Como moramos no Brasil, um país distante do Templo Principal, não é possível realizarmos a peregrinação com facilidade. Mas o que importa é o espírito de procura com relação à peregrinação. Ao se dedicar diariamente aos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, com espírito de procura fervoroso ao Dai-Gohonzon, a sabedoria de Buda sem falta vai se manifestar. Gostaria que os senhores estabelecessem um objetivo concreto com relação à peregrinação. Especialmente em relação ao ano de 2021, daqui a dois anos, quando haverá a grande ocasião em comemoração ao 800.º aniversário de nascimento do fundador. Eu desejo
N º 2 2 7
6
iniciar os preparativos minuciosos desde já para que, em 2021, possamos realizar o encontro com o Dai-Gohonzon com a participação de todos os membros da Hokkeko do Brasil, para que a peregrinação seja realizada com grande alegria. O que os senhores acham? Há outro ponto importante. É o que se refere ao primeiro domingo, da Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu, Oferenda Memorial Permanente e Reunião de Estudo. Realmente, a retribuição pelas dívidas de gratidão é a base da base dos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. A Cerimônia de Oko, realizada no segundo domingo de cada mês, é para retribuir pelas dívidas de gratidão a Nichiren Daishonin. No primeiro domingo são realizadas: a Oferenda Memorial – um cerimonial para os antepassados e adeptos que tiveram relação com este templo; a preciosa reunião de recitação de daimoku para desejar a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu do mundo todo; e a reunião de estudo para aprendermos juntos a doutrina de Nichiren Daishonin. Na escritura “Sobre o Verdadeiro Aspecto de Todas as Leis (Shojo Jisso Sho)” que lemos em julho do ano passado consta:
Dedique-se nos dois caminhos, no da prática e no do estudo. Sem a prática e o estudo não pode haver o budismo. Deve realizá-los e também ensinar para as pessoas. A prática e o estudo resultam da fé. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 668)
Desde os primórdios, ensina-se que a escritura deve ser lida com o corpo. Embora pense ter compreendido, se a compreensão não estiver acompanhada de ações não fará sentido. Vamos nos dedicar aos exercícios de shakubuku para que todas as pessoas possam alcançar a felicidade no seu verdadeiro sentido, considerando o dia da Reunião de Recitação de daimoku e o dia da Cerimônia de Oko como datas para a realização, no templo, dos preciosos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Minhas sinceras felicitações por este dia! Quanto aos senhores, peço que reflitam profundamente sobre esse ponto, para que possamos atingir o objetivo de shakubuku deste ano haja o que houver, e vamos, assim, retribuir pelas dívidas de gratidão aos Três Tesouros! Meus sinceros agradecimentos pela sua presença nesta data. Muito obrigado.
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 6 de janeiro de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu do mês de janeiro do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores. Pois bem, conforme os senhores já sabem, este ano foi denominado “Ano de progredir com entusiasmo”. Foram também definidos três objetivos para a prática: 1) prática efetiva de shakubuku, com gongyo e recitação de daimoku; 2) corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – para a unidade da Hokkeko; e 3) promoção do desenvolvimento de pessoas, com a participação na Cerimônia de Oko e na peregrinação. Desejo que os
K A I S E N
senhores os memorizem e os tomem como suas diretrizes para este ano. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orientou em sua mensagem de ano-novo do ano passado: Nichiren Daishonin afirma na escritura “Carta a Masmorra (Tsuchiro Gosho)”: “As demais pessoas que leem o Sutra de Lótus o fazem somente com a boca; ainda que o leiam com a boca, não o fazem com o coração; ainda que o leiam com o coração, não o fazem com o corpo. É muito nobre que pratique simultaneamente com a dualidade corpo-mente” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 483). Embora haja o benefício amplo e ilimitado no Budismo do Buda Original da Era do Fim do Darma Nichiren Daishonin, o fato de não surtir efeito caso não venha a se exercitar nesse caminho é similar ao fato de não ser possível eliminar a doença que possui ao fazer com que outra pessoa tome o remédio [em seu lugar]. E a necessidade de exercitar corretamente é a mesma de ter que tomar o remédio conforme a prescrição. (Myokyo, edição de janeiro de 2018, pág. 10)
Por mais excelente que seja o remédio, se a pessoa deixar de tomá-lo, não surtirá efeito. Assim, se não for ingerido corretamente, não apresentará o resultado adequado e poderão surgir efeitos adversos. Semelhantemente, embora
N º 2 2 7
7
o Budismo de Nichiren Daishonin seja extraordinário, se deixarmos de praticá-lo ou de seguir corretamente conforme o ensino de Nichiren Daishonin, além de não podermos alcançar os benefícios que alcançaríamos, acabaremos gerando causas negativas e ficando sem o caminho para a Iluminação. Por essa razão, o Reverendíssimo Soberano da Lei sempre nos orienta sobre a importância da prática da fé para si e para os outros. Ou seja, de praticar efetivamente o shakubuku com gongyo e recitação de daimoku – o primeiro objetivo do ano. Mas caso se limite apenas à prática para si ou então somente ao shakubuku, não será uma prática da fé que abarca tanto os exercícios para si como para os outros conforme o ensino de Nichiren Daishonin. Como segundo objetivo, temos: corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – para a unidade da Hokkeko. E, para realizar o shakubuku e promover o aprimoramento das pessoas, a união dentro da organização é imprescindível. Tanto o shakubuku como o aprimoramento não podem ter a base solidificada sem que toda a Hokkeko se envolva. Para isso, acredito que é necessário cada pessoa se lembrar do propósito da Hokkeko. A Hokkeko é uma organização de adeptos estabelecida dentro da Nichiren Shoshu, para que os membros protejam o Templo Principal e os templos filiais, contribuam um com o outro para aprofundar a fé e a prática, e propaguem irrestritamente o ensino de Nichiren Daishonin. Não é uma mera reunião de pessoas. A sua denominação tem origem distinta, conforme consta no Dai-Gohonzon do Supremo Santuário do Portal Original consagrado no Templo Principal: “Respeitosamente para os solicitantes: Yashiro Kunishige e seguidores da Hokkeko”. Nós precisamos gravar profundamente em nossos corações o propósito de sua existência e dedicarmo-nos diariamente para concretizar a propagação irrestrita da Lei –
K A I S E N
kosen-rufu, legada por Nichiren Daishonin, e a meta estabelecida pelo Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin para o ano de 2021. E, para isso, o terceiro objetivo, da promoção do desenvolvimento de pessoas, com a participação na Cerimônia de Oko e na peregrinação, torna-se fundamental. A Cerimônia de Oko é realizada uma vez por mês. A data e o horário são fixos. Assim, vamos procurar comparecer ao templo todos os meses, conciliando a agenda, para retribuirmos da melhor forma possível pelas dívidas de gratidão. Vamos também relatar aos companheiros, incentivando um ao outro, sobre o estágio do avanço do shakubuku e do aprimoramento de pessoas. Ao realizar a peregrinação ao Templo Principal e encontrar-se com o DaiGohonzon do Supremo Santuário sob a grandiosa condução do Reverendíssimo Soberano da Lei, poderá purificar a mente e o corpo nesse local puro, além de aprofundar ainda mais a prática da fé. Visitar o Templo Principal não é fácil, mas, por isso mesmo, o benefício é grandioso e [essa experiência] torna-se num grande alicerce para a sua prática da fé. O novo ano acabou de começar, mas o tempo passa muito rápido. Ao fazer uma reflexão sobre o shakubuku e aprimoramento do ano passado, se houver arrependimento, vamos agir para que neste ano não tenhamos esse sentimento. Seja para fazer o shakubuku, seja para promover o aprimoramento, vamos começar a agir a partir de agora, no início do ano, dedicando-nos ainda mais para que possamos fazer com que esse ano seja digno da sua denominação de “ano de progredir com entusiasmo”! Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu deste mês. Muito obrigado.
N º 2 2 7
8
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 13 de janeiro de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de janeiro do “Ano de Progredir com Entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês para, assim, retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Essa obra foi escrita em abril de 1276 (2.º ano da Era Kenji), quando Nichiren Daishonin estava com 55 anos de idade, e foi enviada de Minobu para os irmãos Munenaka e Munenaga Ikegami que residiam em Ikegami, Musashi. Munenaka, o irmão mais velho, converteu-se ao ensino de Nichiren Daishonin em 1256 (primeiro ano da Era Kogen), na mesma época dos suseranos Shijo Kingo e Kudo Yoshitaka e outros, três anos após Nichiren Daishonin ter estabelecido a doutrina. Supõe-se que o mais novo, Munenaga, tenha se convertido com o incentivo do irmão mais velho. Mas o pai deles, Yasumitsu, era um fervoroso seguidor de Ryokan, do Templo Gokurakuji, sobre quem eu havia comentado brevemente no mês passado. Assim, Yasumitsu era extremamente hostil à fé do Sutra de Lótus ensinada por Nichiren Daishonin que refutou totalmente, de forma lógica, os equívocos das doutrinas de Ryokan. Nesse contexto, Nichiren Daishonin orientou os irmãos e suas respectivas esposas a unirem seus corações e manterem a prática da fé em corpos diversos com o mesmo propósito, pois “se as maldades não se manifestassem, concorrendo umas com as outras, não haveria como saber que é a Verdadeira Lei”, afirmando que todas as provações eram manifestações da maldade que ocorrem justamente porque a prática é correta. De acordo com a conjuntura social da época, quando não era admitido se opor às vontades dos pais, não era simples manter a prática de Nichiren Daishonin, contrariando a importante autoridade paterna. Para desfazer o laço da prática da fé dos irmãos, deserdou Munenaka, o irmão mais velho, por duas vezes e aproximou-se do mais novo, Munenaga, que tinha uma prática da fé mais frágil, com a tentação de que poderia torná-lo seu herdeiro. Analisando as circunstâncias da época, ser deserdado e deixar de
K A I S E N
assumir como chefe da família não significava tão somente o fim do vínculo familiar, significava também a perda das bases financeiras. Porém, Munenaka manteve-se firme com a determinação de não se afastar e, abraçando plenamente as orientações de Nichiren Daishonin, incentivou Munenaga [a não sucumbir]. E, dessa forma, os irmãos e suas respectivas esposas enfrentaram e superaram juntos todas as dificuldades. Munenaka, o irmão mais velho, devotou-se à prática da fé sem se afligir, mesmo depois de ter sido deserdado por duas vezes pelo pai. Por ter continuado a realizar o shakubuku ao pai, juntamente com o seu irmão mais novo, cerca de vinte anos depois conseguiu converter o pai que que até então se mantinha irredutível. Já no final da vida, Nichiren Daishonin dirigiu-se a Hitachi para tratamento com águas termais por sugestão de um de seus discípulos. Durante o percurso, passou pela residência de Ikegami Munenaka, onde permaneceu por cerca de um mês. Durante esse período, realizou a preleção de “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)” e escreveu a obra “Carta de Transmissão de Minobusan (Minobusan Fuzoku Sho)” – a carta de transmissão à Nikko Shonin, e veio a falecer no dia 13 de outubro de 1282 (5.º ano da Era Koan), na residência de Ikegami Munenaka. Ou seja, o período de um mês que antecedeu o seu falecimento Nichiren Daishonin passou na residência de Ikegami. Nós precisamos, primeiramente, cultivar uma fé que jamais se afasta – mesmo que haja oposição de familiares e parentes e diante de quaisquer que sejam os obstáculos das maldades. Além disso, devemos incorporar uma postura firme de praticar a fé, de jamais desistir e continuar realizando o shakubuku, mesmo que a pessoa se oponha e ainda que leve meses e anos para que seja concretizado. Nessa escritura, Nichiren Daishonin menciona primeiramente a importância do Sutra de Lótus. O Buda Sakyamuni revelou diversos sutras, mas ele fez isso para conduzir [os seres] ao Sutra de Lótus. Nesse contexto, para revelar a dificuldade de manter o Sutra de Lótus e ensinar sobre a gravidade das causas negativas que acabam sendo geradas com as calúnias e insultos aos devotos do Sutra de Lótus, citou os discípulos que acabaram se afastando, embora tivessem recebido a semeadura no passado, há três mil jidengo. Além disso, expõe que este mundo pertence ao Rei Maléfico do Sexto Céu e que, portanto, sempre se manifestam as ações para afastar os devotos do Sutra de Lótus, ou seja, da Verdadeira Lei, da recitação do NamMyoho-Rengue-Kyo. Revelou que até um bodhisattva no estágio similar ao de percepção, a apenas um passo dela, pode ser ludibriado pelas maldades e acabar se afastando, e orienta a nós, mortais comuns, que devemos N º 2 2 7
9
sempre tomar muito cuidado. As maldades mudam as formas como elas se apresentam para procurar fazer com que nos afastemos da fé. O mais importante é perceber a maldade como tal. Prosseguindo, expõe sobre “transformar o pesado e receber o leve – tenju kyoju”, ou seja, ensina que nós receberíamos diversos sofrimentos nesta existência devido às causas negativas de caluniar a Verdadeira Lei nas existências passadas, mas, por abraçarmos e mantermos a Verdadeira Lei no presente, podemos receber como um sofrimento menor o sofrimento maior que originalmente teríamos. E então nos revela que, independentemente dos sofrimentos que possam se manifestar, se os enfrentarmos com a prática da fé de Nam-Myoho-Rengue-Kyo, tal como o ferro torna-se ainda mais resistente ao ser batido, a nossa fé também se tornará ainda mais sólida conforme enfrentarmos e superarmos as dificuldades e a proteção das Entidades Iluminadas sem falta vão se manifestar. Na sequência, Nichiren Daishonin faz referência ao Buda Sakyamuni. O Buda Sakyamuni era príncipe de um reino, mas decidiu ingressar no sacerdócio ao se deparar com a inconstância do mundo. Porém, o seu pai, o Rei Suddhodana, se opôs veementemente e tentou segurar o Buda Sakyamuni utilizando-se de diversos meios. Porém, o Buda Sakyamuni ingressou no sacerdócio sem ser ludibriado por qualquer tipo de tentação. Assim, expõe que, embora haja o dever de seguir os pais, com relação aos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda para atingir a Iluminação, a suprema dedicação filial é a de continuar a realizar os exercícios mesmo a contragosto dos pais. Dessa forma, elogia enormemente a decisão dos irmãos de juntarem as forças para continuar praticar a fé. Iniciarei então, a leitura da frase: Ao professar essa doutrina, as maldades sem falta manifestar-se-ão. Se as maldades não se manifestassem, concorrendo umas com as outras, não haveria como saber que é a Verdadeira Lei. Ao propagar a Lei, isto é, ao realizar o shakubuku, as maldades sem falta se manifestam, concorrendo umas com as outras. Os obstáculos das maldades procuram impedir a Iluminação, tornando-se empecilhos para os nossos exercícios de aprimoramento da prática da fé. Entretanto, Nichiren Daishonin revela na escritura “Resposta ao Monge Sairen (Sairen Bo Gohenji)” até sobre a maior das maldades, o Rei Maléfico do Sexto Céu: Mesmo que o Rei Maléfico do Sexto Céu tente entrar no meu corpo, se eu estiver sempre realizando a prática correta, ele jamais conseguirá. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 585)
Ou seja, devemos nos precaver e nos precaver no dia a dia, sem falhar no gongyo e na recitação de daimoku diários e praticar o shakubuku. Se realizarmos efetivamente uma prática da fé vigorosa que abarca a prática para si e para os outros, poderemos sem falta, superar todos os três K A I S E N
obstáculos e quatro maldades. Prosseguindo, cita uma história para fazer uma analogia sobre quão difícil é manter a Verdadeira Lei. Há muito tempo, um asceta recluso estava realizando os exercícios de aprimoramento para se tornar um eremita. Ele finalmente descobriu como se tornar um eremita. Mas, para isso, ele precisava de alguém que pudesse ser seu parceiro na empreitada. Ele achou uma pessoa, fez-lhe oferecimentos e depois pediu que o ajudasse. A pessoa aceitou de bom grado, considerando ser uma boa oportunidade para retribuir. E, numa certa noite, o asceta fez com que a pessoa segurasse uma alabarda e pediu a ela que se mantivesse em pé no canto do altar, em silêncio e também com a respiração silenciosa. Orientou que, se ela não dissesse uma única palavra até o amanhecer, conseguiria alcançar um meio para se tornar um eremita. O asceta sentou-se então no meio do altar e começou a entoar as palavras mágicas. As horas foram passando e, de madrugada, quando estava prestes a concluir os exercícios de aprimoramento, inesperadamente o seu parceiro gritou em voz alta. O asceta não pôde, no fim, tornar-se um eremita. Ao ser questionado pelo asceta: “Por que você acabou gritando?”, o seu ajudante respondeu: “Eu estava decidido desde o início a ficar quieto, acontecesse o que acontecesse. Mas então, o meu patrão, a quem servi no passado, disse que desejava que eu retornasse para trabalhar novamente com ele. Eu me mantive calado, e o patrão me disse que bastava uma palavra, que se eu falasse uma única palavra, ele me deixaria em paz imediatamente. Mesmo assim me mantive calado e o patrão ficou enfurecido e me ameaçou, dizendo que se eu não dissesse uma palavra, me mataria com uma espada. Como ainda assim continuei calado, fui esfaqueado e morto com uma espada. Mas eu estava decidido que não falaria mesmo na existência futura para retribuir pelas dívidas de gratidão que tenho com o senhor. E, então, eu renasci numa família abastada. Mesmo depois disso, continuei sem falar, independentemente do que houvesse acontecido. E assim, cresci casei e tive um filho. Certo dia, minha esposa falou: ‘Se você não disser uma única palavra que seja, eu matarei esta criança’. Eu já estava com 65 anos de idade. Se ela matasse a criança, toda a minha razão de viver deixaria de existir. E, pensando assim, acabei gritando”. Ao ouvi-lo, o asceta disse: “Eu e você fomos ludibriados pelas maldades”. O seu ajudante lamentou enormemente: “O senhor não pôde concluir os exercícios de aprimoramento para se tornar um eremita porque a minha determinação foi fraca”. Sentido pelo fato de não ter conseguido retribuir pelas dívidas de gratidão ao asceta, ele acabou morrendo de desgosto. Os exercícios de aprimoramento realizados por esse asceta estão muito aquém dos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda para a Iluminação. Mas isso é um exemplo para representar que, mesmo assim, uma grande maldade se manifesta. Ou seja, ao realizar os exercícios de aprimoramento para a Iluminação, é natural que as maldades se manifestem. Ao ouvir que as maldades
N º 2 2 7
10
se manifestam, podem surgir pessoas que digam: “então, prefiro deixar de realizar os exercícios no caminho do Buda para que as maldades não se manifestem!”. Como devemos considerar essa questão? Nichiren Daishonin afirma na escritura “Resposta ao Suserano Hyoe Sakan (Hyoe Sakan Dono Gohenji)”: Os impedimentos denominados Três Obstáculos e Quatro Maldades sem falta se manifestam, [e quando isso ocorre], os sábios se alegram e os tolos se afastam. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1184)
Mas por que os sábios se alegram quando as maldades se manifestam? Por que no decorrer da nossa prática da fé, justamente quando diversos obstáculos da maldade se manifestam, como que concorressem uns com os outros, temos a prova de que poderemos eliminar as causas negativas e também concretizar a grande aspiração. Nós desejamos evitar as dificuldades e os sofrimentos. Mas a nossa realidade está repleta de dificuldades e sofrimentos. Foi Nichiren Daishonin quem revelou corretamente as causas dessas dificuldades e os meios para enfrentá-las e superálas. Nichiren Daishonin nos ensina que, sem falta, existem as causas de todas as dificuldades, e sobre a importância de descobrir essas causas e acumular as causas para a felicidade. Ou seja, primeiramente deve perceber a maldade como maldade e, ao enfrentar e superar as maldades com os exercícios de aprimoramento com fé, é possível transformar as causas negativas que acumulamos em causas para a Iluminação. O Buda Original Nichiren Daishonin revelou que para a felicidade das pessoas, do país e da sociedade, não há outra solução a não ser a conversão à Verdadeira Lei. Nós, adeptos da Nichiren Shoshu, podemos transformar as causas do sofrimento que nós mesmos geramos em causas para a Iluminação com os exercícios de aprimoramento da prática da fé. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: Consta no quinto volume: “Dedicando-se à prática e à compreensão, os três obstáculos e as quatro maldades ocorrerão tumultuadamente, concorrendo umas com as outras. Entretanto, não deve se render e nem deve temer. Caso se renda a elas, a pessoa seguirá para o mau caminho, e se caso as tema, isso a impedirá de exercitar a Verdadeira Lei”. “Quinto volume” indica o quinto dos dez volumes de “Grande Concentração e Contemplação (Maka Shikan)”, obra de autoria do Grande Mestre Tientai. Nesse volume está revelado os “três mil num instante – ichinen sanzen” e é considerado como verdadeiro propósito do advento do Grande Mestre Tientai. Os três obstáculos e quatro maldades citados na frase referem-se às manifestações da maldade que visam impedir os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Mencionando sucintamente, os três obstáculos são os relacionados aos desejos mundanos, carma e retribuição; as quatro maldades são as relacionadas aos desejos mundanos, cinco componentes, morte e Entidade Maléfica do K A I S E N
Sexto Céu. O obstáculo dos desejos mundanos é o que se manifesta em decorrência dos três venenos: avareza, ira e estupidez. O obstáculo do carma é aquele que se manifesta pelo carma de ter cometido os cinco crimes de oposição (matar o pai, a mãe ou um sacerdote, fazer o Buda sangrar, destruir a harmonia entre os clérigos e adeptos) ou os dez atos de maldade (matar, roubar, mentir etc.). O obstáculo da retribuição é aquele que impede os exercícios de aprimoramento em decorrência do efeito manifestado pela calúnia à Verdadeira Lei. Prosseguindo, em relação às quatro maldades, a maldade dos desejos mundanos é aquela que incita os desejos mundanos, tais como os três tipos de ilusão, e rouba a sabedoria de quem exercita o caminho do Buda. A maldade dos cinco componentes é aquela que desequilibra a harmonia entre os cinco componentes que constituem física e espiritualmente o ser humano, causando impedimentos para o caminho do Buda. A maldade da morte refere-se à interrupção dos exercícios de aprimoramento da pessoa que realiza os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda com a morte dela própria, ou então, à ação de incitar dúvidas em outras pessoas com a morte de alguém que realizava os exercícios de aprimoramento. E a última, a maldade da Entidade Maléfica do Sexto Céu, indica a obstrução à realização no caminho do Buda, impetrada pelo Rei Maléfico do sexto céu que habita o mundo de céu, e é a maldade elementar que suscita todos os obstáculos e maldades. Portanto, para quem realiza os exercícios de aprimoramento conforme ensinado por Nichiren Daishonin, esses três obstáculos e quatro maldades se manifestam para impedir a realização desses exercícios. Mas, caso se renda a eles, acabará caindo no mau caminho e, caso os tema, não será possível realizar os exercícios de aprimoramento da Verdadeira Lei, e não será possível gerar as causas da Iluminação. Dessa forma, Nichiren Daishonin ensina que jamais devemos ser ludibriados pelos três obstáculos e quatro maldades. Prosseguindo, temos a última passagem: A interpretação disso é que não se aplica somente a Nichiren – é um espelho nítido desta escola. Devem assimilar e transmitir respeitosamente, tomando [essa doutrina] como seu alicerce em prol do futuro. Ou seja, Nichiren Daishonin ensina que os seus discípulos jamais devem se afastar dos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, quaisquer que sejam as maldades que venham a se manifestar e que essa orientação deve ser transmitida para as gerações futuras. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta: Quando seguimos o ensino do budismo correto e procuramos estabelecer a felicidade, todos os obstáculos das maldades manifestam-se tumultuadamente como a sombra acompanha o corpo. O poder das maldades é forte, e é difícil escapar de sua influência, mas justamente nas N º 2 2 7
11
lutas contra essas maldades é que temos a essência dos exercícios de aprimoramento do budismo. Ao avançarmos, recitando firmemente o daimoku e dedicando a vida em prol da ampla propagação da Verdadeira Lei, sem falta será possível perceber a maldade como tal e abrir o futuro com alegria. Mas as maldades sempre se aproveitam quando a nossa prática da fé está sendo levada pelo hábito. Essa é a forma de atuação da maldade. Para estabelecermos uma prática da fé sólida, que não é derrotada pelas maldades, é fundamental recitarmos o daimoku dia a dia e mês a mês, realizarmos o shakubuku e fortalecermos a prática da fé para si e para os outros. Em vez de sermos levados pelo hábito para então as maldades se aproveitarem, é importante suscitarmos os obstáculos das maldades e fazer deles um propulsor para o desenvolvimento da nossa prática da fé, conforme Nichiren Daishonin afirma: “Se as maldades não se manifestassem, concorrendo umas com as outras, não haveria como saber que é a Verdadeira Lei”. Afinal, a prática da fé é uma luta contra os obstáculos das maldades. Desejo de coração que, quando eles se manifestarem, tenham a convicção de que é uma chance de crescer e dediquem-se ainda mais ao gongyo, à recitação de daimoku e ao shakubuku com alegria e coragem, eliminando decididamente os obstáculos das maldades para trilhar com dignidade o caminho da vitória. (Dainichiren, edição de outubro de 2015)
Na escritura “Carta aos Irmãos (Kyodai Sho)” que lemos respeitosamente este mês há a seguinte passagem: Este mundo é de propriedade do Rei Maléfico do Sexto Céu. Todos os seres são da estirpe desse Rei Maléfico, desde [o passado] sem começo. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 980)
Além disso, na escritura “Sobre a diferença entre a cura de doenças graves e leves do Expediente e Verdadeiro” (Jibyo Daisho Gonjitsu Imoku)” temos: O coração do Sutra de Lótus é “três mil num instante”. O bem e o mal estão contidos em todas as vidas. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1237)
Ou seja, indica que as manifestações das maldades que impedem os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda estão dentro de nossas vidas. Caso deixemos de realizar os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda por sermos derrotados pelas maldades, ficaremos impedidos de gerar as causas da Iluminação, e isso não será culpa de outras pessoas ou das circunstâncias. Isso terá ocorrido porque nós fomos derrotados pelas maldades contidas em nossos próprios corações. Somente a própria pessoa poderá realizar os exercícios de aprimoramento que a levará a atingir a Iluminação. Não ganhará nada ao responsabilizar os demais. Nichiren Daishonin afirma na escritura: “Sobre a Iluminação na Forma Presente (Issho Jobutsu Sho)”: [...] se o coração dos seres for impuro, a terra assim o será; se o coração for puro, a terra também o será. Fala-se de terra pura ou impura, entretanto, não há distinção da terra K A I S E N
em duas. Constata-se que depende somente do bem ou do mal de nossos corações. É assim também com relação aos seres ou aos Budas. Quando estão desnorteados são chamados de mortais comuns e ao atingir a percepção são denominados Budas. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 46)
Expõe claramente que, tanto as circunstâncias como os relacionamentos interpessoais, tudo decorre da nossa própria condição de vida. Conforme Nichinyo Shonin orienta, devemos vencer o Rei Maléfico do Sexto Céu de nossos corações que se manifesta de diversas formas, seja no relacionamento interpessoal, seja no círculo social, abraçando e mantendo a grandiosa Lei do Nam-Myoho-Rengue-Kyo. Com isso teremos o desenvolvimento de nossas vidas e, acima de tudo, o caminho direto para a Iluminação. Munenaka, o irmão mais velho dos Ikegami, manteve sempre uma prática da fé vigorosa desde que se tornou adepto de Nichiren Daishonin, sem sucumbir à grande dificuldade de ser deserdado pelo pai, enfrentando e superando tudo com a fé. O mais novo, Munenaga, não tinha tanta convicção como o seu irmão mais velho, e, quando este foi deserdado, parece que realmente houve o risco de ele se afastar. Mas, ao receber as advertências e incentivos de Nichiren Daishonin, ele conseguiu, juntamente com o irmão mais velho, realizar shakubuku no pai, fazendo por fim que este se tornasse um adepto de Nichiren Daishonin. A maldade se manifesta de diversas formas. Porém, mantendo a convicção no Dai-Gohonzon, gravando e colocando em prática as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei da época, sem falta perceberá a maldade como maldade. Este é o primeiro mês do ano de 2019. Vamos continuar a nos dedicar neste ano aos exercícios de aprimoramento basilares e mais importantes no caminho do Buda, que são gongyo, recitação de daimoku e shakubuku, também para que possamos perceber a maldade de nossos próprios corações como tal e gerar as causas da Iluminação. Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
N º 2 2 7
12
Conhecer a Lógica Reverendo Myoyo Kondoh Matéria de Estudo para o Núcleo de Janeiro
Com a chegada do ano-novo, penso que algumas pessoas façam reflexões sobre o ano que passou e estabeleçam objetivos para o novo ano com o espírito renovado. Considero muito importante, que no início do ano ou nas mudanças de estações, que se realize uma reflexão para analisar a si próprio. É importante estabelecer grandes objetivos, mas, ocasionalmente, pode ficar sem saber o que fazer ou acabar se desviando do caminho, por ficar obcecado por eles. Ao constatar que está conseguindo ir na direção que almeja, talvez consiga enxergar o atalho para atingir o objetivo. Também nesse contexto, é importante que se tenha o devido conhecimento da lógica. E o que seria a “lógica”? Pesquisando no dicionário, temos: Relação de causa e consequência correta; O caminho correto que uma pessoa deve trilhar; Ter coerência. Vamos analisar de forma simplificada: Se falar mal de alguém, ele ficará chateado. Caso ridicularize um amigo que está triste, ele ficará magoado. Se atravessar o sinal vermelho em um cruzamento, correrá o risco de sofrer um acidente. Caso venha a ferir uma pessoa, será preso pela Polícia. Essas situações são elementares, assim, todos conseguem entendê-las. E nas situações seguintes? Não se sabe por que, mas os negócios não vão bem. Não se sabe por que, mas sofre acidentes com frequência. Tem dificuldades de relacionamento humano. Deseja ajudar amigos e familiares, mas não consegue. É enganado frequentemente pelas pessoas, etc... Quando tais fatos ocorrem, pode ser que fiquem sem saber o que fazer. Entre os seres humanos, há aqueles que têm muitas causas negativas acumuladas desde as existências passadas e outras que possuem poucas. E com isso, as pessoas estão em diferentes situações, tais como aquelas que têm sucesso na existência presente, e outras com muitos insucessos e contratempos. Mas as pessoas que tiveram êxito sabem da razão que as levou a alcançarem o sucesso. Mas como os seres humanos não são perfeitos, sem falta haverá situações em que em que a pessoa não conseguirá solucionar os problemas sozinha. Nessas ocasiões o que devemos fazer? Devemos reverenciar a sabedoria de Buda do Gohonzon para que possamos suprir aquilo que nos falta. Nichiren Daishonin nos ensina na escritura “Resposta ao Suserano Shijo Kingo (Shijo Kingo Dono Gohenji)”: Budismo é razão. A razão é, em suma, aquilo que a tudo supera. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1179)
O budismo tem a razão correta e sempre nos encaminha para a melhor direção. E é o Gohonzon que permite K A I S E N
transformar a nossa vida desde a raiz. Quando nos voltamos para o Gohonzon correto da Nichiren Shoshu, a nossa vida interage com a vida do Buda, fazendo com que gradativamente a nossa vida se assemelhe à do Buda. Essa é a razão. Entretanto, isso ocorre somente quando se acredita no budismo correto. Caso siga ensinos errôneos, isso não o levará à solução dos problemas. Nichiren Daishonin ensina na escritura “Sobre a Superioridade e a Inferioridade entre Sutra de Lótus e Shingon (Hokke Shingon Shoretsu Ji)”: Caso sejam opiniões pessoais, em que se desconheçam a sua origem como prova escrita, não devem se basear neles. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 307)
Conforme essa frase, caso siga o ensino em que se desconheça a origem dos sutras em que se baseia, ou siga o ensino que ignore ou desrespeite a intenção do Buda, acabará se tornando um ser humano imprudente e não será possível ser feliz. É como seguir alguém que, ao ser perguntado pelo caminho, te guia de forma evasiva por desconhecer o lugar. Também nesse contexto, quando alguém segue e acredita no ensino de Nichiren Daishonin, é possível compreender corretamente a razão e estabelecer uma natureza sólida que não se deixa influenciar por más causas. Porém, essa natureza sólida não será estabelecida facilmente. Na escritura “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”, Nichiren Daishonin afirma: Entretanto, o coração das pessoas muda conforme o tempo e a natureza das coisas modifica-se conforme as circunstâncias. Exemplificando, é tal como a Lua na superfície da água agitar-se com as ondas, e a tropa da linha de frente hesitar perante as espadas inimigas. O senhor, apesar de crer neste momento, depois, seguramente acabará por esquecer durante muito tempo. Entretanto, ao realizar efetivamente o gongyo, a recitação de daimoku e o exercício de shakubuku no dia a dia, é possível eliminar as causas negativas e acumular virtudes, para alcançar naturalmente a felicidade e também salvar as pessoas ao redor.
Quanto a todos os senhores e senhoras, com o espírito renovado no ano-novo, desejo que se lembrem de sua determinação inicial e assim, possam salvar muitas pessoas, e estabeleçam para si e para os outros uma condição de vida de felicidade! N º 2 2 7
13
Treinamento de Verão do Templo Shoboji Reverendo Prior Ryomu Seki 03 de fevereiro de 2019
①
O mau carma resulta das calúnias à Lei, e os sofrimentos são gerados pelo mau carma. Todo tipo de mal-estar físico ou doenças incuráveis que levam os médicos a desenganar [os pacientes] resultam da causa de se opor à Lei, cometida no passado, sem que se tenha conhecimento atual sobre ela. Caso continue nesse encadeamento, ter-se-á uma vida exclusivamente de sofrimento. Ao exercitar a Lei Mística, os benefícios místicos são gerados e essa vida de sofrimento se transforma. Desejo que as pessoas que enfrentam o sofrimento decorrente das doenças ou que estão angustiadas por qualquer tipo de sofrimento acreditem nisso. Reverenciemos a passagem da escritura “Carta à Monja Myoichi (Myoichi Ama Goze Goshosoku)”: As pessoas que creem no Sutra de Lótus são como o inverno. O inverno sem falta torna-se primavera. Nunca ouvi dizer, desde o remoto passado, que o inverno retornasse ao outono. Nunca ouvi dizer que quem crê no Sutra de Lótus retornasse à condição de mortal comum. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 832)
Em meio aos diversos carmas e encontros da vida, há muitas pessoas que estão prestes a ser soterradas por toda a sorte de privações, insatisfações e infelicidades. Entretanto, abraçando, mantendo, acreditando e praticando ininterruptamente a Lei Mística, acreditando no Gohonzon, até uma vida austera como o inverno tornar-se-á uma vida de felicidade, acolhedora como a primavera, conforme essa frase. Essa transformação não vem de fora nem de dentro. É apenas o benefício da Lei Mística. E esse benefício se manifesta tanto externa como internamente, gerando a satisfação e a felicidade no seu verdadeiro sentido. São muitos os males como desconfiança, antipatia e frieza, bem como os sofrimentos como desprezo e inveja, resultantes de diversos tipos de relacionamento interpessoal, como o conjugal, o familiar, o de amizade ou o do ambiente profissional. São incontáveis os sofrimentos e angústias das pessoas da sociedade, que estão abaixo da linha regular da vida humana e parecem rastejar na escuridão da vida, com seus corações tão decadentes que já não conseguem perceber o tormento como tal. Porém, ao abraçar e manter dedicadamente a Lei Mística, essa vida invernal sem falta tornar-se-á primaveril. Temos, além disso, a seguinte frase sagrada de Nichiren Daishonin: Eu, Nichiren, vivenciei o Budismo, e [ele] se resume na teoria e na comprovação conforme as escrituras. Mas a teoria e a comprovação conforme as escrituras não superam a prova real. A Oração dos Três Doutos pela Chuva (San Sanzo Kiu no Koto) (Heisei Shimpen Gosho, pág. 874)
K A I S E N
Em suma, podemos reverenciar que o mais importante é o fato de que a doutrina correta, como doutrina correta, faça manifestar as provas reais. A doutrinação de Nichiren Daishonin, durante toda a sua vida, revelou em diversos momentos essas místicas provas reais do budismo. Entretanto, essas provas reais não se manifestaram apenas para uma pessoa, Nichiren Daishonin. Elas se manifestam para todas as pessoas que creem e praticam a Lei Mística. Elas se revelam como provas reais para todas as pessoas que comprovaram os mais variados benefícios – superação do sofrimento decorrente das doenças, estabelecimento da convicção e da determinação correta na vida cotidiana, constituição de uma força vital sólida, mudança favorável de todos os relacionamentos interpessoais, entre outros. Por isso, é importante incorporar profundamente as orientações do fundador e dedicar-se à prática da fé e recitação de daimoku.
②
Polir a própria prática da fé de si Dentro de nosso coração há, originalmente, a ignorância, que é um dos desejos mundanos e que faz surgir ininterruptamente diversos tipos de ilusão. Por isso, nosso coração assemelha-se a um espelho não polido, que está sempre embaçado. Mas, da mesma forma que teremos um brilhante espelho nítido ao poli-lo e clarear a sua opacidade, teremos um coração com a percepção da Lei verdadeira. Portanto, nós que possuímos um coração desencaminhado, sempre precisamos poli-lo de forma correta. E há somente uma única forma de poli-lo, que é recitar o Nam-MyohoRengue-Kyo ao Gohonzon, o objeto correto [de devoção].
③
Abrir a verdade O nosso coração está sempre confuso em relação ao bem e ao mal, mas deseja abandonar o mal e buscar o bem. Entretanto, na prática, o coração tolo opõe-se ao bem e pratica o mal. Além disso, apegado a um pequeno bem, opõe-se a um bem de dimensão maior. Isso ocorre porque está preso a conceitos morais limitados – é um coração que diferencia, que analisa pela confrontação do bem com o mal. Além disso, se descortinarmos a verdade, o coração com bem e o mal, em sua totalidade, é o Myoho-Rengue-Kyo. Portanto, recitando a Lei Mística, surgirão virtudes jamais sentidas até então, em todos os corações do bem e do mal, e, ao continuar a recitá-lo com fé, haverá um grande bem, que supera os pequenos bens e os bens medianos e que será o espelho para iluminar tanto os pequenos males, como os males medianos ou os grandes males, possibilitando tornarse Buda em vida.
N º 2 2 7
14
④
Voltar-se à entidade preciosa O nosso corpo e a nossa natureza podem ter aspectos comuns aos de outras pessoas, mas também aspectos únicos e diferente das demais. Ou seja, temos aspectos equivalentes e também diferentes. Muitas pessoas sentemse angustiadas, umas com as outras, por diversas deficiências físicas ou psicológicas, diferenças quanto à natureza ou problemas de relacionamento interpessoal. Isso ocorre por estarem desalinhadas em relação à entidade verdadeira e ilimitada que se encontra latente nas profundezas de sua própria vida. Em tudo que existe é comum haver, num patamar mais elevado, a “preciosidade”. A Lei Mística é a nossa entidade preciosa, a entidade verdadeira. Logo, manter e recitar a Lei Mística é devotar-se a essa entidade preciosa.
K A I S E N
⑤
Manifestação do Buda [que se encontra] dentro do coração Seja o conceito de que um instante contém três mil mundos, seja o preceito de que um coração contém, na íntegra, os princípios da não substancialidade, da transitoriedade e do caminho do meio – todos estão contidos no Myoho-Rengue-Kyo. O Myoho-Rengue-Kyo que está relacionado a tudo que existe no Universo e que a tudo contém, está abarcado em nosso coração. Portanto, ao recitar a Lei Mística de unicidade de Pessoa e Lei, manifestase o Buda que se encontra originalmente dentro do coração e que jamais se manifestaria por meio dos mais diversos ensinos transitórios ou procedimentos que se baseiam somente em seu próprio coração.
N º 2 2 7
15
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 10 de fevereiro de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de fevereiro do “Ano de Progredir com Entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês para, assim, retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Essa obra foi escrita no ano de 1278 (1.º ano da Era Koan), em Minobu, quando Nichiren Daishonin estava com 57 anos de idade. Há versão, não confirmada, de que foi destinada à Monja Myoho. O termo “principiantes” que compõe o título se refere ao fato de uma pessoa que desperta a determinação pela primeira vez e passa a buscar os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Nós que recebemos a vida na Era do Fim do Darma também somos os seres que “ainda não receberam o Bem – hommi uzen”, porque jamais tivemos a semeadura e a relação com o budismo no passado. Assim, nesse contexto, somos todos seres principiantes. Essa escritura delibera sobre o correto e o errôneo, abordando o Sutra de Lótus e os ensinos expedientes e transitórios, utilizando-se do formato de questionamentos e respostas, e esclarece que o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, oculto nas profundezas das escrituras do budismo de semeadura é a única e verdadeira Lei que deve ser semeada, ouvida por um seguidor principiante. Primeiramente, cita as mais diversas ramificações do budismo e esclarece o porquê de o Sutra de Lótus ser o ensino supremo. E, quanto ao questionamento acerca do propósito dos outros sutras, exceto o Sutra de Lótus, evidencia que a intenção do Buda Sakyamuni era o de propagar o Sutra de Lótus. O Buda revelou os ensinos expedientes porque a capacidade dos seres ainda não era adequada. Pois se revelasse somente o Sutra de Lótus, poderia levar os seres a manifestar visões equivocadas, caluniar a Verdadeira Lei e acumular más causas. E, assim, Nichiren Daishonin esclareceu que, com os ensinos expedientes, o Buda conduziu os seres para que pudessem
K A I S E N
ter a capacidade de compreender, aceitar e manter a doutrina do Sutra de Lótus, tornando a Iluminação possível a todos. A Era do Fim do Darma é considerada a época do obscurecimento da Lei pura, em que a capacidade das pessoas diminui, impedindo-as de acreditar na razão do budismo, e ocorrem somente conflitos, que impedem o coração de sentir-se tranquilo. E ensina que nessa Era do Fim do Darma, recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, oculto nas profundezas das escrituras do Capítulo Juryo do Sutra de Lótus, é o único caminho para a Iluminação. Além disso, advertiu que, se aumentasse o número de pessoas que acreditam no ensino equivocado, este país, esta sociedade, sem falta seriam levados às diversas crises em toda a sua extensão, e que ensinar e propagar o Sutra de Lótus, ou seja, o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, levaria à felicidade individual e também à estabilidade da nação. Ensina também que para as pessoas que mantêm o NamMyoho-Rengue-Kyo surgiriam os três tipos de poderosos inimigos, que são: leigos de arrogância superlativa – zokushu zojoman (pessoas leigas que insultam ou agem com violência contra as pessoas que mantêm a Verdadeira Lei); clérigos de arrogância superlativa – domon zojoman (aqueles que ingressaram no sacerdócio e que, embora desconheçam a Verdadeira Lei, pensam conhecê-la e também já ter alcançado a percepção); veneráveis de arrogância superlativa – sensho zojoman (pessoas que são reverenciadas como Budas pela sociedade ou pelas autoridades, embora desconheçam a Verdadeira Lei, e que ainda têm a intenção de destruí-la usando da influência que possuem). Nichiren Daishonin propagou a Verdadeira Lei por toda a sua vida, em meio à manifestação dos três poderosos inimigos. Esse fato evidencia que Nichiren Daishonin é o verdadeiro Devoto do Sutra de Lótus, em conformidade com as frases dos sutras. E esclarece que Myoho-Rengue-Kyo é a razão de serem iguais as naturezas de Buda que há em nós, mortais comuns, nos seres dos dois veículos, e nos bodhisattvas como Manjusri e Maitreya. Ou seja, recitar o Nam-Myoho-RengueKyo faz com que todos os seres, desde os do mundo de inferno até aos do mundo de bodhisattva, manifestem a natureza de Buda e alcancem o seu benefício ilimitado e grandioso. E, citando o exemplo de um pássaro na gaiola tentar alçar voo, vendo outro pairando no céu, Nichiren Daishonin ensina que, ao recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, a natureza de Buda contida na própria pessoa sem falta se manifestará e poderá atingir a Iluminação. E conclui revelando que todos os Budas puderam atingir a Iluminação com o Nam-MyohoRengue-Kyo e, assim, como é importante o exercício de recitação de daimoku. N º 2 2 7
16
Iniciarei, então, a leitura respeitosa da frase: Como as pessoas da Era do Fim do Darma indubitavelmente cairão no inferno pelo erro de se opor ao Sutra de Lótus, haja o que houver, veementemente ensine e faça com que ouçam o Sutra de Lótus. Observando o aspecto da sociedade atual, estão ocorrendo ininterruptamente diversas calamidades naturais, conflitos locais, fome e epidemias. Essa conjuntura social é exatamente o aspecto do “mundo maléfico maculado por cinco tipos de impurezas” revelado nos sutras. À luz do ensino de Nichiren Daishonin, é evidente que todas as desgraças e angústias enfrentadas individualmente pelos seres humanos são decorrentes dos malefícios das religiões e doutrinas errôneas. Apesar disso, nesta sociedade atual, as pessoas desconhecem e não procuram compreender a razão do budismo, agonizando em meio aos severos sofrimentos. O shakubuku é justamente a única forma de estender as mãos a essas pessoas para salvá-las verdadeiramente e cessar os seus sofrimentos. Nichiren Daishonin afirma nesta escritura: “Na Era do Fim do Darma, qualquer que seja a capacidade da pessoa desprovida de sabedoria, deve ensinar os cinco ideogramas do MyohoRengue-Kyo e fazer com que ela os mantenha” (interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1315). Nichiren Daishonin ensina que na Era do Fim do Darma, revelar unicamente o ensino do Nam-Myoho-Rengue-Kyo, ou seja, praticar efetivamente o shakubuku, é o exercício de aprimoramento adequado à época e que não há benefícios com os demais ensinos. As pessoas da Era do Fim do Darma dificilmente conseguem aceitar e manter o Myoho-Rengue-Kyo, que é a K A I S E N
Verdadeira Lei. Isso porque os seis sentidos não são puros e, como consequência, não conseguem perceber que é correto, vendo aquilo que é correto. Pelo contrário, consideram as causas da infelicidade como causas da felicidade e, gerando as causas da infelicidade, ficam lamentando: “Por que tenho que receber um sofrimento como este, se tenho gerado as causas para a felicidade?”. Por que precisamos ensinar com veemência o Nam-Myoho-Rengue-Kyo? Para fazer manifestar uma vida capaz de compreender que é correto aquilo que é correto. Isto é, para conduzir todas as pessoas à Iluminação. Todos vivem, acreditando que estão certos. Mas, se não manifestarmos a natureza de Buda, não é possível analisarmos de forma correta. Se todas as pessoas puderem compreender corretamente as causas da felicidade e as causas da infelicidade, a nação e a sociedade também passarão naturalmente a funcionar de forma correta. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: As pessoas que acreditarem se tornarão Budas. Aquelas que caluniarem se tornarão Budas pela relação do tambor envenenado. Se a pessoa receber shakubuku, passar pela cerimônia de gojukai com sinceridade e praticar, sem falta será possível atingir a Iluminação na existência presente. E o que acontecerá com a pessoa que não passar pela cerimônia de gojukai, apesar de ter recebido shakubuku? Mesmo que não passe pela cerimônia de gojukai nesta existência, sem falta um dia poderá atingir a Iluminação. E mesmo que haja quem receba shakubuku e venha a caluniar a Verdadeira Lei, pela relação de tambor envenenado, sem falta essa pessoa também poderá atingir a Iluminação. A relação de tambor envenenado foi revelada no Sutra do Nirvana, e conta-se
N º 2 2 7
17
que aqueles que ouvirem o tambor pincelado de veneno, mesmo que não queiram ouvi-lo, o som acaba penetrando em suas vidas, levando-os à morte. Citando essa parábola, indica que fazer com que as pessoas ouçam o Nam-MyohoRengue-Kyo, embora se neguem a segui-lo e a exercitá-lo, sem falta abrirão a natureza de Buda e poderão atingir a Iluminação. Ou seja, se realizarmos o shakubuku e a semeadura, todas as pessoas – sejam as que recebem o gojukai, sejam as que não o recebem, sejam as que caluniam – poderão atingir a Iluminação. Portanto, o importante é realizar o shakubuku e, com a causa de salvar as pessoas desde a raiz, será possível acumular benefícios incalculáveis. Prosseguindo, temos a última passagem: De qualquer modo, não há outra semente de Buda além do Sutra de Lótus. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre a Doutrina de Três Mil num Instante (Ichinen Sanzen Homon)”: Ao recitar o Myoho-Rengue-Kyo, a natureza de Tathagata contida no coração manifestar-se-á. Entrando em contato com o ouvido, ele eliminará as causas negativas acumuladas há incontáveis asamkhya de kalpas. Quando manifestar a satisfação, mesmo que por um instante, atingirá a Iluminação na Forma Presente. Mesmo que não acredite, será a semente, que maturada, sem falta lhe levará a atingir a Iluminação. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 109)
Ou seja, a Lei Mística é a semente que leva todas as pessoas a atingir a Iluminação, que só pelo fato de entrar em contato com os seus ouvidos faz com que grandes causas negativas sejam eliminadas e, ao manifestar a satisfação mesmo que por um instante faz com que a pessoa imediatamente atinja a condição de vida de Iluminação. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta: Desde os primórdios, a Nichiren Shoshu tem como sua diretriz refutar rigorosamente as calúnias à Lei. Portanto, mesmo que pareça praticar dedicadamente a fé e que esteja acumulando virtudes, se houver calúnias à Lei – ainda que infimamente, todas essas virtudes que houver acumulado até então serão rapidamente extintas. Assim, jamais devem negligenciar na precaução para que não cometam as calúnias à Lei. Para isso, é fundamental que dediquemos as nossas vidas em prol da ampla propagação da Lei Mística, refutando as calúnias à Lei, sem jamais nos esquecermos do shakubuku. (Dainichiren, edição de setembro de 2018)
Portanto, com o shakubuku, além de ensinarmos que a Verdadeira Lei se encontra na Lei Mística, sem falta devemos esclarecer os erros das calúnias à Lei e fazer com que a pessoa abandone o apego a essas calúnias à Lei. Nichiren Daishonin afirma também na escritura “Registro das Transcrições das Preleções (Onko Kiki Gaki)”: O presente, a Era do Fim do Darma, é uma época em que K A I S E N
se alcançam os benefícios salvando os seres com a propagação dos sete ideogramas do Nam-MyohoRengue-Kyo. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1818)
Alcançar os benefícios, salvando os seres – esta é uma época em que é possível alcançar o grandioso benefício da Iluminação, propagando o Nam-Myoho-Rengue-Kyo e salvando as pessoas. Em outras palavras, o shakubuku – de refutar o errôneo e revelar o Verdadeiro – é um importante exercício de aprimoramento no caminho do Buda, imprescindível para que alcancemos a nossa felicidade. Além disso, Nichinyo Shonin nos orienta: Os seres desta época, da Era do Fim do Darma, que ainda não receberam o Bem, embora não caluniem diretamente o Sutra de Lótus, estão cometendo a causa de caluniar o Sutra de Lótus por acreditarem nas doutrinas e religiões errôneas que caluniam a Lei, independentemente se possuem ou não conhecimento desse fato. Assim, como não há dúvidas de que cairão no Inferno, seja como for, deve-se ensinar veementemente o Sutra de Lótus. Isso porque consta que aqueles que acreditarem se tornarão Budas e até os que vierem a caluniar se tornarão Budas pela relação do tambor envenenado. (Dainichiren, edição de setembro de 2016)
E, adicionalmente, orienta: Com relação ao shakubuku, embora a pessoa naquele momento venha a se opor, um dia ela se converterá pela relação de a Lei Mística ter sido semeada em seu coração. Assim, conforme Nichiren Daishonin afirma: “haja o que houver, veementemente ensine e faça com que ouçam o Sutra de Lótus”, é extremamente importante reverenciarmos bem essa frase e nos lançarmos ao shakubuku com coragem e convicção, sem sermos derrotados pelos obstáculos das maldades. (Dainichiren, edição de abril de 2016)
Por fim, não é possível salvar as pessoas desde a raiz, sem ser pelo shakubuku. Se as pessoas permanecerem sem conhecer o budismo em suas vidas, a nação e a sociedade também não poderão escapar do aspecto maculado pelas impurezas e maldades da Era do Fim do Darma. Nesta escritura consta a diretriz efetiva dos exercícios de aprimoramento para nós, seguidores da Verdadeira Lei: Unindo-se os três – um bom mestre, um bom adepto e uma boa Lei, não somente será concretizada a oração, como também poderão ser dispersados os grandes obstáculos da Nação. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1314)
Nichiren Daishonin afirma claramente que, se os clérigos e adeptos se unirem e propagarem a Lei do Nam-MyohoRengue-Kyo, poderão dissipar os grandes obstáculos contra a nação. É, de fato, a importância de “corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin”. Não almejamos, com “corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin”, um grupo de
N º 2 2 7
18
bons amigos como se diz na sociedade em geral. Visamos alinhar as nossas vidas ao propósito do Buda. Conforme consta de diversas frases das escrituras, o propósito do Buda é o exercício de shakubuku. Nichinyo Shonin sempre nos orienta sobre esse ponto e nos ensina precisamente qual exercício é necessário. Se vai praticar conforme essas orientações e experimentar a verdadeira satisfação de praticar a fé ou então se vai permanecer sem realizar o exercício de shakubuku, pensando nos pretextos para não o realizar, depende da decisão que a própria pessoa vai tomar. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Carta ao Suserano Toki (Toki Dono Gosho)”: Pois bem, o sábio considera os contratempos estando na tranquilidade, e o tolo sente-se tranquilo estando em meio às adversidades. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1168)
Na mesma escritura ainda adverte: Não se deve passar a vida em vão para se arrepender por milhares de anos. Nós, seres da Era do Fim do Darma, somos como as crianças que estão brincando na casa em chamas, conforme revelado no Sutra de Lótus. Se não percebermos a grande chama diante de nossos olhos, por estarmos mergulhados em satisfações momentâneas, não teremos como escapar
K A I S E N
da ruína. Nós que nascemos como seres humanos e tivemos a relação com o Dai-Gohonzon, devemos nos tornar sábios, enfrentar os fatos diante de nossos olhos e tomar medidas para gerarmos as causas da felicidade. Se assim não o fizermos, sem falta vamos nos arrepender. Estamos rodeados de coisas divertidas e agradáveis à primeira vista. Há quem pare de gerar as causas para se tornar Buda, deixando com que o seu coração seja desviado por pequenas coisas, apesar de ter iniciado a prática com uma determinação sólida. Não há ninguém, a não ser a própria pessoa, que possa tornar feliz a si mesmo, bem como o país e a sociedade em que vive. Se as coisas são boas ou ruins, tudo depende das causas geradas pela própria pessoa. Não adianta responsabilizar as demais. Desejo que gravem a frase deste mês no âmago de seus corações e, certos do porquê de nós realizarmos o shakubuku, dediquem-se em prol da realização do objetivo deste ano. Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
N º 2 2 7
19
Recitação Especial de Oko Orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin 13 de fevereiro de 2019
Nichiren Daishonin ensina o seguinte na escritura “Resposta à Monja de Abutsu-bo (Abutsu-bo Ama Gozen Gohenji)”: Dizendo ou não, é difícil de se escapar da falta grave. Se disser, talvez possa escapar da falta, mas se deixar de repreendê-la, mesmo que a veja e ouça, então, corromperse-ão instantaneamente as duas virtudes da visão e audição, sendo um ato grave e destituído de benevolência. Conforme Chang-an: “Quem demonstra a falsa afetividade sem ter benevolência é seu inimigo”. Heisei Shimpen Gosho, pág. 906, 13 Escrituras de Nichiren Daishonin, pág. 13
Esta passagem é de uma carta escrita por Nichiren Daishonin no dia 3 de setembro de 1275 (1.º ano da Era Kenji), em resposta à esposa de Abutsu-bo de Sado. Como se sabe, Abutsu-bo e sua esposa, Sennichi-ama, foram adeptos à época de Nichiren Daishonin. Eles originalmente eram adeptos da Nembutsu. Enquanto Nichiren Daishonin estava exilado na Ilha de Sado, Abutsubo procurou Nichiren Daishonin em Sammaido de Tsukawara para censurá-lo, mas em vez disso, ele foi pacientemente admoestado por Nichiren Daishonin. Por fim, tanto Abutsu-bō quanto sua esposa abandonaram a Nembutsu e se converteram ao Budismo de Nichiren Daishonin.
falta grave. Se presenciarmos os caluniadores e corrigirmos os seus erros, poderemos evitar o crime de conivência. Mas ao deixar de refutar, mesmo que presenciemos ou ouçamos as calúnias à Lei, “corromper-se-ão instantaneamente as duas virtudes da visão e audição, sendo um ato grave e destituído de benevolência”. Essa é a orientação. Consequentemente, o Grande Mestre Chang-an declarou: “Quem demonstra a falsa afetividade sem ter benevolência é seu inimigo”. Ele ensinou como é importante semear a semente de Buda em maior número de pessoas possível, conduzindo o shakubuku com o sentimento de benevolência, em vez de apenas manter uma relação próxima com elas. Em particular, neste momento, a Nichiren Shoshu está avançando com a união entre os clérigos e adeptos, em prol da concretização do estabelecimento da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador Nichiren Daishonin em 2021. E para alcançarmos esse objetivo, é fundamental que nos lancemos ao shakubuku, com união de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin.
Depois disso, Abutsu-bo e Sennichi-ama serviram dedicadamente a Nichiren Daishonin, cumprindo a missão de protegê-lo até a sua absolvição. Além disso, mesmo após a absolvição, embora já estivesse com 90 anos de idade, Abutsu-bo fez três viagens para visitá-lo, atravessando a montanha e o mar, da Ilha de Sado até o Monte Minobu onde Nichiren Daishonin se encontrava. Herdando esse espírito de realizar a peregrinação de Abutsu-bo, penso que é preciso realizar a peregrinação com grande desejo de encontrar o Dai-Gohonzon do Supremo Santuário do Portal Original e que, com os benefícios e a alegria que colhemos, devemos nos dedicar ainda mais à prática para si e para os outros. No início desta passagem do Gosho, Nichiren Daishonin orienta: “Dizendo ou não, é difícil de se escapar da falta grave”. No parágrafo anterior, ele ensina que, embora tenhamos de refutar rigorosamente as calúnias, ocasionalmente poderá ocorrer de não censurá-las com veemência, conforme o grau, leve ou grave delas. Se tomamos conhecimento das calúnias cometida por alguém e as refutarmos claramente, seremos alvos do ódio da sociedade, mas se por outro lado, nos silenciarmos e deixarmos de refutar, estaremos cometendo o crime de conivência. Portanto, seja como for, é difícil de escapar da
K A I S E N
N º 2 2 7
20
Os oito ventos Reverendo Gyoten Shirai Matéria de Estudo para o Núcleo de Fevereiro
Temos a seguinte história da China. Era uma vez, havia um ancião num vilarejo no interior da China, extremamente sábio e instruído. Esse senhor era muito querido pelos moradores do vilarejo. Quando precisavam, procuravam por ele para pedir conselhos. Certo dia, o cavalo desse ancião fugiu. À época, um cavalo era como um carro nos dias de hoje, algo muito valioso. Os vizinhos do vilarejo foram consolar o ancião assim que souberam do ocorrido: “Sinto muito por essa desgraça, da fuga de seu cavalo...”. E então, o ancião lhes respondeu: “Tudo bem... Essa desgraça certamente atrairá algo bom...”. Alguns meses depois, o cavalo que havia fugido retornou, acompanhado de outros cavalos saudáveis. As pessoas do vilarejo que ficarem sabendo da notícia foram parabenizá-lo: “Que sorte a do senhor, pelo fato do cavalo fugido ter voltado, trazendo outros cavalos sadios!”. E então o ancião lhes respondeu: “Mas esse acontecimento ainda trará alguma complicação”. O ancião tinha um filho. Como havia muitos cavalos vigorosos em casa, o filho passou a gostar de montá-los. E, um certo dia, quando estava se divertindo com a prática de equitação, acabou caindo do cavalo e fraturando a perna. Os moradores do vilarejo foram visitar o ancião para consolá-lo: “Que terrível o seu precioso filho ter se machucado!”. O ancião então respondeu: “Não, não... Logo, logo, atrairá uma boa sorte”. Alguns meses depois, uma guerra foi deflagrada contra um país vizinho. Por convocação nacional, todos os homens jovens do vilarejo tiveram que se apresentar. O filho do ancião também. E praticamente todos os homens que foram à guerra perderam as suas vidas. Mas o filho do ancião conseguiu retornar ileso, por não ter ido para o campo de batalha por causa de seu problemas na perna. O que essa história quer dizer é que para todos os seres humanos ocorrem eventos felizes, infelizes, alegres ou tristes – o importante é não ser levado pelas oscilações emocionais que ocorrem a cada momento. Ensina-nos sobre como se pode viver de forma sólida, interpretando tudo que ocorre de forma positiva. O budismo ensina que há “os oito ventos”, que balançam o nosso coração e prejudicam a realização dos exercícios de aprimoramento. 1.Prosperidade (sucesso): quando algo ocorre conforme o desejado 2.Declínio (desventura): quando algo não ocorre conforme o desejado 3.Desgraça (infâmia): ser insultado sem tomar conhecimento 4.Honra (glória): ser elogiado sem tomar conhecimento 5.Consagração (reconhecimento): ser elogiado pessoalmente 6.Censura: ser insultado e criticado pessoalmente K A I S E N
7. Sofrimento: angústia e sofrimento emocional ou físico 8. Prazer: saúde e conforto emocional e físico Esse oito tipos de ventos dividem-se em quatro ventos bons e quatro ventos ruins. E como cada um deles nos leva a perder o equilíbrio emocional, é representado pela figura de um vento. Quando tudo ocorre conforme desejamos ficamos felizes, e quando não ocorrem, ficamos chateados. Ao sermos elogiados, pensamos que somos especiais, e quando criticados, ocasionalmente acabamos ficando magoados com a pessoa que o fez. E enquanto estamos sadios físico e emocionalmente, tendemos a não cuidar da nossa saúde, e quando ela é acometida por doença física ou emocional, ficamos angustiados e abalados. Analisando a sociedade, muitas pessoas ora se alegram ora se entristecem pela busca da prosperidade e do reconhecimento. Esse aspecto é como um navio à deriva no mar, que se desloca de acordo com o vento que sopra, e não consegue chegar ao destino almejado. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Carta a Niike (Niike Gosho)”: Quando, eventualmente, surgem como seres humanos, a chama dos exercícios no caminho do Buda é facilmente apagada pela intensidade do vento da fama e da fortuna. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1457)
E então, será que alguma pessoa ao seu redor, está sendo levada pelos ventos da fama e da fortuna e só pratica quando se interessa? E na escritura “Resposta ao Suserano Shijo Kingo (Shijo Kingo Dono Gohenji)” afirma: Perceba o sofrimento como sofrimento e descubra a alegria como alegria. Recite o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, ponderando tanto o sofrimento como a alegria. Não seria isto “receber a alegria da Lei”? (Heisei Shimpen Gosho, pág. 991)
Também nessa escritura “Resposta ao Suserano Shijo Kingo (Shijo Kingo Dono Gohenji)” afirma: Denomina-se sábio, uma pessoa que não é influenciada pelos oito tipos de vento. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1117)
Nós realizamos diariamente os exercícios de aprimoramento da prática da fé – gongyo, recitação de daimoku e shakubuku. Isso para podermos manter uma condição de vida que nos permita enfrentar e superar os ventos, independentemente de quando ocorram e quais deles possam ser. Os sofrimentos e as satisfações que nos ocorrem não podem ser transferidos para outras pessoas. Somente a própria pessoa poderá enfrentar e superar. Vamos nos dedicar aos exercícios da prática da fé no decorrer deste ano, almejando ser um sábio capaz de enfrentar e superar qualquer vento que venha a soprar. N º 2 2 7
21
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 3 de março de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu do mês de março do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores. Pois bem, a explicação do porquê de realizar o shakubuku é eliminar a origem das infelicidades, refutando as calúnias à Lei. Assim, é importante praticar corretamente o ensino de Nichiren Daishonin, refutando rigorosamente as calúnias à Lei. Na Nichiren Shoshu ensina-se sobre diversos princípios importantes, dentre eles, da refutação rigorosa das calúnias à Lei. As calúnias à Lei são, em suma, a origem das infelicidades. Um dos aspectos das calúnias à Lei é que no início dificilmente se percebe quão terríveis elas são. Devemos tomar um cuidado especial já que ocasionalmente e inconscientemente poderemos cometer as calúnias à Lei na nossa vida cotidiana, sem perceber. Nichiren Daishonin revela na escritura “Resposta ao Suserano Soya (Soya Dono Gohenji)”: [...] havendo a calúnia à Lei, certamente cairá no inferno. É tal como colocar uma só pata de caranguejo em mil potes de charão. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1040)
Orienta que cometer as calúnias à Lei leva a pessoa a cair no inferno, equivalendo à anulação da prática da fé que veio acumulando até então. Existe uma história antiga na Nichiren Shoshu que diz que quando as tiras da sandálias de palha arrebentassem ou soltassem em frente aos santuários ou templos de outras religiões, não deveriam atar as tiras no ato. Atualmente no Japão, usam-se basicamente os sapatos. Assim, praticamente não se usam mais as sandálias de palha. Adaptando ao Brasil, seria algo como “quando as tiras do chinelo se soltarem ou arrebentarem em frente de uma igreja, não devem tentar consertá-lo no ato”. Explicando sobre o que isso quer dizer, para atar as tiras, a pessoa naturalmente se curva, o que a leva a abaixar a cabeça. Mesmo que seja meramente na aparência, representa a reverência às calúnias à Lei. Essa história ensina que isso jamais poderá acontecer, que deve manter rigorosamente a
K A I S E N
refutação às calúnias à Lei. Pode lhes soar radical, mas conforme está revelado na escritura que citei há pouco, havendo a calúnia à Lei, mesmo que ínfima, todas as felicidades da prática da fé que veio acumulando diligentemente até então serão completamente anuladas. O pensamento de que: “Ah, se for só isso não deve ter problema...”, leva gradativamente a aumentar o limite de tolerância, levando a pessoa a ser imprudente com relação às calúnias à Lei, e acabe se desencaminhando cada vez mais. Caso deixe de refutar rigorosamente as calúnias à Lei, seja nos exercícios de aprimoramento da prática da fé ou no shakubuku, fechará o caminho para a felicidade. O mínimo de descuido nos levará a cometer o crime de conivência. Nichiren Daishonin revela na escritura “Sobre o Esclarecimento acerca da Causa e Efeito dos Dez Mundos (Jippo Kai Myo Inga Sho)”: Se não forem sábios, desconhecerão o fato de que todas as pessoas de Bem, sem avareza ou outras [falhas], cairão no caminho da fome por causa das calúnias à Lei ou por passarem a crer naturalmente nessas doutrinas ao aproximarem-se de pessoas que caluniam a Lei. Certamente, certamente, é algo para se temer. Ou seja, o shakubuku é primordial. Relacionando-se com as pessoas ao seu redor com base na postura de shakubuku, não virá a cometer o crime de conivência. É importante que conduza a sua prática da fé no dia a dia tendo-se sempre a fé correta, isto é, o espírito de refutar as calúnias à Lei. Há outros ensinamentos sobre refutar rigorosamente as calúnias à Lei, e na escritura “Carta ao Suserano Nanjo Hyoe Shichiro (Nanjo Hyoe Shichiro Gosho)” consta: Mesmo que realize um grande bem transcrevendo o Sutra de Lótus milhares de vezes, e se torne alguém que perceba o caminho da introspecção dos três mil num instante, se não repreender os inimigos do Sutra de Lótus, será difícil atingir a Iluminação. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 322)
Conforme se diz que a nossa prática da fé é para si e para os outros, gostaria que gravassem mais uma vez em seus corações que, além da dedicação ao gongyo da manhã e da noite e à recitação de daimoku, é realmente importante refutar as calúnias à Lei de doutrinas e religiões errôneas e exercitar o shakubuku. Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu deste mês. Muito obrigado.
N º 2 2 7
22
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 10 de março de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de fevereiro do “Ano de Progredir com Entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês para, assim, retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Esta obra foi escrita em 17 de maio de 1273 (10.º ano da Era Bun-ei), na localidade chamada Ichinosawa, cerca de um ano e meio do exílio à Ilha de Sado, e concedida para Sairen-bo Nichijo, quando Nichiren Daishonin estava com 52 anos de idade. Sairen-Bo havia perguntado sobre o verdadeiro aspecto de todas as Leis – shoho jisso, que consta do Capítulo Hoben que lemos diariamente na ocasião do gongyo. Com relação a essa pergunta, Nichiren Daishonin revela que o aspecto do Universo é o NamMyoho-Rengue-Kyo. Ou seja, que Budas como Sakyamuni e Taho puderam atingir a Iluminação com o Nam-MyohoRengue-Kyo. Não há outra pessoa, além de Nichiren Daishonin, que houvesse afirmado isso. O Grande Mestre Tientai, o Grande Mestre Miao-lo ou o Grande Mestre Dengyo nada mencionaram sobre isso. O motivo é que as eras da Vigência e da Formalidade do Darma não eram épocas para propagar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo e que esses três mestres que citei não haviam recebido a transmissão. Assim, conforme consta do Capítulo Nyorai Jinriki – 21.º do Sutra de Lótus, é o Bodhisattva Jogyo quem propaga o Nam-Myoho-Rengue-Kyo na Era do Fim do Darma, e somente Nichiren Daishonin e ninguém antes ou depois dele agiu como tal. Portanto, aqui revela que Nichiren Daishonin é o Bodhisattva Jogyo renascido. Além disso, embora o Buda Sakyamuni seja um Buda que tenha surgido para salvar os seres, é apenas um Buda Transitório que atingiu a Iluminação com o Nam-MyohoRengue-Kyo revelado pelo Buda Original. Na segunda parte da escritura, ensina como é o comportamento de um discípulo de Nichiren Daishonin. Revela que um discípulo de Nichiren Daishonin, quem quer que seja, é um Bodhisattva da Terra com a preciosa missão K A I S E N
de propagar a Verdadeira Lei nesta existência. É exatamente conforme a frase que lemos respeitosamente no mês de julho do ano passado: Tenha fé no Gohonzon – o supremo de Jambudvipa. Persevere. Persevere, fortaleça a prática da fé e receba a proteção dos Três Budas. Dedique-se nos dois caminhos, no da prática e no do estudo. Sem a prática e o estudo não pode haver o budismo. Deve realizá-los e também ensinar para as pessoas. A prática e o estudo resultam da fé. Havendo força, deve propagar mesmo que seja uma única frase ou um único verso. (O Verdadeiro Aspecto de Todas as Leis – Shoho Jisso Sho, Heisei Shimpem Gosho, pag. 667)
Pois bem, iniciarei a leitura da frase deste mês: No início, somente eu, Nichiren, recitei o Nam-MyohoRengue-Kyo, mas gradativamente duas, três, cem pessoas passaram a recitá-lo e transmiti-lo. Depois de ingressar no sacerdócio, Nichiren Daishonin estudou em vários templos de diversas localidades do Japão para realizar uma profunda análise sobre todas as ramificações budistas, em busca da Lei verdadeira para salvar todos os seres. E então, com a convicção de que a Lei verdadeira do Nam-Myoho-Rengue-Kyo é justamente o único e supremo ensino que leva à percepção intrínseca do budismo, retornou a sua terra natal, Awa, junto a seu mestre Dozen-bo, em 1253 (5.º ano da Era Kencho), quando estava com 32 anos de idade, e acumulou profundas considerações para estabelecer a doutrina. No dia 28 de março, no salão do templo de seu mestre Dozen-bo, onde estava consagrado o objeto de devoção desse templo, refutou as doutrinas errôneas como Zen e Nembutsu com a doutrina correta da Lei Mística e revelou para o Universo o daimoku de sua percepção intrínseca, na presença do mestre Dozen-bo, seus pais, irmãos, sacerdotes condiscípulos como Joen-bo e outras pessoas de seu círculo de relações. Além disso, Nichiren Daishonin prosseguiu com suas profundas considerações e, um mês depois, no dia 28 de abril, com a grande decisão de enfrentar os três tipos de poderosos inimigos previstos no Sutra de Lótus, aguardou só e em pé em Asahigamori, pico do Monte Seicho, o raiar do Sol ao longe, no Oceano Pacífico. E, quando o Sol surgiu no horizonte, o daimoku da semeadura que ilumina a escuridão dos mais de dez mil anos da Era do Fim do Darma foi recitado rigorosa, fervorosa e vigorosamente pela boca de Nichiren Daishonin, que estava em pé, com as palmas das mãos unidas. E declarou para todas as vidas de todo o Universo, começando pelo Sol, que iniciaria a salvação de todos os seres. Esse daimoku foi o daimoku da prática para si e para os outros que jamais havia sido recitado até então. Ao meio-dia desta data, Nichiren Daishonin revelou pela N º 2 2 7
23
primeira vez o Nam-Myoho-Rengue-Kyo para um grande público no Templo Seichoji, dando o seu primeiro passo em prol da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu. Assim que ouviu essa preleção de Nichiren Daishonin, Tojo Kagenobu, que era um fervoroso crente da Nembutsu, enfureceu-se como uma labareda e tentou agredir Nichiren Daishonin. E, a partir de então, Nichiren Daishonin dedicou a sua vida em prol do shakubuku e da propagação do ensino, enfrentando grandes perseguições e incontáveis pequenas perseguições, realizando com o seu corpo, a leitura do Sutra de Lótus que havia previsto que os três obstáculos e quatro maldades sem falta ocorreriam concorrendo uns com os outros. Mas, ao mesmo tempo, também surgiram as ações para a proteção do Buda Original. Pessoas influentes, como os suseranos Shijo Kingo, Nanjo Tokimitsu e Toki Jonin, tornaram-se discípulas de Nichiren Daishonin e o protegeram, e o Nam-Myoho-Rengue-Kyo – a Verdadeira Lei a ser propagada na Era do Fim do Darma – foi gradativamente propagado. Isto é, para o Devoto do Sutra de Lótus, sem falta se manifestam as Entidades Iluminadas para protegê-lo. O daimoku, que no início foi recitado somente por Nichiren , passou a ser recitado por duas, três pessoas e, atualmente, encontra-se propagado até aqui no Brasil. De fato, temos a manifestação da prova real do que Nichiren Daishonin havia afirmado. Nichiren Daishonin previu o futuro sob diversas perspectivas nesta escritura e, todas, sem exceção, manifestaram-se como provas reais. Isso não é uma capacidade mística inexplicável. Ele simplesmente as revelou com base na “razão”. A razão é a Lei de Causa e Efeito e o Buda Original percebeu completamente as leis do Universo. Portanto, sabe qual efeito será manifestado pela causa gerada. Assim, ao recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo
K A I S E N
ao Dai-Gohonzon do Supremo Santuário do Portal Original, sem falta receberá a proteção das Entidades Iluminadas e fará com que muitas pessoas também venham a crer e a abraçar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: E assim também [continuará] no futuro. Como poderia não ser este o significado de emergir da terra? Nessa passagem, Nichiren Daishonin ensina que a Verdadeira Lei revelada por ele sem falta seria propagada para todo o mundo. A expressão “emergir da Terra” referese aos Bodhisattvas da Terra, que consta do Capítulo Juji Yujutsu, 15.º do Sutra de Lótus. Ou seja, o Buda Sakyamuni revelou aos discípulos que solicitaram a ele a propagação do Sutra de Lótus na Era do Fim do Darma que já havia bodhisattvas que possuíam essa missão, e estes então surgiram da terra. O líder desses bodhisattvas é o Bodhisattva Jogyo, a quem foi confiada a propagação do Sutra de Lótus na Era do Fim do Darma no Capítulo Nyorai Jinriki, 21.º. Isto é, conforme revelado no Sutra de Lótus, não há outra pessoa, além de Nichiren Daishonin, que tenha propagado o Nam-Myoho-Rengue-Kyo de acordo com essas frases. Além disso, na escritura “Sobre a Exegese Oral do Sutra de Lótus (Ongi Kuden)”: Aqueles que recitam o Nam-Myoho-Rengue-Kyo que Nichiren e os seguidores recitam no presente são todos da linhagem dos Bodhisattvas da Terra. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1764)
Ou seja, as pessoas que propagam o Gohonzon das Três Grandes Leis Secretas no presente, nesta Era do Fim do Darma, são parte dos Bodhisattvas da Terra que receberam a preciosa missão do Buda. Portanto, jamais devem cometer as quatorze calúnias contra os companheiros da Hokkeko.
N º 2 2 7
24
Caso cometa algo assim, estará perseguindo uma pessoa que abraça a missão do Buda e sem falta uma rigorosa prova real será manifestada. Cada um de nós deve se conscientizar da missão na condição de Bodhisattvas da Terra e procurar ter o comportamento adequado como discípulos de Nichiren Daishonin. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: Além disso, quando da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, todo o Japão recitará o Nam-Myoho-RengueKyo. Isso é tão certo quanto mirar o solo.
devote a sua vida.
Essa passagem ensina que sem falta chegará a época da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, ou seja, quando todos os seres acreditarão na Verdadeira Lei e a abraçarão. Nichiren Daishonin tem a grande convicção de que a grande aspiração da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – sem falta será concretizada, da mesma forma que não há como errar ao lançar uma flecha tendo como alvo o solo. A propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – não será concretizada se ficarmos apenas aguardando por ela. Será concretizada sim, com os exercícios de shakubuku. Nichiren Daishonin afirma que nós somos os Bodhisattvas da Terra. Assim, o cumprimento dessa missão é a ação para retribuir pelas dívidas de gratidão. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Resposta à Viúva do Suserano de Ueno (Ueno Dono Goke Ama Gohenji)”: Assim, tanto a Terra Pura como o Inferno não existem fora, mas somente dentro de nossos corações. Denominase Buda quem percebe isso e mortal comum quem se equivoca sobre isso. Essa percepção provém do Sutra de Lótus, assim sendo, quem abraça o Sutra de Lótus perceberá que o Inferno coexiste com a Terra Iluminada. Mesmo que pratique os ensinos [dos sutras] expedientes por um tempo imensurável, distanciar-se do Sutra de Lótus o levará a permanecer sempre no Inferno.
Nós realizamos diariamente, a leitura da passagem: “Isshin yo’-ken butsu. Fu_ji_shaku shin myo. (Desejar unicamente ver o Buda, sem poupar a própria vida)” durante o gongyo. Ou seja, estamos realizando os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, dedicando-nos inteiramente, de corpo e coração, para assimilarmos o ensino do Buda. Como regra geral, quando nos dedicamos devotadamente é que podemos sentir satisfação. É justamente ao enfrentar e superar as mais diversas dificuldades é que podemos sentir satisfação. As provas reais dos exercícios de aprimoramento da prática da fé se manifestam conforme os ditos de Nichiren Daishonin: “tranquilidade nesta existência e boas circunstâncias nas existências futuras”, se estes forem realizados com toda a dedicação. Caso negligencie os exercícios da prática da fé porque “agora estou ocupado com o trabalho” ou porque “não tenho tempo”, nada poderá alcançar. Mesmo que esteja enfrentando algumas questões relacionadas ao trabalho, cuidados com a família ou problemas de saúde, realizando os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda com esse espírito de “Is-shin yo’-ken butsu. Fu_ji_shaku shin myo (Desejar unicamente ver o Buda, sem poupar a própria vida)”, sem falta o caminho vai se abrir. Ou seja, realizar diariamente como água corrente os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, que se inicia com gongyo da manhã, exercício de shakubuku, recitação de daimoku e gongyo da noite, é “lhe devotar a vida”. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta: A nossa vida, em outras palavras, representa o tempo que nos foi concedido. Portanto, ao recebermos a vida, podemos dizer que a questão é, durante a sua duração, o quanto desse precioso tempo seremos capazes de dedicar ao Buda.
(Heisei Shimpen Gosho, pág. 336)
(Fundamentos da Fé e da Prática, volume 7, pág. 104)
No presente, a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – ainda não se concretizou. Mas as pessoas que estão se dedicando diariamente em prol da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – estão sempre habitando a terra do mundo de Buda. Ou seja, poderá atingir uma condição de vida similar à da terra quando a propagação irrestrita da Lei se concretizar. Para experimentar essa condição de vida é preciso se dedicar aos exercícios de shakubuku, que são a missão do Bodhisattvas da Terra. A Era do Fim do Darma é uma época de inúmeras dificuldades, mas o “Inferno coexiste com a Terra Iluminada”. Infalivelmente será possível transformar as mais diversas dificuldades em boas causas. E, para tornar isso uma realidade, deve reverenciar bem essa frase e, em vez de culpar as outras pessoas pelas dificuldades pelas quais passa, é importante que tenha a forte decisão de eliminar as causas negativas que possui com os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Prosseguindo, temos a última passagem: Seja como for, dignifique-se em prol do Sutra de Lótus e
Sendo assim, quanto tempo por dia está dedicando aos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda? E em uma semana? E em um mês? É necessário repensar sobre isso e buscar melhores formas de usar o tempo, e essa reflexão também é um importante exercício de aprimoramento no caminho do Buda. Além disso, atualmente a Nichiren Shoshu está avançando com todo o vigor com seus clérigos e adeptos, visando o “estabelecimento da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko” para daqui a dois anos. Em outras palavras, este é justamente o momento oportuno para nos conscientizarmos da missão como estirpe dos Bodhisattvas da Terra. É uma ótima chance para recebermos benefícios imensuráveis. Sobre a frase: “No início, somente eu, Nichiren, recitei o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, mas gradativamente duas, três, cem pessoas passaram a recitá-lo e transmiti-lo”, o Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orientou o seguinte:
K A I S E N
N º 2 2 7
25
Shakubuku é de um para um. De fato, o sentimento “desejo fazer esta pessoa feliz” é que faz pela primeira vez com que o diálogo, de coração aberto, de um para um, tenha efeito. [...] Shakubuku, conforme o comportamento de Nichiren Daishonin, inicia-se a partir de uma pessoa, para assim ser gradativamente transmitido para duas, três e cem pessoas. Essa é a forma original do shakubuku. (Fundamentos da Fé e da Prática, pág. 145)
Shakubuku tem como base o sentimento sincero de “querer fazer esta pessoa feliz” e o diálogo de um para um, de coração aberto. Assim, deve decidir firmemente a “levantar-se só” para atuar com coragem para salvar a pessoa que ainda não se converteu, custe o que custar, contando-lhe os relatos de benefício que alcançou, continuamente para uma e mais pessoas, desafiando-se ao exercício de shakubuku persistente. Nichiren Daishonin menciona nessa escritura que chegará o momento da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, ou seja, uma ocasião em que todas as pessoas da sociedade recitarão juntas o daimoku, referindo-se a isso como “Isso é tão certo quanto mirar o solo”. Ele declara, sem deixar dúvida, que a ocasião da propagação irrestrita da Lei chegará sem falta. Além disso, afirma na escritura “Resposta ao Suserano de Ueno (Ueno Dono Gohenji)”: Ocorrerá de [todo] o Japão vir a acreditar ao mesmo tempo, por providência de Daibontenno, Taishakutenno e demais. (Heisei Shmpen Gosho, pág. 1123)
Conforme essa frase, como decorrência das providências das Entidades Iluminadas, a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – indubitavelmente será concretizada. Mas não significa que devemos ficar sentados esperando por isso. A propagação irrestrita da Lei será concretizada quando acumularmos o shakubuku e o aprimoramento das pessoas a ponto de mobilizarmos as Entidades Iluminadas. Além disso, Nichinyo Shonin nos orienta: O importante é que todas as pessoas lutem, tornando-se protagonistas, e não espectadoras. Tem-se uma clara diferença entre ser um espectador e ser um protagonista. Protagonista é a pessoa que faz. [...] E o que deve fazer para se tornar um protagonista? Para isso, penso que seja necessária a pessoa ter uma consciência sólida. Isto é, que todas as pessoas tenham a firme percepção de sua condição de Bodhisattvas da Terra. Nichiren Daishonin afirma na escritura “O Verdadeiro Aspecto de Todas as Leis (Shoho Jisso Sho)”: “Seja como for, pratique a fé, tornando-se seguidor do Sutra de Lótus e mantenha-se na escola de Nichiren. Tendo-se o mesmo propósito de Nichiren, é um Bodhisattva da Terra”. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 666). Devemos reverenciar bem a frase: “Tendo-se o mesmo propósito de Nichiren, é um Bodhisattva da Terra”. (Dainichiren, edição de maio de 2007)
O objetivo de ter começado a praticar a fé da Nichiren
K A I S E N
Shoshu, para todas as pessoas, é o de ser feliz. A felicidade se manifesta ao alcançarmos a condição de vida da Iluminação. Nichiren Daishonin afirma na escritura “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)”: No presente, a pessoa mais afortunada do Japão é Nichiren. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 562)
Além disso, na escritura “Sobre Erigir os Quatro Bodhisattvas (Shibosatsu Zoryu Sho)” afirma: Embora para a sociedade Nichiren seja o mais pobre do Japão, analisando com base no budismo, é o mais afortunado de Jambu-dvipa. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1369)
Foi nas terras de Sado, de frio severo, que a obra “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)” foi escrita. Vento e neve invadiam a sua residência e os alimentos eram escassos. Apesar dessas condições, ele escreveu essa frase. Reverenciando essa frase, a felicidade não depende do ambiente ou da situação. A verdadeira felicidade é a condição de vida da Iluminação que se alcança quando se tem o mesmo propósito de Nichiren Daishonin – ou seja, quando nos conscientizamos da missão como Bodhisattvas da Terra e nos dedicamos à prática da fé para si e para os outros. E, conforme consta na orientação de Nichinyo Shonin, é importante que se torne protagonista no shakubuku. Penso que nas ocasiões como a de Reunião de Núcleo tenham ouvido os relatos de experiência. As pessoas que realizam os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda com o espírito de “não poupar a própria vida – fujishaku shinmyo” – certamente têm experiências de benefícios extraordinários. Essas experiências fazem com que a fé dessa pessoa seja ainda mais fortalecida e a leve a se dedicar ainda mais à prática para si e para os outros para retribuir pelas dívidas de gratidão e consiga conduzir uma vida de satisfações, sempre com energia vital transbordante. O budismo revela a Lei de Causa e Efeito. Tornando-se protagonista e gerando as causas, sem falta o efeito será manifestado. Passar pela cerimônia de gojukai e consagrar o Gohonzon em casa não é o objetivo da prática da fé. Realizar os exercícios diários de aprimoramento depois disso, com o espírito de “Is-shin yo’-ken butsu. Fu_ji_shaku shin myo (Desejar unicamente ver o Buda, sem poupar a própria vida)”, torna possível alcançar a felicidade e a satisfação conforme Nichiren Daishonin afirma. Desejo que possam se dedicar aos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda para que, também neste mês, consigam viver o dia a dia repleto de satisfação. Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
N º 2 2 7
26
Recitação Especial de Oko Orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin 13 de março de 2019
Na escritura “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron), Nichiren Daishonin ensina que a causa fundamental de uma sociedade em desordem encontra-se unicamente no veneno das doutrinas maléficas. A menos que refutemos completamente esses ensinamentos errôneos, nem a felicidade dos seres nem a paz no âmbito mundial podem ser concretizadas. Nichiren Daishonin também ensina na escritura “Sobre o Esclarecimento acerca da Causa e Efeito dos Dez Mundos (Jippo Kai Myo Inga Sho)”: É fácil para as pessoas da sociedade saberem que vão cair no caminho da fome pelos crimes de avareza, roubo e outros. Se não forem sábios, desconhecerão o fato de que todas as pessoas de Bem, sem avareza ou outras [falhas], cairão no caminho da fome por causa das calúnias à Lei ou por passarem a crer naturalmente nessas doutrinas, ao aproximarem-se de pessoas que caluniam a Lei. Certamente, certamente, é algo para se temer. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 208)
Todos sabem que se roubarmos algo de alguém cairemos no mundo de fome. Nichiren Daishonin nos adverte que embora possa haver boas pessoas que não roubam, se confiarem em ensinamentos errôneos ou se associarem com aquelas que cometem calúnias à Lei, poderão cair na condição de vida de fome sem perceber que foram influenciadas por elas. Nós certamente devemos temer as calúnias à Verdadeira Lei.
errôneas, são palavras verdadeiras e gentis. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 445)
Nichiren Daishonin afirma de forma rigorosa que a Nembutsu leva ao Inferno dos Incessantes Sofrimentos, e que a Zen e a Shingon são ensinamentos maléficos. À primeira vista, suas palavras podem parecer comentários agressivos ou falsas denúncias. No entanto, suas palavras na verdade são as palavras que podem salvar as pessoas. Também são palavras compassivas que podem levar as pessoas à condição de vida da verdadeira felicidade. Essas palavras são palavras verdadeiras e compassivas. O shakubuku é exatamente o ato de benevolência que podemos realizar, no qual desejamos a felicidade dos outros. Se conduzirmos o shakubuku, é inevitável que vários obstáculos e maldades surjam, concorrendo uns com os outros. No entanto, não importa quais obstáculos ou dificuldades venhamos a encontrar, com base em nossa fé no Dai-Gohonzon, o supremo Objeto de Devoção de Jambudvipa, devemos enfrentar essas dificuldades reverenciando as seguintes palavras douradas: Se a Lei que mantém for suprema, a pessoa que a mantém também será suprema. (Diálogo sobre Manter o Sutra de Lótus, Heisei Shimpen Gosho, pág. 298)
Devemos saber que o melhor caminho para uma solução é enfrentar as dificuldades com compostura e convicção. Essa absoluta convicção em relação ao Dai-Gohonzon é importante.
O horror das calúnia à Lei é ensinado em muitas escrituras e outros sutras. Precisamos refutar e eliminar as calúnias à Lei para alcançar a tranquilidade e a felicidade. A menos que acabemos com as calúnias, a verdadeira felicidade que abrange as três existências não chegará até nós. Refutar calúnias e ensinar os outros sobre o Verdadeiro Budismo é exatamente o que chamamos de shakubuku. Assim, Nichiren Daishonin orienta o seguinte na escritura “Sobre o Sábio Zemmui (Zemmui Sanzo Sho)”: Mesmo que as palavras sejam opressivas, se salvam as pessoas, são verdadeiras e gentis. Embora as palavras sejam gentis, se prejudicam as pessoas, são falsas e opressoras. Apesar de as pessoas considerarem que as doutrinas de eruditos desta época são palavras gentis e verdadeiras, são todas opressoras e falsas. Isso porque contrariam o Sutra de Lótus que é a verdadeira intenção do Buda. Embora pareçam ser palavras opressivas, as afirmações de Nichiren de que aqueles que recitam o Nembutsu cairão no Inferno dos Incessantes Sofrimentos e de que a Zen e a Shingon também são religiões
K A I S E N
N º 2 2 7
27
Carta ao Monge Yadoya Reverendo Myoyo Kondoh Matéria de Estudo para o Núcleo de Março
Acredito que os senhores ouçam com frequência sobre a importância do shakubuku ensinado por Nichiren Daishonin, ouvindo as palavras do Reverendo Prior em ocasiões como na Cerimônia de Oko, e que se baseiam nas orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin. Mas nesta oportunidade, gostaria de analisar o shakubuku à luz da escritura “Carta ao Monge Yadoya (Yadoya Nyudo Dono Moto Gosho)”. A “Carta ao Monge Yadoya” foi escrita em 1268 (5.º ano da Era Bun-ei), quando Nichiren Daishonin estava com 47 anos de idade. O destinatário é “Yadoya Saemon Nyudo Mitsunori” que trabalhava como assessor de “Hojo Tokiyori”, o regente à época. Foi uma das sete pessoas que tinham autorização para entrar e sair da residência de Hojo Tokiyori para cuidá-lo antes do seu falecimento. Detinha uma grande influência política e foi a pessoa que intermediou a entrega de “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)” para Tokiyori. Analisando a conjuntura da época em que enviou essa escritura, Nichiren Daishonin havia previsto em “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade” que ocorreriam as calamidades – do conflito interno e da invasão pelos países estrangeiros. E oito anos depois, conforme essa predição, chegou um mandado da Mongólia. Era uma carta em que se dizia que caso [o Japão] não se rendesse à Mongólia, eles o dominariam com o uso de poderes militares. A Corte Imperial e o Governo decidiram não responder a esse mandado e ordenaram aos diversos templos xintoístas e budistas que orassem para que a Mongólia não viesse a atacar o país. Falando sobre o teor da escritura, primeiramente temos o prefácio para o Monge Yadoya, com a pergunta de Nichiren Daishonin sobre como ele teria passado desde a última carta, depois da qual não mais tiveram contato. E então, menciona na carta que ao pesquisar, com base nos sutras, sobre as causas do grande tremor de terras em Kamakura, no dia 23 de agosto de 1257 (1.º ano da Era Shoka), havia chegado à conclusão de que este fora provocado pela ira das Entidades Iluminadas, protetoras do Japão, pelo fato do governante (Tokiyori) devotar-se às religiões e doutrinas errôneas como as de Nembutsu e Zen. E prossegue, citando que caso não combatesse essas religiões e doutrinas errôneas, o Japão seria destruído por um país estrangeiro, o que havia revelado em “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade”, e que foi apresentado ao falecido Hojo Tokiyori através dele, Monge Yadoya, no dia 16 de julho de 1260 (2.º ano da Era Shogen). Na sequência, cita o fato de ter ouvido, passados nove anos desde a apresentação de “O Bem da Terra Baseado no K A I S E N
Estabelecimento da Verdade”, sobre os rumores de que havia chegado um mandado da Mongólia. E menciona sobre o que havia revelado em “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade” – que conforme as comprovações com base nas escrituras, não havia dúvida de que a Mongólia atacaria o Japão e declara que, em todo o país, Nichiren Daishonin era a pessoa a persuadir a Mongólia. Por fim, afirma que estava expondo isso para o bem do soberano (governante), país, Entidades Iluminadas e Budas, e que assim solicita que discretamente isso seja transmitido para o regente Hojo Tokimune, e conclui a escritura mencionando que falaria em detalhes quando se encontrassem. Lendo respeitosamente essa escritura, é possível perceber que Nichiren Daishonin dedicou-se ao shakubuku pensando no bem do governante e também de todas as pessoas. Sobre as causas de ocorrerem as calamidades em decorrência da crença em doutrinas e leis errôneas, o 26.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nichikan Shonin afirma: 1. Primeiramente, decorrem do mau carma do povo. Quando os seres que possuem mau cama nascem numa mesma época ou em um mesmo lugar, exercem interação entre o mau carma das existências passadas de um com o do outro e suscitam as desgraças. Isso não ocorre por causa do soberano. São desgraças que o próprio povo suscita. 2. Em segundo, devem-se ao fato de o soberano contrariar a razão. Ou seja, quando o soberano exerce uma administração política dúbia, que contraria a razão, as Entidades Iluminadas provocam as desgraças como punição. Isso não é suscitado por algo relacionado ao povo, e sim, pelo próprio soberano. 3. Em terceiro, em decorrência das calúnias à Lei. Ou seja, foi o que Nichiren Daishonin ensinou com comprovação fundamentada em todos os sutras, e afirmou nas escrituras como “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade” que tem as calúnias à Lei como causa fundamental. Vendo o aspecto social, observa-se claramente que neste momento não se pode afirmar que o Brasil, como um todo, é seguro e que todas as pessoas são felizes. Entretanto, realizar o shakubuku de pessoa para pessoa, de pouco a pouco, e ininterruptamente, é o atalho para a concretização do país do Buda. É importante que nós, na condição de discípulos de Nichiren Daishonin, conduzamos as ações como aqueles que partilham do mesmo propósito. O shakubuku não é fácil, mas justamente por ser difícil, são inúmeros os benefícios que recebemos. Vamos nos dedicar, com clérigos e adeptos em união harmoniosa, na propagação da Lei no Brasil e no mundo!
N º 2 2 7
28
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 7 de abril de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu do mês de abril do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores. Todos temos sofrimentos e problemas – grandes ou pequenos, no decorrer da nossa vida cotidiana. Podem ser problemas de saúde, de relacionamento familiar, de relacionamento no ambiente de trabalho ou escolar, variando de pessoa para pessoa. Penso que, em meio a tais circunstâncias, se se encontraram com o ensino correto de Nichiren Daishonin e estão realizando atualmente os exercícios de aprimoramento da prática da fé é porque decidiram alcançar a felicidade praticando a Verdadeira Lei. Entretanto, pode ser que algumas pessoas manifestem dúvidas com relação à prática da fé pela ocorrência de algo indesejado, como o agravamento da situação ou o surgimento de novos problemas depois de terem começado a praticar. Nichiren Daishonin orienta na escritura “Resposta ao Suserano Shijo Kingo (Shijo Kingo Dono Gohenji)”: Aceitá-lo é fácil, porém mantê-lo é difícil. A Iluminação está justamente em mantê-lo. Aqueles que vão manter este sutra, devem fazê-lo cientes de que enfrentarão dificuldades. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 775)
Este ano, o Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin deu a seguinte orientação em sua mensagem de anonovo: Na escritura “A Transmissão da Exegese Oral do Sutra de Lótus (Ongi Kuden)”, Nichiren Daishonin afirma: “Quanto aos exercícios de aprimoramento para os da estirpe de Nichiren no presente, na Era do Fim do Darma, deve-se perceber quão reconfortante é o fato de as dificuldades se manifestarem ao exercitar o Myoho-Rengue-Kyo”. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1762). Deve-se saber que, ao enfrentar e superar as dificuldades depois de fazer com que estas se manifestassem, é possível eliminar as causas negativas acumuladas desde o longínquo passado e atingir a Iluminação na Forma Presente.
É certo que encontrará dificuldades caso mantenha o budismo correto de Nichiren Daishonin. Isso decorre do fato de as causas negativas acumuladas desde o longínquo passado manifestarem-se nesta existência. Ao enfrentar e superar as mais diversas dificuldades com a prática da fé, é possível abrir a condição de vida da Iluminação. Tornar-se infeliz por ter começado a prática da fé – a que me referi há pouco – é algo inconcebível se analisarmos à luz da Verdadeira Lei de Nichiren Daishonin que salva todos os seres. [As dificuldades] são a indicação de que as causas negativas estão se manifestando para que possamos eliminá-las. A questão é se conseguirá manter a prática da fé de forma ainda mais vigorosa, enfrentando e superando as dificuldades para poder receber o verdadeiro benefício, ou se deixará com que as dúvidas e ilusões se manifestem para distanciar-se da prática da fé e rume para o caminho do Inferno, cego pelas satisfações imediatistas. À luz dos ditos dourados e das orientações, é evidente qual desses é o correto. Semelhantemente ao fato de, ao ficarmos doentes, o efeito não poder se manifestar se outras pessoas tomarem o remédio em nosso lugar, não há outra forma de eliminar as causas negativas que viemos acumulando a não ser com os benefícios dos exercícios de aprimoramento da prática da fé realizados por nós mesmos. Devemos reverenciar firmemente os ditos dourados de Nichiren Daishonin e as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei e, certos de que quando ocorrerem as mais diversas dificuldades é justamente o momento oportuno para eliminar as causas negativas acumuladas desde o longínquo passado, gostaria que se dedicassem ainda mais aos exercícios de aprimoramento da prática da fé, como visita ao templo, participação ativa nas atividades do núcleo e peregrinação, além do gongyo, recitação de daimoku e shakubuku. Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu deste mês. Muito obrigado.
(Dainichiren, edição de janeiro de 2019, pág. 5)
K A I S E N
N º 2 2 7
29
Recitação Especial de Oko Orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin 13 de abril de 2019
Nichiren Daishonin ensina o seguinte na escritura “Carta ao Suserano Nanjo Hyoe Shichiro (Nanjo Hyoe Shichiro Dono Gosho)”: Mesmo que realize um grande bem, transcrevendo o Sutra de Lótus milhares de vezes, e se torne alguém que perceba o caminho da introspecção dos três mil num instante, se não repreender os inimigos do Sutra de Lótus, será difícil atingir a Iluminação. Fazendo uma analogia, é como alguém que sirva à Corte Imperial, com dez, vinte anos de devoção, e que, por deixar de alertar o soberano sobre o seu inimigo ou não impedi-lo mesmo tendo conhecimento, tenha o seu préstimo completamente dissolvido e transformado inversamente em transgressão. Deve-se saber que as pessoas desta época são caluniadoras da Lei. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 322)
Nichiren Daishonin ensina que, embora se possa pensar que alguém tenha fé profunda no Sutra de Lótus, se este não faz shakubuku para refutar os caluniadores da Lei, então, não importa que grandes boas ações – causas para benefícios – esse alguém acumule, pois mesmo se transcrevesse o Sutra de Lótus dez milhões de vezes, ou alcançasse o estado de “três mil num instante – ichinen sanzen”, não poderia atingir o estado de Buda. É como uma pessoa que serviu à corte imperial por um longo tempo, como dez a vinte anos. Se tal pessoa souber de um inimigo, e não o relatar ao seu soberano, nem confrontar o próprio inimigo, seu serviço de longa data se tornará completamente sem sentido. Pior ainda, ele será punido por
K A I S E N
negligência do dever. Quando lemos essa passagem da escritura, devemos saber que a fé daqueles que não realizam o shakubuku não está em conformidade com o propósito de Nichiren Daishonin. Podemos receber os vastos e ilimitados benefícios do Gohonzon e alcançar o estado de Buda na Forma Presente, somente se praticarmos corretamente nossa fé de modo a atender a intenção de Nichiren Daishonin. Nichiren Daishonin ensina na escritura “Resposta ao Suserano Soya (Soya Dono Gohenji)” como segue: Almejar atingir o Estado de Buda sem, no entanto, censurar as calúnias à Lei é tal como procurar água dentro do fogo ou fogo dentro da água. É inútil, é inútil. (Heisi Shimpen Gosho, pág. 1040)
Ele ainda ainda ensina o seguinte no Gosho, “Resposta à Monja Myoho (Myoho Bikuni Gohenji)”: No Budismo o Buda adverte: “Se não se manifestar por receio e temor da sociedade, mesmo que veja o inimigo do Sutra de Lótus, será inimigo do Buda Sakyamuni e, por mais sábio e bondoso que seja, sem falta cairá no inferno dos incessantes sofrimentos. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1262)
Nichiren Daishonin nos ensina o quão essencial é o shakubuku para a nossa prática da fé. Tomando estas palavras de ouro para o coração, cada um de nós deve levantar-se para realizar o shakubuku, e salvar as muitas pessoas que sofrem em decorrência do veneno dos ensinamentos errôneos que são a causa da infelicidade.
N º 2 2 7
30
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 14 de março de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de abril do “Ano de Progredir com Entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês para, assim, retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Essa obra foi escrita no dia 13 de dezembro de 1264 (1.º ano da Era Bun-ei), cerca de um mês depois da Perseguição de Komatsubara, quando Nichiren Daishonin estava com 43 anos de idade, e foi enviada de Kamakura para o administrador de terras de Fuji Ueno, Suserano Nanjo Hyoe Shichiro. Encontram-se preservadas de forma compartilhada até o presente, a via escrita de próprio punho por Nichiren Daishonin, e também a via transcrita por Nikko Shonin. O destinatário, o Suserano Nanjo Hyoe Shichiro, originalmente era um adepto da religião Nembutsu. Ele havia servido à família Hojo, do regente, e era um administrador de terras do entorno do atual Templo Taisekiji. Conforme os costumes à época, era chamado também de Suserano de Ueno, por causa da denominação da região. Era o pai do Suserano Nanjo Tokimitsu, o grande patrono do Templo Principal Taisekiji. Não se sabe ao certo o ano de seu nascimento, porém, veio a falecer no dia 08 de março de 1265 (2.º ano da Era Bun-ei), quando o Suserano Tokimitsu era apenas um menino de sete anos de idade. Pode-se supor que o Suserano Hyoe Shichiro tenha se convertido em Kamakura, mas quando ele recebeu essa obra, encontrava-se em Fuji Ueno, para tratamento de sua doença. Pelo fato de constar nessa escritura: “Como as pessoas da família (do Suserano Nanjo Hyoe Shichiro) são seguidoras da Nembutsu, certamente vão lhe recomendar para que abandone o Sutra de Lótus e siga a Nembutsu” (Interpretação, Shimpen, pág. 325), podemos supor que o Suserano Hyoe Shichiro, por ter se convertido há pouco tempo, e também pela resistência de pessoas ao seu redor, ainda não havia conseguido abandonar por completo o seu
K A I S E N
apego à Nembutsu. Porém, lendo e relendo essa escritura que havia recebido de Nichiren Daishonin, ele conseguiu estabelecer uma fé sólida em Nichiren Daishonin. Pouco antes, Nichiren Daishonin havia sofrido ferimentos em Komatsubara, conforme consta na escritura “Sobre as Perseguições ao Sábio (Shonin Gohanji)”: Tive feridas na cabeça e a mão esquerda fraturada pelo golpe. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1396)
Apesar desses ferimentos, que ainda não haviam sido curados, Nichiren Daishonin escreveu imediatamente essa obra, logo que soube da grave doença a que o Suserano Hyoe Shichiro estava acometido. Dirige, primeiramente, as suas palavras de solidariedade e, na sequência, revela a verdadeira doutrina do Sutra de Lótus, refutando as doutrinas errôneas da Nembutsu com base no conceito das cinco perspectivas do Budismo, menciona ainda sobre a circunstância da Perseguição de Komatsubara e lhe orienta: Se, por ventura, aconteça de partir antes de mim, apresente-se como discípulo de Nichiren – o supremo Devoto do Sutra de Lótus do Japão. Entretanto, caso a sua prática da fé conjugue a Nembutsu com o Sutra de Lótus, não será possível atingir a Iluminação. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 326)
No trecho que lemos respeitosamente, declara rigorosamente que a Iluminação não será possível caso se limite à prática para si e deixe de realizar, conjuntamente, os exercícios de shakubuku e de refutar as calúnias à Lei de outras religiões, e assim incentiva vigorosamente a prática efetiva do shakubuku. Na escritura “Resposta ao Suserano de Ueno (Ueno Dono Gohenji)” de novembro de 1274 (11.º ano da Era Bun-ei), endereçada para o filho, o Suserano Nanjo Tokimitsu, Nichiren Daishonin afirma: O seu falecido pai era um samurai, e ouvi dizer que o seu último momento de vida havia sido notável (distinto), tendo ele prezado o Sutra de Lótus. Com certeza, o seu pai ficará satisfeito caso siga os passos dele e mantenha esta Verdadeira Lei. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 745)
Através dessa passagem, podemos constatar que o Suserano Hyoe Shichiro havia rompido o seu apego à Nembutsu e atingido a Iluminação. Consta na escritura “Sobre a Celebração da Primavera (Haru no Iwai Gosho)” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 758) que Nichiren Daishonin louvou a prática da fé e o caráter do Suserano Hyoe Shichiro, e visitou o túmulo da família Nanjo, em Ueno, saindo de Kamakura para realizar respeitosamente a oferenda memorial. Com essa benevolência e afeição de Nichiren Daishonin, e por terem presenciado a fé do Suserano Hyoe Shichiro, a fé das pessoas da família Nanjo foram sendo solidificadas. E N º 2 2 7
31
por fim, o filho, o Suserano Nanjo Tokimitsu realizou o oferecimento das terras do Templo Taikiseji, que são até o presente, a academia base da propagação da Verdadeira Lei de Nichiren Daishonin. Iniciarei então, a leitura respeitosa da frase. Temos que: Mesmo que realize um grande bem, transcrevendo o Sutra de Lótus milhares de vezes, e se torne alguém que perceba o caminho da introspecção dos três mil num instante, se não repreender os inimigos do Sutra de Lótus, será difícil atingir a Iluminação. Quando o Suserano Nanjo Hyoe Shichiro recebeu essa escritura de Nichiren Daishonin, ele ainda era um principiante na prática da fé. E além disso, só havia praticantes da Nembutsu ao seu redor e além do mais estava acamado, face a face com a morte. Para o Suserano Hyoe Shichiro, nessa condição, Nichiren Daishonin ensinou a importância do shakubku da seguinte forma: Este é justamente o momento para manifestar uma grandiosa fé e refutar os ensinos errôneos. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 325)
E ainda, adverte rigorosamente, por meio da analogia com “uma pessoa que serve à Corte Imperial” que embora seja alguém com longo tempo de prática, caso negligencie o shakubuku, não lhe será possível atingir a Iluminação. Shakubuku é um importante exercício de aprimoramento no caminho do Buda que deve sempre ser praticado, seja em meio ao sofrimento decorrente da doença, seja por quem tem pouco tempo de prática. Por essa razão, que o Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta, através desta frase que lemos respeitosamente: “Devemos ter o conhecimento claro de que uma prática da fé que negligencia o shakubuku não é uma prática da fé correta, em conformidade com a intenção de Nichiren Daishonin. Somente ao realizarmos uma prática da fé correta, que corresponda à intenção de Nichiren Daishonin, é que podemos receber o benefício amplo e ilimitado, e atingir a Iluminação na Forma Presente” (Dainichiren, edição de junho de 2018). Prosseguindo, temos a seguinte passagem: Fazendo uma analogia, é como alguém que sirva à Corte Imperial, com dez, vinte anos de devoção, e que, por deixar de alertar o soberano sobre o seu inimigo ou não impedi-lo mesmo tendo conhecimento, tenha o seu préstimo completamente dissolvido e transformado inversamente em transgressão. Para os exercícios de aprimoramento na Era do Fim do Darma as duas práticas – para si e para os outros – são necessárias. A relação entre a prática para si e a prática para os outros é representada pelas rodas de um carro ou as asas de um pássaro. No carro, se uma das rodas não se movimentar, ele ficará girando em círculos e não conseguirá andar para a frente, e no caso do pássaro, ele não conseguirá voar para a direção que almeja com apenas uma K A I S E N
das asas. Por essa razão, Nichiren Daishonin nos ensina na passagem que lemos respeitosamente, que a realização no caminho, a Iluminação, não será possível caso não realize o exercício de shakubuku – de refutar as doutrinas e religiões errôneas, por mais que se dedique à prática para si. Portanto, jamais devemos nos esquecer que os nossos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda é avançar, almejando o destino – a Iluminação na Forma Presente – e a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, com a dedicação constante à prática para si e para os outros. Prosseguindo, temos a última passagem: Deve-se saber que as pessoas desta época são caluniadoras da Lei. Nichiren Daishonin adverte na escritura “Resposta à Monja Abutsu-bo (Abutsu-bo Ama Gozen Gohenji)”: [...] mas se deixar de repreendê-la, mesmo que a veja e a ouça, corromper-se-ão instantaneamente as duas virtudes, a da visão e a da audição, sendo um ato grave e destituído de benevolência. Conforme Chang-an: “Quem demonstra a falsa afetividade, sem ter benevolência, é seu inimigo”. Heisei Shimpen Gosho, pág. 906, 13 Escrituras de Nichiren Daishonin, pág. 13
Ou seja, ao não realizarmos o shakubuku a quem calunia a Lei, e deixarmos por assim mesmo, estaremos cometendo o crime de conivência, além de ser um ato que denota a ausência extrema de benevolência. Nesse contexto, precisamos nos desafiar na prática ativa e efetiva do shakubuku para os familiares, amigos, colegas, superiores e vizinhos que ainda não praticam. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta: Na obra Zhong Yong consta: “Se alguém tiver sucesso com uma tentativa, eu tentarei cem vezes. Se alguém tiver sucesso com dez tentativas, eu tentarei mil vezes”. [...] Essa citação afirma que por mais ignorante ou frágil que seja a pessoa, se agir dessa forma, poderá realizar algo grandioso. Penso que devemos refletir bem, de forma objetiva, a respeito da nossa prática da fé, especialmente com relação ao shakubuku: se estamos tentando dez vezes, em vez de uma, ou por mil vezes, em vez de cem, conforme essas palavras. (Daibyakuho, edição de primeiro de janeiro de 2018)
Conforme essa orientação, é fundamental prosseguir no diálogo com persistência, sem jamais desistir, em prol da concretização do shakubuku. A frase deste mês é uma orientação concreta a respeito do shakubuku. Por que precisamos realizar o shakubuku? Em primeiro lugar, para a nossa felicidade. Por que o exercício de shakubuku nos leva à nossa felicidade? Todos nós, sem exceção, desejamos a felicidade. Penso que o motivo da maioria das pessoas ter começado a praticar a fé da Nichiren Shoshu tenha sido o desejo de ser feliz. E há muitas, que realizaram dedicadamente os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda e tiveram as provas reais extraordinárias.
N º 2 2 7
32
E dessas, a suprema felicidade e satisfação, não seria a alegria de ter concretizado o shakubuku? Não há sensação de felicidade e de alegria que supere a que resulta da concretização do precioso e incomparável exercício de aprimoramento de salvar a vida de uma outra pessoa desde a raiz. Podemos sentir alegria quando conseguimos algo que desejávamos ou quando pudemos curar uma doença. Mas a sensação de felicidade suprema é a que decorre da concretização de shakubuku. Essa alegria somente poderá ser sentida quando a pessoa passar por essa experiência. Precisamos realizar os exercícios de shakubuku para, em primeiro, sentirmos a alegria dessa felicidade suprema. Em segundo, para melhorar o ambiente e a sociedade que nos cercam. Na escritura “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”, Nichiren Daishonin afirma: O imperador governa a sociedade tendo a sua base na nação; o povo e os vassalos mantém suas vidas na sociedade por meio da ocupação da terra. Assim, se as hordas inimigas do exterior chegarem invadindo esse país, se ocorrerem conflitos internos, usurpando essas terras, como poderiam deixar de se atemorizar? Como poderiam deixar de se afligir? Sem o país e com o lar desfeito, em que lugar deste mundo poderiam se refugiar? Se o senhor deseja essencialmente o seu próprio bem-estar, não deveria primeiramente orar pela tranquilidade e estabilidade nas quatro direções? Afinal, se desejamos viver tranquilamente, devemos pensar de que forma podemos melhorar o país e a sociedade. Quem mantém e administra o país e a sociedade é o povo. Ou seja, a política nacional e o direcionamento do país são definidos de acordo com a condição de vida do povo. Com a realização do shakubuku, aumenta-se a
K A I S E N
população que manifesta o estado de Buda e assim, com a sabedoria do Buda, o país como um todo poderá se transformar no País do Buda. Temos, a partir desse ano, um novo presidente. Melhorar esse país está diretamente ligado à felicidade individual das pessoas. É por essa razão que precisamos nos dedicar aos exercícios de shakubuku. O destino do país não é “um problema dos outros”. É importante que cada um de nós tenha a consciência de que é um pilar da nação e realize o exercícios de shakubuku com senso de responsabilidade e de missão. Em terceiro, é para elevar a condição de vida. Para realizar o exercício de shakubuku, é preciso antes de mais nada, atingir uma condição de vida que leve outras pessoas a aceitar ouvir o que dizemos. Mesmo que falemos: “O Gohonzon é maravilhoso”, “O Nam-Myoho-Rengue-Kyo é a Verdadeira Lei”, caso o nosso comportamento, as nossas palavras não sejam condizentes com a condição de vida do Buda, ninguém nos ouvirá. De fato, é preciso que nós mesmos realizemos com seriedade a recitação de daimoku e elevemos a nossa condição de vida. E é também um importante exercício de aprimoramento no caminho do Buda, ter sempre a preocupação: “Será que esse meu comportamento e as minhas palavras permitirão que eu concretize o exercício de shakubuku?”. O exercício de aprimoramento no caminho do Buda não se limita tão somente ao momento em que realizamos o gongyo e a recitação de daimoku ou então em que estamos nos templos ou na reunião do núcleo. A oportunidade para realizar o shakubuku poderá estar em qualquer momento e em qualquer lugar. Caso haja essa preocupação, de sempre elevar a condição de vida, passará a realizar devidamente o gongyo e a recitação de daimoku – práticas para si. E com o comportamento decorrente da elevada condição de vida,
N º 2 2 7
33
acumulará naturalmente as virtudes, purificando os seis sentidos, e será possível viver uma vida constantemente repleta de satisfação e energia. Além disso, penso que os senhores tenham ouvido os relatos de experiência de shakubuku em diversas oportunidades. As pessoas que procuram sempre realizar o shakubuku transbordam energia. Mesmo que fisicamente estejam doentes, pode-se perceber a energia que essas pessoas transbordam de suas vidas. Isso ocorre somente nas pessoas que conhecem a alegria de realizar o shakubuku. As pessoas que sabem da alegria de realizar o shakubuku estão sempre realizando o shakubuku. Conforme foi apresentado na ocasião da Reunião de Orientação pelo Chefe do Departamento do Exterior no ano passado, até uma criança consegue concretizar o shakubuku. O fato de uma criança conseguir realizar o shakubuku é extraordinário e nós devemos cuidar delas, que são os tesouros do futuro. Ou seja, precisamos realizar de forma concreta e efetiva, a herança da chama da prática da fé. O Suserano Nanjo Hyoe Shichiro, destinatário dessa escritura, era a princípio um adepto da religião Nembutsu, mas recebendo o shakubuku, veio a se devotar a Nichiren Daishonin. E seu filho, o Suserano Nanjo Tokimitsu, realizou o oferecimento das terras do Templo Principal Taiksekiji onde até o presente encontra-se consagrado o DaiGohonzon. A herança efetiva da chama da prática da fé pelo Suserano Nanjo Hyoe Shichiro estabeleceu as bases do Templo Principal. Penso que todos os pais desejem a felicidade de seus filhos. A maior herança que os pais podem deixar para as crianças é ensinar a elas a forma correta de viver e a enfrentar e superar as dificuldades – ou seja, transmitir a elas o ensino de Nichiren Daishonin. Por mais que as crianças venham a adquirir um status social e ganhem a admiração das pessoas, não poderão escapar
das questões relacionadas ao nascimento, envelhecimento, doença e morte. A herança suprema é ensinar para as crianças que para alcançar a verdadeira felicidade não há outra forma a não ser conhecer o Budismo, praticar efetivamente e experimentar o ensino de Nichiren Daishonin. Assim, o desenvolvimento da Divisão das Crianças também é importante. Todos os meses, no dia da Cerimônia de Oko, estamos realizando a Reunião das Crianças. A banda Kotekitai também foi formada e pedimos para que o maior número de crianças participem. Cada uma dessas experiências torna-se a causa para a Iluminação, independentemente de idade ou de gênero. Somente com a prática efetiva, com a experiência, é que se poderá, pela primeira vez, adquirir a convicção no budismo. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin afirma: O ponto importante é que a prática da fé não é teoria ou conceito – é experiência e prática efetiva. Somente com as experiências e as práticas efetivas é que nós poderemos alcançar, pela primeira vez, os benefícios amplos e ilimitados do Gohonzon. (Dainichiren, edição de agosto de 2007, pág. 54)
No dia 28 deste mês teremos a Cerimônia de Risshu-E (Estabelecimento da Doutrina) e a Reunião das Quatro Divisões. Em um mês significativo como esse, desejo sinceramente que os senhores pratiquem efetivamente o shakubuku, adquirindo experiências para acumular virtudes e dediquem todas as forças em prol da concretização do objetivo do “ano de progredir com entusiasmo”. Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
O tesouro do coração Reverendo Gyoten Shirai Matéria de Estudo para o Núcleo de Abril
Alguém,
entre
os
senhores,
já
ganhou
um
valor
considerável na loteria? Recomendações frequentes no Japão dizem que: “Se for sorteado na loteria, não deve mudar repentinamente o seu padrão de vida”, “não deve comemorar e sair contando para as pessoas ao seu redor”. De fato, parece que as pessoas contempladas viram alvo de telefonemas de pedidos de doações de organizações religiosas que souberam da premiação de alto valor, ligações e cartas de parentes e de desconhecidos se passando por familiares, com pedidos de empréstimos ou ameaças. Ao saber de tais fatos, sinto que ter uma quantia elevada de dinheiro em si não leva à felicidade. K A I S E N
Nos sutras budistas temos a seguinte parábola: Muito tempo atrás, o Buda Sakyamuni estava caminhando na companhia de seu discípulo, Ananda. E então, apontando para frente, o Buda Sakyamuni disse: “Ananda, lá está uma terrível serpente venenosa!”. Ananda olhou para frente e disse: “Oh, realmente, é uma serpente venenosa horrível!”. E assim os dois deixaram imediatamente o local, comentando: “Que terrível, que terrível!”. Havia um homem que por acaso estava trabalhando no campo, próximo dali. Ele estava observando o Buda Sakyamuni e o discípulo. Ele achou estranho: “Eu sempre passo por aquele caminho e não há serpente venenosa ali... O que será então?”. E foi
N º 2 2 7
34
ver o que podia estar ali. E não é que lá estavam várias barras reluzentes de ouro? O homem pulou de alegria e deu grandes risadas: “Aqueles monges disseram, ao ver um tesouro desse, que era uma serpente venenosa... Que pessoas esquisitas!” E assim, o homem levou as barras de ouro para casa. O homem até então levava uma vida humilde. Mas depois de ter as barras de ouro em suas mãos, mudou de vida, passando a desfrutar de luxos. Construiu uma casa grande e suntuosa com um amplo jardim. Comprou também, bois e cavalos, úteis para o transporte. Passou a usar joias caras. Vestiu roupas requintadas. Aumentou o número de parentes que não conhecia. Muitas pessoas passaram a procurá-lo, pedindo dinheiro emprestado. Passou a ter a vida ameaçada por bandidos e ladrões. Como era perigoso, teve que contratar muitos seguranças. Pouco tempo depois, por ele ter passado repentinamente a viver de forma luxuosa, espalhou-se um comentário ruim: “Aquele homem não teria roubado dinheiro?”. E esse boato chegou até a polícia da cidade. Posteriormente o homem foi preso pela polícia e foi alvo de tortura: “Afinal, de onde você roubou todo aquele dinheiro?”. O homem, então, finalmente percebeu o porquê do Buda Sakyamuni ter dito que as barras de ouro eram uma serpente venenosa quando as viu. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre o Imperador Sushun (Sushun Tenno Gosho)”: O tesouro do corpo é superior ao tesouro do depósito; e o tesouro do coração é supremo, mais do que o tesouro do corpo. A partir da leitura dessas frases, deve procurar acumular o tesouro do coração. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1173)
felicidade, mais do que o tesouro do depósito, porém não é eterno. Um dia se sucederá o declínio, ora por doença, ora pela limitação. Os dois primeiros tesouros – o do depósito e o do corpo – são restritos somente à existência presente, mas acumular boa sorte, que é o tesouro do coração, leva a se obter o tesouro que jamais deixará de existir, já que pode ser preservado através das três existências. Na escritura “Carta a Niike (Niike Gosho)” consta: Quando eventualmente surgem como seres humanos, a chama dos exercícios no caminho do Buda é facilmente apagada pela intensidade do vento da fama e da fortuna. Não lastima em destinar os bens para algo sem propósito, mas lamenta para realizar o mínimo de oferecimento para o Buda, a Lei e o Sacerdote. Isso é muito grave. É tal como competir com os emissários do Inferno. “Escassez do Bem e maldade em profusão” refere-se a isso. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1457)
Nichiren Daishonin afirma que tendo nascido como seres humanos, acabamos buscando a fama e a fortuna por ser forte a manifestação das maldades, e que nós mortais comuns temos dificuldade para acumular o tesouro do coração. Porém, nós estamos acumulando o tesouro do coração realizando os exercícios de aprimoramento da prática da fé no dia a dia, conforme ensinado por Nichiren Daishonin. Pode ser que algumas pessoas acabem buscando a fama e a fortuna como descrito nessa escritura e parem de acumular o tesouro do coração. Mas, com a convicção de que a prática diária, conforme orientações de Nichiren Daishonin, torna-se o tesouro do coração, gostaria que despertassem a determinação de se dedicar aos exercícios de aprimoramento da prática da fé de agora em diante.
O tesouro do depósito refere-se a dinheiro e bens. O tesouro do corpo indica a saúde, o conhecimento e a capacidade que possui. O tesouro do coração é a sabedoria do Buda, a boa sorte e a condição de vida elevada, obtidas com a prática da fé correta. De acordo com o conceito da sociedade, o mais valorizado seria o tesouro do depósito e em segundo, o tesouro do corpo. Penso que a maioria nem liga para o tesouro do coração, que seria considerado como o terceiro em importância. Mas no ensino budista a ordem seria o contrário, conforme a escritura. Ou seja, o tesouro do depósito jamais gerará o tesouro do corpo, e o tesouro do depósito também não vai gerar o tesouro do coração. Mas é fato que o tesouro do coração gera o tesouro do corpo e também o tesouro do depósito. Conforme a história da serpente venenosa, o dinheiro, que é o tesouro do depósito, tende a se tornar a causa de conflitos para satisfazer os desejos, levando as pessoas a odiar e a serem odiadas. Os bens não levam à felicidade necessariamente . O tesouro do corpo, como a saúde física, o conhecimento e a capacidade adquiridas podem levar à
K A I S E N
N º 2 2 7
35
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 5 de maio de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu do mês de maio do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores. Estamos no início do mês de maio, portanto, um terço do ano já se passou. Acredito que os senhores estejam se dedicando diariamente à prática para si e para os outros. Pois bem, na Nichiren Shoshu, na ocasião da Cerimônia de Gojukai, é realizada a seguinte pergunta: “Nesta vida de mortal comum e até alcançar o Estado de Buda, promete abandonar todas as religiões e ensinos errôneos de falsos mestres e falsas doutrinas e abraçar unicamente o ensino essencial do verdadeiro mestre e verdadeira doutrina?” ao qual respondemos: “Sim, eu prometo”. O Buda Sakyamuni abandonou todos os ensinos expedientes, ou sejam, transitórios, e revelou o Sutra de Lótus, o ensino superior (único e o mais elevado), conforme consta no Capítulo Hoben, segundo do Sutra de Lótus: “Abandono sinceramente o expediente para revelar unicamente o caminho supremo”. (Sutra de Lótus, pág. 124)
E, posteriormente, no Capítulo Hiyu, terceiro do Sutra de Lótus revelou e advertiu: “Não admito sequer um único gatha de outros sutras”. (Sutra de Lótus, pág. 183)
Nesta época, na Era do Fim do Darma, o Nam-MyohoRengue-Kyo estabelecido por Nichiren Daishonin com o seu advento na condição de Buda Original, é o único e supremo ensino que leva todos os seres a atingir a Iluminação. Ou seja, todos os demais ensinos são ensinos expedientes e, na ocasião da conversão, juramos ao Gohonzon que os abandonaremos devidamente para manter somente o ensino verdadeiro e supremo do Nam-Myoho-Rengue-Kyo. Na sociedade há, de fato, diversos tipos de religião. Há muitos que, à primeira vista, parecem dizer algo extraordinário e fazer algo notável. Mas, se nos basearmos em impressões superficiais, acabaremos nos equivocando em relação ao que é correto. Nichiren Daishonin analisou todas as religiões da K A I S E N
sociedade com base no princípio das “comparações sucessivas em cinco estágios (goju sotai)”, que são: “comparação entre os caminhos exterior e interior (naige sotai)”; “comparação entre Hinayana e Mahayana (daisho sotai)”; “comparação entre os ensinos expediente e objetivo (gonjitsu sotai)”; “comparação entre os Portais Original e Transitório (honjaku sotai)”; e “comparação entre os benefícios do budismo de colheita e de semeadura (shudatsu sotai)”, para revelar a doutrina correta. Embora fale algo convincente ou precioso – mesmo que parcialmente, caso o ensino na prática leve as pessoas para o caminho da infelicidade, nós jamais devemos segui-lo, minimamente sequer. Devemos sim, salvar as pessoas que sofrem em decorrência desse ensino. Fazendo uma analogia, é como uma casa que, apesar de ser bonita por fora e estar bem equipada, por dentro das paredes onde não se enxerga, tem a estrutura, como os pilares, completamente deteriorada a ponto de vir a desabar a qualquer momento. Penso que ninguém gostaria de viver numa casa assim. Somente com a boa impressão externa, jamais será possível salvar desde a sua base. É importante praticarmos corretamente para não cairmos nessa situação. E precisamos revelar o caminho correto para as pessoas que sofrem nessa situação para salvá-las. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta: O shakubuku é salvar as pessoas infelizes, mas quem não consegue salvar o outro, não consegue salvar a si mesmo. Portanto, é prática para si e para os outros; ao realizar o shakubuku, salva outras pessoas e consequentemente a si mesmo e, desse modo, consegue atingir a condição de vida da Iluminação. Quando realizados com solidez, esses exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, sem falta, possibilitam a nossa Iluminação na Forma Presente, a Iluminação eterna, no seu verdadeiro sentido. Assim, penso ser importante gravarmos isso no âmago de nossos corações e, incentivando um ao outro e também contribuindo individual e coletivamente para elevar a condição de vida, avancemos no caminho da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu. Visando o ano de 2021, desejo que cada um dos senhores, com a consciência e orgulho de ser membro da Hokkeko, lute sem arrependimentos no decorrer deste ano. Especialmente no presente, em que a Nichiren Shoshu tem focado nos dois aspectos do shakubuku e do aprimoramento, não podemos negligenciar este último. Quando concretizamos o shakubuku, é nossa responsabilidade prover o aprimoramento para que a pessoa que recebeu o shakubuku também consiga realizar o shakubuku. Não é responsabilidade da pessoa que recebeu o shakubuku.
N º 2 2 7
36
Por isso mesmo, ao provermos o aprimoramento para que a pessoa que recebeu o shakubuku se torne apta a realizar o shakubuku, nós também podemos receber o benefício amplo e ilimitado. Além disso, como há o princípio da repetição – esse benefício, por sua vez, resultará em mais shakubuku que nos levarão a acumular um benefício ainda maior, e esse benefício levará a outros shakubuku –, cada pessoa deve recitar firmemente o daimoku, praticar o shakubuku e prover o aprimoramento para que a pessoa a quem realizar o shakubuku também se torne apta a fazer o shakubuku. Sem isso, a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu não será
possível. Temos, aqui, o ponto de partida da nossa prática da fé. (Dainichiren, edição de março de 2019)
Vamos nos dedicar, durante os dois terços que ainda restam deste ano, gravando firmemente essa orientação. Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu deste mês. Muito obrigado.
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 12 de maio de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de maio do “ano de progredir com entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês, para assim retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Esta obra foi escrita em maio de 1275 (1.º ano da Era Kenji) em Minobu, quando Nichiren Daishonin estava com 54 anos de idade, e foi enviada para a Monja Myoichi. Quatro anos antes dessa obra ser escrita, ou seja, em 1271 (8.º ano da Era Bun-ei), grandes obstáculos como a Perseguição de Tatsunokuchi e o Exílio à Ilha de Sado ocorreram a Nichiren Daishonin, colocando em risco a sua vida. Esses obstáculos também atingiram seus discípulos e adeptos, e muitos, por não os conseguirem suportar, acabaram se afastando. A Monja Myoichi enfrentou e superou essa situação difícil e pôde manter uma prática da fé sincera. O esposo da Monja Myoichi havia sido alvo de um grande obstáculo, de ter as terras sob a sua administração confiscadas. Nessa obra, profundamente consternado pelo fato de a Monja Myoichi ter de cuidar de uma criança que não estava bem de saúde e das filhas, Nichiren Daishonin incentiva-a com afeição, citando que o esposo teria atingido K A I S E N
a Iluminação com os benefícios da prática da fé e estaria observando a esposa e as crianças. Seguem ainda as palavras de agradecimento à Monja Myoichi pelo oferecimento da veste e pelo envio do criado para servi-lo. A Monja Myoichi enfrentou diversas dificuldades no decorrer de sua vida, mas manteve uma fé sincera até o fim. Ela havia enviado um criado, tanto na ocasião do Exílio à Ilha de Sado como do estabelecimento em Minobu, para que servisse a Nichiren Daishonin. No início da obra, Nichiren Daishonin faz referência a uma história relacionada ao Buda Sakyamuni e ensina sobre a grandiosidade da benevolência do Buda. Diante de próprio falecimento, o Buda Sakyamuni falou para seu discípulo sobre a sua preocupação com relação ao Rei Ajatasatru. E então esse discípulo lhe questionou: “A benevolência do Buda deve ser dirigida igualmente a todos os seres. Sendo assim, por que o senhor está preocupado especialmente com o Rei Ajatasatru?”. O Buda respondeu a essa pergunta: “Vamos supor que um pai tenha sete filhos. O pai trata todos os filhos de forma igual, mas se preocupará particularmente com o filho enfermo. É semelhante a isso. Todos os seres são como meus próprios filhos, e alguém como Rei Ajatasatru que matou o próprio pai, para mim é como um filho com uma grave doença”. O Rei Ajatasatru era um príncipe do reino de Magadha que, ludibriado por Devadatta, confinou e matou de fome o próprio pai para chegar ao trono. Além disso, confinou a mãe, e pior ainda, tentou matar o Buda Sakyamuni com um elefante embriagado. Depois disso, surgiram grandes erupções malignas por todo o seu corpo que o fez transitar entre a vida e a morte, mas foi salvo pelo Buda Sakyamuni e tornou-se discípulo dele. Nichiren Daishonin mencionou que o falecido esposo da Monja Myoichi, por ter sido uma pessoa extremamente N º 2 2 7
37
benevolente como o Buda Sakyamuni, deve ter ficado preocupado por partir, deixando as crianças para trás. E o elogiou, afirmando estar certo de que teria acumulado um benefício análogo a Sessen Doji e Bodhisattva Yakuo, por ter mantido sinceramente o Sutra de Lótus até o fim. Sessen Doji refere-se a uma criança que estava realizando os exercícios de aprimoramento numa montanha nevada, para atingir a percepção. Taishakutenno, tocado ao observar a atitude sincera do menino, de realizar os exercícios de aprimoramento, transformou a própria fisionomia na de uma entidade maléfica, surgiu à frente dele e recitou: “Shogyo Mujo. Zesho Meppo. (Tudo muda, nada é constante. Essa é a lei que rege o nascimento e a morte)”. Sessen Doji ficou surpreso e eufórico, mas quem estava ali era uma entidade maléfica de aparência assustadora. Doji perguntou para a entidade maléfica: “Foi o senhor quem recitou aqueles gatha?”. A entidade maléfica então lhe respondeu: “Sim, fui eu”. Doji ficou emocionado e lhe pediu para que revelasse a continuação do gatha. Mas então a entidade maléfica lhe disse: “Mesmo que eu quisesse lhe ensinar, não consigo, por estar com a barriga vazia”. Então, Doji lhe disse: “Então eu vou preparar uma refeição para o senhor. O que gostaria de comer?”. A entidade maléfica respondeu: “Eu como carne humana”. Doji, determinado, disse-lhe: “Por favor, deixe-me ouvir a continuação. Poderá alimentar-se do meu corpo”. Assim, a entidade recitou: “Shometsu Metsui. Jakumetsu Iyaku. (Libertando-se [do apego] da vida e da morte, alcançará a satisfação do nirvana)”. Sessen Doji ficou extremamente feliz ao ouvir isso e, depois de gravar esses gatha numa rocha, atirou-se de um lugar elevado conforme havia prometido. E eis que, então, a entidade maléfica reassumiu a forma de Taishakutenno, acolheu o corpo de Sessen Doji e reverenciou-o pelo espírito de procura dele. Essa história revela sobre o oferecimento do corpo de Sessen Doji. E Sessen Doji é o Buda Sakyamuni em uma de suas existências passadas. Sobre o Bodhisattva Yakuo citado na sequência, está revelado no Capítulo Yakuo Bosatsu Honji, 23.º Capítulo do Sutra de Lótus. Resumindo, houve no passado, um Buda chamado Nichigatsu Jomyotoku. Um de seus discípulos, Bodhisattva Issai Shujo Kiken, estava realizando os exercícios de aprimoramento do Sutra de Lótus durante 12 mil anos, visando abrir a sua percepção. E, para retribuir pelas dívidas de gratidão pelos benefícios que alcançou com os exercícios de aprimoramento, ele realizou a oferenda de muitas flores e aromas. Além disso, esse Bodhisattva tomou óleo aromático durante mil e duzentos anos, passou-o em seu corpo para que ficasse impregnado, molhou sua veste sacerdotal com ele diante do Buda e acendeu fogo, para oferecer a si mesmo na forma de luminosidade. O Buda Sakyamuni citou: “Por mais precioso que seja o tesouro que eu possa oferendar, estará aquém do oferecimento dele. Isso porque ele realizou o oferecimento da Lei”. K A I S E N
Esse Bodhisattva Issai Shujo Kiken é o Bodhisattva Yakuo numa existência passada. Nichiren Daishonin está afirmando que o falecido esposo da Monja Myoichi acumulou um benefício igualmente grandioso como esses. E, para concluir a escritura, agradece pelos oferecimentos e encerra com palavras afetuosas dirigidas aos filhos da Monja Myoichi. Pois bem, iniciarei a leitura respeitosa da frase. Temos: As pessoas que creem no Sutra de Lótus são como o inverno. O inverno sem falta se transforma em primavera. Embora pratique a fé, ocasionalmente poderá deparar-se com dificuldades. Isso se deve às causas negativas que a própria pessoa acumulou desde as existências passadas. Especialmente as causas de caluniar a Lei são extremamente graves e profundas, assim, efeitos rigorosos manifestar-se-ão ao longo das três existências. Porém, com o extraordinário poder do benefício de abraçar e manter a Lei Mística, é possível transformar e receber os efeitps de forma mais leve nesta existência e eliminar, por completo, todas as causas negativas. Isso é o “benefício de transformar o pesado e receber o leve – tenju kyoju”. Portanto, embora haja diversas dificuldades no decorrer da vida, com o benefício de abraçar e manter a Verdadeira Lei, sem falta é possível estabelecer a verdadeira condição de vida de felicidade. E o inverno que Nichiren Daishonin menciona nessa passagem é uma analogia para a condição severa. Sobre as circunstâncias do exílio à Ilha de Sado, Nichiren Daishonin expôs na escritura “Sobre os Comportamentos do Buda (Shuju Onfurumai Gosho)”: Moro num local chamado Ttsukawara, entre montanhas e planícies, que lembra Rendaino de Kyoto, onde os mortos são descartados. Aqui não há sala para o altar budista, o telhado está com as tábuas desencaixadas, as paredes, dos quatro lados, estão deterioradas e a neve atravessa por elas. Vivo o dia a dia num local assim, estendendo a capa de palha no chão para passar a noite. É uma moradia desoladora, onde, à noite, neve, granizo e relâmpago ocorrem initerruptamente e, durante o dia, os raios do sol não incidem. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1062)
Em meio a essas condições inimaginavelmente severas, Nichiren Daishonin, com o seu comportamento de Buda Original, escreveu importantes escrituras tais como “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)” e “Sobre o Objeto de Devoção da Introspecção (Kanjin no Honzon Sho)”. Isto é, em qualquer condição adversa, manteve a condição de vida de grandiosa benevolência, de prover a salvação de todos os seres. E revela, conforme essa frase, que embora venha a enfrentar um período rigoroso como o inverno, sem falta chegará a época da gloriosa primavera. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: Desde antigamente, nunca vi ou ouvi dizer que o inverno tivesse se transformado em outono. Nunca ouvi dizer que N º 2 2 7
38
as pessoas que creem no Sutra de Lótus tivessem retornado a [condição de] mortais comuns. Nessa passagem, faz referência à sequência lógica das estações e menciona que, semelhantemente, aquele que mantém a Verdadeira Lei de Nichiren Daishonin sem falta poderá atingir a Iluminação. O inverno não se transforma em outono. Nichiren Daishonin afirma que, da mesma forma, nunca ocorrerá de um seguidor que mantém a Verdadeira Lei deixar de atingir a Iluminação. Nós nos deparamos sempre com diversas dificuldades no decorrer da vida. E isso se deve às causas que nós mesmos geramos. Porém, pelo fato de nós mesmos termos gerado essas causas, sem falta é possível enfrentá-las e superá-las. Para compreender essa lógica, é preciso manter o Sutra de Lótus e recitar o NamMyoho-Rengue-Kyo para o Gohonzon correto. Os mortais comuns da Era do Fim do Darma tendem a buscar, fora de si mesmos, as causas de diversos problemas quando estes ocorrem. É fácil compreender “boas causas, bons efeitos”, ou seja, que quando algo ocorre conforme desejado “obteve sucesso pela própria capacidade ou esforço”. Mas no caso de “más causas, maus efeitos”, ou seja, quando algo não ocorre conforme o esperado, é difícil de compreender que “isso resultou das causas que eu mesmo gerei e, portanto, eu mesmo preciso gerar as causas para poder enfrentar e superar, sem ser influenciado pelas palavras ou comportamentos de outras pessoas”. Porém, ao prosseguir com os exercícios de aprimoramento para si e para os outros, sem falta será possível atingir essa condição. Diversas dificuldades ocorrem diariamente. E é por isso que os exercícios diários de aprimoramento para si e para os outros são importantes. Prosseguindo, temos a última passagem: Nas frases do sutra está revelado: “Não há sequer um ouvinte da Lei que deixou de atingir a Iluminação”. Nichiren Daishonin faz referência, nessa passagem, à uma frase do Capítulo Hoben do Sutra de Lótus, onde consta: “Não haverá uma pessoa sequer que deixe de atingir a Iluminação, entre os que, por ventura, tiverem a oportunidade de ouvir o Sutra de Lótus”. O Sutra de Lótus na Era do Fim do Darma é o “NamMyoho-Rengue-Kyo”, o Budismo de Semeadura de Nichiren Daishonin. E essa frase do sutra nada mais é do que palavras que revelam claramente a grandiosa benevolência, ampla e ilimitada do Buda, e do poder inimaginável do benefício do Gohonzon que, só pelo fato de ouvir os cinco e sete ideogramas da Lei Mística, permite que a pessoa sem falta venha a atingir a Iluminação. Nem é preciso dizer que, se a pessoa, além do simples fato de ouvir a Lei Mística, acreditar e se dedicar à fé e à prática para conduzir também as demais, incorporará virtudes ainda maiores. Além disso, a Nichiren Shoshu tem o shakubuku como sua diretriz. Todos que creem na Verdadeira Lei, sem exceção, possuem a missão de revelar o Budismo de Nichiren Daishonin para todas as pessoas, e salvar dos sofrimentos aquelas que desconhecem a verdade. Nós, na condição de K A I S E N
discípulos e adeptos, precisamos firmar a determinação de propagar o ensino por toda a vida e temos a preciosa missão de nos dedicarmos devotadamente à sua prática efetiva, da mesma forma que Nichiren Daishonin dedicou a sua vida em prol do shakubuku e da propagação do ensino até o fim. O importante no shakubuku é o sentimento de benevolência de salvar as pessoas. E benevolência não é benevolência caso esteja voltada para uma pessoa específica. Benevolência é benevolência quando é dirigida a todas as pessoas e todas as formas de vida, sem nenhuma diferenciação. Benevolência é o pensamento de salvar qualquer pessoa, seja quem esteja recebendo o shakubuku, sejam os familiares, sejam os companheiros da Hokkeko e até quem tem más intenções em relação a nós. Para manifestar esse sentimento, o gongyo e o exercício de recitação de daimoku diários, realizados de forma correta, são importantes. Além disso, Nichiren Daishonin afirma nesta escritura: Se as palavras do Buda não forem em vão, o Sutra de Lótus será propagado. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 832)
Na escritura “Sobre a Retribuição pelas Dívidas de Gratidão (Hoon Sho)”, Nichiren Daishonin revela sobre a ampla propagação da Lei Mística como segue: Se a benevolência de Nichiren for ampla e grandiosa, o Nam-Myoho-Rengue-Kyo será propagado pelo futuro, além dos 10 mil anos. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1036)
E o 2.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nikko Shonin adverte a nós, da Era do Fim do Darma, na “Carta de Legado de Nikko (Nikko Yuikai Okimon)”: Enquanto a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu não se realizar, deve propagar devotadamente a Lei, dedicando a própria vida. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1884)
Conforme essa passagem, o presente é justamente a época em que todos nós devemos nos dedicar ao shakubuku, de acordo com a capacidade individual, sem poupar a própria vida. Nichinyo Shonin orienta: Tudo nasce da convicção. Assim, nós primeiramente devemos estabelecer a fé absoluta neste Gohonzon. Aconteça o que acontecer, conforme esta frase de ouro, “não há uma pessoa sequer que deixe de atingir a Iluminação”. Assim, com a grande convicção de que, ao prosseguir nesta prática da fé, qualquer pessoa sem falta poderá atingir a Iluminação, penso que nós podemos ter a perspectiva do grande crescimento e da Iluminação na Forma Presente possíveis de serem alcançados, além da jornada rumo à propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu. (Coletânea sobre a Fé e a Prática, volume III, pág. 31)
Nós ouvimos ou lemos os relatos de experiência do budismo em diversas oportunidades. Eles são apresentados para que as pessoas que tiveram essas experiências, isto é,
N º 2 2 7
39
que praticaram efetivamente, levem as provas reais que foram manifestadas em suas vidas para o conhecimento de todas as pessoas para relatar quão maravilhoso é o Budismo de Nichiren Daishonin. O ensino de Nichiren Daishonin é lógico. Assim, quem o praticar efetivamente, sem falta terá resultados. Não existe nenhuma exceção para “boas causas, bons efeitos; más causas, maus efeitos”. Isso é algo que somente a pessoa que praticou efetivamente consegue entender. Praticando efetivamente, a prova real se manifesta, e assim podemos ter a convicção de que o ensino de Nichiren Daishonin é a Verdadeira Lei. E, ao partilhar, ensinar e transmitir suas próprias experiências, poderá aprofundar a sua fé e será possível salvar as vidas de muitas pessoas, desde a raiz. Quando aumenta o número de pessoas que praticam efetivamente, este ambiente, este mundo em que vivemos naturalmente vai se transformar no país do Buda e, assim, o país e a sociedade passarão a cumprir as suas funções de forma equilibrada e extraordinária. Para a concretização da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, são imprescindíveis o shakubuku e a propagação do ensino com os três tipos de ação com o corpo, com a boca e com a intenção. É preciso agir, incentivar o companheiro e praticar efetivamente com a convicção na Verdadeira Lei. E a pessoa que conduz a sua vida cotidiana com base na concretização da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, naturalmente consegue viver o dia a dia de forma plena e com satisfação. Os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda não se limitam apenas ao gongyo, recitação de daimoku e shakubuku. O trabalho, o cuidado com a família, e todos os seus comportamentos são exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Quando ficar doente, ir ao hospital, tomar devidamente o remédio e repousar – isso também é exercício de aprimoramento no caminho do Buda. Todos os acontecimentos e experiências, sem falta, poderão ser transformados em boas causas para si mesmo. Portanto, mesmo que um acontecimento difícil como o inverno ocorra, sem falta poderá alcançar o efeito extraordinário, tal como a primavera. Na escritura “Sobre a Transmissão da Exegese Oral do Sutra de Lótus (Ongi Kuden)”, Nichiren Daishonin afirma: Na Era do Fim do Darma, os discípulos e adeptos de Nichiren devem estar cientes de que recitar o Nam-Myoho-Rengue-
K A I S E N
Kyo e enfrentar as dificuldades é o exercício confortante de aprimoramento. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1762)
E na escritura “Resposta ao Suserano Hyoe Sakan (Hyoe Sakan Dono Gohenji)” afirma: Embora a pessoa viesse crendo no Sutra de Lótus desde o longínquo passado de kalpas, não se tornar Buda se deve a este fato. Entre o fluxo da maré, no surgir ou no esconder da lua, na passagem do verão para o outono, ou do inverno para a primavera, sempre ocorre algo incomum. Será assim também quando um mortal comum estiver para se tornar Buda. Por ocorrer com certeza os impedimentos denominados três obstáculos e quatro maldades, os sábios se alegram e os tolos se afastam. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1184)
Penso que não haja quem prefira dificuldades em sua vida. Porém, nós, membros da Hokkeko, podemos transformar essas dificuldades em causas para a Iluminação com o benefício de abraçar e manter a Verdadeira Lei. Se não conhecêssemos essa Verdadeira Lei, as dificuldades não passariam de sofrimentos. Não há outra forma de enfrentar e superar essas dificuldades, a não ser transformá-las em causas da Iluminação com os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Transmitir este ensino às pessoas que ainda não o conhecem, para solucionar os sofrimentos desde a raiz, para juntos praticarmos os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, é a nossa preciosa missão. Vamos continuar a dedicar todas as nossas forças à realização de shakubuku com a união de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, visando o estabelecimento da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador Nichiren Daishonin daqui a dois anos, bem como pelo Tozan comemorativo, sob as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei que herdou a Pulsação Vital da Lei. Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
N º 2 2 7
40
Recitação Especial de Oko Orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin 13 de maio de 2019
Nichiren Daishonin ensina o seguinte na escritura “Sobre a Iluminação dos Principiantes do Sutra de Lótus (Hokke Shoshin Jobutsu Sho)”: Como as pessoas da Era do Fim do Darma indubitavelmente cairão no inferno pelo erro de se opor ao Sutra de Lótus, haja o que houver, veementemente ensine e faça com que ouçam o Sutra de Lótus. As pessoas que acreditarem se tornarão Budas. Aquelas que caluniarem se tornarão Budas pela relação do tambor envenenado. De qualquer modo, não há outra semente de Buda além do Sutra de Lótus. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1316)
Como se sabe, um tambor envenenado é um tambor pintado com veneno. No Sutra do Nirvana consta: Quando um tambor pintado de veneno é batido no meio do povo, todos aqueles que ouvem o som do tambor morrem instantaneamente, quer queiram ouvir ou não. (Interpretação, Sutra do Nirvana)
Esta passagem usa uma metáfora de bater um tambor pintado com veneno para indicar que mesmo aqueles que ouvem a Verdadeira Lei, mas se opõem a ela, acabarão por cortar seus desejos mundanos e alcançar a Iluminação. Nichiren Daishonin ensina que todos os seres vivos possuem inerentemente a natureza de Buda. Assim, eles podem atingir o estado de Buda, despertando-o ao ouvir a Verdadeira Lei e praticá-la.
Agora, na Era do Fim do Darma, mesmo aqueles com relação de oposição, para não falar daqueles com relação de concordância, podem ser salvos sem falta, se eles forem levados a ouvir o Nam-Myoho-Rengue-Kyo das Três Grandes Leis Secretas e estabelecerem a relação com a Verdadeira Lei. Assim, devemos reverenciar estas palavras de ouro. Homens e mulheres de todas as idades em cada núcleo devem se unir como um só e eliminar a calúnia dos ensinamentos errôneos e corajosamente realizar o shakubuku. Então, é certo que seremos capazes de expiar nosso carma negativo do longínquo passado e receber benefícios amplos e imensuráveis. Entretanto, Nichiren Daishonin ensina: Almejar atingir o Estado de Buda sem, no entanto, censurar as calúnias à Lei é tal como procurar água dentro do fogo ou fogo dentro da água. É inútil, é inútil. (Resposta ao Suserano Soya, Shinpen, pág. 1040, Coletânea de Frases, pág. 67, Gosho do mês de setembro de 1994)
Como Nichiren Daishonin orienta nesta passagem da escritura, pode-se ter fé no Verdadeiro Budismo, mas se alguém vê aqueles que sofrem profundamente devido a calúnia à Lei, e intencionalmente os desconsidera e não realiza o shakubuku, então esse alguém não poderá erradicar seu carma negativo do longínquo passado e nem atrair para si a verdadeira felicidade.
Sobre praticar diversas religiões ao mesmo tempo Reverendo Myoyo Kondoh Matéria de Estudo para o Núcleo de Maio
Há incontáveis religiões no mundo. Mas nós, sacerdotes, e os senhores, membros da Nichiren Shoshu, temos a oportunidade de seguir o Budismo de Nichiren Daishonin como resultado de uma forte relação causal. A questão mais importante em relação à crença é sobre o que deve ser reverenciado. Como a crença é algo precioso, já que é a ela que confiamos a nossa vida, a felicidade e a saúde da nossa família, é necessário escolher aquela que é mais respeitável e suprema para então praticarmos efetivamente com a fé sincera e pura. Além disso, o que devemos considerar ao seguirmos uma crença é se é possível ou não praticá-la misturando outras crenças. Para analisarmos sobre isso vamos usar o exemplo do leite, que contém muitos nutrientes imprescindíveis ao crescimento dos seres humanos. Há uma quantidade mínima de agrotóxicos necessária que protege os produtos agrícolas e
K A I S E N
seu desenvolvimento contra a ação das pragas. Podemos dizer que há muitos elementos que atuam em benefício dos seres humanos. Porém, mesmo que ambos – nutrientes e agrotóxicos – sejam necessários para os seres humanos da sociedade atual, o que ocorreria se misturássemos agrotóxicos no leite? O leite ficará impróprio para consumo e, caso esse leite seja ingerido, acabará prejudicando a saúde das pessoas. Da mesma forma, praticar misturando a religião correta com as religiões do passado que já cumpriram as suas funções ou então com os ensinos incompletos de religiões emergentes, subtrairá os benefícios da crença correta e, pelo contrário, terá como resultado, o agravamento dos sofrimentos. E, no Sutra Muryogi, prefácio do Sutra de Lótus, consta: “durante quarenta e poucos anos, ainda não havia revelado a Verdade”. Assim, o Buda Sakyamuni esclareceu que todos
N º 2 2 7
41
Embora acredite no Budismo correto e recite o daimoku para o Gohonzon correto, deixar o seu coração se voltar para outros sutras e ensinos que não sejam os do Sutra de Lótus, é algo como estragar o precioso charão (um verniz de alto valor, eficaz para evitar deterioração e traças, bastante utilizado também nos acessórios budistas), misturando uma pata de caranguejo – que é um resíduo, na resina pura do charão. Adverte assim, que as pessoas que praticam simultaneamente o Sutra de Lótus e outros ensinamentos, infelizmente terá como resultado o efeito de cair no inferno. Nichiren Daishonin afirma: Caso misture outros conceitos a este Nam-MyohoRengue-Kyo, isso será um erro terrível! (Resposta ao Suserano de Ueno, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1219)
os inúmeros sutras revelados antes do Sutra de Lótus (tais como os sutras da Nembutsu, Shingon, Hannya Shinkyo) são todos ensinos expedientes (ensinos provisórios) e que, a partir daquele momento, [as pessoas] não deveriam se basear neles. As incontáveis ramificações do budismo que ainda há no presente recitam os sutras que o Buda Sakyamuni advertiu que não deveriam ser usados como base. Portanto, se deseja alcançar os verdadeiros benefícios do budismo no presente, praticar o ensino do Sutra de Lótus com esses demais sutras é o mesmo que misturar veneno num excelente remédio, eliminando toda a sua eficácia, transformando-o também em veneno.
Conforme essa frase, o benefício da Iluminação somente será alcançado quando se crê e se pratica somente o Budismo de Nichiren Daishonin, que é transmitido corretamente na Nichiren Shoshu, com o coração puro e sincero. Lembrando-nos mais uma vez, da felicidade de poder seguir o Budismo de Nichiren Daishonin no presente, gostaria que fizessem uma reflexão a respeito da sua prática da fé e se dedicassem ao gongyo, à recitação de daimoku e ao shakubuku para a extinção de suas causas negativas e em prol da ampla propagação da Lei no Brasil.
Em relação a isso Nichiren Daishonin adverte rigorosamente o fato de seguir os demais sutras e o Sutra de Lótus ao mesmo tempo: Ou, então, o fato daquele que pratica o Sutra de Lótus recitar ora o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, ora o namu-amidabutsu, é tal como misturar dejetos e colocar areia no arroz. (Carta a Akimoto, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1447)
O ensino de Nichiren Daishonin é o ensino supremo que permite a todas as pessoas atingir igualmente a Iluminação. O daimoku do Nam-Myoho-Rengue-Kyo recitado na Nichiren Shoshu é o daimoku genuíno e puro, que não contém nenhuma mistura. Recitar este daimoku genuíno e puro, misturando a crença de outras religiões – com seus Deuses e Budas, infelizmente é o ato de, por iniciativa própria, desorientar-se do caminho da Iluminação. Além disso, sendo ainda mais rigoroso, Nichiren Daishonin revela: Por mais que creia no Sutra de Lótus, havendo a calúnia à Lei, certamente cairá no inferno. É tal como colocar uma só pata de caranguejo em mil potes de charão. (Resposta ao Suserano Soya, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1040)
K A I S E N
N º 2 2 7
42
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 2 de junho de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu do mês de junho do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores.
benefícios que originalmente poderíamos incorporar. É importante revelar devidamente sobre o ensino de Nichiren Daishonin antes de a pessoa receber o gojukai (cerimônia de conversão) e, mesmo depois de receber o gojukai, é preciso continuar a ensiná-la até que consiga caminhar sozinha, fazendo o acompanhamento, verificando se está ou não conseguindo praticar a fé de forma correta. Pode ser que haja pessoas que não gostam de fazer parte de uma organização ou que acham que conseguem praticar a fé sozinhas. Mas esse tipo de pensamento deve ser retificado. Temos o dito dourado na escritura “Carta a Gijobo (Gijo-bo Gosho)”: Seja prudente. Seja prudente. Seja o mestre do seu coração e não faça do coração o seu mestre.
Pois bem, conforme os senhores sabem, atualmente, a Nichiren Shoshu está se dedicando, no mundo inteiro, em prol da concretização da meta para o ano de 2021. Sobre o shakubuku, o Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin orienta: Nem é preciso dizer que o shakubuku é o exercício de benevolência mais importante para nós. A propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, não pode ser alcançada a não ser com a prática de shakubuku. Caso negligencie o shakubuku, isso acarretará o abandono da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, e a Nichiren Shoshu acabará perdendo o sentido de sua existência.
Essa passagem ensina que, para praticar corretamente o ensino de Nichiren Daishonin, em vez de seguir o seu coração, é importante realizar o exercício de aprimoramento e fazer com que o coração siga o ensino. Ao realizar os exercícios de aprimoramento da prática da fé com base apenas nos pensamentos pessoais, distanciando-se do templo e da organização, estará a um passo de cair nas opiniões egoísticas e na arrogância superlativa. Devemos tomar muito cuidado para que isso não ocorra. Somos todos completamente diferentes uns dos outros – seja nas circunstâncias do nascimento ou no modo em que fomos criados, mas todos nós abraçamos o ensino de Nichiren Daishonin. Não somos os únicos que temos preocupações ou sofrimentos. Todas as pessoas ao nosso redor vivem o dia a dia com preocupações e sofrimentos, seja em maior ou em menor proporção. Apesar dessa circunstância, podemos compartilhar as vivências e as experiências obtidas com a prática, procurar a solução e incentivar uns aos outros. Para enfrentar e superar as dificuldades, é preciso exercitar corretamente o ensino de Nichiren Daishonin e para isso contamos, como grande apoio, com o templo, os locais usados como base para as atividades e a Hokkeko. Na escritura “Sobre a Pulsação Vital Suprema da Vida e da Morte (Shoji Ichidaiji Kechimyaku Sho)” consta: De modo geral, diz-se que ocorre a Pulsação Vital Suprema da Vida e da Morte se os discípulos e adeptos de Nichiren, transcendendo todas as diferenças entre si e estabelecendo a relação como a de água e peixe, com corpos diversos com o mesmo propósito recitarem o NamMyoho-Rengue-Kyo.
(Dainichiren, edição de junho de 2015, pág. 32)
O Buda Original Nichiren Daishonin legou a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, em prol da salvação de todos os seres e, para nós que recitamos no presente o daimoku da prática para si e para os outros de Nichiren Daishonin, é nossa missão realizar o shakubuku em prol desse legado, da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu. Devemos ter em mente que nisso se encontra o benefício imensurável. E, conforme o Reverendíssimo Soberano da Lei sempre nos orienta, tanto a pessoa que realizou o shakubuku como a organização Hokkeko precisam dar suporte uma a outra para promover o aprimoramento da pessoa que recebeu o shakubuku, para que esta consiga manter adequadamente a prática da fé. O Reverendíssimo Soberano da Lei nos orienta rigorosamente: Se, porventura, uma pessoa venha a se converter como resultado de um shakubuku complacente, tolerante com as calúnias à Lei, ela não terá benefícios. Com uma prática da fé assim, ela não conseguirá agarrar a felicidade. Isso não é responsabilidade da pessoa que se converteu, e sim, responsabilidade de quem realizou o shakubuku. (Dainichiren, edição de abril de 2015, pág. 48)
Se nos distanciarmos do ensino de Nichiren Daishonin, que adverte rigorosamente as calúnias à Lei, não teremos os K A I S E N
(Heisei Shimpen Gosho, pág. 669)
(Heisei Shimpen Gosho, pág. 514)
Assim, revela que, para seguir corretamente o Budismo de Nichiren Daishonin, a união de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – é imprescindível. O Reverendíssimo Soberano da Lei orienta, fazendo referência a essa passagem da escritura:
N º 2 2 7
43
De fato, conforme esse dito dourado, a união de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – é justamente o fator fundamental para a vitória. Caso, contrariamente, estivermos com corpos diversos com propósitos diferentes – itai ishin, conforme Nichiren Daishonin adverte rigorosamente que “será como o guardião de um castelo causar a sua ruína”, acabaremos destruindo a organização com as nossas próprias mãos. (Dainichiren, edição de junho de 2015, pág. 38)
Desejo que esses ditos dourados e orientações sirvam para confirmar, mais uma vez, a importância da prática com
corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, e assim possamos nos dedicar diariamente à pratica da fé para si e para os outros, participando ativamente das atividades no templo e nos núcleos para poder viver o dia a dia da melhor forma possível com a união de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu deste mês. Muito obrigado.
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 9 de junho de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de junho do “ano de progredir com entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês, para assim retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Essa obra foi escrita no dia 25 de abril de 1273 (10.º ano da Era Bun-ei) em Ichinosawa, na Ilha de Sado, quando Nichiren Daishonin estava com 52 anos de idade, e foi enviada para o Suserano Toki Jonin. Desde os primórdios, a escritura “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)” é considerada como a “obra que revela o Objeto de Devoção na forma de pessoa“, enquanto essa escritura, “Sobre o Objeto de Devoção da Introspecção (Kanjin no Honzon Sho)”, como a “obra que revela o Objeto de Devoção na forma de Lei”, e ambas reputadas como parte das cinco maiores obras. Nessa obra, primeiramente Nichiren Daishonin expõe de forma sucinta sobre “três mil num instante – ichinen sanzen” revelado pelo Grande Mestre Tien-tai na obra Maka Shikan – Grande Concentração e Contemplação. Além disso, revela sobre o advento dos Bodhisattvas da Terra citado no Sutra de Lótus e o seu verdadeiro significado. Tendo isso exposto,
K A I S E N
esclarece sobre o “Objeto de Devoção da Introspecção” que seria revelado e transmitido pela primeira vez, no quinto meio milênio após o falecimento do Tathagata, ou seja, na Era do Fim do Darma, com o advento do Buda Original do longínquo passado de identidade secreta – o Bodhisattva Jogyo renascido. A “introspecção” na Era do Fim do Darma é abraçar e manter o Objeto de Devoção, e esse Objeto de Devoção não é outro senão o Gohonzon do Nam-MyohoRengue-Kyo, oculto nas profundezas das escrituras do Budismo de Semeadura. A passagem que lemos respeitosamente nessa oportunidade é o trecho conclusivo dessa obra, em que cita a respeito do presságio do advento dos Bodhisattvas na Terra na Era do fim do Darma e menciona que o Buda Original Nichiren Daishonin, manifestando a sua grandiosa benevolência, estabeleceria o Gohonzon dos “três mil num instante – ichinen sanzen” real àqueles que desconhecem os três mil num instante, para salvar todos os seres da Era do Fim do Darma. Iniciarei então, a leitura da frase. Temos: Tien-tai afirma: “Observando a intensidade da chuva, conhecerá a grandeza do dragão, e vendo a frondosa florescência, conhecerá a profundidade do lago”. Miao-lo afirma: “O sábio conhece a origem dos acontecimentos e a serpente conhece a si própria”. Nessa passagem, Nichiren Daishonin cita as interpretações do Grande Mestre Tientai e do Grande Mestre Miao-lo. A interpretação do Grande Mestre Tientai faz analogia à figura do dragão, uma situação em que as nuvens estão concentradas e que quanto maior a quantidade das nuvens, mais chuva caem. E a interpretação de Miao-lo afirma que observando a grandeza da flor num lago, pode-se estimar a sua profundidade. Com a citação dessas interpretações, Nichiren Daishonin expõe que existe um grande motivo para terem ocorrido esses grandes tremores de terra e para o surgimento de um grande cometa, todos sem precedentes. N º 2 2 7
44
A frase do Grande Mestre Miao-lo “O sábio conhece a origem dos acontecimentos e a serpente conhece a si própria” na sequência, na versão original é “O sábio percebe a sabedoria e a serpente conhece a si própria”. O sábio da frase original refere-se ao Bodhisattva Maitreya. Ou seja, é uma frase que indica que um bodhisattva elevado como Maitreya percebe, quando do surgimento dos Bodhisattvas da Terra, tanto a finalidade quanto à condição de vida. E na frase “a serpente conhece a si própria”, a serpente refere-se ao Bodhisattva Maitreya. A serpente, naturalmente, conhece bem a serpente. Portanto, tal como a serpente conhece bem a respeito da serpente, indica que um bodhisattva, elevado como o Bodhisattva Maitreya, certamente conhece bem a respeito dos Bodhisattvas da Terra. Entretanto, Nichiren Daishonin registrou como “o sábio conhece a origem dos acontecimentos”, o trecho em que o Grande Mestre Miao-lo havia citado “o sábio percebe a sabedoria”. O “sábio” da interpretação do Grande Mestre Miao-lo refere-se ao Bodhisattva Maitreya, mas o “sábio” mencionado por Nichiren Daishonin refere-se ao líder dos Bodhisattvas da Terra, ou seja, ao Buda Original, o Bodhisattva Jogyo renascido. Isto é, indica o surgimento do sábio que perceberia que grandes presságios como o grande tremor de terra ou o grande cometa se manifestariam diante da revelação da Verdadeira Lei a ser propagada na Era do Fim do Darma. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: Desanuviando o céu, a terra clareia. Quem compreende o Sutra de Lótus não dominaria a lei da sociedade?
explicações até agora, refere-se aos Quatro Grandes Bodhisattvas, que surgem tendo como presságios os grandes tremores de terra ou o grande cometa, isto é, Nichiren Daishonin. Esse trecho esclarece o grande benefício da propagação da grandiosa Lei com o surgimento dos Quatro Grandes Bodhisattvas – o Buda Original. Pois bem, conforme citei há pouco, a escritura “Sobre o Objeto de Devoção da Introspecção” tem no seu início a seguinte frase, em que menciona sobre a composição de “três mil num instante – ichinen sanzen”: O coração contém os dez mundos. Cada um desses dez mundos contém também dez mundos, totalizando cem mundos.
Quando o céu está ensolarado, podemos enxergar bem o formato do solo. De forma semelhante, conhecendo o ensino profundo do Sutra de Lótus, podemos enxergar com clareza as leis da sociedade. E quem seria, então, a pessoa que compreende o Sutra de Lótus? Conforme constava das
Mongu – Palavras e Frases do Sutra de Lótus, e Maka Shikan – Grande Concentração e Contemplação, denominadas Três Grandes Obras sobre o Sutra de Lótus – Hokke Sandaibu. E foi numa delas, Maka Shikan, que revelou a doutrina de “três mil num instante – ichinen sanzen”. A citação a que me referi
K A I S E N
Essa frase é uma citação da obra Maka Shikan – Grande Concentração e Contemplação, do Grande Mestre Tientai. Ele é o soberano da Era da Formalidade do Darma que organizou todas as doutrinas do Buda Sakyamuni e contribuiu enormemente para a revelação de que o Sutra de Lótus é o supremo. A transmissão das doutrinas do Buda Sakyamuni da Índia para China foi realizada de forma dissociada. Assim, cada um dos mestres comuns levou uma determinada doutrina e a ensinou e divulgou amplamente por acreditar que ela era o ensino supremo. O Grande Mestre Tientai corrigiu esses equívocos do fundamento religioso e revelou que o Sutra de Lótus é o ensino essencial do Buda Sakyamuni. Além disso, o Grande Mestre Tientai escreveu três grandes obras relacionadas ao Sutra de Lótus: Hokke Gengi – O Profundo Significado do Sutra de Lótus, Hokke
N º 2 2 7
45
há pouco faz parte de um trecho de Maka Shikan. Na sequência, Nichiren Daishonin cita a frase: “Mesmo que seja ínfimo, havendo coração, este conterá os três mil”. Esse trecho é uma citação de Maka Shikan. Revela que em diversos sentimentos que se manifestam durante a nossa vida cotidiana estão contidos os três mil. Por exemplo, seja na sensação de calor ou de frio, seja nas naturezas de ira, tristeza, alegria ou satisfação, todos contêm a natureza de Buda. Assim, o ensino do Grande Mestre Tientai é de que, considerando que num instante estão contidos uma diversidade de três mil naturezas – do mundo de Buda ao mundo de inferno, com a prática constante da introspecção é possível manifestar a natureza de Buda. Mas isso é o exercício de aprimoramento para os seres da Era da Vigência do Darma. Ou seja, a natureza das pessoas da Era da Vigência do Darma lhes permitia atingir a Iluminação ao realizarem o exercício de aprimoramento conforme ensinado pelo Grande Mestre Tientai. Mas os seres da Era do Fim do Darma possuem natureza diferente da dos seres da Era da Vigência do Darma e, por isso, não conseguem atingir a Iluminação com o ensino do Grande Mestre Tientai. Pois então, por que Nichiren Daishonin teria citado essa frase? Porque a doutrina de “três mil num instante – ichinen sanzen” é a mais importante do Sutra de Lótus. “Mesmo que seja ínfimo, havendo coração, este conterá os três mil” indica que, tendo fé no Gohonzon, mesmo que seja mínima, a vida da pessoa conterá os “três mil num instante”. Isto é, que o mundo de inferno – o mais baixo, até o mundo de Buda – o mais elevado, estão contidos em cada um desses mundos, revelando que até nos mortais comuns e nos malfeitores está contido o mundo de Buda. Isso é algo realmente difícil de acreditar. É difícil de acreditar que nós, mortais comuns, podemos atingir a sabedoria de Buda ou então manifestar a natureza de Buda. Mas Nichiren Daishonin nos indicou o caminho para isso, que está revelado na seguinte passagem: [...] os cinco ideogramas do Myoho-Rengue-Kyo estão perfeitamente dotados das duas leis do Buda Sakyamuni – as causas pelas ações e os benefícios pelos efeitos. Se recebermos e mantivermos esses cinco ideogramas, esses benefícios pela causa e pelo efeito nos serão naturalmente concedidos.
Myoho-Rengue-Kyo. Ou seja, Nichiren Daishonin afirma que, acreditando no Gohonzon e recitando o Nam-MyohoRengue-Kyo, poderá receber o mesmo benefício que resulta desse longo período de realização dos exercícios de aprimoramento e atingir a Iluminação. Isso é o que se
(Heisei Shimpen Gosho, pág. 653, frase de maio de 2017)
Nichiren Daishonin e o Gohonzon revelado e inscrito por ele são a mesma entidade, isto é, de indicar a unicidade de Pessoa e Lei do Único Portal Original (Nam-Myoho-Rengue-
Ou seja, o Buda Sakyamuni revelou no Portal Transitório que atingiu a Iluminação realizando os exercícios de aprimoramento por um período inimaginavelmente longo, desde o passado distante, há três mil jindengo. E, ao chegar no Portal Original, esclareceu que na realidade já havia atingido a Iluminação há quinhentos jindengo, no passado ainda mais remoto do que três mil jindengo, expondo que a vida do Buda é duradoura. Os exercícios de aprimoramento realizado por esse longo período e a condição de vida da Iluminação que deles resultou estão todos contidos no Nam-
K A I S E N
denomina “abraçar e manter é introspecção – juji soku kanjin”. Ou seja, revelou que os exercícios de aprimoramento na Era do Fim do Darma é recitar o Nam-Myoho-RengueKyo com fé ao Gohonzon. E o ensinamento mais importante dessa escritura é o que revela o Objeto de Devoção na Era do Fim do Darma. Nichiren Daishonin revelou primeiramente o objeto de devoção dos sutras pré-Sutra de Lótus e do Portal Transitório e, então, o objeto de devoção do Portal Original e o objeto de devoção do Portal Original da Era do Fim do Darma legado aos Bodhisattvas da Terra. Além disso, revelou que há “cinco divisões e três estágios – goju sandan” no objeto de devoção da Era do Fim do Darma e revelou o Gohonzon do Budismo de Semeadura, oculto nas profundezas do Capítulo Juryo. Isso consta da passagem anterior, lida respeitosamente: Interpretando “época de lutas e conflitos”, refere-se às duas calamidades: a do atual conflito interno e a da invasão pelo mar do Oeste. Nesse momento, emergirão os Bodhisattvas da Terra dos mil mundos, tendo a seu lado o Buda Sakyamuni do Portal Original, e será erigido neste país o primordial Objeto de Devoção de Jambu-dvipa. Esse Objeto de Devoção ainda não existe, nem na Índia e nem na China. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 661)
Conclui que o Objeto de Devoção para a Iluminação na Era do Fim do Darma é aquele que tem o Nam-Myoho-RengueKyo como base e ladeado pelo Buda Prosseguindo, temos a última passagem:
Sakyamuni.
O Buda manifestou sua imensa benevolência para aqueles que desconhecem os ‘três mil num instante’. Envolveu essa gema nos cinco ideogramas e a pendurou no pescoço desses principiantes da Era do Fim do Darma. Os “três mil num instante – ichinen sanzen” dessa passagem não se refere ao propósito de o Grande Mestre Tientai tê-lo revelado para os seres da Era da Vigência do Darma. A intenção é a de revelar que o Buda Original
Kyo das Três Grandes Leis Secretas). Ao acreditar nesse Gohonzon e realizar os exercícios de aprimoramento, é possível manifestar o mundo de Buda. Portanto, na Era do Fim do Darma, as pessoas que desconhecem os “três mil num instante – ichinen sanzen” revelado por Nichiren Daishonin não podem obter a Lei de Semeadura e não conseguem atingir a Iluminação. Nichiren Daishonin referese a essas pessoas como: “aqueles que desconhecem os
N º 2 2 7
46
três mil num instante”. Prosseguindo, temos “o Buda manifestou sua imensa benevolência”. Esse Buda refere-se ao Buda do longínquo passado. Afirma que esse Buda realizou o advento na Era do Fim do Darma e “envolveu essa gema nos cinco ideogramas”. Esses cinco ideogramas são o Nam-MyohoRengue-Kyo e a gema indica os “três mil num instante”. Na escritura “Sobre o Significado da Entidade (Totai Gi Sho)” temos a seguinte passagem: Quando o sábio percebeu a Lei verdadeira, identificou a existência da Lei Mística. Ele a denominou de MyohoRengue. Nessa única Lei de Myoho-Rengue, todas as leis – três mil dos dez mundos – estavam incorporadas e nada lhes faltava. Assim, aquele que exercita esse Myoho-Rengue consegue obter simultaneamente a causa e o efeito para se tornar Buda. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 695)
Indica que o coração de Nichiren Daishonin é o próprio Myoho-Rengue-Kyo e que neles – no coração e no MyohoRengue-Kyo, todas as três mil naturezas estão incorporadas. Portanto, “envolveu essa gema nos cinco ideogramas” indica que no Myoho-Rengue-Kyo está contida a gema dos três mil num instante. Na sequência temos “principiantes da Era do Fim do Darma”. “Principiantes da Era do Fim do Darma” refere-se aos seres que desconhecem a introspecção e o Objeto de Devoção corretos na Era do Fim do Darma. A Era do Fim do Darma é um mundo onde os cinco tipos de impurezas se manifestam, concorrendo uns com os outros. Assim, muitas pessoas, pela falta de sabedoria, manifestam naturezas como as de ira e avareza, gerando diversos sofrimentos. Ou seja, considera que os seres que manifestam o aspecto de sofrimento, por estarem profundamente dominados pelos três venenos, são os “principiantes da Era do Fim do Darma”. E orienta com a passagem “a pendurou no pescoço desses principiantes” que isso é ensinar a essas pessoas a introspecção e o objeto de devoção corretos. Nichiren Daishonin suportou diversas perseguições para estabelecer o Dai-Gohonzon do Supremo Santuário do Portal Original e salvar todos os seres. Nichikan Shonin afirma, acerca da passagem que lemos respeitosamente neste mês: Quando nós recitamos o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, acreditando e abraçando o Gohonzon, o nosso corpo imediatamente formará um só corpo com o Gohonzon dos três mil num instante – ichinen sanzen e com o fundador Nichiren Daishonin. É esse o significado de “pendurou no pescoço desses principiantes”. Portanto, devemos nos dedicar aos exercícios para aprimorar os nossos poderes da fé e da prática, buscando unicamente o Poder do Buda e o Poder da Lei. Não se deve passar a vida em vão para arrepender-se depois. (Interpretação, Gosho Mondan, pág. 285)
Nós, que seguimos a Verdadeira Lei no presente, somos todos da estirpe dos Bodhisattvas da Terra. Isso indica que cada um de nós possui a preciosa missão de propagar a Lei
K A I S E N
Mística. Nichiren Daishonin afirma: Eu, Nichiren, fui precursor do bom presságio de divulgar em Jambu-dvipa no início da Era do Fim do Darma. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1057)
Afirma ainda: O que desejo é que os meus discípulos manifestem a grande aspiração. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1428)
Assim sendo, vamos todos, com a consciência de que “a prática da fé é shakubuku”, dedicar todas as forças em prol do shakubuku e da propagação do ensino. O Reverendíssimo Soberano da Lei afirma: É certo que, se dedicarmo-nos à prática da fé e exercitarmos o shakubuku com base na Verdadeira Lei e Verdadeira Doutrina, diversas dificuldades se manifestem para impedir a propagação da Verdadeira Lei. De fato, é conforme a frase: “Ao professar essa doutrina, as maldades sem falta manifestar-se-ão. Se as maldades não se manifestassem, concorrendo umas com as outras, não haveria como saber que é a Verdadeira Lei” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 986). Entretanto, se não enfrentarmos e superarmos essas grandes dificuldades não poderemos atrair a verdadeira felicidade. Na escritura “A Transmissão da Exegese Oral do Sutra de Lótus (Ongi Kuden)” afirma: “Quanto aos exercícios de aprimoramento para os da estirpe de Nichiren no presente, na Era do Fim do Darma, deve-se perceber quão reconfortante é o fato de as dificuldades se manifestarem ao exercitar o Myoho-Rengue-Kyo” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1762). Devemos saber que, quando atraímos as dificuldades e enfrentamos e superamos essas dificuldades, poderemos eliminar as causas negativas acumuladas desde o longínquo passado e alcançar a Iluminação na Forma Presente. (Dainichiren, edição de janeiro de 2019)
Temos diversas preocupações e sofrimentos na nossa vida cotidiana, mas todos eles decorrem das causas que nós mesmos geramos. Essas causas do sofrimento poderão ser transformadas em boas causas ao praticar o shakubuku. Ou seja, as diversas dificuldades tornam-se grandes oportunidades para nós eliminarmos as causas negativas acumuladas desde as existências passadas. Quanto aos senhores que compareceram nesta data, oro sinceramente para que gravem firmemente a frase desse mês no âmago de seus corações, considerem cada dia como uma oportunidade para eliminar as causas negativas, e assim vivam o cotidiano baseado na prática da fé, nutridos pelos benefícios do Gohonzon. Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
N º 2 2 7
47
Recitação Especial de Oko Orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin 13 de junho de 2019
Nichiren Daishonin ensina o seguinte na escritura, “Resposta ao Suserano Soya (Soya Dono Gohenji): Caso deixe de refutar, embora veja o inimigo do Sutra de Lótus, não há dúvidas que tanto o mestre como os seguidores cairão no Inferno dos Incessantes Sofrimentos. Conforme o Grande Mestre Nan-yueh: “Cairão no Inferno juntamente com todos os malfeitores”. Almejar atingir o Estado de Buda sem, no entanto, censurar as calúnias à Lei é tal como procurar água dentro do fogo ou fogo dentro da água. É inútil, é inútil. Por mais que creia no Sutra de Lótus, havendo a calúnia à Lei, certamente cairá no inferno. É tal como colocar uma só pata de caranguejo em mil potes de charão. “[...]perderam a essência de seus corações porque o veneno penetrou profundamente” é isso. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1040)
Quando lemos essa passagem da escritura, devemos estar cientes de que, em nossa prática, devemos temer a calúnia à Lei, que significa “ir contra a Verdadeira Lei”. Não é preciso dizer que devemos ter medo de nossa própria calúnia. Mas também, se nós vemos aqueles que caluniam a Lei, e nós nem realizamos o shakubuku a estas pessoas nem denunciamos o seu ato de caluniar, a nossa conquista do estado de Buda é incerta. Mais uma vez, devemos seguir com firmeza o princípio da "advertência rigorosa contra as calúnias à Lei (hobo genkai)". Assim, devemos estar cientes de quão importante é realizar o shakubuku. Nichiren Daishonin ensina o seguinte na escritura,
K A I S E N
“Resposta à Monja de Abutsu-bo (Abutsu-bo Ama Gozen Gohenji)”: Cometendo a falta da calúnia à Lei e da descrença, ainda que pouca, sem dúvida cairá no grande castelo de incessante sofrimento. Por exemplo, quando se navega no mar, mesmo que o navio não seja de má qualidade, se penetrar água, com certeza os que nele estão morrerão de uma só vez. É tal como um açude que, mesmo sólido, se tiver um furo de uma formiga, certamente, no final, será incapaz de manter a água represada. Remova a cardina da calúnia à Lei e da descrença e solidifique o açude da fé. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 906, Gosho de abril de 2009)
A fim de construir vidas verdadeiramente felizes e pacíficas, Nichiren Daishonin adverte estritamente que não devemos permitir que alguém cometa uma calúnia, mesmo que seja tão pequena quanto um buraco de formiga. Na Nichiren Shoshu, desde os tempos antigos, ensina-se que se deve firmemente conformar-se ao princípio da advertência rigorosa contra as calúnias à Lei. Consequentemente, embora pareça estar se dedicando à sua prática e acumulando benefícios, se alguém comete uma calúnia leve, todos os benefícios que acumulou instantaneamente desaparecerão. Assim, devemos sempre tomar precauções contra cometer calúnias à Lei. É essencial realizarmos sempre o shakubuku, advertirmos sobre as calúnias e nos dedicarmos em prol da propagação do Myoho-Rengue-Kyo.
N º 2 2 7
48
O mundo saha é a terra iluminada Reverendo Gyoten Shirai Matéria de Estudo para o Núcleo de Junho
Há alguém, entre os senhores, que não tem nenhuma preocupação? Ou que nunca sentiu insegurança ou sofrimento? Penso que provavelmente não haja. Pois bem, todos possuem coração e corpo, que são imprescindíveis à vida. Sensações do tipo: “como o futebol é divertido!” ou “que felicidade poder comer um chocolate!” são resultados da existência do coração e do corpo. Mas também sentimos os sofrimentos. Ocasionalmente, sentimos raiva, desânimo ou, então, insegurança em decorrência de ferimentos ou doenças. O budismo denomina o mundo em que vivemos de “mundo saha”. “Saha” significa “enfrentar e suportar os sofrimentos” e o mundo em que vivemos é assim definido como mundo de sofrimentos. E todas as pessoas se defrontam com diversos tipos de sofrimentos. Se fugir dos sofrimentos, encontrará tormentos semelhantes pela frente, e não conseguirá escapar deles por mais que fuja. No sutra temos a seguinte história: Certa vez, o Buda Sakyamuni perguntou aos seus discípulos: “As pessoas que não acreditam no budismo têm sofrimentos e satisfações. As pessoas que creem no budismo também têm sofrimentos e satisfações. Qual é a diferença entre as pessoas que acreditam e as que não acreditam no budismo?”. Os discípulos não souberam responder e pediram ao Buda que lhes revelasse. O Buda então lhes respondeu: “As pessoas que não ouvem o budismo se lamentam e se entristecem ao se deparar com os sofrimentos e, além disso, acabam caindo no ciclo de sofrimentos. É semelhante a um soldado no campo de guerra que, ao ser atingido por uma flecha, fica atordoado, perde a razão e acaba sendo atingido pela segunda flecha. As pessoas que acreditam no budismo, mesmo que venham a se deparar com os sofrimentos, não ficam atordoadas ou apenas se lamentando e se entristecendo. É como alguém que, mesmo sendo atingido por uma flecha no campo de batalha, lida com o incidente com serenidade, tratando o ferimento e enfrentando a situação para evitar ser atingido pela segunda flecha. Embora ambos os tipos de pessoa tenham sofrimentos e satisfações, não perder a razão nem cair no ciclo de sofrimentos é a diferença entre o que acredita no budismo e o que nele não acredita”. Essa história nos ensina que quem segue corretamente o budismo não perde a razão em decorrência de sofrimentos ou satisfações momentâneas, sendo capaz de lidar corretamente com eles e de enfrentar e superar todos os sofrimentos. Em sua obra “Maka Shikan (Grande Concentração e Contemplação)”, o Grande Mestre Tien-tai representa “os sofrimentos e a fé” por meio de quatro tipos de cavalo: 1. cavalo que corre só de ver a sombra do chicote; 2. cavalo que corre só de o chicote tocar os seus pelos; K A I S E N
3. cavalo que corre ao ser chicoteado; e 4. cavalo que finalmente corre depois de ser chicoteado várias vezes e a dor chegar até os seus ossos. Vamos explicar esses quatro tipos de cavalo, abordando a questão do falecimento. O primeiro cavalo representa as pessoas que percebem a importância do budismo e praticam corretamente, só pelo fato de ouvir sobre o falecimento de alguém. O segundo representa as pessoas que passam a se dedicar à fé pela primeira vez, com a perda de algum conhecido. O terceiro representa as pessoas que somente passam as se dedicar à prática da fé quando perdem pessoas próximas, como pais ou familiares. O quarto representa as pessoas que começam a praticar quando elas próprias ficam doentes ou se deparam com a possibilidade de morrer, fazendo com que percebam, finalmente, a importância de praticar. Se analisarmos um pouco mais, certamente também há cavalos que não correrão, por mais que sejam chicoteados, e também cavalos que galoparão em desatino com a dor. Podemos associá-los à situação de pessoas que sentem apego a religiões que não lhes permitem ser felizes e que as impedem de escapar dos sofrimentos do inferno. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Resposta à Viúva do Suserano de Ueno (Ueno Dono Goke Ama Gohenji)”: Assim, tanto a Terra Pura quanto o inferno não existem fora, mas somente em nossos corações. Denomina-se Buda quem percebe isso e mortal comum quem se confunde com isso. É o Sutra de Lótus que [permite] a percepção disso. Assim sendo, quem abraça o Sutra de Lótus perceberá que o Inferno é a Terra Iluminada. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 336)
E o Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta: A prática da fé correta nos dá forças para viver com coragem e tranquilidade, nos permite incorporar a tenacidade para enfrentar quaisquer sofrimentos e angústias, transformando a nossa vida em uma vida próspera e repleta de vivacidade. Nós estamos nos dedicando aos exercícios de aprimoramento no dia a dia. Isso, para que possamos incorporar uma condição de vida mais elevada que nos permita conseguir lidar com qualquer acontecimento. As outras pessoas não vão, em nosso lugar, enfrentar e solucionar os mais diversos sofrimentos que irromperem. Nós mesmos devemos transformar a nossa condição de vida e enfrentar e superar os sofrimentos. Não há outra forma. Vamos continuar a nos dedicar, dia após dia, para atingirmos uma condição de vida que não nos deixe ser levados pelas angústias e para que possamos sempre ser o primeiro tipo de cavalo. N º 2 2 7
49
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 7 de julho de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu do mês de julho do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores. Já estamos no mês de julho, restando apenas metade para o término deste ano. Como está o andamento do shakubuku deste ano? Acredito que quem conseguiu concretizar o shakubuku deve estar se dedicando para o aprimoramento e quem ainda não conseguiu concretizá-lo esteja se dedicando diariamente aos exercícios de aprimoramento da prática da fé, pensando, sob diversas perspectivas, como fazer para conseguir concretizá-lo. Nichiren Daishonin orienta de forma extremamente rigorosa na escritura “Resposta ao Suserano Soya (Soya Dono Gohenji)”: Almejar atingir o Estado de Buda sem, no entanto, censurar as calúnias à Lei é tal como procurar água dentro do fogo ou fogo dentro da água. É inútil, é inútil. Por mais que creia no Sutra de Lótus, havendo a calúnia à Lei, certamente cairá no inferno. É tal como colocar uma só pata de caranguejo em mil potes de charão. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1040)
Essa passagem orienta que, caso deixemos de realizar o shakubuku, não será possível atingir a Iluminação e que, embora alguém passe pela cerimônia de conversão e venha a abraçar a prática da fé, caso cometa as calúnias à Lei, as virtudes que acumulou serão extintas e cairá no Inferno. Assim, nós devemos reverenciar devidamente essa frase. Especialmente com relação às calúnias à Lei, Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre os Esclarecimentos sobre as Calúnias à Lei (Ken Hobo Sho)”: Questionamento: Ocorrerá de cair no Inferno dos Incessantes Sofrimentos em decorrência de outros crimes, que não sejam os cincos crimes de oposição? Resposta: Com o grave crime de caluniar a Verdadeira Lei. Questionamento: Quais as provas com base nas escrituras? Resposta: No segundo capítulo do Sutra de Lótus consta: “Se a pessoa, sem crer nesse Sutra, injuriá-lo e caluniá-lo, ao fim de sua vida ingressará no Inferno K A I S E N
Aviti”. Vê-se nessa frase que as calúnias à Lei são as causas para o Inferno Aviti. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 279)
Cita as calúnias à Lei como um grave crime que leva a cair no Inferno Aviti, além dos cinco crimes de oposição – matar o pai; matar a mãe; matar o Arhat; ferir o Buda, fazendo-o sangrar; e destruir a harmonia entre clérigos e adeptos. Na escritura “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)” consta: Mesmo observando através de um tubo delgado e consultando apenas um pouco os Sutras, percebe-se que todas as pessoas do mundo se opõem ao Verdadeiro e se devotam ao mal. Por essa razão, as Entidades Iluminadas abandonam, deixando o país, e os sábios retiram-se e não voltam mais. Como decorrência, surgem as maldades e as entidades maléficas; ocorrem desastres e calamidades. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 234)
Assim, se na sociedade em geral as pessoas se opuserem se as pessoas da sociedade se opuserem à Verdadeira Lei e acreditarem nas leis maléficas, as Entidades Iluminadas e os sábios abandonam os seus postos, que então passam a ser ocupados pelas maldades e entidades maléficas, causando uma desordem ainda maior na sociedade. Por essa razão, conforme consta a seguir, para a paz e felicidade da sociedade é necessário o shakubuku, de refutar o errôneo e revelar o Verdadeiro: Se almeja a tranquilidade imediata do mundo, deve a todo o custo eliminar as calúnias à Lei de todo o país. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 247)
Sobre o shakubuku, o Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta: Naturalmente que não é somente para este ano. O shakubuku é o mais importante dos nossos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Assim, enquanto estivermos vivos, precisamos ter o shakubuku sempre em nossa mente. Shakubuku é um ato de salvar as pessoas que são infelizes, mas quem não consegue salvar os demais, não consegue salvar a si próprio. É prática para si e para os outros – jigyo keta, assim, com a realização de shakubuku, além de salvar uma outra pessoa, é possível salvar naturalmente a si mesmo e atingir a condição de vida da Iluminação. Ao realizarmos com solidez esses exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, sem falta teremos a nossa Iluminação na Forma Presente em seu verdadeiro sentido, a Iluminação eterna. (Dainichiren, edição de março de 2019, pág. 45)
Nós devemos gravar profundamente essas frases e essas orientações em nossos corações e corpos e nos dedicar ao shakubuku e ao aprimoramento no importante período de
N º 2 2 7
50
meio ano que ainda nos resta, para que possamos conduzir o maior número de pessoas para a Verdadeira Lei. Vamos visitar o templo, acumular recitações e mais recitações de daimoku e realizar os exercícios diários de aprimoramento para si e para os outros com a prática da fé em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, para
podermos receber o ano de 2021 repletos de alegria e gratidão. Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu deste mês. Muito obrigado.
Recitação Especial de Oko Orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin 13 de julho de 2019
No Gosho "Sobre a Iluminação dos Principiantes do Sutra de Lótus" (Hokke Shoshin Jobutsu Sho)”, Nichiren Daishonin ensina: Na Era do Fim do Darma, independentemente se estão ou não ajustados à capacidade das pessoas que não possuem sabedoria, deve insistir e fazer com que mantenham os cinco ideogramas – título do Sutra de Lótus. Isso porque o Buda Sakyamuni, quando no passado chamava-se Bodhisattva Fukyo, assim o fez para todos – homens, mulheres, monjas e mestres da Lei para propagar o Sutra de Lótus. Embora tenha sido ora insultado e caluniado, ora agredido e banido, ora odiado e invejado, não se abateu nem um pouco sequer e, por ter insistido em revelar o Sutra de Lótus, tornou-se o Buda Sakyamuni.
Os quatro tipos de adeptos extremamente arrogantes perseguiram o Bodhisattva Fukyo, atacando-o com bastões, paus, pedras e telhas. Apesar de tudo isso, o Bodhisattva Fukyo afastou-se para um lugar distante e, sem se abalar, continuou sua prática de curvar-se em reverência, dizendo em voz alta estas palavras: Eu não os menosprezo nem um pouco sequer. Isso porque todos, indubitavelmente, tornar-se-ão Budas. (Kaiketsu, pág. 500)
(Kaiketsu, pág. 501)
Perto do fim de sua vida, o Bodhisattva Fukyo, que decididamente continuou sua prática de curvar-se às pessoas em reverência, finalmente pôde ouvir o Sutra de Lótus, que foi lhe exposto por Ionno no ar, abraçando completamente o ensinamento. Assim, ele recebeu o benefício de purificar os seus seis sentidos. Além disso, ele prolongou sua vida em duzentos, dez mil, cem milhões nayuta de anos e, ao longo desse período, expôs amplamente o Sutra de Lótus ao povo. Como resultado, os quatro tipos de adeptos extremamente arrogantes – que uma vez haviam perseguido o Bodhisattva Fukyo, difamando-o e amaldiçoando-o, atacando-o com bastões e paus ou pedras e telhas – aqueles que o desprezaram, , voluntariamente se tornaram seus seguidores quando o ouviram pregar e passaram a se referir a ele como “Fukyo”. Eles também vieram a acreditar no Bodhisattva Fukyo depois de ver que ele havia alcançado o grande poder maravilhoso, o poder de pregar agradavelmente e eloquentemente, e o poder da grande bondade e tranquilidade. O grande poder maravilhoso significa que alguém exibe poder transcendental. O poder de pregar agradavelmente e eloquentemente significa que alguém tem o poder de pregar, emancipando-se de todos os obstáculos. O poder da grande bondade e tranquilidade denota que se pode compor a mente e observar a verdade. Em outras palavras, a pessoa é serena tanto fisicamente quanto mentalmente, e alcançou um estado de espírito pacífico e estável. As pessoas extremamente arrogantes que tinham perseguido o Bodhisattva Fukyo, finalmente acabaram seguindo-o. Elas acreditaram nele vendo seus poderes: o
K A I S E N
N º 2 2 7
(Heisei Shimpen Gosho, pág. 1315)
O Bodhisattva Fukyo apareceu durante a Era da Vigência do Darma após o falecimento do Buda Ionno. Ele insistiu que todos os seres vivos possuem a natureza de Buda, e ele se curvou em reverência a todos que encontrou, tanto os que estavam próximos quanto os que estavam longe, recitando as seguintes palavras: Eu o respeito profundamente. Não o desprezo nem um pouco sequer. Por que razão? Porque, ao praticar o caminho de bodhisattva, todos, sem falta, poderão se tornar Budas. (Kaiketsu, pág. 500)
No entanto, os quatro tipos de adeptos extremamente arrogantes – monges, monjas, leigos e leigas – desprezaram o Bodhisattva Fukyo e nutriram rancor contra ele: Um monge ignorante disse: “De onde ele vem, declarando com pretensão que não nos deprecia e nos dá uma previsão de que atingiremos o estado de Buda? Previsões tão vãs e irresponsáveis não têm utilidade!”. (Interpretação, Sutra de Lótus, pág. 500)
Repulsivamente, eles desprezaram o Bodhisattva Fukyo, o amaldiçoaram e falaram mal dele. No entanto, o Bodhisattva Fukyo não se tornou arrogante, mas, em vez disso, sempre elogiou e perseverou em sua prática de reverência, dizendo as seguintes palavras: Sem falta, tornar-se-á Buda.
51
grande poder maravilhoso, o poder de pregar agradavelmente e eloquentemente, e o poder da grande bondade e tranquilidade. Penso que é preciso ser convincente ao conduzir o shakubuku. Como o Bodhisattva Fukyo, se pudermos obter o grande poder maravilhoso, o poder de pregar agradavelmente e eloquentemente, e o poder da grande bondade e tranquilidade, poderemos naturalmente obter persuasão poderosa em todos os aspectos do nosso
comportamento nas três categorias de ação: pensamentos, palavras e ações. Isso ajuda a nossa prática de shakubuku. A menos que nossos pensamentos, palavras e ações não sejam confiáveis, o shakubuku não pode ser alcançado. Quando nos dedicamos à prática para si e para os outros com base na fé absoluta no Dai-Gohonzon, podemos mudar, devido ao benefício ilimitado do Myoho-Rengue-Kyo. Então, pessoas próximas a nós também mudarão ao nos ver, o que nos levará à conquista do shakubuku.
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 14 de julho de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de julho do “ano de progredir com entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês, para assim retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Essa obra foi escrita no dia 09 de dezembro de 1276 (2.º ano da Era Kenhi), dois anos e meio depois de Nichiren Daishonin ter se estabelecido em Minobu, quando estava com 55 anos de idade, e foi concedido ao suserano Matsuno Rokurozaemon – administrador de terras de Matsuno, no distrito de Ihara (atual cidade de Fuji, na província de Shizuoka), servindo de emissário o seu discípulo Sammibo. Desde os primórdios, a escritura “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)” é considerada como a “obra que revela o Objeto de Devoção na forma de pessoa“, enquanto a escritura, “Sobre o Objeto de Devoção da Introspecção (Kanjin no Honzon Sho)”, como a “obra que revela o Objeto de Devoção na forma da Lei”, ambas reputadas como parte das cinco maiores obras da Nichiren Shoshu. Conta-se que o suserano Matsuno se converteu pela relação de sua filha, com o casamento, ter se tornado parte da família Nanjo, que oferendou o Templo Principal Taisekiji. Além disso, um de seus filhos, Nichiji, foi um dos seis sacerdotes sêniores. O suserano Matsuno faz o seguinte questionamento nessa escritura:
K A I S E N
Tem alguma diferença quanto ao benefício que resulta do daimoku recitado pelo sábio e ao que resulta do daimoku que nós recitamos? (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1046)
E Nichiren Daishonin responde primeiramente que não há superioridade ou inferioridade quanto ao benefício. A razão disso é que, independentemente de quem o possua, o valor do dinheiro não muda, e o fogo é fogo, não importa quem o tenha acendido. Assim exposto, revela que, caso haja diferença no benefício que se recebe, isso decorre exclusivamente do fato de se ter ou não cometido as catorze calúnias à Lei. As catorze calúnias à Lei referem-se aos catorze tipos de calúnias à Lei que explicando de forma simples são: 1. Arrogância – ter arrogância e menosprezo com relação à Verdadeira Lei; 2. Negligência – negligenciar os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda; 3. Julgamento arbitrário – analisar a Verdadeira Lei com base no pensamento individual que possui e apegar-se às opiniões pessoais; 4. Discernimento superficial – julgar a Verdadeira Lei com base no conhecimento superficial que possui e não buscar o conhecimento mais profundo; 5. Apego aos desejos – apegar-se aos desejos e não buscar a Verdadeira Lei; 6. Recusa à compreensão – não buscar compreender a Verdadeira Lei; 7. Descrença – não acreditar na Verdadeira Lei; 8. Aversão – remete ao ato de desfigurar a expressão facial como resultado do ódio e criticar a Verdadeira Lei, 9. Dúvida – duvidar da Verdadeira Lei; 10. Difamação – insultar a Verdadeira Lei; 11. Menosprezar o Bem – desprezar quem crê e abraça a Verdadeira Lei; 12. Odiar o Bem – odiar quem crê e abraça a Verdadeira Lei; 13. Invejar o Bem – nutrir inveja contra quem crê e abraça a Verdadeira Lei; 14. Sentir rancor do Bem – nutrir rancor a quem crê e abraça a Verdadeira Lei. Assim, Nichiren Daishonin afirma que esses catorze tipos de calúnias à Lei são, então, causas para o mal. Portanto, por mais que se realize os exercícios de aprimoramento para si e para os outros, caso cometa uma ou mais dessas catorze N º 2 2 7
52
calúnias, acabará eliminando os benefícios. Nós devemos tomar bastante cuidado com relação a esse ponto. Na frase que lemos respeitosamente este mês, Nichien Daishonin expõe que são muitas as pessoas que manifestam a fé na Lei Mística mas poucas as que mantêm a prática da fé e alcançam a Iluminação, e assim, nos incentiva a nos dedicarmos no caminho do Buda, com a determinação de jamais nos afastarmos, aconteça o que acontecer, sem nos deixarmos ser influenciados pelas más relações. Iniciarei então a leitura da frase. Temos primeiramente: Embora os alevinos sejam muitos, poucos se tornam peixes. Apesar de as flores da mangueira serem muitas, poucas evoluem para frutos. O mesmo ocorre com as pessoas. Mesmo que sejam muitas as que manifestam o espírito de procura, poucas ingressam no caminho verdadeiro sem desistir. Os peixes desovam uma quantidade extremamente numerosa de ovos, mas dizem que são poucos os que evoluem com segurança para se tornarem peixes adultos. E a obra “Sobre a Leitura e Interpretação de Todos os Sutras (Issaikyo Ongi)”, de um sacerdote da China chamado Genno, faz referência à mangueira, mencionando: “são muitas as suas flores, mas os frutos são extremamente poucas”. Citando essas duas frases, Nichiren Daishonin afirma que são muitas as pessoas que manifestam a determinação e pensam em começar a realizar os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, mas que são poucas as que conseguem ingressar no verdadeiro caminho para a Iluminação sem se afastar. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: Em geral, o espírito de procura dos mortais comuns é bastante ludibriado pelas más relações e facilmente se modifica conforme os acontecimentos. Embora sejam mortais comuns, há muitas pessoas que manifestam o espírito de buscar a percepção e desejam a Iluminação. Porém, o ambiente e os relacionamentos interpessoais ocasionalmente poderão servir de más
K A I S E N
relações e agirem no sentido de impedir os exercícios no caminho do Buda. Mesmo que numa oportunidade tenha decidido manter essa prática da fé por toda a vida ao ter percebido como são maravilhosos os benefícios do Gohonzon, as más relações encontram-se em diversos lugares e procuram nos afastar do Gohonzon. E o que é preciso para que percebamos devidamente que essas más relações são más relações? É preciso verificar o objetivo da nossa prática da fé durante o gongyo diário “por que eu comecei a praticar esta fé da Nichiren Shoshu?”. Acredito que o ideal é que se confirme, especialmente depois do gongyo da manhã, que “praticamos para atingir a Iluminação na Forma Presente” ao iniciar o dia. Suponho terem tido diversas motivações para começarem a praticar a fé da Nichiren Shoshu. Acredito que há quem tenha começado a praticar prontamente assim que recebeu o shakubuku. Penso que há quem tenha iniciado por desejar curar uma doença ou solucionar os mais diversos problemas. Penso que as pessoas que, depois de terem recebido a cerimônia de conversão e mantido a prática, conseguiram chegar à condição de desejar conhecer o ensino de Nichiren Daishonin, com o qual todas as pessoas sem falta podem alcançar a suprema condição de vida denominada Iluminação e experimentar a felicidade no seu verdadeiro sentido, tenham mantido até o presente os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Resposta ao Suserano Shijo Kingo (Shijo Kingo Dono Gohenji)”: Se colocar ouro que não foi forjado em meio às chamas, ele logo derreterá. É como colocar o gelo na água quente. Uma espada permanecerá sem derreter durante um tempo considerável, mesmo que o coloque numa grande chama. Isso porque ela foi forjada. Nichiren assim afirma, de antemão, para capacitar o senhor. O budismo tem como base a razão. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1179)
Ou seja, como o ensino de Nichiren Daishonin é lógico, se realizar os exercícios de aprimoramento conforme Nichiren Daishonin nos ensina, todos – seja quem é perspicaz, seja quem nada sabia sobre o budismo até hoje – sem falta, podem atingir a Iluminação. Assim, nós sempre recebemos do Reverendíssimo Soberano da Lei, a orientação sobre a “importância de realizar efetivamente”. Por mais que fale ou pense, caso não tenha a sua realização efetiva, não terá resultados. E isso também é lógico. Além disso, nessa frase também está revelada sobre a importância de aprimorar a prática da fé. Fortalecendo a prática da fé, mesmo que se depare com as más relações, não será influenciado, e será capaz de trilhar o caminho para a Iluminação. Não se deve temer o encontro com as más relações. O importante é romper as más relações, transformando o veneno em remédio. E para isso é preciso fortalecer a prática da fé. Portanto, quaisquer que sejam as más relações, devemos considerar que é uma oportunidade para fortalecer a si próprio, e almejar atingir uma condição de vida como consta N º 2 2 7
53
na frase da escritura “Resposta ao Suserano Hyoe Sakan (Hyoe no Sakan Dono Gohenji)”: Será assim também quando um mortal comum estiver para se tornar Buda. Por, com certeza, ocorrerem os impedimentos denominados Três Obstáculos e Quarto Maldades, um sábio alegrar-se-á e um tolo afastar-se-á. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1184, Gosho de janeiro de 2002)
Realizando diligentemente a prática diária para si e para os outros conforme as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei, sem falta será possível atingir essa condição de vida. Prosseguindo, temos a última passagem: Da mesma forma, embora os soldados trajados de armadura sejam muitos, poucos são os que não temem a guerra. Essa orientação indica que, ainda que se possua uma armadura que orna a si próprio, são poucas as que não temem as batalhas reais, ou seja, as diversas dificuldades que ocorrem durante a vida. Ter comportamentos notáveis quando não existem dificuldades é fácil. O valor real de uma pessoa vem à tona quando ela enfrenta as dificuldades. A armadura que efetivamente nos protege são as virtudes que nós mesmos acumulamos e a sabedoria de Buda que recebemos com os exercícios diários de aprimoramento no caminho do Buda. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre as Perseguições ao Sábio (Shonin Gonanji)”: Não deve fraquejar a sua fé no dia a dia. Se fraquejar mesmo um pouco, as maldades nos ameaçarão. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1397)
Por isso que a “prática da fé como água corrente” é importante. E, para fortalecer a si próprio e trajar uma armadura sólida, o shakubuku é importante. Temos menos de dois anos até a grande ocasião comemorativa do octingentésimo aniversário de nascimento do fundador Nichiren Daishonin. Para que possamos celebrar essa grande ocasião comemorativa de fato, a realização efetiva do shakubuku por todos os clérigos e adeptos da Nichiren Shoshu é imprescindível. Se, por ventura, considerarem com relação ao shakubuku, que é “melhor fazer do que deixar de fazer” ou “shakubuku deve ser feito quando for possível”, isso é um grande erro. Shakubuku é um exercício imprescindível de aprimoramento no caminho do Buda para alcançarmos a verdadeira felicidade e a condição de vida da Iluminação. Especialmente no presente, quando estamos perto do prazo para concretizarmos a meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko”, penso que a existência ou não de ações no sentido de realizar efetivamente o shakubuku surtirá uma grande influência na felicidade ou infelicidade, Iluminação ou não Iluminação de agora em diante. Portanto, vamos agir e também ensinar a realização efetiva do shakubuku para as pessoas recém-convertidas através de nosso exemplo, e nos dedicar no objetivo de um grande crescimento de forma conjunta, na qualidade de K A I S E N
seguidores da Lei Mística. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta: Na escritura “Carta ao Suserano Nanjo Hyoe Shichiro (Nanjo Hyoe Shichiro Dono Gosho)”, Nichiren Daishonin afirma : Até os que possuem uma fé profunda, não repreendem os inimigos do Sutra de Lótus. Mesmo que realize um grande bem transcrevendo o Sutra de Lótus milhares de vezes, e se torne alguém que perceba o caminho da introspecção dos três mil num instante, se não repreender os inimigos do Sutra de Lótus, será difícil atingir a Iluminação. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 322)
Reverenciando esse dito dourado e gravando no âmago de nossos corações sobre quão importante é o shakubuku para a nossa prática da fé, é fundamental para a Iluminação na Forma Presente que nos dediquemos ao shakubuku com todo o coração, abraçando o dito dourado em nosso peito: Havendo força, deve propagar mesmo que seja uma única frase ou um único verso. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 668, Gosho de julho de 2018) (Dainichiren, edição de fevereiro de 2019)
Vamos nos dedicar aos exercícios de shakubuku em prol da nossa Iluminação na Forma Presente, em conformidade com essa orientação. E essa escritura revela as catorze calúnias. Devemos tomar bastante cuidado no dia a dia para que jamais venhamos a cometer essas catorze calúnias. Conforme consta no início da frase, cometer ou não as catorze calúnias influencia no fato de a pessoa conseguir ou não acumular as virtudes com a realização dos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Por mais que se dedique aos exercícios de aprimoramento para si e para os outros, se cometer [uma d]as catorze calúnias, não será possível acumular as virtudes. Se Nichiren Daishonin está reiterando sobre esse ponto, de que devemos ter cuidado, isso não tem outra razão, a não ser a de que é algo que realmente devemos nos precaver. É preciso tomar um cuidado especial do décimo primeiro ao décimo quarto das catorze calúnias – menosprezar o Bem, odiar o Bem, invejar o Bem e sentir rancor do Bem. Isso porque são calúnias dirigidas contra os companheiros da Verdadeira Lei, membros da Hokkeko. Explicando sobre o porquê de termos de tomar um cuidado especial com relação a esses, é porque eles levam à “destruição da harmonia entre clérigos e adeptos – hawagoso”. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre os Esclarecimentos sobre as Calúnias à Lei (Ken Hobo Sho)”: As pessoas que cometem os cinco crimes de oposição cairão nesse inferno. Os cinco crimes de oposição são, em primeiro – matar o pai, em segundo – matar a mãe, em terceiro – matar o arhat, em quarto – ferir o Buda, fazendo-o sangrar e, em quinto – destruir a harmonia entre clérigos e adeptos. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 278)
N º 2 2 7
54
Assim, acabará acumulando causas extremamente grandes. Como nós vivemos no mundo impuro e maléfico da Era do Fim do Darma, todos os dias, em todos os lugares e momentos, somos atormentados por diversas dificuldades e absurdos. Com isso, a condição de vida também fica baixa, e pode fazer com que se leve a falar mal de outras pessoas ou a reclamar ao abrir a boca, e embora o rosto esteja sorrindo, o coração pode estar na condição de vida de ira, ou então, a perseguir apenas o benefício próprio e agir como se não se importasse com a infelicidade alheia. Acaba-se gerando as más causas com os três tipos de ação – com o corpo, com a boca e com a intenção. E essas ações, quando são direcionadas especialmente aos companheiros da Hokkeko, levam à destruição da harmonia entre clérigos e adeptos – hawagoso. Nós estamos seguindo a fé correta de Nichiren Daishonin e, para alcançarmos a Iluminação na Forma Presente, estamos nos dedicando, realizando o gongyo, a recitação de daimoku e o shakubuku diariamente, participando da reunião do núcleo, Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu, Oferenda Memorial Permanente – Eidaikyo e reunião de estudo, retribuindo pelas dívidas de gratidão a Nichiren Daishonin na Cerimônia de Oko e visitando o Templo Principal Taisekiji onde o Dai-Gohonzon está consagrado. Entretanto, embora realizemos tais esforços, caso cometamos a destruição da harmonia entre clérigos e adeptos – hawagoso, além de não ser possível acumular as virtudes, acabaremos gerando uma grande má causa. É conforme consta na escritura “Resposta ao Suserano Matsuno (Matsuno Dono Gohenji)” que lemos este mês: [...] aqueles que conservam o Sutra de Lótus jamais devem injuriar um ao outro. Isto porque são Budas todas as pessoas que conservam o Sutra de Lótus. Insultando o Buda cometerá o crime. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1047)
Nós da Hokkeko mantemos o ensino de Nichiren Daishonin. Nós sem falta poderemos atingir a Iluminação. Devemos compreender que, qualquer que seja o motivo, cometer atos de menosprezar o Bem, odiar o Bem, invejar o Bem e sentir rancor do Bem contra os preciosos companheiros da prática é algo verdadeiramente temeroso. Nichinyo Shonin afirma: Para a luta em prol da propagação irrestrita da Lei – kosenrufu, as habilidades individuais também são importantes, mas por mais que elas sejam excelentes, se estiverem dispersas, não será possível concretizá-la. Somente quando todos tiverem o mesmo propósito, tendo-se um objetivo em comum e lutarem unidos para a realização desse objetivo, é que a capacidade individual será plenamente manifestada pela primeira vez, formando uma força motriz maior do que o imaginado, e que levará à concretização do objetivo.
devemos propagar o ensino de Nichiren Daishonin com o exercício de shakubuku. Cumprindo essa missão, será possível estabelecer o país do Buda conforme revelado na escritura “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”: O senhor deve reformular rapidamente os conceitos limitados de sua crença e devotar-se imediatamente ao Único Bem do Veículo Objetivo. Assim, os três mundos serão todos do país do Buda; o país do Buda não entra em declínio. As dez direções serão, todas, Terra de Tesouros; como poderia a Terra de Tesouros ser destruída? Sem o declínio do país e a destruição da terra, o corpo ficará seguro e o coração ficará sereno. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 250)
Ainda que tenhamos contato com más relações, vamos considerar como oportunidade de fortalecer a nossa prática da fé, sem jamais nos servirmos de uma má relação contra um seguidor da Verdadeira Lei, agindo no sentido de distanciá-lo da Verdadeira Lei. É fácil para nós enxergarmos as ações cometidas por outras pessoas, mas não é fácil enxergar o nosso próprio comportamento. Acontece de nós mesmos acabarmos nos tornando uma má relação, sem sequer percebermos isso. Vamos sempre acumular as virtudes com os três tipos de ação – com o corpo, com a boca e com a intenção, e buscar um comportamento que não seja elogiado somente por mortais comuns, mas que seja também merecedor de palavras de elogio de Nichiren Daishonin. Também para isso, vamos participar diligentemente, inclusive, da Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu e da Recitação Especial de Oko do dia 13, para sempre termos a oportunidade de receber as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei! Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
(Dainichiren, edição n.º 782, pág. 24)
A propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – é uma preciosa missão para nós, adeptos da Nichiren Shoshu. Para concretizar a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, K A I S E N
N º 2 2 7
55
Polir a vida Reverendo Myoyo Kondoh Matéria de Estudo para o Núcleo de Julho
Para cozinhar, utilizam-se diversos ingredientes, óleo e tempero, e penso que se utilizem utensílios de cozinha como a frigideira, a panela e o fogão. Se limparem os utensílios ou lavarem as louças logo depois de cozinharem, a maior parte da sujeira, até a mais resistente, acaba saindo. Mas o que aconteceria se os largassem por uma semana, um mês ou então, por um ano? Mesmo a sujeira que sairia facilmente se fosse lavada logo, à medida em que os dias passam, fica difícil de ser eliminada e por fim, pode se transformar em sujeira permanente, e não poderia ser retirada por mais que se tentasse. Penso assim, que a maioria das pessoas da sociedade que usam a cozinha façam a limpeza simultaneamente, tanto durante como após o preparo. Penso que os senhores já saibam sobre o que descrevi, e nem era preciso que eu lhes contasse. Mas e se substituíssemos as louças por nossas vidas? O budismo revela sobre a vida que permeia as três existências, assim essa existência presente não é o início da vida. Mesmo que não esteja sujando a sua vida no dia a dia desta existência, ela pode já ter sido maculada nas existências passadas. (É muito difícil que alguém deixe de macular a sua vida no decorrer de sua existência).
um “espelho embaçado”, e a situação em que se atingiu a percepção, a um “espelho nítido”. Assim, sendo um “espelho embaçado” pelas ilusões, para torná-lo um “espelho nítido”, límpido é preciso poli-lo sempre. Porém, conforme expliquei no início, as impurezas da vida são difíceis de serem eliminadas. É por essa razão que precisamos limpá-la, esfregando vigorosamente as sujeiras, realizando o gongyo e a recitação de daimoku com seriedade para o Gohonzon inscrito por Nichiren Daishonin, e com o exercício de shakubuku. Desse modo, até as impurezas (causas negativas) que a princípio levaríamos para as nossas existências futuras poderão ser eliminadas na existência presente, com o
E não seriam a maioria, as pessoas que não conseguem perceber as sujeiras que já carregam em suas vidas (causas negativas que vieram acumulando desde as existências passadas), e que também desconhecem que estejam sujando as suas vidas no presente? E também são muitas as pessoas que não sabem como eliminar essas sujeiras acumuladas em suas vidas. Essas sujeiras são muito difíceis de serem percebidas. Mesmo que a vida esteja repleta de dificuldades em decorrência dessas sujeiras, é difícil alguém considerar que elas estão acumuladas em suas vidas. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre a Iluminação na Forma Presente (Issho Jobutsu Sho)”: Enquanto estão desnorteados são denominados de mortais comuns, e de Buda ao atingirem a percepção. Fazendo uma analogia, um espelho embaçado parecerá uma gema ao ser polido. O coração, agora desencaminhado com pensamentos obscurecidos, é como um espelho não polido. Se for polido, sem falta vai se tornar o espelho nítido da verdade imutável da natureza da Lei. Devem despertar uma profunda prática da fé e polir dia e noite sem negligenciar. Como devem polir? Polir significa recitar unicamente o Nam-Myoho-Rengue-Kyo.
Vamos nos dedicar, com a união entre os clérigos e adeptos, para que a propagação da Lei seja concretizada o mais rápido possível no Brasil, e possamos almejar a futura propagação da Lei no mundo todo.
benefício de transformar o pesado e receber o leve – tenju kyoju. E é importante manter uma prática da fé capaz de limpar imediatamente, caso por ventura venha a sujar a vida. Depois de conseguir eliminar completamente a sujeira, surge a natureza de Buda que jamais é derrotada qualquer que seja a dificuldade. Para salvar o maior número de pessoas possível e também para limpar a própria vida, o gongyo, a recitação de daimoku e o shakubuku são imprescindíveis.
(Heisei Shimpen Gosho, pág. 46)
A condição de vida de ilusão e a de percepção são as faces frontal e reversa de um só corpo. Não existem separadamente, de forma alguma. No nosso coração de mortais comuns, ambas – ilusão e percepção – coexistem. A situação em que se está desnorteado, iludido é comparado a
K A I S E N
N º 2 2 7
56
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 4 de agosto de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu do mês de agosto do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre a Facilidade e Dificuldade relativa dos outros sutras e o Sutra de Lótus (Shokyo to Hokekyo to Nan-i no Koto)”: Tendo o budismo sido gradativamente distorcido, o mundo vem se degradando. O Budismo é como o corpo e o mundo como a sombra. Curvando-se o corpo, a sombra fica inclinada. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1469, Coletânea de Frases, pág. 104)
Dessa forma, ensina que, analisando a situação da sociedade do ponto de vista do budismo, as causas dos mais diversos desastres naturais, dos incidentes e acidentes trágicos, de conflitos, fome e epidemia e da desordem política e econômica estão na inadequação religiosa, isto é, decorrem de as pessoas seguirem leis errôneas em vez de acreditar no Budismo correto de Nichiren Daishonin. É por essa razão que Nichiren Daishonin afirma na escritura “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”: Se almeja a tranquilidade imediata do mundo, deve a todo o custo eliminar as calúnias à Lei de todo o país. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 247)
Na Nichiren Shoshu, atualmente, o shakubuku está sendo realizado com todas as forças no mundo inteiro, visando o ano de 2021. É para eliminar as calúnias à Lei em âmbito mundial, pensando na tranquilidade do mundo, conforme Nichiren Daishonin afirma em “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”. Em especial o Brasil, que se encontra em uma situação difícil, que não seria exagero dizer ser o cúmulo da desordem social. Assim, nós precisamos nos dedicar ao shakubuku, muito mais do que em outros países. O shakubuku é o supremo exercício de aprimoramento revelado no budismo e é também o melhor exercício para retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda fundador e aos Três Tesouros. Nichikan Shonin, 26.º Reverendíssimo Soberano da Lei do Templo Principal, orienta na obra
K A I S E N
“Interpretação da escritura ‘Sobre a Retribuição pelas Dívidas de Gratidão (Hoon Sho Mondan)’”: Erradicar as calúnias à Lei é retribuir pelas dívidas de gratidão [...] propagar a Verdadeira Lei é agradecer pelos benefícios [...] ou seja, ao erradicar as leis errôneas sem poupar a própria vida e propagar a Verdadeira Lei, não há como deixar de retribuir por todas as dívidas de gratidão. (Interpretação das escritura - Gosho Mondan, pág. 348)
O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin também orienta: A atual Era do Fim do Darma está repleta de calúnias à Lei e, por isso, muitas pessoas, sem perceberem, são ludibriadas pelas más relações e não conseguem escapar da condição de vida de infelicidade resultante dos malefícios das doutrinas e religiões errôneas. Para salvar essas pessoas, a melhor forma é realizar o shakubuku, de refutar o errôneo e revelar o Verdadeiro, em vez de shoju, de converter sem refutar, como nas eras da Vigência e da Formalidade do Darma. O shakubuku é justamente o melhor exercício de benevolência para salvar todos os seres na Era do Fim do Darma. (Daibyakuho, edição de 16 de junho de 2019)
O shakubuku é o melhor exercício de aprimoramento para retribuir pelos quatro tipos de dívidas de gratidão, desde a dívida ao Buda fundador e aos Três Tesouros. Entretanto, a salvação, a concretização de shakubuku no seu verdadeiro sentido, não é simplesmente fazer com que a pessoa que recebeu o shakubuku passe pela cerimônia de gojukai (conversão), sem a devida compreensão. Deve ensinar sobre a prática da fé da Nichiren Shoshu antes de a pessoa receber a cerimônia de conversão e, além disso, que apenas passe pela cerimônia de conversão depois de ter eliminado todas as calúnias à Lei. Depois disso, deve-se promover para que ela se aprimore e consiga consagrar o Gohonzon em casa e contribuir para que ela se torne apta a realizar o shakubuku. Penso que somente depois de realizar todas essas etapas é que se possa considerar salvação em seu verdadeiro sentido. Vamos supor que se estabeleça o gojukai como ponto de chegada, considerando que “basta a pessoa se converter”, e deixe de ensiná-la a fazer o gongyo, de ensiná-la sobre a importância da participação nas atividades como Oko e reuniões no templo e nas sedes de atividades, e de ensiná-la sobre a importância de realizar a peregrinação. Com esse tipo de pensamento, embora consiga concretizar o shakubuku em decorrência da relação estabelecida com a pessoa, ela não conseguirá praticar corretamente e seguirá um só caminho – o de se afastar da fé. Isso será a causa para a infelicidade, não só da pessoa que recebeu o shakubuku, como também da pessoa que o realizou. Além disso, dentre as pessoas que puderam consagrar o
N º 2 2 7
57
Gohonzon, há as que acabam iniciando uma prática egoísta e a bel-prazer: “Como já pude consagrar o Gohonzon, basta que eu pratique sozinha quando e da forma que eu quiser” ou “Não gosto da organização e nem das reuniões. Se for para o templo ou para as sedes de atividades, terei de encontrar com as pessoas que não gosto. Então não vou”. Entretanto, a prática de Nichiren Daishonin não é isso. Nós, mortais comuns, não conseguimos praticar corretamente sozinhos. Por isso, devemos comparecer ao templo e às sedes para a prática da fé nas localidades onde não há templo e, com base no Gohonzon correto, reverenciarmos as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei que herdou a Pulsação Vital da Lei desde Nichiren Daishonin e praticarmos a fé com a união de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Embora a força de
cada pessoa seja pequena, com a prática da fé de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, sem falta o caminho para a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, e o caminho para a Iluminação vão se abrir. Resta-nos menos da metade para o término deste ano. Para que possamos praticar corretamente a fé, desejo que visitem com a frequência ainda maior o templo e as sedes para prática, e dediquem-se aos exercícios de aprimoramento da prática da fé com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu deste mês. Muito obrigado.
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 11 de Agosto de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de agosto do “ano de progredir com entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês, para assim retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Essa obra foi escrita em fevereiro de 1272 (9.º ano da Era Bun-ei), cerca de quatro meses desde o exílio à Ilha de Sado, em Tsukawara, Sado, quando Nichiren Daishonin estava com 51 anos de idade. Essa escritura foi destinada para todos da sua escola, tendo Shijo Kingo como seu representante, e é reputada como parte das cinco maiores obras, tal como a escritura “Sobre o Objeto de Devoção da Introspecção (Kanjin no Honzon Sho)”. Essa escritura cita primeiramente a devoção às três virtudes – de soberano, de mestre e de pais, prossegue com a análise quanto à superioridade ou inferioridade e quanto à profundidade ou superficialidade de todos os sutras com K A I S E N
base na comparação sucessiva em cinco estágios – goju sotai, e ainda expõe claramente que Nichiren Daishonin é justamente o Buda Original que possui todas essas três virtudes – de soberano, de mestre e de pais, na Era do Fim do Darma. Por essa razão, a escritura “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)” é denominada como a “obra que revela o Objeto de Devoção na Forma de Pessoa”. As três virtudes – de soberano, de mestre e de pais, referem-se às três virtudes que o Buda possui. A virtude de soberano é a virtude da ação de proteger as pessoas. A virtude de mestre é a virtude da ação de conduzir os seres para o caminho correto. A virtude de pais é a virtude de salvar os seres com benevolência. O Buda Sakyamuni revela sobre as três virtudes no Capítulo Hiyu, do Portal Transitório do Sutra de Lótus: Esse mundo de ilusão é de minha propriedade (virtude de soberano). Os seres nele são todos meus filhos (virtude de pais). Aqui existem inúmeras e diversas aflições e dificuldades. Somente eu sou o único que pode salvá-los e protegê-los (virtude de mestre). (Kaiketsu, pág. 168)
Além disso, conforme revela na escritura “A Transmissão da Exegese Oral do Sutra de Lótus (Ongi Kuden)”, as três virtudes – de soberano, de mestre e de pais, também são reveladas no Portal Original como segue: Quanto às três virtudes do Buda – de soberano, de mestre e de pais, temos a virtude do soberano com a frase “Ga_shi_do_an non.” (Este país onde eu, Buda, resido é seguro e pacífico). A virtude de mestre, com a frase “Jo se’po kyo ke_.” (Sempre revelando a Lei, tenho doutrinado). A virtude de pais, com a frase “Ga_yaku i_se_bu.” (eu
N º 2 2 7
58
Deve considerar as boas ocorrências como excepcionais e as ruins como habituais. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1398)
também sou o pai de todos os seres do mundo). (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1771)
Ainda, Nichiren Daishonin revela na escritura “Sobre a Transmissão da Água do Primeiro Banho (Ubuyu Sojo Ji)”: Nichiren é o soberano, os pais e o mestre de todos os seres – acima e abaixo do céu. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1710)
Isto é, Nichiren Daishonin é o Buda Original que possui as três virtudes – de soberano, de mestre e de pais, e se mantivermos a Lei do Myoho-Rengue-Kyo revelada por esse Buda Original, quaisquer que sejam as dificuldades que venham a se manifestar, concorrendo uma com as outras, sem falta poderemos atingir a Iluminação. E o título, “A Abertura dos Olhos” indica abrir, descerrar a cegueira. As pessoas que não mantêm a Verdadeira Lei ficam apegadas aos ensinos expedientes e não conseguem enxergar as três virtudes – de soberano, de mestre e de pais – verdadeiras. Portanto, indica abrir essa visão com essa escritura e fazer com que compreendam a verdade. O termo “abertura” possui dois significados. Um, a de eliminar o apego aos ensinos expedientes e revelar a Verdadeira Lei, e o outro, a de revelar as três virtudes – de soberano, de mestre e de pais. Expõe que antes, como não havia sábio ou soberano que conhecesse essas três virtudes, a condição de vida das pessoas era como a do mundo de animalidade, mas alguém que possui essas três virtudes – de soberano, de mestre e de pais, realizou o seu advento para doutrinar as pessoas. No parágrafo anterior ao da frase que lemos respeitosamente, Nichiren Daishonin esclarece que quando o seguidor do Sutra de Lótus enfrenta dificuldades, por propagar a Verdadeira Lei, terá o “benefício de transformar o pesado e receber o leve – tenju kyoju”, como segue: É a prova real de ter sido manifestado, de forma atenuada, o efeito decorrente das causas negativas do passado, por proteger a Lei nesta existência. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 573)
Nós precisamos conforme a frase:
enfrentar as diversas dificuldades
K A I S E N
Entretanto, com os benefícios da prática, é possível transformar essas dificuldades em causas para eliminar as causas negativas e, além disso, receber nesta existência, de forma leve, o carma que originalmente nos faria sofrer também nas existências futuras e eliminá-lo. Ou seja, o ensino de Nichiren Daishonin tem como fundamento a Lei de Causa e Efeito. Assim, afirma que os maus efeitos que um dia sem falta teremos de receber, podem ser completamente manifestados nessa existências de forma leve, e que, além disso, sem falta seremos protegidos pelas Entidades Iluminadas com a realização diária do gongyo. Isso, se praticar efetivamente o Budismo de Nichiren Daishonin que possui todas as três virtudes – de soberano, de mestre e de pais. A frase desse mês é aquela que revela também sobre a importância da prática efetiva. Assim, desejo que a leiam devida e respeitosamente. Iniciarei então, a leitura respeitosa da frase. Temos primeiramente: Eu e meus discípulos, se não tivermos sentimento de dúvida mesmo diante das perseguições, atingiremos naturalmente o Estado de Buda. Nós devemos ter essa frase sempre em nossos corações. A nossa vida é uma sucessão de dificuldades. Não é raro que, quando pensamos que superamos um problema, logo surja um outro problema. Essa frase revela que se mantivermos a prática da fé sem duvidar do Gohonzon, sem falta será possível atingir a Iluminação. Antes dessa frase, Nichiren Daishonin cita a parábola da senhora pobre. Era uma senhora pobre, que não tinha casa nem quem a ajudasse. Ela ainda ficou doente e passou a vagar sem rumo, mendigando. Certa vez, pernoitou numa hospedaria e deu à luz a uma criança. Porém, o dono dessa hospedaria expulsou-a de lá. Ela tentou ir para um outro país, com o bebê em seu colo, mas enfrentou uma sucessão de dificuldades, tais como ventos, chuvas violentas e frio. Ela se deparou então com um grande rio, com uma correnteza de forte intensidade. Pensando na criança, tentou atravessar, pronta para a morte. E devido à violência da correnteza, acabou perdendo ali a sua vida. Mas essa senhora pôde renascer no mundo de céu com o benefício decorrente de sua benevolência para com o filho. Nessa parábola, Nichiren Daishonin compara a pessoa que não possui o Tesouro na Forma da Lei com a figura de uma pessoa pobre; a pessoa que possui benevolência com a senhora pobre; o mundo impuro fortemente dominado pelos três venenos com a hospedaria; a fé no Sutra de Lótus, isto é, no Dai-Gohonzon com a criança; o fato de Nichiren Daishonin ter sido banido, tendo sofrido diversas perseguições em prol da Lei, com a expulsão da hospedaria; a brevidade no tempo de prática com o curto período decorrido do parto; as diversas perseguições em prol da Lei que Nichiren Daishonin recebeu com ventos e chuvas violentas; o fato de manter a fé até o fim com a perda da
N º 2 2 7
59
vida da mãe e do filho e o fato de atingir a Iluminação com o nascimento no mundo de céu. Ou seja, afirma que se mantiver a prática de Nichiren Daishonin neste mundo impuro e maléfico da Era do Fim do Darma, ainda que não busque, atingirá a Iluminação. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: Não duvidem pela falta de proteção dos céus, nem lamentem a ausência de segurança e tranquilidade nesta existência. “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)” é uma obra escrita em fevereiro de 1272 (9.º ano da Era Bun-ei). No Japão, o mês de fevereiro pode ser considerado como o período mais frio do ano. Na escritura “Sobre os Comportamentos do Buda (Shuju Onfurumai Gosho)” consta: Moro num local chamado Ttsukawara, entre montanhas e planícies, que lembra Rendaino de Kyoto, onde os mortos são descartados. Aqui não há sala para o altar budista, o telhado está com as tábuas desencaixadas, as paredes, dos quatro lados, estão deterioradas e a neve atravessa por elas. Vivo o dia a dia num local assim, estendendo a capa de palha no chão para passar a noite. É uma moradia desoladora onde, à noite, neve, granizo e relâmpago ocorrem ininterruptamente e, durante o dia, os raios do sol não incidem. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1062)
Além de ser frio, logo no início em que havia chegado à Sado, Nichiren Daishonin permaneceu em Sammaido, em Tsukawara, que mal poderia ser considerado como uma moradia. Penso que seja um ambiente em que quando um mortal comum é submetido a essas condições, não poderia acreditar, nem um pouco sequer, que possa existir a proteção dos céus ou, então, a segurança e a tranquilidade nesta existência. Entretanto, Nichiren Daishonin, de sua condição de vida de Buda Original, concede incentivos que transbordam benevolência para os seus discípulos e adeptos. Devemos polir a nossa vida com a prática diária para que possamos lidar com as outras pessoas com intuito de incentivá-las, e com benevolência, por mais angustiante e severa que seja a situação em que nos encontrarmos. Se nós realizarmos a prática da fé conforme ensinada por Nichiren Daishonin, sem falta a proteção das Entidades Iluminadas será manifestada. E com essa proteção, poderemos enfrentar e superar todas as dificuldades. Nichiren Daishonin afirma nessa mesma escritura “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)”: [...] houve incontáveis perseguições de pequenas proporções e quatro grandes perseguições. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 539)
Conforme essa frase, Nichiren Daishonin sofreu perseguições em prol da Lei de forma constante, e muitos discípulos e adeptos tinham dúvidas de como poderia o Devoto do Sutra de Lótus receber essas perseguições. Supõe-se assim que essa frase tenha sido redigida como forma de advertência, para que não se duvidasse pela falta de proteção. K A I S E N
Quando algo não transcorre da forma que desejamos, ocasionalmente nós acabamos pensando: “Como as coisas não acontecem da forma que eu desejo, se estou praticando?”. Analisando isso sob a condição de vida do Buda Original, Nichiren Daishonin manifestou a grandiosa benevolência de buscar unicamente a salvação de todos os seres, e propagou a grandiosa Lei do Nam-Myoho-Rengue-Kyo. E em oposição a essa grandiosa benevolência começaram a lhe ocorrer perseguições, e o despropósito de ser insultado e injuriado por diversas pessoas. Porém,Nichiren Daishonin afirma na continuação da obra “Sobre os Comportamentos do Buda (Shuju Onfurumai Gosho)”: Mas que deleite! O Rei Suzudan alcançou os benefícios do Sutra de Lótus com as austeridades do Eremita Asita. O Bodhisattva Fukyo passou a ser chamado de Devoto do Veículo Único ao ser atingido pelos bastões de monges arrogantes. Eu, Nichiren, sofro tais opressões decorrentes de nascer e propagar os cinco ideograma do MyohoRengue-Kyo na Era do Fim do Darma. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1062)
Ou seja, Nichiren Daishonin expressa a sua satisfação afirmando que tais dificuldades são grandes oportunidades para acumular virtudes e eliminar as causas negativas, da mesma forma que o Rei Suzudan – Buda Sakyamuni na existência passada, pôde atingir a Iluminação por ter servido rigorosamente ao Eremita Asita – Devadatta na vida passada; que o Buda Fukyo tenha atingido a Iluminação depois de ter sofrido diversas perseguições impetradas por pessoas arrogantes e então ser denominado de verdadeiro devoto. Portanto, mesmo que algo absurdo venha a nos ocorrer, é fundamental que tenhamos a grande convicção de que sem falta será possível atingir a Iluminação, desde que não duvidemos da proteção das Entidades Iluminadas e continuemos abraçando o Dai-Gohonzon. Vamos realizar efetivamente os exercícios de aprimoramento para conseguirmos nos aproximar, ainda que levemente, da condição de vida de Nichiren Daishonin. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: Embora tivesse ensinado dia e noite aos meus discípulos, todos, ao duvidarem, abandonaram [a fé]. Ou seja, embora Nichiren Daishonin houvesse ensinado que, mantendo a grandiosa Lei do Nam-Myoho-RengueKyo, haveria a proteção do céu e teria segurança e tranquilidade nesta existência, todos os seus discípulos que se afastaram, deixaram de mantê-lo. De fato, para nós, mortais comuns da Era do Fim do Darma, é difícil continuar a mantê-lo. O que é importante para continuar a mantê-lo é reconfirmar constantemente o objetivo de praticar a fé da Nichiren Shoshu. O objetivo da prática da fé da Nichiren Shoshu é a de alcançar a verdadeira felicidade, atingindo a Iluminação na Forma Presente. Porém, a maioria das pessoas deixa o seu coração ser tomado por alegrias passageiras e pequenos acontecimentos, ou então fica apegada a eles, levando-as a se distanciarem ou a se
N º 2 2 7
60
afastarem dos exercícios de aprimoramento do caminho do Buda. Mantendo sempre em mente o objetivo original, que é para a Iluminação de si próprio, ainda que se defronte com diversas dificuldades – sejam elas grandes ou pequenas, sem falta será possível enfrentá-las e superá-las. Quanto aos senhores, desejo que não sejam influenciados pela maldade que existe dentro de seu próprio coração, e que sejam capazes de manter os exercícios de aprimoramento por toda a sua vida. Prosseguindo, temos a última passagem: A tendência dos tolos é de se esquecerem no momento decisivo do que haviam prometido. Sobre a expressão “do que haviam prometido”, o Reverendíssimo Soberano da Lei na reserva Nikken Shonin nos orienta: Explicando sobre “do que haviam prometido”, é o compromisso que firmamos quando nos tornamos discípulos de Nichiren Daishoni – de manter, nesta vida e até alcançar o estado de Buda, a verdadeira doutrina da Verdadeira Lei e Verdadeiro Mestre do Portal Original do Sutra de Lótus, abandonando as doutrinas errôneas de leis e mestres errôneos dos sutras pré-Sutra de Lótus do Portal Transitório. (Dainichiren, edição de julho de 1997, pág. 26)
Ou seja, refere-se à promessa que todos nós fizemos perante o Gohonzon de que manteremos por toda a nossa vida o Budismo de Nichiren Daishonin, isto é, esta Verdadeira Lei, na ocasião em que decidimos nos converter e recebemos o cerimonial de gojukai perante o Gohonzon do Templo. Uma vez que vivemos nesse mundo maléfico maculado por cinco tipos de impurezas, é natural que diversos sofrimentos venham a nos abater. Além disso, realizando o shakubuku, certamente lhe ocorrerá de ser criticado e difamado pelas pessoas. Porém, nós juramos firmemente para o Gohozon que não vamos nos afastar da fé por toda a nossa vida. Assim, devemos sempre nos lembrar dessa promessa e, sem ficarmos lamentando que: “não há proteção das Entidades Iluminadas” ou que “essa existência não é segura nem tranquila”, vamos enfrentar e superar as dificuldades, tendo a convicção no Gohonzon em nosso peito, considerando que são grandes oportunidades para eliminar as causas negativas. Além disso, Nichinyo Shonin nos orienta: Nichiren Daishonin afirma na escritura “Resposta ao Suserano de Ueno (Ueno Dono Gohenji)”: “promessa é algo que não deve ser desfeita” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 825). Afirma também na escritura “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)”: “A tendência dos tolos é de se esquecerem no momento decisivo do que haviam prometido”. De fato, o estabelecimento da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko é uma promessa que juramos firmemente perante o Gohonzon para a ocasião do 800.º aniversário de nascimento do fundador Nichiren Daishonin, e ao cumprirmos esse compromisso com o Buda fundador e os Três Tesouros, o verdadeiro caminho para retribuir pelas
K A I S E N
dívidas de gratidão ao Buda vai se abrir e nós também poderemos estabelecer uma felicidade inabalável. (Dainichiren, edição de fevereiro de 2019)
Shakubuku não é teoria e sim, prática. Não existe um segredo, de que se fizer assim terá sucesso. Assim, nós primeiramente devemos levantar e agir. Devemos nos lançar em prol do shakubuku [...] O mais importante é agir em prol do shakubuku sem temer o fracasso. (Dainichiren, edição de maio de 2019)
Não podemos interpretar que a orientação “não é teoria e sim, prática” indica que não é preciso pretextos para realizar o shakubuku? Nós temos a tendência de construir um discurso para deixarmos de realizar o shakubuku, com teorias baseadas em nossas opiniões egoísticas, tais como: “não tenho tempo por estar atarefado no trabalho”, “preciso cuidar da família”. Ou seja, procuramos encontrar justificativas para não realizarmos os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. A razão de realizarmos a prática é a nossa própria felicidade. A causa da felicidade é a realização dos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Conforme a parábola da flecha envenenada, não há tempo mais precioso para nós do que o agora. Quanto aos senhores, desejo que mantenham essa prática por toda a sua vida, aconteça o que acontecer, gravando no âmago de seus corações, a frase: “desejar unicamente ver o Buda, sem poupar a própria vida”. E assim, gostaria que se dedicassem à prática de shakubuku que tem como base a benevolência de fazer com que os olhos de todas as pessoas despertem para a Verdadeira Lei e, com os benefícios do Dai-Gohonzon, possam atingir a felicidade no seu verdadeiro sentido. Pois bem, a frase deste mês já havia sido traduzida numa outra ocasião, e tenho recebido muitos questionamentos quanto às diferenças com a versão anterior. Assim, gostaria de explicar sobre essas diferenças. A grosso modo, houve questionamentos sobre três passagens. A primeira, referente à frase “Não duvidem pela falta de proteção dos céus”. Antes, havia sido traduzida com o sentido de um incentivo: “Não duvidem que haverá a proteção dos céus”. Desta vez, foi traduzida na forma de advertência, com o sentido de “Não duvidem, achando que não há a proteção dos céus”. Chegamos à conclusão de que a tradução atual é mais fiel ao reverenciarmos a frase original em japonês, já que esse trecho faz referência às sensações que as pessoas manifestam e que as levam a duvidar e a se afastar da prática da fé. A segunda, referente à frase: “Embora tivesse ensinado dia e noite aos meus discípulos, todos, ao duvidarem, abandonaram [a fé]”. Antes, em vez de “todos”, havia sido traduzida como “maioria”. Naturalmente que não foram todos os discípulos e adeptos de Nichiren Daishonin que se afastaram. Mas todos que manifestaram dúvidas, se afastaram e abandonaram o ensino de Nichiren Daishonin.
N º 2 2 7
61
Portanto, reverenciamos que Nichiren Daishonin tenha representado o fato de que muitos de seus discípulos e adeptos tenham se afastado, com o uso do termo “todos”. Além disso, antes havia sido utilizada a expressão “creio que”, mas na frase original no japonês consta “abandonaram”, uma forma afirmativa de expressar um fato que ocorreu. Assim, nessa passagem foi adotada essa forma de expressão. A terceira, referente à frase “A tendência dos tolos é de se esquecerem no momento decisivo do que haviam prometido”. Na versão anterior, estava com a acepção de “omitirem-se diante de algo que estava ocorrendo com Nichiren Daishonin”, mas a frase original em japonês tem o significado de “esquecer-se do juramento que a própria pessoa havia estabelecido perante o Buda (Nichiren Daishonin), de manter o ensino por toda a vida”, assim, seguimos essa forma de expressar na tradução. Pois bem, o 59.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nichiko Shonin orienta: Caso não a leia com fé e com o corpo, não poderá alcançar a sua mais profunda essência. Ou seja, afirma que caso não leia respeitosamente, com fé e com o corpo, isto é, com todo o seu ser, em vez de perscrutar tão somente as letras, não é possível atingir o seu verdadeiro significado. Sem dúvida, o Reverendíssimo Soberano da Lei é a única pessoa que reverencia corretamente todas as escrituras, e nós, discípulos e adeptos,
podemos compreender o verdadeiro significado das escrituras quando as lemos em conformidade com as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei. Além disso, a tradução é uma tarefa realmente complexa, e eu considero ser mais importante, acima de tudo, que a façamos com o espírito de ler com fé e com o corpo em conformidade com a orientação de Nichiko Shonin. E todas as pessoas que estão colaborando com a tradução estão colocando isso efetivamente em prática com todas as suas forças. Realizar uma tradução perfeita é algo extremamente difícil. Mas o importante é que se aprenda o ensino do Buda Original Nichiren Daishonin com as escrituras, aplicado na vida real, para que se possa apreciar a vida cotidiana com tranquilidade, com a condição de vida de grande alegria, resultante dos benefícios do Dai-Gohonzon. Sob essa perspectiva, quanto aos senhores da Hokkeko, gostaria que compreendessem que a frase deste mês resultou da leitura com fé e corpo das pessoas que colaboram com a tradução, depois de diversas análises e tentativas para aproximar um pouco mais do verdadeiro significado da frase. Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
Recitação Especial de Oko Orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin 13 de agosto de 2019
Na escritura "Resposta ao Suserano Soya (Soya Dono Gohenji)”, Nichiren Daishonin ensina: [Se um sacerdote e seus seguidores] tomarem consciência de um inimigo do budismo e deixarem o caluniador sem censurá-lo, não há dúvida que todos cairão no Inferno dos Incessantes Sofrimentos. O Grande Mestre Nan-yueh declarou: “Eles cairão no inferno com homens maus”. Almejar atingir o Estado de Buda sem, no entanto, censurar as calúnias à Lei é tal como procurar água dentro do fogo ou fogo dentro da água. É inútil, é inútil. Por mais que creia no Sutra de Lótus, havendo a calúnia à Lei, certamente cairá no inferno. É tal como colocar uma só pata de caranguejo em mil potes de charão. É este o significado de: “[...] perderam seus corações de origem porque o veneno penetrou profundamente”. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1040)
Quando lemos essa passagem da escritura, devemos estar cientes de que, em nossa prática, devemos temer as calúnias K A I S E N
à Lei, que significa “ir contra a Verdadeira Lei”. Não é preciso dizer que devemos ter medo de nossa própria calúnia. Mas também, se nós vemos aqueles que caluniam a Lei, e nós nem os shakubuku não censuramos o seu ato, a nossa conquista do estado de Buda é incerta. Mais uma vez, devemos seguir com firmeza o princípio da "advertência rigorosa contra as calúnias Lei (hobo genkai)." Então, devemos estar cientes de quão importante é fazer o shakubuku. Nichiren Daishonin ensina na escritura “Resposta à Monja de Abutsu-bo (Abutsu-bo Ama Gozen Gohenji)”: Cometendo a transgressão da calúnia à Lei e da descrença, ainda que pouca, sem dúvida cairá no grande castelo de incessante sofrimento. Por exemplo, quando se navega no mar, mesmo que o navio não seja de má qualidade, se penetrar água, com certeza os que nele estão morrerão de uma só vez. É tal como um açude que, mesmo sólido, se tiver um furo de uma formiga,
N º 2 2 7
62
certamente, no final, será incapaz de manter a água represada. Remova a cardina da calúnia à Lei e da descrença e solidifique o açude da fé. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 906)
Nichiren Daishonin adverte estritamente que não devemos permitir que alguém cometa uma calúnia, mesmo que seja tão pequena quanto um buraco de uma formiga. Na Nichiren Shoshu, desde tempos antigos, ensina-se que se deve firmemente conformar-se ao princípio da
advertência rigorosa contra as calúnias às Lei. Consequentemente, embora pareça estar se dedicando à sua prática e acumulando benefícios, se alguém cometer uma calúnia leve, todos os benefícios que tiver acumulado instantaneamente desaparecerão. Assim, devemos sempre tomar precauções para não cometer as calúnias à Lei. É essencial que façamos sempre o shakubuku, advertamos contra as calúnias e nos dediquemos à propagação do Myoho-Rengue-Kyo.
A grande alegria Reverendo Gyoten Shirai Matéria de Estudo para o Núcleo de Agosto
Os senhores já ficaram tão contentes a ponto de pular de alegria? Penso que existam diversas situações como a de conseguir algo que desejavam, a de quando foram aprovados em algum exame depois de terem estudado dedicadamente, a de quando tiveram êxito no trabalho, a de quando acertaram na loteria, a de quando o time para o qual torcem venceu, [entre outras]. Para denotar esse auge da alegria, que parece até nos levar ao céu, no japonês existe a expressão: “estar no ápice do céu (uchoten ni naru)”. Nos sutras há a seguinte parábola. Certa vez, havia um rei. Esse rei convidou outros quatro reis amigos de países vizinhos e serviu-lhes um banquete todos os dias, durante um mês, com muita comida, bebida, música e dança, fazendo tudo que podia para satisfazê-los. No dia da despedida, o rei perguntou para os quatro: “O que, neste mundo, leva as pessoas a se deleitarem e a se alegrarem?”. O primeiro rei respondeu: “São as diversões”. O segundo respondeu: “É servir-se de comidas deliciosas com a família e os parentes reunidos, apreciando uma música”. O terceiro respondeu: “É juntar tesouros e viver como bem entender”. O quarto respondeu: “É viver conforme o que se deseja”. O rei, ao ouvir as respostas de seus quatro amigos, disselhes: “As satisfações e alegrias que os senhores consideram são momentâneas e não vão durar eternamente. Caso busquem por elas, ao contrário, vão ficar angustiados e vão sofrer. Buscar o caminho para se tornar Buda, com o coração sereno,
distanciando-se
dos
desejos
mundanos,
é
a
verdadeira satisfação”. Essa parábola ensina que o que os seres humanos buscam, levados pelos desejos mundanos, ainda que consigam obtêlo, não leva à alegria e à felicidade no seu verdadeiro sentido. Por mais contentes que possam ficar, por terem conseguido
K A I S E N
algo que desejavam, não há fim para o desejo de “querer ter mais”. E também faz manifestar o desejo de “não querer perder algo que foi conseguido”. E esses pensamentos tornam-se as causas de diversas angústias, conflitos com outras pessoas e preocupações. Assim, além das alegrias não serem duradouras, levam a sofrimentos contínuos. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Registro das Transcrições das Preleções (Onko Kiki Gaki)”: A grande alegria refere-se ao fato dos discípulos e adeptos de Nichiren abrirem a condição de vida da Iluminação com os exercícios corretos de aprimoramento da prática da fé, transformando a natureza de ilusão na de percepção do Buda. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1845)
Existe o princípio “desejos mundanos são dotados de Iluminação (bonno soku bodai)”, dentre os ensinamentos de Nichiren Daishonin. “Desejos mundanos” indicam as ações do coração que atormentam psicológica e fisicamente e que, grosso modo, podem ser divididos em três, os três venenos. Em contrapartida, “Iluminação”, ou “percepção”, indica a condição de vida do Buda e também a natureza de desejar salvar as pessoas. Os três venenos dos desejos mundanos são: 1. desejo de querer isso e também aquilo, 2. desejar fazer do seu jeito. E quando não ocorre da forma que desejava, manifestar raiva como consequência, e 3. ser tolo, não conseguindo compreender a causa e o efeito. Fazendo uma analogia, trazendo para o presente, vamos supor que uma senhora chamada Maria, goste de chocolate. 1. Ela quer comer, sente desejo pelo chocolate e o consome todos os dias, 2. Por excesso de consumo, acaba contraindo diabetes, ocasionando distúrbios nocivos para o organismo. O médico lhe faz uma recomendação: “não coma mais chocolate”, mas ela fica enfurecida: “não, eu quero comer mais”, e continua a consumi-lo,
N º 2 2 7
63
3. Apesar do médico tê-la alertado que como resultado da causa de consumir chocolate em excesso, a sua saúde agravaria, a Sra. Maria não compreendeu devidamente a relação de causa e efeito. Assim, como resultado, por excesso de consumo de chocolate, agravou o estado de sua saúde e acabou morrendo. Isso é um exemplo de desejo mundano, e os desejos mundanos estão contidos em todos os seis sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato e intenção). Assim, todos nós os possuímos. Nós estamos nos dedicando diariamente ao gongyo, recitação de daimoku e aos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. São os exercícios do princípio de “desejos mundanos são dotados de Iluminação (bonno soku bodai)”. São os exercícios para transformar o coração iludido, dos desejos mundanos, na de percepção, no coração do Buda de salvar as pessoas. Na escritura “A Transmissão da Exegese Oral do Sutra de Lótus (Ongi Kuden)”, Nichiren Daishonin afirma: Denomina-se grande alegria, o fato de manifestar a natureza de Buda contido em seu coração. Ou seja, abrir a condição de vida da Iluminação, recitando o Nam-MyohoRengue-Kyo, é justamente a maior alegria das grandes
alegrias. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1801)
E então? Os senhores não estariam com a intenção de buscar a satisfação de seus desejos através do Gohonzon, praticando a fé da Nichiren Shoshu? Se assim for, reverenciando o ensino de Nichiren Daishonin, isso não será realizada. E certamente a prática da fé não durará por muito tempo. Isso porque os benefícios do Gohonzon são os exercícios de aprimoramento para alcançar a grande alegria, que nos levam a abrir a condição de vida da Iluminação, a enfrentar e a superar as dificuldades. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin afirma: Em vez de desejar a Iluminação individual, é realmente importante realizar o shakubuku desejando a felicidade de muitas pessoas. (Dainichiren, edição de março de 2008)
Os nossos exercícios de aprimoramento não visam a grande alegria apenas de si próprio. São exercícios de aprimoramento que levam a grande alegria também para outras pessoas. Vamos nos dedicar fazendo mais uma vez a auto-avaliação acerca dos nossos exercícios de aprimoramento.
Treinamento de Verão dos Adeptos do Exterior de 2019 25 de agosto de 2019
Preleção Geral 22.º Curso de Treinamento de Verão dos Adeptos do Exterior Reverendo Kido Matsuo Sobre a Vida de Nichiren Daishonin II Caros senhores, boa tarde! Sou Kido Matsuo, conforme apresentado há pouco. Eu gostaria de dizer que é extremamente louvável os senhores poderem se reunir no Templo Principal, vindo de locais distantes, para participar do Treinamento de Verão. Nesta preleção, iremos aprender sobre a “Vida de Nichiren Daishonin”. A primeira parte da preleção foi apresentada no ano passado. Acredito que para algumas pessoas, este ano seja a primeira vez, por isso eu gostaria de falar um pouco sobre o conteúdo dessa primeira parte. Nichiren Daishonin nasceu no Japão, e aos 16 anos entrou no caminho do sacerdócio. Depois de terminar a sua viagem de estudos, quando tinha 32 anos, estabeleceu o Verdadeiro Budismo recitando o Nam-Myoho-Rengue-Kyo. Dessa forma, apresentando “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)” ao governo feudal, realizou o Shakubuku para refutar o errôneo e revelar o Verdadeiro, em relação à autoridade máxima do país. Como K A I S E N
resultado disso, começaram a ocorrer inúmeras perseguições à Nichiren Daishonin. Dentre essas, na primeira parte, foram abordadas a Perseguição de Matsubagayatsu, o Exílio à Península de Izu e a Perseguição de Komatsubara. Agora, na segunda parte, eu gostaria de prosseguir com a preleção, centralizando na Perseguição de Tatsunokuchi e no Exílio à Ilha de Sado, que são as maiores perseguições enfrentadas por Nichiren Daishonin. Invasão Mongol e Apresentação da Carta de Admoestação em 11 locais Em janeiro do 5º ano da Era Bunnei (1268), um mensageiro da Mongólia veio ao Japão e entregou à autoridade do governo feudal uma carta ameaçadora impondo que o Japão se torne submisso ao império mongol. A ocorrência do desastre, isto é, a “invasão por um país estrangeiro”, que Nichiren Daishonin havia previsto há 8 anos, tinha se tornado evidente. Em abril do mesmo ano, Nichiren Daishonin, que soube da entrega da mensagem da Mongólia, escreveu “A Justificativa de Apresentação de ’O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade’” (Ankoku-Ron Gokan Yurai) ao Reverendo Hokan-Bo. Além disso, entre agosto e setembro, enviou a Carta de Admoestação a Yadoya Saemon Nyudo, realizando novamente a refutação. No entanto, não houve N º 2 2 7
64
nenhuma reação por parte do governo feudal. Assim, em 11 de outubro, Nichiren Daishonin enviou a Carta de Admoestação a Hojo Tokimune e a Hei-no-Saemon Yoritsuna, e a representantes dos 7 principais templos na época, como Ryokan do Templo Gokurakuji, Doryu do Templo Kentyoji, ao secretário do Templo Daibutsuden e aos Templos Shofukuji, Jokomyoji, Tahoji e Chorakuji, totalizando 11 locais. Seu conteúdo propunha a definição do certo e do errôneo das doutrinas por meio de um debate público, exigindo que o lado derrotado se converta imediatamente à Verdadeira Lei. O real significado que Nichiren Daishonin expressou na Carta de Admoestação, é como segue: Isso não significa que menosprezo as diversas seitas. O meu único desejo é a paz e a segurança desta nação. Carta endereçada ao Templo Chorakuji (Chorakuji e no Onjo) Heisei Shimpen Gosho, pág. 380
Tal como mencionado acima, sendo a invasão pela Mongólia algo de extrema gravidade para a nação, tratavase da determinação de se desejar a paz e a segurança de uma nação, e a tranquilidade do povo. Contudo, a cúpula do governo feudal não apenas se recusou a dar ouvidos à admoestação de Nichiren Daishonin, como também chegou a insultá-lo e a ridicularizá-lo. Oração de Ryokan pela chuva Desde maio do 8º ano da Era Bunnei (1271), um longo período de seca persistiu em todo país, tornando-se numa terrível estiagem. Depois de mais 1 mês sem chuva, o governo feudal ordenou a Ryokan, do Templo Gokurakuji, que era venerado pelo povo como um Buda vivo. naquela época, que oferecesse uma oração pela chuva. Em resposta, Ryokan realizou a oração pela chuva durante 7 dias, a partir do dia 18 de junho, declarando publicamente que salvaria o povo. Ao ouvir isso, Nichiren Daishonin considerou-o como uma oportunidade para que todas as pessoas tomassem conhecimento sobre a verdade, e o errôneo no Budismo [de Ryokan], e assim, ele fez a seguinte proposta à Ryokan, fazendo um desafio, na ocasião da oração pela chuva, como segue: Se (Ryokan) conseguir fazer com que chova em 7 dias, eu, Nichiren, irei abandonar o que tenho dito: ‘A seita Nembutsu irá conduzir ao Inferno de Incessantes Sofrimentos’. E me tornarei num discípulo de Ryokan Shonin e abraçarei os Duzentos e Cinquenta Preceitos. No entanto, se não chover, tornar-se-á evidente de que Ryokan é um grande mentiroso, mesmo que pareça adotar esses preceitos. [...] E Ryokan deverá passar a acreditar apenas no Sutra de Lótus. Carta de Admoestação a Yoritomo (Yoritomo Chinjo, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1131
Esse desafio foi aceito por Ryokan, que orou com único propósito e de forma desesperada, com um grande número de discípulos. Porém, depois de passados 7 dias, não choveu. Mesmo pedindo a Nichiren Daishonin mais 7 dias de prorrogação, não conseguiu que chovesse. Ao contrário, a K A I S E N
seca se intensificou mais do que antes, vindo ainda a soprar ventos fortes, o que resultou em intensificar os sofrimentos do povo. Enfim, a oração pela chuva de Ryokan terminou em total fracasso. Carta de Admoestação de Gyobin O fracasso da oração pela chuva, de Ryokan, foi um vexame não apenas à seita Ritsu como também a todos os templos principais, em Kamakura, que deram suporte a Ryokan. Além de Ryokan ter sido advertido por Nichiren Daishonin de ser um falso sábio, de extrema arrogância e hipocrisia (sensho zojoman), ele fracassou também na oração pela chuva. No entanto, ele não apenas deixou de cumprir a promessa com Nichiren Daishonin, como também, alimentado pelo seu ódio, planejou uma conspiração, com os principais templos, ordenando a um sacerdote chamado Gyobin que fizesse um debate com Nichiren Daishonin. Gyobin enviou, em 8 de julho do mesmo ano, uma carta, para realizar um debate individual, com o intuito de derrotar Nichiren Daishonin. Percebendo a má intenção de Ryokan, Nichiren Daishonin lhe respondeu: “Eu sugiro que o debate seja realizado em um local público”. O plano de Ryokan e dos demais de derrotar Nichiren Daishonin por meio de um debate particular, falhou. Assim, como último recurso, eles apresentaram uma denúncia caluniosa contra Nichiren Daishonin ao tribunal superior (de Kamakura). Essa denúncia foi enviada do tribunal superior para Nichiren Daishonin, que foi solicitado a apresentar uma resposta, por escrito, em sua defesa. Nichiren Daishonin escreveu imediatamente um documento em sua defesa, intitulado de “Reivindicação contra a denúncia de Ryokan e os demais” (Gyobin Sojo Goetsu, Heisei Shimpen Gosho, pág. 472) para refutar completamente os pontos errôneos constantes dessa denúncia. Então, o persistente Ryokan e seus companheiros planejaram uma conspiração com os sacerdotes de outras seitas, espalhando falsas acusações e críticas, contra Nichiren Daishonin, a diversas pessoas influentes. Admoestação ao país pela segunda vez Devido à denúncia injusta de Ryokan e dos demais, Nichiren Daishonin foi intimado pelo governo feudal de Kamakura, em 10 de setembro do mesmo ano (1271), e foi interrogado. Nessa ocasião, Nichiren Daishonin advertiu o governo com rigor, como segue: Se perseguirem Nichiren, o mensageiro do Buda, sem dúvida os senhores irão receber a punição das Entidades Budistas e os 2 Desastres – Conflito Interno e Invasão Estrangeira – irão ocorrer neste país. Sobre o Comportamento do Buda (Shuju On Furumai Gosho) Heisei Shimpen Gosho, pág. 1057
Além disso, em 12 de setembro, dois dias depois do interrogatório, Nichiren Daishonin enviou uma carta a Hei-
N º 2 2 7
65
no-Saemon-no-Jo, solicitando-lhe que refletisse novamente, tal como segue: O senhor é o líder do país nesta época. Por que o senhor deixaria causarem danos ao grande patrimônio em todo país? O senhor deveria ter a mais profunda consideração (à minha advertência), imediatamente, para que os invasores estrangeiros sejam impedidos. Sobre o Dia Anterior (Issaku Jitsu Gosho) Heisei Shimpen Gosho, pág. 477
Essas duas cartas de admoestações deixaram Hei-noSaemon-no-Jo enfurecido, e, no mesmo dia, atacou a cabana de Nichiren Daishonin em Matsubagayatsu, juntamente com centenas de soldados. A circunstância em que o ataque ocorreu, foi excessivamente ousada para o propósito de prender apenas um sacerdote. Os soldados agiram de forma violenta pisoteando as escrituras budistas em pergaminho. Dentre as ações, especialmente a de Shou-bo, o 1º súdito (vassalo) de Hei-no-Saemon-no-Jo, foi brutal, o qual, tomando o 5.º volume do Sutra de Lótus em pergaminho, que estava em posse de Nichiren Daishonin, e bateu-lhe fortemente na cabeça, por três vezes. Neste 5.º volume inclui-se o Capítulo Incentivando a Devoção ao Sutra de Lótus (13.º Capítulo – Kanji), no qual há a pregação de que se alguém propagar o Sutra de Lótus na Era do Fim do Darma, essa pessoa irá sofrer inúmeras perseguições, e será atacada com espada e bastão. Essas perseguições comprovam que Nichiren Daishonin é o Devoto do Sutra de Lótus, pelo fato das perseguições pela causa da Lei terem ocorrido na vida de Nichiren Daishonin, conforme essa frase do Sutra. O Sutra de Lótus, que se diz constituído de uma coleção de oito volumes, é composto de um total de 28 capítulos. Antigamente o Sutra de Lótus era escrito em pergaminho e mantido enrolado, sendo os 28 capítulos divididos em oito volumes. O Capítulo Kanji, no qual há a pregação com o seguinte conteúdo: “O Devoto de Sutra de Lótus irá sofrer perseguições com o uso de espada e bastão, podendo ser ferido com uma espada ou ser atingido por um bastão”, está escrito no 5.º volume do Sutra de Lótus. Dizem que Nichiren Daishonin foi atingido com esse 5,º volume. Se esse fato for associado com a frase do Sutra de Lótus, isso se torna uma prova de que Nichiren Daishonin é o Devoto do Sutra de Lótus. Em meio às tentativas de violência de Hei-no-Saemon-noJo, Nichiren Daishonin fez uma advertência em voz alta, como segue: Que surpreendente! Veja quão insanamente Hei-noSaemon-no-Jo está agindo! Todos os senhores estão, agora, destruindo o pilar do Japão. Sobre o Comportamento do Buda (Shuju Onfurumai Gosho) Heisei Shimpen Gosho, pág. 1058
Hei-no-Saemon-no-Jo e seus vassalos que estavam em fúria ficaram impressionados com a atitude inabalável de Nichiren Daishonin, e ficaram imediatamente em silêncio. K A I S E N
Essa foi a segunda admoestação de Nichiren Daishonin para com a nação. Período na Ilha de Sado Perseguição de Tatsunokuchi e revelação de sua verdadeira identidade Em 12 de setembro do 8º ano da Era Bunnei (1271), Nichiren Daishonin foi tirado da cabana, em Matsubagayatsu, como um criminoso perigoso, e arrastado pelas ruas da Cidade de Kamakura, sendo levado para o Supremo Tribunal e condenado ao “Exílio à Ilha de Sado” por Hei-no-Saemon-no-Jo. No entanto, isso não passava de uma sentença dissimulada. Na verdade, havia um plano para punir Nichiren Daishonin por decapitação, e de fato, à meia noite, Nichiren Daishonin foi levado ao campo de execução em Tatsunokuchi para ser decapitado. A caminho desse local, quando passava em frente do Templo Hachiman, em Suruga, Nichiren Daishonin desceu do cavalo e falou em voz alta ao Bodhisattva Hachiman, como segue: Bodhisattva Hachiman, o senhor é realmente uma Entidade Protetora? Sobre O Comportamento do Buda (Shuju Onfurumai Gosho) Heisei Shimpen Gosho, pág. 1059
Dessa forma, ele repreendeu o Bodhisattva Hachiman por não proteger o Devoto do Sutra de Lótus. Este é o mapa de Kamakura dessa época. No centro da cidade está o Templo Hachiman, em Tsurugaoka. Nichiren Daishonin foi arrastado por toda cidade de Kamakura como se fosse um criminoso, e ao chegar em frente do Templo Hachiman, em Tsurugaoka, ele desceu do cavalo e disse: “Bodhisattva Hachiman, o senhor é realmente uma Entidade Protetora?” Isso porque o Bodhisattva Hachiman tinha a função real de proteger o Devoto de Sutra de Lótus, assim, Nichiren Daishonin o advertiu como segue: “Neste momento, eu, Nichiren, Devoto do Sutra de Lótus, estou sendo levado ao local de execução, então, o senhor deve me proteger”, Além disso, ao passar pela praia de Yuigahama, Nichiren Daishonin comunicou a sua situação a Shijo Kingo, por meio de um menino chamado Kumao-maru. Shijo Kingo se dirigiu imediatamente ao local onde se encontrava Nichiren Daishonin e o acompanhou até o local de execução com a determinação de seguir o mestre até o túmulo, como segue: “Caso a sentença seja executada, irei também tirar a minha vida com seppuku (um ato de suicídio, cortando o próprio abdômen)”. Quando chegaram ao local de execução, Shijo Kingo começou a soluçar involuntariamente. No entanto, Nichiren Daishonin o repreendeu dizendo o seguinte: “Será que o senhor não percebe? Quanta alegria o senhor deveria sentir por esta grande fortuna! Como poderia quebrar a promessa!". Sobre o Comportamento do Buda (Shuju On Furumai Gosho) Heisei Shimpen Gosho, pág. 1060
No momento em que o carrasco ergueu a espada, um objeto luminoso, tão brilhante como a lua cheia, apareceu de repente voando na direção da Ilha de Enoshima. A luz
N º 2 2 7
66
intensa cegou o carrasco com a espada, fazendo-o cair no chão. Os soldados que cercavam Nichiren Daishonin ficaram aterrorizados e tentaram fugir, e outros se atiraram aos pés dele. No final, eles não foram capazes de tirar a vida de Nichiren Daishonin. No momento em que o executor do governo feudal estava prestes a atingir o pescoço de Nichiren Daishonin com a espada, um objeto luminoso apareceu de repente no céu, surpreendendo o carrasco que não pôde fazer nada a não ser jogar a espada. Esse é exatamente o fenômeno místico da Lei Mística, e prova que Nichiren Daishonin é o Buda. Esta Perseguição ocorrida em Tatsunokuchi tem um significado muito importante pelo fato de Nichiren Daishonin ter deixado a sua identidade provisória como o Bodhisattva Jogyo renascido, e revelado a sua verdadeira identidade como Entidade do Buda de Sabedoria Inerente e Perfeita do longínquo passado. Isso é denominado de Abrir o Transitório e Revelar o Original (hosshaku kempon). Em relação a isso, Nichiren Daishonin esclarece como segue: “Uma pessoa chamada Nichiren foi decapitada (como um mortal comum) entre as horas do Rato e do Boi, em 12 de setembro do ano anterior. Isso quer dizer que o âmago da vida (de Nichiren) está na Ilha de Sado”. A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho) Heisei Shimpen Gosho, pág. 563
O termo “âmago da vida” no trecho acima refere-se, de fato, à vida como Entidade do Buda de Sabedoria Inerente e Perfeita do longínquo passado. Em outras palavras, Nichiren Daishonin revelou a sua verdadeira condição de vida como Buda Original do longínquo passado em meio à esta grande perseguição, chamada de Perseguição de Tatsunokuchi, na qual arriscou a própria vida. Sobre Objeto Luminoso Nichiren Daishonin descreve sobre esse objeto luminoso na Carta ao Suserano Shijo Kingo (Shijo Kingo Dono Goshosoku), da seguinte forma: Dentre as Três Entidades Protetoras da Luz, a Entidade Protetora da Lua apareceu na forma de um objeto luminoso e me salvou quando eu estava prestes a ser decapitado no local de execução, em Tatsunokuchi. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 479)
Nichiren Daishonin nos ensina que o objeto luminoso que surgiu em Tatsunokuchi é a materialização da proteção da Entidade Protetora da Lua, uma das Três Entidades Protetoras da Luz, dentre todas as Entidades Iluminadas. Em relação a esse objeto luminoso misterioso, os cientistas de hoje têm apresentado várias explicações do ponto de vista científico, dizendo poder ter sido um raio (relâmpago) ou uma estrela cadente. No entanto, esse objeto luminoso não passa de uma pressuposição em relação a um único objeto luminoso, mesmo que seja embasado, por exemplo, na teoria científica. A questão importante é por que a aparição desse objeto luminoso ocorreu nesse dia, nesse horário e nesse local. K A I S E N
Em outras palavras, esse é um fato inegável de que o governo feudal não conseguiu decapitar Nichiren Daishonin, mesmo com o poder deles. A coincidência do momento místico no qual houve esse fenômeno, pouco antes da tentativa de execução, logo após Nichiren Daishonin ter feito a repreensão (censura) às Entidades Iluminadas. Dessa forma, esse fenômeno mostra a manifestação do Poder do Buda Original, com a Percepção atingida e de que a própria vida está concomitantemente em todo Universo, conforme o princípio de não-dualidade do ser e do ambiente (esho funi). Exílio à Ilha de Sado Após a Perseguição de Tatsunokuchi, Nichiren Daishonin ficou detido, por quase um mês, na residência Honma, em Echi, Província de Sagami (atual Cidade de Atsugi, Província de Kanagawa). E em 10 de outubro do mesmo ano (1271), partiu de Echi para o exílio em Sado. No dia 21 do mesmo mês, chegou a Teradomari, em Echigo (atual Província de Niigata). No dia 28, chegou à Ilha de Sado, e no dia 1º de novembro, começou a morar na cabana de Sanmaido, em Tsukawara. Esta é a Ilha de Sado. Atualmente há embarcações que saem do porto, na Província de Niigata, para a ilha, em uma distância de travessia que leva cerca de uma hora de navio hidrofólio, e 2 horas e meia de balsa (para carros e passageiros). Entretanto, na época de Nichiren Daishonin, existiam apenas barcos que avançavam à força do vento, sendo difícil chegar à Ilha de Sado, a menos que soprassem ventos a favor. Nichiren Daishonin descreve sobre o frio rigoroso do local e a vida em Sanmaido, na Ilha de Sado, como segue: [...] a pequena cabana ficava numa área montanhosa chamada de Tsukawara (em Sado), com apenas 2 metros quadrados, e ficava em um terreno onde cadáveres eram abandonados. Um lugar como os cemitérios nos arredores da capital (Kyoto). Nem havia uma estátua do Buda, as tábuas não se encaixavam no teto e as paredes estavam arruinadas. A neve acumulada nem sequer derretia. Eu passava as noites sobre uma esteira de palha com uma capa de palha, amanhecendo assim dias seguidos, nesse local. À noite, caíam neve, granizo, relâmpagos (raios) ininterruptamente, e, mesmo durante o dia, a claridade do sol mal penetrava, portanto, era uma moradia na qual é normal se sentir desamparado. Sobre o Comportamento do Buda (Shuju On Furumai Gosho) Heisei Shimpen Gosho, pág. 1062
Tal como mencionado acima, a situação pela qual Nichiren Daishonin passou, foi extremamente árdua. Além disso, a população da ilha era formada por crentes da religião Nembutsu, e a vida de Nichiren Daishonin estava sempre em perigo. Conforme esta imagem, a Ilha de Sado fica coberta de neve no inverno, e o frio é intenso devido aos fortes ventos que sopram da Sibéria. O nome do local, Tsukawara, significa originalmente ‘cemitério’. A cabana Sanmaido era
N º 2 2 7
67
resposta deles. No entanto, eles apenas puderam dizer algumas palavras e ficavam em silêncio (omissão). Isso era como cortar o melão oriental (Uri) com uma espada afiada ou o sopro de um vento forte balançar grama. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1064)
Tal como essa citação, Nichiren Daishonin conseguiu refutar facilmente os argumentos dos sacerdotes das diversas seitas. Finalizado o debate, Nichiren Daishonin falou para Rokuro Zaemon sobre a profecia, que, em breve, iria ocorrer uma revolta (conflito) em Kamakura, e que queria deixar o local. Um mês depois disso, a predição de Nichiren Daishonin, que é conhecida como o Incidente de Fevereiro, se evidenciou com a ocorrência do conflito interno no Clã Hojo. Como essa predição se tornou realidade, alguns dos habitantes da ilha começaram a mostrar reverência a Nichiren Daishonin.
uma casa em ruínas construída no meio do cemitério, e como havia um vão entre as tábuas, a neve penetrava no interior dela. Por isso, mesmo dentro da casa, Nichiren Daishonin usava uma capa de palha, conforme ele cita na Abertura dos Olhos, que é uma das escrituras mais importantes [da Nichiren Shoshu]. Debate em Tsukawara Em meio a essa situação, Nichiren Daishonin realizou, em Tsukawara, em 16 de janeiro do ano seguinte, um debate com centenas de sacerdotes de diversas seitas, sob a observação de Honma Rokuro Zaemon. Nesse dia, os sacerdotes de diversas seitas se reuniram, um após outro, em Tsukawara Sanmaido, e gritavam palavras ofensivas contra Nichiren Daishonin. Dizem que esses gritos se pareciam com o barulho de terremotos ou de trovoadas. Nichiren Daishonin observou por um tempo, mas logo a seguir disse o seguinte: Acalmem-se, senhores! Realizaram a travessia (até Tsukahara) exatamente pela causa de suas respectivas doutrinas, por isso parem de insultar e difamar. (Heisei Shimpen, Gosho, pág. 1064)
Depois dessas palavras em voz alta, foi dado o início do debate. Em relação ao debate em Tsukawara, consta a seguinte citação em Sobre o Comportamento do Buda: Referente a situação de cada uma das doutrinas como a da Grande Concentração e Contemplação (Maka Shikan), de Shingon e de Nembutsu, a cada argumento que eles apresentaram, eu, Nichiren, esclareci com cuidado, o significado de cada uma delas e fiz com que concordassem, sendo isso o suficiente. A seguir, eu os desafiei, questionando-lhes estritamente e pressionando por uma
K A I S E N
Em 2007, o 67.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nikken Shonin determinou o estabelecimento, neste local em Tsukawara, de um Monumento de Ruínas de Tsukawara, em comemoração aos 750 anos de aniversário da apresentação de O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Anko Ron), para refutar o errôneo e revelar a Verdadeiro. Para isso, foi adquirido o presente terreno e, a seguir, foi construída a lápide com a escrita ‘Tsukawara Atohi’ (tradução: Monumento de Ruínas de Tsukawara), cuja caligrafia foi conferida ao 68.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin. Acredito que alguns dos senhores já estiveram nesse local, mas eu gostaria que os senhores imaginassem as condições severas nas quais Nichiren Daishonin viveu e teve de superar! Quando vamos lá, muitas vezes são em boas condições climáticas, por isso não podemos sentir o real rigor do tempo, a não ser que formos no inverno. O mal tempo é constante no inverno na Ilha de Sado, de modo que é comum as viagens das embarcações que fazem a travessia serem canceladas. Se for à Ilha de Sado, certamente a melhor época é no verão. Como somos mortais comuns, seremos perdoados por Nichiren Daishonin! Prática abalada entre os discípulos Por causa da Perseguição de Tatsunokuchi, os discípulos e adeptos também enfrentaram grandes e inúmeras perseguições, e sofrimentos. Em Resposta ao Suserano Shijo Kingo (Shijo Kingo Dono Gohenji), consta o seguinte: Quando eu, Nichiren, provoquei a ira do governo feudal, todas as pessoas no Japão vieram a me odiar, os discípulos, e outros também, tiveram suas terras arrendadas confiscadas pelo governo feudal (lordes),e alguns adeptos em diversos locais foram deserdados por seus senhores, enquanto outros foram expulsos das propriedades de seus senhores. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1117)
Consta ainda em Sobre as Perseguições do Buda (Shonin Gonanji), o seguinte:
N º 2 2 7
68
Um grande número de meus discípulos foram mortos, feridos com espada, expulsos ou tiveram multas aplicadas contra eles. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1396)
Conforme a citação acima, entre os adeptos de Nichiren Daishonin, alguns tiveram suas propriedades confiscadas, alguns foram expulsos por seus senhores, perdendo seus meios de sobrevivência, e outros foram expulsos das terras controladas por seus senhores. E, em Resposta a Ni-ama (Ni-ama Gozen Gohenji), consta como segue: Em Kamakura, quando o governo feudal ficou irritado, 999 dos 1.000 seguidores abandonaram a sua prática da Fé. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 765)
Como descrito acima, muitos dos discípulos e adeptos de Nichiren Daishonin abandonaram a sua prática da fé. No entanto, mesmo em meio a essas circunstâncias, houve alguns discípulos e adeptos que mantiveram firme a sua fé no Verdadeiro Budismo de Nichiren Daishonin. Encorajando (incentivando) os discípulos Nessa época, Nichiren Daishonin se preocupava com o abalo na prática da fé dos adeptos na área de Shimofusa, por isso enviou à Ota, Soya e Kimbara, três seguidores, a seguinte escritura intitulada Doutrina sobre Transformar o Pesado em mais Leve (Tenju Kyoju Homon), para esclarecer o significado de superar as perseguições pela causa de propagar a Verdadeira Lei, como segue: O carma negativo acumulado nas existências passadas é pesado, o que, na realidade, não é erradicado na vida presente, e essa pessoa deve se deparar com sofrimentos de Inferno nas próximas existências, no entanto, pelo fato de se encontrar com severos sofrimentos e dificuldades nesta vida, os sofrimentos de Inferno irão desaparecer de forma instantânea e, após a morte, conseguirá obter o efeito dos benefícios de alcançar os Mundos de Humanidade e de Alegria, e ainda, o efeito de Buda em atingir os Três Veículos ou Veículo único. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 480)
Falando dessa forma, Nichiren Daishonin incentiva que agora é o exato momento para isso, explicando assim a importância de transformar o pesado em leve. Foi citado acima o termo Transformar o Pesado em Leve (tenju kyoju). Esse termo é um ensinamento muito importante para nós, por isso eu gostaria de esclarecer brevemente sobre isso. Transformar o Pesado em Leve significa um grande benefício da Lei Mística que nos permite erradicar os carmas negativos acumulados desde as existências passadas, transformando os sofrimentos profundos que deveríamos enfrentar, devido aos carmas negativos e às calúnias à Lei cometidas nas existências passadas, em [sofrimentos] mais leves, como resultado dos benefícios de crer na Verdadeira Lei, na vida presente. Nós nascemos com os pesados carmas negativos acumulados desde as existências passadas. Contudo, K A I S E N
mesmo que eles sejam muito pesados, desde que acreditemos firmemente nos ensinos de Nichiren Daishonin e nos devotemos com vigor ao Gohonzon, esses carmas negativos podem ser transformados em sofrimentos leves, erradicando-os e possibilitando-nos atingir imediatamente o estado de Buda. Assim, eu gostaria que tivessem a convicção de que possam Transformar o Pesado em Leve, sem falta, desde que continuem uma prática da fé com vigor, sem duvidar do Gohonzon, não importando o que venha acontecer. Nichiren Daishonin ainda enviou uma escritura intitulada Incorrendo no Desprezo das Autoridades que Conduzem ao Exílio à Ilha de Sado (Sado Gokikan Sho) a Gijo-bo e Jokenbo do Templo Seichoji e aos adeptos da região, pouco antes de se dirigir a Sado, como segue: Quando no caminho para se tornar Buda, pode-se concluir que uma pessoa possa atingir o estado de Buda apenas suportando o momento em que, sem falta, coloca em risco a própria vida. Somente passando por tais dificuldades, eu poderia ler o Sutra de Lótus com a minha própria vida. Com esse entendimento, posso intensificar ainda mais a fé e ter também a tranquilidade e segurança na próxima existência. (Heisei Shinpen Gosho, pág. 482)
Dessa forma, Nichiren Daishonin mostra o caminho para atingir a Iluminação por meio do próprio comportamento, enfrentando a grande perseguição, a ponto de correr o risco de perder a vida por causa do Sutra de Lótus. Deparando-se com a Perseguição de Tatsunokuchi, Nichiren Daishonin deixa o aspecto transitório e revela a verdadeira identidade (hosshaku kempon). Por meio desses comportamentos, Nichiren Daishonin menciona a sua alegria por ter comprovado a verdade do Sutra de Lótus. Dessa forma, mesmo estando em meio à grande perseguição, com o risco de perder a própria vida, Nichiren Daishonin sempre pensava em seus discípulos e seguidores, e os encorajava desejando uma inabalável prática da fé. Transferência à Ichinosawa Por volta do verão do 9.º ano da Era Bunnei (1272), quando eu, Nichiren, estava morando num lugar chamado Itinosawa, localizado na Vila Ishida, no país de Sado. (Ichinosawa Nyudo Nyobo Gosho, Heisei Shimpen Gosho, pág. 829)
Na citação acima, Nichiren Daishonin foi transferido, no início de verão do 9º ano da Era Bunnei (1272), de Tsukawara, em Sado, para a Vila Ishida, em Ichinosawa. O motivo da transferência de moradia não está claro, mas é possível imaginar que um dos motivos seja que o governo feudal tenha tido um sentimento de respeito em relação a Nichiren Daishonin, pelo fato da previsão dele, da ocorrência do conflito interno no governo feudal (Revolta de Fevereiro), ter se tornado realidade. A vida de Nichiren Daishonin em Ichinosawa, se comparado com a em Tsukawara Sanmaido, era consideravelmente melhor em termos de moradia, no entanto, Honma Yamashiro Nyudo, que foi designado para
N º 2 2 7
69
ficar vigiando Nichiren Daishonin, por ser um fervoroso crente da seita Nembutsu, tratou-o de forma cruel. Enquanto Ichinosawa Nyudo, que era o proprietário do local onde Nichiren Daishonin foi transferido, e que também era um crente da Seita Nembutsu, foi sentindo admiração e respeito à medida que ia observando o comportamento de Nichiren Daishonin. Impedindo o movimento para a concessão da absolvição Em Kamakura, nessa ocasião, havia alguns discípulos de Nichiren Daishonin que faziam parte do movimento para conceder a absolvição a Nichiren Daishonin. No entanto, Nichiren Daishonin instruiu-os de forma rigorosa, através de Toki Jonin, a pararem com esse movimento. Isso porque não havia nenhuma necessidade de Nichiren Daishonin implorar pela absolvição do governo feudal, como se fosse culpado. Ao invés disso, a verdadeira intenção dele era abrir os olhos cegos das figuras centrais do governo feudal, consideradas administradores do Japão, e fundamentalmente salvar toda a nação. Por isso, em maio do 9.º ano da Era Bunnei (1272), Nichiren Daishonin fez uma advertência rigorosa [a seus discípulos] em A Distinção entre o Sutra de Lótus e os Ensinos Errôneos, como a Seita Shingon (Shingon Shoshu Imoku), como segue: Se algum dos meus discípulos se comportar de maneira que possa mostrar que eu, Nichiren, esteja implorando às autoridades pelo meu perdão, tal discípulo deve ser infeliz. Sob nenhuma circunstância eu poderei salvá-lo, nem na próxima existência. Cada um dos senhores deve compreender essa questão. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 602)
Em julho do 10.º ano Era Bunnei (1273), Nichiren Daishonin endereça a Toki Jonin, que se sentia angustiado por não ter havido o perdão a Nichiren Daishonin, a escritura Resposta ao Suserano Toki (Toki Dono Gohenji), conforme segue: Não há a necessidade do senhor se lamentar pelo fato de eu, Nichiren, não ser perdoado do exílio. [...] Mesmo não sabendo se Nichiren estará vivo ou morto, não há dúvida de que haverá a propagação dos cinco caracteres do MyohoRengue-Kyo! (Heisei Shimpen Gosho, pág. 679)
Citando a convicção da propagação da Lei Mística dessa forma, ele encorajou Toki Jonin e todos os outros discípulos. A vida de Nichiren Daishonin em Ichinosawa não foi fácil, mas à medida que Ichinosawa Nyudo e seus familiares se relacionavam com Nichiren Daishonin, dia após dia, foram sentindo em suas vidas a grandiosidade da prática da fé correta, de forma gradativa, e no final, eles vieram a proteger Nichiren Daishonin. Além disso, diversos oferecimentos dos discípulos e adeptos, que residiam perto ou longe do local, começaram a chegar a Nichiren Daishonin. Absolvição do Exílio à Ilha de Sado No 11.º ano da Era Bunnei (1274), com a vinda do emissário do império Mongol novamente ao Japão, a previsão de Nichiren Daishonin do Desastre por Invasão por K A I S E N
um País Estrangeiro parecia estar a prestes a se tornar realidade. Além disso, uma série de desastres naturais vinham ocorrendo, um após o outro, causando cada vez mais problemas à sociedade, e o povo passava os dias inseguro e sem tranquilidade. O regente do governo feudal da época em Kamakura, Hojo Tokimune, observando que esses fenômenos caóticos estavam acontecendo conforme a previsão de Nichiren Daishonin, e concluindo ainda que ele tenha sido exilado sem razão, emitiu uma carta de absolvição da condenação de Nichiren Daishonin ao exílio à Ilha de Sado, em 14 de fevereiro do mesmo ano. Essa carta de absolvição foi entregue a Nichiren Daishonin em 8 de março. Mediante essa decisão, Nichiren Daishonin e seus seguidores deixaram Ichinosawa no dia 13 do mesmo mês. A caminho de Kamakura, os crentes da seita Nembutsu, de Echigo (atual Província de Niigata) e de Shinano (atual Província de Nagano), que tinham intenção de matá-lo, reuniram-se no Templo Zenkoji, planejando uma emboscada, no entanto, sob uma escolta rigorosa de soldados, Nichiren Daishonin chegou a Kamakura em segurança, no dia 26 do mesmo mês. Durante o exílio de Nichiren Daishonin à Ilha de Sado, por 2 anos e meio, Nikko Shonin o serviu com dedicação, e ainda, Abutsu-bo e sua esposa, Ko Nyudo e sua esposa, Sairen-bo e Nakaoki Nyudo, entre outras pessoas, se tornaram seguidores de Nichiren Daishonin. Dentre os adeptos da Ilha de Sado, especialmente Abutsubo realizou a peregrinação para ir ao encontro de Nichiren Daishonin, apesar de sua idade avançada de 90 anos. Em relação aos benefícios do Tozan, Nichiren Daishonin menciona na escritura Resposta ao Suserano Shijo Kingo (Shijo Kingo Dono Gohenji), o seguinte: “Com visitas frequentes, realizadas todos os anos, os carmas acumulados desde o começo sem fim serão erradicados definitivamente nesta única vida. O senhor deve envidar os esforços na prática da fé mais do que nunca”, (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1502), dessa forma ele foi incentivado quanto a essa postura da prática da fé. E quanto os senhores, que devem dispor de tempo e muito recurso para realizar a peregrinação ao Templo Principal, vindos de locais distantes, podemos dizer que exatamente por isso, os benefícios são imensuráveis. Por essa razão, eu gostaria que os senhores continuassem se esforçando em realizar o Tozan ao Templo Principal, com a prática da fé embasada no desejo imenso de ver o Buda. Escrituras redigidas na Ilha de Sado Durante o exílio à Ilha de Sado, Nichiren Daishonin escreveu um grande número de escrituras, que superam 50 escrituras, tais como: Sobre a Pulsação Vital Suprema da Vida e da Morte (Shoji Ichidaiji Kechimyaku Sho), O Verdadeiro Aspecto de Todas as Leis (Shoho Jisso Sho), Sobre a Verdadeira Entidade (Totaigi Sho). Podemos citar como as escrituras mais significativos, dentre eles, os seguintes: A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho) e Sobre o
N º 2 2 7
70
Objeto de Devoção da Introspecção (Kanjin no Honzon Sho). Em fevereiro do 9.º ano da Era Bunnei (1272), Nichiren Daishonin escreveu A Abertura dos Olhos, em meio ao frio severo em Tsukawara Sanmaido, ocasião em que o papel e a tinta ‘sumi’ eram escassos. Nessa escritura, há basicamente 2 principais significados. Um deles é o de tê-la escrita com o objetivo de abrir os olhos de todos os seres da Era do Fim do Darma, que eram ignorantes em relação ao budismo, e conduzi-los ao Verdadeiro Budismo de Nichiren Daishonin. O outro é para incentivar os adeptos e os discípulos de Nichiren Daishonin a manter a prática da fé, os quais estavam ficando em dúvida por causa do seu exílio à Ilha de Sado, e muitos deles estavam abandonando a prática. Nessa Escritura, Nichiren Daishonin esclarece que ele próprio é o Devoto do Sutra de Lótus, por ter-se deparado com grandes perseguições que colocaram a sua vida em risco. Ele também afirma claramente que ele é o Buda a ser reverenciado por todas as pessoas, pelo fato de possuir as Três Virtudes, de mestre, pai e soberano. Por essas razões, esse Gosho é considerado como o documento que revela o Objeto de Devoção na Forma de Pessoa (nin honzon). Nichiren Daishonin escreveu Sobre o Objeto de Devoção da Introspecção, em 25 de abril do ano seguinte, em Ichinosawa, na Ilha de Sado. Nele, consta o seguinte: [O que descreve em Sobre o Objeto de Devoção da Introspecção é] o mais importante à vida de Nichiren. (Totaigui Sho, Heisei Shimpen Gosho, pág. 662)
Dessa forma, esse é uma escritura de extrema importância. Essa escritura revela que Nichiren Daishonin fez seu advento como o Buda Original no início da Era do Fim do Darma e estabelece o Objeto de Devoção de Semeadura, Oculto nas Profundezas do Capítulo Juryo (do Sutra de Lótus), para todos os seres. Por essas razões, essa escritura é considerada como o documento que revela o Objeto de Devoção na Forma da Lei (ho honzon).
K A I S E N
Além disso, Nichiren Daishonin cita o seguinte: O senhor deve perceber que as doutrinas (expostas por Nichiren) antes do exílio no país de Sado, correspondem ao ensino pré Sutra de Lótus do Buda Sakyamuni. Carta a Misawa (Misawa Sho), Heisei Shimpen Gosho, pág. 1204
A citação acima nos ensina que há uma grande diferença entre as doutrinas e o comportamento (de conduzir, ensinando as pessoas) de Nichiren Daishonin antes e depois de deixar o Transitório e revelar o Verdadeiro (hosshaku kempon). Em outras palavras, antes do Exílio à Ilha de Sado, quando ainda não tinha revelado a sua verdadeira identidade, Nichiren Daishonin fez a propagação de seus ensinos como Bodhisattva Jogyo renascido. Portanto, ele fez a propagação centralizada no Daimoku. No entanto, após ele ter deixado o provisório e revelado a sua verdadeira identidade, ele revelou o Gohonzon (Objeto de Devoção) e tem conduzido os seres como o Buda Original da Era do Fim do Darma. Período Minobu Admoestação pela terceira vez Em 8 de abril do 11.º ano da Era Bunnei (1274), Nichiren Daishonin se encontrou com Hei-no Saemon-no-Jô Yoritsuna, como também com várias outras autoridades do governo feudal. Na ocasião da Perseguição de Tatsunokuchi, Hei-no Saemon-no-Jo tinha assumido uma atitude coerciva em relação a Nichiren Daishonin, e agora, recebeu-o com uma postura menos dura, diferente de outrora. Nessa ocasião, ele fez algumas perguntas sobre a possibilidade de atingir o Estado de Buda com os ensinamentos pré-Sutra de Lótus e sobre o momento da invasão pelo império mongol. Em relação a isso, Nichiren Daishonin mencionou que as seitas baseadas em ensinamentos pré-Sutra de Lótus não poderiam conduzir seus seguidores ao Estado de Buda, e ainda, se continuassem solicitando aos sacerdotes da seita Shingon, como sempre, a oferecer orações pela proteção e contra as maldades, o Japão iria, sem falta, cair em decadência. Nichiren Daishonin afirmou ainda que, como as Entidades Protetoras estavam obviamente iradas, era certo que a invasão mongol ocorreria dentro de um ano. Assim, Nichiren Daishonin advertiu-o a abandonar todos os ensinos errôneos imediatamente, e a abraçar a Verdadeira Lei. O governo feudal temia que a profecia de Nichiren Daishonin de invasão estrangeira viesse a se tornar em realidade, assim, solicitou a Nichiren Daishonin o seguinte: “Queremos que ofereça orações, em conjunto com sacerdotes de outras seitas, pela paz e segurança da nação, condicionando isso à construção e doação de templos em várias partes de Kamakura”. Contudo, Nichiren Daishonin negou completamente a proposta do governo feudal. Nichiren Daishonin não desejava nem a fama nem o amparo sob o poder do governo, apenas aspirava fazer com que as pessoas abraçassem e acreditassem na Verdadeira Lei, e estabelecer um país pacífico, combatendo os ensinos errôneos que eram a causa dos infortúnios do povo. Esse era
N º 2 2 7
71
o único ponto que Nichiren Daishonin desejou e pediu-lhes com insistência durante toda a sua vida, com o risco de perda da própria vida. Dessa maneira, a predição de Nichiren Daishonin se tornou realidade e, em outubro do 11.º ano da Era Bunnei (1274), um grande exército mongol atacou o Japão, ocorrendo um grande incidente sem precedentes, chamado de Batalha de Bunnei (Bunnei no eki). Nichiren Daishonin refutou o governo feudal por três vezes até então, mas em nenhuma ocasião foi ouvido nessas admoestações, por isso concluiu o seguinte: “Mesmo que eu fique em Kamakura e continue refutando o país dessa forma, se o governo feudal não me ouvir, irá repetir as mesmas atitudes como tem sido até agora”. Assim, ele decidiu deixar Kamakura. E, a convite de Nikko Shonin, em quem Nichiren Daishonin mais confiava, resolveu ir ao Monte Minobu. Assim, finalizo a preleção de hoje, um resumo sobre A Vida
de Nichiren Daishonin – Parte II. Imagino que houve alguns pontos que tenham sido difíceis de entender claramente. Mas a questão importante é procurarmos ter uma postura de “Tentarei colocar em prática os ensinamentos de Nichiren Daishonin, o máximo que puder” e “esforçar-me-ei a ficar próximo à intenção de Nichiren Daishonin, tanto quanto for possível”. Os senhores superaram inúmeras dificuldades para vir ao Templo Principal e participar deste Treinamento de Verão. Estou certo de que Nichiren Daishonin está muito feliz em observar essas atitudes sinceras dos senhores. Espero sinceramente que os senhores se dediquem na prática da fé diária e que os imensos benefícios se manifestem no seus respectivo países. Eu gostaria de finalizar a minha preleção de hoje, orando pela saúde e prosperidade cada vez maior dos senhores. Muitíssimo obrigado pela atenção de todos!
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 1 de setembro de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu do mês de setembro do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores. Pois bem, neste mês, teremos, no dia 12, a Cerimônia pela Perseguição de Tatsunokuchi. Essa perseguição é considerada como a mais importante de todas as perseguições que Nichiren Daishonin enfrentou durante a sua vida. As causas principais dessa perseguição em prol da Lei podem ser atribuídas ao shakubuku – de refutar o errôneo e revelar o Verdadeiro, realizado por Nichiren Daishonin às religiões errôneas, ao temor e ódio nutrido pelo regente à época, Hojo, e à apresentação de “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)” para o governo, entre outras. Como resultado, Nichiren Daishonin foi aprisionado e conduzido pelos samurais do governo para o campo de execução de Tatsunokuchi na noite do dia 12 de setembro de 1271 (8.º ano da Era Bun-ei). Tatsukunokuchi corresponde, atualmente, à localidade chamada Katase e o seu entorno,
K A I S E N
da cidade de Fujisawa, província de Kanagawa. Embora fosse denominada de campo de execução, não havia instalações próprias para essa finalidade. Conta-se que, no campo escolhido para execução, estendia-se um esteio ou algo similar, para aplicar a pena de decapitação. Enquanto Shijo Kingo e muitos adeptos recitavam o daimoku, os samurais cercaram Nichiren Daishonin. Quando um deles, encarregado pela execução, levantou a espada, um objeto que irradiava uma luz grande e intensa como a Lua veio voando da direção de Enoshima, iluminando nitidamente os semblantes das pessoas que lá estavam. Conta-se que o executor, aterrorizado com esse acontecimento surpreendente, prostrou-se no chão e que os demais samurais, um atrás do outro, ora também se prostraram, ora fugiram dali. Até hoje, não foi possível esclarecer o que teria sido essa luz que permitiu enxergar claramente o rosto das pessoas em meio à escuridão, depois do anoitecer, numa época em que não havia iluminação nas vias, como no presente. Aquele horário em que Nichiren Daishonin estava prestes a ser decapitado é denominado de “hora do rato e do boi” e contém um profundo significado do ponto de vista do budismo. Essa hora do rato e do boi indica o fim do yin (fim da morte) e a hora seguinte, a do tigre, indica o início de yan (começo da vida). Também nessa hora do boi e do tigre, o Buda Sakyamuni atingiu a percepção. Ou seja, revela o fim da condição de Nichiren Daishonin na forma de mortal comum e o início de sua condição de Buda Original (abrir o Transitório e revelar o Verdadeiro – hosshaku kenpon). O ushitora gongyo, realizado diariamente no Templo Principal, também ocorre nesse horário. N º 2 2 7
72
A vida de Nichiren Daishonin, conforme a expressão “quatro grandes perseguições e inúmeras pequenas perseguições”, foi uma sucessão de perseguições em prol da Lei. Isso nada mais é do que a comprovação de ele ser o verdadeiro Devoto do Sutra de Lótus na Era do Fim do Darma. Dessa forma, despertou os três tipos de poderosos inimigos previstos no Capítulo Kanji do Sutra de Lótus e realizou, com isso, a leitura do Sutra de Lótus com o corpo. Ou seja, é a prova de que Nichiren Daishonin é o Bodhisattva Jogyo renascido e, também, de que a predição revelada no Sutra de Lótus é verdadeira. O Buda Original da Era do Fim do Darma existe como decorrência de Nichiren Daishonin ter sido alvo dessas perseguições. E assim, hoje podemos abraçar e manter o Gohonzon – a entidade do Buda Original, para alcançarmos a condição de vida de Iluminação e recebermos os benefícios amplos e ilimitados. Por essa razão que, na celebração anual desse cerimonial de Gonan-E, nós retribuímos pelas dívidas de gratidão a Nichiren Daishonin e juramos realizar o shakubuku com o espírito de “ter o desejo único de ver o Buda, sem poupar a própria vida (is-shin yo’-ken butsu. fu_ji_shaku shin myo)”, com a determinação renovada, quaisquer que sejam as dificuldades que possam nos ocorrer. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin orienta: Ao realizar o shakubuku, enfrentará diversas dificuldades, mas adversidades e obstáculos são inerentes à propagação da Lei Mística. Reverenciando a vida de Nichiren Daishonin, conforme se diz: “quatro grandes perseguições e inúmeras pequenas perseguições”, houve diversas adversidades, tais como o exílio à Ilha de Sado, perseguição de Izu e Ito, e perseguição de Komatsubara, e com elas Nichiren Daishonin nos ensina quão poderosa é a verdadeira prática da fé. Somos, no presente, uma organização de clérigos e adeptos da Nichiren Shoshu que transmite e protege corretamente o
Budismo de Nichiren Daishonin. Espelhando-nos na vida de Nichiren Daishonin, penso que precisamos nos dedicar com seriedade à prática de: “ter o desejo único de ver o Buda, sem poupar a própria vida (is-shin yo’-ken butsu. fu_ji_shaku shin myo)”. [...] Quaisquer que sejam as dificuldades que venham a ocorrer, enquanto acreditarmos no Dai-Gohonzon, recitarmos o daimoku e praticarmos o shakubuku, com a determinação de buscar tão somente o caminho supremo, vestindo a “armadura de suportar com perseverança”, sem falta será possível enfrentar e superar as dificuldades. Isso é o extraordinário benefício do Myoho-Rengue-Kyo. Caso, ao contrário, fique apegado à prática da fé individual, não realize o shakubuku e não refute as calúnias à Lei, Nichiren Daishonin afirma que não será possível atingir a Iluminação, conforme a frase: “Mesmo que realize um grande bem transcrevendo o Sutra de Lótus milhares de vezes, e se torne alguém que perceba o caminho da introspecção dos três mil num instante, se não repreender os inimigos do Sutra de Lótus, será difícil atingir a Iluminação” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 322). Para que possamos alcançar a Iluminação no seu verdadeiro sentido, precisamos nos dedicar à prática da fé com essa determinação. Uma forte convicção e as ações fundamentadas nela são elementos importantes para nós. (Dainichiren, edição de abril de 2015, pág. 50)
Vamos nos dedicar ainda mais à prática da fé para si e para os outros com a decisão renovada, reverenciando profundamente a importância da Cerimônia de Honan-E deste mês, bem como a orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei. Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu deste mês. Muito obrigado.
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 8 de Setembro de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de setembro do “ano de progredir com entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um K A I S E N
dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês, para assim retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Essa obra foi escrita em 16 de julho de 1260 (1.º ano da Era Bun-o), cerca de sete anos do estabelecimento da doutrina, quando Nichiren Daishonin estava com 39 anos de idade. Essa escritura é uma obra de admoestação ao soberano, apresentada para Hojo Tokiyori (Saimyoji Nyudo), detentor de poderes administrativos do Governo à época, por intermédio de Yadoya Saemon Nyudo. À época, as pessoas estavam agonizando em meio aos sofrimentos, em decorrência do grande tremor de terra no primeiro ano da
N º 2 2 7
73
Era Shoka (1257), com a ocorrência sucessiva de diversos tipos de desgraças naturais, escassez de alimentos, fome e epidemia. Nichiren Daishonin, observando essa conjuntura, escreveu esta obra em prol da tranquilidade da nação e da salvação de todos os seres da Era do Fim do Darma. Nessa obra, Nichiren Daishonin cita primeiramente diversas frases dos sutras para revelar que a causa da ocorrência de três desgraças e sete calamidades está nas calúnias à Lei e, em seguida, prevê a ocorrência de mais duas calamidades – a do conflito interno e a da invasão por um país estrangeiro, além das outras cinco que já haviam se manifestado. E, assim, aconselha veementemente as autoridades para que combatessem imediatamente as leis errôneas e se devotassem à Verdadeira Lei para proporcionar tranquilidade à nação. Depois de Nichiren Daishonin ter apresentado “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”, ocorreu o conflito interno no clã Hojo, detentor do poder à época. Em 1274 (11.º ano da Era Bun-ei) e em 1281 (4.º ano da Era Koan), ocorreram as invasões pelos mongóis. Assim, duas calamidades – a do conflito interno e a da invasão por um país estrangeiro, que Nichiren Daishonin havia previsto, tornaram-se realidade. A previsão foi revelada com base na lógica da Causa e Efeito relacionada ao Japão, constatada por Nichiren Daishonin, com sua condição de vida de Buda Original. Ou seja, Nichiren Daishonin advertiu, evidenciando a lógica de que num país em que as calúnias à Lei estão profusas e são poucas as pessoas que buscam a Verdadeira Lei e a praticam efetivamente, ocorrem diversos tipos de desgraças. No título, “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”, encontra-se um profundo significado. O Buda Sakyamuni revelou no Sutra de Lótus: Abandono sinceramente o expediente para revelar unicamente o caminho supremo (shojiki sha hoben, tansetsu mujodo). (Kaiketsu, pág. 124)
Isto é, indica que todos os ensinos revelados pelo Buda Sakyamuni antes do Sutra de Lótus são ensinos expedientes para conduzir os seres ao Sutra de Lótus. Assim, a partir da revelação do Sutra de Lótus, todos os ensinos de até então precisam ser abandonados. Apegar-se aos ensinos expedientes, sem abandoná-los com sinceridade, é uma prática da fé equivocada. O significado de “estabelecer a Verdade (Rissho)” é corrigir esse erro. Ou seja, no presente, na Era do Fim do Darma, recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, acreditando no Dai-Gohonzon – o verdadeiro propósito do advento do Buda Original – é “estabelecer a Verdade”. Indica que, ao estabelecer a Verdade, será possível prover “o Bem da Terra (Ankoku)”, isto é, constituir um país tranquilo. Em “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”, o peregrino chega até o anfitrião, lamenta as desgraças e as dificuldades vigentes e inicia uma conversa. A obra segue o formato de questionamentos e respostas, em que o anfitrião responde K A I S E N
às colocações do peregrino. Esses questionamentos e respostas seguem em nove etapas e, ao fim da nona resposta do anfitrião, temos a conclusão de “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”, com o peregrino admitindo os equívocos e declarando sua decisão e juramento de assimilar a Verdadeira Lei. Diz-se que: “A doutrinação de Nichiren Daishonin se inicia com O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron) e encerra-se com O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”. Ou seja, depois de escrever “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)” em 16 de julho de 1260 (1.º ano da Era Bun-ei), ensinou e transmitiu a Verdadeira Lei do Nam-MyohoRengue-Kyo e atuou para salvar todos os seres da escuridão das calúnias à Lei. É fundamental que gravemos esse ensino de “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)” no âmago de nossos corações e nos dediquemos aos exercícios diários de aprimoramento para concretizar a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, na condição de discípulos de Nichiren Daishonin. Pois bem, iniciarei a leitura respeitosa da frase. Temos primeiramente: Se o senhor deseja essencialmente o seu próprio bemestar, não deveria primeiramente orar pela tranquilidade e estabilidade nas quatro direções? As quatro direções indicam os quatro pontos cardeais – Norte, Sul, Leste e Oeste – ou o mundo como um todo. Os seres humanos são animais que vivem em sociedade. Ninguém consegue viver só. Todos vivem em um círculo, ou numa relação de convivência, tais como família, sociedade e país. Ainda que a pessoa seja extremamente capacitada, não é possível viver alheia à lei de causa e relação. Por essa razão que Nichiren Daishonin afirma que é preciso pensar, sem falta, na tranquilidade do país e da sociedade em que vivemos, caso desejemos o bem-estar de cada pessoa. Penso que isso possa ser aplicado tanto a uma divisão maior, como país ou sociedade, como à família, que é uma unidade menor da sociedade. Nós, basicamente, somos criados e desenvolvidos dentro da família. Ou seja, o bemestar de cada família é a premissa que leva à tranquilidade da sociedade e do país. Além disso, o bem-estar da família envolve não só um patrimônio material como também o espiritual. Especialmente a religião, que traz uma enorme influência em nossas vidas, no tocante por exemplo às nossas ideologias ou ao critério sobre o que é o bem e o mal. Quando todos os membros da família vivem partilhando as ideologias e o critério sobre o bem e o mal corretos, a família funciona de forma saudável. Assim, é importante que se dedique para que todos os familiares sigam a Verdadeira Lei e possam trilhar no mesmo caminho para a felicidade. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: As pessoas da sociedade temem especialmente o que virá depois de sua morte. Por conta disso, ora creem em
N º 2 2 7
74
ensinos errôneos, ora reverenciam as calúnias à Lei. A maioria das pessoas se preocupa com a vida póstuma, sobre o que virá depois da morte. Isso porque as pessoas pensam no que poderá ocorrer a elas depois da morte, em como ficará a consciência delas. Em outras palavras, sentem-se inseguras e temerosas, porque não é possível comunicar-se diretamente com as pessoas que faleceram e, portanto, não é possível saber sobre o que acontece depois de morrer. E, assim, diversas religiões explicam sobre o mundo depois da morte, estabelecendo diversas doutrinas. Nichiren Daishonin revela que as pessoas, desencaminhadas quanto a qual ensino seria o correto, dentre tantos ensinos existentes, acabaram caindo na condição de vida de infelicidade ainda maior, por acreditarem nos ensinos claramente equivocados ou nos que se opõem à Verdadeira Lei. E como nós, adeptos da Nichiren Shoshu, devemos encarar o que vem depois da morte? O 67.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nikken Shonin nos orienta sobre essa passagem que: Indica que as pessoas que acreditam nos princípios corretos do budismo, da causa e relação e da manifestação do efeito nas três existências, têm muito interesse sobre que causa e efeito terão na existência após a morte, e temem cair nos três maus caminhos. (Coletânea de Palestras do Reverendíssimo Soberano da Lei Nikken Shonin – O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade, pág. 266)
Nós pensamos no tempo, dividindo-o em três: passado, presente e futuro. Ou seja, as existências anteriores, isto é, antes de nascermos é a existência passada, o atual, em que vivemos é a existência presente, e a que vem depois da morte é a existência futura. Analisando de forma mais detalhada, o presente indica o agora, mas esse agora já terá se tornado passado. E daqui a um segundo também é futuro. E esse segundo já será presente e também o passado. Ou seja, passado, presente e futuro se agregam sempre nesse “instante”, e não existem de forma dissociada. O budismo revela a Lei de Causa e Efeito. Portanto, analisando do ponto de vista de que o presente engloba tanto o passado como o futuro, a causa e o efeito se manifestam nesse instante, e no instante seguinte também estão sendo manifestados a causa e o efeito. A repetição disso ocorre na nossa vida e também em todo o Universo. Na vida cotidiana é comum que se pense no passado, presente e futuro de forma separada. Isso porque há a necessidade de considerarmos, por exemplo: “Hoje pude dormir à vontade, mas, como amanhã é segunda, preciso acordar cedo...”. Entretanto, analisando rigorosamente, do ponto de vista do Buda, esses três sempre formam um só elemento. O que ocorre antes de nascermos, o que ocorre no presente enquanto vivemos, o que ocorre depois da morte é sempre o mesmo. Ou seja, que tudo o que ocorre não passa de transformações segundo a Lei de Causa e Efeito. A maioria das pessoas pensa que consegue movimentar livremente o seu próprio corpo conforme a sua vontade. Mas será assim mesmo? Por exemplo, será que há alguém que K A I S E N
pense enquanto está dormindo: “Se eu não fizer o coração bater acabarei morrendo. Assim, preciso me esforçar ao máximo para fazer o coração bater. E preciso também respirar e expirar o ar. Ah, preciso também fazer com que o sangue circule bem por todo o meu corpo”? Não se pensa, mas o corpo funciona devidamente dessa forma. Por outro lado, mesmo que se pense: “Não vou permitir que elementos patogênicos entrem em meu corpo” ou então: “Tratarei de viver mil anos”, isso seria possível? Infelizmente, mesmo que o corpo seja nosso, tais coisas não vão se realizar. Vendo essa realidade, será que podemos afirmar que nós controlamos plenamente o nosso corpo atual de acordo com as nossas vontades? Podemos, sim, afirmar que, de fato, nós somos mantidos vivos e existimos de acordo com as infindáveis relações causais, tais como a gravidade da Terra, ar, água, alimento, calor do Sol e a existência de outras formas de vida. Ou seja, esse corpo atual existe em decorrência das infindáveis relações causais, e não é uma existência independente. Portanto, após a morte, a nossa vida também se transforma de acordo com diversas relações causais e, com elas, passamos a ter um novo corpo. Assim, caso temamos a vida futura, já a partir do instante atual, precisamos gerar as causas da felicidade que engloba a relação causal com outras vidas. Para isso, é preciso acreditar e abraçar a lei correta e manifestar o Estado de Buda. O Buda sem falta possui os três atributos – Lei, retribuição e correspondência. O atributo da Lei é a lei em si, da verdade do Universo; o atributo da retribuição é a sabedoria N º 2 2 7
75
alcançada como efeito de se tornar Buda com o exercício da prática causal; o atributo da correspondência refere-se à corporificação, a realização do advento, correspondendo à capacidade dos seres. Mesmo que o Buda faleça, tanto a lei verdadeira como a sabedoria do Buda, assim como a atuação do atributo da correspondência para salvar os seres, sempre vão existir. De modo semelhante, embora as nossas vidas apresentem diferenças entre si quanto à condição de vida, também contêm os três atributos e vão existir eternamente. Entretanto, caso cometa as calúnias à Lei ou então deixe de praticar a Verdadeira Lei, o Estado de Buda não será manifestado. Nichiren Daishonin adverte sobre isso. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: Abomino o fato de cada qual estar desencaminhado, quanto ao correto e incorreto, e lamento ainda o fato de se devotar ao budismo dessa forma. Todos temem se perder quanto ao correto e incorreto. Nichiren Daishonin está penalizado com a situação vigente, em que as pessoas acabam acreditando nos ensinos errôneos justamente por temer a vida após a morte. No Japão há o provérbio “até uma cabeça de sardinha, se tiver fé...”. Essa frase indica que, ainda que seja algo como uma cabeça de sardinha, se a pessoa o tomar como objeto de sua fé, parecerá precioso a ela. Naturalmente não teremos uma influência feliz para as nossas vidas, se orarmos para uma cabeça de sardinha, mesmo que dedicadamente. Mas quando as pessoas desconhecem o ensino que revela a razão correta, por causa da insegurança decorrente de diversas dificuldades que ocorrem nesta vida presente, ocasionalmente acontece de se agarrem até a uma cabeça de sardinha. Aqui se encontra a importância do shakubuku. Se não realizarmos o shakubuku, aumentará o número de pessoas que simplesmente acreditam cegamente em diversas religiões, sem que elas pensem na Causa e Efeito ou na razão. E em um país onde há muitas pessoas assim, não será possível viver com tranquilidade, por causa de conceitos morais ou pensamentos equivocados. Prosseguindo, temos a última passagem: Por que emprega irrefletidamente o mesmo poder da fé para reverenciar palavras das doutrinas errôneas? Nichiren Daishonin menciona que é extremamente lamentável que uma pessoa que possua fé devote essa fé em ramificações budistas equivocadas, e afirma que, havendo fé, deve-se buscar a fé correta. Nichiren Daishonin menciona sobre as três desgraças e sete calamidades. As três desgraças são: 1) elevação dos preços dos cinco tipos de cereais (arroz, trigo, sorgo, painço e feijão); 2) guerras; e 3) epidemias. E as sete calamidades são: 1) calamidade causada pela propagação de epidemias, levando à morte um grande número de pessoas; 2) calamidade causada com a ameaça pela invasão por um K A I S E N
país estrangeiro; 3) calamidade causada por dissidências internas, ou lutas entre aliados; 4) calamidade em que ocorrem alterações nos movimentos de corpos celestes; 5) calamidade em que ocorre eclipse solar ou lunar fora de época ou diminuição da luz solar; 6) calamidade ocasionada por anormalidades climáticas, tais como ocorrência de ventos e chuvas violentas fora de época; e 7) calamidade causada pela irregularidade climática de faltar chuvas mesmo em épocas que deveriam ser chuvosas. Nichiren Daishonin afirma nessa escritura que a causa para ocorrência dessas três desgraças e sete calamidades é o fato de as pessoas seguirem uma prática da fé errônea, pois, com isso, as Entidades Iluminadas que protegem os seguidores da Verdadeira Lei desapareceram do país, pela escassez do sabor da Lei. Ou seja, embora sejam muitas as pessoas que desejam melhorar o país com a prática da fé, quando são poucas as que buscam a prática da fé correta e a exercitam efetivamente, acabam ocorrendo desastres desse tipo. Porém, conforme está revelado na frase de hoje, as pessoas que não tiveram relação com a Verdadeira Lei não compreendem a razão correta. Portanto, não conseguem gerar as causas para que possam enfrentar, superar e solucionar as dificuldades. No Japão à época de Nichiren Daishonin, todas as pessoas que se encontravam na posição de administrar o governo acreditavam nos ensinos errôneos e, utilizando-se do poder de autoridade do país, perseguiram Nichiren Daishonin que refutou esses ensinos. Nichiren Daishonin revelou com base na razão que tais atos atraíram as três desgraças e sete calamidades e fizeram com que muitas pessoas agonizassem nos sofrimentos angustiantes. O Reverendíssimo Soberano da Lei orienta: Nós praticamos o shakubuku para refutar as calúnias à Lei que são a origem da infelicidade e proporcionar a prática da fé correta que traz a verdadeira felicidade. Por essa razão, Nichiren Daishonin afirma na escritura “Resposta ao Suserano Soya (Soya Dono Gohenji)”: “Almejar atingir o Estado de Buda sem, no entanto, censurar as calúnias à Lei é tal como procurar água dentro do fogo ou fogo dentro da água. É inútil, é inútil” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1040). Isto é, Nichiren Daishonin está orientando rigorosamente que, embora pratique a fé, se ela for apenas para si e não abarque a prática para os outros, ou seja, se for uma prática da fé que não realiza o shakubuku, a Iluminação não será alcançada. Afirma que, para alcançar a Iluminação na Forma Presente, em vez da prática da fé pequena, que busca a felicidade apenas para si próprio, o fundamental é que se tenha uma prática da fé embasada no espírito do Mahayana de conduzir o maior número de pessoas possível para a felicidade, ou seja, o shakubuku. (Dainichiren, edição n.º 879, pág. 44)
A vida de Nichiren Daishonin foi uma vida de exercício de
N º 2 2 7
76
shakubuku. Caso não realize os exercícios de shakubuku, não será possível manifestar a condição de vida ensinada por Nichiren Daishonin e não será possível gerar as causas para a verdadeira felicidade. No final dessa escritura consta a afirmação: Não me limitarei somente a crer, mas também advertirei os equívocos dos demais. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 250)
Na décima etapa, o peregrino estabelece esse juramento, depois de compreender completamente o teor do que o anfitrião havia lhe revelado. Ou seja, o peregrino somos nós, que recebemos a cerimônia de conversão, e o anfitrião é Nichiren Daishonin. Vendo a conjuntura atual, estão ocorrendo, quase diariamente, incidentes e desastres trágicos. Foi Nichiren Daishonin quem ensinou a causa fundamental deles e evidenciou o meio de solucioná-los. E esse meio é o exercício de shakubuku, a nossa preciosa missão. E Nichinyo Shonin afirma: A recitação de daimoku e o shakubuku formam um só corpo. A recitação de daimoku com base na fé torna-se a fonte do shakubuku. E é por essa razão que Nichikan Shonin orienta na obra “Interpretação de Sobre o Objeto de Devoção da Introspecção (Kanjin no Honzon Sho Mondan)”: “Sendo plena a prática para si, sem falta haverá a prática para os outros. A prática para os outros é, em suma, a benevolência. (Gosho Mondan, pág. 219)”. Assim ensina que quando o benefício do exercício de recitação de daimoku for pleno, sem falta estará acompanhado da prática efetiva do shakubuku. Sendo assim, mais uma vez, o importante é que a recitação de
daimoku e o shakubuku formem um só corpo. O mais importante é não deixar que o exercício de recitação de daimoku seja tão somente o exercício de recitação de daimoku e realize o shakubuku com os benefícios e a alegria que resultam dele. (Dainichiren, edição n. 768, pág. 44)
Ou seja, orienta que o exercício de shakubuku e o exercício de recitação de daimoku são um só, e que quem não realiza efetivamente o shakubuku ainda não está repleto de benefícios do exercício de recitação de daimoku. Com os benefícios e a alegria que são alcançados com a recitação de daimoku, sem falta será conduzido ao exercício de benevolência chamado shakubuku. Nos templos e nos núcleos estão sendo realizados os exercícios de recitação de daimoku. Desejo que todos possam conciliar suas agendas para participar e, alcançando a condição de vida de satisfação, possam se lançar ao shakubuku. Vamos continuar lendo respeitosamente “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”, estudá-lo e gravá-lo no âmago de nossos corações e, assim, nos dedicarmos aos exercícios de shakubuku no dia a dia! Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
Recitação Especial de Oko Orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin 13 de setembro de 2019
Nichiren Daishonin ensina na escritura “Sobre a Iluminação dos Principiantes do Sutra de Lótus (Hokke Shoshin Jobutsu Sho)”: Mesmo que esteja fadado a cair no Inferno, ao ouvir o Sutra de Lotus que faz com que se torne Buda, [isso] será a semente para que, sem falta, venha a atingir a Iluminação. Por essa razão que Tien-tai e Miao-lo, seguindo esse princípio, expõem [nas suas obras de interpretação] que se deve revelar, com veemência, o Sutra de Lotus. Fazendo uma analogia, é como uma pessoa que tropeça no chão, cai e levanta-se, apoiada nesse chão. Mesmo que caia no Inferno, levantar-se-á e rapidamente se tornará Buda. Como as pessoas da Era do Fim do Darma indubitavelmente cairão no Inferno pelo erro de se opor ao Sutra de Lótus, haja o que houver, veementemente ensine e faça com que ouçam o Sutra de Lótus. As pessoas que acreditarem se tornarão Budas. Aquelas que caluniarem se tornarão Budas pela relação do tambor envenenado. De qualquer modo, não há outra semente de K A I S E N
Buda além do Sutra de Lótus. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1316)
Esta passagem de Gosho é a resposta de Nichiren Daishonin à pergunta: “Seria melhor pregar os ensinamentos da Nembutsu, que se amoldam à capacidade do povo, e fazer com que as pessoas despertem para o budismo, em vez de ensiná-las e fazer com que ouçam o Sutra de Lótus, que difere da capacidade delas, levando-as a caluniar e cair nos maus caminhos?”. Nichiren Daishonin expôs que, mesmo que alguém caia no Inferno [por ter caluniado o Sutra de Lótus], ao ouvir o Sutra de Lótus, que capacita a todos a atingir o estado de Buda, terá seu coração semeado [pelo estado de Buda], e alcançará a Iluminação, sem falta. Assim, devemos ensinar com vigor o Sutra de Lótus, mesmo que as pessoas não acreditem nele. Tanto o Grande Mestres Tientai quanto o Mestre Miao-Lo ensinam que se deve propagar e fazer com que as pessoas escutem os ensinamentos do Sutra de Lótus com base nessa crença. É como aqueles que tropeçam e N º 2 2 7
77
caem no chão e que são capazes de usar esse mesmo chão para tornar a se levantar. Da mesma forma, ainda que caiam no Inferno uma vez, eles imediatamente tornarão a se levantar e atingirão o estado de Buda. Na escritura “Sobre a Doutrina de Três Mil num Instante (Ichinen Sanzen Homon)”, Nichiren Daishonin afirma: Ao recitar o Myoho-Rengue-Kyo, a natureza de Tathagata contida no coração manifestar-se-á. Entrando em contato com o ouvido, ele eliminará as causas negativas acumuladas há incontáveis asamkhya de kalpas. Quando manifestar a satisfação, mesmo que por um instante, atingirá a Iluminação na Forma Presente. Mesmo que não acredite, será a semente, que maturada, sem falta lhe levará a atingir a Iluminação. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 109)
Nesta passagem da escritura, Nichiren Daishonin se refere ao princípio de fé e prática com base em um único instante. Ao mesmo tempo, ele apresenta o benefício de uma relação de oposição. Mesmo aqueles que não acreditam no Myoho-Rengue-Kyo e se opõem a ele podem, sem falta, alcançar a Iluminação ao ouvi-lo. Isso ocorre porque ouvir o Sutra de Lótus permite a semeadura do estado de Buda em suas vidas. Essa semente amadurecerá e permitirá alcançar o estado de Buda sem falta. De modo específico, atualmente na Era do Fim do Darma, aqueles que não têm a semente do estado de Buda, sem dúvida, cairão no Inferno. Isso porque, apesar de não caluniarem diretamente o Sutra de Lótus, acreditam em ensinamentos errôneos que o contrariam. Assim, quer saibam ou não, estão caluniando o Sutra de Lótus e isso definitivamente os levará a cair no Inferno. De qualquer forma, devemos ensinar intensamente o Sutra de Lótus às pessoas. É certo que aqueles que o seguirem e nele tiverem
fé serão capazes de atingir a Iluminação, e até mesmo aqueles que o caluniam no fim também alcançarão o estado de Buda, por meio da relação de “tambor envenenado”. Além disso, na escritura “Sobre o Esclarecimento acerca da Causa e Efeito dos Dez Mundos (Jippo Kai Myo Inga Sho)”, Nichiren Daishonin ensina: Se não forem sábios, desconhecerão o fato de que todas as pessoas de Bem, sem avareza ou outras [falhas], cairão no caminho da fome por causa das calúnias à Lei ou por passarem a crer naturalmente nessas doutrinas, ao se aproximarem de pessoas que caluniam a Lei. Certamente, certamente, é algo para se temer. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 208)
Ocasionalmente, também cometemos calúnia à Lei ao nos tornarmos amigos daqueles que a difamam. Antes de percebermos, somos influenciados por eles. Para evitar isso, é essencial ensinarmos e fazermos com que os outros escutem o Sutra de Lótus. Isso porque, ao refutar as calúnias, poderemos trilhar o caminho budista de atingir o estado de Buda, sem cometer a mesma transgressão de caluniar a verdadeira Lei. Tanto para quem tem uma relação de concordância como para quem tem uma relação de oposição, a semente do estado de Buda não é outra, senão o Sutra de Lótus. Se as pessoas, por causa da ignorância, afirmam que alguém pode atingir a Iluminação crendo nos ensinamentos provisórios pré-Sutra de Lótus, então por que o Buda, que ensinou com vigor o Sutra de Lótus, expôs que tanto aqueles que o difamam quanto os que o praticam e nele acreditam receberão benefícios? Nichiren Daishonin ensina que as pessoas que têm fé e seguem os ensinamentos do Buda precisam entender isso profundamente.
Hashi de um metro Reverendo Myoyo Kondoh Matéria de Estudo para o Núcleo de Setembro
Certa vez, havia uns seres com tanta fome que pareciam estar prestes a morrer. Esses seres eram pessoas das condições de vida de inferno, fome, animalidade, inveja, humanidade, céu, erudição, absorção e bodhisattva (nove mundos). Penalizado com os seres desses nove mundos que estavam sofrendo com o estômago vazio, o Buda desejou salvar-lhes de alguma forma e, assim, antes de mais nada, decidiu oferecer-lhes alimentos. Mas apenas oferecer alimentos não traria benefício para os seres. O Buda pensou e apresentou uma condição para eles se servirem dos alimentos. Ele declarou aos seres, entregando-lhes um hashi, muito, mas muito comprido, de cerca de um metro, o seguinte: “Devem se alimentar, utilizando-o sem falta. Caso quebrem o combinado e venham a comer com as mãos, os alimentos desaparecerão K A I S E N
instantaneamente”. As pessoas, famintas, ficaram extremamente contentes com as delícias que surgiram diante de seus olhos e tentaram se servir de imediato, usando o hashi que lhes foi entregue. Mas, como o hashi tinha um metro de comprimento, era difícil conseguir pegar o alimento com ele. E ainda que finalmente tivessem conseguido pegar, não podiam levá-lo até a boca. O hashi era mais comprido, mais do que os próprios braços ou até mais do que a própria altura. Assim, exalando um aroma delicioso, os alimentos eram levados para longe, para além de suas bocas. Por mais que tentassem, não conseguiam levar os alimentos até as suas bocas. Os mortais comuns, até os mundos de fome, animalidade, humanidade e também os dos dois veículos, ficaram apenas na repetição disso e não puderam saciar a fome, por mais que o tempo passasse, e por fim acabaram morrendo. Isso N º 2 2 7
78
tudo resultou do princípio de causa e efeito, correspondente à causa de “priorizar a si próprio diante dos demais”. Mas os seres do mundo de bodhisattva puderam se servir das delícias que o Buda havia lhes disponibilizado e estavam repletos de felicidade e gratidão ao Buda. Mas por que somente os bodhisattvas puderam se alimentar? O motivo é o seguinte. Os bodhisattvas são seres que priorizam o benefício alheio, mais do que o de si próprio. Assim, quando pegavam os alimentos com o hashi comprido, serviam o bodhisattva que estava ao seu lado: “por favor, sirva-se primeiro”, em vez de a si mesmo. Os bodhisattvas que inesperadamente recebiam os alimentos ofereciam de volta, sem demora, em agradecimento, o alimento que havia conseguido pegar com o seu hashi. Um bodhisattva servia outro bodhisattva, sentado a cerca de um metro – o comprimento do hashi, e assim um fazia com que o outro pudesse se alimentar; dessa forma, todos puderam, juntos, receber os benefícios do Buda. Os bodhisattvas, com o benefício de prezar as outras pessoas, no final puderam salvar a si mesmos. A natureza dos seres dos dois veículos, ou então dos mundos mais baixos como os de inferno, fome, animalidade e até o nosso,
de humanidade, considera apenas a si mesmo e, assim, impede que o estômago fique cheio. Nenhum desejo é realizado. Para quem se esquece desse aspecto egocêntrico e fica apenas lamentando: “Puxa vida, por mais que eu deseje, nada se realiza”, fica o questionamento: “O que então você está fazendo em prol da felicidade das pessoas da sociedade? O que você está fazendo para o Gohonzon e para retribuir pelas dívidas de gratidão a Nichiren Daishonin?”. Da mesma forma como ocorre nessa parábola budista, se os senhores desejarem: “Eu quero somente a minha salvação. Só eu sou infeliz”, isso será como deixar escapar a felicidade diante de seus olhos. Se desejar a felicidade de outras pessoas e se mantiver uma prática da fé pela qual busque dividir a sua felicidade com as demais, esse benefício sem falta retornará para si mesmo. As pessoas facilmente se perdem e se apegam aos sofrimentos e dificuldades diante dos olhos, mas compreendendo devidamente o que é a verdadeira felicidade com a correta visão, aprimorada com a prática da fé, vamos nos esforçar com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, em prol da ampla propagação do ensino no Brasil!
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 6 de outubro de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu do mês de outubro do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores. Pois bem, o Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin orienta rigorosamente: Nós realizamos o shakubuku para refutar as calúnias à Lei – a fonte da infelicidade – e promover a prática da fé correta que traz a verdadeira felicidade. É por essa razão que Nichiren Daishonin revela na escritura “Resposta ao Suserano Soya (Soya Dono Gohenji)”: Almejar atingir o Estado de Buda sem, no entanto, censurar as calúnias à Lei é tal como procurar água dentro do fogo ou fogo dentro da água. É inútil, é inútil. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1040)
K A I S E N
Nichiren Daishonin está orientando rigorosamente que a Iluminação não será alcançada, mesmo que pratique a fé, caso se limite à prática para si, sem o acompanhamento da prática para os outros, isto é, se for uma prática da fé sem a realização de shakubuku. Nichiren Daishonin afirma que, para alcançar a Iluminação na Forma Presente, em vez de uma prática da fé limitada, que busca somente a felicidade de si próprio, é fundamental que se tenha uma prática da fé baseada no espírito de Mahayana, de conduzir o maior número de pessoas possível para a felicidade, ou seja, uma prática da fé baseada no shakubuku. [...] Afinal, shakubuku é o exercício de benevolência, de desejar a felicidade das pessoas. E os princípios que devemos ter com relação ao shakubuku são três: esse sentimento de benevolência, coragem no seu verdadeiro sentido e convicção absoluta no Dai-Gohonzon. É importante que realize o shakubuku com bondade genuína – ou seja, com o sentimento de benevolência, de remover os sofrimentos e proporcionar satisfações para as pessoas que estão prostradas, agonizando na infelicidade decorrente dos malefícios das calúnias à Lei, sem conhecimento desse fato. E é fundamental que realize o shakubuku com coragem, tendo-se convicção absoluta no Dai-Gohonzon. Quando a organização promover o shakubuku em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, de modo que um complemente o outro, sem falta será possível tornar o N º 2 2 7
79
ambiente de toda a organização favorável para o shakubuku. E isso será uma grande força motriz para promover o shakubuku. Naturalmente que também haverá dificuldades. Se realizar o shakubuku, é certo que os mais diversos tipos de obstáculos das maldades ocorrerão, como que concorressem um com outro. Entretanto, devemos reverenciar o dito dourado: Quanto aos exercícios de aprimoramento para os da estirpe de Nichiren no presente, na Era do Fim do Darma, deve-se perceber quão reconfortante é o fato de as dificuldades se manifestarem ao exercitar o MyohoRengue-Kyo. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1762)
Embora as dificuldades ou os sofrimentos venham a nos atingir, devemos nos dedicar ainda mais para a Iluminação na Forma Presente, cientes de que devemos ficar satisfeitos com a ocorrência deles. Se nos deixarmos abater pela dificuldade quando deparamos com ela, nada poderemos solucionar. Nós, que acreditamos no Gohonzon – o supremo de Jambu-dvipa, devemos saber que o melhor caminho para solucionar é enfrentar as dificuldades com a convicção absoluta, conforme a frase: Se a Lei que mantém é suprema, a pessoa que a mantém também será suprema. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 298)
Além disso, Nichiren Daishonin afirma: Ao professar essa doutrina, as maldades sem falta manifestar-se-ão. Se as maldades não se manifestassem, concorrendo umas com as outras, não haveria como saber que é a Verdadeira Lei. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 986)
As dificuldades ocorrem porque praticamos a fé de forma correta. Com uma prática da fé fraca, com a qual nem as dificuldades se manifestam, não será possível eliminar as causas negativas acumuladas desde o longínquo passado e
K A I S E N
passaremos a vida em vão. E mais, devemos nos precaver atentamente para não cairmos nos três maus caminhos depois de encerrarmos a vida. Portanto, quaisquer que sejam os obstáculos das maldades que venham a nos atingir, caso mantenha uma prática da fé correta, sem falta será possível estabelecer a felicidade nesta existência e também escapar do ciclo dos três maus caminhos. [...] Afinal, shakubuku não é teoria, é prática efetiva. Não existe segredo do tipo: “se fizer assim, certamente dará certo” no shakubuku. Assim, primeiramente, devemos nos levantar e agir. E lançarmo-nos em prol do shakubuku. Se agir, sem falta a sabedoria vai emanar. Deve pensar em como será possível realizar o shakubuku e agir, seja a quem for, qualquer que seja o inimigo – difícil ou poderoso. Mesmo que falhe, sem falta terá um aprendizado disso. Por isso, o mais importante é agir em prol do shakubuku sem temer o fracasso. Se não agir, a sabedoria também não vai emanar. Por exemplo, apenas lembrar durante o gongyo da manhã e da noite não servirá para nada. Assim, naturalmente, também não poderá receber os benefícios. Isso também não levará à transformação de si próprio. Se não agir, nada poderá realizar. Shakubuku somente será considerado shakubuku pela primeira vez, quando realizar o shakubuku. (Dainichiren, edição de maio de 2019, pág. 44 a 48)
Resta-nos menos de três meses para o término do “ano de progredir com entusiasmo”. Vamos abraçar firmemente essa orientação de hoje em nosso peito e agir em prol do shakubuku durante os dias que restam. Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu deste mês. Muito obrigado.
N º 2 2 7
80
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 13 de outubro de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de outubro do “ano de progredir com entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês para, assim, retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Esta obra foi escrita em 15 de novembro de 1280 (3.º ano da Era Koan) – ano seguinte ao da inscrição do DaiGohonzon do Supremo Santuário do Portal Original. É uma carta concedida à Ama Goze, mãe do Suserano Nanjo Tokimitsu, e foi redigida em Minobu, quando Nichiren Daishonin estava com 59 anos de idade. Primeiramente, Nichiren Daishonin menciona sobre o fato de se fazer a analogia do Sutra de Lótus ao lótus – planta, que gera simultaneamente a flor e a folha, para revelar que quem crê no Sutra de Lótus sem falta atingirá a Iluminação na Forma Presente. Fazendo uma referência ao fato da Ama Goze ter realizado os oferecimentos no dia de falecimento do pai dela, Suserano Matsuno Rokuro Saemon Nyudo, Nichiren Daishonin cita a história de “Oryo e Iryo” de “Narrativas do Sutra de Lótus (Hokke Denki)”, e revela que pai e filho formam um só corpo e que a raiz do Bem gerada pelo filho manifesta-se como efeito em prol dos pais falecidos. Concluindo, portanto, que não havia dúvidas quanto à Iluminação do Suserano Matsuno Nyudo. E Nichiren Daishonin encerra a carta com a orientação para Nikko Shonin ler e fazer com que ela ouvisse detalhadamente o seu teor. Pois bem, gostaria de discorrer um pouco sobre a história de Oryo e Iryo. Na China Antiga, havia uma pessoa chamada Iryo. A família era reconhecida como a da linhagem de exímios calígrafos, com essa habilidade herdada de geração para geração. O pai de Iryo chamava-se Oryo. Nessa época, na China, o taoísmo era largamente difundido e o budismo era menosprezado. Oryo, o pai, também seguia fervorosamente o taoísmo. Assim, ele dizia: “Sou calígrafo, mas, até morrer, jamais transcreverei os sutras budistas! Não importa a recompensa, jamais vou escrevê-los”.
K A I S E N
Por fim, quando estava no leito de sua morte, chamou Iryo ao pé da cama e lhe legou: “Você é meu filho. Jamais deverá acreditar no budismo, seguindo a minha convicção. E, haja o que houver, nunca deverá transcrever os sutras budistas”. Dizendo isso, manifestou o aspecto de insanidade, vomitou sangue e morreu. Posteriormente, um imperador chamado Sima veio a se devotar ao budismo, prezando especialmente o Sutra de Lótus. Assim, decidiu oferendar o Sutra de Lótus para o Buda, mas não havia uma pessoa com bela caligrafia entre as que lhe eram mais próximas. Quando consultou seus serviçais mais próximos, eles responderam: “Iryo, filho do calígrafo Oryo, é um calígrafo famoso. O que o senhor acha de confiar essa tarefa a ele?”. Assim, o imperador mandou que chamassem Iryo e ordenou que ele transcrevesse o Sutra de Lótus. Mas Iryo declinou, dizendo: “Conforme a última vontade de meu pai, não devo transcrever o budismo, pois o taoísmo é o ensino tradicionalmente seguido desde os nossos antepassados. Então eu não posso violá-la”. O Rei Sima por ora desistiu de Iryo e solicitou a outro calígrafo que transcrevesse o Sutra de Lótus, mas não ficou de seu agrado. O rei ordenou novamente a Iryo: “Considerando a última vontade do pai, quero que escreva somente os títulos dos oito volumes do Sutra de Lótus”. Mas, conforme esperado, Iryo declinou. Assim, o rei lhe disse: “Eu sou o rei desta nação. Qual seria a razão de você não acatar a minha ordem? O seu pai também era um de meus súditos. Caso contrarie a ordem real, alegando ser a última vontade do pai, você será punido”. Assim, sem alternativas, Iryo transcreveu os títulos dos oito volumes do Sutra de Lótus com a caligrafia mais bela daquela nação. Lamentando ter contrariado a última vontade do pai, Iryo passou três dias diante do túmulo do pai aos prantos, sem se alimentar. Passados mais de três dias, quando estava tão fraco a ponto de a sua vida estar em risco, Iryo viu no firmamento uma Entidade Iluminada tão celestial que parecia Taishaku, e ela estava acompanhada de muitos semelhantes da estirpe dela. Surpreso, Iryo perguntou-lhe: “Quem é?” Essa Entidade Iluminada lhe respondeu: “Eu sou Oryo, o seu pai. Enquanto estava vivo neste mundo, eu, tolamente, não acreditei no budismo. Eu o caluniei e, como resultado, acabei caindo no Inferno dos Incessantes Sofrimentos depois de morrer. Porém, repentinamente um Buda dourado apareceu e, como se uma grande água apagasse uma grande chama, ele eliminou os meus sofrimentos. Quando lhe perguntei: “Que Buda é o senhor?”, ele me respondeu: “Eu sou o ideograma Myo, um dos 64 ideogramas dos títulos do Sutra de Lótus que o seu filho, Iryo, escreveu”. O Sutra de
N º 2 2 7
81
Lótus é composto de oito volumes. Como há oito ideogramas no título de cada um dos volumes, do primeiro até o oitavo, indica que você escreveu 64 ideogramas. Ou seja, os da minha estirpe que estão aqui agora, são aqueles que estavam no Inferno e que puderam atingir a Iluminação com os demais ideogramas”. Iryo questionou-lhe: “Como o senhor, meu pai, pôde atingir a Iluminação, já que a minha mão transcreveu por coação do rei, e não foram escritos de coração?”. Oryo então lhe ensinou: “A sua mão, meu filho, é como se fosse a minha mão. O seu corpo também é meu corpo. Os ideogramas que você escreveu são ideogramas escritos por mim. Embora você não tenha escrito de coração, a sua mão já recebeu os benefícios. Mesmo que uma criança pequena lance uma chama sem saber de nada [do que poderia acontecer], essa chama queimará as coisas. Semelhantemente, mesmo que nada saiba sobre o Sutra de Lótus, se o praticar, tornar-se-á Buda. A partir de agora, jamais deverá caluniar o Sutra de Lótus”. Conta-se que, ao relatar essa história, o Rei Sima ficou extremamente contente e passou a seguir o Sutra de Lótus com a adesão de todos de seu reino. Ou seja, é uma história antiga que revela a grandiosidade dos benefícios do Sutra de Lótus, a profundidade da relação causal entre pais e filhos e a importância da oferenda memorial de compartilhar o Bem. Pois bem, iniciarei então a leitura da frase. Temos: Quanto ao Sutra de Lótus, se o pegar nas mãos, essas mãos imediatamente se transformam em Buda, e se o recitar com a boca, essa boca prontamente se torna Buda. Essa passagem, conforme a história citada há pouco, revela o grandioso benefício do Sutra de Lótus: ao pegar o Sutra de Lótus nas mãos, não somente as mãos do filho, mas também as mãos dos pais poderão atingir a Iluminação, e ao recitá-lo, tanto a boca dos pais como a do filho poderão atingir a Iluminação. Nós realizamos a oferenda memorial aos antepassados durante o gongyo diário. Portanto, indica que nós estamos tendo a oportunidade de acumular grandes virtudes todos os dias. Gostaria que continuassem a realizar o gongyo diário sem falhar. Ao realizar a oferenda da Lei todos os dias, gerará grandes benefícios para si próprio e não somente para os antepassados. E esse fato nos ensina que existe a prova real de os pais atingirem a Iluminação em decorrência de o filho ter gerado boas causas com o ensino supremo, denominado Sutra de Lótus. Isto é, indica que a Lei Mística possui a manifestação de poder, ampla e ilimitada, que permeia as três existências. Além disso, quão contentes ficariam os falecidos com a oferenda memorial aos pais e antepassados falecidos baseada na Lei Mística, com Toba (tabuleta memorial) erigido no Templo, leitura da liturgia e recitação de daimoku com os sacerdotes? E quanto aos pais que ainda não se converteram, gostaria que não se esquecessem que a verdadeira dedicação filial é fazer com que eles se convertam o mais rápido possível conforme Nichiren K A I S E N
Daishonin afirma na escritura “Registro de Revelação da Profecia do Buda (Kembutsu Mirai Ki)”: O que desejo é [...] transmitir este Grande Bem aos pais que me geraram enquanto ainda estiver vivo. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 679)
Prosseguindo, temos a seguinte passagem. Nichiren Daishonin afirma: Fazendo uma analogia, é como a Lua, ao surgir no céu pela extremidade da montanha ao leste, ter sua imagem imediatamente refletida na água, e o som e a vibração ocorrerem simultaneamente. Nessa passagem, citando analogias com a Lua e com o som, Nichiren Daishonin ensina a lógica pela qual os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda realizados pelo filho logo resultam em benefícios para os pais. No início dessa escritura, Nichiren Daishonin esclarece a razão pela qual o Sutra de Lótus é comparado ao lótus. Há diversas espécies de flores bastante conhecidas na sociedade em geral, mas nenhuma é citada como representação do Sutra de Lótus. Nichiren Daishonin revela que o motivo de a flor de lótus ser comparada ao Sutra de Lótus é o fato de a flor e a semente se desenvolverem simultaneamente. Ou seja, por revelar, com a correspondência entre a flor e a semente, a simultaneidade de causa e efeito – inga guji. Os sutras pré-Sutra de Lótus revelam a realização dos exercícios de aprimoramento ao longo dos incontáveis kalpas. Ou seja, são exercícios de aprimoramento para atingir a Iluminação depois de serem realizados por um período extenso. Mas o ensino de Nichiren Daishonin não é assim. Ensina que, recitando o NamMyoho-Rengue-Kyo na forma presente, é possível atingir a Iluminação. Nichiren Daishonin nos ensina a lógica da Iluminação na Forma Presente, utilizando-se dessas analogias para que nós possamos compreender. Prosseguindo, temos a última passagem: Por essa razão, consta no Sutra: “Das pessoas que ouvirem a Lei, não haverá uma sequer que deixe de atingir a Iluminação”. A essência da frase é que, sem nenhuma exceção, se forem cem as que abraçam a Lei, todas as cem tornar-se-ão Budas; e se forem mil, todas as mil tornar-seão Budas. Essa passagem aborda a frase revelada no Capítulo Hoben, 2.º do Sutra de Lótus, que ensina que, ao ouvir o Sutra de Lótus, todas as pessoas sem falta poderão atingir a Iluminação. Entretanto, na sociedade em geral, as pessoas desconhecem esse fato e também não procuram refletir sobre isso e apenas agonizam nos sofrimentos do inferno decorrentes dos malefícios das calúnias à Lei. É essa a realidade. Portanto, é urgente que nós, que conhecemos a Verdadeira Lei, pratiquemos efetivamente conforme Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre a Prática conforme os Ensinos (Nyosetsu Shugyo Sho)”: Não poupe a voz para declamar que o Sutra de Lótus é a única Lei da Iluminação. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 673)
N º 2 2 7
82
É extremamente importante revelar para todas as pessoas que o Nam-Myoho-Rengue-Kyo é a Verdadeira Lei – única, e que a sua prática está provida de grandes benefícios. Por essa razão, devemos gravar em nossas vidas a seguinte orientação de Nichinyo Shonin: Se não for uma prática da fé que vise à propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, legada por Nichiren Daishonin, não se pode dizer que seja uma prática da fé genuína. (Coletânea de Frases sobre Fé e Prática, volume 8, pág. 210)
Seja quando e como for, vamos manter sempre em mente a “importância da prática da fé que vise à propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu” e vamos nos dedicar em prol do shakubuku de refutar o errôneo e revelar o verdadeiro, rumo à concretização da meta para o ano do 800.º aniversário de nascimento de Nichiren Daishonin em 2021. Além disso, Nichinyo Shonin afirma: O estabelecimento da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko é um objetivo importante que juramos firmemente perante o Gohonzon. Assim, todos os templos precisam concretizá-lo sem falta, dedicando todas as suas forças para atingi-lo custe o que custar, independentemente das dificuldades e obstáculos. Para isso, é fundamental que cada um de nós, com a consciência e a convicção da nossa condição de estirpe dos Bodhisattvas da Terra, realizemos o shakubuku com coragem e de forma resoluta, com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, quaisquer que sejam os obstáculos da maldade que venham a surgir diante de nossos olhos. (Dainichiren, edição de junho de 2019)
Tudo o que existe possui a natureza de Buda e, com a realização dos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, sem falta é possível atingir a Iluminação. Mas as pessoas que desconhecem esse fato não conseguem gerar as verdadeiras causas para a felicidade e, assim, ficam vagando em busca de diversas religiões. A nossa missão é salvar essas pessoas, realizando o exercício de benevolência do shakubuku. Pois bem, mencionei que a analogia com a flor e a semente representa a doutrina da simultaneidade de causa e efeito. Isso consta da escritura “Sobre a Verdadeira Entidade (Totaigi Sho)” e, tomando como comparação a característica do lótus, está representando o exercício e a manifestação de seu efeito. Nos ensinos pré-Sutra de Lótus e ensinos expedientes, o Buda Sakyamuni revelou os exercícios de aprimoramento ao longo de incontáveis kalpas, pelos quais finalmente seria possível atingir a Iluminação, somente depois de realizar os exercícios de aprimoramento ao longo de incontáveis renascimentos. Ou seja, são ensinos pelos quais os seres do mundo de inferno, somente depois de renascer e acumular os exercícios de aprimoramento do mundo de humanidade e de céu, e então de bodhisattva, poderiam atingir, pela primeira vez, a condição de vida do Buda. Ou seja, os dez mundos eram vidas independentes. Porém, o Buda Sakyamuni, chegando no Sutra de Lótus, revelou os “três mil num instante – ichinen sanzen”. Ou seja, K A I S E N
o ensino de que esses dez mundos não existem de forma separada e que num instante estão contidas todas as naturezas. No Capítulo Hoben que nós recitamos diariamente durante o gongyo estão revelados os “dez fatores – ju nyoze”. Esses “dez fatores – ju nyoze” são as dez perspectivas do princípio da existência que estão incorporadas em todas as leis e se referem ao princípio que se aplica a tudo, revelando o tempo, o elemento, a existência e a atividade do Universo. Explicando de forma simples: Nyozeso indica o aspecto e a forma percebidos externamente. Nyozesho indica a personalidade e natureza que estão contidos internamente. Nyozetai indica a entidade da vida. Nyozeriki indica a capacidade que o corpo possui. Nyozesa indica o efeito que a capacidade interna ocasiona quando ela se manifesta externamente. Nyozein refere-se à causa para se chegar ao Nyozeka. Nyozeen refere-se à causa externa, indireta, que auxilia na causa para alcançar o efeito. Nyozeka refere-se ao resultado que decorre da causa direta – Nyozein – e da causa indireta – Nyozeen. Nyozeho é a manifestação do efeito, pelo resultado suscitado pela causa e relação. Nyozehonmakkukyoto significa que, desde o primeiro fator – o aspecto – até o nono – a manifestação do efeito – todos são coesos e congêneres. Ou seja, esses princípios não se manifestam de forma independente. Num mesmo instante, todos estão se manifestando. Indica que o que fazemos ou falamos agora gera a causa e, em decorrência dessa causa, o efeito para o qual somos direcionados manifesta-se simultaneamente. Agora, os senhores estão participando da Cerimônia de Oko e juntos recitamos o Nam-MyohoRengue-Kyo. Neste instante, os senhores estão manifestando o estado de Buda. Nós somos reles mortais comuns da Era do Fim do Darma, porém, quando recitamos o Nam-Myoho-Rengue-Kyo para o Gohonzon inscrito por Nichiren Daishonin, nós conseguimos receber o benefício do Buda neste corpo, na forma como somos, conforme está revelado na escritura “Sobre o Objeto de Devoção da Introspecção (Kanjin no Honzon Sho)”: [...] os cinco ideogramas do Myoho-Rengue-Kyo estão perfeitamente dotados das duas leis do Buda Sakyamuni – as causas pelas ações e os benefícios pelos efeitos. Se recebermos e mantivermos esses cinco ideogramas, esses benefícios pela causa e pelo efeito nos serão naturalmente concedidos. (Gosho de maio de 2017, Heisei Shimpen Gosho, pág. 653)
Isso porque o Buda Original Nichiren Daishonin inscreveu o Dai-Gohonzon para nós, seres da Era do Fim do Darma, corretamente e com grandiosa benevolência. Essa é a doutrina da simultaneidade da causa e efeito. Além disso, quando reverenciamos essa doutrina, podemos perceber a importância dos exercícios diários de aprimoramento no caminho do Buda. Agora e a cada instante, a causa e efeito
N º 2 2 7
83
estão se manifestando. Portanto, caso busque uma vida sempre tranquila, é preciso gerar continuamente a causa para isso. O Reverendíssimo Soberano da Lei é quem nos ensina como devemos gerar, efetivamente, essa causa. Assim, ao realizarmos os exercícios diários de aprimoramento no caminho do Buda conforme as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei, nós podemos viver num mundo em que todos os dias o estado de Buda é manifestado. Na escritura “Sobre a Verdadeira Entidade (Totaigi Sho)”. Nichiren Daishonin afirma: Afinal, a entidade do Myoho-Rengue-Kyo é a carne, o corpo dos discípulos e adeptos de Nichiren que creem no Sutra de Lótus e que foram gerados pelos pais. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 694)
Todos nós somos a entidade do Myoho-Rengue-Kyo, ou seja, vidas preciosas que contém o mundo de Buda. Ocasionalmente, acaba-se acumulando más causas com os três tipos de ação com o corpo, a boca e a intenção, por entrar em conflito por assuntos sem importância, no âmbito do relacionamento humano, entre mortais comuns. Mas quaisquer que sejam as dificuldades que possam ocorrer, gostaria que se lembrassem dessa frase. O importante é o que está fazendo agora: que causa está gerando e que efeito vai ter. A passagem deste mês é uma orientação de que se nós nos voltarmos para o Gohonzon e praticarmos a fé, o nosso corpo, da forma como for, atingirá a Iluminação: Quanto ao Sutra de Lótus, se o pegar nas mãos, essas mãos imediatamente se transformam em Buda, e se o
recitar com a boca, essa boca prontamente se torna Buda. Porém, se caso contrário, seguirmos uma prática errônea ou nos equivocarmos quanto ao objeto ao qual devemos nos devotar, as nossas mãos e também a boca acabarão agindo de forma imprópria, ou seja, acabarão agindo para gerar as causas da infelicidade. Nós estamos numa condição gratificante, pois tivemos a oportunidade de ter a relação com o Gohonzon – que é difícil de ser encontrado, para podermos gerar as causas para a Iluminação. Os companheiros, membros da Hokkeko que creem e abraçam o Dai-Gohonzon, estão reunidos agora, aqui neste templo, como decorrência de uma profunda relação causal. E todos continuam a gerar essa causa, ainda agora. Esta organização Hokkeko existe para que um incentive o outro e para que um contribua com o aprimoramento do outro, dedicando-se à prática para si e para os outros. Para podermos celebrar a felicidade em nossas vidas, permeando as duas existências, presente e futura, vamos nos dedicar aos exercícios para si e para os outros e manifestar o estado de Buda agora, juntamente com todos os companheiros da Hokkeko! Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
Exercícios de aprimoramento da Nichiren Shoshu Reverendo Gyoten Shirai Matéria de Estudo para o Núcleo de Outubro
Nichiren Daishonin afirma na escritura “Resposta ao Monge Soya (Soya Nyudo Dono Gohenji)”: Seja o mestre do seu coração e não faça do coração o seu mestre. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 794)
O coração dos mortais comuns é inconstante e essa frase ensina que não devemos seguir de acordo com essas mudanças de opinião. Ou seja, indica que, no âmbito da prática da fé, não devemos adaptar os exercícios de aprimoramento de acordo com a nossa comodidade. Nessa ocasião, falarei sobre esses exercícios de aprimoramento. Era uma vez um rei na Índia. A extensão da área de sua residência era muito ampla e havia muitos criados. Esse rei tinha uma filha, casada com um jovem rapaz chamado Antônio. O rei estava considerando tornar Antônio o seu sucessor no futuro. Mas o rei não sabia se o Antônio conseguiria trabalhar bem. Assim, o rei experimentou lhe pedir para executar uma tarefa, para verificar se o Antônio possuía habilidade. O rei ordenou: “Antônio, vá sozinho até a montanha K A I S E N
amanhã e traga algumas lenhas”. O Antônio nunca havia cortado e coletado as lenhas até então. Mas não pediu conselhos para ninguém sobre como deveria fazer isso, porque pensou: “Ah, cortar árvores e recolher as lenhas deve ser algo fácil”. E eis que chegou o dia seguinte. Antônio saiu para coletar lenhas levando um boi, uma carruagem e um machado. Subiu a montanha com o boi puxando a carruagem. Depois de subir até uma certa altura, chegou a um bosque com árvores que pareciam ideais. Como o bosque parecia não acomodar o boi, Antônio desarticulou a carruagem do boi, amarrou a corda cingida na árvore e entrou no fundo do bosque puxando a carruagem. E, assim, foi cortando as árvores e carregando a carruagem. Um pouco depois do meio-dia, a carruagem ficou cheia de lenha. Antônio pensou: “Deve estar bom assim”, e voltou, puxando a carruagem, para onde havia deixado o boi preso para descansar. Mas, quando chegou, o boi não estava lá. A corda que o prendia provavelmente não estava firme e o boi tinha fugido para algum lugar enquanto ele estava cortando N º 2 2 7
84
as árvores. Desesperado, Antônio deixou a carruagem para procurar o boi em todos os lugares. Mas embora tivesse procurado, não conseguiu encontrar o boi. Antônio, cansado de tanto procurar, voltou para onde havia deixado a carruagem. E então, desta vez, a carruagem onde ele havia carregado as lenhas havia sumido. Como ele não tinha colocado uma trava na roda quando estacionou a carruagem, talvez tenha descido ladeira abaixo. Assim, saiu à procura da carruagem. Apesar de ter procurado nos arredores, não conseguiu achar a carruagem. O Sol estava quase se pondo, já próximo do anoitecer. Antônio pensou: “Puxa vida, e agora que perdi o boi e a carruagem?”. Enquanto estava procurando, ele chegou até uma grande lagoa, onde estava um cisne imponente, belo e alvo. Antônio refletiu: “Se eu pegar essa ave bela e voltar, poderei remediar o fato de ter perdido o boi e a carruagem”. Então, ele foi se aproximando da ave, bela e alva, e lançou o machado na direção desse pássaro branco. Mas o machado não atingiu o pássaro branco. Ele caiu dentro d´água fazendo um grande estrondo, e acabou afugentando o pássaro branco. Antônio tirou as roupas e ficou nu para mergulhar e procurar o machado que havia caído na lagoa. Porém, o entorno estava escuro com o entardecer e, por mais que tivesse procurado, nadando na lagoa, não conseguiu encontrar o machado. Antônio desistiu e saiu da lagoa. Voltou para onde havia deixado as suas roupas. Dessa vez, as suas roupas tinham sumido. E, embora tivesse procurado, não conseguiu achar as roupas. Antônio estava exausto e sem outra opção, a não ser voltar para a residência do rei. Antônio havia perdido o boi, a carruagem, o machado e as roupas. Retornou até as proximidades da residência do rei, desnudo. Era muito vergonhoso voltar assim pela entrada principal, à vista de outras pessoas. Assim, pensou em entrar escondido, pela porta dos fundos. Era noite e escuro nos arredores. Antônio subiu o muro de trás e entrou sorrateiramente pela porta dos fundos. Um criado viu e gritou: “É ladrão!”. Muitos criados chegaram correndo com varas nas mãos para acossar o ladrão. O ladrão foi golpeado pelos inúmeros criados no meio da escuridão e caiu desmaiado. O rei, informado de que um ladrão havia sido apreendido, chegou com uma lamparina. O rei iluminou o rosto do ladrão com as luzes da lamparina para ver “como era o ladrão”. Eis que era o Antônio, marido da filha, com quem estavam preocupados pela demora em retornar para casa. Gostaria que pensassem nessa história à luz dos nossos exercícios de aprimoramento. Primeiramente, sobre com que
K A I S E N
intenção o rei havia confiado uma tarefa ao Antônio. Tinha vários propósitos, como a intenção do rei em fazê-lo seu sucessor e o objetivo de verificar se ele tinha capacidade de realizar os trabalhos. Mas o Antônio foi até a montanha sem nada compreender. Trazendo isso para a nossa realidade, indica que devemos compreender adequadamente o propósito das orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei e do Reverendo Prior, e não realizar os exercícios à nossa maneira, de forma egoística. A outra questão é que o Antônio foi perdendo o boi, a carruagem, o machado e as roupas. No âmbito dos nossos exercícios de aprimoramento, seria como se passássemos a realizar os exercícios de aprimoramento no dia a dia levados por hábito e começássemos a negligenciar, nos baseando em pensamentos do tipo “só hoje não tem problema”, “hoje estou cansado, então não preciso participar das atividades do Templo”. Antônio acabou sendo confundido com um ladrão e passou por uma situação terrível. Isso resultou do fato de ele não ter admitido, com sinceridade, o fato de ter falhado na execução da tarefa que lhe havia sido confiada e tentado esconder isso. A honestidade é importante, seja à luz das leis da sociedade como também no budismo. Analisando com base na Lei de Causa e Efeito, mesmo que tente esconder com as mentiras, isso acaba voltando para a própria pessoa. Nós, mortais comuns, temos a predisposição de nos apegarmos aos pensamentos egoísticos e ao imediatismo. Caso não consigamos compreender corretamente, mesmo que ouçamos sobre os preciosos exercícios de aprimoramento, acabaremos repetindo os erros como o Antônio dessa história, apesar da condição extraordinária de sucessor do rei. Não conseguiremos reverenciar a intenção do Buda e nem receberemos os benefícios do Buda. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin orienta: A prática da fé é a realização efetiva. Nós não vamos atingir a Iluminação com teorias sem aplicação prática. (Dainichiren, edição de maio de 2007)
Os exercícios efetivos de aprimoramento são os exercícios colocados em prática, tendo-se compreendido as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei à época e do Reverendo Prior das respectivas localidades, e não aqueles praticados de acordo com a conveniência pessoal. Gostaria que os senhores refletissem, mais uma vez, se não estão tomando o seu coração como mestre e se não estão sendo como o Antônio, para assim, dedicarem-se aos exercícios de aprimoramento da prática da fé.
N º 2 2 7
85
Cerimônia de Oeshiki Reverendo Gyoten Shirai
Minhas sinceras felicitações aos senhores pela sua preciosa presença nesta Cerimônia de Oeshiki de Véspera (Otaiya) do Templo Shoboji. Cerca de três anos e seis meses se passaram desde a minha chegada ao Brasil. Ainda não consigo falar o português como os senhores, mas o farei da melhor forma possível e, assim, gostaria de contar com a sua atenção. Pois bem, Oeshiki é o cerimonial mais importante na Nichiren Shoshu para retribuir pelas dívidas de gratidão e para celebrar a data certa de falecimento do Buda Original Nichiren Daishonin, à hora do dragão (oito horas da manhã) do dia 13 de outubro de 1282, em Bushu Ikegami, atual bairro de Ota, em Tokyo. Por que, na Nichiren Shoshu, se celebra com “parabéns” o dia de falecimento? Na sociedade em geral, quando alguém falece, o funeral é conduzido, mas jamais celebrado com “parabéns”. Pelo contrário. As pessoas estão entristecidas e com o coração apertado, então jamais se poderia manifestar o sentimento de comemoração. Porém, na Nichiren Shoshu é uma data de celebração. Aqui se encontra a diferença entre a Nichiren Shoshu e as demais religiões e, sem compreender essa data, não é possível seguir a prática da fé da Nichiren Shoshu. Na Nichiren Shoshu, o cerimonial de Oeshiki reverencia Nichiren Daishonin como Buda Original do Budismo da Semeadura, que possui relação com a Era do Fim do Darma, e louva o seu falecimento como aspecto de “falecimento-não falecimento”. Na página 27 da liturgia que os senhores leem diariamente consta: “I_do_shu_jo ko_. Ho ben guen ne_han. Ni_jitsu fu_metsu do_. Jo ju shi_se-po_.” E na página 29: “Jo zai shi_fu_metsu. I_ho ben ri’-ko. Guen u_metsu fu_metsu.” O “falecimento-não falecimento (metsu-fumetsu)” é citado justamente nessas passagens, onde o Buda Sakyamuni revela: “Eu permaneço eternamente neste mundo saha (em que vivemos, que compreende as três existências – passada, presente e futura), sem jamais me extinguir. Não deixarei de existir. Faleço somente como um meio de salvar os seres – sendo isso, na verdade, o não falecimento”. O trecho que faz analogia a esse ensino expediente é o da parábola do bom médico, que se inicia com a passagem: “Hi_nyo ro i_.” na página 20 da liturgia. Essa parábola conta que, para salvar os filhos que estavam sofrendo por terem tomado veneno por engano, o pai simulou a própria morte (de que falecera durante uma viagem) – fazendo uso de um meio, uma mentira, para que os filhos tomassem o excelente remédio. Nós, os seres, K A I S E N
somos representados pelos filhos, e o Buda, pelo pai, o bom médico. Por essa razão, reverenciamos que o falecimento do Buda Original Nichiren Daishonin ocorreu na forma de meio expediente e que a sua presença é permanente, revelando a Lei para salvar os seres. E onde será que ele permanece para revelar a Lei? Conforme consta na frase da escritura “Resposta a Kyo-o (Kyo-o Dono Gohenji)”, encontra-se no Dai-Gohonzon: Eu, Nichiren, inscrevi a minha vida com sumi. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 685)
Portanto, o Gohonzon, diante dos senhores, é o Buda que salva a todos nós, os seres, ao longo das três existências, e Oeshiki é o cerimonial que celebra o advento do Buda Original, de “falecimento-não falecimento”. No cerimonial de Oeshiki realizamos também a leitura respeitosa da escritura “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)” de Nichiren Daishonin, além das petições dos Reverendíssimos Soberanos da Lei. O conteúdo dessas escrituras é a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – espírito de Nichiren Daishonin. Na escritura “Sobre a Pulsação Vital Suprema da Vida e da Morte (Shoji Ichidaiji Kechimyaku Sho)” Nichiren Daishonin afirma: Em suma, denomina-se Pulsação Vital Suprema da Vida e da Morte a recitação do Nam-Myoho-Rengue-Kyo pelos discípulos e adeptos de Nichiren em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – estabelecendo a relação como a que há entre a água e o peixe, sem o sentimento individualista. De fato, esta é a essência que eu, Nichiren, propago no presente. Assim, até a grande aspiração da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – não poderia ser concretizada? (Heisei Shimpen Gosho, pág. 514)
Conforme essa passagem, a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, vem como resultado do nosso shakubuku com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, e isso é a grande aspiração e espírito de Nichiren Daishonin. Quanto a corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, há a parábola “Duelo de sabedoria entre um caçador de codorna e as codornas”. Era uma vez, várias codornas que viviam numa floresta. Eram muitas, desde codornas bebês até codornas idosas, e o dia a dia era bem animado. Mas, com a chegada de um homem, tudo mudou nessa floresta. Esse homem chamava-se Antônio e era o melhor caçador de codornas da região. Antônio não capturava uma a uma. Utilizava-se de redes para capturar muitas codornas de uma só vez. Explicando como caçava, Antônio assobiava muito bem e imitava o
N º 2 2 7
86
assobio das codornas de quando indicavam: “tem muita comida boa!”. Com isso, muitas codornas vinham de lá e de acolá, surgindo das relvas e das árvores. E, quando elas vinham voando, Antônio jogava uma rede. As codornas, assustadas, tentavam fugir, abrindo as suas asas, mas quanto mais elas se debatiam, mais suas asas ficavam entrelaçadas na rede, deixando-as imobilizadas. Assim, centenas de codornas eram pegas de uma só vez. A tendência é a de não se aproximar, com o aprendizado adquirido depois de um acontecimento como esse. Mas, gulosas, as codornas eram tentadas pelo assobio de Antônio, de “tem muita comida boa”, e acabavam pegas pela rede. Vendo isso acontecer, o líder das codornas pensava: “Será que não existe uma solução? Preciso fazer algo”. Mas Antônio era tão bom no assobio que chegava a enganar até o líder. Era difícil até para distinguir do assobio dos outros companheiros. O líder pensou então que, mesmo que a rede fosse lançada sobre as codornas, se todos colaborassem, algo poderia ser feito. Então o líder convocou todas as codornas e propôs: “Todos estão querendo escapar daquele caçador de codornas. Mas sempre somos enganados por aquele assobio. Tenho então uma sugestão a fazer. Mesmo que uma rede enorme caia do céu, não devem entrar em pânico. Além disso, não devem abrir as suas asas. Mantenham-se parados e em silêncio, prendam a malha da rede com os seus bicos de modo que ela não enganche em seus corpos e alcem voo, todos de uma só vez. Quando conseguirem levar a rede até a árvore mais próxima, coloquem a rede sobre ela. A rede vai ficar presa na árvore, então, poderão fugir por debaixo dos galhos das árvores. O importante é que todos tenham a mesma intenção e ajam em conjunto. Se cada um fizer o que bem entender, sem falta serão capturados”. No dia seguinte, Antônio assobiou: “tem muita comida boa”, na floresta, como sempre. As codornas novamente foram enganadas e se juntaram. A rede foi jogada suavemente e as codornas foram capturadas por ela. Antônio deu gargalhadas: “peguei um monte de codornas hoje de novo!”. Mas as codornas estavam diferentes naquele dia. Elas não estavam agitadas dentro da rede como de costume. E, então, a rede levantou voo, ficou sobre uma árvore que estava próxima e as codornas fugiram por debaixo da árvore. Antônio ficou surpreso: “A rede voou até o céu? O que foi isso?”. No dia seguinte, Antônio saiu novamente para caçar as codornas. Assobiou e jogou a rede. E novamente a rede voou para o céu, ficou presa na árvore e as codornas fugiram. Vários dias se seguiram dessa forma. Mas Antônio pensou: “As codornas são originalmente animais individualistas, aves egoístas, assim, sem falta a harmonia e a união entre elas serão rompidas”. Alguns dias depois, aconteceu como Antônio imaginava. K A I S E N
O combinado era que as codornas, ao serem capturadas pela rede, voassem juntas, mas começou uma briga dentro da rede. O motivo foi a de que uma encostou na outra, que pisou no pé da outra, que pousou sobre a cabeça da outra... Por ficarem brigando dentro da rede por motivos como esses, os pés e as asas ficaram presas na rede e todas as codornas acabaram pegas por Antônio, o exímio caçador de codornas. Pois bem, por mais que o líder tivesse apresentado uma grande ideia, como a união foi destruída, mesmo havendo melhora e sucesso algumas vezes, acabaram regredindo para a situação inicial por motivos pequenos. Fazendo uma analogia com a nossa prática da fé, o Reverendíssimo Soberano da Lei nos concede as orientações para salvar a todos dos sofrimentos e prover a felicidade. Mas se nós não pudermos realizar efetivamente a prática da fé com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, em harmonia entre clérigos e adeptos, seremos infelizes, emaranhados nas calúnias à Lei da sociedade, tal como as codornas foram capturadas pela rede do Antônio. “Corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin” é representado pelo fato de as codornas, mesmo sendo milhares, terem unido os seus corações para assim levantar uma rede enorme e conseguirem se salvar. Em contraposição, não conseguirem unir seus corações por motivos pequenos e agir de forma individualista, como quando foram capturadas, é “um mesmo corpo com diversos propósitos – dotai ishin”. Então, fazendo uma autoavaliação sobre seus corações, não estariam agindo como as codornas dessa história? Embora estejam praticando a fé para serem felizes, não estariam gerando, por si mesmos, inimigos e causas para decaírem na situação das codornas? Mudando um pouco de assunto, acho que todos gostam de futebol. E nesse esporte há os times adversários. Os adversários do Corinthians, por exemplo, são Palmeiras, Santos e São Paulo. Nos esportes há adversários, e os times pensam em diversas estratégias para ganhar dos times adversários. E treinam muito. Se não vencerem, reavaliam as estratégias e treinam de novo. Ou seja, há adversários claros, que são visíveis e combatíveis. Mas o que seriam os adversários, os inimigos, do ponto de vista da prática da fé? Outras religiões? Não são. A pessoa que está sentada ao seu lado? Não. A pessoa de quem você não gosta? Não. A resposta é: o nosso coração. O adversário, o inimigo da prática da fé, é o nosso próprio coração, que parece que enxergamos, mas não enxergamos. Ou seja, a situação em que nos encontramos como as codornas indica que estamos sendo derrotados pelo nosso próprio coração. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre Corpos Diversos com o Mesmo Propósito (Itai Doshin Ji)”: [...] com um mesmo corpo com diversos propósitos nada se
N º 2 2 7
87
realizará. Mesmo que sejam cem ou mil pessoas, tendo-se o mesmo propósito, sem falta terão êxito. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1389)
Também afirma que: Saibam que, embora sejam poucos [...] alcançarão grande êxito [...] e o Sutra de Lótus será propagado com toda a certeza. Nichiren Daishonin ensina que devemos propagar a Lei Mística com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Isso porque é conforme o Reverendíssimo Soberano da Lei orienta: Desejando apenas a felicidade para si próprio, a felicidade não virá, por mais que o tempo passe. O espírito fundamental do shakubuku é desejar a felicidade de si próprio e dos demais, assim, é preciso lembrar devidamente disso. [...] Nichiren Daishonin afirma: “deve divulgar, mesmo que seja uma única frase ou um verso” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 668). Assim, mesmo que seja com uma única palavra, devemos dialogar com as pessoas: “vamos praticar essa fé?”. O shakubuku inicia-se a partir disso.
Quanto aos senhores, desejo que realizem uma prática da fé que leve à felicidade tanto de si mesmo como também de outras pessoas, sem se limitar à prática em busca apenas de sua felicidade individual ou centrada em pensamentos pessoais, ou seja, uma prática da fé como as codornas que ficam brigando. Desejando o sucesso dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção da Cerimônia de Oeshiki deste ano. Muito obrigado pela sua atenção.
(Dainichiren, edição de abril de 2019)
Cerimônia de Oeshiki Reverendo Myoyo Kondoh
Boa tarde a todos! Sou Myoyo Kondoh. Minhas sinceras felicitações pela sua participação na Cerimônia de Oeshiki, o cerimonial mais importante da Nichiren Shoshu. Hoje falarei brevemente sobre a petição do 2.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nikko Shonin. A petição originalmente é um documento entregue diretamente para a corte imperial ou governantes (administradores políticos). Vou suprimir a explicação sobre a petição, já que a havia realizado na preleção de Oeshiki do ano passado.
calúnias à Lei dos ensinos pré-Sutra de Lótus do Portal Transitório e estabeleça a Verdadeira Lei do Sutra de Lótus do Portal Original, a sociedade será administrada de forma pacífica e o país terá tranquilidade”. A situação do país no Período Kamakura, na época de Nichiren Daishonin, era extremamente caótica. Era bastante conturbada com epidemias, escassez de alimentos e incessantes conflitos entre os membros do governo. Nesse contexto, Nikko Shonin procura lhes apresentar o meio para solucionar esse panorama.
Temos primeiramente, no seu início: “Nikko, discípulo de Nichiren Daishonin, vem novamente lhe dirigir a palavra”, mas isso não é uma mera apresentação e contém um significado muito importante. Nichiren Daishonin possuía mais cinco discípulos além de Nikko Shonin. E eles também haviam encaminhado as petições, mas não diziam que eram discípulos de Nichiren Daishonin e sim discípulos de Tien-tai; não se denominavam discípulos de Nichiren Daishonin e se apresentavam de uma forma que indicava serem sucessores da linhagem de Tien-tai. Podemos afirmar que esse aspecto não é o de verdadeiros discípulos de Nichiren Daishonin e que somente Nikko Shonin representa o de um verdadeiro discípulo. Na sequência ele cita: “Caso combata rapidamente as
Nessa passagem consta: calúnias à Lei dos sutras préSutra de Lótus do Portal Transitório. O Buda Sakyamuni, que nasceu na Índia, realizou a pregação durante o período de cinquenta anos depois de ter se realizado no caminho (alcançado a Iluminação). Mas desses, durante os primeiros 42 anos, ele revelou as leis com o uso de analogias e parábolas para preparar a capacidade dos seres para que pudessem vir a atingir a Iluminação, em vez de revelar o que realmente gostaria de ter dito. Penso que se ensinasse repentinamente a uma criança pequena a aritmética complexa como a estudada por um universitário, além de não conseguir compreender, ela nem poderia reconhecer que isso se trata de matemática. De forma semelhante, o Buda Sakyamuni começou com ensinamentos fáceis para
K A I S E N
N º 2 2 7
88
gradativamente revelar os ensinos de nível mais elevado. E, nos últimos oito anos, ele revelou o Sutra de Lótus. Entretanto, em vez de as autoridades tomarem como fundamento o Sutra de Lótus, o verdadeiro, tomaram como base os sutras imperfeitos. E, com isso, a vida do povo que seguiu esse ensino também se tornou imperfeita, perdida quanto ao modo de vida, fazendo atrair desgraças. Porém, Nikko Shonin afirmou que ao conduzir a política, realizando a prática com base no Sutra de Lótus, sem falta seria possível pacificar o país. E apresentou, juntamente com a sua petição, “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”, de autoria de Nichiren Daishonin, e outras escrituras. Na sequência consta: “originalmente, combater as calúnias à Lei e propagar a Verdadeira Lei é o segredo para administrar o país, com precedente venturoso ministrado pelo imperador de virtude elevada”. Sobre o que fazer para administrar o país e como fazer para estabelecer um mundo pacífico, Nikko Shonin registrou que é necessário ter como base a Verdadeira Lei, o que a própria história nos conta, ao rememorarmos o passado. Na sequência, explicou citando as ações do Grande Mestre Tien-tai e do Grande Mestre Dengyo, conforme consta: “Na China, sob o Imperador de Sui, o Grande Mestre Tien-tai refutou as doutrinas errôneas dos dez mestres – três do Sul e sete do Norte – para pacificar a desordem do país. No Japão, sob o Imperador Kammu, o Grande Mestre Dengyo vetou as calúnias à Lei das seis escolas da capital do Sul e afastou os malfeitores de outro reino (outra localidade dentro do Japão)”. Voltando ao tempo, no período das Dinastias Sul e Norte da China (440 ~ 589 d.C.), o país estava dividido em dois impérios – Norte e Sul, e era uma época de conflitos incessantes entre os dois. Havia sete líderes do budismo no Norte e três no Sul, mas eles não consideravam o Sutra de Lótus como supremo, e ora indicavam ensinamentos errôneos para os reis, ora os propagavam para seus discípulos e o povo em geral. Nessa circunstância, o Grande Mestre Tien-tai revelou a veracidade e a importância do Sutra de Lótus, e o rei, que acreditou em seu ensino e protegeu a Lei, pôde unificar o Norte e o Sul para formar o reino denominado Sui. No Japão, No Período Heian (797 d.C.), havia sacerdotes como séquitos do Imperador Kammu para lhe ensinar o budismo. Nessa época estavam ocorrendo revoltas internas uma atrás da outra e não era, de forma alguma, um período tranquilo. As religiões do Japão eram denominadas de seis escolas da capital do Sul e eram outorgadas pelo país. Nenhuma delas se baseava no Sutra de Lótus. Nessa circunstância, o Grande Mestre Dengyo percebeu que o Sutra de Lótus era o supremo. Assim, dirigiuse para a China para estudar o Sutra de Lótus e voltou para o Japão levando-o consigo. Pediu então ao imperador a permissão para estabelecer uma religião em separado, fora dessas seis escolas da capital do Sul. E, ao governar o país tendo o Sutra de Lótus como supremo, os conflitos internos K A I S E N
cessaram e foi possível manter uma sociedade segura e tranquila. Na sequência, de acordo com a afirmação: “De modo geral, seja no budismo, seja em outras esferas, abandonar o mal e manter o Bem é um dito dourado do Tathagata e uma boa política a ser seguida por um soberano sensato”, expõe que quando aquele que governa abandona o mal e adota uma religião benéfica, isso levará à paz – um princípio imutável desde o passado até o presente. Na continuação consta: “Porém, as desgraças naturais, a decadência e a desordem do país nos últimos tempos estão se agravando cada vez mais à medida em que os anos passam. Considerando isso, como poderia haver a necessidade de discutir, a essa altura, se não seria ineficaz o budismo ao qual as pessoas que governam a sociedade se devotam no presente?”. Citei no início que eram muitas as desgraças, tais como epidemias, escassez de alimentos e tremores de terra. Muitas pessoas nada podiam fazer, a não ser apenas orar para diversos Budas. As autoridades da época chamavam os sacerdotes de alta hierarquia para contratá-los para orar em prol da melhoria da sociedade. Entretanto, quanto mais esses sacerdotes oravam, entoando os sutras para o Buda, mais a situação se agravava. Nikko Shonin está afirmando, considerando tais fatos, que: “Mesmo que eu não diga nada, ao observar é possível constatar que a situação está se agravando porque o budismo ao qual estão se devotando é errôneo, não é mesmo?”. Prosseguindo, consta: “O Sutra de Lótus que Nichiren Daishonin propaga na Era do Fim do Darma é o ensino do Portal Original. Isso obedece a sequência da transmissão do Buda Sakyamuni, algo que também está claramente comprovado nas interpretações do Grande Mestre Dengyo”. Assim, explica qual é a Lei que deve ser propagada no presente. Há a divisão do período de mil anos após o Buda Sakyamuni ter revelado a Lei como Era da Vigência do Darma; do período de mil anos seguintes como Era da Formalidade do Darma; e do restante, período em que vivemos, como Era do Fim do Darma. Quanto a isso, o Buda Sakyamuni, em sua preleção, explicou que o poder da Lei revelado por ele perderia a eficácia após dois mil anos. O período em que o Grande Mestre Tien-tai e o Grande Mestre Dengyo atuaram foi na Era da Formalidade do Darma. No Capítulo Nyorai Jinriki, vigésimo primeiro do Sutra de Lótus, o Buda Sakyamuni transmitiu a Lei, na íntegra, para o Bodhisattva Jogyo, legando-lhe a propagação na Era do Fim do Darma. Foi Nichiren Daishonin quem nasceu na Era do Fim do Darma como Bodhisattva Jogyo renascido. Afirma que, portanto, obedecendo a sequência, na Era do Fim do Darma é importante acreditar no Budismo de Nichiren Daishonin em vez de ensinamentos do Buda Sakyamuni, Tien-tai ou Dengyo. E então menciona: “Em prol do budismo, em prol da legislação do imperador, deve o quanto antes averiguar a razão que a tudo rege e definir rapidamente a sua decisão”. N º 2 2 7
89
Assim, insiste com veemência para que, caso realmente se importe com o budismo e a política, abandone o budismo em que veio acreditando até aquele momento e imediatamente passe a seguir o Budismo de Nichiren Daishonin. Além disso, afirma: “Afinal, depois de entrar na Era do Fim do Darma, enquanto não estabelecer o ensino do Sutra de Lótus do Portal Original, as desgraças do país agravarão a cada dia e os tumultos de dentro e de fora vão se tornar mais intensos a cada ano que passar”. Menciona que, enquanto não estabelecer o Sutra de Lótus do Portal Original, adequado à Era do Fim de Darma, ou seja, o Budismo de Nichiren Daishonin, as desgraças do Japão aumentariam ainda mais do que naquele momento e intensificariam também os conflitos e disputas pelo poder dentro do país. Prosseguindo, consta: “A razão disso foi averiguada e relatada em obras como “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”, escritas pelo meu mestre antecessor – Nichiren Daishonin, e cujo teor era plenamente coerente”. Em “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”, que Nichiren Daishonin apresentou a Hojo Tokiyori, autoridade da época, consta a previsão de que, das sete calamidades reveladas no Sutra Yakushi, ocorreriam a da invasão por país estrangeiro – sofrer ataques por nação estrangeira; e a do conflito interno – disputas entre autoridades, que alguns anos depois aconteceram de fato. Nikko Shonin relata às autoridades que, por realmente terem ocorrido, o Budismo de Nichiren Daishonin é correto. E, como conclusão dessa obra, menciona: “Portanto, se
K A I S E N
combater o mais rápido possível as calúnias à Lei dos sutras pré-Sutra de Lótus do Portal Transitório e estabelecer a Verdadeira Lei do Sutra de Lótus do Portal Original, a sociedade será administrada com segurança e tranquilidade e o país estará a salvo. Em prol da sociedade, em prol da Lei, eu, Nikko, venho lhes relatar, reiteradamente. Março de 1330 (2.º ano da Era Gentoku), Nikko”. E afirmou, como conclusão de sua obra: “Caso cessar a crença nos sutras pré-Sutra de Lótus do Portal Transitório, revelado antes do Sutra de Lotus, realizar o shakubuku e seguir o Budismo de Nichiren Daishonin, o Japão se tornará pacífico. Remeto-lhe esta obra, sucedendo Nichiren Daishonin, para a paz dessa sociedade e em prol do budismo. Assinado: Nikko”. Até o momento explanei sobre a petição de Nikko Shonin. Justamente pelo fato de Nikko Shonin ter presenciado sempre de perto as preleções e o comportamento de Nichiren Daishonin é que foi possível para ele assimilar corretamente a doutrina. É importante que nós também nos dediquemos à prática da fé da mesma forma que Nichiren Daishonin, tomando como exemplo os sucessivos Reverendíssimos Soberanos da Lei. E nós temos a missão de fazer com que o Brasil, país onde vivemos, torne-se pacífico o mais rápido possível, bem como fazer com que o mundo inteiro, num plano mais amplo, também se torne pacífico. Vamos abraçar devidamente as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei e do Reverendo Prior, e dedicar com a harmonia entre clérigos e adeptos e com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin!
N º 2 2 7
90
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 3 de novembro de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu do mês de novembro do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores. Pois bem, o Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta: Para o shakubuku, é necessário que se tenha poder de persuasão. Caso o poder de persuasão seja insuficiente, a pessoa [com quem falarmos] terá dificuldades para acreditar. Portanto, é preciso adquirir esse poder de persuasão. Porém, o simples fato de se ter habilidade com as palavras, não vai levar à conversão de uma pessoa. Nichiren Daishonin afirma na escritura “Carta a Horen (Horen Sho)”: Para os mortais comuns, é difícil de se crer neste Sutra. Assim, que serventia haveria em exercitá-lo? Analisando esse fato, se uma pessoa for capaz de evidenciar a prova diante dos seus olhos, no presente, e revelar este Sutra, haverá pessoas que virão a acreditar nele. (Heisei Shinpen Gosho, pág. 814)
Isto é, menciona que o maior poder de persuasão no shakubuku é evidenciar, como provas reais, os benefícios da prática da fé. Ou seja, embora se diga: “se praticar essa fé será feliz”, caso não tenha nada para evidenciar isso, não vai adiantar. [...] O shakubuku de nada servirá, caso a pessoa não consiga acreditar no que falamos. O shakubuku não será concretizado se não houver palavras, comportamentos e intenções [condizentes] para que sejamos merecedores da confiança da pessoa com quem falamos. Devemos estar muito bem cientes de que, quando nos dedicamos à prática para si e para os outros com a fé absoluta no Dai-Gohonzon, com os benefícios amplos da Lei Mística, nós nos transformamos, e a pessoa com quem falamos também se transforma de modo que o shakubuku possa ser concretizado. Desejo que todas as pessoas se conscientizassem devidamente sobre esse fato, recitassem o daimoku e que se lançassem ao shakubuku com coragem. No presente, a Nichiren Shoshu, com todos os seus clérigos e adeptos, está avançando em prol da concretização da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até
K A I S E N
o ano de 2021. Numa época como esta, gostaria que todos os senhores, sem nenhuma exceção, se levantassem em prol do shakubuku, para que sem falta alcancemos a meta que juramos para o Gohonzon. A nossa prática da fé, originalmente, é uma prática para si e também para os outros. Não pode ser uma prática apenas para si, como a que consta na escritura: “limitando-se tão somente à prática para si, à recitação” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1594). Quando há a combinação das duas – prática para si e prática para os outros, isto é, o shakubuku, é que se tem o verdadeiro benefício. Acredito que não haja ninguém assim aqui, mas caso alguém esteja pensando: “desde que eu recite o daimoku, isso já bastará”, não é bem assim. Uma prática da fé que abrange a prática para si e para os outros refere-se justamente a isso. Temos [na escritura] que: “deve propagar mesmo que seja uma única frase ou um único verso” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 668), mas caso haja um sentimento como o de partir para uma briga, de ir para acabar com uma pessoa quando for realizar o shakubuku, isso é equivocado. Shakubuku é desejar a verdadeira felicidade da pessoa. E para isso, a persistência é necessária. Não se deve dizer, indo uma única vez: “com aquela pessoa não vai dar certo”. Basta dar um intervalo de tempo para procurá-la novamente. O meu mestre, Kammyo-in sempre dizia: “tenha bastante pessoas a quem realizar a semeadura”. “Se não tiver sucesso com a pessoa A, vá até a B e, se não der certo com essa, procure a C. E depois volte a visitar a casa de A. Realizando o shakubuku, tendo bastante pessoas a quem realizar o shakubuku, sem falta surgirá alguém entre elas que virá dizer “Eu vou praticar também””. Naturalmente que o shakubuku não é algo fácil. Penso que seja difícil. Mas é algo que precisa ser feito. A concretização da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, é a nossa grande aspiração. E kosen-rufu é realizar o shakubuku para o maior número de pessoas [possível]. Não deve ser uma prática da fé limitada tão somente para si. A fonte dos benefícios é a prática da fé que abrange a prática para si e para os outros. E é com ela que nós podemos ser felizes. É por isso que: “deve propagar mesmo que seja uma única frase ou um único verso”. A luta diligente, de dirigir as palavras, mesmo que poucas: “Vamos praticar essa fé?”, para as pessoas, sem falta leva à concretização de um shakubuku. Penso que isso seja do conhecimento, mais do que claro, de todos os senhores, mas peço que não se esqueçam disso para que possamos nos dedicar em conjunto. (Dainichiren, edição de julho de 2019, pág. 46 a 49)
Resta-nos menos de dois meses para o término do “ano de progredir com entusiasmo”. Reverenciando essa orientação de hoje, qual deve ser o nosso pensamento? Que ainda N º 2 2 7
91
temos dois meses ou que temos apenas dois meses? Pensando nisso, vamos conduzir as ações dia após dia, dedicando-nos ainda mais à prática da fé para si e para os outros. Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no
decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu deste mês. Muito obrigado.
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 10 de Novembro de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de novembro do “ano de progredir com entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês para, assim, retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Esta obra foi escrita em 11 de fevereiro de 1271 (9.º ano da Era Bun-ei), em Sammaido de Tsukawara, Ilha de Sado, quando Nichiren Daishonin estava com 51 anos de idade. É uma carta em resposta à pergunta do discípulo Sairen-bo sobre a pulsação vital suprema da vida e da morte. Sairenbo, um sacerdote estudioso da escola Tendai, estava morando na Ilha de Sado na condição de exilado, mas veio a se devotar a Nichiren Daishonin, tomando como oportunidade o debate de Tsukawara em 1271 (9.º ano da Era Bun-ei). Nessa escritura, Nichiren Daishonin refere-se à pulsação vital suprema da vida e da morte: Myoho-Rengue-Kyo é isso. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 513)
E adicionalmente revela a profunda doutrina pela qual todos os seres podem atingir a Iluminação. Especialmente na frase que lemos respeitosamente, ensina que para a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – é imprescindível corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, e expõe que, com essa postura de prática da fé, fluiria a pulsação vital suprema da vida e da morte, possibilitando assim, pela primeira vez, a Iluminação na forma presente e a concretização da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu. Pois bem, falarei brevemente sobre a pulsação vital K A I S E N
suprema da vida e da morte que consta também do título. Da vida e da morte refere-se à condição das nossas vidas. No presente, recebemos a vida na forma de seres humanos. E, pela causa e relação, receberemos a nossa morte. A vida e a morte não estão desconectadas uma da outra. Estão, sim, exercendo influência entre si por meio das leis de Causa e Efeito e de Causa e Relação. Digamos que isso seja semelhante à diferença de quando estamos acordados e de quando estamos dormindo. Quando despertamos, realizamos nossos afazeres, e dormimos para poder realizar os próximos. Enquanto estamos dormindo, a nossa vida e o nosso corpo também continuam em atividade. Se pudermos ter um sono de boa qualidade, após acordarmos também desenvolveremos atividades de boa qualidade. Caso não consiga ter um sono adequado, certamente também não será possível realizar as atividades de forma satisfatória. Assim, a vida e a morte representam a nossa vida que existe eternamente. As pessoas que desconhecem a Verdadeira Lei ficam desencaminhadas sobre a vida e a morte e, apegadas às distrações da existência presente, não pensam no futuro e não agem para acumular boas causas. Quanto à “suprema”, tradução do termo ichidaiji em japonês, composto de três ideogramas: ichi (um, único), dai (grande, elevado) e ji (real), Nichikan Shonin afirma na obra “Sobre o que Está Oculto nas Profundezes das Escrituras (Montei Hichin Sho)”: Ichi – refere-se ao Objeto de Devoção do Portal Original porque este é o supremo objeto de devoção do mundo todo. Dai refere-se ao Supremo Santuário do Portal Original porque este é superior a todos os santuários, sejam os dos ensinos expedientes e objetivos, sejam os do Portal Transitório. Ji refere-se ao daimoku do Portal Original porque este exercício de aprimoramento é efetivamente para a Iluminação, se comparado ao daimoku teórico, revelado pelo Grande Mestre Tien-tai. Interpretação, Sobre os Seis Compêndios (Rokkan Sho), pág. 41
Assim, pulsação vital suprema da vida e da morte indica a suprema importância do budismo e o fato de o Buda, com sua grandiosa benevolência, buscar a salvação das pessoas desencaminhadas em relação à vida e à morte, isto é, indica o fato de as Três Grandes Leis Secretas existirem permanentemente através das três existências, na eternidade sem início e sem fim.
N º 2 2 7
92
E pulsação vital da Lei representa o fato dessas Três Grandes Leis Secretas serem transmitidas pelo mestre aos discípulos da mesma forma que as veias alcançam todos os órgãos do corpo. De que forma deverá exercitar este budismo para atingir a Iluminação? É com a prática da fé com base na relação mestre-discípulo. Portanto, essa escritura revela sobre o que é a verdade do Buda e sobre a grande tarefa de como transmitir essa verdade a todos os seres. Iniciarei então, a leitura respeitosa da frase: Em suma, denomina-se pulsação vital suprema da vida e da morte a recitação do Nam-Myoho-Rengue-Kyo pelos discípulos e adeptos de Nichiren em corpos diversos com o mesmo propósito, sem desarmonia, estabelecendo uma ligação como a de água e peixe. “Em suma” é o oposto de “no sentido mais específico”. Ou seja, ensina que, quando nós, adeptos de Nichiren Daishonin, recitamos o Nam-Myoho-Rengue-Kyo com o espírito de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – ao Dai-Gohonzon inscrito por Nichiren Daishonin, a pulsação vital suprema da vida e da morte flui. A pulsação vital suprema da vida e da morte específica são as Três Grandes Leis Secretas, ou seja, o fato de a vida do Buda Original Nichiren Daishonin existir eternamente para prover continuamente o benefício da Iluminação a todos os seres. A “ligação como a de água e peixe” indica a necessidade do peixe em relação à água. Ou seja, é uma analogia de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Sobre corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, o 67.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nikken Shonin nos orienta: Os discípulos e adeptos de Nichiren Daishonin estão abraçando, mantendo e seguindo, da mesma maneira, a suprema e grandiosa Verdadeira Lei, denominada Lei Mística. Portanto, não podem ter o mesmo aspecto dos ateus ou dos que creem em diversas leis errôneas da sociedade, que estão sempre manifestando opiniões ou argumentos contrários e atacando uns aos outros em decorrência disso. As pessoas que creem na Lei Mística devem abandonar as diferenças entre si e as demais e o pensamento de segregar isso e aquilo. Devem, sim, ter a harmonia como a que há entre a água e o peixe que formam um só corpo. Embora sejam corpos diferentes, devem ter a profunda ciência de que o coração, de manter a Lei Mística, é o mesmo. Recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo é a pulsação vital suprema da vida e da morte – isto é, o caminho direto para a Iluminação. Corpos diversos com propósitos diferentes tornam-se a causa para o surgimento de conflitos, decorrentes de opiniões diferentes e do sentimento de diferenciação. E, por essas causas negativas, enquanto estiver vivo, acumulará más causas e, na hora da morte, surgirão os sofrimentos agonizantes dos últimos momentos para cair no mau caminho. Em suma, com os benefícios de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, todos alcançarão a Iluminação, e isso é a materialização efetiva da pulsação vital suprema da vida e da morte. (Tudo, a partir da Recitação de Daimoku, pág. 33)
K A I S E N
Primeiramente, afirma que os companheiros da Hokkeko, que seguem igualmente a Verdadeira Lei de Nichiren Daishonin, não devem ter o comportamento semelhante ao das pessoas que desconhecem a Verdadeira Lei. Afirma, além disso, que não devem entrar em conflito por causa da diferença entre a opinião que possuem e a de outras pessoas. O fato de estarmos aqui, reunidos perante o Gohonzon do Templo para ouvirmos a preleção é algo realmente precioso. A finalidade disso é aprendermos juntos o ensino de Nichiren Daishonin, alcançar a Iluminação na forma presente, além de buscar a Iluminação de outras pessoas e a tranquilidade do país e da sociedade. Nós nascemos nesta existência presente como seres humanos em decorrência de uma profunda relação causal, e estamos aqui, neste momento, como membros da Hokkeko do Templo Shoboji. Não é fácil ter a oportunidade de encontrar com companheiros que possuem esse objetivo precioso. É algo realmente gratificante o fato de poderem frequentar o templo onde encontra-se consagrado o Joju Gohonzon dessa forma. Caso consigam compreender corretamente essa situação privilegiada, serão capazes de enfrentar e superar com tranquilidade quaisquer que sejam as dificuldades que venham a ocorrer, e esses companheiros são os membros da Hokkeko. O mais importante quanto a corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – é para onde todas as pessoas devem voltar o seu foco para estabelecer esses corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Nichinyo Shonin orienta: Corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – não é meramente o fato de todos serem amistosos um com o outro. É preciso gravar devidamente no âmago de seus corações que é reverenciar o propósito sagrado de Nichiren Daishonin, entregar o seu coração ao Gohonzon, e voltar o foco para o único ponto – da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, com as mesmas ações efetivas. (Dainichiren edição n.º 840, pág. 34)
Caso veja o budismo com base em seu próprio coração, cairá na visão egoística. E, desse modo, corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, em seu verdadeiro sentido, não serão concretizados. Ao entregar o seu coração ao budismo, serão estabelecidos corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, em seu verdadeiro sentido. Ou seja, a verdadeira união de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – será manifestada quando, em vez de tomar o próprio coração como centro, o entregarem ao budismo, focarem a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, realizarem as mesmas ações efetivas, e se dedicarem ao shakubuku em prol da concretização da meta jurada ao Gohonzon. (Dainichiren edição n.º 782, pág. 25)
Além disso, o Reverendíssimo Soberano da Lei antecessor, Nikken Shonin, nos orientou na ocasião da Cerimônia Comemorativa do Estabelecimento do Templo Shoboji: O fato deste templo ter sido majestosamente estabelecido deve-se à dedicação dos senhores adeptos aos exercícios de N º 2 2 7
93
aprimoramento da Grandiosa Lei, com a união harmoniosa fundamentada na prática da fé, em conformidade com a frase sagrada sobre os corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, sob a proteção dos Três Tesouros do Budismo de Semeadura. Acredito que ao se ter como cerne essa prática da fé com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, a confiança e o apoio mútuo serão estabelecidos e os benefícios da Lei Mística serão amplamente transmitidos também no futuro. (Dainichiren, edição n.º 714, pág. 60)
É importante ter um bom relacionamento entre amigos. Mas a orientação é a de que o mais importante é que os corpos diversos tenham o mesmo propósito do Buda. Além disso, Nichiren Daishonin afirma na escritura “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)”: Quem demonstra a falsa afetividade sem ter benevolência é seu inimigo. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 577)
Em vez de amizade superficial, devemos ter benevolência, ou seja, tomar atitudes em prol da felicidade da pessoa. Além disso, Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre os Quatro Estágios da Fé e Cinco Tipos de Prática (Shishin Gohon Sho)”: Questionamento: Qual seria a condição de vida que poderia ser alcançada por um discípulo do senhor sem nenhuma compreensão acerca do budismo, ao recitar o Nam-MyohoRengue-Kyo? Resposta: Essa pessoa além de superar a condição alcançada com o ensino perfeito revelado nos sutras préSutra de Lótus, supera – e muito – os patriarcas como: Zemmui, Chih-yen, Tzu-en, Kichizo, Tao-hsuan Bodhidharma e Shandao, de todas as escolas, entre elas, Shingon. Portanto, as pessoas de todo o país não devem menosprezar o meu discípulo. (Interpretação, Heisei Shimpen Gosho, pág. 1115)
Mesmo que seja alguém que tenha iniciado a prática hoje, se recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo acreditando no DaiGohonzon, terá uma condição de vida elevada assim. Especialmente nós, que estamos almejando a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, a grande aspiração do Buda Original, é indispensável que tenhamos, literalmente, o mesmo propósito e a postura de avançarmos juntos, conforme Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre Corpos Diversos com o Mesmo Propósito (Itai Doshin Ji)”: Com corpos diversos com o mesmo propósito tudo se realizará, mas com um mesmo corpo com diversos propósitos nada se realizará [...] (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1389)
Ainda com relação a isso, o 31.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nichiin Shonin orienta: Na organização, deve-se ter corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – para que não haja distanciamento do propósito [do Buda] no futuro também. Se ocorrer de uma pessoa cair no Inferno, a organização como um todo deverá salvá-la. Se ocorrer de uma pessoa atingir a
K A I S E N
Iluminação, esta deverá guiar os demais membros da Hokkeko para conduzi-los até a terra pura do Pico da Águia. Interpretação, As Doutrinas dos Dez Compêndios (Jikka Jo Homon)
Conforme essas orientações, é importante que todos nós estejamos alinhados ilimitadamente ao propósito de Nichiren Daishonin e que avancemos realizando o shakubuku com todas as forças, focando a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, com união harmoniosa, sem jamais desprezar os companheiros. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: E, afinal, essa é a essência do que eu, Nichiren, propago no presente. Se assim o fizer, até a grande aspiração da propagação irrestrita da Lei será alcançada. Ou seja, é um dito dourado, de convicção de que, se nós, da Hokkeko, transmitirmos a Verdadeira Lei com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, a propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu – sem falta será concretizada. No Capítulo Yakuo Bosatsu Honji, 23.º do Sutra de Lótus, consta: No último período de quinhentos anos após o meu falecimento, será amplamente propagado em Jambudvipa, e não haverá de ser extinta. (Sutra de Lótus, pág. 539)
Essa é uma predição de que, no último período de quinhentos anos, ou seja, na Era do Fim do Darma, o Buda Original faria o advento para propagar a Lei Mística. Esse Buda Original está afirmando, de forma tão categórica, sobre a importância de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Precisamos gravar isso firmemente no âmago de nossos corações. Prosseguindo, temos a última passagem: Entretanto, se houver alguém em corpos diversos com propósitos diferentes entre os discípulos de Nichiren, será, por exemplo, como um guardião causar a ruína do castelo. Nessa passagem, Nichiren Daishonin orienta rigorosamente aqueles que não possuem o ideal de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Ou seja, orienta que é como se aqueles que originalmente possuíam a missão de proteger o castelo, gerassem as causas para destruir esse castelo. Embora tenha recebido a cerimônia de gojukai e que se autodenomine membro da Hokkeko, as ações de pessoas com corpos diversos com propósitos diferentes – itai ishin – destroem o templo – o castelo da Lei – e a Hokkeko, que é a sua organização, levando à destruição do próprio budismo. A frase deste mês é uma orientação sobre a importância da pulsação vital suprema da vida e da morte e de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Sobre corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, como devemos considerá-lo efetivamente? Nós estamos filiados ao templo como membros da Hokkeko. E há pessoas com as missões de diretor representante dos adeptos – koto, de vicediretor representante dos adeptos – vice-koto e de coordenadores do núcleo. Por que precisamos de uma organização assim? Na frase que lemos respeitosamente consta: “[...] N º 2 2 7
94
denomina-se pulsação vital suprema da vida e da morte a recitação do Nam-Myoho-Rengue-Kyo pelos discípulos e adeptos de Nichiren [...]”. Em outras palavras, contém o significado de que: “a pulsação vital suprema da vida e da morte flui somente para os clérigos e os adeptos da Nichiren Shoshu que exercitam a prática da fé conforme as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei que possui a Pulsação Vital da Lei”. Existem dois significados para a “pulsação vital” – pulsação vital de uma pessoa para uma única pessoa e a pulsação vital da prática da fé. A pulsação vital de uma pessoa para uma única pessoa refere-se à pulsação vital pela qual Nichiren Daishonin legou para Nikko Shonin o budismo na íntegra, e assim sucessivamente para o 3.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nichimoku Shonin, para o 4.º Reverendíssimo Soberano da Lei, sendo dessa forma transmitido rigorosamente aos Reverendíssimos Soberanos da Lei subsequentes, de uma pessoa para uma única pessoa. A pulsação vital da prática da fé indica a pulsação vital que flui nas pessoas que creem e abraçam o Dai-Gohonzon do Supremo Santuário do Portal Original e que se dedicam no caminho do Buda conforme as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei, que possui a pulsação vital da Lei de uma pessoa para uma única pessoa. Além disso, na conclusão dessa escritura, Nichiren Daishonin declara categoricamente: Embora mantenha o Sutra de Lótus, não havendo a pulsação vital da prática da fé, não haverá benefícios. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 515)
Ou seja, se não houver a pulsação vital da prática da fé, por mais que se dedique à fé e à prática, não será possível receber o grandioso benefício da Iluminação. Os sacerdotes estão transmitindo o ensino de Nichiren Daishonin em cada templo de acordo com as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei que herdou essa pulsação vital da prática da fé. E as pessoas da Hokkeko que frequentam o templo estão transmitindo essa Verdadeira Lei com os exercícios de shakubuku a quem ainda não conhece o budismo. E, assim, com o fluir da pulsação vital, a Verdadeira Lei é propagada e o mundo como um todos poderá se transformar no verdadeiro país do Buda. Essa é a nossa missão, de Bodhisattvas da Terra, à qual Nichiren Daishonin se refere. Ou seja, a Hokkeko é a organização que tem como objetivo a Iluminação na forma presente de todos os integrantes da Hokkeko, por meio da realização da prática da fé correta com as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei, da superação e do enfrentamento das mais diversas dificuldades com os benefícios do Dai-Gohonzon. Ser diretor representante dos adeptos – koto, vice-diretor representante dos adeptos – vice-koto e coordenadores do núcleo, é um tipo de missão, da mesma forma que participar dos grupos de Seiri, Keibi e Mamorukai. É possível acumular virtudes quando se busca cumprir a missão que lhe foi confiada com toda as suas forças. Naturalmente que não existe algo como os benefícios das pessoas que não possuem responsabilidades como as que citei serem
K A I S E N
menores. Seja sacerdote, seja um diretor representante dos adeptos – koto, seja alguém que mora longe do templo, seja alguém que consegue frequentá-lo todos os dias, o importante é cumprir a missão que possui com a dedicação de todas as suas forças. Não existe algo como poder alcançar ou não a Iluminação ou acumular mais ou menos as virtudes de acordo com a posição que ocupa, experiências que possui ou duração da prática da fé. O futuro depende das causas que estão sendo geradas no presente. Esse é o ensino de Nichiren Daishonin. Portanto, independentemente da posição, contanto que realize a prática da fé em conformidade com as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei, qualquer pessoa poderá gerar, igualmente, as causas para a Iluminação na forma presente e desfrutar a condição de vida de Buda. Atualmente, na Hokkeko do Brasil, diretor representante dos adeptos – koto, vice-diretor representante dos adeptos – vice-koto, kanji e coordenadores de núcleo estão se esforçando dedicadamente em prol do crescimento e prosperidade do templo. Além disso, muitas pessoas estão cumprindo as suas respectivas missões, participando no Seiri, Keibi, recepção, atendimento, arrumação interna do templo, limpeza e em outras atividades. É um aspecto realmente precioso e estou muito grato por isso. Podemos dizer que pessoas em corpos diversos com propósitos diferentes – itai ishin, são pessoas que visam criar obstáculos à pulsação vital da prática da fé que flui de Nichiren Daishonin e do Reverendíssimo Soberano da Lei. Especialmente conforme consta da frase da escritura “Sobre os Quatro Estágios da Fé e Cinco Tipos de Prática (Shishin Gohon Sho)”, os membros da Hokkeko possuem uma condição de vida e missão incomparavelmente preciosas e elevadas em relação às pessoas que são adoradas como patriarcas nas outras religiões. Caso cometa calúnias e difamações contra uma pessoa assim, acabará violando a frase que citei há pouco e acabará gerando uma grande causa negativa na existência presente. O que deve fazer para não gerar uma causa negativa assim? Se compreender o significado de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin e dedicar-se ao exercício de shakubuku, a sua vida naturalmente se transformará para alcançar uma condição de vida que deixa de gerar más causas. Vamos, portanto, fortalecer ainda mais o nosso vínculo de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – e dedicar todas as nossas forças em prol do shakubuku e da propagação do ensino, para atingirmos a meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko” tendo sempre como base as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei. Orando pelo sucesso e saúde cada vez mais vigorosos dos senhores, gostaria de fazer destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado. N º 2 2 7
95
Recitação Especial de Oko Orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin 13 de novembro de 2019
Na escritura “A Recitação de Daimoku do Sutra de Lótus (Sho Hokke Daimoku Sho)”, Nichiren Daishonin ensina o seguinte: [...] na Era do Fim do Darma, são muitos os que não possuem o Bem e poucos os que o possuem. Por essa razão, não há dúvida de que cairão no mau caminho. Sendo assim, deve insistir em explanar e fazer com que ouçam o Sutra de Lótus para estabelecer a relação de tambor envenenado. Não há dúvida de que esta é a época para revelar o Sutra de Lótus Lei e fazer com que se estabeleça a relação de tambor envenenado. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 231)
Como se sabe, a “relação de tambor envenenado” também é conhecida como relação de oposição. Revelar e fazer com que os seres das calúnias à Lei ouçam o Sutra de Lótus, isto é, no caso desta Era do Fim do Darma, o MyohoRengue-Kyo oculto nas profundezas do Budismo de Semeadura, faz com que estabeleçam a relação com a Lei Mística, o que será a causa para a Iluminação. No Sutra do Nirvana, consta que é como um tambor pincelado de veneno. Ao ser batucado no meio do povo, todos aqueles que o escutam morrem instantaneamente, independente de ter desejado ouvi-lo ou não. Como afirma nesse sutra, quando um tambor coberto de veneno é tocado, aqueles que o escutam sem falta morrem instantaneamente, mesmo que não desejem ouvi-lo. Em outras palavras, mesmo que não confie na Verdadeira Lei e se oponha a ela, acabará vencendo os desejos mundanos e atingindo o estado de Buda pelo fato de ouvir o Sutra de Lótus. A metáfora de tocar um tambor pincelado de veneno se refere a isso. Uma vez que todos os seres vivos possuem inerentemente a natureza de Buda, eles podem alcançar a iluminação ouvindo a Verdadeira Lei ao serem despertados para ela e praticando-a. Na escritura “Sobre a Iluminação dos Principiantes do Sutra de Lótus (Hokke Shoshin Jobutsu Sho)”, Nichiren Daishonin ensina:
K A I S E N
Ouvir o Sutra de Lótus que faz com que se torne Buda, será a semente para que, sem falta, venha a atingir a Iluminação. Por essa razão que Tien-tai e Miao-lo, seguindo esse princípio, expõem [nas suas obras de interpretação] que se deve revelar, com veemência, o Sutra de Lótus. Fazendo uma analogia, é como uma pessoa que tropeça no chão, cai e se levanta, apoiando-se nesse chão. Mesmo que caia no inferno, levantar-se-á e rapidamente se tornará Buda. Como as pessoas da Era do Fim do Darma indubitavelmente cairão no inferno pelo erro de se opor ao Sutra de Lótus, haja o que houver, veementemente ensine e faça com que ouçam o Sutra de Lótus. As pessoas que acreditarem se tornarão Budas. Aquelas que caluniarem se tornarão Budas pela relação do tambor envenenado. De qualquer modo, não há outra semente de Buda além do Sutra de Lótus. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1316)
Nessa escritura, Nichiren Daishonin afirma precisamente que, se as pessoas ouvirem o Sutra de Lótus, que permite a elas alcançar o estado de Buda, isso semeará a semente do estado de Buda em suas vidas e, por fim, atingirão sem falta a Iluminação. Nichiren Daishonin ensina que as pessoas no mundo saha podem "alcançar o estado de Buda por meio de seus ouvidos (nikon tokudo)". Isso significa que as pessoas podem alcançar a iluminação ouvindo o Sutra de Lótus. Portanto, é essencial ensinar o Budismo de Nichiren Daishonin ao maior número de pessoas possível. Atualmente, independentemente das dificuldades ou obstáculos que possam surgir, os membros de cada núcleo da Nichiren Shoshu estão se empenhando ao máximo, com base na união entre clérigos e adeptos, pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”. Tenho certeza de que esses esforços estão sendo testemunhados pelos Três Tesouros e que os senhores também receberão grandes benefícios.
N º 2 2 7
96
Sobre Shichi Go San Reverendo Myoyo Kondoh Matéria de Estudo para o Núcleo de Novembro
No mês de novembro temos o cerimonial do dia de falecimento do 3.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nichimoku Shonin e do Shichi Go San que celebra o desenvolvimento das crianças. Também aqui no Brasil, muitas crianças comparecem ao templo, recebem o [toque] do Gohonzon em suas cabeças e as palavras do sacerdote prior. Penso que possa haver uma pergunta: “o que é o Shichi Go San?”. Esse costume vem da cultura japonesa e gostaria de lhes apresentar um trecho da explicação de um sacerdote prior sobre ele: Hoje é dia 15 de novembro. Para a Nichiren Shoshu é o dia de falecimento do 3.º Reverendíssimo Soberano da Lei Nichimoku Shonin. Na sociedade, o dia 15 de novembro, conforme já sabem, é o dia de celebração de Shichi Go San das crianças – dos “3, 5 e 7 anos”. No Japão, passou-se a celebrar o Shichi Go San no dia 15 de novembro em meados do Período Edo, à época do 5.º shogun Tsunayoshi, que tinha um filho chamado Tokumatsu. O fato dele ter celebrado o Shichi Go San desse filho no dia 15 de novembro acabou sendo gradativamente difundido entre as pessoas da sociedade, e conta-se que com isso passou-se a celebrá-lo anualmente no mês de novembro. Antigamente, parece que eram muitas as crianças que acabavam falecendo ainda na primeira infância. O conceito de higiene não era tão avançado como no presente. E, também, era uma época em que nem todos tinham acesso aos benefícios da medicina e era muito difícil morrer por senilidade. Assim, embora os casais tivessem sete, oito, dez ou então onze filhos, penso que em algumas famílias, somente a metade desses filhos chegavam a crescer. No passado, havia o livro de registro de recenseamento, que corresponde ao registro civil atual. As crianças eram registradas nesse livro não no ato do nascimento, mas sim aos três, cinco ou sete – somente depois de completar ao menos três anos de idade, como se fosse o seu segundo ato de nascimento, pois no período até dois ou três anos ainda não se sabia se elas sobreviveriam. Era uma época em que nem os pais conseguiam ter uma clara certeza de que a criança realmente poderia se desenvolver. Por isso, quando se atingia os três anos, saboreava-se a alegria de ter atingido essa idade. Quando os meninos atingiam os cinco anos, os pais tinham mais certeza quanto ao crescimento do filho, de que ele sucederia os negócios da família, e ficavam esperançosos com o seu desenvolvimento pleno. E assim, passou-se a celebrar de forma festiva, com a veste tradicional de hakama, carregada de esperança e anseio dos pais, e despertando neles mais certezas quanto ao crescimento das crianças. Para as pessoas de uma época em que não havia medicina específica para as crianças nem remédios eficazes, tudo nas crianças dessa faixa etária – seja o conhecimento que K A I S E N
adquiriam, sejam as emoções que manifestavam, sejam as suas palavras, sejam as suas expressões faciais – era encantador. A fase dos três aos sete anos, é realmente muito graciosa, quando começam a entender o que os pais falam, e é também um período em que o amor, essa troca entre os pais e filhos fica evidente, o que para os pais é algo verdadeiramente afortunado. Assim, para as pessoas em geral, o fato de a criança chegar a esse momento de celebração e ter o assento no registro civil como um ser humano, era algo de grande contentamento para os pais. Há alguns séculos, o fato de uma criança nascer em segurança não era usual. Mesmo que nascesse, não se tinha a certeza de que ela cresceria e atingiria a fase adulta. Uma vez doente, era elevado o risco de perder a vida. Portanto, a preocupação com relação ao desenvolvimento dos filhos era maior do que no presente. Assim, essa celebração é um costume importante para não esquecermos o sentimento de cuidar bem das crianças. É natural que os pais tenham o sentimento de desejar que os filhos tenham um crescimento adequado. Por isso, é importante orar firmemente para o Gohonzon, para que as crianças cresçam sem vicissitudes. (Na história, faz-se referência somente para as crianças de três, cinco e sete anos, mas no templo, todas as crianças, de qualquer idade, poderão passar pelo cerimonial de Shichi Go San). É muito importante que os pais que são as pessoas mais próximas das crianças (e também os adultos que possuem vínculos com as crianças) ajam de modo a serem um exemplo para elas. Do ponto de vista da prática da fé, é extremamente importante que visitem juntos o templo, e que estejam à frente na realização do gongyo e do shakubuku. São as crianças que conduzirão a propagação irrestrita da Lei no Brasil no futuro. Assim, além de desejar o desenvolvimento delas, vamos nos dedicar ao gongyo, recitação de daimoku e shakubuku, em prol da propagação irrestrita da Lei do Brasil!
N º 2 2 7
97
Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu 1 de dezembro de 2019
Nesta ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu do mês de dezembro do “Ano de progredir com entusiasmo”, realizamos o exercício de recitação de daimoku sob a liderança do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin no Templo Principal, em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin – com os clérigos e adeptos de todo o mundo, e orei profundamente pela concretização da meta de “estabelecer a estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador, Nichiren Daishonin, em 2021”, e também para que todos os senhores concretizem efetivamente o objetivo de “cada pessoa realizar no mínimo um shakubuku por ano”. Meus sinceros reconhecimentos pela presença de cada um dos senhores. O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin nos orienta: Pois bem, Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre a Doutrina de Três Mil num Instante (Ichinen Sanzen Homon)”: “Ao recitar o Myoho-Rengue-Kyo, a natureza de Tathagata contida no coração manifestar-se-á. Entrando em contato com o ouvido, ele eliminará as causas negativas acumuladas há incontáveis asamkhya de kalpas. Quando manifestar a satisfação, mesmo que por um instante, atingirá a Iluminação na Forma Presente. Mesmo que não acredite, será a semente, que maturada, sem falta o levará a atingir a Iluminação”. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 109)
Ao recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, manifesta-se a natureza de Tathagata, ou seja, o mundo de Buda que as nossas vidas originalmente contêm, pela possessão mútua dos dez mundos. Assim, aqueles que tiverem o contato com a Lei Mística pelo ouvido, sem falta conseguirão eliminar até mesmo as imensuráveis causas negativas que possuírem, com os benefícios amplos e ilimitados da Lei Mística. E ao manifestar a satisfação por ouvir a Lei Mística, ainda que brevemente, será possível atingir a Iluminação na Forma Presente. Além disso, Nichiren Daishonin está afirmando que, mesmo que a pessoa, quando ouvir a Lei Mística, não acredite e se oponha, isso se constituirá numa relação com o Buda, isto é, numa relação de oposição, que será a semente que, maturada, sem falta a levará a atingir a Iluminação. No presente, na Nichiren Shoshu, os companheiros do mundo todo estão avançando vigorosamente em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, e em união harmoniosa em prol do estabelecimento da estrutura organizacional de 800 mil adeptos da Hokkeko, até o octingentésimo aniversário de nascimento do fundador Nichiren Daishonin em 2021. Numa época como esta, faço destes os meus cumprimentos
K A I S E N
orando sinceramente para que, seja no Japão, seja no exterior, dediquemo-nos ainda mais em prol da ampla propagação da Lei Mística em corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin, e, em união harmoniosa, com a convicção de que o Budismo de Semeadura da Causa Original de Nichiren Daishonin, o Buda Original da Era do Fim do Darma, é a Lei Secreta suprema e benéfica, que proporciona a paz no âmbito mundial e a felicidade de toda a humanidade, e cientes de que o primordial, para agora, é a dedicação em prol da propagação da Lei Mística. (Dainichiren, edição de outubro de 2019, págs. 54 a 55)
Além disso, na ocasião da Reunião de Recitação de Daimoku em prol do Kosen-rufu do mês de setembro, realizado no Templo Principal, orientou-nos: Nichiren Daishonin afirma: “O excelente remédio, composto por cem, mil ingredientes, não poderá curar a doença se não for tomado pela boca. É semelhante ao fato de passar fome embora tenha tesouros no depósito, por não saber como abri-lo, ou ao de ter remédio no bolso e não saber como ingeri-lo” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 110). Conforme Nichiren Daishonin revela nessa frase, a prática da fé não é teoria ou conceito, é exercício efetivo. A nossa Iluminação materializa-se pela primeira vez somente com a prática da fé, que é o exercício efetivo, a experiência e a ação. Nós não vamos atingir a Iluminação com meras teorias. É por essa razão que Nichiren Daishonin afirma na escritura “Carta à Masmorra (Tsuchiro Gosho)”: “As demais pessoas que leem o Sutra de Lótus, o fazem somente com a boca; ainda que o leiam com a boca, não o fazem com o coração; ainda que o leiam com o coração, não o fazem com o corpo. É muito nobre que pratique simultaneamente com a dualidade corpo-mente” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 483). Portanto, ainda que compreenda esse dito dourado em seu coração, caso não o coloque efetivamente em prática e o experimente, ele não lhe terá nenhum valor. O benefício amplo e ilimitado do Gohonzon também não virá a ser seu. De fato, o mesmo se aplica com relação ao shakubuku. (Dainichiren, edição de outubro de 2019, págs. 60 a 61)
Resta-nos apenas este mês para o término deste ano. É preciso que todos nós tenhamos sempre a intenção de realizar o shakubuku e, acreditando no benefício amplo e ilimitado deste Myoho-Rengue-Kyo, o transmitamos para o maior número de pessoas possível, seja pela relação de concordância, seja pela relação de oposição. Conforme consta nas escrituras e também nas orientações, somente poderemos alcançar o verdadeiro benefício desta Lei Mística com a prática efetiva e com a experiência. Vamos continuar a nos dedicar até o último dia deste “ano de progredir com entusiasmo”, guardando essas orientações em nossos corações. N º 2 2 7
98
Orando sinceramente pelo sucesso e saúde de todos no decorrer deste mês, faço destas palavras os meus cumprimentos. Meus sinceros reconhecimentos pela sua participação nesta Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosenrufu deste mês. Muito obrigado.
Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão 8 de Dezembro de 2019
Neste momento em que celebramos o Oko de dezembro do “ano de progredir com entusiasmo”, com profundo sentimento de retribuição aos Três Tesouros pelas dívidas de gratidão, realizamos a leitura da liturgia e a recitação do daimoku, juntamente com os senhores presentes. É extremamente gratificante o fato de poder contar com a presença dos senhores, apesar de seus inúmeros afazeres. É uma satisfação poder celebrar esta cerimônia para, juntos, retribuirmos pelas dívidas de gratidão. Durante a leitura da liturgia, o gokuyo dos senhores foi oferecido ao Gohonzon e transmiti a ele o puro espírito com que o realizaram. Orei também pelo vigor da prática da fé, extinção dos carmas negativos, tranquilidade nos lares, ausência de incidentes e realização dos desejos de cada um dos senhores participantes. Meus sinceros reconhecimentos pela sua presença. Pois bem, realizarei uma breve preleção da frase sagrada deste mês para, assim, retribuir pelas dívidas de gratidão ao Buda. Esta obra foi escrita em 1276 (2.º ano da Era Kenji), em Minobu. Conta-se que foi concedida à Monja Konichi, moradora de Amatsu, em Awa (atual cidade de Kamogawa, província de Chiba). Supõe-se que a Monja Konichi tenha recebido o shakubuku do filho, Yashiro, que já havia se devotado a Nichiren Daishonin, e que ela tenha ingressado na prática da fé juntamente com o esposo. Nesta escritura, Nichiren Daishonin citou a chegada do ofício da Mongólia em 1268 (5.º ano da Era Bun-ei) para evidenciar que havia se concretizado a previsão que fizera sobre a “invasão por um país estrangeiro” na obra “O Bem da Terra Baseado no Estabelecimento da Verdade (Rissho Ankoku Ron)”; revelou, além disso, sobre o seu “abrir o transitório e revelar o Verdadeiro (hosshaku kempon)” com a Perseguição de Tatsunokuchi; mencionou, na sequência, o exílio à Ilha de Sado e a obra “A Abertura dos Olhos (Kaimoku Sho)”, na qual revelou o Objeto de Devoção na Forma de Pessoa; e continuou o relato detalhado sobre as circunstâncias de seu estabelecimento em Minobu. Portanto, é uma obra valiosa que retrata com fidelidade o período essencial da doutrinação de toda a vida de Nichiren Daishonin. K A I S E N
No trecho que lemos respeitosamente, Nichiren Daishonin incentivou vigorosamente seus discípulos e adeptos a jamais sucumbir diante de qualquer obstáculo e, com a determinação de “propagar a Lei, arriscando a vida (shishin guho)”, a realizar o shakubuku de refutar o errôneo e revelar o Verdadeiro (haja kensho), dando continuidade ao propósito de Nichiren Daishonin. Nas eras da Vigência e da Formalidade do Darma, após o falecimento do Buda Sakyamuni, inúmeros eruditos e sábios surgiram na Índia, China e Japão, e eles conduziram as pessoas à Iluminação, propagando as leis adequadas à época para o benefício de todos. Mas, e na Era do Fim do Darma, quando o ensino do Buda Sakyamuni perdeu completamente o seu poder, quem e qual lei fariam os seres serem salvos? Essa é uma questão fundamental para nós. É por essa razão que Nichiren Daishonin afirma nesta escritura: “Eu, Nichiren, fui o precursor, em Jambu-dvipa, no início da Era do Fim do Darma, do bom presságio da divulgação dos cinco ideogramas do Myoho-Rengue-Kyo – o âmago do Sutra de Lótus e olhos de todos os Budas – que ainda não haviam sido propagados” e orienta também na escritura “Resposta ao Suserano de Ueno (Ueno Dono Gohenji)”: “Agora, entrando na Era do Fim do Darma, os demais sutras e o Sutra de Lótus não terão serventia. Será somente o Nam-Myoho-Rengue-Kyo” (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1219). Ou seja, revela que o daimoku do NamMyoho-Rengue-Kyo, que começou a ser recitado pela primeira vez pelo Buda Original Nichiren Daishonin é a essência do Sutra de Lótus, os olhos de todos os Budas, e justamente a única e Verdadeira Lei que salva todos os seres e que está adequada à Era do Fim do Darma. Pois bem, iniciarei então, a leitura da frase: Eu, Nichiren, fui o precursor, em Jambu-dvipa, no início da Era do Fim do Darma, do bom presságio da divulgação dos cinco ideogramas do Myoho-Rengue-Kyo – o âmago do Sutra de Lótus e olhos de todos os Budas – que ainda não haviam sido propagados nos mais de 2.220 anos após o falecimento do Buda, nem por Kashyapa e Ananda; nem por Asvaghosa e Nagarjuna; nem por Nan-yueh e Tien-tai; nem por Miao-lo e Dengyo. N º 2 2 7
99
Nesse trecho, Nichiren Daishonin citou muitos nomes de eruditos e devotos. Explicarei brevemente sobre eles. Kashyapa nasceu como filho de um milionário abastado, à época do Buda Sakyamuni, mas deixou para trás todos os bens e tornou-se discípulo do Buda Sakyamuni. E era conhecido, dentre os dez maiores discípulos do Buda Sakyamuni, como o primeiro em práticas ascéticas (dhuta). Práticas ascéticas refere-se à devoção aos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, eliminando o argha dos desejos egoísticos e sem o apego à vestimenta, à alimentação e à moradia. Após o falecimento do Buda Sakyamuni, organizou a primeira coletânea dos sutras do Buda para transmitir corretamente o ensino de Sakyamuni para a posteridade. Ananda era primo do Buda Sakyamuni e foi considerado o primeiro em audição, pois, durante o período de cerca de 25 anos até o Buda Sakyamuni falecer aos 80 anos de idade, Ananda sempre o acompanhou para onde ele fosse, dedicando-se também aos cuidados pessoais quando o Buda Sakyamuni atingiu uma idade avançada. Por isso, ele naturalmente teve oportunidade de presenciar as preleções do Buda Sakyamuni. Conta-se que Ananda ouviu de perto e em diversos lugares os ensinamentos serem revelados pelo Buda Sakyamuni e que os memorizou sem desperdiçar uma única palavra. Além disso, antes de se tornar discípulo de Sakyamuni, ouviu as preleções dele transmitidas por outros discípulos e as memorizou na íntegra. Ou seja, recebeu, transmitiu e preservou todas as preleções do Buda Sakyamuni. Assim, pelo fato de ter sido quem mais ouviu os ensinamentos e os memorizou, dentre os inúmeros K A I S E N
discípulos do Buda, foi denominado de o primeiro em audição. Ananda também desempenhou um papel muito importante na coletânea dos sutras do Buda que foi organizada posteriormente. Asvaghosa refere-se ao Bodhisattva Asvaghosa. Conta-se que, a princípio, ele era crítico em relação ao budismo, mas que acabou se convertendo ao ser refutado por Parshva. Posteriormente, converteu o Rei Kaniska que detinha um poderoso poder militar e, sob a proteção dele, propagou largamente o budismo. Nagarjuna refere-se ao Bodhisattva Nagarjuna. Nagarjuna nasceu numa família de brâmanes, na Índia. Ele era extremamente inteligente e tinha uma memória tão boa que jamais esquecia de algo que tivesse ouvido. Depois de ter aprendido diversos assuntos, considerou que nada mais havia para ser estudado e saiu em busca do ápice dos prazeres. Porém, por ter perseguido esses prazeres acabou perdendo seus três melhores amigos e, diante desse acontecimento, percebeu a inconstância e passou a buscar o budismo. Estudou primeiramente o Hinayana e posteriormente propagou o Mahayana. Nan-yueh refere-se ao Grande Mestre Nan-yueh. Ele ingressou no sacerdócio aos 15 anos de idade, estudou o Sutra de Lótus e, apesar de enfrentar inúmeros obstáculos, propagou o Mahayana, inclusive o Sutra de Lótus. Ele foi também o mestre do Grande Mestre Tien-tai. Tien-tai refere-se ao Grande Mestre Tien-tai. Ele tornou-se discípulo do Grande Mestre Nan-yueh e realizou os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Em especial, ele organizou um vasto número de sutras revelados pelo Buda Sakyamuni e explanou que o Sutra de Lótus era o ensino supremo e que todos os demais eram ensinos expedientes para conduzir [as pessoas] para o Sutra de Lótus. Além disso, suas preleções foram classificadas por seu discípulo, o Grande Mestre Chang-an, por exemplo, em Três Grandes Obras sobre o Sutra de Lótus (Hokke Gengi, Hokke Mongu e Maka Shikan) que Nichiren Daishonin também faz referência em suas escrituras. Miao-lo refere-se ao Grande Mestre Miao-lo. Quando ingressou no sacerdócio, aos 38 anos de idade, as doutrinas de Zen, Kegon, Shingon e outras estavam largamente difundidas entre as pessoas, na China. Assim, ele refutou essas escolas explanando o ensino do Veículo Único do Sutra de Lótus e, além disso, escreveu interpretações das Três Grandes Obras sobre o Sutra de Lótus de autoria do Grande Mestre Tien-tai para propagar o Sutra de Lótus. Ele também é denominado mestre da revitalização da escola Tien-tai. Dengyo refere-se ao Grande Mestre Dengyo. Ele ingressou no sacerdócio aos 12 anos de idade e dedicou-se aos exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Ingressou posteriormente no Monte Hiei e, depois de ter contato com o ensino do Grande Mestre Tien-tai, almejou ir para o Monte Tien-tai, na China, onde o ensino do Grande Mestre Tien-tai encontrava-se preservado, para receber diretamente esse N º 2 2 7
100
ensino. Mais tarde, realizou palestras budistas para um séquito do Imperador Kammu, o que ampliou a sua fama. Como o Imperador Kammu desejava propagar o budismo em todo o país, Dengyo conseguiu autorização para ir ao Monte Tien-tai para estudar o budismo. Depois de superar várias dificuldades para chegar ao Monte Tien-tai, o Grande Mestre Dengyo estudou diversas doutrinas e, quando retornou, trouxe para o Japão inúmeros sutras e ensinamentos. Nessa frase, Nichiren Daishonin expôs que foi o primeiro a revelar, nesta Era do Fim do Darma, o Nam-MyohoRengue-Kyo que ainda não havia sido propagado pelos grandes mestres que gravaram seus nomes na história do budismo. Prosseguindo, temos a seguinte passagem: Os meus seguidores devem continuar como a segunda e a terceira tropas, superando Kashyapa e Ananda, e ultrapassando Tien-tai e Dengyo. Ou seja, é um incentivo para que nós, discípulos de Nichiren Daishonin, avancemos em prol da propagação da Verdadeira Lei e superemos os dez maiores discípulos do Buda Sakyamuni e ultrapassemos o Grande Mestre Tien-tai – o soberano da Era da Formalidade do Darma, bem como o Grande Mestre Dengyo. Talvez alguém manifeste a seguinte dúvida: “Mas será que nós temos condição de superar o Grande Mestre Tien-tai e o Grande Mestre Dengyo?”. Entretanto, Nichiren Daishonin afirma na escritura “Sobre o Objeto de Devoção da Introspecção (Kanjin no Honzon Sho)”: […] os cinco ideogramas do Myoho-Rengue-Kyo estão perfeitamente dotados das duas leis do Buda Sakyamuni – as causas pelas ações e os benefícios pelos efeitos. Se recebermos e mantivermos esses cinco ideogramas, esses benefícios pela causa e pelo efeito nos serão naturalmente concedidos. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 653)
Está revelado que, se recitarmos o Nam-Myoho-RengueKyo para o Dai-Gohonzon, naturalmente será possível alcançar a percepção do Buda. Portanto, o importante, acima de tudo, é crer e abraçar o Dai-Gohonzon de unicidade pessoa-Lei. E no Capítulo Kanji, 13.º do Sutra de Lótus, consta que para as pessoas que propagam o Sutra de Lótus na Era do Fim do Darma, grandes obstáculos ocorrerão como se concorresse um com o outro, da seguinte forma: Será alvo de maledicências e insultos de pessoas ignorantes de todas as espécies e haverá aquelas que o ameaçarão com espadas e bastões. (Kaiketsu, pág. 375)
E, conforme essa predição, Nichiren Daishonin e os demais mestres que propagaram a Verdadeira Lei enfrentaram obstáculos que chegaram a ameaçar as suas vidas. Porém, eles enfrentaram todos esses obstáculos com serenidade, refutaram corajosamente as escolas e doutrinas errôneas e continuaram a revelar a Lei Mística. Considerando esse fato, Nichiren Daishonin afirmou que:
K A I S E N
Os meus seguidores devem continuar como a segunda e a terceira tropas, superando Kashyapa e Ananda, e ultrapassando Tien-tai e Dengyo. E, sobre essa frase, o Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin orienta para que nos levantemos em prol do shakubuku: Quando reverenciamos o fato de o próprio Nichiren Daishonin ter praticado o shakubuku com o comportamento conforme [os princípios de] “insignificância do corpo perante a grandiosidade da Lei (shinkyo hoju)” e “propagar a Lei, arriscando a vida (shishin guho)”, revelando o modelo [a ser seguido], nós também, como discípulos e adeptos de Nichiren Daishonin, devemos nos desafiar às lutas de shakubuku, seguindo os seus passos resolutamente como segunda e terceira tropas, sem nos amedrontar minimamente ou retroceder um passo sequer, quaisquer que sejam as dificuldades ou os obstáculos com que venhamos a nos deparar. (Dainichiren, edição de maio de 2017)
Penso que não haja, entre os praticantes do budismo de Nichiren Daishonin, alguém que considere, ao ver pessoas agonizando em meio aos sofrimentos, não haver problemas em abandoná-las nessa condição. A questão é como agir de forma efetiva. Nichiren Daishonin afirmou na escritura “Sobre o Verdadeiro Aspecto de Todas as Leis (Shoho Jisso Sho)”: No início, somente eu, Nichiren, recitei o Nam-MyohoRengue-Kyo, mas gradativamente duas, três, cem pessoas passaram a recitá-lo e transmiti-lo. E assim também continuará no futuro. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 666)
Primeiramente, ele mesmo começou a recitar para então transmitir gradativamente a duas, três, cem pessoas. Naturalmente, da mesma forma que Nichiren Daishonin o fez, nós mesmos devemos recitar para podermos então realizar efetivamente o shakubuku, fazendo com que a segunda e a terceira pessoas venham a recitar também. Nessas oportunidades, devemos ter sempre em mente o shakubuku com base no sentimento de benevolência, de “fazer com que a pessoa, sem falta venha a ser feliz”. Pois bem, Nichiren Daishonin, Buda Sakyamuni, Grande Mestre Tien-tai e Grande Mestre Dengyo são reverenciados como quatro grandes mestres de três países. Dentre esses mestres, o Grande Mestre Dengyo, na ocasião em que ingressaria no Monte Hiei aos dezenove anos de idade para realizar os exercícios de aprimoramento, apresentou uma carta de intenção. Ou seja, é uma manifestação de sua decisão com relação aos exercícios de aprimoramento. Vou apresentar aos senhores alguns trechos dela: Indagando e analisando as minhas ações até agora, não houve ações corretas em conformidade com os preceitos; venho recebendo discretamente os cuidados com relação à vida cotidiana, como a vestimenta e a alimentação; desconheço a verdade, sou tolo e tenho causado transtornos para as mais diversas formas de vida. É por essa razão que N º 2 2 7
101
no sutra está revelado: “quem doa aos outros renasce no céu e, pelo contrário, quem só recebe vai para o inferno”. [...]As ações e os efeitos estão em conformidade: claramente, se elas forem boas, seus efeitos serão bons, e, se forem más, seus efeitos serão ruins. Entre as pessoas que sabem o que é dignidade, quem deixaria de acreditar nesse ensino? É por esses aspectos que o Buda repudia as pessoas que, embora conheçam a causa do sofrimento, não temem o seu efeito por estarem apegadas ao coração maléfico, que as impedirá de se tornarem Buda. No Budismo, aqueles que vivem em vão e deixam de realizar boas ações, embora tenham nascido como seres humanos, são censurados, comparados a alguém que entra na montanha de tesouros, mas retorna sem nada ter conquistado. No momento, eu Saicho, que sou inferior, o cúmulo dos tolos, um monge insignificante sem virtudes, estou me opondo ao ensino do Buda na condição de seu discípulo; como alguém do povo, estou contrariando as leis que o Imperador estabeleceu; e, como filho, estou faltando com a minha dedicação filial. (Interpretação)
Até o Grande Mestre Dengyo, soberano da Era da Formalidade do Darma, era bastante modesto a respeito de si mesmo, e havia manifestado uma decisão sincera sobre os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda. Nichiren Daishonin afirmou para nós, seus discípulos, que seremos capazes de superar o Grande Mestre Dengyo. Mas, para isso, é preciso que tenhamos uma profunda humildade e uma forte convicção no budismo tal como o Grande Mestre Dengyo e realizarmos os exercícios de aprimoramento. Na continuação da carta de intenção, ele cita: O que peço ao Buda é que, na ocasião em que eu alcançar a percepção para sair do mundo de sofrimentos, todas as formas de vida de todo o Universo possam igualmente escapar do mundo dos sofrimentos, e que possa partilhar com elas a forma de atingir a tranquilidade, sem que apenas eu fique mergulhado nas alegrias, sem que apenas eu seja a única pessoa a conhecer a forma de atingir a tranquilidade.
cada pessoa, diversas dificuldades e maldades se manifestam. Entretanto, as maldades jamais vencem o Buda. Embora as maldades se manifestem, se mantivermos a convicção absoluta no Dai-Gohonzon e, com a prática da fé vigorosa, dedicarmo-nos às ações para a salvação de todos os seres, sem falta receberemos a proteção inconspícua das Entidades Iluminadas e certamente conseguiremos enfrentar as maldades. [...] Quando os senhores avançarem em prol da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, com o mesmo propósito, todas as maldades sem falta vão se retirar. E seremos dignos da apreciação de Nichiren Daishonin. (Dainichiren, edição de outubro de 2018)
Quando realizamos os exercícios de aprimoramento no caminho do Buda, diversas maldades surgem para impedir a Iluminação. Porém, uma vez que reconhecemos as maldades como maldades, nada temos a temer. Conforme as orientações de Nichinyo Shonin, tendo convicção absoluta no Gohonzon e realizando as ações para a salvação de todos os seres – isto é, o exercício de shakubuku –, receberemos a proteção das Entidades Iluminadas e sem falta conseguiremos enfrentar e superar as maldades. Se seremos capazes ou não de superar as pessoas respeitadas como soberanos das Eras da Vigência e da Formalidade do Darma, de trilhar no caminho direto para a Iluminação e de receber as palavras de apreciação de Nichiren Daishonin, vai depender de agirmos efetivamente ou não. Todos abominam as dificuldades. Penso que seja maioria quem prefira uma vida sem nenhum problema. Mas, no presente, na Era do Fim do Darma, sempre aparecem diversas dificuldades como os quatro ou oito tipos de sofrimentos associados ao ciclo do nascimento até a morte (shiku hakku). Na sequência da frase que lemos respeitosamente este mês temos a seguinte passagem: Heino Saemon é justamente o Devadatta. [...] E Devadatta é justamente o supremo agente do Bem. Observando a sociedade atual, quem aprimora melhor as pessoas é um poderoso inimigo, muito mais do que um aliado.
(Interpretação)
(Heisei Shimpen Gosho, pág. 1063)
Ou seja, ele menciona o desejo de alcançar a percepção e a felicidade juntamente com todas as formas de vida e não apenas ele mesmo. De fato, é uma carta de intenção que transborda de grandiosa benevolência, na condição de soberano da Era da Formalidade do Darma. Quando nós, em vez de nos apegarmos apenas à nossa própria felicidade, passarmos a pensar na felicidade de todas as formas de vida e a agir efetivamente para isso, manifestaremos a suprema condição de vida denominada Iluminação. E Nichinyo Shonin nos orienta: Nichiren Daishonin afirma: “Se as maldades não se manifestassem, concorrendo umas com as outras, não haveria como saber que é a Verdadeira Lei”. Afirma que, justamente pelo fato de o Budismo de Nichiren Daishonin ser o budismo correto, as maldades se manifestam tumultuadamente. Portanto, no decorrer da prática da fé de
Ou seja, afirma que uma personalidade como a de Devadatta que se opôs ao Buda Sakyamuni é justamente um agente do Bem. E que, para Nichiren Daishonin, Heino Saemon corresponde a esse tipo de personalidade. Heino Saemon impôs diversas perseguições a Nichiren Daishonin e aos seus discípulos e adeptos, tais como as perseguições de Tatsunokuchi e de Atsuwara. Uma personalidade como essa é considerada um agente do Bem pelo fato de possibilitar a eliminação das causas negativas justamente por ocasionar dificuldades, o que levará as pessoas a alcançar a Iluminação na Forma Presente nesta existência. É extremamente difícil atingir essa condição de vida do Buda Original. Entretanto, este é o Budismo de Nichiren Daishonin e é importante buscarmos essa condição de vida. E, de acordo com a frase deste mês, as pessoas que receberam a conversão (gojukai) e realizam os exercícios de
K A I S E N
N º 2 2 7
102
aprimoramento no caminho do Buda conforme as orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei, são todas discípulas notáveis de Nichiren Daishonin, capazes de superar até mesmo os soberanos das eras da Vigência e da Formalidade do Darma. Portanto, caso menospreze ou humilhe discípulos assim, gerará uma má causa extremamente grave. Na frase que lemos respeitosamente no mês passado, estava revelado sobre a importância de corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. Devemos tomar cuidado para jamais nos tornarmos um verme no corpo do leão, o que nos levará a acumular más causas. Com a frase deste mês aprendemos que temos a grande missão de estabelecer a terra sempre serena e iluminada, lançando-nos às lutas em prol da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, como segunda e terceira tropas, juntamente com os demais companheiros, com corpos diversos com o mesmo propósito – itai doshin. O importante, para cumprirmos essa missão, é sempre pensarmos sobre o “porquê de estar praticando a fé da Nichiren Shoshu” e nos certificarmos disso. O objetivo da prática de Nichiren Daishonin é alcançar a condição de vida de felicidade absoluta, denominada Iluminação. Para isso realizamos os exercícios de aprimoramento, como a
participação na Cerimônia de Oko, na Reunião de Recitação de Daimoku em Prol do Kosen-rufu, na limpeza do templo, e os oferecimentos (gokuyo). As más causas referem-se às ações que, por iniciativa própria, elimina as boas causas que acumulou com a realização desses exercícios de aprimoramento. É realmente um desperdício. Mesmo que receba a conversão (gojukai), consagre o Gohonzon em casa, caso não gere boas causas, bons efeitos não surgirão. Cada um de nós, membro da Hokkeko aqui presente, sem nenhuma exceção, possui uma preciosa missão. Caso respeitemos a missão um do outro, almejando a concretização da propagação irrestrita da Lei – kosen-rufu, naturalmente será possível acumular boas causas para a Iluminação na Forma Presente. Orando para que todos os senhores possam propagar a grandiosa Lei do Nam-MyohoRengue-Kyo revelado por Nichiren Daishonin e que possam manter diariamente a condição de vida de grande alegria repleta de benefícios do Dai-Gohonzon, faço destas palavras a minha preleção de hoje. Meus sinceros reconhecimentos pela presença dos senhores nesta Cerimônia de Oko em retribuição pelas dívidas de gratidão. Muito obrigado.
Recitação Especial de Oko Orientação do Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin 13 de dezembro de 2019
A finalidade do advento de Nichiren Daishonin consta na escritura “Sobre a Transmissão da Exegese Oral do Sutra de Lótus (Ongi Kuden)” como segue: O Nam-Myoho-Rengue-Kyo que Nichiren recita, no presente, faz com que os seres, dos mais de dez mil anos da Era do Fim do Darma, atinjam a Iluminação. [...] Não há dúvida de que, com o grandioso e excelente remédio da Lei Mística, a grave doença da ignorância de todos os seres será sanada. (Heisei Shimpen Gosho, pág. 1732)
Nichiren Daishonin fez seu advento neste mundo para salvar os seres da Era do Fim do Darma, que não possuem a semente de Buda. Seu verdadeiro propósito é conduzir todos para o caminho de Buda com o Myoho-Rengue-Kyo do longínquo passado, para que possam alcançar o estado de Buda na vida presente. Em outras palavras, “o Nam-Myoho-Rengue-Kyo que Nichiren recita, no presente” destacado nesta passagem da escritura, refere-se aos cinco ideogramas de Myoho-RengueKyo, a Verdadeira Lei do longínquo passado, o MyohoRengue-Kyo de unicidade de pessoa e Lei. Na forma de pessoa, é o fundador, o Buda Original Nichiren Daishonin, que realizou o advento na Era do Fim do Darma, a entidade K A I S E N
do Buda de sabedoria inerente e perfeita do longínquo passado, o Tathagata renascido. Na forma da Lei, é a Lei Mística do longínquo passado. O Myoho-Rengue-Kyo de unicidade de pessoa e Lei é exatamente a grandiosa Lei que pode salvar todos os seres da Era do Fim do Darma. No entanto, a situação do mundo na atualidade é que muitas pessoas estão desencaminhadas em relação à Lei correta – em decorrência dos malefícios das calúnias à Lei. Como elas não podem se livrar da angústia, estão sofrendo o sofrimento mais terrível. Na escritura “Carta a Akimoto (Akimoto Gosho)” a orientação é como segue: Se os caluniadores da Lei habitarem este país, tudo nele tornar-se-á o grande castelo de incessantes sofrimentos. Como Nichiren Daishonin expõe nesta passagem da escritura, a mente das pessoas fica distorcida devido ao veneno das calúnias à Lei, causando assim a desordem na terra. Como resultado, toda a nação sofre a angústia de cair no inferno de incessantes sofrimentos. A causa principal dos desastres da nação em conflito e das pessoas que sofrem com a agonia do infortúnio e da desordem deve-se unicamente ao veneno dos ensinamentos errôneos. A menos que as calúnias à Lei sejam eliminadas,
N º 2 2 7
103
nem a verdadeira felicidade das pessoas, nem a paz mundial, nem a tranquilidade do mundo serão realizadas. Esta é a razão mais importante para refutar as calúnias à Lei e realizar o shakubuku. Na escritura “Diálogo entre um Sábio e um Ignorante (Shogu Mondo Sho)”, Nichiren Daishonin ensina: Esta é uma era impura – como o coração das pessoas está desvirtuado e distorcido, e apenas o ensino expediente e as calúnias à Lei estão profusos, é difícil propagar a Verdadeira Lei. Nesta época, os exercícios de aprimoramento de leitura, recitação e transcrição, bem como a introspecção, a meditação e o ascetismo são inúteis. Apenas coloque em prática o shakubuku e, se tiver forças, refute com vigor as calúnias à Lei e conteste também as doutrinas errôneas com as doutrinas [corretas].
Iluminação dos Principiantes do Sutra de Lótus (Hokke Shoshin Jobutsu Sho)”: Ouvir o Sutra de Lótus, que faz com que se torne Buda, será a semente para que, sem falta, venha a atingir a Iluminação. Por essa razão que Tien-tai e Miao-lo, seguindo esse princípio, expõem [nas suas obras de interpretação] que se deve revelar, com veemência, o Sutra de Lótus. Fazendo uma analogia, é como uma pessoa que tropeça no chão, cai e se levanta, apoiando-se nesse chão. Mesmo que caia no inferno, levantar-se-á e rapidamente se tornará Buda. Como as pessoas da Era do Fim do Darma indubitavelmente cairão no inferno pelo erro de se opor ao Sutra de Lótus, haja o que houver, veementemente ensine e faça com que ouçam o Sutra de Lótus.
(Heisei Shimpen Gosho, pág. 403)
Como Nichiren Daishonin orienta nesta passagem da escritura, devemos ensinar com veemência o Sutra de Lótus, o Myoho-Rengue-Kyo, semeando a semente da causa original naqueles que não possuem a semente de Buda. Devemos fazer isso a qualquer custo, para que eles possam alcançar o estado de Buda na vida presente.
O mundo de hoje, na Era do Fim do Darma, está em extrema desordem devido ao veneno das calúnias à Lei. Nesta situação atual, Nichiren Daishonin ensina o quanto é importante se utilizar do método correto de shakubuku para erradicar as calúnias à Lei. Ele ainda nos orienta o seguinte, na escritura “Sobre a
(Heisei Shimpen Gosho, pág. 1316)
Teias de aranha Reverendo Gyoten Shirai Matéria de Estudo para o Núcleo de Dezembro
Os senhores se lembram do acidente decorrente do desmoronamento de uma mina no Chile, em 05 de agosto de 2010? Nesse acidente, 33 operários ficaram presos a 700m de profundidade. Não havia sido confirmado, logo após o acidente, se os operários haviam sobrevivido, o que ocorreu somente 17 dias depois. E, mesmo depois de confirmado que essas 33 pessoas estavam vivas, a estimativa era de que levaria cerca de quatro meses para a operação de salvamento no subsolo, a 700 m de profundidade. Qual teria sido o sentimento dos operários ao saberem do tempo que levaria para serem resgatados? A vulnerabilidade emocional, física e de saúde deles, além do temor pelo qual os familiares e amigos desses operários teriam passado, são inimagináveis para nós. Se formos representar essa condição de vida de sofrimento à luz do budismo, poderíamos compará-la à condição de sofrimento do inferno. Temos uma parábola que se assemelha a essa situação. Teias de aranha: Certa vez, o Buda Sakyamuni estava passeando pela lagoa de lótus. Nela, havia dez mundos, com o inferno ao fundo. Quando, por cima da lagoa de lótus, o Buda Sakyamuni espiou as profundezas do inferno, avistou muitos criminosos agonizando em meio aos sofrimentos. E viu, entre eles, um K A I S E N
homem chamado Antonio. Antonio havia sido um ladrão em vida, que havia cometido diversos maus atos. Mas, em uma ocasião, que fora única, ele havia realizado uma boa ação. Quando Antonio estava caminhando numa via, ele havia achado uma aranha pequena. Num primeiro momento ele pensou em pisá-la e matá-la, mas abandonou essa ideia, poupando-lhe a vida. Lembrando-se desse fato, o Buda Sakyamuni baixou uma teia de aranha para conduzir o Antonio que estava no fundo do inferno. Antonio, que estava agonizando em meio aos sofrimentos do inferno, viu essa teia de aranha ser lançada lá de cima e pensou: “Se eu subir por esse fio, talvez consiga sair do inferno”. Antonio se agarrou na teia de aranha e começou a subir, do fundo do inferno, almejando chegar lá em cima, onde a sua vista nem alcançava. Depois de ter subido uma altura considerável, olhou para baixo e viu que outros malfeitores vinham subindo do inferno, no encalço dele. Temendo que a teia fina pudesse arrebentar, Antonio gritou para os malfeitores que vinham subindo abaixo dele: “Essa teia de aranha é minha! Desçam logo, desçam logo!”. No instante seguinte, a teia de aranha arrebentou, de onde o Antonio estava pendurado, e ele caiu novamente no inferno. N º 2 2 7
104
O Buda Sakyamuni, que estava observando todo o acontecimento do início ao fim, levantou-se e deixou a lagoa de lótus com o semblante triste pela falta de benevolência do Antonio, que quis escapar sozinho do inferno, e pelo fato de ele ter caído no inferno como punição por essa atitude. Pois bem, voltarei ao assunto do incidente do desmoronamento. As 33 pessoas que ficaram presas a 700m de profundidade, permaneceram sem contato com as pessoas na superfície por 17 dias depois do incidente, mas perseveraram sem perder as esperanças. Conta-se que, para elas não terem entrado em pânico, houve um grande poder de orientação do líder. Os alimentos que estavam armazenados eram somente para três dias. O líder dividiu esses alimentos para as 33 pessoas de modo que durassem mais dias – a cota de alimento por dia era, por exemplo: duas colheres de atum enlatado ou um biscoito água e sal ou uma fatia de pêssego em caldas, para que pudessem comer o menos possível mas por um longo período de tempo, considerando as eventualidades. Se houvesse alguém que pensasse somente em si próprio, como o Antonio, ou que não seguisse as determinações do líder, o que poderia ter acontecido? E, 69 dias depois do incidente ter ocorrido, todos eles foram socorridos, sãos e salvos. A alegria que eles sentiram nessa ocasião deve ter sido tão grande, como a de terem sido salvos do inferno. Algo que nós sequer podemos imaginar. Pode ser que a capacidade do líder de orientar fosse inexpressiva como a teia de aranha. Mas todos confiaram nessa “teia fina” e se uniram, o que levou à salvação de todos.
Pois bem, nós estamos estudando o ensino da Nichiren Shoshu, visitando o templo e participando das reuniões do núcleo no dia a dia. Acredito que, na maioria das vezes, sejam abordados sobre corpos diversos com o mesmo propósito - itai doshin, e sobre o shakubuku, nas orientações do Reverendíssimo Soberano da Lei e nas instruções do sacerdote prior. Isso porque, conforme essa história nos expõe, são respectivamente o ensino e o exercício de aprimoramento que nos permitem enfrentar e superar os sofrimentos como os de inferno, da mesma forma que levou os operários a serem resgatados e a experimentarem uma grande alegria. E esse exercício de aprimoramento da prática da fé é o exercício de aprimoramento conforme o princípio “desejos mundanos são dotados de Iluminação (bonno soku bodai)”, que permite transformar os sofrimentos do inferno em percepção. Ou seja, não é o ensino que salva apenas a si próprio e deixa de salvar os demais, como o Antonio esperava. Nós somos membros que sobem pela teia da Verdadeira Lei de Nichiren Daishonin. Vamos nos lembrar que, caso falemos mal desses membros, estaremos na mesma condição de vida do Antonio. E, da mesma forma que o Buda salva as pessoas que estão sofrendo, estendendo a teia de aranha para elas, vamos estender a Verdadeira Lei de Nichiren Daishonin para as pessoas que ainda a desconhecem!
Sobre a união, Nichiren Daishonin orienta na escritura “Sobre Corpos Diversos com o Mesmo Propósito (Itai Doshin Ji)”: Se num coração houver dois propósitos, um contrariará o outro e nada será alcançado. Embora sejam cem ou mil pessoas, se o propósito for único, sem falta terão êxito. (Heisei Shinpen Gosho, pág. 1389)
O Reverendíssimo Soberano da Lei Nichinyo Shonin afirma: Caso deseje a felicidade apenas de si próprio, essa felicidade não virá, por mais que o tempo passe. Desejar a felicidade para si e para os outros é o espírito fundamental do shakubuku. Assim, é preciso lembrar-se devidamente disso. Esses 33 operários que foram salvos estiveram em corpos diversos com o mesmo propósito, Itai Doshin. Enfrentaram e superaram aquela dificuldade angustiante com o espírito de shakubuku, que é o de “desejar a felicidade de todos – de si e dos demais, e não somente de si próprio”.
K A I S E N
N º 2 2 7
105
KAISEN REVISTA DE CIRCULAÇÃO INTERNA DOS ADEPTOS DA HOKKEKO DO BRASIL KAI significa ABRIR ou PROPAGAR SEN significa ELUCIDAR ou CLAREAR No 12.º Capítulo do Sutra de Lótus consta a seguinte frase: "Abrindo a Lei do Veículo Único, conduzindo amplamente todos os povos para levá-los à percepção"
Templo Budista Kaidozan Shoboji - Nichiren Shoshu Rua Luís Góis, 504 - Vila Mariana - São Paulo - SP - Brasil CEP: 04043-000 www.temploshoboji.org.br